ESTADO LAICO ??? Câmara aprova acordo Brasil-Vaticano ! Catolicismo volta a usar técnicas COLONIAIS para se “EXPANDIR” (Satanás é fogo mesmo !) – ESPALHEM esta notícia vergonhosa !


Matéria segue agora para a apreciação do Senado. Bancada evangélica criticou proposta, mas, sem conseguir barrá-la, promoveu aprovação de projeto semelhante para outras religiões

Edson Sardinha
Câmara estende a evangélicos diretrizes do acordo Brasil-Vaticano que reconhece estatuto jurídico da Igreja Católica

Fábio Góis

Deputados aprovaram em plenário o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1736/09 que dispõe sobre o acordo firmado entre Brasil e Vaticano que, em suma, institui o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil. Assinado em novembro de 2008, o tratado internacional disciplina, entre outros pontos, a estrutura jurídica católica no país.

O Congresso em Foco antecipou nesta quarta-feira (26) que a votação do acordo internacional enfrentaria resistência da bancada evangélica na Câmara. O argumento é que, com o reconhecimento do tratado, o governo brasileiro patrocinaria a concessão de privilégios à Santa Sé, como é conhecida a cúpula da Igreja Católica. 

O projeto, que será encaminhado para o Senado, ratifica regras já observadas no Brasil a respeito do ensino religioso, o casamento e a prestação de assistência espiritual em presídios, hospitais e estabelecimentos congêneres. O acordo bilateral só pode ser firmado porque o Vaticano tem status de Estado – ou seja, tem personalidade jurídica de Direito Internacional Público.

Aprovado em regime de urgência constitucional, o texto reforça o vínculo não empregatício entre religiosos e instituições católicas; assegura sigilo de ofício a sacerdotes e imunidade tributária para entidades eclesiásticas; e dispensa de visto para estrangeiros em viagem ao Brasil para praticar atividades pastorais. Antes de passar pelo plenário, a matéria tramitou na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e recebeu pareceres favoráveis nas comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ); de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Educação.

O decreto legislativo enfrentou resistência da bancada evangélica na Câmara, que vê na proposta a concessão de privilégios do governo brasileiro à Santa Sé. Os deputados evangélicos articularam, sem sucesso, mudanças na matéria – mas, se não conseguiram alterações, ao menos aprovaram um projeto de lei que, na prática, estende à religião evangélica e demais crenças disposições centrais do acordo Brasil-Vaticano.

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Logo em seguida à deliberação sobre o PDC 1736/09, os deputados aprovaram o projeto da bancada evangélica que regulamenta o livre exercício de crença e cultos religiosos, como define a Constituição.

Elaborado nos mesmos moldes que o Estatuto da Igreja Católica, com vários artigos repetidos e adequados às demais religiões, o Projeto de Lei 5598/09 recebeu duras críticas do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), para quem a matéria regulamenta a exploração indevida de fiéis e estimula a ação de igrejas criadas sem critério.

A exclusão do caráter de acordo internacional, inerente ao PDC 1736, foi obtida por meio da aprovação de substitutivo do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com alterações no texto original. Entre outros pontos, o projeto evangélico estabelece que a violação à liberdade de credo e à proteção de locais de culto submete o infrator às sanções definidas no Código Penal Brasileiro, bem como responsabiliza-o civilmente por eventuais danos.

Entre os artigos do acordos, quero comentar apenas o 14. O texto declara que o Brasil deverá destinar espaços para fins religiosos no planejamento urbado, no contexto do plano diretor das cidades. Neste artigo, a própria Santa Sé, admimitindo ser o Brasil laico, já está prevendo espaços nos planos diretores das cidades brasileiras, também para as outras religiões. Glória à Vós Senhor.

OBS: Absurdo pior aconteceu em 1989 com o então Presidente da República JOSÉ SARNEY ao aprovar um DECRETO beneficiando a “Igreja Católica”, contrariando a necessária IMPARCIALIDADE DO ESTADO, assim como desrespeitando a ORDEM JURÍDICA, uma vez que a matéria não foi submetida ao CONGRESSO NACIONAL até a presente data, estando dotada de nítida NULIDADE ABSOLUTA, onerando os cofres do Estado brasileiro em benefício do pôdre catolicismo (por Aldo Corrêa).

