Consequências do FRACASSO ESPIRITUAL !

Anos atrás, quando ainda tinha pouco tempo de convertido, eu estava obviamente ansioso para aprender a viver como um cristão, e um crente mais antigo me disse que o segredo para uma vida cristã vitoriosa era confiar inteiramente no Senhor em todos os momentos, como fez Josué.

“Mas, então”, eu perguntei, “e o que acontece se, depois de uma semana, eu fraquejar e cair? Isso significa que perdi a bênção de Deus? Agora, só vou conseguir uma bênção de segunda categoria, e não o melhor que Deus tem para mim?”

Do mesmo modo como aconteceu comigo, muitos cristãos estão confusos a respeito das conseqüências de um fracasso espiritual em seu relacionamento com Deus. Ou, para ser mais claro, eles estão confusos sobre o pecado. Eles se perguntam: “Como posso ter comunhão com Deus e ser abençoado, se ainda sou pecador e ainda falho?”

Os israelitas enfrentaram o mesmo dilema. O que significa ter um relacionamento com Deus através de uma aliança que envolve dois aspectos: por meio dela Deus promete abençoar (Aliança Abraâmica, Gn 12.1-3) e, ao mesmo tempo, espera que você demonstre a Ele a sua fé, ou então será disciplinado por sua falta de fé (Aliança Mosaica, Êx 20-24)? A resposta é mostrada na história de Israel.

O livro de Números conta a história da incredulidade e do fracasso da primeira geração de israelitas (libertos do Egito no Êxodo). Essa geração era composta pelos que voltaram atrás em Cades-Barnéia e morreram no deserto. Seus filhos, a segunda geração, são os que Josué levou à vitória.

Mas será que Josué foi sempre vitorioso? O livro de Josué nos mostra que a estrada que leva à vitória é acidentada, e que aprender a viver pela fé não é fácil. Entretanto, Deus é fiel e cumpre Suas promessas.

Derrota e Vitória em Ai

Muitos cristãos estão confusos a respeito das conseqüências de um fracasso espiritual em seu relacionamento com Deus. Ou, para ser mais claro, eles estão confusos sobre o pecado.

A história das batalhas dos israelitas em Ai é, na verdade, uma continuação da batalha de Jericó. Jericó foi um ponto alto na fé que os israelitas depositavam no Senhor e na Sua operação milagrosa em favor deles. A lição central desse acontecimento é que, apesar da desvantagem em que Israel se encontrava (Jericó era militarmente forte), Deus lhe deu a vitória, quando o povo confiou nEle e obedeceu à Sua Palavra.

O Senhor também havia ordenado aos israelitas que não tomassem nenhum tesouro de Jericó, porque a cidade estava sob maldição (hebraico, cherem). Como o Senhor era o verdadeiro Conquistador, todos os tesouros deveriam ir para Ele (Jo 6.17-19).

Mas, ao ver uma bela capa de Sinar, duzentos siclos de prata e uma barra de ouro de cinqüenta siclos, Acã deve ter pensado: “Acertei na loteria! O Senhor me abençoou com uma aposentadoria antes do tempo”. Para infelicidade de Acã, apropriar-se das riquezas do Senhor foi um ato de incredulidade e desobediência.

Josué e os outros israelitas não sabiam o que Acã tinha feito, quando atacaram Ai pela primeira vez. Como Ai era uma cidade pequena, em comparação com Jericó, os israelitas nem se preocuparam em enviar o exército inteiro; mandaram apenas alguns milhares de homens. Imagine qual não deve ter sido a surpresa deles quando foram derrotados.

De início, eles puseram a responsabilidade no Senhor, dizendo que Ele os havia abandonado. Mas o Senhor não era infiel. Israel, ou, mais especificamente, Acã, é quem tinha sido infiel. Quando foram lançadas as sortes Acã foi o escolhido, e acabou confessando seu pecado. Os tesouros roubados foram encontrados. Acã e sua família foram apedrejados até a morte, e todos os seus bens foram queimados. Depois que a questão do pecado foi tratada e a justiça do Senhor foi satisfeita, Josué escreveu: “O Senhor apagou o furor da sua ira” (Js 7.26).

O Senhor, então, orientou Israel a atacar Ai novamente. Dessa vez, Josué não quis correr nenhum risco. Ele não só levou o exército inteiro, como usou muita estratégia militar para derrotar os homens de Ai e conquistar a cidade. Os habitantes de Ai foram mortos e a cidade incendiada; e Israel venceu novamente. Assim, a derrota transformou-se em vitória.

Lições Espirituais de Ai

O Senhor, como todo bom pai, não se afasta de Seus filhos quando estes pecam, mas procura trazê-los de volta ao bom caminho. Portanto, as conseqüências negativas do pecado, embora dolorosas, não são um mero castigo. Seu propósito é nos levar ao arrependimento e à fé.

A experiência dos israelitas em Jericó e Ai ensina muito sobre a responsabilidade de cada um de nós diante do Senhor, e sobre as conseqüências do pecado quando estamos em aliança com Ele.

1. As ações de Acã retratam com clareza o processo do pecado. O próprio Acã confessou o que sentiu quando viu a capa, a prata e o ouro: “Cobicei-os” (Js 7.21). Essa foi uma violação direta, não só da ordem que o Senhor tinha dado aos israelitas em Jericó, mas também do décimo mandamento (Êx 20.17). Assim como ocorre com todo pecado, o comportamento de Acã foi um ato de incredulidade. Quando pegou os tesouros para si, Acã negou que pudesse confiar nos cuidados do Senhor para com sua vida.

