Maldição Hereditária ???

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Por Renato Jr.

Sei que ao escrever esse texto, alguns da minha própria igreja irão querer me contestar, não acho ruim, acho importante para que possamos nos aprofundar no estudo da palavra, e não nos basearmos em experiências pessoais, ou no que este ou aquele escritor (quase sempre americanos, nada contra os americanos) escreveu. Os comentários são bem vindos, exponha sua opinião e apresente seus argumentos bíblicos.

Fico temeroso com o tanto que alguns cristãos ao defenderem suas teses, começam dizendo: “EU ACHO QUE” e não “A BÍBLIA DIZ ASSIM”. Talvez alguns gostem dos meus textos, e outros odeiem, contudo, a Bíblia vai continuar sendo a verdade, haja o que houver (1Pd 1.24-25).

Os que defendem a maldição hereditária, ou maldição de família ou pecado de geração, agora surgiu até o DNA da iniquidade, se baseiam nos seguintes textos, ressaltando que apenas no versículo isolado do contexto:

Êxodo 20:5-6 – (5 Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. 6 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos).

Êxodo 34:6-7 (6 Tendo o Senhor passado perante Moisés, proclamou: Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; 7 que usa de beneficência com milhares; que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado; que de maneira alguma terá por inocente o culpado; que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração).

Números 14:18 (18 O Senhor é tardio em irar-se, e grande em misericórdia; perdoa a iniqüidade e a transgressão; ao culpado não tem por inocente, mas visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração).

Deuteronômio 5:9-10 (9 não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, 10 e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos).

Primeiramente gostaria de fazer uma avaliação hermenêutica dos versículos e de seus contextos, para isto quero utilizar das palavras do Pr. Valtencir Alves, mestre em divindade e doutor em teologia:

Observe bem estes textos, em todos eles Deus declara que visita a iniquidade dos pais nos filhos. Em Ex. 20:5-6 e Dt. 5:9-10, Deus declara que esta maldição é para aqueles que o “odeiam”. Em Ex. 34:6-7 e Nm. 14:18, Deus declara a sua misericórdia e que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado. O nosso Deus não mudou, a misericórdia do Deus do NT é a mesma do AT. Havendo arrependimento no coração do homem, Deus libera o perdão, liberando o perdão, tudo está cancelado… Na verdade, sempre foi assim.

Antes de continuarmos na progressão da revelação sobre este assunto, o que chamo de hermenêutica diacrônica, vamos refletir sobre duas questões inseridas nestes textos. A primeira é o fato do decreto de Deus estar diretamente e especificamente ligado na iniquidade da idolatria. O segundo é a descrição precisa “daqueles que me odeiam”. Certamente o povo de Deus do tempo da Torá, não compreendeu estes adendos de Deus ao decreto e para resolver este problema de entendimento ele esclarece o assunto revelando a interpretação mais precisa como segue:

O livro de Deuteronômio não é apenas a repetição da Lei como muitos afirmam, este livro cuida de interpretar os quatro primeiros livros da Torá com mais exatidão, é o próprio Deus lançando luz na revelação. Por que Deus escreveria outro livro repetindo as mesmas coisas? Deuteronômio é o intérprete da Torá. O texto é claro, é direto, é esclarecedor, no entanto, o povo daquela época ainda não absorveu o entendimento da revelação que já progrediu. Tudo bem, Deus entende a estrutura frágil do homem e esclarece mais uma vez.

A confusão sobre os problemas genéticos também são enormes, muitas vezes o pai tem um problema e o filho geneticamente também o herda. Pronto, a conclusão do desfecho será: “Maldição hereditária”. Problemas genéticos não são maldições, a impropriedade teológica dos eisegéticos descolore a hermenêutica, fere a exegese e leva ao tropeço os pequeninos. Cristo levou sobre si as maldições, o homem com Cristo está liberto e não há mais condenação sobre ele, as coisas antes de Cristo ficaram para trás, o tempo da ignorância foi perdoado, nada poderá separar o homem do amor de Deus, quando Deus age ninguém pode impedir, certamente maior é aquele que esta em nós e nele podemos tudo. Devemos estar preparados para dar razão da nossa fé, não baseados em fábulas de velhas caducas, mas na santa e bendita palavra de Deus.

Avalie comigo querido alguns pontos na bíblia:

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3.13). Jesus tomou sobre si nossas maldições, e carregou nossos pecados.

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). Dar-se-ia o caso de o crente ficar livre das correntes do pecado, mas permanecer amarrado, ainda, às maldições resultantes de pecados cometidos por seus antepassados?

Essa doutrina diminui e tenta complementar o sacrificio de Cristo. Leiam o Capítulo 10 de Hebreus e vejam o comentário do Teólogo Charles Rylie:

“Neste capítulo o autor enfatiza o caráter definitivo de Cristo,contrastando-o com a natureza repetitiva e incompleta do sistema da lei e dos sacrifícios do Antigo Testamento. A redenção que Cristo oferece não precisa de nenhuma repetição ou complementação. Por isso, a rejeição de seu sacrifício é definitiva e imperdoável.”

(Romanos 8. 1-2) Agora já não existe nenhuma condenação para os que estão unidos com Cristo Jesus. Pois a lei do espírito que nos trouxe vida por estarmos unidos com Cristo Jesus, livrou você da lei do pecado e da morte.

(João 5. 24) Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem ouve as ´minhas palavras e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não será julgado mas, já passou da morte para a vida.

(1João 5.18-21) Sabemos que os filhos de Deus não continuam pecando, porque o Filho de Deus os guarda, e o Maligno não pode tocar neles.

(Colossenses 2.20) Vocês morreram com Cristo e por isso estão livres dos espirítos maus que dominam o Universo, então porque é que vocês estão vivendo como se fossem deste mundo?

 Na verdade, há casos em que famílias de crentes em Jesus, formadas por pessoas dedicadas e sinceras, que sofrem problemas os mais diversos, em termos de saúde, e adversidades financeiras e até de perturbações por parte do maligno. Segundo entendemos, as consequências do pecado de um pai podem passar para os seus descendentes.

Um pai alcoólatra, com sífilis, certamente vai transmitir aos seus filhos as consequências do pecado, mas não o pecado em si. Um pai ou uma mãe aidética passa a enfermidade para o filho no ventre. Esse é um ponto importante: o que se transmite, hereditariamente, são os efeitos do pecado e não o pecado, pois este, segundo a Bíblia, não é hereditário. É de responsabilidade pessoal (Ver Ez 18). A Bíblia diz em Dt 24.16: “Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais: cada qual morrerá pelo seu pecado”.

Vemos aí a justiça de Deus, não permitindo que os filhos, sem culpa, herdem as maldades dos pais, em termos espirituais, a ponto de morrerem por causa de seus antepassados. A responsabilidade moral e espiritual é individual perante Deus. Em Ezequiel , Cap 18, 20-22: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. Mas se o ímpio se converter de todos os seus pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer juízo e justiça, certamente viverá; não morrerá. De todas suas transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela sua justiça que praticou, viverá”.

Com isso, vemos que o pecado não passa de pai para filho. O que pode passar são os efeitos genéticos e também a influência moral dos pais sobre os filhos; estes tendem a seguir os exemplos bons ou maus de seus pais.

Poderia fazer aqui outras colocações, mais não quero me prolongar e deixar o texto muito longo e cansativo.

Renato Jr. – Blogueiro, articulista, teólogo em formação.
Fonte: [ Blog do autor ]

Para um estudo mais amplo, indico a leitura de um artigo postado aqui no Bereianos alguns anos atrás que aborta a farsa das “maldições hereditárias”. Clique aqui!

Dt. 24.16 Não se farão morrer os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelo seu próprio pecado.

Falsas Doutrinas: CUIDADO (obras do Demônio)

Gálatas 4.15: Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis”.

Chamo sua atenção à pergunta dirigida pelo apóstolo aos membros das igrejas na Galácia, para que consideremos juntos outra causa de depressão espiritual, ou infelicidade na vida cristã. Toda a Epístola aos Gálatas realmente trata desta questão. Estes gálatas haviam ouvido a mensagem do evangelho pelo apóstolo Paulo. Tinham sido gentios pagãos típicos. Estavam longe de Deus, sem qualquer conhecimento dEle ou do Seu Filho, ou da grande salvação cristã, mas o apóstolo Paulo veio e pregou a eles, e recebe­ram a mensagem do evangelho com grande alegria. Ele descreve, em detalhes mesmo, seu regozijo quando o encontraram pela pri­meira vez, e ouviram sua pregação. Parece claro que quando o apóstolo esteve entre eles, não estava fisicamente bem. É quase certo que ele estava sofrendo de algum problema dos olhos, porque lembra aos gálatas que, quando estivera entre eles, eles teriam arrancado os próprios olhos, dando-os a Paulo, se isso pudesse ter sido de alguma ajuda. Concluímos que essa dolorosa condição inflamatória dos seus olhos era algo ofensivo e desagradável de se ver. Não havia nada atraente na aparência do apóstolo. Como ele lembra a igreja em Corinto, sua presença era “fraca”. Ele não tinha o que chamaríamos hoje de presença imponente. Era um homem de aparência muito comum, sem levar em consideração a deforma­ção adicional causada por seu problema nos olhos. Mas, como ele os lembra aqui, eles não o desprezaram nem rejeitaram. Ele diz: “Não rejeitastes nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne”, e na verdade o receberam “como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo”, e tinham se regozijado nessa maravi­lhosa salvação. Mas não eram mais assim, tinham se tornado infelizes, e ele se viu forçado a perguntar-lhes: “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?” Eles estavam infelizes consigo mesmos, e quase se voltaram contra o apóstolo. Estavam num, estado de tanta depressão que ele podia até usar este tipo de linguagem: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”.

A pergunta que ele lhes apresenta, a respeito de sua bem-­aventurança anterior, é marcante. Na verdade, ele a tinha apresen­tado em outras formas previamente na mesma carta. No sexto versículo do primeiro capítulo, ele diz: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho”. Então ele o repete no terceiro capítulo, no pri­meiro versículo: “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?” Ora, mesmo sem acrescentar outras evidências, creio que está claro que esses cristãos da Galácia que tinham sido tão felizes, tão jubilosos em sua salva­ção,  haviam   se  tornado  espiritualmente  infelizes   e   deprimidos.

A questão à nossa frente é esta: o que causou esta mudança? Que tinha acontecido com eles? E a resposta é perfeitamente simples, e pode ser colocada numa única frase — era tudo devido doutrina falsa. Esse era o problema das igrejas na Galácia; todos os seus problemas emanavam de uma certa doutrina falsa em que haviam acreditado. E isto é algo que é tratado com muita frequência no Novo Testamento. Quase não há uma epístola que não trate deste assunto, de uma forma ou outra. Estas igrejas infantes tinham sido muito perturbadas por certos tipos de mestres que seguiam o apóstolo Paulo, imitando a sua mensagem e pregação em muitos aspectos, mas acrescentando suas próprias idéias. O resultado é que não somente isso causava confusão nas igrejas mas, além disso, cau­sava esta condição deprimente e infeliz na vida de muitos cristãos, Era, obviamente, obra do diabo. O apóstolo não hesita em afirmar isso, e nos lembra que o diabo pode até se transformar em anjo de luz. Ele ataca os cristãos e insinua idéias falsas em suas mentes, conseguindo assim, por um tempo pelo menos, arruinar seu teste­munho cristão e roubar sua felicidade. A história da Igreja Cristã desde o Novo Testamento está cheia de tais ocorrências. Começou já no princípio, e tem continuado desde então, e num certo sentido é verdadeira a afirmação de que a história da Igreja Cristã é a história do surgimento de muitas heresias e a batalha da Igreja contra elas, assim como a libertação da Igreja pelo poder do Espírito de Deus.

Este obviamente é um assunto muito extenso, e posso apenas tocar nele de passagem. Doutrinas falsas podem surgir em muitas formas diferentes; mas podem ser divididas em duas áreas principais. Às vezes, a doutrina falsa assume a forma de negação aberta da ver­dade e dos princípios e dogmas orientadores da fé cristã. Devemos deixar bem claro que às vezes assume esta forma. Pode se apresentar como sendo cristã, mas de fato nega a mensagem cristã. Já existiram, e ainda existem, ensinos que se dizem cristãos, porém que até mesmo negam a deidade do Senhor Jesus Cristo e outros dogmas básicos e fundamentais da nossa fé.

Mas doutrina falsa nem sempre assume esta forma. Há uma outra forma para a qual quero dirigir sua atenção agora. Em certo sentido, esta é muito mais perigosa que a primeira, e é a mesma forma que tinha assumido nas igrejas da Galácia. Não é tanto uma negação da fé, não é tanto uma contradição dos dogmas funda­mentais; mas é uma doutrina que sugere que algo mais é necessário, além do que já cremos. Essa foi a forma peculiar que assumiu no caso dos gálatas. Certos mestres tinham ido às igrejas ali, dizendo e pregando: “Sim, cremos no evangelho e concordamos com a pregação de Paulo. Tudo que ele ensinou está certo, mas ele não ensinou tudo. Ele deixou de fora algo que é absolutamente vital, a circuncisão. Fiquem firmes em tudo que crêem, mas se realmente querem ser cristãos, precisam também ser circuncidados”. Essa era a essência do falso ensino.

Não é difícil perceber como essa doutrina entrou ali. Afinal, os primeiros cristãos foram judeus. Vemos isso nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. Vamos ser justos com eles. É fácil enten­der sua situação. Eles sabiam que sua velha religião tinha sido dada por Deus, e sabiam que era verdadeira. Sua dificuldade era entender os novos ensinos à luz de sua velha doutrina tradicional. Eles sabiam que a circuncisão fora dada por Deus a Abraão, e tinha continuado desde então; mas aqui estava uma nova doutrina que afirmava que a circuncisão não era mais necessária, que a velha distinção entre judeus e gentios havia sido abolida, que a circuncisão, bem como toda a lei cerimonial, já cumprira seu propósito e o povo de Deus não tinha mais obrigações para com ela. Muitos ficaram perplexos com isso. Eles não tinham problemas com os gentios sendo admitidos à fé. A princípio isso tinha sido um obstá­culo para eles (até o apóstolo Pedro teve dificuldade em aceitar isso, e foi só depois que Deus lhe deu a visão do céu que ele admitiu receber Cornélio e os outros gentios na igreja Cristã). Mas eles ainda não conseguiam entender como um gentio podia se tornar cristão se ele ao mesmo tempo não se tornasse judeu. Entendiam que o cristianismo era o resultado lógico da sua velha religião, mas não entendiam como alguém podia ingressar nele sem passar pela circuncisão. Então eles foram a esses cristãos gentios da Galácia e sugeriram que, se quisessem realmente ser cristãos, teriam que se submeter à circuncisão e se colocar sob a lei.

Esse é o tema que o apóstolo aborda nesta Epístola aos Gálatas. Não podemos lê-la sem nos comovermos. Ele escreve com paixão. Está tão preocupado com a questão que até mesmo deixa fora sua costumeira saudação, e logo depois da abertura da carta ele ime­diatamente aborda o assunto e faz sua pergunta. Por que sente essa paixão, por que está tão emocionado? A resposta, é claro, é que ele sentia que a própria posição cristã dessas pessoas estava em jogo, e se não captassem esta verdade, toda sua posição cristã podia estar em perigo. Não há outra carta em que o apóstolo fale com tanta veemência. Notem o que ele diz: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”. Vocês não poderiam ler coisa mais veemente. E ele o repete: “Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”. Essa é a forma em que ele cala qualquer tendência de dizer: “Não importa que essas pessoas não vejam o que eu vejo, somos todos cristãos”. Não é assim; há uma definitiva intolerância aqui porque, como ele sugere e ensina, toda a posição cristã está em jogo nesta questão.

listou chamando atenção para isso não devido a qualquer interesse especial na história dos gálatas em si, mas por causa da sua importância para nós. Essa é a glória do Novo Testamento. Não é um livro acadêmico; é o livro mais atualizado que existe. Não há uma heresia ou problema descrito no Novo Testamento que não possa ser encontrado em alguma forma ou aspecto na Igreja aluai. Não estamos envolvidos numa discussão acadêmica sobre depressão espiritual; estamos falando sobre nós mesmos, e falando uns com os outros; e estou chamando atenção para isso porque estas coisas ainda estão conosco, e essa heresia dos gálatas ainda pode ser encontrada entre nós, numa manifestação moderna. Há muitos cristãos que passaram por essa experiência. Quando encon­traram a verdade pela primeira vez, ficaram assombrados. Disseram: “Nunca pensei que o cristianismo fosse assim”. Receberam-na com alegria e experimentaram bênçãos extraordinárias; mas subsequentemente foram confrontados com outra doutrina. Talvez tenham lido a respeito, ou alguém pregou sobre aquilo, ou foi sugerida por um amigo, e assim entraram em contato com outro tipo de doutrina. Imediatamente essa doutrina os atraiu porque parecia tão espiritual, e porque prometia bênçãos tão especiais se cressem nela, e assim eles a acataram. Mas então passaram a experimentar infelicidade e confusão. Outros que não chegam a aceitar e abraçar tal doutrina, ainda assim sofrem os seus efeitos, porque ela os perturba e porque não sabem como rebatê-la. Sua alegria parece desaparecer, e ficam perplexos e confusos. De qualquer forma, perdem sua felicidade original.

Realmente não há necessidade de mencionar nenhuma dessas doutrinas especificamente, pois tenho certeza que vocês estão fami­liarizados com o que tenho em mente. Todavia, devo mencionar certas coisas à guisa de ilustração, mas sem o propósito de tratar delas em detalhe. À parte de exemplos óbvios, em heresias tais como os Testemunhas de Jeová ou os Adventistas do Sétimo Dia, encontramos isso inerente ao catolicismo romano, com sua insistên­cia em conformidade e obediência a coisas não ensinadas nas Escri­turas. Aparece também na doutrina de que batismo por imersão em idade adulta é essencial à salvação. Também o vemos na ênfase da absoluta necessidade de se falar em outras línguas, se alguém quer ter certeza de que recebeu o Espírito Santo, e às vezes é encontrado em conexão com cura física, na doutrina de que um cristão jamais deveria ficar doente. Essas são apenas algumas ilustrações. Há muitas outras; menciono essas simplesmente para que entendamos que esta é uma questão muito prática, e não simplesmente um pro­blema teórico. Todos temos que enfrentar coisas assim, e, como espero demonstrar, tudo isso é parte do caráter da heresia que estamos considerando.

Creio que aqui o apóstolo estabeleceu de uma vez por todas um grande princípio que precisamos ter sempre em nossa mente, se quisermos nos proteger destes perigos, e assegurar que perma­necemos “firmes na liberdade com que Cristo nos libertou”, sem tornar a cair “debaixo do jugo da servidão”. Foi seu amor por aquelas pessoas que o levou a escrever dessa maneira. E Paulo lhes diz aqui que se sentia como um pai se sente em relação aos seus filhos. Não é que o apóstolo fosse pedante ou de mente fechada, intolerante ou egocêntrico. Pelo contrário, sua única preo­cupação era a vida espiritual e o bem-estar daquelas pessoas. “Meus filhinhos”, ele diz. Ele é como uma mãe; “por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”. E é neste espírito que quero dirigir sua atenção para o assunto. Deus sabe que eu preferiria não tratar dele em absoluto. Vivemos numa época que não aprecia esse tipo de coisas. A tendência é dizer: “Que importância tem?” E esta tendência é aparente não só entre aqueles que estão fora da Igreja, mas também entre os que estão dentro dela. Abordo este tema, portanto, com relutância, e simplesmente porque sinto que estaria traindo minha missão e a chamada de Deus para o ministério cristão se não expusesse a verdadeira doutrina da Palavra de Deus, qualquer que seja a opinião moderna.

