As Sete Cartas do Apocalipse – A Mensagem Final de Cristo à Igreja

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Lição 1 – Apocalipse, a Revelação de Jesus Cristo

 

 

Lição 2 – A Visão do Cristo Glorificado

 

 

Lição 3 – Éfeso, a Igreja do Amor Esquecido

 

 

Lição 4 – Esmirna, a Igreja Confessante e Mártir

 

 

Lição 5 – Pérgamo, a Igreja Casada com o Mundo

 

 

Lição 6 – Tiatira, a Igreja Tolerante

 

 

Lição 7 – Sardes a Igreja Morta

 

 

Lição 8 – Filadélfia, a Igreja do Amor Pergeito

 

 

Lição 9 – Laodicéia, uma Igreja Morna

 

 

Lição 10 – O Governo do Anticristo

 

 

Lição 11 – O Evangelho do Reino no Império do Mal

 

 

Lição 12 – O Juízo Final

 

Lição 13 – A Formosa Jerusalém

A Verdadeira Prosperidade – A Vida Cristã Abundante (Revista CPAD da Escola Bíblica “dominical” – 1º trimestre de 2012)

Lições, Subsídios, Comentários, Metodologias, Dinâmicas de Grupo

e Assuntos Correlatos:

Em construção

1 – O Surgimento da Teologia da Prosperidade

2 – A Prosperidade no Antigo Testamento

3 – Os Frutos da Obediência da na Vida de Israel

4A Prosperidade no Novo Testamento   –   Clique aqui

5 – As Bênçãos de Israel e o que Cabe à Igreja

6 – A Prosperidade dos Bem-Aventurados

7 – “Tudo Posso Naquele que Me Fortalece”

8 – O Perigo de Querer Barganhar com Deus

9 – Dízimos e Ofertas

10 – Uma Igreja Verdadeiramente Próspera

11 – Como Alcançar a Verdadeira Prosperidade

12 – O Propósito da Verdadeira Prosperidade

13 – Somente em Jesus Cristo Temos a Verdadeira Prosperidade

Qual a Igreja (denominação evangélica) que Devo Congregar ?

“Como eu posso achar uma igreja onde eu ouvirei Cristo pregado por Sua Palavra, sem todos esses erros e distrações?” Esta é uma questão que tenho feito a mim mesmo em muitas ocasiões. É fácil entender a preocupação e até a frustração que acompanha a busca pelo lugar apropriado para adorar. Primeiro, assim como com os rótulos de produtos, é importante examinar o que os rótulos da igreja significam e o que eles não significam. Lendo os rótulos

Se você cresceu na Europa, escolher uma igreja não deve ser tão difícil. Depois da Reforma, cada denominação obteve sua própria “área”; assim, se você tivesse nascido, por exemplo, num cantão italiano na Suíça, você seria católico romano, enquanto uma pessoa nascida em Genebra, de língua francesa, provavelmente seria protestante. Algumas vezes, nações inteiras (ou a linhagem reinante de um monarca) compartilham uma confissão comum: A Igreja da Inglaterra, a Igreja da Escócia, a Igreja da Suécia, a Igreja Reformada Holandesa, e assim por diante.

Quando a América tornou-se o porto para grupos que queriam “recomeçar” no Novo Mundo, trazendo o Evangelho aos nativos e escapando da perseguição em suas igrejas estatais, muitos simplesmente trouxeram seu entendimento de igrejas estatais regionais do Velho Mundo. Por exemplo, os puritanos da Nova Inglaterra instituíram o Congregacionalismo e obstaram a cidadania aos quakers e católicos romanos. Isto foi, na verdade, mais generoso do que a perseguição da política na Europa, na época, quando os não-conformistas eram presos e algumas vezes até executados.

Entretanto, na época que nossa nação foi fundada, ficou claro que não haveria igrejas estatais sancionadas oficialmente pela república americana, mas que os americanos seriam livres para seguir suas consciências. Este processo, não obstante a todos os seus benefícios, criou um livre-para-tudo no qual as denominações competem pelas almas. Esta liberdade estimulou a criação de centenas de novas seitas e cultos no século dezenove; tudo desde mormonismo, racionalismo cristão e testemunhas de Jeová, até culto da comida saudável, seitas pentecostais radicais e grupos que aumentaram seus números de membros fazendo predições sobre os eventos proféticos do fim dos tempos. Os últimos dois anos têm sido um exercício de espiritualidade estilo cafeteria (onde os fregueses servem a si próprios) ou, como um amigo na Inglaterra chama, religião de livre empreendimento. A questão não é tanto a verdade que deve ser defendida e passada adiante, mas “o que funciona pra você”; em outras palavras, escolher uma igreja é uma questão de gosto.

Isto explica a origem dos rótulos. Como nós os lemos? Em primeiro lugar, há as denominações protestantes tradicionais que conceberam e modelaram a origem da maioria das instituições da América no século vinte: os Congregacionalistas, Presbiterianos e Reformados (Holandeses, Alemães, Húngaros, Franceses), Episcopais, Batistas, Luteranos e Metodistas. A primeira grande dissensão no protestantismo aconteceu entre os Luteranos e os Reformados, mas outras denominações protestantes (Congregacionalistas, Presbiterianos, Episcopais) são parte da árvore genealógica dos Reformados ou Calvinistas (nota: enquanto os Batistas Arminianos freqüentemente traçam sua ascendência até os Anabatistas, os Calvinistas Batistas consideram-se como aqueles que divergem do Calvinismo somente nos assuntos relacionados à teologia da aliança e aos sacramentos). Em outras palavras, eles compartilham uma crença comum sobre Deus, humanidade, Cristo, salvação e outras coisas essenciais, mas diferem sobre outros temas importantes. Por exemplo, Congregacionalistas crêem que as igrejas podem ser independentemente governadas pela congregação; Presbiterianos alegam que a palavra “presbítero” no Novo Testamento, significando “ancião”, pressupõe uma forma de governo eclesiástico baseado em irmãos-anciãos ordenando as igrejas em uma área determinada, e os Episcopais insistem numa hierarquia de pastores (bispos) sobre outros pastores (ministros).

