Parábola da videira trazida do Egito

(Sl 80)

Na verdade esse grande salmo apresenta uma variedade de figuras de linguagem cativantes. Por exem­plo, temos:

1.  A maravilhosa e conhecida metáfora do pastor, uma das princi­pais designações do Senhor usada em relação a Israel e à igreia (Gn 49:24; Jo 10:11).

2.  O pão de lágrimas (SI 80:5). Quantas provas e tribulações, sofri­mentos e lutas o povo de Deus havia suportado.

3.  A vinha (SI 80:8-11) é usada como emblema de Israel —símbolo tão “natural e adequado que não sur­preende encontrá-lo repetidas vezes no AT e adotado no Novo” (Gn 49:22; Jo 15:1). Israel foi tirado do Egito e plantado em Canaã. Sua sombra co­briu as montanhas, seus ramos os rios, o que se refere aos limites da terra prometida, do mar até o rio Eufrates.

4. Os cedros (SI 80:10). Os ramos da vinha são comparados aos “cedros de Deus”. A prosperidade de Israel era semelhante à exuberância da mais magnífica de todas as árvores da floresta.

5.0 javali da selva (SI 80:13). Essa é a única referência ao javali selvagem na Bíblia, usada para ressaltar o poder devastador de certo opressor de Israel, assim como o crocodilo é usado em relação ao Egito, e o leão, com respeito à Assíria. Mas Deus é capaz de proteger os seus de todas as forças destrutivas (SI 80:14-19).

Visita esta vinha, a videira que a tua destra plantou, o sarmento que para ti fortificaste […] Seja a tua mão so­bre o povo da tua destra, sobre o filho do homem, que fortaleceste para ti.

Aqui temos “um bom exemplo de quando o pensamento passa natural­mente do sentido figurado para o li­teral”. Esse salmo parabólico termi­na em belo estilo ao dirigir-se a Deus, com o refrão alcançando seu tom completo, expressando a mais plena confiança. Apesar das provas que nos são permitidas, Deus sabe preservar e libertar os seus, como diz Whittier nestes versos:

 De Deus o caminho escuro, sem tardança,

Os brilhantes píncaros da alva pode alcançar.

O mal não pode tolerar a esperança;

O bem, esse sim, não tem pressa de esperar.

Herbert Lochyer.

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Parábola de Jó

(27:1; 29:1)

Embora as oito respostas de Jó a seus amigos se achem nos capítulos de 26 a 31 e sejam cheias de lingua­gem simbólica e cativante, na ver­dade a seção não contém nenhuma parábola de fato, ainda que o termo seja usado duas vezes nos diálogos. As partes que compõem sua primei­ra parábola, como Jó chama a sua réplica no original, podem ser facil­mente percebidas:

1.  a decisão de não negar a sua integridade (27:2-6);

2. a avaliação que faz sobre o des­tino dos perversos (27:7-23);

3. a magnífica avaliação da natu­reza da sabedoria (28);

4.  a comparação de sua vida an­tiga com a sua experiência de então (29 e 30) (Quão saudosamente Jó relata a sua antiga felicidade!);

5. a declaração inequívoca de ino­cência e de conduta irreprovável (31). Neste capítulo temos uma es­plêndida confissão de retidão.

O termo usado por Jó e às vezes traduzido por “parábola” no que se refere aos seus eloqüentes discursos, é m_sh_l, que significa similarida­de, mesmo vocábulo usado nas pro­fecias de Balaão (v. tb. SI 49:4; 78:2). O termo acima é também usado em sentido amplo e vago, englobando poesia profética e também proverbi-al (Nm 21:27).

Herbert Lockyer

Parábola do cardo e do cedro

(2Rs 14:8-14)

 Proferida por Jeoás a Amazias, essa parábola nos leva de volta ao reino das árvores e dos animais, fa­zendo lembrar a parábola vigorosa de Jotão (Jz 9:8-15). Nos anteceden­tes históricos da parábola estava o abatimento de Edom. Amazias, rei de Judá, estava extasiado por ter dominado os edomitas, matando dez mil homens. Concluiu com isso que seria da mesma forma bem-sucedido contra os mais invencíveis inimigos do exército de Israel. Mas Amazias veio a descobrir que seu primeiro su­cesso tinha sido apenas relativo. Co­metendo o erro de subestimar o po­derio militar do adversário, Amazias encontrou a derrota. Depois disso fez o insolente desafio a Jeoás: “Vem, encontremo-nos face a face”.

