As Sete Cartas do Apocalipse – A Mensagem Final de Cristo à Igreja

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Lição 1 - Apocalipse, a Revelação de Jesus Cristo

 

 

Lição 2 - A Visão do Cristo Glorificado

 

 

Lição 3 - Éfeso, a Igreja do Amor Esquecido

 

 

Lição 4 - Esmirna, a Igreja Confessante e Mártir

 

 

Lição 5 - Pérgamo, a Igreja Casada com o Mundo

 

 

Lição 6 - Tiatira, a Igreja Tolerante

 

 

Lição 7 - Sardes a Igreja Morta

 

 

Lição 8 - Filadélfia, a Igreja do Amor Pergeito

 

 

Lição 9 - Laodicéia, uma Igreja Morna

 

 

Lição 10 - O Governo do Anticristo

 

 

Lição 11 - O Evangelho do Reino no Império do Mal

 

 

Lição 12 - O Juízo Final

 

Lição 13 - A Formosa Jerusalém

Como Jesus Cristo tratou os não-membros da Igreja ?

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 Um carro lotado de alunos estava indo para as férias, do colégio para casa. Ao trafegarmos, passamos por um sinal que dizia: “Não leia o outro lado deste sinal!” Ninguém disse nada, mas, ao passarmos, cada cabeça do carro virou-se para ler a parte de trás da placa! Publicidade negativa pode ser uma forma muito eficiente de anunciar. Talvez até mesmo Deus pode usá-la ocasionalmente.

Ao Jesus chegar ao final de Sua vida e missão neste mundo, as coisas não pareciam muito boas. Havia um grande número de más informações – má publicidade. Muitas pessoas O estavam abandonando, até mesmo entre aqueles que Ele havia curado. Nove dos dez leprosos aceitaram apenas as bênçãos físicas, enquanto recusaram a oferta de bênçãos espirituais.

Por algum tempo as multidões haviam se apinhado para ouvi-Lo e vê-Lo. Contudo, à medida que Seu tempo na Terra se aproximava do fim, toda Sua Missão tinha a aparência de cruel derrota. O caso parecia desesperador. Aparentemente, Jesus tinha feito pouco da obra que viera fazer.

Ainda assim, a despeito do aparente fracasso, Ele pôde assentar-Se no cume do Monte das Oliveiras, olhar para uma outra montanha que parecia com uma caveira, e dizer: “Este evangelho que Eu ensino irá a todo o mundo.” Do ponto de vista dos recursos humanos não havia a mínima ilusão de uma chance. Ele tinha apenas poucos discípulos e várias mulheres como seguidores e até mesmo Seus discípulos fugiram, quando chegou o momento crucial. Todos achavam que Ele jamais seria aceito pelos líderes da igreja. O sucesso parecia impossível.

Vivemos, porém, para ver o cumprimento de Sua predição – ou pelo menos o potencial em nossos próprios dias para tal cumprimento. Hoje a igreja também está recebendo grande quantidade de má publicidade. Mas Deus também pode alterar isso, assim como as perspectivas negativas foram alteradas nos dias do primeiro advento de Jesus. Má publicidade ainda é publicidade. Dizer que não é para ler o outro lado do sinal pode levar as pessoas a lerem o outro lado do sinal. Assim, hoje, há lições a serem aprendidas do aparente fracasso que marcou os dias justamente antes da crucifixão de Jesus.

Vamos começar lendo S. João 12:20 em diante, onde está relatado um episódio que trouxe ânimo ao coração de Cristo. “Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos.” Jesus estava presente na festa, em pé no pátio do templo, pronto para volver-Se e sair daí pela última vez.

Eles, “pois se dirigiram a Filipe que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver a Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem”. Versos 21-23.

Então começa um parágrafo que à primeira vista pode parecer não muito relevante, mas que à segunda vista se torna muito significativo. “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz fruto.” Verso 24. Jesus estava indicando que Ele seria glorificado, mas precisaria primeiro morrer. Então Ele faz a aplicação aos Seus seguidores. “Quem ama a sua vida, perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo, preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me serve [ou deveríamos dizer: torna-se Meu servo], siga-Me.” Seguir para onde? Jesus estava no rumo da cruz! ”E onde Eu estou, ali estará também o Meu servo. E se alguém Me servir, o Pai o honrará.” Versos 25 e 26. Assim, Jesus estava indicando que, para sermos glorificados, devemos segui-Lo até a cruz.

“Agora está angustiada a Minha alma e que direi Eu? Pai, salva-Me desta hora?” Compreendemos que, quanto a Jesus, se Ele houvesse tido Sua preferência, não teria ido tão cedo à cruz. Porém, veio então Sua imediata submissão à vontade de Seu Pai e o plano da salvação: “Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o Teu nome.” “Então veio uma voz do céu: Eu já O glorifiquei e ainda O glorificarei. A multidão, pois que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que Lhe falou. Então explicou Jesus: Não foi por Mim que veio esta voz, e, sim, por vossa causa.” Versos 27-30. Deus deu mais uma oportunidade, uma última chance para eles ouvirem. Mas note que a voz de Deus soa apenas como o trovão para algumas pessoas. “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo.” Versos 31 e 32.

Que conforto deve ter sido para Jesus, quando esses homens do Ocidente vieram e disseram: “Nós gostaríamos de ver a Jesus.” Essa foi uma das poucas palavras encorajadoras no final de Sua vida, pois Ele estava sob a sombra da cruz. Ele havia predito isso, embora Seus seguidores não gostassem da idéia. Mas o surgimento desses homens foi como cumprimento de uma profecia relatada em S. Mateus 8:11 e 12. Jesus tinha justamente curado o servo do centurião e elogiado o líder militar por sua grande fé. E então fez esta declaração: “Muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos Céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.”

Jesus predisse uma situação, um tempo no qual Seu próprio professo povo O deixaria – e outro povo viria do leste e do oeste (e Lucas adiciona do norte e sul também) e se assentaria com Abraão, Isaque e Jacó. Bem no início do ministério de Jesus, os sábios vieram do Oriente e perguntaram: “Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a Sua estrela no Oriente e viemos para adorá-Lo.” S. Mateus 2:2. Então, no final de Seu ministério um grupo veio do Ocidente – a continuação do cumprimento desta profecia.

Você notou Filipe e André? Eles tinham as “antenas” ligadas. Seus ouvidos estavam sintonizados com as almas, eles viram os gregos que tinham entrado no pátio do templo. Tempos atrás, no inicio, foi André que trouxe seu irmão Pedro a Jesus. E você pode ver André assentando-se nos fundos da sinagoga, enquanto Pedro está na frente pregando. E André diz a si mesmo: “Que dia maravilhoso foi quando eu trouxe Pedro a Jesus. ” André estava disposto a ficar de lado. Ele não estava sempre na frente, e discursando. Mas estava sempre trazendo alguém a Jesus – mesmo que fosse apenas um menino com cinco pães e dois peixinhos.

Filipe, um dos primeiros discípulos de Jesus, havia trazido Natanael convidando-o a “vir e ver”. Assim, ei-los outra vez, Filipe e André trazendo alguém a Cristo.

Os gregos certamente tinham a motivação certa – “Nós gostaríamos de ver a Jesus”. Eles não pediram para ouvir os resultados da jornada missionária na qual os setenta discípulos estiveram envolvidos. Eles não pediram por uma visita à sinagoga ou por uma discussão de algum ponto teológico. Eles queriam ver a Jesus. Seu pedido foi atendido.

Nessa passagem da Escritura está relatada uma clássica declaração de Jesus: “Eu, quando for levantado … atrairei todos a Mim.” A exaltação de Jesus atrai pessoas a Ele. Jesus elevado na cruz era uma ofensa às pessoas de Seus dias – e é uma ofensa a alguns em nossos dias também. A igreja primitiva teve que enfrentar grande quantidade de publicidade negativa por ter um Deus que foi crucificado. Isso era uma péssima propaganda. Os deuses daqueles dias eram estranhos ao conceito de “Ele salvou outros; a Si mesmo não pode salvar”. Paulo falou aos coríntios sobre a loucura de pregar a cruz. Entretanto aí estava o poder de Deus.

Esses gregos estavam aptos a ir diretamente ao âmago da questão, pedindo e aceitando uma revelação de Jesus, num tempo em que os outros estavam fechando a porta da salvação para si mesmos.

É-nos dito que a igreja no final dos tempos, justamente antes de Jesus voltar outra vez, estará parecendo como se estivesse para cair. Porém, ela não cai. Ao contrário, deverá haver outra vez esta estranha realidade – com os de dentro saindo, e os do Norte e do Sul, do Leste e Oeste, entrando. Note que Abraão, Isaque e Jacó não saem da igreja e vão para fora unir-se às pessoas do Norte e do Sul, do Leste e do Oeste. São as pessoas do Norte e do Sul, do Leste e do Oeste que entram. Não esqueça isso!

Assim você tem, no fim, dentro da igreja organizada, um grande êxodo de pessoas que têm o mesmo problema das pessoas religiosas dos dias de Cristo. Elas O abandonaram. E, ao saírem, grande número de pessoas entram e tomam os seus lugares.

Por que ocorre essa troca? O apóstolo Paulo descreve a situação e dá a resposta. E se isso era bom para aqueles dias, por que não seria hoje?

“Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação vieram a alcançá-la, todavia a que decorre da fé; e Israel que buscava lei de justiça não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e, sim, como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nele crê não será confundido. “Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles é para que sejam salvos. Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus [aqui está o problema], e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.” Romanos 9:30-33 e 10:1-3.

Eles não haviam ido à cruz ainda e se unido a Jesus, que não salvaria a Si mesmo. Eles não vieram ao lugar onde descobririam que não poderiam salvar a si mesmos. E Paulo termina seu argumento com estas palavras: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” Verso 4.

O ponto-chave na salvação pela fé e salvação pelas obras é a linha divisória entre aqueles que aceitam a Jesus, junto com os gregos, e aqueles que O rejeitam junto com os líderes judeus. As pessoas que obtêm algo através de seus próprios esforços, querem mérito e crédito e encontram em Jesus uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo. O legalista é ofendido em Jesus e O deixará no final precisamente pela mesma razão.

E não podemos nos unir a Paulo, quando ele diz: “Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles é para que [quantos?] – sejam salvos.” Todos. Nós não queremos ver milhares de nossa igreja saírem para as trevas, quando o próprio Deus deseja que cada um de nós permaneça na luz. Nós todos podemos estar lá, para nos assentarmos com Abraão, Isaque e Jacó, junto com as multidões que ninguém pode calcular, que vieram de todas as nações, reinos, línguas e povos. Não podemos livrar a nós mesmos de sermos ofendidos, de tropeçarmos naquela pedra de tropeço, exceto por um método e este é cairmos na Rocha e sermos despedaçados por nossa própria livre escolha. Podemos escolher entrar em um relacionamento com Jesus hoje, segui-Lo e nos submetermos à verdade de que não podemos salvar a nós mesmos. Podemos nos unir aos gregos, partilhando com eles na busca para vermos a Jesus hoje.

“Nós temos Cristo” amado as sombras crescem, Ao nosso lado sempre a nos livrar; Sim, quando as forças nossas desfalecem. É nosso Amparo, té o fim chegar.

“Nós temos Cristo” nossa Rocha forte; Oh! Sim, podemos nEle confiar. Dor, negras lutas nem sequer a morte, Já nossa vida podem abalar.

 ”Nós temos Cristo” – tudo quanto temos, Fé, gozo e forças Ele nos quer dar; Mas muito breve todos nós teremos. Paz, vida eterna, Cristo, lá no lar.

Anna B. Warner

Morris Venden.

Mais Doutrinas Católicas EXTRA BÍBLICAS !!!

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O Rosário e suas 15 promessas

1) Introdução

A Igreja Católica Apostólica Romana presta uma espécie de veneração especial a Maria, chamada hiperdulia (algo como hiper veneração). Todos os demais santos são merecedores apenas de dulia (veneração) e apenas a Deus é reservada a latria, que é a adoração.

Teoricamente estas definições podem até ser compreensíveis, porém a prática nos revela algo totalmente diferente.

João Paulo II, grande devoto de Nossa Senhora e que demonstrou isto em toda a sua trajetória como pontífice disse o seguinte no encontro com os jovens na Basílica Vaticana em 10 de janeiro de 1979: 

“O assunto, para o qual desejaria chamar a vossa atenção neste momento, está muito perto da vossa sensibilidade. Quereria, de fato, deter-me convosco a contemplar ainda a cena maravilhosa que o mistério do Natal nos colocou diante dos olhos. É cena que vos é familiar: muitos de vós reviveram-na ativamente nestes dias, construindo o presépio nas suas casas. Pois bem, entre os protagonistas desta cena, convido-vos esta manhã a olhar para Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe.” 

A Igreja mesma nos sugere esta atenção particular para com Nossa Senhora: quis que o Último dia da oitava do Natal, e primeiro dia do ano novo, fosse consagrado à celebração da Maternidade de Maria. É evidente, pois, a intenção de dar realce ao “lugar” da Mãe, diria à “dimensão maternal” de todo o mistério do nascimento humano de Deus.

Não é intenção sua que isto se manifeste só neste dia. A veneração da Igreja para com Nossa Senhora — veneração que supera o culto de qualquer outro santo e toma o nome de “hiperdulia” — invade todo o ano litúrgico.” [1]

Esta é uma pequena demonstração de como a ICAR tem voltado o seu foco sistematicamente para Maria, tirando-o do único e verdadeiro Salvador, Jesus Cristo.

2) O surgimento do rosário

Um instrumento poderoso para este desvio do foco em Cristo, o Santo Rosário, surgiu aproximadamente no ano 800 e consistia na reza de 150 pais-nossos pelos leigos que não sabiam ler, de forma a imitar os monges que rezavam os Salmos (150). Com o passar do tempo formaram-se outros três saltérios com 150 aves-Maria, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria. O Rosário como conhecemos hoje surgiu em 1206, quando a Virgem teria supostamente aparecido a São Domingos e revelado que era uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores. O primeiro documento impresso que explica claramente como rezar o rosário surgiu em Colônia, na Alemanha, em 1476.

Ao longo do tempo recebeu algumas implementações, sendo a última em 16/10/2002 através da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae [2] publicada pelo papa João Paulo II em que adicionou-se mais 50 aves-Maria e 5 pais-Nosso sob o título de Mistérios Luminosos [3] aos já rezados mistérios gozosos, mistérios dolorosos e mistérios gloriosos. Desde tal data o rosário passou a ser composto por 212 aves-Maria, 4 salve-rainhas e 24 pais-nosso [4]. Pela distribuição das rezas fica notável que o foco não é Cristo, mas sim Maria.

3) “Revelações” acerca do rosário

Muitas são as informações que os católicos recebem acerca de diversas supostas aparições de Maria com uma mensagem de estímulo à reza do seu rosário: 

Quero que saiba que, a principal peça de combate tem sido sempre o saltério Angélico (Rosário) que é a pedra fundamental do novo testamento. Assim quero que alcances estas almas endurecidas e as conquiste para Deus, com a oração do meu saltério” esta frase teria sido dita a São Domingo em uma aparição da Virgem Maria dos Católicos.

À Beata Alexandrina de Balasar, nascida em 1904 e falecida em 1955, a ICAR afirma que Nossa Senhora muitas vezes lhe falou do rosário, recomendando-o como arma eficaz contra as ciladas do demônio e como oração que agrada a Jesus, porque honra Maria, sua Mãe.

A ICAR diz que a reza do rosário agrada a Cristo, porém ela leva seus praticantes a distanciarem-se do nosso Senhor e Salvador e ter como foco principal a mãe de Jesus.

Dentre as muitas “revelações” dadas pela senhora dos católicos acerca do seu rosário, uma em especial é objeto deste artigo, pois faz com que os rezadores do terço deixem de depositar sua confiança em Cristo, nosso Senhor e único Salvador, e passem e esperar em Maria.

4) As 15 promessas do Santo Rosário

Alain de la Roche, titulado beato pela ICAR, nascido na França em 1428 e falecido na Holanda em 1475, afirma ter recebido uma mensagem especial de Maria acerca do seu rosário. Segundo ele, a senhora dos católicos lhe revelou 15 promessas para os que rezassem o rosário devotamente. Abaixo faremos um confronto entre estas promessas e o que a Bíblia nos diz acerca do que foi prometido:

1) A todos aqueles que recitarem o meu Rosário prometo a minha especialíssima proteção.

O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem me recearei? [Sl 27:1]

O SENHOR está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem. [Sl 118:6]

Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia; porquanto tu foste o meu alto refúgio, e proteção no dia da minha angústia. [Sl 59:16]

2) Quem perseverar na reza do meu Rosário, receberá graças potentíssimas.

Porque o SENHOR Deus é um sol e escudo; o SENHOR dará graça e glória; não retirará bem algum aos que andam na retidão. [Sl 84:11]

O homem de bem alcançará o favor do SENHOR, mas ao homem de intenções perversas ele condenará. [Pv 12:2]

Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos, velando às minhas portas cada dia, esperando às ombreiras da minha entrada. Porque o que me achar, achará a vida, e alcançará o favor do SENHOR. [Pv 8:34-35]

3) O Rosário será uma arma potentíssima contra o inferno, destruirá os vícios, dissipará o pecado e derrubará as heresias.

Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. [Sl 16:8-10]

Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor. [Rm 5:19-21]

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. [Gl 5:19-23]

4) O Rosário fará reflorir as virtudes, as boas obras e obterá às almas as mais abundantes misericórdias de Deus.

E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;

Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou [Rm 9:22-23]

Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; [Ef 2:4-6]

As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. [Lm 3:22-23]

5) Quem confiar-se a Mim, com o Rosário, não será nunca oprimido pelas adversidades.

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. [Jo 16:33]

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. [Fp 4:7]

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. [Mateus 11:28,29]

6) Quem quer que recitar devotadamente o Santo Rosário, com a meditação dos Mistérios, se converterá se pecador, crescerá em graça se justo e será feito digno da vida eterna.

Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. [Jo 16:7-8]

Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém. [2Pe 3:18]

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; [Ef 2:8-9]

7) Os devotos do Meu Rosário na hora da morte, não morrerão sem os sacramentos.

A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. [Rm 10:9-10]

8 ) Aqueles que rezam o Meu Rosário encontrarão, durante sua vida e na hora de sua morte, a luz de Deus e a plenitude das suas graças e participarão aos méritos dos abençoados no Paraíso.

Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. [João 14:6]

9) Eu libertarei, todos os dias, do Purgatório, as almas devotas do Meu Rosário.

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; [Ef 2:8-9]

Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; (…) Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; (…) E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. [Mt 25:34,41,46] (não existe purgatório na Bíblia)

10) Os verdadeiros filhos do Meu Rosário gozarão de uma grande alegria no Céu.

…eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. [João 10:10b]

Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem cairá sobre eles o sol, nem calor algum; porque o Cordeiro que está no meio, diante do trono, os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida; e Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. [Apoc. 7:16,17]

11) Aquilo que se pedir com o Rosário se obterá.

E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. [Jo 14:13]

Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura. [Is 42:8]

12) Aqueles que propagarem o Meu Rosário serão por mim socorridos em todas as suas necessidades.

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. [Is 46:1]

13) Eu consegui do Meu Filho que todos os devotos do Rosário tenham, por irmãos em sua vida e na hora de sua morte, os Santos do Céu.

E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos. [Atos 4:12]

14) Aqueles que recitarem o Meu Rosário fielmente serão todos filhos meus amantíssimos, irmãos e irmãs de Jesus.

Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. [Rm 8:15]

15) A devoção do Santo Rosário é um grande sinal de predestinação.

Nele (Cristo), digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; [Ef 1:11]

Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis. [Ap 17:14]

5) Conclusão

É notório que a ICAR tem permitido e incentivado que seus fiéis afastem-se da verdadeira adoração ao único e exclusivo Senhor e Salvador Jesus Cristo ao desviarem seu foco para a mãe de Jesus, Maria, transformando-a em objeto de esperança [Rm 5:1-2] [Ef 4:4-6] [Cl 1:26-28] [1Ts 1:2-4] [2Ts 2:16] [1Tm 1:1] [Hb 10:23] [1Pe 1:21]

O conhecimento da Bíblia Sagrada, lida sem o filtro da tradição e do magistério, mas sim sob a iluminação do Espírito Santo nos revela o quão equivocada é a atitude de rezar para quem não pode salvar e esperar nas promessas de quem não pode cumpri-las.

Somente o Senhor Jesus é capaz de nos proteger, salvar, livrar do mal e dar Sua graça e misericórdia, pois em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. [At 4:12]

Caminhemos firmes olhando sempre para o autor e consumador de nossa fé, Jesus Cristo [Hb 12:2], esperando apenas Nele.

Notas
[1] http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1979/january/documents/hf_jp-ii_spe_19790110_giovani_po.html acessado em 23/08/2008.
[2]http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_letters/documents/hf_jp-ii_apl_20021016_rosarium-virginis-mariae_po.html acessada em 23/08/2008
[3] http://www.vatican.va/special/rosary/documents/misteri_luminosi_po.html acessada em 23/08/2008
[4] Além das 50 aves-Maria e dos 5 pais-nosso de cada terço, há também outras repetições destas rezas e de algumas outras no decorrer de cada terço rezado.

Fonte: [ NAPEC ]

Liderança

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Os bons líderes delegam o trabalho e mostram apreciação pelo trabalho que os outros fazem.

Êxodo 39:43

“Viu, pois, Moisés toda a obra, e eis que a tinham feito; como o Senhor ordenara, assim a fizeram; então Moisés os abençoou.”

Os bons líderes reconhecem os seus limites.

Deuteronômio 1:9

“Nesse mesmo tempo eu vos disse: Eu sozinho não posso levar-vos.”

Os verdadeiros líderes servem uns aos outros.

Lucas 22:25

“Ao que Jesus lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que sobre eles exercem autoridade são chamados benfeitores.”

Os lideres devem dar o exemplo de ser bons trabalhadores.

Eclesiastes 9:10

“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças; porque no Seol, para onde tu vais, não há obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.”

Trate os que estão sob a sua liderança como gostaria de ser tratado.

Lucas 6:31

“Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também.”

Ser um líder nem sempre é fácil, mas não desista.

2 Crônicas 15:7

“Vós, porém, esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra terá uma recompensa.”

Um bom líder dá ouvido às direções de Deus.

Isaías 30:21

“E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele; quando vos desviardes para a direita ou para a esquerda.”

Como deve ser um líder de Deus na igreja?

1 Timóteo 3:1-7

“Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não neófito, para que não se ensoberbeça e venha a cair na condenação do Diabo. Também é necessário que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em opróbrio, e no laço do Diabo.”

Deus dá ajuda ao líder que a necessite.

Tiago 1:5

“Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada.”

Os bons lideres planejam com antecedência.

Lucas 14:28-30

“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar? Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pode acabar.”

Um bom líder busca conselho de outros.

Provérbios 15:22

“Onde não há conselho, frustram-se os projetos; mas com a multidão de conselheiros se estabelecem.”

Um bom líder deve ser paciente.

Provérbios 16:32

“Melhor é o longânimo do que o valente; e o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade.”

Alegremo-nos no Senhor Jesus Cristo

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Salmos 16:8-9:

“Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; porquanto ele está à minha mão direita, não serei abalado. Porquanto está alegre o meu coração e se regozija a minha alma; também a minha carne habitará em segurança.”

Idosos

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Devemos honrar os idosos.

Levítico 19:32

“Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.”

As mulheres e os homens idosos devem ser tratados com respeito.

1 Timóteo 5:1

“Não repreendas asperamente a um velho, mas admoesta-o como a um pai; aos moços, como a irmãos.”

Devemos apreciar os idosos pela sua experiência.

Provérbios 20:29

“A glória dos jovens é a sua força; e a beleza dos velhos são as cãs.”

Os jovens podem aprender lições valiosas da vida dos idosos.

Salmos 71:18

“Agora, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha anunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os vindouros.”

A Bíblia dá conselhos aos idosos.

Tito 2:2-5

“Exorta os velhos a que sejam temperantes, sérios, sóbrios, sãos na fé, no amor, e na constância; as mulheres idosas, semelhantemente, que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem aos seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja blasfemada.”

Grandeza

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Como mede Deus a verdadeira grandeza ?

Marcos 10:42-44

“Então Jesus chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os que são reconhecidos como governadores dos gentios, deles se assenhoreiam, e que sobre eles os seus grandes exercem autoridade. Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.”

A verdadeira grandeza mede-se através da atitude de servir aos outros.

Mateus 23:11-12

“Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado.”

O Problema que só Deus podia Resolver

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“Tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.”  

Romanos 3.26 

O problema que somente Deus podia resolver é o perdão do pecado. Muitas pessoas, criadas segundo a tradição cristã, nunca reconheceram ser isto um problema. Seu conceito de Deus e suas idéias sobre o pecado são tão confusos que não percebem qual é a dificuldade da questão. A atitude de milhões de pessoas no que diz respeito ao pecado é refletida na observação zombeteira de certo crítico que disse: “Certamente creio que Deus perdoa pecados; afinal, é negócio dele mesmo”. Outros não sentem a necessidade do perdão. O poeta americano, Walt Whitman, diz: “Os animais não ficam acordados a noite inteira chorando por causa dos seus pecados, e nós também não devemos fazê-lo”. 

Embora milhões de pessoas não tenham sentido qualquer problema quanto ao perdão dos pecados, considerando o assunto como matéria vencida, outras tantas rejeitam inteiramente o conceito de pecado. Os grandes pensadores de outras eras reconheceram a realidade da culpa, e compreenderam que existe uma dificuldade real. Lutero percebeu claramente o problema. Lutou com ele durante muitos anos amargos e angustiantes, e quando, finalmente achou a solução na carta de Paulo aos Romanos, foi o maior reavivamento que a igreja já experimentou desde o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes. A Lutero devemos não somente a redescoberta da solução do problema, como também a maneira de exprimi-la em palavras. O problema é: como Deus pode ser justo e ao mesmo tempo perdoar os pecados? F.F. Bruce, no seu comentário sobre Romanos, mostra-nos como o poeta romano, Horácio, oferecendo diretrizes básicas para os escritores de tragédias daquela época, critica os que apelam com demasiada facilidade ao artifício de trazer ao palco um deus para solucionar os emaranhados detalhes desenvolvidos no decurso do enredo. O conselho que Horácio dá aos dramaturgos contemporâneos é no sentido de não colocarem em cena um deus, a não ser que o problema seja tão grave, que haja necessidade da presença de um deus para soluciona-lo. Lutero tomou para si estas palavras, aplicando-as ao perdão dos pecados: “Temos aqui um problema que precisa de Deus para a sua solução”. 

Chegamos neste capítulo à passagem em Romanos onde Lutero descobriu a solução. Nesta parte de Romanos, no capítulo 3, Paulo nos oferece, antes de qualquer coisa, uma declaração exata da natureza do problema, e em seguida, uma explicação exata da solução. 

Examinemos em primeiro lugar a definição que Paulo nos dá do problema da salvação dos pecadores. O primeiro requisito para a solução de qualquer problema é saber qual é realmente o problema. Se você tem lutado com um problema por muito tempo, levando-o a um amigo, você já sabe o que significa receber uma resposta fácil que oferece uma solução errônea e artificial. Quando isso acontece, você fala um pouco contrariado: “Mas você não entende o problema…”. Há hoje em dia um grande número de pessoas com respostas fáceis e inconseqüentes para o problema humano; no entanto, suas respostas demonstram que realmente elas não entendem do que falam. E é a falha do entender o problema do pecado que levou o homem às dificuldades que enfrenta atualmente. Parece que o pecado não constitui problema algum para milhões de pessoas. Caso encontram alguém que se preocupa com isso, alguém que se perturba pela culpabilidade do próprio pecado, têm-no na conta de um fanático, pensam que tal pessoa precisa da psicanálise e não da salvação. O exame clássico de uma consciência culpada acha-se na grande obra de Bunyan, “Graça Abundante”, mas é considerado hoje – até por muitos membros de igrejas – como exagero, ou mórbida e trágica obsessão. É um truísmo dizer que nenhum problema pode ser solucionado até ser entendido, e que nenhuma solução ao problema humano se nos apresentará até que entendamos o problema do pecado. 

O pecado é problema por duas razões: a primeira é que a natureza do homem, conforme demonstramos no capítulo passado, é totalmente depravada. Ele é corrupto; é totalmente incapaz de salvar-se a si mesmo. Não pode remover a culpa do seu próprio pecado, e não consegue se desvencilhar do poder que o pecado exerce sobre ele, prendendo-o. Não pode sarar as chagas, não pode curar a doença. Do ponto de vista humano, o pecado não tem solução nem cura. Esta é a primeira parte do problema. 

Há, porém, outra dificuldade no problema do pecado, que existe em conexão com a natureza de Deus, e é este um ponto central que a maioria dos homens modernos deixa de perceber. O pecado se constitui em problema justamente porque Deus é justo. Foi este o problema de Lutero. Como pode o Deus absolutamente justo perdoar o pecado? Ele é o Juiz de toda a terra, e, “Não agirá retamente o Juiz de toda a terra?” Deixar passar uma injustiça, ignorar um crime, não tomando conhecimento dele, é um ato de injustiça tão grande quanto a condenação de inocentes. A dificuldade quanto ao perdão dado ao homem acha-se na justiça divina. A pergunta não é somente: Quem pode perdoar pecados senão somente Deus: e sim mais profundamente: Como pode o próprio Deus perdoar pecados? Deus é justo, e a justiça significa que as exigências da lei devem ser cumpridas. A penalidade do pecado precisa ser paga. Isto é necessário num universo moral, e é este problema que somente Deus, onipotente e onisciente poderia resolver. Ele o solucionou mesmo, e o resultado disto é um evangelho glorioso para ser pregado aos pecadores. 

Vamos agora examinar a solução do problema. Nesta seção de Romanos 3 não somente anuncia o fato do perdão, como também se nos apresenta uma declaração cuidadosa e analítica que demonstra como Deus perdoa nosso pecado. 

Antes de examinarmos a declaração integral da solução do problema da culpa e do pecado, quero fazer uma pequena pausa para dirigir a atenção do leitor à coisa maravilhosa que é o perdão. Um dos grande estudiosos do Novo Testamento, que viveu no século XIX, disse: “Quanto mais vivo, quanto mais importante e maravilhoso me parece o perdão dos pecados.” O fato do perdão é proclamado tanto no Antigo Testamento como no Novo. O sinal da nova aliança, segundo a descrição de Jeremias é: “Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades, e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jr 31.34). Deus anuncia ao Seu povo: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi” (Is 44.22). As riquezas da graça perdoadora de Deus são proclamadas em todas as partes do Novo Testamento, e são demonstradas na terra através do ministério público de Jesus Cristo, que disse aos pecadores: “São perdoados os teus pecados; vai e não peques mais”. O perdão, portanto, é um fato, uma realidade. É ponto central da fé cristã, sendo sui generis e distinto, porque se encontra somente no Evangelho glorioso de Jesus Cristo. 

Este Evangelho de Cristo, no entanto, não proclama somente o fato do perdão; ensina-nos como Deus perdoa os pecados. Pelo Evangelho, ficamos sabendo que Deus solucionou o problema do pecado e da desobediência através do Seu Filho, Jesus Cristo. Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo (II Coríntios 5.19). Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e o homem. Ele é o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por Ele (João 14.6). 

O Evangelho, no entanto, faz algo mais do que nos ensinar de modo geral que Deus nos aceita por amor a Jesus. O Novo Testamento é muito mais exato do que isso. Descrevendo como Deus perdoa os nossos pecados, indica-nos a cruz. É na morte de Cristo que a expiação é feita. Segue-se aqui a transcrição da declaração exata que responde à questão do problema que somente Deus poderia solucionar. Solucionou-o em Cristo, e foi da seguinte maneira: 

“Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;  isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.  Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,  ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” 

Esta é uma passagem que cada crente deve saber de memória. É a passagem que cada pregador deve ter como base de todos os seus ensinos e na pregação do Evangelho de Cristo. O Evangelho muitas vezes é descrito em termos gerais como demonstração do amor de Deus; este amor, porém, esta misericórdia e graça de Deus, que resulta no perdão dos pecados, deve ser sempre interpretada à luz do restante da revelação da Bíblia, demonstrando como e por que Deus pode perdoar o pecado. O pecado é apagado porque a sua penalidade já foi paga pelo sangue de Jesus derramado na cruz. Na morte de Cristo Jesus, foi cumprida aquela maravilhosa profecia: “Encontram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram” (Salmos 85.10). Deus resolveu o problema do pecado, tomando sobre Si a culpa pelo pecado na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo. “Aquele que não conheceu o pecado ele o fez pecado por nós; para que nós fôssemos feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5.21). Sua justiça foi satisfeita em quem foi paga a penalidade: houve uma morte para expiar o pecado, e era a morte do próprio Filho de Deus, e, quando foi cumprida, Ele exclamou triunfante, “Está consumado!” Por essa razão, todo crente pode agora cantar alegre: 

“Completou-se a grande transação, Sou do Senhor, e Ele é meu.”  

 Ainda acima, eu disse que os homens que mais claramente perceberam o problema do pecado – homens como Lutero e Bunyan – são os mesmos que exprimiram a mais sublime alegria e gratidão na solução do mesmo. Bunyan fala em nome de todos os crentes que já compreenderam o problema do pecado quando diz, em sua autobiografia clássica: “Enquanto andava para cima e para baixo na casa, como quem chegou ao limite da angústia, aquele trecho da Palavra de Deus tomou posse do meu coração:  ‘sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus’ (Romanos 3.24). Mas, oh, quão grande o transtorno que isso me causou. De repente eu fiquei como alguém que desperta de um sonho perturbador. Ouvindo a sentença celestial, senti-me como se estivesse escutando a seguinte explicação: ‘Pecador, tu pensas que, por causa dos teus pecados e das tuas enfermidades, Eu não posso salvar a tua alma, mas eis que o Meu Filho está ao Meu lado e é para Ele que Eu olho, e não para ti, e, assim, Minha maneira de tratar contigo é de acordo com a minha satisfação nEle’.” 

Nosso interesse aqui, no entanto, não é meramente doutrinário ou acadêmico. Minha preocupação não é oferecer-lhe uma solução intelectual à dificuldade que há no perdão dos pecados. Minha preocupação é no sentido de você tirar benefício da solução, e você pode fazer isso, se confessar seus próprios pecados em Nome de Jesus, pedindo o perdão da parte de Deus. Nesta matéria a Bíblia é muito explícita. Depois de ser declarada a promessa de que o sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado, registra-se a seguinte orientação: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (I João 1.9). Se você ainda não fez assim, não quer fazê-lo agora? Curve a sua cabeça em oração e entregue sua vida a Deus em Jesus Cristo. 

Estudos em Romanos 1.18 – 5.21 

 Dr. Henry Bast 

 

A Igreja Emergente !

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Veja também: A Nova Reforma Protestante (clique aqui)

Uma coisa pouco agradável aconteceu quando estávamos a caminho do século XXI. No final do século XX, certos líderes saíram afirmando que precisávamos de “uma maneira nova de fazer igreja”. A religião dos tempos antigos não era boa o suficiente. Então vieram os novos truques, substituindo o Evangelho sólido. Vimos o surgimento do movimento da igreja que é “sensível aos que buscam” e que não ofende a ninguém. A “esquerda religiosa” tornou-se mais proeminente, promovendo seu evangelho social. E depois veio a Igreja Emergente.

Se você perguntar a dez cristãos o que é a Igreja Emergente, provavelmente nove deles ficarão sem ter o que dizer. Não obstante, ela está devorando denominações e igrejas inteiras que antes eram sólidas.

Então, o que é realmente esse fenômeno? Primeiro, ele é místico. Baseia-se em práticas dos antigos “padres do deserto”,* tais como oração contemplativa e meditar caminhando por um labirinto. Inclui também a yoga – tudo para chegar mais perto de Deus. Algumas de suas práticas deixam a pessoa em um estado alterado de consciência. Os emergentes não estão realmente interessados em doutrina; em vez disso, eles querem coisas que se possa sentir, tocar, e cheirar, tais como incenso e ícones.

Esse movimento reinventa o Cristianismo

Ele tira seus olhos da cruz e faz com que você enfoque a experiência. A Escritura já não é autoridade. Não há absolutos, nem na Bíblia. Os emergentes afirmam que, para levarmos o mundo e a igreja para a frente, devemos voltar atrás na história da igreja e abraçar até mesmo as crenças católicas. A doutrina deles está realmente mais perto do budismo, do hinduísmo e da Nova Era do que do cristianismo tradicional.

O inferno, o pecado e o arrependimento são deixados de lado para que ninguém se ofenda. Além disso, eles afirmam que não há absolutos suficientes para podermos falar sobre inferno, pecado e céu.

Os emergentes dizem que estão tentando proporcionar “significado a esta geração”. O que isso significa? No final do século XX, surgiu um anseio para atingir a geração pós-moderna. Conheça o termo pós-moderno! Ele é usado para descrever a geração de menos de 30 anos. E, conforme os emergentes, para alcançar essas pessoas, as tradições antigas tinham que ser abolidas.

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem.

Infelizmente, os recursos que eles escolheram para fazer isso estão mais de acordo com a adivinhação do que com qualquer outra coisa.

E, o que dizer sobre a escatologia deles? E sobre Israel? Como o enfoque deles é o evangelho social, eles estariam mais de acordo com a teologia do “Reino Agora”, de “tornar o mundo perfeito”. Eles não entendem literalmente nenhuma parte da escatologia bíblica (doutrina das coisas futuras, profecia) – consideram-na alegórica. Israel seria comparável a uma “república de bananas”. A ênfase está no Reino de Deus agora e não nas admoestações das Escrituras sobre o retorno iminente de Cristo em um julgamento que está por vir.

Agora chegamos a um problema muito importante

Essas pessoas são chamadas de evangélicas. De fato, a revista Time disse que o líder emergente Brian McLaren era um dos 25 evangélicos mais influentes no mundo. Um dos livros de McLaren tem o título de Everything Must Change (Tudo Tem Que Mudar). Aí está, a partir do próprio líder: a igreja deve mudar para a cultura dos tempos modernos. As maneiras antigas devem ser descartadas e novas maneiras estão aí; mas elas não são sensatas nem confiáveis.

Outro líder destacado é Rob Bell. Seus vídeos têm sido vistos em todo tipo de igreja evangélica. Em torno deles os grupos de estudos bíblicos das igrejas se juntam, examinando-os e adotando-o como um cristão fantástico do século XXI com novas idéias. O problema é que uma de suas  chocantes afirmações foi: “Essa não é apenas aquela mesma mensagem com novos métodos. Estamos redescobrindo o cristianismo como uma religião oriental”.

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem. Na foto, o líder emergente Rob Bell

Outros líderes proeminentes da Igreja Emergente incluem: Doug Pagitt, Dan Kimbal, Tony Jones, Dallas Willard e Robert Webber. Há outros, mas a lista é longa.

 Em poucas palavras, a ação social supera as questões eternas; os sentimentos subjetivos são preferidos à verdade absoluta; a experiência se sobrepõe à razão.

Agora você tem alguns dos pontos básicos à sua frente. Espalhe a notícia de que um movimento relativamente novo está seduzindo milhões e que ele não é sadio, não é bíblico, e é alarmante. Essa Igreja Emergente pode fazer a sua igreja afundar!

Fonte: Jan Markell, Israel My Gloryhttp://www.chamada.com.br)

Jan Markell é fundadora/presidente de Olive Tree Ministries em Minneapolis, MN, EUA.

Por DISCERNIMENTO CRISTÃO

Não Existem Super-Heróis

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Leia e reflita sobre como ser submisso e amável com seus líderes, seja em que âmbito for…

Texto Base: 1Rs 19.1 – 13.

Crescemos vendo super-heróis na TV. Eles eram sempre perfeitos, com seus poderes inimagináveis. A humanidade busca homens perfeitos, que nunca erram. Crescemos, contudo, continuamos buscando esses “super-heróis”. Cobramos muito daqueles que são autoridade sobre nós. Chega a ser uma perfeição subumana. Sejam essas pessoas nossos líderes, pastores, chefes, professores, e principalmente, os nossos pais. Não suportamos ou não sabemos lidar com o erro de quem está num patamar acima do nosso em autoridade. Tudo isso, não justifica as falhas, os erros. E não tira a responsabilidade dos erros das pessoas. Existe uma diferença entre o erro moral e erro comportamental (comportamentos que adquirimos ao longo da vida). Mas esta reflexão serve para alertar, para estimular o amor e o perdão e considerar aqueles que são lideres sobre as nossas vidas. Além disso, traz à tona a velha discussão acerca de alguns crentes que saem de suas igrejas devido à alguma decepção.

Lembremo-nos de Elias, profeta de Israel. Na época de Elias, Acabe e Jezabel reinavam em Israel. Baal era o deus adorado por eles. O capítulo 18 do livro de 1 Reis retrata algumas relatos sobre Elias. Ele era um homem de Deus que foi usado de uma forma maravilhosa. Ele também passou por maus momentos, muitas dificuldades. No entanto, ele permaneceu fiel diante de Deus e dos homens. Elias foi arrebatado por Deus, ele não morreu – 2 Rs 2.9. Quando analisamos a história deste homem de Deus, parece que não conseguimos observar erros em sua trajetória, mas ele errou. Nem por isso, sua história deixa de ter sua importância.

Cada um tem seu limite (vs. 1 a 4)
A rainha Jezabel ficou sabendo de tudo o que Elias fez no monte Carmelo com os profetas de Baal. Ela mandou dizer a ele que iria dar o troco. Com muito medo Elias fugiu para Berseba, ele andou aproximadamente 210 km e depois foi ao deserto. Lá ele assentou debaixo de um zimbro (árvore juniperácea), pegou uma sombra e clamou pela morte. Elias afinou para Jezabel. Ele não esperou pacientemente no Senhor. Ele se sentiu só e errou em não confiar em Deus. E Deus em seu amor e compaixão esperou o momento certo para confrontar Elias e mostrar a ele que há sempre um caminho, cuidando dele em amor e zelo.

