Tesouros em Vasos de Barro


Vez em quando leio ou ouço pessoas fazendo prevalecer a honra de um vaso de barro sobre os demais tipos de vaso, com o principal argumento que o vaso de barro pode ser refeito, enquanto aqueles feitos de outros materiais não.

Numa análise mais ampla da Bíblia e numa abordagem ilustrativa, leremos que os metais têm serventia para Deus e na Sua própria fala o SENHOR anuncia que refinará o Seu povo “como prata” e “como ouro” (Zacarias 13.9; Malaquias 3.3). Lemos também que o altar do incenso era feito de madeira, assim como os varais, as colunas e a mesa, entre outros objetos do Tabernáculo (Êxodo 25 a seguir), pelo que constatamos que a madeira também tem grande utilidade na Casa de Deus.

“Numa grande casa há vasos não apenas de outro e prata, mas também de madeira e barro; alguns para fins honrosos, outros para fins desonrosos.” (2Timóteo 2.20)

Se o vaso causa desonra, ele será retomado por Deus e refeito. E não precisamos fazer muito esforço para compreendermos que vasos de bronze, prata, ouro, madeira, plástico, vidro, ou qualquer outro material, possa ser refeito sim(!). “Não é a Minha palavra como o fogo – pergunta o SENHOR – e como um martelo que despedaça – a rocha?” (Jeremias 23.29). Pois bem: madeira, plástico e vidro podem ser perfeitamente triturados e reciclados; alumínio, cobre, ferro, bronze, ouro, prata, se submetidos a altas temperaturas, fundem-se e podem ser remodelados como o artesão bem quiser.

O problema não é o material de que é feito o vaso – até porque Deus não formou um exército de robôs, mas de seres humanos, diferentes entre si mas com o mesmo propósito de glorificar ao SENHOR em toda a sua maneira de ser. O problema está no comportamento do vaso, que muitas vezes se permite ser um instrumento que desonra a santidade do nome do Senhor. Contudo, “se alguém se purificar dessas coisas, será vaso para honra, santificado, útil para o SENHOR e preparado para toda boa obra.” (2Timóteo 2.21)

O apontamento bíblico sobre vaso de barro refere-se, principalmente, à humildade, à simplicidade e à fragilidade relativa a Deus com que se portam os verdadeiros adoradores do SENHOR.

O barro pode ser encontrado com facilidade na natureza, diferente do ouro e da boa madeira, por exemplo. Por isso mesmo ele é tão desprezado pelos homens. Essa ilustração do Reino é melhor esclarecida por Tiago:

“Não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que Ele prometeu aos que O amam? Mas vocês têm desprezado o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles os que os arrastam para os tribunais? Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado?” (Tiago 2.5-7)

Há que se considerar:

(1) Assim como ao oleiro interessa o barro pelo qual ninguém dá nada, assim também para Deus interessa o pobre e desprezado, aquele que o mundo rejeita, nem tanto pelos seus poucos bens materiais, mas principalmente por causa da sua pequenez egocêntrica que permite ao tal homem seja um grande bem-aventurado diante do SENHOR (Mateus 5.3);

(2) O barro não exige tanto do oleiro para ser moldado, e assim também a simplicidade e a carência de pessoas pobres – pobres tanto de bens quanto de espírito – permitem maior liberdade para Deus trabalhar em (e através de) suas vidas (Oséia 12.7-9; 13.4-6; Lucas 18.9-14);

(3) Aquilo que os homens valorizam costuma ser as coisas mais difíceis de serem alcançadas. Deus, porém, permanece constante em nosso meio e impressiona por ser tão nobre e tão simples ao mesmo tempo. Jesus, sendo Deus e Rei sobre reis, Se fez simples, popular, acessível a todos os homens, e por isso mesmo foi desprezado por aqueles para quem Ele veio (João 1.11). Os homens esperavam o Filho de Deus como um cavaleiro de mais alta pompa, montado sobre um cavalo luxuosamente enfeitado, rodeado de cavalarias, soldados e carruagens blindadas, talvez. Mas o SENHOR desapontou mais essa expectativa humana e veio, de cara, não num berço de ouro, mas em uma vasilha para alimentar cavalos; não numa suíte real mas num estábulo fedendo cocô e xixi de vaca; não recebendo honras de um rei, mas calçando sandálias que não protegiam Seus pés das rachaduras e calos provocados pela aridez do deserto, vestindo panos grosseiros e caminhando no meio de multidões famintas, esfarrapadas, carentes de todo tipo de provisão.

Os homens valorizam o ouro das jazidas distantes e encobertas. Jesus valoriza o barro facilmente encontrado nos prostíbulos, nas bocas-de-fumo, nas penitenciárias e debaixo dos viadutos. Os homens buscam coisas difíceis que lhes preenchem os bolsos mas não a alma. Jesus, porém, é fácil de ser achado e suficiente para transformar toda uma história e salvar qualquer vida.

Há uma nobreza muito grande em ser barro para Deus. E Paulo nos fala sobre ela sob dois aspectos interessantes.

O primeiro, conta-nos que o vaso de barro geralmente é usado para servir, em contraste aos vasos de outros materiais, que geralmente são usados para enfeitar. Vamos voltar dois versos e ler:

“Mas não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o SENHOR, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz’, Ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.” (2Coríntios 4.5,6)

O vaso está em plena atividade, vertendo água da vida sobre os sedentos, manifestando o poder do SENHOR e fazendo a luz de Cristo brilhar nas trevas, anunciando a Palavra de Deus (Isaías 6.1-4). Essa é a vida de um servo de Jesus: como o vaso cheio ele se permite servir pelo SENHOR onde estiver, quando for necessário, e o quanto for preciso.