Como, então, enfrentamos esse tipo de situação? A primeira coisa que o apóstolo apresenta é a questão de autoridade. Isso tem que vir primeiro. Essas perplexidades e esses problemas não são uma questão de emoção ou experiência, e nunca devem ser julgadas meramente na base dos resultados. Doutrinas falsas podem fazer as pessoas muito felizes. Vamos deixar isto bem claro. Se julgarem somente em termos de experiência e resultados, descobrirão que cada seita e heresia que o mundo ou a Igreja já conheceu pode ser justificada. Qual, então, é a autoridade? O apóstolo nos diz claramente no primeiro capítulo. Na verdade a questão da autoridade é o assunto de que ele trata nos dois primeiros capítulos. Aqui a posição pessoal do próprio apóstolo está envolvida, e é por isso que ele tem de dizer tanto a respeito de si mesmo. Ele assume uma posição em que desafia qualquer um a pregar outro evangelho que não seja o que ele prega. Ele diz: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho. . . seja anátema”. Por quê? Qual é o teste? É este: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”. E então ele continua, relatando como entrou no ministério: “Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais”. Ele tinha vivido assim até aquele momento na estrada de Damasco, quando o Senhor Jesus Cristo o colocara no ministério para o qual, como ele agora sabia, fora separado desde o ventre de sua mãe. Ele recebera sua missão e sua mensagem diretamente do Senhor Jesus Cristo. Ah, sim, mas Paulo sabia mais até do que isso. Ainda que tivesse ingressado no ministério dessa maneira singular, e pudesse se descrever a si mesmo aos coríntios como um “nascido fora do tempo”, ele todavia diz que o evangelho que lhe fora dado era exatamente o mesmo evangelho que fora dado aos outros, os outros apóstolos que tinham estado com o Senhor nos dias da Sua carne. Quando falou com os outros apóstolos em Jerusalém, descobriu que estava pregando exatamente o mesmo evangelho que eles pregavam. Embora tivesse vindo a ele daquela forma individual como uma revelação direta, os outros estavam pregando exatamente a mesma coisa que ele pregava.

Aí, então, está a base da autoridade — e essa é a autoridade que o apóstolo pleiteia aqui, a qual é a base do seu argumento. Ele diz que não é uma questão de um homem dizer isto e outro dizer aquilo. Ele assevera que não está pregando simplesmente o que ele pensa. A mensagem fora dada a ele da mesma forma que fora dada aos outros apóstolos, e portanto todos estavam proclamando a mesma coisa. O teste da verdade é sua apostolicidade. Ela se conforma à mensagem apostólica? Esse é o teste e esse é o padrão. O evangelho de Jesus Cristo, como é anunciado e ensinado no Novo Testamento, reivindica nada menos do que o fato que vem com a autoridade do Senhor Jesus Cristo, que o deu a esses homens, e eles, por sua vez, o pregaram e escreveram. Aqui está o único padrão. E continua sendo o único padrão.

Não temos qualquer padrão à parte do Novo Testamento, e portanto devemos tomar cada ponto de vista e examiná-lo à luz disto. Ao fazer isso, vamos descobrir que essas doutrinas falsas sempre se revelam erradas em uma de duas maneiras. A primeira é que podem conter menos do que a mensagem apostólica. Vamos ser perfeitamente claros sobre o fato de que há uma mensagem apostólica,  uma  verdade  positiva  com  que  todos  os  apóstolos concordaram e que todos eles pregaram — aí está a mensagem definitiva. Doutrina falsa pode ser culpada de declarar menos que a mensagem integral, e deixar certas coisas de fora. Isso é algo que desencaminha muitos cristãos hoje em dia. Se um homem proclama algo que é patentemente errado, eles podem ver imediatamente que ele está errado, mas não vêem com a mesma rapidez que uma doutrina pode estar errada porque proclama menos que a mensagem apostólica, porque não diz certas coisas. Pode ser menos que o verdadeiro ensino sobre a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Pode negar Sua encarnação, ou pode negar as duas naturezas contidas em Sua pessoa; pode negar o nascimento virginal, ou os aspectos miraculosos da Sua vida, ou a Sua ressurreição física literal. Apre­senta-se como cristã, mas é menos que a verdade. Ou pode negar num certo ponto a obra de Cristo. Pode negar o fato que “aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Pode descrever a morte de Cristo como sendo nada mais que uma extraordinária demonstração do amor. Pode negar que Deus puniu os nossos pecados “em Seu corpo no madeiro”. Isso era o que os apóstolos pregavam, que Cristo “morreu por” nossos pecados. Portanto, se uma doutrina ou ensino deixa isso de fora, é menos que a verdade apostólica. É a mesma coisa com o novo nascimento. Tantas vezes essa doutrina não é ensinada, e sua absoluta necessidade não é enfatizada. Tam­bém encontramos o mesmo problema até no que se refere à conduta e ao comportamento, ainda que o Novo Testamento enfatize isso. Há muitos que dizem crer em Cristo, mas então deduzem que, se alguém crê em Cristo está seguro, e não importa o que ele faz. Entretanto, esse é o terrível erro do antinomianismo. O Novo Testa­mento ensina a importância das obras quando declara que a “fé som obras é morta”. Deixar qualquer um destes aspectos de lado, é não corresponder à mensagem apostólica.

O segundo perigo, como já vimos, é o oposto, o perigo de acrescentar à verdade, e, ao mesmo tempo que reconhecendo a mensagem apostólica como correta, sugerir que algo precisa ser acrescentado a ele. E esta é a questão que estamos tratando aqui. Mais uma vez, devemos lembrar nosso princípio inicial, que cada doutrina deve ser testada pelos ensinos do Novo Testamento, não por emoções, nem por experiências ou por resultados, nem pelo que outras pessoas estão dizendo ou fazendo. Este é o teste-apostolicidade, isto é o ensino do Novo Testamento.

Outro bom teste é este: sempre seja cuidadoso em averiguar as implicações de um ensino ou doutrina. Isso é o que o apóstolo faz no segundo capítulo desta Epístola aos Gálatas. Esta nova dou­trina não parecia estar negando a Cristo, no entanto o apóstolo demonstra claramente que estava negando o Senhor no ponto mais vital. Ele até mesmo teve que fazer isso com o apóstolo Pedro em Antioquia. Pedro, que recebera uma visão com respeito a Cornélio (Atos, capítulo 10), e aparentemente tinha entendido estas coisas muito claramente, foi subsequentemente influenciado pelos judeus e sentiu que não podia comer com os gentios, mas somente com os judeus. Paulo teve que resistir Pedro “na cara, porque era repreensível”, e teve de dizer-lhe claramente que ao fazer aquilo ele estava negando a fé. Pedro não queria fazer aquilo, não queria negar sua salvação por Cristo através da fé somente. Mas alguém teve que mostrar a Pedro claramente a posição que estava assu­mindo, e levá-lo a entender que por suas ações ele estava anun­ciando que algo mais era necessário além da fé em Cristo. Vamos então sempre ponderar as implicações do que dizemos e fazemos. Vou dar-lhes uma ilustração do que quero dizer. Uma senhora cristã com quem certa vez discuti esta questão, estava tendo problemas com isso. Ela não conseguia entender como certas pessoas incré­dulas, que viviam uma vida muito correta, não eram cristãs. Ela disse: “Não sei como você pode dizer que não são cristãs — olhe para suas vidas”. Ela era uma boa cristã, mas estava tendo proble­mas para entender isso. Mas eu disse: “Espere um pouco; você não vê o que está inferindo, não percebe o que está dizendo? Você realmente está dizendo que estas pessoas são tão boas e tão nobres e tão morais que o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, não é necessário em seu caso, que a vinda do Filho de Deus do céu foi desnecessária para elas. Ele não precisaria ter morrido na cruz, pois elas podem se reconciliar com Deus através de suas boas obras e de sua vida exemplar. Você não pode ver que isso é negar a fé — que na verdade, com esse argumento, você realmente está dizendo que o próprio Cristo e Sua morte não são necessários?” E ela percebeu, ao avaliar as implicações daquilo que estava dizendo. Portanto, não avaliem as coisas pelo seu valor aparente apenas, mas verifiquem as suas implicações.

A terceira coisa que, para mim, parece ser uma característica especial desta heresia como está exposta na Epístola aos Gálatas é que ela sempre é um acréscimo à revelação. “Este ensino sobre a circuncisão não é parte da mensagem de Cristo”, Paulo está dizendo. “Essas pessoas pregam isso, mas não o receberam de Cristo. Quando o Senhor me deu a mensagem, Ele não disse que todos deviam ser circuncidados. Isto é algo à parte da Sua revelação, é um acréscimo à   mensagem apostólica”. Vocês vão descobrir que esta é sempre a característica do tipo de heresia que estamos consi­derando. Considerem, por exemplo, as reivindicações dos católicos romanos. A igreja católica romana declara que ela é tão inspirada hoje como eram aqueles primeiros apóstolos, mas ela não tem base bíblica para dizer isso. Ela mesma afirma isso, e ela mesma faz a reivindicação de que esta revelação subsequente foi dada à Igreja. Esta reivindicação é feita abertamente; não há qualquer sutileza nela, e quer dizer que a própria igreja católica tem tanta autoridade quanto a Palavra de Deus. Afirmam que as declarações do papa falando “ex catedra” são tão inspiradas como as epístolas do Novo Testamento, e são um acréscimo a essa revelação. Mas isso não é um lalo só em relação à igreja católica romana, pois há muitos outros que fazem a mesma reivindicação.

Antes de aceitar qualquer um destes ensinos, sempre tomem tempo para ler a respeito das suas origens. Quase sempre vocês vão descobrir que alguém teve uma “visão” — na grande maioria das seitas, foi uma mulher. Leiam a história, e descobrirão que a doutrina está baseada na autoridade de uma mulher. O apóstolo declarou que “não permitia que a mulher ensinasse”. Mas isso não faz diferença para essas pessoas. Não só isso, em geral a mulher leve uma visão e recebeu alguma revelação especial. “Ah”, dizem, “não vão achar isso nas Escrituras, mas foi dado diretamente a esta pessoa por Deus”. Estão acrescentando algo à revelação, é algo mais, alguma coisa mais avançada. Eles declaram que seus funda­dores eram tão inspirados quanto os apóstolos de Jesus Cristo, e baseiam sua autoridade nisso. Apliquem esse teste à maioria desses movimentos, e descobrirão que é verdade. Mas lembrem-se que também é verdade a respeito de muitos que ainda estão nas fileiras da Igreja Cristã, e que no entanto têm esse ponto de vista. “Ah, sim”, dizem, “aqueles homens eram inspirados, mas os homens hoje ainda são inspirados. Não negamos a inspiração, mas dizemos que é possível acrescentar à verdade. Os primeiros séculos não esgotaram a revelação da verdade, e coisas especiais estão sendo revelados a nós através dos nossos avanços em conhecimento e instrução neste século vinte”. Isso é acrescentar à revelação. Sig­nifica que as Escrituras não são mais suficientes; as descobertas da sabedoria moderna têm que ser acrescentadas. Mas ao permitirmos esses acréscimos da mente moderna e da perspectiva atual, na verdade estamos reivindicando uma revelação adicional.

Outra característica invariável é que este ensino ou doutrina sempre enfatiza alguma coisa em particular, dando-lhe grande proe­minência. No caso dos gálatas era a circuncisão. Mas o que quer que seja, esta idéia central é a origem do ensino especial, é o ponto em torno do qual gira todo o movimento. Eles reconhecem que uma pessoa pode ser um verdadeiro crente, mas precisa de uma certa coisa adicional — a observância do sábado, ou o batismo por imersão, ou falar em línguas, ou cura, ou alguma outra coisa. Algo mais sempre é essencial. É isso que importa —- dizem. Sempre ocupa uma posição proeminente, no centro, e acabamos nos tornando mais conscientes disso do que de Cristo, por causa da ênfase que lhe dão. Não podem justificar o movimento à parte dessa coisa específica, circuncisão, ou o que quer que possa ser.

O terceiro ponto é que todas estas coisas são um acréscimo a Cristo. O católico romano diz: “É claro que cremos em Cristo, mas você também precisa crer na igreja, precisa crer na virgem Maria, precisa crer nos santos, precisa também crer no sacerdócio, além de crer em Cristo”. De um ponto de vista puramente doutri­nário e ortodoxo, eu me sinto mais próximo a muitos católicos romanos do que a muitos que fazem parte das fileiras do protestan­tismo, mas onde eu me afasto, e devo me afastar deles, é que acrescentam algo ao que é vital — é Cristo, mais a igreja, mais a virgem Maria, mais os padres, mais os santos, e assim por diante. Do seu ponto de vista, Cristo apenas não é suficiente, e Ele não está colocado, em toda a Sua glória singular, no centro. E é assim com todos os outros. Proclamam que precisamos ter uma experiência especial, precisamos ter alguma crença especial sobre “observar dias”, como o apóstolo o expressa, ou precisamos observar certos ritos ou sacramentos. Então, é sempre “Cristo, mais alguma coisa”, alguma coisa que não podemos deixar de ter.

Então precisamos demonstrar, em quarto lugar, que esta dou­trina errada sempre acaba de alguma forma levando à conclusão que ter fé apenas não é suficiente. O apóstolo deixa isso claro: “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera por caridade” (Gálatas 5:6). Essas doutrinas falsas estão sempre nos ensinando que nós mesmos precisamos fazer alguma coisa; precisamos acrescentar algo, é necessária alguma ação da nossa parte, ou temos que permitir que algo seja feito a nós. Fé não é suficiente. Não vivemos pela fé, e a justificação não é pela fé somente. Precisamos realizar certas obras, precisamos fazer algo especial antes que possamos receber esta grande experiência da salvação. Mas de acordo com Paulo, dizer tais coisas significa que “caimos da graça”.

Mas por último quero enfatizar uma coisa — e dou graças a Deus por este último teste, porque tem sido de tanta ajuda para mim. Crer em tal doutrina sempre leva à negação da experiência cristã anterior. “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?” Vocês sabem o que ele quer dizer com isso. Na verdade ele está dizendo: “Gálatas insensatos, gálatas amados, vocês realmente estariam me dizendo que o que experimentaram quando estive entre vocês pela primeira vez, não teve qualquer valor, foi tudo inútil? Onde está a vossa bem-aventurança? Oh gálatas insensatos, quem vos fascinou?

Vocês sabem que todos os que são das obras da lei estão debaixo da maldição. Vocês sabem que receberam o Espírito. Voltem — lembrem-se que receberam o Espírito. Vocês O receberam pelas obras da lei? Naturalmente que não! Acaso não percebem que estão negando sua própria experiência passada?”

Todas essas doutrinas falhas são culpadas disso. É o que o apóstolo salienta, no relato de sua discussão com Pedro. Disse a Pedro que ele estava renegando sua experiência passada. Isso também é o significado de seu argumento sobre Abraão. Pois Abraão foi abençoado, não depois de sua circuncisão, mas antes dela, por­tanto não se pode afirmar que a circuncisão é essencial, e dizer isso é negar esta experiência. E quantas vezes tive que usar esse argu­mento! Estes ensinos errados são sutis e atraentes, e fazem-nos sentir que precisamos daquilo, e que só pode estar certo. Então de repente nos lembramos deste argumento a respeito da experiência, e ele nos detém. Trazemos à lembrança homens como George Whitefield e John Wesley, por exemplo, que sem dúvida foram cheios do Espírito de uma forma assombrosa, extraordinária e poderosa — notáveis santos de Deus e que estão entre os Seus maiores servos; e no entanto descobrimos que eles observavam o primeiro dia da semana, e não o sétimo; que não foram batizados de uma forma única ou especial, não há registro de que tenham falado em línguas, e não dirigiam reuniões de cura e assim por diante. Vamos afirmar que todos esses homens careciam de conhe­cimento, sabedoria e discernimento? Não percebem que essas novas doutrinas que fazem tantas reivindicações na verdade negam algu­mas das maiores experiências cristãs através dos tempos? Estão virtualmente dizendo que a verdade veio somente através deles, e que por dezenove séculos a Igreja andou em ignorância e em trevas. Isso é monstruoso. Precisamos entender que essas coisas devem ser testadas desta forma: “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?”

Isso me traz à minha última palavra, e o teste final, que é o seguinte. Depois de passar por todos esses testes, vocês estão prontos para se unir a mim e dizer o que o apóstolo disse no versículo 17 do último capítulo desta Epístola aos Gálatas: “Desde agora nin­guém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”. Que significa isso? O que o apóstolo está dizendo, na verdade, é: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”. “Parem de falar comigo sobre circuncisão, não estou interessado. Parem de me falar sobre os guardadores do sábado, ou qualquer outra seita. Parem de me falar sobre todas essas coisas que são tidas como essenciais, se alguém quer ser um verdadeiro cristão. Eu não as quero. “Longe esteja de mim gloriar-me”, eu não vou me gloriar em nada e em ninguém, em nenhuma doutrina especial — em nada a não ser o Senhor Jesus Cristo, e nEle somente. Ele é suficiente, porque através dEle “o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”.

Para deixar isso bem claro, quero dizer que não vou me gloriar nem sequer na minha ortodoxia, porque até mesmo ela pode se transformar numa armadilha, se eu a tornar num ídolo. Vou me gloriar somente na bendita Pessoa por quem tudo isto foi feito, com quem eu morri, com quem fui sepultado, com quem estou morto para o pecado e vivo para Deus, com quem eu ressuscitei, com quem estou assentado nas regiões celestiais, por quem o mundo está crucificado para mim e eu estou crucificado para o mundo. Qualquer coisa que queira se colocar no centro que é dEle, qualquer coisa que queira se acrescentar a Ele, eu a rejeito. Conhecendo a mensagem apostólica com respeito a Jesus Cristo, em sua integridade, sua simplicidade e sua glória, longe de nós acrescentar qualquer coisa a ela. Que nos regozijemos nEle em toda a Sua plenitude — e nEle somente.

D. MARTIN LLOYD-JONES, in “Depressão Espiritual”.

O que é a Doutrina da Trindade ?

Veja Também:
 
A doutrina da Trindade é fundamental para a fé cristã. Ela é crucial para um apropriado entendimento de como Deus é, como Ele se relaciona conosco e como devemos nos relacionar com Ele. Mas ela também levanta muitas questões difíceis. Como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo? A Trindade é uma contradição? Se Jesus é Deus, por que os Evangelhos registraram ocasiões nas quais Ele orou a Deus?
Apesar de não podermos entender completamente tudo sobre a Trindade (ou sobre qualquer outra coisa), é possível responder questões como essas e chegar a uma sólida compreensão do que significa ser Deus três em um.

O que significa ser Deus uma Trindade?

A doutrina da Trindade significa que há um Deus que existe eternamente como três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Explicando de outra maneira, Deus é único em essência e triplo em personalidade. Essas definições expressam três verdades cruciais: (1) Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas, (2) cada pessoa é totalmente Deus, (3) há somente um Deus.

Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas.
A Bíblia fala do Pai como Deus (Fp.1.2), de Jesus como Deus (Tt.2.13) e do Espírito Santo como Deus (At.5.3-4). Seriam essas, então, apenas três diferentes formas de olhar para Deus? Ou ainda, três papéis distintos que Deus desempenha?

A resposta deve ser não, porque a Bíblia também indica que Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas. Por exemplo, já que o Pai enviou o Filho ao mundo (Jo.3.16), Ele não pode ser a mesma pessoa que o Filho. Do mesmo modo, depois que o Filho retornou ao Pai (Jo.16.10), o Pai e o Filho enviaram o Espírito Santo ao mundo (Jo.14.26; At.2.33). Portanto, o Espírito Santo deve ser distinto do Pai e do Filho.

No batismo de Jesus, vemos o Pai falando dos céus e o Espírito descendo dos céus na forma de uma pomba, enquanto Jesus saia das águas (Mc.1.10-11). João 1.1 afirma que Jesus é Deus e, ao mesmo tempo, que Ele estava “com Deus”, indicando, assim, que Jesus é uma pessoa distinta de Deus o Pai (cf. Jo.1.18). E em João 16.13-15 vemos que, apesar de haver uma íntima unidade entre todos eles, o Espírito Santo também é distinto do Pai e do Filho.

