O Pior Homem do Mundo e o Perdão de Deus

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A Conversão do Pior Homem do Mundo

 2 Cr. 33.1-16. 

INTRODUÇÃO

1. A história está eivada de homens maus

Os anais da história estão repletos de homens que deixaram um rastro sombrio na nossa lembrança: Homens facínoras, assassinos, feiticeiros, monstros bestiais, pervertidos celerados e déspotas sanguinários. Homens incendiários como Nero. Homens traidores como Judas. Homens perversos como Hitler. Homens truculentos como Mao Tse Tung.

Mas, talvez, nenhum homem tenha excedido em perversidade a Manassés. Esse rei foi o décimo terceiro rei de Judá. Reinou 55 anos, de 697 a 642 a.C. Seu nome significa “Aquele que esquece” e ele esqueceu-se de Deus.

2. Poderia a graça de Deus alcançar aqueles que descem até às profundezas da degradação?

Normalmente achamos que há pessoas irrecuperáveis. Que há pecadores que estão fora do alcance da graça. A história de Manassés vai nos mostrar que não há poço tão fundo que a graça de Deus não possa ser mais profunda. A graça é maior do que o pecado. Onde abundou o pecado superabundou a graça.

I. OS PRIVILÉGIOS DE MANASSÉS

1. Ele era filho de um pai piedoso

Ele cresceu bebendo o leite da verdade e sugando o néctar da piedade. Ele cresceu num lar onde Deus era conhecido e amado. Mas a piedade dos pais não é garantia que os filhos seguirão o mesmo caminho. Manassés tinha exemplo. Tinha modelo dentro de casa. Seu pai promoveu uma grande reforma espiritual em Judá depois do desastrado reinado de Acaz. Ele limpou a casa de Deus.

2. Ele assumiu o trono ainda jovem – v. 1

Manassés nasceu num berço de ouro e começou e assumiu o trono de Jerusalém com doze anos de idade. Ele só teve privilégios na vida. Ele esbanjou suas oportunidades. Ele desperdiçou todas as coisas boas que Deus estava lhe dando desde cedo na vida.

3. Ele teve o reinado mais longo de Judá – v. 1

Ele teve muito tempo para andar com Deus, para fazer o que era certo e para arrepender-se dos seus pecados. Ele governou 55 anos e nesse tempo ele fez o que era mau perante o Senhor. Ele entupiu Jerusalém e a Casa de Deus de idolatria e se prostrou em altares de estranhos deuses, provocando o Senhor à ira.

4. Ele teve a advertência de Deus – v. 10

Deus não o deixou errar sem advertência. Deus o alertou, o corrigiu. Enviou-lhe profetas, mas ele e o povo não quiseram ouvir a voz de Deus. Fecharam o coração. Endureceram a cerviz. Taparam os ouvidos à Palavra e à voz da consciência.

II. OS PECADOS DE MANASSÉS

1. Ele liderou o povo a pecar contra Deus v. 2,9

Manassés foi um líder mau. Ele usou sua influência para desviar as pessoas de Deus. Ele levou sua nação a fazer coisas piores do que as nações pagãs (v. 9). Ele tornou a edificar os altos, liderou o povo na adoração de Baal. Ele se prostrou diante de todo o exército dos céus (v. 3). Ele adorava as estrelas. Ele tornou-se um viciado em astrologia. Ele tornou-se um místico inveterado. Tornou-se um apóstata, um náufrago na fé.

2. Manassés profanou a Casa de Deus – v. 4,5,7

Ele fez pior que Acaz que fechou a casa de Deus. Ele introduziu ídolos abomináveis dentro da Casa de Deus. Ele profanou a Casa de Deus. Ele insultou a santidade de Deus e do culto.

3. Ele se tornou um feiticeiro inveterado – v. 6

A feitiçaria de Manassés chegou a ponto dele sacrificar seus próprios filhos a Moloque. Ele era adivinho. Era agoureiro. Praticava feitiçaria. Tratava com necromantes. Ele consultava os mortos. Ele era feiticeiro, espírita, pai de santo. Ele provocava o Senhor à ira.

Há muitas pessoas mergulhadas até o pescoço com feitiçaria, com espiritismo, com astrologia, com consulta aos mortos, com misticismo pagão.

4. Ele derramou muito sangue inocente – 2 Rs 21.16

Ele matou seus próprios filhos. Matou filhos de outras pessoas. Ele mandou cerrar ao meio o profeta Isaías. Flávio Josefo diz que todos os dias se sacrificavam pessoas em Jerusalém a mando de Manassés. Ele era um homem mau, virulento, truculento, assassino e sanguinário.

III. O JUÍZO DE DEUS SOBRE MANASSÉS

1. A prisão de Manassés – v. 11

Quem não escuta a voz da Palavra, escuta a voz da chibata. Quem não atende a voz do amor, é arrastado pela dor. O rei da Assíria prende Manassés com ganchos, amarra-o com cadeias e o leva cativo para a Babilônia.

2. A humilhação de Manassés – v. 11,12

Manassés desceu ao fundo do poço. Ele é arrancado do trono, de Jerusalém. É levado como um bicho, com canga no pescoço, em anzóis em sua boca e jogado numa prisão. Ele é levado para a Babilônia, o centro da feitiçaria do mundo. Os ídolos da Babilônia que ele adorava não puderam livrá-lo.

3. A angústia de Manassés – v. 12

O pecado não compensa. Quem zomba do pecado é louco. O homem será apanhado pelas próprias cordas do seu pecado. Manassés está cativo, algemado, angustiado. Quem não escuta a voz, escuta a vara.

IV. A CONVERSÃO DE MANASSÉS

1. A infinita graça de Deus – v. 13

Quando lemos essa história temos a vontade de dizer: agora bem feito! Ele deve pagar por todas as suas atrocidades. Mas, este homem clama a Deus e o Senhor o salva. Deus é rico em perdoar. Ele tem prazer na misericórdia. Não há causa perdida para ele.

Deus mandou Manassés para a prisão, para não mandá-lo para o inferno. É um acidente, uma doença, uma tragédia familiar. Deus está pronto a mover o céu e a terra para que você não pereça.

2. A humilhação de Manassés – v. 12

A conversão começa com o arrependimento, com a tristeza pelo pecado, com a consciência de que temos feito o que é mau perante o Senhor. Manassés muito se humilhou perante Deus. Ele caiu em si. Ele reconheceu seu erro. Ele não se justificou, nem endureceu seu coração. Ele se curvou, se humilhou. Se arrependeu.

3. A oração de Manassés – v. 12

Manassés vivera toda a sua vida invocando os mortos, adorando os ídolos, levantando altares aos deuses pagãos. Mas, agora, na hora do aperto, ele ora ao Deus do céu e este atende ao seu clamor. Clame por Deus. Grite por socorro. Levante a sua voz. Ainda há esperança para a sua alma.

4. A salvação de Manassés – v. 13

Quando Manassés voltou-se para Deus, Deus voltou-se para ele. Restaurou sua vida, seu reino, sua alma. Manassés, então reconheceu que o Senhor é Deus. Deus o aceitou. Deus o restaurou. Deus o levantou. Deus restituiu o seu reino.

5. As provas do arrependimento de Manassés – v. 13-16

a) Aceitação – (v. 13) – Os ouvidos de Deus estão abertos, suas mãos estão estendidas para você. O Pai está pronto a receber o pródigo de volta e fazer uma festa. Não importa quão longe você tenha ido e quando profundo o poço que você tenha caído, Deus está pronto a perdoar você e aceitar você de volta para ele.

b) Iluminação – (v. 13) – “Então reconheceu Manassés que o Senhor era Deus”. Deus pode abrir os olhos da sua alma nesta noite. Ele pode abrir seu coração para crer. Ele pode tirar a cortina dos seus olhos. Ele pode dar a você entendimento espiritual. Ele pode revelar a você a glória do seu Filho Jesus Cristo.

c) Reforma – (v. 15) – Manassés fez uma faxina na Casa de Deus e na sua vida. Ele tirou toda a abominação que ele mesmo tinha colocado na Casa de Deus. Arrependimento implica em mudança.

d) Consagração – (v. 16) – Manassés não apenas tirou o que estava errado, mas restaurou o altar do Senhor. Ele começou a buscar a Deus novamente. Ele se voltou para Deus de todo o seu coração. Ele foi convertido a Deus e passou a consagrar-se a Deus, liderando sua nação a voltar-se para o Senhor.

CONCLUSÃO

Vamos ver algumas lições:

1) A piedade dos pais não é garantia que os filhos vão andar com Deus;
2) A vida longa não é segurança do favor de Deus;
3) Não há grau de impiedade que esteja além do alcance da graça de Deus e do perdão de Deus;
4) Não espere uma tragédia em sua vida para você voltar-se para Deus.
5) O pecado é algo que Deus abomina e jamais ficará sem julgamento;
6) Hoje é o dia de você voltar-se para Deus de todo o seu coração;
7) Se você voltar-se para ele nesta noite, agora mesmo, ele ouvirá seu clamor e restaurará a sua alma, dando-lhe a salvação!

Rev. Hernandes Dias Lopes

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A sacra chamada cristã abarca uma série de obrigações que envolvem tanto ministros do evangelho, quanto todos os cristãos de um modo geral. É comum no chamado cristão observamos o envolvimento da igreja em áreas das mais diversas tais como ação social, ensino, política, entre outras. Mas talvez nenhuma outra área seja mais urgente para a igreja em todos os tempos como o sacro ministério da Palavra.

Este surge com a própria essência da mensagem, ou seja, não é temporal, findando-se em alguma época específica, mas atemporal, pois é a essência do ministério da igreja. Para ser um pregador da Palavra não basta apenas portar um dom retórico ou ser versado em algumas áreas do conhecimento, dominando algum poder persuasivo sobre o público, deve este ser imensamente capacitado de uma unção espiritual, que não pode ser conseguida sem o consentimento divino. Além do quê, aquele que se põe em frente de seus pares não pode ser um neófito, mas um cristão experiente, pois estará a ensinar a sacra doutrina a aqueles que são seus irmãos. Jamais um pregador se coloca acima da congregação que pastoreia. Não é comum a aqueles que têm seu chamado posto a prova arrogar tamanha pretensão. Sei que nesses dias é comum buscar-se títulos para se alcançar primazia frente ao povo de Deus. Mas este não é o procedimento daquele que se dedica fielmente a prediga. Este deve ser sempre voluntarioso e disposto a buscar o serviço de um conservo e não de um líder que se põe acima daqueles que estão ao seu lado.

O pregador da Palavra é, portanto um servo que busca a fidelidade. Não apenas no que se refere ao texto bíblico, mas o é também na vivência da fé cristã. Deve ele fornecer não somente o ensino, mas também a prática daquilo que está ensinando. Este pregador também é alguém intimamente ligado ao cotidiano da congregação que pastoreia, ou seja, ele vive todas as demandas daqueles que o escutam diariamente. Não pode se blindar como se nada acontecesse com ele. Deve viver, razoavelmente parecido no padrão de vida do seu povo, não buscando no poder econômico, que porventura consiga, uma certa diferenciação do povo. Pois, se assim for acabará se mostrando alheio a vida do povo, sendo mais um estrangeiro em meio ao seu povo que deveria admoestar.

Quanto à ministração da mensagem, esta deve ser clara e contundente. Não pode ser rebuscada com rodeios ou com peripécias retóricas para se camuflar o real sentido da Palavra. Deve também ser imensamente compreensível, evitando-se o uso de palavras que dificultem a assimilação por parte do povo. Deve-se buscar a excelência do significado, ainda que se deva ir geralmente a recursos mais rebuscados como o uso de léxicos das línguas estrangeiras que compunham o texto sagrado. Logo, ele é alguém que faz uso de um recurso imensamente erudito, mas que também em sua exposição torna o culto algo simples e inteligível. Os requintes ou a exposição de assuntos mais elevados devem ser guardados para os meios onde tais artifícios são compreendidos, mas isso não significa que a prediga é simplória.

Várias considerações vêem a mente do pregador quando este se põe a frente da igreja, mas a principal delas é que ele é apenas um instrumento da vontade divina. Ele edificará os santos e também convencerá os pecadores. Por meio dele alguns serão chamados, grandes trevas serão dissipadas e uma nuvem de testemunhas deverá atestar seu ensino.

Lamentavelmente nos dias atuais temos visto as mais bizarras figuras que se propõe instruir o povo de Deus. É certo que boa parte deles é exatamente aquilo que os seus ouvintes gostariam que eles fossem. Estes se comportam como se fossem meros funcionários do seu auditório e não profetas. Esta característica do pregador é inerentemente algo que ninguém deveria abrir mão, a não ser que deseje ser apenas uma marionete nas mãos de homens que desejam sentir “coceiras nos ouvidos”. O pregador verdadeiro não aceita comercializar sua pregação, seu envolvimento com o que prediga é altamente recíproco. Ele está tão envolvido com a mensagem que ele mesmo se confunde com ela. Portanto, essas caricaturas de pregadores que vemos hoje não são os genuínos ministros de Deus, são de fato uma aberração, dignos representantes de uma farsa que chamam erroneamente de evangelho, só que este não é outra coisa que não uma monstruosidade corruptora.

Se desejarmos ser aceitos neste ofício precisamos primeiramente do tratamento divino. Este não é uma colônia de férias, nem tão pouco tem lugar para principiantes aventureiros. É lugar para aqueles que foram provados pelo fogo, para aqueles que subiram ao terceiro céu da sublimidade de Cristo, para aqueles que são servos e não senhores. Ao meu modo de ver existem dois tipos de pregadores, aqueles que são forjados por Deus e aqueles que são forjados pela sua congregação. Os primeiros não temem sofrer as agruras do ministério, os últimos repudiam o escárnio da função preferindo as honras dos homens no lugar da de Deus.

Logo, como pregadores somos profetas e como profetas não nos movemos por conveniências ou por ganância. Pregamos o evangelho como disse Charles H. Spurgeon, “mais claro do que nunca”, um evangelho que é escândalo para judeus e loucura para os gentios, o evangelho do poder de Deus, que é mais sábia do que a sabedoria humana. Que não depende dos artifícios intelectualizantes e retóricos, mas do Cristo crucificado. Quem tem posto a mão no arado do ministério não olha para trás, mas avança firmemente na direção de Cristo e seu total empenho, ainda que seja extenuante e exaustivo não é nada daquilo que deveria ser, mas ainda falta muito para alcançar o prêmio da soberana vocação. Pregadores do Evangelho tremam diante do Santo e busquem a fidelidade.

Sola Gratia.

Fonte: [ Evangelismo e Reforma ]

FALAR EM PÚBLICO – Comunicação, Motivação e Sucesso: Pequenos Segredos

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 Reveja o mito de que a arte de falar em público é um dom nato

Não se pode negar que algumas pessoas nasceram com o atributo da eloqüência eficaz. Em geral são pessoas carismáticas, persuasivas e envolventes. Mas são casos raros. Se a maioria quiser comunicar-se bem, deverá buscar subsídios nos treinamentos e dedicar muito esforço pessoal para administrar os medos, traçar objetivos e estratégias, buscar conhecimentos e treinamentos que desenvolvem e aprimoram essa arte.

Não se engane pensando que só os seres privilegiados terão uma atuação inteligente com seus interlocutores. É uma desculpa fácil para quem não quer enxergar que somos responsáveis pelas nossas crenças e mitos, e cabe a nós decidir se queremos ou não realizar nossos sonhos. Muda-se a crença, muda o caminho e muda o resultado. Muda o homem!

Trabalhe o medo conscientemente

É um engano imaginar que se pode eliminar totalmente o medo. Ele é fundamental para a sobrevivência, ao evitar a displicência e o relaxamento em demasia. Mas se ele conseguir impedir as suas ações durante uma apresentação, preocupe-se. Lembre-se de que não existe medo de falar em público, mas vários medos interagindo, como o de errar, de ser o centro das atenções, de ser questionado e outros tantos específicos de cada comunicador. Identificar as causas e criar um plano de ação facilita a administração racional do medo, tornando mais eficaz a comunicação.  

Administre as tensões e os medos antes de uma apresentação

- Prepare-se mental e fisicamente

- Ensaie

- Pratique, pratique e pratique, porque só a prática conduz à perfeição.

Não tenha medo do silêncio

Antes de planejar e organizar uma palestra, aula ou reunião há um estágio que muitas vezes queremos ignorar. É aquele espaço tão rico, de reflexão e silêncio que nos possibilita pensamentos mais consistentes e resultados mais equilibrados. Como vivemos envolvidos por palavras, sons e movimentos, o silêncio parece insuportável. Falando ou em silêncio, a comunicação está sempre presente.

O silêncio funciona como um sensível toque de recolher, quando o ser humano tem a chance de se conhecer realmente. É em silêncio que o homem tem a dimensão de seu valor e revela sua verdadeira imagem.

Aprender a linguagem do silêncio nos dá as ferramentas para lidar melhor com nossas emoções e efetivar uma interação mais profunda com a platéia.

Não comece uma apresentação sem aquecimento

O que é o aquecimento para quem vai apresentar-se em público?

- É fazer pelo menos vinte minutos de exercícios de dicção e articulação, e de relaxamento para os músculos da face e da região do pescoço.

- É repassar mentalmente o roteiro, reforçando a introdução e o encerramento.

- É concentrar-se para começar bem o trabalho.

O aquecimento do comunicador deve ser tanto físico quanto mental.

Faça um acordo com a platéia

Quando essa técnica for pertinente, pergunte aos espectadores o que esperam da apresentação. No flip chart, anote o que eles querem e não querem receber. Apresente o seu programa original e diga que, sempre que possível, vai inserir os pontos levantados. Assim se criará uma cumplicidade com a platéia, que passará a contribuir para a melhor interação durante a apresentação. No final, pergunte novamente aos presentes se eles estão satisfeitos com o que receberam. Assim você demonstra o seu interesse de democratizar a apresentação, inserindo-os no processo.  

Mantenha contato visual com a platéia

Essa é uma maneira de prender o interesse da platéia, além de transmitir confiança e segurança. É o elo entre apresentador e participante, através do qual muitos dados e intenções são transmitidos. O contato visual é um importante canal de identificação da personalidade do profissional.

Crie um clima propício para aprendizagem

Para os profissionais que falam em público, trabalhar o ambiente de atuação é fundamental para a boa comunicação. Algumas orientações para melhorar o desempenho:

- As teorias modernas destacam a importância da integração no processo de aprendizagem. As contribuições  dos participantes são fundamentais para que novos conceitos sejam apreendidos. Deixe claro, logo de início, que você está aberto ao diálogo. Transmita a idéia de que vão trabalhar juntos numa mesma proposta. Não seja apenas simpático, crie empatia, ponha-se no lugar da platéia, respeite suas crenças e seus valores. Aprender a lidar com as diferenças fará de você uma pessoa mais flexível.

- Demonstre que, para você, ensinar é uma paixão, uma missão prazerosa. Se os participantes perceberem isso, o interesse aumentará e as pessoas se sentirão à vontade para questioná-lo, porque querem conhecer a sua resposta.

- Não se desvie do assunto. Tudo o que for apresentado deve fazer parte do universo de seu público.

- Não prossiga a apresentação se notar que algo não ficou claro. Isso pode comprometer a qualidade.

Harmonize o conteúdo e a forma da mensagem

As pesquisas demonstram que nas comunicações há uma necessidade emergencial do equilíbrio entre aquilo que se diz e a maneira de dizer. Se houver incoerência entre palavras, voz e atitudes corporais, a platéia tende a confiar mais.

- no corpo (expressões faciais, gestos, movimentos) — 55%

- na voz (inflexões, tom, intensidade, ritmo, ênfase, volume) — 38%

- nas palavras — 7%

A maneira como veiculamos a mensagem à platéia é tão importante quanto o próprio conteúdo da mesma. Não basta preocupar-se só com as palavras. É preciso melhorar a forma (a linguagem corporal e vocal) de transmitir as idéias para uma comunicação equilibrada, fluente e segura.

Seja simples e natural

Lembre-se de que sua platéia quer se comunicar com você, por isso ela está ali, e cabe a você facilitar o processo. A comunicação, quando eficaz, se dá através de atos simples e naturais, resultados de muito tempo de treino e observação. Que atos são esses que demonstram simplicidade e naturalidade? Não há regra para identificá-los. Eles se manifestam naqueles momentos em que a comunicação flui e a leveza do ambiente é favorável à troca. A simplicidade e a naturalidade estão presentes quando identificamos e afastamos os obstáculos que interferem na comunicação.

Não se poupe

Os seres humanos, quando se encontram verdadeiramente, têm uma química irresistível. Em suas apresentações, procure estar presente integralmente, o tempo todo. Invista nas relações interpessoais, dê o melhor de si e busque o que o grupo tem de melhor. Chegue para valer. Energia atrai energia!

Tente por todos os meios transmitir as informações de maneira democrática, lúdica e motivadora. Esteja presente com seu coração, seu corpo, sua mente e sua alma. Não dê motivos para a platéia questionar sua autoridade sobre o assunto e muito menos o seu profissionalismo. Esteja presente com inteligência e sensibilidade. Seja criativo, humano e empático.

in Maluco por Jesus

A Providência de Deus

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At. 17.28  e Salmos 114.1-35.

Nós não cremos em um deus criador que fez este mundo e depois virou as costas para sua criação, entregando-a  à sorte a ao destino. Não, O Deus das Escrituras é o Criador de tudo o que veio a existir e, ainda, mantém o controle absoluto sobre tudo. Este ato divino é denominado “providência de Deus”. Por providência de Deus entendemos o permanente exercício do poder divino, pelo qual o Criador preserva todas as suas criaturas, operando em tudo que se passa no mundo e dirigindo todas as coisas para o seu determinado fim. Esta providência Divina é refletida nos seus atos de preservação, governo e cooperação.

 I – Preservação

 O primeiro reflexo da providência Divina é a preservação. L. Berkhof a definiu como “ a obra contínua de Deus pela qual ele mantém as coisas que criou, juntamente com as propriedades e poderes de que as dotou”. Isto quer dizer que Deus mantém a ordem e a existência da criação, conforme as leis que ele próprio impôs desde o princípio. Nada foge ao seu controle e à sua vontade. Deus não cria continuamente, mas preserva o que já criou, conforme as leis estabelecidas no ato da criação.

1 – Deus está sustentando e controlando ativamente todas as coisas criadas.

A terra, o mar e os céus são mantidos pela determinação e ação de Deus (Hb 1:3; Cl 1:17; At 17:28).

2 – Deus mantém a ordem da natureza nos reinos animal, vegetal e mineral

A provisão e o sustento para a vida terrena dependem da interferência divina (Mt 5:45; At 14:17; Sl 104:14).

3 – Deus preserva a vida dentro do seu propósito estabelecido

A essência e o tempo da vida estão submissos ao controle de Deus (Ne 9:6; Jó 34:14-15; Sl 104:29, 139:16).

  • O fato de saber que é Deus quem mantém o controle e a ordem de todo este vasto mundo e universo não poderia me levar a confiar e a entregar aos cuidados deste mesmo Deus a minha própria vida, bem como minhas necessidades e as de minha família?

II – Governo

 O segundo reflexo da providência Divina é o  governo. Governo é a “contínua atividade de Deus pela qual ele rege as coisas a fim de garantir a realização do propósito divino”. Isto quer dizer que Deus tem um  propósito estabelecido em tudo o que fez e faz no mundo, de maneira que conduz todas as coisas em direção aos seus divinos propósitos. A idéia de governo implica a execução ou cumprimento da sua vontade. 

1 – Deus governa universalmente suas criaturas

Conforme a sua vontade, Deus opera no mundo e entre as pessoas,  individualmente (Ef 1:1; Dn 4:35; 1 Sm 2:6-7; Pv 16:9; At 17:26).

2 – Deus domina universalmente com onipotência infalível

Não somente o indivíduo está sujeito à vontade de Deus, as também as grandes nações! (Sl 47:9, 66:7; Dn 2:21; Is 10:5-6).

3 – Deus dirige universalmente com sabedoria e santidade

Os planos divinos são projetados e executados em favor do bem daqueles que O temem (sl 103:17-19; Mt 10:29-31; Rm 8:28; Fp 2:13).

  Dias instáveis, nos quais imperam as guerras, desemprego, preços altos, instabilidade financeira, violência ou problema familiares, tendem a gerar crises entre as pessoas. Existem momentos em que Deus permite que dificuldades venham sobre seus filhos. Jô perdeu a família, fazenda, fortuna,  fama, mas não perdeu a fé. 

  • Há alguma coisa que tem me causado medo, desespero, ansiedade ou incredulidade? Até onde minha fé está amarrada a Deus ou às circunstâncias da vida?

 III – cooperação

 O terceiro reflexo da providência divina é a cooperação.  Cooperação é a ação do poder divino aliado aos poderes subordinados, vistos nas leis estabelecidas na criação de todas as coisas. Ou seja, Deus pode tomar uma lei da natureza e direcioná-la para executar algum proprósito.

1 – Deus ordena que as leis naturais se cumpram

As leis naturais (chuva, neve, vapor) são movidas por Deus (Sl 148:8; Jô 37:6-13, 38:22-30; Sl 135:6-7).

2 -  Deus sustenta a vida dos animais  no mundo

A própria cadeia alimentar natural é exercida mediante ação ordenada de Deus (Sl 104:7-29; Jó 38:39-41; Mt 6:26).

3 – Deus usa as circunstâncias particulares da vida

Situações, circunstâncias, “coincidências” ou aparentes fatalidades podem servir para um objetivo maior (Gn 45:5-8; Êx 4:11-12; Js 11:6; Ed 6:22; Pv 21:1).

Deus pode nos socorrer através de atos milagrosos e sobrenaturais, mas pode muito bem usar os meios naturais e normais que ele mesmo estabeleceu. Esperar que Deus faça aquilo que, conforme determinado na Bíblia , é da competência humana, implica desobediência e irresponsabilidade pessoal. De modo “natural e normal ”, Deus usa o trabalho para prover o sustento, a medicina para tratar da saúde, etc…

Conclusão

Como filhos de Deus, temos a confiança de que servimos a um Deus ativo em todo este universo, o qual promove o bem maior daquilo que lhe pertence, conforme sua perfeita vontade. AMEM  GLORIA A DEUS.

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A Conversão do PIOR Homem do Mundo

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INTRODUÇÃO

1. A história está eivada de homens maus

Os anais da história estão repletos de homens que deixaram um rastro sombrio na nossa lembrança: Homens facínoras, assassinos, feiticeiros, monstros bestiais, pervertidos celerados e déspotas sanguinários. Homens incendiários como Nero. Homens traidores como Judas. Homens perversos como Hitler. Homens truculentos como Mao Tse Tung.

Mas, talvez, nenhum homem tenha excedido em perversidade a Manassés. Esse rei foi o décimo terceiro rei de Judá. Reinou 55 anos, de 697 a 642 a.C. Seu nome significa “Aquele que esquece” e ele esqueceu-se de Deus.

2. Poderia a graça de Deus alcançar aqueles que descem até às profundezas da degradação?

Normalmente achamos que há pessoas irrecuperáveis. Que há pecadores que estão fora do alcance da graça. A história de Manassés vai nos mostrar que não há poço tão fundo que a graça de Deus não possa ser mais profunda. A graça é maior do que o pecado. Onde abundou o pecado superabundou a graça.

I. OS PRIVILÉGIOS DE MANASSÉS

1. Ele era filho de um pai piedoso

Ele cresceu bebendo o leite da verdade e sugando o néctar da piedade. Ele cresceu num lar onde Deus era conhecido e amado. Mas a piedade dos pais não é garantia que os filhos seguirão o mesmo caminho. Manassés tinha exemplo. Tinha modelo dentro de casa. Seu pai promoveu uma grande reforma espiritual em Judá depois do desastrado reinado de Acaz. Ele limpou a casa de Deus.

2. Ele assumiu o trono ainda jovem – v. 1

Manassés nasceu num berço de ouro e começou e assumiu o trono de Jerusalém com doze anos de idade. Ele só teve privilégios na vida. Ele esbanjou suas oportunidades. Ele desperdiçou todas as coisas boas que Deus estava lhe dando desde cedo na vida.

3. Ele teve o reinado mais longo de Judá – v. 1

Ele teve muito tempo para andar com Deus, para fazer o que era certo e para arrepender-se dos seus pecados. Ele governou 55 anos e nesse tempo ele fez o que era mau perante o Senhor. Ele entupiu Jerusalém e a Casa de Deus de idolatria e se prostrou em altares de estranhos deuses, provocando o Senhor à ira.

4. Ele teve a advertência de Deus – v. 10

Deus não o deixou errar sem advertência. Deus o alertou, o corrigiu. Enviou-lhe profetas, mas ele e o povo não quiseram ouvir a voz de Deus. Fecharam o coração. Endureceram a cerviz. Taparam os ouvidos à Palavra e à voz da consciência.

II. OS PECADOS DE MANASSÉS

1. Ele liderou o povo a pecar contra Deus v. 2,9

Manassés foi um líder mau. Ele usou sua influência para desviar as pessoas de Deus. Ele levou sua nação a fazer coisas piores do que as nações pagãs (v. 9). Ele tornou a edificar os altos, liderou o povo na adoração de Baal. Ele se prostrou diante de todo o exército dos céus (v. 3). Ele adorava as estrelas. Ele tornou-se um viciado em astrologia. Ele tornou-se um místico inveterado. Tornou-se um apóstata, um náufrago na fé.

2. Manassés profanou a Casa de Deus – v. 4,5,7

Ele fez pior que Acaz que fechou a casa de Deus. Ele introduziu ídolos abomináveis dentro da Casa de Deus. Ele profanou a Casa de Deus. Ele insultou a santidade de Deus e do culto.

3. Ele se tornou um feiticeiro inveterado – v. 6

A feitiçaria de Manassés chegou a ponto dele sacrificar seus próprios filhos a Moloque. Ele era adivinho. Era agoureiro. Praticava feitiçaria. Tratava com necromantes. Ele consultava os mortos. Ele era feiticeiro, espírita, pai de santo. Ele provocava o Senhor à ira.

Há muitas pessoas mergulhadas até o pescoço com feitiçaria, com espiritismo, com astrologia, com consulta aos mortos, com misticismo pagão.

4. Ele derramou muito sangue inocente – 2 Rs 21.16

Ele matou seus próprios filhos. Matou filhos de outras pessoas. Ele mandou cerrar ao meio o profeta Isaías. Flávio Josefo diz que todos os dias se sacrificavam pessoas em Jerusalém a mando de Manassés. Ele era um homem mau, virulento, truculento, assassino e sanguinário.

III. O JUÍZO DE DEUS SOBRE MANASSÉS

1. A prisão de Manassés – v. 11

Quem não escuta a voz da Palavra, escuta a voz da chibata. Quem não atende a voz do amor, é arrastado pela dor. O rei da Assíria prende Manassés com ganchos, amarra-o com cadeias e o leva cativo para a Babilônia.

2. A humilhação de Manassés – v. 11,12

Manassés desceu ao fundo do poço. Ele é arrancado do trono, de Jerusalém. É levado como um bicho, com canga no pescoço, em anzóis em sua boca e jogado numa prisão. Ele é levado para a Babilônia, o centro da feitiçaria do mundo. Os ídolos da Babilônia que ele adorava não puderam livrá-lo.

3. A angústia de Manassés – v. 12

O pecado não compensa. Quem zomba do pecado é louco. O homem será apanhado pelas próprias cordas do seu pecado. Manassés está cativo, algemado, angustiado. Quem não escuta a voz, escuta a vara.

IV. A CONVERSÃO DE MANASSÉS

1. A infinita graça de Deus – v. 13

Quando lemos essa história temos a vontade de dizer: agora bem feito! Ele deve pagar por todas as suas atrocidades. Mas, este homem clama a Deus e o Senhor o salva. Deus é rico em perdoar. Ele tem prazer na misericórdia. Não causa perdida para ele.

Deus mandou Manassés para a prisão, para não mandá-lo para o inferno. É um acidente, uma doença, uma tragédia familiar. Deus está pronto a mover o céu e a terra para que você não pereça.

2. A humilhação de Manassés – v. 12

A conversão começa com o arrependimento, com a tristeza pelo pecado, com a consciência de que temos feito o que é mau perante o Senhor. Manassés muito se humilhou perante Deus. Ele caiu em si. Ele reconheceu seu erro. Ele não se justificou, nem endureceu seu coração. Ele se curvou, se humilhou. Se arrependeu.

3. A oração de Manassés – v. 12

Manassés vivera toda a sua vida invocando os mortos, adorando os ídolos, levantando altares aos deuses pagãos. Mas, agora, na hora do aperto, ele ora ao Deus do céu e este atende ao seu clamor. Clame por Deus. Grite por socorro. Levante a sua voz. Ainda há esperança para a sua alma.

4. A salvação de Manassés – v. 13

Quando Manassés voltou-se para Deus, Deus voltou-se para ele. Restaurou sua vida, seu reino, sua alma. Manassés, então reconheceu que o Senhor é Deus. Deus o aceitou. Deus o restaurou. Deus o levantou. Deus restituiu o seu reino.

5. As provas do arrependimento de Manassés – v. 13-16

a) Aceitação – (v. 13) – Os ouvidos de Deus estão abertos, suas mãos estão estendidas para você. O Pai está pronto a receber o pródigo de volta e fazer uma festa. Não importa quão longe você tenha ido e quando profundo o poço que você tenha caído, Deus está pronto a perdoar você e aceitar você de volta para ele.

b) Iluminação – (v. 13) – “Então reconheceu Manassés que o Senhor era Deus”. Deus pode abrir os olhos da sua alma nesta noite. Ele pode abrir seu coração para crer. Ele pode tirar a cortina dos seus olhos. Ele pode dar a você entendimento espiritual. Ele pode revelar a você a glória do seu Filho Jesus Cristo.

c) Reforma – (v. 15) – Manassés fez uma faxina na Casa de Deus e na sua vida. Ele tirou toda a abominação que ele mesmo tinha colocado na Casa de Deus. Arrependimento implica em mudança.

d) Consagração – (v. 16) – Manassés não apenas tirou o que estava errado, mas restaurou o altar do Senhor. Ele começou a buscar a Deus novamente. Ele se voltou para Deus de todo o seu coração. Ele foi convertido a Deus e passou a consagrar-se a Deus, liderando sua nação a voltar-se para o Senhor.

CONCLUSÃO

Vamos ver algumas lições:

1) A piedade dos pais não é garantia que os filhos vão andar com Deus;
2) A vida longa não é segurança do favor de Deus;
3) Não há grau de impiedade que esteja além do alcance da graça de Deus e do perdão de Deus;
4) Não espere uma tragédia em sua vida para você voltar-se para Deus.
5) O pecado é algo que Deus abomina e jamais ficará sem julgamento;
6) Hoje é o dia de você voltar-se para Deus de todo o seu coração;
7) Se você voltar-se para ele nesta noite, agora mesmo, ele ouvirá seu clamor e restaurará a sua alma, dando-lhe a salvação!

Rev. Hernandes Dias Lopes

Em julho de 2007 
 

As Bem-Aventuranças

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1 Jesus, vendo as multidões, subiu a um monte; e, assentando-se, aproximaram-se dEle os seus discípulos,

2 e abrindo a boca, os ensinava, dizendo:

3 Bem-aventurados os pobres (humildes) de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Não é pobreza de bens materiais. Os que deixam para trás sua auto-suficiência e procuram a Graça de Deus como único meio legítimo às qualidades que servem unicamente para glorificar o nome do Senhor, cuja conseqüência é a salvação. Reconhecer a grandeza de Deus na sua vida e sua total dependência a Ele (ESPÍRITO QUEBRANTADO).

4 Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

O choro do arrependimento do pecado, bem como a tristeza de não ter se curvado antes ao Senhor dos Exércitos ou por não conseguir oferecer a Deus aquilo que é necessário (ESPÍRITO PENITENTE).

5 Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Humildade e Auto-Disciplina (fruto do espírito). Que se dobram à vontade de Deus. Ser submisso totalmente a Jesus Cristo (ESPÍRITO CONTROLADO / GENTIL).

6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.

Necessidade de alimentação constante da Palavra do Senhor, sem a qual, todos ficam literalmente vazios, pois quem tem fome será alimentado com o Seu Espírito Santo. Os que buscam a santidade de Deus. Não confiar em si próprio (ESPÍRITO FAMINTO POR DEUS).

7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

A compaixão pelo semelhante (minoração do sofrimento alheio) gera um efeito para consigo em relação a Deus, pois Ele será misericordioso para conosco na medida em que formos para com os outros (ESPÍRITO COMPASSIVO).

8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Os que foram libertos do “poder” do pecado pela Graça de Deus e que, agora, se esforçam em agradar a Deus, expurgando os males que por ventura possam circundar seu coração. Amor à Justiça e ódio ao mal. Ter santidade no seu íntimo (ESPÍRITO PURO).

9 Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Os que se reconciliam com Deus e tem Paz com Ele mediante a Cruz do Calvário. A busca pela paz consiste também em anunciar as “Boas Novas” (os que semeiam) aqueles que ainda não conheceram a Jesus verdadeiramente (ESPÍRITO DE SABEDORIA / MEDITAÇÃO).

10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Lealdade a Jesus. Ser intransigente com o mal. Não podemos nos conformar com esta era perversa (Rom. 12. 2). Tal perseguição gera no “verdadeiro” Cristão, ALEGRIA, pois sabe que está percorrendo o caminho certo e buscam fazer a vontade de Deus, custe o que custar (ESPÍRITO PACIENTE / PERDOADOR).

11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por Minha causa.

Toda a razão de ser do “verdadeiro” Cristianismo é Jesus Cristo, o grandioso nome ao qual devemos defender a nossa fé, pois, salvação, só nEle, ainda que sejamos perseguidos (etc.). O mal dito contra nós precisa ser irreal porque o “verdadeiro” Cristão tem uma vida reta (sem máculas).

12 EXULTAI E ALEGRAI-VOS, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.

A recompensa para os que aceitarem os caminhos anteriores são os galardões celestiais.

O chamado à vida e ao ministério do “Reino” inclui a expectativa de que o fruto e o dom gerados pelo Espírito Santo se desenvolvam no verdadeiro Cristão (João 3. 3 c/c Ef. 4. 23-34).

1ª Igreja Batista em Bezerros (PE): Rua Maj. Miguel, 193, Centro, tel. (81) 8793.9876 – CNPJ/MF nº 11.473.030/0001-31 – Pr. Vicente Paixão

(Pregação: Aldo Corrêa)

Fruto do Espírito Santo

1 Comentário

– Gl. 5. 22-23

Após o NOVO NASCIMENTO (João 3. 3 c/c Ef. 4. 23-34), todos os Cristãos devem ter TODO o fruto do espírito, uma vez que não são repartidos (ao contrário dos dons).

a)     CARIDADE (amor):  

b)     ALEGRIA:  

c)      PAZ:  

d)     PACIÊNCIA (longanimidade):  

e)     AFABILIDADE (benignidade):  

f)       BONDADE:  

g)     FIDELIDADE:  

h)     BRANDURA (mansidão):  

i)       TEMPERANÇA (domínio próprio):  

- AZUL: Nosso relacionamento com Deus 

- VERMELHO: Nosso relacionamento com as outras pessoas. 

- VERDE: Nosso relacionamento interno (com nós mesmos). 

  

Porque devemos lutar contra a CARNE (ver também: Ap. 21. 8) ? 

 a)     FORNICAÇÃO (prostituição):  

b)     IMPUREZA:  

c)      LIBERTINAGEM (lascívia):  

d)     IDOLATRIA:  

e)     SUPERSTIÇÃO (feitiçarias):  

f)       INIMIZADES:  

g)     BRIGAS (porfias):  

h)     CIÚMES:  

i)       ÓDIO (iras):  

j)       AMBIÇÃO (glutonaria):  

k)      DISCÓRDIAS (dissensões):  

l)       PARTIDOS (facções):  

m)   INVEJAS:  

n)     BEBEDEIRAS:

o)     OUTRAS SEMELHANTES (concupiscências, etc.).
 

OBS: Quem pratica estas coisas, NÃO HERDARÁ O REINO DOS CÉUS (Gl. 5. 19-21) ! 

Precisamos nos deixar-mos conduzir pelo Espírito Santo de Deus (Gl. 5. 16) 

POR QUÊ ? Porque os desejos da carne se opõem aos desejos do Espírito (Gl. 5. 17) 

Os DONS ESPIRITUAIS são aqueles dons que o Espírito Santo de Deus nos agracia: Rom. (12.6 Profeta, 12.7 Ministério, 12.7 Ensino, 12.8 Exortação, 12.8 Contribuição, 12.8 Presidir, 12.8 Misericórdia); I Cor. (12.8 Palavra de Sabedoria, 12.8 Palavra de Conhecimento, 12.9 Fé, 12.9 Curas, 12.10 Milagres, 12.10 Discernimento de Espíritos, 12.10 Línguas, 12.10 Interpretação de Línguas, 12.28 Apóstolos, 12.28 Socorro, 12.28 Administração) e Ef. (4.11 Profeta, 4.11 Evangelista, 4.11 Pastor e 4.11 Doutor). Cada cristão pode receber mais de um dom. 

Para verdadeiramente ser um DISCÍPULO de Deus é necessário que o Crescimento Espiritual esteja baseado no Fruto do Espírito Santo (João 15. 8). Mas, COMO CRESCER ESPIRITUALMENTE? 

a)     Desejar crescer (I Pe. 2. 2). 

b)     Amadurecer (I Cor. 3. 2). 

c)      Comunhão constante  (João 15. 4-5). 

d)     Estar crucificado com Cristo (G. 2. 20). 

e)      Andar no Espírito Santo (Gl. 5. 16-25). 

f)       Mortificar as obras da carne (Ef. 6. 10). 

g)     Alimentar-se com a PALAVRA (Mt. 4. 4). 
 

Uma das funções principais do Espírito Santo é repartir conosco a santidade de Deus, o que Ele faz desenvolvendo em nós um caráter semelhante a Cristo – um caráter marcado pelo fruto do Espírito. O propósito de Deus é que nós nos tornemos “pessoas maduras, crescendo até alcançarmos a altura espiritual de Cristo” (Ef. 4. 13). 

No meio das dificuldades e do sofrimento é que mais precisamos do fruto do Espírito, e é nestas ocasiões que Deus pode atuar através de nós de maneira especial para levar outras pessoas a Cristo. Quando temos em nós o fruto do Espírito outros verão em nós “a imagem de seu Filho” (Rom. 8:29) e serão atraídos para o Salvador. 

A Igreja local só crescerá se crescermos individualmente primeiro, portanto (mas não só por isso) urge que nos transformemos IMEDIATAMENTE !!! Até porque a HORA É AGORA e Jesus baterá à porta logo-logo !

1ª Igreja Batista em Bezerros – Estado de Pernambuco 

Rua Maj. Miguel, 193, Centro, tel. (81) 8793.9876 – CNPJ/MF nº 11.473.030/0001-31  – Pastor: VICENTE PAIXÃO

O “PARAFRASEAR” nas pregações induzem os desavisados a crer naquilo que NÃO ESTÁ NA BÍBLIA (“versículos não-bíblicos”) !

1 Comentário

A Síndrome do Papagaio

Você já percebeu como as pessoas gostam de repetir o que os outros falam? Não vou lhe dizer que essa prática seja imprópria, mas é bom conferir tudo o que se ouve, para evitar situações constrangedoras… Na famosa igreja de Beréia, os cristãos recebiam de bom grado as pregações. Mas não as recebiam como verdades bíblicas sem antes conferir nas Escrituras (At 17:11).
 
Essa síndrome do papagaio se verifica nos diversos versículos “novos” que alguns pregadores insistem em repetir. Ouviram alguém, um dia, pronunciar um desses versículos e começaram a citá-los como verdade, sem, antes, ter o cuidado de confirmar a sua autenticidade bíblica.
 
Há alguns anos, tive o cuidado de reunir, com a ajuda de meus alunos do seminário teológico, várias “pérolas” que muitos repetem pensando ser versículos bíblicos… Você está curioso para conhecê-las? Quer saber se tem empregado alguma?
 
“A voz do povo é a voz de Deus”
Ouvi um pregador citando essa frase antibíblica e extrabíblica, oriunda do latim vox populi, vox Dei, como se fosse bíblica! Quando Jesus andou na terra, a opinião do povo a seu respeito era variada. Uns o consideravam pecador (Jo 9:16) ou endemoninhado (Mt 12:24), e outros criam que ele era um profeta (Mt 16:13,14). Enquanto isso, a voz de Deus ecoava: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3:17). Como a voz do povo pode ser a voz de Deus?
 
“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”
Esse provérbio popular alude à persistência. Trata-se de um bom pensamento, mas extrabíblico! Conquanto não apareça nas páginas sagradas, realça o princípio da perseverança na oração (Mt 7:7,8; Lc 18:1-8). Isso, porém, não nos autoriza a citar a frase como se fosse um versículo inspirado da Palavra de Deus.
 
“Até 1000 irá; de 2000 não passará”
Essa frase já virou história… Muitos “profetas da última hora” a usaram para alertar acerca da iminente volta de Cristo, antes ou durante o ano 2000. Mas o que a Bíblia realmente diz acerca da vinda de Jesus? As palavras de Cristo quanto ao Arrebatamento da Igreja são mais do que claras: “… daquele dia e hora ninguém sabe…” (Mt 24:36). Leia também Atos 1:7, I Tessalonissenses 5:1 e II Pedro 3:8.
 
“Da semente da mulher levantarei um que esmagará a cabeça da serpente”
É comum ouvir pregadores citando essa frase como sendo a primeira promessa com relação à obra redentora de Jesus. Mas essa promessa não aparece nas Escrituras. Em Gênesis 3:15, Deus disse para Satanás, personificado em uma serpente: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.
É importante observar que o texto bíblico não usa o verbo “esmagar” e sim “ferir”. De acordo com a Palavra de Deus, o inimigo ainda não foi esmagado, isto é, derrotado por completo. Ele já está julgado (Jo 16:11), e, na cruz, Jesus o feriu (Cl 2:14,15). Entretanto, “… o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo de vossos pés” (Rm 16:20).
 
“Deus cegou os entendimentos dos incrédulos”
É sério! Ouvi um pregador dizendo isso… Mas não foi Deus quem cegou o entendimento dos incrédulos! A Bíblia diz: “… o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Co 4:4). Esse “deus” é o diabo, e não o Deus verdadeiro que ilumina os que estão em trevas (Jo 8:12; I Jo 1:7).
 
“Diga-me com quem tu andas, e eu te direi quem és”
Clássica, não? Quantos pregadores não usam esse versículo… Alguém já chegou a dizer acerca dele: “Não está na Bíblia? Então devia estar!” Bem, a Bíblia apresenta versículos parecidos, que podem ser usados em lugar da frase em questão: “O homem violento persuade o seu companheiro, e guia-o por caminho não bom” (Pv 16:29); “Não entres na vereda dos ímpios, nem andes pelo caminho dos maus. Evita-o, não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo” (Pv 4:13,14).
 
“É dando que se recebe”
Essa conhecida frase é extrabíblica, mas não chega a ser antibíblica. Ela confirma as palavras de Jesus em Lucas 6:38. Não deve, porém, ser usada como um versículo bíblico inspirado. O pregador só deve usar a frase “A Bíblia diz” quando for citar uma passagem sagrada. Caso contrário, deve deixar claro aos ouvintes que se trata apenas de uma boa frase.
 
“Esforça-te, e eu te ajudarei”
A expressão “Esforça-te” aparece 12 vezes na Bíblia, mas nunca acompanhada da frase “Eu te ajudarei”. Observe: “Esforça-te, e tem bom ânimo” (Js 1:6,7,9,18; I Cr 22:13; 28:20); “Esforça-te, e esforcemo-nos” (I Cr 19:13); “Esforça-te, e faze a obra” (I Cr 28:10); “Esforça-te, e clama” (Gl 4:27). No plural, ela aparece oito vezes, sem o complemento citado (Nm 13:20; Js 10:25; 23:6; I Sm 4:9; 13:28; II Cr 15:7; Sl 31:24; Ag 2:4). Apesar disso, não há dúvida de que o Senhor ajuda os que se esforçam.
 
“Eu venci o mundo, e vós vencereis”
É claro que através da vitória de Cristo todos os seus seguidores autênticos, nascidos de Deus (1 Jo 5:4), se tornam mais do que vencedores (Rm 8:37). Não obstante, as palavras de Jesus ditas em João 16:33 foram apenas: “Tenho-vos dito isto para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. O complemento “e vós vencereis” é um acréscimo às palavras do Mestre, prática que ele mesmo proibiu (Ap 22:18).
 
“Fazei o bem sem olhar a quem”
Essa frase é uma distorção de Gálatas 6:10: “Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”. O cristão deve fazer o bem, pois ele tem a bondade, um dos elementos do fruto do Espírito (Gl 5:22). Mas fazer o bem “de olhos fechados” pode ser perigoso.
Existem muitos vigaristas dizendo-se missionários ou pastores. Eles sempre contam casos tristes para aplicar os seus golpes, e os irmãos bondosos, por não olharem a quem estão ajudando, acabam sendo lesados. Cabe-nos ajudar as pessoas comprovadamente necessitadas: “Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra” (Dt 15:11).
 
“Jesus é o Médico dos médicos”
Certos pregadores afirmam: “A Bíblia diz que Jesus é o Médico dos médicos”. Nas Escrituras, não existe esta menção. Jesus é chamado de Senhor dos senhores e Rei dos reis (Ap 17:14). Em nenhum lugar ele é chamado de Médico dos médicos. A expressão hebraica que demonstra o seu poder de curar os enfermos é “Yahweh-Roph´eka”, que significa “O Senhor que te sara”, também traduzida como: “O Senhor, teu Médico” (Êx 15:26).
 
“Mente vazia é oficina do diabo”
De fato, a pessoa que não ocupa a sua mente com as “coisas que são de cima” (Cl 3:1,2) acaba ficando vulnerável aos ataques do adversário. Como ser espiritual, ele tem influência sobre a mente dos incrédulos (2 Co 4:4; Ef 6:17). Segue-se que a frase é apenas apropriada para ilustrar o papel do diabo como tentador, não devendo ser usada com um versículo sagrado.
 
“Não cai uma folha de uma árvore sem a vontade de Deus”
A Bíblia mostra claramente que Deus é o Controlador da natureza. Em Isaías 40:12-31, vemos como ele tem o Universo em sua mão e faz o que lhe apraz. Apesar disso, a frase em questão não é um versículo bíblico!
 
“O amor encobre uma multidão de pecados”
Essa frase possui um acréscimo sutil, capaz de torcer a mensagem bíblica. Encobrir significa esconder, ocultar. E, de acordo com a Bíblia, “O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará” (Pv 28:13). É preciso atentar para o que realmente as Escrituras dizem: “… a caridade cobrirá uma multidão de pecados” (I Pe 4:8).
Dentro do contexto bíblico, cobrir significa perdoar. E a diferença entre cobrir e encobrir pecados é vista principalmente no Salmo 32: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” (v. 1); “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri” (v. 5).
 
“O cair é do homem, mas o levantar é de Deus”
É comum o uso dessa frase para animar irmãos que fracassam na fé. Quem a usa, tenta demonstrar que a pessoa caída não precisa se preocupar. Deus a levantará em tempo oportuno. Entretanto, se o homem não tomar uma posição, levantando-se, tal como o filho pródigo, Deus não o socorrerá (Lc 15:17-24).
O texto de Tiago 4:8 mostra que o primeiro passo deve ser dado pelo homem. A Bíblia não diz: “Quando Deus se chegar a ti, chega-te para ele”. O homem precisa querer, desejar se chegar a Deus. Em toda a Escritura, observa-se que Deus convida o homem a se levantar, pois o cair é do homem, e o levantar também é do homem (Pv 24:16; Ef 5:14)!
 
“O dinheiro é a raiz de todos os males”
Às vezes, por não lerem a Bíblia com atenção, alguns pregadores caem no erro de omitir parte dos versículos bíblicos, gerando confusão. O dinheiro é importante e precisamos dele para a nossa manutenção. O errado é pôr o coração nele (Mt 6:19-21). É por esse motivo que Paulo não condenou o dinheiro, mas sim a ganância e a avareza: “Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (I Tm 6:10).
 
“O pouco com Deus é muito”
Há pregadores citando essa frase como se fosse bíblica. É verdade que a matemática de Deus é diferente, pois quanto mais se tira tanto mais é acrescentado (Pv 11:24). Todavia, conquanto a frase em questão seja correta, ela não está registrada no Livro Sagrado.
 
“Os viciados não herdarão o reino de Deus”
A palavra “viciado” se aplica à pessoa que possui qualquer tipo de vício (do latim vitiu, tendência habitual para o mal). Mas a Bíblia não condena de forma explícita os viciados, como ocorre neste pseudo-versículo bíblico. Alguém poderá perguntar: “Se a Bíblia não condena especificamente o cigarro ou algum tipo de droga, eu tenho permissão para usá-los?”
Quando o cânon do Novo Testamento foi encerrado, ainda não havia o cigarro nem as drogas conhecidas hoje, não havendo razão para os escritores neotestamentários condená-los de modo específico. Contudo, está claro nas páginas sagradas que os que destroem o corpo, independentemente da maneira como o fazem, não herdarão o reino de Deus (I Co 6:10-20; Gl 5:19-21). Ademais, Zofar alertou: “Porque ele [Deus] conhece os homens vãos, e vê o vício; e não o terá em consideração?”, Jó 11:11.
 
“Quem com ferro fere, com ferro será ferido”
Essa frase, empregada para enfatizar a justiça de Deus, não está registrada na Bíblia Sagrada. É uma deturpação das palavras de Jesus ditas a Pedro, em Mateus 26:52: “Mete no seu lugar a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”.
 
“Quem dá aos pobres, empresta a Deus”
Usada principalmente pelos católicos romanos, essa frase já está nos lábios de alguns cristãos. Todavia, o versículo bíblico que mais se aproxima de tal afirmação é Provérbios 19:17: “Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, e ele lhe pagará o seu benefício”. Alguém dirá: “Mas não é a mesma coisa?” Não! Pois o versículo bíblico possui o selo da inspiração!
 
“Quem não vem pelo amor, vem pela dor”
É verdade que muitas pessoas, depois de passarem por uma dolorosa experiência, entendem a vontade de Deus (Dn 4:30-37; At 9). Entretanto, isso não é uma regra. Existem pessoas que nem mesmo pela dor se arrependem. Por isso, a Palavra de Deus alerta: “O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura” (Pv 29:1).
 
“Vem a mim como estás”
Jesus recebe o pecador arrependido na condição em que está. Todavia, a frase em questão não está registrada nos Evangelhos, apesar de ser usada com freqüência por muitos pregadores. Em seu lugar, pode-se usar um versículo bíblico autêntico, como Mateus 11:28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”.
Portanto, não seja como o papagaio, que repete, repete, repete… Seja como os bereanos, que examinavam nas Escrituras tudo o que ouviam. Afinal, a própria Bíblia Sagrada diz: “Examinai tudo. Retende o bem” (I Ts 5:21).
 
Autor: Pr. Ciro Sanches Zibordi

VERSÍCULOS “NÃO-BÍBLICOS” (?)

1. “Onde está seu coração, ali está o seu tesouro.”

Este “versículo” é tão usado pelos presbíteros, e citado pelos cristãos em geral, que é difícil encontrar alguém que identifique sua falsidade. De forma que podemos considerá-lo até como um “aspirante a versículo”. Na verdade, a maioria dos evangélicos acredita que, tão certo quanto o fato de Deus ser composto por três Pessoas, estas palavras são da própria Bíblia. A confecção deste texto inverídico deve ter sido feita após uma leitura desatenta do Sermão da Montanha, especificamente na parte em que o Mestre prega sobre o ajuntamento ilícito de riquezas na terra. Repare a diferença entre o trecho original e o texto distorcido pelos homens:

“Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”
(Mt 6.21)

Os descuidados invertem o dito do Senhor Jesus: colocam “coração” onde está escrito “tesouro” e põe “tesouro” onde está escrito “coração”. Isso para que dê a aparência de que Cristo ensinava que não importa a quantidade de bens materiais que a pessoa possua: bastaria ela colocar o coração em Deus que estaria tudo resolvido.

O que Jesus disse, realmente, é que nós podemos saber onde está o coração de uma pessoa observando onde ela ajunta suas riquezas: no céu ou na terra.

Vale lembrar que isso não condena o enriquecimento material, defendido como uma bênção divina em toda a Bíblia (Ec 5.19; 1Tm 6.17). O Messias estava apenas usando um recurso semítico de linguagem, comum na Bíblia, onde o lado natural era enfraquecido para enfatizar o lado espiritual. Por exemplo:

a) “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna…” (Jo 6.27)

Será que Jesus estava condenando o hábito de trabalhar pelo sustento material, ou Ele queria apenas dar importância ao ato de buscar as coisas de Deus? Outro exemplo do recurso semítico usado por Jesus é encontrado no Antigo Testamento, onde José diz:

b) “…não fostes vós que me enviastes para cá, e, sim, Deus…” (Gn 45.8)

Assim, poderíamos concluir que os irmãos de José não o mandaram para Egito. Mas, quatro versículos antes, ele havia dito: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito.” (vs. 4)

Pregando sobre a forma de amar aos semelhantes, o apóstolo João declara:

c) “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.” (1Jo 3.18)

Fica claro que João não desejava proibir o uso de palavras no exercício do amor, mas somente afirmar que o amor não pode se limitar ao uso delas. De qualquer forma, não devemos e não podemos criar textos bíblicos para defender o ajuntamento de riquezas terrenas, pois a própria se encarrega de fazer tal defesa em inúmeras outras porções.

2. “A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus.”

Igual ao versículo anterior, esta frase é corriqueiramente declarada aqui e ali, sempre que o assunto tocado é fé. Ele é tão engenhosamente elaborado que muitos homens e mulheres de Deus o “soltam” de vez em quando, crendo piamente de que estão proferindo a Palavra de Deus. Na verdade, o que a Bíblia ensina é:

“De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.”
(Rm 10.17) [ARC]

O apóstolo dos gentios está afirmando que o “ouvir” é produzido pela Palavra de Deus, e que é por esse “ouvir” que vêm a fé. É bem diferente do que os descuidados fazem a Bíblia parecer ensinar, pois, conforme a “pérola” pseudo-escriturística que eles criaram, é o ouvir do homem que gera a fé. Para entender melhor a diferença entre as versões de Rm 10.17, veja o que diz a Revista e Atualizada:

“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.”

A palavra “ouvir”, empregada em várias traduções, tem o sentido de “entender”, “compreender” a mensagem do evangelho, por meio da pregação expositiva, e não ao mero ato de escutar.

3. “Os anjos queriam pregar o Evangelho, mas Deus reservou esta tarefa aos homens.”

É difícil entender de onde se originou esta tese teológica. Ela é tão espalhada pelas igrejas que se tornou quase um “adendo” popular à Bíblia, um versículo extraído da cartola mágica cada vez que se fala sobre a necessidade de levar as boas-novas aos perdidos. Apesar da raiz desta árvore infrutuosa não ser de tão fácil identificação, podemos sugerir que ela se encontra nas palavras de Pedro, o apóstolo dos judeus:

“A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” (1Pe 1.12)

Talvez alguém que não conhece o sentido do termo “perscrutar” tenha lido o texto e daí tirado uma falsa conclusão, imaginando que o pescador de homens teria escrito que as “coisas” que os anjos anelam perscrutar é a atividade da pregação, e que perscrutar significa “fazer”. Embora seja essencial conhecer o sentido dos termos usados na Bíblia, o indivíduo que fez o versículo “abíblico”, que estamos desmascarando, vir à luz, não precisava recorrer ao dicionário para interpretar adequadamente o escrito de Pedro.

Veja o que diz a Revista e Corrigida:

“..para as quais coisas os anjos desejam bem atentar.”

A tradução dos monges de Maredsous reza:

“Revelações estas, que os próprios anjos desejam contemplar.”

O que os seres celestiais desejam receber são as revelações proféticas de Deus, e não o encargo de levar o evangelho aos pecadores.

4. “E vi uma taça de ouro no céu. E perguntei: Que é isso, meu senhor? E me respondeu: Lágrimas de santos.”

Diferentemente das revelações divinas que os anjos queriam conhecer, as invenções humanas que vimos até aqui são pérolas baratas, recolhidas nas águas rasas do relaxo para com a Palavra de Deus. O pseudo-versículo transcrito acima foi citado duas ou três vezes por um querido pastor, a quem considero como grande pregador, e que possui uma igreja de tamanho médio, o que prova que ninguém está livre de soltar das suas “furadas” de vez em quando.

Este presbítero afirmou, com uma certeza tão segura quanto sua fé na auto-existência de Deus, que o diálogo acima foi tecido durante uma visão do apóstolo João, no livro de Apocalipse. Por incrível que pareça, ele não se preocupou em procurar este texto na Bíblia, quer antes de citá-lo, quer após, na repetição de seu erro. O mais próximo que lemos no livro das revelações ao que o referido pastor disse é o que segue:

“E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.” (Ap 5.8)

“Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, que são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro (…) E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” (Ap 7.13,14,17)

A junção desalinhada destes versículos deve ter resultado naquela prole híbrida que, infelizmente, foi apresentada no púlpito daquela congregação ao povo que ali estava, como sendo a Palavra de Deus. Resta saber quem foi o pai da criança, o qual não apareceu na apresentação da bastarda.

5. “Ficai em Jerusalém até que seja glorificado do alto”.

Igual ao versículo anterior, esta “muamba” é o resultado da fusão de dois textos inspirados. O que o torna mais abominável que todos os outros é que tem, em sua genealogia, um problema semelhante ao visto na distorção de 1Pe 1.12: a falta de compreensão acerca de uma determinada palavra.

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de águas vivas. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” (Jo 3.37-39)

“E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes” (At 1.4)

Durante um estudo bíblico que ocorria em uma célula um certo rapaz, a quem estimo e tenho como um servo de Deus, disse que havia uma parte da Bíblia em que Jesus aconselhava seus apóstolos a ficarem em Jerusalém até que Ele fosse glorificado, ocasião em que o Espírito Santo desceria sobre eles. De acordo com aquele jovem, isso significava que Cristo ficou esperando que os discípulos o louvassem, glorificando-o, a fim de que o batismo no Espírito Santo fosse concedido a eles. Na realidade, o apóstolo do amor, em sua biografia de Jesus, não empregou a palavra “glorificado” com o sentido de “elogiado” ou “louvado”. Eles quis dizer que Jesus, como homem, ainda não havia sido “engrandecido”, ou “exaltado”, o que só ocorreria quando fosse levado à presença de Deus, a fim de se sentar ao lado do trono e ser reconhecido como Deus por Sua criação (Fp 2.9-11; cf. Is 45.23).

Confira o que a Bíblia na Linguagem de Hoje verte em Jo 7.39:

“Jesus estava falando a respeito do Espírito Santo, que aqueles que criam nele iriam receber. Essas pessoas não tinham recebido o Espírito porque Jesus ainda não havia voltado para a presença gloriosa de Deus.”

O apóstolo Pedro confirmou que Cristo foi glorificado por Deus, na ocasião de sua assunção e exaltação divina:

“Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis. (…) Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” (At 2.33,36)

6. “Toda a terra se encherá da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.”

Esta passagem fictícia é muito bonita – existe até uma canção que entoamos sobre ela em minha igreja – mas não faz parte dos escritos inspirados. Na realidade, o que a Bíblia afirma é:

“Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.” (Is 11.9)

“Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.” (Hc 2.14)

Como se vê, em momento algum se afirma que a terra se encherá da glória do Senhor. E isso para o desgosto dos que, mesmo com dezenas de anos de Evangelho nos ombros, tinham a frase supra-citada como sendo uma autêntica profecia divina.

7. “E Moisés disse: Que hei de fazer, Senhor? Pois eis que os egípcios se reúnem contra mim e contra este povo, a quem escolheste. E o Senhor disse a Moisés: Toca na águas.”

Deus não ordenou que Moisés tocasse no mar, e, realmente, não foi isso o que este profeta fez. Leia o relato singelo que se contrasta com a idéia exposta acima:

“Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar seco.(…) Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram divididas.” (Êx 14.15,16,21)

Para quem possui dúvidas, basta atentar em que Moisés dividiu o mar não pelo toque de seu bordão na água do mar, mas pelo fato de estendê-lo sobre a água, fazendo com que um vento leste soprasse por toda a noite até dividir aquela massa líquida, que teria se juntado ao sangue hebreu caso Deus não houvesse intervindo com tal milagre (que, repetindo, não envolveu nenhum toque de vara).

Parece que há pessoas que não gostam do legislador de Israel, pois, como se não bastasse ele haver tocado na pedra para dela extrair água – desobedecendo à ordem de Deus para somente falar à pedra –, ainda querem fazê-lo incorrer em um delito de igual gravidade. Deste jeito, não era nem preciso esperar chegar nos limites de Canaã: nem mesmo da terra do Egito o escolhido de Deus teria passado. Tsc, tsc, tsc…

8. “Jovens, vós sois a força da igreja.”

A fim de defender a importância dos cristãos jovens, um querido e dedicado líder de igreja tinha por costume citar este “versículo”, a fim de dizer que eles seriam o motor do Corpo de Cristo. Isso é uma distorção grosseira e irresponsável da Palavra de Deus, que afirma algo muito diferente, porém também honroso acerca dos jovens convertidos do 1º século:

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1Jo 2.14c)

Oremos fervorosamente para que os jovens da Igreja Contemporânea também exibam estas três características, removendo e enterrando o que é velho (cf. At 5.5,6) para dar lugar às coisas novas do Senhor, uma nova porção do Espírito que caia como vinho fresco sobre a Igreja (Lc 5.37-39; Ef 5.18), abundando em conhecimento da Palavra (Mt 13.51,52; 1Jo 2.20,27), para que esta venha a ter cumprimento: “…e os jovens terão visões” (At 2.17).

9. “E, aconteceu que, subindo a arca do Senhor a Jerusalém, ao som da harpa, do alaúde e da cítara, Davi dançava no Espírito, com todas as suas forças.”

Hoje em dia, há pessoas que não aceitam o que a Bíblia ensina, em sua totalidade, acerca do louvor a Deus. Apesar de tão espirituais, elas são atingidas por uma “micalite aguda” (cf. 2Sm 6.20), que soa como um gongo pseudo-moralista toda vez que, numa reunião de culto, um crente se coloca a expressar sua gratidão e alegria ao Senhor usando todo o seu corpo, além dos lábios e das mãos. Para disfarçar essa mentalidade carnal, alguns afirmam que Davi – e também a profetiza Miriã –, dançou tomado pelo Espírito Santo, em uma ocasião única e inigualável, ignorando outras porções escriturísticas (Jz 21.19,20; Sl 149.3; 150.4; At 3.8).

É certo que o rei hebreu dançou mesmo no Espírito. Afinal, tudo o que os servos de Deus fazem é sob a direção Dele.

“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” (Gl 5.25)

Se a dança davídica não fosse espiritual, o Senhor não teria se agradado dela, da mesma forma que Ele não se agrada quando alguém lhe entoa um cântico “na carne”, sem meios de render-lhe sacrifícios de louvor com os lábios (Hb 13.15).

Mas afirmar que o rei foi possuído por Deus enquanto levava a arca, dançando em estado de êxtase, é forçar o que está escrito e ir além da verdade – embora estas experiências fossem comuns entre os profetas daquele tempo.

10. “Tocava Davi sua harpa no palácio de Saul. E havia que, subindo sua adoração ao Senhor, o rei era liberto do espírito que o atormentava.”

Esse é um dos maiores mitos disseminados entre os evangélicos. As Escrituras não afirmam que Davi louvava a Deus perante o rei Saul, e tampouco que o demônio saía deste em razão da sua “adoração ungida”. Na verdade, os toques do jovem israelita, dedilhando as cordas de seu instrumento, acalmava a mente perturbada do monarca, causando-lhe um efeito terapêutico. Isso era meramente paliativo, pois o espírito voltava a atacar periodicamente, necessitando que Davi tocasse novamente para reverter o estado frenético em que o rei d’Israel ficava ao ser controlado por aquele demônio de loucura.

“E sucedia que, quando o espírito maligno, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a dedilhava; então, Saul sentia alivio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele.” (1Sm 16.23)

Isso revela que, muitas vezes, métodos humanos podem surtir efeitos benéficos sobre vítimas de espíritos de cegueira, epilepsia, mudez, transtornos mentais, e outros.

11. “Cristo virá, e os mortos ressuscitarão; num instante, num abrir e fechar de olhos, nós subiremos a ele, e para sempre estaremos com o Senhor.”

Creio que este seja um dos dez principais contrabandos, vendidos nas igrejas evangélicas, como autênticos versículos bíblicos. É de uma natureza tão torpe, que é triste averiguar a imensa popularidade que conquistou em todas as camadas, dos novos convertidos até os maiores mestres da Palavra. Veja por si mesmo o que ensina a Palavra divina:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1Co 15.51,52)

O que o ministro dos gentios está dizendo? Que o arrebatamento será tão rápido como um piscar d’olhos, ou que a transformação dos nossos corpos –de mortais a incorruptíveis– será assim? É claro que a segunda opção é correta.

Esta história de Jesus voltar e os cristãos serem transformados e transladados, num milésimo de segundo, conseguiu se entremear nas páginas bíblicas em razão da aceitação do dispensacionalismo, um sistema escatológico que ensina que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. Como os crentes poderiam ser arrebatados sem que o mundo os visse subindo até o Senhor? A resposta está neste texto pseudo-escriturístico.

12. “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução; antes, embriagai-vos com o Espírito Santo.”

Esse é usado para defender as experiências de êxtase, nas quais os crentes balançam, caem, riem e fazem outras coisas mais. É uma tolice recorrer a uma invencionice tão descarada para embasar estas coisas. Há textos verídicos que abrem espaço para crermos que o Espírito Santo pode fazer as pessoas ficarem como ébrias. Para saber mais sobre isso, consulte o estudo “As Escrituras e os Êxtases Espirituais”.

13. “Em verdade, em verdade vos digo: o diabo vem para matar, roubar e destruir. Mas eu vim para tenhais vida, e vida em abundância.”

“O ladrão não vem senão para matar, roubar e destruir. Mas eu vim para que tenhais vida, e vida em abundância.” (Jo 10.10)

Quem é o ladrão que mata, rouba e destrói? O contexto clarifica a identidade de tal personagem:

“Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.” (vs. 8)

No vs. 10, Cristo não está especificando uma pessoa em particular como “ladrão supremo”, que seria Satanás, mas afirmando um conceito genérico: uma pessoa que recebe o título de “ladrão” tem por ocupação a apropriação total do bem alheio, mesmo que isso inclua roubar, destruir e matar aos outros. Contrariamente a isso, Jesus não é ladrão, pois Sua obra é o oposto disso: trazer a vida abundante, que é a vida eterna, espiritual. Em momento algum o Mestre cita a existência ou atuação do diabo.

14. “Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas.”

15. “Vós escolhestes a Saul sobre vós e vossos filhos, mas eu, o Senhor, não o escolhi; eis agora a Davi, homem segundo o meu coração, a quem tirei do aprisco de seu pai para reinar em Israel.”

16. “Irmãos, não desfaleçais; pois nos últimos dias virá o enganador, transfigurado em anjo de luz, o diabo e Satanás, que seduzirá a terra inteira. Ele surgirá como homem, falando e enganando a muitos, mas os escolhidos não lhe darão crédito.”

17. “E Sansão crescia em força e graça diante do povo de Israel; e era o varão mais forte de toda a terra, pois ninguém se igualava a ele entre os hebreus, os filisteus, os egípcios ou dos do lado da banda do oriente.”

18. “Aproveitando o sono de seu marido, Dalila foi e cortou-lhe as madeixas da cabeça, nas quais não passara navalha desde o nascimento; pelo que perdeu ele suas forças.”

19. “E, após os apóstolos terem visto o Senhor manifestado, chegou Tomé ao lugar em que estavam reunidos; contando-lhe os discípulos que o Senhor ressuscitara, e que havia aparecido a eles, não creu ele, pois era incrédulo, e duro de coração.”

20. “Vigiando em todo o tempo acerca do vosso falar e do vosso trato com os outros, pois Satanás anda em derredor, anotando nossas palavras; vede, portanto, que vossos dizeres não sejam usados para condenação, mas para glória no Dia do Senhor Jesus.”

21. “Acautelai-vos, pois Satanás, vosso inimigo, aguarda o momento de vosso desânimo para vos arrastar para o inferno, onde há pranto e ranger de dentes.”

22. “O diabo marca toda palavra que falamos.”

23. “E aconteceu que, com a pregação de Pedro, mais de três mil almas se converteram no dia de Pentecostes.”

Com certeza, muitos outros versículos “falseados” tem aparecido pelo mundo afora. Estes são os que conheci até hoje, sem contar as conclusões totalmente infundadas que alguns têm feito sobre textos bíblicos, tais como:

a) Pregar que Jesus levou nossas doenças físicas, baseando-se em Is 53.4,5, que é uma profecia do Antigo Testamento, que deveria ser interpretada à luz do Novo Testamento, em Mt 8.16,17 e 1Pe 2.24;
b) Ensinar que a prosperidade é um direito dos cristãos, com base nas promessas de Dt 28.1-14, enquanto as instruções sobre as guerras aos cananeus são espiritualizadas;
c) Declarar que a Igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação, construindo um castelo de areia sobre 1Ts 5.9, em vez de ler este versículo à luz de Ap 14.10;
d) Isolar o texto de Dt 6.4 para negar a pluralidade de Pessoas na unidade de Deus, enquanto o Novo Testamento ensina que essa unicidade é formada por “o Pai, a Palavra e o Espírito Santo” (1Jo 5.7, Almeida), sendo que o próprio Antigo Testamento já deixa isso implícito (Gn 1.26 c.c. Is 44.24).

Além disso, ouvimos também as frases engraçadas, que são facilmente identificadas por qualquer conhecedor mediano das Escrituras:

“Se ajude, e Eu te ajudarei”.

“Quem pariu Mateus que o cuide”.

E por aí vai.

Rafael Gabas Thomé de Souza
bereianos.blogspot

Teologia Sistemática (Parte II)

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8) TIPOS DE OFERTAS DADAS AO SENHOR:

No A.T., a oferta tinha vários propósitos sacrificiais para Deus:

hebraico“hxnm minchah”-sign.:OFERTA DE MANJARES – para repartir, conceder; presente, tributo, oferta,oblação,oferta para Deus, de cereais (Gn.4:3;Lv 2.1-16; 6.14-23).

Jesus, nosso presente enviado por Deus, que nos ofereceu a salvação, gratuita.  

 

hebraico “hmwrt t@ruwmah ou hmrt t@rumah”-Siq.OFERTA ALÇADA DE CEREAL-(Contribuição)-2 Cr.31:3; Ed.8:25; Ez.45:16 para exaltar,tornar conhecido; erguer, dinheiro.(Ex.25:2).

Jesus;nossa oferta moída,como grão de trigo moído, vendido por dinheiro (ls.53:5).

 

• hebraico “hntm mattanah” Sig.: OFERTA DE CONSAGRAÇÃO – Presentear com a idéia de garantia, compromisso, entrega e consagração.(Ex.28:38); Jesus é nossa garantia de vitória, que se entregou por nós e se comprometeu a voltar para nós.

 

• hebraico ”hva ‘ishshah” – Sign.: OFERTA QUEIMADA (holocaustos) pelo fogo da ira de Deus no altar; oferta feita com fogo.(Ex.29:18).Animal é queimado totalmente; o animal inteiro era sacrificado; couro era dos sacerdotes.O fiel colocava as mãos sobre o animal; sangue aspergido sobre o altar.

Representa o sacrifício de Jesus na Cruz.  

 

• hebraico “hpwnt t@nuwphah”- Siqn.:OFERTA MOVIDA como pecado atirado longe pela mão de Deus;balanço, ondulação. (Ex.29:26)

Jesus lançou para longe de nós, nossos pecados).

 

• hebraico “hajx chatta’ah ou  tajx chatta’th” – sign. OFERTA PELA CULPA em sua condição, culpa, punição e purificação dos pecados de impureza cerimonial. (Ex.29:36);

Jesus foi punido pelos nossos pecados e cerimonialmente nos purificou com seu sangue.

 

• hebraico “Kon necek ou Kon necek” – OFERTA DE LIBACAO: -algo derramado como imagem fundida, moldando novo ser (Ex.29:41);tipo de oferta em que se derramava vinho (Lv 23.13)

Jesus derramou seu sangue para nos propiciar um novo nascimento.

 

• hebraico “xyr reyach xwxyn nichowach ou  xxyn niychoach”-Sign.OFERTA DE PERFUME AGRADAVEL-Deus teve prazer, sentiu cheiro e trouxe calma, suave,tranqüilo.(Ex.29:41);

O sacrifício de Jesus nos fez ser agradáveis a Deus; o seu ato cumpriu a lei e fomos salvos.  

 

• hebraico “hbdn n@dabah” – Sign.: OFERTA VOLUNTARIA - Ser incitado e impelido pelo Espírito Santo; de livre vontade. (Ex.35:29);

Jesus foi impelido pelo Espírito Santo ao deserto, e de livre vontade se ofereceu para morrer por nossos pecado..  

 

• hebraico e aramáico “Nbrq qorban ou  Nbrq qurban” – Sig.:OFERTA DE OBLAÇÃO – e em grego korban korban e  korbanav korbanas Dom oferecido a Deus como tesouro sacro; como a santa ceia. Chegar perto de Deus c/oferecimento de pão,vinho,farinha,azeite ou incenso pelo sacerdote. (Lv.1:2).

Farinha, massa cozida ou grãos com azeite e incenso. Oferta espontânea feita a Deus.

Uma parte é queimada como memorial no altar para pedir que Deus se lembrasse do fiel; sustento para os sacerdotes e o melhor que o fiel pudesse oferecer.

Representa os dízimas e ofertas a Deus.

Corpo de Jesus é o pão e seu sangue é o vinho e ele foi moido como oliva. para enviar o Espírito Santo. 

 

• hebraico “tyvar re’shiyth” -Sign.: OFERTA DAS PRIMICIAS - Primeiro, parte principal, selecionada, (sentido de sacudir); O Senhor é cabeça principal (Lv.2:12).

Também • hebraico “rwkb bikkuwr- Primeiros frutos da colheita e frutas maduras colhidas, oferecidas como no ritual do Pentecoste e pão feito dos grãos novos de trigo.(Lv.2:14). 

Jesus é o primeiro a ressuscitar dentre os mortos.

 

• hebraico “rpk kaphar” – Sign.: OFERTA PELO PECADO - Sentido de cobrir, purificar, fazer expiação e reconciliação, como arca de Noé, com betume. (Lv.5:10).

Quando alguém pecava contra outra pessoa ou contra Deus, este pecado profanava o lugar santo e deveria ser purificado.

Sangue do sacrifício era aspergido como sinal de morte ocorrida purificando a profanação.

Se o fiel visse o sacerdote comer a carne sem sofrer dano, Deus tinha aceito seu arrependimento.

Representa o sangue de Jesus cobriu nossos pecados, fez expiação e nos reconciliou como arca da vida e nosso intercessor.

 

• hebraico ”Mva ‘asham”-Sign.:OFERTA PELA IGNORANCIA-Sentido: Reconhecer ofensa e sentir-se incriminado pelo pecado de não conhecer Lei; (Lv.5:15)

Jesus nos salvou e gera arrependimento nos homens ao ouvirem evangelho.  

 

•hebraico “xbz zebach” – Sign.: SACRIFICIO DE GRATIDAO OU AÇAO DE GRAÇAS - Deus abateu o sacrifício no julgamento divino (Lv.7:12):

Também hebraico “hdwt towdah – Dar sacrifício em louvor a Deus, com confissão e gratidão pois Deus expulsou o pecado (2 Cr.29:31);

Jesus nos deu um novo motivo para agradecermos a Ele e a Deus pela salvação.  

 

• hebraico “Mlv shelem”-Sig.: OFERTA PACÍFICA - Fazer as pazes com Deus; retribuição, sacrifício por aliança ou amizade, voluntário de agradecimento. (Lv.7:14);

 Jesus é o príncipe da Paz e nos deu a Paz que o mundo não conhece.

 

• hebraico “lwlh hilluwl” – Sign.: OFERTA DE LOUVORES - Como louvor de júbilo pela alegria do brilho da glória de Deus. (Lv.19:24);

Jesus é o motivo de nosso louvor e nossa adoração a Deus pela presença do Espírito Santo.

 

• hebraico “hrkza ‘azkarah” – Sign. OFERTA MEMORATIVA - Porção da oferta de alimentos queimados para registro sempre presente diante de Deus. (Nm.5:26).

Jesus nos instituiu a Santa Ceia como Memória do que Ele fez por nós.

  

• hebraico “xop pecach” e em grego “pasca pascha”Siqn. OFERTA DE PASCOA - Como festa de sacrifício da vítima; Deus passou por cima de nossos pecados, ainda que mancamos.(Dt.16:2).

Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, morto.

Vemos que o propósito desses sacrifícios cumpre-se em Cristo;sacrifício perfeito; qualquer outro meio é maldito.

9) OS PASSOS PARA  A  APRESENTAÇAO DE UM SACRIFICIO DE ANIMAIS:

Com variações, são os seguintes passos:

a) Ofertante se purificava e animal era examinado por funcionários do Templo. Jesus foi examinado no Templo (Mt.21:23);

b) O ofertante levava o animal ao altar, que ficava do lado de fora do Templo, e o apresentava ao sacerdote. Jesus foi levado ao sumo-sacerdote (Mt.26:57) Jesus foi crucificado no Gólgota ou Calvário (Altar) fora do Templo(Jerusalém);

c) O ofertante punha as mãos na cabeça do animal como sinal de que o estava dedicando a Deus. Jesus usou coroa de espinhos na cabeça como sinal (Mt.27:29);

d) O ofertante ou o sacerdote matava o animal, cortando as artérias do pescoço. Jesus foi traspassado (Jo.19:34);

e) O sacerdote borrifava um pouco do sangue nos lados do altar. O sangue de Jesus derramou no chão (Lc.22:44);

f) O sacerdote tirava o couro, que ficava para ele. Nicodemos e outros servos de Jesus requisitaram o corpo (Mt.27:58);

g) Aí cortava o animal em pedaços e os colocava sobre a lenha do altar. Jesus disse que comamos dEle (Mt.26:26);

h) A carne era toda queimada ou só uma parte dela, conforme o tipo do sacrifício. Jesus cumpriu todos os sacrifícios.

i) Depois do sacrifício pacífico havia uma refeição comum, em que o sacerdote e o ofertante comiam parte da carne do animal. A refeição comum era a santa ceia e a igreja reunida, onde todos eram ofertantes e sacerdotes.(At.2:46).

Os sacrifícios do AT eram provisórios (Hb 10.4) e apontavam para o Cordeiro de Deus (Jô.1.29; Hb.9.9-15), cujo sangue (sua morte na cruz) nos limpa de todo pecado (1Jo 1.7).

10) EFICACIA DO SACRIFICIO:

Entre o AT e o NT, temos: O AT é imperfeito, provisório, mas bom, na finalidade e no propósito. Porque foi ordenado por Deus e estava em seu propósito, reconciliando seu povo na graça.

O israelita esclarecido trazia oferta, consciente de que não bastava estar arrependido; teria que ver o seu sacrifício ofertado e além disso, aprendia que sem o coração voltado, tudo era só formalidade. Já o NT é perfeito, eterno e novo porque somente Jesus tem a imagem de Deus e o animal não é voluntário nem traz comunhão entre ofertante e vítima.

A lei trouxe a convicção dos pecados e os sacrifícios apenas inoperavam os pecados contra a ira divina. (Rm. 3.20).

Os animais não purificam o coração dos pecadores, não aperfeiçoam o adorador, não  trazem edificação de caráter ou dão posição perfeita perante Deus.

São repetidos e oferecidos por sacerdotes falhos. Houve exceções; pessoas santas que alcançaram estatura espiritual: Abraão, Enoque e Elias, salvos por antecipação do futuro sacrifício realizado. (Hb.9:15) – Jesus justificou a todos.

NOVO TESTAMENTO: Jesus sabia desde o início, que o seu sofrimento e morte faziam parte do seu destino ordenado.

A ceia é um rito que comemora a redenção da humanidade p/sua morte, como a páscoa foi para os israelitas. Como Deus é santo, se ira contra o pecado do homem porque o homem prefere ouvir sua vontade que a do Criador.

A expiação de Jesus foi necessária e possível. O castigo do pecado foi pago no Calvário e a lei divina foi honrada.

11) MORTE DE JESUS É:

a)Expiação (cobrir, purificar, quitar, reconciliar)-Levou no seu corpo nossos pecados, afastando do transgressor;

b) Propiciação (juntar, ser favorável, reconciliar)-Jesus, o mediador, leva o pecador a Deus;  

c) Substituição - Cristo fez o que não podíamos fazer, morrendo por nós, como vítima, no altar;  

d) Redenção.tornar a comprar por um preço)-livrar da servidão, retirar do mercado; (condições:Parente, estar disposto a pagar um novo preço) Jesus veio nos resgatar (Mt.20:28);   

e) Reconclilação - Deus estava em Cristo, reconciliou o mundo (2Co.5:18).

12) TIPOS DE EXPIAÇAO: a. expiação pelo santuário, a tenda da congregação, e o altar (Lv.16.16-20); b. expiação pelo povo (Lv 16.10); c. expiação pelo sumo sacerdote (Lv. 16:6-24):

13) EFICACIA NA CRUZ: Perdão da Transgressão (Jo.1:29); Livramento do Pecado (Jo.3:5); Liberto da Morte Física e Espiritual (Jo.11:26); Dom da vida eterna (Jo.3:16) Vida vitoriosa (GI. 2:20); contra o diabo (Jo.12:31;Ap.12:11).

14) A PASCOA: “xop pecach” e em grego “pasca pascha

Do Antigo Testamento:

1-O abate do cordeiro puro, com cujo sangue foram redimidos os primogênitos israelitas.

2-A travessia do Mar Vermelho pelos judeus e a libertação do cativeiro.

3-Admissão na aliança com Deus no 50. dia após o êxodo do Egito e recebimento dos Mandamentos.

4-A peregrinação durante 40 anos pelo deserto e as diversas provações.

5-O comer do milagroso Maná enviado por Deus.

6- A edificação da serpente de cobre: os judeus contemplando, eram curados das picadas de cobras.

7-O ingresso dos judeus na terra prometida.

 

Do Novo Testamento:

1-A morte na Cruz do Cordeiro de Deus, com cujo sangue são redimidos os primogênitos cristãos.

2-O batismo liberta as pessoas do cativeiro do pecado.

3-A descida do Espírito Santo no 50º dia após a Páscoa, pelo Qual foi estabelecido o Novo Testamento.

4-A vida do cristão entre provações e sofrimentos.

5-O comer do “Pão Celestial,” Corpo e Sangue de Cristo pelos fiéis.

6-A Cruz de Cristo, à Qual os fiéis contemplando, salvam-se das ciladas do demônio.

7-O recebimento do Reino Celeste pelos fiéis.

15) FESTAS DE ISRAEL:

Páscoa e Azimos (Nisan-Março/Abril)-Cada família sacrificava um cordeiro (Deus passou por cima do pecado)Comia-se com pão sem  fermento às pressas; representa Jesus;páscoa, sem fermento;

 

Primícias (Nisan-Abril)-No último dia da festa dos ázimos, apresentava a Deus o 1a feixe da colheita – representa (Jesus-primogênito dos mortos).

 

Semanas ewbv shabuwa‘ ou ebv shabua‘ também (fem.) habv sh@bu‘ah (Pentecostes)-Março a Maio-Nisan,Lyyar e Sivan- Colheita da Cevada,Colheita Geral e vinhas)-No fim da colheita de cereais, sacerdote oferecia dois pães feitos de farinha nova e holocausto de animais, durante 50 dias.-representa a descida do Espírito Santo;

 

Trombetas hruux chatsots@rah (Ano Novo)-Setembro (Elul e Tishri)-Colheitas de Azeitonas/Aradura-O começo de cada mês assinalado pelas festas tocadas pelas trombetas (Shofar)-No 10º dia do 70º mês, anuncia-se descanso ao culto do sábado(Rosh Hashanah) Representa a Vinda do Messias.

 

Dia da Expiação Mwy yowm rpk kippur ou (plural)  Myrpk - Setembro/Outubro-Tishri-Aradura-vyrx chariysh – Pede-se o Perdão a Deus-representa Jesus,o salvador; 

Colheita-gx chag ou gx chag Pyoa ‘aciyph ou  Poa ‘aciph –Tabernáculo – hko cukkah – Tendas lha ‘ohel - representa Jesus,nosso salvador.

 

Dedicaçâo(Luzes)hknx chanukka’(aramaico) – em grego egkainia egkainia – Dezembro- Purificação do 2° templo com luzes nas casas-representa Jesus, nossa Luz.

Purim-rwp Puwr (pl.)  Myrwp Puwriym ou  Myrp Puriym - Fevereiro/Março – Livramento dos judeus na época de Ester-Representa Jesus,nossa liberdade e alegria.

 

Sábado-tbv shabbath - Dia de descanso sagrado para os judeus – Representa Jesus nosso descanso eterno;

 

Lua nova-vdx chodesh - No Início de cada mês, tocavam trombetas,lembrando-se da criação do mundo- Representa Novo nascimento.

 

Ano Sabático- A cada 07 anos,era descanso da terra.Representa Jesus, riqueza e libertação.

 

Jubileu-50 anos – Jesus é nossa libertação e salvação.

 

16) O TABERNÁCULO:Nkvm mishkan – Lugar de Moradia e adoração a Deus.

 

Veja fotos em (http://www.vivos.com.br/62.htm)

 

O PÁTIO: rux chatser – REPRESENTA A CONVERSÃO (CORPO)

Local mais exterior do Tabernáculo, totalmente descoberto.

A maioria dos crentes ainda está no pátio, expostos às intempéries do tempo, como primeira experiência do homem com Deus. Composto por 3 elementos:

 

1) A PORTA: xtp pethach A porta é o local onde entramos no tabernáculo- Não se pode entrar por outro lugar.

A porta é Yeshua (Jesus)-A porta do Tabernáculo ficava virada para o leste, o lado do sol.Jesus é o nosso sol da justiça. (Profana o Pátio, quem não entra pela Porta, que é aceitar a Jesus).

Isso nos fala de salvação. Quando passamos pela porta, saímos do mundo (pecado) e entramos numa nova vida, com o objetivo de crescermos até a “Estatura de varão perfeito”.

Características:a)Estreita (Mt.7:14); b)Porta do Pastor (Jo.10:2); c)Jesus é a porta (Jo.10:7,9); d)Palavra (Cl.4:3); e)Porta do Juiz (Tg.5:9);f)Do coração (Ap.3:20)

 

2)O ALTAR DO SACRIFÍCIO: xbzm mizbeach hle ‘olah ou  hlwe ‘owlah (REPRESENTA A CRUZ DO CALVÁRIO, LUGAR ONDE CRISTO FOI CRUCIFICADO)

O altar é o local da morte.

É ali que a nossa vida é colocada como um sacrifício para Deus.

No altar nós morremos para nossas próprias convicções, vontades, desejos, expectativas.

No altar morremos para a nossa vida a fim de podermos viver uma nova vida para com Deus. No altar tem fim o velho homem.

O desejo do coração de Deus é que após termos um verdadeiro encontro com Ele, possamos verdadeiramente “morrer.”

Quando o sacrifício queimava, subia um cheiro que se desprendia da vítima.

Deus espera que quando nossa vida for oferecida, possamos liberar um cheiro suave a fim de agradá-lo.(Profana o Pátio, quem não coloca sua vida no altar de Deus).

Características:a)Altar de Reconciliação (Mt.5:24); b)Sacerdotes participam dele(1 Co.9:13); c)Jesus, nosso altar específico (Hb.9:13); d)Representa sacrifício, morte, amor e testemunho (Ap.6:9); e)Fogo (Ap.8:5) f)Ouro(pureza)na presença de Deus (Ap.11:1). g)renúncia e seguimento (Mt.16:24); h)Preparação para o descanso (Jo.19:31); i)Palavra de Poder divino (1Co.1:18); j)Perseguição (Gl.6:12);k)Abstenção do mundanismo (Gl.6:14); l)Reconciliação (Ef.2:16);m)humilhação e obediência(Fil.2:8);n)consumação da fé e gozo, olhando para Jesus(Hb.12:2)

 

3)PIA DE BRONZE OU LAVATÓRIO: rwyk kiyowr ou  ryk kiyor tvxn n@chosheth (REPRESENTA O BATISMO-PURIFICAÇÃO E O INÍCIO DA SANTIFICAÇÃO)-Após a nossa”morte”, temos que consolidar nossa vida cristã, testemunhando de forma plena a experiência da conversão.

Pia nos fala de limpeza onde nossos pecados são “lavados” publicamente e somos integrados a uma nova realidade.

Tipifica a nossa morte e ressurreição a fim de vivermos uma nova vida em Cristo.(Profana o Pátio, quem não se batiza em sinal de arrependimento).

Características:a)Lavagem da água da Palavra(Ef.5:26);b)Lavagem da renovação e regeneração do Espírito Santo (Tt.3:5); c)Lavagem dos pecados no sangue de Jesus (Ap.1:5); d)Lavagem de arrependimento (Mt.3:11); e)Galardão (Mt.10:42); f)Novo nascimento no Espírito e entrada no Reino de Deus (Jo.3:5); g)Jesus é a Água de vida eterna(Jo.4:14); h)Cura (Jo.5:4); i)Certeza de fé e purificação (Hb.10:22); j)Sangue(1 Jo.5:6-8); k)Água da vida(Ap.21:6, 22:1,17);l)Fuga da Ira(Mt.3:7);m)Cálice de Cristo (Mt.20:22);n)Sepultamento e ressurreição (Cl.2:12); o)Indagação de uma boa-consciência (1Pe.3:21)

 

O SANTO LUGAR tyb bayith; (interior); vdq qodesh (santa)  e em grego “agion hagion” – REPRESENTA A COMUNHÃO:(ALMA)

Local onde adentramos na presença do Eterno Deus, pois todos os mobiliários são de ouro, que nos fala de divindade, realeza e eternidade.Composto por 3 elementos:

 

1)MESA DOS PÃES: Nxlv shulchan Mynp paniym  (SIMBOLIZA CRISTO, O PÃO DA VIDA)-Nos fala do alimento que provêm de Deus, a fim de saciar nossa fome.

Os pães eram colocados em duas fileiras de seis, perfazendo doze pães, trocados a cada semana. Isso nos ensina que o pão que alimenta viria das doze tribos de Israel.

(Profanar o Santo Lugar é não entrarmos na presença do Senhor e não saciarmos nossa fome com o pão da Palavra).

Características:a)Bem-aventurança e fartura (Lc.6:21);b)Jesus é o pão da vida (Jo.6:35); )Palavra de Deus (Mt.4:4); d)A cada dia (Mt.6:11); e)Doutrina (Mt.16:12); f)Corpo de Cristo (Mc.14:22); g)Saciar a fome de Deus(Jo.6:26); h)Pão da Vida(Jo.6:31-58);i)Perseverar na doutrina, comunhão e oração (At.2:42); j)unanimidade, alegria e simplicidade em união (At.2:46); k)Comunhão do corpo de Cristo (1Co.10:16); l)um só corpo(1 Co.10:17); )Anúncio da morte de Jesus (1Co.11:26); n)justiça(2Co.9:10);o)trabalho com sossego (2 Ts.3:8,12);verdade e ação de graça (1Tm.4:3).

 

2)CANDELABRO: hrwnm m@nowrah ou  hrnm m@norah (SIMBOLIZA  CRISTO COMO A LUZ DO MUNDO)-

Tudo deve ser feito pelo mover do Espírito Santo.

Nos fala da presença do Espírito Santo em nossas vidas, alimentados pelo Óleo da Unção de Deus.

O fogo nos fala da iluminação que precisamos e da Palavra revelada pelo Espírito Santo.

(Profanar o Santo lugar é não aceitar a unção e a luz do Espírito Santo dirigindo nossas vidas).

Características:a)Luz entre as trevas e sombra da morte(Mt.4:16);b)A igreja(nós)-(Mt.5:14); c)Nossas boas obras(Mt.5:16); d)Nossos olhos (Mt.6:22); e)proclamação (Mt.10:27); f)Transfiguração (Mt.17:2); g)Luz p/nações e glória p/Israel (Lc.2:32); h)Vida em Cristo(Jo.1:4);i)Resplandecer nas trevas(Jo.1:5); j)Testemunho de fé(Jo.1:7); k)verdade(Jo.1:9;3:21); l)condenação do mal(Jo.3:19-21);m)ardor e alegria(Jo.5:35); n)Jesus é a luz do mundo (Jo.8:2;9:5;12:46); o)resplendor celeste (At.9:3); p)salvação (At.13:47);q)conversão, remissão, herança e santificação (At.26:18); r)armas contra as trevas(Rm.13:12); s)manifesto e desígnio do coração em louvor(1Co.4:5);t)evangelho da glória de Cristo(imagem de Deus)-(2Co.4:3); u)conhecimento da glória de Deus na face de Cristo(2 Co.4:6); v)herança dos santos(Cl.1:12);w)imortalidade(1Tm.6:16); x)Aparição de Jesus Cristo,manifestação do Evangelho(2Tm.1:10);z)dádiva e dom(Tg.1:17); z1)geração eleita, sacerdócio real e nação santa(1Pe.2:9); z2)Deus é Luz(1Jo.1:5); z3)comunhão e purificação pelo sangue(1Jo.1:7); z4)Amor(1Jo.2:10);z5)Glória de Deus (Ap.21:11); z6)Salvação,glória e honra (Ap.21:24);z7)Luz de Cristo na Eternidade (Ap.22:5).

 

3)ALTAR DE INCENSO: xbzm mizbeach trjq q@toreth (REPRESENTA  A INTERCESSÃO DE CRISTO NA GLÓRIA)-

O altar de incenso nos fala de nossas verdadeiras orações feitas no espírito, não segundo os desejos carnais.As orações são acompanhadas da verdadeira adoração e louvor.

E diferente da oração no pátio, sem entendimento.

Essas orações são dirigirias pelo Espírito Santo, numa nova dimensão espiritual. (Profanar o santo lugar é não adorar nem louvar no altar de oração).

Características:a)lncensos são as orações dos santos(Ap.5:8;8:3-4);b)Oração expulsa os demônios(Mt.17:21);c)Tudo o que pedir,crendo, recebe(Mt.21:2);d)deve ser com perseverança, unanimidade e súplica(At.1:14);e)perseverar com a Palavra(At6:4); f)Acompanhada de boas obras(At.10:31 ); g)intercede a salvar almas(Rm.10:1); h)Oração em súplica,perseverança e vigilância(Ef.6:18); i)Fazendo com alegria(Fp.1:4); Resulta em socorro do Espírito Santo(Fp.1:19);k)sem inquietação com ações de graça(Fp.4:6; Cl.4:2);l)Santifica na Palavra(1Tm.4:5);m)Salva,levanta e perdoa(Tg.5:15);n)Confissão de culpa e intercessão mútua(Tg.5:16);o)aproxima do fim de todas as coisas(1Pe.4:7). p)Sem vãs repetições(Mt.6:7);q)Na vontade divina(MI.26:39);r)aplicando o perdão (Mc.11:25); s)A oração transfigura (Lc.9:29); t)Nos torna dignos a Deus(Lc.21:36);u)Abre Porta da Palavra(Cl.4:3):v)Supre a falta de fé(1Ts.3:10); x)Age na natureza(Tg.5:17); z)Edifica no Espírito (Jd.1:20).

 
SANTO DOS SANTOS 
rybd d@biyr ou rbd d@bir (REPRESENTA A ADORAÇAO)

E o lugar mais interior do Tabernáculo.Há somente a arca e a presença do Senhor.

Tudo pára:tempo,vida,anseios,desfrutando a presença de Deus e recebendo dEle o que está no nosso coração.

 

Composto por 3 elementos:O VEU.A ARCA DA ALIANCA E O PROPICIATORIO:

1 )VEU: tkrp poreketh E a única coisa que separa o santo lugar dos santos dos santos.E uma barreira que nos mostra que somente podemos entrar pela oração.

Com a morte de Jesus, o véu do templo se rasgou e temos acesso a Deus (Profanamos o Santo dos Santos quando não cieremos ter acesso a Deus por Jesus).

Característícas:a)véu posto é o sentido e coração endurecido(2Co.3:13-15);b)véu tirado é liberdade, glória e imagem de Jesus pelo Espírito Santo (2Co.3:16-18);c)entrada de Jesus como sumo-sacerdote(nossa esperança fiel e verdadeira)-(Hb.6:19);d)Cristo, perfeito tabernáculo,mediador único da nova aliança(Hb.9);e)verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa (Hb.10:23)-Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança (Hb.10); (Profanar o Santo dos Santos é não rasqar o véu do coração para Deus.(JoeI 2:13)

 

2)ARCA DA ALIANÇA – Nwra ‘arown ou Nra ‘aron tyrb b@riyth-(SIMBOLIZA A JUSTIÇA E A PRESENÇA DE DEUS)-

E o objeto mais sagrado do Tabernáculo,onde Deus se manifestava a Israel.

Características:a)Herdar a justiça que vem da fé(Hb.11:7);b)salvação(1 Pe.3:20);c)Entrar no Templo de Deus(Ap.11:9);

Composto por 3 elementos:

a)Tábuas da Torah(Lei)-Fala da Palavra de Deus como dádiva:tipifica a pureza da Palavra com conteúdo divino. Características:a)Jesus é a pedra que edifica a lgreja(Mt.16:18);b)diferencia dos artifícios humanos(idolos-At.17:29); c)A Pedra é Cristo(1Co.10:4) ;d)Somos carta de Cristo escrita com o Espírito na carne(2Co.3:3);e)Edificar fundamento(Ef.2:20); f)Pedra viva,eleita e preciosa(1Pe.2:4);g)novo nome(Ap.2:17);h)refletir a glória e a luz de Deus(Ap.21:11);

b)Maná-Fala de alimento diário dado por Deus. Características:a)Jesus é o maná que veio dos Céus(enviado)-(Jo.6:58);b)Jesus é o maná escondido,dado ao vencedor(Ap.2:1 7);

c)Vara de Arão que floresceu(Nm.17:6-10)-Características-a)Dar frutos em Cristo(Jo.15:2-6);b)correção(1Co.4:21/Ap.2:27)-Vara florescer,fala de autoridade conferida; brota nos corações.

AULA 8 – SALVAÇÃO:

 

NOMENCLATURA NO ANTIGO TESTAMENTO:

* hewvy y@shuw‘ah – salvação por Deus, libertação, prosperidade (Gn.49:18);

* hewvt t@shuw‘ah ou hevt t@shu‘ah – livramento (geralmente por Deus mediante agência humana) e salvação (em sentido espiritual) – (Jz.15:18);

* evy yesha‘ ou  evy yesha‘ – libertação, salvação, resgate, segurança, bem-estar, prosperidade, vitória (2 Sm.22:3);

NOMENCLATURA NO NOVO TESTAMENTO:

* swthria soteria – livramento, preservação, segurança, salvação da moléstia de inimigos e num sentido ético, aquilo que confere às almas segurança ou salvação messiânica como a posse atual de todos os cristãos verdadeiros e a  salvação futura, soma de benefícios e bênçãos que os cristãos, redimidos de todos os males desta vida, gozarão após a volta visível de Cristo do céu no reino eterno e consumado de Deus.

 

A SALVAÇÃO NA PALAVRA DE DEUS:

NO ANTIGO TESTAMENTO: É o próprio Deus (Gn.32:30; Ex.15:2; 2 Sm.22:3; 2 Sm. 22:47; Jô.13:16; Sl.3:8; Sl.18:2; Sl.27:1; Sl.35:3; Sl. 38:22; Sl.68:20; Is. 12:2; Is.45:17; Era esperada (Gn.49:18);

NO NOVO TESTAMENTO: (Lc.1:69; Lc.2:30; Lc.19:9; Jo.4:22; At.4:12; Rm.1:16; Rm.10:10; 1 Ts.5:9; 2 Ts.2:13; 2 Tm.3:15; Hb.5:9; Hb.9:28; Ap.12:10; Ap.19:1).

1)CONCEITO DE SALVAÇÃO: Espírito Justificado, alma regenerada e corpo santificado para Deus. Não alcançada por regras ou dores, mas pela obediência, fé e amor.

 

2) CONDIÇÕES PARA SALVAÇÃO:

A) Arrependimento (abandonar pecado): Convicção de culpa e esforço sincero e deixar o pecado,

No intelecto(descobrir seu erro), 

No emocional (auto-acusação e tristeza sincera e ter ofendido a Deus)

Na prática (mudar de idéia ou propósito, produzindo frutos dignos).

O Espírito Santo aplica a Palavra de Deus à consciência, comove o coração e fortalece o desejo de abandonar o pecado. 

B) Ter fé (buscar a Deus); realizar o batismo nas águas (símbolo exterior da fé interior cristã)-Mc.16:16;At.22:16. É crer e confiar, agindo no intelecto pela vontade.

No Intelecto (crença nas verdades reveladas);

Na vontade-aceitação e aplicação como regra de vida. A fé que salva é a graça divina;nos faz olhar para os méritos de Cristo,ajudada pelo Espírito Santo, que nos faz confiar. Ter fé é a pronta dedicação da própria vida para com o Senhor, em verdade.  

 

C)Batismo:De arrependimento para perdão dos pecados, como sepultados em sua morte – como uma verdadeira figura, que agora salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo, para ressuscitarmos na fé nele e no seu poder (1 Pe.31:21).  

 

D)Conversão: Abandonar o pecado e aproximar-se de Deus, em firme propósito de ser obediente (At.3:19).  

A conversão é o lado humano da salvação;o divino é o perdão e a dádiva de um novo coração. 

Conversão é o resultado humano da sobrenatural graça.(At.3:19 e 26).

A conversão e regeneração envolvem o intelecto, emoções e vontade, atuando de forma conjunta.

3) TRÊS ASPECTOS DA SALVAÇÃO:(por Cristo e pelo Espírito Santo):

• JUSTIFICAÇÃO (PARA O ESPÍRITO): (At.13:39; Rm.2:13; Rm.3:20-30; Rm.3:28; Rm.5:1; Rm.5:9; Rm.8:33; 1 Co.6:11; Gl.2:16; Gl.3:24; Tt.3:7).

NO NOVO TESTAMENTO: * dikaiosunh dikaiosune  – num sentido amplo: estado daquele que é como deve ser, justiça, condição aceitável para Deus; doutrina que trata do modo pelo qual o homem pode alcançar um estado aprovado por Deus; integridade; virtude; pureza de vida; justiça; pensamento, sentimento e ação corretos; num sentido restrito, justiça ou virtude que dá a cada um o que lhe é devido.

Espírito culpado e condenado perante Deus é absolvido,declarado justo;(mudança de posição em condição):Deus julga,Cristo advoga;pecado é o crime;expiação satisfaz lei;o arrependido é perdoado, testificado pelo Espírito Santo, passa a viver em vida cristã perfeita, já cumpridora da Lei. 

a) Natureza: (absolver e declarar justo, aceito, somente pelo ato de Jesus (Rm.1:17;3:21).O condenado é absolvido, de ofensor para justo. Ela  subtrai e cancela os pecados e depois, adiciona a imputação de justiça. O  Evangelho revela aos homens como se mudar de posição e condição;

b) Necessidade:  todos os homens necessitam; gentios tinham revelação natural e buscaram idolatria (Rm.1:19) e judeus transgrediram a lei, que não fazia o povo ser justo, mas normatizava a justiça quanto ao vil pecado.Cristo é a nova dispensação em relação de Deus aos homens.

c) A fonte:  A Graça:  favor imerecido. Servir a Cristo não é forma de pagamento, mas expressão de devoção e amor. Ela não abranda a penalidade,pois depreciaria a justiça de Deus, mas provê expiação para justificar e santificar as almas.

 

OBS: TRÊS FORMAS DE GRAÇA:  

Graça proveniente ou eficiente-atrai homens para Cristo (Jo.6:44) e convence desobedientes (At.7:51), produzindo conversão (Jo.5:40);

Graça efetiva-capacita homens e resistirem tentação e fazer obra;

Graça habitual-efeito da morada do Espírito Santo em vida plena (Gl.5:22).

d) Fundamento:A Justiça de Cristo expiou nossa culpa,satisfez a lei,na obediência, sofrimento e substituição;unidos com ele na fé,sua morte é nossa morte;sua obediência é nossa obediência e Deus nos aceita.Redenção completa libertação p/preço pago.Incoerência é dizer viver Cristo, sem provas dignas dEle.

e) Meio:A Fé; apropriando-se da salvação pela promessa divina;(não há auto-justiça, nem auto-esforço, nem medo de fracasso).

Ela concede paz à consciência e esperança espiritual.

As obras são o resultado, prova  e a consumação da fé, não a causa da salvação (Ef.3:17); motiva atitude receptiva de amor, envolvendo a vontade em boas ações e sujeita-se à justiça divina (Rm.10:3).

Crer no coração é desejar,muito,a Jesus.

 

• REGENERAÇÃO (PARA A ALMA): (Tt.3:5);

NO NOVO TESTAMENTO: paliggenesia paliggenesia – novo nascimento, reprodução, renovação, recreação, regeneração, produção de uma nova vida consagrada a Deus, mudança radical de mente para melhor, como o sinal e gloriosa mudança de todas as coisas (no céu e na terra) para melhor, aquela restauração da condição primitiva e perfeita das coisas que existiam antes da queda de nossos primeiros pais, que os judeus esperavam em conecção ao advento do Messias, e que os cristãos esperavam em conexão com a volta visível de Jesus do céu.

Alma morta em transgressões e ofensas é adotada por Deus;(chamada e eleição) Deus é Pai;Cristo é irmão mais velho;pecado é teimosia; expiação é reconciliar, mortificando a velha natureza,refletindo Cristo.

a) natureza:(ato divino de conceder ao homem,crer numa vida nova,de elevada união pessoal com Jesus).

5 descrições no Novo Testamento:

Nascimento (ato da graça criadora – Jo.5:1; Jo.3:8);

Purificação (Alma lavada das imundícies em novidade de vida;  experiência simbólica expressa no ato de batismo – Tito 3:5; At.22:16);

Vivificação(essência da regeneração é nova vida pelo Pai, mediante Jesus, pela operação do Espírito Santo, transformando nosso caráter, desejos e propósitos;

Criação (Homem recriado pelo sopro divino,no Éden, recriado pela operação do Espírito Santo (2Co.5:17; Ef.2:10; Gl.6:15;

Ressurreição (Como barro enviveceu, alma pecaminosa ressurge: regeneração - mudança que Deus opera na alma, quando é vivificada.(divina comunicação de nova vida à alma humana).Surge rápida, misteriosa e desenvolve gradativa;aspecto singular do Cristianismo.

b) Necessidade: Causas:

• Fome espiritual (estar farto de ritualismos);

• Falta de convicção profunda (precisar ser purificado e transformado);

• Auto-complacência (supor ter qualificação suficiente para ser membro do Reino de Deus).

Há necessidade da carne ser transformada somente pelo Espírito Santo para ser capaz de viver no Reino Espiritual, em mudança completa e natureza e caráter.

c) Meios:

• Trindade Divina (Pai gera, Cristo vivifica por sua morte  e envia o Espírito Santo que vivifica.)

• Preparação humana:(toma parte, agradecendo com arrependimento e fé).

d) Efeitos: 3 Pontos:

• Posicionais (adoção)-torna-se filho e beneficiário dos privilégios-Gl.4:1-7;

Espirituais união com Deus (mediante o Espírito Santo, resulta em novo caráter; crente deve manter contato com Deus, preservando e nutrindo sua vida espiritual.(2Pe.1:4 e Rm.6:4).

Práticos(pessoa nascida odiará o pecado-1Jo.3:9 e 5:8;em obras de justiça, amor fraternal e vitória que vence o mundo.

OBSERVAÇÃO: ESTAMOS SUJEITOS A FALHAR: (Não podemos habituar com o pecado, mas se pecarmos, não voluntariamente, de forma premeditada,temos o bom advogado(1Jo.2:1 e 3:9) Temos que vigiar e orar.

• SANTIFICAÇÃO (PARA O CORPO): (Rm.1:4; Rm.6:19; Rm.6:22; 1 Co.1:30; 2 Co.7:1; 1 Ts.4:3-7; 2 Ts.2:13; Hb.12:14; 1 Pe.1:2).

NO NOVO TESTAMENTO: * agiasmov hagiasmos – consagração, purificação.

A pessoa em novidade de vida, dedica-se a servir a Deus.(separação / dedicação e purificação):Deus é o Santo;Cristo é Sumo-sacerdote; pecado é impureza; o arrependimento(consciente da impureza),me faz ter um substituto no altar e assim, vivo p/servir ao nosso Deus.  

a) NATUREZA: (consagração)

Cinco Sentidos:

• Separação(para perfeição moral e uso divino);

•  Dedicação(consagração à comunhão e serviço;dedicação exclusiva a Deus);

• Purificação (limpeza pela palavra,sangue de Jesus e Espírito Santo);

• Consagração (vida santa e justa, regenerada, conforme a lei;exortação à purificação (2Co.7:1);

• Serviço (Servir como sacerdote,oferecendo sacrifício de louvor (Hb.13:15);

Sacrifício Vivo (Rm.12:1).

b) TEMPO: 2 Idéias: 1Co.1:2-

• Posicional-Instantânea perante Deus.

• Prática e Progressiva como santos(separados),santificados(na Palavra); precisamos ter exemplos de cristãos.

Separação  inicial é começo de uma separação diária,pois Deus exige maneira santa de viver pela purificação p/melhorar a consagração até a perfeição;os mortos p/o pecado são exortados a mortificar seus membros;revestir do novo homem (Ef.4:22; 1Pe.1 e Cl.3).

c) MEIOS:

• Sangue de Jesus (Provisão objetiva-Eterno-hb.13:12)-Santificação absoluta perante Deus;

• Espírito Santo (Provisão-subjetiva-interior-Rm.15:16)-início da obra de Deus nos corações,conduzindo ao inteiro conhecimento da justificação no sangue de Jesus;

Palavra (Externa/prática – Jo.17:17)-Desperta a compreensão da insensatez e da impiedade pessoal (espelho para a alma).

d) Santificação quanto à Carne: O pecado original não é erradicado dela,por si mesma(pois não haveria morte), nem pode ser libertar por observância de regras e regulamentos (pois a lei não santifica-Legalismo)e não pode tentar subjugar a carne por privações e sofrimentos (pois é a alma e não o corpo que peca.-Ascetismo).

e) Verdadeiro Método:

• Fé na expiação-Novidade de vida nos fatos e promessas bíblicos. • Cooperação c/o Espírito-libertação e crescimento de santidade.

 

OBS:03 mortes que crente está sujeito:

1) morte no pecado-física-condenação Ef.2:1; 

2) morte pelo pecado: justificação (Gl.2:20);

3) Morte p/o pecado - santificação (Rm.6:11).

 

f) Santificação Completa:

Perfeição=sincero e reto (Gn.6:9 e Jó.1:1)relativa e progressiva em Cristo (Gl.3:3),concedida como dom da graça e efetuada no caráter do crente.(Fil.3:12 e Hb.6:1).

g) SEGURANÇA: Não sejamos descuidados nem negligentes.Desviar-se é voltar atrás ou virar-se.

A salvação depende de Deus mas devemos ser sinceros em fazer sua vontade.

 Podemos resistir à graça divina, p/a perdição eterna(apostasia)(Jo.6:40;Hb.6:6 e 46).

Não confiemos em privilégios ou posições.estar na graça é estar no favor da comunhão com Deus;o pecado interrompe essa comunhão.

Somos chamados a uma profunda amizade com Deus e nossa obediência ao chamado nos torna escolhidos. Quem obedece, não perece!

 

4) PREDESTINAÇÃO(Rm.8:29-30; Ef.1:5; Ef.1:11):

NO NOVO TESTAMENTO: * proorizw proorizo  – decidir de antemão; no NT do decreto de Deus desde a eternidade; preordenar, designar de antemão. (NOTE-SE QUE É EM CRISTO).

Predestinar é determinar o futuro. Há 3 povos predestinados na Bíblia:Israel, da semente de Abraão; (Gn.17:6); Impios, que serão lançados no inferno (Sl.9:17); Igreja,predestinada a ir ao céu (1Ts.4:16-17).

Conheceu grego “proginoskw proginosko- significa sentiu, como a atração entre o homem e a mulher judáicos.

predestinou grego “proorizw proorizo- designou antes, nomeou, conforme estava escrito no Novo testamento.

imagem grego “eikwn eikon” -  ser como, em excelência moral e mente santa.

chamou grego “kaleo” - convidou, como um Pai convida um filho.

justificou – grego “dikaiow dikaioo” – pronunciou alguém justo, pela observância às leis divinas, usado para aquele cujo o modo de pensar, sentir e agir é inteiramente conforme a vontade de Deus, e quem por esta razão não necessita de retificação no coração( vida).

glorificou – grego “doxazw doxazo”-honrar, estimar, manifestar sua dignidade como condição gloriosa de bem-aventurança dos cristãos em face da sua condição de verdadeiros adoradores e convertidos a Deus.

SENTIDO: Deus sentiu, de antemão, o futuro amor das almas pecadoras por Ele e lhes deu a oportunidade de terem um novo nome pela Lei do Novo testamento, pois sabia que guardariam sua lei, não rejeitariam seu convite e viveriam conforme sua vontade, o que seriam mostrados como dignos de serem honrados como

(Note-se que não é uma escolha fatalista de Deus, antecipando quem vai ou não ao céu.)

 

ESCOLHA DE DEUS:

Deus escolheu Jesus para pagar nossos pecados (Jo.6:38);

Deus escolheu Israel c/3 propósitos:(Manifestar seu poder,trazer palavra divina,manifestar Jesus ao mundo).

Deus escolheu Igreja com 3 propósitos:(Anunciar evangelho; produzir frutos e manifestar visível poder divino).

(Escolha de propósito é diferente de escolha para salvação)

Deus escolhe homens para cumprir seus propósitos vocacionais e ministeriais,diferente da salvação;

Deus escolheu homens para serem profetas, como Moisés, Davi, Sansão, Samuel, Elias e muitos outros.

São escolhas de Deus para o ministério para aperfeiçoar os santos no Plano do Reino de Deus (Ef.4:1). Em Ap.13:8 – fala do cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, pois sabia que o homem iria pecar.

Quem aceita a Jesus, participa do plano elaborado antes da fundação do mundo.

 

FUNDAÇÃO DO MUNDO:

Herança e reino preparado (Mt.25:34);

Entramos no repouso quando cremos (Hb.4:3);

Ao aceitar a Jesus, participamos do plano e em Cristo, estamos predestinados ao céu.

A nossa fé e a graça de Deus participam juntas (At. 15:11); Temos que permanecer no evangelho senão nossa fé é em vão (1Co.15:2);

Ef. 1:4-5: Somos eleitos no propósito de sermos santos e irrepreensíveis diante de Deus, predestinados para filhos na adoção por Jesus Cristo. Isso fala no plural, onde indica que somos Eleitos em Cristo para salvação.

Rm.8:29-30: conheceu, predestinou para serem conforme imagem de seu filho e chamou, justificou e glorificou:

Conhecer: (1 Jo.3:6) – Quem peca, não permanece nele nem o conhece;

Imagem (Cl.3:10) – Temos que nos revestir do novo, renovados no conhecimento;

• Chamar (1 Ts. 4:7)  - Deus nos chamou para a santificação (1 Pe.1:15; Hb.12:14).

OBS: Este chamado não é completo, mas um processo dinâmico (1 Pe.5:10)

Justificar: (Rm.3:30) – Deus justifica pela fé, que é imputada como justiça (Rm.4:5);

Deus chamou a todos:

Todos pecaram (Rm.3:9-12);

A justiça e salvação é para todos (Rm.3:22-23);

A graça foi para todos (Rm.5:18);

Condição para todos serem filhos (Rm.8:14; Jo.3:16);

Deus entregou Jesus por todos nós (Rm.8:32; Jo.6:39);

Deus é rico para com todos os que o invocam (Rm.10:12);

Misericórdia é para todos (Rm.11:32);

Santos são todos os que invocam a Jesus (1Co.1:2);

Todos mortos em Adão e todos vivificados em Cristo (1Co.15:22);

Jesus morreu por todos, mas todos os querem? (2 Co.5:15);

Deus quer que todos se salvem pelo único mediador (1 Tm.2:3-6) e se arrependam (2Pe.3:9);

Jesus morreu por todos (Hb.2:9);

LIVRE-ARBÍTRIO: Adão e Eva escolheram desobedecer a Deus e comer da árvore do bem e do mal (Gn.3:11); Homem pode fazer o bem ou o mal (Gn.4:7); Os homens escolhem se querem servir ou não, a Deus (Js.24:15); Os homens podem escolher entre a porta estreita e a larga (Mt.7:13).

 

5) ELEIÇÃO: (para Israel: Rm. 9:11; Rm.11:5-28); Para a igreja (1 Ts.1:4; 2 Pe.1:10).

Eleição grego “eklogh ekloge” - Ato soberano de Deus em graça, pelo qual Ele escolheu em Jesus Cristo para a Salvação todos aqueles que de antemão Ele sabia que O aceitariam.2 PE 1:5-12 – 1 PE 1:2

Presciência grego “prognwsiv prognosis – ter pré-conhecimento, dos que chegam a vir conhecer (Jo. 6:64).

SE: Se não se arrepender,der fruto, perdoar, guardar a Palavra,entrar pela porta,crer, mortificar as obras do corpo, confessar com a boca e crer no coração a cada instante, permanecer, amar a Jesus, combater o combate e ser fiel, PERDE A SALVAÇÃO DADA, pois Jesus pode vir e você ficar no arrebatamento ou morrer sem ter fruto pela comunhão do Espírito Santo.

AULA 9 – ESPÍRITO SANTO

 

NO ANTIGO TESTAMENTO:

* xwr ruwach vdq qodesh – Espírito Santo (Sl.51:11; Is.63:10-11).

 

NO NOVO TESTAMENTO:

* pneuma pneuma agiov hagios – Espírito Santo.

 

ESPIRITO SANTO:(Conhecido por seus nomes e símbolos).

1)É uma pessoa;exerce atributos de personalidade:a)Mente (Rm.8:27); b) Vontade (1 Co.12:11); c) Sentimento (Ef.4:30); A Ele são atribuídos atividades pessoais: a) Revela (2Pe.1:21); b) Ensina (10.14:26); c) Clama (Gl.4:6); d) intercede (Rm.8:26); e) fala (Ap.2:7); f) Ordena (At.16:6,7); g) testifica (1Jo.15:26); h) se entristece (Ef.4:30); i) se mente contra Ele (At.5:3); j) pode ser blasfemado (Mt.12:31,32).

Personalidade indicada por vir em forma de pomba (Mt.3:16) e de se distinguir de seus dons (1Co.12:11).

O Espírito é como o vento, real apesar de não ter forma corpórea.

Conceituá-Io é difícil porque:

a) Suas operações nas Escrituras são invisíveis, secretas e internas;

b) Ele nunca fala de si mesmo ou se apresenta, sempre se ocultando atrás do Senhor Jesus e nas profundezas de nosso homem interior. (Jo.16:13).

Tem personalidade distinta e separada de Deus:Procede de Deus,é enviado por Deus e é dom dado aos homens, mas não é independente de Deus, representando o único Deus nas esferas do pensamento, da vontade e da atividade.

 

2) Nomes:

a)Espírito de Deus (Lc. 11:20):

b) Deus absoluto: Cria e preserva o Universo.

É Deus absoluto pelos seus atributos divinos.

Além disso, Ele cria (Gn.1:2), regenera (Jó.33:4) e ressuscita (10.3:5-8;Rm.8:11) sendo classificado com o Pai e o Filho.(1Co.12:4-6; 2Co.13:13; Mt.28:19; Ap.1:4).

c) Espírito de Cristo (Rm.8:9) Motivos:

1)Enviado em nome de Jesus(Jo.14:26);

2)Enviado por Cristo (Jo.4:10),que também batiza com Ele(Mt.3:11);

3)Sua missão glorifica Jesus (Jo.16:14);

4)Cristo presente na Igreja por Ele (não tomar o lugar de Jesus, mas fazê-lo real, tornando-o onipresente no mundo) Mt.18:20-Conexão entre Cristo e Espírito é tão íntima que se confunde:Crente em Cristo como no Espírito (Gl.2:20;Rm.8:9,10);

d) Consolador (Nos ajuda, ensina, guia e está conosco para enfrentar o mal (Jo.14:16)-Consolador-Parácleto, no grego-Nos tribunais antigos,um amigo era chamado para eventualidades (Advocatus-latim), assistiam seus amigos por amor e consideração, ajudando nos sábios conselhos, amparando nas provas, dificuldades e perigos, sem recompensa ou remuneração.

O ESPIRITO SANTO FAZ DE FORMA INVISIVEL, O QUE JESUS FARIA DE FORMA VISIVEL Jesus enviou Espírito mas é presente nEle(Mesmo nível).

CRISTO VIVE EM MIM – A vida de Jesus, sua natureza, sentimentos e virtudes são comunicados aos crentes, pelo Espírito Santo. Jesus continua agindo no céu nos defendendo do acusador dos irmãos e o Espírito Santo faz calar os acusadores da Igreja amada.

Não é o Cristo terreno que o Espírito comunica, mas o Cristo Celestial, reinvestido de poder e glória.

A vida terrena de Jesus era pobreza (2Co.8:9), ganhou a riqueza da graça na cruz (Ef.1:7) e no trono assegurou sua riqueza de glória (Et.3:16)

Depois da ascensão ao Pai,enviou o Espírito Santo para comunicar as riquezas de sua herança e ensina mais do que Cristo ensinou, embora nEle.

e)Espírito Santo – Santo porque é o Espírito do Santo e a sua obra principal é a santificação. Jesus fez algo por nós e em nós, agora.

f) Espírito da Promessa Sua graça e poder são algumas das bênçãos prometidas no Antigo Testamento. (Ez.36:7 e Joel 2:28);

g) Espírito da Verdade Veio revelar o filho, como intérprete celestial. abrindo a mente dos homens para Cristo, guiando à verdade (Jo.16:13).

h) Espírito da Graça Dá graça ao homem para que se arrependa; concede poder para santificação, perseverança e serviço (Quem se afasta dele, se separa da misericórdia de Deus.(Hb.10:29; Zc.12:10);

i) Espírito da Vida Criador que preserva a vida natural (Rm.8:2; Ap.11:1); 1) Espírito de Adoção (Rm.8:15)-Ele testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus.

3)Símbolos:

 (meramente descrevem suas operações adotados, devido a pobreza da linguagem humana.)

a) Fogo (Is. 4:4; Mt.3:1 1; Lc.3:16)-limpeza, purificação, intrepidez ardente, zelo produzido pela unção, pois o fogo aquece, ilumina, espalha-se e purifica (Jr.20:9);

b)Vento (Ez.37:7-10; Jo.3:8,At.2:2)-Obra regeneradora do Espírito,de maneira misteriosa e independente, penetrante, purificante e vivificante.

c) Agua (Ex. 17:6; Ex.36:25-27;47:1; Jo.3:5; 4:14; 7:38,39)-Fonte de água viva, mais pura, rio da vida inundando nossas almas, limpando a poeira do pecado, refrescando, saciando a sede, tornando frutífero o estéril, purifica o que está sujo e restaura a beleza. “água viva”correnteza que não está parada como a água fétida de cisternas e brejos; representa a novidade de vida, a cada dia.

d) Selo (Ef.1:13; 2Tm.2:1 9)-Expressa: Possessão – sinal seguro de propriedade divina (2 Tm.2:19; Ef.1:13; Ap.7:3); Penhor ou herança, garantia da glória vindoura; zelo pela impressão (Et4:30).

e) Azeite – (Símbolo mais comum e conhecido, simbolizando utilidade, frutificação, beleza, vida e transformação. Era usado para alimento, iluminação, lubrificação, cura e alívio da pele. Assim, o Espírito fortalece, ilumina, liberta, cura e alivia a alma.

f) Pomba - Significa brandura, doçura, amabilidade, inocência, suavidade, paz, pureza e paciência.Tradução judáica:”o Espírito pousou como pomba sobre as águas.(Gn.1:2)

“A pomba que Noé soltou, simboliza a graça de Deus que achou ramo verde.(Gn.8:8)

 

4)No Antigo Testamento:Revelado de 3 Maneiras:

a)Criador ou Cósmico-Manifesta-se pelas leis da natureza, que são evidências de sua presença e operação. Ele sustenta o homem, crente ou ímpio (Gn.2:7,Jó.33:4; Dn.5:23; At.17:28);

b) dinâmico ou doador de poder- Cria o homem para o Reino de Deus, em consagração. Duas Classes: Obreiros (homens de ação, organizadores e executivos) ex. Josué, Otoniel, José, Moisés, Gideão, Sansão; etc. e Locutores (profetas e mestres) Profetas: recebiam mensagens de Deus e entregavam ao Povo, poder que descia de tempos em tempos para mensagens não concebidas por suas mentes, que o distinguia dos falsos profetas (Ez.13:2)”profeta”, indica inspiração, borbulhar-eloquência-(Jo.7:38).

Expressões proféticas indicavam inspiração repentina e sobrenatural, de 3 formas: Origem: Deus derramou, pôs, deu, encheu com o Espírito aos profetas; Variedade:

O Espírito estava com eles, descansava neles e o tomava *lnfluêncía:

Estavam cheios, movidos, tomados pelo Espírito Santo que falava por eles.

O “extase” era um domínio espiritual profético, como arrebatamento de espírito (Ez.8:1-3,ls.6; Ap.1:10; At.22:17), semelhantes à experiência de ser batizado ou cheio com o Espírito-Impacto direto do Espírito Santo no espírito humano, onde a pessoa fica num estado estático.

c)Espírito Regenerador:Sua presença acentuada,destacada como bênção futura, com a vinda do Messias, reunindo 4 características:

* Operativo não acentuado-transformador da natureza humana, como presença santificadora que influencia o caráter(SI.51:11);

* Bênção futura – derramar geral do Espírito como fonte de santidade, sem precedentes, para purificar o coração do povo (bel 2:28-32),

Sobre toda a carne:sem distinção de idade, sexo ou posição;

* Conexão(vinda-Messias)-Ponto culminante do derramamento é a vinda do Messias-Rei, onde o Espírito Santo pousará com poder (Profeta Perfeito).

Messias é o doador do E.Santo.Cristo morre,é glorificado,parte e envia o consolador (Jo.16:7; Jo.7:39; Jo.12:23)

* Características Especiais – Espírito pleno viria somente após obra do filho; seria dado universalmente e moraria permanentemente (Dom).Exceção Elias e Enoque-”cheios”dEle.

O Espírito de Deus é Deus em ação dentro de nós, sobre nós ou em torno de nós. É Deus operando, fazendo coisas acontecerem no mundo.

Não podemos ver o Espírito, mas podemos ver os resultados do seu poder.

O Espírito de Deus estava presente quando o mundo foi criado.

Deus enviou seu Espírito para fazer coisas poderosas entre seu povo, Israel.

Mais tarde, Deus enviou seu Espirito quando Jesus viveu na terra e desde então o Espírito tem estado presente com os cristãos.

O ESPíRITO NO VELHO TESTAMENTO

A Bíblia usa a palavra “espírito” de três maneiras diferentes.

É um vento de Deus, o sopro da vida e um espírito que enche uma pessoa com emoção forte e poder.

DESCRIÇÕES

No livro de Gênesis, foi o vento de Deus que fez com que as águas do Dilúvio parassem de subir (Gênesis 8:1).

Este mesmo vento de Deus soprou gafanhotos por todo o Egito (Êxodo 10:13) e enviou codornizes para os israelitas comerem (Êxodo 14:21).

Deus soprou vento de suas narinas para abrir as águas do Mar Vermelho de tal maneira que os israelitas pudessem atravessar em terra seca.

Em Gênesis 2:7, lemos que Deus criou o homem soprando Seu Espírito dentro dele. Os seres humanos só têm vida por causa do sopro da vida , ou espírito que está dentro deles.

Através do seu Espírito, Deus é a fonte de toda a vida, tanto animal quanto humana.

No Velho Testamento o Espírito de Deus algumas vezes enchia as pessoas, fazendo com que elas dissessem ou fizessem coisas que normalmente não poderiam fazer, de modo a atender os propósitos de Deus.

As pessoas cheias do Espírito passavam a ter grande responsabilidade por causa do Espírito que estava dentro delas. Líderes eram reconhecidos por causa do Espírito dentro deles.

Em Juízes 3, O Espírito de Deus encheu um homem chamado Otniel.

Ele se tornou juiz e foi capaz de vencer uma guerra e manter a paz em Israel durante quarenta anos.

O Espírito de Deus também encheu outros juízes tais como Gideão e Jefté.

Por causa do Espírito de Deus, eles foram capazes de conquistar seus inimigos. Algumas vezes, como no caso de Saul, Deus mandaria um espírito mau para preencher alguém a fim de que seus planos se cumprissem (I Samuel 16:14-16; Juízes 9:23; I Reis 22:19-23).

O ESPíRITO ATUANDO ENTRE OS PROFETAS

Os profetas no Velho Testamento tinham a tarefa de entregar mensagens do Espírito de Deus para o povo.

Era importante para o povo saber a diferença entre um falso profeta e o verdadeiro profeta de Deus.

O termo “Espírito Santo” é usado nos Salmos e em Isaías para separar o Espírito de Deus de qualquer outro espírito, tanto de homem quanto de Deus (Salmo 51:11; Isaías 63:10-11).

Um falso profeta não tinha o Espírito Santo. Um profeta que tinha uma mensagem do Espírito Santo deveria ter o caráter de uma pessoa obediente a Deus.

O povo poderia reconhecer o falso profeta pela avaliação de seu caráter bem como pela mensagem que ele entregava. Os profetas escreveram sobre o Espírito de duas maneiras significativas.

O Espírito inspirava profecia que seria conhecida novamente no futuro, quando Jesus estivesse na terra. Os últimos profetas, como Ezequiel, Ageu e Zacarias, proclamaram que o Espírito era o inspirador da profecia.

Isto significa que o Espírito lhes deu as palavras que proclamaram e registraram.

O Espírito de Deus era responsável por tudo que os escritores da Bíblia registraram.

Os profetas também escreveram que Deus mostraria seu poder através do Espírito no futuro. Isaías profetizou que o Espírito viria outra vez para ungir um homem que traria salvação para todas as pessoas (Isaías 11:2; Isaías 42:1; Isaías 61:1).

Ele estava falando de Jesus, o Messias. O Messias era o rei que os judeus estavam esperando. Através de Jesus, o Espírito teria liberdade sobre Israel (Ezequiel 39:29; Joel 2:28-29; Zacarias 12:10) como parte de uma nova aliança entre Deus e o homem (Jeremias 31:31-34; Ezequiel 36:26-27).

A aliança era uma promessa de Deus de que mandaria seu Espírito para dirigir seu povo. Os israelitas haviam quebrado sua antiga aliança com Deus porque continuaram a desobedecê-lo. Sob a nova aliança, Deus prometeu perdoá-los.

Entre o tempo do Velho e do Novo Testamento, acreditava-se que o Espírito não estava mais presente em Israel.

Durante aquele tempo a voz do Espírito não era mais ouvida através da voz dos profetas. Mas o Espírito foi conhecido de novo quando o Messias, Jesus Cristo, veio à terra.

Ele é a terceira pessoa da TRINDADE. Ele aplica na vida das pessoas as bênçãos da salvação (Jo 7.38-39).

Como Auxiliador (Jo 16.7, NTLH; RA e RC, Consolador), ele dá nova vida (Gl 6.8), convence (Jo 16.8-11), dá força (Rm 8.26-27), distribui DONS (1Co 12.1-11), produz virtudes (Gl 5.22-26). V. ADVOGADO.

 

REFERENCIA DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO:

 
 

 

GN 1:2- E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

EX 31:3- E o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência, em todo o lavor;

NM 11:17 - Então eu descerei e ali falarei contigo, e tirarei do Espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que tu não a leves sozinho.

JZ 3:10 - E veio sobre ele o Espírito do SENHOR, e julgou a Israel, e saiu à peleja;
JZ 14:6 - Então o Espírito do SENHOR se apossou dele tão poderosamente que despedaçou o leão, como quem despedaça um cabrito, sem ter nada na sua mão; porém nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito.

1 SM 10:6- E o Espírito do SENHOR se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e tornar-te-ás um outro homem.

1 SM 11:6- Então o Espírito de Deus se apoderou de Saul, ouvindo estas palavras; e acendeu-se em grande maneira a sua ira.

1 SM 16:13 - Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá.

2SM 23:2 - O Espírito do SENHOR falou por mim, e a sua palavra está na minha boca.
NE 9:20 - E deste o teu bom Espírito, para os ensinar; e o teu maná não retiraste da sua boca; e água lhes deste na sua sede.

NE 9:30 - Porém estendeste a tua benignidade sobre eles por muitos anos, e testificaste contra eles pelo teu Espírito, pelo ministério dos teus profetas; porém eles não deram ouvidos; por isso os entregaste nas mãos dos povos das terras.

SL 33:6 - Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca.

SL 104:30 - Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra.
SL 139:7- Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face?
SL 143:10 – Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana.

IS 11:2 - E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR,o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.

IS 32:15 - Até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então o deserto se tornará em campo fértil, e o campo fértil será reputado por um bosque.

IS 40:13 - Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento?
IS 42:1 - EIS aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios.

IS 44:3 - Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes.
IS 48:16- Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito.

IS 59:19 - Então temerão o nome do SENHOR desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira.

IS 59:20-21- E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR. Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre.

IS 61:1 - O ESPIRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;

IS 63:10- Mas eles foram rebeldes;contristararn seu Espírito Santo; por isso se lhes tomou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles. Todavia se lembrou dos dias da antiguidade, de Moisés, e do seu povo, dizendo: Onde está agora o que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está o que pôs no meio deles o seu Espírito Santo?
IS 63:14- Como o animal que desce ao vale, o Espírito do SENHOR lhes deu descanso; assim guiaste ao teu povo, para te fazeres um nome glorioso.

EZ 3:12 - E levantou-me o Espírito, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que dizia: Bendita seja a glória do SENHOR, desde o seu lugar.

EZ 8:3 - E estendeu a forma de uma mão, e tomou-me pelos cabelos da minha cabeça; e o Espírito me levantou entre aterra e o céu, e levou-me a Jerusalém em visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte,

EZ 36:27 - E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.

EZ 37:1 - VEIO sobre mim a mão do Senhor e ele me fez sair no Espírito do Senhor;me pôs no meio do vale que estava cheio de ossos.

EZ 37:9 - E ele medisse: Profetiza ao Espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao Espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.

JL 2:28 - E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.

MQ 2:7 - O vós que sois chamados casa de Jacó, porventura encurtou-se o Espírito do SENHOR? São estas as suas obras? E não é assim que fazem bem as minhas palavras ao que anda retamente?

MQ 3:8 - Mas estou cheio do poder do Espírito do Senhor, de juízo e força, p/anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado.

AG.2:5- Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais.

ZC.4:6- E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força riem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.

ZC.7:12 - Sim, fizeram os seus corações como pedra de diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o SENHOR dos Exércitos enviara pelo seu Espírito por intermédio dos primeiros profetas; daí veio a grande ira do SENHOR dos Exércitos.

ZC 12:10- Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.

AULA 10 – TRINDADE:

 

PNEUMÁTOLOGIA-Doutrina do Espírito Santo: Ensina, orienta, convence e intercede pela Igreja.

 

5)ESPÍRITO SANTO EM CRISTO: O Messias seria ungido com o Espírito Santo que opera sobre, dentro e por meio de Cristo.

Os títulos “Espírito de Cristo e Espírito de Jesus Cnsto”, indicam sua íntima relação não compartilhada por nenhum outro homem. Desde o princípio ao fim de sua vida terrena, Jesus esteve intimamente ligado ao Espírito Santo.

Cristo é o “Espírito Vivificante” (1Co.4:5)não significa que Jesus é o Espírito,mas que Ele dá o Espírito e através dEle, exerce onipresença.Vejamos as fases do aspecto do ministério de Cristo:

a) Nascimento: O Espírito Santo foi o agente da milagrosa concepção de Jesus, descendo sobre Maria.Deus, o Pai, operou a substância da natureza humana de Jesus, em ato divino.

Cristo imaculado e perfeitamente consagrado (Um nascido de mulher, homem, santo, e filho de Deus, esmagando cabeça do diabo-Gn.3:15; 1 Co.15:45-47).

b)Batismo-Concebido pelo Espírito e Sendo Templo do Espírito, Jesus foi agora, ungido pelo Espírito;Assim como desceu sobre Maria na concepção, desceu em Jesus, ungindo-o como Sacerdote, Profeta e Rei.

c) Ministério:Foi levado pelo Espírito ao deserto(Mar 1:12) e sabia que o Espírito estava sobre Ele para se cumprir o ministério profetizado em lsaías.(ls.11:2 e 61:1) .

Além disso, pelo dedo de Deus,o Espírito, expulsou demônios (Lc.11:20/At.10:38)

Jesus testificou que o Pai estava nEle e era o operador de milagres.(Jo.14:10);

d)Crucificação: Lhe deu força para continuar até a morte(Hb.9:14); suportando a afronta e dor pelo Espírito Santo (Hb.12:2);

e)Ressurreição: O Espírito Santo foi o agente vivificante na ressurreição de Cristo (Rm.1:4;8:11);

Jesus “soprou”o Espírito Santo sobre Eles e disse, recebei o Espírito(Jo.20:22;At.1:2).

O sopro divino simbolizava um ato criador. Não foi a Pessoa do Espírito Santo que foi comunicada, mas a inspiração de sua Vida,ou certeza de sua presença, como dom da ascensão. (graça de dotação).

f)Ascensão:Após a ascensão,o Espírito veio a ser o Espírito de Cristo no sentido de ser concedido a outros; “Repousar”-Jo.1:33(ou derramar do Espírito)

Jesus envia o Espírito sobre outros, como Messias (At.2:33 e Ap.5:6).

Jesus concede a bênção que Ele mesmo desfruta, o Espírito Santo, fazendo-nos co-participantes com Ele mesmo.

Não apenas do dom, mas da comunhão com o Espírito Santo, em comum privilégio de bênção de ser o Espírito Santo concedido a nós

Todos os membros do corpo de Cristo, como reino de sacerdotes,participam da mesma unção que mana da cabeça, Cristo, nosso Sumo Sacerdote que está nos céus.

 

6)ESPÍRITO SANTO NO HOMEM:Sete considerações:

a)Convicção: Promotor de Justiça, convencendo sobre a verdade espiritual:

1)Pecado de incredulidade;

2)Justiça de Cristo (Jo.1 6:10);

3) juízo sobre satanás(Jo.16:11 /Lc.11:21)

b)Regeneração(vivificar alma como novo fôlego de vida);

c)Habitação (Relação pessoal,interior:Deus e homem)- vontade sujeita, adoração única,prática cristã,caráter-fruto espiritual e fé,receber espírito da verdade;

d)Santificação

e)Revestir de poder(dons)e

f)Glorificação-vindouro.

7)TRIUNO DEUS(TRINDADE)-nome significa união de três partes ou expressões em uma só.Expressão usada a primeira vez por Tertuliano Séc.II DC Ex. Água nos 3 estados num mesmo recipiente.Ex.

(1Jo. 5:7- Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.

1 Jo.5:8 – E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num.Deus é um.

O monoteísmo é uma verdade e a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma verdade.

A Unidade Divina é uma Unidade Composta, onde há realmente três pessoas distintas, cada uma das quais é a unidade, mas cada um é consciente das outras duas, em comunhão.

Não é o caso de haver três deuses independentes com existência própria.

Os três cooperam unidos no mesmo propósito. (Eu e o Pai somos um- Jo.10:30 e não,Eu Sou o Pai.)O pai cria (o filho e o Espírito São cooperadores); o filho redime (0 Pai e o Espírito enviam o filho a redimir) e o Espírito Santo santifica (Pai e filho cooperam nesta Obra).

A trindade é uma comunhão eterna, mas a obra da redenção do homem, tornou sua manifestação histórica.

A Doutrina da trindade é uma doutrina revelada e não concebida pela razão humana. (1Co.2:16).

Essa Palavra não aparece na Bíblia, mas encontra-se na Bíblia, provas de sua existência.

E muito difícil achar termos humanos para expressar a unidade da Divindade e a distinção das Pessoas.

(Não são três deuses, nem três aspectos ou manifestações de Deus, como prega o TRITEISMO).

Não é uma pessoa apenas, apesar de ser um Só Deus, como prega o SABELIANISMO. O Pai ama e envia o filho; o filho veio do Pai e voltou para o Pai. O Pai e o filho enviam o Espírito; O Espírito intercede junto ao Pai. (Jo.17:1).Para combater estas duas heresias, a doutrina da trindade foi preservada através de dogma Credo de Atanásio Séc.V:“Adoramos um Deus em trindade, trindade em unidade.”

 

As três pessoas que compõe o ser único de Deus – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – são chamados de a Trindade.

A palavra “Trindade” não aparece na bíblia.

Os estudiosos criaram-na para descrever os três seres que constituem Deus.

Através da bíblia, Deus está presente como sendo o Pai, o Filho e o Espírito Santo – não são três “deuses”, mas sim três personas do único Deus (veja, por exemplo, Mateus 28:19; 1Coríntios 16:23-24; 2 Coríntios 13:13).

As Escrituras apresentam o Pai como a fonte da criação, o que dá a vida e Deus de todo o universo (veja João 5:26; 1 Coríntios 8:6; Efésios 3:14-15).

O Filho é retratado mais como a imagem do Deus invisível, a representação exata do seu ser e de sua natureza e o Messias redentor (veja Filipenses 2:5-6; Colossenses 1:14-16; Hebreus 1:1-3).

O Espírito é Deus agindo, Deus alcançando as pessoas – influenciando-as, mudando-as internamente, enchendo-as e guiando-as (veja João 14:26 ; 15:26; Gálatas 4:6; Efésios 2:18).

Todos os três formam uma trindade, vivendo dentro do outro e trabalhando juntos para cumprir seu plano divíno para o universo (veja João 16:13-15).

A união das três pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo — formando um só Deus. Deus é ao mesmo tempo uno e trino (Mt 3.13-17; 28.19; 2Co 13.13).

 

PROVAS DA TRINDADE NA BÍBLIA:

Nome de Deus em hebráico (im-indica plural) – Elohyim (Gn. 1:1);

Verbo no plural Façamos… (Gn.1:26);

Expressão como um de nós (plural) – (Gn.3:22);

Verbo no plural Desçamos (Gn.11:7);

Aparições de Jesus no AT antes de nascer por Maria: (Reconhecido como Deus e como homem): Deus teria aparência de homem  e homem teria aparência divina (Gn.1:27);

Deus e Abraão (Gn.18:2);

Deus e Jacó (Gn.32:24);

Deus e Josué (Js.5:13);

Deus e Israel (Jz.2:4);

Deus e Gideão (Jz.6:21);

Deus e Manoá (Jz.13:3-6);

Deus e deuses? (Sl.82:1);

Deus e homem (Sl.82:6-7);

Deus tem um filho (Pv. 30:4);

Deus fala que olharão para Ele, que é aquele (Jesus) que traspassaram (Zc.12:10);

O Senhor diz que o (outro) Senhor repreenda? 2 Senhores? (Zc.3:2);

Deus Forte se fez menino (Is.9:6);

Por isso Deus, o teu Deus… (Sl. 45:7);

O Eterno, o Senhor, o Criador (3 substantivos seguidos de artigo; 3 pessoas) – (Is.40:28);

 

8) SETE SIGNIFICADOS_DE IMPORTÂNCIA DA TRINDADE:

1) Confere a compreensão acerca da natureza de Deus – porque somos formados por uma alma, um corpo e um espírito, onde o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus.

2) Deus é triúno, com cada pessoa divina com função e propósito; o homem combina os 3 aspectos (material, espiritual e sentimental).

3)Deus opera em sua Criação-Deus Pai planeja, o Filho é o agente e o Espírito Santo realiza;

4)Tira a idéia de Estagnação-Deus é dinâmico e Ele é a própria plenitude da vida;

5) Conceito nega o deismo-afinal, Deus age na criação, Ele quer conduzir homens ao seu seio familiar (Rm.8:29);

6) Sub-entende unidade na adversidade-Cristo é o centro de tudo, mas os homens não perdem identidade;

7) Limita rivais ao seu poder- falsos,supostos deuses.

 

Analise os comparativos:
Pai testifica do Filho (Mt.3:17); Filho Testifica do Pai (Jo.5:19); Filho Testificou do Espírito (Jo.14:26); Espírito Testificou do Filho (Jo.15:26).

Atributos Divinos da trindade: PAI FILHO E. SANTO:

Onipresença: Jr.23:24; Mt.28:20; SI.139:7;

Onipotência: Gn.17:1; Mt.28:18; Lc.1:35;

Onisciência: 1Pe.1:2; Jo.21:17; 1Co. 2:10;

Criador: Gn. 1:1; lo. 1:3; ló. 33:4;

Eternidade: Rm. 16:26; Ap.22:13; Hb. 9:14;

Santidade: Ap. 4:8; At. 3:14; 1 Jo. 2:20;

Santificador: Jo. 10:36; Hb. 2:11; 1 Pe. 1:2;

Salvador: Is. 43:11: 2 Tm.1:1O TI. 3:5;

 

9) FRUTO DO ESPÍRITO SANTO x REVESTIMENTO DE PODER (BATISMO NO ESPÍRITO SANTO)

* FRUTO DO ESPÍRITO: karpov karpos pneuma pneuma  O CRISTÃO:

O homem no qual habita o Espírito Santo! Santificado como o Tabernáculo; Santo, por dever guardar a Santidade do Seu Templo interior (1 Co.6:19 e Rm.12:1).

O Espírito Santo opera na alma gradualmente; fé fortalecida pelas provas e amor fortificado pelas dificuldades e tentações.

O Evangelho que foi o nosso Novo Nascimento, continua a ser nosso Crescimento na Vida Cristã.

O Espírito Santo age diretamente sobre a alma, produzindo virtudes especiais do caráter cristão conhecidos como fruto do Espírito (GI.5:22-3).

A obra do Espírito é progressiva, de dentro para fora, atacando falhas e fazendo um dia, o homem ser perfeito, glorificado e resplandecente pelo Espírito Santo. Essa é a regeneração para a vida eterna.

