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O Pior Homem do Mundo e o Perdão de Deus

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A Conversão do Pior Homem do Mundo

 2 Cr. 33.1-16. 

INTRODUÇÃO

1. A história está eivada de homens maus

Os anais da história estão repletos de homens que deixaram um rastro sombrio na nossa lembrança: Homens facínoras, assassinos, feiticeiros, monstros bestiais, pervertidos celerados e déspotas sanguinários. Homens incendiários como Nero. Homens traidores como Judas. Homens perversos como Hitler. Homens truculentos como Mao Tse Tung.

Mas, talvez, nenhum homem tenha excedido em perversidade a Manassés. Esse rei foi o décimo terceiro rei de Judá. Reinou 55 anos, de 697 a 642 a.C. Seu nome significa “Aquele que esquece” e ele esqueceu-se de Deus.

2. Poderia a graça de Deus alcançar aqueles que descem até às profundezas da degradação?

Normalmente achamos que há pessoas irrecuperáveis. Que há pecadores que estão fora do alcance da graça. A história de Manassés vai nos mostrar que não há poço tão fundo que a graça de Deus não possa ser mais profunda. A graça é maior do que o pecado. Onde abundou o pecado superabundou a graça.

I. OS PRIVILÉGIOS DE MANASSÉS

1. Ele era filho de um pai piedoso

Ele cresceu bebendo o leite da verdade e sugando o néctar da piedade. Ele cresceu num lar onde Deus era conhecido e amado. Mas a piedade dos pais não é garantia que os filhos seguirão o mesmo caminho. Manassés tinha exemplo. Tinha modelo dentro de casa. Seu pai promoveu uma grande reforma espiritual em Judá depois do desastrado reinado de Acaz. Ele limpou a casa de Deus.

2. Ele assumiu o trono ainda jovem – v. 1

Manassés nasceu num berço de ouro e começou e assumiu o trono de Jerusalém com doze anos de idade. Ele só teve privilégios na vida. Ele esbanjou suas oportunidades. Ele desperdiçou todas as coisas boas que Deus estava lhe dando desde cedo na vida.

3. Ele teve o reinado mais longo de Judá – v. 1

Ele teve muito tempo para andar com Deus, para fazer o que era certo e para arrepender-se dos seus pecados. Ele governou 55 anos e nesse tempo ele fez o que era mau perante o Senhor. Ele entupiu Jerusalém e a Casa de Deus de idolatria e se prostrou em altares de estranhos deuses, provocando o Senhor à ira.

4. Ele teve a advertência de Deus – v. 10

Deus não o deixou errar sem advertência. Deus o alertou, o corrigiu. Enviou-lhe profetas, mas ele e o povo não quiseram ouvir a voz de Deus. Fecharam o coração. Endureceram a cerviz. Taparam os ouvidos à Palavra e à voz da consciência.

II. OS PECADOS DE MANASSÉS

1. Ele liderou o povo a pecar contra Deus v. 2,9

Manassés foi um líder mau. Ele usou sua influência para desviar as pessoas de Deus. Ele levou sua nação a fazer coisas piores do que as nações pagãs (v. 9). Ele tornou a edificar os altos, liderou o povo na adoração de Baal. Ele se prostrou diante de todo o exército dos céus (v. 3). Ele adorava as estrelas. Ele tornou-se um viciado em astrologia. Ele tornou-se um místico inveterado. Tornou-se um apóstata, um náufrago na fé.

2. Manassés profanou a Casa de Deus – v. 4,5,7

Ele fez pior que Acaz que fechou a casa de Deus. Ele introduziu ídolos abomináveis dentro da Casa de Deus. Ele profanou a Casa de Deus. Ele insultou a santidade de Deus e do culto.

3. Ele se tornou um feiticeiro inveterado – v. 6

A feitiçaria de Manassés chegou a ponto dele sacrificar seus próprios filhos a Moloque. Ele era adivinho. Era agoureiro. Praticava feitiçaria. Tratava com necromantes. Ele consultava os mortos. Ele era feiticeiro, espírita, pai de santo. Ele provocava o Senhor à ira.

Há muitas pessoas mergulhadas até o pescoço com feitiçaria, com espiritismo, com astrologia, com consulta aos mortos, com misticismo pagão.

4. Ele derramou muito sangue inocente – 2 Rs 21.16

Ele matou seus próprios filhos. Matou filhos de outras pessoas. Ele mandou cerrar ao meio o profeta Isaías. Flávio Josefo diz que todos os dias se sacrificavam pessoas em Jerusalém a mando de Manassés. Ele era um homem mau, virulento, truculento, assassino e sanguinário.

III. O JUÍZO DE DEUS SOBRE MANASSÉS

1. A prisão de Manassés – v. 11

Quem não escuta a voz da Palavra, escuta a voz da chibata. Quem não atende a voz do amor, é arrastado pela dor. O rei da Assíria prende Manassés com ganchos, amarra-o com cadeias e o leva cativo para a Babilônia.

2. A humilhação de Manassés – v. 11,12

Manassés desceu ao fundo do poço. Ele é arrancado do trono, de Jerusalém. É levado como um bicho, com canga no pescoço, em anzóis em sua boca e jogado numa prisão. Ele é levado para a Babilônia, o centro da feitiçaria do mundo. Os ídolos da Babilônia que ele adorava não puderam livrá-lo.

3. A angústia de Manassés – v. 12

O pecado não compensa. Quem zomba do pecado é louco. O homem será apanhado pelas próprias cordas do seu pecado. Manassés está cativo, algemado, angustiado. Quem não escuta a voz, escuta a vara.

IV. A CONVERSÃO DE MANASSÉS

1. A infinita graça de Deus – v. 13

Quando lemos essa história temos a vontade de dizer: agora bem feito! Ele deve pagar por todas as suas atrocidades. Mas, este homem clama a Deus e o Senhor o salva. Deus é rico em perdoar. Ele tem prazer na misericórdia. Não há causa perdida para ele.

Deus mandou Manassés para a prisão, para não mandá-lo para o inferno. É um acidente, uma doença, uma tragédia familiar. Deus está pronto a mover o céu e a terra para que você não pereça.

2. A humilhação de Manassés – v. 12

A conversão começa com o arrependimento, com a tristeza pelo pecado, com a consciência de que temos feito o que é mau perante o Senhor. Manassés muito se humilhou perante Deus. Ele caiu em si. Ele reconheceu seu erro. Ele não se justificou, nem endureceu seu coração. Ele se curvou, se humilhou. Se arrependeu.

3. A oração de Manassés – v. 12

Manassés vivera toda a sua vida invocando os mortos, adorando os ídolos, levantando altares aos deuses pagãos. Mas, agora, na hora do aperto, ele ora ao Deus do céu e este atende ao seu clamor. Clame por Deus. Grite por socorro. Levante a sua voz. Ainda há esperança para a sua alma.

4. A salvação de Manassés – v. 13

Quando Manassés voltou-se para Deus, Deus voltou-se para ele. Restaurou sua vida, seu reino, sua alma. Manassés, então reconheceu que o Senhor é Deus. Deus o aceitou. Deus o restaurou. Deus o levantou. Deus restituiu o seu reino.

5. As provas do arrependimento de Manassés – v. 13-16

a) Aceitação – (v. 13) – Os ouvidos de Deus estão abertos, suas mãos estão estendidas para você. O Pai está pronto a receber o pródigo de volta e fazer uma festa. Não importa quão longe você tenha ido e quando profundo o poço que você tenha caído, Deus está pronto a perdoar você e aceitar você de volta para ele.

b) Iluminação – (v. 13) – “Então reconheceu Manassés que o Senhor era Deus”. Deus pode abrir os olhos da sua alma nesta noite. Ele pode abrir seu coração para crer. Ele pode tirar a cortina dos seus olhos. Ele pode dar a você entendimento espiritual. Ele pode revelar a você a glória do seu Filho Jesus Cristo.

c) Reforma – (v. 15) – Manassés fez uma faxina na Casa de Deus e na sua vida. Ele tirou toda a abominação que ele mesmo tinha colocado na Casa de Deus. Arrependimento implica em mudança.

d) Consagração – (v. 16) – Manassés não apenas tirou o que estava errado, mas restaurou o altar do Senhor. Ele começou a buscar a Deus novamente. Ele se voltou para Deus de todo o seu coração. Ele foi convertido a Deus e passou a consagrar-se a Deus, liderando sua nação a voltar-se para o Senhor.

CONCLUSÃO

Vamos ver algumas lições:

1) A piedade dos pais não é garantia que os filhos vão andar com Deus;
2) A vida longa não é segurança do favor de Deus;
3) Não há grau de impiedade que esteja além do alcance da graça de Deus e do perdão de Deus;
4) Não espere uma tragédia em sua vida para você voltar-se para Deus.
5) O pecado é algo que Deus abomina e jamais ficará sem julgamento;
6) Hoje é o dia de você voltar-se para Deus de todo o seu coração;
7) Se você voltar-se para ele nesta noite, agora mesmo, ele ouvirá seu clamor e restaurará a sua alma, dando-lhe a salvação!

Rev. Hernandes Dias Lopes

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E dizem que o ISLÃ prega a Paz – Pastor condenado à morte por ser Cristão

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Um pastor cristão no Irã foi condenado à morte por alegadamente renunciar à sua religião muçulmana e enfrenta um possível indiciamento pela mesma acusação de apostasia, de acordo com um grupo ativista que trabalha pelos direitos humanos no país.

Youcef Nadarkhani (foto), um membro de 32 anos do ministério da Igreja do Irã (tradução livre) e pastor de uma congregação de aproximadamente 400 pessoas na cidade de Rasht, enfrenta a morte, segundo a Campanha Internacional para os Direitos Humanos no Irã (tradução livre).

No sul da cidade de Shiraz, outro pastor cristão, Behrouz Sadegh-Khanjani, 35 anos, enfrenta um possível indiciamento por apostasia.

“Isso é parte de uma maior tendência de perseguição contra os cristãos”, disse Firouz Sadegh-Khanjani, irmão de Behrouz e membro do Conselho da Igreja do Irã.

Onda de perseguição

Os cristãos estão sentindo a pressão em outras partes do mundo muçulmano.
No Iraque, os cristãos foram atacados e muitos fugiram de suas casas para outras terras.

No Paquistão, uma mulher cristã enfrenta uma sentença de morte por blasfêmia por ter supostamente ter profanando o nome do profeta Maomé.

Julgamento

Em 22 de setembro, 11º Circuito de Apelações do Tribunal Penal iraniano para a província Gilan, confirmou a sentença de morte e condenação de Nadarkhani por apostasia.

Apostasia é o “ato de renunciar a religião”, afirma o grupo de direitos humanos nesta terça-feira, 07 de dezembro. “Não é um crime contra o Código Penal do Irã islâmico. Em vez disso, o juiz-presidente no caso Nadarkhani concedeu sua opinião pelos textos de estudiosos da religião iraniana.”

“É um ponto negativo de todo o sistema judicial condenar uma pessoa à morte fora de seu próprio ordenamento jurídico”, disse Aaron Rhodes, um porta-voz para a campanha.

“Executar alguém com base na religião que escolher praticar ou não praticar é a melhor forma de discriminação religiosa e desprezo pela liberdade de consciência e de crença”, completa.

No julgamento diz que Nadarkhani nasceu em lar muçulmano, mas se converteu ao cristianismo quando tinha a idade de 19 e ele disse que “durante os interrogatórios Nadarkhani fez uma confissão por escrito de admitir ter deixado o islamismo pelo cristianismo.”

Ele disse que durante seu julgamento que seus “interrogadores o pressionou a fazer a declaração”.

“Eu não sou um apóstata… Antes dos 19 anos de idade eu não aceitava qualquer religião”, disse Nadarkhani no julgamento.

Fonte: Missão Portas Abertas (via G1 Gospel).

Ex Gay: É possível a REGENERAÇÃO (!)

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O testemunho que você está prestes a ler foi escrito por um pastor adventista, que usa o pseudônimo de Victor J. Adamson, para proteger sua identidade. Ele escreveu seu testemunho em grande parte como resposta ao artigo “Are Homosexual God’s Children? São os Homossexuais Filhos de Deus?” que apareceu na Adventist Review de Abril de 1997. O artigo, como indicado acima, via a homossexualidade como uma orientação hereditária permanente que não pode ser mudada.

Adamson não partilha desta opinião. A história de sua peregrinação da escravidão à liberdade mostra que, pela graça de Deus “Homossexuais podem ser curados!”. Eu acredito que você gostará de ler este testemunho. Sinta-se livre para compartilhar com seus amigos.

Se você tivesse me perguntado há nove anos, porque eu tinha escolhido ser gay, eu teria respondido a você como eu fiz inúmeras vezes antes, “Eu não escolhi ser gay! Eu escolhi ser um cristão adventista do sétimo dia. Eu escolhi ser educado nas escolas cristãs Adventistas do Sétimo. Eu escolhi ser um estudante missionário. Eu escolhi me graduar e pós graduar em Teologia com distinção. Eu escolhi me casar com uma jovem adventista. Eu escolhi ter filhos adventistas do Sétimo Dia. Eu não escolhi ser gay! Eu finalmente cheguei ao confronto com a realidade e aceitei o fato de que eu era gay. cheguei a acreditar que eu nasci gay”.

Durante anos depois de minha “saída” do armário e experimentando a separação devastadora do meu lar, eu duvidava que alguém me dissesse que a minha “condição” era uma questão de escolha. Eu tinha feito todas as “escolhas” certas na minha vida. Embora lutando com os anseios irritantes do meu coração, eu tinha orado incessantemente para que Deus “Criasse em mim um coração puro, e renovasse um espírito reto dentro de mim.” Eu queria que Deus me ajudasse a amar e ser apaixonado pela minha esposa. Mas, todos os meus esforços foram em vão.

Por fim, eu sucumbi àqueles anseios lancinantes e cai na vida “gay” de relações homossexuais, totalmente convencido de que a minha “condição”, ou “comportamento”, não era o resultado da minha escolha deliberada. Que cristão estaria disposto a optar por estar tão radicalmente fora de sincronia com a sociedade e a igreja? Eu tinha de ser a vítima do meu próprio ambiente, ou eu simplesmente nascera assim.

Meus pais, amigos e familiares todos pensavam em mim como uma pessoa gentil, amável e atenciosa com os outros. Aos seus olhos eu era inteligente, simpático, cortês e talentoso em muitas áreas. Acima de tudo, eu era conhecido por ser profundamente espiritual.

As Tensões do Meu Estilo de Vida “Gay”

Ao entrar no estilo de vida “gay”, eu ainda vivia de acordo com essa imagem, só que eu já não era mais “profundamente espiritual.” Recusei-me a ser um hipócrita. Não havia nenhuma maneira que eu pudesse conciliar a minha homossexualidade com o chamado para fazer parte do povo remanescente que ama a Deus e guarda os seus mandamentos. Para mim a Bíblia era muito clara ao ensinar que “os sodomitas” não entrarão no Reino de Deus (1 Coríntios. 6:9).

Olhando para trás nos anos gastos no estilo de vida “gay”, eu posso honestamente dizer que minha vida se tornou cheia de comportamentos nojentos, depravados e pervertidos. Como todo homossexual que eu conhecia, fiquei lascivo e obcecado por sexo. Em público e entre os amigos, porém, mantia magistralmente a imagem de uma pessoa decente, gentil, atenciosa, educada, amorosa e adorável.

Antes de voltar para Deus, por dezesseis anos eu O culpava por tudo de errado com minha vida, especialmente a minha homossexualidade, porque eu tinha orado para que Ele a tirasse de mim, e ele não o fez. Assim, eu raciocinava, que a culpa de eu ser gay era de Deus e não minha.

Durante esses egoístas anos de “amor”, de promiscuidade, de prazer, de auto-exaltação e auto-satisfação, sentia muita solidão, miséria e sofrimento. No entanto, meus pais e famíliares nunca me fizeram sentir que eu não fosse amado, apreciado, ou aceito. Em Sua misericórdia e paciência, o Senhor cooperava com os membros da minha família para me revelar o verdadeiro significado do amor incondicional para comigo, um pecador, sem condenar meu estilo de vida pecaminoso. Eles manifestaram seu amor incondicional e aceitação, não só para mim, mas também para com os meus amigos e amantes. A sua aceitação incondicional de mim demonstrou o significado das palavras de Jesus: “Nem eu te condeno.”

Em sua aceitação amorosa, no entanto, eles não descartaram o resto da declaração de Jesus: “vá e não peques mais” (João 8:11).

Algumas Perguntas Inquietantes, e um Sonho

A aceitação incondicional dos meus familiares me levaram a parar de culpar a Deus por minha condição. Em vez disso, comecei a olhar honestamente para mim. Afinal, pensei, eu posso culpar a Deus por toda a minha vida e ainda estar perdido. Eu me perguntava: “Qual é o ponto: fingir que não existem consequências para o meu estilo de vida, ou que eu poderia ser salvo apesar disso?” Aos poucos, percebi que eu estava enganando a mim mesmo. Eu precisava parar de correr e de me esconder de Deus, em vez de buscar orientação na Sua Palavra.

A declaração “Todos os que se esforçam por desculpar ou esconder seus pecados, permitindo que permaneçam nos livros do Céu, sem serem confessados e perdoados, serão vencidos por Satanás” (O Grande Conflito, pág 620), parecia falar com a minha própria situação. Aquele era eu. Eu tinha me tornado totalmente vencido por Satanás.

Comecei a pensar: “Não seria trágico me achar algum dia fora da Nova Jerusalém, com uma “boa desculpa”. Por muitos anos fiquei perturbado com um sonho recorrente no qual eu experimentei o horror de estar perdido, enquanto eu olhava para o rosto de Jesus, que vinha nas nuvens de glória. Aparentemente, Jesus usou este sonho para chegar a mim, um homossexual, dizendo: “Meu filho, dá-me o teu coração, antes que seja tarde demais.” Aliás, desde que voltei para ele, eu nunca experimentei outra vez o pesadelo deste sonho!

Jesus nos adverte sobre o destino dos ímpios, dizendo: “Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; …” (Mateus 7:23, 25:41). Tragicamente, o lago de fogo irá conter um número incontável de pessoas a quem Deus ama incondicionalmente. Ele os ama tanto que deu o seu Filho unigênito, para que eles não precisassem morrer. Mas eles optaram por rejeitar o dom da vida eterna. Deus honrou a escolha deles. O resultado é a eterna separação da fonte da vida eterna.

O Desafio de Começar uma Nova Vida

No raciocínio e lógica infantil, eu orava estudando a Palavra de Deus para encontrar qualquer justificativa para a minha homossexualidade, ou o remédio para ela. Por mais que tentasse, não conseguia encontrar justificativa em qualquer lugar na palavra de Deus para continuar meu estilo de vida homossexual. Quanto mais eu estudava as Escrituras mais eu me convencia de que Deus criara o casamento como a união de um homem com uma mulher, tornando os dois uma só carne.

A relação íntima de um homem com um homem ou uma mulher com uma mulher não pode cumprir o propósito de Deus para o casamento. Além disso, a Escrituras condenam relacionamentos do mesmo sexo como “abominação” (Lv 20:13), que vai impedir a entrada no Reino de Deus (1 Coríntios 6:9-10). Estes e outros textos me convenceram de que não havia nenhuma maneira para mim legitimar o meu estilo de vida homossexual.

Era presunçoso para mim viver como se eu tivesse o dom da vida eterna, quando, na realidade, eu estava consciente recebendo o salário do pecado a “morte”. Quando eu comecei a ponderar o meu destino eterno, gradualmente, fiquei convencido de que minha vida tinha que ser mudada. Mas, me sentia impotente para fazer essa mudança. Em retrospecto, posso compreender que a sensação de impotência resultante da minha violação aos princípios morais de Deus, era concebida para despertar em mim a realização da minha necessidade de um Salvador.

No meu desespero eu encontrei conforto no fato de que Deus é o Criador onipotente e Re-Criador de nossas vidas. Através da iluminação da Sua Palavra e do poder capacitador do Seu Espírito, senti que eu poderia ser purificado e curado. Eu vim a perceber que não importa se eu nasci homossexual ou se eu tinha escolhido me tornar um. Todos os descendentes de Adão nascem com tendências para o pecado. Ganhei confiança na promessa de que a graça de Deus poderia permitir-me superar as tendências pecaminosas tanto as herdadas como as cultivadas.

Conforme eu continuava a estudar e orar, sentia mais e mais o amor incondicional de Deus por mim, que era homossexual. Percebi que não importa quão pecador meu passado tivesse sido, Deus podia perdoar e purificar-me. O que eu precisava fazer era desenvolver um ódio pelo pecado e um amor pela verdade e pela justiça.

Foi-me dada a garantia em 1 Coríntios 6:9-11 que eu poderia ser curado de minha homossexualidade. Paulo fala deste pecado, entre outros, quando ele diz: “E tais fostes alguns de vós [pretérito], mas fostes lavados [tempo presente], mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus, [Como?] pelo Espírito do nosso Deus”.

Como eu continuei a minha auto-avaliação, eu vim a perceber mais e mais que eu tinha estado enganado em pensar que eu estava vivendo uma vida de liberdade, quando na realidade eu estava em uma terrível escravidão. O que eu precisava desesperadamente, não era a liberdade da lei de Deus, mas a liberdade da escravidão do pecado: a minha perversão sexual viciante. Essa liberdade se tornou possível graças à habilitação da graça de Deus, que pode trazer “cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10:5). Agradeço a Deus por Sua maravilhosa graça, que restaurou um pecador como eu para a família de Deus e fez de mim um membro produtivo trabalhando em Sua causa.

Talvez o maior desafio de começar uma nova vida, fosse convencer meus companheiros crentes adventistas que, pela graça de Deus eu já não era um homossexual. Minha atitude e orientação sexual tinham mudado. Como era angustiante para mim ouvir ministros e leigos desacreditarem a minha experiência de conversão, dizendo: “Claro, eu acredito na vitória sobre o pecado. Mas as pessoas nunca deixam de ser gay! Nunca ninguém que saiu do estilo de vida gay, permaneceu em linha reta por mais de dois anos! Cuidado com ele e mantenha suas crianças longe dele”. Tais críticas revelam uma falta de fé no poder de Deus para perdoar e purificar os pecadores penitentes de todas as práticas pecaminosas, inclusive a homossexualidade.

Questionando a Alma

Os comentários sarcásticos que muitas vezes ouvi de outros crentes, me levaram a questionar a minha alma e a freqüentemente me perguntar: “Teriam os meus sentimentos e emoções em relação aos homens milagrosamente mudado devido a minha conversão? Será que eu realmente experimentei uma mudança radical de atitude, uma mudança psicológica na minha orientação sexual? Ou, ainda tenho a mesma orientação sexual?

Estas questões são de extrema importância para aqueles que estão sinceramente buscando a libertação do pecado de qualquer natureza que nos assedia. Elas merecem uma explicação definitiva. Mas a resposta nem sempre é fácil de encontrar, especialmente quando alguém, como eu, passou por uma experiência traumática. Eu terminei o meu relacionamento com o homem que eu amava profundamente. Meus sentimentos e emoções em relação a ele, não tinham mudado, mas a minha atitude para com o Homem Jesus Cristo e os ensinamentos da Palavra de Deus tinham mudado radicalmente.

A luta de uma Nova Vida

Estando diante de uma escolha entre o meu amante e o homem Jesus, eu decidi seguir o meu Salvador, independentemente das consequências. Como as palavras do hino popular, para mim, tornou-se uma questão de “confiar e obedecer.” Comecei a confiar no meu Criador, sabendo que o “Pai realmente sabe o que é melhor.” E nessa confiança cada vez maior, comecei a obedecê-lo, apesar dos meus sentimentos e emoções, sabendo que Sua vontade para mim era para minha própria felicidade presente e eterna.

Eu aceitei a verdade bíblica de que “o justo viverá pela fé”, não por sentimentos e emoções. Na prática deste princípio bíblico, descobri que os sentimentos e emoções corretos não surgem de imediato. Eles chegam aos poucos, aprendi a aceitar pela fé a vontade do meu Criador para minha vida. Se eu tivesse esperado até conseguir uma vitória sobre minhas inclinações pecaminosas antes de confiar e obedecer a Cristo, então eu já não precisaria de um Salvador!

Como homossexual, eu precisava ser salvo dos meus pecados, exatamente como um cônjuge infiel, um ladrão, um assassino, ou um mentiroso precisa ser salvo dos seus pecados. A salvação do pecado não é uma conquista humana, mas uma provisão da graça divina. É um trabalho de terapia, reprogramação e redirecionamento divinos.

Deixando para trás o amor da minha vida pecaminosa, entrei em meu novo mundo como um indefeso bebê, recém-nascido. Como uma criança começa sua vida com tendências hereditárias para o mal, eu comecei a minha nova vida com todas as tendências que eu havia cultivado durante a minha vida anterior. Mas, confiando em Deus, meu Pai e Cristo, meu Salvador, eu renunciei a minha homossexualidade e me submeti as diretivas divina e comunhão buscada dentro da família de Deus.

Um princípio importante que eu aprendi foi a “proteger o meu novo ambiente.” As tendências herdadas e cultivadas para o mal são como um leão faminto procurando a quem possa tragar. Essa “besta” deve morrer de fome, enquanto o Cordeiro de Deus, deve ser alimentado e cultivado. O mal deve ser substituído com o bem. Os sentimentos e emoções pervertidos podem ser gradualmente substituídos por sentimentos e emoções corretos quando seguimos as instruções estabelecidas para nós, no “Manual do Operador” dado pelo Criador da sexualidade.

A nova luta que enfrentei quando eu decidi virar as costas a tudo e todos que eu tinha conhecido, me fez lembrar da luta que enfrentei quando fugi de Deus no início da minha vida. Eu tive que me separar totalmente da cena e estilo de vida gay, fugindo deles para minha própria vida, como que fugindo das condenadas Sodoma e Gomorra.

Eu comecei uma nova vida rodeando-me de tudo o que eu sabia ser certo para mim. E não era necessariamente tudo que eu queria ao meu redor! Mas, nenhum cristão pode se dar ao luxo de depender do que o faz se sentir bem. Nem eu poderia! A mente espiritual é para governar e trazer em sujeição a concupiscência da carne.

Guardando as Avenidas da Minha Mente

Eu aprendi a importância de guardar bem as vias para a minha mente, ao não me colocar no caminho da tentação. Isto implica ser cuidadoso em relação ao que eu vejo, ao que leio e ao que eu ouço. Isto requer uma determinação diária para não dar a Satanás uma vantagem sobre mim. Como o apóstolo Paulo, também eu, devo “morrer diariamente” (1 Coríntios 15:21), “subjugando o meu corpo, e o reduzindo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado” (1 Coríntios. 9:27 ).

E quando Satanás plantar estes pensamentos e desejos impuros no coração, (e ele o faz), Deus permite que Sua graça seja suficiente para a minha luta contra a homossexualidade. Sua graça permite-me, como Paulo coloca, a trazer “cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Coríntios. 10:5). Eu pratico usando o meu poder de escolha para “virar a página” e “mudar de assunto”. Deus me ajuda a fazer isso, quando eu coloco a minha vontade em Suas mãos.

A injunção bíblica de “Sujeitai-vos pois, a Deus. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7), tornou-se muito significativa para mim. Quando tentado, repito as palavras de Filipenses 4:8: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

Outro princípio que eu aprendi a colocar em prática é aceitar com gratidão o dom de uma companheira que me foi dispensada por Deus. No Jardim do Éden, Deus criou uma mulher, não um homem, como uma companheira para Adão. Em Sua infinita sabedoria e amor Deus deu ao homem o dom de uma mulher para estar ao lado dele. Não havia alternativa melhor. Deus não cometeu nenhum erro. Ele sabia o que estava fazendo quando Ele criou uma parceira para o homem.

Deus fez um grande esforço para proporcionar ao homem o dom maravilhoso de uma mulher. Alguns dos homens têm torcido o nariz a este dom, “deixando o uso natural da mulher, se inflamando em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro” (Rm 1:27). Eu era um deles. Será que Deus deixou de me amar? Não! Claro que não! Ele continuou a me amar embora eu tenha escolhido usar a minha sexualidade para amar um homem, em vez de uma mulher. É com grande desapontamento que o Criador vê os homens perverterem o destino de sua sexualidade.

Não é pecado uma pessoa viver sem o dom de um parceiro conjugal. Por diversos motivos muitas pessoas acabam vivendo suas vidas sem os prazeres do casamento. Também é errado para as pessoas entregarem-se a um comportamento sexual fora do casamento. E é errado para nós, homens, pervertermos o dom da nossa sexualidade, que foi projetado para uma função procriativa e relacional. É igualmente errado para uma mulher cobiçar e desejar outra mulher a quem Deus criou para o homem. Levou tempo para eu aprender a ser grato a Deus pelo que Ele tem provido para o meu melhor interesse.

Superando a Homossexualidade

O segredo para vencer o pecado da homossexualidade, ou de qualquer outro pecado que nos assedia, encontra-se em ajudar alguém a superar o pecado. Essa premissa é baseada no princípio bíblico de felicidade: A verdadeira felicidade vem em ajudar alguém a ser feliz: Jesus em primeiro lugar, os outros em segundo, você por último.

José, longe de casa na terra de seu cativeiro, nunca se esqueceu deste princípio. “Como posso eu cometer este grande mal e pecar contra Deus?” , ele gritou quando ele fugiu da tentação da esposa de Potifar. Sua preocupação não era “o medo do castigo”, nem era “a esperança de recompensa.” Não, sua fidelidade na obediência resultou em desgraça e confinamento em um calabouço. A preocupação de José era uma total obediência a vontade e a honra do seu Deus, independentemente das consequências. Ele também amou e honrou seu mestre Potifar, pondo os interesses do seu senhor acima dos seus.

Todo o exército celestial estão centrados sobre a felicidade e bem-estar dos outros, incluindo eu e você. Exceto o homem pecador, todos os seres não caídos vivem para o benefício do resto da criação. Este princípio tem sido de grande valia no processo de recondicionar a mim mesmo do meu antigo estilo de vida homossexual. Ajudou-me a abandonar a velha prática da auto-satisfação, buscando o cumprimento dentro do domínio sagrado do casamento.

Ao praticar estes e outros princípios bíblicos, tornei-me totalmente à vontade na minha nova vida como heterossexual. O pensamento de voltar a minha antiga vida tornou-se estranho e repugnante para mim. Submeter-me ao recondicionamento e terapia divina tem realmente resultado em uma nova criação. E Eu me regozijo nas palavras de Paulo sobre a minha nova vida em Cristo: “Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17 ).

Por que os cristãos devem duvidar de que essa promessa possa ser verdade para o homossexual, bem como para qualquer outra pessoa? Minha nova e vitoriosa vida heterossexual é um testemunho do poder de Deus para salvar as pessoas da profundidade de seus pecados. E eu O louvo todos os dias por demonstrar o poder da Sua graça em perdoar, limpar e renovar a minha vida.

Pela limpeza e renovação de minha vida, o Salvador encomendou-me com as mesmas palavras que Ele falou ao endemoninhado limpo em Marcos 5:19, “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes o quanto o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti”. Assim, eu gosto de contar a história através da palavra falada e de minha autobiografia publicada, de como o Senhor me resgatou das profundezas da degradação, para uma nova vida de serviço para Ele.

Essa história de minha peregrinação da escravidão para a liberdade, é projetada para incentivar não só os homossexuais em busca de libertação divina, mas também alguém lutando com o assedio de pecados de qualquer natureza. Neste testemunho eu compartilho os princípios bíblicos que me ajudaram a ganhar a vitória sobre a homossexualidade e agora a me sustentar na heterossexualidade.

Para encerrar eu gostaria de testemunhar que minha vida não foi alterada por meio do raciocínio humano, lógica, filosofia e aconselhamento, mas através da Palavra de Deus e da graça salvadora de Jesus Cristo. Por Sua graça, este pródigo filho homossexual foi libertado de seu pecado e redirecionado para uma vida produtiva e frutífera , para um novo tipo de serviço como um adventista do sétimo dia e ministro do evangelho. Estou alegremente casado e com filhos.

Eu louvo ao Senhor por Sua compaixão, piedade e maravilhoso poder me salvando da minha vida de pecados! Para aqueles que acreditam que os homossexuais nunca mudam, eu posso dizer: “Sim, eles podem mudar ! O poder transformador e a graça de Deus pode torná-los inteiros. Isto é o que Ele fez por mim.”

Texto extraído da newsletter Endtime Issues No. 57, do já falecido Samuele Bacchiocchi, Ph. D. Professor aposentado de Teologia da Universidade Andrews, publicado em seu site Biblical Perspectives. Crédito da tradução: Blog Sétimo Dia http://setimodia.wordpress.com/

NÃO DÁ PARA VOLTAR ATRÁS !!!

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A vida de renúncia é o ato de devolver a Jesus a vida que Ele lhe concedeu. É abandonar o controle, os direitos, o poder, a direção, tudo o que você faz e diz. É entregar totalmente a vida em Suas mãos, para que Ele a conduza como quiser.

O próprio Jesus viveu uma vida de renúncia: “Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 6:38). “Eu não procuro a minha própria glória” (8:50). Cristo nunca fez algo da própria vontade. Ele nunca deu um passo, nem disse uma palavra, sem ser instruído pelo Pai. “Eu nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou…porque faço sempre o que lhe agrada” (8:28-29).

A submissão total de Jesus ao Pai é um exemplo de como todos nós deveríamos viver. Você pode dizer: “Jesus era Deus na forma humana. Sua vida estava entregue antes mesmo de vir à Terra”. Mas a vida de renúncia não é imposta a ninguém, incluindo Jesus.

Cristo pronunciou estas palavras sendo um homem de carne e osso. Afinal, Ele veio ao mundo não para viver como Deus, mas como ser humano. Ele viveu a vida do mesmo modo que nós. E, como nós, tinha vontade própria. Ele optou por entregar esta vontade totalmente ao Pai: “Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. Tenho autoridade para a entregar, e também para reavê-la” (João 10:17-18).

Jesus estava nos dizendo: “Não se enganem. Este ato de auto-entrega está totalmente sob a Minha vontade. Estou optando por dar a Minha vida. E não estou fazendo isto porque alguém Me disse para fazê-lo. Ninguém está tomando a Minha vida de Mim. Meu Pai Me deu o direito e o privilégio de entregá-la. Ele também deu a opção de Eu passar de Mim este cálice e evitar a cruz. Mas escolho fazê-lo, por amor e completa submissão a Ele”.

Nosso Pai celeste deu a todos nós este mesmo direito: o privilégio de escolhermos uma vida de renúncia. Ninguém é forçado a abrir mão de sua vida para Deus. Nosso Senhor não nos faz sacrificar nossa vontade, devolvendo-Lhe nossas vidas. Ele nos oferece livremente uma terra prometida, cheia de leite, mel e frutas. Mas podemos optar por não entrar neste lugar de plenitude.

A VERDADE É QUE PODEMOS TER TANTO DE CRISTO QUANTO QUISERMOS

Podemos nos aprofundar nEle o quanto optarmos, vivendo plenamente segundo Sua palavra e direção. O apóstolo Paulo sabia disso. E escolheu seguir o exemplo de Jesus – o de uma vida de submissão total.

Paulo tinha sido no passado uma pessoa que odiava Jesus, um perseguidor de cristãos convencido da própria justiça. Ele mesmo afirmou que literalmente respirava ódio contra os seguidores de Cristo. Também era um homem muito obstinado e ambicioso. Paulo era bem instruído, tendo sido ensinado pelos melhores mestres da época. E era fariseu, entre os mais zelosos líderes religiosos judeus.

Desde o princípio Paulo estava em ascensão, a caminho do sucesso. Ele tinha a aceitação da ordem religiosa da época. E tinha uma clara missão, com recomendações de seus superiores. Na verdade, ele tinha sua vida toda planejada, sabendo exatamente aonde estava indo. Paulo estava confiante de estar fazendo a vontade de Deus.

Mas o Senhor tomou este homem que venceu por si próprio, obstinado, independente – e o transformou num ardente exemplo da vida de renúncia. Paulo tornou-se uma das pessoas mais dependentes, plenas e conduzidas por Deus de toda a história. Em verdade, Paulo declara que a sua vida é um modelo para todos que quiserem viver inteiramente entregues a Cristo: “Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna” (1 Timóteo 1:16).

O apóstolo estava dizendo: “Se você quer saber quanto custa viver uma vida de renúncia, veja a minha. Você determinou em seu coração ir mais a fundo com Jesus? Aqui está o que você poderá ter que suportar”. Paulo sabia que poucos estariam dispostos a seguir seu exemplo. Mas a sua vida é um modelo para todos que escolherem a vida de renúncia integral.

1. O Caminho da Renúncia Começa com Deus nos Levando à Uma Sensação de Total Fragilidade.

Deus inicia o processo nos fazendo cair do alto do cavalo. Para Paulo isto aconteceu literalmente. Ele estava indo seguro de si em direção a Damasco, quando uma luz ofuscante veio do céu. Paulo foi derrubado ao chão, trêmulo. Então uma voz falou do céu, dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9:4)

As palavras levaram Paulo de volta a um evento de meses atrás. De repente este justo fariseu compreendeu porque sua consciência estava irrequieta. Paulo tinha suportado longas noites de agitação, atormentado por inquietação e confusão – pois tinha visto algo que o abalara até o âmago.

Paulo tinha acompanhado o apedrejamento do apóstolo Estevão. Creio que Paulo lembrou do olhar na face de Estevão diante da morte. Estevão tinha uma expressão celestial, uma presença santa em torno de si. E suas palavras tinham tanto poder. Eram penetrantes e cheias de poder de convencimento. Este homem humilde não se importava nem um pouco com a aprovação do mundo; ele não estava impressionado com as autoridades religiosas. E não tinha medo da morte.

Tudo isto expunha o vazio da vida de Paulo. Este fariseu dos mais devotos percebeu que Estevão tinha algo que ele não possuía. Paulo tinha tido contato face à face com um homem totalmente submisso a Deus, e isto o tornou infeliz. Provavelmente ele pensou: “Eu me preparei durante anos lendo as escrituras. Mas este homem sem estudos proclama a palavra de Deus com autoridade. Eu tive sede de Deus toda a minha vida. Mas Estevão tem o próprio poder do céu, mesmo ao morrer. Ele claramente conhece Deus, como jamais encontrei outra pessoa. Todavia todo esse tempo, estive perseguindo a ele e aos seus companheiros”.

Paulo sabia que estava faltando algo em sua vida. Ele tinha conhecimento de Deus, mas nenhuma revelação própria, como Estevão. Agora, de joelhos e tremendo, ele ouve estas palavras do céu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 9:5). Foi uma revelação sobrenatural. E as palavras viraram o mundo de Paulo de cabeça para baixo. Creio que à estas alturas, ele deve ter ficado durante horas sobre sua face, chorando, como que dizendo:

“Eu estava totalmente enganado. Gastei todos estes anos com educação e estudo, praticando boas obras. Mas o tempo todo, eu estava no caminho errado. Jesus é o Messias. Ele veio, mas eu não O conheci. Todas aquelas passagens em Isaías fazem sentido agora. Eram a respeito de Jesus. Agora entendo o que Estevão possuía. Ele tinha um conhecimento íntimo de Cristo”.

A escritura diz: “Trêmulo e assustado (Paulo) disse: Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6). A conversão de Paulo foi uma obra dramática do Espírito Santo. E que convertido incomum foi este homem. Ele era o perseguidor do povo de Deus. Seu testemunho seria uma evidência poderosa e irrefutável para o evangelho de Jesus Cristo. Certamente Deus iria usar Paulo de maneiras incríveis. “Levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer” (9:6).

Tente imaginar Paulo então. Este fariseu com alto grau de escolaridade estava agora emudecido e cego. Ele teve de ser conduzido à cidade pelos amigos. Parecia que tudo na sua vida tinha desmoronado. Mas a realidade é a seguinte: Paulo estava sendo conduzido pelo Espírito Santo à uma vida de renúncia. Quando ele pergunta: “Senhor, que queres que eu faça?”, seu coração estava clamando: “Jesus, como posso servir-Te? Como posso Te conhecer e agradar? Nada mais importa. Tudo que tenho realizado na minha carne é estrume. Tu és tudo para mim agora”.

Paulo passou os tres dias seguintes jejuando e orando. Todavia nenhuma palavra veio do céu. Ele tinha ensinado e pregado a outros, mas nenhum dos seus conhecimentos podia ajudá-lo agora. Ele estava totalmente fragilizado. Ele deve ter orado: “Ó Deus, Tu me destes um desejo tão grande em conhecer-Te. Por favor, mostra-me o que fazer. Estou tão cego e confuso, nada faz sentido”.

Digo a todo seguidor consagrado a Jesus: preste atenção à esta cena. Aqui está o modelo para a vida de renúncia. Quando você decidir a se aprofundar em Cristo, Deus colocará um Estevão no seu caminho. Ele o confrontará com alguém cujo semblante tem o brilho de Jesus. Esta pessoa não está interessada nas coisas do mundo; não se preocupa com os aplausos dos homens. Ela se preocupa apenas em agradar ao Senhor. E a vida dela vai expor a complacência e as concessões que você tem feito, condenando-o seriamente.

Assim como Paulo, você sentirá repentinamente a sua falência. Perceberá que independente de quantas boas obras tenha procurado realizar, você não encontrou Jesus. E terminará num beco sem saída: confuso, desorientado, incapaz de dar um sentido à toda a revelação anterior. Mas será tudo um agir de Deus. Ele o levará a este estado de total desamparo.

2. O caminho da Renúncia Leva a Muito Sofrimento.

“Este é para mim um instrumento escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (Atos 9:15-16). Paulo recebeu a promessa de um ministério frutífero. Mas teria que suportar grandes sofrimentos para realizá-lo.

Sofrimento é um assunto amplo, incluindo muitos tipos diferentes de dor: agonia física, angústia mental, aflição emocional, dor espiritual. De acordo com as escrituras, Paulo experimentou cada uma delas. Ele sofreu um espinho na carne, naufrágios, apedrejamentos, açoites, roubos; enfrentou rejeição, zombaria, mexericos maliciosos; suportou perseguições de todos os tipos. E às vezes sentiu-se perdido, confuso, incapaz de ouvir algo de Deus.

Este modelo de sofrimento da vida de Paulo não será experimentado por todos que buscam a vida de renúncia. Mas de alguma maneira, todo crente consagrado irá se defrontar com a dor. E há um propósito atrás de tudo isso. Veja, sofrimento é uma área da vida sobre a qual não temos controle. É a área na qual aprendemos a nos render à vontade de Deus.

Eu chamo este sofrimento de escola da renúncia. É um local de treinamento onde, como Paulo, caímos sobre nossas faces e terminamos clamando: “Senhor, não dá para agüentar issso”. Ele responde: “Bom. Deixe comigo. Entregue tudo a Mim, corpo, alma, mente, coração, tudo. Confie plenamente em Mim”.

Se você tomar o caminho da renúncia, da submissão completa, sofrerá muito mais do que o cristão mediano, complacente. Se um crente que faz concessões sofre, é apenas para o seu benefício. O Senhor pode estar usando a dor para desabituá-lo de algum pecado particular. E ninguém mais vai aprender com as suas lições. Mas se você deseja a vida de renúncia, o seu sofrimento eventualmente se tornará um grande conforto para outros. Paulo afirma:

“Bendito seja o Deus…o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação. É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos” (2 Coríntios 1:3-6).

Paulo está falando aqui de sofrimentos que são permitidos por Cristo. Nosso Senhor permite estas dores nas nossas vidas, para nos tornar testemunhas da Sua fidelidade, diante dos outros. Ele quer confirmar que é o “Deus de toda consolação” (1:3). O objetivo do nosso sofrimento não é apenas nos levar à uma completa entrega à Sua vontade. Também é para “vossa (dos outros) consolação e salvação” (1:6). Resumindo, os maiores ministérios de consolação são fruto dos nossos maiores sofrimentos.

3. O Caminho da Renúcia Leva à Uma Única Ambição.

Paulo não tinha outra ambição, outra força que o impulsionava na vida, do que esta: “Que possa ganhar a Cristo” (Filipenses 3:8).

Conheço um jovem pregador, homem de Deus, que tem amizade com muitos outros pregadores jovens pelo país inteiro. Perguntei-lhe qual ele considerava ser o maior problema entre seus companheiros. Ele disse: “A pressão para ser bem sucedido”. Sua resposta me espantou. Eu sabia que a busca do sucesso é comum na sociedade secular. Então também é uma praga na igreja? Ele explicou: “Ministros jovens acham que precisam produzir grandes números na sua igreja imediatamente. Eles sentem uma forte pressão para apresentar crescimento da noite para o dia”.

Isto também é um problema para ministros mais antigos. Eles vêm trabalhando árduamente durante anos, esperando ver sua igreja crescer. Quando então uma nova igreja, de um pastor jovem, começa a crescer, os mais velhos se sentem pressionados a conseguir o mesmo. Eles correm para conferências sobre crescimento de igrejas, procurando técnicas para aumentar seus números.

Já perdi a conta de quantas cartas tenho recebido, que dizem basicamente o seguinte: “Nosso pastor acaba de retornar de uma conferência, animado com uma ‘nova fórmula de sucesso’. Diz que nossos cultos precisam ser mais amigáveis com pecadores. Então ele alterou completamente o louvor, bem como os sermões. É um lugar diferente agora. Alguns meses atrás o Espírito Santo se movia poderosamente aqui. Mas agora as pessoas estão saindo, porque o Espírito foi embora”.

Um pastor ficou perplexo diante do conselho de um especialista em crescimento de igrejas. Este lhe disse: “Sua igreja não pode crescer se Jesus é tudo o que você oferece”. Este “especialista” omitiu Cristo! A resposta a qualquer problema da igreja está prontamente disponível, mas este homem não a conheceu. Como? Ele se afastou justamente da ambição que Paulo diz ser necessária: ganhar a Cristo.

Pelos padrões atuais de sucesso, Paulo foi um fracasso total. Ele não construiu nenhum prédio. Ele não tinha uma organização. E os métodos que ele usava eram desprezados por outros líderes. Na verdade, a mensagem que Paulo pregava ofendia muitos de seus ouvintes. Às vezes foi até apedrejado por isso. Seu assunto? A cruz.

Jovens ministros tem dito: “Irmão David, você é um sucesso. Você tem um ministério pelo mundo todo. Você pastoreia uma mega-igreja. Até escreveu um best-seller. A sua reputação é para a vida toda. Bem, e eu? Por que não posso ir pelo mesmo caminho?”.

Às vezes tenho me sentido tentado a responder: “Mas eu paguei um preço. Você não conhece os sofrimentos que passei nesta caminhada”. Não, esta não é a resposta. O fato é que conheço homens bem mais piedosos que eu, que sofreram bem mais do que poderia sequer imaginar. Foram fiéis e consagrados, suportando terríveis sofrimentos, alguns até à morte. Todavia os nomes destes homens não são conhecidos pelo mundo afora.

Esta não é absolutamente a questão. Quando todos estivermos diante de Deus no julgamento, não seremos julgados segundo nossos ministérios, nossas realizações ou o número de convertidos. Haverá apenas uma medida para o sucesso neste dia: nossos corações estavam totalmente entregues a Deus? Pusemos de lado as nossas próprias vontades e prioridades, para aceitar as dEle? Sucumbimos à pressão dos outros e seguimos a multidão, ou buscamos apenas a Ele para nos guiar? Corremos de um curso para outro procurando um objetivo na vida, ou encontramos a nossa realização nEle?

Eu tive o chamado para pregar a palavra de Deus desde os oito anos de idade. E posso dizer honestamente que, durante toda a vida, a minha maior alegria tem sido ouvir o Senhor. Eu sei que quando estou diante das pessoas para pregar, estou divulgando uma mensagem que Deus me deu. E esta mensagem precisa trabalhar na minha própria alma, antes de me atrever a pregá-la a outros. Deleito-me em esperar no Senhor, para ouvir: “Este é o caminho, ande por ele”.

Agora, aos setenta anos, tenho apenas uma ambição: aprender mais e mais a dizer apenas as coisas que o Pai me dá. Nada que digo ou faço de mim mesmo vale alguma coisa. Quero poder afirmar: “Sei que meu Pai está comigo, pois faço apenas a Sua vontade”.

4. O Caminho da Renúncia Traz Contentamento Onde Quer que Você Esteja, e Com o quê For que Possua

Muitos cristãos vivem descontentes continuamente. Nunca estão satisfeitos com o que têm. Estão sempre olhando para o futuro, pensando: “Se conseguir pelo menos fazer isto, ou ter aquilo, estarei feliz.” Mas sua realização nunca chega.

Contentamento foi um enorme teste na vida de Paulo. Afinal, Deus disse que o usaria poderosamente: “Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel” (Atos 9:15). Quando Paulo inicialmente recebeu esta comissão, “logo, nas sinagogas, pregava que Jesus era o Filho de Deus” (9:20). O apóstolo ficava mais ousado a cada sermão: “Saulo, porém, se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Jesus era o Cristo” (9:22).

O que aconteceu em seguida? “Os judeus deliberaram entre si matá-lo” (9:23). Seria o fim – ao chamamento a Paulo para pregar aos filhos de Israel. Eles não só rejeitaram sua mensagem, mas tramaram sua morte. Que início desastroso para um ministério que Deus disse seria poderoso.

Paulo então decidiu ir a Jerusalém, para se encontrar com os discípulos remanescentes de Jesus. “Mas todos o temiam, não acreditando que fosse discípulo” (9:26). Agora Paulo enfrentava uma rejeição ainda pior. Seus próprios irmãos em Cristo o rejeitavam.

Finalmente, Paulo raciocinou assim: “Ao menos posso alcançar os gentios”. Todavia, quando um proeminente gentio, Cornélio, procurou um pregador para compartilhar o evangelho, ele não pediu a Paulo. Em vez disso, se dirigiu a Pedro. Sem dúvida, Paulo ouviu as notícias gloriosas vindas da casa de Cornélio: “O Espírito Santo desceu sobre os gentios. O Senhor revelou Cristo a eles!”.

Posteriormente, na conferência de Jerusalém, Paulo teve de ouvir Pedro declarando: “Irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem” (Atos 15:7). Aparentemente, Deus tinha determinado que o avivamento entre os gentios viria através de outra pessoa. Pelo que Paulo percebia, ele estaria de fora, observando as coisas acontecerem.

O que você acha que passou pela cabeça de Paulo ao vivenciar estas coisas? A verdade é que através de tudo isso – o desapontamento, a dor, as ameaças à sua vida – Deus estava ensinando ao seu servo uma coisa crucial: Paulo estava aprendendo a ter contentamento, gradualmente, passo a passo.

Mais tarde, quando Paulo pregou na Antioquia, sua mensagem foi contestada pelos líderes judeus. Então Paulo declarou: “Eis que nos voltamos para os gentios” (Atos 13:46). Paulo pregou lá aos não judeus, e muitos se converteram; “e divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região” (13:49). Mas antes que pudesse saborear a vitória, “os judeus incitaram as mulheres devotas de alta posição…e levantaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora da sua região” (13:50).

Em seguida Paulo voltou sua atenção para Icônio. Ao pregar lá, mais uma vez “creu uma grande multidão, tanto de judeus como de gregos” (14:1). Um avivamento caiu sobre a cidade. Mas, novamente “houve um motim tanto dos gentios como dos judeus, juntamente com as suas autoridades, para os ultrajarem e apedrejarem” (14:5).

Você pode imaginar a confusão e o desencorajamento de Paulo? A cada movimento, o seu chamado parecia frustrado. Deus lhe tinha prometido um ministério de evangelização com muitos frutos. Mas cada vez que pregava, ele era amaldiçoado, rejeitado, agredido, apedrejado. Como ele respondia? “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Filipenses 4:11).

Paulo não questionava, nem reclamava. Ele não buscava saber quando chegaria a pregar a reis e governadores. Ele dizia, basicamente: “Posso não estar vendo agora o que o Senhor me prometeu. Mas estou avançando pela fé, pois estou contente em ter Jesus. Por causa dEle, posso viver cada dia – ao máximo”.

O Contentamento de Paulo em Qualquer Circunstância Era o Resultado de uma Vida Submissa.

Paulo não tinha pressa de ver tudo cumprido na sua vida. Ele sabia que tinha uma pétrea promessa de Deus, e se apegou à ela. No momento ele estava contente em poder ministrar em qualquer lugar que estivesse: testemunhando a um carcereiro, a um marinheiro, a algumas mulheres na beira do rio. Este homem tinha uma missão de âmbito mundial, no entanto era fiel no testemunhar de um em um.

Paulo também não tinha ciúmes de pessoas mais jovens que pareciam deixá-lo para trás. Enquanto eles viajavam o mundo, ganhando judeus e gentios para Cristo, Paulo estava na prisão. Era obrigado a ouvir notícias a respeito de grandes multidões sendo convertidas por homens – com os quais ele tinha discutido sobre o evangelho da graça. Mas Paulo não os invejava. Ele sabia que uma pessoa entregue a Cristo pode viver tanto na escassez quanto na abundância: “Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento… tendo, porém, alimento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Timóteo 6:6-8).

O mundo hoje poderia dizer a Paulo: “Você está no fim da vida agora. Todavia não tem economias, nem investimentos. Tudo que tem é uma muda de roupa”. Eu sei qual seria a resposta de Paulo: “Ah, mas eu ganhei a Cristo. De fato tenho a verdadeira vida”.

“Mas o diabo está te importunando continuamente, Paulo. Você vive em dor constante. Na verdade, você sofre mais que qualquer outro que conheço. Como pode ser isto?”

Paulo responderia: “Eu me glorio nas minhas aflições. Quando estou fraco, aí é que na verdade estou mais forte. Não meço minha força pelos padrões do mundo, mas pelos do Senhor.”

“E quanto a seu rival, Apolo? Ele tem a atenção das massas. Mas você ministra apenas a pequenos grupos, ou mesmo uma pessoa. Apolo é um orador eloqüente, mas a sua fala é desprezível, Paulo.”

Paulo diria: “Nada disso me incomoda. Eu não busco a glória nesta vida. Tenho uma revelação da glória que me aguarda”.