Muitas vezes cobramos que as pessoas não errem. E quando elas erram não aceitamos e muitas vezes as rejeitamos, tratando-as com indiferença. Pessoas decepcionadas, em muitos casos até desviam-se da fé que professam, ou da igreja que frequentam, por causa dos erros do próximo. Está escrito na Bíblia em Jeremias 17.5: “Maldito o homem que confia no homem”. Achamos muitas vezes que o próximo é perfeito, um super-herói. Outra coisa que acontece é que achamos que os líderes são perfeitos, como super-heróis. Os líderes geralmente são alvo desses atos de insubmissão e rebeldia, ou ainda, retaliação.

Da mesma forma, os pais: alguns magoam com palavras, ficam muito nervosos, fazem diferença entre os filhos. Cobram demais, exigem tudo (estudo, casa, trabalho, irmãos). Além disso, descontam nos filhos os problemas pessoais. Muitos não têm tempo para estar com os filhos, substituindo a companhia dos filhos por outras coisas. Tantas razões levam muito adolescentes e até mesmo jovens dizerem: “Quero outro pai, outra mãe. Não agüento mais meus pais, não quero morar em casa”. Então o ódio, a raiva, o rancor e mágoa tomam conta do coração

Quem também geralmente enfrenta problemas de submissão e respeito à autoridade, são os professores e patrões. Há muita dificuldade por parte de muitos em respeitá-los e até mesmo em amá-los. Contudo, a maior parte das pessoas esquece que esses também erram. Eles são alvos de comentários e atos de julgamento.

Procure considerar (vs. 5 a 8)
Elias, o personagem dessa reflexão, teve seu limite. Deus buscou ajudá-lo no momento de agonia. Deus mostrou paciência, zelo, cuidado e amor para com Elias, ao enviar alimento e direcionamento a ele por diversas vezes, por meio de um anjo.  

Aplicação
Procure compreender os limites dos outros, cada um tem o seu. Entender, considerar, passar por cima reflete o caráter de Deus em nós.

Algumas coisas a considerar:
Busque entender o momento (crise finaceira, problema no trabalho, TPM, pressão, tristeza) das pessoas. Você também erra, porque as autoridades em sua vida não podem errar? Busque considerar a história do próximo (na família, no trabalho etc). Procure enxergar as coisas boas também. Quando consideramos algumas questões para entender o outro, entendemos a linguagem do amor e mudamos nosso parâmetro de cobrança. Não é fácil ser mãe, pai, padrasto, madrasta, líder, pastor, professor, patrão etc.

Perdão e Amor (vs. 9 a 13)
Depois de tudo, Deus ainda fala com Elias. Elias foi para Horebe, foi envidado por Deus. Ele é levado para que Deus se revelasse, e assim voltaria aos momentos de origem do seu ministério como profeta. Deus se revela a Elias através de um ciclo suave. Deus não queria que Elias estivesse na situação difícil eu estava vivendo. O amor e o perdão são marcas fortes na atitude de Deus para com Elias.

Aplicação
“O amor encobre multidões de pecados”. Existem coisas que só o amor e o perdão podem resolver. Encarar, discutir, ódio, rancor, responder mal, não resolve nada. Ame apesar do erro. Líderes, Pai, mãe não deixam de ser seus pais por causa dos erros. Líderes, pastores, professores não deixarão de ser autoridades por causa do erro deles. As autoridades não aguentam tudo, como você também, mesmo que às vezes eles se mostrem super- heróis. Se coloque um minuto no lugar do próximo, e você será um pouco mais compreensivo.
 
Reflita
Como tem sido a minha relação com as autoridades que tenho em minha vida? Será que tenho buscado nas autoridades super-heróis? Seja mais compreensivo, paciente, amoroso, considere algumas coisas. Perdão e amor são atitudes que devem ser presentes na sua relação com as pessoas. A cura para qualquer dor e trauma familiar passa pelo perdão. Os maiores problemas que temos são dentro família e em nosso relacionamentos mais próximo. Se você deseja crescer, busque o perdão como remédio. Faça da mesma forma que Deus fez com Elias, exerça amor e zelo por aquelas pessoas que Deus colocou próximo a você, e que de alguma forma exercem autoridade a vocês.

::Pastor Bruno Barcelar
Integrante da liderança da Rede de Adolescentes da Lagoinha
Contato: (31) 8404-6457 – E-mail: bruno.barcelar@lagoinha.com
Texto adaptado: Redação Atos Hoje.

Pentecostal e Neo-Pentecostal: Qual a Diferença ?

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INTRODUÇÃO

Ao anunciar esta palestra em rede de comunicação virtual (internet), centenas de irmãos em Cristo, obreiros e pastores das mais variadas denominações e estados brasileiros (e também da América do Norte e Europa) solicitaram que lhes fosse concedida uma cópia do texto, áudio e vídeo, uma vez que não poderiam estar pessoalmente nesta noite, participando da apresentação.

Tal explosão de solicitações vem demonstrar, de forma contundente, que o problema que abordaremos não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas.

Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais.

Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra.

Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar  o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”.

Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico.

Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação.

É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo.

Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus.

Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço.

I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS

Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas.

Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira:

· FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas.

· PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo.

 · PENTECOSTAISSão as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais.

· NEOPENTECOSTAISTeologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) 

· NEOAPOSTÓLICOSNão satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo.

· CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias.

Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial.

II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO

Nossa posição doutrinária batista, tradicional e cessacionista (posição particular deste pastor) não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente.

O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado.

Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios.

 III – O SINAL DE ALERTA

Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta:

Profecia lançada, profecia cumprida!

Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação

Lilian Bartira

No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual.

Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas.  Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro.

Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses.

Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente.

Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas.

No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional.

O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético.

Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil.

(Fonte: site do MIR)

O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO.

Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas.

Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor.

Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc.

Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc.

IV – OS VÍDEOS

Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir:

1ª. Série

01 Gira de Umbanda

02 Gira Africano

03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá

04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso

05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria

Comentários:

Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil.

Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais.

Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté.

Perguntas para reflexão:

1)    Para que girar?

2)    Será que o  Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido?

3)    Não há como dominar esse fenômeno do rodopio?

4)    Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval?

5)    Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado?

6)    Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes?

7)    Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar?

8)    Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto?

9)    Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio?

2ª. Série

06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira

07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz

08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus

09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia

Perguntas para reflexão:

1)    Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede?

2)    Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro?

3)    Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda?

4)    Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda?

5)    Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório?

6)    Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia?

7)    Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional?

3ª. Série

10 Umbanda – Umoloco

11 Batismo no Candomblé

12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”.

13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino

14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino

15 idem

Perguntas para reflexão:

01)     Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”?

02)     Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz?

03)     Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé?

04)     Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso?

05)     Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé?

06)     Por que a mulher grita até perder o fôlego?

07)     Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos?

08)     Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás?

09)     Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém?

10)     Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé?

V – O QUE DIZ A BÍBLIA

Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim.

O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos.

Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída.

A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso:

1)     Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40).

2)     Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20)

3)     Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 

4)     O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão.

5)     E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23)

6)     Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23)

7)     Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22)

8)     Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26)

9)     E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13)

10)   Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13)

11)   A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16)

12)   Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61)

CONCLUSÃO

As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência.

Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16)

Wagner Antonio de Araújo

 OBSERVAÇÕES

Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno.

Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais?

Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência.

A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre.

Amém.

MACUMBA EVANGÉLICA

 Wagner Antonio de Araújo

- Palestra apresentada em 18 de junho de 2008 pelo Pastor Wagner Antonio de Araújo no culto intersemanal da Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP.

Deus NÃO tem Favoritos !!!

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“Porque em Deus não há acepção de pessoas” - Romanos 2.11 

(pequeno estudo na Carta Paulina aos Romanos) – O problema da alienação que há entre o homem e Deus surge como resultado da corrupção da sua natureza. No primeiro capítulo, Paulo tira do mundo pagão as evidências que sustentam este ponto de vista quanto à natureza humana. Acusa os pagãos de iniqüidade, fornicação, maldade, cobiça, malícia, e assim por diante, até alistar mais de vinte pecados diferentes nesta descrição da depravação moral do mundo. A profundidade da degradação à qual se lançaram os homens mede-se de forma resumida no último versículo do capítulo 1: “Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (v. 32). Aqui, apresenta-se o quadro de pessoas que são tão depravadas que não somente cometem atos imorais, por sua própria conta, como também se deleitam em ver multiplicar-se a imoralidade. 

É só ler esta lista de pecados, tirada da prática dos pagãos do primeiro século, para se Ter uma idéia da realidade de quão baixo nós temos caído, quanto a moral em nossos dias. Não há um pecado sequer, mencionado naquela lista, que não se pratique abertamente, hoje em dia. Todos os jornais das grandes capitais imprimem reportagens dos mesmos pecados e crimes, revelando a conduta escandalosa da sociedade moderna, que anda afastada de Deus. É o que acontece a uma sociedade que vira as costas ao Deus vivo e verdadeiro. 

Ao dispor as evidências na sua demonstração das conseqüências de o homem Ter-se alienado de Deus, Paulo tem ainda mais coisas a acrescentar. Ainda não encerrou a lista de acusações contra a raça humana; no primeiro capítulo Paulo descreve a sociedade pagã do primeiro século; no segundo capítulo descreve a sociedade religiosa – especificamente a conduta dos judeus que receberam os benefícios da revelação da lei moral de Deus. Aqui, Paulo apresenta o indivíduo complacente. O segundo capítulo contém o juízo de Deus pronunciado contra o moralista. O judeu, com sua lei moral, só sabia desprezar o gentio que estava sem lei semelhante. Orgulhava-se de pertencer ao povo da Aliança de Deus. Os judeus tinham a lei e as ordenanças, sentiam-se seguros por possuírem a permanente aprovação de Deus. Nesta parte de Romanos, no entanto, Paulo faz incidir a luz de mais revelações divinas sobre estas pessoas religiosamente complacentes. Há aqui uma avaliação da moralidade dos que são retos aos seus próprios olhos, e, em seguida, uma exposição prolongada do juízo da mesma. Deus, sendo absolutamente reto, não dissimula a presença do pecado. Esta verdade é declarada mediante uma única expressão nítida e categórica, em Romanos 2.11: “Porque para Deus não há acepção de pessoas.” Este é o tema da seção que estamos estudando neste capítulo, e achamos três princípios de julgamento no desenvolvimento do mesmo, exposto por Paulo. 

O primeiro princípio é do da certeza da condenação divina ao pecado. Nesta altura, podemos voltar a Romanos 1.18, que começa esta discussão do pecado do homem e da sua rebelião contra Deus. Paulo, começando seu argumento que demonstra que todos precisam da salvação, declara: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Romanos 1.18). Isto demonstra que há no evangelho não somente a revelação da Justiça de Deus, através da qual são salvos os que crêem, como há também a revelação da justiça de Deus, através da qual os pecadores são condenados. Deus revela ambos os aspectos, não escondendo nada. Nada oculta daquilo que Ele há de fazer, e quando falamos da revelação de Deus em Cristo Jesus, devemos saber que é uma revelação de misericórdia e também de condenação. Nos nossos dias modernos, pouca coisa disso tem sido dita com respeito à ira de Deus como parte importantíssima da revelação que Deus faz de Si mesmo, e se é mencionada, é com falta de entendimento ou com tentativas de achar explicações que diminuem seu impacto. A ira de Deus não é semelhante à raiva humana. Sua ira não é paixão nem emoção. A ira de Deus é a Sua justa determinação que punirá todo o pecado; é a resposta da Sua santidade à maldade e à rebeldia do homem. Precisamos receber novamente a revelação básica da Bíblia, de que todos os homens vivem na presença do Deus santo e justo. Tudo quanto fizermos está em aberto diante do Seu escrutínio. Haveremos sempre de prestar-Lhe conta dos nossos atos. É com o próprio Deus vivo que devemos entrar em entendimento. 

Pela revelação, sabemos que é certo e inevitável o juízo, e a nossa consciência confirma esta certeza. A consciência do homem – a não ser que esteja completamente cauterizada – é testemunha pessoal e íntima à realidade do juízo. Paulo apela a este fato nos primeiros versículos do capítulo 2, mostrando que todos os homens reconhecem o princípio do juízo, porque todos nós julgamos aos outros. Diariamente condenamos práticas que não merecem a nossa aprovação. Ficamos escandalizado por aquilo que consideramos atos de injustiça da parte dos outros, e partindo deste fato, Paulo fez um apelo ao julgamento divino dizendo: “No que julgas a outro, a ti mesmo te condenas”. Possuímos mesmo uma consciência do que é o julgamento, porque: “Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que praticam tais coisas.” 

Uma segunda linha quanto à certeza do juízo de Deus pronunciado contra o pecado se percebe na própria vida. Este é um universo moral, o homem é uma criatura moral, e não se permite quebrar impunemente a lei moral. Este princípio é demonstrado graficamente na revolução sexual dos nossos dias. Aqueles que desejavam a completa liberdade da expressão sexual já a atingiram em nossa sociedade moderna. Agora, após terem rejeitado todos os mandamentos e os ensinamentos éticos da Bíblia, nos quais se baseava a nossa cultura, após terem derrubado todas as restrições morais à livre expressão dos seus desejos, após terem conseguido impor à sociedade a permissividade que reivindicam, estão começando a entrar em choque contra a lei moral final e suprema que se acha como parte integrante da natureza humana. Os psiquiatras que trabalham principalmente entre universitários nos informam que o número dos pacientes se multiplicou após o advento da nova moralidade. Por estranho que pareça, esses jovens, tanto homens quanto mulheres, são atormentados pela consciência e pelo senso de culpa e, pior ainda, estão perdendo qualquer capacidade de achar o verdadeiro amor e contentamento. 

O segundo princípio do juízo, é que é imparcial, que está de acordo com os fatos do caso. A totalidade do julgamento divino se baseia na situação real das coisas. É isso o que Paulo quer dizer que o juízo de Deus é imparcial, ou que Deus não tem favoritos. Foi esta a mensagem de Paulo aos moralistas, às pessoas para as quais a religião não passava de conformidade legal a certas regras e práticas externas. Tinham certeza de que Deus lhes dedicava Sua aprovação, porque Ele mesmo fizera com eles Sua aliança. Paulo destrói toda a complacência deles ao demonstrar-lhes que o princípio da aliança não é o favoritismo; o julgamento divino se pronuncia imparcialmente em todos os homens. Isto, naturalmente, de modo nenhum entra em conflito com o princípio fundamental do evangelho, que declara que a salvação vem pela graça e que Deus graciosamente perdoa os nossos pecados; pelo contrário, apenas quer dizer que a graça nunca deve ser confundida com favoritismo. A graça de Deus que nos é oferecida mediante o evangelho, é derramada sobre todos em pé de igualdade, sempre com a mesma condição do arrependimento e da fé. Paulo, fazendo resumo da sua própria pregação do evangelho, diz que andava em todos os lugares pregando o arrependimento perante Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Há, portanto, constantes exortações no Novo Testamento, no sentido de nos examinarmos para ver se estamos andando na fé, porque somente por meio desta fé em Jesus Cristo, é que pode haver o livramento do juízo. Bengal, comentando a história do régulo rico que aparece no Evangelho, diz: “Cristo encaminha à lei os que têm confiança em si mesmos; aos penitentes consola com o evangelho”. Este mesmo princípio acha-se no manual para a “Visitação dos Enfermos”, escrito por John Knox, o heróico reformador escocês, onde ele dá a seguinte orientação: “O visitante pode sustentá-lo com doces promessas da misericórdia divina, que são nossas mediante a obra de Cristo, percebe-se que o paciente está com receio das ameaças divinas. Se, pelo contrário, o paciente não se deixa comover pelo sentimento da sua própria culpa, precisa ser humilhado pela exposição da lei divina”. 

O terceiro princípio do juízo divino é aquele baseado em procedimento: “… da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento” (Romanos 2.6). Este princípio é ensinado na Bíblia inteira, e encontra-se em todas as partes do Novo Testamento. Acha-se no Sermão da Montanha, destaca-se no livro de Apocalipse (o livro do juízo por excelência da Bíblia), e aparece nas demais Epístolas, sendo especialmente ressaltado por Tiago. 

Este princípio já deu origem a discussões desnecessárias, sendo que os críticos levantaram objeção de que, neste ponto, a Bíblia entra em contradição consigo mesma. A cuidadosa leitura da exposição deste princípio que Paulo faz em Romanos demonstra, porém, que aqui não há contradição alguma entre a fé e as obras, contradição esta, aliás, que não surge em nenhuma parte da Bíblia. Devemos sempre tomar como ponto de partida o depoimento claro e sem ambigüidade de que a justificação vem pela fé somente, excluindo-se quaisquer considerações secundárias. “Ninguém será justificado diante dele por obras da lei” (Romanos 3.20); “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça” (Romanos 4.4,5). Alguém poderá formular a pergunta: Como se reconcilia isto com a declaração de que Deus retribuirá a cada um segundo o seu procedimento, ou seja, suas obras? Em primeiro lugar, devemos entender em que parte jaz a verdaderia discrepância ou dificuldade. A antítese não é entre fé e obras, e sim, entre o merecer a salvação e o recebê-la como Dom gratuito da graça de Deus. Conforme já indiquei, não há nenhuma linha na Bíblia que sugira que qualquer homem pode merecer a própria salvação. Não se obtém a salvação ou a justificação mediante as obras: é sempre o Dom gratuito que Deus oferece mediante a graça. Mesmo assim, as obras pelas quais seremos julgados são o fruto da fé. Paulo diz em Efésios: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; isto não vem de vós, é Dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2.8-10). Jesus disse: “Os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5.29). O tema central do ensino de Jesus é: “Pelos seus frutos vós os conhecereis”. No final das contas, a realidade da fé que se possui nunca poderá ser medida por meras palavras ou alegações. Lembrem-se das palavras de Jesus: “Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mateus 7.21). Somos salvos mediante a fé somente, mas esta fé mediante a qual somos salvos, revela, pelas obras que praticamos que realmente somos salvos. Ou, em linguagem mais teológica, o Novo Testamento inteiro insiste em que nossa justificação seja seguida pelos frutos da justiça. 

Paulo termina sua explanação sobre o juízo fazendo séria advertência aos seus leitores. Não entendam erroneamente a paciência de Deus: o juízo pacientemente adiado não significa que não haverá juízo algum. Deus nem sempre pune imediatamente o pecado. Seguem-se algumas perguntas que Paulo fez aos seus leitores do primeiro século, e que cada um de nós hoje bem podia fazer a si mesmo: “Tu, ó homem, que condenas aos que praticam tais coisas e fazes as mesmas coisas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? Ou desprezas a riqueza da Sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Romanos 2.-34). 

Quantas vezes, quando é cometido um assassinato ou outro ato de injustiça, ouvimos alguém dizer: “Por que Deus permite isto?” Comentários desta natureza surgem da parte daqueles que não têm o conceito certo da paciência de Deus. O propósito de Deus em adiar o juízo não visa consolar os pecadores, e sim levá-los ao arrependimento. Deus não está deixando o pecado escapar desapercebido quando demora em aplicar o castigo; é inevitável a condenação de Deus ao pecado, mas Ele adia o pronunciamento do castigo sobre o pecado a fim de que as pessoas possam se arrepender e abandoná-lo. É por essa razão que a Bíblia diz: “Buscai ao Senhor enquanto  se pode achar; invocai-O enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Isaías 55.6,7). 

QUERO FALAR AGORA EM PROL DO EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS. Quero instar com você, leitor, no sentido de que não interprete erroneamente a bondade e a paciência de Deus. Compreenda o que Deus quer com isso: quer levá-lo ao arrependimento. Os homens quebram as leis de Deus, zombam do Seu domínio, blasfemam o Seu nome, como acontece hoje em dia, mesmo assim, quando estas coisas estão acontecendo, Deus ainda está refreando a Sua ira contra tanta maldade e iniqüidade, por ser Ele misericordioso e gracioso, apesar de ser santo e reto. O dia da sua paciência chegará ao fim, e este será o começo do dia do julgamento. Você precisa preparar-se para enfrentar este dia, fazendo exatamente aquilo que a Palavra de Deus insiste com urgência que você faça – arrependa-se e creia. Não despreze a bondade divina, não entenda mal a Sua paciência, porque tudo isso visa levá-lo ao arrependimento. Faça o que é certo para resolver o problema agora mesmo. 

Dr. Henry Bast. 

in Maluco por Jesus

Estas não são coisas de Deus !

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Deturpações do verdadeiro MOVIMENTO PENTECOSTAL:

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Tenho acompanhado desde a minha infância, pastores que oferecem ao povo “diversão”, aqui na minha cidade eles chamam os congressos de “festa da mocidade, festa do círculo de oração, festa das crianças”, com muito cantor e pregador (digo animador de auditório), e ainda assim muitos reclamam que falta “diversão nas igrejas”, enquanto o esgoto da heresia e da politicagem corre a céu aberto dentro das mesmas igrejas.

Participei de cultos onde simplesmente a razão e o bom-censo davam lugar ao “barulho santo” e ao movimento extravagante, tudo em nome do pentecostalismo da rua Azuza. No meio do povo irracional e sem o verdadeiro conhecimento das Escrituras, o que se vê são um bando de gente que vai em busca de emoção e graça (não a graça de Deus), uma graça por parte do animador de auditório (preletor/pregador/pastor).

Certa feita um tal de Marco Feliciano (ainda não era famoso) estava animando o povo em um congresso de jovens (por azar eu estava presente), pra colocar fogo no culto (seria um culto a Deus?), resolveu saltar de cima do altar que media pouco mais de 1,5 metros, aquele ato muito bem pensado, simplesmente arrancou um eco de glória a Deus e aleluia da multidão, dá pra acreditar? Nos tempos dos Apóstolos dava-se Glória a Deus pelos milagres operados (Atos 3.8-9), nos dias de hoje, basta um animador de auditório (palhaço) pular de cima do altar para os espectadores gritarem e pularem no circo, digo, na igreja.

GOSPELE DE OVELHA e Bispo André Santos.

Está ESCRITO: Será ???

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“Está escrito, não é pastor?”.

Vez por outra nós, pastores, somos inquiridos pelos irmãos para darmos alguma explicação de determinado “versículo bíblico” que nem ele – nem nós – conseguimos encontrar. Nesse instante, numa questão de segundos, vem a nossa mente aquela oração piedosa: “E agora Jesus?”. Trago alguns exemplos neste artigo por duas razões:

(1) para que os pastores e líderes prestem mais atenção naquilo que pregam e,

(2) para que alguns membros de nossas igrejas não nos venham mais com estas perguntas. Por favor, não somos, nem queremos ser, os oráculos do desconhecido.

Está escrito:

“Disse Jesus: ‘nenhuma folha cairá sem o consentimento do meu Pai’” ???

– As pessoas confundem o texto de

Mt 10.29-31 – “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais”.

De onde as pessoas acharam a bendita folha em sua Bíblia.

Está escrito:

“A fruta que Adão e Eva comeram no Éden, e assim transgrediram as ordens de Deus, foi a maçã”.

Não se sabe que fruta era aquela. A Bíblia não dá o nome da fruta, nem da sua árvore – (Gn 3:1-6).

Por favor, deixe-me dizer algo meu irmão: eu gosto de maçã.  

Está escrito:

“Que um querubim, guardava a entrada do Jardim do Éden, com uma espada flamejante, após a queda de Adão e Eva”.

A Bíblia não diz quantos querubins eram. Apenas diz “querubins” (Gn 3.24).

Uma espada inflamada revolvia-se sozinha pelo poder de Deus, no lado leste do jardim, onde estavam também os querubins.

Pouca gente nota que Adão não queria deixar o jardim; foi preciso Deus lançá-lo fora (v. 24). “O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim” (v.23).

Está escrito:

“Deus mudou o nome de Saulo para Paulo”.

Este é um dos erros mais comuns.

Alguns crentes até oram: “Deus, muda a vida de fulano como Tu mudaste o nome de Saulo para Paulo”.

Leia Atos 9 e verá que em nenhum versículo encontramos isso. Paulo depois da conversão é chamado de Saulo diversas vezes – At 9.11, 17, 22, 24; 11.25, 30; 12.25; 13.1-2, 7.

O texto de Atos 13.9 explica onde foi feita a mudança de ênfase por Lucas: “Todavia, Saulo, também chamado Paulo…” 

Daí por diante Saulo é tratado de Paulo. Na realidade Paulo tinha dupla cidadania, era judeu e ao mesmo tempo romano – At 22.25-26, 28. Saulo era seu nome judaico e Paulo, romano.  

Está escrito:

“Que o gigante Golias foi morto pela pedra que Davi atirou com sua funda”.

A pedra feriu mortalmente o gigante e o derrubou, porém Davi acabou de matá-lo com a espada do próprio gigante – (1Sm 17.50, 51).

Nem se fosse um paralelepípedo …

O que ? Não acredito !

Você já vai abrir a sua Bíblia para conferir se o que eu disse é verdade ? …

Faça isso sempre, seja um crente bereano.

Tenha cuidado meu amado irmão para que as muitas letras, ou  os muitos mestres televisivos, não te façam delirar. Lembre-se, está escrito: “Esforça-te e eu te ajudarei!” Ops!… Foi mal!

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

* O Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior (Co-Pastor da 1ª Igreja Congregacional em Sta Cruz do Capibaribe – PE). Mestrando em Teologia Sistemática pelo SPN – Recife – PE.

juniorapologista@yahoo.com.br

in Maluco por Jesus

Diga NÃO ao DIVÓRCIO (em nome de Jesus Cristo)

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ESTUDO SOBRE O DIVÓRCIO

As estatísticas afirmam que dez anos atrás, havia menos de 100.000 divórcios o Brasil. Hoje são cerca de 200.000. Um em cada quatro casamentos no Brasil acaba em separação. Num período de quase 10 anos, o número de casamentos caiu, e de separações dobrou no país.

As causas do divórcio:

Se divórcio é o atestado do pecado humano, precisamos agora colocar algumas das mais freqüentes razões humanas para a separação. Quais são as razões ou causas da separação entre os casais? Gostaria de mencionar pelo menos quatro causas:

  1. Descuido da vida cristã dos cônjuges
  2. Ausência do perdão
  3. Indisposição à mudanças necessárias
  4. Ausência do amor
  5. Outras razões

 O A. T. já tratava com relação ao divórcio. A grande questão debatida está em Deuteronômio 24:1-4 “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, se ela não achar graça aos seus olhos por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa, far-lhe-á uma carta de divórcio e lha dará na mão, e a despedirá de sua casa”.

 O SIGNIFICADO DA PALAVRA “COISA INDECENTE” DE Dt 24.1

1 – A palavra hebraica, para “indecente” é ‘ervar davar (composto de ‘ervâh, nudez e davar, palavra), “Nudez de Palavra”.

Dando a entender que se trata de algo comprometedor, que a mulher expressa com palavras (palavra nua); palavrões; expressões grosseiras, que revelam falta de respeito; agressividade verbal; rebeldia; insubordinação.

TALMUDE – Doutrina e jurisprudência comentada da lei mosaica com explicações dos textos jurídicos do Pentateuco. O Talmud foi redigido durante aproximadamente mil anos, entre 450 a.C. e 500 d.C. É reconhecido pelos judeus como tendo a mesma autoridade do Antigo Testamento. Esse complexo literário rege a vida judaica até o dia de hoje, e desde longas datas tem exercido forte influência na vida do povo. Define “coisa indecente” de Dt 24:1 de várias maneiras e isso causou um desprezo e banalização do casamento, principalmente para as mulheres, que, logicamente se tornaram as maiores vítimas. Com isso, um judeu poderia dar a carta de divórcio por qualquer coisa, como por exemplo:

a) Abriga atitudes impróprias como andar com o cabelo solto;

b) Andar sozinha pela rua;

c) Conversar com outro homem;

d) Maltratar sogros;

e) Gritar com o marido;

f) Ter má reputação;

g) Revelar hábitos condenáveis.

Tudo isso, segundo  pensamento judaico, está ligado à falta de respeito, a agressividade e à insubordinação da mulher para o casamento.

2 – É evidente que a “coisa indecente” não se referia ao adultério, pois esta era, nesse tempo, condenado com pena de morte – (DT 22.22) – “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, eliminarás o mal de Israel”.

O QUE JESUS PREGOU?

MT 19.9 – Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério…“. Gr. “porneia” – dultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, relação sexual com animais, relação sexual com parentes próximos – Lv 18. A palavra explícita para adultério é “moichao” – ter relação ilícita com a mulher do outro – Mc 10.11-12.

O QUE DEUS PENSA SOBRE O DIVÓRCIO?

Ml 2.16 – Porque o Senhor Deus de Israel diz que odeia o divórcio (repúdio)…

ANÁLISE DO TEXTO DE 1CORÍNTIOS 7

O texto de 1Coríntios 7 é que trata de forma mais extensa sobre o divórcio. Algumas questões respondidas por Paulo neste capítulo: sexo no casamento, celibato, divórcio, sobre as virgens e viúvas. Tem três coisas que precisamos ter em mente para entendermos as questões levantadas:

(1)          O dualismo grego. Os coríntios eram cheios de filosofias. A cidade de Corinto só perdia em termos de cultura e literatura para Atenas. Havia várias escolas filosóficas. A idéia que predominava era o dualismo grego: uma visão de mundo que via a realidade sob duas óticas ou o andar de cima e o andar de baixo. Dizia que o que era “espiritual” era bom e tudo que era material era secundário, inferior. Valoriza a alma em detrimento do corpo. Essa idéia influenciava no casamento. Principalmente o sexo. Alguns crentes achavam que o sexo era algo inferior e sem importância no casamento.

(2)          O ambiente sexual da cidade de Corinto. Havia o templo de Afrodite e envolvia a prática da relação sexual com as sacerdotisas (prostituição cultual). Dizem que à noite as sacerdotisas saiam em busca de práticas sexuais na cidade. Um cristão sofria uma pressão muito grande nessa cidade.

(3)          As perseguições aos cristãos corintianos. Poderiam ter os seus bens tomados pelas autoridades da cidade. O que deve um homem fazer? Casar e deixar sua esposa e filhos sujeitos a morte e prisões por causa da perseguição ou ficar solteiro? Posso me separar para servir a Deus? Meu marido não é crente, posso me separar dele para servir melhor a Deus? O que é melhor para os solteiros e as viúvas? Minha filha virgem deve casar-se ou manter-se pura para o Senhor?      

O cap. 7 todo é a resposta de Paulo às perguntas feitas pela igreja de Corinto a respeito da vida conjugal. Suas instruções devem ser lidas à luz do versículo 26: “Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade”. Um período de grande aflição e perseguição estava para vir sobre os cristãos de então, e nessa situação, a vida conjugal seria difícil.

Podemos inferir do texto algumas perguntas que o Apóstolo Paulo teve que responder.

Resposta a perguntas acerca do casamento

Pergunta: Paulo eu quero servir a Deus, mas o que é melhor, casar ou permanecer solteiro? Resposta: v. 1 e 2.

7.1 – “Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher”.

QUE O HOMEM NÃO TOCASSE EM MULHER. Note-se que “não tocar em mulher” significa, aqui, não ter relações ou contato físico com as mulheres, ou seja, casar-se. É o ato sexual (Gn 20.6; Pv 6.29).

7.2 – “mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido”.

Um dos objetivos do casamento é a satisfação legítima do desejo sexual. Alternativa para a impureza sexual. O padrão aqui é monogâmico. Paulo não era machista, pensa na mulher. 

Pergunta: Como deve ser o sexo para nós casados? Isso não é pecaminoso? Posso casar sem praticar o sexo? Resposta: v. 3 e 4.

7.3 – “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido”. Êx 21.10; 1Pe 3.7.

O MARIDO PAGUE À MULHER. Casou, sexo é dívida. O compromisso do casamento importa em cada cônjuge abrir mão do direito exclusivo ao seu próprio corpo e conceder esse direito ao outro cônjuge. Isso significa que nenhum dos cônjuges deve deixar de atender os desejos sexuais normais do outro. Tais desejos, dentro do casamento são naturais e providos por Deus, e evadir-se da responsabilidade de satisfazer as necessidades maritais do outro cônjuge é expor o casamento às tentações de Satanás no campo do adultério (v.5). A idéia que a abstenção é mais santa veio do paganismo (1Pe 3.7; Hb 13.4).

7.4 – “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher”.

Poder, i.e., autoridade. Cada cônjuge pertence um ao outro.

Pergunta: Mas Paulo eu gostaria de me santificar me abstendo do sexo, o que fazer? Resposta: v. 5 e 6.

7.5 – “Não vos defraudeis (priveis) um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência”.

Priveis. Defraudeis. Abstenção temporária, com consentimento mútuo e para uma finalidade boa, está certo. Assemelha-se ao jejum (Ec 3.5; Jl 2.16).

7.6 – “Digo, porém, isso como que por permissão e não por mandamento”.

Isto. 7.2-5. Geralmente o homem deve casar-se. Paulo prefere o celibato por boas razões (29, 32, 35) e porque tem um dom (gr charisma) de Deus. O casamento exige dons também (Mt 19.10-12).

Pergunta: O casamento e o celibato são dons ou uma opção? Resposta: v. 7.

7.7 – “Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira, e outro de outra”. At 26.29; 1Co 9.5; 12.11; Mt 19.12. Os Eunucos do Reino (Mt 19.9-12).

Pergunta: Os solteiros e as viúvas devem casar ou não? Resposta: v. 8 e 9.

7.8 – “Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu”.

O ideal: ficar livre para melhor servir a Deus (32).

7.9 – “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”. 1Tm 5.14

Viver abrasado. Lit. estar no fogo, queimar.

 

Pergunta: E aos que são casados o que tem que fazer? Quando não dá realmente certo? Resposta: v. 10 e 11.

7.10 – “Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido”. 1Co 7.12,25,40; Ml 2.14,16; Mt 5.32; 19.6,9; Mc 10.11; Lc16,18

7.11 – “Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”.

SE, PORÉM, SE APARTAR, QUE FIQUE SEM CASAR. Paulo está falando da separação sem divórcio formal. Talvez isso se refira a situações em que o cônjuge age de modo a pôr em perigo a vida física ou espiritual da esposa e dos filhos.

Pergunta: E quando um dos dois não é crente, o que fazer? Resposta: v. 12-17.

7.12 – “Mas, aos outros, digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe”.

DIGO EU, NÃO O SENHOR. Não se trata de Paulo meramente dar sua opinião aqui, antes; está declarando que não tem uma citação de Jesus para confirmar o que ele vai escrever. No entanto, o que ele passa a escrever, procede de quem tem autoridade apostólica, sob inspiração divina (25,40; 14.37).

7.13 – “E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe”.

7.14 – “Porque o marido descrente é santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada pelo marido. Doutra sorte, os vossos filhos seriam imundos; mas, agora, são santos”.

MARIDO… MULHER… FILHOS. Por ser crente o marido ou a mulher, ele, ou ela poderá ter uma influência especial para levar o outro cônjuge a aceitar Cristo (1Pe 3.1,2). Isto não significa, todavia, que os filhos de tal lar sejam automaticamente crentes. Eles são santos no sentido de serem separados pela presença de um pai ou mãe crente. Deus por amor do conjugue crente faz uma distinção com relação ao incrédulo. P.ex. Potifar foi abençoado por causa da presença de José em sua casa – Gn 39.3. Abraão intercede por Sodoma e se lá tivesse dez justos o Senhor não a teria destruído – Gn 10.

O Apóstolo Paulo fala no verso seguinte aquilo que os estudiosos entendem como a “exceção Paulina”:

7.15 – “Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz”. Rm 12.18; 14.19; 1Co 14.33; Hb 12.14

NÃO ESTÁ SUJEITO À SERVIDÃO. Se o cônjuge incrédulo escolher a separação, o crente deve aceitá-la, depois de ter feito todo o possível para evitá-la. “não está sujeito à servidão”, significa que o crente fica desobrigado do contrato conjugal. A palavra “servidão” (gr. douloo) significa literalmente “escravizar”. Nesse caso, o crente fiel já não está escravizado aos seus votos conjugais. Tal cônjuge crente abandonado fica livre para casar-se de novo, mas só com um crente (v.39).

7.16 – “Porque, donde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?”

Este verso pode ser interpretado em duas maneiras: (1) em favor de não dar o divórcio; e, (2) em favor de dar o divórcio. Ou seja, se o descrente quer ir embora não deixe, pode ser que você seja um instrumento para a conversão dele. Ou, se o incrédulo quiser ir embora, deixe que vá, como saberás se salvarás o teu marido? Deus te chamou para paz.

7.17 – “E, assim, cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um, como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas”.

Pergunta: E no que se refere as ordenanças judaicas, como devemos proceder? Resposta: v. 18-24.

7.18 – “É alguém chamado, estando circuncidado? Fique circuncidado. É alguém chamado, estando incircuncidado? Não se circuncide”. Gl 5.2

7.19 – “A circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus”. Gl 5.6; Jo 15.14; 1Jo 2.3

7.20 – “Cada um fique na vocação em que foi chamado”.

O evangelho pode ser vivido em quaisquer circunstâncias.

7.21“Foste chamado sendo servo? Não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião”.

7.22“porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e, da mesma maneira, também o que é chamado, sendo livre, servo é de Cristo”. Jo 8.36; Rm 6.18; Fm 16; Gl 5.13; Ef 6.6; 1Pe 2.16

7.23 – “Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens”. 1Co 6.20; 1Pe 1.18-19; Lv 25.42

7.24 – “Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado”. 1Co 7.20

Pergunta: E com relação às filhas virgens? Resposta: v. 25-28.

7.25 – “Ora, quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel”. 1Co 7.6,10,40; 8.8,10; 1Tm 1.12,16.

O celibato é apresentado como algo desejável, embora não necessário.

7.26 – “Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para o homem o estar assim”.

Provavelmente uma circunstância extremamente difícil pela qual passavam os cristãos em Corinto.

7.27 – “Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher”.

7.28 – “Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia, os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos”.

“RAZÕES GERAIS DAS RESPOSTAS DE PAULO”

7.29 – “Isto, porém, vos digo, irmãos: que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se as não tivessem”. Rm 13.11; 1Pe 4.7; 2Pe 3.8-9

7.30 – “e os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem”.

7.31 – “e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa”.

7.32 – “E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor”. 1Tm 5.5

7.33 – “mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher”.

7.34 – “Há diferença entre a mulher casada e a virgem: a solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido”.

7.35 – “E digo isso para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor, sem distração alguma”.

7.36 – “Mas, se alguém julga que trata dignamente a sua virgem, se tiver passado a flor da idade, e se for necessário, que faça o tal o que quiser; não peca; casem-se”.

7.37 – “Todavia, o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas com poder sobre a sua própria vontade, se resolveu no seu coração guardar a sua virgem, faz bem”.

7.38 – “De sorte que, o que a dá em casamento faz bem; mas o que a não dá em casamento faz melhor”. Hb 13.4

7.39 – “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”. Rm 7.2; 2Co 6.14

7.40 – “Será, porém, mais bem-aventurada se ficar assim, segundo o meu parecer, e também eu cuido que tenho o Espírito de Deus”. 1Co 7.25; 1Ts4.8

Neste v., Paulo não duvida da sua autoridade, mas ironicamente combate os líderes que negaram sua autoridade em Corinto (cf. 1.1, 7; 9.1s; 12.25).

“CONSIDERAÇÕES FINAIS”

1 – Seja qual for a situação dos cônjuges, o divórcio só deveria ser pleiteado depois de esgotados todos os recursos, sob todos os pontos de vista. Daí é permitido o divórcio em caso de adultério e, segundo Paulo, de abandono do lar por parte do descrente.  

2 – Cada casal deve procurar, com ajuda de Deus e da Igreja, resolver seus problemas conjugais, antes que estes destruam seu matrimônio.

3 – A luz da Bíblia, o fim do casamento deve ser a morte de um dos cônjuges, mas nunca o divórcio.

4 – Não podemos entre nós proibir, nem impedir o divórcio, mas podemos e devemos desmotivá-lo e evitá-lo, mediante a exposição da doutrina bíblica.

5 – Deus abomina o divórcio. (Ml 2.14) “portanto cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis”.

6 – Apesar de Deus abominar (aborrece, detesta) o divórcio, Ele permite para amparar e defender o cônjuge ferido.

7 – Mesmo se um crente se divorciar, quando realmente é comprovado que não teve condições de reconciliação, e, conforme Jesus, cometer adultério casando-se com outro, Jesus mesmo perdoa os pecados dos mesmos e os trazem a comunhão com Ele.

in Maluco por Jesus

Como mandar seus filhos pro INFERNO

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 “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Pv. 22:6)

O provérbio acima é uma promessa ou uma advertência? Segundo o hebraico, a frase “no caminho em que deve andar” não está traduzida de maneira correta. Ela deveria ser “de acordo com seu próprio caminho”. Assim, você tem no capítulo 22, versículo 6, uma predição proverbial de que a criança educada e ensinada, desde o começo, a seguir seu próprio caminho, estará, para todo sempre, ligada a ele.

O provérbio pode ser visto como uma “promessa” encorajadora de dois modos possíveis. Um, o mais comum, o apresenta ensinando que se você “pai-storear” corretamente seu filho de acordo com o seu chamado da aliança, isto resultará em fidelidade eterna. A outra forma “positiva” de entendê-lo, revela um sentido diferente. Salomão aqui, estaria falando do reconhecimento, de antemão, da propensão vocacional existente em seu filho. Se esta propensão for cultivada, ela resultará numa devoção eterna e frutífera para o ofício escolhido. Como tal, o provérbio pode ser tomado como algum tipo de indução a um aprendizado precoce. Se você observa que seu filho gosta de cavalos, por exemplo, deixe-o, o quanto antes, ser treinado nesta área por um perito. A frase ensinar poderia ter então, o sentido de “dedicar” ou mesmo “estimular”. Deixe-o empregar seus dons naturais o quanto antes, e ele os usará naquela área por toda vida.

Mas há um terceiro modo de entender este verso, e esse não como uma promessa, mas como uma advertência. A Palavra pode estar nos ensinando que se você educar a criança de acordo com suas próprias (pecaminosas, naturais) inclinações, você a terá arruinado para a vida.

Assim, este provérbio poderia ser um complemento a muitos outros provérbios que tratam do mesmo assunto. Por exemplo, em 22:15 encontramos: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” e em 19:18 há a admoestação: “Corrige a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo.” Dizendo enquanto há esperança, encontramos o autor sugerindo que haverá um tempo quando o treinamento ou a disciplina serão, humanamente falando, vãos, sem esperança, infrutíferos, inúteis. Se você deixá-lo seguir seus instintos corrompidos fora da porteira (conforme 22:6), mais tarde você não o terá de volta ao caminho.

