Inferno

O salário do pecado é a morte.

Romanos 6:23

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.”

Os ímpios perecerão.

Salmos 37:20

“Mas os ímpios perecerão, e os inimigos do Senhor serão como a beleza das pastagens; desaparecerão, em fumaça se desfarão.”

Os ímpios serão destruídos no fogo e nada restará deles.

Malaquias 4:1

“Pois eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como restolho; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo.”

Mateus 25:46

“E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.”

Sodoma e Gomorra receberam o castigo eterno de fogo, mas não continuam a arder.

Judas 7

“Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.”

O fogo será inextinguível.

Mateus 3:12

“A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá o seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível.”

A Terra inteira será purificada do pecado.

2 Pedro 3:10

“Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas.”

Quem vai ser destruído no lago de fogo ?

Apocalipse 20:15

“E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo.”

Apocalipse 20:9

“E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade querida; mas desceu fogo do céu, e os devorou.”

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Idolatria

Idolatria é adorar a criação em vez do Criador.

Romanos 1:22-23

“Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.”

Os mandamentos proíbem que adoremos ídolos ou imagens.

Êxodo 20:3-4

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.”

Honestidade / Desonestidade

Deus requer e merece honestidade.

Salmos 51:6

“Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma.”

A desonestidade causa dor e dura tanto quanto a ferida física.

Provérbios 25:18

“Malho, e espada, e flecha aguda é o homem que levanta falso testemunho contra o seu próximo.”

O Senhor não aprova desonestidade em transações de negócios.

Provérbios 20:23

“Pesos fraudulentos são abomináveis ao Senhor; e balanças enganosas não são boas.”

Seja honesto e aberto.

1 Tessalonicenses 2:3

“Porque a nossa exortação não procede de erro, nem de imundícia, nem é feita com dolo.”

2 Coríntios 8:21

“Pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens.”

Honestidade é parte de dois mandamentos.

Êxodo 20:15-16

“Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”

Os líderes apreciam aqueles que dizem a verdade.

Provérbios 16:13

“Lábios justos são o prazer dos reis; e eles amam aquele que fala coisas retas.”

A verdade é mais valiosa que os elogios.

Provérbios 28:23

“O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua.”

Os filhos de pais honestos são bem-aventurados.

Provérbios 20:7

“O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.”

Diga sempre a verdade.

Provérbios 12:13-14

“Pela transgressão dos lábios se enlaça o mau; mas o justo escapa da angústia. Do fruto das suas palavras o homem se farta de bem; e das obras das suas mãos se lhe retribui.”

Lucro fraudulento sabe bem só temporariamente.

Provérbios 20:17

“Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas.”

As riquezas que foram ganhas desonestamente não duram.

Provérbios 21:6

“Ajuntar tesouros com língua falsa é uma vaidade fugitiva; aqueles que os buscam, buscam a morte.”

Siga os caminhos de Deus.

Provérbios 11:1

“A balança enganosa é abominação para o Senhor; mas o peso justo é o seu prazer.”

Deus prefere que sejamos honestos de que demos ofertas.

Provérbios 21:3

“Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer-lhe sacrifício.”

Parábola da Inutilidade


(Pv 26:7)

O livro de Provérbios é inigualável no emprego das ilustrações parabólicas. É um livro repleto de ilustrações, de metáforas e de figuras extraídas de todos os aspectos da vida. O capítulo de Habershon sobre esse fato é muito esclarecedor. No meio de algumas dessas jóias que a autora enumera estão a Parábola da casa com alicerce e a Parábola da casa sem alicerce (9:1; 24:3,27; v. 12:7; 14:1). Como nos lembram Mateus 7:24-29 e ICoríntios 3:11-15! A casa aparentemente forte de um não é tão segura quanto a tenda frágil de outro.

A passagem sentenciosa sobre aqueles que recebem com desprezo o convite para o banquete (Pv 1:24-27) deve ser comparada com a parábola de Jesus sobre a recusa dos convidados para irem a um grande banquete (Mt 22).

O parágrafo sobre a humildade na presença da realeza e diante dos grandes (Pv 25:6,7) é quase idêntico ao que o nosso Senhor disse-quanto aos que cobiçam os melhores lugares quando deveriam procurar os inferiores. Ao adaptar a exortação parabólica de Salomão, Jesus chama a atenção para o seu próprio exemplo (Lc 14:10; Mt 20:26).

