Os Desigrejados

Postado por Augustus Nicodemus Lopes
http://tempora-mores.blogspot.com.br/

Para mim resta pouca dúvida de que a igreja institucional e organizada está hoje no centro de acirradas discussões em praticamente todos os quartéis da cristandade, e mesmo fora dela. O surgimento de milhares de denominações evangélicas, o poderio apostólico de igrejas neopentecostais, a institucionalização e secularização das denominações históricas, a profissionalização do ministério pastoral, a busca de diplomas teológicos reconhecidos pelo estado, a variedade infindável de métodos de crescimento de igrejas, de sucesso pastoral, os escândalos ocorridos nas igrejas, a falta de crescimento das igrejas tradicionais, o fracasso das igrejas emergentes – tudo isto tem levado muitos a se desencantarem com a igreja institucional e organizada.Alguns simplesmente abandonaram a igreja e a fé. Mas, outros, querem abandonar apenas a igreja e manter a fé. Querem ser cristãos, mas sem a igreja.

Muitos destes estão apenas decepcionados com a igreja institucional e tentam continuar a ser cristãos sem pertencer ou frequentar nenhuma. Todavia, existem aqueles que, além de não mais frequentarem a igreja, tomaram esta bandeira e passaram a defender abertamente o fracasso total da igreja organizada, a necessidade de um cristianismo sem igreja e a necessidade de sairmos da igreja para podermos encontrar Deus. Estas idéias vêm sendo veiculadas através de livros, palestras e da mídia. Viraram um movimento que cresce a cada dia. São os desigrejados.
Muitos livros recentes têm defendido a desigrejação do cristianismo (*).

Em linhas gerais, os desigrejados defendem os seguintes pontos.

1) Cristo não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional.

2) Já nos primeiros séculos os cristãos se afastaram dos ensinos de Jesus, organizando-se como uma instituição, a Igreja, criando estruturas, inventando ofícios para substituir os carismas, elaborando hierarquias para proteger e defender a própria instituição, e de tal maneira se organizaram que acabaram deixando Deus de fora. Com a influência da filosofia grega na teologia e a oficialização do cristianismo por Constantino, a igreja corrompeu-se completamente.

3) Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmíssimos erros, ao criarem denominações organizadas, sistemas interligados de hierarquia e processos de manutenção do sistema, como a disciplina e a exclusão dos dissidentes, e ao elaborarem confissões de fé, catecismos e declarações de fé, que engessaram a mensagem de Jesus e impediram o livre pensamento teológico.

4) A igreja verdadeira não tem templos, cultos regulares aos domingos, tesouraria, hierarquia, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, confissões de fé, rol de membros, propriedades, escolas, seminários.

5) De acordo com Jesus, onde estiverem dois ou três que crêem nele, ali está a igreja, pois Cristo está com eles, conforme prometeu em Mateus 18. Assim, se dois ou três amigos cristãos se encontrarem no Frans Café numa sexta a noite para falar sobre as lições espirituais do filme O Livro de Eli, por exemplo, ali é a igreja, não sendo necessário absolutamente mais nada do tipo ir à igreja no domingo ou pertencer a uma igreja organizada.

6) A igreja, como organização humana, tem falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, e prestado um desserviço ao Evangelho. Precisamos sair dela para podermos encontrar a Deus.

Eu concordo com vários dos pontos defendidos pelos desigrejados. Infelizmente, eles estão certos quanto ao fato de que muitos evangélicos confundem a igreja organizada com a igreja de Cristo e têm lutado com unhas e dentes para defender sua denominação e sua igreja, mesmo quando estas não representam genuinamente os valores da Igreja de Cristo. Concordo também que a igreja de Cristo não precisa de templos construídos e nem de todo o aparato necessário para sua manutenção. Ela, na verdade, subsistiu de forma vigorosa nos quatro primeiros séculos se reunindo em casas, cavernas, vales, campos, e até cemitérios. Os templos cristãos só foram erigidos após a oficialização do Cristianismo por Constantino, no séc. IV.

Os desigrejados estão certos ao criticar os sistemas de defesa criados para perpetuar as estruturas e a hierarquia das igrejas organizadas, esquecendo-se das pessoas e dando prioridade à organização. Concordo com eles que não podemos identificar a igreja com cultos organizados, programações sem fim durante a semana, cargos e funções como superintendente de Escola Dominical, organizações internas como uniões de moços, adolescentes, senhoras e homens, e métodos como células, encontros de casais e de jovens, e por ai vai. E também estou de acordo com a constatação de que a igreja institucional tem cometido muitos erros no decorrer de sua longa história.

Dito isto, pergunto se ainda assim está correto abandonarmos a igreja institucional e seguirmos um cristianismo em vôo solo. Pergunto ainda se os desigrejados não estão jogando fora o bebê junto com a água suja da banheira. Ao final, parece que a revolta deles não é somente contra a institucionalização da igreja, mas contra qualquer coisa que imponha limites ou restrições à sua maneira de pensar e de agir. Fico com a impressão que eles querem se livrar da igreja para poderem ser cristãos do jeito que entendem, acreditarem no que quiserem – sendo livres pensadores sem conclusões ou convicções definidas – fazerem o que quiserem, para poderem experimentar de tudo na vida sem receio de penalizações e correções. Esse tipo de atitude anti-instituição, antidisciplina, anti-regras, anti-autoridade, antilimites de todo tipo se encaixa perfeitamente na mentalidade secular e revolucionária de nosso tempo, que entra nas igrejas travestida de cristianismo.
É verdade que Jesus não deixou uma igreja institucionalizada aqui neste mundo. Todavia, ele disse algumas coisas sobre a igreja que levaram seus discípulos a se organizarem em comunidades ainda no período apostólico e muito antes de Constantino.

1) Jesus disse aos discípulos que sua igreja seria edificada sobre a declaração de Pedro, que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.15-19). A igreja foi fundada sobre esta pedra, que é a verdade sobre a pessoa de Jesus (cf. 1Pd 2.4-8). O que se desviar desta verdade – a divindade e exclusividade da pessoa de Cristo – não é igreja cristã. Não admira que os apóstolos estivessem prontos a rejeitar os livre-pensadores de sua época, que queriam dar uma outra interpretação à pessoa e obra de Cristo diferente daquela que eles receberam do próprio Cristo. As igrejas foram instruídas pelos apóstolos a rejeitar os livre-pensadores como os gnósticos e judaizantes, e libertinos desobedientes, como os seguidores de Balaão e os nicolaítas (cf. 2Jo 10; Rm 16.17; 1Co 5.11; 2Ts 3.6; 3.14; Tt 3.10; Jd 4; Ap 2.14; 2.6,15). Fica praticamente impossível nos mantermos sobre a rocha, Cristo, e sobre a tradição dos apóstolos registrada nas Escrituras, sem sermos igreja, onde somos ensinados, corrigidos, admoestados, advertidos, confirmados, e onde os que se desviam da verdade apostólica são rejeitados.

2) A declaração de Jesus acima, que a sua igreja se ergue sobre a confissão acerca de sua Pessoa, nos mostra a ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre ele e sua igreja. Em outro lugar, ele ilustrou esta relação com a figura da videira e seus galhos (João 15). Esta união foi muito bem compreendida pelos seus discípulos, que a compararam à relação entre a cabeça e o corpo (Ef 1.22-23), a relação marido e mulher (Ef 5.22-33) e entre o edifício e a pedra sobre o qual ele se assenta (1Pd 2.4-8). Os desigrejados querem Cristo, mas não querem sua igreja. Querem o noivo, mas rejeitam sua noiva. Mas, aquilo que Deus ajuntou, não o separe o homem. Não podemos ter um sem o outro.

3) Jesus instituiu também o que chamamos de processo disciplinar, quando ensinou aos seus discípulos de que maneira deveriam proceder no caso de um irmão que caiu em pecado (Mt 18.15-20). Após repetidas advertências em particular, o irmão faltoso, porém endurecido, deveria ser excluído da “igreja” – pois é, Jesus usou o termo – e não deveria mais ser tratado como parte dela (Mt 18.17). Os apóstolos entenderam isto muito bem, pois encontramos em suas cartas dezenas de advertências às igrejas que eles organizaram para que se afastassem e excluíssem os que não quisessem se arrepender dos seus pecados e que não andassem de acordo com a verdade apostólica. Um bom exemplo disto é a exclusão do “irmão” imoral da igreja de Corinto (1Co 5). Não entendo como isto pode ser feito numa fraternidade informal e livre que se reúne para bebericar café nas sextas à noite e discutir assuntos culturais, onde não existe a consciência de pertencemos a um corpo que se guia conforme as regras estabelecidas por Cristo.

4) Jesus determinou que seus seguidores fizessem discípulos em todo o mundo, e que os batizassem e ensinassem a eles tudo o que ele havia mandado (Mt 28.19-20). Os discípulos entenderam isto muito bem. Eles organizaram os convertidos em igrejas, os quais eram batizados e instruídos no ensino apostólico. Eles estabeleceram líderes espirituais sobre estas igrejas, que eram responsáveis por instruir os convertidos, advertir os faltosos e cuidar dos necessitados (At 6.1-6; At 14.23). Definiram claramente o perfil destes líderes e suas funções, que iam desde o governo espiritual das comunidades até a oração pelos enfermos (1Tm 31-13; Tt 1.5-9; Tg 5.14).

5) Não demorou também para que os cristãos apostólicos elaborassem as primeiras declarações ou confissões de fé que encontramos (cf. Rm 10.9; 1Jo 4.15; At 8.36-37; Fp 2.5-11; etc.), que serviam de base para a catequese e instrução dos novos convertidos, e para examinarem e rejeitarem os falsos mestres. Veja, por exemplo, João usando uma destas declarações para repelir livre-pensadores gnósticos das igrejas da Ásia (2Jo 7-10; 1Jo 4.1-3). Ainda no período apostólico já encontramos sinais de que as igrejas haviam se organizado e estruturado, tendo presbíteros, diáconos, mestres e guias, uma ordem de viúvas e ainda presbitérios (1Tm 3.1; 5.17,19; Tt 1.5; Fp 1.1; 1Tm 3.8,12; 1Tm 5.9; 1Tm 4.14). O exemplo mais antigo que temos desta organização é a reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém para tratar de um caso de doutrina – a inclusão dos gentios na igreja e as condições para que houvesse comunhão com os judeus convertidos (At 15.1-6). A decisão deste que ficou conhecido como o “concílio de Jerusalém” foi levada para ser obedecida nas demais igrejas (At 16.4), mostrando que havia desde cedo uma rede hierárquica entre as igrejas apostólicas, poucos anos depois de Pentecostes e muitos anos antes de Constantino.

6) Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele (Lc 22.14-20). Os apóstolos seguiram a ordem, e reuniam-se regularmente para celebrar a Ceia (At 2.42; 20.7; 1Co 10.16). Todavia, dada à natureza da Ceia, cedo introduziram normas para a participação nela, como fica evidente no caso da igreja de Corinto (1Co 11.23-34). Não sei direito como os desigrejados celebram a Ceia, mas deve ser difícil fazer isto sem que estejamos na companhia de irmãos que partilham da mesma fé e que crêem a mesma coisa sobre o Senhor.

É curioso que a passagem predileta dos desigrejados – “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20) – foi proferida por Jesus no contexto da igreja organizada. Estes dois ou três que ele menciona são os dois ou três que vão tentar ganhar o irmão faltoso e reconduzi-lo à comunhão da igreja (Mt 18.16). Ou seja, são os dois ou três que estão agindo para preservar a pureza da igreja como corpo, e não dois ou três que se separam dos demais e resolvem fazer sua própria igrejinha informal ou seguir carreira solo como cristãos.

O meu ponto é este: que muito antes do período pós-apostólico, da intrusão da filosofia grega na teologia da Igreja e do decreto de Constantino – os três marcos que segundo os desigrejados são responsáveis pela corrupção da igreja institucional – a igreja de Cristo já estava organizada, com seus ofícios, hierarquia, sistema disciplinar, funcionamento regular, credos e confissões. A ponto de Paulo se referir a ela como “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15) e o autor de Hebreus repreender os que deixavam de se congregar com os demais cristãos (Hb 10.25). O livro de Atos faz diversas menções das “igrejas”, referindo-se a elas como corpos definidos e organizados nas cidades (cf. At 15.41; 16.5; veja também Rm 16.4,16; 1Co 7.17; 11.16; 14.33; 16.1; etc. – a relação é muito grande).

No final, fico com a impressão que os desigrejados, na verdade, não são contra a igreja organizada meramente porque desejam uma forma mais pura de Cristianismo, mais próxima da forma original – pois esta forma original já nasceu organizada e estruturada, nos Evangelhos e no restante do Novo Testamento. Acho que eles querem mesmo é liberdade para serem cristãos do jeito deles, acreditar no que quiserem e viver do jeito que acham correto, sem ter que prestar contas a ninguém. Pertencer a uma igreja organizada, especialmente àquelas que historicamente são confessionais e que têm autoridades constituídas, conselhos e concílios, significa submeter nossas idéias e nossa maneira de viver ao crivo do Evangelho, conforme entendido pelo Cristianismo histórico. Para muitos, isto é pedir demais.