As duas metáforas extraídas da natureza são o cedro e o cardo, que expressam o sentimento de superioridade de Jeoás ao reprovar Amazias. O cedro, árvore de cresci­mento lento e de vida longa, usada para os deveres sacrificiais do tem­plo, representa a força de Israel. O cardo, identificado por Ellicott com o espinheiro, a sarça ou o abrunheiro-bravo, é uma planta que cresce como erva daninha e não tem nenhum va­lor, transmitindo de maneira vivida o desdém de Jeoás por seu rival. “O cedro de mil anos não pode ser ar­rancado nem eliminado pela maior força deste mundo, ao passo que o cardo de ontem está à mercê do pri­meiro animal da floresta que passar por seu caminho”.

Depois temos uma ilustração ex­traída da vida familiar: “Dá tua filha por mulher a meu filho”. Trata-se de um costume oriental em que o ho­mem, ao pedir a filha de outro em ca­samento, devia ter as mesmas condi­ções sociais; senão, a solicitação seria considerada um insulto. Habilmente, Jeoás mostra que a proposta do car­do ao cedro era semelhante à do po­bre, que pede ao rico permissão para casar com a sua filha. Dessa manei­ra, “o destino do cardo mostra o que seria o resultado da auto-estima do rei de Judá se não aceitasse o conse­lho ‘fica em tua casa! Por que te in-trometerias no mal, para caíres tu?’, que é a aplicação de toda a palavra”.

A parábola, então, era uma ima­gem verdadeira do caráter de Amazias que, infelizmente, não es­tava disposto a se ver nela. Um ca­ráter deformado não tem o desejo de se ver refletido em um espelho fiel. As incomparáveis parábolas de Je­sus geralmente não eram bem-suce-didas quanto à aprovação de seus ouvintes. A insolência e o orgulho de Amazias foram a sua ruína. Se tives­se ficado satisfeito com a conquista de Edom, teria sido poupado da hu­milhação de ser derrotado pelas mãos de Jeoás, rei de Israel. O tema central da parábola é: “A soberba precede a ruína, e a altivez de espí­rito, a queda” (Pv 16:18).

Herbert Lockyer.

Parábola de Micaías

(lRs 22:13-28)

 O profeta Micaías, dirigindo-se aqui a Zedequias, não era homem de profanar o seu chamado. Não con­tribuiu para a idéia supersticiosa de que, uma vez que se cresse que a ins­piração dos profetas vinha de Deus, essa inspiração ainda assim poderia ser alterada conforme os profetas achassem melhor, e assim podiam ser subornados, enganados ou obri­gados a profetizar coisas mais acei­táveis. Micaías foi um verdadeiro discípulo de Elias, e a austera res­posta que deu mostrou ser ele um inimigo da corrupção.

A parábola profética de Micaías, expressa numa metáfora impressio­nante e numa visão simbólica, pare­ce-se com a referência de Jó à con­versa de Satanás com o Senhor (1:6-12). Ellicott diz que a idéia expressa pela parábola “é o engano dos falsos profetas por um espírito maligno, numa condenação de Deus pelos pe­cados de Acabe e pela degradação que esses falsos profetas provocaram ao ofício. As imagens são tomadas por empréstimo à ocasião. São obviamen­te extraídas da analogia com uma corte real, onde, como no caso peran­te os olhos de Micaías, o rei procura conselho contra os seus inimigos”.

Herbert Lockyer

Parábola do Profeta Ferido

(l Rs 20:35-43)

 Essa parábola segue o padrão dos escritos proféticos, em que as pala­vras se fazem acompanhar de uma encenação parabólica (Jr 27:2; Ez 12:7). Estas parábolas encenadas devem ter sido marcantes para os que as viram e ouviram.

