A Fé Protestante

A palavra “protestante”, de acordo com a definição do dicionário se refere a “um membro de uma das igrejas cristãs que terminaram se separando da Igreja católica Romana desde o século XVI; batistas, presbiterianos, congregacionais, e alguns outros; ou se refere a ‘uma pessoa que protesta’”. O termo “protestante” não é um termo pejorativo. A palavra é derivada do latim, da preposição PRO, que significa “para”, e o infinitivo TESTARE, “testemunho”. Um protestante é, então, uma testemunha – um protestante é uma testemunha de Jesus Cristo e da Palavra de Deus. O protestantismo não é meramente o protesto contra a corrupção eclesiástica e o falso ensino; é o renascimento da fé bíblica, um renascer do cristianismo do Novo Testamento, com uma ênfase positiva nas doutrinas das Escrituras.

Mas historicamente o termo “protestante” se originou na Segunda Dieta Imperial Alemã de Speyer (1529) quando os príncipes luteranos leram um “Protesto” contra a decisão da Dieta que declarava que a fé Católica Romana era por lei a única fé. A primeira Dieta de Speyer tinha decidido que o governante de cada estado estava livre para seguir a fé que sentisse ser a correta. Este “protesto” era ao mesmo tempo, uma objeção, um apelo e uma afirmação:

“Qual é a igreja verdadeira e santa? … Não há nenhuma pregação ou doutrina segura senão aquela que permanece fiel à Palavra de Deus. Segundo o mandamento divino, nenhuma outra doutrina deve ser pregada. Todo texto das santas e divinas Escrituras deve ser elucidado e explicado por outros textos. Esse Livro Santo é necessário, em todas as coisas, para o cristão; brilha claramente na sua própria luz e é vista iluminando as trevas. Estamos resolutos, pela graça de Deus e com a Sua ajuda, a permanecermos exclusivamente na Palavra de Deus, no santo evangelho contidos nos livros do Antigo e do Novo Testamento. Somente essa Palavra deve ser pregada, e nada que seja contrário a ela. É a única verdade. É o juiz certo de toda doutrina e conduta cristã. Não pode nos enganar nem lograr”.
Dessa forma, os luteranos e outros defensores da Reforma passaram a ser chamados e conhecidos como “protestantes”.

O Protestantismo surgiu em uma época difícil, de escuridão espiritual e de escândalos no seio da Igreja. O povo vivia na ignorância das Escrituras, cheios de superstições, crendices, e alheios às verdades do Evangelho. O culto a Deus era um emaranhado de invenções humanas. O povo “não conhecia ao Senhor” (Juízes 2:10). Os líderes espirituais eram incultos e viviam na imoralidade. O celibato não funcionava e desde os Papas até ao mais simples sacerdote, muitos estavam envolvidos com relacionamentos ilícitos, com amantes e até filhos. A corrupção do papado estava ligada à riqueza e ao poder. Há claros relatos de perseguições aos que se levantavam em alguns locais procurando obedecer e viver de acordo com as Escrituras. Foi o caso do Papa Inocêncio VIII que ordenou a execução dos Valdenses. A escandalosa perseguição da Inquisição que fez com que Thomas Tacomado, chefe da Inquisição espanhola, queimasse vivos 10 mil pessoas presas a uma estaca. O escândalo das Cruzadas onde milhares de pessoas foram exterminadas com o pretexto da necessidade de se apossar da “maior relíquia”, a cidade de Jerusalém. São pequenos exemplos da negritude da Igreja medieval. São manchas inapagáveis na história da Igreja.

INDULGÊNCIAS: A DEFLAGRAÇÃO

A base doutrinária para a existência de indulgência era o ensino da Igreja de que ela tinha a custódia (a guarda) dos Tesouros dos Méritos que foram adquiridos pelos grandes santos que haviam excedido as boas obras necessárias para a salvação. Esse excesso de méritos se tornava uma fonte que a Igreja poderia distribuir aos que estavam deficientes espiritualmente, os pecadores necessitados. Isso era feito através de um certificado assinado pelo Papa que era adquirido pelo povo e assim se obter os méritos que necessitavam desta “caixa de méritos”, deste tesouro de méritos. Foi nos anos de 1460 a 1470 que o Papa Sixtus IV declarou os benefícios das indulgências para os que haviam ido para o purgatório. Como fruto da ignorância espiritual e da sede de riqueza e poder por parte da Igreja, surgiram a venda das indulgências onde a salvação era comprada por dinheiro. Esse dinheiro era dividido entre os banqueiros da época, o Papa, e uma parte ficava com o mais talentoso vendedor de indulgências: Tetzel. Na venda destas indulgências havia variedade de preços, pois Tetzel era hábil e criou um meio de atingir os ricos e pobres. Quem era rico dava mais e os pobres davam menos, mas todos davam.

Era outono de 1517 quando começaram as vendas destas indulgências. O anúncio era de que os compradores poderiam obter remissão dos pecados das pessoas queridas que já haviam morrido e ido para o purgatório. Consequentemente pessoas faziam esforços tremendos para libertarem seu queridos dos tormentos do purgatório (lugar de punição temporal pelos pecados) e tivessem a entrada no céu assegurada. Para isso bastava comprar os certificados assinados pelo Papa. Tetzel repetia sempre o “jingle”: “Assim que a moeda no cofre tilintar, alma do purgatório saltará”.

Informações destas atividades de Tetzel chegaram ao conhecimento de um professor de Teologia da Universidade de Wittemberg que as recebeu completamente consternado, mas, provocando sua ira. Seu nome era Martinho Lutero. Ele já havia refletido muito sobre sua condição de pecador e sua incapacidade para ser salvo através de obras meritórias e havia chegado a conclusão, pelas Escrituras, que a salvação é pela graça de Deus somente.

No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero, inflamado, desafiou a Igreja protestando de uma forma que ficaria marcada na história da Igreja perpetuamente. Foi à frente da porta da igreja do castelo de Wittemberg com um documento na mão e um martelo na outra, e afixou na porta uma lista com 95 protestos escritos em latim contra a venda das condenáveis e antibíblicas indulgências. Lutero anunciava ao povo que eles estavam sendo cruelmente enganados. A imprensa escrita que havia sido inventada por Gutemberg foi de muita importância para a divulgação das teses de Lutero em toda Europa, sendo traduzidas para vários idiomas. Com isso, a venda de indulgências caiu muito e fez “doer” muito o bolso da Igreja. Isso provocaria a Dieta de Worms onde Lutero mais tarde seria julgado pelos seus escritos e convicções.

Naquela época a Igreja ensinava que o perdão dos pecados poderia ser conseguido através do sacramento da penitência, quando o padre, representando Jesus, absolvia o pecador que confessava seus pecados e dava uma contribuição à Igreja como penitência. Lutero queria uma reforma na Igreja; queria trazê-la de volta às Escrituras para restaurar a pureza da fé. Não queria se tornar fundador de uma igreja separada. Lutero soube depois que a corrupção já havia atingido a cúpula de Roma e que o Papa Leão X e Albrecht, o arcebispo de Mainz haviam organizado a venda das indulgências.

LUTERO E SUAS DÚVIDAS

Lutero nascera de um lar pobre e, contrariando seus pais, desejou ser sacerdote. Era um homem sincero e desejoso de conhecer a Deus e Sua salvação. Mas sua visão de Deus era a de um juiz implacável que condena o homem pecador merecidamente. Era um homem angustiado que buscava sua salvação através de obras, do isolamento em um monastério, através de jejuns e orações; fazia confissões diárias mas não se sentia aceito por um Deus que é todo justiça.

Quando Lutero celebrou sua primeira missa, um grande vexame aconteceu. Toda sua família estava presente inclusive seu pai, o velho Hans Lutero, que já havia aceito a idéia de seu filho tornar-se um sacerdote. Lutero começou a cerimônia com firmeza e equilíbrio. Mas quando chegou o momento da oração de consagração, quando haveria, segundo o ensino católico, o grande milagre da transubstanciação, o monge agostiniano vacilou. Parecia congelado no altar; seus olhos estavam vidrados, suava bastante e um silêncio tomou conta da congregação. Seus lábios tremiam e não conseguia articular nenhuma palavra. Não tinha condições de continuar e voltou à mesa onde os convidados da família estavam e sentou-se. Foi arruinada a cerimônia, desonrada a família e a si mesmo.

Por que aconteceu isso? Lutero explica:

“Com que linguagem posso dirigir-me a tal majestade? …Quem sou eu, para que levante meus olhos e minhas mãos até a majestade divina? Os anjos O rodeiam. À Sua sombra a terra treme. E posso eu, um miserável, dizer: ‘Quero isto, peço aquilo?’. Porque sou pó e cinzas e cheio de pecados e estou falando do vivente, eterno e verdadeiro Deus”.

Na verdade, Lutero tinha um grande conflito que o perseguiu por muito tempo. Era uma pedra de tropeço para ele. Ele odiava a expressão “justiça de Deus” mas amava a palavra “Evangelho” (Boas Novas). Como conciliar as duas coisas? Pensava o Dr Lutero: “Como posso ser Salvo?”. Como poderia ele libertar-se da justiça santa e justa de um Deus que condena não só o pecado, mas aquele que comete o pecado? Por seus próprios esforços? Isso ele já vinha tentando há muito tempo e frustrado via que era totalmente ineficaz. Lutero conhecia as Escrituras e sabia que “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia…” (Isaías 64:6). Não eram seus pecados que eram como trapo de imundícia, mas suas obras de justiça. Lutero via que estava perdido porque o homem não tem justiça própria. Seus atos são corrompidos e Deus é santíssimo para aceitar qualquer coisa contaminada. No céu só entra santos e justos. Como poderia ser salvo? Esta foi a grande pergunta dos Reformadores. Mas a Bíblia teria a resposta que Lutero tanto desejava.

Ele estava ensinando a Epístola aos Romanos quando se deparou com o versículo 17 do primeiro capítulo desta epístola extraordinária: “…visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”. Seus olhos foram abertos porque viu que a expressão que odiava, “justiça de Deus”, era revelada no que ele mais amava, “no evangelho”. Ele viu pela primeira vez a conexão entre as duas coisas. Viu primeiro que havia uma diferença entre Lei e Evangelho. Ele buscava justificação nas obras da Lei. Mas a Lei só exige, só condena. Ele buscava justificação nas obras da lei, mas ela só vem e “se revela no evangelho” mediante a fé. Ele creu em Cristo como o seu justificador e passou a amar o que odiava: a justiça de Deus. Percebeu que justiça de Cristo (Sua obediência passiva e ativa) havia sido creditada em “sua conta”. Ele compreendeu que a justificação do pecador é pela fé em Cristo e assim somos declarados justos: “O justo viverá por fé”. Agora Lutero se regozijava na salvação pela fé somente. A sua confiança na obra de Cristo dava-lhe o descanso que tanto desejava. Por isso disse: “…esta expressão de Paulo tornou-se para mim a plena verdade, uma porta para o paraíso”. Sua justiça não era a sua, mas a de Cristo.

Como pois aceitar vendas de indulgências para se conseguir salvação? Por isso Lutero detonou suas armas contra os erros de uma Igreja desviada da verdade. Ele deflagrou uma reforma que já havia sido tentada por alguns que haviam sido mortos e considerados hereges como foi o caso de Dr. John Hus, na Boêmia (queimado na estaca); com Savanarola em Florença, Itália (queimado em praça pública), e teria acontecido anteriormente também (como aconteceu com outros) com o erudito Dr. John Wycliffe (Inglaterra), a “Estrela D‘Alva da Reforma”, caso não morresse de derrame cerebral.

QUEM SÃO OS EVANGÉLICOS

Sendo um movimento bíblico e não uma religião organizada, os evangélicos têm existido desde os tempos dos Apóstolos. Pela providência de Deus, sempre tem havido os que rejeitam as tradições inventadas por homens, para crerem na mensagem da Bíblia concernente à salvação pela graça de Deus.

