O Valor e a Missão da Parábola


O valor da instrução por parábolas

O ensino por parábolas tem mui¬tas utilidades e possui vantagens sem igual. Seu mérito ou valor, como instrumento pedagógico, está no fato de ser um teste de caráter cujo resultado pode ser punição ou bên¬ção. Smith, em seu Biblical dictionary [Dicionário da Bíblia], diz: “Às vezes, a parábola afasta a luz daqueles que amam a escuridão. Protege a verdade contra os escarnecedores. Deixa uma mensa¬gem aos descuidados, que depois pode ser interpretada e compreen¬dida. Releva-se, entretanto, aos que buscam r> verdade”. A parábola pode ser ouvida, assim como o seu signi¬ficado pode ser compreendido, ain¬da que os ouvintes jamais se preo¬cupem com o seu significado real. Em meio às muitas vantagens, pode-se provar que as parábolas das Escrituras são muito proveitosas, porque a parábola:

1. é atraente e, quando comple¬tamente compreendida, é mais fácil de lembrar. É de grande ajuda à memória. Estamos mais inclinados a nos lembrar de uma narração ou ilustração do que de qualquer outra coisa proferida em um sermão. A parábola pode ser relembrada mui¬to depois de já termos esquecido o tema principal do sermão.

2. presta grande auxílio à mente e à capacidade de raciocinar. Os seus significados devem ser estudados. E como uma mina de ouro, e devemos escavá-la e buscá-la com toda a nos¬sa diligência, para descobrir o ver¬dadeiro veio. O método parabólico nos faz pensar. “O Mestre dos mes¬tres sabia que não poderia ensinar nada aos seus ouvintes, se não os levasse a ensinar a si próprios. Ele deveria alcançar a mente deles e fazê-los trabalhar com a dele. A forma da parábola atraía a todos, mas apenas os pensadores entendiam o seu significado”. O significado não podia ser encontrado sem o uso do pensamento. A parábola ao mesmo tempo atraía e peneirava a multidão.

3. estimula os afetos e desperta as consciências, como quando o in¬ferno, numa parábola, é mostrado como uma fornalha de fogo e a cons¬ciência como um verme roedor.

4. chama e prende a atenção. Atentos às parábolas de Jesus, os ouvintes se mostravam maravilha¬dos e diziam: “Nunca ninguém falou como este homem”. Ele precisava fazer o povo ouvi-lo —e conseguiu! Era maravilhosa a forma em que usava, pronta e espontaneamente, as sugestões do momento; desse modo chamava e prendia a atenção dos que estivessem à sua volta!

5. preserva a verdade. Ao escre¬ver acerca desse mérito em particu¬lar, Cosmo Lang disse: “Quando as pessoas pensam por si mesmas, nun¬ca esquecem; o exercício da mente produz esse efeito. Além do mais, a linguagem dos símbolos —expressa por aquilo que o olho pode ver e construída na imaginação— é mais poderosa e de efeito mais duradou¬ra do que a linguagem que utiliza somente palavras abstratas. Ela co¬munica e traz de volta à mente o sig¬nificado interior com rapidez e se¬gurança; traz consigo uma mensa¬gem rica em sugestões e associa¬ções”. As palavras mudam constan¬temente de significado, ao passo que os símbolos usados para a vida e para a natureza, como os que foram em¬pregados pelo Senhor em suas pará¬bolas, são tão duradouros quanto a própria natureza e a vida.

Ao comentar acerca das parábo¬las de Mateus 13, Finis Dake, em sua Annotated reference Bible [Bíblia de referências anotada], apresenta sete benefícios do uso das parábolas:

1. revelar a verdade de forma inte¬ressante e despertar maior inte¬resse (Mt 13:10,11,16);

2. tornar conhecidas novas verda¬des a ouvintes interessados (Mt 13:11,12,16,17);

3. tornar conhecidos os mistérios por comparações com coisas já co¬nhecidas (Mt 13:11);

4. ocultar a verdade de ouvintes desinteressados e rebeldes de co¬ração (Mt 13:11-15);

5. acrescentar mais conhecimento da verdade aos que a amam e anseiam mais dela (Mt 13:12);

6. afastá-la do alcance dos que a odeiam ou que não a desejam (Mt 13:12);

7. cumprir as profecias (Mt 13:14-17,35).

A missão da parábola

Os intuitos e a missão da pará¬bola estão intimamente ligados aos seus métodos de ensino. Quais são as funções ou os objetivos da pará¬bola? Já tratamos rapidamente do seu poder de atração, mas por que Cristo usou esse método? Para ilu¬minar, exortar e edificar. No prefá¬cio de seu livro esclarecedor Lectures on our Lord’s parables [Preleções sobre as parábolas do nosso Senhor], o dr. John Cumming diz que:

A profecia é um esboço do fu¬turo, que será preenchido pe¬los eventos; os milagres são pré-atos do fu¬turo, realizados em pequena escala no presente; as parábolas são a prefi-guração do futuro, projetadas em uma página sagrada.

Todos os três crescem diariamen¬te em esplendor, interesse e valor. Em breve, o Sol Meridional os fará transbordar! Espero que estejamos prontos! Fazendo uso da parábola, Jesus procurou confiar as verdades espirituais do seu Reino ao entendi¬mento e ao coração dos homens. Ao adotar um método reconhecido pe¬los mestres judeus, Cristo atraiu mentes e prendeu atenções. Os ho¬mens tinham de ser conquistados, e a parábola era o melhor método dis¬ponível para conseguir isso. Além do mais, Jesus foi extraordinário no uso das parábolas.

Jesus adotou o método de ensi¬nar por parábolas quer ao se dirigir aos discípulos, quer aos fariseus, seus inimigos, a fim de convencer aque¬les e condenar estes. A pergunta dos discípulos “Por que lhes falas por meio de parábolas?” (Mt 13:10) é respondida por Jesus nos cinco versículos seguintes. Cristo abria a boca e falava em parábolas por cau¬sa da diversidade de caráter, de ní¬vel espiritual e de percepção moral de seus ouvintes (Mt 13:13). “Por isso lhes falo por parábolas”. Por isso dá a entender, segundo Lisco: “Como a instrução tão comumente dada a eles em linguagem clara de nada lhes aproveita, agora vou tentar, com fi¬guras e símiles, levá-los a refletir, conduzindo-os a uma preocupação maior acerca da salvação”. Infeliz¬mente, tal era a insensibilidade tola dos líderes religiosos, os quais não compreendiam a verdade profunda e espiritual que Jesus, de maneira tão vigorosa, lhes entregou em for¬ma de parábola. Esses líderes tam¬bém não perceberam que as parábo¬las são os melhores instrutores dos que estão cheios da Palavra de Deus, e ensinam e valorizam as coisas re¬lacionadas à paz eterna.

Por Herbert Lockyer.

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