“E quanto a promessa que Deus lhe deu? Ele disse que você testemunharia diante de reis. A única vez que o fez, estava acorrentado. Você teve de pregar enquanto estava preso. Onde está o cumprimento da promessa de Deus em sua vida?”

Paulo diria: “Meu Senhor manteve Sua palavra a mim. Não foi do modo que eu esperava, mas do jeito dEle. Indiferente às minhas correntes, preguei Cristo em plenitude. E olha, aqueles dirigentes foram tocados. Quando terminei a pregação eles tremiam. O Senhor me foi favorável, da Sua maneira”.

“Paulo, você acabou sendo um tolo. Todos na Ásia se voltaram contra você. Quanto mais você ama outros, menos é amado. Você trabalhou todo esse tempo para construir a igreja de Deus, mesmo fazendo tarefas humildes. Mas ninguém valoriza isso. Mesmo os pastores que você instruiu, agora zombam de si. Alguns até lhe baniram dos seus púlpitos. Por que você continua neste ministério? Você não tem sido sucesso em nenhum sentido da palavra.”

E Paulo: “Eu já deixei este mundo, com todas as suas ambições e bajulações. Não necessito dos louvores dos homens. Veja, eu fui arrebatado ao paraíso. Ouvi palavras inefáveis, palavras que não são lícitas ao homem proferir. Portanto você pode ter toda a competição deste mundo, com todas as suas rivalidades. Eu decidi nada saber entre vós, senão a Cristo, e Este crucificado.

Posso lhe dizer, eu sou vencedor. Eu achei a pérola de grande valor. Jesus me concedeu o poder de entregar tudo, e de tomar novamente. Bem, eu entreguei tudo, e agora uma coroa me aguarda. Tenho apenas um objetivo nesta vida: ver meu Jesus face a face. Todos os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a alegria que me aguarda”.

Que os nossos corações possam ser como o de Paulo, enquanto buscamos a vida de renúncia.

David Wilkerson

Fonte: Título original, “A Vida de Renúncia” http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts020123.htm

Em Discernimento Cristão

Cuidado com sua “Vida” !!!

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AB-D.

Instabilidade Espiritual (?) – Busque a Face do Senhor

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Embora eu me regozije com conversões súbitas, eu tenho sérias suspeitas quanto a essas pessoas repentinamente felizes que nunca parecem ter se entristecido com o próprio pecado. Receio que esses que vêm tão facilmente à sua religião que freqüentemente a perdem completamente com a mesma facilidade. Saulo de Tarso foi convertido subitamente, mas nenhum homem já passou por maior horror de escuridão do que ele, antes que Ananias viesse a ele com palavras de conforto.
Eu gosto do arado profundo.
A raspagem superficial do solo é trabalho pobre. O corte profundo da terra sob a superfície é grandemente necessário. Afinal de contas, os cristãos mais duradouros parecem ser aqueles que viram que o mal interior que neles há é profundo e repugnante, e depois de algum tempo foram levados a ver a glória da mão curativa do Senhor Jesus conforme Ele a estende no Evangelho.

Receio que em muito da religião moderna há uma carência de profundidade em todos os pontos. Eles não tremem profundamente nem se regozijam grandemente. Eles não se desesperam muito, nem acreditam muito. Oh, cuidado com um verniz piedoso! Proteja-se da religião que consiste em colocar uma fina camada de piedade sobre uma pesada massa de carnalidade. Nós precisamos de uma obra contínua no interior. A graça que alcança o centro e afeta o espírito mais interior é a única graça que vale a pena ter.
Para pôr tudo em uma palavra, uma ausência do Espírito Santo é a grande causa da instabilidade religiosa. Cuidado para não confundir excitação com o Espírito Santo ou as suas próprias resoluções com os profundos mecanismos do Espírito de Deus na alma. Tudo aquilo que a natureza pinta, Deus queimará com ferro quente. Qualquer coisa que a natureza põe em funcionamento, Ele fará parar e jogará fora com os trapos. Você precisa nascer de cima, você precisa ter uma nova natureza forjada em você pelo dedo do próprio Deus, já que de todos os seus santos está escrito, “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus.”
Oh, mas, em todos os lugares eu temo que haja uma ausência do Espírito Santo! Há muita coisa vindo de uma moralidade espalhafatosa, superficial, muitos clamores de “Paz, Paz” onde não há nenhuma paz; e muito pouca ansiedade profunda advinda de um exame do coração para ser completamente purificado do pecado. Verdades bem conhecidas e facilmente lembradas são cridas sem serem acompanhadas da devida uma impressão do peso delas; esperanças sem consistência e confianças infundadas são formadas e é isso que faz com que os enganadores sejam tão abundantes e os espetáculos carnais tão comuns.

“Para pôr tudo em uma palavra,uma ausência do Espírito Santo é a grande causa da instabilidade religiosa.”

O Sofrimento de Jesus Cristo na Cruz !!!

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A Crucificação de Cristo, a partir de um ponto de vista médico

Lendo o livro de Jim Bishop “O Dia Que Cristo Morreu”, eu percebi que durante vários anos eu tinha tornado a crucificação de Jesus mais ou menos sem valor, que havia crescido calos em meu coração sobre este horror, por tratar seus detalhes de forma tão familiar – e pela amizade distante que eu tinha com nosso Senhor. Eu finalmente havia percebido que, mesmo como médico, eu não entendia a verdadeira causa da morte de Jesus. Os escritores do evangelho não nos ajudam muito com este ponto, porque a crucificação era tão comum naquele tempo que, aparentemente, acharam que uma descrição detalhada seria desnecessária. Por isso só temos as palavras concisas dos evangelistas “Então, Pilatos, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.”

Eu não tenho nenhuma competência para discutir o infinito sofrimento psíquico e espiritual do Deus Encarnado que paga pelos pecados do homem caído. Mas parecia a mim que como um médico eu poderia procurar de forma mais detalhada os aspectos fisiológicos e anatômicos da paixão de nosso Senhor. O que foi que o corpo de Jesus de Nazaré de fato suportou durante essas horas de tortura?

Dados históricos

Isto me levou primeiro a um estudo da prática de crucificação, quer dizer, tortura e execução por fixação numa cruz. Eu estou endividado a muitos que estudaram este assunto no passado, e especialmente para um colega contemporâneo, Dr. Pierre Barbet, um cirurgião francês que fez uma pesquisa histórica e experimental exaustiva e escreveu extensivamente no assunto.

Aparentemente, a primeira prática conhecida de crucificação foi realizado pelos persas. Alexandre e seus generais trouxeram esta prática para o mundo mediterrâneo–para o Egito e para Cartago. Os romanos aparentemente aprenderam a prática dos cartagineses e (como quase tudo que os romanos fizeram) rapidamente desenvolveram nesta prática um grau muito alto de eficiência e habilidade. Vários autores romanos (Lívio, Cícero, Tácito) comentam a crucificação, e são descritas várias inovações, modificações, e variações na literatura antiga.

Por exemplo, a porção vertical da cruz (ou “stipes”) poderia ter o braço que cruzava (ou “patibulum”) fixado cerca de um metro debaixo de seu topo como nós geralmente pensamos na cruz latina. A forma mais comum usada no dia de nosso Senhor, porém, era a cruz “Tau”, formado como nossa letra “T”. Nesta cruz o patibulum era fixado ao topo do stipes. Há evidência arqueológica que foi neste tipo de cruz que Jesus foi crucificado. Sem qualquer prova histórica ou bíblica, pintores Medievais e da Renascença nos deram o retrato de Cristo levando a cruz inteira. Mas o poste vertical, ou stipes, geralmente era fixado permanentemente no chão no local de execução. O homem condenado foi forçado a levar o patibulum, pesando aproximadamente 50 quilos, da prisão para o lugar de execução.

Muitos dos pintores e a maioria dos escultores de crucificação, também mostram os cravos passados pelas palmas. Contos romanos históricos e trabalho experimental estabeleceram que os cravos foram colocados entre os ossos pequenos dos pulsos (radial e ulna) e não pelas palmas. Cravos colocados pelas palmas sairiam por entre os dedos se o corpo fosse forçado a se apoiar neles. O equívoco pode ter ocorrido por uma interpretação errada das palavras de Jesus para Tomé, “vê as minhas mãos”. Anatomistas, modernos e antigos, sempre consideraram o pulso como parte da mão.

Um titulus, ou pequena placa, declarando o crime da vítima normalmente era colocado num mastro, levado à frente da procissão da prisão, e depois pregado à cruz de forma que estendia sobre a cabeça. Este sinal com seu mastro pregado ao topo teria dado à cruz um pouco da forma característica da cruz latina.

O suor como gotas de sangue

O sofrimento físico de Jesus começou no Getsêmani. Em Lucas diz: “E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.” (Lc 22:44) Todos os truques têm sido usados por escolas modernas para explicarem esta fase, aparentemente seguindo a impressão que isto não podia acontecer. No entanto, consegue-se muito consultando a literatura médica. Apesar de muito raro, o fenômeno de suor de sangue é bem documentado. Sujeito a um stress emocional, finos capilares nas glândulas sudoríparas podem se romper, misturando assim o sangue com o suor. Este processo poderia causar fraqueza e choque. Atenção médica é necessária para prevenir hipotermia.

Após a prisão no meio da noite, Jesus foi levado ao Sinédrio e Caifás o sumo sacerdote, onde sofreu o primeiro traumatismo físico. Jesus foi esbofeteado na face por um soldado, por manter-se em silêncio ao ser interrogado por Caifás. Os soldados do palácio tamparam seus olhos e zombaram dele, pedindo para que identificasse quem o estava batendo, e esbofeteavam a Sua face.

A condenação

De manhã cedo, Jesus, surrado e com hematomas, desidratado, e exausto por não dormir, é levado ao Pretório da Fortaleza Antônia, o centro de governo do Procurador da Judéia, Pôncio Pilatos. Você deve já conhecer a tentativa de Pilatos de passar a responsabilidade para Herodes Antipas, tetrarca da Judéia. Aparentemente, Jesus não sofreu maus tratos nas mãos de Herodes e foi devolvido a Pilatos. Foi em resposta aos gritos da multidão que Pilatos ordenou que Bar-Abbas fosse solto e condenou Jesus ao açoite e à crucificação.

Há muita diferença de opinião entre autoridades sobre o fato incomum de Jesus ser açoitado como um prelúdio à crucificação. A maioria dos escritores romanos deste período não associam os dois. Muitos peritos acreditam que Pilatos originalmente mandou que Jesus fosse açoitado como o castigo completo dele. A pena de morte através de crucificação só viria em resposta à acusação da multidão de que o Procurador não estava defendendo César corretamente contra este pretendente que supostamente reivindicou ser o Rei dos judeus.

Os preparativos para as chicotadas foram realizados quando o prisioneiro era despido de suas roupas, e suas mãos amarradas a um poste, acima de sua cabeça. É duvidoso se os Romanos teriam seguido as leis judaicas quanto às chicotadas. Os judeus tinham uma lei antiga que proibia mais de 40 (quarenta) chicotadas.

O açoite

O soldado romano dá um passo a frente com o flagrum (açoite) em sua mão. Este é um chicote com várias tiras pesadas de couro com duas pequenas bolas de chumbo amarradas nas pontas de cada tira. O pesado chicote é batido com toda força contra os ombros, costas e pernas de Jesus. Primeiramente as pesadas tiras de couro cortam apenas a pele. Então, conforme as chicotadas continuam, elas cortam os tecidos debaixo da pele, rompendo os capilares e veias da pele, causando marcas de sangue, e finalmente, hemorragia arterial de vasos da musculatura.

As pequenas bolas de chumbo primeiramente produzem grandes, profundos hematomas, que se rompem com as subseqüentes chicotadas. Finalmente, a pele das costas está pendurada em tiras e toda a área está uma irreconhecível massa de tecido ensangüentado. Quando é determinado, pelo centurião responsável, que o prisioneiro está a beira da morte, então o espancamento é encerrado.

Então, Jesus, quase desmaiando é desamarrado, e lhe é permitido cair no pavimento de pedra, molhado com Seu próprio sangue. Os soldados romanos vêm uma grande piada neste Judeu, que se dizia ser o Rei. Eles atiram um manto sobre os seus ombros e colocam um pau em suas mãos, como um cetro. Eles ainda precisam de uma coroa para completar a cena. Um pequeno galho flexível, coberto de longos espinhos é enrolado em forma de uma coroa e pressionado sobre Sua cabeça. Novamente, há uma intensa hemorragia (o couro do crânio é uma das regiões mais irrigadas do nosso corpo).

Após zombarem dele, e baterem em sua face, tiram o pau de suas mãos e batem em sua cabeça, fazendo com que os espinhos se aprofundem em sua cabeça. Finalmente, cansado de seu sádico esporte, o manto é retirado de suas costas. O manto, por sua vez, já havia aderido ao sangue e grudado nas feridas. Como em uma descuidada remoção de uma atadura cirúrgica, sua retirada causa dor toturante. As feridas começam a sangrar como se ele estivesse apanhando outra vez.

A cruz

Em respeito ao costume dos judeus, os romanos devolvem a roupa de Jesus. A pesada barra horizontal da cruz á amarrada sobre seus ombros, e a procissão do Cristo condenado, dois ladrões e o destacamento dos soldados romanos para a execução, encabeçado por um centurião, começa a vagarosa jornada até o Gólgota. Apesar do esforço de andar ereto, o peso da madeira somado ao choque produzido pela grande perda de sangue, é demais para ele. Ele tropeça e cai. As lascas da madeira áspera rasgam a pele dilacerada e os músculos de seus ombros. Ele tenta se levantar, mas os músculos humanos já chegaram ao seu limite.

O centurião, ansioso para realizar a crucificação, escolhe um observador norte-africano, Simão, um Cirineu, para carregar a cruz. Jesus segue ainda sangrando, com o suor frio de choque. A jornada de mais de 800 metros da fortaleza Antônia até Gólgota é então completada. O prisioneiro é despido – exceto por um pedaço de pano que era permitido aos judeus.

A crucificação

A crucificação começa: Jesus é oferecido vinho com mirra, um leve analgésico. Jesus se recusa a beber. Simão é ordenado a colocar a barra no chão e Jesus é rapidamente jogado de costas, com seus ombros contra a madeira. O legionário procura a depressão entre os osso de seu pulso. Ele bate um pesado cravo de ferro quadrado que traspassa o pulso de Jesus, entrando na madeira. Rapidamente ele se move para o outro lado e repete a mesma ação, tomando o cuidado de não esticar os ombros demais, para possibilitar alguma flexão e movimento. A barra da cruz é então levantada e colocado em cima do poste, e sobre o topo é pregada a inscrição onde se lê: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”.

O pé esquerdo agora é empurrado para trás contra o pé direito, e com ambos os pés estendidos, dedos dos pés para baixo, um cravo é batido atraves deles, deixando os joelhos dobrados moderadamente. A vítima agora é crucificada. Enquanto ele cai para baixo aos poucos, com mais peso nos cravos nos pulsos a dor insuportável corre pelos dedos e para cima dos braços para explodir no cérebro – os cravos nos pulsos estão pondo pressão nos nervos medianos. Quando ele se empurra para cima para evitar este tormento de alongamento, ele coloca seu peso inteiro no cravo que passa pelos pés. Novamente há a agonia queimando do cravo que rasga pelos nervos entre os ossos dos pés.

Neste ponto, outro fenômeno ocorre. Enquanto os braços se cansam, grandes ondas de cãibras percorrem seus músculos, causando intensa dor. Com estas cãibras, vem a dificuldade de empurrar-se para cima. Pendurado por seus braços, os músculos peitorais ficam paralisados, e o músculos intercostais incapazes de agir. O ar pode ser aspirado pelos pulmões, mas não pode ser expirado. Jesus luta para se levantar a fim de fazer uma respiração. Finalmente, dióxido de carbono é acumulado nos pulmões e no sangue, e as cãibras diminuem. Esporadicamente, ele é capaz de se levantar e expirar e inspirar o oxigênio vital. Sem dúvida, foi durante este período que Jesus consegui falar as sete frases registradas:

Jesus olhando para os soldados romanos, lançando sorte sobre suas vestes disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. “ (Lucas 23:34)

Ao ladrão arrependido, Jesus disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” (Lucas 23:43)

Olhando para baixo para Maria, sua mãe, Jesus disse: “Mulher, eis aí teu filho.” E ao atemorizado e quebrantado adolescente João, “Eis aí tua mãe.” (João 19:26-27)

O próximo clamor veio do início do Salmo 22, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Ele passa horas de dor sem limite, ciclos de contorção, câimbras nas juntas, asfixia intermitente e parcial, intensa dor por causa das lascas enfiadas nos tecidos de suas costas dilaceradas, conforme ele se levanta contra o poste da cruz. Então outra dor agonizante começa. Uma profunda dor no peito, enquanto seu pericárdio se enche de um líquido que comprime o coração.

Lembramos o Salmo 22 versículo 14 “Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim.”

Agora está quase acabado – a perda de líquidos dos tecidos atinge um nível crítico – o coração comprimido se esforça para bombear o sangue grosso e pesado aos tecidos – os pulmões torturados tentam tomar pequenos golpes de ar. Os tecidos, marcados pela desidratação, mandam seus estímulos para o cérebro.

Jesus clama “Tenho sede!” (João 19:28)

Lembramos outro versículo do profético Salmo 22 “Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim, me deitas no pó da morte.”

Uma esponja molhada em “posca”, o vinho azedo que era a bebida dos soldados romanos, é levantada aos seus lábios. Ele, aparentemente, não toma este líquido. O corpo de Jesus chega ao extremo, e ele pode sentir o calafrio da morte passando sobre seu corpo. Este acontecimento traz as suas próximas palavras – provavelmente, um pouco mais que um torturado suspiro “Está consumado!”. (João 19:30)

Sua missão de sacrifício está concluída. Finalmente, ele pode permitir o seu corpo morrer.

Com um último esforço, ele mais uma vez pressiona o seu peso sobre os pés contra o cravo, estica as suas pernas, respira fundo e grita seu último clamor: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lucas 23:46).

O resto você sabe. Para não profanar a Páscoa, os judeus pediam para que o réus fossem despachados e removidos das cruzes. O método comum de terminar uma crucificação era por crucificatura, quebrando os ossos das pernas. Isto impedia que a vítima se levantasse, e assim eles não podiam aliviar a tensão dos músculos do peito e logo sufocaram. As pernas dos dois ladrões foram quebradas, mas, quando os soldados chegaram a Jesus viram que não era necessário.

Conclusão

Aparentemente, para ter certeza da morte, um soldado traspassou sua lança entre o quinto espaço das costelas, enfiado para cima em direção ao pericárdio, até o coração. O verso 34 do capítulo 19 do evangelho de João diz: “E imediatamente verteu sangue e água.” Isto era saída de fluido do saco que recobre o coração, e o sangue do interior do coração. Nós, portanto, concluímos que nosso Senhor morreu, não de asfixia, mas de um enfarte de coração, causado por choque e constrição do coração por fluidos no pericárdio.

Assim nós tivemos nosso olhar rápido – inclusive a evidência médica – daquele epítome de maldade que o homem exibiu para com o Homem e para com Deus. Foi uma visão terrível, e mais que suficiente para nos deixar desesperados e deprimidos. Como podemos ser gratos que nós temos o grande capítulo subseqüente da clemência infinita de Deus para com o homem – o milagre da expiação e a expectativa da manhã triunfante da Páscoa.

© Copyright C. Truman Davis

C. Truman Davis é um Oftalmologista nacionalmente respeitado, vice-presidente da Associação Americana de Oftalmologia, e uma figura ativa no movimento de escolas Cristãs. Ele é o fundador e presidente do excelente Trinity Christian School em Mesa, Arizona, e um docente do Grove City College.

[Esta tradução foi realizada para o site www.hermeneutica.com baseada em várias versões deste relato em inglês e traduções em português. Não há restrição quanto à reprodução desta versão do relato médico. No entanto, pedimos que os interessados tenham a consideração de preservar as referencias à autoria original e uma referencia ao site da www.hermeneutica.com]

in Maluco por Jesus

Já fui Católico, mas descobri a VERDADE !

56 Comentários


Não são poucos os católicos devotos da virgem Maria que se converteram ao Evangelho, e quando isso acontece, imediatamente eles deixar de ser devotos da Nossa Senhora de Aparecida, a pergunta que muitos se fazem é: porque isso acontece?

O conhecimento na Palavra de Deus e o uso do raciocínio lógico por parte desses ex-católicos é a resposta para a indagação acima.

Vamos entender:

Quando um católico devoto da Aparecida passa a freqüentar uma igreja Evangélica, alguns fatores indagatórios lhes ocorre, que são:

- Porque os pastores não adoram e não veneram a virgem Maria, e ao invés de serem “castigados” por Deus são ainda mais abençoados, ao ponto de enfermos e endemoninhados alcançarem a cura e a libertação por intermédio da oração desses pastores ?

- Porque os padres não ensinam e não comentam nada sobre o segundo mandamento “não farás para ti imagem de escultura, não as adorarás e não as servirás” conforme está escrito na Bíblia Sagrada nos DEZ MANDAMENTOS em Êxodo capítulo 20 ?

- Porque os padres não comentam sobre o salmo 115 onde diz que as imagens não podem abençoar ninguém uma vez que elas não conseguem ver, ouvir, falar, apalpar ou caminhar ?

- Eu aprendi que a virgem Maria seria nossa advogada diante de Deus, mas ao freqüentar uma igreja Evangélica, me mostraram na Bíblia que o Senhor Jesus é o único Advogado que temos diante de Deus, conforme está assim escrito:

Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” 1 João 2:1

- Na igreja católica me ensinaram que a virgem Maria seria a medianeira entre os homens e Deus, más na igreja Evangélica me ensinaram que na Bíblia o único mediador entre Deus e os homens é o Senhor Jesus:

Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” 1 Timóteo 2:5

- Quando eu era católico, aprendi que Maria a mãe do Senhor Jesus aqui na terra permaneceu sempre virgem, porém, ao frequentar uma igreja Evangélica, acabei aprendendo que após o nascimento do Salvador, Maria não só se casou com José como teve outros filhos com ele:

Não é este (Jesus) o filho do carpinteiro ? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas ?“ 

Mateus 13:55

- Ao frequentar uma igreja Evangélica, aprendi que adorar ou venerar “imagens de escultura” seria praticar o pecado de idolatria, e que na Bíblia Sagrada está escrito que os idólatras não herdarão o Reino de Deus:

Ficarão de fora (do Reino de Deus) os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.” Apocalipse 22:15

Após essas indagações, torna-se impossível um católico devoto da virgem Maria permanecer fiel a Nossa Senhora de Aparecida.

 http://www.bispoandresantos.com/

Você é “Cristão” ? TEM CERTEZA ?

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A Bíblia não esconde o fato de que além do cristianismo verdadeiro, legítimo, renascido da “água e do espírito”, há também um cristianismo aparente, formado por “cristãos” que não estão ligados a Jesus, não estão enraizados nEle, não vivem nEle e nem por Ele. Mesmo que tudo pareça legítimo, eles não passam de uma imitação. É desses “cristãos” que Paulo fala ao escrever a Timóteo, em sua segunda carta: “…tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3.5). A Edição Revista e Corrigida diz: “…tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. Na Nova Versão Internacional lemos: “…tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também”.

Sendo cristão sem ser cristão

De acordo com pesquisas nos EUA, quase metade dos americanos se dizem cristãos renascidos. Mas uma análise mais aprofundada revelou que muitos confundem o novo nascimento com uma sensação positiva a respeito de Deus e de Jesus.

Um levantamento estatístico entre os cristãos praticantes nos EUA apresenta resultados desanimadores, o que também é representativo em relação à Europa:

  • 20% nunca oram
  • 25% nunca lêem a Bíblia
  • 30% nunca vão à igreja
  • 40% não apóiam a “obra do Senhor” por meio de ofertas
  • 50% nunca vão à Escola Bíblica Dominical (de todas as faixas etárias)
  • 60% nunca vão a um culto vespertino
  • 70% nunca dão dinheiro para missões
  • 80% nunca freqüentam uma reunião de oração
  • 90% nunca realizam culto em família [1]

Se a situação já é assim na América marcada pela influência do puritanismo, quanto mais na superficial Europa.

O próprio Senhor Jesus advertiu a respeito da confissão nominal, que carece de conteúdo verdadeiro, ou seja, que não está de acordo com o que vai no coração: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.21-23). Com isso, o Senhor esclarece quatro pontos básicos: há duas coisas que não são de forma alguma suficientes para que alguém seja salvo, e outras duas são imprescindíveis para que alguém seja redimido.

Duas coisas insuficientes para a salvação

Nem a simples confissão “Senhor, Senhor” (1) nem as obras em nome de Jesus (2) são suficientes para alcançar a salvação eterna. Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações são meramente formais, os atos de caridade são feitos em nome de Jesus sem que aqueles que os realizam pertençam a Ele ou sejam filhos de Deus. Quantos indivíduos “cristãos” realizam atos cristãos sem pertencerem a Cristo! É assustador que no fim Jesus até mesmo condena as suas ações como sendo iníquas: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Duas coisas imprescindíveis para a salvação

Precisamos fazer a vontade de Deus (1) e precisamos ser conhecidos por Deus (2).

1. Fazer a vontade do Pai celeste não é realizar muitas boas ações, pequenas e grandes, mas ter fé em Jesus Cristo, entregar conscientemente a vida a Ele e obedecer-Lhe na prática.

O judaísmo da época de Jesus tinha “boas ações” para apresentar: muitos eram fanáticos em seguir a lei, lidavam com a Palavra de Deus, expulsavam maus espíritos e faziam milagres. Mas uma coisa eles não queriam: crer em Jesus Cristo e, assim, aceitar a misericórdia que recebemos por meio dEle. Pensavam que chegariam ao céu sem Ele, que Deus reconheceria as suas obras e lhes permitiria entrar. Porém, foi justamente nesse ponto que Jesus tratou de contrariar seus planos. Eles tinham de aprender e aceitar que a vontade de Deus era que reconhecessem sua própria falência espiritual e cressem em Jesus.

Nós enfrentamos o mesmo problema hoje. “Cristãos” nascidos em um ambiente cristão pensam que conseguirão ir para o céu por meio de obras cristãs. Ao lhes dizermos que nada disso serve, que no fim das contas as suas ações são iniqüidades inaceitáveis aos olhos de Deus e que eles continuam perdidos, a grande maioria reage de forma irritada, por pensar que não precisam de Jesus pessoalmente. Quando Jesus foi questionado: “Que faremos para realizar as obras de Deus?”, Ele respondeu: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.28-29).

2. Precisamos ser conhecidos por Deus. Haverá pessoas das quais Jesus dirá naquele dia:“Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Não é suficiente crer em Jesus de forma superficial, reconhecê-lO, acreditar em Sua existência ou aceitá-lO até certo ponto. Não – é preciso que haja um encontro pessoal com Ele.

Posso dizer: “Conheço o presidente do Brasil”. De onde o conheço? De suas aparições na mídia. Mas será que ele me conhece? Claro que não! No entanto, se eu fosse convidado a visitá-lo, teria a oportunidade de ser conhecido por ele.

O Senhor Jesus convida cada ser humano, de forma pessoal, a entregar-se a Ele: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Quem aceita esse convite, quem se achega a Ele com todos os seus pecados, quem O aceita em seu coração e em sua vida e crê em Seu nome (Jo 1.12), esse é conhecido por Ele. Quem fez isso reconheceu o Pai e o Filho de Deus e entrará no céu: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

“Tens nome de que vives…

…e estás morto” (Ap 3.1). Há muitos que se chamam de “cristãos”, mas o são apenas nominalmente. O Senhor Jesus falou de pessoas que imaginariam servir a Deus matando justamente Seus verdadeiros filhos: “Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim” (Jo 16.2-3).

Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações viraram rotinas, sem que aqueles que oram pertençam a Jesus.

Eles reivindicam autoridade teológica, pensam servir a Deus, mas não conhecem nem o Pai nem Jesus Cristo. Isso aconteceu, por exemplo, na época das Cruzadas e da Inquisição. Hoje também existe uma teologia que reivindica toda autoridade para si e rejeita os que se baseiam na Palavra de Deus. Basta lembrar das muitas seitas e do islamismo, que afirmam que Deus não tem um Filho.

Já no século VII antes de Cristo, na época do profeta Jeremias, havia dignitários religiosos meramente nominais. Ouvimos o lamento de Jeremias: “Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (Jr 2.8).

Mesmo um cristão pode apostatar da fé. Quem com sua boca confessa ser cristão, mas não pratica o cristianismo no dia-a-dia, precisa aceitar que outros lhe perguntem se não está enganando a si mesmo.

Não é exatamente isso que vemos hoje? Muitos teólogos abandonaram a fé bíblica e correm atrás de convicções que não servem para nada. Eles se abriram para religiões e correntes espirituais que não têm absolutamente nada a ver com Jesus Cristo. Isso também já aconteceu na época em que o povo de Israel peregrinou pelo deserto. Depois de ter louvado a grandeza e a soberania de Deus (Dt 32.3-4), Moisés emendou uma declaração sobre os infiéis: “Procederam corruptamente contra ele, já não são seus filhos, e sim suas manchas; é geração perversa e deformada” (v.5). Portanto, realmente é possível que aqueles que não são Seus filhos se tornem infiéis a Ele.

É dito a respeito dos filhos de Eli: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não se importavam com o Senhor… Era, pois, mui grande o pecado destes moços perante o Senhor, porquanto eles desprezavam a oferta do Senhor” (1 Sm 2.12,17). Não reconheceram ao Senhor porque desprezaram o sacrifício. Enquanto uma pessoa (por mais cristã que se considere) desprezar o sacrifício de Jesus pelo pecado, não reconhecerá o Senhor.

Todos os israelitas saíram do Egito, mas da maior parte deles Deus não se agradou, motivo pelo qual tiveram de morrer no deserto (veja 1 Co 10.1-12).

Como exemplo especial de alguém que era crente nominal e que realizava obras, mas que ainda assim estava espiritualmente morto, lembro de Balaão (veja Nm 22-24):

  • Ele era um homem a quem Deus se revelava, com quem Deus falava (Nm 22.9).
  • No começo ele foi obediente (Nm 22.12-14).
  • Ele afirmava conhecer o Senhor e O chamou de “meu Senhor” e “meu Deus” (Nm 22.18).
  • Ele adorava o Senhor (Nm 22.31).
  • Ele reconhecia a sua culpa (Nm 22.34).
  • Ele estava disposto a servir (Nm 22.38).
  • Deus colocou Suas próprias palavras na boca de Balaão (Nm 23.5).
  • Balaão abençoou Israel três vezes (Nm 23 e 24).
  • Ele testemunhou da sinceridade e da fidelidade de Deus (Nm 23.19).
  • Ele falou três vezes do Messias como Rei de Israel (Nm 23.21; Nm 24.7,17-19).
  • O Espírito Santo veio sobre ele (Nm 24.2).
  • Ele testemunhava ser um profeta de Deus (Nm 24.3-4).
  • Balaão confirmou a bênção e a maldição de Deus sobre os amigos e inimigos de Abraão (Nm 24.9, Gn 12.3).
  • Ele colocou o mandamento de Deus acima de bens materiais (Nm 24.13).
  • Ele falou profeticamente a respeito do futuro dos povos, sobre a chegada do Messias e chegou a mencionar o Império Mundial Romano [Quitim] (Nm 24.14-24).

Apesar de tudo isso, a Bíblia chama Balaão de falso profeta, vidente e sedutor (veja Nm 31.16; Js 13.22; Ne 13.1-3; 2 Pe 2.15-16; Jd 11; Ap 2.14-16). Por quê? Porque Balaão fazia concessões e aceitava comprometimentos, e levou o povo de Deus a se misturar com outros povos. Havia uma discrepância entre suas palavras e ações. “Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do SENHOR se acendeu contra Israel” (Nm 25.1-3). Balaão havia levado Israel a essa prostituição (Nm 31.16; Ne 13.1-3). Pedro chama Balaão de alguém que“amou o prêmio da injustiça”. Na Epístola de Judas ele é chamado até mesmo de enganador (“erro de Balaão”) e no Apocalipse ele é apresentado como alguém que “armou ciladas”.

A Bíblia diz a respeito das pessoas nos últimos tempos que “os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13). Quem tende a prostituir-se espiritualmente ou a comprometer sua fé e suporta, permite e pratica essas coisas sem que sua consciência o acuse, tem motivo para crer que, apesar das aparências, não é um cristão verdadeiro. Com isso não estou me referindo à luta contra o pecado, que qualquer filho de Deus enfrenta. Não, aqui não se trata de “derrotas” na fé e na obediência, mas de lidarmos com o pecado de forma consciente e indiferente, de deliberadamente escolhermos a prática pecaminosa.

Não somos salvos por nossas próprias obras, mas somente pela fé em Jesus Cristo, pela conversão a Ele. Só aqueles que O aceitam, ao Filho de Deus, em seu coração e em sua vida, com fé infantil, poderão realizar obras que testemunhem a veracidade de sua fé. Essa fé precisa estar “enraizada” na Palavra de Deus. Em Sua parábola sobre o semeador, Jesus diz que há pessoas que aceitam a Palavra de Deus com alegria, mas não criam raízes para ela e mais tarde a abandonam (Mt 13.20-21). A raiz liga a planta à terra, da qual ela vive, lhe dá firmeza, extrai alimento e o conduz à planta. A raiz é um símbolo do Espírito Santo, por meio do qual estamos enraizados em Deus. O Espírito Santo nos traz a vida em Deus, à medida que extrai alimento das Escrituras.

Podemos aceitar a Palavra de Deus de forma superficial, podemos simpatizar com o Senhor, podemos acompanhar os cristãos durante algum tempo, mas depois nos afastar novamente, porque nunca nascemos realmente de novo e por isso nunca tivemos “raízes”.

Jesus disse aos Seus discípulos, àqueles que O seguiam: “Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (Jo 6.64). De acordo com Hebreus 6.4-6, há pessoas que foram “iluminadas”, que “provaram o dom celestial”, e que até “se tornaram participantes do Espírito Santo” e ainda assim caíram. Por quê?

  • Porque foram iluminadas, mas elas mesmas nunca se tornaram luz. A luz pode se refletir em mim, e então estou iluminado; mas é preciso mais para que eu mesmo seja luz.
  • Porque provaram, mas não comeram (aceitaram). Posso sentir o cheiro do pão, provar o seu sabor (assim como o enólogo, que toma um pouco de vinho na boca para testar seu aroma, mas depois o cospe fora). Mas é preciso que aconteça mais: precisamos comer o pão, ingeri-lo. Não basta “provar” Jesus, ou seja, experimentá-lO – precisamos aceitá-lO em nós (Jo 6.53-56,63; Jo 1.12).
  • Porque participaram do efeito do Espírito Santo, mas nunca O receberam pessoalmente. Ao ler a Palavra de Deus, ao freqüentar um culto, posso participar do efeito do Espírito Santo. Mas isso não é suficiente. Não – é preciso que haja uma renovação espiritual real.

É possível que pessoas assim imitem o cristianismo durante algum tempo, acompanhem e participem de uma igreja local. Mas um dia elas “cairão” e negarão a Jesus. Então muitos se perguntam espantados: “Como isso é possível?”

Quando o Senhor Jesus falou de comer Sua carne e beber Seu sangue para ganhar a vida eterna (Jo 6.53-59), muitos de Seus discípulos disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (v. 60) e se afastaram dEle (v. 66), apesar dEle ter lhe explicado de antemão o que isso significava: “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (v. 63).

Tornar-se cristão apesar de ser “cristão”

Enganam-se a si mesmos os que pensam que todos são cristãos! Muitas vezes, quando questionei pessoas que davam a entender isso, a resposta era: “Meus pais são cristãos”, ou: “Minha família é cristã!” Um conhecido evangelista costumava responder a essas afirmativas: “Se alguém nasce em uma garagem, isso não significa que seja um automóvel! E quando alguém nasce em uma família cristã, ainda falta muito para que se torne cristão!” (extraído de um livro de Wilhelm Busch).

Jesus disse a Pedro: “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc 22.32). Por um lado, o Senhor confirmou a fé de Pedro. Por outro lado, porém, Ele falou da necessidade de sua conversão futura. Pedro poderia ter retrucado: “Senhor, sou judeu, um filho de Abraão. Cumpro os mandamentos, fui circuncidado ao oitavo dia, guardo o sábado, oro três vezes ao dia, celebro a Páscoa e faço os sacrifícios. E  já Te sigo há três anos…” Mesmo assim, ele ainda precisava converter-se. Da mesma forma Paulo, o grande defensor da lei, precisou se converter, assim como todos os outros apóstolos e discípulos.

Toda pessoa precisa se converter se quiser ser salva – inclusive os “cristãos”, sejam eles membros da igreja católica romana, protestantes, evangélicos ou de uma família cristã. Não são poucos os que nascem no cristianismo, da mesma forma como os judeus nascem no judaísmo. Mas, não é esse nascimento que dá a salvação, alcançada somente através de um “novo nascimento”: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Precisamos nos converter mesmo que tenhamos sido batizados quando pequenos, freqüentado aulas de catecismo ou participado de cultos. Se não nascermos de novo, continuaremos perdidos.

Mais tarde, quando o apóstolo Pedro se converteu e experimentou o novo nascimento, ele escreveu em sua primeira carta: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros” (1 Pe 1.3-4).

Quem carrega em si o testemunho do Espírito Santo a respeito de seu novo nascimento (Rm 8.16) deve alegrar-se com essa certeza e agradecer a Jesus Cristo por ela. Mas quem não possui esse testemunho inconfundível do Espírito Santo e ainda assim pensa ser cristão, está sujeito a um grande engano. Mas hoje esses “cristãos”, e qualquer pessoa que queira ser salva, pode alcançar a certeza da salvação, se converter-se de forma muito séria a Jesus Cristo. Então, por que esperar mais?

Norbert Lieth

Fonte: Título original, “O Grande Engano”, Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, dezembro de 2006.

in Discernimento Cristão (blog)

Covardes e/ou Corajosos – O Perfil do Apóstolo Pedro

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Como é tremenda a mudança na vida do apostolo Pedro, de falastrão a sábio, do que nega o Mestre ao que ousadamente se torna um grande pregador e expositor dos planos de Deus aos homens.

Pedro é esse que nos dá exemplo de nossa humanidade, de nossas fragilidades e limitações. Sua jornada com o Mestre, fala a respeito de nossa própria jornada.

Quando observamos este discípulo em suas afirmações, questionamentos e ações tempestivas de seu temperamento sanguíneo, vemos que Pedro era este para quem num instante o Mestre dizia, “foi Deus quem te revelou” para logo em seguida ser repreendido por apresentar ideias que vieram do inferno. (Mateus 16:16)

Podemos ver em Pedro o desejo de seguir os passos de Jesus, como ele mesmo dizia: “estou disposto a morrer por ti ou contigo”, no entanto, nos momentos de provas reais, vacilou, acovardou-se e fugiu da luta e exposição pública. (Mateus 26:69)

Era um homem como nós, de duplo ânimo, inconstante, incapaz de levar os seus compromissos até o fim, como vemos em várias passagens de sua caminhada com Jesus.

Mas num determinado momento da vida deste apóstolo, algo ocorreu e Pedro passou a ser o grande líder da igreja naqueles primeiros passos.

Aquele que havia negado o amigo e Mestre diante do confronto foi quem se levantou e fez uma das maiores exposições do plano eterno de Deus. O homem que se acovardara agora está cheio de ousadia, se expõe sem medo e restrições. Naquele primeiro sermão de Pedro mais de 3 mil pessoas se agregaram à Igreja. (Atos:14)

O que ocorreu com o Pedro para que tal mudança acontecesse? Como podemos ver estas mudanças em nossa própria vida no dia-a-dia? Como podemos viver a vida que Deus, o Pai, propõe para nós? Como vencer o medo, a timidez, o pecado que tão de perto nos cerca?

Como ter um vida constante diante dos homens e na presença de Deus?

O segredo está na experiência pessoal com o Espírito Santo de Deus que agora já não é mais um Deus distante e externo, mas a vida de Deus em nós. O Espírito de Deus passa habitar no nosso ser. Se quisermos viver a vida de Deus temos que ter uma experiência com o Espírito Santo e precisamos de ser cheios Dele. (Atos 2:3)

Foi isso que mudou a vida de Pedro, ele foi cheio do Espírito Santo e deixou de ser o que se acovardava para ser o homem cheio de coragem que Deus usa.

E se pedirmos do seu Espírito, o Pai nos dará.

Trocando idéias – Olgálvaro Bastos Jr. - Aug 7, 2009

Não Existem Super-Heróis

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Leia e reflita sobre como ser submisso e amável com seus líderes, seja em que âmbito for…

Texto Base: 1Rs 19.1 – 13.

Crescemos vendo super-heróis na TV. Eles eram sempre perfeitos, com seus poderes inimagináveis. A humanidade busca homens perfeitos, que nunca erram. Crescemos, contudo, continuamos buscando esses “super-heróis”. Cobramos muito daqueles que são autoridade sobre nós. Chega a ser uma perfeição subumana. Sejam essas pessoas nossos líderes, pastores, chefes, professores, e principalmente, os nossos pais. Não suportamos ou não sabemos lidar com o erro de quem está num patamar acima do nosso em autoridade. Tudo isso, não justifica as falhas, os erros. E não tira a responsabilidade dos erros das pessoas. Existe uma diferença entre o erro moral e erro comportamental (comportamentos que adquirimos ao longo da vida). Mas esta reflexão serve para alertar, para estimular o amor e o perdão e considerar aqueles que são lideres sobre as nossas vidas. Além disso, traz à tona a velha discussão acerca de alguns crentes que saem de suas igrejas devido à alguma decepção.

Lembremo-nos de Elias, profeta de Israel. Na época de Elias, Acabe e Jezabel reinavam em Israel. Baal era o deus adorado por eles. O capítulo 18 do livro de 1 Reis retrata algumas relatos sobre Elias. Ele era um homem de Deus que foi usado de uma forma maravilhosa. Ele também passou por maus momentos, muitas dificuldades. No entanto, ele permaneceu fiel diante de Deus e dos homens. Elias foi arrebatado por Deus, ele não morreu – 2 Rs 2.9. Quando analisamos a história deste homem de Deus, parece que não conseguimos observar erros em sua trajetória, mas ele errou. Nem por isso, sua história deixa de ter sua importância.

Cada um tem seu limite (vs. 1 a 4)
A rainha Jezabel ficou sabendo de tudo o que Elias fez no monte Carmelo com os profetas de Baal. Ela mandou dizer a ele que iria dar o troco. Com muito medo Elias fugiu para Berseba, ele andou aproximadamente 210 km e depois foi ao deserto. Lá ele assentou debaixo de um zimbro (árvore juniperácea), pegou uma sombra e clamou pela morte. Elias afinou para Jezabel. Ele não esperou pacientemente no Senhor. Ele se sentiu só e errou em não confiar em Deus. E Deus em seu amor e compaixão esperou o momento certo para confrontar Elias e mostrar a ele que há sempre um caminho, cuidando dele em amor e zelo.

Muitas vezes cobramos que as pessoas não errem. E quando elas erram não aceitamos e muitas vezes as rejeitamos, tratando-as com indiferença. Pessoas decepcionadas, em muitos casos até desviam-se da fé que professam, ou da igreja que frequentam, por causa dos erros do próximo. Está escrito na Bíblia em Jeremias 17.5: “Maldito o homem que confia no homem”. Achamos muitas vezes que o próximo é perfeito, um super-herói. Outra coisa que acontece é que achamos que os líderes são perfeitos, como super-heróis. Os líderes geralmente são alvo desses atos de insubmissão e rebeldia, ou ainda, retaliação.

Da mesma forma, os pais: alguns magoam com palavras, ficam muito nervosos, fazem diferença entre os filhos. Cobram demais, exigem tudo (estudo, casa, trabalho, irmãos). Além disso, descontam nos filhos os problemas pessoais. Muitos não têm tempo para estar com os filhos, substituindo a companhia dos filhos por outras coisas. Tantas razões levam muito adolescentes e até mesmo jovens dizerem: “Quero outro pai, outra mãe. Não agüento mais meus pais, não quero morar em casa”. Então o ódio, a raiva, o rancor e mágoa tomam conta do coração

Quem também geralmente enfrenta problemas de submissão e respeito à autoridade, são os professores e patrões. Há muita dificuldade por parte de muitos em respeitá-los e até mesmo em amá-los. Contudo, a maior parte das pessoas esquece que esses também erram. Eles são alvos de comentários e atos de julgamento.

Procure considerar (vs. 5 a 8)
Elias, o personagem dessa reflexão, teve seu limite. Deus buscou ajudá-lo no momento de agonia. Deus mostrou paciência, zelo, cuidado e amor para com Elias, ao enviar alimento e direcionamento a ele por diversas vezes, por meio de um anjo.  

Aplicação
Procure compreender os limites dos outros, cada um tem o seu. Entender, considerar, passar por cima reflete o caráter de Deus em nós.

Algumas coisas a considerar:
Busque entender o momento (crise finaceira, problema no trabalho, TPM, pressão, tristeza) das pessoas. Você também erra, porque as autoridades em sua vida não podem errar? Busque considerar a história do próximo (na família, no trabalho etc). Procure enxergar as coisas boas também. Quando consideramos algumas questões para entender o outro, entendemos a linguagem do amor e mudamos nosso parâmetro de cobrança. Não é fácil ser mãe, pai, padrasto, madrasta, líder, pastor, professor, patrão etc.

Perdão e Amor (vs. 9 a 13)
Depois de tudo, Deus ainda fala com Elias. Elias foi para Horebe, foi envidado por Deus. Ele é levado para que Deus se revelasse, e assim voltaria aos momentos de origem do seu ministério como profeta. Deus se revela a Elias através de um ciclo suave. Deus não queria que Elias estivesse na situação difícil eu estava vivendo. O amor e o perdão são marcas fortes na atitude de Deus para com Elias.

Aplicação
“O amor encobre multidões de pecados”. Existem coisas que só o amor e o perdão podem resolver. Encarar, discutir, ódio, rancor, responder mal, não resolve nada. Ame apesar do erro. Líderes, Pai, mãe não deixam de ser seus pais por causa dos erros. Líderes, pastores, professores não deixarão de ser autoridades por causa do erro deles. As autoridades não aguentam tudo, como você também, mesmo que às vezes eles se mostrem super- heróis. Se coloque um minuto no lugar do próximo, e você será um pouco mais compreensivo.
 
Reflita
Como tem sido a minha relação com as autoridades que tenho em minha vida? Será que tenho buscado nas autoridades super-heróis? Seja mais compreensivo, paciente, amoroso, considere algumas coisas. Perdão e amor são atitudes que devem ser presentes na sua relação com as pessoas. A cura para qualquer dor e trauma familiar passa pelo perdão. Os maiores problemas que temos são dentro família e em nosso relacionamentos mais próximo. Se você deseja crescer, busque o perdão como remédio. Faça da mesma forma que Deus fez com Elias, exerça amor e zelo por aquelas pessoas que Deus colocou próximo a você, e que de alguma forma exercem autoridade a vocês.

::Pastor Bruno Barcelar
Integrante da liderança da Rede de Adolescentes da Lagoinha
Contato: (31) 8404-6457 – E-mail: bruno.barcelar@lagoinha.com
Texto adaptado: Redação Atos Hoje.

Sua vida pode naufragar como o Titanic ! ENTREGUE-SE A JESUS CRISTO AGORA MESMO ! Ele é o ÚNICO Senhor que Salva !

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Jesus disse: “Erguei os vossos olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna.” 

                                       João 4:35 e 36   

  Leia este livreto meditando na situação das pessoas que você conhece e sabe que estão perdidas. Tente entender o que significa estar perdido eternamente.  

Procure compreender o que representa o seu melhor amigo estar em tormentos eternos, onde não há água para refrescar a língua, conforme sentia o rico no inferno. Luc. 16,24. Com este sentimento leia esta mensagem, como um recado de Deus para sua vida.   

O navio mais famoso do mundo foi construído nos estaleiros de Belfat, na Irlanda – entre a primavera de 1909 e maio de 1911. 

No dia 31 de maio de 1911 o navio deslizou do estaleiro da construção Naval White Star Line. Naquele dia de festa um empregado da construtora disse: “Nem mesmo o próprio Deus pode afundar esse navio.” 

A Sra. Albert Caldwell, embarcava no navio quando perguntou a um tripulante: “É verdade que este navio não pode afundar? “ 

O marujo respondeu arrogantemente: “Minha Senhora, nem Deus poderia afundar este navio.” 

A primeira e última viagem partiu de Southampton, da Inglaterra. 

As 12 h do dia 10 de abril de 1912, o Titanic partiu com destino a Nova Iorque, USA. 

No dia seguinte o navio fez uma última parada, ancorado  ao largo da costa da Irlanda, em Queenstown. Lanchas trouxeram para bordo passageiros para sua viagem à eternidade. 

Existem poucas fotos deste histórico embarque, somente o padre Francis M. Browne, tirou algumas fotos de seus companheiros, a maioria deles embarcou para a eternidade. 

O Titanic levava um total de 2.228 pessoas. 

No início do século XX, este navio era o maior objeto móvel manufaturado do mundo. 

Foi na época o navio mais longo já construído, com mais de 4 quadras de comprimento. 

Acomodações para uma tripulação de 860 pessoas e capacidade para 3.500 passageiros. (Capacidade total era 4.360 pessoas.) 

O Titanic pesava 66.000 toneladas. 

Cada máquina de vapor tinha  9 metros de altura e os motores trabalhavam com 50.000 HP de potência. 

Para transportar a âncora do navio foi necessária uma carroça com 20 cavalos. 

Às 23.40h do dia 14 de abril 1912 o vigia Frederick Fleet avistou um Eisberg bem à proa do navio. 

Imediatamente acionou o alarme. O Primeiro oficial William Murdoch, ordenou: ”Invertam a marcha das máquinas.” 

Mas já era tarde demais. Após meio minuto, embora a proa do navio houvesse se desviado da montanha de gelo, ouviu-se um barulho vindo do fundo do navio. O Titanic havia sido ferido de morte. 

Exatamente as 00:05 horas do dia 14 de abril de 1912, – 25 minutos após a colisão, o capitão Edward Smith, ordenou que os barcos salva-vidas fossem arriados, para transportar os passageiros ao mar. 

Às 2,30h ao som do hino “Mais perto quero estar meu Deus de ti,” e  executado pela orquestra de bordo, do maestro Wallace Harthey, o Titanic mergulhou rapidamente para as profundezas do oceano. 

O radiotelegrafista John Philips, que mandou o telegrafista do navio The Californian “calar a boca” quando o avisava que avia Eisberg na proximidade rogou entre soluços: “Deus me perdoe… Deus me perdoe.” 

300 corpos foram recuperados das águas e entregue às famílias, ou sepultadas em um cemitério na costa do Canadá, onde até hoje as sepulturas são cuidadas pela companhia marítima que sucedeu a White Star Line. 

Os demais 1.223 corpos estão sepultadas no túmulo do vasto Oceano Atlântico Norte, junto ao próprio Titanic, a      4. 000 metros de profundidade. 

Certo dia, quando eu estava começando a preparar a mensagem para o culto, a irmã Mônica Kagiva  chegou a Livraria, contou como sua alma ardia em temor, ao testemunhar para um homem estranho dizendo-lhe: “Se eu não lhe falo da graça de Deus, da salvação que você precisa, imagine, você pode cruzar a rua, morrer ali mesmo e irá para o inferno, e eu serei culpada de sua perdição pois eu não lhe falei nada do socorro que Deus, em Jesus pode dar. O Sr. estará eternamente no inferno, e eu que nada lhe falei do Evangelho de Cristo, como ficarei?” 

Ao sentir como o Espírito Santo agiu no coração desta irmã, que sentia o calor do inferno lançando suas chamas sobre aquele homem estranho, senti o dever de falar sobre o grito de Socorro daqueles que naufragaram com seu “Titanic.” 

Entendemos o que representa o grito de uma alma que está afundando para as chamas do inferno? Ouvimos ainda o pedido de SOS dos náufragos que afundam ao nosso lado? 

A grande maioria dos próprios cristãos estão surdos para com os clamores de multidões de pessoas que estão se agarrando nos últimos destroços de seu “Titanic” que afundou. O “Titanic” mais importante é o barquinho de sua existência e a sua família. 

Quem se importa de socorrer a alma que está se agarrando nos últimos destroços de sua vida, antes de afundar?

A maioria dos cristão dorme tranqüilamente, e ainda critica aqueles que querem ajudar a socorrer os náufragos.

Há muitos cristão que sabem do fogo do inferno, sabem do castigo eterno para os perdidos, mas ficam de braços cruzados, nas poltronas confortáveis de suas igrejas. O problema não é a poltrona, é a preguiça espiritual.

O pior é que muitos reclamam quando é requerido algum sacrifício para ajudar aos que estão se afogando.

Segundo a enciclopédia “Brockhaus,”  morreram no naufrágio do Titanic 1500 pessoas. Outros livros dizem que foram 1523 pessoas. Isso significa que, mais de 1500 pessoas clamaram por socorro depois do naufrágio, na noite escura, nas águas geladas do Atlântico Norte. 

O dia 15 de Abril de 1912 amanheceu com uma frota de botes salva-vidas dispersos, com 705 sobreviventes do Titanic.

Todos os demais flutuavam no lugar do naufrágio, agarrados em pedaços de madeira, uns ainda com vida, outros já mortos.

Um dos navios mais próximos do naufrágio do Titanic, na noite da tragédia,  foi o S.S. Carpathia, da Cunard  Line.

Demorou algumas horas para chegar até o lugar onde os últimos sobreviventes estavam se batendo nas águas geladas.

Muitas vezes já é tarde quando chegamos à casa, ao hospital, ou ao lugar do acidente para socorrer as pessoas que estão morrendo sem Deus.

Mas, em alguns casos as pessoas estão gritando por socorro, ao nosso lado na igreja, na família e na vizinhança, mas existe alguém que quer e pode ajudar aos que estão agarrados nos últimos destroços de sua existência?

O Titanic zarpou  sem Deus e naufragou!

