Deveres do Crente e Igreja para com o Pastor

 

1. CONSIDERÁ-LO MENSAGEIRO DE DEUS

Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.

(1 Cor 4:1)

E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo.

(Gal 4:14)

2. NÃO DESPREZÁ-LO, NA QUALIDADE DE PROFETA DE DEUS

Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. (Mat 10:40)

Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.

 (Luc 10:16)

Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.

(1 Tim 4:12)

3. OUVIR SUAS INSTRUÇÕES, BÍBLICAS

Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos.

(Malaquias 2:7)

Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;

(Mat 23:3)

4. SEGUIR-IMITAR SEU EXEMPLO, SANTO

Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.

(1 Cor 11:1)

Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam.

(Filip 3:17)

5. IMITAR SUA FÉ (DOUTRINA BÍBLICA, FÉ PURA)

Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.

(Heb 13:7)

6. TÊ-LO EM ALTA REPUTAÇÃO

Recebei-o, pois, no Senhor com todo o gozo, e tende-o em honra;

 (Filip 2:29)

E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós.

(1 Tes 5:13) Esta paz inclui a paz entre a igreja e seu pastor

Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina;

(1 Tim 5:17)

7. AMÁ-LO

Portanto, assim como em tudo abundais em fé, e em palavra, e em ciência, e em toda a diligência, e em vosso amor para conosco, assim também abundeis nesta graça.

(2 Cor 8:7)

Vindo, porém, agora Timóteo de vós para nós, e trazendo-nos boas novas da vossa fé e amor, e de como sempre tendes boa lembrança de nós, desejando muito ver-nos, como nós também a vós; 

(1 Tes 3:6)

8. ORAR POR ELE

E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus;

 (Rom 15:30)

Ajudando-nos também vós com orações por nós, para que pela mercê, que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito.

(2 Cor 1:11)

E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho,

(Efé 6:19)

Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente.

(Heb 13:18)

9. OBEDECER-LHE

Que também vos sujeiteis aos tais, e a todo aquele que auxilia na obra e trabalha.

(1 Cor 16:16)

Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.

 (Heb 13:17)

10. DAR-LHE ALEGRIA

Como também já em parte reconhecestes em nós, que somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa no dia do Senhor Jesus.

(2 Cor 1:14)

E escrevi-vos isto mesmo, para que, quando lá for, não tenha tristeza da parte dos que deveriam alegrar-me; confiando em vós todos, que a minha alegria é a de todos vós.

(2 Cor 2:3)

11. AJUDÁ-LO

 Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo, e a Estáquis, meu amado. (Rom 16:9)

 E peço-te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.

(Filip 4:3)

12. SUSTENTÁ-LO

 E ordenou ao povo, que morava em Jerusalém, que desse a parte dos sacerdotes e levitas, para que eles pudessem se dedicar à lei do SENHOR.

(2 Cro 31:4)

 Quem jamais milita à sua própria custa?

Quem planta a vinha e não come do seu fruto?

Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado?

Digo eu isto segundo os homens?

Ou não diz a lei também o mesmo?

Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão.

Porventura tem Deus cuidado dos bois?

Ou não o diz certamente por nós?

Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais?

(1 Cor 9:7-11)

 E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui.

(Gal 6:6)

 13. ORAR PELO AUMENTO DO NÚMERO DE PASTORES (FIÉIS)

 Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara.

(Mat 9:38)

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Mentir

 

Quando mentimos, ferimo-nos a nós mesmos.

Efésios 4:25

“Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros.”

O nono mandamento proíbe a mentira.

Êxodo 20:16

“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”

Quando mentimos não estamos seguindo o exemplo de Jesus.

Colossenses 3:9-10

“Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.”

Deus detesta a mentira.

Provérbios 12:22

“Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite.”

Os que mentem são excluídos da presença de Deus.

Salmos 101:7

“O que usa de fraude não habitará em minha casa; o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos.”

Os que são desonestos não serão permitidos entrar na cidade de Deus.

Apocalipse 22:15

“Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira.”

Somos considerados mentirosos se dizemos que somos cristãos mas não obedecemos a Deus.

1 João 2:4

“Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.”

Os hipócritas são mentirosos.

Tiago 3:14

“Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.”

Deus nos perdoará.

1 João 1:9

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

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Medo

  

Como devemos lidar com os nossos temores?

Crendo nas promessas de Deus.

