O “Apocalipse”
O Livro da Revelação
Índice
O significado do Apocalipse e o interesse nele.
- O Autor.
- O tempo, o lugar e o objetivo de se escrever o Apocalipse.
- O conteúdo, o plano e o simbolismo do Apocalipse.
- Cartas às Sete Igrejas (caps. 2-3).
- A visão da Liturgia Celestial (caps. 4-5).
- A remoção dos sete selos e a visão dos quatro cavalheiros (cap. 6).
- As sete trombetas, a marcação dos escolhidos e o início das calamidades (caps. 7-11).
- Os sete sinais, a Igrejae o reino da besta (caps. 12-14).
- Sete pragas, o fortalecimento do poder dos ateus, e o julgamento dos pecadores (caps. 15-17).
- O julgamento contra Babilônia, O anti-cristo e o falso profeta (caps. 18-19).
- O reinado de mil anos, O julgamento do diabo, A ressureição e o último julgamento (cap. 20).
- A nova terra, eterna beatitude (caps. 21 e 22).
- Tabelas das cartas às Sete Igrejas.
15. O Plano do Apocalipse
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1. O significado do Apocalipse e o interesse nele.
O Apocalipse (“apocalipses,” em Grego, significa revelação) de São João, O Teólogo, é o único livro profético no Novo Testamento. Ele nos prediz o inevitável destino da humanidade, o fim do mundo, e o começo de uma eterna vida, e é, portanto, naturalmente colocado no final da Sagrada Escritura.
O Apocalipse é um livro misterioso e sua compreensão é difícil. Ao mesmo tempo, é esse caráter misterioso do livro que atrai o interesse dos cristãos, bem como dos simples pensadores, esforçando-se para desvendar o significado das visões nele descritas. Há um grande número de livros sobre o Apocalipse, dentre os quais podem-se achar coisas absurdas, especialmente naqueles relacionados à nossa literatura atual.
Não deixando de se preocupar com a dificuldade em entender esse livro, nossos iluminados Pais e Professores da Igreja sempre o trataram com grande reverência como um livro inspirado por Deus. Portanto, São Dionísio de Alexandria escreve: “A escuridão deste livro não impede ninguém de impressionar-se com ele. E mesmo que eu não entenda tudo o que está escrito nele, isso se dá pela minha incapacidade. Eu não posso ser o juiz de suas verdades ou medir a pobreza de minha mente, sendo guiado mais pela fé do que pelo entendimento. Ele supera o meu entendimento. ” O Beato Jerônimo expressou-se da mesma maneira em relação ao Apocalipse: “ Nele há mais mistérios do que palavras. Mas, o que eu estou dizendo? Cada linha deste livro será benéfica ao mundo. ”
O Apocalipse não é lido durante a Liturgia porque nos tempo antigos a leitura da Sagrada Escritura era sempre seguida de sua explicação, mas o Apocalipse é muito complexo para ser explicado.
2. O Autor.
O autor do Apocalipse refere-se a si mesmo com João (Rev. 1:1, 4 e 9, e 22:8). Na opinião dos Santos Pais da Igreja, ele era o Apóstolo João, o amado discípulo de Cristo, que recebeu a denominação de “Teólogo” em função da extensão de seus estudos concernentes à Palavra de Deus. A autoria do Apocalipse é baseada em fatos relatados no próprio Apocalipse, bem como em muitos sinais externos e internos. Um dos Evangelhos pertence à pena inspirada de João e também três epístolas às Igrejas. O autor do Apocalipse localiza a si mesmo na Ilha de Patmos “para a Palavra de Deus e Testemunho de Jesus Cristo” (Rev. 1:9). É conhecido na História da Igreja que João foi o único apóstolo sujeito ao encarceramento nesta ilha.
A prova da autoria do Apocalipse por São João o Teólogo está na similaridade deste livro com o Evangelho e as Epístolas, similaridade não apenas em espírito,mas também no estilo de escrever, especialmente em certas expressões características. Portanto, por exemplo, o Sermão Apostólico é referido como aqui como “Testemunho” ou “ Testamento” (Rev. 1:2-9; 20:4; veja também João 1: 7; 3:11; 21:24; 1João 5:9 -11). Nosso Senhor Jesus Cristo é citado como “A Palavra” (Rev. 19:13 e João 1:1 — 14 e 1 João 1:1) e “ o Cordeiro” (Rev. 5. 6 e 17:14; veja também João 1:36). As palavras proféticas de Zacarias, “ Então eles olharão para mim, aquele a quem haviam transpassado” (Zac. 12:10), ambos no Evangelho e no Apocalipse são cotados da mesma maneira, de acordo com a tradução grega dos “Setenta” (Rev. 1:7 e João 19:37). Algumas diferenças podem ser vistas na linguagem entre o Apocalipse e outros escritos do Apóstolo João. Elas são explicadas como sendo diferenças do contexto e das circunstâncias de origem dos escritos sagrados do Apóstolo. São João, sendo judeu de nascimento, embora tivesse o domínio da língua grega, encontrava-se encarcerado e fora do ambiente em que se vivia e falava essa língua, naturalmente imprimindo no Apocalipse elementos de sua língua nativa. Isso revela-se ao autor não confundido do Apocalipse que reconhece em seu conteúdo total a marca do grande espírito de amor e contemplação do autor.
São João discípulo de São Papias de Hierápolis refere-se ao autor do Apocalipse como “João o mais velho,” justamente como o Apóstolo se autodenomina em suas epístolas (2 João 1:1 e 3 João 1:1). De grande importância é a opinião do mártir São Justino, que viveu em Éfeso antes de sua conversão ao cristianismo, onde o Apóstolo João também viveu, precedendo-o por alguns anos. Muitos Sagrados Pais do segundo e terceiro séculos valorizam o Apocalipse, como um livro inspirado por Deus e escrito por São João O Teólogo. Um destes foi São Hipólito, um Papa romano e estudante de Irineu de Lions, que escreveu uma apologia sobre o Apocalipse. Outros Pais da Igreja, posteriormente, estavam igualmente convencidos disto como São Efraim da Síria, Epiphanius, O Grande Basílio,Hillary, Athanasios, o Grande, Gregório o Teólogo, Didimos, Ambrósio de Milão, Augustino o Abençoado e Jerônimo o Abençoado. O trigésimo-terceiro cânon do Concílio de Cartago, atribuindo a autoria do Apocalipse a São João o Teólogo, coloca-o na lista dos livros canônicos da Sagrada Escritura. Especialmente de grande valor é o Testamento de Irineu de Lions sobre a autoria ser de São João o Teólogo porque São Irineu foi um estudante de São Policarpo de Smirna, que por sua vez foi estudante de São João o Teólogo, encabeçando, através de seu guiar apostólico, a Igreja de Smirna.
3. O tempo, o lugar e objetivo de se escrever o Apocalipse.
A Antiga Tradição coloca a datação do apocalipse no final do primeiro século. Por exemplo, São Irineu diz o seguinte: “ O Apocalipse não apareceu muito antes disto e quase em nosso tempo, no final do calendário de Dominiciano. ” O historiador Eusébio (no começo do quarto século) informa-nos que escritores pagãos contemporâneos mencionaram o exílio de São João em Patmos e seu testemunho da Palavra de Deus, sendo este evento contemporarizado no ano cinqüenta do calendário de Domiciano (81-96 D. C. ).
Portanto, o Apocalipse foi escrito no final do primeiro século, quando cada uma das sete igrejas da Ásia Menor às quais São João dirige as suas cartas tinham a sua própria história e, de uma maneira ou de outra, tinham determinado a direção de sua vida religiosa. O Cristianismo entre elas já não estava em seu estado original de pureza e verdade, e um pseudo-cristianismo tentava competir com o verdadeiro. Evidentemente, as atividades de São João, que havia passado um longo tempo rezando em Éfeso, simbolizavam um passado distante. Os escritores cristãos dos três primeiros séculos disputavam a designação do local em que o Apocalipse foi escrito, cujo conhecimento que eles tinham era o de ser a ilha de Patmos, mencionada pelo próprio Apóstolo como o lugar onde ele recebeu a revelação (Rev. 1:9-11). Patmos está localizada no Mar Egeu ao sul da cidade de Éfeso e na época representava um lugar de exílio.
Nas primeiras linhas do Apocalipse, São João indica o propósito da Revelação: predizer o destino da Igreja Cristã e do mundo todo. A missão da Igreja Cristã era reviver o mundo através dos sermãos de Cristo, plantar na alma humana a verdadeira fé em Deus, ensiná-lo a viver corretamente e mostrar-lhe o caminho para o Reino dos Céus. No entanto, nem todos receberam os ensinamentos de Cristo de boa vontade. Já dentre os primeiros dias após o Pentecostes, a Igreja encontrou hostilidade e uma consciência oposta ao Cristianismo, primeiramente através dos sacerdotes e escribas judeus e depois dos judeus e pagãos descrentes.
Mesmo durante este primeiro ano do Cristianismo, começou uma perseguição sangrenta aos pregadores do Evangelho. Vagarosamente, esses perseguidores organizaram-se de forma sistemática. Jerusalém tornou-se o primeiro centro na luta contra os cristãos. No início da metade do primeiro século, Roma, com o Imperador Nero (54-68 D. C. ) como seu líder juntou-se ao lado hostil. As perseguições então começaram em Roma, onde o sangue de muitos cristãos foi derramado, incluindo o dos eminentes apóstolos Pedro e Paulo. Mais para o final do primeiro século, a perseguição intensificou-se. O imperador Domiciano decretou a perseguição sistemática de cristãos, primeiramente na Ásia Menor depois em outras partes do Império Romano. São João o Teólogo, uma vez que escapou incólume de um barril de óleo fervente onde foi colocado, foi exilado por Domiciano na Ilha de Patmos, onde recebeu a revelação, que se referia ao destino da Igreja do mundo todo. Com poucas interrupções, a perseguição aos cristãos continuou até o ano de 313, quando o Imperador Constantino proclamou o Edito de Milão, permitindo a livre prática da religião.
Quando viram as perseguições começarem, o Apocalipse foi escrito pelos cristãos para consolar, ensinar e torná-los mais fortes. Ele encobre intenções secretas dos inimigos da Igreja, personificados na besta que emerge do mar (como representativo do hostil poder secular) e na besta que emerge da terra, o falso profeta (que representa a hostilidade do poder pseudo-religioso). Ele também escancara a maior luta da Igreja, a luta contra Satanás. Este dragão antigo molda as forças sem Deus da humanidade e as direciona contra a Igreja. No entanto, os sofrimentos daqueles que têm fé não são em vão. Através de sua lealdade a Cristo e de sua paciência, eles receberão a recompensa que lhes cabe por herança no Céu. No tempo designado por Deus, as forças hostis contra a Igreja deverão ser julgadas e punidas. Após o último julgamento e o julgamento dos ímpios, uma vida eternamente abençoada deverá começar.
O propósito de escrever o Apocalipse era retratar a batalha vindoura entre a Igreja e as forças do mal; mostrar os meios pelos quais Satanás, com a cooperação de seus escravos, declara guerra contra a bondade e a verdade, guiar os fiéis para evitar as tentações, retratar a perdição dos inimigos da igreja e mostrar o triunfo final de Cristo contra o mal.
4. O conteúdo, o plano e o simbolismo do Apocalipse.
O Apocalipse sempre direcionou a atenção dos cristãos para si mesmos, especialmente no tempo em que várias calamidades e tentações de força singular começaram a perturbar a vida na comunidade cristã. Adicionalmente, as imagens geradas e os mistérios deste livro o tornam de compreensão extremamente difícil, então há sempre um risco de intérpretes imprudentes desviarem para fora dos parâmetros da verdade os cristãos, colocando-lhes esperanças e crenças impossíveis. Por exemplo, o entendimento literal das imagens descritas no livro promove, ainda nos dias de hoje, motivo para o ensinamento do “chiliasma” o reino de mil anos de Cristo na Terra. Já no primeiro século, alguns cristãos interpretando o Apocalipse à luz dos horrores da perseguição, seguravam firmemente a crença de que os “Últimos dias” estavam em suas mãos e que a segunda vinda de Cristo estava próxima.
