Você não ama se não conhece a Deus


Cordeira Única e o Pastor

Em seu livro Mortal Lessons: Notes on the Art of Surgery (Lições Mortais: Notas sobre a Arte Cirúrgica), o Dr. Richard Selzer descreve o seu encontro com uma jovem depois de ter removido um tumor do rosto dela. A cirurgia exigira o corte de um nervo facial, deixando um lado da boca paralisado e torto. O médico estava preocupado com a reação da mulher e do marido à nova aparência dela.

“O marido está no quarto. Ele se colocou do lado oposto da cama e, juntos, eles parecem habitar na luz noturna. Isolados de mim, distantes num mundo só deles. Quem são, pergunto a mim mesmo, ele e esta boca torta que eu fiz, que se fitam e se tocam generosamente, avidamente?

“A jovem mulher pergunta: ‘Vou ficar sempre assim?’. Eu respondo: ‘Sim, o nervo teve de ser cortado.’ Ela concorda em silêncio com um aceno de cabeça. Mas o jovem sorri. ‘Eu gostei, ficou bonitinho.’

“Na mesma hora descubro quem ele é, compreendo e abaixo os olhos. É impossível não se emocionar ao encontrar um deus. Sem se importar, ele se inclina para beijar a boca repuxada dela e estou tão perto que posso ver como torce os lábios para se acomodar aos da mulher, para mostrar-lhe que o beijo deles ainda tem valor. Lembro-me de que os deuses apareceram na Grécia antiga como mortais, seguro a respiração e deixo o prodígio envolver-me.”1

Conforme sugerido pelo Dr. Selzer, o amor é uma qualidade divina. Mas não somos deuses. O amor é algo que os seres humanos precisam e expressam, mas não é a nossa natureza básica. É algo que possuímos, e não algo que somos. O amor reside em nós e opera por meio de nós mediante a presença do Espírito Santo, mas a sua fonte está além de nós. Desde que o amor é um absoluto, ele nunca muda. Portanto, a fonte suprema do amor deve ser tão imutável quanto o próprio amor. Como cristãos, identificamos nosso Deus imutável como a fonte do amor. A Bíblia afirma claramente: “Deus é amor” (I João 4:16). Em contraste com a Sua criação humana, Deus não tem amor, Ele é amor. A atividade do alvor de Deus flui da Sua natureza de amor. Quando Deus ama, Ele está simplesmente sendo Ele mesmo.

Nenhuma ética importante do amor pode evitar o conhecimento do Deus de amor revelado na Escritura. O mandamento para amar nada significa se não soubermos o que o amor é, e o significado do amor está arraigado em Deus. João escreveu, “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (I João 4:8). A ética do amor cristão não é mais segura do que a sua fonte e não pode ser mais aplicável à vida do que o nosso conhecimento da Sua lei.

Como obtemos este conhecimento do amor de Deus? Há duas fontes básicas: o mundo que nos rodeia e as Escrituras. Nossa experiência do amor de Deus na criação e nos relacionamentos humanos é a fonte geral do conhecimento sobre Ele. A Bíblia é uma fonte mais especifica. Vamos considerar ambas.

 

CERCADOS  PELA  NATUREZA  AMOROSA  DE  DEUS

 

A chuva de primavera cai docemente sobre a sua pequenina horta no quintal. Os pingos gotejam nas folhas e nos pés de tomate, abobrinha, alface e cenoura que prometem uma deliciosa colheita de verão. Você não consegue vencer o espanto. Há poucas semanas não havia nada ali senão terra. Você plantou as sementes, regou-as e ficou vigiando diariamente. O sol quente da primavera fez brotar as plantinhas verdes da terra úmida. Quase diante de seus olhos as sementinhas produziram boa quantidade de lindos vegetais, o suficiente para alimentar sua família e dividir com os vizinhos. Você pensa nos fazendeiros que plantam centenas de acres de cereais e outros produtos comestíveis, ganhando a vida com eles. Pensa nos pobres dos países do Terceiro Mundo que cultivam o pouco que podem, a fim de pelo menos sobreviver. Imagina então se eles também reverenciam o milagre da semente, chuva, sol e colheita.