Historicamente, a forma de governo da igreja, dividiu estas igrejas e não a discordância sobre o meio de salvação.

O reavivalismo e individualismo fronteiriço nos anos de 1800, levaram a uma explosão de cultos e seitas. Autoproclamados “profetas” afastaram muitas pessoas das igrejas protestantes tradicionais e muitos deles são hoje grupos organizados: a Igreja de Cristo, Discípulos de Cristo e uma hoste de grupos pentecostais. Grupos pietistas (a maioria descendendo dos Luteranos) acrescentaram divisões à lista. Eles criam que o protestantismo tradicional perdera seu primeiro amor por causa da ênfase doutrinária. Entre eles estão as denominações Brethren (dos Irmãos), Igrejas Livres (Evangélica Livre, Aliança Evangélica, etc), e uma multidão de igrejas independentes que surgiram no último século e meio. Na metade do século vinte muitas delas adotaram a teologia dispensasionalista de J. N. Darby.

Enquanto isto, as próprias denominações protestantes tradicionais começaram a tolerar e depois abraçar o Iluminismo, com sua crença na bondade humana, explicações naturais para tudo e a rejeição da necessidade da intervenção divina, revelação ou salvação.

Durante a primeira metade do século vinte, estas denominações experimentaram seu maior cisma. Isto deu origem a uma grande quantidade de novas denominações no cenário religioso. Por exemplo, somente entre os presbiterianos, onde havia somente uma Igreja Presbiteriana na América, existem hoje muitas. (…)[1]

Enquanto existem muitas divisões no protestantismo americano, existe também um constante estímulo à reunião das igrejas divididas, contanto que haja uma fé ortodoxa. Muitas das denominações há pouco mencionadas gozam de íntimas relações fraternas.

As denominações reformadas estão intimamente afiliadas com as presbiterianas; na verdade, a tradição é comumente chamada “a tradição reformada presbiteriana”. Muitas igrejas na Europa são parte das “igrejas regionais” mencionadas anteriormente. Elas têm histórias diferentes, não por causa de diferenças doutrinárias, mas porque vieram de diferentes contextos étnicos, lingüísticos, culturais e históricos. (…)

Congregacionalistas de modo geral, não têm uma confissão de fé ou catecismo. Os presbiterianos usam a Confissão de Fé de Westiminster e os Catecismos Menor e Maior; os reformados usam as “três formas de unidade” – a Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg e os Cânons do Sínodo de Dort; luteranos usam o Livro da Concórdia, que inclue a Confissão de Augsburg e empregam os Catecismos Menor e Maior de Lutero; os episcopais têm os Trinta e Nove Artigos da Religião como sua confissão. Cada uma destas confissões e catecismos foram escritos durante ou logo depois da Reforma. À medida que uma denominação ou igreja julga suas pregações, ensinos, culto e a vida da igreja por estes padrões, ela é “confessional”. A maioria das igrejas “mães” hoje, ou ignora suas confissões, ou permite que seus pastores e oficiais rejeitem sua confissão oficial de fé. Muitos “braços” evangélicos conservadores fazem o mesmo, não tanto pela rejeição absoluta do correto ensino, mas por uma apatia no que se refere a doutrina, credo, confissões e a instrução catequética dos jovens. Em ambos os casos o resultado é o mesmo: uma geração de cristãos professos que desconhece seus próprios credos o suficiente para ser capaz de questionar e examinar.

Seja cuidadoso para não ler os rótulos de muito perto. Por exemplo, embora a Igreja Unida de Cristo (não confundir com as Igrejas de Cristo ou Discípulos de Cristo) seja a mais liberal denominação da nação, julgando pela sua vanguarda diplomática, é possível achar uma paróquia decente desta igreja na sua vizinhança. De fato, é possível que uma congregação da Igreja Presbiteriana dos EUA (mãe) da vizinhança, possa atualmente ser mais comprometida com a fé reformada do que uma igreja que pertença a um ramo evangélico mais conservador do presbiterianismo. Não é provável, mas é possível. Hoje em dia, você não pode julgar sempre uma igreja pelo seu nome.

Tenha certeza que sua “igreja” é uma igreja

Até este século, cristãos de todos os tipos criam que há igrejas verdadeiras e igrejas falsas. Só porque está escrito “igreja” sobre a porta não significa que ela seja uma. Daí porque os reformadores retiraram das Escrituras duas inegáveis marcas da igreja verdadeira: é onde a Palavra de Deus é pregada de forma verdadeira e os sacramentos são administrados corretamente.

Certamente, os reformadores sabiam que isto acontece em graus variados. Por exemplo, mesmo numa igreja protestante conservadora alguém pode ser desapontado com o manuseio de um certo texto. Alguém pode estar absolutamente convencido que o pregador errou em sua explanação, mas isto não significa que esta igreja não deva mais ser considerada como uma igreja verdadeira. Os reformadores tinham em vista que ela tinha de ser uma igreja na qual a clara pregação do texto se focalizava na promessa de Cristo em salvar os pecadores. Em outras palavras, a pregação da Lei e do Evangelho deve ser claramente afirmada e proclamada na paróquia local, para ser considerada uma igreja verdadeira. Quando uma denominação ou uma igreja rejeita oficialmente o Evangelho ou qualquer ensino essencial do Credo Niceno, ela comete apostasia e não faz mais parte do corpo visível de Cristo. Indivíduos dentro dela podem ser salvos, mas a congregação ou denominação apartou-se oficialmente da igreja visível de Cristo.