Isaías 41:10

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.”
Quando estiver com medo, não se esqueça de Deus. A Bíblia diz em Josué 1:9 “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares.”

Não necessitamos temer a Deus.

1 João 4:18

“No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.”

Não necessitamos temer os desastres naturais.

Salmos 46:1-3

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se projetem para o meio dos mares; ainda que as águas rujam e espumem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.”

Não tema outras pessoas.

Hebreus 13:6

“De modo que com plena confiança digamos: O Senhor é quem me ajuda, não temerei; que me fará o homem?”

Não tema as nações ou os governos.

Deuteronômio 7:21

“Não te espantes diante deles (outras nações), porque o Senhor teu Deus está no meio de ti, Deus grande e terrível.”

Não tema más notícias.

Salmos 112:7-8

“Ele não teme más notícias; o seu coração está firme, confiando no Senhor. O seu coração está bem firmado, ele não terá medo, até que veja cumprido o seu desejo sobre os seus adversários.”

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Magia

 

A magia negra e a fé cristã são incompatíveis.

 Atos 19:18-19

“E muitos dos que haviam crido vinham, confessando e revelando os seus feitos. Muitos também dos que tinham praticado artes mágicas ajuntaram os seus livros e os queimaram na presença de todos; e, calculando o valor deles, acharam que montava a cinqüenta mil moedas de prata.”

Deus proíbe qualquer participação do oculto.

Deuterenômio 18:9-13

“Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti. Perfeito serás para com o Senhor teu Deus.”

Parábola da Grande Imagem

 

(Dn 2:31-45)

 Esse notável capítulo, pleno de importância profética e histórica, tem duas nítidas divisões, a saber:

•    a revelação da imagem (31-36);

•    a interpretação da imagem (37-45).

Não raro, os homens resolutos, que impiedosamente atingem os píncaros do poder, são acometidos de insônia —e Nabucodonosor não era exceção. Agitado, sonhou; mas, ao acordar, não conseguia lembrar-se do sonho. Evi­dentemente receoso quanto ao que se passara em sua mente e almejando a tranqüilidade, procurou a ajuda dos magos, dos astrólogos e dos encanta­dores para interpretar o sonho. A exi­gência desarrazoada do déspota era que os reconhecidos sábios em primei­ro lugar reconstituíssem o sonho de que se esquecera e depois lhe indicassem o significado. Seria um teste para descobrir se os magos eram mentiro­sos e corruptos?

Os sábios insistiram em afirmar ser totalmente impossível atender ao pedido do rei (2:10,11), mas ele pro­meteu que todos morreriam, se não conseguissem reconstituir e inter­pretar o sonho (Dn 2:12,13). Daniel, tomando conhecimento dos planos do rei, reuniu seus três amigos para um período de oração, a fim de en­contrar a chave do “mistério”. Em resposta às fervorosas petições da­queles quatro homens consagrados, Daniel teve a revelação e a interpre­tação do sonho, louvando depois ao Senhor. Essa oração de louvor feita por Daniel é “uma das expressões da sabedoria divina, nas Sagradas Es­crituras, mais belas e de maior liris­mo” (Dn 2:20-23). A impressionante demonstração da capacidade de Daniel de interpretar sonhos mostra que não tinha uma aptidão inata, inerente para isso. Tudo o que preci­sava veio a Daniel por revelação de Deus.

Procurando Arioque, que tinha ordens de matar todos os sábios, pe­diu que suspendesse as execuções e solicitou uma entrevista com o tira­no (Dn 2:24,25). Sem acanhamento, Daniel diz ao soberano que, como só Deus podia revelar os mistérios, o misterioso sonho fora revelado não por sabedoria do profeta, mas por divina revelação (2:28). Então passa a narrar uma das maiores visões apocalípticas dadas ao homem. Nabucodonosor deve ter ficado estu­pefato ao ouvir Daniel reconstituir o sonho e depois esboçar o começo, o meio e o fim da história e do domí­nio gentílico. O colosso metálico, com cada parte de um material diferen­te, simbolizava quatro reinos suces­sivos e o reino final e definitivo de Deus, “a pedra que feriu a estátua [,e] se fez um grande monte, e en­cheu toda a terra” (2:35).

A interpretação de Daniel é por demais fascinante. A estátua simbo­lizava a unidade e a sucessão histó­rica de quatro impérios mundiais. Sendo a cabeça de ouro e os pés de ferro e de barro, a imagem era ins­tável, destinada, portanto, à ruína.