Durante os últimos vinte séculos, tem havido uma multidão dos mais variados tipos de interpretação do Apocalipse. Todas essas interpretações podem ser agrupadas em quatro classes. A primeira descreve as visões e símbolos do Apocalipse relacionados aos “Últimos Dias,” o fim do mundo, a emanação do anticristo e a segunda vinda de Cristo. A segunda atribui ao Apocalipse um significado puramente histórico e confina as suas visões a eventos históricos do primeiro século: a perseguição dos cristãos pelos imperadores pagãos. A terceira encontra a realização das predições do Apocalipse nos eventos históricos do tempo. Nesse tipo de interpretação, o Papa de Roma é o anticristo e todas as calamidades do Apocalipse emergem, na realidade, apenas contra a Igreja de Roma, e assim vai. Finalmente, a quarta vê o Apocalipse apenas como uma parábola, afirmando que as visões lá descritas não tem muito senso moral ou profético. Como devemos ver, esses pontos de vista do Apocalipse não excluem um ao outro, ao contrário, complementam-se.
O Apocalipse só pode ser entendido no contexto da Sagrada Escritura. O princípio de unir muitos eventos históricos em uma só visão profética é característico de muitas visões proféticas, no Antigo e no Novo Testamento. Em outras palavras, eventos espiritualmente relacionados, separados um do outro por séculos ou por milênios, emergem em uma figura profética, unindo elementos de variadas épocas.
Como um exemplo de uma síntese de eventos, alguém pode citar o discurso do Salvador sobre o fim do mundo. Nele, O Senhor fala simultaneamente sobre a destruição de Jerusalém, que só ocorreu trinta anos depois, e sobre o tempo que precede a segunda vinda (Mt 24, Mc 13, Lc 21). A razão para a unificação dos eventos consiste que o primeiro ilustra e explica o segundo. Em vários momentos, as profecias do Antigo Testamento relacionadas à destruição da Babilônia Caldéia falam simultaneamente da alienação durante o reinado do anticristo (Is. 13:14 e 21; Jer caps. 50 e 51). Há muitos exemplos similares nas profecias se os procurarmos e este método está sendo usado pela unidade da Igreja para ajudar a entender a essência dos eventos com base do que já sabemos sobre Ele, deixando de lado detalhes históricos e secundários que não nos explicam nada.
Como podemos ver, o Apocalipse é composto de visões múltiplas dispostas em camadas. A palavra representa o futuro em uma perspectiva do passado e do presente. Portanto, a tempo, as muitas bestas dos capítulos 13-19 e o próprio anticristo e seus predecessores, Epifanes Antióquio (vividamente descrito pelo profeta Daniel nos livros dos Macabeus) e os imperadores Nero e Domiciano (que perseguiram os apóstolos cristãos) são inimigos da Igreja.
As duas testemunhas de Cristo no capítulo 11, possivelmente Enoch e Elias, são os acusadores do anticristo, assim como são os seus protótipos, os Apóstolos Pedro e Paulo e outros pregadores do Evangelho que completaram a sua missão em um mundo hostil ao cristianismo. O falso profeta do capítulo 13 é a personificação de todos os propagadores de falsas religiões (Gnose, Heresias, Islamismo, materialismo, Hinduísmo, etc. ), dentre os quais os representantes mais vívidos seriam os anticristos atuais. Para entender porque o Apocalipse reúne diferentes eventos e várias pessoas em uma mesma imagem, devemos ter em conta o fato de que ele não foi escrito apenas para os contemporâneos, mas para os cristãos de todas as épocas, que suportam perseguições e sofrimentos correspondentes.
São João revela métodos comuns de sedução e mostra os meios para resistir a elas a fim de ser fiel a Cristo até a morte.
Similarmente, o Julgamento de Deus, repetido várias vezes no Apocalipse, é o último Julgamento de Deus, assim como haverá Julgamentos separados de Deus para cada nação e indivíduos. Estão incluídos neste julgamento toda a humanidade, durante o tempo de Noé e o julgamento das cidades de Sodoma e Gomorra, durante o tempo de Abraão e o julgamento do Egito durante o tempo de Moisés e o duplo julgamento da Judéia (600 A. C. e depois na sétima década D. C. ) e o julgamento de Nínive, de Babilônia, do Império Romano, Bizâncio, e; algo mais recente, da Rússia. As razões que provocam o julgamento justo de Deus são sempre as mesmas: a falta de lei e de fé das pessoas.
No Apocalipse há uma notável não sincronização de eventos: ele é acima do tempo e sobre o tempo. Isto se deve ao fato de São João contemplar o destino da humanidade de uma perspectiva divina, e não terrena, na qual foi elevado pelo Espírito Santo. No mundo ideal, o tempo pára e o olhar de Deus percebe simultaneamente o passado, o presente e o futuro. Evidentemente, esta é a razão para que o autor do Apocalipse descreva alguns eventos futuros como se eles já tivessem acontecido e alguns do passado como se fossem presente. Por exemplo, a guerra dos anjos e a expulsão de Satanás do céu, eventos que já ocorreram antes da criação do mundo, são descritos como se acontecessem na queda do cristianismo (Rev. cap. 12). No entanto, a ressurreição dos mártires e seu reino no Céu, que atravessa todo no Novo Testamento, é colocado por ele após o julgamento o anticristo e seu profeta (Rev. 20). Portanto, sua revelação misteriosa não é narrada de acordo com uma seqüência cronológica de eventos, mas ao invés disso revela uma grande guerra de Deus contra o mal, que emerge de várias frontes tocando angelicamente a matéria.
Indubitavelmente, algumas profecias apocalípticas já passaram (por exemplo, o destino das sete igrejas na Ásia Menor). Essas profecias cumpridas devem ajudar-nos a compreendermos melhor as que ainda irão se cumprir. No entanto, aplicando a visão apocalíptica a estes ou outros eventos específicos, devemos levar em conta que eles contém elementos de diversas épocas. É apenas com a conclusão do destino de todos os povos do mundo e com a punição da última criatura de Deus que as visões do Apocalipse serão totalmente realizadas.
O Apocalipse foi escrito por inspiração do Espírito Santo. A fé da humanidade é vagarosa e perde totalmente a visão espiritual, enquandrando-o na “fé” vigente, fazendo sua interpretação correta difícil. A devoção contemporânea às paixões pecaminosas explica porque alguns vêem nele apenas uma parábola e até começam a iniciar uma metáfora da segunda vinda de Cristo baseada nele. Os eventos históricos e individuais convencem-nos que isso é uma forma de cegueira, por isso muito do que acontece hoje nos relembra de suas terríveis visões.
O método de interpretar o Apocalipse é mostrado no diagrama em anexo. Como podemos ver, o Apóstolo simultaneamente abre várias esferas de sua existência. À mais alta esfera pertence o mundo angelical, a Igreja triunfante no Céu,e a Igreja perseguida na Terra. Encabeçando e dirigindo esta esfera de bondade está Nosso Senhor Jesus Cristo, O Filho de Deus e Salvador dos Homens. Abaixo, está a esfera da fraqueza, do mundo descrente, dos pecadores, dos falsos profetas, aqueles que lutavam conscientemente contra Deus (Teomachistas) e demônios. Dirigindo todos está o dragão, o anjo caído. Por toda a existência da humanidade estão em guerra uma contra a outra. Durante o desenvolvimento do conflito no mundo, o julgamento de Deus constantemente colocou-se sobre nações e indivíduos. No fim do mundo,o mal aumentará imensamente, e a Igreja na Terra será imensamente enfraquecida e diminuída. Então nosso Senhor Jesus Cristo virá à Terra,e todas as pessoas ressuscitarão, e o mundo experimentará o Julgamento Final de Deus. Satanás e seus colaboradores serão condenado à tortura eterna, mas os justos serão condecorados com a vida eterna no Paraíso.
A leitura do Apocalipse pode ser dividida em partes:
- A figura de Jesus Cristo, introduzida por João, instruindo a revelação às sete igrejas da Ásia Menor (cap. 1).
- As cartas às sete igrejas da Ásia Menor (caps. 2 e 3) nas quais, simultaneamente com instruções a estas igrejas, há entrelinhas sobre o destino dos cristãos desde o tempo dos apóstolos até o fim do mundo.
- A Visão do Trono de Deus, o Cordeiro de Deus, e a Divina Liturgia Celestial (caps. 4 e 5). Essa Divina Liturgia é suplementada por visões nos capítulos sucedestes.
- Após o sexto capítulo, começa a descrição do destino da humanidade. A quebra dos sete selos misteriosos por Cristo, o Cordeiro, serve como o início do relato das várias fases da guerra entre o bem e o mal, entre a Igreja e Satanás. Essa guerra, que começa na alma do homem e expande-se em todos os aspectos de sua vida vai ficando maior e crescendo de modo assustador (caps. 20 em diante).
- Os anjos com as sete trombetas (caps. 7-10) anunciam o começo das calamidades que devem atingir a humanidade por sua apostasia e pecados. O dano à natureza e manifestações malignas no mundo é descrito. Antes desses infortúnios, os fiéis receberão um sinal sagrado sobre suas cabeças, salvando-os dos imorais maus e do destino dos ímpios.
- A visão dos sete sinais (caps. 11-14) confirma a humanidade dividida em dois campos opostos e irreconciliáveis de Deus e de Satanás. As forças de Deus estão concentradas dentro da Igreja de Cristo, representadas aqui por uma mulher vestida de sol (Cap. 12) e as forças de Satanás – no reino da besta, o anticristo. A besta que emerge do mar é um símbolo das regras seculares malignas e a besta que emerge da terra um símbolo da deterioração do poder religioso. Nesta parte do Apocalipse, um dragão maligno, que organiza e dirige a guerra contra a Igreja é claramente mostrado pela primeira vez. As duas testemunhas de Cristo simbolizam os pregadores de Cristo que lutam contra a besta.
- As visões dos sete cálices (caps. 15-17) mostram uma figura direta da decadência moral. A guerra contra a Igreja começa extremamente tensa (Rev. 16:16), com provas de dificuldade intransponível. Essa guerra chama-se Armagedon. A imagem da Babilônia, a prostituta,representa a humanidade, que saqueou Deus e está residindo na capital do reino da besta, o anticristo. A força maligna espalhou sua influência em áreas em que humanos apenas pecam, esperando o julgamento de Deus (que virá, como foi descrito em detalhes)
- Nos próximos capítulos (Caps. 18 e19), o julgamento de Babilônia é descrito em detalhes. Aqui está a perdição dos acusados de causar mal aos homens — o anticristo e falso profeta, representantes da civilização civil e herética anticristã.
- O capítulo 20 é uma síntese de toda guerra espiritual e de toda história. Ele fala de Satanás sendo condenado duas vezes e do reino dos mártires. Havendo sofrido fisicamente, eles são vitoriosos fisicamente e já são benditos no céu. Aqui, começamos no tempo dos apóstolos, todo período da Igreja é revisado. Gog e Magog personificam a união de todas as forças contra Deus. Eles são exterminados na segunda vinda de Cristo. Finalmente, ela fala da punição eterna de Satanás, a antiga serpente, a sem lei, a responsável por toda mentira e sofrimento no universo. O fim do vigésimo capítulo é uma descrição da ressurreição dos mortos, o último julgamento, e a punição dos infiéis. Essa última descrição sumariza o último julgamento da humanidade e dos anjos caídos e todo o drama da guerra entre o bem e o mal.
- Os dois últimos capítulos (caps. 21 e 22) descrevem a nova terra, o novo céu e a vida abençoada dos salvos. Estes são os capítulos mais alegres e gloriosos da Bíblia.
Cada parte do Apocalipse geralmente começa com as palavras “E eu vi” e termina com o julgamento de Deus. Essa descrição recorta o final de um capítulo precedente e o começo de um novo. Entre as principais partes do Apocalipse, o vidente algumas vezes faz certas observações imediatas que soam como um link cego entre elas. O diagrama usado aqui vividamente mostra o plano e as divisões do Apocalipse. Para fins de brevidade, combinamos as observações intermediárias junto com as principais. Movendo-se horizontalmente através do diagrama, vemos que gradualmente e mais completamente os seguintes segmentos são revelados: O Reino dos Céus, a Igreja (perseguida na Terra), a luta entre Deus e os pecadores, as regiões próximas, a guerra entre elas e o Julgamento de Deus.
O Significado dos Símbolos e Números: símbolos e enfeites permitem ao vidente falar sobre a essência de eventos terrenos num nível muito alto de generalização, portanto eles são extensamente usados. Por exemplo, os olhos simbolizam conhecimento e muitos olhos simbolizam o perfeito conhecimento. Um corno é um símbolo de poder da mente. Uma coroa, de distinção imperial e a brancura, de limpeza ou pureza. A cidade de Jerusalém,o templo, e Israel, são símbolos da Igreja. Os números também têm um significado simbólico: o três simboliza a Trindade; o quatro é o símbolo do mundo e da ordem no mundo; o sete denota a compleição e a perfeição; doze denota o povo de Deus e a frutificação da Igreja (os números derivado de 12, como 24 e 144. 000 têm o mesmo significado). Um terço denota uma parte relativamente pequena; três anos e meio o tempo das perseguições. O número 666 será especificamente falado abaixo.