Mais dois versículos à frente, e lemos sobre a realidade dos dias de um vaso de honra nas mãos do SENHOR:

“De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos.” (2Coríntios 4.8,9)

Reforçando: estes vasos estão nas mãos do SENHOR, em plena atividade. Por isso, estão expostos ao desgaste, mas não ao aniquilamento (2Coríntios 4.16-18; Romanos 8.35-39).

O segundo e principal aspecto que levou Paulo a usar um vaso de barro para ilustrar a relação dos servos de Deus com o Seu poder fala sobre a humildade que, a exemplo de Cristo, deve fazer parte de toda personalidade, principalmente daquela que se chama cristã.

Vale à pena recitar o conhecido texto da carta de Paulo aos Filipenses, com o seguinte conselho:

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade,
mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.
Cada um cuide, não somente dos seus interesses,
mas também dos interesses dos outros.
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que,
embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus
era algo a que devia apegar-Se;
mas esvaziou-Se a Si mesmo,
vindo a ser servo, tornando-Se semelhante aos homens.
E sendo encontrado em forma humana,
humilhou-Se a Si mesmo
e foi obediente até a morte, e morte de cruz!”
(Filipenses 2.3-8)

Vasos de barro não chamam a atenção, nem de ladrões nem de pessoas comuns que passam por eles. Mas podem esconder em seu interior preciosidades que abençoam muita gente. Coisas como tesouros, jóias preciosas, por exemplo. E isso nos remete imediatamente ao comportamento que os servos de Deus devem guardar, não querendo glórias para si, tendo sempre em mente que o poder, a honra por causa do poder e a sabedoria para usá-lo vêm somente de Deus:

“Uma vez Deus falou, duas vezes eu ouvi, que o poder pertence a Deus.” (Salmos 62.11)

“Não foram as Minhas mãos que fizeram todas essas coisas, e por isso vieram a existir?, pergunta o SENHOR.” (Isaías 66.2)

“…Tudo vem de Ti, e nós apenas Te damos o que vem das Tuas mãos.” (1Crônicas 29.14)

Os vasos somos nós. O tesouro é a glória de Deus e Seus recursos. Sem eles: (1) ou somos vasos vazios apenas; (2) ou somos vasos cheios de coisa sem valor; (3) ou somos vasos cheios de coisas valiosas que se deterioram com o tempo. “…Sem Mim vocês não podem fazer coisa alguma”, disse Jesus (João 15.5), e isso encerra tudo.

A voz bonita, a eloqüência no falar, o talento para coordenar, a criatividade, os dons… nada disso produz efeito algum se o próprio SENHOR não for a essência e o fim de tudo:

“Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus.” (2Coríntios 4.15)

Diante de todo o exposto, resta-nos lembrar que o barro não é resistente às mudanças e pode ser quebrado sem muito esforço. No Seu ofício, Deus escolheu esconder Sua glória em vasos que podem facilmente ser reparados ou refeitos ao se danificarem. Porque Dele somente é a glória, Deus não escolheu usar materiais que jamais perecem, mas um tipo de matéria sem resistência, que precisa sempre passar por uma revisão. O Seu poder é mais forte quando nós somos mais fracos (2Coríntios 12.9). E isso expõe claramente o prazer que o SENHOR tem em habitar e agir pela vida daquelas pessoas que estão sempre dispostas a Lhe dar atenção e recomeçar com Ele:

“Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é Santo: Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito humilde e novo alento ao coração do contrito.” (Isaías 57.15)

Constante deve ser nossa rendição a Deus, para que os aplausos, o reconhecimento pelos feitos retornem sempre a Ele, que a tudo realiza através de Seus vasos, sejam eles de barro, de bronze, de madeira, de ouro, de porcelana, ou do que for.

Que sejam apenas vasos.

Que sejam vasos para a honra de Deus e o louvor da Sua glória.

E que o mundo beba da água contida em seu interior e se farte dos tesouros escondidos dentro de seus corações, sabendo que “isso vem do SENHOR, e é algo maravilhosos para nós.” (Salmos 118.23)

Soli Deo Gloria!

 
 
OBS/Aldo Corrêa: Não é incomum aos líderes das Igrejas Cristãs, p. ex., não perceberem tais vazos, o que atrapalha o desenvolvimento da obra de Deus dentro da própria Igreja e o mais impressionante é que Deus corrige os próprios Pastores, mas, porém, OS MESMOS NÃO ENCHERGAM !
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3 thoughts on “Tesouros em Vasos de Barro

  1. Gostaria de saber sobre vasos de barro na eboque de Jesus suas fusão como vasos de dessora como assim eles eram usado pr leva oque ???

  2. Paz do Senhor, irmão Aldo.

    Fazendo uma pesquisa na net sobre o barro encontrei seu site com uma de nossas imagens, e… olha só: com um de nossos textos. Que maravilhosa surpresa!

    Fico muito feliz por sua contribuição em ampliar nosso trabalho, apresentando-o aqui em seu exímio blog.

    Que Jesus abençoe sua semana e seu trabalho. Graça e Paz do Senhor Jesus Cristo, o eterno Rei de toda glória.

    Elaine Cândida

  3. Realmente este texto nos faz refletir da necessidade de nos colocarmos diante de DEUS como vasos de honra, transbordando de amor aos perdidos, pois querem ver em nos o reflexo de CRISTO nosso SALVADOR. Devemos ser como diz o cântico : Quero ser um vaso de benção…vasos que levem a mensagem de DEUS, faz-me submisso pra teu serviço, tudo consagro-te agora SENHOR.

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