Parábola do homem com um tinteiro


(Ez 9 e 10)

Essa visão do profeta guarda re­lação com as anteriores. Os capítu­los anteriores trataram de desmas­carar o pecado de Israel; temos ago­ra a conseqüente punição e a identi­ficação dos fiéis. Uma característica marcante desses capítulos é a dife­renciação que Deus faz na hora de aplicar o seu juízo. Podem-se obser­var aí aspectos inconfundíveis, como:

1. O homem com um tinteiro. Entre os seis homens que vinham da porta alta, havia um que não estava armado com uma espada, mas tra­zia um tinteiro de escrivão. Seu “ves­tido de linho” distinguia sua função da dos seis oficiais da vingança. Usado pelo sumo sacerdote, o linho branco simbolizava pureza (Lv 16:4). Na cintura desse homem com aparência de sacerdote havia um “tinteiro”, um pequeno estojo com canetas, tinta e faca, material usa­do pelos escribas orientais. Não te­mos nenhum indício acerca da iden­tidade do homem com o tinteiro. “Ele é simplesmente necessário à visão”, diz Elicott, “um mensageiro angelical, para identificar aqueles cuja fidelidade a Deus em meio aos perversos ao redor os exclui da con­denação” (Ap 7:3). Alguns comenta­ristas vêem nesse homem uma fi­gura do Sumo Sacerdote celeste, cuja tarefa especial é a salvação e carrega seu tinteiro para “marcar” os seus eleitos e escrever seus no­mes no livro da vida (Êx 12:7; Ap 7:3; 9:4; 13:8-11,17; 20:4).

2. O sinal nas testas (Ez 9:4). De­pois que a glória do Senhor se levan­tou do templo, os.seis homens arma­dos passaram pela cidade para matar os habitantes, mas o que estava com o tinteiro foi na frente, marcando na testa os que suspiravam pelas abomi-nações desmascaradas e denunciadas. Enquanto os seis homens seguiam, matando os que não estavam assina­lados, eram poupados os marcados, que choravam pela razão do castigo e o terrível processo de condenação.

Essa marcação simbólica é co­mum nas Escrituras (Êx 12:7,13; 28:36; Ap 7:3; 9:4; 14:1); e era neces­sária para guiar os agentes ange­licais e humanos que deviam execu­tar as ordens divinas. Avisão de con­denação aterrorizou tanto Ezequiel, que clamou em oração, nada tendo por resposta senão que o juízo era irrevogável, sem levar em conta des­cendência ou posição. Somente os marcados, que não tiveram parte na iniqüidade da nação e por ela se en­tristeceram foram por misericórdia poupados do massacre. O fato de te­rem sido marcados na testa (região do corpo de maior destaque) mos­trava que o fato de não incorrem na condenação seria manifesto a todos (Jr 15:11; 39:11-18; Ap 13:16; 14:1,9). Na hora do castigo, Deus faz acepção de pessoas. Isso fica eviden­ciado no fato sentencioso de que o terrível juízo apresentado iniciou-se pelo Santuário (9:6). Deus não poupou os anjos que pecaram, mes­mo sendo anjos.

3. A visão de um trono (Ez 10:1-22). O homem com o tinteiro, que passou pela cidade para marcar os que suspiravam e gemiam, agora obe­dece à ordem de passar por entre as rodas, pegar nas mãos brasas acesas e espalhá-las pela cidade. Os querubins, já vistos por Ezequiel, re­aparecem para assinalar o retorno da glória do Senhor. Aqui estão intima­mente associados ao processo de con­denação que Ezequiel passa a expor. O homem que apanhou o fogo e o es­palhou por Jerusalém passou por entre as rodas, e a glória visível do Senhor, quando se levantou do limi­ar, agora se mescla às rodas e aos querubins. O objetivo dessa visão era evidenciar que o Senhor, entronizado acima dos querubins, executava os seus justos juízos por meio dos babilônios. Israel achava-se condena­do diante do Senhor, o qual, por não tolerar o desprezo para com a sua misericórdia, determinou todo o seu poder, no céu e na terra, para punir a desprezível ingratidão daqueles a quem abençoara de modo tão especi­al. Avisão revela, na perspectiva cor­reta, a lúgubre culpa de Israel e suas horrendas conseqüências.

Robert Lockyer.

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