O fato de Pai, Filho e Espírito Santo serem pessoas distintas significa, em outras palavras, que o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e o Espírito Santo não é o Pai. Jesus é Deus, mas Ele não é o Pai nem o Espírito Santo. O Espírito Santo é Deus, mas Ele não é o Filho nem o Pai. Eles são pessoas diferentes, não três diferentes formas de olhar para Deus.

A personalidade de cada membro da Trindade significa que cada pessoa tem um distinto centro de consciência. Assim, elas relacionam-se umas com as outras pessoalmente: o Pai trata a Si mesmo como “Eu”, enquanto Ele trata ao Filho e ao Espírito Santo como “Vós”. Do mesmo modo, o Filho trata a Si mesmo como “Eu”, mas ao Pai e ao Espírito Santo como “Vós”.

Freqüentemente é objetado que “Se Jesus é Deus, então Ele deve ter orado a Si mesmo enquanto esteve na terra”. Mas a resposta a essa objeção encontra-se em simplesmente aplicar o que nós já vimos. Embora Jesus e o Pai sejam Deus, eles são pessoas diferentes. Assim, Jesus orou a Deus o Pai sem orar a Si mesmo. Na verdade, é precisamente o contínuo diálogo entre o Pai e o Filho (Mt.3.17; 17.5; Jo.5.19; 11.41-42; 17.1ss) que fornece a melhor evidência de que eles são pessoas distintas com distintos centros de consciência.

Algumas vezes a personalidade do Pai e do Filho é estimada, mas a personalidade do Espírito Santo é negligenciada, de modo que Ele é tratado mais como uma “força” do que como uma pessoa. Mas o Espírito Santo não é algo, mas Alguém (veja Jo.14.26; 16.7-15; At.8.16). A verdade de que o Espírito Santo é uma pessoa, não uma força impessoal (como a gravidade), também é mostrada pelo fato de que Ele fala (Hb.3.7), raciocina (At.15.28), pensa e compreende (I Co.2.10-11), deseja (I Co.12.11), sente (Ef.4.30) e oferece comunhão pessoal (II Co.13.14). Todas essas são qualidades de uma pessoa. Além desses textos, os outros que mencionamos acima deixam claro que a personalidade do Espírito Santo é distinta da personalidade do Filho e do Pai. Eles são três pessoas reais, não três papéis que Deus desempenha.

Outro erro sério que as pessoas têm cometido é pensar que o Pai se tornou o Filho, que, então, se tornou o Espírito Santo. Contrariamente a isso, as passagens que vimos sugerem que Deus sempre foi e sempre será três pessoas. Nunca houve um tempo em que alguma das pessoas da Divindade não existia. Todas elas são eternas.

Embora os três membros da Trindade sejam distintos, isso não significa que um seja inferior ao outro. Pelo contrário, todos eles são idênticos em atributos, tais como poder, amor, misericórdia, justiça, santidade, conhecimento e em todas as demais qualidades divinas.

Cada pessoa é totalmente Deus.
Se Deus é três pessoas, isso significa que cada pessoa é “um terço” de Deus? A Trindade significa que Deus é dividido em três partes?

Não, a Trindade não divide Deus em três partes. A Bíblia deixa claro que cada uma das três pessoas é cem por cento Deus. Pai, Filho e Espírito Santo são totalmente Deus. Por exemplo, é dito de Cristo que “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl.2.9). Não devemos pensar em Deus como uma torta cortada em três pedaços, cada um deles representando uma pessoa. Isso faria cada pessoa ser menos do que totalmente Deus e, assim, não ser realmente Deus. Antes, “o ser de cada pessoa é igual ao ser integral de Deus”[1]. A essência divina não é algo dividido entre as três pessoas, mas está totalmente em todas as três pessoas sem estar dividida em “partes”.

Assim, o Filho não é um terço do ser de Deus, Ele é todo o ser de Deus. O Pai não é um terço do ser de Deus, Ele é todo o ser de Deus. E, da mesma forma, o Espírito Santo. Assim, como Wayne Grudem escreve: “Quando falamos conjuntamente do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não estamos falando de um ser maior do que quando falamos somente do Pai, ou somente do Filho, ou somente do Espírito Santo”[2].

Há somente um Deus.
Se cada pessoa da Trindade é distinta e, ainda assim, totalmente Deus, então, devemos concluir que há mais do que um Deus? Obviamente não, pois a Escritura deixa claro que há apenas um Deus: “Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim. Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is.45.21-22; veja também 44.6-8; Ex.15.11; Dt.4.35; 6.4-5; 32.39; I Sm.2.2; I Rs.8.60).

Tendo visto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas, que cada um deles é totalmente Deus e que não há senão um só Deus, devemos concluir que todas as três pessoas são o mesmo Deus. Em outras palavras, há um Deus que existe como três pessoas distintas.

Se há uma passagem que mais claramente traz tudo isso em conjunto, ela é Mateus 28.19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Primeiro, note que Pai, Filho e Espírito Santo são distinguidos como pessoas distintas. Nós batizamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Segundo, note que cada pessoa deve ser divina porque todas elas são colocadas no mesmo nível. Na verdade, você acha que Jesus nos batizaria no nome de uma mera criatura? Certamente que não. Portanto, cada uma das pessoas em cujo nome devemos ser batizados é, necessariamente, divina. Terceiro, note que, apesar de que as três pessoas divinas são distintas, nós somos batizados em seu nome (singular), não em seus nomes (plural). As três pessoas são distintas, mas constituem um único nome. Só pode ser assim se elas compartilharem uma mesma essência.

Notas:
1. Wayne Grudem, Teologia Sistemática (Edições Vida Nova, 1999), p.189.
2. Ibid, p.187

A doutrina da Trindade é fundamental para a fé cristã. Ela é crucial para um apropriado entendimento de como Deus é, como Ele se relaciona conosco e como devemos nos relacionar com Ele. Mas ela também levanta muitas questões difíceis. Como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo? A Trindade é uma contradição? Se Jesus é Deus, por que os Evangelhos registraram ocasiões nas quais Ele orou a Deus?
Apesar de não podermos entender completamente tudo sobre a Trindade (ou sobre qualquer outra coisa), é possível responder questões como essas e chegar a uma sólida compreensão do que significa ser Deus três em um.

A Trindade é contraditória?

Essa pergunta leva-nos a investigar mais de perto uma definição muito útil da Trindade que eu mencionei anteriormente: Deus é único em essência, mas triplo em personalidade. Essa formulação pode nos mostrar por que não há três deuses e por que a Trindade não é uma contradição.

Para que alguma coisa seja contraditória, ela deve violar a lei da não-contradição. Esta lei afirma que A não pode ser A (é) e não-A (não é) ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Em outras palavras, você se contradiz quando afirma e nega a mesma sentença. Por exemplo, se eu digo que a Lua é feita inteiramente de queijo, mas, então, também digo que a Lua não é feita inteiramente de queijo, estou me contradizendo.

Algumas afirmações podem parecer contraditórias à princípio, mas não o são realmente. O teólogo R.C. Sproul cita como exemplo uma famosa afirmação de Dickens: “Esse foi o melhor dos tempos, esse foi o pior dos tempos”. Obviamente isso é uma contradição se Dickens está dizendo que esse foi o melhor dos tempos no mesmo sentido em que esse foi o pior dos tempos. Porém, essa afirmação não é contraditória, porque ele está dizendo que em um sentido esse foi o melhor dos tempos, mas em outro sentido esse foi o pior dos tempos.

Levando esse conceito à Trindade, não é uma contradição para Deus ser tanto três quanto um porque Ele não é três e um no mesmo sentido. Ele é três num sentido diferente do qual Ele é um. Assim, não estamos falando com uma linguagem dobre. Não estamos dizendo que Deus é um e, então, negando que Ele é um ao dizer que Ele é três. Isto é muito importante: Deus é um e três ao mesmo tempo, mas não no mesmo sentido.

Como Deus é um? Ele é um em essência. Como Deus é três? Ele é três em personalidade. Essência e personalidade não são a mesma coisa. Deus é um em certo sentido (essência) e três em um sentido diferente (personalidade). Já que Deus é um em um sentido diferente do qual Ele é três, a Trindade não é uma contradição. Só haveria contradição se disséssemos que Deus é três no mesmo sentido em que Ele é um.

Então, uma olhada mais de perto para o fato de que Deus é único em essência, mas triplo em personalidade, foi útil para mostrar por que a Trindade não é uma contradição. Mas como isso nos mostra que há apenas um Deus e não três? Muito simples: Todas as três pessoas são um Deus porque, como vimos acima, todas elas são a mesma essência. Essência significa a mesma coisa que “ser”. Assim, já que Deus é uma única essência, Ele é um único ser, não três. Isso torna mais claro por que é tão importante entender que todas as três pessoas são a mesma essência. Pois se nós negamos isso, estamos negando a unidade de Deus e afirmando que há mais do que um ser de Deus (ou seja, há mais do que um Deus).

O que vimos até agora provê um entendimento básico da Trindade. Mas é possível aprofundar-nos mais. Se pudermos entender mais precisamente o significado de essência e personalidade, como esses dois termos diferem e como se relacionam, teremos um mais completo entendimento da Trindade.

Essência e Personalidade

Essência.
O que essência significa? Como eu disse anteriormente, significa o mesmo que ser. A essência de Deus é o Seu ser. Para ser mais preciso, essência é aquilo que você é. Sob o risco de soar muito físico, essência pode ser entendida como o “material” do qual você “consiste”. Certamente estamos falando por analogia aqui, pois não podemos entender essência de uma forma física em relação a Deus. “Deus é espírito” (Jo.4.24). Além disso, claramente não devemos pensar em Deus “consistindo” de outra coisa além da divindade. A “substância” de Deus é Deus, não um monte de “ingredientes” que misturados produzem a divindade.

Personalidade.
Em relação à Trindade, nós usamos o termo “pessoa” diferentemente do que usamos no dia-a-dia. Portanto, geralmente é difícil ter uma definição concreta de pessoa quando usamos esse termo em relação à Trindade. Por “pessoa” não queremos dizer um “indivíduo independente”, assim como eu e outro ser humano somos independentes e existimos separados um do outro. Por “pessoa” queremos dizer alguém que se trata como “eu” e aos outros como “vós”. Então, o Pai, por exemplo, é uma pessoa diferente do Filho porque Ele trata ao Filho como “Tu”, apesar de Se tratar como “Eu”. Assim, em relação à Trindade, podemos dizer que “pessoa” significa um sujeito distinto que Se trata como “Eu” e aos outros dois como “Vós”. Esses sujeitos distintos não são uma divisão no ser de Deus, mas “uma forma de existência pessoal que não é uma diferença no ser”[3].

Como elas se relacionam?
O relacionamento entre essência e personalidade, então, é como segue. Na unidade de Deus, o ser indiviso é um “desdobramento” em três distinções pessoais. Essas distinções pessoais são modos de existência no ser divino, mas não são divisões do ser divino. Elas são formas pessoais de existência e não uma diferença no ser. O antigo teólogo Herman Bavinck declarou algo muito útil sobre isso: “As pessoas são modos de existência no ser; conseqüentemente, as pessoas diferem entre si como um modo de existência difere de outro, e – usando uma ilustração comum – como a palma aberta difere do punho fechado”[4]. Já que cada uma dessas “formas de existência” são relacionais (e assim são pessoas), cada uma delas é um distinto centro de consciência, cada um deles Se tratando como “Eu” e aos outros como “Vós”. Porém, todas essas três pessoas “consistem” da mesma “matéria” (ou seja, o mesmo “o que”, ou essência). Como o teólogo e apologista Norman Geisler explicou, enquanto essência é “o que” você é, pessoa é “quem” você é. Então, Deus é um “o que”, mas três “quem”.

Assim, a essência divina não é algo que existe “acima” ou “separada” das três pessoas, mas a essência divina é o ser das três pessoas. Não devemos pensar nas pessoas como seres definidos por atributos acrescentados ao ser de Deus. Wayne Grudem explica:

“Mas se cada pessoa é plenamente Deus e tem todo o ser divino, então tampouco devemos pensar que as distinções pessoais são alguma espécie de atributos acrescentados ao ser divino… Em vez disso, cada pessoa da Trindade tem todos os atributos de Deus, e nenhuma das pessoas tem algum atributo que não seja também possuído pelas outras. Por outro lado, precisamos dizer que as pessoas são reais, que não são apenas modos diferentes de enxergar o ser único de Deus… a única maneira de fazê-lo é dizer que a distinção entre as pessoas não é uma diferença no “ser”, mas sim uma diferença de “relações”. Trata-se de algo bem distante da nossa experiência humana, na qual cada “pessoa” distinta é também um ser distinto. De algum modo o ser divino é tão maior que o nosso que dentro do seu ser único e indiviso pode haver um desdobramento em relações interpessoais, de forma tal que existam três pessoas distintas”.[5]

Ilustrações Trinitárias?

Há muitas ilustrações que têm sido oferecidas para nos ajudar a entender a Trindade. Embora existam algumas ilustrações úteis, devemos reconhecer que nenhuma ilustração é perfeita. Infelizmente, há muitas ilustrações que não são apenas imperfeitas, mas erradas. Uma ilustração com a qual devemos tomar cuidado diz: “Eu sou uma pessoa, mas também sou um estudante, um filho e um irmão. Isso explica como Deus pode ser tanto um quanto três”. O problema com essa ilustração é que ela reflete uma heresia chamada modalismo. Deus não é uma pessoa que desempenha três diferentes papéis, como essa ilustração sugere. Ele é um Ser em três pessoas (centros de consciência), não simplesmente três papéis. Essa analogia ignora as distinções pessoais em Deus e as transforma em meros papéis.

Resumo

Vamos revisar rapidamente o que vimos.

1. A Trindade não é uma crença em três deuses. Há um único Deus e nós nunca devemos desviar-nos disso.

2. Esse único Deus existe como três pessoas.

3. As três pessoas não são partes de Deus, mas cada uma delas é total e igualmente Deus. No ser único e indiviso de Deus há um desdobramento em três relações interpessoais, de forma tal que existam três pessoas. As distinções na Divindade não são distinções de Sua essência, nem são acréscimos à Sua essência, mas são o desdobramento da unidade de Deus, do ser indiviso, em três relacionamentos interpessoais, de modo que há três pessoas reais.

4. Deus não é uma pessoa que assume três papéis consecutivos. Essa é a heresia do modalismo. O Pai não se tornou o Filho e, então, o Espírito Santo. Pelo contrário, sempre houve e sempre haverá três pessoas distintas na Divindade.

5. A Trindade não é uma contradição porque Deus não é três no mesmo sentido em que Ele é um. Deus é um em essência e três em personalidade.

Aplicação

A Trindade é extremamente importante porque Deus é importante. Conhecer mais completamente a Deus é uma forma de honrá-Lo. Além disso, devemos admitir o fato de que Deus é triuno para aprofundar nossa adoração. Nós existimos para adorar a Deus. E Deus busca pessoas que O adorem “em espírito e em verdade” (Jo.4.24). Portanto, devemos sempre empenhar-nos em aprofundar nossa adoração a Deus, tanto em verdade quanto em nosso coração.

A Trindade tem uma aplicação muito importante na oração. O padrão geral de oração na Bíblia é orar ao Pai através do Filho e no Espírito Santo (Ef.2.18). Nossa comunhão com Deus deve ser reforçada por um conhecimento consciente de que estamos nos relacionando com um Deus tri-pessoal.

A conscientização dos papéis distintos que cada pessoa da Trindade tem em nossa salvação pode servir especialmente para nos dar grande conforto e apreciação por Deus em nossas orações, assim como nos ajudar a ser específicos ao dirigi-las a Deus. Porém, apesar de reconhecer os papéis distintos de cada pessoa, nunca devemos pensar nesses papéis de forma tão separada que as outras pessoas não estejam envolvidas. Pelo contrário, em tudo que uma pessoa está envolvida, as outras duas também estão envolvidas, de uma forma ou de outra.

Notas

3. Wayne Grudem, Teologia Sistemática (Edições Vida Nova, 1999), p.189. Apesar de eu crer que essa é uma definição útil, deve ser reconhecido que o próprio Grudem está oferecendo-a mais como uma explanação do que como uma definição de pessoa.
4. Herman Bavinck, The Doctrine of God, (Great Britain: The Banner of Truth Trust, 1991 edition), p. 303.
5. Grudem, p.187-188.

Recursos adicionais

Agostinho, A Trindade
Herman Bavinck, The Doctrine of God, p. 255-334
Edward Bickersteth, The Trinity
Wayne Grudem, Teologia Sistemática, capítulo 14
Donald Macleod, Shared Life: The Trinity and the Fellowship of God’s People
R.C. Sproul, O Mistério do Espírito Santo
R.C. Sproul , Verdades Essenciais da Fé Cristã
J.I. Packer, O Conhecimento de Deus
John Piper, The Pleasures of God, chapter 1
James White, The Forgotten Trinity

 

Por John Piper. © Desiring God. Website:desiringGod.org
Original:
What is the doctrine of the Trinity?
Tradução e Revisão:
 André Aloísio e Davi Luan do blog Teologia e VidaPermissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações acima e o link deste blog, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Blog: Voltemos ao Evangelho.

E o Dízimo ?

Leia sobre a opinião contrária (clique aqui)

Deus exige nossos dízimos, hoje em dia?

Não há dúvida que Deus exigiu o dízimo na Bíblia. Mas, para entender sua vontade para os dias de hoje, precisamos examinar as passagens que discutem o dízimo. Pesquisemos brevemente o ensinamento bíblico sobre este assunto.

O dízimo antes da lei de Moisés

Antes que Deus revelasse uma lei escrita a Moisés, para governar os descendentes de Israel, encontramos duas ocasiões quando homens deram ou prometeram dízimos a Deus. Depois do resgate de pessoas e de bens que tinham sido tomados de Sodoma numa guerra, Abraão deu um dízimo a Melquisedeque, o sacerdote de Deus (Gênesis 14:18-20). Mais tarde, Jacó (o neto de Abraão) prometeu devolver a Deus 10% de sua prosperidade (Gênesis 28:22).

Estes dízimos parecem ter sido voluntários. Não há registro de qualquer mandamento de Deus a respeito do dízimo antes do tempo de Moisés. Certamente, o dízimo de Abraão não é mais um padrão para hoje na mesma forma que o exemplo de Noé não exige que nós construirmos uma arca hoje em dia. Pela mesma razão que pregadores hoje em dia não têm o direito de exigir que você construa um grande barco, eles não têm base para usar os exemplos de doações de dízimo do livro de Gênesis para exigir que você dê 10% de sua renda a uma igreja.

O dízimo na lei de Moisés

É indiscutivelmente claro que Deus ordenou o dízimo na lei que ele deu através de Moisés.

Muitas passagens mostram essa exigência (por exemplo, Levítico 27:30-33; Números 18:21-32; Deuteronômio 12:1-19; 26:12-15). O dízimo era uma característica da relação especial entre Deus e o povo escolhido de Israel (Deuteronômio 14:22-29). Nenhum estudante da Bíblia pode negar a necessidade do dízimo, sob a lei de Moisés.

Sempre que as pessoas se referem à lei de Moisés, é importante lembrar que Deus deu essa lei aos israelitas, descendentes de Abraão especialmente escolhidos. A manutenção dessa lei era necessária para mostrar que eles eram um povo separado, escolhido (Êxodo 19:1-6; Deuteronômio 26:16- 19). Estes mandamentos a respeito do dízimo foram parte “da lei de Moisés, que o Senhor tinha prescrito a Israel” (Neemias 8:1).