A segunda marca da igreja verdadeira é que os sacramentos são aceitos e empregados, ao lado da Palavra, como meios de graça. Os protestantes reformados, presbiterianos e luteranos, tradicionalmente têm argüido que “a administração correta dos sacramentos” seguramente requer o batismo infantil e a rejeição de qualquer concepção da Ceia do Senhor que a reduza a um mero símbolo ou memorial. De novo, isto não significa que pessoas que discordam desta definição não são realmente cristãs; é uma questão do que propriamente constitui uma igreja visível ordenada corretamente.

Se uma igreja preenche estas definições, você precisa menosprezar outros problemas. Quando o gosto, ao invés da verdade, é o critério para a escolha de uma igreja, as pessoas colocarão estilo de música, programas e atividades infantis no topo da lista. O ponto mais importante é este: Este é um lugar onde Deus e Sua revelação na pessoa e obra de Cristo são claramente declarados, e onde as pessoas são sérias sobre crescimento em Cristo através da Palavra, sacramento, oração, evangelismo e missões? Este é um lugar onde meus filhos serão ensinados em adição as instruções que receberão em casa? Eles crescerão ouvindo o Evangelho?

De volta aos pontos essenciais – O que você pergunta ao pastor?

Se você não pode julgar uma igreja por seu rótulo, como poderá julgá-la? Aqui estão algumas perguntas para o pastor:

1. Qual é o ponto de vista da igreja sobre a Escritura? Ela é infalível, a única autoridade de fé e prática?

2. Qual é a confissão de fé da igreja? Onde este ministro específico se baseia nela? Ela é o critério para o ensino e a pregação da Palavra de Deus?

Se você realmente for “sortudo”, você pode até achar uma igreja que ainda use seu catecismo. Uma confissão de fé não é igual a Escritura, mas apresenta o que o corpo da igreja crê que a Palavra de Deus ensina e requer que nós saibamos. Um catecismo é simplesmente um meio de instrução sobre a confissão de fé, geralmente através de perguntas e respostas, com textos bíblicos sustentando cada resposta. Em muitas denominações confessionalmente consistentes, alguém poderá achar um currículo da escola dominical que acompanhará a pessoa por todo o caminho desde a idade pré-escolar até o crepúsculo dos anos. Isto é importante, porque organiza nossos pensamentos sobre Deus e o estudo da Escritura num conjunto coerente, claro e sistemático.

3. O culto é conduzido como um encontro de Deus com Seu povo para dar-lhes Sua graça e para que eles lhes respondam em agradecimento? Ou é modelado pelo entretenimento?

4. Jesus Cristo é proclamado como um herói moral ou como Redentor? Em outras palavras, Ele está em igualdade com Freud, Benjamim Franklin, um político e um profeta dos últimos dias, ou a pregação é concernente a “Cristo e este crucificado” como Paulo a colocou?

Se você deve sair

Os cristãos reformados “não jogam o bebê fora junto com a água da banheira” na rejeição dos erros do romanismo. Nós ainda temos uma elevada doutrina da igreja, e isto é o que torna excessivamente difícil deixar uma igreja ou denominação que está corrompida. Muitas vezes é difícil decidir quando chega o tempo da separação.

Se uma congregação local se aparta da fé, é legítimo permanecer nela para tentar mudá-la, enquanto a confissão de fé oficial não tiver sido ainda finalmente rejeitada? Eu creio que sim, e que Deus nos chama para manter nossas igrejas e denominações responsáveis por suas próprias confissões. Enquanto a confissão de fé oficial permanecer, é assumido que cada um no ministério daquela denominação concorda com seus artigos. Se não, os pastores que com suas bocas prometem preservar a confissão estão na realidade fazendo exatamente o oposto e são, portanto, desonestos. Não é você que tem que partir, porque você está sendo fiel à confissão de fé da igreja e até que a denominação oficialmente rejeite esta confissão, você está certamente livre (mas não obrigado) a permanecer nela com o objetivo de trazê-la de volta à prática confidência naquela fé. Aqui, dependendo do regime da denominação, um processo de tribunais eclesiásticos graduados provê reformas justas e ordeiras.

Muitos leitores podem fazer parte de uma igreja sem denominação que não possui um estatuto formal de fé. Como você pode manter seu pastor na pregação e ensino da mensagem evangélica se, pela leitura dele da Escritura, ele é convencido de outra interpretação, não importando o quanto ela seja estranha? Esta é a mais difícil situação. Se a Palavra não é corretamente pregada (ou seja, uma afirmativa clara dos credos essenciais) e os sacramentos não são corretamente ministrados, sendo os pastores responsáveis por alguém além deles mesmos e de seus admiradores, esta não é uma igreja verdadeira. Abandonar uma seita não só é tolerável, mas necessário. Reformar uma igreja é suficientemente difícil, mas se uma assembléia de crentes não é biblicamente propensa para chamar-se “igreja”, e não deseja caminhar nessa direção, o passo mais sábio seria buscar com devoção, uma igreja que está tentando, débil ou dedicadamente, ser uma igreja verdadeira.

O que quer que você faça, resista a tentação (e ela será grande) de abandonar ou diminuir sua freqüência na igreja. Esta não é uma opção para o crente, embora seja muito atrativa, especialmente quando se contentar com o cardápio local algumas vezes não é tão atraente.