* REVESTIMENTO DE PODER: enduow enduo dunamiv dunamis – Jesus: Encarnado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, mas batizado no Espírito Santo, como adulto: LC 1:35 – E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. MC 1:7 – E João pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.E aconteceu naqueles dias que Jesus, tendo ido de Nazaré da Galiléia, foi batizado por João, no Jordão. E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre ele. E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo. E logo o Espírito o impeliu para o deserto.

Batismo no Espírito Santo antes do Batismo nas Águas: (At.10:44-Cornélio e sua família):E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus.

Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados em nome do SENHOR. Então rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias.

(Batismo de Paulo):At.19:7- Manias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o SENHOR Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado.

Batismo no Espírito Santo após o Batismo nas águas - (At.19:1-Paulo e alguns discípulos em Éfeso):Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens.
a) Sua natureza:Mas recebereis a virtude do Espírito (At.1:8);

1) Poder para servir;não a regeneração para a vida eterna.(Espírito vem, repousa, enche).

2) Essas palavras de Atos, foram dirigidas a homens que já estavam em íntima relação com Cristo. Foram enviados a pregar; armados com poder espiritual (Mt.10:1).(At.8:12-16)-Pessoas batizadas nas águas em Cristo,receberam o Espírito Santo dias depois.Existe a possibilidade de uma pessoa estar em contato com Cristo e ser seu discípulo, mas carecer do revestimento especial.

3)  Houve manifestação especial (At.2: 1-4), dessa promessa (AI. 1:8), com falar em outros idiomas(Sobrenatural)-At.10:44-46; 19:1-6 e 9:14-19.

4) Esse revestimento é descrito como batismo (At.1:5) Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Quando Paulo fala que há um só batismo, se referia ao batismo literal nas águas. (Ef.4:5)-Tanto os judeus como os pagãos praticavam lavagens cerimoniais, mas o batismo anunciado por João era o batismo cristão, realizado uma única vez.

5) Batismo é usado para experiência espiritual porque é a imersão no poder vitalizante do Espírito, descrevendo como ser cheio do Espírito Santo.

 

b) Características Especiais:É claro que a pessoa não pode ser cristã sem ter o Espírito(Rm.8:9); todas as pessoas regeneradas têm o Espírito, então, que há de diferente no Batismo no Espírito Santo?E claro que é o mesmo Espírito que regenera(conversão), santifica(produzindo fruto do Espírito), dá vigor, ilumina e reveste de dons espirituais.

ATENÇAO: Existe um propósito especial de dar energia à natureza humana para o serviço da obra de Deus.

Poder que vem do céu, produzindo efeitos extraordinários. O batismo com o Espírito Santo é um batismo de poder, de caráter especial, que nem todos os cristãos têm experimentado, ainda.

LÍNGUAS ESTRANHAS – Evidência na igreja primitiva por necessidade da época (1 Co.12:30), mas após o batismo sempre aparece algum dom.

 

c) Evidência inicial:Acompanhada da expressão oral repentina e sobrenatural.

A glossolália (o falar em línguas) era o dom mais popular dos primeiros séculos da igreja.(1 Co.14).

A recepção do Espírito Santo não é uma cerimônia, nem teoria doutrinária, mas uma verdadeira experiência. (Língua Estranha no NT: Mc.16:17; At.2:3-1 1;At.1O:46; At.19:6; 1 Co.12:10).

O Novo testamento estava em processo de formação;

O Espírito Santo precisava ajudar as igrejas a se orientarem na verdade.

Os apóstolos eram poucos, as igrejas distantes, os meios de transporte e comunicação vagarosos.

As idéias se propagavam nos passos das pessoas e as igrejas em toda parte eram infestadas de falsos mestres, a afirmarem toda espécie de coisas a respeito de Cristo, sem nenhum registro escrito de veracidade.

O dom de línguas, provavelmente, estrangeiras, em Corinto evidenciava que se um irmão se levantasse numa reunião e falasse em uma língua que os seus conhecidos soubessem que ele não havia estudado a língua, era clara evidência de que estava no domínio direto do Espírito Santo.

AULA 11 – DONS ESPIRITUAIS:

10) CONSIDERAÇÕES PESSOAIS:

O Espírito Santo estará conosco para sempre (Jo.4:14).

Ele é o começo da nossa salvação completa, como:

a) garantia e penhor da herança(Ef.1:14;2Co.5:5);

b) Primícia da vida futura (gloriosa colheita vindoura em oferta de primícia de Deus (Rm.8:23);

c) Pequena porção de graça e enriquecimento espiritual (Hb.6:5 e Ap.7:17).

Pecados contra o Espírito Santo:

a) pelos crentes:(entristecer–(Ef.4:30);habitação interna; mentir – (At.5:3); e extinguir seu poder-(1Ts.5:19)-  derramamento para servir.

b) pelos incrédulos: Blasfemar-(At.7:51) e resistir ao seu poder-(Mt.12:31-32)-contra sua obra regeneradora.

O pecado contra o Espírito Santo não tem perdão, pois Ele é o mediador entre nós e Cristo.

Quem teme esse pecado, “não o cometerá”.

11) DIFERENÇA IMPORTANTE: DOM DO ESPIRITO E DONS DO ESPIRITO:

DOM: 1) Capacidade ou talento que o Espírito Santo concede aos servos de Deus para uso em favor dos outros (Hb 2.4, RC; 1Pe 4.10). No NT há duas listas de dons: Rm 12.6-8 e 1Co 12.4-10. 2) Presente (Ef 2.8). 3) Oferta (Hb 5.1).

 

A)                                   Conceitos:

DOM DO ESPIRITO- Concessão do Espírito aos crentes, conforme ministrado por Cristo glorificado (At.2: 33);

DONS DO ESPIRITO - Capacidades sobrenaturais concedidas pelo Espírito para ministérios especiais. Paulo tala dos dons espirituais em três aspectos:

charismata-variedade de dons pelo mesmo espírito (1Co.12:4,7);

diakonai - variedade de serviços prestados na causa do mesmo Senhor;

energimata - variedade de poder do mesmo Deus que opera tudo em todos.

B) Propósito Principal dos dons-São capacidades espirituais concedidas com o propósito de edificar a Igreja de Deus, instruindo os crentes e ganhando novos convertidos. (Ef.4:7-1 3).

C) Maneira de Recepção:

a)perseverar unânime em oração e súplicas.(At.1:14);

b)Iigada às orações de obreiros cristãos.(imposição de mãos)-(AL.8:1 5,17);

c) orações em comum na igreja. (At.4:31 )“Moveu-se o lugar”=algo espiritual e sobrenatural foi sinal naquele lugar, no dia de Pentecostes.

d)Derramamento espontâneo em corações purificados pela fé (At.10:44;15:9);

e) Como esse batismo é um dom (At. 10:45) O crente pode requerer diante do trono da graça o cumprimento da promessa de Jesus (Lc.11:13).Como pecadores,aceitamos a Jesus para salvação e como crentes, o Espírito Santo para poder e consagração.

f) Oração individual. Saulo orou e jejuou 3 dias para receber (at.9:9-17);

g)Obediência:O Espírito Santo é a pessoa que Deus dá aqueles que lhe obedecem (At.5:32).

 

 

12) CLASSIFICAÇÃO DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO:

(1 Co.12:8-10) – Nove (9) Dons,divididos em 3 grupos:

 

*Aqueles que concedem poder para saber sobrenaturalmente:

Palavra de Sabedoria, Palavra de Ciência e de discernimento;

 

*Aqueles que concedem poder para agir sobrenaturalmente:

fé (diferente da fé natural), milagres e curas (divinas).

 

* Aqueles que concedem poder para falar sobrenaturalmente:

profecia, línguas estranhas e interpretação dessas línguas.

 

A)Classe de Dons para poder para saber sobrenaturalmente:

 

*PALAVRA DE SABEDORIA: logov logos sofia sophia Habilidade/capacidade sobrenatural para expressar conhecimento.

(Características:)

a) Aplicada na arte de interpretar sonhos e dar conselhos sábios. (At. 7: 10);

b) Inteligência para esclarecer o significado de algum número ou visão misterioso (Ap.13:18;17:9);

c) Prudência em tratar de assuntos:(At.6:3);

d) Habilidade santa no trato de pessoas fora da Igreja (Cl. 4:5);

e) Jeito e discrição em comunicar verdades cristãs (Cl.1:28);

f) Conhecimento e prática para uma vida piedosa e reta (Tg.1:5; 3:13,17).

g) Conhecimento e habilidades necessários para uma defesa eficiente da causa de Cristo (Lc.21:15);

h)Conhecimento prático de coisas divinas e de deveres humanos, unindo a aplicação bíblica. (Mt.13:54; Mc.6:2;At.6:10)

i) Sabedoria com que João Batista e Jesus ensinavam aos homens o plano da salvação (Mt.11:19).

OBS:São Pessoas sensíveis, com discernimento, práticas, sábias, justas, com experiência, com bom senso;

Cuidados: Podem falhar; não devem ser o centro da dependência alheia; precisam ser longânimas com os que não tem o dom. Versículos: (Jr.9:23-24; 1Co.2:3-16; 1Co.12:8; Tg.3:13-18).

*PALAVRA DA CIENCIA: logov logos gnwsiv gnosis – Pronunciamento ou declaração de fatos inspirados de modo sobrenatural.

(Características:)

a)Conhecimento de Deus tal como é oferecido nos evangelhos (2 Co.2:4)-Ex. Paulo (2Co.10:5);

b) Conhecimento das coisas que pertencem a Deus (Rm.11:13);

c) Inteligência e entendimento (Ef. 3:19);

d) Conhecimento da fé Cristã (Rm.15:14; 1Co.1:5);

e) Conhecimento mais profundo, mais perfeito e mais amplo da vida cristã, mais avançada. (1Co.12:8; 13:2,8; 2Co.6:6; 8:7; 11:16);

f)Conhecimento mais elevado das coisas divinas e cristãs das quais os falsos mestres se gabam. (1Tm.6:20);

g) Sabedoria moral como se demonstra numa vida reta (2 Pe.1:5);

h)Sabedoria moral nas relações com os demais (1Pe.3:7);

i) Conhecimento concernente às coisas divinas e aos deveres e segredos dos seres humanos. (Rm.2:20; Cl.2:3);

Diferença:Sabedoria x Ciência: Ciência é o conhecimento profundo em si e sabedoria é o conhecimento prático (habilidade/ação).

OBS: São pessoas curiosas, sensíveis, observadoras, com discernimento, reflexivas, estudiosas e verdadeiras.

Cuidados: Para não se ensoberbecer, lembrar-se que a mensagem é de Deus e ter responsabilidade com o conhecimento adquirido. (Mc.2:6-8: Jo.1:45-50; 1Co.12:8).

 

*DISCERNIMENTO DE ESPIRITOS: diakrisiv diakrisis pneuma pneuma – Habilidade/capacidade sobrenatural para diferenciar a inspiração verdadeira do Espírito Santo,da falsa,oriunda do homem da carnes ou de espíritos malignos enganadores (demônios)

(características:)

a) Capacita o possuidor determinar se o profeta está falando ou não pelo Espírito de Deus.

b) Faz o possuidor “enxergar” todas as aparências exteriores e conhecer a verdadeira natureza de uma inspiração.

c) Operação do dom de discernimento pode ser examinada de duas formas: doutrinária (1Jo.4:1-6) e a prática (Mt.7:15-23).

d) Dom capacita alguém a discernir o caráter espiritual de uma pessoa.

OBS:Diferente da percepção humana e da critica pessoal humana.

e) Operação do dom ilustrada em: Jo:1:47-50; 2:25; 3:1-3; 2Rs.5:20-26; At. 5:3; 8:23; 16:16-18).

São Pessoas Perceptivas, com discernimento, sensíveis, intuitivas, decisivas, desafiantes e verdadeiras.

Cuidados: Podem ter dificuldade em saber como expressar suas percepções e sentimentos; podem ser duras ao confrontar pessoas em vez de falar de amor; Precisam confirmar suas percepções antes de comunicá-las. (Mt.16:21-23; At.5:1-4; 1Co.12:10).

 
B)Classe de Dons para poder para agir sobrenaturalmente:

*FE:(ESPECIAL, diferente da Fé Salvadora e da confiança em Deus)-(Hb.11:6) pistiv pistis

(Características:)

Em Ef.2:8, a fé salvadora é dada como dom, no sentido de favor imerecido (Graça), diferenciando de obras, diferente de dotação especial do Espírito Santo (1Co.12:9).Conforme Mc.11:22 e Mt.17:20, é qualidade de fé miraculosa e sobrenatural.

Exemplo de aplicação deste dom: (1 Rs.18:33-35;At.3:4.)

São pessoas com atitude de oração, otimistas, confiantes, crédulas, positivas, estimulantes dos outros e esperançosas.

Cuidados: Precisam agir de acordo com a fé, precisam ouvir e considerar o conselhos e planos de outros crentes cheios do Espírito Santo. (Rm.4:18-21; 1Co.12:9; 13:2; Hb.11:1.).

*OPERAÇÃO DE MlLAGRES: energhma energema dunamiv dunamis – ”Obras de Poder” (Jo.14:12; At.1:8).Milagres em Éfeso. (At.19:11,12; 5:12-15);

(Características:)

a) Falam a verdade de Deus autenticada por sinais;

b) Expressam a confiança na fidelidade, capacidade da presença de Deus;

c) Transmitem o ministério e mensagem de Jesus com poder;

d) Reconhecem e glorificam Deus como fonte de milagre;

e) Representam Cristo e induzem pessoas a terem relacionamento com Deus.

OBS:São pessoas ousadas, corajosas, com autoridade divina, tementes a Deus, convincentes, em atitude de oração e sensíveis;

Cuidados: Precisam saber que o milagre veio pela fé; não devem encarar dom como responsabilidade pessoal porque Deus determina o local e o tempo da manifestação de suas obras; Devem ter cuidado para não clamar pela manifestação poderosa de Deus por motivos puramente pessoais. (Lc.5:1-11; Jo.2:1-11; 1Co.12:10, 28,29).

*DONS DE CURAR: carisma charisma iama iama – (Plural-variedade de curas: emocional, relacional, espiritual, física, etc.) Restaurar instantaneamente-

(Características):

a)usado por Deus para, de maneira sobrenatural, dar saúde a enfermos por meio da oração.”dom-sinal”, de valor especial ao evangelista para atrair o povo ao evangelho (At.8:6,7; 28:8-10);

b) deve-se dar lugar à soberania de Deus e à atitude e condição espiritual do enfermo, não se supondo que todos serão curados, pois pode haver incredulidade. (Mt.13:58)

Todos podermos orar por enfermos (Mc.16:18;Tg.5:14).

São pessoas com compaixão, confiança em Deus, atitude de Oração, cheios de fé, humildes, sensíveis e obedientes. (Mc.2:6-8; Jo.1:45-50;1Co.12:8).

3)Classe de Dons para poder para falar sobrenaturalmente:

* PROFECIA: profhteia propheteia – Expressão vocal inspirada por Deus (Falar Antes).(Características:)

a) podem ser mediante revelação, sonho, visão ou Palavra de Deus, inspirando no momento, para exaltar e adorar a Cristo, admoestar exortativamente, confortar e encorajar o s crentes.

b) Se distingue da pregação comum porque é resultado da inspiração espiritual espontânea.

c)a Pessoa que tem esse dom é constituído como profeta (At.15:32; 21:9; 1Co.14:3);

d) O propósito do dom é edificar, exortar e consolar os crentes (1Co.14:3).

e)A profecia não está no mesmo nível das escrituras. Devemos provar e julgar as mensagens proféticas (1Co.14:29)-Pode ser sua mensagem de autoria meramente humana(Jr.23:16; Ez.13:2,3).

f) Em 1 Ts.5:19-20, trata-se da operação do dom de profecia. Provemos a mensagem, retenhamos o bem e deixemos o mal.

g) Notemos que Deus vivifica a profecia (1Co.14:14), podendo ser usada na 1a. e 3a. pessoa do singular (Lc.1 :67-79).

São pessoas com discernimento, constrangedoras, não comprometedoras da verdade, falam abertamente, com autoridade, convicção e confrontam as pessoas (No Espírito).

Cuidados: Devem transmitir mensagem com amor e compaixão, sabendo que poderão ser rejeitadas; precisam evitar orgulho e ter discernimento e apoiar no Evangelho as mensagens proféticas. (Rm.12:6; 1Co.12:10, 28; 13:2; 2 Pe.1:19-21). Profeta no A.T. era ministério e no N.T. é dom de profecia.)
*LINGUAS ESTRANHAS(IDIOMAS)- genov genos glwssa glossa – Variedade de Línguas-Poder de falar sobrenatural uma língua nunca aprendida por quem fala.

(Características):

Duas classes:Louvor em êxtase dirigido a Deus somente (1Co.14:2); Mensagem definida para a Igreja (1 Co.14:5).

OBS: Línguas como sinal difere do dom de línguas:Sinal é para todos (At.2:4); Língua é para quem tem dom (1Co.12:30)-São pessoas sensíveis, em atitude de oração, confiantes, dedicadas, espontâneas e receptivas.

Cuidados: Devem permanecer caladas na igreja ou falando baixo, se não houver interpretação; Não devem  esperar que outros manifestem este dom como autenticação do Espírito; Devem lembrar que todos os dons são para edificação da Igreja. (At.2:1-11; 1Co.12:10; 28-30; 13:1; 14:1-39; Mc.16:17).

OBS:1 Co.13:8-O amor(fruto) nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão;havendo ciência, desaparecerá.

Porque,em parte, conhecemos e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado”-refere-se à 2a. vinda de Jesus e não ao aparecimento das Escrituras.

ESSE DOM NAO DEVE SER PROIBIDO NAS IGREJAS (Pelo menos nas que realmente crêem e entendem o que está escrito na Bíblia).
* INTERPRETAÇAO DE LINGUAS ESTRANHAS: ermhnia hermeneia glwssa glossa – (Tornar inteligível as expressões do êxtase inspirados pelo Espírito que se pronunciou em língua desconhecida para torná-la comum ao povo congregado.

(Características):

a)Operação puramente espiritual, não provendo do intelecto.

b)A interpretação é inspirada, extática(êxtase consciente) e espontânea.

OBS: Línguas com interpretação toma o valor da profecia (1Co.14:5)-Línguas são um sinal para os incrédulos (1Co.14:22).

São pessoas obedientes, responsivas, dedicadas, sábias, com discernimento e espiritualidade sensível.

Cuidados: Devem lembrar que a mensagem interpretada deve refletir somente a vontade de Deus, este dom deve promover a edificação da Igreja e deve acontecer de forma ordenada. (1Co.12:10; 14:5; 14:26-28).

O milagre de Deus ocorre pela mensagem apropriada às vidas presentes, que serão alcançadas.

* Outros (talentos/dádivas),não necessariamente ligados ao Batismo no Espírito Santo,agindo em qualquer crente:

* Administração: Conduzir e fazer funcionar o ministério (Ex.18:13-26; At.6:1-7; 1Co.12:28);

*Apostolado:Iniciar e supervisionar Igrejas-(At.13:2,3; Rm.1:5; 1Co.12:28,29; Ef.4:11,12);

* Artesanato:Elaborar criativamente itens/adornos para serem usados.(Ex.31:3; 35:31-35; 2 Rs.22:5,6; At.9:39).

* Comunicação Criativa:Através da arte. (2Sm.6:14,15; SI.150:3-5); Mc.4:2,33.

* Encorajamento:Fortalecer, consolar e estimular outros.(At.11:22-24; At.15:30-32; Rm.12:8);

* Evangelismo:Levar as boas-novas eficazmente.(Lc.19:1-10; At.8:26-40; Ef.4:11);

* Contribuição:Dar recursos para a obra do Senhor,com amor.(Ex.35:21;Lc.21:1-4 Rm.12:8;2Co.6:8);

* Serviço:Realizar tarefas práticas/necessárias(apóia e supre outros).(At.6:1-4;Rm.12:7; Rm.16:1-2;1Co.12:28);

* Hospitalidade: Cuidar, alimentar e acomodar pessoas,quando preciso. (Rm.12:13; Hb. 13:1-2;1Pe.4:9-10);

* Intercessão:Orar regularmente por pessoas,com resultados. (Jo.17:9-26; Rm.8:26-27; Cl.1:9-10; 4:12; 1Tm.2:1-2);

* Liderança:Motivar e direcionar povo com harmonia aos propósitos divinos. (Lc.22:35-36; Rm.12:8; Hb.13:17);

* Misericórdia: Ajudar(alegre),na prática os que sofrem e necessitam. (Mt.5:7; Mc.10:46-52; Lc.10:25- 37; Rm.12:8);

* Pastorado: Nutrir, cuidar e guiar o povo à maturidade espiritual. (Jo.10:1-18; Ef.4:1 1,12; 1 Pe. 5:1-4);

.* Ensino: Entender e explicar claramente a Palavra de Deus.Versículos:At.18:24-28; Rm. 12:7; 1Co.12:28,29; 2 Tm. 2:2.

 * Canto:Salmos e hinos espirituais(melodias inspiradas)e congregacionais aos corações. (Ef.5:18,19);

 
13) REGULAMENTO DOS DONS:

Devem ser regulados para edificar a Igreja:

a)Valor proporcional-pela edificação na Igreja;

b) Edificação- para encorajar e converter;

c) Sabedoria – Com bom senso(sem meninices);

d) Autodomínio-Controle e educação espiritual; e)Ordem: saber render-se ao Espírito(sentir o mover’);

e)Suscetível de ensino-Humildade e mansidão para aprender uns com os outros.

No primeiro século, o Espírito Santo era muito conhecido na Igreja, mas hoje, há grande descuido quanto à sua obra e manifestação.

OBS 2:Manifestação é diferente de reação: Entendamos suas manifestações nas reuniões e as reações nas pessoas(natureza frágil).

AULA 12 – ANJOS E DEMÔNIOS:

 

Anjos são Mensageiro de Deus (1Rs 19.5-7).

Os anjos são espíritos que servem a Deus e ajudam os salvos (Hb 1.14).

Foram criados santos, mas alguns se revoltaram contra Deus (Jd 6; 2Pe 2.4).

Em algumas passagens bíblicas Deus e o Anjo do SENHOR (de Javé) são a mesma pessoa (Gn 16.7-13; 22.11-18; Êx 3.2-22; Jz 6.11-24).

1) CONSIDERAÇÕES INICIAIS:

O QUE SÃO ANJOS? Mateus 1:18-25 – Projetando ele isto, em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. (Mt. 1:20)

 

OS ANJOS SÃO SERES CRIADOS PARA O PROPÓSITO DE DEUS:

A concepção e o nascimento de Jesus Cristo são eventos sobrenaturais, além do raciocínio ou da lógica humana (veja Mateus 2:13, 19; Lucas 1:11, 26; 2:9).

Anjos são seres espirituais criados por Deus que ajudam a levar a sua obra aqui na terra.

Eles trazem as mensagens de Deus para as pessoas (Lucas 1:26), protegem o povo de Deus (Daniel 6:22), encorajam as pessoas (Gênesis 16:7), dão orientação (Êxodo 14:19), executam punições (2 Samuel 24:15-17), patrulham a terra (Zacarias 1:9-14) e lutam contra a força do mau (2 Reis 6:16-18; Apocalipse 20:1-2).

Existem anjos bons e maus (Apocalipse 12:7), mas porque os anjos maus estão aliados com o diabo, ou Satanás, eles tem menos poder e autoridade do que anjos bons. Eventualmente, o maior papel dos anjos vai ser de oferecer louvores a Deus (Apocalipse 7:11-12; Lucas 1:5-20 – Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e dar-te estas alegres novas. (Lc.1:19)

OS ANJOS SERVEM COMO MENSAGEIROS DE DEUS:

Os anjos são seres espirituais que vivem na presença de Deus e fazem a sua vontade. Somente dois anjos são mencionados pelo nome nas escrituras – Miguel e Gabriel – mas há vários que atuam como mensageiros de Deus.

Aqui, Gabriel deu uma mensagem especial a Zacarias (1:19). Isso não foi um sonho ou uma visão.

O anjo apareceu numa forma visível e falou palavras audíveis para o sacerdote. ( Mateus 18:10-14-Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos. Pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.

OS ANJOS SÃO GUARDIÕES ESPECIAIS:

A nossa preocupação com crianças tem que ser igual a maneira com que Deus as trata.

Certos anjos são incumbidos de cuidar de crianças e eles tem acesso direto a Deus.

Há culturas em que as crianças não são levadas em conta, são ignoradas ou abortadas.

Se os seus anjos tem acesso direto a Deus, o mínimo que podemos fazer é permitir que as crianças se aproximem de nós com facilidade apesar de nossas agendas lotadas (Hebreus 1:1-14-Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?

OS ANJOS TEM VÁRIAS FUNÇÕES:

Os anjos são seres espirituais criados por Deus e debaixo de sua autoridade (Colossenses 1:16).

Eles tem várias funções: servir aos que crêem (Hebreus 1:14), proteger os necessitados (Mateus 18:10), proclamar a mensagem de Deus (Apocalipse 14:6-12) e executar a punição de Deus (Atos 12:1-23; Apocalipse 20:1-3).

2) CONCEITOS BÍBLICOS: ANGELOLOGIA: Doutrina dos Anjos (Mensageiros de Deus à serviço de Israel e da Igreja de Jesus):

ANJOS: Existência ensinada nos 34 livros da Bíblia;ocorre 286 vezes.Cristo sabia deles e ensinava várias vezes(Mt.1 8:1 O;26:53);

 

NO ANTIGO TESTAMENTO:

* Kalm mal’ak – mensageiro, representante; o anjo teofânico. (Gn.19:1);

 

NO NOVO TESTAMENTO:

* aggelov aggelos – trazer notícias – um mensageiro, embaixador, alguém que é enviado, um anjo, um mensageiro de Deus. (Mt.4:6);

3) QUANTO À CRIAÇÃO:

Representa 3 Características Importantes:a)Fato(C11:16); b)Tempo (Jô.38:6-7); c)Estado(Judas 6);

 

4) NATUREZA:

a)Criaturas-Criados,antes do homem,pelo poder de Deus,cujo”Pai”é Deus (Jó.1:6).Recusam adoração (Ap.19:10) e ao homem é proibido adorá-los (Cl.2:18).

b)Espíritos – não limitados às condições naturais e físicas,muito rápidos; aparecem e desaparecem à vontade; podem assumir formas humanas visíveis.(Gn.19:1-3;Hb.1:4).

c) Imortais-não estão sujeitos à morte (Lc.20:34-36);

d)Numerosos-Número muito grande (Dn.7:10; Mt.26:53; Lc.2:13; Hb.12:22); Deus é o Senhor dos Exércitos.

e)Sem sexo-Apesar de descritos como varões,significando autoridade,não propagam sua espécie (Gn.18:1-2;Mc.12:25;Lc.20:34,35);

f)Podem se aparentar com forma de mulheres(Zc.5:9);

g) Distintos dos Seres humanos (Sl.8:4-5);

h) Poderosos (2Pe.2:11;Sl.103:20);

5)PERSONALIDADE: Têm: a)Intelecto (1Pe.1:12); b) Emoções (Lc.2:13); c) Vontade Própria (livre arbítrio)(Judas 6).

 
6)CARÁTER: a)Obedientes-Não questionam nem vacilam-(Sl.103:20;Jd.6 e 1Pe.3:22); b)Reverentes – Adoradores (Ne.9:6; Fil.2:9-11; Hb.1:6); c)Sábios-”Como um anjo…p/ discernir o bem e mal-ditado israelita (2Sm.14:17).”-Sua inteligência excede às dos homens aqui;não discernem os pensamentos(1 Rs.8:39);Seus conhecimentos dos mistérios da graça são limitados(1 Pe.1:12). d)Mansos – Sem ressentimentos ou injúrias-(2Pe.2:11 Jd.9); e)Santos-Separados por Deus para Ele – Anjos Santos.(Ap.14:10);

7)CLASSIFICAÇÃO:Em posto e atividade (exércitos); (1Pe.3:22) ..anjos,autoridades, potências…”; (Cl.1:16;Ef.1:20,21);

a) Anjo do Senhor – Ser incriado: Nome dado ao Senhor Jesus, antes de ser encarnado em Maria.Características: Pode perdoar ou reter pecados (ls.63:9; Ex.23:21); *0 Nome de Deus está nEle – Seu Caráter revelado(Ex.23:20-23)e a presença de Deus-Rosto de Jeová – (Ex.32:34;Ex.33:14;ls.63:9);Jacó identificou o anjo como o próprio Deus. (Gn.32:24-30; 48:15,16);

b) Arcanjo: arcaggelov archaggelos – Miguel é mencionado como o anjo principal (Jd.9;Ap.12:7;1 Ts.4:16), como protetor da nação israelita (Dn.12:1);

c) Gabriel é mencionado como classe muito elevada, diante de Deus. (Lc.1:19), como mensageiro importante do Reino de Deus (Dn.8:16;9:21).

d)Primeiros Príncipes (Principados)ou Anjos das Nações-(Dn.10:13)Cada nação tem seu anjo protetor, podendo ser bom ou mal (Ef.3:10; Cl.2:15; Ef.6:12);

d)Anjos Eleitos-Anjos que permaneceram fiéis a Deus durante a rebelião de satanás. (1 Tm.5:21; Mt.25:41)

e)Anjos da Guarda: Para todos (Hb.1:14); Para crianças (Mt.18:10);

f)Querubins: bwrk k@ruwb – Xeroubin cheroubim – Classe elevada de anjos com propósitos retribuitivos (Gn.3:24) e redentores(Ex.25:22) – Rostos implicam perfeição de criaturas(Rostos): força de leão; inteligência de homem; rapidez de águia;serviço semelhante ao do boi.(Assegura-se que a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção-(Rm.8:21)-Ligados à santidade de Deus.

g)Serafins: = Prs saraph -  “ardentes”-(ls.6)-Ordem elevada de anjos com ardente amor a Deus. São ligados à adoração a Deus.

 
8)OBRA E MINISTÉRIOS
: 1)Agentes de Deus – Executores de pronunciamentos de Deus(Gn.3:24;Nm.22:22-27;Mt.1 3:39-41,49;16:27;24:31; Mc.13:27; Gn.19:1; 2 Sm.24:16; 2Rs.19:35;At.12:23); 2)Mensageiros de Deus-(Anjo significa Iiteralmente ”mensageiro”). Por meio dos anjos, Deus envia: a)Anunciações:(Lc.1:11-20;Mt.1:20,21);b)Advertências (Mt.2:13;Hb.2:2);c)lnstrução(Mt.28:2-6;At.10:3;Dn.4:13-17); d)Encorajamento (At.27:23; Gn.28:12); e)Revelação (At.7:53;Gl.3:19;Hb.2:2; Dn.9:21-27; Ap.1:1);3)Servos de Deus – espíritos ministradores enviados para:a)servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação(Hb.1:14);b)sustentar (Mt.4:11;Lc.22:43;1Rs.19:5);c)preservar (Gn.16:7; 24:7; Ex.23:20; Ap.7:1); d)resgatar (Nm.20:16; Sl.34:7;91:11; Is.63:9; Dn.6:22; Gn.48:16; Mt.26:53); d)interceder (Zc.1:12; Ap.8:3,4);e)para servir aos justos depois da morte (Lc.16:22);

OBSERVAÇAO:”Doutrina de Anjos Protetores”-Com base em Mt.18:10 e At.12:1 5, os cristãos primitivos acreditavam que cada crente teriam um anjo especial designado para guardá-lo e protegê-lo durante a vida; a única coisa que se sabe é que promessas de ajuda por parte de anjos são numerosas e claras para ajudar os crentes.

 

CUIDADO: Anjos de Deus não entram em corpos de crentes, pois têm corpo celeste; Quando se diz que alguém foi usado como anjo,”mistérios de Deus”, implica que o Espírito Santo usou como anjos “mensageiros”. e nunca que o anjo entrou em alguém.Evangelho não é espiritismo.

9)DESCREVENDO OS MINISTÉRIOS:

A)QUANTO A JESUS CRISTO:

1)Predisseram nascimento(Lc.1:26-33);

2)Anunciaram nascimento (Lc.2:13);

3)Protegeram a criança (Mt.2:13);

4)Fortaleceram Jesus após tentação (Mt.4:11);

5)Preparados para defende-lo (Mt.26:53);

6) Confortaram-no no Getsemani (Lc.22:43);

7)Rolaram a Pedra do Sepulcro(Mt.28:2);

8)Anunciaram a Ressurreição de Jesus.

 

B)QUANTO AOS CRENTES(IGREJA):

1) Ministério Geral de Ajuda (Hb.1:14);

2)Envolvidos com respostas de orações (At.12:7);

3)Observam as experiências dos Crentes(1Co.4:9;1Tm.5:21);

4)Encorajam nas horas de perigo(At.27:23-24);

5)lnteressados nos esforços evangelísticos dos crentes (Lc.5:10; At.8:26); 6)Ministram aos justos na hora de sua morte (Lc.16:22; Jd.1:9)

 

C)QUANTO ÀS NAÇÕES:1)Miguel – relacionamento estreito com  lsrael (Dn.12:1); 2)Anjos:agentes de Deus na execução de sua providência (Dn.10:21); 2)Anjos estão envolvidos nos juízos da Tribulação (Ap.8,9,16).

 

D)QUANTO AOS DESCRENTES:

1)Anunciam juízos iminentes (Gn.19:13; Ap.14:6- 7);

2)Inflingem o juízo divino (At.12;23);

3) Agem como ceifeiros na separação definitiva no fim dos tempos (Mt. 13:39).

 

B) SANATOLOGIA – Doutrina sobre satan (pai da Mentira):

1)EXISTENCIA: Uma de suas maiores armas é a mentira sobre si mesmo.Sua existência é ensinada em sete livros do Antigo Testamento e por todos os autores do Novo Testamento. Cristo reconheceu e ensinou sobre a existência de satanás (Mt.13:39; Lc.10:18;11:18).

A concepção do diabo com chifres, pé de cabra e aparência horrível não é bíblica, mas pagã; afinal, a 2a. mentira dele é justamente negar a sua própria aparência.

A terceira mentira dele é que o contrário de Deus é diabo; Deus não tem contrário, pois é único.

De acordo com as escrituras, Satanás era Lúcifer(O que leva a Luz)-O mais glorioso dos anjos, mas ele aspirou ser como o Altíssimo e caiu na condenação do diabo (1Tm.3:6).- ls.14:12-15;Ez.28:12-19-Os reis de Babilônia e Tiro inspiram a queda do diabo: Motivos Práticos:EIes reinvindicavam adoração como seres divinos, o que é blasfêmia (Dn.3:1-12;Ap.13:15; Ez.28:2; At.12:20-23) e faziam de seus súditos, jogo de ambição cruel. Lição Prática:

Se Deus castigou o orgulho deste anjo rebelde, não castigará a todos os que se atrevam a afrontá-Io?

O diabo quis contagiar o primeiro casal com a semente do orgulho(Gn.3:5; ls.14:14); quer ser adorado como deus deste mundo(Mt.4:9;2Co.4:4); e anticristo (Ap.13:4).

Como castigo, satanás foi lançado do céu,com o grupo de anjos que havia alistado em sua rebelião. (Mt.25:41; Ap.12:7; Ef.2:2; Mt.12:24).

2)DESIGNAÇÔES:A)NOMES:

1)satanás(adversário) – Njs satan – satanav satanas lntentos maliciosos e persistentes para obstruir os propósitos de Deus (1Cr.21 :1) – OBS: ele quer destruir a igreja de duas maneiras: a) interiormente (falsos ensinos)-(1Tm.4:1; Mt.13:38,39) e b) exteriormente (Perseguição)-(Ap.2:10); 

2)diabo(difamador/caluniador)- diabolov diabolos – Mt.4:1;ele calunia:a)Deus- (Gn.3:2,4,5); b)homem (Ap.12:10; Jó.1:9;Zc.3:1,2; Lc.22:31);

3)lúcifer (fiIho da alva); -

4)belzebú beelzeboul Beelzeboul ou  beelzeboub  – senhor da casa – (maioral dos demônios – Mt.12:24);

4) beliaI  leylb b@liya‘al  - companheiro vil;(lndignidade- Perversidade-2 Co.6:15);

4)destruidor-Apollyon(Grego)/Abaddon-(hebráico)-Ódio contra o criador e suas obras,querendo ser o deus da destruição(Ap.9:11)

B)TITULOS:

a)Maligno-mundo no poder e influenciado por ele(1Jo.5:19 e 1 Jo.2:16);

b)Tentador – significa provar ou testar, diferente de Deus, que prova homens para o bem, ele prova para destruir. (1Ts.3:5;Mt.4:3);

c)príncipe e deus deste mundo-influente na sociedade organizada fora ou à parte da vontade de Deus.”

Mundo jaz no maligno”, nas atividades humanas baseada na fama, prazer e bens.com falsas idéias de prazer, honra, riqueza e dignidade(materialismo) (Jo.12:31; 2Co.4:4; Ef.2:2); d)Acusador de nossos irmãos (Ap.12:10);

C) SUAS REPRESENTAÇÕES: serpente (Gn.3:1 e Ap.12:9); dragão (Ap.12:3): anjo da luz (2Co.11:4).

3)CARÁTER:1)Criatura (Ez.28:14):b)espírito(Ef.6:11-12):c)era querubim (Ez.28:14);d )Era um anjo exaltado(Ez.28:12);

 
4)PERSONALIDADE:
Traços de ldentidade:

1)lntelecto (2 Co.11:3);

2)Emoções (Ap.12:1 7);

3)Vontade (2Tm.2:26);

4)Moralmente penalizável por seus atos(Mt.25:41);

5)Descrito por pronomes pessoais.(Jó.1:6);

6)homicida (Jo.8:44);

7)Mentiroso(Jo.8:44);

8)pecador(1 Jo.3:8);

9)Acusador(Ap.12:10);

10)Adversário(1Pe.5:8);

11)Presunçoso (Mt.4:4,5);

12)Orgulhoso (1Tm.3:6);

13)Poderoso(=forte,diferente de todo-poderoso, quem é somente Deus) (Ef.2:2);

14)maligno (Jó.2:4);

15) Astuto (Gn.3:1;2Co.11:3);

16) Enganador (Ef.6:11);

17)feroz e cruel(1Pe.5:8).

 

5)ATIVIDADES/ATUAÇOES:

1)QUANTO À OBRA DE JESUS:

a)Causa conflito(Gn.3:15);

b)Tenta(Mt.4:1-11);

c)usa pessoas contra a obra (Mt.2:16; Jo.8:44; Mt.16:23);

d)Usou Judas(Jo.13:27).

2)QUANTO AOS CRENTES:

a)O tenta a mentir (At.5:3);

b)Acusa e difama (Ap.12:10);

c) dificulta o trabalho (1Ts.2:18);

d)Usa demônios para derrotar o crente (Ef.6:11-12);

e)O tenta à imoralidade (1Co.7:5);

f) Semeia joio entre eles (Mt.13:38-39);

g) lncita perseguições (Ap2:10);

h)Perturba a obra (1Ts.2:18);

i)opõe-se à Obra (Mt.13:19;2 Co.4:4);

j)aflige os santos (16.1:12);

k)Tenta os santos de Deus (1Ts.3:5);

3)QUANTO AOS DESCRENTES/NAÇÕES:

a)domina (Lc.22:3);

b)cega (2 Co.4:4);

c)engana (Ap.20:3.7):

d)laça (1Tm.3:7);

e)arrebata a Palavra (Lc.8:12);

f)reúne para o Armagedon (Ap.16:13-14).

 
6)LOCAIS DE SUA ATUAÇAO:
Não somente entre ímpios, mas muitas vezes age como anjo de luz (2 Co.11:4), assistindo reuniões religiosas, como ajuntamento de anjos (Jó.1), visando implementar uma doutrina de demônios (1Tm.4:1), estando nas igrejas pretendendo transformá-la em Sinagoga de satanás(Ap.2:9), agindo como “ministro de justa”(2 Co.11:15).

 
7)O PORQUÊ DE SUA IRA:Ele aborrece a imagem de Deus em nós, odeia nossa natureza humana com que se revestiu Jesus. Odeia a glória externa de Deus; iremos aos céus, seremos semelhantes a Cristo e somos filhos de Deus e por isso,o diabo nos inveja.

8)SEUS LIMITES: Reconheçamos que ele é forte para os que cedem à tentação, mas não exageremos seu poder;

a)ele é derrotado (Jo.12:31);

b)ele é covarde(Tg.4:7);

c) (Não é onisciente/infinito;

d)Pode ser resistido pelo crente (Tg.4:7);

e)Deus o limita (Jó.1:12);

f)Não pode, sem a permissão de Deus: tentar(Mt.4:1); afligir (Jó.1:16); matar (Jó.2:6; Hb.2:14);ou tocar no crente.

9)DEFESA DO CRENTE CONTRA ELE:

a)Temos a constante Intercessão de Cristo (Jo.17:15);

b)Deus pode usar o diabo para propósitos benéficos na vida do crente(2 Co.12:7);

c)Não devemos falar do inimigo com desprezo, para não cairmos no mesmo pecado(Judas 8- 9);

d)Sempre vigiar(1Pe.5:8);

e)Devemos resistir(Tg.4:7);

f)Devemos usaras armaduras espirituais (Ef.6:11-18).

 

10)SEU DESTINO OU JUIZO: EM QUEDA CONSTANTE:

a) No princípio, expulso do Céu (Entre Gn.1:1 e 2, com sua queda, terra que foi feita por Deus bela,tomou-se sem forma e vazia com queda de lúcifer. (Luc.10:18); Ez.28:16;Is.14:18-19);

b)julgado no Éden (Gn.3:14-15);

c) julgado na cruz (Jo.12:31);

d) Expulso dos céus na 1/2 da tribulação (Ap.12:9,13);

e) Preso no abismo no lnício (Milênio-Ap.20:2);

f) Lançado no Geena,ou lago de fogo, para sempre. (fim do milênio-Ap.20:10).

g) seu pecado – (Is.14:12-20 e Ez.28: 16-19).

C)DEMONOLOGIA: Doutrina dos demônios (espíritos malignos):

Espírito imundo (Lc 9.1), muito astuto, que se opõe a Deus e ataca as pessoas com todo tipo de males (Mc 7.26).

Demônio é um anjo que se rebelou contra Deus ao seguir as ordens de Satanás.

Os demônios executam as ordens de Satanás e tentar induzir as pessoas a desobedecerem o desejo de Deus.

Quando eles entram realmente na vida dos seres humanos, isso é chamado de possessão demoníaca.

Há muitos exemplos na Bíblia e uma grande parte do trabalho de Jesus na terra envolveu a cura de pessoas controladas pelos demônios.

QUEM SÃO OS DEMÔNIOS

A palavra demônio é de origem grega e significa “falsa deidade” (I Coríntios 10:20).

Qualquer deidade que não seja o Deus verdadeiro é um espírito que se opõe a Ele, logo é um espírito do mal ou um demônio.

Há só um diabo, que é conhecido por uma variedade de nomes e títulos na Bíblia.

O diabo governa sobre todos os outros demônios, que lhe são sujeitos.

Muitas vezes na Bíblia a palavra “espírito” é usada por demônio, com um descritivo.

Por ex. a Bíblia menciona “espírito do mal” (Atos 19:12-13), “espírito imundo” (Mateus 10:1, Marcos 1:23, 26; Atos 5:16), “espírito de enfermidade” (Lucas 13:11) e “espírito mudo e surdo” (Marcos 9:25).

Alguns demônios possuem o espírito de assassinato, suicídio, medo ou mentira, o que os associa com vários pecados ou atitudes contrários à vontade de Deus.

Demônios são seres criados.

São imortais e não podem voltar a ter seu relacionamento anterior com Deus.

Têm grandes poderes quando comparados a humanos, mas seus poderes não se comparam com o poder de Deus.

Deus nos deu autoridade sobre eles e os cristãos que crêem no poder de Jesus não podem ser conquistados pelo poder dos demônios.

O QUE FAZEM OS DEMÔNIOS

Os anjos foram criados para adorar e louvar a Deus, servi-lO e agir como seus mensageiros. A Bíblia afirma que eles são “espíritos enviados por Deus para cuidar daqueles que receberão salvação”(Hebreus 1:14).

Os demônios têm função similar, mas servem a um mestre diferente. São governados por Satanás, a quem servem sem temor.

Atuam nas vidas dos seres humanos, mas seu propósito é cumprir os esquemas de Satanás e fazer oposição a Deus.

Tentam, enganam e iludem as pessoas com a intenção de trazê-las para a condenação eterna.

Constantemente atacam, oprimem e acusam o povo de Deus.

Uma vez que Satanás não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, usa os demônios para executarem diferentes tarefas.

Por ex., na parábola do semeador (Mateus 13:3-9, Marcos 4:1-20, Lucas 8:4-15) os demônios arrancam fora a palavra antes que ela possa enraizar (Marcos 4:15).

Muitas vezes, Satanás promove o afastamento de algumas pessoas de Deus antes que façam um genuíno compromisso (Marcos 4:17).

Basicamente, os demônios trabalham de acordo com o padrão estabelecido por Satanás na sua tentação de Eva no Jardim do Éden.

Primeiro, negam a verdade da Palavra de Deus e contestam as afirmações que faz.

Em seguida, negam a realidade da morte.

Finalmente, apelam para a vaidade e orgulho humanos dizendo que homens e mulheres podem ser iguais a Deus ou mesmo serem deuses (Gênesis 3:1-5).

Esses são os métodos e ensinos básicos que estão por trás da maioria dos cultos e das falsas religiões.

O DESTINO FINAL DOS DEMÔNIOS

A Bíblia nos conta que Deus tomou os anjos que pecaram contra Ele e os “precipitou no inferno e os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” (II Pedro 2:4).

Jesus falou sobre o fogo eterno preparado para o diabo e seus demônios. Também descreveu como as pessoas que não crerem nEle terão da mesma forma esse horrível destino na eternidade (Mateus 25:41).

Eventualmente Satanás e seus demônios serão lançados no lago de fogo (Apocalipse 20:10), que é o lugar de tormenta eterna para todas as pessoas cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida (Apocalipse 20: 12-15).

POSSESSÃO DEMONíACA

A possessão demoníaca ocorre quando um demônio ocupa o espírito de um ser humano. A Bíblia nos fala que demônios podem entrar no corpo de uma pessoa (Lucas 8:30, 22:3) a fim de controlar seus pensamentos e ações.

Todos os cristãos pertencem a Jesus Cristo e seus espíritos humanos são selados pelo Espírito Santo (Efésios 1:13).

Os demônios conhecem e reconhecem este selo.

Eles podem também entrar no corpo de animais (Marcos 5:13); são associados com livros de mágica (Atos 19:19) e ídolos (I Coríntios 10:19-21). Com freqüência causam doença ou deficiência física.

Envolvimento com cartas de tarô, horóscopos ou qualquer outra forma de adivinhações podem dar aos demônios a oportunidade de entrar na vida de um cristão.

Tais práticas podem ser inofensivas para a maioria das pessoas, mas Satanás usa as menores chances para obter vantagens sobre as pessoas.

MANIFESTAÇÃO

Com freqüência os demônios preferem se esconder para que possam exercer controle sem oposição. Possuem poderes sobrenaturais (Apocalipse 16:14) e exibem esses poderes através de suas vítimas (Marcos 5:4-5; 9:18-20).

Muitas vezes Jesus repreendeu os demônios para livrar pessoas que sofriam por suas possessões.

EXORCISMO

Expulsão de demônios ou exorcismo era uma parte normal do ministério de Jesus, que ordenou a seus seguidores que fizessem o mesmo.

Essa ordem nunca cessou e se faz ainda mais importante hoje uma vez que as forças do mal grassam com tanta intensidade no mundo.

Os seguintes princípios vêm da prática de Jesus, das Escrituras e da observação e envolvimento pessoais:

1.Jesus se dirigia aos demônios e ordenava-lhes que saíssem (Marcos 1:25; 9:25). Amaldiçoava-os “com uma palavra” (Mateus 8:16).

Jesus deu autoridade a seus seguidores para usar Seu nome na expulsão de demônios e usar isto como sinal do discípulo cristão (Marcos 16:17).

O nome de Jesus não é uma fórmula mágica e seu uso depende do relacionamento entre o Senhor e a pessoa que usa Seu nome (Atos 19:11-18).

2. Jesus expulsa demônios pelo Espírito de Deus (Mateus 12:28).

Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder para curar todos os oprimidos por Satanás (Lucas 4:18-19; Atos 10:38).

3. Jesus ensinou claramente sobre “amarrar o valente” (Mateus 12:29; Marcos 3:27) e sobre ligar e desligar no céu (Mateus 18:18).

4. A oração é arma importante para lidar com demônios.

Quando os discípulos perguntaram por que não podiam expulsar um certo tipo de demônio, Jesus respondeu que muitos tipos só poderiam ser dominados com muita oração (Marcos 9:28).

5. Apocalipse 12:11 descreve o poder que “o sangue do Cordeiro” tem sobre Satanás. Os demônios não gostam de ouvir sobre o sangue de Jesus e ficam agitados quando isso é mencionado.

6. Deus equipou o discípulo cristão com arma de defesa em batalha espiritual contra os demônios (Efésios 6:10-17).

7. O Senhor respondeu a Satanás com passagens da Bíblia. A Palavra de Deus nos foi dada como ferramenta de defesa e para atacar Satanás (Efésios 6:17; Hebreus 4:12).

8. Devemos ir contra os demônios do inferno com ajuda dos céus, não com nossos limitados recursos terrenos (Efésios 2:6).

9. Devemos reconhecer que a última vitória já foi ganha por Jesus, que veio para destruir as obras do diabo (I João 3:8) e para destruir o poder de Satanás sobre a morte (Hebreus 2: 14-16).

Quando Jesus gritou na cruz “Está consumado”, quis dizer que sua obra redentora estava feita.

Quando ressuscitou dos mortos, demonstrou poder sobre a morte. Somos vencedores somente se tomamos parte na vitória de Jesus sobre Satanás e seus demônios.

NO ANTIGO TESTAMENTO:

* dv shed ou (plural) Mydv – arruinar, destruir, espoliar, devastar; (Lv.17:7);

 

NO NOVO TESTAMENTO:

* daimonion daimonion – espírito, ser inferior a Deus, superior ao homem; espíritos maus ou os mensageiros e ministros do mal (Mt.7:22).

 

1)ORIGEM (falsos pressupostos:

a)Almas de homens maus mortos(paganismo não biblico);

b) espiritos desencarnados de raça pré-adâmica(nunca existiu tal raça);

c) descendentes de homens e mulheres antediluvianos-Apesar do registro bíblico de sua existência (Gn.6:1-4) essa hipótese não é possível de veracidade porque após a morte segue-se ao juízo (Hb.9:27).

A verdade Bíblica: satanás era anjo príncipe dos demônios (Mt.12:24); demônios são anjos e não uma raça pré-adâmica.

Ele tem uma hierarquia bem organizada de anjos maus ou demônios, que pecaram ou foram lançados fora dos céus (Jo.8:44; 2Pe.2:4; Judas 6; Ef.6:11-12).Segundo a Escritura, os anjos maus passam parte do tempo no inferno (2Pe.2:4) e parte no mundo, especialmente nos ares que nos rodeam (Jo.12:31; 14:30; 2Co.4:4; Ap.12:4;7-9). Alguns demônios já estão presos (2Pe.2:4;Judas 6) e alguns estão à solta, cumprindo ordens de satanás.

 

CUIDADO: (Gn.6:1-4): Se os “filhos de Deus” descritos fossem espíritos caídos, não poderiam ser chamados de filhos de Deus.

Se fossem anjos do Senhor, não iriam deixar sua posição de obediência e adoração a Deus, portanto,neste caso, fllhos de Deus não denota anjos, mas descendentes piedosos de Sete ou reis e líderes da época).

 

2)CARACTERÍSTICAS:

a)Natureza: seres espirituais (espírito imundo-Mt.17:18; Mc.9:25; Ef.6:12).

b)Seu intelecto:conhecem: Jesus (Mc.1:24); *seu destino final (Mt.8:29); plano da salvação (Tg.2:19); Têm sua própria doutrina distorcida.

c)Sua moralidade:São chamados de espíritos imundos e sua doutrina leva a uma conduta imoral e depravada não santidade(1Tm.4:1-2).

 

3)CONCEITO: São espíritos maus sem terem corpos que entram nas pessoas, podendo mais de um demônio fazer morada na mesma vítima (Mc.16:9; Lc.8:2).

Os efeitos dessa possessão são loucura e enfermidades do sistema nervoso (Mt.8:33; 12:22; Mc.5:4-5).

4)SUAS ATIVIDADES: Em Geral:

a)Tentam subverter os propósitos de Deus(Dn.10:10-14; Ap.16:13-16);

b)Tentam estender a autoridade de satanás(Ef.6:11-12);

c) Podem ser usados por Deus na realização de seus propósitos (1 Sm.16:14;2 Co.12:7);

Em particular:

a) podem causar doenças (Mt. 9:33; Lc.13:11,16);

b) Podem possuir humanos(Mt.4:24);

c) Podem possuir animais (Mc.5:13);

d)Se opõem ao crescimento dos filhos de Deus(Ef.6:12);

e) disseminam doutrinas falsas, heresias e fofocas no seio da igreja. (1Tm.4:1).

 

5)FORMAS DE ATUAÇÃO: 

1)De fora para Dentro: Podemos ser tentados e oprimidos sem estarmos endemoniados. Jesus padeceu estas duas formas de ataque demoníaco, sendo tentado (Mt.4:1) e oprimido (ls.53:7):

a) Tentação (carne);

b) Opressão (Alma);

 

2) De dentro para fora:

c) Possessão(Espírito,alma e corpo):Habitação de demônios numa pessoa, exercendo controle e influência sobre ela.

OBS: O verdadeiro crente não pode ser possuido por demônios porque tem o Espírito Santo dentro de si mesmo, contudo alguém que se diga ser o que não é, pode manifestar os demônios dentro de si mesmo.

Características(Possessão):

a)doenças físicas e mentais (Mt.9:32-33;Mt.17:15);

OBS:Nem toda doença é possessão maligna (At.5:16)-A possessão permanece até o poder do Evangelho de Jesus Cristo chegar.

6)SEU DESTINO:

a)Temporário: Alguns lançados no abismo(Lc.8:31; Ap.9:11);

Outros serão soltos na grande tribulação (Ap.9:1-11;16:13-14). b)Definitivo:Lago de Fogo/Geena-(Mt.25:41).

OBS:Os demônios se apoderam dos corpos para induzirem pessoas a pecar e adorar ao diabo por rituais,pela dor, falsas promessas e ameaças terríveis.

O corpo é um lugar desejado que traz descanso e prazer; essa”nova criatura”, com dons do espírito maligno de adivinhação e força sobrenatural representam a imitação do poder do Espírito Santo nas pessoas.

PEÇAMOS O DOM DO DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS a DEUS!

AULA 13 – IGREJA:

 

1) O QUE É IGREJA?

Igreja é um grupo de pessoas que se reúnem para aprender sobre Deus e adorá-Lo. Sempre.

No tempo do Novo Testamento era um termo novo, que aparece só em dois versículos dos Evangelhos (Mateus 16:18 e Mateus 18:17).

Lucas o usou bastante no livro de Atos tornando-o mais comum.

Paulo também escreveu sobre a igreja na maioria de suas cartas; e João, no Apocalipse.

Igreja são o grupo de seguidores de Cristo que se reúnem em determinado lugar para adorar a Deus, receber ensinamentos, evangelizar e ajudar uns aos outros (Rm 16.16). 

Como a totalidade das pessoas salvas em todos os tempos (Ef 1.22).

No Velho Testamento Israel era simplesmente “a congregação”.

A palavra era também usada pelos primeiros cristãos.

Com freqüência os cristãos se referiam a si próprios como a igreja ou a congregação.

De fato, este é o real significado da palavra “igreja”, que se aplicava tanto a todos os fiéis no mundo como para qualquer grupo local. Significava a presença total de Deus num dado local.

O Novo Testamento freqüentemente usa o singular “igreja” mesmo quando muitos grupos de fiéis se reúnem (Atos 9:31; II Coríntios 1;1).

O termo “igrejas” é raramente encontrado (Atos 15:41; 16:5).

Cada grupo era o lugar onde Deus estava presente (Mateus 16:18; 18:17).

Deus comprou a congregação com o sangue de seu Filho (Atos 20:28). No mundo grego, “igreja” designava uma assembléia de pessoas ou reunião.

Podia ser um grupo político ou simplesmente um ajuntamento de pessoas.

A palavra é usada com esse sentido em Atos 19:32, 39, 41.

Os usos cristãos específicos dessa palavra variam amplamente no Novo Testamento.

Algumas se referem a uma reunião de igreja. Paulo diz aos cristãos em Corinto: “…quando vos reunis como igreja É”(I Coríntios 11:18).

1. Isso significa que os cristãos são o povo de Deus, especialmente quando se juntam para adoração.

2. Em textos como Mateus 18:17, Atos 5:11, I Coríntios 4:17 e Filipenses 4:15, “igreja” se refere a todo o grupo de cristãos morando num lugar.

Com freqüência, se refere à localização específica de uma congregação cristã. Observe as frases “a igreja em Jerusalém” (Atos 8:1), “em Corinto” (I Coríntios 1:2), “em Tessalônica” (I Tessalonicenses 1:1).

3. Em outros lugares, reuniões de cristãos nas casas são chamadas igrejas.

Por exemplo, alguns se reuniam na casa de Priscila e Áquila (Romanos 16:5, I Coríntios 16:19).

4. Através do Novo Testamento, “a igreja” se refere à igreja universal. Todos os fiéis pertencem a ela (Atos 9:31; I Coríntios 6:4; Efésios 1:22; Colossenses 1:18).

A primeira palavra de Jesus sobre o fundamento do movimento cristão em Mateus 16:18 tem esse sentido mais amplo: “Edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela”.

A igreja é uma realidade universal. Mas em sua expressão local, Paulo a ela se refere como “a igreja de Deus” (I Coríntios 1:2; 10:32) ou “as igrejas de Cristo” (Romanos 16:16).

Dessa forma um termo grego comum recebe seu significado cristão distinto.

Ela faz uma distinção entre a assembléia/ajuntamento/comunidade cristã e todos os outros grupos seculares ou religiosos.

A comunidade cristã se aceitou como a comunidade dos tempos finais.

Ela se viu como um povo chamado para cumprir os propósitos de Deus em enviar Jesus de Nazaré e sua divina presença.

Assim, Paulo diz aos cristãos de Corinto que eles são aqueles “sobre quem os fins dos séculos têm chegado” (I Coríntios 10:11).

Isto é, Deus chamou de novo povo tanto o judaísmo como o mundo gentio. Eles receberiam o poder do Espírito Santo.

Compartilhariam as Boas Novas (Evangelho) do amor absoluto de Deus pela sua criação (Efésios 2:11-22).

Os Evangelhos nos relatam que Jesus escolheu 12 discípulos que se tornaram base desse novo povo. Entendia-se que a igreja era o preenchimento da intenção de Deus em chamar Israel para ser “luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra” (Isaías 49:6; Romanos 11:1-5).

Nessa nova comunidade as velhas barreiras de raça, posição social e sexo seriam derrubadas. “Não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

Essa entidade é chamada “corpo de Cristo”.

Paulo é o único dentre os escritores do Novo Testamento a falar da igreja como corpo de Cristo (Romanos 12:5; Efésios 1:22-2, 4:12; I Coríntios 12:12-13). O pensamento de Paulo pode ter duas explicações:

1. A experiência da estrada de Damasco.

Conforme relatos no livro de Atos, Jesus se identifica com seus discípulos perseguidos (Atos 9:3-7, 22:6-11, 26:12-18).

Na perseguição aos primeiros cristãos, que formavam um corpo, Paulo estava de fato lutando contra o próprio Cristo.

2. O conceito hebreu de solidariedade.

Paulo era hebreu de hebreus (Filipenses 3:5) e nesse contexto, o indivíduo é totalmente considerado parte de uma nação, não tendo via real isolada do todo.

Ao mesmo tempo, todo o povo pode ser representado por um indivíduo.

A realidade dessa íntima relação entre Cristo e sua igreja é vista por Paulo como análoga à unidade e conexão do corpo físico (Romanos 12:4-8, I Coríntios 12:12-27).

Assim, todas as funções do corpo têm seu lugar exato.

Divisão no corpo (isto é, na igreja) revela que há algo doente nele.

Por diversas vezes Paulo exortou o “corpo de Cristo” à unidade.

REUNIÕES DA IGREJA

A palavra grega ecclesia é normalmente traduzida como “igreja”.

O Novo Testamento algumas vezes fala de uma assembléia grega secular (Atos 19:32,41).

Em muitas passagens, como em I Coríntios 14: 19, 28, 35, Paulo se refere a igreja como uma reunião de fiéis que formam uma congregação local.

Igreja também pode significar todos os fiéis (passados, presentes e futuros) que formam a igreja universal, o completo corpo de Cristo.

Há muitas igrejas citadas no Novo Testamento, às quais os apóstolos escreveram cartas de exortação, aconselhamento e instrução (Romanos 16: 3-5, 14, 15: I Coríntios 1:1; I Coríntios 16: 19-20; Colossenses 4: 15-16; Filemom 1: 1-2).

ADORAÇÃO

Quando a igreja se iniciou em Jerusalém, os fiéis se reuniam nos lares para comunhão e adoração.

Atos 2: 42-47 nos conta que os primeiros cristãos se reuniam nos lares para ouvir os ensinamentos dos apóstolos e para celebrar a Comunhão (“o partir do pão”).

Nesses encontros, também compartilhavam refeições (II Pedro 2:13; Judas 1:12), recitavam as Escrituras, cantavam hinos e salmos e alegremente louvavam ao Senhor (Efésios 5:18-20, Colossenses 3: 16-17).

Também se reuniam nos lares para orar (Atos 12:12), ler a Palavra e para ouvir a leitura de uma carta dos apóstolos (Atos 15:30, Colossenses 4:16).

 

2) ECLESIOLOGIA: DOUTRINA DA IGREJA: ekklhsia ekklesia:

Não é o judaísmo ampliado, mas o “sinal” do Reino Divino.

A verdadeira Igreja de Jesus Cristo são os corações humildes dos servos fiéis e adoradores, que aguardam sua vinda.

3) NATUREZA DE IGREJA: Projeto de Jesus para a sociedade;parte do Reino de Deus e não é organização ou governo,mas viva e espiritual.

4) A INSTITUIÇAO E OS CRISTAOS:

QUANTO À INSTITUIÇÃO:

Palavra grega: “EKKLESIA”, significa uma assembléia de chamados para fora. Este termo se aplica a:

a) todo o corpo de cristãos de uma sociedade (At.11:22;13:1);

b) uma congregação (1Co.1:2; 1Co.14:19,35;Rm.16:5);

c) todo o corpo de crentes na terra (Ef.5:32);

d) A assembléia do povo de Israel  (At.7:38);

OBSERVAÇÃO: O Templo (LOCAL),difere de denominação (Política), que difere de membrezia (humana), que é diferente de Corpo de Cristo (espintual), que é o grupo dos regenerados desde Pentecostes ao arrebatamento.

 

QUANTO AOS SEGUIDORES: Outros nomes:

a)Irmãos:A igreja é uma fraternidade ou comunhão espiritual, devendo ser abolidas as divisões que separam a humanidade.

Ex: ”Nem grego nem judeu”-mais profunda das divisôes religiosas;

“Nem grego nem bárbaro”-mais profunda das divisões culturais;

“Nem servo nem livre”-mais profunda das divisões socio-econômicas;

“Nem macho nem fêmea”-mais profunda de todas as divisões humanas vencidas”,conforme (1Co.14:26; Cl.3:11; Gl.3:28).

b)Crentes-Porque na sua doutrina a característica é a fé no Senhor Jesus, conforme (1 Co.1:21; Gl.3:22; 1Tm.6:2);

c) Santos-(consagrados ou piedosos) porque estão separados do mundo e dedicados a Deus, conforme (Rm.1:7;1Co.7:14; Ef.3:8);

d)Os eleitos ou escolhidos porque Deus os escolheu para um ministério importante e um destino glorioso, conforme (Cl.3:21; Rm.11:7;Mc.13:20);

e)Discípulos-Aprendizes-sob preparação espiritual com instrutores inspirados por Cristo, conforme(Mt.5:1;At.21:4;Jo.21:8);

f)Cristãos-porque a sua religião gira em torno da Pessoa de Cristo, conforme (At.11:26);

g) Os do Caminho: Nos dias primitivos porque viviam de acordo com uma maneira especial de viver(At.9:2).

h) Da seita(dos nazarenos)- porque somos seguidores de Jesus Cristo de Nazaré, conforme (At.24:5).

OBS :Nome “Católico” é uma transliteração do termo grego Kathólicos, que significa universal ou geral.

No século II D.C., essa palavra tornou-se sinônimo de ortodoxo, ou seja, a igreja que mantinha a doutrina verdadeira, em contraste com heresias da época.

Durante a Reforma Protestante, a palavra veio a designar as igrejas que aderiram ao papado.

Foi durante a cristianização do império romano, quando surgiu um clero formal e oficial, que a igreja se institucionalizou.

Conforme Cipriano (258 D.C.)

A igreja era uma “instituição salvadora”.

A Igreja Cristã é espiritual e fiel.
5) ILUSTRAÇÕES DA IGREJA:

a)Corpo de Cristo:Cristo: Está presente no mundo por meio da igreja, o qual é seu corpo tomado da raça humana em geral.

A vida de Jesus continua a ter expressão por meio dos seus discípulos como se evidencia no livro de Atos dos Apóstolos e pela subsequente história da lgreja.(Jo.20:21). Cristo prometeu assumisse novo corpo (Jo.15:5).

Jesus é conhecido no mundo mediante os que tomam o seu nome e participam de sua vida. Na medida em que a igreja tem contato com Crista, sua cabeça, assim tem participado de sua vida e experiências.

Tal qual Jesus, a igreja foi ungida, ameaçada, perseguida, mas ressuscita indestrutivelmente (Cl.1:24).

O corpo de Cristo é composto de almas nascidas de novo (1Co.12:13). O cristão não é meramente seguidor de Cristo, mas membro de Cristo e membros uns dos outros.

b) Templo de Deus: (1Pe.2:5-6): Templo é um lugar em que Deus, que habita em toda parte, se localiza a sim mesmo em determinado lugar, onde o seu povo o possa achar “em casa, referencial de fé.”

Assim como Deus morou no tabernáculo e no templo, assim vive, por seu Espírito na lgreja (Pessoas transformadas e não na denominação).

Neste templo espiritual, os cristãos, como sacerdotes oferecem sacrifícios espirituais, sacrifícios de oração, louvor e boas obras cristãs.(Ef.2:21,22; 1Co.3:16,17).

c) Noiva de Cristo: llustração usada tanto no Antigo Testamento quanto no Novo testamento, descrevendo a união e comunhão de Deus com seu povo. (2Co.11:2; Ef.5:25-27; Ap.19:7; 21:2; 22:17).

 

6) FUNDAÇÃO DA IGREJA:

a)Profeticamente: Assim como Israel foi uma nação chamada dentre outras para servir a Deus, na tradução do Antigo testamento para o Grego, a palavra congregação (de israel) foi traduzida para “ekklesia”(igreja), que continuaria sua obra na terra (Mt.16:18).

b)Historicamente: Surgida no dia de Pentecostes pela unção do Espírito Santo, como retorno da shekinah, a Glória manifestada no tabernáculo, onde a obra foi feita pelo Espírito, operando mediante os apóstolos, que lançaram os fundamentos e edificaram a igreja por sua pregação, ensino e organização. (Ef.2:20).

 

7) MEMBROS DA IGREJA: Condições:

a)Fé implícita no Evangelho e confiança sincera e de coração em Cristo como único e divino salvador (At.16:31);

b)submeter-se ao batismo nas águas como testemunho simbólico da fé em Cristo (Cl.2:12;1Pe.3:21);

c)confessar verbalmente esta fé (Rm.10:9,10; Mt.3:6;1 Jo.1:9).

Entrar na Igreja não é questão de unir-se à organização, mas tornar-se membro de Cristo.

Atualmente, a igreja tem aumentado em número e popularidade, com batismo e catequese (ensino),mas poucos se convertem, ou seja, poucas pessoas são verdadeiramente cristãs de coração, assim, existem cristãos verdadeiros em meio a cristãos de nome.

Devemos distinguir a igreja invisível (composta dos verdadeiros cristãos de todas as denominações, cujos nomes estão escritos no livro da vida (Fl.4:3;Ap.3:5), da igreja visível (composta de todos os que professam ser cristãos, cujos nomes estão escritos no rol de membros (Mt.13:36-43; 47-49; 2Tm.2:19-21).

lgreja é uma fase do Reino de Deus, fato este descrito por:a) ensino (Mt.16:18-19); b)parábolas (Mt.13) e c)descrição de Paulo da obra cristã como parte do Reino de Deus (CoI.4:11).

A igreja pode ser considerada como arte do reino de Deus porque prega a mensagem que trata do novo nascimento do homem, pelo qual se obtêm entrada nesse Reino. (Jo.3:3-5;1 Pe.1:23).

 
8) OBRAS DA IGREJA:

a) Pregar a Salvação a toda criatura (mat.28:19,20) e explanar o plano de salvação tal qual é ensinado nas escrituras. Cristo tornou acessível a salvação para provê-Ia; a igreja deve torná-la real por proclamá-Ia.

b)Prover meios de adoração Assim como Israel possuia um sistema de adoração divinamente estabelecido, a igreja deve ser uma casa de oração para todos os povos, onde Deus é cultuado em adoração, oração e testemunho.

c)Prover comunhão religiosa:O homem é um ser social e anela por comunhão e amizade, por isso precisa se congregar com os que participam da mesma realidade espiritual.

A igreja provê uma comunhão baseada na paternidade de Deus e no fato de ser Jesus o Senhor de todos, nesta fraternidade de experiência espiritual comum, livrando-os da solidão e desamparo pela solidariedade, no calor do amor da comunhão.

d)Sustentar uma norma de conduta moral:A igreja é a “luz do mundo”, significando afastar a falta de entendimento da ignorância moral; é o “sal da terra”, que preserva podridão da corrupção moral. A igreja deve ensinaras homens a viverem bem e se prepararem para a morte.

e)Deve proclamar o plano de Deus para regulamentar todas as esferas da vida e sua atividade, contra as tendências de corrupção social, admoestando contra os perigos malignos.

 

9) ORDENANÇAS DA IGREJA:O Cristianismo não é uma religião baseada somente em ritos (normas religiosas de culto).

O Espírito Santo nos dá liberdade para o adorarmos. Sacramento é a participação direta da graça ao que participa da ordenança. Há duas cerimônias essenciais e divinamente ordenadas: O Batismo e a Ceia.

a) O BATlSMO NAS AGUAS:

O batismo de Jesus foi o principal evento de sua vida porque marcou o início de seu ministério.

Muito poucos estudiosos discutem hoje o fato de que João Batista batizou Jesus, mas o exato propósito e importância do seu batismo ainda são matéria controversa.

Os relatos dos Evangelhos concordam que quando João batizava outras pessoas esse ato era um sinal do arrependimento delas (Mateus 3:6-10; Marcos 1:4-5 e Lucas 3:3-14).

Ele proclamava que o reino dos céus estava próximo e que o povo de Deus deveria se prepara para a vinda do Senhor pela renovação da fé em Deus.

Para João, isso significava arrependimento, confissão de pecados e vida de retidão. Se era assim, por que Jesus precisaria ser batizado?

Se Jesus não era pecador, como o Novo Testamento diz (II Coríntios 5:21); Hebreus 4:15 e I Pedro 2:22), por que Ele se submeteu ao batismo de arrependimento para perdão de pecados?

Os Evangelhos respondem.

O BATlSMO NAS AGUAS NO EVANGELHO DE MARCOS

Marcos apresenta o batismo de Jesus como uma preparação necessária para seu período de tentação e ministério.

Em seu batismo Jesus recebeu a aprovação do Pai e a unção do Espírito Santo (Marcos 1:9-11). A ênfase de Marcos na relação especial de Jesus com o Pai, – “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”(Marcos 1:11) – aproxima duas importantes referências do Velho Testamento.

A messianidade de Jesus é apresentada de uma maneira totalmente nova, na qual o Messias reinante (Salmo 2:7) é também o Servo Sofredor do Senhor (Isaías 42:1).

A crença popular judaica esperava um Messias reinante que estabeleceria o reino de Deus, não um Messias que sofreria pelo povo.

No pensamento dos judeus a chegada do reino dos céus estava também associada com ouvir a voz de Deus e com a dádiva do Espírito de Deus.

O BATlSMO NAS AGUAS NO EVANGELHO DE MATEUS

O relato de Mateus sobre o batismo de Jesus é mais detalhado do que o de Marcos.

Começa destacando a relutância de João Batista em batizar Jesus (Mateus 3:14), que foi persuadido somente depois de Jesus lhe ter explicado: “Deixa por enquanto, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.” (Mateus 3:15).

Embora o significado pleno dessas palavras seja impreciso, elas pelo menos sugerem que o batismo de Jesus era necessário para cumprir a vontade de Deus.

Tanto no Velho como no Novo Testamento (Salmo 98:2-3; Romanos 1:17) a justiça de Deus é vista como a salvação Dele para o Seu povo.

Por isso o Messias pode ser chamado de “O Senhor é nossa justiça” (Jeremias 23:6, Isaías 11:1-5). Jesus disse a João Batista que seu batismo era necessário para fazer a vontade de Deus em trazer a salvação sobre seu povo.

Assim a declaração do Pai no batismo de Jesus é apresentada na forma de uma declaração pública.

Enfatizava que Jesus era o servo ungido de Deus pronto para iniciar seu ministério, trazendo a salvação do Senhor.

O BATlSMO NAS AGUAS NO EVANGELHO DE LUCAS

Lucas menciona rapidamente o batismo de Jesus, colocando-o em paralelo ao batismo de outros que se referiram a João Batista (Lucas 3:21-22).

Ao contrário de Mateus, Lucas coloca a genealogia de Jesus depois de seu batismo e antes do início de seu ministério.

O paralelo com Moisés, cuja genealogia ocorre logo antes do início de seu trabalho (Êxodo 6:14-25), não é mera coincidência.

Provavelmente pretendeu-se ilustrar o papel de Jesus ao trazer livramento (salvação) ao povo de Deus assim como Moisés fez no Velho Testamento.

Em seu batismo, na descida do Espírito Santo sobre si, Jesus estava apto a desempenhar a missão para a qual Deus O havia chamado.

Em seguida a sua tentação (Lucas 4:1-13), Jesus entrou na sinagoga e declarou que havia sido ungido pelo Espírito para proclamar as boas novas (Lucas 4:16-21).

Que o Espírito se fez presente no Seu batismo para ungi-lo (Atos 10:37-38).

Em seu relato, Lucas tentou identificar Jesus com as pessoas comuns. Isso é visto no berço da história (com Jesus nascido num estábulo e visitado por humildes pastores, Lucas 2: 8-20) e através da genealogia (enfatizando a relação de Jesus com toda a humanidade, Lucas 3:38) logo depois do batismo.

Assim, Lucas via o batismo como o primeiro passo de Jesus para se identificar com aqueles que Ele veio salvar.

Somente alguém que era semelhante a nós poderia se colocar em nosso lugar como nosso substituto para ser punido com morte pelo pecado.

Jesus se identificou conosco a fim de mostrar Seu amor por nós.

No Velho Testamento o Messias era sempre inseparável do povo que representava (veja Jeremias 30:21 e Ezequiel 45-46).

Embora o “servo” em Isaías seja algumas vezes visto de maneira conjunta (Isaías 44:1) e outras vezes como indivíduo (Isaías 53:3), ele é sempre visto como o representante do povo de Deus (Isaías 49:5-26), assim como o servo do Senhor.

Evidentemente Lucas, bem como Marcos e Mateus, estava tentando mostrar que Jesus, como representante divino do povo, tinha se identificado com ele no batismo.

O BATlSMO NAS AGUAS NO EVANGELHO DE JOÃO

O quarto Evangelho não diz que Jesus foi batizado, mas que João Batista viu o Espírito descendo sobre Jesus (João 1:32-34).

O relato enfatiza que Jesus foi a João Batista durante seu ministério de pregação e batismo; João Batista reconheceu que Jesus era o Cristo, que o Espírito de Deus estava sobre Ele e que era o Filho de Deus.

João Batista também reconheceu que Jesus, batizava com o Espírito Santo, ao contrário de si mesmo (João 1: 29-36).

João Batista descreveu Jesus como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29).

O paralelo do Velho Testamento mais próximo desta afirmação se encontra na passagem do “servo do Senhor” (Isaías 53: 6-7).

É possível que “Cordeiro de Deus” seja uma tradução alternativa da expressão aramaica “servo de Deus”.

A idéia de Jesus como aquele que tira os pecados das pessoas é obviamente o foco do quarto Evangelho.

Seu escritor sugere que João Batista entendeu que Jesus era o representante prometido e salvador do povo.

 

O BATISMO CRISTÃO: baptisma baptisma – Rito de Ingresso na Igreja Cristã, e simboliza o começo da vida espiritual.

Sugere a fé em Cristo e é administrado somente uma só vez porque pode haver somente um começo de vida espiritual.

Batismo é o anúncio público de uma experiência pessoal.

É um ato cristão de obediência e um testemunho público do desejo do crente de se identificar com Cristo e segui-lo.

Jesus nos deu seu exemplo e ordenou o ensino sobre o batismo.

João Batista batizou Jesus no Rio Jordão, deixando-nos o exemplo para fazer o mesmo como uma afirmação pública da nossa fé.

Da mesma forma, Jesus mandou que seus discípulos batizassem outros crentes (Mateus 28:19).

O batismo é um símbolo da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo.

É uma visão externa da mudança interna de uma pessoa.

O crente deixa para trás a velha maneira de viver em troca de uma nova vida em Cristo.

É símbolo de salvação – não um requisito para a vida eterna.

Entretanto, como um ato de obediência, também não é opcional para os cristãos.

O batismo indica nosso desejo de dizer à nossa igreja e ao mundo que estamos comprometidos com a pessoa de Jesus e seus ensinamentos.

 

O BATISMO DE JOÃO

Batismo significa mergulhar ou imergir.

Um grupo de palavras diversas podem ser usadas para significar um rito religioso para um ritual de limpeza.

No Novo Testamento, se tornou o rito de iniciação na comunidade cristã e era interpretado como morte e nascimento em Cristo.

João, o Batista, pregava o “batismo de arrependimento para o perdão dos pecados” (Lucas 3:3).

Todos os evangelistas concordam sobre isso (Mateus 3:6-10; Marcos 1:4-5; Lucas 3:3-14).

Reconhecemos o batismo como símbolo do nosso redirecionamento na vida.

Nós nos arrependemos de nossa velha maneira de viver em pecado e desobediência.

Mudamos a rota e damos uma nova partida.

As origens do batismo de João são difíceis de traçar.

Possui semelhanças e diferenças em relação a obrigações e exigências feitas pelos judeus aos pagãos novos convertidos, tais como o estudo da Torá, circuncisão e o ritual do banho para expiar todas as impurezas do passado gentio.

A prática do batismo de João tinha os seguintes resultados:

1. Era intimamente relacionado com arrependimento radical, não somente dos judeus, mas também dos gentios.

2. Indicava claramente ser preparado para o Messias, que batizaria com o Espírito Santo e traria o batismo de fogo (Mateus 3:11).

3. Simbolizava purificação moral e assim preparava as pessoas para a vinda do reino de Deus (Mateus 3:2; Lucas 3:7-14).

4. A despeito da óbvia conexão entre o cerimonial de João e a igreja primitiva, o batismo realmente desapareceu do ministério direto de Jesus.

De início, Jesus permitiu que seus discípulos continuassem o ritual (João 3:22), porém mais tarde aparentemente ele descontinuou essa prática (João 4:1-3), provavelmente pelas seguintes razões:

1. A mensagem de João era funcional, enquanto a de Jesus era pessoal.

2. João antecipou a vinda do reino de Deus, enquanto Jesus anunciou que o Reino já havia chegado.

3. O rito de João era uma passagem intermediária até o ministério de Jesus.

AS CONCLUSÕES DOS EVANGELHOS

Nos quatro Evangelhos está claro que o Espírito Santo veio sobre Jesus no seu batismo para capacitá-lo a fazer a obra de Deus.

Os quatro escritores reconheceram que Jesus foi ungido por Deus para cumprir sua missão de trazer salvação ao mundo.

Essas idéias são a chave para o entendimento do batismo de Jesus.

Naquela ocasião no início de seu ministério, Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo para ser o mediador entre Deus e o seu povo.

No seu batismo Jesus foi identificado como aquele que carregaria os pecados das pessoas; Jesus foi batizado para se identificar com o povo pecador.

Da mesma forma, nós somos batizados para nos identificarmos com o ato de obediência de Jesus.

Seguimos seu exemplo fazendo uma pública confissão do nosso comprometimento com a vontade de Deus.

Cerimônia em que se usa água e por meio da qual uma pessoa se torna membro de uma igreja cristã.

O batismo é sinal de arrependimento e perdão (At 2.38) e união com Cristo (Gl 3.26-27), tanto em sua morte como em sua ressurreição (Rm 6.3-5).

 

CARACTERISTICAS DO BATISMO:

a)MODO: ”batizar”significa mergulhar ou imergir.

Do grego “baptisma”, significa imersão, submersão:

a) de calamidades e aflições nas quais alguém é submergido completamente;

b) do batismo de João, aquele rito de purificação pelo qual as pessoas, mediante a confissão dos seus pecados, comprometiam-se a uma transformação espiritual, obtinham perdão de seus pecados passados e qualificavam-se para receber os beneficios do reino do Messias que em breve sena estabelecido.

Este era um batismo cristão válido e foi o único batismo que os apóstolos receberam.

c)do batismo cristão; um rito de imersão na água, como ordenada por Cristo,pelo qual alguém, depois de confessar seus pecados e professar a sua fé em Cristo, tendo nascido de novo pelo Santo Espírito para uma nova vida, identifica-se publicamente com a comunhão de Cristo e a igreja (Mt.28:19,20).

Em Rm 6:3, Paulo afirma que fomos “batizados na sua morte”, significando que estamos não apenas mortos para os nossos antigos caminhos, mas que eles foram sepultados. Retornar a eles é tão inconcebível para um Cristão quanto para alguém desenterrar um cadáver.

O mandamento judáico sugeria batismo de prosélito”conversão de um pagão ao judaismo”.

O convertido ficava de pé na água até o pescoço e enquanto era lida a Lei, ele submergia na água como sinal de que fôra purificado das contaminações do paganismo e começara uma vida nova como membro do povo da aliança PAGÃO:AQUELES NÃO RECONHECIDOS JUDES, SEGUIDOR PRATICANTE DA LEI DE MOISÉS.

Submersão x Aspersão (Derramar Agua):lnfluenciada por idéias pagãs não-bíblicas, a aspersão é administrada somente aos enfermos e moribundos que não podem ser imergidos em água.

O método prático se generalizou.

Contudo, o método correto e bíblico é a imersão o qual corresponde ao significado simbólico do batismo, a saber, morte, sepultura e ressurreição de Jesus (Rm.6:1-4).

b) PEDOBATISMO (BATISMO DE CRIANÇAS): O batismo não é a mesma coisa que circuncisão (tirar o prepúcio dos meninos como aliança de Moisés) e não era o mesmo sentido de santificação moral como em (1Co.7:14).

Não é possível porque restringe-se sua prática aos que podem exercer a fé conscientemente e além disso, batismo de famílias não as incluíam, podendo terem sido batizadas as maiores que já entendessem o seu significado (1Pe.3:21).

Infantes não têm pecado para se arrependerem e não podem exercer a fé; podem ir a Cristo (Mt.19:13,14) e serem apresentados (consagrados), conforme (Lc.2:21-34); Fórmula: Batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28:19).

Em (At.2:38), o original grego fala do batismo “sobre” o nome de Cristo, significando uma declaração de reconhecimento de fé em Jesus e não uma fórmula batismal.

Ser batizado em nome de Jesus significa encomendar-se inteira e eternamente a Ele como Salvador enviado do Céu, e a aceitação de sua direção como guia e enviado (Mt.28-19).

Esta fórmula trinitariana testifica a submersão em comunhão espiritual da Trindade. Recebemos: A graça de Jesus, o Amor de Deus e a Comunhão com o Espírito Santo. (Bênção Apostólica – 2Co.13:13).

c) APTOS AO BATISMO: Todos os que sinceramente se arrependem dos seus pecados e exercitam uma fé viva em Jesus, agindo em confissão de fé (At.8:37), Oração (At.22:16) e Voto de Consagração (1Pe.3:21).

É importante o discipulado para que possam crescer na fé cristã, antes e depois do batismo.

d) EFICÁCIA DO BATISMO: O batismo nas águas não tem poder para salvar, pois se batizam os salvos que aceitaram a Jesus, mas é essencial para a integral obediência a Cristo.

A eleição do Convertido se completa por sua pública admissão como membro da igreja de Cristo (Como o presidente eleito pelo povo e depois,toma posse do cargo ou como a noiva que casa e agora vai à lua-de-mel). E uma etapa progressiva como” namorar,enoivar, casar e ter filhos”.

e) SIGNIFICADO DO BATISMO: Sugere Quatro Idéias:

1)SALVAÇÃO: A descida do convertido às águas retrata a morte de Jesus efetuada.A submersão do convertido fala da morte ratificada(sepultamento) e o levantamento do converso significa a conquista sobre a morte(ressurreição).

2)EXPERIÊNCIA: O fato desses atos serem efetuados pelo convertido, demonstra sua identificação espiritual com Jesus.Cristo morreu pelo pecado para morrermos para o pecado; Cristo ressuscitou dentre os mortos a fim de vivermos uma nova vida de justiça.

3)REGENERAÇÃO: A experiência do novo nascimento é descrita como “lavagem”ou “banho”renovador e restaurador(Tito 3:5) porque pelo meio dela, a lavagem, os pecados (contaminações da vida de outrora) foram lavados. Deus, em união com a morte de Cristo e pelo Espírito Santo, purifica a alma.

O batismo nas águas significa esta purificação(At. 22:16).

4)TESTEMUNHO: Ser batizado é ser revestido de Cristo (61.3:7). Batismo nas águas, significa que o convertido, pela fé,”vestiu-se” de Cristo (Seu caráter)de modo que as pessoas possam ver Cristo nele; é como “vestir o uniforme do Reino de Deus. como soldado alistado e_em treinamento para o combate contra o mal, o diabo e o pecado.”
A CEIA DO SENHOR(COMUNHAO): deipnon deipnon:

Rito distintivo da adoração Cristã, instituída por Jesus na véspera de sua morte. Consiste na participação solene do pão e vinho, os quais sendo apresentados ao Pai, em memória do sacrificio único e eterno de Jesus, tornam-se um meio de graça pelo qual somos incentivados a uma fé mais viva e a uma fidelidade maior a Ele.

Cerimônia que Cristo instituiu na noite em que foi traído, logo depois da refeição da PÁSCOA, para servir de lembrança da sua morte (1Co 11.23-34).

Para os católicos e alguns evangélicos a ceia é um sacramento e um meio de graça (EUCARISTIA); para outros é um MEMORIAL

Conforme (Jo.6:56)-Comer da minha carne – Sentir a mesma vontade(desejo)de ser revestido, transladado ao Celestial; superar o terreno.

Beber do meu sangue-receber na alma o que serve para refrescar e nutrir, fortalecer para a vida eterna (sede da vida eterna); nutrir o mesmo sentimento pelo Pai, que há em Cristo.

PAO E VINHO (Vinho no sentido de”embriagar-se do Espírito de Jesus Cristo”, esquecendo-se da vida passada-(Ef.5:18); (Pão como em Israel, bolo retangular ou arredondado, da grossura aproximada de um polegar, e do tamanho de um prato ou travessa.

Por isso não era para ser cortado, mas quebrado; consagrados ao Senhor e usado nos ágapes (“festas de amor e de comunhão”) e na Mesa do Senhor, simbolizando a conquista de Jesus na Cruz.

SIGNIFICADO DA CEIA: Alegrem-se todos no Espírito Santo (vinho) porque EU VENCI E A VITORIA E DE TODOS (Pão).

Se não puderem aguentar beber vinho tendo o perigo de se embriagar na carne, é melhor usar suco de uva sem álcool, pois a embriaguês incitada é a do Espírito Santo e não a da carne.

 

CARACTERÍSTICAS DA CEIA:

a)COMEMORAÇÃO:Em memória de Jesus”.

Comemorando de um modo especial a morte expiatória de Jesus que os libertou dos pecados.

Comemorar a morte porque foi o evento culminante do seu ministério que nos salvou.

b)lNSTRUÇÃO:A Ceia nos dá uma lição objetiva sobre dois fundamentos do Evangelho: A Encarnação-O verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo.1:14).

O Pão de Deus é aquele que desceu dos céus e dá vida ao mundo(Jo.6:33) e a Expiação: As bênçãos decorrentes da encarnação nos são dadas mediante a morte de Cristo.

O pão e o vinho simbolizam os dois resultados na morte: a separação do corpo e da vida; a separação da carne e do sangue.

O pão partido simboliza que o pão deve ser quebrantado na morte(Calvário) a fim de ser distribuído entre os espiritualmente famintos.

O vinho derramado nos diz que o sangue de Cristo, o qual é sua vida, deve ser derramado na morte a fim de que seu poder purificador e vivificante possa ser outorgado às almas necessitadas.

c)INSPIRAÇÃO: As várias uvas espremidas formam o vinho; somos participantes da mesma natureza de Cristo pela comunhão com Ele; o ato da ceia nos recorda e assegura que, pela fé, podemos receber o Espírito Santo e sermos o reflexo de seu caráter.

d) SEGURANÇA: O cálice do sangue (Novo Testamento:1 Co.11:25)é um ato solene como o pacto de sangue da aliança, onde Deus aceitou o sangue de Jesus (Hb.9:14-29).

O sangue de Jesus é a garantia e devemos crer e testificar desta aliança (Rm.3:25,26) e (1Pe.1:2).

e) RESPONSABILIDADE: Os indígnos(quanto às ações pecadoras) não podem ser admitidos na Ceia do Senhor, praticando algo que impeça de apreciar o significado dos elementos da Santa Ceia, ceando sem atitude solene, meditativa e reverente.

Os sinceros se sentem indignos e assim, são dignos pelo reconhecimento, mas os indignos nem ao menos refletem, se exaltando e pecando.

 

AS PALAVRAS E AÇÕES DE JESUS NA CEIA DO SENHOR

Para entender o significado completo da Ceia do Senhor, temos que examinar cuidadosamente o que Jesus falou e fez na ceia última ceia com seus discípulos.

“ESTE É O MEU CORPO” 

Todas as fontes bíblicas dizem a mesma coisa sobre o que Jesus fez quando ele começou a ceia (veja Mateus 26:26; Marcos 14:22; Lucas 22:19; 1 Coríntios 11:23-24).

Ele fez três coisas:

  1. Ele pegou o pão
  2. Ele agradeceu a Deus
  3. Ele partiu o pão

Curiosamente, como vemos em Marcos 6;41 e Marcos 8:6, ele fez as mesmas três coisas quando ele alimentou os cinco mil e os outros quatro mil.

De acordo com os quatro relatos da última ceia, o que ele disse quando pegou o pão foi “este é o meu corpo”.

Há diferentes opiniões sobre o significado preciso dessas palavras. Mas, o que é certo é que Jesus estava indicando que ele daria o seu corpo em sacrifício para que nós tivéssemos vida.

Isso se encontra mais claro em 1 Coríntios 11:24, aonde esta escrito “Esse é o meu corpo que entregue por vós” (ou em alguns manuscritos mais antigos “Esse é o meu corpo que é partido por vós”).

“FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DE MIM” 

De cara, essa instrução pareceria o jeito que Jesus encontrou de dizer aos seus seguidores que repetissem essa ação como um sacramento, ou uma cerimônia religiosa, através dos tempos.

Mas, como essa ordem só é encontrada em Lucas 22:19 e 1 Coríntios 11:24, algumas pessoas argumentam que o Senhor não tinha a intenção que aquela atitude fosse repetida.

Será que este argumento está correto? Provavelmente não.

Nós temos que lembrar que todos os evangelhos foram escritos quando o partir do pão já era uma prática comum na vida da igreja.

Mateus e Marcos, no entanto, podem ter achado desnecessário expressar a intenção de Jesus com essas palavras.

A comunhão não é para repetir o sacrifício de Cristo, mas para relembrar com gratidão que Cristo nos amou a ponto de morrer por nós. (Hb.10:10).

“ESTE É O CÁLICE DA NOVA ALIANÇA”

Jesus pegou uma taça de vinho, deu graças e deu a seus discípulos para que todos eles bebessem.

Esse foi o mesmo jeito que ele fez quando distribuiu o pão.

Mas nas palavras Jesus falou do vinho, ele introduziu um novo conceito na discussão sobre a aliança.

Mateus e Marcos recordam as palavras de Jesus como “isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança” (Mateus 26:28; Marcos 14:24). Lucas 22:20 fala “Este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue derramado por vós” e 1 Corínthios 11:25 é semelhante a isso.

Todas essas referências à aliança nos levam de volta ao ritual do Velho Testamento de fazer uma aliança (um acordo ou tratado) com sacrifício, como na aliança entre Deus e Israel depois do Êxodo (Êxodo 24:1-8).

Eles também sugerem que a esperança de uma nova aliança, descrita em Jeremias 31:31-34, foi realizada em Cristo.

“É DERRAMADO PARA PERDOAR OS PECADOS DE MUITOS”

O significado da morte de Cristo como um sacrifício está ligado com um entendimento da páscoa e da aliança.

No entanto, é importante que nós reconheçamos que a ceia do Senhor também está ligada com o que Isaías 53 diz sobre o Servo sofrido do Senhor se colocou “por expiação do pecado” (Isaías 53:10). Lucas 22:37 inclui entre as palavras de Jesus: “Porquanto vos digo que importa que se cumpra em mim isto que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Pois o que me diz respeito tem seu cumprimento.”

O verso que Jesus cita – Isaías 53:12 – também diz que “derramou a sua alma até a morte,” e que ele ; “levou sobre si o pecado de muitos”.

Mateus 26:28 diz que o sangue de Jesus foi “derramado por muitos para remissão dos pecados”.

A taça da comunhão, então, deve nos lembrar do sangue de Jesus derramado como uma oferta para cuidar de nossos pecados.

AULA 14 – IGREJA (Parte 2)

 

10) DÍZIMOS E OFERTAS:

O dízimo sempre fez parte da piedade religiosa de muitos povos como gregos, romanos, cartagineses e árabes.

No Antigo testamento, a raiz ASAR(dez) dá idéia de acumular, crescer, ficar rico (Gn.28:22). “..Dai a Deus o que é de Deus.”(Mt.22:21)

 

DIZIMO:A décima parte, tanto das colheitas como dos animais, que os israelitas ofereciam a Deus (manutenção dos ritos religiosos) – (Lv.27.30-32; Hb 7.1-10).

O dízimo era usado para o sustento dos LEVITAS (Nm 18.21-24),dos estrangeiros, dos órfãos e das viúvas (Dt.14.28-29).

O Novo Testamento é acima de tudo, um pacto de liberdade, onde cada pessoa deveria contribuir conforme sua prosperidade.

Jesus não condenou o pagamento de dízimos à Casa de Deus, mas a falta de justiça, amor, misericórdia e fé dos fariseus (Mt.23:23).

Na parábola do fariseu e publicano, o fariseu não foi justificado porque dava o dízimo, mas porque foi orgulhoso e presunçoso (Lc.18:12).

“Hb.7:8 – E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive”Jesus está acima dos levitas os quais eram sacerdotes e recebiam dízimos.

Quem é nascido de novo, tem prazer em dar”.

A Lei do Espírito é agir com senso de responsabilidade e generosidade, sabendo que é privilégio do cristão manter com parte de sua renda, a manutenção da adoração da igreja.

O amor é mais exigente que a Lei. Se vivemos na lei do amor, a falta de pelo menos o dízimo ou o questionamento do não pagamento, pode revelar pouca sensibilidade e visão espiritual e consideração pela Obra do Senhor Jesus Cristo.

Quanto maior a espiritualidade de um crente, maior será sua liberalidade para com o dinheiro a ser contribuído para a causa do Evangelho. Se semearmos com abundância, seremos superabundados (2Co.9:6-8).

Em Mt.5:20 -“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”, essa justiça “dikaiosune” e retratada como, num sentido amplo estado daquele que é como deve ser, justiça, condição aceitável para Deus.

Doutrina que trata do modo pelo qual o homem pode alcançar um estado aprovado por Deus em integridade; virtude; pureza de vida; justiça pensamento,sentimento e ação corretos e num sentido restrito, justiça ou virtude que dá a cada um o que lhe é devido. Jesus quis dizer que se a nossa consideração para com Deus não for maior que a dos religiosos, estaremos muito longe de Deus.

OFERTAS E SACRIFíCIOS

O povo de Israel fazia ofertas e sacrifícios a Deus regularmente, assim como os cristãos hoje em dia tomam a comunhão na igreja, dão ofertas e oram.

Os Israelitas entregavam a Deus ofertas e sacrifícios para restabelecer um relacionamento com Deus.

Eles faziam isso numa época específica do ano, como na lua nova e na colheita.

Eles também faziam quando um voto era quebrado ou quando uma pessoa era julgada suja por causa de um problema médico.

Alguns sacrifícios e ofertas eram feitos para comemorar alguns tempos chaves na história de Israel, como por exemplo a páscoa.

As regras quanto a ofertas e sacrifícios eram bem detalhadas e Deus esperava que os israelitas as seguissem minuciosamente.

A PERFORMANCE E A ORDEM DOS SACRIFíCIOS

A fonte principal de uma descrição de sacrifícios é o início do livro de Levitico (Levítico 1:1-17).

Ele consiste de duas partes.

A primeira parte lida com duas categorias de sacrifícios (Levitico 1:1-6:7).

A primeira categoria inclui os sacrifícios com “cheiro suave ao Senhor”, e isso inclui a oferta queimada (Levitico 1:1-17), a oferta de cereais (Levitico 2:1-16) e os sacrifícios de ofertas pacíficas (Levitico 3:1-17).

A segunda parte inclui os sacrifícios expiatórios (aqueles que expiam ou reparam os erros).

Isso inclui sacrifício pelos pecados (Levitico 4:1-5:3) e oferta pela culpa (Levitico 5:14-6:7).

É prestada uma enorme atenção aos detalhes desses rituais e eles são agrupados de acordo com suas associações lógicas.

A oferta do grão sempre segue a queimada porque sempre a acompanhava na prática em si (Numeros 15:1-21; 28:1-29).

Também podia acompanhar a oferta pacífica (Levitico 7:12-14; 15:3-4).

Uma ênfase especial é colocada em queimar as partes internas de um sacrifício no altar para fazer um “cheiro suave ao Senhor” (Levitico 1:9; 1:17; 2:2; 2:9; 2:12; 3:5; 3:11; 3:16).

Quando o Senhor estava satisfeito com o sacrifício (Gênesis 8:21), era um sinal de favor divino.

Quando se recusava a reconhecer a oferta e cheirar o aroma agradável, mostrava que Deus não estava satisfeito (Levitico 26:31).

É evidente que o sacerdote sabia como ler os sinais e falaria a pessoa que estava fazendo a oferta se o seu sacrifício tinha sido aceito ou não (1 Samuel 26:19; Amós 5:21-23).

As ofertas de culpa e pecado permitia que a pessoa restaurasse o seu relacionamento quebrado com Deus (Levitico 4:1-6:7; 4:20).

As situações que requeiram tais ofertas estão listadas e uma ênfase especial é feita ao descrever como se devia lidar com o sangue no ritual.

A segunda parte principal nessa passagem (Levitico 6:8-7:38) enfatiza os detalhes administrativos das varias ofertas.

Essa seção consiste de uma série de instruções para cada tipo de oferta a respeito da distribuição do material sacrificado.

Umas partes pertenciam ao sacerdote, outras a pessoa que havia oferecido o sacrifício e outras eram queimadas no altar ou jogadas fora do acampamento.

Aqueles sacrifícios que o sacerdote considerava mais santos eram para ser comidos somente por aqueles membros qualificados do sacerdócio (Levitico 2:3; 2:10; 10:12-17; 14:13; Números 18:9).

As ofertas queimadas são primeiramente discutidas porque eram inteiramente consumidas no altar e não eram comidas por ninguém.

Depois dela, os sacrifícios que eram distribuídos aos sacerdotes são descritos (Levitico 6:17; 6:26; 6:29; 7:1; 7:6).

E então finalmente as ofertas pacíficas são descritas.

Uma parte significativa da oferta pacífica era devolvida as pessoas que tinham feito a oferta.

A ordem em que os sacrifícios são lidados, corresponde a freqüência com a qual eles eram realizados durante o curso do ano religioso (Números 28:19; 2 Crônicas 31:3; Ezequiel 45:17).

Isso seria particularmente importante para os sacerdotes e para os levitas de serviço no templo porque eles eram responsáveis pela organização dos sacrifícios diários, especialmente durante os feriados.

Durante as festas e os festivais, dirigir os sacrifícios no templo era uma tarefa formidável (1 Crônicas 23:28-32; 26:15; 26:20-22; 2 Crônicas 13:10-11; 30:3-19; 34:9-11).

As ofertas pacíficas não tinham uma parte no calendário sagrado exceto durante o Festival da Colheita (Levitico 23:19-20).

Em todas as outras ocasiões, com duas exceções (o voto de nazireu e a instalação de um novo sacerdote), as ofertas pacíficas eram sacrifícios puramente voluntários e ele não requeria nenhum tipo de escrituração.

Em outros contextos bíblicos, os sacrifícios são listados de acordo com a mesma escrituração ou ordem administrativa.

Estes incluem ofertas queimadas, ofertas de grão, ofertas de bebida e ofertas pelo pecado.

As instruções para que tipo de oferta trazer quando sacrifícios eram requeridos em casos específicos seguem o mesmo tipo de seqüência.

Quando um voto de Nazireu era terminado, o Nazireu trazia ofertas queimadas, pelo pecado e pacíficas. No entanto, o sacerdote fazia o ritual numa ordem diferente.

A oferta pelo pecado era feita primeiro seguida pela oferta queimada e por último a oferta pacífica (Números 6:16-17).

No caso de um voto incompleto, o primeiro passo seria oferecer uma oferta pelo pecado e depois a oferta queimada para renovar o voto (Números 6:11).

O renovamento do voto de Nazireu requeria uma oferta de culpa especial que era um ritual distinto (Números 6:12).

A descrição das ofertas feitas pelo príncipe de Israel nos últimos dias, apresenta o mesmo contraste entre os dois tipos diferentes de sacrifícios.

Em feriados festivos o príncipe trazia ofertas queimadas, de grão e de bebida, mas ele as oferecia como ofertas pelo pecado, ofertas de grão, ofertas queimada e ofertas pacífica (Ezequiel 45:17).

Essa segunda ordem dos sacrifícios na qual a oferta de pecado vinha antes da oferta queimada, também era seguida durante a rededicação do altar (Ezequiel 43:18-27).

A ordem detalhada dos sacrifícios ilustra a idéia no Velho Testamento de como Deus poderia ser abordado.

Primeiro, tinha que ser feito uma expiação pelo pecado e depois a pessoa fazendo o sacrifício tinha que ser consagrada.

Quando essas condições tinha sido alcançadas, a pessoa fazendo a oferta poderia expressar a sua devoção continua com mais ofertas queimadas e ele também poderia fazer parte nos sacrifícios em comunhão aonde ele mesmo ganhava uma grande parte do animal morto para dividir com seus amigos (Deuteronômio 12:17-19).

11) ADORAÇÃO DA IGREJA:

Existiam duas reuniões:Festa do Amor “Ágape” em adoração e a reunião de oração, louvor e pregação.

O culto público era realizado conforme o Espírito movesse as pessoas, com orações, testemunhos e salmos, onde a adoração inspirada pelo Espírito era meio poderoso para atrair e evangelizar os não-convertidos (1 Co. 14:24,2 5).

O culto particular “partir do pão”(At.2:42) era refeição em comum entre os discípulos; ao pedirem a bênção de Deus sobre o alimento, se lembravam da última páscoa de Cristo e a ceia terminava em culto de adoração.

A vida e a adoração a Deus estavam muito ligadas naqueles dias).

Depois,as reuniões se separaram.

12)ORGANIZAÇAO DA IGREJA PRIMITIVA: Após o Pentecostes, os cultos eram nas casas e no Templo (At.2:46).

Não havia organização e o ensino era dado pelos apóstolos(At.2:46).

Quando a Igreja cresceu numericamente, houve a necessidade de organização para separar pessoas para o Ministério e para resolver problemas internos.

Apóstolos e anciãos presidiam as reuniões democráticas e as igrejas não eram unificadas em Ministérios denominacionais.

Não havia governo centralizado e cada igreja era autônoma e “livre” (mantinharn relações cooperativas umas com as outras-(Rm.15:26; 2Co.8:9; Gl.2:10; Rm.15:1; 3Jo.8).

Os 12 apóstolos eram respeitados e exerciam autoridade, como Paulo que não tinha nada “oficial”, mas puramente espiritual.

Nos séculos primitivos as igrejas locais, embora nunca lhes faltasse o sentimento de pertencerem a um só corpo, eram comunidades independentes e com governo próprio, se relacionando com comunhão fraternal por visitas de “delegados”, cartas, assistência e consagração de pastores.

Hoje, o mundo é diferente e a igreja precisa se organizar conforme as leis do país, mas precisa voltar à prática e ao sentimento cristão primitivo de ser corpo de Jesus Cristo.

SAIBAMOS QUE SOMOS MEMBROS DO CORPO ESPIRITUAL DE CRISTO,DONO DE SUA IGREJA.

13)MINISTÉRIOS DA IGREJA:

1) Desempenho de um serviço (At 7.53).

2) Exercício de um serviço religioso especial, como o dos levitas, sacerdotes, profetas e apóstolos (1Cr 6.32; 24.3; Zc 7.7; At 1.25).

3) Atividade desenvolvida por Jesus até a sua ascensão (Lc 3.23).

4) Cargo ou ofício de MINISTRO, conforme (2Co 6.3; 2Tm 4.5).

 

A) Ministério Geral e Profético:

a)Apóstolos:

Cada um dos 12 homens que Jesus escolheu para serem seus seguidores e para lançarem as bases da Igreja (Mt 10.2-4; Ef 2.20).

Apóstolo quer dizer “mensageiro”, isto é, aquele que é enviado para anunciar a mensagem de Deus.

Por anunciarem o evangelho, Paulo e alguns outros também foram chamados de apóstolos (1Co 15.9; At 14.14).

Receberam a comissão de Jesus (Mt.5:10;GI.1:1); viram Cristo após a ressurreição (At.1:22; 1Co.9:1);gozavam de inspiração especial (GI.1:11; 1Ts.2:13); exerciam administração na igreja (1 Co.5:3-6;2Co.10:8; Jo.20:22); levavam credenciais sobrenaturais (2 Co.12:12), cujo trabalho principal era estabelecer igrejas em campos novos (2 Co.10:16).

APOSTOLO = MISSIONÁRIO (At.14:14; Rm.16:7).

 

b)Profetas e Profetizas:

Profeta ou profetisa era um homem ou mulher escolhido por Deus para falar por Ele e relatar fatos no plano divino.

Quando Jesus ressuscitou o filho da viúva, os circunstantes responderam dizendo, “Grande profeta se levantou entre nós!” (Lucas 7:16; comparar com Marcos 6:15; 8:28).

No pensamento judeu, os acontecimentos religiosos mais claros encontram seu foco na chamada e ministério de um profeta.

Essa era a forma como Deus se comunicava com seu povo.

Quando responderam a Jesus, as pessoas estavam de fato mais certas do que imaginavam. Deus os visitara através dele.

Embora Jesus tenha sido mais do que um profeta, foi na verdade o clímax da ordem profética predita por Moisés (Deuteronômio 18:15-19).

Tinham o dom da expressão inspirada. Enquanto o apóstolo e o Evangelista levava a sua mensagem aos incrédulos (Gl.2:7,8), o ministério do profeta era particular aos cristãos.

Pessoa que profetiza, isto é, que anuncia a mensagem de Deus.

No AT, os profetas não eram intérpretes, mas sim porta-vozes da mensagem divina (Jr 27.4).

No NT, o profeta falava baseado na revelação do AT e no testemunho dos apóstolos, edificando e fortalecendo assim a comunidade cristã (At 13.1; 1Co 12.28-29; 14.3; Ef 4.11).

A mensagem anunciada pelo profeta hoje deve estar sempre de acordo com a revelação contida na Bíblia.

João Batista (Mt 14.5; Lc 1.76) e Jesus (Mt 21.11,46; Lc 7.16; 24.19; Jo 9.17) também foram chamados de profetas. Havia falsos profetas que mentiam, afirmando que as mensagens deles vinham de Deus (Dt 18.20; At 13.6-12; 1Jo 4.1).

c)Mestres:

Dotados de dons para exposição da Palavra.

1) Professor; instrutor (Sl 119.99; Mt 10.24).

2) Título de Jesus, que tinha autoridade ao ensinar (Mc 12.14).

3) Pessoa perita em alguma ciência ou arte (Êx 35.35).

4) Pessoa que se destaca em qualquer coisa (Pv 24.8; Ez 21.31).

5) Capitão (Jn 1.6).

B) Ministério Local e Prático:

Toda organização tem pelo menos uma pessoa que trabalha nos bastidores.

Esta é a função do diácono ou presbítero na igreja.

Eles trabalham nos bastidores servindo e ministrando às necessidades das pessoas.

Algumas igrejas indicam “presbíteros”, termo que descreve aqueles que exercem um papel de liderança similar dentro da igreja.

Diáconos e presbíteros podem estar ou não na liderança durante um culto dominical típico como um pastor ou ministro de adoração.

Entretanto, seu trabalho de bastidores, conduzindo os negócios da igreja e o trabalho de Cristo, é primordial.

 

a)Presbíteros ou Anciãos: presbuterov presbuteros – Lider da igreja.

Os presbíteros se dedicavam à direção das igrejas, ao ensino da doutrina cristã e à pregação do evangelho.

A palavra grega presbyteros quer dizer “ ANCIÃO “, mas era usada para os líderes cristãos sem referência à sua idade.

Nos tempos do NT os presbíteros também eram chamados de BISPOS (At 20.17,28; 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9).nomeado pela Igreja, com certas características (1Tm.3): (Bispos)-supervisores ou superintendentes sobre a igreja local, especialmente em relação ao cuidado pastoral e à disciplina – 1 Timóteo 3:2-7 e Tito 1:6-9 listam as qualidades que uma pessoa tinha que ter para se tornar um bispo, um oficial dentro da igreja.

A palavra grega que nos deu o título “bispo” e a palavra “episcopal”, é freqüentemente traduzida, nas bíblias modernas, como “ancião”, “capataz”, “pastor” ou “guardião”. Jesus é chamado de “Pastor e Bispo das vossas almas” (1 Pedro 2:25).

Um bispo, obviamente, tinha uma posição de autoridade, mas as tarefas de um bispo não são definidas com clareza no Novo Testamento. Um de seus trabalhos era combater a heresia (Tito 1:9) e ensinar e explicar as Escrituras (1 Timóteo 3:2).

Há também alguma evidência de que eles ajudavam a cuidar dos pobres, além de supervisionar a congregação.

As cartas de Paulo a Timóteo e a Tito indicam que um bispo era considerado um líder na congregação e uma pessoa que representava a igreja cristã a um mundo não cristão.

Dirigente da igreja cristã – Os bispos se dedicavam ao ensino da doutrina e à pregação do evangelho.

A palavra grega epíscopos, que é traduzida por “bispo”, quer dizer supervisor ou superintendente.

Nos tempos apostólicos, o bispo cuidava de uma igreja local e era também chamado de PRESBÍTERO (At 20.17-28; 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9; v. ANCIÃO).

Só mais tarde os bispos se tornaram responsáveis por um grupo de igrejas de determinada região.

O serviço do diácono diferia do serviço do presbítero.

Enquanto diáconos e diaconisas eram escolhidos por suas fortes características pessoais, os presbíteros obtinham sua posição por laços de família ou indicação.

Seguindo um padrão definido relacionado ao sistema tribal (Números 11: 16-17; Deuteronômio 29:10), o presbítero exercia funções de liderança e jurídica em razão de sua posição na família, clã ou tribo; ou em razão de sua personalidade, destreza, status ou influência; ou ainda por um processo de indicação e ordenação.

Os presbíteros tinham várias funções. Por exemplo: I Timóteo 5:17 fala de presbíteros que pregavam e ensinavam; Tiago 5:14 os mostra envolvidos num ministério de cura; I Pedro 5;2 os exorta a apascentar o rebanho.

Assim, os profetas e mestres que dirigiam a igreja de Antioquia (Atos 13:1-3) podem ter sido os presbíteros daquela comunidade.

O PRESBíTERO NA COMUNIDADE CRISTÃ

Segundo o relato de Lucas sobre a origem e expansão do Cristianismo, os presbíteros já estavam presentes na igreja de Jerusalém.

Em Atos, vemos os cristãos de Antioquia enviando mantimentos “aos presbíteros (das igrejas da Judéia) por intermédio de Barnabé e Saulo (11:30).

Em sua primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé “promoveram os discípulos em cada igreja” (Atos 14;23).

Mais tarde, foram enviados de Antioquia para Jerusalém “para os apóstolos e presbíteros” a fim de esclarecê-los sobre o assunto da circuncisão dos gentios cristãos (Atos 15:2) e “foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros” (Atos 15:4), que se reuniram para ouvir sobre o caso e resolver a questão (Atos 15:6-23).

Não se sabe quem eram e como foram escolhidos esses presbíteros. Mas certamente foram consideradas sua idade e proeminência lhes conferiu o privilégio de prestar serviço especial dentro de suas comunidades.

Parece que atuavam de maneira semelhante aos anciãos das comunidades judaicas e do Sinédrio (Atos 11:30; 15:2-6.22-23; 16:4; 21:18).

 

b) Pastores: As vezes, os presbíteros se chamavam pastores poimhn poimen – como guardador de gado (Gn 13.7).

2) Governante (Jr 3.15).

3) Deus (Sl 23.1) e Jesus (Jo 10.11).

4) Ministro da igreja (Hb 13.17, 1Pe 5.2).dom de cuidar do rebanho (Ef.4:11; At.20:28);

c) Evangelistas – Pastores-evangelistas – Pregador que vai de lugar em lugar anunciando a boa-nova de Jesus Cristo (At 21.8).

Deviam cuidar ou supervisionar (1Tm.3:1);presidir (1Tm.5:17); defender a sã doutrina (Tt.1:9); Qualificações (1Tm.3:8-10;12-13); Ordenação (1Tm.4:4; Tt.1:5).

Durante o primeiro século, cada comunidade cristã era governada por um grupo de anciãos ou bispos, diferente de hoje.

Mas, no início do terceiro século, homens foram colocados à frente.

 

b) Diáconos e Diaconisas-”Servos ou ajudantes”- diakonov diakonos(At.6:1-4; Fil.1:1) e (Rm.16:1; FiI.4:3)-Qualificações(1Tm.3:8-13)-Auxiliares dos presbíteros (At.6:1-6)-Oficialmente reconhecidos na igreja (Fil.1:1), cujo trabalho era visitar de casas e exercer ministério prático entre os pobres e necessitados (1Tm.5:8-11) e ajudando os anciãos na Ceia do Senhor.

Pessoa que ajudava nos trabalhos de administração da igreja e cuidava dos pobres, das viúvas e dos necessitados em geral.

O diácono também pregava o evangelho e ensinava a doutrina cristã (At 6.1-8; 1Tm 3.8-13).

 

OS DIÁCONOS NA IGREJA PRIMITIVA

O termo diácono vem do grego e significa servo ou ministro.

A palavra “diaconato” descreve o serviço do grupo de diáconos e diaconisas dentro de uma igreja.

VISÃO DO NOVO TESTAMENTO

Várias referências seculares dão a diácono o sentido de garçon, servo, administrador ou mensageiro.

Escritores bíblicos usam esta palavra para descrever vários ministérios e serviços.

Só bem mais tarde na igreja primitiva foi usado para indicar um grupo distinto de oficiais da igreja.

Entre seus usos comuns, diácono se refere a quem serve a refeição (João 2:5,9), servos do rei (Mateus 22:13), ministro de Satanás (II Coríntios 11:15), ministro de Deus (II Coríntios 6:4), ministro de Cristo (II Coríntios 11:23), ministro de Deus (Colossenses 1:24-25) e autoridade (Romanos 13:4).

O Novo Testamento apresenta o ministério do serviço como uma marca de toda a igreja, isto é, como uma conduta normal para todos os discípulos (Mateus 20: 26-28; Lucas 22: 26-27).

Os ensinamentos de Jesus no julgamento final equiparam esse ministério com: alimentar os famintos, acolher o próximo, vestir os que estão despidos, visitar os enfermos e encarcerados (Mateus 25: 31-46).

Todo o Novo Testamento enfatiza a compaixão pelas necessidades físicas e espirituais dos indivíduos bem como quanto nos devemos doar para satisfazer essas necessidades.

Deus nos capacita para o serviço com vários dons espirituais. Quando realizamos esse serviço, em última análise, ministramos ao próprio Cristo (Mateus 25:45).

ORIGEM

Alguns estudiosos da Bíblia estabelecem uma relação entre o “hazzan” da sinagoga judaica e o serviço cristão do diácono.

O “hazzan” abria e fechava as portas da sinagoga, mantinha-a limpa e distribuía os livros para leitura.

Jesus provavelmente passou o rolo do livro de Isaías para um diácono depois que acabou de lê-lo (Lucas 4:20).

Outros estudiosos do Novo Testamento dão atenção considerável à escolha dos sete (Atos 6:1-6); vêem aquele ato como um precursor histórico de uma estrutura mais desenvolvida (Filipenses 1:1; I Timóteo 3:8-13 – as duas referências específicas ao “ofício” de diácono).

Cada apóstolo já estava sobrecarregado com várias responsabilidades.

No entanto, os doze apóstolos propuseram uma divisão do trabalho para assegurar assistência às viúvas gregas na distribuição diária que a igreja fazia de alimento e donativos.

Sete homens de boa reputação, cheios do Espírito de Deus e de sabedoria (Atos 6:3), se destacaram na congregação de Jerusalém, praticando caridade e atendendo necessidades físicas.

Alguns lembram que o diaconato não devia ser relacionado somente a caridade, pois os diáconos eram pessoas de estatura espiritual.

Estêvão, por exemplo, “cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (Atos 6:8).

Filipe, apontado como um dos sete, “os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo” (Atos 8:12).

Filipe também batizava (Atos 6:38) e é mencionado como um evangelista (Atos 21:8).

Muitas igrejas provavelmente adotaram como modelo “os sete de Jerusalém” no seu quadro de diáconos.

Em I Timóteo 3:8-13 são dadas instruções sobre as qualificações da função de diácono, a maioria delas se relacionando ao caráter e comportamento pessoais.

Um diácono deveria falar a verdade, ser marido de uma só mulher, “não dado a muito vinho”, e um pai responsável. Alguns diáconos: Timóteo (I Tessalonicenses 3:2; I Timóteo 4:6), Tíquico (Colossenses 4:7), Epafras (Colossenses 1:7), Paulo (I Coríntios 3:5) e o próprio Cristo (Romanos 15:8).

A diaconia bíblica não se caracteriza por poder e proeminência mas por serviço ao próximo, por cuidados pastorais.

DIACONISAS:

As mulheres também exerciam a função de diaconisas.

Em Timóteo 3:11, lemos que elas deveriam ser “respeitáveis, não maldizentes, mas temperantes e fiéis em tudo”.

Por causa do grande número de mulheres convertidas (Atos 5:14; 17:4), as mulheres atuavam na área de visitação, instruíam sobre discipulado e assistiam no batismo.

Em Romanos 16:1-2, lemos que Paulo elogiou Febe por ser uma ajudadora no serviço da igreja de Cencréia.

Em Romanos 12:8 e I Timóteo 3:4-5 encontramos outras qualidades desejadas no diácono.

d)Obreiro: Todo cristão que realiza a obra de Deus; Trabalhador; operário (1Cr 4.21; 2Tm 2.15). 2) Pessoa que pratica ou planeja (Sl 14.4).

 

14) FIGURAS DA IGREJA:

a)Pastor e ovelhas (Jo.10);

b)Videira e ramos (Jo.15);

c)Pedra Angular e as pedras do edifício (Ef.2:19-21);

d)Sumo-sacerdote e reino de sacerdotes(1 Pe 2);

e)Ultimo Adão e a nova Criação (Rm.5);

f)Cabeça e corpo (1Co.12;

g) Noivo e noiva; marido e esposa (Ef.5;Ap.19);

Fim de sua Época: Arrebatamento-(2 Ts.2; Ap.3:10-q1;1Ts.1:10).

15) ESCATOLOGIA – A DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS:

(BREVE COMENTÁRIO) – Relacionando a Igreja e nossa vida como cristãos e o futuro:

A Paurosia ”2a.vinda de Jesus” é citada 300 vezes no Novo Testamento.

1)Sua vinda será:

a) Pessoal (Jo.14:3 At.1:10; 1 Ts.4:16; Ap.1:7; 22:7);

b)Literal:(At.1:10; 1 Ts.4:16; Ap.1:7; Zc.14:4);

c)Visível (Hb.9:28;Fil.3:20; Zc.12:10);

d) Gloriosa(Mt.16:27; 25:31; 2 Ts.1:7-9; Cl.3:4);

 

2)O tempo exato está oculto (Mt.24:;36-42;Mc. 13:21,22);

 

3)Tempo de sua vinda:

a)Servos de Jesus levarão sua obra (Lc.19:11-27);

b)Evangelho pregado a todas as nações (Mt.24:14);

c)Muitos duvidarão do seu retorno (Lc.18:1-8);

d)Muitos serão negligentes (Mt.25:1-11);

e)Haverá ministros infiéis (Lc.12:45);

 

4)Propósitos de sua vinda:

a)Igreja encontra o Senhor e crentes serão galardoados;

b)Depois de sete anos, restaurará IsraeI;

c)As nações serão julgadas.

AULA 15 – NOÇÕES DE DISCIPULADO E EVANGELISMO:

 

Um discípulo é alguém que segue uma outra pessoa ou um estilo de vida.

Um discípulo se submete a disciplina ou ensinamento do líder ou do estilo.

Na bíblia, o termo discípulo é quase sempre encontrado nos evangelhos e no livro de Atos.

No Velho Testamento as vezes a palavra é traduzida como “aprendeu” e “ensinou”.

Onde quer que tenha um professor e pessoas sendo ensinadas, há a idéia de discipulado está presente.

Nos evangelho, os seguidores mais íntimos de Cristo são chamados de discípulos.

Os doze foram chamados pela autoridade de Jesus em circunstâncias variadas.

No entanto, todos aqueles que aprovavam os seus ensinamentos e estavam engajados a ele eram são chamados de discípulos.

O chamado desses discípulos aconteceu numa época em que outros professores tinham os seus discípulos.

Os mais notáveis eram os fariseus (Marcos 2:18; Lucas 5:33) e João Batista (Mateus 9:14).

Discípulos são almas salvas regeneradas, transformadas peIo Espírito Santo, produtivos na Obra de Deus.

Pessoa que segue os ensinamentos de um mestre.

No NT se refere tanto aos APÓSTOLOS (Mt 10.1) como aos cristãos em geral (At 6.1).

 

NO ANTIGO TESTAMENTO:

* Nb bem -  como filhos;

* dwml limmuwd / dml limmud - ensinado, instruído, acostumado. (Is.8:16).

NO NOVO TESTAMENTO:

* mayhthv mathetes – aprendiz, pupilo, aluno, discípulo.

1) VOCÊ PRECISA SABER:

Amados irmãos e irmãs em Jesus Cnsto!

Parabéns pelo seu término de Curso e Início da Caminhada Cristã.Ministramos a vocês 14 aulas sobre os rudimentos bíblicos.

Verdades imprescindíveis para os que desejam fazer a vontade do Senhor Jesus de forma honesta e piedosa.

Esse curso é pré-requisito para o Evangelismo responsável e para participar do Batismo nas águas.

Os novos convertidos precisam ter uma idéia clara da Bíblia para voluntariamente se firmarem no Evangelho.

Não “ACEITEI A JESUS, ESTOU CONVERTIDO E SALVO”, que dáa idéia de perfeccionismo; o correto é CONFESSEI A JESUS, CRI NO CORAÇÃO, ESTOU ME CONVERTENDO E GUARDANDO A SALVAÇÃO QUE RECEBI PELA GRAÇA E ISSO, TODOS OS DIAS.

Deus tem um plano maravilhoso para nossas vidas, mas o pecado atrapalha.

Somente Jesus Cristo pelo Espírito Santo, através da Palavra nos capacita para o serviço de ministração divino e nos dá um novo nascimento que é uma mudança pessoal plena envolvendo a nova realidade espiritual que em nós processa.
2) QUE É SER DISCÍPULO DE CRISTO:

Não basta apenas se converter a Cristo, mas amadurecer no Evangelho através de uma nutrição espiritual fortificando as almas.

Um discípulo (seguidor) maduro tem de ensinar a outros crentes como viver uma vida que agrade a Deus, equipando-os a treinar outros para que ensinem a outros, afinal, ninguém é um fim em si mesmo.

Deus escolhe um método sólido e eficaz para edificar o seu Reino.

A sua Igreja é um movimento dinâmico, em que o discipulado é o único meio de se produzir tanto a qualidade como a quantidade de crentes que Deus deseja.

Discípulo é aquele que tem um caráter semelhante ao de Cristo em evidência que morreu para si mesmo, fato mais importante que nossas capacidades e habilidades.

 
3) COMO SER DISCIPULO DE CRISTO:

Precisamos conhecer a Palavra de Deus, no compromisso de querer obedecer, estudando fielmente e procurando exercer a nossa vontade na obediência à Palavra de Deus.

Cristo Reina hoje, através de autoridades delegadas da Igreja que precisam ser obedecidas em submissão, porque usam sua autoridade para nos servir.

Nossa atitude deve ser confiar em Deus, perdoando e aceitando o perdão de Jesus, vivendo em comunidade, afinal, Deus usa pessoas de espírito quebrantado, com corações humildes, desinteressados em promoções pessoais, gloriando-se somente na cruz de Cristo.

Esse caráter é formado pela comunicação com Deus, não em superficialidade, mas em intimidade, para tanto, precisamos estar dispostos a ouvir atentamente, com coerência e honestidade, afinal, isso é essencial para o Cristão.

 
4) REQUISITOS PARA SER DISCIPULO DE CRISTO:

Se você é sincero na multiplicação espiritual de sua igreja, querendo assumir um compromisso na morte de seu “eu”, comprometido a conduzir novos crentes à maturidade.

Deus se responsabilizará pelos novos crentes sobre os quais Ele nos colocará como supervisores.

Tenha um alto padrão espiritual desejando conhecer intimamente a Deus; procure ser uma pessoa disponível a ajudar os outros; seja submisso às autoridades, fiel a Deus, à Doutrina e às finanças da lgreja procure fazer discípulos, sem receio de orientar os outros pelo que você já sabe; ore diligentemente a Deus que lhe mostrará o que fazer.

Pelo Espírito Santo, procure selecionar com cuidado as pessoas que você vai ajudar espiritualmente, mas não esqueça de antes, treinar esta pessoa na Palavra de Deus, orientando de perto, tomando a iniciativa de fazer o convite ao Estudo, explicando o relacionamento espiritual que deseja realizar.

Comunique a visão do projeto, que é o ensino da Palavra em grupos ou individual, se for o caso, mas deixe a pessoa decidir se quer ser ensinada, sem força ou coação; deixe-a à vontade.

 
5) COMO O DISCIPULO DEVE SER RELACIONAR:

Seja amoroso, com calor humano, com lealdade a Deus e à pessoa para não fofocar ou espalhar segredos, agindo com maturidade, sem deixar de dar exortações, conselhos quando necessário, afinal, o amigo verdadeiro corrige o errado.

Tenha disponibilidade, paciência para lidar com os problemas dos outros, sendo honesto no aconselhamento e sempre motivando a pessoa a prosseguir na jornada da fé.

Nesse relacionamento, o propósito principal é a adoração a Deus em atitude de respeito, temor e amor.

Procure memorizar a escritura, meditando em seus versículos, ensinando a pessoa a pensar sobre o que você já sabe, mas sem orgulho ou exaltação pessoal.

O processo de tomada de atitudes envolve alternativas viáveis de resolução, aplicação de versículos específicos ao caso, implicações de atos tomados e conselhos de líderes mais experientes.

Devemos corrigir nossas fraquezas, orando juntos, estudando a Bíblia e aplicando de forma prática.

Convêm salientar que sempre é melhor orientar uma pessoa do mesmo sexo, evitando uma brecha para o infortúnio ou queda, afinal, a carne é fraca e Jesus nos manda fugir do que pode ser motivo de queda.

“Somos responsáveis pelos que nós cativamos”, assim dizia Exúpery de “o Pequeno Príncipe”.

Que a nossa Palavra seja acompanhada de atos verdadeiros e autênticos, numa conduta de amor e de fé e pureza no modelo do Mestre.

Não sejamos presunçosos de querer saber tudo, mas devemos ser claros e inspirarmos confiança, mas sempre despertando a responsabilidade pessoal de cada cristão para com a Obra de Deus.

6) COMO O DISCÍPULO DEVE AGIR NA EVANGELIZAÇÃO:

a) Quando visitar pessoas, evite fazer muitas perguntas pessoais ou agredir o motivo da fé da pessoa, mesmo estando errado; lembre-se de que você também desconhecia o Evangelho;não penses que sabes tudo; sem o Espírito Santo, nada acontece.

b) Dê seu testemunho com convicção da Palavra, com verdadeiro interesse na pessoa, não falando de reunião, mas de Jesus Cnsto.

Se possível, ore antes, jejue e peça os dons da sabedoria, discernimento, ciência e da Ministração da Palavra.

c) Se for o caso, dê apenas o endereço da Igreja e não o seu endereço pessoal e sempre procure falar com a pessoa em conjunto com um outro irmão ou irmã da Equipe de Evangelismo.

d) Que cada pessoa visite alguém do seu mesmo sexo, aconselhando com cuidado, prudência e equilíbrio para não ser fanático ou legalista; evite usar novos convertidos que não tenham conhecimentos bíblicos para não serem confundidos.

e) Esteja atento aos srnaisde perigo do lugar não sendo iisistente para a pessoa “aceitara lesus na marra”, pois isso não é tudo; é apenas o começo, pois não adianta forçar alguém a dizer sim para satisfazer o ego de quem evangeliza e esquecer a alma depois.

f) Procure usar linguagem clara, sem palavrões, gírias ou apelidos; seja seguro, não fazendo promessas, sempre atualizando o Evangelho com o dia-a-dia da realidade da pessoa visitada.

g) Seja paciente com auto-controle, estando fisicamente e espiritualmente saudável, com humor estável, submisso aos horários, controlando a língua para falar para edificação e não acusação às igrejas ou a terceiros.

h) Seja flexível com o temperamento das pessoas pois existem (mecanismos de defesa para reagir a conversas não desejadas).

* Negação (inconscientemente se nega para proteger-se do sofrimento;

* Transferência (inconscientemente transfere seu problema ou insatisfação para o conjuge, filhos, etc…);

* Projeção (fazer uma falsa realidade mental contra quem não se aceita);

* Racionalização (Tentativa de arranjar explicação justificativa para males feitos);

* Repressão (Procurar considerar algo desagradável como nunca ocorrido);

* ”Conversão”: Diferente da Cristã, transforma insatisfação em sintoma ou queixa de doença, após frustração ou ansiedade.

i) Tenha boa aparência pessoal e não use roupas indecentes ou sensuais para não despertar o olhar cobiçoso do ouvinte; se notar que o olhar dele ou dela te causa inquietação carnal, encerre a conversa, afinal, setas malignas estão te atingindo por alguma brecha na tua espiritualidade.

j) Respeite as opiniões e os direitos dos outros, ouvindo com empatia, mas evitando entrar na intimidade da pessoa, tendo amor e sabendo ouvir.

k) Procure anotar nome, endereço, telefone, marcação de fatura visita a pedido do visitado, acontecimentos e dê ao líder do setor do Evangelismo e/ou pastor de sua igreja.

l) Nunca se exponha, falando de sua intimidade, pois não conhece a pessoa que está ouvindo sua conversa.

m) Quando for aconselhar, saiba que as áreas que mais afetam as vidas são:

a)vida pessoal (Lc.9:23);

b)futuro(Mt.6:31-34);

c)dinheiro(Cl.3:1);

d)Casamento(1Co.7:3,4);

e)Filhos(Sl.127:3).

n) Quando for lidar com pessoas em crise, observe:

a)Ansiedade:Estabeleça compa-rações, abordando sentimento de culpa, traumas de infância ou fracasso de algum ideal, procurando remover causas referentes ao 1° dia de trabalho, viagem ou nova realidade social como casamento. (Mt.6:25-34;Sl.37:5;Pv.24:10; Rm.14:23; Ef.6:10; 1Pe.5:7);

b) Baixa Estima-referente ao nosso retrato mental da alma;fale de sua importância para Deus e a morte de Jesus pela vida (Pv. 23:7; Gn. 1:26,27; Rm.8:16);

c) Depressão-prisão da mente em frustração, sentimento de perda ou traição pessoal. Fale firmente da Palavra de Deus, enfrentando os pensamentos contrários, resistindo em nome de Jesus, exortando a pessoa a não se isolar, a cuidar-se, a definir objetivos úteis sociais e a orara Deus (Hb.11:1;Sl.37:5;Tg.4:7; Fp.4:8; 1Co.3:16; 1Ts.5:17);

d)Culpa-Envolve problemas psicológicos e íntimos de remorso ou auto-condenação; Cuidado no uso do Eu e Tu pois a pessoa pode se sentir ofendida ou com complexo de inferioridade e partir para agressão.

Ouça-a com amor de Deus, procurando promover seu alto sentimento em Deus, fale especificamente sobre seu problema, sem radicalismos ou preconceitos, na Palavra de Deus.

Utilize um pouco do que aprendeu de psicologia, aplicando a Palavra com humildade, não colocando em Deus somente a resposta de tudo pois Deus faz o que não podemos fazer.

Seja amável, compreensivo, sincero, pedindo sabedoria ao Espírito Santo, testemunhando de si com mansidão e temor.
7) LEMBRETES AOS PROFESSORES/MINISTRADORES DO CURSO DE DISCIPULADO CRISTÃO:

Nunca pense que sabe tudo a respeito do Evangelho; Frequente e convide pessoas à Escola Dominical de sua Igreja;

Nunca seja exclusivista de dizer que somente sua igreja é a certa; seja humilde e não provocativo;

Nunca espere bons resultados no início de sua caminhada; dê de graça como recebestes de graça.

 

AO ENSINAR A PALAVRA DE DEUS NUMA SALA DE AULA:(MÁXIMO 1H30min.)

a) Ore antes e Incite perguntas;

b) Transforme a vontade do aluno em conversar em instrumento de aprendizagem pela exposição do tema à turma;

c) Seja assíduo e pontual;

d) Estruture sua aula antes de ministra-la;

e) Seja interessado para com o aluno;

f) Seja calmo e sereno;

g) Tenha bom humor mas seja moderado;

h) FaIe de modo a ser entendido pelo aluno;

i) Tenha auto-estima com autoridade;

j) Aceite as diferenças pessoais;

k) Seja um ótimo ouvinte, remindo o tempo;

l) Se coloque no lugar do aluno;

m) Compreenda as idéias dos outros; m)deixe os alunos falarem o que pensam;

n) Seja rápido, mas não apressado;

o) Conclua a aula de maneira amistosa, sem dúvidas;

p) Cobre colaboração de todos, sem ensaiar demais o improviso;

q) Nunca se compare com outros professores;

r) Cumpra suas promessas;

s) Cuidado com os gestos e palavras;

t) Seja bem-apresentado;

u) Seja humilde;

v) Mantenha-se atualizado;

x) Explique o projeto a eles;

z) Somente dê apostila específica na aula: evite dar logo todo o material:se deres, eles perdem interesse e curiosidade.

 

8) NOÇÕES SOBRE ÉTICA CRISTÃ:

O comportamento cristão deve ser um referencial para a sociedade.

No mundo, os valores morais divinos serão gravados na mente das pessoas pela Palavra de Deus, pois o pecado e os vícios fazem os homens terem condutas impróprias e errôneas.

A etica Cristã se fundamenta nos ensinos de Cristo (2 Co.5:15;Ef.2:10; Ec.12:13).

A REFLEXÃO DE NOSSOS ATOS NOS APRIMORA E DESENVOLVE!

 

a) Aspecto que nos valoriza:Nosso exemplo pessoal:

Atitudes falam mais que muitas palavras.

Quando nosso comportamento não condiz com o que falamos, perdemos a credibilidade e nosso testemunho se torna infiel.

Quando a nossa vida é exposta ao público, os rastros de nossas ações terão número cada vez maior de seguidores que simplesmente copiarão o nosso modelo pela força do exemplo.

b) Quanto aos mandamentos (Decágono): Os dez mandamentos não foram abolidos com a chegada do Evangelho.

Os princípios espirituais e morais da lei integram às leis do Reino de Jesus, expostas no Sermão do Monte.

Os antigos cumpriam os mandamentos e estatutos em Israel de modo formal e frio.

Jesus deu aos mandamentos um sentimento muito mais elevado, aprofundado e ampliando o seu entendimento, tornando-os instrumento de justiça, bondade e amor de Deus (Mt.5:17-21). Lembremos que Jesus veio cumprir toda a Lei e não a abolir.

c) Guerras-(Ex.15:3; Nm.31:3) Atividade normal nos tempos do AT (2Sm 11.1).

Os inimigos dos israelitas eram considerados inimigos de Deus (1Sm 30.26).

Deus era representado como guerreiro, combatendo em favor de Israel (Êx 15.3; Sl 24.8; Is 42.13) ou usando a guerra para castigar Israel (Is 5.26-30; Jr 5.15-17) e outras nações (Is 13; Jr 46.1-10).

Mas Isaías também profetizou uma era de paz (Is 2.1-5; 65.16-25).

Nos tempos apostólicos, quando os romanos dominavam Israel, a linguagem da guerra só aparece em METÁFORAS (Ef 6.11-17) e para descrever a batalha do fim dos tempos (Ap 20.7-10).

O cristão tem dupla cidadania; terrena e celestial, devendo cumprir seus deveres para com o Estado.

Estamos na dispensação da graça e o cristianismo é pacífico, mas temos um compromisso com as leis do governo onde vivemos. (Rm.13:1-7; 1Tm.2:2; Tt.3:1; e 1Pe2:13-14).

Além disso, temos o direito de nos defendermos porque isso é justo diante de Deus.

Se as leis forem injustas, prevalece a Palavra de Deus, acima da Constituição (Dt.17:18-20 e At.4:19-20).

Se o cristão é militar, deve militar contra o narcotráfico, crime organizado, potência agressora,injustiças.

Não se trata de fazer guerras particulares, mas ir contra o que pode atacar e querer destruir a igreja e a família.

Somente a morte não pretendida poderia ser expiada no Antigo Testamento e no Novo não traria culpa ao aqressor.

A lei da semeadura é real.

d) Aborto:  A vida no útero materno (Jeremias 1:1-5): Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constitui profeta às nações.

AS PESSOAS TÊM VALOR MESMO ANTES DE NASCEREM.

Deus lhe conheceu, como conheceu a Jeremias, muito antes de você nascer ou ser concebido.

Ele lhe conheceu, pensou a seu respeito, fez planos para você.

Quando você se sentir desencorajado ou inadequado, lembre-se que Deus sempre o considerou valioso e sempre teve um propósito para você. (Sl.139:1-24 – Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste.

DEUS OBRA NA VIDA DAS PESSOAS AINDA DENTRO DO ÚTERO.

O caráter de Deus participa na criação de cada pessoa.

Quando você se sente sem valor, ou começa a se odiar, lembre-se que o Espírito de Deus está pronto e disposto a obrar em você.

Deus pensa em você constantemente (Salmo 139:1-4). Devemos nos respeitar tanto quanto o Criador nos respeita.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DO ABORTO HOJE? Vidas (2 Crônicas 28:1-8-Tinha Acaz vinte anos de idade, quando começou a reinar,e reinou dezesseis anos em Jerusalém; e não fez o que era reto perante o Senhor, como Davi seu pai (2 Crônicas 28:1).

O ABORTO É UM PECADO CONTRA DEUS.

Tente imaginar a monstruosidade de uma religião que oferece criancinhas como sacrifícios.

Deus permitiu que Judá sofresse pesados danos como conseqüência das maldades de Acaz. Esta prática perdura até os dias atuais.

O sacrifício de crianças aos duros deuses da conveniência, economia e desejos fugazes continua em clínicas esterilizadas em quantidades que assombrariam ao próprio Acaz.

Se queremos permitir que crianças se aproximem de Jesus, precisamos primeiro permitir que venham ao mundo.

Diante do valor da vida humana concedida por Deus no ventre materno, o aborto provocado é crime praticado contra uma vida inocente e indefesa.

O movimento feminista prega a mulher usar o corpo como dela, mas seu corpo é de Deus, que a criou.

Existem muitos casos em que a sociedade alega razões sem respaldo bíblico.

Com exceção do caso em que a vida não é totalmente desenvolvida do bebê, como os anencéfalos (sem cérebro), constituindo uma grande ameaça (morte) para a vida plenamente desenvolvida da mãe, tudo possível ao Deus de milagres, não há motivo justificável na Bíblia.(Ex.21:22;Jó.3:16;Sl.139:13).

Quem não tiver umbigo, que se habilite.

e) Planejamento Familiar-Ter ou não filhos, não é questão meramente biológica, mas que envolve fé, amor e obediência aos princípios de Deus para a família.

Filhos são bênçãos do Senhor (SI.127:3-5;128:3,4) e não devem ser evitados por razões egoísticas e utilitaristas.

A limitação de filhos por vaidade é pecado; contudo, dependendo da vontade de Deus, a possibilidade do cuidado com os filhos(1Tm.5:8) deve ser observado.

Ser irresponsável é ignorância e precisamos reter o bem (1Ts.5:21).

O potencial do casamento é a paternidade que deve ser observada(responsável).

Para usar o controle hormonal em problemas nos ovários à controle médico, medicação especializada deve ser consultada. OREM.

 

f) Sexualidade: Deus diferenciou macho e fêmea para seus propósitos e a sexualidade era normal.

A estrutura fisica-emocional e instinto sexual para a reprodução é propósito de Deus no casamento.

O sexo foi feito por Deus, mas a intimidade e interação sexual é privativa dos casados.

A satisfação amorosa é incentivada.

A lua-de-mel no A.T. durava 1 ano(Dt.24:5). O sexo deve ser exclusivo, monogâmico, alegre, natural e santo(sem aberrações ou bestialidades,etc.).

O relacionamento envolve também a Deus que o ordenou; não é algo apenas biológico ou psicológico.

Fornicação (envolve solteiros-Ap.21:8;Gl.5:19; 1Co.6:18)

Adúlteros (casados-Mt.5:27;Mc.10:9;Rm.13:9;Pv.5:1-5);

Prostituição (práticas pecaminosas sexuais – Dt.23;17; Pv.7:4-10; 1Co.6:15-18);

HomossexuaIismo (envolvendo pessoas de mesmo sexo-Lv.20:13; 18:22; Dt.23:17,18; Gn.19:5; Dt.23:17;1Co.6:9,10);

Masturbação(pecado por contrariar plano de Deus, egoísta e fantasioso)-não serão salvos se continuarem com a falta de santidade (Gn.38:9).

 

g) Divórcio: O divórcio primordialmente não tem aprovação de Deus, sendo apenas permitido em casos extremos. (Os.5:1-7).

No A.T., o divórcio poderia ser pedido por motivos banais, a não ser por causa de virgem deflorada e mulher falsamente acusada de traição.

O propósito da criação de dois sexos é a solidariedade, estabilidade e felicidade da raça humana, sendo os dois, uma só carne.

Mas há casos, em que a convivência se torna uma verdadeira escravidão.

Não deve partir do fiel a iniciativa da separação, mas se o cônjuge quiser, será feito.

Somente pela infidelidade conjugal (sexual e moraI, prostituição e adultério, é que o divórcio é aplicado, quando há grande desarmonia sem possibilidade de reconciliar.

Cada caso é específico e não adianta estar”casado”sem amor.

h) Pena de Morte: Todos morremos; a vida é um dom divino que somente a Ele cabe conceder ou suprimir, sem que se configure crime.(Gn.20:13;Ex.21:12-16;Mt.5:17-22;Rm.13:1-4)

No tempo de Noé a pena de morte foi vista como forma de frear a violência da civilização, mas na lei de Moisés ela foi regulamentada e ampliada.

Nos Evangelhos, não houve suavização, tanto que Jesus se submeteu a ela, cumprindo toda a Lei.

Na frase”não matarás”,no original, trata-se de uma morte premeditada,deliberada, proposital e dolorosa.

Na Bíblia ela é tratada (Mt. 5:21 ,22).Jesus ministrava ensinos de amor, justiça e paz como regra geral para seus seguidores.

Ananias e Safira morreram pela aplicação da Pena Capital por Deus.

Nas epístolas, quem resiste à autoridade, poderá morrer(Rm.13:1-4;Ec.8:11 ;ls.26:9-10).

No princípio não existia argumento bíblico contra pena de morte ,aplicada em crimes sexuais,violentos e barbárie,mas existiam penas alternativas.

Em casos extremos ela poderia ser moralmente permitida, mas não é ideal de Jesus Cristo.

Nossa justiça deve ser temperada de amor; o ladrão da pena de morte, no fim de sua vida, se converteu e jesus o salvou na cruz, loevando-o ao paraíso. (é preferível a prisão perpétua.)

i) Eutanásia/Suicídio-O término da vida provocado pelo homem deve basear-se nas Escrituras.(1Sm.2:6; Jó:2:7-10; Pv.31:6) – A concessão da vida é de seu proprietário(Deus).

Não é de competência do homem decidir o momento da vida ser extinta.

O conceito da misericórdia dado à Eutanásia é equivocado porque implica em prestar socorro até o fim. Desistir da vida é não crer nos valores eternos.

O suicídio é condenado porque é assassinato de um ser à imagem de Deus (Gn.1:17; Ex.20:1 3;Jo.10:10): devemos nos amar (Mt.22:39;Ef.5:29); é falta de confiar em Deus(Rm.8:38-39); devemos lançar em Deus e não na morte, nossa confiança (1Jo.1:7 e 1 Pe.5:7). Nosso corpo é propriedade de Deus.

j) Doação de Órgãos-(Mt.7:12;Lc.6:38;At.20:35;1 Co.1 5:35-42;At.20:35)

A doação de órgãos é um ato de amor e de solidariedade;o cristão deve estar sempre atento para a sua consciência,em parâmetros bíblicos para andar na reta justiça.

Muitos argumentam receio de comercialização, discriminação social, integridade do corpo, esperança de milagre ou preocupação com a ressurreição para não doarem.

Doação de órgãos em vida, como no caso de transfusão de sangue ou transplante de rins não deve ser objeto de reprovação, com ressalvas à consciência.

No caso de órgãos de falecidos, deve-se respeitar sua vontade e à da família. Na ressurreição não há problemas-corpo é glorioso(Fp.3:21).

Deus pode distinguir e manter separados dos outros corpos as partículas do pó de cada pessoa,sem mistura.(Ez.37:7-10).

k) Finanças-(1 Cr.29:12-14; 1Tm.6:9-10)-O cristão, como filho de Deus, recebe coisas, inclusive o dinheiro, que deve ser utilizado de maneira correta, sensata e temente a Deus para a Glória de seu nome. Temos que ser equilibrados, ganhando com práticas honestas e fugindo das práticas ilícitas.

E lícito desfrutarmos dos benefícios que o dinheiro traz, mas não apegarmos à cobiça a qualquer custo para conseguir dinheiro.

Podemos usar o dinheiro para dízimos, ofertas, no lar, no trabalho e em lazer.

Evitemos dívidas fora do alcance, procurando comprar à vista, fugindo dos fiadores, pagando impostos e pagando justo salários como patrões.

Avareza é idolatria; não se pode”comprar a Deus”com o dízimo.

Além disso, deve-se haver economia doméstica, com liberdade moral e responsável, evitando conflitos, pois o dinheiro é de uso do casal.

l) Vícios-(Pv.23:31-32:Is.5:11,12:28:1-7)-Os vícios não transformam, levando à compulsão e ilusão, perdendo o senso da responsabilidade.

m) Política-(Rm.8:17;Hb.11:13;Pv.28:12,28)-Como cidadãos do Céu, temos o representante legítimo, o Espírito Santo.

O aprisco do Senhor não é curral eleitoral. Como cidadãos da terra, precisamos influir nos destinos da nação.

A política exerce influência em todas as áreas da vida; mesmo que o crente não seja militante, deve se informar, orar pelos eleitos e exercer sua cidadania, consciente de seus direitos e deveres.

Devemos votar, mostrando a diferença como sal e luz (Mt.5:13,14), orando antes(Rm.14:23);não vendendo o voto, preferindo candidatos cristãos(com perfil do Reino), tendo exemplo de políticos sábios, como Daniel, José do Egito, Neemias.

Mas há maus evangélicos.

O Púlpito não deve ser usado para comício.

A igreja (lnstituição) não pode se envolver.

A política divide as pessoas.

Precisamos combatera impiedade de projetos de leis de homens malignos. (Haja discernimento.)