TEXTO DO ACORDO

Confira os 20 artigos da proposta que reconhece o estatuto jurídico da Igreja Católica no país, alvo de intensa crítica de parlamentares evangélicos

 Tramita em regime de urgência no plenário da Câmara mensagem presidencial que reconhece um acordo firmado ente o governo brasileiro e o Vaticano, que estabelece o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil. A proposição pode ser votada a qualquer momento pelo Plenário.

O texto foi aprovado no último dia 12 na Comissão de Relações Exteriores por 23 votos a 7. O relator, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), entendeu que o acordo não fere a Constituição Federal. Mas, como mostrou hoje (26) o Congresso em Foco, o documento é alvo de críticas da Frente Parlamentar Evangélica, que acusa o governo brasileiro de privilegiar igreja e ensino do catolicismo em proposta pronta para votação. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) diz que as críticas são descabidas e pede análise isenta de deputados.

Confira a íntegra do acordo, tratado na Mensagem 134/09, encaminhada ao Congresso pelo presidente Lula.

“A República Federativa do Brasil e A Santa Sé (doravante denominadas Altas Partes Contratantes),

Considerando que a Santa Sé é a suprema autoridade da Igreja Católica, regida pelo Direito Canônico;

Considerando as relações históricas entre a Igreja Católica e o Brasil e suas respectivas responsabilidades a serviço da sociedade e do bem integral da pessoa humana;

Afirmando que as Altas Partes Contratantes são, cada uma na própria ordem, autônomas, independentes e soberanas e cooperam para a construção de uma sociedade mais justa, pacífica e fraterna;

Baseando-se, a Santa Sé, nos documentos do Concílio Vaticano II e no Código de Direito Canônico, e a República Federativa do Brasil, no seu ordenamento jurídico;

Reafirmando a adesão ao princípio, internacionalmente reconhecido, de liberdade religiosa;

Reconhecendo que a Constituição brasileira garante o livre exercício dos cultos religiosos;

Animados da intenção de fortalecer e incentivar as mútuas relações já existentes;

Convieram no seguinte:

Artigo 1º
As Altas Partes Contratantes continuarão a ser representadas, em suas relações diplomáticas, por um Núncio Apostólico acreditado junto à República Federativa do Brasil e por um Embaixador(a) do Brasil acreditado(a) junto à Santa Sé, com as imunidades e garantias asseguradas pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 18 de abril de 1961, e demais regras internacionais.

Artigo 2º
A República Federativa do Brasil, com fundamento no direito de liberdade religiosa, reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar a sua missão apostólica, garantindo o exercício público de suas atividades, observado o ordenamento jurídico brasileiro.

Artigo 3º
A República Federativa do Brasil reafirma a personalidade jurídica da Igreja Católica e de todas as Instituições Eclesiásticas que possuem tal personalidade em conformidade com o direito canônico, desde que não contrarie o sistema constitucional e as leis brasileiras, tais como Conferência Episcopal, Províncias Eclesiásticas, Arquidioceses, Dioceses, Prelazias Territoriais ou Pessoais, Vicariatos e Prefeituras Apostólicas, Administrações Apostólicas, Administrações Apostólicas Pessoais, Missões Sui Iuris, Ordinariado Militar e Ordinariados para os Fiéis de Outros Ritos, Paróquias, Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

§ 1º. A Igreja Católica pode livremente criar, modificar ou extinguir todas as Instituições Eclesiásticas mencionadas no caput deste artigo.
§ 2º. A personalidade jurídica das Instituições Eclesiásticas será reconhecida pela República Federativa do Brasil mediante a inscrição no respectivo registro do ato de criação, nos termos da legislação brasileira, vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro do ato de criação, devendo também ser averbadas todas as alterações por que passar o ato.