O acontecimento mais notável dos evangélicos teve lugar no século XVI com a Reforma Protestante. Este ocorreu porque alguns sacerdotes católicos e outros eruditos da época começaram a estudar a Bíblia seriamente para entender com mais precisão o ensino original de Jesus e dos Apóstolos. Descobriram sérias diferenças entre a Palavra de Deus e a Igreja Católica. Protestaram sobre estas diferenças insistindo que a Igreja obedecesse à Bíblia. Porém a igreja os rejeitou. Isso nos faz lembrar Jeremias 6.16: “Assim diz o Senhor: Ponde-vos à margem no caminho e vêde, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos”.

Este movimento protestante segue até os dias de hoje, talvez com mais de 55 milhões de membros no mundo. Os evangélicos aceitam a Bíblia como a única autoridade no tocante à doutrina e práticas religiosas. A Igreja Católica, contrariamente, aceita a tradição, os concílios e os decretos do Papa como autoridade final.

Princípios que caracterizam os verdadeiros Evangélicos ou Protestantes

1) SOLA SCRIPTURA – Somente a Escritura

Esta foi a grande marca que deu à Reforma o seu princípio regulador. Os Evangélicos defendem como verdade que só a Bíblia é a única regra de fé e prática. Só ela é completa, perfeita, clara, autoritativa, inerrante e inspirada pelo Espírito Santo. Nada mais. Crêem, como Paulo, que toda a Escritura é “inspirada por Deus”; que a Bíblia é o guia para a salvação e que é através da Palavra escrita de Deus que o crente se torna “perfeitamente habilitado para toda boa obra” (II Tm 3:17). Um evangélico atribui à Bíblia exatamente a mesma autoridade que Jesus Cristo atribuiu à Bíblia de Sua época. Disse Jesus: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas: não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:17-18). Jesus falou isso porque a liderança religiosa judaica havia acrescentado muitas coisas à Lei que fora entregue diretamente por Deus a Moisés. Eram tradições rabínicas (apesar de cheia de superstições) consideradas no mesmo nível de autoridade com as Escrituras.

A Igreja Católica também é um grande exemplo de como criar, pela tradição, aquilo que não existe nas Escrituras e que continuam até hoje. Fatos:

Ano 300 – Oração pelos mortos
Ano 300 – Sinal da cruz
Ano 300 – Uso de Velas
Ano 375 – Veneração dos anjos e santos falecidos
Ano 394 – A missa, como celebração diária
Ano 431 – Começo da exaltação de Maria ( o termo “Mãe de Deus” foi-lhe aplicado pela 1ª vez)
Ano 500 – Sacerdotes começam a se vestir de forma diferente
Ano 526 – Extrema unção
Ano 593 – Doutrina do Purgatório, estabelecida por Gregório I
Ano 600 – Latim usado para orações e no culto
Ano 600 – Orações feitas a Maria, santos mortos e anjos
Ano 607 – Título de Papa, ou bispo universal dado a Bonifácio III
Ano 607 – Beijar os pés do Papa
Ano 750 – Poder temporal dos Papas
Ano 786 – Adoração da cruz, imagens e relíquias
Ano 850 – Água Benta misturada com uma pitada de sal e abençoada pelo sacerdote
Ano 890 – Adoração de São José
Ano 995 – Canonização dos santos mortos
Ano 998 – Jejum nas sextas feiras e durante a quaresma
Ano 1050 – A Missa, gradualmente transformada em sacrifício com freqüência obrigatória
Ano 1079 – Celibato obrigatório dos sacerdotes
Ano 1190 – Venda de indulgências
Ano 1215 – Confissão Auricular de pecados a um sacerdote e não a Deus
Ano 1220 – Adoração da hóstia
Ano 1229 – A Bíblia proibida aos leigos
Ano 1215 – Doutrina da Transubstanciação
Ano 1414 – O Cálice da Eucaristia foi tirado do povo e este não mais o tomava
Ano 1439 – Purgatório proclamado como dogma pelo Concílio de Florença
Ano 1439 – A doutrina dos Sete Sacramentos
Ano 1545 – A tradição da Igreja é declarada de autoridade igual à da Bíblia pelo Concílio de Trento
Ano 1546 – Adição de livros apócrifos às Escrituras, depois do Concílio de Trento
Ano 1854 – Dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.
Ano 1870 – Infalibilidade Papal
Ano 1950 – Ascensão corporal de Maria

Sendo assim, os evangélicos ficam do lado de Jesus na questão da autoridade da Bíblia e renunciam a autoridade das tradições humanas. Esta é uma das grandes diferenças com a Igreja de Roma. Quando Jesus debateu com os fariseus, Ele respondeu às suas críticas com a seguinte acusação: “… E assim invalidastes a Palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (Mateus 15:6). Jesus muitas vezes ia de encontro às tradições dos homens mas Ele cumpria, mantinha e defendia a Palavra de Deus. No Sermão do Monte Jesus mostrou claramente a confiança que os judeus depositavam na tradição rabínica quando disse: “Ouvistes o que foi dito aos antigos…Eu porém vos digo… (Mateus 5:21-22). Desta forma Jesus se opunha aos ensinamentos tradicionais dos rabinos que haviam pervertido a Palavra de Deus através de falsas interpretações. É como se Cristo dissesse: “Esqueçam o que os rabinos lhes ensinaram e ouçam o que lhes digo, pois a minha palavra é a Palavra de Deus”.

Lutero combateu a venda de indulgências e das outras superstições da Igreja medieval pois não tinham respaldo bíblico. Combater os erros como fez Lutero, ainda hoje, trará conseqüências penosas e perseguições. O Papa e o imperador se voltaram contra Lutero e os príncipes da Alemanha receberam ordens para investir contra ele. O Papa exigiu que Lutero se apresentasse em Roma para responder às acusações que pesavam contra ele. Lutero, no entanto, tinha um protetor, Frederico o Sábio, Príncipe da Saxônia. Frederico sabia que Lutero não receberia um tratamento justo em um tribunal em Roma. Se ele tivesse de ser julgado, que fosse em um tribunal na Alemanha. Finalmente, tudo foi organizado, e em abril de 1521, o “Santo Imperador Romano”, Carlos V foi à pequena cidade de Worms, na Alemanha, onde ele havia convocado uma assembléia imperial.

Em Worms, estavam unidos os bispos, arcebispos, príncipes do Império, representantes das cidades livres e bem no alto, acima de todos, estava o augusto Carlos V, Rei da Espanha e chamado “Santo Imperador de Roma”.

Diante daquela assembléia imponente, no dia 17 de abril de 1521, estava o humilde clérigo agostiniano, Martinho Lutero, vestido com seu capuz de monge, de pé, diante de uma mesa onde estavam folhetos e vários tratados escritos e publicados por ele. Seu inquisidor era Johann Von Eck, assistente do Arcebispo de Trier. Eck mandou que Lutero reconhecesse publicamente a autoria de toda aquela literatura. Corajosamente Lutero o fez. Quando a Lutero foi solicitado se retratar das suas “heresias”, pediu, para surpresa de todos, um certo tempo para refletir e escrever uma resposta formal. Teria Lutero desistido? Surpresa e tensão, porque Lutero antes de sua chegada havia dito:

“Esta será minha retratação em Worms: ‘Anteriormente disse que o Papa é o vigário de Cristo. Me retrato. Agora digo que o Papa é o adversário de Cristo e o apóstolo do diabo’ “.

Foram-lhe concedidas 24 horas para preparar sua resposta. Na solidão daquela noite, aquele homem de Deus escreveu uma das orações mais comoventes jamais escrita:

“Oh Deus, Deus todo poderoso e eterno! Quão terrível é o mundo! Olha como sua boca se abre para tragar-me, e quão pequena é minha fé em ti!… Oh! A debilidade da carne, e o poder de Satanás! Se eu tenho de depender de alguma força deste mundo – tudo está terminado… O toque dos defuntos tem soado… A sentença tem sido pronunciada…Oh Deus! Oh Deus! Oh Tu, meu Deus! Ajuda-me contra toda a sabedoria deste mundo. Falo e te imploro; tu podes fazê-lo…por teu próprio e vigoroso poder…A obra não é minha, mas tua. Não tenho que meter-me nisto… Não tenho nada pelo que contender com estes grandes homens do mundo! De bom grado passaria meus dias em alegria a paz. Porém, a causa é tua…E é justa e eterna! Oh Deus! Ajuda-me! Oh Deus fiel e imutável! Não descanso no homem. Seria em vão. Qualquer coisa que seja do homem é cambaleante, qualquer coisa que proceda dele deve fracassar. Meu Deus! Meu Deus! Não ouves? Meu Deus! Não estás mais vivo? Não, tu não podes morrer. Só estás te escondendo. Tu me tens elegido para este trabalho. Eu sei!… Portanto, oh Deus, cumpre com Tua vontade! Não me abandones, por teu bem amado Filho, Jesus Cristo, minha defesa, meu escudo, e minha fortaleza.

Senhor…onde estás?…Meu Deus, onde estás?… Vem! Rogo-te, estou pronto…Olha-me preparado para oferecer minha vida por Tua verdade…sofrendo como um cordeiro. Porque a causa é santa…É Tua própria causa…Não vou deixar-te ir! Nem sequer por toda a eternidade! E mesmo que todo o mundo se enchesse de demônios e este corpo, que é obra de Tuas mãos, tivesse quer ser lançado, pisoteado, cortado em pedaços,…reduzido a cinzas, minha alma é Tua. Sim, eu tenho Tua própria Palavra que me assegura. Minha alma te pertence, e morará contigo para sempre! Amém! Ó, Deus, envia Tua ajuda. Amém”.

No dia seguinte aquele monge desconhecido estava diante da Assembléia para pronunciar o discurso que mudou o curso da história e modificou a Igreja para sempre. O mundo e a Igreja jamais foram os mesmos depois que Lutero fez sua declaração arrebatadora:

“Desde que vossa serena majestade e vossas senhorias buscam uma resposta simples, eu a darei assim, sem chifres nem dentes. A menos que seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou por mera razão (pois não confio nem no Papa nem nos Concílios, pois é bem sabido que eles freqüentemente erram e se contradizem), eu estou atado pelas Escrituras que já citei, e a minha consciência está cativa à Palavra de Deus. Eu não posso e não irei me retratar de nada, já que não é seguro nem correto agir contra a consciência”.

Lutero estava arriscando sua vida por Cristo. Outros que tomaram atitude semelhante haviam sido queimados como hereges como foi o caso de Hus por ordem do Concílio de Constança 100 anos antes (John Hus também havia protestado contra as indulgências mesmo antes de Lutero). Lutero teve a garantia do Imperador de que poderia sair de Worms em segurança. Mas a partir daquele momento seria considerado herege e um fora-da-lei. Lutero foi excomungado.

SOLA SCRIPTURA é o princípio daqueles que acreditam que nada mais será acrescentado ou tirado das Escrituras. É o princípio que considera a Bíblia como infalível Palavra de Deus. Nem mesmo novas revelações do Espírito devem ser aceitas (se houvessem). O cânon está completo. A consciência de um evangélico, de um protestante está cativa às Escrituras.
Desde a época de Lutero que um verdadeiro evangélico não aceita revelações novas. Lutero, ao voltar do Castelo de Warburg, onde traduziu a Bíblia para o alemão, teve de lutar contra fanáticos que se diziam “profetas carismáticos” e recebiam revelações especiais de Deus. Eles diziam: “Deus me falou assim…”. Mas os evangélicos reformados crêem que a Palavra de Deus está completa e que o final da época apostólica é o final da revelação. Não pensar assim contraria a própria profecia de grandes profetas ainda do Velho Testamento: Daniel 9:24 e Zacarias 13:1-5.

A Confissão de Fé de Westminster feita por teólogos protestantes do século XVII é clara quanto a esta posição:

“Todo conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens”.