Muitos saíram com sonhos altos, como o filho pródigo, mas em plena viagem da festa, afundaram como o “Titanic”.

Saíram da casa do Pai. Levaram sua herança para o mundo sem Deus.

Viveram felizes até que seu “Titanic”  afundou na lama do sexo, da droga, do fumo e do álcool.

O “Titanic” da vida fácil naufragou!

O CD de Fábio e Ricardo, narra a história de Maria:

Ela saiu de casa, foi trabalhar na cidade. O salário era pouco, então descobriu que vender o corpo na prostituição seria uma saída fácil.

Até que grávida, sozinha e perdida, estava gritando por socorro.

Foi nesta miséria que Deus ainda achou uma saída e salvação para sua alma.

Quantas “Marias” estão se afogando e não há quem lhes estenda a mão.

Com certeza, a criança cresceu, e a solução que Deus lhe deu, ainda trouxe muitas dores e mágoas para ela.

Mas, o socorro de Deus existe e a vida pode ser refeita.

Procure ajuda quando o seu “Titanic” está afundando.

Os “Titanics”  da vida fácil estão afundando mais e mais pela Aids.

Um pastor amigo, socorreu uma jovem, entregou a vida da jovem em oração ao Senhor; carregou a moça algumas vezes ao hospital e logo a jovem morreu, mas sua alma foi salva, no último momento. O pastor ainda levou sua alma aos braços de Jesus.

O que vamos presenciar nos próximos anos pode ser horrível! A revista Veja publicou um relato dos sepultamentos das pessoas que estão morrendo de Aids, na África. Caixões são vendidos como se vende gás em nossas cidades.

Em alguns vilarejos, funerárias vendem milhares de caixões por mês, pois a Adis, está exterminando o povo.

Este é o nosso mundo. Esta é a água gelada onde um “Titanic” após o outro, está naufragando.

Segundo informações extra-oficiais, em uma universidade do PR, foi feita uma campanha para doação sangue. 70% dos alunos cooperaram, mas em 30% do sangue foi constado Aids.

O que vamos  fazer?   A vida de muitos jovens já está com o “casco do Titanic” quebrado.

Já não há mais como reverter o quadro para milhares de pessoas. Mas, podemos ainda lhes falar do único barco salva-vidas no qual ainda devem embarcar, antes que cheguem ao inferno.

O Pastor batista John Harper, segundo o Livro: “Titanic o naufrágio da Soberba” de Arlindo Alves (pg.67) foi visto ainda na última noite antes do naufrágio evangelizando um jovem.

Enquanto outros se divertiam com danças e bebidas fortes, o pastor ouvia o grito da alma do jovem, que estava vivendo sua última chance de salvação.

Segundo o mesmo livro (pg 69) o pastor Harper, ao ouvir o alarme do naufrágio, tomou sua filha Nana que estava com ele, entregou-a a um capitão do convés, com ordens para colocá-la num barco salva-vidas.

(Nana, a filha do pastor, foi resgatada, mandada de volta à Escócia, onde cresceu, casou-se com um pastor, e dedicou toda sua vida ao Senhor a quem seu pai tinha servido.)

O pastor, depois de entregar sua filha, foi socorrer os outros.

Logo o Titanic deslizou para as profundezas do oceano, centenas de pessoas ficaram a se debater nas águas geladas, buscando agarrar-se a qualquer coisa que flutuasse, entre elas estava o pastor John Harper.

A sobrevivente Eva Hart, descrevendo a cena que presenciou afirmou: “O som das pessoas se afogando é algo que não posso descrever…”

O pastor Harper que lutava com as ondas para se manter vivo, vendo se aproximar dele um homem agarrado a uma tábua, gritou-lhe: Você é salvo?” Ante a resposta negativa, retrucou-lhe: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo.” Nesse momento a correnteza arrastou o homem para a escuridão. Instantes depois, voltaram a se reencontrar, e Harper, que já estava prestes a se afogar, indagou-lhe novamente: “Você é salvo? “ Outra vez a resposta foi “Não”. E Harper voltou a repetir-lhe: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo.”

Não houve tempo para mais nada. Exausto, Harper escorregou do objeto que segurava e afundou, indo ao encontro do Senhor. 

O “Titanic” da vida sem Deus afundou!

O comunismo queria eliminar o cristianismo do mundo. Mas, a Cortina de Ferro caiu, e o Muro da Vergonha foi derrubado.

Caíram as teorias de Karl Max. A fúria de Lenin e do comunismo deixou somente os “náufragos” em terror e pobreza, matando milhões de seres humanos.

Adolf Hitler queria eliminar os judeus e também os cristãos, deixou o “Titanic”  Alemanha no fundo do mar e seu povo clamando por socorro.

Morreram 51 milhões de pessoas, durante a II Guerra Mundial.

Assim acontece com todos aqueles que viajam sem Deus e sem Jesus. Minha avó, nascida em Berlim, que viveu nos dias do naufrágio do Titanic, contava que no Titanic havia um cartaz que dizia: “Viajamos sem Deus e também não precisamos de Jesus.”

O Titanic que zarpou do porto de Southampton na Inglaterra, sem Deus e sem Jesus, matou 1523 pessoas e deixou centenas de pessoas gritando por socorro nas águas geladas, no meio do oceano.

Será simplesmente sem efeito um governante iniciar seu governo sem Deus e sem Jesus?

Será sem efeito um empresário construir sua fábrica ou empresa sem Deus e sem Jesus? 

Será possível conduzir sem tragédia o “Titanic” sem Deus, e sem Jesus, onde dezenas, ou até milhares de pessoas trabalham duramente para manter o barquinho de suas famílias?

Um homem rico de São Paulo, dono de uma grande fábrica, dizia: “Meu deus é o meu dinheiro. Eu não preciso de Deus.”

Alguns dias depois perdeu sua fábrica e ficou sem nada. Onde ficou o seu deus quando toda a sua riqueza derreteu da noite para o dia?

Você talvez está boiando nas águas geladas depois do naufrágio de sua vida sem Deus? Clame por socorro enquanto ainda há tempo.

Peça ajuda!  Aceite o socorro de Deus quando o seu “Titanic” afundar.

O Titanic do crente desviado afundou!

Temos em nossos dias incontáveis  “Titanics” de ex-crentes no fundo do mar, e os ex-irmãos estão clamando por socorro no mar gelado da vida sem Deus. Milhares  de crentes  saíram de suas igrejas, sem Deus, sem Jesus e sem o Espírito Santo.

Muitos deles estão lutando agarrados aos últimos destroços de sua existência.

Alguns já não têm coragem de pedir socorro, nem para seus amigos, e até não possuem mais a coragem de pedir ajuda para Deus.

Lembro de meu amigo, filho de um pastor muito importante, este homem de Deus abriu a porta para o mundo diante de minha vida.

O jovem, aos 18 anos de idade, era o tradutor deu seu próprio pai no púlpito da igreja.

Quando passávamos o domingo juntos, o moço brincava de repórter, fazendo simulações de reportagens, com seu gravador, que na época era algo fantástico. Mas, quando retornou com seus pais para Alemanha, desviou-se dos caminhos de Deus. Tornou-se um solitário que trouxe muito sofrimento ao seu velho pai.

Na última visita a seu pai na Alemanha, o idoso homem disse-me na despedida: “Mário, ore pelo meu filho R.”

Este jovem poderia ser um grande instrumento nas mãos de Deus.

Quando zarpou para uma vida sem Deus, levou ao fundo do mar todos as grandes possibilidades que Deus lhe havia dado pelo nome que seu pai lhe havia deixado.

Você é um ex-crente?  Um ex-irmão da família de fé? 

O seu “Titanic” afundou chocado contra os icesbergs que existem nas fileiras da igreja?

Você quebrou sua fé, sua confiança e seu amor, no choque com um irmão, talvez com o pastor de sua igreja?

Há muitos anos atrás um médico de Curitiba disse-me: “Fazem 8 anos que me desviei de minha igreja.”

O motivo do naufrágio de seu barquinho  de fé foi um desentendimento com o diretor do Hospital, e membro de sua igreja.

Por um saquinho com pedras de gelo, o diretor do hospital, ofendeu seu irmão de fé, seu colega médico da clínica em Belém do Pará. Foi num domingo de muito calor, por algumas pedrinhas de gelo.

O gelo já derreteu há muitos anos, mas o “Titanic” de um médico missionário afundou pela ofensa de seu irmão, diretor do hospital.

Quando o médico concluiu sua triste história, eu estava deitado em sua clínica tomando soro. Levantei-me com todo esforço e disse: “Dr., algum dia o Senhor nosso Deus vai dizer: “Filhos, acabou o jardim de infância. Venham todos para casa.  Eu somente espero que não tenhamos nada de que nos envergonhar quando ele mandar guardar os “brinquedos” de nossa vida.”

Há terríveis brigas entre grandes homens por “brinquedos”.

Grandes homens e grandes mulheres afundam com toda sua existência, porque se chocaram com “icebergs” nas mais insignificantes questões da vida.

Seu “Titanic”, digo a sua vida espiritual, afundou por grandes ou pequenas ofensas?  Talvez pela ofensa do pastor Mário Hort? 

Todos nós somos falhos, tropeçamos, na luta pisamos nos “dedos” de nossos mais queridos irmãos, e eles nos nossos.

Se você foi atingido por algum destes icebergs, chame por socorro!

Se você foi ferido por um pecado ou por algum irmão, peça ajuda de Deus e de seus irmãos.

Se você está se afogando em pequenos “copos de água” ou em grandes oceanos, o inferno tem a mesma temperatura para crentes com razão, como para o maior ladrão.

Volte para casa de seu Pai Celestial e de sua igreja, antes que seja tarde demais.

O “Titanic” de sua família afundou?

Como eu gostaria de ignorar este capitulo de nosso tema! Até a lembrança desta página da vida já nos entristece.

Como seria agradável saber que todas as famílias do mundo estão viajando em plena paz e segurança.

Se ao menos fosse assim, que todas as famílias cristãs estivessem em plena paz e segurança.

Infelizmente o “Titanic”  de muitas famílias afundou, e os familiares estão agarrados em destroços da família, prestes a afundar.

Muitos casais se desentenderam por “objetos da caixa de brinquedos”   do jardim de infância, mas quando já têm cabelos grisalhos, estão dormindo em quartos separados, ou em hotéis  solitários.

Você está vivendo os momentos após o naufrágio de seu “Titanic” familiar?

Seu casamento desabou? 

Seus familiares estão esparramados na casa de pais e parentes, agarrados nos últimos destroços daquilo que era tudo o que vocês, sonhavam?

Ou você está percebendo o seu barquinho familiar ir a pique dia após dia?

Tempos atrás recebemos uma carta de Juiz de Fora – MG  que dizia:

“Trabalho entre muitos funcionários numa metalúrgica de Juiz de Fora.

Notei um rapaz que havia se separado de sua esposa. Foi ele quem tomou esta decisão. Apesar disso, podia-se perceber a grande tristeza estampada em seu rosto, pois foi ele o causador da separação, e no fundo do coração ele amava a sua esposa.

Como nós viajávamos no mesmo ônibus da firma, foi possível observá-lo.

Comecei a orar por ele, para que o Senhor Jesus me desse forças para consertar o erro que ele havia cometido, e pedi graça ao Senhor para aproximar-me dele.

Eu tinha em casa alguns exemplares da revista Ecos da Liberdade nº 49, em cuja capa trás um casal de noivos e no seu interior mensagens maravilhosas para casais.

Orei a Deus e quando ele  passou por mim no ônibus, entreguei-lhe um exemplar dizendo:” Márcio, leia este folheto com muita atenção e medite, ele vai te ajudar muito.”

Ele tomou agradecido e “devorou” a leitura.

No outro dia levou a revista para a esposa de quem estava separado. Alguns dias depois, eu voltava do culto, quando contemplei os dois passeando juntos com alegria no rosto.”     A. D.

Por que você não clama por socorro?  Por que não busca o auxílio do Altíssimo?

Muitas famílias foram resgatadas do inferno, justamente porque suas famílias caíram em ruínas.

Deus é o grande artista que faz dos troncos mais exóticos, a escultura de sua obra da arte de sua misericórdia.

O nosso Deus de amor parece passear pelas praias da vida à procura dos “troncos” expulsos pelas ondas do mar.

Ele, Deus, toma os “troncos”  rejeitados, considerados pelos homens próprios somente para o fogo, mas Ele os leva para sua oficina de escultura, e faz deles a mais bela obra de arte.

O testemunho de várias pessoas que Cristo resgatou depois que seu “Titanic” familiar naufragou, é muito dramático, nem todos podem ser relatados.

Quero lhes apresentar uma história de um jovem que foi resgatado, depois que sua família e tudo o que sonhava afundou:

Será ocultado o nome do jovem pois combinei de que ele me apresentasse sua família, sua esposa e filhos depois de 20 anos, se eu e ele estivermos vivos.

O jovem chegou ao meu escritório desesperado, vendo como única saída o fim de sua vida, pois nada mais lhe restava de esperança.

Ele tinha sido recebido em um orfanato, quando já estava quase morto de fome.

Quando cresceu teve negadas as oportunidades de ser adotado por importantes famílias, inclusive um cônsul queria sua adoção.

No dia em que me procurou ele dizia que já foi crente, abandonou sua fé, e não conseguia mais crer em nada.

Ele lembrava de um erro que cometeu, e achava que jamais Deus lhe perdoaria.

Sentado em nosso escritório chorava inconsolavelmente, pelo seu erro.

Quando eu também não mais sabia como achar consolo e saída para sua vida profetizei para o jovem dizendo:      “Jovem, vamos entregar sua vida agora novamente ao Senhor Jesus. Ele vai perdoar toda sua culpa que você sente sobre sua vida.

Vejo que você é sincero porque confessa claramente os seus erros.”

Depois de entregar o caminho do jovem ao Senhor disse: “Jovem, se eu estiver vivo daqui ha 20 anos, você terá 38 anos de idade e eu 68.

Quero que você venha me visitar com sua esposa e filhos.”  Pois Deus vai cuidar de sua vida e achar uma família para você.

Alguns anos depois da visita do jovem, preparando esta mensagem, recebi uma carta que dizia:

“Querido pastor Mário Hort. Há três anos atrás tive uma longa conversa com o Sr.

Depois daquela conversa comecei a ser dirigido por Deus.

Trabalhei lavando piscinas para ganhar dinheiro.

Lembro como um dia de calor, perambulando pela cidade,  sem rumo e sem onde inclinar a cabeça, uma senhora procurou o meu trabalho e me convidou para ir a um jantar do Ano Novo.

Eu não tinha roupa, nem calçado, mas ela disse: ‘Vem, o importante é participar.’  Então fui e a Sra. me deu um presente. Com o dinheiro na mão corri para a rodoviária para comprar uma passagem à Curitiba.

Sem rumo procurei emprego, mas ninguém queria me aceitar pois eu era menor de idade. Até que conheci uma Sra. que me deu socorro e me hospedou. Fui orando e pedindo a graça de Deus. Hoje dou graças a Deus porque constituí aquilo que o pastor falou para mim naquele dia.

Conheci uma jovem. Ela é cristã e de muita oração. Então Deus preparou tudo.

Comecei a trabalhar em uma igreja da capital. Gostaram muito de mim e disseram que iriam me ajudar.

Pouco tempo depois noivamos, e oito meses depois casamos. Recebi tudo, festa de casamento, tudo, tudo. Aleluia!

Hoje sou servo de Deus. Prego a Palavra de Deus em grandes e pequenos congressos. Deus me levantou.

No último dia 31 de julho 99, nasceu o meu primeiro filho.

Quero agradecer de coração por sua ajuda naquele dia. Estou pronto para testemunhar em sua igreja em M.C.Rondon.”  C.A.D.

Como o jovem colocou seu número de telefone na carta, telefonei imediatamente para falar com o moço.

Sua esposa atendeu o telefone e disse: “Sim é aqui que C. está. Um momento.”

Quando C. chegou ao telefone, disse: “Justamente estou trocando as fraldas de meu filho.”

Este foi um dos sobreviventes de um “Titanic” que foi resgatado das águas pelo orfanato.

Quando depois em sua adolescência  foi novamente jogado na rua, no último momento foi socorrido por Deus, quando pediu ajuda em oração.

Eu não pude fazer nada por ele. Mas o levei em oração ao Senhor Jesus.

Jesus primeiro lavou seu coração do pecado que o separava de Deus.

Depois de algumas provas, ele já está vivendo os primeiros passos de uma caminhada nos fortes braços do Bom Pastor.

Alguns momentos depois de transcrever a carta do jovem C. A. D.,  tocou o telefone, e era o irmão B. de Nova Prata, RS.

Não posso deixar de relatar o socorro que Deus conseguiu depois de afundar o “Titanic” de sua família.

B. saiu de sua casa e ninguém sabia ao certo onde ele estava.

Muitos anos depois da separação, a esposa chegou a um culto em M. C.Rondon, como visitante desconhecida.

Mais tarde aceitou a graça em Cristo e passou a servir ao Senhor com todo seu coração.

Passaram-se 20 anos desde que a Sra. e seu filho não tinham visto seu pai.

Certo dia um homem bem vestido e muito gentil chegou ao meu escritório.

Assim dizia o estranho visitante: “Pastor, o que fizeram com minha esposa e meu filho? Encontrei duas pessoas completamente transformadas.

Que moço educado é meu filho e como ficou diferente minha ex-esposa. Ouço seus cultos pela rádio e quero saber mais sobre o que tem a me dizer.”

Não é fácil retirar o “Titanic” de uma família naufragada há 20 anos.

B. queria saber o que ele deveria fazer agora depois de tantos anos de conflitos de sua vida.

O único conselho que pude lhe dar, foi aquele que eu havia dado a sua esposa e filho: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais o Senhor fará.” Sal.37,5

Foi isso que também G.B. fez. Quando falamos ao  telefone, preparando este seu testemunho ele disse: “Pastor, pode dizer a todos que a partir daquele dia a minha vida começou a mudar. Ainda não alcancei tudo quanto desejo pela fé. Mas, creio que vamos chegar lá.”

Nem sempre é possível retirar o  “Titanic” de uma família arruinada do “fundo do mar.”

Mas, aquele que clama por socorro pode salvar a sua alma da morte e do inferno.

Quem é resgatado, mesmo depois do naufrágio de sua família, pode reconstruir uma vida guiada pelo Espírito Santo, onde o Senhor dia a dia, fará o que é melhor para a sua vida.

Quem deseja sair conosco para buscar os náufragos?

Quando estou sobre a pequena sacada de nosso apartamento pastoral, vejo os telhados do salão social e do templo, mas meus olhos espirituais vêem uma longa história de resgate de pessoas, que já se aproxima para o final de três décadas.

Olhando para tudo o que nos uniu em M. C. Rondon nestes, quase 30 anos, vi a coragem daqueles que conosco foram resgatar os perdidos no “oceano” do pecado.

Muitas vezes temo que venhamos a perder o ânimo e a coragem de para sair sempre mais uma vez, e mesmo depois de estar exaustos, retomar mais novas iniciativas de salvamento, para os que estão agarrados aos últimos destroços de sua existência, à beira da morte.

Naquela noite lembrei de uma antiga história que durante muitos anos nos impeliu a sair, sair e sair sempre novamente para resgatar pessoas:

Há mais um homem morrendo lá fora.

Foi numa noite de forte tempestade, o mar agitado lançou um navio sobre as rochas e a tripulação esperava agonizada a morte certa.

A fúria do mar aumentava, e além de tudo, a noite chegava rapidamente.

Um bote de salva-vidas, com homens corajosos, apareceu e salvou os homens que já tinham perdido toda esperança.

Quando o bote de salva-vidas chegou à praia, João Holden gritou perguntando se todos foram salvos, e a resposta foi: “Todos, menos um homem.”

“E por que não o trouxeram?”

Os homens responderam: “Teríamos colocado em risco a vida de todos, por este motivo o deixamos sobre o navio encalhado.”

Então João disse: “Todos os homens que trabalharam no resgate estão exaustos, quem dos outros quer ir comigo para buscar aquele homem que ficou no navio?”

Seis homens fortes se prontificaram, mas neste mesmo instante veio a mãe de João, agarrou-se ao pescoço de seu filho e disse: “João não vá. Seu pai foi tragado pelas águas enfurecidas, e faz dois anos que seu irmão Guilherme embarcou e nunca mais foi visto. Você é o meu único filho em quem posso confiar e que pode me sustentar. Quem cuidará de mim, se as ondas irão engolir também você?”

João arrancou as mãos de sua mãe de seu pescoço e disse: “ Mãe, há um homem morrendo lá fora. Eu devo ir. Se o mar me tragar, Deus cuidará da Sra., estou certo disso.”

Beijou sua mãe e foi, juntamente com os demais homens para a escuridão da noite.

Encontraram o homem, ainda agarrado no navio, conseguiram tirá-lo e voltaram com ele.

Ao aproximar-se da praia, João Holden gritou: “Salvamos o homem, e digam a minha mãe, que ele é o meu irmão Guilherme.”

Entendemos o nosso compromisso de buscar aquele homem que está morrendo lá fora?

Sabemos o que representa a vida e a alma de um homem que é nosso irmão?

Temos ainda sentimentos por aquele homem estranho que está morrendo lá fora?

Ou estamos apenas preocupados com nosso bem-estar e nossa segurança, não nos importando por aqueles que estão morrendo lá fora?

Quem está disposto a sair conosco para salvar as pessoas que não podem sair das águas geladas sem que alguém lhes estenda a mão?

Quem está disposto a arriscar sua vida para salvar outros?

Quem está disposto a sacrificar sua segurança, sua tranqüilidade, seu bem-estar e colocar em jogo a sua vida no resgate de outros?

Segundo o filme “O Titanic” a Sra Rose, uma sobrevivente encontrada pelo produtor do filme disse:

“Quando o Titanic afundou, 1500 pessoas caíram no mar. Havia 20 barcos nas proximidades do naufrágio, somente um único (O Carpathia)  voltou para socorrer os náufragos.

Os 19 navios se evadiram do lugar e não prestaram socorro às 1500 pessoas que, em sua maioria morreram congeladas, boiando em seus salva-vidas.

Milhões de cristão são omissos para com os “náufragos” que morrem sem Deus e sem Jesus.

Que será daqueles que enterraram seus dons e talentos e não os usaram para resgatar os perdidos?

Que será daqueles que simplesmente tinham muitas ocupações e não foram ajudar os perdidos?

Que será daqueles que simplesmente não fizeram nada pelos perdidos?

O capitão de um navio não socorreu as vítimas de um naufrágio, pois queria vender suas mercadorias. (não sei se foi um dos 19 navios que se evadiram do lugar da tragédia)  O capitão foi levado ao tribunal e condenado à prisão.

Lamentando, ele se desculpava dizendo: “Sr. juiz, eu não fiz nada de mal. Por que sou condenado?” O juiz respondeu: “É exatamente por que o Sr. não fez nada, por este motivo é condenado.”

A omissão do crente que não quer ajudar no serviço de salvamento, é crime contra o irmão que está morrendo lá fora. 

Segundo o filme, a Sra. Rose disse que foram salvos somente 6 pessoas, (entre estas estava Rose) entre as 1500 que caíram no mar. Tudo porque o socorro chegou tarde demais. As águas geladas mataram os sobreviventes nas águas do Atlântico Norte.

Não estamos falando apenas em visitar os cultos e estudos bíblicos.

Não nos referimos apenas à fidelidade nos dízimos e nas ofertas que devemos oferecer para a evangelização.

Não falamos apenas em testemunhos esporádicos que todos nós damos do amor de Deus.

Estamos convidando você para tudo isso e muito mais, para formar uma equipe de SALVA-VIDAS  das almas que estão gritando por socorro.

Estamos convidando para um trabalho de resgate de pessoas que estão a poucos passos do inferno.

Estamos convidando para investir seu corpo e sua alma no resgate de nossos irmãos que estão morrendo lá fora.

Seu irmão está morrendo lá fora.

Muitos que hoje são chamados de irmãos, ainda há  alguns anos estavam morrendo lá fora no pecado.

Muitos deles navegavam cantando e dançando para o inferno, nunca pensaram em pedir socorro, pois não sabiam que seu “Titanic”  navegava para o inferno.

Quero relatar alguns breves testemunhos de pessoas, que eram nossos irmãos, mas ainda estavam lá fora e precisavam de nosso socorro.

Alguns deles viviam muito bem, sem preocupação; sentados em confortáveis poltronas. Mas, caindo no precipício do inferno:

Narci e Hilaine Mensch

Creio que uma das pessoas que mais transmite alegria é  Hilaine Mensch.

Ela sabe sorrir e traz felicidade onde quer que esteja. Assim ela foi antes de sua conversão a Cristo, e assim é depois. Mas, o casal estava mergulhando no abismo da eterna separação de Deus, em viagem com festa a todo vapor.

Certo dia Hilaine encontrou a salvação em Cristo.  Algum tempo depois também o esposo foi achado pela graça de Deus.

Mas, tudo começou quando um dia, um de seus filhos chegou à Hedwich Tierling e disse: “Tia, você não pode me dizer onde existe uma benzedeira, que possa me ajudar, pois eu preciso de ajuda.” Hedwich Tierling lhe disse: “Jovem você precisa é de uma igreja. Procure um pastor, fale com ele. Deus pode lhe ajudar.”

Este jovem ainda não foi resgatado, mas seus pais foram salvos, não por uma feiticeira, mas pelo amor de Deus.

Naqueles dias a família Mensch era estranha e nada significava para nós. Mas, já imaginaram o que aconteceria entre a igreja, se alguém hoje dissesse que o Narci e a Hilaine estão lá fora sobre um navio encalhado?

Ivo e Sônia Scheitel

Quem sabia onde estava Ivo e sua esposa Sônia há  alguns anos atrás?

Jamais alguém imaginava que ele seria o nosso irmão. Algumas vezes sua esposa chegava ao meu escritório. Chorava amargamente. Tremíamos juntos, pois percebíamos claramente que o “Titanic” da família já estava afundado.

Quando telefonei para o Ivo, perguntando se poderia relatar seu testemunho, eu queria saber também quando foi que sua vida foi resgatada. Ele disse: “Foi no dia 29 de setembro, há dois ou três anos atrás.” E disse mais:  “Pastor, pode contar tudo de minha vida.” Hoje ele é nosso irmão, pois alguém lhe estendeu a mão. Cristo lhe estendeu a mão e a família Scheitel pôde ser resgatada das águas que os arrastavam para o inferno.

Famílias Gruber

Arci Pfeifer trabalhava na casa de Olinda Kurz, irmã de Hulda Gruber. A jovem gostava de cantar e convidou a família para os cultos.

A vovó, Ana Sapka, foi a primeira a ser resgatada por Cristo.

Elizane, a neta de Ana, foi a segunda a aceitar a Cristo. Elizane é hoje a esposa do pastor Günter Müller, converteu-se certa noite no velho fusquinha da Igreja, em frente a casa, quando a levamos para casa, pois ela era muito jovem.

Também o pai, Albino e sua esposa Hulda Gruber  foram resgatados pelo braço forte de Jesus. Naquela época Albino estava prestes a naufragar pela bebida alcoólica.

Os três filhos homens: Nahor, Aleri e Norli, também foram resgatados pelo forte braço do Salvador, como também a filha caçula, Nirvane.

No dia do falecimento de João Pedro o genro, Jair Triches queria ir para o baile. Mas, foi convidado para o culto, pois dizia seu amigo Aleri: “Faleceu meu amigo João Pedro. Ele bebia.” Este curto convite mudou o rumo da vida do jovem. 

Jair não foi para o baile, mas chegou à igreja. Sua vida foi resgatada no domingo, depois do sepultamento do jovem pai, João Pedro Albino.

Uma grande árvore genealógica foi resgatada pelo cântico  alegre de Arci Pfeifer e os constantes convites para os cultos.

 Ismael e Amália Morosov   

Quem sabia que Ismael Morosov estava morrendo lá fora, sendo tragado pelas ondas da cerveja? Se ele hoje é nosso irmão, por que ele não o teria sido naqueles dias? Faltava apenas que ele     fosse resgatado.

Certo dia, conforme seu testemunho dado na igreja, na empresa onde trabalhava, o exame de sangue colocou-o diante da realidade: indicando que seu quadro clínico já era o de um alcoólatra.

Mas, a palavra de Deus atingiu fortemente o coração deste homem.

Durante uma visita em sua casa, numa segunda-feira, ele e sua esposa Amália aceitaram a mão de Jesus que se estendeu para resgatar as suas  almas.

No último estudo bíblico Ismael me disse: “Quem esteve no ponto onde eu cheguei, deve saber que nunca pode tomar um gole. Pois aquele único gole pode fazer o vulcão adormecido entrar novamente em erupção.

A Palavra de Deus, os cultos e uma visita pastoral em sua casa, foi como um braço forte usado por Deus para resgatar a família de Ismael e Amália Morosov.

Nelson e Lurdes Mattes

Nelson Mattes estava sentados na igreja entre as pessoas, mas sua alma estava perdida, como os náufragos do Titanic. O tema da mensagem daquela noite foi: “O ponto de onde ainda é possível retornar”

Tudo começou no dia 18 de julho de 97. Lurdes Mattes,  naqueles dias, uma Sra. desconhecida, pediu ajuda espiritual na secretaria da Igreja.

Ela sentia-se perdida e estava aflita à morte, pois o “Titanic” de sua família estava afundando.

Eu não tive o que fazer, a não ser orar com ela e entregar sua família nas mãos do Senhor Jesus. Para nossa alegria, Deus não salvou somente a sua alma, salvou também o “Titanic,” o seu casamento.

Que alegria foi quando o esposo, Nelson Mattes, naquela noite, sentiu que chegou ao ponto de onde ainda seria possível retornar.

Naquela mesma noite de culto, Deus resgatou também o esposo das águas, antes que a família afundasse, e salvou também suas almas da condenação do inferno.

Por este motivo somos gratos pela “torre de vigília”  que temos em nossa clínica pastoral.  

Sempre temos um pastor de plantão, para atender aos chamados de socorro daqueles que querem salvar suas almas da morte eterna.

Cláudio e Tina Metzner

O resgate deste casal começou na clínica de Estética, de Tina. (As vezes não precisamos sair com barco de salva-vidas para o alto mar.)

Herta Tierling era uma cliente que sempre convidava para os cultos.

Certo dia Cláudio e Tina estavam muito felizes, pois souberam que estavam esperando o nascimento de sua filha Barbara.

Então Herta disse em tom claro e sério: “Antes de nascer esta criança, façam algo concreto com Deus. Permitam que esta criança nasça em uma família de Deus.”

Este foi o toque mais forte. Numa segunda-feira pela manhã, Cláudio e Tina compareceram ao meu escritório, e ali tomaram a forte mão de Jesus que os resgatou da perdição e da morte eterna. O trabalho de resgate foi o testemunho e o constante convite de uma cliente que, ao entrar na clínica, se transformou no mais importante salva-vidas da família Metzner.

Deus nos chama para sermos “pescadores” de almas.

Somos chamados para pescar almas.  Não para fisgar os “peixes” com anzóis e redes de traição. Somos chamados para estender-lhes as mãos.

Somos chamados para tirá-los das correntezas que os levam ao inferno.

Somos chamados para erguê-los para o os braços do Salvador Jesus e a “arca” da salvação, que é a igreja do Senhor.

Vamos fazer a nossa parte. No lugar onde o Senhor nos colocou. Com os dons que Deus nos equipou, para a pescaria de almas.

Vamos lembrar que é um resgate de vidas, que não irão para o fundo do oceano, mas para o fundo do inferno.

Vamos nos dar as mãos e formar uma grande corrente humana, de mãos que se estendem até o mais distante irmão, que ainda está perdido pelo Brasil, na África, na Ásia e em outros continentes.

Unidos cumpriremos nosso dever ou morreremos em pleno trabalho de resgate, mas não seremos covardes, e sim soldados valentes que lutam até o fim!

Não podemos sair sozinhos para socorrer os náufragos

É triste sentir-se sozinho, lutando contra as ondas furiosas que tentam tragar os nossos filhos e irmãos.

Sozinhos, nos ensaios do coral, do conjunto, nos dízimos e nas ofertas, perderemos a luta contra as ondas gigantes que a igreja precisa enfrentar.

Sozinhos no testemunho, no convite, na busca do mais religioso como do mais depravado cidadão, desmaiaremos exaustos da luta.

Sozinhos no cuidado e na proteção do rebanho, ficamos sem condições de defender aqueles que já foram resgatados.

Precisamos de sua participação inteligente.

Precisamos do calor de suas mãos. Precisamos da força de seu braço para socorrer e levar até em casa, aqueles que salvamos das correntezas do mar da vida.

Você vai nos ajudar nesta missão de resgate do seu irmão que ainda está lá fora?

Solicite nossa literatura para seu trabalho de Evangelização, escrevendo ao nosso endereço.  

Você também pode ajudar!

Você ainda está se afogando depois do naufrágio de sua família? Sabe que precisa da mão estendida do Salvador para retirar sua vida da perdição?

Entregue agora a sua alma ao Senhor em uma sincera oração. Clame pelo nome de Jesus. Peça que Ele salve sua vida da eterna condenação.

Diga ao Senhor: “Jesus, salva agora a minha alma. Apaga todos os meus pecados. Eu creio que o Senhor é o meu Salvador. A partir deste momento quero viver em plena comunhão com o Senhor pelo Espírito Santo. E desejo ajudar a salvar a vida de outros que estão se naufragando. Em Tuas mãos, Senhor Jesus, entrego a minha alma. Amém”

Ouça a:

“Hora da Irmandade Cristã”

O programa radiofônico internacional das Organizações Ecos da Liberdade, apresentado pelo Pr Mário Hort

Ondas curtas:

Curitiba – PR  – Rádio Marumbi

Aos domingos – 8,00h às 8,30h Fixa 25 – 31 e 49m  e em AM.

Rádio HCJB – Quito, Equador

Faixa  25 – 11.925 khz –16m-17,490

As terças-feiras, das 21:00 às 21,15h

Angola e Moçambique

Rádio HCJB as quartas-feiras 5,30h-Angola e 6,30 h Moçambique.(h. de Brasília) 

Este livreto foi impresso graças a iniciativa dos “Missionários” que se propuseram a pagar os custos da 1º edição de 3.000 de exemplares.

Os “Missionários” são:

Jacob e Susi Klassen

Gerson e Liane Schneider  

Você deseja participar do próximo grupo de “missionários” para divulgar a mensagem do Evangelho de Cristo? Comunique-nos ainda hoje sua decisão.

Necessitamos de sua participação na divulgação do Evangelho de Cristo por rádio e literatura.

Não podemos salvar os náufragos de mãos vazias. É preciso oferecer material apropriado para as pessoas que querem levar a mensagem de salvação aos que estão naufragando.

A contribuição de outros colocou em suas mãos este livreto gratuitamente.

Ajude você também!

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(Envie-nos o comprovante de depósito)

Solicite este tema em CD ou fita K7 pagando somente o preço de custo do material virgem.

Solicite gratuitamente os livretos para seus trabalhos de evangelização.

Oferecemos os seguintes temas:

“O ponto de onde ainda é possível retornar”

“Que é o homem para que Deus lembre-se dele?”

“O Senhor vai bater a sua porta”

“O que acontece quando Deus entra em campo”

“Você também é responsável”

“A melhor notícia de todos os tempos”

Organizações Ecos da Liberdade

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Telefone – FAX 045 254 14 83

E-Mails: hort@rondonet.com.br

Temos que Glorificar a Deus em TUDO o que fazemos

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Assumindo a responsabilidade

O homem é responsável por todos os seus atos, mesmo os inconscientes.

 Arthur Koestler

Uma vez que a atitude influencia as escolhas que determinam o procedimento, uma avaliação honesta de nossos procedimentos pode revelar a qualidade da atitude predominante em nosso cora­ção. Portanto, vamos agora inquirir nosso coração com algumas perguntas.

O que estou fazendo tem a aprovação de Deus?

 Precisamos, diariamente, olhar para nosso procedimento e nos certificar de que a nossa maneira de viver tem a aprovação divina. Nosso modo de vida recebe a aprovação de Deus através da sua palavra?

“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens.”1 Precisamos proceder com a cons­ciência de que estamos fazendo tudo não aos homens, mas a Deus. Deus aprova o que está vendo em minha vida? Será que estamos prontos para romper, agora mesmo, com o que não tem agradado ao propósito divino?

Sugiro que você interrompa esta leitura por um tempo e ana­lise sua vida. Se encontrar algo que contrarie o propósito de Deus, tenha coragem para romper com isso, coragem para dizer não. Recuse-se a permanecer com qualquer coisa que não tenha a aprovação divina. Se for necessário ser maltratado por optar pelas coisas de Deus, prefira sofrer, mas não fique com nada que interfira na recompensa que Deus preparou para você.2 Além de estragar o plano maravilhoso que Deus tem para nossa vida aqui, ficar com algo que ele não aprova é colocar em risco o compromisso com o tesouro que o Senhor tem para nós na eter­nidade.

O que estou fazendo glorifica a Deus?

O meu procedimento expressa louvores a Deus? Minha vida promove a glória de Deus?

“Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.”3 O nosso procedimento precisa promover a glória de Deus. Nossa vida precisa ser como aroma suave a Deus, uma vez que somos o bom perfume de Cris­to.4 Nossa maneira de viver precisa ser uma constante adoração a Deus.

Quando Deus criou a mim e a você, ele tinha um propósito em mente: que fôssemos o louvor da sua glória, e a isso fomos predes­tinados.5 Não encontraremos a felicidade em hipótese alguma, a não ser que cheguemos a esta compreensão: minha vida precisa promover a glória de Deus. Só seremos felizes se passarmos a viver nesta dimensão de vida: adorar a Deus! Assim, seremos plenamen­te realizados.

Talvez aqui esteja um problema: achar que devemos construir nossa felicidade e, para isso, enveredar em tantas buscas, nos esque­cendo de que só seremos felizes quando estivermos fazendo da nos­sa vida o projeto verdadeiro de viver para adorar a Deus.

O que eu estou fazendo promove alguma má impressão?

 Os lugares aonde vamos, os caminhos pelos quais andamos, as pessoas com quem caminhamos, as mesas onde nos assentamos, aproveitamos essas ocasiões para que nossos procedimentos dêem, aos que nos rodeiam, a oportunidade de terem de nós uma boa impressão? Ou deixamos uma má impressão por onde passamos?

“Abstende-vos de toda a aparência do mal.”6 Precisamos elimi­nar do nosso procedimento não só o que claramente sabemos ser contrário a Deus, mas tudo o que pode dar uma aparência pecami­nosa em nossa vida.

Será que existe algo em meus relacionamentos que dá alguma aparência de pecado? O jeito que eu uso as palavras dá alguma bre­cha para o pecado? Os programas de televisão, os filmes aos quais assisto, os livros e revistas que leio, tudo isso tem causado uma má impressão? Minha aparência, o modo como me visto, o jeito com que olho para as pessoas do sexo oposto têm alguma aparência de pecado?

Precisamos romper com qualquer coisa que possa aparentar uma vida distante de Deus.

Nas coisas que faço, existe a presença da dúvida?

 Quando orientou os cristãos de Roma, o apóstolo Paulo apresen­tou o princípio de que precisamos basear nossa vida na certeza da fé. Paulo nos ensinou que o que não provém da certeza da fé é pecado.

Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvida é condenado se comer, porque não come com fé; e tudo o que não provém da fé é pecado.7

A presença da dúvida em nossa vida deve servir de alerta. No mínimo, precisamos colocar-nos em oração para que Deus nos revele se estamos procedendo de acordo com o ensino da sua palavra. Uma boa atitude é procurar o líder espiritual para um aconselhamento.

O que eu vou fazer trará bons resultados para minha vida e para a vida das pessoas a meu redor?

 Nosso procedimento precisa produzir resultados espirituais positivos a nós e aos que nos rodeiam. “Atente bem para a sua pró­pria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agin­do assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem.”8

Uma árvore se dá a conhecer por seus frutos. A árvore boa dá um bom fruto. Do mesmo modo, a nossa nova vida com Cristo é co­nhecida pelos frutos, pelos resultados que produzimos.9 Portanto, podemos avaliar nosso procedimento pelos resultados que ele está promovendo: o que eu estou fazendo edifica os que vivem a meu lado?

Em Romanos 14.19, a Bíblia nos orienta: “Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua”. Um pouco mais à frente, em Gálatas 6.7, Paulo nos adverte sobre o perigo de procedermos sem critérios: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá”.

Não podemos permitir que o jeito Caim de se nos torne cegos, a ponto de vivermos a vida sem nos avaliarmos diariamente. Ah! Se Caim tivesse parado para avaliar-se e corrigir seu procedimento, como sua história teria sido diferente. Mesmo sendo advertido por Deus, ele prossegue desgraçadamente no procedimento errado, culminando numa vida de irrealização, vazio, solidão, derrota e escravidão no pecado.

“Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo.”10 Hoje, a mesma exortação que Deus fez a Caim faz a nós. E nosso dever escolher a maneira certa de agirmos. Não importa o que fizeram conosco no passado. Pode até ser que fomos vítimas de abusos, injustiças e tiranias. Hoje, neste exato momen­to, estamos com o poder de decisão em nossas mãos. Nossos algozes não têm mais nenhum poder sobre nós. Não importa o quanto nosso passado foi errado; agora, podemos escolher agir da forma certa, podemos recomeçar à luz do que Deus já nos deixou claro em sua palavra.

Deus sabe que não fomos, nem somos e jamais seremos perfei­tos por nossa própria força, competência e mérito. Ele não exige perfeição para nos aceitar. Deus espera apenas sinceridade e inte­gridade de nossa parte. Ele deseja que apresentemos nossos passos, nossos pensamentos, nosso coração, nossas atitudes, nossos proce­dimentos à luz do que já nos ensinou.

Hoje é o tempo de recomeçar. A cruz de Cristo é a garantia de que podemos recomeçar, sempre que descobrirmos que nos perde­mos na jornada em direção ao centro de sua vontade.

Levante-se ! Você é responsável

por todos os seus atos !

J. JACÓ VIEIRA, in A Síndrome de Caim

in Maluco por Jesus

Estas não são coisas de Deus !

4 Comentários

Deturpações do verdadeiro MOVIMENTO PENTECOSTAL:

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Tenho acompanhado desde a minha infância, pastores que oferecem ao povo “diversão”, aqui na minha cidade eles chamam os congressos de “festa da mocidade, festa do círculo de oração, festa das crianças”, com muito cantor e pregador (digo animador de auditório), e ainda assim muitos reclamam que falta “diversão nas igrejas”, enquanto o esgoto da heresia e da politicagem corre a céu aberto dentro das mesmas igrejas.

Participei de cultos onde simplesmente a razão e o bom-censo davam lugar ao “barulho santo” e ao movimento extravagante, tudo em nome do pentecostalismo da rua Azuza. No meio do povo irracional e sem o verdadeiro conhecimento das Escrituras, o que se vê são um bando de gente que vai em busca de emoção e graça (não a graça de Deus), uma graça por parte do animador de auditório (preletor/pregador/pastor).

Certa feita um tal de Marco Feliciano (ainda não era famoso) estava animando o povo em um congresso de jovens (por azar eu estava presente), pra colocar fogo no culto (seria um culto a Deus?), resolveu saltar de cima do altar que media pouco mais de 1,5 metros, aquele ato muito bem pensado, simplesmente arrancou um eco de glória a Deus e aleluia da multidão, dá pra acreditar? Nos tempos dos Apóstolos dava-se Glória a Deus pelos milagres operados (Atos 3.8-9), nos dias de hoje, basta um animador de auditório (palhaço) pular de cima do altar para os espectadores gritarem e pularem no circo, digo, na igreja.

GOSPELE DE OVELHA e Bispo André Santos.

Deus NÃO aprova o CONCUBINATO

1 Comentário

 Conceito - União ilegítima do homem e da mulher.

1 – A concubina entre os hebreus era na maioria das vezes uma escrava comprada de outras nações ou capturada em guerra, ou vendida pelo próprio pai hebreu (venda por um período de tempo, no máximo seis anos), possuíam alguns direitos, por exemplo:

a) o direito de não ser vendida a um povo estrangeiro:

“Se um homem vender sua filha para ser serva, ela não sairá como saem os servos.

Se ela não agradar ao seu senhor, de modo que não se despose com ela, então ele permitirá que seja resgatada; vendê-la a um povo estrangeiro, não o poderá fazer, visto ter usado de dolo para com ela.” Êxodo 21: 7, 8

b) se desposada obter todos direitos de esposa:

“Mas se a desposar com seu filho, fará com ela conforme o direito de filhas.” Êxodo 21: 9

c) direito a sair livre caso não se cumpra os direitos de esposa:

“Se lhe tomar outra, não diminuirá o mantimento daquela, nem o seu vestido, nem o seu direito conjugal.

E se não lhe cumprir estas três obrigações, ela sairá de graça, sem dar dinheiro.” Êxodo 21: 10, 11

d) direito de seus filhos serem reconhecidos como legítimos herdeiros dos bens do pai:

“Se um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a quem despreza, e ambas lhe tiverem dado filhos, e o filho primogênito for da desprezada, quando fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito; mas ao filho da aborrecida reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver, porquanto ele é as primícias da sua força; o direito da primogenitura é dele.” Deuteronômio 21 15-17

2 – No cristianismo o arranjo do concubinato e da poligamia não se manteve, foi substituído pela monogamia:

“É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar;

Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas.” 1 Timóteo 3: 2, 12

in Maluco por Jesus

Diga NÃO ao DIVÓRCIO (em nome de Jesus Cristo)

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ESTUDO SOBRE O DIVÓRCIO

As estatísticas afirmam que dez anos atrás, havia menos de 100.000 divórcios o Brasil. Hoje são cerca de 200.000. Um em cada quatro casamentos no Brasil acaba em separação. Num período de quase 10 anos, o número de casamentos caiu, e de separações dobrou no país.

As causas do divórcio:

Se divórcio é o atestado do pecado humano, precisamos agora colocar algumas das mais freqüentes razões humanas para a separação. Quais são as razões ou causas da separação entre os casais? Gostaria de mencionar pelo menos quatro causas:

  1. Descuido da vida cristã dos cônjuges
  2. Ausência do perdão
  3. Indisposição à mudanças necessárias
  4. Ausência do amor
  5. Outras razões

 O A. T. já tratava com relação ao divórcio. A grande questão debatida está em Deuteronômio 24:1-4 “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, se ela não achar graça aos seus olhos por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa, far-lhe-á uma carta de divórcio e lha dará na mão, e a despedirá de sua casa”.

 O SIGNIFICADO DA PALAVRA “COISA INDECENTE” DE Dt 24.1

1 – A palavra hebraica, para “indecente” é ‘ervar davar (composto de ‘ervâh, nudez e davar, palavra), “Nudez de Palavra”.

Dando a entender que se trata de algo comprometedor, que a mulher expressa com palavras (palavra nua); palavrões; expressões grosseiras, que revelam falta de respeito; agressividade verbal; rebeldia; insubordinação.

TALMUDE – Doutrina e jurisprudência comentada da lei mosaica com explicações dos textos jurídicos do Pentateuco. O Talmud foi redigido durante aproximadamente mil anos, entre 450 a.C. e 500 d.C. É reconhecido pelos judeus como tendo a mesma autoridade do Antigo Testamento. Esse complexo literário rege a vida judaica até o dia de hoje, e desde longas datas tem exercido forte influência na vida do povo. Define “coisa indecente” de Dt 24:1 de várias maneiras e isso causou um desprezo e banalização do casamento, principalmente para as mulheres, que, logicamente se tornaram as maiores vítimas. Com isso, um judeu poderia dar a carta de divórcio por qualquer coisa, como por exemplo:

a) Abriga atitudes impróprias como andar com o cabelo solto;

b) Andar sozinha pela rua;

c) Conversar com outro homem;

d) Maltratar sogros;

e) Gritar com o marido;

f) Ter má reputação;

g) Revelar hábitos condenáveis.

Tudo isso, segundo  pensamento judaico, está ligado à falta de respeito, a agressividade e à insubordinação da mulher para o casamento.

2 – É evidente que a “coisa indecente” não se referia ao adultério, pois esta era, nesse tempo, condenado com pena de morte – (DT 22.22) – “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, eliminarás o mal de Israel”.

O QUE JESUS PREGOU?

MT 19.9 – Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério…“. Gr. “porneia” – dultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, relação sexual com animais, relação sexual com parentes próximos – Lv 18. A palavra explícita para adultério é “moichao” – ter relação ilícita com a mulher do outro – Mc 10.11-12.

O QUE DEUS PENSA SOBRE O DIVÓRCIO?

Ml 2.16 – Porque o Senhor Deus de Israel diz que odeia o divórcio (repúdio)…

ANÁLISE DO TEXTO DE 1CORÍNTIOS 7

O texto de 1Coríntios 7 é que trata de forma mais extensa sobre o divórcio. Algumas questões respondidas por Paulo neste capítulo: sexo no casamento, celibato, divórcio, sobre as virgens e viúvas. Tem três coisas que precisamos ter em mente para entendermos as questões levantadas:

(1)          O dualismo grego. Os coríntios eram cheios de filosofias. A cidade de Corinto só perdia em termos de cultura e literatura para Atenas. Havia várias escolas filosóficas. A idéia que predominava era o dualismo grego: uma visão de mundo que via a realidade sob duas óticas ou o andar de cima e o andar de baixo. Dizia que o que era “espiritual” era bom e tudo que era material era secundário, inferior. Valoriza a alma em detrimento do corpo. Essa idéia influenciava no casamento. Principalmente o sexo. Alguns crentes achavam que o sexo era algo inferior e sem importância no casamento.

(2)          O ambiente sexual da cidade de Corinto. Havia o templo de Afrodite e envolvia a prática da relação sexual com as sacerdotisas (prostituição cultual). Dizem que à noite as sacerdotisas saiam em busca de práticas sexuais na cidade. Um cristão sofria uma pressão muito grande nessa cidade.

(3)          As perseguições aos cristãos corintianos. Poderiam ter os seus bens tomados pelas autoridades da cidade. O que deve um homem fazer? Casar e deixar sua esposa e filhos sujeitos a morte e prisões por causa da perseguição ou ficar solteiro? Posso me separar para servir a Deus? Meu marido não é crente, posso me separar dele para servir melhor a Deus? O que é melhor para os solteiros e as viúvas? Minha filha virgem deve casar-se ou manter-se pura para o Senhor?      

O cap. 7 todo é a resposta de Paulo às perguntas feitas pela igreja de Corinto a respeito da vida conjugal. Suas instruções devem ser lidas à luz do versículo 26: “Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade”. Um período de grande aflição e perseguição estava para vir sobre os cristãos de então, e nessa situação, a vida conjugal seria difícil.

Podemos inferir do texto algumas perguntas que o Apóstolo Paulo teve que responder.

Resposta a perguntas acerca do casamento

Pergunta: Paulo eu quero servir a Deus, mas o que é melhor, casar ou permanecer solteiro? Resposta: v. 1 e 2.

7.1 – “Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher”.

QUE O HOMEM NÃO TOCASSE EM MULHER. Note-se que “não tocar em mulher” significa, aqui, não ter relações ou contato físico com as mulheres, ou seja, casar-se. É o ato sexual (Gn 20.6; Pv 6.29).

7.2 – “mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido”.

Um dos objetivos do casamento é a satisfação legítima do desejo sexual. Alternativa para a impureza sexual. O padrão aqui é monogâmico. Paulo não era machista, pensa na mulher. 

Pergunta: Como deve ser o sexo para nós casados? Isso não é pecaminoso? Posso casar sem praticar o sexo? Resposta: v. 3 e 4.

7.3 – “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido”. Êx 21.10; 1Pe 3.7.

O MARIDO PAGUE À MULHER. Casou, sexo é dívida. O compromisso do casamento importa em cada cônjuge abrir mão do direito exclusivo ao seu próprio corpo e conceder esse direito ao outro cônjuge. Isso significa que nenhum dos cônjuges deve deixar de atender os desejos sexuais normais do outro. Tais desejos, dentro do casamento são naturais e providos por Deus, e evadir-se da responsabilidade de satisfazer as necessidades maritais do outro cônjuge é expor o casamento às tentações de Satanás no campo do adultério (v.5). A idéia que a abstenção é mais santa veio do paganismo (1Pe 3.7; Hb 13.4).

7.4 – “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher”.

Poder, i.e., autoridade. Cada cônjuge pertence um ao outro.

Pergunta: Mas Paulo eu gostaria de me santificar me abstendo do sexo, o que fazer? Resposta: v. 5 e 6.

7.5 – “Não vos defraudeis (priveis) um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência”.

Priveis. Defraudeis. Abstenção temporária, com consentimento mútuo e para uma finalidade boa, está certo. Assemelha-se ao jejum (Ec 3.5; Jl 2.16).

7.6 – “Digo, porém, isso como que por permissão e não por mandamento”.

Isto. 7.2-5. Geralmente o homem deve casar-se. Paulo prefere o celibato por boas razões (29, 32, 35) e porque tem um dom (gr charisma) de Deus. O casamento exige dons também (Mt 19.10-12).

Pergunta: O casamento e o celibato são dons ou uma opção? Resposta: v. 7.

7.7 – “Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira, e outro de outra”. At 26.29; 1Co 9.5; 12.11; Mt 19.12. Os Eunucos do Reino (Mt 19.9-12).

Pergunta: Os solteiros e as viúvas devem casar ou não? Resposta: v. 8 e 9.

7.8 – “Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu”.

O ideal: ficar livre para melhor servir a Deus (32).

7.9 – “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”. 1Tm 5.14

Viver abrasado. Lit. estar no fogo, queimar.

 

Pergunta: E aos que são casados o que tem que fazer? Quando não dá realmente certo? Resposta: v. 10 e 11.

7.10 – “Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido”. 1Co 7.12,25,40; Ml 2.14,16; Mt 5.32; 19.6,9; Mc 10.11; Lc16,18

7.11 – “Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”.

SE, PORÉM, SE APARTAR, QUE FIQUE SEM CASAR. Paulo está falando da separação sem divórcio formal. Talvez isso se refira a situações em que o cônjuge age de modo a pôr em perigo a vida física ou espiritual da esposa e dos filhos.

