Você não ama se não conhece a Deus

Cordeira Única e o Pastor

Em seu livro Mortal Lessons: Notes on the Art of Surgery (Lições Mortais: Notas sobre a Arte Cirúrgica), o Dr. Richard Selzer descreve o seu encontro com uma jovem depois de ter removido um tumor do rosto dela. A cirurgia exigira o corte de um nervo facial, deixando um lado da boca paralisado e torto. O médico estava preocupado com a reação da mulher e do marido à nova aparência dela.

“O marido está no quarto. Ele se colocou do lado oposto da cama e, juntos, eles parecem habitar na luz noturna. Isolados de mim, distantes num mundo só deles. Quem são, pergunto a mim mesmo, ele e esta boca torta que eu fiz, que se fitam e se tocam generosamente, avidamente?

“A jovem mulher pergunta: ‘Vou ficar sempre assim?’. Eu respondo: ‘Sim, o nervo teve de ser cortado.’ Ela concorda em silêncio com um aceno de cabeça. Mas o jovem sorri. ‘Eu gostei, ficou bonitinho.’

“Na mesma hora descubro quem ele é, compreendo e abaixo os olhos. É impossível não se emocionar ao encontrar um deus. Sem se importar, ele se inclina para beijar a boca repuxada dela e estou tão perto que posso ver como torce os lábios para se acomodar aos da mulher, para mostrar-lhe que o beijo deles ainda tem valor. Lembro-me de que os deuses apareceram na Grécia antiga como mortais, seguro a respiração e deixo o prodígio envolver-me.”1

Conforme sugerido pelo Dr. Selzer, o amor é uma qualidade divina. Mas não somos deuses. O amor é algo que os seres humanos precisam e expressam, mas não é a nossa natureza básica. É algo que possuímos, e não algo que somos. O amor reside em nós e opera por meio de nós mediante a presença do Espírito Santo, mas a sua fonte está além de nós. Desde que o amor é um absoluto, ele nunca muda. Portanto, a fonte suprema do amor deve ser tão imutável quanto o próprio amor. Como cristãos, identificamos nosso Deus imutável como a fonte do amor. A Bíblia afirma claramente: “Deus é amor” (I João 4:16). Em contraste com a Sua criação humana, Deus não tem amor, Ele é amor. A atividade do alvor de Deus flui da Sua natureza de amor. Quando Deus ama, Ele está simplesmente sendo Ele mesmo.

Nenhuma ética importante do amor pode evitar o conhecimento do Deus de amor revelado na Escritura. O mandamento para amar nada significa se não soubermos o que o amor é, e o significado do amor está arraigado em Deus. João escreveu, “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (I João 4:8). A ética do amor cristão não é mais segura do que a sua fonte e não pode ser mais aplicável à vida do que o nosso conhecimento da Sua lei.

Como obtemos este conhecimento do amor de Deus? Há duas fontes básicas: o mundo que nos rodeia e as Escrituras. Nossa experiência do amor de Deus na criação e nos relacionamentos humanos é a fonte geral do conhecimento sobre Ele. A Bíblia é uma fonte mais especifica. Vamos considerar ambas.

 

CERCADOS  PELA  NATUREZA  AMOROSA  DE  DEUS

 

A chuva de primavera cai docemente sobre a sua pequenina horta no quintal. Os pingos gotejam nas folhas e nos pés de tomate, abobrinha, alface e cenoura que prometem uma deliciosa colheita de verão. Você não consegue vencer o espanto. Há poucas semanas não havia nada ali senão terra. Você plantou as sementes, regou-as e ficou vigiando diariamente. O sol quente da primavera fez brotar as plantinhas verdes da terra úmida. Quase diante de seus olhos as sementinhas produziram boa quantidade de lindos vegetais, o suficiente para alimentar sua família e dividir com os vizinhos. Você pensa nos fazendeiros que plantam centenas de acres de cereais e outros produtos comestíveis, ganhando a vida com eles. Pensa nos pobres dos países do Terceiro Mundo que cultivam o pouco que podem, a fim de pelo menos sobreviver. Imagina então se eles também reverenciam o milagre da semente, chuva, sol e colheita.

Nossa experiência de vida neste mundo nos informa de que há um Deus que se importa com a Terra que Ele criou e com as criaturas que vivem nela. Paulo pregou aos incrédulos de Listra: Deus “não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo os vossos corações de fartura e de alegria” (At. 14:17). O salmista disse sobre Deus: “Abres a tua mão e satisfazes de benevolência a todo vivente” (Sal. 145:16). Deus prometeu a Noé: “Enquanto durar a terra não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (Gên. 8:22). A produtividade abundante e oportuna da terra, sua mistura agradável de simetria e contraste, sua beleza sensorial admirável, e seu desenho complexo – do macrocosmo do espaço ao microcosmo da esfera das subpartículas – é um testemunho do amor de Deus mantendo a Sua promessa através dos milênios.

Paulo falou da nossa completa dependência do Criador amoroso, lembrando aos filósofos não-cristãos na Colina de Marte que Deus “nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At. 17:25). O testemunho da natureza é suficiente para convencer cada ser humano da existência e provisão de um Deus que nos fez e cuida de nossas necessidades. Paulo escreveu, “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis” (Rom. 1:20). A natureza é um testemunho constante e claro da existência de um Deus de amor.