Pouco tempo depois daquele evento histórico em Worms, em várias partes do mundo cristão, outros se voltaram para a Bíblia e descobriram as verdades que estavam obscurecidas há séculos por trás das tradições eclesiásticas. Na Suíça, o grande reformador de Genebra, João Calvino, surge como um grande baluarte da Reforma. Ele disse: “Os profetas não falavam por vontade própria, eles eram instrumentos do Espírito Santo usados para dizer apenas o que era enviado dos céus”. Mas “O Profeta” final já veio – Jesus Cristo (Hebreus 1:1-2). O verdadeiro protestante, o verdadeiro evangélico, insiste que todo e qualquer assunto seja testado pela autoridade de SOLA SCRIPTURA. Ela é a única autoridade da fé cristã e da prática da vida, a “fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Por isso um evangélico não acredita em palavra “infalível” dos Papas nem dos Concílios nem em novas revelações. Só na Palavra de Deus escrita.

É SOLA SCRIPTURA que nos diz como devemos cultuar Deus e não nossas invenções humanas. Na sua essência, a Reforma Protestante foi uma reforma do culto.

SOLA SCRIPTURA é o fundamento da Fé Cristã. Se neste século a Igreja falhar em pregar e praticar SOLA SCRIPTURA, está na hora de uma nova Reforma.

2) SOLA GRACIA – Somente a Graça

É o segundo grande slogan de alerta da Reforma. Lutero e seus sucessores todos se ajuntavam em torno deste grande pilar. Os verdadeiros evangélicos se baseiam na Escritura para afirmar que o homem pecador não tem qualquer esperança de salvação pelo seu próprio esforço. São firmes em defender o que a Escritura apresenta: “Pela graça sois salvos, por meio da fé – isto não vem de vós, é dom de Deus – não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).

O protestantismo nega todos os esquemas de salvação que promovem o homem e suas atividades religiosas como meio de ganhar a vida eterna e o perdão.

Esta questão era óbvia para Lutero: É o homem que inicia e ajuda no perdão divino, ou é Deus quem providencia, inicia, efetua e completa o círculo completo da salvação de pecadores perdidos, para que a glória tenha de ser atribuída somente à Sua graça soberana? Para Lutero a segunda opção era a verdadeira. Lutero respondeu ao humanista católico, Erasmus, que escrevera uma obra defendendo o livre-arbítrio (Diatribe); respondeu escrevendo sua famosa obra “A Escravidão da Vontade” ou “Nascido Escravo” (editora FIEL), enfatizando a prioridade da graça divina na salvação. Lutero insistia que um pecador era tanto incapaz de providenciar um remédio salvífico, como também incapaz de se apropriar do remédio que foi providenciado. Lutero viu que a única forma que poderia fazer ruir um sistema já tão inculcado na mente das pessoas e de peso como o católico Romano, onde eram enfatizadas práticas como compra de indulgências, peregrinações, penitências e outros, era atacar a raiz da controvérsia. Era uma questão de livre graça versus livre arbítrio. Até mesmo Erasmus foi levado a confessar: “Você, e você somente, enxergou um mecanismo sobre o qual tudo gira e aponta para este alvo, para este ponto vital: livre arbítrio versus graça de Deus”.

O homem pensa que é livre, mas não sabe que está escravo do pecado e de satanás. Jesus disse “…Todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8:34). O homem possui um tipo de liberdade, é claro; é livre para fazer o que quer, mas o que ele quer é pecar porque os seus desejos são pecaminosos e o levam cada vez mais para longe de Deus amando o pecado e por fim morrendo nele. O grande pregador inglês do século XVIII, George Whitefield, dizia que o livre arbítrio do homem só o leva para o inferno. Tudo isso porque sua vontade é escrava da sua natureza corrompida pelo pecado. A escravidão do homem é tão completa que ele fica alegremente desapercebido da sua condição de escravo.

Lutero refletia sobre esta condição e a descrevia desta maneira:

“Eu creio que não posso por minha própria razão ou força, acreditar em Jesus Cristo meu Senhor, ou buscá-lo; mas o Espírito Santo me chamou através do Evangelho, me iluminou pelos seus dons, e me santificou e preservou na verdadeira fé; da mesma maneira Ele chama reúne, ilumina e santifica toda a Igreja da terra, e preserva a sua união com Jesus Cristo na verdadeira fé…”.

Este é o Evangelho da graça, da SOLA GRACIA! Pecadores que não merecem nada além da ira de Deus, ganham o privilégio de gozar do Seu favor, pois aprouve ao Senhor ser gracioso para com pessoas que só mereciam sua condenação.

Para um evangélico, que tira a sua doutrina exclusivamente da Bíblia, a salvação é um presente de Deus, imerecido, dado a pessoas indignas. “…a graça de Deus se manifestou salvadora…” (Tito 2:11).

Livre graça é a necessidade gritante da igreja na presente hora. SOLA GRACIA tem que ser o chamado supremo da Igreja em nossos dias e não uma decisão humana, uma manipulação humana, ou métodos seculares do homem moderno para ganhar convertidos feitos por ele, mas sim o antiquado método evangélico. Somente pela graça soberana é a mensagem que captura e transforma os corações de pecadores pelo poder do Espírito Santo.

3) SOLA FIDE – Somente a Fé

Os evangélicos afirmam que a Bíblia é a única verdade autoritativa e que a salvação é unicamente pela graça de Deus. Isso suscita uma pergunta fundamental? Como uma pessoa pode receber esta salvação? Como uma pessoa pode ser aceita por Deus? Era essa a questão que queimava na mente de Lutero e que o levou quase ao desespero.

Lutero não se tornou monge por opção. O biógrafo de Lutero, Roland Baiton conta certo episódio de sua vida:

“Em um sufocante dia de julho de 1505, um viajante solitário estava andando com dificuldade por um caminho ressequido das redondezas da vila de Stotternheim. Era um homem jovem, de baixa estatura, porém robusto, e vestia uma roupa de estudante universitário. Enquanto se aproximava da vila, o céu escureceu. De repente caiu uma chuva e que logo se transformou em uma estrepitosa tormenta. Um raio rasgou a escuridão e lançou o homem por terra. Lutando para levantar-se, gritou aterrorizado: ‘Santa Ana, ajuda-me e serei um monge!’.

O homem que assim invocou a uma santa, mais tarde repudiaria o culto aos santos. Aquele que fez votos de tornar-se monge, mais tarde iria renunciar ao monasticismo. Um filho leal da Igreja católica, mais tarde faria em pedaços a estrutura do catolicismo medieval. Um servo devoto do Papa, mais tarde identificaria os Papas com o Anticristo. Porque este jovem era Martinho Lutero”.
Pouco depois desta experiência, Lutero fez seus votos. Deixou seus estudos das leis e ingressou no monastério agostiniano de Emfurt, para desilusão de Hans, seu pai, que desejava ver seu filho um advogado. No monastério dedicou-se a um tipo de vida rigorosamente austera. Passava noites sem dormir e dias em jejum e orações chegando a formas severas de auto flagelação, castigando severamente seu corpo e rejeitando até mesmo a provisão de um cobertor fazendo-o quase morrer congelado. Como não podia passar nem um dia sem pecar e sabia que seus pecados tinham de ser perdoados, buscava diariamente o confessionário para buscar absolvição e achar a aceitação de Deus. Ao contrário dos outros, passava horas confessando seus pecados. Em uma ocasião chegou a passar seis horas confessando os pecados do dia anterior.

Ele disse depois:

“Eu era um bom monge e seguia a regra da minha ordem tão estritamente, que posso dizer que, se alguma vez um monge chegou ao céu por sua vida monástica, esse fui eu. Todos meus irmãos no monastério, que me conheciam, me apoiavam. Se houvesse continuado por mais tempo, me teria matado com vigílias, orações, leituras e outros trabalhos”.

Lutero buscava justificação para ser salvo, porém, cada vez mais se tornava alienado de Deus. Como os fariseus da época de Jesus, buscava sua própria justiça. Por isso disse mais tarde: “…Eu…estava sendo atormentado perpetuamente”. A visão de Lutero era de um Deus que não passava de um juiz extremamente severo e irado. Podemos imaginar que Lutero fosse um “pouco louco”, mas na verdade o que ele tinha em mente era a grande verdade da justiça de um Deus que é santo. Lutero sempre foi uma pessoa extremamente sábia e inteligente. Era conhecido como alguém que se sobressaia no conhecimento dos pontos difíceis das leis. Era considerado um gênio nas leis. Tinha uma compreensão superior da lei. Por isso aplicava esse conhecimento, de uma forma astutamente legal à Lei de Deus e viu coisas que a maioria das pessoas normalmente passam por cima. As pessoas, quando muito, acham que são, de fato, pecadoras e infringidoras da Lei, mas que também todo mundo é assim. Desse modo concluem que Deus deve fazer “vista grossa” contra seus pecados porque ninguém é capaz de ser perfeito.

Mas Lutero não via desta forma. Se Deus fosse assim, como pensam, teria de comprometer Sua própria santidade. Deus não rebaixa Seus próprios padrões santos para acomodar-se a nós pecadores. Ele é santo, totalmente reto e justo. Lutero via a diferença entre um Deus que é tudo isso e nós, opostamente pecadores imundos e injustos. Este era o dilema de Lutero e que devia ser o dilema muitos. Por isso ele fazia a pergunta fundamental da Reforma: “Como pode um homem injusto sobreviver à presença de um Deus justo?”.

Lutero, ao contrário do jovem rico que conversou com Jesus, sabia que lhe faltava não apenas uma coisa, mas muitas coisas, pois a Lei de Deus exige perfeição total. Ele sabia o homem pecador não pode entrar no céu. A menos que entendesse o evangelho, morreria no inferno. Se o homem não for coberto com a justiça de Cristo estará perdido eternamente.

Enquanto todos estavam tranqüilos, Lutero dizia:

“Sabem vocês que Deus habita em luz inacessível? Nós, criaturas débeis e ignorantes, queremos sondar e entender a majestade incompreensível da insondável luz da maravilha de Deus. Nos aproximamos; nos preparamos para nos aproximar. Que tremendo é, então, que Sua majestade venha e nos faça em pedaços!”.

Mas felizmente ocorreu a experiência religiosa essencial que Lutero tanto desejava. Deus deu-lhe a resposta. Não foi através de uma “luz interior”, uma revelação extra Bíblia, um raio, ou alguma experiência de êxtase, não, mas foi na quietude de seus estudos, no exame das Escrituras. Na chamada “experiência da torre” Lutero mudou sua vida e o curso da história do mundo. Deus o fez entender a Sua misericórdia sem comprometer a Sua justiça santa.

Na Universidade de Wittemberg, Martinho Lutero recebeu a responsabilidade de fazer estudos de trechos bíblicos e, em 1515, dois anos antes de afixar as suas 95 teses contra as indulgências, ele iniciou uma série de palestras na Epístola aos Romanos. Nesse tratado de Paulo ele descobriu o coração do Evangelho.

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no Evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Romanos 1: 16-17).

Ele mesmo descreve sua experiência:

“Eu anelava grandemente entender a epístola de Paulo aos Romanos e nada se interpunha no caminho exceto uma expressão, “a justiça de Deus”, porque eu a tomei como que significando essa justiça pela qual Deus é justo e trata com justiça ao castigar o injusto. Minha situação era que, apesar de ser um monge impecável, estava diante de Deus como um pecador com a consciência conturbada e não tinha nenhuma confiança em que meus méritos podiam apaziguá-lo. Portanto, eu não amava a um Deus justo e irado, mas o odiava e murmurava contra Ele. Não obstante, me agarrava ao amado Paulo e tinha um grande anelo em saber o que ele queria dizer.

Refleti noite e dia até que vi a conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que ‘o justo viverá por fé’. Então compreendi que a justiça de Deus é aquela retidão pela qual, através da graça e somente da graça de Deus, Ele nos justifica pela fé. Neste ponto me senti renascer e senti que havia entrado através de portas abertas ao paraíso. Toda Escritura tomou um novo significado, e, enquanto anteriormente a ‘justiça de Deus’ me havia enchido de ódio, agora chegou a ser para mim inexplicavemente algo doce em um amor maior. Esta passagem de Paulo chegou a ser para mim a porta do céu…

Se tu tens a fé verdadeira de que Cristo é teu Salvador, então, no momento tens um Deus de graça, porque a fé te guia até dentro do coração e da vontade de Deus, para que possas ver uma graça pura e um amor transbordante. Isto é contemplar a Deus com uma fé que podes olhar Seu coração paternal e amigável no qual agora não há ira nem falta de graça. O crente que vê a Deus como irado não o vê corretamente, mas que olha sob uma cortina como se uma nuvem viesse sobre seu rosto”.

