Carta aos MUÇULMANOS …

Se você é muçulmano – Uma Breve Declaração de Fé Cristã

Há um Deus verdadeiro e vivente, que é Espírito e Criador de todos os espíritos, sejam humanos ou angelicais, e de todo o universo que a ciência já nos revelou. Somente Ele é eterno e existente em Si mesmo, dependendo tudo o mais dEle. Deus está presente em Seu universo em todo lugar e em toda época, mas Se dá a conhecer em lugares e momentos específicos. As Escrituras do Antigo e Novo Testamento (a Torá, o Zabur e o Injil) constituem o registro supremo desta revelação que Deus nos dá de Si mesmo.

Atualmente existem cópias autênticas dos livros do Antigo Testamento em hebraico original, anteriores à Era Cristã, e também dos livros do Novo Testamento em grego, de uma data anterior à do ano 300 da Era Cristã (ou seja, vários séculos antes do profeta Maomé). As traduções da Bíblia baseiam-se em tais documentos históricos. Há pequenas variações entre as diferentes cópias antigas (manuscritos, códigos, etc.), mas são insignificantes. Não existe a menor evidência de que os judeus ou os cristãos tenham alterado deliberadamente as Escrituras, ou que tenha existido uma Torá ou um Injil diferentes do tempo em que Maomé disse:

Somente há um Deus: o Deus vivo e eterno. Ele enviou o livro que contém a verdade, para confirmar as Escrituras que o precederam. Antes deixou o Pentateuco e o Evangelho, para que servisse de guia aos homens…” (Sura 3.1, 2)

O fato de que deus é um só, é o fundamento da Torá de Moisés. No Injil repete-se várias vezes este princípio, que sempre foi a fé dos cristãos. Ao mesmo tempo, a experiência dos primeiros discípulos ao observar a vida de Jesus e ouvir Suas palavras, levou-os à convicção de que Ele era, num sentido muito especial e divino: “Meu Senhor e meu Deus”, são as palavras de um deles.

Além disso, quando após a ascensão de Jesus ao céu e de acordo com sua clara promessa, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos que O esperavam, e eles comprovaram que Deus estava trabalhando entre os homens sem ser visto, não somente como um poder ou uma influência, mas em forma pessoal. Portanto, o Espírito Santo também é uma pessoa. Os cristãos tradicionalmente falavam de três “Pessoas” em um só Deus, a Santíssima Trindade, mas neste caso, a palavra “Pessoa” não deve ser entendida no seu sentido mais comum. As “Pessoas” divinas estão vinculadas entre si na unidade da Trindade, mais intimamente do que jamais poderiam estar os seres humanos.

Nenhuma analogia terrena pode explicar adequadamente o que é a divina Trindade; portanto, não devemos nos surpreender que a mente humana seja incapaz de compreender totalmente o mistério de nosso maravilhoso Deus, que é o verdadeiramente “Al Ghaib” (O Escondido). Nossa capacidade para entender Sua grandeza e Seu mistério é tão limitada como a de um gato (para usar uma ilustração familiar) para compreender o que faço quando leio um livro, ou oro.

Mas, nenhuma explicação sobre a Trindade é válida se não reafirma a unidade de Deus.

Deus enviou Seus profetas através dos tempos para revelar à humanidade Sua vontade e algo sobre Sua natureza e para chamar o homem ao arrependimento e à obediência. Mas, quando chegou o momento propício, Deus mesmo tomou a forma humana na pessoa de Jesus, o filho de Maria. Não fez isso para apagar Sua divindade e aparentar ser um homem, mas para que a natureza humana e a divina fossem combinadas maravilhosamente em Uma só pessoa. Quando O chamamos de “Filho de Deus” não nos referimos à Sua concepção milagrosa, já que Cristo é o Filho de Deus desde toda a eternidade, e seria uma blasfêmia pensar que de alguma forma o Deus glorioso tomou forma humana para ter relações físicas com uma pessoa humana (Maria), por mais pura que ala fosse.

Esse título é uma metáfora que fala daquele que possui a natureza de seu Pai (como os filhos humanos), mas está mais perto do coração de Deus. Como homem, Jesus teve fome, sede, cansaço, sentiu tristeza, foi tentado, sofre e morreu. Ao mesmo tempo, através de Sua vida de perfeição, mostrou o que Deus queria que o ser humano fosse. Como verdadeiro Deus, manifestou a glória divina por toda a Sua vida, e na ressurreição, triunfou sobre a morte. Sofrendo pela humanidade, oferecendo-Se a Si mesmo como sacrifício perfeito pelo pecado humano, revelou o assombroso amor de Deus, pois o amor, por sua própria natureza, supõe sofrimento e um Deus amoroso também deve ser um Deus sofredor. Por isso a cruz é um símbolo tão significativo para os cristãos. Um discípulo de Cristo pode dizer: “amou-me e Se entregou a Si mesmo por mim.”

Este amor sacrificial foi a grande e fantástica motivação para o amor e o serviço entre os Seus seguidores.

Por que teve de sofrer? Porque desde Adão os homens e as mulheres são pecadores e se rebelaram contra o Deus Santo, tornando-se merecedores de Seu juízo. Nem as boas obras, nem o sofrimento voluntário, podem compensar os pecados de ninguém, por mais justo que aparente ser. Somente o sacrifício de um homem perfeito que é o próprio Deus será suficiente para apagar seus pecados. Ao derrubar a barreira das transgressões, o sacrifício de Cristo restabelece o vínculo entre Deus e o homem, para que assim este possa receber o Dom de Deus que é o perdão gratuito e a vida eterna.

Somente pela fé, pode-se receber a assombrosa graça de Deus que Cristo nos oferece. Esta fé, entretanto, não implica somente crer com o intelecto, também significa confiar em Jesus com todo o coração e consagrar a Ele nossa vontade.

Desta forma, podemos ver que não se trata, como disseram alguns, de que a propiciação de Cristo nos dá liberdade para pecar. Ao contrário, ela nos transforma em novas pessoas, e por isso, não temos mais desejo de pecar.