Malaquias viveu no mesmo tempo que Neemias. Ele era um judeu que pregava aos judeus (Malaquias 1:1). Ele viveu sob a lei de Moisés e encorajou outros israelitas a serem obedientes a essa lei (Malaquias 2:4-8, 10; 4:4). Ele usou pensamentos dessa lei para prever as responsabilidades e bênçãos espirituais, ainda por vir, através de um descendente de Abraão, mas não impôs sobre todas as pessoas de todos os tempos a obrigação de dar o dízimo. Qualquer esforço para voltar à lei de Moisés, hoje em dia, é um esforço para reconstruir o muro de separação que Jesus morreu para destruir (Efésios 2:11-16).

Certamente, os verdadeiros seguidores de Jesus não quererão anular seu sacrifício só para acumular dinheiro no tesouro de uma igreja!

O dízimo no Novo Testamento

Todas as pessoas agora vivem sob a autoridade de Cristo, como foi revelada no Novo Testamento (Mateus 28:18-20; João 12:48; Atos 17:30- 31). Sua vontade entrou em vigor depois de sua morte (Hebreus 9:16-28). Estes fatos nos ajudarão a entender as passagens do Novo Testamento, a respeito do dízimo.

Durante sua vida, Jesus reconheceu a autoridade da lei de Moisés. Ele era um judeu, nascido sob a lei (Gálatas 4:4) e com a missão de cumprir essa lei (Mateus 5:17-18). Jesus criticou os judeus hipócritas, que negligenciavam outros mandamentos divinos, enquanto zelosamente aplicavam a lei do dízimo (Mateus 23:23; Lucas 11:42; 18:9-14). Jesus não ensinou que a lei do dízimo seria uma parte de sua nova aliança, que entraria em vigor após sua morte.

O livro de Hebreus fala do dízimo, para mostrar a superioridade do sacerdócio de Jesus, quando comparado com o sacerdócio levítico da Velha Lei (Hebreus 7:1-10). Esta passagem não está ordenando o dízimo para hoje em dia. De fato, o mesmo capítulo afirma claramente que Jesus mudou ou revogou a lei de Moisés (Hebreus 7:11-19). O dízimo não é ordenado na lei de Cristo, que é o Novo Testamento.

Que lei se aplica hoje?

Não vivemos sob a lei de Moisés, hoje em dia. Jesus aboliu essa lei por sua morte (Efésios 2:14-15). Estamos mortos para essa lei para que possamos estar vivos para Cristo (Romanos 7:4-7). A lei gravada nas pedras, no Monte Sinai, extinguiu-se e a nova aliança permanece (2 Coríntios 3:6-11). A lei funcionou como um tutor para trazer o povo a Cristo, mas não estamos mais sob esse tutor (Gálatas 3:22-25). Aqueles que desejam estar sob a lei estão abandonando a liberdade em Cristo e retornando à escravidão (Gálatas 4:21-31). As pessoas que voltam a essa lei estão decaindo da graça e se separando de Cristo (Gálatas 5:1-6). Não temos o direito de retornar a essa lei, para obrigar que guardem o sábado, a circuncisão, os sacrifícios de animais, as regras especiais sobre roupas, a pena de morte para os filhos rebeldes, o dízimo e qualquer outro mandamento da lei de Moisés.

Vivemos sob a autoridade de Cristo e temos que encontrar a autoridade religiosa na nova aliança que ele nos deu através de sua morte. Ele é o mediador desta nova aliança (Hebreus 9:15). Seremos julgados por suas palavras (João 12:48-50). Desde que Jesus tem toda a autoridade, temos a responsabilidade de obedecer tudo o que ele ordena (Mateus 28:18-20).

O que o Novo Testamento diz a respeito das dádivas?

Jesus, através de Paulo, ensina que as igrejas devem fazer coletas nas quais os cristãos darão de acordo com sua prosperidade (1 Coríntios 16:1- 2). Temos que dar com amor, generosidade e alegria, conforme tencionamos em nossos corações (2 Coríntios 8:1-12; 9:1-9). Portanto, podemos dar mais do que 10% ou menos do que 10%. Temos que usar nossos recursos financeiros, e todos os outros recursos, no serviço de Deus. Não somos mandados por Deus para darmos uma porcentagem especial.

E a respeito das bênçãos?

Malaquias pregou a uma nação carnal que estava sofrendo as conseqüências carnais do pecado. Ele prometeu bênçãos materiais de Deus para aqueles que se arrependessem de sua desobediência. Não encontramos esta importância material no Novo Testamento. Deus garante aos fiéis que eles não precisam se preocupar com as necessidades da vida (Mateus 6:25-33).

Mas o Novo Testamento não promete luxo, conforto e riquezas. Jesus sofreu nesta vida, e assim seus seguidores sofrerão (Marcos 10:29-30; Lucas 9:57-62). A preocupação com a prosperidade material nos distrai da meta celestial e nos arrasta à idolatria da cobiça (Colossenses 3:1-5). Tais motivos não têm nenhum lugar entre os cidadãos do reino de Deus.

Destorcendo Malaquias 3:10

Aqueles que citam Malaquias 3:10 para exigir o dízimo, e prometem prosperidade material, estão distorcendo a palavra de Deus. Eles estão enchendo os tesouros das igrejas ao desviarem a atenção de seus seguidores das coisas espirituais para darem atenção às posses materiais. Pedro advertiu sobre tais mestres: “Também, movidos pela avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (2 Pedro 2:3).

Mirando a meta celestial

 

Deus oferece uma coisa muito melhor aos seus seguidores: um prêmio eterno no céu. Paulo nos desafia a mirar essa meta: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as cousas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas cousas lá do alto, mas não nas que são da terra” (Colossenses 3:1-2).

 Por Dennis Allan.

Doutrinas Heréticas no G12 – Estudo

Amados colegas pastores(as) e líderes Metodistas Livres do Concílio Brasileiro

Solicito que estejam estudando com cuidado este material que preparei sobre as questões relacionadas ao G12. Gostaria de conversar pessoalmente com todos aqueles que tivessem dúvidas a respeito do assunto. Se quiser, também, pode me telefonar ou fazer perguntas por e-mail.

No amor do Senhor,
Bispo José Ildo Swartele de Mello

Doutrinas e práticas do G12 que nos preocupam:

• Forma centralizadora de poder. Não podemos nos esquecer dos princípios bíblicos sustentados pela Reforma a respeito do sacerdócio universal dos crentes, de livre exame da Bíblia e, portanto, de livre acesso a Deus, por meio de Jesus Cristo. Por esta razão, questionamos a forma piramidal e não democrática de poder, o que favorece o autoritarismo, o que vai contra o espírito democrático de nossa denominação e contra o Livro de Disciplina que estabelece a participação da Assembléia para eleição periódica da diretoria da igreja. Não cabe ao pastor escolher os seus doze, que lideraram com ele, mas sim à Assembléia da Igreja com a participação democrática de cada membro. Também não reconhecemos aqueles que se denominam apóstolos, querendo com isto dizer que estão mais próximos de Deus do que os “meros” crentes, sejam eles pastores ou leigos, alegando possuírem também a mesma autoridade dos apóstolos do Novo Testamento. Lutero e os reformadores lutaram tanto contra os conceitos relativos a figura e ministério do Papa, e, para nossa surpresa, vemos a mesma idéia ressurgindo no seio Evangélico. O mundo dá voltas e a história se repete. Também questionamos a necessidade de estar debaixo da cobertura espiritual de alguém que pertence à outra denominação. Se o movimento é bíblico, por que parece que alguns estão se assenhoreando dele? Por que se denominam apóstolos? E por que estabeleceram um modelo piramidal, quase papal, com centralização de poder? Não existe aí o estabelecimento das bases para o surgimento de uma nova denominação? Para reforçar ainda mais este argumento contra este modelo autoritário do G12, vemos também o registro no Livro de Atos, que os 7 (e não 12) Diáconos não foram escolhidos pelo pastor ou pelos apóstolos, mas foram eleitos por toda a comunidade (At 6.5)!

• Não concordamos que nenhuma espécie de método seja adotado pela igreja por imposição do pastor e nem seja implementado e forçado um modelo que venha a produzir divisão, amargura e prejuízo à paz no Corpo de Cristo. Se é de Deus, a visão não só será do Pastor, mas há de ser comunicada à igreja como comunidade do povo de Deus.

• Ênfase na experiência pessoal e mística, em detrimento da Bíblia.

• A pretensão de terem a última palavra da revelação de Deus para a igreja do século 21.

• Sacralização do número 12, como se fora paradigma para o novo modelo de grupos. Quanto ao número 12, por exemplo, não há registro bíblico de que cada apóstolo tenha preparado doze discípulos, e estimulado estes a discipular mais doze. Nem há registro de as igrejas dos primeiros séculos da história cristã haverem criado grupos de 12 pessoas. O Livro de Atos registra que o número de Diáconos eleitos eram 7 e não 12 (At 6.5). Os diáconos foram escolhidos pelo pastor ou pelos apóstolos, mas foram eleitos por toda a comunidade!

• Crescimento numérico, como único critério de legitimidade bíblica e evangelicidade, em detrimento da clareza e de formulação de sólidas bases teológicas.

• Participação (no Encontro) como fonte única de autoridade crítica.

• Emoção humana, como evidência incontestável da presença do Espírito Santo.

• Evidências de manipulação psicológica e espiritual, especialmente, no Encontro, que é parte essencial do Movimento G12, não restando aos dele participantes as condições e o tempo necessários à reflexão crítica, à atitude bereana.

• O G12, as “koinonias”, os “grupos de ECO”, entre outros constituem todos modelos humanos. Mas nenhum deles pode arrogar-se o “status” de revelação final ou método perfeito; todos esses modelos são marcados pela falibilidade humana. Concordamos com a importância das células ou grupos pequenos para edificação e crescimento da igreja. Mas o livro de Atos não dá testemunho de que a igreja primitiva funcionava de modo pendular, no templo e nas casas?

• Teologia da Prosperidade;

• Quebra de Maldição hereditária para crentes

• Práticas de regressão psicológica;

• Ensino e prática da chamada “nova unção”;

• Misticismo: “Baseando-se em visões” (Cl 2) – Assim como os gnósticos, não estão jogando o cristianismo fora, mas estão acrescentando uma “nova espiritualidade”: “Nova unção”. Uma espiritualidade que vai além de Cristo. Superespiritualidade, elitismo espiritual em busca de status.

• Prática do sopro espiritual;

• Ensino do batismo do Espírito Santo tendo línguas como evidência;

• Prática do segredo;

• Urros e palavras de ordem nos cultos.

• Ensinos sobre Batalha Espiritual e Espíritos Territoriais que fogem ao padrão bíblico.

• Ênfase demasiada nos métodos, na estrutura pragmática que há de ser seguida à risca, quando sabemos que Deus não unge métodos, mas pessoas.

• Por que sacramentar, dando tanto valor a um método em particular, quando a Bíblia não enfatiza a questão de métodos?

• Por que adotar o modelo como um pacote fechado tanto no método tanto quanto no que diz respeito ao material, o que inclui revistas de estudos com doutrinárias bastante questionáveis? Por que não fazer como exorta o Apóstolo “Examinai tudo; retende o que é bom?”

Veremos abaixo alguns estudos sobre algumas doutrinas e práticas estranhas encontradas no G12:

Teologia da Prosperidade:

São muitas as distorções doutrinárias da teologia da prosperidade: Negam a soberania de Deus, dizendo que usar a expressão “se for (ou, “conforme”) a Tua vontade” destrói a oração; há um espírito de orgulho do “que eu posso fazer em nome de Jesus”; dizem que sofrimento, pobreza e doença não devem fazer parte da vida de um cristão. Se, porventura, um cristão estiver em tais circunstâncias é porque não tem fé. A teologia da Prosperidade tem suas raízes na Ciência Cristã, que é derivada do gnosticismo. Daí, vemos o dualismo da teologia da prosperidade, quando diz que a morte física de Cristo não tem relevância em relação a redenção do nosso espírito, tendo Jesus que morrer também espiritualmente no “inferno”. Chegam a ponto de negar o sangue de Jesus. Alguns afirmam a deidade humana. Hagin, maior precursor desta teologia, em seu livro “Zoe: a própria vida de Deus”, página 79, diz que nem Jesus Cristo tem um posição mais elevada do que nós diante de Deus.

Eles dão uma ênfase exagerada no elemento “fé”, em detrimento da verdade e do amor. Exemplo clássico do menino diabético Wesley Parker, falecido em 23 de agosto de 1973, cujos pais foram presos por negligência, devido à teologia da prosperidade, pois, após oração, seus pais não mais permitiram que ele tomasse insulina; mais tarde, arrependidos, escreveram o livro: “We let our son die” (“Deixamos nosso filho morrer”). Apenas mais tarde, foi que seus pais reconheceram terem colocado a fé, mais propriamente falando: o orgulho da fé, acima do seu amor ao filho.

Eles revelam estar mais preocupados com a questão do sofrimento do que com a questão do pecado. Mais preocupados com prosperidade e saúde do que com santidade.

Questão da Prosperidade Material

A espiritualidade cristã não pode ser confundida com prosperidade financeira, nem com sucesso e nem com saúde. Pois, fosse este o caso, não poderíamos considerar nem a Jesus e nem os apóstolos como homens espirituais, visto que eram pobres, ficavam doentes, passaram muitas necessidades, sofreram perseguições, foram presos, desprezados pelo mundo e foram martirizados. Jesus mesmo disse que não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.20) e não tinha dinheiro sequer para pagar o imposto, tendo que solicitar a Pedro que pescasse um peixe que teria uma moeda dentro de si que serviria para pagar esta divida (Mt 17.24-27), pois sabemos que Jesus, sendo rico se fez pobre (2 Co 8.9). Pedro e João disseram claramente que não possuíam ouro nem prata (At 3.6). Paulo experimentou período de pobreza (Fl 4.11, 2 Co 6.10, Tg 2.5). Comunidades inteiras de cristãos do Novo Testamento eram muito pobres (2 Co 8.2, Rm 15.26, Ap 2.9). A própria Maria, entre todas as mulheres a mais agraciada, não teve um lugar descente para dar a luz ao seu Filho bendito. Todas as portas se fecharam e apenas a porta do curral foi a que se abriu para ela e para José seu esposo. Ela não ficou murmurando e nem ficou rejeitando aquele lugar fétido e incipiente. Ela não ficou ali inconformada reivindicando um lugar condizente a sua condição de bendita entre todas as mulheres. Ela, pelo contrário, aceitou a sua própria cruz, acolheu a bendita graça de padecer por Cristo e não de somente crer nEle (Fl 1.13). Foi naquele curral e naquela manjedoura improvisada de berço que se fez Natal. A noite mais feliz da história humana! Eis aí mais um exemplo do privilégio de participar dos sofrimentos de Cristo e completar o que falta de suas aflições (Colossenses 1:24). Perguntaram a William Booth, fundador do Exército de Salvação, qual era o segredo do seu sucesso, ele respondeu: “Deus teve de mim tudo o que Ele quis”. Infelizmente os evangélicos seduzidos pelo consumismo têm feito o contrário: exigem de Deus tudo o que eles querem.

Teologia da prosperidade se dedica a satisfazer as necessidades artificiais criadas pela sociedade de consumo. Perigo do condicionamento que o mundo exerce num sentido negativo. Não devemos nos conformar com este mundo (Rm 12.1-2). A igreja, em vez de ser um termostato, acaba sendo um termômetro que reflete e se ajusta ao clima, só mostra o clima, mas não influencia o clima. Usam Deus e a Bíblia como justificativa e meio para satisfação da ganância humana. Pregadores da teologia de prosperidade dizem que tudo está bem e que o sistema é magnífico e que os outros podem também vir a serem ricos como eles. Nada de novo nisto, pois Miquéias 7.2-4 mostra que a injustiça estava institucionalizada e permeava toda a sociedade incluindo os falsos sacerdotes e profetas que já em sua época visavam buscar riqueza para si mesmo.

Portanto, o que vemos é que, hoje, vivemos numa sociedade de consumo, antes dela o que tínhamos era uma sociedade de produção, onde se exigia muita abnegação e renúncia em prol da produção e também da construção da própria felicidade, realização e prazer que eram adiados para um tempo futuro ou de aposentadoria. Foi à aquela sociedade que Freud se reportou. Mas na tentativa de combater um extremo de repressão, acabamos mergulhando num extremo oposto, num mundo do “não se reprima!”, “experimenta!”, “No limit!” Etc… Portanto, na sociedade atual de consumo, o que predomina é o individualismo e o hedonismo. Não existe disposição para se adiar nada. Os próprios pais procuram satisfazer todos os desejos dos filhos, que acabam não aprendendo a lidar com frustrações e “nãos”. As propagandas, que são o pulmão deste sistema, criam novas “necessidades” e nos falam de uma vida plena de satisfação imediata, tipo êxtase proporcionado pelas drogas. Só que isto é utópico para a maioria das pessoas que estão excluídas dos bens de consumo. Tal frustração, incrementada pelo grande contraste entre a realidade e o sonho, só faz é escancarar ainda mais a porta para o alcoolismo e para o mundo das drogas. As drogas parecem, em algum sentido, ainda que por pouco tempo, proporcionar a sensação de prazer tão valorizada por esta sociedade de consumo. O incremento da violência também é uma outra decorrência! Esta visão tão colorida da vida, que pouco tem a ver com a realidade da grande maioria das pessoas, acaba fomentando ainda mais inveja, cobiça e frustração, não apenas pela ausência do básico, mas, agora, também pela ausência do supérfluo que nos é apresentado como sendo indispensável para a sensação de bem-estar. Temos também que, em nome da felicidade individual e também fascinado pela “grama do vizinho que parece mais verde que a nossa”, impaciente e frustrado com as naturais crises do casamento, o indivíduo, está cada dia menos disposto a pagar um preço de renúncia em prol da sobrevivência da relação, e, não tendo disposição de suportar frustração em curto prazo para conquistar realização a médio e longo prazo, acaba optando pelo caminho aparentemente mais fácil e de recompensa mais imediata ainda que isto possa lhe custar sua felicidade futura.

A teologia da prosperidade é produto desta sociedade de consumo, prometendo conceder através da fé tudo aquilo que as propagandas dizem que uma pessoa precisa ter para ser feliz. Fazendo da fé uma varinha de condão e, do nome de Jesus, uma espécie de abracadabra ou lâmpada de Aladim para a realização de todos os sonhos despertados pela sociedade de consumo. Alguns pastores sucumbem aos encantos do sucesso e, buscando se tornarem celebridades, acabam entrando no espírito deste mundo consumista. Passam a pregar uma mensagem triunfalista e adocicada que esconde o preço do discipulado, nada falando sobre a necessidade da negação de si mesmo e de se carregar cada um a sua própria cruz, nada dizendo também sobre a graça de padecermos por Cristo. Com a promessa de prosperidade e saúde sempre em nome da fé, entram numa competição desenfreada em busca de adeptos ou “consumidores”, chegando a apelar para novidades e “promoções” a fim de atrair o “freguês”. Por falar no “freguês”, é ele a grande vítima de todo este complexo sistema de nossa sociedade consumista, que acabou até seduzindo parte da igreja evangélica. Diante da grande mentira de que o prazer, o sucesso e o bem-estar físico, econômico e social são o grande alvo da vida e que tudo isto está acessível a todos. Iludido, o freguês busca no consumo a realização imediata deste ideal, mas tem que lidar com a realidade de uma vida de privações, injustiça, lutas e muitos sofrimentos. Frustrado, desamparado e só está o freguês, sente-se fracassado e oprimido pela ditadura do ter. Agora, nem na igreja encontra respostas para a sua dor, mas apenas ainda mais culpa por não ter tido fé suficiente para ter sido bem sucedido na vida profissional ou para ter sido curado de algum mal.

A teologia da prosperidade incentiva ganância por bens materiais e promove Comodismo e conformismo ao mundo e ao seu sistema consumista, individualista e de desigualdade e injustiça social. Os adeptos da teologia da prosperidade acham que nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo-se da soberania divina.

Jesus disse: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt.6.19). E, no mesmo espírito de Cristo, o Apóstolo Paulo ensina: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão” (1Tm.6.4-11). As riquezas costumam afastar os homens de Deus. Jesus disse que é difícil um rico entrar no céu (Mt 19.23), eles são exortados a repartir suas riquezas com os pobres.