Este último modo de interpretar Pv. 22:6 é o mais recomendado. Primeiro, ele permite a versão literal a fim de transmitir uma mensagem coerente, sem emendas. Segundo, ele é apoiado por instruções e admoestações muito similares quando o mesmo assunto (criação de filhos) é tratado no mesmo livro inspirado. Terceiro, e este é de vital importância ao testar a interpretação apropriada de um provérbio inspirado, é que ele é legítimo no que se refere à vida e a experiência comum. “Há pouca esperança para crianças que são educadas de maneira imprópria. Se a tinta respingou na lã, é muito difícil tira-la da roupa” diz Jeremiah Burroughs. E muitos são os que têm notado, como fez William Gurnall, que a “Religião cristã não cresce sem que se plante, mas murchará, mesmo onde foi plantada, se não for aguada. Ateísmo, irreligião e profanidade são ervas daninhas que crescerão sem semeadura, mas não morrerão sem que sejam arrancadas”. Deixe uma criança seguir seu próprio caminho quando for jovem e ela crescerá para ser um “jardim” de ervas daninhas.

Acima e abaixo de todas as possíveis interpretações de Provérbios 22:6, está uma pressuposição da maior importância: Como os pais lidam com as dificuldades de suas crianças. Aqueles que principiam seus conceitos com a eleição ao invés de com a aliança podem facilmente cair em alguma sorte de fatalismo não bíblico. Mas pelo fato de Provérbios (para não mencionar o restante das Escrituras) nos falar de diversas conseqüências provenientes de diferentes ações humanas, somos seguramente levados a crer que o modo pelo qual eu crio meus filhos é realmente um assunto muito importante, que, mais do que um modo de falar, pode muito bem influir na definição de onde eles passarão a eternidade.

Nunca é uma honra a Deus que Seu povo fale de Sua soberania de modo a desobrigá-los de suas responsabilidades. Somos levados a crer pelas Escrituras que podemos e devemos ter uma influência tal sobre nossos filhos que não é incomum que ela os conduza à salvação, com a bênção de Deus e o suporte da comunidade da aliança, conforme Gn 18: 16-19; 1 Tm 3: 4,5; Tt.1:6 e também 2 Tm. 3: 14,15.

Assim sendo, devemos saber que nossa ação ou inação bem pode conduzi-los à condenação. E, se falhamos em ouvir os avisos e a direção de Deus encontrados por toda a Escritura, no último dia não seremos autorizados para suplicar pelos decretos de Deus em nossa defesa!

Visto que o inferno é a eterna e atormentadora separação de Deus e do conforto, alguém poderia pensar que o mais fervoroso desejo de um pai seria educar seus filhos, rigorosa e conscientemente, para que escapassem da perdição e achassem refúgio e plenitude de vida em Deus através de Cristo e da aliança. Ainda assim, muitos são os que parecem considerar isto como sendo muito trabalhoso. Para aqueles tão completamente perversos a ponto de serem indiferentes à questão, eu apresento um método para fazer com que isto seja uma certeza. Aqui, através de 18 meios bem fáceis de seguir, está a fórmula comprovada de como mandar seus filhos para o inferno:

1) Crie seu filho para buscar seu próprio caminho. Se você for educar seus filhos corretamente, então, em primeiro lugar, eduque-os no caminho em que devem andar e não no caminho em que eles escolheriam. Lembre-se: crianças nascem com uma inclinação decidida para o erro, e portanto, se você permitir que escolham por si mesmas, elas certamente escolherão errado”.

A mãe não pode dizer o que seu frágil infante será ao crescer: alto ou baixo, fraco ou forte, sábio ou tolo; ele pode ser qualquer uma destas coisas ou nenhuma delas, pois elas são incertas. Mas uma coisa a mãe pode dizer com certeza: ele terá um coração corrupto e pecador. É natural para nós portar-nos mal. “A estultícia”, diz Salomão, “está ligada ao coração da criança” (Pv. 22:15). “A criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”(Pv. 29:15). Nossos corações são como a terra que pisamos; deixe-a abandonada e certamente produzirá ervas daninhas.

Se então, você for lidar de modo sábio com seu filho, não deve deixá-lo sujeito a sua própria vontade. Pense por ele, julgue por ele, aja por ele, do mesmo modo que você faria por uma pessoa fraca e cega; mas, pelo amor de Deus, não o entregue aos seus próprios gostos e inclinações voluntariosos. Não devem ser suas preferências e desejos que são consultados. Ele ainda não sabe o que é bom para sua mente e alma, mais do que o que é bom para seu corpo. Não o deixe decidir o que ele deve comer, o que ele deve beber, e como ele deve se vestir. Seja consistente, e lide com a mente dele da mesma maneira. Eduque-o no caminho que é bíblico e correto e não do jeito que ele imagina.

Se você não pode decidir-se a este primeiro princípio da educação cristã, é inútil continuar lendo. A vontade própria está perto de ser a primeira coisa que se manifesta na mente da criança, e precisa ser sua primeira resolução, resistir a ela.

Ignore este conselho se você for colocar seu filho rumo à destruição, e ao invés disto, ensine-lhe auto-estima positiva; ensine-o que o maior amor está dentro dele e que o mundo, de fato, gira ao seu redor”.

2) Nunca o discipline corporalmente. Os provérbios que sugerem punição corporal, são bárbaros e ultrapassados. Nós somos civilizados. Nós temos o Ano da Criança! Nós erguemos nossas consciências, não palmatórias! Provérbios 13:24 “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” está errado. Ignore-o. O 22:15 “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela”, também. E esqueça 23:13-14 “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno”. Se você for tentado a discipliná-los corporalmente, tente estas desculpas: a) “Eu apanhei quando criança e não quero bater nos meus filhos”. Claro, que é o mesmo que dizer “Minha mãe era gorda, por isso eu não alimento meus filhos”; b) É contra a lei; c) Minha sogra não gosta disso. Seja criativo e pense em outras desculpas; você achará fácil criá-las.

3) Quase tão proveitoso quanto nunca discipliná-los é discipliná-los corporalmente insensata e/ou severamente. A correção bíblica é amorosa, firme e controlada. Excesso de correção bíblica o conduziria à outra direção.

4) Esta é a favorita de muitos pais: nunca use a Escritura na correção. Nunca explique para seus filhos qual é a vontade de Deus sobre o assunto. Não tome Deuteronômio 6: 4-9 literalmente (“Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”).

5) Nunca admita que você está errado. Se você deseja que seus filhos cresçam descorteses e hostis, nunca os deixe vê-lo humilhado ou aceitando correção. Nunca lhes peça desculpas; nunca reprima seu orgulho.

6) Seja hipócrita. Esta é boa para lembrar. Ensine-os através das suas ações, que suas palavras não têm valor para você.

7) Instrua-os para escolher sua própria religião. Afinal, você não pode forçá-los a crer.

8) Não ore com eles ou por eles, pública ou privadamente. Se você precisa de uma desculpa, lembre que eles acharam graça de você da primeira vez que você tentou. Normalmente isto é suficiente para fazê-lo desistir.

9) Evite cantar salmos e hinos com seus filhos. Mas se por alguma razão você achar que deve, nunca lhes explique o sentido.

10) Responda cada pergunta religiosa com “Porque nós sempre fizemos assim”. Este é um dos meios mais eficazes de convencê-los que o cristianismo é meramente uma tradição e não a Verdade.

11) Não os previna sobre evolução ou outros mitos populares. Não os informe sobre heresias da história ou suas modernas iterações. Não lhes fale nada sobre teologias antagônicas e o porquê as igrejas ortodoxas as rejeitam.

12) Deixe-os expressarem-se de qualquer modo que escolherem, seja no seu jeito de vestir, no jeito que usam seu cabelo ou no seu linguajar. As novidades sempre devem ser seguidas. Se eles desejam tatuagens ou vários piercings, relaxe e aproveite. Não interfira. Afinal a vida é deles. E nunca olhe aquilo que eles lêem. Eles têm direitos, você sabe. Você não lê os boletins da ACLU (União Americana para Liberdades Civis)?

13) Não os faça trabalhar por nada. O amor, apesar de tudo, deve ser incondicional, certo? Então, lhes dê tudo e não espere nada. (Isto é exatamente o que você obterá).

14) Desde a infância, use uma linguagem simples ao falar com eles. Não espere que alcancem a maturidade e eles satisfarão suas expectativas!

15) Não os abrace ou beije ou lhes faça cócegas, e seja muito parcimonioso com respeito a lhes dizer que os ama. Evite por completo, se possível. Afinal, isto não é muito másculo.

16) Deixe-os mentir sem sofrer punição. Prove com isto que a verdade tem pouco valor em sua casa.

17) Deixe-os desperdiçar tempo, a esmo e sem propósito. Prive-os daquela idéia puritana que descansamos bem para melhor trabalhar. Tente incutir neles a moderna noção que trabalho existe a fim de custear nossa diversão nos fins de semana; damos duro para podermos “badalar”!

18) Mantenha a TV sempre ligada, especialmente durante os comerciais. Este é o meio mais fácil e certo de guiar seus filhos para o inferno. Pense! Ela pode ser pode ser o terceiro (e o único realmente presente) “pai” delas, e a sua melhor amiga. Duas horas na igreja aos domingos não terão um papel eficiente na formação do caráter delas, quando confrontadas com 25 horas de televisão. Todo absoluto, de qualquer fonte, será “relativizado” para sempre. A televisão tem sido a melhor amiga do diabo, então a deixe possuir a sala de estar e a cozinha também. Se possível, deixe-a ligada durante o jantar, assim ela pode reivindicar, sozinha, o título de senhora e mediadora da verdade em sua casa.

Se você seguir estes 18 passos, há pouca dúvida de que seu filho estará entre aquela população infernal.

Mas eu, particularmente, penso que você rejeitará toda esta horrenda insensatez acima e se curvará a mais solene responsabilidade que Deus já lhe deu: Ser pai e mãe. Se Deus nos concede a aptidão de conduzir nossas crianças à perdição, porque alguém duvidaria que Ele nos dá a habilidade, a responsabilidade, na verdade, o privilégio, de conduzi-los ao céu? Se nós fielmente seguirmos Seu método de criação de crianças da aliança, elas estarão entre a população celeste por toda a eternidade. Que incentivo à fidelidade!

A aliança continua por gerações, mas ela continua junto ao caminho da fidelidade, não o da presunção. Nós temos incomparavelmente grandes e preciosas promessas da parte de Deus, bem como admoestações. Ele nos exorta que não fazer nada é a coisa errada. Ensine a criança em seus próprios caminhos, e quando ela for velha, não se desviará dele. Mas Ele promete que fazer a coisa certa ocasionará a uma colheita de promessas cumpridas. Ouça Deus meditando consigo mesmo concernente a Seu amigo Abraão: “Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gênesis 18:19).

Esta promessa é para você e para seus filhos, e para tantos quantos o Senhor, nosso Deus, vier a chamar. É uma promessa com condições; que alegria é cumpri-las, visando a recompensa a que elas conduzem! Amém.

Por Steve M. Schissel.

http://malucoporjesus.wordpress.com

Fique atento ao seu “Pastor” (e a Igreja)

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Pastores-Cães

Infelizmente, igrejas fundamentadas na Bíblia estão se tornando cada vez mais raras nestes últimos dias. Os fundamentos da doutrina cristã estão sendo abandonados pela aceitação do erro e da heresia. A enganação está aumentando e muitas ovelhas de Deus estão sendo enganadas por charlatões disfarçados de ministro do evangelho. Os promotores desse quadro decadente são os pastores-cães sempre desejosos de agradar e de alcançar a aprovação dos homens. Esses maus líderes gostam de bajular para obter confiança e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples. Em Filipenses 3:2 o apóstolo Paulo assinala: “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros”. Uma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 56:11 onde o profeta dá as características dos pastores-cães “Estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte”. Como se observa no versículo, os pastores-cães são extremamente cobiçosos, de torpe ganância, avarentos; sevem ao seu próprio ventre; sempre buscam a sua satisfação pessoal deixando as ovelhas ao abandono. A idéia de um cão pastoreando ovelhas é contraproducente ao Evangelho. Jesus enfatizou que “O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas”. O bom pastor, não ladra, não rosna, não rezinga, não ataca, não coloca o rebanho em apuros, não alarga o caminho estreito, mas fala o que convém à sã doutrina. O objetivo primordial do bom pastor é colocar seu rebanho sob o temor contínuo do Senhor.

Os pastores-cães buscam os louvores de seus ouvintes e, jactando-se dos bancos cheios aos domingos, arvoram a bandeira falsa do avivamento. Esses maus líderes estão preocupados em solucionar as neuroses das pessoas, revestindo de açúcar seus sermões. Esquecem eles, que o único remédio para a cura dos males que afligem os homens, seja na mente ou no coração é a Palavra de Deus. Uma estratégia usada pelos pastores-cães é manter um perfil discreto e dar aos ouvintes o que eles querem, esperando que voltem no próximo domingo. Esses enganadores fazem com que as pessoas pensem que foram curadas dos seus pecados quando nunca souberam que estavam enfermas, eles colocam vestimenta de justiça sobre os seus ouvintes quando nunca souberam que estavam nus. Seus sermões são uma espécie de chá de eva-doce para acalmar os pecadores, mantê-los confortáveis e domesticá-los. Pregam um Deus meloso, bonachão que não faz exigências. Suas mensagens não têm a capacidade de arar a terra com profunidade, não rompe o solo rochoso da alma humana, não vai além da superfície.

Nas igrejas dos pastores-cães a fé virou show, a adoração virou entretenimento, a santidade deu lugar ao “não tem nada a ver”, a cruz foi substituída por outra mais macia, ou seja, a freqüência do povo à igreja é comparada com o número de pessoas que vai a um parque de diversões. A igreja desses pastores-cães é a igreja da Aceitação: o pecado não é tratado com seriedade, todos podem entrar e permanecer pecadores contumazes. Esses maus líderes não entendem que clubes sociais construídos sobre o nome de Jesus Cristo não são a igreja do Novo Testamento. Um pregador que deixa de “quebrar alguns ovos” regularmente, por que tem o objetivo de ser popular, não está qualificado para o ministério. Uma característica marcante desses pastores-cães é que as experiências têm maior peso que as Escrituras. Quando as pessoas desmaiam na igreja, ou riem descontroladamente, ou latem como cachorros, ou miam como gatos, ou rugem como leões, ou se arrastam como cobras, esses pastores acham que todas essas manifestações são de Deus. Para esses réprobos a Bíblia somente é importante quando não contradiz suas experiências.

O salário altíssimo é a marca principal desses pastores-cães. A Bíblia diz que o trabalhador é digno do seu salário. Portanto, não há nada de errado um pastor receber um salário adequado. Mas, quando o pastor torna-se milionário e vive em uma grande mansão com carros do último tipo conseguidos do seu rebanho, é um lobo mercenário. Esses mercenários têm mundanizado o Evangelho. Para eles, o sucesso de uma empresa multinacional é o modelo a ser imitado pela sua igreja.

É preciso entender que o mundo dos negócios está preocupado com a aparência e o lucro e não pode ser modelo para a igreja do Senhor Jesus Cristo. O verdadeiro pastor que não é mercenário é como Moisés que “permaneceu firme como quem vê o invisível” (Hb 11:27), ou seja, os seus olhos estavam sobre o invisível, o reino espiritual de Deus, não no reino deste mundo.

Os pastores-cães induzem o povo ao erro através de alianças com o que é profano. Para isso usam de jargões atraentes e diplomáticos do tipo: “Unidade na diversidade”, ”O amor une a doutrina divide”, “Devemos construir pontes e não muros”, “O verdadeiro cartão de identidade do cristão é o amor”. Através dessas frases engenhosamente bem construídas erros doutrinários grosseiros têm sido tolerados em nome do amor. Cristianismo é acima de tudo união de gregos e troianos, judeus e gentios, negros e brancos, ricos e pobres, todos unidos numa só fé. Mas, o cristianismo verdadeiro não tolera a conjugação entre o certo e o errado, a verdade e a mentira, a luz e a escuridão. A unidade não deve ser meramente espiritual, mas acima de tudo deve ser bíblico-doutrinária. Assim como a água e o óleo não se misturam, verdade e erro não podem combinar para produzir algo bom. Deus é amor, mas é também santo por isso não dá para justificar a união do santo com o profano como querem os pastores-cães. Em 2 Tessalonicenses Paulo exorta dizendo : “ Se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal e não vos mistureis com ele”. No capítulo 16 verso 17 aos Romanos, Paulo assinala dizendo: “Rogo-vos irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes, desviai-vos deles”.

No livro apocalipse há uma sentença severa para os pastores-cães “Ficarão de fora os cães” (AP 22:15). Cabem a nós, ovelhas, ficarmos atentos para a solene advertência: CUIDADO: PASTORES-CÃES!

Autor: Ir. Marcos Pinheiro
Fonte: [ Voltemos às Raízes ]

O Fogo Ainda Queima !!!

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O Pastor Scott McDermott, da United Methodist, mudou-se para o interior, no oeste da Pensilvânia, em 1993, para servir a igreja, em Washington Crossing, um subúrbio da Filadélfia. A congregação de 700 membros estava experimentando dificuldades financeiras, naquele tempo, e McDermott começou a pregar, pedindo a direção do Espírito Santo. Ele não fazia idéia de que sua igreja estava para experimentar o que ele agora chama de “o mover soberano de Deus”.

Uma manhã de domingo, enquanto conduzia um estudo do versículo do livro de Neemias, McDermott perguntou aos seus paroquianos o que poderia acontecer, se eles declarassem sete dias de regozijo, similares à celebração registrada na narrativa do Velho Testamento. Alguém na última fileira gritou: “Vamos fazer isso”, e o pastor soube que a idéia tinha sido confirmada. “Quando alguém começa a falar com você, da última fileira de uma Igreja Metodista, você sabe que Deus está se movendo”, McDermott diz, com um sorriso.

Rapidamente, foi programada, para a semana seguinte, uma unção organizada dos serviços especiais de “regozijo”. Na segunda-feira, à noite, por volta de 30 pessoas dirigiram-se para orar. Na noite seguinte, McDermott sentiu-se compelido a ungir com óleo os que estavam presentes, e a orar para que eles fossem preenchidos pelo que ele chama de “espírito de alegria”. Depois de uma hora de louvor e oração, algumas pessoas vieram para o altar. Assim que o pastor orou, a terceira pessoa na fila caiu ao chão, como se estivesse dominada, pelo poder do Espírito Santo. O mesmo acontecendo com os que se seguiram.

Na noite da quarta-feira, 125 pessoas vieram à frente. MacDermott orava por duas horas, ininterruptas. Os congregantes esperavam em uma linha que se estendia atrás das portas dianteiras, ou se colocavam, mais adiante, no chão do santuário.

É desnecessário dizer que esse não era seu serviço típico, na igreja United Methodist. MacDermott esfregava sua cabeça. “Eu estava dizendo, ‘Deus, o que está acontecendo aqui? O que é isto?’”.  Ele se certificou que orando com a congregação, dessa maneira, abriu uma nova dimensão para seu ministério. “Foi como se você pudesse ver dentro do coração das pessoas, e ver o quebrantamento delas’”, ele diz.

Os dias de regozijo, em Washington Crossing, estendeu-se muito mais do que uma semana. A sensação da presença de Deus teve um impacto nos recolhimentos religiosos, e momentos de oração de apoio. O órgão da igreja foi vendido, por fim, e as guitarras, atualmente, foram introduzidas, como serviços de adoração, substituindo a liturgia tradicional. Os serviços religiosos usuais teriam sido ofuscados pela visitação óbvia do poder de Deus.

Em Março, durante o serviço de domingo, uma sessão de oração estendeu-se bem além do tempo de 90 minutos usuais. Exceto por 15 minutos de intervalo, McDermott orou com os paroquianos por seis horas; alguns tendo permanecido em fila por quatro horas. “As pessoas estavam espalhadas pelo chão; nós estávamos empilhando cadeiras para compor uma sala. Pessoas caíam, sob o peso de seus fardos”, ele lembra. Essas orações noturnas atraíram 200 pessoas, e MacDermott passou outras quatro horas orando por eles.

Quando esse reavivamento eclodiu, em 1994, McDermott imaginou que ele precisaria aprender como pastorear uma congregação que está experimentando reavivamento espiritual; um tópico que nunca fora discutido, em suas classes de seminário. Ironicamente, ele encontrou suas respostas, no Diário de John Wesley, o fundador do movimento Metodista. E MacDermott lembrou-se que o Metodismo do passado parecia-se muito mais com o reavivamento Pentecostal do que os United Methodists modernos gostariam de admitir. 

A Chama Intensa

McDermott não foi o único, nos oito milhões de membros da United Methodist Church que está experimentando o toque renovador do poder do Espírito Santo hoje. Nos últimos anos, o reavivamento dos dons da graça tem brotado, na igreja United Methodist, num tempo, em que a denominação tem enfrentado perda de membros e tumultos internos. Embora os bispos da United Methodist estejam ocupados argumentando sobre se o homossexualismo é um pecado, e se a Bíblia é verdadeira, um crescente número de seus membros está redescobrindo que o movimento deles nasceu de um reavivamento que enfatiza santidade, zelo evangelístico, e compaixão pelos pecadores. E esses “cheios-do-Espírito” da United Methodist estão determinados a reclamar essas qualidades.

O fundador do Metodismo, John Wesley (1703-1791), e seu irmão Charles (1707-1788), criaram um movimento que era caracterizado, através da abertura ao Espírito Santo. Sua mensagem varrida, através das Ilhas Britânicas, como um fogo intenso, arremessou-se, no Atlântico, para a América do Norte, onde acendeu o Segundo Grande Despertar. John Wesley registrou algumas 225.000 milhas, em cima de um cavalo, para pregar na fronteira americana, e, no século XVIII e XIX, o circuito de pregadores americanos, montados a cavalo, que ele treinou, estabeleceu os alicerces de uma denominação que pretende hoje 36.000 igrejas em nosso país. O Metodismo atual conduziu para o movimento da Santidade, que enfatizou o poder do Espírito Santo, para purificar o que crê. A ênfase de Wesley, no trabalho secundário de santificação também conduziu indiretamente ao nascimento do Pentecostalismo, no começo deste século.

Mas o fogo não permaneceu queimando. Nos anos recentes, a United Methodist Church tem se tornado tão atolada em liberalismo, na sua linha principal, que Wesley provavelmente não iria reconhecê-la, se ele voltasse dos mortos. A cerimônia de casamento de duas homossexuais em 1997, que ocorreu na Primeira United Methodist Church, em Omaha, foi manchete de primeira página através do país. Mas o que não foi reportado foi que, em muitas congregações da United Methodist, Deus tem trazido a onda da renovação espiritual. É provavelmente muito cedo para rotulá-la como uma tendência, mas quietamente, e poderosamente diz o professor Stephen Seamands, da Asbury Theological Seminary, os United Methodists ”estão molhando seus pés no rio” do reavivamento.

“Wesley foi um apóstolo de sua própria geração, um visionário”, diz Terry Tekyl, um pregador evangelista da United Methodist, baseado no Texas, e líder num esforço de recrutar um milhão de cristãos, no ano de 2000, para orar semanalmente pela denominação. “Wesley não buscou permissão, tanto quanto ele buscou o poder de Deus”, diz Tekyl. “Correndo o risco, ele alcançou as pessoas, onde ninguém mais estava alcançando”. “E isto é o que muitos da United Methodist, que são conduzidos pelo Espírito, estão fazendo hoje”, Tekyl acrescenta. “Vá visitar qualquer Igreja vibrante da United Methodist, e você irá encontrar uma ênfase forte na oração: orações intercessórias, orações de cura, orações através de pessoas leigas para seus pastores, e caminhos de oração através da vizinhança. Há também uma crescente abertura ao Espírito Santo, um chamado forte para o discipulado, e uma nova ênfase em descobrir a intimidade com Deus”.

“Parece que há um foco a mais hoje, no ver a face e o coração de Deus”, diz Gary Moore, presidente da Aldersgate Renewal Ministries, uma rede de “cheios-do-Espírito” da United Methodist, baseados perto de Nashville, Tennessee. O grupo, que tem promovido renovação da graça, entre os United Methodist, desde 1970, tirou seu nome da rua, em Londres, onde John Wesley foi, em suas próprias palavras, “estranhamente aquecido”, quando ele compreendeu que Cristo era seu Salvador. “Os dons espirituais, os dons da graça, são formas secundárias na busca da face de Deus”, Moore acrescenta. “Parece haver mais luta com Deus, que fisicamente impacta a vida das pessoas, do que, provavelmente, houve nos primeiros dias do reavivamento”.   

Na Igreja de Scott McDermott, na Pensilvânia, a ênfase na oração tem conduzido ao crescimento e expansão. Oito ministros agora servem na igreja, e 27 pequenos grupos envolvem aproximadamente 300 adultos. Paroquianos também estão ajudando nos ministérios do centro decadente, nas imediações de Camden, New Jersey. O denominador comum da oração também executa o papel vital, na Pine Forest United Methodist Church, em Pensacola, Flórida. O mesmo vento do reavivamento que tocou a vizinha Assembléia de Deus, de Brownsville, em 1995, fez sua presença conhecida na Pine Forest, no mesmo ano.

Derramando Gasolina no Fogo

O grupo jovem da Pine Forest, verdadeiramente, começou a pregar, oito anos atrás, para seus pais e a comunidade. Quando o reavivamento eclodiu, em Brownsville, os membros curiosos da Pine Forest vieram investigar, conforme a diretora de programa da igreja, Linda Smith.  Os United Methodists, em número cada vez maior foram visitar os encontros Pentecostais. “Isso mudou, então, muito de nós. Mudou em tudo”, diz Smith. “Orações explodiram em nossa igreja. Quando o reavivamento primeiro começou [em Brownsville], nós partimos de um grupo de dois ou três, por semana, para quase seis. Agora, nós temos por volta de 19 grupos que se encontram em uma base semanal, ou bimestral. Alguns desses momentos de oração são extremamente poderosos”. 

O pastor sênior, da Pine Forest, Perry Dalton, diz que os 700 membros da sua igreja estavam experimentando reavivamento, antes de Junho de 1995. “Quando o reavivamento chegou em Brownsville, foi como se derramasse gasolina no que estava acontecendo aqui”, Dalton diz. Como McDermott, Dalton tem renovado seus estudos dos escritos (Diário) de John Wesley. Pine Forest logo começou a hospedar grupos de visitantes de fora da cidade, que tinham vindo “experimentar” Brownsville. Conseqüentemente, a igreja estabeleceu o que tem sido uma Conferência anual, bem atendida, para os pastores da United Methodist, onde cura, arrependimento e a renovação para a santidade dirigiram o dia. O zeloso grupo jovem da Fine Forest viajou a região, a convite, para conduzir os esforços na propagação do Evangelho. 

“O que nós estamos vendo é casamentos restaurados, e pessoas curadas”, Dalton diz. “Pessoas jovens estão voltando das drogas. Outras estão esperando para realmente terem Cristo, em suas vidas, no sentido autêntico”. Esta mesma cura é evidente, na Upton United Methodist Church, em Toledo, Ohio, pastoreada, nos últimos nove anos, por Pat Mckinstry, uma mulher afro-americana. Ela foi questionada para servir Upton, no momento em que o número de membros tinha decrescido, e a igreja estava quase para fechar suas portas. “Eu fui a primeira pessoa negra, e a primeira pastora, nessa igreja de classe-média branca”, Mckinstry registra. “Eu suponho que eles, mais ou menos, me queriam para agir de acordo com a tradição, mas eu soube que elas estavam morrendo. Eu comecei o serviço secundário com doze pessoas. Eu apenas treinei esses doze, e disse, ‘Se é Deus que vai construir sua igreja, então, nós precisamos buscar por ele’”.

Pedidos de oração começaram a fluir da comunidade, e McKinstry e os membros da igreja visitaram as áreas de projeto, em Toledo, onde eles conduziram líderes de gang, negociantes de drogas, e prostitutas para Cristo. Esses indesejáveis, finalmente, encontraram uma casa dentro das paredes de Upton. “Nós depositamos a Palavra”, diz McKinstry. “O estudo da Bíblia é a refeição principal, nessa igreja, em noites de quarta-feira. Alguns têm vindo alterados e bêbados. Nós apenas tocaríamos neles; ninguém iria criticá-los. Eu sei que, se a limpeza da Palavra entrasse em suas vidas, ela iria fazer o que as regras e as regulamentações não poderiam”.  

“Mais do que 650 membros agora atendem Upton — e 75 por cento deles não tinham igreja, quando vieram pela primeira vez. Quase doze nacionalidades diferentes estão representadas, assim como os primeiros Budistas e Testemunhas de Jeová. Nós não erramos, quando usamos os princípios que Jesus colocou ao construir sua igreja. Eu sinto que nós somos o Livro de Atos, hoje”, McKinstry diz.

Não muito longe de Toledo, em Muncie, Indiana, a Union Chapel United Methodist Church tem crescido de um comparecimento, de mais ou menos 70 pessoas, em 1981, para aproximadamente 1.300 hoje, durante o tempo de liderança do pastor sênior Gregg Parris. A renovação da Union Chapel começou logo depois que Parris soube que três senhoras tinham se encontrado, nos últimos 30 anos, para orar pelo reavivamento. Um testemunho de um organista, num domingo, conduziu ao arrependimento público, por um membro chave da igreja, e os fiéis se duplicaram, no domingo seguinte, já que mais de 20 pessoas aceitaram Cristo pela primeira vez.

“Durante quase os últimos 20 anos, tem-se tentado copiar, literalmente, o que Deus está fazendo”, Parris diz. O grupo jovem da igreja tem crescido para mais de 300 pessoas. Através do ministério jovem da Union Chapel, 205 garotos deram suas vidas para Jesus Cristo, nos últimos seis meses.

Existem outros sinais de que a renovação está mexendo na segunda maior denominação Protestante da América:

Em Silverdale: - Em Silverdale, Washington, os fiéis da United Methodist Church estão orando para 280 pastores da United Methodist, na Pacific Northwest Conference — onde existem poucos líderes evangélicos atrás do púlpito. O Pastor Wally Snook acredita que toda igreja nos Estados Unidos precisa estar aberta ao poder do Espírito Santo hoje, porque Deus está conduzindo buscadores curiosos para retornar para a igreja. “Eles precisam encontrar o verdadeiro Evangelho, quando eles entrarem pela porta”, ele diz.

• Em Yuba City, Califórnia, o pastor John Sheppard da First United Methodist Church — que chegou perto de deixar a denominação — acredita que sua congregação continua a crescer, já que ele toma o mais forte posicionamento pela integridade do Evangelho.

Na Alexander United Methodist Church, no oeste de Nova York, do pastor Rich Selden, a congregação tem experimentado um grande “borbulhar efervescente da alegria”, desde que se permitiu que o Espírito Santo trabalhasse livremente. A renovação dos conduzidos pelo Espírito também continua, da mesma forma, nas United Methodists Churches, como a First United Methodist Church, em Bedford, Texas, e First United Methodist Church, em Tulsa, Oklahoma, onde existem mais de 300 grupos pequenos, entre a congregação próspera de aproximadamente 8.500 pessoas, dirigidas por Jimmy Buskirk.  

• Em Magothy United Methodist Church de Pasadena, Maryland, pastoreada por David Wentz, por volta de 180 pessoas regularmente experimentam a cura pelo poder do Espírito Santo, e oram umas pelas outras, em pequenos grupos, durante os serviços de adoração.

• Outras United Methodist churches, cada vez mais, estão erguendo suas sobrancelhas, na denominação, por causa do ministério evangélico forte. Essas incluem a Frazer Memorial, em Montgomery, Alabama; Aloma United Methodist e a First Church Ormond Beach, ambas na Flórida central; First United Methodist, em Memphis, Tennessee; e Ginghamsburg United Methodist, em Tipp City, Ohio. Os pastores dessas igrejas dizem que os United Methodists não estão mortos para Deus.

“É importante que, como pastores, nós permitamos que Deus coloque o fogo de seu Espírito em nossas vidas”, McDermott diz. “Eu realmente penso que Deus está tentando chamar a atenção dos pastores. É uma discussão dupla: renovação espiritual, e desenvolvimento e cultivo da liderança prática, para sustentar o reavivamento”. Ele acrescenta: “É tempo de ir buscá-lo. É tempo de acreditar nele, para uma mudança radical, em nossas próprias vidas pessoais, e nas de nossas congregações. E nosso chamado primeiro é para orarmos”.

Se os pastores atenderem ao desafio de McDermott, e a mesma coisa que aconteceu em seu altar, em 1994, poderia se repetir, na United Methodist churches, por toda a América. Essas igrejas seriam espiritualmente secas (estéreis) hoje, mas, como John Wesley conheceu bem, madeira seca é a melhor para se atear um fogo.

John M. De Marco é pastor da United Methodist, na Florida e a former news editor para a Christian Retailing Magazine. Reimpresso com a permissão da Charisma Magazine, Outubro de 1998, Strang Communications Co., USA.

John M. DeMarco

 http://malucoporjesus.wordpress.com

Idolatria EVANGÉLICA ! Pode ?

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O evangélico é idólatra! Tenho ministrado em alguns grandes congressos e o nível de idolatria assusta. Basta o cantor (ou pregador) ser famoso e pronto, está deflagrado o processo idólatra. Olhinhos brilhando, tietagem, lágrimas, milhares de fotos, celulares brotando do chão, em alguns lugares gritos eufóricos tiram Cristo do foco e assassinam o sagrado.

A mentalidade evangélica do show não é mais novidade – e a idolatria também não – tanto que já não choca, não “escandaliza” ninguém. Já não se respeita o lugar do culto, a ambiência do sagrado, o momento da adoração. O que importa é tirar fotos com o ídolo, abraçar, chorar, entronizar o novo deus do instante.

Os chamados “artistas gospel” adoram isso tudo! Basta ver em seus rostos a expressão de êxtase por estarem na mira dos holofotes. Notei o modus operandi desses deuses de hoje: as mesmas técnicas dos “artistas” seculares em seus shows: “Joga a mão pra cima!” Enquanto o “culto” se desenrola em sua forçada normalidade, o povo tenta esconder sua alarmante ansiedade pelo show, até que chega o momento esperado: “com vocês: o nosso deus!” E o povo… abraça a idolatria em sua mais nefasta expressão – a substituição do Deus verdadeiro pela cópia bizarra do momento.

Eugene Peterson escreveu: “Gostamos dos ídolos porque gostamos secretamente da ilusão de controlá-los. São deuses destituídos de divindade para que nós possamos continuar a ser deuses de nós mesmos. A adoração de ídolos (em todas as dimensões: céu, terra, embaixo da terra) sempre foi o jogo religioso predileto. A adoração de ídolos é o vazio batizado de espiritualidade” Dt. 5. 8-10.

Não preciso lembrar que a idolatria é um pecado que fere profundamente o coração de Deus, preciso? O grande problema na adoração aos ídolos é a inversão teológica que é feita. Passa-se a adorar o objeto criado ao invés do Criador de todas as coisas (Rm. 1.19-23). Alguns estudiosos trabalham com a ideia de que o deus de uma pessoa é aquilo a que ela dedica seu tempo, seus bens e seus talentos; aquilo a que ela se entrega. A ideia teológica dessa linha de pensamento é a de que sempre que alguém, ou algum objeto, ou até mesmo alguma função ocupa o lugar central em nosso coração, mente e intenção, torna-se um ídolo, porque tomou o lugar que pertence a Deus (Mt. 22.37).

Não há problema em gostar do trabalho de alguém, ou mesmo tirar uma foto com ele(a), mas a questão é: dentro do templo? No ambiente do culto? Qual é a intenção em celebrar tão desesperadamente alguém? Em matéria de idolatria, todo cuidado é pouco.

A W Tozer disse: “Um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus quanto um ídolo na mão”.

Até mais…

Autor: Alan Brizotti
Fonte: [ Blog do autor ]

Porque NÃO VOTO EM PASTOR !!!

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Bastam as eleições se aproximarem, que se torna absolutamente comum aparecer nos arraiais evangélicos, pastores afirmando que receberam um chamado especial da parte de Deus para se candidatar a algum cargo publico. Na verdade, boa parte destes advogam o fato de terem sido comissionados por Deus para servirem a igreja nos palácios do governo.
Entretanto, a história recente do Brasil nos mostra que a chegada de políticos evangélicos a cargos públicos não tem feito diferença na ética política do país. Basta ver que, nos últimos anos, o envolvimento da maioria dos evangélicos com a política produziu mais males do que benefícios.

Lembro que certa feita enquanto oficializava uma cerimônia fúnebre, um destes “pseudos-politicos-cristãos”, solicitou-me uma pequena oportunidade para que publicamente pudesse demonstrar sua solidariedade à família enlutada, além obviamente de falar de sua candidatura à Câmara Municipal da Cidade. Fato que obviamente não permiti.

Em época de eleição é comum receber a solicitação de inúmeros pastores, os quais em nome de “Deus”, advogam a crença de que o Todo-Poderoso os convocou a uma missão hercúlea, a qual somente eles conseguirão viabilizar. Tais cidadãos fazem uso de chavões e de frases prontas do tipo: “Somos cabeça e não cauda”, “ A política brasileira precisa de homens de Deus”, chegou a nossa hora, vamos mudar o Brasil e etc.

Ora, não acredito em messianismos utópicos, nem tampouco em pastores especiais, que trocaram o santo privilégio de ser pregador do evangelho eterno por um cargo público qualquer. Não estou com isso afirmando de que o crente em Jesus não pode jamais concorrer a um cargo público. Tenho convicção de que existem pessoas vocacionadas ao serviço público, as quais devem se dedicar com todo esmero a esta missão. No entanto, acredito que o fator preponderante a candidatura a um cargo qualquer, deve ser motivada pelo desejo de servir o povo e a nação, jamais fazendo do nome de Deus catapulta para sua projeção pessoal.

Agora, se mesmo assim o pastor desejar candidatar-se, que deixe o pastorado, que não misture o santo ministério com o serviço público, que não barganhe a fé, nem tampouco confunda as ovelhas de Cristo com o gado marcado para o abate. Que não comercialize aqueles que o Senhor os confiou, nem tampouco se locuplete do nome de Deus a fim de atingir seus planos e objetivos.

Encerro este artigo lembrando do pastor Billy Graham que ao receber o convite para concorrer à presidência da República dos Estados Unidos da América, recusou dizendo:

“Por acaso eu trocaria o Santo Ministério da Palavra de Deus por um cargo tão insignificante?”

Pois é, cara pálida, ouso afirmar que infelizmente alguns dos nossos pastores ao contrário do Dr. Billy Graham aceitariam o convite na hora.

 Púlpito Cristão – Por Renato Vargens.

 

Igrejas “sem a presença de Deus” (?): Legalismos e Arrogância de Pastores e Líderes – DÊ UM BASTA NO AUTORITARISMO RELIGIOSO – Busque a Deus em outras DENOMINAÇÕES que servem ao Senhor “de verdade” !

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O problema principal da Igreja hoje não é a falta de oração, de estudo da Bíblia, de fé ou de dedicação. O problema é mais profundo. Algo tornou-nos tão fracos, que não queremos orar, ou ler a Bíblia. Eliminou-se, de nós, o entusiasmo pelas coisas de Deus.

Onde está o problema? Quando o cerne do Evangelho não é bem entendido ou bem ensinado, o esgotamento espiritual alcança-nos mais cedo ou mais tarde. Os sintomas deste esgotamento são Igrejas sem nenhum entusiasmo; Igrejas que não refletem o amor de Deus, pois nunca o experimentaram de verdade; igrejas onde Cristo está do lado de fora.

O que aconteceu? Onde se perdeu o fabuloso legado espiritual, que deveria chegar até nós, já que, por ele, foi pago um alto preço na cruz e um alto preço pelos milhares de mártires, mortos por amor de Cristo?

No princípio da história da Igreja, ocorreram dois graves desvios que alcançaram até a Igreja de hoje:

1) O Cristianismo como religião e não como relacionamento com Cristo
Jesus Cristo debateu veementemente o farisaísmo, pois eles ensinavam ao povo que deveriam buscar a aceitação de Deus, mediante méritos pessoais. As palavras mais duras de Jesus foram dirigidas aos fariseus, pois uma carga muito grande estava sobre o povo, dificultando o acesso dos mesmos a Deus. E Jesus debateu esse desvio, pois Ele sabia que ao longo da história da sua Igreja, muitos ficariam no meio do caminho por causa do cansaço espiritual.

Jesus ensinava ao povo que eles eram livres para amar a Deus, e que o Evangelho era simples:…“amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.” Não ao legalismo, não à religiosidade. “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados que eu vos aliviarei…”.

Se alguém encara a vida com Deus entendendo que precisa fazer de tudo para agradá-LO; que precisa trabalhar muito no Reino para tirar um sorriso dos lábios do Senhor; que precisa melhorar o desempenho espiritual visando garantir um terreninho no céu… Saiba que todo esse sacrifício é vão!

A graça é tudo de maravilhoso que poderia acontecer para o ser humano. É de tirar o fôlego! Estamos livres para amá-LO. Não precisamos, desesperadamente, buscar agradar a Deus, pois Ele morreu por saber que nós NUNCA conseguiríamos agradá-LO por nós mesmos. Por causa da cruz, somos declarados puros, diante de Deus, mesmo não o sendo. Fantástico! O esgotamento espiritual vai embora, se as pessoas souberem que Deus quer um coração conquistado, por essa graça, não um coração ansiando arrumar um jeito de escapar do inferno.

Este é o primeiro desvio que têm minado a Igreja de Cristo hoje. O legalismo dos fariseus alcançou-nos, afastando-nos do entendimento do puro Evangelho.

2) A graça foi barateada
O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer nos sinaliza o segundo desvio sério que alcançou a Igreja de hoje. A graça foi barateada. Que é graça barata? É a pregação do perdão sem arrependimento, graça sem cruz, graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado, graça sem discipulado. Significa justificação do pecado e não do pecador. Graça sem preço, sem custo.