O que Lutero estava dizendo é que não conseguia conciliar “a justiça de Deus” que odiava, com o “Evangelho” que amava. Mas o texto de Romanos fala exatamente que a “justica vem pelo evangelho”. Isso o perturbou. Como entender? Então ele percebeu que a justiça de Deus é revelada em Cristo (o Evangelho), quando realiza Sua obra por pecadores merecedores da condenação e ira de Deus e os cobre com Sua justiça. Assim, Deus nos vê, não como pecadores, mas como santos e nos declara justos diante da Sua Lei. O mérito é todo de Cristo, a justificação é algo que vem de fora, é alienígena, não é obra nossa; a obra de Cristo é a base de nossa justificação. Esta verdade é a primeira parte da questão de Lutero, mas a resposta completa chegou quando ele percebeu, no texto, que esta justificação, que esta “justiça que vem pelo Evangelho” nos é entregue por fé e não por obras. É de “fé em fé” porque “o justo viverá por fé”. Não é por obras como pensam todas as demais religiões. Agora podemos entender o que Paulo diz em Romanos 4.2-5:

“Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim, como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça”.

A obra de Cristo nos traz a plena absolvição, que tanto Lutero almejava. Agora Deus nos trata como se nunca tivéssemos cometido pecado algum ou jamais tivéssemos sido pecador. E Deus nos trata como se nós pessoalmente tivéssemos cumprido toda a obediência que Cristo cumpriu por nós. Mas, não é nossa fé que merece a absolvição. Não somos justos perante Deus graças a nossa fé. Somos justos perante Deus graças a obra de Cristo na Cruz e cumprindo toda a Lei. Mas a questão é que só podemos possuir esta justificação pela fé somente.

Temos que definir bem o que é a fé. A fé não é uma boa obra nossa que nos faz merecer o perdão. Mas fé é, por assim dizer, a mão com a qual recebemos a justiça de Cristo. Somos justos e recebemos absolvição, não por causa de nossa fé (na verdade ela nos foi dada por Deus – Efésios 2:8), nem sem ela, mas por meio da fé. A fé é o instrumento com que abraçamos a Cristo.

“O justo viverá por fé”. Este foi o grito de guerra da Reforma Protestante. A idéia de que a justificação é só pela fé (SOLA FIDE), só pelos méritos de Cristo, era tão central ao Evangelho que Lutero a chama de “o artigo sobre o qual a Igreja se mantém de pé ou cai”. Lutero sabia que era o artigo sobre o qual ele se mantinha de pé.

Uma vez que Lutero entendeu o ensino de Paulo em Romanos, ele nasceu de novo. O peso da sua culpa foi quitado. Seu tormento enlouquecedor terminou. Isto foi tão significativo para este homem, que ele foi capaz de enfrentar o Papa, o concílio, o príncipe e o imperador e se fosse necessário, o mundo inteiro. Lutero havia passado pelas portas do paraíso e nada o faria voltar atrás. Ele foi um protestante que sabia do que estava protestando! SOLA FIDE! Que esta verdade se transforme numa epidemia tal em nossa nação que faça o povo desesperar pela bênção da justificação pela fé somente.

4) SOLUS CHRISTUS

Nós falamos com freqüência das 95 teses de Martinho Lutero, porém lembramo-nos também que Zwinglio escreveu 67 teses, apenas seis anos depois de Martinho Lutero! Estas teses, ou afirmações teológicas exaltam a Cristo: “A suma do Evangelho é que o nosso Senhor Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus, tornou conhecida a nós a vontade de seu Pai celestial e nos redimiu da morte eterna por Sua inocência, e nos reconciliou com Deus” (Tese 2). “Portanto, Cristo é o único meio de salvação para todos que eram, são e serão salvos” (Tese 3). “Quem quer que seja que procure ou que mostre outra porta, erra; sim, é um assassino de almas e um ladrão” (Tese 4). “Cristo é o cabeça de todos os crentes que são o Seu corpo e sem Ele o corpo está morto” (Tese 7). “Cristo é o único mediador entre nós e Deus” (Tese 19). “Cristo é a nossa justiça” (Tese 22).

Um ponto que os reformadores enfatizaram foi que nós só temos um meio de acesso a Deus e um único advogado, um só mediador, um só caminho: Jesus Cristo. Porque Ele se fez homem unindo as duas naturezas divina e humana e se tornou o mediador que o próprio Pai constituiu entre nós; porque não há ninguém, nem no céu, nem na terra ou entre os homens que nos ame mais do que Cristo. “…pois Ele, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homem…” e “…em todas as cousas se tornasse semelhante aos irmãos…” (Filipenses 2:6-7 e Hebreus 2:17).

Nós não podemos buscar outro mediador entre nós e Deus porque só Jesus nos amou a ponto de dar Sua vida por nós, quando nós éramos ainda inimigos de Deus (Romanos 5:8 e 10). Além do mais, a Bíblia diz que só Jesus está à direita do Pai com toda autoridade intercedendo por Seu povo. A quem Deus Pai ouvirá antes de Seu Filho? Ou quem o Pai ouvirá além do Seu Filho? Quem está mais próximo de Deus do que Seu Filho ?

Somente por falta de confiança em Cristo os homens começaram a buscar os santos que já morreram. Eles mesmo quando vivos rejeitaram qualquer manifestação de veneração ou de mediação (Atos 10:26; Atos 14:15). Muitos querem dizer que nós não podemos nos achegar a Deus em orações porque somos indignos. Mas a Bíblia nos diz que Jesus tornou-se “…em todas as cousas…semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas cousas referentes a Deus, e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hebreus 2:17,18). Diz ainda mais que devemos ir a Deus pois “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemos-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:14-16). É a Escritura que nos manda ter intrepidez para “entrar no Santo dos santos, pelo sangue de Jesus.. aproximemo-nos …em plena certeza de fé…” (Hebreus 10:19-22). É Jesus que vive intercedendo por Seu povo (Hebreus 7:24-25). Nós não poderíamos nos aproximar de Deus, sem Cristo, pois Ele é “fogo consumidor”. Mas o crente está coberto com a justiça de Cristo. Sua obra foi suficiente.

Então, do que precisamos mais? Jesus mesmo disse certa vez: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Os protestantes não buscam outro advogado, outro mediador porque aprouve a Deus nos dar Seu Filho para realizar esta obra mediadora. O próprio Jesus nos orientou a que buscássemos o Pai em oração, mas em Seu nome (em nome de Jesus). Por meio dEle somente, é que podemos ir à presença de Deus. Ele é o perfeito mediador. Não existe outro.

Nossos antepassados reformados desembaraçadamente proclamavam: “Solus Cristus” (somente Cristo). Em Cristo há vida; fora de Cristo há morte. Sem Ele nada podemos fazer, por meio dEle podemos tudo. Fora de Cristo Deus não pode ser senão um fogo eterno e uma chama que consome; em Cristo Ele é um Pai gracioso. Isso é doutrina da Reforma, pois somente em Cristo a justiça de Deus pode ser satisfeita, isto é, por Sua obediência ativa e passiva.

5) SOLI DEO GLORIA – Só a Deus toda glória

Este era mais um dos slogans da Reforma Protestante. De fato, podemos dizer que este slogan prende em si mesmo toda a essência da Reforma. Esta afirmação resgatou o propósito de vida das pessoas, que estava soterrado sob o entulho da tradição religiosa medieval e da teologia antropocêntrica de Tomás de Aquino. O ponto que este slogan defende é que só Deus deve ser glorificado em nossa salvação, no louvor e nas nossas vidas.

Porque fomos salvos só pela graça, que só vem de Cristo, só pela fé, não existe nenhum lugar onde possamos dizer que ajudamos a Deus, ou fizemos algo em prol da nossa salvação. A reforma recuperou a afirmação bíblica da Total Depravação do Homem e que desde o seu nascimento este homem é incapaz de fazer qualquer coisa para ser salvo diante de Deus. Mesmo todas as obras boas, feitas por aquele que não foi regenerado, são pecado. A nossa justiça é como trapos de imundícia, como Isaías registrou. Ele disse que a nossa justiça, as nossa boas ações são inaceitáveis diante de Deus pois estão manchadas pelo pecado.

Eu e você, não somente precisamos da justiça de Cristo para pagar o preço dos nossos pecados, mas precisamos de Cristo para pagar por tudo aquilo que fizemos pensando que era bom; no entanto eram apenas trapos de imundícia diante do nosso Deus. Existem tantos pecados em nossa “boas ações”, que merecemos o castigo eterno e a condenação de Deus. Mas quando Deus dá a uma pessoa a fé para olhar para a cruz de Cristo e dizer, “isto foi por mim”, esta pessoa imediatamente passa à condição de justificada, declarada justa, pura. Tudo isto pode parecer não ter sentido, que não é verdade. A sua consciência pode tentar dizer que Deus ainda tem muitas exigências a fazer para que você seja declarado justo. Os seus amigos podem dizer que isto não faz sentido e concluem: “Então, se isto for verdade, você pode viver qualquer tipo de vida e ainda ser salvo no final, isto não está certo!”. Estas pessoas não compreenderam o evangelho.
O Evangelho tem um efeito completamente diferente. O que a Lei nunca poderia conseguir – a verdadeira obediência vinda do coração e amor por Deus e pelo próximo – isto o Evangelho conseguiu. Cristo não só pagou o preço dos nossos pecados e zerou a nossa dívida para com Deus, mas cobriu-nos com Sua justiça; Sua justiça foi imputada em nós, creditada em nossa conta. Mesmo quando ainda somos pecadores, ainda assim, estamos justificados. O evangelho foi além e derrubou a ditadura das nossas paixões carnais que nos deixavam buscando apenas a nossa própria alegria, a nossa própria salvação e a nossa própria glória. Diante disso nós não podemos ser egocêntricos. Para dizer a verdade, Calvino reclamava dos crentes da idade média que viviam tão preocupados e sobrecarregados com a tarefa de salvar as suas próprias almas, e se tornaram tão zelosos de boas obras para ter uma vida piedosa, que se esqueciam do próprio Deus, sua Majestade, Sua glória, e de amar ao próximo e querer bem aos seus irmãos.

Se Deus nos escolheu antes da Criação do mundo; se Ele nos redimiu quando ainda éramos seus inimigos (“éramos por natureza filhos da ira” – Ef.2:3); se Ele nos vivificou quando nós estávamos mortos espiritualmente, perguntamos: de que o homem pode se vangloriar? Ou para que o crente viver angustiado como Lutero, antes de se converter? Deus agora nos vê como justos. Agora estamos livres para amar e servir a Deus e aos nossos vizinhos, sem medo de sermos castigados e sem a necessidade de buscarmos recompensa. Buscar recompensa é dizer que somos merecedores e isso “apaga” a glória de Deus.

Aproveitando este tema, este é exatamente o motivo pelo qual muitos afirmam não poder acreditar na doutrina bíblica da Eleição Incondicional. Parafraseando o que diz certo teólogo (arminiano) do passado: “Esta doutrina tira toda a motivação do crente buscar a santificação, que é o medo do castigo e a busca de uma recompensa”.

Se este teólogo tivesse com a razão, isto faria à nossa religião o que fez aos monges medievais, reclusos nos mosteiros: nossas vidas seriam impulsionadas apenas por motivos egoístas! Será que a vida cristã é salvar o seu próprio “pescoço” e viver correndo atrás de medalhas de “honra ao mérito” no céu ?