O poder de um rei justo para dissipar o mal (20:8) pode ser posto ao lado do efeito do reinado de Jesus quando se assentar em seu trono (Mt 25:31-46). Um justo olhar seu será o suficiente para emudecer os que estão sem as vestes nupciais.

O provérbio “O rei tem deleite no servo prudente” encontra eco nas parábolas em que os servos mostram prudência pela fidelidade nos negó¬cios , pela diligência em servir e pela constância em vigiar. Em Provérbi¬os 8:34, o próprio Senhor fala sobre aquele que vela, assim como Jesus fez nos evangelhos: “Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos, ve¬lando diariamente às minhas portas, esperando às ombreiras da minha entrada”.

Ao referir-se ao caminho do per¬verso e mostrar como evitá-lo (Pv 4:20-27), Salomão usa uma lingua¬gem semelhante àquela utilizada nas parábolas de Jesus, nas quais este ensina aos seus discípulos que a contaminação se origina não no ali¬mento que entra pela boca, mas nas palavras que saem do coração e dos lábios. “A importância de preservar o coração com toda a diligência é o pensamento central da cadeia de sete preceitos básicos de Salomão. Esses preceitos se dividem em dois grupos: os três primeiros mostram como a Palavra alcança o coração pelos ouvidos e pelos olhos; os ou¬tros quatro ensinam que o coração governa o caminhar”.”Não ensinou nosso Senhor que ‘a boca fala do que está cheio o coração?'”

Ademais, Salomão usa uma gran¬de quantidade de figuras sobre semear e ceifar (Pv 11:18,24; 22:8; Ec 11:6), todas as quais podem ser pos¬tas lado a lado com a Parábola do semeador e também com a que Pau¬lo escreveu sobre o mesmo tema (2Co 9:6; Gl 6:7).

A Parábola do rico e Lázaro (Lc 16:19-31) é uma expansão do provérbio: “A riqueza nada vale no dia da ira […] Aquele que confia nas suas riquezas cairá” (Pv 11:4,28).

Frases como “os justos reverde¬cerão como a folhagem” e “a raiz dos justos produz o seu próprio fruto” (Pv 11:28; 12:12) recebem novo significado quando comparadas com João 15. “… o que segue os ociosos se far¬tará de pobreza” (Pv 28:19) resume a experiência do filho pródigo. Quanto a Provérbios 13:7, refere-se ao que vendeu tudo o que tinha para com¬prar um campo e uma pérola. Essa é a única vez que o termo parábola é encontrado em Provérbios (no original), embora, em sentido mais am¬plo, seja às vezes utilizado em refe¬rência ao provérbio. Aqui Salomão diz: “Como as pernas do coxo, que pendem frouxas, assim é o provér¬bio (parábola) na boca dos tolos”, dando a entender que o cego espiri¬tual não pode fazer uso de uma pa¬rábola para orientação assim como o coxo não pode fazer uso de suas pernas aleijadas. Não era o que Je¬sus tinha em mente quando disse aos seus discípulos: “Avós é dado conhe¬cer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros fala-se por parábo¬las, para que, vendo, não vejam, e, ouvindo, não entendam” (Lc 8:10)? Há também a Parábola do jovem pobre e sábio (Ec 4:13-16). Embora seja difícil descobrir a exata associ¬ação histórica dessa breve parábola, é fácil perceber que, no “rei velho e insensato”, Salomão nos dá um auto-retrato. Na aplicação da parábola, Ada Habershon diz que “o jovem po¬bre e sábio é evidentemente o pró¬prio Senhor […] ‘o jovem pode ter saído do cárcere para reinar’ ou ‘che¬gado para ser rei’. Obviamente isso aponta para alguém maior que Salomão, ‘pode ter nascido pobre no seu reino’. Salomão observa o reina¬do de outro, ‘o sucessor do rei’. Ele contempla o número de seus súdi¬tos: ‘Todo o povo que ele dominava era sem conta’. E essa também uma profecia acerca da rejeição para com o nosso Senhor, um indício dos sécu¬los muito posteriores à sua encar-nação, em que os homens não terão aprendido a se alegrar nele?”. O sal¬mo de Salomão (72) fala do dia feliz em que todas as nações chamarão o Senhor bendito.

Por Herbert Lockyer.