Pergunta: E quando um dos dois não é crente, o que fazer? Resposta: v. 12-17.

7.12 – “Mas, aos outros, digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe”.

DIGO EU, NÃO O SENHOR. Não se trata de Paulo meramente dar sua opinião aqui, antes; está declarando que não tem uma citação de Jesus para confirmar o que ele vai escrever. No entanto, o que ele passa a escrever, procede de quem tem autoridade apostólica, sob inspiração divina (25,40; 14.37).

7.13 – “E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe”.

7.14 – “Porque o marido descrente é santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada pelo marido. Doutra sorte, os vossos filhos seriam imundos; mas, agora, são santos”.

MARIDO… MULHER… FILHOS. Por ser crente o marido ou a mulher, ele, ou ela poderá ter uma influência especial para levar o outro cônjuge a aceitar Cristo (1Pe 3.1,2). Isto não significa, todavia, que os filhos de tal lar sejam automaticamente crentes. Eles são santos no sentido de serem separados pela presença de um pai ou mãe crente. Deus por amor do conjugue crente faz uma distinção com relação ao incrédulo. P.ex. Potifar foi abençoado por causa da presença de José em sua casa – Gn 39.3. Abraão intercede por Sodoma e se lá tivesse dez justos o Senhor não a teria destruído – Gn 10.

O Apóstolo Paulo fala no verso seguinte aquilo que os estudiosos entendem como a “exceção Paulina”:

7.15 – “Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz”. Rm 12.18; 14.19; 1Co 14.33; Hb 12.14

NÃO ESTÁ SUJEITO À SERVIDÃO. Se o cônjuge incrédulo escolher a separação, o crente deve aceitá-la, depois de ter feito todo o possível para evitá-la. “não está sujeito à servidão”, significa que o crente fica desobrigado do contrato conjugal. A palavra “servidão” (gr. douloo) significa literalmente “escravizar”. Nesse caso, o crente fiel já não está escravizado aos seus votos conjugais. Tal cônjuge crente abandonado fica livre para casar-se de novo, mas só com um crente (v.39).

7.16 – “Porque, donde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?”

Este verso pode ser interpretado em duas maneiras: (1) em favor de não dar o divórcio; e, (2) em favor de dar o divórcio. Ou seja, se o descrente quer ir embora não deixe, pode ser que você seja um instrumento para a conversão dele. Ou, se o incrédulo quiser ir embora, deixe que vá, como saberás se salvarás o teu marido? Deus te chamou para paz.

7.17 – “E, assim, cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um, como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas”.

Pergunta: E no que se refere as ordenanças judaicas, como devemos proceder? Resposta: v. 18-24.

7.18 – “É alguém chamado, estando circuncidado? Fique circuncidado. É alguém chamado, estando incircuncidado? Não se circuncide”. Gl 5.2

7.19 – “A circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus”. Gl 5.6; Jo 15.14; 1Jo 2.3

7.20 – “Cada um fique na vocação em que foi chamado”.

O evangelho pode ser vivido em quaisquer circunstâncias.

7.21“Foste chamado sendo servo? Não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião”.

7.22“porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e, da mesma maneira, também o que é chamado, sendo livre, servo é de Cristo”. Jo 8.36; Rm 6.18; Fm 16; Gl 5.13; Ef 6.6; 1Pe 2.16

7.23 – “Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens”. 1Co 6.20; 1Pe 1.18-19; Lv 25.42

7.24 – “Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado”. 1Co 7.20

Pergunta: E com relação às filhas virgens? Resposta: v. 25-28.

7.25 – “Ora, quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel”. 1Co 7.6,10,40; 8.8,10; 1Tm 1.12,16.

O celibato é apresentado como algo desejável, embora não necessário.

7.26 – “Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para o homem o estar assim”.

Provavelmente uma circunstância extremamente difícil pela qual passavam os cristãos em Corinto.

7.27 – “Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher”.

7.28 – “Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia, os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos”.

“RAZÕES GERAIS DAS RESPOSTAS DE PAULO”

7.29 – “Isto, porém, vos digo, irmãos: que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se as não tivessem”. Rm 13.11; 1Pe 4.7; 2Pe 3.8-9

7.30 – “e os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem”.

7.31 – “e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa”.

7.32 – “E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor”. 1Tm 5.5

7.33 – “mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher”.

7.34 – “Há diferença entre a mulher casada e a virgem: a solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido”.

7.35 – “E digo isso para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor, sem distração alguma”.

7.36 – “Mas, se alguém julga que trata dignamente a sua virgem, se tiver passado a flor da idade, e se for necessário, que faça o tal o que quiser; não peca; casem-se”.

7.37 – “Todavia, o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas com poder sobre a sua própria vontade, se resolveu no seu coração guardar a sua virgem, faz bem”.

7.38 – “De sorte que, o que a dá em casamento faz bem; mas o que a não dá em casamento faz melhor”. Hb 13.4

7.39 – “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”. Rm 7.2; 2Co 6.14

7.40 – “Será, porém, mais bem-aventurada se ficar assim, segundo o meu parecer, e também eu cuido que tenho o Espírito de Deus”. 1Co 7.25; 1Ts4.8

Neste v., Paulo não duvida da sua autoridade, mas ironicamente combate os líderes que negaram sua autoridade em Corinto (cf. 1.1, 7; 9.1s; 12.25).

“CONSIDERAÇÕES FINAIS”

1 – Seja qual for a situação dos cônjuges, o divórcio só deveria ser pleiteado depois de esgotados todos os recursos, sob todos os pontos de vista. Daí é permitido o divórcio em caso de adultério e, segundo Paulo, de abandono do lar por parte do descrente.  

2 – Cada casal deve procurar, com ajuda de Deus e da Igreja, resolver seus problemas conjugais, antes que estes destruam seu matrimônio.

3 – A luz da Bíblia, o fim do casamento deve ser a morte de um dos cônjuges, mas nunca o divórcio.

4 – Não podemos entre nós proibir, nem impedir o divórcio, mas podemos e devemos desmotivá-lo e evitá-lo, mediante a exposição da doutrina bíblica.

5 – Deus abomina o divórcio. (Ml 2.14) “portanto cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis”.

6 – Apesar de Deus abominar (aborrece, detesta) o divórcio, Ele permite para amparar e defender o cônjuge ferido.

7 – Mesmo se um crente se divorciar, quando realmente é comprovado que não teve condições de reconciliação, e, conforme Jesus, cometer adultério casando-se com outro, Jesus mesmo perdoa os pecados dos mesmos e os trazem a comunhão com Ele.

in Maluco por Jesus

Como mandar seus filhos pro INFERNO

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 “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Pv. 22:6)

O provérbio acima é uma promessa ou uma advertência? Segundo o hebraico, a frase “no caminho em que deve andar” não está traduzida de maneira correta. Ela deveria ser “de acordo com seu próprio caminho”. Assim, você tem no capítulo 22, versículo 6, uma predição proverbial de que a criança educada e ensinada, desde o começo, a seguir seu próprio caminho, estará, para todo sempre, ligada a ele.

O provérbio pode ser visto como uma “promessa” encorajadora de dois modos possíveis. Um, o mais comum, o apresenta ensinando que se você “pai-storear” corretamente seu filho de acordo com o seu chamado da aliança, isto resultará em fidelidade eterna. A outra forma “positiva” de entendê-lo, revela um sentido diferente. Salomão aqui, estaria falando do reconhecimento, de antemão, da propensão vocacional existente em seu filho. Se esta propensão for cultivada, ela resultará numa devoção eterna e frutífera para o ofício escolhido. Como tal, o provérbio pode ser tomado como algum tipo de indução a um aprendizado precoce. Se você observa que seu filho gosta de cavalos, por exemplo, deixe-o, o quanto antes, ser treinado nesta área por um perito. A frase ensinar poderia ter então, o sentido de “dedicar” ou mesmo “estimular”. Deixe-o empregar seus dons naturais o quanto antes, e ele os usará naquela área por toda vida.

Mas há um terceiro modo de entender este verso, e esse não como uma promessa, mas como uma advertência. A Palavra pode estar nos ensinando que se você educar a criança de acordo com suas próprias (pecaminosas, naturais) inclinações, você a terá arruinado para a vida.

Assim, este provérbio poderia ser um complemento a muitos outros provérbios que tratam do mesmo assunto. Por exemplo, em 22:15 encontramos: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” e em 19:18 há a admoestação: “Corrige a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo.” Dizendo enquanto há esperança, encontramos o autor sugerindo que haverá um tempo quando o treinamento ou a disciplina serão, humanamente falando, vãos, sem esperança, infrutíferos, inúteis. Se você deixá-lo seguir seus instintos corrompidos fora da porteira (conforme 22:6), mais tarde você não o terá de volta ao caminho.

Este último modo de interpretar Pv. 22:6 é o mais recomendado. Primeiro, ele permite a versão literal a fim de transmitir uma mensagem coerente, sem emendas. Segundo, ele é apoiado por instruções e admoestações muito similares quando o mesmo assunto (criação de filhos) é tratado no mesmo livro inspirado. Terceiro, e este é de vital importância ao testar a interpretação apropriada de um provérbio inspirado, é que ele é legítimo no que se refere à vida e a experiência comum. “Há pouca esperança para crianças que são educadas de maneira imprópria. Se a tinta respingou na lã, é muito difícil tira-la da roupa” diz Jeremiah Burroughs. E muitos são os que têm notado, como fez William Gurnall, que a “Religião cristã não cresce sem que se plante, mas murchará, mesmo onde foi plantada, se não for aguada. Ateísmo, irreligião e profanidade são ervas daninhas que crescerão sem semeadura, mas não morrerão sem que sejam arrancadas”. Deixe uma criança seguir seu próprio caminho quando for jovem e ela crescerá para ser um “jardim” de ervas daninhas.

Acima e abaixo de todas as possíveis interpretações de Provérbios 22:6, está uma pressuposição da maior importância: Como os pais lidam com as dificuldades de suas crianças. Aqueles que principiam seus conceitos com a eleição ao invés de com a aliança podem facilmente cair em alguma sorte de fatalismo não bíblico. Mas pelo fato de Provérbios (para não mencionar o restante das Escrituras) nos falar de diversas conseqüências provenientes de diferentes ações humanas, somos seguramente levados a crer que o modo pelo qual eu crio meus filhos é realmente um assunto muito importante, que, mais do que um modo de falar, pode muito bem influir na definição de onde eles passarão a eternidade.

Nunca é uma honra a Deus que Seu povo fale de Sua soberania de modo a desobrigá-los de suas responsabilidades. Somos levados a crer pelas Escrituras que podemos e devemos ter uma influência tal sobre nossos filhos que não é incomum que ela os conduza à salvação, com a bênção de Deus e o suporte da comunidade da aliança, conforme Gn 18: 16-19; 1 Tm 3: 4,5; Tt.1:6 e também 2 Tm. 3: 14,15.

Assim sendo, devemos saber que nossa ação ou inação bem pode conduzi-los à condenação. E, se falhamos em ouvir os avisos e a direção de Deus encontrados por toda a Escritura, no último dia não seremos autorizados para suplicar pelos decretos de Deus em nossa defesa!

Visto que o inferno é a eterna e atormentadora separação de Deus e do conforto, alguém poderia pensar que o mais fervoroso desejo de um pai seria educar seus filhos, rigorosa e conscientemente, para que escapassem da perdição e achassem refúgio e plenitude de vida em Deus através de Cristo e da aliança. Ainda assim, muitos são os que parecem considerar isto como sendo muito trabalhoso. Para aqueles tão completamente perversos a ponto de serem indiferentes à questão, eu apresento um método para fazer com que isto seja uma certeza. Aqui, através de 18 meios bem fáceis de seguir, está a fórmula comprovada de como mandar seus filhos para o inferno:

1) Crie seu filho para buscar seu próprio caminho. Se você for educar seus filhos corretamente, então, em primeiro lugar, eduque-os no caminho em que devem andar e não no caminho em que eles escolheriam. Lembre-se: crianças nascem com uma inclinação decidida para o erro, e portanto, se você permitir que escolham por si mesmas, elas certamente escolherão errado”.

A mãe não pode dizer o que seu frágil infante será ao crescer: alto ou baixo, fraco ou forte, sábio ou tolo; ele pode ser qualquer uma destas coisas ou nenhuma delas, pois elas são incertas. Mas uma coisa a mãe pode dizer com certeza: ele terá um coração corrupto e pecador. É natural para nós portar-nos mal. “A estultícia”, diz Salomão, “está ligada ao coração da criança” (Pv. 22:15). “A criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”(Pv. 29:15). Nossos corações são como a terra que pisamos; deixe-a abandonada e certamente produzirá ervas daninhas.

Se então, você for lidar de modo sábio com seu filho, não deve deixá-lo sujeito a sua própria vontade. Pense por ele, julgue por ele, aja por ele, do mesmo modo que você faria por uma pessoa fraca e cega; mas, pelo amor de Deus, não o entregue aos seus próprios gostos e inclinações voluntariosos. Não devem ser suas preferências e desejos que são consultados. Ele ainda não sabe o que é bom para sua mente e alma, mais do que o que é bom para seu corpo. Não o deixe decidir o que ele deve comer, o que ele deve beber, e como ele deve se vestir. Seja consistente, e lide com a mente dele da mesma maneira. Eduque-o no caminho que é bíblico e correto e não do jeito que ele imagina.

Se você não pode decidir-se a este primeiro princípio da educação cristã, é inútil continuar lendo. A vontade própria está perto de ser a primeira coisa que se manifesta na mente da criança, e precisa ser sua primeira resolução, resistir a ela.

Ignore este conselho se você for colocar seu filho rumo à destruição, e ao invés disto, ensine-lhe auto-estima positiva; ensine-o que o maior amor está dentro dele e que o mundo, de fato, gira ao seu redor”.

2) Nunca o discipline corporalmente. Os provérbios que sugerem punição corporal, são bárbaros e ultrapassados. Nós somos civilizados. Nós temos o Ano da Criança! Nós erguemos nossas consciências, não palmatórias! Provérbios 13:24 “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” está errado. Ignore-o. O 22:15 “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela”, também. E esqueça 23:13-14 “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno”. Se você for tentado a discipliná-los corporalmente, tente estas desculpas: a) “Eu apanhei quando criança e não quero bater nos meus filhos”. Claro, que é o mesmo que dizer “Minha mãe era gorda, por isso eu não alimento meus filhos”; b) É contra a lei; c) Minha sogra não gosta disso. Seja criativo e pense em outras desculpas; você achará fácil criá-las.

3) Quase tão proveitoso quanto nunca discipliná-los é discipliná-los corporalmente insensata e/ou severamente. A correção bíblica é amorosa, firme e controlada. Excesso de correção bíblica o conduziria à outra direção.

4) Esta é a favorita de muitos pais: nunca use a Escritura na correção. Nunca explique para seus filhos qual é a vontade de Deus sobre o assunto. Não tome Deuteronômio 6: 4-9 literalmente (“Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”).

5) Nunca admita que você está errado. Se você deseja que seus filhos cresçam descorteses e hostis, nunca os deixe vê-lo humilhado ou aceitando correção. Nunca lhes peça desculpas; nunca reprima seu orgulho.

6) Seja hipócrita. Esta é boa para lembrar. Ensine-os através das suas ações, que suas palavras não têm valor para você.

7) Instrua-os para escolher sua própria religião. Afinal, você não pode forçá-los a crer.

8) Não ore com eles ou por eles, pública ou privadamente. Se você precisa de uma desculpa, lembre que eles acharam graça de você da primeira vez que você tentou. Normalmente isto é suficiente para fazê-lo desistir.

9) Evite cantar salmos e hinos com seus filhos. Mas se por alguma razão você achar que deve, nunca lhes explique o sentido.

10) Responda cada pergunta religiosa com “Porque nós sempre fizemos assim”. Este é um dos meios mais eficazes de convencê-los que o cristianismo é meramente uma tradição e não a Verdade.

11) Não os previna sobre evolução ou outros mitos populares. Não os informe sobre heresias da história ou suas modernas iterações. Não lhes fale nada sobre teologias antagônicas e o porquê as igrejas ortodoxas as rejeitam.

12) Deixe-os expressarem-se de qualquer modo que escolherem, seja no seu jeito de vestir, no jeito que usam seu cabelo ou no seu linguajar. As novidades sempre devem ser seguidas. Se eles desejam tatuagens ou vários piercings, relaxe e aproveite. Não interfira. Afinal a vida é deles. E nunca olhe aquilo que eles lêem. Eles têm direitos, você sabe. Você não lê os boletins da ACLU (União Americana para Liberdades Civis)?

13) Não os faça trabalhar por nada. O amor, apesar de tudo, deve ser incondicional, certo? Então, lhes dê tudo e não espere nada. (Isto é exatamente o que você obterá).

14) Desde a infância, use uma linguagem simples ao falar com eles. Não espere que alcancem a maturidade e eles satisfarão suas expectativas!

15) Não os abrace ou beije ou lhes faça cócegas, e seja muito parcimonioso com respeito a lhes dizer que os ama. Evite por completo, se possível. Afinal, isto não é muito másculo.

16) Deixe-os mentir sem sofrer punição. Prove com isto que a verdade tem pouco valor em sua casa.

17) Deixe-os desperdiçar tempo, a esmo e sem propósito. Prive-os daquela idéia puritana que descansamos bem para melhor trabalhar. Tente incutir neles a moderna noção que trabalho existe a fim de custear nossa diversão nos fins de semana; damos duro para podermos “badalar”!

18) Mantenha a TV sempre ligada, especialmente durante os comerciais. Este é o meio mais fácil e certo de guiar seus filhos para o inferno. Pense! Ela pode ser pode ser o terceiro (e o único realmente presente) “pai” delas, e a sua melhor amiga. Duas horas na igreja aos domingos não terão um papel eficiente na formação do caráter delas, quando confrontadas com 25 horas de televisão. Todo absoluto, de qualquer fonte, será “relativizado” para sempre. A televisão tem sido a melhor amiga do diabo, então a deixe possuir a sala de estar e a cozinha também. Se possível, deixe-a ligada durante o jantar, assim ela pode reivindicar, sozinha, o título de senhora e mediadora da verdade em sua casa.

Se você seguir estes 18 passos, há pouca dúvida de que seu filho estará entre aquela população infernal.

Mas eu, particularmente, penso que você rejeitará toda esta horrenda insensatez acima e se curvará a mais solene responsabilidade que Deus já lhe deu: Ser pai e mãe. Se Deus nos concede a aptidão de conduzir nossas crianças à perdição, porque alguém duvidaria que Ele nos dá a habilidade, a responsabilidade, na verdade, o privilégio, de conduzi-los ao céu? Se nós fielmente seguirmos Seu método de criação de crianças da aliança, elas estarão entre a população celeste por toda a eternidade. Que incentivo à fidelidade!

A aliança continua por gerações, mas ela continua junto ao caminho da fidelidade, não o da presunção. Nós temos incomparavelmente grandes e preciosas promessas da parte de Deus, bem como admoestações. Ele nos exorta que não fazer nada é a coisa errada. Ensine a criança em seus próprios caminhos, e quando ela for velha, não se desviará dele. Mas Ele promete que fazer a coisa certa ocasionará a uma colheita de promessas cumpridas. Ouça Deus meditando consigo mesmo concernente a Seu amigo Abraão: “Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gênesis 18:19).

Esta promessa é para você e para seus filhos, e para tantos quantos o Senhor, nosso Deus, vier a chamar. É uma promessa com condições; que alegria é cumpri-las, visando a recompensa a que elas conduzem! Amém.

Por Steve M. Schissel.

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A Conversão do PIOR Homem do Mundo

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INTRODUÇÃO

1. A história está eivada de homens maus

Os anais da história estão repletos de homens que deixaram um rastro sombrio na nossa lembrança: Homens facínoras, assassinos, feiticeiros, monstros bestiais, pervertidos celerados e déspotas sanguinários. Homens incendiários como Nero. Homens traidores como Judas. Homens perversos como Hitler. Homens truculentos como Mao Tse Tung.

Mas, talvez, nenhum homem tenha excedido em perversidade a Manassés. Esse rei foi o décimo terceiro rei de Judá. Reinou 55 anos, de 697 a 642 a.C. Seu nome significa “Aquele que esquece” e ele esqueceu-se de Deus.

2. Poderia a graça de Deus alcançar aqueles que descem até às profundezas da degradação?

Normalmente achamos que há pessoas irrecuperáveis. Que há pecadores que estão fora do alcance da graça. A história de Manassés vai nos mostrar que não há poço tão fundo que a graça de Deus não possa ser mais profunda. A graça é maior do que o pecado. Onde abundou o pecado superabundou a graça.

I. OS PRIVILÉGIOS DE MANASSÉS

1. Ele era filho de um pai piedoso

Ele cresceu bebendo o leite da verdade e sugando o néctar da piedade. Ele cresceu num lar onde Deus era conhecido e amado. Mas a piedade dos pais não é garantia que os filhos seguirão o mesmo caminho. Manassés tinha exemplo. Tinha modelo dentro de casa. Seu pai promoveu uma grande reforma espiritual em Judá depois do desastrado reinado de Acaz. Ele limpou a casa de Deus.

2. Ele assumiu o trono ainda jovem – v. 1

Manassés nasceu num berço de ouro e começou e assumiu o trono de Jerusalém com doze anos de idade. Ele só teve privilégios na vida. Ele esbanjou suas oportunidades. Ele desperdiçou todas as coisas boas que Deus estava lhe dando desde cedo na vida.

3. Ele teve o reinado mais longo de Judá – v. 1

Ele teve muito tempo para andar com Deus, para fazer o que era certo e para arrepender-se dos seus pecados. Ele governou 55 anos e nesse tempo ele fez o que era mau perante o Senhor. Ele entupiu Jerusalém e a Casa de Deus de idolatria e se prostrou em altares de estranhos deuses, provocando o Senhor à ira.

4. Ele teve a advertência de Deus – v. 10

Deus não o deixou errar sem advertência. Deus o alertou, o corrigiu. Enviou-lhe profetas, mas ele e o povo não quiseram ouvir a voz de Deus. Fecharam o coração. Endureceram a cerviz. Taparam os ouvidos à Palavra e à voz da consciência.

II. OS PECADOS DE MANASSÉS

1. Ele liderou o povo a pecar contra Deus v. 2,9

Manassés foi um líder mau. Ele usou sua influência para desviar as pessoas de Deus. Ele levou sua nação a fazer coisas piores do que as nações pagãs (v. 9). Ele tornou a edificar os altos, liderou o povo na adoração de Baal. Ele se prostrou diante de todo o exército dos céus (v. 3). Ele adorava as estrelas. Ele tornou-se um viciado em astrologia. Ele tornou-se um místico inveterado. Tornou-se um apóstata, um náufrago na fé.

2. Manassés profanou a Casa de Deus – v. 4,5,7

Ele fez pior que Acaz que fechou a casa de Deus. Ele introduziu ídolos abomináveis dentro da Casa de Deus. Ele profanou a Casa de Deus. Ele insultou a santidade de Deus e do culto.

3. Ele se tornou um feiticeiro inveterado – v. 6

A feitiçaria de Manassés chegou a ponto dele sacrificar seus próprios filhos a Moloque. Ele era adivinho. Era agoureiro. Praticava feitiçaria. Tratava com necromantes. Ele consultava os mortos. Ele era feiticeiro, espírita, pai de santo. Ele provocava o Senhor à ira.

Há muitas pessoas mergulhadas até o pescoço com feitiçaria, com espiritismo, com astrologia, com consulta aos mortos, com misticismo pagão.

4. Ele derramou muito sangue inocente – 2 Rs 21.16

Ele matou seus próprios filhos. Matou filhos de outras pessoas. Ele mandou cerrar ao meio o profeta Isaías. Flávio Josefo diz que todos os dias se sacrificavam pessoas em Jerusalém a mando de Manassés. Ele era um homem mau, virulento, truculento, assassino e sanguinário.

III. O JUÍZO DE DEUS SOBRE MANASSÉS

1. A prisão de Manassés – v. 11

Quem não escuta a voz da Palavra, escuta a voz da chibata. Quem não atende a voz do amor, é arrastado pela dor. O rei da Assíria prende Manassés com ganchos, amarra-o com cadeias e o leva cativo para a Babilônia.

2. A humilhação de Manassés – v. 11,12

Manassés desceu ao fundo do poço. Ele é arrancado do trono, de Jerusalém. É levado como um bicho, com canga no pescoço, em anzóis em sua boca e jogado numa prisão. Ele é levado para a Babilônia, o centro da feitiçaria do mundo. Os ídolos da Babilônia que ele adorava não puderam livrá-lo.

3. A angústia de Manassés – v. 12

O pecado não compensa. Quem zomba do pecado é louco. O homem será apanhado pelas próprias cordas do seu pecado. Manassés está cativo, algemado, angustiado. Quem não escuta a voz, escuta a vara.

IV. A CONVERSÃO DE MANASSÉS

1. A infinita graça de Deus – v. 13

Quando lemos essa história temos a vontade de dizer: agora bem feito! Ele deve pagar por todas as suas atrocidades. Mas, este homem clama a Deus e o Senhor o salva. Deus é rico em perdoar. Ele tem prazer na misericórdia. Não causa perdida para ele.

Deus mandou Manassés para a prisão, para não mandá-lo para o inferno. É um acidente, uma doença, uma tragédia familiar. Deus está pronto a mover o céu e a terra para que você não pereça.

2. A humilhação de Manassés – v. 12

A conversão começa com o arrependimento, com a tristeza pelo pecado, com a consciência de que temos feito o que é mau perante o Senhor. Manassés muito se humilhou perante Deus. Ele caiu em si. Ele reconheceu seu erro. Ele não se justificou, nem endureceu seu coração. Ele se curvou, se humilhou. Se arrependeu.

3. A oração de Manassés – v. 12

Manassés vivera toda a sua vida invocando os mortos, adorando os ídolos, levantando altares aos deuses pagãos. Mas, agora, na hora do aperto, ele ora ao Deus do céu e este atende ao seu clamor. Clame por Deus. Grite por socorro. Levante a sua voz. Ainda há esperança para a sua alma.

4. A salvação de Manassés – v. 13

Quando Manassés voltou-se para Deus, Deus voltou-se para ele. Restaurou sua vida, seu reino, sua alma. Manassés, então reconheceu que o Senhor é Deus. Deus o aceitou. Deus o restaurou. Deus o levantou. Deus restituiu o seu reino.

5. As provas do arrependimento de Manassés – v. 13-16

a) Aceitação – (v. 13) – Os ouvidos de Deus estão abertos, suas mãos estão estendidas para você. O Pai está pronto a receber o pródigo de volta e fazer uma festa. Não importa quão longe você tenha ido e quando profundo o poço que você tenha caído, Deus está pronto a perdoar você e aceitar você de volta para ele.

b) Iluminação – (v. 13) – “Então reconheceu Manassés que o Senhor era Deus”. Deus pode abrir os olhos da sua alma nesta noite. Ele pode abrir seu coração para crer. Ele pode tirar a cortina dos seus olhos. Ele pode dar a você entendimento espiritual. Ele pode revelar a você a glória do seu Filho Jesus Cristo.

c) Reforma – (v. 15) – Manassés fez uma faxina na Casa de Deus e na sua vida. Ele tirou toda a abominação que ele mesmo tinha colocado na Casa de Deus. Arrependimento implica em mudança.

d) Consagração – (v. 16) – Manassés não apenas tirou o que estava errado, mas restaurou o altar do Senhor. Ele começou a buscar a Deus novamente. Ele se voltou para Deus de todo o seu coração. Ele foi convertido a Deus e passou a consagrar-se a Deus, liderando sua nação a voltar-se para o Senhor.

CONCLUSÃO

Vamos ver algumas lições:

1) A piedade dos pais não é garantia que os filhos vão andar com Deus;
2) A vida longa não é segurança do favor de Deus;
3) Não há grau de impiedade que esteja além do alcance da graça de Deus e do perdão de Deus;
4) Não espere uma tragédia em sua vida para você voltar-se para Deus.
5) O pecado é algo que Deus abomina e jamais ficará sem julgamento;
6) Hoje é o dia de você voltar-se para Deus de todo o seu coração;
7) Se você voltar-se para ele nesta noite, agora mesmo, ele ouvirá seu clamor e restaurará a sua alma, dando-lhe a salvação!

Rev. Hernandes Dias Lopes

Em julho de 2007 
 

Carta aos MUÇULMANOS …

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Se você é muçulmano – Uma Breve Declaração de Fé Cristã

Há um Deus verdadeiro e vivente, que é Espírito e Criador de todos os espíritos, sejam humanos ou angelicais, e de todo o universo que a ciência já nos revelou. Somente Ele é eterno e existente em Si mesmo, dependendo tudo o mais dEle. Deus está presente em Seu universo em todo lugar e em toda época, mas Se dá a conhecer em lugares e momentos específicos. As Escrituras do Antigo e Novo Testamento (a Torá, o Zabur e o Injil) constituem o registro supremo desta revelação que Deus nos dá de Si mesmo.

Atualmente existem cópias autênticas dos livros do Antigo Testamento em hebraico original, anteriores à Era Cristã, e também dos livros do Novo Testamento em grego, de uma data anterior à do ano 300 da Era Cristã (ou seja, vários séculos antes do profeta Maomé). As traduções da Bíblia baseiam-se em tais documentos históricos. Há pequenas variações entre as diferentes cópias antigas (manuscritos, códigos, etc.), mas são insignificantes. Não existe a menor evidência de que os judeus ou os cristãos tenham alterado deliberadamente as Escrituras, ou que tenha existido uma Torá ou um Injil diferentes do tempo em que Maomé disse:

Somente há um Deus: o Deus vivo e eterno. Ele enviou o livro que contém a verdade, para confirmar as Escrituras que o precederam. Antes deixou o Pentateuco e o Evangelho, para que servisse de guia aos homens…” (Sura 3.1, 2)

O fato de que deus é um só, é o fundamento da Torá de Moisés. No Injil repete-se várias vezes este princípio, que sempre foi a fé dos cristãos. Ao mesmo tempo, a experiência dos primeiros discípulos ao observar a vida de Jesus e ouvir Suas palavras, levou-os à convicção de que Ele era, num sentido muito especial e divino: “Meu Senhor e meu Deus”, são as palavras de um deles.

Além disso, quando após a ascensão de Jesus ao céu e de acordo com sua clara promessa, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos que O esperavam, e eles comprovaram que Deus estava trabalhando entre os homens sem ser visto, não somente como um poder ou uma influência, mas em forma pessoal. Portanto, o Espírito Santo também é uma pessoa. Os cristãos tradicionalmente falavam de três “Pessoas” em um só Deus, a Santíssima Trindade, mas neste caso, a palavra “Pessoa” não deve ser entendida no seu sentido mais comum. As “Pessoas” divinas estão vinculadas entre si na unidade da Trindade, mais intimamente do que jamais poderiam estar os seres humanos.

Nenhuma analogia terrena pode explicar adequadamente o que é a divina Trindade; portanto, não devemos nos surpreender que a mente humana seja incapaz de compreender totalmente o mistério de nosso maravilhoso Deus, que é o verdadeiramente “Al Ghaib” (O Escondido). Nossa capacidade para entender Sua grandeza e Seu mistério é tão limitada como a de um gato (para usar uma ilustração familiar) para compreender o que faço quando leio um livro, ou oro.

Mas, nenhuma explicação sobre a Trindade é válida se não reafirma a unidade de Deus.

Deus enviou Seus profetas através dos tempos para revelar à humanidade Sua vontade e algo sobre Sua natureza e para chamar o homem ao arrependimento e à obediência. Mas, quando chegou o momento propício, Deus mesmo tomou a forma humana na pessoa de Jesus, o filho de Maria. Não fez isso para apagar Sua divindade e aparentar ser um homem, mas para que a natureza humana e a divina fossem combinadas maravilhosamente em Uma só pessoa. Quando O chamamos de “Filho de Deus” não nos referimos à Sua concepção milagrosa, já que Cristo é o Filho de Deus desde toda a eternidade, e seria uma blasfêmia pensar que de alguma forma o Deus glorioso tomou forma humana para ter relações físicas com uma pessoa humana (Maria), por mais pura que ala fosse.

Esse título é uma metáfora que fala daquele que possui a natureza de seu Pai (como os filhos humanos), mas está mais perto do coração de Deus. Como homem, Jesus teve fome, sede, cansaço, sentiu tristeza, foi tentado, sofre e morreu. Ao mesmo tempo, através de Sua vida de perfeição, mostrou o que Deus queria que o ser humano fosse. Como verdadeiro Deus, manifestou a glória divina por toda a Sua vida, e na ressurreição, triunfou sobre a morte. Sofrendo pela humanidade, oferecendo-Se a Si mesmo como sacrifício perfeito pelo pecado humano, revelou o assombroso amor de Deus, pois o amor, por sua própria natureza, supõe sofrimento e um Deus amoroso também deve ser um Deus sofredor. Por isso a cruz é um símbolo tão significativo para os cristãos. Um discípulo de Cristo pode dizer: “amou-me e Se entregou a Si mesmo por mim.”

Este amor sacrificial foi a grande e fantástica motivação para o amor e o serviço entre os Seus seguidores.

Por que teve de sofrer? Porque desde Adão os homens e as mulheres são pecadores e se rebelaram contra o Deus Santo, tornando-se merecedores de Seu juízo. Nem as boas obras, nem o sofrimento voluntário, podem compensar os pecados de ninguém, por mais justo que aparente ser. Somente o sacrifício de um homem perfeito que é o próprio Deus será suficiente para apagar seus pecados. Ao derrubar a barreira das transgressões, o sacrifício de Cristo restabelece o vínculo entre Deus e o homem, para que assim este possa receber o Dom de Deus que é o perdão gratuito e a vida eterna.

Somente pela fé, pode-se receber a assombrosa graça de Deus que Cristo nos oferece. Esta fé, entretanto, não implica somente crer com o intelecto, também significa confiar em Jesus com todo o coração e consagrar a Ele nossa vontade.

Desta forma, podemos ver que não se trata, como disseram alguns, de que a propiciação de Cristo nos dá liberdade para pecar. Ao contrário, ela nos transforma em novas pessoas, e por isso, não temos mais desejo de pecar.

A nova vida em Cristo traz consigo o Dom do Espírito Santo, que entra em nossas vidas e pouco a pouco produz em nós as qualidades de Jesus: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança. Mas para isso, devemos cooperar ativamente e utilizar os meios que Deus nos deu para crescer espiritualmente: a adoração com outros cristãos, a oração individual e pessoal, o estudo inteligente da Bíblia e sua meditação, não a mera repetição de suas palavras. O Espírito Santo nos fortalece para servir a Cristo e nos reveste de dons especiais, os quais podem ser usados para ajudar outros e edificar a comunidade cristã.

Finalmente, chegará o dia como Cristo prometeu, em que Deus intervirá uma vez mais na história do homem mediante a volta gloriosa de Jesus Cristo, com o que esta era terá fim e o mundo tal qual o conhecemos desaparecerá. O cristão espera, seja nesse momento ou depois de sua morte, viver na presença de Deus, sem ser assediado pelo poder e a presença do pecado, naquele reino celestial onde todo o mal terá desaparecido, e o povo de Deus desfrutará por toda a eternidade da visão perfeita de Sua beleza.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

http://malucoporjesus.wordpress.com

Afastando-se de Jesus Cristo !!!

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SETE MOTIVOS PARA ABANDONAR SUA IGREJA

    A cada ano milhares de brasileiros se convertem e ingressam numa igreja evangélica. Mas, também, a cada ano, muitos abandonam suas igrejas, fazendo-as parecer um imenso corredor: muitos entrando pela porta da frente; um bom tanto deles saindo pela porta dos fundos.

    Conversando com os “desviados” (é assim que nós os chamamos), ouvimos diversas explicações. Alguns dos motivos apresentados até que são relevantes; outros, porém, são meras desculpas. Mas, no fundo nós sabemos que “… nada pode nos separar do amor de Deus“; em outras palavras, nada é suficientemente forte para afastar da casa de Deus um verdadeiro filho de Deus.

    Este fenômeno, no entanto, não é novo. Se considerarmos que a igreja cristã nasceu na manhã da Páscoa, no dia da ressurreição de Jesus, então, à tarde daquele mesmo dia ela já tinha dois “desviados”. Leia atentamente o relato bíblico:

   “Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios (+ ou – 12 km). E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas. Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer. Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ide tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignora as ocorrências destes últimos dias? Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram. Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante. Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras? E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles, os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão! Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão”. Lucas 24.13-35

   Aos que abandonaram suas igrejas ou estão pensando em fazê-lo, quero dizer-lhes as mesmas palavras de Jesus àqueles dois discípulos a caminho de Emaús: Vocês são LOUCOS E DUROS DE CORAÇÃO! Sei que estas palavras são pesadas, mas é exatamente isto que significa a frase de Jesus: “Néscios e tardos de coração para crer…”.

LOUCOS E DUROS DE CORAÇÃO!

   Porque Jesus foi tão severo com eles? Porque seus motivos para abandonar a igreja eram banais e fruto de seus corações endurecidos.

    Inacreditavelmente, estes mesmos motivos podem ser encontrados nas conversas com os “desviados”.

    As palavras de Cleopas e de seu companheiro de viagem revelam-nos toda a verdade de seus corações. Vamos analisar o texto? Vemos ver quais motivos levaram estes dois a fazer tal loucura?

1o Motivo:   Dar ouvidos à conversa fiada – vs. 13-14

   Para que alguém se converta e una-se a uma igreja evangélica, muitas pessoas, de muitas igrejas diferentes, colaboram para isso: Um lhe fala de Jesus pela primeira vez, outro lhe entrega alguma literatura, alguém ora por ele e com ele, outro o socorre numa hora de aflição, alguém o convida, outro o traz ao templo, e assim por diante.

   No entanto, quando alguém chega a se afastar do Caminho, geralmente é pelas mãos de uma única pessoa. Muitas vezes pelas mãos de alguém que ele conheceu na própria igreja e que se fez seu amigo. Alguém que conversa muito ele, mas, ao invés de o encorajar, como recomendam as Escrituras, leva-o a se desviar.

    Repare no texto bíblico:

   “Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas”.

   O que havia em Emaús? Nada! Emaús era uma aldeia tão pequena e inexpressiva, em termos históricos, que só sabemos que ela existiu por causa deste relato bíblico; mas, mesmo que Emaús fosse uma grande cidade, o quê poderia haver lá que fosse mais importante que a notícia da ressurreição? Nada! Absolutamente, nada!

    A verdade é que, enquanto a igreja estava reunida lá em Jerusalém, tentando assimilar os últimos acontecimentos e esclarecer o sumiço do corpo de Jesus, estes dois discípulos estavam voltando para sua antiga vidinha, lá em Emaús. Abandonaram a igreja.

    Porque? Por vários motivos e um deles foi por causa de conversa fiada, pois, como o texto bíblico relata, eles “… iam conversando” pelo caminho.

   O texto bíblico não diz quem desviou quem, mas, como a repreensão de Jesus foi muito severa e somente o nome de um deles é citado, não corremos muito risco em afirmar que Cleopas era o conversador e, o outro, aquele que lhe deu ouvidos.

   Ter amigos na igreja é muito saudável e recomendável, mas, cuide-se, há muitos “Cleopas” em nosso meio; pessoas mal resolvidas em sua fé em Nosso Senhor Jesus, pessoas que querem sair da igreja, mas, como seus motivos são meras desculpas, precisam de alguém que lhe dê ouvidos, alguém que concorde com ele e, de preferência, que saia da igreja junto com ele, para que ele se senta menos mal e culpado.

2o Motivo:   Cegueira espiritual – vs. 15-16

    O texto fala de uma espécie de “cegueira espiritual”. Repare.

    “Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer”.

    Eles estavam tão compenetrados em si mesmos, tão envolvidos em suas próprias desculpas e justificativas, tão convictos em sua discussão, que nem puderam notar que era o Cristo ressurreto que caminhava com eles.

   Imaginem o ridículo da situação. Iremos ver, logo adiante, que eles não aceitaram a notícia da ressurreição. Provavelmente estavam dizendo: Esta coisa de ressurreição é coisa de louco! É histerismo coletivo! E, ali ao seu lado, estava aquele de quem eles estavam falando.

    Observe outra coisa muito interessante: eles (que estavam cegos) julgaram-se mais informados que o próprio Cristo: “És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignora as ocorrências destes últimos dias?”.

   As pessoas que abandonam o Caminho encontram-se em condições espirituais semelhantes, isto é, cegos. Estão tão preocupadas consigo mesmos que, literalmente, se tornam incapazes de perceber a realidade. Pior que isso, além de estarem cegas, acreditam que são as únicas que enxergam. Enchem o peito de razão, mas, fazem papel de ridículos ao discutirem temas sobre os quais não tem o menor conhecimento e ao classificarem como fanáticos ou histéricos os que ficaram firmes em suas igrejas.

3o Motivo:   Tristeza – vs. 17

    “Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ide tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos”.

   Porque eles estavam tristes? Pela morte de Jesus, é claro!

    Mas, também, pela injustiça praticada pelas autoridades (Como puderam colocar Jesus e Barrabás lado a lado?).

    Pela ingratidão do povo de Israel (Como puderam escolher Barrabás?).

    E, pelos problemas do grupo de Jesus (Como é que Pedro, que era tão valente, não morreu de vergonha por negar o Mestre três vezes? E quanto aos demais, não se acovardaram também, deixando o Cristo padecer sozinho? E as mulheres, então, que na hora da crucificação até que foram valentes, mas, agora, vêm com esta história de que viram e conversaram com anjos, parecendo loucas, alucinadas?).

    Estavam tristes por muitos motivos. Por isso não puderam suportar a pressão. A Bíblia diz que “… a alegria do Senhor é a nossa força”. Crente triste é crente fraco! E, quando estamos fracos, temos a tendência de nos isolarmos, de fugir, de virar a mesa, de abandonar a carreira da fé.

   Cuide-se, meu irmão. Não se entristeça! Nem com as autoridades, nem com a ingratidão do povo e, muito menos ainda, com sua igreja, pois todas as igrejas do mundo são iguais: são formadas por seres humanos fracos e frágeis; valentes numa hora, covardes noutra; maravilhosos num instante, desprezíveis noutro; inspiradores em certas atitudes, desastrosos em outras.

   É verdade que nenhuma igreja pode viver em pecado alegando que “… toda igreja tem problemas, que nenhuma é perfeita” e não fazer nada para mudar esta situação. Se uma igreja admite isso (e a maioria admite) é porque está reconhecendo que tem problemas. Logo, tem a obrigação de dar uma parada e fazer um conserto com Deus, senão, certamente é falsa e hipócrita.

   Por outro lado, no entanto, nenhum crente tem o direito de ficar triste por causa dos problemas de sua igreja, a ponto de abandoná-la. Deve, sim, orar, jejuar e promover a santidade do seu grupo, com paciência e amor. Muito amor! Se, depois de agir assim, sua igreja insistir em permanecer no pecado, então chegou a hora de pedir a Deus licença para sair em busca de um outro lugar para adorar. Porém, jamais ficar sem igreja.

4o Motivo:   Saudosismo – vs. 19

    “És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignora as ocorrências destes últimos dias? Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras”.

    Jesus falou diversas vezes que iria voltar para o Pai e que seus discípulos iriam fazer obras maiores do que as que ele fez, mas, mesmo assim estes dois abandonaram a Igreja, pois aquele “… que era varão profeta, poderoso em obras e palavras…” havia morrido. Jesus já era. Estava morto. Suas obras pertenciam ao passado.

    O dicionário define saudosismo como culto ao passado. Este é um dos principais motivos pelos quais muitas abandonam suas igrejas: Eles vivem do passado. Ah! No tempo daquele outro pastor, sim, a gente via o poder de Deus. Ah! Antigamente a Igreja orava mais, buscava mais a presença de Deus. Ah! No tempo dos apóstolos é que havia poder. Ah! No tempo de Jesus… E, assim vão caminhando e se distanciando, sem entender que o poder de Deus está à disposição de todo aquele que se santifica e que Deus se manifesta hoje em dia no meio do seu povo com a mesma graça e misericórdia de outrora.

    É interessante observar que foi exatamente no momento do maior dos milagres de todos os tempos, a ressurreição, que este dois pensavam que o poder de Deus havia cessado.

    Meu irmão, você acha que sua Igreja anda sem poder? Cuidado! Pode ser que você esteja virando as costas e esteja perdendo de ver as maravilhas de Deus. Mas, se for mesmo verdade que sua igreja anda assim, meio sem poder, não a abandone nesta hora difícil. Seja você aquele que vai iniciar um incêndio espiritual ali. Dedique-se ao estudo da Palavra de Deus, à oração e ao jejum, às boas obras e ao amor fraternal. Pague o preço. Não use isto como desculpa, pois, pode ser que quem está frio e sem poder seja você mesmo.

5o Motivo:   Perda da esperança – vs. 20-21

    “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam”.

    Naquela época os defuntos eram colocados em cavernas e não enterrados, como fazemos hoje em dia, e a morte era oficialmente confirmada somente após três dias do sepultamento. Tudo isso para evitar que alguém fosse enterrado vivo, pois não tinham como diagnosticar os casos de morte aparente. Mas, depois de três dias, a morte era decretada e acabava-se qualquer raio de esperança dos amigos e parentes.

    Cleopas e seu amigo haviam depositado todas as suas esperanças em Jesus, mas ele morreu. E, após três dias do seu sepultamento, suas esperanças se foram.

    Muitas pessoas abandonam suas igrejas porque perderem a esperança. Toda igreja passa por crises e nestas épocas, ao invés de procurar levantar o moral dos membros, muitos se apresentam como profetas, “Profetas-Só-De-Coisas-Ruins”, sempre anunciando que “há uma nuvem escura sobre a Igreja”, que Deus “está pesando a mão”, que “há pecado na igreja”, etc, etc e tal.

    Desconhecem a história da Igreja Cristã, que já passou por verdadeiras crises e superou cada uma delas, pois “Maior é o que está em nós, que aquele que está no mundo”. Esquecem que “… em Cristo, somos mais que vencedores”.

    As coisas andam feias em sua Igreja? Arregace as mangas e ajude aqueles poucos que ainda estão lutando. Se você parar de reclamar, já está ajudando. Mas, se resolver colocar a mão na massa, a coisa vai!

    Mesmo que sua Igreja já tenha morrido, Deus a pode ressuscitar, pois, no dicionário de Deus não consta a palavra IMPOSSÍVEL.

    A esperança é a última que morre, mas, quando morre, mata o homem.

    Cuide-se para não perder a esperança! Olhe sua Igreja com olhos espirituais; procure ver o que ela será, pela graça de Deus e não sua situação atual.

6o Motivo:   Decepção – vs. 21

    “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam”.

    Quantas vezes Jesus afirmou que seu reino não é deste mundo? Ele deixou claro que não veio para formar um exército, para ser o governador ou o rei de uma nação, para criar uma dinastia ou qualquer destas coisas que os poderosos tanto apreciam. Apesar disto, os apóstolos pensavam que Jesus iria ser coroado e enfrentar os romanos e “redimir” (libertar) Israel.

    Havia, é claro, um interesse pessoal em cada um deles, para acreditar nisso. Como amigos íntimos do Mestre, certamente eles seriam nomeados generais, ministros, secretários. Imagine, um grupo de pescadores analfabetos nomeados para os altos escalões do novo governo, o governo de Jesus. Fantástico, não é mesmo?

    Mas, eles estavam confusos. Jesus nunca disse isso, nunca lhes deu qualquer esperança neste sentido.

    Ora, a Bíblia diz que quem crê em Jesus jamais será confundido. O quê aconteceu com os apóstolos, para ficaram tão confusos?

    Eles deixaram de ouvir as palavras de Jesus e passaram a acreditar em suas próprias ambições e devaneios.

    Muitas pessoas abandonam suas Igrejas quando se decepcionam com alguma coisa. Mas, como chegam a este ponto?

    Quando deixam de ouvir as verdades de Deus para ouvir seus próprios corações. Quando enganam a si mesmos, afirmando e acreditando que Deus lhes prometeu alguma coisa, quando, no fundo, eles estão apenas tentando satisfazer suas ambições pessoais.

    A Bíblia diz que só há um mediador entre Deus e os homens, Jesus. Porém, infelizmente, muitos se decepcionam porque deixam de procurar em Jesus as respostas para suas vidas e vão atrás de certos “homens e mulheres de Deus”, mendigando oração e em busca de “revelação”.  Passam a dar ouvidos aos profetas e profetizas de plantão. Passam a dar mais valor a sonhos, visões e sinais, que à presença de Deus e seus ensinos.

    Outros evangélicos organizam suas vidas função de suas Igrejas e de seus líderes, de tal forma que abandonam a família, os amigos, o estudo, o auto-desenvolvimento, o laser, etc. Então, num belo dia, suas Igrejas e seus líderes traem sua confiança, e a decepção vem à cavalo. Daí, não dá mais para segurar a barra. O único jeito de enfrentar a realidade é… bem, é fugindo dela. Abandonando tudo.

    Decepcionado? A culpa é sua, se acreditou em suas próprias ambições e se organizou sua vida em função de homens e Igrejas.

    Jesus nunca decepcionou alguém que tenha organizado sua vida em favor dele.

    É hora de reconhecer os erros, para não cair mais.

7o Motivo:   Falta de fé, descrença – vs. 22-25

   “… mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram”.

   Quase que dá para ouvir o tom de desprezo deles em relação ao testemunho das mulheres, quando se referiram a elas como “algumas mulheres”.

    Não eram apenas algumas mulheres. Eram mulheres bem conhecidas do grupo. Mulheres respeitadas, que tinham nome e sobrenome. Mulheres que apoiaram o ministério de Jesus todo o tempo, não só financeiramente, mas, principalmente, com o serviço de suas próprias vidas. Mas, nada disso tinha qualquer valor para Cleopas e seu companheiro. Imediatamente, eles desqualificaram o testemunho delas, por serem apenas mulheres.

    Mas, sua descrença não parou por aí. Descreram, também, do testemunho dos homens (De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram). À primeira vista parece que o testemunho dos homens os deixou propensos a crer, mas, não!  Se tivessem crido no testemunho daqueles verdadeiros servos de Deus, JAMAIS TERIAM IDO EMBORA para Emaús.

    Descreram da própria ressurreição, apesar dela ter sido apregoada por Jesus.

    Em resumo, descreram das mulheres, dos homens e do poder de Deus. Não é à toa que a repreensão de Jesus foi tão severa.

    Um dos motivos que levam as pessoas a abandonar suas igrejas é quando elas passam a agir de modo semelhante.

    É verdade que nas igrejas têm muita gente exagerada, doidas para dar um “tremendo testemunho”, tentando impressionar, para conquistar o respeito do grupo.

   Por outro lado, no entanto, há os casos verdadeiros. Testemunhos verídicos, comedidos, isentos de exageros. Pessoas que, de fato, têm experimentando uma dose maior da graça de Deus.

   Como diferenciar o falso do verdadeiro? A Bíblia nos ensina a agir com prudência, sobriedade e discernimento.

   Alguém certa vez disse: Para quem quer crer, nenhuma prova é preciso; para quem não quer crer, nenhuma prova basta.

    Seja crente, de verdade. Seja sábio e prudente, mas crente.  Jamais acredite em tudo; jamais duvide de tudo.

    O crente vive pela fé e não por preconceitos.

   Por ser que, neste ponto desta mensagem, você já tenha compreendido porque abandonou sua ou porque está pensando em fazê-lo. A pergunta que vem a seguir é natural: E agora, como voltar? Como sentir de novo a mesma alegria que eu sentia no início?

   Eu estaria mentindo, se lhe dissesse que é fácil voltar ou recuperar a alegria do primeiro amor. Não é nada fácil; mas não é impossível. Vou fazer uma lista dos eventos que motivaram aqueles dois a voltar correndo para Jerusalém:

    a) Jesus foi atrás deles;
    b) Jesus ouviu suas queixas;
    c) Jesus falou aos seus corações:
        “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras”, de tal modo que seus “corações ardiam”;
    d) Eles convidaram Jesus a entrar em sua casa;
    e) Jesus restaurou a comunhão (no partir do pão);
    f) Jesus abriu seus olhos (tirou a cegueira espiritual);
    g) Eles voltaram correndo para Jerusalém.

    Note que, dos sete eventos que os culminaram na volta deles, somente dois foram de iniciativa humana; quanto aos demais, foram de iniciativa e Jesus.

    Em outras palavras: Se Deus não tiver misericórdia de sua vida, você jamais conseguirá voltar à sua igreja ou jamais conseguirá voltar a sentir a mesma alegria do início.

    Meu conselho é que você dobre seu joelho e clame em alta voz:

    Jesus, por favor, venha me buscar!

    E, quando algum irmão ou pastor o procurar e lhe convidar para ir a um culto, vá! E, se o seu coração começar a arder, ao ouvir a Palavra de Deus, convide Jesus a entrar em seu coração e ficar com você nesta “noite fria” que se instalou em seu espírito.

    Aceite o perdão de Deus (coma do pão que Jesus lhe der) e…

    VOLTE PARA SUA IGREJA.

    Se não for possível nem recomendável voltar para sua igreja, peça a Deus para lhe mostrar seu novo lugar de adoração.

    Não seja LOUCO E DURO DE CORAÇÃO!

    Seja crente!

    Crê somente!

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Falsas Doutrinas: CUIDADO (obras do Demônio)

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Gálatas 4.15: Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis”.

