Consciência do Ministério de Louvor


Verdadeiros Adoradores

Quando o Senhor convoca alguém para que lhe preste um serviço, Deus o faz por misericórdia, e para nos dar uma grande oportunidade de provar-lhe o quanto o amamos. O nosso serviço é como uma gratidão pelo grande favor da salvação que já temos conosco.

Outro detalhe que acho necessário apontar é que, em sua onisciência, Deus contempla a necessidade de um país ou uma região menor, vê todas as circunstâncias e assim escolhe quem irá representá-lo.

É um grande erro acreditar que Deus chamou alguém porque essa pessoa possuía determinados dotes artísticos, talentos incomuns ou coisa assim. O apóstolo Paulo é bem claro ao dizer que a nossa capacidade não é suficiente para realizar uma obra como essa, e que “a nossa capacidade vem de Deus” (2 Coríntios 3.5).

Em outras palavras, ingressar no ministério é infinitamente diferente de arrumar um emprego seguro. É preciso ter consciência missionária, ou consciência ministerial.

Isso irá fazer uma tremenda diferença antes, durante e depois de qualquer ação que façamos, seja um evangelismo, seja uma grande apresentação ou outro evento qualquer onde iremos participar.

Veja, então, quatro fatores que compõem essa consciência ministerial, e que fazem a distinção entre um artista e um bom ministro.

HUMILDADE

Em primeiro lugar, destaca-se o sentimento que guiará o nosso trabalho, o nosso louvor. Humildade é exatamene o extremo oposto de tudo aquilo que vemos em artistas seculares.

É verdade que muitos músicos não cristãos têm um espírito humilde, mas também é verdade que a maioria não é assim.

A humildade é um sentimento que nos faz esvaziar de nós mesmos. Quando esvaziamos nosso coração daqueles desejos ambiciosos, ficamos prontos para que o Senhor nos encha com os seus sentimentos mais sublimes.

Uma das funções do louvor é proporcionar um meio, um canal de aceso à presença de Deus. Ora, quem busca a Deus deve se esvaziar de si para receber tudo o que de mais precioso Deus tem para lhe dar.

Assim, esse canal que é o louvor é eficiente quando o desejo é aproximar-se do Criador. Se, portanto, quem busca aproximação de Deus, ou quem ministra essa aproximação, está cheio de auto-suficiência, como poderá acessar a presença de Deus ?

Não há nenhum mal em o ministro ser chamado de artista. Na verdade, ele o é. Mas, se é um artista que busca essa aproximação de Deus, estar seguro de que a humildade é um bom sentimento para se cultivar irá ajudar bastante a conservar esse caminho sempre aberto.

Afinal, apesar de toda a riqueza espiritual a que temos direito, Jesus disse:

“… aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11.29).

POSTURA

Quando disse que humildade é uma característica desejável em quem participa de todo e qualquer envolvimento com o louvor, não me referi em momento algum àquela visão equivocada de humildade exterior, cultivada por meio de vestimentas de qualidade inferior.

Posso não ser suficientemente humilde como músico, mas se minha postura for afinada com a visão espiritual de louvor, irei sempre me corrigir em possíveis ocasiões nas quais meu ego quiser ser exaltar.

Como conseqüência de um coração treinado na humildade, vamos falar diretamente de um efeito direto desse sentimento: a postura.

Normalmente o que fazemos e falamos são reflexos daquilo que cultivamos em nosso interior. Se somos vitoriosos, certamente essa característica irá se refletir em nossa conduta, em nossos atos, em nossa postura.

Jesus andou na terra certo de ser um vencedor. Como resultado disso, sua simples presença incomodava as pessoas.

Isso pode acontecer conosco também. Quando temos consciência da importância do nosso serviço a Deus, temos também a firmeza para impor o nosso chamado.

No entanto, ainda há pessoas que confundem autoridade com falta de educação, unção com ‘estrelismo’, serviço cristão com favor, entre outros.

À medida que nos destacamos no ministério, surgem dois problemas que podem ser facilmente resolvidos se diagnosticados rapidamente. Quando nos destacamos no ministério, dois grupos de pessoas estarão à nossa volta: o dos amigos e o dos invejosos.

O dos invejosos irá nos ver para tentar detectar qualquer falha: seja na apresentação visual, seja na apresentação do nosso louvor, se desafinamos uma nota, se falamos demais, se fazemos pose etc.

Já o grupo dos amigos irá interceder pelas almas, interceder por nós, enfim, irá somar à apresentação para que a bênção de Deus enriqueça a todos.