O primeiro reino era a Babilônia, como declarou Daniel quando, ao interpretar o sonho, disse a Nabucodonosor: “tu és a cabeça de ouro” (Dn 2:38). Esse grande império existiu de 604 a 538 a.C. O ouro representa com muita proprie­dade a absoluta autocracia de Nabucodonosor, cujo poder era su­premo: “A quem queria matar, ma­taria” (Dn 5:19).

O segundo reino era a Medo-Pérsia, que existiu de 539 a 333 a.C. Inferior ao primeiro, o Império Medo-Persa é ilustrado pelo peito e pelos braços de prata. O império dependia do apoio de uma aristocra­cia hereditária, sendo uma oligar­quia monárquica em que os nobres se eqüivaliam áo rei em tudo, me­nos no cargo —sistema em que o monarca não podia de forma algu­ma agir por vontade própria (Dn 6:12-16; Et 8:3-12).

O terceiro reino era o Império Grego, que existiu de 490 a 146 a.C. Esse império, fundado por Alexan­dre, o Grande, continuou por meio dos seus sucessores na Síria e no Egito e permaneceu como um reino, não obstante os reinados confusos. A Grécia foi simbolizada pelo ventre e pelas coxas de bronze. O governo de Alexandre era uma monarquia apoiada por uma aristocracia mili­tar tão vulnerável quanto as aspira­ções de seus líderes.

O quarto reino era Roma, que existiu de 27 a.C. a 455 d.C. Esse último império mundial era gover­nado pelos césares, nominalmente eleitos pelo povo, com um senado para aconselhá-los e controlá-los.

Esses imperadores romanos não usa­vam coroas, mas apenas uma láurea de comandante bem-sucedido. Roma é retratada pelas pernas de ferro, aludindo assim a um império metá­lico e coeso. O ferro simboliza a “for­ça”, e Roma teve uma força maior que a de outros reinos, conservando o seu domínio original de ferro, ou imperialismo democrático.

As duas pernas da imagem repre­sentam as cisões ocidental e orien­tal do Império Romano, com a Igre­ja Grega no Oriente e a igreja papal no Ocidente.

Os dez dedos de ferro e de barro sugerem a frágil combinação decor­rente da união do ferro de Roma misturado ao barro da vontade po­pular. A monarquia absoluta dege­nera-se em democracia autocrática. Essa é a forma de governo mais co­mum em nosso dias. Vivemos as di­visões do Império Romano iniciadas há mais de 1 400 anos, as quais, no retorno de Cristo, serão dez (Ap 17:12). A degeneração dos impérios mundiais é representada pelo empre­go de metais de valor menor a cada vez. A prata vale menos que o ouro; o bronze, menos que a prata; o ferro, menos que o bronze; o barro, menos que o ferro; sendo este mais perecí­vel ou mais facilmente corrosível ou oxidável que o bronze, a prata ou o ouro. A substância básica de cada um é o pó, e pó deve ao pó voltar. Tudo o que fracassa na mão do homem deve passar, sendo estabelecido o que está nas mãos de Deus.

O quinto reino. Após o processo de deterioração, há o surgimento e o estabelecimento de uma nova ordem representada pela pedra cortada “sem auxílio de mãos”, que esmiu­çou os pés da estátua e a derrubou. Ninguém pode duvidar de ser essa uma parábola do reino messiânico, cujo governo abrangerá toda a ter­ra. Cristo é a pedra capaz de reduzir homens e nações a pó (Mt 21:44). “… nos dias destes reis” significa os re­presentados pelos dez dedos, que go­vernarão no fim da era gentílica. O domínio gentílico era um processo gradual, que passaria desde cabeça até os pés. Mas a pedra não encherá a terra de modo gradativo. Repenti­na e rapidamente, Cristo, o Rei dos reis, virá e introduzirá o seu reino universal. Alguns equivocadamente sustentam que o quinto reino é espi­ritual —a igreja. Mas será um reino no verdadeiro sentido da palavra, tanto quanto os quatro impérios mun­diais que temos estudado. A igreja não está aqui para destruir nenhum reino terrestre, mas para estender a sua influência na qualidade de reino espiritual. Como os quatro metais, a pedra também é feita de pó solidifi­cado. Mas que diferença! Cristo as­sumiu a semelhança da nossa carne e algo do pó humano, glorificado nos altos céus, e nada pode resistir ao poder do pó de mistura com a divin­dade. Os impérios mundiais destitu­ídos de Deus devem terminar em pó, e, à medida que nos aproximamos do reino milenar de Cristo, os reinos do mundo tornam-se menos duradouros e mais desprezíveis.