Artigo 4º
A Santa Sé declara que nenhuma circunscrição eclesiástica do Brasil dependerá de Bispo cuja sede esteja fixada em território estrangeiro.

Artigo 5º
As pessoas jurídicas eclesiásticas, reconhecidas nos termos do Artigo 3º, que, além de fins religiosos, persigam fins de assistência e solidariedade social, desenvolverão a própria atividade e gozarão de todos os direitos, imunidades, isenções e benefícios atribuídos às entidades com fins de natureza semelhante previstos no ordenamento jurídico brasileiro, desde que observados os requisitos e obrigações exigidos pela legislação brasileira.

Artigo 6º
As Altas Partes reconhecem que o patrimônio histórico, artístico e cultural da Igreja Católica, assim como os documentos custodiados nos seus arquivos e bibliotecas, constituem parte relevante do patrimônio cultural brasileiro, e continuarão a cooperar para salvaguardar, valorizar e promover a fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica ou de outras pessoas jurídicas eclesiásticas, que sejam considerados pelo Brasil como parte de seu patrimônio cultural e artístico.

§ 1º. A República Federativa do Brasil, em atenção ao princípio da cooperação, reconhece que a finalidade própria dos bens eclesiásticos mencionados no caput deste artigo deve ser salvaguardada pelo ordenamento jurídico brasileiro, sem prejuízo de outras finalidades que possam surgir da sua natureza cultural.

§ 2º. A Igreja Católica, ciente do valor do seu patrimônio cultural, compromete-se a facilitar o acesso a ele para todos os que o queiram conhecer e estudar, salvaguardadas as suas finalidades religiosas e as exigências de sua proteção e da tutela dos arquivos.

Artigo 7º
A República Federativa do Brasil assegura, nos termos do seu ordenamento jurídico, as medidas necessárias para garantir a proteção dos lugares de culto da Igreja Católica e de suas liturgias, símbolos, imagens e objetos cultuais, contra toda forma de violação, desrespeito e uso ilegítimo.

§ 1º. Nenhum edifício, dependência ou objeto afeto ao culto católico, observada a função social da propriedade e a legislação, pode ser demolido, ocupado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e entidades públicas a outro fim, salvo por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, nos termos da Constituição brasileira.

Artigo 8º
A Igreja Católica, em vista do bem comum da sociedade brasileira, especialmente dos cidadãos mais necessitados, compromete-se, observadas as exigências da lei, a dar assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, de assistência social, de educação ou similar, ou detidos em estabelecimento prisional ou similar, observadas as normas de cada estabelecimento, e que, por essa razão, estejam impedidos de exercer em condições normais a prática religiosa e a requeiram. A República Federativa do Brasil garante à Igreja Católica o direito de exercer este serviço, inerente à sua própria missão.

Artigo 9º
O reconhecimento recíproco de títulos e qualificações em nível de Graduação e Pós-Graduação estará sujeito, respectivamente, às exigências dos ordenamentos jurídicos brasileiro e da Santa Sé.

Artigo 10
A Igreja Católica, em atenção ao princípio de cooperação com o Estado, continuará a colocar suas instituições de ensino, em todos os níveis, a serviço da sociedade, em conformidade com seus fins e com as exigências do ordenamento jurídico brasileiro.

§ 1º. A República Federativa do Brasil reconhece à Igreja Católica o direito de constituir e administrar Seminários e outros Institutos eclesiásticos de formação e cultura.
§ 2º. O reconhecimento dos efeitos civis dos estudos, graus e títulos obtidos nos Seminários e Institutos antes mencionados é regulado pelo ordenamento jurídico brasileiro, em condição de paridade com estudos de idêntica natureza.

Artigo 11
A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.

§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação.

Artigo 12
O casamento celebrado em conformidade com as leis canônicas, que atender também às exigências estabelecidas pelo direito brasileiro para contrair o casamento, produz os efeitos civis, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.

§ 1º. A homologação das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial,
confirmadas pelo órgão de controle superior da Santa Sé, será efetuada nos termos da legislação brasileira sobre homologação de sentenças estrangeiras.