A nova vida em Cristo traz consigo o Dom do Espírito Santo, que entra em nossas vidas e pouco a pouco produz em nós as qualidades de Jesus: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança. Mas para isso, devemos cooperar ativamente e utilizar os meios que Deus nos deu para crescer espiritualmente: a adoração com outros cristãos, a oração individual e pessoal, o estudo inteligente da Bíblia e sua meditação, não a mera repetição de suas palavras. O Espírito Santo nos fortalece para servir a Cristo e nos reveste de dons especiais, os quais podem ser usados para ajudar outros e edificar a comunidade cristã.

Finalmente, chegará o dia como Cristo prometeu, em que Deus intervirá uma vez mais na história do homem mediante a volta gloriosa de Jesus Cristo, com o que esta era terá fim e o mundo tal qual o conhecemos desaparecerá. O cristão espera, seja nesse momento ou depois de sua morte, viver na presença de Deus, sem ser assediado pelo poder e a presença do pecado, naquele reino celestial onde todo o mal terá desaparecido, e o povo de Deus desfrutará por toda a eternidade da visão perfeita de Sua beleza.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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Com Cristo vivo na Plenitude

Talib Barwani (muçulmana de Zanzibar convertida ao Cristianismo).

Meus antepassados eram do sultanato de Omã, na península da Arábia.

Estabeleceram-se em Zanzibar e se casaram com pessoas africanas. Meus pais eram muito carinhosos comigo; minha mãe, em especial, era uma muçulmana devota. Mandaram-me à escola corânica e aprendi a ler o Corão em árabe (embora sem compreender o significado), a rezar cinco vezes por dia, a jejuar durante do mês de Ramadã e a dar esmolas. Quando era adolescente tive vontade de viajar. Depois de fugir de casa várias vezes, consegui chegar a Bombaim, na Índia. Partindo dali, dei a volta ao mundo, trabalhando como grumete (aprendiz de marinheiro) num navio de carga. Voltei para minha casa, mas depois de um ano parti novamente para a Índia e o Golfo Pérsico. Depois, viajei para a Europa onde trabalhei e estudei, mas não consegui meus objetivos e comecei a viver uma vida licenciosa. Fiz tudo o que meu coração ditava, mas depois de algum tempo percebi que nada me bastava.

Um dia, sentado num café, encontrei-me totalmente decepcionado com meu estilo de vida. Alguém entrou comuns panfletos sobre as Forças Armadas.

Senti que para mim qualquer coisa seria boa, desde que me afastasse do estado em que me encontrava. Assim, ingressei na Força Aérea e, depois das provas de habilitação e de um treinamento básico em eletrônica, enviaram-me à Líbia. Ali desfrutei a vida e fiz muitos amigos. Um deles chamava-se João, com quem costumava nadar e caminhar.

Uma noite ao voltar à barraca que dividíamos com outros três companheiros, vi João ajoelhado, orando. Foi uma surpresa para mim, pois jamais havia pensado nele como uma pessoa religiosa. Admirei-me de sua coragem de ajoelhar-se e orar numa barraca cheia de soldados. Assim que se levantou, perguntei-lhe por que de repente tornara-se tão religioso. Ele disse que não se tratava de ser religioso, sim, de ter Jesus Cristo em sua vida. Para mim, tudo era muito estranho, e pedi-lhe que me explicasse melhor.

Disse-me que Jesus havia vindo ao mundo para salvar os pecadores e que havia tomado nosso lugar na cruz, carregando sobre si o castigo que merecíamos; explicou-me como Ele agora oferece perdão e vida eterna a todo aquele que O recebe com fé em seu coração.

Embora eu não praticasse minha religião, cria no Islamismo. Acreditava que Jesus era um profeta como Abraão, Noé e Moisés, mas, para mim, a idéia de que Ele fosse o Filho de Deus era uma blasfêmia. Eu criticava certos países que se diziam cristãos e, entretanto, maltratavam outros seres humanos em nome de Cristo. Isso contrastava com a fraternidade dos povos muçulmanos do Atlântico à China. Mas eu não sabia que alguns cristãos estavam orando por mim.

Um dia, embora eu realmente não tivesse interesse, conheci outro cristão chamado Pedro, que estava com uma Bíblia aberta nas mãos. Ele era sargento, mas achei-o diferente dos outros sargentos. Pedro mostrou-me como o Antigo Testamento profetizava sobre Cristo e como o Novo mostrava que Ele tinha vindo para cumprir essas profecias. Procurou Apocalipse e leu: “Eis que eu estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo.” (Apocalipse 3.20). Essas palavras do Senhor penetraram no meu coração. Apesar de minha crença de que os cristãos haviam alterado o Novo Testamento, eu sabia que essas palavras eram verdadeiras.

Sabia que Jesus Cristo estava parado, chamando à porta do meu coração, e que somente eu podia abri-la ou fechá-la. Eu não queria tomar tal decisão; assim, despedi-me de Pedro e fui embora.

Lembro-me de que fui diretamente ao cinema para esquecer a experiência, mas as palavras de Jesus vinham sem cessar à minha mente: “Eis que aqui estou à porta e chamo…” Dizia a mim mesmo que isso era uma bobagem, um estado de espírito passageiro. Saí do cinema com a intenção de ir a um clube e beber. Em vez disso, fui à tenda que se usava como Igreja e ali quebrantei-me por completo.

Ajoelhei-me e orei assim: “Senhor Jesus, eu sei que Tu morreste na cruz por meus pecados. Tu és o que me salva de minha maldade: por favor, entra na minha vida agora, abro-te a porta do meu coração, sê meu Salvador e Senhor.” Quando me levantei tinha uma paz profunda e uma grande alegria. Sabia que meus pecados tinham sido perdoados e queria contar para todos a maravilhosa experiência que tinha acabado de viver.