2. O pecado de Acã afetou toda a congregação de Israel. O Senhor não via Israel como um certo número de indivíduos, mas como uma nação com a qual tinha uma aliança. Portanto, quando um israelita pecava, toda a comunidade era punida.

Embora nosso relacionamento com o Senhor, como Igreja, sob a Nova Aliança, seja muito diferente, o princípio de que o pecado de um cristão afeta toda a comunidade ainda se aplica. Como disse Paulo aos coríntios: “Um pouco de fermento leveda a massa toda” (1 Co 5.6). O pecado nunca é apenas uma questão individual e pessoal. Ele afeta todos os que estão à nossa volta. No caso de Acã, ele afetou toda a nação de Israel e acabou provocando a morte de sua família inteira.

Uma advertência: precisamos ter o cuidado de discernir entre sofrer porque somos cristãos, o que é “normal”, e sofrer por causa do pecado. A aparente falta de “vitória” não se deve, necessariamente, ao pecado. Se duas escolas cristãs participam de um jogo de futebol e uma delas perde, será que isso significa que um dos jogadores do time perdedor era um “Acã no acampamento”?

Talvez precisemos redefinir o que significa ser vitorioso. Depois que Paulo se referiu ao sofrimento por Cristo, ele disse que nós “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37). Vencer significa dominar o pecado no nosso coração, e não mostrar para todo mundo que “chegamos no topo”.

3. Embora o pecado de Acã tenha trazido conseqüências negativas para Israel, segundo a Aliança Mosaica, ele não afetou as promessas que Deus fez a Israel na Aliança Abraâmica.

Assim, o pecado de Acã não cortou o relacionamento entre o Senhor e Israel. Ao contrário, a disciplina que Deus aplicou a Israel faz parte do relacionamento. Conforme escreveu o autor de Hebreus, citando Provérbios 3.12: “Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6).

Deus castigou os israelitas com a derrota para ensinar-lhes uma lição sobre a gravidade do pecado e suas conseqüências, e para que eles pudessem ser “um povo santo”. O Senhor, como todo bom pai, não se afasta de Seus filhos quando estes pecam, mas procura trazê-los de volta ao bom caminho. Portanto, as conseqüências negativas do pecado, embora dolorosas, não são um mero castigo. Seu propósito é nos levar ao arrependimento e à fé.

Engano e Vitória com os Gibeonitas

Jesus disse que os crentes devem ser “prudentes como as serpentes e símplices [inocentes] como as pombas” (Mt 10.16). Isso significa reconhecer que Satanás também sabe o que os gibeonitas sabiam, isto é, que ele não pode derrotar os cristãos usando de força espiritual, mas pode nos enganar e nos levar a pecar.

Ao contrário do que aconteceu em Ai, o fracasso dos israelitas diante dos gibeonitas não foi causado tanto por pecado, e sim por negligência.

Os gibeonitas aprenderam alguma coisa, vendo o que tinha acontecido com os cananeus de Jericó e Ai. Eles sabiam que não podiam vencer o Deus de Israel pela força. Então, decidiram tentar enganar os israelitas para conseguir um acordo de paz, fingindo viver fora de Canaã e, portanto, não estar sujeitos ao banimento decretado por Deus.

Seu plano deu certo. Josué registrou, com toda a sinceridade, que Israel não consultou o Senhor antes de fazer um acordo com eles (Js 9.14) e, assim, deixou de aproveitar o conhecimento do Senhor sobre a fraude dos gibeonitas.

As conseqüências desse tratado são notáveis. Por um lado, embora os israelitas tivessem feito a paz por causa de uma fraude, eles ainda se sentiam obrigados a cumprir a palavra dada aos gibeonitas. Esse fato é demonstrado pela disposição de Israel em lutar para defender os gibeonitas dos outros cananeus que os atacaram por causa do tratado que tinham feito. Como Israel saiu em socorro dos gibeonitas, Deus lhe deu uma grande vitória sobre os cinco reis cananeus que atacaram Gibeão. Essencialmente, toda a metade meridional de Canaã foi conquistada como resultado desse tratado fraudulento. Poderíamos dizer que o Senhor transformou a negligência de Israel em vitória, um exemplo de que todas as coisas cooperaram para o bem (Rm 8.28).

Por outro lado, embora os gibeonitas fossem cananeus, eles continuaram vivos, mas se tornaram servos de Israel (Js 9.21-27). Essa foi a melhor forma de resolver o problema de manter a aliança com os gibeonitas e, ao mesmo tempo, castigá-los pela fraude que cometeram. Mas essa política de permitir que os inimigos se tornassem servos abriu um precedente perigoso. Conforme é dito mais tarde, em Juízes 1.28, isso foi a ruína de Israel na terra, porque os israelitas pensaram que os cananeus já não representavam nenhuma ameaça depois de terem perdido seu poder militar. Infelizmente, eles não imaginaram quais seriam as conseqüências de violar o mandamento do Senhor (Dt 7), nem perceberam o poder da maldade contida na idolatria dos cananeus.

Lições Espirituais do Episódio com os Gibeonitas
Assim como ocorreu com Acã, a experiência com os gibeonitas foi mais uma lição para os israelitas, dentro do aprendizado de como se tornar um povo santo. E aqui estão algumas lições para nós:

1. Jesus disse que os crentes devem ser “prudentes como as serpentes e símplices [inocentes] como as pombas” (Mt 10.16). Isso significa reconhecer que Satanás também sabe o que os gibeonitas sabiam, isto é, que ele não pode derrotar os cristãos usando de força espiritual, mas pode nos enganar e nos levar a pecar.