O que é graça preciosa? É o tesouro por amor do qual o ser humano sai e vende tudo o que tem com alegria; é o amor tão intenso a Jesus Cristo pelo qual, o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; é o chamado de Jesus, pelo qual o discípulo larga suas redes e o segue. É preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. É preciosa por ter custado a Deus a vida de seu Filho. “Vocês foram comprados por preço”. É preciosa porque não pode ser barato a nós aquilo que custou caro a Deus.

Com a expansão do Cristianismo e a secularização crescente da Igreja, a consciência da graça preciosa perdeu-se gradualmente. Tornou-se barata. O mundo estava cristianizado, a graça passou a ser propriedade comum de um “mundo cristão”. Mas a Igreja católica, ainda bem, manteve o monasticismo, pois nele se mantinha viva a consciência da preciosidade da graça. Por amor de Cristo, homens e mulheres abandonavam tudo quanto possuíam. Mas a vida monástica era uma coisa para poucos, não para a massa do povo cristão. Era duro demais. Passaram a serem encaradas essas duas esferas de obediência cristã: uma mais severa e outra mais branda.

Qual o erro do monasticismo e onde ele se distanciou do Cristianismo? Não foi no caminho do discipulado rigoroso e na tentativa de obediência perfeita, mas foi por deixar-se transformar ele próprio na realização excepcional, voluntária, de uns poucos, reivindicando, assim, mérito especial para si. A mudança tinha que acontecer nos recônditos mais íntimos do ser e não em demonstrações superficiais.

Esse desvio tem minado a vida da igreja, pois ela não passa apenas de uma opção morna, enfraquecida, que nos constrange ao lembrarmos-nos dos milhares de cristãos que morreram porque entendiam que ser cristão significava renúncia, significava morrer por Cristo. Tudo infinitamente mais do que encontrarmos com os irmãos, uma vez por semana, para reclamarmos do Pastor e da vida medíocre que levamos no Reino.

Não estejamos no time de cristãos que, por não compreenderem a graça, pensam que precisam se superar para agradar a Deus. E também não fiquemos entre aqueles que pensam que tudo já foi feito na cruz e por isso podem levar uma vida onde a convivência com o pecado é tranquila, sem crise. Fiquemos no ponto de equilíbrio, caro leitor, o qual a graça o alcançou e é preciosa demais, pela qual, por amor, você é impulsionado a largar tudo por Jesus e dizer, sem titubear: “Já estou crucificado com Cristo e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2.20).

Cristiane Molulo

A-BD

DOA EM QUEM DOER: Louvor, Música e Adoração são para o Senhor, e não, para os Cantores (IDOLATRIA manifesta)

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Como músico percebo muito a qualidade dos músicos da igreja, a melodia, a linha de baixo, o riff da guitarra e etc. Sendo assim, também não poderia deixar passar em branco o trabalho dos vocalistas. Enumero aqui alguns problemas com os cantores brasileiros à título de aprimoramento, uma critica construtiva.

Um dos erros mais comuns é a influência. Influência não significa plágio. Influencia é quando um músico admira um outro músico e começa a compor, cantar ou tocar “na linha” do admirado. Aqui, o que vemos é plágio. Todo homem canta igual ao André Valadão, Alex Gonzaga ou Kleber Lucas e toda mulher igual a Ana Paula Valadão, Cassiane ou Aline Barros. É desgastante ouvir plágio.O mundo evangélico precisa de originalidade. Tenha suas influencias, mas cultive seu próprio estilo.

Outro erro muito comum é a postura. A maioria dos cantores evangélicos se comportam como artistas e não como servos. A postura é a de um ídolo e não de um irmão que recebeu um talento. Isso é decisivo para a comunicação do Evangelho através da música. A forma como você conduz seu ministério contagia ou afasta pessoas de Cristo.

Achar que barulho é sinal de relevância. Alguns cantores acham que incitando o povo a fazer barulho, levando-os a histeria coletiva estarão promovendo um mover de Deus. Isso não é verdade. Barulho não é sinal de relevância. Nosso culto precisa ser racional, isso é, lógico. Precisa ser inteligível. A gritaria é extravasar de emoção e não sinal de espiritualidade.

Tratar irmãos e irmãs como fãs. Cantor evangélico não pode alimentar idolatria nas pessoas, mas precisa ser exemplo de simplicidade e serviço. Hoje, as notícias que temos são as piores. cantores que saem do “show” e rumam pro motel com suas fãs, cantores que esnobam as pessoas que querem conversar com eles e por aí à fora.

O erro clássico do cantor evangélico é negociar seu talento. Em nome da fama e do dinheiro ele deixa a gravadora mexer na essência de sua composição e até ditar a composição que ele deve gravar. Alguns chamam isso de profissionalismo, eu chamo de falta de personalidade. Além disso cobram cachês astronômicos para ministrar. Na minha igreja não tem vez… Se quiser, expõe o CD e o que vender, vendeu.

Pois é, esses são apenas alguns dos erros mais comuns entre os cantores evangélicos, existem muitos outros, mas resolvi expôr apenas esses.

E no mais, tudo na mais santa paz!

Márcio de Souza é pastor, escritor e blogueiro conscientizador no Púlpito Cristão

Espírito Santo

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O Espírito Santo é a fonte da verdade.

João 14:16-17

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre, a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós.”

Receber o Espírito Santo significa nascer de novo.

João 3:5-7

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.”

Para receber o Espírito Santo é só pedir e depois seguir a Sua direção.

Lucas 11:13

“Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” Atos 5:32 “E nós somos testemunhas destas coisas, e bem assim o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.”

O Espírito Santo é parte da Trindade.

Atos 5:3-4

“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno? Enquanto o possuías, não era teu? e vendido, não estava o preço em teu poder? Como, pois, formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.”

O Espírito Santo é Deus vivendo naqueles que creêm.

Mateus 18:19-20

“Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

O Espírito Santo está presente em tempos de tribulação.

Mateus 10:19-20

“Mas, quando vos entregarem, não cuideis de como, ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de dizer. Porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós.”

O Espírito Santo ajuda-nos a adorar a Deus.

João 4:23-24

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”

O Espírito Santo dá-nos a habilidade de conversar sobre temas espirituais com convicção.

Atos 1:8

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.”

A Nova REFORMA Protestante !!!

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Matéria publicada na Revista Época
Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

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Irani Rosique (crédito: Revista Época)
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

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Miguel Uchôa e bispo Robinson Cavalcanti,
da Diocese do Recife (crédito: Revista Época)
Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”

Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

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Comentário de Leonardo Gonçalves:

O leitor do Púlpito Cristão sabe que não endossamos, sob nenhuma hipótese, o open theism (ou teologia relacional – pintam o poço, mas a água é a mesma) que transparece nos textos do Ricardo Gondim e de Ed René Kvitz, ao mesmo tempo que nos identificamos com Paulo Romeiro, Augustus Nicodemus e Ricardo Agreste, bem como apoiamos a marcha pela ética evangélica, realizada por Paulo e Vera nos dois últimos anos. Somos conservadores em nossa teologia, embora amplamente abertos ao debate cultural e novas perspectivas missiológicas.

Definitivamente não somos um grupo de teólogos liberais querendo modificar o cristianismo; somos cristãos apaixonados que buscam viver e ensinar a essência perdida do evangelho de Cristo. No entanto, a presente matéria é extremamente importante, pois nela fez-se distinção entre a liderança corrupta, mensaleira e vergonhosa, e crentes sinceros – ainda que imperfeitos, demonstrando que nem todo mundo é farinha do mesmo saco-gospel.

Espero (e oro) para que cada vez mais pessoas possam reconhecer essas diferenças, que mais gente entenda que existem pastores honrados, comunidades sérias e crentes pensantes – não intelectualóides, mas pensantes – que estão seriamente preocupados com os rumos da igreja evangélica brasileira.

Púlpito Cristão (Por Ricardo Alexandre)

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Semana passada (*) eu colaborei com a revista Época, edição nacional, com a reportagem de capa “A nova reforma protestante”. Foram nove meses para apurar, escrever, pautar fotos e editar sob condições de trabalho que raramente temos nessa profissão. Em termos de repercussão e alcance, talvez seja o trabalho mais importantes nos meus 17 anos de carreira. E também o que envolveu a maior quantidade de sentimentos e convicções pessoais e profissionais.

Evidentemente, apesar do espaço ocupado (nove páginas), a reportagem era só uma introdução a um tema sem fim, a saber: há uma movimentação entre igrejas e movimentos evangélicos que dialoga com o público mais esclarecido leitor da Época e que não só não se parece com o tipo de “gospel” que ele vê nas páginas policiais como o rechaça tanto quanto o nosso leitor. Que esse movimento, no fundo, é mais uma tentativa de recuperar a “igreja” a qual Jesus Cristo se referia em Mateus 16:18, daí o título – “nova reforma protestante”, sem pretensões de cunhar nenhum termo realmente. Para quem ainda não leu a reportagem, o link oficial é este aqui, mas um monte de gente reproduziu o texto na íntegra, como o Pavablog.

Fiquei muito feliz e grato a Deus pela forma com que o espírito da reportagem foi bem compreendido. A própria página de comentários do site da Época se transformou em palco de discussões muito lúcidas e inteligentes. Confira aqui.

E achei muito bacana que o texto tenha dado origem a discussões importantes em outros fóruns. Abaixo, peço licença para fazer uma pequena lista dos que mais me chamaram a atenção:

Augustus Nicodemus Lopes, a quem respeito e admiro enormemente, usou da reportagem para aprofundar a discussão sobre o liberalismo teológico em seu blog O Tempora! O Mores!

Paulo Siqueira, do site As Pedras Clamam, fez uma excelente prospecção do texto à luz do pentecostalismo. Ele toca em um ponto para o qual eu nunca havia atentado: a falta de uma teologia pentecostal. Seu texto está aqui.

Quem se interessa por design e jornalismo, eu recomendaria este post do blog Faz Caber explicando como a capa da revista foi concebida.

Uma das críticas mais comuns feitos pelos irmãos pentecostais é que eu teria pegado pesado demais em definir a visão neopentecostal do dízimo. No texto, eu disse que o discurso de igrejas adeptas da teologia da prosperidade é que a fidelidade do crente é usada pelo fiel na esperança de constranger Deus a resolver seus problemas pessoais. “Ninguém pode constranger a Deus!”, várias pessoas me escreveram dizendo. Bem, não fui eu quem disse isso, foi o Edir Macedo. Veja com seus próprios olhos: “Se nós fizermos nossa parte num pacto com Deus, passamos a ter o direito de cobrar dEle Suas Promessas. E Ele, por sua vez, fica obrigado a cumprir a parte dEle.”

O bispo anglicano dom Robinson Cavalcanti escreveu uma carta muito interessante dizendo-se “deslocado” do contexto da reportagem. Ele tem razão: a versão original do texto, muito maior, tinha outras aspas do bispo em contextos mais adequados, como o papel da igreja protestante na política brasileira. Na edição final, ele acabou entrando em um contexto que pode sugerir que ele, que não tem nada a ver com todo aquele papo de “desinstitucionalização” estivesse contrariando seus princípios. Ele escreveu um comunicado no site da sua Diocese e nós o publicamos na última seção de Cartas da revista.

Evidentemente, como bem notou o Caio Fábio, o texto não defende em nenhum momento o fim das denominações tradicionais ou a destruição das igrejas instituídas. Minha intenção era mostrar que alguns movimentos mais alternativos estão, pela primeira vez, sendo analisados com seriedade pelas igrejas históricas e muitas de suas lições estão sendo debatidas e, eventualmente, assimiladas. O pastor Miguel Uchoa, também da Diocese do Recife da Igreja Anglicana publicou um post muito interessante e equilibrado sobre isso. [Em grande parte, o texto de Uchôa é a reproduçao de um artigo deste blog - Nota do editor]

Bem, e falando em Caio Fábio, no vídeo abaixo, o pastor diz que a reportagem não tem nada de novo e mostra “todo o seu carinho” aos pastores entrevistados por mim. Você pode tirar suas próprias conclusões, mas não pode deixar comentários na página do Youtube:

No dia seguinte, ele postou novo vídeo, talvez para se fazer entender melhor. Chamou todo mundo de “bundão” outra vez:

Por último, gostaria de fazer um esclarecimento e uma correção. O esclarecimento é que, ao contrário do que o Caio sugere, eu não congrego em nenhuma das comunidades citadas na reportagem e nunca havia sequer conversado com nenhum dos pastores antes de começar a reportagem. Muito menos recebi a pauta por encomenda. Foi uma idéia minha que eu apresentei à Época no final do ano passado e que assumi com a condição de não ter data para entregar – e a própria pauta mudou algumas vezes durante a apuração, como deve ser durante um trabalho de apuração honesto. Desculpe se isso soa arrogante, mas eu jamais faria um trabalho nas condições de isenção e ética discutíveis como as que o reverendo sugere.

A correção que eu gostaria de fazer já foi publicada na edição 639 que está nas bancas, mas vale aprofundar aqui: há um erro de informação histórica naquele quadro “Redenção e rupturas” que tenta explicar graficamente a história e os principais grupos cristãos. Fui frustrado na tentativa de sintetizar a frase original, que falava da conversão de Constantino e da oficialização do cristianismo como religião oficial do Império Romano, feita por Teodósio em 380 dC. O que Constantino fez, convertido ao cristianismo do jeito dele, foi garantir a liberdade religiosa e revogar o culto imperial como religião oficial. Evidentemente, ele lançou as bases de prática cristã que seriam oficializadas algumas décadas depois, mas a informação editada estava mesmo errada. Fui cortando e cortando até caber no lay-out e o texto ficou com o nome de um e a data do outro. Milhões de perdões e obrigado pelas dezenas de pessoas que escreveram notando o vacilo.

***
Fonte: Causa Própria. Divulgação: Púlpito Cristão

Comentário de Leonardo Gonçalves:

Conforme já expressei no comentário que fiz à matéria por ocasião da sua publicação, eu mesmo não endosso, sob nenhuma hipótese, a teologia liberal de alguns dos caras citados na matéria, nem estou tentando destruir nenhuma instituição. Definitivamente não quero nem por um segundo modificar o cristianismo; apenas desejo viver e ensinar a essência perdida do evangelho de Cristo.

A matéria de Ricardo Alexandre na revista Época foi singular ao fazer distinção entre a liderança corrupta, mensaleira e vergonhosa, e crentes sinceros – ainda que imperfeitos, demonstrando que nem todo mundo é farinha do mesmo saco-gospel. Por isso, mesmo havendo citado liberais, neo-ortodoxos e conservadores como se fossem jogadores de um mesmo time (não intencionalmente, talvez, mas foi o que acabou parecendo), esta foi uma das poucas matérias que tratou não retratou os evangélicos de modo estereotipado. Mais uma vez, parabéns ao Alexandre e à revista.

Quanto ao reverendo Caio Fábio e seus pronunciamentos videografados, penso que ele definitivamente estava “com a bunda na boca”, e isso de um modo assustadoramente literal (risos). Concordo plenamente com Caio quando ele diz que a igreja evangélica precisa de regeneração, mas não entendo esta obsessão por “desinstitucionalizar” o cristianismo, como se as instituiçoes fossem o demônio. Concordo menos ainda quando o caminho da desinstitucionalização passa pela criação de uma nova instituição (como o Caminho da Graça), o que denota pouco bom senso.

Precisamos continuar repensando o cristianismo, não em suas doutrinas centrais, mas buscando melhores formas de transmití-las com fidelidade, e confrontando todo despotismo, simonismos neopentecostais e a avareza da liderança evangélica, mas devemos ter muito cuidado enquanto fazemos isso, pois se esta “nova reforma” perder o rumo agora, será muito difícil reencontrar os trilhos lá na frente.

(*) A reportagem saiu na Época, dia 9 de agosto de 2010

Ideologia Mercenária nas Igrejas

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O recente pronunciamento de Índio da Costa sobre o envolvimento de partidos políticos e as FARC, grupo terrorista colombiano, embora não seja nenhuma novidade, tem levantado o debate sobre a legitimidade da guerrilha da Colômbia. Antes de continuar, permita-me esclarecer que não defendo Sendero, nem FARC, nem Fidel Castro. Sou a favor da liberdade de consciência, e me oponho a tudo aquilo que restrinja meu direito de pensar. Lugar de terrorista é na cadeia, e quem se vale da ilegalidade do tráfico de drogas e armas não deveria ser chamado de soldado.

Agora, não pense que eu estou escrevendo isso para fazer uma defesa do Exército Brasileiro ou apenas para demonstrar minha discordância com a guerrilha colombiana ou com os partidos políticos. Eu apenas tomei emprestada essa analogia para exemplificar uma realidade comum ao cristianismo, pois cada dia que passa eu me dou conta que os guerrilheiros estão se apoderando do evangelho, enquanto está cada vez mais raro deparar-se com um verdadeiro soldado.

Mas qual é a diferença entre um soldado e um guerrilheiro? A linha que os divide parece um tanto tênue. Observe que os membros de uma guerrilha quase sempre têm uniformes, coturnos, armas e munição, rádios comunicadores e até se falam com jargões militares. Eles também possuem uma hierarquia, passam por um treinamento severo, tudo muito parecido com um exército “formal”. Apesar disso, não possuem a legitimidade de um verdadeiro exército. Por que razão? Ora, o motivo é simples: Os grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, enquanto soldados lutam pela pátria, estão sob comando da nação e a serviço do seu país. Deu para entender? Vou repetir a idéia: grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, por sua utopia particular, enquanto soldados lutam pela pátria. Captou?

Diante dessa confirmação, eu pergunto a você: Quais os interesses que movem os pastores, missionários e a liderança evangélica de modo geral? Por quem lutam? Seriam eles soldados ou guerrilheiros? Em um conflito de ideologias, qual força prevalece: a claridade das Escrituras ou a força de um estatuto? A palavra de Deus ou as palavras dos homens? O amor à Deus ou o apego à tradição denominacional? Por quem nossos líderes estão lutando?

Ainda lembro com tristeza das muitas vezes que tive que abster-me de gostos e gestos, de interesses e afinidades não porque a bíblia condenava minha conduta, mas porque o mesmo ia contra os famigerados “usos e costumes denominacionais”. Quantas vezes, na minha adolescência e juventude deixei de jogar bola, de freqüentar a piscina do clube, de tomar banho de cachoeira e outras diversões inocentes só para não ir contra as imposições do ministério? Transformaram-me em alguém que eu não era, violentaram a minha individualidade, e eu, simplesmente me deixei levar pela ideologia do grupo, pensando que ao final do treinamento me converteria em um bom soldado. Qual não foi a minha decepção quando descobri que haviam me transformado em um guerrilheiro!

Colegas pastores, ouçam por um momento este jovem que não tem direito sobre vocês, mas que os adverte e exorta com amor de um irmão: Por quem é que nós lutamos? Pelo reino de Deus ou pelos “reinos” dos homens? E se é pela glória de Deus, então alguém me diz, por favor, por que raios os imperativos deste reino não prevalecem nas discussões de Ministério ou nas mesas das Convenções? Porque é que nos recusamos a ensinar certos princípios bíblicos por reverencia a tradições retrógradas que muitas vezes estão em aberta oposição aos princípios do Reino? Será que já não lutamos pelo Reino? Já não defendemos nossa Pátria? Já não somos soldados dAquele Senhor?

Vejo em nossos dias homens e mulheres dispostos a morrer por um ministério, tatuando o rosto do seu apóstolo predileto nas costas, marchando (literalmente marchando!) alienados pelas idéias particulares de coronéis do evangelho, batendo continência para bispos, bispas, apóstolos e patriarcas cuja honra há muito se perdeu, e pergunto se não estamos rodeados por guerrilheiros, os quais andam muito preocupados com “seus evangelhos”, com “suas verdade”, com “seus reinos”, quando deveriam marchar como verdadeiros soldados aos quais somente importam as ordens do verdadeiro General.

Não quero dizer com isso que não se deve obedecer pastores, nem que seja um pecado honrá-los. O mandamento é bíblico, mas não existe nas Escrituras nenhuma razão que nos obrigue a honrar aqueles que negociaram o evangelho, mercadejaram a fé, se corromperam no poder e perderam a honra. Devemos obedecer àqueles que, orientados pela ideologia do Reino, nos guiam na batalha e demonstram fidelidade ao Deus que os comissionou. Quanto à geração de líderes caídos, vendidos e reprovados, valho-me das palavras de Pedro: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”.

Há tempos venho observando essa guerrilha boba, e há muito já não cedo à suas ideologias e interesses. E como sempre acontece nas ditaduras comunistas, todos aqueles que ousam se opor ao status quo e lutar pela liberdade são taxados de rebeldes, são a “força inimiga”, os “traidores”. Assim, por uma grande ironia, no dia em que decidi lutar pelo meu Senhor aceitando o desafio de ser um autêntico soldado, meu antigo exército me perseguiu, me humilhou, me chamou de rebelde. Quando desejei com toda minha alma ser soldado, a “igreja” “evangélica” me transformou em um guerrilheiro subversivo. Que contradição!

Mas isso já não me importa, pois soldado que é soldado não teme enfrentar um grande exército. Prefiro ir à guerra com 300 valentes que amam à Deus do que lutar ao lado de 32 mil que buscam seus próprios interesses. Nem sempre a verdade está com a maioria, e tratando-se do evangelicismo brasileiro, está cada vez mais provado que a lógica não prevalece.

Mas e você, amigo leitor? Você é Soldado ou Guerrilheiro? De que lado você está?

II aos Coríntios

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Lição 1

A Defesa do Apostolado de Paulo

TEXTO ÁUREO

“Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo”
(2 Co 1.5).

VERDADE PRÁTICA

Apesar dos dissabores e angústias de nossa jornada cristã, jamais nos faltará a consoladora presença do Espírito Santo.
HINOS SUGERIDOS 46, 186, 330

LEITURA DIÁRIA

Segunda Sl 59.9 Deus é a nossa alta defesa
Terça Fp 1.16 Paulo, levantado por Deus para a defesa do evangelho
Quarta Fp 1.27 O combate do cristão em defesa da fé
Quinta Tt 1.13 Em defesa de uma fé saudável
Sexta 2 Co 1.9,10 O livramento divino de um defensor da fé
Sábado 1 Co 1.18 Em defesa da palavra da cruz

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 CORÍNTIOS 1.12-14; 10.4,5

INTERAÇÃO

Ao iniciar um novo trimestre, o nosso ânimo parece renovar-se. Pedimos a Deus que nada venha abalar essa disposição e alegria em servi-Lo, mas que ambas perdurem por todo o trimestre. Inicie a primeira aula deste trimestre apresentando o tema geral da revista e comentando que as treze lições analisam a segunda epístola de Paulo aos coríntios, uma carta escrita com muitas lágrimas (2 Co 2.4). O comentarista destas lições é o pastor Elienai Cabral, presidente da Assembleia de Deus em Sobradinho – DF, membro da Casa de Letras Emilio Conde, teólogo e escritor de várias obras publicadas pela CPAD. Que o Todo-Poderoso utilize cada lição para a sua edificação e de seus alunos . Que Deus o abençoe.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Descrever o contexto histórico e cultural da cidade de Corinto.
Explicar os três objetivos da segunda carta de Paulo aos coríntios.
Mencionar as três lições aprendidas com Paulo nesta carta.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, para esta primeira aula, sugerimos que seja feito um esboço geral da epístola. Reproduza o esquema abaixo no quadro-de-giz ou tire cópias para os alunos. Explique à classe que Paulo tentou de todas as maneiras ajudar os irmãos coríntios a resolverem os problemas existentes na igreja. Todavia, alguns falsos obreiros começaram a negar a autoridade apostólica de Paulo e a caluniá-lo. Portanto, ele foi obrigado a escrever a Segunda Epístola aos Coríntios para defender sua autoridade apostólica, afirmar seu ministério e refutar os falsos mestres daquela igreja.

2 Epístola de Paulo Aos Coríntios
Título: 2 Coríntios
Autor: Paulo (1.1)
Datae local: Aproximadamente 55-57 d.C, Na Macedônia.
Tema: A solução doutrinária dos conflitos internos da igreja
Estrutura: I. Exposição do ministério apostólico de Paulo (1-7).
II. Paulo defende a causa das ofertas enviadas aos cristãos pobres da igreja de Jerusalém (8-9).
III. Defesa da autoridade apostólica de Paulo, a qual ele recebeu do próprio Cristo, para anular os argumentos dos que negavam seu ministério (10-13).
Características: Esta é uma carta autobiográfica e por excelência a epístola do apostolado
Versículo-chave: 2 Co 5.20
Lugares-chaves: Corinto e Jerusalém

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
Apostolado
Missão de apóstolo, alguém comissionado e enviado pelo Senhor Jesus para uma missão.

REFLEXÃO
Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós. 1 Pedro 3.15

A Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios foi uma resposta ao antagonismo que havia se levantado contra a sua autoridade apostólica, pois o seu modo incisivo de doutrinar havia chocado alguns conceitos dos cristãos de Corinto. Conceitos esses, aliás, que feriam os ensinos de Cristo. Em face dessa oposição, Paulo fez uma defesa do seu apostolado, refutando falsos cristãos que, embora se autodenominassem apóstolos, contradiziam os ensinos genuínos do evangelho de Cristo que Paulo pregava (2 Co 11.4,13).
Esta carta pode ser identificada sob três divisões. Os capítulos 1 a 7 consistem numa exposição do ministério apostólico de Paulo. Nos capítulos 8 e 9, Paulo defende a causa das ofertas enviadas aos cristãos pobres de Jerusalém. Os capítulos 10 a 13, mais uma vez, de forma incisiva e enérgica, são uma defesa da autoridade apostólica de Paulo.

I. O CONTEXTO DA ÉPOCA

1. Uma metrópole estratégica do século I d.C. Corinto achava-se localizada estrategicamente numa região que facilitava as viagens dos povos mediterrâneos dedicados ao comércio. A cidade era muito antiga e fora construída sobre uma estreita faixa de terra, que unia o norte e o sul da Grécia. O bronze, a cerâmica e outros produtos eram escoados através de seu território. Entre 51 a 55 d.C., sua população era estimada entre 100 a 500 mil habitantes; cifras que, para os padrões da época, significavam grandeza e orgulho. Capital da província romana da Acaia, era uma cidade altamente influenciada pela filosofia grega.
2. Uma cidade histórica e libertina. No século II a.C., Corinto havia chegado a um alto grau de prosperidade. Mas, por causa de seu conflito com Roma, foi destruída em 146 a.C. Reconstruída pelo imperador Júlio César, em 44 a.C., logo floresceu, tornando-se o mais próspero centro do sul da Grécia.
Nos dias de Paulo, a cidade era um pólo terrível e vergonhoso de idolatria. A mensagem do evangelho confrontava e condenava esse estado de coisas (2 Co 5.17).
Assim, a atitude correta e firme de Paulo acabou por gerar uma oposição ao seu ministério por parte de alguns crentes daquela localidade (2 Co 2.1-13).
3. Local da carta. Paulo estava na província da Macedônia, possivelmente em Filipos, quando escreveu esta Carta. Filipos foi a primeira igreja fundada na Europa pelo apóstolo Paulo, na qual ele desfrutava de boa aceitação e carinho (Fp 4.15).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
A Segunda Carta de Paulo aos Coríntios foi uma resposta ao antagonismo que havia se levantado contra a autoridade apostólica do doutor dos gentios.

II. OBJETIVO DA CARTA

1. Autoria e características da carta. A carta começa com a forma típica do tratamento e endereçamento do primeiro século, com o apóstolo, literalmente, identificando-se: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo” (1.1). Nesta saudação, temos a evidência da autenticidade da carta. Além disso, o estilo e a linguagem indubitáveis de Paulo indicam ter sido ele quem a escreveu.
2. A carta tem um caráter pessoal. A Segunda Epístola aos Coríntios é a mais autobiográfica das cartas do apóstolo Paulo e, portanto, possui uma marca bastante pessoal. Por causa dos constantes ataques que sofreu da parte dos coríntios (e dos “superapóstolos”, que se infiltraram na igreja), ela é denominada “a carta contristada” ou a “carta dolorosa”. A influência negativa do estilo de vida extremamente pecaminoso da cidade, marcado pela degradação moral e orgulho intelectual, afetou muitos cristãos chegando até mesmo a dominá-los. Isso fez com que Paulo reagisse com firmeza, condenando suas práticas imorais e, ao mesmo tempo, obrigando-o a se expor muito mais do que em qualquer outro de seus escritos.
3. A exposição do ministério e apostolado paulinos e a coleta para os necessitados. Há, basicamente, três objetivos pelos quais Paulo escreveu esta carta. Os pseudocristãos, que viviam e se movimentavam no seio da igreja, levantaram dúvidas acerca do apostolado de Paulo, suscitando contenda e rejeição ao apóstolo por parte do povo (Ver 2 Co 11.26b; Gl 2.4). Esses falsos irmãos promoveram um mal-estar na comunidade de fé coríntia, de tal forma, que trouxe muita aflição de espírito a Paulo. A despeito de tudo, o apóstolo amava essa igreja. Corinto foi a igreja que mais preocupação causou ao doutor dos gentios. É evidente que o apóstolo tratou de outros assuntos (6.14-18 é apenas um desses), entretanto, de certa forma, esses objetivos também oferecem uma estrutura para o estudo de 2 Coríntios:
a) A exposição do ministério paulino (capítulos 1-7). Foi grande o problema enfrentado por Paulo ante a crítica severa à integridade do seu ministério. Duas de suas defesas foram: 1) A apresentação de sua vida ao exame público (algo que o tranquilizava, pois era irrepreensível diante de todos, 2 Co 3.1-4); 2) e o próprio fato de ele padecer por estar realizando a obra de Deus (algo que, longe de o desqualificar, era na verdade uma das provas de que ele era realmente chamado por Deus, 2 Co 6.1-13). Na realidade, a defesa do ministério paulino contém lições preciosas para todos nós sobre como agir e reagir diante de ataques gratuitos e de circunstâncias negativas. Por isso, o objetivo dessa carta (à parte da defesa do apostolado paulino), mesmo tendo sido escrita em “tribulação e angústia do coração”, por causa dos “falsos apóstolos” (2 Co 11.13), é promover a unidade e o crescimento da igreja, com vistas ao amor fraternal.
b) A coleta para os necessitados (capítulos 8-9). Estes dois capítulos, se bem estudados, podem oferecer uma ampla visão do que significa filantropia e oferta como louvor e gratidão a Deus.
c) A defesa do apostolado paulino (capítulos 10-13). Nos capítulos finais, Paulo retoma o assunto e, de maneira ainda mais contundente, defende o seu apostolado como um ministério recebido de Deus. Ele se vê “obrigado” a expor algumas de suas credenciais para contrastar com o perfil dos falsos apóstolos e “superapóstolos”.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
O objetivo da Segunda epístola é promover a unidade e o crescimento da igreja, com vistas ao amor fraternal.

III. AS LIÇÕES QUE APRENDEMOS COM PAULO

1. Amar sem ser conivente com o erro. Paulo amava a igreja, que gerara em Cristo, e muito zelava pelo seu vínculo com aqueles irmãos. Por isso, não podia, em sã consciência e segundo as Escrituras, compactuar, nem permitir o mau e escandaloso testemunho de alguns de seus membros (1 Co 5-6; 8). A comunhão com tais pessoas causaria estrago espiritual à igreja. A primeira carta foi enviada, provavelmente, através de Timóteo (1 Co 4.17), mas não produziu o resultado esperado pelo apóstolo. Ao contrário, a igreja continuava envolvida com pecados através de seus membros. Paulo, então, deixou a igreja em Éfeso, e foi a Corinto (2 Co 2.1; 12.14). Nesta viagem missionária, Paulo passou o inverno em Corinto, antes de prosseguir para Jerusalém e levar as ofertas recebidas das igrejas da Ásia Menor aos cristãos necessitados.
2. Ser obreiro é estar disposto a sofrer perseguições internas. Aprendemos com esta carta de 2 Coríntios, e com Paulo, que não estamos livres de enfrentar oposições na vida cristã e no trabalho do Senhor. Ninguém está livre de passar por tristezas, angústias e perseguições. Todavia, Deus não nos abandonará se tivermos sempre em vista o propósito da sua chamada em nossa vida.
3. Paulo não tomou todos por alguns. Apesar de tudo, o apóstolo Paulo sabia que havia crentes fiéis em Corinto, que não tinham entrado pelo caminho da murmuração e da rebeldia. Apesar dos males diversos causados ao apóstolo, ele não desistiu daquelas ovelhas; como pastor espiritual daquele rebanho, estava pronto a defender os fiéis.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Apesar dos males diversos causados ao apóstolo, ele não desistiu daquelas ovelhas, e como pastor espiritual daquele rebanho, estava pronto a defender os fiéis e repelir os lobos predadores.

CONCLUSÃO

Além de todos os aspectos históricos e geográficos que contribuem para que entendamos que Deus conduz a história na realização da sua soberana vontade, é preciso não perder de vista a vocação que cada um de nós recebeu da parte do Senhor. Na realidade, é preciso ir além: Que saibamos, assim como o apóstolo Paulo, sofrer por amor a Cristo, a fim de cumprir o chamado dEle em nossa vida (2 Co 1.5-7; 6.4; Cl 1.24; 2 Tm 1.8; 2.3; 3.11; 4.5).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Geográfico
Corinto
“Uma cidade muito antiga.
Os primeiros colonizadores chegaram à Corinto no quinto ou sexto milênio a.C. Mas a Corinto do período clássico foi realmente estabelecida com a invasão dos dórios. Por volta de 1000 a.C., esse povo grego se estabeleceu no sopé da acrópole de Corinto. Ocupando um lugar de segurança, eles também controlavam a principal rota comercial por terra entre o Peloponeso e a Grécia central, como também a rota Istmiana. Chegando logo a um alto grau de prosperidade, a cidade colonizou Siracusa na Sicília e a ilha de Corcira (a atual Corfu) e alcançou um pico de prosperidade através do desenvolvimento comercial e industrial. A cerâmica e o bronze de Corinto foram largamente exportados pelo Mediterrâneo.
[...] Corinto entrou em conflito com Roma durante o século II a.C., foi finalmente destruída pelos romanos em 146 a.C., e permaneceu virtualmente desabitada até que Júlio César fundou-a novamente em 44 a.C. O crescimento de Corinto foi rápido e, na época de Paulo, ou logo depois, a cidade se tornou o maior e mais próspero centro no sul da Grécia. [...] A prostituição religiosa era comumente praticada em conexão com os templos da cidade. [...] A partir da mobilidade social e dos males das práticas religiosas ali, surgiu uma corrupção geral da sociedade. A péssima ‘moral de Corinto’ se tornou um provérbio pejorativo até mesmo no mundo romano pagão” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2006, pp.460-62).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Bibliológico
O Relacionamento de Paulo com a Igreja
“1 Coríntios, enviada provavelmente por intermédio de Timóteo (1 Co 4.17), não produziu os resultados desejados. O relatório que [Paulo] recebeu informava que as condições da igreja estavam se tornando piores. Portanto, Paulo deixou seu trabalho em Éfeso e fez algo que classificou como uma visita dolorosa a Corinto (2 Co 2.1). Parece que alguma pessoa em particular, algum chefe dos revoltosos, havia se levantado em um arrogante desafio a Paulo (2 Co 2.5-8; 7.12). A igreja ficou do lado deste, e Paulo foi obrigado a fugir às pressas.
2 Coríntios é uma prova de que a polêmica contra o apóstolo havia aumentado e eram muitas as acusações e as críticas contra a sua pessoa. Questionavam a integridade dos seus motivos, do seu comportamento e até do seu ministério apostólico (1.13;; 3.1). Até sua coragem (10.1,10) e sua capacidade foram atacadas (10.11; 11.6). Parece que as críticas a Paulo vieram de uma minoria (2.6) e estavam centralizadas em alguns judeus cristãos (2.6), que haviam conseguido penetrar na congregação através de recomendações e da sua própria indicação (3.1; 10.12,18). De acordo com Kuemmel, eles não eram judaizantes, mas opositores palestinos da missão de Paulo e da dignidade apostólica que haviam se juntado a um grupo divergente, e aparentemente gnóstico, do ministério de Paulo e que já era evidente em 1 Coríntios.
Ao retornar a Éfeso dessa dolorosa visita, Paulo escreveu uma carta triste (2.3,4) e enviou Tito (7.6) para entregá-la em Corinto e tentar recuperar a igreja para ele. Depois da partida de Tito, esta preocupação de Paulo iria impedi-lo de continuar seu trabalho, portanto ele partiu para Trôade e depois para a Macedônia (2.12,13), a fim de aguardar o retorno de Tito. Quando este chegou trazendo a informação de que a igreja havia cuidado do ofensor e que havia novamente se submetido à autoridade do apóstolo, Paulo sentiu-se reconfortado. Portanto, depois de um ano na Macedônia (8.10) e depois de ter escrito 1 Coríntios, Paulo escreveu à igreja de Deus em Corinto. Ele incluiu e todos os santos que estão em toda a Acaia e lhes pediu para preparar o caminho para sua terceira visita. Nessa carta ele expressa seu alívio com o sucesso da missão reconciliadora de Tito e responde às aviltantes acusações dos seus críticos. Em toda essa carta, mas especialmente nos capítulos 10-13, ele entendeu ser necessário defender a legitimidade do seu apostolado. Embora as relações entre o apóstolo e a igreja como um todo tivessem sido restauradas, ainda permanecia alguma oposição a Paulo em Corinto. (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 8: Romanos a 1 e 2 Coríntios. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 400, 401).

VOCABULÁRIO

Antagonismo: Oposição de ideias ou sistemas.
Conivente: Cúmplice.
Incisivo: Direto, sem rodeios.
Indubitável: Que não pode haver dúvida, incontestável.
Libertino: Devasso, dissoluto, depravado, licencioso.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007..

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 36.

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. De acordo com a lição, cite uma das provas da aprovação apostólica de Paulo.
R. 1. As três principais divisões são: I. Exposição do ministério apostólico de Paulo (1-7); II. Paulo defende a causa das ofertas enviadas aos cristãos pobres da igreja de Jerusalém (8-9); III. Defesa da autoridade apostólica de Paulo (10-13).

2. Qual é a melhor e a maior recomendação que um servo de Cristo pode ter?
R. É denominada “a carta contristada” ou a “carta dolorosa”.

3. Explique por que o Segundo Pacto é superior ao Primeiro.
R. Os dons têm a ver com o que fazemos para Deus. O caráter cristão com o que somos para Ele.

4. Cite as principais diferenças entre a Nova Aliança e a Antiga.
R. Afirmar o ministério de Paulo, defender sua autoridade como apóstolo e refutar os falsos apóstolos em Corinto.

5.Explique, com suas palavras, o texto bíblico de 2 Coríntios 3.6.
R. Aprendemos com esta carta de 2 Coríntios, e com Paulo, que não estamos livres de enfrentarmos oposições na vida cristã e no trabalho do Senhor, nem de passar por dissabores, angústias e perseguições provocadas por certos maus elementos dentro da igreja e que, apesar das dificuldades, devemos estar sempre prontos para defender os fiéis.

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Lição 2

O Consolo de Deus em Meio à Aflição

TEXTO ÁUREO

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação”
(2 Co 1.3).

VERDADE PRÁTICA

As aflições nos ensinam a lidar com as circunstâncias e a depender inteiramente de Deus, nosso auxílio e consolo.
HINOS SUGERIDOS 58, 61, 84

LEITURA DIÁRIA

Segunda Sl 23.4 A vara e o cajado de Deus nos consolam
Terça Sl 86.17 Deus consola o seu povo
Quarta 2 Co 7.6 Deus, o Consolador dos abatidos
Quinta 2 Co 1.4,5 O Deus de toda consolação
Sexta Cl 2.2 Consolados e unidos em amor
Sábado 1 Ts 5.14 Consolai os desanimados; amparai os fracos

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Coríntios 1.1-7

INTERAÇÃO

Professor, atualmente muitos servos de Deus, influenciados pela Teologia da Prosperidade, acreditam que os crentes fiéis não podem experimentar aflições ou tribulações. A lição desta semana possibilitará a oportunidade de explicar aos alunos que o crente fiel também sofre infortúnios; Paulo é um exemplo. A Segunda Carta aos Coríntios mostra que ele enfrentou oposição, perseguição e experimentou grande sofrimento. Todavia, o Deus que o comissionou não o deixou sozinho, mas esteve ao seu lado em todo o tempo. Permita que Deus traga consolo ao seu coração a fim de que possa consolar seus alunos ou outras pessoas que porventura estejam também enfrentando dificuldades.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Compreender que as aflições por que passamos nos ensinam a lidar com as circunstâncias e a depender de Deus, que nos ajuda e consola.
Conscientizar-se de que o crente fiel também enfrenta lutas e tribulações.
Saber que a confiança em Deus garante consolo e vitória.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, providencie algumas cópias do esquema da página ao lado. Introduza a lição perguntando: “Quais são as principais diferenças entre as cartas de 1 e 2 Coríntios?” Incentive a participação de toda a classe, ouça as respostas com atenção, mas não faça nenhum comentário. Após ouvir os alunos, distribua as cópias e diga que as duas cartas são muito diferentes. A seguir, leia o texto com eles e explique as principais diferenças. Enfatize o fato de Paulo ter entregado sua vida à divulgação do Evangelho.

1 Coríntios 2 Coríntios
Prática Pessoal
Enfoca o caráter da igreja
coríntia.
Enfoca Paulo ao expor sua alma e falar de seu amor pela igreja coríntia.
Lida com as questões do casamento, da liberdade, dos dons espirituais e da ordem na igreja. Lida com o problema dos falsos mestres. Paulo defende sua autoridade e a verdade de sua mensagem.
Paulo fornece instruções em assuntos relacionados ao bem-estar da igreja. Paulo dá seu testemunho porque sabe que a aceitação de seu conselho é vital para o bem-estar da igreja.
Contém conselhos para ajudar a igreja a combater as influências pagãs na pecadora cidade de Corinto. Contém um testemunho para ajudar a igreja a combater a devastação causada pelos falsos mestres.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
Consolação
Do grego paraklēsis; alívio, lenitivo, conforto.

REFLEXÃO
Em seu espírito, você está ligado àquEle que tem todas as respostas, soluções, provisões e bênçãos.