Eu não tenho ilusões quanto ao estado atual da igreja. Ela é imperfeita e continuará assim enquanto eu for membro dela. A teologia Reformada não deixa dúvidas quanto ao estado de imperfeição, corrupção, falibilidade e miséria em que a igreja militante se encontra no presente, enquanto aguarda a vinda do Senhor Jesus, ocasião em que se tornará igreja triunfante. Ao mesmo tempo, ensina que não podemos ser cristãos sem ela. Que apesar de tudo, precisamos uns dos outros, precisamos da pregação da Palavra, da disciplina e dos sacramentos, da comunhão de irmãos e dos cultos regulares.

Cristianismo sem igreja é uma outra religião, a religião individualista dos livre-pensadores, eternamente em dúvida, incapazes de levar cativos seus pensamentos à obediência de Cristo.

NOTA: (*) Podemos mencionar entre eles: George Barna, Revolution (Revolução), 2005; William P. Young, The Shack: a novel (A Cabana: uma novela), 2007; Brian Sanders, Life After Church(Vida após a igreja), 2007; Jim Palmer, Divine Nobodies: shedding religion to find God(Joões-ninguém divinos: deixando a religião para encontrar a Deus), 2006; Martin Zener,How to Quit Church without Quitting God (Como deixar a Igreja sem deixar a Deus), 2002; Julia Duin, Quitting Church: why the faithful are fleeing and what to do about it (Deixando a Igreja: por que os fiéis estão saindo e o que fazer a respeito disto), 2008; Frank Viola,Pagan Christianity? Exploring the roots of our church practices (Cristianismo pagão? Explorando as raízes das nossas práticas na Igreja), 2007; Paulo Brabo, Bacia das Almas: Confissões de um ex-dependente de igreja (2009).

 

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Temperamento Controlado pelo Espírito Santo

INTRODUÇÃO

O que torna o homem fascinante é o seu temperamento, pois o provê com qualidades marcantes que o distinguem de qualquer outro semelhante.

O temperamento, entretanto, não dá ao homem apenas forças, características positivas, mas também fraquezas, isto é, características negativas.

Felizmente, Deus concedeu a todo que Nele crê o Espírito Santo, para melhorar suas forças e vencer suas fraquezas.

VOCÊ NASCE COM ELE !

Você sabe o que é certo e o que é errado fazer, mas, ao agir, é incapaz de conseguir se controlar e acaba fazendo o que não desejaria fazer.

O apóstolo Paulo certamente sentia o mesmo quando escreveu Romanos 7:18-20:

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.

Paulo faz a clara distinção entre si mesmo e a força incontrolável que nele habita, o pecado, a fraqueza natural que herdara de seus pais, como todo ser humano.

Herdamos o temperamento básico dos nossos pais, que é chamado na Bíblia de várias formas: “o indivíduo ingênito”, “a carne”, “o chefe”, “a carne corruptível”, “o homem carnal” e outros, e que é o impulso básico de nosso ser tentando satisfazer suas necessidades.

Distinção importante a ser feita entre temperamento, caráter e personalidade:

• Temperamento – combinação de características congênitas herdadas de nossos pais e avós e coordenadas com base na nacionalidade, raça, sexo e outros fatores hereditários.

• Caráter – é o verdadeiro eu. A Bíblia o chama de “a essência secreta do coração”. O fruto do temperamento burilado pela disciplina e educação recebidos na infância e pelos comportamentos básicos, crenças, princípios e motivações, denominado, às vezes, alma – é composta, esta, por cérebro, emoções e vontade.

• Personalidade – semblante externo de nós mesmos. Freqüentemente uma fachada agradável para um caráter medíocre ou mesmo desprezível, principalmente hoje em dia.

A Bíblia diz: “O homem olha a aparência externa, e Deus olha o coração” e “As fontes da vida têm origem no coração“.

Temperamento: características com as quais nascemos.

Caráter: o temperamento “civilizado”.

Personalidade: o rosto que mostramos ao próximo.

A hereditariedade do temperamento pode levar à enganosa conclusão de que ele não pode ser mudado. Contudo, isso é possível.

O TEMPERAMENTO PODE SER MODIFICADO !

Todo homem que, sinceramente, lamenta sua fraqueza de temperamento, entende as palavras do apóstolo Paulo em Romanos 7:24: “Homem infeliz que sou!” e ele responde à pergunta: “quem me libertará?” Sua libertação, como a nossa, dá-se em “Jesus Cristo, Graças a Deus.

Pedro, que experimentou grande e dolorosa mudança de temperamento ao longo de sua conversão, escreve em sua segunda carta 1.4: “vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.

Há indivíduos autocontrolados, mas que não curaram boa parte de suas fraquezas, por não estarem em Cristo Jesus, pois Satanás conhece nossas fraquezas de temperamento e se aproveita delas para nos derrotar.

Mesmo um psicólogo teve de admitir que só Jesus transforma um temperamento fraco e depravado em um espírito poderoso em Jesus Cristo.

Infelizmente, muitos cristãos não alcançaram a completa transformação porque não se mantiveram em uma relação permanente com Jesus Cristo (Jo 15:1-14).

A plenitude do Espírito Santo não é apenas ordenada a todo cristão: “E não vos embriagueis com vinho, em que há devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18), mas se evidencia no controle da natureza humana pelo Santo Espírito de maneira tal que o cristão viva a vida de Cristo.

Conheça quatro temperamentos básicos

Hipócrates, médico e filósofo grego, 400 anos a.C, expôs essa teoria dos quatro temperamentos básicos, originados de quatro fluidos orgânicos:

• Sangue – temperamento sangüíneo;

• Bílis colérica – temperamento colérico;

• Bílis melancólica – temperamento melancólico;

• Fleuma – temperamento fleumático.

Apesar de ter sido superada essa determinação orgânica de Hipócrates, tal classificação quádrupla tem sido amplamente utilizada. Nenhuma outra classificação da moderna psicologia encontrou maior aceitação que a de Hipócrates.

O importante é que os quatro temperamentos sejam considerados básicos. Cada um de nós é, na verdade, uma combinação de dois ou mais temperamentos com suas forças e fraquezas que podem ser vencidas com o poder de Deus.

Este estudo de temperamentos — é bom que se lembre — destina-se à auto-análise, e não se deixe tentar a analisar o outro com ele.

Características básicas de cada um

1º Tipo: O sangüíneo exuberante

É cordial, eufórico, vigoroso, folgazão. Os sentimentos e não os pensamentos ponderados têm ação sobre suas decisões.

Num ambiente repleto de pessoas, a presença do sangüíneo estimula o ânimo dos presentes por sua conversa exuberante e apaixonada. Sempre tem amigos porque faz com que se vejam como pessoas importantes para ele. E realmente o são. Gosta do convívio social e não suporta a solidão.

Freqüentemente fala antes de pensar, mas sua ingênua sinceridade muitas vezes desarma seus interlocutores.

Seus modos tumultuosos e amistosos o fazem parecer mais autoconfiante do que realmente é.

Os sangüíneos são bons vendedores, funcionários de hospitais, professores, conferencistas, atores e oradores.

2º Tipo: O colérico intransigente

É vivaz, ardente, ativo, prático e voluntarioso. Quase sempre é auto-suficiente e independente. Tem facilidade em tomar decisões por si e por outras pessoas.

Não precisa ser estimulado. Ao contrário, ele é que estimula seu ambiente com idéias, planos ambiciosos e atividades.

É capaz de criar projetos lucrativos de longo alcance. Toma a atitude definitiva diante de problemas, e freqüentemente se vê envolvido em campanhas contra injustiças sociais e outras do gênero.

As adversidades servem-lhe de estímulo e não de obstáculo.

Possui firmeza inabalável e vence suas lutas por insistência enquanto outros já desanimaram.

É o chefe nato. Não se compadece facilmente dos outros.

É hábil em reconhecer oportunidades, mas não é dado a análises. Prefere uma avaliação rápida, quase intuitiva. Possui a tendência a ser tirânico e, muitas vezes, é considerado um oportunista.

Quando adulto, é difícil para o colérico aceitar a Cristo, devido à sua auto-sufíciência e, mesmo que o aceite, tem dificuldade em confiar plenamente no Senhor e em aceitar a afirmação de Jesus: “Sem mim, nada podeis fazer“.

Muitos grandes generais e líderes mundiais foram coléricos. Pode ser um bom gerente, planejador, produtor, ditador ou até mesmo criminoso.

3º Tipo: O melancólico

Considerado, comumente, um temperamento hostil e sombrio, na verdade, é o mais rico dos temperamentos, pois é um tipo analítico, abnegado, bem dotado e perfeccionista. Ninguém desfruta maior prazer com as belas artes do que ele.

É, por natureza, introvertido, mas chega a ter estados momentâneos de êxtase.

É um amigo muito fiel, mas, ao contrário do sangüíneo, não faz amigos facilmente. Não tomará a atitude de procurá-los e esperará que o procurem.

É o tipo mais confiável, pois seu temperamento perfeccionista não permitirá que ele desaponte alguém que conte com ele. Mas tem propensão a ser desconfiado quando o procuram ou o acumulam de atenções.

Seu lado analítico faz com que apure com cuidado os obstáculos de um projeto. Isto, normalmente, o afasta de novos projetos e gera conflitos com os que tentam iniciá-lo.

Pode se animar muito com algo e produzir grandes coisas, mas, em seguida, sobrevêm-lhe uma fase depressiva.

Geralmente encontra maior significado para sua vida no sacrifício pessoal, e tende a escolher na vida uma vocação difícil, que envolva grande esforço pessoal, e a desempenha com persistência, procurando realizá-la bem.

O melancólico é o temperamento com maior potencialidade inata a ser aplicada pelo Espírito Santo. E muitos personagens bíblicos possuíam o temperamento melancólico, como Moisés, Elias, Salomão, o apóstolo João e outros.

4º Tipo: O fleumático

É o tipo calmo, frio e bem equilibrado. A vida para ele é algo severo e agradável com o qual não quer muito envolvimento.

Jamais parece perturbar-se sob qualquer circunstância. Não explode em raiva ou riso porque tem as emoções sob controle.

Ao fleumático não faltam amigos, porque ele gosta do convívio social e tem um humor mordaz, capaz de provocar gargalhadas sem dar um sorriso se quer.

É organizado e tem ótima memória. Sente-se irritado com o temperamento inquieto do sangüíneo e sempre lhe aponta a futilidade. Fica aborrecido com os momentos depressivos do melancólico e está sempre disposto a ridicularizá-lo. Lança, com prazer, jatos d’água fria nos planos efervescentes do colérico. Porém não passa de espectador em sua relação com eles, sem se envolver em suas atividades.

É geralmente simpático e de bom coração, mas raramente deixa transparecer seus sentimentos.

Não aceitará um cargo de liderança espontaneamente, mas se mostra capaz, caso tenha de ocupá-lo. É um conciliador e pacificador inato.

* * *

A grande diferença entre os quatro tipos de temperamento nos mostra porque as pessoas são indivíduos, sem contar as várias combinações dos quatro temperamentos básicos.

Não se pode dizer que um deles é melhor, mas todos possuem forças e riquezas, assim como fraquezas e perigos.

As forças do temperamento

O sangüíneo é:

Apreciador da vida em qualquer detalhe.

Otimista em relação ao presente e ao futuro.

Amistoso e afetuoso com as pessoas.

Compassivo e temo para com o próximo e suas necessidades.

É o tipo que mais facilmente obedece ao preceito bíblico: Regozijai-vos com aqueles que se regozijam, e chorai com aqueles que choram.

O colérico é:

Determinado em seus projetos, que são plenos de significado.

Prático e eficiente na hora de tomar decisões rápidas.

Líder rápido e ousado.

Otimista, visualizando apenas o objetivo e não as dificuldades.

O melancólico é:

Sensível, meditando com ponderação sobre suas emoções.

Perfeccionista na imposição a si e aos outros de um elevado padrão de qualidade.

Analítico – caçador de detalhes e de problemas latentes num projeto.

Amigo fiel – “daria sua vida” pelos poucos amigos.

Abnegado na execução de qualquer trabalho.

O fleumático é:

Espirituoso – com imperturbável bom humor.

Digno de confiança, mesmo sem se envolver em demasia com o outro.

Prático – trabalha bem sob tensão.

Tem hábitos metódicos.

Eficiente – com padrões elevados de zelo e precisão.

RESUMO:

■ As forças de cada temperamento os tornam atraentes, e graças a Deus que nos deu um pouco da força de cada um.

■ Mas chegou o momento de encarar as fraquezas, que Deus pode nos ajudar a transformar.

As fraquezas do temperamento

O SANGÜÍNEO é:

Turbulento – freqüentemente é pouco prático e desorganizado. Tende a agir belicosamente e em direção errada, por sua falta de análise. Tem dificuldade em concentrar-se na leitura da Palavra de Deus. Sua incessante atividade, que o leva a correr de uma linha de conduta a outra na vida, impedem sua produtividade.

Pusilânime e indisciplinado – não é uma pessoa resoluta e real. Se lhe oferecem um cargo na igreja, sua resposta imediata é sim, mas acha difícil o trabalho preparatório e não analisa questões como tempo disponível, habilidades e responsabilidades envolvidas.

Egoísta – tende a ocupar a atenção dos outros para si e toma-se antipático ao dominar a maior parte da conversa com assuntos de seu próprio interesse.

Emocionalmente instável – a despeito de ser um temperamento alegre, desanima facilmente e tende a desculpar-se por sentir pena de si mesmo.

Por sua natureza ardente, pode explodir repentinamente, mas esquecerá em seguida.

No campo espiritual, se arrepende pelas mesmas coisas inúmeras vezes, além de ser o temperamento que mais problemas tem com a lascívia.

