Falsas Doutrinas: CUIDADO (obras do Demônio)

Gálatas 4.15: Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis”.

Chamo sua atenção à pergunta dirigida pelo apóstolo aos membros das igrejas na Galácia, para que consideremos juntos outra causa de depressão espiritual, ou infelicidade na vida cristã. Toda a Epístola aos Gálatas realmente trata desta questão. Estes gálatas haviam ouvido a mensagem do evangelho pelo apóstolo Paulo. Tinham sido gentios pagãos típicos. Estavam longe de Deus, sem qualquer conhecimento dEle ou do Seu Filho, ou da grande salvação cristã, mas o apóstolo Paulo veio e pregou a eles, e recebe­ram a mensagem do evangelho com grande alegria. Ele descreve, em detalhes mesmo, seu regozijo quando o encontraram pela pri­meira vez, e ouviram sua pregação. Parece claro que quando o apóstolo esteve entre eles, não estava fisicamente bem. É quase certo que ele estava sofrendo de algum problema dos olhos, porque lembra aos gálatas que, quando estivera entre eles, eles teriam arrancado os próprios olhos, dando-os a Paulo, se isso pudesse ter sido de alguma ajuda. Concluímos que essa dolorosa condição inflamatória dos seus olhos era algo ofensivo e desagradável de se ver. Não havia nada atraente na aparência do apóstolo. Como ele lembra a igreja em Corinto, sua presença era “fraca”. Ele não tinha o que chamaríamos hoje de presença imponente. Era um homem de aparência muito comum, sem levar em consideração a deforma­ção adicional causada por seu problema nos olhos. Mas, como ele os lembra aqui, eles não o desprezaram nem rejeitaram. Ele diz: “Não rejeitastes nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne”, e na verdade o receberam “como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo”, e tinham se regozijado nessa maravi­lhosa salvação. Mas não eram mais assim, tinham se tornado infelizes, e ele se viu forçado a perguntar-lhes: “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?” Eles estavam infelizes consigo mesmos, e quase se voltaram contra o apóstolo. Estavam num, estado de tanta depressão que ele podia até usar este tipo de linguagem: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”.

A pergunta que ele lhes apresenta, a respeito de sua bem-­aventurança anterior, é marcante. Na verdade, ele a tinha apresen­tado em outras formas previamente na mesma carta. No sexto versículo do primeiro capítulo, ele diz: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho”. Então ele o repete no terceiro capítulo, no pri­meiro versículo: “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?” Ora, mesmo sem acrescentar outras evidências, creio que está claro que esses cristãos da Galácia que tinham sido tão felizes, tão jubilosos em sua salva­ção,  haviam   se  tornado  espiritualmente  infelizes   e   deprimidos.

A questão à nossa frente é esta: o que causou esta mudança? Que tinha acontecido com eles? E a resposta é perfeitamente simples, e pode ser colocada numa única frase — era tudo devido doutrina falsa. Esse era o problema das igrejas na Galácia; todos os seus problemas emanavam de uma certa doutrina falsa em que haviam acreditado. E isto é algo que é tratado com muita frequência no Novo Testamento. Quase não há uma epístola que não trate deste assunto, de uma forma ou outra. Estas igrejas infantes tinham sido muito perturbadas por certos tipos de mestres que seguiam o apóstolo Paulo, imitando a sua mensagem e pregação em muitos aspectos, mas acrescentando suas próprias idéias. O resultado é que não somente isso causava confusão nas igrejas mas, além disso, cau­sava esta condição deprimente e infeliz na vida de muitos cristãos, Era, obviamente, obra do diabo. O apóstolo não hesita em afirmar isso, e nos lembra que o diabo pode até se transformar em anjo de luz. Ele ataca os cristãos e insinua idéias falsas em suas mentes, conseguindo assim, por um tempo pelo menos, arruinar seu teste­munho cristão e roubar sua felicidade. A história da Igreja Cristã desde o Novo Testamento está cheia de tais ocorrências. Começou já no princípio, e tem continuado desde então, e num certo sentido é verdadeira a afirmação de que a história da Igreja Cristã é a história do surgimento de muitas heresias e a batalha da Igreja contra elas, assim como a libertação da Igreja pelo poder do Espírito de Deus.

Este obviamente é um assunto muito extenso, e posso apenas tocar nele de passagem. Doutrinas falsas podem surgir em muitas formas diferentes; mas podem ser divididas em duas áreas principais. Às vezes, a doutrina falsa assume a forma de negação aberta da ver­dade e dos princípios e dogmas orientadores da fé cristã. Devemos deixar bem claro que às vezes assume esta forma. Pode se apresentar como sendo cristã, mas de fato nega a mensagem cristã. Já existiram, e ainda existem, ensinos que se dizem cristãos, porém que até mesmo negam a deidade do Senhor Jesus Cristo e outros dogmas básicos e fundamentais da nossa fé.

Mas doutrina falsa nem sempre assume esta forma. Há uma outra forma para a qual quero dirigir sua atenção agora. Em certo sentido, esta é muito mais perigosa que a primeira, e é a mesma forma que tinha assumido nas igrejas da Galácia. Não é tanto uma negação da fé, não é tanto uma contradição dos dogmas funda­mentais; mas é uma doutrina que sugere que algo mais é necessário, além do que já cremos. Essa foi a forma peculiar que assumiu no caso dos gálatas. Certos mestres tinham ido às igrejas ali, dizendo e pregando: “Sim, cremos no evangelho e concordamos com a pregação de Paulo. Tudo que ele ensinou está certo, mas ele não ensinou tudo. Ele deixou de fora algo que é absolutamente vital, a circuncisão. Fiquem firmes em tudo que crêem, mas se realmente querem ser cristãos, precisam também ser circuncidados”. Essa era a essência do falso ensino.

Não é difícil perceber como essa doutrina entrou ali. Afinal, os primeiros cristãos foram judeus. Vemos isso nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. Vamos ser justos com eles. É fácil enten­der sua situação. Eles sabiam que sua velha religião tinha sido dada por Deus, e sabiam que era verdadeira. Sua dificuldade era entender os novos ensinos à luz de sua velha doutrina tradicional. Eles sabiam que a circuncisão fora dada por Deus a Abraão, e tinha continuado desde então; mas aqui estava uma nova doutrina que afirmava que a circuncisão não era mais necessária, que a velha distinção entre judeus e gentios havia sido abolida, que a circuncisão, bem como toda a lei cerimonial, já cumprira seu propósito e o povo de Deus não tinha mais obrigações para com ela. Muitos ficaram perplexos com isso. Eles não tinham problemas com os gentios sendo admitidos à fé. A princípio isso tinha sido um obstá­culo para eles (até o apóstolo Pedro teve dificuldade em aceitar isso, e foi só depois que Deus lhe deu a visão do céu que ele admitiu receber Cornélio e os outros gentios na igreja Cristã). Mas eles ainda não conseguiam entender como um gentio podia se tornar cristão se ele ao mesmo tempo não se tornasse judeu. Entendiam que o cristianismo era o resultado lógico da sua velha religião, mas não entendiam como alguém podia ingressar nele sem passar pela circuncisão. Então eles foram a esses cristãos gentios da Galácia e sugeriram que, se quisessem realmente ser cristãos, teriam que se submeter à circuncisão e se colocar sob a lei.

Esse é o tema que o apóstolo aborda nesta Epístola aos Gálatas. Não podemos lê-la sem nos comovermos. Ele escreve com paixão. Está tão preocupado com a questão que até mesmo deixa fora sua costumeira saudação, e logo depois da abertura da carta ele ime­diatamente aborda o assunto e faz sua pergunta. Por que sente essa paixão, por que está tão emocionado? A resposta, é claro, é que ele sentia que a própria posição cristã dessas pessoas estava em jogo, e se não captassem esta verdade, toda sua posição cristã podia estar em perigo. Não há outra carta em que o apóstolo fale com tanta veemência. Notem o que ele diz: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”. Vocês não poderiam ler coisa mais veemente. E ele o repete: “Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”. Essa é a forma em que ele cala qualquer tendência de dizer: “Não importa que essas pessoas não vejam o que eu vejo, somos todos cristãos”. Não é assim; há uma definitiva intolerância aqui porque, como ele sugere e ensina, toda a posição cristã está em jogo nesta questão.

listou chamando atenção para isso não devido a qualquer interesse especial na história dos gálatas em si, mas por causa da sua importância para nós. Essa é a glória do Novo Testamento. Não é um livro acadêmico; é o livro mais atualizado que existe. Não há uma heresia ou problema descrito no Novo Testamento que não possa ser encontrado em alguma forma ou aspecto na Igreja aluai. Não estamos envolvidos numa discussão acadêmica sobre depressão espiritual; estamos falando sobre nós mesmos, e falando uns com os outros; e estou chamando atenção para isso porque estas coisas ainda estão conosco, e essa heresia dos gálatas ainda pode ser encontrada entre nós, numa manifestação moderna. Há muitos cristãos que passaram por essa experiência. Quando encon­traram a verdade pela primeira vez, ficaram assombrados. Disseram: “Nunca pensei que o cristianismo fosse assim”. Receberam-na com alegria e experimentaram bênçãos extraordinárias; mas subsequentemente foram confrontados com outra doutrina. Talvez tenham lido a respeito, ou alguém pregou sobre aquilo, ou foi sugerida por um amigo, e assim entraram em contato com outro tipo de doutrina. Imediatamente essa doutrina os atraiu porque parecia tão espiritual, e porque prometia bênçãos tão especiais se cressem nela, e assim eles a acataram. Mas então passaram a experimentar infelicidade e confusão. Outros que não chegam a aceitar e abraçar tal doutrina, ainda assim sofrem os seus efeitos, porque ela os perturba e porque não sabem como rebatê-la. Sua alegria parece desaparecer, e ficam perplexos e confusos. De qualquer forma, perdem sua felicidade original.