Nossa experiência de vida neste mundo nos informa de que há um Deus que se importa com a Terra que Ele criou e com as criaturas que vivem nela. Paulo pregou aos incrédulos de Listra: Deus “não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo os vossos corações de fartura e de alegria” (At. 14:17). O salmista disse sobre Deus: “Abres a tua mão e satisfazes de benevolência a todo vivente” (Sal. 145:16). Deus prometeu a Noé: “Enquanto durar a terra não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (Gên. 8:22). A produtividade abundante e oportuna da terra, sua mistura agradável de simetria e contraste, sua beleza sensorial admirável, e seu desenho complexo – do macrocosmo do espaço ao microcosmo da esfera das subpartículas – é um testemunho do amor de Deus mantendo a Sua promessa através dos milênios.

Paulo falou da nossa completa dependência do Criador amoroso, lembrando aos filósofos não-cristãos na Colina de Marte que Deus “nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At. 17:25). O testemunho da natureza é suficiente para convencer cada ser humano da existência e provisão de um Deus que nos fez e cuida de nossas necessidades. Paulo escreveu, “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis” (Rom. 1:20). A natureza é um testemunho constante e claro da existência de um Deus de amor.

Nosso conhecimento do amor de Deus no mundo que nos rodeia não fica limitado ao que geralmente chamamos de natureza. Deus revelou também o Seu amor por meio do amor da Sua criação humana. O apóstolo João declarou: “O amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus” (I João 4:7). O terno amor de um pai pelo filho, o amor generoso e íntimo entre marido e esposa, e o amor perseverante e dedicado dos amigos de uma vida são evidências de que o Deus que nos criou é um Deus de amor. Toda vez que alguém serve um inválido, fornece refeições a um amigo doente, doa dinheiro ou materiais a vítimas de catástrofes naturais, ajuda um vizinho a trocar a mobília de lugar, ou faz qualquer outro serviço de amor, o amor de Deus é refletido no comportamento humano. Como cristãos, sabemos que somos instrumentos do amor de Deus para outros, pois “o amor de Cristo nos constrange” (2 Cor. 5:14). O amor procede de Deus e os que experimentam o amor verdadeiro, crentes ou não, sentem que há um Deus que se importa.

O amor em nosso mundo é evidentemente distorcido. O pecado e a doença no coração da humanidade transformaram o amor em orgulho, ódio e vingança. O conflito, a inveja e a amargura separaram indivíduos, famílias, raças, grupos socioeconômicos e nações. Todavia, o amor humano é universal. Todas as culturas têm alguma consideração pela decência e respeito nos relacionamentos humanos, como demonstrado em suas leis civis e seus códigos morais. Por exemplo, os hunos de Átila podem ter sido selvagens em seu ódio e destruição dos inimigos, mas amavam suas mulheres, filhos e amigos. A exceção talvez do mais odioso, sádico ou diabólico dos criminosos, teríamos dificuldade para encontrar um indivíduo em todo o mundo que não amasse alguém: um pai ou mãe, um irmão, um mentor, um cônjuge. O mais leve vislumbre de amor no coração humano evidencia a marca do Deus amoroso que nos criou.

 

PALAVRA  FINAL  SOBRE  O  DEUS  DE  AMOR

 

O conhecimento mais explícito do amor de Deus é derivado da Bíblia. Em literalmente centenas de referências de ambos os Testamentos tomamos conhecimento do amor de Deus. Alguns capítulos inteiros, tais como 1 Coríntios 13 – chamado “capítulo do amor” – , são dedicados ao amor. O amor é o tema dominante em livros como Oséias, o evangelho de João e a primeira epístola de João. Segundo Jesus, o amor é o tema supremo da Escritura. Ele disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mat. 22:37-40).

No Antigo Testamento, a Lei (os cinco primeiros livros) e os Profetas (os dezessete últimos livros – Mat. 5:17; Luc. 24:27) resumem as instruções de Deus sobre como viver em relação amorosa com Ele e com outros. O resultado desses relacionamentos é descrito nos livros de história e celebrado nos livros de poesia. Quando Jesus disse “Toda a lei e os profetas”, Ele indicou que o amor de Deus permeia o Antigo Testamento. Ao entregar os Dez Mandamentos, Deus prometeu amar “até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” (Êxo. 20:6). O salmista insere repetidamente a frase: “A sua misericórdia (amor) dura para sempre” (Sal. 136:1 ss.).

Outra frase que descreve a natureza amorosa de Deus, como Ele se revelou a Moisés, é também repetida em todo o Antigo Testamento: “Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado” (Êxo. 34.6,7; veja também Núm. 14:18; Neem. 9:17; Sal. 86:15; 103:8, 145:8; Joel 2:13).