Assim, todo e qualquer bloqueio entre o ministro ou músico e a igreja será quebrado, uma vez que a postura seja coerente com o propósito. Ou seja, se o objetivo é louvar para alcançar o espírito de adoração, concentre-se em captar confiança e respeito por parte dos ouvintes. Com isso, o louvor fluirá de Deus para os corações das pessoas, sem que persista um clima hostil.

A postura do ministro de louvor abençoará a todos igualmente quando ele se colocar diante de Deus para louvá-lo e conduzir o seu rebanho ao alvo maior que é a adoração. O mais é da competência do próprio Espírito Santo.

PROPÓSITO

A continuidade dessa postura a que me referi anteriormente evoca outro fator diferencial em todo o serviço que prestamos a Deus: o propósito.

Como já disse de várias formas aqui, há quem se lance no ministério mesmo antes de acontecer o chamado de Deus. Há outros que vão por inveja, por estarem ansiosos por qualquer outro benefício que irão conseguir no ministério. Enfim, não faltam motivos pelos quais as pessoas ingressam no ministério.

Mas você já procurou responder a essa pergunta: qual o propósito do seu louvor?

Nesse caso, não interessa se você é ou não um renomado ministro, ou se canta bem ou não, se é um excelente músico ou se nunca tocou um instrumento musical.

Fomos todos chamados para sermos verdadeiros adoradores, independentemente de o Senhor ter ou não concedido a nós talentos específicos para o louvor.

O propósito de tudo o que se possa fazer ou falar é a adoração. Nunca devemos nos esquecer: adoração. Ainda que alguém esteja em uma cadeira de rodas, ou que tenha perdido todos os movimentos do corpo; ainda que não saiba cantar ou mesmo tocar um instrumento, fomos chamados para sermos verdadeiros adoradores, porque o Pai procura por esses.

Minha esposa e eu somos amigos de uma jovem tetraplégica. Ela mora no Hospital das Clínicas há vinte e três anos, e é cristã. O único movimento que seu corpo faz é com o pescoço. Essa jovem usa esse único movimento para louvar e adorar a Deus.

Ela é uma artista plástica conhecida, que pinta seus quadros segurando os pincéis com a boca e um mínimo auxílio de sua instrutora. O resultado são telas sobre a natureza, obras das mãos do Criador, que recebe a adoração verdadeira realizada por ela.

Por isso devemos considerar que é um grande equívoco alguém se perder no meio do caminho. Ao invés de alcançar ou levar as pessoas a alcançarem o espírito de adoração, desviam-se no meio do caminho e passam longe do propósito que, na verdade, é atingir, tocar, alcançar o trono do nosso Criador por meio de um louvor espiritual que nos conduza a uma adoração real.

SERVIÇO

Depois de nos esvaziar de todos os sentimentos que querem guiar nossos passos, e enchermo-nos da graça de Deus, estaremos prontos para servir.

Imagine que você é convidado para assistir a um culto na igreja de um amigo. Naquela noite irá um grande músico, conhecido artista gospel.

Quando lhe é dada a oportunidade para ministrar o louvor à igreja, antes mesmo de saudar os presentes, o músico anuncia que no final do culto ele estará autografando os CDs que trouxe.

Aí ele canta um hino no mais alto volume, faz uma pausa, e anuncia: a próxima canção está no meu terceiro CD, o qual você poderá “ver” no final do culto.

Ora, não podemos subestimar os irmãos. O mundo está tão infestado de merchandising, de propagandas em todo e qualquer espaço, que até mesmo o mais inocente ‘irmãozinho’ perceberá que esse artista está mais para vendedor-demonstrador de CDs do que para um verdadeiro homem de Deus, que se preocupa em trazer para a igreja textos e mensagens inspirados por Deus.

Enquanto o período for de louvor, a atenção e os esforços devem ser concentrados em prestar serviço aos ouvintes. Esse fator é decisivo para o sucesso de um ministro, de um pregador, de um membro.

O tipo de relacionamento que temos com Deus será exposto a todos os presentes quando abrirmos nossa boca para dizer o que há dentro de nosso coração. Se nossa relação com o Senhor for de Pai para filho, prestaremos um bom serviço a ele e à comunidade. Se nosso relacionamento com Deus for do tipo mercantil … falta-nos consciência de ministério.

André Paganelli

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One thought on “Consciência do Ministério de Louvor

  1. AMEI ESSA MATÉRIA E SERVIU COMO UM ALERTA PRA MIM, POIS ESTOU COMEÇANDO NO MINISTÉRIO DE LOUVOR DA MINHA IGREJA A MAIS OU MENOS 1 MÊS, E SEI QUE FOI UM CHAMADO E QUERO FAZER VALER POR ESSE CHAMADO.

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