A Longevidade do Método de Parábolas


Embora o uso das parábolas te¬nha sido característica ímpar do ensino popular de Jesus, visto que “Sem parábolas não lhes falava”, não foi Cristo o criador desse recurso didático.

As parábolas são utilizadas desde a antigüidade. Embora Jesus tenha contribuído para os escritos sagrados com parábolas inigualáveis e tenha elevado esse método de ensino ao mais alto grau, era sabedor da existência milenar desse método de apresentar a verdade.

Na época e na região em que Jesus apareceu, as parábolas eram, como as fábulas, um método popular de instrução, e isso entre todos os povos orientais.

O dr. Salmond, no manual The parables of our Lord [As parábolas do nosso Senhor], faz lembrar, no parágrafo que trata do “Encanto da linguagem figurada”, que a utilização desse tipo de linguagem exercia:

… atração especial sobre os povos ori¬entais, para quem a imaginação era mais rápida e também mais ativa que a faculdade lógica. A grande família das nações conhecidas como semitas, aos quais pertencem os hebreus, jun¬to com os árabes, os sírios, os babi¬lônios e outras raças notáveis já de¬monstraram a especial tendência à imaginação, como também um gos¬to particular por ela.

A antigüidade desse método disseminado de linguagem se confirma pelo fato de figurar no AT em larga medida e sob diferentes formas.

A primeira parábola, registrada, em forma de fábula, mostra árvores escolhendo para si um rei, retrato dò que aconteceria entre o povo (Jz 9).

Jotão usou essa fábula com o objetivo de convencer os habitantes de Siquém sobre a tolice de terem escolhido por rei o perverso Abimeleque.

As parábolas e os símiles do AT, abordados nesta seção, mostram que era muito comum o método de instrução por meio de parábolas. Para uma melhor compreensão da maneira em que os escritores judeus da antigüi¬dade usavam o mundo visível para ilustrar o reino espiritual, o leitor precisa consultar o capítulo muito interessante de Trench, chamado “Outras parábolas que não as das Es¬crituras”.

Em nota de rodapé, cita-se a declaração dos judeus cabalistas, segundo a qual “a luz celestial nunca desce até nós sem um véu […] É impossível que um raio divino brilhe sobre nós, a menos que velado por uma diversidade de revestimentos sagrados”.

Graças à sua infinidade, Deus tinha de utilizar aquilo com que os seres humanos estivessem familiarizados, com o objetivo de comunicar à finita mente humana a sublime revelação de sua vontade.

A revelação de preceitos fundamentais era revestida de parábolas e analogias. Hillel e Shammai foram os mais ilustres professores a usar parábolas antes de Cristo.

Depois de Jesus veio ainda Meir, com quem, segundo a tradição, a capacidade de criar parábolas declinou consideravelmente. A figueira do povo judeu secou e não pôde mais produzir frutos.

Quando o Senhor Jesus apareceu entre os homens, como Mestre, to¬mou a parábola e honrou-a, usando-a como veículo para a mais sublime de todas as verdades. Sabedor de que os mestres judeus ilustravam suas doutrinas com o auxílio de parábolas e comparações, Cristo adotou essas antigas formas de ensino e deu-lhes renovação de espírito, com a qual proclamou a transcendente glória e excelência de seu ensino.

Depois de Jesus, as parábolas poucas vezes foram usadas pelos apóstolos. Não existem parábolas em Atos, mas, como mostraremos quanto ao NT, as epístolas e o Apocalipse contêm impressionantes exemplos da verdade divina revestida em trajes humanos.

Embora os apócrifos façam grande uso das figuras de linguagem, não há parábolas nos evangelhos apócrifos. Entre os pais da igreja havia um ou dois que se utilizavam de parábolas como meio de expressão. Trench fornece uma seleção desses primeiros escritores da igreja, cujos trabalhos eram ricos em comparações. Entre os exemplos citados, está este excerto dos escritos de Efraem Siros:

Dois homens iniciaram viagem a certa cidade, localizada a cerca de 6 km. Uma vez percorridos os primeiros quinhentos metros, encontraram um lugar junto à estrada, em que havia bosques e árvores frondosas, além de riachos; lugar muito agradável. Ambos olharam ao redor, e um dos dois viajantes, com a intenção de continuar a caminhada rumo à cidade dos seus desejos, passou apressado por aquele local; mas o outro primeiramente parou para olhar melhor e depois resolveu permanecer um pouco mais. Mais tarde, quando começava a querer deixar a sombra das árvores, temeu o calor e assim deteve-se um pouco mais. Ao mesmo tempo, absorto e encantado com a beleza da região, foi surpreendido por uma fera selvagem que assombrava a floresta, sendo capturado e arrastado até a caverna do animal. Seu companheiro, que não se descuidou em sua viagem, nem se permitiu demorar naquele lugar, seduzido pela beleza das árvores, seguiu diretamente para a cidade.

Comparada com as parábolas da Bíblia, essa que acabamos de ver parece um tanto sem graça e infantil. Como demonstraremos mais tarde, as parábolas de Jesus são magníficas na aplicabilidade, na concisão, na beleza e no poder de atração. Embora Cristo não tenha criado o recurso didático da parábola, certamente o dotou de elevada originalidade, conferindo-lhe profunda importância espiritual, com dimensões até então desconhecidas.

OBS: Na Categoria PARÁBOLAS BÍBLICAS (neste blog) exporemos TODAS as parábolas da Bíblia – NÃO PERCA. Será uma bênção.

Por Herbert Lockyer.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s