Por que é que os pregadores da teologia da prosperidade, que gostam tanto de falar em “fé”, evitam falar do capítulo da Bíblia que mais fala sobre o tema da fé, principalmente o texto que diz: “outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas, e prisões, foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada, necessitados, afligidos, maltratados” (Hb 11.36-37)?

A cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor, totalmente oposto a uma vida individualista, centralizada em ambições pessoais, indiferente frente às necessidades do próximo. Assim como a Palavra se fez homem, também o amor precisa tornar-se boa obra para ser inteligível aos homens (1 Jo 3.10). A evidência da vida eterna não é só a confissão de Jesus como Senhor, mas é “a fé que atua pelo amor” (Gl 5.6). Renúncia e sofrimento fazem parte do chamado dos discípulos que devem carregar a cruz à semelhança do mestre. Fomos chamados para servir e não para ser servidos.

Questão da Saúde Plena nesta vida

A teologia da prosperidade não ensina apenas que Deus pode curar, com o que concordamos plenamente, mas o problema é que ensina que Deus cura sempre em resposta a oração. E se alguém não for curado após a oração? Bem, neste caso, a resposta que os adeptos desta teologia dão é que está faltando fé, pois a cura está sempre à disposição do crente. Ensinam que não é para orar pedindo para que seja feita a vontade de Deus, pois dizem que isto seria uma negação da fé. Ensinam que você não deve pedir a Deus, mas que precisa reivindicar e exigir o que é seu por direito, a saber, saúde e prosperidade sempre. Sendo assim, saúde e prosperidade se tornam os sinais de que uma pessoa possui fé, enquanto que doença e pobreza seriam para eles sinais de fraqueza espiritual. Aqueles, dentre os tantos que aderem a este pensamento, e que, porventura, não conquistam cura e prosperidade, acabam desenvolvendo sentimentos de inferioridade e culpa por não terem tido a fé suficiente para obterem a tão desejada vida saudável e prospera. O próprio Apóstolo Paulo seria considerado pelos adeptos da teologia da prosperidade como um homem sem fé, pois viveu doente, sofrendo em prisões, açoites e apedrejamento, além de ter padecido fome, frio e nudez. Interessante notar, que o Apóstolo Paulo não era adepto da teologia da prosperidade, pois em vez de se sentir inconformado e diminuído na sua fé e em sua espiritualidade devido a todas estas adversidades, ele sentia muito fortalecido e contente em sua situação de fraqueza e debilidade, o que para ele era sinal da bênção de Deus sobre sua vida e sinal da sua vocação e confirmação do seu chamado ministerial e apostólico. Veja os relatos de 2 Co 11.23-30: “São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame? Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.” Paulo continuou dizendo: “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Co 12.7-10).

Um argumento muito utilizado pelos pregadores da teologia da prosperidade em defesa da saúde plena é Isaías 53.4-5. Mas, para um melhor entendimento do significado do texto, é importante notar que este mesmo texto falar sobre nossas dores e não somente nossas enfermidades. Para ser coerente, baseado neste texto, um defensor de que um cristão deve experimentar livramento total de todas as enfermidades nesta vida, deveria também concluir que o mesmo deveria ficar imune à dor. Mas é óbvio que nenhum cristão está livre da dor neste mundo. Ou será que existe algum defensor da teologia da prosperidade disposto a defender sua tese passado pelo teste da marretada no dedo? Vemos aqui que a teologia da prosperidade erra em não reconhecer que nós estamos vivendo um período de tensão entre a primeira e a segunda vinda de Jesus. O cristão já usufrui parte daquilo que Cristo conquistou para ele, algo assim como os primeiros frutos, mas ainda não desfruta da plenitude, vive pela fé e não por vista, vive em esperança, aguardando a segunda vinda de Jesus e a ressurreição dos mortos, quando o último inimigo, que é a morte, será destruído (1Co 15.26). Enquanto isto não acontece, o cristão continua a experimentar a fraqueza e as limitações do seu corpo corruptível, que está sujeito às dores, enfermidades e a morte. Paulo diz que nesta vida, nós, os cristãos, que temos as primícias do Espírito, ainda gememos aspirando à redenção definitiva e plena que só se dará por ocasião da segunda vinda (Rm 8.23). Cremos no poder de Jesus para curar e cremos que Ele continua a curar a muitos em nossos dias. Oramos por cura, mas sabemos que, a cura não é algo 100% garantido. Não é apenas uma questão de orar certo e ter fé suficiente, é preciso também estar de acordo com a vontade de Deus. E, Deus, em sua soberania, pode escolher não curar como foi no caso do Apóstolo Paulo que viveu doente (1 Co 4.11; Gl 4.13) e de outros no Novo Testamento, como os companheiros de Paulo (Fp 2.30), Timoteo, que tinha uma doença crônica (1 Tm 5.23), Trófimo (2 Tm 4.20), pois, Deus, no casos destes, tinha outros propósitos que tem a ver com a sabedoria e plano maior de Deus, que muitas vezes estão longe do alcance do entendimento humano. “As aflições do tempo presente não se podem comparar com a glória do porvir” (Rm 8.18). Veja que Deus não livrou Paulo de seu espinho na carne, mesmo depois dele ter orado por 3 vezes. Deus respondeu dizendo: “a minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Paulo concluiu dizendo se alegrar nas necessidades e privações, pois sabia que quando era fraco, aí, sim, é que ele era forte. (2 Co 12). Podem os adeptos da teologia da prosperidade dizer o mesmo que Paulo? Podem ele se satisfazer apenas com a graça de Deus?

O texto de Daniel 3.15 a 18 mostra que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não eram adeptos da teologia da prosperidade, mas, sim, da teologia da “possibilidade”. Pois eles confessavam crer no poder de Deus para libertá-los das mãos do Rei, mas entendiam que Deus poderia ter outro plano e estavam dispostos a entregarem-se totalmente à vontade de Deus seja ela qual fosse, veja o que diz o texto: “Agora, pois, estai dispostos e, quando ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles, prostrai-vos e adorai a imagem que fiz; porém, se não a adorardes, sereis, no mesmo instante, lançados na fornalha de fogo ardente. E quem é o deus que vos poderá livrar das minhas mãos? Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ao rei: Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder. Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste”.

Batalha Espiritual

Percebemos hoje, em várias igrejas evangélicas, que batalha espiritual deixou de ser a luta cotidiana do cristão por resistir às tentações, mantendo a fidelidade em busca de santidade e maturidade cristã, vivendo para a glória de Deus, buscando o Seu Reino em primeiro lugar (Ef 6.10-20), e tornou-se um espetáculo de confronto pessoal e direto contra os demônios, em que, reuniões de orações deixam de ser os momentos de buscar a Deus e suplicar a Ele (Ef.6.18,19), para transformam-se nos momentos de falar mais com os demônios do que com Deus. Onde Satanás torna-se o centro das atenções. Nada vemos, em Ef 6.10-20, que justifique tais práticas. O modo bíblico de vencermos a Satanás é nos revestirmos de Cristo e sua armadura que é composta de justiça, evangelho da paz, fé, salvação, Palavra de Deus e oração; nada ouvimos sobre a necessidade de se conhecer os nomes dos demônios que dominam determinada região geográfica para podermos travar batalha direta com eles e os expulsar. Não encontramos tal fascínio pelo adversário ou pelo oculto e místico, nem aqui e nem em outras partes da Bíblia. Vencemos o adversário de nossas almas nos ocupando com as coisas excelentes e boas que o Senhor nos proporciona para enfrentarmos o dia a dia. Nada de paranóia e esquizofrenia. Muitos cristãos ficam tão fissurados com tais conceitos de batalha espiritual que acabam ficando perturbados. Se é certo que não devemos subestimar o inimigo, é certo também que não devemos superestimá-lo, fazendo dele o centro de nossas atenções. Pelo contrário, Cristo deve ocupar o centro de nossa vida, o que já é nossa garantia de vitória. Nossos pensamentos devem estar ocupados com tudo o que puro, amável… (Fp 4.8) nossos olhos postos no autor e consumador de nossa fé (Hb 12.2) e devemos buscar as coisas que são do alto (Cl 3.1-3). Não dar lugar ao diabo (Ef 4.27) é não dar ocasião ao pecado, como por exemplo: deixar a mentira; não guardar rancor e ira; não falar palavras torpes; nada de gritaria, blasfêmias e malícia, etc… (Ef 4.25-31), mas pelo contrário, ser imitador e Cristo andando em amor e santidade (Ef 4.32-5.2).

MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

• A maldição sem causa não se cumpre (Pv. 26:2).

• Um ditado popular censurado por Deus (Ez. 18.2-3).

• Cristo nos resgatou da maldição (Gl. 3:10 14).

• Em Cristo, as coisas velhas já passaram. (2 Cor. 5:17).

• Fostes abençoados com toda sorte de bênçãos e graças espirituais em Cristo (Ef 1.3)

• Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo… Se Deus é por nós, quem será contra nós?(Rm. 8:1 39).

• Contra o povo de Deus não valem encantamentos. (Nm. 23:8, 20 23).

EZEQUIEL 18:1 32

TEXTO BÁSICO: “Que tendes vós, vós que dizeis esta parábola acerca da terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que nunca mais direis este provérbio em Israel”. (Ez. 18:2 a 3).

INTRODUÇÃO

Alguns acreditam a ensinam que os cristãos podem estar sujeitos à maldição de seus ancestrais. Existem livros a seminários que se prestam ao ensino de como quebrar as cadeias da maldição hereditária. Eles se baseiam principalmente em Êxodo 20:5 e Deuteronômio 5:9. Aliás, por causa de uma má interpretação destes textos, surgiu um ditado que se tornou muito popular em Israel “Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que se embotaram”.Vemos esta idéia em Lamentações 5:7: “Nossos pais pecaram, e já não existem; nós é que levamos o castigo das suas iniqüidades”.Bem, Jeremias já havia previsto um dia em que este provérbio não mais seria proferido:” Naqueles dias já não dirão: Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que se embotaram “. (Jr. 31:29). Mas Ezequiel afirma que este dia já chegou: “Que tendes vós, vós que, acerca de Israel, proferis este provérbio, dizendo: os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que embotaram. Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este provérbio em Israel” (Ez. 18:2 e 3). Para uma compreensão melhor desta passagem é aconselhável a leitura e o estudo de todo capítulo 18 de Ezequiel. Ambos os profetas eram contra esta perniciosa doutrina, que descambava em irresponsabilidade a fatalismo, pois é muito conveniente para alguns desviar a culpa de si mesmos a transferi-la para gerações anteriores, ou então, culpar o destino a as forças ocultas por nossos fracassos, pecados, vícios a misérias; chegando a acusar a Deus de injustiça, como em Ez. 18:25: “No entanto dizeis: o caminho do Senhor não é direito…” Em outras palavras, Ezequiel nos ensina que, em vez de voltarmos nossos olhos para trás em busca de resposta para os infortúnios do presente, em vez de culparmos nossos antepassados, ou os demônios, ou o destino, deveríamos olhar para nós mesmos a pedira Deus que venha sondar os nossos corações, vendo se há em nós caminho mal, a fim de nos guiar pelos Seus caminhos. (Sl. 139). O pecado sim é que trás maldição: “… pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”.(Gl 6:7). “A maldição sem causa não se cumpre” (Pv. 26:2); “Amou a maldição: ela o apanhe; não quis a benção: aparte se dele”.(Sl. 109:17); “Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Deut. 11:26), repare que bênção a maldição estão diante a não atrás das pessoas, dependendo da nossa atitude para com Deus.

INFLUÊNCIA PAGÃ

Religiões pagãs como feitiçaria e macumba sempre atribuíram poderes extraordinários aos pronunciamentos de benção a maldição. É como, uma vez proferida uma maldição, ela tivesse vida própria e não sossegasse até se concretizar. E para se ver livre de tal encanto, um homem precisaria recorrer a um feitiço ainda maior. Perceba que tudo fica no campo da magia.

A infiltração do misticismo a da superstição nas igrejas evangélicas do Brasil é algo assustador. Muitos evangélicos substituíram as “três batidinhas na madeira” por uma nova forma de esconjuro, usando em todo o tempo a expressão “TÁ AMARRADO!”, procurando assim se proteger, “quebrando” o poder de uma palavra negativa, exorcizando um mal. E, por causa de tal influência pagã, muitos crentes sinceros estão ficando obcecados por “Batalha Espiritual”, chegando a desenvolver uma grande sensibilidade a uma percepção muito forte da presença do maligno. Por mais que tentem, não conseguem disfarçar seu nervosismo a inquietude que é fruto de desconfiança a temor. Ficam arrepiados a atribuem isto a um discernimento espiritual.

Biblicamente falando, o pecado é que trás maldição, pois o pecado separa o homem de Deus. Deus é a única fonte de bênçãos. Bênção é o oposto de maldição. Maldição seria, então, estar distante de Deus.

CONTRA JACÓ NÃO VALEM ENCANTAMENTOS

A Bíblia ensina exaustivamente que os servos do Senhor não estão sujeitos à maldição, a não ser que se desviem do caminho do Senhor.

Balaão não pode amaldiçoar o povo de Israel. Deus não permitiu! Disse Balaão a Balaque: “Como posso amaldiçoar a quem o Senhor não amaldiçoou?” (Nm 23:8) a “Ele abençoou, não o posso revogar… O Senhor seu Deus está com ele… pois contra Jacó não vale encantamento”.(Nm 23:20, 21 a 23). Sabendo, pois, Balaão que não se amaldiçoa o povo de Deus com feitiços ou rogando pragas, ensinou Balaão a Balaque como atingir o povo de Israel, seduzindo o povo ao pecado, afastando os de Deus, que é a única fonte de bênção, levando o povo ao juízo a condenação: (Apocalipse 2:14; Nm 25:1 18 a Nm 31:8 a 16).

As palavras não possuem tanto poder como querem alguns, conforme concluímos das seguintes passagens: Tg. 2:15 16 e I Jo 3:18.

Salmo 109:17 “Amaldiçoem eles, mas Tu, abençoa; sejam confundidos os que contra mim se levantam; alegre se, porém, o teu servo”.E em Neemias 13:2 lemos: “Deus converte a maldição em bênção”; e, além disso, o ímpio não sai impune do seu intento de nos prejudicar: “amaldiçoarei os que to amaldiçoarem” (Gn 12:3). Ver também: Cl 2:14 15 a Pv. 3:26, 33.

O Salmo 91 nos ensina: “O Senhor te livrará do laço do passarinheiro a da peste perniciosa. Sob suas asas estarás seguro… praga nenhuma chegará a tua tenda…” E o Salmo 31:4 diz: “Tirar me ás do laço que, às ocultas, me armaram, pois Tu és a minha fortaleza”. Ver também: Sl 118:13; Sl 84; Sl 146:5, 7; Sl 147:13; Sl 139:1 16; Sl 133:3; Sl 121:3 8; Sl 46:1, 5, 7; Sl 33:18 22; Sl 32:7; Sl 28; 7 9; Sl 29:11; Sl 27:1 6; Sl 23:6; Sl 21:11; Sl 18:1 3, 27 50; Sl 16:5 8, 11.

CRISTO NOS RESGATOU DA MALDIÇÃO

Cristo se fez maldição em nosso lugar. Foi crucificado como se fosse um maldito para nos resgatar da maldição da lei, para que a benção chegasse até nós. (Gl. 3:13, 14). “Os da fé” não estão debaixo de nenhuma maldição, mas “são abençoados com o crente Abraão”. (Gl. 3:9).

“Quem está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, tudo novo se tornou”.(2 Cor. 5:17). Não precisamos nos preocupar em desenhar nossa árvore genealógica, regredindo até a terceira a quarta geração quebrando as cadeias. Em primeiro lugar, porque pactos a alianças feitos pelos ancestrais não se transmitem automaticamente aos filhos. Favor não confundir conseqüências dos pecados dos pais com maldição. Pois é óbvio que os pais exercem forte influência sobre os filhos, ou para o bem ou para o mal. Mas isto não é o mesmo que dizer que eles estejam debaixo de uma maldição, de um feitiço, sob algum encantamento, que necessariamente precisa ser quebrado para livrá los de tal destino.Não devemos nos esquivar de nossas responsabilidades pessoais. E também, quando nos convertemos, o sangue precioso de Jesus nos purificou de todo o pecado (I Jo 1:7).

Não é necessário regredir pare nascer de novo, (Jo. 3). Um crente que volts atrás pare quebrar cadeias de maldições hereditárias está pondo em dúvida a sue fé e a sue salvação. Não está crendo que é nova criatura a que as coisas velhas já passaram. Não está descansando no poder de Deus a nem confiando no poder purificador a libertador do sangue de Jesus. (Cl. 2:14-15; Apoc. 1:5; Rm. 5:9; Ef. 1:7, Hb 9:12, 14; I Pe 1:18-19).

Em vez de retrocedermos devemos fazer como o apóstolo Paulo: “… mas, uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam a avançando pare as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. (Fp 3:13b)”.

Não há mais maldição a nem condenação para os que estão em Cristo. (Rm. 8:1) Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rm. 8:31). Tendo em mente a definição bíblica de maldição: separado de Deus, ouçamos o que a apóstolo Paulo ainda tem a dizer em Romanos 8:33 39: “quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?… quem os condenará?… quem nos separará do amor de Cristo?… Pois eu estou bem certo de que nem a morte, nem. Vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”.

“Ele nos libertou do império das trevas a nos transportou pare o reino do Filho do Seu amor, no qual temos a remissão dos pecados, a redenção” (Col 1:13, 14). Ver também Col 2:12 15; 3:1 3 10; Ef 1:3 14, 18 20.

Só como curiosidade: a última palavra do Antigo Testamento é “maldição”; já o primeiro e mais importante sermão do Senhor Jesus Cristo registrado no Novo Testamento inicia se com o termo: “BEM AVENTURADO”!

A ignorância e a superstição escravizam, mas a verdade liberta. (Jo. 8:32).

Outros textos: I Jo 3:14; Gl 1:6; Jo 5:24; Is 43:2; Ecl. 3:15; I Pe 1:3 9, 1821, 23,24; 2:1 5 9-10; 4:7, 12 16; II Pe 1:3, 12,13; 2:1, 1618; I Jo 1:10, 13,14; 2:18 20, 26, 27; 3:1, 2, 8b, 24; 4:1, 4, 7, 12, 13, 15 17; I Jo 5:4, 5, 13, 18; Apoc. 2:25.

Discordamos daqueles que ensinam que o dom de línguas seja o sinal do batismo com o Espírito Santo.

Cremos nos dons espirituais conforme o ensino das Escrituras. Paulo afirma que todos os cristãos da igreja de Corinto haviam sido batizados com o Espírito Santo (conforme 1 Co 12.13), mas o Apóstolo deixa claro que nem todos possuíam o dom de falar em outras línguas (1 Coríntios 12:30). Jesus advertiu que é pelos frutos que um cristão é conhecido e não pelos dons (Mt 7). Veja o que diz o parágrafo 3240 de nosso Livro de Disciplina a respeito do assunto.

Segue abaixo uma série de lições a respeito do assunto que preparei no passado para uma de nossas revistas de Escola Dominical. Creio que podem ser úteis para um melhor entendimento desta questão tão relevante.

Dons espirituais Lição 1
Bispo José Ildo Swartele de Mello

PNEUMATIKA
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MEDITAÇÃO DIÁRIA
Segunda-feira – UNIDADE NO CORPO DE CRISTO – Ef. 4
Terça-feira – 0 DEVIDO USO DE DONS ESPIRITUAIS – RM 12.3-8
Quarta-feira – 0 DOM  PARA SERVIR – 1 Pe. 4:7-11
Quinta-feira – DIAKONIA – Lc. 10:40; 17:8; 22:26s; At.6:2 e Ef. 4:12
Sexta-feira – COMUNHÃO E HUMILDADE – Fil 2:1-11
Sábado – VIDA PLENA DO ESPÍRITO – CI 3:12-17

Para Estudar: 1 Cor. 12, 13 e 14.