9) UMA CARTA FINAL PARA VOCÊ ENTENDERO SENTIDO DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO:

Jesus pregava reino de cura (Mt.4:23 e Mt. 9:35)
O Evangelho de cura e ressurreição (Mt.11:5)

sendo pregado no mundo para testemunho (Mt.24:14)

mas João Batista foi preso por pregá-lo. (Mc.1:14)
Necessita de fé e arrependimento (Mc.1:15)

e quem negar-se por Jesus e Evangelho, se salva (Mc.8:35)
O Amor deve ser maior que à família. (Mc.10:29)

 fomos mandados ir e pregar evangelho (Mc.16:15)
Espírito Santo nos unge para evangelizar (Lc.4:18)

 como Jesus e os doze discípulos pregavam. (Lc.8:1)
Muitos judeus desafiavam Jesus (Lc.20:1)

 mas nossa vida deve ser vivida para Deus (At.20:24)
Não devemos nos envergonhar do Evangelho (Rm.1:16)

pois um dia, Deus julgará os homens (Rm.2:16)
Pregamos,mas nem todos obedecem. (Rm.10:15-16)

judeus serão chamados à salvação (Rm.11:27-28)
Temos que ser agradáveis aos outros (Rm.15:16)

e o Espírito Santo fará sinais e prodígios (Rm.15:19)
Temos que nos esforçar no evangelho (Rm.15:20)

 e seremos abençoados no Evangelho (Rm.15:29)
Cristo nos revelará seus mistérios (Rm.16:25)

O Evangelho é real e não apenas palavras (1 Co.1:17)
Cristo nasce em nós,no evangelho (1 Co.4:15)

 e Deus cobrará dos que não anunciam. (1 Co.9:16)
Não podemos abusar do evangelho (1 Co.9:18)

 e quem não conhece, está perdido (2 Co.4:2)
Os incrédulos são cegos pelo diabo (2 Co.4:3)

 os irmãos louvam em várias igrejas (2 Co.8:18)
A Prova de nossa submissão é o dar-se, (2 Co.9:13)

 agindo até os nossos limites (2 Co.10:14)

 em lugares que outros não foram. (2 Co.10:16)
Somente o Jesus da Bíblia (2 Co.11:4)

deve ser anunciado de graça (2 Co.11:7)
não mudado depressa para outro evangelho (Gl.1:7);

mesmo anunciado por um anjo ou espírito (Gl.1:8-9)

 O Evangelho não é criação de homens (Gl.1:11)
pois fomos revelados (Gl.2:2)
permanecemos na verdade (Gl.2:5)
que Deus justifica pela fé aos homens (Gl.3:8)

 Mesmo com nossas fraquezas, (Gl. 4:13)
ouvimos, cremos e receberemos o E.Santo (Ef.1:13)

 onde Deus nos traz a sua Paz (Ef.2:17)
Somos participantes da promessa (Ef.3:6)
como santos nas riquezas (Ef.3:8)
sendo sacerdotes nas igrejas (Ef.4:11)
preparados para falar dessa paz. (Ef.6:15)

Abrimos a boca e falamos mistérios (Ef.6:19)
cooperando desde o início até agora (Fp.1:5)
amando os outros no coração (Fp.1:7)
onde tudo coopera para o proveito (Fp.1:12)

 Por amor, defendemos o evangelho (Fp. 1:17)

animados e dignos de ânimo e fé (Fp.1:27)
com experiência, como filhos ao Pai (Fp.2:22)

 Homens/mulheres escritos no livro da vida(Fp.4:3)
têm esta esperança nos céus (Cl.1:5)
ficando firmes na fé (Cl.1:23)
no evangelho de poder e muita certeza, (1 Ts.1:5)

 Combatemos erros, mesmo sofrendo (1 Ts. 2:2)
agradando somente a Deus (1 Ts.2:4)
comunicando com alegria (1 Ts. 2:8)
não sendo pesado a ninguém. (1 Ts.2:9)

 Confortamos as pessoas na fé (1 Ts.3:2)
avisando aos desobedientes (2 Ts.1:8)
que para alcançar a glória de Deus (2 Ts. 2:14)
e ser bem-aventurado, confiando. (1 Tm.1:11)

 Não devo me envergonhar de Jesus (2 Tm.1:8)
pois Ele venceu a morte e deu vida (2 Tm.1:10)

 ressuscitando, conforme o evangelho. (2 Tm. 2:8)
Temos que cumprir a obra de Jesus (2 Tm. 4:5)
querendo e servindo (Fm.1:3)
pois nos foi revelado e não aos anjos (1 Pe.1:12)
sabendo que o evangelho é eterno. (1 Pe.1:25)
Éramos mortos e recebemos apalavra, (1 Pe.4:6)
pois breve os desobedientes serão julgados (1 Pe. 4:17)

 quando o juízo de Deus chegar. (Ap.14:6-7)
Jesus amou o moço rico (Mc.10:21)
enviado por Deus que amou o mundo (Jo. 3:16)

e amou os seus até o fim na cruz. (Jo.13:1)
Disse que amava os seus como o Pai (Jo.15:9)

 que ama o que crer em Cristo (Jo.16:27)
fazendo-nos mais que vencedores (Rm.8:37)
Sejamos “crucificados” em amor (Gl.2:20)

neste Deus riquíssimo de misericórdia (Ef.2:4)
andando em suave amor como Jesus (Ef.5:2).
Jesus nos elege para a salvação;(2 Ts.2:13)

 e nos deu boa esperança de graça (2 Ts.2:16)
Deus corrige o que ama e quer bem (Hb.12:6)
e Ele mandou Jesus morrer por nós. (1 Jo.4:10)
nos exige que nos amemos uns aos outros (1 Jo.4:11)
pois nos amou primeiro, antes que nós (1 Jo.4:19)

 Jesus:fiel testemunha e primogênito (Ap.1:5)
quer que sejamos zelosos e arrependidos (Ap. 3:19)
Deus tem algo preparado para nossas vidas (Mt. 3:3)

 tendo que ser batizados e beber seu cálice (Mt. 20:23)
dignos de sua boda (nupcias) com a igreja (Mt. 22:8)
Tenhamos a unção da luz em nossas vidas (Mt.25:10)

para possuirmos a nossa herança preparada (Mt.25:34)
cujos desobedientes malditos não receberão (Mt.25:41)

Jesus se preparou para morrer, ungido (Mt.26:12)
e antes, preparou a páscoa com os discípulos (Mt. 26:17)

 depois, sendo acusado pelos religiosos (Mt.27:62)
Deus pedirá nossa alma a qualquer tempo (Lc.12:20)

 pois tudo já está preparado para a festa (Lc.14:1)
e o Senhor nos foi preparar lugar (Jo.14:2)
Ele virá brevemente para nos buscar para si (Jo.14:3)
pois é o nosso rei e rei dos judeus, também. (Jo.19:4)
mas o crucificaram com 2 ladrões no sábado. (Jo. 19:31)
jesus foi sepultado,mas ressuscitou. (Jo. 19:42).
Pedro entendeu que ninguém é indigno (At.10:10)

 mas Deus suporta os que o rejeitam, ainda. (Rm.9:22)

 glorificando mais tarde, os obedientes. (Rm. 9:23)
Deus nos preparou o que não conhecemos (1 Co.2:9)

mas temos que nos preparar para a batalha (1 Co. 14:8)

 preparados pelo Espírito Santo que nos rege. (2 Co.5:5)
Somos como uma virgem pura para Cristo (2 Co.11:2)

 criados por Jesus para praticarmos boas obras (Ef.2:10)

 santificados, purificados e idôneos para Deus (2 Tm.2:21)
Assim, nos sujeitemos aos líderes e mestres (Tito 3:1)

 orando sempre em união conjunta (Fm.1:22)

 como a tenda de Deus no Antigo Testamento (Hb.9:22)
Esses sacrifícios eram preparados para Deus (Hb.9:6)

 mas Deus não quer mais sacrifícios de animais (Hb.10:5)

 mas preparou a arca, Jesus, de Salvação e fé (Heb.11:7)
O Senhor preparou uma cidade celestial (Hb. 11:16)
essa é a razão da esperança que há em nós (1 Pe.3: 15)
mas os que forem rebeldes não se salvarão. (1 Pe.3:20)
pois todos os mortos serão julgados (1 Pe.4:5)

 Jesus nasceu para nos salvar dos pecados (Mt. 1:21)
mas precisamos confessar e sermos batizados (Mt.3:6)
para que nossos pecados sejam perdoados (Mt. 9:2)
pois o mais fácil é Jesus nos perdoar (Mt.9:5)

 Ele chama pecadores ao arrependimento (Mt.9:13)
seu sangue derramado nos redime dos pecados (Mt.26:28)

 mas não podemos nos envergonhar dEle (Mc.8:38)
Jesus morreu e ressuscitou ao terceiro dia (Lc.24:7)
seu nome se prega o perdão e arrependimento (Lc.24:4)
como Cordeiro de Deus que tira o pecado (Jo. 1:29)
e quem não crer, morrerá nos pecados (Jo. 8:24)

 Quem ouve o Evangelho, não tem desculpas (Jo.15:22)
O Espírito Santo convence do pecado,justiça e juizo (Jo.16:8)
e quem se converte o pecado é perdoado (At.3:19)
pois ninguém é justo pelas obras praticadas. (Rm.3:20)

 Devemos”morrer”para o pecado (Rm.6:11)
obedecer à doutrina que nos foi dada a saber (Rm.6: 1 )
pois o salário do pecado é morte para almas (Rm.6:23)
e o pecado guerreia dentro de minha carne. (Rm.7:23)

 Confessamos o Senhor e fomos salvos (Rm.10:9)
assim, louvemos ao Senhor na Igreja (Hb.2:12)
não deixando de vir à Igreja (Hb.10:25)
lembrando sempre dos pastores (Hb.13:7)

 Assim, recebamos a Palavra exortada (Hb.13:22)
não apenas como ouvintes, mas cumprindo (Tg.1:23)
tendo novo nascimento pela Palavra ouvida (1 Pe.1:23)
poiso que recebemos de Deus é eternidade. (1 Pe.1:25)

 Viver agradável a Deus é o culto Racional (Rm. 12:2)

 LEMBRETE_FINAL: (Ap.22:18);

Por Darlan Lima, Alexandre Arcanjo e Orlando Nascimento.

I Parte (clique aqui)

Teologia Sistemática (Parte I)

1 Comentário


Estamos vivendo tempos de fome espiritual, onde heresias têm procurado se instalar no seio da Igreja; Deus levantou o projeto para um grande avivamento espiritual.

Não basta apenas termos talentos naturais ou compreensão das conseqüências das crises que o mundo atravessa.

Precisamos, exercer influências com nosso testemunho perante os que dispomos a ensinar a Palavra de Deus.

Esse treinamento da Doutrina Sistemática é muito importante porque nos dará ampla visão da teologia Divina, atrairá futuros líderes ao aprendizado e criará um ambiente mais espiritual na nossa Igreja (Koinonia).

Aprendizados errados geram desastres e resistência à Obra de Deus.

Somente o correto de forma correta leva ao sucesso, na consciência e submissão ao Espírito Santo que rege a igreja. Temos que combinar estratégias de ensino com o nosso caráter revelado em nossas vidas; devemos incentivar a confiança dos alunos na Escritura, com coerência e potencial.

Temos capacidade, em Deus, de mudarmos o mundo, começando do mundo interior das consciências humanas dos alunos, que se tornarão futuros evangelizadores capacitados na Palavra de Deus.

Professor: Tome esta certa decisão: Estude, antes, o material, reúna seus alunos, apresente os planos de aula, dê um tempo para refletirem, divulgue a doutrina, em conjunto, como facilitador do processo educacional, tranqüilize e encoraje os outros a fazerem parte de novas turmas.

Não preguemos a verdade para ferirmos os outros ou para destruir, mas para ajudar e corrigir as almas, com amor, esperando que Deus lhes conceda o entendimento do Reino dos Céus.

Como facilitador da visão de ensino, conheça os quatro pilares da Educação:

 

1) Aprender a Conhecer: - Tenha a humildade de saber que não sabes tudo; Seja competente, compreensivo, útil, atento, memorizador e informe o assunto de forma contextualizada com a realidade atual.

 

2) Aprender a fazer: - Seja preparado para ministrar as aulas, conhecendo a matéria previamente, estimulando a criatividade dos alunos, preparando-os para a tarefa determinada de Jesus de serem discípulos.

 

3) Aprender a Viver juntos: - Estimule a descoberta mútua entre os alunos da Palavra de Deus, em forma de solidariedade, cooperativismo, promovendo autoconhecimento e auto-estima entre os alunos, na solidariedade da compreensão mútua; o objetivo do curso não é apenas ter conhecimento, mas “ser cristão”.

 

4) Aprender a Ser: - Resgate a visão holística (completa) e integral dos alunos, preparando-os para integrarem corpo, alma e espírito com sensibilidade, ética, responsabilidade social e espiritualidade, formando juízo de valores, levando-os a aprenderem a decidir por si mesmos, com a ajuda do Espírito Santo.

Lembrem-se de que a primeira impressão é a que fica marcada na consciência. Temos que ser perceptivos, hábeis para lidar com as dúvidas, sem agressões, procurando soluções com base bíblicas sem fundamentalismo de usar textos sem contextos por pretextos de posicionamentos individuais.

Estimule os alunos, com liberdade de pensamento para terem respostas.

Torne comum a mensagem, filtrando os resultados no bom-senso.

Seja amável, compreensivo, sincero, sem ter uma visão exclusivista do seu ponto de vista, em detrimento da Palavra de Deus, que sempre é o referencial.

 

São 14 (catorze) lições, apresentadas de forma sistemática, visando levar os alunos a aprenderem e vislumbrarem a verdade do Evangelho.

São lições a serem ministradas a novos-convertidos, membros e até mesmo a leigos e não-crentes.

Que este estudo te ajude a crescer o número de salvos em qualidade, para que as pessoas possam construir as suas vidas em Jesus, aplicando a Palavra de Deus, restaurando suas vidas espirituais e buscando viver de modo semelhante ao de nosso Senhor Jesus Cristo.

Agradecemos a Deus, aos amados Líderes e aos alunos por seu interesse.

Deus vos abençoe.

Darlan Lima, Alexandre Arcanjo (Evangelistas)

Orlando Nascimento (Cooperador)

Referências pastorais:

Nosso Pastor: (Pr. Jecér Góes) – prjecergoes@ministeriocanaa.com.br

AULA 1 – DOUTRINA

1) CONCEITO DE DOUTRINA:

Doutrinar é ensinar as verdades fundamentais da Bíblia, organizadamente.

É o conjunto de princípios que servem de base ao cristianismo, compreendendo desde o ensinamento, pregação, opinião das lideranças religiosas, desde que embasadas em Textos de obras Bíblicas escritas, como Regra de fé, preceito de comportamento e norma de conduta social, referente a Deus, a Jesus, ao Espírito Santo e Salvação.

 

2) CONCEITO DE DOUTRINA NO ANTIGO TESTAMENTO:

 

Doutrina (hebraico ”xql Ieqach”) - (Dt. 32:2; Pv.4:2; Pv.9:9; Pv. 13:14) – ensinamento, ensino, percepção, capacidade de persuasão. Palavra proveniente de laqach, que significa tomar, pegar, buscar, segurar, apanhar, receber, adquirir, comprar, trazer, casar, tomar esposa, arrebatar, tirar, carregar embora, tomar em casamento.

A doutrina escorrerá suavemente em todos os lugares. Além disso, é uma boa lei que dá instrução ao sábio e ensina aos justos uma fonte de vida e como se desviar dos laços da morte.

 

Doutrina (hebraico ”hrwt towrah ou hrt torah) – (Is. 28:9; Is.29:24) – lei, orientação, instrução, orientação (humana ou divina), conjunto de ensino profético na era messiânica de orientações ou instruções sacerdotais legais, referente aos costumes e hábitos.

Palavra oriunda de yarah que significa lançar, atirar, jogar, derramar, como lançar flechas, jogar água, atirar, apontar, mostrar, dirigir, ensinar, instruir.(Ter uma direção definida).

Ela dá entendimento aos errados de espírito e é um aprendizado aos murmuradores.

 

3) CONCEITO DE DOUTRINA NO NOVO TESTAMENTO:

 

Doutrina (grego “didach didache”) - (Mc. 1:22; Lc. 4:32; At.2:42; Rm. 6:17) ensino, doutrina, instrução nas assembléias religiosas dos cristãos, fazer uso do discurso como meio de ensinar, em distinção de outros modos de falar em público.

Palavra oriunda de didasko, significando conversar com outros a fim de instruí-los, pronunciar discursos didáticos; desempenhar o ofício de professor conduzir-se a dar instrução, explicar ou expor algo a alguém.

 

Doutrina (grego “didaskalia didaskalia”) - (1 Tm.4:6; 1 Tm.4:16; 1 Tm.6:1; Tt.2:1;Tt.2:10) – ensino, instrução, preceitos; palavra oriunda de didaskalos - No NT, alguém que ensina a respeito das coisas de Deus, e dos deveres do homem; como os mestres da religião judaica, que pelo seu imenso poder como mestres atraem multidões, como João Batista.

Jesus, pela sua autoridade, refere-se a si mesmo como aquele que mostrou aos homens o caminho da salvação e como os apóstolos e Paulo, que, nas assembléias religiosas dos cristãos, encarregavam-se de ensinar, assistidos pelo Santo Espírito contra os falsos mestres entre os cristãos.

 

 

Doutrina (grego “logov logos”) - (Hb. 6:1) – Ato da palavra, proferida a viva voz, que expressa uma concepção ou idéia dos ditos de Deus, envolvendo seus decretos, mandatos ou ordens dos preceitos morais dados por Deus, como as profecias do Antigo Testamento dadas pelos profetas, bem como narrativas de assuntos em discussão, com respeito à MENTE em si, razão, a faculdade mental do pensamento, meditação e raciocínio.

Em João, denota a essencial Palavra de Deus, Jesus Cristo, a sabedoria e poder pessoais em união com Deus. Denota seu ministro na criação e governo do universo, a causa de toda a vida do mundo, tanto física quanto ética, que para a obtenção da salvação do ser humano, revestiu-se da natureza humana na pessoa de Jesus, o Messias, a 2ª pessoa na Trindade, anunciado visivelmente através suas palavras e obras.

Este termo era familiar para os judeus e na sua literatura muito antes que um filósofo grego chamado Heráclito fizesse uso do termo Logos, por volta de 600 a.C., para designar a razão ou plano divino que coordena um universo em constante mudança. 

Era palavra apropriada para o objetivo de João 1:1. Quem prega outro Jesus, irá sofrer (2 Co.11:4)

4) CARACTERÍSTICAS DA DOUTRINA DE CRISTO:

O bom Ministro é o criado na fé e na Doutrina (1Tm.4:6)

A)Expulsa os espíritos malignos, pois é vinda de Deus (Jo.7:16);

B)Pode ser provada como verdadeira (Jo.7:17);

C)Deve ser perseverada (At.2:42);

D)Deve ser obedecida de coração (Rm.6: 17);

E)Tem mesmo valor que revelação,ciência e profecia (1Co.14:6) e interpretação de língua(1Co.14:26);

F)Temos que cuidar dela para nossa salvação(1Tm.4:16);

G)Indica modo de vida na fé (2Tm.3:10);

H)Convence contradizentes (Tt.1:9);

I)Deve ter incorrupção,seriedade e sinceridade (Tt.2:7), levando à perfeição em Cristo (Hb.6:1).

5) QUANTO ÀS FALSAS DOUTRINAS DA ÉPOCA DE JESUS CRISTO E O ALERTA À IGREJA CRISTÃ:

Os judeus se maravilhavam da doutrina de Jesus pois Ele ensinava com autoridade, mas eram advertidos contra a doutrina dos Fariseus e dos Saduceus: Mas quem ultrapassa a doutrina, não tem Deus (2 Jo.1:9-10).

DOUTRINA DOS FARISEUS(grego “farisaiov Pharisaios”) = Chamados Separados -  Reconheciam na tradição oral um padrão de fé e vida.

Procuravam reconhecimento e mérito pela observância externa de ritos e formas de piedade,como lavagens cerimoniais,jejuns,orações e esmolas.Mas negligenciavam a genuína piedade,orgulhavam-se em suas boas obras.

Mantinham de forma persistente a fé na existência de anjos bons e maus, e na vinda do Messias; e tinham esperança de que os mortos, após uma experiência preliminar de recompensa ou penalidade no Hades, seriam novamente chamados à vida por ele, e seriam recompensados, cada um de acordo com suas obras individuais.

Em oposição à dominação de Herodes e do governo romano, eles de forma decisiva sustentavam a teocracia e a causa do seu país, e tinham grande influência entre o povo comum.

De acordo com Josefo, eram mais de 6000.

Eram inimigos de Jesus e sua causa; foram, por outro lado, duramente repreendidos por ele por causa da sua avareza, ambição, confiança vazia nas obras externas, e aparência de piedade a fim de ganhar popularidade.

DOUTRINA DOS SADUCEUS(grego “saddoukaiov Saddoukaios”) = Chamados Justos – Partido religioso judeu da época de Cristo, que negava que a lei oral fosse revelação de Deus aos israelitas, e que cria que somente a lei escrita era obrigatória para a nação como autoridade divina. Negavam a ressurreição do corpo, a imortalidade da alma, a existência de espíritos e anjos, mas afirmavam o livre arbítrio.

OBS:Outro Evangelho, mesmo dito por um anjo, seja maldito (Gl.1:6-9).

Doutrina(qrego “eterodidaskalew heterodidaskaleo” ) – 1Tm.1:3 – Ensino de outra ou diferente doutrina, desviando-se da verdade.

Há os que provocam divisões e escândalos em desacordo com a doutrina (Rm.16:17), inventando ventos de doutrinas errôneas (Ef.4:14),sendo impuros mentirosos (1Tm.1:10).Se alguém ensina outra doutrina diferente da Palavra, seja maldito (1Tm.6:3-4).Temos que repreender, usando a doutrina pois não a suportarão (2 Tm.4:2-3).

 

6) NECESSIDADE DA DOUTRINA:

 A) Verdade precisa (opinião final):Todas as pessoas tem uma teologia e os seus atos demonstram suas crenças, pois a vida humana é uma viagem e as pessoas precisam estar certas do que Deus lhes planejou.Pode-se teólogo sem ser religioso e ser religioso, sem o conhecimento teológico da doutrina.

B) Essencial para desenvolver o caráter cristão: Sem uma crença firme e bem definida,que é parte da religião,não haverá crescimento correto, pois podemos viver a vida dita cristã, sem conhecer a doutrina;mas não haverá experiências cristãs.

C) Abrigo contra mentira e erros de interpretação: Deus é eterno; homens ignorantes criaram conceitos errôneos,originando males na consciência e as Doutrinas bíblicas expulsam falsas idéias que conduzem os homens para a cegueira e perdição.

D) Necessária para ensinar a Palavra Divina: A Bíblia fala de muitas verdades espalhadas nos seus diversos livros, obedecendo o tema:JESUS. É necessário relacionar os diversos temas e organizá-los de maneira a facilitar o seu estudo.

A doutrina estuda a fé Cristã, sobre a verdade da realidade espiritual, única, envolvendo a existência de Deus, a possibilidade dos milagres, a confiabilidade das escrituras, a divindade de Cristo, a encarnação de Deus em Cristo e a verdade da Bíblia como a Palavra de Deus genuína.

 

7) DOUTRINA E TEOLOGIA:

 

TEOLOGIA - Estudo das questões referentes ao conhecimento da divindade, de seus atributos e relações com o mundo e com os homens, e à verdade religiosa, expressa na doutrina de Cristo, que como já dissemos, ensina as verdades fundamentais da Bíblia,organizadamente.

Teologia é o estudo racional dos textos sagrados, dos dogmas e das tradições do cristianismo, geralmente ministrados em cursos ou faculdades, formando os teólogos. É a ciência que trata do nosso conhecimento de Deus e das relações com o homem; ciência, pois organiza em seqüência lógica,fatos comprovados, podendo aplicar na religião.

Visa entender a revelação,fé e tradição na atual prosperidade,exorcismo e curas.

8) ÁREAS DE ESTUDO DA TEOLOGIA:

 

a) Teologia Fundamental - Analisa a realidade cristã da auto-manifestação de Deus, sua plenitude e o plano da Salvação por Jesus Cristo. Explica a razão do mistério, a liberdade e a necessidade que temos de conhecer esse plano, querendo ou não termos compromisso com Deus.

Fala sobre o que é teologia e sobre as condições básicas que possibilitam a fé num contexto sócio-histórico e cultural.

b)Teologia Bíblica - Estuda a introdução a geral da Bíblia, com estudo dos livros do Antigo e Novo testamento, falando sobre a história do povo de Deus e reflete temas gerais, familiarizando os alunos com termos bíblicos e as línguas bíblicas, como hebraico e grego.

Usa a “exegese”-que analisa criticamente o texto, desde a seleção do texto, sua estrutura gramatical, sua mensagem e tema central para hoje “hermenêutica”, aplicando a mensagem para hoje.

c)TeoIogia Moral - Visa refletir sobre a resposta concreta que o cristão dá a Deus nos diversos âmbitos de sua existência seja pessoal, interpessoal, comunitária, social, familiar e política., analisando as bases e os critérios de como o cristão deve agir e sobre temas globais como sexualidade, ética e ecologia, política, globalização, etc.

d)Teologia Sistemática ou Dogmática - Compreende uma série de disciplinas estudadas pela igreja, como cristologia (Jesus), eclesiologia (igreja), trindade, antropologia teológica (vendo o homem quanto à criação, pecado, graça e salvação), escatologia (últimas coisas) e Heresiologias (Seitas e Heresias).

Ademais, não se ocupa em repetir dogmas, que são declarações de fé do que as pessoas crêem., tenta entender a vida, e refletir a real e pura fé cristã.

e) História da Igreja - Visa conhecer uma visão panorâmica das grandes fases da história universal, as relações da igreja cristã com o mundo, os conflitos de mentalidades, idéias e movimentos sociais e as idéias e eventos do passado que repercutem hoje em dia.

Compreende desde a história antiga, medieval, moderna, contemporânea e atual.

f) Espiritualidade - Envolve não apenas disciplinas teológicas, mas dimensões da vida cristã como fé, louvor, reino de Deus, o seguimento a Jesus e outros temas, como cruz, esperança, caridade, piedade, liberdade cristã.

g)Outros – (Patrologia:Estudo dos pensadores cristãos até o século V; Teologia Pastoral, Teologia das Religiões, Homilética (Arte de pregar).

Religiosidade Popular (tradições culturais),Aconselhamento Pessoal e Missões.

9) DOUTRINA E RELIGIÃO:

Religião(qrego “deisidaimonia deisidaimonia”) –  (At.25:19) – Em um bom sentido, reverência a Deus ou aos deuses,dependendo do culto, num sentido piedoso, religioso; e num mau sentido, a superstição.

Religião(qrego “yrhskeia threskeia”) - (At.26:5; Tg.1:26-27) – Adoração religiosa externa; aquilo que consiste de cerimônias com disciplina religiosa.A religião deveria significar adoração a Deus, mas adorava também a falsos deuses, como cumprimento da obrigação de alguém.

O problema era haver o cumprimento de obrigações de todos os tipos, tanto para com Deus como para com as pessoas, não significando qualquer tipo de adoração correta a Deus.

Havia também, o adorador ansioso e escrupuloso, que cuidava para não mudar nada que deveria ser observado na adoração, e temeroso de ofender.

Significa devoto, e pode ser aplicado a um aderente de qualquer religião, sendo especialmente apropriado para descrever o melhor dos adoradores judaicos, adorando pelo elemento de medo.

Enfatiza fortemente as idéias de dependência e de ansiedade pelo favor divino.

Pode originar um medo sem fundamento, no sentido de supersticioso.

Existem pessoas religiosas de todos os lugares (At.2:5), mas precisam estar na graça de Deus (At.13:43) para não serem incitadas por falsos líderes contra a obra de Deus (At.13:50), numa religião de vãos falatórios, sem santidade e sem obras sociais (Tg.1:26-27).

O sagrado é uma experiência da presença de Deus, sobrenatural, na medida em que se realiza o impossível às forças e capacidades humanas.

Religião(Latim “religio=re+ligare”) - A religião tenta ser um vinculo entre o mundo profano e o mundo sagrado, operando em várias culturas, criando templos que se erguem aos céus como que querendo unir o espaço novo do sagrado (ar) com o consagrado (no solo).

A religião cria a idéia de um espaço sagrado, como que querendo unir a mitologia dos falsos deuses gregos do Olimpo com as montanhas do deserto do Sinai onde Deus se manifestou.

Enquanto que a religião pode ser apenas uma narrativa, um mito, uma fábula ilusória, a espiritualidade requer algo mais, a fé, que se expressa na confiança e plena adesão às verdades ouvidas.

OBSERVAÇÃO:

Enquanto que a religião externa uma forma de crer, a doutrina é uma crença racional, baseada na Palavra de Deus, onde fé e razão andam juntas.

A fé usa a razão é a razão não pode ser bem sucedida sem a fé, na descoberta da verdade.

A razão não pode produzir fé , mas a acompanha, pois a fé não vem de um questionamento, mas de Deus.

Contudo, a pessoa pode tentar compreender aquilo em que acredita, envolvendo a vontade de descobrir, por exemplo, a lógica de que Deus existe, se relaciona com as pessoas e que através da teologia, poderemos defender racionalmente, a verdade das coisas de Deus pela investigação escriturística da doutrina.

Defendamos nossa fé (1 Pe.3:15; 2 Co.10:4-5),combatendo as heresias (Fp.1:7; Jd.3; Jd.22; Tt.1:9; 2Tm.2:24-25).

COMPARATIVAS DE RELIGIÕES:

 

O QUE A BÍBLIA DIZ E QUE NÓS ACREDITAMOS:

 

Nome: Cristianismo Bíblico (NT-Bíblia Sagrada) (At.11:26); Fundador: Jesus Cristo, filho de Deus Bendito (1 Co.3:11); Mensagem: Jesus morreu p/salvar pecadores(1Co.15:3-8); Igreja: Formada por aqueles que são salvos (1 Co.1:2); Deus: É a Trindade – três pessoas em um Deus. (Mt.28:19; Jesus: 2ªpessoa da Trindade,filho de Deus-Pai(1Jo.5:11-14); Salvação: Pela Graça, através da Fé só em Jesus. (At.15:11); Ressurreição: Jesus subiu no corpo que morreu; (At.1:9); Escrituras: Bíblia- única Palavra de Deus (66 livros) (2 Tm.3:16).

 

Nome do grupo: Catolicismo Romano; Fundador: Jesus, sobre a pedra que é Pedro (considerado como primeiro Papa); Mensagem: Sacramentos, caridade, culto a Maria e aos “Santos”; Igreja: Os membros da Igreja Católica Apostólica Romana; Deus: Trindade três pessoas em um Deus; Jesus: Deus em carne. 2ª pessoa da Trindade; Salvação:Fora da Igreja Católica Apostólica Romana não há Salvação; Ressurreição  de Jesus: Sim; Escrituras:A Bíblia (+ 7 livros apócrifos) + a tradição (Dogmas).

Nome do grupo: Legião da Boa Vontade – LBV; Fundador: Alziro Zarur,04-03-1949. Mensagem: Assim como Jesus, todos poderão alcançar a perfeição após muitas reencarnações. Igreja: Todos são cristãos independentes da religião; Deus: Impessoal      ; Jesus:  Não é Deus nem teve corpo humano; Salvação: Através da caridade e reencarnações sucessivas; Ressurreição de Jesus: Não; Escrituras: Livros da LBV.

Nome do grupo: Espiritismo Kardecista; Fundador: Dr. Hippolyte Léon Denizard Rivail, vulgo Allan Kardec (1857); Mensagem: Assim como Jesus, todos poderão alcançar a perfeição após muitas reencarnações. Igreja: O Espiritismo é a Igreja restaurada e o Consolador prometido por Jesus;        Deus: Não é Pessoa; Jesus: Não é Deus nem teve corpo humano; Salvação: Através da caridade e  por reencarnações sucessivas; Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras: Livros de Allan Kardec e outros.

  

Nome do grupo: Testemunhas de Jeová; Fundador: Charles Taze Russell(1852-1916) Fundada em 1881; Mensagem: Jesus abriu a porta para conquistarmos nossa salvação; Igreja: 144.000 ungidos que irão para o céu. Deus: Jeová, que é uma só Pessoa; Jesus:Não é Deus; é o Arcanjo Miguel, a primeira e única criatura de Jeová. Salvação: Obedecendo as ordens da Sociedade Torre de Vigia; Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras: Bíblia deles (Tradução do Novo Mundo) + literaturas dos líderes.

Nome do grupo: Maçonaria; Fundador: Anderson e Desagulliers (Londres, 1717); Mensagem: Buscar o próprio aperfeiçoamento; Igreja: —; Deus: Impessoal como força superior; Jesus:Um grande mestre semelhante a Buda, Maomé, e etc. Salvação: “”Erguer templos à virtude e cavar masmorras aos vícios””; Ressurreição  de Jesus:Não; Escrituras: Rituais e manuais secretos.

  

Nome do grupo: Adventistas do Sétimo Dia; Fundador: Ellen Gould White(1860); Mensagem: Crer em Jesus e observar a Lei; Igreja: Somente os adventistas; Deus:Trindade três pessoas em um Deus; Jesus: Deus em carne. 2ª pessoa da Trindade; Salvação: Guardando o sábado e os mandamentos;  Ressurreição de Jesus:Sim; Escrituras: Bíblia e livros de Ellen White          

Nome do grupo: Mormonismo; Fundador: Joseph Smith (1805-1844) fundado em 1830; Mensagem: Alcançar a divindade pelas ordenanças do evangelho mórmon; Igreja: Membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Deus: Tríade 3 deuses; Jesus:Não é Deus. É irmão de Lúcifer e dos homens; Salvação: Salvação pelas boas obras da igreja mórmon; Ressurreição  de Jesus: Sim; Escrituras:A Bíblia, Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios, Pérola de Grande Valor.

Nome do grupo: Teosofia; Fundador: Madame Helena Blavatsky (1831-1891) fundada em 1875; Mensagem:Igreja: —; Deus: Deus é um princípio; Jesus: Um grande Mestre; Salvação:—Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras:A Doutrina Secreta, Isis sem Véu, A Chave para a Teosofia e A Voz do Silêncio.

Nome do grupo: Ciência Cristã; Fundador: Mary Baker Eddy (1821-1910); Mensagem: Crenças religiosas extraídas dos ensinos de Jesus. Rejeitam a expiação; Igreja: Uma coletânea de idéias espirituais           ; Deus: É uma presença Impessoal Universal; Jesus: Um homem afinado com a consciência divina; Salvação:Pensamento correto; Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras:Ciência e Saúde com Chave para as Escrituras, Miscelânea

Nome do grupo: Unitarismo; Fundador: Charles Filmore(1854-1948) fundado 1889; Mensagem: Os princípios gerais do Unitarismo; Igreja: Uma coleção de idéias espirituais; Deus: Força Universal Impessoal; Jesus:Um homem, não o Cristo; Salvação: Adotando a correta Unidade através de princípios; Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras: Revista Unitarista, Dicionário Bíblico de Metafísica

Nome do grupo: Moonismo; Fundador: Sun Myung Moon(1920); Mensagem: Moon é o Rei dos reis, e Senhor dos senhores, e o Cordeiro de Deus. Igreja: Igreja da Unificação; Deus: Deus é tanto positivo como negativo. Não há Trindade. Deus precisa de Moon para fazê-lo feliz; Jesus:Jesus foi um homem perfeito, não Deus. Jesus falhou em sua missão. Moon vai completar sua obra; Salvação:Obediência e aceitação dos verdadeiros pais (Moon e sua esposa); Ressurreição  de Jesus: Jesus não ressuscitou fisicamente; Escrituras:Princípio divino por Sun Myung Moon, Esboço do Princípio, Nível 4 e a Bíblia     

 

Nome do grupo: Cientologia; Fundador: Ron Hubbard(1954); Mensagem: Todos são “”thetans””, espíritos imortais com poderes ilimitados; Igreja: —      Deus: Rejeita o Deus revelado na Bíblia. Raramente mencionado. Jesus:Jesus não morreu pelos pecados de ninguém; Salvação:Salvação é a libertação da reencarnação. Ressurreição  de Jesus:— ; Escrituras: Dianética: A Ciência Moderna da Saúde Mental, e outros de Hubbard, e A Chave para a Felicidade.

Nome do grupo: Meninos de Deus; Fundador: Daniel Brandt Berg (1968); Mensagem: Desistir de tudo para seguir a Jesus. Já usaram a prostituição para atrair novos adeptos; Igreja: Família do Amor; Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, mas não Trindade          ; Jesus: Foi uma criação de Deus.        Salvação:—; Ressurreição  de Jesus: —; Escrituras: Cartas MO – cartas escritas por David “Moses” Berg. Mesmo nível de inspiração do Antigo e Novo Testamentos.

Nome do grupo: Nova Era; Fundador: —     Mensagem: Todos são deuses e só precisam se conscientizar disso; Igreja: —;  Deus: Deus é uma força impessoal ou princípio, não uma pessoa. Tudo e todos são Deus; Jesus: Não é o verdadeiro Deus nem Salvador, mas um mestre elevado; Salvação: O mau carma tem que ser compensado com bom carma; Ressurreição de Jesus:Jesus não ressuscitou fisicamente, mas subiu a um nível espiritual mais alto; Escrituras: Escritos I Ching, hindus, budistas, taoístas, crenças americanas nativas e magia em geral.

Nome do grupo: Hinduísmo; Fundador: —   Mensagem: O homem deve se conformar com sua condição para alcançar uma vida melhor na próxima encarnação            Igreja:Deus:        O Absoluto. Um espírito universal (Brahman). Vários deuses são manifestações dele; Jesus: É um mestre ou avatar   (uma encarnação de Vishnu). Ressurreição  de Jesus: Sua morte não foi expiatória; Salvação: Libertação dos ciclos de reencaranção, e absorção em Brahman alcançadas através da Yoga e meditação. Ressurreição  de Jesus: —; Escrituras: Vedas, Upanishads, Bhagavad Gita

  

Nome do grupo: Budismo       Fundador: Buda (Siddartha Gautama em 525 a.C.)Mensagem: O alvo da vida é o Nirvana para escapar do sofrimento  Igreja:Deus:Não existe. Buda é considerado por alguns como uma consciência universal iluminada   Jesus: —; Salvação: O Nirvana (inexistência) que pode ser alcançado seguindo-se o Caminho das Oito Vias; Ressurreição  de Jesus: —; Escrituras: A Tripitaka (Três Cestos),que têm mais de100 volumes    

Nome do grupo: Islamismo    Fundador: Maomé (610 d.C.)           Mensagem: Só Allah é Deus e Maomé o seu profeta; Igreja: —; Deus: Alá, um juiz severo. Não é descrito como amoroso    É um dentre mais de 124 mil profetas enviados por Deus a várias culturas. Jesus:Não é Deus, não foi crucificado, voltará para viver e morrer;  Salvação: O equilíbrio entre as boas e más obras determina o destino eterno no paraíso ou no inferno; Ressurreição  de Jesus:Não ressuscitou, porque não morreu. Escrituras: Corão e Hadith. A Bíblia é aceita, mas considerada corrompida.     

Nome do grupo: Judaísmo     Fundador: Deus (o Eterno), através de Abraão, formou o povo escolhido; Mensagem: O Eterno é o único Deus Igreja:Deus: O Eterno, chamado de Jeová ou Iavé; Jesus: Simples judeu Salvação: Obediência à Lei e aos Mandamentos; Ressurreição  de Jesus: Negam;  Escrituras: Tanach (o Velho Testamento), dividido em Lei, Profetas e Escritos   

Nome do grupo: Umbanda     Fundador:Mensagem: Solução de problemas imediatos com a ajuda dos espíritos. Igreja: —   Deus: Zambi é único, onipotente, irrepresentável, adorado sob vários nomes; Jesus: Oxalá novo. Salvação: Prática de caridade material e espiritual como meio de evolução cármica; Ressurreição  de Jesus:— Escrituras:Tradição oral .

 

Nome do grupo: Candomblé  Fundador: Primeiro templo erguido na Bahia, na primeira metade do século XIX; Mensagem: Dança religiosa de origem africana através da qual as pessoas homenageiam seus orixás; Igreja: —    Deus: Olodumarê, criador de todas as coisas, eterno e todo-poderoso; Jesus:Salvação: Ao morrer o candomblecista vai para o Orum (nove céus sob o comando de Iansã) Ressurreição  de Jesus:—; Escrituras:Tradição oral        

Nome do grupo: Ateísmo        Fundador:Mensagem: A evolução é um fato científico, portanto ética e moral são relativas   Igreja: —        Deus: Não há Deus ou diabo, uma vez que não podem ser provados cientificamente    Jesus:Jesus foi um mero homem; Salvação:Não há vida após a morte; Ressurreição  de Jesus: Não há ressurreição, pois não existem milagres; Escrituras:

 

AULA 2 – ESCRITURAS:

A Bíblia em si, recebe outros nomes como Palavra de Deus, Sagrada Escritura, Lei, Lei e os Profetas, Livro Sagrado, Sagradas Letras, Divina Revelação, etc.

1. OS ORIGINAIS

Grego, hebraico e aramaico foram os idiomas utilizados para escrever os originais das Escrituras Sagradas.

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas alguns poucos textos foram escritos em aramaico. O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, que era a língua mais utilizada na época.

Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de uma tradução confiável das Escrituras. Porém, não existe nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias.

Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam.

As edições do Antigo Testamento hebraico e do Novo Testamento grego se baseiam nas melhores e mais antigas cópias que existem e que foram encontradas graças às descobertas arqueológicas.

Para a tradução do Antigo Testamento, a Comissão de Tradução da SBB usa a Bíblia Stuttgartensia, publicada pela Sociedade Bíblica Alemã.

Já para o Novo Testamento é utilizado The Greek New Testament, editado pelas Sociedades Bíblicas Unidas.

Essas são as melhores edições dos textos hebraicos e gregos que existem hoje, disponíveis para tradutores.

2. O ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRAICO

Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus.

Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração.

Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por A Lei, Os Profetas e As Escrituras.

Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C.

A Lei continha os primeiros cinco livros da nossa Bíblia. Já Os Profetas, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis.

E As Escrituras reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas.

Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas.

Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora a Lei freqüentemente fosse copiada em dois grandes pergaminhos.

O texto era escrito em hebraico – da direita para a esquerda – e, apenas alguns capítulos, em dialeto aramaico.

Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico.

Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré.

Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.

3. O NOVO TESTAMENTO EM GREGO

Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado.

A formação desses grupos marca o início da igreja cristã. As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado.

Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação.

A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados.

Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular.

O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38.

Nos últimos cem anos descobriu-se uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento.

4. OUTROS MANUSCRITOS

Além dos livros que compõem o nosso atual Novo Testamento, havia outros que circularam nos primeiros séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e o Didache (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos).

Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos manuscritos eram realmente autorizados.

Entretanto, gradualmente, o julgamento das igrejas, orientado pelo Espírito de Deus, reuniu a coleção das Escrituras que constituíam um relato mais fiel sobre a vida e ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo comum e o Novo Testamento foi constituído.

Os dois manuscritos mais antigos da Bíblia em grego podem ter sido escritos naquela ocasião – o grande Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Estes dois inestimáveis manuscritos contêm quase a totalidade da Bíblia em grego.

Ao todo temos aproximadamente vinte manuscritos do Novo Testamento escritos nos primeiros cinco séculos.

Quando Teodósio proclamou e impôs o cristianismo como única religião oficial no Império Romano no final do Século IV, surgiu uma demanda nova e mais ampla por boas cópias de livros do Novo Testamento.

É possível que o grande historiador Eusébio de Cesaréia (263 – 340) tenha conseguido demonstrar ao imperador o quanto os livros dos cristãos já estavam danificados e usados, porque o imperador encomendou 50 cópias para as igrejas de Constantinopla. Provavelmente, esta tenha sido a primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos foram apresentados em um único volume, agora denominado Bíblia.

5. HISTÓRIA DAS TRADUÇÕES

A Bíblia – o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo -, desde as suas origens, foi considerada sagrada e de grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e compreendida por toda a humanidade.

A necessidade de difundir seus ensinamentos através dos tempos e entre os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções para os mais variados idiomas e dialetos.

Hoje é possível encontrar a Bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.000 línguas diferentes.

6. A PRIMEIRA TRADUÇÃO

Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego.

Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico.

Denominada Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), esta primeira tradução foi realizada por 70 sábios e contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica; pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C.

A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia.

Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.

Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.

7. OUTRAS TRADUÇÕES

Outras traduções começaram a ser realizadas por cristãos novos nas línguas copta (Egito), etíope (Etiópia), siríaca (norte da Palestina) e em latim – a mais importante de todas as línguas pela sua ampla utilização no Ocidente.

Por haver tantas versões parciais e insatisfatórias em latim, no ano 382 d.C, o bispo de Roma nomeou o grande exegeta Jerônimo para fazer uma tradução oficial das Escrituras.

Com o objetivo de realizar uma tradução de qualidade e fiel aos originais, Jerônimo foi à Palestina, onde viveu durante 20 anos.

Estudou hebraico com rabinos famosos e examinou todos os manuscritos que conseguiu localizar.

Sua tradução tornou-se conhecida como “Vulgata”, ou seja, escrita na língua de pessoas comuns (“vulgus”). Embora não tenha sido imediatamente aceita, tornou-se o texto oficial do cristianismo ocidental.

Neste formato, a Bíblia difundiu-se por todas as regiões do Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa.

Na Europa, os cristãos entraram em conflito com os invasores godos e hunos, que destruíram uma grande parte da civilização romana.

Em mosteiros, nos quais alguns homens se refugiaram da turbulência causada por guerras constantes, o texto bíblico foi preservado por muitos séculos, especialmente a Bíblia em latim na versão de Jerônimo.

Não se sabe quando e como a Bíblia chegou até as Ilhas Britânicas. Missionários levaram o evangelho para Irlanda, Escócia e Inglaterra, e não há dúvida de que havia cristãos nos exércitos romanos que lá estiveram no segundo e terceiro séculos.

Provavelmente a tradução mais antiga na língua do povo desta região é a do Venerável Bede. Relata-se que, no momento de sua morte, em 735, ele estava ditando uma tradução do Evangelho de João; entretanto, nenhuma de suas traduções chegou até nós.

Aos poucos as traduções de passagens e de livros inteiros foram surgindo.

8. AS PRIMEIRAS ESCRITURAS IMPRESSAS:

Na Alemanha, em meados do Século 15, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu a arte de fundir tipos metálicos móveis.

O primeiro livro de grande porte produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim.

Cópias impressas decoradas a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos.

Esta nova arte foi utilizada para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 – alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis línguas até meados do século 16 – espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês.

Finalmente as Escrituras realmente podiam ser lidas na língua destes povos. Mas essas traduções ainda estavam vinculadas ao texto em latim. No início do século 16, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa ocidental.

Havia pessoas eruditas que podiam auxiliar os sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais manuscritos.

Uma pessoa de grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo Testamento em grego foi publicada com seu próprio paralelo da tradução em latim.

Assim, pela primeira vez estudiosos da Europa ocidental puderam ter acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e, portanto, não eram completamente confiáveis.

9. DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS

Várias foram as descobertas arqueológicas que proporcionaram o melhor entendimento das Escrituras Sagradas. Os manuscritos mais antigos que existem de trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C.

Existem, porém, partes menores bem mais antigas como o Papiro Nash do segundo século da era cristã.

Mas sem dúvida a maior descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno, que buscava uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou por acaso os Manuscritos do Mar Morto, na região de Jericó.

Durante nove anos vários documentos foram encontrados nas cavernas de Qumrân, no Mar Morto, constituindo-se nos mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica que se têm notícias.

Escondidos ali pela tribo judaica dos essênios no Século I, nos 800 pergaminhos, escritos entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários teológicos e descrições da vida religiosa deste povo, revelando aspectos até então considerados exclusivos do cristianismo.

Estes documentos tiveram grande impacto na visão da Bíblia, pois fornecem espantosa confirmação da fidelidade dos textos massoréticos aos originais.

O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14 estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168 a.C. e 233 d.C.

Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase completa do livro de Isaías, feita cerca de cem anos antes do nascimento de Cristo.

Especialistas compararam o texto dessa cópia com o texto-padrão do Antigo Testamento hebraico (o manuscrito chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram que as diferenças entre ambos eram mínimas.

Outros manuscritos também foram encontrados neste mesmo local, como o do profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase) de Jó.

As descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do Mar Morto e outras mais recentes, continuam a fornecer novos dados aos tradutores da Bíblia.

Elas têm ajudado a resolver várias questões a respeito de palavras e termos hebraicos e gregos, cujo sentido não era absolutamente claro.

Antes disso, os tradutores se baseavam em manuscritos mais “novos”, ou seja, em cópias produzidas em datas mais distantes da origem dos textos bíblicos.

 

10) A BÍBLIA É ÚNICA:

A BÍBLIA: Divina, Única, Viva, Completa, Verbal, Inspirada e Transforma.

Escrita em: Pedra, Barro, Papiro, Couro, Cacos de Louça e Linho.

NOMES:

•Escritura(Mt.21:42);

•Sagrada(Rm.1:2);

•Livro(Is.34:16);

•Palavra (Mc.7:13; Hb.4:12);

•Oráculo (Rm.3:2);

 

O LIVRO: A Bíblia é um livro singular, produzido no oriente antigo, que molda o ocidental moderno. E o livro mais traduzido, citado, publicado e influente na humanidade, amargo para se viver e doce para se pregar(Ap.10:8-11).

 

Bíblia(grego”Biblos”) - Livro. Esta palavra entrou para as línguas modernas pelo francês. Antes, era o nome que se dava à casca de um papiro do século Xl a.C. Por volta do século II d.C., os cristãos usavam a palavra para os escritos sagrados.

 

COMO LER: (Nome do Livro: NºCapítulo: Nº Verso inicial – Verso final). Ex: João 3:16-17

                     João              3          :      16            _      17

DIVISÃO:

* Em capítulos:1250 DC por Hugo Saint Cher

* Em versículos: (AT),em 1445 pelo Rabi Nathan e o (NT), em 1551, pelo  Pr. Robert Stevens.

PROPÓSITOS (Ler para  que?): 

* Dar respostas(1 Pe.3:15)

* Aprovar (2 Tm.2:15)

* Dar fé(Is.34:16)

* Dar Luz (Sl.119:130)

 

IMPORTÂNCIA (Por que ler?):

* Manual (1Pe.2.9;Ef.2:10)

* Alimento(Mt.4:4:Jr.15:16)

* Espírito Santo usa (Ef.6:17)

* Ela  enriquece (SI.119:72).

 

MANEIRAS (Como Ler?):

* Com Deus(Tg.1:5)

* Diária (Dt.17:19)

* Vontade (Tg.1:21)

* Oração (SI.119:12; Dn.9:21)

* Toda (2 Tm.3:16)

 

ÚNICA EM COERÊNCIA:

a) Escrita durante um período de mais de 1.500 anos;

b) Escrita durante mais de 40 gerações;

c) Escrita por mais de 40 autores de diferentes atividades;

- Moisés – lider político

- Pedro – Pescador

- Amós – Boiadeiro

- Josué – General

- Neemias – Copeiro

- Daniel – 1. ministro;

- Lucas – Médico

- Salomão – Rei

- Mateus – Coletor de Impostos

- Paulo – Rabino

d) Escrita em diferentes condições

- Davi em guerra e Salomão em paz

e) Escrita em diferentes lugares

- Moisés – no deserto

- Jeremias – na masmorra

- Daniel – na colina e em palácios

- Paulo – na prisão

- Lucas – numa viagem

- João – numa ilha (Patmos)

- Outros em companhias militares…

f) Escrita em diferentes circunstâncias

- Uns na alegria e outros no desespero e na dor;

g) Escrita em três continentes

- Ásia, África e Europa

h) Escrita em três idiomas

- Hebraico (Antigo testamento) ou Judaica (2 Rs.18:26-28) ou língua de Canaã (Is.19:18)

- Aramaico – Língua do Oriente Próximo, época de Alexandre o grande, de VI a.C. a IV a.C.

- Grego – (Novo Testamento) – Língua Internacional, na época de Cristo;

i) Escrita trata de Centenas de Temas Controversos

Com harmonia e coerência, desde Gênesis a Apocalipse, onde o Tema é Deus, que redime o homem.

ÚNICA EM CIRCULAÇÃO E TRADUÇÃO:

Não existe outro livro que se iguale em tradução ou circulação: Milhões de exemplares em mais de 240 línguas e dialetos, 739 idiomas, 1.280 línguas com mais de 3.000 tradutores.

ÚNICA EM SOBREVIVÊNCIA:

- Aos Tempos – Desde manuscritos a impressos modernos;

- Às Perseguições – Queima, proibição, ilegalidade

- Às críticas de Incrédulos;

ÚNICA NOS ENSINOS:

Profecia futura sobre o messias; História de Israel (5 Séculos);

Pessoas descritas – Não oculta os pecados e falhas do povo;

ÚNICA EM INFLUÊNCIA SOBRE A LITERATURA:

- Inspira dicionários, enciclopédias, léxicos, atlas e geografia bíblicos;

11. PREPARO DAS ESCRITURAS ANTIGAS:

MATERIAIS:

- Papiro;

- Pergaminho

- Velino (couro de filhotes de cabras)

- Ástraco (Cerâmica do Egito)

- Pedras – Argila e Cera

INSTRUMENTOS:

- CINZEL – De ferro para entalhar pedras;

- ESTILETE DE METAL

- PENA – Tinta (carvão, cola e água).

FORMAS:

- ROLOS – Os discípulos não quiseram fazer o Novo Testamento; liam o AT e apenas escreviam para necessidade dos cristãos.

12. NOMENCLATURA NOS ORIGINAIS HEBRÁICO (ESCRITURA) NO ANTIGO TESTAMENTO:

* btkm miktab – escritura, algo escrito à mão (Ex.32:16); 

* btk kathab – escrito real; refere-se à autoridade divina (Dn.10:21);

13. NOMENCLATURA NOS ORIGINAIS GREGO (ESCRITURA) NO NOVO TESTAMENTO:

* grafh graphe - escritura, denota o livro em si como o seu conteúdo; como certa porção ou seção da Sagrada Escritura (Mc.12:10);

 

14. A BÍBLIA CATÓLICA X EVANGÉLICA:

A igreja católica considera a Bíblia “protestante” como uma Bíblia Católica Incompleta, pois os “protestantes” como ela diz, não aceitam  os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1. e 2. Macabeus, bem como os capítulos 10 a 16 de Ester e os capítulos 3,13 e 14 do livro de Daniel, pois julgam que estas partes não são canônicas ou inspiradas por Deus.

A igreja católica não afirma a verdade quando fala que somente sua Bíblia traz no pé de cada página notas explicativas para os fiéis compreenderem a Bíblia, principalmente quando não afirmam a verdade dizendo que a Bíblia protestante não traz nenhuma nota ou nenhuma explicação, fato inverídico, pois há muitas bíblias de estudo não-católicas, de qualidade.

A igreja católica, num marketing pessoal indica sua bíblia com a palavra latina Imprimatur, como a garantia absoluta da palavra de um bispo fosse algo infalível; na verdade, não se pode dizer que a bíblia que não tiver esta palavra não seja fiel aos originais hebraico e grego, afinal, isso não passa de um marketing de venda das editoras católicas.

A igreja católica é contra o fato de que os “protestantes” afirmam que a Bíblia é a autêntica Palavra de Deus, pois dizem que os protestantes não têm nenhuma ligação com a igreja dos apóstolos, pois nasceram 1.500 anos depois e dizem que o que os protestantes aprenderam foi pela autoridade e tradição da Igreja católica.

Mas esquecem de que é Jesus quem abre a mente das pessoas para entenderem a Palavra de Deus e que toda a Bíblia Sagrada é inspirada por Deus e que o espírito santo foi enviado para ensinar as pessoas e não a placas de igrejas  (Lc. 24:45; 2 Tm.3:16; Jo.15:26).

A igreja católica defende a tradição oral da liturgia como superior ou pé de igualdade com a Escritura sagrada, pois diz que os ensinos de Jesus estão na Bíblia e na tradição; afirma que Jesus não mandou ninguém escrever a Bíblia, mas apenas pregar e ensinar.

Vejamos o que a Bíblia fala sobre tradições:

TRADIÇÃO: São informações, costumes, crenças e práticas religiosas transmitidas oralmente de Geração a geração.

Os fariseus davam mais valor às tradições do que à Lei (Mt.15:1-20).

São as Crenças e práticas religiosas das pessoas em geral, isto é, dos não-judeus, mas também são as verdades ensinadas pelo apóstolo Paulo em todas as suas epístolas e isso não pode contradizer.

* Tradição(grego paradosiv paradosis) – significa objetivamente, aquilo que é proferido, a substância de um ensino e também o corpo de preceitos, especialmente os rituais, que na opinião dos judeus tardios foram oralmente proferidos por Moisés e oralmente transmitidos em íntegra sucessão para gerações subseqüentes.

Esses preceitos, que tanto ilustravam como expandiam a lei escrita, deviam ser obedecidos com igual reverência.

Paulo nos manda ter cuidado com as filosofias do mundo (Cl.2:8), mesmo defendendo aquilo que recebeu do Senhor Jesus (2 Ts.3:6) e o próprio Pedro nos fala que fomos resgatados da tradição oral pelo sangue de Cristo e no final defende a Palavra pregada como algo superior à tradição (Leia 1 Pe.1:18-25).

 

*Temos que guardar o que ouvimos, mas segundo o amor e a fé em Cristo e não conforme o que fere os mandamentos de Cristo (2 Tm. 1:13);

*Temos que reter as tradições que foram ensinadas, mas segundo a palavra e a epístola, o que não pode haver contradição (2 Ts.2:15);

*Temos que nos afastar daquele que não anda segundo a tradição recebida, mas a Palavra deve ter curso em nossa vida, ricamente estudada, sempre no amor e na paciência de Cristo que nos mandou amar uns aos outros como nos amou (2 Ts.3:1-6).

*Temos que ouvir e confiar a homens idôneos a tradição oral, mas também Deus nos dará entendimento em tudo, principalmente na leitura da Palavra (2 Tm.2:1-2 e 7).

E mesmo que muitas outros sinais e não ensinos de Cristo não estejam escritos na Bíblia, (Jo.20:30; Jo.21:25), mesmo assim, o que foi escrito foi inspirado por Deus (2 Tm.3:16) e para nosso aviso da parte de Deus (1 Co.10:11), pois a Palavra nos foi escrita por exortação (1 Co.15:54; Hb.13:22; 2 Pe3:15; 1Jo.2:14), confirmada pelo Espírito Santo (1 Jo.5:7), o qual termina em nós a cada dia (2 Co.3:2-3).

15. QUANTO À INTERPRETAÇÃO CORRETA DA BÍBLIA:

A igreja católica afirma que somente ela (ou os padres, bispos e papas, que também são homens, como todo mundo), pode entender e tem a autoridade nas escrituras. Vejamos o que a Bíblia diz:

* Jesus é quem abre nosso entendimento para entendermos as escrituras (Lc.24:45);

* Paulo diz que o Senhor nos dará entendimento de tudo (2 Tm.2:7);

* Deus mesmo é quem coloca sua lei em nossos corações (Hb. 8:10);

* Deus nos dará entendimento para conhecermos a verdade (1 Jo.5:20);

* Deus dará sabedoria a quem lhe pedir (Tg. 1:5);

Mesmo que a profecia da escritura não seja de particular interpretação, mas o espírito santo inspira a quem quer (2 Pe.1:20-21).

A Igreja católica diz que ensina a única verdade, a única moral e obedece ao único pastor,o papa,mas a Bíblia diz sobre a verdade e sobre quem é nosso pai?

16. O QUE É A VERDADE?

A VERDADE NO ANTIGO TESTAMENTO:

* verdade – hebraico Mnma ‘umnam – fato certo (Gn.18:13);

* verdade – hebraico tma ‘emeth – firme, fiel, constante, como a doutrina de Deus (Gn.24:27);

* verdade – hebraico bwj towb -  bom, apropriado, conveniente, correto em benefício de todos (Gn.24:50);

* verdade – hebraico Nka ‘aken – estáavel, firme, fixo e determinado (Gn.28:16);

* verdade – hebraico Pa ‘aph – de fato, ainda mais, também (idéia de algo maior) – (Dt.33:3);

* verdade – hebraico Mymt tamiym – completo, total, inteiro, são (1 Sm.14:41);

* verdade – hebraico hnwma ‘emuwnah – confiável (Sl.37:3);

* verdade – hebraico qdu tsedeq – justiça, correção, retidão (Is.45:19);

A VERDADE NO NOVO TESTAMENTO:

* verdade – grego amhn amen - “Amém” é uma palavra memorável. Foi transliterada diretamente do hebraico para o grego do Novo Testamento, e então para o latim, o inglês, e muitas outras línguas.

Por isso tornou-se uma palavra praticamente universal.

É tida como a palavra mais conhecida do discurso humano. Ela está diretamente relacionada—de fato, é quase idêntica—com a palavra hebraica para “crer” (amam), ou crente. Assim, veio a significar “certamente” ou “verdadeiramente”, uma expressão de absoluta confiança e convicção.

A verdade é que devemos crescer na graça e no conhecimento de Deus (2 Pe.3:18);

A verdade é que somente Jesus nos leva a Deus, como único mediador entre Deus e os homens  (Hb.9:24-26; Jo.14:6; Jo.17:3; Rm.16:27; Hb.10:12; Jd. 1:4; 1 Tm.2:5; Hb.8:6; Hb.9:15; Hb.12:24);

A verdade é que o Espírito Santo nos guiará à verdade de Deus (Jo.16:13);

A verdade é que a palavra é a verdade que santifica (Jo.17:17);

A verdade é que mudaram a verdade de Deus em mentira adorando ídolos (Rm.1:25);

A verdade é que muitos não andam nela (Gl.2:14);

A verdade é que devemos crescer em Cristo, cabeça da igreja em amor (Ef.4:15);

A verdade é que muitos proíbem o casamento (celibato) e a comida que Deus deu em ações de graça (1 Tm.4:3);

A verdade é que nenhuma mentira vem da verdade (1 Jo.2:21);

A verdade é que Jesus é divino e humano ao mesmo tempo (2 Jo.1:1);

Além disso Pedro era casado, tinha sogra (Mc.1:30) e não podemos chamar a ninguém de papa=pai, pois Jesus nos proibiu isso (Mt.23:9).

17. BÍBLIA SAGRADA

Formada por 66 livros é a mensagem de Deus para o seu povo.

Deus inspirou homens para registrar suas palavras a fim de transmiti-las a outras pessoas.

É ferramenta para entendimento da vontade de Deus para nossas vidas.

Proclama a obra amorosa e redentora de Deus para os que não conhecem Jesus Cristo.

 

ANTIGO TESTAMENTO

Formado por 39 livros escritos originalmente em hebraico, é um relato histórico da obra de Deus na terra antes do nascimento de Jesus. Moisés, Isaías, Daniel e Davi estão entre os escritores que durante milhares de anos escreveram o Velho Testamento, que se divide em 3 partes principais: História, Poesia e Profecia.

 

OS LIVROS HISTÓRICOS: Começam com os 5 livros de Moisés, formando o Pentateuco. Eles contêm a história da criação do universo, Adão e Eva no Jardim do Éden, o grande Dilúvio, o êxodo dos israelitas da escravidão no Egito. O Pentateuco também contém as primeiras leis de Deus para seu povo.

 

OS LIVROS POÉTICOS: No centro do Velho Testamento há 5 livros poéticos escritos principalmente pelos reis Davi e Salomão. Esses livros incluem canções de louvor a Deus (os Salmos), princípios de sabedoria (Provérbios e Eclesiastes) e um maravilhoso poema de amor entre uma noiva e um noivo (Cântico dos Cânticos). Neles encontramos maravilhosas meditações sobre o amor de Deus por nós, seu poder sobre toda a criação e seu desejo do nosso respeito e temor.

 

OS LIVROS PROFÉTICOS: Vêm depois dos livros poéticos e foram escritos por cerca de dezesseis diferentes autores. Isaías, Jeremias e Daniel, que escreveram livros mais longos, são os profetas maiores. Ageu, Zacarias e Malaquias estão entre os profetas menores, cujos livros são mais curtos.

Esses livros falam do desapontamento de Deus porque Israel não seguiu suas ordens, relembram ao povo o amor incondicional de Deus por ele, além de apregoarem a vinda do Messias que redimiria Israel para sempre.

CANON DO ANTIGO TESTAMENTO: Conjunto dos livros do AT que a igreja cristã reconhece como genuínos e inspirados. No cânon aceito pelos evangélicos há 39 livros. O cânon católico tem a mais 7 livros e algumas porções. O cânon do AT é o mesmo para os judeus e os evangélicos.

NOVO TESTAMENTO:

Seus 27 livros escritos foram escritos em grego e num espaço de cerca de 50 anos. Sua mensagem principal se refere à obra redentora de Jesus Cristo e à primitiva igreja cristã, mas também oferece preciosos mandamentos sobre a vida com Deus. Pode ser dividido em 3 partes: Evangelhos, as Epístolas e Profecia.

 

OS EVANGELHOS: Os quatro primeiros livros do Novo Testamento são os Evangelhos, que contam a história do nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus. Eles também relembram os ensinamentos de Jesus para seus discípulos, como segui-lo e continuar sua obra depois de seu retorno ao céu.

Em seguida, vem o livro de Atos onde estão registrados os primórdios da igreja e a obra dos discípulos de Jesus realizando milagres e pregando o Evangelho.

Os evangelhos foram escritos nos anos 65-70 e final do século I, onde o momento histórico foi transmitido pela tradição oral e finalmente redigido.

 

AS EPíSTOLAS: Seguindo Atos vêm as epístolas ou cartas que o apóstolo Paulo e outros escreveram para encorajar os primeiros cristãos na sua caminhada com Jesus. As cartas nos proporcionam ricas diretrizes sobre os desejos de Deus para a nossa atividade diária.

 

O LIVRO PROFÉTICO: O último livro do Novo Testamento é Apocalipse, um livro profético que detalha a próxima vinda de Cristo à terra. A Bíblia foi um trabalho inspirado por Deus e, portanto, perfeito. O apóstolo Paulo escreve que toda Escritura é “inspirada por Deus (II Tímóteo 3:16) e Pedro explica que “nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).

 

CANÔN(Grego“kanõn” = cana,régua) – Padrão ou norma de um escrito, julgado como inspirado ou dotado de autoridade divina:

Características:a)Idade do Livro;b)Língua usada;c)concordância com outros livros;d)Expressões que atestam a autoridade divina;(Assim diz o Senhor…)e)Função profética verdadeira;f)Confiabilidade doutrinária;g)natureza dinâmica transformadora; h)aceitação do livro pelo povo de Deus;i)características literárias.

CANON DO NOVO TESTAMENTO

Conjunto de 27 livros do NT que a igreja cristã reconhece como genuínos e inspirados. O cânon do NT é igual para evangélicos e católicos. No princípio alguns livros foram aceitos com certa reserva, mas no final do quarto século o cânon atual já era aceito em quase toda parte.

O teste para inclusão era basicamente a inspiração divina e era necessário por algumas razões:

*  Havia divulgações de cânon herege;

*  Igrejas orientais estavam usando livros errôneos;

* Cristãos precisavam conhecer os livros sagrados para não morrerem em vão, conforme a lei de Diocleciano (303 AD), como os mártires Atanásio de Alexandria, Justino o mártir e Irineu.

 

18. APÓCRIFOS:

Livros que o Concílio de Trento, em 1546, declarou inspirados, embora não fizessem parte do Cânon do AT estabelecido pelos judeus da Palestina.

Os católicos chamam esses livros de “deuterocanônicos”, isto é, pertencentes ao “segundo cânon”. “Protocanônicos” (pertencentes ao primeiro cânon) são os livros do AT que os judeus da Palestina consideravam inspirados, e esses são aceitos tanto pelos católicos como pelos evangélicos.

Os livros apócrifos aceitos pelos católicos são os seguintes: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico ou Sirácida, Baruque, Epístola de Jeremias, Primeiro e Segundo Macabeus e os acréscimos a Ester (Ester Grego) e a Daniel (A Oração de Azarias, A Canção dos Três Jovens e as histórias de Suzana e de Bel e do Dragão.

 

APÓCRIFOS DO ANTIGO TESTAMENTO: Os apócrifos possuem erros e discrepâncias históricas e geográficas, ensinam doutrinas falsas divergindo das outras escrituras, possuem estilos artificiais e diferentes das escrituras e faltam elementos de autenticidade, não foram acatados por Jesus e combatidos pelos apóstolos.

 

OS LIVROS APÒCRIFOS:

São livros que Contrariam os Critérios da Inspiração dos judeus palestinos, zelosos preservadores dos ensinos bíblicos que não estiveram sujeitos às influências helenizantes dos judeus de Alexandria. A Igreja Católica Romana se refere ao cânon do Velho Testamento, ela inclui uma série de livros que os protestantes chamam de “Apócrifos” mas os católicos de “Deuterocanônicos”, que não aparecem nas versões evangélicas e hebraica da Bíblia. O resultado disto foi que na opinião popular dos católicos existem duas Bíblias: uma católica e a protestante, mas só há uma Bíblia, uma Palavra (escrita) de Deus. Nas línguas originais (o hebraico e o grego), a Bíblia é uma só e igual para todos, mas há várias versões ou traduções e diferentes idiomas.

DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS, PROTESTANTES E CATÓLICAS

1. Bíblia Hebraica – [a Bíblia dos judeus]: a) Contém somente os 39 livros do V.T.; b) Rejeita os 27 do N.T. como inspirado, assim como rejeitou Cristo; c) Não aceita os livros apócrifos incluídos na Vulgata (versão Católico Romana)

2. Bíblia Protestante: a) Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do N.T.; b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos.

3. Bíblia Católica: a) Contém os 39 livros do V.T. e os 27 do N.T. b) Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos que são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e 2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel.

COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS:

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 como meio de combater a Reforma protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc e os romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos.

Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois.

Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. No Concílio de Trento houve várias controvérsias, onde, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta corporal. A primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do papa Clemente VIII.

Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o AT e NT, não como inspirados, mas bons à leitura e de valor histórico, mas em 1629 as igrejas reformadas excluíram os apócrifos das suas edições da Bíblia.

PORQUE REJEITAR OS APÓCRIFOS:

1. Porque com o Livro de Malaquias (Último do Antigo testamento) , o Cânon bíblico havia se encerrado: Depois de aproximadamente 435 a.C não houve mais acréscimos ao cânon do Antigo Testamento. A história do povo judeu foi registrada em outros escritos, mas eles não foram considerados dignos de inclusão na coleção das palavras de Deus que vinham dos anos anteriores, como 1 Macabeus: (100 a.c.); Josefo: (37/38 d.C.); a literatura rabínica, os Manuscritos do Mar Morto..
        Os judeus estavam de acordo em que acréscimos ao cânon do Antigo Testamento tinham cessado após os dias de Esdras, Neemias, Ester, Ageu, Zacarias e Malaquias. A ausência completa de referência à outra literatura como palavra autorizada por Deus e as referências muito freqüentes a centenas de passagens no Antigo Testamento como dotadas de autoridade divina confirmam com grande força o fato de que os autores do Novo Testamento concordavam em que o cânon do Antigo Testamento, devia ser aceito como a verdadeira palavra de Deus.

2. Porque a Inclusão dos Apócrifos foi acidental:

A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico.

Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de judeus na cidade de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro reinos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, foi grande amante das letras e preocupou-se com enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Muitos livros foram traduzidos para o grego.

Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram levadas em conta, apreciando-se também a grande importância que teria a tradução da Bíblia de seus antepassados da Palestina para os judeus cuja língua vernácula era o grego.
        Segundo um relato de Josefo, o Sumo Sacerdote de Jerusalém, Eleazar, enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco.

A tradução continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo. Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta, ou Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo, seus tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice do Velho Testamento.

Os estudiosos acham que foram unidos à Bíblia, por serem guardados juntamente com os rolos de livros canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é , a escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos canônicos.

       Estes livros têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o caráter de sua vida intelectual e religiosa durante as épocas que representam, do período intertestamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos); é, talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram ao texto grego da Bíblia, mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.

3. Os apócrifos contém Lendas:

Tobias 6.1-4 – “Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse disse-lhe: Pega-lhe pelas guelras, e puxa-o para ti. Então, puxou para terra, e o começou a palpitar a seus pés.

4. Os apócrifos contêm Erros Históricos e Geográficos:

Por exemplo, a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1:15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomado por Nabucodonosor e por Assuero (14:15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares. Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes. [Em 2 Macabeus] há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos,que refletem ignorância e  confusão.

 

5. Os apócrifos contêm Heresias:

TOBIAS – (200 a.C.) - É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael. Ensina a justificação pelas obras (4:7-11; 12:8), mediação dos santos (12:12), superstições (6:5, 7-9, 19), e até um anjo que engana Tobias e o ensina a mentir (5:16 a 19).

JUDITE – (150 a.C.) É a História de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. Grande heresia é a própria história onde os fins justificam os meios.

BARUQUE – (100 a.D.) – Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. A data é muito posterior, quando da 2ª.destruição de Jerusalém, antes de Cristo. Seu principal erro é o ensino da intercessão pelos mortos (3:4).

ECLESIÁSTICO – (180 a.C.) – É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias: justificação pelas obras (3:33,34), trato cruel aos escravos (33:26 e 30; 42:1 e 5),incentiva o ódio aos Samaritanos (50:27 e 28).

SABEDORIA DE SALOMAO – (40 a.D.) – Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã).

Apresenta: o corpo como prisão da alma (9:15), doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma (8:19 e 20), salvação pela sabedoria (9:19).

1 MACABEUS – (100 a.C.) - Descreve a história de 3 irmãos da família “Macabeus”, que no chamado período ínterbíblico (400 a.C. 3 a.D) lutam contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.

II MACABEUS – (100 a.C.) – Não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu. Apresenta: a oração pelos mortos (12:44-46), culto e missa pelos mortos (12:43),  o próprio autor não se julga inspirado (15:38-40; 2:25-27), intercessão pelos Santos (7:28 e 15:14).

ADIÇÕES A DANIEL: Cap.13-A história de Suzana – Nesta lenda Daniel salva Suzana num julgamento fictício de falsos testemunhos. Cap.14-Bel e o Dragão – Fala sobre a necessidade da idolatria; cap. 3:24-90 – o cântico dos 3 jovens na fornalha.

TIPOS DE HERESIAS ENSINADAS NOS APÓCRIFOS:

* Ensinam Artes Mágicas ou de Feitiçaria como método de exorcismo: Tobias 6:5-9E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles.” Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio. Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo seu, como usar os métodos da macumba e da bruxaria para expulsar demônios.  Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e de fato ele não tem interesse nenhum em expelir demônios (Mt 12:26).  Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e o que usaram foi o nome de Jesus (Mc 16:17; At 16:18)

* Ensinam que Esmolas e Boas Obras limpam
pecados e Salvam a Alma: Tobias 12:8, 9
– “a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna”; Eclesiástico 3:33 – “… a esmola resiste aos pecados”.
Este é o primeiro ensino de Satanás, o mais terrível, e se encontrar basicamente em todas as seitas heréticas. A Salvação por obras, destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue de Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor exclusivo do sangue como um único meio de remissão e perdão:(Hb 9:11,12,22; I Pe 1:18, 19; Rm.3:20, 24 e 29);

* Ensinam o Perdão dos pecados através das orações: Eclesiástico 3:4 – “O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias”. O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma boa obra que a ninguém pode salvar. Só a oração de confissão e arrependimento baseadas na fé no sacrifício vicário de Cristo traz o perdão (Pv. 28:13; I Jo 1:9; I Jo 2:1,2)

* Ensinam a Oração Pelos Mortos: 2 Macabeus 12:43-46 – “e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, (…) é, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados”.

       Neste texto falso, de um livro não canônico, que contradiz toda a Bíblia, que a Igreja Católica Romana baseia sua falsa e herética doutrina do purgatório.

       Este é novamente um ensino satânico para desviar o homem da redenção exclusiva pelo sangue de Cristo, e não por orações que livram as almas do fogo de algum lugar inventado por homens falhos e pecadores que com tais ensinos negam o claro registro dos ensinos dos apóstolos de Cristo. Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e outros para a Salvação eterna – não existe meio de mudar o destinos de alguém após a morte. Veja Mt. 7:13,13; Lc 16:26.

* Ensinam a Existência de um Lugar Chamado PURGATÓRIO.

Este é o ensino herético e financeiramente conveniente para a Igreja de que o homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma segunda chance de Salvação.

Sabedoria 3:1-4 – “As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.

 A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na última parte deste texto, onde diz: “E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.

Eles ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório que o purifica para entrar na imortalidade. Textos da Bíblia que mostram a impossibilidade do purgatório (1 Jo 1:7; Hb 9:22; Lc 23:40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17; Ap 14:13; Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43).

6. Nos Livros Apócrifos Os Anjos Mentem

Tobias 5:15-19“Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: … Mas para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias” Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a própria lei santa de Deus. Todos os anjos de Deus, foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua identidade. Veja Lc 1:19.

 

7. Nos livros apócrifos, ensina-se que o simples ato de jejuar santifica:

Judite 8:5,6 - “jejuava todos os dias de sua vida …” Este texto legendário tem sido usado por romana relacionado com a canonização dos “santos” de idolatria. Em nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é sinal de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não jejuou mais.

O livro de Judite é claramente uma produção humana, uma lenda para escravizar os homens a ensinos errados e antibíblicos.

8. Nos livros apócrifos se ensinam atitudes anticristãs, como: Vingança, Crueldade e Egoísmo:

VINGANÇA – Judite 9:2 – Contraria o que a Bíblia diz sobre: Vingança (Rm 12:19, 17);

CRUELDADE e EGOÍSMO – Eclesiástico 12:6 – Contraria o que a Bíblia diz sobre Crueldade e Egoísmo ( Pv. 25:21,22; Rm 12:20; Jo 6:5; Mt 6:44-48);

9. A igreja Católica tenta defender a IMACULADA CONCEIÇÃO baseando em uma deturpação dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) – Contradizendo: Lc. 1:30-35; Sl 51:5; Rm 3:23);

Os Apócrifos solapam a doutrina da inerrância porque esses livros incluem erros históricos e de outra natureza. Assim, se os Apócrifos são considerados parte das Escrituras, isso identifica erros na Palavra de Deus.

19. INSPIRAÇAOxREVELAÇAO: Divina, pelo Espírito Santo (2Tm.3:16;2 Pe.1:21). Assim diz o Senhor (Ez.11:5 e 2 Cr.20:14) . Teoria Correta da Inspiração da Bíblia:

TEORIA DA INSPIRAÇÃO PLENÁRIA OU VERBAL

Todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas e os escritores não foram usados inconscientes, mas cooperava com eles o Espírito Santo, que os capacitava. Homens santos escreveram a Bíblia com as palavras de seu vocabulário, mas numa influenciante presença do Espírito Santo, escrevendo a PALAVRA DE DEUS.

REVELAÇÃO X INSPIRAÇÃO:

Revelação é a ação de Deus que se dá a conhecer ao Escritor e que o homem sozinho, nada pode saber (Dn.12.8; 1 Pe.1:10,11). Inspiração não implica em revelação. Toda a Bíblia foi inspirada, mas nem toda ela foi revelada: Ex. de Revelação:  Gênesis, sonhos de José, escritos de Paulo (Gl.1:11; Ef.3:3).

DECLARAÇÃO BÍBLICA X DECLARAÇÃO NA BÍBLIA

A Bíblia não mente, mas registra mentiras de ímpios e do diabo, declarações não inspiradas por Deus, mas registradas; verifique quem, para quem,e quando se fala.

20. DIVISÃO DA BÍBLIA E SEU SIGNIFICADO EM CRISTO:

A Bíblia se compõe de 2 partes, mas Jesus Cristo é o tema Central da Bíblia: O Antigo testamento, escrito pela comunidade hebraica em hebraico e aramaico e o Novo testamento, escrito pelos discípulos de Cristo, ao longo do séc.1 d.C.

Testamento significa aliança, pacto ou acordo, celebrado entre Deus e os judeus, no antigo pacto e no novo pacto, entre Deus e os cristãos. 02 Estruturas ou Testamentos (Grego diayhkh diatheke = aliança ou concerto). Com 66 Livros; sendo 39 no Antigo e 27 no Novo em período de 1600 anos, escrita por 40 autores, traduzida para 240 dialetos, 739 idiomas, 1.280 línguas com 3000 traduções

 

DIVISÃO DO ANTIGO TESTAMENTO:

 

(PREPARAÇÃO) – ORDEM NUMÉRICA DESCRITA-NÃO CRONOLOGIA

 

A)                       LEI – PENTATEUCO – (05 LIVROS):

FUNDAMENTO DA CHEGADA DE CRISTO:

•1°-Gênesis (Gn.)- Significa”ORIGEM”-Do pecado;Jesus,o Descendente da mulher – Autor Moisés, em 1450-140 a.C.-Fala do pecado, da Doutrina de Deus, da civilização, das nações, de Israel, da origem do homem e da redenção prometida.

•2°-Êxodo (Ex.)- Significa ”SAIDA”-Libertação/Promessa;Jesus,o Cordeiro Pascal-Autor é Moisés, em 1450-1410 a.C-Fala da libertação do Egito, a entrega da Lei, a Revelação de Deus (no Maná, nos 10 mandamentos e no Tabernáculo).

•3°-Levítico (Lv.)- Significa ”LEIS”-Fala da exigência para comunhão e o tema é Jesus, o Sacrifício Expiatório- Autor é Moisés, em 1450-1410 a.C.- Fala sobre a santidade de Deus, revela o pecado e a provisão de acesso a Deus.

•4°-Números (Nm.)- Significa ”NO DESERTO”-Fala da Fé x Promessas e o tema é Jesus, a Rocha Ferida – Autor Moisés, em 1450-1410 a.C. – Fala da peregrinação do povo rumo à terra prometida, lembrando a seriedade do pecado.

•5°-Deuteronômio (Dt.)-Significa ”2ª.LEI”-FaIa do Governo de Deus e o tema é Jesus,o Profeta. Autor é Moisés,em 1410 a.C. – Fala da constituição da teocracia de Israel, aborda sobre as bênçãos e maldições, os 10 mandamentos e os falsos profetas.

B)                      POESIA (05 LIVROS):

 ANELO PELA CHEGADA DE CRISTO:

•18°- Jó (Jó) -Significa ”PERSEGUIDO”-FaIa da Soberania x Necessidade. Tema é Jesus,o Redentor Vivo.-Autor e data incertos, talvez 1.500 a.C. Fala do motivo do sofrimento dos justos, declarando a soberania e propósitos divinos.

•19°-Salmos (SI.)-Significa ”LOUVOR”- Tema é Jesus,o Socorro e Alegria. – Vários autores, 73 de Davi, 2 de Salomão, 12 dos filhos de Coré, 12 de Asafe, 01 de Hemã, 01 de Etã e 01 de Moisés, durante o tempo de Davi a Salomão (10. Séc. a.C).

•20°-Provérbios (Pv.)-Significa “COMPARAÇÕES”-Fala de Ensinamentos humanos. O tema é Jesus,a Sabedoria Divina. Autores: Salomão e outros. (Agur escreveu 30 e Lamuel  escreveu 31. Fala de ensinos específicos de relacionamentos humanos.

•21°-Eclesiastes(Ec.)-Significa ”PREGADOR”- Fala para a Assembléia. O tema é Jesus,AIvo Verdadeiro. Autor é Salomão, em 935 a.C. Fala da rotina da vida, da compreensão que ela é dom divino e de que devemos viver, obedecendo a Deus.

•22°-Cantares(Ct.)-Significa ”CANÇÃO” - Fala de Jesus, Nosso Amado;Autor é Salomão em 965 a.C. FaIa e reflete no romance entre Salomão e a Sunamita, num diálogo sobre o Rei, que ganha seu coração, qual Jesus e a sua Igreja.

 

C)                      HISTÓRIA (12 LIVROS):

PREPARAÇÃO PARA A CHEGADA DE CRISTO:

•6°-Josué(Js.)- Significa ”JAVE E SALVAÇÃO” - Fala de Fidelidade e Herança. O tema é Jesus, o Capitão dos Exércitos do Senhor. Autor é Josué,com escritos de Eleazar profeta ou seu filho em 1400-1370 a.C. Fala da fidelidade divina em conceder Canaã a Israel, a importância da Lei e da Santidade de Deus ao julgar os pecados dos cananeus.

•7°-Juízes(Jz.)-Significa ”GOVERNANTE”- FaIa de Obediência e da Paz. O tema é Jesus, Libertador. Autor anônimo,talvez Samuel após a morte de Sansão, em 1050-1000 a.C. Fala da conquista da palestina, monarquia, fidelidade e perdão de Deus.

•8°-Rute(Rt.)-Significa ”AMIZADE”- FaIa de fé para todas as pessoas. O tema é Jesus,o Parente Divino. Autor desconhecido, talvez Samuel, em 1000 a.C. Fala de fidelidade em meio à idolatria e infidelidade, soberania e cuidado de Deus (Resgatador).

•9°-1 Samuel (1Sm.) Tematiza o “CHAMADO AO AVIVAMENTO” - Fala de Pecado x Santidade. Autor é Samuel e outros, em 930 a.C., em diante. Fala sobre Samuel, Saul e Davi e os efeitos do pecado e santidade no povo e líderes.

•10° – 2 Samuel (2 Sm.) – Tematiza a “ASCENSÃO/QUEDA” Na Bíblia hebráica é a segunda parte de 1 Samuel. Fala da morte de Saul e aliança com Davi.

•11°-1 Reis (1 Rs.) – Tematiza a “HISTÓRIA DO REINOS DE JUDÁ E ISRAEL” desde Salomão ao Cativeiro Babilônico-Fala de Fidelidade x Sabedoria. Autor é Jeremias, em 550 a.C., valendo-se de fontes históricas. Descreve o templo até Elias.

•12°-2 Reis (2 Rs.) – Tematiza o “DECLÍNIO/CATIVEIRO”- Na Bíblia hebráica, é parte de 1 Reis. Descreve o cativeiro babilônico até Eliseu.

•13°-1 Crônicas (1 Cr.) – Significa  ”NEGÓCIOS” - FaIa de Aliança,oração de louvor e genealogia.Autor é Esdras em 450-425 a.C. Em Reis e Crônicas, Jesus é o Rei Prometido. Declara aliança, oração e louvor de Davi. (Herança, bênção e pacto).

•14°-2 Crônicas (2Cr.)- Fala de CATIVEIRO/TEMPLO. Na Bíblia Hebráica é parte do 1 Crônicas. Fala de Salomão a Zedequias e a permissão para construir o Templo.Inclui a oração de Salomão pedindo sabedoria, até a duração do Cativeiro.

•15°-Esdras (Ed.)- Significa  ”AJUDA”-Esdras era sacerdote e escriba que trabalhou com Neemias na volta do povo de Israel da Babilônia e na restauração do culto a Javé na Terra Prometida.Fala do cumprimento das promessas de restauração. O Autor é Esdras, em 456-444 a.C. Primeiro voltaram 50.000 pessoas com Artaxerxes e depois com Esdras.

•16° Neemias (Ne)-Significa ”JAVE CONFORTA”. Fala de Restauração.Completa história de restauração do povo que voltou da Babilônia, sob a liderança de Esdras: marca início das 07 semanas de Daniel. Autor é Neemias, 445-425 a.C.

•17°-Ester (Et)- Significa ”ESTRELA”-Fala da Soberania x Providência.Jesus é o Advogado.Autor é incerto, mas certamente judeu, em 465 a.C. Explica a libertação de Deus, a festa de Purim e mostra o controle divino nos acontecimentos.

 

 

D)                      PROFETAS (17 LIVROS):

CERTEZA DA CHEGADA DE CRISTO:

Profetas Maiores (Pela quantidade de Escritos – 05 livros): (Jesus é o Messias Prometido):

•23°-lsaías (Is.) – significa ”JAVE SALVOU” – Fala da Redenção do Messias. Autor: Isaías, em 740-680 a.C. Atacou a apostasia.

•24°-Jeremias (Jr.) – significa “JAVE É ELEVADO”. Fala da Advertência ao pecado e promessa de Juízo. Autor é Jeremias em 627-585 a.C. Fala da severa mensagem de julgamento onde Nabucodonosor conquistou novamente Jerusalém.

•25°-Lamentações (Lm.) – significa ”CHORO EM VOZ ALTA” – 05 poemas melancólicos de lamentação pela destruição de Jerusalém pelos Caldeus. Autor é Jeremias em 586-585 a.C. O livro lembra o fato do que Jesus sentia por Jerusalém.

•26°-Ezequiel (Ez.) – significa “JAVE FORTALECE” – Fala de restauração futura, relembrando aos exilados sobre os pecados que haviam trazido sobre eles o juízo divino, assegurando a bênção futura. Autor é Ezequiel, em 592-570

•27°- Daniel (Dn.) – significa JAVE E MEU JUIZ”-FaIa de Deus,o Juiz futuro, além de futuros impérios gentios, anticristo e doutrinas dos anjos, ressurreição e narrativas dos jovens no fogo e da cova dos leões. Autor é Daniel em 537 a.C.

•Profetas Menores (Mesma importância profética – 12 livros): (Jesus é o Messias Prometido):

•28°-Oséias (Os.) – significa “SALVAÇÃO” - FaIa de amor à infidelidade. Autor é Oséias,em 710 a.C.Fala do amor leal de Deus e da contínua infidelidade de Israel. Retrata a vida do profeta, os pecados do povo, o juízo certo e o amor divino.

•29°-JoeI (Jl.) significa ”JAVE E DEUS” - Autor é Joel em 835 a.C. Fala da intervenção de Deus na história antiga de lsrael, das nações pagãs, do Dia do Senhor e envolve a grande tribulação , a 2ª. Vinda de Jesus (parousia) e o Milênio.

•30°-Amós-(Am.) significa -”CARGA”. Fala de Apelo ao Arrependimento. Atacando os males sociais do culto pagão, lançou apelo para escapar do juízo divino, mesmo tendo Israel, posição privilegiada. Autor é Amós em 755 a.C.

•31°-Obadias (Ob.) significa ”SERVO DE JAVE” – Fala do castigo aos Edomitas, orgulhosos com Israel. Autor é Obadias em 840 ou 586 a.C.

•32°-Jonas (Jn.)–significa“POMBA”.Fala da fidelidade de Deus perante o mundo e há milagres.Autor: Jonas em 760 a.C.

•33°-Miquéias (Mq). significa “QUEM É COMO JAVÉ?”. Fala da futura glória de Israel. Autor é Miquéias em 700 a.C.

•34°-Naum (Na). – significa “CONSOLAÇÃO” – Fala do Caráter de Deus e destruição de Nínive. Autor é Naum em 663-612 a.C.

•35°-Habacuque (Hc). – significa “ABRAÇADOR”- Fala do amor de Deus; salmo de louvor, justificando a fé. Autor é Habacuque, em 607 a.C.

•36°-Sofonias (Sf.) – significa “JAVÉ ESCONDE” – Fala de julgamento. Juizo das nações pagãs e descreve o milênio. Autor é Sofonias, em 625 a.C.

•37°-Ageu (Ag.) – significa “FESTIVO”. Fala  de apelo à coragem, consciência pura, confiar em Deus no futuro e construção do Templo. Autor é Ageu em 520 a.C.

•38°-Zacarias (Zc.)-” – significa “JAVE LEMBRA” – Fala do Reinado do Senhor; refere-se ao retorno de Cristo. Autor é Zacarias, em 520-518 a.C.

•39°-Malaquias (Ml.) – significa “MEU MENSAGEIRO” – Fala do verdadeiro culto a Deus e arrependimento. Autor é  Malaquias em 450-400 a.C.

DIVISÃO DO NOVO TESTAMENTO:

(ORDEM NUMÉRICA DESCRITA NA BÍBLIA – NÃO CRONOLÓGICA)

A)                      EVANGELHOS-(BOAS-NOVAS)- (04 LIVROS):

MANIFESTAÇÃO DE CRISTO (O Salvador):

•40°-Mateus (Mt.) – significa “DOM DE DEUS” – Autor: Mateus, em 60-70 A.D. O tema é Cristo, o Rei, para judeus convertidos.

•41°-Marcos (Mc.) – significa “DEFESA” – Autor: João Marcos, em 50-60 A.D. O tema é Cristo, o servo, para romanos convertidos.

•42°-Lucas (Lc.) – significa “QUE DÁ A LUZ” – Autor: Lucas, o médico, em 60 A.D.-O tema é Cristo, o Filho do Homem, para gregos convertidos.

•43°-João (Jo.) – significa “JAVÉ É DOADOR GRACIOSO” – Autor: Apóstolo João, em 85-90 A.D. Revela Jesus nos 07 milagres.

B)                                                           HISTÓRIA DO INICIO DA IGREJA – (01 LIVRO):

PROPAGAÇÃO DE CRISTO (Ressurgido e Poderoso)

•44°-Atos (At.) – Autor: Lucas, o médico, em 61 A.D. Registra expansão da igreja em 30 anos, enfatizando a prática da doutrina e padrões éticos cristãos.

 

C)                      EPÍSTOLAS-INTERPRETAÇÃO E PROPAGAÇÃO DE CRISTO (21 LIVROS):

(O Cabeça da Iqreja):

•45º-Romanos (Rm.) Autor:Paulo,em 58 A.D.Doutrina da justificação da fé, justiça de Deus p/igreja gentia de Roma.

•46º-1 Coríntios-(1 Co.) Autor:Paulo,em 56.A.D.Fala do uso dos dons espirituais(teologia pastoral) p/ig.de Corinto.

•47º-2 Coríntios-(2 Co.) Autor:Paulo,em 57 A.D.Paulo defende sua autoridade,relembra à igreja,o compromisso de ofertar.

•48º-Gálatas (Gl.)- Autor:Paulo,em 49 ou 55 A.D.Tema é justificação pela fé e fruto do Espírito,polêmica judáica na Galácia.

•49º-Efésios (Ef.)- Autor:Paulo,em 61ª.D.Tema é salvação pela graça e relação entre igreja e Jesus à Igreja de  Éfeso.

•50º-Filipenses (Fp.)- Autor:Paulo,em 61 A.D.Fala da Doutr.de Kenosis(auto-humilhação de Cristo) e oração p/G.de Filipos.

•51º-Colossenses (Cl.): Autor:Paulo;61 A.D. Fala da Supremacia, pessoa,obra de Cristo, conosco contra heresias em Colossos.

•52º-1 Tessalonicenses (1 Ts.) Autor:Paulo,em 51 A.D.Fala do arrebatamento e do dia do Senhor para a Igreja de Tessalônica.

•53º-2 Tessalonicenses(2 Ts.) Autor:Paulo,51 A.D. Fala do homem do pecado, Anticristo,contra imediatismo da igreja.

•54º-1 Timóteo (1 Tm.) Autor:Paulo,63.A.D. Fala da conduta e combate entre doutrina pura e heresia financeira a Timóteo.

•55º-2 Timóteo (2 Tm.) Autor:Paulo,66 A.D.Fala de apostasia, inspiração das Escrituras e coroa de justiça para Timóteo.

•56º-Tito (Tt.) Autor:Paulo,em 65.A.D.Fala sobre presbíteros,faixas etárias na Ig.,governo,regeneração,obras para Tito.

•57º-Filemon (Fl.) Autor:Paulo, 61 A.D. Fala fé e liberdade, compromisso e testemunho de comunhão eficiente a Filemon.

•58º-Hebreus (Hb.)Autor incerto,talvez Paulo,em 64-68 A.D.Sacerdócio de Cristo superior à Lei, a crentes ricos da Itália.

•59º-Tiago (Tg.) Autor:Tiago, em 45-50 A.D. Fala de Conduta,graça,ética cristã, fé x obras, língua e oração para a igreja primitiva

•60º-1 Pedro (1 Pe.) Autor:Pedro, em 63 A.D. Fala da vitória sobre sofrimento e graça de Deus para crentes espalhados no mundo.

•61º-2 Pedro (2 Pe.) Autor:Pedro,em 66 A.D.Fala contra heresias,inspiração da escritura e parousia e verdade do evang.

•62º-1 João (1 Jo.) Autor:João,90 A.D.Fala da realidade da encarnação do verbo e da alta ética da vida de Cristo.

•63º-2 João (2 Jo.) Autor:João,90 A.D.Fala de como se andar nos mandamentos de Cristo contra falsas doutrinas.

•64º-3 João (3 Jo.) Autor:João,90 A.D.Fala dos falsos líderes e dos problemas eclesiásticos para Gaio.

•65º-Judas (Jd.) Autor:Judas,irmão de Tiago e meio irmão de Jesus(Mt.13:55Mc.6:3), em 70-80 A.D. Moral Cristã.

 

D)REVELAÇÃO – CONSUMAÇÃO EM CRISTO (01 livro)

(Alfa e ômega-Cristo volta para Reinar):

 

•66º-Apocalipse: (Ap.) Revelação dos Últimos Tempos. Autor João,90 A.D.Revelação de Jesus para as 7 igrejas da Ásia.

a Inerrância da Bíblia

A autoridade das Escrituras é um tema-chave para a igreja cristã, tanto desta como de qualquer outra época.

Aqueles que professam fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador são chamados a demonstrar a realidade de seu discipulado cristão mediante obediência humilde e fiel à Palavra escrita de Deus.

Afastar-se das Escrituras, tanto em questões de fé quanto de conduta, é deslealdade para com nosso Mestre.

Para que haja uma compreensão plena e uma confissão correta da autoridade das Sagradas Escrituras é essencial um reconhecimento da sua total veracidade e confiabilidade.

A Declaração a seguir afirma sob nova forma essa inerrância das Escrituras, esclarecendo nosso entendimento a respeito dela e advertindo contra sua negação.

Estamos convencidos de que negá-la é ignorar o testemunho dado por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo e rejeitar aquela submissão às alegações da própria Palavra de Deus, submissão esta que caracteriza a verdadeira fé cristã.

Entendemos que é nosso dever nesta hora fazer esta afirmação diante dos atuais desvios da verdade da inerrância entre nossos irmãos em Cristo e diante do entendimento errôneo que esta doutrina tem tido no mundo em geral.

Desejamos expressar uma convicção quanto à inerrância das Escrituras e estimular e desafiar uns aos outros e a todos os cristãos a uma compreensão e entendimento cada vez maiores desta doutrina.

O aprofundamento de nossas próprias convicções através dos debates que tivemos juntos e oramos para que esta Declaração que assinamos seja usada para a glória de nosso Deus com vistas a uma nova reforma da igreja no que tange à sua fé, vida e missão.

Muitos  que negam a inerrância das Escrituras não apresentam em suas crenças e comportamento as conseqüências dessa negação, e estamos conscientes de que nós, que confessamos essa doutrina, freqüentemente a negamos em nossas vidas, por deixarmos de colocar nossos pensamentos e orações, tradições e costumes, em verdadeira sujeição à Palavra divina.

Qualquer pessoa que veja razões, à luz das Escrituras, para fazer emendas às afirmações desta Declaração sobre as próprias Escrituras (sob cuja autoridade infalível estamos, enquanto falamos), é convidada a fazê-lo.

Não alegamos nenhuma infalibilidade pessoal para o testemunho que damos e seremos gratos por qualquer ajuda que nos possibilite fortalecer esse testemunho acerca da Palavra de Deus.

UMA BREVE DECLARAÇÃO

1. Deus, sendo ele próprio a Verdade e falando somente a verdade, inspirou as Sagradas Escrituras a fim de, desse modo, revelar-se à humanidade perdida, através de Jesus Cristo, como Criador e Senhor, Redentor e Juiz.

As Escrituras Sagradas são o testemunho de Deus sobre si mesmo.

2. As Sagradas Escrituras, sendo a própria Palavra de Deus, escritas por homens preparados e supervisionados por seu Espírito, possuem autoridade divina infalível em todos os assuntos que abordam: devem ser cridas, como mandamento divino, em tudo o que determinam; aceitas, como penhor divino, em tudo que prometem.

3. O Espírito Santo, seu divino Autor, ao mesmo tempo no-las confirma através de seu testemunho interior e abre nossas mentes para compreender seu significado.

4. Tendo sido na sua totalidade e verbalmente dadas por Deus, as Escrituras não possuem erro ou falha em tudo o que ensinam, quer naquilo que afirmam a respeito dos atos de Deus na criação e dos acontecimentos da história mundial, quer no testemunho que dão sobre a graça salvadora de Deus na vida das pessoas.

5. A autoridade das Escrituras fica inevitavelmente prejudicada, caso essa inerrância divina absoluta seja de alguma forma limitada ou desconsiderada, ou caso dependa de um ponto de vista acerca da verdade que seja contrário ao próprio ponto de vista da Bíblia; e tais desvios provocam sérias perdas tanto para o indivíduo quanto para a igreja.

ARTIGOS DE AFIRMAÇÃO E NEGAÇÃO

* As Sagradas Escrituras devem ser recebidas como a Palavra oficial de Deus. Negamos que a autoridade das Escrituras provenha da Igreja, da tradição ou de qualquer outra fonte humana.

* As Sagradas Escrituras são a suprema norma escrita, pela qual Deus compele a consciência, e que a autoridade da Igreja está subordinada à das Escrituras. Negamos que os credos, concílios ou declarações doutrinárias da Igreja tenham uma autoridade igual ou maior do que a autoridade da Bíblia.

* A Palavra escrita é, em sua totalidade, revelação dada por Deus. Negamos que a Bíblia seja um mero testemunho a respeito da revelação, ou que somente se torne revelação mediante encontro, ou que dependa das reações dos homens para ter validade.

* Deus, que fez a humanidade à sua imagem, utilizou a linguagem como um meio de revelação. Negamos que a linguagem humana seja limitada pela nossa condição de sermos criaturas, a tal ponto que se apresente imprópria como veículo de revelação divina. Negamos ainda mais que a corrupção, através do pecado, da cultura e linguagem humanas tenha impedido a obra divina de inspiração.

* A revelação de Deus dentro das Sagradas Escrituras foi progressiva. Negamos que revelações posteriores, que podem completar revelações mais antigas, tenham alguma vez corrigido ou contradito tais revelações. Negamos ainda mais que qualquer revelação normativa tenha sido dada desde o término dos escritos do Novo Testamento.

* A totalidade das Escrituras e todas as suas partes, chegando às próprias palavras do original, foram dadas por inspiração divina. Negamos que se possa corretamente falar de inspiração das Escrituras, alcançando-se o todo mas não as partes, ou algumas partes mas não o todo.

* A inspiração foi a obra em que Deus, por seu Espírito, através de escritores humanos, nos deu sua Palavra. A origem das Escrituras é divina. O modo como se deu a inspiração permanece em grande parte um mistério para nós. Negamos que se possa reduzir a inspiração à capacidade intuitiva do homem, ou a qualquer tipo de níveis superiores de consciência.

* Deus, em sua obra de inspiração, empregou as diferentes personalidades e estilos literários dos escritores que ele escolheu e preparou. Negamos que Deus, ao fazer esses escritores usarem as próprias palavras que ele escolheu, tenha anulado suas personalidades.

* A inspiração, embora não outorgando onisciência, garantiu uma expressão verdadeira e fidedigna em todas as questões sobre as quais os autores bíblicos foram levados a falar e a escrever. Negamos que a finitude ou a condição caída desses escritores tenha, direta ou indiretamente, introduzido distorção ou falsidade na Palavra de Deus.

* A inspiração diz respeito somente ao texto autográfico das Escrituras, o qual, pela providência de Deus, pode-se determinar com grande exatidão a partir de manuscritos disponíveis. Afirmamos ainda mais que as cópias e traduções das Escrituras são a Palavra de Deus na medida em que fielmente representam o original.

Negamos que qualquer aspecto essencial da fé cristã seja afetado pela falta dos autógrafos. Negamos ainda mais que essa falta torne inválida ou irrelevante a afirmação da inerrância da Bíblia.

* As Escrituras, tendo sido dadas por inspiração divina, são infalíveis, de modo que, longe de nos desorientar, são verdadeiras e confiáveis em todas as questões de que tratam. Negamos que seja possível a Bíblia ser, ao mesmo tempo, infalível e errônea em suas afirmações. Infalibilidade e inerrância podem ser distinguidas, mas não separadas.

* Em sua totalidade, as Escrituras são inerrantes, estando isentas de toda falsidade, fraude ou engano. Negamos que a infalibilidade e a inerrância da Bíblia estejam limitadas a assuntos espirituais, religiosos ou redentores, não alcançando afirmações de natureza histórica e científica. Negamos ainda mais que hipóteses científicas acerca da história da terra possam ser corretamente empregadas para desmentir o ensino das Escrituras a respeito da criação e do dilúvio.

* A propriedade do uso de inerrância como termo teológico referente à total veracidade das Escrituras. Negamos que seja correto avaliar as Escrituras de acordo com padrões de verdade e erro estranhos ao uso ou propósito da Bíblia. Negamos ainda mais que a inerrância seja contestada por fenômenos bíblicos, tais como uma falta de precisão técnica contemporânea, irregularidades de gramática ou de ortografia, descrições da natureza feitas com base em observação, referência a falsidades, uso de hipérbole e números arredondados, disposição do material por assuntos, diferentes seleções de material em relatos paralelos ou uso de citações livres.

* A unidade e a coerência interna das Escrituras. Negamos que alegados erros e discrepâncias que ainda não tenham sido solucionados invalidem as declarações da Bíblia quanto à verdade.

* A doutrina da inerrância está alicerçada no ensino da Bíblia acerca da inspiração. Negamos que o ensino de Jesus acerca das Escrituras possa ser desconsiderado sob o argumento de adaptação ou de qualquer limitação natural decorrente de sua humanidade.

* A doutrina da inerrância tem sido parte integrante da fé da Igreja ao longo de sua história. Negamos que a inerrância seja uma doutrina inventada pelo protestantismo escolástico ou que seja uma posição defendida como reação contra a alta crítica negativa.

* O Espírito Santo dá testemunho acerca das Escrituras, assegurando aos crentes a veracidade da Palavra de Deus escrita. Negamos que esse testemunho do Espírito Santo atue isoladamente das Escrituras ou em oposição a elas.

* O texto das Escrituras deve ser interpretado mediante exegese histórico-gramatical, levando em conta suas formas e recursos literários, e que as Escrituras devem interpretar as Escrituras. Negamos a legitimidade de qualquer abordagem do texto ou de busca de fontes por trás do texto que conduzam a um revigoramento, desistorização ou minimização de seu ensino, ou a uma rejeição de suas afirmações quanto à autoria.

* Uma confissão da autoridade, infalibilidade e inerrância plenas das Escrituras é vital para uma correta compreensão da totalidade da fé cristã. Afirmamos ainda mais que tal confissão deve conduzir a uma conformidade cada vez maior à imagem de Cristo. Negamos que tal confissão seja necessária para a salvação. Contudo, negamos ainda mais que se possa rejeitar a inerrância sem graves conseqüências, quer para o indivíduo, quer para a Igreja.

 

A AUTORIDADE E A INERRÂNCIA BÍBLICA

 

1) EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA PARA A AUTORIDADE BÍBLICA:

“A autoridade das Escrituras significa que todas as palavras nas Escrituras são palavras de Deus de modo que não crer em alguma Palavra a Bíblia ou desobedecer a ela é não crer em Deus ou desobedecer a ele” Wayne Gruden

Ou seja, a Bíblia é a Palavra de Deus, escrita por homens, mas inspirada por Deus que foram ordenados para que escrevessem de forma fiel aquilo que lhes foi dito.(Nm 22:38, Dt 18:18-20, Jr 1:9; 14:14; 23:16-22; 29:31-32; Ez 2:7; 13:1-16). Vemos alguns fatores que garantem a autoridade bíblica: Todas as palavras nas escrituras são Palavra de Deus

A Bíblia diz isso a seu próprio respeito: O Apóstolo Paulo afirma que toda a Escritura é inspirada por Deus e ainda diz a sua completa utilidade, em várias áreas da vida e da necessidade interior e exterior do homem, caracterizando a autoridade, a inspiração, a inerrância e a suficiência bíblica para o homem em qualquer situação ou dificuldade de sua vida. (2 Tm 3:16).

Em 1 Pe 1:21, o apóstolo Pedro nos afirma que nenhuma escritura veio de propósitos humanos e que nenhuma interpretação é particular ou pertence a uma pessoa ou a um grupo restrito, mas sim que foram homens que escreveram e falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

Somos convencidos a aceitar as reivindicações da Bíblia de que ela é a Palavra de Deus, vemos que a partir do momento em que lemos a Bíblia e se inicia a ação do Espírito Santo nos mostrando que as palavras da Bíblia são divinas, pois o próprio Espírito Santo passa a falar aos nossos corações na palavra da Bíblia e por intermédio delas. Vemos isto com o Apóstolo Paulo nos falando em 1 Co 2:13,14.

As palavras das Escrituras são autocorroborantes. Elas se confirmam e se comprovam entre si mesmas, e não podem ser comprovadas por nada externo, como exemplo, razão humana, exatidão histórica, ou outros argumentos, caso isso aconteça estamos sugerindo que haja algo maior que a própria Escritura. Cremos que as Escrituras são a Palavra de Deus por que elas reivindicam essa condição e cremos em sua reivindicação porque as Escrituras são a Palavra de Deus.

Não é o único meio de comunicação de Deus, vemos no livro de Hb 1:1, que Deus falou a nós pelos profetas de muitas maneiras.

Outros indícios, a Bíblia é historicamente precisa, tem coerência interna, contém profecias que se cumpriram centenas de anos mais tarde e estão a se cumprir hoje, influenciou e influencia os rumos da História humana, muda a vida de milhões de pessoas, que encontram a salvação por seu intermédio, tem em seus ensinos uma beleza singular e majestosa e de uma profundidade que nenhum outro livro pode superar e afirma centenas de vezes que é a Palavra de Deus. Então em virtude do exposto:

 

2) NÃO CRER EM QUALQUER PALAVRA DA ESCRITURA OU DESOBEDECER A ELAS É NÃO CRER EM DEUS OU DESOBEDECER A ELE.

Vemos que Jesus repreende os discípulos por não crerem nas Escrituras (Lc 24:25). Nós crentes devemos guardar e obedecer às palavras dos discípulos (Jo 15:20). Os cristãos são incentivados a se lembrar “do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos apóstolos” (2Pe 3.2). Desobedecer aos escritos tornava as pessoas passivas de afastamento do corpo de Cristo (2Ts 3:14, 2Co 13:2-3). E, finalmente Deus se alegra em todo aquele que “treme” diante de sua Palavra (Is 66:2).

 

3) VERACIDADE DAS ESCRITURAS

Deus não pode mentir nem falar com falsidade (Hb 6:18)

Todas as palavras nas Escrituras são inteiramente verdadeiras e não contém erros em nenhum lugar.

A Palavra de Deus é o padrão definitivo da Verdade.

Nenhum fato novo poderá contradizer a Bíblia

 

4) AS ESCRITURAS SÃO A AUTORIDADE FINAL

Vemos que Deus quando deu os mandamentos a Moisés, Ele mandou que Moisés preparasse as tábuas em que Ele escreveu como seu próprio dedo (Ex 31:18), ou seja, escritas pelo próprio Deus, o Próprio Senhor fez questão de escrever, registrar, para ser lembrado, para não ser alterado, para que fosse de fácil acesso e de mais fácil obediência e que como conhece o homem saberia de sua facilidade de alterá-la se fosse apenas através da tradição oral, tanto é que as tábuas ainda estão guardadas dentro da arca do concerto, que vai ser achada por nós quando da nossa reunião com o Senhor (Ex 25:16; Ap 11:19).

5)  AS QUATRO CARACTERÍSTICAS DAS ESCRITURAS

INERRÂNCIA BÍBLICA (1)

Antes de mostrarmos as características dessa inerrância, vimos no item anterior que todas as Palavras escritas na Palavra de Deus são proveniente s de Deus e não obedecer a elas significa não obedecer a Deus e que por Ser Palavra de Deus e ser impossível que Deus minta ou fale com falsidade, então podemos dizer que a Palavra de Deus é verdadeira e sem qualquer erro, ou destituída de qualquer imperfeição (Sl 12:6, Pv 30:5, Jo 17:17).

Então podemos entender que os manuscritos bíblicos nos seus originais são desprovidos de quaisquer erros e não afirmam nada contrário aos fatos e sempre diz a verdade a respeito de todas as coisas que trata.

Vejamos algumas características da inerrância bíblica:

* A Bíblia pode ser inerrante e ainda assim usar a linguagem cotidiana, como já vimos a Bíblia foi escrita por vários autores dos mais variados níveis culturais, portanto foi escrito de acordo com a estrutura de linguagem de cada um, sendo geralmente a linguagem usual do povo, no caso de um homem do povo, ou de um sacerdote, no caso de ser escrita por um sacerdote, ou rica em detalhes quando escrita por um médico, ou numa linguagem mais coloquial quando escrita por pescador ou por vaqueiro;

* A Bíblia pode ser inerrante e conter citações livres, no grego original, Koine em que foi escrito o NT não existia sinais de aspas ou pontuações que indicassem a autoria de determinado discurso por parte de uma pessoa, por isso no Original as citações não são diretas e sim livres abertas, porém o que deve ser observado é se elas estão de acordo como conteúdo verdadeiro já existente na própria Palavra;

* A inerrância é compatível com construções gramaticais pouco usuais que estão presentes na Bíblia, por conter muitas vezes a linguagem natural do povo comum, ocorrem erros gramaticais, porém foi feita na linguagem natural do povo, mas que não afetam nem destroem a fidedignidade das declarações e do conteúdo sagrado e verdadeiro das Escrituras.

 

6) ALGUNS DESAFIOS PARA A INERRÂNCIA NOS DIAS DE HOJE

* A Bíblia é a única autoridade em questões de “fé e prática”, algumas pessoas nos dizem que a Bíblia só serve para questões relacionada a fé e a questões éticas de comportamento e conduta, o que abre margem para que outras áreas da Bíblia estejam com erros, porém temos que ver que a Palavra de Deus é a verdade e por ser a verdade e infalível e inerrante em qualquer área, veja o que diz At 24:14.

Em Rm 15:4 diz que tudo o que antes foi escrito foi escrito para o nosso ensino. Podemos dizer que a Bíblia é completamente pura, perfeita e verdadeira. (Sl 12:6, Sl 119:96, Pv 30:5). Vemos que o propósito geral das Escrituras é dizer exatamente tudo o que diz da maneira que diz. Tudo o que está declarado é por que Deus quis que estivesse declarado, tudo tem o seu propósito, apenas dizer que a Palavra só  serve para regra de fé e prática é impor limites a Deus que não tem limites e é perfeito e poderoso para fazer abundantemente além de tudo o que pedimos ou pensamos.

* O termo inerrância é um exagero, a questão da inerrância não está no aspecto gráfico da escrita, mas sim no aspecto de que os propósitos divinos foram atingidos, na perfeição do que foi relatado e escrito, na perfeição do anelo de amor e da grandeza de Deus que estão relatados na Palavra. Então de maneira nenhuma é exagero dizer que a Palavra é inerrante.

* Não possuímos manuscritos inerrantes, portanto não podemos falar de uma Bíblia inerrante. Os erros que se podem encontrar hoje em dia em relação aos manuscritos originais são ínfimos se comparados, chegam a ser menos de 1%, o que podemos falar que mesmo com a tradução permanecerão fiéis em sua integralidade, portanto a inerrância é mantida mesmo nos escritos de hoje mesmo com a diferença que existe em traduções.

* Os escritores bíblicos “adaptaram” suas mensagens a idéias falsas correntes na época deles, afirmando tais idéias de modo incidental. Diz que os escritores incluíram erros ou idéias erradas em seus escritos, só que essa afirmação nega a Soberania de Deus, nem permite mentira ou erro algum, até por que Deus não agiria contra o seu próprio caráter.

* A inerrância superestima o aspecto divino das Escrituras e negligencia o aspecto humano. Sabemos que a Bíblia é composta de dois aspectos, o divino e o humano e que se necessita dar a devida atenção a ambos.

* Há erros evidentes na Bíblia. O grande problema é que muitas pessoas afirmam que a Bíblia contém vários erros, o maior problema é que esses erros não conseguiram ser comprovados até hoje e cremos que não vão ser. O detalhe é que a idéia de erros na Bíblia parte da visão de cada uma das pessoas, por olharem a Palavra a partir dos seus conceitos e valores. Porém a verdade é que já vão muitos e muitos anos e os erros nunca conseguiram ser comprovados e de lá até hoje a Palavra é viva e eficaz e mais cortante que espada de dois gu7mes e penetra até o mais íntimo do ser (Hb 4:11).

 

7) PROBLEMAS COM A REJEIÇÃO DA INERRÂNCIA:

* Sem a inerrância ao imitar Deus vamos mentir intencionalmente em questões secundárias.

* Sem a inerrância será que podemos confiar em tudo o que Deus nos diz?

* Sem a inerrância, faremos de nossa mente humana um padrão de verdade maior que a Palavra de Deus.

* Sem a inerrância e com alguns pequenos itens errados vamos partir para afirmar que determinadas doutrinas fundamentais também estão erradas.

8) A CLAREZA BÍBLICA:

DEFINIÇÃO DE CLAREZA

A Bíblia é escrita de forma que todas as informações que interessam ao homem para a sua salvação e encontro, intimidade e relacionamento com Deus encontram-se bem claramente expostas nas Escrituras e podemos ainda definir da seguinte forma: afirmar que as escrituras são claras é dizer que a Bíblia está escrita de modo que seus ensinamentos podem ser compreendidos por todos os que a lerem em relacionamento com Deus e aplicando a sua vida.

 

A BÍBLIA AFIRMA A SUA PRÓPRIA CLAREZA:

“Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.” Esta passagem fala sobre a clareza e a nossa responsabilidade diante desta Palavra clara. Por outro lado vemos que a Palavra quando ela é dirigida é dirigida aos povos, e não a determinadas pessoas, ou seja, a todos os que estão com o sentimento de aprender de Deus. No Salmo 19:7 “O testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices”, já no Salmo 119:130 diz: “A revelação da tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples”. Ainda em outra passagem a Bíblia nos diz que o Povo de Deus erra por que lhe falta o conhecimento das Escrituras e nem conhece o poder de Deus e ainda a própria Palavra de Deus fala que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação (2Pe 1:20).

AS QUALIDADES ESPIRITUAIS E MORAIS NECESSÁRIAS PARA A COMPREENSÃO CORRETA DA PALAVRA;

Temos que compreender que a compreensão correta da Palavra é mais moral e espiritual do que intelectual “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1Co 2:14), a Escritura é clara sim, mas ela só será bem compreendida por quem se dispuser a receber os seus ensinamentos, até por que não é um livro de homens e sim o Livro de Deus para os homens. (1 Co 1. 18 – 3:4; 2Co 3:14-16; 4:3-4,6; Hb 5:14: Tg 1:5-6: 2 Pe3:5; Mc 4:11-12: Jo7:17; 3:43.)

As Escrituras podem e devem ser lida por todos os que buscam sinceramente a salvação e por todos os crentes que a leiam buscando o auxílio de Deus para a sua compreensão, pois nestes casos o Espírito Santo está a agir fazendo as transformações necessárias, trazendo a mudança e fazendo a verdade prevalecer. (Rm 4: 1-25;1: 18-25; Tg1: 5-6, 22-25)

POR QUE AS PESSOAS NÃO COMPREENDEM CORRETAMENTE AS ESCRITURAS?

Por muitas vezes não compreendemos as escrituras por falta de fé ou por dureza de nossos corações (Lc 24: 25), porém para interpretar de maneira correta a Palavra temos que trazer o entendimento a través de princípios corretos de interpretação que é a hermenêutica, que averigua os métodos corretos de interpretação e a inda através do estudo e da explicação de um texto bíblica que é a chamada exegese.

A grande vantagem desta característica da Palavra é que diante de grandes questionamentos e dos grandes embates que o homem faz em torno da Palavra duas coisas apenas podem acontecer a primeira é querermos afirmar verdades em torno do que a Bíblia se cala e aí muitas vezes queremos ser maiores que a Palavra e o outro é no que a Bíblia fala se erramos é por que não interpretamos de forma correta e coerente.

9) A NECESSIDADE BÍBLICA:

A BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA SE CONHECER O EVANGELHO

(Rm 10:13-17): “porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: “Como são belos os pés dos que anunciam boas novas!” No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: “Senhor, quem creu em nossa mensagem?”

Conseqüentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.” É fundamental para o homem que ele invoque ao Senhor para que seja salvo, só invocamos em quem cremos ou que sabemos que existe e que é poderoso para fazer alguma coisa por nós.

Não podemos crer se não conhecemos ou se não sabemos se ele existe.

E nem ouviremos falar nele se alguém não nos falar,  e finalmente alguém para falar dele vai fala da Palavra DELE, ou seja a Palavra é necessária para as nossas vidas e é necessária para a SALVAÇÃO.

A BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA SUSTENTAR A FÉ ESPIRITUAL

Não só de pão viverá o homem mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4: 4), Moisés diz o seguinte: “Elas não são palavras inúteis. São a sua vida. Por meio delas vocês viverão muito tempo na terra da qual tomarão posse do outro lado do Jordão”.(Dt 32:47)  e ainda 1 Pe 2:2 e 1 Pe 1: 23- 25.

A BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA SE CONHECER A VONTADE DE DEUS

Sem a Palavra escrita de maneira alguma poderíamos conhecer a vontade de Deus para os homens, para as nossas vidas. Somente através da Bíblia temos os ensinos e as direções que o Senhor quer para as nossas vidas. Na Palavra de Deus temos expressões claras da vontade de Deus para os homens, vejamos (Dt 29: 29) que diz: ““As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei.

Deus quer que sejamos irrepreensíveis por vivermos de acordo com a Palavra de Deus (Sl 119:1), ele quer que o homem seja bem aventurado pois o homem bem aventurado, não anda no conselhos dos ímpios e sim medita na lei do Senhor  de dia e de noite (Sl 1:1,2). Diz ainda que amar a Deus é guardar os seus mandamentos (1 Jo 5: 3), ou seja, se queremos ter um conhecimento preciso da vontade de Deus, devemos então estudar as Escrituras para alcançarmos um conhecimento seguro da Palavra de Deus.

Porém, finalizando este item temos que a Bíblia é necessária para alcançar conhecimento seguro sobre qualquer assunto, pois aquele que criou todas as coisas, o universo e tudo o mais  e que jamais mente ou se engana nos revelou a verdade e o que é verdadeiro.

Mas um pequeno detalhe a BÍBLIA NÃO É NECESSÁRIA PARA SABER QUE DEUS EXISTE e NÃO É NECESSÁRIA  PARA SE SABER ALGO SOBRE O  CARÁTER E AS LEIS MORAIS DE DEUS.

10) A SUFICIÊNCIA BÍBLICA:

DEFINIÇÃO DE SUFUCIÊNCIA

Dizer que as Escrituras são suficientes é dizer que a Palavra que Deus deixou escrita é suficiente e o bastante para que possamos alcançar a salvação, e para que possamos confiar em Deus e obedecê-lo e o mais que necessitamos para uma vida com Deus em todos os aspectos. E mais ainda ela não precisa de acréscimos, nem de ajustes, nem de reparos ou concertos e adequações. (Dt 4:2; Dt  12:32; Pv 30:5-6; Ap 22: 18-19).

* Na Bíblia está contido tudo o que Deus quer que pensemos e façamos; (Dt 29: 29);

* Na Bíblia nada devemos acrescentar e ainda, nada devemos equiparar a Ela. Ex.: Livro de Mórmons, Ciência Cristã (Ciência e saúde com uma chave para as Escrituras, de Mary Baker Eddy,) que afirmam crer na Bíblia mas dão igual valor ou até mesmo superior valor a esses livros em relação a Bíblia.

* Deus não exige que creiamos em nada sobre si mesmo ou sobre sua obra redentora que não se encontre na Palavra.

* Nenhuma revelação moderna de Deus deve ser equiparada a Bíblia no tocante à autoridade.

* Não existe pecado que não seja proibido pelas Escrituras. Quer explicitamente, quer implicitamente, temos que ser irrepreensíveis (Sl 119: 1).

* Deus não exige nada de nós que não esteja escrito e determinado explícita ou implicitamente na sua Palavra. Obedecerei constantemente à tua lei, para todo o sempre. “Andarei em verdadeira liberdade, pois tenho buscado os teus preceitos. Os que amam a tua lei desfrutam paz, e nada há que os faça tropeçar”. (Sl 119: 44-45, 165).

* Devemos enfatizar o que a Bíblia enfatiza e nos contenta com aquilo que Deus nos disse nas Escrituras. (Dt 29: 29);

AULA 3 – DEUS:

 

NOMENCLATURA NO ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRÁICO (NOME DE DEUS):

* Myhla ‘elohiym - plural  – o (verdadeiro) Deus  (Gn. 1:1);

* hwhy Yahovah – Javé = “Aquele que existe”; o nome próprio do único Deus verdadeiro; nome impronunciável. (Gn.2:4);

* ynda ‘Adonay - Senhor-título, usado para substituir Javé como expressão judáica de reverência (Gn.15:2);

NOMENCLATURA NO NOVO TESTAMENTO EM GREGO (NOME DE DEUS):

* yeov theos - A divindade suprema; Deus. (Mt. 1:23);

* kuriov kurios – (supremacia) – aquele a quem uma pessoa ou coisas pertence, sobre o qual ele tem o poder de decisão; Mestre, Messias. (Mt.1:20).

1) IDÉIAS SOBRE A REALIDADE DE DEUS: COSMOVISÃO:

Há várias maneiras pelos quais as pessoas podem entender a vida, influenciando a maneira pelo qual a pessoa pode ver Deus, origens, mal, natureza humana, valores e destino.

Cada uma é singular pois seus conceitos são exclusivos.

Apenas uma cosmovisão pode ser verdadeira:

  • Deus é um ser infinito e pessoal (1 Co.8:6);
  • O mundo foi criado e é finito (Sl.89:11);
  • Deus é além do mundo e atua no universo (Rm.1:25);
  • Os milagres são possíveis e reais (Hb.2:4);
  • Possuímos alma imortal e corpo mortal (1 Co.15:54);
  • No destino humano haverá julgamento com recompensas para os justos e juízos para os ímpios (1 Pe.4:17);
  • A origem do mal implica nosso livre arbítrio (Gn.2:17);
  • No fim, o mal será derrotado por Deus (Ap.3:21);
  • A base de toda ética é baseada em Deus (2 Co.1:12);
  • A natureza da ética de Deus é absoluta (Ml.3:6);
  • Na história e seus objetivos, ela é linear, proposital e determinada por Deus (Is. 14:26).

 

ARGUMENTO COSMOLÓGICO:

A ciência exige uma causa para todo efeito:

  • A causa do sem fim é a existência do infinito;
  • A causa da eternidade é a existência do Eterno;
  • A causa do espaço ilimitado é a onipresença;
  • A causa do poder é a onipotência;
  • A causa da sabedoria é a onisciência;
  • A causa da personalidade é o pessoal;
  • A causa das emoções é o emocional;
  • A causa da vontade é a  evolução;
  • A causa da ética é a moral;
  • A causa da espiritualidade é o espiritual;
  • A causa da beleza é a estética;
  • A causa da retidão é a santidade;
  • A causa do amar é o amor;
  • A causa da vida é a existência;
  • A causa de tudo se concentra em Deus.

 

2) A REVELAÇÃO DE DEUS:

 

2 TIPOS: (Natural ou Geral) e (Especial ou Sobrenatural)

Deus é o “mysterium tremendum”, mistério fascinador, oculto e desconhecido (At.17:23), mas a história humana é o registro das ações de Deus no tempo (At.17:26), pois Deus domina sobre todos os homens (Dn.4:17), num plano e propósitos divinos para o Reino de Deus na terra (Dn.2:7).

Se Deus não se revelar, o homem não pode conhecê-lo.Ele é incompreensível;só o Espírito Santo conhece suas profundezas.Deus deseja que o homem o conheça,o adore e viva em sua comunhão.

REVELAÇÃO NATURAL OU GERAL

 A criação pode nos revelar a existência de Deus: Deus é o Criador; é uma norma para a sociedade e meio de condenação (Insuficiente porque o pecado adulterou a fé humana-(Rm.1:19-20).

- Nas Artes: Deus se revela nas artes pois Deus é belo e fez um belo mundo e criou seres para apreciarem essa beleza. O homem é apenas um “subcriador”, dotados de dons criativos que revelam algo de sua natureza maravilhosa.

- Na Música: Deus se revela na música pois os anjos o louvam (Jó.38:7;Is.6:3;Ap.4:8; Ap.5:12). A voz humana é um instrumento musical criado por Deus e também os anjos, foram criados para louvar a Deus (Sl.150:3-5; Ap.8:2; Ap.14:2).

A música manifesta a glória de Deus, bem como a criação.

- Na Natureza: A revelação geral revela Deus como criador, mas não revela o redentor, narrando apenas a grandeza de Deus (Sl.8:1; Is.40:12-17). Ela é ampla, revelando as verdades da ciência, história e matemática, pelas leis da natureza e também é essencial para a razão humana pelo questionamento dos fatos da vida.

- Nos governos: Ademais, a revelação geral de Deus (Criação) é essencial a governo humano pois apesar de nem todas as sociedades estarem debaixo da lei judaica, estão embaixo das leis universais que regem a natureza.

REVELAÇÃO ESPECIAL OU SOBRENATURAL

 A revelação especial nos revela a teologia cristã: Deus é o redentor; é uma norma para a igreja e meio para salvação. A Bíblia é a norma para todo o ensinamento cristão, revelando a graça redentora de Deus e a mensagem da salvação, explicando o acesso do homem a Deus.

Tanto as revelações gerais como especiais são necessárias, pois Deus se revelou em sua Palavra e no mundo.

A verdade é encontrada tanto na Bíblia quanto na ciência, mas temos que distinguir a interpretação bíblica e a do leitor. As revelações de Deus  na Palavra e no mundo nunca se contradizem, pois a Bíblia é inerrante.

 

3) DEFINIÇÃO DE DEUS NA TEOLOGIA:

Deus é o Ser Supremo Espírito Infinito, Eterno, Imutável em seu Ser, Sabedoria, Poder, Santidade, Justiça, Bondade, Verdade e Amor, Único, Perfeito, Criador e Sustentador do universo, Pessoal e subsiste em três Pessoas ou Distinções: Pai, Filho e Espírito Santo.

 

 

 

4) DEFINIÇÃO BÍBLICA DE DEUS:

Deus é testemunha entre os homens (Gn.31:50); zeloso (Dt.4:24); misericordioso (DT.4:31); único (Dt.6:4); grande e poderoso (Dt.10:17); perfeito, verdadeiro, justo e reto (Dt.32:4); salvador (2 Sm.22:3); excelso em poder (Jó.36:22); misterioso e eterno (Jó.36:26); justo juiz (Sl.7:11); bem presente (Sl.46:1); santo (Sl.99:9); a verdade real e eterna (Jr.10:10); Espírito (Jo.4:24); Fiel (2 Co.1:18);  Poderoso (2 Co.9:8); único (Gl.3:20); Amor (1 Jo.4:8); é verdadeiro em seu Filho Jesus Cristo, o verdadeiro Deus e a vida eterna. (1Jo.5:20).

5) EVIDÊNCIAS DE DEUS: (Argumentos de sua existência):

a)Impulsionador Primário:Se tudo é energia, só Deus criou a força para iniciar esta energia geradora de toda a vida.

b) Cosmológico: Existe um universo em vez de não haver nenhum, que deve ter sido causado por algo, além de si mesmo e que precisa continuar existindo; assim, se teve princípio,  teve causa e assim só Deus criou esta  1ª matéria.

c) Possibilidade:Todas as partes do universo dependentes entre si e assim, dependem da existência de um ser independente;Deus.

d) Axiológico (grego Áxios-Valor): Deus entende a vida complexa de todos nós, como a complexidade psico-cerebral.

e) Telológico (grego Telos-Finalidade, Propósito):O Universo é um grande projeto complexo, tendo complexidade (muito cheio de elementos) e especificidade (características nítidas e constantes).

f)Ontológico (grego Ontos-realidade, ser perfeito):Deus é um ser absolutamente perfeito; como a existência é uma perfeição, Deus existe.

g) Eficácia da Razão:Razão admite Deus; é irracional pensar que tudo foi feito ao acaso se na vida tudo há propósito.

h) Moral:Moral vem dEle (Rm.2:12-15)-Leis morais implicam um legislador moral; como há uma lei moral objetiva, há um legislador moral que é Deus.

i)Religiosa:Seres humanos precisam de Deus;os que os seres humanos precisam existe;logo,Deus realmente existe.

j) Autoridade:Existência de líderes;Se há a presença de líderes e de liderados, isso reflete que há um líder maior,Deus.

k) Experiência: Cura, milagre;Curas e milagres em todo o mundo, evidenciam a operação de Deus (realizar milagres.)

l) ”consensus gentium”:Opinião popular;se numa comunidade, pessoas de diferentes padrões atestam, há evidência.

m) felicidade cristã: Senso de Confiança.Testemunhos de pessoas transformadas evidenciam Deus em suas vidas.

n)Argumento da Alegria:Todo desejo tem um objeto real de satisfação;os seres humanos têm um desejo inato e natural pela imortalidade; assim, há uma vida imortal após a morte e conseqüentemente, a presença de Deus, juiz.

6) RELAÇÃO NO MUNDO:

Visão correta:TEÍSTA/MONOTEÍSTA:Há um Deus e somente um único Deus, que é Ele mesmo, em sentido absoluto: Há 3 religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

 

Criação e Providência

 

1) Deus por seu poder e bondade infinitos, criou o mundo do nada, sem perda de sua substância, deu existência ao mundo;

2) que não abandonou, depois de criá-lo;continua a influir em todo momento sobre ele,com sabedoria e amor,conservando e dirigindo no sentido dos fins dados na ordem da criação.

 

 

Imanência e Transcendência:

a) Deus está unido ao mundo que criou;

b) dele se distingue em real independência de Deus, ser infinito, pessoal, autônomo, inteligente e livre, distinto do universo que criou, o conserva e o dirige.

 

7) MANEIRAS DE SE REVELAR:

 

a)Teofanias(manifestações)-Deus próximo,entre anjos, fogo, nuvem,fumaça,zéfiro suave(voz mansa) e Anjo do Senhor(2ª.pessoa da trindade);

b)Comunicações diretas (auto-revelação):Voz audível, Urim e Tumim (peças da roupa do Sumo-sacerdote),  sonho, revelação, visão e pelo Espírito Santo.

c) Milagres (experiência mística): poder de Deus em situações especiais: Maná, sarça ardente, abertura do Jordão;

d) Escrituras:revelando aspectos de Deus e sua obra;

e) Abordagens: racionais (reflexão); intuitivas (idéias) ou filosóficas (ver a natureza).

8) SUA NATUREZA ESSENCIAL:

 

1)Puramente espiritual,de infinitas perfeições (3 elementos):*Deus é puramente Espírito (Jo.4:24) auto-consciente, auto-determinativo, sem corpo limitado, não visto por nossos sentidos.

2)Pessoal: tem personalidade, inteligência, moral e racional,através de suas ações: vai, vem, sustenta prova,conversa e dá vitória;revelação mais elevada em Cristo;

3) Infinitamente Perfeito:distinguível de todos,sem limites, exaltado; sua essência e propriedade são uma, nada se acrescenta a seus atributos,que dão essência plena de si.

9) ATRIBUTOS DE DEUS (Características Exclusivas):Divide-se em 03 Tipos:

 

1) Incomunicáveis,  absolutos ou  metafísicos: (Não humanos):

  • Simplicidade(não composto de partes)-Jo.4:24
  • Unidade(indivisível e uno)-Dt.6:4
  • Infinidade (nada acima dELe)-At.17:24
  • Imensidade(Não limitado)
  • Onipresença(em todo lugar)-Sl.139:7
  • Imutável(idêntico)-Tg.1:17
  • Eterno(Atemporal)-Gn.21:33
  • Onisciente-(Sabe tudo)-Mt.11:21
  • Onipotente(todo-poderoso)-Ap.19:6
  • Soberano (Governante supremo do Universo)-Ef.:1

 

2)Comunicáveis ou pessoais: (Como o homem):

  • Inteligência:tudo vê e conhece por intuição sem pensar
  • Vontade: basta querer fazer

3)Morais: (manifesta pessoa moral):

  • Sabedoria (faz empregar meios mais eficazes e dignos, inteligência infinitamente perfeita)
  • Bondade-Deus é amor infinito e perfeito;ama as coisas na proporção do valor e mérito; ama a si mesmo e à sua criação
  • Justiça (age com justiça infinitamente perfeita, pune o mal e recompensa o bem)
  • Santidade ou Retidão Moral (inteireza de caráter, legítimo, correto)
  • Amor: (dedicação absoluta de desejar bem do outro)
  • Verdade: (Concordância e coerência em tudo)
  • Liberdade (Independência divina de suas criaturas)

 

10) DECRETOS DE DEUS: Eterno propósito,segundo sua vontade para a sua glória preordenada:Termos relacionados:

1) Onisciência  (Conhece tudo)

2) Presciência (Antevê tudo)

3) Predestinação (Sabe destino dos eleitos)

4) Retribuição (Pune os ímpios)

5)  Eleição (Escolheu povo para si)

6) Preterição(omite não eleitos)

7) Pai: de Cristo (Mt.3:17); de Israel (Dt.32:6); dos Crentes (Ef.4:6); dos Anjos (Jó.1:6); dos Espíritos (Hb.12:9); da Glória (Ef.1:17); das Luzes (Tg.1:17); de todos (Ef.4:6 e Rm.4:11);dos Órfãos (Sl.68:5);da Eternidade(Is.9:6);das Famílias(Mt.19:5); Fonte procedente de tudo.

11) NOMES DE DEUS:

Nas escrituras significa mais que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo, fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome: Nomes de Deus:

a) El (Deus), Elah, Elohim (aumentativo de El, pra designar Deus supremo, sentido de força e poder), Eloah (Deus da Eternidade);

b)  Jeová (artificialmente criado:YHWH (yahweh)+Adonai (Senhor);

c)Yaweh ou Javé (Eu Sou o que Sou);OBS:Yaweh +: Elohim (Deus dos deuses);Yireh (o que provê);Nissi (minha bandeira);Shalom (paz);tsidquenu(nossa justiça);shammat (está ali); Shapat (juiz);Yasha(Salvador); Palat (libertador); El Roi (Deus vê); Tsaddiq (Justo);Ego eimi (EU SOU); Pater (Pai das Luzes); Elohim (Deus vivo); Elohim Sabaoth ou Kúrios (Senhor dos Exércitos); Eyaluth (Força); Maor (Doador da Luz); Abba (Pai);  Rocha; Theótes ou Théos (Divindade); Senhor dos Senhores; Qadosh (Santo de Israel)

 

AULA 4 – HOMEM

 

ANTROPOLOGIA – A DOUTRINA DO HOMEM: Referências (2 Pe.1:4; 1 Jo. 3:2 )

 

NOMENCLATURA NO ANTIGO TESTEMANTO EM HEBRÁICO:

* Mda ‘adam aw-dawm’ - homem, humanidade (designação da espécie humana) como indivíduo, humanidade (Gn. 1:26);

* rkz zakar – macho (referindo-se a seres humanos e animais) – (Gn.1:27);

*  vya ‘iysh - significa ser existente; criatura humana (alguém) – (Gn.2:24);

* vwna ‘enowsh – homem mortal, pessoa, humanidade (2 Cr.14:11);

* rbg geber  – homem forte, guerreiro (habilidade para lutar)-(Sl.92:14);

NOMENCLATURA NO NOVO TESTEMANTO EM GREGO:

* anyrwpov anthropos  – ser humano, seja homem ou mulher; genericamente, inclui todos os indivíduos humanos, com a noção adicionada de fraqueza. (Mt.4:4);

1)EVOLUÇÃO X CRIAÇÃO:

 

 Argumento científico-Teológico: Será que a evolução tem base bíblica ou científica?

Só Deus estava presente quando tudo começou; ou Deus ou ninguém.

A probabilidade da formação da vida na evolução é tão pequena que exige o milagre pela fé, da geração espontânea.

Quanto ao relativismo, não podemos supor que absolutos não existam porque isso já seria criar o absoluto de que absolutos não existem.

Se tudo é relativo e não há verdade absoluta, é relativo em relação a que absoluto?

Todo mundo é religioso pois não há como provar cientificamente que Deus não existe, pois os ateus crêem na inexistência da divindade e isso é fé, tratada pela religião.

 

QUADRO COMPARATIVO: Modelos para a ciência e a história:                                 

          EVOLUCIONISMO                   x          CRIACIONISMO:

           (Espontâneo/seleção natural)    x   (planejado/proposital)

No princípio:                                                   ???? x Deus

Aparecimento do Espaço, matéria e tempo:   Explosão do Big Bang x Criação temporal (Ato Sobrenatural).

Aparecimento do Universo:  Expansão do Big Bang durante bilhões/anos  x Criação Especial com Idade Aparente.

Aparecimento da Vida Vegetal: Universo Estéril produziu vida espontaneamente x Criação completa, complexa e diversificada;

Aparecimento da Vida Vegetal: universo estéril produziu vida espontaneamente x Criação completa, complexa e diversificada.

Método do Aparecimento: Probabilidade e chance x planejamento e execução.

Tempo de Existência: bilhões de anos (14a20 bi) x milhares de anos(Apx. 10 a 13 mil)

Quem apertou o “botão” do big bang? O que produziu instabilidade no Universo?

Tendências:EVOLUÇÃO x CRIAÇÃO;

Religião: Humanismo x Cristianismo (Deus);

Ética: Relativismo x Absolutos de Deus (Bíblicos);

Moralidade: Relativismo x Padrões morais de Deus;

Sociedade: Relações de libertinagem e prostituição x Tradições e manut. das famílias;

Governo: Totalitarismo x Democracia

MODELOS QUE INFLUENCIARAM A LÓGICA DE PENSAMENTOS:

HISTÓRIA DO PENSAMENTO EVOLUCIONISTA:

 

(Não começou com Darwin há 150 anos atrás…)

* TALES DE MILETO (621 A 543 a.C.): Disse que o mundo evoluiria da água por processos naturais.

* ANAXIMANDRO DE MILETO – seguidor de Tales de Mileto (610 – 547 a.C.): Disse que o mundo surgiu do elemento “apeíron” que seria formado da água, ar, fogo e terra.

* EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO (492-430 a.C.): Disse que os animais e vegetais surgiram em épocas diferentes e que sobreviveu o melhor capacitado , pois a vida animal surgiu muito tempo depois da vida vegetal.

* LÉUCIPO (Séc. V a.C.): Fundador da filosofia atômica – Disse que o universo é apenas formado por átomos e espaços vazios.

* DEMÓCRITO (460-370 a.C.):Criador do Atomismo – Disse que a realidade é formada apenas por infinitos átomos.

SÉCULO XVII:

* J.S.Wammerdan (1637-1680): Disse que todas as espécies são oriundas de uma única ancestral (criada).

* G.W. Leibnitz (1656-1716): Disse que todas as classes de animais são ligadas por transições, mas não apresentou nenhuma.

* P.L.M.de Mampertuis (1698-1759): Disse que a sobrevivência seria do ser mais capaz.

SÉCULO XVIII:

* D.DIDEROT (1713-1784): Falou sobre a Seleção Natural.

* ERASMUS DARWIN (1731-1794): Disse que a evolução é dirigida por influências ambientais.

* J.B. DE LAMARCK (1744-1829): Disse que da herança provinha as características adquiridas.

SÉCULO XIX:

* ROBERT CHAMBERS (1802-1871):Disse que havia evolução como processo natural.

* CHARLES DARWIN (1809-1882): Deu introdução a Origem das Espécies, evidenciada em 24/11/1959.

* HERBERT SPENCER (1820-1903): Introduziu o conceito de evolução em um sentido mais moderno.

HISTÓRIA DO PENSAMENTO CRIACIONISTA:

* JÓ (2100 a.C.): Disse que o Universo foi feito por um Criador.

* MOISÉS (1450 a.C.): Disse que o Universo foi feito pelo Criador e com uma idade aparente.

* SALOMÃO (950 a.C.): Disse que o Universo além de ter sido feito pelo Criador, obedece leis estabelecidas.

* PLATÃO (427-347 a.C.): Disse que o Universo foi feito por um Criador de acordo com um plano racional e que o Universo não é eterno.

* ARISATÓTELES – Discípulo de Platão (384 – 322 a.C.): Disse que o Universo foi criado e é eterno – Aceitava a redondeza da terra  e aceitava a geração espontânea de vermes, larvas, vespas e carrapatos.

SÉCULO XVI:

* Johannes Kepler (1571-1630): Disse que o mundo dos homens, da natureza e de Deus todos eles se encaixam e que Deus, o Criador, trouxe à existência, todas as coisas do nada.

SÉCULO XVII:

* Isaac Newton (1683-1727): Disse que aceitava a Bíblia como autoridade em todos os assuntos  e que a ciência não existia para provar a Bíblia, mas a Bíblia para dirigir a boa ciência.

SÉCULO XVIII:

* Leonard Euler (1707-1783): Disse que aceitava a Bíblia como a única verdade absoluta. Dizia que a matemática do Universo é perfeita e um trabalho de um sábio Criador e que nada acontece no Universo sem que uma regra de um máximo ou de um mínimo apareça.

SÉCULO XIX:

* James Clarck Matson (1831-1879): Escreveu sobre a inerrância e a infalibilidade da Bíblia.

SÉCULO XIX:

* Wernher Van Braum (1912-1977): Phd em Ciência Aeronáutica-Disse que ao se contemplar os mistérios da fé, se compreende a existência do Criador. (Fora estes, há cerca de 150 nomes de homens da ciência que aceitavam a Bíblia na íntegra…).

 

PROPOSIÇÕES DO CRIACIONISMO:

 

PROPOSIÇÃO 1: A TEORIA DA CRIAÇÃO ESPECIAL: Todas as coisas criadas constituem um produto de um ato único e soberano por parte de um Criador (Deus) onisciente, onipotente, onipresente e pessoal, o qual não depende de sua criação para a sua existência, nem é parte dela. Ciência do Aprendizado: Quanto mais complexa, mais inteligência.

 

PROPOSIÇÃO 2: TODO UNIVERSO FOI CRIADO EX-NIHILO (do nada), COMPLEXO E FUNCIONAL-MATURIDADE E ESTABILIDADE COM UMA IDADE APARENTE RECENTEMENTE (MILHARES DE ANOS): Matéria, espaço, energia e entropia – a tendência é que tudo fique desorganizado diferente da proposta evolucionista que acha que tudo se organizará. (A ferrugem é prova da desorganização).

PROPOSIÇÃO 3: TODAS AS FORMAS DE VIDA FORAM CRIADAS NO PRINCÍPIO-SOBRENATURALMENTE, COMPLEXAS (Desenho e inteligência), PERFEITAS (Completas), COM DIVERSIDADE BÁSICA. A genética e a palentologia afirmam que a organização e a complexividade diminuem com o tempo. Por exemplo, a escrita cuneiforme babilônica e os hieróglifos egípcios demonstram inteligência dos antepassados. Os cientistas do passado faziam cálculos complexos, sem o uso do computador.

PROPOSIÇÃO 4: A DIVERSIDADE DENTRO DOS GRUPOS DE ORGANISMOS VIVOS-CRIADOS EM ESPÉCIES DISTINTAS, COM FORMAS ORIGINAIS, GENETICAMENTE POLIVALENTES. Todos os tipos básicos foram chamados à existência simultaneamente, onde as variações seriaam dentro dos grupos e não de um só.

PROPOSIÇÃO 5:O PLANETA TERRA EXPERIMENTOU NA SUA EXISTÊNCIA UM DILÚVIO UNIVERSAL RECENTE (CATASTRÓFICO): Isso explica a coluna geológica extratificada, a formação de fósseis e a movimentação das placas continentais (hidroplacas).

PROPOSIÇÃO 6: EXISTEM EVIDÊNCIAS SUBSTANCIAIS ACIMA DA BIOSFERA, NA BIOSFERA E EMBAIXO DA BIOSFERA:  Estas evidências compõem as cinco primeiras proposições da Teoria da Criação Especial. (A própria vida aponta para Deus: Sl.139:14; Rm.1:20).

Quem não tem base científica, não é real:

No ano de 1859, Charles Darwin publica o seu livro “A Origem das Espécies”, desenvolvendo duas hipóteses principais: • Todas as formas presentes de vida se desenvolveram de outras formas primitivas; O processo evolutivo deve ser explicado pela seleção natural (incluindo a doutrina da sobrevivência do mais apto), operando sobre variações ao acaso. (Que já é um ateísmo). Cientistas concordaram com o fato da evolução, mas queriam saber se ela ocorrera realmente e como ocorrera.

A evolução implica em que “todas as formas de vida” que existem atualmente sobre a terra são derivadas de uma (ou de muito poucas) formas originais e primitivas de vida, através de uma série de transformações relacionadas entre si, as quais se originaram todas de forma exclusivamente natural.

 

1 – Tudo que não pode ser observado, não é ciência. (Observação é ponto chave do cientificismo): Não tem como observar a Criação, mas temos a revelação da Palavra que não é científica. A evolução diz que a matéria sempre existiu e auto-capacidade transformou-a em vidas complexas de unicelulares evoluídos e que big-bang explodiu e deu origem a tudo. Não tem como observar evolução da matéria nem big-bang, assim a evolução não é científica.

2 – Evidências da natureza determinam se postulados estão corretos: Criacionistas crêem num Deus que criou tudo perfeito; Evolucionistas acreditam que matéria se evoluiu e o processo de evolução continua. As 4 Leis da Ciência:(Supremacia sobre todas as Leis) falarão a respeito disso comprovando ou a Evolução ou a Criação:

1ª Lei da termodinâmica: Conservação de Energia – Não pode ser criada nem destruída, podendo passar de estado para outro mas a quantidade do universo é sempre a mesma. Se evolução é global, energia deveria estar sendo criada, o que fere esta lei mas não fere a criação de Deus que fez tudo perfeito.

2ª Lei da Termodinâmica: O universo caminha de níveis organizados para níveis cada vez mais desorganizados: A evolução diz o contrário, afirmando que o universo se organiza cada vez mais.No caso da Criação, Deus fez tudo completo, total, puro e grande, mas o pecado entrou no mundo e desorganizou.

3ª (Pasteur) – Lei da Biogênese: Somente um ser vivo pode fazer surgir outro ser vivo semelhante. Como evolução diz que da matéria inanimada surgem seres com vida complexos? Matéria inanimada não produz vida. Criação, a Bíblia diz em Gn.1:26 – Façamos o homem; Deus vivo produziu criaturas vivas.

4ª Lei da Causa e do Efeito – Nenhum efeito é quantitativamente maior e qualitativamente superior à causa. Como o homem um ser vivo complexo pode ter surgido de uma matéria? Pela evolução, a matéria produzindo homem, se ser humano é da matéria, efeito é maior que a causa. Pela criação, somente um Deus superior, inigualável poderia criar seres inferiores; Deus é superior aos homens criados e a tudo criado. (Jr. 32:17; Is.55:8).