Os reformadores, Martinho Lutero e João Calvino pregavam o evangelho bíblico que havia sido soterrado e não era mais pregado aos cristãos. Como conseqüência, os ouvintes estavam acostumados com uma espiritualidade centrada no homem, uma espiritualidade egocêntrica, própria da idade média e, por incrível que pareça, própria da nossa época. Quando eles pregaram o evangelho, a mensagem genuinamente bíblica, de repente, as atividades do dia-a-dia, da vida comum, passaram a ter um novo significado, uma nova motivação. Não era uma vida piedosa separada e enclausurada do mundo que iria agradar a Deus (gnóstica). Jesus disse em Sua oração sacerdotal: “Não peço que os tires do mundo, e, sim, que os guardes do mal” (João 17:15) Enclausurar-se num gueto espiritual não foi uma ordem divina. Deus nunca ordenou que, para agradá-lo, os crentes teriam que se isolar do mundo! Não, os Reformadores insistiam que santos são todos aqueles que, nos seus afazeres diários, ordenhando vacas, construindo casas, assando pães, homens e mulheres comuns, vivendo vidas normais, os advogados, cientistas… se dedicam a ser o melhor possível nas suas obrigações, funções ou trabalhos, com o propósito de dar honra e glória ao nome de Deus. Neste sentido, santo é aquele que, com fidelidade, atende ao chamado de Deus para ser o melhor possível onde Deus o colocou. “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo coração, como para o Senhor, e não para homens” (Colossenses 3:23)

Os historiadores modernos ficam extasiados quando observam os efeitos da Reforma Protestante no homem comum daquela época. A sociedade moderna que se desenvolveu no Novo Mundo, teve muito a ver com o que os Reformadores ensinaram. A Reforma protestante, podemos dizer, “liberou a energia” do homem e da mulher comum. Criou a “Escola Pública Universal”; transformou governos em democracias; pronunciou a bênção de Deus sobre todos os que levassem uma vida digna, com trabalho honesto, isto numa época em que a sociedade pregava que a pobreza era o viver mais perto de Deus, que era bom ser pobre. Os Reformadores ensinaram que Deus fica feliz e abençoa o trabalho bem feito dos seus filhos que honram-no agindo responsavelmente e produtivamente; fazendo o melhor. Mas longe deles a idéia de esquecer os pobres ou discriminá-los.

• A Reforma com sua ênfase em dar glórias a Deus e se importar com o próximo, cuidando do pobre, mobilizou a sociedade para, através do serviço ao próximo, cuidar daqueles que o governo não tinha a intenção ou interesse em cuidar.

• Ao mesmo tempo a Reforma gerou artistas de renome como Johan Sebastian Bach, que ao final de cada uma das suas composições escrevia: “SOLI DEO GLORIA”. Junto a ele, outros nomes surgiram como Mendelssohn (compositor, pianista e regente alemão) Rembrandt (maior artista e pintor holandês do século XVII), Vernier (matemático francês do século XVII), Herbert, John Bunyan (puritano, homem simples, que escreveu o famoso livro O Peregrino) e grandes eruditos nas universidades.

Os reformadores aplicavam esta verdade de “Só a Deus Toda Glória” em suas vidas práticas. Eles davam grande ênfase à vocação da pessoa. Enfatizavam que cada pessoa devia glorificar a Deus através de sua vocação secular. Lutero já havia ensinado o sacerdócio universal dos crentes e os que criam nisso aprofundaram esta verdade. Mesmo os estudiosos marxistas do século XX deram crédito aos calvinistas puritanos por terem elevado a moral da classe trabalhadora da Inglaterra naquele período (Século XVII). Ao invés de darem simplesmente recursos às pessoas pobres, eles organizaram muitas sociedades, sistemas, para que as pessoas aprendessem uma vocação. Ensinavam que as pessoas tinham sido criadas por Deus para servir de acordo com os propósitos deste Deus. Que elas tinham sido criadas à imagem e semelhança de Deus sem distinção de classe. Diziam que quando uma pessoa estava varrendo a sua casa devia fazê-lo de forma responsável, pois era para glória de Deus e avanço do Seu Reino.

Dessa forma os pobres começaram a sentir um novo senso de dignidade e a desenvolver seus talentos que Deus havia concedido.

Assim, os crimes, a violência caíram tremendamente naquela época. Criaram sociedades de voluntários para ajudarem e darem treinamento e qualificação aos pobres. Fundaram hospitais de caridade e tudo tinha um propósito: viver para glória de Deus.
Protestantes reformados começaram a criar a Associação de Arte, de Ciências, de Cultura, através de toda a Europa. Nos Estados Unidos as grandes Universidades que foram fundadas com o propósito de anunciar ao mundo e às novas gerações esta postura Reformada, são conhecidas e respeitadas até hoje: Harvard, Dartmouth, Yale, Princeton, Brown e outras. Tudo para que Deus continuasse a ser glorificado enquanto os homens buscavam ser o melhor em suas profissões.

Mas, hoje, a maior ênfase é na glória humana. Evangélicos insensivelmente pragmatas, afirmam que a Reforma estava errada pois era centrada em Deus e não no homem. Eles insistem que o propósito do Evangelho é: “Santificar a busca egoísta do homem”. Dizem mais: que o grande defeito do cristianismo moderno é “o fracasso em proclamar o Evangelho de um modo que possa satisfazer a necessidade mais profunda de cada pessoa, ou seja, o anseio espiritual pela glória humana”.

Com toda esta ênfase que ouvimos hoje nos meios de evangélicos, daquilo que o homem é capaz de fazer com o poder do seu pensamento positivo e livre e de suas capacidades próprias, será que a glória ao nome de Deus está sendo um assunto estudado nas Igrejas Evangélicas dos nossos dias? Será que a Igreja que está se preparando para o século XXI está dando glórias ao nome de Deus? Será que temos hoje uma igreja aplicando este princípio da Reforma onde Deus é glorificado em todos os atos do crente ou será que precisamos de reforma novamente?

A situação de hoje é a mesma da Igreja Católica da Idade Média, estão acrescentado algo às Escrituras. Isto motivou a Reforma.

Precisamos de reforma novamente. A glória de Deus está dividida e obscurecida. Quando é o homem que faz e não Deus, não podemos dizer Soli Deo Gloria. Dizer que só a Escritura é a única regra de fé e prática e a ela não se acrescenta nada mais, mesmo que um anjo com todo seu explendor apareça dizendo novidades, aí está a Glória de Deus.

Quando se ensina presciência em lugar de predestinação; quando se diz que o homem tem livre arbítrio; quando se afirma que Cristo morreu por todos os homens e que este homem é quem decide a sua salvação; que o frágil homem é mais forte do que o Espírito Santo resistindo-o na Sua obra de convencê-lo do pecado, da justiça e do juízo; quando se afirma que o crente pode ser “desregenerado”, “desjustificado” e “desantificado”, a graça é destruída e por se enfatizar o homem e não a Deus, não podemos afirmar Soli Deo Gloria.
Certa vez, em um programa de rádio, nos Estados Unidos, Dr. Michael Horton perguntou a Dr. James Boyce: “Se a glória de Deus não é o objeto em foco, o que a substitui?” A resposta sábia foi: “Nós vamos dar glória a alguém; ou damos a Deus ou aos homens. …ou louvamos a Deus ou endeusamos a nós mesmos e glorificamos a nós mesmos…construindo nosso próprio reino”.

Como podemos falar na glória de Deus na salvação se o homem seria um parceiro deste Deus na sua salvação. Deus não tem parceria com o homem no seu pacto eterno de salvá-lo. O Pacto divino para salvar o homem é feito com o Filho e os crentes são apenas herdeiros deste pacto. A iniciativa e o mérito é todo de Deus, da Trindade Santa. É Deus quem começa a boa obra e a completa. Foi Ele que disse: tudo está consumado! O amar de antemão, o predestinar para salvação, o chamar de forma eficaz, o justificar pela imputação da justiça de Cristo, e o glorificar na eternidade é o plano gracioso de salvação. Deus não divide Sua glória com ninguém – “A minha glória não darei a outrem” (Is.48:11).

Quando a igreja cria metodologias pragmáticas, técnicas inovativas para fazer o número dos membros crescer baseadas na força do homem, a glória de Deus é desfeita, “apagada”. A Igreja de hoje é tolerante, benevolente e só enfatiza o positivo; o sermão é breve e divertido. Isso descarta o método do próprio Jesus que enfatizava a pregação e o ensino sérios, como algo que O ocupou em todo Seu ministério.

A ênfase na auto-estima, hoje, tem sido evidenciada grandemente e sutilmente. Quando divido a glória da salvação com Deus, estou elevando minha auto-estima e não negando-me a mim mesmo. O negar-se a si mesmo foi a exigência de Cristo e uma marca do eleito de Deus (ITs.1:3). O hino que deve-se cantar hoje não é “Você tem valor”, mas é “Servo inútil sem valor, mas pertenço ao meu Senhor”.
A glória da minha justificação é de Deus, os méritos são de Cristo. Só a Deus toda glória por nossa justificação que é por fé; fé que ele mesmo nos dá gratuitamente. Isso nos faz lembrar as palavras de Cristo: “Graças te dou, ó Pai, Senhor dos céus e da terra, por que ocultastes estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos” (Mt.11:25). Deus escolheu os fracos para envergonhar os fortes; as pessoas humildes, as desprezadas, as que nada são para reduzir a nada as que são, com um propósito: Afim de que ninguém se glorie diante de Deus, pois só este merece a glória (I Co 1:26-29). E nesta humilhação do homem, os crentes, os que são de Cristo, para estes, Cristo é nossa sabedoria – a loucura do Evangelho torna-se sabedoria pois é o próprio Deus encarnado se oferecendo a si mesmo para salvar pecadores. Esta sabedoria está incluindo três coisas:

1. Justiça: Cristo nos justifica com sua morte na cruz e sua obediência à Lei.

2. Santificação: Cristo nos santifica. Jamais poderíamos nos santificar por nossas próprias forças – “…desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fl.2:12-13).

3. Redenção: Cristo pagou o preço de resgate com Seu sangue no Calvário.

Para que ?

Para que o homem veja que ele não fez nada e por isso não tem do que se vangloriar. Assim a glória é toda de Cristo.

Na doutrina protestante o homem é diminuído e Cristo é elevado. A Confissão de Fé de Westminster expressa que Deus pré-ordenou todas as coisas para Sua própria glória, bem como estabelece isso como sendo o fim principal do homem.: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre” (Breve Catecismo pergunta 1). Isso porque a Bíblia diz: “Por que dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Romanos 11:36).

Manoel Canuto (Coordenador do Projeto Os Puritanos)

BIBLIOGRAFIA
1. Bíblia Sagrada – Versão Revista e Atualizada
2. Enciclopédia Histórico Teológica – “Protestantismo” – Edições Vida Nova, Vol III
3. Errol Hulse – Lutero e a Autoridade das Escrituras – Jornal Os Puritanos/A Reforma Protestante/Ano II, N° 4
4. James E. McGoldrick – Três Princípios do Protestantismo – Jornal Os Puritanos/ A Reforma Protestante/Ano II, N° 4
5. Joel Beeke – Revendo Nossos Princípios Reformados – Revista os Puritanos/ Vida Aos Mortos/ Ano VI, N° 4
6. Loraine Boettner – Catolicismo Romano – (Editora Batista Regular)
7. R.C. Sproul – La Santidade de Dios, Cap 5 – La Insania De Lutero

Instabilidade Espiritual (?) – Busque a Face do Senhor

Embora eu me regozije com conversões súbitas, eu tenho sérias suspeitas quanto a essas pessoas repentinamente felizes que nunca parecem ter se entristecido com o próprio pecado. Receio que esses que vêm tão facilmente à sua religião que freqüentemente a perdem completamente com a mesma facilidade. Saulo de Tarso foi convertido subitamente, mas nenhum homem já passou por maior horror de escuridão do que ele, antes que Ananias viesse a ele com palavras de conforto.
Eu gosto do arado profundo.
A raspagem superficial do solo é trabalho pobre. O corte profundo da terra sob a superfície é grandemente necessário. Afinal de contas, os cristãos mais duradouros parecem ser aqueles que viram que o mal interior que neles há é profundo e repugnante, e depois de algum tempo foram levados a ver a glória da mão curativa do Senhor Jesus conforme Ele a estende no Evangelho.

