O Doador da Paz


Qamar Zea (Muçulmano da Índia convertido ao Cristianismo)

Quando eu tinha por volta de dezesseis anos de idade, freqüentava o oitavo ano numa escola pública no sul da Índia. Entretanto, logo tive que abandoná-la por causa da enfermidade de meu pai. Depois me enviaram para estudar numa escola cristã perto de minha casa. Desde o instante em que ali entrei, notei uma professora cristã, diferente de todas as outras pessoas que já havia conhecido.

Observei sua maneira carinhosa de falar, sua amabilidade para com todos os estudantes e a grande dedicação ao trabalho. Sua vida impressionou-me tanto que fique um pouco confusa. Como é possível que um ser humano seja assim?

Mais do que uma vez eu me perguntava. Depois percebi que era porque o Espírito de Deus estava nela.

Nessa escola comecei a analisar a Bíblia. Dois dias por semana estudávamos o Antigo Testamento e outros dois dias, o Novo. Um dia fazíamos trabalho de memorização, aprendendo passagens bíblicas e muitas canções. A princípio, eu não estudava com vontade; ao contrário, fazia-o com indiferença. Como havia ouvido dizer que os cristãos eram blasfemos, nem sequer em seu livro eu gostava de tocar.

Em certa ocasião, estávamos lendo o capítulo 53 de Isaías e memorizando algumas passagens, coisa muito difícil para mim. Foi durante o estudo desse capítulo que Deus, pela Sua graça, mostrou-me que nesse livro havia vida e poder. Então comecei a perceber que Jesus vive para sempre. Assim, o Senhor colocou fé em meu coração e cri em Jesus como meu Salvador e perdoador dos meus pecados. Somente Ele podia me salvar da morte eterna. Nesse momento, percebi também quão pecadora eu era. Até então, pensava que minhas boas obras me salvariam.

Um poder de vida começou a operar em mim. Quando Satanás tentava enlaçarme em suas cadeias e redes, eu podia resistir a ele lendo o Novo Testamento e confiando em Cristo. Ele me proveu de amigos cristãos que me deram um lar.

Depois de algum tempo fui batizada. Então, com fé plena, pude dizer que Jesus Cristo é o doador da salvação e da paz. Tal paz não pode ser dada pelo mundo; é um dom de Deus.

Isto até aqui relatado é uma breve história pessoal escrita pela própria Qamar Zea.

Depois, ela foi para Karachi com sua família, procedente do sul da Índia, pouco depois da divisão do país. Um amigo escreveu a uma obreira cristã, que foi ao seu encontro e ficou surpreendida com seu encanto e beleza. Nos poucos momentos que puderam conversar em particular, Qamar pediu à missionária que à noite lhe trouxesse um Novo Testamento. Logo, ela se foi de Karachi e não voltaram a se encontrar por sete anos, quando Qamar a procurou porque teve que abandonar o lar, pois estavam planejando seu casamento. Esse pequeno Novo Testamento, lido secretamente, tinha mantido viva sua fé, sem a ajuda de nenhum ser humano. Seus familiares seguiram-na para discutir com ela, e conseguiram que ela voltasse para visitar sua mãe por alguns dias.

Quando regressou com a missionária, foi enviada ao Norte, a Sahiwal, em Punjab, para morar na casa das enfermeiras do hospital cristão. Ali desfrutou do feliz companheirismo de outras moças cristãs, e preparou-se para seu batismo, depois do qual mudou seu nome para Ester. Ela participava totalmente da vida do hospital e se regozijava quando podia fazer o mais simples favor a alguém ou colaborar no evangelismo.

Mais tarde, foi ao Centro Unido de Treinamento Bíblico em Gujranwala. Como foi uma ótima aluna, de mente inquisidora, que não ficava satisfeita com soluções superficiais, conseguiu obter um discernimento e um domínio das Escrituras que envergonhava muitos cristãos maduros. Amava a Bíblia, e antes mesmo de seu batismo havia declarado: “Sinto que Deus quer que eu seja professora da Bíblia.

Este livro tem grande poder. Quero que faça por outros o que fez por mim.”