2 Postulados Sobre as espécies:  A Criação, em (Gn.1:11-12)  e (Gn.20:21) fala de animais e vegetais segundo a sua espécie, mas a Evolução – Afirma que há variabilidade genética com formas de vida transicionais; uma espécie com outra produz outra. OBS: 1956 – Mendel descobriu código genético:Característica de uma espécie somente passa para a futura, se codificada no código genético da espécie. A moderna genética molecular diz que a estrutura de cada espécie é única e particular p/produzir aquela espécie. Espécies diferentes originam ser sem capacidade de reprodução.

No caso das Mutações: As mutações são aleatórias, quase sempre produzindo lesões aos organismos e assim, desorganizam e não organizam para estágios mais avançados;retiram complexidades do organismo e involuem em vez de evoluir;causam entropia, que é a desordem para o sistema.

No caso dos Fósseis: Os fósseis são animais e plantas soterrados que viram rochas e sítios arqueológicos.

Paleontologia: Fósseis mais completos que existem são dois: Homem de Nerthandal e homem de Cromagno.

 Homem de Nerthandal foi considerado ancestral. Descobriram que a única diferença dos de hoje é o raquitismo.

• Homem Ábilis, descoberto, sendo mais antigo e completo. Se é evolução, como há registro fóssil mais antigo?

• Homem de Cromagno, mais completo: Ciência diz que ele tinha capacidade física mais evoluída e de raciocínio que o de hoje. Após estes, surgiram verdadeiras brincadeiras: 1912- Homem de Nebrasca-Usando 1 dente, Osborn, diretor do Museu de História natural dos Estados Unidos,  concluiu que dente tinha traços de homem e símios.

• Homem de Pitdown -Tempos depois, descobriram que dente era dente de raça de porco extinta.  Fragmentos de mandíbula inferior e superior. Ciência descobriu que ossos foram misturados. Parte de chimpanzé e dentes limados p/parecerem humanos, colocados pela química e envelhecidos • Homem de Pequim – Outra fraude.

 

MÉTODOS DE DATAÇÃO:

Não existe mudança gradual dos registros fósseis; não existem elos perdidos.

Onde estão as espécies transicionais? Se há evolução, onde estão as espécies transicionais nos registros fósseis? Existem fósseis no mundo inteiro, mas não há espécies entre um e outra. Descobriram no registro fóssil espécies complexas anteriores a espécies menos complexas. Não há ordem crescente de espécies no registro fóssil. Cadê a espécie entre protozoários e metazoários invertebrados? Entre invertebrados e vertebrados? Entre peixes e anfíbios? De anfíbio para réptil? De réptil para mamífero? As mesmas lacunas entre espécies no registro fóssil são as encontradas em vida.

Deus estipulou uma lei de cada um segundo sua espécie.

A vida na coluna geológica “aparece de repente”-explosão do cambriano, completos, complexos, diversificado e disperso.

Os fósseis estão na ordem errada: Ex. Pegadas de cavalos aparecem mais antigos que os de dinossauros (Urbesquistão e Virgínia-EUA); Pegadas dos seres humanos e dinossauros (Turkmésia e Arizona-EUA); Pólem de plantas em rochas do período pré-cambriano (Venezuelaa e Grand Quenion); Artefatos humanos em carvões de pedras datadas de milhões de anos?

 

Vida não é obra do acaso; Deus sustenta todas as coisas e a vida não é obra de mera sorte:

• Lua está distante da terra 378.000 km. Se tivesse a 80.000 km da terra, marés cobririam o planeta 7x por dia.

• Se atmosfera fosse mais rarefeita,bombardeio de meteoros diário c/velocidade de 45 km/seg. destruiria tudo.

• A quantidade de oxigênio da atmosfera se fosse um pouco maior, não haveria condições de vida.

• O movimento de rotação, se fosse 1/10 mais lento, os dias teriam 10 x mais duração e as noites 10x e assim tudo seria queimado e congelado de noite.

• A terra em relação ao sol: Se tivesse na mesma distância de mercúrio e vênus a vida seria torrada e se tivesse na distância de marte e plutão, a vida seria congelada.

• O cérebro é a estrutura mais complexa do universo. Possui 10 bilhões de células e cada possui 10.000 a 100.000 fibras interligadas. Se 1/100  dessas interligações funcionasse, seria maior que toda a rede de comunicações da terra e os homens não podem fazer estrutura como o cérebro.

Existem 7 x 10000000000000000000000 estrelas, que é mais que os grãos de areia da terra.

A terra não poderia ter vida há mais de 10.000 anos atrás, pois a distância entre o sol e na terra, o sol diminui 1,5metros por ano e se fosse há mais de 10.000 anos, não dava para ter vida na terra pois aqui seria uma temperatura de 145 graus celsius.

A Bíblia diz:  (Sl.139:14)-Fomos formados de modo assombroso. (Is.45:12) – Fiz a terra e criei nela o homem. A geração espontânea da vida, na Teoria da Evolução exige um milagre equivalente ao argumento teológico (Probabilidades são mínimas de se ocorrer, da vida vindo de algo sem vida).

As cadeias de DNA possuem mais ou menos 1 metro, se esticadas, e se enrolam não aleatoriamente nos ribossomos nucleares.

 

ARGUMENTOS CIENTÍFICOS COMPROVADOS NA BÍBLIA:

Na Bíblia, é preciso entender todo o contexto de assuntos descritos em vários livros, pois toda proposta científica está limitada à percepção humana (pensar; achar). Existem coisas que existem, independente de querermos ou não (Ex. Lei da Gravidade).

Na pesquisa científica, há elementos básicos como:

O cientista (São todos corretos?)

O raciocínio (todo raciocínio procede?)

A evidência (todas são plenas?)

A teoria (Todas são sem dúvida?)

A possibilidade (Todas são 100%?)

Teorias são idéias que geralmente não presenciamos; nas evidências nem sempre a amostragem resumida indica toda a proposição que se quer defender.

Valor de pi (pi=3,14) – (1 Rs.7:15)-Perímetro de 2pir, dado em cálculos das colunas ocas do tabernáculo;

Homem x Macaco: Dizem que há  97 genes com semelhança de 99,4% e diferença de 0,69%? O ser humano possui 30.000 a 40.000 genes. Se o número de genes duplicados fosse de 15.000, teremos que 97 de 15.000 é igual a 0,65%. Se em 0,65% há diferença de 0,6%, 100 % de gene a diferença seria de 92,3%; somos diferentes dos macacos em 92,3%.

ISSO 9000: Avalia em partes cada etapa e depois avalia no todo; Deus fez isso nos dias da criação.

Deriva Continental: No terceiro dia, Deus criou a (única) porção seca (Pangéia).

 

RESUMO SOBRE EVOLUÇÃO: A evolução é uma interpretação que não foi comprovada; portanto, trata-se apenas de uma crença, baseada sobre conclusões filosóficas em lugar de fatos científicos.

A questão da evolução não é simplesmente um problema para a ciência, mas um problema de filosofia.

A ciência consegue reunir uma certa quantidade de dados, mas não bastam para provar a evolução.

Existe uma diferença entre o simples fato de reunir dados e a interpretação dos mesmos ou chegar a uma conclusão baseada neles. O problema é que os filósofos querem ensinar a evolução como uma lei ou um fato científico completamente provado e como algo que realmente ocorreu, quando na verdade, tudo se reduz a uma teoria científica.

 

PROBLEMAS DOS EVOLUCIONISTAS CUJOS FATOS NÃO SÃO CONCLUSIVOS PARA SUAS PROVAS:

Tanto a terra como o universo tiveram um início e nem sempre existiram;

Ausência de dados quanto à origem da vida sobre a terra;

A repentina aparição da vida, como evidenciam os fósseis;

 O fato de muitos tipos do reino animal (phyla) tanto os simples como os mais complexos aparecem, aparecem simultaneamente logo no princípio e seguem existindo hoje sem mudança ou transformação;

Não existem fósseis “de transição” entre as formas vitais mais simples e mais complexas;

Não existe a menor prova de mudança de um tipo “phylum” para outro.

Torna-se necessária a nebulosa e hipotética doutrina da “emergência”, o cientismo, como que possuindo todas as respostas para os problemas transcendentes dos homens;

Em lugar de elos perdidos, falta a corrente inteira: existem tremendos vazios carentes de dados necessários e acerca dos quais estamos na mais completa ignorância.

 

A GRANDE QUESTÃO: Está no fato de que os cientistas não aceitam o sobrenatural para origem de todas as coisas. Os fatos reais que se referem à mente e ao espírito do homem e sua consciência moral e seus sentidos dos valores e estéticos  ou religiosos não concordam com as explicações do naturalismo mecânico. E assim, como os teólogos defendem a Deus como Criador, os evolucionistas têm o direito em crer no Naturalismo.

O Naturalismo é Doutrina que fala daquilo que é produzido pela natureza. Doutrina ou escola literária intensa a qualquer idealização da realidade, e que insiste particularmente nos aspectos que, no homem, resultam da natureza e de suas leis.

Nele, todo conjunto de fenômenos pode ser reduzido, por um encadeamento mecânico, a fatos do mundo concreto material sem a intervenção de nenhuma causa transcendente.

P. ex.: em moral, doutrina que fundamenta a conduta humana na satisfação dos instintos biológicos e assim, preconiza a volta à natureza e à simplicidade primitiva, quer nas instituições sociais, quer na maneira de viver; naturismo, sem a presença ou intervenção divina.. 

 

A VISÃO BÍBLICA DA CRIAÇÃO DO HOMEM:

 

2)CRIAÇÃO DO HOMEM:

Deus criou homem à sua imagem (Gn.1:1),superior aos irracionais (1 Co.15:39). A natureza divina penetrou na sua substância material(corpo)e substância imaterial(alma),que se retira ao corpo morrer.(natureza humana).

Em 1 Tess.5:23 e Heb.4:12, homem possui Espírito,Alma e Corpo;o espírito e alma representam a não-física.Distintos,espírito e alma são inseparáveis, entrosados, quase se confundem(Ec.12:7 e Ap.6:9).

 

3)CORPO: (No Antigo testamento em Hebráico e Aramáico):

* hywg g@viyah – corpo físico (Gn.47:18);              

* rwe ‘owr – pele, couro (Ex.22:27);

* rsb basar  – carne, como algo frágil e errante (Ex.30:32);

* Njb beten – ventre (lugar oco e vazio) – (Sl.31:9);

* rv shor – cordão umbilical, umbigo (Pv.3:8); sentido de parente carnal; força física do corpo (Pv.5:11);

* Mue ‘etsem – sentido de osso, essência e substância do corpo (Pv.16:24);

* Mvg geshem (aramaico) – corpo físico; (Dn.4:33);

 

A palavra corpo em hebráico também pode indicar sentido de corpo sem vida:

* hlbn n@belah – corpo morto, cadáver (1 Rs.13:25);

* hpwg guwphah – corpo morto (Fechado)-cadáver (1 Cr.10:12);

* vpn nephesh – ser outrora vivo (que respirava) – (Ag.2:13);

CORPO (No Novo Testamento em Grego):

* swma soma – corpo físico (que também pode indicar a igreja que projeta a sombra do sol da justiça, que é Jesus) – (Mt.5:29);

* ptwma ptoma – o corpo caído (carcaça sem vida) – (Mc.6:29);

O corpo indica: Casa(2 Co.5:1);Invólucro(Dn.7:15);Templo(1 Rs.8:27) – Parte externa que nos envolve, de carne e pele.

 

4)ESPÍRITO: (No Antigo testamento em Hebraico e Aramáico):

* xwr ruwach – indicando o entusiasmo e vigor (Gn.45:27);

* hmvn n@shamah – indicando respiração, fôlego ofegante (Pv.20:27);

* xwr ruwach (aramaico) – espírito, vento, sede da mente;

(No Novo testamento em Grego):

* pneuma pneuma – fôlego; Capaz de ter conhecimento de Deus e comunhão com Ele, de forma individual. Formado por Deus na parte interna da natureza do homem, capaz de se renovar e desenvolver – (Salmo 51:10).

O ESPÍRITO É:a) O centro e a fonte da vida humana. É o que faz o homem diferente de todas as demais coisas; podendo se tornar a morada do Espírito Santo (Rm.8:16), centro de adoração(Jo.4:23); oração,cântico,bênção(1 Co.4:15) e de serviço (Rm.1:9 e Fp.1:27).

O Espírito representa a natureza suprema do homem, regendo a qualidade do seu caráter, conforme influências: Devemos:• Guardá-lo(Ml.2:15);dominá-lo(Pv.16:32); renová-lo(Ez.18:31); transformá-lo(Ez.11:19). Espírito é comum aos que passaram p/outra vida.(At.23:9); Arrebatar é estado de espírito (Ap.4:2).

5)ALMA: (No Antigo testamento em Hebraico):

* vpn nephesh yx chay – (Alma vivente) lugar das emoções e paixões reanimadas (Gn.2:7);

(No Novo testamento em Grego):

* quch psuche – fôlego, força vital que anima o corpo (respiração), indicando o lugar dos sentimentos, desejos, afeições, aversões (nosso coração), constituída por Deus como um ser moral designado para vida eterna, como uma essência que difere do corpo e não é dissolvida pela morte (distinta de outras partes do corpo).

Também se refere aos mortos:

* apr rapha’ – como almas espirituais abatidas, entristecidas e levadas abaixo (descida) (Jô.26:5);

A alma indica a parte que vemos em relação à vida atual. Pessoas falecidas são “almas”quando ao passado (Ap.20:4).

A alma dá o conhecimento de si próprio.Ela possui e usa o espírito(fonte de vida) e lhe dá expressão no corpo.

A alma é o espírito encarnado mediante o corpo; a combinação destes dois elementos, o espírito e o corpo.

Se há uma paixão opressora, a alma (vida egocêntrica natural) venceu o espírito e o homem é vítima da carne.

Assim,o espírito já não domina e a pessoa está em estado de morte e precisa e uma regeneração divina. (Cl.3:10).

A alma é o princípio inteligente e vivificante que anima o corpo humano, usando para expressar e comunicar.

Veio a existir com o sopro sobrenatural de Deus, mas não é parte de Deus, mas dom e obra dEle. (Zc.12:1).

OBS:A alma distingue a vida animal dos vegetais, que possuem vida inconsciente. Os animais também possuem almas, ou seja, vida consciente.A alma dos homens se distingue dos animais, pois as deles só vivem enquanto durar o corpo (Ec.3:21) Alma do homem é vivificada pelo espírito,que o segue após a morte.

 

ORIGEM DA ALMA: Resultado do sopro de vida no homem e no caso da descendência, se pode explicar como um processo de cooperação entre o Criador (Pai dos Espíritos) e os pais, onde o processo normal de reprodução humana põem em execução as leis da vida,fazendo com que a alma nasça no mundo-Mistério(Ec.11:5;Jó 10:8)

 

• ALMA E CORPO: Relação se descreve assim:

 1)A Alma é a depositária da vida , relacionada ao sustento, risco e perda da vida;muitas vezes, alma, tipifica vida (Gn.9:5; Pv.7:23; At.15:26). A vida é o resultado do entrosamento do corpo com a alma;quando a alma e o corpo se separam, ele não mais existe, restando apenas moléculas materiais em rápida decomposição.

2)A alma permeia e habita em todas as partes do corpo e afeta todos os membros, como sentimentos se atribuem ao corpo: a2) Coração e rins: (Sl. 73:21; Pv.23:16; Jó.38:36); b2) Entranhas: (Jr.4:19; Is.16:11); c2) ventre: (Jó.20:23; Jó.15:35; Jo.7:38).As partes internas(entranhas)descrevem ligação da alma e do corpo como centro dos sentimentos, experiência espiritual e sabedoria.

3)Pelo corpo, a alma recebe impressões do mundo exterior (sentidos);por meio do cérebro e nervos, a alma elabora impressões pelo intelecto, razão, memória e imaginação.

4)Alma estabelece contato com o mundo pelo corpo:o”EU”;sentir, pensar e atos;sem o membro,a alma não funciona bem:-lesão cerebral causa demência.

 

• ALMA E PECADO:A alma vive naturalmente por instintos, impulsos inatos implantados na criatura, como forças motrizes da personalidade que Deus o dotou para sua experiência terrestre,originando e preservando a humanidade.

 

 5 Instintos humanos importantes:(Gênesis.):

 

a)Auto-preservação - Nos avisa dos perigos e nos capacita a cuidar de nós mesmos.(implica proibição de aviso): após o pecado, originou-se egoísmo,irritabilidade, inveja e ira;

b)Aquisição - (conseguir)-conduz a adquirir as provisões para o sustento;(Adão recebeu Éden); após o pecado originou-se roubo e cobiça;

c)Busca de Alimento - impulso que leva a satisfazer a fome natural.(…vos tenho dado todas as ervas que dão semente…); após o pecado, gerou-se bebedice e glutonaria; d)Reprodução - conduz a perpetuação da espécie.(…homem e mulher os criou…frutificai-vos e multiplicai-vos); após o pecado gerou-se impureza, perversão, prostituição e adultério;

e)domínio - conduz a exercer certa iniciativa própria necessária para o desempenho da vocação e responsabilidades.(enchei a terra, sujeitai e dominai). Após o pecado, gerou-se tirania,arrogância, injustiça e implicância. O homem foi elevado à dignidade de possuir livre-arbítrio e razão para se disciplinar, como árbitro de seu destino. Deus impôs uma lei para regulamento das faculdades do homem; entendimento da lei, produziu a consciência (relativo ao conhecimento).

 

ALMA NO PECADO: Alma consciente usa voluntariamente o corpo para pecar contra Deus.Alma pecaminosa + corpo, origina corpo do pecado/carne(Rm.6:6; Gl.5:24). A inclinação e desejo da alma para usar o corpo,denomina de mente carnal (Rm.8:7). Logo, o homem será julgado, segundo o que fez por meio do corpo (2 Co.5:10) e isso envolve ressurreição (Jo.5:28-29). A carne é a soma total dos instintos do homem, anormais pelo pecado de Adão e atos voluntários pecadores.

ALMA E CORAÇÃO: Na escritura, coração significa centro de alguma coisa:centro de sua personalidade, de onde procedem impulsos e caráter (Mt. 12:40; Sl.46:2);Centro do desejo:(Sl.105:3);emoções(Is.65:14);moral(Rm.2:15 e Hb.8:10; Pv.4:23).

 

ALMA E SANGUE: Sangue,fonte da vida física;escala da criatura determina valor do sangue,desde Jesus a animal (Lv.17:11).

À IMAGEM DELE: Parentesco (anthropos) que olha para o alto;Caráter moral(religião); Razão:(arte);imortalidade e domínio.

AULA 5 – PECADO:

 

HAMARTIOLOGIA:ESTUDO DO PECADO-Errar Alvo, dívida, transgressão, queda, derrota  (Ver. Gn. 6:5; 1 Jo.1:18; Hb.12:5)

 

1) CONCEITO DE PECADO: É a falta de conformidade com a lei de Deus, em estado, disposição ou conduta.

Para indicar isso, a Bíblia usa vários termos, tais como:

a) pecado (Sl 51.2; Rm 6.2);

b) desobediência (Hb 2.2);

c) transgressão (Sl 51.1; Hb 2.2);

d) Iniqüidade  {Sl 51.2; Mt 7.23);

e) mal, maldade, malignidade (Pv 17.11; Rm 1.29)

f) perversidade (Pv 6.14; At 3.26);

g) rebelião, rebeldia (1Sm 15.23; Jr 14.7);

h) engano (Sf 1.9; 2;Is 2.10);

i) injustiça (Jr 22.13; Rm 1.18);

j) erro, falta (Sl 19.12; Rm 1.27);

k) impiedade (Pv 8.7; Rm 1.18);

l) concupiscência (Is 57.5; 1Jo 2.16);

m) depravidade, depravação (Ez 16.27,43,58). O diabo quer que pequemos, afirmando que não estamos crescendo na presença de Deus ou estamos falhando. Verdadeiro crescimento contra o pecado é cooperar como Espírito Santo batalhando.

 

2) PALAVRA PECADO NO ANTIGO TESTAMENTO:

* hajx chatta’ah ou  tajx chatta’th  – pecado, envolvendo condição de pecado, culpa pelo pecado, punição, oferta e purificação dos pecados de impureza cerimonial . (Gn. 4:7), procedente de chata’ – pecar, falhar, perder o rumo,  errar o alvo ou o caminho do correto e do dever , incorrendo em culpa, p/sofrer penalidade pelo pecado, perder o direito.

* evp pesha‘ - transgressão, rebelião contra indivíduos, nação contra nação ou contra Deus. (Jó.34:6);

* hum matstsah - conflito, contenda (Pv.17:19), vem de natsah-devastado,desolado,em ruínas  e estar como  montes arruinados.

3) NATUREZA DO PECADO NO ANTIGO TESTAMENTO:

Existe uma variedade de termos, estudando-se o hebráico para expressar esse mal da ordem moral.

Na esfera moral:  a)Errar o alvo, reunindo 3 idéias:errar como arqueiro erra o alvo; errar como viajante erra caminho;  errar como ser achado em falta na balança; (Gn.4:7)-Pecado é a besta pronta para tragar;

b) Tortuosidade ou perversidade, contrário de retidão, tornando-se não reto e sem ideal reto;

c) Mal, pensamento de violência ou infração, violando a lei de Deus. O pecado sem perdão é a incredulidade (Mt 12.31-32)

 

• Na esfera da conduta fraternal:  Violência ou conduta injuriosa, homem maltrata/oprime os seus (Gn.6:11 e Pv.16:29);

 

• Na esfera da santidade:  Ofensor já teve comunhão com Deus; como cada israelita era santo e sacerdote, mas profanaram e tornaram imunda a Lei, sendo irreligiosos, transgressores e criminosos.

• Na esfera da Verdade: Inútil e fraudulento; falar e tratar falsidade, representar e dar falso testemunho, numa vaidade vazia e s/valor, onde a mentira iniciou o 1ºpecado e o 1º pecador, pois todo o pecado contêm elemento do engano (Hb. 3:13).

 

• Na esfera da Sabedoria: Impiedade por não pensar/não querer pensar corretamente, p/descuido/ignorância.

 

* O homem natural não desenvolveu na direção do bem, mas se inclina naturalmente para o mal, ouvindo, mas esquecendo, conduzido para o pecado (Mt.7:26).  O castigo do pecado é a morte física, espiritual e eterna (Rm 6.23).

O homem sem entendimento precipita em julgar coisas que não sabe,impio;nega o que é dado de graça (Pv.8:1-10);

*  O insensato  se prende às coisas da carne e não se disciplina, podendo fazer o bem (Pv.15:20);

O homem impio justifica a impiedade c/argumentos racionais ateísticos; escarnece infiel (Sl.1:1 e Pv.14:6).

 

4) PALAVRA PECADO NO NOVO TESTAMENTO (Em Grego):

* amartia hamartia-  não ter parte; errar o alvo; desviar-se do caminho de retidão e honra, fazer ou andar no erro; desviar-se da lei de Deus, violar a lei de Deus, uma ofensa, violação da lei divina em pensamento ou em ação ou coletivamente, o conjunto de pecados cometidos seja por uma única pessoa ou várias. (Mt.12:31);

krisis - separação, divisão, repartição, julgamento, sentença de condenação, julgamento condenatório, condenação e punição por colégio dos juizes (um tribunal de sete homens nas várias cidades da Palestina; distinto do Sinédrio, que tinha sua sede em Jerusalém) (Mc. 3:29). Da morte espiritual/eterna escapa quem chega a Jesus .(Rm 3.21;8.39).

5) NATUREZA DO PECADO NO NOVO TESTAMENTO:

• Errar o Alvo, na mesma idéia do A.T.;

• Dívida, p/não guarda dos mandamentos de Deus e o homem é incapaz de pagar e necessita de uma remissão ou fiador.

• Desordem, pois o pecado é iniqüidade; o pecador rebelde, idólatra quebra o mandamento por sua vontade, fazendo uma lei para si e constituindo o seu “EU” como uma divindade, numa obstinação;

• Desobediência, ou ouvir mal, sem atenção. (Hb.2:2 e Lc.8:18);

 •Transgressão, ir além do limite (Rm.4:15);

• Queda,cair para um lado sem conduta, no pecado (Ef.1:7);

• Derrota, rejeitando Jesus e perdendo o propósito (Rm.11:12);

• Impiedade, sem adoração ou reverência(Rm.1:18 e 2 Tm.2:16), dando pouca ou nenhuma importância a Deus ou às coisas sagradas, sem temor/reverência;

• Erro, decisões erradas p/desconhecer,quando o homem decide fazer o mal, sem avaliar  conseqüências, mais do que falta pela debilidade.

6) FATO DO PECADO: A história e o íntimo humano testemunham, apesar de muitas teorias contrárias que negam a Deus, negam o livre arbítrio; sustentam a conquista do prazer e fuga à dor.(ensino moderno auto-expressivo).

Como exemplo de “libertar as inibições”, negam a realidade do pecado ou simplesmente consideram o pecado herança do animalismo humano.

Como conseqüência dessas teorias, o ser humano pode pecar contra si e a outros,escolhendo o mal, justificando a imoralidade, num descaso das escrituras, ofendendo a Deus,desprezando a inteligência de saber do plano divino pessoal.

Nos nossos dias é muito comum brincar com o pecado, agora, tudo pode.

 

7) ÁREAS DE ABRANGÊNCIA DO PECADO:

a) Desejos e práticas carnais – cada palavra ato e pensamento que incite à concupiscência sexual ilícita no homem e na mulher como roupas indecentes, contato corporal, gestos insinuantes na dança, linguagens torpes, fotos pornográficas, etc.

b) Atividades religiosas falsas - idolatria e feitiçaria, envolvendo orações contrárias, rejeitando a fidelidade e lealdade de Deus, exaltando qualquer pessoa ou coisa acima dEle;

c) posturas e ações contra o próximo – em atos ou pensamentos invejosos;

d) práticas que destroem o domínio próprio da pessoa - como embriaguez, folia, perdendo o controle da razão e emoção como fãs de jogos esportivos e ídolos da TV ou Gospel.(Gl.5:16)

 

8) ORIGEM DO PECADO:

O pecado teve a origem nos céus (Is.14:12-14), com satanás, que era (Ez.28:14), foi lançado do céu (Ez.28:16; Lc.10:18). Deus deu liberdade ao homem e ele pecou, atingindo a raça, a partir de Adão e Eva (Gn 34; Rm 5.12).

 

9) O PECADO DO ORGULHO:

Pecado inconsciente como os que se gloriam em humildade, perigoso como o caso de Nabucodonosor e sua imagem de ouro, cabeça de toda iniqüidade:

TIPOS DE ORGULHO:

Orgulho Da Riqueza - É difícil os ricos não serem avarentos (Ez..28:5; Tg.5:2; 1 Tm.6:17; 1 Tm.6:9) – O camelo no fundo de uma agulha era o exemplo de um caso de uma porta para pessoas no muro da cidade, fechada no sábado, quando alguns comerciantes inescrupulosos  queriam vender no dia sagrado e proibido às vendas; o camelo deveria passar de joelhos, sem carga, empurrado e puxado pelo pescoço com grande dificuldades.;

• Orgulho da Beleza - Pessoas que se elevam pela aparência (Ez.28:17);

• Orgulho da MoralPessoas se auto-justificam por suas aparente boas-obras, negando necessidade de Cristo.

• Orgulho da Ortodoxia – Os que conhecem mais que os outros da parte de Deus e não o glorificam,retendo a glória.

• Orgulho da PosiçãoPelo cargo na Igreja ou posição social.

• Orgulho da Espiritualidade – Os que se vangloriam pelo uso dos dons espirituais, como “vasos de Deus”;

• Orgulho da Comunidade – Quando a comunidade se autentica como a única representante da Verdade de Deus.

• Orgulho da Denominação  - Quando a placa da igreja está acima do nome Jesus, em importância p/ ela.

 

10) FASES DO PECADO:(Gn. 3)A história espiritual do homem se traduz pela tentação, culpa, juizo e redenção:

A)TENTAÇÃO: (3 Fases):

possibilidade: 2 árvores de destino:bem/mal ou da vida. Deus testou o homem para que pudesse amorosa e livremente escolher servir a Deus e desenvolver o caráter.(Caminho da Vida:Dt.30:15);

origem: A serpente foi o agente empregado por satanás, já lançado fora do céu antes da criação do homem; ela trabalha por meio de agentes. (Ez.23:13 e Is.14:12);

característica(sutileza):sugestões astuciosas que se abraçadas, conduzem a desejos e atos pecaminosos. NOTA:Eva não ouviu diretamente a proibição divina. (Gn.2:16);

• A Serpente espera que Eva esteja só; •Torce palavras de Deus, • Finge surpresa por estarem torcidas, • Semeia dúvidas e suspeitas no coração de Eva; •Insinua-se juiz,lançando 3 dúvidas quanto a Deus: a) Dúvida sobre a bondade de Deus(reter bênção);b)Dúvida sobre retidão de Deus(não morrereis); c) Dúvida sobre santidade de Deus(tem inveja).

 B)CULPA: Evidências: (3 Fases:)

Repentinamente se viram nús, num miserável sentimento de culpa que os fez ter medo de Deus;

Fizeram aventais de folhas, tentando cobrir a nudez, que representa a procura para cobrir a culpa, com o esquecimento ou desculpas.

Esconderam-se da voz divina, no instinto de fugir de Deus, em prazeres e outras atividades.

 

C)JUIZO: (3 Fases):

Para a serpente-punida por ter sido instrumento, pela vontade de Deus de mostrar um tipo e profecia de maldição sobre o diabo e os poderes do mal, para fazer do homem, reconhecedor de que há um castigo para o mal;

Para a mulher-a presença do pecado trouxe sofrimento, principalmente, no momento crítico e penoso de conceber filhos, agravado pela crueldade, loucura e sentimento de falta do homem e corrompendo as relações matrimoniais, tornando a mulher, em muitos lugares, até escrava do homem (Ex. Índia e Ásia);

Para o homem-o trabalho com decepções e aflições, numa maldição e queda da criação e da terra, com difíceis e duras condições de trabalho e a morte física progressiva para o casal.

D)REDENÇÃO: Prometida na luta entre o homem e o mal, prefigurada num animal morto para vestir o casal (Gn.3:21).

 

11) CONSEQUÊNCIAS DO PECADO NA PESSOA:

Pecado é ato;rebelião contra a lei e pecaminoso contra Deus, tendo 2 resultados:resultados dos atos e castigos futuros:

A)Fraqueza Espiritual:

• Desfigura imagem divinaTraz vergonha perante Deus. (Is.59:2; Tg.3:9); Será repreendido pelo mundo (Pv.3:35;1 Co.15:34).

• Pecado inerente/original- Traz engano (Is.64:7;Sl.66:18). – Inclinado para pecar(Sl.51:5), difere de pecado atual (efeito da queda), sendo maldito, estranho, enganoso, inimigo, escravo, morto e filho da ira. Deus vai lhe levar em abismos profundos (Sl.107:26-28).

• Discórdia interna,- Perdemos a comunhão com Deus. Desarmonia;divisão interna e fragilidade(conflitos); transforma a pessoa em perigosa de se estar perto pois a qualquer instante pode descer sobre ela a ira divina.(Mt.8:28; Mt.9:36;1 Sm.31:4;Sl.78:31;Rm.1:18; Jo.3:36).

 

B) Pecado no Corpo (Manifestação):

• BOCA IMPURA - Querer amoldar a Palavra à sua própria vontade (Sl.50:16;Is.53:9;Tg.3:6;Is.58:9; Sl.50:19-23).

• OUVIDOS IMPUROS - Querer ouvir apenas o que lhe agrada (Is.50:4-5; 2 Tm.4:3; 1 Rs.22:13; 2 Cr.28:12;

• OLHOS IMPUROS – Julgar mentalmente as pessoas pelo que se vê (Is.11:3;Sl.50:20-21;Ap.3:18);

• NARIZ IMPURO – Símbolo de pessoas empinadas e orgulhosas (Is.65:5; Is.3:16-25; Ez.8:17);

• CABEÇA IMPURA - Menear a cabeça, reprovando as coisas de Deus (Jó.16:4; Is.1:5);

• CORAÇÃO IMPURO - Pessoa maliciosa que guarda mágoas (Sl.78:18; Sl.95:8; Mt.19:8; Rm.1:24;Ez.14:3). Dureza de coração tem haver com desprezar ouvir e rejeitar a Palavra de Deus (Pv.29:1), de 3 maneiras: * Negligenciar na oração e leitura; Fofocar no meio da igreja e acalentar pecados secretos (Mt.24:19). Envolve dois tipos de pessoas: Os que gostam de ouvir a Palavra de Deus e apreciam o culto, mas não praticam (Ez.33:31-32) e os que apenas querem sair do aperto, pedindo oração.

• PESCOÇO IMPURO – Pessoa que carrega e confia em fardos pesados de pecado (Is.10:27;Ez.21:29);

• BRAÇOS IMPUROS  - Ficar de braços cruzados sem nada fazer para Jesus (Pv.6:10;Mc.10:16;Lc.2:28).

• MÃOS IMPURAS – Agir com roubo, violência e impureza (Jó.16:17; Sl.7:3; Sl.26:10; Sl.28:4; Sl.106:42);

ESTÔMAGOS IMPUROS - Cheios de iniqüidade;desejam prostituir-se no mundo (Ez.7:19; Lc.15:16;1 Co.6:13).  

• RINS IMPUROS - Quando não se expeli de si, o que não presta., guarda o mal, como vingança (Jr.20:12)

VENTRES IMPUROS – Quando apenas se pensa na glória terrestre, como o deus da prosperidade (GL.1:15)

• PERNAS IMPURAS - Quando não se encurva diante de Deus nem se ajoelha diante dele (Pv.26:7;Ez.21:7)

• PÉS IMPUROS - Quando se vacila,pisando nos outros, de modo impuro (Jó.12:5; Jó.18:8; Pv.6:18; Ez.34:18-19).  

• CORPO IMPURO - Desonrar, prostituir-se em sensualidade escarnecedora e impia (Rm.1:24-27;1 Co.6:15;Jd.1:19)

 

C) Castigo Positivo: • Separado da fonte da vida, pela MORTE: MORTE: 3 Fases: 1) morte espiritual na vida (Ef.2:1); 2) morte física (Hb.9:27) e 3) 2a.morte (Ap.21:8).

 

D) OUTRAS CONSEQÜÊNCIAS:

• Efeito do pecado nos animais;(doenças e morte (Gn.6:11; Gn.6:19-20; Gn.3:14; Lv.4:3; Lv.4:27-28; Ec.3:18); 

Efeitos na terra e meio ambiente (Fome, furacão, falta d”água e enchentes, tsunamis; Poluição – (Jr.5:28-29; Gl.6:7; Sl.18:7; Gn. 3:17; Rm.1:26-32; Sf.1:3);

Efeitos do pecado nas nações (Guerras e desentendimentos – (Jr.30:12; 1 Rs.8:46; Sf.2:11; 2 Rs.17:11; Am.9:9).

 

12) COISAS BOAS QUE DEIXAM AS PESSOAS FORA DO CÉU:

Ter zelo pelas coisas boas, deixando de lado as coisas de Deus (Mt.6:33; Cl. 3:2-3; Hb. 10:25).

Ter desatenção à Palavra e ser absorvido pelos próprios interesses (Lc.17:30; Jr. 2:31-32);

Estar tão ocupado com as coisas de Deus que não há tempo para buscá-lo.  (Sl.32:6; Sl. 69:13);

Dar atenção parcial a Jesus (Cl. 1:18; Lc. 14:16-24);

Colocar a família antes do Senhor (Hb.11:7; Ef.2:19);

Não ser apaixonado por Jesus, não se protegendo o tempo todo ao seu lado (Jr.2:31-32; Lc.14:24).  

PERGUNTA-SE: Quando chegar o dia, Jesus nos conhecerá? (Jo.8:55; Mt.7:23; Lc.13:27);

 

13) PERMANÊNCIA NO PECADO: (Por que os cristãos permanecem na prática do pecado?):

Não têm temor a Deus pela falta de graça e por não entenderem o completo perigo do pecado e suas conseqüências (Pv.16:6;Pv.3:7; Ap.3:15; Pv.4:23).

São super confiante em si mesmo achando-se superior às tentações (2 Co.1:3-7).

Têm o pecado oculto arraigado há anos dentro de seu coração. (Sl.32:5; 38:3).

OBSERVAÇÃO: * Deus condena mais os perversos pecados dos cristãos que dos ímpios. (Dt.1:37;Jr.1:16). * Quanto mais tempo no pecado, mais se endurece (Hb.3:12-13); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta a vara de Deus (Sl.89:30-34); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta esvaziamento de paz e força (Sl.31:10; Sl.38:3); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta crescente dúvida e incredulidade (1 Sm.13:13-14).

 

14)PECADOS PRINCIPAIS:

a)IRA-raiva,cólera ou agressividade exagerada em querer destruir os outros. (Jó.5:2);

b)GULA-Querer assimilar tudo, engolindo e não digerindo (Is.56:11);’

c)INVEJA-Desgosto e pesar pelos bens dos outros; o outro é mais que eu (Pv.14:30);

d)ORGULHO-Ser melhor que outros (Sl.90:10);

e)AVAREZA-não confiar em ninguém (Is.57:17);

f)PREGUIÇA-não  querer aprender  nada.(Ec.10:8);

g)LUXÚRIA (desfrutar do poder de dominar)-prazer pelo excesso (Jr.11:15);

h)IDOLATRIA não querer a Deus de modo exclusivo. (2 Rs.17:41; Dt.32:17; 1 Co.10:20; 1 Co.10:14; Js.24:15; 2 Cr.24:18).

 

15)PARA NÃO DAR LUGAR À CARNE:

a) Odiar o pecado(Ver conseqüências antes -Sl.97:10);

b) FUGIR(Não brincar com o pecado-(1 Co.6:19; 2 Tm.2:22;1 Ts.5:22);

c) SER OTIMISTA Quanto à vitória sobre ela (2 Tm.1:7; Hb.2:18; Jo.16:33).

 

16)  O PECADO E O LAZER: lazer vem do latim licere, que significa ser lícito, bem como ter descanso ou folga.

Diversão – Significa mudar de direção para outra parte, desvio.

Entretenimento – Significa distração, desatenção e irreflexão.Assim, diversão e entretenimento quando idolatrados, são pecados; mas ter um lazer mundano, não.

Deus descansou  e quer que descansemos também: Jesus usou comparativas de meninos brincando (Mc.11:16-17) e Ele mesmo descansou (Mt.8:24; Jo.4:6). Em Eclesiastes, diz que o jovem será cobrado no final de sua vida pelo que fez (Ec.8:15; Ec.11:9).

 

17)COMO O LAZER AGRADA A DEUS:

a) Deve auxiliar na nossa comunhão com Deus - (Dízimo do seu tempo)-Veja o que se fala dos prazeres carnais (Pv.11:17;Lc.8:14), pois tudo deve ser para a glória de Deus (Rm.11:36).

b)Deve revelar o amor que temos pelo próximo (não escandalizar, mas trazer saúde e paz)-(1 Co.10:31-33);

c)Deve ser lícito e conveniente – decente conforme a lei de Deus (1 Co.6:12);

d)Deve fazer bem à saúde Somos Templo (1 Co.6:19)-Praticar a Bíblia dá saúde (Ex.15:26;Pv.4:4:Pv.4:19-22).

e)Deve ser praticado na companhia de gente de bem (Sl.1:1; Sl.119:63; Pv.13:20);

f) Deve ser praticado em estado de paz interior não gerando culpa (Rm.2:15).

Você convidaria Jesus p/ ir contigo ao  teu lazer?(Cl.3:17)!

AULA 6 – JESUS CRISTO:

 

NOMENCLATURA NO NOVO TESTAMENTO:

* Ihsouv Iesous, de origem hebraica ewvy – Jesus =” Jeová é salvação”; o filho de Deus, Salvador da humanidade, Deus encarnado.

 

1)CRISTOLOGIA:UM RESUMO DO ESTUDO DE JESUS CRISTO:

Deus tornado ser humano (Jo 1.14) para salvar as pessoas (1Jo 4.14). “Jesus” quer dizer “Javé é Salvador”; é a forma grega de “Josué” (Mt 1.21). “Cristo” quer dizer “Ungido”; é o mesmo que o termo hebraico MESSIAS (At 17.3).Genealogia de Jesus (Lc.3:23-38) Jesus Cristo é o Espírito da Profecia.

 

2)TÍTULOS:

EMANUEL (Mt 1.23); FILHO DE DAVI (Lc 20.41); FILHO DE DEUS (Jo 1.34); FILHO, DO HOMEM (Mt 25.31); SENHOR (At 2.36); VERBO (Jo 1.1-14= Palavra); SERVO; ( Fp 2.7); SERVO DO SENHOR (Is.53); CORDEIRO de Deus (Jo 1.29); SUMO SACERDOTE.(Hb 7.26; Hb.8.6); MEDIADOR (1Tm 2.5);NAZARENO (At.2:22-36); SALVADOR (Mt.1:18-25);PRINCIPE DA PAZ (Is.9:7).

3) QUEM É ELE?Resposta pela declaração explicativa dos nomes e títulos pelos quais Ele é conhecido conforme a Bíblia.

Jesus veio à terra no tempo anunciado por Deus (Gl.4:4), num momento em que o povo esperava  Messias (Mt.11:3; Jo.4:25; Jo.1:41; Ag.2:7).

Mas Jesus era humilde e diferente do que o povo achava para ser o Messias (Jo.1:11).

Jesus queria saber o que as pessoas sabiam dele, apesar de acharem que Ele era João Batista ou Elias ou Jeremias ou um antigo profeta. (Mt.16:13; Mt.14:1-2; Lc.9:8; Ml.4:5-6).

Jesus Cristo é a segunda pessoa da TRINDADE. Através dele o universo foi criado e é mantido em existência (Jo 1.3; Cl 1.16-17).

Ele é o ANJO do Senhor que aparece no AT (Gn 16:7-11; Gn. 22:11-15; Ex.3:2; Nm.22:23-35; Js.2:1-4; Jz.2:4; Jz.6:11-22; Jz.13:3-21; Sl.34:7; Zc.3:5; Zc.12:8; ). Esvaziou-se da sua glória e se humilhou, tomando a forma de ser humano (Fp 2.6-11). O seu ministério terreno durou mais ou menos 3 anos e meio.

Jesus ensinou a verdade de Deus por preceitos e por parábolas.

Ele fez milagres, curando enfermos e endemoniados, fazendo o bem.

Foi rejeitado pela maioria do povo e autoridades, submetido à morte de cruz.

Foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia. Depois subiu ao céu, onde está para interceder pelos seus (Hb 7.25).

E o salvo está unido com Cristo, que vive nele pelo seu Espírito (Rm 8.9-11; Gl 2.20; 4.6; Fp 1.19).

Na sua segunda vinda Jesus Cristo julgará os vivos e os mortos (2Tm 4.1).

 

4)JESUS NÃO É:

O Jesus médico obrigado a curar em reuniões concorrentes de igrejas que querem ter fama de milagreiras;

• O Jesus morto dos crucifixos;

• O Jesus de qualquer jeito dos liberais mundanos;

• O Jesus das campanhas publicitárias;

• O Jesus da LBV;

• O Jesus dos espiritualistas médiuns;

• O Jesus que pede a Deus por meio de outra pessoa (Hb. 9:24).

 

5)JESUS PARA OS TEÓLOGOS: Na época em que Ele veio ao mundo, os religiosos o consideravam como blasfemador porque Ele se dizia ser filho de Deus (Lc.22:63-71; Mc.14:63-64).

Hoje em dia:

Teologia da Libertação- Considera Jesus apenas como um referencial ideológico social;

Religião de Mercado- Jesus é apenas uma mercadoria útil e um produto rentável de um ótimo garoto propaganda;

Seitas Heréticas- Consideram Jesus como um ser que não é divino, mas apenas mais desenvolvido;

Teologia Cristã- Eterno:Profeta (Jo.4:19);Sacerdote(Hb.8:3);Rei  (Mt.25:31). Jesus é Deus que se fez homem, sem pecado, tornando-se salvador e Senhor do seu povo através do seu sacrifício na Cruz.

 

6)Para Deus ser humano:  Necessitaria:

a)nascer de modo incomum;

b) ser sem pecado;

c) fazer milagres;

d) conhecer cada pessoa;

e) ter maior mensagem;

f) influência duradoura e universal;

g) matar a fome do homem;

h)ter poder sobre a morte.

i) ascensão. Jesus Cristo é a união da natureza  divina/humana, sem confusão,mudança ou divisão.

 

7)Razões p/crer nEle:

a) Depoimento múltiplo - vários informes;

b) Descontinuidade - Jesus trazia algo novo diferente do judaísmo;

c) Conformidade - Trechos Bíblicos sociais exatos;

d) Explicação necessária: Investigar indícios contraditórios (Jesus explicava suas atitudes);

e) Estilo de Jesus- modo de fala incisivo,com autoridade, solene, sem exigências.

f) Fontes-História:*27 livros do NT e  gregos;*Pais da igreja;*Fontes não Bíblicas – historiadores judeus e gregos.

 

8)DIVINDADE DE JESUS: Características:

Como Criador (Cl.1:16; Hb.1:3);

• Seus desígnios (Rm.11:33-36);

• Se fez homem (Lc.1:26-35);

* Ressuscitou (Lc.24:36-53;At.1:3;  At.2:22-39; At.3:13-26; At.4:10; At.5:30-32; At.10:39-42; At.13:30-32; At.13:37; Rm.1:4; 1Co.6:14; 1Co.15:15; Cl.2:12; Cl.3:1; 1Ts.4:14-16; Hb.13:20; 1Pe.1:2-3; 1Pe.1:21; 1Pe.3:21-23; Ap.5:6-10; Ap.20:6; );

* Tem todo o poder (Mt.28:18; Fp.2:9-11); Poder para perdoar pecados (Mt.9:6; Mc.2:1-12; Lc.5:24);

• É sobre todos (At.10:36; Rm.9:1-5).

* Ele é o resplendor da Glória de Deus (Hb.1:3);

* Imagem de si (Hb.1:3; Cl.1:15-19).

 

9)PROVAS  DO NOVO TESTAMENTO QUE JESUS É DEUS:

a) Jesus é diferente dos líderes; único que convence que é Deus a uma parte do mundo- escárnios pagãos testemunham da adoração a Cristo;

b) Impecabilidade:nas palavras e obras de Jesus há ausência completa de conhecimento ou confissão de pecado(Jo.8:46;Hb.4:15; Hb.9:28);

c) Ele se afirmava como Deus:Igualdade com o Pai: (Jo.10:30;Jo.8:58) (viola o sábado)(Jô.5:18; Jô.9:16);enviado (Jo.20:21);defende sua honra divina (Jo.5:23); Conhecer (Jo.8:19); Crer (Jo.14:1); Ver (Jo.14:9)

d) Aceita reverência a Ele,como adoração divina:(prostrar-se) Jo.4:20-22; At.8:27; Jo.4:24; Mt. 4:10 e Lc. 4:8; leproso (Mt.8:2); cego (Jo.9:35); discípulos  (Mt.14:33; Jo.20:27). Anjos e meros homens não aceitaram essa reverência para si:(At.10:25-26 e Ap.19:10). Referências Bíblicas: (Jo.5:18; Jo.8:42;Jo.8:54;Jo.10:35-36;Jo.13:3;Jo.13:31-32; Jo.16:27; Jo.20:17);

Outras Provas:

Sua igreja o adora por quase 2.000 anos;

mudou a história (AC e DC)

Emanuel(Deus conosco)-(Mt.1:23);

A palavra saia da boca de Jesus-Deus (Mt.4:4;Lc.4:4;);

• Quem estava tentado era Jesus-Deus (Mt.4:7;Lc.4:12;);

• Jesus foi adorado e servido como Deus pelos anjos (Mt.4:10-11;Lc.4:8;Hb.1:6;);

demônios o reconheceram como divino (Mt.8:29; Mc.1:24; Mc.3:11; Mc.5:7; Lc.4:34; Lc.4:41; Lc.8:28; Tg.2:19);

adorado e reconhecido pelos homens (Mt.14:33; Mt.16:16;Mt.27:54; Mc.15:39; Mc.16:19;Lc.2:26-38; Lc.7:16; Lc.9:20; Jo.9:33; Jo.11:27; Jo.16:30; Jo.20:28; At.7:55-56; Paulo (Fil.2:9;Tito 2:13); João Batista (Lc.3:2);Pedro (Mt.16:15 e At.3:26); Tomé (Jo.20:28);Escritor (Hb.1:8); Estevão (At.7:9); leproso (Mt.8:2); cego (Jo.9:35); discípulos (Mt.14:33;Jo.20:27);

• No julgamento:Condenação de Jesus foi por sua confissão induzida, onde “tu  o disseste” é uma maneira educada judáica de responder(Mt.26:64; Mc.14:62; Lc.22:70; Lc.23:42);

• reconhecido por anjos (Mc.1:35; Lc.2:12; Jo.10:33);

• Ensinos  absolutos(não retrata,acha ou muda nada), autoridade suprema”Em verdade,…;

• Confirmado por explicações teológicas bíblicas gerais que explicam a Jesus como Deus (inclusive passagens declaratórias de que Ele é Deus): (Jo.1:1-2; Jo.1:12-13; Jo.1:18; Jo.1:29; Jo.1:34; Jo.1:36; Jo.1:49; Jo.3:16-21; Jo.3:36; Jo.6:69; Jo.17:3; Jo.20:31; At.20:28; Rm.5:10; Rm.6:23;Rm.8:3; Rm.8:34; Rm.9:5; 1Co.1:9; 1 Co.1:24; 1 Co.1:30; 1 Co.6:11; 1 Co.8:6; 2 Co.4:6; 2 Co.15:19; 2 Co.13:13;  Ef.1:3; Fp.2:6-11; Cl.1:13-15; 1 Tm.2:5; 1 Tm.3:6; 2 Tm.4:1; Tt.2:13; Hb.1:1; Hb.1:8-9; Hb.2:9; Hb.2:17; Hb.4:14; Hb.7:3;Hb.9:14; Hb.9:24; Hb.10:12; 1 Pe.3:18; 2 Pe.1:1; 2 Pe.1:17; 1 Jo.4:9; 1 Jo.5:9-13; 1 Jo.5:20; 2 Jo.1:9; Jd.1:4; Ap.14:2; Ap.19:10).

10)JESUS COMO VERBO: No Grego logov logos- (preexistente-anterior à Criação do homem, intimamente ligado  Deus no seio do Pai, não que Jesus seja idêntico  Deus-Pai, mas no mesmo caráter, essência, qualidade e ser de Deus). Jesus é tão perfeitamente o mesmo que Deus em mente, coração e essência (Jo.1:14;Jo.14:9).

(EU SOU):Antigo testamento  hyh hayah hyh hayah (EU SOU O QUE SOU) – (Ex.3:14);

Novo testamento egw ego eimi eimi (Mt.20:15; Mt.20:22; Lc.22:70; Jo.8:24; Jo.8:28; Jo.8:58;Jo.13:19;At.18:10; Ap.2:23);

Outras Referências Bíblicas: O PÃO(Jo:6:35; Jo.6:41; Jo.6:48; Jo.6:51); A LUZ (Jo.8:12;Jo.12:46;); ENVIADO (Jo.8:18); DO CÉU (Jo.8:26)  A PORTA (Jo.10:7; Jo.10:9);  O BOM PASTOR (Jo.10:11;Jo.10:14);A RESSURREIÇÃO E A VIDA (Jo.11:25); O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA (Jo.14:6); A VIDEIRA VERDADEIRA (Jo.15:1; Jo.15:5) REI (Jo.18:37); SENHOR (At.9:5;At.22:8;At.26:15;); SANTO (1 Pe.1:16); ALFA E ÔMEGA (ETERNO) (Ap.1:8,11,17,18; Ap.21:6; Ap.22:13); RAIZ E GERAÇÃO DE DAVI E ESTRELA DA MANHÃ (Ap.22:16);

 

11)JESUS COMO A PALAVRA DE DEUS (expressando seu poder, inteligência e vontade, imagem revelada de Deus ) Referências bíblicas: (Lc.4:32; Lc.4:36; Jo.2:22; Jo.5:24; Jo.8:31; Jo.8:51; Jo.12:48; Jo.14:23-24; Jo.15:3; At.10:36; 1 Co.1:18; 2 Co.2:17; 2 Co.5:19; Ef.1:13; Fp.2:16; Cl.3:16; 1 Tm.1:15; 1 Jo.5:7; Hb.1:3; Ap.1:9; Ap.3:8; Ap.3:10; Ap.6:9; Ap.12:11; Ap.19:13; Ap.20:4).

12)JESUS COMO O Filho de Deus:

Expressão uiov huios yeov theos significa”nascido de Deus”.Título  proclama deidade., num sentido único que mantém relação divina não participada por nenhuma criatura do universo:

CONFIRMANDO A VERDADE:

Consciência de si mesmo - Com 12 anos, Jesus sabia 2 coisas:

1a) uma revelação especial de Deus a quem chama de seu Pai;

2a) uma missão especial na terra “negócios do Pai”.Ele tinha consciência de sua identidade,adquirida no estudo das Escrituras sobre o Messias e o Espírito Santo revelou intimamente que Ele é o Eterno filho de Deus e não,apenas, de Maria.Ele ouviu a voz do Pai no  batismo (Mt.3:17),resistiu à tentação do diabo p/duvidar do fato(Mat.4:3)e falou Abba (paizinho),na cruz.

Referências Bíblicas:(Dn.3:25; Mt.8:29; Mt.14:33; Mt.27:43; Mt.27:54; Mc.1:1; Mc.3:11; Mc.15:39; Lc.1:35;Lc.4:41; Lc.22:70; Jo.1:34;Jo.1:49; Jo.3:18; Jo.5:25; Jo.10:36; Jo.11:4; Jo.11:27;Jo.19:7; Jo.20:31; At.8:37;At.9:20; Rm.1:4; 2Co.1:19; Gl.2:20; Ef.4:13-14; Hb.6;6; Hb.7:3; Hb.10:29; 1Jo.3:8; 1Jo.4:15; 1Jo.5:5; 1Jo.5:10-13; 1Jo.5:20; Ap.2:18).

 

13) SENHOR: Expressão kuriov kurios (grego-kurios)-(supremacia)- título de honra, que expressa respeito e reverência e com o qual servos tratavam seus senhores; título dado: a Deus, ao Messias:(Lc.24:3; Jo.21:7; At.1:21;At.2:36; At.4:33; At.7:59; At.9:17; At.9:29; At.10:36; At.11:7; At.15:11; Rm.10:12; 1Co.12:3; Fp.2:11; 2Jo.1:3; Jd.1:17; Jd.1:21;  Ap.22:20-21). Indica:

a)deidade- transmitia aos judeus e gentios, o pensamento de divindade(equivale a Jeová);

b) Exaltação - Na terra, Jesus merecidamente é Senhor porque morreu e ressuscitou para salvar os homens;

c)Soberano-No AT,se revelou como redentor e salvador de Israel e no Sinai, como Rei (Êxodo 20:2)-2 Cr.13:5; Fp.2:9; Fp.3:14).

Profecias do A.T.: Ex.15:2; Dt.26:19; 1Sm.2:1; 1Sm.2:10; 2Sm.22:47; 1Cr.29:11; Sl.7:6; Sl.18:46; Sl.21:13; Sl.46:10; Sl.57:5; Sl.57:11; Sl.66:17; Sl.97:9; Sl.99:5; Sl.99:9; Sl.107:32; Sl.108:5; Sl.113:4; Sl.118:16; Sl.118:28; Sl.145:1; Sl.148:13; Is.5:16; Is.26:11; Is.33:3;5;10; Is.52:13;

Cumprimento:  (At.2:33; Fp.2:9); Agora Cristo nos redime da destruição do pecado e tem o direito de ser o Senhor de nossas vidas, que nos comprou (1 Co.6:20; 2 Co.5:15).

14) FILHO DO HOMEM:   Expressão hebraica Nb bem Mda ‘adam aw-dawm’ou grega uiov huios anyrwpov anthropos (humanidade)-designação enfática p/o homem, em seus atributos característicos de debilidade e impotência.(Nm.23:19;Jó.16:21). No AT, a expressão denota debilidade e mortalidade, incentivo à vocação profética. No NT, denota-o como participante da natureza e qualidades humanas, sujeito às fraquezas humanas; Também, denota sua deidade porque nEle, significa  pessoa celestial , identificado como representante e salvador, em 3 fases:

a)  vida terrena (Mt.27:63; Lc.24:5; Mc.2:10; Lc.24:23; Jo.6:57; Jo.6:69; Jo.14:19;At.25:19 );

b) sofrimentos expiatórios (Hb.2:17; Mc.8:31; 1 Pe.1:11) e

c) exaltação e domínio sobre a humanidade (Mt.25:31;Dn.7:14). Cristo, homem em sofrimento,debilidade e morte, mas divino em contato com Pai, perdoando pecados acima da religião. O filho de Deus veio a ser o filho do homem pela encarnação, concebido no ventre de Maria pelo Espírito Santo.

Encarnação não significa que Deus se fez homem, mas permanecendo como Deus, tomou natureza nova(humana). O filho de Deus , permanecendo Deus, se uniu de tal forma a do homem, que constituiu uma pessoa, Jesus; assim, o filho de Deus , verdadeiro Deus desde a eternidade, no curso do tempo se fez verdadeiro homem, em uma pessoa, Jesus Cristo, constituído de duas naturezas, a humana e a divina.(Lc.24:39; Jo.1:14; Jo.6:51-56; Jo.17:2; At.2:30; At.2:31; Rm.1:3; Rm.8:3; Rm.9:5; 2Co.3:3; 2Co.5:16; Ef.2:15; Cl.1:22; 1 Tm.3:16; Hb.5:7; Hb.10:20; 1Pe.3:18; 1Pe.4:1; 1Jo.4:2-3; 2Jo.1:7).

 

15) PROPÓSITOS DA VINDA DE JESUS CRISTO:

a) Revelar Deus em si mesmo (Profecias AT: (Dt.29:29;Jó.34:14-16; Dn.2:19; Dn.2:22; Dn.2:28; Dn.2:29; Dn.2:47; Am.3:7; Cumprimento NT: (Mt.10:26;Mt.11:25; Mt.11:27; Mt.16:17; Lc.2:26; Lc.10:21-22; Jo.1:18; Jo.5:19; Rm.16:25; 1Co.2:10; Gl.1:12; Gl.1:16; Ef.1:17; Ef.3:1-5; 1Pe.1:7; 1Pe.1:12-13; 1Pe.4:13; 1Pe.5:1; Ap.1:1). 

b) Formar um modelo, glorificado e adaptado ao destino celestial, para os filhos dos homens, serem filhos de Deus  (Profecias AT: (Ex.25:9; Ex.25:40; Ex.26:30; Js.22:28; Ez.43:10); Cumprimento NT:(At.7:44; 2Tm.1:13; Hb.8:5-6;Jo.1:2).

c) Destruir o pecado  que impedia perfeição humana. (Adão era privado da glória pela justiça original).Profecias AT:(Gn.19:13; Ex.12:13; Ex.15:6; Dt.4:25-26; Dt.12:3; Dt.28:20; Sl.9:5; Sl.54:5; Sl.73:27; Sl.101:8; Sl.143:12; Pv.6:14-15;Pv.21:12; Pv.21:15; Pv.29:1; Ec.5:6; Is.1:28; Is.10:22-23; Is.28:22; Os.4:6; Jó.5:12; Is.25:8);  Cumprimento NT: (Mc.1:24; Lc.1:25; Lc.4:34; 1Co.1:19; 2Co.10:4-5; Jd.1:5;

 1Co.13:10; 1Co.15:24; 1Co.15:26; 2Ts.2:8; Hb.2:14; Hb.9:26).

16) JESUS CRISTO: Xristov Christos – mesmo que messias no grego Messiav Messias, o ungido, e em hebráico xyvm mashiyach”, filho de Jeová, concentrando esperanças de lsrael.(Mc.1:11);

O povo esperava um Messias,mas com conceitos errados. Deus, antes de estabelecer um reino terreno, desejava a purificação do povo. (Ez.36:25 e Jo.3:1); Messias, o autorizado a salvar Israel e as nações, do pecado, como Senhor e Mestre.

Cumprimento NT: (Mt.16:16; Mt.23:8; Mt.26:63-64; Mc.9:41; Lc.2:11; Lc.2:26; Lc.4:41; Lc.9:20; Lc.23:2; Lc.24:26; Lc.24:46; Jo.1:17; Jo.4:42; Jo.6:69; Jo.17:3; Jo.20:31; At.2:36; At.2:38; At.4:10; Rm.1:4; Rm.1:16; Rm.2:16; Rm.3:22-24; Rm.14:9; Rm.15:19; Rm.16:27; 1Co.1:9; 1Co.1:24; 1Co.1:30; 1Co.3:11; 1Co.15:57; 2Co.4:6; 2Co.5:10; 2Co.5:18-20; Gl.2:20; Gl.3:13; Ef.1:20; Fp.2:11; Fp.3:20; Cl.1:27; 1Ts.4:16; 1Ts.5:9; 1Ts.5:23; 2Ts.1:12; 2Ts.2:16; 1Tm.1:15; 1Tm.2:5; 2Tm.1:10; 2Tm.2:8-10; Hb.5:5; Hb.9:11; Hb.9:14; Hb.9:24; Hb.9:28; Hb.13:20; 1Pe.1:2-3; 1Pe.3:18; 2 Pe.1:11; 1Jo.5:20; Ap.1:5; Ap.11:15; Ap.20:6).

 

17) FILHO DE DAVI: No hebráico Nb bem dywd Daviyd; no gregouiov huios dabid Dabid Da linhagem real pela fidelidade de Davi(2 Sm.7:16), renovando a aliança davínica;os seus descendentes. Como filho de Maria, Ele é filho de Davi;Em (ls.9:6),”Pai da eternidade”, significa sábio e justo,qual Pai (Mc.11:10).

Cumprimento NT:(Mt.1:1; Mt.1:20; Mt.9:27; Mt.15:22; Mt.20:30; Mt.22:42-45; Mc.11:10; Lc.1:27; Lc.1:32; Lc.1:69; Lc.2:4; Lc 2:11; At.2:25; Rm.1:3; 2Tm.2:8; Ap.3:7; Ap.5:5; Ap.22:16).

18) OBRA SALVADORA: Deus, salvação e libertador de Israel (Sl.106:21; ls.45;15; Jr.14:48); Deus agindo “(Is.63:9).

O salvador, libertando e perdoando o povo; Filho enviado na plenitude dos tempos (GI.4:4).

Cumprimento AT:(ls.19:20; ls.43:11; ls.45:15; ls.45:21; ls.49:26; ls.60:16; ls.63:8; Os.13:4);

Cumprimento NT:(Lc.1:47; Lc.2:11; Jo.4:42; At.5:31; At.13:23; Ef.5:23; Fp.3:20; 1Tm.1:1; 1Tm.4:10; 2Tm.1:10; Tt.1:3-4; Tt.2:10-13; Tt.3:4-6; 2Pe.1:1; 2Pe.1:11; 2 Pe.2:20; 2 Pe.3:2; 2 Pe.3:18; 1 Jo.4:14; Jd.1:25).

 

19) MILAGRES DE JESUS CRISTO:Classificação Geral:

a)exorcismos: Jesus expulsa demônios;

b) curas: Jesus elimina doença/deformação;perdoa pecados-(exceto Jo.9:1-41; c)ressurreições: Jesus traz de volta a vida dos mortos, (3 casos);

d)milagres sobre natureza: Jesus age sobre os elementos (vento e mar;

e) milagres de transformação: Jesus transforma água em vinho e seca uma figueira; f) milagres de surgimento: Jesus faz surgir peixes, multiplica pães e peixes e faz aparecer o estáter na boca do peixe;

g) milagres de habilidade: Jesus possui a habilidade de mudar as situações,escapando de perseguidores em Nazaré;aparece e desaparece como ressuscitado, ou saber os pensamentos das pessoas e os atos futuros;

h) milagres de epifania: transfiguração e outros milagres como a voz de Deus, a pomba, o véu do templo que se rasgou, a ressurreição de mortos no momento da crucificação e subida aos céus.

i)Outros milagres desconhecidos: (Jo.21:25).

20)RELAÇÃO DOS MILAGRES (Ordem histórica dos Evangelhos):

a)Só em Marcos: (Mc.7:31-37 = Mt.15:29-31);(Mc.8:22-26 = Jo.9:6);

b)Só em Mateus: (9:27-31; 9:35; 12:22-24; 15:29-31; 17:23-26; 21:14-15);

c) Só em Marcos e Mateus: (Mc.1:38-39; Mt. 4:23-24; Mc.6:4-5; Mt.13:57-58; Mc.6:53-56; Mt.14:34-36; Mc.7:24-30; Mt.15:21-28; Mc.8:1-9; Mt.15:32-38; Mc.11:12-14,20-21; Mt. 21:17-20);

d)Só em Lucas: (4:28-30; 5:1-9; 7:11-16; 7:19-22; 8:2; 13:10-13; 14:1-4; 17:11-19; 22:44; 22:49-51 (veja João 18:10).

e) Só em Marcos e Lucas: (Mc.1:23-28; Lc.4:33-37; Mc.16:12; Lc.24:12-35; Mc.16:19; Lc.24:50-51);

f) Só em Mateus e Lucas: (Mt.8:5-8 e13; Lc.7:1-10; Mt.9:32-34; Mt.12:22-24); Lc.11:14-15);

g) Só em Mateus, Marcos e Lucas: (Mc.1:12-13; Mt.4:1-11; Lc.4:1-13; Mc.1:29-31; Mt.8:14-15; Lc.4:38-39; Mc.1:32-34; Mt.8:16-17; Lc.4:40-41; Mc.1:39-44; Mt.8:1-4; Lc.5:12-14; Mc.2:1-12; Mt.9:1-8; Lc.5:17-26; Mc.3:1-5; Mt.12:9-13; Lc.6:6-10; Mc.3:6-12; Mt.12:14-16; Lc.6:17-19; Mc.4:35-40; Mt.8:23-27; Lc.8:22-25; Mc.5:1-15; Mt.8:28-33; Lc.8:26-35; Mc.5:25-34; Mt.9:2-22; Lc.8:43-48; Mc.5:21-24, Mc.35-43; Mt.9:18-19, Mt.23-26; Lc.8:40-42, Lc.49-56; Mc.8:27-33; Mc.9:30-32; Mc.10:32-34; Mt.16:13-23; Mt.17:21-22; Mt.20:17-19; Lc.9:18-22; Lc.9:43-45; Lc.18:31-34; Mc.9:1-8; Mt.17:1-9; Lc.9:28-36; Mc.9:16-26; Mt.17:14-17; Lc.9:37-44; Mc.10:46-52; Mt.20:29-34; Mt.9:27-31; Lc.18:35-43; Mc.11:1-11; Mt.21:1-11; Lc.19:29-40; Mc.13;Mt.24;Lc.21; Mc.15:33-34 e 37-39; Mt.27:45,50-54; Lc.23:44-48).

Só em João: (1:47-51; 2:1-11; 3:23-25; 4:17-18; 4:46-54; Jo.5:1-9; 8:59; 9:1-7; 10:39; 11:11-15; 11:38-45; 8:52; 10:38-42; 16:20; 12:28; 18:3-6; 20:30; 21:1-6,10-11);(repetição de Lucas 7:1-10 e Mateus 8:5-8,13);

Só em Marcos, Mateus e João: (Mc.6:45-56; Mt.14:22-34;Jo.6:16-21);

Só em Mateus,Lucas e João: (Mt.14:13-14;Lc.9:10-11;Jo.6:1-2);

Só em Lucas e João: (Lc.24:36-43;Jo.20:19-23);

Em Marcos, Mateus,Lucas e João (ao mesmo tempo):Mc.1:10-11; Mt.3:13-17; Lc.3:21-22;Jo.1:32 e 12:28;Mc.6:34-44;Mt.14:14-21;Lc.9:11-17;Jo.6:3-14; Mc.14:17-21; Mt.26:20-25; Lc.22:21-22; Jo.13:26; Mc.14:26-31; Mt.26:30-35; Lc.22:31-38; Jo.13:36-38; Mc.16:1-9;Mt.28:1-10; Lc.24:1-8;Jo.20:1-17; Mc.16:1-10; Mt.28:1-10; Lc.24:1-12; Jo.20:11-18).

Em Atos: (1:9; 9:3-7);

Outros milagres do Espírito Santo: (Mt.1:18 e Lc.1:35; Mc.1:10-11; Mt.3:13-17; Lc.3:21-22; Jo.1:32; Mc.1:12; Mt.4:1; Lc.4:1;At.8:39-40; At.2:1-13; 7:56; 10:9-16; 11:28; 19:6; 21:10-11; 1Co.12:10; 2Co.12:1-4; Ap.1:10).

21)O PLANO DE DEUS E AS PROFECIAS MESSIÂNICAS:

 

DE GÊNESIS A DEUTERONÔMIO:
* Deus criou 1° casal à sua imagem e abençoou. (Gn.1:2);
* Ele formou homem,da terra e lhe deu uma alma. (Gn.2:7);
* Deus criou a mulher e uniu,sem malícia. (Gên.2:21);
* O Inimigo enganou esse casal que pecou. (Gênesis 3:7);
* Filho de Eva pisará diabo. (Gn. 3:15) e Gl.4:4 e Mt. 1:20);
* Deus vestiu Adão e Eva, com pele animal (Gn. 3:21-24);
* Abel oferta a Deus, que se agrada: é morto por Caim (Gn.4:2-11);
* Deus vê terra contaminada,resolve destruí-la.(Gn.6:2-5);
* Deus manda Noé construir arca para salvar pessoas (Gn.6:11-13);
* Noé solta pombo,traz ramo verde de oliveira.(Gn.8:6-11);
* Deus fez nova aliança com Noé (arco-íris). (Gn.9:9-16);
* Noé oferta animais no altar em holocausto. (Gn. 8:20);
* Homens:Babel e sua linguagem confusa. (Gn.11:6-9);

* Deus viu Abrão,de Ur; (Gn.12:1-3; Mt.1:1 e Gl.3:16);
* Abrão edifica altar a Deus: invoca seu nome.(Gn.12:7-8);
* Abrão dá dízimo de tudo a Sacerdote (Gn.14:18-20);
* Deus prometeu-lhe herdeiro, Isaque; (Gên.15:1-14);
* Promessa a Isaque (Gn.21:12) e Lc.3:23,24 e Mt.1:2;

* Deus pediu Isaque, como holocausto.(Gn. 22:1-15);

* Abraão ia oferecer Isaque;foi impedido.(Gn. 22:1-15);
* Deus promete-lhe descendência numerosa(Gn.22:16-19);
* Deus apareceu a Isaque;confirma promessa(Gn. 26:2-5);
* Isaque teve visão de Deus;edifica altar;(Gn. 26:24-25);
* Jacó filho de Isaque:direito de herdeiro;(Gn. 28:12-20);
* Jacó fez coluna e edificou altar ao Senhor(Gn.28:18-22);
* Deus muda nome-Jacó para Israel.(bênção).(Gn.32:24-30);
* Promessa a Jacó (Gn.35:10-12) e Lc.3:23-24 e Mt.1:2);
* Jacó:12 filhos;José e Benjamin, mais novos.(Gn. 35:22);
* José traído pelos irmaos,foi ser Rei no Egito.(Gn.3-45);
* Seca em Canaã e Israel e família foram ao Egito (Gn.46:1-7);

* Judá,de Israel(promessa)(Gn.49:8-11 )e Mt. 1:2:Hb: 14);

* O povo aumentou muito e faraó oprimiu povo. (Ex.1:5-14);
* Moisés hebreu salvo criado por filha do faraó.(Ex.2:1-10);
* 40 anos depois, Deus(EU SOU)fala a Moisés:(Ex. 3:2-22);

* Após 10 pragas,povo sai do Egito com riquezas (Ex.7 a 11);

* Deus pede páscoa;cordeiro sem defeito comido (Ex.12:1-29);
* Primogênitos para Deus;sinal nas mãos e olhos (Ex.13:1-16);

* Deus abre mar vermelho e faraó morre. (Êx. 14:1-31);

* Povo murmura pela água e fome no deserto. (Êx.15 a 16);
* Deus: promessas:10 mandamentos no Sinai.(Ex.19 a 31);
* 0 povo faz bezerro de ouro e adora idolatria. (Ex. 32);
* Moisés:véu no rosto,refletia glória de Deus. (Ex.34:29-35);
* Deus:construam tabernáculo,para sacrifícios.(Ex.35 a 40);
* O povo é ordenado sobre leis e rituais (todo levítico);
* Israel(povo) marcha para Canaã,terra prometida.(Nm.1-12);
* Deus proíbe povo ir a Canaã(murmuração)(Nm.13 a 14);
* Vara de Arao, novilha vermelha;rocha ferida;(Nm.1 a 29);
* Murmuração;serpentes mordem(de bronze) (Nm.21:1-9);
* Bênção a Israel, futuro (Rei) Estrela de Jacó (Nm. 24:1);
* Deus escolhe Israel por amor e não por merecer.(Dt.7:7-8);
* Deus fala que provou no deserto por amor; (Deut. 8:2-3);
* Deus requer de Israel, amar e servi-lo. (Dt.10:12-13);
* Deus dará profeta como Moisés,o Messias.(Dt.18:15-19);
* Deus a Josué;dá vitória contra Jericó(Dt.5:13-15 e Dt.6);

DE JOSUÉ A 2° REIS
* O povo entrou em Canaa e teve terras. (Js.21:43-45);
* Coroa de espinhos para os desobedientes (Js. 23:13);
* Deus levanta juízes para salvar povo da terra(Jz. 2:10-23);
* Deus levanta e escolhe profeta Samuel (1 Sm. 2:35,3:19);

* Samuel escolheu o primeiro Rei, Saul. (1 Sm. 12:13-14);
* Deus não quer sacrifícios,mas obediência. (1 Sm. 15:22);
* Deus e Davi(seu filho fará templo a Ele.(2 Sm.7:12-16);
* A rocha de salvação,o ungido enviado.(2 Sm. 22:4 e 51);
* Deus e Salomão, filho de Davi (reino eterno).(1 Rs.9:1-9);
* Deus e Elias,ressuscita mortos (1 Rs.17:1 e 1 Rs.21-24);
* Elias prega fidelidade a Deus.(1 Rs. 18:21);
* Micaías viu Israel, dispersa sem pastor.( 1Rs. 22:1);

*  Deus e Eliseu:multiplica pães e espigas. (2 Rs. 4:41-44);

DE JÓ A ISAÍAS

* Jó: falta um árbitro entre Deus e homem.(Jó.9:31-35);

* Jó e sua testemunha está no céus, seu advogado;(Jó:16:19);

* Jó: redentor viverá,se levantará;homem verá.(Jó.19:25-27);
* Jó: homens ensinados por Deus e o verão. (Jó.42:4-5);

* Salmos fala sobre características do Messias (Jesus): * Davi fala sobre o Rei de Sião, filho e juiz.(Sal. 2 e Mt.3:17); será louvado por crianças, feito homem; (Sl.8:l6); O messias é esperado (Salmo 14:7). O único, bebe cálice e vencerá a morte (Sl.16); vive (Sl.18:46-49); zombado (SI.22:1-19); nosso pastor (Sl.23); entrará nos céus (SI.24:7-10); caluniado (Sl. 2:12); esquecido (Sl. 31:11); sem ossos quebrados (Sl.34:20); espancado;(Sl.35:21); solitário (Sl.38:11);calado (Sl.38:13);proclamado ao Pai (SI.40:7-8); traído (SI.41:9 e Sl.55:12-14); morto (Sl.44:22); remidor dos irmãos; (Sl.49:); ressuscitado (SI.49:15); injuriado pela família(Sl.69:8-9);receberá vinagre (Sl.69:21); receberá presentes de reis (Sl.72:10); beberá cálice (Sl.75:8); invocará o Pai (Sl.89:26-28): guardado por anjos (Sl.91:11-13); acalmará as ondas (Sl.10:25-29); benvindo e pedra angular (Sl.118:19-29): ensinará mestres (Sl.119:99-100): ferido (Sl.129:3);de Davi(Sl.132:11 e Ap.22:16);

* Ele será o nosso fiador esperado (Provérbios 6:1-2);

* Deixou a vitória para nós (Ec.2:21);

* “propriedade”de seu povo (Ct.2:16);

* lsaías diz: Messias será visto no Monte de jerusalém (ls.2:2);

* o povo será endurecido a Ele (Is. 6:8-10);

* Messias nascerá de virgem (ls.7:14-16) e Mt.1:18);

* O povo verá a luz do menino-Deus (Isaías 9:1-7);

* Messias,cheio de Deus (Isaias 11:1-5);Lc.3:23.32;Mt.1:6

* Terra conhecerá;Ele será estandarte do povo (Is.11:9-10);

* O seu exclusivo trono será justo (Is. 16:5);
* O homem olhará para o criador (Is. 17:7);
* O Messias terá sepultura alta. (Is. 22:16);
* O Salvador será pendurado (Is. 22:22-25);
* O Messias vencerá a morte (Is. 25:8-9);
* O Messias ressuscitará mortos com Ele (Is. 26:19);
* O Messias será glorificado por suas obras (Is. 29:23-24);
* O Espirito Santo será derramado (Is.32:15-18);
* O Messias será Ele, o único caminho Santo (Is.35:8);
* Haverá uma voz do deserto antes dele (Is. 40:3-5);
* Falará aos gentios (Is.42);
* Nele seremos salvos (Is.45:22-23);
* Faz chegar a Salvação (Is.46:12);

* O Messias será cuspido (Is. 50:6);

* O Messias será visto (Is. 53:1-12);

* Ele estará entre nós e no céu (Is. 57:15);

* Somente Ele salva (Is. 63:2-5);

 
DE JEREMIAS A MALAQUIAS:

* Jeremias fala que será manso cordeiro(Jr. 11:19-20);
* Ele multiplicará o vinho nos odres (Jr. 13:12);
* Ele escreverá nomes de acusadores no chão (Jr.1:13);
* O Messias é o renovo (Jr. 23:3-6);
* Raquel chorará por Ele (Jr. 31:15);

* Ele é a nossa Justiça (Jr. 33:15-16);

* Ele dará a outra face (Lm. 3:30);

* O messias será rei eterno (Lm. 5:19-22);

* O expulsarão de uma terra (Ez. 11:15);

* O Messias levará a cruz aos ombros (Ez.12:12);

* Será plantado num monte alto (Ez.17:22-24);

* Seu nome será honrado (Ez.20:9);
* Ele será o bom Pastor (Ez. 34:11-17 e 31);
* O Messias será nosso Rio Eterno (Ez.47:12);
* O Messias é a Pedra que veio do céu encherá a terra (Dn. 2:34 e 44);
* O Messias fará sinais e salvará (Dn. 6:2);
* Os santos possuirão o seu Reino (Dn. 7:18);
* Após o 3o. dia, teremos vida. (Os. 6:1-3);
* O menino virá do Egito (Os. 11:1-2);
* Ele nos remirá da morte (Os. 13:14);
* Ele nos nos curará (Os. 14:4);
* O Espírito Santo derramado;toda carne (joel 2:28-32);
* O segredo será revelado aos profetas (Am.3:);

* Dia está perto; haverá livramento (Ob. 1:15 e 17);

* Rei cheio do Espírito Santo no monte (Mq.2:12-13;3:8;4:1-2);

* Ferirão o juiz na face,nascido de Belém. (Mq. 5:1-5);

* A obra maravilhosa (Hc.1:5);
* Messias entre homens, renova amor. (Sf.3:1);

* Ele está vindo para habitar na terra (Zc. 2:10-11);
* O renovo será Rei e Sacerdote (Zc. 6:12-13);

* Alguém pegará sua orla, judeu;ficará curado (Zc.8:22-23);

* Rei entrará em Jerusalém,montado no jumento (Zc. 9:9);
* Ele será estaca (Zc. 10:4);

* Messias será vendido por 30 moedas (Zc.11:12-13);

* Chorarão por ele, traspassado (Zc.12:10);

* Ele será ferido pelos amigos nos braços (Zc.13:6-7);
* O Messias será desonrado (Mal.1:6);
* O Messias instruirá a muitos (Mal. 2:5-8);
* O Messias terá voz antes dele (Mal. 3:1 e 4:5-6);
* O Messias será o sol da justiça (Mal.4:2);

PERÍODO DE TRANSIÇÃO: 400 anos de silêncio/transição para a vinda do Messias) (Por que 400? (Gn. 15:13; Ex.12:40)

 

NOVO TESTAMENTO
(CUMPRIMENTO DAS PROFECIAS)
Jesus nasceu!
* Geração de Davi e Abraão:Mt.1:1 e 17; Sl. 89:3; Gn. 22:18;
* Raiz de Jessé: Mt. 1:5 e Is.11:11;
* Nasceu de uma virgem Mt. 1:18 e Is. 7:14;
* Teve uma estrela: Mt. 2:2 e Nm. 24:17;

* Nasceu em Belém Mt. 2:6 e Mq. 5:2;
* Recebeu mirra,incenso, ouro Mt. 2:11 e Ct. 1:3 e SI. 45:8;

* Ele foi para o Egito Mt. 2:13 e Os. 11:1;
* Ele voltou do Egito Mt. 2:15 e Nm. 4:22;
* Escapou da morte quando criança.Mt. 2:16 e Ex. 1:16; 

* Raquel chorou Mt. 2:18 e Jr. 31:15;
* Ele seria Galileu Mt. 2:22 e Is. 9:1;
* Habita em Nazaré,desprezo: Mt.2:23 e Is.53:3; SI.22:6;

* Teria o precursor João Batista Mt. 3:1 e Ml. 3:1; Is. 40:3;
* Pregaria o Reino de Deus. Mt. 3:2 e Dn. 2:44;

* Espírito Santo viria sobre Ele como pomba Mt. 3:16 e Gn. 8:8;

* Seria filho amado. Mt. 3:17 e Is. 42:1;
* Seria levado ao deserto Mt. 4:1 e Lv. 16:21;

* Fica 40 dias com fome;Mt.4:2 e Nm. 14:33-34 e Dt. 8:2;
* Tentado a transformar pedras em pães. Mt. 4:3 e Zc. 3:9:
* Disse que o homem viveria da Palavra Mt. 4:4 e Dt. 8:3;

* Disse aos anjos está ordenado: Mt. 4:6 e SI. 91:11-13:
* Disse não tentarás o Senhor… Mt. 4:7 e Dt. 6:16;

* Só a Deus adorarás Mt. 4:9-10 e Dt. 6:13 e Dt. 10:20;

* Foi servido pelos anjos Mt. 4:11 e  Sl.103:21;
* Retirou-se para Galiléia Mt. 4:12-15 e Is. 9:1-2;

* Pregava o arrependimento: Mt. 4:1 e Dn. 7:27;

* Disse para irmos a Ele. Mt. 4:19 e Is. 1:18;

* Mandou acautelar-vos de falsos Mt. 7:15 e Ez. 22:27;

* Disse ao leproso e quis curá-lo. Mt. 8:2 e 2 Rs. 5:3-7;

* Achou fé nos gentios Mt. 8:11 e Is. 49:12;
* Tomou nossas dores e enfermidades Mt. 8:17 e Is. 53:4:
* Mandou vir a ele os cansados; Mt. 11:28-30 e Is. 53;

* Beber o cálice Mt. 20:22 e Jr. 49:12;

* Jumento preso Mt.2 1:2/ Gen. 49:11; Is. 62:11 e Zc. 9:9;

* Pedra angular rejeitada Mt. 21:41 e Sl.118:22-23;

* Disse Assenta-te a minha direita Mt. 22:44 e Sl. 110:1;

* Disse um só é o vosso mestre Mt.23:8 e Sl.133:1 e Sl.22:22;

* Jesus filho do homem Mt. 25:31 e joel 3:2;

* Traído Mt.26:23 e Prov.1:18-19; Sl.41:9; Sl.55:12-14;
* Sangue da nova aliança Mt. 26:2 e Ml.4:4 e Dt 4:23;

* Cálice amargo: Mt. 26:39 e Jr. 49:11-12 e Jr.25:15;

* Morto entre ladrões Mt. 2:44 e Jr. 48:2;

* Autoridade para perdoar pecados. Mc. 2:10 e Jr. 31:34;

* Luz do Mundo Lc. 1:7-9 e Is. 60:1-2;
* Cordeiro de Deus. João 1:29 e Gn. 22:8;

* Ressuscitador Jô. 5:21 e 1 Sm. 2:6;

* Juiz – Jo.5:27 e Jl. 3:2; 2 Tm.4:1 e Is.33:22;

* Escrevia com o dedo em terra Jô.8:6 e Jr.1:13;

* Luz do Mundo Jô.8:12, At.13:4 e Is.60:1-2;

* Alegria de Abraão Jo.8:56 e Gn.18:1 e 17-18;

* O EU SOU Jo.8:58 e Ex. 3:14; Dt.32:29; Is. 43:10;

* A PORTA Jo.10:9 e Ez.3:31;
* O BOM PASTOR Jo. 10:11 e SI. 23:1;

* O CAMINHO Jo.14:6 e Os. 13:4;

* Convencedor do Pecado Jo.16:8 e Mq.3.8;

* Glorificado do Pai Jo.1:1-5; Is.42:8, Is. 48:11; Gen.1:1;

* Túnica rasgada Jo.19:23-24 e Gn. 3:23;
* Ferido com lança ao lado Jo. 19:34 e Ex. 7:17;
* Não me detenhas; ainda não subi. Jo.20:17 e Gn.24:56;
* Mistério da Escritura – Jo. 21:25 e Dt. 29:29;
* Mesa do Senhor(Ceia) Mal.1:7 e 12 e 1 Co.10:21;
* Zeloso pelas coisas divinas – Sl.69 e Jo.2:15-17;
* Milagres Is.35:5 e 32:3,4 e Mt.9:32 e Mc.7:33-35;
* Parábolas:Sl. 78:2 e Mt.13:34;
* Pedra de tropeço aos judeus Sl. 118:22 e Rm.9:32;

* Ressuscitou – Sl.16:10; Sl.30:3 e At.2:31;At.13:33;
* Ascensão – Sl.68:18 e At.1:9;
* À destra de Deus – Sl.110:1 e Hb.1:3 e Mc.16:19;
* Dinheiro atirado – Zc.11:13 e Mt.27:5;
* Preço dado ao oleiro – Zc.11:13 e Mt.27:7;
* Abandonado – Zc.13:7 e Mc. 14:50;
* Acusado por falsos – Sl.35:11e Mt.26:59,60;
* Mudo perante acusadores – Is.53:7 e Mt.27:12;
* Ferido e arranhado – Is.53:5 e Zc.13:6 e Mt. 27:26;
* Espancado e cuspido-Is.50:6; Mq.5:1; Mt.26:67 e Lc.22:63;
* Objeto de zombaria-Sl.22:7,8 e Mt.27:31;
* Caiu sob a cruz – Sl.109:24,25 e Jo.19:17,Lc.23:26;
* Mãos e pés furados- Sl.22:16; Zc.12:10 e Lc.23:33;
* Crucificado entre ladrões-Is.53:12 e Mt.27:38;
* Intercedeu pelos perseguuidores-Is.53:12 e Lc.23:34;
* Rejeitado pelo povo-Is.53:3; Sl. 69:8 e Jo.7,5;Mt.21:42;
* Odiado sem motivo-Sl.69:4 e Is.49:7 e Jo.15:25;
* Amigos à distância-Sl.38:11 e Lc.23:49;
* Menearam a cabeça-Sl.109:25;Sl.22:7 e Mt.27:39;
* Observado pelas pessoas-Sl.22:17 e Lc.23:35;
* Roupas sorteadas-Sl.22:18 e Jo.19:23,24;
* Sofreu sede-Sl. 69:21 e Sl.22:15 e Jo.19:28;
* Fel e vinagre oferecidos-Sl. 69:21 e Mt.27:34;
* Grito de abandono-Sl.22:1 e Mt.27:46;
* Entregou-se a Deus-Sl.31:5 e Lc.23:46;
* Ossos sem quebrar-Sl.34:20 e Jo.19:33;
* Colapso cardíaco-Sl.22:14 e Jo.19:34;
* Traspassado Zc. 12:10 e Jô.19:34;
* Trevas sob a terra-Am. 8:9 e Mt.27:45;
* Em túmulo rico  Is. 53:9 e Mt. 27:57;


ATRIBUTOS DIVINOS:TRINDADE:

ONIPRESENÇA: * Pai: Jr. 23:24; * Filho: Mt. 28:20; *E.Santo: Sl. 139:7;
ONIPOTÊNCIA: * Pai: Gn.17:1; *Filho: Mt.28:18; *ESanto: Lc.1:35;
ONISCIÊNCIA: *Pai: 1 Pe.1:2; *Filho: Jo.21:17; E.Santo: 1 Co.2:10
DEUS CRIADOR: *Pai: Gn.1:1; Filho: Jo.1:3; *E.Santo: Jó.33:4;
ETERNIDADE: *Pai: Rm.16:26; *Filho: Ap.22:13; *Hb.9:14;
SANTIDADE: Pai:Ap.4:8; *Filho: At. 3:14; *E.Santo: 1 Jo.2:20;
SANTIFICADOR: *Pai: Jo. 10:36; Filho:Hb.2:11; *E.Santo: 1Pe.1:2;
SALVADOR: *Pai: Is.43:11; *Filho: 2 Tm.1:10; *E.Santo: Tt.3:5;
OS TRÊS SÃO UM: (1 Jo.5:7);

 

AULA 7 – EXPIAÇÃO

 

1) CONCEITO: O perdão dos pecados dos que se arrependem e confessam, acompanhado de reconciliação com Deus, pelo Sacrifício de vítima inocente,

No AT a vítima era um animal, figura e símbolo do Cristo crucificado (Lv.1-7; Hb.9:19-28).

2) EXPIAÇAO NO ANTIGO TESTAMENTO:

•hebráico“rpk kaphar-Cobrir, purificar,expiação,reconciliar,cobrir com betume; encobrir, pacificar,propiciar,expiar pelo pecado, cobrir, expiar pelo pecado e por pessoas através de ritos legais (Ex.29:36);

•hebráico “hajx chatta’ah ou  tajx chatta’th - relativo a pecado, oferta  e purificação dos pecados de impureza cerimonial (Lv.4:8; Ex.30:15; Lv.5:9; Lv.7:2; Lv.9:7). Compreendendo sacrifício de animais no A.T, para entender o sacrifício de Jesus por nós.

Veja as Profecias: Is.53:10; Sl.40:6;Mt.9:13; Rm.12:1; Ef.5:2; Fp.2:17; Fp.4:18; 2 Tm.4:6; Hb.9:20-25;Hb.10:1-26; Hb.13:8).

 

3) CONCEITO DE SACRIFÍCIO:

No hebraico (xbz zebach) e em Grego yusia thusia – Animais, cereais ou bebidas eram entregues a Deus como parte do culto de adoração.

Chave para significar a morte de Jesus.

O Novo testamento está acima das teorias modernas.

O uso de termos sacrificiais p/expor a morte de Cristo.

O Cordeiro de Deus;seu sangue limpa o pecado e compra a redenção, transformando a morte de Cristo num verdadeiro sacrifício pelo pecado.

Sua morte lembra os sacrifícios do A.T.,de 2 maneiras:

a)Os sacrifícios são ritual de adoração judáico;

b)sinal profético que apontava para um futuro sacrifício perfeito.

Eram proféticos, não apenas a Cristo, como serviram para preparar o povo de Deus para a dispensação melhor que seria introduzida com a vinda de Jesus, afinal, os judeus já estavam familiarizados com sacrifícios, quando João Batista falou que Jesus era o Cordeiro de Deus.

Entendendo o ritual da Lei de Moisés, entenderemos o sentido da morte de Jesus na Cruz.

4) ORIGEM DO SACRIFICIO:

1)ordenado do Céu: Antes da criação do mundo, a expiação estava na mente e no propósito de Deus; Cristo, cordeiro imaculado e incontaminado, conhecido antes da fundação do mundo (Ap. 13:8; 1Pe.1:19).

O cordeiro pascal era preordenado vários dias antes de ser sacrificado (Ex.12:3,6).

Deus prometeu a vida eterna, antes dos tempos dos séculos (Tito 1:2).

Pessoas santificadas pelo sacrifício, antes da fundação do mundo (Ef.1:4).

Pedro disse aos judeus que Cristo foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus (At.2:23). O Cristianismo é a manifestação histórica do propósito eterno.

2) Instituído na terra: Antes do sacrifício de Jesus, Deus ordenou uma instituição que prefigurasse o sacrifício, como meio de graça aos arrependidos e crentes(Sacrifícios de Animais).

A 1ª vítima animal cobriu a nudez do primeiro casal com sua pele (Gn.3), onde Deus fez provisão para redimir o homem.

5) PROPÓSITO DO SACRIFÍCIO: Uma criatura inocente morre para cobrir pecado; cobertura divina,provida pela consciência culpada. Em Gn.3. e Ap. fala do cordeiro:(Ap.5:6).

 

6) NATUREZA DO SACRIFICIO:Modelo original pervertido, origina sacrifícios pagãos, mas se baseiam em 2 idéias fundamentais:

a)O homem reconhece estar debaixo do poder de uma deidade e como submissão, oferece dádivas e sacrifícios;

b) O homem reconhece que o Deus que o fez tem o direito de destruí-lo, a não ser que algo seja feito para restaurar a relação interrompida.

Crenças antigas imolavam vítimas e derramavam seu sangue para aplacar a ira divina e assegurar o favor de Deus.

(O homem decaído, leva alguma marca da original revelação do Criador).

Os filhos de Noé, se afastaram de Deus e adoraram os corpos celestes, numa cegueira espiritual, originando a idolatria, os quais, fazendo deuses conforme concupiscências, se corromperam moralmente.

Deus começou novo plano com Abraão, para restaurar no mundo o conhecimento da glória de Deus, separando Israel, através de um código de leis morais e religiosas.

7) TIPOS DE SACRIFICIOS DE ISRAEL:

Objetivo: Render adoração ao Criador e remover obstáculos a esta comunhão:

• Sacrifício de Expiação. No caso do israelita perturbasse a relação entre Ele e Deus, traria oferta pelo pecado (Morte de Jesus levou o pecado (2 Co.5:21) – Oferta pelo pecado, isto é, para tirar pecados (Lv.4.1-5.13; 6.24-30).

• Sacrifício de Restituição: No caso de ter ofendido o próximo, traria oferta pela culpa (A alma de Jesus pagou a divida. (Is.53:10)-Oferta pela culpa, isto é, para tirar a culpa (Lv 5.14-6.7; 7.1-7).

• Sacrifício de Adoração: (No caso de estar de bem com Deus e com os homens e desejar reconsagrar-se, oferecendo oferta queimada (holocausto) (Morte de Jesus, ato perfeito de oferecimento.(Hb.9:15;Ef.5:2) – Holocausto, em que o animal era completamente queimado no altar (Lv.1.1-17; 6.8-13).

• Sacrifício da Comunhão ( No caso de pronto p/desfrutar feliz comunhão c/Deus, que havia perdoado e aceito,dava uma oferta de paz (Jesus descreveu sua morte;meio da vida eterna,deixando-nos a Paz.(Jo.6:53; conf. Lev.7:1 5).

Sacrifício pacífico ou de paz (Lv 3.1-17; 7.11-21). Das ofertas de paz havia três tipos: por gratidão a Deus (Lv 7.12), para pagar voto ou promessa (Lv 7.16) e a voluntária, que era trazida de livre e espontânea vontade (Lv.7.16).

Por Darlan Lima, Alexandre Arcanjo e Orlando Nascimento.

II Parte (clique aqui)

Os Atributos de Deus

2 Comentários

1.   A SOLIDÃO DE DEUS. 2.   OS DECRETOS DE DEUS. 3.   A ONISCIÊNCIA DE DEUS. 4.   A PRESCIÊNCIA DE DEUS. 5.   A SUPREMACIA DE DEUS. 6.   A SOBERANIA DE DEUs. 7.   A IMUTABILIDADE DE DEUS. 8.   A SANTIDADE DE DEUS. 9.   O PODER DE DEUS. 10.   A FIDELIDADE DE DEUS. 11 .   A BONDADE DE DEUS. 12.   A PACIÊNCIA DE DEUS. 13.   A GRAÇA DE DEUS. 14.   A MISERICÓRDIA DE DEUS. 15.   O AMOR DE DEUS. 16.   A IRA DE DEUS. 17.   CONTEMPLANDO A DEUS

 

PREFÁCIO

 ”Une-te pois a ele, e tem paz, e assim te sobrevirá o bem (Jó 22:21). “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor…” (Jeremias 9:23-24). Um conhecimento salvador e espiritual de Deus é a maior de to­das as necessidades de cada criatura humana.

O fundamento de todo conhecimento verdadeiro de Deus só pode ser a clara compreensão mental de Suas perfeições, segundo revelam as Escrituras Sagradas. Não nos é possível servir nem adorar a um Deus desconhecido, nem depositar nEle a nossa confiança. Neste breve livro fez-se um esforço para apresentar algumas das principais perfeições do caráter, divino. Para que o leitor se beneficie realmente com a leitura das páginas que se seguem, ele precisa suplicar a Deus com seriedade e determinação que as abençoe para seu proveito, que aplique Sua verdade à consciência e ao coração, a fim de que a sua vida seja transfor­mada.

Necessitamos algo mais que um conhecimento teórico de Deus. Só conhecemos verdadeiramente a Deus em nossa alma, quando nos rendemos a Ele, quando nos submetemos à Sua auto­ridade e quando os Seus preceitos e mandamentos regulam todos os pormenores da nossa vida. “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor…” (Oséias 6:3), “Se alguém quiser fazer a vontade dele… conhecerá” (João 7:17). “… o povo que co­nhece ao seu Deus se esforçará e fará proezas” (Daniel 11:32).

Os capítulos que se seguem apareceram pela primeira vez na revista mensal “Studies in the Scriptures” (Estudos nas Escrituras), publicada pelo autor e totalmente dedicada à exposição da Palavra de Deus e à provisão de alimento espiritual para almas famintas. Estes artigos foram reeditados em sua presente forma graças à generosidade de um amigo cristão que financiou o custo total de sua publicação. Se Deus o permitir, o produto da venda deste livro será empregado na publicação de outros, de natureza similar. Seja sobre ele a bênção de Deus.

ARTHUR W. PINK

1. A SOLIDÃO DE DEUS

O título deste capítulo talvez não seja suficientemente claro para indicar o seu tema. Isto se deve, em parte, ao fato de que hoje em dia bem poucas pessoas estão acostumadas a meditar nas perfeições pessoais de Deus. Dos que lêem ocasionalmente a Bí­blia, bem poucos sabem da grandeza do caráter divino, que ins­pira temor e concita à adoração. Que Deus é grande em sabedo­ria, maravilhoso em poder, não obstante, cheio de misericórdia, muitos acham que pertence ao conhecimento comum; contudo, chegar-se a um conhecimento adequado do Seu Ser, Sua natu­reza, Seus atributos, como estão revelados nas Escrituras Sagra­das, é coisa que pouquíssimas pessoas têm alcançado nestes tem­pos degenerados. Deus é único na excelência do Seu Ser. “Ó Senhor, quem é como Tu entre os deuses? Quem é como Tu glorificado em santidade, terrível em louvores, operando maravi­lhas?” (Êxodo  15:11).

“No princípio… Deus…” (Gênesis 1:1). Houve tempo, se é que se lhe pode chamar “tempo”, em que Deus, na unidade de Sua natureza, habitava só (embora subsistindo igualmente em três pessoas divinas). “No princípio… Deus…”. Não existia o céu, onde agora se manifesta particularmente a Sua glória. Não existia a terra, que Lhe ocupasse a atenção, Não existiam os anjos, que Lhe entoassem louvores, nem o universo, para ser sustentado pela palavra do Seu poder. Não havia nada, nem ninguém, senão Deus; e isso, não durante um dia, um ano ou uma época, mas “desde sempre”. Durante uma eternidade passada, Deus esteve só: com­pleto, suficiente, satisfeito em Si mesmo, de nada necessitando.

Se um universo, ou anjos, ou seres humanos Lhe fossem necessá­rios de algum modo, teriam sido chamados à existência desde toda a eternidade. Ao serem criados, nada acrescentaram a Deus essen­cialmente. Ele não muda (Malaquias 3:6), pelo que, essencial­mente, a Sua glória não pode ser aumentada nem diminuída.

Deus não estava sob coação, nem obrigação, nem necessidade alguma de criar. Resolver fazê-lo foi um ato puramente soberano de Sua parte, não produzido por nada alheio a Si próprio; não determinado por nada, senão o Seu próprio beneplácito, já que Ele “faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11). O fato de criar foi simplesmente para a manifestação da Sua glória. Será que algum dos nossos leitores imagina que fomos além do que nos autorizam as Escrituras? Então, o nosso apelo será para a Lei e o Testemunho: “… levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade; ora bendigam o nome da tua glória, que está levantado sobre toda a bênção e louvor” (Neemias 9:5). Deus não ganha nada, nem sequer com a nossa adoração. Ele não precisava dessa glória externa de Sua graça, procedente de Seus redimidos, porquanto é suficientemente glorioso em Si mesmo sem ela. Que foi que O moveu a predes­tinar Seus eleitos para o louvor da glória de Sua graça? Foi, como nos diz Efésios 1:5, “…. o beneplácito de sua vontade”.

Sabemos que o elevado terreno que estamos pisando é novo e estranho para quase todos os nossos leitores; por esta razão faremos bem em andarmos devagar. Recorramos de novo às Es­crituras. No final de Romanos capítulo 11, onde o apóstolo con­clui sua longa argumentação sobre a salvação pela pura e sobe­rana graça, pergunta ele: “Por que quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu pri­meiro a ele, para que lhe seja recompensado?” (vers. 34-35). A importância disto é que é impossível submeter o Todo-poderoso a quaisquer obrigações para com a criatura; Deus nada ganha da nossa parte. “Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá da tua mão? A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria a um filho do homem” (Jó 35:7-8), mas cer­tamente não pode afetar a Deus, que é bem-aventurado em Si mesmo. “…quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos  servos  inúteis,   porque  fizemos  somente  o  que  devíamos fazer”   (Lucas   17:10)  — nossa  obediência não dá nenhum   proveito a Deus.

De mais a mais, vamos além: nosso Senhor Jesus Cristo não acrescentou nada a Deus em Seu Ser essencial e à glória essencial do Seu Ser, nem pelo que fez, nem pelo que sofreu. É certo, bendita e gloriosamente certo, que Ele nos manifestou a glória de Deus, porém nada acrescentou a Deus. Ele próprio o declara expressamente, e não há apelação quanto às Suas palavra.; “… não tenho outro bem além de ti” (Salmo 16:2; na versão usada pelo autor, literalmente: “… a minha bondade não chega a Ti”). Em toda a sua extensão, este é um Salmo sobre Cristo. A bondade e a justiça de Cristo alcançou os Seus santos na terra (Salmo 16:3), mas Deus estava acima e além disso tudo, pois unicamente Deus é “o Bendito” (Marcos  14:61, no grego).

É absolutamente certo que Deus é honrado e desonrado pelos homens; não em Seu Ser essencial, mas em Seu caráter oficial. É igualmente certo que Deus tem sido “glorificado” pela criação, pela providência e pela redenção. Não contestamos isso, e não ousamos fazê-lo nem por um momento. Mas isso tudo tem que ver com a Sua glória declarativa e com o nosso reconhecimento dela. Todavia, se assim Lhe aprouvesse, Deus poderia ter continuado só, por toda a eternidade, sem dar a conhecer a Sua glória a qualquer criatura. Que o fizesse ou não, foi determinado unicamente por Sua própria vontade. Ele era perfeitamente bem-aventurado em Si mesmo antes de ser chamada à existência a primeira criatura.   E,  que  são para Ele todas  as   Suas  criaturas,   mesmo agora? Deixemos outra vez que as Escrituras dêem a resposta: “Eis que as nações são consideradas por ele como a gola dum balde, e como o pó miúdo das balanças: eis que lança por ai as ilhas como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. Todas as nações são como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã. A quem pois fareis semelhante a Deus: ou com que o comparareis?”  (Isaías 40:15-18). Esse é o Deus das Escrituras; infelizmente Ele continua sendo o “Deus desconhecido” (Atos 17:23) para as multidões desatentas. “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cor­tina, e os desenrola como tenda para neles habitar; o que faz voltar ao nada os príncipes e torna coisa vã os juízes da terra” (Isaías 40.22-23). Quão imensamente diverso é o Deus das Escri­turas do “deus” do púlpito comum!

O testemunho do Novo Testamento não tem nenhuma dife­rença do que vemos no Velho Testamento; como poderia ser, uma vez que ambos têm o mesmo Autor! Ali também lemos: “A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, o único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver: ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém” (1 Timóteo 6:15-16). O Ser que aí é descrito deve ser reverenciado, cultuado, adorado. Ele é solitário em Sua majestade, único em Sua excelência, incomparável em Suas perfeições. Ele tudo sustenta, mas Ele mesmo é independente de tudo e de todos. Ele dá bens a todos, mas não é enriquecido por ninguém.

 Um Deus tal não pode ser encontrado mediante investigação; só pode ser conhecido como e quando revelado ao coração Espírito Santo, por meio da Palavra. É verdade que a criação manifesta um Criador, e isso com tanta clareza, que os homens fi­cam “inescusáveis” (Romanos 1:20); contudo, ainda temos que dizer com Jó: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus cami­nhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele! Quem pois en­tenderia o trovão do seu poder?” (Jó 26:14). Cremos que o argumento baseado no desígnio, assim chamado, argumento apre­sentado por “apologetas” bem intencionados, tem causado mais dano que benefício, pois tenta baixar o grande Deus ao nível do entendimento finito e, com isso, perde de vista a Sua singular excelência.

Tem-se feito uma analogia com o selvagem que achou  um relógio e que. depois de um detido exame, inferiu a existência de um  relojoeiro.  Até aqui, tudo bem. Tentemos ir mais longe, porém. Suponhamos que o selvagem procure formar uma concepção pessoal desse relojoeiro, de seus afetos pessoais, de suas maneira, de sua   disposição,   conhecimentos  e  caráter   moral — de tudo aquilo que se junta para compor uma personalidade.  Poderia ele chegar a imaginar ou pensar num homem real ___ o homem que fabricou o relógio — de modo que pudesse dizer: “Eu o conhe­ço”? Fazer perguntas como esta parece fútil, mas estará o eterno e infinito Deus tanto mais ao alcance da razão humana? Real­mente, não. O Deus das Escrituras só pode ser conhecido  por aqueles a quem  Ele próprio Se dá a conhecer.

Tampouco o intelecto pode conhecer a Deus. “Deus é espí­rito…” (João 4:24) e, portanto, só pode ser conhecido espiri­tualmente. Mas o homem decaído não é espiritual; é carnal, Está morto para tudo que é espiritual. A menos que nasça de novo, que seja trazido sobrenaturalmente da morte para a vida, miraculosamente transferido das trevas para a luz, não pode sequer ver as coisas de Deus (João 3:3), e muito menos entendê-las (1 Coríntios 2:14. E mister que o Espírito Santo brilhe em nossos cora­ções (não no intelecto) para dar-nos o “… conhecimento da gló­ria de Deus, na face de Jesus Cristo” (2 Coríntios 4:6). E até mesmo esse conhecimento espiritual é apenas fragmentário. A alma regenerada terá de crescer na graça e no conhecimento do Senhor  Jesus (2 Pedro 3:18).

A nossa principal oração e finalidade como cristãos deve ser que possamos “… andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Colossenses 1:10).

 

2. OS DECRETOS DE DEUS

 O decreto de Deus é Seu propósito ou determinação com respeito às coisas futuras. Usamos o singular, como o fazem as Escrituras (Romanos 8:28; Efésios 3:11), porque houve somente um ato de Sua mente infinita acerca das coisas futuras. Entre­tanto, nós falamos como se houvesse muitos, porque as nossas mentes só conseguem pensar em ciclos sucessivos, conforme sur­gem os pensamentos e as ocasiões, ou com referência a vários objetos do Seu decreto, os quais, sendo muitos, parecem-nos re­querer um propósito diferente para cada um deles. O entendi­mento infinito de Deus não avança passo a passo, ou de etapa a etapa. “Conhecidas por Deus são todas as Suas obras desde a eternidade”  (Atos   15:18 versão autorizada KJ,   1611).

As Escrituras fazem menção dos decretos de Deus em muitas passagens, empregando vários termos. A palavra “decreto” acha-se no Salmo 2:7, etc. Em Efésios 3:11 lemos a respeito do Seu “eterno propósito”. Em Atos 2:23, do “… determinado conselho e presciência de Deus… “. Em Efésios 1:9, do “… mistério da sua vontade… “. Em Romanos 8:29 lemos que Ele também “predestinou”. Em Efésios 1:9, sobre “o seu beneplácito”. Os decretos de Deus são denominados Seu “conselho” para significar que são consumadamente sábios. São chamados Sua “vontade” para mostrar que Ele não estava sob nenhum outro domínio, mas agiu de acordo com o Seu beneplácito. Quando a norma de conduta de uma pessoa é a sua vontade, geralmente é caprichosa e irrazoável. Mas nos procedimentos divinos a sabedoria está sempre associada com a  “vontade”  e,  por  conseguinte,  os  decretos   de  Deus  são  descritos como sendo “o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11).

Os decretos de Deus se relacionam com todas as coisas futuras, sem exceção: o que quer que seja feito no tempo, foi pré-ordenado antes de iniciar-se o tempo. O propósito de Deus dizia respeito a todas as coisas, grandes e pequenas, boas e más, conquanto, com referência a estas, devemos ter o cuidado de afirmar que, se bem que Deus é o Ordenador e Controlador do pecado, não é o seu Autor do mesmo modo como é o Autor do bem. O pecado não poderia proceder de um Deus santo por criação direta e positiva, mas somente por permissão decretatória e ação negativa. O decreto de Deus é tão abrangente como o Seu governo, estendendo-se a todas as criaturas e a todos os eventos.

Relaciona-se com a nossa vida e com a nossa morte, com o nosso estado no tempo, bem como na eternidade. Como Deus faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade, ficamos sabendo por Suas obras em que consiste (ou consistiu) o Seu conselho, assim como julgamos a planta de um arquiteto inspecionando o edifício que foi construído sob sua direção.

Deus não decretou meramente criar o homem, colocá-lo na terra, e depois deixá-lo entregue à sua própria direção descontro­lada; antes, fixou todas as circunstâncias do destino dos indiví­duos, e todas as particularidades que a história da raça humana compreende, desde o seu início até o seu fim. Ele não decretou simplesmente o estabelecimento de leis gerais para o governo do mundo, mas dispôs a aplicação dessas leis a todos os casos par­ticulares. Os nossos dias estão contados, como contados estão os cabelos das nossas cabeças. Podemos entender a extensão dos decretos divinos pelas distribuições providenciais, mediante as quais eles são executados. Os cuidados de Deus alcançam as criaturas, mais insignificantes e os mais diminutos eventos, como a morte de um pardal e a queda de um fio de cabelo.

Consideremos agora algumas das propriedades dos decretos divinos.  Em primeiro lugar, são eternos. Supor que sequer um deles foi ditado dentro do tempo, é supor que ocorreu algum novo acontecimento, surgiu algum evento imprevisto ou alguma combinação imprevista de circunstâncias, que induziu o  Altíssimo a idealizar uma nova resolução. Isto favoreceria a idéia de que o conhecimento de Deus é limitado e que Ele vai ficando mais sábio conforme o tempo avança — o que seria uma horrível blasfêmia. Ninguém que creia que o entendimento divino, é infinito, abrangendo o passado, o presente e o futuro, jamais admitirá a errônea doutrina de decretos temporais. Deus não ignora os eventos futuros que serão executados por volições humanos; Ele os predisse em inúmeros casos, e a profecia não é nada menos do que a manifestação da Sua presciência eterna. As Escrituras afirmam que os crentes foram escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo (Efésios 1:4), sim, que foi então que a “graça” lhes foi dada (2 Timóteo  1:9).

Em segundo lugar, os decretos de Deus são sábios? A sabe­doria é evidenciada na seleção dos melhores fins possíveis e dos meios mais apropriados para cumpri-los. Pelo que conhecemos dos decretos de Deus, é evidente que lhes pertence esta característica. Eles se nos revelam por sua execução, e toda evidência de sabe­doria nas obras de Deus é prova da sabedoria do plano segundo o qual eles são realizados. Como declara o salmista, “O Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as cousas fizeste com sabedoria…” (Salmo 104:24), Na verdade, só podemos observar uma pequeníssima parte delas, mas devemos proceder aqui como fazemos noutros casos, e julgar o todo pela amostra, o desconhe­cido pelo conhecido. Aquele que percebe o funcionamento admiravelmente engenhoso das partes de uma máquina que teve opor­tunidade de examinar, será naturalmente levado a crer que as outras partes são de igual modo admiráveis. Da mesma maneira, devemos persuadir nossas mentes quanto às obras de Deus quan­do nos invadem dúvidas, e repelir as objeções acaso sugeridas por alguma coisa que não podemos conciliar com as nossas no­ções do que é bom e sábio. Quando alcançarmos os limites do finito e contemplarmos os misteriosos domínios do infinito, excla­memos: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus…” (Romanos 11:33).

Em terceiro lugar, são livres. “Quem guiou o Espírito do Senhor? E que conselheiro o ensinou? Com quem tomou conse­lho, para que lhe desse entendimento, e lhe mostrasse as veredas do juízo e lhe ensinasse sabedoria, e lhe fizesse notório o caminho — da ciência?” (Isaías 40:13-14). Deus estava sozinho quando elaborou os Seus decretos, e as Suas determinações não foram influenciadas por nenhuma causa externa. Ele era livre para decretar ou não, e para decretar uma coisa e não outra. É preciso atribuir esta liberdade Àquele que é supremo, independente e soberano em tudo que faz.

Em quarto lugar, são absolutos e incondicionais. Sua execução não depende de qualquer condição que se pode ou não cumprir. Em cada caso em que Deus tenha decretado um fim, decretou também todos os  meios  para esse fim.  Aquele que decretou a salvação dos Seus eleitos, também decretou produzir fé neles, (2 Tessalonicenses 2:13). “…O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade” (Isaías 46:10); mas não poderia ser assim, se o Seu conselho dependesse de uma condição que não pudesse ser cumprida. No entanto Deus “…faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11).

Lado a lado com a imutabilidade e invencibilidade dos de­cretos de Deus, as Escrituras ensinam claramente que o homem é uma criatura responsável  e que  tem que  responder por suas ações   E se as nossas idéias se formam com base na Palavra de Deus   a defesa de um daqueles ensinos não levará à negação do r outro (Reconhecemos   sem   reserva   que  há   real   dificuldade   em definir onde um termina e o outro começa) Sempre acontece isto quando há uma conjunção do divino e do humano. A verdadeira-, oração é ditada pelo Espírito e, não obstante, é também o clamor do coração humano. As Escrituras são a Palavra de Deus inspi­rada mas  foram escritas por homens  que eram algo mais que máquinas nas mãos do Espírito. Cristo é Deus e homem.  Ele e onisciente, mas crescia em sabedoria (Lucas 2:52). É todo-poderoso porém “…   foi  crucificado por fraqueza…”  (2  Coríntios 13:4). É o Príncipe da vida e, contudo, morreu. Mistérios profun­dos são estes, mas a fé os recebe sem contestação.

Tem-se assinalado muitas vezes no passado que toda objeção contra os decretos eternos de Deus aplica-se com igual intensidade contra a Sua eterna presciência. “Se Deus decretou ou não todas as coisas que acontecem, aqueles que admitem a existência de Deus reconhecem que Ele sabe de antemão todas as coisas. Pois bem é evidente que se Ele conhece de antemão todas as coisas, Ele as aprova ou não as aprova, isto é, ou quer que se realizem, ou não quer. Mas querer que se realizem é decretá-las  (Jonathan Edwards).

Finalmente, procure-se supor e depois contemplar o oposto. Negar os decretos divinos seria proclamar um mundo, e tudo que se relaciona com ele, regulado somente por acaso ou por destino cego. Então, que paz, que segurança, que consolo haveria para os nossos pobres corações e mentes? Que refúgio haveria para onde fugir na hora da necessidade e da provação? Nada disso haveria. Não haveria nada menos que as densas trevas e o abjeto horror do ateísmo. Oh meu leitor, quão agradecidos devemos estar por­que tudo está determinado pela infinita sabedoria e bondade de Deus! Quanto louvor e gratidão devemos a Ele por Seus decre­tos! Graças a estes “… sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Romanos 8.28). Podemos muito bem exclamar: “…glória pois a ele eternamente. Amém”  (Romanos  11:36).

 3. A ONISCIÊNCIA DE DEUS

 Deus é onisciente. Ele sabe todas as coisas — todas as coisas possíveis, todas as coisas reais, todos os eventos, conhece todas as criaturas, todo o passado, presente e futuro. Conhece perfeita­mente todos os pormenores da vida de todos os seres que há no céu, na terra e no inferno. “… conhece o que está em tre­vas…” (Daniel 2:22). Nada escapa à Sua atenção, nada pode ser escondido dEle, não há nada que Ele esqueça! Bem podemos dizer com o salmista: “Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir” (Salmo 139:6). Seu conhecimen­to é perfeito. Ele jamais erra, nem muda, nem passa por alto coisa alguma. “E não há criatura alguma encoberta diante dele: antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hebreus 4:13). Sim, tal é o Deus a quem temos de prestar contas!                                                                          

“Tu conheces o meu assentar e o meu levantar: de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces” (Salmo 139:2-4), Que maravilhoso Ser é o Deus das Escrituras! Cada um dos Seus gloriosos atributos deveria torná-lo honorável à  nossa apreciação. A compreensão da Sua onisciência deveria inclinai-nos diante dEle em adoração. Contudo, quão pouco meditamos nesta perfeição divina! Será por que o só pensar nela nos enche de inquietação?

Quão solene é este fato: nada se pode esconder de Deus! :… quanto às cousas que vos sobem ao espírito, eu as conheço” (Ezequiel 11:5). Embora sendo Ele invisível para nós, não o so­mos para Ele. Nem as trevas da noite, nem as mais espessas cor­tinas, nem o calabouço mais profundo podem ocultar o pecador dos olhos do Onisciente. As árvores do jardim não puderam ocul­tar os nossos primeiros pais. Nenhum olho humano viu Caim assassinar seu irmão, mas o seu Criador testemunhou o crime. Sara pôde rir zombeteira, oculta em sua tenda, mas foi ouvida por Jeová. Acã roubou uma cunha de ouro e a escondeu cuidado­samente no solo, mas Deus a trouxe à luz. Davi escondeu a sua iniqüidade a duras penas, mas pouco depois o Deus que tudo vê enviou-lhe um dos Seus servos para dizer-lhe: “Tu és o homem!” E tanto ao escritor como ao leitor se diz: “… sabei que o vosso pecado vos há de achar” (Números 32:23).

Os homens despojariam a Deidade da Sua onisciência, se pu­dessem — prova de que “… a inclinação da carne é inimizade contra Deus… ” (Romanos 8:7). Os ímpios odeiam esta perfeição divina com a mesma naturalidade com que são compelidos a reco­nhecê-la. Gostariam que não houvesse nenhuma Testemunha dos seus pecados, nenhum Examinador dos seus corações, nenhum Juiz dos seus feitos. Procuram banir tal Deus dos seus pensamentos: “E não dizem no seu coração que eu me lembro de toda a sua mal­dade…” (Oséias 7:2). Como é solene o Salmo 90:8! Boa razão tem todo o que rejeita a Cristo para tremer diante destas pala­vras: “Diante de ti puseste as nossas iniqüidades: os nossos pe­cados ocultos à luz do teu rosto”.

Mas a onisciência de Deus é uma verdade cheia de consolação para o crente. Em tempos de aflição, ele diz com Jó: “Mas ele sabe o meu caminho…” (23:10). Pode ser profundamente misterioso para mim, inteiramente incompreensível para os meus amigos, mas “Ele sabe”! Em tempos de fadiga e fraqueza, os crentes podem assegurar-se de que Deus ” … conhece a nossa estru­tura; lembra-se de que somos pó” (Salmo 103:14). Em tempos de dúvida e vacilação, eles apelam para este atributo, dizendo: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me, e conhe­ce os meus pensamentos. E vê se ha em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23-24). Em tempos de triste fracasso, quando os nossos corações foram traídos por nossos atos; quando os nossos feitos repudiaram a nossa devo­ção, e nos é feita a penetrante pergunta, “Amas-me?”, dizemos, como o fez Pedro: “… Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo…” (João 21:17).

Aí temos estímulo para orar. Não há motivo para temer que as petições do justo não serão ouvidas, ou que os seus suspiros e lágrimas não serão notados por Deus, visto que Ele conhece os pensamentos e as intenções do coração. Não há perigo de que um santo seja passado por alto no meio da multidão de suplicantes que todo dia e toda hora apresentam as suas variadas petições, pois a Mente infinita é capaz de prestar a mesma atenção a mul­tidões como se apenas um indivíduo estivesse procurando obter a Sua atenção. Assim também a falta de linguagem apropriada, a incapacidade de dar expressão ao anseio mais profundo da nossa alma, não comprometerá as nossas orações, pois, “… será que antes que clamem, eu responderei: estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Isaías 65:24).

“Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu enten­dimento é infinito” (Salmo 147:5). Deus não somente sabe tudo que aconteceu no passado em todos os rincões dos Seus vastos domínios, e não apenas conhece por completo tudo o que agora está ocorrendo no universo inteiro, mas também é perfeito conhe­cedor de todos os acontecimentos, do menor ao maior deles, que haverão de suceder nas eras vindouras. O conhecimento que Deus tem do futuro é tão completo como o Seu conhecimento do passado e do presente, e isso porque o futuro depende totalmente dEle próprio. Se fosse possível ocorrer alguma coisa sem a ação direta de Deus ou sem a Sua permissão, então aquilo seria independente dEle, e Ele deixaria, de pronto, de ser Supremo.

Ora, o conhecimento divino do futuro não é mera abstração, mas é algo inteiramente ligado ao Seu propósito, o qual o acom­panha. Deus mesmo planejou tudo que há de ser, e o que Ele planejou terá que ser efetuado. Como a Sua Palavra infalível afirma, “… segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes?” (Daniel 4:35). E de novo: “Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá” (Provérbios 19:21). Como a sabedoria e o poder de Deus são igualmente infinitos, tudo que Deus projetou está absolutamente garantido. (Que os conselhos divinos deixem de cumprir-se, é tão impossível como seria para Deus, três vezes santo, mentir.

Quanto à realização dos conselhos de Deus relativos ao fu­turo, nada é incerto. Nenhum dos Seus decretos é deixado na dependência das criaturas, nem das causas secundárias. Não há evento futuro que seja apenas uma possibilidade, isto é, coisa que pode ou não vir a acontecer. “Conhecidas por Deus são todas as suas obras desde a eternidade” (Atos 15:18). O que quer que Deus tenha decretado é inexoravelmente certo, pois nEle “… não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17). Portanto, “logo no início do livro que nos desvenda tantas coisas do futuro, são nos ditas “… as coisas que brevemente devem acontecer…” (Apocalipse   1:1).

O perfeito conhecimento de Deus é exemplificado e ilustrado em todas as profecias registradas em Sua Palavra. No Velho Tes­tamento acham-se vintenas de predições concernentes à história de Israel, as quais se cumpriram até o mínimo pormenor, séculos depois de terem sido feitas. Há também vintenas doutras mais, predizendo a carreira de Cristo na terra, e também se cumpriram literal e perfeitamente. Tais profecias só poderiam ter sido dadas por Alguém que conhecesse o fim desde o princípio, e cujo conhecimento repousasse na incondicional certeza da realização de tudo quanto fosse predito..De modo semelhante, o Velho e o Novo Testamento contêm muitos outros anúncios ainda futuros, e estes também “tem que cumprir-se” (Lucas 24:44, na versão usada pelo autor),  tem que cumprir-se porque preditos por  Aquele que  os decretou.

Contudo, deve-se assinalar que, nem o conhecimento de Deus, nem a Sua cognição do futuro, considerados simplesmente em si mesmos, são causativos. Nada jamais aconteceu, nem acontecerá, apenas porque Deus o sabia. A causa de todas as coisas é a vontade de Deus. O homem que realmente crê nas Escrituras sabe de antemão que as estações do ano continuarão a seguir-se suces­sivamente com infalível regularidade até o fim da história da terra (Gênesis 8:22); todavia, não é o seu conhecimento a causa da referida sucessão de eventos. Assim, o conhecimento de Deus não nasce das coisas porque elas existem ou existirão, mas porque Ele ordenou que existissem. Deus sabia da crucificação do Seu Filho  e  a  predisse muitas  centenas  de  anos   antes   que Ele   Se encarnasse, e isto, porque, segundo o propósito divino, Ele era um Cordeiro morto desde a fundação do mundo. Portanto, lemos que  Ele   “…   foi entregue  pelo   determinado   conselho   e   presciência de Deus…” (Atos 2:23).

Uma ou duas palavras, à guisa de aplicação. O conhecimen­to infinito de Deus deveria encher-nos de assombro. Quão exal­tado é o Senhor, acima do mais sábio dos homens! Nenhum de nós sabe o que o dia nos trará, mas todo o futuro está aberto ao Seu olhar onisciente. O conhecimento infinito de Deus deveria encher-nos de santa reverência. Nada do que fazemos, dizemos ou mesmo pensamos, escapa à percepção dAquele a quem teremos que prestar contas: “Os olhos do Senhor estão em todo o lugar, contemplando os maus e os bons” (Provérbios 15:3). Que freio seria para nós, se meditássemos nisso mais freqüentemente! Em vez de agir descuidadamente, diríamos com Hagar: “Tu, ó Deus, me vês” (Gênesis 16:13) — segundo a versão utilizada pelo autor, A capacidade de compreensão que o conhecimento infinito de Deus tem deveria encher o cristão de adoração. Minha vida a inteira esteve aberta ante os Seus olhos desde o princípio! Ele previu todas as minhas quedas, todos os meus pecados, todas as minhas reincidências; todavia, fixou em mim o Seu coração. Como a percepção disto deveria fazer-me prostrar em admiração e ado­ração diante dEle!

 

 4. A PRESCIÊNCIA DE DEUS

 Que controvérsias têm sido engendradas por este assunto no passado! Mas que verdade das Escrituras Sagradas existe que não se tenha tornado em ocasião para batalhas teológicas e eclesiásti­cas? A deidade de Cristo, Seu nascimento virginal, Sua morte expiatória, Seu segundo advento; a justificação do crente, sua santificação, sua segurança; a Igreja, sua organização, oficiais e dis­ciplina; o batismo, a ceia do Senhor, e uma porção doutras pre­ciosas verdades que poderiam ser mencionadas. Contudo, as con­trovérsias sustentadas não fecharam a boca dos fiéis servos de Deus; então, por que deveríamos evitar a disputada questão da presciência de Deus porque, com efeito, há alguns que nos acusa­rão de fomentar contendas? Que outros se envolvam em conten­das, se quiserem; nosso dever é dar testemunho segundo a luz a nós concedida.

Há duas coisas referentes à presciência de Deus que muitos ignoram: o significado do termo e o seu escopo bíblico. Visto que esta ignorância é tão amplamente generalizada, é fácil aos prega dores e mestres impingir perversões deste assunto, até mesmo ao povo de Deus. Só há uma salvaguarda contra o erro: estar firme na fé. Para isso, é preciso fazer devoto e diligente estudo, e receber com singeleza a Palavra de Deus infundida. Só então ficamos fortalecidos contra as investidas dos que nos  atacam.  Hoje em dia existem os que fazem mau uso desta verdade, com o fim de desacreditar e negar a absoluta soberania  de Deus na salvação dos pecadores. Assim como os seguidores da alta crítica repudiam a divina inspiração das Escrituras e os evolucionistas a obra de Deus na  criação,  alguns mestres pseudo-bíblicos  andam  pervertendo a presciência de Deus com o fim de pôr de lado a Sua incondicional eleição para a vida eterna.

Quando se expõe o solene e bendito tema da pré-ordenação divina, e o da eterna escolha feita por Deus de algumas pessoas para serem amoldadas à imagem do Seu  Filho,  o diabo envia alguém para argumentar que a eleição se baseia na presciência de Deus, e esta “presciência” é interpretada no sentido de que Deus previu que alguns seriam mais dóceis que outros, que responderiam mais prontamente aos esforços do Espírito e que, visto que Deus sabia que eles creriam, por conseguinte, predestinou-os para a salvação. Mas tal declaração é radicalmente errônea. Repudia a verdade da depravação total, pois defende que há algo bom em alguns homens. Tira a independência de Deus, pois faz com que seus decretos se apóiem naquilo que Ele descobre na cria­tura. Vira completamente ao avesso as coisas, porquanto ao dizer que Deus previu que certos pecadores creriam em Cristo e, por isso, predestinou-os para a salvação, é o inverso da verdade. As Escrituras afirmam que Deus, em Sua soberania, escolheu alguns para serem recipientes de Seus distinguidos favores (Atos 13:48) e portanto, determinou conferir-lhes o dom da fé. A falsa teologia faz do conhecimento prévio que Deus tem da nossa fé a causa da eleição para a salvação, ao passo que a eleição de Deus é a causa, e a nossa fé em Cristo, o efeito.

Antes de continuar discorrendo sobre este tema, tão errôneamente interpretado, façamos uma  pausa  para  definir os nossos termos. Que se quer dizer por “presciência”? “Conhecer de antemão”, é a pronta resposta de muitos. Mas não devemos tirar conclusões precipitadas, nem tampouco apelar para o dicionário do vernáculo como o supremo tribunal de recursos, pois não se trata de uma questão de etimologia do termo empregado. O que é preciso é descobrir como a palavra é empregada nas Escrituras. O emprego que o Espírito Santo faz de uma expressão sempre define. ” seu significado e escopo. Deixar de aplicar esta regra simples tem causado muita confusão e erro.  Muitíssimas pessoas  presu­mem que já sabem o sentido de certa palavra empregada nas Escrituras, pelo que negligenciam provar as suas pressuposições por meio de uma  concordância.  Ampliemos  este ponto.

Tomemos a palavra “carne”. Seu significado parece tão óbvio, que muitos achariam perda de tempo examinar as suas várias significações nas Escrituras. Depressa se presume que a palavra é sinônima de corpo físico e, assim, não se faz pesquisa nenhuma. Mas, de fato, nas Escrituras “carne” muitas vezes inclui muito mais que a idéia de corpo. Tudo que o termo abrange, só pode ser verificado por uma diligente comparação de cada passagem em que ocorre e pelo estudo de cada contexto, separadamente.

Tomemos a palavra “mundo”. O leitor comum da Bíblia ima­gina que esta palavra equivale a “raça humana” e, conseqüente­mente, muitas passagens que contêm o termo são interpretadas erroneamente. Tomemos a palavra “imortalidade”. Certamente esta não requer estudo! É óbvio que se refere à indestrutibilidade da alma. Ah, meu leitor, é uma tolice e um erro fazer qualquer su­posição, quando se trata da Palavra de Deus. Se o leitor se der ao trabalho de examinar cuidadosamente cada passagem em que se acham “mortal” e “imortal”, verá que estas palavras nunca são aplicadas à alma, porém sempre ao corpo.

Pois bem, o que acabamos de dizer sobre “carne”, “mundo”, e “imortalidade”, aplicasse com igual força aos termos “conhecer” e “pré-conhecer”. Em vez de imaginar que estas palavras não significam mais que simples cognição, é preciso ver que as dife­rentes passagens em que elas ocorrem exigem ponderado e cuida­doso exame. A palavra “presciência” (pré-conhecimento) não se acha no Velho Testamento. Mas “conhecer” (ou “saber”) ocorre ali muitas vezes. Quando esse termo é empregado com referência a Deus, com freqüência significa considerar com favor, denotando não mera cognição, mas sim afeição pelo objeto em vista. “… te conheço por nome” (Êxodo 33:17). “Rebeldes fostes contra o Se­nhor desde o dia em que vos conheci” (Deuteronômio 9:24). “Antes que te formasse no ventre te conheci…” (Jeremias 1:5). “… constituíram príncipes, mas eu não o soube…” (Oséias 8:4). “De todas as famílias da terra a vós somente conheci…” (Amós 3:2). Nestas passagens, “conheci” significa amei ou designei.

Assim também a palavra “conhecer” é empregada muitas vezes no Novo Testamento no mesmo sentido do Velho Testa­mento. “E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci…” (Mateus 7:23). “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ove­lhas, e das minhas sou conhecido” (João 10:14). “Mas, se al­guém ama a Deus, esse é conhecido dele” (1 Coríntios 8:3). “… o Senhor conhece os que são seus…” (2 Timóteo 2:19).

Pois bem, a palavra “presciência”, como é empregada no Novo Testamento, é menos ambígua que a sua forma simples, “conhecer”. Se cada passagem em que ela ocorre for estudada cuidadosamente, ver-se-á que é discutível se alguma vez se refere apenas à percepção de eventos que ainda estão por acontecer. O fato é que “presciência” nunca é empregada nas Escrituras em relação a eventos ou ações; em lugar disso, sempre se refere a pessoas. Pessoas é que Deus declara que “de antemão conhe­ceu” (pré-conheceu), não as ações dessas pessoas. Para provar isto, citaremos agora cada uma das passagens em que se acha esta expressão ou sua equivalente.

A primeira é Atos 2:23. Lemos ali: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”. Se se der cuidadosa atenção à terminologia deste versículo, ver-se-á que o apóstolo não estava falando do conhecimento ..anteci­pado que Deus tinha do ato da crucificação, mas sim da Pessoa crucificada: “A este (Cristo) que vos foi entregue”, etc.

A segunda é Romanos 8:29-30. “Porque os que dantes co­nheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou”, etc. Considere-se bem o pronome aqui empregado. Não se refere a algo, mas a pessoas, que ele conheceu de antemão. O que se tem em vista não é a submissão da vontade, nem a fé .do coração, mas as pessoas mesmas.

“Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu…” (Ro­manos 11:2). Uma vez mais a clara referência é a pessoas, e so­mente a pessoas.

A última citação é de 1 Pedro 1:2: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai…” Quem são “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”? O versículo anterior nô-lo diz: a referência é aos “estrangeiros dispersos”, isto é, a Diáspora, Dispersão, os judeus crentes. Portanto, aqui também a referência é a pessoas, e não aos seus atos previstos.

Ora, em vista destas passagens (e não há outras mais), que base bíblica há para alguém dizer que Deus “pré-conheceu” os atos de certas pessoas, a saber, o seu “arrependimento e fé” e que devido a esses atos Ele as elegeu para a  salvação?   A  resposta é:   absolutamente nenhuma. As Escrituras nunca falam de arrependimento e fé como tendo sido previsto ou pré-conhecido por Deus. Na verdade, Ele sabia desde toda a eternidade que certas pessoas se arrependeriam e creriam; entretanto,  não é a isto que as Escrituras se referem como objeto da “presciência” de Deus.  Esta palavra se refere uniformemente  ao  pré-conhecimento de pessoas; portanto, conservemos “…o modelo das sãs palavras.. .” (2 Timóteo 1:13).

Outra coisa para a qual desejamos chamar particularmente a atenção é que as duas primeiras passagens acima citadas mostram com clareza e  ensinam   implicitamente  que  a   “presciência” de Deus não é causativa, pelo contrário, alguma outra realidade está por trás dela e a precede, e essa realidade é o Seu decreto soberano   Cristo “…   foi entregue pelo  (1) determinado conselho e (2) presciência de Deus” (Atos 2:23). Seu “conselho” ou decreto foi  a base  da  Sua presciência.  Assim  também em  Romanos 8-29. Esse versículo começa com a palavra “porque”, conjunção que nos leva a examinar o que o precede Imediatamente. E o que diz o versículo anterior?  “… todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles… que são chamados por seu decreto”. Assim é que a “presciência” de Deus baseia-se em seu decreto (ver Salmo 2:7).

Deus conhece de  antemão o que será porque  Ele decretou o que há de ser. Portanto, afirmar que Deus elege pessoas porque as pré-conhece é inverter a ordem das Escrituras, é pôr o carro na frente dos bois. A verdade é esta:  Ele as  “pré-conhece” porque as  elegeu. Isto retira da criatura a base ou causa da eleição, e a coloca na soberana vontade de Deus. Deus Se propôs eleger certas pessoas, não por haver nelas ou por proceder delas alguma coisa boa, quer concretizada quer prevista, mas unicamente por Seu beneplácito. Quanto ao por que Ele escolheu os que escolheu, não sabemos, e só podemos dizer: “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve” (Mateus 11:26). A verdade patente em Romanos 8:29 é que Deus, antes da fundação do mundo, elegeu certos pecadores e os destinou para a salvação (2 Tessalonicenses 2:13). Isto se vê com clareza nas palavras finais do versículo: “… os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho”, etc. Deus não predestinou aqueles que “dantes conheceu” sabendo que eram “conformes”, mas. Ao contrário, aqueles que Ele “dantes conheceu” (isto é, que Ele amou e elegeu), “predestinou para serem conformes”. Sua conformidade a Cristo não é a causa, mas o efeito da presciência e predestinação divina.

Deus não elegeu nenhum pecador porque previu que creria, pela razão simples, mas suficiente, de que nenhum pecador jamais crê enquanto Deus não lhe dá fé; exatamente como nenhum homem pode ver antes que Deus lhe dê a vista. A vista é dom de Deus, e ver é a conseqüência do uso do Seu dom. Assim também a fé é dom de Deus (Efésios 2:8-9), e crer é a conseqüência do uso deste Seu dom. Se fosse verdade que Deus elegeu alguns para serem salvos porque no devido tempo eles creriam, isso tornaria o ato de crer num ato meritório e, nesse caso, o pecador salvo teria motivo para gloriar-se, o que as Escrituras negam enfaticamente: Efésios 2:9.

Certamente a Palavra de Deus é bastante clara ao ensinar que crer não é um ato meritório. Afirma ela que os cristãos vieram a crer “pela graça” (Atos 18:27). Se, pois, eles vieram a crer “pela graça”, absolutamente não há nada de meritório em “crer”, e, se não há nada de meritório nisso, não poderia ser o motivo ou causa que levou Deus a escolhê-los. Não; a escolha feita por Deus não procede de coisa nenhuma existente em nós, ou que de nós provenha, mas unicamente da Sua soberana boa vontade. Mais uma vez, em Romanos 11:5 lemos sobre “… um resto, segundo a eleição”. Eis aí, suficientemente claro; a eleição mesma é “da graça”, e da graça é favor imerecido, coisa a que não tínhamos direito nenhum diante de Deus.

Vê-se, pois, como é importante para nós, termos idéias claras e bíblicas sobre a “presciência” de Deus. Os conceitos errôneos sobre ela, inevitavelmente levam a idéias que desonram em extremo a Deus. A noção popular da presciência divina é inteiramente inadequada. Deus não somente conheceu o fim desde o princípio, mas planejou, fixou, predestinou tudo desde o princípio. E, como a causa está ligada ao efeito, assim o propósito de Deus é o fundamento da Sua presciência. Se, pois, o leitor é um cristão verdadeiro, é porque Deus o escolheu em Cristo antes da fundação do mundo (Efésios 1:4),  e o fez não porque previu que você creria, mas simplesmente porque Lhe agradou fazê-lo; você foi escolhido apesar da tua incredulidade natural. Sendo assim, toda a glória e louvor pertence a Deus somente. Você não tem base nenhuma para arrogar-se crédito algum. Você creu “pela graça” (Atos 18:27), e isso porque a tua própria eleição foi “da graça” (Romanos 11:5)

5. A SUPREMACIA DE DEUS

 Numa de suas cartas a Erasmo, disse Lutero: “As tuas idéias sobre Deus são demasiado humanas”. Provavelmente o renomado erudito se ofendeu com aquela censura, ainda mais que vinha do filho de um mineiro; não obstante, foi mais que merecida.

Nós também, embora não ocupando nenhuma posição entre os líderes religiosos desta era degenerada, proferimos a mesma acusação contra a maioria dos pregadores dos nossos dias, e con­tra aqueles que, em vez de examinarem pessoalmente as Escri­turas, preguiçosamente aceitam o ensino de outros. Atualmente se sustentam, em quase toda parte, os mais desonrosos e degra­dantes conceitos do governo e do reino do Todo-poderoso.  Para incontáveis milhares, mesmo entre cristãos professos, o Deus das Escrituras é completamente desconhecido.

Na antigüidade, Deus queixou-se a um Israel apóstata: “… pensavas que (eu) era como tu…” (Salmo 50:21). Semelhan­te a essa terá que ser a Sua acusação contra uma cristandade após­tata. Os homens imaginam que o que move a Deus são os senti­mentos, e não os princípios. Supõe que a Sua onipotência é uma ociosa ficção, a tal ponto que Satanás desbarata os Seus desígnios por todos os lados. Acham que, se Ele formulou algum plano ou propósito, deve ser como o deles, constantemente sujeito a mu­dança. Declaram abertamente que, seja qual for o poder que Ele possui, terá que ser restringido, para que não invada a cidadela do “lívre-arbítrio” humano, e o reduza a uma “máquina”. Re­baixam a toda eficaz expiação, a qual de fato redimiu a todos aqueles pelos quais foi feita, fazendo dela um mero “remédio” que as almas enfermas pelo pecado podem usar se se sentem dis­postas a fazê-lo; e enfraquecem a invencível obra do Espírito Santos, reduzindo-a a um “oferecimento” do evangelho que os pecadores podem aceitar ou rejeitar a seu bel-prazer.

O Deus deste século vinte não se assemelha mais ao Soberano Supremo das Escrituras Sagradas do que a bruxuleante e fosca chama de uma vela se assemelha à glória do sol do meio-dia. O Deus de que se fala atualmente no púlpito comum, comentado na escola dominical em geral, mencionado na maior parte da lite­ratura religiosa da atualidade e pregado em muitas das conferên­cias bíblicas, assim chamadas, é uma ficção engendrada pelo ho­mem, uma invenção do sentimentalismo piegas. Os idolatras do lado de fora da cristandade fazem “deuses” de madeira e de pedra, enquanto que os milhões de idolatras que existem dentro da cris­tandade fabricam um Deus extraído de suas mentes carnais. Na realidade, não passam de ateus, pois não existe alternativa possí­vel senão a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus. Um Deus cuja vontade é impedida, cujos desígnios são frustra­dos, cujo propósito é derrotado, nada tem que se lhe permita chamar Deidade, e, longe de ser digno objeto de culto, só merece desprezo.

A distância infinita que separa do todo-poderoso Criador as mais poderosas criaturas é um argumento em favor da supremacia do Deus vivo e verdadeiro. Ele é o Oleiro, elas são em Suas mãos apenas o barro que pode ser modelado para formar vasos de honra, ou pode ser esmiuçado (Salmo 2:9), como Lhe apraz. Se todos os habitantes do céu e todos os moradores da terra se juntassem numa rebelião contra Ele, não Lhe causariam perturba­ção e isso teria ainda menor efeito sobre o Seu trono eterno e inexpugnável do que o efeito da espuma das ondas do Mediter­râneo sobre o alto rochedo de Gibraltar. Tão pueril e impotente .é a criatura para afetar o Altíssimo, que as próprias Escrituras nos dizem que quando os príncipes gentílicos se unirem com Israel apóstata para desafiar a Jeová e Seu Ungido, “aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles” (Salmo 2:4).

Muitas passagens das Escrituras afirmam clara e positivamen­te a absoluta e universal supremacia de Deus. “Tua é, Senhor, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é Senhor, o reino, e tu te exaltaste sobre todos corno chefe … e tu dominas sobre tudo…” (1 Crônicas 29:11-12). Observe-se, diz “dominas” agora, e não diz “dominarás no milênio”. “Ah! Senhor, Deus de nossos pais, porventura não és tu Deus nos céus? Pois tu és Dominador sobre todos os reinos das gentes, e na tua mão há força e poder, e não há quem te possa resistir” (nem o pró­prio diabo) (2 Crônicas 20:6). Perante Ele, presidentes e papas, reis e imperadores, são menos que gafanhotos. “Mas, se ele está contra alguém, quem então o desviará? O que a sua alma quiser isso fará” (Jó 23:13). Ah, meu leitor, o Deus das Escrituras não é um falso monarca, nem um mero soberano imaginário, mas Rei dos reis e Senhor dos senhores. “Sei que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido (Jó 42:2, ou, segundo outro tradutor, “nenhum dos teus propósitos pode ser frustrado”. Tudo que designou fazer, Ele o faz. Realiza tudo quanto decretou. “Mas o nosso Deus está nos céus: faz tudo o que lhe apraz” (Salmo 115:3). Por que? Porque “não há sabedoria nem inteligência, nem conselho contra o Senhor” (Provérbios 21:30).

As Escrituras retratam vividamente a supremacia de Deus sobre as obras de Suas mãos. Toda matéria inanimada e todas as criaturas irracionais executam as ordens do seu Criador. Por Sua vontade dividiu-se o Mar Vermelho e suas águas se levantaram e ficaram eretas como paredes (Êxodo 14); e a terra abriu suas fauces e os rebeldes carregados de culpa foram tragados vivos pelo abismo (Números 14). À Sua ordem o sol se deteve (Josué 10), e, noutra ocasião, voltou atrás dez graus do relógio de Acaz (Isaías 38:8). Para exemplificar Sua supremacia, mandou corvos levarem alimento a Elias (1  Reis  17), fez o ferro flutuar (2 Reis 6:5), manteve mansos os leões quando Daniel foi lançado na cova des­sas feras, fez que o fogo não queimasse os três hebreus que foram arrojados às chamas da fornalha. Assim, “Tudo o que o Senhor quis, ele o fez nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos” (Salmo 135:6).

O perfeito domínio de Deus sobre a  vontade dos homens também demonstra a Sua supremacia, Pondere o leitor cuidadosa­mente sobre Êxodo 34:24, Exigia-se que todos os varões de Israel saíssem de casa e fossem a Jerusalém, três vezes por ano. Viviam entre gente hostil, que os odiava por se terem apropriado das suas terras. Então, o que é que impedia aos cananeus aproveitarem a oportunidade e, durante a ausência dos homens, matarem as mu­lheres e as crianças e se apossarem de suas fazendas? Se a mão do Onipotente não estivesse até mesmo sobre a vontade dos ímpios, como poderia Ele ter feito esta promessa, de que ninguém sequer cobiçaria suas terras? Ah, “Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o inclina” (Provérbios 21:1). Mas, poder-se-ia objetar, não lemos uma e outra vez nas Escrituras sobre como os homens desafiavam a Deus, re­sistiam à Sua vontade, transgrediam os Seus mandamentos, me­nosprezavam as Suas advertências e faziam ouvidos moucos a todas as Suas exortações? Certamente que sim; B isto anula tudo que dissemos acima? Se anula, então é evidente que a Bíblia se contradiz, Mas isso não pode ser. A objeção se refere simples­mente à iniqüidade do homem em rebelião contra a Palavra de Deus, escrita ao passo que mencionamos acima o que Deus se propôs em Si mesmo. A regra de conduta que Ele nos dá para seguirmos não é cumprida perfeitamente por nenhum de nós; os Seus “conselhos” eternos são realizados nos mínimos detalhes.

O Novo Testamento afirma com igual clareza e firmeza a absoluta e  universal  supremacia   de  Deus.   Ali se nos  diz que Deus “…  faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11). A palavra grega traduzida por “faz” significa “fazer eficazmente”.  Por esta razão, lemos:   “Porque  dele por ele, e para ele, são todas as coisas; glória pois a ele eternamente. Amém” (Romanos 11:56). Os homens podem jactar-se: de que são agentes livres, com vontade própria, e de que têm liberdade de fazer o que querem, mas as Escrituras dizem aos que se jactam:  “…. vós que dizeis: hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos… em   lugar  do  que devíeis dizer:  Se o  Senhor quiser   (Tiago, 5:13-15),

Há aqui, pois, um lugar de repouso para o coração. A nossa vida não é, nem produto do destino cego, nem resultado do acaso caprichoso, mas todas as suas minudências foram prescritas desde toda a eternidade e agora são ordenadas por Deus que vive e reina. Nem um fio de cabelo de nossa cabeça pode ser tocado, sem a Sua permissão. “O coração do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” (Provérbios 16:9). Que segurança, que poder, que consolo isso deveria dar ao cristão real! “Os meus tempos estão nas tuas mãos…” (Salmo 31:15). Portanto digo a mim mesmo: “Descansa no Senhor, e espera nele…” (Salmo 37:7).

6. A SOBERANIA DE DEUS

 Pode-se definir a soberania de Deus como o exercício de Sua supremacia, estudada no capítulo  anterior.  Sendo infinitamente elevado acima da mais elevada criatura, Ele é o Altíssimo, o Senhor dos céus e da terra. Não sujeito a ninguém, não influenciado por nada, absolutamente independente: Deus age como Lhe apraz, somente como Lhe apraz, sempre como Lhe apraz. Ninguém con­segue frustrá-lo nem impedi-Lo. Assim, Sua Palavra declara ex­pressamente: “… o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade (Isaías 46:10). “… segundo a sua vontade ele ope­ra com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar a sua mão…” (Daniel 4:35). O sentido da sobe­rania divina é que Deus é Deus de fato, bem como o é de nome, que Ele ocupa o trono do universo dirigindo todas as coisas, fazendo todas as coisas “… segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11).

Acertadamente disse o senhor Spurgeon em seu sermão sobre Mateus 20:15; “Não há atributo mais consolador para os Seus filhos do que o da soberania de Deus, Sob as circunstâncias mais adversas, em meio às mais duras provações, eles crêem que Deus na Sua soberania ordenou as suas aflições, que Ele as dirige soberanamente, e que na Sua soberania santificará todas elas? Para os filhos de Deus não deveria haver nada por que lutar mais zelosamente do que a doutrina de que o seu Senhor domina toda a criação — do reinado de Deus sobre todas as obras de Suas mãos — do trono de Deus e Seu direito de ocupar esse trono. Por outro lado, não há doutrina mais odiada pelos mundanos, nenhuma verdade de que tenham feito joguete a tal ponto como a grandiosa, estupenda, porém certíssima doutrina da soberania do infinito Jeová. Os homens se dispõem a permitir que Deus esteja em toda parte, menos no Seu trono. Dispõem-se a deixá-lo em Sua oficina formando mundos e criando estrelas. Deixarão que esteja em Seu dispensário a distribuir esmolas e a conceder be­nefícios. Permitirão que fique sustentando a terra e mantendo firmes as suas colunas, que acenda os luzeiros do céu e governe as irrequietas ondas do oceano; mas quando Deus sobe ao Seu trono. Suas criaturas rangem os dentes, e quando nós proclamamos um Deus entronizado, e Seu direito de fazer o que quiser com o que lhe pertence, como também de dispor de Suas criaturas como Ele achar melhor, sem consultá-las sobre a questão, então os homens nos vaiam, nos amaldiçoam e se fazem de surdos para não nos ouvir, porquanto Deus no Seu trono não é o Deus que eles amam. Mas é Deus no Seu trono que muito nos agrada pregar. É em Deus no Seu trono que confiamos”.