As Parábolas de Balaão


(Nm 22; 23:7,18; 24:3,15,20-23)

Seis das dezoito ocorrências da palavra “parábola” no AT estão as¬sociados aos pronunciamentos de Balaão. George H. Lang comenta que “as declarações proféticas de Balaão são chamadas parábolas. São assim chamadas porque os projetos e os fatos ligados a Israel são apre¬sentados por meio de comparações, compostas na maioria de elementos não-humanos”. Por estranho que pareça, as parábolas proféticas des¬se insignificante profeta estão entre as mais inconfundíveis e admiráveis do AT. Todas elas “dão testemunho do chamado de Israel para ser o povo escolhido de Jeová,” diz Fairbairn, “e das bênçãos que estavam reser¬vadas para esse povo, as quais ne¬nhum encantamento, força adversa ou maldição poderia tirar; também dão testemunho da Estrela que des¬pontaria de Jacó e da destruição de todos os que a ela se opusessem”.

Qual era o passado de Balaão, de Petor, e como veio a conhecer Balaque? Balaão praticava a adivi¬nhação, que compreendia a levian¬dade e o engano tão comuns nos pa¬íses idolatras. O fato de ser ganan¬cioso fica claro quando ele declara que “o preço dos encantamentos ” estava nas suas mãos e nas dos seus cúmplices. Balaão “amou o prêmio da injustiça”. Foi esse homem que Balaque procurou para receber in¬formações. Os israelitas, seguindo viagem rumo a Canaã, armaram suas tendas nas regiões férteis da Arábia. Alarmados com o número e com a coragem dos hebreus, que haviam recentemente derrotado o rei Ogue, de Basã, os moabitas temeram tornar-se a próxima presa. Balaque, então, foi até os midianitas, seus vizinhos, e consultou os seus anciãos, mas as informações que recebeu eram de grande destruição.

Esse caso, em que Deus faz uso de um falso profeta para proferir parábolas divinamente inspiradas — prova inequívoca do seu amor e dos seus desígnios para o seu povo—, mostra que o Senhor, se necessário, lança mão do melhor instrumento que puder encontrar, ainda que esse instrumento contrarie a sua natu¬reza divina. Deus disse a Balaão: “Vai com esses, mas fala somente o que eu te mandar”. Ao encontrar Balaque, Balaão, já orientado por Deus, disse: “Porventura poderei eu agora falar alguma coisa? A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei”. Quando censurado por Balaque, rei de Moabe, por ter aben¬çoado Israel, Balaão respondeu: “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoou? E como denunciarei a quem o Senhor não denunciou? […] Porventura não terei cuidado de falar o que o Senhor pôs na minha boca?”.

Então, compelido a declarar o que teria alegremente omitido, Balaão irrompe num rompante de poesia parabólica e prediz a bênção indis¬cutível do povo para cuja maldição fora contratado. Suas parábolas são de fácil identificação.

Na primeira, o pensamento principal é a separação para Deus, a fim de cumprir os seus desígnios: “Vejo um povo que habitará à par¬te, e entre as nações não será con¬tado” (Nm 23:9).

Essa escolha divina de Israel era a base das reivindicações de Deus sobre o povo e a razão de to¬dos os ritos e instituições singula¬res que ele decretara para serem observados, pois dissera: “Eu sou o

Senhor vosso Deus que vos separei dos povos. Portanto fareis distinção entre os animais limpos e os imun¬dos […] Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos para serdes meus” (Lv 20:24-26).

Há também o cumprimento do antigo propósito, pelo qual Deus “fi¬xou os limites dos povos, segundo o número dos filhos de Israel” (Dt 32:8). Nessa parábola, que trata da separa¬ção de Israel, uma ilustração é extra¬ída do solo abaixo dos nossos pés: “Quem pode contar o pó de Jacó…?” (Nm 23:10). Aqui temos uma referên¬cia ao imenso número dos descenden¬tes de Abraão, anteriormente compa¬rados à areia e às estrelas (Gn 22:17). Alguns comentaristas vêem no pó e na areia uma referência figurada a Israel —os descendentes terrenos de Abraão—, e nas estrelas, uma referên¬cia simbólica à igreja de Deus —os descendentes espirituais de Abraão. Mas, como George H. Lang afirma: “Faço uma advertência contra o tra¬tamento fantasioso das parábolas e dos símbolos, pois por três vezes Moisés usa as estrelas como símbolo do Israel terreno (Dt 1:10; 10:22; 28:62; v. lCr 27:23).

