Parábola da Cabeça e da Barba Rapada


(Ez 5:1-17)

 O amplo emprego que o profeta faz das ações parabólicas exige nossa cuidadosa atenção. Nenhum outro autor recorreu com tanta fre­qüência ao método parabólico de instrução quanto Ezequiel. Intima­mente relacionado com o capítulo anterior, esse que agora passamos a estudar intensifica, com novos símbolos, a denúncia de condena­ção contra os judeus. Juízos mais severos que as aflições do Egito viriam sobre o povo por causa de seus pecados.

A “faca afiada […] como navalha de barbeiro” significa qualquer ins­trumento cortante, como a espada, por exemplo, e é usada como símbo­lo das armas do inimigo (Is 7:20). Uma espada, então, afiada como navalha de barbeiro, devia ser usa­da para rapar o cabelo e a barba do profeta. Sendo ele representante dos judeus, a espada deveria ser passa­da sobre a “cabeça” dele, servindo de sinal do tratamento severo e humi­lhante, sobretudo para um sacerdote (2 Sm 10:4,5). Sendo os cabelos si­nal de consagração, os sacerdotes eram expressamente proibidos pela lei de rapar tanto o cabelo como a barba (Lv 21:5). Rapá-los represen­taria o mais desolador castigo.

Os cabelos que tinham sido cor­tados deveriam ser pesados e dividi­dos em três partes. A primeira seria queimada no meio da cidade no fim do cerco, a segunda seria ferida pela espada ao redor da cidade e a tercei­ra seria espalhada ao vento. Por fim Ezequiel apresenta o sentido da pa­rábola: uma terça parte do povo mor­reria de peste no meio da cidade, outra terça parte cairia à espada e a última terça parte seria espalhada ao vento. Isso aconteceu aos rema­nescentes. Uns poucos fios de cabelo deveriam ser recolhidos e atados nas abas das vestes do profeta, sendo o restante atirado ao fogo. Os poucos que escaparam aos severos juízos não se salvaram da prova de fogo??? (Jr 41:12; 44:14). Em dias melhores, Deus assegurara ao seu povo que os cabelos da cabeça seriam contados, prova do cuidado e da provisão divi­na. Agora, arrancadas de Deus e se­paradas de sua presença, as cabeças rapadas anunciavam o afastamento da bondade e da proteção divina.

Resumindo as ações simbólicas desse capítulo e do anterior, The biblical expositor [O comentarista bíblico] afirma que essas ações de­vem ter atraído um círculo de curio­sos espectadores, a quem Ezequiel explicou o que significavam: “Não foi Babilônia nem a sua queda que re­tratou, mas os juízos muito mereci­dos e irrevogáveis sobre a ímpia Je­rusalém. Em vez de ser o centro de onde a salvação irradiaria para as nações, ela excedeu os gentios na perversidade. Assim, Deus não mais a pouparia, nem teria compaixão dela. Sua punição seria severa por ter pisoteado os grandes dons da gra­ça de Deus”.

Herbert Lockyer.

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