Parábolas de Jeremias


Como Isaías, Jeremias profetizou principalmente para o reino de Judá, e sua palavra ao povo, envolta numa mensagem simbólica de impacto, era mais um anúncio de que Deus rejei­tou a nação por causa de sua apostasia e de seu pecado. Jeremias também recebeu ordens de profetizar acerca do cativeiro babilônico como a vontade de Deus para o povo que fora chamado para rejeitar todas as ali­anças mundanas, especialmente com o Egito, ao qual os líderes se volta­ram em busca de socorro contra os assírios. Esse ministério pertinente tornou o profeta extremamente im­popular, sendo constantemente per­seguido por sua ousada mensagem.

É graças à grande semelhança entre Jeremias e Jesus que o profe­ta tem fascinação pelos santos de Deus. Ambos eram homens sofridos e familiarizados com o sofrimento; ambos vieram para os seus e os seus não os receberam; ambos suporta­ram horas de rejeição, de desolação e de abandono. De todos os profetas do AT, Jeremias parece ter padecido os mais atrozes sofrimentos. Não houve dor igual à sua (Lm 1:12; 3:1). Era popularmente conhecido como o Profeta das Lágrimas e foi retrata­do por Miquelângelo cabisbaixo, em meditação sofredora. Jeremias teve a graça e o dom das lágrimas. Pos­suidor de um temperamento ascé­tico, era “fervoroso, sensível, facil­mente depressivo, desconfiado de si mesmo, facilmente tomado de seve­ra e irada indignação”. As páginas das suas profecias trazem as man­chas das suas lágrimas.

Sabemos mais da história de Jeremias que de qualquer outro pro­feta. Foi dito a seu respeito que, “mais do que qualquer outro, da res­peitável companhia dos profetas, a sua vida toda está diante de nós como um livro aberto”. Chamado desde a tenra idade para servir ao Senhor, Jeremias reconhecia com grande perspicácia sua condição quando disse “não passo de uma cri­ança”, referindo-se, sem dúvida, à sua idade. Ele estava consciente da sua imaturidade e fragilidade dian­te da enormidade de sua grande e solene tarefa. Também declarou que não podia falar, o que significa que lhe faltava eloqüência, embora falar era exatamente o ministério para o qual fora chamado. Ao comentar a consciência que Jeremias tinha de sua limitação discursiva, o dr. F. B. Meyer diz: “Os melhores pregadores para Deus são freqüentemente os menos dotados de eloqüência huma­na; pois, se essa eloqüência estiver muito presente —a poderosa capacidade de comover—, há o risco po­tencial de confiar nela, atribuindo-lhe os resultados do seu encanta­mento magnético. Deus não pode dar sua glória a outro. Não divide seu louvor com os homens. Não ousa ex­por seus servos à tentação de sacri­ficar a si mesmos, ou confiar em suas próprias habilidades”.

Infelizmente, alguns são gran­des demais para que Deus os use, uma vez que são propensos a bus­car toda a glória para si! São aque­les que, como Jeremias, são fracos, nada sendo aos próprios olhos, que o Senhor escolhe para realizar fa­çanhas por ele (Jz 6:11-16; Is 6:5; ICo 1:27,28). Os lábios de Jeremias foram consagrados a Deus; ele não era tão eloqüente quanto Isaías, nem tão elevado quanto Ezequiel, mas tímido e retraído, consciente de sua completa debilidade. Deus, porém, o tomou e usou como um instrumento escolhido para procla­mar a mensagem divina à sua geração corrupta e degenerada. Por natureza acanhado em razão de sua debilidade, Jeremias tornou-se forte no Senhor (2Co 12:9,10). Hou­ve ocasiões em que, diante do Se­nhor, esquivava-se das tarefas a ele confiadas, mas, quando de fato se apresentava ao povo, enchia-se de coragem. Deus tocou os lábios do profeta, para que, purificado e cheio de poder, pudesse transmitir as verdades a ele confiadas.

O fato de estar imerso na lei e nos escritos de Israel ajudou em muito o estilo de Jeremias ao transmitir a mensagem de Deus. Os Salmos Alfabéticos (9, 25, 34, 37, 111, 112, 119 e 145) ajudaram a formar o estilo da estrutura das suas Lamentações, em forma de acróstico. A familiaridade com a maior parte das profecias de Isaías também contribuiu para as yi-gorosas imagens de Jeremias. Às vezes parece que ele copia algumas das suas ilustrações parabólicas . A leitura do livro de Jeremias impres­siona por uma característica, a sa­ber, que o seu estilo corresponde ao seu caráter. Ele era especialmente marcado por um sentimento passi­onal e por uma empatia com os mi­seráveis, como mostram suas Lamentações. A série completa de suas parábolas e elegias tinha ape­nas um objetivo: expressar a triste­za por seu país tão arruinado e des­graçado pelo pecado. Existem nume­rosas expressões e abundantes repe­tições, à medida que Jeremias expressa seus sentimentos abalados. Os judeus o veneravam tanto, que acreditavam na sua ressurreição dentre os mortos para ser o precur­sor do Messias (Mt 16:14).

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