Artigo 13
É garantido o segredo do ofício sacerdotal, especialmente o da confissão sacramental.

Artigo 14
A República Federativa do Brasil declara o seu empenho na destinação de espaços a fins religiosos, que deverão ser previstos nos instrumentos de planejamento urbano a serem estabelecidos no respectivo Plano Diretor.

Artigo 15
Às pessoas jurídicas eclesiásticas, assim como ao patrimônio, renda e serviços relacionados com as suas finalidades essenciais, é reconhecida a garantia de imunidade tributária referente aos impostos, em conformidade com a Constituição brasileira.

§ 1º. Para fins tributários, as pessoas jurídicas da Igreja Católica que exerçam atividade social e educacional sem finalidade lucrativa receberão o mesmo tratamento e benefícios outorgados às entidades filantrópicas reconhecidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, em termos de requisitos e obrigações exigidos para fins de imunidade e isenção.

Artigo 16
Dado o caráter peculiar religioso e beneficente da Igreja Católica e de suas instituições:
I – O vínculo entre os ministros ordenados ou fiéis consagrados mediante votos e as Dioceses ou Institutos Religiosos e equiparados é de caráter religioso e portanto, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira, não gera, por si mesmo, vínculo empregatício, a não ser que seja provado o desvirtuamento da instituição eclesiástica.

II -As tarefas de índole apostólica, pastoral, litúrgica, catequética, assistencial, de promoção humana e semelhantes poderão ser realizadas a título voluntário, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira.

Artigo 17
Os Bispos, no exercício de seu ministério pastoral, poderão convidar sacerdotes, membros de institutos religiosos e leigos, que não tenham nacionalidade brasileira, para servir no território de suas dioceses, e pedir às autoridades brasileiras, em nome deles, a concessão do visto para exercer atividade pastoral no Brasil.

§ 1º. Em conseqüência do pedido formal do Bispo, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, poderá ser concedido o visto permanente ou temporário, conforme o caso, pelos motivos acima expostos.

Artigo 18
O presente acordo poderá ser complementado por ajustes concluídos entre as Altas Partes Contratantes.

§ 1º. Órgãos do Governo brasileiro, no âmbito de suas respectivas competências e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, devidamente autorizada pela Santa Sé, poderão celebrar convênio sobre matérias específicas, para implementação do presente Acordo.

Artigo 19
Quaisquer divergências na aplicação ou interpretação do presente acordo serão resolvidas por negociações diplomáticas diretas.

Artigo 20
O presente acordo entrará em vigor na data da troca dos instrumentos de ratificação, ressalvadas as situações jurídicas existentes e constituídas ao abrigo do Decreto nº 119-A, de 7 de janeiro de 1890 e do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé sobre Assistência Religiosa às Forças Armadas, de 23 de outubro de 1989.”
A mensagem enviada ao Congresso é acompanhada de um texto encaminhado pelo secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro, em que ele expõe um histórico do acordo e as alegações para o reconhecimento do documento pelo governo brasileiro. Confira:

“Brasília, 12 de dezembro de 2008.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República,

Submeto à elevada consideração de Vossa Excelência, com vistas ao encaminhamento ao Congresso Nacional, o Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, assinado na Cidade-Estado do Vaticano, em 13 de novembro de 2008.

2. Recordo que a proposta de celebração do referido Acordo foi enviada a Vossa Excelência pelo Secretário de Estado da Santa Sé, Cardeal Tarcisio Bertone, por carta de 26 de setembro de 2006. Após o recebimento da proposta, foram iniciadas consultas com diferentes áreas do Governo sobre o Acordo. Sob a coordenação do Itamaraty, foram realizadas reuniões de coordenação para avaliação do texto, com a participação de representantes das seguintes áreas do Governo: Casa Civil (Subchefia de Assuntos Jurídicos); Ministério da Justiça (Secretaria de Assuntos Legislativos e FUNAI); Ministério da Defesa; Ministério da Fazenda (incluindo a Secretaria da Receita Federal); Ministério da Educação; Ministério da Cultura; Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério da Previdência Social; Ministério das Cidades; Ministério da Saúde.