De uma coisa estamos certos: a mesma escolha separadora e sobe¬rana de Deus é o fundamento do cha¬mado cristão nesta dispensação da graça. Fomos “chamados para ser santos”, ou seja, separados. Fomos eleitos em Cristo “antes da fundação do mundo”. Fomos salvos e chama¬dos “com uma santa convocação […] segundo o seu propósito e a graça, que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos”. Essas e outras referências características compõem a verdadeira igreja. Sepa¬rados do mundo, devemos viver nele como forasteiros e peregrinos.

A parábola seguinte ressalta a justificação do povo separado. Percebesse a progressão dos pronunciamentos e das predições parabóli¬cas de Balaão na frase “Então pro¬feriu Balaão a sua palavra”, que se repete cinco vezes. Ao escolher Is¬rael, Deus não poderia voltar atrás em sua decisão; então encontrou Balaão e pôs na sua boca esta pala¬vra para Balaque: “Deus não é ho¬mem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa. Porventura tendo ele dito não o fará, ou tendo falado não o realizará? Re¬cebi ordem de abençoar; ele aben¬çoou, e não o posso revogar. Não vi iniqüidade em Jacó, nem desventu¬ra observei em Israel. O Senhor seu Deus está com ele, e entre eles se ouvem aclamações ao seu rei” (Nm 23:19-21). A história do povo esco¬lhido mostra que havia iniqüidade, da qual o verdadeiro Jacó estava do¬lorosamente consciente; e havia tanta perversidade em Israel, que o mundo pagão ao redor ficava sur¬preso. Mas a maravilha disso tudo é que os olhos de Deus estavam so¬bre o seu povo pela luz que emana¬va da graça divina, depois pelo san¬gue dos sacrifícios ofertados pelo povo a favor de si mesmo e por fim pela morte expiatória do seu muito amado Filho.

A natureza novamente contribui para a inspirada e instrutiva pará¬bola de Balaão, pois refere-se a Deus como “forças […] como as do unicórnio”, enquanto Israel é retra¬tado com a força do boi selvagem e a natureza assustadora do leão e da leoa (Nm 23:22,24; 24:8,9). Tendo sido justificados gratuitamente pela graça divina, justificados pelo san¬gue de Jesus, justificados pela fé e, portanto justificados de todas as coi¬sas, nós, os cristãos, não temos força em nós mesmos. Nossa força está na graça de Jesus Cristo, nosso Senhor (2 Tm 2:1).

Na terceira parábola, Balaão declara que produzir frutos para Deus é o resultado inevitável de sermos separados para ele e justi¬ficados perante ele. Quão bela e expressiva é essa explicação ins¬pirada sobre o povo escolhido de Deus! “Que boas são tuas tendas, ó Jacó! E as tuas moradas, ó Isra¬el! Como vales que se estendem, como jardins ao lado de um rio, como árvores de sândalo que o Senhor plantou, como os cedros junto às águas!” (Nm 24:3-14). A linguagem figurada que Balaão empregou forma um estudo à par¬te. O soberano do céu é compara¬do a uma estrela (cf. Nm 24:17 com Ap 2:28; 22:16). O cetro, símbolo co¬mum da realeza, refere-se à pode¬rosa soberania do Messias de Is¬rael. O ninho posto na penha fala da segurança dos quenitas (Nm 24:21). Os navios que vinham da costa de Quitim eram uma alusão profética às vitórias de Alexandre, o Grande (Nm 24:24).

Embora decepcionado, Deus ain¬da assim tinha todo o direito de con¬tar com os frutos do seu povo no de¬serto. Não os tinha escolhido, redimido e abençoado, fazendo deles seu tesouro particular? Quanto mais não espera de nós, que fomos com¬prados com o precioso sangue de seu querido Filho? Será que não o glori-ficaremos quando damos muitos fru¬tos? (Jo 15:8). Não somos exortados a estar cheios do fruto da justiça? (Fp 1:11). Não tem um valor extrema¬mente prático o fato de sermos se¬parados para ele e justificados pela graça diante dele? A nossa posição privilegiada não deveria resultar em sermos frutíferos em toda boa obra? (Cl 1:10).

Não é pertinente que a parábola seguinte se volte para a segunda vinda de Cristo? A coroa de vitória é o adorno para a fronte daquele que chamou, separou, justificou e aben¬çoou o seu povo. “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto. Uma estrela procederá de Jacó, e de Israel subirá um cetro”(Nm 24:17). Segundo certo co¬mentarista: “A estrela refere-se à sua primeira vinda; o cetro, à sua segun¬da vinda; e, como o falso profeta não o via como salvador, profere a pró¬pria condenação”. Trata-se do dia do juízo para os iníquos, pois “Um dominador sairá de Jacó, e destrui¬rá os sobreviventes da cidade”. A destruição será arrasadora e terrí¬vel, como diz Balaão: “Ai, quem vive¬rá, quando Deus fizer isto?” (Nm 24:23).