“Tudo que o Senhor quis, ele o fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos’ (Salmo 135:6). Sim, dileto leitor, tal é o imperial Potentado revelado nas Escrituras Sagradas. Sem rival em majestade, ilimitado em poder, imune de tudo quanto Lhe é alheio. Mas estamos vivendo dias em que até mesmo os mais “ortodoxos” parecem ter medo de admitir em termos pró­prios a deidade de Deus. Dizem que acentuar a soberania de Deus exclui a responsabilidade humana quando, na verdade, a responsabilidade humana baseia-se na soberania divina e desta é  resultado.

“Mas o nosso Deus está nos céus: faz tudo o que lhe apraz” (Salmo 115:3). Ele escolheu soberanamente colocar cada uma de Suas criaturas na condição que pareceu bem aos seus olhos. Deus criou anjos: a alguns, colocou num estado condicional; a outros, deu uma posição imutável diante dEle (I Timóteo 5:21), estabe­lecendo Cristo como sua cabeça (Colossenses 2:10). Não passemos por alto o fato de que tanto os anjos que pecaram (2 Pedro 2:5) como os que não pecaram, eram Suas criaturas. Contudo, Deus previu que aqueles cairiam; não obstante, colocou-os num estado condicional, próprio das criaturas mutáveis, e permitiu que caíssem, embora não sendo o Autor do pecado deles.

Assim também Deus colocou soberanamente Adão no jardim do Éden num estado condicional, Se Lhe aprouvesse, tê-lo-ia colo­cado num estado incondicional; poderia tê-lo colocado numa po­sição tão firme como a dos anjos que não caíram, posição tão segura e imutável como a dos santos em Cristo. Em vez disso, porém, preferiu colocá-lo no Éden sobre a base da responsabili­dade como criatura, de modo que permanecesse ou caísse con­forme correspondesse ou não à sua responsabilidade — de obe­diência ao seu Criador. Adão foi feito responsável a Deus pela lei que o Criador lhe deu. Responsabilidade existia aí no jardim, responsabilidade intacta, submetida à prova sob as mais favoráveis condições.

Ora, Deus não colocou Adão num estado condicional e de criatura responsável porque fazê-lo era justo. Não, era justo porque Deus o fez. Tampouco Deus deu existência às criaturas porque era justo que o fizesse, isto é, porque estava obrigado a criar; mas sim era justo porque Ele o fez. Deus é soberano. Sua vontade é suprema. Longe de estar sujeito a qualquer lei sobre “direito”, Deus é lei para Si próprio, de modo que tudo quanto Ele faz é justo. E ai do rebelde que levante questão sobre a Sua soberania! — “Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes?…” (Isaías 45:9).

Ainda mais, o Senhor Deus colocou soberanamente Israel numa posição condicional. Os capítulos 19, 20 e 24 de Êxodo dão provas abundantes e claras disto. Israel estava sob um pacto de obras. Deus lhe deu certas leis e fez que as bênçãos para a nação dependessem da sua observância dos estatutos divinos. Mas Israel era duro de cerviz e incircunciso de coração. Rebelou-se contra Jeová, abandonou Sua Lei, voltou-se para os falsos deu­ses, apostatou. Em conseqüência, o juízo divino caiu sobre Israel e este foi entregue às mãos dos seus inimigos, foi disperso por toda a terra, e até hoje permanece sob a pesada severidade do desfavor de Deus.

Foi Deus que, no exercício de Sua sublime soberania, colo­cou Satanás e seus anjos, Adão e Israel em suas respectivas posi­ções de responsabilidade. Entretanto, longe de acontecer que a Sua soberania retirasse das criaturas a sua responsabilidade, foi pelo exercício da mesma que Ele as colocou em estado condicio­nal j sob as responsabilidades que julgou apropriadas; em virtude de cuja soberania, vê-se que Ele é Deus sobre todos. Assim, há perfeita harmonia entre a soberania de Deus e a responsabilidade da criatura. Muitos têm dito tolamente que é de todo impossível mostrar onde termina a soberania divina e começa a responsabi­lidade da criatura. A responsabilidade da criatura começa aqui: na ordenação soberana do Criador. Quanto à Sua soberania, não há e nunca haverá nenhum “fim” para ela!

Vamos dar algumas provas de que a responsabilidade da criatura baseia-se na soberania de Deus. Quantas coisas estão re­gistradas nas Escrituras e que eram justas porque Deus as orde­nou, e não seriam justas se Ele não as tivesse ordenado! Que direito tinha Adão de “comer” das árvores do jardim? Sem a permissão do seu Criador (Gênesis 2:16), Adão teria sido um la­drão! Que direito Israel tinha de pedir prata, ouro e vestes aos egípcios (Êxodo 12:35)? Nenhum, se Jeová não o tivesse autori­zado (Êxodo 3:22). Que direito possuía Israel de matar tantos cordeiros para sacrifício? Nenhum, a não ser pelo fato de que Deus ordenou isso. Que direito Israel tinha de eliminar todos os cananeus? Nenhum, salvo porque Jeová mandou. Que direito tem o marido de exigir submissão da esposa? Nenhum, se Deus não o tivesse estipulado. E poderíamos prosseguir nisso mais e mais. A responsabilidade humana está baseada na soberania divina.

Mais um exemplo do exercício da absoluta soberania de Deus. Deus colocou os Seus eleitos num estado diferente do de Adão ou Israel. Colocou-os num estado incondicional. No pacto eterno Cristo foi designado a Cabeça deles, levou sobre Si as suas responsabilidades e cumpriu por eles uma justiça perfeita, irre­vogável e eterna. Cristo foi colocado num estado condicional, pois Ele estava “debaixo da lei, para ganhar os que estavam debaixo da lei”, só que com esta diferença infinita: os outros falharam: Ele não falhou e não podia falhar. E quem foi que colocou Cristo naquele estado condicional? O Trino Deus. A vontade soberana O designou, o amor soberano O enviou, e a autoridade soberana determinou a Sua obra.

Certas condições foram postas diante do Mediador. Ele teria que ser feito em semelhança da carne do pecado; teria que en­grandecer, e dignificar a lei; teria que levar em Seu corpo no madeiro todos os pecados do povo de Deus; teria que fazer plena expiação por eles; teria que suportar o derramamento da ira de Deus; e teria que morrer e ser sepultado. Pelo cumprimento des­sas condições, era-Lhe oferecida uma recompensa: Isaías 53:10-12. Ele haveria de ser o Primogênito entre muitos irmãos; haveria de ter um povo que participaria de Sua glória. Bendito seja o Seu nome para sempre, pois Ele cumpriu essas condições e, uma vez que as cumpriu, o Pai está comprometido, com juramento solene, a preservar sempre e abençoar por toda a eternidade cada um daqueles pelos quais o Seu Filho encarnado fez mediação. Desde que Ele tomou o lugar deles» agora eles participam do dEle. Sua justiça é deles, Sua posição diante de Deus é deles. Sua vida é deles. Não lhes resta sequer uma condição para cumprir, nem uma só responsabilidade da qual desincumbir-se para alcançarem a bem-aventurança eterna. “…  com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hebreus 10:14).

Eis aí, pois, a soberania de Deus exposta abertamente diante de todos nas diferentes formas pelas quais Ele se relaciona com as Suas criaturas. Alguns dos anjos, Adão e Israel foram coloca­dos numa posição condicional, na qual a continuidade da bênção dependia da sua obediência e fidelidade a Deus. Porém, em mar­cante contraste com  eles,  o  “pequeno  rebanho”   (Lucas   12:32) recebeu uma posição incondicional e imutável no pacto de Deus. nos Seus conselhos e em Seu Filho; a bênção dele depende do que Cristo fez por ele, “… o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: o Senhor conhece os que são seus…” (2 Timó­teo 2:19), O fundamento sobre o qual estão os eleitos de Deus é perfeito; nada se lhe pode acrescentar, e nada se lhe pode tirar (Eclesiastes 3:14). Eis aqui, pois, a maior e mais elevada demons­tração da absoluta soberania de Deus. Verdadeiramente, Ele “… compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” (Ro­manos 9:18).

  

 7. A IMUTABILÍDADE DE DEUS

 Esta é uma das perfeições divinas não suficientemente exa­minadas. É uma das excelências do Criador que O distinguem de todas as Suas criaturas. Deus é perpetuamente o mesmo: não sujeito a mudança nenhuma em Seu ser, em Seus atributos e em Suas determinações. Daí, Deus é comparado a uma rocha (Deuteronômio 32:4, etc.) que permanece inamovível quando todo o oceano circundante está numa condição de contínua oscilação, exatamente assim, conquanto sendo sujeitas a mudança todas as criaturas, Deus é imutável. Visto que Deus não tem princípio nem fim, não pode experimentar mudança.   Ele é eternamente o “… Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago  1:17).

Primeiro, Deus é imutável em Sua essência. Sua natureza  e Seu  ser   são  infinitos  e,  assim,  são   sujeitos   a mutação  alguma, jamais houve tempo quando Ele não era; jamais virá tempo quando Ele deixará de ser. Deus não evoluiu, nem cresceu, nem melhorou. Tudo que Ele é hoje, sempre foi e sempre será. “…eu, o Senhor, não mudo…” (Malaquias 3:6) é a Sua afirmação categórica. Ele não pode mudar para melhor, pois já é perfeito; e, sendo perfeito, não pode mudar para pior. Completamente imune de tudo quanto Lhe é alheio, é impossível melhoramento ou deterioração. Ele é perpetuamente o mesmo. Somente Ele pode dizei “…EU SOU O QUE SOU…” (Êxodo 3:14). Ele é absolutamente livre da influência do curso do tempo. Não há um vinco sequer nos sobrolhos da eternidade. Portanto, o Seu poder jamais pode diminuir, nem Sua glória desvanecer-se.

Segundo, Deus é imutável em Seus atributos. Tudo que atributos de Deus eram antes do universo ser chamado à existência, são precisamente o mesmo agora, e permanecerão assim para sempre. E isto necessariamente, pois eles são as próprias perfeições, as qualidades essenciais do Seu ser, Semper idem (sempre o mesmo) está escrito em cada um deles.  Seu poder é imbatível, Sua sabedoria não sofre diminuição. Sua santidade é imaculada. Os atributos de Deus não podem sofrer mudança mais do que a Deidade pode deixar de existir. Sua veracidade é imutável, pois a Sua Palavra “…permanece no  céu” (Salmo   119:89).   Seu amor é eterno:  “…com  amor  eterno  te amei…”   (Jeremias 31:3) e “…como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1). Sua misericórdia não cessa, pois, é “eterna” (Salmo 100:5).

Terceiro, Deus é imutável em Seu conselho. Sua vontade nunca muda. Talvez alguns estejam prestes a objetar que lemos, “Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem.. . ” (Gê­nesis 6;6). Nossa primeira resposta é: então as Escrituras se con­tradizem? Não, isso não pode ser. Números 23:19. é suficiente­mente claro; “Deus não é homem, para que minta: nem filho do homem, para que se arrependa. ..” (Números 23:19). Assim tam­bém em 1 Samuel 15:29: “… a Força de Israel não mente nem se arrepende: porquanto não é um homem para que se arrepen­da”. A explicação é deveras simples. Quando fala de si mesmo, Deus freqüentemente acomoda a Sua linguagem às nossas capa­cidades limitadas. Ele Se descreve a Si mesmo como revestido de membros corporais como olhos, ouvidos, mãos, etc. Fala de Si como tendo despertado (Salmo 78:65) e como “madrugando” (Jeremias 7:13), apesar de que Ele não cochila nem dorme. Quan­do Ele estabelece uma mudança em Seu procedimento para com os homens, descreve a Sua linha de conduta em termos de arre­pender-se.

Sim, Deus é imutável em Seu conselho. “Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Romanos 11:29). Só pode ser assim, pois, “… se ele está contra alguém, quem então o desviará? Q que a sua alma quiser isso fará” (To 23:13). “Mu­dança e declínio vemos em tudo ao redor; 6 Aquele que não muda, permaneça contigo onde quer que for”. O propósito de Deus nunca se altera. Uma destas duas coisas faz com que um homem mude de opinião e inverta os seus planos: falta de pre­visão para antecipar tudo, ou ausência de poder para executar o que planeja. Mas visto que Deus é onisciente assim como é onipotente, nunca Lhe é necessário rever Seus decretos. Não, “O conselho do Senhor permanece para sempre: os intentos do seu coração de geração em geração” (Salmo 33:11). Portanto, podemos ler sobre “… a imutabilidade do seu conselho…” (Hebreus 6:17).

Aqui podemos perceber a distância infinita que separa do Criador a criatura mais elevada. Mutabilidade e criatura são ter­mos correlatos, Se a criatura não fosse mutável por natureza, não seria criatura; seria Deus. Por natureza tendemos para o nada, como do nada viemos. Nada detém a nossa aniquilação, exceto a vontade e o poder sustentador de Deus. Ninguém pode manter-se nem por um momento. Dependemos do Criador para cada sorvo de ar que aspiramos. Alegremente concordamos com o salmista em que o Senhor sustenta “.. . com vida a nossa alma…” (Salmo 66:9). A compreensão disto deveria fazer com que nos prostrássemos sob o senso da nossa nulidade na presença dAquele em quem “…vivemos, e nos movemos, e existimos…” (Atos 17:28).

Como criaturas decaídas, não somente somos mutáveis, mas tudo em nós é oposto a Deus. Como tais, somos “… estrelas errantes. . , ” (Judas 15), fora da nossa órbita. “… os ímpios são como o mar agitado que não se pode aquietar” (Isaías 57:20). O homem decaído é inconstante. As palavras de Jacó referentes a Rubem aplicam-se com força total a todos os descendentes de Adão; “Inconstante como a água…” (Gênesis 49:4), Desta ma­neira, não é apenas sinal de vida piedosa, mas também elemento de sabedoria, dar ouvido à injunção: “Deixai-vos pois do ho­mem…”‘ (Isaías 2:22), Não se deve ficar na dependência de nenhum ser humano. “Não confieis em príncipes nem em filhos de homens, em quem não há salvação” (Salmo 146:5). Se desobedeço a Deus, mereço ser enganado por meus companheiros de i existência e decepcionar-me com eles. Pessoas que gostam de você hoje, poderão odiá-lo amanhã. A multidão que clamou “Hosana: bendito o rei de Israel que vem em nome do Senhor”, depressa passou a bradar: “…  tira, tira, crucifica-o (João 12:13;  19:15).

Aqui há firme consolação. Não se pode confiar na natureza humana, mas em Deus sim! Por mais inconstante que eu seja7 por mais volúveis que os meus amigos se mostrem, Deus não muda. Se Ele mudasse como nós, se quisesse uma coisa hoje e outra amanhã, e se fosse controlado por capricho, quem poderia confiar nEle? Mas, todo o louvor ao Seu glorioso nome, Ele é_ sempre o mesmo. Seu propósito é firme, Sua vontade estável, Sua palavra segura. Aqui, pois, está uma Rocha em que podemos firmar os nossos pés, enquanto a poderosa torrente leva tudo de arrasto ao nosso redor. A permanência do caráter de Deus garante o cumprimento de Suas promessas; “Porque as montanhas se des­viarão e os outeiros tremerão; mas a minha benignidade não se desviará de ti, e o concerto da minha paz não mudará, diz o Senhor, que se compadece de ti” (Isaías 54:10).

Aqui há incentivo para a oração, “Que consolo haveria em orar a um deus que, como o camaleão, mudasse de cor a cada momento? Quem elevaria uma petição a um príncipe terreno que fosse tão mutável que atenderia a um pedido um dia e o negaria no dia seguinte?” (S. Charnock, 1670), Se alguém perguntar: “Mas que utilidade hã em orar a um Ser. cuja vontade já foi fi­xada? Respondemos: Porque Ele o exige. Que bênçãos Deus prome­teu sem que nós as busquemos? “.., se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 João 5:14), e Ele sempre quis tudo que é para o bem dos Seus filhos.

Aqui há terror para os ímpios. Os que O desafiam, transgridem Suas leis, não têm interesse em Sua glória, mas vivem como se Ele não existisse, não devem imaginar que, quando no dia final clamarem a Ele por misericórdia, Ele mudará a Sua von­tade, revogará a Sua Palavra e rescindirá as suas ameaças terrí­veis. Não. Ele declarou: “Pelo que também eu procederei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade: ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, eu não os ouvirei” (Ezequiel 8:18). Deus não Se negará a Si próprio para gratificar a luxúria deles. Deus é santo, imutavelmente santo. Portanto, Deus odeia o pecado; eternamente odeia o pecado. Daí a eternidade do castigo de todos quantos morrem em seus pecados.

“A imutabilidade divina, como a nuvem que se interpunha entre os israelitas e o exército egípcio, tem um lado escuro, bem como um lado claro. Ela assegura a execução das Suas ameaças, como também a concretização das Suas promessas; e destrói a esperança, carinhosamente acalentada pelos culpados, de que Deus será todo brandura para as Suas frágeis e errantes criaturas, e de que serão tratados de modo muito mais leve do que as declara­ções da Sua Palavra nos levam a esperar. Contrapomos a estas especulações enganosas e  presunçosas  a  solene  verdade  de  que Deus é imutável em Sua veracidade e propósito, em Sua fidelidade e justiça” (J, Dick, 1850).

 

 8. A SANTIDADE DE DEUS

 ”Quem te não temerá, ó Senhor e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo…” (Apocalipse 15:4). Somente Ele é independente, infinita e imutavelmente santo. Muitas vezes Ele é intitulado “O Santo* nas Escrituras. Sim, porque se acha nEle a soma total de todas as excelências morais, Ele é pureza absoluta, que nem mesmo a sombra do pecado mancha. “…Deus é luz…” (1 João 1:5). A santidade é a excelência propriamente dita da natureza divina: o grande Deus é “… glorificado em santidade…” (Êxodo 15:11). Daí lermos: Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a vexação não podes contem­plar…” (Habacuque 1:15). Como o poder de Deus é o oposto da fraqueza inata da criatura, como a Sua sabedoria está em contraste com o menor defeito de entendimento ou com a menor insensatez, assim a Sua santidade é a própria antítese de toda mancha ou corrupção moral. No passado Deus designou cantores em Israel para “que louvassem a Majestade santa”, ou, na versão utilizada pelo autor, “que louvassem a beleza da santidade” (2 Crônicas 20:21). “O poder á a mão ou o braço de, Jesus, a  onisciência os Seus olhos, a misericórdia as Suas entranhas, a eter­nidade a Sua duração, mas a santidade é a Sua beleza” (S. Charnock). É isto Que, acima de tudo. torna-O amorável aos que fo­ram libertos do domínio do pecador.

Grande ênfase é dada a esta perfeição de Deus. “Deus é com mais freqüência intitulado Santo do que Onipotente, e é mais exposto por esta parte da Sua dignidade do que por qualquer outra. É fixada ao Seu nome como um (epitéto) mais do que qual­quer outra, Você jamais o vê expresso,”Seu poderoso nome” ou “Seu sábio nome”, mas Seu grande nome e, acima de tudo, Seu santo nome. Este é o maior título de honrar neste último transpa­recem a majestade e a venerabilidade do Seu nome?; (S. Charnock). Como nenhuma outra, esta perfeição é celebrada diante do trono do céu, bradando os serafins: “… Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos…” (Isaías 6:3), Deus mesmo coloca em distinção esta perfeição: “Uma vez jurei por minha santidade que não mentirei a Davi”  (Salmo 89:35). Deus jura por Sua “santidade porque esta é uma expressão do Seu ser, expressão mais completa que qualquer outra coisa. Eis porque somos exortados: “Cantai ao Senhor, vós que sois seus santos, e celebrai a memória da sua santidade” (Salmo 30:4). “Pode-se dizer que este atributo é transcendental e que, por assim dizer, permeia os demais e lhes dá brilho, É o atributo dos atributos” (J. Howe, 1670). Assim, lemos sobre “… a formosura do Senhor. ,.” (Salmo 27:4), que não é outra que “…  a beleza da santidade.. .” (Salmo  110:3),

“Visto que esta excelência parece se colocar acima dê todas as outras perfeições de Deus, assim ela constitui a glória destas; como é a glória da Deidade, assim é a glória de cada uma das perfeições da Deidade; como o poder de Deus é a energia das Suas perfeições, a Sua santidade é a beleza delas: como todas seriam fracas sem a onipotência divina para sustentá-las, seriam todas desgraciosas sem a santidade para adorná-las. Se esta se maculasse, todas as demais perderiam a sua honra; seria como se o sol perdesse a sua luz — no mesmo instante perderia seu calor» seu poder, sua virtude geradora e vivificante. Como no cristão a sinceridade é o brilho de todas as graças, em Deus a pureza é o esplendor de todos os Seus atributos, Sua justiça é santa. Sua sabedoria é santa. Seu braço poderoso é um “braço santo” (Salmo 98:1), Sua verdade ou palavra é uma “santa palavra” (Salmo 105:42). Seu nome, que expressa todos os Seus atributos juntos, é “santo”  (Salmo  103:1)” (S. Charnock).

A santidade de Deus se manifesta em Suas obras. “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras” (Salmo 145:17), Nada senão o que é excelente pode pro­ceder d Ele. A santidade é o padrão de todas as Suas ações. No princípio Ele declarou que tudo o que tinha feito ‘”era muito bom” (Gênesis 1:31), e não poderia ter feito o que fez se nisso houvesse algo imperfeito ou impuro. O homem foi feito “reto” (Eclesiastes 7:29), à imagem e semelhança do seu Criador. Os anjos que caíram foram criados santos, pois se nos diz que “… não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua pró­pria habitação…” (Judas 6). Sobre Satanás está escrito: “Per­feito eras nos teus caminhos, desde o dia em, que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti” (Ezequiel 28:15).

A santidade de Deus se manifesta em Sua lei. Essa lei proíbe o pecado em todas as suas variantes -— nas suas modalidades mais refinadas, e nas mais grosseiras, os intentos da mente, como a contaminação do corpo, o desejo secreto como o ato abertamente praticado. Pelo que lemos: “…a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12). Sim, “… o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos. O temor do Senhor é limpo e permanece eternamente, os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente” (Salmo 19:8-9).

A santidade de Deus se manifesta na cruz. De maneira espan­tosa, e, contudo, a mais solene, a expiação demonstra a santidade infinita de Deus e Seu ódio ao pecado. Quão odioso para Deus” há de ser o pecado, a ponto de castigá-lo até ao limite extremo do seu merecimento, quando o imputou ao Seu Filho! “Nem to­dos os vasos do juízo já derramados ou por derramar sobre o mundo ímpio, nem a chama ardente da consciência do pecador, i nem a sentença irrevogável pronunciada contra os demônios re­beldes, nem o gemido das criaturas condenadas demonstram o ódio de Deus ao pecado, como o demonstra a ira de Deus derra­mada sobre o Seu Filho. Nunca a santidade divina parece mais bela e mais amorável do que na hora em que o semblante do Salvador ficou por demais desfigurado em meio aos estertores da Sua agonia mortal. Ele próprio o reconhece no Salmo 22. Quando o Senhor afastou dEle o Seu risonho rosto e Lhe fincou no coração aguda faca, provocando Seu terrível brado, “Deus meu, Deu meu, por que me abandonaste?” (vers. 1). Ele adora esta perfei­ção — “Tu és santo” (vers. 3) S. Charnock.

Desde que Deus é santo, Ele odeia todo e qualquer pecado. Ele ama tudo quanto está em conformidade com as Suas leis, e detesta tudo que lhes é contrário. Sua Palavra declara expressa­mente: “… o perverso é abominação para o Senhor…” (Pro­vérbios 3:32), E ainda: “Abomináveis são para o Senhor os pen­samentos do mau., ..” (Provérbios 15:26). Segue-se, pois, que Ele necessariamente tem que punir o pecado. Do mesmo modo como o pecado requer a punição por Deus, exige também o Seu ódio. Deus perdoa muitas vezes o pecador; nunca, porém, perdoa o pecado; e o pecador só é perdoado com base no fato de que Outro levou sobre Si o castigo que lhe era devido; sim, pois; “… sem derramamento de sangue não há remissão (Hebreus 9:22). Razão pela qual se nos diz: “…o Senhor toma vingança contra os seus adversários, e guarda a ira contra os seus inimigos” (Naum 1:2). Por um pecado Deus expulsou do Éden os nossos primeiros pais. Por um pecado toda a posteridade de Cão caiu sob maldição que permanece sobre ela até o dia de hoje. Por um pecado Moisés foi impedido de entrar em Canaã, o servo de Eliseu foi castigado com lepra, Ananias e Safira foram elimi­nados da terra dos viventes.

Temos aqui prova da divina inspiração das Escrituras. Os não regenerados não crêem realmente na santidade de Deus. O conceito que eles têm do caráter de Deus é inteiramente unila­teral. Eles esperam de coração que a Sua misericórdia sobrepuje tudo mais. “… pensavas que era como tu…” (Salmo 50:21) é a acusação que Deus lhes faz. Eles pensam somente num “deus” segundo o padrão dos seus corações maus. Daí permanecerem eles no caminho de uma exacerbada insensatez. A santidade atri­buída pelas Escrituras à natureza e ao caráter de Deus é tal, que demonstra com clareza a sua origem super-humana. O caráter atri­buído aos deuses dos antigos e do, paganismo moderno é justa­mente o inverso daquela imaculada pureza que pertence ao Deus verdadeiro. Um Deus inefavelmente santo, que tem a mais intensa aversão a todo pecado, jamais foi inventado por um dos decaídos descendentes de Adão. O fato é que nada torna mais manifesta a. terrível depravação do coração do homem e a sua inimizade contra o Deus vivo, do que expor diante dele Aquele Ser único que é infinita e imutavelmente santo. A idéia que o homem faz de pecado limita-se praticamente ao que o mundo chama de “crime”. Tudo que fica aquém disso pode ser abrandado como “de­feitos”, “‘enganos”, “‘fraquezas” etc. E mesmo quando se admite a existência do pecado* apresentam-se escusas e atenuantes.

“O “deus” que a imensa maioria dos cristãos professos “ama1‘ é visto como alguém muito parecido com um ancião indulgente, que pessoalmente não tem prazer nas loucuras, mas tolerantemente fecha os olhos para as “indiscrições” da mocidade. Mas a Palavra diz: “… aborreces a iodos os que praticam a maldade” (Salmo 5:5). E mais: “Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias” (Salmo 7:11). Mas os homens se re­cusam a dar crédito a este Deus e rangem os dentes quando o Seu ódio ao pecado lhes é enfática e fielmente apresentado. Não, como o homem preso ao pecado jamais teria criado o lago de fogo no qual seria atormentado para todo o sempre, muito menos haveria a probabilidade dele inventar um Deus santo.

Sendo que Deus é santo, a aceitação da parte dEle, com base nas ações das criaturas, é completamente impossível. Uma criatura caída pode mais facilmente criar um mundo, do que pro­duzir algo capaz de receber aprovação dAquele que é pureza infinita. Podem as trevas morar com a luz? Pode o Ser imaculado sentir prazer com o “trapo da imundícia”? (Isaías 64:6) O me­lhor que o homem pecador pode produzir vem manchado. Uma árvore contaminada não pode dar bom fruto. Deus se negaria a Si próprio, envileceria as Suas perfeições, se tivesse por justo e santo aquilo que não o é em si mesmo; e nada é santo, desde que tenha a mínima mancha do que seja contrário à natureza de Deus. Mas, bendito seja o Seu nome, pois, aquilo que a Sua san­tidade exigiu, a Sua graça supriu em Cristo Jesus,nosso Senhor! Todo pobre pecador que correu para Ele em busca de “refúgio, foi e permanece aceito “no Amado” (Efésios 1:6). Aleluia!

Posto que Deus é santo requer-se de nós que nos aproxime­mos dEle com a máxima reverência. “Deus deve ser em extremo tremendo na assembléia  dos santos, e  grandemente  reverenciado por todos os que o cercam’” (Salmo 89:7), Portanto, “Exaltai ao Senhor nosso Deus, e prostrai-vos diante do escabelo de seus pés, porque ele ê santo” (Salmo 99:5). Sim, “diante do escabelo dos seus pés”, na postura da mais profunda humildade, prostrai-vos. Quando Moisés  ia   aproximar-se   da  sarça   ardente,  disse  Deus: “., . tira os teus sapatos de teus pés… ” (Êxodo 3:5), É preciso servi-lO “com temor” (Salmo 2:11). A exigência que Deus fez a Israel foi: “… serei santificado naqueles que se cheguem a mim, e serei glorificado diante  de  todo o  povo…”   (Levítico   10:3), Quanto mais tomados de temor ficarmos por Sua inefável santi­dade, mais aceitável será o nosso acesso a Ele.

Visto que Deus é santo, devemos querer amoldar-nos a Ele. Seu mandamento é: “…sede santos, porque eu sou santo”  (1 Pedro 1:16). Não somos obrigados a ser onipotentes ou oniscien­tes como Deus ê, mas temos  que ser santos, e isto em  toda a nossa “… maneira de viver” (1 Pedro 1:15). “Esta é a maneira primordial de honrar a Deus. Glorificamos a Deus pelas atitudes de elevada admiração, pelas expressões eloqüentes, pelos pompo­sos serviços de adoração, mas não tanto como quando aspiramos a conversar com Ele com espírito livre de mácula, e a viver para Ele vivendo como Ele vive” (S. Charnock). Então, como só Deus é a origem e a fonte da santidade, busquemos zelosamente dEIe a santidade; seja a nossa oração diária no sentido de que Ele nos “…  santifique em tudo … “; e todo o nosso  “espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vin­da de nosso Senhor Jesus Cristo” (I  Tessalonicenses  5:23),

 

9. O PODER DE DEUS

 Não poderemos ter correto conceito de Deus, se não pensarmos nEle como onipotente, igualmente como Onisciente. Quem não pode fazer o que quer e não pode realizar o que lhe agrada, não pode ser Deus. Como Deus tem uma vontade para decidir o que julga bom, assim tem poder para executar a Sua vontade. “O poder de Deus é aquela capacidade e força pela qual Ele pode realizar tudo que Lhe agrade, tudo que a Sua sabedoria dirija, e tudo que a infinita pureza da Sua vontade resolva. “… como a santidade é a beleza de todos os atributos de Deus, assim o poder é aquilo que dá vida e movimento a todas as perfeições da natu­reza divina. Como seriam vãos os conselhos eternos, se o poder não interviesse para executá-los! Sem o poder, a Sua misericór­dia seria apenas uma débil piedade, as Suas promessas um som vazio, as Sua ameaças mero espantalho. O poder de Deus é como Ele mesmo: infinito, eterno, incompreensível; não” pode ser re­freado, nem restringido, nem frustrado pela criatura” (S. Charnock).

“Uma coisa disse Deus, duas vezes a ouvi: que o poder pertence a Deus” (Salmo 62:11). “Uma coisa disse Deus”, ou segundo a versão autorizada, KJ, 1611, “Uma vez falou Deus”: nada mais é necessário! Passarão os céus e a terra, porém a Sua palavra permanece para sempre. “Uma vez falou Deus”: como Lhe fica bem a Sua majestade divina! Nós, pobres mortais, pode­mos falar muitas vezes e, contudo, sem sermos ouvidos. Ele fala somente uma vez, e o trovão do Seu poder é ouvido em mil mon­tanhas. “E o Senhor trovejou nos céus, o Altíssimo levantou a sua voz; e havia saraiva e brasas de fogo. Despediu as suas setas, e os espalhou: multiplicou ratos, e os perturbou, Então foram vistas as profundezas das águas, e foram descobertos os fundamen­tos do mundo; pela tua repreensão, Senhor, ao soprar das tuas narinas”  (Salmo  18:13-15).

“Uma vez falou Deus”: vede a Sua imutável autoridade. Pois quem no céu se pode igualar ao Senhor? Quem é semelhan­te ao Senhor entre os filhos dos poderosos?” (Salmo 89:6). “E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?” (Daniel 4:35), Esta realidade foi amplamente descortinada quando  Deus Se encarnou e tabernaculou entre os homens. Ao leproso Ele disse: “…sê limpo. E logo ficou purificado da le­pra” (Mateus 8:3). A um que jazia no túmulo já fazia quatro dias, Ele bradou: “… Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu…” (João 11:43-44). Os ventos tempestuosos e as ondas bravias se aquietaram a uma só palavra dEle, Uma legião de demônios não pôde resistir à Sua ordem repassada de autoridade.

“O poder pertence a Deus”, e somente a Ele. Nem uma só criatura, no universo inteiro, tem sequer um átomo de poder, salvo o que é delegado por Deus. Mas o poder de Deus não é ad­quirido, nem depende do reconhecimento de nenhuma outra auto­ridade. Pertence a Ele inerentemente. “O poder de Deus é como Ele mesmo, auto-existente, auto-sustentado. O mais poderoso dos homens não pode acrescentar sequer uma sombra de poder ao Onipotente. Ele não se firma sobre nenhum trono reforçado; nem se apóia em nenhum braço ajudador. Sua corte não é mantida por Seus cortesãos, nem toma Ele emprestado das Suas criaturas o Seu esplendor. Ele próprio é a grande fonte central e o originador de toda energia” (C. H. Spurgeon). Toda a criação dá testemunho, não só do grande poder de Deus, mas também da Sua inteira independência de todas as coisas criadas. Ouça o Seu próprio de­safio: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência, Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de es­quina?” (Jó 38:4-6). Quão completamente o orgulho do homem é lançado ao pô!

“Poder é usado também como um nome de Deus, “…o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu*’ (Marcos 14:62), isto é, à destra de. Deus. Deus e poder são tão inseparáveis que são recíprocos. Como a Sua essência é imensa, não pode ser confinada a um lugar; como é eterna, não pode ser medida no tempo; assim a Sua essência é todo-poderosa, não sofrendo limite para a ação” (S. Charnock). “Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele! Quem pois entenderia o trovão do seu  poder?”  (Jó  26:14). Quem  é capaz de  contar  todos  os monumentos do Seu poder? Mesmo aquilo que é demonstrado do Seu poder na criação visível está inteiramente fora da nossa ca­pacidade de compreensão, e menos ainda podemos conceber da onipotência propriamente dita. Há infinitamente mais poder abri­gado na natureza de Deus do que o expresso em todas as Suas obras.

“Partes dos Seus caminhos” contemplamos na criação, na providência, na redenção, mas apenas uma “pequena parte” do Seu poder se vê nessas obras. Isto nos é exposto extraordinaria­mente em Habacuque 3:4: “… e ali estava o esconderijo da sua força”. Dificilmente se pode imaginar algo mais grandiloqüente do que as figuras deste capítulo todo, no entanto nele nada supera a nobreza desta declaração. O profeta (numa visão) viu o pode­roso Deus espalhando os outeiros e abatendo os montes, o que se julgaria espantosa demonstração de força. Nada disso, diz o nosso versículo; isso é mais o ocultamento do que a exibição do Seu poder. Que se quer dizer? Isto: é tão inconcebível» tão imenso, tão incontrolável o poder da Deidade, que as terríveis convulsões que Ele opera na natureza escondem mais do que revelam do Seu poder infinito!

É coisa bela juntar as seguintes passagens: “O que só esten­de os céus, e anda sobre os altos do mar” (Jó 9:8), que expressa o indomável poder de Deus. “…Ele passeia pelo circuito dos céus (Jó 22:14), que fala da imensidade da Sua presença. “…anda sobre as asas do vento” (Salmo 104:3), que expressa a espantosa rapidez das Suas operações. Esta última expressão é deveras notável, Não é que “Ele voa” ou’”corre”, mas que Ele “anda”, e isso, nas “asas do vento” — sobre o mais impetuoso dos elementos, impelido com o máximo furor, e varrendo tudo com quase inconcebível velocidade, todavia sob os Seus pés, de­baixo do Seu controle perfeito!

Consideremos agora o poder de Deus na criação. “Teus são os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste. O norte e o sul tu os criaste…” (Salmo 89:11-12). Antes de poder trabalhar, o homem precisa ter ferramentas e material, mas Deus começou com nada, e só por Sua palavra fez do nada todas as coisas. O intelecto não pode captar isto. Deus “… falou, e tudo se fez, mandou, e logo tudo apareceu” (Salmo 33:9). A matéria primeva ouviu a Sua voz. “Disse Deus: Haja… e assim foi” (Gênesis 1). Bem podemos exclamar: “Tu tens um braço po­deroso; forte é a tua mão, e elevada a tua destra” (Salmo 89:13).

Quem, que olha para cima, para o céu da meia-noite e, com os olhos da razão, contempla as suas maravilhas em movimento; quem pode abster-se de indagar: do que foram feitos estes pode­rosos astros? Ê espantoso dizê-lo, foram produzidos sem material nenhum. Brotaram do vazio. A majestosa estrutura da natureza universal emergiu do nada. Que instrumentos foram usados pelo supremo Arquiteto para modelar as partes com tio refinada ele­gância e aplicar tão belo polimento ao todo? Como terá sido feita a junção de tudo numa estrutura primorosamente proporcionada e com tão magnífico acabamento? Um puro e simples fiat realizou tudo. Haja estas coisas, disse Deus. Nada acrescentou; e logo o edifício maravilhoso se ergueu, adornado com todo tipo de beleza, pondo à mostra inumeráveis perfeições, e proclamando em meio a extasiados serafins o louvor do seu grande Criador. “Pela pala­vra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca” (Salmo 33:6)” (James Hervey,  1789),

Considere-se o poder de Deus na preservação. Nenhuma cria­tura tem poder para preservar-se a si mesma. “Porventura sobe o junco sem lodo? Ou cresce a espadana sem água?” (Jo 8:11). Tanto o homem como o animal pereceriam, se não houvesse erva para alimento, e a erva murcharia e morreria, se o solo não fosse refrescado com chuvas frutíferas. Portanto, Deus é denominado o Preservador dos “homens e os animais” (Salmo 36:6), Ele sus­tenta “… todas as coisas, pela palavra do seu poder…” (Hebreus 1:3). Que maravilha de poder divino é a vida pré-natal de todo ser humano! Que uma criança possa sequer viver, e por tantos meses, num alojamento apertado e estranho assim, é inex­plicável sem o poder de Deus. Verdadeiramente, Ele “… sustenta com vida a nossa alma…” (Salmo 65:9).

A preservação da terra, guardando-a da violência dos mares é outro claro exemplo do poder de Deus. Como é que  aqueles elementos em fúria ficaram encerrados dentro daqueles limites em que primeiro se alojaram, permanecendo em suas baías e canais sem inundar a terra e sem fazer em pedaços a parte mais baixa da criação? A condição natural da água é ficar acima da terra, por ser mais leve, e imediatamente abaixo do ar, por ser mais pesada. Quem põe restrições à qualidade natural da água? O ho­mem certamente que não, e não tem poderes para tanto. Ê uni­camente o fiat do Criador da água que a refreia. “E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrarão as tuas ondas empoladas” (Jó 38:11). Que altaneiro monumento ao poder de Deus é a preservação do mundo!

Considere-se o poder de Deus no governo. Tome-se a restri­ção que Ele impõe à ruindade de Satanás, ” .., o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). Satanás está cheio de ódio a Deus, e de diabólica inimizade contra os homens, particularmente contra os santos. Aquele que invejou a Adão no paraíso, não quer que sintamos o prazer de usufruirmos nenhuma das bênçãos de Deus. Se ele pudesse fazer o que deseja, trataria todos os homens como tratou Jó: enviaria fogo do céu sobre os frutos da terra, destruindo o gado» faria vendavais derribarem nossas casas, e co­briria de chagas os nossos corpos. Mas, embora mal percebido pelos homens, Deus o refreia em grande medida, impede-o de levar a cabo os seus maus desígnios, e lhe impõe limites dentro das Suas ordenações.

Assim também Deus restringe a corrupção natural dos ho­mens. Ele suporta suficientes erupções do pecado para mostrar que terríveis estragos têm sido causados pela apostasia do homem, que rompeu com o seu Criador, mas quem pode conceber a que medonho extremo os homens iriam se Deus retirasse a Sua mão repressora? A boca dos ímpios “… está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue” (Ro­manos 3:14-15). Esta é a natureza de cada um dos descendentes de Adão. Então, que desenfreada licenciosidade e obstinada lou­cura triunfariam no mundo, se o poder de Deus não se interpu­sesse para fechar as comportas do mal! Ver Salmo 93:3-4.

Considere o poder de Deus no juízo. Quando Ele fere, nin­guém Lhe pode resistir: ver Ezequiel 22:14, Quão terrivelmente isso foi exemplificado no Dilúvio! Deus abriu as janelas do céu e rompeu as grandes fontes do abismo, e (excetuando-se os que estavam na arca) a raça humana inteira, impotente diante do fu­ror da Sua ira, foi tragada. Uma chuva de fogo e enxofre caiu do céu, e as cidades da planície foram exterminadas. O Faraó e todos os seus exércitos nada puderam, quando Deus soprou sobre eles no Mar Vermelho. Que palavra terrificante, a de Romanos 9:22: “E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição”. Deus manifestará o Seu tremendo poder sobre os reprovados, não apenas encarcerando-os na Geena, mas preservando sobrenaturalmente os seus corpos como também as suas almas em meio às chamas eternas do Lago de Fogo,

Bem que deveriam tremer todos, diante de um Deus tal! Tratar desconsideradamente Aquele que pode esmagar-nos mais fa­cilmente do que nós a uma traça, é suicídio. Desafiar abertamen­te Aquele que esta revestido de onipotência, que pode rasgar-nos em pedaços ou lançar-nos no inferno na hora que quiser, é o cúmulo da insanidade. Para reduzi-lo ao seu plano mínimo, é simplesmente parte da sabedoria dar ouvidos à Sua ordem: “Bei­jai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se inflamar a sua ira…”  (Salmo 2:12),

Bem que a alma iluminada deve adorar um Deus tal! As estupendas e infinitas perfeições de um Ser como Deus requerem fervoroso culto. Se homens de poder e renome reclamam a admi­ração do mundo, quanto mais deve o poder do Onipotente en­cher-nos de assombro e mover-nos a prestar-Lhe homenagem. “O Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, terrível em louvores, obrando maravilhas?” (Êxodo 15:11).

Bem que o santo pode confiar num Deus tal! Ele é digno de implícita confiança. Nada Lhe é demasiado difícil, Se Deus fosse limitado em poder e força, aí sim, poderíamos ficar desesperados.

Mas, vendo que Ele Se reveste de onipotência, nenhuma oração ê tão difícil que Ele não possa responder, nenhuma necessidade é tão grande que Ele não possa suprir, nenhuma cólera é tão forte que Ele não possa subjugar, nenhuma tentação é tão poderosa que Ele não nos possa livrar dela, nenhuma miséria é tão pro­funda que Ele não possa aliviar, “… o Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?” (Salmo 27:1). “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gera­ções, para todo o sempre. Amém” (Efésios 3:20-21),

 

10. A FIDELIDADE DE DEUS

 A infidelidade é um dos pecados mais proeminente nestes maus dias. Com raríssimas exceções, a palavra de um homem não é mais a sua fiança, nos negócios deste mundo. No mundo social, a infidelidade conjugai ocorre por todo lado, sendo que os laços matrimoniais são desfeitos com a mesma facilidade com que uma roupa velha é rejeitada. Na esfera eclesiástica, milhares que se comprometeram solenemente a pregar a verdade, sem nenhum es­crúpulo a negam e a atacam. Nem o autor, como tampouco o lei­tor, podem arrogar-se completa imunidade deste pecado terrível: de quantas maneiras temos sido infiéis a Cristo, e à luz e aos privilégios que Deus nos confiou1. Como é animador então, que indizível benção é erguer os olhos acima desta ruinosa cena e contemplar Aquele que, só Ele, é fiel, fiel em tudo, fiel o tempo todo.

“Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é Deus, o Deus fiel…” {Deuteronômio 7:9). Esta qualidade é essencial ao Seu ser; sem ela Ele não seria Deus. Pois, ser Deus infiel seria agir contrariamente à Sua natureza, o que é impossível. “Se formos infiéis, ele permanece fiel: não pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2:15). A fidelidade ê uma das gloriosas perfeições do Seu ser, É como se Ele estivesse vestido com esta perfeição; “0 Se­nhor, Deus dos Exércitos, quem é forte como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ri?!” (Salmo 89;8). Assim também, quando Deus Se encarnou, foi dito: “E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a verdade o cinto dos seus rins” (Isaías 11:5).

Que palavra, a do Salmo 36:5 — “A tua misericórdia, Se­nhor, está nos céus, e a tua fidelidade chega até às mais excelsas nuvens”. Muito acima de toda compreensão finita está a imutável fidelidade de Deus. Tudo que há acerca de Deus é grande, vasto, incomparável. Ele nunca esquece, nunca falha, nunca vacila, nun­ca deixa de cumprir a Sua palavra, O Senhor Se mantém estrita­mente apegado a cada declaração de promessa ou profecia, faz valer cada compromisso de aliança ou de ameaça, pois “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se ar­rependa: porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria? (Números 23:19). Daí o crente exclama; “…as suas misericórdias não têm fim, Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade” (Lamentações 3:22-23).

Há nas Escrituras numerosas ilustrações da fidelidade de Deus. Hã mais de quatro mil anos Ele disse: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão” (Gênesis 8;22). Cada novo ano dá-nos um novo testemunho de que Deus cumpre esta promessa. Em Gênesis 15 vemos que Jeová declarou a Abraão; “…peregrina será a tua semente em terra que não será tua, e servi-los-ão … E a quarta geração tornara para cá” (versículos 13-16). Os séculos percorreram o seu curso fatigante. Os descendentes de Abraão gemiam entre os fornos de tijolos do Egito. Deus esquecera a Sua promessa? Certamente que não. Leia Êxodo 12:41: “E aconteceu que, passados os quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia, todos os exércitos do Senhor saíram da terra do Egito”. Por meio de Isaías o Senhor declarou: “…eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (7:14). De novo séculos se passaram, mas, “vindo a plenitude dos tempos,

Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gaiatas 4:4).

Deus é verdadeiro. Sua Palavra de promessa ê certa. Em todas as Suas relações com o Seu povo, Deus é fieL Pode-se con­fiar nEle, com segurança, Nunca houve alguém que tivesse con­fiado nEle em vão. Vemos esta preciosa verdade expressa em quase toda parte nas Escrituras, pois o Seu povo precisa saber que a fidelidade é uma parte essencial do caráter divino. Esta é a base da nossa confiança nEle, Mas, uma coisa é aceitar a fide­lidade de Deus como uma verdade divina, e outra coisa, muito diferente, é agir com base nisso. Deus “nos tem dado grandíssi­mas e preciosas promessas”, mas nós contamos realmente com o seu cumprimento por Deus? Esperamos de fato que Ele vai fazer por nós tudo que disse que fará? Descansamos com implícita se­gurança nestas palavras: ” … fiel é o que prometeu” (Hebreus 10:23)?

Há ocasiões na vida de todos em que não é fácil, nem mes­mo para 05 cristãos, crer que Deus é fiel. Nossa fé é provada dolorosamente, nossos olhos ficam toldados pelas lágrimas, e não conseguimos mais encontrar o rumo dos baluartes do Seu amor. Os nossos ouvidos se distraem com os ruídos do mundo, arruina­dos pelos sussurros ateísticos de Satanás e não conseguimos mais ouvir a doce entonação da voz mansa e delicada do Senhor. So­nhos alimentados foram frustrados, amigos em quem confiávamos falharam conosco, um falso irmão ou irmã em Cristo nos traiu. Vacilamos. Procuramos ser fiéis a Deus, e agora uma trevosa nu­vem O esconde de nós. Achamos difícil, impossível mesmo, à razão carnal harmonizar a Sua sombria providência com as pro­messas da Sua graça, Ah, alma titubeante, companheiro de pere­grinação provado com tanto rigor, procure graça para ouvir Isaías 50:10; “Quem há entre vós que tema. a,Jeová, e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus”.

Quando você for tentado a duvidar da fidelidade de Deus, brade: “Para trás de mim, Satanás”. Ainda que você não possa harmonizar os misteriosos procedimentos  de Deus com as  Suas declarações de amor, confie nEIe e aguarde mais luz, Na hora dEIe, certa e boa, Ele fará com que você o veja com clareza, “…o que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás de­pois” (João 13:7). A seqüência dos fatos demonstrará que Deus não abandonou nem enganou Seu filho. “Por isso o Senhor espe­rará, para ter misericórdia de vós; e por isso será exalçado, para se compadecer de vós, porque o Senhor é um Deus de eqüidade: bem-aventurados todos os que nele esperam (Isaías 30:18).

“Não julgues o Senhor por tua mente,

porém, confia nEIe por Sua graça.

Por trás de uma severa providência

Ele oculta um semblante sorridente.

Animai-vos, ó santos temerosos!

As nuvens que temíveis vos parecem,

ricas são de mercês, e irromperão

em bênçãos derramadas sobre vós.”

“Os teus testemunhos que ordenaste são retos e muito fiéis” (Salmo 119:138). Deus não nos falou apenas o melhor, mas tam­bém não retirou o pior. Ele descreveu fielmente a ruína efetuada pela Queda. Ele diagnosticou fielmente o terrível estado produ­zido pelo pecado. Fielmente fez conhecido o Seu inveterado ódio ao mal, e que ê preciso que Ele o puna. Advertiu-nos fielmente de que Ele é “fogo consumidor” (Hebreus 12:29). Sua Palavra não contém somente numerosas ilustrações de Sua fidelidade no cumprimento de Suas promessas, mas também registra numerosos exemplos de Sua fidelidade em fazer valer as Suas ameaças. Cada estágio da história de Israel exemplifica esse fato solene. Foi as­sim com indivíduos: Faraó, Core, Acã e uma multidão de outros mais, são outras tantas provas. E será assim com você, meu lei­tor, a menos que você tenha buscado ou busque refúgio em Cristo, as chamas eternas do Lago de Fogo serão a tua porção certa e segura. Deus é fiel.

Deus é fiel na preservação do Seu povo. “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor’” (l Coríntios 1:9). No versículo anterior foi feita a promessa de que Deus confirmará o Seu povo até o fim. A con­fiança do apóstolo na absoluta segurança dos crentes estava ba­seada não na força das resoluções deles ou em sua capacidade para perseverar, mas sim na veracidade dAquele que não pode mentir. Visto que Deus prometeu ao Seu Filho um certo povo como Sua herança, livrá-lo do pecado e da condenação e fazê-lo participante da vida eterna na glória, é certo que Ele não permi­tira que nenhum dos pertencentes a esse povo pereça.

Deus é fiel na disciplina ministrada ao Seu povo. Ele não é menos fiel naquilo que retira, do que naquilo que dá. É fiel quando envia tristeza como quando outorga alegria. A fidelidade de Deus é uma verdade que devemos confessar não somente quan­do a tranqüilidade nos bafeja, mas também quando nos afligirmos sob o castigo mais áspero. Tampouco esta confissão deve ser ape­nas de boca, mas também de coração, Quando Deus nos fere com a vara da punição, é a fidelidade que a maneja. Reconhecer isso significa que nos humilhamos diante dEle, confessamos que merecemos totalmente a Sua correção e, em vez de murmurar, damos-Lhe graças por isso. Deus nunca nos aflige sem algum mo­tivo: “Por causa disto, há entre vós muitos fracos e doentes…” (1 Coríntios 11:30), ilustra este princípio. Quando a Sua vara cair sobre nós, digamos com Daniel; “A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós a confusão de rosto…” (9:7).

“Bem sei eu, ó Senhor, que os teus juízos são justos, e que em tua fidelidade me afligiste” (Salmo 119:75), Problemas e afli­ções não são apenas coerentes com o amor de Deus empenhado na aliança eterna, mas são partes da sua administração. Deus é fiel não só quando afasta as aflições, mas também é fiel quando no-las envia. ‘” Então visitarei com vara a sua transgressão, e a sua iniqüidade com açoites, Mas não retirarei totalmente dele a minha benignidade, nem faltarei à minha fidelidade” (Salmo 89:32-33), O castigo não é apenas conciliável com a benignidade amorosa de Deus, mas também é seu efeito e expressão. A mente dos servos de Deus se tranqüilizaria muito se eles se lembrassem de que a aliança de Deus O obriga a aplicar-lhes correção oportuna. As aflições são-nos necessárias: “…estando eles angustiados, de madrugada me buscarão” (Oséias 5:15).

Deus é fiel na glorificação do Seu povo, “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Tessalonicenses 5:24), A refe­rência imediata aqui é aos santos serem “preservados inculpáveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Deus nos trata, não com base em nossos méritos (pois não temos nenhum), mas por amor do Seu grande nome. Deus é constante para consigo mesmo e segundo o propósito da Sua graça, “… aos que chamou … a estes também glorificou” (Romanos 8:30). Deus dá plena demons­tração da constância de Sua bondade eterna para com os Seus eleitos, chamando-os eficazmente das trevas para a Sua maravilho­sa luz, e isto deveria torná-los seguros da certeza da sua conti­nuidade. “… o fundamento de Deus fica firme…” (2 Timóteo 2; 19), Paulo estava firmado na fidelidade de Deus quando disse: “. . , eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é pode­roso para guardar o meu depósito até àquele dia” (2 Timóteo 1:12).

A percepção desta bendita verdade nos protegera da preo­cupação. Estar cheio de preocupações, ver a nossa situação com prenúncios sombrios, antecipar o amanhã com ansiedade, é ofen­der a fidelidade de Deus. Aquele que vem cuidando do Seu filho através dos anos, não o abandonará quando o filho envelhecer. Aquele que ouviu as orações que você fez no passado, não se negará a suprir suas necessidades na presente emergência. Descanse em Jó 5:19: Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal te não tocará”.

A percepção desta bendita verdade catará as nossas murmurações. O Senhor sabe o que é melhor para cada um de nós, e um efeito da confiança nesta verdade será o silenciar das nossas petulantes reclamações. Deus é grandemente honrado quando, sob provação e castigo, temos bons pensamentos sobre Ele, vindicamos a Sua sabedoria e justiça, e reconhecemos o Seu amor mes­mo em Suas repreensões.

A percepção desta bendita verdade gera crescente confiança em Deus. “Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas como ao fiel Criador, fazendo o bem” (1 Pedro 4:19). Quando confiantemente nos re­signarmos e deixarmos todos os nossos interesses nas mãos de Deus, plenamente persuadidos do Seu amor e fidelidade, tanto mais depressa ficaremos satisfeitos com as Suas providências e compreenderemos que “ele tudo faz bem”.

 11. A BONDADE DE DEUS

 ”A bondade de Deus permanece continuamente” (Salmo 52:1). A “bondade” de Deus tem que ver com a perfeição da Sua natureza: “… Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” (1 João 1:5). Hã uma tão absoluta perfeição na natureza e no ser de Deus que nada Lhe falta, nada nEle é defeituoso, e nada se Lhe pode acrescentar para melhorá-lO. “Ele é essencialmente bom, bom em Si próprio, o que nada mais é; pois todas as cria­turas só são boas pela participação e comunicação da parte de Deus. Ele é essencialmente bom; não somente bom, mas é a pró­pria bondade: na criatura, a bondade é uma qualidade acrescen­tada; em Deus, é Sua essência. Ele é infinitamente bom; na cria­tura a bondade é uma gota apenas, mas em Deus há um oceano infinito ou um infinito ajuntamento de bondade. Ele é eterna e imutavelmente bom, porquanto Ele não pode ser menos bom do que é; como não se pode fazer nenhum acréscimo a Ele, assim também não se Lhe pode fazer nenhuma subtração” (Thomas Manton). Deus é summum bonum, o Sumo Bem.

O significado saxônico original do vocábulo inglês. “God” (Deus) é “The Good”  (O Bom ou O Bem). Deus não é somente o maior de todos os seres, mas o melhor. Toda a bondade exis­tente em qualquer criatura foi-lhe infundida pelo Criador, mas a bondade de Deus não é derivada, pois é a essência da Sua natu­reza eterna. Como Deus é infinito em poder desde toda a eterni­dade, desde antes de ter havido alguma demonstração desse poder, ou antes de ter sido executado algum ato de onipotência, assim Ele era eternamente bom, antes de haver qualquer comunicação da Sua generosidade, ou antes de haver qualquer criatura à qual essa generosidade pudesse ser infundida ou exercida. Portanto, a primeira manifestação desta perfeição divina consistiu em dar exis­tência a todas as coisas. “Tu és bom e abençoador…”, ou, na versão utilizada pelo autor: “Tu és bom, e fazes o bem…” (Sal­mo 119:68). Deus tem em Si mesmo um infinito e inexaurível tesouro de todas as bênçãos, capaz de encher todas as coisas.

Tudo que provém de Deus — os Seus decretos, a Sua cria­ção» as Suas leis» as Suas providências — só pode ser bom, como está escrito: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom…” (Gênesis 1:31). Assim, vê-se a bondade de Deus primeiro na criação. Quanto mais de perto se estuda a criatura, mais visível se torna a benignidade do seu Criador, Tome a mais elevada criatura da terra, o homem. Abundantes motivos tem ele para dizer com o salmista: “Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139:14). Tudo acerca da estrutura dos nossos corpos atesta a bondade do seu Criador. Que mãos apropriadas para realizar a obra a elas confiada! Que bondade do Senhor, determinar o sono para restau­rar o corpo cansado! Que benévola a Sua provisão, dar aos olhos cílios e sobrancelhas para protegê-los! E assim poderíamos pros­seguir indefinidamente.

E a bondade de Deus não se limita ao homem; é exercida em favor de todas as Suas criaturas. “Os olhos de todos esperam em ti, e tu lhes dás o seu mantimento a seu tempo. Abres a tua mão, e satisfazes os desejos de todos os viventes” (Salmo 145:15-16). Volumes inteiros poderiam ser escritos, na verdade têm sido, para discorrer sobre este fato. Sejam as aves do espaço, os animais das matas ou os peixes no mar, foi feita abundante provisão para suprir todas as suas necessidades. Deus “… dá mantimento a toda a carne; porque a sua benignidade é para sempre” (Salmo 136:25). Verdadeiramente, “… a terra está cheia da bondade do Senhor” (Salmo 33:5).

Vê-se a bondade de Deus na variedade de prazeres naturais que Ele providenciou para as Suas criaturas. Deus poderia ter-Se satisfeito em saciar a nossa fome sem que os alimentos fossem agradáveis ao nosso paladar — como Sua benignidade transparece-nos diversos sabores de que Ele revestiu os diferentes tipos de carne, vegetais e frutas! Deus não nos deu somente os sentidos, mas também nos deu aquilo que os agrada; e isso também revela a Sua bondade. A terra poderia ser tão fértil como é, sem a sua superfície ser tão deleitavelmente variegada, A nossa vida física poderia ser mantida sem as lindas flores para encantarem os nos­sos olhos e para exalarem suaves perfumes. Poderíamos andar pelos campos, sem que os nossos ouvidos fossem saudados pela música dos pássaros. Donde, pois, esta beleza, este encanto, tão livremente difundido pela face da natureza? Verdadeiramente, “O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias são sobre todas as suas obras” (Salmo 145:9).

Vê-se a bondade de Deus em que, quando o homem trans­grediu a lei do seu Criador, não começou de imediato uma dispensação de ira sem contemplação. Bem poderia Deus ter privado as Suas criaturas decaídas de todas as bênçãos, de todos os con­fortos e de todos os prazeres. Em vez disso, Ele introduziu um regime de natureza mista, de misericórdia e juízo. Devidamente considerado, isso é por demais maravilhoso, e quanto mais com­pletamente se examine esse regime, mais transparecerá que ” … a misericórdia triunfa do juízo** (Tiago 2:13). Não obstante os males todos que acompanham o nosso estado decaído, o prato do bem predomina grandemente na balança. Com relativamente ratas exceções, os homens e as mulheres experimentam muito maior numero de dias de boa saúde, do que de enfermidade e dor. Há no mundo muito mais felicidade própria das criaturas do que infelicidade igualmente própria delas. Mesmo as nossas tristezas admitem considerável alívio, e Deus conferiu à mente humana uma versatilidade que lhe possibilita adaptar-se às circunstâncias e tirar delas o melhor proveito possível.

Não se pode com justiça pôr em questão a benignidade de Deus pelo fato de haver sofrimento e tristeza no mundo.  Se o homem peca contra a bondade de Deus, se ele despreza “as ri­quezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade” e, se­guindo a dureza e a impenitência do seu coração entesoura para si mesmo ira para o dia da ira (Romanos 2:4-5), a quem deve culpar, senão a si próprio? Deus seria bom, se não punisse os que usam mal as Suas bênçãos, abusam da Sua benevolência e pisoteiam as Suas misericórdias? Não haverá a menor censura quanto à bondade de Deus, mas, ao contrário, a mais brilhante e modelar demonstração dela, quando Deus eliminar da terra os que quebrantara as Suas leis, desafiam a Sua autoridade, zombam dos Seus mensageiros, escarnecem do Seu Filho e perseguem aque­les pelos quais Ele morreu.

A bondade de Deus foi mais ilustremente visível quando Ele enviou o Seu Filho, “… nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gaiatas 4:4-5). Foi então que uma multidão dos exércitos celestiais louvou seu Criador e disse: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens” (Lucas 2:14). Sim, no evangelho a graça (em grego, a benevolência ou bondade) de Deus se há manifestado, trazendo salvação a to­dos os homens” (Tito 2:11). Não se pode pôr em dúvida a be­nignidade de Deus pelo fato de não ter feito Ele a todas as criaturas pecadoras objetos da Sua graça redentora. Não o fez com os anjos decaídos. Se Ele tivesse deixado que todos perecessem, não haveria censura à Sua bondade, A quem quer que desafiasse esta afirmação faríamos lembrar a soberana prerrogativa de nosso Senhor: “Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?” (Mateus 20:15),

“Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas mara­vilhas para com os filhos dos homens” (Salmo 107:8). Gratidão é o justo retorno exigido dos objetos da Sua benignidade; con­tudo, muitas vezes é negada ao grande Benfeitor, simplesmente porque a Sua bondade é tão constante e tão abundante. A bon­dade de Deus é apreciada superficialmente porque é exercida para conosco no curso comum dos eventos. Não a percebemos bem porque a experimentamos diariamente.  “Ou desprezas  tu as riquezas da sua begnidade?…” (Romanos 2:4). A Sua bondade é “desprezada” quando não é utilizada como um meio para levar os homens ao arrependimento, mas, ao contrário, serve para en­durecê-los a partir da suposição de que fecha os olhos para o pecado deles.

A bondade de Deus é o sustentáculo da confiança do crente, É esta excelência de Deus que exerce mais atração sobre os nos­sos corações. Visto que a Sua bondade dura para sempre, jamais deveríamos ficar desanimados-. “O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele” (Naum 1:7). “Quando outros nos maltratam, isso deveria somente estimular-nos a dar graças mais calorosamente ao Senhor, porque Ele é bom; e quando nós mesmos nos damos conta de que estamos longe de sermos bons, somente deveríamos bendizem com maior reverência Aquele que é bom jamais deveríamos tolerar um ins­tante de descrença na bondade, do Senhor; seja o que for que possa ser questionado, isto é absolutamente certo, que o Senhor é bom; as Suas dispensações podem variar, mas a Sua natureza é sempre a mesma” (C. H. Spurgeon).

 

12. A PACIÊNCIA DE DEUS

 Tem-se escrito muito menos sobre esta excelência do caráter divino do que sobre as demais. Não poucos dos que têm se es­tendido largamente sobre os atributos divinos, deixaram de lado, sem nenhum comentário, a paciência de Deus. Não é fácil opinar sobre a razão disto, pois certamente a paciência de Deus é igual­mente uma das perfeições divinas, como a Sua sabedoria, poder ou santidade, e igualmente digna de ser admirada e reverenciada por nós. É verdade que esse vocábulo não se acha numa concor­dância tantas vezes como os outros, mas a glória desta graça refulge em quase todas as páginas das Escrituras. O certo é que perdemos muito, se não meditamos com freqüência na paciência de Deus e se não oramos fervorosamente, rogando que os nossos corações a ela se disponham mais completamente.

O mais provável é que a principal razão pela qual tantos escritores deixaram de dar-nos algo, separadamente, sobre a pa­ciência de Deus, é a dificuldade em distinguir este atributo da bondade e da misericórdia divinas, particularmente desta última A longaminidade de Deus é mencionada repetidamente era con­junto com a Sua graça  e misericórdia,  como  se pode  verificar consultando Êxodo 34:6; Números 14:18; Salmo 86:15 etc   Não se pode negar que a paciência de Deus é realmente uma demons­tração da Sua misericórdia, na verdade um modo pelo qual esta se manifesta freqüentemente;  não se pode conceder, porém   que ambas sejam urna só e a mesma excelência e que não se possa separar uma da outra. Embora não seja fácil distinguir entre elas as Escrituras nos autorizam plenamente a afirmar sobre uma delas algumas coisas que não podemos afirmar sobre a outra.

Stephen Charnock, o puritano, define em parte a paciência de Deus assim: “É uma parte da bondade e da misericórdia di­vinas e, contudo, difere de ambas. Sendo Deus a maior bondade tem a maior  brandura; a brandura é   sempre  companheira   da bondade e,  quanto maior a  bondade,  maior a  brandura. Quem houve tão santo como Cristo, e tão gentil? A lentidão de Deus para a ira é um aspecto da Sua misericórdia: “… o Senhor (é) sofredor e de grande misericórdia” (Salmo 145:8; Atualizada, se­melhante à versão da citação: “… o Senhor (é) tardio em irar-se e de grande clemência”). A paciência difere da misericórdia na consideração formal  do  objeto:  a  misericórdia  considera a  cria­tura como infeliz, a paciência considera  a criatura como crimi­nosa; a misericórdia tem pena do ser humano em sua infelicidade a paciência tolera o pecado que gerou a infelicidade e deu nasci­mento a mais infelicidade ainda”.

Pessoalmente, definimos a paciência divina como aquele po­der de controle que Deus exerce sobre Si  mesmo,  levando-0  a tolerar os maus e a demorar-Se a castigá-los. Em Naum 1:3 lemos: “O Senhor e tardio em irar-se, mas grande em força…”, sobre o qual disse o senhor Charnock: “Os homens que são grandes no mundo sofrem rápido impulso da paixão, e não se dispõem a perdoar logo, ou a tolerar um ofensor, como alguém de nível inferior. É a falta de poder sobre o próprio ego que os leva a fazer coisas impróprias sob provocação. Um príncipe capaz de su­jeitar as suas paixões é um rei sobre si mesmo, bem como sobre os seus súditos. Deus é tardio em irar-Se porque é grande em força, Ele não tem menos poder sobre Si mesmo do que sobre as Suas criaturas’.

É na questão acima, pensamos nós, que a paciência de Deus se distingue mais claramente da Sua misericórdia. Embora a cria­tura seja beneficiada por ela, a paciência de Deus diz respeito principalmente a Si próprio, como uma restrição imposta por Sua vontade aos Seus atos, ao passo que a Sua misericórdia esgota-se totalmente na criatura. A paciência de Deus é aquela excelência que O leva a suportar grandes ofensas sem vingar-Se imediata­mente. Ele tem um poder de paciência, como também um poder de justiça. Assim, a palavra hebraica para “longânimo” é tradu­zida por ‘”tardio em irar-se” em Neemias 9:17, Joel 2:13, etc. Não que haja quaisquer paixões na natureza divina, mas que à sabedoria e à vontade de Deus apraz agir com aquela dignidade e sobriedade que vem a ser a Sua exaltada majestade.

Em apoio de nossa definição acima, permita-me assinalar que foi para esta excelência do caráter divino que Moisés apelou, quando Israel pecou tão afrontosamente era Cades-Barnéia, e ali provocou ao Senhor tão dolorosamente. Ao Seu servo disse o Se­nhor: “Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei…” (Números 14:12). Então foi que o mediador tipológico intercedeu: “Agora, pois, rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça; como tens falado, dizendo: O Senhor é Longânimo” (versículos 17 e 18). Portanto, a Sua “longanimidade”" ou paciência é a Sua “for­ça” ou o Seu poder de auto-restrição.

Ainda em Romanos 9:22 lemos: “E que direis se Deus, que­rendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição”. Se Deus imediatamente fizesse em pedaços estes vasos reprova­dos, o Seu poder de auto-controle não apareceria tão eminentemente; tolerando a iniqüidade deles e lhes sobre-levando demoradamente o castigo, o poder da Sua paciência fica demonstrado gloriosamente. É verdade que os ímpios interpretam a paciência de Deus de maneira muito diferente -— “Visto como se não exe­cuta logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal” (Eclesiastes 8:11) — mas o olhar ungido adora o que eles insultam.

“O Deus de paciência” (Romanos 15:5) é um dos títulos divinos. A Deidade é assim denominada, primeiro, porque Deus é tanto o Autor como o Objeto da graça da paciência na criatura. Segundo, porque é isto que Ele é em Si mesmo: a paciência é uma das Suas perfeições. Terceiro, como um padrão para nós: “Revesti-vos pois, como eleitos de Deus, santos, e amados, de en­tranhas de misericórdia, de benignidade, mansidão, longanimida­de” (Colossenses 3:12). E ainda: “Sede pois imitadores de Deus como filhos amados” (Efésios 5:1). Quando tentado a aborrecer-se com a lerdeza doutrem, ou a vingar-se de alguém que o ultra­jou, lembre-se da infinita paciência e longanimidade de Deus para com você.

A paciência de Deus se manifesta em Sua maneira de tratar os pecadores. Quão surpreendentemente foi demonstrada para com os antediluvianos. Quando a humanidade estava universal­mente degenerada, e toda a carne havia corrompido os seus ca­minhos, Deus não a destruiu sem antes adverti-la. “… a longa­nimidade de Deus esperava…” (1 Pedro 3:20), Deus esperou não menos de cento e vinte anos (Gênesis 6:3), tempo durante o qual Noé foi “… pregoeiro da justiça… ” (2 Pedro 2:5). Assim, mais tarde, quando os gentios não só cultuavam e serviam mais a criatura do que ao Criador, mas também cometiam as mais vis abominações contrárias até mesmo aos .ditames da natureza (Ro­manos 1:19-26), e com isso encheram a medida da sua iniqüida­de; todavia, em vez de desembainhar a Sua espada para o exter­mínio desses rebeldes, Deus “… deixou andar todas as gentes em seus próprios caminhos…” e lhes deu “… chuvas e tempos frutíferos…” (Atos 14:16-17).

A paciência de Deus foi maravilhosamente exercida e mani­festada  para   com   Israel.   Primeiro,   Ele  “…suportou  os   seus costumes  no deserto por espaço de quase quarenta anos     (Atos 13.18)   Posteriormente, quando os israelitas entraram em Canaã, mas seguiam os maus costumes das nações ao seu redor e pen­diam para a idolatria, conquanto Deus os castigasse dolorosamen­te    não   os   destruiu   por   completo,   mas   sim   em   sua   angustia, levantava libertadores para eles. Quando a sua iniqüidade subiu a tal ponto que ninguém, senão um Deus de infinita paciência, po­deria   suportá-los,  Ele,   não  obstante,   poupou-os   durante   muitos anos   antes de deixar que fossem levados para a Babilônia. Final­mente   quando a sua rebelião contra  Ele atingiu o clímax pela crucificação de Seu Filho, Deus esperou quarenta anos, antes de enviar os romanos contra eles, e isso, só depois deles Julgarem que não eram “…dignos da vida eterna…     (Atos  13:46)

Quão maravilhosa é a paciência de Deus com o mundo hoje! Por toda parte as pessoas pecam a peito aberto. A lei divina e pisoteada e o próprio Deus é desprezado abertamente. É deveras espantoso que Ele não elimine de vez aqueles que tão descarada­mente O desafiam. Por que Ele  não  corta  da face  da  terra o infiel insolente e o escarnecedor verboso, como fez com Ananias e  Safira?   Por que não faz a  terra  abrir  a boca  e  devorar  os perseguidores do Seu povo para  que,  à  semelhança  de Data  e Abirão   fossem vivos para o Abismo? E que dizer da cristandade apóstata, em que todas as formas de pecado possíveis são agora toleradas e praticadas sob a capa do santo nome de_ Cristo? Por que a justa ira do Céu não põe fim a tais abominações? Somente uma resposta é possível: porque Deus tolera com muita pa­ciência os  vasos  da  ira,  preparados   para   perdição  (Romanos 9:22).

E que dizer do autor e do leitor? Façamos uma revisão em nossas vidas. Não transcorreu muito tempo desde quando nós seguíamos a multidão na prática do mal, não nos interessávamos nem um pouco pela glória de Deus e só vivíamos para gratificar o nosso ego. Quão pacientemente Ele tolerou a nossa conduta vil! E agora que a graça nos tirou como tições do fogo, dando-nos um lugar na família de Deus, e nos gerou para uma herança eterna na glória, quão miseravelmente Lhe retribuímos! Quão superficial a nossa gratidão, quão tardia a nossa obediência e quão freqüen­tes as nossas apostasias! Uma razão pela qual Deus tolera que o crente permaneça carnal é que Ele possa demonstrar a Sua longanimidade para conosco (2 Pedro 3:9). Desde que este atributo divino só se manifesta neste mundo, Deus se empenha mais em mostrá-lo para com “os Seus”.

Oxalá a nossa meditação nesta excelência divina abrande os nossos corações, enterneça as nossas consciências, e possamos aprender na escola da santa experiência a “paciência dos santos’1, a saber, a submissão à vontade divina e a perseverança na prática do bem. Busquemos fervorosamente a graça que nos capacite a imitar esta excelência divina. “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus’” (Mateus 5:48); no con­texto imediato Cristo nos exorta a amar os nossos inimigos, a bendizer os que nos maldizem, a fazer o bem aos que nos odeiam. Deus tolera bastante os ímpios, apesar da multidão dos seus pe­cados; e nós, haveremos de querer vingar-nos por causa de uma única ofensa?

 

 13. A GRAÇA DE DEUS

 Esta perfeição do caráter divino só é exercida em favor dos eleitos. Nem no Velho Testamento nem no Novo jamais se men­ciona a graça de Deus em conexão com a humanidade em geral, e muito menos com as ordens inferiores das Suas criaturas. Nisto a graça se distingue da “misericórdia”, pois a misericórdia é “… sobre todas as suas obras1‘ (Salmo 145:9). A graça é a única fonte da qual fluem a boa vontade, o amor e a salvação de Deus para o Seu povo escolhido. Este atributo do caráter divino foi definido por Abraham Booth em seu proveitoso livro, The Reign of Grace — O Reino da Graça, assim: “É o livre, absoluto e eterno favor de Deus, manifesto na concessão de bênçãos espirituais e eternas a culpados e indignos.

A graça divina é o soberano e salvador favor de Deus exercido na dádiva de bênçãos a pessoas que não têm em si mérito nenhum, e pelas quais não se exige delas nenhuma compensação. Não apenas isso, é ainda mais; é o favor de Deus demonstrado a pessoas que, não só não possuem merecimentos próprios, mas são totalmente merecedoras do inferno. É completamente imere­cida, não é procurada de modo nenhum e não é atraída por nada que haja nos objetos aos quais é dada, por nada que deles pro­venha, e tampouco pelos próprios objetos. A graça não pode ser comprada, nem obtida, nem conquistada pela criatura. Se pudes­se, deixaria de ser graça. Quando dizemos que uma coisa é “de graça”, queremos dizer que seu recebedor não tem direitos sobre ela, que de maneira nenhuma ela lhe era devida. Chega-lhe como pura caridade e, a princípio, não solicitada nem desejada.

A mais completa exposição da maravilhosa graça de Deus acha-se nas epístolas do apóstolo Paulo. Em seus escritos “graça” está em direta oposição a obras e merecimento, todas as obras e todo merecimento, de qualquer espécie ou grau. Vê-se isto com muita clareza em Romanos 11:6, na versão utilizada pelo autor: “E se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se é por obras, já não é pela graça; de outra maneira, as obras já não são obras”. É tão impossível unir a graça e as obras, como o é unir um ácido e um álcali. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-9). O absoluto favor de Deus não pode harmonizar-se com o mérito humano, mais do que o óleo e a água fundir-se num só elemento. Ver também Romanos 4:4-5.

São três às principais características da graça divina: primei­ra, é eterna. A graça foi planejada antes de ser exercida, e fez parte do propósito divino antes de ser infundida: “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (2 Timóteo 1:9). Segunda, é livre, ou gratuita, pois ninguém a pôde comprar jamais: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça…” (Ro­manos 3:24. Terceira, ê soberana, porque Deus a exerce em favor daqueles a quem Lhe apraz, e a estes a concede: “Para que… também a graça reinasse…” (Romanos 5:21). Se a graça “reina”, ocupa um trono, e o ocupante do trono é soberano. Daí o “…   trono da graça…” (Hebreus 4:16).

Exatamente porque a graça é um favor imerecido, exerce-se necessariamente de maneira soberana. Portanto, o Senhor declara: “Terei misericórdia” (ou graça) “…de quem eu tiver misericór­dia,..’” (Êxodo 33:19). Se Deus mostrasse graça a todos os des­cendentes de Adão, os homens logo concluiriam que Ele, sendo justo, estava compelido a levá-los para o céu como uma razoável compensação por ter deixado a raça humana cair em pecado. Mas o grande Deus não está sob nenhuma obrigação para com nenhu­ma de Suas criaturas, menos ainda para com os que são rebeldes contra Ele.

A vida eterna é um dom e, portanto, não pode ser obtida pelas boas obras, nem reivindicada como um direito. Vendo que a salvação é um “dom”, quem tem direito de dizer a Deus a quem Ele deve doá-lo? Não é que o Doador recusa este dom a qualquer que o busque de todo coração e de acordo com as re­gras que Ele prescreveu. Não; Ele não o recusa a ninguém que O busca de mãos vazias e da maneira determinada por Ele. Mas, se de um mundo impenitente e incrédulo Deus está resolvido a exercer o Seu direito soberano escolhendo um número limitado de pessoas para serem salvas, quem sai prejudicado? Estará Deus obrigado a impor o Seu dom aos que não lhe dão valor? Estará Deus compelido a salvar os que estão determinados a seguir o seu próprio caminho!

Nada, porém, enraivece mais o homem natural e mais con­tribui para trazer à tona a sua inata e inveterada inimizade con­tra Deus, do que insistir com ele sobre a eternidade, a gratuidade e a absoluta soberania da graça divina. Dizer que Deus formou Seu propósito desde a eternidade, sem nenhuma consulta à cria­tura, é demasiadamente humilhante para o coração não quebrantado Dizer que a graça não pode ser adquirida ou conquistada pelos esforços do homem, esvazia demais o ego dos que confiam em sua justiça própria. E o fato de que a graça separa os que ela quer para serem os objetos do seu favor, provoca acalorados protestos  dos  rebeldes  arrogantes.  O  barro se  levanta  contra  o Oleiro e pergunta: “Por que Tu me fizeste assim?’   Um rebelde infrator da lei atreve-se a questionar a justiça da soberania divina. Vê-se a distintiva graça de Deus no ato de salvar aqueles que Ele separou  soberanamente  para  serem os  Seus  favoritos.  Com “distintiva” queremos dizer que a graça discrimina, faz diferenças   escolhe alguns e deixa de lado outros. Foi a distintiva graça de Deus que separou Abraão dentre os seus vizinhos idolatras e fez dele “o amigo de Deus”. Foi a distintiva graça que salvou “publicanos e  pecadores”, mas disse acerca dos fariseus: Deixai-os”   (Mateus   15:14).  Em parte nenhuma a glória da livre e soberana graça de  Deus  fulge mais conspicuamente  do que na indignidade e diversidade dos que a recebem. Esta verdade foi belamente ilustrada por James Hervey (1751):

“Onde o pecado abundou, diz a proclamação do tribunal do céu superabundou a graça. Manasses foi um monstro cruel, pois fez passar seus próprios filhos pelo fogo, e encheu Jerusalém de sangue inocente. Manasses foi-perito em iniqüidade, pois, não só multiplicou, chegando a extremos extravagantes, as suas impiedades sacrílegas, como também envenenou os princípios e perver­teu os costumes dos seus súditos, fazendo-os agir pior do que os pagãos idolatras mais detestáveis. Veja 2 Crônicas 33. Contudo, através desta super abundante graça, ele se humilhou, mudou de vida, e se tornou um filho do amor que perdoa e um herdeiro da glória imortal.

“Vede Saulo, aquele perseguidor cruel e sanguinário, quan­do, respirando ameaças e disposto à matança, atormentava as ove­lhas de Jesus e levava à morte os Seus discípulos. A devastação que causara e as famílias inofensivas que arruinara, não eram su­ficientes para mitigar o seu espírito vingativo. Eram apenas uma amostra para o paladar que, em vez de saciar a sede de sangue, fizeram-no seguir mais de perto a presa e ansiar mais ardentemente pela destruição. Continuava sedento de violência e morte. Tão ávida e insaciável era sua sede, que chegava a respirar amea­ças e mortes (Atos 9:1). Suas palavras eram verdadeiras lanças e flechas, e a sua língua, uma espada afiada. Para ele, ameaçar os cristãos era tão natural como respirar. Nos propósitos do seu coração rancoroso, eles não paravam de sangrar. Só devido à falta de poder é que cada sílaba que proferia e cada sopro da sua respiração não espalhavam mais mortes nem faziam cair mais discípulos inocentes. Quem, segundo os princípios da justiça hu­mana, não o teria pronunciado vaso da ira, destinado a inevitável condenação? E mais, quem não estaria pronto a concluir que, se houvesse cadeias mais pesadas e masmorra mais triste no mundo das torturas, certamente se reservariam para tão implacável ini­migo da verdadeira religiosidade? Entretanto, admirai e adorai os inexauríveis tesouros da graça — este Saulo é admitido na santa comunhão dos profetas, é enumerado com o nobre exército de mártires e faz distinguida figura no glorioso colégio dos apóstolos.

“Era proverbial a maldade dos coríntios. Alguns deles cha­furdavam em tão abomináveis libertinagens, e estavam habituados a tão ultrajantes atos de injustiça que eram uma infâmia até para a natureza humana. Contudo, até mesmo esses filhos da violência e escravos do sensualismo foram lavados, santificados, justificados (1 Coríntios 6:9-11). “Lavados” no sangue precioso do Redentor que deu Sua vida; “santificados” pelas poderosas operações do bendito Espírito; “justificados” através das misericórdias infini­tamente ternas do Deus da graça. Os que outrora foram um afli­tivo fardo para a terra, vieram a ser o júbilo do céu, o encanto dos anjos”.

Agora, a graça de Deus se manifesta no Senhor Jesus Cristo, por Ele e através dEle.-”Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (João 1:17). Isto não significa que Deus nunca exercera a Sua graça em favor de al­guém antes de encarnar-Se o Seu Filho, Gênesis 6:8; Êxodo 33:19; etc; mostram que a verdade é outra. Mas a graça e a verdade foram plenamente reveladas e perfeitamente exemplifica­das quando o Redentor veio a esta terra e morreu na cruz por Seu povo. Ê somente através de Cristo, o Mediador, que a graça de Deus flui para os Seus eleitos. “Muito mais a graça de Deus e o dom pela graça, que é dum só homem (ou “por um ho­mem”), Jesus Cristo… muito mais os que recebem a abundância da graça, e o dom da justiça, reinarão em vida por um só — Jesus Cristo … para que … também a graça reinasse pela jus­tiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor” (Roma­nos 5:15, 17, 21).

A graça de Deus é proclamada no evangelho  (Atos 20:24), o qual é para o judeu confiante em sua justiça própria um “es­cândalo” (ou “pedra de tropeço”), e para o grego presunçoso e filósofo   “loucura”. Por quê? Porque não há nada no evangelho que se preste para gratificar o orgulho do homem. Ele anuncia que se não formos salvos pela graça, não seremos salvos de modo nenhum. Ele declara que, fora de Cristo – o Dom inefável da graça de Deus — o estado de todos os homens é desesperador, irremediável, sem esperança. O evangelho trata os homens como criminosos culpados, condenados e mortos. Declara que o mora­lista mais puro está na mesma condição terrível em que se acha o libertino mais  voluptuoso;  que o religioso confesso e zeloso, com todas as suas práticas religiosas, não é melhor do que o mais profano infiel.

O evangelho considera a todo descendente de Adão como pe­cador decaído, corrupto, merecedor do inferno e desvalido. A gra­ça que o evangelho divulga é a sua única esperança. Todos per­manecem diante de Deus como réus sentenciados, transgressores da Sua santa lei, como criminosos culpados e condenados, não a espera de alguma sentença, mas esperando a execução da sentença já passada sobre eles (João 3:18; Romanos 3:19). Queixar-se da parcialidade da graça é suicídio. Se o pecador insiste em que se lhe faça a pura justiça, então o “lago de fogo” terá que ser o seu quinhão eterno. Sua única esperança está em render-se a sen­tença que a justiça divina lhe passou, apropriar-se da retidão abso­luta que a caracteriza, lançar-se à misericórdia de Deus, e esten­der mãos vazias para servir-se da graça de Deus, que agora chegou a conhecer por meio do evangelho.

A terceira pessoa da Deidade é o comunicador da graça  pelo que e denominado “… o Espírito de graça… ” (Zacarias 12-10) Deus, o Pai, é a fonte de toda graça, pois Ele em Si mesmo deter­minou a aliança eterna da redenção. Deus, o Filho, é o único canal da graça. O evangelho é o divulgador da graça. O Espírito é o doador. Ele aplica o evangelho com poder salvador à alma vivificando os eleitos enquanto ainda mortos, dominando as suas von­tades rebeldes, amolecendo os seus duros corações,  abrindo-lhes os olhos da sua cegueira, limpando-os da lepra do pecado   Pode­mos assim dizer com G. S. Bishop (já falecido): «A graça é uma provisão para homens que se acham tão decaídos que não podem erguer o machado da justiça, tão corruptos que não podem mudar as suas próprias naturezas, tão contrários a Deus que não podem voltar para Ele, tão cegos que não podem vê-10, tão surdos que não podem ouvi-1O, e tão mortos que Ele mesmo precisa abrir os seus túmulos e levantá-los para a ressurreição”.

 

14. A MISERICÓRDIA DE DEUS

 ”Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua begnidade (ou misericórdia) dura para sempre” (Salmo 136-1) Deus deve ser grandemente louvado por esta perfeição do Seu caráter. Por três vezes, em três versículos, o salmista convida os santos a louvarem ao Senhor por este atributo adorável. E cer­tamente é o mínimo que se pode pedir aos que tão copiosamente se beneficiaram dele. Quando ponderamos as características desta excelência divina, não podemos senão bendizer a Deus por ela A Sua misericórdia (ou benignidade), é “grande” (1 Reis 3-6- 1 Pedro 1:3), “abundante” (Salmo 86:5), “terna” (Lucas 1-78 ‘na versão utilizada pelo autor); “… de eternidade a eternidade so­bre aqueles que o temem…” (Salmo 103:17). Bem podemos dizer com o salmista: “… louvarei com alegria a tua misericór­dia …  (Salmo 59:16).

“… eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem me compadecer” (Êxodo 33:19). Em que a misericórdia de Deus difere da Sua “graça”? A misericórdia de Deus tem sua origem na bon­dade divina. O primeiro fruto da bondade de Deus é Sua benigni­dade ou generosidade, pela qual Ele dá liberalmente a Suas criaturas como criaturas; assim deu Ele o ser e a vida a todas as coisas. O segundo fruto da bondade de Deus é Sua misericór­dia, que denota a pronta inclinação de Deus para aliviar a miséria das criaturas caídas. Assim, “misericórdia” pressupõe pecado.

Embora não seja fácil, à primeira consideração, perceber uma real diferença entre a graça e a misericórdia de Deus, podemos compreendê-la se ponderarmos cuidadosamente os Seus procedi­mentos para com os anjos que não caíram. Ele nunca exerceu misericórdia para com eles, pois jamais tiveram qualquer neces­sidade dela, pois não pecaram, nem ficaram debaixo dos efeitos da maldição. Todavia, eles são objetos da livre e soberana graça de Deus. Primeiro, porque Deus os elegeu do seio de toda a raça angélica (1 Timóteo 5:21), Segundo, e em conseqüência da sua eleição, porque foram preservados da apostasia, quando Satanás se rebelou e arrastou consigo um terço das hostes celestiais (Apocalipse 12:4), Terceiro, tornando Cristo a Cabeça deles (Colossenses 2:10; 1 Pedro 3:22), meio pelo qual eles permanecem eter­namente seguros na santa condição em que foram criados. Quarto, devido à exaltada posição que lhes foi atribuída: viver na pre­sença imediata de Deus (Daniel 7:10), servi-1O constantemente em Seu templo celestial, receber dEle honrosas missões (Hebreus 1:14). Isso é graça abundante para com eles, mas “misericórdia” não é.

No empenho em estudar a misericórdia de Deus como ex­posta nas Escrituras, é preciso fazer uma tríplice distinção, se é que a Palavra da Verdade há de ser “bem manejada” nesse ponto. Primeiro, há uma misericórdia geral de Deus, que se estende não somente a todos os homens, crentes e descrentes igualmente, mas também à criação inteira: “…as  suas  misericórdias  são sobre todas as suas obras” (Salmo 145:9); “… de mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas” (Atos 17:25). Deus tem compaixão da criação animal em suas necessi­dades, e a supre de provisão adequada. Segundo, há uma mise­ricórdia especial de Deus, exercida para com os filhos dos homens, ajudando-os e socorrendo-os, apesar dos seus pecados. Também a estes Deus supre todas as necessidades da vida: “… porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45). Terceiro, há uma miseri­córdia soberana, reservada para os herdeiros da salvação, comu­nicada a estes por meio de uma aliança, através do Mediador.

Acompanhando um pouco mais a diferença entre o segundo e o terceiro pontos distintivos acima expostos, é importante notar que as misericórdias que Deus concede aos ímpios são exclusiva­mente de natureza temporal; quer dizer, limitam-se estritamente a presente vida. Não haverá misericórdia que se estenda a eles além-tumulo: “… este povo não é povo de entendimento- por isso aquele que o fez não se compadecera dele, e aquele que o formou não lhe mostrará nenhum favor” (Isaías 27:11) Neste ponto, porém, pode oferecer-se uma dificuldade a algum dos nos­sos leitores, a saber: não afirmam as Escrituras que a misericórdia de Deus, “…a sua benignidade dura para sempre”?   (Salmo 13b: 1)7 E preciso assinalar duas coisas neste contexto. Deus nunca deixa de ser misericordioso, pois isto constitui uma qualidade da essência divina (Salmo 116:5); mas o exercício da Sua misericór­dia e regulado por Sua vontade soberana. Tem que ser assim, pois não ha fora dEle coisa nenhuma que O obrigue a agir;  se hou­vesse, essa “coisa” seria suprema e Deus deixaria de ser Deus. É somente a pura graça soberana que determina o exercício da misericórdia divina. Deus afirma expressamente este fato em Romanos 9:15: “Pois diz a Moisés:  Compadecer-me-ei de quem compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericór­dia. Não e a desgraça da criatura que O leva a mostrar misericórdia,  pois  Deus não é influenciado por coisas  alheias  a  Si mesmo, como nós somos. Se Deus fosse influenciado pela miséria abjeta dos pecadores leprosos, Ele os limparia e os salvaria a todos. Mas não o faz. Por quê? Simplesmente porque não é do Seu agrado e do Seu propósito agir assim. Menos ainda são os méritos da criatura que O levam a conceder-lhes misericórdias, pois é uma contradição de termos falar em merecer “miseri­córdia”. “Não petas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou…” (Tito 3:5) — aquelas estando em direta antítese a esta. Tampouco são os méritos de Cristo que movem Deus a conceder misericórdias aos Seus elei­tos; isto seria tomar o efeito pela causa. É “através” ou por causa da misericórdia de Deus que Cristo foi enviado ao mundo, ao Seu povo (Lucas 1:78). Os méritos de Cristo tornaram possí­vel a Deus conceder justamente misericórdias espirituais aos Seus eleitos, tendo sido satisfeita plenamente a justiça pelo Fiador! Não, a misericórdia provém unicamente da vontade soberana de Deus.

Ademais, conquanto seja verdade, bendita e gloriosa verdade, que a misericórdia de Deus “dura para sempre”, devemos obser­var cuidadosamente os objetos a quem Deus mostra misericórdia. Até o lançamento dos reprovados no “lago de fogo” é um ato de misericórdia. O castigo dos ímpios deve ser considerado de um tríplice ponto de vista. Do lado de Deus, é um ato de justiça, vindicando a Sua honra, A misericórdia de Deus nunca se mostra cm detrimento da Sua santidade e justiça. Do lado dos ímpios, é um ato de eqüidade, dado que são postos a sofrer a merecida re­compensa das suas iniqüidades. Mas do ponto de vista dos redi­midos, o castigo dos ímpios é um ato de indescritível misericórdia. Quão terrível seria se a presente ordem de coisas continuasse para sempre, quando os filhos de Deus são forçados a viver no meio dos filhos do diabo! O céu logo deixaria de ser céu, se os ouvi­dos dos santos ainda ouvissem a Linguagem blasfema e corrom­pida dos reprovados. Que misericórdia, o fato de que na Nova Jerusalém não entrará “ … coisa alguma que contamine, e cometa abominação… ” (Apocalipse 21:27)!

Para que o leitor não pense que no último parágrafo acima estivemos laborando sobre a nossa imaginação, apelemos para as Escrituras Sagradas em apoio do que foi dito. No Salmo 143:12 vemos Davi orando: “E por tua misericórdia desarraiga os meus inimigos, e destrói a todos os que angustiam a minha alma: pois sou teu servo”. Ainda, no Salmo 136:15 lemos que Deus “derribou a Faraó com o seu exército no Mar Vermelho; porque a sua benignidade (ou misericórdia) dura para sempre”. Foi um ato de castigo a Faraó e aos seus exércitos, mas foi um ato de “mise­ricórdia” para os israelitas. Mais ainda, em Apocalipse 19:1-3 lemos: “… ouvi no céu como que uma grande voz de uma gran­de multidão, que dizia: Aleluia; Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus; porque verdadeiros e jus­tos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. E outra vez disseram: Aleluia. E o fumo dela sobe para todo o sempre”.

Do que se acaba de ver diante de nós, notemos como é vã a presunçosa esperança dos ímpios que, apesar do seu continuado desafio a Deus, mesmo assim contam com uma atitude misericor­diosa de Deus em favor deles. Quantos há que dizem: não acre­dito que Deus me lançará no inferno; Ele é muito misericordio­so. Essa esperança é uma víbora que, se for acalentada no colo deles, irá feri-los com picada morta!. Deus é Deus de justiça, como de misericórdia, e Ele declarou expressamente que “… ao culpa­do não tem por inocente…” (Êxodo 34:7). Sim, Ele disse: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as gentes que se esque­cem de Deus” (Salmo 9:17). Também poderiam raciocinar os homens: se se deixasse acumular o lixo, e os esgotos ficassem estagnados, e as pessoas ficassem privadas de ar renovado, não acredito que um Deus misericordioso as deixaria cair presas de uma febre mortal. O fato é que aqueles que negligenciam as leis da saúde são tomados pela doença, apesar da misericórdia de Deus. Igualmente verdade é que os que negligenciam as leis da saúde espiritual sofrerão para sempre a ”segunda morte”.

É indizivelmente grave ver tantos abusando desta perfeição divina. Continuam desprezando a autoridade de Deus, pisoteando Suas leis; continuam em pecado, e ainda se vangloriam apoiados na Sua misericórdia.   Mas Deus não será injusto para Consigo mesmo. Deus mostra misericórdia para o penitente sincero, não porém para o impenitente (Lucas 13:3). É diabólico continuar em pecado e ainda contar com a misericórdia de Deus para a proscrição do castigo. Equivale a dizer: “Façamos males, para que venham bens”. Dos que falam assim, está escrito: “… A con­denação desses é justa’ (Romanos 3:8). Com toda a certeza, essa presunção se verá frustrada; leia cuidadosamente Deuteronômio 29:18-20. Cristo é a propiciação espiritual, e todos quantos des­prezarem e rejeitarem o Seu senhorio, perecerão “… no caminho, quando em breve se inflamar a sua ira” (Salmo 2:12).

O nosso pensamento final será sobre as misericórdias espiri­tuais de Deus para com o Seu povo. “… a tua misericórdia é grande até aos céus…” (Salmo 57:10). As riquezas da miseri­córdia transcendem os nossos mais elevados pensamentos. “Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem” (Salmo 103:11). Nin­guém pode medi-la. Os eleitos são designados “… vasos de mi­sericórdia…” (Romanos 9:23). Foi a misericórdia que os vivi-ficou quando estavam mortos em pecado (Efésios 2:4-5). A mi­sericórdia os salvou (Tito 3:5). Sua abundante misericórdia os regenerou para uma herança eterna (1 Pedro 1:3). E nos faltaria tempo para falar da misericórdia de Deus que preserva, sustenta, perdoa e supre os Seus. Para eles Deus é “… Pai das misericór­dias…” (2 Coríntios  1:3).

Quando em elevação minha alma sonda

as Tuas misericórdias, ó meu Deus,

a visão me arrebata, e então me absorvo em encanto,

em amor e em louvor.

15. O AMOR DE DEUS

 As Escrituras nos dizem três coisas a respeito da natureza de Deus. Primeira, “Deus é espírito” (João 4:24). No grego não há artigo indefinido. Dizer “Deus é um espírito” é sumamente repreensível, pois O coloca na mesma classificação de outros se­res. Deus é “espírito” no sentido mais elevado. Como é “espíri­to”, é incorpóreo, não tem substância visível. Tivesse Deus um corpo tangível, não seria onipresente, estaria limitado a um lugar; sendo “espírito”, enche os céus e a terra. Segunda, “Deus é luz” (1 João 1:5), o que é oposto às trevas. Nas Escrituras as “trevas” representam o pecado, o mal, a morte; a “luz” representa a san­tidade, a bondade, a vida. “Deus é luz” significa que Ele é a soma de todas as excelências. Terceira, “Deus é amor” (1 João 4:8). Não é simplesmente que Deus ama, porém que ê amor mes­mo. O amor não é meramente um dos Seus atributos, mas sim Sua própria natureza,

Muitos hoje falam do amor de Deus, mas são completamente alheios ao Deus de amor. Comumente se considera o amor divino como uma espécie de fraqueza amável, uma certa indulgência boazinha; fica reduzido a um sentimento enfermiço, modelado nas emoções humanas. Pois bem, a verdade é que nisto, como em tudo mais, os nossos pensamentos precisam ser formulados e regulados por aquilo que é revelado nas Escrituras Sagradas. Que há ur­gente necessidade disto transparece não só na ignorância que ge­ralmente prevalece, mas também no baixo nível de espiritualidade atual que lamentavelmente se evidencia entre os cristãos profes­sos. Quão pouco amor genuíno a Deus existe! Uma das principais razões disso é que os nossos corações pouco se ocupam com o Seu maravilhoso amor por Seu povo. Quanto melhor conheçamos o Seu amor — sua natureza, sua plenitude, sua bem-aventurança — mais os nossos corações serão impelidos a amá-1O.

1. O amor de Deus é imune de influência alheia. Queremos dizer com isso que não há nada nos objetos do Seu amor que possa colocá-lo em ação, e não há- nada na criatura que possa atraí-lo ou impulsioná-lo. O amor que uma criatura tem por outra deve-se a algo existente nelas; mas o amor de Deus é gratuito espontâneo e não causado por nada nem por ninguém. A única razão pela qual Deus ama alguém acha-se em Sua vontade sobe­rana: “O Senhor não tomou prazer em vós,  nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vos éreis menos em número do que todos os povos: mas porque o Senhor vos amava” {Deuteronômio 7:7-8), Deus amou o Seu povo desde a eternidade e, portanto, a criatura nada tem que possa ser a causa daquilo que se acha em Deus desde a eternidade. Seu amor provém dEle próprio: “… segundo o seu próprio propósito…” (2 Timóteo 1:9).

“Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Deus não nos amou porque nós O amávamos, mas nos amou antes de nós termos uma só partícula de amor por Ele. Se Deus nos tivesse amado em resposta ao nosso amor, então o Seu amor não seria espontâneo; mas visto que Ele nos amou quando nós não O amávamos, é claro que o Seu amor não foi influenciado. Para que se honre a Deus, e se firme o coração do Seu Filho, é altamente importante que entendamos com absoluta clareza esta verdade preciosa. O amor de Deus por mim e por todos e cada um dos que são “Seus” não foi movido nem moti­vado por coisa nenhuma em nós. Que havia em mim que atraiu o coração de Deus? Absolutamente nada. Ao contrário, porém, havia tudo para O repelir, tudo na medida para levá-lO a detes­tar-me — sendo eu pecador, depravado, corrupto, sem “nenhum bem” em mim.

“O que existia em mim que merecesse estima

ou desse algum prazer ao Criador?

Fosse assim mesmo, ó Pai, eu sempre cantaria

por veres algo bom em mim, Senhor.”

2. É eterno. Necessariamente, Deus é eterno, e Deus é amor; portanto, como Deus não teve princípio, Seu amor também não teve. Mesmo concedendo que esse conceito transcende o alcance das nossas frágeis mentes, contudo, quando não podemos com­preender, podemos inclinar-nos em adoração. Como é claro o tes­temunho de Jeremias 31:3: “… com amor eterno te amei, tam­bém com amorável benignidade te atraí”! Que bem-aventurança saber que o grandioso e santo Deus amava o Seu povo antes do céu e a terra terem sido chamados à existência, que Ele pusera o Seu coração neles desde toda a eternidade! Esta é uma prova clara de que o Seu amor é espontâneo, pois Ele os amou eras sem fim, antes de sequer existirem!

A mesma verdade preciosa é exposta em Efésios 1:4-5: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade; e nos predestinou…” (ou, na versão empregada pelo autor, “Havendo-nos predestinado em amor”). Que de louvores isto deveria evocar de cada um dos Seus filhos! Que tranqüilidade para o coração saber que, uma vez que o amor de Deus por mim não teve começo, certamente não terá fim! Se é certo que “de eter­nidade a eternidade” Ele é Deus, e é “amor”, então é igualmente certo que “de eternidade a eternidade” Ele ama a Seu povo.

3. É soberano. Isso também é evidente em si mesmo. Deus é soberano, não deve obrigação a ninguém; Ele é Sua própria lei e age sempre de acordo com a Sua vontade dominadora. Assim, pois, se Deus é soberano e é amor, infere-se necessariamente que o Seu amor é soberano. Porque Deus é Deus, faz o que Lhe agrada; porque é amor, ama a quem Lhe apraz. Eis a Sua pró­pria afirmação expressa: “… amei Jacó e aborreci Esaú” (Ro­manos 9:13). Em Jacó não havia mais razão do que em Esaú para ser objeto do amor divino. Ambos tinham os mesmos pais e, gêmeos que eram, nasceram na mesma hora. Contudo, Deus amou um e aborreceu o outro. Por que? Porque assim Lhe aprouve.

A soberania do amor de Deus infere-se necessariamente do fato de que nada do que há na criatura o influencia. Portanto, afirmar que a causa do Seu amor está em Deus é outro modo de dizer que Ele ama a quem Lhe apraz. Por um momento, su­ponha o oposto. Suponha que o amor de Deus fosse governado por outra coisa que a Sua vontade, caso em que Ele amaria se­guindo alguma norma e, amando por alguma norma, Ele estaria subordinado a uma lei do amor e, então, longe de ser livre, Deus seria governado por uma lei. “Em amor nos predestinou para fi­lhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo” — o quê? Alguma virtude que previu neles? Não. O que, então? — “…  segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios  1:4-5).

4. É infinito. Em Deus tudo é infinito. Sua essência enche os céus e a terra. Sua sabedoria não sofre nenhuma limitação, porquanto Ele conhece todas as coisas, do passado, do presente e do futuro. Seu poder é ilimitado, pois não há nada difícil demais para Ele. Assim, o Seu amor é sem limite. Há nele uma profun­didade que ninguém consegue sondar; há nele uma altitude que ninguém consegue escalar; há nele uma largura e um compri­mento que desdenhosamente desafiam a medição feita por todo e qualquer padrão humano. É declarado belamente em Efésios 2:4: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou”. A palavra “muito” aqui faz paralelo com a expressão “… Deus amou… de tal maneira…” (João 3:16), Diz-nos que o amor de Deus é tão transcendental que não pode ser avaliado.

“Nenhuma língua pode expressar plenamente a infinidade do amor de Deus, e nenhum intelecto pode compreendê-lo: “… ex­cede todo o entendimento…” (Efésios 5:19). As idéias mais am­plas que nossa mente finita possa conceber acerca do amor divino, estão infinitamente abaixo da sua verdadeira natureza. O céu não se acha tão distante da terra como a bondade de Deus está além das mais elevadas concepções que somos capazes de formular dela. A bondade divina é um oceano que se avoluma e se torna mais alto do que todas as montanhas de oposição nos que são objetos dela. E uma fonte da qual dimana todo o bem necessário aos que a ela estão ligados” (John Brine, 1743).

5. E imutável. Como em Deus “… não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17), assim o Seu amor não conhe­ce mudança nem diminuição. O verme Jacó dá-nos enfático exem­plo disto: “Amei Jacó”, declarou Jeová, e, a despeito de toda a sua incredulidade e obstinação, Ele nunca deixou de amá-lo. João 13:1 oferece-nos outra bela ilustração. Precisamente naquele noite um dos apóstolos diria “… mostra-nos o Pai. ..”; outro O ne­garia soltando maldições; todos se escandalizariam por causa dEle e O abandonariam. Todavia, “… como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim”. O amor di­vino não se rende às vicissitudes. O amor divino é “… forte como a morte … as muitas águas não poderiam apagar este amor…” (Cantares de Salomão 8:6-7). Nada nos pode separar dele: Romanos 8:35-39.

“Seu amor não se mede e não conhece fim,

nada pode mudá-lo, nem seu curso.

Eternamente o mesmo, sem cessar dimana

do manancial eterno.”

6.   É santo. O amor de Deus não é regulado por capricho, paixão ou sentimento, mas por princípio. Exatamente como a Sua graça reina, não às suas expensas, mas “pela justiça” (Romanos 5:21), assim o Seu amor nunca entra em conflito com a Sua san­tidade. Que “Deus é luz” (1 João 1:5) se menciona antes de di­zer-se que “Deus é amor” (1 João 4:8). O amor de Deus não é mera fraqueza boazinha, nem brandura efeminada. As Escritu­ras declaram: “… o Senhor corrige o que ama, e açoita a qual­quer que recebe por filho” (Hebreus 12:6). Deus não tolerará o pecado, mesmo em Seu povo. O Seu amor é puro, e não se mis­tura com nenhum sentimentalismo piegas.

7.   É pleno de graça. O amor e o favor de Deus são inseparáveis. Esta verdade é exposta claramente em Romanos 8:32-39. O que é esse amor, do qual,nada nos pode -separar, percebe-se facilmente pelo propósito e alcance do contexto imediato: é aque­la boa vontade ou beneplácito e graça de Deus que O determinou a dar Seu Filho pelos pecadores. Esse amor foi o poder impulsivo da encarnação de Cristo: “… Deus amou o mundo de tal ma­neira que deu o seu Filho unigênito…” (João 3:16). Cristo morreu, não para fazer com que Deus nos amasse, mas porque Ele amava o Seu povo. O Calvário é a suprema demonstração do amor divino. Leitor cristão, sempre que você for tentado a duvi­dar do amor de Deus, volte ao Calvário.

Há aqui, pois, farta causa para confiança e paciência sob a aflição debaixo da mão de Deus. Cristo era amado pelo Pai, po­rém Ele não foi eximido de pobreza, humilhação e perseguição. Cristo teve fome e sede. Assim, quando Cristo permitiu que os homens cuspissem nEle e O golpeassem, isso não foi incompatível com o amor de Deus por Ele. Portanto, que nenhum cristão ques­tione o amor de Deus quando passar por aflições e provações. Deus não enriqueceu a Cristo na terra com prosperidade temporal, pois Ele não tinha “… onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). Mas Deus Lhe deu o Espírito sem medida {João 3:34). Aprenda o cristão, pois, que as bênçãos espirituais são os principais dons do amor divino. Que bênção saber que, ao passo que o mundo nos odeia, Deus nos ama!

 

 16. A IRA DE DEUS

 É triste ver tantos cristãos professos que parecem considerar a ira de Deus como uma coisa pela qual eles precisam pedir des­culpas, ou, pelo menos, parece que gostariam que não existisse tal coisa. Conquanto alguns não fossem longe o bastante para admitir abertamente que a consideram uma mancha no caráter divino, contudo, estão longe de vê-la com bons olhos, não gostam de pensar nisso e dificilmente a ouvem mencionada sem que surja em seus corações um ressentimento contra essa idéia. Mesmo den­tre os mais sóbrios em sua maneira de julgar, não poucos parecem imaginar que há na questão da ira de Deus uma severidade terrificante demais para propiciar um tema para consideração provei­tosa. Outros dão abrigo ao erro de pensar que a ira de Deus não é coerente com a Sua bondade, e assim procuram bani-la dos seus pensamentos.

Sim, muitos há que fogem de visualizar a ira de Deus, como se fossem intimados a ver alguma nódoa no caráter divino, ou al­gum defeito no governo divino. Mas, o que dizem as Escrituras? Quando a procuramos nelas, vemos que Deus não fez tentativa alguma para ocultar a realidade da Sua ira. Ele não se envergo­nha de dar a conhecer que a vingança e a cólera Lhe pertencem. Eis o Seu desafio: “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum Deus comigo; eu mato, e eu faço viver; eu  firo, e eu saro; e ninguém há que escape da minha mão. Porque levantarei a minha mão aos céus, e direi: Eu vivo para sempre. Se eu afiar a minha espada reluzente, e travar do juízo a minha mão, farei tornar a vingança sobre os meus adversários, e recompensarei aos meus aborrecedores” (Deuteronômio 32:39-41). Um estudo na concor­dância mostrará que há mais referências nas Escrituras à indigna­ção, à cólera e à ira de Deus, do que ao Seu amor e ternura. Porque Deus é santo, Ele odeia todo pecado; e porque Ele odeia todo pecado, a Sua ira inflama-se contra o pecador Salmo 7:11.

Pois bem, a ira de Deus é uma perfeição divina tanto como a Sua fidelidade, o Seu poder ou a Sua misericórdia. Só pode ser assim, pois não há mácula alguma, nem o mais ligeiro defeito no caráter de Deus, porém, haveria, se nEle não houvesse “ira”! A indiferença para com o pecado é uma nódoa moral, e aquele que não o odeia é um leproso moral. Como poderia Aquele que é a soma de todas as excelências olhar com igual satisfação para a virtude e o vício, para a sabedoria e a estultícia? Como poderia Aquele que é infinitamente santo ficar indiferente ao pecado e negar-Se a manifestar a Sua “severidade” (Romanos 11:22) para com ele? Como poderia Aquele que só tem prazer no que é puro e nobre, deixar de detestar e de odiar o que é impuro e vil? A própria natureza de Deus faz do inferno uma necessidade tão real, um requisito tão imperativo e eterno como o céu o é. Não somente não há imperfeição nenhuma em Deus, mas também não há nEle perfeição que seja menos perfeita do que outra.

A ira de Deus é a Sua eterna ojeriza por toda injustiça. É o desprazer e a indignação da divina eqüidade contra o mal. É a santidade de Deus posta em ação contra o pecado. É a causa motora daquela sentença justa que Ele lavra sobre os malfeitores. Deus está irado contra o pecado porque este é rebelião contra a Sua autoridade, um ultraje à Sua soberania inviolável. Os in­surgentes contra o governo de Deus saberão um dia que Deus é o Senhor. Serão levados a sentir quão grandiosa é aquela Majes­tade que eles desprezaram, e como é terrível aquela ira de que foram ameaçados e a que não deram a mínima importância. Não que a ira de Deus seja uma retaliação maldosa e mal intencionada, infligindo agravo só pelo prazer de infligi-lo, ou devolver a ofensa recebida. Não; embora seja verdade que Deus vindicará o domínio como Governador do universo, Ele não será revanchista.

Evidencia-se que a ira divina é uma das perfeições de Deus, não somente pelas considerações acima apresentadas, mas também fica estabelecido claramente pelas declarações expressas da Sua Palavra. “Porque do céu se manifesta a ira de Deus…” (Roma­nos 1:18). “Manifestou-se quando foi pronunciada a primeira sen­tença de morte, quando a terra foi amaldiçoada e o homem foi expulso do paraíso terrestre; e depois, mediante castigos exem­plares como o dilúvio e a destruição das cidades da planície com fogo do céu, mas, especialmente pelo reinado da morte no mundo todo. Foi proclamada na maldição da lei para cada transgressão, e foi imposta na instituição do sacrifício. No capítulo 8 de Roma­nos, o apóstolo Paulo chama a atenção dos crentes para o fato de que a criação inteira ficou sujeita à vaidade, e geme e tem dores de parto. A mesma criação que declara que existe um Deus, e publica a Sua glória, também proclama que Ele é o inimigo do pecado e o vingador dos crimes dos homens. Acima de tudo, po­rém, do céu se manifestou a ira de Deus quando o Filho de Deus veio a este mundo para revelar o caráter divino, e quando essa ira foi demonstrada nos Seus sofrimentos é morte, de maneira mais terrível do que por todas as provas que Deus antes dera da Sua aversão pelo pecado. Além disso, o castigo futuro e eterno dos ímpios agora é declarado em termos mais solenes e explícitos do que antes. Sob a nova dispensação há duas revelações dadas do céu, uma da ira, a outra da graça” (Robert Haldane).

Mais: que a ira de Deus é uma perfeição divina está demons­trado claramente pelo que lemos no Salmo 95:11: “Por isso jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso”. Duas são as ocasiões em que Deus “jura”: quando faz promessas (Gênesis 22:16), e quando faz ameaças (Deuteronômio 1:34). Na primeira, jura com misericórdia dos Seus filhos; na segunda, jura para aterrorizar os ímpios. Um juramento é feito para confirmação: Hebreus 6:16. Em Gênesis 22:16 disse Deus: “Por mim mesmo, jurei”, No Salmo 89:35 Ele declara; “Uma vez jurei por minha santidade”. Enquanto que no Salmo 95:11 Ele afirma: “Jurei na minha ira”. Assim é que o grande Jeová pessoalmente recorre à Sua “ira” como a uma perfeição igual à Sua “santidade”: tanto jura por uma como pela outra! Ainda: como em Cristo “… ha­bita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9), e como todas as perfeições divinas são notavelmente mani­festadas por Ele (João 1:18), por isso lemos sobre “… a ira do Cordeiro” (Apocalipse 6:16).

A ira de Deus é uma perfeição do caráter divino sobre a qual precisamos meditar com freqüência. Primeiro, para que os nossos corações fiquem devidamente impressionados com a ojeriza de Deus pelo pecado, Estamos sempre inclinados a uma consi­deração superficial do pecado, a encobrir a sua fealdade, a des­culpá-lo com excusas várias, Mas, quanto mais estudarmos e pon­derarmos a aversão de Deus pelo pecado e a maneira terrível como se vinga dele, mais probabilidade teremos de compreender quão horrível é o pecado. Segundo, para produzir em nossas almas um verdadeiro temor de Deus: “… retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade (“san­to temor”); porque o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hebreus 12:28-29). Não poderemos servi-1O “agradavelmente” sem a devida “reverência” ante a Sua tremenda Majestade e sem o devido “santo temor” de Sua justa ira, e promoveremos melhor estas coisas trazendo freqüentemente à memória o fato de que “o nosso Deus é um fogo consumidor”. Terceiro, para induzir nossas almas a fervoroso louvor a Deus por ter-nos livrado “… da ira futura” (1 Tessalonicenses  1:10).

A nossa prontidão ou a nossa relutância em meditar na ira de Deus é um teste seguro de até que ponto os nossos corações reagem à Sua influência. Se não nos regozijamos verdadeiramente em Deus, pelo que Ele é em Si mesmo, e por todas as perfeições que nEle há eternamente, como poderá permanecer em nós o amor de Deus? Cada um de nós precisa vigiar o mais possível em oração contra o perigo de criar em nossa mente uma imagem de Deus segundo o modelo das nossas inclinações pecaminosas. Desde há muito o Senhor lamentou: “…pensavas que (eu) era como tu” (Salmo 50:21). Se não nos alegramos ”…em memória da sua santidade” (Salmo 97:12), se não nos alegramos por saber que num dia que logo vem, Deus fará uma demonstração suma­mente gloriosa da Sua ira,  tomando vingança em todos os que agora se opõem a Ele, é prova positiva de que os nossos corações não estão sujeitos a Ele, que ainda permanecemos em nossos pe­cados, rumo às chamas eternas.

“Jubilai, ó nações (gentios), com o seu povo, porque vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversários fará tornar a vingança…” (Deuteronômio 32:43). E ainda lemos: “E, depois destas coisas, ouvi  no céu  como “que uma grande voz  de uma grande multidão, que dizia: Aleluia; Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus; Porque verda­deiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. E outra vez disseram: Aleluia…” (Apocalipse 19:1 -3). Grande será o regozijo dos san­tos naquele dia em que o Senhor irá vindicar a Sua majestade, exercer o Seu domínio formidável, magnificar a Sua justiça, e derribar os orgulhosos rebeldes que ousaram desafiá-lO.

“Se tu, Senhor, observares (imputares) as iniqüidades, Senhor, quem subsistirá?” (Salmo 130:3). Cada um de nós pode muito bem fazer esta pergunta, pois está escrito que “…os ím­pios não subsistirão no juízo…” (Salmo 1:5). Quão dolorosa­mente a alma de Cristo padeceu ao pensar na ação de Deus observando as iniqüidades do Seu povo quando estas pesaram sobre

Ele! Ele “… começou a ter pavor, e a angustiar-se” (Marcos 14:33). Sua agonia terrível, Seu suor de sangue, Seu grande cla­mor e súplicas (Hebreus 5:7), Suas reiteradas orações, “Se é pos­sível, passe de mim este cálice”, Seu último e tremendo brado, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” — tudo ma­nifesta que pavorosas apreensões Ele teve quanto ao que era para Deus “observar iniqüidades1‘. Bem que nós, pobres pecadores, podemos clamar: Senhor, quem subsistirá, se o próprio Filho de Deus tremeu tanto sob o  peso da Tua  ira?  Se tu, meu leitor, ainda não correste em busca do refúgio em Cristo, o único Sal­vador, “… que farás na enchente do Jordão?” (Jeremias 12:5). “Quando considero como a bondade de Deus sofre abusos da maior parte da humanidade, não posso senão apoiar quem disse; “O maior milagre do mundo é a paciência e generosidade de Deus para com o mundo ingrato. Se um príncipe tem inimigos metidos numa de suas cidades, não lhes envia provisões, mas mantém sitiado o local e faz o que pode para vencê-los pela fome. Mas o grande Deus, que poderia levar todos os Seus inimigos à destruição num piscar de olhos, tolera-os e se empenha diaria­mente para sustentá-los. Aquele que faz o bem aos maus e in­gratos, pode muito bem ordenar-nos que bendigamos os que nos maldizem. Não penseis, porém, que escapareis assim, pecadores; o moinho de Deus mói devagar, mas mói fino; quanto mais ad­mirável é agora a Sua paciência e generosidade, mais terrível e insuportável será a fúria resultante dos abusos feitos à Sua bon­dade. Nada é mais brando do que o mar; contudo, quando se agita e forma temporal, nada se enfurece mais. Nada é tão suave como a paciência e bondade de Deus, e nada tão terrível como a Sua ira quando se inflama” (William Gurnall, 1660). “Fuja”, pois, meu leitor, fuja para Cristo; fuja “…da ira futura” (Ma­teus 3:7), antes que seja tarde demais. Nós lhe rogamos com todo o empenho, não pense que esta mensagem tem em vista outra pessoa. É para você1. Não fique satisfeito em pensar que você já fugiu para Cristo. Obtenha certeza disso! Rogue ao Senhor que sonde o teu coração e te revele o que tu és.

 

Uma palavra aos pregadores. Irmãos, em nosso ministério temos pregado sobre este solene assunto tanto como devíamos? Os profetas do Velho Testamento muitas vezes diziam aos seus ouvintes que as suas vidas ímpias provocavam o Santo de Israel, e que estavam entesourando para si mesmos irá para o dia da ira. E as condições do mundo hoje não são melhores do que eram então! Nada se presta mais para despertar os indiferentes e fa­zer com que os crentes carnais sondem os seus corações, do que alongar-nos sobre o fato de que Deus “…se ira todos os dias” com os ímpios (Salmo 7:11). O precursor de Cristo exortava os seus ouvintes a fugirem “…da ira futura” (Mateus 3:7). O Sal­vador ordenava a quantos O ouviam: “Temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno, sim, vos digo, a esse temei” (Lucas 12:5). O apóstolo Paulo dizia: “… sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens…” (2 Coríntios 5: li). A fidelidade exige que falemos tão claramente do inferno como do céu.

 17. CONTEMPLANDO A DEUS

Nos capítulos anteriores passamos em revista algumas das maravilhosas e belas perfeições do caráter divino. Dessa débil e defeituosa contemplação dos Seus atributos, deve ter ficado evi­dente para nós que Deus é, primeiramente, um Ser incompreen­sível, e, encantados e absortos ante a Sua grandeza infinita, vemo-nos constrangidos a adotar as palavras de Sofar: “Porventura alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-poderoso? Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o inferno; que poderás tu saber? Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar” (Jó 11:7-9). Quando volvemos os nossos pensamentos para a eternidade de Deus,^ Sua imaterialidade, Sua onipresença, Sua onipotência, vemos que todas elas transcendem nossas mentes.

Mas a incompreensibilidade da natureza divina não é razão para desistirmos da pesquisa reverente e da luta em oração para apreender o que Ele de Si mesmo revelou por Sua graça em Sua Palavra. Dado que somos incapazes de adquirir conhecimento perfeito, seria insensato dizer que, portanto, não faremos nenhum esforço para conseguir qualquer proporção dEle. Com acerto se tem dito que “nada alargará tanto o intelecto, nada engrandecerá tanto a alma do homem, como uma investigação devota, zelosa e continuada do grande tema da Deidade. O mais excelente estudo para a expansão da alma é a ciência de Cristo, e Este crucificado, e o conhecimento do Ser divino na Trindade gloriosa” (C. H. Spurgeon). Para citar um pouco mais o príncipe dos pregadores:

“O estudo próprio do cristão é o da Deidade. A mais alta ciência, a mais elevada especulação, a mais vigorosa filosofia, com o poder de empolgar a atenção de um filho de Deus, é o nome, a natureza, a pessoa, os feitos e a existência do grande Deus, a Quem ele chama seu Pai. Na contemplação da Deidade há algo capaz de comunicar sumo progresso à mente. É um as­sunto tão vasto que todos os nossos pensamentos se perdem em sua imensidade; tão profundo que o nosso orgulho se submerge em sua infinidade. Outros assuntos podemos compreender e ten­tar assimilar; neles sentimos uma espécie de satisfação própria, e seguimos nosso caminho pensando: “Vejam como sou sábio!11 Mas quando chegamos a este assunto magistral, vendo que a nos­sa sonda não consegue sondar a sua profundidade e que o nosso olho de águia não consegue ver a sua altura, vamos embora pen­sando: “Eu sou de ontem apenas, e nada sei” (Sermão sobre Malaquias 3:6).

Sim, a incompreensibilidade da natureza divina deveria ensi­nar-nos humildade, cautela e reverência. Após todas as nossas pesquisas e meditações, temos que dizer com Jó: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido dele!…” (Jó 26:14). Quando Moisés implorou ao Senhor por uma visão da Sua glória, Ele respondeu-lhe: “. . . apregoarei o nome do Senhor diante de ti…” (Êxodo 33:19), e, como já se disse, “o nome é a coleção dos Seus atri­butos”. Acertadamente o puritano John Howe declarou: “Por­tanto, a noção que podemos formar da Sua glória é apenas como a que podemos ter de uma obra volumosa comparada com uma breve sinopse, ou de uma espaçosa região comparada com uma pequena vista panorâmica. Ele nos dá aqui um fiel relato de Si mesmo, mas não completo; o bastante para garantir — graças à orientação que por ele nos vem — que a nossa compreensão fique livre de erro, mas não de ignorância. Podemos aplicar as nossas mentes à contemplação das diversas perfeições pelas quais o Deus bendito nos revela o Seu ser, e em nossos pensamentos podemos atribuí-las todas a Ele, apesar de só termos ainda fraca e defeituosa concepção de cada uma delas. Todavia, na medida em que a nossa compreensão corresponda à revelação que Ele nos dá das Suas várias excelências, temos uma apropriada visão da Sua glória”.

Como é realmente grande a diferença entre o conhecimento de Deus que os Seus santos têm nesta vida e aquele que eles te­rão no céu! Contudo, como o primeiro não deve ser menosprezado por ser imperfeito, o último não deve ser engrandecido acima da realidade. Certo, as Escrituras declaram que então veremos “face a face” e conheceremos como somos conhecidos (1 Coríntios 13:12), mas inferir disto que conheceremos então a Deus tão completamente como Ele nos conhece é deixar-nos iludir pelos simples sons das palavras e não atentar para a restrição delas, restrição que o assunto exige necessariamente. Há uma imensa diferença entre serem glorificados os santos e serem eles divinizados. No seu estado glorificado, os cristãos continuarão sendo cria­turas finitas, e, portanto, nunca serão capazes de compreender plenamente o Deus infinito.

“Os santos no céu verão a Deus com os olhos da mente, pois Ele sempre será invisível aos olhos do corpo; e O verão mais claramente do que poderiam vendo-O pela razão e pela fé, e mais extensamente que tudo que as Suas obras e dispensações dEle revelaram até então; mas as suas mentes não serão aumentadas a ponto de poderem contemplar de uma vez, ou minuciosamente, a excelência completa da Sua natureza. Para compreenderem a per­feição infinita, eles próprios teriam que se tornar infinitos.

Mesmo no céu, o seu conhecimento será parcial, mas ao mesmo tempo a sua felicidade será completa, porque o seu co­nhecimento será perfeito neste sentido: será adequado à capaci­dade do sujeito, sem todavia exaurir a plenitude do objeto. Cremos que será progressivo e que, à medida que se lhes amplie a visão, sua bem-aventurança   aumentará;   nunca,   porém,  chegará a um limite além do qual não haja mais nada para ser descoberto; e depois de se terem passado eras e mais eras, Ele continuará sendo o Deus incompreensível” (John Dick,  1840).

Segundo, um exame das perfeições de Deus mostrará que Ele é um Ser absolutamente suficiente. É-o em Si e para Si mes­mo. Como o primeiro dos seres, Ele não precisa receber nada de outrem, nem pode ser limitado pelo poder de ninguém. Sendo infinito, possui todas as perfeições possíveis. Quando o Deus triúno existia totalmente só, Ele era tudo para Si próprio. Seu entendimento, Seu amor, Suas energias encontravam nEle mesmo um objeto adequado. Se tivesse necessidade de alguma coisa ex­terna, não seria independente e, portanto, não seria Deus. Ele criou todas as coisas, e isso “para ele” (Colossenses 1:16); toda­via, não para preencher alguma lacuna, mas para poder comunicar vida e felicidade a anjos e homens e permitir-lhes a visão da Sua glória. Ê certo que Ele exige a lealdade e os serviços de Suas criaturas dotadas de inteligência, mas não extrai benefício algum das suas funções; toda a vantagem redunda em favor delas mes­mas: Jó 22:2-3. Ele faz uso de meios e instrumentos para realizar os Seus fins; não, porém, por deficiência de poder, mas muitas vezes para demonstrar mais extraordinariamente o Seu poder atra­vés da fragilidade dos instrumentos.

A absoluta suficiência de Deus faz dEle o objeto supremo, que sempre se há de buscar. A verdadeira felicidade consiste uni­camente em fruir a Deus. Seu favor é vida, e Sua amorável bon­dade é mais que a vida. “A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele” (Lamentações 3:24). As nossas percepções do Seu amor, da Sua graça, da Sua glória, são os principais objetos do desejo dos santos e os mananciais da sua mais elevada satisfação. “Muitos dizem: quem nos mostrará o bem? Senhor, exalta sobre nós a luz do teu rosto. Puseste alegria. no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram o seu trigo e o seu vinho” (Salmo 4:6-7). Sim, o cristão, quando em são juízo, pode dizer: “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas: todavia eu me ale­grarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17-18).

Terceiro, ao se fazer um exame das perfeições de Deus, vê-se que Ele é o Soberano Supremo do universo. Tem-se dito com acer­to que, “Nenhum domínio é tão absoluto como o que se funda na criação. Aquele que bem podia não ter feito coisa alguma, tinha o direito de fazer todas as coisas de acordo com o Seu be­neplácito. No exercício do Seu poder indomável, Ele fez algumas partes da criação simples matéria inanimada, de textura mais grosseira ou mais refinada, e distinguida por qualidades diferen­tes, mas sempre matéria inerte e inconsciente. Ele deu organiza­ção a outras partes, e as fez suscetíveis de crescimento e expan­são, mas ainda destituídas de vida no sentido próprio do termo. A outras não só deu organização, mas também vida consciente, os órgãos dos sentidos, e energia para auto-motivação. A estas Ele acrescentou, no homem, o dom da razão e um espírito imortal, pelos quais o homem se junta a uma ordem mais elevada de seres localizados nas regiões superiores. Sobre o mundo que criou, Ele empunha o cetro da onipotência. “… eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes? — Daniel 4:34-35″ (John Dick).

Uma criatura, como tal considerada, não tem direitos. Nada pode exigir do seu Criador; e, seja qual for a maneira como é tratada, não lhe compete queixar-se. Contudo, quando pensamos no absoluto domínio de Deus sobre todas as coisas e sobre todos os seres, não devemos perder de vista as Suas perfeições morais. Deus é justo e bom, e sempre faz o que é reto. Não obstante, Ele exerce o Seu domínio de acordo com o beneplácito da Sua vontade soberana e justa. Atribui a cada criatura o lugar que aos Seus olhos parece bom. Ordena as diferentes circunstâncias rela­cionadas com cada criatura de acordo com os Seus conselhos.

Modela cada vaso segundo a Sua determinação independente de toda e qualquer influência. Tem misericórdia de quem Ele quer ter misericórdia, e endurece a quem Lhe apraz. Onde quer que estejamos, Seus olhos estão sobre nós. Quem quer que sejamos, nossa vida e tudo mais está à disposição dEle. Para o cristão, Ele é um Pai amoroso e gentil; para o pecador rebelde, Ele continuará sendo fogo consumidor. “Ora ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (1 Timóteo 1:17).

Editora: Bible Truth Depot

Tradução do Inglês: Odayr Olivetti

Primeira Edição em Português:1985

Reimpressão: 1990

Capa: Ailton Oliveira Lopes

Composição: Intertexto Linotipadora S/C Ltda.

Impressão: Imprensa da Fé

Prega a Palavra – Passos para a Exposição Bíblica (PREGAÇÃO EXPOSITIVA)

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PREFÁCIO DO AUTOR

A exposição bíblica semanal não é feita pela maioria dos pastores. Eles são ativistas e, literalmente, não podem parar para estudar. Alguns realmente tem medo de ficar a sós com Deus e sua Palavra. Outros pregadores não expõem a Palavra de Deus, simplesmente porque não redefiniram sua filosofia funcional sobre o ministério da palavra (At 6.4). Eles estudaram teologia, mas não fizeram através dela uma filtragem ativa de suas filosofias de pregação e prática. O pragmatismo religioso domina a teologia deles muito mais do que se admite abertamente.

Como seminarista, eu gostava das aulas sobre pregação expositiva, mas por alguma estranha razão não usei aquele conhecimento ou prática no campo missionário. Em terras estrangeiras eu pregava rotineiramente homilias textuais e típicas. Agora parece tão estranho o fato de ter trancado em meus arquivos tantas informações úteis sobre exposição bíblica!

Em nosso terceiro período no Brasil, Deus abriu as portas para eu e minha esposa trabalharmos com um grupo brasileiro da ABU. Isto se deu cerca de dez anos depois de eu ter guardado minhas anotações das aulas de pregação expositora. A análise que a ABU fazia da Palavra de Deus era caracterizada por estudos bíblicos indutivos que envolviam parágrafos e capítulos inteiros. Eu ficava fascinado com a unidade de pensamento naqueles parágrafos bíblicos selecionados. Mais do que isso, eu era alimentado com o maná espiritual de Deus. Poderia minha pregação ser baseada em parágrafos inteiros e nutrir outras pessoas da mesma forma?

No início da década de setenta, eu lecionava num instituto bíblico e na Faculdade Teológica Batista de são Paulo. O diretor do instituto bíblico pediu-me que desse um curso sobre exposição bíblica. Os arquivos estavam abertos. Com aquelas anotações da sala de aula e minha tese de mestrado, comecei a formular uma abordagem prática para a pregação expositora no Brasil. Meus alunos queriam saber como preparar um sermão expositivo. Quais eram os passos?

Uma abordagem prática começaria com a filosofia real de uma pessoa sobre o ministério da palavra e o desafio de conformá-la ao molde bíblico. Meus alunos teriam de reexaminar suas bases filosóficas e/ou teológicas do ministério. A menos que houvesse uma alteração de rota neste ponto, eles inevitavelmente também iriam guardar e esquecer suas anotações!

Sob o incentivo de muitas pessoas, coloco agora estas idéias, convicções e passos em forma impressa. Que a sabedoria de Deus esteja com todos os leitores. Possa o Espírito Santo gravar indelevelmente em cada coração aquilo que importa num “ministério da palavra” alegre e eficaz.

INTRODUÇÃO

 

Durante a chamada “Semana Santa” da igreja cristã, comemoramos a ressurreição factual de Jesus Cristo, o filho unigênito de Deus. Eu não teria a menor coragem de pregar o evangelho se qualquer superstição ou “mito teológico” formasse a base da fé na ressurreição de meu Senhor. Estou convencido de que a exposição da Palavra de Deus tem sua razão de ser apenas porque Jesus Cristo está vivo hoje.

O criador da vida está conosco hoje. Ele concede vida à pregação de sua Palavra. Deus, e não a retórica, faz com que a mensagem pregada penetre as fortalezas da vontade humana. Uma vez que Jesus Cristo é o “logos”, a Palavra de Deus personificada, através de sua vida ele aplica ao coração dos ouvintes sua Palavra exposta.

Neste sentido gosto de criar a figura mental de Jesus Cristo ao lado de cada expositor da Bíblia, infundindo vida ao pregador e sua mensagem. Em situações como esta, os ouvintes não terão dúvidas acerca de quem está falando.

É claro que quando o Deus vivo está falando através de Sua Palavra exposta, o instrumento humano sempre poderá ser a pessoa mesma em sua autenticidade. não há necessidade de que ela modifique sua personalidade, quando está atrás de um púlpito. Nem mesmo é preciso que altere sua voz ou simule ser um profeta. Quando o Cristo ressurrecto vitaliza sua Palavra, o mensageiro permanece autenticamente humano, mas a mensagem sempre produz resultados sobrenaturais.

Neste projeto desejo exaltar ao máximo a pessoa viva de Jesus Cristo e sua  Sem estes dois elementos não existe razão ou recursos para a pregação! As técnicas aqui ensinadas são simplesmente técnicas, sem qualquer poder inerente que possa tomar o lugar ativo do Espírito Santo. Todas as coisas devem se curvar diante do Senhor Jesus Cristo; técnicas, oratória, dons espirituais e nós mesmos.

Não é fácil ser um expositor sistemático da Bíblia no mundo tumultuado de hoje. Trata-se de uma tarefa que exige o poder da força de vontade e uma convicção ativa de que a Bíblia é a Palavra de Deus eterna.

No capítulo dois tratamos da herança cultural depositada no Brasil e procuramos compreender como ela pode contribuir com eficácia para o treinamento de expositores bíblicos.

O capítulo três nos informa sobre a formulação (e, às vezes, reformulação) de uma filosofia motivadora (teologia) no ministério da Palavra. Esta é uma necessidade básica para os pregadores de hoje. Isto é verdade, porque a conduta diária de uma pessoa no estudo e no púlpito é regida por essa filosofia.

O capítulo quatro apresenta-nos a difícil tarefa de definir a pregação expositiva. Há muitas definições boas, e tentamos escolher as melhores entre elas. Talvez o que precisemos não seja uma definição perfeita, mas alguns princípios básicos inerentes à pregação expositiva.

No quinto capítulo são esboçadas algumas vantagens práticas resultantes de uma pregação expositiva sistemática. Alguém já disse que quando um pregador expõe a Bíblia, Deus fala muito mais do que o próprio ministro. Esta é uma grande vantagem para milhares de almas famintas!

O capítulo seis toca no problema sempre atual do ministro e seu uso do tempo. No ministério da palavra o tempo é infinitamente mais do que dinheiro. É uma questão profundamente teológica.

A segunda parte deste projeto trata de um método para o preparo de sermões expositivos numa série através de livros específicos da Bíblia.

Este método leva em conta o fato de que muitos pastores Não possuem treinamento teológico nas áreas de línguas originais da Bíblia. Todavia, um contato concentrado e orientado com o parágrafo da Bíblia a ser exposto poderá garantir uma interpretação coerente e inteligente. Quanto mais o expositor conhecer as línguas originais, mais recursos terá à sua disposição. Qualquer que seja seu caso, este método objetiva a criação de um sermão que seja fiel a seu intento original e também humanamente possível. Um contato concentrado com o texto bíblico e o cultivo de um coração sensível à voz de Deus servirão bastante para que o expositor transmita uma mensagem fiel as intenções originais de Deus.

Acreditando que as mensagens expositivas devem ser oferecidas em forma seqüencial, através dos livros da Bíblia, os capítulos sete e oito tratam de um preparo global para as séries. O capítulo sete mostra como trabalhar com os antecedentes históricos e culturais do livro escolhido para a série. O capítulo oito é um guia para leituras panorâmicas e uma familiarização geral com o livro em questão. Isto capacitará o pregador a dividir o livro da Bíblia em uma série de parágrafos claros e autônomos. O capítulo sete oferece um exercício que revela bons materiais de ilustração para as exposições. O preparo indicado no capítulo oito ira produzir um enorme sentimento de paz, pois o arauto saberá, com semanas de antecedência, o que Deus quer que ele pregue. Este é um dos maiores redutores de estresse jamais conhecidos no ministério da palavra.

Os capítulos nove e dez são guias para o preparo real de um sermão específico dentro da série sobre o livro. A premissa básica que está por trás destes passos na pesquisa é a seguinte: um contato concentrado e lógico com o texto bíblico levará o pregador a descobrir a idéia central e desenvolvê-la, atingindo um sermão com um importante desafio.

À primeira vista pode parecer que existem muitos passos. Isto é ilusório, pois, com a prática, o expositor sempre dará dois ou três passos de uma só vez. Muitos alunos formados no seminário mencionaram que, depois de seis meses de preparo fiel destes passos, eles eram capazes de avançar vários deles simultaneamente. Cada um dos passos seguintes é tratado como uma divisão de instruções.

Pesquisa número um: exercícios de familiarização com o texto para se encontrar um tema, fazer uma paráfrase não-técnica, providenciar uma checagem nos parâmetros do parágrafo e fazer um esboço analítico dele. Um esboço analítico mostrara a estrutura literária e a seqüência lógica das principais idéias do parágrafo a ser pregado.

Pesquisa número dois: uma exegese do parágrafo. Isto deve ser feito a partir das línguas originais da Bíblia. Todavia, isto é impossível para milhares de servos do Senhor. Portanto, deve ser feita uma cuidadosa e estudada exegese no vernáculo. Isto pode ser conseguido através do uso de dicionários e comentários. Em ambos os casos, este exercício deve ajudar a tornar gramaticalmente mais correta a primeira paráfrase.

Pesquisa número três: um estudo indutivo do parágrafo a ser pregado. A dinâmica interna da passagem e as aplicações óbvias virão a luz neste ponto. Passagens paralelas do Antigo e Novo Testamentos serão consultadas para sustentar e ilustrar a dinâmica do parágrafo.

Pesquisa número quatro: a proposição central do parágrafo a ser pregado é revelada, condensada e escrita em forma de princípio bíblico ensinável. Nesta idéia central apóiam-se o conteúdo e a estrutura de toda a exposição. Com base nesta pesquisa o expositor continua para compor o sermão. Na realidade, este passo é tanto uma pesquisa quanto um exercício de composição.

Composição número um: são preparadas as divisões principais, baseadas na palavra chave da idéia central e vindicadas no parágrafo a ser pregado. As pesquisas dois e três fornecerão o “recheio” ou argumentação de cada divisão.

Composição número dois: reúnem-se e selecionam-se ilustrações e passagens paralelas que sirvam como “luzes” sobre argumentos e idéias abstratas, visando à aplicação da idéia central na vida.

Composição número três: em um clímax, a conclusão reúne os argumentos sobre a idéia central (proposição) e convoca os ouvintes a uma decisão consciente. A introdução, sendo clara e direta, “fisga” a atenção e conduz os ouvintes ao texto e a idéia central a serem apresentados.

Composição número quatro: um bom esboço de sermão é uma necessidade didática para os ouvintes e um guia para o pregador, de modo que todos possam “ver” para onde estão caminhando.

Em minha opinião, não há dúvida de que a Bíblia é a perfeita revelação daquilo que Deus pensa acerca de nós e de nossos caminhos. Por esta razão, existe uma urgência divina no sentido de que nós, como ministros de Cristo, exponhamos os pensamentos de Deus com convicção e autoridade. Isto exige que estudemos e conheçamos a Bíblia como nenhum outro livro. Oratória e eloqüência nunca esconderão nossa falta de preparo ou a ausência de um caráter cristão profundo. O discernimento espiritual do povo de Deus o fará ouvir imediatamente o sinal de alarme em nossas imitações barulhentas de um profeta de Deus.

Nos parágrafos seguintes elaborei um esboço destes passos da pesquisa. Eles se apresentam em forma de ampulheta. Isto serve para nos ajudar a visualizar o processo de pesquisa que conduz a idéia central do conteúdo da passagem. A abertura externa da ampulheta mostra o processo de composição dos fatos pesquisados em forma de sermão. Este esboço de estudo sofreu muitas revisões durante meus anos de magistério. Esta última revisão parece incorporar no processo aspectos tanto espirituais quanto técnicos. A parte espiritual procede da convivência com as Escrituras durante os passos de pesquisa. Que este esboço gráfico de todo o processo possa ajudar o expositor aspirante a compreender a tarefa bem como a teologia pressupostas.

PASSOS DE PESQUISA E COMPOSIÇÃO PARA SERMÕES EXPOSITIVOS

 

I. PESQUISA

1. Familiarização: percepções globais do parágrafo

2. Exegese: no vernáculo e nos textos originais

3. Estudo bíblico indutivo do texto

4. Proposição central

II. COMPOSIÇÃO

1. As divisões principais

2. As ilustrações (luzes)

3. Conclusão (foco na decisão)

Introdução (o ouvinte é “fisgado”)

4. esboço do sermão (uma direção clara para todos)

Aqui se torna apropriado explicar a lógica dos passos de pesquisa. Durante um período de dez anos, pregadores praticantes e aspirantes foram meus alunos na Faculdade Teológica Batista, em São Paulo. Através de diálogos nas aulas, lutávamos para encontrar uma seqüência de passos de estudo que fosse lógica e relativamente descompassada. Com base em experiências reais no ministério, o leitor poderá oferecer outras idéias.

Os passos de pesquisa serão desenvolvidos numa parte posterior deste projeto. Basta dizer que foi aqui neste ponto que meus alunos descobriram com tristeza que a carne é traiçoeiramente fraca! A pesquisa e o estudo silencioso pareciam bem distantes da experiência tão alegre de expor a Palavra de Deus. Aqueles alunos que lutaram contra a preguiça da carne vieram a perceber o valor desta pesquisa orientada em tarefas imediatas e em ministérios futuros.

Em todo o mundo, para muitos pregadores é extremamente limitada à disponibilidade de livros técnicos que ofereçam materiais sobre os panos de fundo cultural e histórico. Em alguns lugares, livros desse tipo não existem no idioma local. Isto pode ser um obstáculo ao processo de preparo, mas não necessariamente o interrompe. Muitos pregadores descobrem fatos e sinais sobre o pano de fundo cultural da Bíblia que estavam parcialmente ocultos, através de leituras atentas do texto. Discernimento e intuição lhes dão um “sentimento contemporâneo” ao contexto bíblico. Isto pode estar relacionado com o fato de suas culturas serem semelhantes àquelas da Bíblia.

O processo lógico dos passos de pesquisa e composição para mensagens expositivas é o seguinte:

1. Familiarização. Num sentido ético/moral, “o homem é o sermão”. Portanto, a familiarização espiritual e intelectual com o parágrafo a ser pregado é um sine qua non. Um parágrafo de pregação é uma porção da Bíblia que é “um ensaio em miniatura auto-abrangente ou parte de uma obra maior…” (Gefvert 1985, 125). Meus alunos sempre afirmavam que este exercício fazia consistentemente o “fogo arder” em suas almas, criando expectativa e desejo de pregar. Um contato íntimo com o parágrafo a ser pregado ajuda a descobrir o tema e confirma os parâmetros exatos dos versículos do texto. A PARÁFRASE escrita que resulta deste exercício torna pessoal o parágrafo e ajuda o expositor a ver o fluxo lógico de idéias. Este fluxo ajuda a pessoa a fazer um esboço analítico do parágrafo. Este esboço é simplesmente uma percepção da estrutura literária do parágrafo da pregação.

2. Exegese. Este passo na pesquisa terá grandes utilidades, mesmo quando a exegese for feita somente no vernáculo. Muitos pregadores não possuem qualquer treinamento formal nas línguas originais da Bíblia. Outros não tem acesso a comentários e livros de estudo dos vocábulos que possam lhes ajudar. A exegese no vernáculo dependerá (a) do uso inteligente de um bom dicionário do idioma que inclua a etimologia de cada palavra, (b) do uso aplicado de várias traduções confiáveis da Bíblia e (c) de discernimento espiritual.

A exegese existe para ajudar o pregador a entender os significados e usos de palavras e/ou frases em seus contextos gramaticais. Certamente isto capacitara o expositor a corrigir elementos em sua primeira tentativa de parafrasear um texto. O alvo é chegar a uma interpretação cuidadosa das idéias do parágrafo. O guia com instruções para este exercício servirá para ambos os tipos de exegese, isto é, nas línguas vernacular e original.

3. Estudo Indutivo. Este estudo ser feito agora a partir do conhecimento protetor coligido nos materiais sobre antecedentes históricos/culturais, no processo de familiarização e no exercício de exegese. O estudo indutivo deve revelar o tema teológico básico expresso no parágrafo. É no estudo indutivo que o expositor encontra grande parte do conteúdo real de sua mensagem. A tríade tradicional de observação, interpretação e aplicação fornecerá material significativo para o sermão

4. Proposição Central. Também chamada de idéia central ou “grande idéia”. Na realidade é uma afirmação teológica, em “roupa de domingo”, isto é, uma forma homilética conferida ao tema do parágrafo. A proposição é o chamado coração do sermão, no sentido de que fornece parâmetros claros para a estrutura homilética e para o conteúdo da exposição. A partir da proposição são derivadas a forma essencial e a argumentação da introdução, divisões principais e conclusão.

A partir daqui se desenvolve a estrutura do sermão expositivo, que tem como base e corpo o conteúdo descoberto nos passos de pesquisa números um, dois e três. Os passos seguintes são os de composição.

1. Divisões Principais. A palavra chave na proposição nos diz como escrever as divisões principais. A palavra chave deriva explícita ou implicitamente do texto bíblico em questão. Assim fica claro que as divisões principais terão um relacionamento de “sangue” com o parágrafo a ser pregado. Elas não são simplesmente “recursos de homilética”.

2. Ilustrações. O fato de pensar nas ilustrações a esta altura do preparo mantém o expositor na direção carreta. Ele conhece com intimidade seu assunto. Neste ponto ele está consciente das áreas abstratas de toda sua argumentação e pode pensar com eficácia sobre como “iluminá-las” com as ilustrações.

3. Conclusão e Introdução. Embora sejam as menores partes do sermão, elas devem ser preparadas diligentemente, assim como as outras. Incluir a conclusão e a introdução entre os passos de pesquisa ajuda o expositor a superar o impulso de começar extemporaneamente e terminar “com poucas palavras”. A conclusão e a introdução feitas sem preparo geralmente enfraquecem uma boa exposição. Aliás, uma proposição bem escrita é uma fonte fértil para o preparo da introdução. Isto também é verdade quanto as outras partes do sermão. Se composta por último, a introdução terá todos os recursos das informações e inspiração já reunidas. Uma introdução vívida torna possível que o pregador “fisgue” a atenção dos ouvintes e os dirija para o texto e sua proposição central.

4. Esboço do Sermão. Aqui não estamos discutindo se o pregador deve ou não levar um esboço para o púlpito. Esta é uma questão pessoal. O importante é que a mensagem seja esboçada, levando-se em conta que os ouvintes não podem visualizá-la. O pregador-mestre (Efésios 4.11) deve estimular a imaginação do grupo com palavras vívidas e uma lógica fluente.

Antes que avancemos para cada passo da pesquisa, é absolutamente necessário que pensemos outra vez em nossas motivações básicas relacionadas com nosso chamado para o ministério. Precisamos fazer isso, à luz de nossa cultura, filosofia e teologia. Os capítulos de dois a quatro serão dedicados a esta finalidade.

AS ESTRUTURAS SOCIAIS E A EXPOSIÇÃO BÍBLICA

 

Nesta parte examinaremos o ministério da palavra no contexto do cenário cultural. Em meu caso, o cenário é o Brasil, onde ensinei durante dezoito anos na Faculdade Teológica Batista.

O pano de fundo sociológico de meus alunos era como um caleidoscópio, por sua variedade. Havia japoneses de segunda geração, provenientes das denominações Metodista Livre e Holiness. Eles tendiam a ser quietos, aplicados e analíticos. Os alunos do norte tropical eram mais intuitivos e poéticos, refletindo a mistura sangüínea afro-ameríndia. Os seminaristas procedentes do sul mostravam suas raízes euro-germânicas, eram muito organizados, analíticos e dados a leitura. Os alunos da cidade industrial de São Paulo eram ativistas entusiastas, prontos para converter o mundo e relutantes em separar tempo para estudos profundos.