3. Em 30 de março de 2007 o Ministério das Relações Exteriores apresentou ao Núncio Apostólico em Brasília a contraproposta do Governo brasileiro ao referido texto, com vistas a sua eventual assinatura por ocasião da visita ao Brasil do Papa Bento XVI, em maio de 2007. A contraproposta brasileira, além de adequação da linguagem jurídica noque se refere às relações do Brasil com a Santa Sé e com a Igreja Católica, continha poucas modificações substanciais ao texto proposto pela Santa Sé.

4. Somente em 13 de setembro de 2007, a Nunciatura Apostólica em Brasília apresentou ao Itamaraty a reação da Santa Sé ao texto proposto em 30 de março daquele ano. A nova proposta então apresentada foi objeto de reuniões de avaliação, coordenadas pelo Itamaraty, com a participação das áreas do Governo já acima mencionadas. Concluído esse processo, o Ministério das Relações Exteriores elaborou novo texto refletindo os pareceres e notas técnicas das diferentes áreas do Governo e o submeteu à aprovação dos respectivos Ministros, por Aviso de 13 de agosto de 2008, com o pedido de parecer final sobre o referido texto, com vistas a sua assinatura por ocasião da visita de Vossa Excelência à Cidade-Estado do Vaticano, para audiência com o Papa Bento XVI, em 13
novembro de 2008.

5. Em 24 de outubro de 2008, realizou-se, na Casa Civil da Presidência da República, reunião com vistas à finalização do texto da contraproposta do Governo brasileiro. Em 25 de outubro, foi entregue ao Núncio Apostólico em Brasília o texto concluído, ocasião em que foram explicadas, ponto por ponto, as posições da parte brasileira. A referida proposta foi oficialmente encaminhada à Santa Sé em 28 de outubro, por Nota Verbal à Nunciatura Apostólica no Brasil. Em 10 de novembro de 2008, a Nunciatura Apostólica comunicou, por meio de Nota Verbal, que a Santa Sé aceitou integralmente a contraproposta brasileira para o Acordo (em anexo), que foi assinado, do lado brasileiro, por mim e, do lado da Santa Sé, pelo Secretário para Relações com os Estados, Monsenhor Dominique Mamberti, em 13 de novembro de 2008, na Cidade do Vaticano.

6. O Brasil é o país que abriga a maior população católica do mundo e era o único que não dispunha de acordo sobre a presença da Igreja Católica em seu território. Desde o estabelecimento de relações diplomáticas com a Santa Sé, em 1826, há apenas dois acordos em vigor: Acordo Administrativo para troca de Correspondência diplomática, de 1935, e o Acordo sobre o Estabelecimento do Ordinariado Militar e Nomeação de Capelães Militares, de 1989.

7. O objetivo do presente Acordo é consolidar, em um único instrumento jurídico, diversos aspectos da relação do Brasil com a Santa Sé e da presença da Igreja Católica no Brasil, já contemplados na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, na Constituição Federal e em demais leis que configuram o ordenamento jurídico brasileiro. As diretrizes centrais seguidas pelas autoridades brasileiras na negociação do Acordo com a Santa Sé foram a preservação das disposições da Constituição e da legislação ordinária sobre o caráter laico do Estado brasileiro, a liberdade religiosa e o tratamento eqüitativo dos direitos e deveres das instituições religiosas legalmente estabelecidas no Brasil. Cabe ressaltar que o estabelecimento de acordo com entidade religiosa foi possível neste caso, por possuir, a Santa Sé, personalidade jurídica de Direito Internacional Público.