De acordo com Josefo, esse “um dos homens” que encenou a parábo­la era Micaías, filho de Inlá. Obvia­mente era representante de uma escola profética. A morte pelo leão traz à mente a morte do profeta de-sobediente, relatada no capítulo an­terior (13:24). O propósito da pará­bola era fazer com que o próprio Acabe se condenasse. Um aspecto semelhante de condenação está pre­sente nas duas últimas parábolas que estudamos. Esta parábola, no entanto, não gerou arrependimen­to em Acabe, mas suscitou nele a teimosia e a indignação caracterís­ticas que mais tarde viria a demons­trar (21:4).

O profeta alegou ser de inspira­ção divina o seu primeiro pedido, que teria sido a solicitação de um louco, se não fosse “a voz de Senhor”. Como Lang observa em seu famoso Commentary [Comentário]: “A pu­nição do homem que se recusou a obedecer à ordem do profeta prova, sem dúvida alguma, que a exigên­cia era acompanhada de uma expo­sição de motivos e da explicação de ser aquela uma ordem do Senhor”. Era essencial que não só a aplica­ção da parábola ficasse escondida daquele a quem ela se dirigia, mas que também o que a contasse não fosse identificado. Por isso o disfar­ce do rosto coberto. Assim como o pescador procura ocultar tanto a si mesmo como o anzol, usando para isso uma isca, aqui, como no caso de Nata, o anzol da intenção estava escondido. Acabe não tinha respei­to pelos mensageiros do Senhor, e quem quisesse enfrentá-lo precisa­ria disfarçar-se de ferido, para tra­zer a esse rei desobediente a sua própria condenação.

Quanto ao significado dessa pa­rábola, apesar de não ser muito cla­ra em todos os seus detalhes, uma coisa é incontestável, como mostra Lang: “o jovem que havia saído à batalha representa Acabe, e o ho­mem confiado aos seus cuidados, o qual escapou por falta de atenção, representa Ben-Hadade. Israel tinha acabado de enfrentar uma batalha difícil e sangrenta, e tinha conquis­tado a vitória prometida; mas ago­ra, na pessoa de Ben-Hadade, o arquiinimigo que Deus havia entre­gue em suas mãos, estava livre e sem punição”.

Muitas lições podem ser extraí­das dessa parábola. O profeta da narrativa era dirigido pela Palavra de Deus, e teve de sofrer por obe­decer a ela. A obediência ao Senhor algumas vezes nos leva a um ca­minho doloroso. Os que vão contra a verdade divina trazem condena­ção sobre si. A sentença de Acabe sobre o homem foi executada con­tra ele próprio. Ele recebeu o pa­gamento na mesma moeda. Então, na solene incumbência feita ao pro­feta pelo homem que voltara da batalha, há uma verdade a mais para observar: “me trouxe outro homem, e disse: Guarda-me este homem”. A coragem e o sacrifício do herói nunca são em vão. Cristo sacrificou a si mesmo, para que a presa saísse da mão dos poderosos e para que os cativos fossem liber­tos; ele mesmo não morreu em vão, como podem atestar miríades de al­mas redimidas, tanto no céu como na terra.

Além do mais, a falta de inten­ção e de atenção por parte do rei não foi reprovada com as palavras: “Estando o teu servo ocupado de uma e de outra parte, o homem de­sapareceu”? Por acaso estamos con­denados na questão da vigilância? O homem que havia efetuado a fuga na parábola tinha ido embo­ra. Que possamos ser preservados da negligência em nossas solenes responsabilidades! Muitos de nós se ocupam por demais aqui e aco­lá, em missões de menos importân­cia, deixando que uma incumbên­cia de maior valor lhes escape. Pre­cisamos de maior concentração como também de consagração — mais atenção e intenção.

Herbert Lockyer

Parábola dos 02 Filhos

(2Sm 14:1-24)

 É interessante comparar a pa­rábola da mulher de Tecoa com a parábola acerca da cordeira, que acabamos de analisar. Essa compa­ração é sobretudo importante por­que ressalta as diferenças entre uma e outra. Novamente, Davi é o alvo da parábola. A da Cordeira foi proferida por Nata, o profeta ins­pirado; a dos Dois irmãos, por uma mulher esperta, instigada por Joabe, que era “astuto, político e inescrupuloso”, capaz de “ler o ca­ráter humano e discernir as moti­vações humanas se lhe fosse dada uma oportunidade, mesmo que pequena”.