Eventos no Novo Testamento são freqüentemente retratados em molduras comparando-os ao Antigo Testamento. Por exemplo, a perseguição da Igreja é descrita durante o sofrimento dos israelitas no Egito, as tentações do profeta Balaão, perseguido pela rainha Jezabel e a destruição de Jerusalém pelos Caldeus. Os salvadores dos fiéis do demônio são retratados no salvamento dos israelitas durante o tempo do profeta Moises. A punição das forças contra Deus é apresentada na execução de dez egípcios e o demônio é identificado como a serpente que tentou Adão e Eva. A Benção Paradisíaca Futura é uma miragem do Jardim do Édem e da Árvore da Vida.
A principal tarefa do Apocalipse consiste em mostrar o modo com que as forças do mal trabalham e quem as organiza e direciona na luta contra a Igreja, ensinando e tornando cada vez mais forte a fé e a lealdade a Cristo, retratando a derrota completa de Satanás e de seus servos e o início da Era Paradisíaca.
Apesar de todo o simbolismo e o mistério do Apocalipse, as verdades religiosas contidas nele são reveladas muito claramente. Por exemplo, o Apocalipse aponta o Satanás como o culpado por todas as tentações e tribulações da humanidade. As maneiras pelas quais ele tenta perder a humanidade são sempre as mesmas: descrença, desobediência a Deus, orgulho, desejos impuros, mentiras, medo, dúvida, etc. A despeito de toda a sua experiência, Satanás não é capaz de se fazer perder as pessoas devotadas a Deus em seu coração, porque Deus as protege através de suas bênçãos. Satanás atrai para si mais e mais escravos entre os pecadores e aqueles que se afastaram de Deus e acreditam em vários atos abomináveis e crimes. Ele dirige-os contra a Igreja e através deles causa todas as guerras e violência no mundo. O Apocalipse claramente mostra que no final Satanás e seus servos serão banidos e punidos e que a Igreja de Cristo triunfará e que o mundo renovado começará uma nova vida abençoada, sem fim.
Já que fizemos uma revisão dos conteúdos e do simbolismo do Apocalipse, devemos agora considerar algumas de suas partes mais importantes.
5. Cartas às Sete Igrejas (caps. 2-3).
As Sete Igrejas — aquelas de Éfeso (2:1-7), Smirna (2:8-11), Pergamos (2:12-17), Thiatira (2:18-29), Sardes (3:1-6), Filadélfia (3:7-13) e Laodicéia (3:14-22) — Localizavam-se no sudoeste da Ásia Menor, hoje Turquia. Elas foram encontradas pelo Apóstolo Paulo na quarta década do primeiro século. Após a morte martírica de São Paulo em Roma em torno de 67 D. C. São João o Teólogo tomou para si o cuidado destas igrejas e ministrou-as por um período de quarenta anos. Ficando encarcerado na Ilha de Patmos, São João escreveu cartas à essas igrejas para preparar os cristãos para as perseguições vindouras. As cartas eram endereçadas aos “Anjos” das igrejas, isto é, a seus bispos.
Um estudo cuidadoso das cartas às sete igrejas da Ásia Menor faz pensar que nelas está delineado o destino da Igreja Cristã, do período apostólico até o fim do mundo, incluindo o iminente nível denominado no Novo Testamento de “Nova Israel,” que é descartada do cenário dos mais importantes eventos do Antigo Testamento de Israel, começando com a queda no Paraíso e terminando com os tempos dos Fariseus e Saduceus nos dias de Jesus Cristo. São João escreve sobre eventos do Antigo Testamento como forma de exemplos para o destino da Igreja do Novo Testamento. Portanto, há três elementos interagindo nas cartas às sete igrejas: a) as condições prevalentes na época do autor e o futuro da Ásia Menor, b) uma nova e mais profunda interpretação da história do Antigo Testamento, c) o destino da igreja ainda por vir. A combinação destes três elementos nas cartas às sete igrejas estão resumidas no diagrama.
Nota: a Igreja de Éfeso era a mais populosa e tinha o status de metrópole frente a outras igrejas asiáticas vizinhas. Em 431 D. C. , o Terceiro Conselho Ecumênico realizou-se em Éfeso. Justamente como São João havia predito, a luz da Cristandade na Igreja de Éfeso gradualmente morreu. Pergamos era o centro político da Ásia Menor, dominada pelo paganismo com um culto elaborado a imperadores deificados. Em uma colina próxima a Pergamos, o Apocalipse chama de “Trono de Satã” um magnífico monumento destinado a sacrifícios (Rev. 2:13-17). Os Nicolaitas eram anciãos gnósticos heréticos. A Gnose tornou-se uma tentação para a Igreja nos primeiros séculos do Cristianismo. A cultura sincretizada ao tempo vigente era um terreno favorável para o desenvolvimento de idéias gnósticas. Ela espalhou-se com o Império de Alexandre da Macedônia (Alexandre o Grande) que enraizou-se no Leste e no Oeste. As percepções religiões no Oeste, a crença na batalha eterna entre o bem e o mal, espírito e matéria, corpo e alma, luz e escuridão, juntamente com a modo de ser especulativo dos Gregos, deu fermento a vários sistemas gnósticos, que caracteristicamente ensinavam que tudo emana do “Absoluto,” e há uma série de degraus na criação, unindo o mundo com o “Absoluto. ” Naturalmente o Cristianismo nos tempos helenísticos perigosamente era interpretado em termos gnósticos e as verdades cristãs eram transformadas em verdades gnósticas. Jesus Cristo era visto como o intermediário (canal) entre o mundo e o Absoluto.
Um dos primeiros a espalhar a Gnose entre os cristãos foi um certo Nicolai (Nicholas) daí o termo Nicolaitas no Apocalipse. (Pensa-se que Nicolai estava entre os seis homens escolhidos e ordenados pelos Apóstolos para serem diáconos; ver Atos 6:5) Distorcendo a fé cristã, os gnósticos encorajaram uma decadência moral. Começando no princípio do primeiro século, algumas seitas gnósticas floresceram na Ásia Menor. Os Apóstolos Pedro, Paulo e Judas advertiram os cristão para que não fossem enganados por esses debochadores. Representantes proeminentes da Gnose foram os hereges Valentinus, Márcio e Basílio, sobre os quais os homens letrados da Igreja e os primeiros Pais falaram contra.
As seitas gnósticas desapareceram com o tempo, mas a Gnose como pedra da escola filosófico-religiosa ainda existe em nossos dias na teosofia, cabala, maçonaria, hinduísmo contemporâneo, Ioga e vários outros cultos.
6. A visão da Liturgia Celestial (caps. 4-5).
São João recebeu a revelação no “Dia do Senhor,” isto é, no Domingo. Deve ser lembrado que, de acordo com o costume dos Apóstolos, neste dia era feita a “Partilha do Pão”, isto é, a Divina Liturgia, e que ele havia recebido a comunhão e, portanto, estava “em estado de graça”, o que significa um estado especial de inspiração (Rev. 1:10). Então, a primeira coisa revelada a ele foi a continuação da Liturgia que ele tinha acabado de celebrar, A Divina Liturgia Celestial. É esta a Divina Liturgia Celestial que São João descreve no quarto e quinto capítulos do Apocalipse. Um cristão ortodoxo reconhece aqui traços familiares da Liturgia Dominical e os atributos mais importantes do altar: o Santo dos Santos, o Candelabro de sete braços, o incensório,o cálice dourado, etc. (Estes itens foram mostrados a Moisés no Monte Sinai e também foram usados nos templos do Antigo Testamento. O cordeiro sacrificado de Deus, do modo que é visto pelo Apóstolo, relembra as comunhões de fé em forma de pão deixadas no altar. As almas desses mártires da Palavra de Deus, abaixo do altar celestial evocando os antimions (a roupa especial colocada no meio do altar onde estão as sete relíquias dos sete mártires). Os mais velhos paramentam-se com coroas douradas sobre suas cabeças como uma assembléia do clero em uma co-celebração da Divina Liturgia. Isto pode ser notado pelas várias proclamações e orações do Apóstolo no Céus expressando a essência das exclamações e orações do clero e do coro recitados na principal parte da Liturgia — O Cânon Eucarístico. O branqueamento das vestes dos piedosos pelo “sangue do cordeiro” (Cap. 7) refere-se à consagração das almas dos fiéis durante o Sacramento da Comunhão. Desta maneira, o Apóstolo inicia o relato do destino da humanidade com a descrição da Divina Liturgia no qual ele enfatiza o significado espiritual desta e a necessidade dos santos rezarem por nós.
Nota: as palavras “Judá é um filhote de leão” referem-se ao Senhor Jesus Cristo e lembram-nos da Profecia do Patriarca Jacó em relação ao Messias (Gen. 49: 9-10). Os “sete espíritos de Deus” referem-se à plenitude dos dons do Espírito Santo abençoados por Deus (Is 11:2 e Zac. cap. 4). A multidão de olhos simboliza a omnisciência. Os vinte e quatro anciãos correspondem às vinte e quatro sucessões eclesiásticas estabelecidas pelo Rei Davi para o serviço dos templos, havendo dois intercessores para cada geração de Israel (1 Cron. 24: 1-18). As quatro criaturas misteriosas circundando o trono são similares às criaturas da visão do Profeta Ezequiel (Ez. 1: 5-19). Elas, evidentemente, são criaturas próximas a Deus. As imagens de um homem, um leão, um touro e uma águia, são vistos pela Igreja como simbolizando os quatro evangelistas.
Em uma descrição posterior do mundo celestial, encontramos muitas coisas que nos são incompreensíveis. No Apocalipse aprendemos que o mundo angelical é extremamente vasto. Os espíritos sem corpo, os Anjos, são criados como o homem pelo sábio criador, possuindo um intelecto e livre arbítrio, embora as suas capacidades espirituais excedam as nossas. Os Anjos são completamente devotados a Deus e o servem pela prece e pela obediência à sua vontade. Por exemplo, eles carregam para o Altar de Deus as preces dos Santos (Rev. 8:3), eles auxiliam os merecedores a conservar a salvação (Rev. 8:7, 9:15, 15:6, 16:1). Eles são revestidos de poder e brilham sobre a natureza e seus elementos (Rev. 10:1, 18:1). Eles fazem guerra a Satanás e seus demônios (Rev. 12:7 -10, 19:19, 20 -2-3) e eles tomam parte no julgamento dos inimigos de Deus (Rev. 19:4).
O ensino do Apocalipse em relação ao mundo angelical basicamente descarta pela raiz as antigas seitas gnósticas, que aceitavam a presença de intermediários (canais) entre o Absoluto e o mundo material, que era completamente auto-suficiente e independe do criador do mundo.
Dentre os santos que São João vê no Céu, há dois grupos ou duas “imagens “ colocadas. Estas são os mártires e as virgens. Historicamente, o martírio é a primeira ordem de santidade, e é por isto que o Apóstolo começa com os mártires (Rev. 6:9-11). Ele vê as almas por entre o Altar Sacrifical Celestial, o que significa a redenção de seus sofrimentos e de sua morte, pelo qual eles participaram dos sofrimentos de Cristo e de alguma forma os complementaram. O sangue dos mártires pode ser comparado ao sangue das vítimas do Antigo Testamento que fluía abaixo do altar de sacrifícios no Templo de Jerusalém. A história do Cristianismo testifica o fato de que o sofrimento dos antigos mártires serve como um rejuvenescimento moral neste patético mundo pagão. O antigo escritor Tertuliano escreveu que o sangue dos mártires serve como sementes para novos cristãos. A perseguição da fé irá algumas vezes retrair-se e outras florescer durante a subseqüente existência da Igreja, e esta foi a razão pelo qual foi revelado ao Profeta que novos mártires suplementariam o número dos já existentes.
Mais tarde, São João vê uma inumerável multidão no Céu, impossível de se contar, de todas as tribos, nações, gerações e línguas. Estavam vestindo branco e seguravam palmas (Rev. 7:9- 17) em suas mãos. O fator comum dessa assembléia era o direito “deles terem vindo de grandes aflições”. Para todas essas pessoas, o caminho para o Paraíso é o mesmo — através do sofrimento. Cristo, como o primeiro sofredor, tomou sobre si os pecados do mundo como o cordeiro de Deus. As palmas brancas são os símbolos da vitória sobre Satanás.