Chamo sua atenção à pergunta dirigida pelo apóstolo aos membros das igrejas na Galácia, para que consideremos juntos outra causa de depressão espiritual, ou infelicidade na vida cristã. Toda a Epístola aos Gálatas realmente trata desta questão. Estes gálatas haviam ouvido a mensagem do evangelho pelo apóstolo Paulo. Tinham sido gentios pagãos típicos. Estavam longe de Deus, sem qualquer conhecimento dEle ou do Seu Filho, ou da grande salvação cristã, mas o apóstolo Paulo veio e pregou a eles, e recebe­ram a mensagem do evangelho com grande alegria. Ele descreve, em detalhes mesmo, seu regozijo quando o encontraram pela pri­meira vez, e ouviram sua pregação. Parece claro que quando o apóstolo esteve entre eles, não estava fisicamente bem. É quase certo que ele estava sofrendo de algum problema dos olhos, porque lembra aos gálatas que, quando estivera entre eles, eles teriam arrancado os próprios olhos, dando-os a Paulo, se isso pudesse ter sido de alguma ajuda. Concluímos que essa dolorosa condição inflamatória dos seus olhos era algo ofensivo e desagradável de se ver. Não havia nada atraente na aparência do apóstolo. Como ele lembra a igreja em Corinto, sua presença era “fraca”. Ele não tinha o que chamaríamos hoje de presença imponente. Era um homem de aparência muito comum, sem levar em consideração a deforma­ção adicional causada por seu problema nos olhos. Mas, como ele os lembra aqui, eles não o desprezaram nem rejeitaram. Ele diz: “Não rejeitastes nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne”, e na verdade o receberam “como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo”, e tinham se regozijado nessa maravi­lhosa salvação. Mas não eram mais assim, tinham se tornado infelizes, e ele se viu forçado a perguntar-lhes: “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?” Eles estavam infelizes consigo mesmos, e quase se voltaram contra o apóstolo. Estavam num, estado de tanta depressão que ele podia até usar este tipo de linguagem: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”.

A pergunta que ele lhes apresenta, a respeito de sua bem-­aventurança anterior, é marcante. Na verdade, ele a tinha apresen­tado em outras formas previamente na mesma carta. No sexto versículo do primeiro capítulo, ele diz: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho”. Então ele o repete no terceiro capítulo, no pri­meiro versículo: “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?” Ora, mesmo sem acrescentar outras evidências, creio que está claro que esses cristãos da Galácia que tinham sido tão felizes, tão jubilosos em sua salva­ção,  haviam   se  tornado  espiritualmente  infelizes   e   deprimidos.

A questão à nossa frente é esta: o que causou esta mudança? Que tinha acontecido com eles? E a resposta é perfeitamente simples, e pode ser colocada numa única frase — era tudo devido doutrina falsa. Esse era o problema das igrejas na Galácia; todos os seus problemas emanavam de uma certa doutrina falsa em que haviam acreditado. E isto é algo que é tratado com muita frequência no Novo Testamento. Quase não há uma epístola que não trate deste assunto, de uma forma ou outra. Estas igrejas infantes tinham sido muito perturbadas por certos tipos de mestres que seguiam o apóstolo Paulo, imitando a sua mensagem e pregação em muitos aspectos, mas acrescentando suas próprias idéias. O resultado é que não somente isso causava confusão nas igrejas mas, além disso, cau­sava esta condição deprimente e infeliz na vida de muitos cristãos, Era, obviamente, obra do diabo. O apóstolo não hesita em afirmar isso, e nos lembra que o diabo pode até se transformar em anjo de luz. Ele ataca os cristãos e insinua idéias falsas em suas mentes, conseguindo assim, por um tempo pelo menos, arruinar seu teste­munho cristão e roubar sua felicidade. A história da Igreja Cristã desde o Novo Testamento está cheia de tais ocorrências. Começou já no princípio, e tem continuado desde então, e num certo sentido é verdadeira a afirmação de que a história da Igreja Cristã é a história do surgimento de muitas heresias e a batalha da Igreja contra elas, assim como a libertação da Igreja pelo poder do Espírito de Deus.

Este obviamente é um assunto muito extenso, e posso apenas tocar nele de passagem. Doutrinas falsas podem surgir em muitas formas diferentes; mas podem ser divididas em duas áreas principais. Às vezes, a doutrina falsa assume a forma de negação aberta da ver­dade e dos princípios e dogmas orientadores da fé cristã. Devemos deixar bem claro que às vezes assume esta forma. Pode se apresentar como sendo cristã, mas de fato nega a mensagem cristã. Já existiram, e ainda existem, ensinos que se dizem cristãos, porém que até mesmo negam a deidade do Senhor Jesus Cristo e outros dogmas básicos e fundamentais da nossa fé.

Mas doutrina falsa nem sempre assume esta forma. Há uma outra forma para a qual quero dirigir sua atenção agora. Em certo sentido, esta é muito mais perigosa que a primeira, e é a mesma forma que tinha assumido nas igrejas da Galácia. Não é tanto uma negação da fé, não é tanto uma contradição dos dogmas funda­mentais; mas é uma doutrina que sugere que algo mais é necessário, além do que já cremos. Essa foi a forma peculiar que assumiu no caso dos gálatas. Certos mestres tinham ido às igrejas ali, dizendo e pregando: “Sim, cremos no evangelho e concordamos com a pregação de Paulo. Tudo que ele ensinou está certo, mas ele não ensinou tudo. Ele deixou de fora algo que é absolutamente vital, a circuncisão. Fiquem firmes em tudo que crêem, mas se realmente querem ser cristãos, precisam também ser circuncidados”. Essa era a essência do falso ensino.

Não é difícil perceber como essa doutrina entrou ali. Afinal, os primeiros cristãos foram judeus. Vemos isso nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. Vamos ser justos com eles. É fácil enten­der sua situação. Eles sabiam que sua velha religião tinha sido dada por Deus, e sabiam que era verdadeira. Sua dificuldade era entender os novos ensinos à luz de sua velha doutrina tradicional. Eles sabiam que a circuncisão fora dada por Deus a Abraão, e tinha continuado desde então; mas aqui estava uma nova doutrina que afirmava que a circuncisão não era mais necessária, que a velha distinção entre judeus e gentios havia sido abolida, que a circuncisão, bem como toda a lei cerimonial, já cumprira seu propósito e o povo de Deus não tinha mais obrigações para com ela. Muitos ficaram perplexos com isso. Eles não tinham problemas com os gentios sendo admitidos à fé. A princípio isso tinha sido um obstá­culo para eles (até o apóstolo Pedro teve dificuldade em aceitar isso, e foi só depois que Deus lhe deu a visão do céu que ele admitiu receber Cornélio e os outros gentios na igreja Cristã). Mas eles ainda não conseguiam entender como um gentio podia se tornar cristão se ele ao mesmo tempo não se tornasse judeu. Entendiam que o cristianismo era o resultado lógico da sua velha religião, mas não entendiam como alguém podia ingressar nele sem passar pela circuncisão. Então eles foram a esses cristãos gentios da Galácia e sugeriram que, se quisessem realmente ser cristãos, teriam que se submeter à circuncisão e se colocar sob a lei.

Esse é o tema que o apóstolo aborda nesta Epístola aos Gálatas. Não podemos lê-la sem nos comovermos. Ele escreve com paixão. Está tão preocupado com a questão que até mesmo deixa fora sua costumeira saudação, e logo depois da abertura da carta ele ime­diatamente aborda o assunto e faz sua pergunta. Por que sente essa paixão, por que está tão emocionado? A resposta, é claro, é que ele sentia que a própria posição cristã dessas pessoas estava em jogo, e se não captassem esta verdade, toda sua posição cristã podia estar em perigo. Não há outra carta em que o apóstolo fale com tanta veemência. Notem o que ele diz: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”. Vocês não poderiam ler coisa mais veemente. E ele o repete: “Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”. Essa é a forma em que ele cala qualquer tendência de dizer: “Não importa que essas pessoas não vejam o que eu vejo, somos todos cristãos”. Não é assim; há uma definitiva intolerância aqui porque, como ele sugere e ensina, toda a posição cristã está em jogo nesta questão.

listou chamando atenção para isso não devido a qualquer interesse especial na história dos gálatas em si, mas por causa da sua importância para nós. Essa é a glória do Novo Testamento. Não é um livro acadêmico; é o livro mais atualizado que existe. Não há uma heresia ou problema descrito no Novo Testamento que não possa ser encontrado em alguma forma ou aspecto na Igreja aluai. Não estamos envolvidos numa discussão acadêmica sobre depressão espiritual; estamos falando sobre nós mesmos, e falando uns com os outros; e estou chamando atenção para isso porque estas coisas ainda estão conosco, e essa heresia dos gálatas ainda pode ser encontrada entre nós, numa manifestação moderna. Há muitos cristãos que passaram por essa experiência. Quando encon­traram a verdade pela primeira vez, ficaram assombrados. Disseram: “Nunca pensei que o cristianismo fosse assim”. Receberam-na com alegria e experimentaram bênçãos extraordinárias; mas subsequentemente foram confrontados com outra doutrina. Talvez tenham lido a respeito, ou alguém pregou sobre aquilo, ou foi sugerida por um amigo, e assim entraram em contato com outro tipo de doutrina. Imediatamente essa doutrina os atraiu porque parecia tão espiritual, e porque prometia bênçãos tão especiais se cressem nela, e assim eles a acataram. Mas então passaram a experimentar infelicidade e confusão. Outros que não chegam a aceitar e abraçar tal doutrina, ainda assim sofrem os seus efeitos, porque ela os perturba e porque não sabem como rebatê-la. Sua alegria parece desaparecer, e ficam perplexos e confusos. De qualquer forma, perdem sua felicidade original.

Realmente não há necessidade de mencionar nenhuma dessas doutrinas especificamente, pois tenho certeza que vocês estão fami­liarizados com o que tenho em mente. Todavia, devo mencionar certas coisas à guisa de ilustração, mas sem o propósito de tratar delas em detalhe. À parte de exemplos óbvios, em heresias tais como os Testemunhas de Jeová ou os Adventistas do Sétimo Dia, encontramos isso inerente ao catolicismo romano, com sua insistên­cia em conformidade e obediência a coisas não ensinadas nas Escri­turas. Aparece também na doutrina de que batismo por imersão em idade adulta é essencial à salvação. Também o vemos na ênfase da absoluta necessidade de se falar em outras línguas, se alguém quer ter certeza de que recebeu o Espírito Santo, e às vezes é encontrado em conexão com cura física, na doutrina de que um cristão jamais deveria ficar doente. Essas são apenas algumas ilustrações. Há muitas outras; menciono essas simplesmente para que entendamos que esta é uma questão muito prática, e não simplesmente um pro­blema teórico. Todos temos que enfrentar coisas assim, e, como espero demonstrar, tudo isso é parte do caráter da heresia que estamos considerando.

Creio que aqui o apóstolo estabeleceu de uma vez por todas um grande princípio que precisamos ter sempre em nossa mente, se quisermos nos proteger destes perigos, e assegurar que perma­necemos “firmes na liberdade com que Cristo nos libertou”, sem tornar a cair “debaixo do jugo da servidão”. Foi seu amor por aquelas pessoas que o levou a escrever dessa maneira. E Paulo lhes diz aqui que se sentia como um pai se sente em relação aos seus filhos. Não é que o apóstolo fosse pedante ou de mente fechada, intolerante ou egocêntrico. Pelo contrário, sua única preo­cupação era a vida espiritual e o bem-estar daquelas pessoas. “Meus filhinhos”, ele diz. Ele é como uma mãe; “por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”. E é neste espírito que quero dirigir sua atenção para o assunto. Deus sabe que eu preferiria não tratar dele em absoluto. Vivemos numa época que não aprecia esse tipo de coisas. A tendência é dizer: “Que importância tem?” E esta tendência é aparente não só entre aqueles que estão fora da Igreja, mas também entre os que estão dentro dela. Abordo este tema, portanto, com relutância, e simplesmente porque sinto que estaria traindo minha missão e a chamada de Deus para o ministério cristão se não expusesse a verdadeira doutrina da Palavra de Deus, qualquer que seja a opinião moderna.

Como, então, enfrentamos esse tipo de situação? A primeira coisa que o apóstolo apresenta é a questão de autoridade. Isso tem que vir primeiro. Essas perplexidades e esses problemas não são uma questão de emoção ou experiência, e nunca devem ser julgadas meramente na base dos resultados. Doutrinas falsas podem fazer as pessoas muito felizes. Vamos deixar isto bem claro. Se julgarem somente em termos de experiência e resultados, descobrirão que cada seita e heresia que o mundo ou a Igreja já conheceu pode ser justificada. Qual, então, é a autoridade? O apóstolo nos diz claramente no primeiro capítulo. Na verdade a questão da autoridade é o assunto de que ele trata nos dois primeiros capítulos. Aqui a posição pessoal do próprio apóstolo está envolvida, e é por isso que ele tem de dizer tanto a respeito de si mesmo. Ele assume uma posição em que desafia qualquer um a pregar outro evangelho que não seja o que ele prega. Ele diz: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho. . . seja anátema”. Por quê? Qual é o teste? É este: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”. E então ele continua, relatando como entrou no ministério: “Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais”. Ele tinha vivido assim até aquele momento na estrada de Damasco, quando o Senhor Jesus Cristo o colocara no ministério para o qual, como ele agora sabia, fora separado desde o ventre de sua mãe. Ele recebera sua missão e sua mensagem diretamente do Senhor Jesus Cristo. Ah, sim, mas Paulo sabia mais até do que isso. Ainda que tivesse ingressado no ministério dessa maneira singular, e pudesse se descrever a si mesmo aos coríntios como um “nascido fora do tempo”, ele todavia diz que o evangelho que lhe fora dado era exatamente o mesmo evangelho que fora dado aos outros, os outros apóstolos que tinham estado com o Senhor nos dias da Sua carne. Quando falou com os outros apóstolos em Jerusalém, descobriu que estava pregando exatamente o mesmo evangelho que eles pregavam. Embora tivesse vindo a ele daquela forma individual como uma revelação direta, os outros estavam pregando exatamente a mesma coisa que ele pregava.

Aí, então, está a base da autoridade — e essa é a autoridade que o apóstolo pleiteia aqui, a qual é a base do seu argumento. Ele diz que não é uma questão de um homem dizer isto e outro dizer aquilo. Ele assevera que não está pregando simplesmente o que ele pensa. A mensagem fora dada a ele da mesma forma que fora dada aos outros apóstolos, e portanto todos estavam proclamando a mesma coisa. O teste da verdade é sua apostolicidade. Ela se conforma à mensagem apostólica? Esse é o teste e esse é o padrão. O evangelho de Jesus Cristo, como é anunciado e ensinado no Novo Testamento, reivindica nada menos do que o fato que vem com a autoridade do Senhor Jesus Cristo, que o deu a esses homens, e eles, por sua vez, o pregaram e escreveram. Aqui está o único padrão. E continua sendo o único padrão.

Não temos qualquer padrão à parte do Novo Testamento, e portanto devemos tomar cada ponto de vista e examiná-lo à luz disto. Ao fazer isso, vamos descobrir que essas doutrinas falsas sempre se revelam erradas em uma de duas maneiras. A primeira é que podem conter menos do que a mensagem apostólica. Vamos ser perfeitamente claros sobre o fato de que há uma mensagem apostólica,  uma  verdade  positiva  com  que  todos  os  apóstolos concordaram e que todos eles pregaram — aí está a mensagem definitiva. Doutrina falsa pode ser culpada de declarar menos que a mensagem integral, e deixar certas coisas de fora. Isso é algo que desencaminha muitos cristãos hoje em dia. Se um homem proclama algo que é patentemente errado, eles podem ver imediatamente que ele está errado, mas não vêem com a mesma rapidez que uma doutrina pode estar errada porque proclama menos que a mensagem apostólica, porque não diz certas coisas. Pode ser menos que o verdadeiro ensino sobre a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Pode negar Sua encarnação, ou pode negar as duas naturezas contidas em Sua pessoa; pode negar o nascimento virginal, ou os aspectos miraculosos da Sua vida, ou a Sua ressurreição física literal. Apre­senta-se como cristã, mas é menos que a verdade. Ou pode negar num certo ponto a obra de Cristo. Pode negar o fato que “aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Pode descrever a morte de Cristo como sendo nada mais que uma extraordinária demonstração do amor. Pode negar que Deus puniu os nossos pecados “em Seu corpo no madeiro”. Isso era o que os apóstolos pregavam, que Cristo “morreu por” nossos pecados. Portanto, se uma doutrina ou ensino deixa isso de fora, é menos que a verdade apostólica. É a mesma coisa com o novo nascimento. Tantas vezes essa doutrina não é ensinada, e sua absoluta necessidade não é enfatizada. Tam­bém encontramos o mesmo problema até no que se refere à conduta e ao comportamento, ainda que o Novo Testamento enfatize isso. Há muitos que dizem crer em Cristo, mas então deduzem que, se alguém crê em Cristo está seguro, e não importa o que ele faz. Entretanto, esse é o terrível erro do antinomianismo. O Novo Testa­mento ensina a importância das obras quando declara que a “fé som obras é morta”. Deixar qualquer um destes aspectos de lado, é não corresponder à mensagem apostólica.

O segundo perigo, como já vimos, é o oposto, o perigo de acrescentar à verdade, e, ao mesmo tempo que reconhecendo a mensagem apostólica como correta, sugerir que algo precisa ser acrescentado a ele. E esta é a questão que estamos tratando aqui. Mais uma vez, devemos lembrar nosso princípio inicial, que cada doutrina deve ser testada pelos ensinos do Novo Testamento, não por emoções, nem por experiências ou por resultados, nem pelo que outras pessoas estão dizendo ou fazendo. Este é o teste-apostolicidade, isto é o ensino do Novo Testamento.

Outro bom teste é este: sempre seja cuidadoso em averiguar as implicações de um ensino ou doutrina. Isso é o que o apóstolo faz no segundo capítulo desta Epístola aos Gálatas. Esta nova dou­trina não parecia estar negando a Cristo, no entanto o apóstolo demonstra claramente que estava negando o Senhor no ponto mais vital. Ele até mesmo teve que fazer isso com o apóstolo Pedro em Antioquia. Pedro, que recebera uma visão com respeito a Cornélio (Atos, capítulo 10), e aparentemente tinha entendido estas coisas muito claramente, foi subsequentemente influenciado pelos judeus e sentiu que não podia comer com os gentios, mas somente com os judeus. Paulo teve que resistir Pedro “na cara, porque era repreensível”, e teve de dizer-lhe claramente que ao fazer aquilo ele estava negando a fé. Pedro não queria fazer aquilo, não queria negar sua salvação por Cristo através da fé somente. Mas alguém teve que mostrar a Pedro claramente a posição que estava assu­mindo, e levá-lo a entender que por suas ações ele estava anun­ciando que algo mais era necessário além da fé em Cristo. Vamos então sempre ponderar as implicações do que dizemos e fazemos. Vou dar-lhes uma ilustração do que quero dizer. Uma senhora cristã com quem certa vez discuti esta questão, estava tendo problemas com isso. Ela não conseguia entender como certas pessoas incré­dulas, que viviam uma vida muito correta, não eram cristãs. Ela disse: “Não sei como você pode dizer que não são cristãs — olhe para suas vidas”. Ela era uma boa cristã, mas estava tendo proble­mas para entender isso. Mas eu disse: “Espere um pouco; você não vê o que está inferindo, não percebe o que está dizendo? Você realmente está dizendo que estas pessoas são tão boas e tão nobres e tão morais que o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, não é necessário em seu caso, que a vinda do Filho de Deus do céu foi desnecessária para elas. Ele não precisaria ter morrido na cruz, pois elas podem se reconciliar com Deus através de suas boas obras e de sua vida exemplar. Você não pode ver que isso é negar a fé — que na verdade, com esse argumento, você realmente está dizendo que o próprio Cristo e Sua morte não são necessários?” E ela percebeu, ao avaliar as implicações daquilo que estava dizendo. Portanto, não avaliem as coisas pelo seu valor aparente apenas, mas verifiquem as suas implicações.

A terceira coisa que, para mim, parece ser uma característica especial desta heresia como está exposta na Epístola aos Gálatas é que ela sempre é um acréscimo à revelação. “Este ensino sobre a circuncisão não é parte da mensagem de Cristo”, Paulo está dizendo. “Essas pessoas pregam isso, mas não o receberam de Cristo. Quando o Senhor me deu a mensagem, Ele não disse que todos deviam ser circuncidados. Isto é algo à parte da Sua revelação, é um acréscimo à   mensagem apostólica”. Vocês vão descobrir que esta é sempre a característica do tipo de heresia que estamos consi­derando. Considerem, por exemplo, as reivindicações dos católicos romanos. A igreja católica romana declara que ela é tão inspirada hoje como eram aqueles primeiros apóstolos, mas ela não tem base bíblica para dizer isso. Ela mesma afirma isso, e ela mesma faz a reivindicação de que esta revelação subsequente foi dada à Igreja. Esta reivindicação é feita abertamente; não há qualquer sutileza nela, e quer dizer que a própria igreja católica tem tanta autoridade quanto a Palavra de Deus. Afirmam que as declarações do papa falando “ex catedra” são tão inspiradas como as epístolas do Novo Testamento, e são um acréscimo a essa revelação. Mas isso não é um lalo só em relação à igreja católica romana, pois há muitos outros que fazem a mesma reivindicação.

Antes de aceitar qualquer um destes ensinos, sempre tomem tempo para ler a respeito das suas origens. Quase sempre vocês vão descobrir que alguém teve uma “visão” — na grande maioria das seitas, foi uma mulher. Leiam a história, e descobrirão que a doutrina está baseada na autoridade de uma mulher. O apóstolo declarou que “não permitia que a mulher ensinasse”. Mas isso não faz diferença para essas pessoas. Não só isso, em geral a mulher leve uma visão e recebeu alguma revelação especial. “Ah”, dizem, “não vão achar isso nas Escrituras, mas foi dado diretamente a esta pessoa por Deus”. Estão acrescentando algo à revelação, é algo mais, alguma coisa mais avançada. Eles declaram que seus funda­dores eram tão inspirados quanto os apóstolos de Jesus Cristo, e baseiam sua autoridade nisso. Apliquem esse teste à maioria desses movimentos, e descobrirão que é verdade. Mas lembrem-se que também é verdade a respeito de muitos que ainda estão nas fileiras da Igreja Cristã, e que no entanto têm esse ponto de vista. “Ah, sim”, dizem, “aqueles homens eram inspirados, mas os homens hoje ainda são inspirados. Não negamos a inspiração, mas dizemos que é possível acrescentar à verdade. Os primeiros séculos não esgotaram a revelação da verdade, e coisas especiais estão sendo revelados a nós através dos nossos avanços em conhecimento e instrução neste século vinte”. Isso é acrescentar à revelação. Sig­nifica que as Escrituras não são mais suficientes; as descobertas da sabedoria moderna têm que ser acrescentadas. Mas ao permitirmos esses acréscimos da mente moderna e da perspectiva atual, na verdade estamos reivindicando uma revelação adicional.

Outra característica invariável é que este ensino ou doutrina sempre enfatiza alguma coisa em particular, dando-lhe grande proe­minência. No caso dos gálatas era a circuncisão. Mas o que quer que seja, esta idéia central é a origem do ensino especial, é o ponto em torno do qual gira todo o movimento. Eles reconhecem que uma pessoa pode ser um verdadeiro crente, mas precisa de uma certa coisa adicional — a observância do sábado, ou o batismo por imersão, ou falar em línguas, ou cura, ou alguma outra coisa. Algo mais sempre é essencial. É isso que importa —- dizem. Sempre ocupa uma posição proeminente, no centro, e acabamos nos tornando mais conscientes disso do que de Cristo, por causa da ênfase que lhe dão. Não podem justificar o movimento à parte dessa coisa específica, circuncisão, ou o que quer que possa ser.

O terceiro ponto é que todas estas coisas são um acréscimo a Cristo. O católico romano diz: “É claro que cremos em Cristo, mas você também precisa crer na igreja, precisa crer na virgem Maria, precisa crer nos santos, precisa também crer no sacerdócio, além de crer em Cristo”. De um ponto de vista puramente doutri­nário e ortodoxo, eu me sinto mais próximo a muitos católicos romanos do que a muitos que fazem parte das fileiras do protestan­tismo, mas onde eu me afasto, e devo me afastar deles, é que acrescentam algo ao que é vital — é Cristo, mais a igreja, mais a virgem Maria, mais os padres, mais os santos, e assim por diante. Do seu ponto de vista, Cristo apenas não é suficiente, e Ele não está colocado, em toda a Sua glória singular, no centro. E é assim com todos os outros. Proclamam que precisamos ter uma experiência especial, precisamos ter alguma crença especial sobre “observar dias”, como o apóstolo o expressa, ou precisamos observar certos ritos ou sacramentos. Então, é sempre “Cristo, mais alguma coisa”, alguma coisa que não podemos deixar de ter.

Então precisamos demonstrar, em quarto lugar, que esta dou­trina errada sempre acaba de alguma forma levando à conclusão que ter fé apenas não é suficiente. O apóstolo deixa isso claro: “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera por caridade” (Gálatas 5:6). Essas doutrinas falsas estão sempre nos ensinando que nós mesmos precisamos fazer alguma coisa; precisamos acrescentar algo, é necessária alguma ação da nossa parte, ou temos que permitir que algo seja feito a nós. Fé não é suficiente. Não vivemos pela fé, e a justificação não é pela fé somente. Precisamos realizar certas obras, precisamos fazer algo especial antes que possamos receber esta grande experiência da salvação. Mas de acordo com Paulo, dizer tais coisas significa que “caimos da graça”.

Mas por último quero enfatizar uma coisa — e dou graças a Deus por este último teste, porque tem sido de tanta ajuda para mim. Crer em tal doutrina sempre leva à negação da experiência cristã anterior. “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?” Vocês sabem o que ele quer dizer com isso. Na verdade ele está dizendo: “Gálatas insensatos, gálatas amados, vocês realmente estariam me dizendo que o que experimentaram quando estive entre vocês pela primeira vez, não teve qualquer valor, foi tudo inútil? Onde está a vossa bem-aventurança? Oh gálatas insensatos, quem vos fascinou?

Vocês sabem que todos os que são das obras da lei estão debaixo da maldição. Vocês sabem que receberam o Espírito. Voltem — lembrem-se que receberam o Espírito. Vocês O receberam pelas obras da lei? Naturalmente que não! Acaso não percebem que estão negando sua própria experiência passada?”

Todas essas doutrinas falhas são culpadas disso. É o que o apóstolo salienta, no relato de sua discussão com Pedro. Disse a Pedro que ele estava renegando sua experiência passada. Isso também é o significado de seu argumento sobre Abraão. Pois Abraão foi abençoado, não depois de sua circuncisão, mas antes dela, por­tanto não se pode afirmar que a circuncisão é essencial, e dizer isso é negar esta experiência. E quantas vezes tive que usar esse argu­mento! Estes ensinos errados são sutis e atraentes, e fazem-nos sentir que precisamos daquilo, e que só pode estar certo. Então de repente nos lembramos deste argumento a respeito da experiência, e ele nos detém. Trazemos à lembrança homens como George Whitefield e John Wesley, por exemplo, que sem dúvida foram cheios do Espírito de uma forma assombrosa, extraordinária e poderosa — notáveis santos de Deus e que estão entre os Seus maiores servos; e no entanto descobrimos que eles observavam o primeiro dia da semana, e não o sétimo; que não foram batizados de uma forma única ou especial, não há registro de que tenham falado em línguas, e não dirigiam reuniões de cura e assim por diante. Vamos afirmar que todos esses homens careciam de conhe­cimento, sabedoria e discernimento? Não percebem que essas novas doutrinas que fazem tantas reivindicações na verdade negam algu­mas das maiores experiências cristãs através dos tempos? Estão virtualmente dizendo que a verdade veio somente através deles, e que por dezenove séculos a Igreja andou em ignorância e em trevas. Isso é monstruoso. Precisamos entender que essas coisas devem ser testadas desta forma: “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança?”

Isso me traz à minha última palavra, e o teste final, que é o seguinte. Depois de passar por todos esses testes, vocês estão prontos para se unir a mim e dizer o que o apóstolo disse no versículo 17 do último capítulo desta Epístola aos Gálatas: “Desde agora nin­guém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”. Que significa isso? O que o apóstolo está dizendo, na verdade, é: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”. “Parem de falar comigo sobre circuncisão, não estou interessado. Parem de me falar sobre os guardadores do sábado, ou qualquer outra seita. Parem de me falar sobre todas essas coisas que são tidas como essenciais, se alguém quer ser um verdadeiro cristão. Eu não as quero. “Longe esteja de mim gloriar-me”, eu não vou me gloriar em nada e em ninguém, em nenhuma doutrina especial — em nada a não ser o Senhor Jesus Cristo, e nEle somente. Ele é suficiente, porque através dEle “o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”.

Para deixar isso bem claro, quero dizer que não vou me gloriar nem sequer na minha ortodoxia, porque até mesmo ela pode se transformar numa armadilha, se eu a tornar num ídolo. Vou me gloriar somente na bendita Pessoa por quem tudo isto foi feito, com quem eu morri, com quem fui sepultado, com quem estou morto para o pecado e vivo para Deus, com quem eu ressuscitei, com quem estou assentado nas regiões celestiais, por quem o mundo está crucificado para mim e eu estou crucificado para o mundo. Qualquer coisa que queira se colocar no centro que é dEle, qualquer coisa que queira se acrescentar a Ele, eu a rejeito. Conhecendo a mensagem apostólica com respeito a Jesus Cristo, em sua integridade, sua simplicidade e sua glória, longe de nós acrescentar qualquer coisa a ela. Que nos regozijemos nEle em toda a Sua plenitude — e nEle somente.

D. MARTIN LLOYD-JONES, in “Depressão Espiritual”.

O Fogo Ainda Queima !!!

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O Pastor Scott McDermott, da United Methodist, mudou-se para o interior, no oeste da Pensilvânia, em 1993, para servir a igreja, em Washington Crossing, um subúrbio da Filadélfia. A congregação de 700 membros estava experimentando dificuldades financeiras, naquele tempo, e McDermott começou a pregar, pedindo a direção do Espírito Santo. Ele não fazia idéia de que sua igreja estava para experimentar o que ele agora chama de “o mover soberano de Deus”.

Uma manhã de domingo, enquanto conduzia um estudo do versículo do livro de Neemias, McDermott perguntou aos seus paroquianos o que poderia acontecer, se eles declarassem sete dias de regozijo, similares à celebração registrada na narrativa do Velho Testamento. Alguém na última fileira gritou: “Vamos fazer isso”, e o pastor soube que a idéia tinha sido confirmada. “Quando alguém começa a falar com você, da última fileira de uma Igreja Metodista, você sabe que Deus está se movendo”, McDermott diz, com um sorriso.

Rapidamente, foi programada, para a semana seguinte, uma unção organizada dos serviços especiais de “regozijo”. Na segunda-feira, à noite, por volta de 30 pessoas dirigiram-se para orar. Na noite seguinte, McDermott sentiu-se compelido a ungir com óleo os que estavam presentes, e a orar para que eles fossem preenchidos pelo que ele chama de “espírito de alegria”. Depois de uma hora de louvor e oração, algumas pessoas vieram para o altar. Assim que o pastor orou, a terceira pessoa na fila caiu ao chão, como se estivesse dominada, pelo poder do Espírito Santo. O mesmo acontecendo com os que se seguiram.

Na noite da quarta-feira, 125 pessoas vieram à frente. MacDermott orava por duas horas, ininterruptas. Os congregantes esperavam em uma linha que se estendia atrás das portas dianteiras, ou se colocavam, mais adiante, no chão do santuário.

É desnecessário dizer que esse não era seu serviço típico, na igreja United Methodist. MacDermott esfregava sua cabeça. “Eu estava dizendo, ‘Deus, o que está acontecendo aqui? O que é isto?’”.  Ele se certificou que orando com a congregação, dessa maneira, abriu uma nova dimensão para seu ministério. “Foi como se você pudesse ver dentro do coração das pessoas, e ver o quebrantamento delas’”, ele diz.

Os dias de regozijo, em Washington Crossing, estendeu-se muito mais do que uma semana. A sensação da presença de Deus teve um impacto nos recolhimentos religiosos, e momentos de oração de apoio. O órgão da igreja foi vendido, por fim, e as guitarras, atualmente, foram introduzidas, como serviços de adoração, substituindo a liturgia tradicional. Os serviços religiosos usuais teriam sido ofuscados pela visitação óbvia do poder de Deus.

Em Março, durante o serviço de domingo, uma sessão de oração estendeu-se bem além do tempo de 90 minutos usuais. Exceto por 15 minutos de intervalo, McDermott orou com os paroquianos por seis horas; alguns tendo permanecido em fila por quatro horas. “As pessoas estavam espalhadas pelo chão; nós estávamos empilhando cadeiras para compor uma sala. Pessoas caíam, sob o peso de seus fardos”, ele lembra. Essas orações noturnas atraíram 200 pessoas, e MacDermott passou outras quatro horas orando por eles.

Quando esse reavivamento eclodiu, em 1994, McDermott imaginou que ele precisaria aprender como pastorear uma congregação que está experimentando reavivamento espiritual; um tópico que nunca fora discutido, em suas classes de seminário. Ironicamente, ele encontrou suas respostas, no Diário de John Wesley, o fundador do movimento Metodista. E MacDermott lembrou-se que o Metodismo do passado parecia-se muito mais com o reavivamento Pentecostal do que os United Methodists modernos gostariam de admitir. 

A Chama Intensa

McDermott não foi o único, nos oito milhões de membros da United Methodist Church que está experimentando o toque renovador do poder do Espírito Santo hoje. Nos últimos anos, o reavivamento dos dons da graça tem brotado, na igreja United Methodist, num tempo, em que a denominação tem enfrentado perda de membros e tumultos internos. Embora os bispos da United Methodist estejam ocupados argumentando sobre se o homossexualismo é um pecado, e se a Bíblia é verdadeira, um crescente número de seus membros está redescobrindo que o movimento deles nasceu de um reavivamento que enfatiza santidade, zelo evangelístico, e compaixão pelos pecadores. E esses “cheios-do-Espírito” da United Methodist estão determinados a reclamar essas qualidades.

O fundador do Metodismo, John Wesley (1703-1791), e seu irmão Charles (1707-1788), criaram um movimento que era caracterizado, através da abertura ao Espírito Santo. Sua mensagem varrida, através das Ilhas Britânicas, como um fogo intenso, arremessou-se, no Atlântico, para a América do Norte, onde acendeu o Segundo Grande Despertar. John Wesley registrou algumas 225.000 milhas, em cima de um cavalo, para pregar na fronteira americana, e, no século XVIII e XIX, o circuito de pregadores americanos, montados a cavalo, que ele treinou, estabeleceu os alicerces de uma denominação que pretende hoje 36.000 igrejas em nosso país. O Metodismo atual conduziu para o movimento da Santidade, que enfatizou o poder do Espírito Santo, para purificar o que crê. A ênfase de Wesley, no trabalho secundário de santificação também conduziu indiretamente ao nascimento do Pentecostalismo, no começo deste século.

Mas o fogo não permaneceu queimando. Nos anos recentes, a United Methodist Church tem se tornado tão atolada em liberalismo, na sua linha principal, que Wesley provavelmente não iria reconhecê-la, se ele voltasse dos mortos. A cerimônia de casamento de duas homossexuais em 1997, que ocorreu na Primeira United Methodist Church, em Omaha, foi manchete de primeira página através do país. Mas o que não foi reportado foi que, em muitas congregações da United Methodist, Deus tem trazido a onda da renovação espiritual. É provavelmente muito cedo para rotulá-la como uma tendência, mas quietamente, e poderosamente diz o professor Stephen Seamands, da Asbury Theological Seminary, os United Methodists ”estão molhando seus pés no rio” do reavivamento.

“Wesley foi um apóstolo de sua própria geração, um visionário”, diz Terry Tekyl, um pregador evangelista da United Methodist, baseado no Texas, e líder num esforço de recrutar um milhão de cristãos, no ano de 2000, para orar semanalmente pela denominação. “Wesley não buscou permissão, tanto quanto ele buscou o poder de Deus”, diz Tekyl. “Correndo o risco, ele alcançou as pessoas, onde ninguém mais estava alcançando”. “E isto é o que muitos da United Methodist, que são conduzidos pelo Espírito, estão fazendo hoje”, Tekyl acrescenta. “Vá visitar qualquer Igreja vibrante da United Methodist, e você irá encontrar uma ênfase forte na oração: orações intercessórias, orações de cura, orações através de pessoas leigas para seus pastores, e caminhos de oração através da vizinhança. Há também uma crescente abertura ao Espírito Santo, um chamado forte para o discipulado, e uma nova ênfase em descobrir a intimidade com Deus”.

“Parece que há um foco a mais hoje, no ver a face e o coração de Deus”, diz Gary Moore, presidente da Aldersgate Renewal Ministries, uma rede de “cheios-do-Espírito” da United Methodist, baseados perto de Nashville, Tennessee. O grupo, que tem promovido renovação da graça, entre os United Methodist, desde 1970, tirou seu nome da rua, em Londres, onde John Wesley foi, em suas próprias palavras, “estranhamente aquecido”, quando ele compreendeu que Cristo era seu Salvador. “Os dons espirituais, os dons da graça, são formas secundárias na busca da face de Deus”, Moore acrescenta. “Parece haver mais luta com Deus, que fisicamente impacta a vida das pessoas, do que, provavelmente, houve nos primeiros dias do reavivamento”.   

Na Igreja de Scott McDermott, na Pensilvânia, a ênfase na oração tem conduzido ao crescimento e expansão. Oito ministros agora servem na igreja, e 27 pequenos grupos envolvem aproximadamente 300 adultos. Paroquianos também estão ajudando nos ministérios do centro decadente, nas imediações de Camden, New Jersey. O denominador comum da oração também executa o papel vital, na Pine Forest United Methodist Church, em Pensacola, Flórida. O mesmo vento do reavivamento que tocou a vizinha Assembléia de Deus, de Brownsville, em 1995, fez sua presença conhecida na Pine Forest, no mesmo ano.

Derramando Gasolina no Fogo

O grupo jovem da Pine Forest, verdadeiramente, começou a pregar, oito anos atrás, para seus pais e a comunidade. Quando o reavivamento eclodiu, em Brownsville, os membros curiosos da Pine Forest vieram investigar, conforme a diretora de programa da igreja, Linda Smith.  Os United Methodists, em número cada vez maior foram visitar os encontros Pentecostais. “Isso mudou, então, muito de nós. Mudou em tudo”, diz Smith. “Orações explodiram em nossa igreja. Quando o reavivamento primeiro começou [em Brownsville], nós partimos de um grupo de dois ou três, por semana, para quase seis. Agora, nós temos por volta de 19 grupos que se encontram em uma base semanal, ou bimestral. Alguns desses momentos de oração são extremamente poderosos”. 

O pastor sênior, da Pine Forest, Perry Dalton, diz que os 700 membros da sua igreja estavam experimentando reavivamento, antes de Junho de 1995. “Quando o reavivamento chegou em Brownsville, foi como se derramasse gasolina no que estava acontecendo aqui”, Dalton diz. Como McDermott, Dalton tem renovado seus estudos dos escritos (Diário) de John Wesley. Pine Forest logo começou a hospedar grupos de visitantes de fora da cidade, que tinham vindo “experimentar” Brownsville. Conseqüentemente, a igreja estabeleceu o que tem sido uma Conferência anual, bem atendida, para os pastores da United Methodist, onde cura, arrependimento e a renovação para a santidade dirigiram o dia. O zeloso grupo jovem da Fine Forest viajou a região, a convite, para conduzir os esforços na propagação do Evangelho. 

“O que nós estamos vendo é casamentos restaurados, e pessoas curadas”, Dalton diz. “Pessoas jovens estão voltando das drogas. Outras estão esperando para realmente terem Cristo, em suas vidas, no sentido autêntico”. Esta mesma cura é evidente, na Upton United Methodist Church, em Toledo, Ohio, pastoreada, nos últimos nove anos, por Pat Mckinstry, uma mulher afro-americana. Ela foi questionada para servir Upton, no momento em que o número de membros tinha decrescido, e a igreja estava quase para fechar suas portas. “Eu fui a primeira pessoa negra, e a primeira pastora, nessa igreja de classe-média branca”, Mckinstry registra. “Eu suponho que eles, mais ou menos, me queriam para agir de acordo com a tradição, mas eu soube que elas estavam morrendo. Eu comecei o serviço secundário com doze pessoas. Eu apenas treinei esses doze, e disse, ‘Se é Deus que vai construir sua igreja, então, nós precisamos buscar por ele’”.

Pedidos de oração começaram a fluir da comunidade, e McKinstry e os membros da igreja visitaram as áreas de projeto, em Toledo, onde eles conduziram líderes de gang, negociantes de drogas, e prostitutas para Cristo. Esses indesejáveis, finalmente, encontraram uma casa dentro das paredes de Upton. “Nós depositamos a Palavra”, diz McKinstry. “O estudo da Bíblia é a refeição principal, nessa igreja, em noites de quarta-feira. Alguns têm vindo alterados e bêbados. Nós apenas tocaríamos neles; ninguém iria criticá-los. Eu sei que, se a limpeza da Palavra entrasse em suas vidas, ela iria fazer o que as regras e as regulamentações não poderiam”.  

“Mais do que 650 membros agora atendem Upton — e 75 por cento deles não tinham igreja, quando vieram pela primeira vez. Quase doze nacionalidades diferentes estão representadas, assim como os primeiros Budistas e Testemunhas de Jeová. Nós não erramos, quando usamos os princípios que Jesus colocou ao construir sua igreja. Eu sinto que nós somos o Livro de Atos, hoje”, McKinstry diz.

Não muito longe de Toledo, em Muncie, Indiana, a Union Chapel United Methodist Church tem crescido de um comparecimento, de mais ou menos 70 pessoas, em 1981, para aproximadamente 1.300 hoje, durante o tempo de liderança do pastor sênior Gregg Parris. A renovação da Union Chapel começou logo depois que Parris soube que três senhoras tinham se encontrado, nos últimos 30 anos, para orar pelo reavivamento. Um testemunho de um organista, num domingo, conduziu ao arrependimento público, por um membro chave da igreja, e os fiéis se duplicaram, no domingo seguinte, já que mais de 20 pessoas aceitaram Cristo pela primeira vez.

“Durante quase os últimos 20 anos, tem-se tentado copiar, literalmente, o que Deus está fazendo”, Parris diz. O grupo jovem da igreja tem crescido para mais de 300 pessoas. Através do ministério jovem da Union Chapel, 205 garotos deram suas vidas para Jesus Cristo, nos últimos seis meses.

Existem outros sinais de que a renovação está mexendo na segunda maior denominação Protestante da América:

Em Silverdale: - Em Silverdale, Washington, os fiéis da United Methodist Church estão orando para 280 pastores da United Methodist, na Pacific Northwest Conference — onde existem poucos líderes evangélicos atrás do púlpito. O Pastor Wally Snook acredita que toda igreja nos Estados Unidos precisa estar aberta ao poder do Espírito Santo hoje, porque Deus está conduzindo buscadores curiosos para retornar para a igreja. “Eles precisam encontrar o verdadeiro Evangelho, quando eles entrarem pela porta”, ele diz.

• Em Yuba City, Califórnia, o pastor John Sheppard da First United Methodist Church — que chegou perto de deixar a denominação — acredita que sua congregação continua a crescer, já que ele toma o mais forte posicionamento pela integridade do Evangelho.

Na Alexander United Methodist Church, no oeste de Nova York, do pastor Rich Selden, a congregação tem experimentado um grande “borbulhar efervescente da alegria”, desde que se permitiu que o Espírito Santo trabalhasse livremente. A renovação dos conduzidos pelo Espírito também continua, da mesma forma, nas United Methodists Churches, como a First United Methodist Church, em Bedford, Texas, e First United Methodist Church, em Tulsa, Oklahoma, onde existem mais de 300 grupos pequenos, entre a congregação próspera de aproximadamente 8.500 pessoas, dirigidas por Jimmy Buskirk.  

• Em Magothy United Methodist Church de Pasadena, Maryland, pastoreada por David Wentz, por volta de 180 pessoas regularmente experimentam a cura pelo poder do Espírito Santo, e oram umas pelas outras, em pequenos grupos, durante os serviços de adoração.

• Outras United Methodist churches, cada vez mais, estão erguendo suas sobrancelhas, na denominação, por causa do ministério evangélico forte. Essas incluem a Frazer Memorial, em Montgomery, Alabama; Aloma United Methodist e a First Church Ormond Beach, ambas na Flórida central; First United Methodist, em Memphis, Tennessee; e Ginghamsburg United Methodist, em Tipp City, Ohio. Os pastores dessas igrejas dizem que os United Methodists não estão mortos para Deus.

“É importante que, como pastores, nós permitamos que Deus coloque o fogo de seu Espírito em nossas vidas”, McDermott diz. “Eu realmente penso que Deus está tentando chamar a atenção dos pastores. É uma discussão dupla: renovação espiritual, e desenvolvimento e cultivo da liderança prática, para sustentar o reavivamento”. Ele acrescenta: “É tempo de ir buscá-lo. É tempo de acreditar nele, para uma mudança radical, em nossas próprias vidas pessoais, e nas de nossas congregações. E nosso chamado primeiro é para orarmos”.

Se os pastores atenderem ao desafio de McDermott, e a mesma coisa que aconteceu em seu altar, em 1994, poderia se repetir, na United Methodist churches, por toda a América. Essas igrejas seriam espiritualmente secas (estéreis) hoje, mas, como John Wesley conheceu bem, madeira seca é a melhor para se atear um fogo.

John M. De Marco é pastor da United Methodist, na Florida e a former news editor para a Christian Retailing Magazine. Reimpresso com a permissão da Charisma Magazine, Outubro de 1998, Strang Communications Co., USA.

John M. DeMarco

 http://malucoporjesus.wordpress.com

Com Cristo vivo na Plenitude

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Talib Barwani (muçulmana de Zanzibar convertida ao Cristianismo).

Meus antepassados eram do sultanato de Omã, na península da Arábia.

Estabeleceram-se em Zanzibar e se casaram com pessoas africanas. Meus pais eram muito carinhosos comigo; minha mãe, em especial, era uma muçulmana devota. Mandaram-me à escola corânica e aprendi a ler o Corão em árabe (embora sem compreender o significado), a rezar cinco vezes por dia, a jejuar durante do mês de Ramadã e a dar esmolas. Quando era adolescente tive vontade de viajar. Depois de fugir de casa várias vezes, consegui chegar a Bombaim, na Índia. Partindo dali, dei a volta ao mundo, trabalhando como grumete (aprendiz de marinheiro) num navio de carga. Voltei para minha casa, mas depois de um ano parti novamente para a Índia e o Golfo Pérsico. Depois, viajei para a Europa onde trabalhei e estudei, mas não consegui meus objetivos e comecei a viver uma vida licenciosa. Fiz tudo o que meu coração ditava, mas depois de algum tempo percebi que nada me bastava.

Um dia, sentado num café, encontrei-me totalmente decepcionado com meu estilo de vida. Alguém entrou comuns panfletos sobre as Forças Armadas.

Senti que para mim qualquer coisa seria boa, desde que me afastasse do estado em que me encontrava. Assim, ingressei na Força Aérea e, depois das provas de habilitação e de um treinamento básico em eletrônica, enviaram-me à Líbia. Ali desfrutei a vida e fiz muitos amigos. Um deles chamava-se João, com quem costumava nadar e caminhar.

Uma noite ao voltar à barraca que dividíamos com outros três companheiros, vi João ajoelhado, orando. Foi uma surpresa para mim, pois jamais havia pensado nele como uma pessoa religiosa. Admirei-me de sua coragem de ajoelhar-se e orar numa barraca cheia de soldados. Assim que se levantou, perguntei-lhe por que de repente tornara-se tão religioso. Ele disse que não se tratava de ser religioso, sim, de ter Jesus Cristo em sua vida. Para mim, tudo era muito estranho, e pedi-lhe que me explicasse melhor.

Disse-me que Jesus havia vindo ao mundo para salvar os pecadores e que havia tomado nosso lugar na cruz, carregando sobre si o castigo que merecíamos; explicou-me como Ele agora oferece perdão e vida eterna a todo aquele que O recebe com fé em seu coração.

Embora eu não praticasse minha religião, cria no Islamismo. Acreditava que Jesus era um profeta como Abraão, Noé e Moisés, mas, para mim, a idéia de que Ele fosse o Filho de Deus era uma blasfêmia. Eu criticava certos países que se diziam cristãos e, entretanto, maltratavam outros seres humanos em nome de Cristo. Isso contrastava com a fraternidade dos povos muçulmanos do Atlântico à China. Mas eu não sabia que alguns cristãos estavam orando por mim.

Um dia, embora eu realmente não tivesse interesse, conheci outro cristão chamado Pedro, que estava com uma Bíblia aberta nas mãos. Ele era sargento, mas achei-o diferente dos outros sargentos. Pedro mostrou-me como o Antigo Testamento profetizava sobre Cristo e como o Novo mostrava que Ele tinha vindo para cumprir essas profecias. Procurou Apocalipse e leu: “Eis que eu estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo.” (Apocalipse 3.20). Essas palavras do Senhor penetraram no meu coração. Apesar de minha crença de que os cristãos haviam alterado o Novo Testamento, eu sabia que essas palavras eram verdadeiras.

Sabia que Jesus Cristo estava parado, chamando à porta do meu coração, e que somente eu podia abri-la ou fechá-la. Eu não queria tomar tal decisão; assim, despedi-me de Pedro e fui embora.

Lembro-me de que fui diretamente ao cinema para esquecer a experiência, mas as palavras de Jesus vinham sem cessar à minha mente: “Eis que aqui estou à porta e chamo…” Dizia a mim mesmo que isso era uma bobagem, um estado de espírito passageiro. Saí do cinema com a intenção de ir a um clube e beber. Em vez disso, fui à tenda que se usava como Igreja e ali quebrantei-me por completo.

Ajoelhei-me e orei assim: “Senhor Jesus, eu sei que Tu morreste na cruz por meus pecados. Tu és o que me salva de minha maldade: por favor, entra na minha vida agora, abro-te a porta do meu coração, sê meu Salvador e Senhor.” Quando me levantei tinha uma paz profunda e uma grande alegria. Sabia que meus pecados tinham sido perdoados e queria contar para todos a maravilhosa experiência que tinha acabado de viver.

Um mês depois de minha conversão, tive a oportunidade de voltar na férias à minha casa em Zanzibar, após cinco anos de ausência. Eu temia o que poderia ocorrer quando soubesse que eu era cristão. As pessoas tinham a tendência de associar o Cristianismo ao imperialismo ocidental. Quando vi como minha mãe e minha família estavam felizes ao ver-me, procurei ocultar-lhes minha conversão, mas, depois de algum tempo, tive que falar-lhes sobre minha fé em Cristo. Eles não podiam compreender porque eu havia feito isso. Estavam perturbados e eu também, pois amava muito minha mãe. Mas não podia esperar que pessoas não cristãs entendessem que meu amor por Cristo tinha que ser mais forte que meu amor pelos membros mais queridos de minha família. Em resumo, de ambas as partes houve mal-entendidos, dor e lágrimas.

Desde esse momento Deus tem sido muito real para mim. Tive a oportunidade de comprovar quão perto Ele está nos momentos difíceis. Jesus satisfaz os desejos mais profundos de meu coração e nunca me arrependi, nem por um momento sequer, da decisão que tomei há quase dez anos, de abrir-lhe a porta de meu coração. O Senhor me deu uma maravilhosa esposa oriunda do Líbano que compartilha igualmente de minha fé e temos dois filhos pelos quais damos graças a Deus. Queremos servir ao Senhor em países muçulmanos, mas até o momento as portas ainda não nos foram abertas. Por meio do meu trabalho numa companhia especializada em eletrônica, encontro cada vez mais oportunidades para pregar e dar meu testemunho.

Minha fé em Cristo me ajuda a viver plenamente. Antes minha vida era vazia e cheia de preocupações; hoje, estou realmente feliz, pois, para mim, viver tem sentido, e o Senhor me ensinou a não preocupar-me com qualquer situação que se apresente. Aprendi, antes de qualquer coisa, a levar tudo a Deus em oração, tanto o insignificante como o mais importante. Ele me ensinou a não odiar a ninguém, não importando o que me tenham dito ou feito. Tenho uma grande sensação de segurança que não provém do que possuo, mas, sim, da fiança absoluta em meu Senhor.

A vida cristã não é fácil, mas é a mais maravilhosa, emocionante e satisfatória para minha alma que jamais conheci. Esta é a razão pela qual não há nada que dê mais alegria a minha esposa e a mim que aproveitar qualquer oportunidade para contar aos outros a boa nova do grande amor de Deus em Cristo Jesus para com os homens.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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Um Crente sem Gravata (NÃO às doutrinas inócuas das Assembléias de Deus e “adjacências”) – SISTEMA EVANGÉLICO “FALIDO”

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Algumas coisas na vida demoram, mas acontecem. Demoram porque esperamos um “tempo certo” para promovê-las ou porque não dependem da gente e, portanto, devem ser espontâneas…mas acabam acontecendo.

Ano passado (05/09/2009), me desliguei de uma igreja evangélica. Foi minha primeira comunidade, onde aprendi muito do reino de Deus. Depois de aproximadamente oito anos – ou seja, o lugar onde nasci na fé –, cansei de ser conivente (nunca fui, mas estando me sentia) ao modus operandi de grande parte do movimento evangélico brasileiro – e porque não mundial.

Aqueles que têm experiências semelhantes, isto é, que já passaram por, pelo menos, uma instituição religiosa, sabem que não tomamos decisões assim – haja vista a proporção -, de uma hora para outra. Não, definitivamente não foi num piscar de olhos que tomei a decisão e efetivei minha saída de tal parcela do cristianismo mundial. Digo isso, porque para muitos que lá (na instituição) ficaram estou apenas mudando de igreja, sendo que meu processo de mudança é muito mais abrangente: estou deixando definitivamente o que chamo de sistema evangélico abrasileirado – dá para perceber que não há apenas questões de cunho tupiniquins, mas como natural em tudo nessa nação, existem nuances múltiplas e miscigenadas… gospelmania.

Faço o mesmo que alguns mentores, como: Ricardo Gondim, Caio Fábio, Ariovaldo Ramos e Ed René Kivitz, e declaro que não sou mais evangélico (nos moldes do movimento evangélico abrasileirado). Não estou, com isso, dizendo que não creio mais no evangelho ou que deixei a confissão de fé evangélica. Não, de jeito nenhum. Digo apenas que rompi com esse sistema predominante nas igrejas pentecostais, que já corrói as estruturas das igrejas de linha tradicional (pasmem, já vi batistas e metodistas fazendo campanha de libertação). Quanto às igrejas neopentecostais, não as considero como evangélicas, mas, como diria Dom Robson Cavalcante: pseudo-pentecostais, isto é, acham que são quem não são.