Realmente não há necessidade de mencionar nenhuma dessas doutrinas especificamente, pois tenho certeza que vocês estão fami­liarizados com o que tenho em mente. Todavia, devo mencionar certas coisas à guisa de ilustração, mas sem o propósito de tratar delas em detalhe. À parte de exemplos óbvios, em heresias tais como os Testemunhas de Jeová ou os Adventistas do Sétimo Dia, encontramos isso inerente ao catolicismo romano, com sua insistên­cia em conformidade e obediência a coisas não ensinadas nas Escri­turas. Aparece também na doutrina de que batismo por imersão em idade adulta é essencial à salvação. Também o vemos na ênfase da absoluta necessidade de se falar em outras línguas, se alguém quer ter certeza de que recebeu o Espírito Santo, e às vezes é encontrado em conexão com cura física, na doutrina de que um cristão jamais deveria ficar doente. Essas são apenas algumas ilustrações. Há muitas outras; menciono essas simplesmente para que entendamos que esta é uma questão muito prática, e não simplesmente um pro­blema teórico. Todos temos que enfrentar coisas assim, e, como espero demonstrar, tudo isso é parte do caráter da heresia que estamos considerando.

Creio que aqui o apóstolo estabeleceu de uma vez por todas um grande princípio que precisamos ter sempre em nossa mente, se quisermos nos proteger destes perigos, e assegurar que perma­necemos “firmes na liberdade com que Cristo nos libertou”, sem tornar a cair “debaixo do jugo da servidão”. Foi seu amor por aquelas pessoas que o levou a escrever dessa maneira. E Paulo lhes diz aqui que se sentia como um pai se sente em relação aos seus filhos. Não é que o apóstolo fosse pedante ou de mente fechada, intolerante ou egocêntrico. Pelo contrário, sua única preo­cupação era a vida espiritual e o bem-estar daquelas pessoas. “Meus filhinhos”, ele diz. Ele é como uma mãe; “por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”. E é neste espírito que quero dirigir sua atenção para o assunto. Deus sabe que eu preferiria não tratar dele em absoluto. Vivemos numa época que não aprecia esse tipo de coisas. A tendência é dizer: “Que importância tem?” E esta tendência é aparente não só entre aqueles que estão fora da Igreja, mas também entre os que estão dentro dela. Abordo este tema, portanto, com relutância, e simplesmente porque sinto que estaria traindo minha missão e a chamada de Deus para o ministério cristão se não expusesse a verdadeira doutrina da Palavra de Deus, qualquer que seja a opinião moderna.

Como, então, enfrentamos esse tipo de situação? A primeira coisa que o apóstolo apresenta é a questão de autoridade. Isso tem que vir primeiro. Essas perplexidades e esses problemas não são uma questão de emoção ou experiência, e nunca devem ser julgadas meramente na base dos resultados. Doutrinas falsas podem fazer as pessoas muito felizes. Vamos deixar isto bem claro. Se julgarem somente em termos de experiência e resultados, descobrirão que cada seita e heresia que o mundo ou a Igreja já conheceu pode ser justificada. Qual, então, é a autoridade? O apóstolo nos diz claramente no primeiro capítulo. Na verdade a questão da autoridade é o assunto de que ele trata nos dois primeiros capítulos. Aqui a posição pessoal do próprio apóstolo está envolvida, e é por isso que ele tem de dizer tanto a respeito de si mesmo. Ele assume uma posição em que desafia qualquer um a pregar outro evangelho que não seja o que ele prega. Ele diz: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho. . . seja anátema”. Por quê? Qual é o teste? É este: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”. E então ele continua, relatando como entrou no ministério: “Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais”. Ele tinha vivido assim até aquele momento na estrada de Damasco, quando o Senhor Jesus Cristo o colocara no ministério para o qual, como ele agora sabia, fora separado desde o ventre de sua mãe. Ele recebera sua missão e sua mensagem diretamente do Senhor Jesus Cristo. Ah, sim, mas Paulo sabia mais até do que isso. Ainda que tivesse ingressado no ministério dessa maneira singular, e pudesse se descrever a si mesmo aos coríntios como um “nascido fora do tempo”, ele todavia diz que o evangelho que lhe fora dado era exatamente o mesmo evangelho que fora dado aos outros, os outros apóstolos que tinham estado com o Senhor nos dias da Sua carne. Quando falou com os outros apóstolos em Jerusalém, descobriu que estava pregando exatamente o mesmo evangelho que eles pregavam. Embora tivesse vindo a ele daquela forma individual como uma revelação direta, os outros estavam pregando exatamente a mesma coisa que ele pregava.

Aí, então, está a base da autoridade — e essa é a autoridade que o apóstolo pleiteia aqui, a qual é a base do seu argumento. Ele diz que não é uma questão de um homem dizer isto e outro dizer aquilo. Ele assevera que não está pregando simplesmente o que ele pensa. A mensagem fora dada a ele da mesma forma que fora dada aos outros apóstolos, e portanto todos estavam proclamando a mesma coisa. O teste da verdade é sua apostolicidade. Ela se conforma à mensagem apostólica? Esse é o teste e esse é o padrão. O evangelho de Jesus Cristo, como é anunciado e ensinado no Novo Testamento, reivindica nada menos do que o fato que vem com a autoridade do Senhor Jesus Cristo, que o deu a esses homens, e eles, por sua vez, o pregaram e escreveram. Aqui está o único padrão. E continua sendo o único padrão.

Não temos qualquer padrão à parte do Novo Testamento, e portanto devemos tomar cada ponto de vista e examiná-lo à luz disto. Ao fazer isso, vamos descobrir que essas doutrinas falsas sempre se revelam erradas em uma de duas maneiras. A primeira é que podem conter menos do que a mensagem apostólica. Vamos ser perfeitamente claros sobre o fato de que há uma mensagem apostólica,  uma  verdade  positiva  com  que  todos  os  apóstolos concordaram e que todos eles pregaram — aí está a mensagem definitiva. Doutrina falsa pode ser culpada de declarar menos que a mensagem integral, e deixar certas coisas de fora. Isso é algo que desencaminha muitos cristãos hoje em dia. Se um homem proclama algo que é patentemente errado, eles podem ver imediatamente que ele está errado, mas não vêem com a mesma rapidez que uma doutrina pode estar errada porque proclama menos que a mensagem apostólica, porque não diz certas coisas. Pode ser menos que o verdadeiro ensino sobre a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Pode negar Sua encarnação, ou pode negar as duas naturezas contidas em Sua pessoa; pode negar o nascimento virginal, ou os aspectos miraculosos da Sua vida, ou a Sua ressurreição física literal. Apre­senta-se como cristã, mas é menos que a verdade. Ou pode negar num certo ponto a obra de Cristo. Pode negar o fato que “aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Pode descrever a morte de Cristo como sendo nada mais que uma extraordinária demonstração do amor. Pode negar que Deus puniu os nossos pecados “em Seu corpo no madeiro”. Isso era o que os apóstolos pregavam, que Cristo “morreu por” nossos pecados. Portanto, se uma doutrina ou ensino deixa isso de fora, é menos que a verdade apostólica. É a mesma coisa com o novo nascimento. Tantas vezes essa doutrina não é ensinada, e sua absoluta necessidade não é enfatizada. Tam­bém encontramos o mesmo problema até no que se refere à conduta e ao comportamento, ainda que o Novo Testamento enfatize isso. Há muitos que dizem crer em Cristo, mas então deduzem que, se alguém crê em Cristo está seguro, e não importa o que ele faz. Entretanto, esse é o terrível erro do antinomianismo. O Novo Testa­mento ensina a importância das obras quando declara que a “fé som obras é morta”. Deixar qualquer um destes aspectos de lado, é não corresponder à mensagem apostólica.

O segundo perigo, como já vimos, é o oposto, o perigo de acrescentar à verdade, e, ao mesmo tempo que reconhecendo a mensagem apostólica como correta, sugerir que algo precisa ser acrescentado a ele. E esta é a questão que estamos tratando aqui. Mais uma vez, devemos lembrar nosso princípio inicial, que cada doutrina deve ser testada pelos ensinos do Novo Testamento, não por emoções, nem por experiências ou por resultados, nem pelo que outras pessoas estão dizendo ou fazendo. Este é o teste-apostolicidade, isto é o ensino do Novo Testamento.