TEXTO BÁSICO: “A respeito das coisas pertencentes ao Espírito, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”.(I CORÍNTIOS 12: 1)

QUESTÕES INTRODUTÓRIAS PARA DISCUSSÃO E ESTUDO:

1. Quem é verdadeiramente espiritual?
2. Como é possível testar coisas e pessoas espirituais?
3. Pode a Igreja de Corinto servir de modelo de espiritualidade para nós? Por que?
4. Em 1 Coríntios de 12 a 14 Paulo apresenta as respostas às questões referentes às coisas espirituais. Temos, portanto, as soluções, quais seriam, então, os problemas?

1 – A CIDADE DE CORINTO

Das cidades gregas, a menos grega era por esse tempo a menos romana das colônias romanas. Era uma cidade em que gregos, latinos, s¡rios, asiáticos, egípcios e Judeus, compravam e vendiam, trabalhavam e folgavam, brigavam e se divertiam juntos, na cidade e nos seus portos, como em nenhuma outra parte da Grécia. Era um ponto de parada natural na rota de Roma para o Oriente. Corinto era populosa e próspera. Era um lugar muito cosmopolita e importante. Era moralmente corrupta e os seus habitantes eram profundamente propensos a satisfazer os seus desejos, fossem de que espécies fossem. Nas palavras de von Dobschutz: “0 ideal dos Coríntios era o atrevido desenvolvimento do indivíduo. 0 negociante que conseguia lucro por todos e quaisquer meio, o amante de prazeres que se entregava a toda luxúria, o atleta acerado para todos os exercícios corporais e orgulhoso de sua força física, são os verdadeiros tipos coríntios, num mundo em que o homem não reconhecia nenhum superior e nenhuma lei, senão os seus desejos”.

II – A IGREJA DE CORINTO

A Igreja de Corinto atravessava in£meras dificuldades: divisões, contendas, imoralidades (A igreja a estava no mundo, como tinha de estar, mas o mundo estava na igreja, como não devia estar), carnalidades de toda espécie, heresias (alguns negavam a fé na ressurreição), ignorância e abuso dos dons espirituais, individualismo, presunção espiritual, orgulho, inveja, confusão e desordem nos cultos.

Os crentes de Corinto, de acordo com suas pretensões e seu espírito altivo, usavam os dons ou imitavam-nos em determinadas ocasiões, a fim de se exaltarem pessoalmente, e não a fim de glorificarem a Cristo. Não esperavam um pelo outro e nem respeitavam os próprios irmãos. Todos falavam ao mesmo tempo e faziam esforço para ocupar o centro do palco, onde se focalizava a atenção de todos. Em resumo, foi uma igreja que deu muita dor de cabeça ao Apóstolo Paulo.

III – PNEUMATIKA

A) Paulo roga aos leitores no in¡cio da passagem (12:1), “A respeito de pneumatika, não quero que sejais ignorantes”.O termo grego sublinhado define o tópico em consideração.

Em 1 Coríntios ele trata de uma série de assuntos, introduzidos pela observação feita em 7: 1, “Quanto ao que me escrevestes…” O assunto do casamento ‚ discutido em 7:1-24. Um tratamento corolário começa em 7:25: “Com respeito as virgens…” Um novo tópico introduzido em 8:1, usando uma fórmula similar: “No que se refere às coisas sacrificadas aos ¡dolos…”.

Uma outra consideração apresentada em 12.1, usando-se a mesma fórmula introdutória: “A respeito de pneumatika…” E o final (tratado brevemente)‚ introduzido em 16:1, usando-se novamente a fórmula: “Quanto à coleta para os santos…” Nesta carta, Paulo está tratando de uma série de variados assuntos que foram levantados pela correspondência mencionada em (7: 1) e pela comunicação recebida da igreja de Corinto (1:11). Cada tratamento ‚ coerente dentro de si, e discreto; o contexto circundante serve como pano de fundo. 0 tratamento de pneumatika abrange os capítulos 12 a 14, estes trˆs capítulos funcionam como uma unidade, desenvolvendo um tópico comum.

B) 0 termo grego usado para identificar o tópico‚ usualmente traduzido: “dons espirituais”. Pneumatika ‚, contudo, mais inclusivo que charismata, que ‚ o termo escolhido quando se refere especificamente aos “dons” (ver 12.4, 3 1). A raiz do termo pneuma, que significa vento ou espírito. 0 resto do termo grego (tika)‚ desinência, como, por exemplo, em português “-tico” acrescentado ao radical “pneuma” tornar-se pneumático. 0 sentido da desinência ‚ semelhante ao português. 0 termo grego pneumatika é neutro plural, referindo-se às coisas ou matérias que são características do Espírito ou pertencentes ao mesmo.

C) “A respeito das coisas pertencentes ao Espírito…”. A discussão inclui dons, mas como parte de uma agenda mais ampla. 0 amor é central, como matéria de significação vital em qualquer consideração das “coisas pertencentes ao Espírito”. É vital também a edificação da igreja, a ordem no culto e ministério. Esses não são dons espirituais em si, mas cruciais à obra do Espírito na igreja.

D) “Não quero que sejais ignorantes a respeito dessas coisas”, declara Paulo. A ignorância espiritual, qualquer que seja (desinteresse, falta de estudo, confusão ou medo) deve ser eliminada da igreja. As conseqüências, inclusive anemia espiritual e ineficiência ministerial, são debilitantes. Pior ainda, ignorância gera ignorância (espiritual), da qual nascem diversas doutrinas erradas. Temos que estudar diligentemente as “coisas pertencentes ao Espírito”. 0 nosso próprio bem-estar espiritual e o estabelecimento da nossa igreja dependem desse estudo.

CONCLUSÃO

Esta lição é uma introdução a PNEUMÁTIKA, tema desenvolvido, de maneira brilhante, pelo apóstolo Paulo, nos capítulos 12 a 14. Em nenhum outro lugar da Bíblia se dá uma atenção Cio especial a este assunto de vital importância para vida da igreja, como aqui, nestes três capítulos, que por esta razão se revestem de inigualável importância para a compreensão das “coisas pertencentes ao Espírito”.

É indispensável o conhecimento do contexto histórico, geográfico e social da cidade de Corinto, bem como das características e do perfil daquela igreja. E, a partir daí, tendo em mãos os escritos de Paulo, procurar reconstruir as circunstâncias que motivaram as “respostas” de Paulo nestes 3 capítulos, que estão perfeitamente conectados e formam uma unidade sobre o mesmo tema: – PNEUMATIKA. E por isto não podem ser estudados como se fossem independentes um do outro.

0 que Paulo escreve a seguir visa instruir e trazer luz a um assunto de vital importância para a igreja, onde a ignorância pode levar a uma série de erros.

Dons Espirituais lição 2
Bispo José Ildo Swartele de Mello

CHARISMATA
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MEDITAÇÃO DIÁRIA:

Segunda-feira – A Sabedoria do Espírito Santo – 1 Coríntios 2:6-16
Terça-feira – A unidade entre Cristo e o Espírito – 2 Cor. 3:17, 18
Quarta-feira – A missão do Espírito – Jo. 14:16-23, 26
Quinta-feira – 0 Espírito veio para dar testemunho de Cristo – Jo. 15:26
Sexta-feira – Veio para glorificar e anunciar a Cristo – Jo. 16:7-15
Sábado – Deus é soberano – 1 Tm. 6:15 e Ap. 1:5-8

PARA ESTUDAR: 1 Coríntios 12: 1 -11

TEXTO BÁSICO: “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo.” (I Cor. 12:4).

INTRODUÇÃO

QUESTÕES INTRODUTÓRIAS PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

1. Os dons do Espírito são recompensas por um esforço feito? 2. Quais os propósitos dos dons espirituais? 3. Os coríntios davam proeminência a dons mais extraordinários, como o dom de línguas, em detrimento dos outros dons. Por que? Quais eram as suas motivações? Quais foram as conseqüências desta atitude? 4. É correto pensar que o Espírito Santo leva a pessoa além daquilo que ela tem “meramente” em Jesus Cristo, ao invés de levar precisamente a Ele (v.3)? Ou, seria exato concluir que o Espírito leva os cristãos para cima e além da “maioria dos cristãos” e doutras pessoas, ao invés depara eles no serviço e no ministério? 5. Devemos nos sentir superiores, ou considerar outros superiores simplesmente baseados na posse deste ou daquele dom? 6. Na sua opinião, por que há diversidade de dons e serviços no ministério cristão?

1 – CHARISMATA

A concepção paulina de “dons” é mais dinâmica do que o nosso uso moderno.

Nós temos essencialmente um só meio disponível de nos referir aos “dons” os quais qualificamos como “dons espirituais” ou “dons do Espírito”. Paulo usa diversas descrições, as quais não só esclarecem o conceito bíblico, mas também nos ajudam a definir “dons”.

0 termo chave, usado com referência específica aos dons espirituais, é charismata (12.4, 31; Rm. 12.6). 0 termo está na forma plural; o singular é “charisma”. A raiz do termo, “charis”, é a palavra que no Novo Testamento significa “graça”. A conexão com graça é vital ao entendimento correto de dons espirituais, como se vê em Efésios 4:7: ‘E a graça foi concedida a cada um…”E em Romanos 12.6, que semelhantemente apresenta uma “lista” de dons relacionando-os com graça: “tendo, porém, diferentes charismata segundo a charis que nos foi dada…” A desinência tem a nuança de algo dado. Assim, dons são descritos como diversas dádivas da graça, dádivas dadas a cada crente por Deus.

11 – OUTROS TERMOS

Paulo também usa outros termos para descrever os dons, os quais são chamados “ministérios” ou “serviços” na igreja (12:5, 10, 11). Várias vezes (1 2:6, 11; Efésios 4:16), é usada a raiz grega da qual se deriva a palavra “energia”. Esta é uma palavra composta (en-ergia), que significa “em-trabalhando”. Ela descreve os dons espirituais como as operações de Deus nas pessoas individuais e através delas, Deus trabalhando dentro da sua igreja.

Finalmente, notamos a frase descritiva usada em 12:7, onde Paulo declara: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum (isto é, para edificação da igreja).”O verbo “sendo dado” está no presente, descrevendo ação contínua, não um evento singular; semelhantemente, “manifestação” tem substantivo como desinência que indica processo. Assim, os dons são definidos como os meios contínuos através dos quais Deus revela sua Pessoa e obra na igreja (ver 14: 24-25).

Um carisma ou graça é definido por Paulo, em primeiro lugar, como um “serviço” (diakonia, v.5). Não é, portanto, primariamente um privilégio espiritual para o indivíduo, para sua própria edificação, prazer, ou distinção. Como um serviço, a graça é dada em prol dos outros; está presente para o bem da igreja. Os variados serviços das graças-dons visam, todos eles “um fim proveitoso” segundo vimos acima.

111 – SENHORIO DE CRISTO

No v.3, Paulo vê a obra característica do Espírito Santo na confissão inteligível e simples de que Jesus é Senhor. 0 Espírito leva os homens a atribuírem senhorio a Cristo. 0 que não significa que é impossível a um descrente dizer as palavras: “Jesus é o Senhor”. Obviamente ele pode dizer isso com zombaria. Mas somente sob a influência do Espírito Santo aquelas palavras podem ser ditas de forma sincera e cheia de significado. É só através do Espírito que uma pessoa pode conhecer a Jesus como seu Senhor e Salvador.

Entre os textos para meditação diária estão: 2 Cor. 3:17,18; Jo 14:16-23, 26; Jo 15:26; Jo 16:7-15, que falam do ministério do Espírito Santo em relação a pessoa de Jesus Cristo. No primeiro capítulo de I Coríntios, Paulo fala sobre tudo aquilo que os coríntios já têm. Observe que tudo o que os coríntios já têm, o têm “em Cristo”. Foi a preocupação de Paulo em todo o decurso das epístolas aos coríntios ver o Espírito na mais íntima conexão com o Senhor e, portanto, com Deus (2 Cor 13:15). Note que os vs. 4,5 e 6 nos ensinam a trindade: “0 Espírito é o mesmo…”; “… mas o Senhor (JESUS) é o mesmo.”; “… mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. “Resumindo, o Espírito não veio para concorrer com Cristo, ou para ir além de Cristo, mas para conduzir a Cristo, exaltando a Cristo como Senhor.

IV – DIVERSIDADE

Pauto nos ensina que: “os dons são diversos% “Há diversidade nos serviços” e há “diversidade nas realizações”. Vimos que a obra central do Espírito é honrar a Jesus, e esta obra não é, em sentido algum, monótona ou de uma só forma. 0 Espírito é rico na variedade de suas manifestações, daí o tríplice emprego da palavra “diversidade”.

Há diferentes modos de servir sob a unção do Espírito, mas as diferenças não são importantes, pois o Senhor é o mesmo. Os dons são diferentes, mas isto não deve nos dividir, porque é um e o mesmo Deus que outorga os Charismata em toda a sua diversidade. Paulo está muito preocupado com a unidade da Igreja. Trataremos de um modo especial deste assunto na próxima lição.Em seguida, Paulo descreve uma lista de dons espirituais. Além desta lista existem outras em Romanos 12:6-8; 1 Cor. 12:28-30; Efésios 4:7, 8, 11-13 e 1 Pe 4:9-11. 0 professor ou o aluno pode estudar sobre cada um deles consultando bons comentários e dicionários bíblicos e comparando cada definição, “examinando tudo e retendo o que é bom”.

Terminamos esta lição comentando brevemente o v.11: “Mas um e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um individualmente”. Ensinando, mais uma vez, que dons divergentes não visam a propósitos divinos divergentes, pois é o mesmo Espírito que dá todos estes dons. “A cada um individualmente” lembra-nos que Deus nos trata como indivíduos. Ele leva em consideração a nossa personalidade, nossas características e habilidades pessoais que “os são natas, como também nossa capacidade. (ver parábola dos talentos em Mt. 25). E, para finalizar, nos ensina que os dons não são outorgados segundo queremos. Não é segundo a à do homem, mas segundo a vontade do Espírito: Como lhe apraz. Os dons têm nítida relação com nossa posição no corpo de Cristo, isto é, com a nossa função ou ministério. Estão em conexão com as” boas obras as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Ef. 2: 10).

CONCLUSÃO

A concepção bíblica de “dons” é mais rica e amplamente definida do que a nossa: a nossa parece muito limitada e estéril pela comparação (como ela se reflete dentro do vocabulário usado). Além do mais, a concepção bíblica é mais dinâmica. Nós falamos de 9, 12 ou 21 dons (o número varia), e os designamos às categorias específicas (estas também variam), de acordo com classe ou função ou um outro esquema (que também varia). Biblicamente, os dons são simplesmente um meio de descrever a obra de Deus dentro e através do seu povo.

Paulo ensina que a obra do Espírito é exaltar a Cristo como Senhor. E que o Espírito é rico e criativo em suas manifestações visando a edificação do corpo de Cristo, onde não há lugar para divisões e interesses mesquinhos.

Dons Espirituais lição 3

“EKKLESIA”
MEDITAÇÃO DIÁRIA
Segunda-feira – Somos um só corpo – 1 Cor. 10:16, 17.
Terça-feira – A Igreja – Corpo de Cristo – Ef. 1:22, 23.
Quarta-feira – Unidos pela cruz de Cristo – Ef. 2:11-22
Quinta-feira – Unidade do Espírito – Ef. 4:3-16
Sexta-feira – A fim de que todos sejam um – Jo 17:11-26
Sábado – Nada façais por partidarismo – Fil. 2:1-11

Para Estudar: 1 Coríntios 12:12-31

TEXTO BÁSICO: “Para que não haja – ia divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. – (I Co 12:25)”.

INTRODUÇÃO:

Quando esteve no Brasil, Dr. Bush, numa de suas mensagens, contou a seguinte ilustração: “Dois homens trabalhavam quebrando pedras na construção de um grande edifício. Foi feita a mesma pergunta a cada um deles: ‘0 que você está fazendo?’ 0 primeiro respondeu: ‘Ora, estou quebrando pedras’; mas o segundo respondeu: ‘Estou ajudando a construir um grande edifício!’”.

PARA DISCUSSÃO E ESTUDO

1. Quais as lições práticas que podemos tirar da ilustração acima para a vida da igreja? 2. Qual a relação existente entre esta ilustração e o tema da aula de hoje?

3. Por que Paulo dedica um quarto do seu estudo sobre PNEUMATIKA à questão da unidade da igreja? (Os 20 versículos deste parágrafo correspondem à aproximadamente 1/4 dos 84 versículos dedicados a PNEUMATIKA).

4. Ciúmes, rivalidades, arrogância, pretensões, estrelismos, individualismo, menosprezo pelos dons considerados não tão interessantes, busca de satisfação pessoal, exaltação do “eu”, e negligência para com os frutos do Espírito eram Características da igreja de Corinto. 0 que fazer para não incorrermos nos mesmos erros?

1 – EKKLESTA

0 vocábulo grego “ekklesia” significa, basicamente, “os chamados para fora”, dando a entender um grupo distinto, selecionado e tirado para fora de algo, era empregado para indicar “assembléia”, “reunião convocada pelo arauto”, “assembléia legislativa”. Portanto, a “assembléia” pode ser política, social ou religiosa. É usada para indicar a igreja cristã, um culto cristão, mas nunca o mero edifício das reuniões ou templo. E pode ser muito bem traduzida por: “CONGREGAÇÃO REUNIDA”.

Grande parte da natureza espiritual da igreja pode ser percebida através dos seus títulos que são encontrados nos seguintes textos: Ef. 1:4, 22e 23; Ef. 3; Ef. 2:15, 19, 21 e 22; Ef. 5:26, 27; 2 Cor. 3:18; Rm 8:17, 29 e 30; Rm 7:1-6; Mc 2:19, 20; 2 Cor. 11:2; Mt 5:48.

0 ministério da igreja é, essencialmente, a continuação do ministério do próprio Senhor Jesus Cristo. A vontade de Deus é unir todas as coisas em redor de Cristo, harmoniosamente (ver Ef. 1:10). No seio da igreja, Deus demonstra como isso pode ser feito, através da unidade do Espírito (Ef. 4:3). E o trecho de Ef. 1:23, ensina-nos que Deus utilizar-se-á da igreja como um instrumento para realizar tal plano.

II – A EKKLESIA ESTÁ EM FOCO

0 termo grego EKKLESIA aparece por nove vezes em 1 Coríntios 14 (vs. 4, 5, 12, 19, 23, 28, 33, 34 e 35) e uma vez em 1 Coríntios 12:28. No parágrafo 12:12-31, Ekklesia é definido como “0 CORPO DECRISTO” (o vocábulo “corpo” aparece dezessete vezes neste trecho). Paulo defende que os dons espirituais só podem ser entendidos dentro do contexto da IGREJA. Os dons foram dados a cada um individualmente visando o bem comum, isto é, a edificação do CORPO DE CRISTO. A “IGREJA” está em foco.

III – A ANALOGIA DO CORPO

Intimamente entrelaçada com a consideração paulina de “dons” está a realidade da igreja. Em 1 Cor. 12, Paulo toma o corpo humano como metáfora e elabora a sua aplicabilidade à igreja. Ele mostra que os dons espirituais, como os diferentes membros do corpo, são diversos em qualidade e função – mas cada um tem importante e necessária contribuição a fazer ao corpo inteiro. Todos são indispensáveis. Assim, os dons são individualizados, mas sempre ligados à igreja.

Os dons são divinamente dados, não primariamente para abençoar a vida do recipiente individual, mas para o benefício da igreja. 0 dom não é dado para nosso deleite pessoal ou para obtermos vantagens sobre os outros, mas para servimos aos demais crentes.