Paulo nos preveniu sobre “as ciladas do diabo” e nos disse como combatê-las (Ef 6.11-18). Paulo afirmou que nós, os crentes, devemos permanecer firmes na verdade das promessas de Deus para não sermos enganados, e que também devemos orar e vigiar. Só porque Cristo é o Vencedor e o resultado da guerra com Satanás já está definido, isso não quer dizer que a batalha acabou.

2. Jesus também disse: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o […]. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a” Mt (5.29-30).

Com isso, Ele queria dizer que o pecado não pode ser domado. É impossível fazer com que ele nos obedeça. Ele precisa ser totalmente erradicado. Qualquer idéia de que um pecado consciente pode ser mantido sob controle na nossa vida mostra o engano do pecado. Como disse Paulo em Romanos 6.12-13, não se pode servir ao Senhor e ao pecado. Deus quer que sejamos libertos do domínio do pecado nos entregando ao Senhor para sermos usados como instrumentos de justiça.

O viver cristão vitorioso significa concentrar nossa atenção no que Cristo fez por nós, e não nas nossas próprias experiências. João afirmou que os crentes vencem o mundo por causa da fé em Cristo (1 Jo 5.4-5).

Os crentes lutam com o pecado durante a vida inteira. Quando falhamos, mas confessamos nosso pecado, o Senhor está pronto para nos perdoar e nos purificar (1 Jo 1.9-2.2). Como Seus filhos, sabemos que Ele nunca nos abandonará. Mas “permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum!” (Rm 6.1-2).

O pecado, embora perdoado, sempre traz conseqüências negativas para nossa família, para nossos irmãos crentes e, certamente, para nós mesmos. E, embora haja restauração, os efeitos do pecado, assim como ocorreu com os gibeonitas, podem ficar conosco por um longo tempo. (Herb Hirt – Israel My Glory – http://www.chamada.com.br)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite.

Loucura / Insensatez

É loucura negar a existência de Deus.

Salmos 14:1

“Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem.”

As coisas de Deus parecem ser loucura para os que não crêem.

1 Coríntios 2:14

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”

O tolo não tem domínio próprio.

Provérbios 29:11

“O tolo derrama toda a sua ira; mas o sábio a reprime e aplaca.”

Os tolos falam demasiado.

Provérbios 10:8

“O sábio de coração aceita os mandamentos; mas o insensato para dor cairá”.

Provérbios 17:28

“Até o tolo, estando calado, é tido por sábio; e o que cerra os seus lábios, por entendido.”

Legalismo

Legalismo significa pôr as regras acima de Deus e das necessidades humanas.

Mateus 12:9-12

“Partindo dali, entrou Jesus na sinagoga deles. E eis que estava ali um homem que tinha uma das mãos atrofiadas; e eles, para poderem acusar a Jesus, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? (Claro que eles queriam que Jesus dissesse ‘Sim’ para o poder prender). E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma só ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não há de lançar mão dela, e tirá-la? Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados.”

O legalismo é uma forma de escravidão.

Gálatas 4:8-9

“Outrora, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses; agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?”

O legalismo é atrativo mas destrutivo.

Colossenses 2:23

“As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.”

Somos salvos pela fé não pelas obras.

Efésios 2:8-10

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.”

Parábolas em Tiago

Inicialmente veremos a epístola de Tiago. Sendo “irmão do Senhor”, não desconhecia o modo de Jesus apresentar sua mensagem por meio de ilustrações. Assim, em sua epístola, escrita aos compatriotas espalhados pela terra, Tiago emprega notáveis símiles ao escrever sobre a prática da vida cristã. Suas denúncias, repreensões e advertências se revestem de vividas imagens que tornam a sua epístola não “sem valor algum, como a palha”, como disse Martinho Lutero, mas de excelente valor a todo cristão. Aqui está um breve resumo das figuras de linguagem empregadas por Tiago:

Ondas. Os que oscilam na fé e vacilam entre dois pensamentos são comparados à “onda do mar, impelida e agitada pelo vento” (Tg 1:5-8). Contudo, aquele que andou sobre o mar agitado está perto da alma que sofre na tempestade, para consolá-la e libertá-la.

Erva. Os ricos, exortados para serem humildes, são advertidos de que, a despeito de todas as suas posses, passarão “como a flor da erva” (Tg 1:9-11; Is 40:6-8). Que símile simples, mas poderoso, a retratar a instabilidade e a transitoriedade humana!

Atraído e engodado. Os que cedem às tentações são apresentados como “atraídos e engodados pela sua própria concupiscência” (Tg 1:12-15). As impressionantes figuras “atraídos […] engodados” revelam o triste pro¬cesso de tentação e queda. Arnot co¬menta assim o versículo 14: “A pri¬meira expressão não significa, toda¬via, atraído pelo anzol; significa an¬tes atraído para o anzol. Há duas atrações sucessivas, de natureza muito diferente em cada caso. No grego clássico, o primeiro termo apli¬ca-se aos dois, mas nesse caso as cir¬cunstâncias apontam para o primei¬ro deles. O primeiro é atração para o anzol; o segundo, sedução pelo an¬zol. A primeira atração é um poder invisível; a segunda é uma força fí¬sica rude e cruel. A primeira é uma atração secreta da vontade; a segun¬da é uma violenta opressão por uma força superior, que prende o escravo e o destrói”. Quão imperioso é discernir o sutil anzol satânico, ou seguir a exortação do Mestre de vigiar e orar, a fim de não cair em ten¬tação! Uma vez fisgado, torna-se di¬fícil a vida do transgressor.