8. Apresento, a seguir, resumo do conteúdo de cada artigo do Acordo:

Art. 1 – dispõe sobre a representação diplomática do Brasil e da Santa Sé, nos termos da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas;

Art. 2 – o Brasil reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar sua missão apostólica;

Art. 3 – o Brasil reconhece a personalidade jurídica das Instituições Eclesiásticas mediante inscrição no registro pertinente do ato de criação, nos termos da legislação brasileira;

Art. 4 – a Santa Sé garante que a sede dos Bispados estará sempre em território brasileiro;

Art. 5 – dispõe que os direitos, imunidades, isenções e benefícios das pessoas jurídicas eclesiásticas que prestam também assistência social serão iguais aos das entidades com fins semelhantes, conforme previstos no ordenamento jurídico brasileiro;

Arts. 6 e 7 – dispõem sobre o patrimônio histórico e cultural da Igreja Católica no Brasil, assegurando a proteção dos lugares de culto e a cooperação entre Igreja e Estado com vistas a salvaguardar e valorizar esse patrimônio (incluindo documentos em arquivos e bibliotecas), bem como facilitar o acesso a todos que queiram conhecê-lo e estudá-lo;

Art. 8 – o Brasil assegura a prestação de assistência espiritual pela Igreja a fiéis internados em estabelecimentos de saúde ou prisional que a solicitarem, observadas as normas das respectivas instituições;

Arts. 9,10 e 11 – dispõem sobre temas relacionados à educação: garante à Igreja o direito de constituir e administrar Seminários e outros Institutos eclesiásticos; estipula que o reconhecimento recíproco de títulos e qualificações em nível de Graduação e Pós-Graduação estará sujeito às respectivas legislações e normas; e dispõe sobre o ensino religioso de matrícula facultativa nas escolas públicas de ensino fundamental, sem discriminar as diferentes confissões religiosas praticadas no Brasil;

Art. 12 – estabelece que a homologação de sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial será efetuada nos termos da legislação brasileira sobre a matéria;

Art. 13 – é garantido aos Bispos da Igreja Católica manter o segredo do ofício sacerdotal;

Art. 14 – o Brasil declara seu empenho em destinar espaços para fins religiosos no planejamento urbano no contexto do plano diretor das idades;

Art. 15 – dispõe sobre o reconhecimento pelo Brasil da imunidade tributária referente aos impostos das pessoas jurídicas eclesiásticas e garante às pessoas jurídicas da Igreja que exercem atividades sociais e educacionais sem fins lucrativos os mesmos benefícios;

Art. 16 – trata do caráter religioso das relações entre os ministros ordenados e fiéis consagrados e as Dioceses ou Institutos Religiosos as quais, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira, não geram vínculo empregatício, a não ser que comprovado o desvirtuamento da função religiosa da Instituição;

Art. 17 – trata da concessão de visto permanente ou temporário para sacerdotes, membros de institutos religiosos e leigos, que venham exercer atividade pastoral no Brasil, nos termos da legislação brasileira sobre a matéria.

9. Com vistas ao encaminhamento do texto à apreciação do Poder Legislativo, conforme prevê o inciso VIII do artigo 84 da Constituição Federal, submeto a Vossa Excelência projeto de Mensagem ao Congresso Nacional, juntamente com cópias do Acordo.

Respeitosamente,
Samuel Pinheiro Guimarães Neto
Secretário-geral do Itamaraty”

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8 thoughts on “ESTADO LAICO ??? Câmara aprova acordo Brasil-Vaticano ! Catolicismo volta a usar técnicas COLONIAIS para se “EXPANDIR” (Satanás é fogo mesmo !) – ESPALHEM esta notícia vergonhosa !

  1. Os evangélicos exigiram que os privilégios fossem estendidos à eles? Ué, mas não eram técnicas vergonhosas de satanás? Protestantes são hipócritas mesmo!