Daniel, por reconstituir e interpre­tar o sonho de Nabucodonosor, ascen­deu a uma elevada posição (Dn 2:46-49). Convencido da realidade da re­velação celestial, o rei prostrou-se diante de Daniel e confessou o poder de Deus. Entretanto, Nabucodonosor só o reconheceu como “Deus dos deu­ses” —a mais importante dentre múl­tiplas divindades. O tirano pagão não o aceitou como o único Deus verda­deiro e vivo. Seria necessária uma hu­milhação para que isso se evidenci­asse, como veremos.

Por Herbert Lockyer.

Parábolas Paulinas

 

Catorze das epístolas —das quais Hebreus, que atribuímos a Paulo— são conhecidas como paulinas; as sete restantes são as epístolas gerais, por terem diversos autores: Tiago, Pedro, João e Judas. Como um todo, as epístolas oferecem ao estudante um rico filão de material ilustrativo. Paulo, particularmente, parece de­leitar-se no uso da linguagem para­bólica na apresentação que faz da verdade. Embora seja inegável, como afirma Hillyer Straton, que Cristo tivesse uma mente parabólica, pen­sando e falando com vividas ima­gens, e que o “seu uso das parábolas é das melhores provas secundárias que temos da historicidade de Jesus de Nazaré”, é igualmente correto afirmar que Paulo tinha uma mente simbólica. Mesmo sem criar parábo­las como as do Mestre, que ele ama­va ternamente, os seus escritos apre­sentam muitas alegorias admirá­veis. Paulo era grato pela incompa-rável ajuda que as parábolas de Cris­to deram e, com incontestável habi­lidade, combinou os ensinamentos desse à situação em que vivia.

Graças aos muitos elos existen­tes entre as parábolas dos evange­lhos e as das epístolas, é essencial estudar as parábolas à luz das epís­tolas e também salientar que as epístolas devem ser lidas como seqüência das parábolas. No capítulo “The parables and the epistles” [“As pará­bolas e as epístolas”], Ada R. Habershon trata de forma muito abrangente a associação entre as duas: “As parábolas explicam os escritos das epístolas. Mostram por que agora gre­gos e romanos são os destinatários em lugar dos judeus. É verdade que as parábolas não revelam plenamente a posição da Igreja nessa dispensação, mas explicam as causas do privilégio dos gentios; percorrem os passos que conduziram a esse privilégio e prepa­ram o caminho para a revelação feita a Paulo. As epístolas eclesiásticas são apenas o resultado da disseminação da semente, prenunciada na Pará­bola do Semeador […] Entendemos também que as epístolas são se­qüências ou suplementos das pará­bolas. O Senhor disse a seus discí­pulos que ainda tinha muitas coi­sas a dizer-lhes, mas não estavam aptos a recebê-las [•••] Em muitos casos, como veremos, o apóstolo usou os mesmos simbolismos para ensinar muitas lições […] Outro fato importante que aprender, sobretu­do no que diz respeito às epístolas, é que a história de Israel é tipológica […] É Paulo quem clara­mente nos abre um vasto campo de estudo”. Com essas observações prá­ticas na mente, examinemos algu­mas instruções e ilustrações para­bólicas que Paulo tem para nós em suas preciosas epístolas.

Figura. Quando Paulo escreve “Adão […] é a figura daquele que havia de vir” (Rm 5:14-20), apresen­ta-nos o mais antigo dos tipos. Quan­to ao tempo, esse tipo é o primeiro; quanto à posição, é o mais profundo. Não há outro antes dele, nem abaixo dele. Arnot diz: “Ao descer do céu em amor, o Espírito de Deus tomou o pri­meiro fato da história humana e com ele se reporta ao ensino da redenção do homem. Não houve demora, pois as questões do Rei exigem pressa. O doador estava pronto e desejoso; os receptores, indolentes e vagarosos”. Assim como ocorre com o carimbo e a sua impressão, assim se dá com o tipo e seu antítipo, havendo ao mesmo tempo semelhança e diferença; são o mesmo, porém opostos.