Deve procurar a orientação do Espírito Santo para adquirir autocontrole, praticar a abstinência e “fugir da prostituição” (1 Co 6.18), além de paciência, fé e bondade.

O COLÉRICO é:

Violento – A ira é uma de suas fraquezas que o tornam insensível à compaixão cristã. Diferente do sangüíneo, ele explode violentamente e continua a guardar rancor. É vingativo, o que o torna uma pessoa indesejável ao convívio.

Cruel – tende a cultivar uma úlcera antes dos 40 anos de idade. Espiritualmente, contrista o Espírito Santo pela amargura, ira e rancor que lhe dão vestígios de crueldade. Característica que, se não controlada por padrões morais, pode tomá-lo um ditador ou criminoso.

Impetuoso – seu temperamento determinado pode levá-lo a iniciativas das quais se arrependerá posteriormente. É-lhe difícil demonstrar aprovação, o que lhe cria problemas no casamento, quando se acresce a essa dificuldade a crítica mordaz e declarações cruéis.

Auto-suficiente – sua autoconfiança excessiva pode tomá-lo arrogante e prepotente por se achar auto-suficiente.

No campo espiritual, esta fraqueza de temperamento o impede de aceitar o senhorio do Espírito Santo em sua vida.

De todos os temperamentos, é o que mais necessidades espirituais tem: amor, paz, bondade, paciência, humildade, benevolência.

O MELANCÓLICO é:

Egocêntrico – é inclinado à autocontemplação benévola, que lhe paralisa a energia e a vontade. Está sempre a dissecar as próprias emoções numa eterna auto-análise que lhe tira a naturalidade e o levam a condições mentais mórbidas.

Interessa-se excessivamente por sua condição física também, o que pode originar uma hipocondria. Este egocentrismo, aliado à sua natureza sensível, faz com que seus sentimentos estejam sempre à flor da pele, e com que seja desconfiado. Em casos agudos, com que tenha mania de perseguição.

Pessimista – por sua natureza analítica e perfeccionista, tende a procurar os problemas de um projeto, que. normalmente lhe pesam bem mais que o esforço conjunto para vencê-los.

Esta concepção pessimista o torna inseguro para tomar decisões porque não deseja cometer erros.

Crítico – tem a tendência de ser inflexível com relação ao que espera dos outros e não consegue aceitar menos que o melhor por parte deles. Muitos casamentos de perfeccionistas fracassaram porque suas esposas atingiam apenas 90% do que esperavam delas. A pequena parcela de erros, ele tende a amplificar.

É tão crítico para consigo mesmo como o é para com os outros.

Caprichoso – é o temperamento que manifesta maior alteração de ânimo. Tem fases raras de euforia exuberante, às quais se segue uma fase sombria.

Hipócrates chegou a qualificar o fluido melancólico como “negro”. Este estado de ânimo cria um círculo vicioso, pois suas fases de desapontamento acabam enervando seus amigos, que passam a evitá-lo. Isto o conduzirá a uma tristeza ainda maior.

Essas sombrias disposições de ânimo levam o melancólico à nostalgia e à fuga do presente por meio de devaneios em relação ao futuro. Uma pessoa melancólica deve procurar o auxílio do Espírito Santo para desviar seus olhos de si mesmo e localizá-los no “puro campo de colheita” das pessoas necessitadas à sua volta.

Vingativo – esta é outra característica do melancólico que, por seu perfeccionismo, tem dificuldade de perdoar.

Embora pareça calmo e sossegado, pode carregar dentro de si um ódio turbulento. Pode ser que jamais o ponha em prática, como o colérico, mas pode alimentar esse ódio vingativo por muitos anos.

O melancólico parece ter o maior número de forças e também de fraquezas, o que torna difícil encontrar um melancólico de nível médio, porém suas fraquezas acentuadas podem levá-lo à esquizofrenia ou hipocondria.

A fé em Jesus Cristo pode ajudá-lo muito com dons espirituais como o amor, a alegria, a paz, a bondade, a fé e o autocontrole.

O FLEUMÁTICO é:

Moroso e indolente – freqüentemente parece estar arrastando os pés, pois ressente-se de ser forçado à ação.

Tem falta de motivação, o que o toma um espectador da vida e reforça a tendência a fazer o mínimo necessário. Deixa de realizar muitos projetos sobre os quais pensa, mas que lhe parecem sempre trabalhosos.

O desassossego do sangüíneo e a atividade do colérico quase sempre o aborrecem, pois teme que eles o forcem a trabalhar.

Provocador – devido ao seu agudo senso de humor e capacidade de ser observador desinteressado, tem facilidade em provocar o próximo que procura motivá-lo.

Se um sangüíneo entra animado, o fleumático toma-se distante e frio. Se o melancólico se mostra otimista, ele o provoca com um otimismo exagerado. Se um colérico se aproxima repleto de planos, é um prazer requintado para o fleumático derramar água fria em seu entusiasmo.

Egoísta e obstinado – Com o passar dos anos, seu extremo egoísmo se acentua, porque torna-se uma defesa. Opõe-se obstinadamente a qualquer espécie de mudança. Deseja manter-se conservador para conservar suas próprias energias.

Indeciso – torna-se cada dia mais indeciso por seu temor de comprometer-se. Seu discernimento prático, sua calma e capacidade analítica podem, eventualmente, encontrar um método melhor para um projeto, mas, quando ele toma a decisão de executá-lo, alguém dos temperamentos determinados já está atuando no projeto.

As necessidades espirituais primordiais do fleumático são o amor, a bondade, a docilidade, a temperança e a fé.

RESUMO DAS RELAÇÕES DOS TEMPERAMENTOS COM OUTRAS PESSOAS – FEITO PELO DR. BALLESBY

O tipo sanguíneo gosta das pessoas e depois as esquece.

As pessoas aborrecem o melancólico, mas ele as deixa seguir seus caminhos tortuosos.

O colérico utiliza as pessoas para seu benefício próprio e, mais tarde, ele as ignora.

O fleumático analisa as pessoas com indiferença desdenhosa.

Esse resumo dá-nos a triste impressão de que os temperamentos são casos perdidos, mas temperamento não é personalidade nem caráter o mais importante — ele pode ser controlado pelo Espírito.

O TEMPERAMENTO PLENO DO ESPÍRITO

Os frutos do Espírito são amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl 5:22-23).

O Espírito Santo provê qualquer temperamento de nove forças abrangentes e desconhece fraquezas.

É o homem como Deus entende que deva ser. Ele terá sua individualidade mantida por suas forças ingênitas, mas não será mais dominado pelas fraquezas.

Todas essas características do Espírito Santo estão presentes na vida de Jesus Cristo.

Examinaremos cada uma dessas características para que você possa compará-las com o comportamento atual.

1. O amor, como amor a Deus e ao próximo. Amarás ao Senhor teu Deus de lodo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mt 22:37-39)

Na verdade, esse amor é sobrenatural, pois o homem mais interessado no Reino de Deus do que no reino natural em que está vive uma relação sobrenatural com Deus.

O colérico tende a necessitar mais do fruto do amor em si que o sangüíneo, mas, se o Espírito controla sua vida, ele também será um indivíduo compassivo, amoroso e sensível.

O amor aqui não é só por aquele que nos provoca compaixão, mas por todos os homens, mesmo os inimigos. Esse tipo de amor faz duas pessoas de temperamentos opostos se amarem. Os doze apóstolos retratam todos os quatro tipos de temperamento e, no entanto, o Senhor Jesus lhes disse: Por isso todos os homens saberão que vós sois meus discípulos, se amardes uns aos outros. (Jo 13:35)

2. A alegria concedida pelo Espírito Santo não é limitada pelas circunstâncias. É uma das virtudes fundamentais do cristão ao lado do amor.

A vida plena do Espírito é caracterizada por olhar-se para Jesus, o Autor da nossa fé, aquele que nos força a saber que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus (Rm 8:28).

O apóstolo Paulo escreveu da masmorra de urna prisão: Alegrai-vos sempre no Senhor, de novo vos digo: Alegrai-vos (Fp 4:4). Essa alegria sobrenatural é acessível a qualquer cristão independentemente do seu temperamento básico ou ingênito.

3. A paz – O Senhor Jesus disse: A paz vos deixo; dou-vos a minha paz (Jo 14:27) – A paz que Ele nos deixa é comparada à paz com Deus. “Dou-vos a minha paz” compara-se à paz de Deus. Esta paz Ele nos define como um coração despreocupado: Não se perturbe, nem desfaleça o vosso coração (Jo 14:1).

No versículo precedente, Ele chama o Espírito Santo de Consolador, portanto como fonte da paz de Deus.

O homem estranho a Jesus Cristo não conhece a paz com Deus porque seu pecado está sempre diante dele e ele sabe que terá de prestar contas a Deus no julgamento final. Aceitando Jesus como Senhor e Salvador, ele já entra numa relação de paz com Deus.

Agora, paz de Deus é aquela que permanece imperturbável diante de circunstâncias difíceis. Como Jesus, que dormia no barco enquanto doze discípulos se desesperavam com a tempestade.

O indivíduo imperturbado, tranqüilo e despreocupado, que enfrenta todas as circunstâncias da vida assim, possui urna paz que supera todo o entendimento (Ef 3:19)

4. A longanimidade (dois sinônimos mais satisfatórios: paciência e tolerância) – É a capacidade de suportar ofensas, passar por provações e enfrentar desgostos sem revidar, sem queixas ou revolta.

A pessoa que tem essa característica do Espírito Santo executa de modo complacente as tarefas mais desprezíveis ou árduas como se servisse a Deus nessas tarefas.

5. A benignidade – A maioria dos modernos tradutores do novo testamento a traduzem por bondade ou generosidade, o que diminui a importância dessa espécie de procedimento quase esquecida.

Ela é resultado da extrema compaixão do Espírito Santo para com a humanidade perdida e agonizante.

É uma bondade profunda, atenciosa, compreensiva.

A vida agitada e opressiva dos nossos tempos leva muitos cristãos a se enervarem com a intervenção dos “pequeninos” em sua obra.

Jesus Cristo, com sua alma delicada e benigna, nos mostra sua admoestação aos discípulos que quiseram impedir a aproximação das crianças, e disse: Deixai vir a Mim as criancinhas e não queirais impedi-las (Mc 10:13-14).

Outro exemplo de sua benignidade deu-se após sua ressurreição, quando disse a Maria: Vai contar aos meus discípulos e a Pedro (Mc 16:7). A referência a Pedro seria desnecessária, uma vez que Pedro era um de seus discípulos, mas a benignidade de Jesus não o deixava esquecer e menosprezar o remorso que seu discípulo estaria sentindo por tê-lo negado. O espírito benigno de Jesus era capaz de compreender o temperamento vacilante e inconseqüente do sangüíneo Pedro, que pergunta quantas vezes deverá perdoar um irmão (Mt 1-8:21). O Espírito Santo lhe responde com uma quantidade que o faz parar de contar, porque Ele não tem limite para perdoar.

6. A generosidade ou bondade – definida como qualidade do “pródigo de si mesmo e de seus bens”. Todos os atos dos indivíduos generosos são no sentido de dar e não de receber, revelando um coração desprendido. Paulo disse a Tito para pregar que os crentes em Deus se esforcem por distinguir-se na prática do bem (Tt 3:8), devido ao egoísmo do homem, que precisa ser ensinado a se ocupar com a generosidade.

Todos os quatro temperamentos conhecidos como ingênitos são egoístas de alguma forma, mas, para o melancólico, o desprendimento de si para voltar-se ao próximo é terapêutico.

Como diz o Senhor Jesus: É melhor dar do que receber (At 20:35).

7. A fé ou fidelidade – que se traduz na completa dependência de Deus, o antídoto perfeito contra o temor.

A fé é a chave para obter muitas graças de Deus. O próprio povo de Deus desperdiçou 40 anos no deserto por não acreditar em Deus. Assim como os espias que se acharam como se fossem gafanhotos diante dos gigantes de Canaã (Nm 13:33).

A Bíblia nos diz que há duas fontes de fé: uma delas é a pregação: A fé vem pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus (Rm 10:17); a outra é o Espírito Santo: O fruto do Espírito é… a fé (Gl 5:22).

Aquele que possui um temperamento propício à dúvida, à indecisão e ao medo deve procurar a plenitude do Espírito Santo, único que pode dissipar tais tipos de emoções.

Confiai no Senhor; sede corajosos e Ele fortalecerá vossos corações, eu vos digo: confiai no Senhor (Sl 27:14).

8. A mansidão – O homem é, por natureza, orgulhoso, altivo e egocêntrico, mas, quando tem a vida plena do Espírito Santo, é humilde, meigo, submisso e cede facilmente às súplicas. Jesus foi o criador do Universo e, no entanto, dispôs-se a humilhar-se, assumindo a forma de servo para se submeter aos caprichos da humanidade que Nele cuspiu, esbofeteou e o matou para que Ele nos desse a redenção com o seu sangue. Com isso, nos ensinou a não revidar injúrias. Jesus, a quem todo poder e toda autoridade foram dados, teve de mostrar a Pedro que, nem por isso, deixaria de cumprir as Escrituras.

Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e ele me mandaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim deve acontecer? (Mt 26.53-54).

9. O domínio próprio – é também traduzido como temperança e possibilita ao cristão evitar excessos emocionais de qualquer espécie.

É o temperamento estável, digno de confiança e disciplinado.