Receio que em muito da religião moderna há uma carência de profundidade em todos os pontos. Eles não tremem profundamente nem se regozijam grandemente. Eles não se desesperam muito, nem acreditam muito. Oh, cuidado com um verniz piedoso! Proteja-se da religião que consiste em colocar uma fina camada de piedade sobre uma pesada massa de carnalidade. Nós precisamos de uma obra contínua no interior. A graça que alcança o centro e afeta o espírito mais interior é a única graça que vale a pena ter.
Para pôr tudo em uma palavra, uma ausência do Espírito Santo é a grande causa da instabilidade religiosa. Cuidado para não confundir excitação com o Espírito Santo ou as suas próprias resoluções com os profundos mecanismos do Espírito de Deus na alma. Tudo aquilo que a natureza pinta, Deus queimará com ferro quente. Qualquer coisa que a natureza põe em funcionamento, Ele fará parar e jogará fora com os trapos. Você precisa nascer de cima, você precisa ter uma nova natureza forjada em você pelo dedo do próprio Deus, já que de todos os seus santos está escrito, “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus.”
Oh, mas, em todos os lugares eu temo que haja uma ausência do Espírito Santo! Há muita coisa vindo de uma moralidade espalhafatosa, superficial, muitos clamores de “Paz, Paz” onde não há nenhuma paz; e muito pouca ansiedade profunda advinda de um exame do coração para ser completamente purificado do pecado. Verdades bem conhecidas e facilmente lembradas são cridas sem serem acompanhadas da devida uma impressão do peso delas; esperanças sem consistência e confianças infundadas são formadas e é isso que faz com que os enganadores sejam tão abundantes e os espetáculos carnais tão comuns.

“Para pôr tudo em uma palavra,uma ausência do Espírito Santo é a grande causa da instabilidade religiosa.”

Como Jesus Cristo tratou os Líderes Religiosos

É você um fariseu? Ou você é um saduceu? Se você teve mesmo que seja um pequeno contato com o relato da Bíblia sobre a vida de Cristo, provavelmente não desejaria ser identificado com qualquer um desses grupos! Porém, nos dias de Cristo, ser um fariseu ou saduceu era uma marca de distinção. Até mesmo o apóstolo Paulo falou sobre ser um fariseu como honroso. Naqueles dias, se você encontrasse com um velho amigo que perguntasse: “O que o seu filho está fazendo agora?” Você se sentiria orgulhoso em dizer: “Meu filho é um fariseu!”

Entretanto, hoje, pensamos nos fariseus e saduceus sobretudo em termos negativos, embora alguns dos problemas que eles tinham possam ser problemas que encontramos em nosso próprio coração. Observemos o que fez com que essas pessoas se tornassem famosas e talvez vejamos como podemos ser salvos dos erros que eles cometeram.

Quem eram os fariseus? Eles eram os conservadores. Eram legalistas rígidos. Eram tradicionalistas. Eles se envolviam em grandes problemas para manter os padrões, as doutrinas e práticas da igreja. Eram vítimas do problema comum daqueles dias – salvação pelas obras. Estavam tentando se salvar por seus próprios esforços. Eles eram os maiores dos dois grupos de líderes religiosos e encontravam sua segurança nos padrões da igreja que apoiavam.

O segundo grupo de líderes da igreja eram os saduceus. Eles eram os liberais dos dias de Jesus. Contudo, ainda eram legalistas, porque eram igualmente vítimas da idéia de que você pode se salvar pelos seus próprios esforços. Entretanto eles encontravam sua segurança nos padrões da igreja que eles abandonaram.

Os saduceus proclamavam crer no princípio “sola scriptura”, em oposição aos fariseus que apoiavam abertamente algumas de suas doutrinas pela tradição. Mas, na verdade, os saduceus tinham também suas próprias tradições e até mesmo em suas ênfases sobre as Escrituras eram freqüentemente muito parciais quanto ao que aceitar e o que rejeitar.

Entre os saduceus estavam os piores inimigos de Jesus. O grupo deles era menor que o dos fariseus, mas o mais poderoso. A posição de sumo sacerdote geralmente era concedida a um saduceu, e eles controlavam o Sinédrio.

Em pesquisas feitas na igreja cristã de hoje, tem sido revelado que a maioria dos líderes religiosos e pessoas tais, ainda estão tentando obter o Céu por suas próprias obras. Isto permeia todas as igrejas cristãs. Por muito tempo esse tem sido o denominador comum de todas as religiões do mundo, e tem se tornado comum também à fé cristã.

Toda igreja luta com a doença conhecida como salvação pelas obras. A maioria dos chamados cristãos não tem tempo para Deus, nenhum tempo para a oração, nenhum tempo para o estudo de Sua Palavra. Qualquer pessoa que vive a vida separada de Deus dia a dia, ainda que espere pelo Céu no final, é um crente na salvação pelas obras. Isso significa que temos uma alta possibilidade de que os fariseus e saduceus estejam entre nós hoje.

Os fariseus e saduceus tinham outras coisas em comum, além da esperança pela salvação com base em seus próprios esforços. Eles tinham um problema comum de má interpretação das Escrituras. Eles interpretavam erradamente a lei, seu propósito e nação. Eles interpretavam erradamente profecias, inclusive as profecias da vinda do Messias. Interpretavam erradamente o reino de Deus e o que estava envolvido nas boas novas de Seu reino. Entretanto eles eram grandes na justificação! O sangue corria como rio em suas festas e festivais religiosas. Eles estavam diariamente envolvidos nos sacrifícios dos cordeiros, do gado e dos pombos. Mas, a despeito de suas crenças e interesses comuns, pouca união existia entre os dois grupos. Eles estavam freqüentemente envolvidos em controvérsias e debates. Com freqüência suas discussões eram sobre a ressurreição e os mortos.

Quando Jesus surgiu, Ele não os tratou muito bem, segundo o padrão deles. Ele não apenas deixava de honrá-los, bem como seus costumes e cerimônias, mas estava realmente insultando-os! É difícil compreender como Ele pôde ter-lhes falado como fez e ainda ter lágrimas em Sua voz, mas segundo o relato essa é a Sua maneira de ser. Em S. Lucas 12:1, Ele chamou tanto aos fariseus como saduceus de hipócritas. Ambos estavam errados. Eles estavam tentando aparentar no exterior alguma coisa diferente daquilo que eram realmente no interior.

Em S. Mateus 23, Jesus usou uma interessante ilustração do problema deles, falando sobre o copo e o prato que eram limpos por fora, mas imundos por dentro. Ainda mais severa foi Sua ilustração sobre os sepulcros dos profetas, nos versos 27 a 30. Disse Ele:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos, e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas.”

Obviamente eles eram vítimas da justificação externa. Sabiam como caminhar de suas casas para a igreja ou sinagoga. Mas Jesus disse em Seu Sermão do Monte que, a menos que a sua justiça excedesse a justiça dos fariseus, não haveria chance para a entrada no reino do Céu.

Esses hipócritas eram dizimistas, eram rígidos guardadores do sábado, eram reformadores da saúde. Eles nem mesmo comeriam, se um mosquito caísse na sopa. Eles eram bons nas obras – especialmente naquelas que pudessem ser vistas pelos outros. Eram grandes no jejum e podiam fazer longas orações. Eram meticulosos em seus banhos cerimoniais e gostavam do primeiro lugar na sinagoga. Mas colocavam sobre os outros fardos impossíveis de ser carregados, e Jesus lhes disse que quando eles conseguiam forçar alguém, colocando-lhe a religião garganta abaixo, faziam de seus conversos “duas vezes mais filhos do inferno do que vós mesmos”. Ver S. Mateus 23:15.

Jesus disse: “E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo.” S. João 12:32. Mas os lideres religiosos disseram: “Se atrairmos todos para nós, então nós seremos levantados.” E isso é precisamente o que eles tentaram fazer.

Esses líderes religiosos não gostavam de Jesus por várias razões: Primeiro, Jesus recebia pecadores e eles não. Os pecadores não tinham sequer uma chance com os fariseus e saduceus. Eles os colocavam para fora da sinagoga, tentavam apedrejá-los e não se associavam com eles. Porém, Jesus recebia pecadores – isto é uma boa nova, ainda hoje, não é?

Você não está contente porque Jesus recebe pecadores?

Uma outra coisa que eles não gostavam sobre Jesus era que, segundo suas regras, Ele transgredia o sábado. Eles O consideravam um liberal, porque Ele não seguia suas regras e tradições. Não gostavam da maneira pela qual Jesus ensinava sem a autorização adequada. Não gostavam da falta de respeito que Ele tinha para com suas posições. Não gostavam das expressões que Jesus usava em relação a eles e Suas francas repreensões às suas atitudes. Eles não gostavam de Suas obras miraculosas e da maneira pela qual as pessoas comuns se aglomeravam ao redor dEle e Lhe proclamavam louvores. Eles diziam: “O mundo todo vai após Ele.” Ver S. João 12:19. E temiam por seu próprio poder e autoridade sobre as pessoas.

Em resumo, eles eram invejosos e cobiçosos, e quando a solitária cruz se erigiu como resultado do seu decidido ódio de Cristo, eles se aproximaram, acenaram a cabeça e disseram: “Ele salvou outros, a Si mesmo não pode salvar.” Eles haviam gasto toda a vida tentando salvar-se a si mesmos, e o fato de que Jesus veio não para salvar-Se a Si mesmo, mas para salvar outros, era insuportável para eles. Jesus podia ter salvo a Si mesmo, mas essa não era a razão por que Ele veio. Ele veio para salvar os outros, inclusive você e eu, e enquanto fazia isso, não podia salvar-Se a Si mesmo também.

A auto-submissão era a essência dos ensinos de Jesus, e isto era particularmente ofensivo aos líderes religiosos. Eles eram suficientemente grandes para lidar com a própria vida. Podiam fazer isto por si mesmos. Especialmente os saduceus foram ofendidos porque eles não criam em um Deus que estava pessoalmente envolvido na vida de Seus filhos. Assim, foram ofendidos pelo ensino e exemplo de Jesus Cristo.

Paulo fala sobre esses religiosos, em I Coríntios 2:7 e 8: ”Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória.” Jesus sugeriu a mesma idéia em Sua oração na crucifixão: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. S. Lucas 23:34. Aparentemente havia alguma ignorância envolvida, e se eles soubessem que Ele era o Filho de Deus, eles não O teriam crucificado.

Por que eles não sabiam? Os pastores sabiam, e os magos do Oriente sabiam. Os humildes pescadores sabiam, e até mesmo os demônios sabiam e diziam “nós sabemos quem Tu és”. Mas os líderes religiosos não sabiam. Talvez possamos encontrar um indicio da razão por que eles não sabiam, em S. Mateus 11:25: “Por aquele tempo exclamou Jesus: Graças Te dou, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.”

Jesus estava grato porque essas coisas foram ocultadas aos sábios, por quê? O que as pessoas sábias fazem com a verdade? Elas tomam a glória para si mesmas. A tendência é tomarmos a glória para nós mesmos se podemos encontrar a menor desculpa para fazê-lo.

Teria Deus Se assentado lá em Seu trono e dito: “Dê isto aos pescadores e pastores, mas não deixe que os fariseus tenham qualquer verdade”? Ou temos nós mais textos nas Escrituras para examinarmos nesse ponto?

Veja S. Mateus 13, a partir do verso 9:

“Quem tem ouvidos, ouça. Então se aproximaram os discípulos e Lhe perguntaram: Por que lhes falas por parábolas? Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas àqueles não lhes é isso concedido.” Não pare aí – continue lendo! “Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. “Por isso lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem entendem. “De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: “Ouvireis com os ouvidos, e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. “Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por Mim curados. “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. “Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram; e ouvir o que ouvis, e não ouviram. “Atendei vós, pois, à parábola do semeador.” Versos 12 a 16.

Eles fecharam os ouvidos. Eles fecharam os olhos.

Assim, não foi Deus que arbitrariamente deu compreensão a alguns e a outros não. Essa era a diferença das pessoas. O sol brilha sobre a cera, e o sol brilha sobre a argila. A cera derrete; a argila endurece. Por quê? É o mesmo sol brilhando sobre ambas.

Por que eles fecharam os olhos e ouvidos? Jesus, vindo como veio, ameaçou seu orgulho por status. Ele passou pelos líderes religiosos e escolheu os camponeses e estrangeiros para espalhar Sua mensagem. O orgulho por status tinha sido ameaçado.