Espelho. Tiago, preocupado com o auto-engano, insiste em que tenha¬mos um verdadeiro conhecimento de nós mesmos. Devemos ser pratican¬tes da Palavra, não apenas ouvintes. Quem apenas ouve, mas não age de acordo com o que escuta é como o “homem que contempla no espelho o seu rosto natural” (Tg 1:22-25). O espelho é a infalível Palavra de Deus, o verdadeiro reflexo da alma. Infelizmente, muitos olham o espe¬lho e vêem-se como são de fato na santíssima presença de Deus, mas a visão é apenas superficial ou mo¬mentânea, pois continuam a viver para si mesmos. Se formos sinceros em relação ao que o espelho mostra e obedecermos à luz, então virá a transformação do coração e da vida. “… refletindo a glória do Senhor, so¬mos transformados […] na mesma imagem…” (2Co 3).

Refrear, freios, leme, fogo, manancial. De todos os escritores da Bíblia, Tiago é quem mais dá conselhos prá¬ticos e parabólicos quanto ao poder da língua. Se formos tardios para falar, nosso testemunho jamais será corrompido por mentiras, indeli-cadezas e palavras censuráveis. Os pecados da língua e as advertências e exemplos do falar desordenado são abundantes (Tg 1:26; 3:1-12). Para que o falar não seja afrontoso, preci¬sa ser controlado. Moisés, o mais manso dos homens, falhou uma vez, ao falar inadvertidamente com os lábios (SI 39:1). Tiago registra cinco comparações sobre a língua:

1. O ato de refrear. Se o mais de¬senfreado membro do corpo, a lín¬gua, estiver em sujeição a Cristo, de cujos lábios fluiu a graça, então todo o corpo será controlado.

2. Freios. Pelos freios, os cavalos selvagens podem ser domados. O domínio é fruto da disciplina. Se per¬mitirmos que Cristo ponha guarda em nossos lábios, toda a nossa vida será dirigida por sua vontade.

3. Leme. “… um pequenino leme” de um poderoso navio ajuda a diri¬gir o curso da navegação. A língua é apenas um pequeno membro, mas muitas vezes se jacta do que pode fazer. A língua tanto dirige o navio (nosso corpo) no curso certo, como pode levá-lo ao desastre.

4. Fogo. Uma pequena faísca pode incendiar uma floresta inteira, o que resulta em grande estrago. Por sinal, Tiago tinha em mente “uma vasta flo¬resta envolta em chamas resultantes de uma única centelha”. Então aplica a ilustração “A língua é […] fogo, mun¬do de iniqüidade”. Como precisamos da disciplina divina para nos silenci¬ar, para evitarmos os desastrosos efei¬tos de uma língua descontrolada!

Deus prometeu que toda espécie de animais seria domada (Gn 1:26-28). A mais indomável criatura pode ser adestrada pelo carinho, pela pa¬ciência e pela gratidão. Mas a lín¬gua, diz Tiago, ninguém pode domi¬nar. Porém, o que é impossível aos homens, é possível para Deus.

5. Manancial. O mesmo manan¬cial não pode jorrar água doce e amarga. Terá de ser de um ou de outro tipo. Assim é com a língua. Dela vem o mal ou o bem, veneno ou bálsamo curador, maldição ou bên¬ção, frutas bravas ou figos, água sa-lobra ou potável. Se formos sábios, devemos confiar a Deus o controle da língua, para possibilitar assim um “bom procedimento” junto com “obras em mansidão de sabedoria [e…] paz” (Tg 3:13-18). Precisamos orar como Jó: “Ensinai-me, e eu me calarei” (Jó 6:24).

Vapor. A todos os que se entregam aos prazeres ou se concentram na aquisição de bens materiais, Tiago alerta sobre a incerteza do futuro e a transitoriedade da vida. O prático apóstolo pergunta “O que é a vossa vida?” e continua: “É um vapor que aparece por um pouco, e logo se des¬vanece” (Tg 4:13-17). O homem con¬ta com o amanhã, mas este talvez nunca chegue. Tudo o que lhe era im¬portante pode desaparecer num ins¬tante. “Somos pó, uma sombra.” Por estar o futuro nas mãos de Deus, cer¬tamente a sua vontade é a melhor. Todas as posses e o tempo devem es¬tar sob o controle da suprema e viva Vontade. Nossa atitude deve ser sem¬pre “se o Senhor quiser” (ICo 4:19).

Lavrador. Tiago, que tinha mui¬to para dizer sobre a graça da paci¬ência, insiste em que os santos se¬jam pacientes, tendo em vista a vol¬ta do Senhor como Lavrador para colher seus preciosos frutos (Tg 5:7-11). Será que, quando Tiago empre¬gou esse símile, não teria em mente a parábola de seu ilustre Irmão, que diz ser ele mesmo o Lavrador, o qual, ao retornar de um país distante, fará a sua colheita? A impaciência de nos¬sa parte é sinal de fraqueza. Preci¬samos imitar a sua paciência, que há muito tem esperado por uma gran¬de colheita.

Por Herber Lockyer.