Nosso conhecimento do amor de Deus no mundo que nos rodeia não fica limitado ao que geralmente chamamos de natureza. Deus revelou também o Seu amor por meio do amor da Sua criação humana. O apóstolo João declarou: “O amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus” (I João 4:7). O terno amor de um pai pelo filho, o amor generoso e íntimo entre marido e esposa, e o amor perseverante e dedicado dos amigos de uma vida são evidências de que o Deus que nos criou é um Deus de amor. Toda vez que alguém serve um inválido, fornece refeições a um amigo doente, doa dinheiro ou materiais a vítimas de catástrofes naturais, ajuda um vizinho a trocar a mobília de lugar, ou faz qualquer outro serviço de amor, o amor de Deus é refletido no comportamento humano. Como cristãos, sabemos que somos instrumentos do amor de Deus para outros, pois “o amor de Cristo nos constrange” (2 Cor. 5:14). O amor procede de Deus e os que experimentam o amor verdadeiro, crentes ou não, sentem que há um Deus que se importa.

O amor em nosso mundo é evidentemente distorcido. O pecado e a doença no coração da humanidade transformaram o amor em orgulho, ódio e vingança. O conflito, a inveja e a amargura separaram indivíduos, famílias, raças, grupos socioeconômicos e nações. Todavia, o amor humano é universal. Todas as culturas têm alguma consideração pela decência e respeito nos relacionamentos humanos, como demonstrado em suas leis civis e seus códigos morais. Por exemplo, os hunos de Átila podem ter sido selvagens em seu ódio e destruição dos inimigos, mas amavam suas mulheres, filhos e amigos. A exceção talvez do mais odioso, sádico ou diabólico dos criminosos, teríamos dificuldade para encontrar um indivíduo em todo o mundo que não amasse alguém: um pai ou mãe, um irmão, um mentor, um cônjuge. O mais leve vislumbre de amor no coração humano evidencia a marca do Deus amoroso que nos criou.

 

PALAVRA  FINAL  SOBRE  O  DEUS  DE  AMOR

 

O conhecimento mais explícito do amor de Deus é derivado da Bíblia. Em literalmente centenas de referências de ambos os Testamentos tomamos conhecimento do amor de Deus. Alguns capítulos inteiros, tais como 1 Coríntios 13 – chamado “capítulo do amor” – , são dedicados ao amor. O amor é o tema dominante em livros como Oséias, o evangelho de João e a primeira epístola de João. Segundo Jesus, o amor é o tema supremo da Escritura. Ele disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mat. 22:37-40).

No Antigo Testamento, a Lei (os cinco primeiros livros) e os Profetas (os dezessete últimos livros – Mat. 5:17; Luc. 24:27) resumem as instruções de Deus sobre como viver em relação amorosa com Ele e com outros. O resultado desses relacionamentos é descrito nos livros de história e celebrado nos livros de poesia. Quando Jesus disse “Toda a lei e os profetas”, Ele indicou que o amor de Deus permeia o Antigo Testamento. Ao entregar os Dez Mandamentos, Deus prometeu amar “até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” (Êxo. 20:6). O salmista insere repetidamente a frase: “A sua misericórdia (amor) dura para sempre” (Sal. 136:1 ss.).

Outra frase que descreve a natureza amorosa de Deus, como Ele se revelou a Moisés, é também repetida em todo o Antigo Testamento: “Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado” (Êxo. 34.6,7; veja também Núm. 14:18; Neem. 9:17; Sal. 86:15; 103:8, 145:8; Joel 2:13).

Como indica a experiência de Jonas, o amor de Deus não fica limitado a Israel. Jonas confessou o interesse de Deus pela ímpia Nínive: “Sabia que és Deus clemente, e misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade, e que te arrependes do mal” (Jonas 4:2). As boas-novas do amor eterno de Deus permeiam o Antigo Testamento de Gênesis a Malaquias.

O amor de Deus se realiza no Novo Testamento, como visto no centro da mensagem bíblica do amor, João 3:16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João ampliou este tema central na sua primeira epístola: “Nisto se manifestou o amar de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (1 João 4:9). Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém à própria vida em favor dos seus amigos” (João 15:13). O apóstolo João reforçou o pensamento, acrescentando a importância do exemplo de Cristo para nós: “Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 João 3:16).

Paulo se maravilhou por Deus ter agido em amor muito antes que soubéssemos da nossa necessidade do Seu amor: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rom. 5:8). O sacrifício do santo Filho de Deus para remir a raça humana pecaminosa é a quintessência do amor. Não admira que João exulte: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (1 João 3:1).

As Escrituras nos asseguram também que Deus é tenaz, e não tênue, em Seu amor por nós. Romanos 8:35, 38, 39 nos dá uma visão estimulante e encorajadora do compromisso de amor de Deus conosco: “Quem nos separará do amor de cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? […] Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”.

O amor de Deus ecoa por todo o Novo Testamento. Vemos o amor de Deus Pai por Seu Filho (Mat. 3:17; Mar. 9:7) e o amor do Filho pelo Pai (João 14:31). Jesus declara que Seu amor por nós tem como modelo o amor do Pai por Ele (João 15:9). Recebemos ordem para corresponder ao amor do Pai por nós, amando a Deus (Mat. 22:37) e amando aos outros (João 13:34,35; Rom. 13:8; 1 Ped. 1:22; 1 João 4:7), inclusive os nossos inimigos (Mat. 5:44). Mas, mesmo quando amamos, nossa capacidade para isso tem origem em Deus e na Sua natureza amorosa: “Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4:10).

 

DEUS  DE  AMOR  E  DEUS  DE  IRA

 

“Espere um pouco”, muitos irão interromper. “Se Deus é um Deus de amor, por que Ele criou o inferno e por que envia gente para lá?” Boa e importante pergunta. A Bíblia diz que Jesus, que amou tanto o mundo e morreu por ele, irá um dia “tomar vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Tess. 1:8,9). Para os incrédulos, Jesus dirá: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mat. 25:41). Em sua visão, João notou que “E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago do fogo” (Apoc. 20:15). Este lugar é descrito como de tormento, do qual não se pode voltar (Luc. 16:23-26), um lugar em que “haverá choro e ranger de dentes” (Mat. 8:12). A existência de tal lugar não é incompatível com um Deus amoroso por natureza?