Por Herbert Lockyer.

Parábola do Tabernáculo

(Hb 9:1-10; Êx 25:31)

Neste caso também é o Espírito Santo quem nos autoriza a afirmar que o tabernáculo erigido por Moisés no deserto era uma parábola para nós de uma herança ainda mais glo¬riosa. “O Espírito Santo estava dan¬do a entender […] o primeiro tabernáculo […] é uma parábola para o tempo presente…” (Hb 9:8,9).

As figuras ou os objetos parabóli¬cos, associados a todos os serviços e aos utensílios do tabernáculo, dão margem para muito estudo. De ma¬neira notável, os sacrifícios, as ofer¬tas, as festas e a construção do tabernáculo ilustram a pessoa e a obra do Redentor, bem como as bên¬çãos e os privilégios dos remidos. O maravilhoso capítulo 9 de Hebreus é a exposição do Espírito Santo acer¬ca do tabernáculo, em que se apre¬senta um retrato sublime da obra completa de Cristo a favor do crente e da vida dos crentes em Cristo como um todo.

O estudante que deseja entender o significado simbólico das coisas li¬gadas ao tabernáculo poderá esco¬lher entre as inúmeras exposições sobre o assunto. Alguns comentaris¬tas deixaram a imaginação correr solta na interpretação dos elemen¬tos de menor importância dessa construção temporária no deserto. Sabiamente, o dr. A. T. Pierson dis¬se: “Ninguém se pode dar por infalí¬vel na interpretação dessas imagens e desses objetos, estando a beleza dessa forma de ensino, em parte, no fato de permitir uma nitidez cada vez maior de visão e uma crescente acuidade de percepção, assim como a nossa vida e o nosso caráter se aproximam da indiscutível perfeição […] Mas estamos certos de que há uma riqueza de significados imaginável, mesmo aos filhos de Deus, e ainda por explorar, a qual apenas os anos que estão por vir con¬seguirão revelar e desvendar com¬pletamente”.

A principal característica do tabernáculo estava na sua divisão em três partes —a unidade da trindade:

o átrio, com o altar do holocausto e a pia de bronze,

o Santo Lugar, com a mesa dos pães da proposição, o candelabro de ouro e o altar do incenso,

o Santo dos Santos, com a arca da aliança sobre a qual estava o propiciatório.

Nem precisa muita imaginação para vermos, nessas características expressas, uma parábola sobre a obra de Cristo na ordem em que se deu, desde o seu sacrifício vicário na cruz até a descida do Espírito Santo regenerador e santificador, passan¬do por toda a sua jornada como Luz do mundo, Pão da vida e nosso Intercessor além do véu, na presen¬ça de Deus.

O tabernáculo pode também ser considerado uma parábola que mos¬tra como o crente pode aproximar-se de Deus em Cristo.

O átrio passa a idéia de dois es¬tados: remissão dos pecados pelo sangue da expiação e regeneração do espírito pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo —condições da comunhão.

O Santo Lugar ilustra as três for¬mas da comunhão —a vida de luz como testemunho, a sistemática con¬sagração interna e a vida de cons¬tante oração.

O Santo dos Santos retrata o ide¬al e o objetivo da comunhão, em que “a obediência perpétua se parece com uma tábua inquebrável da lei, a be¬leza do Senhor nosso Deus está so¬bre nós e todos os seus atributos es¬tão em perfeita harmonia com os nossos sentimentos e atividades”. Uma análise mais completa desse fascinante aspecto do estudo da Bí¬blia, o leitor encontrará no “Old Testament symbolism” [“O simbolis-mo do Antigo Testamento”], capítu¬lo do livro The study of parables [O estudo das parábolas], de Ada Habershon. Essa talentosa autora tem um pequeno livro, Studies on the tabernacle [Estudos sobre o tabernáculo], com muitos esboços claros e bíblicos que mostram como os detalhes do tabernáculo foram “sombra dos bens futuros” e “figuras das coisas que estão no céu” (Hb 10:1; 9:23; Cl 2:17; Jo 5:45).

Por Herbert Lockyer.