É a característica para os quatro tipos básicos de temperamento vencerem suas fraquezas.

A leitura metódica da Palavra de Deus dá ao cristão esse espírito uniforme e passível.

O temperamento sangüíneo é por demais inquieto para dedicar alguns minutos pela manhã à leitura metódica da Palavra.

O colérico tem força de vontade suficiente para fazê-lo, mas seu temperamento autoconfiante o impede de compreender a necessidade de se submeter a Jesus. Não compreende o “Sem Mim, nada podeis fazer“. Mesmo quando compreende, tem dificuldade de afastar sua mente do planejamento das atividades diárias.

O melancólico é o que tem maior facilidade para o estudo da palavra, mas sua capacidade analítica pode levá-lo a abstrações sobre a verdade divina ou suas orações podem transformar-se em queixas e lamentações devido à sua tendência a alimentar ressentimentos.

O fleumático pode concordar com um período de estudo metódico na vida cristã, mas sua inclinação à indolência e morosidade o faz utilizar-se pouco dessa disciplina e desse suprimento da Palavra de Deus.

Diante das dificuldades individuais ingênitas para obter a plenitude do Espírito Santo, pergunta-se: “Como posso ficar pleno do Espírito Santo”?

A resposta vem no próximo capítulo.

COMO SENTIR-SE PLENO DO ESPÍRITO SANTO

Cristo está nos crentes na pessoa do seu Espírito Santo.

Somos completamente dependentes do Espírito Santo para nos convencer do pecado anterior e posterior à nossa salvação, para ter a compreensão do Evangelho, nos orientar em nossa vida de oração, para possibilitar-nos nascer de novo e dar nosso testemunho.

Não há, provavelmente, nenhum tópico na Bíblia que provoque mais divergências como o de ser ou não pleno do Espírito Santo.

Muitos cristãos comparam a plenitude do Espírito Santo com o falar em línguas ou ter uma experiência de êxtase emocional. Outros devido aos excessos já cometidos quanto a este aspecto, eliminaram, por completo, o seu ensinamento.

Satanás, quando não consegue impedir a salvação do indivíduo, tenta enganá-lo quanto à associação da plenitude do Espírito Santo à sensações emocionais.

Vejamos o que nos diz a palavra de Deus a esse respeito.

• O que esperar quando pleno do Espírito Santo?

1. As nove características do temperamento pleno do Espírito Santo (Gl 5:22-23)

Alguns que julgam ter possuído a plenitude do Espírito Santo por unção, nada sabem sobre o amor, a alegria, a paz, a longanimidade, a benignidade, a generosidade, a docilidade, a fé e o autocontrole

2. Um coração alegre, grato e um espírito submisso. (Ef 5: 18-21)

Não vos embriagueis com vinho, fonte de desregramento; mas enchei-vos do Espírito; Entretei-vos com salmos, hinos e cantos inspirados; Cantai e celebrai o Senhor de todo coração; Dai sempre graças a Deus por todas as coisas, em nome do Senhor Jesus Cristo; Sede submissos uns aos outros no temor de Deus. O Espírito de Deus é capaz de transformar um coração sombrio num coração repleto de canções e agradecido. Ele troca o coração cheio de rebelião congênita por um coração submisso à vontade de Deus. Os mesmos resultados da vida plena do Espírito são os da vida na Palavra. (Cl 3:16-18)

Que a palavra de Cristo habite abundantemente em vós: ensinai e admoestais-vos uns aos outros com toda a sabedoria, e do fundo dos vossos corações agradecidos, cantai louvores a Deus, com salmos, hinos e cânticos inspirados.

E tudo o que fizerdes, em palavra ou obra, seja, sempre, em nome de Jesus, o Senhor, dando por Ele graças a Deus Pai.

Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como é conveniente, segundo o Senhor. Os resultados iguais se explicam porque o Espírito Santo é o autor da Palavra de Deus. Isto mostra o erro daqueles que tentam receber o Espírito Santo por alguma experiência única e definitiva.

3. O Espírito Santo nos concede o poder para dar testemunho. (At 1:8)

Mas quando o Espírito Santo descer sobre vós, recebereis uma força, e então sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e por toda a parte, até os confins da Terra. Jesus teve que ir para que o Consolador viesse. (Jo 16:7)

Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Mesmo tendo passado três anos com Jesus, ouvindo suas mensagens várias vezes e sendo testemunhas dos seus milagres, Ele ainda recomendou aos discípulos que não saíssem de Jerusalém, mas aguardassem o cumprimento da Palavra do Pai (At 1:4), isto é, o derramamento do poder do Espírito Santo.

Também nós podemos ter a esperança de possuir a facilidade de testemunhar quando plenos do Espírito Santo. Somente pela fé no que nos garante a Palavra, de que temos poder para testemunhar, isto é para dar frutos, é que tomamos posse desse poder, porque muitas vezes não temos discernimento suficiente ou mesmo informação sobre todos os frutos de nossa vida plena no Espírito Santo.

É possível dar-se testemunho do poder do Espírito Santo sem ver os frutos de imediato. Você pode pregar o Evangelho a uma pessoa e, naquele momento, ela não aceitar Jesus como Salvador, mas o Espírito Santo agiu e continua agindo, e, depois de algum tempo, você mesmo poderá receber a notícia da conversão da pessoa.

4. O Espírito Santo glorificará Jesus Cristo (Jo 16:13-14).

Quando Ele vier, o Espírito da verdade, conduzir-vos-á à verdade completa. Pois não há de falar por si mesmo, mas dirá tudo que tiver ouvido, e anunciar-vos-á as coisas futuras.

Ele me glorificará, porque receberá do que é meu para vos anunciar.

Princípio fundamental da plenitude do Espírito Santo é não glorifícar-se a si mesmo, mas ao Senhor Jesus Cristo.

Se, em alguma época ou situação, alguém recebe a glória e não Jesus, pode-se estar certo de que este fato não se dá sob o poder e a direção do Espírito Santo.

O Espírito Santo sempre deixará o crente mais cônscio do Senhor Jesus que de si próprio.

Resumindo, o que podemos esperar de um temperamento pleno do Espírito Santo?

As nove características desse temperamento; um coração que canta e dá graças, que nos concede uma atitude submissa à Palavra e a faculdade de dar testemunho.

Quanto à sensação de êxtase, a Bíblia não nos promete isto.

Como sentir-se pleno do Espírito Santo ?

A plenitude do Espírito Santo não é facultativa na vida cristã, mas um imperativo: enchei-vos do Espírito (Ef 5:18).

Cinco orientações simples para sentir-se pleno do Espírito:

1. Auto-analise (At 20:28 e I Co 11:28)

Examine-se o homem a si mesmo. Comparando-se com os outros? Não.

Mas, conhecendo as características bíblicas da plenitude do Espírito já ciladas, sua auto-analise lhe indicará em qual ponto está falhando.

2. Confissão de todo pecado conhecido (1 Jo 1:9)

Se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar-nos e purificar-nos de toda a iniqüidade.

Após a auto-análise, o Espírito Santo já nos tem revelado nossos pecados, isto é, nossas falhas em relação à sua plenitude em nós, e Deus nos purificará, e nossa alma pura será então preenchida pelo pleno Espírito.

3. Submissão completa a Deus (Rm 6:11-13)

Do mesmo modo, considerai-vos também vós como mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus nosso Senhor.

Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, sujeitando-vos às suas paixões.

Não ponhais vossos membros a serviço do pecado como armas de injustiça; mas como quem ressurge da morte para a vida, ponde-vos, a vós e a vossos membros, quais armas de justiça, a serviço de Deus.

Para se sentir pleno do Espírito Santo, a pessoa deve pôr-se inteiramente à disposição de Deus para fazer qualquer coisa que o Espírito Santo ordene.

Israel restringiu o Senhor, não somente por sua falta de fé, mas por sua rebeldia e obstinação. Assim como uma pessoa que se submete ao vinho para sentir seus efeitos, devemos nos submeter ao Espírito Santo para nos sentirmos plenos Dele. Por isso a carta aos Efésios faz esta comparação em 5:18: “Não vos embriagueis com o vinho… mas enchei-vos do Espírito“.

Para os cristãos, muitas vezes é difícil essa submissão porque já encontraram um propósito para suas vidas, sem saber que, na verdade, estão plenos de si mesmos. Não sabem que, quando entregamos nossa vida a Deus, devemos fazê-lo sem oferecer restrições ou condições.

Temo que, muitas vezes, estejamos tão entrosados em uma boa atividade cristã que não estejamos “disponíveis” para a orientação do Espírito.

4. Peça para sentir-se pleno no Espírito Santo (Mt 7:11)

Se vós pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem. Quando o cristão já se examinou, confessou seus pecados e, conscientemente, se entregou, sem reserva, a Deus, então está pronto para pedir o Espírito Santo para si. Com esse preparo, não estamos querendo dizer o que muitos crentes têm ouvido: que há necessidade da provação, da espera para receber o Espírito Santo.

Apenas aos discípulos foi dito que esperassem porque ainda não havia chegado o Pentecostes. Desde aquele dia, os filhos de Deus têm apenas que pedir a plenitude para conhecê-la.

5 . Creia-se pleno do Espírito Santo e agradeça a Ele a Sua plenitude (Rm 14:23; I Ts 5:18)

Quem, pelo contrário, tem dúvidas e, apesar disso, come, incorre em condenação, porque não age com convicção de fé. Tudo quanto não procede da convicção de fé é pecado.

Em todas as circunstâncias, rendei graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. É aqui que muitos cristãos perdem a batalha.

O mesmo cristão que, em seu trabalho evangelístico, diz ao novo convertido para “aceitar Deus em Sua Palavra no que concerne à salvação”, tem dificuldade de aceitar o próprio conselho quanto à plenitude do Espírito, se a Palavra diz: “quanto mais o vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo aos que pedirem“?

Não espere algum sinal ou sensação de plenitude no Espírito. Una à sua fé a Palavra de Deus, que independe de sentimentos. As sensações normalmente sucedem à nossa fé, à nossa aceitação de Deus e sua Palavra, não o contrário.

Andar segundo o Espírito (Gl 5:16 e 25)

Portanto: andai segundo o Espírito e não cumprireis os desejos da carne. Se vivermos pelo Espírito, guiemo-nos também pelo Espírito.

Andar segundo o Espírito e sentir-se pleno do Espírito Santo não são a mesma coisa, apesar de intimamente relacionadas.

Andar segundo o Espírito é sentir-se pleno do Espírito Santo em todas as ações do nosso dia-a-dia, ao ajoelhar para orar, ao varrer a casa, ao ouvir uma conversa ao telefone, em qualquer parte. É a comunhão constante com Deus que é o mesmo que viver em Cristo. É livrar-se das fraquezas em vez de ser dominado por elas.

Essa é a vontade de Deus para todos os crentes.

MAGOANDO O ESPÍRITO SANTO POR MEIO DA IRA

Nenhuma palavra vã saia da vossa boca, mas só o que seja capaz de edificar, quando for necessário, e de fazer bem a quem ouvir. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, que vos marcou com o seu carimbo para o dia da Redenção. Amargura, indignação, cólera, gritos, injúrias e toda espécie de malícia, sejam banidos dentre vós.

Sede, antes, bondosos e misericordiosos uns para com os outros, perdoando vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo. (Ef 4:29-32)

Magoar o Espírito Santo por meio da ira, amargor, cólera ou outras formas de obstinação humana, provavelmente, arruíne mais testemunhos cristãos do que qualquer outra espécie de pecado.

Na carta aos Gálatas (5:20), Deus coloca a ira, a dissensão e a indignação na mesma categoria dos crimes de embriaguez e das orgias dizendo: “…eu vos previno, como já fiz: aqueles que praticam isso não herdarão o reino de Deus“.

A ira – Um pecado universal

A ira e o medo são dois pecados universais, e normalmente andam juntos, pois o medo e a ansiedade levam a um temperamento irado, e a pessoa constantemente irada tende a ser ansiosa, portanto medrosa.

A ira entristece o Espírito Santo e o medo o extingue.

Em nosso estudo sobre temperamentos, descobrimos que os sangüíneos e os coléricos tendem a ser irados, enquanto os melancólicos e fleumáticos tendem a ser medrosos, e que somos a combinação de dois ou mais temperamentos. Portanto, um indivíduo 70% colérico normalmente será 30% melancólico e terá em si a ira e o medo como componentes de seu temperamento.

O alto preço da ira

O alto preço da ira manifesta-se em vários aspectos de nossa vida, a saber:

Emocional

A ira e o amargor reprimidos tornam a pessoa desequilibrada emocionalmente, fazendo-a tomar decisões prejudiciais e até embaraçosas. Somos pessoas extremamente emotivas. Assim fomos feitos por Deus, não devemos deixar a ira esmagar o amor, que é a emoção mais preciosa.

A ira aparece com várias facetas para que satanás nos engane fazendo-nos pensar que não a sentimos. Ei-las:

AmargorRancorProtestoInvejaRessentimentoIntolerância

Crítica

Vingança

IndignaçãoÓdioInsubordinaçãoCiúmesAgressãoMaledicência

Sarcasmo

Inclemência

Social

Não há dúvida de que os rabugentos, os mal-humorados e irados vão sendo eliminados das listas sociais. A ira de um esposo pode fazer os dois serem excluídos das reuniões dos amigos, criando um problema no casamento. E o irado, quanto mais velho fica, vai tendo mais dificuldade para disfarçar o seu temperamento ranzinza, pois perdeu a vontade de agradar o próximo.