Em uma visão especial, o profeta descreve os virgens, isto é, pessoas que negaram ao si mesmas o consolo de uma vida conjugal para servir completamente a Cristo. Eles são os “ eunucos voluntários” para a causa do Reino dos Céus (Mat 19:12, Rev. 14:1-5). Na Igreja essa condição era geralmente conseguida seguindo a vida monástica. O profeta escreve sobre as testas dos virgens o “O Nome do Pai”, que aponta para a sua beleza moral, refletindo a perfeição do Criador. O “ Novo Hino” que eles cantam e ninguém pode repetir expressa a sua elevação espiritual alcançada pelo jejum, pela oração e pela castidade. Essa pureza não pode ser adquirida por aqueles que vivem de maneira mundana.
A canção de Moisés cantada pelos vencedores na próxima visão (Rev. 15: 2-8) relembra o hino de gratidão dos israelenses quando, após cruzarem o Mar Vermelho, foram salvos do exército egípcio (Êxodo cap. 15). De qualquer forma, o Israel do Novo Testamento é libertada das regras e influência de Satanás, passando por um estado de graça através do sacramento do Batismo. Nas visões subseqüentes, o profeta descreve os santos ainda diversas vezes. A preciosa vestimenta branca que eles usavam era um símbolo de sua correção. No capítulo 19 do Apocalipse a canção de casamento dos salvos fala-nos sobre a proximidade do “casamento” entre o Cordeiro e os santos—da vinda da mais próxima comunhão entre Deus e os Justos (Rev. 19: 1-9, 21: 3-4). O livro da revelação termina com a descrição da vida abençoada que as pessoas salvas (Rev. 21:24-27,22: 12-14 e 17) teriam. Estas são as paginas mais alegres e gloriosas da Bíblia, mostrando a Igreja Triunfante no Reino da Glória.
Portanto, com a revelação gradual do destino do mundo, o Apocalipse de São João mostra diretamente a atenção espiritual da fé em relação ao Reino dos Céus — o último objetivo divino para nossas fantasias terrenas. Ele fala dos eventos desagradáveis do mundo pecaminoso como se fosse obrigado a fazê-lo, contra a sua vontade.
7. A remoção dos sete selos e a visão dos quatro cavalheiros (cap. 6).
A visão dos sete selos age como uma introdução às revelações subseqüentes do apocalipse. A remoção do primeiro selo apresenta os quatro cavalheiros, que simbolizam quatro fatores caracterizando a história completa da humanidade. Os dois primeiros aparecem como razão, e os dois últimos, como conseqüência. O condutor coroado no cavalo branco “saiu para ser vitorioso”. Ele personifica esses bons inícios, com o qual o criador enriquece a humanidade: a imagem de Deus, a pureza moral e a inocência, a aspiração direcionada a Deus e à perfeição, a habilidade de acreditar e amar, e os “talentos individuais” com os quais cada homem nasce,bem como os dons abençoados do Espírito Santo que o homem recebe da Igreja. No plano do criador, esses bons inícios devem ser vitoriosos; eles devem ser capazes de definir um futuro feliz para a humanidade. No entanto, já no Éden, o homem começou a sofrer por cair em tentação. A sua natureza, corrompida pelo pecado, passou a seus descendentes, por isso as pessoas são inclinadas ao pecado já em idades muito pequenas. Através da repetição dos pecados, as más tendências são reforçadas. Então, o homem, ao invés de crescer espiritualmente e aperfeiçoar-se, cai sobre a influência arruinadora de suas próprias paixões, sucumbe a vários desejos pecaminosos, começa a invejar e a odiar. Todos os crimes no mundo originam-se da raiva entre os homens (violência, guerra e toda a sorte de infortúnios).
As ações arruinadoras das paixões são simbolizadas pelo cavalo vermelho brilhante e seu condutor, “que leva embora a paz dos homens. ” Sucumbindo a seus desejos pecaminosos desordenados, o homem desperdiça todos os seus talentos dados por Deus, e torna-se empobrecido em seu corpo e em sua alma. Dentro da vida social, o ódio e as guerras levam ao enfraquecimento e divisão da comunidade e à perda de suas fontes materiais e espirituais. Esse empobrecimento interno e externo da humanidade é simbolizado pelo cavalo negro e seu condutor, que segura um par de balanças em sua mão. Por fim, a perda total das bênçãos de Deus leva a uma morte espiritual e como conseqüência final o ódio e as guerras trazem a ruína da sociedade e a morte da humanidade. Este destino lamentável da humanidade é simbolizado pelo cavalo esverdeado, como a cor da morte.
Os quatro cavalheiros do Apocalipse mostram a história da humanidade da forma mais simples possível. No início, a vida abençoada no Éden de nossos ancestrais, chamada de “regra natural” (o cavalo branco); então eles caem da graça (o cavalo vermelho brilhante); depois disto as suas vidas e as de seus descendentes são preenchidas com várias tristezas e aniquilações mútuas (os cavalos negro e o esverdeado). Os cavalos do Apocalipse também simbolizam a vida de vários reinos individuais, com seus períodos de prosperidade e declínio. Aqui também está uma etapa da vida de cada homem: a pureza e inocência de sua infância, seus grandes potenciais, que são obscurecidos pelas tempestades da juventude onde o homem dissipa o seu vigor e a sua saúde e o fim quando ele morre. Aqui está a História da Igreja: a perseguição espiritual durante os tempos apostólicos e os esforços da Igreja para renovar a sociedade. No entanto, a própria Igreja levantou heresias e cismas e as comunidades pagãs aumentaram as suas perseguições. A Igreja enfraqueceu e refugiou-se nas catacumbas e algumas dessas igrejas locais desapareceram totalmente. Portanto, a visão dos quatro cavalheiros sumariza os fatores que caracterizaram a vida da humanidade pecadora. Este tema será mais desenvolvido nos capítulos posteriores. Pela remoção do quinto selo, o Profeta mostra o lado brilhante das calamidades da humanidade. Os cristãos que sofreram fisicamente são vitoriosos espiritualmente; eles estão agora no Paraíso (Rev. 6:9-11). Seus feitos dão a eles recompensas eternas e eles estão com Cristo, como descrito no capítulo vinte. A transição de uma descrição mais detalhada das dificuldades da Igreja e da fortificação dos ímpios é simbolizada pela remoção do sétimo selo.
8. As sete trombetas, a marcação dos escolhidos e o início das calamidades (caps. 7-11).
As trombetas dos anjos prevêm as calamidades da humanidade, tanto físicas quanto espirituais. Mas antes do início destas, São João vê um anjo marcando a testa dos filhos da Nova Israel (Rev. 7: 1-8). “Israel “ é a Igreja do Novo Testamento. A marca simboliza seleção e proteção. Essa visão lembra o sacramento da crisma, durante o qual “a marca do Espírito Santo” é conferida sobre as sobrancelhas dos novos batizados. Ela lembra o sinal da Cruz, que “ protege contra os inimigos. ” As pessoas que não são protegidas pela marca sagrada sofrem pelo dano dos gafanhotos que emanam do abismo, isto é, do poder de Satanás (Rev. 9:4). O Profeta Ezequiel descreve a mesma impressão dos cidadãos justos de Jerusalém antes que ela fosse tomada pela forças caldéias. Então, como sabemos, uma marca misteriosa foi colocada com o propósito de salvar os justos do destino dos impuros (Ezeq 9:4). Ao contar as doze tribos de Israel pelo nome (Rev. cap. 7) a tribo de Dã foi propositalmente omitida. Alguns vêem nisto a indicação de que o anticristo viria desta tribo. Este pensamento é baseado nas palavras enigmáticas do Patriarca Jacó em relação aos futuros descendentes de Dã: “ uma serpente no caminho, uma víbora na estrada” (Gen 49:17).
Portanto, a presente visão serve como uma introdução à subseqüente descrição da perseguição da Igreja. A medida do Templo de Deus o capítulo onze tem o mesmo significado da marcação dos filhos de Israel: a preservação das crianças da Igreja do mal. O Templo de Deus, como a mulher vestida de sol e a cidade de Jerusalém são diferentes símbolos da Igreja de Cristo. O básico destas vistas é que a Igreja é santa e querida por Deus. Deus permite as perseguições com o objetivo de atingir a perfeição moral dos que têm fé mas os protege da escravidão do mal e do mesmo destino dos ímpios. Antes da remoção do sétimo selo a um silêncio de “aproximadamente meia hora” (Rev. 8:1). Esta é a calma antes da tempestade que irá apedrejar o mundo durante o tempo do anticristo. (Não parece que esse processo de desarmamento resultante da dissolução do comunismo seja uma intervenção, dada à humanidade para a sua conversão a Deus?). Antes do início das calamidades São João vê os santos rezando ardentemente para misericórdia para a humanidade (Rev. 8: 3-5).
Calamidades da natureza:segundo isto, o som das trombetas reverbera de cada um dos sete anjos, depois do qual várias calamidades começam. Primeiro, um terço da vegetação morre, depois um terço dos peixes e de outras criaturas marinhas, que é seguido do envenenamento dos rios e fontes de água. Cairá gelo e fogo sobre a terra, uma estrela de luz e calor contínuo e uma montanha flamejante. Isto parece apontar para o tamanho das calamidades. Não se parece com uma profecia de contaminação global e destruição da natureza que estamos observando em nosso tempo? Então, as catástrofes ecológicas predizem a vinda do anticristo. Profanando dentro de si mesmos a imagem de Deus, a humanidade cessa de valorizar a o belo mundo de Deus. Com a sua própria recusa, a humanidade polui os lagos, rios e mares. Com o derramamento de óleo arrisca vastas extensões de praias. Ela destrói selvas e florestas, e aniquila muitas espécies de animais, peixes e aves. Os envenenadores da natureza adoecem por suas próprias ações, assim como fazem de vítimas inocentes de sua cruel ambição. As palavras “o nome da estrela é Absinto. . . e muitos perecerão porque as águas ficarão amargas” lembra-nos a catástrofe de Chernobyl porque Chernobyl significa Absinto. Mas o que significa a destruição de um terço do sol e da estrela e o eclipse (Rev. 8:11-12)? Evidentemente esta é uma discussão considerando que a poluição do ar chegue a tal ponto que a luz do sol e das estrelas chegando à Terra pareça menos brilhante. (Por exemplo, devido à poluição do ar em Los Angeles, o Sol aparece de uma cor marrom-suja, e algumas vezes à noite, com exceção das mais brilhantes, as estrela são dificilmente vistas). A narrativa dos gafanhotos (a quinta trombeta, Rev. 9:1-11), que emanam do abismo, fala sobre o fortalecimento dos poderes demoníacos entre as pessoas. Entitulando-o “Apolo,” que significa “o destruidor,” forma um vácuo espiritual com ele, que é preenchido mais e mais pela força demoníaca, que por sua vez o atormenta com dúvidas e várias paixões.
As guerras Apocalípticas : a trombeta do sexto anjo põe em movimento um grande exército do outro lado do Rio Eufrates, onde um terço da humanidade é perdida (Rev. 9:13-21). Na representação bíblica, o Rio Eufrates é a fronteira onde as nações hostis a Deus concentram-se, ameaçando guerrear e destruir Jerusalém. Para o Império Romano, o Rio Eufrates era como uma proteção contra os ataques das tribos do leste. O nono capítulo do Apocalipse foi escrito contra o cruel e sangrento cenário da guerra entre judeus e romanos de 66 a 70 D. C. , que ainda estava fresca na memória de São João. Essa guerra teve três fases (Rev. 8:13). A primeira fase da guerra, em que Gasius comandou as forças romanas por cinco meses, de Maio a Setembro de 66 (cinco meses de gafanhotos Rev. 9:5 e 10). Logo começou a segunda fase da guerra, de Outubro a Novembro do ano 66, quando o governador sírio Cestius encabeçou quatro legiões romanas (quatro anjos pelo Rio Eufrates, Rev. 9:14). Essa fase da guerra foi especialmente arruinadora para os judeus. A terceira fase da guerra, sob o comando de Flavius Flavianum durou três anos e meio, de Abril 67, D. C. , até Setembro 70 D. C. e terminou com a queda de Jerusalém, o incêndio do templo e a dispersão dos judeus cativos através do império romano. Essa sangrenta guerra era o protótipo de outras terríveis guerras de anos posteriores, que o Salvador apontou-nos no Sermão do Monte das Oliveiras (Mat. 24:7). Nos atributos dos gafanhotos do inferno e das hordas do Eufrates pode-se reconhecer armas contemporâneas de exterminação em massa, tanques, canhões, aviões de guerra e mísseis nucleares. Os seguintes capítulos do Apocalipse descrevem graficamente as crescentes guerras dos últimos tempos (Rev. 11:7, 16:12-16, 17:14, 19:11-19, e 20:7-8). As palavras “ as águas do Rio Eufrates secaram, então os reis do Oeste devem estar preparados” (Rev. 16:12) podem apontar para um perigo posterior para o Ocidente vindo da Ásia. Em conjunto, deve-se considerar que a descrição do Apocalipse refere-se a guerras verdadeiras, mas o resumo final refere-se a uma guerra espiritual, cujo nome próprio e data tem um significado alegórico. Portanto São Paulo explica: “ não estamos lutando contra carne e sangue, mas contra principados, contra as forças espirituais do mal que vivem no mundo celestial, os governos, as autoridades e os poderes do universo desta época de escuridão (Efs. 6:12).