A Segunda Epístola aos Coríntios foi escrita quase um ano depois da primeira carta, e contém a apologética mais uniforme da autoridade apostólica de Paulo. O apóstolo achava-se contristado por causa da oposição que lhe moviam os falsos irmãos. Afinal, aquela igreja era fruto do seu trabalho missionário (1 Co 4.14,15; 2 Co 10.13,14). A carta também inclui alguns temas doutrinários, como é o caso da morte e ressurreição do crente (2 Co 5.1-10). Neste texto, o apóstolo expõe o seu coração; revela, de forma vívida, os sentimentos que envolviam sua alma e sua fé. Ele confronta as calúnias e a deslealdade dos falsos irmãos, refutando suas atitudes carnais; bem como enfrenta os falsos apóstolos, que tinham por objetivo corromper a verdade do evangelho de Cristo, a qual o apóstolo pregava com toda sinceridade e dedicação.

I. UMA SAUDAÇÃO ESPECIAL E INSPIRADORA (1.1, 2)

1. Sua identificação pessoal e os destinatários (1.1). O apóstolo dos gentios, como de praxe, inicia o texto com o seu primeiro nome, Paulo, seguindo uma forma predominante na época em que aparecia o nome do autor, o nome do destinatário e, finalmente, a saudação. Em seguida, Paulo destaca o seu apostolado, através do seu poderoso e frutífero ministério no seio da igreja, como alguém que fora chamado e autorizado a ser portador do evangelho pelo próprio Jesus (At 9.15). Já no versículo primeiro ele enfatiza o fato de o seu apostolado ser um chamamento divino (v.1). Nesta sua saudação à igreja de Corinto, Paulo inclui Timóteo, que cooperava com ele em suas atividades missionárias. Timóteo, um jovem obreiro, foi um companheiro leal de Paulo durante todo o seu ministério (At 16.1-3; 17.14,15; 1 Co 4.17). No texto de Atos 18.5 vemos que Timóteo e Silas foram enviados a Corinto para servir a igreja. Posteriormente, Paulo enviou o jovem pastor de Éfeso a Corinto (1 Co 4.17; 16.10). A despeito dos problemas que essa igreja possuía, é digno de menção a forma utilizada por Paulo ao dirigir esta sua nova carta à Corinto:
a) À igreja de Deus que está em Corinto (v.1). Apesar dos falatórios dos rebeldes da igreja de Corinto contra o apóstolo, ele tratou a igreja como um todo, como parte da Igreja universal. Por isso, a denomina “igreja de Deus”. Não havia templos construídos naqueles primeiros tempos do cristianismo; a igreja reunia-se em casas particulares ou ao ar livre. Note que Paulo não está se dirigindo a uma casa, mas “à igreja de Deus que está em Corinto”.
b) “[...] Todos os santos que estão em toda a Acaia” (v.1). Os romanos haviam dividido a Grécia em duas grandes províncias; ao sul, Acaia e, ao norte, Macedônia. Corinto era a capital da Acaia ao sul, onde residia o procônsul romano (At 18.12).
O apóstolo acrescenta à sua saudação um apêndice tipicamente neotestamentário: Ågos santos que estão em toda a Acaia. Os crentes são tratados como santos porque, independentemente da sua estatura espiritual, haviam sido separados da vida mundana para formar o povo de Deus, a Igreja.

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Para os rebeldes que incitavam os cristãos de Corinto contra o apostolado de Paulo, ele não receou identificar-se como tal, porque esse título não resultou de uma autonomeação, mas foi-lhe outorgado pela vontade de Deus e, portanto, está diretamente relacionado à soberania do Eterno, que sabia quem era Paulo e, por isso, o chamou e o comissionou para essa obra.

II. AFLIÇÃO E CONSOLO ?(1.3-7)

1. Paulo, sua fé e gratidão. A seguir, o apóstolo agradece a Deus usando a seguinte expressão: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. Tal forma de expressar-se fala de sua gratidão a Deus e também comunica uma riqueza doutrinária. Deus é aqui revelado como “o Pai das misericórdias”, indicando que esse Deus Todo-Poderoso é aquEle que nos perdoa. Suas misericórdias são expressões do seu caráter justo e santo, que pune o erro, mas se compadece do pecador arrependido (Sl 103.13-18).
2. O consolo divino e o consolo comunitário. Deus Pai não é apenas um Deus que se compadece de nós em nossas tribulações, mas aquEle que alivia nossos sofrimentos com o bálsamo da consolação do seu Espírito (At 9.31), pois é o “Deus de toda consolação” (2 Co 1.3). A força da palavra “consolação” (gr. paraklēsis), neste versículo, está no termo grego paraklētos (“advogado”, “consolador”), utilizado no Novo Testamento em relação à Pessoa do Espírito Santo como “o outro consolador”, prometido por Jesus antes de ascender aos céus (Jo 14.16; 16.13,14).
No versículo 4, Paulo dá testemunho do consolo divino, afirmando que Deus “nos consola em toda a nossa tribulação”, em uma clara referência às suas várias lutas vividas naqueles dias ante as perseguições e calúnias que sofrera.
Na sequência, o apóstolo esclarece que o consolo que recebemos de Deus, em meio aos sofrimentos, serve de bênçãos para nós mesmos e para os outros, uma vez que aprendemos a lidar com as circunstâncias e nos tornamos canais de consolo divin o para os outros. Na verdade, a Bíblia fala-nos aqui da responsabilidade do crente em relação aos seus irmãos em Cristo, quando enfrentam tribulações, lutas, sofrimentos e dificuldades.
3. A aflição na experiência cristã (vv.5,6). Aflição é uma palavra bíblica que anula o falso conceito da Teologia da Prosperidade, segundo a qual o crente santo e fiel não passa por dificuldades (Jo 16.33). Os sofrimentos e provações que enfrentamos produzem perseverança e esperança (Rm 5.3,4). As aflições são inevitáveis em nossa vida, porém, o consolo divino – bem como o apoio dos nossos irmãos – vem como um rio caudaloso trazendo refrigério e descanso.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
Deus Pai não é apenas um Deus que se compadece de nós em nossas tribulações, mas aquEle que alivia nossos sofrimentos com o bálsamo da consolação do seu Espírito, pois é o “Deus de toda a consolação”.

III. AMARGURA E LIBERTAÇÃO (1.8-11)

1. Paulo enfrenta uma terrível tribulação (v.8). O apóstolo passou por uma tribulação esmagadora na Ásia; talvez em Éfeso, a capital da província (At 19.22-28). Nenhum servo de Deus está livre dessas experiências. Ameaças de morte não faltaram em todo o ministério paulino. O que chama a atenção no texto é que a aflição sofrida foi tão forte que Paulo a considerou algo superior às suas forças. A despeito da tenacidade desse homem, sua estrutura emocional era humana e limitada, e ele parecia não encontrar saída para escapar ao problema. Entretanto, Paulo entendeu que essa era uma prova em que ele deveria confiar, não em suas próprias forças, mas em Deus que “ressuscita os mortos” (v.9).
2. Paulo confia em Deus para sua libertação (v.10). O texto diz: “o qual nos livrou de tão grande morte e livrará; em quem esperamos que também nos livrará ainda”. A expressão “tão grande morte” indica que o seu fim parecia-lhe inevitável, mas Deus o livrara. A experiência dava-lhe consolo e ânimo para, em todas as situações, crer e esperar em um Deus que é também o nosso Pai amoroso.
3. Paulo confiou em Deus e foi liberto (v.11). O apóstolo agradece a Deus pelo livramento e apela à igreja de Corinto que ore e interceda pelos seus ministros. Assim, ela também terá motivos para glorificar ao Senhor pelo livramento que dará aos seus servos. Não existem limites para o poder da oração intercessória em nome de Jesus.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Paulo enfrenta uma terrível tribulação, mas confia em Deus e recebe o livramento.

CONCLUSÃO

Nesta lição, aprendemos que o cristão passa por muitas aflições, mas o Senhor sempre o ajuda a enfrentá-las. Ele está conosco, antes, durante e após as provações. O Senhor Jesus Cristo não nos desampara nunca (Mt 28.20).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

A palavra Thlipsis, traduzida como ‘tribulação’ e ‘aflição’, é frequentemente usada no Novo Testamento para descrever intensa aflição espiritual e emocional, causada por pressões externas ou internas. Todo ser humano que vive ou que já viveu é/foi vulnerável, pois nenhum de nós pode exercer controle sobre as circunstâncias da vida.
Esta realidade é expressa mais fortemente na palavra usada na passagem sobre sofrimento, pathema. Na cultura grega, esta raiz expressa a visão comum de que a humanidade é afligida, forçada a suportar experiências além do controle humano, que também causam grande angústia física e mental. Basicamente, a raiz é usada para sofrimento e aflição. Em primeiro lugar, Paulo sente que Deus é a fonte do consolo ou do encorajamento.
Em segundo lugar, tais pressões ensinaram a Paulo uma lição vital. Ele precisa confiar em Deus, não em si mesmo e em sua capacidade. Assim, ao invés de permitir que as pressões o levem a desistir, Paulo olha na frente com esperança (1.10). Esta palavra, esperança (elpizo) é utilizada 70 vezes nas epístolas do NT, onde sempre representa a expectativa em relação a algo bom. Se pensarmos apenas no presente, e nas dificuldades sob as quais vivemos, poderemos ficar presos a desespero permanente. Porém, Paulo nos lembra que devemos pensar no amanhã com grande expectativa e confiar em Deus.” (RICHARDS L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007, p.370).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Bibliológico
“A Consolação Através de Cristo (1.3-7)
Uma atitude típica de Paulo (cf. Rm 15.1-7; 1 Co 1.18-31; 4.9,10; Fp 2.5-11), e particularmente característica dessa carta é o intercâmbio entre as experiências opostas em Cristo. Aqui existe um intercâmbio entre a consolação e a aflição, que está permeando as palavras de ação de graças de Paulo. O pensamento que une estes dois opostos são as aflições de Cristo, pois Paulo está descrevendo seus próprios sofrimentos em relação aos sofrimentos do nosso Senhor.
Aquele a quem o apóstolo louva como ‘o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo’, ele também experimentou como Pai das misericórdias (Sl 103.12) e o Deus de toda consolação. A continuidade usada por Paulo para enfatizar essa repetição invertida de Deus e Pai está na essência do seu conceito de Divindade. O Pai das misericórdias, como o Deus de toda consolação, consola Paulo e, dessa forma, permite que ele console os outros. Ele é o ‘Deus e Pai’ daquele cujas aflições… são abundantes em nós (5). O Pai é o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo (3). A consequência de Jesus ter se tornado verdadeiramente humano (Jo 1.14; Hb 2.14) foi que se tornou necessário que Ele vivesse em completa dependência de Deus quanto à sua força espiritual (Mc 15.34). Deus é o Pai de Jesus Cristo, pois Jesus também era o divino Filho, que vivia em perfeita obediência ao seu Pai (Jo 5.30). A chave para a perspectiva de Paulo é a verdadeira obediência de Deus como homem, até mesmo para sofrer e morrer pela humanidade (Fp 2.8; Hb 5.8).
Porque as aflições de Paulo estão tão essencialmente relacionadas aos sofrimentos de Cristo, que a sua consolação sobeja por meio de Cristo (5) para os coríntios. O pensamento de Paulo foi bem expresso pela tradução de Phillips. ‘Na verdade, a experiência mostra que quanto mais participantes do sofrimento de Cristo, mais seremos capazes de dar esse encorajamento’. Dessa forma, tanto as aflições como as consolações de Paulo foram por amor aos coríntios (4.15; 12.15), cujos sofrimentos são iguais aos seus. Assim como eles participam dos sofrimentos – que representam a porção de Paulo como servo de Cristo – eles serão capazes de compartilhar, na mesma medida, a consolação que encontra a sua fonte em Cristo. Esta consolação, como Filson interpreta, ‘é mais do que uma consolação na tristeza ou na provação, ela inclui o encorajamento e implica dom divino da força para enfrentar e vencer as crises da vida’ (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 8: Romanos a 1 e 2 Coríntios. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp. 405-6).

VOCABULÁRIO

Praxe: Rotina, uso, costume.
Tenacidade: Afinco, constância.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005.
HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 37.

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. De acordo com a lição, cite uma das provas da aprovação apostólica de Paulo.
R. Paulo explica seu apostolado da parte de Jesus Cristo usando a expressão pela vontade de Deus, justamente para enfatizar a origem de sua vocação e de sua posição de apóstolo (Gl 1.15).

2. Qual é a melhor e a maior recomendação que um servo de Cristo pode ter?
R. A graça é a demonstração do favor soberano de Deus mediante o ato salvífico de Jesus no Calvário.

3. Explique por que o Segundo Pacto é superior ao Primeiro.
R. Perseverança, firmeza de caráter e esperança

4. Cite as principais diferenças entre a Nova Aliança e a Antiga.
R. Aflição

5. Explique, com suas palavras, o texto bíblico de 2 Coríntios 3.6.
R. A expressão tão grande morte, indica que o passamento de Paulo parecia-lhe inevitável, mas Deus o livrou.

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Lição 3

A Glória do Ministério Cristão

TEXTO ÁUREO

“E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar o cheiro do seu conhecimento”
(2 Co 2.14).

VERDADE PRÁTICA

A glória do ministério cristão está na simplicidade e sinceridade com que se prega o evangelho e na salvação e edificação dos fiéis.
HINOS SUGERIDOS 107, 147, 165

LEITURA DIÁRIA

Segunda Ef 6.6 Servindo a Deus com autenticidade
Terça 2 Co 11.2 Servindo a Deus com zelo
Quarta 2 Sm 12.7 Ministrando com autenticidade
Quinta 2 Ts 2.5,6 Autenticidade na conduta
Sexta Gl 2.7-14 Autenticidade nas convicções
Sábado Jo 2.13-17; 8.46 Cristo, suprema autenticidade e zelo

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 CORÍNTIOS 1.12-14,21,22; 2.4,14-17

INTERAÇÃO

Professor, vamos iniciar esta lição com a seguinte indagação: Quem tem condições de representar Cristo?Você já refletiu a respeito disso? Paulo nos ensina na segunda Carta aos Coríntios que não temos capacidade para realizar tal tarefa. Nossa suficiência provém única e exclusivamente de Deus: não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus. É Deus quem nos chama e nos envia (Mt 28.18-20). Os falsos apóstolos se gabavam dos seus feitos. Todavia, Paulo deixa claro que é o Espírito Santo quem nos habilita a realizarmos a obra de Cristo. Sem Ele nada podemos fazer. Se estivermos realizando algo para o Senhor, devemos dar todo crédito ao Todo-Poderoso e não nos vangloriarmos em nossas realizações. Glorifique ao Senhor, dê toda a honra a Ele e tenha uma boa aula.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se de que a glória do ministério cristão está na simplicidade e sinceridade com que se prega o Evangelho
Explicar as razões da mudança de planos da ida de Paulo a Corinto.
Saber que somos o bom cheiro de Cristo.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, converse com os alunos explicando que Paulo advertiu os coríntios a respeito da ameaça dos falsificadores da Palavra de Deus (2.17). Estes ainda hoje são uma ameaça para a Igreja, por isso precisamos estar atentos para não sermos enganados. Para a aula de hoje, sugerimos que você relacione no quadro-de-giz algumas características desses falsificadores. Você também pode pedir que os alunos relacionem outras.

Falsos Mestres Mestres Autênticos
Procuram obter lucro. Visam unicamente à glória de Deus.
Oferece um “gevangelho” fácil, sem renúncia, sem compromisso, santidade; iludem as pessoas. Oferecem a cruz de Cristo e um caminho estreito para chegar ao céu.
São emissários do Diabo (Jo 8.44). Comissionados e preparados por Deus (Mt 28.19,20).
Ensinam o que as pessoas querem ouvir independentemente se estão erradas ou não (Jr 5.31). Falam não o que gostamos de ouvir, mas o que precisamos ouvir. Corrige-nos sempre quando erramos porque nos ama (Hb 12.6-8).
Aparência de piedade Evidenciam os frutos do Espírito.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
Autêntico
Do grego authentikós; genuíno, legítimo.

REFLEXÃO
“A verdadeira integridade se manifesta até quando falhamos, pois é preciso ser sincero para assumir a culpa e confessá-la.”
Geremias do Couto

Após render graças a Deus pela libertação divina que tivera na Ásia (1.12-14), Paulo agora segue, a partir do versículo 12, fazendo uma defesa de sua conduta aos irmãos de Corinto. Ele precisou mudar seu roteiro de viagem, levando alguns, por isso, a acusá-lo de não haver cumprido com a sua palavra. As acusações contra ele tinham por objetivo arruinar sua credibilidade perante a igreja coríntia. Porém, o apóstolo estava ciente de que havia pessoas sinceras e amorosas que o conheciam e estavam seguras de sua sinceridade no trato com a igreja.

I.. O MINISTÉRIO APOSTÓLICO DE PAULO (1.12-22)

1. Confiabilidade, a garantia do ministério (1.12-14). Paulo havia desistido da viagem a Corinto pela terceira vez, e os irmãos coríntios, influenciados por alguns opositores, começaram a alegar que, tal atraso, não passava de displicência do apóstolo. A conclusão é que ele não era confiável. Entretanto, nos versículos 3 a 11, o apóstolo é confortado com o fato de que os próprios coríntios podiam testificar acerca de sua postura moral, espiritual e ministerial.
2. A força de sua consciência (1.12). Paulo era um homem tão íntegro e tinha um caráter tão firme que, diante de tais acusações, apela para a sua consciência como testemunho de sua sinceridade nas ações de seu ministério. Para ele, a consciência significava o seu senso de autoavaliação moral que, com certeza, o denunciaria se ele fosse culpado. Paulo declara, sem medo, que ministrava aos crentes coríntios com “simplicidade e sinceridade de Deus”. Dessa forma, as críticas contra seu ministério, ainda que infundadas, eram suportáveis em face da paz de consciência de que gozava.
3. A autenticidade ministerial (1.18-22). No versículo 18, Paulo diz: “Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não foi sim e não”. Em essência, ele argumenta que suas mensagens não eram vacilantes e que não oscilavam entre sim e não. O apóstolo então apela, de forma incisiva, afirmando que ele e seus companheiros de ministério eram fiéis. Para confirmar o seu testemunho perante a igreja coríntia, Paulo diz que o Jesus que eles pregavam não era “sim e não”, mas “sim”. Qual era a garantia da integridade da mensagem? No versículo 21, ele declarou que a confirmação do seu ministério e o de seus companheiros era a unção que haviam recebido de Deus. Logo a seguir, no versículo 22, Paulo declara que eles foram selados e receberam “o penhor do Espírito Santo”. O “selo” é um elemento que denota posse e autenticidade num documento. Em nossos tempos, denominamos carimbos ou autenticações, os instrumentos investidos de poder que imprimem marcas de propriedade e garantia. Em Cristo, os crentes são selados com o Espírito Santo, tornando-se propriedade exclusiva do Senhor (Ef 1.13,14).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Paulo era um homem tão íntegro e tinha um caráter tão firme que, diante das acusações contra a sua vida, ele apela para a sua consciência pessoal como testemunho de sua sinceridade nas ações de seu ministério..

II. A ATITUDE CONFIANTE DE PAULO EM RELAÇÃO À IGREJA (1.23-2.13)

1. Razões da mudança de planos da ida de Paulo a Corinto (1.23-2.4). Nestes versículos, o apóstolo continua preocupado em justificar as razões que o levaram a desistir de visitar a igreja em Corinto naquela oportunidade. Ele declara que não se tratava de qualquer tipo de capricho, orgulho, covardia e muito menos conveniência pessoal, mas sim o fato de evitar constrangimento maior em face da linguagem forte de disciplina contra alguém que havia pecado, maculando a santidade da igreja. Como essa pessoa era apoiada pelos opositores de Paulo, ele quis poupar a congregação do exercício desagradável de sua autoridade apostólica, que certamente provocaria ainda mais os humores negativos dos rebeldes no seio da igreja e entristeceria os demais. Paulo estava triste e não queria visitá-los em angústia e tristeza (2.2-4), mas queria que todos entendessem que era necessário que o tal pecador se arrependesse e fosse perdoado com todo o amor da igreja, a fim de que não fosse “devorado de demasiada tristeza” (2.6-8).
2. O perdão ao ofensor arrependido e a disciplina eclesiástica (2.5-11). Segundo o texto indica, Paulo deparou-se com um opositor, que o ofendeu e incitou os coríntios a rejeitarem sua autoridade apostólica para o exercício da disciplina ao membro infrator. Essa atitude ganhou adeptos e Paulo ficou muito triste e ofendido (2.4). Os líderes da igreja não tiveram forças para disciplinar tal membro, apesar de ela ter, em sua maioria, percebido que era necessário obedecer a orientação de Paulo (2.6). A rigidez do apóstolo provocou contenda, e isto o obrigou a abrandar sua atitude, preocupando-se com a recuperação do ofensor (2.6-11).
O apóstolo, embora severo, era agora capaz de orientar a igreja a que perdoasse o ofensor, caso este demonstrasse arrependimento. A igreja não pode deixar de administrar a disciplina aos que cometem pecado, para que não haja contaminação dos demais. Isto é, a punição do pecado é inevitável, entretanto, o tratamento com o pecador deve ser feito com atitude corretiva, terapêutica e restauradora, visando proporcionar-lhe o arrependimento e o recomeço da vida cristã. Lamentavelmente, em nome do zelo espiritual, tem-se cometido muitas injustiças, típicas dos fariseus, para criticar e censurar sem misericórdia os faltosos. O objetivo de Paulo, contudo, era levar estes a se arrependerem de seus pecados e a retornarem à plena comunhão com a Igreja de Cristo.
3. A confiança de Paulo no triunfo da Igreja. Nos versículos 12 e 13, Paulo está ansioso por ter notícias de Tito, seu fiel companheiro na batalha pelo Evangelho. Percebe-se uma mistura de sentimentos em seu coração: o cuidado com os companheiros, dos quais não tinha notícias e as “portas” que se abriam para a pregação do Evangelho (2.13). O apóstolo dos gentios interrompe sua preocupação com a chegada de Tito e parte para um assunto que abrange não só a igreja em Corinto, mas as igrejas da Macedônia, de Filipos e Tessalônica, pelas quais ele tinha grande gozo e gratidão. Paulo expressa sua gratidão a Deus por essas comunidades de fé, uma vez que vislumbra o triunfo da Igreja como o cortejo de um exército vitorioso que entra na cidade de cabeça erguida (v.14). A linguagem de Paulo é agora de alegria e felicidade, porque, ao contrário da lembrança deprimente e triste anterior, agora o apóstolo transborda de gratidão a Deus.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
A igreja não pode deixar de administrar a disciplina aos que cometem pecado, para que não haja contaminação dos demais, entretanto, o tratamento com o pecador deve ser feito com atitude corretiva, terapêutica e restauradora, visando proporcionar-lhe o arrependimento e o recomeço da vida cristã.

III. PAULO SE PREOCUPA COM OS FALSIFICADORES DA PALAVRA DE DEUS (2.14-17)

1. A visão do triunfo do Evangelho no mundo (2.14). Em algumas versões a palavra “triunfo” dá a ideia de um cortejo militar, onde um general vitorioso conduz seu exército numa marcha triunfal entrando na capital do império. O general traz seus prisioneiros de guerra e exibe-os diante do povo, que assiste ao grande cortejo. Segundo os estudiosos, o povo queimava incensos e exalava fragrâncias variadas de flores, enchendo o ar daquele agradável cheiro. Dessa mesma forma, Paulo contemplava a força da mensagem do Evangelho.
2. Somos o bom cheiro de Cristo (v.15). O texto diz literalmente: “Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo”. O que Paulo estava dizendo à igreja de Corinto era que ele e seus companheiros de ministério eram os agentes que espalhavam a perfumada fragrância de Cristo por onde andavam. Esse aroma emana de Cristo, e na linguagem do Novo Testamento significa um sacrifício como oferta agradável a Deus. Os sofrimentos sugerem, figurativamente, a queima de ramos que exalam bom cheiro, assim como o incenso e outras especiarias do altar de incenso no Tabernáculo. Tipologicamente, a fragrância, que emana do sacrifício de Cristo no Calvário, sobe às narinas divinas para honrar ao Senhor. O texto ainda diz que para alguns a pregação do Evangelho é cheiro de morte, para outros é cheiro de vida (v.16). Morte por rejeitarem a mensagem, e vida por aceitarem a Cristo e sua Palavra (1 Co 1.18).
3. A ameaça dos falsificadores da Palavra de Deus (2.17). A palavra “falsificadores” pode ser entendida como “mercadores” porque tais homens não tratam a Palavra de Deus como a revelação divina, mas como uma mercadoria, um produto de mercado que pode ser vendido e manipulado. Paulo usa a palavra grega kapeleuiein, que se refere ao negociante que procura lucrar injustamente. Pregadores mercadores são aqueles que oferecem um Evangelho de imitação, corrompido, o qual ilude aos interessados. No capítulo 11.13, Paulo condena os falsos apóstolos que torciam o Evangelho para tirar proveito próprio em detrimento dos demais. O apóstolo denuncia essas distorções do Evangelho que visavam apenas enganar o povo de Deus (2 Co 4.2). Porém, declara com toda a sua alma que falava de Cristo com sinceridade na presença de Deus (v.17).

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Pregadores mercadores são aqueles que oferecem um evangelho de imitação, corrompido, o qual ilude aos interessados. No capítulo 11.13, Paulo condena os falsos apóstolos que torciam o Evangelho para tirar proveito próprio em detrimento dos demais.

CONCLUSÃO

A glória do ministério cristão está na simplicidade e sinceridade com que se prega o Evangelho. Motivos falsos produzem resultados falsos, por isso, todos os motivos do apóstolo Paulo e de seus companheiros eram o de expandir o Reino de Deus por toda a terra para a glória única do Senhor Jesus.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

SUBSÍDIO HISTÓRICO

“1.Paulo considera seus adversários como ‘falsos apóstolos’ (11.13). As bases sobre as quais faz este julgamento são claras. Existe somente um evangelho apostólico verdadeiro (cf. Gl 1.6-8), e estes homens não o estavam pregando. [...] Além disso, o caráter interior do ministério dos adversários, como um todo, era estrangeiro e desigual ao de Paulo [que] viu em seus adversários a negação de uma identificação consciente com a fraqueza e os sofrimentos de Cristo (11.23-33; 12.7-10) [...]. 2.Paulo vê seus adversários como enganadores. [...] Apresentavam um evangelho estranho e um Jesus estranho, tendo o objetivo de enganar os Coríntios e afastá-los de uma fé simples e pura no Senhor Jesus (11.3). [...]. 3.Paulo descreve seus adversários como ‘carnais’ ou ‘mundanos’, [...] (1.17; cf. 5.17), e condena a vanglória orgulhosa de seus adversários classificando-a como estando de acordo com o modo de agir do mundo (ou ‘da carne’, cf. 11.18), mesmo quando sarcasticamente ilustra esta carnalidade por meio de suas próprias ostentações” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2004, p.1073).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Bibliológico
“Guiado e Enviado por Deus 2.14-17
Paulo divaga para defender seu ministério (incluindo o dos seus companheiros). Embora não tivesse uma visão ou palavra direta de Deus para ir à Macedônia, como teve em sua viagem anterior (a segunda, At 16.9,10), ele sabia que Deus sempre o estava guiando e também à sua equipe, pelo que dá graças a Deus. Alguns escritores interpretam que o ‘triunfar’ tem a ideia de procissão triunfal tendo como chefe o ressurreto e ascendido Cristo, conduzindo em vitória os cativos pelo triunfo de sua redenção e dando-lhes como dons à Igreja (Ef 4.7,8,10-13). A ideia de procissão triunfal não significa que Paulo estava se sentindo triunfante. Scott Hafmann considera 2 Coríntio 2.14 a 3.3 como parte do ‘coração teológico’ de 2 Coríntios. Ele interpreta que ‘nos faz triunfar’ (gr. tbriambeuonti) para descrever um general romano em procissão triunfal de suas tropas. Pondo em exibição os inimigos por ele conquistados à medida que os conduz à morte. Como ex-inimigo de Cristo, Paulo estava sendo conduzido por Jesus à morte. Ao conduzi-lo, o propósito de Cristo era revelar-se. Sofrimento e fraqueza eram essenciais ao plano de Deus para disseminar o Evangelho. Assim, Paulo estava sendo esmagado como pétalas de rosa para extrair a fragrância. Todas as dificuldades de Paulo só lhe tornavam possível mostrar o ‘cheiro do [...] conhecimento [de Cristo]‘ (o qual hoje encontramos na Bíblia) em todas as pessoas e em todos os lugares que fosse. Ele se tornou a doce fragrância de Cristo dirigida a Deus entre os que ‘se salvam’ e os que ‘perecem’, perdidos, encaminhados à morte eterna. Isto quer dizer que Paulo deu a mesma mensagem a todos, mas cada um teve de fazer uma escolha. Para alguns, tornou-se cheiro de vida que trouxe vida, para outros, cheiro de morte que os condenou à morte eterna. Ao perguntar ‘para essas coisas, quem é idôneo?’, Paulo quis dizer que estes resultados não vieram por causa de sua suficiência, competência, qualificações ou mérito. Ninguém pode produzir tais resultados por ser quem é ou por aquilo que é. Eles aparecem por causa da soberania de Cristo, de quem Ele é. Quando estamos fazendo sua obra, nossa suficiência é de Deus” (HORTON, Stanley. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003, pp.193-94).

VOCABULÁRIO

Sem ocorrências

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 37.

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. Qual era a garantia da integridade da mensagem de Paulo e de seus companheiros?
R. A confirmação do seu ministério e de seus companheiros era a unção que receberam de Deus..

2. Quais as razões da mudança de planos da ida de Paulo a Corinto?
R. Paulo queria evitar constrangimento maior em face da linguagem forte de disciplina contra alguém que havia pecado, maculando a santidade da igreja.

3. O que Paulo estava querendo dizer ao utilizar a expressão “somos o bom cheiro de Cristo”?
R. Paulo estava dizendo à igreja de Corinto que, ele e seus companheiros de ministério eram os agentes que espalhavam a perfumada fragrância de Cristo por onde andavam

4. O que esse aroma significa na linguagem do Novo Testamento?
R. Significa um sacrifício como oferta a Deus

5. De acordo com a lição, como pode ser entendida a palavra “falsificadores”?
R. Pode ser entendida como mercadores, porque não tratam a Palavra de Deus como a revelação divina, mas como uma mercadoria, um produto de mercado que pode ser vendido e manipulado.

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Lição 4

A Glória das Duas Alianças

TEXTO ÁUREO

“Porque, se o que era transitório foi para glória, muito mais é em glória o que permanece”
(2 Co 3.11).

VERDADE PRÁTICA

A glória da Antiga Aliança desvaneceu ante a glória superior da Aliança revelada em Cristo Jesus.
HINOS SUGERIDOS 287, 374, 432

LEITURA DIÁRIA

Segunda Jr 31.33 Uma nova aliança com a casa de Israel
Terça Mt 26.28 O sangue da nova aliança
Quarta Hb 12.24 Jesus, o Mediador de uma nova aliança
Quinta Is 55.3 Uma aliança perpétua
Sexta Hb 13.20 Uma aliança de sangue
Sábado Gl 4.24-26 Dois concertos

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 CORÍNTIOS 3.1-11

INTERAÇÃO

Professor, ao mencionar o título da lição, não se esqueça de destacar o fato de que a Antiga Aliança, ou Antigo Concerto é a Lei de Moisés. Já sabemos que a Lei governou o relacionamento entre os israelitas e o Senhor até a vinda de nosso Salvador Jesus Cristo. Paulo nos ensina que a Lei nunca foi um caminho para a salvação, pois Deus já havia predito um novo Concerto com Israel. Somente o Novo Concerto é capaz de oferecer perdão e um novo coração. O Novo Concerto não estaria registrado em pedras, mas gravado nos corações de judeus e gentios. Aproveite o tema desta lição para explorar as diferenças entre o Antigo Concerto e o Novo. .

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar o aluno de que a glória da Antiga Aliança desvaneceu mediante a glória superior revelada em Cristo Jesus.
Distinguir as duas alianças.
Compreender a superioridade da Nova Aliança sobre a Antiga.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, como recurso didático para esta lição, sugerimos que os esquemas da página ao lado sejam reproduzidos no quadro-de-giz. Explique aos alunos que Paulo utilizou todos os meios disponíveis a fim de que os coríntios compreendessem que ele não precisava de carta de recomendação, pois foi Deus que o escolheu e o preparou para ser ministro de um Novo Concerto. Enfatize a superioridade deste Novo Concerto revelado em Cristo Jesus e as provisões da Nova Aliança.

ANTIGA ALIANÇA NOVA ALIANÇA
Entregue aos israelitas por intermédio Moisés Entregue a humanidade mediante a pessoa de Jesus Cristo.
Aliança da lei. Aliança da graça.
Tinha em seu conteúdo a sentença de morte sobre o culpado Tem em seu conteúdo a justificação e a salvação do culpado.
Revelou o ministério da morte Revelou o ministério da vida e graça.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
NOVA ALIANÇA
Providência divina pela qual Deus estabeleceu um novo relacionamento de responsabilidade entre Si mesmo e o seu povo.

REFLEXÃO
A lei moral aponta os nossos pecados, mas o perdão vem somente pela graça e misericórdia de Cristo.

Havia um conhecimento da parte dos coríntios acerca de Paulo, que substituía qualquer documento comprobatório de seu apostolado. Paulo fundara aquela igreja durante a primavera do ano 50 d.C., permanecendo na cidade, inicialmente, por 18 meses (At 18.1,8-11). Os irmãos reuniam-se em casas particulares como a de Tito Justo (At 18.7), e então, começaram a surgir os primeiros líderes daquela igreja (1 Co 1.1,14; 16.17). Esta se fortaleceu, e Paulo teve o cuidado de enviar-lhe obreiros experientes como Timóteo, Silas e Apolo, a fim de a confirmarem doutrinariamente (At 18.5,27,28). Portanto, o pai espiritual da comunidade cristã de Corinto era Paulo, não havendo necessidade de qualquer carta de recomendação vinda de Jerusalém. Entretanto, o apóstolo deparou-se com uma forte oposição, que colocava em dúvidas a legitimidade de seu ministério. Ele então apresenta uma justificativa que se constitui na maior e melhor recomendação que existe: o ministério que recebeu diretamente de Jesus Cristo e o modo como cumpria tal chamada. A prova de sua aprovação apostólica era a própria existência da igreja coríntia (v.2).

I. PAULO JUSTIFICA SUA AUTORRECOMENDAÇÃO (3.1,2)

1. A recomendação requerida (3.1). Era hábito dos judeus que viajavam com frequência, levarem cartas de recomendação para que, assim, ao chegar a lugares onde não eram conhecidos, pudessem ser hospedados durante o período em que ali estivessem. Imagine o fundador da igreja, conhecido de todos, ter de cumprir a exigência de ser portador de “cartas de recomendação”, apenas para satisfazer o espírito opositor que dominava alguns judeus-cristãos, que estavam com dúvidas acerca da autenticidade do seu apostolado! Algo injustificável.
2. Paulo defende sua autorrecomendação (3.1). Todos em Corinto sabiam que Paulo, mesmo não tendo sido um dos doze que estiveram com Jesus, recebera um chamado de Cristo para ser apóstolo. Seu testemunho pessoal era a prova concreta de que não lhe era necessário nenhuma recomendação. Seus sofrimentos por Cristo evidenciavam seu apostolado entre os gentios e, especialmente, em Corinto, dispensando, portanto, qualquer tipo de recomendação por escrito. No texto de 2 Coríntios 5.11, o apóstolo Paulo faz uma defesa de sua atitude dizendo que “o temor que se deve ao Senhor” lhe dava condições de se autorrecomendar, porque a sua vida e ministério eram manifestos na consciência de cada um daqueles crentes. A atitude paulina não tinha por objetivo ofender a ninguém, mas baseava-se na confiança do conhecimento que os coríntios tinham da sua pessoa e ministério.
3. A mútua e melhor recomendação (3.1). Na parte “b” do versículo 1, Paulo questiona: “[...] necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós ou de recomendação de vós?” Tal questionamento é retórico, pois apela para uma reciprocidade que havia entre ele e a igreja, a qual dispensava a recomendação de Jerusalém requerida por alguns opositores do seu ministério, uma vez que ele o havia desenvolvido entre os coríntios. O apóstolo, por sua vez, via-se como insignificante, mas os coríntios eram o seu verdadeiro louvor e glória. Assim, nem os coríntios precisavam de recomendação escrita, porque, dizia: “vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens” (v.2). A maior e melhor recomendação que um servo de Cristo pode ter é a evidência do seu ministério no coração e na vida daqueles que foram por ele alcançados para o Senhor Jesus. Quando Paulo diz aos coríntios que sua carta de recomendação foi escrita no coração deles, pelo próprio Cristo, “não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo” (vv.2,3), a preocupação maior de Paulo era referendar como verdadeiro o caráter do seu ministério apostólico (2 Co 3.6).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Paulo, mesmo não tendo sido um dos doze que estiveram com Jesus, recebera um chamado de Cristo para ser apóstolo. Seu testemunho pessoal era a prova concreta de que não lhe era necessário nenhuma recomendação.

II. A CONFIANÇA DA NOVA ALIANÇA (3.4-11)

REFLEXÃO
“Ao unir-se com seus irmãos em Cristo para perseguir um objetivo comum, você realiza muito mais do que faria sozinho”.
Evelyn Christenson

1. A suficiência que vem de Deus. Após fazer a defesa de sua autorrecomendação perante os coríntios, Paulo usa a figura metafórica da lei escrita em tábuas de pedra, pelo próprio Deus (Êx 31.18; Dt 5.22), e a compara à nova lei, o novo pacto, predito pelos profetas, que afirmaram que Deus a escreveria no coração do seu povo (Jr 31.31-34). Os dois pactos são provenientes de Deus, mas o segundo é superior, porque veio mediante a pessoa de Jesus Cristo, que consumou todas as coisas do Antigo Pacto, em um único ato sacrificial (Hb 7.27; 12.24; 1 Pe 1.2).
2. A distinção entre as duas Alianças (3.6). Paulo mostra aos coríntios que a “velha lei” ou o “velho pacto” tinha em seu conteúdo a sentença de morte sobre o moralmente culpado, por isso, a Antiga Aliança era da “letra”: gravado com letras em pedras (2 Co 3.7). A Nova Aliança é do “Espírito”, e ministrada por Ele (v.8), pois é um ministério da justiça (v.9), o qual vivifica (v.6) e é permanente (v.11). A Antiga Aliança era de condenação; a nova é de justiça e salvação (v.9). O Antigo Pacto veio por Moisés; o novo veio por Cristo (At 20.28; Hb 9.12; 7.27; 12.24).
3. A “letra” que mata (3.6). Por muito tempo, a má interpretação desse texto provocou receio quanto ao estudo secular e mesmo o teológico. Entretanto, como já ficou claro, tal passagem não se refere ao estudo, mas à aplicabilidade das sanções, sentenças e penalidades da lei mosaica que, contrastava-se com o Novo Concerto, o qual tem como propósito único vivificar e absolver.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
A Antiga Aliança era de condenação; a Nova é de justiça e salvação (v.9). A Antiga Aliança veio por Moisés; a Nova veio por Cristo (At 20.28; Hb 9.12; 7.27; 12.24).

III. A GLÓRIA DA NOVA ALIANÇA (3.7-18)

1. A superioridade da Nova Aliança sobre a Antiga Aliança (3.7-12). Quando Paulo fala das alianças, ele utiliza paralelos entre a Antiga e a Nova, a fim de esclarecer os crentes quanto às diferenças entre o que era transitório e o que é permanente; entre a lei que condenava e a que liberta. A glória do Antigo Pacto era passageira porque trazia à tona a realidade do pecado, sua maldição e condenação. O Novo Pacto demonstrou outra caraterística da glória de Deus, o seu poder misericordioso para salvar e dar vida. A glória do Primeiro Concerto revelou o ministério da morte, porque condenava e amaldiçoava todo aquele que não cumpria a lei, mas a glória do Segundo Concerto revelou o ministério da vida e da graça de Deus. Por isso, a glória do evangelho é superior à da lei.
2. A glória com rostos desvendados (3.13-16). Quando Paulo usa a figura da glória resplandecente da face de Moisés, ele reforça o fato de que tal glória teve que ser coberta com véu e que se desvaneceu com o tempo, portanto, era transitória. Porém, a glória da Nova Aliança manifestou-se descoberta, sem véu, porque Cristo a revelou no Calvário. Trata-se da liberdade que temos mediante a obra expiatória de Cristo.
3. A liberdade do Espírito e a nossa permanente transformação (3.17,18). A liberdade do Espírito livrou-nos das amarras das tradições religiosas, que nos impediam de um relacionamento direto com o Senhor. Tal relacionamento é fundamental para que possamos ser transformados e conformados à imagem do homem perfeito e completo: Jesus Cristo (Rm 8.29; Ef 4.13).

SINOPSE DO TÓPICO (3)
A glória da Primeira Aliança revelou o ministério da morte, porque condenava e amaldiçoava todo aquele que não cumpria a lei, mas a glória da Segunda Aliança revelou o ministério da vida e da graça de Deus. Por isso, a glória do Evangelho é superior à da lei.

CONCLUSÃO

Hoje, a glória que reflete em nossa vida não é a dos rostos, mas é aquela glória interior, que reflete a transformação na semelhança de Cristo, de forma gradual, de glória em glória, mediante a presença do Espírito de Cristo em cada um de nós.