Devido a raras circunstâncias, os primórdios das estruturas sociológicas brasileiras foram pluralistas (europeus, ameríndios e africanos). No Brasil, esta estrutura social pluralista “inata” teve um enorme efeito sobre o papel do ministro como mestre e pregador, conforme veremos.

Enquanto olharmos para o cenário cultural e examinarmos os estilos de pensamento e comunicação, descobriremos que o pregador brasileiro tem um potencial natural para ser um expositor vibrante da Palavra de Deus.

Os Antecedentes Culturais e os Traços de Caráter

 

Os portugueses, descobridores do Brasil, eram pessoas de ampla adaptabilidade cultural. Talvez tenham assimilado isto dos mouros errantes que dominaram seu país durante vários séculos. Aonde quer que os portugueses fossem eles se misturavam com facilidade, “criando uma população híbrida e estabelecendo um modo de vida adaptado as condições locais, apesar de serem basicamente ibéricos nas instituições” (Wagley 1971, 11).

Antes de ser descoberto em 1500 pelos portugueses, o Brasil, na verdade, pertencia aos ameríndios. Apesar de esse povo ser classificado como “selvagem”, a adaptabilidade ibérica ajudou os descobridores a superarem barreiras quanto aos casamentos. A conquista deles não se limitava a novos territórios, mas incluía moças indígenas, que se tornariam mães de uma raça parcialmente “nova”.

Incapazes de forçar os índios ao trabalho metódico nos campos de cana-de-açúcar, os portugueses começaram a importar escravos africanos para o Brasil. Há estimativas de que num período de cem anos eles trouxeram nove milhões de escravos. Novamente, eles não criaram nenhum tabu social, coabitaram e, algumas vezes, se casaram com mulheres negras. Assim, a “mistura” tomou duas direções. Esta circulação de genes entre as raças vermelha, branca e negra produziu os elementos básicos de uma nova cultura.

Em termos de religião, os portugueses ensinaram ativamente o catolicismo institucional com todos os adornos litúrgicos. O escravo negro ateve-se à sua cosmovisão, um politeísmo que via o universo como uma intrincada rede de forças espirituais interativas (Hesselgrave 1978, 150). Esses espíritos africanos foram astuciosamente rebatizados (pelos escravos), de acordo com os nomes de muitos santos católicos, a fim de se evitar censura ou perseguição. A este conglomerado religioso os ameríndios acrescentaram seu conceito monoteísta de um poder soberano chamado Tupã, o supremo manipulador da natureza e de todos seus elementos (Matta e Silva 1981, 23). Esta livre fusão de formas e crenças religiosas finalmente causaria um impacto sobre a mentalidade religiosa brasileira. Por fim, sociólogos iriam empregar o termo “homem cordial” para descrever a tolerância brasileira, sua abertura e atitudes do tipo “viva e deixe viver”. Este homem cordial seria considerado a maior contribuição do Brasil para a civilização mundial (Burns 1968, 6). Podem ser vistas na cultura religiosa brasileira as várias contribuições do cristianismo católico, do espiritismo africano e do xamanismo ameríndio.

Para os portugueses de ambição exagerada, a vida de uma pessoa consistia de trabalho, do nascer ao pôr-do-sol. Em contraste, o índio e o africano viam o tempo como um único evento global, não como uma sucessão planejada de minutos e horas. Os portugueses sabiam muito bem planejar e trabalhar visando o futuro. O africano e o índio aplaudiam o passado “como algo realizado… algo de que se pode ter certeza” (Mayers 1976, 93). É interessante observar que muitos brasileiros da atualidade comemoram fielmente eventos históricos com cerimônia e lazer, olhando para a frente e comemorando o passado! Será que estes rudimentos culturais tem impacto sobre o ministério da Palavra na comunidade evangélica de hoje? Teriam os pregadores brasileiros uma mente mais ligada a eventos do que orientada pelo tempo? As atividades gerais da igreja são mais importantes do que um horário para estudo normalmente planejado e reservado?

Parece que o ministério no Brasil tende a ser mais relacionado com a psicologia de grupo do que com a sincronização de um planejamento. Existe mais consciência a nível de pessoas do que de tempo (Mayers 1976, 91).

Pessoas dirigidas por eventos tendem a embelezar acontecimentos, através de rituais, cores e participação ativa. Isto pode explicar o fenômeno do crescimento da umbanda (mais de doze milhões de adeptos), que, a princípio, falava de perto aos negros, mulatos e índios, quando começou há sessenta anos atrás. Danças, tambores e êxtase são os adornos usados de forma expontânea e audível. A umbanda empresta dos ameríndios o que os nacionalistas brasileiros chamariam de sua verdadeira essência, a invocação dos espíritos de ancestrais para possuir seus líderes e, de forma sobrenatural, conceder-lhes poder.

É claro que não através dos mesmos espíritos, mas com uma forma exterior semelhante, muitos cristãos pentecostais embelezam seus cultos com orquestras, louvores, glossolalia e profecias. Eles buscam ativamente o elemento miraculoso e não dão muita atenção ao tempo que passa (Mayers 1976, 91). Há outros autores, como Bastide (1978) e St. Clair (1971), que tratam desta indiferença em relação ao tempo.

Parece que um espírito servil de imitação ameaçou a autonomia da nova cultura brasileira, em princípios do século XIX. Na mente de alguns observadores, esta imitação cega representaria um obstáculo ao processo de esclarecimento das abordagens brasileiras à vida. Em nosso caso, perguntamos se o espírito de imitação não colocou obstáculos à abordagem criativa na exposição bíblica entre os pregadores evangélicos.

O livro de Gilberto Amado, História da Minha Infância, mostra os extremos deste espírito de imitação, quando escreve:

Naquela época… o Brasil não fabricava um metro de seda, um sapato, um carretel de linha; tudo era importado… O vestuário masculino para um clima tropical era feito de tecido inglês, próprio para a vida nas casas frias do inverno inglês. Perguntei a mim mesmo: como eles suportam o calor?… Em Pernambuco, nós, estudantes universitários, vestíamos paletós matinais e casacos de equitação… Com exceção dos pobres, nunca vi… alguém vestido com tecidos leves (citado por Burns 1968, 40).

Uma crítica semelhante foi expressa em 1923, na inauguração da estátua de Cuautemoc no Brasil. O embaixador mexicano, José Vasconcelos, observou que Cuautemoc havia sido o último imperador asteca e disse:

O primeiro século de nossa vida nacional foi um século (de esforços) para ser uma cópia perfeita do europeu; agora é hora não de retrocesso, mas certamente de originalidade. Cansados… de toda esta civilização de cópias… interpretamos a visão de Cuautemoc como uma profecia acerca do… nascimento da alma latino-americana (Burns 1968, 62).

O apelo de Vasconcelos por uma cultura autóctone em 1923 reflete o temor de alguns brasileiros de hoje, que pensam que a pregação expositiva é um sistema estrangeiro a ser imitado. Talvez este receio se relacione mais ao estilo de pregação do que a real exposição da Bíblia. É claro que a cultura pode ter influência sobre os métodos de preparo ou estilos de pregação, mas é difícil pensar em qualquer cultura, cristã ou pagã, que proíba a exposição das Sagradas Escrituras!

Em nossa tentativa de relacionar as estruturas sociais no Brasil com a arte de expor a Palavra de Deus, vemos analogias nos campos da literatura e da política. Enquanto outras vozes clamavam contra a imitação servil, José de Alencar começou a escrever seus próprios romances indígenas. Sua obra mais famosa é O Guarani. Peri, o protagonista ameríndio, é retratado idealisticamente como forte, honesto e cem por cento brasileiro! Alencar faz que o orgulho e a independência de Peri se destaquem como qualidades reais do verdadeiro caráter brasileiro (Burns 1968, 44, 45). Em certo sentido, ele estava dizendo que esta identidade natural eliminava a necessidade de imitações servis. Na obra de Alencar vemos os tragos de caráter necessários para que o ministro seja um expositor autêntico da Palavra de Deus: força, honestidade e independência.

Havia também o processo de desenvolvimento de um caráter autônomo na dinâmica da política que transformou o Brasil numa república. No início do século XIX, o Brasil decidiu definir com clareza suas fronteiras ao sul. A Argentina reagiu e chamou o Brasil de “inimigo natural” das nações hispânicas. Estas ações nas fronteiras demonstravam o crescente espírito brasileiro de independência.

Em 1840, Dom Pedro II assumiu o lugar de seu pai no trono português no Brasil. Nascido no Brasil, ele tinha dupla cidadania e dupla lealdade. De 1840 a 1889 ele uniu a nação. Embora dependente de Portugal, o Brasil desenvolveu uma infra-estrutura básica que, finalmente, o levaria a autonomia. E assim aconteceu. A Guerra do Paraguai firmou o “exército brasileiro” e aprofundou o espírito de independência. Em 15 de novembro de 1889, este novo exército depôs Dom Pedro II (que não ofereceu resistência) e o Brasil se tornou uma república, embora geralmente governada por militares (Burns 1968, 36-50). Esta mudança da dependência para a independência causaria sobre a mentalidade social do cidadão brasileiro o impacto cultural de uma autonomia crescente.

Hoje é possível sentir uma cuidadosa coexistência de idealismo e realismo na cultura política e religiosa do Brasil. Nacionalismo autônomo e “independência dependente” andam juntos. Talvez os personagens espanhóis Dom Quixote e Sancho Panza personifiquem esta interação de idealismo e realismo no Brasil. O guerreiro idealista sonha com as mais altas glórias. Panza, o companheiro com os pés no chão, sempre traz Dom Quixote de volta para a realidade. O fato de que estes dois homens “eram companheiros constantes, em vez de competidores” (Ida 1974, 37) ilustra a coexistência de idealismo e realismo, típica da personalidade latina.

Em termos de exposição bíblica na América Latina, parece claro que a pluralidade de influências deve servir como base e parâmetro para o desenvolvimento de uma metodologia de exposição. Continuaremos agora para averiguar como a mitologia dos ancestrais dos ameríndios, o espiritismo animista africano e o catolicismo crédulo português contribuíram de forma única para os estilos de cognição e comunicação no Brasil.

Os Estilos Cognitivos e as Formas de Comunicação

 

Os estilos de liderança (políticos, religiosos e outros) são profundamente afetados pelo processo de pensamento/cognição usado em certa cultura. Cada cultura tem seus próprios padrões e expressões de pensamento que retratam “a mente de um povo”. A cosmovisão (padrões de pensamento e formas de reagir a vida) é a chave em nossa busca de uma base para a exposição bíblica. Há quem goste de presumir que existem pontos culturais em comum favoráveis à exposição da Palavra de Deus em todas as culturas. Assim mesmo, “duas pessoas com panos de fundo diferentes podem fazer a mesma coisa, mas para cada uma o ato pode ter conotações que variam, podendo surgir de uma mentalidade que não tem nenhuma relação com a da outra pessoa” (Hesselgrave 1979, 202). A cultura brasileira, sendo uma mistura das culturas européia, africana e ameríndia, desafia-nos a compreendermos estas influências em sua operação nos estilos de cognição e comunicação dos ministros evangélicos da Palavra dos dias atuais.

O brasileiro, embora talvez seja mais intuitivo em média, não é nenhum desajeitado quando se mostra lógico, racional e intelectualmente agressivo. Sua herança do oeste europeu lhe instilou esta característica, e ele pode ser racional, mesmo que os outros dois terços de sua herança cultural pesem mais para o lado da intuição.

Deve-se observar que a maioria das culturas parece ter uma abordagem cognitiva dominante quanto a realidade da vida. F. H. Smith elaborou uma tríade interessante das formas cognitivas de se ver a vida. Ele as diferencia como: 1) conceptual; 2) intuitiva (ou psíquica); e 3) relacional concreta (Hesselgrave 1979, 207-209). De muitas maneiras estas abordagens são representadas pelas três raças integradas que formam a base da sociedade brasileira.

Os portugueses, com seu contexto do oeste europeu, veriam e interpretariam a realidade da vida através de conceitos. A cultura deles seria aprendida e transmitida por meio da articulação de idéias e princípios. A vida seria compreendida de formas racionais, objetivas e quase estóicas.

Os ameríndios, em seu “contexto de natureza”, interpretariam a vida principalmente através da dinâmica da intuição. A cultura deles seria aprendida e transmitida através de rituais espirituais e experiências íntimas. A vida seria compreendida de formas intuitivas e afetivas.

Os africanos fariam das relações concretas a razão de ser do conhecimento e da participação na vida, a qual seria interpretada através de relações de associação experimentadas no contexto da comunidade. A cultura deles seria aprendida e transmitida através de rituais de família, mitos, fábulas, sabedoria tribal e relações ordenadas.

Assim, num sentido histórico estes três estilos cognitivos são partes naturais e integradas da cultura brasileira, causando um impacto na formação da filosofia e método de comunicação. Devemos lembrar que os aspectos intuitivos e relacionais concretos parecerão dominar, dando a impressão de que os estilos de cognição e comunicação anularam o pensamento conceptual. Todavia, é claro que isto não é verdade.

O estilo brasileiro de pregação tende a ser oratório e espontâneo. É algo como aquilo que os professores americanos de oratória chamam de discurso de improviso. Com uma alta porcentagem de pregadores leigos sem qualquer treinamento teológico formal, torna-se compreensível que a pregação tenha se tornado uma arte verbal mais relacionada com o carisma do que com raciocínio preposicional Em outras palavras, parece que dois terços da cultura histórica tiveram um impacto definitivo sobre o método e o pronunciamento de sermões entre pregadores evangélicos.

Em várias ocasiões misturei-me ao povo em grandes comícios políticos. Sempre que eu perguntava o que o político havia dito, a resposta freqüentemente era: “Eu não sei, mas ele fala bonito, não fala?” O Presidente Getúlio Vargas, duas vezes eleito, disse uma vez num discurso de campanha: “Meus inimigos dizem que estou roubando vocês. Bem, quem vocês preferem que os roube?” A multidão o ovacionou. Ser capaz de dizer uma coisa destas e ainda ser ovacionado é algo que exige mais do que atitudes específicas sobre discursos políticos (Condon e Yousef 1978, 236). A dinâmica relacional concreta, tão integrante dos valores tradicionais brasileiros, estava em evidência e operou naquele caso.

Há quem veja naquelas ovações para o presidente a força herdada da arte oral africana, onde “o grupo participa com o orador… num espírito de interação comunal (relacional concreta)” e onde “a habilidade de falar é um pré-requisito ao poder político, e os talentos verbais, sejam para narrar uma história ou defender uma causa no tribunal, são altamente admirados” (Klem 1982, 107, 105).

À luz desta influência evidente da oratória africana sobre os discursos públicos no Brasil, não é possível concordar com Sylvio Romero, que certa vez escreveu que os negros e os índios “se expressavam mal na sociedade e cultura brasileiras”, mesmo que, talvez, ele estivesse se referindo às contribuições políticas (Freyre 1959, 139).

Observa-se que os sermões pentecostais modernos têm muitas vezes baixo teor teológico, mas apresentam muitas histórias relacionais concretas, experiências, curas e emoções (Nida 1974, 144). Este tipo vivaz de pregação tem sido usado como acusação contra a pregação expositiva, citada como seca, conceptual, abstrata e não dirigida às necessidades específicas. Minha pergunta é: a pregação expositiva tem de ser assim? Há alguma lei que diga que uma pessoa com tendência relacional concreta ou intuitiva não pode expor as Escrituras com significado, usando os talentos de comunicação e cognição inerentes em sua cultura? Pregação expositiva significa exclusivamente pregação pesada, conceptual e destituída de sentimentos, emoções e experiências? Ah! Esta caricatura de exposição bíblica não faz justiça à arte nem permite que as riquezas de outras abordagens cognitivas sejam usadas na narração da história de Deus. E isto é uma grande perda! Este retrato não se encaixa com as exposições de Jesus. Ele fez exposições pitorescas e cativantes das verdades do Antigo Testamento. Se alguma coisa pode facilitar a exposição das Escrituras, com formas memoráveis e criativamente artísticas, semelhantes a abordagem do Mestre, esta coisa é o modo intuitivo ameríndio e o relacional concreto africano.

O receio de que a pregação expositiva conduza ao idealismo, por estar desligada das situações da vida, é baseado principalmente em estereótipos. Não há dúvida de que o brasileiro é capaz de expor as Escrituras, usando alegorias, provérbios e ilustrações das situações da vida revestidos de conceitos racionais. Os pregadores brasileiros devem aprender a recorrer a todas os seus recursos culturais na tentativa de expor a Palavra de Deus.

Há um belo exemplo disto no discurso público de Julius Nyerere, Presidente da Tanzânia. Como africano, ele emprega um estilo relacional concreto ao expor suas idéias. Condon e Yousef observam que o Presidente Nyerere pode prender a atenção de alguém durante um discurso de duas horas, mesmo que esta pessoa não entenda uma só palavra do idioma suaíle. Eles escrevem:

Em um de seus discursos durante o período politicamente ativo, em 1966-67, Nyerere começou com alguns risinhos; a audiência também respondeu da mesma forma. Logo estava estabelecida uma relação de risadas, uma forma de comunicação bem diferente de qualquer coisa já vista em discursos ocidentais. Durante sua fala, Nyerere teve ocasião de citar aquilo que um conselheiro inglês havia dito; (ele) faz isso com um sotaque britânico perfeito, com gestos próprios e mímica facial que leva a audiência a loucura. Ele imita vozes – fazendeiros, mulheres, o que quer que seja; faz piadas, fica bravo, provoca os outros, mas conserva sua dignidade, e a linha de argumentação é mantida firme (e) ele recorre a uma importante tradição oral e convenções de discurso não encontradas em nenhum outro lugar (Condon e Yousef 1978, 236; itálicos meus).

Se alguma nação já teve os antecedentes culturais para preencher o lema da Reforma, “A Palavra e o Espírito”, esta nação é o Brasil. “Palavra” e “Espírito” são associados por um teórico dos estilos de cognição as formas de conhecimento analítica e global (Stewart 1974, 78-79). Quanto ao lema da Reforma, poderíamos associar “Palavra” com o lado objetivo ou racional da cultura brasileira (originário dos portugueses) e “Espírito” poderia abranger a dinâmica de cognição e comunicação experimental e relacional concreta afro-ameríndia.

Meus dezoito anos de observação dos seminaristas brasileiros mostram-me que eles tendem a se inclinar a um estilo de comunicação e cognição “orientado pelo Espírito”. Os teóricos chamariam isto de percepção “global” da realidade, onde a pessoa “socialmente tem um senso de dependência muito maior e, emocionalmente, (é) relativamente aberta e expressiva” (Stewart 1974, 81). Inclinam-se eles a isto por causa de um século de pregação evangélica que negligenciou a arte da exposição nas igrejas? Deve-se esta inclinação a uma caracterização errônea que insiste em dizer que a exposição bíblica está fadada a ser uma arte intelectual e conceptual? Parece que a resposta é sim! Meu ensino no curso de pregação expositiva com duração de um semestre era baseado na premissa de que os brasileiros tem antecedentes culturais suficientemente amplos para fazer da pregação expositiva uma poderosa ferramenta a ser usada no processo de maturação da igreja evangélica que tem crescido rapidamente.

Com esta grande mescla na cultura brasileira, quem poderia duvidar das possibilidades educacionais no sentido de uma fusão dos aspectos da “Palavra” (analíticos) e do “Espírito” (globais) num estilo de exposição funcional? Jesus não ministrou à pessoa inteira com suas exposições? Paulo não exortou os cristãos a que aceitassem as pessoas com dons dados pelo Espírito Santo na igreja e não especificou uma dessas pessoas dotadas como sendo “pastor-mestre” (Ef 4.11)?

Tem sido observado que as funções pastorais de condução do rebanho são globais, onde a intuição e a “relação de associação na esfera social” são dominantes, e as funções de ensino são analíticas, “caracterizadas pela objetividade, abstração e diferenciação na esfera intelectual” (Stewart 1974, 80). Com base nestas idéias, Stewart extrai uma preciosa conclusão:

Estaria Paulo fazendo um apelo (a) cada ministro cristão… (por) uma integração destes dois valores e estilos na personalidade? Para aqueles que, por natureza, tendem a ser especialistas na Palavra, isto significaria uma abertura deliberada a situações e pessoas que possam nos ajudar a desenvolver nosso lado espiritual; para aqueles mais intrinsecamente orientados pelo Espírito, isto levaria a uma autodisciplina de estudo, quando seria muito mais confortável continuar simplesmente aproveitando o calor e o apoio de cristãos com opiniões semelhantes… Somente quando reconhecemos e aquilatamos as contribuições necessárias dos dois tipos de estilo, podemos, “seguindo a verdade em amor”, crescer “em tudo naquele que é o cabeça, Cristo” (Efésios 4.15; Stewart 1974, 88).

O brasileiro, com seus estilos cognitivos, pode enriquecer a arte da pregação expositiva. Ele pode fazer que mensagens bíblicas sólidas se tornem a Palavra relevante de Deus, utilizando “as formas de expressão retórica culturalmente influenciadas” (Condon e Yousef 1978, 232). Embora a idéia de pregação expositiva possa ser considerada “ocidental”, uma “importação missionária” questionável ou “muito racional para latinos”, a herança cultural do Brasil fornece as ferramentas retóricas autóctones para provar o contrário. O pregador brasileiro tem diante de si a oportunidade ilimitada de expor a Palavra de Deus e de levar maturidade espiritual a grande e zelosa igreja evangélica.

A REESTRUTURAÇÃO DE UMA FILOSOFIA TEÓLOGICA

 

“Quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4).

Qual a sua filosofia sobre o ministério da palavra? Talvez você responda: “Eu ainda não formulei uma!” Verdade? Nunca passou por sua cabeça que grande parte daquilo em que você crê e que pauta sua vida não está codificada ou formalmente escrita? Por exemplo, você já escreveu um estudo a respeito daquilo que você crê sobre o ato de assistir televisão? Eu não. Todavia, meus hábitos (inconscientes?) diários como telespectador são a encarnação de minha filosofia ainda não formulada. É mais fácil viver uma filosofia do que literalmente escrevê-la.

Sem querer ser dogmático, afirmo que neste exato momento o seminarista e o pastor estão vivendo uma filosofia não-formulada sobre o “ministério da palavra”. Pois aquilo que fazemos reflete bastante o que pensamos, conscientemente ou não. Nossa prática de púlpito é gerada a partir do manancial de nossas crenças básicas (filosofias).

Este pensamento pode ser desconcertante, principalmente porque nos deixa sem nenhuma desculpa. Que ele possa nos conduzir a uma introspecção saudável semelhante àquela dos primeiros apóstolos e que, em oração, possamos nos consagrar ao ministério da palavra. E por que não?

Sem dúvida é difícil admitir que o modus vivendi de uma pessoa reflete sua real filosofia sobre o ministério da palavra. Talvez nos defendamos, dizendo que consideramos esta filosofia não-formulada somente como experimental e que planejamos alterá-la algum dia. Se mudarmos, estamos na boa companhia dos apóstolos, porque eles também mudaram! O ministério da palavra tornou-se o principal parâmetro para tudo que fizeram como arautos de Cristo na igreja. Para eles, a pregação nunca se tornou um frágil apêndice de suas muitas outras atividades eclesiásticas.

Para alguns, um reconhecimento como este poderia lhes abalar o equilíbrio emocional. Por que? Porque penso que muitos servos do Senhor vivem através da dinâmica psicológica e religiosa do idealismo. Quando um servo de Deus não faz diferença entre aquilo que é ideal e o que é real, ele pode facilmente negar a existência de fraquezas pessoais. É como o mau hálito: todo mundo sente, exceto quem o tem! O idealismo religioso dificilmente admite a necessidade de uma análise da própria conduta. Como poderia alguma coisa estar errada? Além disso, o reconhecimento de uma conduta ministerial defeituosa exigiria uma mudança (indesejável?).

Um exemplo desta estranha incoerência entre a “teologia do livro” e a conduta de púlpito é oferecido por alguns pregadores que defendem compulsivamente a inerrância das Escrituras. Eles afirmam sua disposição de morrer no paredão, em vez de negar a inerrância da Bíblia. Isto é admirável! Mas, lamentavelmente, seus sermões, domingo após domingo, num contexto de total liberdade religiosa, são paupérrimos de conteúdo bíblico. Muitas vezes, o teor de suas mensagens reflete uma mente perturbada, em vez do Espírito terapêutica de Deus. O tempo que passam a sós com a Palavra inerrante de Deus é consideravelmente menor do que o tempo gasto com o jornal do dia. Sim, é necessária a convicção teológica, mas se ela não moldar a conduta de púlpito, a incoerência e o dogmatismo psicológico a moldarão. É este tipo de discrepância que rouba desta espécie de pastor a autoridade profética genuína!

Precisamos de uma coragem inflexível para enfrentar nossa verdadeira filosofia (embora não-formulada) do ministério da palavra. É necessária força moral para que alguém confesse a si mesmo e a Deus que nossa conduta de púlpito reflete nossa verdadeira teologia (embora experimental) da tarefa de pregação. Qualquer pessoa que confessar isto com sinceridade receberá do Espírito Santo a forte sabedoria necessária à modificação de conduta. É o Espírito Santo quem nos torna cada vez mais teologicamente coerentes, através do processo vitalício de santificação.

A fim de facilitar uma introspecção saudável e as mudanças necessárias, gastemos algum tempo olhando para as implicação teológicas do ministério da palavra.

Uma Filosofia Teológica

 

Quando os apóstolos se consagraram ao ministério da palavra, eles fizeram uma profunda escolha teológica e disseram claramente que não tinham dúvidas sobre a inspiração e sobre a eficácia espiritual da Palavra de Deus por meio da pregação. Aquela decisão de tornar prioritária a exposição da Bíblia refletiu a fé que possuíam, e eles se mostraram coerentes na crença e na conduta de pregação.

O Seminário Betel, em St. Paul, estado de Minnesota, nos EUA, tem o seguinte lema: “O Servo de Deus Comunicando a Palavra de Deus”. Isto parece expressar de forma bem explícita uma filosofia teológica. Olhe para os elementos básicos neste lema. Primeiro, temos o instrumento, uma pessoa chamada por Deus para servir. Em segundo lugar, temos a tarefa – comunicar e proclamar. Então, por fim, temos a mensagem, as palavras de Deus que convocam as pessoas a adorá-lo. A idéia teológica implícita nisso tudo é que a proclamação da Palavra de Deus torna possível a intervenção divina. Cada vez que a Bíblia é explicada, abre-se uma oportunidade para que Deus entre na vida de algum ouvinte.

Deus fala a seu arauto através da Palavra revelada. O arauto, por sua vez, transmite aos ouvintes aquilo que ele ouviu na Bíblia. Neste processo, havendo fidelidade as Escrituras, o ouvinte experimenta um pouco do mistério da iluminação divina. Embora ele esteja ouvindo uma voz humana na companhia de muitas outras pessoas, a mensagem, de algum modo, é pessoal e penetrante. Há vezes em que o ouvinte tem a impressão de que está absolutamente sozinho na congregação e que, de certa forma, o pregador está oculto. Assim é a realidade singular desta intervenção divina.

Este processo que acabamos de descrever traz à mente aquela passagem bíblica, em Lucas 10.16: “Quem vos der ouvidos, ouve-me a mim…”. Os setenta discípulos enviados por Jesus eram vozes de Deus no sentido de anunciarem as boas notícias do reino, o julgamento vindouro e a alegria da salvação eterna. Quando os demônios se lhes submetiam em nome de Jesus, ficava claro que Deus estava falando através deles. O princípio teológico é que Deus intervém no contexto humano através de sua Palavra falada por servos divinamente comissionados. A confirmação da realidade desta dinâmica espiritual vem do ouvinte, que sabe, sem sombra de dúvida, que Deus falou.

Assim, a Bíblia, a Palavra de Deus escrita em linguagem humana, adequa-se às nossas faculdades cognitivas naturais e espirituais. É esta dimensão humana na Palavra de Deus que torna possível que ela seja exposta e entendida na igreja local. Nas palavras de John R. W. Stott:

A Bíblia é a Palavra de Deus escrita, a Palavra de Deus através das palavras dos homens, falada por meio de bocas humanas e escrita através de mãos humanas (Stott 1982, 97).

Em grande medida, o sermão expositivo permite a repetição da dinâmica divino-humana que operou durante a inspiração da Bíblia. A diferença é que a inspiração atual não acrescenta nada ao texto sagrado nem produz um novo cânon. A exposição da Palavra de Deus pode ser comparada com a inspiração original no sentido de que ela tem os elementos divino e humano numa associação íntima e perceptível.

Deus está vivo! A Bíblia nos diz, através do Espírito da revelação, exatamente como Deus agiu na história terrena de seu povo escolhido. Por causa do “ser” de Deus, eternamente constante, vemos que seus atos na história não estão ligados a um ponto já desaparecido no tempo. Na realidade os atos de Deus são atemporais! O que Deus é, faz ou diz não pode ser fixado num insignificante ponto no tempo. Ele é o mesmo “ontem, hoje e eternamente”. Assim, sua Palavra tem uma mensagem aplicável a todos os pontos no tempo até a eternidade (Stott 1982, 100).

Em seu livro The Essential Nature of New Testament Preaching (“A Natureza Essencial da Pregação Neotestamentária”), Robert Mounce desenvolve esta idéia de modo diferente, visando estimular uma reformulação da filosofia teológica quanto ao ministério da palavra. Em resumo, ele diz que os atos de Deus na história reverberam através do tempo, sem perder qualquer valor espiritual infinito. Por exemplo, cada vez que os apóstolos pregavam a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, eles não estavam falando de um evento que se evaporou num passado nebuloso. A morte e ressurreição de Jesus Cristo foram planejadas na eternidade, mas são eficazes através do tempo reincidente. Assim, quando se expõe a Palavra atemporal de Deus, a essência eterna da cruz é transposta aquele momento. Quando uma transação eterna acontece na alma do ouvinte, o efeito salvífico da morte e ressurreição de Cristo se torna uma experiência simultânea (Mounce 1960, 153-159).

Deus fala hoje. Conhecemos e experimentamos os efeitos desta comunicação divina através de nossa fé espiritualmente concedida. Esta fé vem e é nutrida pelo ouvir da Palavra de Deus. Aqueles que assim crêem explicam as Escrituras com fidelidade e esperam que Deus aja. Uma fé tênue e dúvidas quanto à contemporaneidade da Palavra de Deus produzem sermões que mantêm a verdade no passado distante. Esta espécie de pregação é cansativa e pouco faz em favor da alma.

O que os ouvintes procuram e necessitam com a máxima urgência é um encontro vital com nosso Deus vivo, que salva nos dias de hoje, pois “… eis agora o dia da salvação” (2 Co 6.2b). Deus oferece a salvação agora e experiências de santificação nos sucessivos “agora” da vida. A exposição da Palavra contemporânea de Deus tem o poder simultâneo de gerar “agora” encontros com o Deus vivo. O ministério da palavra é uma continuidade miraculosa, e nos, arautos de Deus, somos os instrumentos privilegiados das intervenções divinas. Se meditarmos no fato de que Deus fala e age numa continuidade que vem desde a eternidade e segue através do tempo, nossa prática de pregação será afetada. Na verdade, a pregação expositiva é um elo entre a eternidade, o passado, o presente e o futuro do pregador e do ouvinte. Ela torna passível a miraculosa transformação de caráter que todos necessitamos. Sem este tipo de pregação, os atos de Deus ficam como se estivessem suspensos no passado, inconscientemente identificados com superstição.

Este conceito das ações contemporâneas de Deus através da exposição das Escrituras pode ter levado o professor H. H. Farmer a caracterizar a pregação como um sacramento (Farmer 1960, 28). Seguramente esta declaração não deve ser confundida com “sacramentalismo”. Nunca devemos confundir o ato da pregação com a graça real de Deus. A graça de Deus independe de quaisquer elementos terrenos e materiais e está eternamente além das manipulações humanas. Mas é claro que a exposição da Palavra imutável faz a mediação do encontro entre Deus e os seres humanos, através da ação soberana do Espírito Santo.

Olhemos para isto de um outro ângulo. Talvez isto também nos ajude a reformular uma nova filosofia teológica do ministério da palavra. Segundo eloqüentes afirmações do apóstolo João, Jesus Cristo é a Palavra (ou Verbo; Jo 1.1). As Escrituras mostram que esta Palavra encarnada demonstra um fato principal: Deus procura se envolver na vida de cada ser humano. Quando a mensagem das Escrituras é explicada de forma correta e coerente, Cristo, a Palavra, tem liberdade para agir em nós e, conseqüentemente, em outras pessoas por nosso intermédio. Em outras palavras, a Bíblia é mais do que uma compilação de palavras e conceitos religiosos; ela está embebida na caráter autônomo de Javé, que decide ir a nosso encontro. Por esta razão, não tenho dúvidas de que Deus representa a si mesmo através de sua Palavra eterna. Neste sentido afirma-se aqui o aspecto sacramental da exposição da Bíblia. Na verdade, o expositor não fala “sobre” Deus. Sermões tópicos e textuais tendem a ter esta característica negativa. A exposição da Palavra eterna permite que Deus fale com a menor quantidade possível de empecilhos humanos. O Espírito Santo tem dois recursos importantes e necessários para que se projete no espírito do ouvinte a própria realidade de Deus (Mounce 1960, 154), isto é, o arauto obediente e as Sagradas Escrituras.

A esta altura devemos estar percebendo que o sermão expositivo não é um experimento religioso, pelo qual o pregador propaga suas opiniões religiosas pessoais, ou qualquer tipo de palestra teológica precipitada. Como podemos ver, é a combinação da dinâmica da Palavra eterna e do arauto que acredita inteiramente na eficácia dela. Este é nosso argumento até este ponto: a Bíblia é a Palavra de nosso Deus vivo, hoje.

E quanto aos instrumentos humanos, os arautos que Deus chamou para transmitir a mensagem da Bíblia? Temos uma convicção firme e sadia de que Deus ainda fala hoje? O povo nas igrejas espera que sim. Com toda certeza, Deus deseja que tenhamos esta convicção!

A teologia liberal pode ter fascinado alguns com o tema aparentemente espiritual de que a Bíblia se torna a Palavra de Deus somente quando fala a nós de forma especial. Este tipo de determinismo antropológico faz com que a Bíblia seja bastante comum a maior parte do tempo! Posso ver como os pregadores que crêem nisto perdem sua autoridade profética. Eles tentam encobrir isto com uma pregação “relevante”, mas acabam desenvolvendo um “ministério de opiniões religiosas”.

A teologia conservadora, num momento de zelo extremado, pode nos conduzir a outro erro muito sutil. Qual seria ele? Ele aparece na gramática da seguinte declaração zelosa e verdadeira: “O que Deus falou, ele falou”. Dessa forma, muitos pregadores conservadores congelam Deus no passado. (Ele tem a forma certa, mas não pode se mover.) A conduta espiritual e psicológica destes pregadores no estudo e no púlpito tende a conservar Deus na insensibilidade do legalismo e da tradição. O Dr. John R. W. Stott aponta este erro sutil, ao dizer que uma postura exageradamente zelosa transmite a idéia de que hoje, a uma distância de séculos, não é possível ouvir a voz de Deus (Stott 1982, 100). Por que pregar se a Palavra de Deus está somente no tempo passado?

O Dr. Walter C. Kaiser Jr., em seu livro Toward an Exegetical Theology (“Diante de uma Teologia Exegética”), descreve a crise na homilética. Ele destaca as várias tentativas de se construir uma ponte sobre o hiato que separa as ações de Deus no passado e seus atos no mundo de hoje. Entre estes esforços, três não tocam no caráter eterno de Deus. Dois edificam sobre esta base e sobre a relação constante de Deus com as pessoas através dos tempos, devido a “Sua fidelidade a Si mesmo” (Kaiser 1981, 37-40) e porque Ele é um Deus que age eternamente no parêntese que chamamos tempo.

Há poucas passagens bíblicas que falam do caráter universal da Palavra de Deus. Hebreus 3.7, 8 e 4.7 são explicações do Salmo 95.7-9: “Ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto, e ovelhas de sua mão. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz! Não endureçais o vosso coração, como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto; quando vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, não obstante terem visto as minhas obras”. Em Hebreus 3.7, antes de citar o Salmo 95.7-9, o autor inspirado inclui a seguinte frase: “Assim, pois, como diz o Espírito Santo…”. Aqui a análise do Dr. Stott merece menção integral:

Mas ele introduz a citação com as palavras “como diz o Espírito Santo”. Assim ele subentende que o Espírito Santo está hoje apelando a seu povo para que este o ouça, como fez há séculos, quando foi escrito o salmo. Na verdade, é possível detectar aqui quatro estágios sucessivos em que Deus falou e fala. O primeiro foi o tempo de prova no deserto, quando Deus falou, mas Israel endureceu seu coração. A seguir veio a exortação do Salmo 95 ao povo daqueles dias, para que este não repetisse a insensatez anterior de Israel. Em terceiro lugar, temos a aplicação da mesma verdade aos cristãos hebreus do primeiro século A.D., enquanto, em quarto lugar, o apelo chega até nós, ao lermos hoje a Carta aos Hebreus. É neste sentido que a Palavra de Deus é contemporânea: ela se movimenta com o tempo e continua se dirigindo a cada nova geração (Stott 1982, 101).

Esta convicção de que Deus falou e ainda fala à comunidade humana, através de sua Palavra proclamada, deve dominar a consciência do pregador, se ele planeja expor a Bíblia com constância. Num sentido real, esta é a única postura coerente que o arauto de Deus pode assumir. Esta é a essência de uma filosofia teológica.

Há mais um aspecto nesta abordagem. É a essência do significado da palavra arauto. Um arauto anuncia exatamente aquilo que seu senhor lhe diz. Ele faz isto quase como um teclado de piano que reflete a música das cordas. Contudo, no caso do arauto existe o elemento de escolha. Ele pode decidir proclamar aquilo que recebeu ou perverter a mensagem.

O profeta Isaías é um bom exemplo de um arauto obediente. No capítulo sete, versículos três a treze, temos o processo profético:

1) O Senhor entrega a Isaías uma mensagem específica para anunciar: “Agora sai tu… ao encontro de Acaz, que está na outra extremidade do aqueduto do açude superior… (e) dize-lhe: Acautela-te e aquieta-te; não temas…” (w. 3, 4).

2) Embora seja expressa em linguagem humana, ela continua sendo a Palavra de Deus: “Assim diz o Senhor Deus…” (v. 7) e “… continuou o Senhor a falar com Acaz…” (v. 10).

3) Ela pode ser recebida ou rejeitada pelo ouvinte: “Acaz, porém, disse: Não o pedirei…” (v. 12).

4) Todavia, a mensagem vem de Deus através do instrumento humano, o profeta: “Então disse o profeta: Ouvi, agora, ó casa de Davi: Acaso não vos basta fatigardes os homens mas ainda fatigais também ao meu Deus?” (v. 13).

Adotar uma filosofia teológica do ministério da palavra é assumir responsabilidades maiores do que as imaginadas. Mas, uma vez que o chamado vem do Deus viva, podemos nos encher de coragem e contar com sua ajuda. Nossas limitações são reais, mas, apesar delas, a sabedoria de Deus se revelará. O Senhor entende melhor do que nós que seu tesouro está num vaso de barro. A maravilha é que Deus projetou tudo deste modo, a fim de demonstrar a soberania de sua vontade e sua Palavra.

Mais do que qualquer outro aspecto da vida pastoral, este ministério da palavra será testado e provado pelos elementos aparentemente inocentes da vida quotidiana, se não pelo próprio Maligno. Haverá muitas ocasiões em que perguntaremos a nós mesmos: “Estou comprometido de corpo e alma com a vocação do ministério da palavra?” Nossa resposta ao chamado de Deus para ministrarmos sua Palavra exige um compromisso inflexível!

Quanto a isto, deixemos que as palavras de James S. Stewart nos conduzam a uma dedicada dependência da graça capacitadora de Deus:

A menos que estejamos preparados, numa entrega alegre e deliberada, para sermos dirigidos, dominados e controlados pela grande tarefa, devemos nos afastar dela de uma vez por todas, e não zombar de Cristo com lealdades tépidas e interesses divididos. Sem dúvida, este tipo de concentração espiritual é algo totalmente distinto de uma austeridade exagerada e obstinada que se recusa a relaxar. É muito pouco provável que qualquer pregador possa expandir sua eficiência passando de um ano para outro sem ter um feriado ou uma diversão… Todavia, permanece o fato de que o servo do evangelho – mais do que qualquer outra pessoa, mais do que o cientista, o artista, o compositor ou o homem de negócios – deve ser possuído, de coração, mente e alma, pelo empreendimento momentoso que sobre ele tem colocada sua compulsão (Stewart 1946, 169).

Que apelo! Sem dúvida, ele provém de um coração que ama a Deus e a todos os arautos chamados por ele. Seguramente, este apelo é um alerta para aqueles cujo chamado foi motivado por interesses profissionais, vaidade ou sutil compulsão psicológica.

Como expositor sincero, o servo de Deus deve ser caracterizado por domínio próprio (fruto do Espírito), aplicação criativa da inteligência e muita oração. É claro que o ministério da palavra, como qualquer outra profissão, precisa daquela inseparável combinação de paixão e trabalho, para que tenha sucesso. Tal combinação está viva no coração do arauto que acredita ativamente que Deus fala hoje através da exposição da Bíblia. Não se engane! Nossos ouvintes perceberão quando pregarmos por uma simples obrigação e quando proclamarmos as notícias com uma paixão que tem por lastro a disciplina intelectual e espiritual.

Se, como servos de Deus, nos dedicarmos a exposição constante das Escrituras, observaremos um fenômeno bem interessante que acompanhará nosso ministério. Este fenômeno se chama autoridade espiritual, que muitos pregadores inseguros tentam criar por meio de arbitrariedade ditatorial e sonora. Mas a autoridade espiritual é um dom que o rebanho percebe como parte da função profética ativa do pastor. O expositor habitual geralmente não se preocupa com a autoridade como tal, pois sua filosofia teológica lhe informa que Deus intervém através das Escrituras. Se o expositor estiver cônscio desta autoridade coexistente, ele também não irá tirar partido dela. Ele sabe instintivamente que a coragem e a confiança vêm de Deus e que ele fala como alguém a quem “foram confiados os oráculos de Deus” (Rm 3.2) e que fala “de acordo com os oráculos de Deus” (1 Pe 4.11; Stott 1982, 132).

O expositor da Palavra muitas vezes tem a experiência agradável de ser orientado espiritualmente, ao proclamar a verdade. Isto fixa em sua mente uma confiança genuína e projeta aos ouvintes não apenas uma autoridade divina abstrata, mas também a presença real de Deus. As pessoas que presenciam a Palavra sendo explicada percebem Cristo como o Salvador de hoje e experimentam o Espírito Santo em grande intimidade.

Confiança e autoridade foram partes integrantes do ministério da palavra do apóstolo Paulo. Ele escreveu: “Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2 Co 2.17). O apóstolo possuía uma profunda convicção de que Deus o havia enviado para expor diligentemente as Escrituras.

Nunca devemos nos esquecer de que a exposição das Escrituras tem todo o poder necessário para penetrar no coração da consciência humana e lá ser ouvida como a voz de Deus. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12). A exposição da Bíblia fornece ao ouvinte e ao pregador aquele contato singular com a Palavra eterna de Deus. Por esta razão, os sermões tópicos e os que empregam mal os textos tendem a se concentrar nas opiniões particulares da pregador. Os textos prediletos de sua Bíblia tornam-se pretextos para dar cobertura (santificar?) a percepções da vida espiritual humanamente arquitetadas. Isto é o cúmulo da incoerência na vida de um arauto de Deus. Por definição, um arauto proclama aquilo que lhe é dito por seu senhor, em vez de suas opiniões pessoais. O que há de mal nisso tudo é que os membros da congregação discernem intuitivamente as duas vozes. Eles anseiam ouvir a voz de Deus, mas em lugar disso ouvem apenas estranhos ruídos “religiosos”. Eles querem crescer, mas devido à falta de alimento espiritual, acabam numa vida espiritualmente medíocre.

Se nós, servos de Deus, fizermos uma escolha consciente em favor de uma filosofia teológica do ministério da palavra, teremos de dar muito de nós mesmos na preparação e entrega das exposições bíblicas. Seremos motivados a fazer isso pela consciência de que nossa exposição pode se tornar, para muitos dos ouvintes, a “plenitude do tempo”, o momento de um encontro transformador com Deus.

Uma das fortes conotações do termo hebraico dabar (palavra) é de que irá acontecer aquilo que é falado. Falar é criar. Aquilo que Deus fala, acontece. As Escrituras apresentam Javé como aquele cujas palavras realmente criam e dominam toda a realidade (Mounce 1960, 153-155). Oh! que os pregadores do evangelho de Cristo projetem conscientemente esta verdade profunda sobre o ministério da palavra que desempenham e se entreguem de todo coração a exposição da Palavra de Deus que concede vida!

A fim de que uma filosofia teológica pessoal se torne um modus vivendi prático, existem três conceitos básicos úteis. O primeiro é que a atividade e o caráter eternos de Deus são manifestados de modo contemporâneo através da exposição de sua Palavra eterna. Não há nenhuma forma lógica de desligar do espaço e do tempo os atos salvíficos de Deus. Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre. Em segundo lugar, a exposição da Bíblia é o instrumento que o Deus trino e uno usa com maior freqüência para intervir no coração que crê. Jesus é a Palavra de Deus em forma e experiência humanas (Jo 1.1, 14). O Espírito Santo é a Palavra de Deus com poder de penetração (Ef 6.17). O Pai é a Palavra criadora que chama à existência todas as coisas (Gn 1 e Cl 1.16). As Escrituras que procedem de nosso Deus trino e uno são inseparáveis de seu caráter inefável. Elas estão impregnadas de Deus e, sob seu comando, fazem a própria mediação do Espírito no coração que crê. Em terceiro lugar, a exposição da Bíblia é o modo espiritual mais eficiente de Deus falar através de instrumentos humanos (2 Co 4.2-6). Isto é verdade, pois Deus fala mais alto do que o expositor, quando a Bíblia é explicada com fidelidade. “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4.7).

Neste ilustre ministério da palavra daremos prioridade total ao estudo e proclamação das Escrituras sagradas? Certamente, o Deus que nos chamou a este ministério irá trabalhar em nós para desejarmos e fazermos sua boa vontade, tornando eficaz sua palavra para transformar vidas. Se nós, à semelhança dos apóstolos, nos entregarmos de todo coração ao ministério da palavra, nossa filosofia e ministério de púlpito se tornarão teologicamente sadios e milagrosamente práticos.

Uma Filosofia Humanística

 

Quanta diferença haveria, se todos os pregadores evangélicos escolhessem e praticassem uma filosofia teológica do ministério da palavra! Infelizmente, há um caminho mais fácil, mais largo, e muitos entram por ele. Enquanto descrevo uma abordagem humanística da tarefa da pregação, espero que sejamos levados a fazer uma avaliação séria e revolucionária de nossa filosofia do ministério da palavra.

Como realmente encaramos a tarefa da pregação? Será que, como muitos seminaristas e pregadores novatos, nós a vemos primeiro como algum tipo de arte retórica, uma “habilidade homilética”? Caso positivo, o sucesso no ministério dependerá de nosso uso e desenvolvimento inteligente das leis da retórica. Nesta abordagem (mais freqüentemente num nível inconsciente), a proclamação se torna primeiro um assunto de estilo retórico, e o conteúdo é secundário. O que é importante é a apresentação e o carisma do apresentador. Parece quase haver um valor exagerado no mecanismo da comunicação e praticamente um endeusamento da personalidade. Infelizmente, tal procedimento filosófico diminui bastante a dimensão espiritual da pregação. A autoridade de Deus e sua revelação escrita são colocadas enganosamente em segundo lugar, sendo, em alguns casos, totalmente negadas.

Cair na filosofia de que a boa pregação surge apenas da manipulação sábia das regras da retórica é criar uma atitude nociva e penetrante na comunidade religiosa. Seminaristas e pregadores são influenciados por este pensamento: a proclamação é avaliada pelos pontos fortes e fracos do pregador em suas relações com a retórica. Caráter e conteúdo bíblico significam quase nada, em comparação com a habilidade de falar. Assim, o pobre orador com caráter e conteúdo bíblico perde para o bom e hábil orador que, com eloqüência, diz muito pouco. É estranho como a oratória, misturada com vivacidade, é quase sempre vista como unção pelos ouvintes que não tem consciência de sua própria pobreza espiritual!

Cegueira espiritual e moral quase sempre é fruto de uma filosofia humanística do ministério da palavra. Há muito pouco compromisso moral inerente nesta abordagem. Por exemplo: muitas pessoas com treinamento profissional são chamadas para fazer discursos a respeito de vários assuntos. Entre estas pessoas estão aquelas que defendem uma coisa no discurso e praticam outra na vida diária. Pense no médico que adverte outras pessoas sobre os perigos do fumo, enquanto traz no bolso um maço de cigarros vazio. Se a tarefa da pregação for vista principalmente como arte retórica, é concebível que o ministro tenha menos responsabilidade moral de obedecer ao que é pregado. Em outras palavras, o conhecimento e a prática de uma boa retórica não exigem necessariamente uma coerência moral entre o orador e aquilo que é falado.

Os ministros que se permitem ser orientados por este tipo de filosofia correm o risco de perder a seriedade espiritual de um verdadeiro servo da Palavra de Deus. São muitos os ministros que têm utilizado o púlpito com pouca consciência espiritual e até mesmo pouco compromisso profético, devido a esta abordagem.

Até que ponto os pregadores que têm este tipo de conduta são totalmente responsáveis por seus atos? Alguns deles teriam boas desculpas? Alguns seriam vítimas de antecedentes sociológicos negativos e de treinamento teológico ruim? Até certo ponto, isto pode ser verdade, mas nenhum deles é um robô! Filosofias e condutas são produtos de escolhas intelectuais e emocionais feitas em meio a todos os tipos de ambiente.

Ao lado disso tudo, o que mais tem faltado na vida de muitos jovens aspirantes ao ministério é um modelo vivo de filosofia teológica do ministério da palavra. Quantos aspirantes tiveram por longos períodos exemplo disso num ministério que expusesse seriamente as Escrituras sagradas? Muitas vezes eu fiz esta pergunta no seminário onde lecionei, e as respostas afirmativas sempre eram escassas. Era doloroso ouvir centenas de jovens seminaristas dizerem que nunca haviam tido um pastor que tivesse o hábito de pregar sermões expositivos. Que saldo negativo nos livros da Igreja de Jesus Cristo! Quanto indício do domínio de uma filosofia humanística na chamada comunidade evangélica!

Há um fator sociológico que tem debilitado a determinação de muitos ministros no sentido de exporem a Palavra de Deus. A sociedade moderna tem prosperado na obtenção de conforto fácil e prazer instantâneo; a gratificação tem de ser imediata. Os esforços físicos e mentais devem ser reduzidos quase a zero. As lições tem de ser “fáceis” e não mais do que dez. Parece que o modus vivendi da sociedade moderna gira em torno de dois semideuses chamados conforto e prazer. Para estas deidades, os cultos de adoração são oferecidos várias vezes ao dia e não apenas aos domingos. Para qualquer pessoa trata-se de um problema se o conforto e o prazer não são obtidos com facilidade, tendo-se de trabalhar mais para alcançar seus benefícios.

Esta realidade sociológica tem causado um impacto moral sobre os seguidores de Jesus Cristo. Aquilo para o qual os primeiros discípulos trabalharam com lutas e sacrifícios, os santos modernos querem obter em programas fáceis e funcionais. Assim, o candidato ao ministério procura o caminho fácil para o sucesso e dificilmente vê a tarefa da pregação em termos de sangue, suor e lágrimas. Além disso tudo, hoje a pessoa não tem muito tempo para esperar, estudar, meditar e equipar-se espiritualmente para o longo trajeto ministerial. Assim, não causa surpresa vermos uma profunda apatia entre seminaristas que tem bebido, consciente ou inconscientemente, da fonte desta ideologia materialista.

A igreja evangélica não tem escapado do impacto desta filosofia. Em geral os membros não gostam do pastor aplicado que deseja trabalhar com exposições que levam longos períodos. Eles também querem resultados imediatos e muita satisfação sem sacrifício. Tanto os pastores quanto as pessoas são freqüentemente pressionados ao imediatismo por todo ambiente da sociedade moderna.

Como são, hoje, os sermões na igreja evangélica? É possível encontrar sermões forjados na bigorna do estudo disciplinado da Palavra e que tenham por lastro intensa oração intercessória? Onde estão os sermões que nasceram de longos contatos de devoção com a Palavra de Deus? Quão bíblicos são os sermões de pregadores que crêem na Bíblia? Até que ponto os sermões apenas falam sobre Deus, em vez de permitirem que o próprio Deus fale de si? Sermões que falam sobre Deus parecem ter pouca energia espiritual e até mesmo pouca iluminação do Espírito. Quantos usam os textos bíblicos como pretextos e dependem mais da retórica e do entusiasmo do que de Deus? Parece que temos forçado Deus a falar através dos bloqueios e filtros de uma filosofia humanística!

Parece que a abordagem humanística tem em si um toque de existencialismo. Trata-se de uma hermenêutica de pragmatismo e imediatismo. A cultura religiosa tem mais valor do que a revelação proposicional, e os sentimentos pesam mais do que a vontade de ser e fazer. O que resta nesta abordagem do ministério da palavra é um discurso bonito e sentimentos religiosos nebulosos sobre o Ser Divino. Alguns pecadores tentam “perder sua perdição sem estarem salvos”, e alguns arautos tentam pregar a verdade sem estarem seguros de Deus e de sua Palavra.

Em grande medida, somos aquilo que pensamos e. praticamos aquilo em que cremos. Geralmente podemos modificar para melhor ou pior pensamentos e práticas. Minha esperança é no sentido de que estas linhas incentivem os ministros a examinarem com sinceridade o ministério da palavra que desempenham hoje e façam mudanças onde for necessária.

Ninguém deve concluir que deprecio as técnicas da comunicação em público. Isto não é verdade. Acredito que os pregadores devem estudar e fazer uso criterioso das regras de retórica. Se, como pensamos, existe alguma verdade na retórica, de onde ela procede, senão do Deus de todas as verdades? Nós, pregadores, precisamos desesperadamente melhorar nossa habilidade na comunicação, sem perder a confiança nas intervenções de Deus através de sua Palavra.

QUE É UM SERMÃO EXPOSITIVO?

 

Não é fácil definir sermão expositivo em relação aos sermões tópicos ou textuais. Uma das razões disto é que as definições quase sempre tendem a limitar demais as coisas. Definições restritivas não permitem que o assunto seja expandido de forma prática; definições muito amplas não permitem uma concentração exeqüível. Nenhuma das duas é boa.

Uma parte da confusão entre os pregadores surge da permuta descuidada dessas duas palavras, “bíblica” e “expositiva”. Absolutamente elas não significam a mesma coisa. “Bíblica” é, por definição, alguma coisa que se relacione (mais ou menos) com a Bíblia. Sermões textuais e tópicos podem se relacionar com a Bíblia sem serem expositivos, assim como mangas se relacionam com as frutas sem serem pêras. Segundo penso, um sermão textual ou tópico pode, na verdade, se relacionar com a Bíblia em graus variados. Mas, em essência, o sermão expositivo não pode ser nada menos do que diretamente bíblico, gerado a partir do texto bíblico e projetando um assunto (tema) inerente a partir daquele texto.

Em seu livro Exposição do Novo Testamento – Do Texto ao Sermão, o Dr. Liefeld sugere que não façamos da definição nosso alvo imediato, mas que primeiro compreendamos as partes conceptuais básicas de um sermão expositivo (Liefeld 1985, 13). Isto é bom porque se concentra na essência do sermão expositivo e não apenas em nomenclaturas externas. John R. W. Stott, em seu livro intitulado I Believe in Preaching (“Creio na Pregação”), não surge primeiro com uma definição, mas, antes, trabalha com o princípio fundamental da explanação. Explanar o conteúdo de um texto bíblico deve ser a própria vida do sermão expositivo (Stott 1982, 125). A obra de Stott enfatiza claramente o centro ontológico do sermão expositivo.

Sob este conceito central da exposição está a idéia da explanação. Seu sentido fundamental é o de aplanar alguma coisa enrugada. A exposição da passagem bíblica é caracterizada por um discurso lógico que “aplana” o texto e o torna compreensível. Assim, a explanação é uma forma clara de expressar pensamentos espirituais, de modo que os ouvintes possam aplicá-los a situações práticas na vida. Desta forma, a explanação vai além de descrições prolixas de palavras e construções gramaticais (Liefeld 1985, 13).

Em íntima relação temos esta outra palavra, explicação, que traz a idéia fundamental de revelar alguma coisa. Os sermões expositivos revelam aos ouvintes as verdades que estão envolvidas pelas vestimentas culturais e teológicas. Se alguém me entrega um mapa dobrado e diz: “Este é o mapa do Brasil”, eu ouço as palavras, mas não compreendo completamente aquele pedaço de papel dobrado, até que ele seja aberto e se exponham o contorno e os detalhes do Brasil.

Estamos tentando aqui dar uma clara percepção da substância do sermão expositivo, sem cairmos em definições formais. A própria palavra “expositivo” nos apresenta mais um conceito central neste tipo de proclamação bíblica. Exposição traz em seu sentido fundamental a idéia de colocar algo em lugar aberto e tornar acessível aquilo que é obscuro ou está fora de alcance.

Mais tarde, aprenderemos que um parágrafo de pregação (uma parte autônoma da Bíblia) tem um tema implícito ou explícito; de outra forma, não seria autônomo. Assim, a explanação e a exposição mantém suas condições básicas quando o pregador extrai o tema e o demonstra com os termos e conceitos contidos naquele parágrafo. É por isso que um comentário contínuo (falsamente chamado de sermão expositivo) é apenas um comentário contínuo, que geralmente não é regido por seu tema inerente nem é desenvolvido por ele. O comentário contínuo não tem um conceito central unificador que possa ser compreendido de forma prática. O simples ato de papagaiar livremente palavras e frases de um texto bíblico quase sempre se torna um comentário fluente que não se estende para outro lugar a não ser o final da passagem. Mesmo quando se inclui um pouco de exegese, o comentário contínuo se torna ainda mais desordenado, devido à falta de um tema dominante.

Algumas vezes se confunde exegese com exposição. Depois de concluir um curso sobre pregação expositiva em São Paulo, um pastor disse o seguinte: “Antes de participar deste curso, eu fazia a exegese e a levava para o púlpito, pensando que aquilo era um sermão. Agora, eu continuo a fazer exegese, mas levo para o púlpito o sermão que ela produz”. O que ele fazia antes era falar sobre a estrutura gramatical do texto. O que ele estava fazendo agora era explicar o significado e o tema extraídos da lógica, da gramática e da estrutura do texto.

O Dr. Walter Kaiser admite que é difícil definir a exegese, mas prossegue e ilustra cuidadosamente sua natureza. Não importa como se defina a exegese, uma parte básica em seu processo deve ser a “lapidação da passagem” (Kaiser 1981, 42). Temos aqui o ponto crucial da questão para o sermão expositivo. Esta “lapidação da passagem” deve ser mais do que uma concentração nas construções gramaticais. A exposição deve ser o resultado final de uma exploração (lapidação) na passagem, que encontra nela sua verdade prática central. O sermão expositivo explica esta verdade central, de modo a torná-la aplicável a vida e ao contexto do ouvinte. Este deve ser o resultado de um “confronto direto com a passagem” (Kaiser 1981, 42).

Se a exposição do pregador no púlpito é um exercício patente de exegese, então a Palavra não se torna carne. O texto de Mateus 1.23, segundo a versão inglesa King James, mostra-nos como a exegese deve conduzir a interpretação: “… vós o chamareis Emanuel que, sendo interpretado, é Deus conosco”. Kenneth Cragg afirma o seguinte:

“Sendo interpretado” é uma forte condição. Ela se coloca entre o tudo e o nada. É o eixo em que gira “Emanuel”. Pois, “Deus conosco” não é simplesmente uma declaração. Uma convicção. Mais do que um aviso, é uma experiência. A menos que seja observada, ponderada e crida, é como se nunca tivesse existido. Significados não transmitidos são significados frustrados (Cragg 1956, 273).

Outro exemplo disto é quando Jesus rebate os saduceus, em Marcos 12.24. Depois de dizer: “Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?” Jesus pergunta: “… não tendes lido no livro de Moisés, no trecho referente a sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, e, sim, de vivos”. A explicação que Cristo oferece da importância destas palavras é que a ressurreição dos mortos é tão certa como Deus! Os saduceus precisavam ouvir e compreender tal convicção.

É este fundamento lógico que torna claro que um sermão expositivo não é apenas um exercício de exegese retórica, por mais grandiloqüente que seja. A exegese deve ser feita com habilidade cada vez maior no estudo do pastor, de modo que a exposição possa ser realizada no púlpito com imaginação e convicção. Em outras palavras, a exegese deve ser compartilhada, convertendo-se verdadeiramente em significado prático.

A partir dos fatos culturais relacionados ao antigo arauto grego, temos mais idéias sobre a essência dos sermões expositivos. Para ter um cargo assim, o arauto precisava ser amigo íntimo de seu senhor, ter uma voz clara e ser digno de confiança. Nessa função o arauto fazia proclamações oficiais para o rei e em nome dele. Em muitos exemplos de proclamação (kerussein) do Novo Testamento, a urgência e fidelidade a mensagem revelada de Deus eram características (Mounce 1960, 12-17).

Relacionando isto com o sermão expositivo, vemos o pregador como arauto de Deus, o Rei. Obviamente ele tem de ser um amigo leal de Deus e devotar afeição a à Palavra divina. Ele deve levar em seu coração a convicção clara e indelével de que sua vocação vitalícia visa proclamar os pensamentos de Deus com fidelidade e de forma prática. Em sua essência, o sermão expositivo tem uma relação ontológica com a Bíblia e tem sua melhor caixa de ressonância no caráter e nas palavras do pregador (arauto).

Assim, um sermão expositivo não é um discurso de improviso casual, em que o pregador vagueia por uma longa seqüência de versículos. Acho estranho que um sermão extemporâneo e casual numa sucessão de versículos bíblicos seja chamado impensadamente de exposição bíblica. Como cristãos e pregadores informados podem continuar a acreditar nisso?

Alguns pregadores têm facilidade de esboçar vividamente um parágrafo bíblico. O Dr. Liefeld chama isto de “esboço tópico de uma passagem (bíblica)”. Definitivamente não é um sermão expositivo. Ele ilustra isto com o seguinte esboço de Atos 9.1-9:

1. A Resistência de Saulo

2. A Conversão de Saulo

3. A Comissão de Saulo

Em sua opinião, esboços tópicos tendem a ser “mais descritivos que pastorais” (Liefeld 1985, 26-27). Para mim, isto sempre demonstra um uso talentoso de palavras e não uma projeção da verdade prática. O sermão expositivo não é somente um esboço tópico ou um panorama preciso de um parágrafo da Bíblia que nos mantém apenas na casca externa da passagem.

Em nossa tentativa de atingirmos o centro/essência do sermão expositivo, talvez seja útil fazer uma comparação da estrutura e conteúdo de cada um dos principais tipos de sermão. As partes globais de qualquer sermão são duas, a saber, 1) estrutura e 2) conteúdo. Ao analisarmos os principais tipos de sermão devemos perguntar: quais são as verdadeiras fontes que geram estas duas partes?

O sermão tópico geralmente extrai o esboço (estrutura) e o conteúdo a partir das habilidades literárias criativas do pregador. Se ele for um verbalista talentoso, a estrutura do sermão (tópicos e sub-tópicos) será viva e fácil de reter na memória. Se o pregador for inteligente, o conteúdo será apropriado à cultura e agradável, mas não necessariamente espiritual Verdades e convicções bíblicas podem fazer parte deste tipo de sermão. Isto dependerá em grande parte da piedade do pregador e do propósito na pregação daquele sermão. Na melhor das hipóteses, o sermão tópico é um discurso bíblico. Na pior das hipóteses, ele pode ser uma opinião pessoal tendenciosa sobre Deus e a religião.

Dependendo do pregador, haverá maior ou menor diferença entre o sermão textual e o tópico. Em geral, o sermão textual tem sua estrutura (esboça) numa parte limitada da Bíblia. Não há muitos versículos bíblicos isolados que se dividam naturalmente em três ou quatro partes. Todavia, em muitos sermões textuais o versículo bíblico isolado não é pressionado a produzir um esboço, porque geralmente ele é usado como “introdução” à introdução. Este é um caso clássico de uso do texto como pretexto. O versículo bíblico se torna um trampolim de onde o pregador salta com sua mensagem, sem pregar basicamente a mensagem de Deus. Neste tipo de mensagem, é fácil pregarmos sobre Deus, mas é difícil Deus pregar sobre si. Em termos de conteúdo, novamente tudo depende do pregador. O conteúdo de um sermão textual pode estar mais relacionado com as idéias religiosas do pregador do que com a Palavra de Deus.

Na melhor das hipóteses, o sermão textual irá esboçar e trabalhar em cima do versículo bíblico escolhido para o sermão. Na pior das hipóteses, o sermão textual pode fazer uso fraudulento das Escrituras para “santificar” tendências religiosas pessoais. Mesmo no melhor dos casos, o sermão textual pode facilmente se tornar a palavra do pregador, ignorando o contexto teológico do versículo isolado que se utiliza. É esta negligência casual quanto ao contexto que torna possíveis os mais estridentes erros de interpretação. O sermão textual divorciado de seu contexto nunca poderá ser bíblico no sentido direto do termo.

O sermão expositivo extrai a estrutura e o conteúdo diretamente do parágrafo a ser pregado. As Escrituras são a fonte básica para os dois. Não existe nada daquilo de usar as Escrituras para dar apoio secundário à forma e ao conteúdo do sermão expositivo. H. Grady Davis faz uma pergunta crucial: “A Bíblia é a fonte geradora da forma e do conteúdo, e o sermão realmente diz o que o texto diz?” (Davis 1958, 47).

Estamos chegando a mesma conclusão proposta por Robinson, quando ele escreveu que o sermão expositivo tem uma filosofia subjacente que desafia a definição (Robinson 1983, 15). Neste caso, minha percepção de seu termo “filosofia” aproxima-se das idéias de “mistério” e “teologia”. O mistério do sermão expositivo surge da natureza singular de Deus e de sua Palavra. A teologia da pregação expositiva está no Deus real que, em condescendência, revela-se a nós, através de sua Palavra proposicional.

Se fôssemos obrigados a dar uma definição de sermão expositivo, ela deveria incluir esta convicção geradora de vida: Deus é, e ele está falando a nós. Sua Palavra tem valor real no espaço e no tempo, a semelhança de Deus. O sermão expositivo é uma expressão prática desta convicção geradora de vida. Se Deus não é, então não há Palavra. Se não há Palavra, então não há sermão expositivo.

Uma das mais recentes e completas definições de pregação expositiva é a seguinte, em sua forma estilística:

Pregação expositiva – a comunicação de um conceito bíblico derivado

e transmitido através de um estudo

histórico,

gramatical

e literário de uma passagem em seu contexto,

que o Espírito Santo primeiramente aplica

à personalidade e experiência do pregador,

e, depois, através dele, a seus ouvintes (Robinson 1983, 22).

Visando os propósitos deste manual, modificarei esta definição, sem a intenção de depreciar qualquer uma de suas excelentes qualidades. Faço isto porque há muitos pregadores leigos que não tem acesso direto aos recursos teológicos acadêmicos. Eles não estudaram hebraico e grego, mas assim mesmo desejam expor a Palavra de Deus. A Bíblia no vernáculo que possuem não está tão distante do original, a ponto de Deus ficar incapacitado de falar. Parece estranho que Deus possa exigir que todos os pregadores conheçam hebraico e grego, a fim de exporem sua Palavra. Ele, em sua soberania, já não tomou providências para que sua Palavra salvífica fosse traduzida com clareza para centenas de línguas? Não apenas isto, mas Deus tem usado soberanamente as Bíblias no vernáculo para salvar e santificar literalmente milhões de almas.

Será que um certo elitismo teológico poderia estabelecer exigências estritas para o sermão expositivo, alegando a possibilidade de heresia? Este mesmo elitismo obviamente não tem exigido tanto de outros tipos de sermão. Será que muitas heresias não surgiram dos sermões tópicos e textuais em sua dispensa de uma integridade bíblica mais profunda? Minha preocupação é no sentido de que se os sermões textuais e tópicos podem ser considerados formas legítimas de apresentação da verdade, sem se extrair nada das línguas originais, por que o mesmo não vale para o sermão expositivo? Neste manual, o pregador será ensinado a fazer pleno uso de um parágrafo bíblico autônomo, no vernáculo, dentro de seu próprio contexto. Seu trabalho será orientado por sólidas regras de análise literária e estudo indutivo, que funcionam claramente em qualquer língua.

A definição a seguir depende de tudo que dissemos em termos da essência do sermão expositivo. Em nenhum momento quisemos deixar subentendido que o conhecimento das línguas originais é elitismo supérfluo! Todo conhecimento que alguém possa reunir deve funcionar na produção de uma exposição da Palavra de Deus e captar seu sentido para nós, hoje. Devemos usá-lo e, ao mesmo tempo, depender inteiramente do Espírito Santo.

Agora tentemos dar uma definição que se encaixe na filosofia e metodologia propostas neste manual. Admito que ela foi inspirada na definição dada acima, mas contém elementos chaves necessários para o tipo de exposição visado aqui.

O sermão expositivo vernacular: um discurso bíblico derivado de um

texto vernacular independente,

a partir do qual o tema é revelado,

analisado e explicado,

através de seu contexto,

sua gramática

e sua estrutura literária,

cujo tema é infundido pelo Espírito Santo na vida do pregador e do ouvinte.

O sermão expositivo é maior do que esta definição limitada, pois deriva sua essência e forma da íntima relação com a Palavra eterna de Deus. A Bíblia é o sangue vital do sermão expositivo, e a explanação, explicação e exposição são as partes conceptuais básicas e dinâmicas. O caráter do pregador é a caixa de ressonância da verdade pregada.

AS VANTAGENS DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA

 

O ancião Crisóstomo disse certa vez que o valor da pregação expositiva reside no fato de que Deus fala o máximo e o pregador o mínimo. Que percepção!

Quando o Espírito Santo inspirou o apóstolo Paulo a escrever “prega a palavra” (imperativo; 2 Tm 4.2), ele tinha boas razões. Afinal, Deus falou coisas dignas de serem ouvidas. Ele falou sobre assuntos de interesse de toda a humanidade com exatidão espantosa. “Prega a palavra” é uma frase que exprime convicção e convoca à exposição.

Há muitas vantagens na pregação de sermões expositivos que abranjam livros inteiros da Bíblia. Além de obedecer a um mandamento claro de Deus e encontrar paz, o expositor experimenta muitas outras vantagens práticas.

Em primeiro lugar, a pregação expositiva baseada em livros da Bíblia livra-nos da tarefa dúbia de inventar temas para a pregação a cada domingo. A invenção de temas é um trabalho que consome tempo e devora nossa energia. E quem pode ter certeza de que o tema selecionado é a escolha de Deus? Mesmo esta sombra de dúvida mina nossa convicção espiritual necessária para pregarmos estes temas. A pessoa que prepara sermões a partir de um livro da Bíblia já tem um tema geral dado par Deus, ao lado de outros temas de apoio nos parágrafos de pregação. Nada disso depende da invenção humana. Com um recurso rico como este, o pregador não precisa esgotar suas energias para provar sua capacidade de inventar. Ele fica livre para estudar o parágrafo da pregação na qualidade de Palavra de Deus. Ele tem liberdade para decifrar o tema divinamente inspirado e pregá-lo com bastante convicção. Tal convicção é exatamente o oposto das dúvidas incômodas que muitas vezes acompanham temas arquitetados pelo homem.

Descontando-se as férias do pregador e às vezes em que visitantes vem pregar, restam de trinta e oito a quarenta e três domingos para os quais duas mensagens devem ser preparadas. Isto significa que, em média, o ministro tem de inventar de setenta e seis a oitenta e seis temas apropriados e interessantes, sem ser repetitivo. Esta é uma tarefa considerável, pois nem todos os servos do Senhor foram feitos igualmente criativos. Alguns podem ser capazes de conseguir uma porção de temas para um ano ou dois de pregação, sem reprises. Outros ficarão com um punhado de repetições monótonas. O ponto negativo das repetições está nas reapresentações de temas não gerados pela Palavra. Não poucos pregadores terão bloqueios mentais que os atirarão num poço de desespero e falta de produtividade. Vários seminaristas já entraram em pânico diante da idéia de terem de cunhar dois temas para quase todos os fins de semana no ano. Muitos pregadores jovens encobrem o pânico com novidades em programas destinados a substituir as oportunidades regulares de pregação. Muitas vezes, o peso da culpa que acompanha tais táticas leva os ministros a crises emocionais e físicas. A partir deste ponto resta um pequeno passo para o abandono do ministério.

Ao contrário disso, o servo do Senhor que acredita sinceramente que Deus ainda fala através de sua Palavra exposta descobrirá temas vivos nas Escrituras. E com variedade e relevância! Já se observou que o estudante aplicado da Palavra descobrira temas bíblicos em número maior do que ele teria tempo para preparar e compartilhar.

Pensando em temas bíblicos, devemos lembrar outro aspecto relacionado. Os pregadores que fazem séries de exposições através dos livros da Bíblia apresentarão temas espontaneamente (ou inconscientemente) negligenciados pelos que têm medo ou duvidam. John R. W. Stott relata que ele estava no ministério havia vinte e cinco anos quando, pela primeira vez, pregou sobre o assunto do divórcio. Isto aconteceu enquanto fazia uma série de exposições sobre o Sermão da Montanha. O texto da semana seguinte versava exatamente sobre aquele assunto e não havia meio de evitá-lo. Ele tinha de tratar abertamente sobre o divórcio, e o fez. Sem dúvida, seus ouvintes foram biblicamente informados e edificados.

Numa íntima relação com isto, temos a segunda vantagem de expor temas bíblicos de uma forma natural. O expositor que segue através dos livros da Bíblia tem os temas de Deus para pregar, na seqüência em que eles aparecem. Ele não tem de adaptar a força os temas a certos problemas que surgem durante a semana. Para os pastores é uma grande tentação manipular seus próprios temas para atacar ou resolver problemas do momento. Os pregadores que cedem a isto são, muitas vezes, vistos como intrometidos e não são dignos de inteira confiança. A razão disto é que estes pastores colocam suas ovelhas na defesa. A exposição de temas bíblicos, à medida que surgem na série prescrita, anula a maior parte das acusações de que o pregador está tentando atingir certos membros. Numa série de exposições as pessoas sabem que o texto não foi selecionado por causa de qualquer “ira messiânica” no pastor.

Lembro-me do caso de um pastor recém-chegado que decidiu fazer uma série de exposições sobre o livro de 1 Coríntios. Na quinta mensagem, o expositor teve de lidar com o tema da imoralidade. Ele estava ali e não havia meio de pular o assunto. Em obediência e fé, ele pregou a Palavra. Pouco tempo depois, um membro da igreja o procurou para receber aconselhamento, confessando estar envolvido em conduta imoral. Ele sabia que o pastor não estava ciente da situação e tinha certeza de que a Palavra de Deus viera para convencê-lo através daquele sermão. Esta foi uma daquelas intervenções divinas em que o pecador estava plenamente cônscio da voz de Deus e apenas casualmente consciente do mensageiro. Ele não sentia que o pregador estava lá para atingi-lo, de modo que, humildemente, veio para receber ajuda redentora. Esta “Palavra” em especial chegou ao pecador na “plenitude do tempo” e na seqüência natural das mensagens.

O fator da nutrição é a terceira vantagem da pregação expositiva. A Palavra de Deus é alimento para alma, mente e espírito. Na pregação expositiva, o pregador não tem de impor categorias ” evangelísticas” ou “de edificação” a seu sermão. A Palavra de Deus destina-se a ser todas as coisas para toda a humanidade. Ela traz o novo nascimento a alguns e concede edificação moral a outros, segundo o desejo do Espírito.

“… pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente” (1Pe 1.23-25).

A Palavra do Senhor permanece, enquanto tudo mais perece. Ela não produz apenas o novo nascimento, mas também transformações éticas e morais naqueles que a ouvem com vontade. A passagem acima continua:

“Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas, e de toda sorte de maledicências, desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento para salvação, se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso” (1 Pe 2.1-3).

A Palavra de Deus, não a inteligência do pregador, faz com que um cristão cresça em sua salvação. A Palavra faz parte do ser de Deus, de um modo tal que, quando o Espírito nos capacita para a recebermos internamente, nós participamos da natureza de Deus (como em 2 Pe 1.4). Os cristãos crescem em suas expressões morais da salvação quando são nutridos pelo próprio Deus. Expor a Palavra é apresentar Deus por aquilo que ele é tanto para pecadores quanto para santos! A Palavra eficaz de Deus não depende de qualquer classificação artificial do sermão, seja para cristãos ou pecadores.

A propósito, temos aqui outro princípio amortecedor de tensões para ministros de qualquer lugar: a Palavra de Deus em si é tanto evangelística quanto edificante. O Espírito Santo aplica a Palavra segundo convém, a semelhança dos dons carismáticos. As epístolas do Novo Testamento foram escritas para cristãos. Assim mesmo, tais mensagens tiveram efeito salvífico sobre os não-salvos que as ouviram e leram nas igrejas. Nossa preocupação principal não deve ser com o fato de pregarmos um sermão evangelístico ou de edificação. Devemos nos concentrar em pregar a palavra e, assim, contar com o Espírito de Deus que fará com eficiência as aplicações.

A quarta vantagem da pregação expositiva está na unção específica de autoridade que a acompanha. Com grande freqüência o expositor tem consciência da autoridade divina que acompanha sua mensagem. Em seu coração ele sabe que é Deus quem fala e nem por um momento presume que o poder seja seu. Ele realmente sente a alegria de ser um poderoso porta-voz de Deus.

O apóstolo Pedro, no segundo capítulo de Atos, faz uma exposição sobre Joel 2.28-32 e Salmo 16.8-11. Ele faz isto com tanta autoridade que seus ouvintes clamam convictos: “Que faremos, irmãos?” (‘At 2.37). O resultado daquela autoridade divina foi a conversão de cerca de três mil almas. No capítulo três vemos como Pedro lidou com este influxo de autoridade. Depois de oferecer a cura de Cristo ao mendigo coxo, Pedro diz: “… por que vos maravilhais disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?” (At 3.12b). O que é surpreendente na autoridade que vem com a pregação da Palavra de Deus é a clara consciência de que ela pertence a Deus. Tanto o pregador quanto o ouvinte a vêem desse modo.

Filipe, o evangelista, experimentou em sua carne esta autoridade espiritual. Em Atos 8.34, Filipe explica Isaías 53.7, 8 ao eunuco etíope. Se admitirmos que este era seu estilo de pregação, então na primeira parte do capítulo oito, sem dúvida, Filipe expôs a partir daquela mesma passagem messiânica. Os resultados se manifestaram na autoridade de Deus sobre Samaria, onde ele expôs a Palavra.

“Filipe, descendo a cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As multidões atendiam, unânimes, as cousas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando com alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade” (At 8.5-7).

Nos poucos versículos seguintes, vemos Filipe cheio do poder da autoridade de Deus, e pessoas de todas as classes são convencidas a crer, sendo batizadas. Até o mágico, que havia enganado aquele mesmo povo, ficou maravilhado com a autoridade divina que sobreveio a Filipe. Como podemos ver, a autoridade na pregação está ligada a Palavra de Deus. Ela é vista por santos e pecadores como procedente de Deus, mesmo quando é demonstrada num ser humano.

O leitor pode querer saber a razão por que foram usados os exemplos de Pedro e Filipe, e não o de Paulo. Certamente, Pedro e Filipe não eram tão eruditos como Paulo. O Novo Testamento não os coloca debaixo da mesma luz do apóstolo. Talvez estes exemplos mostrem que, mesmo quando temos “menos” dons, ainda assim podemos ser fiéis expositores da Palavra viva de Deus.

Há uma quinta vantagem óbvia na pregação expositiva. O pastor e o povo aprofundam-se no conhecimento da Palavra de Deus, não apenas num nível fatual, mas também nas experiências da vida. Ouvir um pregador falar sobre religião é uma coisa. Outra coisa é ouvir Deus falando através do pregador e sentir as transformações miraculosas no caráter de uma pessoa. Em alguns círculos, isto é chamado o processo de santificação. Imagino que a maioria de nós concordaria com o fato de que precisamos mais deste acontecimento na vida dos membros das igrejas. Outra vez vem a nós a palavra do apóstolo Pedro: “Tendo purificado as vossas almas, pela vossa obediência a verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos de coração uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados… mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente” (1 Pe 1.22, 23).

Uma boa exposição exige uma boa pesquisa. A pesquisa revela novas idéias que renovam o pregador e os ouvintes, a semelhança de um gole de água borbulhante na fonte. Lucas, o autor do evangelho, dá-nos um belo exemplo disso em seu parágrafo inicial, em 1.1-4:

“Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (itálicos meus).

A pesquisa de Lucas torna seu relato da ressurreição “admiravelmente novo e diferente”. O que ele nos transmite em sua narração dos dois homens na estrada de Emaús é a convicção transformadora de vidas de que Jesus está vivo! O que Lucas diz sobre a doutrina e a obra do Espírito Santo, nas vidas de João Batista, Maria, Isabel, Zacarias, Simeão e do próprio Senhor, é um emprego habilidoso e novo de fatos pesquisados. Lucas faz com que “vejamos Jesus como uma figura real da história, não apenas como assunto de uma experiência abstrata” (Tenney 1982, 179-182).

Com o crescimento fenomenal da igreja em certas partes do mundo, a sexta vantagem torna-se importante. A pregação expositiva diminui bastante o desenvolvimento de idéias heréticas. Qualquer pessoa que pregue sobre um livro da Bíblia é forçada a usar seu contexto. O parágrafo da pregação sempre estará no contexto imediato do parágrafo anterior ou posterior. Os primeiros quatro passos da pesquisa (veja a introdução) mantém o expositor perto do texto em seus contextos imediato e geral. O uso de parágrafos como textos da pregação proporcionam uma guarda hermenêutica. Uma palavra ou frase anterior refreia uma interpretação potencialmente herética. Os pensamentos principais no parágrafo indicarão o tema teológico e dirão ao expositor o que e quanto falar sobre ele.

A pregação expositiva através de livros da Bíblia colocará à prova nossas convicções sobre doutrinas que podem ser mais tradicionais do que bíblicas. Assim, o expositor sincero estará mais interessado na integridade e verdade do que em idéias não-bíblicas. Tanto ele como seus ouvintes crescerão na verdade de Deus. E esta vantagem não é de se desprezar!

Faremos do que vem a seguir a sétima vantagem, somente se estiver intimamente relacionado com a vantagem acima. A pesquisa que a pregação expositiva exige do pregador o ajudará a cumprir Efésios 4.11, 12. Por natureza, a pregação expositiva capacita o pastor a ser um mestre, a fim de preparar o povo “para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”.

Alguns anos atrás, um seminarista e eu trabalhamos juntos na fundação de uma igreja em Atibaia, estado de São Paulo. Dividimos a primeira epístola de João em dez parágrafos de pregação, sendo que, semana sim semana não, cada um se responsabilizava por um sermão. Depois de dois meses de exposições, uma mulher que freqüentava as reuniões me disse o seguinte: “Esta igreja é diferente. Em minha outra igreja eu ouvia durante cinqüenta e dois domingos por ano sobre como nascer de novo. Nestes dois meses aqui, tenho ouvida mais sobre toda a história de Deus do que em todos os anos em que fui membro de minha igreja”.

A exposição da Palavra de Deus através dos livros da Bíblia é uma das melhores instruções teológicas que um pastor pode dar a si mesmo e, depois, a seu povo. O Dr. J. A. Broadus escreveu que o principal papel de um pastor é o de mestre. Com base nisto, sugere-se que a melhor maneira para que um pastor relacione a verdade com a vida diária é através de exposições sistemáticas (Bauman 1972, 211).

A oitava vantagem tem sido verificada por muitos pastores através da história. Todavia, esta vantagem nem sempre se materializa. Infelizmente, alguns expositores podem dar testemunho disto. A oitava vantagem é que a pregação expositiva tende a reavivar toda a dinâmica da igreja. Lideres se comprometem mais com a liderança. Os que lutam em oração passam a orar mais. Almas hesitantes assumem compromissos decisivos com Cristo. Os contribuintes dão mais e os que não contribuem são libertados da avareza. Os membros participam da causa missionária, saindo de uma condição morna para outra fervorosa, de quantidades limitadas para uma generosidade transbordante, de um patrocínio paternalista para um envolvimento pessoal. Os que amam a Bíblia lêem e entendem a Palavra de Deus com mais inteligência e testemunham com maior coragem.

Num artigo intitulado Preach the Word (“Prega a Palavra”), um certo Sr. Ruark relata o seguinte, conforme mencionado no livro He Expounded (“Ele Expunha”):

Depois de dez anos de pregação generalizada, típica e textual, passei os últimos três anos inteiramente na pregação expositiva, obtendo os seguintes resultados: mais almas foram salvas, mais melhorias foram feitas às propriedades da igreja e mais dinheiro foi dado as causas missionárias, mais do que em qualquer outro período da história da igreja; e foi Deus, operando através de Sua Palavra, quem fez tudo isto! (White 1952, 43.)

Segundo foi mencionado acima, nem todas as igrejas reagirão de modo positivo à pregação expositiva. Um de meus alunos de seminário pregou mensagens expositivas durante três anos numa igreja evangélica em São Paulo, e não houve nenhum reavivamento. Nada aconteceu à igreja, mas um grande crescimento espiritual ocorreu na vida do pregador. Num sentido muito real, ele manteve a coerência com sua crença de que a Bíblia é a Palavra de Deus! Ela não foi transmitida apenas em palavras, mas também foi demonstrada numa filosofia teológica coerente. Os membros daquela igreja, que sufocaram a verdade, foram efetivamente julgados pelo Senhor através do pregador e seu ministério fiel a Palavra.

Penso na visão de Isaías, em que Deus disse: “… quem há de ir por nós?” Isaías respondeu com prontidão: “… envia-me a mim”. Então Deus lhe falou que fosse e dissesse ao povo que eles iriam ouvir e realmente não entender; ver e não perceber; eles seriam tocados, mas não obedeceriam. Isaías queria saber quanto tempo ele deveria pregar a um povo endurecido, sem ver qualquer reavivamento. Deus disse que ele deveria fazer aquilo “até” que sobreviesse o julgamento ao povo. Mas, mesmo assim, Deus incluiu a promessa de que sua Palavra, por fim, iria produzir fruto: “Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derrubados (julgados), ainda fica o toco, assim a santa semente (a Palavra) é o seu toco”. O toco iria, finalmente, recobrar vida (veja Daniel 4.26).

A nona vantagem da pregação expositiva é que ela é uma abordagem de pregação aberta a todos os tipos de pregadores. Um pregador vibrante e extrovertido não tem mais direitos a este tipo de pregação do que o introvertido. A pessoa vibrante que expõe a Palavra de Deus logo perceberá que ela não pode confiar na dinâmica pessoal para realizar a obra do Espírito Santo. Isto não quer dizer que Deus não usa o entusiasmo e os recursos de comunicação de seus servos. Deus usa tudo que lhe dedicamos. O pregador que tem um espírito tranqüilo será confortado em saber que a Palavra de Deus é poderosa em si mesma. Não quero dizer que não se deve aperfeiçoar os recursos de comunicação pessoal. Deus espera que desenvolvamos nossos dons a partir do potencial natural, até a prática eficaz. O argumento é este: a pregação expositiva se concentra na Palavra de Deus, a qual contém em si a ação e energia do Espírito Santo. Não pode existir qualquer divórcio entre a Palavra e Deus, sua fonte. “Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12). O expositor, não importa quais ou quantos dons ele tenha, confia inteiramente no Deus da Palavra.

A décima vantagem da pregação expositiva é a seguinte: uma série de exposições através dos livros da Bíblia preserva e garante a variedade (Jones 1971, 75). Qualquer pessoa que exponha livros inteiros da Bíblia em forma de série tocará em vários assuntos: doutrina, vida interior, devoção a Deus, ética, origem da raça, escatologia, história, biografia, evangelização, dinheiro, sexualidade humana etc. Não existe uma área da vida humana que não seja tocada na Bíblia de forma detalhada ou geral.

A exposição bíblica é, às vezes, criticada como não sendo relevante. Um sermão expositivo pode ser irrelevante apenas se seu mensageiro também o for! Por quê? Porque o Deus eterno que falou na Bíblia ainda está falando aos assuntos básicos de nosso contexto atual. Nosso Deus eterno não pode fazer nada menos do que isso! O expositor pode ter certeza de que achará uma variedade de materiais importantes para a pregação que atendam às necessidades atuais daqueles que estão sentados nos bancos.

Estas são algumas vantagens da pregação expositiva. Sem dúvida, o leitor poderá fazer alguns acréscimos. Seria uma ótima experiência de aprendizado se cada leitor pudesse fazer contato com cinco praticantes da pregação expositiva e lhes perguntasse quais vantagens sobrevieram a eles.

O TEMPO E O MINISTÉRIO DA PALAVRA

 

No pensamento secular, “tempo é dinheiro”. Tempo perdido é dinheiro perdido. Quando nos entregamos ao ministério da palavra, o tempo se torna sagrado! Ele é mais do que uma reunião de minutos, horas e dias. Para o pregador da Palavra, o tempo é um kairos (uma oportunidade que lhe é confiada). Quando um pregador é chamado para trabalhar numa igreja, ele assume um kairos. Por vontade soberana, pode ser um período de três, cinco ou dez anos. Terminados estes anos, eles não podem ser chamados de volta, revividos ou corrigidos. Eles são uma responsabilidade sagrada e precisam ser tratados com profundo respeito, dia a dia.

Uma vez que o tempo é sagrado, o uso que fazemos dele traz implicações éticas. O aspecto moral do emprego do tempo parece não influenciar os pensadores modernos. A infidelidade ao calendário e ao relógio é algo bem comum. E, uma vez que “todo mundo faz isso”, por que a consciência de alguém deveria ser incomodada? Quando o pecado se torna uma ocorrência sociológica difusa, a consciência pública do erro moral ou ético se torna insensível. Até mesmo homens e mulheres chamados para servir a Deus muitas vezes caem sem querer no mau uso ético do tempo.

Tem sido observado que a maioria de nós tem medo de empregar mal o tempo que nos é destinado sobre a terra cometendo diretamente suicídio. Assim mesmo, perdemos horas e dias de modo insensato e não percebemos que estamos “matando” partes de nosso ser moral. Qualquer um que se envolva no ministério da palavra terá de encarar este chamado como um kairos que exige plena dedicação ao uso adequado do tempo.

A vida é muito curta para ser desperdiçada. E a vida no ministério da palavra é breve demais para ser medíocre. Se a exposição das Escrituras for central ao ministério da palavra, então nós, servos de Deus, teremos de recompor nossa filosofia acerca do valor do tempo.

Não é verdade que Jesus Cristo veio para redimir tanto os seres humanos quanto o universo material (Rm 8.21-23)? E a expiação de nosso ser e nosso mundo também não inclui a redenção dos minutos, horas e dias destinados a cada um de nós? Pensar que meu tempo sobre a terra também já foi redimido pelo Deus poderoso é algo penetrante.

“… assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo (antes de existir tempo), para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” (em nossas dimensões de tempo e espaço; Ef 1.4). “… nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as cousas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Ef 1.11, 12). Onde mais isto poderia acontecer, senão no tempo e no espaço? A expressão fundamental da redenção do tempo aparece em Efésios 2.10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

Como Deus poderia, na eternidade, nos escolher e designar para as boas obras sem levar em consideração a quantidade de tempo que nos seria destinada sobre a terra? Parece-me que nosso tempo foi incluído na redenção graciosa de Deus. Isto requer uma abordagem moral ou ética do usa de nosso tempo.

Em certo ponto de seu livro Christ and Time (“Cristo e o Tempo”), Oscar Cullmann escreve sobre uma dimensão ética do tempo. Vemos esta idéia num dos salmos. “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos, ou, em havendo vigor, a oitenta: neste caso o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos” (Sl 90.10). Alguns teólogos classificam este período geral de tempo com a palavra grega chronos. O Salmo 90.12 parece ter uma conotação mais aplicável a idéia da palavra grega kairos: “Ensina-nos a usar bem os dias da nossa vida para que nos tornemos sábios” (Bíblia na Linguagem de Hoje). Este versículo parece falar do “momento certo” ou da “oportunidade para se fazer algo” (Lightfoot 1980, 70). Penso que a ética espiritual está envolvida na escolha que o Espírito fez da palavra “bem”. Senhor, ensina-nos a respeitar todo o tempo a nós destinado (os setenta ou oitenta anos) e a redimir as oportunidades especiais dentro desse período.

Os ministros do evangelho de Jesus Cristo são responsáveis pelo uso do tempo. Um sermão pobre geralmente é pobre porque o servo de Deus não usou com sabedoria o tempo kairos que lhe foi destinado.

O tempo é sagrado para aqueles que se dedicam ao ministério da palavra. Estes servos gastarão o tempo necessário para estudar as Escrituras, a fim de expô-las com zelo e inteligência. Sim, eles experimentarão a tentação de fazer “outras coisas importantes”, em vez de estudar.

Vários anos atrás, uma pesquisa feita com 473 pastores batistas do sul dos Estados Unidos mostrou que, em média, o pastor gasta 25% de seu tempo no preparo dos sermões. Se aqueles pastores trabalhassem em média quarenta e oito horas por semana, eles teriam reservado duas horas por dia ao estudo. Cuidados pastorais ocupavam 39% do tempo deles, ou três horas e meia por dia. A administração tomava 21% do tempo, ou menos de duas horas por dia, e 15% do tempo eram usados com “outros deveres”, ou cerca de uma hora e meia. Todavia, 50% dos pastores apontaram a necessidade de mais tempo para o preparo de sermões. Devido ao fato de que, em muitos lugares, a maior parte dos pastores prega zelosamente cinco ou seis vezes por semana, duas horas por dia para estudo parecem muito pouco.

Um estudo de quatro horas na parte da manhã melhoraria o conteúdo do sermão. Isto ajudaria o pastor a deixar que os membros capacitados fizessem os “outros deveres” e até mesmo prestassem um pouco dos cuidados pastorais.

Com base no panorama mencionado, o pastor, em média, gasta dez horas por semana para preparar seus sermões (muitos pastores preparam três mensagens por semana). Suponha que a igreja dele tenha uma freqüência média de 100 pessoas, sendo que cada uma delas faz um esforço voluntário para chegar a igreja e ouvir um sermão de trinta minutos. Os trinta minutos de audiência para 100 pessoas se transformam em 50 homens/hora. Suponha que o sermão que estejam ouvindo seja resultado de três horas de estudo ou três homens/hora em relação aos 50. As poucas horas gastas no preparo daquele sermão fazem justiça a todos os homens/hora representados pelos 100 ouvintes?

Se levarmos isto para o plano individual, o pregador gasta cento e oitenta minutos no preparo, e cada um dos 100 membros da igreja gasta trinta minutos ouvindo. E, além disso, o ouvinte também gasta tempo para chegar a igreja. Em alguns países, muitos cristãos andam quilômetros ou tomam ônibus para chegar a igreja. Quem calcularia as energias gastas? O servo do Senhor precisa olhar para a congregação e saber que ele honrou a Deus e ao povo de Deus, fazendo um uso correto de seu tempo. Uma consciência culpada neste ponto quase sempre se revela em censuras habituais e severas no púlpito, e isto nada mais é do que uma transferência psicológica de culpa.

Os ministros da Palavra não somente precisam ter uma visão ético-teológica da natureza sagrada do tempo, mas também devem demonstrá-la na prática. Parece difícil aos pastores programar o tempo que lhes é destinado diariamente. Talvez isto aconteça pelo fato de o planejamento parecer uma coisa tão humana, tão destituída de dimensões místicas ou espirituais. Assim, é raro encontrar um pregador que ore e espere no Senhor para receber orientação mística no planejamento de um piquenique ou de férias. A semelhança de qualquer outra coisa, a ação humana de planejar algo pode ser dedicada a Deus e a sua glória.

Existe um elo psicológico entre o planejamento e a execução do plano. Se o pregador estabelecer seu plano de estudar quatro horas em cada uma das cinco manhãs, ele tenderá a obedecer ao plano. Planejamentos conscientes podem levar a compromissos. Compromissos energizam o corpo, a alma e o espírito.

O número de planos para o uso do tempo é o mesmo que o número de pastores. E cada plano reflete de um modo prático as filosofias teológicas do pregador quanto ao tempo e ao ministério da palavra. Minha convicção pessoal é no sentido de que o pastor não pode dedicar menos do que quatro horas por dia no preparo de um ou dois sermões expositivos por semana.

Uma vez que o pastor é quem se encarrega de seu próprio tempo, estas quatro horas podem ser colocadas numa parte do dia que melhor se adapte a situação. Um pastorado em área rural pode ser bem diferente de outro na zona urbana quanto as exigências pastorais diurnas ou noturnas. Uma área industrial será bem distinta do subúrbio. Meu professor de homilética, Farris W. Whitesell, estimulava-nos a fazer uma avaliação séria de nossa situação pastoral em termos sociológicos e, então, estabelecer em nossa agenda diária blocos de tempo para o preparo de sermões.

A melhor forma de organizar um programa de estudos é fazer uma lista das obrigações diárias que tomem tempo. Aliste o que deve ser feito e quanto tempo é necessário para cada tarefa. Por alguma estranha razão (psicológica?), os servos cristãos tendem a fugir com medo deste exercício. Esta atitude acontece com freqüência onde há excesso de orgulho ou um profundo sentimento de insegurança. Quase sempre uma avaliação se transforma numa revelação chocante do uso e mau uso do tempo de uma pessoa. Uma análise aberta do uso normal do tempo ajudará o servo do Senhor a dedicar conscientemente ao preparo do sermão às quantidades de tempo apropriadas.

Talvez seja oportuno aqui fazer a grande pergunta. De que forma os servos do Senhor utilizam mal o tempo? Novamente temos de ser cuidadosos ao fazermos esta avaliação, pois neste ponto entram em jogo os sistemas de valores. Todavia, diante de riscos consideráveis, seguem aqui algumas observações.

Primeira, freqüentemente desperdiça-se tempo quando se dorme demais. É verdade que quase sempre o pastor fica ocupado até tarde da noite. Contudo, o hábito de dormir até tarde é um hábito e pode fazer que o dorminhoco perca de cinco a oito horas de estudo por semana!

Em segundo lugar, freqüentemente desperdiça-se tempo com a procrastinação. Deixar o estudo para outra hora é uma forma bastante clara de perder tempo para o preparo do sermão. A procrastinação tem dois elementos básicos em si que, quando compreendidos, ajudarão o servo do Senhor a evitá-la. Ela está relacionada com uma auto-imagem deficiente. Quase de modo inconsciente, o pregador diz a si mesmo: “Você não tem talento suficiente para a tarefa da pregação; você não consegue se sair bem nisso!” Este tipo de monólogo acontece na mente de centenas de pastores e, por estranho que pareça, ele não é reconhecido como uma mentira do diabo. Os pregadores da verdade com freqüência a aceitam e, então, “pregam” a mentira através de sermões semi-preparados. O servo do Senhor deve evitar a procrastinação por meio da resistência a mentira e ao reafirmar a verdade de seu chamado para proclamar o evangelho. Ele deve conhecer e possuir os dons que lhe foram dados pelo Espírito Santo.

É imperativo que o pregador prepare as mensagens, mesmo quando ele não tem vontade. Em geral, o fato de não ter vontade de estudar é fruto de monólogos mentirosos. Estas mentiras quase sempre são cobertas com conversa espiritual. Lembro-me de um missionário que afirmou certa vez: “Pregarei apenas quando o Espírito Santo me disser que assim faça”. Ele pregava muito pouco! Este tipo de inércia recebe a condenação das Escrituras, porque ninguém pode ter certeza do amanhã (Tiago 4.13, 14). Milhares de circunstâncias podem surgir para “ajudar” alguém a adiar para amanhã o preparo do sermão que deveria ser feito hoje.

Outro elemento na procrastinação é a lei do menor esforço. Tendemos a fazer aquilo que seja mais fácil. Em algumas sociedades, a conversa casual faz parte do estilo de vida. Nestas sociedades, um pastor pode conversar durante horas com a maior facilidade. Ele pode se sentir edificado e pode ter até edificado seu parceiro de conversa. Mas o tempo gasto com excesso de conversa não pode ser recuperado e usado no preparo de um sermão. Da mesma forma, alguns ministros têm facilidade para administrar, e a tendência deles é de organizar e mobilizar a igreja, sem alimentá-la. As enormes quantidades de tempo gastas na administração nunca poderão ser recicladas e usadas no preparo de sermões. Ao dar prioridade social ou filosófica aquilo que é cultural ou fácil, o servo do Senhor diminui a qualidade de seu ministério da palavra.

Em terceiro lugar, desperdiça-se tempo quando o servo do Senhor não tem um plano de pregação. Para muitos, o ato de planejar parece um exercício carnal. Sem um programa de pregação, o pregador gastara muita energia física e espiritual, tentando “criar” temas vitais para cada domingo. Quando o pregador tem por hábito fazer uma busca frenética do tema do domingo, no sábado a noite ou no domingo pela manhã, temos um claro sinal de mau uso do tempo. O planejamento dos sermões torna-se mais fácil quando o pregador decide, pela orientação do Espírito, pregar sermões expositivos que abranjam um livro da Bíblia. Este caminho não é fácil. O servo do Senhor ainda tem o trabalho de pesquisar quais são os temas no livro da Bíblia escolhido. Entretanto, felizmente ele não tem de gastar energia para criar temas que freqüentemente refletem idéias pré-concebidas do pastor, em vez da vontade de Deus. A exposição coerente de livros da Bíblia tem em si uma reserva inerente e inesgotável de temas soberanamente inspirados. Este tipo de plano “natural” de pregação da ao povo e ao pastor um sentido de direção. O objetivo claro a ser atingido no livro da Bíblia tende a criar um espírito de expectativa dentro da igreja como corpo. É este espírito de expectativa que leva o pastor e a igreja ao estudo ativo das Escrituras.

Por fim, o tempo é mal empregado no ministério da palavra, quando o servo de Deus deixa de possuir e exercer seu dom espiritual. Parece que em Efésios 4.7-16 Deus concede “dons do Espírito” aos indivíduos crentes. Ele então designa alguns crentes como “dons de pessoa” ao corpo, a igreja. Os “apóstolos… profetas… evangelistas… pastores e mestres” são selecionados por Deus “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”. Assim, “alguns” são chamados para serem “dons de pessoa” (pastores e mestres) para a igreja.

Muitas pessoas chamadas para serem pastores e mestres separam de alguma forma as duas palavras, dizendo: “Meu dom é pregar! Eu não sou um mestre”. Mas a preposição “e” com freqüência tem a conotação de “isto é” ou “em particular”. Assim, poderíamos ler a frase deste modo: “… pastores, isto é, mestres” ou “pastores ensinadores” (Rienecker 1985, 394).

Pastores ensinadores, que quadro bonito! Que chamado nobre! Que grande responsabilidade ser um bom administrador do kairos de Deus no ministério da palavra! Para o servo de Deus, trata-se de um grande pecado afirmar casualmente (contrariando a vontade de Deus) que “eu não sou um mestre!” Tal declaração pode ser uma fuga psicológica da responsabilidade de pregar diligentemente a Palavra de Deus. Todo servo chamado tem a obrigação de conhecer e empregar seu dom. Se o Senhor chamou uma pessoa para ser pastor-mestre, então a única resposta correta é “polir” aquele dom, segundo tradução de uma versão do Novo Testamento. Isto exige um uso consciente do tempo sagrado. Segundo escreve o Dr. Baumann:

O mordomo sábio é aquele que doma o tempo, que acha que o relógio pode ser um servo, não um senhor, que programa as coisas, que se levanta cedo, que gasta tempo em seu escritório, gasta tempo fazendo as coisas que precisam ser feitas, pois ele tem um senso de responsabilidade pessoal diante de Deus e da igreja… Para ser útil, o tempo tem de ser domado (Baumann 1972, 39).

O homem de Deus precisa ser naturalmente um expositor da Palavra de Deus. Ele não pode expor a Palavra se não tem o hábito de estudá-la e pesquisá-la. Motivado por uma filosofia teológica, o servo do Senhor “domará” o tempo e fará estudos sistemáticos para suas mensagens expositivas. Como mordomo de Deus, o pregador usa corretamente o tempo. Como arauto, ele proclama com fidelidade aquilo que Deus, seu Rei, ordenou. Combinando sua teologia da natureza sagrada do tempo com a fidelidade à mensagem de Deus, o arauto do Senhor faz duas coisas:

1) estuda para tornar a Palavra de Deus compreensível a mente do ouvinte e 2) incentiva uma resposta baseada na compreensão intelectual da verdade. John R. W. Stott defende esta idéia, ao mostrar que os verbos usados para descrever a pregação apostólica referem-se a uma compreensão mental da verdade, isto é, didaschein (ensinar), dialegesthai (argumentar), syzetein (discutir), synchynein (confundir), paratithemi (provar) e diakatalegkein (refutar poderosamente). “Não há dúvida de que o kerygma apostólico primitivo estava cheio de sólido didache” (Stott 1961, 48, 49).

O pastor ensinador expõe a Bíblia porque ele acredita que o espírito humano pode ser ativado quando a mente está imbuída na verdade e por ela é convencida. Em Atos 17.4, lemos: “Alguns deles foram persuadidos e unidos a Paulo e Silas, bem como numerosa multidão de gregos piedosos e muitas distintas mulheres”. O que tornou possível que fanático religiosos e presunçosos intelectuais vissem a luz? Os versículos dois e três nas dizem. O apóstolo arrazoou (dielezato), expondo (dianoigon) e demonstrando (paratithemenos) o significado da morte e ressurreição de Jesus Cristo. A proclamação apostólica não era uma homilia superficial para preencher o tempo.

OS ANTECEDENTES HISTÓRlCOS E CULTURAIS

 

Antes da tarefa propriamente dita de preparar a primeira exposição de uma série, o arauto de Deus precisa fazer alguns preparativos relacionados com o livro da Bíblia escolhido. Tal estudo deve fornecer ao pregador um tema geral e uma reserva cheia de ilustrações históricas e culturais. Mais tarde neste capítulo aparecerão algumas sugestões sobre como fazer este preparo.

Suponhamos que o pregador tenha decidido fazer uma série de exposições no livro de Filipenses. O contexto histórico do livro pode fornecer informações que irão acrescentar cor a seus sermões. Um sermão em “preto e branco” (opaco) não tem muitos fatos fascinantes que surgem dos antecedentes históricos e culturais de um livro da Bíblia.

Saber que César enviou um destacamento especial de trezentos soldados com suas famílias, para “romanizar” a cidade de Filipos, é algo que da vida a Epístola aos Filipenses. Posso ouvir as ordens dadas aquelas tropas de ocupação: “Insistam para que o povo de Filipos fale a mesma língua de Roma. Exijam que adorem o imperador. Matem-nos se eles não proclamarem religiosamente: ‘César é Senhor’”. Aquele minúscula grupo de crentes em Filipos, Paulo escreve: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo” (Filipenses 1.27). Quantos crentes havia em Filipos naquela época? Dez? Catorze? Qualquer que seja o número, eles eram poucos.

O verbo “vivei” tem origem na palavra grega politeuomai e significa agir como um cidadão. Aqueles poucos cristãos eram membros de um reino maior que o de Roma. Eles tinham um Senhor maior do que César. Sim, eles deviam ser bons cidadãos dos dois reinos, mas Cristo receberia prioridade. Mesmo que isto significasse prisão ou morte, eles colocariam Jesus Cristo acima do imperador.

Nos dias de hoje, os cristãos verdadeiros constituem uma minoria. Constantemente eles são tentados a assumir compromisso com o secularismo. Quando insistem em falar sobre moralidade e ética cristã nos negócios ou na política, quase sempre são ridicularizados e marginalizados.

O expositor que fizer uso inteligente de dados culturais e históricos enriquecerá sua mensagem e cativará o ouvinte. Veja isto nas palavras do Professor Liefeld:

Muitos sermões são ricos em ilustrações atuais (como devem ser), mas tristemente magros quanto a vida, eventos, tensões, emoções, personalidades, problemas e outros itens que fazem parte da coloração do pano de fundo do Novo Testamento (Liefeld 1985, 33).

Contudo, como o pregador encontra e usa estes fatos históricos e culturais? Dois recursos nos vêm a mente. O primeiro recurso é de natureza interior, relacionado com o espírito. Trata-se de uma disposição disciplinada para ler. O espírito de preguiça milita contra a leitura. Mas o pastor-mestre irá cultivar conscientemente o bom hábito de leituras amplas. Isto pode não ser fácil para o ativista que está completamente concentrado em pessoas. Para ele, o fato de estar com pessoas e fazer coisas é naturalmente fácil. Deixar de lado a liderança e concentrar-se na leitura é algo difícil. Entretanto, estas duas experiências são importantes para uma pregação expositiva coerente, e o arauto de Deus sincero arrumará tempo para cada uma delas.

O segundo recurso é um suprimento mínimo de livros técnicos sobre a Bíblia. Infelizmente, é verdade que em muitos países os bons livros sobre história e cultura bíblicas são raros e muito caros. Mas o servo do Senhor zeloso fará sacrifícios para ter pelo menos o mínimo necessário. Um dicionário bíblico e uma enciclopédia da Bíblia são indispensáveis. Além disso, uma concordância bíblica, uma introdução ao Antigo Testamento, bem como uma introdução ao Novo, devem fazer parte do material de estudo do pastor. Comentários bíblicos freqüentemente incluem informações históricas e culturais que o pregador pode usar para expor a Palavra com clareza. “Compra a verdade, e não a vendas; compra a sabedoria, a instrução, e o entendimento” (Provérbios 23.23).

Temos aqui um procedimento simples a ser seguido. Em primeiro lugar, determine o livro da Bíblia através do qual será feita a série de exposições. Gaste tempo orando quanto a isto e consulte os membros espirituais da congregação. Pergunte a eles qual livro da Bíblia eles realmente gostariam de dominar. Lembre-se de que as mensagens serão a Palavra de Deus, não importa qual livro seja escolhido. Deus ama sua Palavra e está comprometido moralmente a falar através dela!

Segundo, faça uma leitura rápida do livro, a fim de obter em sua mente um quadro geral daquilo que ele contém. Repita este passo, se houver alguma dúvida quanto ao rumo do livro. Em muitas epístolas do Novo Testamento, isto exigirá apenas 30 minutos. Livros mais longos do Antigo Testamento terão de ser divididos em partes e lidos em períodos concentrados de tempo. Sei de pastores que separam um dia na semana para leitura exclusiva das Escrituras. Este tipo de “infiltração” é indispensável ao expositor sério. Muitos pastores-mestres sábios usam suas férias para tranqüilamente se “infiltrarem” nos livros da Bíblia que eles planejam pregar durante o ano. Um de meus professores disse certa vez que G. Campbell Morgan lia um livro da Bíblia 50 vezes, antes de pregá-lo.

Em terceiro lugar, reúna num bom caderno de anotações os elementos de informação dos Iivros técnicos. Recomendo o uso de cadernos grandes e capricho no trabalho, de modo que possa ser guardado para uso futuro. Um seminarista precavido mostrou-me certa vez as 66 pastas de arquivo que ele havia comprado com um sacrifício considerável. Mesmo antes de possuir um arquivo, ele decidiu ter uma pasta para cada livro da Bíblia. Ele planejava passar cuidadosamente por esta fase de preparo e guardar tudo para uso futuro. Seguem aqui alguns exemplos de informações a serem reunidas para cada série de exposições de um livro:

O autor do livro

1. Quem é o autor (significado de seu nome)?

2. há provas internas ou externas de autoria (veja 1 Coríntios 16.21)?

3. Quais os outros livros que ele escreveu?

4. Quais os outros livros que mencionam seu nome ou feitos?

5. Qual a sua profissão?

6. Que tipo de pessoa ele era (veja Jeremias 1.6)?

II. Os destinatários do livro

1. A que grupo racial o livro se dirige (judeus, gentios)?

2. Qual a perspectiva religiosa deles?

3. Que palavra(s) é (são) usada(s) para caracterizá-los?

4. Qual era a posição social deles (pobreza, nobreza)?

5. Quem eram seus Ideares?

6. De que eles viviam (agricultura etc.)?

III. A data e a época do livro

1. Em que ano o livro foi escrito?

2. Que guerra, ação inimiga ou catástrofe natural ameaçava ou aconteceu?

3. Que líder secular dominava o cenário político?

IV. O contexto geográfico do livro

1. Quais países e cidades se destacam no livro? Que locais específicos são enfatizados?

2. Que rio(s), montanha(s) ou planície(s) forma(m) o palco onde Deus atua para se revelar?

V. As confirmações arqueológicas do livro

Quais objetos ou inscrições arqueológicas confirmam os eventos e/ou personagens do livro?

VI. O cenário cultural do livro

1. Quais superstições, tabus ou elementos de magia aparecem?

2. Qual o valor conferido a família?

3. Quais costumes aparecem quanto a alimentação, vestuário, comércio, guerra, religião, idioma etc.?

4. Qual o código ético/moral demonstrado?

VII. O tema teológico do livro

1. Qual o assunto geral do livro (salvação, santificação, julgamento)?

2. Que frase ou combinação de palavras se repete; que tema isto sugere para o livro?

3. Segundo os livros técnicos, qual seu tema?

Naturalmente, nem todas estas perguntas terão respostas. Mas qualquer arauto de Deus que seja sério irá pesquisar nos livros e na Bíblia o maior número possível de respostas. Ele tentará compreender o cenário histórico e cultural, a fim de interpretar com maior exatidão a mensagem bíblica.

Walter C. Kaiser Jr. faz uma excelente análise do uso de informações culturais pelo pregador. Algumas referências a cultura são neutras e descritivas. Outros fatos culturais são veículos da revelação divina e a verdade prescrita neles não pode ser reduzida arbitrariamente a “um mero relato de uma situação hoje extinta”. O pregador precisa não se atrapalhar com a “natureza histórica ou culturalmente condicionada de algumas exigências éticas ou ensinos gerais da Bíblia…” (Kaiser 1981, 114-121). Em outras palavras, a história e a cultura submetem-se às Escrituras. Pelo fato de ser a Palavra de nosso Criador soberano, a Bíblia interpreta a história e a cultura, não vice-versa.

Através dos anos incentivei os seminaristas a fazerem esta pesquisa

com seriedade e aplicação. As razões eram simples. Um estudo cuidadoso dos antecedentes como este iria confirmar e fixar em suas mentes aquilo que já haviam estudado no instituto bíblico ou no seminário. Isto aumentaria seu conhecimento bíblico e os ajudaria a se tornarem grandes peritos em suas áreas, mesmo que nunca tivessem estudado numa instituição teológica. Este projeto de pesquisa criaria uma rica fonte de idéias ilustrativas e interpretativas para futuras exposições. Um bom início cedo no ministério da palavra levaria o arauto a um bom final!

Passaremos agora para o segundo dos dois estágios preparatórios, antes de efetivamente trabalhar na primeira mensagem expositiva da série. Na verdade, este passo é uma extensão deste que acabamos de completar.

A DEFINIÃO DOS PARÁGRAFOS DA PREGAÇÃO

 

Este segundo estudo preliminar é relativamente simples. Em conseqüência, ele pode ser encarado como supérfluo. Uma vez que este exercício envolve a leitura em devoção da Palavra de Deus, ele não deve ser classificado como algo que possa ser omitido. Geoffrey Thomas pergunta o porque de haver tão pouco poder no púlpito. Sua conclusão concentra-se na atitude básica do ministro diante da Bíblia. Thomas, então, faz a seguinte pergunta: “Nós lemos a Bíblia?” e acrescenta o seguinte comentário:

Isto é terrivelmente elementar, mas é por onde devemos começar. Nós lemos a Bíblia? Nós a lemos mais do que o jornal do dia? Nós a lemos a cada dia? Enxergamos como nosso dever examinar diariamente as Escrituras, separar tempo para isto e estudá-las atentamente? Será que nós as interrogamos, fazendo perguntas e decifrando seu significado? Fazemos disto uma das principais finalidades na vida? Lemos outras coisas que iluminam nossa compreensão da Bíblia? Nas conversas com cristãos falamos sobre o significado da Palavra de Deus? Somos movidos pelas Escrituras (Logan 1986, 373)?

Esta leitura do livro da Bíblia selecionado neste exercício não se destina ao preparo de sermões específicos. Ela se relaciona a descoberta de quantos “blocos de pensamento”, chamados parágrafos da pregação, aparecem em todo o texto. Todavia, esta leitura é feita com devoção. Através de seu poder inerente e de sua persuasão intelectual, a Palavra afetará o arauto consciente e inconscientemente, porque ela “penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas”, sendo “apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4.12). Até este ponto, pesquisamos os antecedentes históricos e culturais. Agora estamos prontos para simplesmente dividir o livro da Bíblia em unidades de pregação que sejam convenientes, as quais prefiro chamar parágrafos da pregação. O procedimento é o seguinte:

(1) Leia os títulos dos parágrafos escolhidos pelos publicadores de sua Bíblia. Copie-os no lado esquerdo de uma folha de anotações, mostrando quais versículos são abrangidos. Por exemplo, eu abro minha Bíblia na versão de Almeida Revista e Atualizada, na Epístola aos Filipenses, e coloco o seguinte em minha folha de anotações:

Parágrafos e títulos extraídos da Bíblia:

1. Ações de graça e súplicas em favor dos filipenses (1.3-11)

2. A situação do apóstolo contribui para o progresso do evangelho (1.12-26)

3. A unidade cristã na luta (1.27-30)

4. Exortação ao amor fraternal e a humildade (2.1-4)

5. O exemplo de Cristo na humilhação (2.5-11)

6. O desenvolvimento da salvação (2.12-18)

7. Paulo e seus companheiros Timóteo e Epafrodito (2.19-30)

8. A exortação referente a alegria cristã (3.1)

9. O aviso contra os falsos mestres (3.2-11)

10. A soberana vocação (3.12-16)

11. Os inimigos da cruz de Cristo (3.17-4.1)

12. Apelo de Paulo para Evódia e Síntique. Regozijo e oração (4.2-7)

13. O em que pensar (4.8, 9)

14. A gratidão de Paulo para com os filipenses (4.10-20).

Sem contar as saudações iniciais e os versículos finais, há catorze parágrafos de pregação possíveis.

Nem todas as Bíblias tem as mesmas divisões. Isto se deve ao fato de os publicadores terem dividido o texto segundo a percepção que tinham das linhas de pensamento. Assim mesmo, estas divisões e títulos não devem ser desprezados. Ao mesmo tempo, eles não devem ser classificados como infalíveis ou inspirados. Portanto, o próximo passo ajudará o expositor a concordar, discordar e modificar os parâmetros e títulos dos versículos dos parágrafos. Passemos agora para o passo número dois.

(2) Tendo em mãos a folha de anotações, leia em atitude de devoção cada parágrafo, parando depois de cada um para escrever no lado direito da folha a idéia ou assunto principal do parágrafo. Deve ser algo mais ou menos assim:

Parágrafos e títulos extraídos da Bíblia  Alterações nos parágrafos 
1. Ações de graça e súplicas em favor dos filipenses (1.3-11) Amor e intercessão
2. A situação do apóstolo contribui para o progresso do evangelho (1.12-26) A incomparável soberania de Deus
3. A unidade cristã na luta (1.27-30) Inalterado
4. Exortação ao amor fraternal e à humildade – (2.1-4) Inalterado
5. O exemplo de Cristo na humilhação (2.5-11) Serviço voluntário à semelhança de Cristo
6. O desenvolvimento da salvação (2.12- 18) Refletindo a glória de Deus
7. Paulo e seus companheiros Timóteo e Epafrodito (2.19-30) Servos semelhantes a Cristo
8. A exortação referente à alegria cristã (3.1) Inalterado
9. O aviso contra os falsos mestres (3.2-11) Idolatria evangélica
10. A soberana vocação (3.12-16) Crescimento espiritual contínuo
11. Os inimigos da cruz de Cristo (3.17- 4.1) Inalterado
12. Apelo de Paulo para Evódia e Síntique – Regozijo e oração (4.2-7) O senhorio de Cristo na vida diária
13. O em que pensar (4.8, 9) Inalterado
14. A gratidão de Paulo para com os filipenses – (4.10-20) O segredo do contentamento

 

Assim, o pregador lê, compara e, algumas vezes, modifica os títulos apresentados em muitas Bíblias. É desnecessário dizer que este exercício não deve ser feito na mesma semana em que será pregado o primeiro sermão (principalmente se for escolhido um dos livros grandes do Antigo Testamento para a série de exposições).

Quais as vantagens deste segundo exercício de preparo anterior ao sermão? Em primeiro lugar, ele ajuda o pastor-mestre a se tornar profundamente íntimo do livro da Bíblia que ele planeja expor. Esta intimidade o ajuda a pregar o livro de modo coerente e unificado. Lembro-me da série de exposições feita por Warren Wiersbe. Em suas exposições da carta aos filipenses ele descobriu que a palavra mente aparece 10 vezes e pensar ocorre 5 vezes. Acrescente-se a isto 1 referência a lembrar-se e 16 referências em 4 capítulos que focalizam a mente do cristão (Wiersbe 1985, 15). Com esta visão geral, Wiersbe está apto para fazer uma série coerente, cujo esboço, segundo penso, irá ilustrar claramente este assunto:

FILIPENSES – A mente cristã alegre

I. A MENTE COERENTE – Capítulo 1

Alegria, apesar das circunstâncias Versículo chave: 1.21

1. A comunhão do evangelho – 1.1-11

2. O avanço do evangelho – 1.12-26

3. A fé do evangelho – 1.27-30

II. A MENTE SUBMISSA – Capítulo 2

Alegria, apesar das pessoas Versículo chave: 2.3

1. O exemplo de Cristo – 2.1-11

2. O exemplo de Paulo – 2.12-18

3. O exemplo de Timóteo – 2.19-24

4. O exemplo de Epafrodito – 2.25-30

III. A MENTE ESPIRITUAL – Capítulo 3

Alegria, apesar das coisas Versículos chaves: 3.19, 20

1. O passado de Paulo – 3.1-11

2. O presente de Paulo – 3.12-16

3. O futuro de Paulo – 3.17-21

IV. A MENTE SEGURA – Capítulo 4

Alegria que vence a preocupação

Versículos chaves: 4.6, 7

l. A paz de Deus – 4.1-9

2. O poder de Deus – 4.10-13

3. A provisão de Deus – 4.14-23 (Wiersbe 1985, 25)

A segunda vantagem óbvia que advém da leitura e do esboço dos parágrafos da pregação é que ela oferece ao arauto a chance de conviver com a série de parágrafos antes de pregá-los. Isto abre o caminho para que Deus molde e transforme o caráter do arauto e, assim, o torne coerente com aquilo que ele prega.

Nos capítulos 7 e 8 estivemos pensando sobre os dois exercícios preliminares de pesquisa que devem ser feitos antes do preparo de um sermão específico. Demonstramos que os antecedentes históricos e culturais de um livro bíblico específico são importantes para a interpretação, informação e uma comunicação incisiva. Esta pesquisa exige disciplina. A filosofia interna do pregador quanto ao tempo e ao ministério da palavra irá influenciar bastante no zelo com o qual ele abordará esta tarefa. Um domínio panorâmico do livro bíblico em questão é indispensável para as exposições coerentes. O processo de esboçar os parágrafos da pregação através de leituras feitas com devoção ajuda a impregnar de autoridade espiritual o pregador e os sermões.

Lembre-se: é fácil manter-se fiel à sã doutrina das Escrituras de um modo formal ou teológico. Todavia, deve-se viver aquela doutrina com uma paixão coerente pela Bíblia. Este amor pela Bíblia resultará numa pregação expositiva inteligente.

OS QUATRO PASSOS DA PESQUISA

 

Chegamos agora ao primeiro passo no preparo de cada mensagem da série de exposições dos livros da Bíblia. Meus alunos na Faculdade Teológica Batista de São Paulo comentavam com freqüência que o Espírito de Deus usava este exercício para despertar o desejo de pregar o texto. Isto era gratificante. Por que? Porque a primeira pesquisa não é técnica ou estritamente homilética. Eu a classificaria como um ato de devoção. O fato de colocar em primeiro lugar uma abordagem de devoção tende a interiorizar o material do sermão; o pregador expõe com seu coração. O sermão cerebral pode ser bíblico, mas assim mesmo não ter poder, devido a esta separação imprudente entre a cabeça e o coração.

A principal fonte para o conteúdo e a forma de nossa mensagem será o parágrafo autônomo. Deste modo, o arauto de Deus precisa ter intimidade com aquela porção autônoma da Bíblia, chamada por mim de parágrafo da pregação. Constance J. Gefvert ajuda-nos a compreender que um parágrafo é “um ensaio em miniatura auto-abrangente ou parte de uma obra maior…” (itálicos do autor), com uma idéia única e apoiado por um, dois ou três tipos de ordem em sua argumentação e lógica (Gefvert 1985, 125, 126). À medida que lemos cada vez mais o parágrafo bíblico, começamos a vê-lo como um ensaio em miniatura com um idéia ou ponto principal. Enquanto observamos a ordem e o número de argumentos para aquela idéia, vemos como eles são desenvolvidos no parágrafo da pregação.

PASSO DE PESQUISA N.º 1: FAMILIARIZAÇÃO

Chegamos assim a primeira pesquisa, chamada por mim de passo de familiarização. As etapas marcadas pelas letras A, B, C e D são as seguintes:

(A) Leia todo o primeiro parágrafo da série. Leia-o do começo ao fim e certifique-se de que normalmente existe uma idéia ou tema dominante em cada parágrafo.

Uma forma de destacar o tema é observar a repetição de palavras, frases ou idéias. Muitos salmos começam com um tema no primeiro versículo, repetem a idéia no meio e terminam com a mesma nota. No Salmo 20, Davi invoca a Deus para que este responda àqueles que se encontram angustiados. Ele repete a idéia no final do versículo 5, dizendo: “… que Deus atenda todos os seus pedidos!” (Bíblia na Linguagem de Hoje). No último versículo, ele pede a Deus que responda quando chamarmos. O tema tem algo a ver com o Deus que responde e o exercício da fé (quanto a este padrão, veja outros salmos, como 29, 32, 36, 54, 59, 71, 80, para mencionar apenas alguns).

Por exemplo, com Filipenses 1.3-11, eu escrevo em minha folha de pesquisa o título e as frases seguintes:

PASSO DE PESQUISA No. 1: FAMILIARIZAÇÃO – (A)  TEMA

Texto: Filipenses 1.3-11

Versículo 3 – “… por tudo que recordo de vós”.

Versículo 4 – “… fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações”.

Versículo 7 – “… vos trago no coração”.

Versículo 8 – a “saudade que tenho de todos vós”.

Versículo 9 – “… faço esta oração”.

Vemos claramente que três frases falam sobre afeição e três sobre oração. Daí, então, o tema: “Oração intercessória e afeição” ou “O amor que motiva a intercessão”. O expositor poderá querer confirmar estas conclusões, repetindo este exercício com uma versão moderna ou estrangeira do parágrafo bíblico. Os arautos do Senhor que têm capacidade para ler em outro idioma encontram com freqüência novidades e outras confirmações daquilo que já haviam concluído.

Neste mesmo passo da pesquisa, deve ser feita a segunda parte do exercício de familiarização. Meus alunos diziam que era esta parte que muitas vezes os inspirava a querer pregar sobre aquele texto.

(B) Escreva em outra folha uma paráfrase pessoal do parágrafo da pregação. Algumas vezes levo a forma final desta paráfrase para o púlpito e a leio como parte de minha introdução. É surpreendente como este exercício tem me ajudado a me envolver emocional e espiritualmente com o parágrafo bíblico. Uma das formas de escrever uma paráfrase é preparar a folha de pesquisa da seguinte maneira:

FAMILIARIZAÇÃO – (B) PARÁFRASE

Texto: Filipenses 1.3-11

Versículo   Substantivos   Sinônimos   Verbos   Sinônimos

Depois de pronta a folha de pesquisa, leia o parágrafo da pregação do começo ao fim, versículo por versículo, e extraia de cada um os substantivos, verbos e locuções verbais mais importantes. Complete um versículo antes de passar para o próximo. Consulte cada substantivo e cada verbo num dicionário e copie um sinônimo para cada um na coluna correspondente. Alguns pregadores têm a felicidade de possuir um dicionário de sinônimos, o que facilita bastante a realização deste exercício. Aqui se recomenda uma advertência. A escolha dos sinônimos que fazemos pode nem sempre refletir o sentido exato do texto original. Nosso consolo é que quando chegarmos ao exercício de exegese, teremos condições de corrigir nossa paráfrase e torná-la mais exata. Neste ponto, a folha de pesquisa deverá ser mais ou menos assim:

FAMILIARIZAÇÃO – PARÁFRASE

Texto: Filipenses 1.3-11

V. Substantivos Sinônimos Verbos Sinônimos
3  Deus Ser Supremo Dar graçasRecordar

 

AgradecerLembrar

 

4  Orações Pedidos Fazer súplicas  Solicitar 
5  CooperaçãoEvangelho AssociaçãoBoas novas    
6  Boa obraDia de Cristo Bom trabalhoDia do julgamento Estou certoCompletar

 

ConvictoContinuar

 

7 JustoAlgemas

Graça

CorretoPrisão

Privilégio

PensarTrazer

Defender

Confirmar

Participar

 

ReagirTer

Proteger

Endossar

Compartilhar

 

8  Saudade Terno amor Testemunhar  Depor 
9  OraçãoAmor

Conhecimento

Percepção

SúplicaDevoção

Iluminação

Discernimento

 Aumente

 

 Transborde

 

10 ExcelentesDia de Cristo MelhoresDia do julgamento AprovarSer puro

Ser inculpável

 

DescobrirAutêntico

Imaculado

 

11 FrutoJustiça

Jesus Cristo

Glória

louvor

ResultadoIntegridade

Salvador

Radiância

elogio

Ser cheioSer mediante ReaprovisionarFluir de

 

Com base neste exercício, escreva uma paráfrase somente com sinônimos dos substantivos e dos verbos. Tenha o cuidado de manter a mesma gramática do parágrafo da pregação. Use sinônimos para esclarecer o texto, estimular a imaginação e inspirar o espírito. Aqui está o resultado de minha paráfrase de Filipenses 1.3-11:

3. Agradeço ao Ser Supremo, especialmente quando me lembro de vocês. 4. Em todos os meus pedidos, sempre solicito (a Deus) por vocês com prazer, 5. Devido a associado de vocês comigo nas boas novas, desde o primeiro dia até agora, 6. Estando convicto de que Deus, que começou um bom trabalho em vocês, irá continuá-lo até o dia do julgamento. 7. É correto que eu reaja emocionalmente desta forma, pois eu os tenho no coração, amados; então, esteja eu na prisão ou ocupado protegendo e endossando as boas novas, vocês ainda compartilham do perdão de Deus comigo. 8. O Senhor depõe a meu favor como desejo, com o terno amor de Jesus, tê-los perto de mim. 9. E esta é minha súplica: que a devoção de vocês (por Cristo) possa transbordar em profusão com iluminação e profundo discernimento, 10. De modo que vocês possam descobrir aquilo que é excelente e ser autênticos e imaculados até o dia do julgamento de Cristo, 11. Sendo reaprovisionados com o resultado da integridade piedosa que flui em nós, através de Jesus Cristo para a honra radiante e o elogio de Deus.

No primeiro passo da pesquisa, procuramos um tema dominante no parágrafo da pregação. Usamos dicionários e fizemos uma paráfrase caseira, a qual poderá ser aperfeiçoada, se necessário, durante o segundo passo da pesquisa de exegese.

(C) Neste ponto, devemos fazer o terceiro exercício no processo de familiarização. Suponhamos que o arauto de Deus tenha apenas começando uma série de exposições baseadas em Filipenses. Ele quer pregar sua primeira mensagem, mas não sabe ao certo quais devem ser os limites dos versículos de sua primeira mensagem. Deve ele incluir os próximos versículos e aumentar o parágrafo? O que determina exatamente um parágrafo de pregação autônomo?

Temos aqui um procedimento simples que deve ser assumido imediatamente. (O expositor que tenha lido o livro da Bíblia cinco ou seis vezes irá achar isto muito útil e confirmatório.) Este terceiro exercício deve ser feito na mesma folha de pesquisa da familiarização. Este é o procedimento para a verificação dos limites dos versículos do parágrafo da pregação:

(1) Escreva o tema do parágrafo. Ele deve ser claro como cristal.

(2) Copie os substantivos e locuções verbais que mais se repetem no parágrafo.

(3) Leia o parágrafo seguinte e verifique se o tema e/ou os principais substantivos e verbos são freqüentemente repetidos. Caso sejam, inclua este novo material e revise a paráfrase e os limites dos versículos do parágrafo.

Neste ponto, a folha de pesquisa deve ser mais ou menos assim:

Familiarização – (C) LIMITES

Texto: Filipenses 1.3-11

1. TEMA: Amor, a motivação de uma oração intercessória.

2. REPETIÇÕES: “minhas orações”; “fazendo, com alegria, súplicas”; “faço esta oração”; “recordo de vós”; “vos trago no coração”; “saudade que tenho de todos vós”.

3. PARÁGRAFO SEGUINTE: Faltam semelhanças no parágrafo seguinte. Assim, Filipenses 1.3-11 é autônomo e pode ser tratado como um parágrafo a ser cuidadosamente exposto.

Talvez um exemplo de outro livro do Novo Testamento ajude a esclarecer o valor deste procedimento. A história de Ananias e Safira, em Atos 5, parecia-me não ter antecedentes. Por que aquele tipo de pausa ali? Além disso, por que o parágrafo anterior, Atos 4.32-37, é uma unidade de pregação tão vaga, sem um tema claro? Ao estudar os dois parágrafos, raiou sobre mim a compreensão de que eles estavam relacionados. A unidade e a generosidade na primeira igreja eram motivadas por amor altruísta a Deus e seu reino, em Atos 4.32-37. José, o levita, também conhecido como Barnabé, exemplificou este espírito com sua oferta, mas aquele altruísmo foi prostituído por um amor desregrado por dinheiro e fama. Ananias e Safira macularam a comunidade cristã, à semelhança de Acã, em Josué 7.1-26. Ao estudá-lo, o parágrafo acabou se tornando Atos 4.32-5.11.

(D) A última parte do processo de familiarização é a confecção de um esboço analítico do parágrafo da pregação. O parágrafo tem uma lógica inerente e um fluxo de idéias em si. O expositor deve captar este fluxo, a fim de evitar divagações tangenciais ao pregar.

Um fato misterioso, mas sempre reincidente, é que muitos pregadores têm dificuldade em preparar sermões, por não pensarem em linha reta. Isto quer dizer que eles não desenvolvem um sermão como se fosse um todo unificado e lógico (Achtemeier 1980, 87).

O esboço analítico serve para dar ao arauto de Deus sensibilidade a estrutura literária do parágrafo. Este senso de estrutura dará unidade ao sermão depois de pronto. Ajudará a cativar e manter a atenção dos ouvintes, pelo fato de a mente humana ser atraída naturalmente pela ordem lógica.

Quais são os elementos essenciais de um esboço analítico? Primeiro, ele é um esboço seqüencial do parágrafo. Ele nunca ultrapassa os limites dos versículos do parágrafo e sempre acompanha a disposição exata dos versículos. Em segundo lugar, ele é um traçado visual das principais idéias do parágrafo. Em terceiro lugar, é um esboço do conteúdo real do parágrafo, sem interpretações conscientes ou adornos da homilética. Portanto, este esboço não deve ser confundido com o esboço homilético final do sermão.

Observe no próximo exemplo de esboço analítico o mecanismo do esboço. As divisões principais são representadas por algarismos romanos e as subdivisões com algarismos arábicos. Cada divisão principal tem um endereço, isto é, um versículo ou versículos que delineiam aquela idéia. As subdivisões também são indicadas com versículos ou partes deles. Observe também que não são utilizados os recursos homiléticos de introdução e conclusão. Aqui está um exemplo de esboço analítico que fiz para o extenso parágrafo de Atos 2.14-41:

FAMILIARIZAÇÃO – (D) ESBOÇO ANALÍTICO

Texto: Atos 2.14-41

I. O APÓSTOLO EXPLICA O MILAGRE DA PROFECIA QUE SE CUMPRIU (2.14-22)

1. Pedro, falando pelos onze, dirige-se formalmente a multidão (v.

14).

2. Pedro promete uma explicação do milagre (v. 15).

3. Pedro cita a profecia de Joel (vv. 16-21).

4. O milagre destina-se a levar as pessoas a salvação (v. 21).

II. A APRESENTAÇÃO DE JESUS COMO O MILAGRE DE DEUS (2.22-28)

1. Jesus realizou milagres (v. 22).

2. Deus estava agindo em Jesus na realização dos milagres (v. 22).

3. Deus planejou com antecedência a vida de Jesus sobre a terra (v.

23).

4. Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos (v. 24).

5. Davi profetizou estas coisas (vv. 25-28).

III. JESUS É O MESSIAS PROFETIZADO (2.29-35)

1. A morte de Davi é um fato histórico (v. 29).

2. Davi profetizou que seu descendente seria o Messias (v. 30).

3. Davi profetizou a ressurreição do Messias (v. 31)

4. A aplicação de Lucas: Deus ressuscitou a este Jesus (v. 32).

5. Este Jesus foi exaltado à destra de Deus (v. 33).

6. Este Jesus recebeu a promessa do Espírito Santo (v. 33).

7. Davi não era o Messias, mas profetizou acerca de Jesus, o Messias (vv. 34, 35).

IV. EXORTA-SE A QUE SE ACEITE JESUS COMO SENHOR/MESSIAS (2.36-41)

1. A clara conclusão de que Jesus é Senhor (v. 36).

2. A evidência do Espírito que convence as pessoas (v. 37).

3. Pedro esboça os passos para a salvação (vv. 38, 39).

4. As muitas pessoas que ouviram e responderam (vv. 40, 41).

Aí está ele! O primeiro passo da pesquisa é um processo de familiarização com as palavras, o tema e a estrutura literária do parágrafo. Isto propicia um envolvimento espiritual através do exercício da paráfrase e ajuda a determinar os melhores limites para o parágrafo bíblico. O leitor deve tentar fazer este exercício de quatro etapas, empregando um parágrafo selecionado e, assim, experimentar o desejo vivificante de expor a Palavra eterna de Deus.

Allan Stibbs cita F.B. Meyer para arrematar a idéia de familiarização como parte necessária no preparo de um sermão:

“O ponto mais alto na entrega de um sermão acontece quando o pregador está “possuído” e… tal “possessão” ocorre com maior freqüência e facilidade ao homem que vive, dorme, come e anda em comunhão com uma passagem na melhor parte da semana” (Stibbs 1963, 37).

PASSO DE PESQUISA 2: A EXEGESE

O segundo passo da pesquisa é chamado exegese. Devo lembrar novamente ao leitor que o foco deste projeto está sobre os pregadores que nunca tiveram oportunidade de estudar as línguas originais da Bíblia. Além disso, muitos pregadores têm carência de comentários, dicionários e outros recursos teológicos no vernáculo. Portanto, temos de utilizar com criatividade o fato de Deus, em sua soberania, ter permitido que sua Palavra fosse traduzida para muitos idiomas. Isto por si só já me incentiva a acreditar que um estudo das Escrituras no vernáculo, orientado por uma boa análise literária e uma lógica instruída pelo Espírito, produzirá exposições ortodoxas. O próprio Deus deve ter acreditado que a maior parte da humanidade poderia aprender a verdade da salvação eterna e da piedade sem o conhecimento de grego e hebraico. Prova disto é a existência de milhões de crentes que são o sal da terra!

Segundo já mencionei, existe uma idéia elitista de que somente as pessoas instruídas na exegese de grego e hebraico têm condições de expor a Bíblia. A premissa baseia-se na idéia de que a interpretação é uma ciência exata. Portanto, o conhecimento das línguas originais da Bíblia garante interpretações desprovidas de idéias pré-concebidas ou psiques feridas. A chamada nova hermenêutica tem nos mostrado que nós todos, incluindo as pessoas versadas em grego e hebraico, nos aproximamos do texto com “uma certa quantidade de bagagem cultural, lingüistica e ética” (Carson 1988, 128). É por isso que o próprio ato da exegese, seja no vernáculo, como em nosso caso, ou nas línguas originais, é um exercício tanto espiritual quanto intelectual. Devemos orar pedindo mentes livres de restrições culturais e psicológicas, isto é, mentes abertas à verdade que brilha além das interpretações tradicionais. A Bíblia fala de consciências puras ou limpas, em Hebreus 9.14. Em 1 Timóteo 3.9, somos admoestados a conservar “o mistério da fé com a consciência limpa”.

A exegese é uma parte muito espiritual no preparo das exposições bíblicas. Com o pequeno ou grande preparo teológico que possamos ter, todos expomos a Bíblia como arautos. A disposição mental do verdadeiro arauto é de fidelidade. A fidelidade nasce da sinceridade, do amor e do auto-exame. Uma vida de devoção saudável ajuda a gerar “sobriedade exegética” em nosso coração. Não é necessário dizer que a exegese deve ser feita em espírito de oração.

Carson escreve sobre a “espiral hermenêutica”, em oposição ao antigo círculo hermenêutico. Ele vê o intérprete se aproximar progressivamente do sentido do texto. Parece que este movimento espiral acerca do sentido depende de nossa autoconsciência. Se conhecemos a nós, nossa cultura religiosa e idéias pré-concebidas, e “vemos” tudo isto como janelas através das quais realmente observamos, interpretamos e aplicamos o texto bíblico, “então se torna possível abordar o texto com uma sensibilidade maior…” (Carson 1984, 129).

Um de meus alunos, hoje missionário em Angola, contou-me a história de um pregador ali que, inconscientemente, revelou problemas emocionais, por ler errado e interpretar mal a frase em 1 Coríntios 7.9. Ao ler o versículo, ele passou a tratar com severidade a “prática moderna” de rapazes e moças que andavam de mãos dadas ou abraçados. “A Bíblia condena todo tipo de abraço”, ele exclamava. Sua mente perturbada, que se colocava contra todo tipo de contato social entre jovens, possibilitou que ele “visse” no versículo um favorecimento desta convicção. Um preconceito cultural, emocional e espiritual fez com que ele visse um “c cedilha” no verbo “abrasado”, em lugar do “s”. Ele concluiu que todo abraço entre amigos era pecaminoso, apesar de o versículo declarar simplesmente que “é melhor casar do que viver abrasado” (e não “abraçado”).

Em certos círculos evangélicos, a exegese é considerada algo que os teólogos liberais praticam, a fim de colocar a Bíblia em descrédito ou minar a fé. Outros grupos dizem que não é preciso estudar, pois “o Senhor lhe dará uma mensagem quando você se levantar para pregar”. Do lado esquerdo pecam os elitistas com um intelectualismo exclusivo e do lado direito os evangélicos simplistas com um misticismo mal orientado.

Como fiéis arautos de Deus, queremos, na medida do possível, “chegar à história real – aprender aquilo que ela verdadeiramente diz com seus próprios termos e não aquilo que pensamos ou desejamos que ela diga” (Achtemeier 1980, 47). Passamos agora para a tarefa de exegese no vernáculo, estendendo nosso conhecimento e compreensão da Palavra de Deus, mesmo com as limitações deste tipo de análise.

Uma boa exegese no vernáculo depende do domínio técnico e intuitivo que o arauto possui sobre seu próprio idioma. Mesmo quando não se conhece a terminologia gramatical das partes de uma oração, Gefvert parece indicar que as “formas das palavras, a posição delas e a função na relação de uma com a outra…” nos dão uma percepção de quem é o sujeito e daquilo que se diz sobre ele (Gefvert 1985, 153, 154).

O parágrafo da pregação terá uma série de palavras de ação chamadas verbos. Estes verbos expressarão uma ação, uma ocorrência, ou indicarão uma condição. Os verbos declaram alguma coisa sobre o substantivo (sujeito) ou fazem uma ponte entre o sujeito e outra palavra que completa o pensamento sobre ele. No parágrafo bíblico que estiver sendo estudado, o arauto encontrará estas palavras de ação em maior ou menor número. Uma vez compreendidos, os verbos dão ao pregador o sentimento das exigências, obrigações ou benefícios que Deus faz ou oferece a humanidade naquele parágrafo bíblico em particular.

Em suas funções mais simples, os verbos expressarão ações, ocorrências e condições nos seguintes tempos: a) presente, b) pretérito, c) futuro, d) presente perfeito (ação iniciada no passado com efeitos ainda no presente), e) pretérito perfeito (algo que começou e terminou no passado) e f) futuro perfeito (ação que começará e terminará no futuro).

A exegese no vernáculo pode parecer para alguns um atalho ilegítimo e para outros um grande alívio para a difícil tarefa do estudo concentrado de lingüística. Todavia, a exegese no vernáculo exigirá tanta energia quanto a outra. Por certo, ela requer uma análise sadia das palavras e frases no parágrafo da pregação. O arauto de Deus deve estar pronto a cavar o texto no vernáculo, até que o ouro do significado seja descoberto. Há duas maneiras de se preparar uma folha de pesquisa para este exercício de exegese. A primeira abaixo destina-se aos servos de Deus que tiveram instrução escolar a nível secundário, mas sem contato com as línguas bíblicas. Nossa segunda abordagem da exegese é no vernáculo. Destina-se àqueles que não tiveram treinamento formal em gramática e nenhum contato com as línguas originais das Escrituras. Para o primeiro caso, prepare uma folha de pesquisa semelhante ao seguinte exemplo:

V. Verbo Tempo Modo Voz Versículos do AT e do NT que ilustram / explicam os verbos Substantivos, pessoas, lugares e coisas relacionadas com os verbos

 

Tendo a folha de pesquisa preparada, faça o seguinte exercício, que é parte de uma exegese no vernáculo:

1. Separe no parágrafo as principais palavras de ação ou frases em cada versículo, copiando-as na coluna de verbos da folha de pesquisa.

2. Nas colunas para tempo, modo e voz, escreva os tempos e modos dos verbos (indicativo, subjuntivo, imperativo) e a voz (ativa ou passiva) para cada verbo considerado.

3. Fazendo uso de uma concordância, consulte as principais passagens do Antigo e do Novo Testamento que empregam aquele verbo, a título de ilustração ou explicação, e resuma o que eles dizem sob aquela coluna.

4. Copie debaixo da última coluna os nomes das pessoas, lugares e coisas aos quais o verbo se refere em cada sentença.

Certifique-se de que deixou lugar na folha de pesquisa para escrever conclusões baseadas nas seguintes perguntas:

1. Quais tempos e formas dos verbos são repetidos? O que isto diz sobre a “energia” do parágrafo, se a maior parte dos verbos está no tempo presente e no modo imperativo (etc.)? Os verbos aparecem mais na voz ativa ou passiva? O que isto tem a ver com a “energia” do tema do parágrafo?

2. Uma vez que as Escrituras confirmam as Escrituras, como as passagens do AT e do NT esclarecem o sentido destes verbos de uma forma prática? As ações se limitam a Deus ou dependem dele? As ações estão igualmente abertas a pecadores ou santos (etc.)?

3. Quantos substantivos (pessoas, lugares ou coisas) estão praticando as ações? Quantos recebem a ação? Quantos substantivos são repetidos literalmente ou através de sinônimos? Quem ou qual é o principal agente e qual a principal ação no parágrafo?

4. Escreva um parágrafo resumindo o que o escritor do parágrafo da pregação transmitiu por inspiração.

Para o segundo modo de fazer exegese no vernáculo, prepare uma folha de pesquisa como a seguinte:

Principais palavras  de  ação (verbos) Tempo em que acontece  a ação Direção  da ação Pessoas, lugares  e coisas  que praticam  a ação

 

Com a folha de pesquisa pronta, faça o seguinte exercício, a fim de entender com maior exatidão o texto:

1. Copie debaixo da primeira coluna as principais palavras do parágrafo que mostrem ação, ocorrência ou condição (verbos principais).

2. Copie o tempo em que as ações acontecem (presente, pretérito, futuro, presente perfeito, pretérito perfeito, futuro perfeito, etc.) debaixo da coluna respectiva.

3. Observe a ação de cada verbo para ver se a sujeito recebe a ação (passivo) ou se ele pratica a ação (ativo), escrevendo “P” ou “A” debaixo da terceira coluna.

4. Copie os nomes dos sujeitos que praticam ou recebem a ação, escrevendo debaixo da coluna de pessoas, lugares ou coisas.

Reserve espaço na folha de pesquisa para escrever algumas conclusões para cada coluna baseadas em respostas a estas perguntas:

1. Quantos verbos principais na primeira coluna são idênticos e/ou sinônimos? Qual a ligação lógica entre os verbos principais, se é que existe alguma?

2. Existe na segunda coluna um tempo verbal dominante no parágrafo? Existe alguma seqüência lógica nos tempos verbais, à medida que avançam no parágrafo? A ação dominante é algo contínuo, completo ou pertence ao futuro?

3. Na terceira coluna, qual a direção dominante da ação principal?

As pessoas ou coisas praticam ou recebem a ação? As ações são condicionais, ordenadas ou são exemplos a serem seguidos?

4. Na coluna número quatro, quem ou quais coisas dominam o parágrafo? Há alguma “categoria” de agente(s)? Há uma seqüência de agentes? As pessoas, lugares ou coisas são figurados, fictícios ou reais? Como as pessoas se identificam com seus ouvintes?

5. Utilizando um comentário, dicionário ou outro livro teológico de referência, copie na folha de pesquisa definições esclarecedoras de cada palavra obscura ou difícil.

6. Baseado nestas definições, reescreva a primeira paráfrase feita durante o exercício de familiarização e, se necessário, torne mais exata sua gramática.

Num sentido real, a exegese é uma forma inteligente e piedosa de se ouvir a Palavra do Senhor, a fim de que o arauto seja fiel e inspirado pelo Espírito.

O passo de familiarização destina-se a nos dar uma perspectiva do parágrafo inteiro, assim como nos afastamos de um quadro para vê-lo como um todo. Um dos objetivos do passo da exegese é nos fornecer detalhes das unidades básicas do parágrafo, isto é, o significado e o sentido das palavras.

O próximo passo, o estudo indutivo, destina-se a ajudar o arauto a ver o inter-relacionamento e a lógica dos argumentos contidos no parágrafo da pregação. Esta pesquisa dá ao expositor muita coisa para o conteúdo básico do sermão. De fato, o arauto perceberá que esta pesquisa sempre produz mais material do que aquele que pode ser compartilhado no sermão!