Um mês depois de minha conversão, tive a oportunidade de voltar na férias à minha casa em Zanzibar, após cinco anos de ausência. Eu temia o que poderia ocorrer quando soubesse que eu era cristão. As pessoas tinham a tendência de associar o Cristianismo ao imperialismo ocidental. Quando vi como minha mãe e minha família estavam felizes ao ver-me, procurei ocultar-lhes minha conversão, mas, depois de algum tempo, tive que falar-lhes sobre minha fé em Cristo. Eles não podiam compreender porque eu havia feito isso. Estavam perturbados e eu também, pois amava muito minha mãe. Mas não podia esperar que pessoas não cristãs entendessem que meu amor por Cristo tinha que ser mais forte que meu amor pelos membros mais queridos de minha família. Em resumo, de ambas as partes houve mal-entendidos, dor e lágrimas.

Desde esse momento Deus tem sido muito real para mim. Tive a oportunidade de comprovar quão perto Ele está nos momentos difíceis. Jesus satisfaz os desejos mais profundos de meu coração e nunca me arrependi, nem por um momento sequer, da decisão que tomei há quase dez anos, de abrir-lhe a porta de meu coração. O Senhor me deu uma maravilhosa esposa oriunda do Líbano que compartilha igualmente de minha fé e temos dois filhos pelos quais damos graças a Deus. Queremos servir ao Senhor em países muçulmanos, mas até o momento as portas ainda não nos foram abertas. Por meio do meu trabalho numa companhia especializada em eletrônica, encontro cada vez mais oportunidades para pregar e dar meu testemunho.

Minha fé em Cristo me ajuda a viver plenamente. Antes minha vida era vazia e cheia de preocupações; hoje, estou realmente feliz, pois, para mim, viver tem sentido, e o Senhor me ensinou a não preocupar-me com qualquer situação que se apresente. Aprendi, antes de qualquer coisa, a levar tudo a Deus em oração, tanto o insignificante como o mais importante. Ele me ensinou a não odiar a ninguém, não importando o que me tenham dito ou feito. Tenho uma grande sensação de segurança que não provém do que possuo, mas, sim, da fiança absoluta em meu Senhor.

A vida cristã não é fácil, mas é a mais maravilhosa, emocionante e satisfatória para minha alma que jamais conheci. Esta é a razão pela qual não há nada que dê mais alegria a minha esposa e a mim que aproveitar qualquer oportunidade para contar aos outros a boa nova do grande amor de Deus em Cristo Jesus para com os homens.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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Era tudo que eu havia sonhado !

Maryam (muçulmana da Indonésia convertida ao Cristianismo).

Normalmente uma pessoa sente-se atraída por uma fé ou um determinado estilo de vida porque tem algum conhecimento a respeito, ainda que esse conhecimento seja limitado. Mas minha experiência foi diferente. Eu me sentiria envergonhada se tivesse que falar de toda a maldade que havia no me coração.

Mas, ao escrever isto, vejo como um espelho que reflete minha própria vida, e quero dizer que não recebi os mandamentos de Deus e a graça da salvação porque os compreendi, mas sim pela grandeza de seu poder.

Como muçulmana de nascimento, fazia todo o possível para cumprir os requisitos do Islamismo. Para mim, era algo muito natural, pois todos os meus antepassados haviam professando essa fé, a qual passaram a ensinar aos seus descendentes.

Talvez o leitor se pergunte se eu conhecia bem o Islamismo e se tinha a segurança de que minha religião me daria a salvação eterna. A resposta é: não!

Eu via que os ensinamentos muçulmanos eram bons. De fato, em certo sentido, não diferem muito do que ensinava Jesus Cristo. No Corão, por exemplo, há instruções sobre como devemos nos comportar, semelhantes às que se encontram no Sermão da Montanha. Mas eu estava insegura quanto ao resultado de tudo o que fazia como muçulmana. Outra pergunta que fazia a mim mesma constantemente era: por que fazia tudo o que me diziam? Tive que admitir que, na realidade, era somente porque haviam me ensinado desde pequena. Além disso, eu achava que ninguém se importava se eu cria ou não em minha religião.

Certamente não devo ser a única pessoa na Indonésia que teve essa experiência.

A maioria em meu país cumpre suas obrigações religiosas pela mesma razão que eu: seguir a religião que receberam de seus pais.

Eu gostaria de contar-lhes como fui atraída à fé cristão, embora seja impossível explicá-lo exatamente. Sempre me pergunto por que ocorreu comigo, mas obviamente tratava-se da iniciativa de Deus para que eu fosse salva. O processo pelo qual cheguei a crer é muito simples. Um senhor que tinha um Bíblia consigo veio visitar meu irmão e, enquanto eles conversavam, comecei a folheá-la.

Gostei de lê-la e pude compreender algumas partes. Mas o homem foi embora com sua Bíblia antes que eu pudesse ler mais. Como me senti muito atraída e tinha aproveitado bastante de sua leitura, pedi uma Bíblia emprestada a um ministro cristão. Ele ficou surpreso, pois sabia que eu era muçulmana.

Depois de ler e reler a Bíblia várias vezes, quis saber mais sobre os segredos que continha. Exerceram grande impacto sobre mim, especialmente os livros de Gênesis e o Evangelho de Mateus; senti um profundo desejo de pôr em prática o que lia. Mas ainda não tinha a coragem para contá-lo a ninguém, de modo que me calei. Não tinha um amigo para pedir ajuda ou fazer perguntas com relação à vida dos cristãos. Eu era muito tímida para ir à Igreja, já que não sabia o que as pessoas faziam ali. Mas, em meu coração, sempre desejara ir.

Finalmente decidi declarar minha fé. Comecei a freqüentar as aulas de religião cristã na minha escola, embora a princípio não compreendesse muito.

Todos os outros estudantes eram cristãos e, quando eles iam à Igreja, eu os acompanhava. Este foi o ponto de partida de minha dedicação: resolvi fazer parte da comunhão dos crentes. Passei a participar ativamente na congregação, a ter mais coragem e a ser mais aberta e sincera com minha família.

