Parábola do Peixe e dos Pescadores


(Mt 4:18-22; Mc 1:16-20; Lc 5:2-11)

Quando uma parábola ocorre em mais de um evangelho, é essencial comparar os registros corresponden¬tes. Essa parábola, como se dá com quase todas, ensina que no mundo espiritual existem complementos para tudo o que é legítimo e natural no mundo material. Apesar do fato de que o nosso Senhor gastou gran¬de parte do ministério nas adjacências do mar da Galiléia e muitos de seus apóstolos foram pes¬cadores, parece singular que tenha feito tão pouco uso de parábolas so¬bre a pesca. Assim, Jesus entrou para a sua breve, mas maravilhosa tarefa. Compreendeu a necessidade dos que seriam capazes de absorver a sua mensagem e continuar o seu ministério depois de sua ascensão, como acompanhá-lo em suas jorna¬das enquanto esteve entre os ho¬mens. Para o seu primeiro grupo de seguidores e de associados, não foi a qualquer escola de rabinos ou cen¬tro de aprendizado, mas chamou homens humildes para deixarem as redes e segui-lo. “Eu os farei pesca¬dores de homens.” Dessa maneira fo¬ram levantados de um baixo grau de pescaria para um alto, assim como Davi, que alimentava ovelhas e foi chamado para um grau mais eleva¬do de pastoreio (SI 78:70-72).

A resposta dos quatro pescadores ao chamado de Cristo foi imediata, pois deixaram redes, barcos e paren¬tes para acompanhá-lo. Agora lançavam a rede do evangelho no mar do mundo e traziam as almas para as praias da salvação. Podemos imaginar como Pedro, “o grande pes¬cador” que se tornou porta-voz do grupo dos apóstolos, entrou para o significante uso parabólico do Mes¬tre sobre os pescadores e os peixes. Os peixes do mar da Galiléia eram pegos vivos, mas rapidamente mor¬riam, quando tirados do seu habitai. Agora, aqueles a quem Jesus chama¬va foram designados para pegar os homens que estavam mortos —mor¬te em transgressões e pecados— os quais, uma vez nas redes do evan¬gelho, começariam a viver espiritu¬almente.

Os pescadores experimentados estabeleciam três regras para o su¬cesso da pesca, as quais deveriam ser observadas por todos os que pescam as almas dos homens:

Primeira: Mantenha-se fora de vista;
Segunda: Mantenha-se ainda mais fora de vista;
Terceira: Mantenha-se ainda mais longe fora de vista.

Os ganhadores de almas devem aprender que não podem promover a Cristo e a si próprios ao mesmo tem¬po. Se um pescador lança a sua som¬bra sobre a água, onde o cardume está, jamais poderá pegar os peixes. Da mesma maneira, a sua sombra é desastrosa na arte de ganhar almas. Quando o dr. J. H. Jowett estava para falar para um grande agrupamento, um fervoroso irmão orou: “Agradece-mos-te, ó Senhor, teu querido servo e pelo trabalho que ele está fazendo. Agradecemos-te que o tenhas man¬dado a falar conosco. Agora, Senhor, oculta-o, oculta-o”.

Assim, para o pescador, a isca é um elemento importante e, pela prá¬tica, ele aprende que ela é usada para atrair diferentes tipos de pei¬xe. Os pescadores de homens devem, semelhantemente, ser capazes de pôr a isca no anzol. Uma visão curiosa, expressada pelos pais da Igre¬ja, era que a cruz era o anzol e Cris¬to, a isca pela qual o Todo-Poderoso capturava o mal. Tal figura de lin¬guagem pode parecer grotesca, mas, com toda a reverência, podemos di¬zer que Cristo, como a Bíblia o reve¬la, é sempre o tipo certo de isca para pegar os homens. John Bunyan em linguagem parabólica disse: “A gra¬ça e a glória são a isca do evangelho; leite e mel foram a isca que retirou seiscentos mil (sem contar as criam ças, as mulheres e os velhos) do Egi¬to”. Não importa quantas dificulda¬des os pecadores apresentem, quan¬do estão sendo tratados pelo ganha¬dor de almas, que é eficiente na Pa¬lavra de Deus, e saberá que a Escri¬tura, a isca, é usada para resolver qualquer problema.

Assim como esse chamado de Pedro, André, Tiago e João às vezes é confundido com outros dois rela¬tos no mar, uma palavra é necessá¬ria para diferenciá-los. O chamado relatado em João 1:35-42 não é a mesmo de Mateus 4:18-22, pelas se¬guintes razões:

1. Aquele foi dado quando Jesus ainda estava na Judéia —este, de¬pois de seu retorno à Galiléia;

2. Naquele, André solicita uma entrevista com Cristo —neste, Cris¬to chama André;

3. Naquele, André é chamado com um discípulo cujo nome não foi men¬cionado, que era claramente João (Jo 1:4). André vai e busca a Pedro, seu irmão, a Cristo, que então o chama —neste, André e Pedro são chama¬dos juntos;

4. Naquele, João é chamado jun¬to com André, pelo seu próprio pedi¬do, de uma entrevista com Jesus; nenhuma menção é feita de Tiago, cujo chamado, se é que aconteceu ali, não foi semelhantemente feito por seu irmão —neste, João é chamado junto com Tiago, o seu irmão.

Mais adiante temos um chama¬do em Lucas 5:1-11, que também é diferente do de Mateus 4:18-22. No anterior, um milagre foi realizado; no posterior, não existe nenhum mi¬lagre, salvo o da graça, revelado em tomar homens falíveis, pela inefabilidade de Cristo, para os tor¬nar os seus cooperadores. Naquele, todos os quatro são chamados jun¬tamente; neste, os quatro são cha¬mados à parte, em pares. Naquele, as redes foram usadas para uma miraculosa pesca; neste, dois lan¬çam suas redes, enquanto os outros consertam os seus instrumentos de pesca. Naquele, temos um estágio avançado do ministério terreno de nosso Senhor, e algum entusiasmo popular. Neste, não deve ter havido nenhuma aparição pública na Galiléia; portanto, a falta das mul¬tidões estendidas diante dele. En¬quanto caminha sozinho pelas prai¬as do lago, Jesus aborda os dois pa¬res de pescadores e chama-os para se transformar em ganhadores de alma: “Sigam-me, e eu os farei…”. Não há cristão que se tenha feito a si mesmo cristão ou cooperador no serviço de Cristo, pois todos são fei¬tos por Cristo.

Por Herbert Lockyer.

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One thought on “Parábola do Peixe e dos Pescadores

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