Uma última colocação sobre este ponto. Se você precisa sair, faça-o com caridade e civilidade. Não faça alarde sobre isto, tornando sua partida um assunto de conhecimento público. Siga sua consciência, mas entenda que a razão pela qual outros não vêem as coisas do seu jeito é que eles simplesmente não estão persuadidos ainda das convicções que motivaram sua saída. Você precisará de oração, sabedoria e conselhos de vez em quando, como estes.

Buscando sentimento

Finalmente, esteja certo de que a igreja que você escolher “busca sentimento”. Isto tem sido a nova palavra-chave nos círculos de crescimento da igreja, e é geralmente usada como uma desculpa para legitimar o esvaziamento de todo pensamento, liturgia, dignidade e senso de transcendência e centralidade de Deus. A igreja é replanejada para ir ao encontro das necessidades do incrédulo. Depois de ser perguntado que tipo de igreja eles gostariam de freqüentar, os peritos em marketing da igreja moderna dizem aos pastores como construí-las.

Assim, porque eu sugiro a você que a igreja que você escolher deve “buscar sentimento”? Em João 4, Jesus diz a mulher samaritana, “Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo.4: 21-24). Note que assim como depositamos nossa confiança na nossa própria denominação ou congregação como a igreja verdadeira, Jesus nos diz que não é uma questão de em que montanha nós adoramos, porque agora Deus reside no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus diz que a adoração deve ser em Espírito e em verdade. Ou seja, o Espírito e a Palavra devem andar juntos. Não pode haver atividade do Espírito Santo independentemente da Palavra, e qualquer atividade da Palavra depende do Espírito Santo para ser eficaz.

Certamente, devemos “buscar sentimento”, mas há uma importante distinção aqui: Deus diz que Ele procura adoradores. O moderno conceito de crescimento de igreja está baseado no erro do arminianismo, onde o homem acha a Deus. Assim, nós deixamos de lado a adoração a Deus pelo critério que Ele estabeleceu (o Espírito Santo e a verdade) com o propósito de “buscar sentimento”. Afinal de contas, nós salvamos pessoas e as trazemos para o reino, certo? Esta é a suposição. Mas se Deus é aquele que busca, nossa missão é achar uma congregação onde Deus é servido com adoração, mesmo quando a mensagem ou estilo possa ser estranho ou mesmo desagradável aos incrédulos. Se for, pode ser por nossa culpa ou também por causa da Palavra de Deus estar fazendo simplesmente o que ela faz. Se este é o caso, estamos em boa companhia com os apóstolos, mártires e reformadores antes de nós.

[1] Certas partes do texto dizem respeito ao desenvolvimento histórico americano das denominações. Por este motivo, foram retiradas do texto por ser específico à realidade norte americana. Estas partes estão identificadas por este sinal: (…)

Por Michael S. Horton

Biblioteca Reformada ARPAV

NÃO DÁ PARA VOLTAR ATRÁS !!!

A vida de renúncia é o ato de devolver a Jesus a vida que Ele lhe concedeu. É abandonar o controle, os direitos, o poder, a direção, tudo o que você faz e diz. É entregar totalmente a vida em Suas mãos, para que Ele a conduza como quiser.

O próprio Jesus viveu uma vida de renúncia: “Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 6:38). “Eu não procuro a minha própria glória” (8:50). Cristo nunca fez algo da própria vontade. Ele nunca deu um passo, nem disse uma palavra, sem ser instruído pelo Pai. “Eu nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou…porque faço sempre o que lhe agrada” (8:28-29).

A submissão total de Jesus ao Pai é um exemplo de como todos nós deveríamos viver. Você pode dizer: “Jesus era Deus na forma humana. Sua vida estava entregue antes mesmo de vir à Terra”. Mas a vida de renúncia não é imposta a ninguém, incluindo Jesus.

Cristo pronunciou estas palavras sendo um homem de carne e osso. Afinal, Ele veio ao mundo não para viver como Deus, mas como ser humano. Ele viveu a vida do mesmo modo que nós. E, como nós, tinha vontade própria. Ele optou por entregar esta vontade totalmente ao Pai: “Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. Tenho autoridade para a entregar, e também para reavê-la” (João 10:17-18).

Jesus estava nos dizendo: “Não se enganem. Este ato de auto-entrega está totalmente sob a Minha vontade. Estou optando por dar a Minha vida. E não estou fazendo isto porque alguém Me disse para fazê-lo. Ninguém está tomando a Minha vida de Mim. Meu Pai Me deu o direito e o privilégio de entregá-la. Ele também deu a opção de Eu passar de Mim este cálice e evitar a cruz. Mas escolho fazê-lo, por amor e completa submissão a Ele”.

Nosso Pai celeste deu a todos nós este mesmo direito: o privilégio de escolhermos uma vida de renúncia. Ninguém é forçado a abrir mão de sua vida para Deus. Nosso Senhor não nos faz sacrificar nossa vontade, devolvendo-Lhe nossas vidas. Ele nos oferece livremente uma terra prometida, cheia de leite, mel e frutas. Mas podemos optar por não entrar neste lugar de plenitude.

A VERDADE É QUE PODEMOS TER TANTO DE CRISTO QUANTO QUISERMOS

Podemos nos aprofundar nEle o quanto optarmos, vivendo plenamente segundo Sua palavra e direção. O apóstolo Paulo sabia disso. E escolheu seguir o exemplo de Jesus – o de uma vida de submissão total.

