Impossível

Deus não conhece a palavra impossível.

Lucas 18:27

“Respondeu-lhes: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus.”

Com fé tudo é possível.

Marcos 9:23

“Ao que lhe disse Jesus: Se podes! – tudo é possível ao que crê.”

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Hipocrisia

A nossa hipocrisia não engana a Deus.

Lucas 16:15

“E ele lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.”

A hipocrisia tem motivos duvidosos.

Mateus 6:2

“Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.”

Hipocrisia é conhecer a verdade mas não obedecer – dizer que Cristo é o Senhor mas não segui-Lo.

Mateus 23:13

“Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.”

OBS: Algumas práticas, costumes e doutrinas das igrejas (TODAS ELAS) são pura hipocrisia.

Fracasso

Se fracassamos, não é o fim.

Salmos 37:23-24

“Confirmados pelo Senhor são os passos do homem em cujo caminho ele se deleita; ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor lhe segura a mão.”

Até boa gente fracassa.

Salmos 34:19

“Muitas são as aflições do justo, mas de todas elas o Senhor o livra.”

Não deixe que o fracasso o desanime.

Josué 1:9

“Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares.”

Podes ter êxito na próxima.

Filipenses 4:13

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece.”

Parábola da Vara de Amendoeira e da Panela a Ferver


(Jr 1:11-19)

Sobre a linguagem figurada des¬se capítulo, Ellicott diz que, “Como antes, vemos aí o elemento do êxta¬se e das visões, símbolos não esco¬lhidos pelo profeta, mas —disso po¬demos ter certeza— adaptados à sua formação, às suas inclinações e, por assim dizer, ao seu temperamento. A poesia dos símbolos é de extraor¬dinária beleza”.

A dupla parábola diante de nós era para os olhos e para os ouvidos e faz lembrar uma das parábolas do nosso Deus. Como comenta certo autor, “na instituição da ceia do Se¬nhor e quando ele lavou os pés dos discípulos, temos parábolas que cha¬mam a atenção pelos olhos, não pelo ouvido, ambas de caráter mais impressivo do que as meras pala¬vras. Quando Cristo lavou os pés dos apóstolos, encenou uma parábola, e temos no AT muitos casos em que os profetas recebem ordens de fazer esse tipo de encenação”. No Memorial da ceia, a encenação não recebe tanto realce, mas pode ser considerada uma parábola em visões, uma vez que, por meio de um símbolo (I Co 11:26), serviu de predição aos discí¬pulos e de declaração para nós da “morte do Senhor”.

A visão que Jeremias teve nesse capítulo de abertura de sua profecia era parabólica e contém um pensa¬mento em diferentes estágios de desenvolvimento. A mudança na me¬táfora da agricultura para a arqui¬tetura é digna de nota. Lemos sobre “extirpar”, “demolir” e “edificar”, o que dá a entender que a restaura¬ção depende do arrependimento. As predições de Jeremias eram sobre¬tudo denunciadoras; dessa forma, a destruição das nações é apresenta¬da em primeiro lugar e com grande variedade de termos para só depois mencionar a restauração delas.

A vara de amendoeira. Em contraposição às palavras iniciais de terror, mas ainda em harmonia com a mensagem de esperança, Jeremias vê uma vara de amendoeira, com seus vivos e rosados brotos, florescendo em janeiro e dando o seu fruto em mar¬ço; e vê suas folhas verde-claros, si¬nal do começo da primavera, surgin¬do da melancolia do inverno. No ori¬ginal, o nome que Jeremias dá à amendoeira, nome poético e raro, tor¬na o símbolo mais expressivo. Signi¬fica literalmente “a árvore vigilante”, ou “a vigia”, ou a árvore “que se apres¬sa em acordar”, porque desperta de sua hibernação antes das outras ár¬vores. Nessa parábola, Deus mostrou a rápida execução do seu propósito: “eu velo (em hebraico, apresso-me) sobre a minha palavra, para a cum¬prir” (Jr 1:12). Jeremias faz um jogo entre a palavra traduzida por amen¬doeira, que em hebraico também sig¬nifica “vigia”, e velo (ou me apresso), que denota a ação daquele que vigia. Os juízos decretados contra a nação judaica estavam próximos do cumpri¬mento (Am 8:2).

A panela a ferver. Nessa ilustra¬ção parabólica, o profeta revela o lado sombrio do seu ministério. Numa visão, Jeremias viu, num monte de lenha em chamas, uma grande panela de metal, fervente e fumegante, inclinada para o norte, de onde poderia despejar seu conteú¬do escaldante sobre o sul. Aqui te¬mos o instrumento que executaria outra palavra de Deus. Afervura foi possível pelas chamas sob a panela, mantidas por um sopro —símbolo oriental da fúria da guerra. A afli¬ção estava vindo do norte. “A panela voltava-se para o norte, com a boca a ponto de despejar o seu conteúdo em direção ao sul, a saber, sobre a Judéia.”