Que tragédia se vovô for cristão e não permitiu que o Espírito Santo de Deus lhe modificasse os atos do corpo muitos anos antes.

Física

A ira e o amargor causam tensão, que, por sua vez, produz o desequilíbrio físico. Junto às doenças provocadas pelo estado constante de ira e ressentimento, vem o prejuízo financeiro, devido ao dinheiro gasto com médicos e remédios.

Porque toda nossa estrutura física é intimamente ligada ao nosso sistema nervoso central, mais exatamente, o centro emocional situado entre nossas têmporas, que envia os impulsos para a ação dos órgãos e membros de nosso corpo.

UM HOMEM SEM CRISTO

São três as partes mais importantes da essência do homem: a vontade, a mente e o coração (centro emocional). O homem é afetado emocionalmente pelo que é depositado na sua mente e o que deposita na mente é determinado por sua vontade, portanto, se o homem não quer obedecer a Deus é registrado em sua mente informações que produzem emoções contrárias à vontade de Deus, estas emoções geram ações que desagradam a Deus.

Todo pecado se inicia na mente. Por exemplo, muito antes de um homem cometer adultério, a luxúria já habitava em sua mente. A literatura e imagens obscenas incentivam a mente para o mal, enquanto a Palavra de Deus acalma as emoções do homem e o conduz a caminhos de virtude. Sua mente recebe o que sua vontade escolhe para ler, ver e ouvir.

Por isso, o Senhor Jesus nos legou esta exigência: Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda tua alma (vontade) e com toda tua mente. (Mt 22:37)

O Dr. Mc. Millen (“Nenhuma dessas moléstias”) declara: “O centro emocional produz essas vastas mudanças por meio de três mecanismos principais: Pela alteração de quantidade de sangue que flui para um órgão; pela influência na secreção de algumas glândulas e pela alteração da tensão dos músculos”. As emoções de ira e ódio provocam um suprimento anormal de sangue no cérebro devido à dilatação dos vasos sangüíneos. Uma vez que o crânio é uma estrutura rígida, sem espaço para dilatação, esse rancor pode causar fortes dores de cabeça.

O ódio pode ocasionar o efeito contrário em outros órgãos, como estômago, intestinos, vesícula, fígado, coração, pulmões etc., restringindo o fluxo de sangue nesses órgãos e provocando, assim, doenças.

Segundo o Dr. Mc. Millen, até mesmo doenças infecciosas são causadas por tensão emocional prolongada, que provoca a queda da resistência.

Os próprios psicólogos dizem que o homem é incapaz de controlar suas emoções pela vontade.

É verdade, pois só o poder de Jesus Cristo é capaz de tomar um indivíduo irado e sarcástico em um ser amoroso, compreensivo, generoso e dócil.

Espiritual

O mais alto preço pago por uma pessoa de temperamento rancoroso se encontra no reino espiritual. Jesus veio para nos dar a vida eterna, que começa, não quando morremos, mas no momento em que passamos a estar Nele, sentindo-nos plenos do Espírito Santo.

A mágoa infringida ao Espírito Santo pela cólera, a indignação e as inquietações interiores impede que Deus atue na vida do cristão, dando-lhe a vida fecunda que ele deseja ter. Impede-nos de “acumular riquezas no céu“, que é nosso objetivo se obedecemos à Palavra.

A causa básica da ira

O que provoca em um ser perfeitamente normal, amável, equilibrado uma súbita reação de revolta?

A aceitação da resposta a esta pergunta permite ao cristão dar um grande passo em direção à cura.

Desculpando-nos de nossa ira com justificativas infundadas, estamos adquirindo mais uma fraqueza do espírito, que é o egoísmo. Quando me zango é porque alguém violou meus direitos e estou preocupado comigo mesmo. E, se alguém disser que estou cultivando um espírito rancoroso e vingativo, vou responder que ele faria o mesmo se vivesse nas condições em que vivo ou com tais pessoas.

Se, em vez de colocar a culpa na outra pessoa, cultivando nosso egoísmo, passarmos a olhar para Deus, que promete suprir as nossas necessidades, vamos nos sentir vitoriosos sobre todo sentimento de rancor, ressentimento e sobre o próprio egoísmo, por afastarmos os olhos de nosso sofrimento.

Uma vez que colhemos o que plantamos, e que o amor gera amor, em breve veremos os frutos de nossa nova atitude na mudança de atitude dos outros.

O medo aniquila o Espírito Santo

Sede sempre alegre.

Orai sem cessar.

Em todas as circunstâncias, rendei graças, pois esta é a vontade de Deus a nosso respeito, em Cristo Jesus.

Não apagueis o Espírito. (1 Ts 5:16-19)

Vimos, no capítulo anterior, que a ira magoa o Espírito Santo. Agora, veremos como o medo aniquila.

O regozijar-se e dar graças sempre a Deus, mesmo em circunstâncias adversas, é algo que só a plenitude no Espírito Santo permite. Esse regozijo tem base na fé que tem o cristão no amor e no poder de Deus em sua vida.

Uma atitude de descrença na fidelidade de Deus, porém, pode ser causada pelo medo e aniquilar a alegria do Espírito.

O medo é universal

A primeira reação ao pecado e à desobediência de Adão e Eva foi o medo, pois se esconderam de Deus, que passava pelo jardim do Éden por volta da viração do meio dia (Gn 3:8-10).

Desde aquele dia, quanto maior é a desobediência do homem a Deus, maior é seu medo. O inverso também é verdade: quanto mais obedece a Deus, mais se apóia Nele em suas necessidades.

O próprio Senhor Jesus admoestou várias vezes os discípulos quanto à sua pequena fé e seu medo. As condições do mundo não são propícias para a paz e para a fé hoje em dia, pois elas fazem com que muitos tenham medo. Por isso é muito bom para o filho de Deus ouvir de Jesus:

Havereis de ouvir também falar em guerras e rumores de guerras, não vos deixeis alarmar. (Mt 24:6)

Os homens atuais temem o fracasso, o nervosismo, a pobreza, o enfarto. A insegurança financeira tem tirado o sono de muitos.

O preço emocional do medo

É grande o número de pacientes com problemas emocionais nos consultórios devido ao medo. E a maioria das coisas que os indivíduos temem jamais acontecem ou não tem a proporção que eles lhes dão.

O preço social do medo

As pessoas emocionalmente desequilibradas tendem a ser evitadas, o que agrava o seu desajuste emocional.

O preço físico do medo

Assim como a ira, a tensão emociona! causada pelo medo causa pressão alta, deficiência cardíaca, distúrbios digestivos e intestinais, artrite, dores de cabeça e outras.

Estados de tensão passageira, como quando temos de falar em público, provocam várias reações orgânicas como secura da boca, tremor, e esta é uma reação normal, se for passageira, mas um estado constante de tensão desse tipo passa a lesar o corpo

Deus deu capacidade à nossa glândula supra-renal para injetar adrenalina em nosso sistema circulatório em situações que exijam um esforço maior ou reflexo mais rápido. Porém esse excesso de adrenalina é eliminado rapidamente pelo corpo assim que o estado de tensão passar. Se, no entanto, esse estado se prolongar por horas devido a preocupações cotidianas, esse excesso pode ocasionar sedimentação de cálcio nas articulações, provocando artrites. Não é de estranhar que o Senhor Jesus tenha dito em seu sermão da montanha: “Não estejais preocupados relativamente á vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem relativamente ao vosso corpo, com o que haveis de vestir…” (Mt 6:25). O Espírito Santo também nos diz: “Não vos ansieis por coisa alguma… (Fl 4:6).

Deus não nos fez com os ombros suficientemente largos para carregar todo o peso do mundo, nem mesmo os problemas de nossa família, mas o Senhor Jesus pode realizar muito mais que tudo que pedimos e imaginamos (Ef 3:20).

O preço espiritual do medo

O medo não permite que sejamos cristãos alegres, felizes, radiosos, pelo contrário, torna os cristãos ingratos, queixosos, até mesmo infiéis. Se Paulo e Silas tivessem se amedrontado quando presos, jamais teriam ouvido do carcereiro: Senhor, o que devo fazer para ser salvo? (At 16:30)

O medo impede que o cristão agrade a Deus. Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6). O Capítulo 11 de Hebreus tem exemplos de homens e mulheres que agradaram a Deus porque não foram vencidos por suas fraquezas ingênitas, ou pelo medo ou pela ira, mas obedeceram a Deus pela fé.

É só considerarmos o temperamento destes quatro homens: Pedro, o sangüíneo, Paulo, o colérico, Moisés, o melancólico, e Abraão, o fleumático, para vermos que Deus não acata os indivíduos, mas torna suas fraquezas em força, por meio de Seu Espírito Santo, e o fará por você também.

O que provoca o medo

Existem, pelo menos, oito causas do medo:

Características de temperamento

Os temperamentos melancólico e fleumático são mais propensos aos sentimentos de medo, mas todos estão sujeitos a ele pois não são puros quando sangüíneos ou coléricos.

Experiências na infância

O amor e a compreensão junto com o ensinamento dos padrões bíblicos de vida, inclusive a submissão aos pais impedem o desenvolvimento de filhos medrosos. Entretanto, há certos hábitos dos pais que devem ser evitados:

Excesso de proteção

Pais excessivamente protetores tornam a criança egocêntrica e medrosa em relação às coisas que lhe acontecem e também em relação às que seus pais temem, pois elas aprendem rapidamente a conhecer nossas emoções.

A mãe que não deixa o filho jogar futebol porque ele pode quebrar um dente ou uma perna não sabe que é muito mais fácil curar uma perna quebrada do que curar as cicatrizes que o medo deixa em nossas emoções, o que só um milagre de Deus pode fazer.

Domínio sobre os filhos

Pais coléricos que dominam a vida de seus filhos ou que se aferram à crítica constante por uma falha, freqüentemente, criam insegurança, hesitação e medo nos filhos. Sempre deve-se seguir um elogio após uma crítica.

Quanto mais uma pessoa nos estima, tanto mais importante é procurarmos uma área em sua vida em que possamos mostrar aprovação. Mesmo na hora da correção, é preciso mostrar afeto aos filhos.

Uma experiência traumática

Experiências traumáticas, como um quase afogamento na infância, deixam marcas ocultas nas emoções das pessoas, que geralmente as acompanham a vida inteira.

Um padrão do pensamento negativo

Um indivíduo que mantém um padrão derrotista acha-se sempre incapaz de tentar algo novo e sugestiona-se todo tempo com o “não posso, não posso”. Esse comportamento diminui a autoconfiança e gera o medo. Mas há uma solução para o cristão, que pode decorar Fl 4:13: Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

Ira

A ira pode causar o receio quanto às próprias atitudes violentas.

O pecado provoca o medo

Se o nosso coração não nos repreende, podemos recorrer confiantes a Deus (1 Jo 3:21). Este princípio, que nos relembra de nosso relacionamento com Deus toda vez que pecamos, tem causado uma falsa interpretação em psiquiatras e psicólogos não cristãos, que acusam a pregação cristã de causadora de complexos de culpa. Mas a verdade é que o pecado gera o sentimento de culpa e não nossa relação com Deus, isto desde Adão e Eva.

A falta de fé

Há dois tipos de medo que a falta de fé gera mesmo em um cristão. Um deles é o medo de um pecado passado porque não crê que Deus tenha-lhe purificado de todo pecado (1 Jo 1:9). Outro tipo de medo causado pela falta de fé é o medo do futuro.

A preocupação com as dificuldades que possam surgir no futuro, ou mesmo no dia de amanhã, impede que vivamos plenamente a graça que Deus nos dá no dia de hoje. Como diz o salmista em Sl 118:24: Este é o dia que o Senhor criou; nele regozijaremos e seremos alegres.

O egoísmo – o motivo básico do medo

Por que tenho medo? Porque estou preocupado comigo.

Por que me sinto embaraçado diante de uma platéia? Porque tenho medo de fazer um papel feio.

Por que receio perder o emprego? Porque temo mostrar-me um fracassado diante de minha família ou da igreja.

Não seja uma tartaruga

Quando você se sente intimidado diante de um grupo de pessoas porque acha que estão todos olhando para você, esconde-se e evita participar de atividades em que você seja o foco das atrações, você é como a tartaruga que se esconde sob o casco, mostrando furtivamente a cabeça para se proteger. O seu casco é o egoísmo. Jogue-o fora e pense mais nos outros que em si mesmo.

Quem quer ser uma ostra?

Se quisermos uma vida emocional plena, precisamos nos tomar vulneráveis, aprender a “dar a outra face”, senão teremos de criar couraças emocionais até nos tomarmos uma ostra, completamente fechada, que não corre o menor risco de ser ferida.

O medo, como vimos, deve ser considerado um pecado e não desculpado como um padrão normal de comportamento.

Estaremos livres dele, estando plenos do Espírito Santo.

A DEPRESSÃO, SUA CAUSA E SUA CURA

A depressão é uma moléstia emocional que pode ser chamada de universal. Atinge cultos e incultos, pobres e ricos.

É definida no dicionário como “distúrbio mental caracterizado por desânimo, sensação de cansaço, cujo quadro inclui ansiedade em grau maior ou menor.”

Deus, que nos exorta dizendo: esforça-te e tende bom ânimo (Js 1.6), jamais desejou nos ver nesse estado. Ele nos deixou uma vida abundante!