A parábola de Nata foi uma ar­dente condenação ao pecado duplo de Davi, de sedução e de assassina­to; a parábola da mulher de Tecoa estava cheia de astúcia e de bajulação. Aquela se baseava nos princípios divinos da verdade, da justiça e da retidão, sendo proferida com toda a solenidade; esta foi um misto de verdade e de falsidade, e de conclusões erradas sobre Deus. A mulher que Joabe subornou para contar a parábola que ele arquiteta­ra não sentia de fato o que, na ver­dade, era só encenação. Ela prota­gonizou um espetáculo impressio­nante. Só encenação. Assim, também o objetivo de cada parábola difere. A de Nata foi feita para condenar Davi por seu pecado e induzi-lo a um arrependimento verdadeiro; a da mulher tinha por objetivo apoiar os planos de Joabe, cheios de inte­resses próprios e de um senso de autopreservação.

1. O ambiente da parábola. Ahis-tória inventada por uma “mulher humilde e desconhecida, de uma vila também pouco conhecida de Israel, quase 3 mil anos atrás”, foi atenta­mente ouvida por Davi, porque sen­tia nela uma correspondência com a sua própria história. Embora Deus lhe tivesse feito descansar dos seus inimigos, Davi ainda estava domina­do pela lembrança de sua dolorosa queda e, nos pecados e crimes de seus filhos, escutava o triste eco das trans­gressões que ele mesmo cometera. Sua harpa, tantas vezes um consolo, para ele estava “pendurada no sal­gueiro” (SI 137.2). Absalão, seu filho amado, estava no exílio havia três anos, por ter assassinado seu irmão Amnom, que havia violentado Tamar (irmã de Absalão e meia-irmã de Amnom). Apesar dos pecados de Absalão, Davi ansiava por vê-lo: “o rei Davi sentiu saudades de Absalão”.

Em seu livro, cheio de vividos ser­mões biográficos, Clarence E. Macartney, ao tratar da “Mulher de Tecoa”, mostra com forte realismo o conflito que Davi passou naquele momento. De um lado estava o Davi rei, guardião da justiça; do outro, o Davi pai, saudoso do filho que come­tera aquele crime:

“O Davi rei, sustentáculo da lei, está dizendo: ‘Absalão, você é um assassino. Você matou de forma traiçoeira o seu próprio irmão. Você sujou as mãos com o sangue de Amnom. Violou a lei de Deus e a lei dos homens. Absalão, permane­ça no exílio. Nunca mais veja o meu rosto’.

“Mas o Davi pai está falando de maneira muito diferente: ‘Absalão, volte para casa. Sem você, os ban­quetes não têm o mesmo sabor; sem você, a minha harpa fica sem melo­dia; sem você, as salas do palácio são tristes; sem você, os cerimoniais de guerra nada mais são que um espe­táculo vazio. Você matou seu irmão, mas, apesar de todas as suas falhas, eu ainda o amo. Absalão, meu filho, meu filho, volte para casa'”. Então se passaram os dias, as semanas, os meses e os anos.

2. A essência da parábola. Ao per­ceber o desejo de Davi de trazer de volta a Absalão, embora a justiça o houvesse obrigado a ser severo, Joabe, chefe do exército, conselheiro e amigo do rei, sabia que havia ape­nas uma solução para a dor que esta­va impedindo Davi de cumprir seus deveres reais. Ele teve a idéia da pa­rábola, e sabia que uma mulher po­deria contá-la melhor que um ho­mem. Evidentemente a mulher de Tecoa tinha sabedoria, sutileza e elo­qüência, e a parábola foi criada com o propósito claro de não se assemelhar tanto à história de Absalão. En­tão, cobrindo-se com a máscara da dor e da aflição, a mulher transmitiu a mensagem que Joabe lhe pusera nos lábios. Para Macartney, essa narrati­va: “é um dos quatro ou cinco grandes discursos da Bíblia […] Em nenhum lugar da Bíblia se vê, em tão curto es­paço, uma passagem com metáforas tão lindas quanto essas, tão emocio­nantes, apaixonadas e eloqüentes”.