Talvez não esteja sendo muito claro, mas tudo bem, não pretendo ser muito objetivo nesse post; faço desse texto, linhas iniciais de uma série onde explicarei – nada de muito novo – quais os motivos de minha saída do sistema.

O título do post é proposital, tendo em vista que a gravata, que já fora um símbolo gay – nada demais por ter sido -, era endeusada em minha antiga instituição – terno e gravata eram as “vestes sacerdotais”. Algo totalmente natural, afinal tratava-se de uma comunidade pentecostal com um “sonho (reprimido) americano” de se tornar uma Assembleia de Deus… acho que não preciso dizer mais nada.

E agora, graças a Deus, “desligado”, não preciso me sentir mais um dependente de um pedaço de pano para exercer o ministério que Jesus me confiou.

Quero tranquilizar aqueles que se preocupam comigo: não me arrependo de romper com o sistema! Acredito ter sido num momento ideal. Embora não tenha me instalado definitivamente numa igreja, continuo minhas visitas aleatórias à Ibab e à Betesda, comunidades que amo de coração e que, mesmo com problemas naturais de toda instituição, continuam se esforçando para ser um sinal real do reino de Deus na terra, não se rendendo as falácias evangélicas-pós-modernas.

Em Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador, a quem não abandono nunca,

Will

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Era tudo que eu havia sonhado !

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Maryam (muçulmana da Indonésia convertida ao Cristianismo).

Normalmente uma pessoa sente-se atraída por uma fé ou um determinado estilo de vida porque tem algum conhecimento a respeito, ainda que esse conhecimento seja limitado. Mas minha experiência foi diferente. Eu me sentiria envergonhada se tivesse que falar de toda a maldade que havia no me coração.

Mas, ao escrever isto, vejo como um espelho que reflete minha própria vida, e quero dizer que não recebi os mandamentos de Deus e a graça da salvação porque os compreendi, mas sim pela grandeza de seu poder.

Como muçulmana de nascimento, fazia todo o possível para cumprir os requisitos do Islamismo. Para mim, era algo muito natural, pois todos os meus antepassados haviam professando essa fé, a qual passaram a ensinar aos seus descendentes.

Talvez o leitor se pergunte se eu conhecia bem o Islamismo e se tinha a segurança de que minha religião me daria a salvação eterna. A resposta é: não!

Eu via que os ensinamentos muçulmanos eram bons. De fato, em certo sentido, não diferem muito do que ensinava Jesus Cristo. No Corão, por exemplo, há instruções sobre como devemos nos comportar, semelhantes às que se encontram no Sermão da Montanha. Mas eu estava insegura quanto ao resultado de tudo o que fazia como muçulmana. Outra pergunta que fazia a mim mesma constantemente era: por que fazia tudo o que me diziam? Tive que admitir que, na realidade, era somente porque haviam me ensinado desde pequena. Além disso, eu achava que ninguém se importava se eu cria ou não em minha religião.

Certamente não devo ser a única pessoa na Indonésia que teve essa experiência.

A maioria em meu país cumpre suas obrigações religiosas pela mesma razão que eu: seguir a religião que receberam de seus pais.

Eu gostaria de contar-lhes como fui atraída à fé cristão, embora seja impossível explicá-lo exatamente. Sempre me pergunto por que ocorreu comigo, mas obviamente tratava-se da iniciativa de Deus para que eu fosse salva. O processo pelo qual cheguei a crer é muito simples. Um senhor que tinha um Bíblia consigo veio visitar meu irmão e, enquanto eles conversavam, comecei a folheá-la.

Gostei de lê-la e pude compreender algumas partes. Mas o homem foi embora com sua Bíblia antes que eu pudesse ler mais. Como me senti muito atraída e tinha aproveitado bastante de sua leitura, pedi uma Bíblia emprestada a um ministro cristão. Ele ficou surpreso, pois sabia que eu era muçulmana.

Depois de ler e reler a Bíblia várias vezes, quis saber mais sobre os segredos que continha. Exerceram grande impacto sobre mim, especialmente os livros de Gênesis e o Evangelho de Mateus; senti um profundo desejo de pôr em prática o que lia. Mas ainda não tinha a coragem para contá-lo a ninguém, de modo que me calei. Não tinha um amigo para pedir ajuda ou fazer perguntas com relação à vida dos cristãos. Eu era muito tímida para ir à Igreja, já que não sabia o que as pessoas faziam ali. Mas, em meu coração, sempre desejara ir.

Finalmente decidi declarar minha fé. Comecei a freqüentar as aulas de religião cristã na minha escola, embora a princípio não compreendesse muito.

Todos os outros estudantes eram cristãos e, quando eles iam à Igreja, eu os acompanhava. Este foi o ponto de partida de minha dedicação: resolvi fazer parte da comunhão dos crentes. Passei a participar ativamente na congregação, a ter mais coragem e a ser mais aberta e sincera com minha família.

Ainda havia muito obstáculos para vencer, pois meus pais e outros familiares, quando souberam que eu fazia parte da comunidade cristã, negaram-me a permissão para que me batizasse, embora não me impedissem de participar dos cultos da Igreja e de minhas atividades. Eu não queria ofendê-los e sabia que o batismo não é o fundamento de nossa salvação em Jesus Cristo, por isso continuei participando da Igreja e mantendo meus amigos cristãos. Vivi assim durante quatro anos. Quanto mais aprendia sobre o companheirismo cristão, mais me atraía. Era tudo o que eu sempre havia desejado, já antes de minha conversão.

Numa noite de Natal, pedi com decisão que me recebessem oficialmente na comunhão da Igreja. Fui batizada apesar de estar passando por uma fase de muita perseguição. Ao participar integralmente da comunhão em Cristo, passei a desejar a mesma vida que os demais crentes estavam experimentando. Sentia-me agora muito feliz, com mais paz, satisfação e estabilidade; comecei a compreender porque estava participando da vida cristã. Provavelmente não haja uma só razão que possa explicar por que minha relação com Deus parece ser hoje mais íntima do que nunca, mas agora tenho mais paz e entreguei-me à Sua vontade para minha vida.

Será que me sinto orgulhosa de ter a esperança de haver sido aceita como digna para apresentar-me perante Deus? Acaso sinto orgulho por compreender que sou pecadora? Não, claro que não! Mas desejo viver profundamente no amor de Jesus Cristo, como outros também o desejam, porque o que sinto como cristã é muito diferente daquilo que experimentei no passado. Sinto a grandeza do amor de Deus. Ele respondeu minhas orações. Esta é uma revelação que em tocou no mais íntimo de meu ser, a de viver no amor de Jesus Cristo.

Minha grande preocupação é ajudar aqueles que ainda não ouviram as boas-novas da salvação de Deus. Creio que não podemos nos dar ao luxo de não nos preocuparmos com aqueles que ainda não conhecem Cristo, nem receberam a salvação baseada em Seu amor. Muitas pessoas crêem que conhecem a Deus, mas na realidade somente conhecem sobre Deus e não são salvos. Seus corações não se abriram para receber Cristo, e isso é algo muito grave. Pensam que suas obras bastam para agradas a Deus, mas não compreendem ainda o verdadeiro significado do que fizeram, nem sabem se algum dia entrarão no reino dos céus. Devemos procurar uma forma de ajudá-los para que conheçam verdadeiramente a Deus por meio de Cristo.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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Um Despertar Total

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Por Razzaq Barakatullah (muçulmano das Ilhas Maurício convertido ao Cristianismo).

 Meus pais eram da Índia, mas viviam em Maurício, um estado insular do Oceano Índico. Como muçulmanos fiéis, obedeciam ao pé da letra à lei islâmica. Criança ainda, aprendi a ler e escrever a língua urdu e a ler o Corão (embora sem compreendê-lo), e logo estudei numa escola secundária muçulmana, onde se dava muita ênfase à história, cultura e teologia do Islamismo. Eu cumpria com os requisitos de minha religião, mas pouco a pouco comecei a questionar sua importância.

Ensinaram-me que eu não podia ganhar o paraíso e a outra vida se não cumprisse com tais obrigações, e eu estava preocupado em saber se obteria a graça de Alá ou a sua desaprovação. Minha alma ansiava por um consolo que nem as orações, nem os jejuns, nem a leitura do Corão me proporcionavam. Decidi indagar até o mais profundo do Islamismo, muito além das tradições; e o único meio para isso era o estudo exaustivo do Corão. Comecei então, a lê-lo numa versão francesa.

Todos os muçulmanos crêem que a prova da origem divina do Corão está em sua inigualável beleza. Eu havia sentido essa beleza, quando o ouvi dos leitores profissionais na mesquita ou pelo rádio. Mas ao lê-lo em francês, fiquei confundido e desiludido pelo conteúdo, pois parecia estar cheio de contradições e duras ameaças. Minha fé foi sacudida ainda mais ao ler a sura trinta e três que relata como Maomé, tendo já nove esposas, recebeu uma revelação especial que o induziu a casar-se com a mulher de seu filho adotivo Zaid. Aparentemente a ele se aplicava uma norma diferente da que se exigia dos demais fiéis.

Com dezesseis anos, refleti sobre essas passagens, o que me levou a viver muitos meses com dúvidas e a fazer uma dolorosa auto-análise. Sem negar a beleza do Corão no idioma árabe, vi que isso não constituía evidência suficiente para comprovar sua origem divina. Também pensei na vitória do Islamismo: certamente Alá estava com eles! Mas nos últimos cinqüenta anos, o comunismo também havia conseguido dominar as vidas de um terço da humanidade, e não podia, evidentemente, contar com a aprovação de Alá. Assim, enquanto o debate se travava em minha mente, abandonei o jejum e as orações, com exceção daquelas das sextas-feiras, nas quais meu pai insistia muito.

Alguns meses depois, estava sentado ao lado de meu pai na mesquita, refletindo se existia mesmo o paraíso e o inferno; se havia vida depois da morte ou se ao morrer somos simplesmente eliminados. Então, refleti que a melhor maneira de servir a Alá era servindo ao próximo. Por isso, nesse instante, decidi dedicar minha vida para aliviar o sofrimento de outros por meio da medicina. Verifiquei que isso requeria muito sacrifício e abnegação e encontrei em mim o mesmo egoísmo e a mesma ambição que havia nos outros. Sempre sentia ansiedade pelo futuro:

“Eu teria sucesso ou fracasso? Ou estaria sempre imerso na mediocridade?” Além disso, sofria de um complexo de inferioridade e de um sério problema de gagueira; por isso, estudei muito para provar quem era e mostrar a mim mesmo que podia superar meus colegas.

Pensei que se pudesse obter as melhores notas no exames preliminares, estaria satisfeito. Mas ao obtê-las, não senti a satisfação que esperava. Aconteceu a mesma coisa com os exames finais. Então, pensei que alcançaria finalmente a felicidade viajando para o exterior. Seria um estudante universitário, possuiria muito dinheiro e tomaria conta da minha própria vida.

Quando saí de casa, fiquei triste porque deixava meus pais, mas, ao mesmo tempo, estava cheio de esperança. Na Europa, com o clima úmido e frio, a dificuldade em encontrar um lugar e o choque do novo ambiente, logo desapareceu a emoção de estar num lugar diferente. Não tinha a quem recorrer.

Assistia às aulas em salas enormes, com centenas de outros estudantes. Tudo era muito impessoal. Estava só o tempo todo, desesperadamente só no meio de uma multidão ativa e barulhenta. Procurei fazer amigos e só encontrei bons modos. Achava-me tão deprimido que fui falar com o reitor e lhe disse que iria abandonar a medicina. Ele me aconselhou para que não tomasse uma decisão precipitada, pois o primeiro ano é sempre deprimente. Continuei, mas questionando-me se algum dia alcançaria a paz e a serenidade, e se a felicidade não é mera ilusão.

Com esses pensamentos na mente, uma manhã encontrei-me com um jovem cristão fora da sala de aula. Ao nos conhecermos melhor, começamos a nos reunir para conversar sobre política e outros aspectos da vida. Sua atitude, dominada por uma fé viva em Deus, era positiva e confiante. Os outros viviam somente para os fins de semana, e eu ficava escandalizado e me repugnava a linguagem alterada com que contavam o que haviam feito. Grande parte do tempo, passavam-no na cama e o resto em bebedeiras e com mulheres e, assim, na segunda-feira estavam doentes. Eu pensava: que caricatura do que a vida deveria ser. Entretanto, minha própria conduta não era muito melhor. Eu não sabia como Ter uma vida plena e profunda.

Certa vez, o rapaz cristão apresentou-me ao grupo de jovens de sua Igreja e, novamente, impressionei-me ao ver como eram alegres e diferentes. Quando perguntei a um deles o motivo da alegria, ele me disse que a diferença estava em que eles tinham Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Eu não tinha idéia do que isso significava; além disso, parecia-me estranho que pessoas sensatas pudessem crer que Deus tivesse um Filho, Jesus Cristo, como os seres humanos.

Entretanto, isso despertou minha curiosidade pela fé cristã. Meu amigo deu-me de presente um Novo Testamento numa versão antiga. Achei sua leitura difícil e irritante por causa dos arcaísmos e de palavras pouco conhecidas e, assim, depois de alguns capítulos, abandonei-o.

Um Sábado assisti uma reunião organizada pela turma jovem. Não me lembro muito da mensagem, mas me deram um livreto chamado “A medula do Cristianismo.” Ao chegar em casa, comecei a lê-lo. O autor explicava que a rebeldia do homem contra Deus nos afasta a tal ponto, que nada podemos fazer para chegar até Ele. Nossa relação chega a depender da lei e não do amor. Deus não podia nos reconciliar com Ele pela força, pois Seu desejo é ter filhos que sejam seres humanos e não robôs. Também não podia esquecer-se de nossa rebeldia ou simplesmente deixar-nos perecer, pois ama a cada um de nós. Ao encontrar-se frente a tal dilema, Deus fez algo inimaginável, que era a única solução. Na pessoa de um homem, Jesus de Nazaré, Ele mesmo desceu à humanidade, identificou-se totalmente com o homem e permitiu que o pecado dos homens e mulheres prevalecesse contra Ele. Ao ser executado como um criminoso qualquer e por acusações falsas, suportou as terríveis conseqüências de nossa maldade. Deus demonstrou, assim, de uma vez por todas seu imenso amor pelo ser humano e seu juízo contra o pecado. Na pessoa de Jesus, oferecenos perdão e nos convida a nos reconciliarmos com Ele. “Agora, – perguntava o autor – qual é a tua resposta a esse amor? Como você se sentiria se alguém rejeitasse o amor e o cuidado que você está oferecendo?”

Mentalmente repassei os últimos anos de minha vida e reconheci que o amor de Deus e sua mão haviam me guiado. Deus respondeu às minhas orações em momentos difíceis, mas eu tinha me esquecido dEle de imediato. Lembrei-me de minha oposição a Jesus Cristo e como em certa ocasião eu tinha tomado pão e vinho, zombando da Ceia do Senhor. Ainda assim, Ele continuava me amando e cuidando de mim; não tive outra alternativa a não ser ajoelhar-me e pedir-lhe perdão.

Depois de uma noite bastante agitada, fui à Igreja, pois era domingo. Eu havia pensado muito em qual seria atitude de meus pais pela desonra que minha conversão traria à família. Como poderia com minha carreira, já que eu dependia financeiramente de meu pai? Meus amigos cristãos me disseram que eu deveria lançar toda minha ansiedade sobre Cristo, que me daria forças; mas eles não compreendiam a natureza do meu problema.

Entretanto, aprendi pouco a pouco o que significa Ter fé em Deus, e tornei-me mais corajoso para testemunhar à medida em que experimentava a graça de Deus em Cristo Jesus, de forma que todos meus compatriotas na cidade souberam da minha conversão. Logo comecei a fazer a mim mesmo muitas perguntas sobre a fé: a confiabilidade do Novo Testamento, o significado do fato de que Jesus é o Filho de Deus, de sua morte, da Trindade, etc. Tinha que convencer-me de que o Cristianismo era razoável, que não havia lugar para a preguiça mental. Eu deveria compreender a fé e sua relação com a vida no mundo moderno.

Tornei-me cristão porque encontrei-me frente a frente com o amor de deus na pessoa de Cristo. O que vivi depois e continuo experimentando é muito mais do que eu jamais havia esperado ou sonhado. Conheço a Deus como o Pai que ama e cuida de mim, não só pelo que Jesus ensinou, mas também pela maneira como Ele tratou a pessoas difíceis de amar, como Zaqueu (Lucas 19), ou a mulher samaritana (João 4).

Então, comecei a buscar a vontade de Deus e procurar cumpri-la pela sua graça.

Oro não somente para obter algo, mas porque a comunhão com Deus é doce, refrescante e renovadora. Aprendi a aceitar a mim mesmo, porque tenho certeza de que Deus me ama e me aceita assim como sou. Dessa forma, pude começar a emocionante experiência de descobrir quem sou eu. Certas habilidades e capacidades, de cuja existência eu somente suspeitava, se evidenciaram e deram fruto. Meu complexo de inferioridade desapareceu e minha gagueira ficou quase imperceptível.

Para mim a conversão foi um despertar total: espiritual, emocional e intelectual. Fiz amizades profundas e que me satisfazem. Antes, quando me encontrava rodeado de europeus e africanos, eu era muito consciente da minha raça e cor; mas, agora, entre cristãos de qualquer raça, isso não tem mais importância. Este companheirismo é algo tão maravilhoso que sempre procurei sua causa. Encontrei a resposta com o apóstolo Paulo em Efésios 2.11-16: “Mas agora em Cristo Jesus, vós que em outro tempo estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque Ele é nossa Paz.” Por isso, quando conheço um cristão que leva a sério seu cristianismo, sinto imediatamente um laço de comunhão com ele, seja qual for sua raça ou educação.

Sob o domínio de Cristo estou aprendendo o significado da vida e o segredo da felicidade, a segurança de que em meio aos altos e baixos da vida, sempre posso apoiar-me no amor e na proteção imutáveis de Deus Todo-Poderoso. Tanto o sucesso como o fracasso passam a ser iguais na perspectiva de seu infinito amor. Agora não olho mais para o futuro com ansiedade, mas sim, com esperança, e isso dá emoção e espontaneidade à minha vida.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

O Caminho do PERDÃO

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O CAMINHO DO PERDÃO

 “Também os frutos que a tua alma cobiçava foram-se de ti e todas as coisas delicadas e suntuosas se foram de ti e nunca mais serão achadas.” (Ap 18:14)

Assim está escrito e assim deveria se cumprir, se o Pai Celestial não fosse um Deus Vivo de perdão e amor, capaz de reconhecer as falhas de um filho seu e se rejubilar com a sua volta, ainda que tenha vivido mergulhado nas trevas e chegada ao fundo do mais escuro dos poços a que um homem pode chegar.

Em meus muitos anos de pregação, tenho visto muita alma se perder por sua própria vontade, pelo seu orgulho, pela deliberada intenção de se deixar atrair pelas ilusões do diabo, que enche suas armadilhas de luzes e atrações cheias de beleza para esconder o horror e a danação que esperam aqueles que se deixam enganar.

“Contudo se tu avisares o ímpio e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu livraste a tua alma.”(Ez 3:19)

É bem clara a citação de Ezequiel, que tranqüiliza aquele que tenta salvar da iniqüidade o pecador, mas isso não o livra da dor de ver um irmão se perder, fugindo da proteção de Deus para se deixar iludir pelo demônio. Como pregador, sofre-se em dobro a cada ovelha perdida, mas há tantas a serem salvas que a perda de uma pode ser compensada pela salvação de centenas. Aquela que se perdeu, no entanto, é um duro golpe no coração do pastor, que jamais há de se conformar com essa perda. A fé no Deus vivo e na sua obra, a crença na força de sua palavra, no entanto, não devem ser esquecidas. Se o diabo seduz, o poder de Deus cura o deslumbramento. Se o diabo destrói, a fé no Senhor Jesus reconstrói. Se o diabo arrasta para a lama, o Espírito Santo purifica. É assim que tem que ser.

Em minhas pregações, vejo pessoas que hoje participam e oram juntas na igreja, num testemunho vivo do poder e da glória do Senhor Deus, de seu Filho e do Espírito Santo. Poucos sabem, porém, de seus dramas e de suas histórias. Quem os vê hoje, esbanjando saúde, prósperos, com uma empresa em expansão ou com um bom emprego, com uma boa casa, carro do ano, celular, parabólica e todo o conforto que o dinheiro pode comprar, pode achar que são pessoas de sorte, que nasceram em berço de ouro.

Poucos conhecem suas jornadas ao fundo do poço da qual jamais esperavam sair, não fosse a o milagre da palavra e o infinito perdão do Pai e da graça do Espirito Santo. Descrentes e desesperados, quando mais nada lhes restava, o poder da Palavra os tocou e eles abriram seus corações para Jesus, que os resgatou das trevas. Tenho certeza, como tenho certeza no poder de Deus, que neste momento há muita pessoas assim, em desespero, mas orando e perseverando, enquanto choram lágrimas de sangue e de sofrimento. A elas a minha bênção e o meu conforto e a certeza de que Ele não deixará que suas orações sejam em vão.

Conheçam esses testemunhos. A pedidos, nomes e sobrenome foram mudados. Que a Glória de Deus recaia sobre todos vocês!



 

Capítulo 1

 

“E o Senhor vos espalhará entre os povos e ficareis poucos em número entre as nações para as quais o Senhor vos conduzirá.

Lá servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram.

Mas de lá buscarás ao Senhor teu Deus e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.

Quando estiveres em angústia e todas estas coisas te alcançarem, então nos últimos dias voltarás para o Senhor teu Deus e ouvirás a sua voz, porquanto o Senhor teu Deus é Deus misericordioso e não te desamparará, nem te destruirá, nem se esquecerá do pacto que jurou a teus pais.”(Dt 4:27-31)

Naquela manhã quente de primavera, quando as lojas começavam a se enfeitar para as festas de fim de ano, os empregados da Salgado & Filhos Ltda. esperavam pelas ordens do patrão que, naquele momento, iniciava um estranho ritual.

— Que cheiro ruim, seu Salgado! — protestou uma das empregadas.

— Não é tão ruim assim, Maria! É um defumador que espanta o azar e atraí dinheiro, clientes e lucro. Neste final de ano eu espero vender como nunca. Tenho certeza que vamos arrebentar no faturamento.

— Ao invés de fazer toda essa fumaceira, porque a gente não reza simplesmente? Meu pastor disse que…

— Eu sei o que o seu pastor disse, Maria. Bota dinheiro na sacolinha que tudo vai mudar! Eu sei disso. Vai mudar para ele!

— Não fala assim, seu Salgado! O senhor está falando de um homem de Deus.

— Esse aqui é o deus dele — falou o comerciante, retirando uma nota de cem reais do bolso e mostrando para a empregada que, naquelas alturas, achou melhor se calar para evitar confusão.

Com um prato de barro cheio de brasas na mão, Salgado percorria as dependências da loja, jogando um pozinho malcheiroso, que se transformava numa fumaça esverdeada e nauseante.

Algumas das moças que ali trabalhavam preferiram sair, pois não estavam suportando o mau cheiro. Quando terminou aquele ritual, Salgado apanhou sete velas e as colocou ao redor de um prato. Dentro do prato ele colocou um punhado de sal grosso, açúcar e sete moedas do mesmo valor. Acendeu as velas e rezou uma oração esquisita, que trazia escrita numa folha de papel.

— Jesus Cristo, seu Salgado! O que é isso agora? — quis saber Maria, já horrorizada com tudo aquilo.

— Estou lhe dizendo, Maria, este vai ser o nosso ano. Quero ganhar muito dinheiro e…

— Que adianta ganhar dinheiro e perder a alma?

— Pára com isso, Maria! Esse negócio de igreja está deixando você muito medrosa. Isso aqui não faz mal para ninguém, só ajuda!

— Só ajuda? E se os seus concorrentes fizerem o mesmo, como é que fica?

— Quem tiver mais fé, sai ganhando e, nesses assuntos, eu sou mais eu. Ainda mais que tenho mais uma coisinha para me ajudar — falou o comerciante, começando a desembrulhar um pacote. — Enquanto eu preparo isto aqui, mande as meninas começarem a fazer a decoração de natal. Vamos abrir mais tarde hoje, depois que eu terminar minhas simpatias e minhas rezas.

— Se quer tanta ajuda para se sair bem, por que não chama um pastor para vir orar aqui?

— Que pastor, que nada, Maria! Chamei um benzedor dos bons. Meu motorista foi buscá-lo. Deve chegar daqui a pouco. Enquanto isso, olhe o que tenho aqui para me ajudar.

Quando ele terminou de desmanchar o embrulho, Maria sentiu um nó no estômago. Eram imagens de santos de todos os tamanhos, feitas de gesso e pintadas grotescamente, sem beleza e sem serventia alguma.

— O senhor já leu a Bíblia, seu Salgado? — perguntou-lhe Maria.

— Já li mais de dez vezes. Quando eu fazia catecismo, tinha que ler toda semana.

— E por acaso se lembra do que estava escrito em Deuteronômio:6.

O comerciante interrompeu seu trabalho de arrumar as imagens num pequeno altar, olhou para a empregada e começou a rir.

— E por acaso você se lembra, Maria?

— Pois eu me lembro. Diz assim: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; não te encurvarás diante delas, nem as servirás, porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.”

— Meus parabéns, Maria! Tem uma boa memória. Espero que se lembre de me agradecer, quando receber as comissões das vendas que vamos fazer neste final de ano. Estas imagens aqui são apenas a lembrança dos santos, uma espécie de recordação, como a fotografia do seu namorado que eu sei que você traz na carteira e olha de vez em quando.

— É diferente, seu Salgado. Eu não presto culto ao meu namorado. Eu tenho amor por ele, entende?

— No fim, é tudo a mesma coisa, Maria. Agora deixa para lá. Esse que está chegando aí é o benzedor. Vou recebê-lo.

Horrorizada, Maria viu o patrão, um homem aparentemente inteligente e culto, bem vestido e bem falante, ir ao encontro de um indivíduo esquisito, com uma roupa cheia de penduricalhos, um rosário no pescoço e olhos escuros e profundos.

Conversaram por alguns instantes, depois o homem retirou um ramo de arruda de uma velha mala e começou a agitá-lo no ar, enquanto caminhava pelo estabelecimento, murmurando algo que parecia ser uma oração, mas que ninguém entendia.

— Isso me parece coisa do diabo! — comentou Maria com sua amiga Sandra.

— Deixa de pegar no pé do patrão, Maria. Você está ficando muito chata com esse negócio de igreja. Se der certo toda essa maluquice que ele está fazendo, nós só temos a ganhar. Vamos ter ótimas vendas e passar um final de ano tranqüilo. Estou precisando de dinheiro e não me importa se tiver que aturar todo esse fedor e essas loucuras para conseguí-lo.

— Que proveito terá o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? O que dará o homem em troca da sua alma? — comentou Maria, lembrando Mateus 16:26.

— Não embaça, Maria! Não se faça de santa, porque eu sei que você precisa tanto de dinheiro quanto qualquer uma de nós. Agora vamos trabalhar, antes que o patrão fique bravo com a gente.

A contragosto, Maria atendeu a recomendação da amiga. A loja, depois da defumação e da passagem do benzedor, ficara com um clima esquisito, que provocava calafrios. A cada vez que ela olhava para o altar cheio de imagens que o patrão tinha montado num canto da loja, ela se sentia mal.

Como precisava do emprego, resolveu usar o bom senso e esperar uma ocasião mais adequada para voltar ao assunto. Antes, porém, pretendia pedir orientação ao seu pastor já que, naquele ambiente, estava difícil para ela trabalhar.

Terminaram de fazer a decoração natalina na loja e as portas foram abertas. Enquanto isso acontecia, silenciosamente Maria fez uma oração, pedindo que o Espírito Santo iluminasse a todos ali e que tudo que o patrão havia feito fosse perdoado.

Poucos clientes apareceram. O Plano Real ainda era uma incógnita e todos diziam que a vida iria melhorar, principalmente para as classes menos privilegiadas.

Maria torcia para que isso acontecesse, pois pretendia, com o fruto do seu trabalho, dar um pouco mais de conforto a sua família, já que seu pai era aposentado por invalidez e recebia muito pouco. No fim, ela arcava sozinha com o orçamento da casa. Sua irmã mais nova apenas estudava. Maria fazia questão que ela se empenhasse nisso, pois acreditava que o estudo era a maneira mais digna e correta de ser alguma coisa na vida.

Ultimamente, porém, andava preocupada com a irmã, que demonstrava uma certa revolta com tudo e com todos. Parecia que, de uma hora para outra, havia se desiludido com a vida modesta que viviam, aspirando coisas além de suas possibilidades.

Maria se preocupava com ela. Como freqüentava um bom colégio, graças ao sacrifício da irmã, com certeza via as colegas bem vestidas, sempre exibindo novidades e queria fazer o mesmo. Além disso, havia arrumado um namorado que, pelo que Maria sabia, não era uma boa pessoa.

Havia rumores de que se tratava de um traficante. Andava num carro do ano, vestia-se bem e, com certeza, tinha tudo para impressionar uma garota inocente e ingênua como Úrsula, a irmã de Maria.

— Senhor Jesus, dê juízo a minha irmãzinha! — costumava rezar.

*

No seu escritório, Salgado conversava com o benzedor, que havia percorrido todas as dependências da loja, observado o estoque, os móveis e tudo o mais que ali havia. Agora olhava seriamente para o comerciante, fazendo um ar de preocupação.

— Está muito carregado, meu filho. Parece que fizeram um trabalho grande para prejudicar sua vida.

— Sério mesmo, Pai Nozinho?

— Dá para sentir. É coisa de sapo costurado em terreiro de macumba. Sangue e baba foram jogados aqui. Tem gente forte na parada. Você está incomodando muita gente.

O comerciante pensou por instantes, depois se debruçou sobre a escrivaninha para falar mais de perto.

— Na verdade, Pai Nozinho, eu estou fazendo uma grande jogada. Acertei com um fornecedor que ele venderia suas mercadoria apenas para mim e para nenhum de meus concorrentes. É coisa grande. Vou ter estoque e preço. Tive de garantir uma venda mínima, mas sei que vou conseguir, com a sua ajuda. O que nós temos que fazer para isso tudo dar certo?

— É muito dinheiro na parada?

— Muito! Se eu vender, fico rico. Se não vender, vou quebrar, com tanto estoque.

O benzedor pensou por instantes, olhando ao seu redor.

— Vai ter que fazer trabalho pesado.

— Eu faço!

— Custa caro!

— Quanto?

O benzedor deu mais uma olhada do seu redor.

— Uns cinco mil reais…

— Eu pago!

— Daí para mais! — completou o benzedor, ao perceber que o negócio estava para ele.

— Mais quanto?

— Se o filho tirar essa mandinga que tem em cima dele, vai ganhar muito, mas muito dinheiro. Vejo você viajando…

— Longe?

— É, nem longe. Tem que ir de avião?

— Não é a Disneilândia? Minha filha quer que eu a leve para lá nas férias. Se tudo der certo, eu vou levar.

— É isso mesmo! Viagem longa, com a filhinha… Posso ver todo mundo feliz, dando risada, brincando. É, meu filho, tira essa mandinga e sua filhinha não vai esquecer dessa viagem nunca mais na vida!

— Está certo, Pai Nozinho. Vou lhe dar um cheque de cinco mil reais para começar, mas espere uns dias antes de soltá-la. Estou usando o cheque especial e o juro é pesado. Pode ser?

— Não tem problema, filho. Só vou fazer o trabalho na próxima sexta-feira. Eu mando avisar o filho, para ele estar presente. Vai precisar, viu?

— Está certo, Pai Nozinho. Eu estarei lá.

— Vou pedir para o meu boiadeiro que faça um trabalho especial. É o melhor de todos, você vai ver!

— Deixo esses detalhes por sua conta, Pai Nozinho.

— Então confia. E já pode ir tirando os passaportes para a viagem, meu filho.

Satisfeito e empolgado, Salgado se despediu do benzedor, que ficou de lhe dar mais detalhes sobre o trabalho que seria feito na próxima sexta-feira. Se no início estava temeroso, agora estava confiante. Com um benzedor poderoso como Pai Nozinho, ia ser fácil dar de dez a zero na concorrência.

Fechou a porta do seu gabinete, apanhou o telefone e discou. Uma voz feminina delicada e provocante atendeu do outro lado.

— Michele, acho que vou dar a maior tacada da minha vida. Neste final de ano eu arrebento de ganhar dinheiro.

— Que maravilha, meu amor! Então você vai me dar aquele carro que prometeu?

— Claro que sim, meu doce! Pode ir escolhendo a cor.

— Eu já vi um na loja. O vendedor diz que vende em condições.

— Sei, mas não posso dar nada de entrada agora, meu bem. Tenho de começar a vender primeiro…

— Não tem importância. Eles disseram que podem dividir em parcelas. Se for empresa, melhor ainda. Pode fazer um tal de leasing e pagar em vinte e quatro prestações…

— Não sei, o leasing tem juro muito alto, pode ficar difícil pagar as parcelas.

— Bobo! Nem parece que meu docinho é comerciante. Você faz o tal do leasing só para tirar o carro. Quando ganhar o dinheiro, você vai lá e paga, tolinho.

Ele pensou por instantes. Aquela sua amante era terrível, mas tudo valia a pena para contentá-la. Não conseguia entender o que ela vira nele. Uma menina de vinte e cinco anos se apaixonar por um quarentão como ele era uma bênção. Ele se sentia remoçado vinte anos. Ela era exigente, mas como não atender àqueles pedidos, se ela era tão carinhosa e o fazia se sentir tão bem?

Já não vivia bem com sua esposa havia alguns anos. O amor e o romantismo haviam se acabado. Por muitos e muitos anos, Salgado se dedicara ao seu negócio, procurando ganhar dinheiro. Com isso deixara de aproveitar a vida e, agora, sentia que tinha o direito de se dar a esses pequenos luxos.

— Está bem, meu amor! Pode encomendar o carro, então. Hoje à tarde, depois que eu sair daqui, nós vamos até lá buscar. Veja que documentos será preciso e peça ao meu contador. Eu vou ligar para ele e mandar que providencie tudo.

— Oh, Salgado, querido, não sei o que você viu numa garota tão sem graça como eu. Puxa, como eu adoro você! — exclamou Michele, com seu tom de voz mais meigo e doce.

Salgado sorriu, enlevado e enternecido. Era mesmo um homem de sorte. O que mais poderia esperar da vida?

*

Soninha tinha sete anos e freqüentava o primeiro ano de um colégio evangélico, um dos melhores do bairro, onde a educação, além de preparar as crianças para os primeiros anos escolares, preocupava-se também em desenvolvê-las e abrir-lhes a mente para as coisas espirituais.

Além das brincadeiras com as amiguinhas, havia atividades de recreação, alfabetização e leitura. O que ela mais gostava, porém, eram gravuras com cenas bíblicas, coloridas avidamente por suas mãozinhas ainda inseguras, mas criativas. Adorava, também, quando a professora lia trechos da Bíblia, comentando passagens, de um jeito cativante e fácil de entender.

Soninha chamava a atenção pela sua habilidade e sensibilidade na pintura e pela sua esperteza e interesse pelas histórias contadas pelas professoras. Algumas passagens ficaram marcadas em sua mente e ela pedia, sempre que possível, para que lhe fossem repetidas.

— Tia, o que Jesus disse mesmo para os apóstolos que não queriam deixar as crianças se aproximarem dele?

Esta era sua passagem favorita.

— Jesus ficou bravo com eles e disse: deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque delas é o reino de Deus.

A menina tinha seu próprio entendimento daquela passagem e, naquela manhã quente de primavera, resolveu ir além em seus questionamentos.

— Tia, se um dia eu precisar falar com Jesus, não preciso pedir para ninguém, não é mesmo?

— Sim, claro, querida. Basta você abrir seu coração para ele e ele ouvirá e atenderá todos os seus pedidos. Por que você pergunta isso. Tem alguma coisa incomodando você?

— Não, tia. É que meu pai vai me levar na Disneilândia nas férias, mas só se ele vender bastante na loja dele. Acha que posso pedir para Jesus dar uma ajuda para ele?

— Eu acho que Jesus tem coisas mais importantes para fazer do que ajudar alguém a fazer negócios — disse a professora. — Você já pensou, Soninha, se todo comerciante fosse pedir isso para ele? Aí ele não teria tempo para cuidar das criancinhas como você!

Em sua inocência, achou sentido nas palavras da professora. Pensou até que se Jesus fosse agir daquela forma, ajudando a todos os comerciantes, seria melhor que ele mesmo abrisse sua própria loja. Com certeza venderia mais barato e todos poderiam comprar tudo o que precisassem.

Resolveu não pensar mais nisso e pouco depois já estava envolvida numa outra atividade, esquecendo-se da observação da sua professora. A viagem para a Disneilândia estava assegurada, tinha certeza disso. Jesus não a deixaria na mão.

Era uma garota feliz. Tinha tudo que queria. Era amada por seus pais e por seu irmão mais velho. Viajaria para conhecer a Disneilândia e se divertiria muito.

Toda noite, antes de dormir, orava pedindo isso.


 

Capítulo 2

 

“Quando teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher do teu seio, ou teu amigo que te é como a tua alma, te incitar em segredo, dizendo:

Vamos e sirvamos a outros deuses! — deuses que nunca conheceste, nem tu nem teus pais, dentre os deuses dos povos que estão em redor de ti, perto ou longe de ti, desde uma extremidade da terra até a outra, não consentirás com ele, nem o ouvirás, nem o teu olho terá piedade dele, nem o pouparás, nem o esconderás, mas certamente o matarás.

A tua mão será a primeira contra ele para o matar e depois a mão de todo o povo e o apedrejarás, até que morra, pois procurou apartar-te do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. (Dt 6:6-10)

Em sua casa, Michele conversava alegremente com Míriam, sua amiga, contando a grande novidade. Estava muito feliz com o carro que havia ganho de seu amante.

— É certeza mesmo, Michele?

— Garantido! Já falei com o vendedor e com o contador. Vou sair daqui a pouco para apanhar os papéis com ele e levar para a concessionária de automóveis. À tarde eu e o Salgado vamos passar lá para acertar tudo.

— E como você vai explicar esse carro para sua mãe? — quis saber Míriam.

Uma expressão de preocupação desenhou-se no rosto de Michele, enquanto pensava. Era órfã e sua mãe trabalhava fora o dia todo. Imaginava que a garota também trabalhasse durante o dia e estudasse à noite, sem saber que a menina era sustentada por um homem com idade para ser o pai dela.

— Vou ter que contar que comprei. Não está tão difícil assim comprar um carro a prestação. Vou dizer que economizei, que tinha na poupança, qualquer coisa assim.

A expressão no rosto de Míriam se tornou mais inquiridora. Aproximou-se bem da amiga para perguntar;

— E para o Alfredo, o que vai dizer?

O rosto de Michele se tornou sério. Por um instante um brilho de ternura e carinho cintilou, embelezando-a. Depois seu rosto se endureceu.

— Vou dizer a mesma coisa. Tenho que mentir para todo mundo agora, não é mesmo? Mas que se importa? Vou ter meu carro, tenho dinheiro e se tudo der certo, arranco também um apartamento do Salgado.

— Um apartamento?! — surpreendeu-se Míriam.

— Por que esse espanto? Acha que não sou capaz? Sou muito mais eu, menina. Aquele homem está comendo aqui, na palma da minha mão. E tem mais: vou mandar fazer um trabalho contra a mulher dele para ela secar e sumir. Já pensou se ele ficar viúvo? Eu o faço casar comigo fácil, muito fácil mesmo.

— Me conta como. Estou precisando arrumar um Salgado desses na minha vida.

— Não é difícil, boba! Esses coroas andam loucos para provar que não estão velhos. É só encostar neles, fazer uns agradinhos e começar a tomar o dinheiro dos trouxas. Faça com que eles pensem que são os maiores, os conquistadores, os bons. No fundo são ridículos e se gastam todo o dinheiro conosco, merecemos cada centavo. Agüentar esses tipos é difícil, minha amiga. Mas tem suas compensações. Quer ver só? — indagou Michele, apanhando um porta-jóias e abrindo-o sobre a cama.

Anéis, pulseiras, colares e todo tipo de jóias se espalharam. Brilhantes, esmeraldas e rubis cintilaram naquele pequeno tesouro.

— Minha mãe pensa que isso é bijuteria, mas é tudo de verdade. Vale uma nota, minha filha!

— Michele, esse homem é bom demais para você. Não tem remorso de fazer isso com ele?

— Remorso? Que remorso, que nada, querida. Estou na minha. E ele ainda vai abrir mais a mão ainda. Encomendei um trabalho com a Pomba Gira. É para a mulher dele. Os dois já andam meio separados mesmo. Espere só para ver.

Mexendo nas jóias, Míriam encontrou uma fotografia. Olhou-a. Era o rosto sorridente e honesto de Alfredo, um rapaz que gostava muito de Michele. Ficou olhando por algum tempo e, quando levantou os olhos para a amiga, percebeu que os dela estavam marejados. Por trás de toda aquela frieza e de toda aquela determinação, Michele ainda conservava alguma pureza de sentimentos.

— Você ainda gosta muito dele, não é? — perguntou Míriam.

— Sim, gosto muito. Imagine o que o bobo fez esses dias — comentou, enxugando disfarçadamente os olhos.

— O que foi? — quis saber Míriam.

— Disse que orou por mim na igreja. Que participou de uma corrente pela minha felicidade. Pode uma coisa dessas?

— Você é uma pessoa de sorte, Michele — comentou Míriam. — Tem dois homens maravilhosos em sua vida.

— Pouco com Deus é muito, muito sem Deus é nada! — murmurou Michele, com o olhar distante.

— O que foi? — perguntou Míriam.

— Nada, bobagem minha! O Alfredo é um bom rapaz, bom demais para mim. Honesto, trabalhador, cristão, mas pobre, Míriam. E eu não quero ser pobre o resto de minha vida. Olhe para mim. Sou bonita, não sou? Tenho de usar isso, é a única mercadoria que tenho para negociar os favores de que preciso para subir na vida.

— Esses dias atrás o Alfredo me disse uma passagem interessante da Bíblia — lembrou-se Míriam.

— É? E qual foi?

— Está em Tiago 1:11 e diz assim: “O sol se levanta em seu ardor e faz secar a erva; a sua flor cai e a beleza do seu aspecto perece. Assim murchará também o rico em seus caminhos.”

— E o que isso quer dizer?

— Que a beleza como a riqueza são vazias e frágeis. Acho que foi isso que ele disse.

— O Alfredo não entende nada dessas coisas. Fica mexendo muito com esse negócio de igreja e esquece das coisas mais importantes.

— E que coisas são mais importantes que o trabalho dele na igreja?

— Eu, por exemplo!

— Você não sabe o que está dizendo, Michele. Acha que o Alfredo é ingênuo, que não sabe o que está acontecendo?

— Só se você contou…

— Eu jamais contaria seu segredo, Michele, mas o Alfredo é inteligente e sincero. Já deve ter percebido como você mudou. Ao invés de criticar você, de procurá-la e xingá-la, sabe o que ele faz? — indagou Míriam, olhando a amiga frente a frente.

Por algum tempo, Michele conseguiu sustentar o olhar. Depois de algum tempo, porém, abaixou o rosto. Lágrimas começaram a pingar na fotografia sorridente de Alfredo.

*

Úrsula ficou no portão da escola, quando as aulas terminaram. Os outros alunos foram passando, enquanto ela olhava com atenção para os carros que se aproximavam. De repente, seu semblante se alegrou e ela correu para o meio-fio. Pouco depois um carro novo encostava e ela entrava alegremente.

Beijou o rapaz que estava no volante, depois respirou fundo, olhando ao seu redor. As amiguinhas na calçada olhavam com inveja para ela. Isso a fazia se sentir muito bem.

— E como vai a minha gatinha hoje? — indagou Rodrigo, com sua voz mais melosa.

Era um rapaz de vinte e cinco anos, boa pinta, com a camisa aberta no peito, exibindo uma corrente grossa de ouro, onde pendia um amuleto do Exu Caveira, de quem se dizia protegido.

— Ele me protege de faca, de bala, de soco, de chute, de qualquer tipo de agressão — costumava dizer.

— Hoje, quando eu vinha para a escola, passei na frente daquela loja de roupas. Tinha uns biquínis maravilhosos na vitrine. Vou pedir dinheiro para a Maria para comprar um.

— Se você quiser, eu posso dar um jeito de você ganhar seu próprio dinheiro — disse ele, com desinteresse.

— Verdade? Muito dinheiro?

— Bastante!

— Para fazer o quê?

Ele sorriu.

— Não é para vender meus bagulhos, que nisso não quero você envolvida. É um outro lance legal. Sabia que uma menina como você, com esses dezesseis aninhos lindos que tem, pode ganhar muito dinheiro… Principalmente se for virgem?

— Você sabe que eu sou virgem, Rodrigo. Jamais deixei você avançar o sinal.

— Eu sei disso, minha gatinha, e sempre respeitei você. Só que acho isso uma bobagem, sabia? Uma grande bobagem. O verdadeiro amor não está numa coisinha dessas, mas aqui, no peito, no coração da gente — disse ele, batendo com o punho fechado sobre seu amuleto.

A garota o olhou com admiração, mas com um certo receio também.

— Eu gosto muito de você, Rodrigo, mas tenho muito medo das coisas que você faz.

— E o que eu faço?

— Esse negócio de drogas, de armas, isso tudo.

Ele riu, retirando a carteira do bolso. Abriu-a e despejou um monte de cédulas de cem reais no colo da menina.

— Esse é o meu negócio, Úrsula. Pegue, é tudo seu. Compre o biquíni e fique bem bonita para mim. Quando chegar o verão, vou levar você à praia. Tenho um apartamento lá, sabia?

— Sério? Nunca me falou disso — falou ela, recolhendo com deslumbramento as notas que ele jogara em seu colo.

— Tenho tantas coisas que nem me lembro de contar sobre todas elas. Você saberá com o tempo.

— Puxa, gostaria de ter tanto dinheiro assim! — suspirou ela, começando a contar as notas.

— E pode, se quiser!

Ela parou de contar e levantou os olhos lentamente para ele.

— Como?

Ele a olhou no fundo dos olhos, sondando-a. Sabia que já tinha domínio sobre ela. O importante era não forçar demais a situação. Úrsula era muito valiosa para ele, àquelas alturas. Era, em sua opinião, a mercadoria mais cara que ele tinha para vender. E saberia vendê-la com um lucro excelente.

— Ah, esquece isso, minha gatinha! Já tem o dinheiro para comprar o biquíni. Não precisa se preocupar. E vou dizer o que nós vamos fazer. Vou levá-la àquela churrascaria que você gosta para almoçar. Depois vamos ao cinema, o que acha?

— Preciso avisar em casa e…

— Tome, ligue para sua irmã no meu celular — disse ele, passando o aparelho para ela. — Se quiser, pode ligar também para suas amiguinhas, enquanto a gente vai para a churrascaria.

— Verdade? Não fica muito caro para você depois?

— Nada é caro demais para a minha gatinha — sorriu ele, fazendo um carinho no rosto dela.

Úrsula segurou a mão dele e levou-a aos lábios, beijando-a inocentemente. Longe de enternecer o coração endurecido do traficante, aquele beijo apenas confirmou o acerto de sua escolha. Úrsula iria lhe render um bom dinheiro.

*

Miguel Salgado era o filho mais velho do casal e, apesar do xodó que todos tinham por Soninha, a caçula, ele era muito querido pelos pais e também pela irmã. Ajuizado, inteligente e estudioso, apesar dos seus quinze anos estava sempre atento a tudo que se referia a seus entes queridos, como se fosse o anjo protetor de todos eles.

Nos últimos dias vinha notando, com preocupação, que o semblante de sua mão andava muito sério e tenso. Como a conhecia bem, sentia a falta daqueles sorrisos carinhosos e daqueles olhares cheios de bondade e amor. O que via, eram olhos vermelhos e lacrimejantes.

Estava tentando descobrir uma forma de se aproximar dela e tentar fazer com que ela falasse. Ouvira-a ao telefone algumas vezes naquela semana, conversando com o médico dela. Eram conversas entrecortadas, como se fosse difícil para ela falar com ele.

Dentro de si tinha uma grande preocupação. Juntando tudo que havia observado, desde as conversas com o médico até aqueles remédios com tarja preta que ela escondia em sua penteadeira, podia deduzir que sua mãe estava doente. Mas o que seria que nem ao marido ela havia contado?

Passou a observá-la mais de perto. Reparou, então, que as roupas que a mão usava estavam mais folgadas. Sua mãe havia emagrecido alguns quilos. Começava a perceber isso inclusive no rosto dela. Além disso, perdia muito cabelo.

Naquela tarde, quando foi à loja, tentou falar com o pai a respeito do assunto.

— Doente? Sua mãe? Que nada, meu filho! Deve ser aqueles remédios para emagrecer que ela anda tomando. Está querendo voltar a ser uma menininha, não percebe como isso é ridículo.

— Eu não sei, pai, acho que é mais do que isso.

— Está certo, filho, eu vou falar com ela hoje à noite. Agora tenho trabalho. Está acabando de chegar um grande estoque para a loja. Se tudo der certo, vamos ficar ricos, meu filho. Agora deixa o papai ir trabalhar, está bem?

O garoto viu seu pai se dirigir aos fundos da loja, onde ficava o depósito. Foi até a porta e ficou olhando o movimento da rua. Nas outras lojas, a decoração de natal também havia sido instalada, criando conjunto feérico e chamativo.

Maria se aproximou, olhando-o.

— O que foi, Miguel? Parece preocupado, meu anjo?

Ele tentou sorrir. Maria era a única que o tratava de anjo e ele gostava daquilo. Dizia que seu nome era o nome de um Anjo.

— Está em Apocalipse 12:7-8: “Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu” — explicara ela para o rapaz. — Sabe o que isso significa? Que Miguel é um grande anjo, chefiando muitos outros anjos e que juntos enfrentaram o diabo, vencendo-o.

Maria passou o braço pelos ombros do rapazinho e balançou-o, animando-o.

— Vamos lá, meu anjo, o que está acontecendo com você? — insistiu ela.

— Puxa, Maria, você me conhece só de me ver, não é mesmo?

— É porque gosto muito de você, Miguel. Agora me conta o que tanto o preocupa.

— É a minha mãe. Acho que ela está doente. E acho que é doença séria — disse ele.

— Como sabe?

— Está emagrecendo, o cabelo dela está caindo e ela anda tomando este remédio aqui — disse ele, exibindo uma bula que havia retirado da caixinha, na penteadeira da mãe.

Ao ver o nome do remédio, um arrepio percorreu o corpo de Maria. Conhecia aquele nome. Seu pai tomara muitos vidros daquele remédio, antes de morrer de uma doença terrível: câncer.

Apanhou o papel das mãos de Miguel, dobrou-o e guardou-o no seu bolso.

— Não precisa se preocupar, Miguel. Vou levar comigo esta bula e vou pedir ao meu pastor para incluir o nome de sua mãe na nossa próxima corrente da saúde. Seria ótimo se ela pudesse ir à igreja e participar, mas vou tentar ajudá-la.

— Verdade mesmo, Maria? Olhe, se for mesmo preciso, eu a levo até a igreja. Amo demais minha mãe e não quero vê-la sofrendo.

— Então fale com ela. Na próxima sexta-feira vamos ter um culto especial, pela saúde dos enfermos. Se puder levá-la será ótimo!

— Obrigado, Maria! Você me deixou mais tranqüilo agora — falou o rapaz, despedindo-se da amiga e voltando para casa.

Procurou pela mãe, que estava deitada. Ao vê-la no leito, na penumbra do quarto, teve certeza de que ela estava mesmo doente. Aproximou-se lentamente.

— Está tudo bem, mãezinha? — indagou, sentando-se na beirada da cama.

— Sim, filhinho. Mamãe estava cansada e resolveu deitar um pouco — disse ela, abrindo os braços.

O menino se aninhou nos braços dela, abraçando-a também. Ficou ali, trêmulo, sentindo uma angústia interior muito grande.

— Mamãe, se eu pedir uma coisa, você faz para mim?

— Claro, meu filho. Você sabe que eu faço qualquer coisa por vocês.

— Você conhece a Maria, não é?

— A empregada da loja?

— Essa mesmo.

— Claro que conheço, filho.

— Ela nos convidou para ir à igreja dela e eu fiquei com vontade de ir. Você me leva? Eu prometi para ela que iria.

A mãe ficou surpresa.

— Mas a Maria freqüenta uma igreja evangélica, que eu sei. Nós somos de outra doutrina…

— Tudo é cristianismo, mãe. Eles acreditam em Cristo e nós também, não é? Não fará mal algum, nem será nenhum pecado.

A mulher pensou por alguns instantes.

— Vou pensar no assunto. Se eu estiver boa, talvez eu vá.

O garoto remoeu por alguns instantes a pergunta que trazia guardada.

— Mãe, você está doente? — indagou, afinal.

Ela demorou um pouco para responder.

— Sim, mas não é grave. Vai passar.

No tom de voz dela ele sentiu a insegurança. O medo se tornou maior dentro dele. Apertou com força os braços ao redor do corpo da mãe e sufocou o soluço que ameaçava brotar de seu peito.

De seus olhos inocentes, no entanto, lágrimas mornas de dor brotaram e rolaram sem que ele pudesse impedí-las.


 

Capítulo 3

 

 

“Que proveito traz a imagem esculpida, tendo-a esculpido o seu artífice, e a imagem de fundição, que ensina a mentira? Pois o artífice confia na sua própria obra, quando forma ídolos mudos.

Ai daquele que diz ao pau:

— Acorda!

E à pedra muda:

— Desperta!

