Parábola do copo do furor


(Jr 25:15-38)

Esse capítulo sentencioso trata da profecia dos setenta anos de cati­veiro, bem como da destruição da Babilônia e de todas as nações opres­soras dos judeus. A condenação de Judá resultou da sua persistência em pecar. Apesar dos reiterados ape­los divinos ao arrependimento, a nação judaica não deu ouvidos a Deus, sendo conquistada pela Babilônia e levada ao exílio. Então temos a profecia sobre a condenação da Babilônia após os setenta anos de cativeiro, executada por uma alian­ça de nações e reis. Ao contemplar o futuro, Jeremias profetizou o inescapável juízo que cairia sobre todas as nações, quando a punição divina se destinaria a cada uma de­las, até uma grande tempestade sur­gir dos confins da terra com severos golpes sobre os reis e autoridades. Nessa profecia Zedequias identifica a inevitável destruição que ameaça a si e a Jerusalém.

Não tomaremos o “copo do furor” em sentido literal, como se Jeremias de fato oferecesse uma taça de vinho aos embaixadores das nações citadas e reunidas em Jerusalém. Esse “copo” refere-se ao que Deus reve­lou à mente do profeta com respeito aos seus justos juízos. A taça de vi­nho simbolizava punição embriaga-dora (Jr 13:12,13; 49:12; 51:17). Como já mencionamos, Jeremias muitas vezes incorpora a linguagem parabólica de Isaías em suas profe-, cias (cf. Lm 4:21 com Is 51:17-22; v. Jó 21:20; SI 75:8; Ap 16:19; 18:6).

As nações, quando bebessem do copo do furor, cambaleariam e enlou­queceriam como os que se embria­gam. Elicott diz que “as palavras fa­lam do que a história já testemunhou muitas vezes: o pânico e o terror de nações pequenas diante do avanço de um grande conquistador —ficam como que tomadas de uma louca embriaguez e o seu desespero ou a sua resistência são igualmente ensandecidos. As imagens já são co­muns a profetas anteriores” (SI 60:5; Ez 23:21; He 2:16).

“… se não quiserem tomar o copo” (Jr 25:28) parece insinuar que ne­nhum esforço evitaria a destruição. “Se não poupo nem os meus eleitos por causa dos seus pecados, muito menos a vocês” (Ez 9:6; Ob 6; Lc 23:31; lPe 4:17). A consumação da fúria divina sobre um mundo ímpio e perverso dar-se-á na grande tribu-lação, quando os copos do furor de Deus serão derramados sobre a ter­ra (Ap 6:16; 14:10,19; 16:19 etc).

Jeremias conclui o capítulo com uma referência aos magistrados e reis que se julgam “vasos agradá­veis” ou vasos do desejo. Seriam que­brados e inutilizados. Jeconias fora idolatrado pelos judeus, e Jeremias, falando em nome deles, manifesta a perplexidade diante daquele com quem tanto contavam, mas que foi completamente derrubado (Jr 22:28; Sl 31:12; Os 8:8). Que solene lição para o seu coração e o meu!

Herbert Lockyer.

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