  2. Não amigo a questão não é o tempo, mas a fundação. É facil de se explicar somente uma Igreja foi fundada por Cristo ( minha Igreja) mateus16;18, então somente UMA pode conter encerrada toda a Verdade. Como saber qual a Igreja fundada por Cristo? É facil, de onde surgiu as outras Igrejas? Da Igreja Católica então foi Ela a verdadeira e ÚNICA Igreja fundada por Cristo,. O nosso Amigo fala de Contantino – Pois é amigo, mas sabia que foi Contantino que você tanto critica quem convocou o Concílio de Niceia em 325, donde saiu o indice dos livros do novo testamento que VOCÊ usa. Sabia que foi a Igreja Católica quem selecionou estes livros? Segundo você a Igreja Católica se corrompeu, mas como crer em livros selecionados por uma igreja corropida. Como crer em livros que durante 1500 anos ficou unica e exclusivamente nas mãos da Igreja Católica, sera que a Igreja não modificou a bíblia? A Igreja sendo corrompida, ela poderia muito bem corromper a bíblia. Será que Cristo falhou em suas previsãoes quando disse “as portas do inferno NUNCA prevalecerão contra ela”?

  3. PARA GILMARA E JARDEL.SE A QUESTÃO DE TEMPO É DE SER VERDADEIRA ENTÃO,RELIGIÕES MAIS ANTIGAS QUE O CRISTIANISMO SÃO MAIS VERDADEIRAS QUE ESTAS?CLARO QUE NÃO A IGREJA NÃO TINHA NOME:IGREJA CATOLICA ROMANA OU ASSEMBLEIA DE DEUS OU QUALQUER OUTRO NOME.ERA IGREJA PRIMITIVA.E SAIBAM QUE A IGREJA SOB INTERFERENCIA DE CONSTATINO QUE ESTAVA RUINDO SEU IMPERIO AO PERCEBER O CRESCIMENTO DOS CRISTÃOS,NÃO PENSOU DUAS VEZES.TRATOU LOGO DE OFICIALIZAR NA FORÇA ESTA RELIGIÃO.SE PRECISAMOS LER MAIS A BIBLIA VOCE PRECISA LER A HISTORIA OS LIVROS ESTÃO REPLETOS INFORMAÇÕESQUE NOS FAZEM PENSAR DUAS VEZES ANTES DE SEGUIR A IGREJA CATOLICA.A HISTORIA A CONDENA.ELA FOI SENDO CORROMPIDA.

  4. Porque vc se refere a Igreja Católica(única fundada por Jesus)como Igreja de Satanás ou qualquer coisa do gênero,nem li isso ,pq a maneira como vc colocou a manchete foi repugnante estude um pouco mais a Bíblia antes de falar da Igreja do Cordeiro de Deus,
    afinal ele mesmo disse:
    “Povos ,escutai-me bem!
    Nações,prestai atenção!
    Pois é de MIM que emanará a verdadeira doutrina
    e a VERDADEIRA RELIGIÃO que será a Luz dos Povos”
    Is 51,4
    “Pedro, Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”
    “Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; porém ela não caiu, porque estava edificada sobre a rocha” (Mt 7, 25). E sobre uma rocha que desfila o mel da salvação.
    Sr Maluco por Jesus a sua Igreja tem 2010 anos?,pois ela está presente em todas as nações ?,Tem por base a tradição dos apóstolos e no Primado de Pedro? ,e tem uma sede fixa ?,Se suas respostas for não para qualquer uma delas eh melhor procurar a Igreja Católica agora mesmo!!!!
    Vc pode falar um monte de besteiras mas saiba que o próprio Jesus disse “As portas do Inferno não prevaleceriam e nem irão mesmo”
    e sabe pq PORQUE A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA ESTA EDIFICADA SOBRE PEDRO NA AUTORIDADE QUE JESUS LHE DEU E NEM É VC NEM NINGUÉM SOMENTE ELE QUE PODE TIRAR!
    Jesus só fundou uma Igreja soh ele pode fundar Igreja !
    Paz de Jesus e Amor de Maria(Virgem Imaculada )!!!!