A resposta é não. O amor absoluto, longe de ser incompatível com o inferno, na verdade exige a sua existência. Ninguém pode forçar o amor de outra pessoa. Você escolhe amar a Deus; Ele não vai forçar o seu amor. Deus irá, naturalmente, fazer tudo em Seu poder amoroso a fim de oferecer-lhe o convite para amá-Lo. É esse o plano da redenção. Mas, quanto aos que o recusarem até o fim, Deus não violará a liberdade de eles escolherem o próprio destino. C.S. Lewis notou que só existem dois tipos de pessoas no Universo: os que dizem “Seja feita a Tua vontade” a Deus, e aqueles a quem Deus dirá “Seja feita a sua vontade”. Jesus lamentou, compadecido, o desejo de reunir o Seu povo como a galinha ajunta os seus pintinhos, “e vós não o quisestes!” (Mat. 23:37). O inferno é o lugar preparado por um Deus longânimo para os que se recusam a seguir o Seu caminho. Depois de ter tentado atrai-los, Deus irá finalmente dizer a alguns: “Está bem, faça o que quiser”.

Cruel? Sem amor? De modo algum. Pense um pouco: Se Deus permitisse que os incrédulos entrassem no Céu, isso seria pior que o inferno para eles. Como aqueles que detestam orar e louvar a Deus suportarão ser enviados para um lugar onde esta atividade é permanente? Se eles se sentem desconfortáveis durante apenas uma hora na igreja fazendo isto, pense no desconforto que sentirão se tiverem de continuar nessa prática para sempre. Desde que o Céu è um lugar onde as pessoas irão curvar-se e adorar a Deus, como poderia um Deus amoroso forçá-las a ir para lá quando elas não querem adorá-Lo, mas O odeiam ou O ignoram, como já fizeram nesta vida? É mais compatível com a natureza do amor divino não obrigar as pessoas a amá-Lo contra a vontade delas. Portanto, Deus é na verdade misericordioso com os incrédulos ao prover para eles um lugar que esteja de acordo com a rejeição que têm em relação a Ele.

Isto não significa que todos que vão para o inferno gostarão de estar ali. Pelo contrário, a descrição da Bíblia não deixa dúvidas de quanto esse destino eterno pode ser indesejável. As pessoas não querem ir para o inferno, mas ao recusar Cristo é para lá que vão. Esta é a razão por que devemos continuar insistindo para que os membros da família, amigos, vizinhos, colegas de escola e de trabalho se entreguem ao amor de Deus e sigam o Seu caminho. Esta é a razão pela qual advertimos os entes queridos e os estranhos das conseqüências de optar pela rejeição e seguir o próprio caminho. Cremos firmemente que aqueles que viraram as costas para Deus em ira ou apatia podem aprender a amá-Lo como nós fazemos. Todavia, Deus não forçará a ir para o Céu ninguém que não quiser estar lá com Ele. Por mais indesejável que possa ser a escolha de alguns, eles a fizeram e terão de viver com ela para sempre.

Você pode perguntar: “E se alguém que estiver no inferno mudar de idéia? Um Deus amoroso não irá livrar o indivíduo arrependido do inferno e transferi-lo para o céu – melhor tarde do que nunca?”. A resposta é Não. As pessoas só estão no inferno porque Deus sabe que nunca mudarão de opinião sobre Ele. Se outras mil oportunidades na vida as fizessem escolher o caminho dEle, Deus, em amor, teria dado a elas essas oportunidades. Mas, porque Ele sabe todas as coisas antecipadamente, inclusive o fato de que algumas pessoas nunca irão mudar de idéia, Deus as deixa ir e diz: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo” (Heb. 9:27). Deus não deixou de demonstrar Seu amor por elas. Mas, lamentavelmente, nem mesmo o amor divino as conquistou. Deus ofereceu a oportunidade para que tivessem o que há de melhor, embora permitindo que cada um escolhesse algo inferior ao melhor planejado por Ele. Deus, que é todo amor, surpreendentemente permite o supremo insulto ao Seu amor: a rejeição.

Esta descrição do amor de Deus ajuda-nos a compreender melhor a ira de Deus. A ira é o resultado do amor rejeitado. C. S. Lewis observou muito bem que o único lugar do Universo onde as pessoas ficarão livres das perturbações do amor é o inferno. O inferno é onde o amor não funciona nem atrai mais, pois não é possível conquistar ninguém ali. Não se trata de Deus não mais amar. Seu amor radiante ainda brilha, mas o efeito é totalmente diverso quando o amor é rejeitado. O mesmo sol que derrete a cera também endurece o barro. A diferença não é a fonte de calor, mas a reação do objeto aquecido.

O mesmo acontece com o amor de Deus. Quando alguém não está disposto a corresponder ao amor de Deus, surge a ira. Se você já tentou alguma vez amar alguém que não quer ser amado, tem idéia da frustração do amor de Deus. Se você, obstinada ou orgulhosamente, rejeitou o amor que outros lhe estenderam, já experimentou então um pouco do inferno. É terrível necessitar de amor e querer amor, mas, ao mesmo tempo, não se abrir para alguém que nos ama. Os incrédulos são como baldes virados de cabeça para baixo sob as Cataratas do Niágara. “Onde está o amor de Deus e o Deus do amor?”, clamam eles. “Minha vida é vazia e sem significado.” Todavia, eles se recusam a voltar a vida para o outro lado e permitir que a cascata do amor infinito de Deus preencha a existência deles. Deus é amoroso; Seu amor flui como uma torrente poderosa, incessante. Ele quer o bem de cada indivíduo, mas o Seu amor não pode ajudá-los se eles não desejarem o bem maior, aceitando o Seu amor.