PASSO DE PESQUISA 3: O ESTUDO INDUTIVO

Num dicionário é possível ler algo mais ou menos assim, como descrição do método de estudo indutivo: uma pessoa estuda toda uma série de fatos ou casos, a fim de chegar a uma conclusão mais ampla ou geral. O parágrafo da pregação é um compêndio de fatos. Com grande probabilidade, eles estarão inter-relacionados e apontarão, implícita ou explicitamente, para um princípio geral. Assim, o estudo indutivo, sendo bem feito, deve conduzir o expositor a descoberta de duas coisas. A primeira é o princípio geral (máxima) ou ensino que cerca todo o parágrafo. A segunda é uma série de argumentos que defenderão, provarão ou elucidarão aquele princípio geral.

Então, para o expositor, o que é um estudo indutivo das Escrituras? Quais são seus elementos básicos? Os elementos são três e cada um exige a interação espiritual e intelectual do expositor sincero. O pregador precisa observar com exatidão o conteúdo do parágrafo, interpretá-lo de modo apropriado e aplicar de uma forma prática os fatos à vida. Este processo tripartite de estudo irá fornecer a maior parte do “recheio” ou argumentação da exposição.

A Observação. A habilidade da observação é algo que se desenvolve

com o passar do tempo. A prática torna perfeita esta arte. Parece que muitos leitores da Bíblia tem um senso de observação muito pobre. Talvez a razão disso seja que na vida cheia de ocupações não prestemos atenção a detalhes. Temos a tendência de pressupor muitas partes pequenas da vida. Por exemplo, algo que me fascina é a multivariedade de insetos no Brasil. Certa ocasião, decidi observar as atividades das formigas aladas. As fêmeas, cheias de ovos, finalmente se cansam de voar e vêm zumbindo para o chão numa aterrissagem desajeitada. Depois de alguns minutos de uma aparente caminhada desorientada, a formiga para. Então, com uma agilidade surpreendente, ela ergue a perna e quebra as duas asas de um lado. Fazendo o mesmo do outro lado, ela agora está livre para aquilo que o “destino” requer. Com a engenhosidade de uma abelha, ela cava um buraco de mais ou menos 2,5 cm. de profundidade. Acontece então a manobra principal. A formiga abaixa-se no buraco e põe seus ovos, algo que ela nunca poderia fazer com aquelas quatro longas asas salientes. Num dado momento elas haviam sido boas para vôos de acasalamento. Todavia, para as atividades de reprodução e criação as asas não eram convenientes. Quando perguntei a meus alunos se eles já haviam observado este processo, 95% da classe disseram “não”.

Como arte, a observação pode ser desenvolvida para toda a vida, especialmente para o estudo e compreensão das Escrituras. Sterrett, num artigo escrito para a extinta revista His, afirma que a estrutura da sentença e a gramática são os instrumentos que Deus utiliza para transmitir o significado de sua revelação. Enquanto observamos cuidadosamente o parágrafo da pregação, o Espírito de Deus irá nos apontar as nuanças de detalhes que transformarão a exegese em expressões práticas do sermão.

A Interpretação. O expositor interpreta agora a intenção básica da verdade (usando a frase de Kaiser) das palavras e frases do parágrafo. O que o autor do parágrafo diz sobre vida, Deus, humanidade, estruturas sociais, pecaminosidade, piedade, deveres, etc.? Como estas declarações se unem num tema básico? O que as figuras de linguagem (caso existam) dizem sobre o significado do tema?

Um dos segredos da boa interpretação é o ato de fazer perguntas precisas que forcem o texto a se interpretar. Uma série de perguntas

chaves irá, com freqüência, revelar o sentido básico do texto. Quem é (são) a(s) pessoa(s) no texto? Por que certa palavra é usada apenas uma vez (ou repetida)? Quais ameaças ou promessas estão no texto? Quais são as implicações ou resultados das afirmações, súplicas ou ordens dadas no texto? Como o alinhamento dos fatos no texto causa impacto sobre o tema? Quando acontece o evento, ação ou afirmação?

Algumas vezes, o texto parecera continuar imóvel. Então, outra série de perguntas poderá ajudar. Quais palavras ou frases são difíceis de entender? O que torna obscura esta passagem? Há alguma coisa faltando que, caso fosse providenciada, esclareceria o texto? Que idéia(s) nos parágrafos anteriores e posteriores fazem um elo com o significado destas palavras ou frases obscuras ou difíceis?

Em todo o processo de interrogar o parágrafo, deve-se dar ao texto bíblico a oportunidade de fazer perguntas ao interrogante. É a esta altura que começa a aplicação.

A Aplicação. Neste processo toma-se um fato observado, decide-se qual era seu sentido original e, então, determina-se seu significado para o pregador e ouvinte de hoje. A pergunta chave é: o que isto significa para mim (nos)? Como eu (nós) pratico, adoto, demonstro e apresento o(s) princípio(s) da verdade contida neste parágrafo? Num sentido real, este passo de aplicação prática é muito pessoal. Ele começa com o expositor, é personificado em sua mente e alma e transmitido aos ouvintes, por meio de uma pregação permeada de certeza. O segredo da fase de aplicação é o mesmo das outras. Ele envolve um interrogatório persistente sobre o modo como esta verdade penetra na vida do dia a dia.

A aplicação é a seqüência natural da observação e interpretação. A pessoa procura chegar ao significado de um texto, a fim de incorporar seus princípios a seu estilo de vida. A observação e interpretação (exegese) sem aplicação terminam como um exercício acadêmico, destinadas a superficialidade, podendo até conduzir ao erro (Ramm 1972, 12). Através de sua Palavra, Deus quer transformar motivos e condutas. “Toma o teu leito e anda” torna-se uma aplicação prática da palavra de Jesus, quando o homem se levanta e anda. Na realidade, a aplicação é a integração da verdade a vida. O expositor precisa viver no processo de integração da verdade, a fim de pregá-la com convicção e aplicabilidade. À esta altura do preparo, a mensagem do parágrafo penetra no íntimo e no estilo de vida da personalidade do pregador, uma vez que ele se abra coincidentemente a ela. Também neste ponto é grande a tentação de se aplicar a verdade aos outros, em vez de a si mesmo. Fazer isto é perder convicção.

Antes de formular um guia para a pesquisa no estudo bíblico indutivo, temos aqui várias razões pelas quais este tipo de estudo é uma importante ferramenta exegética para o expositor.

A primeira razão reside no fato de que a Bíblia no vernáculo é uma tradução dos originais razoavelmente boa. Comparada aos antigos clássicos de filosofia, a Bíblia tem muito mais chances de ser traduzida com clareza, pois “não é um livro de definições abstratas, mas principalmente um livro de exemplos – um livro de história concreta”, que utiliza metáforas, biografias, parábolas, narrativas e poemas que “podem ser transplantados com êxito, arraigando-se de imediato e florescendo completamente no novo solo” (Stibbs 1962, 12). A Bíblia no vernáculo que possuímos é um compêndio inspirado e plantado num contexto histórico comprovado e copiado por homens célebres em formas de pensamento concretas e destinadas a transmitir a verdade eterna de Deus (Hesselgrave 1979, 228).

Em segundo lugar, o estudo bíblico indutivo é importante porque este processo facilita um envolvimento pessoal na dinâmica espiritual do parágrafo escriturístico. A pessoa começa a sentir e experimentar a ira, tensão ou alegria expressas na passagem, e freqüentemente as coisas que sentimos no íntimo se tornam crenças e condutas, isto é, partes de nosso estilo de vida.

Em terceiro lugar, o estudo bíblico indutivo é crucial porque provoca uma interpretação mais explícita das Escrituras. O subjetivismo é reduzido e o arauto da Senhor é capacitado a proclamar a verdade com mais objetividade. Por exemplo, a passagem de 2 Coríntios 6.14ss. é com freqüência tratada como um ensino explícito contra casamentos mistos. O observador cuidadoso nota nos contextos imediatos (anterior e posterior) que nada indica algo assim nesta passagem. Ela mostra, sim, que o ministro envolvido no ministério deve ter um caráter incorrupto e não misturar a fé cristã com filosofias e práticas idólatras dos descrentes. Observe e veja!

Assim como muitos, percebi que uma folha de pesquisa ou um guia ajudariam minha mente preguiçosa a se manter numa sucessão de pensamentos. A folha de pesquisa que será oferecida como modelo aqui é um composto de idéias reunidas durante anos, a partir da experiência pessoal e de outros. É praticamente impossível dar os créditos de maneira apropriada. Entre os que defendem o método indutivo é comum o uso de perguntas. Em termos de observação dos fatos, os melhores amigos da expositor são: Quem? O que? Onde? Quando? Quando? Quantos? Quando se chega a interpretação, isto é o que mais ajuda: Por que (qual a razão)? O que isto significa? Como isto se encaixa? Qual o significado desta palavra ou frase? Para a parte da aplicação, estes são os recursos: Como? Quando? Onde isto (idéia, exortação, princípio, mandamento, etc.) funciona?

Quanto à folha de pesquisa, cada um a fará de maneiras diferentes, mas aqui vai uma sugestão para ajudar o expositor a manter as idéias em ordem e sempre a mão (veja p. 100). Para este estudo, sugiro o tamanho da folha de sulfite.

FOLHA DE PESOUISA PARA O ESTUDO BÍBLICO INDUTIVO

TEXTO:

Perguntas de       Fatos observados,      interpretados      e aplicados

Observação

Quem?

(Pessoas)

O que?

(Coisas)

Quando?

(Tempo)

Onde?

(Locais)

Perguntas de

Interpretação

Por que?

(Razões)

O que?

(Sentido ou

significado)

Por que?

(Importância)

O que?

(Exigências)

Perguntas de

Aplicação

Como?

(Como funciona?)

Quando?

(Quando aplico?)

Quem?

(Quem está incluído/

excluído?)

Por que?

(Por que os ouvintes

de hoje precisam disso?

O que?

(Que promessa pode ser

reivindicada agora? Que

mandamento deve ser

obedecido? Em favor de

que se deve orar? etc.)

QUAIS EVENTOS OU EXPERIÊNCIAS DO AT OU DO NT ILUSTRAM OU DEFINEM ESTAS IDÉIAS?

(Faça aqui anotações destes eventos ou experiências que se liguem de modo mais direto com as idéias observadas, interpretadas e aplicadas. Tome as palavras ou conceitos chaves dos versículos que estão sendo interpretados e procure-os numa concordância. Eu recomendava a meus alunos que procurassem as passagens paralelas primeiramente no mesmo livro sobre o qual estavam pregando, depois no mesmo testamento e, finalmente, no outro testamento.)

Para uma mensagem integrada, existe outra parte importante neste estudo bíblico indutivo, a qual deve ser feita simultaneamente com o estudo indutivo. Trata-se do uso e aplicação de passagens paralelas na Bíblia que provem, ampliem, alegorizem, definam, ilustrem ou de alguma forma sublinhem os pensamentos e princípios centrais da passagem.

Enquanto o expositor está trabalhando com as perguntas de ‘observação, interpretação e aplicação, ele também está pensando sobre outros lugares da Bíblia onde são encontradas idéias ou experiências semelhantes. Isto é muito importante. Por que? Porque as passagens de outras partes da Bíblia que provam ou ilustram as verdades do parágrafo da pregação dão aos ouvintes um sentido de unidade da Bíblia. O uso de passagens paralelas ajuda os cristãos a saírem, depois do sermão, com uma mensagem bíblica integrada.

As duas melhores ferramentas para este exercício são: 1) uma concordância bíblica completa e 2) um amplo espaço na parte inferior da folha de pesquisa, onde a pessoa possa registrar as descobertas, debaixo do título “Quais eventos ou experiências do NT ou do A T ilustram ou definem estas idéias?”.

Utilizando a concordância, o expositor estuda outras referências que lancem luz sobre idéias ou conceitos do parágrafo da pregação. Isto é feito separando-se palavras chaves do parágrafo e vendo como elas são empregadas em outras partes da Bíblia. Para o arauto cuidadoso, sempre haverá material bíblico mais do que suficiente para ilustrar ou provar seus argumentos. No estágio de composição do sermão, o arauto terá de selecionar com sabedoria aquilo que afirmará com mais clareza a idéia central do parágrafo.

Conforme já foi mencionado, o expositor irá olhar para passagens paralelas primeiramente no mesmo livro da Bíblia. Depois, ele considerará passagens paralelas no mesmo testamento e, finalmente, no outro testamento. Por exemplo, ao pregar sobre a tentação de Cristo, em Mateus 4.1-11, vi em Mateus 16.1 que os saduceus usaram a mesma tática que Satanás havia usado. Jesus, porém, estava à altura daquilo e resistiu. Em Mateus 19.3ss., Jesus usou novamente as Escrituras para resistir a uma tentação teológica colocada pelos fariseus. Estas passagens eram paralelas no mesmo livro. Em duas outras passagens no Novo Testamento, Jesus sentiu-se “impelido” ao deserto para ser tentado (Marcos 1.12, 13) e experimentou todas as tentações que sofremos (Hebreus 4.15). Estas passagens foram selecionadas no mesmo testamento. Entre muitas referências no outro testamento (neste caso, o Antigo Testamento), o Salmo 91.9-15 mostra como a força e o auxílio aparecem na hora da tentação, quando nos refugiamos no Senhor.

D. Martin Lloyd Jones previne os pregadores contra a “espiritualização” de referências vetero-testamentárias. Penso que ele esteja se referindo a prática de enxergar num evento bíblico comum um sentido teológico ou espiritual não confirmado pelo contexto imediato ou pelo restante da Bíblia (Jones 1978, 230, 231). Um exemplo deste tipo de “espiritualização” do texto é a comparação da travessia do Rio Jordão, feita pelos israelitas, com nossa passagem para o céu, no momento da morte.

Outra advertência se encaixa neste contexto. Não faça citações de muitos textos paralelos. Certo seminarista, enquanto pregava um sermão prático na classe, citava de cor cinco ou seis versículos em seguida, ao final de cada divisão principal. Ele simplesmente os citava, sem fazer comentários ou aplicações. Em vez de acrescentar uma argumentação lógica à idéia central de seu sermão, aquilo criou uma sensação de confusão. Isto me fez lembrar de uma brincadeira de mau gosto que fazíamos, quando éramos crianças no leste da Pensilvânia, nos EUA. A caminho de um velho poço onde nadávamos, passávamos por uma lagoa de água potável que saia da montanha. Nós nos ajoelhávamos, bebíamos com vontade um gole gelado e, então, afundávamos a mão na água e a enlameávamos, forçando o próximo da fila a ter de esperar alguns minutos, até que os sedimentos se assentassem. A última coisa que um expositor da Palavra de Deus deseja é enlamear a verdade com a verdade.

PASSO DE PESQUISA 4: A PROPOSIÇÃO

Chegamos agora ao coração do sermão expositivo, a tese, a proposição, a grande idéia, propostas respectivamente por Charles W. Koller, Ferris D. Whitesell, Lloyd Perry e, mais recentemente, Haddon W. Robinson. Cada um destes autores escreveu bastante sobre isto, e suas percepções são extremamente valiosas. Algo que me deixa perplexo é o fato de este conceito ter escapado à minha mente ministerial jovem, quando os professores Koller e Whitesell o ensinavam e praticavam com tanta habilidade. Hoje, ele é muito claro para mim. É duplamente enigmático ensinar aquilo que parece absolutamente claro e ver os jovens pregadores aspirantes o negligenciarem.

Numa tentativa de conceituar o significado central da proposição de um sermão, permita-me empregar algumas alegorias, antes de experimentar uma definição:

1. A proposição é o coração do sermão. Assim como o coração bombeia o sangue, dando vida ao corpo humano, a proposição vitaliza a forma e o conteúdo do sermão.

2. A proposição é o eixo principal do sermão. Assim como o pino central numa dobradiça controla e limita o movimento da porta, a proposição controla e limita o alcance da forma e do conteúdo do sermão.

3. A proposição é a bússola que indica a verdadeira direção do sermão. Através da proposição é possível dizer se as divisões principais, as ilustrações e os argumentos gerais estão apontando na mesma direção do parágrafo da pregação.

4. A proposição é uma mola comprimida; ela tem energia inerente em si para se expandir. A proposição é o sermão em miniatura e contém a essência de sua forma e conteúdo.

5. A proposição é o alicerce da estrutura do sermão (Braga 1981, 114).

O Novo Dicionário Aurélio define “proposição” como: “Assunto que vai ser discutido ou asserção que vai ser defendida”. O Dicionário Caldas Aulete desenvolve um pouco mais: “Parte de um discurso onde se apresenta e expõe o assunto que se pretende provar, estabelecer, discutir, contar, ensinar ou descrever”.

Nestas definições encontramos o conteúdo, a forma e a posição de uma proposição. A proposição é uma abreviação do sermão. E uma sentença. Aparece no começo do sermão, na introdução. Numa dissertação, ela é escrita. Num sermão, é falada. Em ambos, ela é uma declaração vigorosa, sugestiva e provocante. No sermão expositivo, ela é concebida a partir do parágrafo da pregação. Portanto, sua essência é teológica, a afirmação de um princípio divino. Ela é didática, específica, extraída do sentido “histórico-gramatical” do parágrafo.

Quais são os componentes básicos da proposição de um sermão? É

necessário que se compreenda a “anatomia” de uma proposição, a fim de que ela seja utilizada com eficiência na exposição do parágrafo. Em primeiro lugar, a proposição tem uma afirmação teológica (A.T.) da verdade teológica básica que se encontra implícita ou explícita no parágrafo. Meus alunos com facilidade em Teologia Sistemática tinham pouco trabalho para determinar qual faceta da teologia o parágrafo defendia ou provava. Esta afirmação nem sempre precisa ser feita na linguagem erudita da teologia. Numa exposição bíblica é bom que sejam usados termos que possam ser manejados pela maioria dos ouvintes. O expositor que tiver passado pelos passos de pesquisa de familiarização, exegese e estudo bíblico indutivo deverá ter tido contato suficientemente profundo para sentir espiritual e logicamente o tema básico do parágrafo da pregação e convertê-lo numa afirmação teológica. Lembre-se de que a afirmação teológica na proposição é a parte que declara brevemente a verdade central em forma de princípio. Nos exemplos que seguirão, certifique-se de que observa como a A.T. é declarada em forma de máxima ou princípio. Verifique também a brevidade de dez palavras ou menos.

A segunda parte anatômica da proposição é a sentença transicional (S.T.). Se a afirmação teológica é o tema em forma de postulado, a S.T. é a ponte literária que leva o ouvinte do princípio temático para os argumentos que o favorecem. (Estes argumentos são as divisões principais da exposição.) Para ser prática, uma ponte precisa de duas margens. Por um lado, a S.T. precisa da afirmação teológica e, por outro, precisa da estrutura do sermão. Aqui eu divido a proposição em suas partes “orgânicas”, somente por razões didáticas. Ela de nada servira se não for compreendida e redigida como uma unidade.

Há a terceira parte estrutural da proposição. Ela pertence a sentença transicional e é chamada palavra chave. A palavra chave (P.C.) é sempre um substantivo no plural. Este substantivo no plural é o “coração” do coração do sermão expositivo (a proposição). É plural porque o parágrafo da pregação tem pelo menos dois elementos categorizados por este substantivo no plural. É plural porque as exposições bíblicas geralmente seguem o padrão de pluralidade de divisões. Assim, a palavra chave aparece implícita ou explicitamente em cada divisão da mensagem. Tento escrever minha proposição (A.T. + S.T. + P.C.), de forma que haja apenas um substantivo no plural em toda a construção. Não quero que meus ouvintes façam ginástica mental em excesso para ouvirem e visualizarem a palavra chave.

A proposição é temática. É o resumo do conteúdo do parágrafo da pregação. Como tal, ela declara uma verdade bíblica ou teológica como princípio. A proposição também faz uma ponte desde o texto bíblico até a estrutura divisória e exposição dos argumentos. Isto é feito com a sentença transicional e a palavra chave. Cada faceta da palavra chave é comprovada e ilustrada em uma das divisões do sermão.

Talvez este seja o lugar apropriado para ilustrar com alguns exemplos toda esta “anatomia”. Quando se lê e analisa Mateus 4.1-11, torna-se claro que Satanás não respeita posição ou classe quando decide tentar alguém. Se ele tenta o Filho de Deus com sutileza consumada, com certeza irá tentar qualquer um de nós do mesmo modo. Então, qual é o principio? Verifique se a proposição seguinte (A.T. + S.T. + P.C.) o torna claro.

(A.T.) Satanás irá tentar com astúcia à pessoa piedosa, para atingir seu objetivo.

(S.T.) Temos aqui três tipos (P.C.) de tentação destinados a nós derrubar.

Este parágrafo em Mateus deve realmente conter três tipos de tentação. Se não, o pregador está “inventando” um esboço ou escolheu a palavra chave errada. Estudando Mateus 4.1-11, vemos três tipos de tentação que freqüentemente nos acompanham. Aqui estão eles:

Tratar a fome espiritual com alimento material (vv. 3, 4);

2. Testar a capacidade de Deus com proezas sensacionais (w. 5-7); e

3. Trocar o domínio de Deus por força política (w. 8-10).

É possível ver claramente estas três tentações: (a) materialismo, (b) sensacionalismo e (c) autoritarismo. O Senhor nos ensina que cada tentação deve ser enfrentada e derrotada com a espada de dois gumes chamada Palavra de Deus.

Segue aqui outro exemplo para estudo, extraído de Atos 13.1-4. Esta

passagem extraordinária instruirá qualquer igreja em como ter uma mente missionária de forma concreta. Uma das maneiras mais seguras de a igreja ganhar uma mente missionária é enviar alguns de seus filhos e filhas aos campos de missões. Assim, criamos a seguinte proposição (A.T. + S.T. + P.C.):

(A.T.) Deus utiliza com freqüência a assembléia da igreja local para chamar seus missionários.

(S.T.) Há três ações (P.C.) eclesiásticas coletivas que Deus usa para chamar missionários.

Nossa afirmação teológica apresenta uma máxima, um princípio bíblico. Ela é curta, fácil de ser memorizada e reforçada pela sentença transicional, onde a pergunta “Como Deus os chama?” é respondida com a palavra chave: ações (eclesiásticas). A palavra chave me informa que o parágrafo da pregação tem em si três ações eclesiásticas coletivas, sendo que cada uma forma uma divisão principal da exposição. Cada divisão demonstrará como Deus chama seus missionários através da ação da igreja.

Lembre-se: o longo contato com o texto, através dos passos de pesquisa, deu ao expositor sensibilidade interna diante do conteúdo e estrutura centrais do parágrafo. Assim, surge o seguinte esboço. Observe que cada divisão principal é uma ação eclesiástica coletiva, conforme o texto registra.

1. Um reconhecimento consciente dos dons do Espírito (v. 1);

Uma adoração concentrada no Cristo ressurrecto (v. 2); e

3. Um compromisso perfeito de apoio aos missionários (vv. 3, 4).

Até aqui, alegorizamos, definimos e exemplificamos o que realmente é a proposição do sermão. Chegamos agora ao processo em que iremos extraí-la do parágrafo da pregação. Nunca é demais repetir: a total imersão intelectual, emocional e espiritual do expositor no parágrafo é absolutamente essencial. É neste envolvimento que o expositor descobre a idéia central Assim, as três experiências de pesquisa de familiarização, exegese e estudo bíblico indutivo são os fundamentos da descoberta de uma proposição exata e complemente representativa.

A proposição é realmente o produto final da estrutura sujeito-predicado do parágrafo da pregação. Há um sujeito principal no parágrafo que está sendo predicado. Então, o primeiro fato na formulação da proposição é a resposta a esta pergunta: “Qual é o sujeito deste parágrafo da Bíblia?” De que se está falando aqui?

O sujeito de qualquer sentença é um substantivo, uma frase substantiva ou um pronome que faz alguma coisa ou sobre o qual algo é dito (predicado). O parágrafo da pregação, sendo constituído de várias sentenças, normalmente terá uma série de sujeitos e verbos. O expositor sentirá como eles se inter-relacionam, quais são os principais e os secundários. Num parágrafo de pregação autônomo deve haver um sujeito e um predicado globais, em torno dos quais giram todos os sujeitos e predicados. Na passagem de Mateus 4.1-11, Satanás (o sujeito) tenta a Jesus (o predicado). ‘A dinâmica na passagem mostra que este sujeito (Satanás) emprega artimanhas sutis para atingir seus propósitos perversos.

Uma das maneiras de se descobrir a essência da proposição é olhar para as frases chaves na seqüência do texto do parágrafo. Acho melhor alistar tudo isto em minha folha de pesquisa, a fim de que eu possa ver as semelhanças e complementos. Havendo várias frases repetidas ou semelhantes, trabalho sobre elas para sintetizá-las em uma idéia. No caso do parágrafo de Mateus 4, as frases “para ser tentado pelo diabo” (v. 1) e “então o tentador, aproximando-se” (v. 3) são seguidas por três experiências reais de tentação. Isto me levou à afirmação teológica acima mencionada. Ao fazer a parte D, o esboço analítico na pesquisa de familiarização, já comecei a entrar no clima desta proposição. É bom voltar para o primeiro trabalho de pesquisa, enquanto se prepara a proposição, porque o esboço analítico é geralmente constituído de frases chaves do parágrafo.

Outra forma de encontrar os elementos básicos da proposição num determinado texto é separar e analisar os sujeitos substantivos (“o tópico de uma sentença, a palavra sobre a qual o verbo faz uma declaração ou uma pergunta”). Freqüentemente tenho notado, no mesmo texto, dois ou três substantivos que se repetem com vários sujeitos substantivos complementares ou sinônimos. Com percepção espiritual pode-se ver que estes vários sujeitos substantivos estão realmente falando de um tema principal. Em geral, esta inspiração espiritual acontece depois de um bom período de transpiração mental Quanto a este exercício mental, muitos professores de homilética citam J. H. Jowett, que disse o seguinte a respeito da proposição:

Tenho convicção de que nenhum sermão está pronto para ser pregado ou escrito, até que possamos expressar seu tema numa frase curta e fecunda, clara como cristal. Acho que chegar a essa frase é a labuta mais pesada, mais exigente e mais frutífera no meu escritório. Compelir-se a formular aquela frase, ir pensando até chegar a uma forma de palavras que defina o tema com exatidão escrupulosa – este é, de certo, um dos fatores mais vitais e essenciais na produção de um sermão; e não penso que qualquer sermão deva ser pregado, ou até mesmo escrito, até que essa frase surja, clara e nítida como uma lua sem nuvens (Robinson 1983, 25).

Que desafio! Tendo se exposto as Escrituras através do trabalho de pesquisa, o expositor experimentará a alegria indizível de encontrar e pregar aquela verdade central.

Percebi que existe trabalho, mesmo depois deste trabalho. É o trabalho de escrever, reescrever e reescrever a proposição. Pregadores como nós são prolixos por natureza e precisam afiar a forma da proposição, até que ela seja cortante e fácil de memorizar. Isto ajuda a nós e aos ouvintes nos bancos. Escrever e recitar em voz alta ajuda-me a manter clara e direta a proposição.

A proposição deve ser realmente verbalizada? Caso deva, onde e quando no processo de pregação ? A famosa declaração de J. H. Jowett sobre o tema (proposição), com toda sua exatidão, não indica se a proposição é compartilhada com os ouvintes. Haddon Robinson (1983, 110) parece deixar subentendido que a proposição deve constar da parte oral do sermão. James Braga (1981, 131) mostra a proposição como parte do esboço do sermão e, presumo, sendo verbalizada pelo expositor.

O pastor-mestre (Ef 4.11) prega conscientemente para ensinar, e sua mentalidade didática procura com naturalidade a clareza de expressão. Uma proposição bem escrita é uma ferramenta didática. Sem questionar, penso que ela deve fazer parte da apresentação oral do sermão. A fluência natural da introdução deve levar os ouvintes ao parágrafo da pregação. A audiência deve ser “conquistada” e conduzida com vida ao parágrafo bíblico. O texto lido com dinamismo deve ser coroado com uma clara afirmação da proposição. A proposição deve, então, fazer uma “ponte” para os ouvintes em direção à primeira divisão principal e, sucessivamente, para as outras divisões. O processo pode ser assim ilustrado:

Introdução (“jogando o anzol”)

Texto bíblico (lido com dinamismo)

Proposição (lida com clareza)

Primeira divisão principal (provada com lógica)

Proposição (repetida)

Divisão principal seguinte (provada com lógica)

etc.

Um de meus alunos adotou como prática enfatizar verbalmente a proposição, até que a congregação a memorizasse. Em sua igreja isto praticamente se tornou parte dos cumprimentos entre as pessoas. Aquela igreja foi grandemente edificada nas Escrituras durante seu “ministério da palavra” ali.

As alegorias que usamos para descrever a proposição ajudam-nos a formular diretrizes para avaliar e melhorar nossas proposições.

1. Se a proposição é o coração do sermão, então ela deve pulsar na estrutura (divisões principais) e no conteúdo (argumentos e ilustrações).

2. Se a proposição é o eixo principal do sermão, então seu enfoque teológico dirigirá o ritmo da mensagem e capacitará o expositor a evitar o uso de idéias, ilustrações e argumentos estranhos.

3. Se a proposição é a bússola que aponta para a verdadeira direção do sermão, então sua “idéia principal” levará o sermão através de vários aspectos da verdade bíblica focalizada.

4. Se a proposição é a mola comprimida com energia inerente em si para se expandir num sermão inteiro, então sua redação deve incluir todos os aspectos da verdade única no parágrafo da pregação.

5. Se a proposição é o alicerce da estrutura do sermão, então todas suas partes de natureza homilética (introdução, corpo, conclusão) devem se encaixar e estar no prumo sobre aqueIa base.

Talvez seja útil fazer uma lista das possíveis palavras chaves que o expositor poderá usar. Um bom domínio do rico potencial das palavras num idioma é sempre uma boa vantagem quando se fala ou escreve. Segue aqui uma lista semelhante a lista de Braga (1981, 128). Observe que estas palavras chaves estão no plural. Isto se atribui ao fato de que a maioria das exposições se divide em duas ou mais partes. Também se baseia no fato de que os parágrafos bíblicos autônomos quase sempre lidam com dois ou mais aspectos da verdade proposta.

abusos                        elos                             notas

acusações                   enredos                      nutrientes

afirmações                 erros                           objetivos

amostras                    exortações                  obrigações

armadilhas                forças                          oportunidades

aspirações                  frutos                          paralisias

assassinos                   fugas                          pecados

barreiras                    gestos                         perguntas

batalhas                     gigantes                     provisões

buscas                                    hábitos                       punições

características            heresias                      reclamações

clamores                    ídolos                          refutações

classes                        ilusões                        sementes

condições                   impurezas                  tesouros

crenças errôneas        juízes                          tiranos

defeitos                       luzes                           ultimatos

desvantagens                         mandamentos                       vantagens

dilemas                      máscaras                    venenos

direções                      mentiras                     viagens

disciplinas                  necessidades             vontades

Não existe fim aparente para o número de palavras chaves em português. Muitas vezes estas palavras chaves constam realmente no texto bíblico sob consideração. Outras vezes elas são escolhidas pelo expositor, por enfatizarem com criatividade a idéia central (sujeito) do parágrafo bíblico. O leitor poderá querer ir além e observar na lista acima quantas palavras são concretas e quantas são abstratas. A palavra “coisas” pode muito bem ser a opção do preguiçoso e é “um termo muito geral para ser utilizado como palavra chave” (Braga 1981, 127). Quanto mais concreta for a palavra chave, mais visualizável será a exposição na mente dos ouvintes.

Chegamos ao capítulo sobre os passos da composição. Tendo mergulhado no parágrafo bíblico e sentido sua mensagem, agora o expositor reúne tudo para a pregação. Com um contato tão prolongado e profundo com o parágrafo, grande parte de sua mensagem já está “composta” em sua cabeça e em seu coração. Agora isto deve ser organizado de modo lógico, didático e literário. A paixão espiritual, gerada por este contato focalizado nas Escrituras, irá permear a composição do sermão, e pelo Espírito Santo de Deus a verdade será pregada com sensibilidade e poder.

OS QUATRO PASSOS DA COMPOSIÇÃO

 

A composição é tanto uma arte quanto uma ciência. Ambas são necessárias a uma boa exposição. Como arte, a composição do conteúdo do sermão depende do instinto criativo do pregador. Este instinto é freqüentemente reprimido pelo medo de fracasso exacerbado pelas “velhas” vozes da baixa auto-estima: “Você sabe que nunca foi bom nisso!” Outras vezes, ele é bloqueado pelo medo das tradições religiosas: “Lembre-se de que isto nunca foi feito assim!”

Sendo tocado pela verdade revelada no parágrafo da pregação, o arauto encontrará urgência em pregar, e isto o conduzirá pelos passos da composição. O passo lógico a partir de uma proposição afiada, com uma palavra chave clara, é a formulação das divisões principais. Vamos agora a este passo.

PASSO DE COMPOSIÇÃO 1: AS DIVISÕES PRINCIPAIS

Dissemos que a proposição é o coração do sermão e que a palavra chave é o coração da proposição. A estrutura e o conteúdo do sermão são “nutridos” por esta palavra chave. Neste caso, as divisões principais recebem “vida” da palavra chave. Esta “vida” se faz presente quando as divisões principais incorporam uma faceta da verdade global no parágrafo. Assim, para o sermão as divisões principais não são como um esqueleto de ossos secos, conforme ensinariam algumas escolas de homilética! Associadas ao parágrafo da pregação através da palavra chave, as divisões principais são expressões literárias da verdade viva de Deus.

Dessa forma, o coração de cada divisão principal é a palavra chave que pode aparecer explicitamente ou estar subentendida na redação. Se a palavra chave em sua sentença transicional é o substantivo no plural condições, então cada divisão deve ter algum tipo de condição. É possível que um parágrafo neotestamentário apresente duas ou mais condições para a salvação. A afirmação teológica deve declarar isto de forma sucinta. A sentença transicional apontaria para estas duas ou mais condições, e cada divisão principal provaria e ilustraria uma das condições.

Se a palavra chave representa com fidelidade os pensamentos centrais do parágrafo, então o mesmo deve se dar com as divisões principais. Aqueles que não estudam o parágrafo da pregação irão, bem provavelmente, impor uma palavra chave dissonante. Por sua vez, isto gerará divisões principais que, por um lado, impõem idéias pessoais e, por outro, deixam de cobrir o parágrafo todo. A palavra chave é crucial para uma formulação adequada das divisões principais.

Uma vez que o arauto está expondo a Palavra de Deus, é necessário que cada divisão principal tenha o apoio de uma parte do parágrafo da pregação. Talvez um exemplo nos ajude a ver isto com mais clareza. Depois de pesquisar o parágrafo de Tiago 1.2-8, compus a seguinte proposição:

(A.T.) Deus oferece sabedoria generosamente a seus filhos para as provações dominantes.

(S.T.) Devemos cumprir três condições para receber a sabedoria dominante.

A seguir, na composição das divisões principais, a palavra chave não aparecerá de modo explícito. Mas não resta dúvida de que cada divisão principal é uma “condição” a ser cumprida pelo crente que ouve a exposição.

1. Nas provações devemos admitir a necessidade de sabedoria (vv. 2-5a);

2. Nas provações devemos pedir a sabedoria que necessitamos (v. 5b); e

3. Nas provações devemos acreditar que Deus concede sabedoria (vv. 6-8).

Algumas vezes, a formulação das divisões principais pode parecer forçada. As divisões principais não omitem ou acrescentam informações, mas de alguma forma elas não são escritas com exatidão. No caso do esboço do texto acima, alguém poderia fazer duas divisões e ainda assim incluir todas as idéias. Por exemplo:

Nas provações admita sua necessidade de sabedoria (vv. 2-5a); e

2. Nas provações pega o dom da sabedoria (vv. 5b-8).

Ao compor as divisões principais, é necessário que o expositor se lembre da situação do ouvinte. Normalmente eles não podem ver o esboço do sermão. Portanto, é importante que as divisões principais sejam redigidas com frases ou declarações curtas e de fácil memorização, pois “… o teste do bom discurso é a natureza imediata da apreensão e resposta” (Davis 1970, 265).

Uma forma útil de desenvolver as divisões principais é rever o esboço analítico feito no primeiro passo da pesquisa de familiarização. Lembre-se de que este esboço analítico é um perfil seqüencial dos pensamentos principais do parágrafo. Eles não foram compostos homilética ou literariamente. Mas agora, com uma proposição clara e uma palavra chave exata, o esboço analítico pode ser reformatado. É surpreendente como a proposição e a palavra chave são úteis na formulação das divisões principais. Falando de modo geral, a seqüência natural das idéias no parágrafo pode ser seguida nas divisões principais.

Como se expandem estas divisões principais para alguma coisa que possa ser provada? Novamente a combinação de resultados no esboço analítico, na exegese e no estudo bíblico indutivo vem nos socorrer. Estes esforços de pesquisa fornecem a estrutura e o conteúdo, os “ossos” e a “carne” da exposição. O expositor irá selecionar destas pesquisas os argumentos apropriados e alinhá-los debaixo de cada divisão principal. Isto deve ser feito em oração, pois é possível que alguns fatos não sejam necessários para a argumentação da divisão principal.

Com freqüência, ao estruturar as divisões principais, “o pregador pode querer fazer com o texto aquilo que o próprio texto não queira fazer” (Buttrick 1987, 313). Outra vez, o esboço analítico manterá o expositor dentro da lógica do parágrafo. Os passos nas pesquisas de exegese e estudo indutivo fornecerão o conteúdo básico da exposição, e a vida de oração e piedade do pregador colocará sentimento e caráter no discurso.

As divisões principais da exposição devem ser concisas e claras. Cada uma deve ser autônoma, isto é, deve ter sua série de argumentos sem infringir a outra. No primeiro esboço de Tiago 1.2-8, pode-se argumentar que a terceira divisão principal não é suficientemente distinta da segunda, que ambas argumentam coisas semelhantes. Neste caso, o segundo esboço é melhor.

A maioria dos profissionais de homilética concorda com o fato de que as divisões principais devem ter o mesmo estilo literário em todo o sermão. Se a primeira é colocada em forma de pergunta, então as restantes também devem ser. Se a primeira divisão está na forma de exclamação, então as outras também devem estar. Penso que está claro que cada divisão principal deve ter um versículo ou mais em apoio à sua afirmação. O expositor deve saber que os ouvintes querem ver de que lugar no parágrafo vem o argumento.

PASSO DE COMPOSIÇAO N.º 2: AS ILUSTRAÇÕES

“Eloqüência é converter ouvidos em olhos”, diz um antigo provérbio. As pessoas precisam “ver” e sentir a verdade. As coisas espirituais e a teologia, embora sejam reais, muitas vezes são abstratas demais e precisam ser “materializadas” através das ilustrações. Também os ouvintes, que estão empregando energia do cérebro para ouvir, precisam das pausas para o descanso mental que as ilustrações trazem.

Ilustrações são como janelas. Elas projetam luz. E o fazem por associação. Quando o ouvinte associa o espiritual com alguma coisa concreta, ocorre a iluminação. Neste processo de associação, o ouvinte se torna um participante que pensa, em vez de ser um recipiente passivo. Quando uma ilustração dinâmica intensifica as emoções, o ouvinte se torna um participante sensível no processo de comunicação.

George Whitefield foi um mestre na ilustração do abstrato. Ele fazia isto a ponto de envolver os ouvintes emocional e intelectualmente. Certa vez, ao pregar sobre o perigo de não estarmos salvos, e) e descreveu um mendigo cego que andava em direção a um precipício. Seu cachorro havia lhe arrancado com a boca a bengala, e lá estava o homem tateando, cada vez mais perto do abismo. Enquanto ele descrevia a cena com sensibilidade, de repente, Lord Chesterfield, dominado emocionalmente pela ilustração, gritou: “Meu Deus, ele está perdido!” (Blackwood 1954, 164).

Algumas vezes, exemplos e ilustrações são encarados como a mesma coisa. Outras vezes, eles são separados, sendo que o exemplo é aquilo que a maior parte dos ouvintes experimenta em comum na vida, e a ilustração é aquilo que está “além da esfera das experiências em comum” (Buttrick 1987, 128). Poderíamos dizer que os exemplos se relacionam com as experiências imediatas e comuns da humanidade, e as ilustrações são eventos que surgem de um contexto externo. Usemos os dois!

O que o expositor deve evitar? Primeiro, as ilustrações que não se encaixam na proposição. Um exemplo ou ilustração pode ser genial e assim mesmo não contribuir para o pensamento central da mensagem. A proposição ajudará o expositor a empregar apenas ilustrações “apropriadas”, isto é, aquelas que tenham “o mesmo valor moral, estético ou social da idéia que está sendo ilustrada” (Buttrick 1987, 134).

O segundo erro a ser evitado é o uso de muitas ilustrações. Alguns pregadores perdem a autoridade, porque são vistos como narradores de histórias. Em geral, um narrador de história é considerado um pregador consistentemente preguiçoso, que não se prepara bem. Uma seqüência de várias ilustrações tende a se misturar na mente do ouvinte, e o resultado disso é uma confusão de idéias. Como alguém já disse, as ilustrações são como mel; muitas colheres cheias fazem a pessoa ter náuseas. Eu ensinava meus alunos a terem pelo menos uma ilustração de tamanho justo para cada divisão, mesmo que fosse curta, exemplos de uma linha que acompanhassem o processo de raciocínio.

Ilustrações inacreditáveis ou muito fantásticas não devem ser usadas, pois provocarão digressão no pensamento. “Como isto pode ser?” “Gostaria de saber se o pregador está dizendo a verdade!” “Tem alguma coisa de estranho nisso tudo!” Havendo este tipo de pensamento nos ouvintes, o expositor perderá credibilidade e/ou respeito.

Equilíbrio é o alvo das ilustrações. O excesso de ilustrações causa confusão e pode gerar a perda de confiança no pregador. Expositores que omitem as ilustrações podem parecer áridos, vagos e obscuros. A omissão de exemplos e ilustrações selecionadas é um erro didático.

Quais são as melhores fontes de ilustrações? A Bíblia sobressai em histórias, parábolas e exemplos da verdade. O passo da pesquisa de estudo bíblico indutivo incluiu uma verificação de passagens paralelas. Elas quase sempre fornecerão exemplos que o pregador criativo poderá “vestir” com linguagem e contexto atuais. O jornal do dia, devocionários, revistas e a televisão oferecem ao expositor atento amplas comparações e exemplos. Noticiários da TV com freqüência fornecem excelentes imagens que podem ser recordadas instantaneamente pelos ouvintes, quando o arauto as aplica à verdade bíblica.

O contexto social da igreja indicará quais os tipos de ilustração que mais facilmente iluminarão a verdade na mente da congregação. Uma igreja freqüentada predominantemente por operários “verá” as ilustrações mecânicas com mais clareza do que as ilustrações literárias. Jesus empregou ilustrações agrícolas e pastoris para as pessoas com inclinação rural de seus dias.

Não há dúvida de que o pregador da verdade deve preparar estas partes do sermão com a mesma diligência das outras. Depender da inspiração do momento para as ilustrações é procurar constrangimento e confusão. Isto não quer dizer que nunca devemos usar uma ilustração espontânea. A exposição da Palavra de Deus é um processo dinâmico, e o Espírito Santo deve ter liberdade para controlar o ato da pregação bem como o preparo através do estudo.

Há vezes em que o expositor se sente bloqueado e parece não conseguir ilustrações para a mensagem. Tenho notado que uma folha de anotações é uma idéia útil nestas horas de bloqueio. Pegue um pedaço de papel e copie no alto a proposição. Este é o ponto de referência temático. Debaixo dela, copie as divisões principais, deixando um espaço de oito a dez linhas entre cada uma. No espaço abaixo de cada divisão, copie resumidamente o conceito ou argumento teológico que for mais abstrato e faça a seguinte pergunta: Qual experiência humana, objeto físico ou parte da natureza esclarece melhor este conceito? Repita isto para cada diviso. Lápis e papel muitas vezes liberam a mente bloqueada.

PASSO DE COMPOSIÇÃO N.º 3:

A CONCLUSÃO E A INTRODUÇÃO

A conclusão e a introdução são as menores partes de uma exposição. Como tais, a tendência é tratá-las com menos zelo e atenção do que merecem. Meus alunos no seminário sempre demonstravam isto em seus manuscritos de sermões entregues para nota. O trabalho feito na introdução e conclusão era claramente inferior ao trabalho feito no corpo da exposição. Parecia haver um processo de pensamento que deixava estas duas partes abertas para receberem espontaneamente um conteúdo de palavras no momento da pregação. O esforço mental no preparo destas partes era praticamente nulo.

Evidencia-se aqui que a introdução e a conclusão devem ser preparadas com diligência. Se no futuro uma situação de pregação exigir acréscimos espontâneos, deixe-os fluir, mas que fluam através de uma estrutura previamente preparada.

Tendo coberto de carne cada divisão principal com o material pesquisado nos passos de exegese e estudo bíblico indutivo, o expositor deve agora preparar cuidadosamente a conclusão e a introdução. O que vem primeiro? É provável que isto não importe, dependendo bastante das inclinações do pregador. Uma vez que o corpo (divisões principais, subdivisões e ilustrações) tenha sido esboçado, o expositor está mais bem equipado para preparar estas duas importantes partes.

Comecemos com a conclusão. Como a compomos? Qual seu conteúdo básico e propósito? Conforme já mostrei, a proposição é a principal fonte de conteúdo e estrutura para toda a mensagem. Assim, a conclusão deve estar em sintonia com a proposição. Deste modo, o expositor deve olhar para a proposição e perguntar a si mesmo; a) Qual ação ou exigência está implícita ou explícita nesta proposição? b) O que o ouvinte deve pensar e fazer, a fim de que esta proposição se transforme em verdade encarnada em sua vida? c) Como arauto de Deus, quais passos posso apontar para levar o ouvinte a cumprir a verdade desta proposição?

Para facilitar o preparo da conclusão, escreva no alto da folha de pesquisa toda a proposição. Depois, copie as perguntas acima na mesma folha e escreva as ações, normas, idéias e atitudes mais práticas que o ouvinte deve adotar. Alguém já disse ironicamente que os pregadores sabem mostrar os problemas, mas infelizmente deixam de apontar as soluções. O preparo da conclusão nestes moldes irá forçar o expositor a apresentar soluções práticas e acessíveis. Mensagens com soluções obscuras são desanimadoras e nocivas ao crescimento espiritual da congregação.

Um preparo prático e diligente da conclusão ajudará o expositor a evitar o grande erro que chamo de “descumprimento de promessa”. O pregador diz: “Concluindo…” e prega, prega e prega. O ouvinte acredita em suas palavras e prevê mentalmente a conclusão. Mas o fim não chega. A promessa é descumprida. O ouvinte é inconscientemente ofendido e não entende por completo por que se esvai sua simpatia pela mensagem e pelo arauto. Esta é uma forma terrível e uma péssima hora para se perder a congregação!

Esta manobra de descumprimento de promessas lembra-me das aterrissagens de arremetida que tínhamos de praticar, enquanto aprendíamos a voar. Fazíamos a aproximação apropriada no campo de aviação, entravamos, deixávamos o trem de pouso tocar a pista e então decolávamos novamente. Isto se repetia várias vezes, até que fazíamos a última aterrissagem, ao final do período de treinamento. Na pregação, assim como nos negócios diários da vida, o arauto deve manter sua palavra. Se ele diz que vai aterrissar, então deve aterrissar! Segundo escreveu G. Campbell Morgan, “uma conclusão deve concluir” (Morgan 1937, 87).

Uma conclusão preparada com inteligência evita que se crie no ouvinte a sensação de ter passado 30 minutos ouvindo sem saber por quê. Henry Ward Beecher disse certa vez que Jonathan Edwards preparava seus canhões no corpo do sermão, para então dispará-los na conclusão (Morgan 1937, 87).

Uma conclusão bem preparada é um dos modos de Deus invadir aquele grande castelo chamado vontade humana. Ele quer que nossos ouvintes se decidam pela verdade. Prepare a conclusão com todo o vigor espiritual que a oração e o estudo podem concentrar! Deus quer ter um encontro igualmente com pecadores e santos. Conforme escreve David Larsen, “certamente nossa conclusão não deve ser nenhum beco sem saída, mas uma via expressa que convide a uma vida mais abundante em Jesus Cristo!” (1989, 130). Assim, torne a conclusão tão específica e pessoal quanto possível.

O preparo da introdução também é um momento bastante criativo. O expositor precisa estar convencido de que a introdução é autônoma, isto é, auto-suficiente, não devendo ser adulterada com comentários a esmo. A forma mais fácil de destruir uma introdução eficaz é confundir sua clareza com palavras ou ações estranhas. Alguns pregadores começam falando sem muito objetivo, enquanto se dirigem para o púlpito. Outros balbuciam cumprimentos enquanto pegam a Bíblia que está sobre o púlpito e arrumam suas anotações. Em algum ponto no meio disso tudo, eles começam a introdução, mas a maior parte dos ouvintes nem percebe. Houve muito falatório informal O que pode ser feito?

É concebível que uma conversa informal seja um meio de o pregador se apresentar. Até aí, tudo bem. Mas quando sua introdução é preparada com diligência, o orador inteligente irá evitar naturalmente a mistura de comentários estranhos a ela. Como? Separando da verdadeira introdução os comentários informais, através de uma boa pausa ou de uma oração. Tenho sentido que a oração é a melhor ponte entre comentários a esmo e a introdução preparada. Este momento de devoção tem sido a melhor forma de me apresentar como mensageiro de Deus e de concentrar os ouvintes na introdução do sermão.

Enquanto se prepara a introdução, algo que pode ajudar é copiar a proposição numa folha. Depois, copie várias perguntas e responda a cada uma delas. 1) Como posso declarar esta proposição com outras palavras que despertem interesse espontâneo? Sugiro que esta pergunta seja respondida de duas ou três formas diferentes. 2) Quais os cinco acontecimentos atuais de porte (locais, nacionais ou internacionais) que estão na mente dos ouvintes e quais se relacionam com a proposição, de modo a iluminá-la? 3) Quais as questões sociais, emocionais ou espirituais tocadas pela proposição? 4) Que evento cultural ou histórico nos antecedentes deste livro da Bíblia serve nesta proposição? 5) Quais as frases curtas que irão realmente “fisgar” meus ouvintes e criar interesse pela idéia central? Segundo alguns escritores de livros policiais e de mistério, o verbo “suponha” é a palavra chave na criação de um clima de suspense (Clark, Mary H. 1989, 54). Penso que o expositor criativo pode usar esta tática na sentença inicial: “Suponha que amanhã você receba pelo correio uma ameaça de morte”. Depois de responder a estas perguntas, escreva uma introdução criativa que prenda a atenção e leve os ouvintes diretamente ao parágrafo da pregação; é esta passagem bíblica que a congregação deve ouvir e compreender.

Apenas mais uma palavra sobre as duas menores partes do sermão. Cada vez mais, grandes mestres da exposição nos dizem que escrevamos por extenso a introdução e a conclusão. Uma boa razão para isso é a confiança que este exercício gera no pregador. Ele sabe com clareza como começar a mensagem. Isto tende a eliminar introduções em que se buscam palavras a esmo, conforme estamos acostumados a ouvir. É sensato manter bem regulado o motor do sermão, de modo que ele não morra no meio do trânsito. Para o ouvinte, não há nada mais desconcertante do que um sermão que, para começar, dá a partida e morre várias vezes, com pensamentos que se chocam entre si, em vez de fluírem.

O mesmo se aplica à conclusão. O fato de escrevê-la por extenso gera familiaridade que deixa o arauto livre para ser mais espontâneo de forma inteligente. Nos dois casos, é claro que devem ser acrescentadas idéias dadas pelo Espírito na hora do discurso. Entretanto, devemos nos lembrar de que não há lei que impeça o Espírito de inspirar seus arautos, enquanto estes escrevem. Ele tem liberdade para inspirar tanto durante o estudo como também no púlpito. Chegamos agora ao último passo da composição. A maneira como o expositor lida com ele é uma questão de opção pessoal.

PASSO DE COMPOSIÇÃO 4: O ESBOÇO DO SERMÃO

O que o expositor leva consigo para o púlpito? Um manuscrito completamente redigido? Parcialmente redigido? Alguns rascunhos de anotações? Nada? Isto depende dos dons e do treinamento do expositor. Alguns arautos são dotados de memória fotográfica e “vêem” mentalmente o manuscrito, sendo que expõem as Escrituras sem anotações. Outros tiveram um bom treinamento e, apesar de não decorarem os pequenos detalhes do manuscrito, eles se saem bem, sem depender de anotações. Minha opinião quanto à maioria é que eles precisam de uma diretriz, a fim de não se perderem ou se confundirem. No sistema de pesquisa proposto aqui, o envolvimento espiritual e mental através dos passos da pesquisa deve conferir ao expositor uma sensação de progresso lógico. Por sua vez, isto ajuda na estruturação daquilo que chamo de “esboço do sermão”. Qualquer expositor que conviva com o texto irá desenvolver inconscientemente uma fluência intuitiva para a mensagem. Esta é uma contribuição positiva na produção do esboço.

Novamente a experiência nos diz que a forma do esboço do sermão

é uma questão de escolha pessoal. Alguns arautos de Deus sentem-se bem com uma diretriz datilografada. Outros aprenderam a ler um manuscrito totalmente datilografado, olhando-o de relance, sem que pareça que estão lendo. Esta é uma arte que muitos pregadores podem aprender, se tiverem treinamento. Outros se sentem amarrados quando usam um manuscrito totalmente datilografado, e a falta de contato face a face com o auditório os aflige. Assim, eles escolhem um esboço com o esqueleto da mensagem, usando frases sugestivas. O fato de olharem de relance para a frase traz tudo à tona em suas mentes. Isto permite que mantenham um contato face a face quase constante com os ouvintes. Muitos pregadores não possuem recursos mecânicos para preparar seus esboços e simplesmente escrevem a mensagem a mão ou utilizam esboços com o esqueleto da mensagem, segundo aquilo que mais agrada ao estilo pessoal de pregação. Lembro-me de ter lido o comentário de um escritor sobre seu processo de redação. Ele sentia que seus textos escritos a mão transmitiam mais empatia e calor humano. Sinto o mesmo quanto a meus esboços de sermão. De algum modo, eles parecem se aproximar mais do meu espírito do que os esboços datilografados.

O esboço do sermão deve ter uma forma que ajude ao máximo o expositor em termos de uma apresentação fluente e progressiva. Ele deve ser visível, ou seja, datilografado ou escrito a mão com letras suficientemente grandes para que o expositor possa, num olhar de relance, pegar o fio da meada. Tenho notado que alguns auditórios aceitam as pausas momentâneas que acontecem quando o pregador consulta suas anotações. Segundo diz David Larsen, é verdade que o olho é um órgão da fala e que o contato com os olhos é importante (1989, 189), mas, mesmo numa conversa entre duas pessoas, não olhamos fixamente o outro interlocutor. O fato de escrever um esboço com letras grandes e com bastante espaço em branco entre as linhas ajudará os pregadores a melhorarem seu contato durante o discurso. Consultas momentâneas em nossas anotações não causam necessariamente perda de contato.

O esboço do sermão deve também ser “visível” ao ouvinte, isto é, a

redação de cada divisão deve ser curta e fácil de memorizar. Palavras que produzam imagens mentais são imprescindíveis a um esboço que possa ser memorizado. Rima e “música”, ou cadência, também ajudam o ouvinte a “ver” o esboço da mensagem enquanto ela se desenvolve. O expositor deve sempre ter consciência de que ele é um pastor-mestre (Efésios 4.11) e, como tal, deve trabalhar no sentido de uma “apreensão e resposta imediatas”. Este domínio mental das idéias e a resposta dada com atenção e volição não podem ocorrer quando o expositor emprega muitos termos abstratos em seu esboço do sermão e, conseqüentemente, em sua mensagem.

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Pregação expositiva através dos livros da Bíblia não é algo comum na igreja dos dias atuais. Ao ler o terceiro volume de A History of Preaching (“História da Pregação”), observei que o autor classificou de vários modos os pregadores do século XX. Quando ele chegou a “Pregação Expositiva” entre 1900 e 1950, apenas quatro homens foram ali classificados. Ao fazer a descrição do “ministério da palavra” destes quatro pregadores, Turnbull destacou os seguintes conceitos da pregação expositiva: (a) ela é baseada na exegese de um texto bíblico; (b) é sistemática, isto é, acompanha os livros da Bíblia; (c) é praticada com mais beleza quando se tem a mente que arde com a chama do Espírito de Deus (Turnbull 1974, 247-249). Em

outras partes de seu livro, Turnbull classifica outros pregadores como

expositores, mas fora destas condições. Alegro-me com o fato de que estes princípios fazem parte das razões que subjazem os passos de estudo e preparo delineados neste trabalho.

Talvez, Satanás tenha uma estratégia especial, através da qual ele faça tudo para não divulgar a exposição da Palavra de Deus redentora e revivificante. Como ele faz isto? Primeiro, através de instituições de treinamento que não enfatizem a primazia da exposição. Enquanto lecionava na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, a época uma das dezoito instituições de ensino da Convenção Batista Brasileira, aquela escola foi, por um período de aproximadamente dez anos, a única a oferecer um semestre inteiro concentrado na pregação expositiva. (Convém mencionar que mais de uma vez ficamos sabendo de seminários de outras denominações que ofereciam algo além do curso tradicional de homilética.) Possa Deus conceder esta visão a muitas outras escolas teológicas no Brasil!

Outra estratégia do inimigo da Igreja de Cristo é levar multidões de pregadores a pensarem que a crença intelectual na Palavra inerrante de Deus é suficiente. Isto é básico, mas não é suficiente. A crença deve possuir a qualidade da confiança ativa. A confiança ativa incorpora a crença no estilo de vida que uma pessoa leva. Dizer que a Bíblia é a Palavra inerrante de Deus é fácil. Todavia, expor a Bíblia com uma regularidade motivada pela confiança exige uma fé que coloque as coisas em seus devidos lugares. Sinto-me ofendido quando os sermões falam sobre a Bíblia, mas não são extraídos diretamente dela. Este sentimento é desagradável, principalmente quando o pregador é alguém que diz crer abertamente na Palavra inspirada de Deus. Mas quando ele, a cada domingo, utiliza trechos bíblicos isolados e truncados como textos de sua mensagem, como Deus pode agir de modo eficaz? Deus se revelou em frases inacabadas e pequenas? Sem uma profunda confiança na revelação coerente de Deus, ninguém poderá se tornar um ávido expositor da Palavra. David Buttrick escreve que “as razões para a pregação podem ser encontradas somente na fé”.

O pregador dos dias atuais precisa recuperar o espírito dos proclamadores do evangelho da era apostólica. Eles estavam totalmente convencidos de que Deus está se revelando através dos oráculos que lhes dera para proclamar. Apesar de extensa, a citação seguinte nos desafia e ensina a sermos expositores.

Duas vezes, Paulo descreve sua pregação como phanerosis, isto é, havia um desvendar ou uma exposição da mensagem em sua realidade inerente e em seu poder. Em Colossenses 4.4, ele pede ajuda na oração para que, assim, pudesse pregar. Em 2 Coríntios 4.2, ele faz um contraste entre pregação enganosa e “manifestação (phanerosis, “exposição”) da verdade”. Embora não pregue a si mesmo, mas a Cristo (2 Co 4.5), através desta exposição, ele escreveu, “nos recomendamos a consciência de todo homem, na presença de Deus” (2 Co 4.2). Ele estava pensando em seus motivos na pregação da Palavra de Deus. Contudo, observe que seus motivos estavam entrelaçados com a forma da pregação. É uma manifestação, uma exposição da verdade. Com isso, ele recomendava a si mesmo como alguém cujo ministério era controlado não apenas por um estilo específico de pregação, mas pela própria mensagem. Sua exposição da mensagem dominava sua apresentação. O conteúdo do evangelho domina o estilo e o espírito nos quais o evangelho é pregado (Logan 1985, 210).

No começo deste trabalho, definimos o sermão expositivo, dizendo que seu tema singular deve estar infundido na vida do pregador. É possível que, ao nos concentrarmos num método para o preparo da série expositiva, sem querer tenhamos desprezado a importância desta faceta. Nenhuma exposição se sustenta por si só. Seu conteúdo é a Palavra de Deus. Seu meio é a linguagem humana criativa e seu mediador é o homem de Deus que comunica a Palavra com sentimento e amor. Segundo afirma Erroll Hulse com bastante aptidão:

É claro que o pregador se preocupa com o mundo da exegese e da hermenêutica, com a estrutura e a fluência, com a simplicidade e a retórica; mas sem a piedade ele nunca será nem poderá ser um pregador (Logan 1986, 62).

Num dos retiros da ABU, os acampantes foram instruídos a passarem um dia sozinhos com Deus, lendo a Bíblia e orando. Não é necessário dizer que Deus visitou aquele retiro e que vidas foram permanentemente transformadas. Lembrando-me desta experiência, sempre exortava meus alunos do seminário a gastarem pelo menos um dia no mês somente com a leitura da Palavra. Ainda que nada mais possa levar a piedade, isto com certeza poderá. Estes dias freqüentes com Deus e sua Palavra garantirão um “ministério da palavra” coerente, prático e espiritual. Este hábito produziu ricos frutos na vida de G. Campbell Morgan.

Como expositor da Bíblia, Morgan descobriu desde cedo que devia ler e estudar toda a Bíblia, para que pudesse ser um intérprete competente das Escrituras em suas várias partes. Com uma mente sincera, ele se aplicou ao domínio da Bíblia em inglês. Ele lia e relia livro após livro, até encontrar o escopo da mensagem… Então estava pronto para consultar as línguas originais e os recursos da erudição e descobrir o significado essencial de um livro ou passagem. Algumas vezes, ele empregava um esboço simples para resumir um livro inteiro, conforme aconteceu com Gênesis, em três palavras: (1) geração, (2) degeneração e (3) regeneração. Era a luz disto que ele começava a análise detalhada do livro em questão. Ele observava a estrutura literária e tinha o cuidado de incluir todas as referências ao assunto, as quais pudesse recorrer, de modo que havia um acúmulo de material para o estudo sistemático e a exposição… Ele lidava com o texto, contexto, pano de fundo e estilo, trabalhando no estudo de palavras para elucidar e esclarecer significados e aplicações (Turnbull 1974, 435).

Queira Deus levantar centenas de arautos que, em amor fiel a ele, possam expor de modo coerente a Palavra da Vida!

OBRAS CITADAS

 Achtemeier, Elizabeth; Creative Preaching: Finding the Lords (Nashville, Abingdon Press, 1980).

 Baumann, J. Daniel; An Introduction to Contemporary Preaching (Grand Rapids, Baker Book House, 1972).

 Burns, E. Bradford; Nationalism in Brazil (Nova Iorque, Frederick A.

Praeger, 1968).

 Carson, D. A.; Exegetical Fallacies (Grand Rapids, Baker Book House, 1988).

 Condon, John C. e Yousef, Fathi; An Introduction to Intercultural Communication (Indianapolis, Bobbs-Merrill, 1978). Cragg, Kenneth; The all of the Minaret (Nova Iorque, Oxford University I Press, 1956).

 Davis, Henry Grady; Design for Preaching (Filadélfia, Fortress Press, 1958).

Farmer, H. H.; The Servant of the Word (Nova Iorque, Charles Scribner’s Sons, 1942).

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Livre Arbítrio: Um Escravo

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” Mas não quereis vir a mim para terdes vida” João 5:40

Este texto é usado pelos arminianos como uma das suas grandes armas e freqüentemente descarregada com um barulho terrível contra os pobres cristãos chamados calvinistas. Nesta manhã eu pretendo apontar a arma, ou melhor, vira-la contra os inimigos, porque ela nunca pertenceu a eles: jamais foi fabricada na forja deles. Pelo contrario, este texto intenciona ensinar a doutrina exatamente oposta àquela que eles sustentam.

Geralmente quando o texto é empregado, ele é dividido desta forma: primeiro, o homem tem uma vontade. Segundo, ele é inteiramente livre. Terceiro, os homens tem que querer por sua própria vontade vir a Cristo, de outra maneira eles não serão salvos. Ora, nós não utilizaremos tais divisões, mas nós empenharemos em dar uma olhada no texto com mais precaução: e não porque existam nele as palavras “querer” ou “não querer”, chegaremos à conclusão de que ele ensina a doutrina do livre-arbítrio.

LIVRE-ARBÍTRIO É SIMPLESMENTE RIDÍCULO

Já foi provado além de toda controvérsia que o livre-arbítrio é uma tolice. A liberdade não pode pertencer ao arbítrio como a ponderação não pode pertencer é eletricidade. Elas são coisas completamente diferentes Podemos crer em agente livre; porém o livre-arbítrio é simplesmente ridículo. É bem conhecido de todos que a vontade é dirigida pelo entendimento, movida por motivos, conduzida por outros componentes da alma e considerada como algo secundário.

Tanto a filosofia como a religião, descartam de uma vez a idéia de livre-arbítrio; e eu vou tão longe quanto Marinho Lutero, em sua forte afirmação, onde ele diz:”se algum homem, de alguma maneira, atribuir a salvação ao livre-arbítrio do homem – mesmo a íntima parte – nada sabe sobre a graça e não conheceu Jesus Cristo corretamente”. Pode parecer uma declaração severa; todavia, aquele que em sua alma crê que o homem faz o seu próprio livre-arbítrio voltar-se para Deus, não pode ter sido instruído por Deus, pois esse é um dos primeiros princípios que nos é ensinado quando Deus começa Sua obra em nós: não temos nem vontade nem poder, posto que Ele concede ambos; porquanto Ele é “o Alfa e o Ômega” na salvação do homem.

Sumário

Neste sermão nossos quatro pontos principais serão – Primeiro, todo homem está morto porque o texto diz: “mas não quereis vir a mim para terdes vida”. Segundo, Há vida em Jesus Cristo – “…não quereis vir a mim para terdes vida”. Terceiro, Há vida em Cristo Jesus para todo aquele que vem recebê-la” (…) “não quereis vir a mim para terdes vida”. Isso implica em que todos que vão, terão vida. Quarto e o sentido do texto é: ninguém por si mesmo jamais virá a Cristo, pois o texto diz: “…não quereis vir a mim para terdes vida”. Portanto, longe de afirmar que os homens por suas próprias vontades fariam tal coisa, o versículo nega-o categoricamente e diz: “NÃO QUEREIS vir a mim para terdes vida”. Ora, amados, estou quase pronto a exclamar: será que os defensores do livre-arbítrio tem tão pouco conhecimento a ponto de desafiar a doutrina da inspiração? Estão destituídos de senso todos aqueles que negam a doutrina da graça? Tem se afastado tanto de Deus que torcem isto para provar o livre-arbítrio onde o texto diz: “… NÃO QUEREIS vir a mim para terdes vida”?

NÃO HÁ VIDA NA MORTE

1. Primeiramente, então, nosso texto implica em que OS HOMENS POR NATUREZA ESTÃO MORTOS. Ninguém precisa ir à procura da vida se já tem vida em si mesmo. O texto fala muito fortemente quando declara: “…não quereis vir a mim para terdes vida”. Apesar de não dizê-lo explicitamente, ele afirma, com efeito. que os homens precisam de uma vida que não tem em si mesmos. Meus ouvintes, nós todos estamos mortos, a não ser que tenhamos sido gerados para uma viva esperança.

MORTE LEGAL – CONDENAÇÃO

Todos nós estamos, por natureza, legalmente mortos: “no dia que dela comeres, certamente morrerás” disse Deus a Adão: embora ele não tenha morrido fisicamente naquele momento ele morreu legalmente: isto quer dizer que a morte foi decretada contra ele. Tão logo como no OId Bailey, o juiz veste a capa preta e pronuncia a sentença, o homem é considerado morto pela lei. Talvez possa passar um mês antes dele ser trazido ao patíbulo para sofrer a sentença da lei, no entanto, a lei o considera um homem morto. E lhe impossível fazer qualquer transação. Ele não pode herdar, nem legar seus bens: ele não é nada é um homem morto. O país, de maneira alguma, o considera como vivo. Há uma eleição – não lhe é pedido seu voto porque ele é considerado legalmente morto. Ele está trancado em sua cela de condenação e está morto. Ah, e vocês pecadores sem Deus, que nunca tiveram vida em Cristo, estão vivos nesta manhã, por adiamento, mas, será que não sabem que estão legalmente mortos: que Deus os considera como tais, que no dia que seu pai Adão comeu o fruto, e vocês próprios pecaram, Deus, o eterno Juiz, colocou sobre Si o gorro preto e os condenou? Vocês falam poderosamente de sua própria posição, bondade e moralidade: onde estão elas? As Escrituras dizem que vocês “já estão condenados”. Não tem que esperar para serem condenados no dia do juízo final; ali será a execução da sentença estão condenados. No momento que pecaram, seus nomes foram escritos no livro negro da justiça: todos foram então sentenciados por Deus à morte, a não ser que tenham encontrado um substituto pelos seus pecados. na pessoa de Cristo.

O que pensariam se fossem à prisão e vissem o condenado sentado, rindo e feliz? Vocês diriam: “o homem é um tolo, pois ele está condenado e será executado: no entanto, quão alegre ele está”. Ah, e quão tolo é o homem mundano que, enquanto a sentença está sendo registrada contra ele, vive em divertimento e alegria! Vocês pensam que a sentença de Deus é sem efeito? Pensam que seu pecado que está gravado com ponteiro de aço nas rochas para sempre é isento de horrores? Deus disse que vocês já estão condenados. Se pudessem tão somente sentir isto, o amargor encheria as suas doces taças de gozo: suas danças parariam. O riso se extinguiria com um suspiro, se lembrassem de que já estão condenados. Todos nós deveríamos chorar, se compreendêssemos seriamente que por natureza não temos vida aos olhos de Deus. Estamos realmente condenados: a morte está decretada contra nós, e somos considerados aos olhos de Deus agora tão mortos como se já estivéssemos lançados no inferno: somos condenados agora pelo pecado, embora ainda não estejamos sofrendo a penalidade, porém, ela está escrita contra nós. Por isso estamos legalmente mortos. Não podemos encontrar vida, a não ser que encontremos vida legal na pessoa de Cristo.

MORTE ESPIRITUAL – CADÁVER CAMINHANDO

Mas, além de estarmos legalmente mortos, estamos também espiritualmente mortos. Isso porque a sentença não somente foi lavrada no livro, mas também no coração e entrou na consciência, operou na alma, no julgamento, na imaginação e em tudo: “…porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”, não somente foi cumprido pela sentença decretada, mas por algo que aconteceu em Adão. Assim como num dado momento futuro, quando este corpo morrer, o sangue parará, o pulso cessará e a respiração não virá mais pelos pulmões, assim também no dia em que Adão comeu do fruto, sua alma morreu: sua imaginação perdeu seu poder de ascender às coisas celestiais e ver o céu, sua vontade perdeu para sempre seu poder de escolher aquilo que é bom, seu julgamento perdeu toda a sua habilidade de julgar entre o certo e o errado decidida e infalivelmente, ainda assim algo foi retido na consciência: sua memória tomou-se corrompida, propensa a reter coisas pecaminosas, e a deixar as coisas virtuosas deslizarem para longe todo poder que ele tinha cessou quanto a sua vitalidade moral. A bondade era a vitalidade do seu poder – isso se foi. Virtude, santidade, integridade: estas eram a vida do homem, e quando elas se foram o homem tornou-se morto. E agora, todo homem, no que concerne as coisas espirituais, “está morto em delitos e pecados”. A alma não esta menos morta num homem carnal do que o corpo quando depositado no túmulo: ela esta real e positivamente morta – não se trata de uma metáfora, pois Paulo não fala por metáforas quando afirma: “Ele vos vivificou estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”.

Mas, meus ouvintes, oxalá eu pudesse pregar tudo aos seus corações a respeito deste assunto. Foi suficientemente ruim quando eu descrevi a morte como tendo sido decretada: porém, agora eu falo disso, como tendo de fato acontecido nos seus corações. Vocês não são o que eram antes: não são o que eram em Adão, nem o que foram gerados. O homem foi criado puro e santo. Vocês não são as criaturas perfeitas das quais alguns se gloriam, todos são totalmente caídos, todos se desviaram do caminho, tomando-se corruptos e sujos. Oh, não ouçam o canto da sereia daqueles que falam da dignidade moral e do elevado estado de vocês no tocante a salvação. Vocês não são perfeitos: a palavra tão forte – “ruína” – está escrito em seus corações: e a morte está selada em seus espíritos.

Não imagine, ó homem moral. que poderá ficar de pé diante de Deus em sua moralidade, pois você não é mais do que uma carcaça embalsamada em legalismo, um defunto enfeitado em finas roupas, porém ainda corrupto na presença de Deus. E não pense, o possuidor de religião natural, que poderá pelo seu poder e forca fazer-se aceitável a Deus. Ó homem, você esta morto e poderá vestir a morte tão gloriosamente como quiser porém, ainda assim, isso seria uma farsa solene. Ali está a rainha Cleópatra – coloque sobre a sua cabeça a coroa vista-a com mantos reais, deixe-a sentar com pompa: mas, que calafrio você sente quando passa por ela. Hoje ela é bela, até na sua morte – mas quão terrível e ficar em pé junto desse corpo, mesmo que seja de uma rainha morta, tão celebre pela sua majestosa beleza! Portanto, você poderá ser glorioso em sua beleza, agradável, maravilhoso e bondoso! Você coloca a coroa de honestidade sobre a sua cabeça. Usando todas as vestes de honra, mas a não ser que Deus o tenha vivificado, o homem, a não ser que o Espírito tenha tratado com a sua alma, você é tão detestável aos olhos de Deus como o corpo frio lhe é repugnante. Você não escolheria viver com um morto assentado a sua mesa. E Deus não tem prazer em que você esteja diante de seus olhos. Ele Se ira com você todos os dias, pois esta em pecado – está morto. Oh. creia nisso, leve-o a serio! Aproprie-se disso, pois é bem verdade que está morto, tanto espiritualmente como legalmente.

MORTE ETERNA NO INFERNO

O terceiro tipo de morte é a consumação dos outros dois. É a morte eterna. É a execução da sentença legal; e a consumação da morte espiritual. A morte eterna e a morte da alma; isto acontece depois da morte física, após a alma ter saído do corpo. Se a morte legal e terrível e por causa das suas conseqüências; e se a morte espiritual e horrível, e por causa daquilo que acontecerá depois. As duas mortes da qual falamos são as raízes, mas a morte que advirá é a arvore em plena frutificação!

Oh, se eu tivesse palavras para descrever a você neste momento o que é a morte eterna. A alma compareceu diante do seu Criador; o livro foi aberto; a sentença foi declarada: ” apartai-vos malditos”. O universo foi sacudido, e tomou as próprias galáxias obscurecidas com a desaprovação do Criador; a alma se foi as profundezas onde habitara com outras na morte eterna. Oh quão terrível e a sua posição agora. Seu leito é um leito de chamas: as visões que ela tem são horrendas horripilam-na; os sons que ouve são gritos, lamentações choros, e grunhidos; tudo que o seu corpo conhece é a imposição de dores lancinantes! Ele tem o inexprimível infortúnio da miséria não mitigada. A alma olha para baixo com medo e pavor; o remorso toma posse dela. Ela olha para sua direita. e as paredes inflexíveis da ruína a mantém dentro dos limites da tortura. Olha para sua esquerda, e ali o baluarte de fogo ardente impede a escalada de qualquer imaginado escape. Olha para dentro de si e ali procura por consolação, mas um verme torturante já penetrou nela. Ela olha em volta não tem amigos que a ajudem, nem consoladores, e sim atormentadores em abundância. Não conhece a esperança da libertação; já ouviu o eterno ferrolho do destino fechando a porta da terrível prisão, e viu Deus tomar a chave e jogá-la nas profundezas da eternidade para nunca mais ser achada. Sem esperança, desconhece escape, não conjectura libertação; suspira pelo fim, mas a morte é por demais um adversário para ali estar; deseja ardentemente que a não existência a possa tragar, mas esta morte eterna é pior do que o aniquilamento. Anseia pelo extermínio como trabalhador pelo seu dia de descanso; deseja profundamente que possa ser engolida pelo nada, assim como o escravo da galé deseja sua liberdade qual nunca chega. Está eternamente morta. Quando a eternidade tiver dado incontáveis voltas a alma perdida ainda estará morta. “Para todo o sempre” não conhecerá fim; a eternidade não pode ser soletrada a não ser na eternidade. No entanto, a alma vê assento sobre a sua cabeça; és maldita para sempre”. Ela ouve gritos que serio perpétuos; as chamas que são inextinguíveis; conhece dores que não terão alivio; ouve uma sentença que não ruge como um trovão da terra que logo cessa porém, continua sempre e sempre, retinindo os ecos da eternidade – fazendo milhares de anos tremer outra vez com o terrível estrondo do seu pavoroso ruído; “Apartai! Apartai! Apartai malditos”! Isto é na verdade a morte eterna.
VIDA EM CRISTO

2. Em segundo lugar HÁ VIDA EM CRISTO JESUS, pois Ele diz: “mas não quereis vir a mim para terdes vida”. Não há vida em Deus pai para o pecador; não há vida em Deus Espírito para o pecador longe de Jesus. A vida do pecador está em Cristo. Se vocês tomarem o Pai a parte do Filho, apesar de amar Seus eleitos e decretar que eles viverão, no entanto, a vida só está em seu Filho. Se tomarem Deus Espírito a parte de Jesus Cristo, apesar de ser o Espírito que nos dá vida, espiritual, contudo a vida está em Cristo, a vida esta no Filho. Não nos atrevemos, não podemos requerer vida espiritual em primeiro lugar, nem de Deus Pai, ou de Deus Espírito Santo. A primeira coisa que somos levados a fazer quando Deus nos tira do Egito e comer a Páscoa – a primeiríssima coisa.

Os primeiros meios pelos quais recebemos vida consiste em nos alimentar da carne e do sangue do Filho de Deus: vivendo nEle, confiando nEle, acreditando na Sua graça e poder.

O pensamento que estamos desenvolvendo e: há vida em Cristo Jesus. Quero mostrar-lhes que há três tipos de vida em Cristo, assim como há três tipos de morte em conseqüência do pecado.

VIDA LEGAL – SEM CONDENAÇÃO

Primeiro existe vida legal em Cristo. Assim como todo homem por natureza, considerado em Adão, teve uma sentença de condenação que passou para ele no momento em que Adão pecou e, mais especificamente, no momento de sua própria transgressão, igualmente se formos crentes e confiarmos em Cristo, houve uma sentença legal de absolvição atribuída a nós através do que Jesus Cristo fez. Ó pecador condenado, você pode estar sentado aqui hoje tão condenado como o prisioneiro em Newgate (prisão na Inglaterra) mas antes deste dia terminar poder estar tão livre de culpa como os anjos lá do alto. Há uma tal coisa como uma vida legal em Cristo, e bendito seja Deus, alguns de nós a desfrutamos. Sabemos que os nossos pecados são perdoados porque Cristo sofreu o castigo por eles. Sabemos que nunca seremos punidos porque Cristo sofreu em nosso lugar.

A Páscoa foi sacrificada a nosso favor: os umbrais e a verga das portas foram aspergidos, e o anjo destruidor nunca poderá nos tocar. Para nós não haverá inferno; suas chamas terríveis não nos alcançarão. Não importa que o Tofete tenha sido preparado desde há muito tempo, nem que sua pilha seja de madeira e haja muita fumaça, nunca iremos para lá – Cristo morreu por nós e em nosso lugar. Ainda que hajam horríveis tormentos, ou mesmo uma sentença que produza horrendas repercussões fragorosas, no entanto, nem tormento nem prisões, nem trovões são para nós! Em Cristo Jesus somos libertos agora. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que andam não segundo a carne, mas, segundo o Espirito” (Rom. 8:1).

Pecador, você se sente legalmente condenado neste momento? Sente isso? Então, deixe-me dizer-lhe que a fé em Cristo lhe dará o conhecimento de sua absolvição legal. Meu amigo, não e nenhuma fantasia o fato de estarmos condenados por nossos pecados, é uma realidade. Portanto, tampouco é fantasia que fomos absolvidos de nossos pecados, é também uma realidade. Um homem prestes a ser enforcado, se recebesse pleno perdão sentiria isso como uma grande realidade. Ele dirá: “eu recebi total perdão, agora não posso ser tocado”. É assim mesmo que eu me sinto.

“Agora livre do pecado eu ando em liberdade,
O sangue do Salvador e minha completa absolvição,
Aos Seus queridos pés eu me deito,
Um pecador salvo, minha homenagem presto”.

Irmãos, nós ganhamos vida legal em Cristo, e tal vida não podemos perder. A sentença era contra nós no passado – agora tudo mudou. Esta escrito: “portanto, AGORA NENHUMA CONDENAÇÃO HÁ PARA OS QUE ESTÃO EM CRISTO JESUS”, e esse agora valerá para mim daqui a muitos anos, como o esta valendo hoje. Em qualquer tempo que estivermos vivendo, ainda estará escrito: “portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.

VIDA ESPIRITUAL – DEFUNTO VIVIFICADO

Então, em segundo lugar, há vida espiritual em Cristo Jesus. Visto que o homem está espiritualmente morto, Deus tem vida espiritual para ele, pois não há nenhuma necessidade que não possa ser suprida por Jesus; não há vazio no coração que Cristo não possa encher: não há um ermo que Ele não possa povoar, não há deserto que Ele não possa fazer florescer como a rosa. Ó pecadores mortos, espiritualmente mortos. há vida em Cristo Jesus, pois nós temos visto – sim, estes olhos viram – os mortos viverem de novo: nós conhecemos o homem cuja visão era carnal, cujas concupiscências eram poderosas, cujas paixões eram fortes, e que de repente, por um irresistível poder do céu. consagrou-se a Cristo, e tornou-se um filho de Deus. Sabemos que há vida em Cristo Jesus, vida de ordem espiritual; sim, mas nós mesmos, em nossas próprias pessoas, temos sentido que há uma vida espiritual. Bem que podemos nos lembrar quando nos sentamos na casa de oração, tão mortos como os bancos nos quais estávamos sentados. Havíamos ouvido por muito tempo o som do evangelho, porém, nenhum efeito se seguiu, quando de repente, como se os nossos ouvidos tivessem sido abertos pelos dedos de um poderoso anjo, um som entrou em nossos corações. Pensamos ter ouvido Jesus dizer: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mat. 11:15). Um poder irresistível tocou nossos corações e espremeu deles uma oração. Nunca fizemos uma oração assim antes. Nós clamamos” Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lc. 18:13).

Alguns de nós sentimos a mão de Deus nos apertando durante meses, como se tivéssemos sido apanhados num torno, e as nossas almas sangraram gotas de angústia. Essa miséria era um sinal de vida que se iniciava. Quando as pessoas estão se afogando não sentem tanto a dor como quando estão sendo restauradas. Oh, podemos nos lembrar de quando recebemos a nossa vida espiritual, tão facilmente como pode um homem que fosse ressurrecto do túmulo.

Podemos supor que Lázaro se lembrava da sua ressurreição, porem, não de todas as circunstancias dela. Portanto, apesar de termos nos esquecido de muitos detalhes, podemos nos lembrar de quando nos entregamos a Cristo. Podemos dizer a todo pecador, mesmo estando morto, que há vida em Cristo Jesus, ainda que ele esteja podre e corrupto em seu túmulo espiritual. Aquele que ressuscitou a Lázaro, também nos ressuscitou; e Ele pode dizer igualmente a você: “Lázaro, saia para fora”.

VIDA ETERNA – NUNCA PERDIDO

Em terceiro lugar, há vida eterna em Cristo Jesus. Meus amigos, se a morte eterna e terrível, a vida espiritual e abençoada; pois Ele disse, “Onde Eu estiver aí o meu servo estará”(João 12:26). “Pai, desejo que onde eu estiver também estejam comigo aqueles que me tens dado, para que vejam a minha glória” (João 17:24). “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão”. (João 10:28). Ora, qualquer arminiano que pregasse sobre esse texto precisaria de lábios de borracha para esticar a sua boca, pois tenho certeza que ele não poderia falar toda a verdade sem se enrolar de um modo muito misterioso. Vida eterna – não uma vida que eles vão perder, mas vida eterna. Se eu perdi a vida em Adão, eu a ganhei em Cristo; se em Adão me perdi para sempre, em Cristo Jesus me encontro para sempre. Vida eterna! Oh, bendito pensamento! Nossos olhos reluzirão com gozo e nossas almas arderão em êxtase ao pensar que as nossas almas vão viver em alegria e gozo. Apaga seu olho, ó sol! – porém os meus olhos” verão o Rei na Sua formosura” quando esse olho solar nunca mais fizer sorrir a terra verde. E lua, toma-se em sangue! – porém o meu sangue jamais se tornará em nada; este meu espírito ainda existira quando você terá deixado de existir. E você grande mundo! – poderá desvanecer assim como a espuma desaparece de sobre a onda que a suporta, porém eu terei a vida eterna. Ó tempo! – você poderá ver montanhas gigantescas mortas ou escondidas em suas covas; poderá ver as estrelas como figos maduros caindo da árvore; mas nunca, jamais verá o meu espírito morto.

DEUS SALVA A TODOS OS QUE VÊM

3. Isto nos traz ao terceiro ponto: A VIDA ETERNA É DADA A TODOS OS QUE VÊM EM SUA BUSCA. Nunca um homem veio a Cristo buscar vida eterna, legal e espiritual, que de certo modo não a tivesse recebido, e foi lhe manifestado de que a tinha recebido logo após ter vindo. Vamos considerar um ou dois textos. “Portanto pode também salvar perfeitamente os que por Ele se achegam a Deus” (Hb. 7:25). Todo homem que se achega a Cristo, verá que Ele é capaz de salvá-lo e, não apenas capaz de salvá-lo um pouco, libertá-lo de um pequeno pecado, livrá-lo de uma pequena tribulação, carrega-lo um pouco e depois deixá-lo cair – e sim capaz de salvá-lo até a máxima extensão do seu pecado, e de suas tribulações, até ao mais profundo das suas tristezas e ao extremo da sua existência. Cristo diz a todo o que vem a Ele: “Venha, pobre pecador, não precisa perguntar se tenho poder para salvar. Eu não perguntarei quão longe foi em seu pecado; Eu posso salvá-lo completa e perfeitamente”.

SOMENTE OS ESCOLHIDOS VIRÃO

Agora vejamos outros textos: “Aquele que vem a mim (notem que as promessas são quase todas aos que vêm) de modo nenhum o lançarei fora”‘ (João 6:37). Todo homem que vem encontrará a porta da casa de Cristo aberta – e a porta do Seu coração também. Todo homem que vem – eu digo isto no mais amplo sentido – descobrirá que Cristo tem misericórdia dele. O maior absurdo do mundo e querer um evangelho mais amplo do que aquele registrado nas Escrituras. Eu proclamo que todo homem que crê será salvo – que todo homem que vem encontrara misericórdia. As pessoas me perguntam: mas, suponha que um homem venha sem ter sido escolhido, ele seria salvo? Você está supondo um absurdo, e eu não vou lhe dar uma resposta. Se um homem não for escolhido ele nunca virá. Quando ele vem é uma prova segura de que foi escolhido. Diz outro: “Suponha que alguém vá a Cristo que não tenha sido chamado pelo Espirito”. Pare, meu amigo, essa e uma suposição que você não tem o direito de fazer, pois tal coisa não pode acontecer: você só diz isso para me enredar, mas não conseguirá isso. Eu digo, todo homem que vem a Cristo será salvo. Eu posso dizer isso como um calvinista, ou como um hiper-calvinista com toda a clareza possível. Não tenho evangelho que exceda em estreiteza ao que você tem só que o meu evangelho está alicerçado sobre um fundamento sólido, ao passo que o seu está construído somente sobre ardia e podridão. Todo homem que vem a Cristo será salvo, pois, homem nenhum virá a Ele “se o Pai não o trouxer”. No entanto, diz alguém: “Suponha que o mundo todo viesse, Cristo o receberia?” Certamente, se todos viessem; mas eles não virão Eu digo, todos os que vem – sim, mesmo que eles fossem tão maus quanto os demônios, ainda assim Cristo os receberia; se eles tivessem todos os pecados e imundícies derramados nos seus corações, como dentro de um esgoto comum para o mundo todo, Cristo os receberia.

EXPIAÇÃO UNIVERSAL, UMA MENTIRA

Há quem argumente: “Eu quero saber sobre o restante das pessoas. Posso sair e dizer-lhes: Jesus Cristo morreu por cada um de vocês? Posso dizer que há vida para cada um de vocês?”. Não. Não poderá. Você poderá dizer que há vida para cada homem que vem; contudo, se disser que há vida para aqueles que não crêem, então, profere uma mentira perigosa. Se você lhes disser que Jesus Cristo foi punido pelos seus pecados e assim mesmo se perderão, você fala uma falsidade deliberada. Pensar que Deus pode punir a Cristo, e depois punir a eles – eu admiro do seu atrevimento em dizer isso! Um homem uma vez estava pregando e afirmou que havia harpas e coroas no céu para toda a sua congregação; e depois terminou de uma maneira muito solene: ” Meus queridos amigos, muitos para quem estas coisas estão preparadas não chegarão lá ”. De fato, a sua pregação foi uma coisa tão lamentável que era para fazer chorar mas eu lhes digo por quem ele deveria ter chorado – deveria ter chorado pelos anjos do céu e por todos os santos, pois isso estragaria completamente o céu para eles.

Ouçam, meus irmãos, quando vocês se reunirem no Natal, se perderam seu irmão Davi, e o seu lugar está vazio, vocês dizem: “Bem, nós sempre desfrutamos do Natal, mas agora há um vazio – pobre Davi esta morto e sepultado!” Pensem nos anjos dizendo: “Ah, este é um céu maravilhoso, mas não gostamos de ver todas estas coroas aqui com teias de aranha! Não podemos suportar essa rua desabitada nem podemos olhar para esses tronos vazios”! E então, pobrezinhos, eles poderiam começar a falar uns com os outros, e dizer: “Nenhum de nós está a salvo aqui, pois a promessa foi – ” Eu dou as minhas ovelhas a vida eterna”, e há muitas delas no inferno, as quais Deus deu vida eterna também; há um número delas pelas quais Cristo derramou Seu sangue, queimando no abismo, e se elas podem ser mandadas para lá, Ele também pode nos mandar. Se não podemos confiar numa promessa, tampouco podemos confiar noutra”. Portanto, o céu perderia o seu fundamento e cairia. Acabem com tal evangelho sem sentido! Deus nos da um evangelho seguro e sólido, construído sobre as promessas e relacionamentos da aliança, com propósitos eternos e cumprimentos seguros.

NENHUM HOMEM DESEJA VIR

4. Isto nos traz ao quarto ponto. POR NATUREZA, NENHUM HOMEM QUER VIR A CRISTO, pois o texto diz: “Não quereis vir a mim para terdes vida”. Eu afirmo sob a autoridade das Escrituras que não querem vir a Cristo para terem vida. Eu lhes digo, poderia pregar a vocês a vida toda e tomar emprestado a eloquência de Demóstenes ou de Cícero, mas vocês na desejariam vir a Cristo. Poderia lhes implorar de joelhos, com lágrimas nos meus olhos, e mostrar os horrores do inferno e o gozo do céu, como também expor a sua própria condição de perdido e a suficiência de Cristo, porém nenhum de vocês viria a Cristo por sua própria vontade, a não ser que o Espírito de Cristo o atraísse. E verdade que todos os homens, em sua condição natural, não virão Cristo.

Parece que estou ouvindo outro destes faladores perguntando: “Mas, eles não poderiam vir se quisessem”? Meu amigo, vou lhe responder numa outra ocasião. Essa não é a questão neste momento. Eu estou falando sobre eles quererem, não sobre eles poderem. Você pode notar que quando se fala de livre-arbítrio, o pobre arminiano em dois segundos começa a falar de poder, e mistura dois assuntos que deveriam ser mantidos separados. Nós não trataremos de dois assuntos de uma só vez, pois nos recusamos a lutar com dois ao mesmo tempo. Em outra oportunidade pregaremos sobre este texto: “Ninguém pode vir a mim se o Pai não o trouxer”. Entretanto, é só sobre a vontade que estamos falando agora, é certo que os homens não virão a Cristo para que tenham vida.

Poderíamos provar isso com muitos textos das Escrituras, porém usaremos uma parábola. Vocês se lembram da parábola onde um certo rei deu uma festa para seu filho, e convidou muitos a festa; os bois e os cevados foram mortos, e ele enviou seus mensageiros a chamar muitos para a ceia. Eles foram a festa? Não, não foram. Todos eles, a uma só voz, começaram a se desculpar. Um disse que havia se casado, portanto não poderia vir. E o que impediria que ele trouxesse a esposa consigo? Outro comprou uma junta de bois, e foi experimentá-los; mas a festa foi a noite, e ele não poderia experimentá-los no escuro. Outro comprou um pedaço de terra e queria vê-la; mas eu não creio que ele fosse vê-la com uma lanterna. Assim, todos apresentaram desculpas e não quiseram vir. Bem, o rei estava determinado a realizar a festa; portanto, ele disse: “Vai às ruas e becos e convida-os – espere! não convide – obriga-os a entrar”, pois mesmo os pobres das ruas nunca teriam vindo a não ser que fossem compelidos.

Examinemos outra parábola. Um certo homem tinha uma vinha; no tempo determinado enviou um dos seus servos para receber o que lhe cabia do aforamento. O que fizeram com ele? Espancaram aquele servo. Ele enviou outro, e o apedrejaram. Enviou ainda outro, e o mataram. E por último ele disse: “Eu vou enviar-lhes o meu filho, a ele terão respeito”. Mas o que foi que fizeram? Disseram: “Este e o herdeiro: vinde, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança”. E assim fizeram. E o mesmo com todos os homens, por causa da sua natureza. O Filho de Deus veio: no entanto, os homens O rejeitaram.” Não quereis vir a Mim para terdes vida”.

A QUEDA – ATÉ ONDE?

Levaria muito tempo para mencionarmos outras provas das Escrituras. Vamos, no entanto, nos referir à grande doutrina da Queda. Qualquer pessoa que acredita que a vontade do homem é inteiramente livre, e que pode ser salva por meio dela, não acredita na Queda. Como, às vezes, tenho lhes dito: poucos pregadores acreditam plenamente na doutrina da Queda, ou então apenas acreditam que Adão, quando caiu, quebrou seu dedo mindinho, e não seu pescoço, arruinando assim a sua raça. Ora, amados, a Queda quebrou o homem completamente. Não deixou nenhuma capacidade inalterada; todas foram despedaçadas, degradadas e manchadas. Como um poderoso templo, os pilares podem estar ali, as colunas, até o pilar principal, mas, todos eles foram quebrados, ainda que alguns retenham suas formas e posições. Às vezes a consciência do homem retam muito a sua ternura – no entanto, esta caída. A vontade também não está isenta. Embora seja o maioral de Mansoul - conforme Bunyan o chama – o maioral erra. O senhor vontade – voluntarioso – estava continuamente errando.

A natureza caída que vocês tem foi colocada fora de ordem; sua vontade, entre outras coisas, afastou-se completamente de Deus. Eu lhes direi que a melhor prova disso: é o grande fato de que nunca encontraram um cristão, em toda a sua vida, que dissesse que ele veio a Cristo, sem que antes Cristo tivesse vindo a ele.

ORAÇÕES LIVRE-ARBÍTRIO – NÃO!

Vocês tem ouvido muitos sermões arminianos, eu ouso dizer, mas nunca ouviram uma oração arminiana - pois os santos em oração se parecem iguais em palavra, ação e mente. Um arminiano de joelhos orará desesperadamente como um calvinista. Ele não pode orar a respeito do livre-arbítrio: não há lugar para isso. Imagine-o orando: “Senhor, eu Te agradeço que não sou como esses pobres calvinistas presunçosos. Senhor, eu nasci com um glorioso livre-arbítrio: eu nasci com poder pelo qual posso me voltar para Ti por conta própria; tenho melhorado minha graça. Se todos tivessem feito o mesmo que eu fiz com a Tua graça, poderiam todos ter sido salvos. Senhor, eu sei que Tu não nos fazes espiritualmente propensos se nós mesmos não queremos. Tu dás graça a todos; alguns não a melhoram, mas, eu sim. Haverá muitos que irão para o inferno, tantos quantos foram comprados pelo sangue de Cristo como eu fui; eles tinham tanto do Espírito Santo quanto me foi dado tiveram uma boa chance, e foram tão abençoados como eu sou. Não foi a Tua graça que nos diferenciou; eu sei que ela fez muito, mas eu cheguei ao ponto desejado; eu usei o que me foi dado e os outros não – essa e a diferença entre eu e eles”.

Essa é uma oração para o diabo, pois ninguém ofereceria tal oração. Ah, quando eles estão pregando e falando vagarosamente poderá haver doutrina errada: mas quando oram, a verdade escapa, eles não podem evitá-la. Se um homem fala muito devagar, ele poderá falar de modo refinado, porém, quando ele começa a falar depressa, o velho sotaque regional escapa.

E lhes pergunto: alguma vez conheceram um cristão que dissesse,” Eu vim a Cristo sem o poder do Espírito”? Se alguma vez encontraram tal homem, não precisam ter a menor hesitação em dizer: “Meu querido amigo, eu realmente admito isso – e acredito também que você se afastou dEle sem o poder do Espírito, que está em fel de amargura e no laço da iniquidade”.

Será que eu ouço um cristão dizendo: “Eu achei a Jesus antes que Ele me achasse; eu fui ao Espírito, e Ele não veio a mim”? Não, amados, somos obrigados; cada um de nós a colocar as mãos sobre os nossos corações e dizer:

“A graça ensinou minha alma a orar,
E fez meus olhos transbordar,
Foi a graça que me guardou até este dia,
E não me deixam escapar”

Há alguém aqui – ao menos um – homem ou mulher, jovem ou velho, que possa dizer: “Eu procurei a Deus antes que Ele me procurasse”? Não, mesmo você que tende para o arminianismo cantara:

” Oh sim! eu amo a Deus
Porque Ele me amou primeiro”.

Então, mais uma pergunta. Porventura não descobrimos que, mesmo após termos vindo a Cristo, a nossa alma não está livre, e sim, está guardada por Cristo? Não descobrimos que até mesmo agora, há ocasiões quando o querer não está presente? Há uma lei em nossos membros guerreando contra a lei das nossa s mentes. Ora, se esses que estão espiritualmente vivos sentem que a sua vontade esta contraria a de Deus, o que dizer do homem que esta morto em delitos e pecados? Seria um absurdo maior colocar os dois no mesmo nível; e seria ainda mais absurdo fazer os mortos precederem os vivos. Não, o texto esta certo, a experiência o imprimiu em nossos corações: ” Não quereis vir a mim para terdes vida”.

POR QUE NINGUÉM VEM

Agora devemos dizer-lhes os motivos pelos quais os homens não vem a Cristo. O primeiro e: porque nenhum homem por natureza pensa que ele precisa de Cristo. Por natureza ele concebe que não precisa de Cristo; pensa que possui um manto de justiça própria, que está bem vestido, que não está nu, que não precisa do sangue de Cristo para lavá-lo, que não está preto ou vermelho e que não precisa da graça para purificá-lo. Nenhum homem conhece a sua necessidade antes que Deus a mostre a ele; e até que o Espírito Santo lhe revele a necessidade de perdão, nenhum homem buscará o perdão. Eu posso pregar Cristo para sempre, mas, a não ser que alguém sinta que quer a Cristo, nunca virá a Ele. Um farmacêutico pode ter uma boa farmácia, mas ninguém comprará seus remédios até que sinta que precisa deles.

O motivo seguinte é: porque os homens gostam do modo pelo qual Cristo os salva. Um diz: ” Eu não gosto porque Ele me torna santo; eu não posso beber ou blasfemar, se Ele me salvar”. Outro diz: ” Isto requer que eu seja tão exato e rígido, e eu gosto de um pouco mais de licença”. Outro não gosta porque o” portão do céu” não é o suficiente alto para a sua cabeça, e ele não gosta de se agachar. Este é o motivo principal pelo qual vocês não virão a Cristo, porque não podem chegar a Ele com as suas cabeças firmemente levantadas no ar: pois Cristo os faz agacharem quando vocês vem. Outro não gosta que a salvação seja pela graça do começo ao fim. “Oh”, ele diz: “se eu pudesse ter só um pouco de honra”. Mas, quando ele ouve que tudo é Cristo. Cristo ou nada, um Cristo inteiro ou nada de Cristo, ele diz: ” Eu não virei”, vira-se então e vai embora. Ah, pecadores orgulhosos, vocês não virão a Cristo porque não conhecem nada sobre Ele. E esse é o terceiro motivo. Os homens não conhecem Seu valor, pois se o conhecessem, viriam para Ele. Porque os marinheiros não vieram para a América antes de Colombo? Porque não acreditavam que a América existia. Colombo tinha fé: portanto ele foi. Aquele que tem fé em Cristo vai a Ele. Todavia, vocês não conhecem a Jesus; muitos de vocês não viram Seu maravilhoso rosto; nunca viram o quanto Seu sangue é apropriado para um pecador, quão grande é a Sua expiação, e como Seus méritos são todos suficientes. Portanto” vocês não virão a Ele”.

SEM DESCULPA

Oh, meus ouvintes, meu último pensamento e deveras solene. Já preguei que vocês não virão. Mas, alguns vão dizer: ” É por causa dos nossos pecados que não estamos vindo”. É isso mesmo. Vocês não vêm nem podem vir porque suas vontades são pecaminosas. Alguns pensam que” costura-mos almofadas para todas as cavas” quando pregamos esta doutrina, mas não o fazemos. Não vemos isto como sendo parte da natureza original do homem, porém, como pertencente à natureza decaída. É o pecado que os trouxe a esta condição, devido a qual não virão. Se não tivessem caído, viriam a Cristo no exato momento em que Ele fosse anunciado a vocês, mas não vêm por causa dos seus pecados e delitos. As pessoas se desculpam porque têm corações maus. Essa é a desculpa mais esfarrapada do mundo. Acaso o roubo e a ladroeira não provêm de um mau coração? Suponha que um ladrão dissesse ao juiz: ” Eu não pude evitá-lo, eu tinha um mau coração”. O que diria o juiz?” Patife! se seu coração é mau então farei a sentença mais pesada, pois de fato você é um vilão. Sua desculpa não e nada”. O Todo-Poderoso vai rir deles, e os terá em escárnio. Nós não pregamos esta doutrina para desculpá-los, e sim para torná-los humildes. Possuir uma má natureza é tanto minha culpa como minha terrível calamidade.

É um pecado que será cobrado do homem. Quando eles não vêm a Cristo é o pecado que os mantém afastados. Aquele que não prega isso, duvido que seja fiel a Deus e à sua própria consciência. Vai então para casa, meu amigo, com este pensamento: ” Eu sou por natureza tão perverso que não virei a Cristo, e essa perversidade da minha natureza é o meu pecado. Eu mereço ser lançado ao inferno por isso”. E se este pensamento não humilhar, o Espírito usando o mesmo, nada poderá fazê-lo. Na pregação de hoje eu não exaltei a natureza humana, porém rebaixei-a. Deus nos humilhe a todos. Amém!

 

NOTA CONCLUSIVA DO PUBLICADOR

Desde que este sermão foi pregado por Spurgeon no início do seu ministério (02 de dezembro de 1855 na Capela de New Park Street, Londres), alguns oponentes da doutrina da graça soberana têm tentado ensinar que posteriormente Spurgeon mudou seu ponto de vista sobre aquilo que foi exposto em ” Livre-Arbítrio – Um Escravo”. Isto é simplesmente um absurdo, como o confirmam as seguintes breves citações (que poderiam ser multiplicadas muitas vezes), extraídas do último volume dos seus sermões, os quais ele editou pessoalmente em 1891, no Metropolitan Tabernacle Pulpit.

“Você não possui um vontade imparcial, ou inclinada para aquilo que é bom; você escolheu o mal e continua a escolhê-lo…”

” Durante o tempo que quiser, você poderá exortar um homem cego a enxergar, porém ele não enxergará. O quanto quiser, você poderá exortar um homem morto a viver, porém ele não viverá somente através de sua exortação. Algo mais é necessário” (pp. 341-342 ).”

“A intenção de Deus era que Lídia fosse salva. No entanto, você sabe que nenhuma mulher foi salva contra sua vontade. Deus nos faz dispostos no dia do Seu poder, e a Sua graça não viola a vontade humana, mas triunfa docemente sobre ela. Nunca haverá alguém arrastado para o céu pelas orelhas: saiba disso. Nós iremos para lá de coração e porque desejamos” (p. 485).

C. H. Spurgeon – Editado pela PES.

A Credibilidade da Bíblia Sagrada

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CÂNON 

1. O significado da palavra cânon

1a. Cânon – Datas e períodos

1b. Cânon – Sua inspiração 

1c. Cânon – Sua descoberta

1d. Princípios que formaram o cânon (em sumo) 

1e. Os princípios da descoberta da canonicidade  

1.f Teste para a inclusão de um livro do cânon

O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO 

1. Data do conhecimento e fixação do cânon do Novo Testamento

1a. A necessidade da mensagem escrita do Novo Testamento

1b. Um livro no cânon do Novo Testamento

1c. Os livros canônicos do Novo Testamento 

1.d Os apócrifos do Novo Testamento 32200-205

1e. Os livros apócrifos foram ou nâo inspirado?

1f. Alusões implícitos aos apócrifos

O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

SEU DESENVOLVIMENTO

 

A CREDIBILIDADE DA BÍBLIA   

A FIDEDIGNIDADE E CONFIABILIDADE DAS ESCRITURAS

1.A confirmação do texto hitórico

1a. O teste bibliografico da credibilidade do Novo Testamento 

1b. Evidêcias dos manuscritos acerca do Novo Testamento

1c.O Novo Testamento em comparação com outras obras da antiguidade

1d. Cronologia de importantes manuscritos do Novo Testamento 

1f. A credibilidade dos manuscritos apoiada por vàrias traduções 

1g. A credibilidade dos manuscritos apoiada pelos primeiros pais da igreja

CITAÇÕES PATRÍSTICAS DO NOVO TESTAMENTO   

INTRODUÇÃO

      Do estudar-mos sobre o cânon, veremos neste trabalho o seu significado, sua importância, qual o seu valor para nós os crentes. Como foi aceito pelas igrejas, como se desenvolveu, qual é a época em que envolve o cânon, qual é o papel dos lideres nisso tudo, e etc… Veremos também todo o ministério que envolveu o livro de Apocalipse a respeito de sua canonicidade. E os livros apócrifos ou os falsos livros da Bíblia? Será mesmo a Bíblia dos crentes, que contêm os livros que falam a verdade? Enfim.

1. O SIGNIFICADO DA PALAVRA CÂNON

      A palavra cânon tem raiz na palavra “cana”, “junco” (do hebraico geneh, através do grego kanon ). O “junco” era usado como uma vara para medir e avaliar …” mais tarde teve o sentido de “lista” ou “rol”.15/95 

      Aplicada às Escrituras, a palavra cânon significa “uma lista de livros oficialmente aceitos”. 23/31

      Deve-se ter em mente que a igreja não criou o cânon nem os livros que estão incluídos naquilo  que chamamos de Escrituras. Ao contrário, a igreja reconheceu os livros que foram inspirados desde o princípio. Foram inspirados por Deus ao serem escritos. 

      E a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus (Gl 6:6). Nos porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos desmarcou e que se estende até vós (2Co 10:3).

      “Não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios, e tendo esperança, de que, crescendo a vossa fé, seremos engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação (2Co 10:15).   

      A Bíblia, como o cânon sagrado, é a nossa norma ou regra de fé e prática. Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferenciá-los dos apócrifos. O emprego do termo cânon foi primeiramente aplicados aos livros da Bíblia por origines (185-254 d.C).

1a. CÂNON – DATAS E PERÍODOS  

     O Novo Testamento foi completado em menos de 100 anos, pois seu último livro, o apocalipse, foi escrito cerca de 96 D.C. Isto é, dá um total de 1.142 anos para a formação de ambos os Testamentos (1046+96). (Leve em conta Que a cronologia Bíblica é sempre aproximada, pois os povos orientais não tinham um sistema fixo de computação de datas.

      Quando se fala do espaço total de tempo, que vai da escrita do pentateuco ao apocalipse, é preciso intercalar os 400 anos do período interbíblico ocorrido entre os Testamentos, o que dará um total de 1542 anos (1046+96+400). Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no espaço de 46 séculos. Este é o período no Qual o cânon foi completado.

1b. CÂNON – SUA INSPIRAÇÃO

      A canonicidade é determinada pela inspiração. Os livros da Bíblia não são para Deus oriundos, isto porque eles tem valor, provieram de Deus. A processo mediante o qual Deus nos concede sua revelação chama-se inspiração. È a inspiração de Deus num livro que determina sua canonicidade. Deus dá autoridade divina a um livro, e os homens de Deus o atacam. Deus revela, e o seu povo conhece o que o Senhor revelou. A canonicidade é dada por Deus e descoberta pelos homens. A Bíblia constitui o “cânon”, pelo qual tudo mais deve ser medido e avaliado pelo fato de Ter autoridade concedida por Deus. Sejam quais foram as medidas (os cânones ) usados pela igreja para descobrir com exatidão que livros possuem essa autoridade canônica ou normativa, não se deve dizer que determinam a canonicidade dos livros. Dizer que o povo de Deus, mediante quaisquer regras de conhecimento, “determina” que livros são autorizados por regra de conhecimentos. 56 Deus pode conceder absoluta. 

      Só a inspiração divina determina a autoridade de um livro, se ele é canônico, de natureza normativa.  

1c. CÂNON – SUA DESCOBERTA

      O povo de Deus tem desempenhado um papel de grande importância no processo de canonização. A comunidade dos crentes arca com a tarefa de chegar a uma conclusão sobre quais livros são realmente de Deus. A fim de cumprir esse papel, a igreja deve procurar cartas características próprias da autoridade divina. Como poderia alguém reconhecer um livro inspirado só por vê-lo? Dai vários critérios estavam em jogo nesse processo de reconhecimento. Ao qual são eles:

1.d OS PRINCÍPIOS DA DESCOBERTA DA CANONICIDADE:

      Sempre existiu falsos livros e falsas mensagens. E por representarem ameaça constante, surgiu-se a necessidade de que o povo de Deus tivesse mais cuidado com a coleção de livros sagrados guardados consigo, pois poderiam haver alguns erros. A partir daí a igreja passou a questionar esses livros sagrados mediante cinco critérios; ao qual são eles:

a)O livro é autorizado – Veio de Deus;

b)É profético – Foi escrito por um servo de Deus;

c)É digno de confiança – Fala a verdade a cerca de Deus;

d)É Dinâmico – Possui o poder que transforma vidas;

e)É aceito pelo povo de Deus para o qual foi originalmente escrito.   

 

1. VEJAMOS  AGORA CADA UM DESSES CRITÉRIOS SEPARADAMENTE:

      A autoridade de um livro – Cada livro da Bíblia traz uma reivindicação de autoridade divina. A expressão “Assim diz o Senhor” está presente na Bíblia com freqüência. Sempre existe uma declaração divina. Se faltasse a um livro a Autoridade de Deus, esse era considerado não canônico , não sendo incluído no cânon sagrado. 

      Os livros dos profetas eram facilmente reconhecidos como canônicos por esse princípio de autoridade. A expressão repetida “e o Senhor me disse” ou ” “a palavra do Senhor veio a mim” è evidência abundante de sua autoridade divina. Alguns livros não tinham reivindicação de origem divina, pelo qual foram rejeitados e tidos como não canônicos. Talvez tenha sido o caso do livro dos justos e do livro da guerra do Senhor. Outros livros foram questionados e desafiados quanto a sua autoridade divina, mas por fim foram aceitos no cânon, como o livro de Ester.

      Na verdade, o simples fato  de alguns livros canônicos serem questionados quanto a sua legitimidade é uma segurança de que os crentes usavam seu discernimento. Se os crentes não estivessem convencidos da autoridade divina de um livro, este era rejeitado.

2. A AUTORIA PROFÉTICA DE UM LIVRO 

      Os livros proféticos só foram produzidos pela atuação do Espírito, que moveu alguns homens conhecidos como profetas. (2Pe. 1:10-21). A palavra de Deus só foi entregue a seu povo mediante os profetas de Deus. Todos os autores bíblicos tinham um Dom profético, ou uma função profética, ainda que tal pessoa não fosse profeta por ocupação. (Hb. 1:1).   

      Paulo exorta o povo de Deus em Gálata, dizendo que suas cartas deveriam ser aceitas porque ele era apóstolo de Paulo. Isto porque todos os livros que não proviam por profetas nomeados por Deus, deveriam ser rejeitados. Os crentes não deviam aceitar livros de alguém que falsamente afirmasse ser apóstolo de Cristo (2Ts. 2:2). Note que a Segunda carta de Pedro foi objetada por alguns da igreja primitiva. Por isso enquanto os pais da igreja não ficaram convencidos de que essa não havia sido forjada, mas de fato viera da mão do apóstolo Pedro, como seu versículo o menciona, ela não recebeu lugar permanente no cânon cristão.   

 

3. A CONFIABILIDADE DE UM LIVRO

      Outro sinal característico da inspiração é o ser um livro digno de confiança.

      A vista desse princípio, os crentes de beréia aceitaram os ensinos de Paulo e pesquisaram as Escrituras, para verificar se o que o apóstolo estava ensinando , estava de fato de acordo com a revelação de Deus no Antigo Testamento. O mero fato de um texto estar de acordo com uma revelação anterior não indica que tal texto é inspirado. Grande parte dos apócrifos foi rejeitada por causa do princípio da confiabilidade. Suas anomalias históricas e heresias teológicas os rejeitaram; seriam impossível aceitá-las como vindos de Deus; a despeito de sua aparência de autorizados. Não podiam vir de Deus e ao mesmo tempo apresentar erros.

      Alguns livros canônicos foram questionados a base nesse mesmo princípio como a carta de judas e a de Tiago. 

4. A NATUREZA DINÂMICA DE UM LIVRO  

      O quarto teste canonicidade, era a capacidade do texto de transforma vidas: “… A palavra de Deus é viva e eficaz…” (Hb. 4:12)  O resultado é que ela pode ser usada “para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir, em justiça” (2Tm. 3:16-17). 

      O apóstolo Paulo revelou-nos que a habilidade dinâmica das escrituras inspiradas estava na aceitação das Escrituras, como um todo, como mostra em 2 Timóteo 3:16-17. Disse Paulo a Timóteo :” as Sagradas Escrituras podem fazer-te sábio para a Salvação. A partir daí, outros livros e mensagens foram rejeitados porque apresentavam falsas esperanças. (1Rs. 22:6-8) ou faziam rugir alarmes falsos (2Ts. 2:2).  

5. A ACEITAÇÃO DE UM LIVRO

      A Marca final de um documento escrito autorizado é seu reconhecimento pelo povo de Deus ao qual originalmente  se havia destinado.

      A palavra de Deus, dada mediante seus profetas, e contendo sua verdade, deve ser reconhecida pelo seu povo. Se determinado livro fosse recebido, coligido e usado como força de Deus, pelas pessoas a quem originariamente se havia destinado, ficava comprovada a sua canonicidade. Sendo o sistema de transportes atrasado como era nos tempos antigos, às vezes a determinação da canonicidade de um livro da parte dos pais da igreja exigia muito tempo e esforço. É por essa razão que o reconhecimento definitivo completo, por toda a igreja cristã, dos 66 livros do cânon das Escrituras Sagradas exigiu tantos anos.  

      Os livros de Moisés foram aceitos imediatamente pelo povo de Deus. As cartas de Paulo foram recebidas imediatamente, recebidas pelas igrejas às quais haviam sido dirigidas (1Ts. 12:13), e até pelos demais apóstolos (2Pe. 3:16). Já alguns escritos foram rejeitados pelo povo de Deus, por não apresentarem autoridade divina. Esse princípio de aceitação levou alguns a questionar durante algum tempo certos livros da Bíblia, como 2 e 3 João são de natureza particular e de circulação restrita; É compreensível, pois que houvesse alguma relutância em aceitá-los, até que essas pessoas em dúvida tivessem absoluta certeza de que tais livros haviam sido recebidos pelo povo de Deus do século como cartas do apóstolo João. 

* PRINCÍPIOS QUE FORMARAM O CÂNON: (EM S

a)Sua circulação universal – Alguns livros jamais foram aceitos por falta de circulação, enquanto outros foram aceitos tariamente por falta de circulação na igreja universal, pois circulavam somente em certos setores da igreja.

b)A autoria dos apóstolos ou dos discípulos dos apóstolos – Dentre os apóstolos temos as epístolas de Paulo e Pedro, e o Evangelho de João. Dentre os discípulos temos os evangelhos de Marcos, e de Lucas, o livro de Atos, a epístola dos Hebreus e etc… 

c)Livros segundo a tradição e a doutrina dos apóstolos: Lucas, Atos, Hebreus, Apocalipse e II Pedro. 

d)Houve rejeição de livros escritos mais tarde, após o tempo dos apóstolos. Isso explica a rejeição final das epístolas de Clemente e etc…

e)Também foram rejeitados os escritos ridículos ou fabulosos – Entre esses podemos enumerar a maior parte dos livros apócrifos, o evangelho de Tomé, os evangelhos de André, os Atos de Paulo, o Apocalipse de Pedro e etc…

f)Uso universal por parte da igreja inteira – Alguns livros foram aceitos apenas por determinados setores da igreja, ou somente por alguns indivíduo. Finalmente os 27 livros do Novo Testamento foram aceitos e passaram a ser universalmente usados na igreja cristã. 

 

Os princípios da descoberta da canonicidade

1d. TESTE PARA A INCLUSÃO DE UM LIVRO DO CÂNON

      Não sabemos exatamente quais foram os critérios que a igreja primitiva usou para escolher os livros canônicos. Possivelmente houve cinco princípios orientadores, empregados para determinar se um livro do Novo Testamento era ou não canônico. Se era ou não Escritura. Geisler e Nix registram esses cinco princípios: 32/141  

      1) Revela autoridade? – veio da parte de Deus? (Esse livro veio com o autêntico    ” assim diz o Senhor”?)  

      2) É profético? – Foi escrito por um homem de Deus? 

    3) É autêntico? (Os pais da igreja tinham a prática de “em caso de dúvida, jogue fora”. Isso acentua a validade do discernimento que tinham sobre os livros canônicos.”)   

     4) É dinâmico? – veio acompanhado do poder divino de transformação de vidas?

      5) Foi aceito, guardado, lido e usado? – foi recebido pelo povo de Deus? 

      Pedro reconheceu as cartas de Paulo como Escrituras em pé de igualdade com as Escrituras do Antigo Testamento (2Pedro 3:16). 

  

O Cânon do Novo Testamento

 1. TESTE PARA A INCLUSÃO DE UM LIVRO NO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO 

 ” Parece muito melhor concordar com Gaussen, Warfield, Charles Hodge e a maioria dos protestantes em que o teste básico de canonicidade é a autoridade apostólica, ou a aprovação apostólica, e não simplesmente autoria apostólica.” 32/1831    

      Há nas epístolas um constante reconhecimento de que na igreja só existe uma o fator básico para determinar a canonicidade do novo testamento foi a inspiração divina, e o principal teste da inspiração foi a apostolicidade. 32/181

      Geisler e Nix detalham a respeito: “Na terminologia do Novo Testamento, a igreja foi edificada ‘sobre o fundamento dos apóstolos e profetas’ (Efésios 2:20). Os quais Cristo prometera que, pelo Espírito Santo. Iriam guiar ‘a toda a verdade’ (João 16:13). Atos 2:42 diz que a igreja em Jerusalém perseverou ‘na doutrina dos apóstolos e na comunhão’. A palavra apostolicidade, conforme empregada para designar o teste de canonicidade, não significa obrigatoriamente ‘autoria  apostólica’ nem ‘aquilo que foi preparado sob a direção dos apóstolos…” 

única autoridade absoluta; a autoridade do próprio Senhor. Sempre que os apóstolos falam com autoridade, fazem-no exercendo a autoridade do Senhor. Dessa forma, por exemplo, quando Paulo defende sua autoridade de apóstolo, baseia-se única e diretamente na comissão recebida do Senhor (Galatas 1 e 2); quando evoca o direito de regulamentar a vida da igreja, declara que sua palavra tem a autoridade do Senhor, mesmo quando nenhuma palavra específica do Senhor lhe tenha sido transmitida (1Coríntios 14:37; cf. 1Coríntios 7:10)…” 88/117,18  

      O único que, no Novo Testamento, fala com uma autoridade interna e que se impõe por si mesmo é o Senhor.” 67/18

      Habitualmente, os Apóstolos fizeram referências ao Antigo testamento como autoridade divina (Rm.3.2,21; I Co.4.6; Rm.15.4; II Tm.3.15-17; II Pd.1.21). Igualmente, os Apóstolos baseavam os seus ensinos orais ou escritos na autoridade do Antigo Testamento (I Co.2.7-13; 14.17; I Ts.2.13; Ap.1.3). E ainda, ordenavam que seus escritos fossem lidos publicamente (I Ts.5.27; Cl.4.16; II Ts.2.15; II Pd.1.15; 3.1-1). Portanto, era mais do que natural e lógico que a Literatura do Novo Testamento fosse acrescentada à do Antigo Testamento, fazendo assim o Cânon do Novo Testamento. No próprio Novo testamento se vê a íntima relação existente entre ambos os testamentos (Antigo e Novo). Veja-se em I Tm. 5.18; II Pd.3.1,2,16). Na época pós-apostólica, os escritos procedentes dos apóstolos foram igualmente colecionados em um segundo volume do Cânon até se completar o que se cognomina hoje de Novo Testamento.

      A coleção completa, fez-se vagarosamente e por várias razões. Alguns livros só eram reconhecidos como apostólicos em algumas igrejas; somente quando estes livros chegaram ao

conhecimento de todas as igrejas e em todo o Império Romano, foi que foram realmente aceitos como sendo de autoridade Apostólica. O processo adotado foi lento por causa do aparecimento de algumas literaturas apócrifas, heréticas e portanto, espúrias, com o intuito de ensinar outras doutrinas não cristãs. Apesar desta lentidão, os livros foram aceitos e

considerados canônicos por serem de autoria Apostólica.

      Apesar da formação do Novo Testamento em um só volume de livros ter sido morosa, nunca deixou de existir a crença de se tratar de um compêndio de regra de fé primitiva e Apostólica. A história da formação do Cânon do Novo Testamento serve para mostrar como se chegou gradualmente a conhecer e reconhecer estes mesmos livros como inspirados por Deus.

      As diferenças de opinião acerca de quais livros seriam aceitos como canônicos, foram constatadas nos escritos das igrejas ao longo do segundo século de nossa era

1a. OS LIVROS CANÔNICOS DO NOVO TESTAMENTO

      Há três razões que mostram a necessidade de se definir o cânon do Novo Testamento. 23/24 

1)Um herege, Marcião (cerca de 140 A.D.), desenvolveu seu próprio cânon e começou a divulgá-lo. A igreja precisava contrabalançar essa influência decidindo qual era o verdadeiro cânon das Escrituras do Novo Testamento.

2)Muitas igrejas orientais estavam empregando nos cultos livros que eram claramente espúrios. Isso requeria uma decisão concernente ao cânon.  

3)O edito de Diocleciano (303 A.D.) determinou a destruição dos livros sagrados dos cristãos. Quem desejava morrer por um simples livro religioso? Eles precisavam saber quais eram os verdadeiros livros. 

      Atanásio de Alexandria (367 A.D.) nos apresenta a mais antiga lista de livros do Novo Testamento que é exatamente igual à nossa atual. A lista faz parte do texto de uma carta comemorativa escrita às igrejas.  

      Logo após atanásio, dois escritores, Jerônimo e Agostinho, definiram o cânon de 27 livros. 15/112 

      Policarpo (115 A.D.), Clemente e outros referem-se aos livros do Antigo  e do Novo Testamento com a expressão “como está escrito nas Escrituras”. 

      Justino Mártir (100-165 A.D.), referindo-se à Eucaristia, escreve em primeira Apologia 1.67: “E no Domingo todos aqueles que vivem nas cidades ou no campo se reúnem num só local, e, durante o tempo que for possível, lêem-se as memórias dos apóstolos ou escritos dos profetas. Então, quando o leitor termina a leitura, o presidente faz uma admoestação e um convite a que todos imitem essas boas coisas”. 

      Irineu (180 A.D).F.F. Bruce escreveu acerca do significado de Irineu: “A importância de Irineu está no seu vínculo com a era apostólica e nos seus relacionamentos ecumênicos. Educado na Ásia menor, aos pés de Policarpo, o discípulo de João, Irineu tornou-se bispo de Lion, Gália, em 180 A.D. Seus escritos confirmam o reconhecimento canônico dos quatro evangelhos, Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, 1 Pedro e 1 João  e Apocalipse.

      Inácio (50-115 A.D.): “Não quero dar-lhes mandamentos tal como fizeram Pedro e Paulo; eles foram apóstolos…” (Aos Tralianos 3.3). 

      Os concílios da igreja. É uma situação bastante parecida com a do Antigo Testamento (veja capítulo 3, 6C, o concílio de Jâmnia).   

      F.F. Bruce afirma que “quando finalmente um concílio da igreja – o sínodo de Hipona (393 A.D.) – elaborou uma lista dos vinte e sete livros do Novo Testamento, não conferiu-lhes qualquer autoridade que já não possuíssem, mas simplesmente registrou a canonicidade previamente estabelecida.

      Desde então não tem havido qualquer restrição séria aos 27 livros aceitos do Novo Testamento, quer por católico – romanos quer por protestantes. 

1b. OS APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO 32/200-205

      A Epistola de pseudo – Barnabé (cerca de 70-79 A.D.)  

      Epístola aos Corítios (cerca de 96 A.D.)   

      Antiga Homília, também chamada Segunda Epístola de Clemente (cerca de  20-140 A.D.)

      Pastor de Hermas (cerca de 115-140 A.D.) 

      Didaquê, ou o Ensino dos Doze Apóstolos (cerca de 100-120 A.D.)   

      Apocalipse de Pedro (cerca de 150 A.D.) 

      Os Atos de Paulo e Tecla (170 A.D.) 

      Epístola aos Laodicenses (século quarto?)

      O Evangelhos Segundo os Hebreus (65-100 A.D.) 

      As Sete Epístolas de Inácio 9cerca de 100 A.D.) 

      E muitos outros.   

 1.C OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM OU NÃO INSPIRADOS ?

       Você poderia dizer: Já que você diz que os apócrifos não foram inspirados, então me dê provas. Pois bem, o problema dos livros apócrifos cresce de importância, na medida em que a Igreja Católica Romana afirma que a Bíblia dos Evangélicos é falsa; justamente a partir do fato da não aceitação dos tais livros apócrifos, e que, por via de conseqüência, é a Bíblia dos católicos a que é realmente verdadeira e canônica.

      Veja bem! O Cânon dos Judeus foi aceito pela comunidade cristã e consiste nos mesmos livros que aparecem nas Bíblias dos Evangélicos, num total de 39 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, perfazendo assim um total de 66 livros e não 73 como pretende a igreja Católica Romana, a partir da inclusão dos apócrifos.

      Os 66 livros existentes nas Bíblias Evangélicas foram aprovados pelos judeus, pela Igreja Primitiva e inclusive, pela própria Igreja Católica Romana em alguns dos seus Concílios, tais como:

   1. O Concílio de Damause I (366 a 384 A.D.)

   2. O Concílio de Inocente I (402 a 417 A.D.)

   3. O Concílio de Gelasius I (492 a 496 A.D.)

   4. O Concílio de Hermidas (520 a 523 A.D.)

   5. O Concílio de Laodicéia (363 A.D.)

   6. O Concílio de Hipo (393 A.D.)

   7. O Concílio de Cartago (397 A.D.)

   8. O Concílio de Florença (1441 A.D.) 

      Em todos estes Concílios, os livros aceitos como canônicos foram os mesmos 66 que constam nas Bíblias Evangélicas, e não os 73 constantes das Bíblias Católicas. Porém, no Concílio de Trento, em 1546, depois da reforma Protestante (Lutero) foi que a Igreja Católica Romana decidiu incluir os tais 7 livros apócrifos e alguns fragmentos aos livros de Ester e Daniel. Ora, o Cânon, ou seja, as Escrituras medidas e achadas certas, foi estabelecido pelos judeus que

examinaram os livros e os acharam conforme a inspiração divina. Depois daquele exame, os mesmos sábios separaram alguns livros e os consideraram apócrifos, espúrios, falsos, justamente por não se enquadrarem dentro das normas pré-estabelecidas para a sua canonicidade.

Quando se lê qualquer um dos livros apócrifos, logo se nota as fantasias ali colocadas. Consideramos um absurdo, por exemplo, o fato do autor pedir perdão pelo que escreveu, como se nota num dos apócrifos (Eclesiástico).

1.d ALUSÕES IMPLÍCITAS AOS APÓCRIFOS:

para condená-los e para repudiá-los. Por exemplo, em Ap.21.8 encontramos algo que é frontalmente contrário a Tobias 6.4. como explicar isto? É que em Apocalipse diz que quanto aos feiticeiros, a sua parte será no lago de enxofre; já em Tobias lemos a enfatização à prática da feitiçaria, respaldada na atitude de pegar o fígado de um peixe fisgado nas águas do rio Tigre, e, depois de passá-lo na brasa, provocando uma fumaça estranha e miraculosa; com ela, espantar os demônios. Mais adiante o mesmo Tobias 3.8 informa que o fel do peixe foi passado nos olhos do pai de Tobias, que também se chamava Tobias e este fora curado de uma cegueira. Isto é uma autêntica bobagem, além de ser uma grande mentira. Em Ap.21.8 lemos que os mentirosos não entrarão no reino dos Céus.

      Em Dt. 18.9-14 vamos encontrar uma condenação à prática destas coisas, enquanto que em Tobias encontramos os benefícios pela prática destas mesmas coisas. No livro de Tiago 3.11 lemos “Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa?” Pois bem, como explicar que Deus que é a nossa fonte, proíba a feitiçaria em Deuteronômio e a recomende em Tobias, um livro apócrifo? Isto se constituiria numa tremenda contradição.

      Outra contradição flagrante em Tobias e em mais alguns livros apócrifos está no fato de sugerirem eles a salvação pela prática das obras; entretanto, lendo em At.10.2 e Ef.2.8-9 vamos concluir que a salvação acontece exclusivamente pela graça Divina, mediante a fé e não pelas obras; e mais, que o ato salvívico vem de deus e não dos homens. Como é absurda a doutrina pregada pela Igreja Católica Romana, principalmente a partir do Concílio de

Trento, através das páginas enlameadas e espúrias dos livros apócrifos.

2. CÂNON DO NOVO TESTAMENTO (SEU DESENVOLVIMENTO)

      A princípio os 27 livros do canônicos do Novo Testamento foram reconhecidos oficialmente. A partir daí não houve movimentos dentro do Cristianismo no sentido de acrescentar ou eliminar livros. O cânon do Novo Testamento encontrou acordo geral no seio da igreja universal.

* Os Estímulos para que se coligissem oficialmente os livros – Varias forças contribuíram para que se oficiasse os 27 livros do Novo Testamento. As quais foram:    

* O Estímulo eclesiástico a lista dos canônicos – A igreja primitiva tinha necessidades internas e externas que exigiam o reconhecimento dos livros canônicos. Sem uma lista dos livros reconhecidos, aprovados seria difícil para a igreja primitiva a execução dessa tarefa. A combinação dessas forças exerceu pressão sob os primeiros pais da igreja para produzirem uma lista oficial dos livros canônicos.   

  • ·O Estímulo Teológico – Exigia-se um pronunciamento oficial da igreja a respeito do cânon. Pois visto que toda a escritura era proveitosa para a doutrina, tornou-se cada vez mais necessário definir os limites do legado doutrinário apostólico. Devido o Herege ter publicado uma lista muito abreviada dos livros canônicos, tornou-se necessário uma lista completa dos livros canônicos; pelo qual definissem com precisão os limites do cânon Sagrado.      
  • ·O Estímulo Político – A política passou a influir na igreja primitiva. As perseguições do Imperador Diocleciano foram muitas. Mas Constantino (um novo imperador) se convertera ao Cristianismo, e este pediu que fosse necessário a criação da lista dos livros canônicos.  
  • ·A Compilação e o reconhecimento progressivo dos livros canônicos – O Novo Testamento havia sido escrito durante a última metade do século I. Havendo tão grande diversidade geográfica de origens e destinatários, nem todas as igrejas haviam possuir de imediato cópias de todos os livros inspirados do Novo Testamento. Enfim seria preciso algum tempo até que houvesse um reconhecimento geral de todos os 27 livros do cânon do Novo Testamento. Daí a igreja primitiva começou de imediato a coligir todos os escritos apostólicos que pudessem autenticar.   
  • ·A seleção dos livros fidedignos – Desde o princípio havia falsos escritos, não apostólicos, não fidedignos em circulação. Por isso escreveu Lucas em seu Evangelho à respeito sobre a vida de Jesus Cristo, Já que havia nesse tempo alguns relatos inexatos em circulação da vida de Cristo.

Sabemos também que os cristãos foram advertidos quanto as falsas cartas que lhe teriam sido enviadas em nome do apóstolo Paulo.

João, em seu evangelho destrui uma crendice que circulava no seio da igreja do século I, segundo o qual ele jamais morreria (Jo. 21: 23,24). 

Em sumo, podemos dizer que no seio da igreja havia um processo seletivo em operação. Toda e qualquer palavra de Cristo, era submetido ao ensino apostólico, de tal autoridade. Se tal palavra ou obra não pudesse er comprovada pelas testemunhas oculares (Lc. 1:2; At, 1:21-22), era rejeitada. 

  • · A leitura de livros autorizados – Outro sinal de que o processo da canonicação do Novo Testamento iniciou-se imediatamente na igreja do século I foi a prática da leitura pública oficial dos livros apostólicos. Paulo havia ordenado aos Tessalonicenses: “Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos” (1Ts. 5:27).

      A leitura em público das palavras autorizadas de Deus era um costume antigo. Moisés e Josué o praticaram ( Ex. 24:7; Js. 8:34). Enfim, em suma, as igrejas estavam envolvidas num processo incipiente de canonização. Essa aceitação original de um livro, o qual era autorizadamente lido nas igrejas, teria importância crucial para o reconhecimento posterior de um livro canônico.

*     A circulação e a compilação dos livros – Enfim o processo de canonização desde o início da igreja estava em andamento. Os livros só eram circulados pelas igrejas, caso fossem examinados e dado por autêntico, Isso tomou-se forma nos tempos dos apóstolos, lá pelo final do século I, já todos os 27 livros do Novo Testamento haviam sido recebidos e reconhecidos pelas igrejas cristãs. O cânon estava completo, e aceito por todos os crentes de todas as cidades. Mas, por motivo da multiplicidade dos falsos escritos, e da falta de acesso imediato as condições relacionadas ao recebimento inicial de um livro, o debate a respeito do cânon prosseguiu por vários séculos, até que universalmente a igreja reconheceu a canonicidade dos 27 livros do Novo Testamento.               

 A Credibilidade da Bíblia 

1.A FIDEDIGNIDADE E CONFIABILIDADE DAS ESCRITURAS

TÓPICO 1 – A CONFIRMAÇÃO DO TEXTO HISTÓRICO

1b. Introdução 

     Estamos provando aqui não a inspiração, mas a credibilidade histórica das Escrituras.  

      Deve-se testar a credibilidade histórica das Escrituras pelos mesmos critérios usados para testar todos os documentos históricos.   

      C. Sanders, em Introduction to Research in English Literary History (introdução à pesquisa em História da Literatura Inglesa), relaciona e explica os três princípios básicos da historiografia. São, a saber, o teste bibliográfico, o teste das evidências internas e o das evidências externas. 81/143ss. 

2b. OTESTE BIBLIOGRAFICO DA CREDIBILIDADE DO NOVO TESTAMENTO

      O teste bibliográfico é um exame da transmissão textual pela qual os documentos chegam até nós. Em outras palavras, uma vez que não dispomos dos documentos originais, qual a credibilidade das cópias que temos em relação ao número de manuscritos e ao intervalo de tempo transcorrido entre o original e a cópia existente? 64/26

      F.E Peters ressalta que “baseando-se apenas na tradição dos manuscritos, as obras que formam o Novo Testamento dos cristãos foram os livros antigos mais freqüentemente copiados e mais amplamente divulgados.” 69/50

 

1c. EVIDÊNCIAS DOS MANUSCRITOS ACERCA DO NOVO TESTAMENTO

      Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento. Acrescentam-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de outras antigas versões, e teremos mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento. 

      Nenhum outro documento da história antiga chega perto desse números e dessa confirmação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. O primeiro texto completo e preservado de Homero data do século treze. 58/145

 A seguir apresentamos um quadro estatístico dos manuscritos remanescentes do Novo Testamento: 

Gregos
Unciais 267  
Minúsculas 2.764  
Lecionários 2.143  
Papiros 88  
Achados recentes 47 Manuscritos
TOTAL 5.309 Gregos existentes

 

Versão Vulgata Latina Mais de 10.000
Etiópico Mais de 2.000
Eslavônico             4.101
Armênio             2.587
Versão Siríaca (peshita)    Mais de 350
Copta             100
Árabe               75
Versão Velha Latina               50
Anglo – Saxônico                  7
Gótico                 6
Sogdiano                 3
Siríaco Antigo                 2
Medo – Persa                 2
Frâncico                 1

      As informações para os gráficos acima foram extraídas das seguintes fontes:

      ALAND, Kurt. Journal of Biblical Literature (Revista de Literatura Bíblica),v. 87, 1968. 

      ALAND, Kurt. Kurzgefasste Liste Der Griegrischen Handschriften Des Neuen Testaments (Breve Lista dos Manuscritos Gregos do Novo Testamento). W. De Gruyter, 1963.

      ALAND, Kurt. “Neue Neutestamentliche Papyrii III” (Novos Papiros Terceira Parte). In. New Testament Studies (Estudos do Novo Testamento). Jul. de 1976.

      METZGER, Bruce. The Early Versins of the New Testament As Antigas Versões do Novo Testamento). Oxford: Clarendon 1977.  

      PARVIS, Merrill M. e WIKGREN, Allen, ed. New Testament Manuscript Studies (Estudos do Manuscritos do Novo Testamento). Chicago University of Chicago, 1950.

      RHODE, Eroll F. An Annotated List of Amenian New Testament Manuscripts (Uma Lista Comentada de Manuscritos Armênios do Novo Testamento). Tóquio: IKEBURO, 1959.   

      HYATT, J. Phillip. The Bible and Modern Scholarship (A Bíblia e a Erudição Moderna). A bingdon, 1965.

      John Warwick Montgomery afirma que “ter uma atitude cética quanto ao texto disponível dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antigüidade clássica se torne desconhecida, pois nenhum documento da história antiga é tão bem confirmado bibliograficamente como o Novo Testamento.” 64/29

      Sir Frederic G. Kenyon, que foi diretor e bibliotecário – chefe do Museu britânico, reconhecido como uma das maiores autoridades em manuscritos, diz: “…além da quantidade, os manuscritos do Novo  Testamento diferi das obras dos autores clássicos em outro aspecto, e mais uma vez a diferença é bem clara.os livros do Novo Testamento foram escritos na última parte do século primeiro; com exceção de fragmentos muitos pequenos, os manuscritos mais antigos existentes são do quarto século – cerca de 250 a 300 anos depois”. Cremos que, em todos os pontos essenciais, temos um texto bastante fiel das sete peças remanescentes de Sófocles; no entanto, o manuscrito mais antigo e substancioso de ´Sófocles foi copiado mais de 1.400 anos depois de sua morte.” 48/4  

      Em The Bible and Archaeology (A Bíblia e a Arqueoloiga), Kekyon afirma: “De modo que o intervalo entre as datas da composição do original e os mais antigos manuscritos existentes se torna tão pequeno a ponto de, na prática ser insignificante. Assim, já não há base qualquer dúvida de que as Escrituras tenham chegado até nós tal como foram escritas. Pode-se considerar que finalmente estão comprovadas tanto a autenticidade como a integridade dos livros do Nono Testamento.” 46/288

      F.J.A. Hort acrescenta, com acerto, que “na variedade e multiplicidade de provas sobre as quais repousa, o texto do Novo Testamento destaca-se de um modo absoluto e inigualável entre os textos em prosa da antigüidade.” 43/561

      J. Harold Greennlee declara: “…o número de manuscritos néo – testamentários disponíveis é surpreendentemente maior do que os de qualquer outra obra da literatura antiga. Em terceiro lugar os mais antigos manuscritos existentes do Novo Testamento foram escritos numa data muito mais próxima da composição do texto original do que no caso de qualquer outro texto da literatura antiga”. 37/15

2.  O NOVO TESTAMENTO EM COMPARAÇÃO COM OUTRAS OBRAS DA ANTIGÜIDADE 

2a. A Comparação de manuscritos 

      Em Merece Confiança o Novo Testamento?, F.F. Bruce faz comparações entre o Novo Testamento e antigos textos de história, e apresenta uma descrição marcante a respeito: “Talvez possamos avaliar melhor quão rico é o Novo Testamento em matéria de evidência manuscrita, se compararmos o material textual subsistente com outras obras históricas da antigüidade. O texto das porções existentes das duas grandes obras históricas de tácito depende totalmente de dois manuscritos, um do século nono e outro do século onze.  

     Os manuscritos remanescentes das obras menores de tácito (Dialogus de Oratoribus (Diálogo sobre os Oradores), Agricola e Germania) Provêm todos de um códice do século décimo. Conhecemos a história de Tucídedes (cerca de 460-400 a.C.) a partir de oito manuscritos, dos quais o mais antigo data de 900 A.D., e de uns poucos fragmentos de papiros, escritos aproximadamente no início da era cristã. O mesmo se dá com a História de Heródoto (cerca de 480-425 a.C.). No entanto, nenhum conhecedor profundo dos clássicos daria ouvidos à tese de que a autenticidade de Heródoto ou Tucídedes é questionável porque os mais antigos manuscritos de suas obras foram escritos mais de 1.300 anos depois dos originais.” 16/23,24

      Em Introduction to New Testament Textual Criticism (Introdução à crítica Textual do Novo Testamento), Greenlee escreve acerca do hiato de tempo entre o manuscrito original (o autógrafo) e o manuscrito existente (a velha cópia remanescente), afirmando que “os mais antigos e conhecidos dos manuscritos da maioria dos autores gregos clássicos foram escritos pelo menos mil anos depois da morte do seu autor. O intervalo de tempo para os escritores latinos é um pouco menor, reduzindo-se a um mínimo de três séculos no caso de Virgílio. Todavia, no caso do Novo Testamento, dois dos mais importantes manuscritos foram escritos em prazo não superior a 300 anos após o Novo Testamento estar completo, e manuscritos virtualmente completos, de alguns livros do Novo Testamento, bem como manuscritos incompletos, mas longos, de muitas partes do Novo Testamento, foram copiados em datas tão remotas quanto um século após serem originalmente escritos.” 37/36

      Greenlee acrescenta que “uma vez que os estudiosos aceitam que os escritos dos antigos clássicos são em geral fidedignos, muito embora os mais antigos manuscritos tenham sido escritos tanto tempo depois da redação original e o número de manuscritos remanescentes seja, em muitos casos, tão pequeno, está claro que da mesma forma, fica assegurada a credibilidade no texto do Novo Testamento “. 37/16

      Mesmo em relação aos Anais do famoso historiador Tácito, no que diz respeito aos seis primeiros livros dessa obra, ela só sobreviveu devido a um único manuscrito, do século nono. Em 1870 o único manuscrito conhecido da Epístola a Diogneto, um texto cristão bem antigo que os compiladores geralmente incluem entre os escritos dos pais Apostólicos, perdeu-se num incêndio na biblioteca municipal de Estrasburgo. Em contraste com esses dados estatísticos, o crítico textual do Novo Testamento fica perplexo diante da riqueza de material disponível “. 62/34 

      F.F. Bruce declara “No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”. 15/178 

AUTOR Data do Original Cópia mais Antiga Intervalo em anos N.º de Cópias
César 100-44 a.C. 900 A.D. 1.000 10
Lívio 59 a.C. – 17A.D.     20
Platão       7
(Tetralogias) 427 – 347 a.C.. 900 A.D. 1.200  
Tácito (Anais) . 100 A.D. 1100 A.D. 1.000
Obras 20(-)         100 A.D. 1100 A.D. 1.000 1
Plínio Jovem        
(História) 61 – 113 A.D. 850 A.D. 750 7
Tucídedes        
(História) 460 – 400 a.C. 900 A.D. 1.300 8
Suetônio        
(De Vita Caesarum) . 75 – 160 A.D 950 A.D. 800
Heródoto        
(História) 480 – 425 a.C. 900 A.D. 1.300 8
Horácio       900
Sófocles 496 – 406 a.C. 1000 A.D. 1.400 193
Lucrécio Morto           75 – 160 A.D o   1.100 2
Cátulo 54 a.C. 1550 A.D. 1.600 3
Eurípides 480 – 406 a.C. 1100 1.300 200
Desmóstenes 383 – 322 a.C. 1100 A.D. 1.300 200*
Aristóteles 384 – 322 a.C. 1100 A.D. 1.400 49+
Aristófanes 450 – 385 a.C. 900 A.D. 1.200 10

 

* Todos de uma única cópia 

+ De qualquer obra isolada 

2b. A Comparação Textual 

      Bruce Metzger comenta: “Dentre todas as composições literárias escritas pelo povo grego, os poemas homéricos são os mais adequados para uma comparação com a Bíblia “.61/144 Ele acrescenta: “Em todo o corpo de literatura antiga, tanto grega como latina, a Ilíada é a que mais se aproxima do Novo Testamento por possuir a maior quantidade de testemunho de manuscritos”. 61/144

      Metzger continua: “Na antigüidade os homens (1) memorizavam Homero assim como mais tarde iriam memorizar as Escrituras.(2) Tanto Homero como as Escrituras foram tidos na mais alta estima, sendo citados na defesa de argumentos acerca do céu, da terra e do Hades. (3) Homero e a Bíblia serviram de cartilha para diferentes gerações de escolares que neles aprenderam a ler. (4) Ao redor de ambos cresceu um grande volume de notas marginais e comentários. (5) Ambos tiveram glossários. (6) Ambos caíram nas mãos dos alegoristas. (7) Ambos foram imitados e tiveram suplementos – um com os hinos e escritos homéricos, tais como o Batracomiomáquia, e o outro com os livros Apócrifos. (8) Homero foi analisado e prosado; o evangelho de João foi versificado em hêxametros épicos por Nono de Panópolis. (9) Os manuscritos tanto de Homero como da Bíblia foram ilustrados. (10) As descrições homéricas apareceram nos murais de Pompéia; as basílicas cristãs foram decoradas com mosaicos e afrescos de episódios bíblicos”. 61/144,145   

      E.G. Tuner destaca que, sem dúvida alguma, Homero foi o autor mais lido na antigüidade. 92/97  

      Geisler e Nix comparam as variações textuais existentes entre os documentos do Novo Testamento e as obras antigas: “Em seguida ao Novo Testamento, existem mais manuscritos remanescentes da Ilíada (643) do que de qualquer outro livro.

      Eles prosseguem dizendo que “a Ilíada tem cerca de 15.600. Há dúvidas sobre apenas 40 linhas (ou 400 palavras) do Novo Testamento, enquanto que, no caso da Ilíada, questionam-se 764 linhas. Esses cinco por cento de corrupção textual contrastam-se com o meio por cento de emendas no texto do Novo Testamento.”  

      No livro Introduction to Textual Criticism of the Testament (Intrdução à critica do Novo Testamento), Benjamin Warfield cita a opinião de Ezra Abbot sobre noventa e cinco por cento das variações textuais do Novo Testamento, afirmando que elas: “… possuem base tão insignificante… embora haja várias leituras possíveis ; e noventa e cinco por cento das variações textuais do Novo Testamento, afirmando que elas: “… possuem base tão insignificante… embora haja várias leituras possíveis; e noventa e cinco por cento das variações restantes são de importância tão ínfima que sua aceitação ou rejeição não provocaria qualquer diferença significativa no sentido das passagens onde elas ocorrem”. 100/14

      Geisler e Nix fazem a seguinte observação sobre como são contadas as variações textuais: “É ambíguo dizer que existem umas 200.000 variantes nos manuscritos existentes do Novo Testamento, desde que elas dizem respeito apenas 10.000 lugares no Novo Testamento. Se uma única palavra é escrita de modo errado em 3.000 manuscritos, isso é contado como sendo 3.000 variantes ou leituras”. 32/361

      Fenton John Anthony Hort, que passou a vida lidando com manuscritos diz: “É bem grande a proporção de palavras que, sem que haja qualquer dúvida sobre elas, são virtualmente aceitas em todos os manuscritos.

      “Se os princípios seguidos nesta edição estão corretos, pode-se reduzir bastante esse número. Reconhecendo plenamente o dever de nos abstermos de decisões categóricas, em casos em que os dados deixam em suspenso o julgamento entre duas ou mais leituras, descobrimos que, pondo de lado as diferenças de ortografia, em nossa opinião as palavras ainda sujeitas a dúvida constituem cerca de seis por cento de todo o Novo Testamento. 

      Um estudo cuidadoso das variações (ou leituras diferentes) dos várias manuscritos mais antigos revela que nenhuma delas afeta uma única doutrina das Escrituras. O sistema de verdades espirituais contido no texto hebraico geralmente aceita do Antigo Testamento não é alterado nem deturpado por qualquer uma das diferentes leituras encontradas nos manuscritos hebraicos de datas mais antigas e que foram descobertas nas cavernas do mar Morto ou em qualquer outro lugar.

      Benjamin Warfield disse: “Se compararmos a situação atual do texto do Novo Testamento com a de qualquer outro escrito antigo, precisaremos declarar que o texto é maravilhosamente correto, tão grande é o cuidado com que o Novo  Testamento tem sido copiado – um cuidado que, sem dúvida alguma, é fruto de uma verdadeira reverência para com suas santas palavras – tão grande tem sido a providência de Deus em preservar para a sua igreja em todas as épocas um texto suficientemente exato, que o Novo Testamento não tem rival entre os escritos antigos, não apenas em termos de pureza de texto pela maneira como foi transmitido e mantido em uso, como também em termos de abundância de testemunhos, os quais chegaram até nós para corrigir falhas relativamente esporádicas.” 100/12,13

2c. CRONOLOGIA DE IMPORTANTES MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO

      Métodos de Datação: Alguns dos fatores que ajudam a determinar a idade dos manuscritos são: 32/242 – 246 

1)Materiais                                                       5) Ornamentação

2)Tamanho e forma das letras                            6) Cor da tinta 

3)Pontuação                                                     7) Textura e cor do pergaminho  

4)Divisões do texto   

      O manuscrito de John Rylands (130 A.D.) encontra-se na biblioteca John Rylands, na cidade de Manchester, na inglaterra, e é o mais antigo fragmento existente do Novo Testamento.