Outro bom teste é este: sempre seja cuidadoso em averiguar as implicações de um ensino ou doutrina. Isso é o que o apóstolo faz no segundo capítulo desta Epístola aos Gálatas. Esta nova dou­trina não parecia estar negando a Cristo, no entanto o apóstolo demonstra claramente que estava negando o Senhor no ponto mais vital. Ele até mesmo teve que fazer isso com o apóstolo Pedro em Antioquia. Pedro, que recebera uma visão com respeito a Cornélio (Atos, capítulo 10), e aparentemente tinha entendido estas coisas muito claramente, foi subsequentemente influenciado pelos judeus e sentiu que não podia comer com os gentios, mas somente com os judeus. Paulo teve que resistir Pedro “na cara, porque era repreensível”, e teve de dizer-lhe claramente que ao fazer aquilo ele estava negando a fé. Pedro não queria fazer aquilo, não queria negar sua salvação por Cristo através da fé somente. Mas alguém teve que mostrar a Pedro claramente a posição que estava assu­mindo, e levá-lo a entender que por suas ações ele estava anun­ciando que algo mais era necessário além da fé em Cristo. Vamos então sempre ponderar as implicações do que dizemos e fazemos. Vou dar-lhes uma ilustração do que quero dizer. Uma senhora cristã com quem certa vez discuti esta questão, estava tendo problemas com isso. Ela não conseguia entender como certas pessoas incré­dulas, que viviam uma vida muito correta, não eram cristãs. Ela disse: “Não sei como você pode dizer que não são cristãs — olhe para suas vidas”. Ela era uma boa cristã, mas estava tendo proble­mas para entender isso. Mas eu disse: “Espere um pouco; você não vê o que está inferindo, não percebe o que está dizendo? Você realmente está dizendo que estas pessoas são tão boas e tão nobres e tão morais que o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, não é necessário em seu caso, que a vinda do Filho de Deus do céu foi desnecessária para elas. Ele não precisaria ter morrido na cruz, pois elas podem se reconciliar com Deus através de suas boas obras e de sua vida exemplar. Você não pode ver que isso é negar a fé — que na verdade, com esse argumento, você realmente está dizendo que o próprio Cristo e Sua morte não são necessários?” E ela percebeu, ao avaliar as implicações daquilo que estava dizendo. Portanto, não avaliem as coisas pelo seu valor aparente apenas, mas verifiquem as suas implicações.

A terceira coisa que, para mim, parece ser uma característica especial desta heresia como está exposta na Epístola aos Gálatas é que ela sempre é um acréscimo à revelação. “Este ensino sobre a circuncisão não é parte da mensagem de Cristo”, Paulo está dizendo. “Essas pessoas pregam isso, mas não o receberam de Cristo. Quando o Senhor me deu a mensagem, Ele não disse que todos deviam ser circuncidados. Isto é algo à parte da Sua revelação, é um acréscimo à   mensagem apostólica”. Vocês vão descobrir que esta é sempre a característica do tipo de heresia que estamos consi­derando. Considerem, por exemplo, as reivindicações dos católicos romanos. A igreja católica romana declara que ela é tão inspirada hoje como eram aqueles primeiros apóstolos, mas ela não tem base bíblica para dizer isso. Ela mesma afirma isso, e ela mesma faz a reivindicação de que esta revelação subsequente foi dada à Igreja. Esta reivindicação é feita abertamente; não há qualquer sutileza nela, e quer dizer que a própria igreja católica tem tanta autoridade quanto a Palavra de Deus. Afirmam que as declarações do papa falando “ex catedra” são tão inspiradas como as epístolas do Novo Testamento, e são um acréscimo a essa revelação. Mas isso não é um lalo só em relação à igreja católica romana, pois há muitos outros que fazem a mesma reivindicação.

Antes de aceitar qualquer um destes ensinos, sempre tomem tempo para ler a respeito das suas origens. Quase sempre vocês vão descobrir que alguém teve uma “visão” — na grande maioria das seitas, foi uma mulher. Leiam a história, e descobrirão que a doutrina está baseada na autoridade de uma mulher. O apóstolo declarou que “não permitia que a mulher ensinasse”. Mas isso não faz diferença para essas pessoas. Não só isso, em geral a mulher leve uma visão e recebeu alguma revelação especial. “Ah”, dizem, “não vão achar isso nas Escrituras, mas foi dado diretamente a esta pessoa por Deus”. Estão acrescentando algo à revelação, é algo mais, alguma coisa mais avançada. Eles declaram que seus funda­dores eram tão inspirados quanto os apóstolos de Jesus Cristo, e baseiam sua autoridade nisso. Apliquem esse teste à maioria desses movimentos, e descobrirão que é verdade. Mas lembrem-se que também é verdade a respeito de muitos que ainda estão nas fileiras da Igreja Cristã, e que no entanto têm esse ponto de vista. “Ah, sim”, dizem, “aqueles homens eram inspirados, mas os homens hoje ainda são inspirados. Não negamos a inspiração, mas dizemos que é possível acrescentar à verdade. Os primeiros séculos não esgotaram a revelação da verdade, e coisas especiais estão sendo revelados a nós através dos nossos avanços em conhecimento e instrução neste século vinte”. Isso é acrescentar à revelação. Sig­nifica que as Escrituras não são mais suficientes; as descobertas da sabedoria moderna têm que ser acrescentadas. Mas ao permitirmos esses acréscimos da mente moderna e da perspectiva atual, na verdade estamos reivindicando uma revelação adicional.

Outra característica invariável é que este ensino ou doutrina sempre enfatiza alguma coisa em particular, dando-lhe grande proe­minência. No caso dos gálatas era a circuncisão. Mas o que quer que seja, esta idéia central é a origem do ensino especial, é o ponto em torno do qual gira todo o movimento. Eles reconhecem que uma pessoa pode ser um verdadeiro crente, mas precisa de uma certa coisa adicional — a observância do sábado, ou o batismo por imersão, ou falar em línguas, ou cura, ou alguma outra coisa. Algo mais sempre é essencial. É isso que importa —- dizem. Sempre ocupa uma posição proeminente, no centro, e acabamos nos tornando mais conscientes disso do que de Cristo, por causa da ênfase que lhe dão. Não podem justificar o movimento à parte dessa coisa específica, circuncisão, ou o que quer que possa ser.

O terceiro ponto é que todas estas coisas são um acréscimo a Cristo. O católico romano diz: “É claro que cremos em Cristo, mas você também precisa crer na igreja, precisa crer na virgem Maria, precisa crer nos santos, precisa também crer no sacerdócio, além de crer em Cristo”. De um ponto de vista puramente doutri­nário e ortodoxo, eu me sinto mais próximo a muitos católicos romanos do que a muitos que fazem parte das fileiras do protestan­tismo, mas onde eu me afasto, e devo me afastar deles, é que acrescentam algo ao que é vital — é Cristo, mais a igreja, mais a virgem Maria, mais os padres, mais os santos, e assim por diante. Do seu ponto de vista, Cristo apenas não é suficiente, e Ele não está colocado, em toda a Sua glória singular, no centro. E é assim com todos os outros. Proclamam que precisamos ter uma experiência especial, precisamos ter alguma crença especial sobre “observar dias”, como o apóstolo o expressa, ou precisamos observar certos ritos ou sacramentos. Então, é sempre “Cristo, mais alguma coisa”, alguma coisa que não podemos deixar de ter.

Então precisamos demonstrar, em quarto lugar, que esta dou­trina errada sempre acaba de alguma forma levando à conclusão que ter fé apenas não é suficiente. O apóstolo deixa isso claro: “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera por caridade” (Gálatas 5:6). Essas doutrinas falsas estão sempre nos ensinando que nós mesmos precisamos fazer alguma coisa; precisamos acrescentar algo, é necessária alguma ação da nossa parte, ou temos que permitir que algo seja feito a nós. Fé não é suficiente. Não vivemos pela fé, e a justificação não é pela fé somente. Precisamos realizar certas obras, precisamos fazer algo especial antes que possamos receber esta grande experiência da salvação. Mas de acordo com Paulo, dizer tais coisas significa que “caimos da graça”.

Mas por último quero enfatizar uma coisa — e dou graças a Deus por este último teste, porque tem sido de tanta ajuda para mim. Crer em tal doutrina sempre leva à negação da experiência cristã anterior. “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?” Vocês sabem o que ele quer dizer com isso. Na verdade ele está dizendo: “Gálatas insensatos, gálatas amados, vocês realmente estariam me dizendo que o que experimentaram quando estive entre vocês pela primeira vez, não teve qualquer valor, foi tudo inútil? Onde está a vossa bem-aventurança? Oh gálatas insensatos, quem vos fascinou?

Vocês sabem que todos os que são das obras da lei estão debaixo da maldição. Vocês sabem que receberam o Espírito. Voltem — lembrem-se que receberam o Espírito. Vocês O receberam pelas obras da lei? Naturalmente que não! Acaso não percebem que estão negando sua própria experiência passada?”

Todas essas doutrinas falhas são culpadas disso. É o que o apóstolo salienta, no relato de sua discussão com Pedro. Disse a Pedro que ele estava renegando sua experiência passada. Isso também é o significado de seu argumento sobre Abraão. Pois Abraão foi abençoado, não depois de sua circuncisão, mas antes dela, por­tanto não se pode afirmar que a circuncisão é essencial, e dizer isso é negar esta experiência. E quantas vezes tive que usar esse argu­mento! Estes ensinos errados são sutis e atraentes, e fazem-nos sentir que precisamos daquilo, e que só pode estar certo. Então de repente nos lembramos deste argumento a respeito da experiência, e ele nos detém. Trazemos à lembrança homens como George Whitefield e John Wesley, por exemplo, que sem dúvida foram cheios do Espírito de uma forma assombrosa, extraordinária e poderosa — notáveis santos de Deus e que estão entre os Seus maiores servos; e no entanto descobrimos que eles observavam o primeiro dia da semana, e não o sétimo; que não foram batizados de uma forma única ou especial, não há registro de que tenham falado em línguas, e não dirigiam reuniões de cura e assim por diante. Vamos afirmar que todos esses homens careciam de conhe­cimento, sabedoria e discernimento? Não percebem que essas novas doutrinas que fazem tantas reivindicações na verdade negam algu­mas das maiores experiências cristãs através dos tempos? Estão virtualmente dizendo que a verdade veio somente através deles, e que por dezenove séculos a Igreja andou em ignorância e em trevas. Isso é monstruoso. Precisamos entender que essas coisas devem ser testadas desta forma: “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?”