REFLEXÃO
Quanto mais de perto seguirmos a Cristo, mais parecidos com Ele nos tornaremos.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Teológico

“A Nova Aliança
A próxima aliança incondicional entre Deus e Israel é a Nova Aliança. Esta aliança é nova porque substituiu a antiga, ou seja, a Aliança Mosaica. Uma vez que Israel foi incapaz de cumprir a aliança mosaica, Deus, graciosamente, prometeu dar-lhes uma nova aliança e um novo coração para obedecerem a Deus. Esta aliança está registrada em Jeremias 31.31-34 [...].
Primeiro, observe que Deus firma esta aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, expressão que claramente se refere à nação ética de Israel. Em segundo lugar, a frase não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito volta a restringir o concerto aos descendentes físicos de Abraão, Isaque e Jacó. Em terceiro lugar, esta aliança visa a uma futura restauração do povo não apenas como povo de Deus, mas como um povo perdoado e regenerado, que serve ao Senhor. Quando foi crucificado, o Senhor Jesus Cristo estabeleceu uma Nova Aliança.[...]. As alianças firmadas entre Deus e Israel no Antigo Testamento garantiam que Israel teria um reino eterno na terra que Deus prometera a Abraão. Embora Deus repetidamente os alertasse de que seriam expulsos por causa da desobediência, Ele, ao mesmo tempo, prometia devolver-lhes a terra, onde serviriam como seu povo e sob o governo do Messias” (LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2008, p.35).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico

“A Glória do Novo Concerto (3.7-18)
Nós somos imediatamente surpreendidos pelo uso constante que Paulo faz da palavra ‘glória’, que aparece 12 vezes nestes 11 versículos. O Antigo Concerto tinha glória própria, mas o Novo Concerto tem glória maior. Antes de examinar os contrastes que Paulo desenvolve entre o Antigo e o Novo Concerto, é útil entender o significado de ‘glória’. Sobre este termo, o Zondervan Expository Dictionary of Biblie Words diz: ‘No Antigo Testamento, a glória de Deus está intimamente ligada à auto-revelação do Senhor. Há muitas imagens: esplendor fulgurante, e santidade flamejante que marcam sua presença (por exemplo, Êxodo 16.10; 40.34,35; 2 Crônicas 7.1,2). Mas, nenhum poder elementar ou santidade flamejante expressam a Deus de maneira absolutamente adequada. Desta forma, o Êxodo relaciona a glória de Deus com revelação de seu caráter amoroso. Quando Moisés implorou para que Deus lhe mostrasse sua glória, a Bíblia relata: ‘Ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia e me compadecerei de quem me compadecer. E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá’ (Êx 33.19,20). Com o mesmo sentido de revelação, Deus diz: ‘serei glorificado’, no caso da recusa do Faraó em deixar que Israel saísse do Egito (Êx 14.4). O grande poder redentor de Deus foi exibido no Êxodo (Nm 14.22), da mesma forma como seu poder criativo é exibido quando ‘os céus manifestam’ sua glória (Sl 19.1).
Mas ‘glória’ implica em mais do que revelação de como Deus é. Implica em invasão do universo material, expressão da presença ativa de Deus entre seu povo. Assim, o Antigo Testamento conscientemente relaciona o termo ‘glória’ à presença de Deus em Israel, em tabernáculos e templos (por exemplo, Êxodo 29.43.Ezequiel 43.4,5; Ageu 2.3). A glória objetiva de Deus é revelada por sua vinda, para estar presente conosco ? e para se mostrar a cada um de nós por suas ações neste mundo’ (pp. 310,311).
Agora Paulo argumenta não que o Antigo Concerto não possuía ‘glória’, mas que a glória do Novo Concerto supera aquela do Antigo. Ao falar sobre isto, Paulo fixa nossa atenção em como a glória de Deus é exibida em sua vinda para estar com seu povo sob o Antigo Concerto e sob o Novo. Ao fazer isto, ele também nos mostra como o cristão é verdadeiramente livre para adotar a abordagem de ‘risco’ ao ministério do Novo Concerto, que ele próprio, Paulo exibiu ao mostrar-se vulnerável no capítulo 1.
[...] Esta é a essência do ministério do Novo Concerto: Deus exibe sua glória por meio de sua presença dentro do crente. (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo testamento. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2008, p.35).

VOCABULÁRIO

Sem ocorrências

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005.
HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 38

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. De acordo com a lição, cite uma das provas da aprovação apostólica de Paulo.
R. A maior prova da aprovação apostólica de Paulo era a própria existência da igreja coríntia..

2. Qual é a melhor e a maior recomendação que um servo de Cristo pode ter?
R. A maior e melhor recomendação que um servo de Cristo pode ter é a evidência do seu ministério no coração e na vida daqueles que foram por ele alcançados para o Senhor Jesus.

3. Explique por que o Segundo Pacto é superior ao Primeiro.
R. O Segundo é superior, porque veio mediante a pessoa de Jesus Cristo, que consumou todas as coisas do Antigo Pacto, em um único ato sacrificial.

4. Cite as principais diferenças entre a Nova Aliança e a Antiga.
R. A Nova Aliança é do “Espírito”, e ministrada por Ele, pois é um ministério da justiça, o qual vivifica e é permanente. A Antiga Aliança era de condenação; a nova é de justiça e salvação. A Antiga Aliança veio por Moisés; a Nova veio por Cristo.

5. Explique, com suas palavras, o texto bíblico de 2 Coríntios 3.6.
R. Tal passagem não se refere ao estudo, mas à aplicabilidade das sanções, sentenças e penalidades da lei mosaica que, contrastava-se com o Novo Concerto, o qual tem como propósito único vivificar e absolver.

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Lição 5

Tesouro em Vasos de Barro

TEXTO ÁUREO

“Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”
(2 Co 4.7).

VERDADE PRÁTICA

Embora sejamos frágeis, Deus nos usa para proclamar as Boas Novas e dá-nos poder para realizarmos sua obra.
HINOS SUGERIDOS 306, 432, 486

LEITURA DIÁRIA

Segunda Is 45.9 Cacos de barro
Terça Is 64.8 Barro nas mãos do oleiro
Quarta Jr 18.6 O vaso do oleiro
Quinta Rm 9.21 Vaso para honra
Sexta At 9.15 Um vaso escolhido
Sábado 2 Co 4.5 Vasos utilizados na obra de Deus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Coríntios 4.7-12

INTERAÇÃO

Professor, com certeza você já deve ter ouvido a seguinte afirmação: “os perfumes mais caros estão nos menores frascos”. Às vezes o recipiente é pequeno, mas o conteúdo é de grande valor. Paulo desejava mostrar essa premissa aos coríntios, por isso, ele utilizou a figura de um vaso de barro para fazer ver que o conteúdo que carregamos é muito precioso, de valor inestimável. Você sabe que conteúdo é este? A mensagem da salvação em Jesus Cristo. Deus confiou a nós, “frascos frágeis e imperfeitos”, a grande mensagem redentora. Ele habita em nós e quer nos usar para este propósito.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se de que mesmo sendo frágeis, Deus nos usa para transmitir as Boas Novas e nos dá poder para realizarmos sua obra.
Compreender as fragilidades dos vasos de barro.
Saber que no final os vasos de barro serão glorificados pelo Senhor

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, escreva no quadro-de-giz a palavra vaso. Pergunte aos alunos o que vem à mente deles quando ouvem este termo. À medida que forem falando, vá relacionando as palavras no quadro. Depois de ouvi-los, explique que, ao usar a figura do vaso de barro, Paulo indicava a fragilidade e a pequenez de tal utensílio diante de sua riqueza interior. Os vasos de barros eram baratos e quebravam-se com muita facilidade, por isso não eram muito valorizados pelas donas de casas. Depois, peça que os alunos leiam as características e as referências do quadro abaixo.

“Vaso de barro” Reconhece suas fragilidades (Is 6.5)
Útil para o Senhor (2 Tm 2.11)
Supera os sofrimentos
Anuncia as Boas Novas (Is 6.8)
Guarda em seu interior um tesouro
Conhecido por seus bons frutos (Mt 7.17-20)

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
Vaso
Utensílio geralmente de barro, frágil e barato, muito utilizado no século I para conter substâncias líquidas ou sólidas.

REFLEXÃO
Quando nos rendemos ao Senhor, Ele nos transforma paulatinamente em vasos valiosos.”
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal

Os seis primeiros versículos do cap[itulo 4 são, na verdade, uma continuação do capítulo 3, a respeito da defesa que Paulo faz de seu ministério e sua autorrecomendação. Na sequência, ele se coloca como um "vaso de barro", pequeno e frágil, porém capaz de guardar um tesouro indestrutível. Evidentemente isso só era possível porque o poder de Deus o capacitava a ser digno de guardar o glorioso tesouro.
Já no versículo 1, Paulo declara que a misericórdia divina foi o dom imerecido que tornou possível ao seu ministério revelar a nova aliança como superior à luz do esplendor de Moisés (3.6-18). O apóstolo não estava fazendo comparações de seu ministério com o de Moisés, mas sentia-se privilegiado pelo Senhor de trazer à tona o que estava encoberto. Esse privilégio deu-lhe conta de sua própria indignidade (1 Tm 1.12-17), mas, ao mesmo tempo, ofereceu-lhe a oportunidade de demonstrar a glória de Deus. Esta lição nos mostrará que, a despeito de nossa fragilidade, o Senhor nos usa na expansão de seu Reino.

I. PAULO APRESENTA O CONTEÚDO DOS VASOS DE BARRO (4.1-6)

1. Um conteúdo genuíno (v.1). Nos versículos de 1 a 6, Paulo prossegue na defesa de seu ministério e, ao usar a figura do "vaso de barro", indica a debilidade e a pequenez de tal utensílio diante de sua riqueza interior. Em síntese, Paulo apresentou, de fato, o caráter sobrenatural do seu ministério. Naqueles dias, surgiam pregadores que falavam como meros profissionais, sem nenhum compromisso com a veracidade daquilo que pregavam. Eram discursos vazios, com elementos falsos, à semelhança dos comerciantes desonestos, que adulteram as substâncias originais de seus produtos, misturando-as com algo mais barato para enganar seus clientes.
Nesse contexto, o apóstolo surge com uma mensagem de esperança e, agindo como bom mestre, declara que o conteúdo de seu ensino não é falsificado (v.2).
2. Um conteúdo que rejeitava coisas falsificadas (vv.1,2). O fato de Paulo utilizar, no versículo 2, o plural "rejeitamos", indica que ele referia-se a si mesmo e aos seus companheiros de ministério. Mas o que eles rejeitavam? Qualquer coisa falsa, ou vergonhosa, que corrompesse a mensagem do Evangelho de Cristo. Seus oponentes acusavam-nos de que havia conteúdos adulterados e falsos em seus discursos, no entanto, Paulo refuta essa acusação, afirmando que a mensagem que ele e seus companheiros anunciavam era genuína e verdadeira.
3. Um conteúdo de coisas espirituais transparentes. Pelo menos três sinônimos aparecem nos versículos 2 e 3 como elementos do conteúdo desse tesouro guardado em "vasos de barro": "Palavra de Deus", "verdade" e "Evangelho". Os cristãos judaizantes, opositores de Paulo, acusavam-no de haver distorcido a mensagem, todavia, o apóstolo defende-se com os seguintes argumentos: o que pregava era algo revelado, a Palavra de Deus, a verdade do Evangelho, as Boas Novas. Por ser algo tão glorioso, Paulo sente-se animado a seguir proclamando o Evangelho com franqueza e audácia.
No versículo 4, Paulo chama Satanás de "deus deste século", a fim de mostrar que o opositor rege o pensamento predominante no mundo. A palavra "século" aparece no grego bíblico como aione pode significar, dependendo do contexto, "era", "época", "tempo". Neste caso, aionse traduz por "era" e pode ser entendido como "pensamento que predomina numa época". Portanto, quando Paulo fala do Diabo como "deus deste século", refere-se à ação entorpecente do pecado que obstrui os entendimentos dos incrédulos, impossibilitando-os de captarem o conteúdo do Evangelho. Para esses, a mensagem estava obscura, porque não podiam ver a sua luz (vv.3,4). Os que rejeitam o Evangelho põem-se sob o poder das trevas, que os impede de conhecer o Senhor Jesus Cristo.

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Os cristãos judaizantes opositores do ministério de Paulo o acusavam de distorcer a mensagem, mas o apóstolo declara, sem medo, que o que pregava era algo revelado, porque era a Palavra de Deus, a verdade do evangelho, que são as boas novas públicas a todos os homens.

II. PAULO EXPÕE A FRAGILIDADE DOS VASOS DE BARRO (4.7-12)

REFLEXÃO
"A fraqueza do homem só serve para engrandecer a mensagem."
Frank Carver

1. A metáfora do vaso de barro (v.7). Paulo extasia-se diante do contraste entre o glorioso Evangelho e a indignidade e fragilidade de seus proclamadores. Em vez de a mensagem de salvação ser revelada mediante uma demonstração sobrenatural, a glória do Evangelho é manifesta através de homens frágeis - vasos de barro. Deus tem poder sobre o barro e sobre os vasos; Ele é o Oleiro. Por isso, Paulo sente-se fraco fisicamente, mas o Senhor toma-lhe a fraqueza, tornando-o capaz de revelar a glória do Evangelho aos judeus e gentios (vv.8,9).
2. O paradoxo dos sofrimentos (vv.8-10). Nos versículos 8 e 9, quatro contrastes são apresentados por Paulo para exemplificar suas experiências (cf. 1 Co 4.11-13). Os sofrimentos foram terríveis, entretanto, não chegaram a abatê-lo. No versículo 10, Paulo faz uma descrição dessas experiências, identificando-as com a morte de Jesus; um sentimento de participação nos sofrimentos do Filho de Deus. Contudo, o mesmo poder que ressuscitou a Jesus é o que produziu vida no corpo mortal de Paulo (vv.10,11).
3. Sofrer pela Igreja (vv.11,12). No sofrimento físico de Paulo, Deus o aperfeiçoou, produzindo no apóstolo um senso de total dependência (v.11). Se, por um lado, os sofrimentos experimentados por Paulo fizeram-no chegar bem próximo da morte física, por outro, serviram para beneficiar a Igreja de Cristo (v.15). Paulo, aliás, não tinha dificuldade em enfrentar a morte por amor à Igreja: "De maneira que em nós opera a morte, mas em vós, a vida" (v.12).

SINOPSE DO TÓPICO (2)
Deus manifesta a glória do evangelho através de homens frágeis, tais como vasos de barro. O Senhor tem poder sobre o barro e sobre os vasos que Ele fabrica.

III. PAULO FALA DA GLORIFICAÇÃO FINAL DESSES VASOS DE BARRO (4.13-18)

1. O poder que transformará os vasos de barro (vv.13,14). Quando falamos de "vasos de barro", referimo-nos à fragilidade e à pequenez de nossos corpos ilustradas pelo apóstolo Paulo. Enquanto temos vida física, Deus dignifica-nos a sermos guardiões de um valiosíssimo tesouro - o Evangelho. A esperança que dominava o coração de Paulo - e que não se restringe somente a ele, mas abrange todos os crentes em Cristo - era a glorificação do corpo mortal. Os versículos 13 e 14 indicam que o ato de crer e anunciar baseia-se na verdade de que, assim como Jesus ressuscitou, os crentes também um dia ressuscitarão. Seus corpos transitórios e corruptíveis serão transformados em corpos gloriosos.
2. A esperança capaz de superar os sofrimentos (vv.15,16). Paulo reitera, no versículo 15, que todo o sofrimento experimentado por ele era por amor aos coríntios. Sua fraqueza física manifestaria o poder do Espírito Santo, a fim de que a obra de Deus fosse realizada por meio dele. Ainda que tenha enfrentado a morte muitas vezes, o coração do apóstolo não desfaleceu (v.16). Por isso, ele diz que, exteriormente, nossos corpos físicos se desgastam, mas a esperança da ressurreição garante a vida eterna.
3. Tribulação temporária e glória eterna (vv.17,18). Quando Paulo menciona, no versículo 17, o peso da sua aflição como "leve e momentâneo", queria, de fato, realçar o peso da glória que Deus tem reservado aos fiéis. Desse modo, revela o apóstolo as causas que o sustentaram em meio aos sofrimentos durante seu ministério: amor à obra, confiança na ressurreição, e gozo eterno. As mesmas causas podem sustentar a todos os crentes que padecem por amor a Cristo.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
O ato de crer e anunciar baseia-se na verdade de que, assim como Jesus ressuscitou, os crentes também um dia ressuscitarão. Seus corpos transitórios e corruptíveis serão transformados em corpos espirituais.

CONCLUSÃO

Nesta lição, aprendemos a enxergar nossos corpos como frágeis vasos de barro. Todavia, em sua fragilidade, guardam um tesouro incomparável - o conhecimento do Evangelho. Portanto, compartilhe este tesouro com aqueles que ainda não o possuem.

REFLEXÃO
Reconhecer-nos como vasos de barro é reconhecer a maravilhosa graça que nos foi dada.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Teológico

O Paradoxo dos Sofrimentos de Paulo (4.7-11)
Os versículos 8,9 contêm quatro conjuntos de contrates que ilustram tanto a fraqueza de Paulo em executar sua chamada apostólica, como o poder de Deus para superar esta fraqueza e libertá-lo: Paulo conheceu aflições que o pressionavam de todos os lados, porém nunca foi cercado a ponto de ser esmagado. Encontrou circunstâncias desnorteantes, mas nunca chegou a ponto de se desesperar. Seus inimigos haviam perseguido seus passos, mas Deus nunca o deixou cair em suas garras. Abateram-no até o chão, porém foram impedidos de dar o golpe fatal. Em resumo, Paulo descreve estas experiências em termos físicos, identificando-as com a morte de Jesus ou até mesmo como participando desta (v.10), de forma que Deus poderia revelar seu poder de ressurreição. Este poder infunde ao corpo mortal de Paulo a vida de Jesus, preservou-o apesar das tribulações e das ameaças contra sua vida (vv.10,11). Estas não são somente as consequências destas tribulações, mas também o propósito de Deus. [...] Paulo percebe que embora seus sofrimentos o trouxessem face a face com a morte física, são os meios que Deus usou para trazer vida aos coríntios (v.12). A revelação do poder de Deus através da fraqueza humana e da concessão da vida através da morte são temas que residem no âmago da compreensão de Paulo quanto o Evangelho e de sua própria chamada como um apóstolo (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2004, p.1091).

VOCABULÁRIO

Praxe: Rotina, uso, costume.
Tenacidade: Afinco, constância.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005.
HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003..

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 38

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. O que Paulo queria indicar ao usar a figura do vaso de barro?
R. Paulo queria indicar a fragilidade e a pequenez de tal utensílio diante de sua riqueza interior.

2. De acordo com a lição, quais são os três termos sinônimos que aparecem nos versículos 2 e 3?
R. Palavra de Deus; Verdade e Evangelho.

3. Quando Paulo fala do Diabo como deus deste século, a que ele se refere?
R. Refere-se à ação entorpecente do pecado que obstrui os entendimentos e impossibilita as pessoas não-crentes de captarem o conteúdo do evangelho.

4. De acordo com a lição, cite três causas que sustentaram Paulo em meio aos sofrimentos.
R. O amor à obra; confiança na ressurreição e gozo eterno.

5. Que lição, para sua vida pessoal, você pode extrair dos sofrimentos de Paulo?
R. Resposta pessoal.

——————————————–

Lição 6

O Ministério da Reconciliação

TEXTO ÁUREO

“E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação”
(2 Co 5.18).

VERDADE PRÁTICA

O ministério da reconciliação consiste, fundamentalmente, na proclamação da obra expiatória do Senhor Jesus Cristo.
HINOS SUGERIDOS 107, 147, 165

LEITURA DIÁRIA

Segunda Ef 2.16 Reconciliados com Deus pela cruz
Terça Cl 1.20 Reconciliados pelo sangue de Jesus
Quarta Hb 2.17 Reconciliação pela expiação
Quinta Rm 3.22 A reconciliação pela fé
Sexta Ef 2.18 A reconciliação permite o acesso ao Pai
Sábado Ef 2.1 Vivificados mediante a reconciliação

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Coríntios 5.14,15,17-21

INTERAÇÃO

Prezado professor, o tema de hoje, como todos do trimestre é muito relevante, pois vamos estudar de modo direto e enfático a respeito da nossa reconciliação com Deus mediante o sacrifício na cruz. Jesus, nosso Salvador, reconciliou-nos com Deus de maneira eficiente, através da sua morte vicária. Por meio desta reconciliação recebemos muitas bênçãos, uma delas é a garantia de que o Todo-Poderoso nos dará a vida eterna. Poderíamos fazer várias afirmações a respeito do ministério da reconciliação, mas que fique gravado na mente e no coração de seus alunos que tal ministério consiste na proclamação da obra expiatória do Senhor Jesus Cristo.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se de que o ministério da reconciliação consiste na proclamação da obra expiatória do Senhor Jesus Cristo
Compreender que a grande motivação do ministério de Paulo era o amor de Cristo.
Saber que o amor de Cristo nos constrange e transforma.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, como recurso didático para esta lição, sugerimos que você reproduza a tabela abaixo no quadro-de-giz. Esta tabela vai auxiliá-lo no momento de explicar a respeito das várias bênçãos que são advindas do ministério da reconciliação. Este recurso pode ser utilizado na introdução do tópico III ou na conclusão, a fim de enfatizar bem o tema. É importante que você leia, juntamente com os alunos, as referências bíblicas

Antes da Reconciliação Bênçãos Decorrentes da reconciliação Referências
Ruína Salvação Rm 5.8,9
Pecado Justiça Rm 5.12,15,18,21
Morte Vida Eterna Rm 5.12,16,17,21
Separação de Deus Relacionamento com Deus Rm 5.11,19
Desobediência Obediência Rm 5.12,19
Morte do corpo e da alma Corpo incorruptível, vida eterna 1 Co 15.42-52

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
Reconciliar
Do grego katallassō, sugere a ideia de trocar, mudar (neste caso específico, a inimizade com Deus está sendo trocada por relações pacíficas).

REFLEXÃO
“Deus não só nos declara inocentes como nos conduz para perto dEle.”
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal

Nos dez primeiros versículos do capítulo cinco, Paulo continua sua argumentação, falando acerca de seus sofrimentos e das consolações do Senhor. Logo após, ele passa a explicar o contraste entre a vida terrena, mortal e limitada, e a imortal, eterna e espiritual. Sua preferência é clara (v.8), mas isso não o priva de ensinar que é necessário sermos agradáveis ao Senhor, “quer presentes” – neste corpo e nesta vida -, “quer ausentes”, na eternidade (v.9). Do versículo onze em diante, Paulo trata do ministério da reconciliação, assunto que passaremos a estudar.

I. A VIDA PRESENTE E A FUTURA (5.1-10)

1. A confiança doutrinária de Paulo (v.1). Paulo tinha uma segurança absoluta acerca das revelações doutrinárias que havia recebido, por isso, começa o texto, dizendo: “Porque sabemos”. Não se tratava de experiência pessoal, nem de testemunho humano, nem de intuição. Era o conhecimento que a revelação divina havia produzido em seu coração. Ao falar de morte e ressurreição, Paulo não se baseava em conceitos humanistas nem filosóficos, mas na revelação divina. A certeza do lar eterno era tão real que os sofrimentos e ameaças de morte não o intimidavam, pelo contrário, davam-lhe forças para proclamar essa mesma verdade aos crentes.
2. O anelo de Paulo pela vida além-túmulo (vv.1-5). Nesses versículos, algumas expressões revelam a distinção que Paulo faz entre o temporário e o eterno, o terrestre e o celestial, o corruptível e o incorruptível, o transitório e o permanente. O corpo atual é como uma tenda (“tabernáculo”), onde cada um de nós vive neste mundo. Esta tenda será desfeita por um edifício permanente e melhor, que nos dará o Senhor. Agora, “gememos” (v.2) neste corpo terrenal, porque desejamos que o celestial o revista.
A palavra “gememos” (v.4) indica dor e desconforto, mas também significa “anseio” por algo melhor. A doutrina bíblica evidencia que nossos corpos mortais serão revestidos de imortalidade, de incorruptibilidade, e que anelamos por essa transformação (1 Co 15.42-52). A garantia de que isso se efetivará no futuro, mediante a ressurreição ou o arrebatamento da Igreja, é o Espírito, a sua presença em nós (2 Co 1.22,5.5; Ef 1.14).
3. O Tribunal de Cristo para todos os crentes (vv.7-10). No versículo 7, o texto diz que “andamos por fé e não por vista”. A fé dá ao crente a garantia de que existe um lar celestial pelo qual ele aspira e espera; um lugar que é real e não aparente. No versículo 9, Paulo ensina que devemos ter como alvo principal “agradar ao Senhor”.
No versículo 10, o apóstolo apresenta uma doutrina importantíssima da Igreja sobre o comparecimento dos crentes no Tribunal de Cristo. O Tribunal de Cristo, salientamos, não é o Juízo Final. Trata-se de um julgamento de realizações em prol da obra de Deus, o qual acontecerá nos ares e envolverá todos os cristãos salvos, após o arrebatamento dos vivos e a ressurreição dos mortos em Cristo (1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.13-18).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
O Tribunal de Cristo não é o Juízo Final. Trata-se de um julgamento de realizações em prol da obra de Deus, o qual acontecerá nos ares e envolverá todos os cristãos salvos, após o arrebatamento dos vivos e ressurreição dos mortos em Cristo.

II. O AMOR DE CRISTO CONSTRANGE E TRANSFORMA (5.11-17)

REFLEXÃO
Por meio de Cristo Jesus, nosso passado foi perdoado e nosso futuro está garantido.
Max Lucado

1. A força da persuasão à fé em Cristo (v.11). Paulo inicia o texto destacando o “temor do Senhor” como um modo de convencer as pessoas acerca da fé recebida. Na verdade, as duas grandes motivações paulinas para o cumprimento do ministério são o temor a Deus (v.11) e o seu amor a Cristo (v.14). No versículo 11, “o temor do Senhor” é destacado pelo apóstolo, visto que no Antigo Testamento essa atitude caracterizava aqueles que procuravam andar de modo sábio (Pv 1.7), e que evitavam a prática do mal (Jó 28.28; Pv 16.6). Persuadir os homens por causa do temor a Deus não significa intimidá-los, mas convencê-los através da mensagem do Evangelho.
2. A grande motivação do ministério de Paulo: o amor de Cristo (vv.12,13). Paulo havia acabado de falar da esperança que sustenta seu ministério, levando-o a persuadir a todas as pessoas acerca da verdade de que Cristo é o Senhor e vale a pena ser seu ministro (v.11). Nessa oportunidade, Paulo não está defendendo sua autorrecomendação, mas procurando advertir os crentes fiéis a não permitirem que seus opositores os convençam.
Ele não tinha a presunção de louvar a si mesmo, no entanto, fornecia argumentos para que os coríntios se gloriassem em seu testemunho (v.12). Acerca do versículo 13, as explicações são muitas, podendo referir-se à conversão de Paulo (At 9.1-10), ou às suas experiências espirituais (2 Co 12.1-10). O que importa é que todos os atos do apóstolo eram realizados por amor a Cristo.
3. Um amor que nos constrange a viver integralmente para Cristo (vv.14-17). O amor mencionado pelo apóstolo no versículo 14 tinha a força de constrangê-lo, porque não era o seu amor por Cristo, mas era o amor de Cristo por ele. Conforme vemos no versículo 17, esse amor, quando aceito, crido e recebido, é o motivo supremo da transformação de nossas vidas. A expressão “nova criatura” implica em uma nova forma de viver, na qual desaparece a vida pregressa e os velhos costumes. Assim, tal transformação proporciona um novo estilo de vida ao que a recebe. Tal postura, aliás, é consequência lógica da conversão, pois o amor de Deus pela humanidade (Jo 3.16) constrange-nos a viver integralmente para Ele.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
A grande motivação do ministério de Paulo era o amor de Cristo.

III. O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO (5.18-21)

1. Reconciliação, palavra-chave da nova criação (vv.18,19). No grego, o verbo “reconciliar” (katallassō, do substantivo katallagē, que significa “reconciliação”) sugere a ideia de trocar, mudar (neste caso específico, a inimizade está sendo trocada por relações pacíficas). Esta expressão diz respeito ao reajuntamento das pessoas que estavam separadas, assim como um pai e um filho que se separam por divergências familiares. Assim, para que a relação seja restabelecida, é necessário remover os fatores que ocasionaram a inimizade. Na relação rompida entre Deus e a humanidade, a remoção dos elementos que impediam a sua restauração foi realizada pela expiação (Rm 5.10,11).
2. O ministério da reconciliação. O ministério e a palavra da reconciliação consistem na proclamação da obra expiatória realizada por nosso Senhor Jesus Cristo. Dessa forma, Deus propiciou aos cristãos ser um elo de reajuntamento, de reunião e de reconciliação dEle com a humanidade. Assim, a mensagem de reconciliação deve apresentar o perdão em seu sentido mais amplo e restaurar a relação da humanidade com Deus, de forma que esta seja amistosa e correta (Rm 5.1).
3. Embaixadores de Deus (vv.20,21). Paulo escolheu o título “embaixador”, porque o papel de quem possui esta ocupação é o de representar os interesses do seu governo ou líder. Como embaixadores de Deus, temos uma responsabilidade enorme: transmitir a mensagem do Evangelho em sua inteireza, sendo fiel à missão que recebemos do Senhor. Isso o fazemos, em gesto de gratidão àquEle que não tinha pecado, mas que tomou o lugar dos pecadores para redimir-nos. Tal ato proporcionou-nos sermos justificados e termos paz com Deus (Rm 5.1). Por isso, deixemos nossos interesses pessoais e cuidemos da obra; trabalhemos enquanto é dia (Jo 9.4).

SINOPSE DO TÓPICO (3)
A mensagem de reconciliação deve apresentar o perdão em seu sentido mais amplo, o qual é restaurar a relação da humanidade com Deus, de forma que ela seja amistosa e correta

CONCLUSÃO

A mensagem da reconciliação não prega o juízo, mas o perdão do Senhor. Ela é objetiva e suprema, pois consiste em saber que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (v.19). Dessa maneira, Deus, por intermédio da obra de justiça que seu Filho Jesus Cristo realizou no Calvário, concedeu ao pecador uma anistia total (Rm 3.24-26).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Teológico

Reconciliação
[Seu] significado etimológico é mudança, mas o uso sempre inclui a união de duas ou mais partes pela renovação de bases ou causas de desarmonia. A reconciliação é necessária para por fim à inimizade existente. A doutrina da reconciliação está relacionada com a restauração da comunhão entre o homem pecador e Deus, o Santo Criador, através de Jesus Cristo, o Redentor. Por causa de suas más ações, o homem é declarado inimigo de Deus (Rm 5.8). Teólogos liberais que negam a satisfação penal, propiciatória e substitutiva da justiça divina pela provisão objetiva da expiação, mostram que no NT Deus nunca é o objeto da reconciliação. Eles negam a necessidade da vindicação da justiça divina, e insistem que tudo que é necessário para a reconciliação entre Deus e o homem é uma mudança no homem [...]. O fato de o pecador ser aquele que precisa ser reconciliado com Deus (2 Co 5.20) não constitui um argumento contra a necessidade da propiciação em relação a Deus. Isto deveria ser evidente a partir de uma das passagens do NT, na qual a palavra é usada em um sentido não-soteriológico. Em Mateus 5.23,24, aquele a quem Deus ordenou que se reconciliasse com seu irmão era o ofensor contra quem o irmão tinha uma queixa. A única reconciliação possível era através da remoção objetiva da queixa ou a satisfação da justiça (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.1654).

VOCABULÁRIO

Sem ocorrências

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

MATTHEW, Henry. Comentário Bíblico do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2008.
PURKISER, W. T. Comentário Bíblico Beacon. 1. ed. Vol. 2. Rio de Janeiro, CPAD, 2006.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 39

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. O que a doutrina bíblica evidencia a respeito de nossos corpos?
R. A doutrina bíblica evidencia que nossos corpos mortais serão revestidos de imortalidade, de incorruptibilidade.

2. De acordo com a lição, o que é o Tribunal de Cristo?
R. Um julgamento de realizações em prol da obra de Deus, o qual acontecerá nos ares e envolverá todos os cristãos salvos, após o arrebatamento dos vivos e ressurreição dos mortos em Cristo.

3. Cite as duas grandes motivações de Paulo para o cumprimento do ministério cristão.
R. O temor a Deus (v.11), e o seu amor a Cristo (v.14).

4. De acordo com a lição, o que significa persuadir os homens por causa do temor a Deus?
R. Significa não intimidá-los, mas convencê-los através da mensagem do Evangelho.

5. Em que consiste o ministério e a palavra de reconciliação?
R. O ministério e a palavra de reconciliação consistem na proclamação da obra expiatória realizada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

——————————————–

Lição 7

Paulo, um Modelo de Líder-Servidor

TEXTO ÁUREO

“E nós, cooperando também com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão”
(2 Co 6.1).

VERDADE PRÁTICA

O líder-servidor não age egoisticamente, antes serve ao povo de Deus com espírito voluntário e solícito.
HINOS SUGERIDOS 115, 127, 394

LEITURA DIÁRIA

Segunda 2 Co 3.1 Paulo, um líder recomendável
Terça 2 Co 4.2 Paulo, um líder exemplar
Quarta Mt 20.26 Paulo, um líder servo
Quinta Rm 5.3 Paulo, um líder paciente
Sexta 2 Co 4.5 Paulo, um líder que pregava somente a mensagem de Cristo
Sábado At 14.22 Paulo, um líder provado pelas adversidades

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 CORÍNTIOS 6.1-10

INTERAÇÃO

Professor, você é um cooperador de Cristo? Atualmente muitos querem exercer liderança, mas poucos querem servir ao Mestre e a Sua Igreja. Jesus, enquanto homem perfeito, é o nosso exemplo de líder-servidor. Certa vez, Ele declarou que não veio a esse mundo para ser servido, mas para servir (Mt 20.26-28). Paulo foi um homem que seguiu as pisadas do Mestre. Ele procurou servir a Jesus em todo o tempo. Mesmo sofrendo retaliação e rejeição de alguns, Paulo amou, liderou e serviu a igreja em Corinto.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se de que o líder-servidor não age egoisticamente, antes serve ao povo de Deus com espírito voluntário.
Compreender que o líder na Igreja de Cristo precisa estar pronto para enfrentar as dificuldades inerentes ao ministério.
Identificar quais são as armas de ataque e defesa de um líder-servidor.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, sugerimos que você reproduza em uma cartolina o diagrama abaixo. Leve o cartaz para a sala de aula e fixe-o em um local onde todos possam ver. Explique aos seus alunos que todo líder cristão, a exemplo de Paulo, deve ter um método de trabalho, além de observar alguns princípios bíblicos para que sua liderança seja bem-sucedida. Diga que Paulo superou as dificuldades e circunstâncias sem perder de vista a perspectiva divina porque procurou seguir os princípios relacionados.

Princípios Referências
Seja firme e corajoso em toda e qualquer situação 2 Co 7.9; 10.2
Seja preciso e honesto 2 Co 7.14; 8.21
Seja amável depois de ser firme 2 Co 7.15; 13.11-13
Procure utilizar palavras que reflitam a mensagem de Cristo,
e não as suas próprias ideias 2 Co 10.3; 10.12,13; 12.19
Use a disciplina somente quando todos os outros métodos falharem 2 Co 13.2
Desenvolva um amor incondicional 1 Co 13
Procure manter a unidade Jo 17.23
Tenha uma vida de oração Ef 6.18
Viva aquilo que prega Tg 1.22
Busque adquirir conhecimento, sabedoria Pv 4.7
Não faça tudo sozinho 1 Co 3.6

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
Líder-servidor
Individuo que, na moderna administração, é visto como o modelo ideal de liderança, pois, em vez de chefiar friamente, serve aos liderados de modo que constrange-os a trabalhar em prol do bem coletivo.

REFLEXÃO
“O líder espiritual deve ter uma “boa reputação” entre os crentes e descrentes.”
Gene A. Getz

Neste capítulo, Paulo ainda continua sua defesa, dando provas e descrevendo seu ministério de reconciliação, no qual ele atuava como embaixador de Cristo, representando os interesses do Reino de Deus na terra. Sua liderança é demonstrada em serviço, e ele até se identifica em algumas de suas cartas como servo (Rm 1.1; 2 Co 4.5; Tt 1.1). Seu modelo de líder-servidor era o próprio Jesus, que nos deixou um grande exemplo (Jo 13.1-17; Fp 2.5-8). Por isso, Paulo exortou aos coríntios que o imitassem assim como ele imitava ao Senhor (1 Co 11.1).

I. PAULO SE IDENTIFICA COMO SERVIDOR DE CRISTO (6.1,2)

1. Paulo se descreve como cooperador de Deus no ministério da reconciliação (v.1). A organização dos capítulos da Bíblia (não somente das epístolas paulinas) muitas vezes não obedece à estrutura lógica dos versículos. Os dois primeiros versículos do capítulo 6 são um complemento do capítulo cinco. Quando Paulo usa o plural e “nós, cooperando também com ele”, refere-se ao Senhor Jesus que realizou a obra expiatória, pois o Pai o fez pecado por nós (5.21), a fim de pagar a dívida da humanidade, reconciliando-nos com o Criador.
Ao tornar conhecida a obra da redenção, Paulo afirma que estamos cooperando com Jesus Cristo. Deus não depende de ninguém para fazer o que precisa ser feito, mas Ele deseja uma relação de comunhão e serviço em conjunto com o homem, para que este tenha o privilégio de participar do ministério da reconciliação.
2. Paulo, um modelo de líder-servidor. Paulo aprendeu com Jesus que o serviço é a postura ideal para quem deseja liderar, pois o Mestre mesmo disse que não tinha vindo ao mundo para ser servido, mas para servir (Mt 20.26-28). O apóstolo dedicou, pois, sua vida e personificou sua liderança como um líder-servidor. Ele procurou imitar o Mestre em tudo, servindo apenas aos interesses da Igreja de Cristo (2 Co 12.15; Fp 2.17; 1 Ts 2.8).
3. Paulo desperta os coríntios para a chegada do tempo aceitável (v.2). O versículo dois é uma citação de Isaías 49.8. Neste vaticínio do profeta messiânico, surge o Servo do Senhor (que é o Cristo profetizado), com a promessa de ajuda no dia em que a salvação for manifestada aos gentios. Paulo usa a profecia para anunciar que o tempo aceitável (favorável) é agora, o dia da salvação é hoje, e a proclamação do Evangelho que pregava está no presente. O tempo aceitável por Deus e pelos homens é agora, e todos podem participar livremente da reconciliação oferecida em Cristo. A parte final do versículo dois evidencia a preocupação paulina com os coríntios em relação à graça de Deus. A graça salvadora é para “agora”, porque este é o momento oportuno de sua aceitação.

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Paulo aprendeu com Jesus que o serviço é a postura ideal para quem deseja liderar na vida eclesiástica, pois o Mestre mesmo disse que não tinha vindo ao mundo para ser servido, mas para servir.

II. A ABNEGAÇÃO DE UM LÍDER-SERVIDOR (6.3-10)

1. O cuidado de um líder-servidor. Paulo volta a descrever as agruras do seu ministério apostólico, a fim de fortalecer o fato de que o líder na Igreja de Cristo precisa estar pronto para enfrentar as dificuldades inerentes ao ministério. O apóstolo afirma essa verdade, com as seguintes palavras: “não dando nós escândalo em coisa alguma” (v.3). Em outras palavras, ele estava dizendo que evitava dar qualquer “mau testemunho”, para que o seu ministério em particular e o de seus companheiros não fossem desacreditados.
2. Experiências de um líder-servidor (vv.4-6). Nos versículos 4 a 6, Paulo descreve seu ministério apostólico apresentando uma série de seis tribulações e aflições experimentadas por ele. Didaticamente, ele separa esses acontecimentos em três conjuntos, contendo três “experiências” cada. Nos versículos 4 e 5, ele menciona: “aflições, necessidades e angústias” e “açoites, prisões e tumultos”. O primeiro e segundo conjuntos descrevem as várias situações de sofrimento, que causaram danos físicos e materiais ao apóstolo Paulo. Ainda no versículo cinco, ele menciona “trabalhos, vigílias e jejuns”, referindo-se às dificuldades enfrentadas em seu ministério. Porém, apesar de tudo isso, Paulo não se envergonha do Evangelho de Cristo nem desiste de continuar seu trabalho.
3. Os elementos da graça que o sustentaram nestas experiências (vv.7-10). Em contraposição às seis dificuldades mencionadas acima, no versículo seis, Paulo apresenta outros seis “elementos” que lhe deram força interior, resultantes da graça, e que o sustentaram, bem como a seus companheiros, naquelas tribulações: “pureza, ciência (conhecimento), longanimidade, benignidade, a presença do Espírito Santo e o amor não fingido (verdadeiro)”.
A pureza, que é o primeiro elemento, tem a ver com a atitude de um coração íntegro e mãos limpas para realizar a obra de Deus. Ao citar ciência, Paulo referia-se ao conhecimento da Palavra de Deus. Longanimidade fala da capacidade de suportar injúrias e desprezos, sem nutrir ressentimentos. A benignidade, traduzida às vezes por bondade, possibilita o líder cristão a não agir com revanche ou desforra. Fazer algo no Espírito Santo significa reconhecer a sua direção em todas as decisões da nossa vida. Por último, Paulo fala do amor, que deve este ser a nossa maior motivação para o exercício ministerial. Todos esses elementos positivos têm sua fonte no Espírito Santo (v.6), o qual produz o amor não fingido.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
Paulo não se envergonha do Evangelho de Cristo nem desiste de continuar seu trabalho.

III. AS ARMAS DE ATAQUE E DEFESA DE UM LÍDER-SERVIDOR

1. As armas da justiça numa guerra espiritual (v.7). Quando usa a metáfora de armas, a mente de Paulo parece transferir-se para um campo de batalha. Como embaixador de Cristo, sente-se também como um soldado preparado para a luta. Suas armas não são materiais ou exteriores; são espirituais (Ef 6.11-17; 1 Ts 5.8). Sua força interior é o “poder de Deus” que o capacita a enfrentar as adversidades sem se render ou transigir em sua integridade moral e espiritual.
2. Os contrastes da vida cristã na experiência de um líder-servidor (vv.8-10). Nos versículos 8 a 10, o texto mostra alguns paradoxos da experiência de Paulo como servo do Senhor. O Comentário Bíblico Pentecostal da CPAD afirma que Paulo “experimentou louvor e vergonha; foi elogiado e caluniado, visto como um genuíno servo de Deus e como uma fraude enganosa; foi tratado como uma celebridade e também ignorado” (p.1099). Ora, em todas essas ocasiões, Paulo superou as dificuldades e circunstâncias sem perder de vista a perspectiva divina. Essas experiências deram-lhe condições de ter alegria frente à tristeza e, pela pobreza material, ter a certeza da inefável riqueza celestial.
3. Paulo dá uma resposta aos adeptos da Teologia da Prosperidade (v.10). “Como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo e possuindo tudo”. Paulo fala literalmente de pobreza material. Não há nada metafórico nessa frase. Ele fortalece o conceito de que a possessão material não é símbolo de riqueza espiritual. Por isso, a riqueza que Paulo podia oferecer era proveniente do Evangelho de Cristo. Dessa forma, o apóstolo demonstra que a pobreza terrena não significa nada, e que ninguém precisa tornar-se pobre para obter riquezas espirituais. A questão aqui é: Qual a nossa prioridade – Deus ou o dinheiro? Pois ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24).