Segundo, o seu orgulho nacional tinha sido profundamente abalado. Eles esperavam um Messias que viesse liderar os exércitos e subjugasse Roma. Ao contrário, Ele veio de maneira humilde e ofereceu Suas dádivas igualmente a judeus e gentios.

Em terceiro lugar, seu orgulho pessoal foi ameaçado. Os pecadores, as prostitutas e os ladrões aceitaram a Jesus e Ele os aceitou. Como podia ser assim, quando os legisladores religiosos nada sentiam, a não ser desconforto em Sua presença? Assim, eles fecharam os olhos e se afastaram para longe dEle. E exatamente como as pessoas de Nazaré, já que haviam tomado essa atitude, eram muito arrogantes para mudar de posição.

Apesar de suas diferenças, os fariseus e saduceus finalmente se uniram. Eles poderiam ter encontrado unidade na aceitação de Jesus, se estivessem dispostos a submeter seu orgulho e vir a Ele, pois é vindo a Jesus que nos aproximamos uns dos outros. Porém, em vez disso, eles se uniram em sua rejeição dEle e encontraram unidade na sala de julgamento de Pilatos e na crucifixão.

E se você visse a si mesmo ao olhar para esses líderes religiosos dos dias de Cristo? Isso significaria que seu caso é sem esperança? Não. Há boas novas, pois você pode unir-se com aqueles que eram a exceção da regra.

Nicodemos, um fariseu e membro do Sinédrio, era muito orgulhoso até mesmo para aproximar-se de Jesus durante o dia, mas em vez disso buscou-O sob a proteção da noite. Entretanto, ele aceitou um novo nascimento que Jesus tão solenemente enfatizou e tornou-se um fiel seguidor até o final.

Simão, também um fariseu, trilhou o longo caminho até Jesus. Mesmo o fato de ter sido curado de sua lepra, não foi suficiente para modificá-lo, mas chegou o tempo em que Jesus alcançou-lhe o coração – em sua própria festa – e Simão se rendeu ao amor que não o abandonaria.

S. João 12:42 e 43 fala de “muitos” que creram nEle. Houve muitos que aprenderam a futilidade de seus próprios esforços para salvar a si mesmos e chegaram a aceitar a salvação que Jesus tinha a oferecer. Reconheceram que não podiam purificar o templo de seu próprio coração, e convidaram Jesus para entrar, não apenas uma vez, mas dia a dia. Jesus ainda está oferecendo a mesma salvação a cada um de nós e podemos escolher aceitar. Podemos escolher entrar em um relacionamento vital com Ele ao aprendermos a conhecê-Lo melhor como Salvador, Senhor e Amigo.

Morris Venden.

in Maluco por Jesus

Deus não faz acepção de pessoas PARA SALVAR

 

Deus não exibe favoritismo.

Atos 10:34

“Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas.”

Por que Deus condena o favoritismo?

Malaquias 2:9

“Por isso também eu vos fiz desprezíveis, e indignos diante de todo o povo, visto que não guardastes os meus caminhos, mas fizestes acepção de pessoas na lei.”

O favoritismo desvaloriza as pessoas por quem Cristo morreu e mostra uma ignorância dos valores de Deus.

Tiago 2:1-4

“Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Porque, se entrar na vossa reunião algum homem com anel de ouro no dedo e com traje esplêndido, e entrar também algum pobre com traje sórdido, e atentardes para o que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te aqui num lugar de honra; e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te abaixo do escabelo dos meus pés, não fazeis, porventura, distinção entre vós mesmos e não vos tornais juízes movidos de maus pensamentos?”

É perigoso e indica falta de sabedoria mostrar favoritismo dentro de uma família.

Gênesis 37:3-4

“Israel amava mais a José do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no, e não lhe podiam falar pacificamente.”

Você é “Cristão” ? TEM CERTEZA ?

A Bíblia não esconde o fato de que além do cristianismo verdadeiro, legítimo, renascido da “água e do espírito”, há também um cristianismo aparente, formado por “cristãos” que não estão ligados a Jesus, não estão enraizados nEle, não vivem nEle e nem por Ele. Mesmo que tudo pareça legítimo, eles não passam de uma imitação. É desses “cristãos” que Paulo fala ao escrever a Timóteo, em sua segunda carta: “…tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3.5). A Edição Revista e Corrigida diz: “…tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. Na Nova Versão Internacional lemos: “…tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também”.

Sendo cristão sem ser cristão

De acordo com pesquisas nos EUA, quase metade dos americanos se dizem cristãos renascidos. Mas uma análise mais aprofundada revelou que muitos confundem o novo nascimento com uma sensação positiva a respeito de Deus e de Jesus.

Um levantamento estatístico entre os cristãos praticantes nos EUA apresenta resultados desanimadores, o que também é representativo em relação à Europa:

  • 20% nunca oram
  • 25% nunca lêem a Bíblia
  • 30% nunca vão à igreja
  • 40% não apóiam a “obra do Senhor” por meio de ofertas
  • 50% nunca vão à Escola Bíblica Dominical (de todas as faixas etárias)
  • 60% nunca vão a um culto vespertino
  • 70% nunca dão dinheiro para missões
  • 80% nunca freqüentam uma reunião de oração
  • 90% nunca realizam culto em família [1]

Se a situação já é assim na América marcada pela influência do puritanismo, quanto mais na superficial Europa.

O próprio Senhor Jesus advertiu a respeito da confissão nominal, que carece de conteúdo verdadeiro, ou seja, que não está de acordo com o que vai no coração: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.21-23). Com isso, o Senhor esclarece quatro pontos básicos: há duas coisas que não são de forma alguma suficientes para que alguém seja salvo, e outras duas são imprescindíveis para que alguém seja redimido.

Duas coisas insuficientes para a salvação

Nem a simples confissão “Senhor, Senhor” (1) nem as obras em nome de Jesus (2) são suficientes para alcançar a salvação eterna. Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações são meramente formais, os atos de caridade são feitos em nome de Jesus sem que aqueles que os realizam pertençam a Ele ou sejam filhos de Deus. Quantos indivíduos “cristãos” realizam atos cristãos sem pertencerem a Cristo! É assustador que no fim Jesus até mesmo condena as suas ações como sendo iníquas: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Duas coisas imprescindíveis para a salvação

Precisamos fazer a vontade de Deus (1) e precisamos ser conhecidos por Deus (2).

1. Fazer a vontade do Pai celeste não é realizar muitas boas ações, pequenas e grandes, mas ter fé em Jesus Cristo, entregar conscientemente a vida a Ele e obedecer-Lhe na prática.

O judaísmo da época de Jesus tinha “boas ações” para apresentar: muitos eram fanáticos em seguir a lei, lidavam com a Palavra de Deus, expulsavam maus espíritos e faziam milagres. Mas uma coisa eles não queriam: crer em Jesus Cristo e, assim, aceitar a misericórdia que recebemos por meio dEle. Pensavam que chegariam ao céu sem Ele, que Deus reconheceria as suas obras e lhes permitiria entrar. Porém, foi justamente nesse ponto que Jesus tratou de contrariar seus planos. Eles tinham de aprender e aceitar que a vontade de Deus era que reconhecessem sua própria falência espiritual e cressem em Jesus.

Nós enfrentamos o mesmo problema hoje. “Cristãos” nascidos em um ambiente cristão pensam que conseguirão ir para o céu por meio de obras cristãs. Ao lhes dizermos que nada disso serve, que no fim das contas as suas ações são iniqüidades inaceitáveis aos olhos de Deus e que eles continuam perdidos, a grande maioria reage de forma irritada, por pensar que não precisam de Jesus pessoalmente. Quando Jesus foi questionado: “Que faremos para realizar as obras de Deus?”, Ele respondeu: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.28-29).

2. Precisamos ser conhecidos por Deus. Haverá pessoas das quais Jesus dirá naquele dia:“Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Não é suficiente crer em Jesus de forma superficial, reconhecê-lO, acreditar em Sua existência ou aceitá-lO até certo ponto. Não – é preciso que haja um encontro pessoal com Ele.

Posso dizer: “Conheço o presidente do Brasil”. De onde o conheço? De suas aparições na mídia. Mas será que ele me conhece? Claro que não! No entanto, se eu fosse convidado a visitá-lo, teria a oportunidade de ser conhecido por ele.

O Senhor Jesus convida cada ser humano, de forma pessoal, a entregar-se a Ele: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Quem aceita esse convite, quem se achega a Ele com todos os seus pecados, quem O aceita em seu coração e em sua vida e crê em Seu nome (Jo 1.12), esse é conhecido por Ele. Quem fez isso reconheceu o Pai e o Filho de Deus e entrará no céu: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

“Tens nome de que vives…

…e estás morto” (Ap 3.1). Há muitos que se chamam de “cristãos”, mas o são apenas nominalmente. O Senhor Jesus falou de pessoas que imaginariam servir a Deus matando justamente Seus verdadeiros filhos: “Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim” (Jo 16.2-3).

Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações viraram rotinas, sem que aqueles que oram pertençam a Jesus.

Eles reivindicam autoridade teológica, pensam servir a Deus, mas não conhecem nem o Pai nem Jesus Cristo. Isso aconteceu, por exemplo, na época das Cruzadas e da Inquisição. Hoje também existe uma teologia que reivindica toda autoridade para si e rejeita os que se baseiam na Palavra de Deus. Basta lembrar das muitas seitas e do islamismo, que afirmam que Deus não tem um Filho.

Já no século VII antes de Cristo, na época do profeta Jeremias, havia dignitários religiosos meramente nominais. Ouvimos o lamento de Jeremias: “Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (Jr 2.8).

Mesmo um cristão pode apostatar da fé. Quem com sua boca confessa ser cristão, mas não pratica o cristianismo no dia-a-dia, precisa aceitar que outros lhe perguntem se não está enganando a si mesmo.

Não é exatamente isso que vemos hoje? Muitos teólogos abandonaram a fé bíblica e correm atrás de convicções que não servem para nada. Eles se abriram para religiões e correntes espirituais que não têm absolutamente nada a ver com Jesus Cristo. Isso também já aconteceu na época em que o povo de Israel peregrinou pelo deserto. Depois de ter louvado a grandeza e a soberania de Deus (Dt 32.3-4), Moisés emendou uma declaração sobre os infiéis: “Procederam corruptamente contra ele, já não são seus filhos, e sim suas manchas; é geração perversa e deformada” (v.5). Portanto, realmente é possível que aqueles que não são Seus filhos se tornem infiéis a Ele.

É dito a respeito dos filhos de Eli: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não se importavam com o Senhor… Era, pois, mui grande o pecado destes moços perante o Senhor, porquanto eles desprezavam a oferta do Senhor” (1 Sm 2.12,17). Não reconheceram ao Senhor porque desprezaram o sacrifício. Enquanto uma pessoa (por mais cristã que se considere) desprezar o sacrifício de Jesus pelo pecado, não reconhecerá o Senhor.

Todos os israelitas saíram do Egito, mas da maior parte deles Deus não se agradou, motivo pelo qual tiveram de morrer no deserto (veja 1 Co 10.1-12).

Como exemplo especial de alguém que era crente nominal e que realizava obras, mas que ainda assim estava espiritualmente morto, lembro de Balaão (veja Nm 22-24):

  • Ele era um homem a quem Deus se revelava, com quem Deus falava (Nm 22.9).
  • No começo ele foi obediente (Nm 22.12-14).
  • Ele afirmava conhecer o Senhor e O chamou de “meu Senhor” e “meu Deus” (Nm 22.18).
  • Ele adorava o Senhor (Nm 22.31).
  • Ele reconhecia a sua culpa (Nm 22.34).
  • Ele estava disposto a servir (Nm 22.38).
  • Deus colocou Suas próprias palavras na boca de Balaão (Nm 23.5).
  • Balaão abençoou Israel três vezes (Nm 23 e 24).
  • Ele testemunhou da sinceridade e da fidelidade de Deus (Nm 23.19).
  • Ele falou três vezes do Messias como Rei de Israel (Nm 23.21; Nm 24.7,17-19).
  • O Espírito Santo veio sobre ele (Nm 24.2).
  • Ele testemunhava ser um profeta de Deus (Nm 24.3-4).
  • Balaão confirmou a bênção e a maldição de Deus sobre os amigos e inimigos de Abraão (Nm 24.9, Gn 12.3).
  • Ele colocou o mandamento de Deus acima de bens materiais (Nm 24.13).
  • Ele falou profeticamente a respeito do futuro dos povos, sobre a chegada do Messias e chegou a mencionar o Império Mundial Romano [Quitim] (Nm 24.14-24).