Ainda havia muito obstáculos para vencer, pois meus pais e outros familiares, quando souberam que eu fazia parte da comunidade cristã, negaram-me a permissão para que me batizasse, embora não me impedissem de participar dos cultos da Igreja e de minhas atividades. Eu não queria ofendê-los e sabia que o batismo não é o fundamento de nossa salvação em Jesus Cristo, por isso continuei participando da Igreja e mantendo meus amigos cristãos. Vivi assim durante quatro anos. Quanto mais aprendia sobre o companheirismo cristão, mais me atraía. Era tudo o que eu sempre havia desejado, já antes de minha conversão.

Numa noite de Natal, pedi com decisão que me recebessem oficialmente na comunhão da Igreja. Fui batizada apesar de estar passando por uma fase de muita perseguição. Ao participar integralmente da comunhão em Cristo, passei a desejar a mesma vida que os demais crentes estavam experimentando. Sentia-me agora muito feliz, com mais paz, satisfação e estabilidade; comecei a compreender porque estava participando da vida cristã. Provavelmente não haja uma só razão que possa explicar por que minha relação com Deus parece ser hoje mais íntima do que nunca, mas agora tenho mais paz e entreguei-me à Sua vontade para minha vida.

Será que me sinto orgulhosa de ter a esperança de haver sido aceita como digna para apresentar-me perante Deus? Acaso sinto orgulho por compreender que sou pecadora? Não, claro que não! Mas desejo viver profundamente no amor de Jesus Cristo, como outros também o desejam, porque o que sinto como cristã é muito diferente daquilo que experimentei no passado. Sinto a grandeza do amor de Deus. Ele respondeu minhas orações. Esta é uma revelação que em tocou no mais íntimo de meu ser, a de viver no amor de Jesus Cristo.

Minha grande preocupação é ajudar aqueles que ainda não ouviram as boas-novas da salvação de Deus. Creio que não podemos nos dar ao luxo de não nos preocuparmos com aqueles que ainda não conhecem Cristo, nem receberam a salvação baseada em Seu amor. Muitas pessoas crêem que conhecem a Deus, mas na realidade somente conhecem sobre Deus e não são salvos. Seus corações não se abriram para receber Cristo, e isso é algo muito grave. Pensam que suas obras bastam para agradas a Deus, mas não compreendem ainda o verdadeiro significado do que fizeram, nem sabem se algum dia entrarão no reino dos céus. Devemos procurar uma forma de ajudá-los para que conheçam verdadeiramente a Deus por meio de Cristo.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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Um Despertar Total

Por Razzaq Barakatullah (muçulmano das Ilhas Maurício convertido ao Cristianismo).

 Meus pais eram da Índia, mas viviam em Maurício, um estado insular do Oceano Índico. Como muçulmanos fiéis, obedeciam ao pé da letra à lei islâmica. Criança ainda, aprendi a ler e escrever a língua urdu e a ler o Corão (embora sem compreendê-lo), e logo estudei numa escola secundária muçulmana, onde se dava muita ênfase à história, cultura e teologia do Islamismo. Eu cumpria com os requisitos de minha religião, mas pouco a pouco comecei a questionar sua importância.

Ensinaram-me que eu não podia ganhar o paraíso e a outra vida se não cumprisse com tais obrigações, e eu estava preocupado em saber se obteria a graça de Alá ou a sua desaprovação. Minha alma ansiava por um consolo que nem as orações, nem os jejuns, nem a leitura do Corão me proporcionavam. Decidi indagar até o mais profundo do Islamismo, muito além das tradições; e o único meio para isso era o estudo exaustivo do Corão. Comecei então, a lê-lo numa versão francesa.

Todos os muçulmanos crêem que a prova da origem divina do Corão está em sua inigualável beleza. Eu havia sentido essa beleza, quando o ouvi dos leitores profissionais na mesquita ou pelo rádio. Mas ao lê-lo em francês, fiquei confundido e desiludido pelo conteúdo, pois parecia estar cheio de contradições e duras ameaças. Minha fé foi sacudida ainda mais ao ler a sura trinta e três que relata como Maomé, tendo já nove esposas, recebeu uma revelação especial que o induziu a casar-se com a mulher de seu filho adotivo Zaid. Aparentemente a ele se aplicava uma norma diferente da que se exigia dos demais fiéis.

Com dezesseis anos, refleti sobre essas passagens, o que me levou a viver muitos meses com dúvidas e a fazer uma dolorosa auto-análise. Sem negar a beleza do Corão no idioma árabe, vi que isso não constituía evidência suficiente para comprovar sua origem divina. Também pensei na vitória do Islamismo: certamente Alá estava com eles! Mas nos últimos cinqüenta anos, o comunismo também havia conseguido dominar as vidas de um terço da humanidade, e não podia, evidentemente, contar com a aprovação de Alá. Assim, enquanto o debate se travava em minha mente, abandonei o jejum e as orações, com exceção daquelas das sextas-feiras, nas quais meu pai insistia muito.

Alguns meses depois, estava sentado ao lado de meu pai na mesquita, refletindo se existia mesmo o paraíso e o inferno; se havia vida depois da morte ou se ao morrer somos simplesmente eliminados. Então, refleti que a melhor maneira de servir a Alá era servindo ao próximo. Por isso, nesse instante, decidi dedicar minha vida para aliviar o sofrimento de outros por meio da medicina. Verifiquei que isso requeria muito sacrifício e abnegação e encontrei em mim o mesmo egoísmo e a mesma ambição que havia nos outros. Sempre sentia ansiedade pelo futuro:

“Eu teria sucesso ou fracasso? Ou estaria sempre imerso na mediocridade?” Além disso, sofria de um complexo de inferioridade e de um sério problema de gagueira; por isso, estudei muito para provar quem era e mostrar a mim mesmo que podia superar meus colegas.

Pensei que se pudesse obter as melhores notas no exames preliminares, estaria satisfeito. Mas ao obtê-las, não senti a satisfação que esperava. Aconteceu a mesma coisa com os exames finais. Então, pensei que alcançaria finalmente a felicidade viajando para o exterior. Seria um estudante universitário, possuiria muito dinheiro e tomaria conta da minha própria vida.