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Paulo superou as dificuldades e circunstâncias sem perder de vista a perspectiva divina. Estas experiências lhe deram condições de ter alegria frente à tristeza e, pela pobreza material, ter a certeza da riqueza celestial.

CONCLUSÃO

Se quisermos servir ao Senhor com inteireza de coração, precisamos seguir os passos de Jesus que foi, é e sempre será o modelo perfeito de líder-servidor. Ele viveu para fazer a vontade do Pai e servir a todos (Mc 10.45).

REFLEXÃO
Reconhecer-nos como vasos de barro é reconhecer a maravilhosa graça que nos foi dada

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Bibliográfico

“Agora é o Dia da Salvação 6.1,2. Como cooperadores de Deus, que pertencem a Ele, como também trabalham para Ele, e como embaixadores de Cristo (2 Co 5.20), Paulo e sua equipe exortavam os coríntios a não receber a graça de Deus sem resultado algum. Os coríntios tinham recebido a graça de Deus, inclusive a salvação por Cristo, mas eles não deviam supor que a salvação é mantida automaticamente. É possível ‘deixá-la ir por nada’ (2 Co 6.1, NEB). Isto aconteceria se eles voltassem à antiga maneira de viver ou se dessem ouvidos aos críticos ‘superespirituais’ ou aos falsos apóstolos que estavam ensinando um evangelho diferente (cf. 2 Co 11.4; Gl 2.21). Precisamos viver de acordo com a nova vida que nos foi dada (cf. Jo 15.2; Deus tira os ramos que não dão frutos). A seguir, Paulo cita Isaías 49.8 e o aplica aos coríntios. Eles estavam vivendo nos dias em que a profecia estava sendo cumprida. É o dia de Deus, o tempo de Deus. Paulo não diminui a importância da era futura ou as últimas coisas. Mas eles têm de reconhecer que esta é a era final antes da era milenar. Agora é o dia em que Deus torna possível a reconciliação a Ele por Cristo. Hoje é o dia da salvação (cf. Hb 3.12-15). À medida que nos aproximamos do fim dos tempos também temos de aplicar as observações de Paulo à nossa época, de forma que não recebamos a graça de Deus ‘em vão’ [...]. Nada seria mais triste que ter recebido a graça de Deus e, no fim, se perder. (HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. 1.ed. RJ, CPAD, 2003, pp.213-14).

VOCABULÁRIO

Agrura: Dificuldade, obstáculo.
Injúria: Insulto, ofensa.
Nutrir: Alimentar, sustentar.Transigir: Ceder, abrir mão.
Vaticínio: Predição, profecia.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

CLOUD, Henry. 9 Coisas que um Líder Deve Fazer. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.
GETZ, Gene A. Pastores e Líderes: O Plano de Deus Para a Liderança da Igreja. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2004.
.
SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 39

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. De acordo com a lição, como Paulo descreve a si mesmo?
R. Como cooperador de Deus no ministério da reconciliação (v.1)..

2. Com quem Paulo aprendeu que o serviço é a postura ideal para quem deseja liderar na vida eclesiástica?
R. Aprendeu com Jesus.

3. Cite as séries de tribulações e aflições experimentadas por Paulo.
R. Aflições, necessidades e angústias e “açoites, prisões e tumultos.

4. Transcreva os seis elementos citados por Paulo que lhe deram forças para superar as tribulações
R. Pureza, ciência (conhecimento), longanimidade, benignidade, Espírito Santo e amor não fingido (verdadeiro).

5. De acordo com a lição, qual a resposta que você daria aos adeptos da Teologia da Prosperidade?
R. Livre

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Lição 8

Paulo, um Modelo de Líder-Servidor

TEXTO ÁUREO

“Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”
(2 Co 7.1).

VERDADE PRÁTICA

Através de uma vida de santificação e pureza, o crente separa-se das paixões mundanas, dedicando-se sacrificalmente ao serviço de nosso Senhor Jesus Cristo.
HINOS SUGERIDOS 71, 77, 252

LEITURA DIÁRIA

Segunda 1 Pe 1.16 Deus é santo
Terça Lv 11.45 Sede santos, porque eu sou santo
Quarta Hb 13.12 Santificados pelo sangue de Cristo
Quinta 2 Tm 2.21 Santificados e idôneos
Sexta Hb 12.14 Sem santificação ninguém verá o Senhor
Sábado Jo 17.17 Santificados na verdade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Coríntios 6.14-18; 7.1,8-10

INTERAÇÃO

Todo crente compromissado com o Senhor deseja viver em santidade. A santificação é um processo, longo, é realizada paulatinamente por meio do Espírito Santo naqueles que a buscam com um coração sincero e puro. Paulo amava os coríntios, por isso, os advertiu a viver uma vida de santidade na presença de Deus. O apóstolo, com amor e zelo, advertiu os irmãos a respeito do jugo desigual e da parceria com os incrédulos. Ele enfatizou o fato de que é preciso haver separação entre “luz e trevas”, “justiça e iniquidade”, “templo de Deus” e “templo de ídolos”.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Compreender o que levou Paulo a buscar a reconciliação e a comunhão com os coríntios.
Conscientizar-se a respeito da importância de se ter uma vida santificada.
Explicar o porquê de Paulo ter reiterado seu amor para com os coríntios.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, divida a classe em dois grupos. Depois que já estiverem formados, entregue a cada grupo uma das seguintes questões: O que é jugo desigual? É correto o relacionamento do cristão com os não-crentes? Cada grupo terá três minutos no máximo para discutir seu tema e dois minutos para expor sua opinião à classe. Ouça com atenção a cada exposição. Em seguida, peça aos alunos que leiam as seguintes referências: 2 Co 7.1; 1 Pe 1.15,16; 1 Ts 4.3-8 e Rm 6.19. Conclua explicando que a Palavra de Deus nos exorta a termos uma vida de pureza..

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
Santificação
Separação do mal e do pecado, e dedicação total e exclusiva a Deus.

REFLEXÃO
Somente quando você se tornar um homem do Espírito é que deixará de ser um homem da carne
Bruce Wilkinson

Antes da ida de Tito a Corinto, os crentes daquela localidade estavam irredutíveis quanto à rejeição a Paulo. O apóstolo havia escrito uma carta pesada e grave, censurando a atitude dos coríntios por se deixarem influenciar por um grupo rebelde. Porém, ao escrever a segunda carta, além de defender seu ministério perante aquela igreja, Paulo regozija-se por ter havido arrependimento da parte daqueles cristãos. Entretanto, seu zelo com a vida de santidade não foi omitido nesta nova missiva. Ele, mais uma vez, apela à comunhão dos crentes em Cristo, e incentiva-os a viverem em santificação, rejeitando todo envolvimento com as coisas imundas.

I. PAULO APELA À RECONCILIAÇÃO E COMUNHÃO (6.11-13)

1. Paulo apela ao sentimento fraterno dos coríntios (v.11). Paulo sabia ser terno quando se fazia necessário, especialmente, depois do desgaste causado pela primeira carta. Ele interrompe sua defesa apostólica apelando, com veemência, ao afeto mútuo que deve ser nutrido entre um pai e seus filhos (1 Co 4.15). As expressões empregadas pelo apóstolo, no versículo 11, (“nossa boca está aberta para vós” e “o nosso coração está dilatado”) denotam que seus atos e palavras são a expressão verdadeira do seu sentimento. Isso, entretanto, não significa que ele arrefeceria sua postura para com os falsos mestres.
2. Paulo dá exemplo de reconciliação. Após ter expressado seu desejo de reatar os laços estreitos que havia entre ele e os coríntios, Paulo, que já havia exposto as motivações de seu ministério, esperava que fosse compreendido e amado fraternalmente em Cristo. Ele declara que o seu coração tem sido alargado para amar a todos os crentes e que ele e seus companheiros não têm limites nem restrições para amar a todos.
3. Paulo demonstra seu afeto e espera ser correspondido (vv.12,13). Paulo percebeu que o afeto dos coríntios era limitado. Não havia espaço para que eles verdadeiramente amassem seus ministros. No versículo 13, ele dá ênfase ao verbo “dilatar” (o mesmo que alargar). Ao utilizar o imperativo, Paulo insiste com os coríntios que, de igual forma, dilatem (ou alarguem) seus corações, a fim de que recebam o amor que estava no coração do apóstolo. Dessa forma, Paulo visava acabar com os pensamentos negativos a seu respeito.

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Paulo demonstra seu afeto pelos coríntios e espera ser correspondido.

II. PAULO EXORTA OS CORÍNTIOS A UMA VIDA SANTIFICADA (6.14-7.1)

1. Uma abrupta interrupção de exortação (vv.14-18). Apesar de Paulo haver expressado seu sentimento de afeto e amor pelos coríntios, era preciso corrigir alguns problemas de ordem espiritual. Assim, ele interrompe o assunto discutido anteriormente, e assume um tom mais grave na discussão.
2. O perigo que ameaça a fé: o jugo desigual. Ele usa uma linguagem objetiva para falar de uma relação que não podia existir na vida de um crente. Tal relação é denominada de “jugo desigual”, que é uma alusão à proibição veterotestamentária de se lavrar a terra com dois animais diferentes, sendo um mais forte que o outro (Dt 22.10). Isso para mostrar que deve haver separação entre “luz e trevas”, “justiça e iniquidade”, “templo de Deus” e “templo de ídolos”.
Assim como água e óleo não se misturam, a comunhão dos santos com os infiéis equivale a um jugo desigual. No versículo 16 ele declara que não há consenso entre Deus e os ídolos, pois se cada crente é templo do Deus vivo, não pode haver em seu interior imundícias que profanem a vida cristã.
A grande lição que Paulo quer que os coríntios aprendam é que a cultura do mundo exterior, extremamente pagã, não deve interferir na vida dos cristãos. Assim, devemos abster-nos de todo tipo de relacionamento que nos leve a transigir nossa fé ante o paganismo. Evitemos, pois, relacionamentos pessoais, matrimoniais e outros que nos induzam a abandonar a fé e a pureza de nossa vida espiritual (2 Co 11.3).
3. O correto relacionamento do cristão com os não-crentes. O apelo de Paulo para o crente não se colocar sob um jugo desigual com o incrédulo não é um incentivo à discriminação social. Numa sociedade, as circunstâncias levam-nos a comunicar-nos com os mais variados tipos de pessoas. Todavia, não devemos praticar, jamais, as obras dos ímpios e inimigos da fé. Pois as ações do crente devem influenciar as pessoas de fora, não o contrário.
A pureza moral e espiritual, no trato com os descrentes, objetiva evitar a contaminação da carne e do espírito (2 Co 7.1). Esta expressão, envolvendo carne e espírito, não se refere a duas categorias de pecados, mas à contaminação da pessoa como um todo, física e espiritualmente (1 Ts 5.23).

SINOPSE DO TÓPICO (2)
A cultura do mundo exterior, extremamente pagã, não deve interferir na vida dos cristãos.

III. PAULO REGOZIJA-SE COM AS NOTÍCIAS DA IGREJA DE CORINTO (7.2-16)

1. Paulo reitera seu amor para com os coríntios (vv.2-4). Como já dissemos (6.1-3), Paulo não perdera seu afeto pelos coríntios. Uma vez que sua consciência e a de seus companheiros estavam limpas, pois não haviam defraudado a ninguém, ou prejudicado a qualquer irmão em Cristo, mais uma vez ele recomenda aos crentes que abram o coração (7.2). Ele tinha razões para escrever desse modo – com ousadia – por causa das boas notícias que obteve da igreja através de Tito, seu companheiro (vv.6,7).
2. Paulo alegra-se com as notícias trazidas por Tito (vv.5-7). A diversidade de assuntos tratados na carta evidencia que ela não foi escrita de uma só vez, mas em várias etapas. Paulo havia viajado de Éfeso para Trôade, depois foi a Macedônia, e em seguida para o Ilírico (atuais Albânia e Iugoslávia – Rm 15.19).
Durante essas viagens, ele ia escrevendo suas cartas, a exemplo dessa segunda aos coríntios. Foi em uma dessas viagens, quando estava na Macedônia, que Tito veio ao seu encontro (v.6). O jovem pastor era portador de boas notícias: o amor demonstrado pelos coríntios ao receberem Tito com carinho e hospitalidade era a principal delas. O jovem pastor trouxe informações da mudança de atitude dos coríntios para com o apóstolo e, por isso, Paulo louva a mudança de coração daquele povo, que soube reconhecer-lhe o zelo pela igreja.
3. A tristeza segundo Deus (vv.8-16). Mesmo enfrentando a sua própria reprovação apostólica manifesta nos atos rebeldes praticados pelos opositores de seu ministério, Paulo se sentia consolado porque, ao reprovar tais atitudes, produziu arrependimento e bem-estar em todos. A tristeza provocada pela repreensão paulina gerou arrependimento e concerto (vv.10-12). Se antes as palavras “tristeza” e “entristecer” estiveram nos lábios e pena do apóstolo, agora, nos versículos 13 a 16, “consolar” e “encorajar” são os novos termos que passaram a constar no vocabulário da carta. Tais verbos revelam o sentimento mútuo que passou a dominar o coração de Paulo e da igreja de Corinto.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Mesmo tendo enfrentado a reprovação apostólica através dos atos rebeldes praticados por opositores ao seu ministério, Paulo se sentia consolado porque, ao reprovar tal atitude, produziu arrependimento e bem-estar em todos.

CONCLUSÃO

Apesar de a relação entre Paulo e a igreja de Corinto ter sido estremecida, a inteireza da fé e a paciência do apóstolo contribuíram para que houvesse uma restauração entre ambos. Assim, após a operação do Espírito Santo na vida da igreja, Paulo pôde então dizer: Regozijo-me de em tudo poder confiar em vós (v.16).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Bibliográfico

Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento…
A palavra traduzida como tristeza é lupe em cada caso. Esta palavra grega, também traduzida como pesar e dor no NT, é um termo amplo que abrange todos os tipos de aflições físicas e emocionais. Aqui, no entanto, a ênfase de Paulo está no fato de que a reação de uma pessoa lupe será segundo Deus ou segundo o mundo. Quando a tristeza leva ao arrependimento Å\ aquela mudança no coração e na mente nos coloca no caminho que leva à salvação Å\ esta tristeza cai na categoria das tristezas segundo Deus. É importante recordar que salvação é frequentemente usada no sentido da liberação atual. Aqui, o que Paulo quer dizer é que o arrependimento reverte nossa corrida para o desastre, e redime a situação, de modo que somos libertos das consequências associadas às escolhas anteriores, e erradas, que fizemos. Por outro lado, a tristeza é do mundo, se tudo o que ela produz é pesar, ou até mesmo um reconhecimento de que estivemos errados Å\ mas, sem nos levar ao arrependimento. (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. RJ, CPAD, 2007, p.378).

VOCABULÁRIO

Arrefecer: Esfriar, desanimar, perder a energia e o vigor.
Missiva: Carta.
Veterotestamentário: Relativo ao Antigo Testamento.
Veemência: Impetuosidade, intensidade.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

Sem ocorrências.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 39

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. Qual o significado das expressões “nossa boca está aberta para vós” e “nosso coração está dilatado” (2 Co 6.11)?
R. .Denotam que seus atos e palavras são a expressão verdadeira do seu sentimento. Isso, entretanto, não significa que ele arrefeceria sua postura para com os falsos mestres.

2. De acordo com a lição, o afeto dos coríntios restringia-se a quem?
R. Restringia-se a eles mesmos.

3. Conforme a lição, que relação não deve existir na vida de um crente?
R. O jugo desigual.

4. O cristão deve se relacionar com os não-crentes? Caso a resposta seja afirmativa, como deve ser esse relacionamento?
R. O cristão deve se comunicar com todas as pessoas, independentemente de suas crenças. O que não deve ser praticado pelo cristão, são as mesmas obras dos ímpios.

5. O que Paulo pôde declarar após a operação do Espírito Santo na vida da igreja?
R. Paulo pôde dizer: Regozijo-me de em tudo poder confiar em vós (v.16).

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Lição 9

O Princípio Bíblico da Generosidade

TEXTO ÁUREO

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria”
(2 Co 9.7).

VERDADE PRÁTICA

A generosidade é um princípio que deve preencher o coração alcançado pela graça de Deus.
HINOS SUGERIDOS 195, 200, 393

LEITURA DIÁRIA

Segunda Dt 15.10,11 Deus recompensa a generosidade
Terça Pv 11.25 A alma generosa prosperará
Quarta 1 Tm 6.18 Sejamos generosos
Quinta Gl 5.22 Generosidade, fruto do Espírito
Sexta Rm 12.20,21 Generosidade até para com os inimigos
Sábado Rm 12.13 A generosidade para com os crentes

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Coríntios 8.1-5;9.6,7,10,11

INTERAÇÃO

Professor, vivemos em uma sociedade marcada pelo individualismo e o egoísmo, onde parece não existir mais lugar para a generosidade. Que tal propor a sua classe a possibilidade de praticar essa virtude neste domingo? Leia com a classe Tiago 1.22, e tente descobrir o que sua igreja, congregação ou outras organizações em sua cidade estão fazendo para ajudar os necessitados. Proponha que sua turma participe de alguma forma. Leia para a classe o texto de Tiago 1.27: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo”.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se de que o princípio da generosidade está fundamentado na ideia de doar e não de ter.
Compreender que atender ao pobre em suas necessidades é um preceito bíblico.
Saber que a graça de contribuir está fundamentada no princípio de que mais “bem-aventurada coisa é dar do que receber”.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, para a aula de hoje sugerimos que você reproduza no quadro-de-giz a tabela da abaixo. Mostre aos seus alunos que o serviço social e a evangelização fazem parte da missão integral da Igreja  somos chamados à evangelização pessoal, mas também ao serviço social. Explique aos alunos que os conceitos baseados em 2 Coríntios 8 e relacionados no quadro vão ajudá-los a construir uma teologia ortodoxa e bíblica a respeito da caridade.

A caridade é um privilégio (8.4)
A caridade nasce do comprometimento (8.5)
A caridade é voluntária (8.8)
A caridade tem um objetivo (8.13-16)
A caridade tem consequência pessoais (9.6)
A caridade envolve coração e mente (9.7)
A caridade tem resultados espirituais, além dos materiais (9.12)

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra Chave:
Generosidade
“Virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem”.

REFLEXÃO
“Você não pode dar mais do que Deus! Não importa o que dê a Ele, Ele sempre lhe dará mais.”
Warren W. Wiersbe

Os capítulos 8 e 9 de 2 Coríntios tratam especificamente acerca da obrigatoriedade de amarmos e auxiliarmos os pobres e necessitados. Ambos os capítulos formam o que poderíamos chamar de uma “teologia da generosidade”. O caso que está sendo considerado, indica que a comunidade de fé em Jerusalém passava por sérias dificuldades. Então, os apóstolos solicitaram a Paulo e a Barnabé que se lembrassem dos pobres (Gl 2.9,10), e eles trouxeram uma contribuição de Antioquia a Jerusalém conforme está registrado em Romanos 15.25-32. Esta lição, porém, não se limita à historicidade; ensina-nos que o ato de estendermos as mãos aos menos favorecidos é uma forma de expressarmos o amor de Deus através de nossa vida. .

I. EXEMPLOS DE AÇÕES GENEROSAS (8.1-6,9; 9.1,2)

1. O exemplo dos macedônios (8.1-6). O princípio da generosidade está fundamentado na ideia de doar e não de ter (2 Co 8.12). A prova vem das igrejas macedônias que eram gentias e, apesar de suas dificuldades e pobreza, foram capazes, por causa do amor a Deus, de ofertar o pouco que tinham para socorrer os pobres de Jerusalém. Paulo cita-lhes o exemplo e passa a exortar os coríntios a que observem a mesma prática em termos de contribuição. O apóstolo apela para os cristãos de Corinto serem abundantes na generosidade para com os irmãos necessitados, especialmente, os de Jerusalém, a Igreja-mãe, pois foi onde tudo começou.
2. O exemplo de Jesus Cristo (8.9). Segundo o Dicionário Houaiss, generosidade é a “virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem”. Esta acepção encaixa-se perfeitamente no que Paulo afirmou acerca do Filho de Deus, dizendo que Ele Ågsendo rico, por amor de vós se fez pobreÅh (v.9). Para o apóstolo dos gentios, o sacrifício de Jesus não começou no Calvário, nem sequer com sua humilhação fazendo-se homem e nascendo de mulher. O sacrifício de nosso Senhor teve início no Céu, quando se despojou de sua glória para vir à Terra e dar a sua vida em resgate da humanidade. Seu exemplo de generosidade vai além de qualquer outro. Paulo diz que Jesus se fez “pobre”, para que, pela sua “pobreza”, nós, cristãos fôssemos enriquecidos (v.9; 1 Co 1.5). O sentimento que dominou o ministério de Jesus é o que deve permear o coração dos crentes, tendo disposição de vontade para fazer o melhor pelo Reino de Deus, inclusive, contribuir com amor fraterno para os necessitados (Fp 2.5).
3. O exemplo da igreja coríntia (9.1,2). O apóstolo é amável e felicita os coríntios pela abundância de bênçãos espirituais que têm experimentado. Em termos de caridade, os coríntios já haviam-na manifestado a Paulo e aos seus companheiros (2 Co 8.7). A fim de defender a importância de tal contribuição, ele afirma que Tito fora sido recebido carinhosamente em Corinto e começado o levantamento de ofertas (8.6-12). Paulo reconhece esse primeiro esforço, entretanto, recorda-lhes que não devem ficar apenas com esse ato inicial, mas que concretizem o propósito de enviar a oferta que prometeram (8.1).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
O princípio da generosidade está fundamentado na ideia de doar e não de ter (2 Co 8.12).

II. EXORTAÇÃO AO ESPÍRITO GENEROSO PARA CONTRIBUIR (8.7-15)

1. A igreja de Corinto foi encorajada a repartir generosamente com os necessitados (8.11). Paulo motiva a igreja lembrando suas virtudes positivas e declara que os coríntios têm sido abundantes na fé, no entanto, apela a que sobejem, também, na graça da generosidade (2 Co 8.7). Para não parecer que está exercendo sua autoridade apostólica com atitude interesseira, Paulo apenas dá o seu parecer sobre o assunto. Ele não impõe à igreja qualquer encargo, mas recorre ao espírito generoso dos irmãos quanto à contribuição financeira em favor dos crentes de Jerusalém (v.8).
2. A responsabilidade social da Igreja. Atender ao pobre em suas necessidades é um preceito bíblico (Lv 23.22; Dt 15.11; Sl 82.3; At 11.28-30; Gl 2.10; Tg 2.15,16). A missão assistencial da Igreja no mundo é a continuação da obra iniciada por Jesus. Assim como o Senhor jamais se esqueceu dos pobres, a Igreja não deve desprezá-los (Lc 4.18,19), pois na essência da mensagem do Evangelho está também o atendimento às pessoas necessitadas. A Igreja Primitiva deu ênfase à assistência generosa para com os seus pobres. A Bíblia afirma que os cristãos primitivos “repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At 2.44,45).
3. A generosidade cristã requer reciprocidade mútua dos recursos. O sentimento comunitário é um dos sinais do cristianismo autêntico. Todos são iguais perante o Senhor, e seus direitos são os mesmos. O princípio da igualdade refuta as diferenças sociais quando é possível que algo seja feito. A reciprocidade mútua entre os crentes supre as necessidades dos irmãos que fazem parte da mesma fé. Não pode haver espaço para a fome e a nudez no meio do povo de Deus. A base desse sentimento constitui o critério da generosidade que deve permear a vida cristã.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
Assim como o Senhor jamais se esqueceu dos pobres, a Igreja não deve desprezá-los (Lc 4.18,19), pois na essência da mensagem do Evangelho está também o atendimento às pessoas necessitadas.

III. OS PRINCÍPIOS DA GENEROSIDADE (9.6-15)

1. O valor da liberalidade na contribuição. No Antigo Testamento, a entrega do dízimo obedecia a uma lei. Todo israelita tinha a obrigação de entregar o seu dízimo na Casa do Senhor (Dt 14.22). O dízimo, mais que uma regra a ser obedecida, é um princípio de gratidão, fé e obediência. O doador o faz porque reconhece o senhorio de Deus sobre suas finanças.
Na igreja, o cristão obedece ao princípio da fé e do reconhecimento do Senhorio de Cristo. Assim, do ponto de vista bíblico, a contribuição não se restringe aos 10% (o valor mínimo que o crente deve trazer à casa do tesouro); o princípio que a rege é o da liberalidade. Portanto, não há limite para a contribuição (2 Co 9.10). A pessoa oferta o que propuser em seu coração; o que vale é o seu princípio (o dar com liberalidade), não a regra.
Ninguém o faz por força de uma lei ou preceito, mas sim por gratidão ao Senhor, por fidelidade e reconhecimento. As ofertas devem ser espontâneas, de coração aberto, e sem avareza (9.5). Deus se compraz em abençoar a Igreja, dando-lhe bênçãos espirituais e materiais. Assim como Ele abençoa seus filhos, espera que seus filhos abençoem generosamente seus irmãos na fé. Este princípio orienta que devemos dar com alegria, não com tristeza ou por necessidade (2 Co 9.7).
2. A igreja deve socorrer os necessitados obedecendo a três princípios que norteiam o serviço social. A Igreja não apenas prega o Evangelho. Ela deve atender os seus necessitados em termos físicos e materiais (Gl 2.9,10). Três princípios são fundamentais neste exercício: a) Mutualidade: Este princípio se manifesta em generosidade, reciprocidade e solidariedade (At 2.44,45); b) Responsabilidade: Com a obra de Deus e com seus irmãos necessitados (2 Co 8.4; 9.7); c) Proporcionalidade: Nesta perspectiva, o cristão contribui de acordo com as suas possibilidades (2 Co 8.12).
3. A graça de contribuir. A generosidade requerida por Paulo não se constituía de atitudes vazias ou meras formalidades sociais. As igrejas que ajudam às suas coirmãs, ou investem na obra de evangelização e missões, são abençoadas copiosamente; ofertar é um ato de adoração e louvor a Deus (Fp 4.18). Além do mais, a graça de contribuir está fundamentada no princípio de que mais “bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35).

SINOPSE DO TÓPICO (3)
A igreja deve socorrer os necessitados obedecendo a três princípios que norteiam o serviço social: mutualidade, responsabilidade e proporcionalidade.

CONCLUSÃO

Filantropia sem generosidade não tem valor. A boa filantropia é aquela que baseia suas obras no princípio do amor, que supera todas as deficiências e nos torna úteis ao Reino de Deus. Gratidão e disposição para servir uns aos outros anulam a avareza e abrem as despensas de Deus com bênçãos espirituais e materiais (Ml 3.10).

REFLEXÃO
“Dar ajuda aos pobres, era, e é, virtude tão grande no judaísmo assim como o é na grande exortação de Paulo aos coríntios (e a nós!) para que todos sejam generosos com os necessitados”.
Lawrence Richards

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Teológico

“Ação Social: Compromisso de uma Igreja
O avivamento espiritual, que é tanto a causa como o produto de uma Igreja Viva, precisa abranger a igreja como um todo, se não queremos um organismo aleijado ou disforme. Não se pode falar de um avivamento que priorize apenas um aspecto da totalidade do ser humano como, por exemplo, o destino de sua alma, em detrimento de seu bem-estar físico e social. Não nos interessa uma comunidade apenas voltada para o futuro, em prejuízo do hoje, pois isso implica em negligenciar as necessidades imediatas e urgentes do ser humano. O homem vive na dimensão do aqui e agora. Tem fome, frio, doença, sofre injustiças; enfim, tem mil motivos para não ser feliz. Nossa missão, pois, é socorrer o homem no seu todo, para que não somente usufrua paz de espírito, mas também conserve no corpo e na mente motivos de alegria e esperança. O projeto de Jesus é para o homem todo e para todos os homens. Fugir dessa verdade é desobediência e rebelião contra aquEle que nos comissionou. Um verdadeiro avivamento trará de volta ao crente brasileiro o amor pelos quase 50 milhões de irmãos pátrios que vivem na pobreza absoluta. O estilo de vida de uma igreja avivada não se presta a esquisitices humanas, mas à formação de personalidades de acordo com o caráter de Cristo, que não negligenciam o amor ao próximo” (CIDACO, J. Armando. Um Grito pela Vida da Igreja. 1.ed. RJ, CPAD, 1996, pp.87-8).

VOCABULÁRIO

Comprazer: Fazer o gosto, ser agradável.
Comunidade de Fé: Expressão proferida por Martinho Lutero para referir-se à igreja.
Sobejar: Sobrar.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2008.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 40

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. De acordo com a lição, o princípio da generosidade está baseado em qual ideia?
R. .O princípio da generosidade está fundamentado na ideia de doar e não de ter (2 Co 8.12).

2. Defina generosidade.
R. “Virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem”..

3. Atender o pobre em suas necessidades é um preceito bíblico. Cite três referências bíblicas que comprovem essa verdade.
R. Lv 23.22; Dt 15.11; Sl 82.3.

4. De acordo com a lição, qual princípio deve reger a oferta?
R. O da liberalidade.

5. Cite os três princípios que devem nortear o serviço social da igreja.
R. Mutualidade, responsabilidade e proporcionalidade
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Lição 10

A Defesa da Autoridade Apostólica de Paulo

TEXTO ÁUREO

“Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus [...]“
(2 Co 1.1).

VERDADE PRÁTICA

Sem a autoridade ministerial que recebemos de nosso Senhor Jesus Cristo, jamais conseguiremos desempenhar com eficácia o serviço cristão.
HINOS SUGERIDOS 244, 486, 498

LEITURA DIÁRIA

Segunda Ef 4.1,2 A autoridade apostólica exercida com mansidão
Terça Fp 4.5 A autoridade apostólica exercida com retidão
Quarta 1 Co 2.1-3 A autoridade apostólica exercida com humildade
Quinta Rm 13.8,10 A autoridade apostólica exercida com amor fraternal
Sexta 1 Co 3.6 A autoridade apostólica e o trabalho em equipe
Sábado 2 Co 8.21 A autoridade apostólica exercida com honestidade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 CORÍNTIOS 10.1-8,17,18

INTERAÇÃO

De acordo com Matthew Henry “em nenhum outro lugar o apóstolo Paulo sofreu mais oposição dos falsos profetas do que em Corinto”. Paulo foi duramente provado. Se você é fiel ao Senhor e está enfrentando oposição, não desanime. Siga o exemplo da Paulo,. Não se exaspere, não deixe de realizar a obra que lhe foi confiada por Deus com amor e zalo. O inimigo desejava enfraquecer a Paulo e a sua liderança, impedindo a igreja de avançar. Ele também deseja fazer o mesmo com você. Não tente agir por sí mesmo, por esta é uma batalha espiritual.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se de que sem a autoridade ministerial que recebemos de nosso Senhor Jesus Cristo, jamais conseguiremos desempenhar com eficácia o serviço cristão.
Compreender que temos de andar de acordo com as leis do Espírito, lutando sempre com as armas espirituais.
Explicar o significado da palavra autoridade.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, para a aula de hoje sugerimos que você providencie, com antecedência, cópias da tabela abaixo para seus alunos. Caso deseje, você também poderá reproduzir a tabela no quadro-de-giz. Depois que todos estiverem com suas cópias, explique que em Corinto, havia um grupo de falsos crentes que não consideravam Paulo como um apóstolo, por isso não levavam a sério seu ensino e suas recomendações. O apóstolo precisou confrontá-los apresentando suas credenciais apostólicas. Diga que as credenciais do apóstolo estão relacionadas no quadro..

CREDENCIAIS DE PAULO
Comissionado por Deus 1.1, 21; 4.1
Falava sinceramente 1.18; 4.2
Agia com santidade, sinceridade e dependia somente de Deus 1.12
Era objetivo e sincero em suas cartas 1.13,14
Tinha o Espírito Santo 1.22
Amava os crentes coríntios 2.4; 6.11; 11.11
Falava com sinceridade e poder de Cristo 2.17
Trabalhou entre eles e mudou suas vidas 3.2,3
Viveu como um exemplo para os crentes 3.4; 12.6
Não desistiu 4.1,16
Ensinava a Bíblia com integridade 4.2
Tinha Cristo como o centro de sua mensagem 4.5
Era embaixador de Cristo chamado para divulgar as Boas Novas 5.18-20

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra-Chave
Autoridade
Poder divino conferido ao homem para liderar a Igreja

No capítulo 10, Paulo usa um tom de cautelosa afeição ao dirigir-se aos seus opositores. A mudança é tão drástica que alguns estudiosos chegam a pensar que os capítulos 10 a 13 desta epístola não tenham sido escritos pelo apóstolo. Entretanto, quando analisamos mais detidamente a personalidade e o temperamento de Paulo, começamos a entender, com mais clareza, a humanidade e o ministério do apóstolo dos gentios.
Os últimos capítulos da epístola, por conseguinte, devem ser estudados com muita atenção. Neles, Paulo defende o apostolado que recebera do Senhor Jesus.

I. PAULO RESPONDE AOS SEUS ADVERSÁRIOS

1. A aspereza versus a delicadeza de Paulo (10.1,2). Paulo era um homem que, à nossa semelhança, sofria os efeitos das emoções. Tinha todas as características, positivas e negativas, de um ser humano normal. Entretanto, por ser extremamente emotivo, sentiu fortemente as injustiças que lhe fizeram alguns coríntios.
A aspereza de suas palavras em 2.4 e 7.8, quando se refere aos seus opositores, provocou uma reação ainda mais hostil por parte de alguns membros da igreja. Todavia, no capítulo 10, Paulo utiliza-se de um teor mais brando e delicado. Todo obreiro, portanto, é um ser humano dotado de sentimentos e que reage às situações; controlado, porém, pelo Espírito, não perde jamais a compostura cristã.
2. Paulo apela para a mansidão e ternura de Cristo (10.1,2). Ao apelar para as virtudes de Cristo (mansidão e benignidade), Paulo foge ao padrão mundano; opta por uma resposta branda. Jesus é o grande exemplo (Mt 11.29). Aos que o acusavam de fraqueza, responde: “Eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde (temeroso), mas ausente, ousado (corajoso) para convosco” (v.1).
Essa expressão não tinha nada de timidez. Na verdade, o apóstolo agia assim para evitar um conflito maior, imitando a serenidade de Cristo. Ele queria evitar uma ação disciplinar contra os rebeldes. Além disso, Paulo não desejava amedrontar os cristãos de Corinto, pois eram seus filhos espirituais.
3. Paulo diz que sua conduta não era segundo a carne (10.2,3). O apóstolo usa o termo “carne” em dois sentidos. Primeiro, no sentido físico: andando na carne (v.3). A versão Almeida Século 21 diz: “Embora vivendo com seres humanos, não lutamos segundo os padrões do mundo”. Paulo almejava que os coríntios lembrassem que ele e seus companheiros eram homens comuns.
O segundo sentido da palavra “carne” é figurado; refere-se a uma parte da natureza humana corrompida pelo pecado, que tende a induzir-nos a contrariar as coisas espirituais. Reafirma o apóstolo: “não militamos segundo a carne” (v.3). Em outras palavras, Paulo estava declarando que não seguimos os desejos da carne, porquanto, embora habitemos em corpos físicos, somos guiados pelo Espírito de Deus (Gl 5.16).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Paulo não seguia os ditames da carne, ele era guiado pelo Espírito de Deus.

II. INIMIGOS E ARMAS ESPIRITUAIS DO APOSTOLADO

1. Os inimigos interiores (vv.4,5). No caso da igreja de Corinto, tais inimigos eram os argumentos contra o Evangelho puro, simples e verdadeiro de Jesus Cristo, que Paulo pregava e ensinava, bem como as falsas acusações contra seu ministério. O apóstolo foi um bravo militante na guerra espiritual contra os falsos ensinos na igreja ao longo de seu ministério, pois sabia do estrago que esses inimigos poderiam fazer na mente e coração humanos e, por conseguinte, na igreja.
Nós também enfrentamos tais inimigos poderosos não somente dentro de nossas igrejas, mas também em nossa mente e coração. Em nosso íntimo, existem guerras espirituais sendo travadas. O próprio apóstolo discorre sobre isso em sua carta aos Gálatas (5.17), quando revela a luta entre os desejos da carne e do espírito. Entretanto, Paulo nos revela como vencer essa guerra tão difícil contra inimigos tão poderosos. “Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5.16). Além disso, existem outras armas espirituais que estão disponíveis para nós utilizarmos, como veremos no próximo tópico.
2. As armas espirituais (vv.4,5). Paulo sabia que nesta guerra espiritual ele não poderia utilizar armas carnais, tais como: capacidade intelectual, influência, posição social etc. O Inimigo não pode ser derrotado com armas semelhantes às suas, por isso, as armas do apóstolo eram espirituais e “poderosas em Deus para destruição das fortalezas.” Tais fortalezas (v.4) são utilizadas para impedir que o conhecimento de Deus avance na mente e no coração do homem (v.5).
Enquanto soldados de Cristo, militando o bom combate aqui na terra, estamos sujeitos às tentações e males dentro e fora da igreja. Portanto, temos de andar de acordo com as leis do Espírito, lutando sempre com as armas espirituais, que são: a Palavra de Deus – a espada do Espírito – a verdade, um caráter justo e reto, a proclamação do Evangelho da paz, a fé, a certeza da Salvação, e uma vida de oração (Ef 6.11-18).

SINOPSE DO TÓPICO (2)
Apesar de vivermos neste mundo sujeitos às tentações, temos de andar de acordo com as leis do Espírito, lutando sempre com as armas espirituais.

III. A PERSPECTIVA DE PAULO SOBRE AUTORIDADE

1. O significado de autoridade. De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe, uma das palavras gregas para autoridade é exousia, cujo significado é poder, liberdade ou direito de escolher, agir, possuir ou controlar. Tratando-se da questão abordada por Paulo nesta segunda carta, esse termo é o que melhor se enquadra, uma vez que o apóstolo discute exatamente a qualidade espiritual de sua autoridade.
2. A perspectiva de Paulo quanto à autoridade espiritual. Paulo argumenta com os coríntios que a consistência de sua autoridade apostólica encontra-se na coerência entre o seu discurso e a sua prática, as atitudes dele refletiam a sua pregação. Por isso, combatia de modo firme e enérgico àqueles que se opunham ao seu ministério. O apóstolo também questionava as acusações daqueles homens, pois assim como se autodeclaravam de Cristo, Paulo também podia se declarar. Ele assegurou àquela igreja que sua autoridade fora-lhe concedida pelo Senhor “para edificação e não para destruição” dos coríntios (2 Co 10.8). Acima de tudo, a integridade do seu caráter e ministério era o seu principal argumento e defesa.
Outro ponto abordado pelo apóstolo é que ele e seus companheiros tinham sido os primeiros a chegar em Corinto com o evangelho, por isso, a igreja deveria dar crédito à sua palavra.
Por fim, Paulo recomenda que nosso padrão de medida deve ser o Senhor e não os outros, porquanto, se fizermos assim, constataremos que não temos nenhum motivo para se orgulhar. Nos versos finais do capítulo 10, o apóstolo ainda aconselha a buscarmos o reconhecimento divino, e não humano.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Somente Cristo é o alvo, o ponto máximo e convergente da revelação de Deus mediante o Evangelho.

CONCLUSÃO

A autoridade apostólica de Paulo, exercida com tanta seriedade, fora lhe concedida pelo Senhor e encontrava-se fundamentada em seu relacionamento com Deus e na integridade de seu caráter e ministério. Portanto, se estivermos conscientes de nosso chamado divino e exercermos com integridade nosso ministério, não devemos temer falsas acusações, pois essas sempre farão parte da vida de um servo fiel.

REFLEXÃO
“E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.”
1 João 2.17

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Bibliológico

“O ofício apostólico e a autoridade de Paulo
[...] Paulo retrata seu ministério apostólico em termos de campanha militar. Ele e sua equipe ministerial viviam no mundo (gr. en sarki, Ågna carne”, cf. “em vasos de barros”, 2 Co 4.7). Mas ele não militava ou empreendia guerra como o mundo faz (gr. kata sarka, “segundo a carne”, isto é, limitado pelo que é finito, humano, terrestre ou meramente físico). Pouco importando o quão fraco, tímido ou humilde Paulo parecesse ser na presença dos coríntios, ele não teve de enfrentar destemidamente ou usar métodos e armas que o mundo usa. Quando o Espírito o ungiu ele tinha armas “poderosas em Deus” para destruir as fortalezas inimigas. Estas armas são o Espírito e a Palavra. As “fortalezas” eram os ardis argumentos contra o Evangelho simples de Cristo que Paulo pregava, como também os esforços em destruir seu ministério e levar seus convertidos à escravidão espiritual pelas falsas doutrinas dos inimigos. Podemos aplicar isto às forças do mal que procuram destruir a Igreja trazendo falsas doutrinas, modos mundanos, entretenimento secular e apresentações terrenas. A Palavra e o Espírito ainda têm o poder de destruir os poderes das trevas (veja Ef 6.14-18)” (HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. RJ: CPAD, 2003, pp.234-35).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico

“Os limites da jactância de Paulo
Com ironia Paulo rejeita qualquer comparação dele com seus oponentes. Como The Message traduz o versículo 12: ‘Nós, entenda, não nos colocamos em liga com aqueles que se gloriam que nos são superiores. Não ousaríamos fazer isto’. Eles procuravam fazer com que suas realizações parecessem impressionantes, comparando-se totalmente ‘consigo mesmos’. Eles se recusavam a reconhecer o que Deus fez por Paulo em relação à sua comissão aos gentios ? dada a ele por Cristo (At 9.15; Gl 2.9). Eles diziam que Paulo deveria gloriar-se como eles o faziam e que ele era verdadeiro apóstolo. Mas Paulo só gloriará dentro dos limites do ministério que lhe foi dado por Deus, o que inclui Corinto. Dizendo isto, Paulo está denotando que os falsos apóstolos são os instrumentos que estão ferindo a assembleia que Deus o enviou para estabelecer.
A jactância de Paulo não vai muito longe, além dos limites convenientes, porque ele e seus companheiros foram os primeiros a chegar a Corinto com o Evangelho. Este foi o ponto mais distante que ele tinha alcançado em suas viagens missionárias até aqueles dias. Sua esperança porém, era expandir o trabalho em Corinto e depois ir para outras regiões. Na visão de Paulo, abrangeria Ilírico, Roma e Espanha (veja Rm 15.19,23,24,28). Mas ele não seria como os falsos apóstolos, porque não afirmaria que foi o primeiro a levar o Evangelho em território que já tivesse sido de fato evangelizado por outra pessoa.
Paulo limita ainda mais a jactância parafraseando Jeremias 9.24. Esta é outra razão por que ninguém deve se gloriar de assumir algo que é de responsabilidade de outra pessoa.
De fato, toda jactância ou louvor à pessoa ou ministério não é importante. A única coisa que conta é o louvor do Senhor (cf. Rm 2.29; 1 Co 4.3-5). Ele não dará louvor àqueles que buscam exaltar-se. (HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. RJ: CPAD, 2003, pp. 237, 238).