Os judeus foram comparados a uma panela fervente, mostrando que Deus permitiu que fossem lan¬çados como carne numa panela e fervessem até ser reduzidos a qua¬se nada. Primeiramente, Deus usou a punição branda da vara (Rm 2:4), mas sem resultado. Re¬correu ao castigo mais severo da fervura (Êx 20:5; SI 7:12; Hb 10:31). O castigo intensificou-se por ter-se agravado o pecado da nação. Que forte contraste existe entre a beleza primaveril da vara de amendoeira e a panela ferven¬te, sendo esta a ilustração dos ter¬rores das regiões ao norte do seu país, Assíria e Caldéia, terrores esses que Israel podia dar como inevitáveis (Mq 3:12).

O capítulo termina referindo-se a Jeremias como cidade fortificada: coluna de ferro, muros de bronze. Es¬sas imagens de fortaleza, sobrepos¬tas umas às outras, asseguravam ao profeta a presença e a proteção da¬quele que o comissionara a testemu¬nhar em seu nome. Os reiterados encorajamentos foram necessárias à temerosidade própria da constitui¬ção de Jeremias (v. ITm 4:12; 6:13; 2Tm 2:3).

Por Herbert Lockyer.

Parábola do Dono da Manjedoura


(Is 1:2-9)

Os escritos proféticos, como vere¬mos, são célebres pela linguagem fi¬gurada de forte realismo. Esses grandes profetas eram patriotas e, como anunciadores da justiça e do juízo, sabiam usar as forças naturais para chamar atenção para as suas mensagens. Muitas vezes recorriam ao vento e ao mar, às tempestades e aos terremotos —símbolos muito apropriados para os assuntos agita¬dos de que tratavam. Cenas mais amenas da terra de Israel também apareciam em seus escritos. A gene¬rosidade de Deus é semelhante a “uma vinha num outeiro fértil” (Is 5:1). O prático Miquéias fala de “chuvisco sobre a erva” (5:7). Jeremias, conhecedor dos hábitos dos pássaros de sua terra natal, usava-os em suas ilustrações com grande efeito (8:7; 17:11). Tantas vezes se recorre a montanhas, cedros, pastagens, reba¬nho, nuvem e fogo, aplicando-se to¬das essas figuras, que é difícil exa¬minar todas.

A sublime natureza parabólica e profética dos livros proféticos, junto com seu indiscutível valor espiritual, faz com que seus escritos sejam classificados entre a melhor litera¬tura do mundo. Com base nos escri¬tos desses porta-vozes de Deus, po¬demos construir um panorama de Canaã, a terra muito cobiçada. “Para os hebreus, o sangue dos seus ani¬mais machos e a associação com o passado histórico santifícaram o solo de Canaã […] Canaã era duplamen¬te querida e duplamente sagrada para o povo de Israel por ser um pre¬sente do seu Deus, sinal inequívoco da sua graça. Aterra e a fé eram para eles inseparáveis”. Essa é a razão de a terra ser retratada de modo tão vivido. Robert Browning escreveu a respeito do país sob cujos céus azuis ele passou os seus anos mais felizes:

No meu coração, verás ao abrir, vai a entalha, Em que outra coisa não se lê, senão Itália.

Só precisamos ler o que os profe¬tas tinham a dizer sobre a sua terra abundante para saber que, com o mesmo entusiasmo, também podiam declarar haver entalhado no coração o nome Canaã.

Entre os profetas, Isaías se des¬taca pelo uso de uma linguagem esmerada. Ellicott diz o seguinte so¬bre esse grande poeta e profeta de Israel: “Os provérbios de Salomão, como sempre, de destaque na forma¬ção judaica, o muniram de um voca¬bulário ético e filosófico (11:1,3; 33:5,6) e do método do ensino por parábolas (28:23-29), ensinando-lhe a assentar os fundamentos da mo¬ral no temor do Senhor”. Isaías apre¬senta uma notável versatilidade na escolha dos paralelismos, das figu¬ras e das parábolas para reforçar e impor sua mensagem. O fato de que tinha grande inclinação para o uso de simbolismos pode ser comprova¬do no nome de seus filhos. Escritor talentoso, com o passar dos anos o profeta ampliou o seu vocabulário, variando na fraseologia e no estilo de acordo com a ocasião ou com a intensidade do que sentia. Diante de nós está a primeira das marcantes figuras de linguagem de Isaías, na qual o profeta utiliza os valores da parábola para contrapor o compor¬tamento de Israel para com Deus aos sentimentos normais de um relacio¬namento familiar —até os instintos de gratidão dos animais de carga.