O lamento da mulher, em eviden­te sofrimento, tocou o coração bon­doso e cordato de Davi, que, man­dando que se levantasse, perguntou: “Que tens?”. Então ela contou a to­cante história dos dois filhos que, brigando em um campo, um acabou sendo morto. Por causa do assassi­nato, o restante da família se revol­tou e exigiu que ela entregasse o fi­lho vivo para ser morto por causa do crime. Quando ela clamou pela se­gurança do suposto filho, Davi se co­moveu e disse-lhe que fosse embora, pois sua petição seria atendida: “não há de cair no chão nem um cabelo de teu filho”.

Ao destruir as defesas externas do coração de Davi, a mulher, instruída pelo astuto Joabe, dirigiu-se às defe­sas internas; com uma graciosidade, uma sutileza e uma humildade in-comparáveis, apresentou o apelo para o regresso e a segurança de Absalão, embora ele tivesse assassinado o ir­mão. Ao penetrar no disfarce da mu­lher, Davi detectou o estratagema de Joabe: “Não é verdade que a mão de Joabe anda contigo em tudo isto?”. A mulher prontamente confessou que todo o esquema era do chefe do exér­cito. Davi então mandou chamar a Joabe e designou-o para fazer “vol­tar o jovem Absalão”. E assim o filho banido retornou.

Ainda assim, porém, não houve reconciliação familiar imediata. Davi o proibiu de ver a sua face e, por cau­sa desse regresso “incompleto”, o mal surgiu. Passaram-se dois anos até que pai e filho se encontrassem novamente face a face. Irritado com a ação de Davi, Absalão planejou uma conspiração para derrubar o próprio pai e lhe tomar o trono. Não estaria Davi colhendo com dor as conse­qüências dos seus pecados, nas quais se incluíam as transgressões de seus dois filhos? Amnom era culpado de sedução, e Absalão, de assassinato; ambos os crimes se vêem no trata­mento de Davi com Urias e com Bate-Seba. Pode ser que a consciência de seu duplo pecado lhe tenha enfraque­cido a determinação. Se tivesse puni­do o filho Amnom como merecia, não teria havido a necessidade de banir Absalão. Davi estava amargamente certo de estar colhendo o que havia semeado, e seus filhos estavam ape­nas seguindo seus passos.

3. O significado espiritual da pa­rábola. Mil anos antes de Cristo morrer na cruz, para trazer os exi­lados de volta a Deus, a mulher de Tecoa teve um vislumbre da verda­de divina, embora a tenha aplicado de forma equivocada e a tenha per­vertido para um mau intuito. “Ele também cria um meio de impedir que os seus desterrados sejam afas­tados dele”. Que poderoso evangelho essa mulher inconscientemente pre­gou! Deus não se vinga imediata­mente, mas “espera para ser gracio­so”. Os pecados baniram o homem da presença de Deus, mas este pro­porciona os meios de trazer o peca­dor de volta. Que meios ele criou? A encarnação, a morte e a ressurrei­ção de seu amado Filho, com toda a certeza! Deus amou um mundo de perdidos pecadores, e seu coração foi à procura de banidos que, quando retornam, não são aceitos de meio-coração, como Davi recebeu o seu fi­lho pródigo Absalão. Uma vez que o pecador volte para Deus, a reconci­liação é completa, e o que retorna, salvo, é um com Deus, plenamente aceito no Amado.

A Parábola dos dois filhos, que Jesus contou em Lucas 15, é o cor­respondente neotestamentário da Parábola dos dois filhos, de Joabe. O pai perdera um dos dois filhos, que se tornou um pródigo em terra lon­gínqua; mas seu amor acompanhou o rapaz obstinado, o qual, em seu retorno, teve uma recepção comple­ta e recebeu também a plena e irrestrita bênção paterna e os privi­légios de filho. O plano de perdão e de restauração de Deus foi mais lon­ge que o de Joabe. Davi enviou o che­fe do exército para trazer Absalão de volta para casa. O coração paterno de Deus o compeliu a enviar o seu Filho unigênito para morrer pelo pecado, para que os pecadores pu­dessem ser plenamente reconcilia­dos com Deus. Que surpreendente graça!

Herbert Lockyer.