VOCABULÁRIO

Concupiscência: Desejo ou vontade carnal intensa.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHRDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2008.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 41

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. O que Paulo desejava reafirmar ao utilizar a expressão: “não militamos segundo a carne”?
R. Paulo desejava reafirmar que ele não seguia os ditames da carne.

2. O apóstolo usa o termo “carne” em dois sentidos. Quais são eles?
R. Sentido físico, significando ser humano; e sentido figurado referindo-se a uma parte da natureza humana corrompida pelo pecado.

3. Quais são os inimigos interiores do crente?
R.Os argumentos contra o Evangelho e as falsas acusações contra seu ministério.

4. De acordo com a lição, qual o significado da palavra “autoridade” na língua grega?
R. Poder, liberdade ou direito de escolher, agir, possuir ou controlar.

5. Qual era a fonte da autoridade apostólica de Paulo?
R. Jesus Cristo.
——————————————–

Lição 11

CARACTERÍSTICAS DE UM AUTÊNTICO LÍDER

TEXTO ÁUREO

“Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo”
(2 Co 11.2).

VERDADE PRÁTICA

Um líder cristão autêntico é aquele que tem por objetivo maior servir a Deus e à sua Igreja.
HINOS SUGERIDOS 298, 305, 340

LEITURA DIÁRIA

Segunda Ef 5.18 Paulo, um líder cheio do Espírito Santo
Terça 2 Co 1.1 Paulo, um líder comissionado pelo Senhor
Quarta 2 Co 2.4 Paulo, um líder que amava os crentes coríntios
Quinta 2 Co 4.1,16 Paulo, um líder perseverante
Sexta 2 Co 6.8-10 Paulo, um líder que permaneceu fiel a Deus sob todas as circunstâncias
Sábado 1 Co 11.1 Paulo, um líder exemplar

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Coríntios 10.12-16; 11.2,3,5,6

INTERAÇÃO

Professor, você é um líder à frente de sua classe. Por isso, esteja atento a alguns aspectos importantes da liderança de Paulo que serão apresentados nesta lição. Ele era um líder autêntico, compromissado com Deus e com a sua Obra. Suas credenciais de ministro de Deus são evidenciadas através do seu trabalho árduo, do sofrimento e da preocupação com as ovelhas do Senhor. Como líder ele era exemplo, e sabemos que a liderança na igreja é repleta de desafios. Não menos difícil é o seu papel amado professor, mas confie em Deus, Ele está contigo!

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Compreender que o líder cristão autêntico é aquele que não perde o senso de dependência de Deus.
Distinguir as características de um verdadeiro líder.
Descrever os tipos de lideranças encontradas no seio da igreja.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, para a aula de hoje sugerimos que você reproduza o quadro da página ao lado no quadro-de-giz. Junto com os alunos analise cada tópico relacionado no quadro. Apresente as principais diferenças entre os falsos apóstolos e Paulo, líder autêntico. Enfatize o fato de que os falsos líderes eram arrogantes. Gabavam-se por serem eloquentes e terem conhecimento. Sabemos que não há nada errado em ser eloquente e ter conhecimento, porém o líder autêntico depende unicamente de Deus. Leia todas as referências, enfatizando as principais diferenças entre os falsos apóstolos e os autênticos.

FALSOS APÓSTOLOS
(LÍDERES) MARCAS DE UM
APÓSTOLO AUTÊNTICO

Acreditavam possuir conhecimento,
e eloquência superiores (11.6) Cheio de conhecimento e humildade
(At 22.3)
Afirmavam ter visões e revelações (12.1,7) Cheio do poder de Deus e do fruto do Espírito (13.4)
Possuíam cartas de recomendação (3.1) Comissionado por Deus (1.1,21; 4.1); as credenciais de seu apostolado poderiam ser vista na própria igreja (12.12)
Aceitavam dinheiro como pagamento por serviços espirituais (11.12) Nunca corrompeu ou explorou a ninguém (7.2; 11.7-9); trabalhava para não ser pesado a igreja (12.14)
Eram da Palestina, berço do cristianismo primitivo (5.16; 10.7) Nascido em Tarso e treinado como fariseu (Fp 3.5; At 22.3)

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra-Chave
Líder
Indivíduo que chefia, comanda e/ou orienta em qualquer ação.

Paulo é um dos maiores exemplos de liderança do Novo Testamento. Seu modelo máximo é Jesus. E o apóstolo ajustou sua liderança conforme o conhecimento que adquiriu acerca do Mestre. Nesta lição, ele prossegue defendendo o seu apostolado contra os ataques dos falsos apóstolos, e reafirma sua igualdade com os demais apóstolos em termos de autoridade e liberdade para pregar o Evangelho. Porém, a fim de mostrar sua autoridade e liderança em Cristo, Paulo ressalta não ser sua intenção exercer domínio sobre a fé dos coríntios, pelo contrário, ele está pronto a ser humilhado para que eles fossem exaltados (2 Co 11.7).

I. OS DESAFIOS DO APOSTOLADO PAULINO (10.9-18)

1. O desafio da oposição (10.9-11). Nesses quatro últimos capítulos, observamos que se destacam três personagens principais: o apóstolo, os opositores e os coríntios. Nos versículos 9 e 10, o apóstolo discorre sobre a carta que enviara aos coríntios.
Uma regra básica ao escrever cartas, naquela época, é que essas deviam corresponder à personalidade de quem as enviara. Como Paulo havia sido severo na redação de suas cartas, era acusado, agora, de não ter a mesma postura enquanto estava presente entre eles. Os oponentes insinuavam que o apóstolo não tinha coragem ou era incoerente. Na realidade, eles apenas buscavam mais uma oportunidade para o acusarem. Paulo, porém, foi incisivo e firme (vv.11,12).
2. O desafio do orgulho (10.12,13). Nestes versículos, Paulo demonstra a importância de o líder exercer a autocrítica. Ele fala da arrogância dos que se sentiam superiores a ele. Refutando tal orgulho, Paulo admite não estar disposto a classificar-se entre os que louvam a si mesmos. Ele considerava essa atitude uma ousadia incabível no meio da Igreja (v.12). A vaidade dos oponentes era “sem medida” (v.13), e o “critério” de aferição que usavam baseava-se apenas na opinião que os tais tinham de si mesmos. O apóstolo afirma que “esses que se medem a si mesmos e se comparam consigo mesmos estão sem entendimento” (v.12); demonstram falta de lucidez e discernimento espiritual.
3. O desafio do respeito aos limites e da autoglorificação (10.14-18). Respeitar os limites alheios é uma atitude indispensável a um líder. Paulo destaca que todo líder deve conhecer a medida certa de suas ações (v.13). Seja do ponto de vista pessoal, ou coletivo, o líder deve respeitar os limites de sua liderança, e não apossar-se da honra de um trabalho realizado por outros (vv.15,16). Se assim agirmos, não correremos o risco de nos autogloriarmos. Gloriemo-nos apenas no Senhor (v.17). O líder realmente chamado por Deus não precisa louvar a si mesmo; o próprio Senhor o fará (v.18).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
Respeitar os limites alheios é uma atitude indispensável a um líder. Todo líder deve conhecer a medida certa de suas ações.

II. AS MARCAS DE UM VERDADEIRO LÍDER (11.2-15)

1. O compromisso de Paulo diante da igreja e de Deus (vv. 2-4). Paulo deixa claro que recebeu do próprio Deus sua autoridade apostólica, a fim de edificar, e não dominar, a Igreja de Cristo. Entretanto, os coríntios, influenciados pelos falsos apóstolos, que agiam na ausência de Paulo, demonstravam superficialidade no conhecimento das coisas espirituais (v.4). O fato decepcionou o apóstolo, pois ele tinha por objetivo prepará-los para apresentá-los “como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (v.2).
2. Paulo se interessa, antes de tudo, pelo bem-estar espiritual da igreja (vv. 5-15). A postura de Paulo de não depender financeiramente da igreja de Corinto, foi utilizada injustamente pelos falsos apóstolos para acusá-lo de não ser ele um apóstolo verdadeiro (vv.5-11). Por sua vez, Paulo afirma que os irmãos da Macedônia (e outras igrejas) haviam-no socorrido em suas necessidades (vv.8,9). O apóstolo dos gentios assim procedeu, a fim de não dar ainda mais ocasião para os seus oponentes o acusarem (v.12).
Naturalmente, é responsabilidade das igrejas sustentar seus pastores. Aquelas congregações, contudo, ainda não tinham condições de assumir tal responsabilidade. Nos versículos 13 e 15, Paulo fica tão irritado com os falsos apóstolos que, para desmascarar-lhes a dissimulação, utilizou a figura de Satanás que, conforme reafirma, disfarça-se até de anjo de luz. É o que faziam os falsos apóstolos.
3. Paulo colocou o ato de servir acima dos interesses pessoais (vv.16-33). Paulo expõe, agora, todos os seus sofrimentos físicos e emocionais por amor a Cristo: fome, sede, nudez, açoites, prisões, naufrágios, ameaças e perigos incontáveis. Ele não somente se identificava com aqueles a quem servia, como também por estes interessava-se, a fim de que fossem beneficiados com o Evangelho. Seu amor pelas igrejas de Cristo dava-lhe forças para seguir em sua missão apostólica (v.28). Era um homem de Deus que se identificava com o rebanho de Cristo em todas as situações (v.29).

SINOPSE DO TÓPICO (2)
O líder autêntico coloca o ato de servir acima dos interesses pessoais.

III. PAULO, UM LÍDER SEGUNDO A VONTADE DE DEUS

Indiscutivelmente, Paulo foi um líder que demonstrou ampla competência para o exercício do seu ministério. Cada igreja, estabelecida por ele, tinha características próprias e exigia dele habilidades específicas, a fim de lidar com situações bastante particulares. Foi o que o apóstolo demonstrou no trato com os coríntios. Servindo-os humildemente, como fez o Senhor Jesus durante o seu ministério terreno, e externando-lhes um amor que só o verdadeiro líder chamado por Deus possui, demonstrou-lhes ser, realmente, um apóstolo chamado por Cristo Jesus, a fim de levar o Evangelho aos gentios até aos confins da terra.
Paulo aprendera com Jesus: o servir é uma das características mais marcantes de um obreiro. O servir, aliás, é o verdadeiro padrão de liderança neotestamentária. É hora de nos apresentarmos como leais servidores a serviço do Rei. Quem não está pronto a servir jamais estará apto para o Reino de Deus.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
O padrão bíblico requer que os líderes aprendam a desenvolver atitudes de parcerias, de compartilhamento com seus liderados.

CONCLUSÃO

Que exemplo nos deixou o apóstolo Paulo! Sua liderança não foi estabelecida por homem algum, mas por Deus. Portanto, ele sabia que no Reino de Deus só há uma alternativa para aqueles que amam a Cristo e a sua Igreja: servir, servir e servir. Não foi exatamente isso que fez o Senhor durante o seu ministério terreno? Por que agiríamos de forma diferente?

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Bibliológico

“O status apostólico de Paulo (11.5,6)
[...] Os falsos apóstolos estavam pondo-se em evidência como ‘superapóstolos’ (‘os mais excelentes apóstolos’, 2 Co 11.5), humilhando Paulo. Mas Paulo não aceitava as afirmações que eles faziam. Pode ser que fossem oradores bem treinados, aptos a impressionar as pessoas com o vocabulário e o estilo. [...] Embora Paulo fosse treinado como rabino sob as orientações de Gamaliel (At 22.3), ele não fora treinado no estilo grego de oratória artificial e extravagante. Paulo tinha algo mais importante. Tinha ciência ou conhecimento de Deus que eles não tinham, como bem sabiam os crentes coríntios. Paulo havia demonstrado isto em tudo’, ou seja, dando-lhes ensinamentos poderosos e ungidos em linguagem clara ? não na ‘lógica’ enganosa e na retórica superficial dos falsos apóstolos. A verdade é mais importante que o estilo ou ‘carisma’ do orador. Paulo recusa aceitar pagamento (11.7-12) [...] Ele retoma novamente o fato de que pregou o Evangelho em Corinto ‘de graça’ (veja 1 Co 9). Naqueles dias, até nas universidades os estudantes remuneravam diretamente o professor. É provável que os oponentes de Paulo disseram que o fato de ele não receber contribuições era evidência de que o ensino era de pouco valor e que ele não era verdadeiro apóstolo” (HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. RJ: CPAD, 2003, pp.240-41).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico

“O Exemplo de Paulo ao Líderes
[...] Como um exemplo para os outros líderes, Paulo demonstrou:
o Humildade e compaixão ? Apesar de ser perseguido por seus irmãos judeus, Paulo serviu ‘ao Senhor com toda a humildade e com muitas alegrias’ (At 20.19). Ninguém poderia questionar sua dedicação ao Senhor e ao seu povo. É impossível fazer este tipo de afirmação a menos que seja absolutamente verdadeira.
o Ensinos e pregações fiéis ? Paulo falou publicamente na escola de Tirano, compartilhando tudo aquilo que pudesse ajudar no crescimento e no fortalecimento da fé cristã dos efésios. No entanto, também ensinava de casa em casa, aparentemente dedicando tempo à família de cada líder (At 20.20).
o Um ministério evangelístico ? Paulo pregava as Boas Novas da graça de Deus a todos aqueles que quisessem ouvir ? tanto judeus quanto gentios ? encorajando-os a abandonar o pecado e a colocar a sua fé no Senhor Jesus Cristo (At 20.21).
o Um ministério de discipulado ? Paulo não somente pregou as Boas Novas da graça de Deus, mas também, à medida que as pessoas respondiam com arrependimentos e fé, ensinava estes novos crentes a viver como verdadeiros cristãos (At 20.27).
o Motivos puros ? Paulo nunca se aproveitou materialmente destes novos crentes. Neste sentido, ele era um grande exemplo para os líderes. Ele às vezes supria sozinho as suas próprias necessidades, bem como as de seus companheiros missionários (At 20.33-35).
o Ter responsabilidade ? Paulo advertiu sobre a necessidade de vigiarem e cuidarem de si mesmos quanto um dos outros.
o Vigiar ? Paulo adverte-os, dizendo: ‘Olhai, pois… por todo o rebanho’ ? incentivando-os a administrarem bem a igreja como um todo (At 20.28).
o Pastorear ? Paulo conclama os pastores a ‘apascentarem a igreja de Deus’ ? a cuidarem dos fiéis e certificarem-se de que eles não estejam se deixando enganar por falsos mestres e profetas enganadores, que ele chama de ‘lobos cruéis’ (GETZ, Gene A. Pastores e Líderes: O Plano de Deus Para a Liderança da Igreja. RJ: CPAD, 2004, pp.105-6).

VOCABULÁRIO

Aferição: Ação ou efeito de medir, avaliar.
Autogloriar: Gloriar em si mesmo.
Neotestamentário: Relativo ao Novo Testamento

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

GLOUD, Henry. 9 Coisas que um Líder Deve Fazer. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.
GETZ, Gene A. Pastores e Líderes: O Plano de Deus para a Liderança da Igreja. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2004.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 41

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. Mencione os três principais personagens que se destacam nos quatro últimos capítulos da epístola de 2 Coríntios.
R. O apóstolo, os opositores e os coríntios.

2. Qual era a postura de Paulo em relação a depender financeiramente da igreja?
R. Paulo trabalhava para não ser pesado a ninguém.

3. Descreva alguns dos sofrimentos físicos e emocionais experimentados por Paulo.
R. Fome, sede, nudez, açoites, prisões, naufrágios, ameaças e perigos incontáveis.

4. Qual é o verdadeiro padrão de liderança neotestamentária?
R. Jesus.

5. Que exemplo você pode extrair da liderança de Paulo para a sua vida pessoal?
R. Resposta pessoal.

——————————————–

Lição 12

VISÕES E REVELAÇÕES DO SENHOR

TEXTO ÁUREO

“Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações
do Senhor”
(2 Co 12.1).

VERDADE PRÁTICA

As experiências espirituais são importantes, mas não devem ser o principal requisito para o reconhecimento ministerial de um obreiro.
HINOS SUGERIDOS 212, 491, 577

LEITURA DIÁRIA

Segunda At 9.3 Uma visão no caminho de Damasco
Terça At 16.9,10 Uma visão missionária
Quarta At 18.9 Uma visão de encorajamento
Quinta At 26.19 Obedecendo à visão divina
Sexta At 27.23,24 Visões e revelações em meio ao perigo
Sábado 2 Co 5.7 Andando por fé e não por vista

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Coríntios 12.1-4,7-10,12

INTERAÇÃO

Nesta lição, estudaremos a respeito das visões e revelações que o apóstolo Paulo recebeu do Senhor Jesus. Trataremos também sobre o seu “espinho na carne”. O objetivo de Paulo ao relatar suas experiências com Deus não era vangloriar-se. Ele já havia dado provas suficientes de sua humildade e nobreza de caráter. Sabemos que o propósito de toda provação não é a fraqueza ou humilhação do crente, mas sim o seu aperfeiçoamento, pois quando estamos fracos, buscamos a Deus com mais intensidade, permitindo que Ele nos preencha com seu poder.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Compreender que a glória maior de Paulo não está em sua biografia e sim no sofrimento padecido por causa do Evangelho.
Saber que nem a igreja nem crente algum pode depender de experiências sobrenaturais, como visões, revelações e arrebatamento de espírito para conhecer a vontade de Deus.
Explicar o paradoxo do gloriar-se nas fraquezas.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, as experiências são enriquecedoras. Selecione previamente alguns alunos e peça-os que em três minutos, no máximo, conte alguma experiência. Depois explique o caráter singular e individual das experiências pessoais, destacando que elas não podem se tornar padrão para a Igreja.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra-Chave
Experiência
Do lat. . Prova de cunho pessoal conferida pelo Senhor.

REFLEXÃO
“De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo”.
Apóstolo Paulo

Visões e revelações são experiências do campo das manifestações espirituais que não se constituem em doutrinas, mas são possíveis à vida do crente desde que estejam em conformidade com a Bíblia. Paulo vinha de um confronto onde os seus oponentes procuravam desacreditar seu ministério. Eles se vangloriavam de possuírem um conhecimento divino e uma espiritualidade superior à do apóstolo. Paulo se viu obrigado a responder que tinha ainda mais razões do que eles para orgulhar-se, mas não faria isso. Preferia gloriar-se em relação às suas fraquezas, as quais o poder de Deus havia convertido em experiências gloriosas (12.9,10).

I. A GLÓRIA PASSAGEIRA DE SUA BIOGRAFIA (VV.11-33)

1. A glória maior de Paulo não está em sua biografia, e sim no sofrimento padecido por causa do Evangelho. O texto deste tópico evidencia que, somente por causa da atitude dos seus oponentes, o apóstolo se vê obrigado a dar-lhes uma resposta, relatando suas experiências de sofrimento. A prova de que não há nenhuma postura de autoexaltação, é que no versículo 30, ele diz: “Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza”.
2. Paulo se opõe à arrogância dos judeus-cristãos. Visto que os “superapóstolos” se orgulhavam de sua herança abraâmica e de suas realizações, Paulo mostra a esse grupo que, se este for o critério, ele tinha muito mais razões para vangloriar-se (22).
3. Paulo responde contrastando os falsos mestres. No versículo 23, ele contesta aqueles falsos mestres, que se diziam “ministros de Cristo”, ao declarar que tinha razões muito mais profundas para assim ser considerado. Não só pelas experiências físicas (listadas nos vv.23-29), mas também as espirituais que teve com Cristo, a exemplo da relatada por ele no capítulo 12.

SINOPSE DO TÓPICO (1)
A glória maior de Paulo não está em sua biografia e sim no sofrimento padecido por causa do Evangelho.

II. A GLÓRIA DAS REVELAÇÕES E VISÕES ESPIRITUAIS (12.1-4)

1. Visões e revelações do Senhor (12.1). Paulo admite que não convém gloriar-se, mas como os adversários recorriam a supostas experiências de caráter espiritual, ele então apela a uma das suas experiências. Por ser a igreja coríntia propensa à supervalorização do sobrenatural (1 Co 14), os falsos apóstolos (que se autojulgavam superespirituais) acabaram ganhando a sua simpatia. A fim de demonstrar que até neste aspecto teria razões para se envaidecer, o apóstolo dos gentios passa a falar das “visões e revelações do Senhor”. Não se trata de algum tipo de alucinação nem qualquer distúrbio emocional. São experiências sobrenaturais que permitem a um ser humano ver algo que outros não podem ver. Note que o texto afirma que tais visões e revelações vêm do Senhor, ou seja, Ele é a causa e a fonte de tal experiência. O apóstolo deixa isso claro ao referir-se a si mesmo na terceira pessoa.
2. O “Paraíso” na teologia paulina (12.2-4). Na teologia de Paulo, o “paraíso” é um lugar celestial onde os santos desfrutam da comunhão com Deus. Esse lugar é a habitação dos santos que morreram, tanto do Antigo como do Novo Testamento, e que aguardam a ressurreição de seus corpos (Lc 16.19-31; 23.43; 1 Co 15.51,52). O apóstolo revela essa experiência singular e sobrenatural e não consegue explicar se ela deu-se Ågno corpo ou fora do corpoÅh, ou seja, ele ficou em uma dimensão ininteligível e inexplicável para os padrões humanos.
3. A atualidade das experiências espirituais. O Espírito de Deus pode trabalhar e revelar a vontade divina através de sonhos e visões. Entretanto, essas experiências não são uma regra doutrinária para dirigir a igreja e nem mesmo a vida de uma pessoa. São meios que só podem ser autênticos quando não se chocam com a Palavra de Deus. Por isso, o crente não pode viver à mercê de visões e revelações para praticar o cristianismo. Nem a igreja, nem crente algum dependem exclusivamente de experiências sobrenaturais, como visões, revelações e arrebatamento de espírito para conhecer a vontade de Deus. Ainda que tais experiências não estejam proibidas, devemos levar em conta sempre a completa revelação da Palavra de Deus. É preciso ter cuidado com a presunção de alguns em fazer viagens ao paraíso, seja comandada por homens seja por anjos, pois tais “experiências” na maioria das vezes constitui-se em fraudes espirituais.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
O Espírito de Deus pode trabalhar e revelar a vontade divina através de sonhos e visões.

REFLEXÃO
“Paulo considerava como maior glória para si os seus sofrimentos, enfermidades, prisões, açoites, fomes e perseguições”.

III. A GLÓRIA DOS SOFRIMENTOS POR CAUSA DE CRISTO (12.7-10)

1. O espinho na carne (12.7,8). Essa expressão de Paulo referia-se a um tipo de sofrimento que lhe foi imposto por causa das revelações, a fim de ele não se ensoberbecer. Tem havido várias interpretações, na maioria especulativas, acerca do “espinho na carne”. Entretanto, uma interpretação que prevalece com aceitação maior entre os estudiosos e exegetas bíblicos é de que “o espinho na carne” que atormentava a Paulo refere-se a uma enfermidade física. O que se subentende é que esse “espinho na carne” o atormentava como um “aguilhão”, que o fisgava o tempo todo. O que Paulo deixa transparecer fortemente é que não podia evitar esse sofrimento e que a força de superação de tal flagelo vinha do Senhor, que o confortava (vv.9,10).
2. Paulo reafirma que se gloria na fraqueza (12.10). Paulo considerava como maior glória para si os seus sofrimentos, enfermidades, prisões, açoites, fomes e perseguições. Mesmo não querendo nivelar-se aos oponentes judeus-cristãos (vangloriando-se), ele entende ser necessária uma resposta, a fim de que a igreja de Corinto avalie seu comportamento em relação ao dos rebeldes (11.16-30).
3. A explicação do paradoxo do gloriar-se nas fraquezas (12.9,10). Em uma mente carnal, sofrimento é algo que humilha, que degrada. Não se vê nenhuma glória em sofrer, no entanto, Paulo ensina que o sofrer se constitui num degrau para chegar-se à presença de Deus. Na mente dos coríntios (corrompida pelos ensinamentos deturpados), os verdadeiros apóstolos deveriam ser conhecidos por suas palavras convincentes e carisma. Paulo parece não possuir nenhum desses requisitos ou “dons naturais”. Entretanto, seu testemunho, experiências, escritos e fala continham autoridade espiritual. Ele preferia gloriar-se nos sofrimentos, pois sua fraqueza é a condição mais apropriada para a demonstração da graça poderosa do Senhor.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
Paulo ensina que o sofrer se constitui num degrau para chegar à presença de Deus.

CONCLUSÃO

Ao escrever sobre as suas fraquezas, Paulo tinha a intenção de glorificar a Deus, porquanto somente Ele é capaz de aperfeiçoar seu poder através da fragilidade humana.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Bibliológico

“Arrebatado até ao terceiro céu (12.2)
Esta passagem tem causado especulações incalculáveis. Acredita-se que Paulo fez uso da terceira pessoa, para evitar qualquer insinuação de que ele tenha recebido crédito pessoal pelas visões ou revelações que lhe são dadas (12.1). A menção ao “terceiro céu”, normalmente, é compreendida como assumindo uma cosmologia que encara a atmosfera da terra como um primeiro céu; o campo dos corpos celestiais como um segundo; e o campo espiritual, habitado por Deus e seus anjos, como o terceiro. [...] Uma vez que o Novo Testamento não se pronuncia sobre o assunto, parece inútil especular a respeito da cosmologia de Paulo. Mas a insinuação permanece. Ele foi arrebatado a um campo acessível somente por Deus. A incerteza de Paulo, quanto ao fato de que esta visão possa ter sido recebida no corpo ou fora dele (12.3), foi citada por aqueles que argumentam a favor da “projeção astral”, fenômeno no qual se assume que a alma deixa o corpo vivo. Estes parênteses dificilmente apóiam esta teoria. Paulo simplesmente está dizendo que, embora a visão fosse real, não sabe se esteve ou não fisicamente presente naquele paraíso, onde vivenciou tais maravilhas, e ouviu coisas que até aquele momento era incapaz de revelar” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. RJ: CPAD, 2007, p.391).

VOCABULÁRIO

Sem ocorrências

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007.
HORTON, Stanley. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 42

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. O que é o paraíso segundo a teologia paulina?
R. É um lugar celestial onde os santos comungam com Deus.

2. A que se refere a expressão espinho na carne?
R. Refere-se a um tipo de sofrimento.

3. Qual era o propósito do espinho na carne de Paulo?
R. Para que ele não se ensoberbecesse diante das revelações e visões.

4. Qual era a intenção de Paulo ao chamar a atenção dos coríntios para seus sofrimentos?
R. O sofrer constitui-se num degrau para chegar-se à presença de Deus.

5. Qual a mensagem principal que você extraiu da epístola de 2 Coríntios?
R. Resposta pessoal.

__________________________________
Lição 13

SOLENES ADVERTÊNCIAS PASTORAIS

TEXTO ÁUREO

“Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos”
(2 Co 13.5a).

VERDADE PRÁTICA

Uma das responsabilidades pastorais é disciplinar a igreja com amor, a fim de que esta desenvolva-se espiritualmente sadia.
HINOS SUGERIDOS 298, 305, 340

LEITURA DIÁRIA

Segunda Rm 12.16 “Sede unânimes”
Terça Rm 15.1 Suportai as fraquezas dos fracos
Quarta Fp 2.3 “Nada façais por contenda”
Quinta Fp 4.4 “Regozijai-vos, sempre, no Senhor”
Sexta Cl 3.1 “Buscai as coisas que são de cima”
Sábado Cl 4.6 “A vossa palavra seja sempre agradável”

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Coríntios 12.19-21; 13.5,8-11

INTERAÇÃO

Professor, chegamos ao final de mais um trimestre. A conclusão de uma etapa é sempre um bom momento para se fazer uma avaliação. Paulo, ao concluir a Segunda Epístola aos Coríntios também convida os crentes para uma auto-avaliação: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos” (13.5). O apóstolo exorta a todos para que façam exames espirituais periódicos a fim de ver se ainda estavam na fé. Havia na igreja um grupo que exigia “provas” de que Cristo falava por Paulo (2.13.3), agora é Paulo quem exige que eles se examinem e provem se estão vivendo mediante a fé em Cristo Jesus. Que você possa seguir triunfante o caminho da fé e conduzir seus alunos neste caminho, que levará até o Céu.

TEMAS O QUE APRENDEMOS
Provas Paulo experimentou grande sofrimento, perseguição e oposição em seu ministério. Deus é fiel. Seu poder é suficiente para nos capacitar a enfrentar qualquer dificuldade.
Disciplina Paulo defende seu papel na disciplina da igreja. Nenhuma imoralidade nem qualquer falso ensino deveriam ser ignorados. A meta de toda disciplina na igreja deve ser a correção, não a vingança. Devemos agir com amor em todas as situações.
Esperança Para encorajar os coríntios em meio às provações, Paulo os lembrou de que receberiam novos corpos no céu. Receberemos novos corpos. Nosso serviço fiel resultará em triunfo.
Sã Doutrina Os falsos mestres desafiaram o ministério e a autoridade de Paulo como apóstolo. A sinceridade de Paulo, seu amor a Cristo e sua preocupação com as pessoas eram sua defesa. Nossa motivação em servir ao Senhor e ensinar sua Palavra está no nosso amor a Ele.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Refletir a respeito da firmeza e determinação do apóstolo Paulo.
Compreender que o objetivo da disciplina na igreja é edificar moral e espiritualmente as pessoas, e não destruí-las.
Saber que o amor fraternal deve prevalecer na vida do cristão autêntico.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Para a finalização do trimestre, reproduza o quadro da página ao lado. Utilize-o ao concluir a lição. Mostre aos seus alunos os principais temas encontrados na segunda epístola aos Coríntios. Conclua perguntando à classe o que aprenderam de mais significativo durante o trimestre e que gostariam de relatar à turma. .

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Palavra-Chave
Advertência
Ato de admoestar, aviso, conselho.

Nos capítulos finais desta segunda epístola, Paulo conclui a defesa de sua autoridade apostólica com uma série de advertências à igreja de Corinto e a prepara para a sua terceira visita pastoral. Na primeira visitação, ele a estabeleceu; na segunda, teve uma experiência dolorosa (2.1; 7.12). Agora, porém, apronta-a para uma visita conciliadora e, ao mesmo tempo, disciplinar (13.1,2). Sua responsabilidade pastoral era muito grande, por isso, esforçava-se para solucionar as dúvidas e consolidar a fé dos santos que viviam em Corinto.

I. PREOCUPAÇÕES PASTORAIS DE PAULO (12.19-21)

1. Defender seu apostolado em Cristo (v.19). Paulo, mais uma vez, deixa claro que sua intenção não é se justificar diante de seus acusadores, mas defender seu ministério perante o Senhor que havia lhe chamado. Sua defesa, portanto, tinha por objetivo provar à igreja que Deus era o seu Juiz, e sua comunhão com Cristo dava-lhe autoridade para pregar e representá-Lo na terra.
2. O temor de Paulo em relação à igreja de corinto (v.20). O apóstolo afirma aos coríntios: “Porque receio que, quando chegar, vos não ache como eu quereria” (v.20). A expressão indica sua preocupação com a igreja, pois alguns crentes achavam-se em falta diante da congregação e diante de Deus. Como poderia ele, sendo apóstolo e líder espiritual daquele rebanho, deixar as ovelhas sem a ministração da Palavra de Deus? Por que ele deixaria de usar sua autoridade apostólica em Cristo? Paulo estava ciente de que não podia, como pastor, deixar de tratar os pecados que haviam comprometido a qualidade espiritual daquele rebanho.
Portanto, ele toma atitudes disciplinares severas com relação aos seus membros, a fim de que por ocasião de seu retorno à igreja não encontrasse os mesmos problemas.
3. A situação da igreja de Corinto (v.20,21). Os pecados que destruíam os alicerces dos coríntios tinham de ser eliminados: pendências judiciais, invejas, iras, porfias, difamações, mexericos, orgulhos, tumultos, imundícia, prostituição e desonestidade. Tudo isso evidenciava o quê? Eles ainda não estavam andando plenamente no Espírito.
Lendo a lista acima, nem parece tratar-se de uma igreja com tantos dons. Contudo, isso significa que a espiritualidade de uma igreja não pode ser avaliada pela quantidade de dons, mas pelo seu caráter e amor a Deus e ao próximo. Tais pecados estavam corrompendo os bons costumes, anulando a ética cristã e promovendo dissensões e divisões entre os santos. A disciplina de Paulo parece dura, no entanto, é amorosa, uma vez que ele menciona sua tristeza e frustração por aqueles que, porventura, não se arrependessem (v.21).

SINOPSE DO TÓPICO (1)
A defesa de Paulo tinha por objetivo provar à igreja que Deus era o seu Juiz, e que a sua comunhão com Cristo dava-lhe autoridade para falar e representá-lo na terra.

II. O PROPÓSITO DA DISCIPLINA DA IGREJA POR PAULO (12.21; 13.2-4)

1. Promover a paz e o arrependimento dos pecadores (vv.12.21; 13.2). Paulo deseja fortalecer a fé e desenvolver o amadurecimento espiritual da igreja de Corinto. Para levar os pecadores ao arrependimento, teria de ser rigoroso em sua repreensão. Os problemas de ordem moral exigiam uma postura firme do apóstolo. Caso contrário, as ações diabólicas para destruir a igreja não seriam neutralizadas.
2. Afirmar o caráter cristão de seu apostolado (13.2,3). Considerando que seu apostolado tinha sido concedido pelo Senhor Jesus e que este era seu modelo de líder-servidor, nada mais coerente do que a postura rígida de Paulo contra os pecadores impenitentes. Assim como o Senhor Jesus agia com esses (Mt 23.13-33), o apóstolo também deveria agir, a fim de que os crentes em Corinto pudessem constatar o poder de Cristo em seu ministério.
A Bíblia afirma que o Senhor disciplina aos seus amados filhos, portanto, a correção dos pecados daquela igreja pelo apóstolo revelava o amor que ele, em Cristo, nutria por aqueles crentes.

SINOPSE DO TÓPICO (2)
Os problemas de ordem moral exigiam uma postura firme. Caso contrário, as ações diabólicas para destruir a igreja não seriam neutralizadas.

III. ALGUMAS RECOMENDAÇÕES FINAIS (VV.5-11)

1. Paulo encerra sua carta com uma advertência (13.5). O apóstolo recomenda aos crentes que examinem-se e provem-se, a fim de verificarem se Jesus Cristo, de fato, habita neles.
Até o momento Paulo vinha defendendo seu ministério e sua fé, no entanto, agora, ele resolve testar os cristãos daquela igreja ao admoestá-los que realizem um autoexame. Ora, se Cristo verdadeiramente habita neles, não correm o risco de serem reprovados (v.5). Essa certeza é alimentada pela presença imanente de Cristo em suas vidas. Se não estão reprovados perante o Senhor, não há o que se duvidar da autenticidade do ministério apostólico de Paulo.
Paulo sabe que os fiéis não temerão uma autoavaliação e espera que, assim como reconheceram sua fé em Cristo, sejam capazes de reconhecer o relacionamento sincero e fiel dele com Cristo.
2. Paulo encerra sua carta com um desejo (13.7-9). Ele deseja que aqueles cristãos sejam aprovados nessa autoavaliação. Nesses versículos, o apóstolo demonstra que não pensava em sua própria aprovação, mas no bem estar espiritual da igreja. O desejo sincero de Paulo é evidente: “e o que desejamos é a vossa perfeição” (v.9).
3. Últimas recomendações (13.11). Parece contraditório regozijar-se após tantas advertências, mas eles deveriam estar felizes por serem disciplinados, porque isso revelava o amor de Deus Pai (Hb 5-11).
Paulo também recomenda que os coríntios busquem a maturidade cristã, a fim de que não sejam enganados por falsos mestres.
A expressão “sede consolados” quer dizer “sede encorajados”. O apóstolo desejava que sua carta servisse de motivação para a mudança de comportamento dos crentes daquela igreja. Por último, ele admoesta-os a serem de um mesmo parecer e a viverem em paz. Isto é, todos deveriam estar comprometidos com a verdade do Evangelho e unidos em prol da manutenção desse compromisso.

SINOPSE DO TÓPICO (3)
A disciplina deve ter sempre, como objetivo, edificar moral e espiritualmente as pessoas, e não destruí-las.

CONCLUSÃO

Após tantas defesas, advertências e recomendações severas, Paulo encerra sua carta usando um tom mais ameno e suave. O apóstolo enfatiza a síntese do evangelho mediante a gloriosa bênção trinitariana: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos” (2 Co 13.13). Que esta segunda carta aos coríntios possa produzir em cada crente uma reflexão a respeito de seu ministério, a fim de que possamos declarar como Paulo: “Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas” (2 Co12.15).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Doutrinário

“A Bênção Apostólica
1. Ele apresenta diversas exortações úteis. (1) Que fossem perfeitos ou estivessem unidos em amor, o que serviria grandemente para a vantagem deles como igreja ou sociedade cristã. (2) Que fossem consolados diante de todo sofrimento e perseguição que pudessem enfrentar por amor a Cristo, ou qualquer calamidade e desapontamento que pudessem encontrar neste mundo. (3) Que fossem de um mesmo parecer, o que ajudaria grandemente em relação ao consolo deles. Quanto mais afáveis formos com nossos irmãos maior será a tanquilidade em nossa alma. O apóstolo queria que dentro do possível tivessem a mesma opinião e parecer. No entanto, se isso não pudesse ser alcançado: (4) Ele os exortava a viverem em paz. A diferença de opinião deveria causar uma alienação de sentimentos ? que vivessem em paz entre eles. Ele desejava que todas as divisões entre eles sejam curadas, que não haja mais contendas e iras entre eles e que evitem pendências, invejas, detrações, mexericos e outros inimigos da paz.” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento. RJ: CPAD, 2008, pp. 543-44).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico

“A Bênção Apostólica
Uma despedida. Ele transmite um adeus e se despede deles naquele momento, com calorosos votos em relação ao bem-estar deles. Para isso:
Ele apresenta diversas exortações úteis. (1) Que fossem perfeitos ou estivessem unidos em amor, o que serviria grandemente para a vantagem deles como igreja ou sociedade cristã. (2) Que fossem consolados diante de todo sofrimento e perseguição que pudessem enfrentar por amor a Cristo, ou qualquer calamidade e desapontamento que pudessem encontrar neste mundo. (3) Que fossem de um mesmo parecer, o que ajudaria grandemente em relação ao consolo deles. Quanto mais afáveis formos com nossos irmãos maior será a tanquilidade em nossa alma. O apóstolo queria que dentro do possível tivessem a mesma opinião e parecer. No entanto, se isso não pudesse ser alcançado: (4) Ele os exortava a viverem em paz. A diferença de opinião deveria causar uma alienação de sentimentos ? que vivessem em paz entre eles. Ele desejava que todas as divisões entre eles sejam curadas, que não haja mais contendas e iras entre eles e que evitem pendências, invejas, detrações, mexericos e outros inimigos da paz.
Ele os anima com a promessa da presença de Deus entre eles: ‘… o Deus de amor e de paz será convosco’ (v. 11). Deus estará com aqueles que vivem em amor e paz.
Ele dá orientações para saudarem-se mutuamente e envia calorosas saudações daqueles que estavam com ele (v. 12). Ele deseja que testifiquem do amor de uns pelos outros pelo rito sagrado de um beijo de caridade, que era usado na época, mas que há muito deixou de ser costume, para evitar toda ocasião de libertinagem e impureza, no estado mais degenerado e decadente da igreja” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento. RJ: CPAD, 2008, pp. 543,544).

REFLEXÃO
“Pouco importando o quão fraco, tímido ou humilde Paulo parecesse ser na presença dos coríntios, ele não teve de enfrentar destemidamente ou usar métodos e armas que o mundo usa. Quando o Espírito o ungiu, ele tinha armas ‘poderosas em Deus’ para destruir as fortalezas inimigas. Estas armas são o Espírito e a Palavra”.
Stanley Horton

VOCABULÁRIO

Sem ocorrências

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e suas Soluções. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2008.

SAIBA MAIS
Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 41, p. 42

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. De acordo com a lição, como Paulo defende seu apostolado?
R. Paulo defende seu apostolado afirmando que o fazia “em Cristo e diante de Deus” (v.19).

2. De acordo com o tópico II da lição, qual era o objetivo da defesa de Paulo?
R. Paulo tinha como propósito fortalecer a fé e aumentar o proveito espiritual da igreja em Corinto.

3. Qual era a situação de Corinto?
R. A igreja de Corinto estava cheia de pecados, tais como: invejas, porfias, orgulhos, prostituição.

4. Com que advertência Paulo conclui sua carta?
R. Paulo recomenda aos crentes que examinem-se e provem-se, a fim de verificarem se Jesus Cristo habita neles.

5. Mencione as últimas recomendações de Paulo à igreja.
R. Regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de paz será convosco.

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