Paulo tinha sido no passado uma pessoa que odiava Jesus, um perseguidor de cristãos convencido da própria justiça. Ele mesmo afirmou que literalmente respirava ódio contra os seguidores de Cristo. Também era um homem muito obstinado e ambicioso. Paulo era bem instruído, tendo sido ensinado pelos melhores mestres da época. E era fariseu, entre os mais zelosos líderes religiosos judeus.

Desde o princípio Paulo estava em ascensão, a caminho do sucesso. Ele tinha a aceitação da ordem religiosa da época. E tinha uma clara missão, com recomendações de seus superiores. Na verdade, ele tinha sua vida toda planejada, sabendo exatamente aonde estava indo. Paulo estava confiante de estar fazendo a vontade de Deus.

Mas o Senhor tomou este homem que venceu por si próprio, obstinado, independente – e o transformou num ardente exemplo da vida de renúncia. Paulo tornou-se uma das pessoas mais dependentes, plenas e conduzidas por Deus de toda a história. Em verdade, Paulo declara que a sua vida é um modelo para todos que quiserem viver inteiramente entregues a Cristo: “Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna” (1 Timóteo 1:16).

O apóstolo estava dizendo: “Se você quer saber quanto custa viver uma vida de renúncia, veja a minha. Você determinou em seu coração ir mais a fundo com Jesus? Aqui está o que você poderá ter que suportar”. Paulo sabia que poucos estariam dispostos a seguir seu exemplo. Mas a sua vida é um modelo para todos que escolherem a vida de renúncia integral.

1. O Caminho da Renúncia Começa com Deus nos Levando à Uma Sensação de Total Fragilidade.

Deus inicia o processo nos fazendo cair do alto do cavalo. Para Paulo isto aconteceu literalmente. Ele estava indo seguro de si em direção a Damasco, quando uma luz ofuscante veio do céu. Paulo foi derrubado ao chão, trêmulo. Então uma voz falou do céu, dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9:4)

As palavras levaram Paulo de volta a um evento de meses atrás. De repente este justo fariseu compreendeu porque sua consciência estava irrequieta. Paulo tinha suportado longas noites de agitação, atormentado por inquietação e confusão – pois tinha visto algo que o abalara até o âmago.

Paulo tinha acompanhado o apedrejamento do apóstolo Estevão. Creio que Paulo lembrou do olhar na face de Estevão diante da morte. Estevão tinha uma expressão celestial, uma presença santa em torno de si. E suas palavras tinham tanto poder. Eram penetrantes e cheias de poder de convencimento. Este homem humilde não se importava nem um pouco com a aprovação do mundo; ele não estava impressionado com as autoridades religiosas. E não tinha medo da morte.

Tudo isto expunha o vazio da vida de Paulo. Este fariseu dos mais devotos percebeu que Estevão tinha algo que ele não possuía. Paulo tinha tido contato face à face com um homem totalmente submisso a Deus, e isto o tornou infeliz. Provavelmente ele pensou: “Eu me preparei durante anos lendo as escrituras. Mas este homem sem estudos proclama a palavra de Deus com autoridade. Eu tive sede de Deus toda a minha vida. Mas Estevão tem o próprio poder do céu, mesmo ao morrer. Ele claramente conhece Deus, como jamais encontrei outra pessoa. Todavia todo esse tempo, estive perseguindo a ele e aos seus companheiros”.

Paulo sabia que estava faltando algo em sua vida. Ele tinha conhecimento de Deus, mas nenhuma revelação própria, como Estevão. Agora, de joelhos e tremendo, ele ouve estas palavras do céu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 9:5). Foi uma revelação sobrenatural. E as palavras viraram o mundo de Paulo de cabeça para baixo. Creio que à estas alturas, ele deve ter ficado durante horas sobre sua face, chorando, como que dizendo:

“Eu estava totalmente enganado. Gastei todos estes anos com educação e estudo, praticando boas obras. Mas o tempo todo, eu estava no caminho errado. Jesus é o Messias. Ele veio, mas eu não O conheci. Todas aquelas passagens em Isaías fazem sentido agora. Eram a respeito de Jesus. Agora entendo o que Estevão possuía. Ele tinha um conhecimento íntimo de Cristo”.

A escritura diz: “Trêmulo e assustado (Paulo) disse: Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6). A conversão de Paulo foi uma obra dramática do Espírito Santo. E que convertido incomum foi este homem. Ele era o perseguidor do povo de Deus. Seu testemunho seria uma evidência poderosa e irrefutável para o evangelho de Jesus Cristo. Certamente Deus iria usar Paulo de maneiras incríveis. “Levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer” (9:6).

Tente imaginar Paulo então. Este fariseu com alto grau de escolaridade estava agora emudecido e cego. Ele teve de ser conduzido à cidade pelos amigos. Parecia que tudo na sua vida tinha desmoronado. Mas a realidade é a seguinte: Paulo estava sendo conduzido pelo Espírito Santo à uma vida de renúncia. Quando ele pergunta: “Senhor, que queres que eu faça?”, seu coração estava clamando: “Jesus, como posso servir-Te? Como posso Te conhecer e agradar? Nada mais importa. Tudo que tenho realizado na minha carne é estrume. Tu és tudo para mim agora”.

Paulo passou os tres dias seguintes jejuando e orando. Todavia nenhuma palavra veio do céu. Ele tinha ensinado e pregado a outros, mas nenhum dos seus conhecimentos podia ajudá-lo agora. Ele estava totalmente fragilizado. Ele deve ter orado: “Ó Deus, Tu me destes um desejo tão grande em conhecer-Te. Por favor, mostra-me o que fazer. Estou tão cego e confuso, nada faz sentido”.