Parábolas em Atos dos Apóstolos

Embora o miraculoso permeie esse quinto livro do NT (considerado “O evangelho do Espírito Santo”), não se acham parábolas como as que os evangelhos apresentam. Hillyer H. Straton corretamente observa ser “… fato notável que fora dos evangelhos não haja parábolas no NT. Os discípulos de Jesus foram leais ao seu Senhor e puderam interpretar sua missão aos homens; puderam preservar os seus ensinamentos incomparáveis, até mesmo esse notável grupo de histórias; puderam testemunhar ao mundo até a morte o que Deus em Cristo fizera por eles e por todos os que crêem; puderam estabelecer uma Igreja para ser testemunha viva e contínua da fé em Jesus como o Messias de Deus e o Salvador do mundo. Contudo, mesmo possuidores do modelo das parábolas nos evangelhos, não produziram uma única parábola. Isso se deu, mesmo tendo havido muitas circunstâncias na vida da Igreja primitiva em que uma nova parábola ajudaria bastante”.

Talvez o que mais se aproxime de uma “parábola” seja o milagre do lençol que desceu do céu (At 10:9— 11:18). Esse milagre parabólico livrou Pedro de seu isolacionismo religioso e o pôs em harmonia com o abrangente propósito de Deus. Por meio dessa parábola da graça, o apóstolo viu que a salvação, que Cristo comprou com seu sangue, era para todos os homens. Por fim percebeu que Jesus não faz acepção de pessoas, e os judeus e gentios igualmente tornaram-se beneficiários do poder salvador de Deus.

Ouvindo, à medida que lemos o livro, a todas as notas do glorioso evangelho de Cristo, quando resso¬am em harmonia encantadora, para que judeus e romanos as ouçam, fica evidente que os apóstolos não segui¬ram o seu Mestre quanto ao método parabólico de ensino. As suas men¬sagens inspiradas pelo Espírito San¬to não eram adornadas. Suas pala¬vras tão diretas e agudas eram des¬providas de imagens; contudo, car¬regadas de poder para convencer. Sua ministração era de natureza lar¬gamente miraculosa, acompanhada dos milagres que confirmavam sua autoridade de apóstolos, confirman¬do também a Igreja como instituição divina. Não é difícil, entretanto, ima¬ginar que, quando Paulo ensinou ao povo a lei e os profetas, e apresen¬tou o reino como aquilo que dizia respeito ao Senhor Jesus Cristo (At 28:24,25,31), atraiu a atenção para o significado das parábolas do reino. Depois dos apóstolos, alguns pais da Igreja primitiva constituíram pará¬bolas para expressar mistérios espi¬rituais. Trench apresenta diversas amostras dessas parábolas.

Em sua dedicação, por assim di¬zer, de Atos a Teófilo, seu amigo pró¬ximo, Lucas usou a sua expressão característica “começou”, verbo que ocorre cerca de 31 vezes em seu “evangelho”. Sua ocorrência aqui (At 1:1) identifica a autoria. Tudo o que Cristo começou a fazer (suas obras) e a ensinar (suas palavras) quando ainda estava com eles, como está registrado nos quatro evangelhos, continua a realizar por meio de seus apóstolos em Atos. Depois de sua ressurreição, Cristo passou com os seus 40 dias, ininterruptos ou a in¬tervalos. Que dias maravilhosos fo¬ram aqueles! Agora, no lado vitorio¬so da cruz, uma nova luz será lançada sobre tudo o que Jesus lhes ensinou enquanto ainda estava en¬tre eles. Parábolas seriam reitera¬das, visto que mais adiante os ins¬truiu no “que respeita ao reino” (1:3).

Tendo em vista o seu ensina¬mento anterior a respeito da ver¬dadeira interpretação acerca do ingresso dos gentios no reino (Mt 28:19), parábolas de Jesus como a do Semeador, com o lançar da se¬mente, e das Bodas, com o convite universalmente feito aos gentios nas estradas e nos becos, assumem novo significado. As parábolas tor¬naram-se “A ponte que liga as duas dispensações”. Então o livro, como um todo, ilustra a segunda opor¬tunidade dada a Israel na parábo¬la da Figueira estéril. “Este ano” não era um ano de fato, mas “o ano aceitável do Senhor”, de que trata o livro de Atos. O juízo adiado con¬tra a árvore resultou em multidões de judeus voltando-se para o Sal¬vador. Por parábola e preceito, ensinara aos seus que a sua pro¬visão era para todos os homens e, em Atos, essa única mensagem era para todos os lugares: Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra. Os apóstolos saíram para pregar o evangelho a toda criatu¬ra, mas sem “adaptar o evangelho a todos os séculos”.

Embora, como já mostramos, não existam parábolas nesse dinâ¬mico livro, esse “quinto evangelho”, como é chamado, contém muitas e expressivas figuras de linguagem. Enumeramos aqui a maioria des¬sas protoparábolas para orientar o leitor:

Batismo. Quando Lucas empre¬ga o termo “batismo” em relação ao Espírito Santo, usa um ritual visí¬vel para ilustrar uma experiência interior. “… sereis batizados com o Espírito Santo” (At 1:5,8) significa “sereis mergulhados no poder espi¬ritual, que vos cobrirá, vos encherá e transbordará de vós”. Em nenhum lugar a Bíblia fala do “batismo do Espírito Santo”. Ele não é o batizador, mas o elemento em que somos batizados ou imersos.