Como indica a experiência de Jonas, o amor de Deus não fica limitado a Israel. Jonas confessou o interesse de Deus pela ímpia Nínive: “Sabia que és Deus clemente, e misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade, e que te arrependes do mal” (Jonas 4:2). As boas-novas do amor eterno de Deus permeiam o Antigo Testamento de Gênesis a Malaquias.

O amor de Deus se realiza no Novo Testamento, como visto no centro da mensagem bíblica do amor, João 3:16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João ampliou este tema central na sua primeira epístola: “Nisto se manifestou o amar de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (1 João 4:9). Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém à própria vida em favor dos seus amigos” (João 15:13). O apóstolo João reforçou o pensamento, acrescentando a importância do exemplo de Cristo para nós: “Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 João 3:16).

Paulo se maravilhou por Deus ter agido em amor muito antes que soubéssemos da nossa necessidade do Seu amor: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rom. 5:8). O sacrifício do santo Filho de Deus para remir a raça humana pecaminosa é a quintessência do amor. Não admira que João exulte: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (1 João 3:1).

As Escrituras nos asseguram também que Deus é tenaz, e não tênue, em Seu amor por nós. Romanos 8:35, 38, 39 nos dá uma visão estimulante e encorajadora do compromisso de amor de Deus conosco: “Quem nos separará do amor de cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? […] Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”.

O amor de Deus ecoa por todo o Novo Testamento. Vemos o amor de Deus Pai por Seu Filho (Mat. 3:17; Mar. 9:7) e o amor do Filho pelo Pai (João 14:31). Jesus declara que Seu amor por nós tem como modelo o amor do Pai por Ele (João 15:9). Recebemos ordem para corresponder ao amor do Pai por nós, amando a Deus (Mat. 22:37) e amando aos outros (João 13:34,35; Rom. 13:8; 1 Ped. 1:22; 1 João 4:7), inclusive os nossos inimigos (Mat. 5:44). Mas, mesmo quando amamos, nossa capacidade para isso tem origem em Deus e na Sua natureza amorosa: “Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4:10).

 

DEUS  DE  AMOR  E  DEUS  DE  IRA

 

“Espere um pouco”, muitos irão interromper. “Se Deus é um Deus de amor, por que Ele criou o inferno e por que envia gente para lá?” Boa e importante pergunta. A Bíblia diz que Jesus, que amou tanto o mundo e morreu por ele, irá um dia “tomar vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Tess. 1:8,9). Para os incrédulos, Jesus dirá: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mat. 25:41). Em sua visão, João notou que “E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago do fogo” (Apoc. 20:15). Este lugar é descrito como de tormento, do qual não se pode voltar (Luc. 16:23-26), um lugar em que “haverá choro e ranger de dentes” (Mat. 8:12). A existência de tal lugar não é incompatível com um Deus amoroso por natureza?

A resposta é não. O amor absoluto, longe de ser incompatível com o inferno, na verdade exige a sua existência. Ninguém pode forçar o amor de outra pessoa. Você escolhe amar a Deus; Ele não vai forçar o seu amor. Deus irá, naturalmente, fazer tudo em Seu poder amoroso a fim de oferecer-lhe o convite para amá-Lo. É esse o plano da redenção. Mas, quanto aos que o recusarem até o fim, Deus não violará a liberdade de eles escolherem o próprio destino. C.S. Lewis notou que só existem dois tipos de pessoas no Universo: os que dizem “Seja feita a Tua vontade” a Deus, e aqueles a quem Deus dirá “Seja feita a sua vontade”. Jesus lamentou, compadecido, o desejo de reunir o Seu povo como a galinha ajunta os seus pintinhos, “e vós não o quisestes!” (Mat. 23:37). O inferno é o lugar preparado por um Deus longânimo para os que se recusam a seguir o Seu caminho. Depois de ter tentado atrai-los, Deus irá finalmente dizer a alguns: “Está bem, faça o que quiser”.

Cruel? Sem amor? De modo algum. Pense um pouco: Se Deus permitisse que os incrédulos entrassem no Céu, isso seria pior que o inferno para eles. Como aqueles que detestam orar e louvar a Deus suportarão ser enviados para um lugar onde esta atividade é permanente? Se eles se sentem desconfortáveis durante apenas uma hora na igreja fazendo isto, pense no desconforto que sentirão se tiverem de continuar nessa prática para sempre. Desde que o Céu è um lugar onde as pessoas irão curvar-se e adorar a Deus, como poderia um Deus amoroso forçá-las a ir para lá quando elas não querem adorá-Lo, mas O odeiam ou O ignoram, como já fizeram nesta vida? É mais compatível com a natureza do amor divino não obrigar as pessoas a amá-Lo contra a vontade delas. Portanto, Deus é na verdade misericordioso com os incrédulos ao prover para eles um lugar que esteja de acordo com a rejeição que têm em relação a Ele.