Digo a todo seguidor consagrado a Jesus: preste atenção à esta cena. Aqui está o modelo para a vida de renúncia. Quando você decidir a se aprofundar em Cristo, Deus colocará um Estevão no seu caminho. Ele o confrontará com alguém cujo semblante tem o brilho de Jesus. Esta pessoa não está interessada nas coisas do mundo; não se preocupa com os aplausos dos homens. Ela se preocupa apenas em agradar ao Senhor. E a vida dela vai expor a complacência e as concessões que você tem feito, condenando-o seriamente.

Assim como Paulo, você sentirá repentinamente a sua falência. Perceberá que independente de quantas boas obras tenha procurado realizar, você não encontrou Jesus. E terminará num beco sem saída: confuso, desorientado, incapaz de dar um sentido à toda a revelação anterior. Mas será tudo um agir de Deus. Ele o levará a este estado de total desamparo.

2. O caminho da Renúncia Leva a Muito Sofrimento.

“Este é para mim um instrumento escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (Atos 9:15-16). Paulo recebeu a promessa de um ministério frutífero. Mas teria que suportar grandes sofrimentos para realizá-lo.

Sofrimento é um assunto amplo, incluindo muitos tipos diferentes de dor: agonia física, angústia mental, aflição emocional, dor espiritual. De acordo com as escrituras, Paulo experimentou cada uma delas. Ele sofreu um espinho na carne, naufrágios, apedrejamentos, açoites, roubos; enfrentou rejeição, zombaria, mexericos maliciosos; suportou perseguições de todos os tipos. E às vezes sentiu-se perdido, confuso, incapaz de ouvir algo de Deus.

Este modelo de sofrimento da vida de Paulo não será experimentado por todos que buscam a vida de renúncia. Mas de alguma maneira, todo crente consagrado irá se defrontar com a dor. E há um propósito atrás de tudo isso. Veja, sofrimento é uma área da vida sobre a qual não temos controle. É a área na qual aprendemos a nos render à vontade de Deus.

Eu chamo este sofrimento de escola da renúncia. É um local de treinamento onde, como Paulo, caímos sobre nossas faces e terminamos clamando: “Senhor, não dá para agüentar issso”. Ele responde: “Bom. Deixe comigo. Entregue tudo a Mim, corpo, alma, mente, coração, tudo. Confie plenamente em Mim”.

Se você tomar o caminho da renúncia, da submissão completa, sofrerá muito mais do que o cristão mediano, complacente. Se um crente que faz concessões sofre, é apenas para o seu benefício. O Senhor pode estar usando a dor para desabituá-lo de algum pecado particular. E ninguém mais vai aprender com as suas lições. Mas se você deseja a vida de renúncia, o seu sofrimento eventualmente se tornará um grande conforto para outros. Paulo afirma:

“Bendito seja o Deus…o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação. É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos” (2 Coríntios 1:3-6).

Paulo está falando aqui de sofrimentos que são permitidos por Cristo. Nosso Senhor permite estas dores nas nossas vidas, para nos tornar testemunhas da Sua fidelidade, diante dos outros. Ele quer confirmar que é o “Deus de toda consolação” (1:3). O objetivo do nosso sofrimento não é apenas nos levar à uma completa entrega à Sua vontade. Também é para “vossa (dos outros) consolação e salvação” (1:6). Resumindo, os maiores ministérios de consolação são fruto dos nossos maiores sofrimentos.

3. O Caminho da Renúcia Leva à Uma Única Ambição.

Paulo não tinha outra ambição, outra força que o impulsionava na vida, do que esta: “Que possa ganhar a Cristo” (Filipenses 3:8).

Conheço um jovem pregador, homem de Deus, que tem amizade com muitos outros pregadores jovens pelo país inteiro. Perguntei-lhe qual ele considerava ser o maior problema entre seus companheiros. Ele disse: “A pressão para ser bem sucedido”. Sua resposta me espantou. Eu sabia que a busca do sucesso é comum na sociedade secular. Então também é uma praga na igreja? Ele explicou: “Ministros jovens acham que precisam produzir grandes números na sua igreja imediatamente. Eles sentem uma forte pressão para apresentar crescimento da noite para o dia”.

Isto também é um problema para ministros mais antigos. Eles vêm trabalhando árduamente durante anos, esperando ver sua igreja crescer. Quando então uma nova igreja, de um pastor jovem, começa a crescer, os mais velhos se sentem pressionados a conseguir o mesmo. Eles correm para conferências sobre crescimento de igrejas, procurando técnicas para aumentar seus números.

Já perdi a conta de quantas cartas tenho recebido, que dizem basicamente o seguinte: “Nosso pastor acaba de retornar de uma conferência, animado com uma ‘nova fórmula de sucesso’. Diz que nossos cultos precisam ser mais amigáveis com pecadores. Então ele alterou completamente o louvor, bem como os sermões. É um lugar diferente agora. Alguns meses atrás o Espírito Santo se movia poderosamente aqui. Mas agora as pessoas estão saindo, porque o Espírito foi embora”.

Um pastor ficou perplexo diante do conselho de um especialista em crescimento de igrejas. Este lhe disse: “Sua igreja não pode crescer se Jesus é tudo o que você oferece”. Este “especialista” omitiu Cristo! A resposta a qualquer problema da igreja está prontamente disponível, mas este homem não a conheceu. Como? Ele se afastou justamente da ambição que Paulo diz ser necessária: ganhar a Cristo.

Pelos padrões atuais de sucesso, Paulo foi um fracasso total. Ele não construiu nenhum prédio. Ele não tinha uma organização. E os métodos que ele usava eram desprezados por outros líderes. Na verdade, a mensagem que Paulo pregava ofendia muitos de seus ouvintes. Às vezes foi até apedrejado por isso. Seu assunto? A cruz.