Pentecostes. O aspecto miraculoso desse dia histórico põe-no na lista de Ali the miracles ofthe Bible [Todos os milagres da Bíblia], do mesmo autor dessa obra. Aqui nos ocupamos apenas do aspecto simbólico da ma¬nifestação da presença e do poder do Espírito Santo (At 2:2). O “vento impetuoso” é uma figura de lingua¬gem referente à força sobrenatural, inspiradora e irresistível do Espíri¬to, de que estavam conscientes to¬dos os que se encontravam no cenáculo. “… línguas repartidas, como que de fogo…” (At 2:3), ou seja, as línguas de fogo distribuídas en¬tre os apóstolos ilustravam a arden¬te mensagem que proclamariam. Como o sermão de Pedro conseguiu incendiar a consciência dos que o ouviram declara a verdade do evan¬gelho na língua de todos. Entre to¬dos os que ouviram não houve a mesma reação para com a Palavra. Alguns zombavam: “Estão cheios de vinho”. Os apóstolos eram homens intoxicados por Deus. Traziam certo ar de santa empolgação no tom, nos gestos e nas palavras. Alguns pen¬savam que era embriaguez. Pedro, contudo, com a intrepidez de sua nova língua, rapidamente explicou o seu comportamento (At 2:15).

Profecia de Joel. O profeta, por inspiração divina, não falou apenas à sua época (At 2:28-31), mas apresentou uma parábola de juízo rela¬tiva ao futuro remoto. Sua referên¬cia ao Espírito prometido cumpriu-se parcialmente no Pentecostes. O cumprimento completo e definitivo, contudo, é ainda futuro (At 2:20).

Divino estrado para os pés. A ci¬tação que Pedro faz do salmo 110 é uma parábola da suprema vitória de Cristo sobre os seus inimigos. Tê-los como estrado (At 2:35) significa a sua absoluta soberania. Sentado à direi¬ta de Deus, posição de autoridade e privilégio, Jesus tem todo o poder para subjugar os seus inimigos e rei¬nar supremamente.

Pedra rejeitada. Não apenas ele¬mentos como fogo, vento e água são usados em referência ao Senhor; ele¬mentos terrenos também simboli¬zam tudo o que Jesus é em si mes¬mo. Cristo é a pedra (SI 118:22; Mt 21:42; At 4:11; lPe 2:7). É também a pedra angular (Ef 2:20,21); uma pedra de tropeço (Is 8:14; 28:16; Zc 3:9; Lc 2:34; Rm 9:32, 33; lPe 2:4,6,7,8), uma rocha ou rochedo (Dt 32:31; SI 18:2,3; 31:2,3,4; 42:9). Os edificadores eram os líderes de Isra¬el, e a pedra que rejeitaram, Cristo, a quem Deus escolhera para ser a principal pedra angular —”A pedra sobre a qual se encontram e são in¬terligadas os muros de judeus e gentios” (Ef 2:20). Trinta anos depois que Pedro falou assim, Cristo ainda era para ele “A pedra de esquina”. O Espírito Santo revelou à sua mente o verdadeiro significado do uso que o Senhor fez desse símile (Mt 21:42-44).

Templo. O emprego ilustrativo que Estêvão faz do tabernáculo e do templo (7:46-50) recorda a conversa de nosso Senhor com a mulher samaritana junto ao poço (Jo 4:21-23) e também a aplicação do templo a si mesmo como encarnação da pre¬sença divina. É interessante notar que Paulo reproduz o pensamento que, quando perseguidor, ouvira dos lábios do mártir Estêvão (At 17:24,25). Temos a tendência de nos elevar à esfera da adoração. O que mais importa é o espírito de adora¬ção. Os que adoram a Deus, seja no celeiro, seja no templo, devem adorá-lo em espírito e em verdade.

Fel e laço. Pedro repele com hor¬ror a idéia de Simão, o mágico, de que o dom do Espírito é adquirido com dinheiro. Fel, usado literalmen¬te nos evangelhos (Mt 27:34), é ago¬ra usado por Pedro para represen¬tar a extrema depravação moral de Simão (Rm 3:14; Ef 4:31). “Laço de iniqüidade” fala das fortes algemas das correntes diabólicas, das quais ele não poderia libertar-se sozinho. Contudo, Simão parecia mais preo¬cupado com o castigo futuro dos seus pecados, do que com libertar-se deles.

Vaso. Embora existam muitos ter¬mos nas parábolas referentes aos eleitos por Deus para servi-lo, ne¬nhum é tão notável quanto vaso (At 9:15), que encontra muitos significa¬dos na Bíblia (Gn 27:3 —de armas; Dt 22:5 —de roupas). O corpo intei¬ro do crente ou os membros do seu corpo são referidos como “vaso” ou “instrumento” (Mt 12:29; Lc 8:16; Jo 19:29; Rm 9:22; 2Co 4:7). Paulo era um instrumento escolhido por Deus para realizar o seu misericordioso desígnio de conduzir os gentios à Igreja. Nossa solene responsabilida¬de é cuidar para que os vasos, ape¬sar de serem de barro, estejam lim¬pos o suficiente para uso do Mestre.

Uma luz. Por instrução do Es¬pírito, Paulo percebeu que as refe¬rências do AT a respeito de Cristo como “luz” e o uso que o próprio Senhor fizera do símbolo para re¬presentar sua missão cumpriam-se agora na revelação do amoroso de¬sígnio de Deus de alcançar o mun¬do gentio. Paulo sabia que ele mes¬mo era uma “luz” que brilhava em meio às trevas.

Pó dos seus pés. Os escribas ensi¬navam que o pó das terras gentílicas era contaminado. Sacudir o pó dos pés simbolizava a tradição segundo a qual, mesmo estando em Israel, o lugar era ímpio, profano e contami¬nado (At 13:51). Paulo, é claro, tinha em mente o uso que o Senhor fez dessas parábolas (Mt 10:14; Mc 6:11; Lc 9:5; Jo 13:16).