Quando saí de casa, fiquei triste porque deixava meus pais, mas, ao mesmo tempo, estava cheio de esperança. Na Europa, com o clima úmido e frio, a dificuldade em encontrar um lugar e o choque do novo ambiente, logo desapareceu a emoção de estar num lugar diferente. Não tinha a quem recorrer.

Assistia às aulas em salas enormes, com centenas de outros estudantes. Tudo era muito impessoal. Estava só o tempo todo, desesperadamente só no meio de uma multidão ativa e barulhenta. Procurei fazer amigos e só encontrei bons modos. Achava-me tão deprimido que fui falar com o reitor e lhe disse que iria abandonar a medicina. Ele me aconselhou para que não tomasse uma decisão precipitada, pois o primeiro ano é sempre deprimente. Continuei, mas questionando-me se algum dia alcançaria a paz e a serenidade, e se a felicidade não é mera ilusão.

Com esses pensamentos na mente, uma manhã encontrei-me com um jovem cristão fora da sala de aula. Ao nos conhecermos melhor, começamos a nos reunir para conversar sobre política e outros aspectos da vida. Sua atitude, dominada por uma fé viva em Deus, era positiva e confiante. Os outros viviam somente para os fins de semana, e eu ficava escandalizado e me repugnava a linguagem alterada com que contavam o que haviam feito. Grande parte do tempo, passavam-no na cama e o resto em bebedeiras e com mulheres e, assim, na segunda-feira estavam doentes. Eu pensava: que caricatura do que a vida deveria ser. Entretanto, minha própria conduta não era muito melhor. Eu não sabia como Ter uma vida plena e profunda.

Certa vez, o rapaz cristão apresentou-me ao grupo de jovens de sua Igreja e, novamente, impressionei-me ao ver como eram alegres e diferentes. Quando perguntei a um deles o motivo da alegria, ele me disse que a diferença estava em que eles tinham Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Eu não tinha idéia do que isso significava; além disso, parecia-me estranho que pessoas sensatas pudessem crer que Deus tivesse um Filho, Jesus Cristo, como os seres humanos.

Entretanto, isso despertou minha curiosidade pela fé cristã. Meu amigo deu-me de presente um Novo Testamento numa versão antiga. Achei sua leitura difícil e irritante por causa dos arcaísmos e de palavras pouco conhecidas e, assim, depois de alguns capítulos, abandonei-o.

Um Sábado assisti uma reunião organizada pela turma jovem. Não me lembro muito da mensagem, mas me deram um livreto chamado “A medula do Cristianismo.” Ao chegar em casa, comecei a lê-lo. O autor explicava que a rebeldia do homem contra Deus nos afasta a tal ponto, que nada podemos fazer para chegar até Ele. Nossa relação chega a depender da lei e não do amor. Deus não podia nos reconciliar com Ele pela força, pois Seu desejo é ter filhos que sejam seres humanos e não robôs. Também não podia esquecer-se de nossa rebeldia ou simplesmente deixar-nos perecer, pois ama a cada um de nós. Ao encontrar-se frente a tal dilema, Deus fez algo inimaginável, que era a única solução. Na pessoa de um homem, Jesus de Nazaré, Ele mesmo desceu à humanidade, identificou-se totalmente com o homem e permitiu que o pecado dos homens e mulheres prevalecesse contra Ele. Ao ser executado como um criminoso qualquer e por acusações falsas, suportou as terríveis conseqüências de nossa maldade. Deus demonstrou, assim, de uma vez por todas seu imenso amor pelo ser humano e seu juízo contra o pecado. Na pessoa de Jesus, oferecenos perdão e nos convida a nos reconciliarmos com Ele. “Agora, – perguntava o autor – qual é a tua resposta a esse amor? Como você se sentiria se alguém rejeitasse o amor e o cuidado que você está oferecendo?”

Mentalmente repassei os últimos anos de minha vida e reconheci que o amor de Deus e sua mão haviam me guiado. Deus respondeu às minhas orações em momentos difíceis, mas eu tinha me esquecido dEle de imediato. Lembrei-me de minha oposição a Jesus Cristo e como em certa ocasião eu tinha tomado pão e vinho, zombando da Ceia do Senhor. Ainda assim, Ele continuava me amando e cuidando de mim; não tive outra alternativa a não ser ajoelhar-me e pedir-lhe perdão.

Depois de uma noite bastante agitada, fui à Igreja, pois era domingo. Eu havia pensado muito em qual seria atitude de meus pais pela desonra que minha conversão traria à família. Como poderia com minha carreira, já que eu dependia financeiramente de meu pai? Meus amigos cristãos me disseram que eu deveria lançar toda minha ansiedade sobre Cristo, que me daria forças; mas eles não compreendiam a natureza do meu problema.

Entretanto, aprendi pouco a pouco o que significa Ter fé em Deus, e tornei-me mais corajoso para testemunhar à medida em que experimentava a graça de Deus em Cristo Jesus, de forma que todos meus compatriotas na cidade souberam da minha conversão. Logo comecei a fazer a mim mesmo muitas perguntas sobre a fé: a confiabilidade do Novo Testamento, o significado do fato de que Jesus é o Filho de Deus, de sua morte, da Trindade, etc. Tinha que convencer-me de que o Cristianismo era razoável, que não havia lugar para a preguiça mental. Eu deveria compreender a fé e sua relação com a vida no mundo moderno.

Tornei-me cristão porque encontrei-me frente a frente com o amor de deus na pessoa de Cristo. O que vivi depois e continuo experimentando é muito mais do que eu jamais havia esperado ou sonhado. Conheço a Deus como o Pai que ama e cuida de mim, não só pelo que Jesus ensinou, mas também pela maneira como Ele tratou a pessoas difíceis de amar, como Zaqueu (Lucas 19), ou a mulher samaritana (João 4).

Então, comecei a buscar a vontade de Deus e procurar cumpri-la pela sua graça.