IV – UNIDADE E HARMONIA

Os dons não são dados para divisão, mas para a unidade do corpo. A igreja de Corinto estava a ponto de dividir-se e rachar-se entre o “ESPIRITUAL” e o “CRISTAO”, como se os dois fossem distintos entre si. Paulo inicia esta carta ao coríntios fazendo uma forte exortação à unidade (1 Cor. 1: 10- 13) e, no capítulo 3. Paulo repreende a carnalidade, as divisões, ciúmes e contendas que havia entre eles. E, em 11:17-34, Paulo afirma estar informado de que há divisões e partidos entre os coríntios.

Observe que a palavra chave deste texto é “UM”. Releia o texto mais uma vez e responda: Quantas vezes ela aparece?

Num corpo existem órgãos com mais ou menos destaque; mas estas diferenças no Corpo de Cristo são meramente funcionais, não são qualitativas nem espirituais. Nenhuma parte deve sentir-se inferior ou superior com base nos seus dons ou na sua posição dentro do corpo, porque Deus mesmo foi quem dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprove. (v. 18).

As diversas partes do corpo não estão em feroz concorrência entre si, mas sim, se completam harmoniosamente, por amor da totalidade, segundo a orientação da Cabeça.

Compare esta passagem com a de Ef. 4, onde também Paulo está tratando de Mons” espirituais: “Suportando-vos uns outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz: Há um só corpo e um só Espírito… Um só Senhor… A graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo… E concedeu dons aos homens… Para encher todas as coisas… E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para… Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé. Em 1 Cor. 12:25, o apóstolo fala do propósito de Deus ao dar dons aos membros da igreja. Confira.

Qual o resultado da ação do Espírito Santo na vida dos primeiros cristãos? (At. 2:44ss).

Em João 17:11, 21-23, Jesus orou para que fôssemos um, para que fôssemos aperfeiçoados em unidade. Só assim a igreja será bem sucedida em sua missão aqui no mundo.

V. 11 – “Um só e o mesmo Espírito” – sublinha a verdade de que os dons divergentes não visam a propósitos divinos divergentes. Os membros diferem, mas as suas diferenças não afetam o fato de que há uma unidade fundamental.

V – CONFORME SEU SOBERANO PROPÓSITO

V. 28 – Paulo ensina que no corpo natural Deus dispõe, estabelece as partes (vs. 18 e 24). O mesmo se dá com o corpo de Cristo. Não são as pessoas que escolhem se vão ser apóstolos, profetas… Ou… Etc, mas é Deus quem os estabelece na igreja. Paulo classifica estes vários dons para igreja em ordem de honra (comparar com a lista de Ef. 4: 11). É significativo que o dom de línguas, que os coríntios tinham em tão alta estima, seja mencionado por último.

Cada um de nós tem uma função, um ministério no Corpo de Cristo, aquelas “boas obras as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas” (Ef. 2:10).

Deus dará, a cada um individualmente, os dons necessários para que cada um possa estar capacitado par executar bem os seus serviços e ministérios já designados por Deus.

Vs. 15 e 16 – 0 pé pode muito bem ter ficado desalentado por sua incapacidade para exercer as complicadas funções da mão, mas “nem por isso deixa de ser do corpo”. Os corpos precisam de pé como de mãos, de ouvidos como de olhos. Por melhor que sejam os olhos, o que seria do corpo se todos os seus; membros fossem olhos? Observe que Paulo coloca “0 TODO” no mais alto nível. Os membros não estão dispostos no corpo por acaso (vs. 6, 7, 11, 18, e 28).

Vs. 29 e 30 – Todas as perguntas destes dois versículos esperam um “NÃO” como resposta. 0 que nos ensina que nenhum dom em particular é destinado a todos os cristãos. Nem todos são apóstolos, nem todos profetizam, nem todos falam em línguas. Estes versículos são suficientes para provar que o dom de línguas não é o único sinal de que alguém foi batizado como Espírito Santo. Mesmo naquela época, nem todos os que eram batizados no Espírito Santo falavam em línguas. Os dons são dados como Deus quer, como lhe apraz e não como nós queremos.

CONCLUSÃO

Paulo tratou dos membros mais humildes da igreja, que achavam que, por lhes faltarem dons espetaculares, poderiam ser postos fora do corpo. Tratou também da questão dos membros que, por possuírem dons de maior destaque, menosprezavam os seus irmãos menos dotados, chegando à soberba ao pensar que podiam funcionar bem, sem as “insignificantes” contribuições dos outros não tão “espirituais” e bem dotados quanto eles. Barcley afirmou: “Sempre que começamos a pensar em nossa importância pessoal na igreja, esvai-se a possibilidade de uma obra realmente cristã”.

Os dons não são dados por acaso, a revelia ou conforme a nossa própria vontade, e nem visam à interesses mesquinhos e pessoais. Deus concedeu dons com o propósito de nos capacitar para os serviços, funções ou ministérios que Ele mesmo estabeleceu e designou para nós, visando a edificação e a unidade da Igreja.

Entendendo melhor a IGREJA será mais fácil compreender os dons espirituais, bem como o seu uso e propósito na igreja.

Dons Espirituais lição 4

AGÁPE

MEDITAÇÃO DIÁRIA:
Segunda-feira – Uma dívida eterna – Rm 13.8-14
Terça-feira – 0 fruto do Espírito é amor – Gal. 5:23-26
Quarta-feira – 0 amor é derramado nos corações pelo Espírito – Rm. 5:5-8
Quinta-feira – A essência do Evangelho – I Jo 3:11-24
Sexta-feira – Deus é amor – I Jo 4:7-21
Sábado-feira – Amor fraterno – Rm. 12.9-21

PARA ESTUDAR: 1 Coríntios 13.1-13

TEXTO BÁSICO: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine”.(I Cor. 13:1).

INTRODUÇÃO

As aparências enganam. 0 ser-humano é facilmente seduzido pela forma. A embalagem atrai e leva o homem a perder de vista o mais importante: “0 CONTEÚDO”. Mas Deus não se deixa enganar. Ele vê o coração, o íntimo, os motivos. Os grandes feitos e o bom desempenho podem impressionar a muitos, mas o que conta diante de Deus é a pureza de intenção. Não é tanto o que fazemos, mas como fazemos, com que coração realizamos até mesmo as mais simples tarefas.

“Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei, porque o Senhor não vê como vê o homem. 0 homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”.(1 Sm 16:7)

“E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente:”

PARA ESTUDO E DEBATE

1. Por que, destes três capítulos destinados ao estudo das coisas pertencentes ao Espírito Santo, Paulo reserva um capítulo inteiro para a questão do amor?

2. E porque este capítulo se encontra localizado exatamente nomeio dos outros dois? Haveria algum motivo especial? 3. Com relação as coisas espirituais, qual foi a ênfase de Cristo e das epístolas apostólicas? E qual tem sido a ênfase nos nossos dias?

4. É possível a manifestação de dons espirituais sem o elemento básico da vida cristã, o amor?

5. Como distinguir entre o falso e o verdadeiro? É pelos seus dons que se conhece um homem genuinamente espiritual?

6. Como é o amor de Deus? Como atua ele? Como se evidencia ele entre nós?

1 – AGÁPE

AMOR – No grego, “AGÁPE”, derivação da forma verbal “AGAPAO “. Não se usava comumente antes do Novo Testamento, mas os cristãos se apossaram do termo e fizeram dele a sua palavra característica para amor. Enquanto que o melhor conceito de amor antes do Novo Testamento era o de amor pelo melhor ser que se conhece, os cristãos pensavam no amor como aquela qualidade demonstrada na cruz. É amor pelos totalmente indignos, amor que procede de um Deus que é amor. Amor prodigalizado a outros sem que se pense se eles são dignos para recebê-lo ou não. Provém antes da natureza daquele que ama, que de qualquer mérito do ser amado. 0 cristão que experimentou o amor de Deus por ele, embora ainda pecador, foi transformado pela experiência. Agora, em certa medida, vê os homens como Deus os vê. Ele os vê como objetos do amor de Deus, como aqueles por quem Cristo morreu. Conseqüentemente, a sua atitude para com eles é de amor, do “AGÁPE” que o leva a dar-se. Vem a praticar o amor que nada busca para si, mas somente o bem da pessoa amada. 0 amor é aquele elemento que dá sabor a todas as demais atividades e lhes empresta significação, sendo assim, o amor é o grande princípio Cristão de toda a ação e a base de toda demonstração de espiritual idade, pelo que o amor deve governar os dons espirituais, servindo de solo onde os dons sejam cultivados.

A SUPREMACIA DO AMOR

Amor é “o caminho sobremodo excelente”. 0 centro do tratamento Paulino de coisas pertencentes ao Espírito é amor. Sem amor, “dons espirituais” oferecem pouco benefício à igreja e “línguas” se tomam disfuncionais. Ágape é chave para harmonia, ordem e crescimento na igreja.

0 amor é mais importante do que qualquer dos dons, inclusive I Ínguas; na verdade, ele é mais importante do que qualquer combinação de dons, ou todos os dons juntos.

No capítulo doze, Paulo vinculou o pensamento da igreja acerca de coisas espirituais à graça; no capítulo treze, Paulo vincula as coisas espirituais ao amor. Nesse capítulo, Paulo ensina o modo segundo o qual as graças divinas discutidas no capítulo doze devem ser expressas humanamente. Nem o falar em línguas (13.1), nem a profundidade do saber (v.2), nem o sacrifício (v.3) são, por si só, nem substitutos para o amor cristão, nem sequer componentes necessários deste amor. 0 amor é uma graça mais básica e menos espetacular do que todas as demais. Sem ele, as graças cristãs são desgraçadas.

V.1 – Paulo ensina que falar em línguas (de qualquer espécie) sem o acompanhamento do amor, isto é, sem ter por finalidade a edificação da igreja, sem ter por propósito ajudar a outro, não passa de um ruído, que pode ter motivo a autoglorificação. Aquele que não tem o amor de Deus a encher o seu coração é como um vagão vazio, que desce violentamente por uma colina; faz muito barulho porque nada tem dentro.

V.2 – São aqui frisados os dons da profecia, da sabedoria, do conhecimento e da fé. São dons pedagógicos, importantíssimos e maravilhosos, mas “se não tiver amor”… Observe que o dom importa menos do que a maneira de seu uso. Se o indivíduo que o possui, faz uso dele sem amor, nada será! Tenhamos por exemplos as experiências de Balaão e de Sansão, ambos possuíam dons sobrenaturais; porém, moralmente falando, eram homens degradados. E a derrota recaiu sobre ambos. Existem muitos que tem apenas o CHARISMA, mas não tem o caráter.

V.3 – Aqui são aludidos os dons de “socorros”. Até mesmo o indivíduo que se tome conhecido como muito humanitário, cujas obras sociais e de socorro sejam abundantes, se lhe falta a motivação apropriada do amor cristão, a preocupação sincera pelo alívio da miséria alheia, nada será ele. Pois é possível realizar todas estas obras visando a auto-exaltação e a vanglória. Sem amor, nem mesmo um sacrifício supremo obtém coisa alguma para aquele que o realiza. A dedicação suprema nada significa sem a motivação do amor.

III – A NATUREZA DO AMOR

Para entendermos corretamente 1 Coríntios 13, devemos conservar em mente o contexto dentro do qual a descrição do amor foi dada por Paulo: o contexto do problema referente às coisas espirituais na igreja de Corinto.

V.4 – “É paciente” – “Espera pelo tempo divino para a realização de seus propósitos graciosos e providenciais sem murmurar ou impacientar-se, suportando suas próprias fraquezas, bem como as fraquezas alheias, com santa e humilde submissão à vontade de Deus.”(Adam Clark); – “É Benigno”- útil, gentil, prestativo, busca oportunidades para fazer o bem, cheio de bons frutos que vem do alto (ex. o bom samaritano). – “Não arde em ciúmes”- 0 amor não tem inveja. A inveja é um dos pecados mais mortais e destrutivos. Esta foi a causa do primeiro crime na história da humanidade. O amor não se deixa entristecer porque outra pessoa possui maior porção de bênçãos terrenas, intelectuais ou espirituais. Pois ama o próximo como a si mesmo. – “Não se ufana e nem se ensoberbece”. Vanglória, auto-exaltação, fanfarronice, orgulho, pretensão, espírito altivo e desejo de ser estrela “, aparecer e estar no centro do palco” eram características de muitos em Corinto. 0 amor impede a pessoa de inflar-se com o senso de sua própria importância. (Pv. 16:18).

V.5 – “Não é inconveniente” – não é arrogante ou rude. 0 amor tem boas maneiras, é cheio de tato. 0 amor não deixa ninguém em situação embaraçosa, não faz ninguém passar vergonha. 0 amor é moderado, observa o verdadeiro decoro. 0 amor é reverente e ordeiro. – “Não procura os seus interesses” – 0 amor não procura as suas próprias coisas. Esta definição torna-se importante para a compreensão do capítulo 14, especialmente o quarto versículo. 0 amor não busca a sua própria vantagem. Notemos no capítulo 12, o caráter tipo “DIAKONIA”(SERVIR AOS OUTROS) e “proveito para todos”das graças. Em suma, o amor não insiste nos seus próprios direitos. – “não se exaspera” – “não se ressente do mal” – Não se deixa provocar, não se irrita, não perde a compostura, não se amargura, não se lembra do mal. 0 amor perdoa, esquece e paga o mal com o bem.

V.6 – “Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade”.

V.7 – “Tudo sofre” – 0 amor sustenta todo o sofrimento. Quando olhamos para a cruz, vemos o maior de todos os exemplos de como o amor pode suportar todo o sofrimento. – “Tudo crê”- Essas palavras não significam que OS Crentes devam ser crédulos, a ponto de serem enganados por charlatões e falsos profetas. No entanto, o amor acredita no lado melhor das pessoas e não procura expandir os seus defeitos, conforme procuram fazer os bisbilhoteiros. 0 amor encoraja o que há de melhor na outra pessoa. 0 amor permanece como amigo, e ama a despeito do que sabe a seu respeito; vê o seu potencial, encoraja-o a cumprir os seu ideal. – “Tudo espera”0 amor não se desespera. Está pronto para tudo. E se recusa a tomar o fracasso como final. É otimista. É como um soldado que, mesmo no grosso da batalha, não fraqueja, não se deixa vencer, sejam quais forem as dificuldades. – “0 amor tudo suporta”.

IV – 0 FRUTO DO ESPÍRITO

Em Gálatas 5:22, aprendemos que o fruto do Espírito Santo é: AMOR. Quando o Espírito Santo vem a nós o AMOR de Deus é derramado nos nossos corações (Rm 5:5).

Em 1 Cor. 12:28-30 Paulo ensina que nenhum dom em especial é inerente aos cristãos, isto é, nem todos os cristãos profetizam, nem todos são mestres… E assim por diante. Mas o mesmo não se dá no caso do AMOR, pois o amor é fruto, e o fruto é inerente à árvore. Todo cristão autêntico precisa e naturalmente produzirá os frutos do Espírito. “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda”.(Jo 15:2)

0 amor é o sinal do cristão. “Pelo amor conhecido é o cristão”. Jesus não ensinou: “Pelos seus dons os conhecereis”, mas sim: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt. 7:15-23). E segue: “Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura, não ternos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos demônios, e em Teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.”

Mc 11:12-14, a questão da figueira sem fruto. Quando Jesus examina uma árvore, Ele busca nela os seus frutos. Parece que não há desculpas para não frutificarmos.

A igreja dos coríntios é exemplo de que “dons” não é, necessariamente, sinônimo de “espiritual idade” (vida cheia do Santo Espírito de Deus). Vejamos: Em 1:7 – somos informados que aos coríntios não faltava dom algum. Dons eles Possuíam, mas em 1: 11; 11-4,16-18; 4:18; 5-1 a 13; 6:1, 5 a 11, 15 a 19; 10: 14, 21, 22; 11: 17 a 22 e 30; 15:33, 34, observamos o quanto eles eram carnais. E hoje em dia corremos o mesmo perigo de nos concentrarmos nos dons e nos esquecermos do fruto, que é o elementar.

É comum ouvirmos dizer: “Olha, vamos lá e assistir. Veja como aquela pessoa é espiritual’ Ela possui este ou aquele dom!… E incorre-se no mesmo erro de julgar ou de se Conhecer o grau de espiritualidade baseado em tal falsa premissa. Deixa-se enganar pela aparência”.

Dons podem até impressionar multidões, mas se não tiver amor… No dia do juízo final o que realmente importa é o amor. Tudo mais passará, mas o amor permanece para sempre. : “Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança…” (I Jo 4:17 e 18). Ainda sobre este tema, meditar em Jo 15, Mt 25:31-46.

CONCLUSÃO

As virtudes do amor, com sua humildade, paciência, altruísmo e consideração devem ser o veículo das manifestações especiais do Espírito Santo no seio da igreja. Sem esta base, tudo é nada.

Nestes dois primeiros capítulos, Paulo também está preparando os coríntios para receberem de maneira positiva as firmes exortações, correções e orientações do capítulo 14. Que é o tema da nossa última lição.

Dons Espirituais lição 5

GLOSSAI

MEDITAÇÃO DIÁRIA:
Segunda-feira – No dia de Pentecostes – Atos 2.1-47
Terça-feira – Culto racional – Rm. 12.1-2
Quarta-feira – Como usar os dons espirituais – Rm. 12.3-8
Quinta-feira – Julgar e provar as profecias – 1 Ts. 5: 19-21; I Jo 4:1 e Jr. 23.
Sexta-feira – Perigos Deut. 13.1-5 e Deut. 18:20-22
Sábado – Não buscar o que é seu, mas o que é dos outros – Ef. 2.4, 21.

PARA ESTUDAR: 1 Coríntios 14:1-40

TEXTO BÁSICO: “0 que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetisa edifica a igreja”.(1 Cor. 14:4).

PARA ESTUDO E DEBATE

1. Como os dons espirituais devem ser expressos nas reuniões congregacionais? 2. Como conciliar: “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” com as diretrizes estabelecidas por Paulo quanto à ordem de culto? (ver especialmente os versículos 19, 23, 26 a 33) Em outras palavras, liberdade de culto e necessidade de ordem no culto são conflitantes?

2. Por que o apóstolo diz que temos que julgar as profecias? Você acha isto importante para os nossos dias?

3. A Questão: “0 que dirão os de fora?” deve nos preocupar? (v.23)

(Ler com atenção 2 Cor. 6:3, que é um versículo muito importante para a compreensão deste tópico).

4. A preocupação do apóstolo Paulo é com o uso dos dons na igreja. Você lembra qual é a concepção neotestamentária do termo grego ekklesia? Então, como isto afeta nossa interpretação de 1 Cor. 14?

5. Quando Paulo menciona “línguas” entre os dons espirituais, está ele se referindo às línguas humanas estrangeiras ou às elocuções estáticas que são ininteligíveis?

6. Por que o dom de profecia é superior ao dom de línguas? Por que o que fala em línguas deve se calar se não houver quem interprete?

INTRODUÇÃO

Línguas (GLOSSAI) têm sido um meio entre muitos que Deus tem escolhido para se revelar. Não é o meio mais importante e, apesar de ser classificado por Paulo como o último dos dons (12:28), Paulo falou mais tempo sobre ele que sobre qualquer outro, pois, desde aqueles dias, este assunto tem sido mal entendido, com distorções na ênfase e na pratica deste dom nas igrejas, chegando a ser motivo de divisão. É para esclarecer dúvidas, corrigir erros e orientar à igreja de Corinto quanto ao uso dos dons espirituais, em particular o dom de línguas, que Paulo dedica um capítulo inteiro, com 40 versículos.

Existem diferentes interpretações com respeito à definição de línguas bíblicas. É difícil decidir entre elas. Uns resolveriam o problema insistindo que as línguas dos coríntios eram línguas estrangeiras, visto que as de Atos 2 o eram. Para outros, inclusive nossos estudiosos da Bíblia, parece patente que as línguas de 1 Coríntios 12-14 não eram línguas humanas inteligíveis.