Pode isso ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata e dentro dele não há espírito algum, mas o Senhor está no seu santo templo. Cale-se diante dele toda a terra.” (Hb 2:18-20)

Sexta-feira, próximo da meia-noite. José Salgado chegou com seu carro no terreiro de Pai Nozinho, onde seria feito o trabalho. Trouxe uma porção de coisas consigo, compradas numa casa especializada, sem contar com aquelas que o benzedor compraria, com o dinheiro adiantado.

Além disso, seguindo instruções que o homem lhe dera naquela tarde, trouxera cinco mil reais num maço de notas novas, trocadas no banco, para ofertar à entidade que faria o serviço de limpeza de todos os empecilhos que estorvavam o seu caminho.

O telefonema naquela tarde fora bem assustador:

— Meu filho, estive consultando os búzios e a coisa está feia para você. Se não fizer um trabalho de primeira, vai perder tudo que tem. Os negócios vai dar para trás. O trabalho que foi feito aí é coisa muito poderosa mesmo. Vamos ter que recorrer ao Exu Caveira para remover os empecilhos. Com esse não tem acordo. O que tiver pela frente ele desmancha.

— Mas quem fez isso comigo, Pai Nozinho?

— Concorrente, meu filho. Concorrente seu. Pessoa de sua simpatia, mas gente má, perversa.

Salgado pensou por instantes.

— Ah, se eu pudesse dar o troco!

— E pode! Quando se lida com o Exu Caveira, é preciso ir fundo no trabalho. Vou lhe dar uma lista de coisas que vai ter que me trazer. Além disso, vou precisar de mais cinco mil reais, tudo em notas novas, tirada do Banco, embrulhadas num pedaço de seda vermelha e amarrada com uma fita da mesma cor. Não esqueça: tem que ser nota nova e tem que estar embrulhada no pano, porque o Exu Caveira não põe a mão direto no dinheiro.

— Pode deixar, Pai Nozinho. Eu faço tudo direitinho.

Salgado anotou em seguida a relação de materiais que teria de levar, depois desligou o telefone. Ficou pensando, muito preocupado com a situação. Havia gastado todo o seu cheque especial e, agora, não sabia como arrumar cinco mil reais em dinheiro vivo.

Poderia fazer um empréstimo, mas o crédito de sua firma estava esgotado. Tivera de descontar umas duplicatas frias para dar de entrada na compra do carro de sua jovem amante.

Lembrou-se, então, de um amigo agiota. Ligou para ele.

— Souza, seu malandro, como vai essa força? — cumprimentou-o o outro.

— Pois é, Salgado, vou indo. E você? Essa loja para que não pára de crescer?

— E não pára mesmo, rapaz. Investi um bom dinheiro no estoque. Com o Plano Real, é certeza que vamos ter boas vendas neste final de ano. O pessoal vai comprar como nunca.

— Isso é muito bom. Mas o que eu posso fazer pelo amigo?

— Você ainda troca aqueles chequinhos para os amigos?

— Se for para amigos como você, a toda hora, quando você quiser. O que é que você precisa?

— Preciso de uns dez mil… Não, dez mil não. Com cinco mil limpo eu resolvo o problema, porque tenho um dinheiro para receber até o final do mês — argumentou Salgado, fingindo que não estava tão apertado quanto parecia.

— Sem problema, Salgado. Você comigo tem crédito. Como quer fazer? Você vem aqui ou quer que eu passe por ai?

— Na verdade, se for possível, eu passo aí, porque logo vai fechar o Banco e eu preciso fazer o depósito…

— Então estou esperando.

— Falando nisso, que juro você está cobrando?

— Para os amigos como você, quatorze por cento.

Salgado sentiu um golpe no estômago. Quatorze por cento de juros, numa economia estabilizada, não era apenas um roubo: era um crime. Engoliu seco. Aquilo significava setecentos reais de juros num só mês.

— Tudo isso, Moura? — protestou, desejando negociar.

— Pois é, rapaz, os Bancos não estão emprestando e o pessoal está procurando a gente. Aliás, para poder emprestar para você, que é meu amigo, vou ter que deixar de atender um sujeito aí que me pediu. Veja só como você é importante.

Salgado hesitou. Quatorze por cento, para ele, que era um comerciante, significava um custo muito alto.

— Alfredo, vou fazer o caixa aqui e ligo em meia hora, está bem?

— Olha, Salgado, posso lhe dar uns dez minutos para pensar, pois se você não quiser, tenho para quem passar agora mesmo — disse o outro.

— Certo, certo! Em dez minutos então! — concordou Salgado, desligando.

Parou e ficou pensando. De um lado, todo um investimento feito na loja, esperando pelo sucesso das vendas. Poderia ficar rico! Milionário! Estava com a faca e o queijo na mão, mas não podia ceder a uma chantagem, a uma extorsão como aquela, de pagar quatorze por cento de juros.

Pela porta de seu escritório viu sua empregada preferida, a Maria, circulando pela loja, sempre muito atenciosa e muito carinhosa com todos. Aquela menina sempre lhe dizia coisas boas, coisas bonitas, alertando-o para fugir das mentiras e das enganações do diabo, atento a todos aqueles que vacilam em sua fé ou que não tem fé.

O telefone tocou. Atendeu. Era Soninha, sua filhinha querida, que falou soluçando ao telefone:

— Paizinho, é verdade que não vou poder ir à Disneilândia?

— Filhinha, o que está acontecendo? Por que você está chorando?

— É que eu quero ir na Disneilândia!

— E você vai! O papai já não falou que você vai?

— Mas a Aline, aquela boba, disse que é mentira, que você não tem dinheiro para me mandar para a Disneilândia, que o pai dela falou para ela…

Salgado mordeu os lábios para não falar um palavrão. O pai de Aline era nada menos que o gerente do Banco onde o comerciante mantinha suas contas bancárias.

— Aline é mentirosa, minha filha! Pode falar isso para ela. O papai disse que você vai para a Disneilândia, então você vai para a Disneilândia. Em quem você acredita mais, no papai ou na Aline?

— Em você — falou a menina, ainda soluçando.

— Então pare de chorar e mande um beijo para o papai.

— Está bom, paizinho! Um beijo para você! — disse ela, estalando ao telefone um beijo carinhoso.

Salgado desligou, sentindo o coração apertado. Não podia decepcionar sua filha. Com um pouquinho de sorte, tudo daria certo. Venderia como nunca e teria muita sorte. Tinha de confiar em si mesmo. Estava fazendo tudo certo. Não tinha como errar.

Ligou de novo para o amigo agiota.

— Moura, sou eu! Vou passar por aí!

— Puxa vida, Salgado! Não sei como lhe contar isso agora — disse o outro, fazendo seu papel.

Vivia do desespero alheio. A agiotagem sempre foi a arte dos canalhas e Moura era o maior dos canalhas. Percebera que seu amigo Salgado não tinha outra alternativa. Assim, resolveu jogar pesado com ele.

— O que aconteceu, Moura? — quis saber Salgado, preocupado.

— Eu tinha prometido para um outro amigo emprestar um dinheiro, garanti e ele está aqui, na minha frente, para trocar uns cheques que ele tem. Ofereceu-me pagar dezoito por cento de juros. Não tenho como recusar, até porque ele estava na frente…

Salgado desesperou-se. Precisava daquele dinheiro. Agiu impulsivamente, então:

— Eu pago vinte por cento, Moura!

Do outro lado da linha, sozinho em sua sala, Moura sorriu, satisfeito. Aquela brincadeira o fizera ganhar mais trezentos reais.

— Só um instantinho, Salgado. Vou ver como o meu amigo fica nessa parada agora.

Salgado torceu e rezou para todos os santos que conhecia, prometendo velas e fitas para todos eles.

— Ele desistiu, Salgado, O dinheiro é seu. Passe aqui agora mesmo que o dinheiro vai estar disponível.

— Então me faz o seguinte, Moura. Como você está aí perto do banco, troque tudo em notas novas para mim.

— Notas novas? Isso me parece coisa de trabalho para o Exu Caveira — brincou Moura.

Salgado riu forçadamente.

— Não, não é nada disso. É uma brincadeira que vou fazer com uma pessoa — descartou.

— Tudo bem, Salgado. Então é só passar aqui e me trazer um cheque de seis mil, duzentos e cinqüenta reais e…

— Espere aí, Salgado! Por que seis mil, duzentos e cinqüenta reais, se o empréstimo é de cinco mil?

— Puxa, Salgado! Você não sabe como essas coisas funcionam? Coloque aí na sua calculadora o valor de seis mil, duzentos e cinqüenta reais!

— Certo, coloquei! — obedeceu Salgado, sem entender.

— Aplique vinte por cento em cima!

— Certo, dá um mil, duzentos e cinqüenta!

— Diminua de seis mil, duzentos e cinqüenta! Não dá os cinco mil?

— Sim, mas se você analisar que estou pegando cinco mil e pagando mil, duzentos e cinqüenta de juros, na realidade, a taxa que você está usando é de vinte e cinco por cento!

— Salgado, meu amigo, até parece que você nunca trabalhou com Banco. Se for fazer um empréstimo no Banco, é assim que eles calculam. Além disso, não estou forçando você a fazer o empréstimo. Se quiser está a disposição, se não quiser, empresto ao meu amigo, que ainda está aqui, na minha frente.

Salgado percebeu a armadilha em que estava entrando, mas não podia decepcionar a filhinha. Além disso, não podia nadar tanto e morrer na praia. Estava com um estoque bom. As perspectivas de vendas eram excelentes. Conseguira exclusividade do fabricante e poderia vender num preço competitivo. O que poderia dar errado?

— Está certo, Moura. Vou passar aí daqui a pouco! — resignou-se ele, apanhando o talão de cheque.

*

Nas sextas-feiras, os terreiros ficavam lotados. Michele acompanhava o som dos atabaques e os passos daquela dança cadenciada no meio do salão. No centro, uma mulher, vestida de vermelho, com lenços, colares, anéis e um véu escuro diante do rosto, ria e dançava mais rápido do que as outras. Era a Pomba Gira, gargalhando como se estivesse embriagada.

O som dos tambores foi aumentando. O ritmo foi se tornando mais rápido até que, finalmente, cessasse de repente. A mulher que incorporaria a Pomba Gira caiu de joelhos, com a cabeça apoiada sobre os braços, no assoalho. Ficou por instantes imóveis, depois começou a gargalhar, erguendo-se.

Sua voz era estranha, totalmente diferente da voz da mulher que dançava. Seu riso era histérico e assustador. Ela foi se sentar uma espécie de trono. Mulheres, em fila, aproximavam-se e ajoelhavam-se diante dela.

Quando chegou a vez de Michele, ela fez o mesmo. Embrulhadas num lencinho de seda, ela trazia algumas notas de cem reais. Era o preço do trabalho que pediria.

— E o que a minha filha quer? — indagou a Pomba Gira, como voz zombeteira.

— Quero que a mulher do meu amante seque e morra, para ele ficar comigo.

A Pomba Gira deu um gargalhada.

— Trabalho caro!

— O dinheiro está aqui! — disse, estendendo o lencinho.

— Pomba Gira não pega em dinheiro!

Imediatamente uma das mulheres que prestavam assistência ao lado apanhou o lencinho e conferiu o dinheiro.

— Está certo! — garantiu.

— Então minha filha pode ficar sossegada que o trabalho vai ser feito. Ela vai secar e morrer. Trouxe uma fotografia dela?

— Sim, é esta aqui! — falou, entregando uma foto que roubara da carteira de Salgado, na noite anterior, quando lhe tirara também o dinheiro para o trabalho.

— Essa já tá seca e morta. Se prepara para o casório. E não esqueça de me convidar — falou a Pomba Gira, com voz zombeteira. — Mais alguma coisa, minha filha?

— Sim, eu queria ganhar um apartamento do meu amante.

— Ih, é trabalho pesado. Vai precisar gastar muito. Se pedir, eu faço, mas vai custar caro.

— Quanto?

— A Pomba Gira não mexe com esse negócio de dinheiro. Fale aí com ela e combina tudo. Agora chega! Minha filha já pediu muito.

Michele fez uma reverência e se afastou, seguida por uma das assistentes da Pomba Gira.

— Quanto vai custar o trabalho? — indagou a jovem.

— Mil e quinhentos. Tem que trazer o mais breve possível, para aproveitar que a Pomba Gira gostou de você e quer ajudar. Traz também uma fotografia dele, uma cueca, uma meia e um lenço usados por ele.

— Eu já tenho tudo isso.

— Então é só trazer. Coloque o dinheiro num porta-jóia, daqueles que tocam musiquinha e embrulha com papel vermelho. Amarre com uma fita amarela. Coloque junto com as roupas num saquinho de papel e entrega para a Pomba Gira, quando vier. Mas não deixe passar muitos dias. Quando mais cedo, melhor.

Michele concordou, agradeceu e saiu. Míriam, sua amiga, a esperava lá fora. Não agradava o caminho que a amiga vinha tomando. Apesar das roupas, das jóias, do dinheiro e do carro, Michele não demonstrava ser uma pessoa feliz. Parecia possuía pelo espírito da ambição e da maldade.

Enquanto Michele dirigia o carro, satisfeita por ter seus planos encaminhados, Míriam sondava a amiga, sem coragem para dizer o que gostaria de lhe dizer.

— O que foi, Míriam? Por que está tão quieta assim?

— Você é louca, Michele!

— Louca? Louca por quê?

— Mexendo com essas coisas do diabo!

Michele deu uma gargalhada, zombando da amiga. Míriam abaixou a cabeça, entristecida. Sua amiga mudara muito. Era uma jovem tão cheia de vida, tão cheia de planos. Não entendia como aquilo havia acontecido.

— Escreve uma coisa que vou lhe dizer — falou Michele. — Não dou trinta dias e o Salgado vai me dar o apartamento.

— Como pode ter tanta certeza disso?

— Falei com a Pomba Gira. Já está tudo certo. Tenho que arrumar um dinheirinho, mas isso não é problema. Tomo do Salgado.

Míriam ficou calada mais um pouco. Estava realmente incomodada com tudo aquilo que a amiga vinha fazendo e com o que ela vinha se envolvendo. Pensou no Alfredo, um rapaz tão bom, que gostava tanto dela.

— Encontrei o Alfredo hoje — comentou.

O rosto de Michele se transformou. Bastava falar no Alfredo para isso acontecer. O rapaz tinha algo que tocava profundamente. Isso durou pouco tempo, porém. Seu rosto demonstrou desprezo e orgulho.

— O Alfredo é um pobre! Não quero me casar com um pobre e ser pobre o resto da vida. Acho que mereço um pouco mais. Sou jovem, sou bonita e quero aproveitar a vida.

Míriam fingiu não ter ouvido. Esperou um pouco, antes de falar de novo.

— Ele disse que iria orar por você no culto desta noite!

— Alfredo, Alfredo, Alfredo! Para de falar nele, Míriam. Não quero pensar nele, não quero falar nele, aliás, não quero nem saber dele. E essa conversa já me aborreceu. Tenho que deixar você em casa em ir esperar o Salgado. Depois vou para um boteco encher a cara de uísque e cerveja.

Míriam olhou a amiga com os cantos dos olhos. Em momentos como aquele, simplesmente não a reconhecia. Era como se um demônio, ou mesmo uma legião dele, falassem pelos lábios de sua amiga. Ficou arrependida de tê-la acompanhado até aquele lugar. Deveria ter ido orar por ela também. Era disso que Michele precisava.

— É melhor mesmo você me deixar em casa, Michele. Aquele lugar me deixou deprimida e triste.

— Pois eu fiquei muito contente. Já ganhei um carro e vou ganhar um apartamento — arrematou Michele , dando de ombros.

Ficaram em silêncio o resto do caminho. Michele ligou o toca-fitas de seu carro, ouvindo um som em alto volume, requebrando e dançando em seu assento.

Quando chegaram na casa de Míriam, por coincidência Alfredo ia passando na rua. Ao vê-las, aproximou-se. Michele empalideceu. Todo o seu corpo estremeceu e ficou inquieta. Míriam percebeu isso. A presença dele era muito forte e mexia com ela. Toda a calma e a fé que ele trazia no seu coração incomodavam alguma coisa nela.

— Eu não vou nem falar com ele! — falou Michele, acelerando o carro e arrancando, assim que Míriam desceu.


 

Capítulo 4

 

 

“Ó filho do Diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os caminhos retos do Senhor?” (At 13:10)

Alfredo acompanhou Míriam até o portão da casa da amiga. Estava intrigado com o comportamento de Michele, saindo daquela forma. Gostava dela e lhe doía o coração perceber o que ela estava fazendo. Sabia que, bonita como era, com certeza se revoltava por desejar mais da vida e ela lhe oferecer tão pouco, no ponto de vista dela. Para ele, Michele tinha muito mais a agradecer do que a cobrar. Tinha beleza, tinha saúde, podia estudar e, mesmo vindo de uma família humilde, tinha inteligência o bastante para prosperar por seus méritos, com a graça de Deus.

— Se eu lhe contar onde fui agora com a Michele, você não vai acreditar — disse Míriam, constrangida. — Eu me sinto péssima por não ter conseguido convencer minha amiga a não fazer isso. Só que você conhece o gênio dela, não?

— Quando a Michele põe uma coisa na cabeça, não adianta mesmo. Ela anda tão estranha. Tenho certeza que você foi com ela naquela sucursal do inferno onde ela gosta de ir, não?

— Sim, lá mesmo. Que lugar horrível, Alfredo. Eu me senti muito mal mesmo.

— Vamos ter de orar muito por nossa amiga, se quisermos salvá-la. Que acha de fazermos uma corrente de oração para ela? — sugeriu Alfredo.

— Eu estava mesmo para lhe propor isso. Eu aceito. Vamos falar com o restante de nossos amigos e tratar disso o mais depressa possível.

Alfredo se despediu de Míriam e foi para casa. Moravam todos no mesmo bairro e freqüentavam a mesma igreja. Ele se lembrava de um tempo não muito distante, quando Michele os acompanhava e era uma das mais atuantes do grupo. Não podia entender como ela se deixara iludir pelo brilho de uma vida de facilidades e pecado.

Quando chegou a sua casa, a primeira coisa que fez fazer uma oração por Michele e depois abrir sua Bíblia ao acaso, em busca de uma orientação para poder ajudar ainda mais aquela garota de quem ele gostava muito.

A resposta lhe veio em 1Pe 5:5-11.

“Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos! Cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes!

Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte! Lançai sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós!

Sede sóbrios, vigiai! O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão e procurando a quem possa tragar. Resisti a ele, firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão-se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo!

O Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer.

A Ele seja o domínio para todo o sempre. Amém.”

Tudo o que precisava saber estava ali, naquela mensagem clara e insofismável e isso era algo que sempre o maravilhava, quando lia a Palavra de Deus. Ali encontrava as respostas para suas dúvidas e questionamentos. Em momento algum se sentia perdido ou desorientado, pois desde que recebera Jesus em seu coração, convivendo com ele a todos os momentos, tornando-O parte inseparável de sua vida, jamais se sentira desamparado.

Para aquele momento, o caminho a seguir estava ali, naquele trecho da Palavra. O pastor, mais velho e mais sábio, iria orientá-lo corretamente, na melhor maneira de salvar Michele daquele caminho de perdição que ela estava trilhando. Deus Pai saberia fazê-la voltar à humildade, deixando de lado toda a soberba e todo o convencimento. A fé que havia nela tinha de ser resgatada, para que, fortalecida pelas orações e pelo apoio de seus irmãos em Cristo ela pudesse enfrentar e vencer o diabo de uma vez por todas.

Decidiu que, no dia seguinte, logo pela manhã, procuraria o Pastor Messias, líder de sua igreja. Juntos encontrariam uma forma de resgatar aquela pobre alma para Cristo, devolvendo a ela a fé e a humildade.

*

Chegou, finalmente, o momento de Salgado ser recebido pelo Exu Caveira. Numa sala enfumaçada e na penumbra, recendendo a cachaça e fumaça de charuto, ele foi recebido por Pai Nozinho, que o levou até um trono enfeitado com fitas e tecido vermelhos. Ali, todo vestido de preto, com uma batina que ia até o chão, uma máscara, por onde só se viam os olhos e a abertura da boca, e um gorro pontudo, estava a temível entidade, responsável por tantos males.

Pai Nozinho fez Salgado se ajoelhar diante do Exu Caveira.

— O dinheiro! — avisou.

Salgado estendeu o pacotinho, embrulhado em vermelho, e um dos assistentes o apanhou rapidamente.

— O filho nem precisa dizer nada. Já vi tudo na vida dele — falou o Exu, com uma voz rouca e zombeteira, bebendo mais um gole de aguardente, direto no gargalo do litro. — Tranca-Rua, aquele safado, está atormentando sua vida, mas eu cuido dele. É cupincha meu e não atrapalha mais. Mas tem coisa mais forte na parada e eu vou limpar tudinho da sua vida. Tudo vai dar certo, nos negócios e no amor. O filho tem problema nos negócios, não tem?

— Pois é, comprei um estoque grande e preciso vender, senão vou quebrar — explicou Salgado, intimidado.

— Concorrente não vai passar por cima de filho meu. Vou proteger você. Vai vender como nunca. Todo mundo vai pagar direitinho e o meu filho vai ficar mais rico. E o negócio do amor, como é que é?

— Pois é, seu Exu, é uma menininha aí, novinha, que eu arrumei. É linda, coisinha fina e…

— O filho não precisa explicar nada para mim. Eu sei tudo. Sei dela direitinho. Ela gosta muito de você e vai ficar tudo bem. Vou cuidar desse romance. Ninguém se intromete. Pode ficar tranqüilo — assegurou o Exu, tomando mais um gole de cachaça.

Depois baforando seu charuto, assoprou a fumaça fétida para cima de Salgado. Só então ele reparou que o assento do trono onde se assentava a entidade era todo feito de pregos pontudos.

Isso o fez respeitar ainda mais aquele ser poderoso que tinha diante de si.

Saiu dali pouco mais tarde fedendo a cachaça e charuto, mas estava tranqüilo. Fizera todo o possível e o impossível para acertar de uma vez por todas a sua vida. Agora era só esperar e deixar acontecer.

Quando voltou para casa, seu filho, Miguel, o esperava.

— Preciso falar com você, pai. É assunto sério!

— Tem que ser hoje? Ando tão cansado, meu filho. Agora mesmo preciso tomar um banho e ir participar de uma reunião ainda.

— Tão tarde assim, pai? — indagou Miguel, desconfiado.

— Para você ver, Miguel. Não tenho mesmo sossego. Mas o que você tem para conversar comigo?

— É mamãe, estou cada vez mais preocupado com a saúde dela.

— Miguel, meu filho, você se preocupa à toa. Está tudo bem com a saúde dela. Não se preocupe. Vai passar logo. Agora deixa o papai ir tomar um banho, porque vou ter que sair — despediu-se Salgado, deixando o menino preocupado atrás de si.

Tinha de se apressar. Havia combinado se encontrar com Michele num motel, onde passariam a noite. A garota estava muito feliz com o carro que ganhara e com certeza iria transformar essa gratidão em muitos carinhos.

Entrou no quarto silenciosamente. Sua esposa dormia. Acendeu a luz do banheiro e ficou olhando para ela. Estava mesmo muito magra, com o rosto encovado e os cabelos ralos. Embora isso lhe causasse certo sofrimento, esforçou-se ao máximo para não se deixar afetar.

Sabia o que estava acontecendo com ela. Sabia que um câncer a corroía por dentro e que tudo era questão de tempo. Ela morreria em breve, por isso havia decidido ignorá-la e tratar de sua vida. Michele era importante para ele, naquele momento, pois o ajudava a fugir desse problema.

Para Salgado, mesmo se tornando um novo problema em sua vida, a garota era uma forma de encontrar forças para superar seus dramas interiores. Mal sabia ele, porém, que isso o estava levando cada vez mais fundo no poço das iniqüidades.

Entrou no banheiro e trancou a porta. Apanhou seu aparelho de barbear para escanhoar-se com cuidado. Enquanto fazia isso, olhando-se no espelho, sentiu-se incomodado. Era como se alguém estivesse ali, com ele. Alguém perverso, de coração duro e alma corrompida.

Olhou ao redor, assustado. Seu corpo todo se arrepiou e, de algum ponto que ele não conseguiu identificar, veio uma gargalhada sinistra que ficou ecoando nos azulejos.

Ele voltou a se olhar no espelho e, por um breve instante, em lugar de seu rosto ele viu a máscara horrenda do Exu Caveira. O susto foi grande que ele deslizou o barbeador no rosto, cortando-se.

Ficou imóvel, olhando o espelho. Seu rosto surgiu em lugar da máscara e um filete de sangue marcava uma das faces. Benzeu-se, persignando-se sete vezes, conforme uma simpatia que lhe fora ensinada pelo Pai Nozinho.

Depois, para se garantir, apanhou a figa de madeira que trazia no bolso da calça e apertou-a na mão direita. Decidiu que, antes de sair para se encontrar com Michele, acenderia sete velas diante das imagens de seus santos e guias protetores, no altar que tinha, montado numa das salas de sua casa.

*

Maria olhou pela janela, preocupada. Úrsula ainda não havia chegado, embora passasse da meia-noite. Preocupada, abriu a sua Bíblia aleatoriamente, procurando uma palavra de conforto ou uma mensagem para entender o que estava acontecendo com sua irmã.

A resposta veio na forma de um alerta, em Jo 8:44-47:

Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai o Diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele é homicida desde o princípio e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

Mas porque eu digo a verdade, não me credes. Quem dentre vós me convence de pecado? Se digo a verdade, por que não me credes? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus. Vós não as ouvis, porque não sois de Deus.”

Era exatamente isso o que estava lhe acontecendo. Por mais que alertasse sua irmãzinha, ela não lhe dava ouvidos. Preferia o deslumbramento em que o namorado traficante a estava envolvendo. Temia por ela e precisava fazer alguma coisa para ajudá-la. O que fazer, no entanto? Como evitar que aquela alma inocente fosse pervertida por obra do demônio? Como fazê-la entender de novo as palavras de Deus e voltar a ser dEle?

Estava desanimada com a irmã. Deixara-se seduzir pela falsa riqueza e pelo luxo ostentado pelo seu namorado, sem perceber os perigos. Maria já tentara inúmeras vezes convencê-la do perigo, mas Úrsula não queria ouví-la.

Intimamente, Maria estava a ponto de desistir, entregando a irmão à própria sorte, já que nada do que fazia podia ajudar. Se Úrsula se achava dona do próprio nariz e capaz de dirigir sua vida, embora não tivesse idade para isso, que assim fosse.

Maria sabia, no entanto, que tinha de perseverar, que tinha de insistir naquela cruzada contra o diabo que arrastava sua irmãzinha para o mal.

Com muita confiança, apanhou sua Bíblia, orou a Deus pedindo uma orientação, depois abriu-a. Leu de um fôlego 1 Co 11:19-30.

“Sendo vós sensatos e de boa mente, tolerais os insensatos. Se alguém vos escraviza, se alguém vos devora, se alguém vos defrauda, se alguém se ensoberbece, se alguém vos fere no rosto, vós o suportais.

Falo com vergonha, como se nós fôssemos fracos, mas naquilo em que alguém se faz ousado, com insensatez falo, também eu sou ousado.

São hebreus? Também eu! São israelitas? Também eu! São descendência de Abraão? Também eu! São ministros de Cristo? Falo como fora de mim: eu o sou ainda mais. Em trabalhos? Muito mais. Em prisões? Muito mais. Em açoites? Sem medida. Em perigo de morte? Muitas vezes.

Dos judeus, cinco vezes recebi quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo.

Em viagens, muitas vezes em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha raça, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos. Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes. Em fome e sede, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez.

Além dessas coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim, o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase?

Se é preciso gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.”

Quando terminou a leitura, Maria se sentiu envergonhada de ter pensado, ainda que por um breve momento, em deixar sua irmã a sua própria sorte. O Apóstolo João dava, na Palavra, um testemunho edificante e convincente do poder da perseverança. Se ele sofrera tanto para, sem desistir, para espalhar o Evangelho e salvar tantas almas, por que ela, Maria, não podia também, com a força da sua fé e o poder da oração, livrar sua irmão das garras do diabo?

Agradeceu ao Senhor Jesus pela mensagem, enchendo-se de coragem e disposição para lutar e vencer. Enquanto isso, não longe dali, Rodrigo fechava o cerco ao redor de sua presa. Úrsula estava deslumbrada com aquela vida de facilidades que ele lhe proporcionava, valorizando tudo isso pelo fato de que, até aquele momento, o máximo que ele fizera fora beijá-la, mesmo assim com certo respeito. Em momento algum ele a tocara ou lhe fizera qualquer proposta indecorosa.

Na noite anterior, inclusive, haviam ido jantar e ele deixara que ela tomasse um pouco de vinho. Ele ficou embriagada facilmente, pois não estava acostumada a beber. Tornou-se uma presa fácil para ele, que poderia tê-la levado a um motel e abusado dela, que ela não resistiria. Todo aquele clima de romantismo e carinho a havia envolvido completamente.

— Tome, isto é para você comprar uma roupa bem bonita, mas bonita mesmo! — disse ele, entregando algumas cédulas de cem para ela.

— Tudo isso, Rodrigo? — surpreendeu-se ela.

— Sim, quero que compre coisa fina mesmo. Um vestido bem bonito, calcinha, sutiã, meia e sapatos, tudo novo. Compre também um biquíni novo, que lá tem piscina. Dê um trato nas unhas e nos cabelos porque amanhã vamos a uma festa chique.

— Sério? — deslumbrou-se ela, admirada.

Rodrigo tinha amigos poderosos e conhecia gente influente. Ela se julgava a garota mais feliz e agradecida do mundo por ele gostar dela tanto quanto gostava.

— De verdade. Um político, amigo meu, está dando uma festa na sua cobertura amanhã. Coisa reservada, só para os mais chegados. Vou apresentar você para algumas pessoas. Faça o possível para não me envergonhar, está bem? Quero ter orgulho de você.

— Quem mais vai lá?

— Vai ter uma porção de meninas como você. Pode ir se enturmando, que vão se encontrar com freqüência. Mas nada de espalhar isso por aí, está certo?

— Pode confiar em mim, Rodrigo. O que você pedir, eu faço — respondeu a garota, agradecida, beijando as mãos de seu benfeitor.

Satisfeito, Rodrigo a levou para casa, despedindo-se dela com um beijo respeitoso. Assim que se afastou de carro, ele apanhou o celular e ligou.

— Mônica? Tudo certo, tenho uma novilha de primeira. Coisa fina, você vai gostar. Sua proposta me interessou muito e acho que vou entrar nesse ramo também. Se dá para ganhar tanto dinheiro, não vejo como ficar fora. Vou levá-la na festa para você avaliar, mas tenho certeza que vai gostar muito dela. Certo?

Quando desligou, um sorriso de satisfação pairava em seu rosto. A maldade se espelhava em seus olhos frios e sem brilho.


 

Capítulo 5

 

 

“E não te pouparei, nem terei piedade. Conforme os teus caminhos, assim te punirei, enquanto as tuas abominações estiverem no meio de ti e sabereis que eu, o Senhor, castigo.” (Ez 7:9)

Estavam num dos motéis mais luxuosos da cidade. Salgado, satisfeito da vida, não percebia o ridículo que era um homem como ele, com sua idade e sua aparência, fazer-se acompanhar de uma menina que poderia ser sua filha.

Era um par que destoava totalmente. Ele era gordo, com uma barriga saliente, rosto corado, cabelos ralos e rugas se formando no rosto. Michele era jovem, transbordando beleza e vitalidade.

Naqueles momentos, quando estava com seu amante, ela via apenas dinheiro a sua frente e encarava aquilo tudo, até certo ponto doloroso para ela, como um trabalho sujo que tinha de fazer para ter tudo aquilo que julgava merecer.

Naquela noite, Salgado tinha motivos para estar feliz. Afinal, tudo parecia estar muito bem encaminhado em sua vida. A ação do Exu Caveira seria decisiva para afastar seus concorrentes e o sucesso estava garantido. Não tinha mais com que se preocupar.

Michele estava particularmente carinhosa naquela noite, porque tinha um interesse especial. Precisava arrumar mil e quinhentos reais para entregar à Pomba Gira, para que fizesse um malfeito contra a esposa do Salgado.

Percebeu que ele estava contente e incentivou-o, fazendo-o beber algumas doses a mais de uísque. Quando ele estava bem relaxado, ela atacou.

— Benzinho, vou precisar de um dinheirinho a mais — disse ela, toda melosa.

— Mais dinheiro, amorzinho? Você vai deixar o velho Salgado quebrado, sabia?

— Você não é velho e não vai quebrar nunca. É homem rico e vai ficar ainda mais rico.

— Pode ter certeza que sim, meu bem. Andei tomando as minhas providências para nada dar errado. De quanto você precisa?

— Mil e quinhentos!

— Tudo isso?

— É… Preciso equipar o carro… Comprar umas roupinhas novas… Você, um homem rico e poderoso, não vai querer sair comigo se eu estiver toda molambenta, vai?

Ele riu, sem preocupações. O que era uma quantia como aquela para um homem que em poucos meses teria centenas de milhares de reais de lucro?

— Para quando você precisa desse dinheiro? — quis ele saber.

— Para quando for possível, benzinho.

— Vou lhe dar um cheque, mas você só solta na terça-feira. A conta está no vermelho, mas tenho algumas duplicatas para receber na segunda. Está bom?

— Tudo bem! — concordou ela, satisfeita.

— Então dá um beijinho de agradecimento no seu Salgadinho — exigiu ele.

Michele fechou os olhos, ignorou o bafo de uísque e fez o que precisava fazer para merecer seu dinheiro. Afinal, aquilo não deixava de ser uma espécie de profissão.

Quando se separou de Salgado, já de madrugada, foi para um bar e, sozinha num canto, ficou bebendo, sentindo-se vazia. O cheque que ele lhe dera, para fazer o trabalho com a Pomba Gira, parecia não ter muito sentido. Que vida era aquela, afinal?

*

Naquela manhã alegre de sábado, a caminho do trabalho, Alfredo passou pela casa do Pastor Messias, seu grande amigo e confidente. Contou-lhe o que vinha acontecendo com Michele. O pastor o ouviu atentamente, demonstrando preocupação.

Conhecia aquela menina desde criança. Fora uma das mais atuantes na escola dominical. Quando ficou mocinha, participava do coro e era um encanto ver a alegria e amor que transbordavam de seus olhos, quando participava do culto.

Depois que ela se afastou, ele não desistira. Continuou insistindo, tentando trazê-la de volta, mas era inútil. Michele se esquivava. Havia se transformado. Num curto espaço de tempo, passou de uma menina doce e meiga para uma mulher sofrida e vazia.

— O que podemos fazer para ajudá-la, pastor? Gosto muito dela. Muito mesmo e me entristece ver o que ela está fazendo consigo mesma.

— Participo do seu sofrimento, meu irmão, mas só podemos ajudar a quem deseja ser ajudado. O diabo a cegou e ensurdeceu. Ela não ouve a Palavra nem vê o Verdadeiro Caminho. Concordo totalmente com você. Não podemos deixá-la se perder bem diante dos nossos olhos, sem nada fazer.

— Pensei em fazermos uma corrente de oração por ela.

— Uma só, não. Muitas. Todas que se fizerem necessárias. A partir do culto de hoje, vamos nos unir em oração por ela. De minha parte, vou continuar insistindo com ela. Quero ver o que se pode fazer.

Assim que Alfredo foi embora, o pastor se recolheu com sua Bíblia. Cortava-lhe o coração ver o amor que o rapaz dedicava a Michele ser desprezado daquela forma, tanto quanto o revoltava ver a obra de Satanás imperar sobre uma criatura de Deus.

Buscou inspiração em sua Bíblia, abrindo-a em Da 9:19.

Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa! Ó Senhor, atende-nos e põe mãos à obra sem tardar, por amor de ti mesmo, ó Deus meu, porque a tua cidade e o teu povo se chamam pelo teu nome!”

Mal terminou de ler e meditar rapidamente sobre esse trecho, a campainha tocou. Foi atender. Desta vez era Maria, apressada, a caminho do trabalho.

— Pastor, orei muito ontem à noite pela minha irmãzinha, a Úrsula. Estou preocupado com ela. Está namorando o Rodrigo e ficou deslumbrada com toda aquela ostentação que é marca registrada dele. O que podemos fazer por ela, pastor?

— Continue orando, minha irmã. Vamos cuidar disso. Os problemas são muitos porque a obra de Deus não pode parar. Se o diabo quer nos atrapalhar, mais fé e mais perseverança ainda devemos demonstrar. Vá em paz, na graça de Deus, que o Seu poder é maior que toda a maldade do universo.

Assim que Maria se afastou, o pastor foi apanhar sua Bíblia. Os tempos estavam cada vez mais sombrios. Satanás atacava em diversas frentes e seu alvo principal, naquele momento, eram os jovens que, ainda vacilantes em sua fé, deixavam-se iludir pelo brilho do ouro e pelo falso poder do dinheiro.

Foi meditar um pouco e, para isso, consultou novamente sua Bíblia, abrindo-a em At 9:15-18.

“Disse eu:

— Quem és, Senhor?

Respondeu o Senhor:

— Eu sou Jesus, a quem tu persegues, mas levanta-te e põe em pé; pois para isto te apareci, para te fazer ministro e testemunha tanto das coisas em que me tens visto como daquelas em que te hei de aparecer, livrando-te deste povo e dos gentios, aos quais te envio, para lhes abrir os olhos a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que recebam remissão de pecados e herança entre aqueles que são santificados pela fé em mim.”

Não era preciso aprofundar-se no entendimento daquele trecho, pois a mensagem divina era clara. A sua missão estava bem definida e cabia a ele realizá-la. Como enviado de Cristo, tinha de enfrentar Satanás e vencê-lo, pelo poder e pela graça de Deus.

*

Naquele sábado, quando fechou o caixa, Salgado estava eufórico. Vendera horrores, graças à promoção, à propaganda e aos preços e condições bastante acessíveis. Os clientes vieram em peso e a loja esteve cheia o tempo todo.

Uma parte da venda fora à vista e o restante a prazo. Era, para um dia como aqueles, um recorde difícil de ser quebrado, tamanho foi o sucesso e o volume de mercadorias. Os caminhões de entrega não pararam, o dia todo circulando de um lado para outro.

Pedira a um dos seus empregados que fosse dar uma olhada nas lojas de seus concorrentes, para ver se estava acontecendo o mesmo.

— Patrão, está tudo vazio! Os vendedores estão na porta, um olhando para a cara do outro, sem fazer nada.

— Isso é ótimo! — afirmou Salgado, satisfeito.

Tinha motivos de sobra para confiar no trabalho de Pai Nozinho e na força do Exu Caveira. Custara um bom dinheiro, mas tinha valido a pena. Só num dia já havia recuperado dez vezes o dinheiro que investira no trabalho. Tinha dinheiro para cobrir a conta devedora, pagar o cheque de Michele e até resgatar o empréstimo que fizera com o agiota, saindo por cima de toda aquela situação.

— Que dia, seu Salgado! — falou Maria, antes de ir embora.

— Eu não disse para você? Aquele benzimento e aquelas simpatias valeram mesmo a pena.

— Eu também orei muito pelo senhor, seu Salgado!

— Ah, Maria, mas o que conta mesmo foi o trabalho que fiz ontem à noite. Coisa brava, poderosa mesmo! — disse ele, em tom confidente.

— Seu Salgado, por favor, só espero que não esteja mexendo com forças que não conseguirá controlar depois.

— Do que você está falando, Maria? Deixa de ser boba, menina! Com isto aqui em controlo o que eu quiser! — assegurou ele, mostrando um maço de notas de cem para ela.

— Em Atos 8, versículos 14 a 23, há uma passagem interessante, seu Salgado. Os apóstolos Pedro e João foram até Samária orar para que as pessoas de lá recebessem o Espírito Santo, porque sobre nenhum deles havia Ele descido ainda, mas já haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Eles lhes impuseram as mãos e eles receberam o Espírito Santo. Quando irmãzinha viu que pela imposição das mãos dos apóstolos se dava o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: “Dai-me também esse poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo.” Disse-lhe Pedro: “Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus. Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua maldade e roga ao Senhor para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração. Vejo que estás em fel de amargura e em laços de iniqüidade.”

— E daí, Maria? O que você quer provar com isso, além de demonstrar que tem boa memória e que lê a Bíblia? Eu já lhe disse que também li a Bíblia e muitas vezes mais do que você. Lembra-se do que eu lhe falei no começo da semana? Que queria ver sua boa memória, quando estivesse recebendo as comissões de suas vendas. Pelo que sei, você foi uma das que mais vendeu hoje.

— Graças a Deus, seu Salgado. Só que o senhor não entendeu nada do que eu quis lhe dizer. Ninguém pode comprar o poder do Espírito Santo. Quanto às vendas, já que o senhor leu muitas vezes a Bíblia, será que se lembra de uma passagem no Livro do Eclesiastes, capítulo 3, versículo 13, que diz: que todo homem coma, beba e goze do bem de todo o seu trabalho é dom de Deus.

— Ah, Maria, você está muito petulante, sabia? Se não fosse uma de minhas melhores vendedoras, juro como cortava suas asinhas de uma vez por todas. Não seja mal agradecida. Se quiser trazer seu pastor aqui, para abençoar a loja, fique à vontade. Desde que ele me garanta vendas, não faço questão.

— Acho que era isso mesmo que se deveria fazer, seu Salgado. Isto aqui está cheio de coisas que nem sei explicar o que é — finalizou ela, saindo.

Na saída encontrou Miguel, com seu semblante preocupado.

— E daí, Miguel, tudo bem?

— Tudo bem, Maria!

— Você continua preocupado, não?

— É minha mãe…

— Não quer levá-la à igreja hoje à noite?

— Eu falei com ela, mas não sei se a convenci.

— Insista com ela. O poder de Deus opera milagres. Tenho visto coisas maravilhosas acontecerem, pela graça do Espírito Santo.

— Vou tentar. Se conseguir, eu telefono para você, está bem?

— Faça um esforço, Miguel. Pode ser muito importante para ela.

— Vou tentar.

Enquanto isso, em seu escritório, Salgado ligava, satisfeito da vida, para Michele.

— Minha queridinha, não sabe o que aconteceu hoje na loja. Vendi horrores. Nunca vendi tanto quanto hoje. Agora acho que acertei.

— Que ótimo, amorzinho! — falou ela, com sua voz mais melosa.

Tinha traçado seus planos e iria realizá-los.

— Olha, aquele cheque, você pode soltar na segunda-feira — avisou ele.

— Que bom, amor! Vou poder fazer o que preciso, então. A gente vai se ver hoje à noite?

— Sim, no motel de sempre, só que mais cedo hoje. Preciso comemorar. Estou muito contente com as vendas.

Ela pensou um pouco e achou que era hora de começar a sondar suas possibilidades.

— Ah, amor, estou ficando cansada de freqüentar motéis.

— Por que isso agora, queridinha?

— Não, sei, eu fico sentida de não poder receber você direitinho, fazer uma comidinha. Sabia que eu sei cozinhar?

— Pára com isso, Michele! Quero você como uma bonequinha, como uma manequim, que não tem que ficar se engordurando na beira de um fogão. Já pensou eu chegar e, ao lhe dar um abraço, sentir cheiro de óleo nos seus cabelos?

— Tolinho! Tem uma porção de coisas que a gente pode preparar no microondas.

— No motel é mais cômodo. A gente consulta o cardápio e pede. Não tem que se preocupar com nada, nem em lavar a louça. Já pensou você com as unhas todas estragadas, de mexer com as panelas? Não, Michele, isso não fica bem em você.

— Tudo bem, não cozinho, então, mas gostaria de ter um cantinho só nosso, que eu pudesse deixar assim com a cara do nosso amor. O que me diz?

— Ah, não sei. Acho que não precisa. Está tão bom assim!

Ele não havia entendido ainda onde ela pretendia chegar, por isso Michele achou por bem parar por ali mesmo. Combinou com ele o encontro e, assim que desligou, telefonou para o terreiro que visitara na noite anterior.

— Dá para fazer o trabalho hoje à noite mesmo? — indagou ela.

— Se estiver com tudo na mão…

— O dinheiro pode ser em cheque? É quente!

— De quem é?

— Do Salgado, da loja de móveis e eletrodomésticos. Aquela enorme, na avenida.

— Ah, sim, dele pode. Traz tudo direitinho que eu encaixo logo no primeiro trabalho da Pomba Gira.

— Que ótimo! Vou me encontrar com ele logo mais e quero tocar nesse assunto bem de perto com ele.

— A que horas você vai se encontrar com ele?

— Às oito!

— Nesse horário a Pomba Gira vai fazer o trabalho. Pode insistir que você conseguirá o que deseja e merece.

Michele estava confiante e radiante, quando desligou. Naqueles momentos, uma falsa euforia invadia seu corpo, dando-lhe uma alegria passageira. Sabia, porém, que no fim da noite estaria triste, bêbada e acabada, como estivera na noite anterior.

Saiu à janela. Pessoas chegavam e saíam de suas casas, naquele começo de noite. Alfredo passava, com sua Bíblia na mão, a caminho da igreja. Ao vê-lo, Michele teve um estremecimento. Ele a viu também e, por instantes, parou em frente da casa dela. Ficaram se olhando.

— Tudo bem, Michele? — indagou ele.

— É, tudo bem! — respondeu ela, sentindo-se perturbada diante daquele olhar.

Havia uma força interior enorme em Alfredo e isso fazia o coração de Michele pulsar de forma diferente. Seu rosto se abrandou e se encheu de ternura. Lágrimas brilharam em seus olhos e ela sentiu uma vontade enorme de chorar pelo que estava deixando escapar pelos vãos dos dedos, embora não conseguisse identificar o que era.

Parecia que o olhar de Alfredo se transformava numa areia fina, que ela sentia cair em suas mãos, mas que não conseguia reter. Aquela areia era morna e cheia de amor, um amor que podia transformá-la.

Teve medo disso, desviando os olhos e fitando o céu. Nuvens escuras anunciavam uma chuva próxima.

— Vai chover muito! — disse ela, sem olhá-lo.

— Tomara que chova bênçãos! — falou ele, esboçando um sorriso. — Não quer ir à igreja comigo?

Ao ver que ela não respondia e ainda evitava olhá-lo, ele se despediu e se afastou, com o coração pequenino no peito. Michele ficou na janela, sentindo a mesma coisa, sem vontade de ir se preparar para seu encontro com Salgado que, naquele momento, chegava em casa, com o filho. Miguel correu ao quarto da mãe. Pretendia insistir com ela para ir à igreja. Quando entrou, ela estava no leito, contorcendo-se em dores.

— Pai! — gritou ele, em desespero.

Salgado subiu dois a dois os degraus da escadaria que levava aos quartos de sua mansão. Mal sabia ele que o castigo começava a se abater sobre ele.


 

Capítulo 6

Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação, em laço e em muitas concupiscência loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. (1Tm 6:9)

Úrsula estava absolutamente fascinada por aquele mundo novo, que acabava de descobrir. Sentiu-se desajeitada e fora de seu ambiente natural no início, mas depois, ao perceber como todos lhe davam atenção e ao concluir que era a menina mais bem vestida e mais bonita da festa, deixou que a vaidade lhe subisse à cabeça.

Rodrigo, ao seu lado, policiava todas as suas atitudes. Não a deixou tomar nenhuma bebida alcoólica e apresentou-a a todos os homens presentes na festa.

Eram industriais, executivos, profissionais liberais, todos muito bem vestidos, exibindo anéis de formatura, sapatos extremamente polidos, ternos de corte impecável. Eram homens perfumados, bem penteados, com unhas feitas e, mesmo aqueles que já haviam passado dos cinqüenta, não deixavam de exibir charme e educação.

Quando chegaram, Úrsula reparou que só havia carros importados, último tipo, todos brilhando. Isso a fez concluir que ali estava a nata da sociedade, os homens mais ricos e poderosos que se poderia encontrar.

Não estranhou que eles estivessem sozinhos, sem as esposas. A cobertura estava cheia de meninas novas, algumas adolescentes ainda, mas reinava total respeito. Ninguém tocava ninguém e isso foi o que lhe deu segurança e que a fez admirar ainda mais Rodrigo.

— E então, não lhe disse que seria uma festa legal? — indagou ele, quando saíram à sacada para tomar ar.

— Rodrigo, que gente distinta. Você viu?

— Maior respeito, percebeu? — ressaltou ele, convencido.

— E como. Nenhuma cantada, ninguém me disse nada mal educado, todos eles foram finos.

— São esses os meus amigos. Se você gostou do ambiente, eu posso levá-la a outras festas como esta. Aliás, estive conversando com a dona da casa, minha amiga Mônica, e ela está organizando um concurso de beleza entre as garotas conhecidas. O prêmio é uma viagem a Cancun, com um acompanhante, mais dois mil dólares para os gastos.

— Está brincando!

— Verdade! Pensei até em sugerir que você participasse, mas não sei se gostara.

Os olhos dela brilharam, cheios de interesse.

— Acha que eu tenho chances?

Ele riu, como se ela tivesse dito uma bobagem.

— Olhe na sala — ordenou ele, segurando-a pelos ombros e fazendo-a se voltar para olhar as pessoas lá dentro.

— O que tem? — quis ela saber.

— Você é a menina mais bonita da festa. Se entrar, vai ganhar esse concurso na certa.

— Uma viagem a Cancun…

— Com um acompanhante?

— Sim, com um acompanhante.

— Você vai comigo?

— Se tudo der certo…

— Então eu quero participar.

Ele sorriu, convencido de seu poder sobre ela.

— Eu tinha tanta certeza que você participaria que até já fiz sua inscrição.

— Sério?

— Claro que sim, querida. Não existe outra mais bonita do que você. Só que o concurso é daqui a três meses ainda. Até lá, vou matricular você numa academia e você vai malhar legal, fazer uma consulta médica, seguir uma dieta, cuidar-se muito bem, porque esse concurso vai dar o que falar. Com certeza teremos a presença de produtores, fotógrafos, diretores de agências de modelos e toda essa gente. Se você se destacar, pode se tornar uma top-model facilmente.

Os olhinhos dela continuavam brilhando. Em sua mente desfilavam imagens de ambientes glamorosos, cenários chiques, pessoas famosas e viagens fantásticas. Era o mundo dos sonhos de qualquer garota bonita e ingênua como ela, à espera de uma transformação radical em sua vida.

— Vamos ter que produzir você e torná-la conhecida. Por isso é importante que você circule nessas festas comigo. Daqui a quinze dias teremos outra, no sítio de um amigo meu. Mônica tem uma boutique de aluguel de roupas e vou abrir uma conta para você lá. A cada festa você vai usar roupas, sapatos e bolsas diferentes, sempre muito chiques.

Os olhos dela se encheram de lágrimas, olhando Rodrigo.

— Puxa, Rodrigo, você é tão legal comigo! — afirmou ela, abraçando-o.

Ele a segurou junto de si, sorrindo cinicamente. Naquele momento, Mônica, a dona da casa, apareceu.

— Vocês dois não estão gostado da festa? — indagou.

— Oh, sim, estamos adorando! — afirmou Úrsula.

— Então vá conhecer o pessoal que acabou de chegar. Preciso trocar uma palavrinha com o Rodrigo.

— Vai lá, querida. Eu já vou. Só vou confirmar uns detalhes com a Mônica.

Úrsula se afastou cheia de felicidade, sentindo-se a rainha da festa, a garota mais bonita e mais desejada de todas ali presentes. Os olhares de Mônica e de Rodrigo a seguiram, acompanhando os movimentos graciosos de seu corpo jovem e perfeito.

— Essa aí promete — comentou Mônica.

— Estou investindo nisso.

— Não está se apaixonando por ela, não é? — indagou Mônica, num tom zombeteiro.

— Pare com isso, Mônica! Você me conhece, não? Não misturo as coisas.

— E daí, convenceu a menina a participar do leilão?

— Concurso de beleza, Mônica — corrigiu-a ele.

Mônica riu, divertida com a observação.

— Certo, do concurso de beleza.

— Sim, vai participar.

— Explicou os detalhes para ela?

— Somente aquilo que interessava para ela saber. Disse que é um concurso, que o prêmio é uma viagem a Cancun, mais dois mil e quinhentos dólares e que vai haver fotógrafos e gente ligada ao ramo da moda, de olho nela.

— Pobrezinha! Quando der por si, já estará vendida e entregando sua virgindade para algum desses safados aí — falou Mônica, com uma ponta de desprezo.

— Você, que tem experiência no ramo, diga-me a quanto podem chegar os lances por ela?

Mônica ficou em silêncio por instantes, avaliando.

— No último leilão, uma garota foi trocada por um Tipo zero. Essa aí deve valer um Tempra.

— Se eu soubesse que esse negócio dava tanto lucro, já teria entrado nele há mais tempo.

— Você é bom nisso, Rodrigo. Tem um olho clínico para escolher as meninas. Por que não traz mais duas ou três como essa?

— Já estou cuidando disso — afirmou ele, rindo satisfeito.

— Mas não esqueça, elas têm que ser virgens.

— Para me certificar, todas as garotas que eu trouxer passarão por um exame médico antes. Tenho um amigo ginecologista que vai me dar até atestado de virgindade, se eu pedir.

— Isso, acima de tudo, segurança! Vou gostar de trabalhar de parceria com você, Rodrigo.

*

Naquela noite, quando fazia sua pregação, o Pastor Messias via o rostos de Maria e de Alfredo, juntos na primeira fila, lembrando-o das duas ovelhas ameaçadas. Uma era Úrsula, outra era Michele. Tinha uma grande afeição pelas duas, pois as conhecia pessoalmente. Quando orou, incluiu em sua oração um pedido especial para aqueles que se deixavam deslumbrar pela ostentação e pelas falsas aparências. Ao término do culto, Maria e Alfredo se aproximaram, agradecendo pela oração. Eles sabiam que ela havia sido especial e feita a pedido deles.

Estavam conversando, quando uma amiga de Maria, que trabalhava com ela na loja, entrou na conversa.

— Maria, soube o que aconteceu? — perguntou.

— Não, o que aconteceu? — quis saber Maria, percebendo a expressão preocupada da outra.

