Parábola da Inutilidade



(Pv 26:7)

O livro de Provérbios é inigualável no emprego das ilustrações parabólicas. É um livro repleto de ilustrações, de metáforas e de figuras extraídas de todos os aspectos da vida. O capítulo de Habershon sobre esse fato é muito esclarecedor. No meio de algumas dessas jóias que a autora enumera estão a Parábola da casa com alicerce e a Parábola da casa sem alicerce (9:1; 24:3,27; v. 12:7; 14:1). Como nos lembram Mateus 7:24-29 e ICoríntios 3:11-15! A casa aparentemente forte de um não é tão segura quanto a tenda frágil de outro.

A passagem sentenciosa sobre aqueles que recebem com desprezo o convite para o banquete (Pv 1:24-27) deve ser comparada com a parábola de Jesus sobre a recusa dos convidados para irem a um grande banquete (Mt 22).

O parágrafo sobre a humildade na presença da realeza e diante dos grandes (Pv 25:6,7) é quase idêntico ao que o nosso Senhor disse-quanto aos que cobiçam os melhores lugares quando deveriam procurar os inferiores. Ao adaptar a exortação parabólica de Salomão, Jesus chama a atenção para o seu próprio exemplo (Lc 14:10; Mt 20:26).

O poder de um rei justo para dissipar o mal (20:8) pode ser posto ao lado do efeito do reinado de Jesus quando se assentar em seu trono (Mt 25:31-46). Um justo olhar seu será o suficiente para emudecer os que estão sem as vestes nupciais.

O provérbio “O rei tem deleite no servo prudente” encontra eco nas parábolas em que os servos mostram prudência pela fidelidade nos negó¬cios , pela diligência em servir e pela constância em vigiar. Em Provérbi¬os 8:34, o próprio Senhor fala sobre aquele que vela, assim como Jesus fez nos evangelhos: “Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos, ve¬lando diariamente às minhas portas, esperando às ombreiras da minha entrada”.

Ao referir-se ao caminho do per¬verso e mostrar como evitá-lo (Pv 4:20-27), Salomão usa uma lingua¬gem semelhante àquela utilizada nas parábolas de Jesus, nas quais este ensina aos seus discípulos que a contaminação se origina não no ali¬mento que entra pela boca, mas nas palavras que saem do coração e dos lábios. “A importância de preservar o coração com toda a diligência é o pensamento central da cadeia de sete preceitos básicos de Salomão. Esses preceitos se dividem em dois grupos: os três primeiros mostram como a Palavra alcança o coração pelos ouvidos e pelos olhos; os ou¬tros quatro ensinam que o coração governa o caminhar”.”Não ensinou nosso Senhor que ‘a boca fala do que está cheio o coração?'”

Ademais, Salomão usa uma gran¬de quantidade de figuras sobre semear e ceifar (Pv 11:18,24; 22:8; Ec 11:6), todas as quais podem ser pos¬tas lado a lado com a Parábola do semeador e também com a que Pau¬lo escreveu sobre o mesmo tema (2Co 9:6; Gl 6:7).

A Parábola do rico e Lázaro (Lc 16:19-31) é uma expansão do provérbio: “A riqueza nada vale no dia da ira […] Aquele que confia nas suas riquezas cairá” (Pv 11:4,28).

Frases como “os justos reverde¬cerão como a folhagem” e “a raiz dos justos produz o seu próprio fruto” (Pv 11:28; 12:12) recebem novo significado quando comparadas com João 15. “… o que segue os ociosos se far¬tará de pobreza” (Pv 28:19) resume a experiência do filho pródigo. Quanto a Provérbios 13:7, refere-se ao que vendeu tudo o que tinha para com¬prar um campo e uma pérola. Essa é a única vez que o termo parábola é encontrado em Provérbios (no original), embora, em sentido mais am¬plo, seja às vezes utilizado em refe¬rência ao provérbio. Aqui Salomão diz: “Como as pernas do coxo, que pendem frouxas, assim é o provér¬bio (parábola) na boca dos tolos”, dando a entender que o cego espiri¬tual não pode fazer uso de uma pa¬rábola para orientação assim como o coxo não pode fazer uso de suas pernas aleijadas. Não era o que Je¬sus tinha em mente quando disse aos seus discípulos: “Avós é dado conhe¬cer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros fala-se por parábo¬las, para que, vendo, não vejam, e, ouvindo, não entendam” (Lc 8:10)? Há também a Parábola do jovem pobre e sábio (Ec 4:13-16). Embora seja difícil descobrir a exata associ¬ação histórica dessa breve parábola, é fácil perceber que, no “rei velho e insensato”, Salomão nos dá um auto-retrato. Na aplicação da parábola, Ada Habershon diz que “o jovem po¬bre e sábio é evidentemente o pró¬prio Senhor […] ‘o jovem pode ter saído do cárcere para reinar’ ou ‘che¬gado para ser rei’. Obviamente isso aponta para alguém maior que Salomão, ‘pode ter nascido pobre no seu reino’. Salomão observa o reina¬do de outro, ‘o sucessor do rei’. Ele contempla o número de seus súdi¬tos: ‘Todo o povo que ele dominava era sem conta’. E essa também uma profecia acerca da rejeição para com o nosso Senhor, um indício dos sécu¬los muito posteriores à sua encar-nação, em que os homens não terão aprendido a se alegrar nele?”. O sal¬mo de Salomão (72) fala do dia feliz em que todas as nações chamarão o Senhor bendito.

Por Herbert Lockyer.

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