Oro não somente para obter algo, mas porque a comunhão com Deus é doce, refrescante e renovadora. Aprendi a aceitar a mim mesmo, porque tenho certeza de que Deus me ama e me aceita assim como sou. Dessa forma, pude começar a emocionante experiência de descobrir quem sou eu. Certas habilidades e capacidades, de cuja existência eu somente suspeitava, se evidenciaram e deram fruto. Meu complexo de inferioridade desapareceu e minha gagueira ficou quase imperceptível.

Para mim a conversão foi um despertar total: espiritual, emocional e intelectual. Fiz amizades profundas e que me satisfazem. Antes, quando me encontrava rodeado de europeus e africanos, eu era muito consciente da minha raça e cor; mas, agora, entre cristãos de qualquer raça, isso não tem mais importância. Este companheirismo é algo tão maravilhoso que sempre procurei sua causa. Encontrei a resposta com o apóstolo Paulo em Efésios 2.11-16: “Mas agora em Cristo Jesus, vós que em outro tempo estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque Ele é nossa Paz.” Por isso, quando conheço um cristão que leva a sério seu cristianismo, sinto imediatamente um laço de comunhão com ele, seja qual for sua raça ou educação.

Sob o domínio de Cristo estou aprendendo o significado da vida e o segredo da felicidade, a segurança de que em meio aos altos e baixos da vida, sempre posso apoiar-me no amor e na proteção imutáveis de Deus Todo-Poderoso. Tanto o sucesso como o fracasso passam a ser iguais na perspectiva de seu infinito amor. Agora não olho mais para o futuro com ansiedade, mas sim, com esperança, e isso dá emoção e espontaneidade à minha vida.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

O Doador da Paz

Qamar Zea (Muçulmano da Índia convertido ao Cristianismo)

Quando eu tinha por volta de dezesseis anos de idade, freqüentava o oitavo ano numa escola pública no sul da Índia. Entretanto, logo tive que abandoná-la por causa da enfermidade de meu pai. Depois me enviaram para estudar numa escola cristã perto de minha casa. Desde o instante em que ali entrei, notei uma professora cristã, diferente de todas as outras pessoas que já havia conhecido.

Observei sua maneira carinhosa de falar, sua amabilidade para com todos os estudantes e a grande dedicação ao trabalho. Sua vida impressionou-me tanto que fique um pouco confusa. Como é possível que um ser humano seja assim?

Mais do que uma vez eu me perguntava. Depois percebi que era porque o Espírito de Deus estava nela.

Nessa escola comecei a analisar a Bíblia. Dois dias por semana estudávamos o Antigo Testamento e outros dois dias, o Novo. Um dia fazíamos trabalho de memorização, aprendendo passagens bíblicas e muitas canções. A princípio, eu não estudava com vontade; ao contrário, fazia-o com indiferença. Como havia ouvido dizer que os cristãos eram blasfemos, nem sequer em seu livro eu gostava de tocar.

Em certa ocasião, estávamos lendo o capítulo 53 de Isaías e memorizando algumas passagens, coisa muito difícil para mim. Foi durante o estudo desse capítulo que Deus, pela Sua graça, mostrou-me que nesse livro havia vida e poder. Então comecei a perceber que Jesus vive para sempre. Assim, o Senhor colocou fé em meu coração e cri em Jesus como meu Salvador e perdoador dos meus pecados. Somente Ele podia me salvar da morte eterna. Nesse momento, percebi também quão pecadora eu era. Até então, pensava que minhas boas obras me salvariam.

Um poder de vida começou a operar em mim. Quando Satanás tentava enlaçarme em suas cadeias e redes, eu podia resistir a ele lendo o Novo Testamento e confiando em Cristo. Ele me proveu de amigos cristãos que me deram um lar.

Depois de algum tempo fui batizada. Então, com fé plena, pude dizer que Jesus Cristo é o doador da salvação e da paz. Tal paz não pode ser dada pelo mundo; é um dom de Deus.

Isto até aqui relatado é uma breve história pessoal escrita pela própria Qamar Zea.

Depois, ela foi para Karachi com sua família, procedente do sul da Índia, pouco depois da divisão do país. Um amigo escreveu a uma obreira cristã, que foi ao seu encontro e ficou surpreendida com seu encanto e beleza. Nos poucos momentos que puderam conversar em particular, Qamar pediu à missionária que à noite lhe trouxesse um Novo Testamento. Logo, ela se foi de Karachi e não voltaram a se encontrar por sete anos, quando Qamar a procurou porque teve que abandonar o lar, pois estavam planejando seu casamento. Esse pequeno Novo Testamento, lido secretamente, tinha mantido viva sua fé, sem a ajuda de nenhum ser humano. Seus familiares seguiram-na para discutir com ela, e conseguiram que ela voltasse para visitar sua mãe por alguns dias.

Quando regressou com a missionária, foi enviada ao Norte, a Sahiwal, em Punjab, para morar na casa das enfermeiras do hospital cristão. Ali desfrutou do feliz companheirismo de outras moças cristãs, e preparou-se para seu batismo, depois do qual mudou seu nome para Ester. Ela participava totalmente da vida do hospital e se regozijava quando podia fazer o mais simples favor a alguém ou colaborar no evangelismo.

Mais tarde, foi ao Centro Unido de Treinamento Bíblico em Gujranwala. Como foi uma ótima aluna, de mente inquisidora, que não ficava satisfeita com soluções superficiais, conseguiu obter um discernimento e um domínio das Escrituras que envergonhava muitos cristãos maduros. Amava a Bíblia, e antes mesmo de seu batismo havia declarado: “Sinto que Deus quer que eu seja professora da Bíblia.

Este livro tem grande poder. Quero que faça por outros o que fez por mim.”

Durante umas férias de verão em Sahiwal ficou gravemente enferma, o que constituiu grande provação para ela. Deus deu-lhe vitória depois de muitas lágrimas e dúvidas, e sua saúde foi completamente restaurada.