O crente pleno do Espírito Santo nunca se sentirá deprimido. Aquele que se sentir assim já magoou o Espírito e pagará um preço vultoso por isso.

O vultoso preço de sentir-se deprimido

São, pelo menos, cinco os prejuízos causados pela depressão:

Melancolia e pessimismo

Para o indivíduo deprimido, tudo se lhe afigura negro, e as coisas mais simples lhe são difíceis. Faz uma “tempestade num copo d’água”, o que o torna uma companhia desagradável, obrigando-o a pagar o preço da solidão.

Apatia e cansaço

Todo indivíduo necessita do sentimento de realização que sucede a uma tarefa bem executada, sentimento que é repelido pela apatia do deprimido.

A apatia, com certeza, não é um solo fértil em que brotem as sementes dos ideais e objetivos. A falta de um ideal, por sua vez, mantém o indivíduo apático e sem vitalidade, por isso apresenta-se ele sempre cansado.

É o que acontece com os jovens de hoje, sem ideal, apáticos e cansados com a menor atividade.

Eles precisam desesperadamente que indivíduos plenos do Espírito Santo lhes mostrem a vida abundante que Jesus tem para lhes dar.

Hipocondria

Uma pessoa deprimida tem dores generalizadas, que ela usa para desculpar sua apatia, em vez de combatê-la.

A lembrança de uma experiência traumática acompanhada de dor leva o indivíduo a sentir a mesma dor quando a experiência se repetir ou quando pensar nessa experiência. E a tendência do deprimido é focalizar a atenção sobre aquilo que a desagrada, tomando-se um doente crônico.

A perda de produtividade

A conseqüência inevitável da apatia é a perda de produtividade que faz com que pessoas bem dotadas jamais concretizem suas potencialidades. Com isso, perdem nesta vida e também na vida eterna.

A Palavra de Deus é que diz: Se a obra de alguém se queimar, sofrerá perda; o tal será salvo, todavia como pelo fogo (1 Co 3.15) e Jesus, em Mt 25:14-30, fala sobre um servo mau e indolente.

O cristão só pode ficar deprimido por não poder testemunhar sua fé ao próximo.

Irritabilidade

O deprimido fica irritado até com a atividade e disposição dos outros enquanto ele está pensativo e melancólico.

Introspecção

O indivíduo deprimido tende a fugir das situações que considera desagradáveis e a buscar refúgio nos devaneios nostálgicos ou ligados ao futuro. Esse comportamento toma-o pouco comunicativo e isolado.

A causa da depressão: Na verdade, há algumas causas básicas para a depressão, a saber:

As tendências do temperamento

O temperamento mais vulnerável a ela é o melancólico, porque a experimenta por um período mais longo.

O sangüíneo passa por um momento de depressão, mas, logo que encontra uma companhia animada, ele se anima também.

O colérico é um otimista perene e acha a depressão pouco prática para aceitá-la.

O segundo lugar dos temperamentos em relação à depressão é do fleumático, embora os ataques não sejam tão freqüentes devido ao seu bom humor.

Os motivos que levam o melancólico à depressão são três:

1º) Sua maior fraqueza é o egocentrismo, que se perpetua com o hábito da auto-analise constante, levando-o à introspecção típica da depressão.

2º) O melancólico é um perfeccionista que critica com facilidade não só os outros como a si mesmo, o que o toma escrupuloso e meticuloso. Normalmente se dedica a seus objetivos com um esforço imenso e grande trabalho, achando-se, por isso, melhor que os outros e passando a dominar o grupo. Atinge seu padrão, mas se toma malquisto e desprezado, o que o leva à depressão.

3º) O perfeccionismo do melancólico o leva à frustração, pois não consegue executar com perfeição todas as tarefas que se impõe.

A hipocrisia

O cristão que tenta enquadrar-se aos padrões cristãos apenas pelo autocontrole e não por uma genuína conversão do espírito, terá de suportar doenças e frustrações que podem tomá-lo deprimido.

Problemas físicos

Uma pessoa debilitada tende a achar grande dificuldade em executar qualquer tarefa, o que a toma deprimida, a não ser que diga como Paulo: quando estou fraco, então é que sou forte (2 Co 12.10).

A carência de vitamina B e de hormônios pode levar à depressão. Por isso não devemos ver apenas as causas espirituais e emocionais.

O demônio

Se não estiver pleno do Espírito Santo, o cristão pode ser oprimido pelo demônio que o leva à depressão.

Rebelião e descrença

O Salmo 79 descreve a angústia e abatimento de Jerusalém pela derrota sofrida diante da invasão dos inimigos, porém pede, no versículo 9, perdão pelos seus pecados, que foram justamente a descrença e a rebelião.

A falta de fé de que Deus tem o melhor para ele, mesmo que a seus olhos pareça o contrário, leva-o à rebelião.

Seguindo seus próprios caminhos e não os de Deus, o homem sofre, fracassa e se deprime por isso.

Desgaste psicológico

A um grande e desgastante projeto realizado, é comum seguir-se uma crise de depressão. É o que acontece com alguns ministros depois de concluído o projeto de construção de uma igreja. Para eliminar a depressão, é preciso traçar objetivos mais elevados.

Elias foi um homem de Deus que, depois da grande vitória de fazer descer fogo dos céus e matar quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, disse para Deus: Já basta, ó Senhor. Toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais (1 Rs 19:4), obrigando Deus a se dirigir a ele para dar-lhe novos objetivos.

Autopiedade – a causa básica da depressão

Não importa quais sejam as causas apontadas até aqui, elas são apenas desculpas para não buscar a cura do Todo-Poderoso e ficar deprimido.

Porque a pessoa só se prostra em depressão após um longo período cativa do pecado da autocomiseração ou egocentrismo.

Este pecado é tão sutil que a própria pessoa não se apercebe que o tem.

Alguém pode ter o apoio de quase todos os membros da igreja para uma obra que executa, mas, se tiver um opositor ou achar que o tem, passará a se sentir desprezada e com pena de si mesma.

Como diz a Bíblia: O que quer que o homem semeie, isso ele lambem colherá. (Gl 6:7), portanto, se semear autopiedade; colherá depressão.

Quando descobrimos em nós a fraqueza da autopiedade, já temos meio caminho andado para a cura da depressão e outros males.

COMO VENCER SUAS FRAQUEZAS

Tirando vantagens do temperamento

Não é vontade de Deus que suas características ingênitas sejam destruídas. É da Sua vontade que Cristo seja glorificado em todas as áreas de sua vida de acordo com sua personalidade.

Para que suas forças sejam bem aproveitadas, é preciso que você conheça suas fraquezas e busque, para superá-las, a unção do Espírito Santo, para que você seja o ser completo que Ele deseja utilizar para Sua glória.

Faça uma lista de suas fraquezas após definir o temperamento ao qual pertence, depois procure a plenitude do Espírito Santo para vencê-las.

O egoísmo – A causa da fraqueza do homem

O egoísmo foi o pecado original de Satanás: Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte. Subirei acima das mais altas nuvens; serei semelhante ao Altíssimo. (Is 14:13-14), de Adão e Eva e Caim (Gênesis). A partir daí, tem sido o causador de mágoas, miséria, guerras, até os dias de hoje.

Como os dez mandamentos são o padrão de obediência a Deus, constatamos que o homem generoso os obedece, enquanto o egoísta os transgride.

Por exemplo, o indivíduo que é generoso em relação a Deus obedecerá a Ele humildemente e apenas a Ele adorará; não usará Seu nome em vão, nem fará para si mesmo imagens esculpidas; guardará o dia do Senhor, em vez de profaná-lo para fins egoístas. O indivíduo generoso honra pai e mãe; não furtará; não prestará falso testemunho contra o próximo; não adulterará, nem cobiçará o que é do próximo.

Desta maneira, pode-se facilmente concluir que o coração egoísta poderá cometer todos esses pecados.

O Espírito Santo – A cura de Deus para as fraquezas do temperamento

Como já vimos no início do resumo, as nove características do indivíduo pleno do Espírito Santo suprem-no da força necessária para combater as próprias fraquezas.

Em primeiro lugar, é preciso passar pela experiência instantânea de aceitar Jesus Cristo como Senhor e Salvador. É só abrir a porta que Ele entrará e ceará com você (Ap 3:20). Cear significa manter com você um relacionamento por meio do Seu Espírito.

Vencendo as fraquezas

O Espírito Santo vencerá suas fraquezas se você for pleno Dele. Mesmo assim, é bom seguir um programa planificado para vencer suas fraquezas:

Encare suas fraquezas como pecados

Em primeiro lugar, não apresente desculpas para suas fraquezas — frases como “Eu sou assim mesmo, é o meu jeito”. É preciso encarar as fraquezas como elas são: pecados, o quais o Espírito Santo pode ajudá-lo a eliminar. Se Deus diz em Sua Palavra: Posso todas as coisas Naquele que me fortalece (Fp 4:13), e não O consideramos mentiroso, você pode vencer todas as fraquezas tendo em você o Espírito de Deus.

Confesse o seu pecado todas as vezes!

Logo que descobrir seu pecado, confesse-o, pois Ele é fiel e Justo para perdoar-nos e purificar-nos de toda a iniqüidade (Jo 1:9). Esse versículo deve ser usado com constância para que não passemos longo tempo com o pecado em nossas vidas, prejudicando nossas bênçãos espirituais.

Peça a Seu amoroso Pai para livrá-lo desse pecado

Esta é a confiança que temos Nele; se pedirmos alguma coisa conforme a Sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que nos escuta em tudo que pedirmos, sabemos que possuímos tudo o que houvermos pedido a Ele. (Jô 5:14-15)

A vitória sobre o egoísmo, o medo e a ira é vontade de Deus, portanto, se pedirmos que Ele cure nossas fraquezas, Ele o fará.

Creia que Deus tenha dado a vitória

Muitos cristãos perdem a oportunidade de ser curados quando pedem a cura mas não se sentem curados.

Você pode todas as coisas Naquele que te fortalece, inclusive ser manso e não irado, confiante em vez de medroso.

A primeira Carta aos Tessalonicenses diz: em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

Portanto devemos, pela fé, dar graças pela cura que Ele processou em nossas fraquezas.

Solicite a plenitude do Espírito Santo

Já vimos, neste resumo, que podemos pedir a plenitude do Espírito Santo de acordo com a Palavra de Deus em Lucas 11:13: Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai do céu dará o Espírito Santo aos que pedirem!

Andai segundo o Espírito e habitai em Cristo (Gl 5:16)

Se habitardes em Mim e Minhas palavras habitarem em vós, podeis pedir o que desejardes que vos será concedido (Jo 15:7).

Isto é o que nos ensina Jesus e, para que Suas palavras permaneçam em nós, precisamos conhecê-las lendo a Bíblia. Ela deve ser a fonte de seu alimento espiritual. O novo cristão deve começar por João, depois 1 João, Carta aos Filipenses e Efésios, para, então, ler todo o Novo Testamento e, finalmente, o Velho Testamento. Ternos de ter o hábito de nos alimentar diariamente da Palavra de Deus como temos o hábito de almoçar todos os dias, por exemplo.

A oração também deve ser uma prática diária, não só as longas e benéficas horas de oração em seu quarto, mas a incessante consulta a Deus a respeito do trabalho, dos assuntos familiares, condicionando tudo a que “seja feita a Sua vontade”. O que quer dizer tomar decisões que não transgridam a Palavra de Deus.

Servir a Cristo é também uma forma de estar Nele. Se alguém me serve, o Pai o honrará (Jo 12:26).

Se você não O está servindo, então está sendo servido.

As pessoas mais felizes do mundo são aquelas produtivas para Cristo, porque vivem para Deus e para o próximo e não têm como sentir autopiedade.

A força do hábito

Mesmo conhecendo os benefícios de estar pleno do Espírito Santo, você, de repente, poderá se ver repetindo velhas ações pela força do hábito. Mas não desista de sua busca, sabendo que Maior é Aquele que está em nós do que aquele que está no inundo (1 Jo 4:4) e utilizando seis passos para isso:

• enfrente o fato como um pecado;

• confesse-o;

• peça ao Pai para extirpar esse hábito;

• agradeça-O antecipadamente pela vitória;

• pela fé, suplique a plenitude do Espírito Santo e

• ande segundo o Espírito.

OS TEMPERAMENTOS MODIFICADOS PELO ESPÍRITO SANTO

Quando o Espírito Santo penetra na mente de um homem, este, imediatamente, começa a mudar seu temperamento. Trata-se do novo nascimento, que é uma experiência sobrenatural, portanto, impossível de ser vivida sem a interferência do Espírito Santo na mente e corpo da pessoa.

Examinaremos, agora, os quatro temperamentos modificados pele Espírito Santo.

O sangüíneo pleno do Espírito

O sangüíneo será sempre extrovertido, mesmo após estar pleno do Espírito Santo. E será falador e brincalhão, mas suas brincadeiras e anedotas serão sadias e não obscenas, como costumavam ser. Ainda compartilhará emoções com o próximo, mas não chorando com ele e, sim, mostrando-lhe as promessas de Deus.

Deixará de seguir a lei do menor esforço e terá maior autocontrole, preferindo cumprir as responsabilidades que tem. Controlará suas tendências lascivas e passará a ver sua esposa como uma mulher atraente.

Ao experimentar a alegria de ver o Espírito Santo usando-o para levar alguém ao Salvador, perceberá como sua vida anterior era insignificante.