Isso me traz à minha última palavra, e o teste final, que é o seguinte. Depois de passar por todos esses testes, vocês estão prontos para se unir a mim e dizer o que o apóstolo disse no versículo 17 do último capítulo desta Epístola aos Gálatas: “Desde agora nin­guém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”. Que significa isso? O que o apóstolo está dizendo, na verdade, é: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”. “Parem de falar comigo sobre circuncisão, não estou interessado. Parem de me falar sobre os guardadores do sábado, ou qualquer outra seita. Parem de me falar sobre todas essas coisas que são tidas como essenciais, se alguém quer ser um verdadeiro cristão. Eu não as quero. “Longe esteja de mim gloriar-me”, eu não vou me gloriar em nada e em ninguém, em nenhuma doutrina especial — em nada a não ser o Senhor Jesus Cristo, e nEle somente. Ele é suficiente, porque através dEle “o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”.

Para deixar isso bem claro, quero dizer que não vou me gloriar nem sequer na minha ortodoxia, porque até mesmo ela pode se transformar numa armadilha, se eu a tornar num ídolo. Vou me gloriar somente na bendita Pessoa por quem tudo isto foi feito, com quem eu morri, com quem fui sepultado, com quem estou morto para o pecado e vivo para Deus, com quem eu ressuscitei, com quem estou assentado nas regiões celestiais, por quem o mundo está crucificado para mim e eu estou crucificado para o mundo. Qualquer coisa que queira se colocar no centro que é dEle, qualquer coisa que queira se acrescentar a Ele, eu a rejeito. Conhecendo a mensagem apostólica com respeito a Jesus Cristo, em sua integridade, sua simplicidade e sua glória, longe de nós acrescentar qualquer coisa a ela. Que nos regozijemos nEle em toda a Sua plenitude — e nEle somente.

D. MARTIN LLOYD-JONES, in “Depressão Espiritual”.

O que é a Doutrina da Trindade ?

Veja Também:
 
A doutrina da Trindade é fundamental para a fé cristã. Ela é crucial para um apropriado entendimento de como Deus é, como Ele se relaciona conosco e como devemos nos relacionar com Ele. Mas ela também levanta muitas questões difíceis. Como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo? A Trindade é uma contradição? Se Jesus é Deus, por que os Evangelhos registraram ocasiões nas quais Ele orou a Deus?
Apesar de não podermos entender completamente tudo sobre a Trindade (ou sobre qualquer outra coisa), é possível responder questões como essas e chegar a uma sólida compreensão do que significa ser Deus três em um.

O que significa ser Deus uma Trindade?

A doutrina da Trindade significa que há um Deus que existe eternamente como três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Explicando de outra maneira, Deus é único em essência e triplo em personalidade. Essas definições expressam três verdades cruciais: (1) Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas, (2) cada pessoa é totalmente Deus, (3) há somente um Deus.

Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas.
A Bíblia fala do Pai como Deus (Fp.1.2), de Jesus como Deus (Tt.2.13) e do Espírito Santo como Deus (At.5.3-4). Seriam essas, então, apenas três diferentes formas de olhar para Deus? Ou ainda, três papéis distintos que Deus desempenha?

A resposta deve ser não, porque a Bíblia também indica que Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas. Por exemplo, já que o Pai enviou o Filho ao mundo (Jo.3.16), Ele não pode ser a mesma pessoa que o Filho. Do mesmo modo, depois que o Filho retornou ao Pai (Jo.16.10), o Pai e o Filho enviaram o Espírito Santo ao mundo (Jo.14.26; At.2.33). Portanto, o Espírito Santo deve ser distinto do Pai e do Filho.

No batismo de Jesus, vemos o Pai falando dos céus e o Espírito descendo dos céus na forma de uma pomba, enquanto Jesus saia das águas (Mc.1.10-11). João 1.1 afirma que Jesus é Deus e, ao mesmo tempo, que Ele estava “com Deus”, indicando, assim, que Jesus é uma pessoa distinta de Deus o Pai (cf. Jo.1.18). E em João 16.13-15 vemos que, apesar de haver uma íntima unidade entre todos eles, o Espírito Santo também é distinto do Pai e do Filho.

O fato de Pai, Filho e Espírito Santo serem pessoas distintas significa, em outras palavras, que o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e o Espírito Santo não é o Pai. Jesus é Deus, mas Ele não é o Pai nem o Espírito Santo. O Espírito Santo é Deus, mas Ele não é o Filho nem o Pai. Eles são pessoas diferentes, não três diferentes formas de olhar para Deus.

A personalidade de cada membro da Trindade significa que cada pessoa tem um distinto centro de consciência. Assim, elas relacionam-se umas com as outras pessoalmente: o Pai trata a Si mesmo como “Eu”, enquanto Ele trata ao Filho e ao Espírito Santo como “Vós”. Do mesmo modo, o Filho trata a Si mesmo como “Eu”, mas ao Pai e ao Espírito Santo como “Vós”.

Freqüentemente é objetado que “Se Jesus é Deus, então Ele deve ter orado a Si mesmo enquanto esteve na terra”. Mas a resposta a essa objeção encontra-se em simplesmente aplicar o que nós já vimos. Embora Jesus e o Pai sejam Deus, eles são pessoas diferentes. Assim, Jesus orou a Deus o Pai sem orar a Si mesmo. Na verdade, é precisamente o contínuo diálogo entre o Pai e o Filho (Mt.3.17; 17.5; Jo.5.19; 11.41-42; 17.1ss) que fornece a melhor evidência de que eles são pessoas distintas com distintos centros de consciência.

Algumas vezes a personalidade do Pai e do Filho é estimada, mas a personalidade do Espírito Santo é negligenciada, de modo que Ele é tratado mais como uma “força” do que como uma pessoa. Mas o Espírito Santo não é algo, mas Alguém (veja Jo.14.26; 16.7-15; At.8.16). A verdade de que o Espírito Santo é uma pessoa, não uma força impessoal (como a gravidade), também é mostrada pelo fato de que Ele fala (Hb.3.7), raciocina (At.15.28), pensa e compreende (I Co.2.10-11), deseja (I Co.12.11), sente (Ef.4.30) e oferece comunhão pessoal (II Co.13.14). Todas essas são qualidades de uma pessoa. Além desses textos, os outros que mencionamos acima deixam claro que a personalidade do Espírito Santo é distinta da personalidade do Filho e do Pai. Eles são três pessoas reais, não três papéis que Deus desempenha.

Outro erro sério que as pessoas têm cometido é pensar que o Pai se tornou o Filho, que, então, se tornou o Espírito Santo. Contrariamente a isso, as passagens que vimos sugerem que Deus sempre foi e sempre será três pessoas. Nunca houve um tempo em que alguma das pessoas da Divindade não existia. Todas elas são eternas.

Embora os três membros da Trindade sejam distintos, isso não significa que um seja inferior ao outro. Pelo contrário, todos eles são idênticos em atributos, tais como poder, amor, misericórdia, justiça, santidade, conhecimento e em todas as demais qualidades divinas.

Cada pessoa é totalmente Deus.
Se Deus é três pessoas, isso significa que cada pessoa é “um terço” de Deus? A Trindade significa que Deus é dividido em três partes?

Não, a Trindade não divide Deus em três partes. A Bíblia deixa claro que cada uma das três pessoas é cem por cento Deus. Pai, Filho e Espírito Santo são totalmente Deus. Por exemplo, é dito de Cristo que “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl.2.9). Não devemos pensar em Deus como uma torta cortada em três pedaços, cada um deles representando uma pessoa. Isso faria cada pessoa ser menos do que totalmente Deus e, assim, não ser realmente Deus. Antes, “o ser de cada pessoa é igual ao ser integral de Deus”[1]. A essência divina não é algo dividido entre as três pessoas, mas está totalmente em todas as três pessoas sem estar dividida em “partes”.

Assim, o Filho não é um terço do ser de Deus, Ele é todo o ser de Deus. O Pai não é um terço do ser de Deus, Ele é todo o ser de Deus. E, da mesma forma, o Espírito Santo. Assim, como Wayne Grudem escreve: “Quando falamos conjuntamente do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não estamos falando de um ser maior do que quando falamos somente do Pai, ou somente do Filho, ou somente do Espírito Santo”[2].

Há somente um Deus.
Se cada pessoa da Trindade é distinta e, ainda assim, totalmente Deus, então, devemos concluir que há mais do que um Deus? Obviamente não, pois a Escritura deixa claro que há apenas um Deus: “Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim. Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is.45.21-22; veja também 44.6-8; Ex.15.11; Dt.4.35; 6.4-5; 32.39; I Sm.2.2; I Rs.8.60).

Tendo visto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas, que cada um deles é totalmente Deus e que não há senão um só Deus, devemos concluir que todas as três pessoas são o mesmo Deus. Em outras palavras, há um Deus que existe como três pessoas distintas.

Se há uma passagem que mais claramente traz tudo isso em conjunto, ela é Mateus 28.19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Primeiro, note que Pai, Filho e Espírito Santo são distinguidos como pessoas distintas. Nós batizamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Segundo, note que cada pessoa deve ser divina porque todas elas são colocadas no mesmo nível. Na verdade, você acha que Jesus nos batizaria no nome de uma mera criatura? Certamente que não. Portanto, cada uma das pessoas em cujo nome devemos ser batizados é, necessariamente, divina. Terceiro, note que, apesar de que as três pessoas divinas são distintas, nós somos batizados em seu nome (singular), não em seus nomes (plural). As três pessoas são distintas, mas constituem um único nome. Só pode ser assim se elas compartilharem uma mesma essência.