Adão e Cristo eram as fontes ver­dadeiras, os patriarcas de suas res­pectivas famílias. O primeiro Adão constitui-se o cabeça e representan­te da raça humana e, quando caiu, levou todos consigo. O último Adão também se constitui cabeça de incontável multidão. Tão logo o pri­meiro pecou, o último foi prometido como Salvador dos pecados. A se­mente do primeiro gera dele pecado e morte; a semente do segundo gera dele justiça e vida. A primeira se­mente inclui toda a raça humana; a segunda, embora contida na primei­ra, é um “pequeno rebanho”.

A palavra que Paulo usa e é traduzida por “figura” é type, ou “se­melhança”. Ao falar, porém, da seme­lhança entre Adão e Cristo, Paulo de imediato passa a destacar as diferen­ças entre eles. O contraste, ou as dis-crepâncias, é realçado pelos elementos de semelhança da seguinte maneira:

Os atuantesA ação

O caráter da ação em sua

relação com a queda e a

salvação

Pessoas atingidas pela ação

Efeito imediato da ação

Efeito final da ação

Um homem, AdãoUm ato de desobediência

A grande transgressão

ou ruptura inicial do

mandamento de Deus

Toda a humanidade

Seqüência de muitas

transgressões

Perda

Morte

Um homem, CristoUm ato de obediência

A grande obra de graça ou a dádiva da justiça

Toda a humanidade

Eliminação de muitas

transgressões

Ganho

Vida

 Paulo, de maneira impressionan­te, retrata o pecado e a morte, a gra­ça e a vida como dois grandes opos­tos. Fala da morte que governa, mas também da graça e da justiça que de igual modo reinam (Rm 5:14,17). O homem é dominado por um ou pelo outro. Quando Deus formou o cora­ção humano, criou-o capaz de com­portar apenas um soberano por vez. Quem realmente reina em sua vida? O fato de o AT ter sido escrito tendo em vista os leitores do NT eviden­cia-se pela tríplice afirmação do apóstolo:

Gênesis foi escrito “por nossa cau­sa” (Rm 4:23,24);

Deuteronômio foi escrito “por nós” (ICo 9:9,10);

Êxodo e Números foram escritos “para aviso nosso” (ICo 10:11).

Compromisso matrimonial. Ao discorrer sobre as obrigações da ver­dadeira união com Cristo e a exata natureza da liberdade cristã, Paulo toma de empréstimo do casamento uma ilustração para desenvolver o ensino de que não estamos sob a lei, mas debaixo da graça (Rm 6:14,15). Tendo tratado do “fim do pecado para o cristão, agora trata da sua morte para a lei”.

No contrato de casamento, o com­promisso se dissolve pela morte de uma das partes. Semelhantemente, a identificação do cristão com Cristo em sua morte o liberta da obrigação da lei, pondo-o em nova união espi­ritual com o Senhor (Rm 7:1-6). Ago­ra casados com Jesus, essa misteri­osa e eterna comunhão com ele pro­duz fruto de santidade e serviço.

Oliveira. A Parábola do zambu-jeiro enxertado, de Romanos 11, é uma das mais importantes da histó­ria judaica. Paulo usa um símbolo conhecido de Israel para se referir à mudança de dispensação. Para isso usa a figura da queda dos ramos naturais da oliveira e da inserção dos gentios. O enxerto, como Paulo de­monstra, trouxe aos gentios a posse das bênçãos e dos privilégios de Is­rael, incluindo-se a responsabilida­de como testemunhas, e assim a oli­veira do AT transforma-se na do NT. Pondo Israel de lado, a misericórdia de Deus é estendida a todos os ho­mens, e o simbolismo que Paulo em­prega prova que os gentios entram, pela fé, no sistema de bênçãos pro­metido por Deus a Abraão. Como Is­rael, um ramo arrancado, assim os gentios, como ramos enxertados, precisam tomar cuidado para que não aconteça, pelo seu pecado, de serem cortados como ramos inúteis (Jo 15). “… se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também.”