 

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Há muitas maneiras de aprofundar o nosso conhecimento e experiência do amor de Deus e do Deus de amor. Desde que a criação de Deus é uma expressão permanente do Seu amor, devemos estudar e apreciar o que Deus fez. O rei Davi escreveu: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (Sal. 8:3,4). A Escritura nos convida a “considerar” o que Deus fez, olhar para a Sua marca amorosa em tudo o que nos rodeia e louvá-Lo pelo Seu cuidado amoroso.

Desde que os relacionamentos humanos refletem a natureza do Deus de amor, devemos encorajar e afirmar o amor humano generoso onde quer que o encontremos. Um adesivo num pára-choque sugere: “Pratique casualmente atos de bondade”. A Bíblia diz isso da seguinte forma: “Enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos” (Gál. 6.10). Os indivíduos que amam e servem aos outros abnegadamente em nome de Cristo devem ser nossos heróis. Fique perto e aprenda deles, imitando-lhes o espírito de amor.

Acima de tudo, visto que o amor de Deus e o Deus de amor são claramente apresentados na Sua Palavra, devemos conhecer as Escrituras. Estude os atos amorosos de Deus na história bíblica, desde a criação até a redenção. Familiarize-se com as atitudes amorosas de Deus como declaradas em Seus mandamentos, nos ensinamentos de Jesus e nos escritos dos apóstolos. Sacie-se com os hinos e poemas dos salmos, muitos dos quais são cânticos de amor a Deus. Quanto mais conhecer a Palavra de Deus, tanto mais você conhecerá a Deus. E, quanto mais conhecer a Deus, tanto mais claramente ouvirá o pulsar do coração de amor dEle.

 

PERGUNTAS  DIFÍCEIS  E  RESPOSTAS  DIRETAS  SOBRE  O  AMOR  DE  DEUS

 

Se a natureza é uma expressão do amor de Deus, por que Ele permite males naturais, tais como terremotos, furacões, inundações e doenças, que matam centenas de pessoas todos os anos?

As catástrofes naturais resultam do nosso pecado, não sendo uma evidência de que o amor de Deus é incompleto ou ineficaz. Uma transformação ocorreu na terra depois que Adão e Eva desobedeceram a Deus no jardim. Deus disse: “Maldita é a terra por tua causa: em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida […] No suor do teu rosto comerás o teu pão” (Gên. 3:17,19). O mundo ficou corrompido pelo mal físico, e isso quase sempre traz fadiga à vida dos seus habitantes, até mesmo daqueles que amam a Deus. Os que constróem casas e cidades perto de uma zona onde existe uma falha geológica arriscam-se a sofrer ferimentos e morte por causa de terremotos. Se você morar numa região sujeita à passagem de furacões ou ciclones, ou numa planície onde ocorrem inundações, as suas plantações e propriedade podem ser completamente aniquiladas. Se deixar de proteger-se contra doenças, pode tornar-se uma de suas vítimas.

É importante compreender que as pessoas que passam por tragédias devidas a desastres naturais não sofrem por serem mais perversas do que as que não são afetadas por elas (veja Luc. 13:3-5). Pelo contrário, o mal físico entra em nossa vida por diferentes razões. Deus é amoroso e a única maneira de O amarmos é livremente. E o livre-arbítrio é a origem do mal.

1. Alguns males físicos resultam de nossas escolhas livres. Se você construir uma casa perto da falha geológica de San Andreas na Califórnia, poderá ser morto por um terremoto. Se comprar uma fazenda nas margens do rio Mississipi, você e sua propriedade poderão ser varridos por uma inundação. Se você comer demais e exercitar-se pouco, estará arriscando-se a ter um enfarto cardíaco.

2. Alguns males físicos resultam da decisão de não fazer nada. A preguiça pode levar à pobreza. Deixar para depois um exame físico de rotina pode permitir que um câncer não detectado se torne impossível de tratar. Não se dispor a quebrar o mau hábito de dirigir quando cansado pode causar um acidente fatal.

3. Alguns males físicos resultam das escolhas livres de outros. O abuso de crianças, balas perdidas, assaltos e mortes no trânsito devido à embriaguez são exemplos de como pessoas inocentes sofrem males nas mãos de indivíduos irresponsáveis ou perversos.

4. Alguns males físicos são subprodutos de atividades positivas. Algumas pessoas que vão ao lago velejar ou nadar acabarão afogando-se. Os esquiadores, alpinistas e pára-quedistas algumas vezes se machucam ou morrem por causa do seu esporte. Até uma viagem de carro para o prédio da igreja pode terminar num ferimento grave ou morte.

5. Alguns males físicos resultam da atividade de espíritos malignos. Os sofrimentos de Jó foram atribuídos a Satanás (Jó 1:6-12). Os espíritos malignos oprimem e afligem as pessoas doentes (Mat. 17:14-18; Luc. 13:11).

6. Alguns males físicos são advertências de Deus sobre males físicos ainda maiores. Uma dor de dente pode ajudar a evitar problemas dentários futuros. As dores no peito, quando investigadas, podem evitar a morte desnecessária. A dor de perder um parente por causa de câncer pode levar os familiares a fazer exames médicos para detectar a moléstia.

7. Alguns males físicos são advertências de Deus sobre males morais. A dor e a tragédia chamam nossa atenção e nos fazem buscar a Deus muito mais do que outras experiências. Paulo falou sobre a ira de Deus levar ao arrependimento (Rom. 2:4). C.S. Lewis falou do sofrimento como o megafone de Deus.

8. Alguns males físicos são permitidos para ajudar o desenvolvimento moral. Sem tribulação, não haveria paciência. Os irmãos de José o venderam como escravo, mas ele os perdoou e disse: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gên. 50:20). Jó sofreu muito e disse: “Se ele (Deus) me provasse, sairia eu como o ouro” (Jó 23:10).