Notas:
1. Wayne Grudem, Teologia Sistemática (Edições Vida Nova, 1999), p.189.
2. Ibid, p.187

A doutrina da Trindade é fundamental para a fé cristã. Ela é crucial para um apropriado entendimento de como Deus é, como Ele se relaciona conosco e como devemos nos relacionar com Ele. Mas ela também levanta muitas questões difíceis. Como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo? A Trindade é uma contradição? Se Jesus é Deus, por que os Evangelhos registraram ocasiões nas quais Ele orou a Deus?
Apesar de não podermos entender completamente tudo sobre a Trindade (ou sobre qualquer outra coisa), é possível responder questões como essas e chegar a uma sólida compreensão do que significa ser Deus três em um.

A Trindade é contraditória?

Essa pergunta leva-nos a investigar mais de perto uma definição muito útil da Trindade que eu mencionei anteriormente: Deus é único em essência, mas triplo em personalidade. Essa formulação pode nos mostrar por que não há três deuses e por que a Trindade não é uma contradição.

Para que alguma coisa seja contraditória, ela deve violar a lei da não-contradição. Esta lei afirma que A não pode ser A (é) e não-A (não é) ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Em outras palavras, você se contradiz quando afirma e nega a mesma sentença. Por exemplo, se eu digo que a Lua é feita inteiramente de queijo, mas, então, também digo que a Lua não é feita inteiramente de queijo, estou me contradizendo.

Algumas afirmações podem parecer contraditórias à princípio, mas não o são realmente. O teólogo R.C. Sproul cita como exemplo uma famosa afirmação de Dickens: “Esse foi o melhor dos tempos, esse foi o pior dos tempos”. Obviamente isso é uma contradição se Dickens está dizendo que esse foi o melhor dos tempos no mesmo sentido em que esse foi o pior dos tempos. Porém, essa afirmação não é contraditória, porque ele está dizendo que em um sentido esse foi o melhor dos tempos, mas em outro sentido esse foi o pior dos tempos.

Levando esse conceito à Trindade, não é uma contradição para Deus ser tanto três quanto um porque Ele não é três e um no mesmo sentido. Ele é três num sentido diferente do qual Ele é um. Assim, não estamos falando com uma linguagem dobre. Não estamos dizendo que Deus é um e, então, negando que Ele é um ao dizer que Ele é três. Isto é muito importante: Deus é um e três ao mesmo tempo, mas não no mesmo sentido.

Como Deus é um? Ele é um em essência. Como Deus é três? Ele é três em personalidade. Essência e personalidade não são a mesma coisa. Deus é um em certo sentido (essência) e três em um sentido diferente (personalidade). Já que Deus é um em um sentido diferente do qual Ele é três, a Trindade não é uma contradição. Só haveria contradição se disséssemos que Deus é três no mesmo sentido em que Ele é um.

Então, uma olhada mais de perto para o fato de que Deus é único em essência, mas triplo em personalidade, foi útil para mostrar por que a Trindade não é uma contradição. Mas como isso nos mostra que há apenas um Deus e não três? Muito simples: Todas as três pessoas são um Deus porque, como vimos acima, todas elas são a mesma essência. Essência significa a mesma coisa que “ser”. Assim, já que Deus é uma única essência, Ele é um único ser, não três. Isso torna mais claro por que é tão importante entender que todas as três pessoas são a mesma essência. Pois se nós negamos isso, estamos negando a unidade de Deus e afirmando que há mais do que um ser de Deus (ou seja, há mais do que um Deus).

O que vimos até agora provê um entendimento básico da Trindade. Mas é possível aprofundar-nos mais. Se pudermos entender mais precisamente o significado de essência e personalidade, como esses dois termos diferem e como se relacionam, teremos um mais completo entendimento da Trindade.

Essência e Personalidade

Essência.
O que essência significa? Como eu disse anteriormente, significa o mesmo que ser. A essência de Deus é o Seu ser. Para ser mais preciso, essência é aquilo que você é. Sob o risco de soar muito físico, essência pode ser entendida como o “material” do qual você “consiste”. Certamente estamos falando por analogia aqui, pois não podemos entender essência de uma forma física em relação a Deus. “Deus é espírito” (Jo.4.24). Além disso, claramente não devemos pensar em Deus “consistindo” de outra coisa além da divindade. A “substância” de Deus é Deus, não um monte de “ingredientes” que misturados produzem a divindade.

Personalidade.
Em relação à Trindade, nós usamos o termo “pessoa” diferentemente do que usamos no dia-a-dia. Portanto, geralmente é difícil ter uma definição concreta de pessoa quando usamos esse termo em relação à Trindade. Por “pessoa” não queremos dizer um “indivíduo independente”, assim como eu e outro ser humano somos independentes e existimos separados um do outro. Por “pessoa” queremos dizer alguém que se trata como “eu” e aos outros como “vós”. Então, o Pai, por exemplo, é uma pessoa diferente do Filho porque Ele trata ao Filho como “Tu”, apesar de Se tratar como “Eu”. Assim, em relação à Trindade, podemos dizer que “pessoa” significa um sujeito distinto que Se trata como “Eu” e aos outros dois como “Vós”. Esses sujeitos distintos não são uma divisão no ser de Deus, mas “uma forma de existência pessoal que não é uma diferença no ser”[3].

Como elas se relacionam?
O relacionamento entre essência e personalidade, então, é como segue. Na unidade de Deus, o ser indiviso é um “desdobramento” em três distinções pessoais. Essas distinções pessoais são modos de existência no ser divino, mas não são divisões do ser divino. Elas são formas pessoais de existência e não uma diferença no ser. O antigo teólogo Herman Bavinck declarou algo muito útil sobre isso: “As pessoas são modos de existência no ser; conseqüentemente, as pessoas diferem entre si como um modo de existência difere de outro, e – usando uma ilustração comum – como a palma aberta difere do punho fechado”[4]. Já que cada uma dessas “formas de existência” são relacionais (e assim são pessoas), cada uma delas é um distinto centro de consciência, cada um deles Se tratando como “Eu” e aos outros como “Vós”. Porém, todas essas três pessoas “consistem” da mesma “matéria” (ou seja, o mesmo “o que”, ou essência). Como o teólogo e apologista Norman Geisler explicou, enquanto essência é “o que” você é, pessoa é “quem” você é. Então, Deus é um “o que”, mas três “quem”.

Assim, a essência divina não é algo que existe “acima” ou “separada” das três pessoas, mas a essência divina é o ser das três pessoas. Não devemos pensar nas pessoas como seres definidos por atributos acrescentados ao ser de Deus. Wayne Grudem explica:

“Mas se cada pessoa é plenamente Deus e tem todo o ser divino, então tampouco devemos pensar que as distinções pessoais são alguma espécie de atributos acrescentados ao ser divino… Em vez disso, cada pessoa da Trindade tem todos os atributos de Deus, e nenhuma das pessoas tem algum atributo que não seja também possuído pelas outras. Por outro lado, precisamos dizer que as pessoas são reais, que não são apenas modos diferentes de enxergar o ser único de Deus… a única maneira de fazê-lo é dizer que a distinção entre as pessoas não é uma diferença no “ser”, mas sim uma diferença de “relações”. Trata-se de algo bem distante da nossa experiência humana, na qual cada “pessoa” distinta é também um ser distinto. De algum modo o ser divino é tão maior que o nosso que dentro do seu ser único e indiviso pode haver um desdobramento em relações interpessoais, de forma tal que existam três pessoas distintas”.[5]

Ilustrações Trinitárias?

Há muitas ilustrações que têm sido oferecidas para nos ajudar a entender a Trindade. Embora existam algumas ilustrações úteis, devemos reconhecer que nenhuma ilustração é perfeita. Infelizmente, há muitas ilustrações que não são apenas imperfeitas, mas erradas. Uma ilustração com a qual devemos tomar cuidado diz: “Eu sou uma pessoa, mas também sou um estudante, um filho e um irmão. Isso explica como Deus pode ser tanto um quanto três”. O problema com essa ilustração é que ela reflete uma heresia chamada modalismo. Deus não é uma pessoa que desempenha três diferentes papéis, como essa ilustração sugere. Ele é um Ser em três pessoas (centros de consciência), não simplesmente três papéis. Essa analogia ignora as distinções pessoais em Deus e as transforma em meros papéis.

Resumo

Vamos revisar rapidamente o que vimos.

1. A Trindade não é uma crença em três deuses. Há um único Deus e nós nunca devemos desviar-nos disso.

2. Esse único Deus existe como três pessoas.

3. As três pessoas não são partes de Deus, mas cada uma delas é total e igualmente Deus. No ser único e indiviso de Deus há um desdobramento em três relações interpessoais, de forma tal que existam três pessoas. As distinções na Divindade não são distinções de Sua essência, nem são acréscimos à Sua essência, mas são o desdobramento da unidade de Deus, do ser indiviso, em três relacionamentos interpessoais, de modo que há três pessoas reais.

4. Deus não é uma pessoa que assume três papéis consecutivos. Essa é a heresia do modalismo. O Pai não se tornou o Filho e, então, o Espírito Santo. Pelo contrário, sempre houve e sempre haverá três pessoas distintas na Divindade.

5. A Trindade não é uma contradição porque Deus não é três no mesmo sentido em que Ele é um. Deus é um em essência e três em personalidade.

Aplicação

A Trindade é extremamente importante porque Deus é importante. Conhecer mais completamente a Deus é uma forma de honrá-Lo. Além disso, devemos admitir o fato de que Deus é triuno para aprofundar nossa adoração. Nós existimos para adorar a Deus. E Deus busca pessoas que O adorem “em espírito e em verdade” (Jo.4.24). Portanto, devemos sempre empenhar-nos em aprofundar nossa adoração a Deus, tanto em verdade quanto em nosso coração.