Quando terminou seu curso, mudou-se para uma pequena cidade chamada Chichawatni. Ali, uma obreira cristã convidou-a para morar em sua casa e trabalhar com ela. Assim, instalou-se em seu novo lar, numa propriedade com muita água e sombra, no meio de árvores floridas. Ela costumava dizer que Chichawatni era seu precioso lar. Adotou o vestuário do lugar, que consistia em calças largas, em lugar do sari indiano e fez de tudo para aprender a língua punjab, embora nunca tenha conseguido dominá-la totalmente. Aprendeu a andar de bicicleta, algo que não é muito comum entre as mulheres do Paquistão, e quando ela e uma senhora de idade avançada saíam pedalando para visitar alguma cidadezinha ou aldeia vizinha, muitos curiosos se voltavam para vê-las.

Com essa senhora, ia a lares muçulmanos nos quais, segundo o costume, as mulheres ficavam reclusas a maior parte de suas vidas. Logo reconheceram que ela era de uma família muçulmana, e alguém lhe disse uma vez: “Em seu rosto ainda se reflete a luz do santo profeta Maomé!” Mas quando Ester começava a contar sua história e a falar de Jesus, o Messias, a admiração transformava-se em confusão e hostilidade. Com freqüência lhe perguntavam: “ Como pode fazer isto?”, ao que respondia: “A graça de Deus está sobre mim.” Então, com histórias, desenhos e cânticos, contava-lhes as boas novas de Jesus Cristo, e freqüentemente as pessoas a ouviam com fascínio. Às vezes zombavam dela e a rejeitavam, mas isso não a desanimava.

Quando passava o forte verão e entrava o inverno, ela ia com os missionários aos seus acampamentos nas vilas. Ficavam ali por cinco ou seis dias, ministrando os ensinamentos básicos à pequena congregação composta de gente pobre e, na sua maioria, analfabeta. Ester se deleitava, indentificando-se com eles e acompanhando os cânticos com o ritmo de seu tambor. Reunia-se com os colhedores de algodão, admirando a beleza da paisagem. No Natal estavam de volta e Ester se dedicava ao treinamento dos jovens para a apresentação de um bonito drama natalino.

Aqueles foram dias felizes. Entretanto, sua família escrevia-lhe freqüentemente, pressionando-a para que voltasse para casa. Ela preparou suas malas com a intenção de voltar no final do ano, mas não sentia paz em relação a isso. Depois de muita oração, sentou-se e escreveu uma carta, na qual colocava suas condições para regressar: que lhe permitissem viver como cristã e que não a obrigassem a se casar.

Enviou a carta registrada pelo correio, mas nunca obteve resposta. Foi acampar por mais um mês com seus amigos cristãos, voltando prontamente com eles a Chichawatni, pois os pastores e evangelistas da região iam celebrar sua reunião mensal. Nessa noite, ela se encontrava ocupada, dando brilho nas panelas e cantando alegremente. Estava com um leve resfriado e por isso deitou-se mais cedo. A casa estava cheia de visitas. De alguma forma, um inimigo conseguiu entrar enquanto todos dormiam. Pela manhã, ela não saiu. Foi encontrada morta em sua cama, com a cabeça esmagada por algum instrumento pesado e cortante.

Foi enterrada no cemitério cristão de Sahiwal. Muçulmanos e cristãos foram ao serviço fúnebre e repetiram as palavras triunfantes de: “ Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida.” A polícia vasculhou a casa e estudou cuidadosamente seus livros e cartas, procurando alguma pista, talvez algum bilhete de um pretendente desiludido. A informação final ao dono da casa foi: “ Senhor, não achamos pista nenhuma: ela estava somente enamorada de seu Cristo.” Uma bonita capela para uso do pessoal e dos pacientes, situada no terreno do hospital cristão de Sahiwal, constitui uma homenagem em sua memória.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

Pastor de Todos

Timóteo Akindale

(Nigeriano Muçulmano convertido ao Cristianismo)

O pai de Tiyamyu era o líder de um importante grupo familiar muçulmano em sua cidade. Quando Tiyamiyu era ainda menino foi enviado para estudar numa tradicional escola corânica com o mestre mais sábio da cidade. Seu pai declarou que ele jamais estudaria na escola primária normal. Contudo, quatro anos mais tarde, quando se ausentou em viagem de negócios, outros familiares permitiram que Tiyamiyu freqüentasse a escola primária. Quando seu pai regressou, não teve outro remédio senão aceitar. Mas o menino continuou indo à escola corânica todas as noites depois da escola diurna.

Quando completou quatorze anos, ele já conhecia bem os principais argumentos anti-cristãos. Em sua Bíblia havia anotado os textos onde Moisés está dando instruções com relação aos ritos de purificação e o relato de como Jesus lavou os pés de seus discípulos, além da citação onde Esdras chama seu povo à oração. Com estes versículos atacava os cristãos, alegando que deveriam praticar a purificação e a oração ritual como faziam os muçulmanos.

Apesar disso, um trabalhador cristão que servia na Igreja local fez amizade com o pai de Tiyamiyu e o rapaz começou a brincar com as crianças que moravam na casa da missão, observando tudo o que acontecia. Prestou atenção como o missionário se preocupava com todos os que chegavam, como conversava com eles, como os entretinha, perguntava-lhes pela saúde e lhes oferecia ajuda. Ao contrário, Tiyamiyu via que as pessoas que procuravam seu mestre corânico, pediam-lhe remédios mágicos.

Em certas ocasiões, solicitavam proteção contra algum mal; outras vezes, queriam causar dano a outros através de magia. Tiyamiyu sentia que aquilo que interessava ao seu mestre era o dinheiro e se preocupava muito pouco com o bem-estar das pessoas.

Então Tiyamiyu começou a pensar mais e mais na mensagem de Cristo. Começou a amar a Bíblia. Rapidamente quis ser cristão; mas não se atrevia a falar sobre o assunto com seu pai. Procurou uma forma de passar um ano em outro lugar com um amigo cristão. Ao regressar à sua casa, for nomeado professor numa escola primária muçulmana. Ali tinha que repetir orações islâmicas e ir à mesquita, o que fazia em corpo, mas não em espírito. Não tinha coragem de ir à Igreja de sua cidade aos domingos, mas visitava um parente cristão a vários quilômetros de distância para reunir-se com ele. Pediu ao pastor dessa Igreja para ser batizado, e pouco depois de completar seus dezenove anos foi batizado secretamente, mudando seu nome de “Tiyamiyu” para Timóteo.