Isaías inicia sua grande acusação de ingratidão e de iniqüidade por parte de Israel implorando a aten¬ção do universo: “Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra” (1:2). Depois com¬para os filhos de Deus aos que cresceram debaixo do cuidado de um pai amoroso. Deviam retribuir-lhe com amor filial e com respeito, mas tudo o que fizeram foi rebelar-se contra o controle do pai. Usa-se então uma figura de linguagem muito forte para ressaltar a profunda desobediência e a degradação de um povo divina¬mente abençoado. Os animais, que têm instinto, conhecem os seus do¬nos e obedecem às suas ordens, mas Israel recusava-se a reconhecer as leis do Senhor. Se a ingratidão do homem para com outro homem pro¬duz grande tristeza, a ingratidão do homem para com Deus produz pro¬funda dor no coração deste.

Com cores vivas, Isaías pinta os diversos estágios de crescimento da iniqüidade na nação da qual fazia parte. Primeiramente o povo aban¬donou a Deus, depois o desprezou e por fim apostatou totalmente. Quão contrário à natureza divina o povo tinha- se tornado! O Santo de Israel é o nome divino que Isaías gostava de usar (ocorre cerca de trinta vezes em suas profecias) por reunir em si os conceitos de consagração, de pu¬reza e de santidade. Israel tinha sido projetado para ser “a nação santa”, a fim de refletir a santidade do “San¬to”, mas mergulhou na corrupção. O profeta segue então retratando como o pecado, uma epidemia mortal, es¬palha-se e torna-se uma terrível e desventurada doença: “Desde a plan¬ta do pé até a cabeça não há nele coisa sã”. A descrição da podridão (Is 1:5,6) é “uma das parábolas naturais da ética, fazendo lembrar da descri¬ção que Platão faz das almas dos ti¬ranos: cheias de úlceras”.

A partir daí, Isaías amontoa ana¬logias sobre analogias. Teríamos um proveitoso estudo à parte, se quisés¬semos ajuntar todas as metáforas, analogias e dizeres parabólicos que o profeta emprega. Embora a profe¬cia seja o que se salienta em seu li¬vro dramático, as profecias, como também as visões, carregam aspec¬tos próprios da parábola. Por exem¬plo, os pecados são apresentados como de cor escarlata, mas os que pecaram podem ficar brancos como a neve (1:18). Duas imagens referem-se à degradação dos soberanos, cuja negligência era responsável pela de¬sordem de que Isaías trata: “A tua prata se tornou em escórias, o teu vinho se misturou com água” (Is 1:22). Essa linguagem simbólica é re¬tomada adiante: “purificarei inteira¬mente as tuas escórias, e tirarei de ti toda impureza” (Is 1:25). Deus, o Grande Purificador, pode purificar metais degradados (Ml 3:2,3). O pe¬cado faz murchar e também queima (Is 1:30,31). “Na glória manifesta do Senhor, os homens podem encontrar, da mesma forma que o viajante em sua tenda, proteção contra todas as formas de perigo, contra o calor abrasador do meio dia e contra a tor-rencial tempestade” (4:5,6).

Um estudo sobre a versatilidade expressiva de Isaías nos leva a con¬cordar com Driver, em seu magistral livroIsaiah [Isaías], quando diz que seu “talento poético é extraordiná¬rio”. O estilo incomparável do profe¬ta marca o apogeu da arte literária hebraica. Jerônimo compara o ora¬dor e poeta do AT a Demóstenes. Quanto ao esplendor de suas ima¬gens, Isaías era insuperável: “Cada palavra sua emociona e cumpre seu objetivo. A beleza e a força são ca¬racterísticas de seu livro como um todo. Ele é um perfeito artista das palavras”. Para o estudo mais aprofundado do leitor, agrupamos algumas das características que o dr. George N. Robinson ressalta em seu manual muito útil The book of Isaiah [O livro de Isaías]:

1. Nenhum outro escritor do AT usa tantas ilustrações pitorescas e belas (5:1-7; 12:3; 28:23-29; 32:2).

2. Epigramas e metáforas, princi¬palmente sobre inundações, tem¬pestades e sons (1:13; 5:18-22; 8:8; 10:22; 28:17,20; 30:28,30).

3. Interrogação e diálogo (6:8; 10:8).

4. Antítese e aliteração (1:18; 3:24; 17:10,12).

5. Hipérbole e parábola (2:7; 5:17; 28:23-29).

6. Paronomásia ou jogo de palavras (5:7; 7:9).

7. Ele é também famoso pelo seu vocabulário e riqueza de sinôni¬mos. Ezequiel usa 1 525 vocábu¬los; Jeremias, 1 653; o salmista, 2 170; Isaías, 2 186.

8. Ele elabora freqüentemente as suas mensagens em estilo rítmi¬co e poético (12:1-6; 25:1-5; 26:1-12; 38:10-20; 42:1-4; 49:1-9; 50:4-9; 52:13-53; 22:60-62; 65:5-24).

9. Em várias ocasiões Isaías incli¬na-se para um ritmo de lamentação. Por exemplo, há um tenso poema sobre Senaqueribe em 37:22-29, e, em 14:4-21, há outro sobre o rei de Babilônia.

Sem dúvida, o livro desse profe¬ta de grande importância se destaca como obra-prima da literatura hebraica.

Por Herbert Lockyer.