Edificadores. Os símiles que o Senhor usou a si mesmo em suas pa­rábolas são aplicados também a seus servos. Ele é o Edificador do templo, sua Igreja (Mt 16:18), e nós, também, somos edificadores com a responsabilidade de utilizar o tipo certo de material (ICo 3:9-15). A ou­tra parábola, a dos Edificadores sá­bio e néscio —uma casa na rocha e outra na areia— pode ser compara­da ao ensino de Paulo sobre a edificação. Ele se utiliza do mesmo simbolismo duplo que o evangelho apresenta —Deus como Agricultor e Edificador. Nos dois aspectos “somos cooperadores de Deus”. “… sois la­voura de Deus e edifício de Deus.” Paulo compara-se a um agricultor que planta e rega (ICo 3:6) e ao sá­bio construtor que põe o bom funda­mento para outro construir (2Co 3:10). Na Parábola dos fundamen­tos (ICo 3:10-15), os edificadores são todos salvos, estão todos no funda­mento, mas, mesmo assim, constró­em com materiais diferentes. Na Parábola dos dois edificadores (Mt 7:25-27; Lc 6:48,49), são representa­dos salvos e perdidos, tendo como diferença o fundamento: rocha ou areia. Que nossas obras resistam ao teste de fogo!

Templo. Jesus falou de seu cor­po físico como um templo (Mc 14:58), e Paulo usa a mesma figu­ra de linguagem em referência à igreja de Corinto (ICo 3:16,17). Como sobreveio castigo aos que vi­olaram o antigo templo (Êx 28:43; Lv 16:2), pois era santificado pela habitação da presença divina, as­sim os crentes habitados pelo Es­pírito são santos diante do Senhor e não ficarão impunes se profana­rem o templo espiritual. Os cren­tes, individualmente, ou a Igreja como corpo, são mencionados como templo (ICo 6:19; 2Co 6:16). Outras figuras de linguagem expressivas para o leitor desenvolver são mi­nistros, despenseiros, reis (ICo 4:1-8), espetáculo (ICo 4:9) e instru­mentos (ICo 4:10).

Fermento. Por duas vezes Paulo usa a fértil expressão “… um pouco de fermento leveda toda a massa…” (ICo 5:6; Gl 5:9). No primeiro caso, Paulo refere-se às perversidades; no segundo, fala das más doutrinas con­trárias à natureza e ordena a erradicação do fermento. Na verda­de é impossível separar o fermento da farinha (Mt 13:33), mas, nas coi­sas espirituais, o único modo de im­pedir que se espalhe o fermento das ações perversas e das más doutrinas é eliminá-lo. Paulo disse à igreja de Corinto que, enquanto o fermento (os membros pecadores da igreja) não fosse erradicado, a igreja não pode­ria observar a Festa com os pães asmos da sinceridade e da verdade. Tanto os coríntios como os gaiatas precisavam aprender que um Deus santo não pode tolerar o mal, seja nas ações, seja na doutrina.

Semeador. O eco da parábola de Jesus sobre o Semeador pode ser ouvido vez após vez nas epístolas paulinas e gerais. O Senhor e seus servos são semeadores da Palavra. Paulo cita Isaías: “Quão formosos são os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas!” (Rm 10:15 cit. Is 52:7), e diz que todos os arautos da cruz são semeadores da semente (2Co 9:6,10). Ainda que a narrativa trate de dar e receber coi­sas temporais, o mesmo se aplica aos receptores e semeadores da Palavra de Deus. “Devemos semear aquilo que já prolifera em nossa alma; e a colheita será proporcional à semea-dura.” A semeadura e a colheita se correspondem (2Co 9:6). Paulo diz que a colheita não dependerá ape­nas da quantidade da semente plan­tada, mas da qualidade dessa se­mente. “Tudo o que o homem seme­ar, isso também ceifará” (Gl 6:7-9). Podemos ler a Parábola do joio junto com a solene advertência de Paulo.

O apóstolo também usa a figura da semeadura e da colheita em seu grande capítulo sobre a ressurreição, chamado “Carta magna da ressur­reição” (ICo 15). O cadáver da sepul­tura assumirá forma mais gloriosa quando Jesus vier (ICo 15:37,38). Como ocorre com a semente da pa­rábola de Jesus (Mc 4), quando vier a colheita, a semente será encontra­da já crescida —não sabemos como.