O nome Armagedon é composto de duas palavras: “Ar” (significando um nível de terra em hebraico) e “Megido” (uma área ao norte da Terra Santa, perto do Monte Carmelo, onde em tempos antigos Baraque pos-se à frente dos exércitos comandados por Sísera e o profeta Elias executou mais de quinhentos sacerdotes de Baal; Rev. 16:16, 17:14; Juízes 4:2-16, 1Reis 18:40) ã À luz desses eventos bíblicos, o Armagedon simboliza Cristo lutando contra os poderes dos ateus. Os nomes Gog e Magog no capítulo 20 relembram-nos dos usados na profecia de Ezequiel sobre a invasão de Jerusalém por um número indeterminado de regimentos sobre a liderança de Gog, da terra de Magog (sul do Mar Cáspio; Ezeq caps. 38 e 39; Rev. 20:7-8). Ezequiel atribui essa profecia ao tempo do Messias. No Apocalipse, o cerco do “ campo dos santos e da cidade amada [a Igreja]”pelos regimentos de Gog e Magog e a destruição destes regimentos pelo povo visto do céu deve ser visto como a total destruição das forças; ímpias ambas humanas e demoníacas, na Segunda Vinda de Cristo. Em relação às calamidades físicas e à punição dos pecadores, que é sempre mencionada no Apocalipse, o Profeta mesmo explica que Deus permite uma lição aos pecadores para levá-los ao arrependimento (Rev. 9:21). No entanto, o Apóstolo menciona tristemente que a humanidade não valoriza o chamado de Deus, continuando a pecar e a servir os demônios, isto é, como tomando “o amargor em seus próprios lábios”, as pessoas estão correndo para a perdição. A visão das duas testemunhas (Rev. 11:2-12). O décimo e undécimo capítulos ocupam um lugar intermediário entre as visões das sete trombetas e dos sete sinais. Nas duas testemunhas de Deus, alguns Santos Pais da Igreja vêem os justos do Antigo Testamento Elias e Enoque,que virão à Terra antes do fim do mundo para escancarar a falsidade do anticristo e chamar a humanidade à lealdade total a Deus. Ou os dois possam ser Moisés e Elias. É sabido que ambos, Elias e Enoque foram levados vivos ao céu (Gen. 5: 24, 2 Reis 2:11). A principal punição que essas testemunhas imporão à humanidade lembra os milagres do Profeta Moisés, Aarão e Elias (Ex. caps. 7 a 12, 1 Reis 17:1, 2 Reis 1:10). Os Apóstolos Pedro e Paulo, que haviam sofrido recentemente em Roma devido a Nero, podem ter servido como exemplos (protótipos) das duas testemunhas de São João. Evidentemente, essas duas testemunhas do Apocalipse simbolizam outras testemunhas de Cristo que espalham o Evangelho em um ambiente hostil de um mundo pagão e freqüentemente selam a sua pregação por uma morte martírica. As palavras “ Sodoma e Egito, onde o Nosso Senhor é crucificado” apontam para a cidade de Jerusalém, onde nosso Senhor Jesus Cristo sofreu, bem como muitos profetas e os primeiros cristãos.
9. Os sete sinais, a Igreja e o reino da besta (caps. 12-14).
Quanto mais se lê, mais precisamente a Revelação do Profeta divide a humanidade em dois campos opostos — a Igreja e o reino da besta. Os capítulos precedentes começaram a informar melhor o leitor sobre a Igreja, falando sobre as marcas, sobre o Templo de Jerusalém e sobre as duas testemunhas. O vigésimo capítulo mostra a Igreja na sua Glória Celestial e simultaneamente revela a sua maior ameaça, o diabo-dragão. A visão da mulher vestida de sol e a do dragão torna óbvio que a guerra entre Deus e Satanás começa além das fronteiras do mundo material e extende-se até o mundo dos anjos. O Apóstolo descreve a existência de um ser demoníaco erudizado no mundo não-corpóreo, que declara guerra desesperadamente aqueles comprometidos com Deus, anjos e homens. Essa guerra entre o bem e o mal, que penetra na essência da humanidade, já começou no mundo angelical antes da criação do mundo material. Como localizamos, o Profeta descreve a guerra em várias partes do Apocalipse, não em uma seqüência cronológicas mas em vários fragmentos.
A visão da mulher lembra a promessa de Deus a Adão e Eva sobre o Messias (a semente da mulher), que iria esmagar a cabeça da serpente (Gen. 3:15). Pode ter sido assumido que esta mulher refere-se à Virgem Maria, no entanto, referências posteriores nas quais os descendentes distantes da mulher (os cristãos) são mencionados, é evidente que, aqui, a mulher deve ser considerada a Igreja. A radiação do Sol circundando a mulher simboliza a perfeição moral dos santos e a abençoada iluminação da Igreja através dos dons do Espírito Santo. As doze estrelas simbolizam as doze tribos da nova Israel — isto é, a unificação dos povos cristãos. A agonia da mulher durante o parto simboliza a exploração, privação e sofrimentos dos servos de Deus (os profetas, os apóstolos e seus sucessores), durante a divulgação do Evangelho por todo o mundo e durante a confirmação das virtudes cristãs através de seus filhos espirituais (aqueles que eram batizados). São Paulo escreve aos cristãos de Gálatas: “Minhas crianças, as quais eu dolorosamente pari novamente para que Cristo estivesse em vocês” (Gal. 4:19).
O primeiro parto da mulher “do qual foi dito que governará todas as nações com um cetro de aço” é o Nosso Senhor Jesus Cristo (Sal 2:9, Rev. 12:5 e 19:15). Ele é o novo Adão, e tornou-se a cabeça da Igreja. O “rapto” da criança obviamente aponta para a ascensão de Cristo aos Céus, onde Ele toma o seu lugar como a “Mão Direita de Deus” e desde então Ele governa o destino do mundo.
“O dragão arrastou com seu rabo um terço das estrelas no céu e jogou-as na terra” (Rev. 12:4). Estudiosos entendem essas estrelas como anjos aos quais a Estrela do Dia, Satanás em seu orgulho, incitou a rebelar-se contra Deus, resultando na guerra que irrompeu no Céu. (Esta foi a primeira revolução do Universo!) O Arcanjo Miguel posicionou-se adiante como chefe dos bons anjos. Os anjos revoltados contra Deus sofreram perdas e não puderam mais ficar no Céu. Distanciando-se de Deus, eles transformaram-se em demônios. Seu reino nas regiões inferiores, conhecidas como Abismo ou Inferno, tornou-se um lugar de pranto e de escuridão. De acordo com a opinião dos Santos Pais da Igreja, a guerra descrita por São João ocorreu no mundo angelical antes da criação do mundo material. Isto é introduzido aqui para explicar ao leitor que o “dragão” que irá perseguir a Igreja nas visões subseqüentes do Apocalipse é aquele que caiu, a Estrela da Manhã, (Lúcifer), inimigo de Deus desde tempos imemoriais.
Portanto, sendo derrotado no Céu, o dragão com toda a sua raiva furiosa armar-se-à contra a mulher (a Igreja). Suas armas são as várias tentações as quais ele direciona à mulher que assemelham-se a um rio selvagem. No entanto, ela se salva fugindo para o deserto, isto é, por uma recusa voluntária dos benefícios e confortos da vida, pelos quais o dragão tenta encantá-la. Os dois anéis da mulher são a oração e o jejum, com os quais os cristãos espiritualizam-se e tornam-se imunes às armadilhas do dragão, que continua rastejando pelo mundo como uma serpente (Gen. 3:14; veja também Mc 9:29). Convém-nos recordar que muitos cristãos zelosos dos primeiros séculos, adiantando-se, já haviam literalmente migrado para os desertos, deixando as cidades barulhentas e cheias de tentações. Nas cavernas remotas, nos lugares ermos e nos mosteiros, eles davam todo o seu tempo em oração e pensamentos para Deus, e eram capazes de atingir níveis espirituais que os cristãos modernos não podem sequer imaginar. O Monasticismo floresceu no Leste durante o quarto e o sétimo séculos, onde em regiões desertas do Egito, Palestina, Síria e Ásia Menor muitas comunidades eremitas e mosteiros foram formados por centenas de monges e freiras. Do Leste próximo, o Monasticismo expandiu-se para Athos, e de lá para a Rússia, onde no tempo pré-revolucionário havia centenas de comunidades eremitas e mosteiros.
Nota: a expressão “tempos, tempo e metade de um tempo” — 1260 dias e 42 meses (Rev. 12:6-15) — corresponde a três anos e meio e simbolicamente significa o período de perseguições. O ministério público de Cristo continuou por três anos e meio. As perseguições tomaram aproximadamente a mesma duração durante o reinado do Rei Antióquio Epifânio e os Imperadores Nero e Domiciano. Todavia, as data do Apocalipse devem ser entendidas alegoricamente (ver acima).
A besta que veio do mar e a besta que saiu da terra (Rev. Caps. 13-14).
A maioria dos Santos Pais da Igreja entendem “ a besta que saiu do mar” como o anticristo e “a besta que saiu da terra” como o falso profeta. O mar representa a massa descrente da humanidade, sempre sem descanso e envolvida com suas próprias paixões. De narrativas posteriores da besta e uma narrativa paralela do Profeta Daniel (Dan. Caps. 7-8) conclui-se que a besta é o império totalmente ímpio do anticristo. Em sua aparência exterior, o dragão-diabo e a besta que veio do mar, ao qual ele passa o seu comando, assemelham-se um ao outro. Seus atributos externos denotam sua furtividade, crueldade e indecência moral. As cabeças e os cornos da besta os estados ateus que compreendem o império do anticristo, bem como os seus governadores (reis) e a revelação da ferida mortal de uma das cabeças da besta e de sua cura é enigmática. Em seu tempo, os eventos por eles próprios dariam luz ao significado dessas palavras. A base histórica para esta particularidade pode ser provida por muitos contemporâneos de São João de que o morto Nero voltou à vida e que ele retornaria brevemente às forças que devem ser encontradas do outro lado do Rio Eufrates (Rev. 9:14 e 16:12) para vingar-se de seus inimigos. Pode ser que aqui haja um relato da derrota do paganismo ateu pela Fé Cristã e um renascimento do paganismo durante a apostasia geral do Cristianismo (Veja detalhes sobre isto no livreto “Fim do mundo e Vida Eterna”).
Nota: observe como há traços comuns entre a Besta do Apocalipse e as quatro bestas que o Profeta Daniel personifica nos quatro impérios pagãos (Dan cap. 7). A quarta besta refere-se ao Império Romano, e o décimo corno da última besta simboliza o governador sírio Antíoco Epifanes — como um protótipo do anticristo que virá, que o Arcanjo Gabriel chama de “o desprezível” (Dan. 11:21). As características e as ações da besta apocalíptica têm muito em comum com o décimo corno do Profeta Daniel (Dan. 7:8-12, 20-25, 8:10-26, 11:21-45). Os primeiros dois livros dos Macabeus servem como uma ilustração vívida dos tempos antes do fim do mundo.
Subseqüentemente, o Profeta descreve a besta que saiu da terra que depois ele denomina de falso profeta. Aqui, a terra simboliza a total ausência de espiritualidade nos ensinamentos do falso profeta, que são completamente permeados de materialismo e gratificação dos prazeres carnais. O falso profeta seduz o povo com falsos milagres e força-os a curvarem-se perante a primeira besta: “ele tem dois cornos como um cordeiro e fala como um dragão” (Rev. 13:11); isto é, ele aparenta ser meigo e pacífico mas seus discursos são cheios de bajulação e mentiras.
Como no undécimo capítulo, as duas testemunhas simbolizam todos os servos de Cristo. É evidente que as duas bestas no décimo terceiro capítulo simbolizam a união de tudo que odeia o Cristianismo. A besta do mar simboliza as autoridades civis ímpias e a besta que saiu da terra o falso profeta e todas as autoridades da Igreja desviadas.