9. Alguns males físicos ocorrem porque formas superiores de vida vivem em função das inferiores. Neste mundo físico, os pássaros comem os vermes, os gatos comem os pássaros, e as crianças estouvadas torturam os gatos. Da mesma forma, pessoas e forças maiores nos perseguem ou nos ferem sem justa causa. Algumas vezes nos defendemos contra elas, e outras vezes, apesar dos nossos esforços, não podemos fazê-lo.

 

Por que então nosso Deus onipotente não intervém milagrosamente e evita que o mal físico aconteça? Primeiro, Deus intervém às vezes (quando acha necessário para o Seu plano geral redentor), mas para fazer isso regularmente Ele teria de interferir no pleno exercício do livre-arbítrio, deixando-nos com um mundo algo menos do que completamente moral. Segundo, num mundo de constante intervenção divina contra ações perversas, todo aprendizado moral cessaria. Jamais experimentaríamos as más conseqüências das escolhas erradas e não realizaríamos nosso potencial para o progresso ou desenvolvimento moral.

 

Por que um Deus amoroso permite que as Suas criações humanas maltratem umas às outras? Por que Ele permite que os seres humanos se tornem assassinos, estupradores, abusem de crianças, façam abortos, e assim por diante?

A verdadeira pergunta por trás dessas questões é: “Por que Deus fez criaturas com livre-arbítrio quando Ele sabia que algumas iriam preferir o mal?”. Porque criar indivíduos com livre-arbítrio era a melhor escolha possível dentre pelo menos quatro opções abertas para um Deus amoroso.

Primeiro, Ele poderia ter evitado completamente o pecado deixando de criar o mundo. Mas, Deus é amor, e como um pai amoroso Ele queria uma família com quem compartilhar o Seu amor.

Segundo, Ele não teria escolhido fazer um mundo habitado por criaturas que O amassem sem possibilidade de escolha. O amor forçado é uma contradição. Os robôs não amam realmente, eles são programados para responder.

Terceiro, Ele poderia, hipoteticamente, ter criado um mundo no qual as pessoas tivessem liberdade de escolha mas jamais pecassem. Todavia, desde que as pessoas são livres para escolher o pecado, isso nunca aconteceria.

Quarto, Ele poderia ter criado um mundo em que as pessoas fossem livres e escolhessem pecar – que foi o que Ele fez. Deus criou então Adão e Eva com a capacidade de obedecer e desobedecer, de amar e não amar a Ele e a outros. Eles decidiram finalmente desobedecer e, em conseqüência, o pecado entrou na raça humana.

Para alguns, talvez pareça uma clara contradição à santidade de Deus que Ele tivesse escolhido a única opção na qual o mal poderia ocorrer. Os seres humanos livres podem optar por rejeitar, zombar e desobedecer a Ele face a face – e fazem isso realmente. Os seres humanos também agridem e ferem facilmente uns aos outros. Todavia, o pecado foi a possibilidade permitida por Deus, a fim de nos amar e permitir que O amemos da melhor maneira possível.

Josh McDowell e Norman L. Geisler in LOVE IS ALWAYS RIGHT

A Resposta para:

Dilemas Éticos/Situações Desafiadoras/Decisões Difíceis

© 1996 de Josh McDowell e Norman Geisler

 Tradução: Neyd Siqueira

1ª Edição: janeiro 1998 – 3.000 exemplares

EDITORA E DISTRIBUIDORA CANDEIA

Rua Belarmino Cardoso de Andrade, 108

Interlagos – São Paulo, SP CEP.: 04809-270

https://malucoporjesus.wordpress.com

AMOR PELOS PERDIDOS: Eis-me aqui Deus !

O Mundo está se afogando no LAMAÇAL do PECADO !

As pessoas estão se dirigindo a passos largos pro INFERNO !!!

Portanto, PREGUE A PALAVRA DE DEUS URGENTEMENTE !!!

Qual a Igreja (denominação evangélica) que Devo Congregar ?

“Como eu posso achar uma igreja onde eu ouvirei Cristo pregado por Sua Palavra, sem todos esses erros e distrações?” Esta é uma questão que tenho feito a mim mesmo em muitas ocasiões. É fácil entender a preocupação e até a frustração que acompanha a busca pelo lugar apropriado para adorar. Primeiro, assim como com os rótulos de produtos, é importante examinar o que os rótulos da igreja significam e o que eles não significam. Lendo os rótulos

Se você cresceu na Europa, escolher uma igreja não deve ser tão difícil. Depois da Reforma, cada denominação obteve sua própria “área”; assim, se você tivesse nascido, por exemplo, num cantão italiano na Suíça, você seria católico romano, enquanto uma pessoa nascida em Genebra, de língua francesa, provavelmente seria protestante. Algumas vezes, nações inteiras (ou a linhagem reinante de um monarca) compartilham uma confissão comum: A Igreja da Inglaterra, a Igreja da Escócia, a Igreja da Suécia, a Igreja Reformada Holandesa, e assim por diante.

Quando a América tornou-se o porto para grupos que queriam “recomeçar” no Novo Mundo, trazendo o Evangelho aos nativos e escapando da perseguição em suas igrejas estatais, muitos simplesmente trouxeram seu entendimento de igrejas estatais regionais do Velho Mundo. Por exemplo, os puritanos da Nova Inglaterra instituíram o Congregacionalismo e obstaram a cidadania aos quakers e católicos romanos. Isto foi, na verdade, mais generoso do que a perseguição da política na Europa, na época, quando os não-conformistas eram presos e algumas vezes até executados.