Porta aberta. Paulo, conhecedor do modo em que o Senhor usara o símile da Porta (Jo 10), fez dessa uma das suas figuras de linguagem favoritas (At 14:27; ICo 16:19; 2Co 2:12; Cl 4:3). Pela graça, a porta da casa do Pai está tão aberta agora quanto antes. “Todo o que quiser” pode entrar pela porta enquanto per¬manecer aberta. Ninguém pode fe¬char essa porta (Ap 3:8; Gl 2:9). Aquele que a abriu a fechará, e, quando a fechar, será a glória para os que estiverem à sua direita, mas desespero jjara todos os que ficarem de fora. “E digno de nota a atribui¬ção direta a Deus desse acesso aos gentios.”

Jugo sobre o pescoço. A exorta¬ção de Paulo ao concilio e o seu uso de jugos pesados (At 15:10) revelam quanto estava familiarizado com as parábolas de Cristo e apto a entre¬laçá-las em seus próprios discursos. Aqui ele reproduziu os “fardos pe¬sados” da tradição farisaica (Mt 23:4) e o “jugo suave” do Mestre (Mt 11:30). Quando chegarmos às epís¬tolas, veremos que ele volta a usar a mesma figura de linguagem (Gl 5:1). O jugo das cerimônias enfado¬nhas, os fervorosas e espirituais achavam impossível cumprir.

Sacudir das roupas. Sacudir o pó dos pés e das roupas era uma ação parabólica bastante comum nos tem¬pos antigos, tanto entre judeus quan¬to entre gentios (Mt 10:14; 27:24). Nessa gesto, a pessoa se sacudia de toda relação com os outros e de toda responsabilidade da culpa por al¬guém ter rejeitado a sua mensagem (At 18:6). Como se tratava de um judeu falando a judeus, não havia palavra ou ação que melhor expres¬sasse o protesto indignado de Paulo diante da rejeição de seu ministério. “Era o último recurso de alguém para quem de nada valia recorrer à razão e à consciência e tudo o que encontrava era a violência desuma¬na e o tumulto.”

Cabeça rapada. No que dizia res¬peito ao voto temporário de nazireu, rapar o cabelo implicava separação do mundo e da vida comum. En¬quanto valesse o voto, quem o fazia não podia ingerir vinho ou bebida forte, nem deixar a navalha passar sobre sua cabeça ou rosto (Nm 6:1-21). Para Jamieson é improvável que Paulo praticasse esse voto em particular (At 18:18). “É provável que fosse um voto feito em situação de dificuldade ou perigo, em razão da qual rapou a cabeça e foi para Jerusalém, a fim de oferecer os sa¬crifícios exigidos dentro dos trinta dias prescritos.” Paulo, como sabe¬mos, condenava os cabelos longos para o homem para que não pare¬cesse efeminado (ICo 11:14). A gra¬tidão por ter sido liberto do perigo muitas vezes gera um voto solene, e o voto de Paulo provavelmente foi para renovar a plena devoção na vida. O apóstolo jamais aprendeu a desprezar ou condenar essas mani¬festações de consagração.

Lobos cruéis. Paulo alertou a igre¬ja de Éfeso sobre duas classes de ini¬migos que tentariam destruir o rebanho: uma classe de lobos era ex¬terna; a outra surgiria no seio da própria comunidade cristã —”dentre vós mesmos”. Os dois grupos talvez fossem mestres: o primeiro faria do rebanho uma presa; o outro se com¬poria de deturpadores da verdade, que dividiriam o rebanho com suas heresias (At 20:2,9,30; lTm 1:15-20; 2 Tm 2:17; 3:8,13). Aqui o apóstolo adotou algumas figuras de lingua¬gem que Jesus usara em referência ao rebanho e a seus inimigos decla¬rados. Lobos dentro do reduto das ovelhas eram os falsos profetas, usurpadores de autoridade, líderes de facções dentro da igreja (Mt 7:15; Jo 10:12).

Cinto. A ação dramática de Ágabo, que tomou o cinto de Paulo para anunciar um importante acon¬tecimento, lembra o modo de os an¬tigos profetas apresentarem suas profecias. Na parte do nosso estudo que tratava do AT, estudamos essa maneira de profetizar por atos sim¬bólicos (Is 20:3,4; Jr 13:1-11; 27:2; Ez 4:1-3; 5:1-4). Ágabo (At 11:28; 21:10-13), prevendo o perigo a que o após¬tolo estava exposto, pensou em avisá-lo, por meio de uma ilustração parabólica, da conspiração dos ju¬deus para entregá-lo aos gentios. Paulo ficou profundamente emocio¬nado quando partiu de junto dos san¬tos de Cesaréia; mas estava pronto, não apenas a ser preso, como a ação do cinto representava, mas a mor¬rer pelo seu Senhor.

Parede branqueada. Provavel¬mente, ao lembrar-se de que Cristo chamou os fariseus de “sepulcros caiados” (Mt 23:27; Lc 11:44), Paulo dirigiu expressão semelhante ao sumo sacerdote Ananias, o qual mandou aos que estavam junto dele que o golpeassem na boca —método comum no Oriente para silenciar al¬guém. Paulo precipitadamente disse “Deus te ferirá, parede branque-ada” (At 23:2,3), o que aconteceu al¬guns anos depois, quando, durante uma guerra dos judeus, Ananias foi assassinado. De modo verdadeira¬mente cavalheiresco, Paulo descul¬pou-se por dirigir-se daquele modo ao sumo sacerdote. O reconhecimen¬to de que as “autoridades que há fo¬ram ordenadas por Deus” era um princípio que norteava a conduta do apóstolo (Rm 13:1-6).