Como no tempo do Salvador na terra, esses dois poderes — o civil e o religioso, nas pessoas de Pilatos e dos líderes religiosos judeus — uniram-se para sentenciar Cristo à crucificação, então em toda a história da humanidade esses dois poderes freqüentemente se unem para lutar contra a fé e perseguirem os fiéis. Exemplos são o Profeta Balaão e o Rei Moabita, a Rainha Jezebel e seus sacerdotes, os falsos profetas e príncipes antes da destruição de Israel e depois da Judéia, “apóstatas do Pacto Sagrado,” Rei Antióquio Epifanes (Dan. 8:23, 1Macb. e 2 Macb. Cap. 9) e finalmente os seguidores da Lei de Moisés e os administradores romanos durante o tempo dos apóstolos. Nos primeiros séculos do Cristianismo, heréticos e falsos professores minaram a Igreja com seus cismas o que ajudou nas bem sucedidas conquistas dos árabes e turcos que arruinaram o Leste Cristão ortodoxo. Os pensadores livres russos pavimentaram o caminho para a revolução e pseudo-profetas corromperam Cristãos instáveis na fé em várias seitas e cultos. Todos eles se manifestam como falsos profetas colaborando no sucesso das forças que lutam contra Deus. O Apocalipse revela vividamente o suporte mútuo entre o dragão-diabo e as duas bestas. Cada um é cheio de seus planos egoístas: Satanás tem sede de obediência a ele; o anti-cristo procura o seu poder e o falso profeta procura ganho material. Como a Igreja clama às pessoas a terem fé em Deus e fortificar as suas virtudes, a Igreja é um obstáculo para eles, que lutam contra ela.
O Selo da besta (Rev. 13:16- 17, 14:9-11, 15:2, 16:2, 19:20, 20:4). Na linguagem da Sagrada Escritura, colocar um selo (ou marcar) denota pertencer ou ser subordinado a alguém. Nos já mencionamos que a marca (ou o nome de Deus) na testa dos escolhidos denota que eles foram selecionados por Deus e têm, conseqüentemente, a proteção de Deus sobre eles (Rev. 3:12; 7:2-3; 9:4; 14:1; 22:4). A atividade do falso profeta, descrita no décimo terceiro capítulo do Apocalipse, convence-nos de que o reino da besta será de natureza político-religiosa. Criando a união de vários governos, ele irá simultaneamente propagar uma nova religião ao invés da Cristã. Portanto, a submissão de alguém ao anticristo, (simbolicamente falando, por ter a marca da besta na testa ou na mão direita) será a confirmação da renúncia ao Cristo, que resultará na perda do Reino dos Céus. (O símbolo da marca vem de costumes antigos onde os guerreiros queimavam seus braços ou suas testas com o nome de seu comandante, e os escravos, à força ou voluntariamente, eram marcados a ferro quente com o selo do nome de seu mestre. Pagãos devotados a alguma entidade freqüentemente carregam tatuagens de sua divindade particular).
É bem possível que no tempo do anticristo seja introduzido um perfeito sistema computadorizado semelhante aos de cartão de crédito modernos. O registro teria um código invisível impresso não em um cartão plástico, como agora, mas diretamente no corpo dos indivíduos. Esse código lido em um olho eletrônico será transmitido a uma central que conterá toda a informação pessoal e financeira pertinente relacionada àquela pessoa. Dessa forma, imprimir códigos pessoais diretamente nas pessoas substituirá a necessidade de dinheiro, passaportes, visas, tickets, cheques, cartões de crédito e outros documentos pessoais. Graças ao código individual, os ladrões não terão nada a levar. Será muito fácil para o governo controlar o crime porque os movimentos das pessoas serão conhecidos graças à central computadorizada. Parece que os aspectos positivos desse sistema de codificação pessoal ajudarão a implantá-lo. Na prática, no entanto, ele também será usado como uma forma de controle político e religioso das pessoas, “quando ninguém poderá vender ou comprar, exceto aqueles que têm a marca” (Rev. 13:17).
É claro que a idéia de estampar códigos nas pessoas é especulação. A essência não são as marcas eletromagnéticas mas a fidelidade ou a traição a Cristo! Através da história do Cristianismo, a pressão dos que se acreditam autoridades do anticristo tem sido feita das mais variadas formas: oferecendo um sacrifício formal a um ídolo, a aceitação do Islamismo, a filiação a uma instituição atéia ou anticristã. Na linguagem do Apocalipse, a aceitação do “selo da besta” é adquirir vantagens temporárias ao preço da renúncia de Cristo.
O número da besta é 666 (Rev. 13:18). O significado deste número permanece um mistério até nossos dias. Evidentemente, ele será decifrado quando as circunstâncias assim o permitirem. Alguns estudiosos vêem o número 666 como uma diminuição do número 777, que por sua vez designa a perfeição. No contexto deste entendimento do simbolismo do número, o anticristo, que se esforça de todas as maneiras possíveis para demonstrar a sua superioridade em relação a Cristo, na verdade seria imperfeito de todas as maneiras. Nos tempos antigos, a contagem numérica de um nome baseava-se na idéia de que todas as letras do alfabeto tinham um significado numérico. Por exemplo, na língua grega (e na Igreja Eslava), “A” é igual a 1, “B” a 2, “G” a 3 a por aí segue. Existem significados numéricos semelhantes das letras nos alfabetos latino e hebraico. Cada nome pode ser contabilizado pela adição de valores numéricos a ele. Por exemplo, o nome Jesus em Grego totaliza 888 (possivelmente denotando a perfeição superior). Há uma série de nomes próprios cuja soma de suas letras traduzidas para dígitos é igual ao número 666. Um exemplo é o nome de Nero Cesário escrito em hebraico. Neste caso, o nome do anticristo era conhecido, e calcular o seu significado numérico não requeria nenhuma sabedoria especial. Talvez se deva olhar para a solução do quebra-cabeça na área do método, embora não seja claro em qual direção. A besta do Apocalipse refere-se tanto ao anticristo quanto ao seu reino. Pode ser que no tempo do anticristo haverá iniciais designando um novo movimento global? Pela vontade de Deus o nome próprio do anti-cristo permanece escondido de nossa curiosidade preguiçosa até hoje. Quando o tempo vier, aquele que deverá fazê-lo irá decifrá-lo.
A imagem falante da besta. É difícil entender as palavras do profeta quando ele diz “Lhe foi dado poder para instilar um espírito nela, na imagem da besta, então a imagem da besta pode falar e agir, matando todos que não a adorassem” (Rev. 13:15). O motivo para isto pode ter sido Antiquo Epifanes ordenando aos judeus colocar a estátua de Júpiter, ereta por ele, no Templo de Jerusalém. Mais tarde, o imperador Domiciano ordenou a todos os cidadãos do Império Romano que se curvassem ante a sua própria imagem. Domiciano foi o primeiro imperador a reclamar para si uma reverência divina mesmo em vida e ordenou que o denominassem de “nosso senhor e nosso deus. ” Algumas vezes, para maior efeito, os sacerdotes escondiam-se atrás das estátuas do imperador e professavam o seu nome. Foi decretado que todos os cristãos que não se curvassem perante a imagem de Domiciano fossem executados, enquanto os que obedecessem seriam recompensados. Pode ser que essa profecia do Apocalipse discurse sobre alguns aparatos semelhantes a aparelhos de televisão que transmitam a imagem do anticristo e simultaneamente observem quem reage a eles. Em todo caso, atualmente a televisão e o cinema são largamente utilizados para propagar idéias anticristãs para familiarizar as pessoas à crueldade e à banalidade. Todos os dias, o ato de assistir indiscriminadamente a televisão mata a bondade e a santidade no homem. Não é a televisão um precursor da imagem falante da besta?
10. Sete pragas, o fortalecimento do poder dos ateus, e o julgamento dos pecadores (caps. 15-17).
Nesta parte do Apocalipse, o Profeta descreve o reino da besta, que chegou ao apogeu de seu controle sobre as vidas humanas. O abandono da fé verdadeira espalhou-se por quase toda a humanidade e a Igreja cai em exaustão: “foi dado a ele o poder de combater os santos e vencê-los” (Rev. 13:7). A fim de encorajar os crentes que ainda permaneceram fiéis a Cristo, São João direciona a sua visão ao mundo celestial e mostra uma grande multidão de justos, como os israelitas que foram salvos do Faraó durante o tempo de Moisés, cantando a canção da vitória (Ex caps. 14 e 15).
No entanto, exatamente como o governo do Faraó chegou ao fim, igualmente os dias do anticristo terminarão. Os capítulos seguintes (16-20) demonstram o julgamento de Deus contra os ateus em passos brilhantes. A destruição da natureza no décimo sexto capítulo é similar à do oitavo, no entanto aqui ela chega a proporções globais e traz uma impressão horrível. Evidentemente, como antes, a destruição da natureza é trazida pela própria humanidade através das guerras e do lixo industrial. Um sofrimento crescente pode ser relacionado à destruição da camada de ozônio da estratosfera e ao aumento do dióxido de carbono da atmosfera. De acordo com a profecia do Salvador, durante o último ano antes do fim do mundo as condições de vida serão tão insuportáveis que “se Deus não tivesse abreviado aqueles dias, nenhuma carne se salvaria” (Mat 24:22).
A descrição do julgamento e das punições nos capítulos 16 a 20 do Apocalipse seguem o padrão de culpa sucessiva dos inimigos de Deus. Os primeiros a serem julgados são aqueles que aceitaram a marca da besta e a cidade capital do império anticristão (Babilônia), então o anticristo e o falso profeta e finalmente, o próprio Satanás.
A narrativa referindo-se à queda da Babilônia é citada duas vezes: primeiro em termos gerais no final do sexto capítulo e depois em mais detalhes nos capítulos 18 e 19. A Babilônia é derrotada como a prostituta sentada em cima da besta. O nome Babilônia lembra a Babilônia Caldéia, onde o poder ateu era concentrado nos tempos antigos. (Foram as forças caldéias que destruíram a cidade de Jerusalém em 586 A. C. ). Descrevendo a pródiga extravagância da “prostituta,” São João imaginava Roma e sua cidade portuária. No entanto, muitos traços atribuídos à Babilônia Apocalíptica não se aplicam a Roma antiga e evidentemente referem-se à capital do anti-cristo.
A explicação detalhada dos anjos no final do décimo sétimo capítulo sobre o “segredo da Babilônia,” referente ao anticristo e seu reino é igualmente enigmática. Provavelmente estes detalhes serão entendidos no futuro, quando o tempo chegar. Algumas das expressões metafóricas são tiradas da descrição de Roma como situada em sete colinas e de seus imperadores ateus. “Cinco cabeças (cabeças da besta)cairão” referem-se aos cinco imperadores romanos, de Júlio César a Cláudio. A sexta cabeça é Nero e a sétima é Vespaciano. “E a besta que era, e que não é agora, é a oitava,e ela é do número dos sete” fala de Domiciano, ressuscitando Nero na mente das pessoas. Ele é o anticristo do primeiro século. No entanto, o simbolismo do décimo sétimo capítulo tem provavelmente uma nova explicação para o tempo do último anticristo.
11. O julgamento contra Babilônia, O anti-cristo e o falso profeta (caps. 18-19).
O Profeta descreve em cores vívidas e brilhantes a figura da queda da capital do reino ímpio que ele chama de Babilônia. Essa descrição é similar às profecias de Isaías e Jeremias sobre a queda da Babilônia Caldéia em 539 A. C. (Isa cap. 13-14; 21:9, e Jer. caps. 50 e 51). Há várias semelhanças entre os centros passado e futuro do mundo do mal. A punição do anticristo (a besta) e o falso profeta é descrita de maneira especial. Como dito antes, a besta é uma personalidade específica dos últimos antagonistas de Deus e em geral a personificação de qualquer poder anti-Deus. O falso profeta é o último falso profeta (um ajudante do anticristo), que também é a personificação de qualquer poder religioso falso ou corrupto.
É importante entender que na narrativa da punição da Babilônia, o anticristo, o falso profeta (caps. 17 a 19) e Satanás (cap. 20) não são descritos em uma ordem cronológica por São João, mas ele usa um método de acordo com o princípio, que descreveremos agora.