Apesar de tudo isso, a Bíblia chama Balaão de falso profeta, vidente e sedutor (veja Nm 31.16; Js 13.22; Ne 13.1-3; 2 Pe 2.15-16; Jd 11; Ap 2.14-16). Por quê? Porque Balaão fazia concessões e aceitava comprometimentos, e levou o povo de Deus a se misturar com outros povos. Havia uma discrepância entre suas palavras e ações. “Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do SENHOR se acendeu contra Israel” (Nm 25.1-3). Balaão havia levado Israel a essa prostituição (Nm 31.16; Ne 13.1-3). Pedro chama Balaão de alguém que“amou o prêmio da injustiça”. Na Epístola de Judas ele é chamado até mesmo de enganador (“erro de Balaão”) e no Apocalipse ele é apresentado como alguém que “armou ciladas”.

A Bíblia diz a respeito das pessoas nos últimos tempos que “os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13). Quem tende a prostituir-se espiritualmente ou a comprometer sua fé e suporta, permite e pratica essas coisas sem que sua consciência o acuse, tem motivo para crer que, apesar das aparências, não é um cristão verdadeiro. Com isso não estou me referindo à luta contra o pecado, que qualquer filho de Deus enfrenta. Não, aqui não se trata de “derrotas” na fé e na obediência, mas de lidarmos com o pecado de forma consciente e indiferente, de deliberadamente escolhermos a prática pecaminosa.

Não somos salvos por nossas próprias obras, mas somente pela fé em Jesus Cristo, pela conversão a Ele. Só aqueles que O aceitam, ao Filho de Deus, em seu coração e em sua vida, com fé infantil, poderão realizar obras que testemunhem a veracidade de sua fé. Essa fé precisa estar “enraizada” na Palavra de Deus. Em Sua parábola sobre o semeador, Jesus diz que há pessoas que aceitam a Palavra de Deus com alegria, mas não criam raízes para ela e mais tarde a abandonam (Mt 13.20-21). A raiz liga a planta à terra, da qual ela vive, lhe dá firmeza, extrai alimento e o conduz à planta. A raiz é um símbolo do Espírito Santo, por meio do qual estamos enraizados em Deus. O Espírito Santo nos traz a vida em Deus, à medida que extrai alimento das Escrituras.

Podemos aceitar a Palavra de Deus de forma superficial, podemos simpatizar com o Senhor, podemos acompanhar os cristãos durante algum tempo, mas depois nos afastar novamente, porque nunca nascemos realmente de novo e por isso nunca tivemos “raízes”.

Jesus disse aos Seus discípulos, àqueles que O seguiam: “Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (Jo 6.64). De acordo com Hebreus 6.4-6, há pessoas que foram “iluminadas”, que “provaram o dom celestial”, e que até “se tornaram participantes do Espírito Santo” e ainda assim caíram. Por quê?

  • Porque foram iluminadas, mas elas mesmas nunca se tornaram luz. A luz pode se refletir em mim, e então estou iluminado; mas é preciso mais para que eu mesmo seja luz.
  • Porque provaram, mas não comeram (aceitaram). Posso sentir o cheiro do pão, provar o seu sabor (assim como o enólogo, que toma um pouco de vinho na boca para testar seu aroma, mas depois o cospe fora). Mas é preciso que aconteça mais: precisamos comer o pão, ingeri-lo. Não basta “provar” Jesus, ou seja, experimentá-lO – precisamos aceitá-lO em nós (Jo 6.53-56,63; Jo 1.12).
  • Porque participaram do efeito do Espírito Santo, mas nunca O receberam pessoalmente. Ao ler a Palavra de Deus, ao freqüentar um culto, posso participar do efeito do Espírito Santo. Mas isso não é suficiente. Não – é preciso que haja uma renovação espiritual real.

É possível que pessoas assim imitem o cristianismo durante algum tempo, acompanhem e participem de uma igreja local. Mas um dia elas “cairão” e negarão a Jesus. Então muitos se perguntam espantados: “Como isso é possível?”

Quando o Senhor Jesus falou de comer Sua carne e beber Seu sangue para ganhar a vida eterna (Jo 6.53-59), muitos de Seus discípulos disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (v. 60) e se afastaram dEle (v. 66), apesar dEle ter lhe explicado de antemão o que isso significava: “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (v. 63).

Tornar-se cristão apesar de ser “cristão”

Enganam-se a si mesmos os que pensam que todos são cristãos! Muitas vezes, quando questionei pessoas que davam a entender isso, a resposta era: “Meus pais são cristãos”, ou: “Minha família é cristã!” Um conhecido evangelista costumava responder a essas afirmativas: “Se alguém nasce em uma garagem, isso não significa que seja um automóvel! E quando alguém nasce em uma família cristã, ainda falta muito para que se torne cristão!” (extraído de um livro de Wilhelm Busch).

Jesus disse a Pedro: “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc 22.32). Por um lado, o Senhor confirmou a fé de Pedro. Por outro lado, porém, Ele falou da necessidade de sua conversão futura. Pedro poderia ter retrucado: “Senhor, sou judeu, um filho de Abraão. Cumpro os mandamentos, fui circuncidado ao oitavo dia, guardo o sábado, oro três vezes ao dia, celebro a Páscoa e faço os sacrifícios. E  já Te sigo há três anos…” Mesmo assim, ele ainda precisava converter-se. Da mesma forma Paulo, o grande defensor da lei, precisou se converter, assim como todos os outros apóstolos e discípulos.

Toda pessoa precisa se converter se quiser ser salva – inclusive os “cristãos”, sejam eles membros da igreja católica romana, protestantes, evangélicos ou de uma família cristã. Não são poucos os que nascem no cristianismo, da mesma forma como os judeus nascem no judaísmo. Mas, não é esse nascimento que dá a salvação, alcançada somente através de um “novo nascimento”: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Precisamos nos converter mesmo que tenhamos sido batizados quando pequenos, freqüentado aulas de catecismo ou participado de cultos. Se não nascermos de novo, continuaremos perdidos.

Mais tarde, quando o apóstolo Pedro se converteu e experimentou o novo nascimento, ele escreveu em sua primeira carta: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros” (1 Pe 1.3-4).

Quem carrega em si o testemunho do Espírito Santo a respeito de seu novo nascimento (Rm 8.16) deve alegrar-se com essa certeza e agradecer a Jesus Cristo por ela. Mas quem não possui esse testemunho inconfundível do Espírito Santo e ainda assim pensa ser cristão, está sujeito a um grande engano. Mas hoje esses “cristãos”, e qualquer pessoa que queira ser salva, pode alcançar a certeza da salvação, se converter-se de forma muito séria a Jesus Cristo. Então, por que esperar mais?

Norbert Lieth

Fonte: Título original, “O Grande Engano”, Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, dezembro de 2006.

in Discernimento Cristão (blog)

A Igreja Emergente !

Veja também: A Nova Reforma Protestante (clique aqui)

Uma coisa pouco agradável aconteceu quando estávamos a caminho do século XXI. No final do século XX, certos líderes saíram afirmando que precisávamos de “uma maneira nova de fazer igreja”. A religião dos tempos antigos não era boa o suficiente. Então vieram os novos truques, substituindo o Evangelho sólido. Vimos o surgimento do movimento da igreja que é “sensível aos que buscam” e que não ofende a ninguém. A “esquerda religiosa” tornou-se mais proeminente, promovendo seu evangelho social. E depois veio a Igreja Emergente.

Se você perguntar a dez cristãos o que é a Igreja Emergente, provavelmente nove deles ficarão sem ter o que dizer. Não obstante, ela está devorando denominações e igrejas inteiras que antes eram sólidas.

Então, o que é realmente esse fenômeno? Primeiro, ele é místico. Baseia-se em práticas dos antigos “padres do deserto”,* tais como oração contemplativa e meditar caminhando por um labirinto. Inclui também a yoga – tudo para chegar mais perto de Deus. Algumas de suas práticas deixam a pessoa em um estado alterado de consciência. Os emergentes não estão realmente interessados em doutrina; em vez disso, eles querem coisas que se possa sentir, tocar, e cheirar, tais como incenso e ícones.

Esse movimento reinventa o Cristianismo

Ele tira seus olhos da cruz e faz com que você enfoque a experiência. A Escritura já não é autoridade. Não há absolutos, nem na Bíblia. Os emergentes afirmam que, para levarmos o mundo e a igreja para a frente, devemos voltar atrás na história da igreja e abraçar até mesmo as crenças católicas. A doutrina deles está realmente mais perto do budismo, do hinduísmo e da Nova Era do que do cristianismo tradicional.

O inferno, o pecado e o arrependimento são deixados de lado para que ninguém se ofenda. Além disso, eles afirmam que não há absolutos suficientes para podermos falar sobre inferno, pecado e céu.

Os emergentes dizem que estão tentando proporcionar “significado a esta geração”. O que isso significa? No final do século XX, surgiu um anseio para atingir a geração pós-moderna. Conheça o termo pós-moderno! Ele é usado para descrever a geração de menos de 30 anos. E, conforme os emergentes, para alcançar essas pessoas, as tradições antigas tinham que ser abolidas.

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem.

Infelizmente, os recursos que eles escolheram para fazer isso estão mais de acordo com a adivinhação do que com qualquer outra coisa.

E, o que dizer sobre a escatologia deles? E sobre Israel? Como o enfoque deles é o evangelho social, eles estariam mais de acordo com a teologia do “Reino Agora”, de “tornar o mundo perfeito”. Eles não entendem literalmente nenhuma parte da escatologia bíblica (doutrina das coisas futuras, profecia) – consideram-na alegórica. Israel seria comparável a uma “república de bananas”. A ênfase está no Reino de Deus agora e não nas admoestações das Escrituras sobre o retorno iminente de Cristo em um julgamento que está por vir.

Agora chegamos a um problema muito importante

Essas pessoas são chamadas de evangélicas. De fato, a revista Time disse que o líder emergente Brian McLaren era um dos 25 evangélicos mais influentes no mundo. Um dos livros de McLaren tem o título de Everything Must Change (Tudo Tem Que Mudar). Aí está, a partir do próprio líder: a igreja deve mudar para a cultura dos tempos modernos. As maneiras antigas devem ser descartadas e novas maneiras estão aí; mas elas não são sensatas nem confiáveis.

Outro líder destacado é Rob Bell. Seus vídeos têm sido vistos em todo tipo de igreja evangélica. Em torno deles os grupos de estudos bíblicos das igrejas se juntam, examinando-os e adotando-o como um cristão fantástico do século XXI com novas idéias. O problema é que uma de suas  chocantes afirmações foi: “Essa não é apenas aquela mesma mensagem com novos métodos. Estamos redescobrindo o cristianismo como uma religião oriental”.

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem. Na foto, o líder emergente Rob Bell

Outros líderes proeminentes da Igreja Emergente incluem: Doug Pagitt, Dan Kimbal, Tony Jones, Dallas Willard e Robert Webber. Há outros, mas a lista é longa.

 Em poucas palavras, a ação social supera as questões eternas; os sentimentos subjetivos são preferidos à verdade absoluta; a experiência se sobrepõe à razão.

Agora você tem alguns dos pontos básicos à sua frente. Espalhe a notícia de que um movimento relativamente novo está seduzindo milhões e que ele não é sadio, não é bíblico, e é alarmante. Essa Igreja Emergente pode fazer a sua igreja afundar!

Fonte: Jan Markell, Israel My Glory– http://www.chamada.com.br)

Jan Markell é fundadora/presidente de Olive Tree Ministries em Minneapolis, MN, EUA.

Por DISCERNIMENTO CRISTÃO