Entretanto, na época que nossa nação foi fundada, ficou claro que não haveria igrejas estatais sancionadas oficialmente pela república americana, mas que os americanos seriam livres para seguir suas consciências. Este processo, não obstante a todos os seus benefícios, criou um livre-para-tudo no qual as denominações competem pelas almas. Esta liberdade estimulou a criação de centenas de novas seitas e cultos no século dezenove; tudo desde mormonismo, racionalismo cristão e testemunhas de Jeová, até culto da comida saudável, seitas pentecostais radicais e grupos que aumentaram seus números de membros fazendo predições sobre os eventos proféticos do fim dos tempos. Os últimos dois anos têm sido um exercício de espiritualidade estilo cafeteria (onde os fregueses servem a si próprios) ou, como um amigo na Inglaterra chama, religião de livre empreendimento. A questão não é tanto a verdade que deve ser defendida e passada adiante, mas “o que funciona pra você”; em outras palavras, escolher uma igreja é uma questão de gosto.

Isto explica a origem dos rótulos. Como nós os lemos? Em primeiro lugar, há as denominações protestantes tradicionais que conceberam e modelaram a origem da maioria das instituições da América no século vinte: os Congregacionalistas, Presbiterianos e Reformados (Holandeses, Alemães, Húngaros, Franceses), Episcopais, Batistas, Luteranos e Metodistas. A primeira grande dissensão no protestantismo aconteceu entre os Luteranos e os Reformados, mas outras denominações protestantes (Congregacionalistas, Presbiterianos, Episcopais) são parte da árvore genealógica dos Reformados ou Calvinistas (nota: enquanto os Batistas Arminianos freqüentemente traçam sua ascendência até os Anabatistas, os Calvinistas Batistas consideram-se como aqueles que divergem do Calvinismo somente nos assuntos relacionados à teologia da aliança e aos sacramentos). Em outras palavras, eles compartilham uma crença comum sobre Deus, humanidade, Cristo, salvação e outras coisas essenciais, mas diferem sobre outros temas importantes. Por exemplo, Congregacionalistas crêem que as igrejas podem ser independentemente governadas pela congregação; Presbiterianos alegam que a palavra “presbítero” no Novo Testamento, significando “ancião”, pressupõe uma forma de governo eclesiástico baseado em irmãos-anciãos ordenando as igrejas em uma área determinada, e os Episcopais insistem numa hierarquia de pastores (bispos) sobre outros pastores (ministros).

Historicamente, a forma de governo da igreja, dividiu estas igrejas e não a discordância sobre o meio de salvação.

O reavivalismo e individualismo fronteiriço nos anos de 1800, levaram a uma explosão de cultos e seitas. Autoproclamados “profetas” afastaram muitas pessoas das igrejas protestantes tradicionais e muitos deles são hoje grupos organizados: a Igreja de Cristo, Discípulos de Cristo e uma hoste de grupos pentecostais. Grupos pietistas (a maioria descendendo dos Luteranos) acrescentaram divisões à lista. Eles criam que o protestantismo tradicional perdera seu primeiro amor por causa da ênfase doutrinária. Entre eles estão as denominações Brethren (dos Irmãos), Igrejas Livres (Evangélica Livre, Aliança Evangélica, etc), e uma multidão de igrejas independentes que surgiram no último século e meio. Na metade do século vinte muitas delas adotaram a teologia dispensasionalista de J. N. Darby.

Enquanto isto, as próprias denominações protestantes tradicionais começaram a tolerar e depois abraçar o Iluminismo, com sua crença na bondade humana, explicações naturais para tudo e a rejeição da necessidade da intervenção divina, revelação ou salvação.

Durante a primeira metade do século vinte, estas denominações experimentaram seu maior cisma. Isto deu origem a uma grande quantidade de novas denominações no cenário religioso. Por exemplo, somente entre os presbiterianos, onde havia somente uma Igreja Presbiteriana na América, existem hoje muitas. (…)[1]

Enquanto existem muitas divisões no protestantismo americano, existe também um constante estímulo à reunião das igrejas divididas, contanto que haja uma fé ortodoxa. Muitas das denominações há pouco mencionadas gozam de íntimas relações fraternas.

As denominações reformadas estão intimamente afiliadas com as presbiterianas; na verdade, a tradição é comumente chamada “a tradição reformada presbiteriana”. Muitas igrejas na Europa são parte das “igrejas regionais” mencionadas anteriormente. Elas têm histórias diferentes, não por causa de diferenças doutrinárias, mas porque vieram de diferentes contextos étnicos, lingüísticos, culturais e históricos. (…)

Congregacionalistas de modo geral, não têm uma confissão de fé ou catecismo. Os presbiterianos usam a Confissão de Fé de Westiminster e os Catecismos Menor e Maior; os reformados usam as “três formas de unidade” – a Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg e os Cânons do Sínodo de Dort; luteranos usam o Livro da Concórdia, que inclue a Confissão de Augsburg e empregam os Catecismos Menor e Maior de Lutero; os episcopais têm os Trinta e Nove Artigos da Religião como sua confissão. Cada uma destas confissões e catecismos foram escritos durante ou logo depois da Reforma. À medida que uma denominação ou igreja julga suas pregações, ensinos, culto e a vida da igreja por estes padrões, ela é “confessional”. A maioria das igrejas “mães” hoje, ou ignora suas confissões, ou permite que seus pastores e oficiais rejeitem sua confissão oficial de fé. Muitos “braços” evangélicos conservadores fazem o mesmo, não tanto pela rejeição absoluta do correto ensino, mas por uma apatia no que se refere a doutrina, credo, confissões e a instrução catequética dos jovens. Em ambos os casos o resultado é o mesmo: uma geração de cristãos professos que desconhece seus próprios credos o suficiente para ser capaz de questionar e examinar.