Como toda a Sagrada Escritura nos ensina, o reino antagônico a Deus terminará na Segunda Vinda de Cristo, quando o anticristo e o falso profeta irão perecer. O último julgamento de Deus contra o mundo será contra a culpa crescente de seus defensores “(O tempo chegou para o julgamento, e começará com a casa de Deus; e se começará primeiramente por nós, qual serão fim daqueles que não obedecem o Evangelho de Cristo?” (1Pe 4:17; Mt25: 31-46). Primeiramente os fiéis serão julgados; depois os ímpios e os pecadores, os inimigos conscientes de Deus e, finalmente, os principais culpados por todo o afastamento de Deus no mundo, os demônios e o Satanás. ) Nessa ordem, São João narra o julgamento de todos os inimigos de Deus nos capítulos 17 a 20. Adicionalmente, a descrição do julgamento de cada categoria de pecador (os que se afastaram de Deus, os anti-cristos, os falsos profetas e, finalmente, Satanás é precedida pelo Aposto com a descrição de sua culpa. Portanto, fica a impressão de que primeiro virá a destruição da Babilônia e depois virá a punição do anti-cristo e do falso profeta, a qual se seguirá a vinda dos santos na terra. E somente depois de um grande tempo o diabo emergirá para seduzir as nações e então será punido por Deus. Na realidade, contudo, o Apocalipse está descrevendo fenômenos paralelos. Esse método de apresentação por São João deve levar em consideração a interpretação do vigésimo capítulo do Apocalipse (veja o Livreto “The insolvence of Chialism “sobre o tema do fim do mundo).
12. O reinado de mil anos, O julgamento do diabo, A ressurreição e o último julgamento (cap. 20).
O vigésimo capítulo, enquanto fala sobre o reino dos santos e a dupla derrota de Satanás, engloba todo o período do Cristianismo. Ele resume o drama narrado nos vinte capítulos precedentes em que a Igreja-Mulher é perseguida pelo dragão. Primeiramente Satanás temdo sido derrotado por Jesus na cruz. Nesse tempo, ele foi privado do poder no mundo,”algemado,” e “confinado ao abismo” por mil anos; isto é, um período muito longo (Rev. 20. 3). “Agora é o julgamento deste mundo,agora o seu governante será banido” assim diz o Senhor antes de seus sofrimentos (Jô 12:31). Como sabemos através do vigésimo capítulo do Apocalipse e de outras fontes da Sagrada Escritura, o diabo, mesmo depois da morte de Jesus na cruz, tem a habilidade de seduzir os crentes e criar armadilhas para eles, embora ele não tenha poderes sobre eles. O Senhor diz aos seus discípulos “dei-lhes a autoridade para pisar em serpentes e escorpiões e em todos os poderes do inimigo” (Luc 10:19).
Apenas depois do final derradeiro do mundo, quando devido ao abandono geral da fé o enganador aparecer da névoa (2 Tess 2:7), o diabo mais uma vez dominará a humanidade pecadora, mas apenas por um curto período de tempo. Ele erguerá, então uma guerra terrível à Igreja (Jerusalém) dirigindo contra ela seus inimigos Gog e Magog, mas ele será derrotado por Cristo uma segunda e última vez. “Eu construirei a minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela” (Mat. 16:18). Os exércitos de Gog e Magog representam a união de todas as forças atéias (Teomáquistas), tanto humanas quanto das regiões profundas, as quais Satanás unirá nessa insana guerra contra Cristo. Deste modo, a sempre acelerada guerra contra a Igreja durante os séculos termina no capítulo 20 do Apocalipse com a derrota total de Satanás e de seus servos. O vigésimo capítulo sumariza o aspecto espiritual dessa guerra e mostra o seu fim.
No lado iluminado da perseguição dos fiéis está o fato de que apesar dele sofrerem fisicamente,eles são espiritualmente vitoriosos contra o diabo porque permaneceram leais a Cristo. No momento em que o mártir morre, ele reina com Cristo e “julga”o mundo participando no destino da Igreja e da humanidade (Rev. 20:4) (Esta é a razão que voltamo-nos para eles para auxílio e é a base da veneração dos santos pela Igreja Ortodoxa). Em uma gloriosa participação dos sofredores da causa da fé, o Senhor diz “quem acredita em mm, ainda que morra, voltará comigo à vida” (Jo 11:25). A “primeira ressurreição”no Apocalipse é o renascimento espiritual, que começa com o Batismo do fiel, que é fortalecido pelas suas ações cristãs e chega ao seu momento culminante com a morte martírica pela causa de Cristo. A promessa seguinte diz respeito aqueles renascidos espiritualmente: “O tempo urge e realmente chegou,quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e, ouvindo-a, reviverão”. As palavras do décimo versículo do capítulo 20 são conclusivas: Satanás, tendo enganado a humanidade, “será lançado em um lago de fogo. ” Então ele conclui a narrativa falando da condenação dos ímpios, do falso profeta, do anti-cristo e de Satanás.
O capítulo 20 termina com a descrição do julgamento final. Antes disso, haverá a ressurreição universal dos mortos, isto é, uma ressurreição física, a qual o Apóstolo denomina a “segunda ressurreição. ” Todas as pessoas serão ressuscitadas, tanto os justo quanto os pecadores. Após a ressurreição universal “os livros serão abertos e. . . aqueles mortos serão julgados de acordo com o que estiver registrado nos livros”. Evidentemente é lá, portanto, perante o trono do julgamento, que o estado espiritual de cada pessoa será manifestado. Todas as ações obscuras, palavras raivosas, pensamentos e desejos secretos, tudo que estava cuidadosamente escondido ou mesmo esquecido virá subitamente à tona e ficará evidente. E será uma visão terrível!
Como há duas ressurreições, há duas mortes. A primeira morte é o estado de “descrença” e pecado daqueles que não aceitam o Evangelho. A segunda morte é ser condenado ao eterno afastamento de Deus. Esta descrição é muito concisa e o Apóstolo já havia falado sobre o Último Julgamento (Rev. 6:12-17, 10:7, 11:15, 14:14- 20, 16: 17-21, 19:19-21, 20:11-15). Aqui o Apóstolo sumariza o Último Julgamento (o profeta Daniel havia tocado brevemente nisso no vigésimo capítulo). Com essa breve descrição, São João conclui o escrito sobre a história da humanidade e muda de direção para a descrição da vida eterna dos justos.
13. A nova terra, eterna beatitude (caps. 21 e 22).
Os últimos dois capítulos do livro do Apocalipse contém as páginas mais gloriosas e alegres da Bíblia. Elas descrevem a beatitude dos justos no mundo rejuvenescido, onde Deus irá secar cada lágrima dos olhos dos sofredores, onde não haverá mais morte, nem lamúrias, nem choros,nem doenças. A vida, a qual não terá fim, irá começar.
*** *** *** ***
Portanto, o Livro do Apocalipse foi escrito durante um período de perseguição da Igreja. Seu objetivo era fortalecer e confortar os fiéis em prevenção às lutas que viriam. Ele revela os métodos e artifícios pelos quais o diabo e seus servos tentam destruir os fiéis. Ele ensina como se pode superar as tentações. O Livro do Apocalipse manda um apelo aos fiéis para estarem atentos ao seu estado espiritual, a não terem medo de sofrer e morrer pela causa de Cristo. Ele mostra a vida feliz dos santos nos Céus e chama-nos a nos juntarmos a eles. Embora os fiéis algumas vezes tenham muitos inimigos, eles têm muito mais defensores na forma de anjos, santos, e especialmente Cristo, o Vitorioso.
O Livro do Apocalipse, mais vividamente e mais descritivamente do que qualquer outro livro da Escritura revela o drama da batalha entre o bem e o mal na história da humanidade e demonstra mais plenamente o triunfo do bem e da vida
14. Tabelas para as cartas às Sete Igrejas
15. Plano do Apocalipse
Folheto Missionário número P049 Copyright © 2004 Holy Trinity Orthodox Mission 466 Foothill Blvd, Box 397, La Canada, Ca 91011 Redator: Bispo Alexandre Mileant
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Falsos profetas
Nos últimos dias, o que mais se tem visto é o aumento dos falsos profetas, o surgimento de falsos cultos e a tolerância com as falsas doutrinas:
“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento, exigem abstinência de alimentos, que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade.”
(I Timóteo 4.1-3)
Na passagem acima, o apóstolo Paulo alerta sobre o fato de que, nos últimos tempos, muitos se desviariam da simplicidade da fé, para darem ouvidos a espíritos enganadores.
Os acontecimentos têm provado, sem deixar qualquer dúvida, a verdade desta profecia. Há muito vêm surgindo diversos cultos, cada qual pretendendo ser a verdadeira Igreja e vilipendiando os demais movimentos. Citaremos alguns deles:
1) Teoria da Evolução — Criada por Charles Darwin, afirma que o homem descenderia dos primatas, ou seja, macacos, orangotangos, chipanzés, etc, em flagrante contradição à revelação bíblica, que mostra ter sido o homem criado à imagem de Deus:
“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.”
(Gênesis 2.7)
Também disse Deus:
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”
(Gênesis 1.26,27)
O homem é, portanto, sem sombra de dúvidas, a obra prima da criação de Deus, dotado de uma capacidade de raciocínio inexistente nos outros seres vivos, tendo o domínio sobre todas as demais criações divinas.
2) Mormonismo — Com sua doutrina de poligamia, ensina que se um homem casar com uma jovem, e, com o consentimento desta, casar com outra, e ambas forem dele, não haverá adultério. Se vier ainda a casar com outras dez, não estará cometendo adultério, pois todas lhe pertencem, sendo justificado o seu ato.
3) Espiritismo — Com sua satânica doutrina de reencarnação, ensina que na morte a pessoa recebe uma nova identidade, e nasce em outra vida, como animal, ser humano ou até mesmo um deus.
A morte, segundo suas doutrinas, não significa o fim de uma pessoa, mas sim que sua alma, sabendo que o corpo material, o qual neste mundo lhe servia como veículo ou instrumento, já chegou ao limite de tempo de uso, abandona-o a fim de mudar de corpo.
A Palavra de Deus nos mostra que o dia da Salvação é agora:
“Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação.”
(2 Coríntios 6.2)
Não precisamos de outra vida ou de quaisquer supostas vidas anteriores, até porque “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hebreus 9.27).
Também está claro que quando Moisés e Elias apareceram no monte da transfiguração, ainda eram Moisés e Elias: “E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com eles” (Mateus 17.3).
O Senhor Jesus também manteve a Sua identidade depois da Sua morte e ressurreição, e Ele mesmo, não alguma reencarnação, voltará à Terra: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (Atos 1.11).
O Senhor Jesus não ensinou a reencarnação a Nicodemos, quando disse: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3).
Ele estava Se referindo ao fato de que Nicodemos precisava abandonar sua velha natureza e se regenerar espiritualmente, tendo uma nova vida. Os apóstolos entenderam isso e ensinaram essa verdade: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2 Coríntios 5.17).
João Batista não era a reencarnação de Elias, conforme ele mesmo disse:
“Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu? Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou.”
(João 1.19-21)
4) Testemunhas de Jeová — Grupo sectário e intransigente ao extremo, ensina que Jesus é a primeira criação de Deus, que era o arcanjo Miguel antes de Se tornar homem, e que só Se tornou Cristo (o Messias) no batismo; que Ele não ressuscitou corporalmente e não pode ser adorado.
Diz também ser o Espírito Santo apenas uma força ativa e nega a existência do inferno em seu sentido literal. Os santos do Antigo Testamento, segundo suas doutrinas, não irão para o Céu, para onde só irão 144 mil eleitos. Proíbe a transfusão de sangue e condena todos os outros seguidores de Jesus.
O pastor Russel, seu fundador, predisse a segunda vinda de Jesus para o ano de 1914, predição esta que, como se sabe, falhou totalmente, porém marcar datas para a volta do Senhor Jesus não é uma exclusividade das Testemunhas de Jeová.
De acordo com muitos comentaristas bíblicos, os “marcadores de data” para a segunda vinda de Cristo contribuíram para que as profecias bíblicas fossem desacreditadas por muitos.
A mania de marcar datas começou por volta do ano 500 d.C. A Igreja primitiva não marcava datas específicas, pois acreditava que Cristo poderia voltar a qualquer momento. Apesar das Escrituras Sagradas proibirem a marcação de datas, sempre havia aqueles que lançavam mão de cálculos para fazê-lo.
Os cristãos fiéis sabem que está próximo o fim dos tempos, e que a volta de Jesus é iminente, mas a marcação de datas está fora da Palavra de Deus: “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade” (Atos 1.7).
5) Ciência Cristã — Não é nem Ciência e nem cristã. Sua fundadora, Mary Baker, casada três vezes, estabeleceu uma religião firmada em um sistema de negações.