Os argumentos baseados no texto gregos não resolvem o problema. 0 termo glossai (I ínguas; singular é glossa) é usado nos textos de Atos e Coríntios, mas não necessariamente no mesmo sentido. 0 contexto é essencial para a própria interpretação e tradução de cada uso de uma palavra, mesmo quando o termo grego fundamental é o mesmo.

É simplesmente incorreto assumir ou afirmar que, porque glossa descreve linguagem humana em Atos 2, onde quer que o termo seja usado ele significa o mesmo. Em Marcos 7:33, 35, o texto grego diz que Jesus tocou a “glossa” do mudo: a palavra aqui obviamente se refere a língua física; seria sem sentido traduzida: “língua (idioma)”. Semelhantemente, em Lucas 1:54, Deus tocou a “glossa” de Zacarias: o sentido intentado é provavelmente “boca” e não idioma. Finalmente, em I Jo 3:18, nós somos exortados: “não amemos de palavra, nem de GLOSSA” aqui a tradução “língua” pode ser usada, mas o sentido é comunicado melhor pela tradução usual, “discurso”.

Da mesma maneira, devemos estudar contextualmente cada instância de “glossa” em Atos e Coríntios. Em alguns textos, o sentido exato não é claro: não podemos estar certos se as “línguas” em Atos 10 e 19 consistem em fala inteligível ou ininteligível. Em tais casos, dogmatismo (de qualquer lado, com a exclusão de outros pontos de vista) parece não só infundado, mas injustificado.

QUAL 0 SENTIDO DE GLOSSAI EM 1 COR. 12-14?

Como é de se esperar, os estudiosos diferem nas suas respostas, refletindo usualmente suas afiliações teológicas e eclesiásticas. Para um número crescente de variadas tradições, contudo, a seguinte conclusão parece assegurada: enquanto que as línguas de Atos 2 foram línguas estrangeiras inteligíveis, as “glossai” em I Cor. 12-14 consistem em elocuções humanamente ininteligíveis. Esta conclusão está baseada nos dados específicos.

Pentecostes, como se acha relatado em Atos 2, foi um evento miraculoso. Naquele dia, quando o Espírito de Deus foi derramado, os discípulos falaram línguas (glossai) que eles não entenderam. De outro lado, os ouvintes, um auditório misto de visitantes de muitos países diferentes, entenderam o que foi dito. Eles se maravilharam, todavia, que os discípulos – todos “galileus” – estavam falando para eles, “que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nasceu” (2.8). A palavra grega traduzida língua ali e em 2:6 é “dialect”, descrevendo língua particular nativa dos ouvintes. A lista dos nomes de lugares identifica algumas das regiões geográficas específicas representadas. Todas as línguas dessas vastas regiões não eram evidentemente conhecidas aos discípulos galileus iletrados (At. 4:13). Não obstante, as “glossai” faladas foram inteligíveis aos ouvintes; nenhuma interpretação foi necessária.

A situação que Paulo descreve em 1 Coríntios 12-14 é completamente diferente. A mensagem falada em línguas era não só ininteligível àquele que falava que (ver 14:14), mas também aos ouvintes: Porque o que fala em língua não fala aos homens, mas a Deus… Ninguém (isto é, nenhum ser humano) o entende; porque em espírito fala mistérios. Porque tais elocuções são ininteligíveis, Paulo argumenta, sem interpretação, elas são sem sentido e não edificam a igreja durante suas reuniões.

0 fato de a “interpretação” ser considerada um dom espiritual faz crer que o dom espiritual de línguas mencionado em 1 Coríntios não era de idiomas conhecidos, que pudesse ser entendido por alguém em algum lugar do mundo.

Uma outra espécie de “glossai” pode estar sendo sugerida em 1 Coríntios 13:1: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos…” Aqui Paulo muda para além das fronteiras da língua humana, para abranger outra esfera de comunicação. No contexto, a sua idéia é que, ainda que uma pessoa possa comunicar em muitas línguas humanas e também com o espírito de anjo… Sem amor, a fala resultaria somente em muito ruído.

Na lista dos “dons”, deve-se notar que “glossai” está sempre no plural e acompanhado de “espécies de…” 0 grego que salienta este qualificador fornece o termo científico gênero. Usado em biologia, um gênero, é a subdivisão principal da família e incluiu uma ou mais espécies. Este é o sentido que este qualificador acrescenta a “línguas”. Em essência, Paulo parece reconhecer diversas espécies de glossai, inclusive línguas humanas, mas também “celestes”. Todas são de Deus, e dadas segundo a sua escolha.

COMPARAÇÃO ENTRE PROFECIA E LÍNGUAS

Paul o estima os dons por sua capacidade de ajudar aos homens (V. 1 a 5).

À medida que Paulo usa para fazer esses juízos de valor está, claramente identificada: 0 QUE EDIFICA A “EKKLESIA”?

0 que profetiza, fala aos homens, edificando, exortando e consolando “(v.3). 55”.

Está frase importante define a profecia. A “edificação” (oikodome) passa, então, a ser a chave para o entendimento desde capítulo(vv. 3, 4, 5, 12, 17, 26). Assim como Deus é a fonte das “graças” (cap.12), e assim como o amor é o modo delas (cap. 13), assim também a “edificação” é o alvo delas (cap. 14).

Paulo não negava que falar em línguas fosse um dom, mas nunca ensinou as igrejas a buscarem tal dom, mas recomendou com insistência a busca dos “melhores dons” no capítulo 12; do amor, no capítulo 13, e comparou o dom de profecia ao dom de línguas, no capítulo 14, provando a superioridade do primeiro, chegando a afirmar: “Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua.” (v. 19). Pois quem fala em línguas não edifica a igreja, mas somente a si mesmo (v.4). E em 1 Cor. 13.5, aprendemos que o amor “não procura suas próprias coisas”. Sendo assim, Paulo declara definitivamente: “visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para edificação da igreja” (v.12). Paulo deseja ver os dons espirituais tomarem-se em serviço (cap. 12), o amor tomar o centro de nossas atenções (cap. 13), e a igreja ser edificada (cap. 14).

Enquanto o que fala em línguas edifica apenas a si mesmo, o que profetiza edifica a igreja. A profecia também serve para exortar (encorajar, fortalecer) e consolar os homens (v.3); também é um meio de transmitir revelações e doutrinas (v.6); a profecia faz “soar” aquele toque da mensagem cristã que leva o crente a preparar-se para a batalha espiritual (v. 8); a profecia é uma voz clara, em um mundo de vozes confusas (v. 10) e a profecia é uma maneira de ensinar (v. 31).

A inferioridade de “línguas” é manifesta, pois este dom não “dá proveito” aos ouvintes. Paulo diz que a fala ou é inteligível, ou não é nada mais do que falar ao ar (v. 9), pois tudo que se visa com um idioma, com uma linguagem é comunicar sentido a quem deve. A fala é um efetivo instrumento de comunicação, mas a fala que não for compreendida, não terá poder nenhum (v.11). Agora, se as “línguas” forem interpretadas, os ouvintes serão edificados, caso em que não há grande diferença da profecia.

“Se eu orar em línguas, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera.” (v. 14 b). Não faz uso da mente, não acrescenta ao intelecto, ao conhecimento. Paulo não está argumentando em prol de um intelectualismo estéril, pois é certo que a vida cristã é bem mais do que exercício mental, há lugar para fervor e emoção, mas, como vemos no v. 15, a oração e o canto devem ser tais, que os adoradores possam envolver-se nelas integralmente, com a mente e com o espírito. (Obs.: Muitíssimas vezes as orações são elevadas numa espécie de jargão emocional, e os hinos são escolhidos com base em melodias atraentes, em vez de em sólida doutrina.)

“Não sejais meninos” (v.20) – Parai de ser meninos no entendimento. Na verdade, é característico da criança preferir o divertido ao útil, o brilhante ao sólido. E é isso que faziam os coríntios com o seu assinalado gosto pela “glossolalia” (glossolalia – falar em línguas). Portanto, “sêde homens amadurecidos.”

UMA CONSIDERAÇÃO EVANGELÍSTICA

Numa reunião da igreja o efeito do falar em línguas sobre os de fora ou incrédulos é adverso. Diz o apóstolo Paulo que eles pensarão que os crentes estão loucos (v.23). Pois os coríntios tinham o costume de falarem línguas todos ao mesmo tempo. (Sobre este tópico, ler também 11 Cor 6:3) Paulo sempre se preocupou com a imagem da igreja diante dos de fora. Em Atos 2:47, vemos que a igreja primitiva contava com a simpatia de todo o povo em derredor, “enquanto isto, acrescentava-lhes o Senhor, dia-dia, os que iam sendo salvos.” Não podemos perder de vista a nossa maior missão.

Obs: Parece haver uma contradição entre o v. 22 e os vs. 24e25. Mas é preciso levar em consideração o contexto do v. 22, que está baseado num texto do Antigo Testamento (Is 28:11, 12), onde os incrédulos são os que ouviram a palavra e a rejeitaram. Para eles, as “línguas” valem por um sinal do juízo de Deus sobrevindo a eles. Já em 24 e 25 se está pensando naqueles que nunca ouviram a palavra. Para estes, “línguas” não são mais que um sinal de loucura, mas a profecia os conduz a Deus.

QUESTÕES DE ORDEM E DECÊNCIA NA IGREJA

A preocupação corolária é a ordem na igreja. Paulo não só considera a ordem como princípio dirigente – é a palavra com que ele conclui o tratamento extensivo deste assunto (ver 14:40) – mas sublinha-a pesadamente no parágrafo final. Já no capítulo 12, ele tem caracterizado a igreja como uma entidade unida, composta por Deus “para que não haja divisão”(12:25). Em 14:26-39, ele fala de modo particular sobre a aplicação deste princípio às reuniões da igreja. Quando vos reunis” (v.26)

Há vários ingredientes no culto, mas a regra orientadora é “Seja tudo feito para edificação” (v.26). Limites são estabelecidos tanto para línguas (com interpretação) quanto para profecias (vs. 27 a 29) – “não mais que três” – “e isto sucessivamente” (v.27), nunca todos falando em línguas ao mesmo tempo (v.23), mas, sim, um após o outro e haja quem interprete. Mas e se não houver intérprete? Resposta: “fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus” (v.28). E com relação à profecia, é necessário que haja julgamento.”“.

“SE, porém, vier revelação a outrem que esteja assentado, cale-se o primeiro ” (v.30). E para os que dizem que não podem se controlar diante da ação do Espírito, Paulo rebate dizendo: “Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas; porque Deus não é Deus de confusão… ” (vs. 32,33). Note-se, antes de tudo, que Paulo crê no domínio próprio e o defende (ver também vv. 28, 30 e 34). Isto é de se esperar, porque o fruto do Espírito é “… domínio próprio” (Gálatas 5:22). Para que o culto seja edificante e executado em ordem, é necessário que se possa ouvir enquanto alguém está falando (vv. 29, 31, 34, 35).

Uma congregação individual não é simplesmente livre para fazer o que bem entende. Paulo mostra sua exasperação com a congregação de Corinto quando ele pergunta: Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?”(1 4:36). Estas perguntas servem como um forte lembrete da interconexão da igreja. Finalmente, Paulo Naca a rolha”, e exerce a plena autoridade do seu ofício apostólico: “as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor” (14:37). Esta palavra é dirigida ao que se pensa “espiritual” o qual é trazido fortemente sob a autoridade da liderança eclesiástica, ordenada por Deus.

JULGAR, PROVAR E DISCERNIR

V.29 – “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três e os outros julguem” (ver questões introdutórias a esta lição). A Bíblia é a Palavra de Deus e nenhuma mensagem profética pode ir contra os seus ensinos (Hb 1: 1-2; 2Trn 3:16, 11 Pe 1: 19-21 e Deut 29:29).

Devemos fazer como os cristãos de Beréia, que eram nobres no modo de receberem a Palavra: “examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram de fato assim.” (At. 17:11).

E devemos atentar para os seguintes perigos: a) Deut 13: 1 -5 b) 1 Rs 13:1-30 0 Jr 23:13-40

A Bíblia diz que é nosso dever julgar, provar e discernir, portanto não sejamos acanhados ou negligentes neste ponto: 1 Tm 4: 1; 1 Jo. 4: 1; 1 Cor 14:29; Hb 5:13, 14: Hb 4:12-13; 1 Cor 2:15; 11 Cor 11: 13-15; At 5:1-11; Mt 7:15-20, Gálatas 1: 6-9 e 2Ts 2.1-3

CONCLUSÃO

A Bíblia ensina sobre os dons espirituais e nenhum versículo, inclusive 1 Cor. 13: 10 pode ser usado para justificar ou prever o fim destes dons. Nesta passagem, a Segunda Vinda de Cristo está sob consideração como aquele acontecimento que terminaria os dons (o que se vê claramente em 1 Cor. 13:12). Mas a mesma Bíblia que nos fala sobre os dons espirituais também nos ensina “como” e “com que propósito” devem ser usados nas nossas reuniões congregacionais. Muitos, hoje em dia, têm desacreditado nos dons, devido às distorções e abusos com que eles estão sendo praticados. Se quisermos ser bíblicos, devemos obedecer às orientações, aos princípios e as diretrizes que o apóstolo Paulo claramente determinou para o uso dos dons na EKKLESIA. Sabendo que não se trata de mandamento de um homem, mas de Deus (1 Cor. 14:37).

E nunca devemos nos esquecer que os dons são divinamente dados, não primariamente para abençoar a vida do recipiente individual, mas para o benefício da ekklesia. Se a igreja deve ser edificada através do exercício dos diversos ministérios de todos os membros, tudo deve ser feito descentemente e com ordem” (14:40). “Porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz” (14:33)’ Neste capítulo, como nos anteriores, a preocupação de Paulo não é com o chamado uso privado dos dons. A inteira discussão focaliza o que acontece “na igreja” (na reunião dos crentes), como vemos em 14:19, 28 e 35. 0 valor de “glossai” na congregação é menosprezado, não ultimamente proibido (14:39), desde que haja intérprete: “E SE alguém falar em línguas, ou no caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete, mas não havendo intérprete, fique calado na igreja”. (14:27 e 28a.), mas repetidamente desencorajado (ver todo o capítulo). 0 discurso inteligível é exaltado como muito mais útil e apropriado (v.19), porque a manifestação do Espírito é muito mais imediatamente evidente, não só à congregação dos crentes mas também aos descrentes (14:24, 25).

CONCLUSÃO GERAL

NOSSOS VALORES PRIMORDIAIS COMO METODISTAS LIVRES

1. A CENTRALIDADE DE SANTIDADE. Nós estamos convencidos que santidade (definida como amor perfeito) é a visão integrante do Novo Testamento. Este amor se expressa em nosso relacionamento para com Deus e para com os próximos.

2. A UNIDADE DA IGREJA. Enquanto que a nossa igreja começou como um movimento reformista, nós não somos sismáticos. Nós valorizamos a unidade do corpo de Cristo, o bem comum. Nós ficamos magoados com desunião e contenda. Unidade é essencial para testemunho e missão.

3. BÍBLIOCENTRISMO. Somos cristãos bíblicos. Ficamos apreensivos com qualquer doutrina ou prática carente de apoio claro da Bíblia.

4. NOSSAS RAÍZES. Nós apreciamos a nossa tradição. Nós temos a versão em alterar o que é essencial à nossa identidade.

5. NOSSA MISSÃO. Nós cremos que estamos aqui para um propósito e esse propósito reflete fielmente o impulso central do Novo Testamento. Existimos para proclamar o perdão e a santidade para trazer os outros à comunhão do corpo de Cristo, e para equipar e enviá-los para fora como cristãos produtivos que dão testemunho. Esta convicção está no centro do nosso sistema e atividades institucionais.

A OBRA DO ESPÍRITO

Com referência à obra do Espírito, o consenso entre os metodistas livres contém os seguintes elementos:

1. A santidade cristã tem ascendência sobre qualquer dom específico.

2. 0 testemunho do Espírito é interno e não é acompanhado necessariamente de qualquer manifestação particular. (Rm. 8:16)

3. Os dons espirituais são soberanamente distribuídos pelo Espírito Santo e dados com o propósito de edificar a igreja.

4. 0 fruto do Espírito, cuja essência é o amor santo, aparecerá em cada vida entregue a Deus.

5. 0 Espírito dá poder para vida vitoriosa.

6. 0 poder da obra do Espírito é evidenciada em vidas transformadas e serviço efetivo. 7. 0 propósito do Espírito é edificar a igreja em unidade.

LÍNGUAS E SANTIDADE

Nós rejeitamos a sugestão de que qualquer um dos dons seja o sinal ou a evidência de que uma pessoa foi batizada com o Espírito Santo. Não concordamos com a posição que afirma que o dom de línguas é o sinal necessário da plenitude do Espírito Santo. Além do mais, questionamos, baseados em nosso entendimento, da Escritura, a proeminência geralmente dada, pelos pentecostais, à prática de falar em línguas.

Em nossa estimativa, a posição acima delineada coloca-nos no centro do que significa ser uma Igreja do Novo Testamento. Nós não descristianizamos os que não compartilham as mesmas convicções nossas em cada ponto. Pelo contrário, nós refletimos o grande coração de Wesley que disse, “Não destruamos a obra de Deus por opiniões ou palavras” (O caráter de um Metodista).

Os metodistas livres consideram que a doutrina do amor perfeito reflete o coração da vida cristã. 0 nosso fundador, 13. T. Roberts, considerou esta doutrina da santidade cristã como “claramente ordenada na Palavra de Deus, e como constitutiva do real reforço e poder para o bem da Igreja de Cristo ” (Cristão Fervoroso, 1, pp. 1, 5). Concordamos.

Portanto, recomendamos que:

1. Afirmemos os Parágrafos 122 e 3240 do Livro de Disciplina;

2. Continuemos a insistir,como o fez o apóstolo Paulo, que oculto seja realizado em língua inteligível pelo povo e de desencorajar a prática ou a promoção de falar em línguas no culto público; e

3. Reafirmemos a prioridade de nossa missão de proclamar o perdão e santidade em Jesus Cristo. Unamo-nos para introduzir o Novo Dia debaixo de Deus.

BIBLIOGRAFIA
Lições a respeito dos Dons Espirituais

Canon Leon – M.SC., M. TH., PH.D.. I Coríntios, Introdução e Sociedade Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão – Terceira Edição, 1986. (São Paulo, SP, Brasil)

Champlin, Russel Norman -PH.D. – O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, I Coríntios 12-14 – Milenium Distribuidora Cultural Ltda.

Foulkes, Francis – Efésios, Introdução e Comentário – Associação Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão. São Paulo, SP, Brasil – 1986

Bruce, F.F. – MA., D.D. – Romanos, Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica – Edições Vida Nova e Editora Mundo Cristão – São Paulo, SP, Brasil,

Frederick Dale – Teologia do Espírito Santo – Sociedade Religiosa Edições Vida Nova – São Paulo, SP, Brasil, 1989.

Graham Billy – 0 Espírito Santo (ativando o poder de Deus em sua vida) Edições Vida Nova – São Paulo, SP, Brasil, 1980.

Knight, John A, – 0 que a Bíblia Diz Acerca de Falar em Línguas – Casa Nazarena de Publicações – São Paulo, SP, Brasil, 1989

RELATóRIO DA COMISSÃO DE ESTUDO DE DOUTRINA APRESENTADO AO CONCILIO GERAL DE 1989″.

A Heresia da Maldição Hereditária

Será que Jesus se esqueceu de que aquele homem crucificado a seu lado estava cheio de maldições hereditárias que deveriam ser quebradas antes de sua subida para o paraíso? E Estêvão? E Elias?

Os apóstolos em suas primeiras pregações teriam se esquecido desse detalhe tão importante?

Nada disso.

A pior maldição é ser descrente.

Os que não crêem já estão amaldiçoados e condenados (Jo 3.18).

Em Jesus, todos os vínculos satânicos, algemas, laços, pactos e maldições são quebrados, pois “se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36).

Por Airton Evangelista da Costa.