  5. Porque vc se refere a Igreja Católica(única fundada por Jesus)como Igreja de Satanás ou qualquer coisa do gênero,nem li isso ,pq a maneira como vc colocou a manchete foi repugnante estude um pouco mais a Bíblia antes de falar da Igreja do Cordeiro de Deus,
    afinal ele mesmo disse:
    “Povos ,escutai-me bem!
    Nações,prestai atenção!
    Pois é de MIM que emanará a verdadeira doutrina
    e a VERDADEIRA RELIGIÃO que será a Luz dos Povos”
    Is 51,4
    “Pedro, Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”
    “Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; porém ela não caiu, porque estava edificada sobre a rocha” (Mt 7, 25). E sobre uma rocha que desfila o mel da salvação.
    Sr Maluco por Jesus a sua Igreja tem 2010 anos?,pois ela está presente em todas as nações ?,Tem por base a tradição dos apóstolos e no Primado de Pedro? ,e tem uma sede fixa ?,Se suas respostas for não para qualquer uma delas eh melhor procurar a Igreja Católica agora mesmo!!!!
    Vc pode falar um monte de besteiras mas saiba que o próprio Jesus disse “As portas do Inferno não prevaleceriam e nem irão mesmo”
    e sabe pq PORQUE A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA ESTA EDIFICADA SOBRE PEDRO NA AUTORIDADE QUE JESUS LHE DEU E NEM É VC NEM NINGUÉM SOMENTE ELE QUE PODE TIRAR!
    Jesus só fundou uma Igreja soh ele pode fundar Igreja !
    Paz de Jesus e Amor de Maria(Virgem Imaculada )

  6. Veja acima, como é grave o pecado da inveja, pois, a Igreja Católica é o que é, devido mesmo à sua suma importância p/ a humanidade, há mais de 2000 anos, e devido ao seu caráter de ser divina, fundada pelo próprio Cristo, e por todas as suas obras, de caridade, de evangelização, de construção da civilização cristã. E qual é a desvantagem para os evangélicos, se a Igreja tem do Estado as garantias básicas para atuar em prol da evangelização, que é sua missão ?? certamente por inveja, ou por julgarem que ela é ‘do demônio’, se opôem a ela vorazmente…lamentável, pois essas pessoas avançam vorazmente contra a Igreja do Santo, o Corrdeiro de Deus, dAquele que a comprou c/o próprio sangue, à custa de uma dor imensurável, por amor. Quão repugnante é a atitude de homens que apedrejam a Igreja de Cristo, graças à qual o cristianismo existe e se propaga até hoje! Jesus seja louvado pela nossa Santaq Igreja Católica, salve Maria !!!

  7. “OBS: Absurdo pior aconteceu em 1989 com o então Presidente da República JOSÉ SARNEY ao aprovar um DECRETO beneficiando a “Igreja Católica”, contrariando a necessária IMPARCIALIDADE DO ESTADO, assim como desrespeitando a ORDEM JURÍDICA, uma vez que a matéria não foi submetida ao CONGRESSO NACIONAL até a presente data, estando dotada de nítida NULIDADE ABSOLUTA, onerando os cofres do Estado brasileiro em benefício do pôdre catolicismo (por Aldo Corrêa).

    Veja acima, como é grave o pecado da inveja: pois, a Igreja Católica é o que é, devido mesmo à sua suma importância p/ a humanidade, há mais de 2000 anos, e devido ao seu caráter de ser divina, fundada pelo próprio Cristo. E qual é a desvantagem para os evangélicos, se a Igreja tem do estado as garantias básicas para atuar em prol da evangelização, que é sua missão ?? certamente por inveja, ou por julgarem que ela é ‘do demônio’, e que se opôe a ela vorazmente…lamentável, pois essas pessoas avançam vorazmente contra a Igreja do Santo, o Corrdeiro de Deus, que a (Igreja Católica) comprou c/o próprio sangue, à custa de uma dor imensurável, por amor. Quão repugnante é a atitude de homens que apedrejam a Igreja de Cristo, graças à qual o cristianismo existe e se propaga até hoje! Jesus seja louvado pela nossa Santaq Igreja Católica, salve Maria !!!

  8. enquanto o silas malafaia estava preocupado em conseguir votos para o catolico serra,fazendo campanhas contra dilma o que ele e voces estavam fazendo ou fizeram para não permitir que esta lei(BRASIL VATICANO) fosse promulgada?DEITADOS ETERNAMENTE EM BERÇO EXPLENDIDO OU ASSITINDO NOVELAS DA GLOBO?

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