A Trindade tem uma aplicação muito importante na oração. O padrão geral de oração na Bíblia é orar ao Pai através do Filho e no Espírito Santo (Ef.2.18). Nossa comunhão com Deus deve ser reforçada por um conhecimento consciente de que estamos nos relacionando com um Deus tri-pessoal.

A conscientização dos papéis distintos que cada pessoa da Trindade tem em nossa salvação pode servir especialmente para nos dar grande conforto e apreciação por Deus em nossas orações, assim como nos ajudar a ser específicos ao dirigi-las a Deus. Porém, apesar de reconhecer os papéis distintos de cada pessoa, nunca devemos pensar nesses papéis de forma tão separada que as outras pessoas não estejam envolvidas. Pelo contrário, em tudo que uma pessoa está envolvida, as outras duas também estão envolvidas, de uma forma ou de outra.

Notas

3. Wayne Grudem, Teologia Sistemática (Edições Vida Nova, 1999), p.189. Apesar de eu crer que essa é uma definição útil, deve ser reconhecido que o próprio Grudem está oferecendo-a mais como uma explanação do que como uma definição de pessoa.
4. Herman Bavinck, The Doctrine of God, (Great Britain: The Banner of Truth Trust, 1991 edition), p. 303.
5. Grudem, p.187-188.

Recursos adicionais

Agostinho, A Trindade
Herman Bavinck, The Doctrine of God, p. 255-334
Edward Bickersteth, The Trinity
Wayne Grudem, Teologia Sistemática, capítulo 14
Donald Macleod, Shared Life: The Trinity and the Fellowship of God’s People
R.C. Sproul, O Mistério do Espírito Santo
R.C. Sproul , Verdades Essenciais da Fé Cristã
J.I. Packer, O Conhecimento de Deus
John Piper, The Pleasures of God, chapter 1
James White, The Forgotten Trinity

 

Por John Piper. © Desiring God. Website:desiringGod.org
Original:
What is the doctrine of the Trinity?
Tradução e Revisão:
 André Aloísio e Davi Luan do blog Teologia e VidaPermissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações acima e o link deste blog, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Blog: Voltemos ao Evangelho.

Mórmons

A história do mormonismo tem início com a pessoa de Joseph Smith, nascido a 23 de dezembro de 1805, no Condado de Windsor, Estado de Vermont, nos Estados Unidos.

I. UM RESUMO HISTÓRICO DO MORMONISMO
Para melhor compreender a história do mormonismo, torna-se necessário estudá-la partindo da sua base, isto é, da vida de Joseph Smith, o fundador da seita.

1.1. A PRIMEIRA VISÃO DE SMITH
Joseph Smith tinha mais ou menos dez anos de idade quando, com seus pais, mudou-se para Palmyra, no Condado de Ontário (atual Wayne), no Estado de Nova Iorque. Quatro anos após, mu¬dou-se novamente, agora para Manchester, também no Condado de Ontário.
Foi criado na ignorância, pobreza e superstição. Ainda moço, decepcionou-se com as igrejas que conhecera. Foi nesse tempo que diz ter recebido a sua primeira visão, segundo a qual aparece¬ram-lhe o Pai e o Filho, denunciando a falsidade de todas as igre¬jas, com as seguintes palavras: “Eles se chegam a mim com os seus lábios, mas seus corações estão longe de mim; eles ensinam mandamentos dos homens como doutrina, tendo aparência de san¬tidade, mas negando o meu poder” (O Testemunho do Profeta Joseph Smith, p. 4).

1.2. A SEGUNDA VISÃO DE SMITH
De acordo com a relato do próprio Smith, apareceu-lhe o “anjo” Moroni, que, segundo fez crer, havia vivido naquela mesma re¬gião há uns 1400 anos. Mórmon, o pai de Moroni, um profeta, havia gravado a história do seu povo em placas de ouro. Quando estavam a ponto de serem exterminados por seus inimigos, Moroni teria enterrado essas placas ao pé de um monte próximo do local onde hoje é Palmyra. Nessa visão, Moroni teria indicado a Joseph Smith o lugar onde as placas foram escondidas, e emprestou-lhe umas pedras especiais, um certo tipo de lentes, chamadas “Urim” e “Tumim”, com as quais Joseph Smith poderia decifrar e traduzir os dizeres dessas placas.
Depois de conseguir as placas de ouro e as lentes, Smith, sen¬tado por trás de uma cortina, teria ditado a um amigo a tradução do que estava escrito nas placas. Depois devolveu as placas e as lentes a Moroni. Uma vez traduzida, a obra foi publicada pela pri¬meira vez em 1829, recebendo o título de O Livro de Mórmon.

1.3. FUNDAÇÃO DA IGREJA MÓRMON
Joseph Smith cedo encontrou quem o aceitasse como profeta, pelo que fundou a “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Desde então, ficou estabelecido como um princípio doutri¬nário que esta era a única igreja verdadeira, e que fora dela não havia outro meio de salvação para o homem.

Joseph Smith, fundador do Mormonismo

Uma série de “revelações” de Joseph Smith foi desenvolven¬do a doutrina dessa igreja, transformando-a, através dos anos, numa forma de politeísmo. Os crentes deveriam edificar uma teocracia, isto é, teriam o assessoramento de doze apóstolos. As pretensões de domínio de Smith eram tão elevadas que ele chegou a lançar-se candidato à presidência dos Estados Unidos.
Smith e seus seguidores sofriam não poucas perseguições, ra¬zão por que eram levados a peregrinar de um a outro ponto da América, procurando onde estabelecer uma colônia e fundar o rei¬no de Deus. Encontraram acolhida em Illinois, onde erigiram a cidade de Nauvoo. Ali, acusado de grosseira imoralidade e falsifi¬cação, Smith foi preso, e uma turba enfurecida invadiu a cadeia e, a tiros, matou Smith e seu irmão, Hyrum.

1.4. A DIVISÃO DA IGREJA MÓRMON
Depois da morte de Joseph Smith, sua igreja se dividiu. A primeira facção seguiu a liderança de Brigham Young, fiel discí¬pulo do “profeta” Smith. Como ainda eram muitas as persegui¬ções que sofriam nessa época, Young e aqueles a quem liderava, após penosa peregrinação, em julho de 1847, chegaram ao Estado de Utah, na época território mexicano não ocupado, e, ali, onde hoje é a cidade de Salt Lake City, fundaram a sede da igreja, uma espécie de quartel-general, de onde o mundo seria alcançado pe¬los apóstolos do mormonismo.
A maioria, no entanto, decidiu ficar sob a liderança de um filho de Joseph Smith, e separou-se dos demais, permanecendo no Estado de Missouri. Reorganizaram a igreja e estabeleceram sua sede em Independence, Missouri. Chamaram-na “Igreja Reorga¬nizada de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Esta igreja tem prosperado e ainda permanece, embora seja menor que a de Utah.
Das várias facções que surgiram depois da morte de Joseph Smith, outra digna de menção é a “Igreja de Cristo do Lote do
Templo”, com sede em Bloomington, Estado de Illinóis. Segundo as “revelações” recebidas por alguns líderes dessa facção, conven¬ceram-se de que Sião, o lugar do regresso de Cristo à Terra, está em Bloomington, e não em Israel. Crêem que Ele terá o seu tem¬plo em certo lote da área onde está a sede dessa igreja.

II. O LIVRO DE MÓRMON
Cabe-nos perguntar: O Livro de Mórmon é também a Palavra de Deus? Tem ele o significado e o valor que os mórmons dizem ter? A resposta a ambas as perguntas é: NÃO!

2.1. O QUE É O LIVRO DE MÓRMON
A primeira edição de O Livro de Mórmon para o português apareceu no ano de 1938, e, até o ano de 1975, já haviam sido impressas seis edições. O Livro de Mórmon compõe-se de 15 li¬vros, divididos em capítulos e versículos, tal como a Bíblia Sagra¬da. Os seus livros estão dispostos da seguinte maneira:
Nome do Livro Capítulos Versículos
1º Livro de Nefi 22 618
2º Livro de Nefi 33 779
Livro de Jacó 7 203
Livro de Ênos 1 27
Livro de Jarom 1 15
Livro de Omni 1 30
As Palavras de Mórmon 1 18
Livro de Mosiah 29 786
Livro de Alma 63 1943
Livro de Helamã 16 497
3a Livro de Nefi 30 765
4a Livro de Nefi 1 49
Livro de Mórmon 9 227
Livro de Éter 15 433
Livro de Moroni 10 167

No seu todo, O Livro de Mórmon soma um total de 239 capí¬tulos e 6553 versículos. Nele são encontrados capítulos inteiros da Bíblia. Por exemplo: Ia Nefi 20 é igual a Isaías 48; 2a Nefi 12 e 24 são iguais a Isaías 2 e 14; 3a Nefi 24 é igual a Malaquias 3; 3a Nefi 12 e 14 são iguais a Mateus 5 e 7; Moroni 10.7-20 é igual a 1 Coríntios 12.
Não obstante O Livro de Mórmon conter muito da Bíblia Sa¬grada, ele a condena como um livro mutilado e cheio de erros, que Satanás usa para escravizar os homens. Isto é dito textualmente em Ia Nefi 13.28,29 e 2a Nefi 29.3,6.