Declarou não existir enfermidade, pecado, doença ou morte. Tudo seria produto da imaginação. Satanás também se utiliza de argumentos semelhantes para pregar que não existe pecado, morte, dor, inferno e tantos outros fatores pertinentes à humanidade, os quais o homem gostaria que não existissem, para viver sem nenhuma culpa ou obrigação para com Deus.
6) Catolicismo — Citaremos algumas de tantas doutrinas falsas da Igreja Católica, que ensina, por exemplo, que existe salvação somente através da igreja, contrariando totalmente a Palavra de Deus, que diz:
“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”
(Atos 4. I 1, 12)
Ensina também a salvação através de boas obras, quando a Bíblia nos ensina o contrário:
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.”
(Efésios 2.8,9)
Afirma ter capacidade para perdoar pecados, porém só Deus, através do Senhor Jesus, pode fazer isso: “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados” (Marcos 2.5).
Diz ser a única Igreja verdadeira, rotulando todas as outras de seitas, quando a única Igreja verdadeira é a do Senhor Jesus Cristo, independente de denominação, porém uma Igreja comprometida com a verdade e que tem as suas doutrinas fundamentadas na Palavra de Deus.
O papa, segundo o catolicismo romano, é o vigário de Cristo, ou seja, Seu substituto. A Bíblia, entretanto, diz que o Seu único substituto é o Espírito Santo:
“Mas eu vos digo a verdade: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vô-lo enviarei.”
(João 16.7)
O papa seria ainda infalível, mais uma vez contrariando a Palavra de Deus: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23).
O batismo de crianças não passa de uma tradição católica, pois só pode haver batismo quando a pessoa crê no Senhor Jesus e se arrepende dos seus pecados.
Um bebê não pode crer nem se arrepender:
“Seguindo eles caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água, disse o eunuco: Eis aqui água que impede que seja eu batizado? [Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus].”
(Atos 8.36,37)
E ainda: “Eu vos batizo com água para arrependimento” (Mateus 3.11).
Dentre tantas doutrinas falsas, a Igreja Católica também ensina que Maria seria mediadora; auxiliadora; intercessora; advogada e protetora. Que ela daria ordens e estas seriam atendidas por um bebê no colo; que ela seria capaz de salvar e que teria permanecido virgem perpetuamente.
A verdade é que o único Intercessor é o Senhor Jesus: “…o qual está a direita de Deus, e também intercede por nós” (Romanos 8.34). Ele é o nosso Advogado: “…temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2.1).
Maria não permaneceu virgem eternamente, pois a Bíblia faz referências sobre os irmãos do Senhor Jesus: “Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe” (Mateus 12.46); “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?” (Mateus 13.55); “… e também o de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?” (1 Coríntios 9.5); “E não vi outro dos apóstolos, senão a Tiago, o irmão do Senhor” (Gálatas 1.19).
O purgatório, por sua vez, é uma das falsas doutrinas que mais dão lucro à Igreja Católica, pois a família da pessoa que teria morrido sem salvação tem que pagar dezenas de missas, para supostamente retirar sua alma daquele lendário lugar, sem jamais ter a certeza de que seu familiar foi salvo.
O purgatório não é mencionado uma vez sequer na Bíblia. A salvação é decidida enquanto se está vivo; depois de morto, só resta o juízo: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hebreus 9.27).
Quanto à idolatria, tão condenada na Bíblia em muitos versículos, assim nos diz o Senhor mais precisamente no segundo Mandamento:
“Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor teu Deus…”
(Êxodo 20.4,5)
Existe, portanto, uma proibição explícita por parte do próprio Deus. Não se deve fazer imagens nem figura alguma do que há nos céus, na Terra, nas águas, debaixo da Terra, para se curvar diante delas, ou lhes prestar qualquer culto ou veneração. E aqueles que as fazem, ou lhes prestam culto e as veneram, estão desobedecendo ao próprio Altíssimo.
A Bíblia afirma que as imagens atraem maldição:
“Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominável ao Senhor, obra de artífice, e a puser em lugar oculto.”
(Deuteronômio 27.15)
Todos os cultos e doutrinas falsas citados até agora são conhecidos, porém o que mais nos tem chamado a atenção é o fato das falsas doutrinas invadirem as igrejas que se dizem evangélicas, confirmando as palavras do Senhor Jesus:
“E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.”
(Mateus 24.4,5,10,1 I)
Dentre estas, as mais comuns são:
1) “Cair pelo poder de Deus” — conhecida como “fanerose”, diz que quando alguém se sente cheio do Espírito Santo, cai no chão, como se estivesse desacordado, sendo uma suposta manifestação visível da presença do Espírito Santo.
Isso não faz parte da história da Igreja, tampouco o Senhor Jesus e os apóstolos ensinaram tal coisa. Aqueles que crêem nessa doutrina afirmam ter base bíblica, citando casos como o de Adão, a quem Deus fez dormir; Abrão, a quem Deus falou quando estava em profundo sono; Daniel, que ao ter uma visão caiu sem sentidos; Saulo, que caiu por terra diante da luz de Deus, e João, que diante da visão do Cordeiro caiu como morto.
Se, porém, analisarmos essas passagens bíblicas, constataremos que não há qualquer base para, a partir delas, estabelecer essa doutrina, pois todos esses casos foram isolados, e cada um com a sua razão de ser.
O sono de Adão deu origem a Eva:
“Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher.”
(Gênesis 2.21,22)
O de Abrão foi seguido de grande pavor e cerradas trevas: “Ao pôr-do-sol, caiu profundo sono sobre Abrão, e grande pavor e cerradas trevas o acometeram” (Gênesis 15.12).
A queda de Daniel aconteceu depois de 21 dias de jejum e oração:
“Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas inteiras. Só eu, Daniel, tive aquela visão; os homens que estavam comigo nada viram; não obstante, caiu sobre eles grande temor, e fugiram e se esconderam. Fiquei, pois, eu só e contemplei esta grande visão, e não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma. Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo-a, caí sem sentidos, rosto em terra.”
(Daniel 10.3,7-9)
Saulo, quando caiu, estava cheio de ódio:
“Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém. Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?”
(Atos 9.1-4)
E não apenas Saulo caiu; seus companheiros, assassinos, também caíram: “E, caindo todos nós por terra…” (Atos 26.14).
E o apóstolo João estava preso na Ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus, e se encontrava em espírito, e caiu após ouvir a voz do Senhor, como som de trombeta: “Quando o vi, caí a seus pés como morto” (Apocalipse 1.17).
Nada há nestas passagens que reforce a doutrina do “cair pelo poder de Deus”, pois o grande fundamento da fé cristã está em levantar o homem, e não em fazê-lo cair: “Então, o Espírito me levantou e me levou à porta oriental da Casa do Senhor, a quai olha para o oriente” (Ezequiel 11.1).
Este é o propósito de Deus: levantar os que se encontram caídos, no chão, na miséria, nas doenças, para fazê-los enxergar que, assim como um pai que deseja e se alegra em ver o seu filho de pé, Ele também deseja que aqueles que O invocam, de todo o coração, levantem-se e enxerguem a plenitude de vida que o Senhor Jesus nos veio trazer.
Exemplo disso aconteceu com o cego de Jericó:
“Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama. Perguntou Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou.”
(Marcos 10.49,51,52)
Aliás, quem gosta de ver as pessoas na miséria, doentes, perdidas, é o diabo! E a Bíblia nos ensina que ele é quem joga as pessoas no chão:
“E um, dentre a multidão, respondeu: Mestre, trouxe-te o meu filho, possesso de um espírito mudo; e este, onde quer que o apanha, lança-o por terra.”
(Marcos 9.17,18)
A manifestação visível da presença de Deus na vida do cristão não é cair no chão, rolar pelo piso sujo e empoeirado de um salão de culto, tampouco dormir na hora em que uma pessoa está orando ou pregando a Palavra de Deus.
Cada cristão tem a responsabilidade de testemunhar, na sua própria vida, a ressurreição do nosso Senhor Jesus, e também de manter uma conduta irrepreensível. Aí está a manifestação visível, o poder de sermos testemunhas vivas do Senhor Jesus.
A Palavra de Deus nos mostra que: “Não havendo sábia direção, cai o povo” (Provérbios 11.14). E o que tem acontecido com aqueles que caem nessa falsa doutrina.
2) Predestinação — falsa doutrina que tem sido divulgada abertamente em muitas igrejas evangélicas, através de interpretações distorcidas da Palavra de Deus.
Os predestinistas dizem que Deus escolhe algumas pessoas para que sejam salvas, enquanto outras estariam destinadas à perdição. Esta doutrina foi criada por Agostinho, bispo de Hipona, no quarto século, a partir de uma reação contra o livre-arbítrio.
Filósofo e teólogo, Aurélio Agostinho nasceu no dia 13 de novembro de 354, na cidade de Tagaste, hoje chamada Souk Ahrás, província romana da Numídia, hoje Algéria, África, filho de um funcionário municipal, Patrício, e de Mônica, venerada como santa pelo catolicismo romano.
Viveu durante 15 anos com a mãe de seu filho, Adeodato, sendo que os últimos oito anos foram passados em Cartago, também no continente africano, onde era professor de Eloqüência, função que posteriormente exerceu em Milão, na Itália.
A família se desfez em 384, por motivos religiosos, quando Agostinho se converteu ao cristianismo, numa separação muito triste e dolorida para o casal. Adeodato ficou com o pai e a mãe voltou sozinha para Cartago.
Em companhia da mãe, do irmão, Navígio, do filho e de alguns discípulos, Agostinho viveu numa espécie de retiro espiritual de setembro de 386 a março de 387, ano em que sua mãe foi vítima de uma enfermidade, que em nove dias provocou a sua morte, aos 56 anos de idade.
No ano seguinte morreu Adeodato, seu filho, com 16 anos, também vítima de uma doença que em pouco tempo o matou.
Em 395 foi sagrado bispo na cidade de Hipona, pequeno porto no Norte da África. Escreveu 232 livros, além de inúmeras cartas e sermões. Morreu com 76 anos, no dia 28 de agosto do ano 430.
Algumas Ordens e Congregações Religiosas do catolicismo romano levam o seu nome, dentre elas Agostinianos Assuncionistas; Ordem dos Agostinianos Recoletos; Ordem de Santo Agostinho; Ordem dos Agostinianos Descalços.
Confrontação bíblica
Todas as vezes que a Bíblia fala que Deus nos predestinou, diz respeito a que Ele, na Sua onisciência, antecipou a possibilidade de que o ser humano escolhesse o caminho do mal, e, por isso, criou antecipadamente um plano para salvá-lo: “Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1.5).
E em todas as vezes que a Palavra de Deus fala de predestinação, refere-se a um povo ou um conjunto de pessoas, sempre num sentido coletivo, e nunca em particular.
A predestinação não tem respaldo bíblico; é, portanto, uma doutrina falsa, e os que a apóiam ofendem diretamente a Deus, que não faz acepção de pessoas: “Porque para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2.11).
A predestinação anularia o sacrifício do Senhor Jesus, pois se somos predestinados para a salvação ou perdição, Deus teria sacrificado Seu Filho inutilmente, e também Se revelaria um Deus cruel, que permitiria o nascimento dos seres humanos para depois destinar milhões para o inferno, pela Sua livre vontade.
Eliminaria também a necessidade do ser humano ser julgado, pois como poderia ser condenado ou absolvido por algo que teria sido determinado por Deus, e não pela sua vontade própria?
De nada adiantaria perseverar na fé cristã, pois aqueles que tivessem sido predestinados para serem salvos seriam salvos, e os perdidos já estariam perdidos. A Palavra de Deus, porém, diz que temos de perseverar na fé, combater o bom combate, viver uma vida santa e ser fiéis até a morte: ‘Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mateus 24-13); “Combate o bom combate da fé…” (1 Timóteo 6.12); “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1.16); “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2.10).
BISPO ALFREDO PAULO, RJ – 2002 (“Os Últimos Dias da Humanidade”)























Aldo Corrêa de Lima – ADVOGADO




Abr 30, 2012 @ 21:45:05
O LIVRO DE APOCALIPSE É UM LIVRO QUE NÃO ODEMOS TER MEDO DE LER POIS DEPOIS QUE LEMOS ELE NÃO NOS ARREPENDEMOS!!!
Jul 21, 2011 @ 22:48:12
queria saber sobre a religião ” RASTAFARIANISMO” oque vocês acham dela ? qual a doutrina da mesma ? quem foi JAH ?
espero a resposta , Deus lhe abençoe.