A inquietude do sangüíneo será contida pela paz que lhe dá o Espírito Santo. Em vez de engendrar conflito e desordem, terá uma influência mais agradável sobre as pessoas.

Uma vez que é uma pessoa expressiva, sua fé será contagiante.

O apóstolo Pedro é um ótimo exemplo de um sangüíneo pleno do Espírito Santo, que, numa pregação, levou três mil pessoas a Cristo.

O colérico pleno do Espírito

O colérico pleno do Espírito Santo será, infalivelmente, um eficaz líder cristão. Sua férrea vontade o fará levar a cabo grandes obras segundo objetivos eternos que seu novo Espírito lhe impõe. Sua liderança vem mais de sua produtividade ingênita que de uma inteligência superior.

Por suas características, o temperamento colérico é que tem mais necessidades espirituais. E a pessoa com tal temperamento tem que orar como Paulo: Estou crucificado com Cristo e já não vivo: é Cristo que vive em mim (Gl 2:20).

O amor ao próximo é o dom espiritual que mais destaca a mudança do colérico. Deixará também a hiperatividade e passará a agir segundo a sabedoria analítica que o Espírito lhe dá.

Mas os dons espirituais mais penosamente adquiridos pelo colérico são a docilidade, a bondade, a paciência e a humildade. Ele tratará melhor sua esposa, será paciente com as fraquezas alheias e um a produtivo conquistador de almas.

As pessoas respeitam o colérico mais porque o temem do que por admirá-lo. Sua nova personalidade benévola inverterá essa situação.

Paulo é, sem dúvida, o apóstolo que melhor representa a mudança radical do temperamento colérico ao se deparar com Jesus Cristo e aceitá-Lo.

O melancólico pleno do Espírito

Os inúmeros talentos do melancólico são enriquecidos e tomados produtivos pela plenitude do Espírito Santo.

É o temperamento mais sensível às necessidades da humanidade e facilmente se colocará à disposição de Deus para fazer algo pelos que sofrem.

Seu perfeccionismo analítico e seu trabalho meticuloso suprirá as necessidades da obra negligenciadas pelos irmãos mais extrovertidos. E considerará pura alegria ser uma peça na engrenagem do Reino de Deus.

A plenitude do Espírito será, para o melancólico, uma perfeita terapia, quando o faz perder o egocentrismo e preocupar-se com o próximo.

O sono, que, para ele era uma tortura, uma vez que sua mente não parava de analisar e ponderar sobre tudo, agora é tranqüilo e reparador.

A fé foi o dom espiritual que acabou com o pessimismo do melancólico Moisés e acabará com o de todo melancólico.

A paz e a alegria dadas pelo Espírito Santo surpreenderão o melancólico, sempre com tendência à depressão, e o farão ser sempre grato a Deus por essa riqueza inestimável: a descoberta da felicidade.

O declarado temperamento melancólico do apóstolo Tomé: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, não puser o meu dedo no lugar deles, e não meter minha mão no seu lado, não acreditarei (Jo 20:25), não impediu que ele se tomasse um pregador do Evangelho do qual piamente duvidava. Uma vez pleno do Espírito Santo, ele levou o Evangelho até o sul da Índia, onde se encontra o túmulo dele.

O fleumático pleno do Espírito

A mudança menos aparente do temperamento pleno do Espírito é a do fleumático, pois ele, por natureza, é calmo, cordato, pacífico e alegre.

O Espírito Santo o ajudará a vencer o medo e a falta de motivação. Sairá também de sua concha de autoproteção ao dedicar-se ao serviço da obra de Deus.

A bondade e docilidade do Espírito Santo eliminam o egoísmo do fleumático, tornando-o generoso.

Um exemplo bíblico do fleumático que lança fora todo o medo pelo Espírito Santo é Abraão, que, por duas vezes negou sua esposa, fazendo-a passar por sua irmã, com medo de morrer, e, hoje, é considerado um exemplo de homem de fé, tanto que é chamado Pai “da fé.

CONCLUSÃO

Por tudo o que foi exposto e pelos exemplos citados, vemos que as mudanças em nosso temperamento, a vitória sobre nossas fraquezas, exigem um incansável esforço de nossa parte e um tempo razoável, de acordo com o número de anos em que vivemos segundo nosso temperamento ingênuo e com a nossa disposição de ler e ouvir a Palavra de Deus, de negarmos á nós mesmos e de nos colocarmos humildemente sob a orientação de Deus e Seu Santo Espírito.

FIM

Tim LaHaye

Resumo feito por:

Mara Regina G.

Digitalizado por Sylver

Semeadores da Palavra e-books evangélicos

http://semeadoresdapalavra.queroumforum.com

Ter saúde é bom ? SIM ! Ter dinheiro é bom ? SIM ! Mas não ter não significa maldição !!! TEOLOGIA DA PROSPERIDADE É PURA HERESIA !

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, tem sido apregoada aos quatro cantos do mundo um ensino exagerado sobre a prosperidade cristã. Segundo este ensinamento, todo crente tem que ser rico, não morar em casa alugada, ganhar bem, além de ter saúde plena, sem nunca adoecer. Caso não seja assim, é porque está em pecado ou não tem fé. Neste estudo, procuraremos examinar o assunto à luz da Bíblia, buscando entender a verdadeira doutrina da prosperidade.

I – O QUE É PROSPERIDADE.

No Dic. Aurélio, encontramos vários significados em torno da palavra prosperidade.:

1. PROSPERIDADE (do lat., prosperitate). Qualidade ou estado de próspero; situação próspera.

2. PROSPERAR. Tornar-se próspero ou afortunado; enriquecer; ser favorável; progredir; desenvolver.

3. PRÓSPERO. Propício, favorável, ditoso, feliz, venturoso.

4. BIBLICAMENTE, prosperidade é mais que isso. É o que diz o Salmo 1. 1-3.

II – A MODERNA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE EM CONFRONTO COM A BÍBLIA.

1. NOMES INFLUENTES.

1.1. KENYON. Nasceu em 24.04.1867, Saratoga, Nova York, EUA, falecendo aos 19.03.48. Nos anos 30 a 40, desenvolveram-se os ensinos de Essek William Kenyon. Segundo Pieratt (p. 27), ele tinha pouco conhecimento teológico formal. “Kenyon nutria uma simpatia por Mary Baker Eddy” (Gondim, p. 44), fundadora do movimento herético “Ciência Cristã”, que afirma que a matéria, a doença não existem. Tudo depende da mente. Pastoreou igrejas batistas, metodistas e pentecostais. Depois, ficou sem ligar-se a qualquer igreja. De acordo com Hanegraaff, Kenyon sofreu influência das seitas metafísicas como Ciência da Mente, Ciência Cristã e Novo Pensamento, que é o pai do chamado “Movimento da Fé”. Esses ensinos afirmam que tudo o que você pensar e disser transformará em realidade. Enfatizam o “Poder da Mente”.

1.2. KENNETH HAGIN.

Discípulo de Kenyon. Nasceu em 20.08.1918, em McKinney, Estado do Texas, EUA. sofreu várias enfermidades e pobreza; diz que se converteu após ter ido três vezes ao inferno (Romeiro, p. 10). Aos 16 anos diz ter recebido uma revelação de Mc 11.23,24, entendendo que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isso é a essência da “Confissão Positiva”.

Foi pastor de uma igreja batista (1934-1937); depois ligou-se à Assembléia de Deus (1937-1949), em seguida passou por várias igrejas pentecostais, e , finalmente, fundou seu próprio ministério, aos 30 anos, fundando o Instituto Bíblico Rhema. Foi criticado por ter escrito livros com total semelhança aos de Kenyon, mas defendeu-se , dizendo que não era plágio, que os recebera diretamente de Deus.

OUTROS. 

Kenneth Copeland, seguidor de Haggin, diz que “Satanás venceu Jesus na cruz” (Hanegraaff, p. 36). Benny Hinn. Tem feito muito sucesso. Diz que teve a revelação de que as mulheres originalmente deveriam dar à luz pelo lado de seus corpos (id., p. 36). Há muitos outros nomes, mas este espaço do estudo não permite registrá-los.

III – OS ENSINOS DO EVANGELHO DA PROSPERIDADE EM CONFRONTO COM A BÍBLIA.

Os defensores da “teologia ou do evangelho da prosperidade” baseiam-se em três pontos a serem considerados:

1. AUTORIDADE ESPIRITUAL.

1.1. PROFETAS, HOJE.

Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes. Ele diz que “recebe revelações diretamente do Senhor”; “…Dou graças a Deus pela unção de profeta…Reconheço que se trata de uma unção diferente…é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes” (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7). è

O QUE DIZ A BÍBLIA:

O ministério profético, nos termos do AT, duraram até João (Mt 11.13). Os profetas de hoje são os ministros da Palavra (Ef 4.11). O dom de profecia (1 Co 12.10) não confere autoridade profética.

1.2. “AUTORIDADE DAS REVELAÇÕES”.

Essa autoridade deriva das “visões, profecias, entrevistas com Jesus, curas, palavras de conhecimento, nuvens de glória, rostos que brilham, ser abatido (cair) no Espírito”, rejeição às doenças, ordenando-lhes que saiam, etc. Ele diz que quem rejeitar seus ensinos “serão atingidos de morte, como Ananias e Safira” (Pieratt, p. 48). è

O QUE DIZ A BÍBLIA.

A Palavra de Deus garante autoridade aos servos do Senhor (cf. Lc 24.49; At 1.8; Mc 16.17,18). Mas essa autoridade ou poder deriva da fé no Nome de Jesus e da Sua Palavra, e não das experiências pessoais, de visões e revelações atuais. Não pode existir qualquer “nova revelação” da vontade de Deus. Tudo está na Bíblia (Ver At 20.20; Ap 22.18,19).
Se um homem diz que lhe foi revelado que a mulher deveria ter filhos pelos lados do corpo, isso não tem base bíblica, carecendo tal pessoa de autoridade espiritual. Deveria seguir o exemplo de Paulo, que recebeu revelação extraordinária, mas não a escreveu (cf. 2 Co 12.1-6).

1.3. HOMENS SÃO DEUSES! 

Diz Hagin: “Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi…” (Hagin, Word of Faith, 1980, p. 14). “Você não tem um deus dentro de você. Você é um Deus” (Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56). “Eis quem somos: somos Cristo!” (Hagin, Zoe: A Própria Vida de Deus, p.57). Baseiam-se, erroneamente, no Sl 82.6, citado por Jesus em Jo 10.31-39. “Eu sou um pequeno Messias” (Hagin, citado por Hanegraaff, p. 119).

O QUE A BÍBLIA DIZ. Satanás, no Éden, incluiu no seu engodo, que o homem seria “como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3.5). Isso é doutrina de demônio. Em Jo 10.34, Jesus citou o Sl 82.6, mostrando a fragilidade do homem e não sua deificação: “…Todavia, como homem morrereis e caireis, como qualquer dos príncipes” (v. 7). “Deus não é homem” (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Os 11.9 Ex 9.14). Fomos feitos semelhantes a Deus, mas não somos iguais a Ele, que é Onipotente (Jó 42.2;…); o homem é frágil (1 Co 1.25); Deus é Onisciente (Is 40.13, 14; Sl 147.5); o homem é limitado no conhecimento (Is 55.8,9). Deus é Onipresente (Jr 23.23,24). O homem só pode estar num lugar (Sl 139.1-12). Diante desse ensino, pode-se entender porque os adeptos da doutrina da prosperidade pregam que podem obter o que quiserem, nunca sendo pobres, nunca adoecendo. É que se consideram deuses!
2. SAÚDE E PROSPERIDADE.

Esse tema insere-se no âmbito das “promessas da doutrina da prosperidade”. Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doença e pobreza são maldições da lei.

2.1. BÊNÇÃO E MALDIÇÃO DA LEI.

Com base em Gl 3.13,14, K.Hagin diz que fomos libertos da maldição da lei, que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Ele toma emprestadas as maldições de Dt 28 contra os israelitas que pecassem. Hagin diz que os cristão sofrem doenças por causa da lei de Moisés.

O QUE DIZ A BÍBLIA.

Paulo refere-se, no texto de Gl 3 à maldição da lei a todos os homens, que permanecem nos seus pecados. A igreja não se encontra debaixo da maldição da lei de Moisés. (cf. Rm 3.19; Ef 2.14). Hagin diz que ficamos debaixo da bênção de Abraão (Gl 3.7-9), que inclui não ter doenças e ser rico. Ora, Abraão foi abençoado por causa da fé e não das riquezas. Aliás, estas lhe causaram grandes problemas. Muitos cristãos fiéis ficaram doentes e foram martirizados, vivendo na pobreza, mas herdeiros das riquezas celestiais (1 Pe 3.7).

Os teólogos da prosperidade dizem que Cristo, na Cruz, “removeu não somente a culpa do pecado, mas os efeitos do pecado” (Pieratt, p. 132). Mas isso não é verdade, pois Paulo diz que “toda a criação geme”, inclusive os crentes, aguardando a completa redenção.
2.2. O CRISTÃO NÃO DEVE ADOECER.

Eles ensinam que “todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças” e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções (Pieratt, p. 135). Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente.

O QUE DIZ A BÍBLIA:

“No mundo, tereis aflições” (Jo 16.33). São Paulo viveu doente (Ver 1 Co 4.11; Gl 4.13), passou fome, sede, nudez, agressões, etc. Seus companheiros adoeceram (Fp 2.30). Timóteo tinha uma doença crônica (1 Tm 5.23). Trófimo ficou doente (2 Tm 4.20). Essas pessoas não tinham fé? Jesus curou enfermos, e citou Is 53.4,5 (cf. Mt 8.16,17).