2.2. TESTEMUNHOS CONTRA O LIVRO DE MÓRMON
São muitíssimas as provas de que O Livro de Mórmon é obra de homem e não a Palavra de Deus. Dentre essas provas desta¬cam-se as seguintes:

• A opinião mais comum entre os estudiosos do mormonismo é que o conteúdo de O Livro de Mórmon, em grande parte, foi tomado de um romance de Salomão Spaulding, um pastor presbiteriano aposentado, que escreveu uma história fictícia dos primeiros habitantes da América.
• As descobertas arqueológicas e os estudos históricos pro¬vam que os primeiros habitantes da região indicada em O Livro de Mórmon eram muito diferentes da descrição que ele dá quanto aos costumes, nomes, caráter e línguas.
• O Livro de Mórmon contém mais ou menos 10.000 citações diretas da versão da Bíblia inglesa “King James”, publicada pela primeira vez em 1611.
• O livro pretende ser a tradução de placas de ouro enterradas desde o ano 420 até 1823, contudo cita com precisão capítulos inteiros de uma Bíblia publicada em 1611. Isso é simplesmente inconcebível!
• O livro foi escrito em uma linguagem paupérrima, porém, quando cita a Bíblia (o profeta Isaías, por exemplo), mostra erudição de linguagem, mais uma prova de que esses textos foram copi¬ados diretamente da Bíblia.
• O Livro de Mórmon põe na boca de personagens que vive¬ram séculos antes de Cristo, palavras que a Bíblia atribui a nosso Senhor; ou põe na boca do Senhor palavras que só poderiam sair da boca de um bastardo e inculto.
• É estranho que Joseph Smith não mostrasse as placas de ouro a ninguém mais, além das três testemunhas abaixo, para que o seu testemunho fosse confirmado.
• Oliver Cowdery, David Whitner e Martins Harris são citados em O Testemunho do Profeta Joseph Smith como tendo visto as placas de ouro de onde Smith teria traduzido O Livro de Mórmon. O próprio Smith os chama depois de “ladrões e mentirosos, dema¬siadamente maus para serem mencionados” (Smith, History of the Church, vol. IV, p. 461).
• Para tão volumoso conteúdo de O Livro de Mórmon, as pla¬cas de ouro que Joseph Smith descreveu requeriam um trabalho microscópico ou algo miraculoso.
• Os muitos erros gramaticais e de conteúdo de O Livro de Mórmon o fazem obra de homem e não Palavra de Deus.

III. O “PROFETA” JOSEPH SMITH
Como o caráter de qualquer movimento ou religião é, de certa forma, um segmento do caráter do seu fundador, torna-se evidente que quanto mais conhecermos a respeito de Joseph Smith, melhor conheceremos o mormonismo, também chamado “A Igreja de Je¬sus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.
Foi Joseph Smith um profeta de Deus? Ou foi ele um falso profeta? A resposta a esta pergunta se acha na Bíblia Sagrada.

3.1. COMO JULGAR UM PROFETA
Deus mesmo nos dá o critério para julgar um profeta, procu¬rando saber quando ele fala da parte do Senhor ou fala de si mes¬mo; quando ele é um verdadeiro ou um falso profeta. Diz Deus:
“O profeta que presumir falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto. Se disseres no teu coração: ‘Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou?’ Sabe que quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder como profetizou, esta é a palavra que o Se¬nhor não disse; com soberba a falou o tal profeta: não tenhas te¬mor dele… Quando um profeta ou sonhador se levantar no meio de ti, e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou pro¬dígio, de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador” (Dt 18.20-22; 13.1-3).
A prova do falso profeta tanto era razoável como natural, e consistia no seguinte: 1) Se a palavra proferida não se cumprir; ou 2) Se a palavra se cumprir, mas o profeta, prevalecendo-se disto, conduzir as pessoas a se afastarem do verdadeiro Deus e a segui¬rem outros deuses.

3.2. PROFECIAS DE JOSEPH SMITH
Vamos mostrar algumas das “profecias” de Joseph Smith que não suportaram o rigor e o crivo da exatidão divina:

3.2.1. A NOVA JERUSALÉM E SEU TEMPLO
Smith profetizou que a Nova Jerusalém e o seu templo devem ser erigidos no Estado de Missouri, nos Estados Unidos, nesta geração (Doutrina e Pactos, seção 84.1-5).
Ratificando esta absurda profecia, Orson Pratt, apóstolo do mormonismo, declarou efusivamente: “Os Santos dos Últimos Dias esperam o cumprimento desta profecia durante a geração em existência, em 1832, assim como esperam que o sol nasça e se ponha amanhã. — Por quê? — Porque Deus não pode mentir. Ele cumprirá todas as suas promessas” (Revista de Discursos, vol. IX, p. 71).

3.2.2. A CASA EM NAUVOO
Smith profetizou que sua casa em Nauvoo haveria de perma¬necer e pertencer à sua família para sempre (Doutrina e Pactos, Seção 124.56-60). Porém, após sua morte, os mórmons deixaram a cidade e sua casa não pertence a nenhum dos seus familiares.

3.2.3. Os INIMIGOS
Aplicou a si próprio o texto de 2Q Nefi 3.14, dizendo que os seus inimigos seriam confundidos e destruídos ao procurarem des¬truí-lo. No entanto, ele foi morto à bala na prisão de Cartthage, em Illinóis, no dia 27 de junho de 1844.

3.2.4. O NASCIMENTO DE JESUS
Falou que Jesus devia nascer em “Jerusalém”, que é a terra de nossos antepassados (Alma 7.10), quando a Bíblia diz que Jesus nasceria em Belém da Judéia (Mq 5.2), profecia que se cumpriu fielmente (Mt 2.1).

3.2.5. A VINDA DO SENHOR
Em 1835, profetizou: “a vinda do Senhor está próxima… até mesmo cinqüenta e seis anos deviam terminar a cena” (History of the Church, vol. II, p. 182).

3.2.6. Os “HABITANTES DA LUA”
Smith predisse que “os habitantes da lua têm tamanho mais uniforme que os habitantes da Terra, têm cerca de 1,83m de altura. Vestem-se muito à moda dos quacres, e seu estilo é muito geral, com quase um só tipo de moda. Têm vida longa, chegando geral¬mente a quase mil anos” (Revista de Oliver B. Huntinton, vol. II, p. 166).
Evidentemente, Smith jamais sonhara que algum dia o ho¬mem chegaria à lua, e verificaria que lá não há nenhum tipo de vida.

IV. PRINCIPAIS DOUTRINAS DO MORMONISMO
Como as demais seitas estudadas ao longo deste livro, o mormonismo também possui suas doutrinas exóticas e anti-bíblicas, como é mostrado a seguir.

4.1. REGRAS DE FÉ DO MORMONISMO
O próprio Joseph Smith, fundador do mormonismo, escreveu aquilo que até hoje é aceito como “Regras de Fé d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, as quais se seguem:
• Cremos em Deus, o Pai Eterno, e no seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo.
• Cremos que os homens serão punidos pelos seus próprios pecados e não pela transgressão de Adão.
• Cremos que, por meio do sacrifício expiatório de Cristo, toda a humanidade pode ser salva pela obediência às leis e regras do Evangelho.
• Cremos que os primeiros princípios e ordenanças do Evange¬lho são: primeiro, fé no Senhor Jesus Cristo; segundo, arrependi¬mento; terceiro, batismo por imersão, para remissão dos nossos pe¬cados; quarto, imposição das mãos para o dom do Espírito Santo.
• Cremos que um homem deve ser chamado por Deus, por profecia e por imposição de mãos por quem possua autoridade para pregar o Evangelho e administrar ordenanças.
• Cremos na mesma organização existente na igreja primitiva, isto é, apóstolos, profetas, pastores, mestres, evangelistas, etc.
• Cremos no dom de línguas, na profecia, na revelação, nas visões, na cura, na interpretação de línguas, etc.
• Cremos ser a Bíblia a Palavra de Deus, quando for correta a sua tradução; cremos também ser O Livro de Mórmon a Palavra de Deus.
• Cremos em tudo o que Deus tem revelado, em tudo o que Ele revela agora, e cremos que Ele ainda revelará muitas grandes e importantes coisas pertencentes ao Reino de Deus.
• Cremos na coligação literal de Sião, na restauração das Dez Tribos; que Sião será construída neste continente (o norte-ameri¬cano); que Cristo reinará pessoalmente sobre a Terra, a qual será renovada e receberá a sua glória paradisíaca.
• Pretendemos ter o privilégio de adorar a Deus, o Todo-Poderoso, de acordo com os ditames da nossa consciência, e concede¬mos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar, como ou o que quiserem.
• Cremos na submissão aos reis, presidentes, governadores e magistrados, como também na obediência, honra e manutenção da lei.
• Cremos ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos e em fazer o bem a todos os homens. Na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo. Cremos em todas as coisas e confiamos na capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável e louvável, nós a procuraremos.