Seu pai logo que soube e reuniu a família, dizendo que na sexta-feira seguinte levaria Timóteo à mesquita para desfazer o batismo e torná-lo muçulmano novamente. O jovem ouviu a conversa com mansidão e, finalmente, pôde expor seu ponto de vista:

– Não é verdade que seus pais eram pagãos antes de vocês se tornarem muçulmanos? Por acaso vocês foram obrigados a segui-los, sendo eles pagãos?

Eles lhes permitiram que se convertessem ao Islamismo porque vocês criam que era o certo. Se vocês me obrigam a ser muçulmano quando meu coração diz que siga a Jesus Cristo, não seria um pecado de sua parte?

A família estava incomodada, mas aceitou a decisão inevitável do jovem.

Logo ele obteve um emprego como professor; começou a receber treinamento cristão e finalmente graduou-se no Colégio Teológico “Emanuel,” em Ibadan. Seus familiares já estavam mais ou menos reconciliados com ele, visitavam-no, mas não lhe permitiam que falasse uma só palavra de sua fé cristã com nenhum membro da família. Também tinha que contribuir com dinheiro para a celebração de certas festas muçulmanas.

Depois de muitos esforços persuasivos, Timóteo conseguiu que seu pai fosse presenciar sua ordenação ao ministério. O jovem leu o Evangelho, ajudou a servir a Santa Ceia. Seu pai lhe perguntou mais tarde:

– O que estavam repartindo?

Ao que Timóteo respondeu:

– Não posso explicá-lo neste momento, mas orarei para que um dia o senhor possa participar.

Essa era a primeira vez que seu pai assistia a um culto cristão. De alguma forma, Deus falou-lhe nessa ocasião e ele viu ali a Sua glória, porque na semana seguinte disse ao filho:

– Vou contigo à tua Igreja.

Desse dia em diante, começou a dizer a todos que era seguidor de Jesus Cristo. Vários jovens da família seguiram o seu exemplo, mas até hoje a mãe de Timóteo continua sendo muçulmana. Sempre que visita seu filho seu primeira pergunta é: Há um lugar onde eu possa fazer minhas orações?

Durante os primeiros anos de sua conversão, Timóteo não queria saber nada do Islamismo. Para ele era simplesmente a religião que havia rejeitado.

Fechou sua mente para ela. Por isso, surpreendeu-se quando no final de seu curso de teologia, pediram-lhe que fizesse um curso de quatro meses sobre estudos islâmicos.

Então, não somente aprendeu a ler e a traduzir algumas partes do Corão, como também compreendeu melhor o Islamismo e seus seguidores.

Quando começou a servir como ministro em sua primeira Igreja, encontrou-a envolta em uma amarga controvérsia. Apesar de tudo, com paciência, conseguiu que os membros se reconciliassem. Desde o princípio, mostrou que estava tão interessado nos muçulmanos da pequena cidade como nos cristãos. Os muçulmanos sabiam que era um convertido, por isso mostravam-se desconfiados e na defensiva. Sabiamente, ele não discutia o Islamismo, mas visitava-os como visitava os cristãos, dedicando-se a tudo que promovesse o bem-estar da comunidade.

Com a pá na mão ajudou na construção da estrada; apoiou a fundação de uma maternidade para que as pessoas não precisassem caminhar treze quilômetros até o hospital mais próximo. Incentivou um projeto de criação de peixes para dar trabalho aos jovens. Visitava com freqüência o Sheik e seus conselheiros no palácio. As pessoas começaram a dizer: “Este não é somente pastor dos cristãos, mas pastor de todos.” Entretanto, ele não participava de cerimônias islâmicas nas quais provavelmente teria de comprometer sua fé.

– Tu sabes recitar a Fatiha. Repete-a conosco!, – diziam-lhe, às vezes, os muçulmanos.

Porém, discretamente lhes respondia:

– Por favor, discutamos isso em outra ocasião.

Certa vez, um novo Sheik assumiu o trono. Como era muçulmano, prontamente empreendeu a peregrinação a Meca. Enquanto ficava ali, os islamitas mais fanáticos da cidade atacavam os pagãos, entrando em suas casas e destruindo seus ídolos. Os Sheiks anteriores haviam permitido cerimônias pagãs tradicionais, mas a meta dos fanáticos era que o novo Sheik praticasse um Islamismo puro: não deixariam rastros do paganismo. Acreditavam que assim que os pagãos ver-se-iam obrigados a aceitar o Islamismo. Mas aconteceu algo muito diferente! No final, foi de muito alegria para os cristãos e para a glória do nome de Jesus. Os pagãos, perseguidos pelos muçulmanos jamais aceitaram o Islamismo; começaram, sim, a chegar em pequenos grupos à Igreja cristã local. Nesse ano vinte e um pagãos. Citando um provérbio, os muçulmanos diziam: “Nós esvaziamos a lagoa, mas os cristãos pegaram os peixes.”

Depois disso, Timóteo serviu no projeto “Islamismo na África,” antes de fazer seus estudos universitários sobre o Islã. Possui um temperamento feliz, alegre e otimista. Ama a música e o teatro, utilizando-os a serviço do Evangelho.

Anima os muçulmanos para explicarem seu ponto de vista religioso, pois deseja primeiramente compreender as pessoas. Por isso, ouve-as pacientemente.

Quando chega o momento de testemunhar sobre Cristo, sabe como tranqüilizar seu ouvinte, falando-lhe claramente, mas sem ofendê-lo. Ele recomenda conversar com um ou dois muçulmanos tranqüilamente, em particular, ao invés de organizar reuniões em massa. Atualmente muitos cristãos se questionam se devem testemunhas aos muçulmanos ou não. Timóteo é uma resposta viva a essa pergunta !

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.