— A mulher do seu Salgado foi internada. Está passando mal mesmo.

— O Miguelzinho me disse mesmo que ela estava doente, mas não pensei que estivesse tão mal — comentou Maria.

— E se nós fôssemos visitá-la? Talvez consigamos levar conforto — propôs Alfredo.

— Eu levo vocês no meu carro — prontificou-se o pastor.

Meia hora mais tarde estavam na sala de espera do hospital. Salgado estava preocupado, olhando o relógio a todo momento. Miguel, a um canto, tinha os olhos vermelhos e o olhar entristecido. Ao ver Maria chegando, correu ao encontro dela, abraçando-a.

— Fique tranqüilo, Miguel, tudo vai acabar bem — confortou-o ela.

— Ela ficou ruim, Maria. Você precisava ver. Eu fiquei com medo. Quando vi minha mãe daquele jeito eu nem sei o que fiz…

— Calma, vai passar. Como está ela?

— Está lá dentro ainda. Os médicos nada disseram. Parece que vão ter que operar.

— Venha, vamos até o corredor tomar um pouco de água. Assim você se acalma.

Enquanto Maria levava o menino dali, Salgado aproveitou para pegar seu celular e ligar para Michele.

— Não pude ligar antes…

— Você me deixou morrendo de preocupação! — protestou ela.

— Foi minha mulher. Teve uma crise. Está na mesa de operação. Não sei… Acho que não escapa!

Do outro lado da linha, Michele sentiu um calafrio percorrer seu corpo, lembrando-se do trabalho que encomendara para a Pomba Gira. Fora fulminante. Isso a deixou sem reação. Não sabia se ficava alegre com isso ou se deixava que o medo tomasse conta dela. Percebeu que havia mexido com forças acima de seu controle e que isso poderia custar uma vida.

— Michele, você está aí? — insistiu Salgado.

— Sim… Fiquei chocada — gaguejou ela, desejando desligar ou acordar para perceber que fora um pesadelo, que nada daquilo estava acontecendo.

— Assim que der, eu ligo de novo — falou ele, percebendo que Maria retornava com Miguel.

O pastor havia observado a cena e percebido o que se passava. Conhecia a história e se sentiu até certo ponto revoltado com aquele papel desempenhado pelo comerciante. Pediu forças e paciência ao Senhor e se aproximou.

— Com a graça de Deus, tudo vai correr bem, Salgado — disse.

— Tomara que sim, pastor — respondeu o comerciante, que não queria muita conversa.

Ambos já se conheciam. O pastor sabia que Salgado havia sido batizado na igreja católica, mas era, na verdade, um homem sem uma crença definida e sólida, pois acreditava em tudo que lhe fosse apresentado.

Era só freqüentar sua loja para ver imagens, amuletos e talismãs espalhados por todos os cantos. Havia tentado alguma vezes atraí-lo para a igreja, mas Salgado era resistente e parecia se sentir bem na companhia dos representantes do mal.

— Se houver alguma coisa que a gente possa fazer — disse o pastor.

— Vocês não tem uma reza poderosa aí para fazer médico cobrar barato?

O pastor ficou chocado com a frieza daquele homem diante dele. Naquele momento, quando sua esposa estava correndo risco de vida, ele estava mais preocupado com o dinheiro que gastaria com ela do que com sua saúde.

Quem ama o dinheiro não se fartará de dinheiro nem o que ama a riqueza se fartará do ganho. Também isso é vaidade — disse o pastor, citando Eclesiastes 5:10.

— Já comentamos a respeito disso, pastor, e nossas opiniões não são iguais. Não me venha dizer que não gosta de dinheiro, que eu não engulo. Esse negócio de dízimo, para mim, sinceramente, é roubalheira, é tomar dinheiro dos pobres e dos trouxas, sabia? Desculpe a grosseria, mas hoje não estou muito bem. Dá para entender, não é?

— Este pode não ser o momento oportuno, Salgado, mas quem conhece os caminhos do Senhor. Ele pode estar me mostrando agora como abrir as portas do seu coração para ele. Se o assunto dinheiro lhe chama a atenção, leia isto aqui — disse o pastor, abrindo a sua Bíblia num trecho grifado de 1 Crônicas 29:10-17.

A contragosto, Salgado apanhou para ler. Miguel se aproximou e acompanhou a leitura feita pelo pai.

“Bendito és tu, ó Senhor, Deus de nosso pai Israel, de eternidade em eternidade. Tua é, ó Senhor, a grandeza, o poder, a glória, a vitória e a majestade, porque teu é tudo quanto há no céu e na terra.

Teu é, ó Senhor, o reino e tu te exaltaste como chefe sobre todos. Tanto riquezas como honra vêm de ti, tu dominas sobre tudo e na tua mão há força e poder. Na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo. Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos e louvamos o teu glorioso nome. Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos fazer ofertas tão voluntariamente? Porque tudo vem de ti e do que é teu to damos, porque somos estrangeiros diante de ti e peregrinos, como o foram todos os nossos pais.

Como a sombra são os nossos dias sobre a terra e não há permanência. Ó Senhor, Deus nosso, toda esta abundância, que preparamos para te edificar uma casa ao teu santo nome, vem da tua mão e é toda tua. Bem sei, Deus meu, que tu sondas o coração e que te agradas da retidão. Na sinceridade de meu coração voluntariamente ofereci todas estas coisas e agora vi com alegria que o teu povo, que se acha aqui, ofereceu voluntariamente.

— Tudo bem, pastor, e o que isso prova?

— Eu não sei, Salgado, estou lhe dando a Palavra de Deus. Leia e tire suas conclusões. Já que o dízimo lhe incomoda tanto, leia mais este trecho somente — insistiu o pastor, abrindo sua Bíblia em 1 Coríntios 9:4-14.

“Não temos nós direito de comer e de beber? Não temos nós direito de levar conosco esposa crente, como também os demais apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas? Ou será que só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?

Quem jamais vai à guerra à sua própria custa? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho? Porventura digo eu isto como homem? Ou não diz a lei também o mesmo?

Na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca do boi quando debulha. Porventura está Deus cuidando dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Com efeito, é por amor de nós que está escrito, porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de participar do fruto.

Se nós semeamos para vós as coisas espirituais, será muito que de vós colhamos as materiais? Se outros participam deste direito sobre vós, por que não nós com mais justiça? Mas nós nunca usamos deste direito. Antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo.

Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que servem ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.”

— Eu não quero discutir esse negócio de religião, não aqui — protestou Salgado, percebendo que havia sido injusto para com o pastor.

Este, por seu turno, percebeu que, de alguma forma, havia tocado o coração daquele homem. Por um só momento, percebeu a sua frente uma ovelha desgarrada, solitária e confusa, num cenário desconhecido.

— Só para finalizar, Salgado. Sei de gente que vai a esses terreiros e paga verdadeiras fortunas para o Exu Caveira, o Tranca Ruas, a Pomba Gira e mais um monte de outros servos do demônio, para que lhes façam trabalhos que nem vale a pena citar aqui — disse o pastor, olhando o comerciante nos olhos.

Salgado estremeceu.

— Essas mesmas pessoas, Salgado, não contribuem com um centavo para que um servo de Senhor divulgue a Palavra, promova curas e salvação. Não acha isso uma tremenda injustiça.

Salgado ficou sem resposta. Nesse momento, um médico surgiu na sala de espera. Era amigo de Salgado e do pastor. Seu olhar era de consternação.

— Abrimos… Mas achamos melhor fechar. Não há nada que possamos fazer. O câncer já se espalhou — disse, em voz baixa. — Ela vai ter que ficar internada até… Bem, você sabe do que eu estou falando.

Salgado estremeceu e respirou fundo. Sabia que tudo aquilo iria lhe custar um rio de dinheiro. Tinha de confiar, mais do que nunca, no trabalho do Exu Caveira para sair daquela situação.


 

Capítulo 7

 

 

“No amor não há medo. O perfeito amor lança fora o medo, porque o medo envolve castigo e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.” (1Jo 4:18)

Michele conheceu o inferno em vida a partir daquele telefone de Salgado. Nos três meses que se seguiram, ela sentiu pairar sobre si uma asa negra, uma sombra tenebrosa e ameaçadora, que parecia gargalhar de seus atos e do sofrimento interior que se abateu sobre ela.

Tinha certeza que era a causadora dos tormentos que agora assaltavam a esposa de seu amante. Entrevada numa cama, ela urrava de dor, sentindo o câncer corroer-lhe as entranhas. Os medicamentos mais poderosos não aliviavam suas dores e nem os médicos sabiam explicar o que acontecera.

Procurou o terreiro. Para desmanchar o trabalho, teria de pagar muito dinheiro, mas não queria pedir ao Salgado. Sabia que ele estava gastando uma fortuna para manter a mulher internada.

Evitava vê-lo. Não conseguia se aproximar dele, sabendo que tudo aquilo fora culpa dela. Ao invés de se livrar da rival, arrumara uma dor de cabeça a mais para o amante.

Para aliviar sua consciência, bebia e dormia embriagada. Quando acordava, a ressaca era terrível e ela se sentia ainda mais culpada, por isso bebia mais. Sua beleza foi perdendo o viço. Ela fichou inchada, feia, desleixada.

Só sabia entrar no seu carro e rodar pelo bairro, parando de bar em bar, até estar tão bêbada que mal conseguia voltar para casa.

Alfredo a viu assim, um dia, num fim de tarde, quando voltava para casa. Ela estava num bar, bebendo sozinha. Não era mais nem um pálido reflexo da menina bonita e adorável que ele conhecera e amara um dia.

Ficou com pena dela. Pena pelo amor que ainda sentia. Ia se afastar, com o coração aos pedaços, mas viu-a se levantar da mesa do bar e caminhar até a calçada. Ao fazer isso, tropeçou e caiu. Todos riram e zombaram ela.

Alfredo sentiu vontade de sumir dali, mas viu Michele tentar se levantar e não conseguir, de tão bêbada que estava. Ficou sentada na sarjeta, soluçando, com a maquilagem dos olhos se desfazendo e transformando seu rosto numa máscara.

Ele se deixou levar pelo coração. Aquele farrapo humano fora, um dia, a garota dos seus sonhos. Isso parecia ter acontecido havia tanto tempo, mas ele não podia deixar de sentir algo por ela. Nem que fosse piedade, mas seu coração ainda batia mais rápido na presença dela.

Foi até lá. Ao vê-lo, ela escondeu o rosto entre as mãos e chorou ainda mais. Os outros bêbados no bar continuavam rindo e zombando. Ela apanhou as chaves do carro na bolsa e tentou se levantar. Cambaleou e quase caiu. Alfredo a amparou.

Ao sentir a firmeza dos braços dele, aparando-a, ela soluçou e se deixou guiar gentilmente. Ele a pôs no carro e assumiu o volante. Não podia levá-la para a casa dela naquele estado. Lembrou-se de Míriam, a amiga dos dois. Rumou para lá.

— Ela está mal! — comentou, enquanto ajudava Míriam a levá-la até o banheiro.

— Vou dar um banho nela. Não vá embora. Espere, talvez a gente consiga conversar com ela.

— Pobrezinha! Eu tenho tanta pena dela. Que pecado ela pode ter cometido para estar nesse estado?

— Seja qual for, o que ela precisa saber é que o perdão a espera. Basta querer receber o Senhor Jesus em seu coração. Conversei com ela um dia desses. Disse-me que estava ficando cada vez mais desesperada, queria parar de beber e não conseguia. Acho que ela está pedindo ajuda, Alfredo. Se com a graça de Deus isso se confirmar, podemos ter a nossa Michele de volta.

Os dois acomodaram Michele na banheira. A mãe de Míriam providenciou um café bem forte. Alfredo foi até a farmácia e comprou um remédio para ressaca. Demorou-se um pouco conversando com um amigo e, quando chegou, Michele estava numa cama, no quarto de Míriam.

Foi ter com ela, levando o remédio para bebedeira. Ao vê-lo entrar, ainda sob o efeito do álcool, Michele murmurou:

— Eis que chegou meu bom Anjo da Guarda.

Alfredo se aproximou.

— Fique aqui comigo — pediu ela, estendendo uma das mãos.

Alfredo, emocionado, segurou a mão dela.

— Diga alguma coisa boa… Alguma coisa doce… Alguma coisa que alegre a minha alma — pediu ela. — Estou tão triste! Tão desesperada! — soluçou ela.

Alfredo estendeu a mão, apanhando a Bíblia de Míriam, que estava sobre um móvel. Abriu-a ao acaso. Leu o Salmo 4.

“Responde-me quando eu clamar, ó Deus da minha justiça! Na angústia me deste alívio. Tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.

Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira? Sabei que o Senhor separou para si aquele que é piedoso. O Senhor me ouve quando eu clamo a ele. Irai-vos e não pequeis. Consultai com o vosso coração em vosso leito e calai-vos. Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no Senhor.

Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Levanta, Senhor, sobre nós a luz do teu rosto. Puseste no meu coração mais alegria do que a deles no tempo em que se lhes multiplicam o trigo e o vinho.

Em paz me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.”

Quando ele terminou a leitura, Michele dormia profundamente, ainda segurando a mão dele. Alfredo tentou soltá-la, mas ela a havia prendido firmemente. Ele sorriu, olhando-a. Havia paz no rosto dela, trazendo de volta aquela beleza que ele conhecera.

Ao lado da cama, Míriam olhava com admiração aquela cena, pois percebera a transformação que se operara em Michele, a partir do momento em que Alfredo segurara a mão dela e lera a Palavra.

— Ela vai ser salva, Alfredo. O Senhor está me dizendo isso — falou Míriam, com convicção.

— Glória a Deus, então, Míriam. Você não sabe o quanto isso me faz feliz — disse ele e lágrimas brotaram em seus olhos.

— Vamos tentar levá-la à igreja. Vai ser muito bom se ela for, tenho certeza.

— Vou ficar aqui com ela, se não se importa, até que ela solte a minha mão — decidiu ele, arrumando, com carinhos, os cabelos de Michele, que dormia placidamente agora.

*

Em seu escritório, naquele começo de noite, Salgado vivia seu inferno particular, julgando que o céu desabava sobre sua cabeça. Estava tudo dando errado. Havia vendido, naqueles três meses, quase todo o seu estoque. Uma pequena parte à vista, mas o restante à prazo. O que não fora através de duplicatas fora em cheques pré-datados. Descontara as duplicatas no banco e trocara os cheques com seu amigo agiota.

O problema era que as duplicatas descontadas não estavam sendo pagas e os cheques pré-datados estavam sendo devolvidos. Houve uma explosão nas vendas, com todo mundo deslumbrado com o Plano Real, comprando como verdadeiros loucos.

Ninguém esperava, no entanto, que a inadimplência crescesse daquela forma. Todos haviam assumido prestações acima de suas possibilidades. A recessão que se insinuava no comércio em geral, com a liberação das importações e da concorrência estrangeira provocou muitas demissões.

Setores como a construção civil, bancos, indústrias e serviços em geral demitiram trabalhadores em massa. Essa gente toda agora, cheia de prestações, provocava um verdadeiro caos no comércio.

Em breve teria que pagar o estoque que comprara e não teria como. Estava com um monte de papéis sem valor nas mãos. Para complicar, o agiota cobrava um juro absurdo e a dívida crescia cada vez mais. Não conseguiria pagar a viagem de Soninha. O hospital estava lhe tirando até o último centavo. Sua mulher não melhorava. Continuava sofrendo naquele quarto. Michele não queria vê-lo.

Pai Nozinho vivia insistindo para fazer um outro trabalho, porque um concorrente havia feito algo muito forte, por isso tudo aquilo estava acontecendo. Só que esse trabalho custaria agora vinte mil reais para ser desfeito. Salgado estava cada vez mais desesperado.

Havia empenhado tudo que tinha e que não tinha naquela jogada. Se desse certo, ficaria rico, mas, da forma como acontecera, não apenas quebraria, como perderia tudo que ainda tinha.

Não sabia o que fazer. A cada vez que abria uma das gavetas de sua escrivaninha e via aquele revólver carregado, tinha vontade de fazer uma loucura. A única coisa que ainda o segurava eram os filhos. Não podia deixá-los na miséria, mas não sabia o que fazer.

Maria chegou até a porta.

— Seu Salgado, a loja está fechada e o pessoal já foi embora. Precisa de mais alguma coisa?

— Não, Maria, nada! — respondeu ele, distante.

Ela ia se afastando, quando ele levantou a cabeça.

— Maria! — chamou-a ele.

Ela se voltou. Ele hesitou, como se fosse muito difícil para ele dizer o que pretendia. Seus olhos se encheram de lágrimas.

— Você vai à igreja hoje?

— Sim, vou. Por quê?

Ele hesitou novamente, engolindo seco algumas vezes.

— Reze por mim, Maria. Estou precisando — pediu ele, com humildade.

Para Maria aquilo foi algo inesperado, que ela jamais sonhara ouvir. Olhou-o longamente, percebendo as lágrimas nos olhos dele. Depois olhou ao redor dele. Nos móveis e prateleiras havia imagens, amuletos e talismãs de todos os tipos. Nenhum deles podia ajudá-lo e ele, graças a Deus, estava começando a perceber isso.

Maria caminhou até a mesa dele.

— Seu Salgado, o Miguelzinho vive pedindo para eu orar pela mãe dele e me diz sempre que ele gostaria de poder ir à igreja fazer isso pessoalmente. Por que o senhor não o leva? Pode ser bom para os dois.

— O que eu vou fazer lá, Maria? Olhe para mim, olhe ao meu redor. Sou um homem sem crença e sem fé. Naquela noite, quando o pastor foi lá no hospital, eu o destratei com a minha ignorância…

Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos e eu os aliviarei — disse Maria, citando Mateus 11:28.

— Não, Maria, não acho que exista solução para mim. Eu mexi com coisas que não devia.

No tempo aceitável te escutei e no dia da salvação te socorri. Eis aqui, agora, o tempo aceitável. E eis aqui, agora, o dia da salvação — tornou ela, agora citando 2 Coríntios 6:2.

Um sorriso de bondade e reconhecimento brotou nos lábios de Salgado.

— Essa memória sua é um dom de Deus, Maria. Desculpe-me se a critiquei um dia por isso.

Ela o olhou com um sorriso nos lábios, feliz por ter percebido que havia tocado o coração daquele homem.

— E então, seu Salgado? Vamos à igreja, nem que seja só para levar o Miguelzinho.

— Eu tenho que ir ao hospital e…

— Seu Salgado, sua esposa está sofrendo muito, mas o senhor sabe que poderia salvá-la, se tivesse fé e acreditasse no poder de Cristo?

— Maria, ela já foi desenganada. Não é uma unha encravada nem uma verruga que a incomoda. É um câncer que a está comendo por dentro…

— Seu Salgado, lembra da passagem de Lázaro, no Novo Testamento?

— Claro que sim.

— Lázaro estava enterrado há quatro dias. Nesse tempo, as células de seu corpo já estavam se decompondo. Não havia mais vida. O Senhor Jesus, no entanto, restaurou a vida de cada uma daquelas células mortas. Se Ele tem o poder de fazer isso, curar sua esposa é muito mais fácil ainda.

— Se os meus problemas fossem só esses…

— Lança o teu fardo sobre o Senhor e ele te susterá e nunca permitirá que o justo seja abalado — lembrou Maria, desta vez mencionando o Salmo 55:22.

— Como se eu pudesse ser chamado de justo…

— Não seja tão severo consigo mesmo, pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque — continuou ela, lembrando Eclesiastes 7:20.

— Ah, Maria, gostaria que as coisas fossem tão simples assim…

— E elas são, seu Salgado. Nós é que temos a péssima mania de complicar tudo. Pense bem. Cristo pode estar lhe estendendo a mão neste momento, esperando que o senhor o aceite como Salvador.

— Vou pensar, Maria. Vou pensar — afirmou ele, agradecendo.

Quando ela saiu, Salgado respirou fundo, sentindo-se leve pela primeira vez nos últimos tempos. Olhou ao seu redor. Aquelas imagens e símbolos não tinham sentido nenhum. Pensou por instantes, depois apanhou o cesto de lixo e começou a jogar tudo lá dentro. Quando terminou, fechou o escritório e foi para o hospital.

Quando entrou no quarto, viu sua esposa na cama, o rosto crispado de dor, tubos enfiados em seu nariz e em sua boca, agulhas espetadas em seus braços magros.

Ficou ali, em silêncio, olhando para ela, que já não reconheci ninguém. Era um corpo à espera da morto.

Algo estranho aconteceu. Olhando o rosto dela, por trás de todo o sofrimento, por trás da máscara de dor e sofrimento em que ele se transformara, Salgado viu ali a mulher por quem se apaixonara um dia e que amara profundamente.

Milhares de cenas passaram por sua mente. O casamento, os primeiros tempos, os filhos, os planos todos que haviam feito juntos, a vida que esperavam levar. Eram recordações demais, tantas que sufocaram seu coração e fizeram as lágrimas brotarem generosamente de seus olhos, escorrendo de suas faces.

— Salgado! — ouviu ele, reconhecendo a voz da esposa.

Levantou os olhos para ela, mas ela continuava imóvel, com a mesma expressão distante de antes. Abaixou a cabeça e soluçou.

— Salgado! — repetiu a voz.

Ele se levantou num salto, olhando ao redor. Foi até a cama. Debruçou-se sobre o corpo da esposa, que não demonstrou nenhuma reação. Ele foi até a janela, depois até a porta do corredor.

— Leve o Miguelzinho à igreja! — disse a voz e, desta vez, um arrepio percorreu o corpo do comerciante, dos pés à cabeça, arrepiando seus cabelos e fazendo seu coração disparar.

— É você? É você que está falando comigo? — indagou ele, correndo até a cama.

A mulher continuava imóvel, com o rosto impassível. Salgado começou a tremer.

*

Maria estava se aprontando para ir à igreja, quando Úrsula chegou. Estava maquilada, com os cabelos penteados e as unhas feitas. Ao ver a irmã toda produzida, indagou:

— Puxa, Úrsula, é você mesma? Nem parece a minha irmãzinha!

— Estou bonita?

— Você está linda. Onde vai?

— Vou a uma festa.

— Com o Rodrigo?

— Sim, eu só saio com ele.

Maria não tinha o que recriminar. No fundo, já estava até começando a aceitar Rodrigo, apesar de seus antecedentes. Podia julgá-lo pelo que Úrsula dizia. Ele a protegia, cuidava dela, dava-lhe roupas, levava a passeios e festas e nunca tocara nela. A própria Úrsula havia confessado que não fora por falta de iniciativa dela. Bem que tentara seduzí-lo, mas Rodrigo havia digo que só a tocaria quando se casassem. Como recriminar um homem desses?

— Onde vai ser a festa hoje? — indagou à irmã.

— Numa casa de campo, fora da cidade.

— Deve ser uma festa especial, porque nunca vi você tão produzida.

— Na realidade, vai haver um concurso de beleza.

— E você vai participar?

— O que tem? Posso ganhar uma viagem a Cancun, dois mil e quinhentos dólares, fora um contrato, se algum caça-talentos for com a minha cara. Já pensou este rostinho aqui saindo nas capas de revistas do mundo inteiro? — indagou Úrsula, vaidosa, indo se postar diante do espelho e conferir a maquilagem.

Era pura vaidade. Maria pensou em lhe dizer algumas coisas, mas desistiu. Úrsula era tão nova e estava deslumbrada com a vida. Felizmente nada a ameaçava. O melhor a fazer era deixá-la viver a vida da forma como queria e, na medida do possível, ir pondo-a em contato com a Palavra.

Quando chegasse o momento certo, com a graça de Deus, Úrsula também entregaria seu coração a Cristo.


 

Capítulo 8

 

 

“Autoridades do povo e vós, anciäos, se nós hoje somos inquiridos acerca do benefício feito a um enfermo e do modo como foi curado, seja conhecido de vós todos e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, säo diante de vós.

Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. Em nenhum outro há salvaçäo, porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos. (At 4:8-12)

Miguel estava eufórico com tudo o que via. O templo era enorme, com um espaço amplo onde circulavam os pastores. Obreiros cuidavam para que todos permanecessem acomodados, levando-os até as cadeiras vazias, orientando-os.

Segurando a mão do pai, ele olhava para este e para Soninha, sua irmãzinha, que ele conduzia pela mão. Ela também estava deslumbrada com tanta grandiosidade, com a receptividade, com a maneira cordial com que todos se cumprimentavam.

Quando o culto começou, os dois se olhavam, contagiados pela alegria e pela animação com que todos cantavam. Um obreiro lhes entregou um livro de orações. Miguel começou a acompanhar a música, ensinando o refrão para sua irmã.

Ao lado, com o rosto ainda sombrio e o coração compungido, Salgado se sentia indigno de estar ali, no meio daquelas pessoas de fé. Ele estava mais acostumado a freqüentar os terreiros, onde as entidades das trevas circulavam livremente. Ali havia luzes, rostos sorridentes e amigos, num ambiente que não o deixava à vontade.

Viu, porém, a animação de seus filhos e isso por si só já justiricava sua presença.

Após o hino, o pregador pediu que as pessoas se apresentassem e se cumprimentassem. As crianças adoraram conhecer tantas pessoas, que ficaram encantadas com a graça e com a educação dos dois. Salgado, aos poucos, foi se deixando envolver por aquele clima, sem o perceber.

O pastor pediu que as pessoas que ali estavam pela primeira vez se identificassem.

— Levanta a mão, papai! — pediu Soninha, cutuvando-o.

Ele olhou. Ela e Miguel tinham levantados as duas mãos. Um anto sem graça, ele fez o mesmo. Foram saudados e o culto teve prosseguimento. Salgado olhava ao seu redor, observando como aqelas pessoas pareciam tão tranqüilas.

Chegou o momento do pastor Messias assumir o púlpito. Até então ele estava a um canto, meditando e orando. Ao chegar ao microfone, ainda de cabeça baixa, ele ficou em silêncio por instantes. Todos ficaram em silêncio com ele e se uma agulha tivesse caído no chã, naquele momento, o som seria ouvido por todos.

— Obrigado, Senhor, por trazer até nós o nosso irmão, que estava perdido entre as imagens e ídolos e agora está aqui, à procura do Deus Vivo, do verdadeiro Deus! Obrigado, Senhor, por esta jovem que resgatas da solidão, do vício, das influências maléficas e a coloca, renovada e ansiosa pela Palavra, aqui entre nós…

Salgado sabia que as primeiras palavras eram para ele, tanto quanto Michele, no canto oposto do templo, sabia que o segundo agradecimetno era pela sua presença. Ao seu lado, feliz e confiante, estavam Alfredo e Míriam, amparando-a e dando-lhe forças.

Enquanto ele continuava seus agradecimentos, Maria acompanhava com fervor, pois vira Salgado e as crianças entrando. Ficou muito feliz por eles.

A pregação continuou. O pastor Messias falou sobre as ilusões do mundo, sobre o dinheiro, sobre o pecado, sobre as obras do diabo e como tudo isso se entrelaçava, enganando as pessoas. Falou sobre a justiça divina e sobre o perdão. Descreveu como um cristão pode mudar sua vida, simplesmente aceitando o Deus Vivo em seu coração, reconhecendo o Senhor Jesus como seu único salvador.

Salgado via no rosto das pessoas como eles bebiam aquelas palavras e como seus rostos se iluminavam. Sentiu-se pequeno, um grão de areia no deserto, invejando a fé que transbordava dos olhos de cada um dos presentes.

Acreditou que jamais poderia ser como um deles. Havia pecado demais. Havia descido fundo demais no poço das iniqüidades e agora não havia salvação. Cometera adultério, entregara sua vida ao diabo, através de seus asseclas, estava desesperado, prestes a cometer um ato de loucura.

Numa cama de hospital sua esposa agonizava. Sua amante desparecera de sua vida. Seus bens estavam sendo dilapidados pelos juros exorbitantes cobrados pelo agiota e pelos bancos. Tinha uma dívida enorme e não sabia como pagá-la. Prometera à filha mandá-la para a Disneilândia e não poderia cumprir a promessa. Tinha dois carros e os perderia. A casa teria de ser vendida para pagar as dívidas e, mesmo assim, não conseguiria sair do buraco, com o monte de duplicatas e cheques sem fundo em que se transformara todo o seu estoque.

O pastor chamou à frente pessoas para darem seus testemunhos. Muitas falaram de doenças que haviam sido curadas pela fé. Miguel e Soninha acompanhavam com atenção, principalmente a garotinha, que havia ido apenas uma vez ao hospital e, ao ver a mãe ligada a tubos e aparelhos, ficara chocada.

Um menino disse que o pai havia sido curado de um tumor. Uma senhora afirmou que sua filha tinha um câncer do cérebro e ficara curada. As maravilhas operadas por obra do Espírito Santo iam sendo relacionadas e aplaudidas.

Assim que terminaram, o pastor indagou:

— Há alguém aqui que gostaria de fazer um pedido especial por algum familiar ou amigo doente? Escrevam o pedido nos papéis que os obreiros vão distribuir, depois entreguem de volta. Vamos fazer uma corrente de oração e…

Interrompeu-se. Toda a igreja parou, observando o que acontecia. Soninha havia deixado seu pai e seu irmão e subia decididamente os degraus que a levavam ao local onde estava o púlpito. Ao vê-la, o pastor Messias a reconheceu.

— Eu quero! — disse ela.

Um obreiro se adiantou para dizer a ela que os pedidos tinham de ser escritos, mas o pastor o impediu com um gesto.A menina se aproximou. O pastor apanhou o microfone e se abaixou junto dela.

— Como é seu nome, querida?

— Soninha!

— Você veio sozinha, Soninha?

— Não, estou com meu pai e meu irmão. Olhe os dois ali — apontou ela.

O pastor olhou na direção de Salgado, que se viu embaraçado pelo que a filha estava fazendo.

— E que pedido você quer fazer, Soninha?

— Quero pedir a Jesus que cure a minha mãe. Ela está no hospital, sofrendo muito e eu não quero que ela sofra mais. Você pede para Jesus curar ela?

Lágrimas vieram aos olhos do pastor.

— Sim, querida, eu peço. Mas você acha que Ele pode mesmo curar sua mãe?

— Ele curou toda essa gente, não curou? Então é claro que Ele pode curar a minha mãe.

O pastor se levantou, sem disfarçar sua emoção.

— Oh, Senhor, tu que disseste deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque delas é o reino dos céus, aceita a nossa oração e atenda ao pedido desta inocente que confia em Ti, tanto quanto nós confiamos. Meus irmãos, peço a todos que se unam a mim em oração pela saúde da mãe desta criança. Se ela está aqui, pedindo isso, é porque o Espírito Santo assim o determinou. Ergamos nossos braços para implorar a Ele — pediu o pastor.

O silêncio da igreja foi quebrado por um murmúrio que foi aumentando, seguindo o tom ditado pela oração do pastor. Em questão de minutos, toda a igreja orava e o som parecia o estrondo de mil trovões, afugentando demônios e espíritos imundos.

Sem perceber, Salgado fazia a mesma coisa, seguido por Miguel, que orava com muito fervor. A oração durou alguns minutos, mas pareceu ter durado séculos, tamanha foi a intensidade com que o comerciante se entregou a ela. Quanto terminou, sentiu-se leve e contente. Começou a rir, sem entender o que se passava.

Naquele momento, o celular que estava preso a sua cintura, ligado para vibrar se fosse chamado, deu o sinal. Ele ficou sem saber o que fazer. No mesmo momento, porém, pensou na esposa. Podia ser o hospital informando que ela havia falecido.

Como todos estavam em pé ainda, ele se sentou e atendeu, falando baixinho.

— Salgado, venha para o hospital agora mesmo. Aconteceu um milagre!

*

Maria estava muito feliz com o que acontecera. Salgado saíra apressado, com os filhos, rumando para o hospital. O médico que ligara informara que, por mais incrível que pudesse parecer, sua esposa havia melhorado, pedido para retirar os tubos e aparelhos e para que lhe trouxessem uma canja. Em agradecimento, ela orou com todo o seu fervor.

O culto chegava ao fim, quando uma amiga sua chegou até ela.

— Maria, tenho uma coisa para lhe contar e você não vai gostar — disse, demonstrando preocupação. — Vamos lá fora.

Maria a acompanhou, assustada.

— Maria, é a Úrsula. Ela foi numa festa, não foi?

— Sim, foi com o Rodrigo. Aconteceu alguma coisa? Meu Deus! Um acidente, não foi?

— Não, Maria, antes fosse! — afirmou a amiga, causando estranheza na moça, que a encarou sem entender.

— Maria, sabe que tipo de festa é essa?

— Não tenho a menor idéia, mas sei que é só de gente fina e…

— Não é gente fina. As meninas que estão lá vão ser leiloadas. São todas virgens e quem dar o maior lance fica com elas, você entendeu?

Maria não podia acreditar em tamanha sordidez. Isso não podia estar acontecendo com sua irmã, não com Úrsula, tão inocente, tão ingênua, tão envolvida pelos encantos de Rodrigo.

— Como você ficou sabendo disso?

— Uma das meninas descobriu e pulou fora. Só me contou agora, pedindo segredo.

— E onde vai ser isso?

— Ninguém sabe.

— Tenho que avisar a polícia…

— É bobagem, Maria. Só tem gente importante envolvida. Se fizer isso, quem acaba se enrolando toda é você, entendeu?

— Mas não posso deixar que uma coisa dessas aconteça a minha irmã — disse Maria, levantando os olhos.

Relâmpagos iluminavam o céu. Aquele tempo fechado persistira todo o dia. Possivelmente desabaria uma tempestade em breve. Aflita, ela não soube o que fazer.

Lá dentro encerrava-se o culto. Maria apertou sua Bíblia ao peito e orou:

— Senhor Jesus, Deus Vivo e nosso Salvador, zela por minha irmãzinha, esteja ela onde estiver. Traga-a em segurança para casa. Não permita que a maldade dos homens destrua a sua inocência. Oh, Senhor, eu te peço de todo o meu coração, atenda o pedido de sua serva, para glória do teu nome…

Enquanto isso, longe dali, numa passarela, vestindo um biquíni minúsculo, com os olhos vermelhos de chorar, Úrsula era empurrada e obrigada a iniciar seu desfile, sob os olhares cheios de cobiça de todos os homens ali presentes.

*

Sempre acompanhada de seus amigos, Michele deixou a igreja, sentindo-se renovada. Era como estar de volta ao lar, revendo pessoas queridas, sentindo de novo aquele clima gostoso e conhecido.

— Como se sente agora? — indagou Alfredo.

— Estou bem, muito aliviada.

— Acha que vai conseguir superar seus problemas?

— Com amigos como vocês me ajudando, com toda certeza farei isso. Amanhã vou ao médico, cuidar da minha saúde. Vou precisar de ajuda para parar de beber,mas vou conseguir.

— Vai encontrar toda a ajuda aqui, entre nós, Michele — afirmou Alfredo.

Miriam se despediu. Michele e Alfredo caminharam juntos, de volta para casa.

— Tem alguma coisa incomodando você, Alfredo? — perguntou ela.

— Sim, posso lhe fazer uma pergunta?

— Claro que sim. O que é?

— O que sentiu quando viu o Salgado lá na igreja?

Ela pensou por instantes.

— Vi a loucura que eu estava fazendo. Fiquei com pena de mim e com pena dele. Está tão acabado quanto eu.

— Soube que ele anda com muitos problemas, não só em relação à esposa, mas também na firma. Está com uma dívida muito grande.

— Eu me sinto culpada por tanta coisa… — lamentou-se a garota.

— Não, você não deve se sentir assim. O que aconteceu deve ser esquecido. Você deve buscar agora o perdão e abrir-se de novo para receber Cristo de volta em seu coração.

— Acho que devemos orar por todos nós, então — concluiu ela.

— Sim, faremos isso. Vamos pedir ao pastor para sugerir ao seu Salgado participar de uma corrente de prosperidade. Tenho certeza que tudo se resolverá, com a graça de Deus.

— Sim, Alfredo, com a graça de Deus! — confirmou a garota, estendendo a mão e segurando a dele.

Caminharam juntos e confiantes em direção ao futuro.

*

Desabou uma verdadeira tempestade. Em sua casa, Maria não sabia o que fazer. Ligara para a polícia, mas nem quiseram lhe dar ouvidos, porque ela não tinha nenhuma informação concreta. O policial que a atendeu achou até que fosse um trote.

Ela estava desesperada e não queria contar nada a seus pais para não lhes causar desgosto. Orou o tempo todo, pedindo ao seu Deus Vivo que abrandasse o coração daqueles que haviam levado sua irmãzinha a tão sórdido espetáculo.

Na janela, olhando a chuva cair com violência, punha-se no lugar da irmã e tentava imaginar o terror que ela deveria estar enfrentando. Para uma criatura inocente como Úrsula, entrar em contato com o que havia de mais sujo no mundo seria um trauma de difícil recuperação.

— Senhor, tu que disseste, em Lucas 11, versículos 9 e 10, pedi e dar-se-vos-á, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á, pois todo o que pede, recebe e quem busca, acha e ao que bate, abrir-se-lhe-á, eu te peço, traze de volta, sã e salva, minha irmãzinha! Ouve, ó Senhor, a súplica de tua serva, pela graça de Deus e pela proteção do Espírito Santo.

Nesse instante, Maria sentiu como se um véu suave descesse sobre ela, tirando-lhe todo o medo e toda a preocupação. Lá fora o vento deixou de soprar e chuva parou. Ele teve certeza que sua irmão estava bem.

Saiu ao portão. A enxurrada ainda corria pela sarjeta, provando a força daquela chuva. Ela não soube quanto tempo ficou ali, esperando. Quando aquele carro parou e um jovem desceu, indo abrir a porta para que Úrsula descesse, Maria caiu de joelhos e agradeceu ao Senhor.

— Maria, está tudo bem — disse Úrsula, ajoelhando-se junto da irmã e abraçando-a.

O rapaz se aproximou. Maria se levantou, encarando-o, sem saber se o recriminava ou se o agradecia.

— Eu a encontrei na estrada e a trouxe — explicou ele.

Maria voltou os olhos cheios de interrogações para a irmã.

— Maria, foi tudo mentira, o Rodrigo é um canalha. A festa não era nada daquilo…

— Sim, eu fiquei sabendo. Aconteceu alguma coisa com você?

— Não, nada. Quando eu estava desfilando, começou a chuva. Caiu um poste e acabou a luz. Eu fugi pela porta. Corri no meio da chuva, até passar esse rapaz, que me trouxe…

— Glória a Deus! — murmurou Maria, convidando o rapaz para entrar.

Ele se apresentou. Seu nome era Mário e era um recém-convertido.

— Se eu lhe contar uma coisa, vocês prometem que não vão rir de mim? — falou ele, com gravidade, enquanto tomava um café passado na hora.

— Conte, o que pode ser tão engraçado assim.

— Eu moro nas proximidades do local onde encontrei Úrsula. Eu estava lendo a Bíblia, coisa que faço sempre antes de dormir, quando me deu vontade de pegar o carro e sair. Olhei pela janela. Os relâmpagos e trovões não recomendavam sair, mas havia uma força me empurrando. Eu até disse: Senhor, se for por tua vontade, farei o que me pedes. E saí. Começou a chuva. Eu nem sabia para que lado ir. Simplesmente dirigi na chuva, até ver Úrsula, desesperada, pedindo carona. Vocês são capazes de acreditar numa coisa dessas?

Maria olhou para ele e para Úrsula. Sorriu e seu sorriso demonstrava que acreditava em cada palavra que Mária havia dito.


 

Epílogo

 

 

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, näo temerei mal algum, porque tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado me consolam. (Sl 23:4)

A esposa de Salgado sarou. Assim que se recuperou totalmente, a família toda foi à igreja e recebeu Jesus com muita fé e muita alegria. Homens de negócio de nossa igreja, sabedores do problema enfrentado por ele em sua empresa, prontificaram-se a ajudar, já que também enfrentavam os mesmos problemas. Organizaram uma empresa de cobrança e renegociaram seus débitos e créditos, organizando sua vida financeira rapidamente. Soninha adorou a Disneilândia e Miguel é hoje um dos jovens mais atuantes do seu grupo. Maria é gerente da firma agora e está toda feliz, ajudando Úrsula com o enxoval. Ela e Mário estão namorando sério.

Alfredo e Michele estão de casamento marcado. Ela não só se recuperou do vício da bebida como fez algo que surpreendeu às paoucas pessoas que ficaram sabendo. Reuniu tudo que Salgado havia lhe dado ao longo do tempo, inclusive o carro, vendeu e entregou o dinheiro no hospital, terminando o resto da dívida da internação da esposa do Salgado.

Rodrigo foi preso. Pai Nozinho está sendo procurado por charlatanismo.

 L P BAÇAN.

Como é difícil sustentar nossa fé hoje em dia

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Neste mundo os homens são julgados pela habilidade com que fazem as coisas.

São avaliados de acordo com a distância que cobriram na esca­lada do monte da realização. No sopé jaz o fracasso total; no topo o sucesso completo; e entre esses dois extremos a maioria dos homens civilizados sua e labuta, da juventude à velhice.

Alguns desistem e escorregam para o sopé, e se tornam ocupan­tes da Fileira do Raspa-Chão. Ali, perdida a ambição e rota a vontade, subsistem graças a empréstimos, até a natureza executar-lhes a hipo­teca e a morte os levar.

No alto estão os poucos que, por uma combinação de talento, árduo trabalho e boa sorte, conseguem chegar ao pico, e ao luxo, fama e poder que ali se encontram.

Mas nisso tudo não há felicidade. O esforço para ter sucesso exerce muita pressão sobre os nervos. A excessiva preocupação com a luta pela conquista aperta a mente, endurece o coração e veda mil visões fulgurantes que poderiam ser desfrutadas se tão-somente houvesse tempo para vagar e assim notá-las.

O homem que chega ao pináculo raramente é feliz por muito tempo. Logo é devorado por temores de que pode escorregar uma estaca abaixo e ser forçado a dar seu lugar a outro. Acham-se exemplos   disto  no  modo  febril   como   o   astro   da   TV   observa   a classificação do seu valor, e como o político examina a sua corres­pondência.

Faça-se saber a um magistrado eleito que um levantamento de dados mostra que ele é dois por cento menos popular em agosto do que fora em março, e ele começa a suar como um homem a cami­nho da prisão. O jogador de bola vive por suas médias de rendimento no campo, o homem de negócio por seu gráfico ascendente, e o concertista pelo medidor dos seus aplausos. Não é incomum suceder que o lutador desafiante no ringue chore abertamente por não conseguir nocautear o campeão. Ser o segundo colocado o deixa completamente desconsolado;  tem de ser o primeiro para ser feliz.

Esta mania pelo sucesso é a preservação de uma coisa boa. O desejo de cumprir o propósito para o qual fomos criados é, por certo dom de Deus, mas o pecado retorceu este impulso e fez dele uma cobiça egoísta pelo primeiro lugar e pelas honras das altas posições. O mundo inteiro dos homens e arrastado por esta cobiça como por um demônio, e não há escape.

Quando vamos a Cristo entramos num mundo diferente. O Novo Testamento nos apresenta uma filosofia espiritual infinitamente mais elevada do que a que motiva o mundo, e inteiramente contrária a ela. Conforme o ensino de Cristo, os humildes de espírito são bem-aven­turados; os mansos herdam a terra; os primeiros são os últimos, e os últimos são os primeiros; o maior homem é aquele que serve melhor os outros; o que perde tudo é o único que por fim possuirá tudo; o homem do mundo coroado de êxito verá os tesouros que acumulou serem varridos pela tempestade do juízo; o mendigo juste vai para o seio de Abraão, e o rico arde nas chamas do inferno.

Nosso Senhor morreu em aparente fracasso, desacreditado pelos líderes da religião estabelecida, rejeitado pela sociedade e abandona­do pelos Seus amigos. O homem que O mandou para a cruz foi o estadista de sucesso cuja mão o ambicioso mercenário político beijara. Coube à ressurreição demonstrar quão gloriosamente Cristo havia triunfado e quão tragicamente o governador tinha fracassado.

Contudo, a impressão que se tem hoje é que a igreja não apren­deu nada. Continuamos vendo como os homens vêem e julgando à maneira do julgamento humano. Quanto trabalho religioso feito com o ativismo do pastor tem por motivação o desejo carnal de fazer e bem! Quantas horas de oração são gastas pedindo-se a Deus que abençoe projetos arquitetados para a glorificação de pequeninos ho­mens!  Quanto dinheiro sagrado é  despejado sobre  homens  que,  a despeito dos seus lacrimosos apelos, só procuram realizar uma bela e carnal exibição.

O cristão verdadeiro deve fugir disso tudo, Especialmente os ministros do Evangelho devem sondar os seus corações e examinar lá no fundo os seus motivos íntimos. Ninguém merece sucesso enquan­to não estiver disposto a fracassar. Ninguém é moralmente digno de sucesso nas atividades religiosas enquanto não quiser que a honra da vitória vá para outrem, se for esta a vontade de Deus.

Deus talvez permita que o Seu servo tenha êxito depois de o ter disciplinado, a tal ponto que ele não precise vencer para ser feliz. O homem a quem o sucesso exalta e o fracasso abate é carnal ainda. Na melhor das hipóteses, o fruto que der terá bicho.

Deus permitirá sucesso a Seu servo quando este aprender que o sucesso não o torna mais caro a Deus, nem mais valioso no esquema global das coisas. Não podemos comprovar o favor de Deus com grandes reuniões ou apresentando conversos ou com novos missionários enviados ou com a distribuição de Bíblias. Todas estas coisas podem ser realizadas sem o auxílio do Espírito Santo. Uma boa personalidade e um penetrante conhecimento da natureza huma­na é tudo que qualquer pessoa necessita para ser um sucesso nos círculos religiosos hoje.

A nossa grande honra está em sermos precisamente o que Jesus foi e é. Ser aceito pelos que O aceitam, rejeitado pelos que O rejeitam, amado pelos que O amam e odiado por todos os que O odeiam — que maior glória poderia advir a alguém?

Podemos dispor-nos a seguir a Cristo rumo ao fracasso. A fé se arrisca a falhar. A ressurreição e o juízo demonstrarão perante os mundos todos, quem ganhou e quem perdeu. Podemos esperar.

A.W. Tozer

Fonte : Título original, “A Fé se Arrisca a Falhar”, do livro, “O Melhor de A.W. Tozer”.

Blog DISCERNIMENTO CRISTÃO.

O Doador da Paz

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Qamar Zea (Muçulmano da Índia convertido ao Cristianismo)

Quando eu tinha por volta de dezesseis anos de idade, freqüentava o oitavo ano numa escola pública no sul da Índia. Entretanto, logo tive que abandoná-la por causa da enfermidade de meu pai. Depois me enviaram para estudar numa escola cristã perto de minha casa. Desde o instante em que ali entrei, notei uma professora cristã, diferente de todas as outras pessoas que já havia conhecido.

Observei sua maneira carinhosa de falar, sua amabilidade para com todos os estudantes e a grande dedicação ao trabalho. Sua vida impressionou-me tanto que fique um pouco confusa. Como é possível que um ser humano seja assim?

Mais do que uma vez eu me perguntava. Depois percebi que era porque o Espírito de Deus estava nela.

Nessa escola comecei a analisar a Bíblia. Dois dias por semana estudávamos o Antigo Testamento e outros dois dias, o Novo. Um dia fazíamos trabalho de memorização, aprendendo passagens bíblicas e muitas canções. A princípio, eu não estudava com vontade; ao contrário, fazia-o com indiferença. Como havia ouvido dizer que os cristãos eram blasfemos, nem sequer em seu livro eu gostava de tocar.

Em certa ocasião, estávamos lendo o capítulo 53 de Isaías e memorizando algumas passagens, coisa muito difícil para mim. Foi durante o estudo desse capítulo que Deus, pela Sua graça, mostrou-me que nesse livro havia vida e poder. Então comecei a perceber que Jesus vive para sempre. Assim, o Senhor colocou fé em meu coração e cri em Jesus como meu Salvador e perdoador dos meus pecados. Somente Ele podia me salvar da morte eterna. Nesse momento, percebi também quão pecadora eu era. Até então, pensava que minhas boas obras me salvariam.

Um poder de vida começou a operar em mim. Quando Satanás tentava enlaçarme em suas cadeias e redes, eu podia resistir a ele lendo o Novo Testamento e confiando em Cristo. Ele me proveu de amigos cristãos que me deram um lar.

Depois de algum tempo fui batizada. Então, com fé plena, pude dizer que Jesus Cristo é o doador da salvação e da paz. Tal paz não pode ser dada pelo mundo; é um dom de Deus.

Isto até aqui relatado é uma breve história pessoal escrita pela própria Qamar Zea.

Depois, ela foi para Karachi com sua família, procedente do sul da Índia, pouco depois da divisão do país. Um amigo escreveu a uma obreira cristã, que foi ao seu encontro e ficou surpreendida com seu encanto e beleza. Nos poucos momentos que puderam conversar em particular, Qamar pediu à missionária que à noite lhe trouxesse um Novo Testamento. Logo, ela se foi de Karachi e não voltaram a se encontrar por sete anos, quando Qamar a procurou porque teve que abandonar o lar, pois estavam planejando seu casamento. Esse pequeno Novo Testamento, lido secretamente, tinha mantido viva sua fé, sem a ajuda de nenhum ser humano. Seus familiares seguiram-na para discutir com ela, e conseguiram que ela voltasse para visitar sua mãe por alguns dias.

Quando regressou com a missionária, foi enviada ao Norte, a Sahiwal, em Punjab, para morar na casa das enfermeiras do hospital cristão. Ali desfrutou do feliz companheirismo de outras moças cristãs, e preparou-se para seu batismo, depois do qual mudou seu nome para Ester. Ela participava totalmente da vida do hospital e se regozijava quando podia fazer o mais simples favor a alguém ou colaborar no evangelismo.

Mais tarde, foi ao Centro Unido de Treinamento Bíblico em Gujranwala. Como foi uma ótima aluna, de mente inquisidora, que não ficava satisfeita com soluções superficiais, conseguiu obter um discernimento e um domínio das Escrituras que envergonhava muitos cristãos maduros. Amava a Bíblia, e antes mesmo de seu batismo havia declarado: “Sinto que Deus quer que eu seja professora da Bíblia.

Este livro tem grande poder. Quero que faça por outros o que fez por mim.”

Durante umas férias de verão em Sahiwal ficou gravemente enferma, o que constituiu grande provação para ela. Deus deu-lhe vitória depois de muitas lágrimas e dúvidas, e sua saúde foi completamente restaurada.

Quando terminou seu curso, mudou-se para uma pequena cidade chamada Chichawatni. Ali, uma obreira cristã convidou-a para morar em sua casa e trabalhar com ela. Assim, instalou-se em seu novo lar, numa propriedade com muita água e sombra, no meio de árvores floridas. Ela costumava dizer que Chichawatni era seu precioso lar. Adotou o vestuário do lugar, que consistia em calças largas, em lugar do sari indiano e fez de tudo para aprender a língua punjab, embora nunca tenha conseguido dominá-la totalmente. Aprendeu a andar de bicicleta, algo que não é muito comum entre as mulheres do Paquistão, e quando ela e uma senhora de idade avançada saíam pedalando para visitar alguma cidadezinha ou aldeia vizinha, muitos curiosos se voltavam para vê-las.

Com essa senhora, ia a lares muçulmanos nos quais, segundo o costume, as mulheres ficavam reclusas a maior parte de suas vidas. Logo reconheceram que ela era de uma família muçulmana, e alguém lhe disse uma vez: “Em seu rosto ainda se reflete a luz do santo profeta Maomé!” Mas quando Ester começava a contar sua história e a falar de Jesus, o Messias, a admiração transformava-se em confusão e hostilidade. Com freqüência lhe perguntavam: “ Como pode fazer isto?”, ao que respondia: “A graça de Deus está sobre mim.” Então, com histórias, desenhos e cânticos, contava-lhes as boas novas de Jesus Cristo, e freqüentemente as pessoas a ouviam com fascínio. Às vezes zombavam dela e a rejeitavam, mas isso não a desanimava.

Quando passava o forte verão e entrava o inverno, ela ia com os missionários aos seus acampamentos nas vilas. Ficavam ali por cinco ou seis dias, ministrando os ensinamentos básicos à pequena congregação composta de gente pobre e, na sua maioria, analfabeta. Ester se deleitava, indentificando-se com eles e acompanhando os cânticos com o ritmo de seu tambor. Reunia-se com os colhedores de algodão, admirando a beleza da paisagem. No Natal estavam de volta e Ester se dedicava ao treinamento dos jovens para a apresentação de um bonito drama natalino.

Aqueles foram dias felizes. Entretanto, sua família escrevia-lhe freqüentemente, pressionando-a para que voltasse para casa. Ela preparou suas malas com a intenção de voltar no final do ano, mas não sentia paz em relação a isso. Depois de muita oração, sentou-se e escreveu uma carta, na qual colocava suas condições para regressar: que lhe permitissem viver como cristã e que não a obrigassem a se casar.

Enviou a carta registrada pelo correio, mas nunca obteve resposta. Foi acampar por mais um mês com seus amigos cristãos, voltando prontamente com eles a Chichawatni, pois os pastores e evangelistas da região iam celebrar sua reunião mensal. Nessa noite, ela se encontrava ocupada, dando brilho nas panelas e cantando alegremente. Estava com um leve resfriado e por isso deitou-se mais cedo. A casa estava cheia de visitas. De alguma forma, um inimigo conseguiu entrar enquanto todos dormiam. Pela manhã, ela não saiu. Foi encontrada morta em sua cama, com a cabeça esmagada por algum instrumento pesado e cortante.

Foi enterrada no cemitério cristão de Sahiwal. Muçulmanos e cristãos foram ao serviço fúnebre e repetiram as palavras triunfantes de: “ Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida.” A polícia vasculhou a casa e estudou cuidadosamente seus livros e cartas, procurando alguma pista, talvez algum bilhete de um pretendente desiludido. A informação final ao dono da casa foi: “ Senhor, não achamos pista nenhuma: ela estava somente enamorada de seu Cristo.” Uma bonita capela para uso do pessoal e dos pacientes, situada no terreno do hospital cristão de Sahiwal, constitui uma homenagem em sua memória.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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