Seja cuidadoso para não ler os rótulos de muito perto. Por exemplo, embora a Igreja Unida de Cristo (não confundir com as Igrejas de Cristo ou Discípulos de Cristo) seja a mais liberal denominação da nação, julgando pela sua vanguarda diplomática, é possível achar uma paróquia decente desta igreja na sua vizinhança. De fato, é possível que uma congregação da Igreja Presbiteriana dos EUA (mãe) da vizinhança, possa atualmente ser mais comprometida com a fé reformada do que uma igreja que pertença a um ramo evangélico mais conservador do presbiterianismo. Não é provável, mas é possível. Hoje em dia, você não pode julgar sempre uma igreja pelo seu nome.

Tenha certeza que sua “igreja” é uma igreja

Até este século, cristãos de todos os tipos criam que há igrejas verdadeiras e igrejas falsas. Só porque está escrito “igreja” sobre a porta não significa que ela seja uma. Daí porque os reformadores retiraram das Escrituras duas inegáveis marcas da igreja verdadeira: é onde a Palavra de Deus é pregada de forma verdadeira e os sacramentos são administrados corretamente.

Certamente, os reformadores sabiam que isto acontece em graus variados. Por exemplo, mesmo numa igreja protestante conservadora alguém pode ser desapontado com o manuseio de um certo texto. Alguém pode estar absolutamente convencido que o pregador errou em sua explanação, mas isto não significa que esta igreja não deva mais ser considerada como uma igreja verdadeira. Os reformadores tinham em vista que ela tinha de ser uma igreja na qual a clara pregação do texto se focalizava na promessa de Cristo em salvar os pecadores. Em outras palavras, a pregação da Lei e do Evangelho deve ser claramente afirmada e proclamada na paróquia local, para ser considerada uma igreja verdadeira. Quando uma denominação ou uma igreja rejeita oficialmente o Evangelho ou qualquer ensino essencial do Credo Niceno, ela comete apostasia e não faz mais parte do corpo visível de Cristo. Indivíduos dentro dela podem ser salvos, mas a congregação ou denominação apartou-se oficialmente da igreja visível de Cristo.

A segunda marca da igreja verdadeira é que os sacramentos são aceitos e empregados, ao lado da Palavra, como meios de graça. Os protestantes reformados, presbiterianos e luteranos, tradicionalmente têm argüido que “a administração correta dos sacramentos” seguramente requer o batismo infantil e a rejeição de qualquer concepção da Ceia do Senhor que a reduza a um mero símbolo ou memorial. De novo, isto não significa que pessoas que discordam desta definição não são realmente cristãs; é uma questão do que propriamente constitui uma igreja visível ordenada corretamente.

Se uma igreja preenche estas definições, você precisa menosprezar outros problemas. Quando o gosto, ao invés da verdade, é o critério para a escolha de uma igreja, as pessoas colocarão estilo de música, programas e atividades infantis no topo da lista. O ponto mais importante é este: Este é um lugar onde Deus e Sua revelação na pessoa e obra de Cristo são claramente declarados, e onde as pessoas são sérias sobre crescimento em Cristo através da Palavra, sacramento, oração, evangelismo e missões? Este é um lugar onde meus filhos serão ensinados em adição as instruções que receberão em casa? Eles crescerão ouvindo o Evangelho?

De volta aos pontos essenciais – O que você pergunta ao pastor?

Se você não pode julgar uma igreja por seu rótulo, como poderá julgá-la? Aqui estão algumas perguntas para o pastor:

1. Qual é o ponto de vista da igreja sobre a Escritura? Ela é infalível, a única autoridade de fé e prática?

2. Qual é a confissão de fé da igreja? Onde este ministro específico se baseia nela? Ela é o critério para o ensino e a pregação da Palavra de Deus?

Se você realmente for “sortudo”, você pode até achar uma igreja que ainda use seu catecismo. Uma confissão de fé não é igual a Escritura, mas apresenta o que o corpo da igreja crê que a Palavra de Deus ensina e requer que nós saibamos. Um catecismo é simplesmente um meio de instrução sobre a confissão de fé, geralmente através de perguntas e respostas, com textos bíblicos sustentando cada resposta. Em muitas denominações confessionalmente consistentes, alguém poderá achar um currículo da escola dominical que acompanhará a pessoa por todo o caminho desde a idade pré-escolar até o crepúsculo dos anos. Isto é importante, porque organiza nossos pensamentos sobre Deus e o estudo da Escritura num conjunto coerente, claro e sistemático.

3. O culto é conduzido como um encontro de Deus com Seu povo para dar-lhes Sua graça e para que eles lhes respondam em agradecimento? Ou é modelado pelo entretenimento?

4. Jesus Cristo é proclamado como um herói moral ou como Redentor? Em outras palavras, Ele está em igualdade com Freud, Benjamim Franklin, um político e um profeta dos últimos dias, ou a pregação é concernente a “Cristo e este crucificado” como Paulo a colocou?

Se você deve sair

Os cristãos reformados “não jogam o bebê fora junto com a água da banheira” na rejeição dos erros do romanismo. Nós ainda temos uma elevada doutrina da igreja, e isto é o que torna excessivamente difícil deixar uma igreja ou denominação que está corrompida. Muitas vezes é difícil decidir quando chega o tempo da separação.

Se uma congregação local se aparta da fé, é legítimo permanecer nela para tentar mudá-la, enquanto a confissão de fé oficial não tiver sido ainda finalmente rejeitada? Eu creio que sim, e que Deus nos chama para manter nossas igrejas e denominações responsáveis por suas próprias confissões. Enquanto a confissão de fé oficial permanecer, é assumido que cada um no ministério daquela denominação concorda com seus artigos. Se não, os pastores que com suas bocas prometem preservar a confissão estão na realidade fazendo exatamente o oposto e são, portanto, desonestos. Não é você que tem que partir, porque você está sendo fiel à confissão de fé da igreja e até que a denominação oficialmente rejeite esta confissão, você está certamente livre (mas não obrigado) a permanecer nela com o objetivo de trazê-la de volta à prática confidência naquela fé. Aqui, dependendo do regime da denominação, um processo de tribunais eclesiásticos graduados provê reformas justas e ordeiras.