Isto não significa que todos que vão para o inferno gostarão de estar ali. Pelo contrário, a descrição da Bíblia não deixa dúvidas de quanto esse destino eterno pode ser indesejável. As pessoas não querem ir para o inferno, mas ao recusar Cristo é para lá que vão. Esta é a razão por que devemos continuar insistindo para que os membros da família, amigos, vizinhos, colegas de escola e de trabalho se entreguem ao amor de Deus e sigam o Seu caminho. Esta é a razão pela qual advertimos os entes queridos e os estranhos das conseqüências de optar pela rejeição e seguir o próprio caminho. Cremos firmemente que aqueles que viraram as costas para Deus em ira ou apatia podem aprender a amá-Lo como nós fazemos. Todavia, Deus não forçará a ir para o Céu ninguém que não quiser estar lá com Ele. Por mais indesejável que possa ser a escolha de alguns, eles a fizeram e terão de viver com ela para sempre.

Você pode perguntar: “E se alguém que estiver no inferno mudar de idéia? Um Deus amoroso não irá livrar o indivíduo arrependido do inferno e transferi-lo para o céu – melhor tarde do que nunca?”. A resposta é Não. As pessoas só estão no inferno porque Deus sabe que nunca mudarão de opinião sobre Ele. Se outras mil oportunidades na vida as fizessem escolher o caminho dEle, Deus, em amor, teria dado a elas essas oportunidades. Mas, porque Ele sabe todas as coisas antecipadamente, inclusive o fato de que algumas pessoas nunca irão mudar de idéia, Deus as deixa ir e diz: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo” (Heb. 9:27). Deus não deixou de demonstrar Seu amor por elas. Mas, lamentavelmente, nem mesmo o amor divino as conquistou. Deus ofereceu a oportunidade para que tivessem o que há de melhor, embora permitindo que cada um escolhesse algo inferior ao melhor planejado por Ele. Deus, que é todo amor, surpreendentemente permite o supremo insulto ao Seu amor: a rejeição.

Esta descrição do amor de Deus ajuda-nos a compreender melhor a ira de Deus. A ira é o resultado do amor rejeitado. C. S. Lewis observou muito bem que o único lugar do Universo onde as pessoas ficarão livres das perturbações do amor é o inferno. O inferno é onde o amor não funciona nem atrai mais, pois não é possível conquistar ninguém ali. Não se trata de Deus não mais amar. Seu amor radiante ainda brilha, mas o efeito é totalmente diverso quando o amor é rejeitado. O mesmo sol que derrete a cera também endurece o barro. A diferença não é a fonte de calor, mas a reação do objeto aquecido.

O mesmo acontece com o amor de Deus. Quando alguém não está disposto a corresponder ao amor de Deus, surge a ira. Se você já tentou alguma vez amar alguém que não quer ser amado, tem idéia da frustração do amor de Deus. Se você, obstinada ou orgulhosamente, rejeitou o amor que outros lhe estenderam, já experimentou então um pouco do inferno. É terrível necessitar de amor e querer amor, mas, ao mesmo tempo, não se abrir para alguém que nos ama. Os incrédulos são como baldes virados de cabeça para baixo sob as Cataratas do Niágara. “Onde está o amor de Deus e o Deus do amor?”, clamam eles. “Minha vida é vazia e sem significado.” Todavia, eles se recusam a voltar a vida para o outro lado e permitir que a cascata do amor infinito de Deus preencha a existência deles. Deus é amoroso; Seu amor flui como uma torrente poderosa, incessante. Ele quer o bem de cada indivíduo, mas o Seu amor não pode ajudá-los se eles não desejarem o bem maior, aceitando o Seu amor.

 

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Há muitas maneiras de aprofundar o nosso conhecimento e experiência do amor de Deus e do Deus de amor. Desde que a criação de Deus é uma expressão permanente do Seu amor, devemos estudar e apreciar o que Deus fez. O rei Davi escreveu: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (Sal. 8:3,4). A Escritura nos convida a “considerar” o que Deus fez, olhar para a Sua marca amorosa em tudo o que nos rodeia e louvá-Lo pelo Seu cuidado amoroso.