Durante umas férias de verão em Sahiwal ficou gravemente enferma, o que constituiu grande provação para ela. Deus deu-lhe vitória depois de muitas lágrimas e dúvidas, e sua saúde foi completamente restaurada.

Quando terminou seu curso, mudou-se para uma pequena cidade chamada Chichawatni. Ali, uma obreira cristã convidou-a para morar em sua casa e trabalhar com ela. Assim, instalou-se em seu novo lar, numa propriedade com muita água e sombra, no meio de árvores floridas. Ela costumava dizer que Chichawatni era seu precioso lar. Adotou o vestuário do lugar, que consistia em calças largas, em lugar do sari indiano e fez de tudo para aprender a língua punjab, embora nunca tenha conseguido dominá-la totalmente. Aprendeu a andar de bicicleta, algo que não é muito comum entre as mulheres do Paquistão, e quando ela e uma senhora de idade avançada saíam pedalando para visitar alguma cidadezinha ou aldeia vizinha, muitos curiosos se voltavam para vê-las.

Com essa senhora, ia a lares muçulmanos nos quais, segundo o costume, as mulheres ficavam reclusas a maior parte de suas vidas. Logo reconheceram que ela era de uma família muçulmana, e alguém lhe disse uma vez: “Em seu rosto ainda se reflete a luz do santo profeta Maomé!” Mas quando Ester começava a contar sua história e a falar de Jesus, o Messias, a admiração transformava-se em confusão e hostilidade. Com freqüência lhe perguntavam: “ Como pode fazer isto?”, ao que respondia: “A graça de Deus está sobre mim.” Então, com histórias, desenhos e cânticos, contava-lhes as boas novas de Jesus Cristo, e freqüentemente as pessoas a ouviam com fascínio. Às vezes zombavam dela e a rejeitavam, mas isso não a desanimava.

Quando passava o forte verão e entrava o inverno, ela ia com os missionários aos seus acampamentos nas vilas. Ficavam ali por cinco ou seis dias, ministrando os ensinamentos básicos à pequena congregação composta de gente pobre e, na sua maioria, analfabeta. Ester se deleitava, indentificando-se com eles e acompanhando os cânticos com o ritmo de seu tambor. Reunia-se com os colhedores de algodão, admirando a beleza da paisagem. No Natal estavam de volta e Ester se dedicava ao treinamento dos jovens para a apresentação de um bonito drama natalino.

Aqueles foram dias felizes. Entretanto, sua família escrevia-lhe freqüentemente, pressionando-a para que voltasse para casa. Ela preparou suas malas com a intenção de voltar no final do ano, mas não sentia paz em relação a isso. Depois de muita oração, sentou-se e escreveu uma carta, na qual colocava suas condições para regressar: que lhe permitissem viver como cristã e que não a obrigassem a se casar.

Enviou a carta registrada pelo correio, mas nunca obteve resposta. Foi acampar por mais um mês com seus amigos cristãos, voltando prontamente com eles a Chichawatni, pois os pastores e evangelistas da região iam celebrar sua reunião mensal. Nessa noite, ela se encontrava ocupada, dando brilho nas panelas e cantando alegremente. Estava com um leve resfriado e por isso deitou-se mais cedo. A casa estava cheia de visitas. De alguma forma, um inimigo conseguiu entrar enquanto todos dormiam. Pela manhã, ela não saiu. Foi encontrada morta em sua cama, com a cabeça esmagada por algum instrumento pesado e cortante.

Foi enterrada no cemitério cristão de Sahiwal. Muçulmanos e cristãos foram ao serviço fúnebre e repetiram as palavras triunfantes de: “ Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida.” A polícia vasculhou a casa e estudou cuidadosamente seus livros e cartas, procurando alguma pista, talvez algum bilhete de um pretendente desiludido. A informação final ao dono da casa foi: “ Senhor, não achamos pista nenhuma: ela estava somente enamorada de seu Cristo.” Uma bonita capela para uso do pessoal e dos pacientes, situada no terreno do hospital cristão de Sahiwal, constitui uma homenagem em sua memória.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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