Intimamente ligada à semeadura e à ceifa está a frutificação, exatamen­te como há uma ligação fundamental entre o Semeador e a videira. Paulo, mais do que qualquer outro apóstolo, define claramente um ramo frutífero (Gl 5:22,23). O cacho dos frutos pre­ciosos, a que Paulo se refere, consiste mais de vida que de serviço. Viver não é o mesmo que servir, ainda que am­bos estejam associados à frutificação e devam sempre harmonizar-se. De­vemos ser frutíferos em toda boa obra. Às vezes, entretanto, o crente, por incapacidades físicas, não pode servir, mas o sofrimento é uma for­ma passiva de produzir frutos.

Na Parábola da videira, o Pai é o Agricultor glorificado pela produti­vidade dos ramos (Jo 15). Paulo faz ecoar essa mesma verdade em sua segunda carta ao jovem Timóteo: “O lavrador que trabalha deve ser o pri­meiro a gozar dos frutos” (2Tm 2:6) —o que tem dupla aplicação: o Agri­cultor divino e seu subagricultor. Todo esse capítulo oferece símiles impressionantes e expressivos. O versículo-chave do capítulo é “Lem­bra-te de que Jesus Cristo…” (2Tm 2:8), em torno do qual o apóstolo re­úne várias figuras de linguagem para ilustrar o nosso relacionamen­to com o Filho de Deus:

somos soldados — ele é o Divino Capitão (v. 4);

somos atletas — ele é o Arbitro com o prêmio (v. 5);

somos trabalhadores — ele é o Se­nhor a quem servimos (v. 15);

somos vasos — ele é o Proprietá­rio que nos usa (v. 21);

somos o fruto — ele é o Agricultor que se deleita com o fruto (v. 6).

Em suas parábolas, Paulo mui­tas vezes faz uso dos pares. As plan­tas e as construções, por exemplo, aparecem lado a lado num símile dos santos.

“… arraigados e edificados nele…” (Cl 2:7)

“… arraigados e fundados em amor…” (Ef 3:17)

“… vós sois lavoura de Deus e edi­fício de Deus” (I Co 3:9).

O apóstolo assim seguiu o Mes­tre no uso do duplo simbolismo. Os líderes de Israel foram comparados a agricultores e a edificadores. Israel e a Igreja são chamados videira e rebanho (Sl 80; Jo 10:15).

Noite que se aproxima. Outra re­lação entre as parábolas dos evan­gelhos e as das epístolas é a da se­gunda vinda de nosso Senhor. O Es­pírito Santo foi prometido como o Iluminador dos acontecimentos fu­turos. “… vos anunciará o que há de vir”, e é Paulo que, pelo Espírito, descortina para a Igreja a verdade da volta do Senhor. Em seus escri­tos, destaca-se como “Apóstolo do Arrebatamento”, quando emprega muitos símiles impressionantes des­sa bendita esperança.

Paulo, junto com o nosso Senhor, reforça a noite e a vigilância. Esta era é a noite escura do mundo, mas para o crente “o dia é chegado”. Não devemos dormir como fizeram as vir­gens, mas, deixando as obras das tre­vas, revistamo-nos da armadura da luz, como ele, que é a Luz (Rm 13:11-14). Por estar próximo o glorioso ama­nhecer, vivamos como os que estão prontos. Jamais durmamos como os que pertencem a essa era de trevas do mundo. Precisamos estar atentos e prontos para saudar a Cristo em sua vinda (lTs 4:14—5:10).

Imersos em densas trevas, Paulo lembra-nos em linguagem de vivido impacto a responsabilidade que te­mos diante daquele que em breve retornará para os seus. Na esperan­ça da vinda de Cristo, procedamos como “embaixadores da parte de Cristo” (2Co 5:20) —sendo o embai­xador o equivalente, nas parábolas de Jesus, aos mensageiros enviados para convidar hóspedes à festa. Como o dia da graça continua, deve­mos insistir com os homens para que se reconciliem com Deus. Depois, Paulo segue a Cristo no símile do “despenseiro”, para ilustrar a espé­cie de serviço que devemos prestar enquanto esperamos a sua volta de uma terra distante. Como ministros e despenseiros de seus mistérios (ICo 4; Mt 13), devemos ser fiéis no uso das riquezas do Mestre e não desperdiçá-las como fez o mordomo infiel (Lc 16). Se o serviço para o qual nos designou parece árduo, desinte­ressante e aparentemente sem resul­tados, não devemos nos rebelar. Sob a figura do boi, Paulo reforça a ne­cessidade da obediência à vontade de Deus (I Co 9:9,10).

Por Herbert Lockyer.