Desde que os relacionamentos humanos refletem a natureza do Deus de amor, devemos encorajar e afirmar o amor humano generoso onde quer que o encontremos. Um adesivo num pára-choque sugere: “Pratique casualmente atos de bondade”. A Bíblia diz isso da seguinte forma: “Enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos” (Gál. 6.10). Os indivíduos que amam e servem aos outros abnegadamente em nome de Cristo devem ser nossos heróis. Fique perto e aprenda deles, imitando-lhes o espírito de amor.

Acima de tudo, visto que o amor de Deus e o Deus de amor são claramente apresentados na Sua Palavra, devemos conhecer as Escrituras. Estude os atos amorosos de Deus na história bíblica, desde a criação até a redenção. Familiarize-se com as atitudes amorosas de Deus como declaradas em Seus mandamentos, nos ensinamentos de Jesus e nos escritos dos apóstolos. Sacie-se com os hinos e poemas dos salmos, muitos dos quais são cânticos de amor a Deus. Quanto mais conhecer a Palavra de Deus, tanto mais você conhecerá a Deus. E, quanto mais conhecer a Deus, tanto mais claramente ouvirá o pulsar do coração de amor dEle.

 

PERGUNTAS  DIFÍCEIS  E  RESPOSTAS  DIRETAS  SOBRE  O  AMOR  DE  DEUS

 

Se a natureza é uma expressão do amor de Deus, por que Ele permite males naturais, tais como terremotos, furacões, inundações e doenças, que matam centenas de pessoas todos os anos?

As catástrofes naturais resultam do nosso pecado, não sendo uma evidência de que o amor de Deus é incompleto ou ineficaz. Uma transformação ocorreu na terra depois que Adão e Eva desobedeceram a Deus no jardim. Deus disse: “Maldita é a terra por tua causa: em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida […] No suor do teu rosto comerás o teu pão” (Gên. 3:17,19). O mundo ficou corrompido pelo mal físico, e isso quase sempre traz fadiga à vida dos seus habitantes, até mesmo daqueles que amam a Deus. Os que constróem casas e cidades perto de uma zona onde existe uma falha geológica arriscam-se a sofrer ferimentos e morte por causa de terremotos. Se você morar numa região sujeita à passagem de furacões ou ciclones, ou numa planície onde ocorrem inundações, as suas plantações e propriedade podem ser completamente aniquiladas. Se deixar de proteger-se contra doenças, pode tornar-se uma de suas vítimas.

É importante compreender que as pessoas que passam por tragédias devidas a desastres naturais não sofrem por serem mais perversas do que as que não são afetadas por elas (veja Luc. 13:3-5). Pelo contrário, o mal físico entra em nossa vida por diferentes razões. Deus é amoroso e a única maneira de O amarmos é livremente. E o livre-arbítrio é a origem do mal.

1. Alguns males físicos resultam de nossas escolhas livres. Se você construir uma casa perto da falha geológica de San Andreas na Califórnia, poderá ser morto por um terremoto. Se comprar uma fazenda nas margens do rio Mississipi, você e sua propriedade poderão ser varridos por uma inundação. Se você comer demais e exercitar-se pouco, estará arriscando-se a ter um enfarto cardíaco.

2. Alguns males físicos resultam da decisão de não fazer nada. A preguiça pode levar à pobreza. Deixar para depois um exame físico de rotina pode permitir que um câncer não detectado se torne impossível de tratar. Não se dispor a quebrar o mau hábito de dirigir quando cansado pode causar um acidente fatal.

3. Alguns males físicos resultam das escolhas livres de outros. O abuso de crianças, balas perdidas, assaltos e mortes no trânsito devido à embriaguez são exemplos de como pessoas inocentes sofrem males nas mãos de indivíduos irresponsáveis ou perversos.

4. Alguns males físicos são subprodutos de atividades positivas. Algumas pessoas que vão ao lago velejar ou nadar acabarão afogando-se. Os esquiadores, alpinistas e pára-quedistas algumas vezes se machucam ou morrem por causa do seu esporte. Até uma viagem de carro para o prédio da igreja pode terminar num ferimento grave ou morte.

5. Alguns males físicos resultam da atividade de espíritos malignos. Os sofrimentos de Jó foram atribuídos a Satanás (Jó 1:6-12). Os espíritos malignos oprimem e afligem as pessoas doentes (Mat. 17:14-18; Luc. 13:11).