Muitos leitores podem fazer parte de uma igreja sem denominação que não possui um estatuto formal de fé. Como você pode manter seu pastor na pregação e ensino da mensagem evangélica se, pela leitura dele da Escritura, ele é convencido de outra interpretação, não importando o quanto ela seja estranha? Esta é a mais difícil situação. Se a Palavra não é corretamente pregada (ou seja, uma afirmativa clara dos credos essenciais) e os sacramentos não são corretamente ministrados, sendo os pastores responsáveis por alguém além deles mesmos e de seus admiradores, esta não é uma igreja verdadeira. Abandonar uma seita não só é tolerável, mas necessário. Reformar uma igreja é suficientemente difícil, mas se uma assembléia de crentes não é biblicamente propensa para chamar-se “igreja”, e não deseja caminhar nessa direção, o passo mais sábio seria buscar com devoção, uma igreja que está tentando, débil ou dedicadamente, ser uma igreja verdadeira.

O que quer que você faça, resista a tentação (e ela será grande) de abandonar ou diminuir sua freqüência na igreja. Esta não é uma opção para o crente, embora seja muito atrativa, especialmente quando se contentar com o cardápio local algumas vezes não é tão atraente.

Uma última colocação sobre este ponto. Se você precisa sair, faça-o com caridade e civilidade. Não faça alarde sobre isto, tornando sua partida um assunto de conhecimento público. Siga sua consciência, mas entenda que a razão pela qual outros não vêem as coisas do seu jeito é que eles simplesmente não estão persuadidos ainda das convicções que motivaram sua saída. Você precisará de oração, sabedoria e conselhos de vez em quando, como estes.

Buscando sentimento

Finalmente, esteja certo de que a igreja que você escolher “busca sentimento”. Isto tem sido a nova palavra-chave nos círculos de crescimento da igreja, e é geralmente usada como uma desculpa para legitimar o esvaziamento de todo pensamento, liturgia, dignidade e senso de transcendência e centralidade de Deus. A igreja é replanejada para ir ao encontro das necessidades do incrédulo. Depois de ser perguntado que tipo de igreja eles gostariam de freqüentar, os peritos em marketing da igreja moderna dizem aos pastores como construí-las.

Assim, porque eu sugiro a você que a igreja que você escolher deve “buscar sentimento”? Em João 4, Jesus diz a mulher samaritana, “Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo.4: 21-24). Note que assim como depositamos nossa confiança na nossa própria denominação ou congregação como a igreja verdadeira, Jesus nos diz que não é uma questão de em que montanha nós adoramos, porque agora Deus reside no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus diz que a adoração deve ser em Espírito e em verdade. Ou seja, o Espírito e a Palavra devem andar juntos. Não pode haver atividade do Espírito Santo independentemente da Palavra, e qualquer atividade da Palavra depende do Espírito Santo para ser eficaz.

Certamente, devemos “buscar sentimento”, mas há uma importante distinção aqui: Deus diz que Ele procura adoradores. O moderno conceito de crescimento de igreja está baseado no erro do arminianismo, onde o homem acha a Deus. Assim, nós deixamos de lado a adoração a Deus pelo critério que Ele estabeleceu (o Espírito Santo e a verdade) com o propósito de “buscar sentimento”. Afinal de contas, nós salvamos pessoas e as trazemos para o reino, certo? Esta é a suposição. Mas se Deus é aquele que busca, nossa missão é achar uma congregação onde Deus é servido com adoração, mesmo quando a mensagem ou estilo possa ser estranho ou mesmo desagradável aos incrédulos. Se for, pode ser por nossa culpa ou também por causa da Palavra de Deus estar fazendo simplesmente o que ela faz. Se este é o caso, estamos em boa companhia com os apóstolos, mártires e reformadores antes de nós.

[1] Certas partes do texto dizem respeito ao desenvolvimento histórico americano das denominações. Por este motivo, foram retiradas do texto por ser específico à realidade norte americana. Estas partes estão identificadas por este sinal: (…)

Por Michael S. Horton

Biblioteca Reformada ARPAV

Hospitalidade – Generosidade – Amor

A hospitalidade é uma forma prática de servir a Deus.

Gênesis 18.3-5:

“E disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo. Eia, traga-se um pouco d’água, e lavai os pés e recostai-vos debaixo da árvore; e trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, e depois passareis adiante; porquanto por isso chegastes ate o vosso servo. Responderam-lhe: Faze assim como disseste.”

Ao aceitar a hospitalidade, damos oportunidade a outros de praticar a generosidade.

Lucas 10.7:

“Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; pois digno é o trabalhador do seu salário. Não andeis de casa em casa.”

A hospitalidade é um dom que melhora quanto mais se usa.

Romanos 12.13:

“Acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade.”

Ao ser hospitaleiros, podemos até hospedar anjos.

Hebreus 13.2:

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.”

Evangelho

 

O Evangelho deve ser comunicado sem distorção.

2 Coríntios 4:2

“Pelo contrário, rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus.”

Se eu sei que Jesus morreu por mim, então que devo fazer ? Devo responder tendo fé Nele.

João 1:12

“Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.”

O evangelho requer uma decisão que mude a nossa vida.

1 Tessalonicenses 1:4-5

“Conhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição; porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção, como bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós.”

Jesus nos deu o comando de levar o evangelho a todo o mundo.

Mateus 28:18-19

“E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.”

Devemos comunicar o Evangelho sem nos envergonharmos.

Romanos 1:16

“Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.”