Jovens ministros tem dito: “Irmão David, você é um sucesso. Você tem um ministério pelo mundo todo. Você pastoreia uma mega-igreja. Até escreveu um best-seller. A sua reputação é para a vida toda. Bem, e eu? Por que não posso ir pelo mesmo caminho?”.

Às vezes tenho me sentido tentado a responder: “Mas eu paguei um preço. Você não conhece os sofrimentos que passei nesta caminhada”. Não, esta não é a resposta. O fato é que conheço homens bem mais piedosos que eu, que sofreram bem mais do que poderia sequer imaginar. Foram fiéis e consagrados, suportando terríveis sofrimentos, alguns até à morte. Todavia os nomes destes homens não são conhecidos pelo mundo afora.

Esta não é absolutamente a questão. Quando todos estivermos diante de Deus no julgamento, não seremos julgados segundo nossos ministérios, nossas realizações ou o número de convertidos. Haverá apenas uma medida para o sucesso neste dia: nossos corações estavam totalmente entregues a Deus? Pusemos de lado as nossas próprias vontades e prioridades, para aceitar as dEle? Sucumbimos à pressão dos outros e seguimos a multidão, ou buscamos apenas a Ele para nos guiar? Corremos de um curso para outro procurando um objetivo na vida, ou encontramos a nossa realização nEle?

Eu tive o chamado para pregar a palavra de Deus desde os oito anos de idade. E posso dizer honestamente que, durante toda a vida, a minha maior alegria tem sido ouvir o Senhor. Eu sei que quando estou diante das pessoas para pregar, estou divulgando uma mensagem que Deus me deu. E esta mensagem precisa trabalhar na minha própria alma, antes de me atrever a pregá-la a outros. Deleito-me em esperar no Senhor, para ouvir: “Este é o caminho, ande por ele”.

Agora, aos setenta anos, tenho apenas uma ambição: aprender mais e mais a dizer apenas as coisas que o Pai me dá. Nada que digo ou faço de mim mesmo vale alguma coisa. Quero poder afirmar: “Sei que meu Pai está comigo, pois faço apenas a Sua vontade”.

4. O Caminho da Renúncia Traz Contentamento Onde Quer que Você Esteja, e Com o quê For que Possua

Muitos cristãos vivem descontentes continuamente. Nunca estão satisfeitos com o que têm. Estão sempre olhando para o futuro, pensando: “Se conseguir pelo menos fazer isto, ou ter aquilo, estarei feliz.” Mas sua realização nunca chega.

Contentamento foi um enorme teste na vida de Paulo. Afinal, Deus disse que o usaria poderosamente: “Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel” (Atos 9:15). Quando Paulo inicialmente recebeu esta comissão, “logo, nas sinagogas, pregava que Jesus era o Filho de Deus” (9:20). O apóstolo ficava mais ousado a cada sermão: “Saulo, porém, se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Jesus era o Cristo” (9:22).

O que aconteceu em seguida? “Os judeus deliberaram entre si matá-lo” (9:23). Seria o fim – ao chamamento a Paulo para pregar aos filhos de Israel. Eles não só rejeitaram sua mensagem, mas tramaram sua morte. Que início desastroso para um ministério que Deus disse seria poderoso.

Paulo então decidiu ir a Jerusalém, para se encontrar com os discípulos remanescentes de Jesus. “Mas todos o temiam, não acreditando que fosse discípulo” (9:26). Agora Paulo enfrentava uma rejeição ainda pior. Seus próprios irmãos em Cristo o rejeitavam.

Finalmente, Paulo raciocinou assim: “Ao menos posso alcançar os gentios”. Todavia, quando um proeminente gentio, Cornélio, procurou um pregador para compartilhar o evangelho, ele não pediu a Paulo. Em vez disso, se dirigiu a Pedro. Sem dúvida, Paulo ouviu as notícias gloriosas vindas da casa de Cornélio: “O Espírito Santo desceu sobre os gentios. O Senhor revelou Cristo a eles!”.

Posteriormente, na conferência de Jerusalém, Paulo teve de ouvir Pedro declarando: “Irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem” (Atos 15:7). Aparentemente, Deus tinha determinado que o avivamento entre os gentios viria através de outra pessoa. Pelo que Paulo percebia, ele estaria de fora, observando as coisas acontecerem.

O que você acha que passou pela cabeça de Paulo ao vivenciar estas coisas? A verdade é que através de tudo isso – o desapontamento, a dor, as ameaças à sua vida – Deus estava ensinando ao seu servo uma coisa crucial: Paulo estava aprendendo a ter contentamento, gradualmente, passo a passo.

Mais tarde, quando Paulo pregou na Antioquia, sua mensagem foi contestada pelos líderes judeus. Então Paulo declarou: “Eis que nos voltamos para os gentios” (Atos 13:46). Paulo pregou lá aos não judeus, e muitos se converteram; “e divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região” (13:49). Mas antes que pudesse saborear a vitória, “os judeus incitaram as mulheres devotas de alta posição…e levantaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora da sua região” (13:50).

Em seguida Paulo voltou sua atenção para Icônio. Ao pregar lá, mais uma vez “creu uma grande multidão, tanto de judeus como de gregos” (14:1). Um avivamento caiu sobre a cidade. Mas, novamente “houve um motim tanto dos gentios como dos judeus, juntamente com as suas autoridades, para os ultrajarem e apedrejarem” (14:5).

