Tudo foi diferente


Hasan Dehqani-Tafti

(Muçulmano Iraniano convertido ao Cristianismo)

 Nasci e passei minha infância em Taft, um lugar perto de Yezd no centro de Irã. Num hospital cristão em Yezd, minha mão conheceu o amor de Deus revelado em Jesus, e batizou-se. Entretanto, quando o hospital fechou, ela se viu obrigada a voltar para Taft e casar-se com um parente muçulmano chamado Muhammad.

Uma missionária evangélica costumava visitar nossa casa e compartilhar sua mensagem com cerca de vinte pessoas ali reunidas. Para mim, a morte de minha mãe, quando eu tinha apenas cinco anos, foi uma grande tragédia, mas, como veremos, Deus tirou proveito dessa desgraça. Fui criado como muçulmano xiita e anualmente participava na dramatização da morte de Hussein. Mas a missionária pressionava continuamente meu pai para que me deixasse estudar em Yezd, pois o último desejo de minha mãe fora que me criasse como cristão. Meu pai concordou finalmente em consultar o Corão e sua resposta foi positiva.   

Convenceram-no a que permitisse que, aos sete anos de idade, eu participasse de uma escola de homens na bonita e história cidade de Isfaján, que era a sede iraniana da sociedade missionária da Igreja, onde funcionava uma universidade, vários colégios e um hospital.

Durante algum tempo passei por uma espécie de “sobe e desce” espiritual.

Nas primeiras semanas de férias de verão, considerava-me cristão e discutia com outros sobre minhas crenças, mas, depois, toda atmosfera da cidade me pressionava e me convertia num muçulmano. Mas, quando completei doze anos, a influência da escola prevaleceu e decidi ser cristão. Em Taft cheguei a evangelizar mais dedicadamente que nunca, meu pai cedeu às pressões de seus amigos e tirou-me da escola, mas a missionária e outros cristãos pediram-lhe com insistência que me deixasse voltar. Ele consultou novamente o Corão e concordou com meu regresso. Progredi muito nos estudos.

Com a idade de dezoito anos, batizei-me e escrevi o seguinte a meu pai:

“Encontrei o gozo e a felicidade que desejava em Jesus Cristo.” Ao voltar de férias a Taft, encontrei muita hostilidade e até minha própria família me considerou impuro, embora continuassem sendo amorosos e hospitaleiros. Assumi mais responsabilidades na Igreja em Isfaján: lia as passagens bíblicas, escrevia e traduzia hinos etc. Jamais esquecerei a alegria e o zelo inocente daqueles dias.

Quando acabei o secundário em Isfaján, a diocese enviou-me a Teerã para os estudos superiores, pensando que num futuro não muito distante eu ingressaria no ministério. Deparei-me com um ambiente secular dominado pela filosofia e a sociologia. Antes, minha fé havia sido abalada quando estudei psicologia no último ano do Secundário, mas ali eu havia tido ao meu redor, sábios professores cristãos. Um deles aconselhou-me a jamais deixar de orar e ir à Igreja, embora às vezes isso pudesse parecer sem sentido. Levei bem em conta este bom conselho.

Encontrei apoio em um cristão de Teerã com o qual podia compartilhar meus problemas.

Assim que me formei tive que prestar o serviço militar. Lutei sem êxito para não ser convocado, pois como cristão não podia participar da guerra. Declarei minha fé cristã e o capitão repreendeu-me severamente ao saber que eu havia traído a religião islâmica de meu pai. Após algum tempo, eu já ganhava um bom soldo como tenente. Minha família tinha esperança de que isso ajudaria a melhorar seu nível de vida, mas eu me lembrei das palavras de Cristo: “Se alguém vem a mim e não me ama mais que a seu pai e a sua mãe… não pode ser meu discípulo” (Lucas 14.26 VP).

Deus havia me chamado para o ministério em sua Igreja e eu não podia desobedecer o chamado celestial.

Depois de cumprir o serviço militar, trabalhei durante dois anos com jovens e com um ministério de literatura cristã. Eu sentia muita alegria de poder servir na Igreja, mas interiormente não tinha paz e achava que não estava crescendo como cristão.

Fui enviado a uma conferência mundial de jovens em Oslo, Noruega, e, em seguida, fui para a Europa continuar meus estudos. Encantei-me com a beleza e a paz da universidade. Entretanto, assim que passou a emoção inicial, voltei a experimentar aquela inquietude de espírito; desta vez mais intensamente. Sentia cada vez mais solidão. Eu culpava Deus por ter levado minha mãe tão cedo em minha vida, mas no fundo de minha alma sentia um vazio de amor: eu ansiava ser amado pelo que eu era e não pelo que as pessoas queriam que eu fosse. Era tão grande meu desejo de receber a ternura de uma mãe e o abraço acolhedor de um pai que o simples fato de pensar nisso, deixava-me sem esperança. Eu também culpava aqueles que haviam me separado dos meus. Tais ondas de autocompaixão eram, em certas ocasiões, tão fortes que as lágrimas brotavam de meus olhos e, da mesma forma que Jó, amaldiçoava o dia em que tinha nascido.

Parecia que ninguém me compreendia, ou se o faziam, não eram capazes de ajudar-me. Frases religiosas como – “entregue-se a Cristo,” ou “ore, que Ele te dará paz,” para mim chegaram a ser meras palavras que careciam de significado.

Estando em tal situação, entrei em contato com um líder cristão que havia ajudado muitos jovens a vencer suas dificuldades. Ouviu-me por duas horas enquanto que, com lágrimas nos olhos, abri-lhe meu coração. Senti que me amava e me compreendia e tinha certeza de que por meio dele podia encontrar alívio. Numa de nossas conversar, sugeriu que lesse Salmos e o livro de Jó. A leitura destes dois livros teve o mesmo efeito sobre minhas dificuldades que o do sol quando derrete a neve.

Através da experiência de Jó, encontrei a mim mesmo: “A minha alma tem tédio à minha vida; darei livre curso à minha queixa… Por que escondes o teu rosto e me tens por teu inimigo?… Ah! se eu soubesse onde poderia achar a Deus!” (Jó 10.1; 13.24; 23.3). E, afinal, escutei-me decidir junto com Jó: “Eu te conhecia só de ouvir , mas agora os meus olhos te vêem. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.5-6).

Eu necessitava de arrependimento! Arrependimento de Ter me considerado o centro do mundo. Então, vi-me tal qual era: um monumento ao egoísmo, a essência do orgulho, um perfeito fariseu. Eu havia ido a Europa para preparar-me e chegar a ser um líder melhor em nossa pequena Igreja; mas um fariseu não pode aprender: sempre tem que ensinar! Pela graça de Deus, pouco a pouco cheguei ao ponto em que pude, humilhado, pedir ao Senhor que tivesse compaixão de mim, um miserável pecador.

Depois disso, tudo foi diferente. Eu sabia que era um verdadeiro pecador, e quanto havia custado a Deus perdoar-me por meio da cruz de Jesus Cristo. Ao começar a compreender o amor de Deus, fui recebendo tranqüilidade. Toda a preocupação, a tensão e falta de paz começavam a desaparecer. Inclusive percebi que estava dormindo melhor. As pessoas não era mais difíceis de suportar, mas, sim, interessantes e dignas de ser amadas, pois, como eu, haviam sido objeto do amor divino.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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