6. Alguns males físicos são advertências de Deus sobre males físicos ainda maiores. Uma dor de dente pode ajudar a evitar problemas dentários futuros. As dores no peito, quando investigadas, podem evitar a morte desnecessária. A dor de perder um parente por causa de câncer pode levar os familiares a fazer exames médicos para detectar a moléstia.

7. Alguns males físicos são advertências de Deus sobre males morais. A dor e a tragédia chamam nossa atenção e nos fazem buscar a Deus muito mais do que outras experiências. Paulo falou sobre a ira de Deus levar ao arrependimento (Rom. 2:4). C.S. Lewis falou do sofrimento como o megafone de Deus.

8. Alguns males físicos são permitidos para ajudar o desenvolvimento moral. Sem tribulação, não haveria paciência. Os irmãos de José o venderam como escravo, mas ele os perdoou e disse: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gên. 50:20). Jó sofreu muito e disse: “Se ele (Deus) me provasse, sairia eu como o ouro” (Jó 23:10).

9. Alguns males físicos ocorrem porque formas superiores de vida vivem em função das inferiores. Neste mundo físico, os pássaros comem os vermes, os gatos comem os pássaros, e as crianças estouvadas torturam os gatos. Da mesma forma, pessoas e forças maiores nos perseguem ou nos ferem sem justa causa. Algumas vezes nos defendemos contra elas, e outras vezes, apesar dos nossos esforços, não podemos fazê-lo.

 

Por que então nosso Deus onipotente não intervém milagrosamente e evita que o mal físico aconteça? Primeiro, Deus intervém às vezes (quando acha necessário para o Seu plano geral redentor), mas para fazer isso regularmente Ele teria de interferir no pleno exercício do livre-arbítrio, deixando-nos com um mundo algo menos do que completamente moral. Segundo, num mundo de constante intervenção divina contra ações perversas, todo aprendizado moral cessaria. Jamais experimentaríamos as más conseqüências das escolhas erradas e não realizaríamos nosso potencial para o progresso ou desenvolvimento moral.

 

Por que um Deus amoroso permite que as Suas criações humanas maltratem umas às outras? Por que Ele permite que os seres humanos se tornem assassinos, estupradores, abusem de crianças, façam abortos, e assim por diante?

A verdadeira pergunta por trás dessas questões é: “Por que Deus fez criaturas com livre-arbítrio quando Ele sabia que algumas iriam preferir o mal?”. Porque criar indivíduos com livre-arbítrio era a melhor escolha possível dentre pelo menos quatro opções abertas para um Deus amoroso.

Primeiro, Ele poderia ter evitado completamente o pecado deixando de criar o mundo. Mas, Deus é amor, e como um pai amoroso Ele queria uma família com quem compartilhar o Seu amor.

Segundo, Ele não teria escolhido fazer um mundo habitado por criaturas que O amassem sem possibilidade de escolha. O amor forçado é uma contradição. Os robôs não amam realmente, eles são programados para responder.

Terceiro, Ele poderia, hipoteticamente, ter criado um mundo no qual as pessoas tivessem liberdade de escolha mas jamais pecassem. Todavia, desde que as pessoas são livres para escolher o pecado, isso nunca aconteceria.

Quarto, Ele poderia ter criado um mundo em que as pessoas fossem livres e escolhessem pecar – que foi o que Ele fez. Deus criou então Adão e Eva com a capacidade de obedecer e desobedecer, de amar e não amar a Ele e a outros. Eles decidiram finalmente desobedecer e, em conseqüência, o pecado entrou na raça humana.

Para alguns, talvez pareça uma clara contradição à santidade de Deus que Ele tivesse escolhido a única opção na qual o mal poderia ocorrer. Os seres humanos livres podem optar por rejeitar, zombar e desobedecer a Ele face a face – e fazem isso realmente. Os seres humanos também agridem e ferem facilmente uns aos outros. Todavia, o pecado foi a possibilidade permitida por Deus, a fim de nos amar e permitir que O amemos da melhor maneira possível.

Josh McDowell e Norman L. Geisler in LOVE IS ALWAYS RIGHT

A Resposta para:

Dilemas Éticos/Situações Desafiadoras/Decisões Difíceis

© 1996 de Josh McDowell e Norman Geisler

 Tradução: Neyd Siqueira

1ª Edição: janeiro 1998 – 3.000 exemplares

EDITORA E DISTRIBUIDORA CANDEIA

Rua Belarmino Cardoso de Andrade, 108

Interlagos – São Paulo, SP CEP.: 04809-270

https://malucoporjesus.wordpress.com

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