No tanque de Betesda, havia muitos doentes, mas Jesus só curou um (cf. Jo 5.3,8,9). Deus cura, sim. Mas não cura todos as pessoas. Se assim fosse, não haveria nenhum crente doente. Deve-se considerar os desígnios e a soberania divina. Conhecemos homens e mulheres de Deus, gigantes na fé, que têm adoecido e passado para o Senhor.

2.3. O CRISTÃO NÃO DEVE SER POBRE.

Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa nova (jamais morar em casa alugada!), as melhores roupas, uma vida de luxo. Dizem que Jesus andou no “cadillac” da época, o jumentinho. Isso é ingênuo, pois o “cadillac” da época de Cristo seria a carruagem de luxo, e não o simples jumentinho.

O QUE DIZ A BÍBLIA.

A Palavra de Deus não incentiva a riqueza (também não a proíbe, desde que adquirida com honestidade, nem santifica a pobreza); S. Paulo diz que aprendeu a contentar-se com o que tinha (cf. Fp 4.11,12; 1 Tm 6.8);

Jesus enfatizou que só uma coisa era necessária: ouvir sua palavra (Lc 10.42); Ele disse que é difícil um rico entrar no céu (Mt 19.23); disse, também, que a vida não se constitui de riquezas (Lc 12.15). Os apóstolos não foram ricaços, mas homens simples, sem a posse de riquezas materiais. S. Paulo advertiu para o perigo das riquezas (1 Tm 6.7-10)

3. CONFISSÃO POSITIVA. 

É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na “fórmula da fé”, que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a “fórmula”.
Se alguém deseja receber algo de Jesus, basta segui-la:

1) “Diga a coisa” positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá”. Essa é a essência da confissão positiva.
2) ” Faça a coisa”. “Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá”.

3) “Receba a coisa”. Compete a nós a conexão com o dínamo do céu”. A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo.

4) “Conte a coisa” a fim de que outros também possam crer”. Para fazer a “confissão positiva”, o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer : peço, rogo, suplico; jamais dizer: “se for da tua vontade”, segundo Benny Hinn, pois isto destrói a fé.

Mas Jesus orou ao Pai, dizendo: “Se é da tua vontade…faça-se a tua vontade…” (Mt 26.39,42). “Confissão positiva” se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão” (Romeiro, p. 6).

IV – A VERDADEIRA PROSPERIDADE.

A Palavra de Deus tem promessas de prosperidade para seus filhos. Ao refutar a “Teologia da Prosperidade”, não devemos aceitar nem pregar a “Teologia da Miserabilidade”.

1. A PROSPERIDADE ESPIRITUAL.

Esta deve vir em primeiro lugar. Sl 112.3; Sl 73.23-28. É ser salvo em Cristo Jesus; batizado com o Espírito Santo; é ter o nome escrito no Livro da Vida; é ser herdeiro com Cristo (Rm 8.17); Deus escolheu os pobres deste mundo para serem herdeiros do reino (Tg 2.5); somos co-herdeiros da graça (1 Pe 3.7); devemos ser ricos de boas obras (1 Tm 6.18,19); tudo isso nos é concedido pela graça de Deus.

2. PROSPERIDADE EM TUDO.

Deus promete bênçãos materiais a seus servos, condicionando-as à obediência à sua Palavra e não à “Confissão Positiva”.

2.1. BÊNÇÃOS E OBEDIÊNCIA. Dt 28.1-14. São bênçãos prometidas a Israel, que podem ser aplicadas aos crentes, hoje.

2.2. PROSPERIDADE EM TUDO (Sl 1.1-3; Dt 29.29; ). As promessas de Deus para o justo são perfeitamente válidas para hoje. Mas isso não significa que o crente que não tiver todos os bens, casa própria, carro novo, etc, não seja fiel.

2.3. CRENDO NOS SEU PROFETAS (2 Cr 20.20;). Deus promete prosperidada para quem crê na Sua palavra, transmitida pelos seus profetas, ou seja, homens e mulheres de Deus, que falam verdadeiramente pela direção do Espírito Santo, em acordo com a Bíblia, e não por entendimento pessoal.

2.4. PROSPERIDADE E SAÚDE (3 Jo 2). A saúde é uma bênção de Deus para seu povo em todos os tempos. Mas não se deve exagerar, dizendo que quem ficar doente é porque está em pecado ou porque não tem fé.

2.5. BÊNÇÃOS DECORRENTES DA FIDELIDADE NO DÍZIMO (Ml 3.10,11). As janelas do céu são abertas para aqueles que entregam seus dízimos fielmente, pela fé e obediência à Palavra de Deus.

2.6. O JUSTO NÃO DEVE SER MISERÁVEL. (Sl 37.25). O servo de Deus não deve ser miserável, ainda que possa ser pobre, pois a pobreza nunca foi maldição, de acordo com a Bíblia.

CONCLUSÃO.

O crente em Jesus tem o direito de ser próspero espiritual e materialmente, segundo a bênção de Deus sobre sua vida, sua família, seu trabalho. Mas isso não significa que todos tenham de ser ricos materialmente, no luxo e na ostentação. Ser pobre não é pecado nem ser rico é sinônimo de santidade. Não devemos aceitar os exageros da “Teologia da Prosperidade”, nem aceitar a “Teologia da Miserabilidade”. Deus é fiel em suas promessa. Na vida material, a promessa de bênçãos decorrentes da fidelidade nos dízimos aplicam-se á igreja. A saúde é bênção de Deus. Contudo, servos de Deus, humildes e fiéis, adoecem e muitos são chamados á glória, não por pecado ou falta de fé, mas por desígnio de Deus. Que o Senhor nos ajude a entender melhor essas verdades.

BIBLIOGRAFIA.
– Bíblia Sagrada, ERC. Ed. Vida, S. Paulo, 1982.
– GONDIM, Ricardo. O Evangelho da Nova Era. Abba, S. Paulo, 1993.
– HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. CPAD, Rio, 1996.
– ROMEIRO, Paulo. Super Crentes. Mundo Cristão, S. Paulo, 1993.

Pr. Elinaldo Renovato de Lima

E quando Deus não está no lar ?

Por se tratar de uma instituição divina, a família tem sido atacada desde o Éden por inimigos mortais. No mundo moderno, esse ataque tem sido extremamente violento, a ponto de muitos já duvidarem da necessidade de constituir família. Há moços que têm receio de se casarem temendo não ter condições de levar adiante a constituição do lar, e também há moças que sentem o mesmo receio. Além disso, há, ainda, os que, inebriados pela propaganda materialista, que prega novas formas de convivência social em substituição ao lar, preferem lançar-se ao mar revolto das aventuras, das libertinagens sexuais, do falso “amor livre”, e de tantas outras fugas, a enfrentarem a realidade, da boa convivência social, com base na instituição familiar.

Por trás de todo o ataque à família, está o inimigo de Deus e dos homens, Satanás. E poucos sabem disso. As famílias cristãs, quando verdadeiramente cristãs, são as que estão em melhores condições, espirituais e morais, de reagirem e vencerem os ataques diabólicos contra o lar. Veremos agora alguns dos terríveis inimigos do lar e da família, e como combatê-los.

O PERIGO DA FALTA DE DEUS NO LAR

A falta de Deus é o inimigo número um do lar. Ele se revela quando o ambiente em casa é destituído de espiritualidade. Quando Deus está presente no lar, sente-se uma at-mosfera diferente, agradável e santa. O pai e a mãe se unem aos filhos para servirem ao Senhor. Deus é o hóspede invisível, mas real, que domina o ambiente da família. Em cada canto da casa, pode-se sentir Deus. Há harmonia entre todos. Há louvores. Há devoção sincera ao Senhor. As coisas de Deus são colocadas em primeiro lugar e o lar é uma continuação da igreja.
Por outro lado, quando Deus não está no lar, sente-se que o ambiente é carnal, pesado, cheio de manifestações mundanas. Não se louva a Deus, mas a criatura. Não se ora, não se busca o Senhor. A Bíblia, se existir, está escondida. As músicas são profanas. Não existe harmonia no ca-sal nem nos filhos. As coisas materiais estão em primeiro lugar. ‘Só se pensa em prazeres materiais, riquezas, dinheiro, diversões e coisas mundanas! a casa é uma continuação do mundo. É bom não esquecer o que diz o salmista: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Sl 127.1).

Quando o Senhor edifica, as bases, as colunas, as paredes espirituais, os muros ficam fortalecidos pelo Supremo Arquiteto. Mas os pais, para começarem com Deus e continuarem com Deus, precisam cumprir os seus deveres cristãos, como já foi dito antes. Em resumo, para ter Deus no lar, é necessário:
Ter no lar uma vida de oração.

· Realizar o culto doméstico, adorando a Deus com a família.
Cultivar e estimular no lar a leitura da Bíblia Sagrada.

– Levar a família, cedo, ao ambiente sadio da igreja. ·

– Estar vigilante quanto às “astutas ciladas do Diabo” contra o lar.

– Combater todas as formas de infiltração do materialismo ateu, seja por via da escola, dos meios de comu-nicação (tevê) ou de outras pessoas. · Levar a família a ocupar-se no serviço do Senhor.

Pr. Elinaldo Renovato de Lima

E se for uma “boa” pessoa, terei lugar garantido no céu quando morrer ? NÃO !!!

” Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem de obras, para que ninguém se glorie” ( Ef 2.8 ).

O pecado separou o homem de Deus. A humanidade sentiu esta separação e a distância do Criador. Por esta razão, o ser humano tem se esforçado muito para se aproximar e se religar a Deus. Daí surgiram inúmeras religiões. ( Religião = religar). Cada uma apresenta seus sacrifícios e boas obras como meio de chegar a Deus.

O cristianismo bíblico não é simplesmente mais uma religião, como querem muitos historiadores e antropólogos. Esta é a única religião em que a divindade se torna o próprio sacrifício. Deus sabia que nada existia em nós que pudesse servir como oferta aceitável para perdão dos pecados e salvação das nossas almas. Por isso, enviou Jesus Cristo, o cordeiro de Deus, para morrer em nosso lugar. Agora, cabe a cada um de nós apenas crer na eficácia do sacrifício de Jesus, arrepender dos nossos pecados e pedir o seu perdão e salvação.

Boas obras, ações caridosas, não têm o poder de levar ninguém ao céu. Entretanto, sendo salvos pela fé, somos ensinados a praticar as boas obras, e devemos praticá-las, como uma forma de testemunho e demonstração de amor ao próximo.

“Se com a tua boca confessares e com o teu coração creres que Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos, serás salvo”. (Rm.10-9).

Prof. Anísio Renato de Andrade

Neste exato momento, você já está sendo “bombardeado” pelo inferno. VIGIAI e ORAI !!!

Estamos numa guerra espiritual que não se restringe aos momentos de oração, mas é ininterrupta, encerrando-se apenas no dia em que Jesus voltar. O Diabo tem uma série de estratégias. Corremos o risco de identificar algumas e cair nas outras. O fato é que ele não desiste. Nossa vitória de hoje não eliminará o ataque de amanhã. Pelo contrário, ele poderá ser mais sofisticado. Portanto, não podemos relaxar.

Se você não cair numa cilada, ele tentará outra.

Se você não cair na rua, ele colocará tropeços dentro de casa ou dentro da igreja.

Se você não é atingido pelos inimigos, ele tentará usar seus amigos.

Se você não se deixa levar pela prostituta, ele enviará a mulher adúltera.

Se você estiver acima dos erros por ignorância, ele usará a sabedoria humana (lógica e filosofia).

Se você reconhece logo a mentira, ele usará a própria verdade (distorção da bíblia e acusação).

Se você não se torna mundano, ele vai empurrá-lo para uma religiosidade vazia.

Se você resiste à prática da maldade, ele tentará levá-lo às práticas bondosas: caridade sem Cristo (João.12.5).

Pensando em todas estas armadilhas, pode parecer que não exista possibilidade de escape para o cristão, mas não é assim. Cristo venceu Satanás em todos os níveis (Mt.4.1-11) e nós também venceremos, se conhecermos e utilizarmos as armas que o Senhor colocou à nossa disposição (Ef.6.10-18).

O fundamento da nossa resistência é:

– Fé em Deus; compromisso com ele (salvação); conhecimento e prática da sua Palavra.

A bíblia traz ao nosso conhecimento as realidades espirituais conquistadas por Cristo para nós, isto é, nossa posição espiritual. Sabendo isto, nossa fé será uma arma de defesa eficiente contra vários ataques do maligno.

O conhecimento da palavra, juntamente com a fé e o compromisso, produzirão diversas virtudes espirituais em nós. Podemos resumi-las em duas palavras: justiça e verdade.

Um cristão cheio de fé, cheio da palavra, justo e verdadeiro, torna-se um guerreiro eficaz contra o Diabo. Deve, porém, ser vigilante, pois, se “dormir”, suas armas serão inúteis (Mt.13.25; ITss.5.6).

O Senhor nos manda vigiar e orar. A oração busca a proteção divina. A vigilância trata da parte humana no combate.

Nosso inimigo é persistente e astuto, mas o Senhor nos capacita para sermos mais do que vencedores.

“Ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite. E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte” Ap.12.10-11.

Prof. Anísio Renato de Andrade