Ouvidos e olhos. Nesse último vislumbre do apóstolo, vemo-lo “qua¬se sem paciência pela longa contes¬tação contra o preconceito e a incre¬dulidade” (At 28:26-28). Depois da exposição do reino de Deus, no que dizia respeito a Jesus, “Alguns eram persuadidos pelo que ele dizia, mas outros não criam”. Uns estavam en¬tre o remanescente fiel; e os outros, entre os endurecidos (Rm 11:7-25). “Uma cegueira parcial atingira a Is¬rael.” Seguindo as pegadas dos ensinamentos do Mestre, Paulo usou a figura de linguagem da cegueira e da surdez voluntariosas diante da¬quelas verdades que deveriam pro¬duzir arrependimento e fé (Mt 13:13-Mc 4:12; Jo 12:40; At 20:35). A ora¬ção e o desejo do coração de Paulo eram que Israel fosse salvo. Era grande a sua mágoa e contínua tris¬teza pela dureza do coração de Isra¬el (Rm 9:2; 10:1). Então, provavel¬mente com muita angústia, lançou essa última e severa condenação aos que ouviam sua mensagem com os ouvidos, mas não com o coração; que liam a verdade com os olhos, sem, contudo enxergá-la de fato. Infeliz¬mente, multidões ainda estão espi¬ritualmente surdas e cegas!

Quanto ao ministério de Paulo como um todo, diz Ellicott: “Ele fa¬lava não com as cadências retóricas de que se deliciavam os retóricos gre¬gos, mas atingia o alvo como uma fle¬cha, penetrando o coração dos ho¬mens. A voz talvez fosse desprezível, mas as palavras eram cheias de vida” (2Co 10:10; 11:25; ICo 14:25).

Herbert Lockyer.

Transpondo os Montes

Isaías 49:11:

“Farei de todos os meus montes um caminho; e as minhas estradas serão exaltadas”.

Deus usará todos os obstáculos para cumprimento de seus propósitos. Todos nós encontramos morros em nosso caminho. Sempre há pessoas e coisas que ameaçam estorvar o nosso progresso na vida cristã. Aquelas exigências pesadas, aquela ocupação que não combina com o nosso temperamento, aquele espinho na carne, aquela cruz de sofrimento diário… pensamos que se essas coisas fossem removidas, poderíamos ter uma vida mais pura, santa; e muitas vezes oramos para que nos sejam retiradas.

“Ó néscios e tardos de coração!” Essas são as próprias condições para o progresso; foram colocadas em nossa vida para serem os veículos de graça e virtude pelas quais temos orado há tanto tempo. Por muitos anos, você orou pedindo paciência, mas há algo que prova sua paciência, mais do que pode suportar. Você tem procurado fugir disso, evadir-se; já considerou insuperável um obstáculo a que alcance o alvo desejado. Você crê que, se o obstáculo for removido, experimentará imediata libertação e vitória.

Isto não é verdade! Você só ganharia uma coisa: deixaria de ser tentado à impaciência, mas isto não seria paciência. A paciência só pode ser obtida através dessas provas que no momento parecem insuportáveis.

Volte atrás; submeta-se. Tome a sua posição como participante da paciência de Jesus. Vá ao encontro da provação firmado nele. Tudo que em nossa vida nos atormenta e incomoda, pode tornar-se “um servo” nosso para nos ajudar a atingir os mais altos fins. São as montanhas de Deus. Ele as pôs ali. Nós sabemos que Deus não deixará de cumprir a sua promessa. “Deus conhece o seu caminho, e sabe o seu lugar. Porque ele vê tudo o que há debaixo dos céus”; e quando chegarmos ao pé das montanhas, encontraremos o caminho.

A provação vem, não só para testar o nosso valor, mas para aumentá-lo; o carvalho não é apenas testado, mas enrijecido pelas tempestades.

Precisamos lembrar que não é com uma vida de facilidades e autocomplacência que Cristo nos guiará a grandezas. Uma vida de facilidades não conduz para cima, mas para baixo. O Céu está sempre acima de nós, e precisamos estar sempre olhando para cima, em direção a ele. Há pessoas que evitam as dificuldades, as coisas que requeiram renúncia, autocontrole, sacrifício; mas o trabalho e as dificuldades mostram-nos o caminho para a grandeza. Não é quando andamos por um caminho macio, feito para nossos pés, que nos vem a grandeza de alma, mas quando temos que abrir a estrada com as próprias mãos.

Não oremos pedindo uma vida fácil! Oremos pedindo força. Não peçamos tarefas equivalentes às nossas forças; mas, sim, forças equivalentes às nossas tarefas. Então a execução do trabalho não será um milagre, mas nós seremos um milagre.

Extraído e adaptado do Livro: Mananciais no Deserto
Autor: Lettie Cowman

Para Meditar:

Isaías 59:2.

“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça.”

Oração:
“Senhor, eu quero andar nas obras preparadas de antemão para mim, pois disseste: “A tua força será como os teus dias”. Eu creio, que assim seja, andarás comigo, irei no teu querer, na tua alegria, no teu poder, transpondo os montes e derrubando as barreiras, em nome de Jesus.”

Amém !

Fonte: Buscando Jesus.