4.2. DESTRUINDO SOFISMAS
Tem assustado a muitos cristãos sinceros o fato de haver gran¬de semelhança entre determinados pontos deste credo mórmon e a crença bíblica por eles esposada. Vem ao caso indagar: “Isto signi¬fica que os mórmons comungam dos mesmos princípios espiritu¬ais que o Cristianismo autêntico aceita como doutrina bíblica?” A resposta é: NÃO! Como a sinceridade de uma crença não estabe¬lece a sua veracidade, é muito fácil mostrar que, na teoria, o mormonismo diz crer no que o verdadeiro cristão crê; enquanto, na prática, as suas doutrinas se mostram pura heresia. Se não, vejamos:
a. O Deus e o Cristo do mormonismo não são os mesmos re¬velados na Bíblia.
b. Na doutrina mórmon a pena do pecado é muito diferente da mostrada nas Escrituras.
c. A obra expiatória de Cristo tem significado bem diferente para o mormonismo.
d. Ainda que admita crer nos “princípios e ordenanças do Evan¬gelho”, o mormonismo os faz monopólio próprio.
e. A vocação ministerial só é legítima quando evidenciada por parte dos mórmons — dizem.
f. A Igreja Cristã fracassou, pelo que o mormonismo com toda a sua hierarquia, é hoje o único representante da verdadeira Igreja — afirmam.
g. As operações do Espírito, conforme crê o mormonismo, nada têm a ver com aquelas manifestações tratadas no Novo Tes¬tamento.
h. A Bíblia é um livro imperfeito, precisando ser suplementada pelo O Livro de Mórmon, Doutrina e Pactos, e A Pérola de Grande Preço — alegam.
i. A crença mórmon na revelação progressiva de Deus objeti¬va estabelecer a canonicidade de O Livro de Mórmon, bem como das chamadas “revelações” de Joseph Smith.
j. O mormonismo crê que, na manifestação de Cristo, a Amé¬rica do Norte, e não Israel, será a sede do seu governo milenar.
l. Enquanto admite crer nas autoridades constituídas, o mormonismo praticamente nega obediência ao único e verdadeiro Deus.

4.3. OUTRAS HERESIAS DA DOUTRINA MÓRMON
Dado o grande volume de doutrinas defendidas pelo mormonismo, dentre outras, atente para as seguintes:

4.3.1. ACERCA DA BÍBLIA
“A Bíblia é a Palavra de Deus, escrita pelos homens. E básica no ensino mórmon. Mas os santos dos últimos dias reconhecem que se introduziram erros nesta obra sagrada, devido à forma como este livro chegou a nós. Além do mais, consideram-na incompleta como um guia…
“Suplementando-a, os santos dos últimos dias possuem três outros livros. Estes, como a Bíblia, constituem as obras-padrão da Igreja. São conhecidos como O Livro de Mórmon, Doutrina e Pac¬tos, e A Pérola de Grande Preço” (Quem São os Mórmons?, p. 11).

4.3.2. ACERCA DE DEUS
“Agora ouvi, ó habitantes da terra, judeus e gentios, santos e pecadores! Quando nosso pai chegou ao jardim do Éden, entrou nele com um corpo celestial, e trouxe consigo Eva, uma de suas esposas. Ele ajudou a organizar o mundo. Ele é Miguel, o Arcanjo, o Ancião de Dias! acerca de quem santos homens têm escrito e falado — ele é o nosso pai e nosso Deus, e o único Deus com quem devemos lidar” (Brigham Young, Revista de Discursos, vol. Lpp. 50,51).

4.3.3. ACERCA DE JESUS CRISTO
“Ele não foi gerado pelo Espírito Santo…” (Revista de Discur¬sos, 1-50).
“Jesus Cristo foi polígamo: Maria e Marta, as irmãs de Lázaro, eram suas esposas pluralistas, e Maria Madalena era outra. Tam¬bém a festa nupcial de Cana da Galiléia, onde Jesus transformou água em vinho, realizou-se por ocasião de um dos seus casamen¬tos” (Brigham Young, Wife nfl 19, 384).

4.3.4. ACERCA DA IGREJA
“É evidente que a Igreja foi literalmente expulsa da Terra; nos primeiros dez séculos que seguiram logo após o ministério de Cris¬to, a autoridade do sacerdote foi perdida entre os homens, e ne¬nhum poder humano poderia restaurá-la. Mas o Senhor, em sua misericórdia, providenciou o restabelecimento de sua Igreja nos últimos dias, e pela última vez… Foi já demonstrado que essa res¬tauração foi efetuada pelo Senhor através do Profeta Joseph Smith” {Mediação e Expiação, pp. 170, 171, 178).

4.3.5. ACERCA DO BATISMO PELOS MORTOS
“Temos aqui [Hebreus 6.1,2] a explicação de como as portas de sua prisão poderão ser abertas e eles postos em liberdade; pela crença do Evangelho, através do batismo pelos mortos. Os que ainda estão na carne fazem trabalho vicário para os seus mortos, e, assim tornam-se salvadores do monte Sião” (O Plano de Salva¬ção, p. 32).

4.3.6. ACERCA DO MATRIMÔNIO
“O matrimônio, na teologia mórmon, é um contrato sagrado, ordenado divinamente. Sob a autoridade do sacerdote, um homem e uma mulher são casados não somente para essa vida como mari¬dos e esposas legais, mas também para a eternidade” (Quem São os Mórmons?, p. 13).

4.3.7. ACERCA DO CASTIGO ETERNO
“Não devemos dar uma interpretação particular a este termo; procuraremos entender corretamente o seu significado.
“Castigo eterno é o castigo de Deus; sem fim é a punição de Deus; ou, em outras palavras, é o nome da punição que Deus infli¬ge, sendo ele eterno em sua natureza.
“Por isso, todos aqueles que recebem castigo de Deus, rece¬bem um castigo eterno, dure este uma hora, um dia, uma semana, um ano ou uma era” (O Plano da Salvação, p. 35).

4.4. REFUTAÇÃO A ESSAS DOUTRINAS FALSAS
O árbitro maior da fé cristã não é a teologia seca e morta, nem as alegadas “visões” de homens, sejam eles quem forem, mas a Bíblia Sagrada. E é à luz dos seus ensinos que as crenças do mormonismo são refutadas, como é mostrado a seguir.

4.4.1. A BÍBLIA
A Bíblia Sagrada fala de si mesma, como:
• O livro dos séculos (SI 119.89; 1 Pe 1.25).
• Divinamente inspirada (Jr 36.2; 2Tm 3.16; 2 Pe 1.21).
• Poderosa em sua influência (Jr 5.14; Rm 1.16; Ef 6.17; Hb4.12).
• Absolutamente digna de confiança (1 Rs 8.56; Mt 5.18; Lc 21.33).
• Pura (SI 19.8).
• Santa, justa e boa (Rm 7.12).
• Perfeita (SI 19.7; Rm 12.2).
• Verdadeira (SI 119.142).
Os escritos mais antigos dos Pais da Igreja, apoiados pelas mais recentes descobertas arqueológicas, provam que a Bíblia é um livro inalterável em conteúdo literário e doutrinário.

4.4.2. DEUS
• Deus e Adão são pessoas distintas. Deus é o Criador (Gn 1.26), enquanto Adão é criatura de Deus (Gn 1.27).
• Deus não é homem (Nm 23.19).
• Deus é Espírito (Jo 4.24).
• Deus é imutável (Ml 3.6).
• Deus é eterno (SI 102.26,27).

4.4.3. JESUS CRISTO
• Jesus Cristo foi gerado por obra e graça do Espírito Santo (Lc 1.35).
• Dizer que Jesus era casado, e que as Bodas de Cana da Galiléia foi a festa do seu próprio casamento, demonstra ignorância quanto à exegese de João 2.2. Muito mais que isto, constitui-se num abo¬minável ultraje à Pessoa do Salvador Jesus Cristo.

4.4.4. A IGREJA
• A Igreja foi estabelecida por Jesus (Mt 16.18).
• A Igreja está fundamentada em Jesus (Mt 16.16,18).
• A Igreja é vitoriosa sobre o inferno pelo poder de Jesus (Mt 16.18).
• A Igreja será salva da Grande Tribulação pelo poder de Jesus (Ap3.10).
• A Igreja será glorificada por Jesus (Ef 5.25-27).
É evidente que, durante séculos, a Igreja tem sofrido a perse¬guição dos poderosos e a rejeição dos arrogantes, contudo, tem brilhado e triunfado.

4.4.5. O BATISMO PELOS MORTOS
• Não há nenhuma referência na Bíblia, nem na história eclesi¬ástica, quanto ao batismo pelos mortos, como uma prática da Igreja.
• A ênfase de Paulo em 1 Coríntios 15.29,30 é sobre a ressur¬reição dos mortos, e não sobre o batismo pelos mortos. A referên¬cia de Paulo a esse batismo praticado pelo paganismo é feita como represália àqueles que, a despeito de ensinarem a validade desse batismo, negavam a possibilidade da ressurreição.

4.4.6. O MATRIMÔNIO
• Não obstante constituído por Deus, o matrimônio não chega a ser um sacramento divino.
• Os ressuscitados serão como os anjos, não se casam nem se dão em casamento (Mt 22.30).

4.4.7. O CASTIGO ETERNO
• Se a interpretação mórmon quanto ao castigo dos ímpios é correta, então o gozo dos salvos não será eterno no verdadeiro sentido da palavra. Assim sendo, como explicar passagens como João 6.51; 1 João 2.17 e Mateus 25.46?

Por Raimundo Oliveira.

A Heresia do Batismo pelos Mortos

O mormonismo ensina e pratica o batismo pelos mortos. Consiste em se batizar alguém que já morreu. Como não se pode batizar um espírito, um mórmon faz as vezes do falecido. Acho que não existe uma heresia mais braba do que esta.

Talvez se iguale a esta, em extravagância, o ato de urinar em pontos estratégicos de uma cidade para marcar território, ou a do uso de sal grosso para afastar demônios.

Pois bem, Jesus teria se esquecido de batizar o ladrão?

Aferram-se os contradizentes à tese de que Jesus continua evangelizando os espíritos em prisão.

Deduzem que os espíritos convertidos deverão descer às águas.

Como espírito por óbvias razões não pode ser molhado e não existe água no mundo espiritual, Jesus espera que a sua igreja batize os mortos.

Ao afirmar a salvação do ladrão, Jesus tinha certeza de que alguém iria batizá-lo dois mil anos depois?

Como ele foi direto para o paraíso sem batismo?

Deus assim o quiz e pronto.

Por Airton Evangelista da Costa.