Você pode imaginar a confusão e o desencorajamento de Paulo? A cada movimento, o seu chamado parecia frustrado. Deus lhe tinha prometido um ministério de evangelização com muitos frutos. Mas cada vez que pregava, ele era amaldiçoado, rejeitado, agredido, apedrejado. Como ele respondia? “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Filipenses 4:11).

Paulo não questionava, nem reclamava. Ele não buscava saber quando chegaria a pregar a reis e governadores. Ele dizia, basicamente: “Posso não estar vendo agora o que o Senhor me prometeu. Mas estou avançando pela fé, pois estou contente em ter Jesus. Por causa dEle, posso viver cada dia – ao máximo”.

O Contentamento de Paulo em Qualquer Circunstância Era o Resultado de uma Vida Submissa.

Paulo não tinha pressa de ver tudo cumprido na sua vida. Ele sabia que tinha uma pétrea promessa de Deus, e se apegou à ela. No momento ele estava contente em poder ministrar em qualquer lugar que estivesse: testemunhando a um carcereiro, a um marinheiro, a algumas mulheres na beira do rio. Este homem tinha uma missão de âmbito mundial, no entanto era fiel no testemunhar de um em um.

Paulo também não tinha ciúmes de pessoas mais jovens que pareciam deixá-lo para trás. Enquanto eles viajavam o mundo, ganhando judeus e gentios para Cristo, Paulo estava na prisão. Era obrigado a ouvir notícias a respeito de grandes multidões sendo convertidas por homens – com os quais ele tinha discutido sobre o evangelho da graça. Mas Paulo não os invejava. Ele sabia que uma pessoa entregue a Cristo pode viver tanto na escassez quanto na abundância: “Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento… tendo, porém, alimento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Timóteo 6:6-8).

O mundo hoje poderia dizer a Paulo: “Você está no fim da vida agora. Todavia não tem economias, nem investimentos. Tudo que tem é uma muda de roupa”. Eu sei qual seria a resposta de Paulo: “Ah, mas eu ganhei a Cristo. De fato tenho a verdadeira vida”.

“Mas o diabo está te importunando continuamente, Paulo. Você vive em dor constante. Na verdade, você sofre mais que qualquer outro que conheço. Como pode ser isto?”

Paulo responderia: “Eu me glorio nas minhas aflições. Quando estou fraco, aí é que na verdade estou mais forte. Não meço minha força pelos padrões do mundo, mas pelos do Senhor.”

“E quanto a seu rival, Apolo? Ele tem a atenção das massas. Mas você ministra apenas a pequenos grupos, ou mesmo uma pessoa. Apolo é um orador eloqüente, mas a sua fala é desprezível, Paulo.”

Paulo diria: “Nada disso me incomoda. Eu não busco a glória nesta vida. Tenho uma revelação da glória que me aguarda”.

“E quanto a promessa que Deus lhe deu? Ele disse que você testemunharia diante de reis. A única vez que o fez, estava acorrentado. Você teve de pregar enquanto estava preso. Onde está o cumprimento da promessa de Deus em sua vida?”

Paulo diria: “Meu Senhor manteve Sua palavra a mim. Não foi do modo que eu esperava, mas do jeito dEle. Indiferente às minhas correntes, preguei Cristo em plenitude. E olha, aqueles dirigentes foram tocados. Quando terminei a pregação eles tremiam. O Senhor me foi favorável, da Sua maneira”.

“Paulo, você acabou sendo um tolo. Todos na Ásia se voltaram contra você. Quanto mais você ama outros, menos é amado. Você trabalhou todo esse tempo para construir a igreja de Deus, mesmo fazendo tarefas humildes. Mas ninguém valoriza isso. Mesmo os pastores que você instruiu, agora zombam de si. Alguns até lhe baniram dos seus púlpitos. Por que você continua neste ministério? Você não tem sido sucesso em nenhum sentido da palavra.”

E Paulo: “Eu já deixei este mundo, com todas as suas ambições e bajulações. Não necessito dos louvores dos homens. Veja, eu fui arrebatado ao paraíso. Ouvi palavras inefáveis, palavras que não são lícitas ao homem proferir. Portanto você pode ter toda a competição deste mundo, com todas as suas rivalidades. Eu decidi nada saber entre vós, senão a Cristo, e Este crucificado.

Posso lhe dizer, eu sou vencedor. Eu achei a pérola de grande valor. Jesus me concedeu o poder de entregar tudo, e de tomar novamente. Bem, eu entreguei tudo, e agora uma coroa me aguarda. Tenho apenas um objetivo nesta vida: ver meu Jesus face a face. Todos os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a alegria que me aguarda”.

Que os nossos corações possam ser como o de Paulo, enquanto buscamos a vida de renúncia.

David Wilkerson

Fonte: Título original, “A Vida de Renúncia” http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts020123.htm

Em Discernimento Cristão

Hospitalidade – Generosidade – Amor

A hospitalidade é uma forma prática de servir a Deus.

Gênesis 18.3-5:

“E disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo. Eia, traga-se um pouco d’água, e lavai os pés e recostai-vos debaixo da árvore; e trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, e depois passareis adiante; porquanto por isso chegastes ate o vosso servo. Responderam-lhe: Faze assim como disseste.”

Ao aceitar a hospitalidade, damos oportunidade a outros de praticar a generosidade.

Lucas 10.7:

“Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; pois digno é o trabalhador do seu salário. Não andeis de casa em casa.”

A hospitalidade é um dom que melhora quanto mais se usa.

Romanos 12.13:

“Acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade.”

Ao ser hospitaleiros, podemos até hospedar anjos.

Hebreus 13.2:

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.”