Parábola do Profeta Ferido


(l Rs 20:35-43)

 Essa parábola segue o padrão dos escritos proféticos, em que as pala­vras se fazem acompanhar de uma encenação parabólica (Jr 27:2; Ez 12:7). Estas parábolas encenadas devem ter sido marcantes para os que as viram e ouviram.

De acordo com Josefo, esse “um dos homens” que encenou a parábo­la era Micaías, filho de Inlá. Obvia­mente era representante de uma escola profética. A morte pelo leão traz à mente a morte do profeta de-sobediente, relatada no capítulo an­terior (13:24). O propósito da pará­bola era fazer com que o próprio Acabe se condenasse. Um aspecto semelhante de condenação está pre­sente nas duas últimas parábolas que estudamos. Esta parábola, no entanto, não gerou arrependimen­to em Acabe, mas suscitou nele a teimosia e a indignação caracterís­ticas que mais tarde viria a demons­trar (21:4).

O profeta alegou ser de inspira­ção divina o seu primeiro pedido, que teria sido a solicitação de um louco, se não fosse “a voz de Senhor”. Como Lang observa em seu famoso Commentary [Comentário]: “A pu­nição do homem que se recusou a obedecer à ordem do profeta prova, sem dúvida alguma, que a exigên­cia era acompanhada de uma expo­sição de motivos e da explicação de ser aquela uma ordem do Senhor”. Era essencial que não só a aplica­ção da parábola ficasse escondida daquele a quem ela se dirigia, mas que também o que a contasse não fosse identificado. Por isso o disfar­ce do rosto coberto. Assim como o pescador procura ocultar tanto a si mesmo como o anzol, usando para isso uma isca, aqui, como no caso de Nata, o anzol da intenção estava escondido. Acabe não tinha respei­to pelos mensageiros do Senhor, e quem quisesse enfrentá-lo precisa­ria disfarçar-se de ferido, para tra­zer a esse rei desobediente a sua própria condenação.

Quanto ao significado dessa pa­rábola, apesar de não ser muito cla­ra em todos os seus detalhes, uma coisa é incontestável, como mostra Lang: “o jovem que havia saído à batalha representa Acabe, e o ho­mem confiado aos seus cuidados, o qual escapou por falta de atenção, representa Ben-Hadade. Israel tinha acabado de enfrentar uma batalha difícil e sangrenta, e tinha conquis­tado a vitória prometida; mas ago­ra, na pessoa de Ben-Hadade, o arquiinimigo que Deus havia entre­gue em suas mãos, estava livre e sem punição”.

Muitas lições podem ser extraí­das dessa parábola. O profeta da narrativa era dirigido pela Palavra de Deus, e teve de sofrer por obe­decer a ela. A obediência ao Senhor algumas vezes nos leva a um ca­minho doloroso. Os que vão contra a verdade divina trazem condena­ção sobre si. A sentença de Acabe sobre o homem foi executada con­tra ele próprio. Ele recebeu o pa­gamento na mesma moeda. Então, na solene incumbência feita ao pro­feta pelo homem que voltara da batalha, há uma verdade a mais para observar: “me trouxe outro homem, e disse: Guarda-me este homem”. A coragem e o sacrifício do herói nunca são em vão. Cristo sacrificou a si mesmo, para que a presa saísse da mão dos poderosos e para que os cativos fossem liber­tos; ele mesmo não morreu em vão, como podem atestar miríades de al­mas redimidas, tanto no céu como na terra.

Além do mais, a falta de inten­ção e de atenção por parte do rei não foi reprovada com as palavras: “Estando o teu servo ocupado de uma e de outra parte, o homem de­sapareceu”? Por acaso estamos con­denados na questão da vigilância? O homem que havia efetuado a fuga na parábola tinha ido embo­ra. Que possamos ser preservados da negligência em nossas solenes responsabilidades! Muitos de nós se ocupam por demais aqui e aco­lá, em missões de menos importân­cia, deixando que uma incumbên­cia de maior valor lhes escape. Pre­cisamos de maior concentração como também de consagração — mais atenção e intenção.

Herbert Lockyer

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