      Bruce Metzger fala de uma crítica abandonada: “Caso se tivesse conhecido esse pequeno fragmento durante meadas do século passado, aquela escola de crítica do Novo Testamento, a qual foi inspirada pelo brilhante professor de Tubinga, Ferdinand Chriastian Baur, não poderia Ter defendido que o quarto Evangelho só foi escrito por volta de 160 A.D.” 62/39 

      No antigo “Zur Datierung des Papyrus Bodmer II (P.66)” (A Respeito da Datação do Papiro Bodmer II) (In: Anzeiger Der Osterreichischen Akademie Der Wissenschaften (Informativo da Academia Austríaca de Ciências) n 4, 1960, p. 12033), “Herbert Hunger, diretor das coleções papirológicas da Biblioteca Nacional de Viena, atribui ao papiro 66 uma data anterior, meados do século segundo, ou até mesmo a primeira metade desse século; veja o artigo que ele escreveu.” 62/39,40

      O códice Vaticano (325 – 350 A.D.), situado na Biblioteca do Vaticano, contém quase toda a Bíblia.

      O códice Sinaítico (350 A.D.) encontra-se no Museu Britânico. Esse manuscrito, que contém quase todo o Novo Testamento e mais da metade do Antigo Testamento, foi descoberto em 1859, no mosteiro do Monte Sinai pelo Dr. Constantin von Tischendorf, sendo presenteado ao Czar da Rússia pelo mosteiro. Posteriormente, no dia de Natal de 1933, o povo e o governo britânicos o adquiriram da União Soviética por 100.000 libras. 

      Em 1853, uma Segunda visita de Tischendorf ao mosteiro não resultou em novos manuscritos porque os monges estavam desconfiados devido ao entusiasmo que Tischendorf demonstrava diante do manuscrito que vira por ocasião de sua primeira visita, em 1844. Escondendo suas emoções, Tischendorf casualmente pediu permissão para examiná-lo mais vagarosamente aquela noite. Com a permissão concedida e tendo-se retirado para seu quarto, Tischendorf passou a noite toda tendo prazer de estudar o manuscrito – pois, como escreveu em seu diário (que, sendo um erudito, mantinha em latim), quippe dormire nefas videbatur (‘ na verdade, dormir parecia um sacrilégio ‘)! Logo descobriu que o documento continha muito mais do que ele até mesmo esperara; pois não apenas a maior parte do Antigo Testamento estava ali, como também o Novo Testamento estava intacto e em excelentes condições, havendo também duas antigas obras cristãs do segundo século, a Epístola de Barnabé (anteriormente conhecida só através de uma tradução latina bem deficiente) e uma grande porção de Pastor de Hermes, obra até então só conhecida de nome”. 

2d. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA POR VÁRIAS TRADUÇÕES

      As traduções antigas constituem um outro forte apoio em favor do testemunho e exatidão dos textos. Em sua maior parte, “raramente a literatura antiga era traduzida para um outro idioma”. 37/45

      “As primeiras versões do Novo Testamento foram preparados por missionários, para auxiliarem na propagação da fé cristã entre os povos cujas línguas nativas eram siríaco, o latim ou o copta.” 62/67 

      As versões (traduções) do Novo Testamento em siríaco e em latim foram feitas por volta de 150 A.D. Isso nos deixa bem próximos da época da composição dos originais.

Existem mais de 15.000 cópias de várias versões

1 .a Versões siríacas 

      A velha versão siríaca contém os quatro evangelhos, copiada por volta do século quarto. É preciso explicar que “siríaca é o nome geralmente dado ao aramaico cristão. É escrito numa variação distinta do alfabeto aramaico”. 15/193  

      Teodoro de Mopsuéstia (século quinto) escreveu: “Foi traduzida  para línguas dos sírios”. 15/193

     Peshita. O sentido básico dessa palavra é “simples”. Foi a versão padrão, preparada por volta de 150-250 A.D. Hoje existe mais de 350 manuscritos conhecidos, copiados no século quinto. 32/317 

      Siríaca Palestinense. A maioria dos estudiosos atribuem a essa versão a data de aproximadamente 400-450 A.D. (século quinto). 62/68-71 

2b. Versões Latinas 

      Velha Latina. Existem testemunhas, a partir do século quarto até o século treze, de que, no século terceiro, “uma velha versão latina circulou no norte da África e na Europa…”

      Velha Latina Africana (códice Bobbiense) 400 A.D. Metzger diz que “.E.A. Lowe revela indícios paleográficos de Ter sido copiada de um papiro do século segundo”. 62/72-74

      O Códice Corbiense (400-500 A.D.) contém os quatro evangelhos.

      Códice Vercelense (360 A.D.).

      Códice Palatino (século quinto A.D.).

      Vulgata Latina (vulgata é palvra que significa “comum” ou “popular”). Jerônimo era secretário de Damásio, bispo de Roma. Entre 366 e 384, Jerônimo atendeu a um pedido do bispo para que preparasse uma versão. 15/201

2c. Verões Coptas (ou Egípcias)  

      F.F. Bruce escreveu que é próvavel que a primeira versão egípcia foi traduzida no século terceiro ou quarto. 15/214

      Bohaírica. Rodalphe Kasser, que editou o texto impresso dessa versão, calcula que ela deve datar do século quarto. 37/50

2d. Outras versões Antigas

      Armênia (a partir de 400. A.D.). Parecer Ter sido traduzido de uma Bíblia em grego obtida em Constantinopla. 

      Gótica. Século quarto.      Geórgica. Século quinto. 

      Etiópica. Século sexto.  

      Núbia. Século sexto.

1.A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA

PELOS PRIMEIROS PAIS DA IGREJA 

      A Enciclopédia Britânica afirma: “Após Ter examinado os manuscritos e versões, crítico textual ainda assim não esgotou o estudo das provas em favor do texto do Novo Testamento. Freqüentemente os escritos dos primeiros pais da igreja refletem uma forma de texto diferente da de um ou outro manuscrito… os testemunhos que dão do texto, especialmente quando corroboram leituras oriundas de outras fontes, são algo que o crítico textual deve consultar antes de formar juízo a respeito”. 25/579

      Em refência às citações em comentários, sermões, etc. , Bruce Metzger reitera a declaração acima, dizendo: “De fato, essas citações são tão vastas que, se todas as demais fontes de conhecimento sobre o texto do Novo Testamento fossem destruídas, sozinhas essas citações seriam suficientes para a reconstituição de praticamente todo o Novo Testamento”. 62/86

      Após uma prolongada investigação, Darlymple chegou à seguinte conclusão: “Veja aqueles livros. Você se lembra da pergunta que me fez sobre o Novo Testamento e os pais? Aquela pergunta despertou a minha curiosidade, e, como eu conhecia todas as obras existentes dos pais do segundo e terceiro séculos, comecei a pesquisar  e, até agora, já encontrei  todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos”. 58/35,36

      Uma advertência: Joseph Angus, em História, Doutrina e Interpretação da Bíblia ; Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1971,1953. 2 vol., apresenta algumas limitações dos escritos patrísticos antigos: 

1.Às vezes se fazem citações sem exatidão verbal. 

2.Alguns copistas tinham tendências para erros ou para alterações intencionais.   

      Clemente de Roma (95 A.D.). Origines, em De Principus (sobre o principio), livro II, capítulo 3 , chama-o de discípulo dos apóstolos. 8/28

      Irineu, prossegue, em Contra Heresias, livro III, capítulo 3, dizendo que “ainda tinha o ensino dos apóstolos ecoando em seus ouvidos e a doutrina deles diante de seus olhos”. Ele faz citações de: 

      Mateus                                     1Coríntios

      Marcos                                     1Pedro

      Lucas                                        Hebreus

     Atos                                           Tito  

      Inácio (70-110 A.D.)foi bispo de Antioquia e foi martirizado, tendo conhecido bem os apóstolos. Suas sete cartas contêm citações de: 

      Mateus                    Efésios                        1 e 2 Tessalonicenses

      João                        Filipenses                    1 e 2 Timóteo 

      Atos                        Gálatas                        1 Pedro

      Romanos                 Colossenses                 

      1Coríntios                Tiago  

      Policarpo (70-156 A.D.), martirizado aos 86 anos de idade, foi bispo de Esmirna e discípulo do apóstolo João. 

      Entre outros que também citaram o Novo Testamento encontram-se Barnabé (cerca de 70 A.D.), Hermas (cerca de 95 A.D.), Taciano (cerca de 170 A.D.) e Irineu (cerca de170 A.D.). 

      Clemente de Alexandra (150-212 A.D.). Dentre as citações que faz, 2.4000 são do Novo Testamento. Ele cita todos os livros, com exceção de três. 

      Tertuliano (160-220 A.D.) foi presbítero da igreja em Cartago, tendo citado mais de 7.000 vezes o Novo Testamento, das quais 3.800 são citações dos Evangelhos. 

      Hipólito (170-235 A.D.) faz mais de 1.300 referências ao Novo Testamento.  

     Justino Mártir (133 A.D.) combateu o herege Marcião.   

      Geisler e Nix acertadamente concluem dizendo que, “a esta altura, um rápido apanhado estatístico mostrará a existência de umas 32.000 citações do Novo Testamento feitas até a época do concílio de Nicéia (325 A.D.). Essas 32.000 são apenas um número parcial, e nem mesmo incluem os escritores do século quarto. Apenas acrescentando-se as citações feitas por um outro escritor, Eusébio, que escreveu prolificamente num período que vai até o concílio de Nicéia, teremos o total de citações do Novo Testamento aumentando para mais de 36.000″. 32/353,354

      A todos esse ainda se pode acrescentar os nomes de Agostinho, Amábio, Latâncio, Crisostomo, Jerônimo, Gaio Romano, Atanásio, Ambrosósio de Milão, Cirilo, de Alexandria, Efraim o Sírio, Hilário de Poitiers, Gregório de Nissa, etc.  

      Sobre as citações patrísticas do Novo Testamento, Leo Jaganay escreve: “Dentro as volumosas obras de material não publicado que o deão Burgon deixou ao morrer, destaca-se o índice de citações do Novo Testamento, feitas pelos pais da igreja antiga. Consiste de dezesseis espessos volumes que se encontram no Museu Britânico, e contém 86.489 citações”. 44/48

CITAÇÕES PATRÍSTICAS DO NOVO TESTAMENTO

ESCRITOR

 

Evangelhos Atos Epístolas Paulinas Epístolas Gerais Apocalipse Total
Justino Mártir 268 10 43 6 3  266 alusões 330
Irineu 1.038 194 499

 

23 65 1.819
Clemente de Alex. 1.017 44 1.127 207 11 2.406
Orígenes 9.231 349 7.778 399 165 17.992
Tertuliano 3.822 502 2.609 120 205 7.258
Hipólito 734 42 387 27 188 1.378
Eusébio 3.258 211 1.592 88 27 5.176
Totais 19.368 1.352 14.035 870 664 36.289
*14/357

 

1b. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA PELOS LECIONÁRIOS 

      Essa é uma grandemente negligenciada, e, no entanto, o segundo maior grupo de manuscritos gregos do Novo Testamento é o dos lecionários.   

      Bruce Metzger explica a origem dos lecionários: “Seguindo o costume das sinagogas, mediante o qual em todos os sábados, por ocasião do culto religioso, liam-se trechos da lei e dos profetas, a igreja Cristã adotou a prática de ler trechos do Novo Testamento por ocasião dos cultos. Desenvolveu-se um sistema regular de lições dos Evangelhos e das Epístolas, e surgiu o costume de prepará-las de acordo com uma ordem fixa de domingos e outros dias santificados do ano cristão”. 62/30

      Em geral, os lecionários refletiam uma atitude bem conservadora e utilizavam textos mais antigos. Isto os torna muito valiosos na crítica textual. 62/31

CONCLUSÃO   

      Como foi estudado, o cânon surgiu para que houvesse uma separação entre o certo e o errado. Pois não podemos viver-nos indecisos? Não é verdade? Então a questão do cânon, que significa, regra de fé, apareceu, surgiu, para que falasse não só a igreja, mais as pessoas, acerca de que quias livros da Bíblia, das Santas Escrituras, foram realmente inspiradas, feitos por uma autoridade divina. Mais não foi só isso não; para que tudo finalizasse bem  (em relação aos livros), a igreja precisou de muita luta. Os pais da igreja (os lideres questionaram muito sobre isso. Pois se podia dizer que um livro era canônico mediante alguns critérios, como por exemplo: Foi preciso provar que tal livro possuía autoridade e era dinâmico; como nós sabemos muito bem que a Bíblia tem o poder, autoridade de salvar vidas.

      Se ele era digno de confiança a aBíblia fala mesmo a verdade? Podemos nós seguir-mos o que está escrito na Bíblia? Seus ensinamentos  (como o de Paulo) possuem mesmo confiança? Enfim era preciso que fosse lido, guardado, usado e principalmente aceito pelo povo.

      Outra questão também que envolvia os livros da Bíblia; foi aquestão do Novo Testamento. A onde foi preciso provar se tal livro possuía inspiração e era apóstolico. Pois nós sabemos muito bem que a maioria das cartas relacionadas a igreja foram escritos pelos apóstolos do Senhor, que eram homens dotados pelo Espírito Santo; pelo qual eles foram guiados a escrever somente a verdad. Então o que foi questionado foi o seguinte: So se era considerado o livro (como as épistolas de Paulo aos Hebreus), caso fosse provado que foi Paulo realmente que escrevera. Caso contrário não era apóstolica, nem muito menos canônico.

      Enfim até os políicos perseguirem a igreja a respeito da canonicidade dos livros.  

      Vimos também o aparecimento, o crescimento de outros livros daBíblia considerados como (apócrifos-falsos). Daí surge a questão:”E os católicos? A onde ficam nessa história. Será que só os cristões tem razão? Somente os livros da Bíblia deles falam a verdade? Mas é a partir daí que surgiram as brigas; quanto mais a igreja católica afirmava que a nossa Bíblia é que era falsa, mais surgiam-se os falsos livros. Mais tudo isso resultou-se no seguinte: Até hoje os 66 livros constados na Bíblia dos evangélicos é que são oficialmente oficializados como canônicos; e não os 7 a mais da Bíblia dos católicos. Que por sinal em um dos seus livros apócrifos, o próprio autor pede perdâo pelo que escreve.

      Enfim resumidamente essas foram as questões que envolveram a canoicidade dos livros. Sabendo-se que tanto como o livro do Antigo como o do Novo são considerados até hoje como livros inspirados e Sagrados por Deus. E que cabe a nós, seguidores e ouvintes da palavra, dar-mos glória a Deus por por tudo que esses livros pôde e pode trazer a nós. 

BIBLIOGRAFIAS: 

•A Bíblia Através dos Séculos – Antônio gilberto

•Introdução Bíblica – Norman Geisler

•Enciclópedia Bíblica 

•Enciclopédia  de Bíblia Teologia e Filosofia – R. N  Champlin, Ph.D

   J. M. Bentes

Contracultura Cristã – A Mensagem do Sermão do Monte

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Prefácio Geral 4

Prefácio do Autor. 5

Principais Abreviações e Bibliografia. 6

Mateus 5:1, 2 Introdução: Que sermão é este?. 7

Mateus 5:3-12 O caráter do cristão: as bem-aventuranças. 14

Mateus 5:13-16 Á influência do cristão: o sal e a luz. 27

Mateus 5:17-20 A justiça do cristão: Cristo, o cristão e a lei 33

Mateus 5:21-30 A justiça do cristão: esquivando-se à cólera e à concupiscência. 39

Mateus 5:31-37 A justiça do cristão: fidelidade no casamento e honestidade nas palavras. 43

Mateus 5:38-48 A justiça do cristão: não-vingança e amor ativo. 48

Mateus 6:1-6, 16-18 A religião do cristão: não hipócrita, mas real 58

Mateus 6:7-15 O oração do cristão: não mecânica, mas refletida. 66

Mateus 6:19-34 A ambição do cristão: não a segurança material, mas a direção de Deus. 71

Mateus 7:1-12 Os relacionamentos do cristão: com os seus irmãos e com o seu Pai 81

Mateus 7:13-20 Os relacionamentos do cristão: os falsos profetas. 90

Mateus 7:21-27 O compromisso cristão: uma escolha radical 95

MATEUS 7:28, 29 Conclusão: quem é esse pregador?. 98

Prefácio do Autor

 

O Sermão do Monte exerce um fascínio sem par. Ele parece encerrar a essência do ensino de Jesus. Ele torna a justiça atra­tiva; envergonha o nosso fraco desempenho; gera sonhos de um mundo melhor.

É como expressou John Donne, num sermão pregado na qua­resma de 1629, não sem uma pequena mas perdoável hipérbole: “Todos os artigos de nossa religião, todos os cânones de nossa igreja, todas as injunções de nossos príncipes, todas as homílias de nossos pais, todo o corpo de doutrinas estão contidos nestes três capítulos, neste Sermão do Monte.”[1]

Devo confessar que me rendi ao seu fascínio, ou antes ao fas­cínio daquele que o pregou. Durante os últimos sete anos, pelo menos, tenho constantemente meditado nele. Em conseqüência, minha mente tem se debatido com os seus problemas, e o meu coração se abrasou pela nobreza dos seus ideais. Durante esse período, tentei compartilhar meus pensamentos e meu entu­siasmo com estudantes da Universidade de Cambridge, com outros grupos de estudantes nos Estados Unidos e no Canadá, com a congregação da Igreja de All Souls, e com aquelas cen­tenas de peregrinos de todo o mundo, na Convenção de Keswick, em 1972.

É claro que sobre o Sermão do Monte já se escreveram cen­tenas de comentários. Eu mesmo pude estudar cerca de vinte e cinco deles, e o leitor irá notar minha dívida para com eles. De fato, meu texto está liberalmente salpicado de citações desses comentários, pois penso que devemos valorizar a tradição muito mais do que freqüentemente o fazemos, e que devemos assentar-nos mais humildemente aos pés dos mestres.

Meu propósito com esta exposição foi atentar cuidadosamente para o texto. Acima de tudo, o meu propósito foi deixar o próprio texto falar, ou melhor, deixar Cristo proferi-lo novamente, desta vez ao mundo contemporâneo. Assim, procurei encarar com integridade os dilemas que o Sermão levanta para os cristãos de hoje, e não esquivar-me deles, já que Cristo não nos deu um tratado acadêmico, calculado simplesmente para estimular a mente. Creio que ele desejava que o seu Sermão do Monte fosse obedecido. De fato, se a Igreja tivesse aceitado realisticamente os seus padrões e valores, como aqui demonstrados, e tivesse vivido segundo eles, ela teria sido a sociedade alternativa que sempre tencionou ser, e poderia oferecer ao mundo uma autên­tica contracultura cristã.

Sou extremamente grato a John Maile, professor de Novo Testamento na Faculdade Spurgeon, em Londres, pela leitura do manuscrito e por várias proveitosas sugestões. Da mesma forma devo agradecimentos a Frances Whitehead e Vivienne Curry pela datilografia do texto.

JOHN R. W. STOTT

Mateus 5:1, 2
Introdução: Que sermão é este?

 

O Sermão do Monte é provavelmente a parte mais conhecida dos ensinamentos de Jesus, embora se possa argumentar que seja a menos compreendida e, certamente, a menos obedecida. De tudo o que ele disse, essas suas palavras são as que mais se apro­ximam de um manifesto, pois descrevem o que ele desejava que os seus seguidores fossem e fizessem. Penso que nenhuma outra expressão resume melhor a intenção de Jesus, ou indica mais cla­ramente o seu desafio para o mundo moderno, do que a expressão “contracultura cristã”. Vou lhes dizer por quê.

Os anos que se seguiram ao fim da segunda guerra mundial, em 1945, foram marcados por um idealismo inocente. O horrível pesadelo terminara. “Reconstrução” era o alvo universal. Seis anos de destruição e devastação eram coisas do passado; a tarefa agora era construir um novo mundo de cooperação e paz. Mas a irmã gêmea do idealismo é a desilusão, desilusão com aqueles que não participam do ideal, ou (pior) com os que se lhe opõem, ou (pior ainda) com os que o traem. E a desilusão com o que é continua alimentando o idealismo do que poderia ser.

Parece que atravessamos décadas de desilusão. Cada geração que se levanta odeia o mundo que herdou. Às vezes, a reação tem sido ingênua, embora não possamos dizer que tenha sido hipócrita. Os horrores do Vietnã não terminaram com aqueles que distribuíam flores e rabiscavam o seu lema “Faça amor, não faça guerra”, embora o seu protesto não tenha passado despercebido. Hoje em dia, há pessoas que repudiam a opulência ávida do ocidente, que parece ficar cada vez mais gordo, através do esbulho do meio-ambiente natural, ou através da exploração de nações em desenvolvimento, ou através de ambas as coisas ao mesmo tempo; essas pessoas exprimem a totalidade da sua rejeição vivendo com simplicidade, vestindo-se negli­gentemente, andando descalças e evitando o desperdício. Em lugar do simulacro da socialização burguesa, estão famintas de relacionamentos de amor autênticos. Desprezam a superficialidade, tanto do materialismo descrente como do conformismo religioso, pois sentem que há uma “realidade” impressionante muito maior do que essas trivialidades, e buscam essa dimensão “transcendental” ilusória através da meditação, de drogas ou do sexo. Abominam até o próprio conceito do corre-corre da sociedade de consumo e acham que é mais honesto “cair fora” do que participar. Tudo isso é sintoma da incapacidade da gera­ção mais jovem de adaptar-se ao status quo ou de aclimatar-se à cultura prevalecente. Não se sentem à vontade. Estão alie­nados.

E em sua busca de uma alternativa, “contracultura” é a pala­vra que usam. Ela expressa um amplo raio de ação de idéias ou ideais, experiências e alvos. Encontramos uma boa docu­mentação a esse respeito em The Making of a Counter-culture (A Criação de uma Contracultura, 1969) de Theodore Roszak; em The Dust of Death (A Poeira da Morte, 1973) de Os Guinness, e em Youthquake (Terremoto Jovem, 1973) de Kenneth Leech.

De um certo modo, os cristãos consideram esta busca de uma cultura alternativa um dos mais promissores, e até mesmo exci­tantes, sinais dos tempos. Pois reconhecemos nisso a atividade do Espírito, o qual, antes de confortar, perturba; e sabemos a quem a busca deles conduzirá, se quiserem encontrar a resposta. Na verdade, é significativo que Theodore Roszak, encontrando dificuldade para expressar a realidade que a juventude contem­porânea procura, alienada como está pela insistência dos cien­tistas quanto à “objetividade”, sente-se obrigado a recorrer às palavras de Jesus: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”[2]

Mas, ao lado da esperança que esta disposição de protesto e busca inspira aos cristãos, há também (ou deveria haver) um sentimento de vergonha. Pois, se a juventude de hoje está à procura das coisas certas (significado, paz, amor, realidade), ela as tem procurado nos lugares errados. O primeiro lugar onde deveriam procurar é um lugar que normalmente ignoram, isto é, a Igreja. Pois, com demasiada freqüência, o que vêem nas igrejas não é a contracultura, mas o conformismo; não uma nova sociedade que concretiza seus ideais, mas uma versão da velha sociedade a que renunciaram; não a vida, mas a morte. Prontamente endossariam o que Jesus disse de uma igreja do primeiro século: “Tens nome de que vives, e estás morto”.[3]

Urge que não somente vejamos, mas também sintamos, a grandeza dessa tragédia, pois, na medida em que uma igreja se conforme com o mundo, e as duas comunidades pareçam ser meramente duas versões da mesma coisa, essa igreja está contra­dizendo a sua verdadeira identidade. Nenhum comentário po­deria ser mais prejudicial para o cristão do que as palavras: “Mas você não é diferente das outras pessoas!”

O tema essencial de toda a Bíblia, desde o começo até o fim, é que o propósito histórico de Deus é chamar um povo para si mesmo; que este povo é um povo “santo”, separado do mundo para lhe pertencer e obedecer; e que a sua vocação é permanecer fiel à sua identidade, isto ê, ser “santo” ou “diferente” em todo o seu pensamento e em todo o seu comportamento.

Foi assim que Deus falou ao povo de Israel logo depois que o tirou da escravidão egípcia e fez dele o seu povo especial através da aliança: “Eu sou o Senhor vosso Deus. Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis se­gundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. Fareis segundo os meus juízos, e os meus estatutos guardareis, para andardes neles: Eu sou o Senhor vosso Deus.”[4] Este apelo que Deus fez a seu povo, é preciso notar, tanto começou como terminou com a declaração de que ele era o Senhor seu Deus. Pelo fato de ser o seu Deus, com quem eles firmaram um pacto, e porque eles constituíam o seu povo especial, tinham de ser diferentes de quaisquer outras pessoas. Tinham de seguir os mandamentos de Deus e não os padrões daqueles que os cercavam.

Através dos séculos seguintes, o povo de Israel continuou se esquecendo da sua singularidade como povo de Deus. Embora nas palavras de Balaão fosse “povo que habita só, e (que) não será reputado entre as nações”, na prática, entretanto, eles con­tinuaram assimilando-se aos povos que os rodeavam: “Antes se mesclaram com as nações, e lhes aprenderam as obras”.[5] Por isso exigiram que um rei os governasse “como todas as nações”, e quando Samuel os advertiu com base no fato de ser Deus o rei deles, foram obstinados em sua insistência: “Não, mas tere­mos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações.”[6] Pior ainda do que o estabelecimento da monarquia foi a sua idolatria. “Seremos como as nações”, diziam para si mesmos, “. . . servindo ao pau e à pedra.”[7] Por isso Deus con­tinuou lhes enviando os seus profetas para que lembrassem quem eram e para insistir com eles a seguirem o caminho de Deus. “Não aprendais o caminho dos gentios”, falou-lhes através de Jeremias e Ezequiel, “não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor vosso Deus.”[8] Mas o povo de Deus não queria ouvir-lhe a voz, e o motivo específico apresentado, pelo qual o juízo de Deus caiu primeiro sobre Israel e, depois, cerca de 150 anos mais tarde, sobre Judá, foi o mesmo: “Os filhos de Israel pecaram contra o Senhor seu Deus . . . andaram nos esta­tutos das nações . . . Também Judá não guardou os manda­mentos do Senhor seu Deus; antes, andaram nos costumes que Israel introduziu.”[9]

Tudo isso constitui um cenário essencial para se compreender o Sermão do Monte. O Sermão encontra-se no Evangelho de Mateus, logo no começo do ministério público de Jesus. Ime­diatamente após o seu batismo e tentação, Cristo começou a anunciar as boas novas de que o reino de Deus, há muito prome­tido no período do Velho Testamento, estava agora às portas. Ele mesmo viera para inaugurá-lo. Com ele nascia a nova era e o reinado de Deus irrompia na História. “Arrependei-vos”, clamava, “porque está próximo o reino dos céus.”[10] Na verdade, “percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino” (v. 23). O Sermão do Monte, então, deve ser visto neste contexto. Descreve o arrependimento (metanóia, a total transformação da mente) e a retidão, que fazem parte do reino; isto é, descreve como ficam a vida e a comuni­dade humana quando se colocam sob o governo da graça de Deus.

E como é que ficam? Tornam-se diferentes! Jesus enfatizou que os seus verdadeiros discípulos, os cidadãos do reino de Deus, tinham de ser inteiramente diferentes. Não deveriam tomar como padrão de conduta as pessoas que os cercavam, mas sim Deus, e assim provar serem filhos genuínos do seu Pai celestial. Para mim, o texto-chave do Sermão do Monte é 6:8: “Não vos asse­melheis, pois, a eles.” Imediatamente nos faz lembrar a palavra de Deus a Israel, na antigüidade: “Não fareis como eles.”[11] É o mesmo convite para serem diferentes. E este tema foi desenvol­vido através de todo o Sermão do Monte. O caráter deles teria de ser completamente diferente daquele que era admirado pelo mundo (as bem-aventuranças). Deveriam brilhar como luzes nas trevas reinantes. A justiça deles teria de exceder à dos escribas e fariseus, tanto no comportamento ético quanto na devoção religiosa, enquanto que o seu amor deveria ser maior, e a sua ambição mais nobre do que a dos pagãos vizinhos.

Não há um parágrafo no Sermão do Monte em que não se trace este contraste entre o padrão cristão e o não-cristão. É o tema subjacente e unificador do Sermão; tudo o mais é uma variação dele. Às vezes, Jesus contrasta os seus discípulos com os gentios ou com as nações pagãs. Assim, os pagãos amam-se e saúdam-se uns aos outros, mas os cristãos têm de amar os seus inimigos (5:44-47); os pagãos oram segundo um modelo, com “vãs repetições”, mas os cristãos devem orar com a humilde reflexão de filhos do seu Pai no céu (6:7-13); os pagãos estão preocupados com as suas próprias necessidades materiais, mas os cristãos devem buscar primeiro o reino e a justiça de Deus (6:23, 33).

Em outros pontos, Jesus contrasta os seus discípulos, não com os gentios, mas com os judeus, ou seja, não com pessoas pagãs mas com pessoas religiosas; especificamente, com os “escribas e fariseus”. O Professor Jeremias, sem dúvida, está certo ao dizer que são “dois grupos de pessoas totalmente diferentes”, pois “os escribas são os mestres de teologia que tiveram alguns anos de estudo; os fariseus, por outro lado, não são teólogos, mas sim grupos de leigos piedosos de todas as camadas da socie­dade”.[12] Certamente Jesus opõe a moral cristã à casuística ética dos escribas (5:21-48) e a devoção cristã à piedade hipócrita dos fariseus (6:1-18).

Assim, os discípulos de Jesus têm de ser diferentes: tanto da igreja nominal, como do mundo secular; tanto dos religiosos, como dos irreligiosos. O Sermão do Monte é o esboço mais com­pleto, em todo o Novo Testamento, da contracultura cristã. Eis aí um sistema de valores cristãos, um padrão ético, uma devoção religiosa, uma atitude para com o dinheiro, uma ambição, um estilo de vida e uma teia de relacionamentos: tudo completa­mente diferente do mundo que não é cristão. E esta contra­cultura cristã é a vida do reino de Deus, uma vida humana real­mente plena, mas vivida sob o governo divino.

Chegamos à introdução editorial dada por Mateus ao Sermão, a qual é breve mas impressionante: indica a importância que ele lhe atribuía.

Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos, e ele passou a ensiná-los, dizendo. .. (5:1, 2)

Não há dúvida de que o propósito principal de Jesus ao subir uma colina ou montanha para ensinar era fugir das “numerosas multidões” da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão[13], que o seguiam. Ele passara os primeiros meses do seu ministério público vagando por toda a Galiléia, “ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. Como resultado, “sua fama correu por toda a Síria”, e o povo vinha em grandes multidões, trazendo os seus doentes para serem curados.[14] Por isso Jesus precisava fugir, não só para ter uma oportunidade de ficar sozinho e orar, mas também para dar uma instrução mais concentrada aos seus discípulos.

Além disso, parece (conforme muitos comentaristas antigos e modernos têm sugerido) que ele deliberadamente subiu ao monte para ensinar, a fim de traçar um paralelo entre Moisés (que recebeu a lei no Monte Sinai) e ele próprio (que então expli­cou aos seus discípulos as conseqüências dessa lei, no chamado “Monte das Bem-aventuranças”, o local tradicional do Sermão, junto às praias ao norte do Lago da Galiléia). Pois, embora Jesus fosse maior do que Moisés, e embora a sua mensagem fosse mais evangelho do que lei, ele também escolheu doze apóstolos para formar o núcleo de um novo Israel, em correspondência aos doze patriarcas e tribos da antigüidade. Ele também proclamou ser Mestre e Senhor, deu a sua própria interpretação autorizada da lei de Moisés, enunciou mandamentos e esperou obediência. Até mesmo convidou, mais tarde, os seus discípulos a tomarem o seu “jugo”, ou submeterem-se aos seus ensinamentos, assim como anteriormente carregaram o jugo do Torá.[15]

Alguns mestres desenvolveram esquemas muito elaborados para demonstrar este paralelo. B. W. Bacon, em 1918, por exemplo, argumentou que Mateus deliberadamente estruturou o seu Evangelho em cinco partes, cada uma terminando com a fórmula “quando Jesus acabou . . .” (7:28; 11:1; 13:53; 19:1; 26:1), a fim de que os “cinco livros de Mateus” correspondessem aos “cinco livros de Moisés” e fossem uma espécie de Pentateuco do Novo Testamento.[16]

Um paralelismo diferente foi sugerido por Austin Farrer, a saber, que Mateus 5-7 teve por modelo Êxodo 20-24, as oito bem-aventuranças correspondendo aos dez mandamentos, com o restante do Sermão dissertando sobre as mesmas e aplicando-as, assim como os mandamentos também foram dissertados e explicados.[17]

Estas tentativas engenhosas de descobrir paralelos são com­preensíveis porque em muitas passagens do Novo Testamento a obra salvadora de Jesus está descrita como um novo êxodo,[18] e a vida cristã como uma alegre celebração disso: “Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso celebremos a festa.”[19] Embora Mateus não compare explicitamente Jesus a Moisés, e não possamos reivindicar mais do que isso no Sermão, “a essência da Nova Lei, o Novo Sinai, o Novo Moisés estão presentes”.[20]

Em todos os eventos, Jesus assentou-se, assumindo a posição de um rabi ou legislador, e seus discípulos aproximaram-se dele, para aprender dos seus ensinamentos. Então ele passou (uma expressão que indica a solenidade do seu pronunciamento) a ensiná-los.

Três perguntas básicas formam-se imediatamente na mente do leitor moderno, ao estudar o Sermão do Monte. Tal pessoa não se sentirá receptiva para com os ensinamentos desse sermão se não receber respostas satisfatórias às seguintes perguntas: Primeiro, o Sermão do Monte é um autêntico pronunciamento de Jesus? Foi realmente pregado por ele? Segundo, o seu con­teúdo é relevante para o mundo contemporâneo, ou é totalmente fora de moda? Terceiro, os seus padrões são atingíveis, ou devemos esquecê-los por serem em larga escala um ideal im­praticável?

 

1. O Sermão é autêntico?

O Sermão do Monte aparece só no primeiro Evangelho (Mateus). No terceiro Evangelho (Lucas) há um sermão semelhante, às vezes chamado de “o Sermão da Planície”.[21] Lucas diz que foi pregado “numa planura” à qual Jesus “desceu” depois de retirar-se “para o monte” a fim de orar.[22] Mas a aparente dife­rença de localização não deve nos deter, pois a “planura” pode muito bem ter sido um platô sobre os montes e não uma planície ou um vale.

Uma comparação do conteúdo dos dois sermões revela imedia­tamente que não são idênticos. O de Lucas é consideravelmente mais curto, consistindo de apenas 30 versículos, em contraste com os 107 de Mateus, e cada um inclui matérias que estão ausentes no outro. Não obstante, há também óbvias semelhanças entre eles. Os dois sermões começam com “bem-aventuranças”, terminam com a parábola dos dois construtores, e no meio con­têm a regra áurea, a ordem para amar os nossos inimigos e ofe­recer a outra face, a proibição de julgar as pessoas, e as vivas ilustrações da trave no olho e da árvore com os seus frutos. Esta matéria comum aos dois sermões, com um começo e um final em comum, sugere que os dois são versões do mesmo sermão. Qual é, entretanto, a relação entre eles? Como explicar a combi­nação de semelhanças e variações?

Muitos têm negado que o Sermão do Monte tenha sido um “sermão” (qualquer que seja o sentido desta palavra) pregado por Jesus numa ocasião específica. É um aspecto bem conhecido da prática editorial do primeiro evangelista a reunião, no texto de um capítulo, de ensinamentos de Jesus que são relacionados entre si. O melhor exemplo disto é a sua série de sete parábolas de Jesus.[23] Há quem tenha argumentado, assim, que Mateus 5 a 7 representa uma coleção de pronunciamentos de Jesus, habil­mente ligados em forma de sermão pelo evangelista, ou por uma comunidade cristã primitiva, da qual ele o teria recebido. Até Calvino acreditava nisso: “O plano desses dois evangelistas era o de reunir num só lugar os pontos principais da doutrina de Cristo que se relacionam com uma vida devota e santa.”[24] Como resultado, o Sermão é “um pequeno resumo . . . extraído de seus muitos e variados discursos”.[25]

Alguns comentaristas modernos foram mais francos. Bastará citar um exemplo. W. D. Davies chama o Sermão de “simples­mente uma coleção de pronunciamentos não relacionados entre si, de diversas origens, uma colcha de retalhos”; e, depois de fazer uma crítica da fonte, da forma e da liturgia neste texto, ele conclui: “Assim, o impacto da recente crítica em todas as suas formas é lançar dúvidas sobre a conveniência de procurar enten­der este trecho . . . como um todo inter-relacionado que se ori­gina dos ensinamentos genuínos de Jesus.”[26] Mais tarde, ele admite que a maré se virou para a chamada “crítica de redação”, o que pelo menos concede aos próprios evangelistas o mérito de verdadeiros autores, que deram forma à tradição que preser­varam. Não obstante, continua cético sobre quanto dos ensinamentos originais de Jesus está contido no Sermão do Monte.

A reação a esta espécie de crítica literária depende das pres­suposições teológicas fundamentais que se tenha sobre o pró­prio Deus, sobre a natureza e o propósito da revelação de Deus em Cristo, sobre a obra do Espírito Santo e sobre o senso de verdade do evangelista. Pessoalmente, acho difícil aceitar qual­quer ponto de vista sobre o Sermão que atribua o seu conteúdo à igreja primitiva e não a Jesus, ou que até mesmo o considere como uma amálgama de seus pronunciamentos em diversas ocasiões. A razão principal é que tanto Mateus como Lucas apresentam essa matéria como um sermão de Cristo, e parecem pretender que seus leitores o entendam assim. Ambos lhe dão um contexto histórico e geográfico preciso, atribuindo-o ao começo do ministério de Jesus na Galiléia e declarando que ele o transmitiu “no monte” e “numa planura” sobre os montes. Mateus registra a reação de perplexidade das multidões, quando Jesus terminou de proferi-lo, destacando que foi por causa da autoridade com que ele falava.[27] E ambos dizem que, quando terminou, “entrou em Cafarnaum”.[28]

Isto não significa, entretanto, que os dois evangelistas nos tenham transmitido todo o sermão ipsissima verba. Está claro que não o fizeram, pois, em ambos os casos, Jesus falou em aramaico, e os dois Evangelhos têm uma versão grega. Além disso, conforme já vimos, suas versões diferem uma da outra. Há di­versos outros modos possíveis de explicá-lo. Assim também ambos apresentaram a sua seleção e tradução individual, de uma fonte comum ou de fontes independentes. Ou Lucas apresenta um resumo menor, omitindo grande parte, enquanto que Mateus registra mais, senão a maior parte dele; ou Mateus elabora um sermão originalmente mais curto, aumentando-o com o acrés­cimo de outros contextos autênticos e pronunciamentos apro­priados de Jesus. Podemos ainda afirmar que o Espírito Santo orientou a seleção e o arranjo.

Quanto a mim, prefiro a sugestão que o Professor A. B. Bruce fez em seu comentário de 1897. Ele acreditava que o material contido em Mateus 5 a 7 representa a instrução “não de uma simples hora ou dia, mas de um período de retiro”.[29] Conjecturava que Jesus poderia ter reunido consigo os discípulos no monte para uma espécie de “Acampamento de Verão”. Por isso não chamava aqueles capítulos de “Sermão do Monte” (expres­são usada pela primeira vez por Agostinho), mas de “Ensina­mentos do Monte”.[30] Mais ainda, o Sermão, conforme regis­trado em Mateus, teria a duração de apenas cerca de dez minu­tos, por isso é possível que os evangelistas nos tenham dado apenas versões condensadas.

 

2. O Sermão é relevante?

Se o Sermão é ou não relevante para a vida moderna, só se pode julgar através de um detalhado exame do seu conteúdo. O que salta à vista é que, não importando como ele foi composto, forma um todo maravilhosamente coerente. Descreve o comportamento que Jesus esperava de cada um dos seus discípulos, que são também cidadãos do reino de Deus. Vemos como Jesus é em si mesmo, em seu coração, em suas motivações, em seus pensa­mentos, e também quando afastado, sozinho com o seu Pai. Vemo-lo na arena da vida pública, relacionando-se com o pró­ximo, exercendo misericórdia, patrocinando a paz, sendo perse­guido, agindo como sal, deixando a sua luz brilhar, amando e servindo aos outros (até mesmo aos seus inimigos), e dedicando-se acima de tudo à expansão do reino de Deus e da sua justiça no mundo.

Talvez uma rápida análise do Sermão ajude a demonstrar a sua relevância para nós, no século vinte.

 

a. O caráter do cristão (5:3-12)

As bem-aventuranças enfatizam oito sinais principais da conduta e do caráter cristãos, especialmente em relação a Deus e aos homens, e as bênçãos divinas que repousam sobre aqueles que externam estes sinais.

 

b. A influência do cristão (5:13-16)

As duas metáforas do sal e da luz indicam a influência que os cristãos devem exercer para o bem na comunidade se (e tão somente se) mantiverem o seu caráter distinto, conforme descrito nas bem-aventuranças.

 

c. A justiça do cristão (5:17-48)

Qual deve ser a atitude do cristão para com a lei moral de Deus? Ficaria a lei propriamente dita abolida na vida cristã, como estranhamente afirmam os advogados da filosofia da “nova moralidade” e da escola dos “não-mais-sob-a-lei”? Não. Jesus não tinha vindo para abolir a lei e os profetas, disse ele, mas para cumpri-los. E mais, ele chegou a declarar que a grandeza no reino de Deus se media pela conformidade com os ensinamentos morais da lei e dos profetas, e que até mesmo entrar no reino era impossível sem uma justiça maior do que a dos escribas e fariseus (5:17-20). Jesus deu, então, seis ilustrações desta justiça cristã melhor (5:21-48), relacionando-a com o homicídio, com o adul­tério, com o divórcio, com o juramento, com a vingança e com o amor. Em cada antítese (“Ouvistes que foi dito … eu, porém, vos digo . . .”), rejeitou a acomodada tradição dos escribas, reafirmou a autoridade das Escrituras do Velho Testamento e apresentou as decorrências plenas e exatas da lei moral de Deus.

 

d. A piedade do cristão (6:1-18)

Em sua “piedade” ou devoção religiosa, os cristãos não devem se acomodar nem com o tipo hipócrita dos fariseus, nem com o formalismo mecânico dos pagãos. A piedade cristã deve destacar-se acima de tudo pela realidade, pela sinceridade dos filhos de Deus que vivem na presença de seu Pai celestial.

 

e. A ambição do cristão (6:19-34)

O “mundanismo” do qual os cristãos devem fugir pode ter apa­rência religiosa ou secular. Por isso, devemos ser diferentes dos não-cristãos, não apenas em nossas devoções, mas também em nossas ambições. Cristo modifica especialmente a nossa atitude para com a riqueza e os bens materiais. É impossível adorar a Deus e ao dinheiro; temos de escolher um dos dois. As pessoas do mundo estão preocupadas com a busca do alimento, da bebida e do vestuário. Os cristãos devem ficar livres destas ansie­dades materiais ego-centralizadas e, em lugar disso, devem dedicar-se à expansão do governo e da justiça de Deus. É o mes­mo que dizer que a nossa ambição suprema deve ser a glória de Deus e não a nossa própria glória, nem mesmo o nosso próprio bem-estar material. É uma questão do que buscamos “em pri­meiro lugar”.

 

f. Os relacionamentos do cristão (7:1-20) Os cristãos estão presos em uma complexa teia de relaciona­mentos, todos eles partindo do nosso relacionamento com Cristo. Quando nos relacionamos devidamente com ele, os nossos de­mais relacionamentos são todos afetados. Novos relacionamentos surgem, e os antigos se modificam. Assim, não devemos julgar o nosso irmão, mas servi-lo (vs. 1-5). Devemos também evitar oferecer o evangelho àqueles que decididamente o rejeitam (v. 6); devemos continuar orando ao nosso Pai celestial (vs. 7-12) e tomar cuidado com os falsos profetas, que impedem que muita gente encontre a porta estreita e o caminho difícil (vs. 13-20).

 

g.  Uma dedicação cristã (7:21-27)

O último item apresentado pelo todo do Sermão relaciona-se com a autoridade do pregador. Não basta chamá-lo de “Senhor” (vs. 21-23) ou ouvir os seus ensinamentos (vs. 24-27). A questão básica é se nós somos sinceros no que dizemos e se fazemos o que ouvimos. Deste compromisso depende o nosso destino eter­no. Só quem obedece a Cristo como Senhor é sábio. Pois quem assim procede está edificando a sua casa sobre o alicerce da rocha, que as tempestades da adversidade e do juízo não serão capazes de solapar.

As multidões ficaram perplexas com a autoridade com que Jesus ensinava (vs. 28, 29). É uma autoridade à qual os discí­pulos de Jesus de cada geração devem submeter-se. A questão do senhorio de Cristo é relevante hoje em dia, tanto com refe­rência a princípios como à aplicação prática, da mesma maneira que o era quando originalmente ele pregou o Sermão do Monte.

 

3. O Sermão é prático?

A terceira questão é pragmática. Uma coisa é convencer-se da relevância do Sermão em teoria; mas outra totalmente diferente é ter a certeza de que funcionará na prática. Seus padrões são atingíveis? Ou devemos quedar-nos satisfeitos, admirando-os melancolicamente à distância?

Talvez a maioria dos leitores e comentaristas, encarando a realidade nua e crua da perversidade humana, tenha chegado à conclusão de que os padrões do Sermão do Monte são inatin­gíveis. Dizem que os seus ideais são nobres mas impraticáveis, atraentes à imaginação mas impossíveis de se cumprir. Conhe­cendo bastante o agressivo egoísmo humano, questionam: como pode, então, alguém ser manso? Conhecem a imperiosa paixão sexual humana; como pode, então, alguém refrear os seus olha­res e os seus pensamentos concupiscentes? Conhecem a preocu­pação humana com os problemas da vida; como, então, proibir-se a apreensão? Sabem da prontidão humana em irar-se e em ter sede de vingança; como então, esperar que alguém ame seus inimigos? Mais do que isto: a exigência não é voltar a outra face a um assaltante, o que é perigoso para o bem-estar da própria sociedade? E não ultrapassa essa exigência a capacidade indi­vidual? Provocar mais a violência dessa maneira não só permite que ela permaneça sem castigo, mas até a incentiva. Não! O Sermão do Monte não teria valor prático para os indivíduos ou comunidades. Na melhor das hipóteses, representaria o idea­lismo impraticável de um visionário. Seria um sonho que jamais se poderia realizar.

Uma modificação deste ponto de vista, pela primeira vez ex­pressa por Johannes Weiss em 1892, e mais popularizada por Albert Schweitzer, é que Jesus fazia exigências excepcionais para uma situação excepcional. Acreditando eles que Jesus esperava que o fim da História acontecesse quase imediatamente, argu­mentavam que ele dava a seus discípulos uma “ética provisória”, que exigia deles sacrifícios totais, como abandonar as suas pro­priedades e amar os seus inimigos, sacrifícios apropriados só para aquele momento de crise. Neste caso, o Sermão do Monte trans­forma-se numa espécie de “lei marcial”,[31] que só uma emer­gência maior poderia justificar. Enfaticamente, não seria uma ética para o quotidiano.

E tem havido muitas tentativas de acomodar o Sermão do Monte aos baixos níveis de nossa capacidade moral. Nos capí­tulos quarto e quinto do seu livro Understanding the Sermon on the Mount (Compreendendo o Sermão do Monte), Harvey McArthur primeiro examina e depois avalia nada menos de doze maneiras diferentes de interpretar o Sermão.[32] Diz que poderia muito bem intitular esta seção de “Versões e Evasivas do Ser­mão do Monte”, pois todas menos uma das doze interpretações oferecem qualificações prudentes de suas exigências aparente­mente absolutas.

No extremo oposto ficam aquelas almas superficiais que de­sembaraçadamente afirmam que o Sermão do Monte expressa padrões éticos que são manifestamente verdadeiros, comuns a todas as religiões e fáceis de obedecer. “Eu vivo de acordo com o Sermão do Monte”, dizem. A reação mais caridosa para com essa gente é presumir que nunca leram o Sermão que tão confiantemente consideram uma coisa comum, normal. Bem diferente foi Leo Tolstoy (embora ele também cresse que o Ser­mão foi pregado a fim de ser obedecido). É verdade que ele se reconhecia um fracasso sem limites, mas continuava crendo que os preceitos de Jesus poderiam ser postos em prática, e colocou a sua convicção nos lábios do Príncipe Nekhlyudov, o herói de sua última grande obra, Ressurreição, publicada em 1899-1900.

O príncipe de Tolstoy geralmente é considerado como um auto-retrato, e muito mal disfarçado. No final da novela, Nekhlyudov relê o Evangelho de Mateus. Vê no Sermão do Monte “não lindos pensamentos abstratos, que apresentam prin­cipalmente exigências exageradas e impossíveis, mas manda­mentos simples, claros, práticos que, se fossem obedecidos (e isto parecendo ser bastante exeqüível), estabeleceriam uma ordem completamente nova na sociedade humana, onde a violência que enchia Nekhlyudov de indignação não só cessaria sozinha, mas também a maior de todas as bênçãos que o homem pode esperar, o reino dos céus na terra, seria alcançada.”

“Nekhlyudov ficou parado olhando para a luz da lâmpada que bruxuleava, e seu coração parou de bater. Lembrando toda a monstruosa confusão da vida que levamos, imaginou como esta vida poderia ser, caso as pessoas fossem ensinadas a obedecer a estes mandamentos; e sua alma foi invadida por um êxtase ja­mais sentido antes, Foi como se, depois de muito anelar e sofrer, finalmente encontrasse paz e libertação.

Não dormiu naquela noite e, como acontece com a imensidão dos que lêem os Evangelhos, compreendeu pela primeira vez o pleno significado das palavras tantas vezes lidas no passado, mas não entendidas. Como uma esponja que chupa a água, ele bebeu aquela vital, importante e alegre novidade que o livro lhe revelou. E tudo o que lia lhe parecia familiar, confirmando e tornando real o que já conhecia há muito tempo mas que jamais compreendera totalmente nem crera realmente. Mas agora entendia e cria…

Disse para si mesmo: ‘Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Mas nós buscamos todas estas coisas e obviamente fracassamos em alcan­çá-las. Esta, portanto, deve ser a tarefa de minha vida. Uma tarefa foi completada e outra está por fazer.’

Naquela noite uma vida inteiramente nova teve início em Nekhlyudov, não tanto porque penetrasse em novas condições de vida, mas porque tudo o que lhe acontecia daquele momento em diante estava revestido de um significado totalmente dife­rente para ele. Como este novo capítulo de sua vida terminará, o futuro há de mostrar.”[33]

Tolstoy personificava a tensão entre o ideal e a realidade. De um lado estava convencido de que obedecer ao Sermão do Monte é “realidade exeqüível”, enquanto que, de outro lado, a sua própria atuação medíocre dizia-lhe que não é. A verdade não se encontra em nenhuma das posições extremas. Os padrões do Sermão não podem ser imediatamente atingidos por todo o mundo, nem totalmente alcançados por qualquer um. Colocá-los além do alcance de qualquer pessoa é ignorar o propósito do Sermão de Cristo; colocá-los como sendo atingíveis por qualquer pessoa é ignorar a realidade do pecado. Esses padrões são atin­gíveis, mas só por aqueles que experimentaram o novo nasci­mento, condição esta que Jesus disse a Nicodemos ser indispen­sável para se ver e para se entrar no reino de Deus. Pois a justiça que ele descreveu no Sermão é uma justiça interior. Embora se manifeste externa e visivelmente em palavras, em atos e em relacionamentos, continua sendo essencialmente uma justiça do coração. O que se pensa no coração, e onde o coração é colocado, isso é o que realmente importa.[34] E aqui também que jaz o pro­blema, pois os homens são “maus” por natureza.[35] Pois é do seu coração que saem as coisas más[36] e do seu coração é que saem as suas palavras, assim como é a árvore que estabelece os frutos que produzirá. Portanto, só há uma solução: “Fazei a árvore boa, e o seu fruto será bom”.[37] Um novo nascimento é essencial. Só a crença na necessidade e na possibilidade de um novo nascimento pode evitar que leiamos o Sermão do Monte com um tolo otimismo ou um desespero total. Jesus proferiu o Sermão para aqueles que já eram seus discípulos e, portanto, também cidadãos do reino de Deus e filhos da família de Deus.[38] O alto padrão que estabeleceu só é apropriado para tais pessoas. Não podemos, e na verdade é impossível, alcançar este status privi­legiado por obedecer ao padrão estabelecido por Cristo. Antes, quando seguimos o seu padrão ou, pelo menos, quando nos apro­ximamos dele, damos prova de que a livre graça e o dom de Deus já operaram em nós.

Mateus 5:3-12
O caráter do cristão: as bem-aventuranças

3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

4 Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

5 Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serãofartos.

7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.

9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, por­que deles é o reino dos céus.

11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos inju­riarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós.

12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.

Quem é que, tendo ouvido falar de Jesus de Nazaré, e sabendo um pouco acerca do que ele ensinou, não está familiarizado com as bem-aventuranças que dão início ao Sermão do Monte? A simplicidade de palavras e a profundidade de idéias deste Sermão têm atraído cada nova geração de cristãos, além de mui­tas outras pessoas. Quanto mais exploramos suas implicações, mais fica por ser explorado. Suas riquezas são inexauríveis. Não podemos sondar suas profundezas. Na verdade, “Aproximamo-nos do céu”.[39]

Antes de estarmos prontos para considerar separadamente cada bem-aventurança, há três perguntas de caráter geral que precisamos responder. Referem-se às pessoas descritas, às quali­dades recomendadas e às bênçãos prometidas.

 

a. As pessoas descritas

As bem-aventuranças descrevem o caráter equilibrado e diversi­ficado do povo cristão. Não existem oito grupos separados e distintos de discípulos, alguns dos quais são mansos, enquanto outros são misericordiosos e outros, ainda, chamados para supor­tarem perseguições. São, antes, oito qualidades do mesmo grupo de pessoas que, ao mesmo tempo, são mansas e misericordiosas, humildes de espírito e limpas de coração, choram e têm fome, são pacificadoras e perseguidas.

Além disso, o grupo que exibe estes sinais não é um conjunto elitista, uma pequena aristocracia espiritual distante da maioria dos cristãos. Pelo contrário, as bem-aventuranças são especi­ficações dadas pelo próprio Cristo quanto ao que cada cristão deveria ser. Todas estas qualidades devem caracterizar todos os seus discípulos. Da mesma forma que o fruto do Espírito, descrito por Paulo, deve amadurecer em seus nove aspectos no caráter de cada cristão, também as oito bem-aventuranças que Cristo menciona descrevem o seu ideal para cada cidadão do reino de Deus. Ao contrário dos dons do Espírito, que ele dis­tribui a diferentes membros do corpo de Cristo a fim de equipá-los para diferentes espécies de serviço, o mesmo Espírito está interessado em produzir todas estas graças cristãs em todos nós. Não podemos fugir à nossa responsabilidade de cobiçá-las todas.

 

b. As qualidades recomendadas

Sabemos muito bem que há uma discrepância, pelo menos verbal, entre as bem-aventuranças do Evangelho de Mateus e as de Lucas. Assim, Lucas diz: “Bem-aventurados vós os po­bres”, enquanto que Mateus declara:  “Bem-aventurados os humildes (pobres) de espírito”. Em Lucas temos: “Bem-aventu­rados vós os que agora tendes fome”, e em Mateus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”.

Por causa disto, alguns argumentam que a versão de Lucas é a verdadeira; que Jesus estava julgando os pobres e os famintos do ponto de vista social ou sociológico; que ele estava prome­tendo alimento aos subnutridos e ao proletariado no reino de Deus; e que Mateus espiritualizou o que constituía original­mente uma promessa material.

Mas esta interpretação é impossível, a não ser que estejamos prontos a crer que Jesus se contradisse ou que os evangelistas foram demasiado ineptos para fazê-lo parecer assim. No deserto da Judéia, nas tentações descritas por Mateus no capítulo ante­rior, Jesus recusou-se a transformar pedras em pão e repudiou a idéia de estabelecer um reino material. De maneira consis­tente, através de todo o seu ministério, rejeitou a mesma tenta­ção. Quando alimentou os cinco mil e, por causa disto, induziu a multidão a “arrebatá-lo para o proclamarem rei”, Jesus imediatamente se retirou sozinho para o monte.[40] E quando Pilatos perguntou-lhe se havia qualquer verdade nas acusações dos líderes judeus contra ele, e se realmente tinha alguma ambição política, sua resposta foi inequívoca: “O meu reino não é deste mundo.”[41] Isto é, tinha uma origem diferente e, portanto, caráter diferente.

Com isso não sugerimos que Jesus ficasse indiferente à pobreza e fome físicas. Pelo contrário, ele sentia compaixão pelos neces­sitados e alimentava os famintos, e disse aos seus discípulos que fizessem o mesmo. Mas a bênção do seu reino não era em pri­meiro lugar uma vantagem econômica.

Mais ainda, se ele não oferecia alívio físico imediato, não o prometia tampouco num céu futuro e, enquanto isso, anunciava que os pobres e famintos eram “bem-aventurados”. Na verdade, em algumas circunstâncias, Deus pode usar a pobreza como instrumento de bênção espiritual, exatamente como a riqueza pode ser um impedimento à mesma. Mas isto não transforma a pobreza por si mesma em condição desejável, que Jesus abençoe.

A igreja sempre esteve errada quando usou a primeira bem-aventurança para fechar os olhos diante da pobreza das massas, ou para elogiar a pobreza voluntária dos monges e de outros que fizeram voto de renúncia aos bens materiais. Cristo pode, realmente, chamar alguns para uma vida de pobreza, mas essa chamada não pode ser, honestamente, percebida nesta bem-aventurança.

A pobreza e a fome a que Jesus se refere nas bem-aventuranças são condições espirituais. São “os humildes (pobres) de espírito” e aqueles que “têm fome e sede de justiça” que ele declara bem-aventurados. E podemos certamente deduzir disso que as outras qualidades por ele mencionadas também são espirituais. É ver­dade que a palavra aramaica que Jesus usou poderia significar simplesmente os “pobres”, como na versão de Lucas. Mas “os pobres”, os pobres de Deus, já constituíam um grupo claramente definido no Velho Testamento, e Mateus estaria correto tradu­zindo para “pobres de espírito”. Pois “os pobres” não eram tanto os maltratados pela pobreza, mas os piedosos, assim chamados em parte porque passavam necessidades, eram opri­midos, tiranizados e afligidos de outras maneiras, mas tinham firmado a sua fé e esperança em Deus.

 

c. As bênçãos prometidas

Cada qualidade foi elogiada, enquanto cada pessoa que a possui foi declarada “bem-aventurada”. A palavra grega makarios significa “feliz”. A Bíblia na Linguagem de Hoje assim tra­duz as palavras iniciais de cada bem-aventurança: “Felizes os que . . .”. E diversos comentaristas têm explicado que essas palavras constituem a receita de Jesus para a felicidade humana. A explicação mais simples que conheço foi feita por Ernest M. Ligon, do Departamento de Psicologia do “Union College”, de Schenectady, Nova Iorque, em seu livro The Psychology of Christian Personality[42] (A Psicologia da Personalidade Cristã). Reconhecendo sua dívida para com Harry Emerson Fosdick, ele traça a interpretação do Sermão do Monte “do ponto de vista da saúde mental”. “O erro mais significativo que se tem cometido interpretando estes versículos  de Jesus (sc.   as bem-aventuranças)”, ele escreve, “foi deixar de perceber a primeira palavra de cada um deles: ‘felizes’”[43] No seu ponto de vista, “constituem a teoria de Jesus sobre a felicidade”.[44] Não constituem tanto deveres éticos, mas “uma série de oito atitudes emocionais fun­damentais. O homem que reagir ao seu ambiente com esse espí­rito terá uma vida feliz”,[45] pois terá descoberto a “fórmula básica para a saúde mental”.[46] De acordo com o Dr. Ligon, o Sermão enfatiza as “forças” da fé e do amor, da “fé experimental” e do “amor paternal”. Estes dois princípios são indispensáveis para o desenvolvimento de uma “personalidade sadia e forte”.[47] Não só o caos do medo pode ser vencido pela fé, e a ira destrutiva pelo amor, mas também “o complexo de inferioridade e seus muitos subprodutos” pela Regra Áurea.[48]

Não é preciso rejeitar esta interpretação como totalmente ilu­sória. Ninguém melhor do que o nosso Criador sabe como pode­mos nos tornar humanos verdadeiros. Ele nos criou. Ele sabe como funcionamos melhor. É através da obediência às suas pró­prias leis morais que nos encontramos e nos realizamos. E todos os cristãos podem testemunhar da experiência de que há uma relação íntima entre a santidade e a felicidade.

Não obstante, traduzir makarios por “feliz” induz a um erro sério, pois a felicidade é um estado subjetivo, enquanto que Jesus está julgando objetivamente essas pessoas. Ele não está decla­rando como se sentirão (“felizes”), mas sim o que Deus pensa delas e o que são por causa disso: são “bem-aventuradas”.

Que bênção é essa? A segunda parte de cada bem-aventurança elucida a questão. Possuem o reino dos céus e herdarão a terra. Os que choram são consolados e os famintos satisfeitos. Recebem misericórdia, vêem a Deus, são chamados filhos de Deus. Sua recompensa celestial é grande. E todas estas bênçãos estão reu­nidas. Exatamente como as oito qualidades descrevem cada cristão (pelo menos em ideal), da mesma forma as oito bênçãos são concedidas a cada cristão. É verdade que a bênção especí­fica prometida em cada caso é apropriada à qualidade particular­mente mencionada. Ao mesmo tempo, é totalmente impossível herdar o reino dos céus sem herdar a terra, ser consolado sem ser satisfeito ou ver a Deus sem alcançar sua misericórdia e ser chamado seu filho. As oito qualidades juntas constituem as responsabilidades; e as oito bênçãos, os privilégios, a condição de cidadão do reino de Deus. Este é o significado do desfrutar do governo de Deus.

Estas bênçãos são para o presente ou para o futuro? Pessoal­mente, penso que a única resposta possível é “tanto para o pre­sente como para o futuro”. Alguns comentaristas, entretanto, têm insistido que são para o futuro, e têm enfatizado a natureza “escatológica” das bem-aventuranças. É verdade que a segunda parte da última bem-aventurança promete que os perseguidos receberão uma grande recompensa no céu, e isto deve referir-se ao futuro (v. 12). Certamente também é apenas na primeira e na oitava bem-aventuranças que a bênção foi expressa no tempo presente, “deles ê o reino dos céus” (vs. 3, 10); e, mesmo assim, este verbo não se encontrava aí quando Jesus falou em aramaico. As outras seis beatitudes contêm um verbo no futuro simples (serão, herdarão, alcançarão). Não obstante, está claro nos demais ensinamentos de Jesus que o reino de Deus é uma reali­dade presente que podemos “receber”, “herdar” ou “entrar” agora. Do mesmo modo, podemos alcançar misericórdia e con­solo agora, podemos nos tornar filhos de Deus agora e podemos, nesta vida, ter a nossa fome satisfeita e a nossa sede mitigada. Jesus prometeu todas estas bênçãos a seus discípulos aqui e agora. A promessa de que “verão a Deus” pode parecer uma referência à “visão beatífica” final,[49] e sem dúvida a inclui. Mas nós já começamos a ver Deus nesta vida, na pessoa do seu Cristo[50] e com a visão espiritual.[51] Já começamos a “herdar a terra” nesta vida, considerando que, se somos de Cristo, todas as coisas já são nossas, “seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as cousas presentes, sejam as futuras”.[52]

Portanto, as promessas de Jesus nas bem-aventuranças têm cumprimento presente e futuro. Desfrutamos agora das primícias; a colheita propriamente dita ainda está por vir. E, como destacou acertadamente o Professor Tasker, “O tempo verbal futuro. . . enfatiza sua certeza, e não simplesmente o seu aspecto futuro. Os que choram serão certamente consolados, etc.”[53]

Isto nos coloca diante de mais uma pergunta sobre as “bên­çãos” que Jesus prometeu. É um problema que não podemos evitar. Será que as bem-aventuranças não ensinam uma doutrina de salvação pelos méritos humanos e pelas boas obras, o que é incompatível com o evangelho? Será que Jesus não declara expli­citamente, por exemplo, que os misericordiosos alcançarão misericórdia e que os limpos de coração verão a Deus? E será que isto não dá a entender que é demonstrando misericórdia que recebemos misericórdia e que, tornando-nos limpos de coração, recebemos uma visão de Deus?

Alguns intérpretes têm ousadamente defendido esta tese. Tentaram apresentar o Sermão do Monte como nada mais que uma débil forma cristianizada da lei do Velho Testamento e da ética do Judaísmo. Eis aí Jesus, o Rabi, o legislador, dizem, enunciando mandamentos, esperando obediência e prometendo salvação àqueles que lhe atendem. Provavelmente o expoente máximo desta opinião seja Hans Windisch, no seu The Meaning of the Sermon on the Mount (1929, “O Significado do Sermão do Monte”). Ele enfatiza a “exegese histórica” e rejeita o que chama de “exegese paulinizante”, referindo-se à tentativa de interpretar o Sermão de maneira que harmonize com o evangelho da graça de Paulo. Na opinião dele, isto não pode ser feito: “Do ponto de vista de Paulo, Lutero e Calvino, a soteriologia do Sermão do Monte é irremediavelmente herética.”[54] Em outras palavras, prega a lei, não o evangelho, e oferece justiça pelas obras e não pela fé. Portanto, “aqui há entre Jesus e Paulo um abismo que nenhum artifício de exegese teológica pode trans­por”.[55] Mas Windisch vai mais além. Especula que a ênfase de Paulo sobre a salvação pela graça tem levado muitos a considerar as boas obras como supérfluas, e que Mateus deliberadamente compôs o Sermão do Monte como uma espécie de tratado anti-paulino! [56]

Foi esse mesmo temor de que as promessas do Sermão do Monte dependessem dos méritos humanos para o seu cumpri­mento, que levou J. N. Darby a relegá-las para a futura “dispensação do reino”. Seu dispensacionalismo ficou popularizado pela “Scofield Reference Bible” (1909), a qual, comentando 5:2, chama o Sermão de “lei pura”, embora admitindo que os seus princípios têm “uma linda aplicação moral para o cristão”.

Mas tanto as especulações de Windisch quanto os temores dos dispensacionalistas são infundados. Na verdade, a primeira das bem-aventuranças proclama a salvação pela graça e não pelas obras, pois ela promete o reino de Deus aos “humildes de espí­rito”, isto é, às pessoas que são tão pobres espiritualmente que nada têm a oferecer para mérito seu. O leitor pode imaginar com que veemente indignação Lutero repudiou a sugestão, feita por alguns contemporâneos seus, de que o Sermão do Monte ensina a salvação pelos méritos! Acrescentou à sua exposição um longo pós-escrito de dez páginas, a fim de se opor a esta idéia mons­truosa. Nele, criticou severamente “aqueles estúpidos falsos mestres” que “chegaram à conclusão de que entramos no reino dos céus e somos salvos por nossas próprias obras e ações”.[57] Esta “abominação dos sofistas” inverte o evangelho de tal forma, ele declara, que “se compara a jogar o telhado no chão, a tombar os alicerces, a edificar a salvação sobre simples água, a der­rubar Cristo completamente do seu trono, colocando em seu lugar as nossas obras”.[58]

Como, então, podemos explicar as expressões que Jesus usou nas bem-aventuranças, toda a ênfase que deu à justiça no Ser­mão? A resposta certa parece ser que o Sermão do Monte, como uma espécie de “nova lei”, igual à antiga, tem dois propósitos divinos, os quais o próprio Lutero entendia claramente. Pri­meiro, mostrar a quem não é cristão que não pode agradar a Deus por si mesmo (porque não consegue obedecer à lei), conduzindo-o, então, a Cristo para ser justificado. Segundo, mostra ao cristão, que buscou em Cristo a justificação, como deve viver para agradar a Deus. Mais simplesmente, de acordo com a sín­tese dos reformadores puritanos, a lei nos envia a Cristo para sermos justificados, e Cristo nos manda de volta à lei para ser­mos santificados.

Não pode haver dúvidas de que o Sermão do Monte tem, sobre muitas pessoas, o primeiro efeito já notado. Quando o lêem, ficam desesperadas. Vêem nele um ideal inatingível. Como poderiam desenvolver esta justiça de coração, voltar a outra face, amar os seus inimigos? E impossível! Exatamente! Neste sentido, o Sermão é “Moisíssimo Moisés” (expressão de Lutero); “é Moisés quadruplicado, é Moisés multiplicado ao mais alto grau”,[59] porque é uma lei de justiça interior a que nenhum filho de Adão jamais pode obedecer. Portanto, apenas nos condena e torna indispensável o perdão de Cristo. Não poderíamos dizer que esta é uma parte do propósito do Sermão? É verdade que Jesus não o disse explicitamente, embora esteja na primeira bem-aventurança, como já mencionamos. Mas a implicação está em toda a nova lei, exatamente como na antiga.

Lutero é ainda mais explícito quanto ao segundo propósito do Sermão: “Cristo nada diz neste Sermão sobre como nos tor­namos cristãos, mas apenas sobre as obras e os frutos que nin­guém pode produzir se já não for um cristão e não estiver em estado de graça.”[60] Todo o Sermão realmente pressupõe uma aceitação do evangelho (como Crisóstomo e Agostinho o enten­deram), uma experiência de conversão e de novo nascimento, e a habitação do Espírito Santo. Descreve as pessoas nascidas de novo que os cristãos são (ou deveriam ser). Portanto, as bem-aventuranças apresentam as bênçãos que Deus concede (não como uma recompensa aos méritos, mas como um dom da graça) àqueles nos quais ele está desenvolvendo um caráter assim.

O Professor Jeremias, que se refere à primeira explicação (“a teoria do ideal impossível”), chamando-a de “ortodoxia luterana”,[61] deixando de mencionar que o próprio Lutero tam­bém deu esta segunda explicação, sugere que o Sermão foi usado como “um catecismo cristão primitivo” e, portanto, pressupõe que os ouvintes já eram cristãos: “Foi precedido pela proclamação do Evangelho; e foi precedido pela conversão, pelo po­der das Boas Novas.”[62] Assim, o Sermão “foi dirigido a ho­mens que já tinham recebido o perdão, que encontraram a pé­rola de grande preço, que foram convidados para as bodas, que mediante a sua fé em Jesus pertenciam à nova criação, ao novo mundo de Deus”.[63] Neste sentido, então, “o Sermão do Monte não é Lei, mas Evangelho”. Para tornar clara a diferença entre ambos, ele prossegue, é preciso fugir de termos tais como “moralidade cristã”, falando, outrossim, em “fé vivida”, pois “fica claramente explícito que o dom de Deus precede suas exigências”.[64]

O Professor A. M. Hunter insere este assunto no contexto de todo o Novo Testamento: “O Novo Testamento torna claro que a mensagem da Igreja primitiva sempre . . . teve dois aspectos, um teológico, outro ético: (1) o Evangelho que os apóstolos pre­gavam; e (2) o Mandamento, produto do Evangelho, que eles ensinavam àqueles que aceitavam esse Evangelho. O Evangelho era uma declaração do que Deus, na sua graça, tinha feito pelos homens através de Cristo; o Mandamento era uma declaração do que Deus exigia dos homens que se tornaram objeto de sua graciosa ação.”[65] O apóstolo Paulo costumava dividir as suas cartas desse jeito, com uma parte doutrinária seguida de outra, prática. “Mas nisto”, continua Hunter, “Paulo só estava fazendo o que o seu Senhor fizera antes dele. Jesus não só proclamou que o reino de Deus viera com ele e com sua obra; também apresentou aos seus discípulos o ideal moral do reino . . . É o ideal esboçado no Sermão do Monte”.[66]

Resumindo estes três pontos introdutórios relacionados com as bem-aventuranças, podemos dizer que as pessoas descritas são de modo geral os discípulos cristãos, pelo menos em ideal; que as qualidades elogiadas são qualidades espirituais; e que as bênçãos prometidas(como dons da graça imerecida) são as bên­çãos gloriosamente compreendidas pelo governo de Deus, experi­mentadas agora e consumadas depois, incluindo a herança de ambos, terra e céu, consolo, satisfação e misericórdia, visão e filiação de Deus.

Agora estamos prontos para examinar detalhadamente as bem-aventuranças. Diversas tentativas de classificação foram experimentadas. Não são certamente um catálogo fortuito, mas, nas palavras de Crisóstomo, “uma espécie de cadeia de ouro”.[67] Talvez a divisão mais simples seja considerar as quatro primeiras descritivas do relacionamento do cristão com Deus, e as outras quatro, do seu relacionamento e deveres para com o próximo.

 

1. Os humildes de espírito (v. 3)

Já mencionamos que o Velho Testamento fornece os antece­dentes necessários para a interpretação desta bem-aventurança. No princípio, ser “pobre” significava passar necessidades literal­mente materiais. Mas, gradualmente, porque os necessitados não tinham outro refúgio a não ser Deus,[68] a “pobreza” recebeu nuances espirituais e passou a ser identificada como uma hu­milde dependência de Deus. Por isso o salmista intitulou-se “este aflito” que clamou a Deus em sua necessidade, “e o Senhor o ouviu, e o livrou de todas as suas tribulações”.[69] O “aflito” (ho­mem pobre) no Velho Testamento é aquele que está sofrendo e não tem capacidade de salvar-se por si mesmo e que, por isso, busca a salvação de Deus, reconhecendo que não tem direito à mesma. Esta espécie de pobreza espiritual foi especialmente elogiada em Isaías. São “os aflitos e necessitados”, que “buscam águas, e não as há”, cuja “língua se seca de sede”, aos quais Deus promete abrir “rios nos altos desnudos, fontes no meio dos vales” e tornar “o deserto em açudes de águas, e a terra seca em mananciais”.[70] O “pobre” também foi descrito como “o contrito e abatido de espírito”,  para quem Deus olha (embora seja “o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo”), e com quem se deleita em habitar.[71] É para esse que o ungido do Senhor proclamaria as boas novas da salvação, uma profecia que Jesus conscientemente cumpriu na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas-novas aos quebrantados.”[72] Mais ainda, os ricos inclinavam-se a transigir com o paganismo que os rodeava; eram os pobres que permaneciam fiéis a Deus. Por isso, a riqueza e o mundanismo, bem como a pobreza e a piedade, andavam juntas.

Assim, ser “humilde (pobre) de espírito” é reconhecer nossa pobreza espiritual ou, falando claramente, a nossa falência espi­ritual diante de Deus, pois somos pecadores, sob a santa ira de Deus, e nada merecemos além do juízo de Deus. Nada temos a oferecer, nada a reivindicar, nada com que comprar o favor dos céus.

“Nada em minhas mãos eu trago, Simplesmente à tua cruz me apego; Nu, espero que me vistas; Desamparado, aguardo a tua graça; Mau, à tua fonte corro; Lava-me, Salvador, ou morro.”

Esta é a linguagem do pobre (humilde) de espírito. Nosso lugar é ao lado do publicano da parábola de Jesus, clamando com os olhos baixos: “Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” Como Calvino escreveu: “Só aquele que, em si mesmo, foi reduzido a nada, e repousa na misericórdia de Deus, é pobre de espírito.”[73]

Esses, e tão somente esses, recebem o reino de Deus. Pois o reino de Deus que produz salvação é um dom tão absolutamente de graça quanto imerecido. Tem de ser aceito com a dependente humildade de uma criancinha. Assim, bem no começo do Ser­mão do Monte, Jesus contradisse todos os juízos humanos e todas as expectativas nacionalistas do reino de Deus. O reino é concedido ao pobre, não ao rico; ao frágil, não ao poderoso; às criancinhas bastante humildes para aceitá-lo, não aos soldados que se vangloriam de poder obtê-lo através de sua própria bra­vura. Nos tempos de nosso Senhor, quem entrou no reino não foram os fariseus, que se consideravam ricos, tão ricos em mé­ritos que agradeciam a Deus por seus predicados: nem os zelotes, que sonhavam com o estabelecimento do reino com sangue e espada; mas foram os publicanos e as prostitutas, o refugo da sociedade humana, que sabiam que eram tão pobres que nada tinham para oferecer nem para receber. Tudo o que podiam fazer era clamar pela misericórdia de Deus; ele ouviu o seu clamor.

Talvez o melhor exemplo desta mesma verdade seja a igreja nominal de Laodicéia, à qual João recebeu ordem de enviar uma carta do Cristo glorificado. Ele citou as complacentes palavras dela, e acrescentou o seu próprio comentário: “Pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de cousa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.”[74] Esta igreja visível, apesar de toda a sua profissão cristã, não era de modo algum verdadeiramente cristã. Auto-satisfeita e superficial, era composta (de acordo com Jesus) de cegos e mendigos nus. Mas a tragédia era que não o admitiam. Eram ricos, não pobres, de espírito.

Ainda hoje, a condição indispensável para se receber o reino de Deus é o reconhecimento de nossa pobreza espiritual. Deus continua despedindo vazios os ricos.[75] Como disse C. H. Spurgeon: “Para subirmos no reino é preciso rebaixarmo-nos em nós mesmos.”[76]

 

2. Os que choram (v. 4)

Quase que se poderia traduzir esta segunda bem-aventurança por “Felizes os infelizes”, a fim de chamar a atenção para o surpreendente paradoxo que contém. Que espécie de tristeza é essa que pode produzir a alegria da bênção de Cristo naqueles que a sentem? Está claro no contexto que aqueles que receberam a promessa do consolo não são, em primeiro lugar, os que choram a perda de uma pessoa querida, mas aqueles que choram a perda de sua inocência, de sua justiça, de seu respeito próprio. Cristo não se refere à tristeza do luto, mas à tristeza do arre­pendimento.

Este é o segundo estágio da bênção espiritual. Uma coisa é ser espiritualmente pobre e reconhecê-lo; outra é entristecer-se e chorar por causa disto. Ou, numa linguagem mais teológica, confissão é uma coisa, contrição é outra.

Precisamos, então, notar que a vida cristã, de acordo com Jesus, não é só alegria e risos. Há cristãos que parecem imaginar, especialmente se estão cheios do Espírito, que devem exibir um sorriso perpétuo no rosto e viver continuamente exuberantes e borbulhantes. Que atitude antibíblica! Na versão de Lucas, Jesus acrescentou a esta bem-aventurança uma solene adver­tência: “Ai de vós os que agora rides!”[77] A verdade é que existem lágrimas cristãs e são poucos os que as vertem.

Jesus chorou pelos pecados de outros, pelas amargas conse­qüências que trariam no juízo e na morte, e pela cidade impenitente que não o receberia. Nós também deveríamos chorar mais pela maldade do mundo, como os homens piedosos dos tempos bíblicos. “Torrentes de águas nascem dos meus olhos”, o salmista podia dizer a Deus, “porque os homens não guardam a tua lei”.[78] Ezequiel ouviu o povo de Deus descrito como aqueles que “suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio (de Jerusalém)”.[79] E Paulo escreveu sobre os falsos mestres que perturbavam as igrejas do seu tempo: “Pois muitos andam entre nós . . . e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.”[80]

Mas não são apenas os pecados dos outros que deveriam nos levar às lágrimas, pois temos os nossos próprios pecados para chorar. Ou será que eles nunca nos entristeceram? Será que Thomas Cranmer exagerou quando, num culto comemorando a Ceia do Senhor, em 1662, colocou nos lábios das pessoas da igreja as palavras: “Reconhecemos e lamentamos nossos múl­tiplos pecados e maldades”? Será que Esdras errou quando orava fazendo confissão, “chorando prostrado diante da casa de Deus”?[81] Será que Paulo errou ao gemer: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” e quando escreveu à pecadora igreja de Corinto: “Não chegastes a lamentar?”[82] Penso que não. Temo que os cristãos evangélicos, exagerando a graça, às vezes fazem pouco do pecado por causa disso. Não existe suficiente tristeza por causa do pecado entre nós. Deveríamos experimentar mais “tristeza segundo Deus” no arrependimento cristão,[83] como aconteceu com o sensível missio­nário cristão junto aos índios americanos do século dezoito, David Brainerd, que escreveu em seu diário, a 18 de outubro de 1740: “Em minhas devoções matinais minha alma desfez-se em lágrimas, e chorou amargamente por causa da minha extrema maldade e vileza.” Lágrimas como estas são a água santa que se diz Deus guardar em seu odre.[84]

Tais pessoas que choram, que lamentam a sua própria mal­dade, serão consoladas pelo único consolo que pode aliviar o seu desespero, isto é, o perdão da graça de Deus. “O maior de todos os consolos é a absolvição enunciada sobre cada pecador contrito que chora.”[85] “Consolação” de acordo com os profetas do Velho Testamento, seria uma das missões do Messias. Ele seria “o Consolador” que curaria “os quebrantados de cora­ção”.[86] Por isso, homens piedosos como Simeão esperavam an­siosos “a consolação de Israel”.[87] E Cristo derrama óleo sobre nossas feridas e concede paz às nossas consciências magoadas e marcadas. Mas ainda choramos pela devastação do sofrimento e da morte que o pecado alastra pelo mundo inteiro! Só no estado final de glória o consolo de Cristo será completo, pois só então o pecado não existirá mais e “Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima”.[88]

 

3. Os mansos (v. 5)

O adjetivo grego praüs significa “gentil”, “humilde”, “aten­cioso”, “cortês” e, portanto, o que exerce autocontrole, sem o qual estas qualidades seriam impossíveis. Embora imediata­mente recuemos ante a imagem de nosso Senhor quando intitu­lado “Jesus, suave e meigo”, porque evoca uma figura fraca e efeminada, ele mesmo descreveu-se como “manso (praüs) e humilde de coração”; e Paulo falou de sua “mansidão e benignidade”.[89] Portanto, lingüisticamente falando, podemos para­frasear esta bem-aventurança dizendo: “aqueles que têm um espírito gentil”. Mas que espécie de gentileza é esta, para que seus possuidores sejam declarados bem-aventurados?

(Parece importante notar que, nas bem-aventuranças, “os mansos” encontram-se entre aqueles que choram por causa do pecado e entre aqueles que têm fome e sede de justiça. A forma particular de mansidão que Cristo exige de seus discípulos está certamente relacionada com esta seqüência. Creio que o Dr. Martin Lloyd-Jones está certo ao enfatizar que essa mansidão denota uma atitude humilde e gentil para com os outros, deter­minada por uma estimativa correta de si mesmo. Ele destaca que é comparativamente fácil ser honesto consigo mesmo diante de Deus e se reconhecer pecador diante dele. E prossegue: “Mas como é muito mais difícil permitir que as outras pessoas digam uma coisa dessas de mim! Instintivamente eu me ofendo. Todos nós preferimos nos condena”r a nós mesmos do que permitir que outra pessoa nos condene.”[90]

Por exemplo, vamos aplicar este princípio à prática eclesiás­tica cotidiana. Sinto-me muito feliz ao recitar a confissão de pecados na igreja, chamando-me de “miserável pecador”. Não há problema algum. Nem me incomodo. Mas se alguém vier a mim, depois do culto, e me chamar de miserável pecador, vou querer dar-lhe um soco no nariz! Em outras palavras, não estou preparado para permitir que outras pessoas pensem ou falem de mim aquilo que acabei de reconhecer diante de Deus. É uma grande hipocrisia, e sempre será, quando a mansidão estiver ausente. O Dr. Lloyd-Jones resume isso admiravelmente: “A mansidão é, em essência, a verdadeira visão que temos de nós mesmos, e que se expressa na atitude e na conduta para com os outros . . . O homem verdadeiramente manso é aquele que fica realmente pasmo ante o fato de Deus e os homens poderem pensar dele tão bem quanto pensam, e de que o tratem tão bem.[91] Isto o torna gentil, humilde, sensível, paciente em todos os seus relaciona­mentos com os outros.

Essas pessoas “mansas”, Jesus acrescentou, “herdarão a terra”. Era de se esperar o contrário. Achamos que as pessoas “mansas” nada conseguem porque são ignoradas por todos, ou, então, tratadas com descortesia ou desprezo. São os valen­tões, os arrogantes, que vencem na luta pela existência; os covar­des são derrotados. Até mesmo os filhos de Israel tiveram de lutar por sua herança, embora o Senhor seu Deus lhes desse a terra prometida. Mas a condição pela qual tomamos posse de nossa herança espiritual em Cristo não é a força, mas a mansidão, pois, conforme já vimos, tudo é nosso se somos de Cristo.[92]

Era esta a confiança dos homens de Deus, santos e humildes, no Velho Testamento, quando os perversos pareciam triunfar. Isto jamais foi expresso com mais exatidão do que no Salmo 37, o qual parece que Jesus citou nas bem-aventuranças: “Não te indignes por causa dos malfeitores … os mansos herdarão a terra . . . Aqueles a quem o Senhor abençoa possuirão a terra . . . Espera no Senhor, segue o seu caminho, e ele te exaltará para possuíres a terra; presenciarás isso quando os ímpios forem exter­minados.”[93] O mesmo princípio continua operando hoje em dia. Os ímpios podem vangloriar-se e exibir-se, mas a verdadeira possessão foge ao seu controle. Os mansos, por outro lado, em­bora sejam despojados e privados dos seus direitos pelos homens, sabem o que é viver e reinar com Cristo, e podem desfrutar e até mesmo “possuir” a terra, a qual pertence a Cristo. Então, no dia da “regeneração”, haverá “um novo céu e uma nova terra” para herdar.[94] Portanto, o caminho de Cristo é diferente do caminho do mundo, e cada cristão, mesmo sendo como Paulo e “nada tendo”, pode dizer-se “possuindo tudo”.[95] Conforme Rudolf Stier: “A auto-renúncia é o caminho para o domínio do mundo.”[96]

 

4. Os que têm fome e sede de justiça (v. 6)

Já no cântico de Maria, o Magnificat, os espiritualmente humil­des e famintos foram associados, e ambos declarados bem-aventurados: pois Deus “encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos”.[97] Este princípio generalizado ficou aqui particularizado. Os famintos e os sedentos que Deus satisfaz são aqueles que “têm fome e sede de justiça”. Tal fome espiritual é uma característica do povo de Deus, cuja ambição suprema não é material, mas espiritual. Os cristãos não são como os pagãos, que vivem absorvidos pela busca dos bens materiais; eles se determinaram a “buscar primeiro” o reino de Deus e a sua justiça.[98]

A justiça na Bíblia tem pelo menos três aspectos: o legal, o moral e o social. A justiça legal é a justificação, um relacionamento certo com Deus. Os judeus “buscavam a lei da justiça”, escreveu Paulo mais tarde, mas não a alcançaram porque a buscaram pelo modo errado. Procuraram “estabelecer a sua própria” justiça e “não se sujeitaram à que vem de Deus”, que é o próprio Cristo.[99] Alguns comentaristas acham que Jesus se refere a isso, mas é provável que não, pois Jesus está se dirigindo àqueles que já lhe pertencem.

A justiça moral é aquela justiça de caráter e de conduta que agrada a Deus. Jesus prossegue, depois das bem-aventuranças, contrastando essa justiça cristã com a do fariseu (v. 20). Esta última era uma conformidade exterior às regras; a primeira é uma justiça interior, do coração, da mente e das motivações. É desta que devemos sentir fome e sede.

É um erro, entretanto, supor que a palavra bíblica “justiça” significa apenas um relacionamento correto com Deus, de um lado, e uma justiça moral de caráter e conduta, do outro. Pois a justiça bíblica é mais do que um assunto particular e pessoal; inclui também a justiça social. E a justiça social, conforme aprendemos na lei e nos profetas, refere-se à busca pela libertação do homem da opressão, junto com a promoção dos direitos civis, da justiça nos tribunais, da integridade nos negócios e da honra no lar e nos relacionamentos familiares. Assim, os cristãos estão empenhados em sentir fome de justiça em toda a comunidade humana para agradar a um Deus justo.

Lutero expressou este conceito com o costumeiro vigor: “A ordem para você não é rastejar para um canto ou para o deserto mas, sim, sair correndo e oferecer as suas mãos e os seus pés e todo o seu corpo, e empenhar tudo o que você tem e pode fa­zer.”62 É preciso ter, ele prossegue, “uma fome e sede de justiça que jamais possam ser reprimidas, ou sustadas, ou saciadas, que não procurem nada e não se importem com nada a não ser com a realização e a manutenção do que é justo, desprezando tudo o que possa impedir a sua consecução. Se você não puder tornar o mundo completamente piedoso, então faça o que você puder.”[100]

“Talvez não exista um segredo maior no progresso da vida cristã do que um apetite sadio e robusto. As Escrituras repetem muitas vezes as promessas aos famintos. Deus “dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta”.[101] Se estamos conscientes de um crescimento lento, não será devido a um apetite embotado? Não basta chorar o pecado cometido no passado; precisamos também ter fome de justiça futura.

Mas, nesta vida, a nossa fome nunca será totalmente satis­feita, nem a nossa sede plenamente mitigada. É verdade que recebemos a satisfação que a bem-aventurança promete. Mas a nossa fome é satisfeita apenas para tornar a se manifestar. Até mesmo a promessa de Jesus, de que todo aquele que beber da água que ele dá “nunca mais terá sede”, só é cumprida se con­tinuarmos bebendo.[102] Cuidado com aqueles que proclamam estar satisfeitos e que olham para as experiências do passado mais do que para o desenvolvimento do futuro! Como todas as qualidades incluídas nas bem-aventuranças, a fome e a sede são características perpétuas dos discípulos de Jesus, tão perpé­tuas como a humildade de espírito, a mansidão e as lágrimas. Só lá no céu “jamais terão fome” e “nunca mais terão sede”, pois só então Cristo, nosso Pastor, nos levará às “fontes da água da vida”.[103]

Mais do que isso, Deus prometeu um dia de juízo, em que a justiça triunfará e a injustiça será derrotada, e após o qual haverá “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”.[104] Por esta vindicação final da justiça também aspiramos e não seremos desapontados.

Voltando os olhos para trás, podemos ver que as quatro pri­meiras bem-aventuranças revelam uma progressão espiritual de inexorável lógica. Cada passo conduz ao seguinte e pressupõe o anterior. Começando, temos de ser “humildes de espírito”, reconhecendo nossa completa e total falência espiritual diante de Deus. Depois, temos de “chorar” por causa disto, por causa dos nossos pecados, sim, por causa do nosso pecado: a corrupção de nossa natureza decaída, e o poder do pecado e da morte no mundo. Terceiro, temos de ser “mansos”, humildes e gentis para com os outros, permitindo que nossa pobreza espiritual (confessada e chorada) condicione o nosso comportamento em relação a eles e também para com Deus. E, quarto, temos de ter “fome e sede de justiça”. Pois de que vale confessar e lamentar o nosso pecado, ou reconhecer a verdade a nosso respeito diante de Deus e dos homens, se pararmos aí? A confissão do pecado deve levar à fome de justiça.

Na segunda metade das bem-aventuranças (as quatro últimas), parece que nos afastamos ainda mais de nossa atitude para com Deus e nos voltamos para os seres humanos. Certamente os “misericordiosos” demonstram misericórdia para com os homens, e os “pacificadores” procuram reconciliar os homens uns com os outros, e aqueles que são “perseguidos” são perse­guidos por homens. Do mesmo modo, parece que a sinceridade demonstrada na “pureza do coração” também diz respeito à nossa atitude e ao nosso relacionamento com os demais seres humanos.

 

5. Os misericordiosos (v. 7)

“Misericórdia” é compaixão pelas pessoas que passam necessi­dade. Richard Lenski proveitosamente distinguiu-a da “graça”: “O substantivo eleos (misericórdia) . . . sempre trata da dor, da miséria e do desespero, que são resultados do pecado; e charis (graça) sempre lida com o pecado e com a culpa propriamente ditos. A primeira concede alívio; a segunda, perdão; a primeira cura e ajuda, a segunda purifica e reintegra.”[105]

Aqui, Jesus não especifica as categorias de pessoas que tinha em mente e a quem os seus discípulos deveriam demonstrar misericórdia. Não indica se está pensando principalmente na­queles que foram derrotados pela desgraça, corno o viajante que ia de Jerusalém a Jericó e foi assaltado e a quem o bom samaritano “demonstrou misericórdia”; ou se pensa nos famintos, nos doentes e nos rejeitados pela sociedade, dos quais ele mesmo costumava apiedar-se; ou ainda naqueles que nos fazem mal, de modo que a Justiça clama por castigo, mas a misericórdia concede perdão. Não havia necessidade de Jesus desenvolver o assunto. Nosso Deus é um Deus misericordioso e dá provas de misericórdia continuamente; os cidadãos do seu reino também devem demonstrar misericórdia.

Naturalmente, o mundo (pelo menos quando é fiel à sua própria natureza) é cruel, como também a Igreja freqüentemente o tem sido em seu mundanismo. O mundo prefere isolar-se da dor e da calamidade dos homens. Acha que a vingança é deli­ciosa e que o perdão é sem graça quando comparado a ela. Mas os que demonstram misericórdia encontram misericórdia. “Felizes os que tratam os outros com misericórdia — Deus os tratará com misericórdia também! (BLH).[106] Não que possamos merecer a misericórdia através da misericórdia, ou o perdão através do perdão, mas porque não podemos receber a misericórdia e o perdão de Deus se não nos arrependermos, e não podemos pro­clamar que nos arrependemos de nossos pecados se não formos misericordiosos para com os pecados dos outros. Nada nos impulsiona mais ao perdão do que o maravilhoso conhecimento de que nós mesmos fomos perdoados. Nada prova mais claramente que fomos perdoados do que a nossa própria prontidão em perdoar. Perdoar e ser perdoado, demonstrar misericórdia e receber misericórdia andam indissoluvelmente juntos, como Jesus ilus­trou em sua parábola do credor incompassivo.[107] Ou, interpre­tando no contexto das bem-aventuranças, “o manso” também é “o misericordioso”. Pois ser manso é reconhecer diante dos outros que nós somos pecadores; ser misericordioso é ter com­paixão pelos outros, pois eles também são pecadores.

 

6. Os limpos de coração (v. 8)

Fica imediatamente óbvio que as palavras “de coração” indicam a que espécie de pureza Jesus se refere, assim como as palavras “de espírito” indicam o tipo de humildade que ele tinha em mente. Os “humildes de espírito” são os espiritualmente pobres, que diferem daqueles cuja pobreza é apenas material. De quem, então, os “limpos de coração” estão sendo distinguidos?

A interpretação popular considera a pureza de coração como uma expressão de pureza interior, a qualidade daqueles que foram purificados da imundície moral, em oposição à imundície cerimonial. E temos bons antecedentes bíblicos acerca disso, especialmente nos Salmos. Sabe-se que ninguém podia subir ao monte do Senhor ou ficar no seu santo lugar se não fosse “limpo de mãos e puro de coração”. Por isso Davi, consciente de que o seu Senhor desejava “a verdade no íntimo”, orou: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro em mim um espírito inabaljavel.”[108] Jesus adotou este tema na sua controvérsia com os fariseus e queixou-se da obsessão deles pelo exte­rior e pela pureza cerimonial: “Vós, fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e perversidade.” Eles eram como “sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de hipocrisia e de iniqüidade”.[109]

Lutero deu a esta diferença entre a pureza interior e a exterior uma interpretação caracteristicamente natural, contrastando a pureza de coração não só com a contaminação cerimonial, mas também com a simples sujeira física. “Cristo . . . quer um co­ração limpo, embora exteriormente a pessoa possa estar con­finada à cozinha encardida e cheia de fuligem, fazendo toda espécie de trabalho sujo.”[110] E novamente: “Embora um traba­lhador comum, um sapateiro ou um ferreiro possa estar sujo e cheio de fuligem ou mesmo cheirar mal porque está coberto de pó e piche, . . . e embora cheire mal externamente, no interior é puro incenso diante de Deus” porque, em seu coração, medita na palavra do Senhor e lhe obedece.[111]

Esta ênfase dada ao interior e à moral, quando comparado com o exterior e cerimonial, ou com o exterior e físico, certa­mente torna-se consistente com o todo do Sermão do Monte, que exige justiça de coração em lugar de simples justiça prove­niente de regras. Não obstante, no contexto das outras bem-aventuranças, “pureza de coração” parece referir-se, num certo sentido, aos nossos relacionamentos . O Professor Tasker define os limpos de coração como “os íntegros, livres da tirania e um ‘eu’ dividido”.[112] Neste caso, o coração limpo é o coração sincero que abre o caminho para o “olho bom” mencionado por Jesus no capítulo seguinte.[113]

Mais precisamente, a referência primária é à sinceridade. Já no Salmo 24, nos versículos que citamos, a pessoa “limpa de mãos e pura de coração” é aquela “que não entrega a sua alma à falsidade (sc. um ídolo), nem jura dolosamente” (v. 4). Isto é, em seu relacionamento com Deus e com o homem, está livre de falsidade. Portanto, os limpos de coração são os inteiramente sinceros. Toda a sua vida, pública e particular, é transparente diante de Deus e dos homens. O íntimo do seu coração, incluindo pensamentos e motivações, é puro, sem mistura de nada que seja desonesto, dissimulado ou desprezível. A hipocrisia e a fraude lhes são repugnantes, e não têm malícia.

Contudo, como são poucos os que, dentre nós, vivem uma vida aberta! Somos tentados a usar uma máscara diferente e a representar um papel diferente, de acordo com cada ocasião. Isto não ê realidade, mas representação, que é a essência da hipocrisia. Algumas pessoas tecem à sua volta um tal emara­nhado de mentiras que já não conseguem mais dizer qual a parte real e qual a criada pela imaginação. Só Jesus Cristo, entre os homens, foi absolutamente limpo de coração, foi inteiramente sem malícia.

Só os limpos de coração verão a Deus (vêem-no agora com os olhos da fé e, no porvir, verão a sua glória), pois só os total­mente sinceros podem suportar a deslumbrante visão, em cuja luz as trevas da mentira têm de se desvanecer, e em cujas chamas todas as simulações são consumidas.

 

7. Os pacificadores (v. 9)

A seqüência de idéias — de “limpos de coração” para “pacifi­cadores” — é natural, pois uma das mais freqüentes causas de conflito é a intriga, enquanto que a franqueza e a sinceridade são essenciais a todas as reconciliações verdadeiras.

Cada cristão, de acordo com esta bem-aventurança, tem de ser um pacificador, tanto na igreja como na sociedade. É verdade que Jesus diria mais tarde que não viera “trazer paz, mas espa­da”, pois veio “causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra”, de modo que os ini­migos do homem seriam “os da sua própria casa”.[114] E com isso ele queria dizer que o conflito seria o resultado inevitável da sua vinda, até mesmo dentro da família, e que, para sermos dignos dele, teríamos de amá-lo mais e colocá-lo em primeiro lugar, até mesmo acima de nossos entes mais próximos e mais que­ridos.[115] Entretanto fica mais do que explícito, através dos ensi­namentos de Jesus a seus apóstolos, que jamais deveríamos nós mesmos procurar o conflito ou ser responsáveis por ele. Pelo contrário, somos chamados para pacificar, devemos ativamente “buscar” a paz, “seguir a paz com todos” e, até onde depender de nós, “ter paz com todos os homens”.[116]

Mas a pacificação é uma obra divina, pois paz significa recon­ciliação, e Deus é o autor da paz e da reconciliação. Na verdade, exatamente o mesmo verbo que foi usado nesta bem-aventurança o apóstolo Paulo aplicou ao que Deus fez através de Cristo. Através de Cristo, Deus se agradou em “reconciliar consigo mesmo todas as cousas”, “havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz”. E o propósito de Cristo foi “que dos dois (sc. judeu e gentio) criasse em si mesmo novo homem, fazendo a paz”.[117] Portanto, quase não nos surpreende que a bênção particularmente asso­ciada aos pacificadores é que eles “serão chamados filhos de Deus”, pois estão procurando fazer o que seu Pai fez, amando as pessoas com o amor dele, como Jesus logo tornaria explícito.[118] O diabo é que é agitador; Deus ama a reconciliação e, através dos seus filhos, tal como fez antes através do seu Filho unigênito, está inclinado a fazer a paz.

Isto nos faz lembrar que as palavras “paz” e “apaziguamento” não são sinônimas; e a paz de Deus não é paz a qualquer preço. Ele fez a paz conosco a um preço imenso, o preço do sangue que era a vida do seu Filho unigênito. Nós também, embora em escala menor, vamos descobrir que fazer a paz é um empreendi­mento custoso. Dietrich Bonhoeffer tornou-nos familiarizados com o conceito de “graça barata”;[119] existe também um tipo de “paz barata”. Proclamar “paz, paz”, onde não há paz, é obra do falso profeta, não da testemunha cristã. Muitos exemplos poderiam ser dados de paz através do sofrimento. Quando nós mesmos estamos envolvidos numa disputa, ou haverá a dor do pedido de desculpas à pessoa que prejudicamos, ou a dor de repreender a pessoa que nos prejudicou. Às vezes, há a dor importuna de termos de nos recusar a perdoar a parte culpada até que esta se arrependa. É claro que uma paz barata pode ser comprada por um perdão barato. Mas a verdadeira paz e o ver­dadeiro perdão são tesouros caros. Deus só nos perdoa quando nos arrependemos. Jesus nos disse para fazer o mesmo: “Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe.”[120] Como podemos perdoar uma injúria se ela não foi admi­tida nem lastimada?

Ou, então, podemos não estar pessoalmente envolvidos numa disputa, porém lutando pela reconciliação de duas pessoas ou dois grupos que estão separados, em divergência. Neste caso, será o sofrimento de ouvir, de despir-se de preconceitos, de tentar entender com simpatia os dois pontos de vista oponentes, de arriscar-se a ser mal interpretado, de receber ingratidão, ou de até fracassar.

Outros exemplos de pacificação são o trabalho pela união e a evangelização, isto é, procurando de um lado unir igrejas e, de outro, levar pecadores a Cristo. Nos dois casos, a verdadeira reconciliação pode ser aviltada a um baixo preço. A visível união da igreja compete ao cristão buscar, mas só quando tal união não é buscada às expensas da doutrina. Jesus orou pela união do seu povo. Ele também orou que fossem guardados do mal e na verdade. Não temos nenhuma ordem de Cristo para buscarmos a união sem a pureza, pureza de doutrina e de conduta. Havendo uma coisa tal como a “união barata”, também há a “evangeli­zação barata”, isto ê, a proclamação do evangelho sem o custo do discipulado, a exigência da fé sem o arrependimento. São atalhos proibidos. Transformam o evangelista em um fraudu­lento. Degradam o evangelho e prejudicam a causa de Cristo.

 

8. Os perseguidos por causa da justiça (vs. 10-12)

Pode parecer estranho que Jesus passasse dos pacificadores para a perseguição, da obra de reconciliação à experiência de hostili­dade. Mas, por mais que nos esforcemos em fazer a paz com determinadas pessoas, elas se recusam a viver em paz conosco. Nem todas as tentativas de reconciliação têm sucesso. Na ver­dade, alguns tomam a iniciativa de opor-se a nós e, particular­mente, de nos injuriar e perseguir. Não por causa de nossas fra­quezas ou idiossincrasias, mas “por causa da justiça” (v. 10) e “por minha causa” (v. 11), isto é, porque não gostam da justiça, da qual sentimos fome e sede (v. 6), e porque rejeitaram o Cristo que procuramos seguir. A perseguição é simplesmente o conflito entre dois sistemas de valores irreconciliáveis.

Como Jesus esperava que os seus discípulos reagissem diante da perseguição? O versículo 12 diz: Regozijai-vos e exultai! Não devemos nos vingar como o incrédulo, nem ficar de mau humor como uma criança, nem lamber nossas feridas em autopiedade como um cão, nem simplesmente sorrir e suportar tudo como um estóico, e muito menos fazer de conta que gostamos disso como um masoquista. Então, como agir? Devemos nos regozijar como um cristão, e até mesmo “pular de alegria”[121] Por quê? Em parte porque, Jesus acrescentou, é grande o vosso galardão nos céus (y. 12a). Podemos perder tudo aqui na terra, mas her­daremos tudo nos céus, não como uma recompensa meritória, mas porque “a promessa da recompensa é gratuita”.[122] E, por outro lado, porque a perseguição é um sinal de genuinidade, um certificado da autenticidade cristã, pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós (v. 12b). Se somos perse­guidos hoje, pertencemos a uma nobre sucessão. Mas o motivo principal pelo qual deveríamos nos regozijar é porque estamos sofrendo, disse ele, por minha causa (v.) 11), por causa de nossa lealdade para com ele e para com os seus padrões de verdade e de justiça. Certamente os apóstolos aprenderam esta lição muito bem, pois, tendo sido açoitados pelo Sinédrio, “eles se retira­ram . . . regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome”.[123] Eles sabiam, assim como nós devemos saber, que “ferimentos e contusões são medalhas de honra”[124]

É importante notar que esta referência à perseguição é uma bem-aventurança como as demais. Na verdade, tem o privilégio de ser uma bem-aventurança dupla, pois Jesus primeiro decla­rou-a na terceira pessoa como as outras sete (Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, v. 10) e, então, repetiu-a na oração direta da segunda pessoa (Bem-aventurados sois quando . . . vos injuriarem e vos perseguirem . . ., v. 11). Con­siderando que todas as bem-aventuranças descrevem o que cada discípulo cristão deve ser, concluímos que a condição de ser desprezado e rejeitado, injuriado e perseguido, é um sinal do discipulado cristão, da mesma forma que um coração puro ou misericordioso. Cada cristão deve ser um pacificador, e cada cristão deve esperar oposição. Aqueles que têm fome de justiça sofrerão por causa da justiça que anseiam. Jesus disse que seria assim em qualquer lugar. Também o disseram seus apóstolos Pedro e Paulo.[125] Tem sido assim em todas as épocas. Não deve­remos nos surpreender se a hostilidade anticristã aumentar, mas, antes, se ela não existir. Precisamos nos lembrar do infor­túnio complementar registrado por Lucas: “Ai de vós, quando vos louvarem!”[126] A popularidade universal está para os falsos profetas, assim como a perseguição para os verdadeiros. Poucos homens deste século têm entendido melhor a inevitabilidade do sofrimento do que Dietrich Bonhoeffer. Ele parece nunca ter vacilado em seu antagonismo cristão contra o regime nazista, embora isto significasse prisão,  ameaça de tortura,

perigo para a sua própria família e, finalmente, morte. Ele foi executado por ordem direta de Heinrich Himmler, em abril de 1945, no campo de concentração de Flossenburg, a apenas poucos dias antes da libertação. Era o cumprimento do que ele sempre crera e ensinara: O sofrimento é, pois, a característica dos seguidores de Cristo. O discípulo não está acima do seu mestre. O discipulado é “passio passiva”, é sofrimento obrigató­rio. Por isso também o Dr. M. Lutero incluiu o sofrimento no rol dos sinais da verdadeira Igreja. Um anteprojeto da Confissão de Augsburg definiu a Igreja como comunidade dos que são ‘per­seguidos e martirizados por causa do Evangelho’ … O discipu­lado é união com Cristo sofredor. Por isso nada há de estranho no sofrimento do cristão, antes é graça, ê alegria.”[127] As bem-aventuranças pintam um retrato compreensivo do discípulo cristão. Primeiro, vemo-lo de joelhos diante de Deus, reconhecendo sua pobreza espiritual e chorando por causa dela. Isto o torna manso ou gentil em todos os seus relacionamentos, considerando que a honestidade o compele a permitir que os outros pensem dele aquilo que, diante de Deus, já confessou. Mas longe dele aquiescer em seu pecado, pois ele tem fome e sede de justiça; anseia crescer na graça e na bondade.

Vemo-lo, depois, junto aos outros, lá fora, na comunidade humana. Seu relacionamento com Deus não o faz fugir da socie­dade nem o isola do sofrimento do mundo. Pelo contrário, per­manece no meio deste, demonstrando misericórdia àqueles que foram golpeados pela adversidade e pelo pecado. Ele é transpa­rentemente sincero em todos os seus relacionamentos e procura desempenhar um papel tão construtivo como pacificador. Mas ninguém lhe agradece pelos esforços; antes, é hostilizado, inju­riado, insultado e perseguido por causa da justiça que defende e por causa do Cristo com o qual se identifica.

Tal é o homem ou a mulher que é “bem-aventurado”, isto é, que tem a aprovação de Deus e alcança realização própria como ser humano.

Mas, nisso tudo, os valores e padrões de Jesus estão em con­flito direto com os valores e padrões comumente aceitos pelo mundo. O mundo considera bem-aventurados os ricos, não os pobres, tanto na esfera material como na espiritual; os des­preocupados e folgazões, não aqueles que consideram o mal com tanta seriedade que choram por causa dele; os fortes e impe­tuosos, não os mansos e gentis; os saciados, não os famintos; aqueles que cuidam de sua própria vida, não aqueles que se envolvem nos assuntos dos outros e se ocupam em fazer o bem, “demonstrando misericórdia” e “fazendo a paz”; aqueles que alcançam seus propósitos, mesmo apelando para meios escusos, e não os limpos de coração, que se recusam a comprometer sua integridade; aqueles que são confiantes e populares e que vivem sossegados, não aqueles que têm de sofrer perseguição.

Provavelmente ninguém odiou mais a “suavidade” do Sermão do Monte do que Friedrich Nietzsche. Embora sendo filho e neto de pastores luteranos, rejeitou o Cristianismo quando estu­dante. O seu livro, The Anti-Christ (O Anticristo, um título que ele ousou aplicar a si mesmo em seu esboço autobiográfico Ecce homo),[128] é a sua mais violenta polêmica, escrita em 1888, um ano antes de ficar louco. Nele, define como sendo “bom” “tudo o que eleva o sentimento de poder, a força de vontade, o poder propriamente dito no homem”, considerando “mau” “tudo o que procede da fraqueza”.[129] Conseqüentemente, em resposta à sua própria pergunta, “O que é mais prejudicial do que qual­quer vício?”, ele responde: “Simpatia ativa pelo que é mal cons­tituído e fraco: o Cristianismo.”[130] Ele considera o Cristianismo como uma religião de piedade e não uma religião de poder; por isso, “nada em nossa modernidade doentia é mais doentio do que a piedade cristã”.[131] Ele despreza “o conceito cristão de Deus, Deus como espírito”, um conceito do qual “tudo o que é forte, cora­joso, dominador, orgulhoso”, foi eliminado.[132] “Em todo o Novo Testamento, só encontramos uma única figura solitária que é preciso respeitar”, ele afirma, e esta é Pôncio Pilatos, o gover­nador romano.[133] Jesus, por outro lado, é desprezado como sendo o “Deus sobre a cruz”, e o Cristianismo como “a maior das desgraças da humanidade”.[134] A razão de sua malevolência está clara. O ideal que Jesus elogiou é a criancinha. Ele não deu apoio algum ao elogio do “super-homem” de Nietzsche. Por isso, este repudiou todo o sistema de valores de Jesus. “Eu condeno o Cris­tianismo”, escreveu. “A igreja cristã não deixou nada intacto com sua depravação; transformou cada valor em um desvalor.”[135] Ele, pelo contrário (nas últimas palavras do seu livro), convocou a uma “reavaliação de todos os valores”.[136]

Mas Jesus não transigirá nos seus padrões para acomodar-se a Nietzsche, ou aos seus seguidores, ou a qualquer um de nós que possa, inconscientemente, ter assimilado traços ou partes da filosofia do poder de Nietzsche. Nas bem-aventuranças, Jesus apresenta um desafio fundamental ao mundo não-cristão e ao seu ponto de vista, e exige que seus discípulos adotem o seu sis­tema de valores, totalmente diferente. Como Thielicke disse, “qualquer pessoa que entre em comunhão com Jesus tem de passar por uma reavaliação de valores”.[137]

Foi isto que Bonhoeffer (que, aliás, foi criado na mesma tra­dição luterana de Nietzsche) chamou de os “extraordinários” da vida cristã. “A cada nova bem-aventurança aprofunda-se o abismo entre os discípulos e o povo. A separação do discipulado torna-se cada vez mais evidente.” Isso é particularmente óbvio na bênção dos que choram. Jesus está falando dos que “não sintonizam com o mundo, os que não podem equiparar-se ao mundo. Choram sobre o mundo, sua culpa, seu destino e sua sorte. Enquanto o mundo festeja, ficam à parte; enquanto o mundo chama: ‘Gozai a vida!’, os discípulos choram. Sabem que o navio festivamente engalanado já faz água. O mundo sonha com o progresso, com o poder, com o futuro — os discí­pulos sabem do fim, do juízo e da vinda do reino dos céus para o qual o mundo não está apto. Por esta razão são os discípulos estranhos ao mundo, hóspedes indesejáveis, perturbadores que são rejeitados.”[138]

Tal inversão dos valores humanos é básica na religião bíblica. Os métodos do Deus das Escrituras parecem uma confusão para os homens, pois exaltam o humilde e humilham o orgulhoso; chamam de primeiros, os últimos, e de últimos, os primeiros; atribuem grandeza ao servo, despedem o rico de mãos vazias e declaram que os mansos serão seus herdeiros. A cultura do mundo e a contracultura de Cristo estão em total desarmonia uma com a outra. Resumindo, Jesus parabeniza aqueles que o mundo mais despreza, e chama de “bem-aventurados” aqueles que o mundo rejeita.

Mateus 5:13-16
Á influência do cristão: o sal e a luz

Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.

14 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; 15 nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos que se encontram na casa.

16 Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

As bem-aventuranças descrevem o caráter essencial dos discí­pulos de Jesus; o sal e a luz são metáforas que denotam a sua influência para o bem no mundo.

Ademais, a simples idéia de que os cristãos podem exercer uma influência sadia no mundo deveria nos causar um sobres­salto. Que influência poderiam exercer as pessoas descritas nas bem-aventuranças, neste mundo violento e agressivo? Que bem duradouro poderiam proporcionar o humilde e o manso, os que choram e os misericordiosos, ou aqueles que tentam fazer paz e não guerra? Não seriam simplesmente tragados pela en­chente do mal? O que poderiam realizar aqueles cuja única paixão é um apetite pela justiça, e cuja única arma é a pureza de coração? Essas pessoas não seriam frágeis demais para con­seguir realizar alguma coisa, especialmente se constituem uma minoria no mundo?

É evidente que Jesus não participava desse ceticismo. Antes, o contrário. O mundo, sem dúvida, perseguirá a igreja (10-12); apesar disso, a igreja é chamada para servir a este mundo que a persegue (13-16). “Vossa única vingança”, expressou Rudolf Stier, “deve ser o amor e a verdade contra o ódio e as mentiras”.[139] Por mais incrível que pareça, Jesus referiu-se àquele punhado de camponeses palestinos, chamando-os de sal da terra e luz do mundo, por causa do alcance que sua influência teria. Tam­bém é notável providência divina que, neste mais judaico dos quatro Evangelhos, haja uma tal alusão a toda a terra, ao poder benéfico de alcance mundial dos discípulos de Cristo.

A fim de definir a natureza de sua influência, Jesus recorreu a duas metáforas domésticas. Todo lar, por mais pobre que seja, usava e ainda usa tanto o sal como a luz. Durante a sua própria infância, Jesus devia ter observado freqüentemente sua mãe usando o sal na cozinha e acendendo as luzes quando o sol se punha. Sal e luz são utilidades domésticas indispensáveis. Di­versos comentaristas citam o ditado de Plínio, de que nada é mais útil do que “o sal e o sol” (sale et sole).[140] A necessidade da luz é óbvia. O sal, por outro lado, tem uma variedade de usos. É con­dimento e preservativo. Parece que já era reconhecido desde os tempos imemoriais como componente essencial da dieta humana e um tempero ou condimento alimentar: “Comer-se-á sem sal o que é insípido? “[141] Entretanto, particularmente nos séculos antes do invento da refrigeração, ele era usado para preservar a carne do apodrecimento. E na verdade ainda o é. Qual é o brasileiro que nunca comeu ou pelo menos não ouviu falar da famosa carne-de-sol, ou charque, jabá, carne-do-ceará . . .? Qualquer que seja o nome dado, de acordo com a região, o segredo é sempre o mesmo: o sal, que a conserva e lhe dá sabor. A verdade básica que jaz por trás destas metáforas, sendo comum às duas, é que a Igreja e o mundo são comunidades separadas. De um lado está “a terra”; de outro, “vós” que sois

O sal da terra. De um lado está “o mundo”; de outro, “vós” que sois a luz do mundo. É verdade que as duas comunidades (“eles” e “vós”) estão relacionadas uma com a outra, mas essa relação depende da sua diferença. É importante declará-lo hoje em dia, quando é teologicamente elegante tornar obscuras as fronteiras entre a Igreja e o mundo, bem como referir-se a toda a humani­dade indiscriminadamente como “o povo de Deus”.

Mais ainda, as metáforas nos dizem algo sobre as duas comu­nidades. O mundo é evidentemente um lugar escuro, com pouca ou nenhuma luz própria, pois precisa de uma fonte de luz externa para iluminá-lo. É verdade que ele “sempre está falando sobre a sua iluminação”,[142] mas na realidade grande parte de sua pre­tensa luz não passa de trevas. O mundo manifesta também uma tendência constante à deterioração. A idéia não é que o mundo seja insípido e que os cristãos o tornam menos insípido (“a idéia de que se possa tornar o mundo mais agradável a Deus é total­mente absurda”),[143] mas que o mundo está apodrecendo. Ele não pode impedir a sua própria deterioração. Apenas o sal, quando introduzido de fora, pode fazê-lo. A Igreja, por outro lado, foi colocada no mundo com duplo papel: como sal, para interromper, ou pelo menos retardar, o processo da corrupção social; e, como luz, para desfazer as trevas.

Quando examinamos mais detalhadamente as duas metá­foras, vemos que foram deliberadamente proferidas a fim de serem comparadas uma com a outra. Nos dois casos, Jesus pri­meiro faz uma afirmação (“Vós sois o sal da terra”, “Vós sois a luz do mundo”). Depois, ele acrescenta um apêndice, a condição da qual depende a afirmação (o sal deve manter sua qualidade de salgar e a luz deve brilhar). O sal para nada serve se perder a sua salinidade; a luz torna-se inútil, se for escondida.

 

1. O sal da terra (v. 13)

A afirmação é direta: “Vós sois o sal do mundo”. Isto significa que, quando cada comunidade se revela tal como é, o mundo se deteriora como o peixe ou a carne estragada, enquanto que a Igreja pode retardar a sua deterioração.

É claro que Deus estabeleceu outras influências restringentes na comunidade. Em sua graça comum, ele mesmo estabeleceu certas instituições, que controlam as tendências egoístas do homem e evitam que a sociedade acabe na anarquia. A principal delas é o Estado (com a sua autoridade de estruturar e executar leis) e o lar (incluindo o casamento e a vida em família). Estes exercem uma influência sadia sobre a comunidade. Não obstan­te, Deus planejou que a mais poderosa coibição de todas, dentro da sociedade pecadora, fosse o seu próprio povo redimido, rege­nerado e justificado. Como R. V. G. Tasker o explicou, os discí­pulos são “chamados a ser um purificador moral em um mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis, ou mesmo ine­xistentes.”[144]

A eficácia do sal, entretanto, é condicional: tem de conservar a sua salinidade. Mas, em termos precisos, o sal nunca pode perder a sua salinidade. Entendo que o cloreto de sódio é um produto químico muito estável, resistente a quase todos os ata­ques. Não obstante, pode ser contaminado por impurezas, tor­nando-se, então, inútil e até mesmo perigoso.[145] O sal que perdeu a sua propriedade de salgar não serve nem mesmo para adubo, isto é, fertilizante. O Dr. David Turk me explicou que, naquele tempo, chamava-se de “sal” um pó branco (talvez apanhado à volta do Mar Morto), o qual, embora contivesse cloreto de sódio, também continha muita coisa mais, pois antigamente não exis­tiam refinarias. Nesse pó, o cloreto de sódio era provavelmente o componente mais solúvel e, portanto, o que mais facilmente desaparecia. O resíduo de pó branco ainda parecia ser sal, e sem dúvida era chamado de sal, mas não tinha o seu gosto nem agia como tal. Não passava de pó do chão.

Da mesma forma, o cristão. “Tende sal em vós mesmos”, disse Jesus em outra ocasião.[146] A salinidade do cristão é o seu caráter conforme descrito nas bem-aventuranças, é discipulado cristão verdadeiro, visível em atos e palavras.[147] Para ter eficácia, o cristão precisa conservar a sua semelhança com Cristo, assim como o sal deve preservar a sua salinidade. Se os cristãos forem assimilados pelos não-cristãos, deixando-se contaminar pelas impurezas do mundo, perderão a sua capacidade de influen­ciar. A influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não da identidade. O Dr. Lloyd-Jones enfatizou: “A glória do Evangelho é que, quando a Igreja é abso­lutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É então que o mundo se sente inclinado a ouvir a sua mensagem, embora talvez no princípio a odeie. “[148] Caso contrário, se nós, os cristãos, formos indistinguíveis dos não-cristãos, seremos inúteis. Teremos de ser igualmente jogados fora, como o sal sem salinidade, “lançado fora” e “pisado pelos homens”. “Mas que decadência!”, comenta A. B. Bruce, “De salvadores da sociedade a material de pavimentação de estradas!”[149]

 

2. A luz do mundo (vs. 14-16)

Jesus apresentou a sua segunda metáfora com uma afirmação semelhante: vós sois a luz do mundo. É verdade, mais tarde ele diria: “Eu sou a luz do mundo.”[150] Mas, por derivação, nós tam­bém o somos, pois brilhamos com a luz de Cristo no mundo, como estrelas no céu à noite.[151] Às vezes, fico imaginando como seria esplêndido se os não-cristãos, curiosos por descobrir o se­gredo e a fonte de nossa luz, viessem a nós e nos indagassem sobre isso.

Jesus esclarece que essa luz são as nossas “boas obras”. Que os homens vejam as vossas boas obras, disse, e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus, pois é através dessas boas obras que a nossa luz tem de brilhar. Parece que “boas obras” é uma ex­pressão generalizada, que abrange tudo o que o cristão diz e faz porque é cristão, toda e qualquer manifestação externa e visível de sua fé cristã. Considerando que a luz é um símbolo bíblico comum da verdade, a luz do cristão deve certamente incluir o seu testemunho verbal. Assim, a profecia do Velho Testamento de que o Servo de Deus seria uma “luz para os gentios”, cumpriu-se não só no próprio Cristo, a luz do mundo, mas também nos cristãos que dão testemunho de Cristo.[152] A evangelização deve ser considerada como uma das “boas obras” pelas quais a nossa luz brilha e o nosso Pai é glorificado.

Lutero tinha razão quando enfatizava isto, mas errou (na minha opinião) ao fazer disto referência exclusiva: “Mateus não tem em mente as obras comuns que as pessoas deveriam fazer umas pelas outras por causa do amor . . . Antes, ele estava pen­sando principalmente na obra que distingue o cristão quando ensina corretamente, quando dá ênfase à fé e quando mostra como fortalecê-la e preservá-la; é assim que testemunhamos de que realmente somos cristãos.” Ele prossegue em seu comen­tário traçando um contraste entre as primeiras e as últimas tá­buas do decálogo, isto é„ os dez mandamentos que expressam o nosso dever para com Deus e o nosso próximo. “As obras que agora comentamos tratam dos três primeiros grandes manda­mentos, que se referem à honra, ao nome e à Palavra de Deus.”[153] É bom lembrar-se de que crer, confessar e ensinar a verdade também fazem parte das “boas obras” que evidenciam a nossa regeneração pelo Espírito Santo.[154] Contudo, não devemos nos limitar a isto. “Boas obras” são obras também do amor, além da fé. Elas expressam não só a nossa lealdade a Deus, mas tam­bém o nosso interesse pelos nossos semelhantes. Na verdade, o significado primário de “obras” tem de ser atos práticos e visí­veis gerados pela compaixão. Quando os homens vêem tais obras, disse Jesus, glorificam a Deus, pois elas encarnam as boas novas do seu amor que nós proclamamos. Sem elas, o nosso evangelho perde a sua credibilidade!; e Deus, a sua honra.

Assim como acontece: com o sal, também a afirmação refe­rente à luz foi seguida de uma condição: Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens. Se o sal pode perder a sua salini­dade, a luz em nós pode transformar-se em trevas.[155] Mas nós temos de permitir que a. luz de Cristo dentro de nós brilhe para fora, a fim de que as pessoas a vejam. Não devemos ser como uma cidade ou vila aninhada em um vale, cujas luzes ficam ocultas, mas sim como uma cidade edificada sobre um monte, que não se pode esconder e cujas luzes são claramente visíveis a quilômetros de distância. E mais, devemos ser como uma lâm­pada acesa, como João Batista,[156] “que ardia e alumiava”, colo­cada no velador, numa posição de destaque na casa a fim de iluminar a todos que se encontram na casa, e não ficando “debaixo da gamela” ou “debaixo do balde”, onde não produz bem algum.

Isto é, na qualidade de discípulos de Jesus, não devemos es­conder a verdade que conhecemos ou a verdade do que somos. Não devemos fingir que somos diferentes;, mas devemos desejar que o nosso Cristianismo seja visível a todos. “Refugiar-se no invisível é uma negação do chamado. Urna comunidade de Jesus que procura esconder-se deixou de segui-lo.”[157] Antes, nós de­vemos ser cristãos autênticos, vivendo abertamente a vida des­crita nas bem-aventuranças, sem nos envergonhar de Cristo. Então as pessoas nos verão, e verão as nossas boas obras e, assim, glorificarão a Deus, pois reconhecerão inevitavelmente que é pela graça de Deus que somos assim, que a nossa luz é a luz dele, e que as nossas obras são obras dele feitas em nós e através de nós. Desse modo, louvarão a luz, e não a lâmpada que a trans­mite, glorificarão a nosso Pai que está nos céus, e não aos filhos que ele gerou e que têm traços da sua família. Até mesmo aqueles que nos injuriam não poderão deixar de glorificar a Deus por causa da própria justiça pela qual eles nos perseguem (vs. 10-12).

 

3. Lições a aprender

As metáforas usadas por Jesus, referentes ao sal e à luz têm mui­to a nos ensinar sobre nossas responsabilidades cristãs no mun­do. Três lições se destacam.

 

a. Há uma diferença fundamental entre os cristãos e os não-cristãos, entre a igreja e o mundo É verdade que alguns não-cristãos adotam uma falsa aparência de cultura cristã. Por outro lado, alguns cristãos professos pa­recem indiscerníveis dos não-cristãos e, assim, negam o nome de cristão através do seu comportamento não-cristão. Mas a diferença essencial permanece. Podemos dizer que são tão dife­rentes quanto o alho do bugalho. Jesus disse que são tão dife­rentes como a luz e as trevas, tão diferentes como o sal e a dete­rioração ou a doença. Quando tentamos obliterar, ou até mesmo reduzir ao mínimo esta diferença, não servimos a Deus, nem a nós mesmos, nem ao mundo.

Este tema é básico no Sermão do Monte. O Sermão foi ela­borado na pressuposição de que os cristãos são por natureza diferentes, e convoca-nos a sermos diferentes na prática. Prova­velmente, a maior de todas as tragédias da Igreja através de sua longa história, cheia de altos e baixos, tem sido a sua cons­tância de conformar-se à cultura prevalecente, em lugar de desen­volver uma contracultura cristã.

 

b.  Temos de aceitar a responsabilidade que esta diferença coloca sobre nós Quando em cada metáfora reunimos a afirmação e a condição, a nossa responsabilidade se destaca. Cada afirmação começa, em grego, com o enfático pronome “vocês”, que seria o mesmo que dizer “vocês e tão somente vocês” são o sal da terra e a luz do mundo. E, portanto, (a condição segue-se com lógica inexo­rável), vocês simplesmente não podem falhar para com o mundo ao qual foram chamados a servir. Vocês têm de ser o que são. Vocês são o sal e, por isso, têm de conservar a sua salinidade e não podem perder o seu sabor cristão. Vocês são a luz e, por isso, devem deixar que a sua luz brilhe e não devem escondê-la de modo algum, quer seja através do pecado ou da transigência, pela preguiça ou pelo medo.

Esta vocação para assumir a nossa responsabilidade cristã, por causa do que Deus fez de nós e por causa de onde ele nos colocou, é particularmente relevante aos jovens que se sentem frustrados no mundo moderno. Os problemas da comunidade humana são tão grandes e eles se sentem tão pequenos, tão frá­geis, tão ineficientes! “Alienação”, um termo popularizado por Marx, é a palavra comumente usada hoje para descrever estes sentimentos de frustração.

Que mensagem temos, então, para essas pessoas que se sen­tem estranguladas pelo “sistema”, esmagadas pela máquina da moderna tecnologia, dominadas pelas forças políticas, sociais e econômicas que as controlam e sobre as quais elas não têm controle? Sentem-se vítimas de uma satisfação que não têm poder de mudar. O que podemos fazer? É no solo desta frustração que os revolucionários são produzidos, dedicados à violenta sub­versão do sistema. É exatamente deste mesmo solo que podem brotar os revolucionários de Jesus, igualmente ativistas dedicados, e até mais; mas antes, comprometidos a propagar a sua revolução do amor, da alegria e da paz. E esta revolução pací­fica é mais radical do que qualquer programa de violência, por causa dos seus padrões incorruptíveis e porque modifica as pes­soas e as estruturas. Perdemos a nossa confiança no poder do evangelho de Cristo? Então, ouçam Lutero: “Com a simples palavra de Cristo eu posso ser mais desafiador e mais jactancioso do que eles com todo o seu poder, suas espadas e suas armas.”[158] Portanto, apesar de tudo, não somos indefesos e impotentes! Temos Jesus Cristo, o seu evangelho, seus ideais e o seu poder. E Jesus Cristo é todo o sal e toda a luz de que este mundo tene­broso e arruinado precisa. Mas precisamos ter o sal em nós mes­mos, e devemos deixar que a nossa luz brilhe.

 

c.  Temos de considerar a nossa responsabilidade cristã como sendo dupla “O sal e a luz têm uma coisa em comum: eles se dão e se gastam, e isto é o oposto do que acontece com qualquer tipo de religiosi­dade egocentralizada.”[159]

Não obstante, o tipo de serviço que cada um presta é dife­rente. Na verdade, seus efeitos são complementares. A função do sal é principalmente negativa: evitar a deterioração. A função da luz é positiva: iluminar as trevas.

Assim, Jesus chama os seus discípulos para exercerem uma influência dupla na comunidade secular: uma influência nega­tiva, de impedir a sua deterioração, e uma influência positiva, de produzir a luz nas trevas. Pois impedir a propagação do mal é uma coisa; e promover a propagação da verdade, da beleza e da bondade é outra.

Reunindo as duas metáforas, parece-nos legítimo discernir nelas a relação correta entre a evangelização e a ação social, na totalidade da missão de Cristo no mundo, uma relação que deixa perplexos muitos crentes hoje em dia. Somos chamados a ser as duas coisas, sal e luz, na comunidade secular.

Examinemos, primeiro, a nossa vocação para sermos sal. O apóstolo Paulo pinta um quadro sinistro no final do primeiro capítulo da sua carta aos Romanos, falando do que acontece quando a sociedade abafa (por causa do amor ao mal) a verdade que conhece por natureza. Ela deteriora. Seus valores e padrões declinam rapidamente, até ficar totalmente corrompida. Quando os homens rejeitam o que sabem de Deus, ele os abandona às suas próprias noções distorcidas e paixões perversas, até que a sociedade cheire mal às narinas de Deus e de todas as pessoas honestas.

Os cristãos foram colocados por Deus numa sociedade secular para retardar este processo. Deus pretende que penetremos no mundo. O sal cristão não tem nada de ficar aconchegado em elegantes e pequenas dispensas eclesiásticas; nosso papel é o de sermos “esfregados” na comunidade secular, como o sal é esfregado na carne, para impedir que apodreça. E quando a sociedade apodrece, nós, os cristãos, temos a tendência de levan­tar as mãos para o céu, piedosamente horrorizados, reprovando o mundo não-cristão; mas não deveríamos, antes, reprovar-nos a nós mesmos? Ninguém pode acusar a carne fresca de dete­riorar-se. Ela não pode fazer nada. O ponto importante é: onde está o sal?

Jesus ensinava em algum ponto perto do mar da Galiléia. Menos de 160 quilômetros ao sul, o Rio Jordão corre para outro mar, que, por ser tão salgado, é chamado de Mar Morto. E, do lado ocidental, vivia naquele tempo uma Comunidade do Mar Morto, cuja biblioteca de pergaminhos causou verdadeira sensação ao ser acidentalmente descoberta há alguns anos atrás. Era uma comunidade monástica de essênios que tinham se afas­tado do mundo iníquo. Eles se intitulavam “os filhos da luz”, mas não tomavam providência alguma para que a sua luz bri­lhasse. Assim, no seu gueto, seu sal era tão inútil como os depó­sitos de sal sobre as praias do mar ali perto. Será que Jesus estava pensando neles? W. D. Davies pensa que Jesus deu “uma olha-dela de lado” na direção deles.[160] É uma conjectura atraente.

O que significa, na prática, ser o sal da terra? Em primeiro lugar, nós, o povo cristão, deveríamos ser mais corajosos, mais francos na condenação do mal. A condenação é negativa, é ver­dade, mas a ação do sal é negativa. Às vezes, os padrões de uma comunidade afrouxam-se por falta de um explícito protesto cristão. Lutero deu grande importância a isto, enfatizando que a denúncia e a proclamação andam de mãos dadas, quando o evangelho é verdadeiramente pregado: “O sal arde. Embora eles nos critiquem como sendo desagradáveis, sabemos que é assim que tem de ser e que Cristo ordenou que o sal fosse forte e continuamente cáustico … Se você quiser pregar o Evangelho e ajudar as pessoas, terá de ser rude e esfregar sal nas feridas, mostrando o outro lado e denunciando o que não está certo . . . O verdadeiro sal é a verdadeira exposição das Escrituras, que denuncia todo o mundo e não deixa nada de pé a não ser a sim­ples fé em Cristo. “[161]

Helmut Thielicke aborda este mesmo tema da necessária qualidade incisiva ou “ardida” do verdadeiro testemunho cris­tão. Ao olharmos para alguns cristãos, diz ele, “poderíamos pensar que a sua ambição é ser a cumbuca de mel do mundo. Eles adoçam e açucaram a amargura da vida com um conceito demasiadamente complacente de um Deus amoroso. Mas Jesus, evidentemente, não disse: ‘Vocês são o mel do mundo.’ Ele disse: ‘Vocês são o sal da terra.’ O sal arde, e a mensagem não adulterada do juízo e da graça de Deus sempre tem sido uma coisa que machuca”.[162]

E ao lado desta condenação do que é falso e mau, deveríamos com ousadia apoiar o que é verdadeiro, bom e decente, em nossa vizinhança, em nosso colégio, profissão ou negócio, ou na esfera mais ampla da vida nacional, incluindo os meios de comuni­cação de massa.

O sal cristão faz efeito através de atos e também de palavras. Já vimos que Deus criou a ambos, o Estado e a família, como estruturas sociais para reprimir o mal e incentivar o bem. E os cristãos têm a responsabilidade de verificar se essas estruturas estão sendo preservadas, e também se estão operando com jus­tiça. Com demasiada freqüência, os cristãos evangélicos têm interpretado a sua responsabilidade social em termos de apenas ajudar às vítimas de uma sociedade doente, nada fazendo para mudar as estruturas que provocam os acidentes. Exatamente como os médicos não se preocupam apenas com o tratamento dos pacientes, mas também com a medicina preventiva e a saúde pública, nós deveríamos nos preocupar com o que poderíamos chamar de “medicina social preventiva” e padrões mais elevados de higiene moral. Por menor que seja a nossa contribuição, não podemos optar pela dispensa da busca da criação de melhores estruturas sociais, que garantam a justiça na legislação e o cum­primento das leis, a liberdade e a dignidade do indivíduo, os direitos civis para as minorias e a abolição da discriminação social e racial. Não devemos nem desprezar essas coisas nem fugir de nossa responsabilidade para com elas. Isso faz parte do propósito de Deus para o seu povo. Sempre que os cristãos são cidadãos conscientes, agem como sal numa comunidade. Como Sir Frederick Catherwood expôs em sua contribuição ao simpósio Is Revolution Change? (A Revolução Muda Alguma Coisa?): “Tentar melhorar a sociedade não é mundanismo, mas amor. Lavar as mãos diante da sociedade não é amor, mas mun­danismo.”[163]

Mas os seres humanos decaídos precisam de mais do que barri­cadas que os impeçam de se tornarem tão maus quanto possível. Precisam de regeneração, vida nova através do Evangelho. Por isso, nossa segunda vocação é para sermos “a luz do mundo”, pois a verdade do Evangelho é a luz, contida, é verdade, em frágeis lâmpadas de barro, mas brilhando através de nossa mor­talidade com a mais conspícua das claridades. Fomos chamados a propagar o Evangelho e estruturar nosso modo de viver de um jeito que seja digno do Evangelho.[164]

Portanto, nunca deveríamos colocar nossas duas vocações (sal e luz) e nossas responsabilidades cristãs (social e evangelística) em posições antagônicas, como se tivéssemos de escolher entre as duas. Não podemos exagerar uma delas, nem desa­creditar uma às expensas da outra. Uma não pode substituir a outra. O mundo precisa de ambas. Ele está em decomposição e precisa de sal; ele é trevas e precisa de luz. Nossa vocação cristã é para sermos ambas. Jesus Cristo o declarou, e isso basta.

Nos Estados Unidos da América do Norte, um dos ministérios que se diz ter sido formado sob os auspícios do chamado “Jesus Movement” é chamado de “Casa de Luz e Força de Jesus Cristo”.

É uma comunidade cristã em Westwood, administrada por Hal Lindsey e Bill Counts, que ministra ensino bíblico aos seus residentes. “Luz e Força” é uma ótima combinação, e ambas se encontram em Jesus Cristo. Mas quando alguém organizará na América uma “Sociedade do Sal e Luz de Jesus Cristo”?

Na Inglaterra surgiu nestes últimos anos um movimento quase espontâneo conhecido como o “Festival da Luz”. Agradeço a Deus pelo testemunho corajoso e exuberante dos seus compo­nentes, na sua maioria jovens. Procuram combinar um protesto contra a pornografia e uma campanha pela lei moral de Deus na vida pública, ao lado de um testemunho claro de Jesus Cristo. Talvez pudesse transformar-se em um “Festival de Sal e Luz” mais autoconsciente.

De qualquer modo, não devemos nos envergonhar de nossa vocação de sermos sal e também luz, ou seremos culpados de separar o que Jesus uniu.

O caráter do cristão, conforme descrito nas bem-aventuranças, e a influência do cristão, conforme definida nas metáforas do sal e da luz, estão organicamente relacionados um com o outro. Nossa influência depende de nosso caráter. Mas as bem-aventu­ranças apresentam um padrão extremamente elevado e exigente. Seria útil, portanto, como conclusão deste capítulo, examinar novamente os dois parágrafos e observar os incentivos que Jesus deu à justiça.

Primeiro, é assim que nós mesmos seremos abençoados. As bem-aventuranças identificam aqueles a quem Deus declara “bem-aventurados”, aqueles que lhe agradam e que se realizam. A verdadeira bem-aventurança se encontra na bondade, e em nenhum outro lugar.

 

Segundo, é assim que o mundo será melhor servido. Jesus oferece aos seus seguidores o imenso privilégio de serem o sal e a luz do mundo, contanto que vivam pelas bem-aventuranças.

 

Terceiro, é assim que Deus será glorificado. Aqui, no começo do seu ministério, Jesus diz aos seus discípulos que se deixarem a sua luz brilhar de modo que as suas obras sejam vistas, seu Pai no céu será glorificado. No fim do seu ministério, no cenáculo, ele expressou a mesma verdade com palavras semelhantes: “Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tomareis meus discípulos.”[165]

Esta, então, é a grande vantagem da vida honesta e seme­lhante à de Cristo, e também da contracultura cristã. Produz bênçãos para nós mesmos, salvação para os outros e, finalmente, glória para Deus.

Mateus 5:17-20
A justiça do cristão: Cristo, o cristão e a lei

Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. 18Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra. l9Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus. 20Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.

Até então, Jesus falara sobre o caráter do cristão e sobre a influ­ência que este teria no mundo, caso manifestasse tal caráter, produzindo, assim, o fruto de “boas obras”. Agora, ele pros­segue definindo melhor este caráter e estas boas obras em termos de justiça. Ele explica que a justiça, já duas vezes mencionada, e da qual os seus discípulos têm fome (v. 6) e por cuja causa eles sofrem (v, 10), é uma correspondência à lei moral de Deus e ultrapassa a justiça dos escribas e fariseus (v. 20). As “boas obras” são obras da obediência. Ele começou o seu Sermão com as bem-aventuranças na terceira pessoa (“Bem-aventurados os humildes de espírito”); continuou na segunda pessoa (“Vós sois o sal da terra”); e, agora, muda para a primeira pessoa, usando, pela primeira vez, sua fórmula característica e dogmática: Por­que . . . (eu) vos digo (vs. 18 e 20).

Este parágrafo é de grande importância, não só por causa da definição que ele dá da justiça cristã, mas também por causa da luz que lança sobre a relação entre o Novo e o Velho Testamento, entre o Evangelho e a lei. Divide-se em duas partes: primeiro, Cristo e a lei (vs. 17, 18) e, segundo, o cristão e a lei (vs. 19, 20).

 

1. Cristo e a lei (vs. 17,18)

Ele começa dizendo-lhes que não imaginem, nem por um mo­mento, que ele veio para revogar a lei ou os profetas, isto é, todo o Velho Testamento ou qualquer parte dele.[166] O modo como Jesus enunciou esta declaração negativa dá a entender que alguns já pensavam exatamente isso que ele agora estava contradi­zendo. Embora o seu ministério público tivesse começado há tão pouco tempo, os seus contemporâneos estavam profunda­mente perturbados com a sua suposta atitude para com o Velho Testamento. Talvez a controvérsia sobre o sábado já tivesse explodido (tanto o incidente das espigas arrancadas no sábado quanto a cura do homem da mão mirrada, também no sábado, são colocados por Marcos antes mesmo da escolha dos doze).[167] Certamente, desde o começo do seu ministério, as pessoas foram atingidas por sua autoridade. “Que vem a ser isto?” pergun­tavam. “Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem” (Mc 1:27). Portanto, era natural que muitos perguntassem que relação havia entre a sua autoridade e a autoridade da lei de Moisés. Eles sabiam que os escribas submetiam-se à lei, pois eram “mestres da lei”. Dedicavam-se à sua interpretação e declaravam não haver qual­quer outra autoridade além daquela que citavam. Mas, com Jesus, a coisa não era tão clara assim. Ele falava com autori­dade própria. Gostava de usar uma fórmula jamais usada por qualquer profeta antigo ou escriba contemporâneo. Ele apre­sentava alguns de seus mais impressionantes pronunciamentos com “Em verdade digo”, falando em seu próprio nome e com sua própria autoridade. E que autoridade era esta? Será que estava se colocando como uma autoridade que se opunha à sa­grada lei, à palavra de Deus? Parecia assim, para alguns. Por isso a pergunta, enunciada ou não, à qual Jesus agora respondia inequivocamente: Não penseis que vim revogar a lei ou os pro­fetas.

Muita gente continua perguntando, hoje em dia, embora de diferentes maneiras, que relação existe entre Jesus e Moisés, entre o Novo e o Velho Testamento. Considerando que Jesus aproveitou a oportunidade, falando explicitamente sobre o as­sunto, não devemos nos acanhar de imitá-lo. Ele veio (observe-se, a propósito, que ele tinha consciência de que viera ao mundo com uma missão) não para revogar a lei e os profetas, deixando-os de lado ou anulando-os, nem tampouco para endossá-los de maneira estéril e literal, mas para cumpri-los.

O verbo traduzido por “cumprir” (plërösai) significa literal­mente “encher” e indica, como Crisóstomo disse, que “suas palavras (sc. de Cristo) não eram uma revogação daquelas pri­meiras, mas uma exposição e o cumprimento delas”.[168] Para cap­tarmos o sentido total dessas palavras, precisamos nos lembrar de que “a lei e os profetas”, isto é, o Velho Testamento, contêm diversos tipos de ensinamentos. A relação de Jesus Cristo com eles difere, mas a palavra “cumprimento” abrange todos eles.

 

Primeiro, o Velho Testamento contém ensinamento doutri­nário. “Tora”, geralmente traduzido por “lei”, significa, na verdade, “instrução revelada”; e o Velho Testamento realmente instrui-nos sobre Deus, sobre o homem, sobre a salvação, etc. Todas as grandes doutrinas bíblicas se encontram nele. Mas, ainda assim, foi apenas uma revelação parcial. Jesus o “cum­priu” todo, no sentido de completá-lo com a sua pessoa, seus ensinamentos e sua obra.[169] O Rev. Ryle resumiu-o assim: “O Velho Testamento é o Evangelho em botão, o Novo Testamento é o Evangelho em flor. O Velho Testamento é o Evangelho no limbo; o Novo Testamento é o Evangelho na espiga.”[170]

 

Segundo, o Velho Testamento contém profecia preditiva. Grande parte dela contempla o dia do Messias, profetizando-o por meio de palavras ou apresentando-o em figuras e tipos. Mas não passa de previsões. Jesus a “cumpriu” integralmente, no sentido de que o predito aconteceu com ele. A primeira decla­ração do seu ministério público foi: “O tempo está cumpri­do . . .” (Mc 1:14). Suas próprias palavras aqui, (Eu) vim, deno­tam essa mesma verdade. Repetidas vezes ele declarou que as Escrituras deram testemunho dele, e Mateus enfatiza isto mais do que qualquer outro evangelista, através da sua repetida fór­mula: “Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta . . .”[171] O clímax foi a sua morte na cruz, na qual todo o sistema cerimonial do Velho Testamento, sacerdócio e sacrifício, cumpriu-se perfeita­mente. Então as cerimônias cessaram. Sim, como Calvino com razão comentou: “Apenas o uso deles foi abolido, pois o seu significado foi confirmado mais plenamente.”[172] Não passavam de uma “sombra” do que estava por vir; a “substância” per­tencia a Cristo.[173]

 

Terceiro, o Velho Testamento contém preceitos éticos, ou a lei moral de Deus. Mas eles são freqüentemente mal interpre­tados e até mesmo desobedecidos. Jesus os “cumpriu”, em pri­meiro lugar, obedecendo-os, pois ele “nasceu sob a lei” e estava determinado (como já dissera João Batista) a “cumprir toda a justiça”.[174] “Ele, na verdade, nada tinha a acrescentar aos man­damentos de Deus”, escreveu Bonhoeffer, “exceto isto, que ele os guardou”.[175] Ele fez mais do que obedecê-los pessoalmente; ele explica o que a obediência implicará para os seus discípulos. Ele rejeita a interpretação superficial da lei, dada pelos escribas c fornece ele mesmo a verdadeira interpretação. O seu propó­sito não é mudar a lei, muito menos anulá-la, mas “revelar toda a profundidade do significado que pretendia conter”.[176] Por­tanto, ele a cumpre, anunciando as exigências radicais da jus­tiça de Deus”.[177] É isto que ele destaca no restante de Mateus 5, apresentando exemplos, conforme veremos.

Em cada geração da era cristã, sempre houve aqueles que não conseguiram acomodar-se à atitude de Cristo para com a lei. O famoso herege do segundo século, Marcion, que reescreveu o Novo Testamento, eliminando as referências que este faz ao Velho, naturalmente apagou esta passagem.[178] Alguns dos seus discípulos foram mais além. Atreveram-se até a inverter o seu significado, mudando os verbos de modo que a sentença, então, passasse a dizer o seguinte: “Eu vim, não para cumprir a lei e os profetas, mas para aboli-los!” Seus correlativos hoje em dia parecem ser aqueles que abraçaram a chamada “nova morali­dade”, pois declaram que a própria categoria da lei fica abolida para o cristão (embora Cristo tenha dito que não veio para aboli-la), que nenhuma lei tolhe agora o povo cristão, exceto a lei do amor, e que na realidade a ordem para amar é agora o único absoluto. Sobre estes, voltarei a falar mais tarde. Por ora, basta enfatizar que, de acordo com este versículo (v. 17), a ati­tude de Jesus para com o Velho Testamento não foi de des­truição e descontinuidade mas, antes, de continuidade cons­trutiva, orgânica. Ele resumiu sua posição numa simples palavra: não “abolição”, mas “cumprimento”.

O apóstolo Paulo ensinou esta mesma verdade com muita clareza.[179] Sua declaração de que Cristo é “o fim da lei”,[180] não significa que agora estamos livres para desobedecê-la, mas jus­tamente o oposto.[181] Significa, antes, que a aceitação de Deus não é através da obediência à lei, mas através da fé em Cristo, e a própria lei dá testemunho destas boas novas.[182]

Após declarar que o seu propósito em vir era o cumprimento da lei, Jesus prossegue, apresentando a causa e a conseqüência disto. A causa é a permanência da lei até que seja cumprida (v. 18); e a conseqüência é a obediência à lei, que os cidadãos do reino de Deus devem prestar (vs. 19, 20).

Isto é o que Jesus tem a dizer sobre a lei que ele veio cumprir: Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um i (yod, a menor das letras do alfabeto grego, quase tão pequena como uma vírgula) ou um til (keraia, um acento, sinal que distinguia algumas letras hebraicas de outras) passará da lei, até que tudo se cumpra. Sua referência agora era apenas “à lei” e não “à lei e aos profetas”, como no versículo anterior. Mas não temos razão para supor que estava deliberadamente omitindo os profetas; “a lei” era um termo compreensivo para o todo da revelação divina no Velho Testamento. Nenhuma parte dela passará ou será posta em desuso, diz ele, nem uma simples letra ou parte de uma letra, antes que seja inteiramente cum­prida. E este cumprimento não se completará até que o céu e a terra passem, pois um dia eles passarão, num grandioso renasci­mento do universo.[183] Então, o tempo, como nós o conhecemos, deixará de existir, e as palavras escritas da lei de Deus já não serão mais necessárias, pois todas as coisas que ela encerra esta­rão cumpridas. Assim, a lei tem a duração do universo. O cum­primento final de uma e o novo nascimento do outro coincidirão. Ambos “passarão” juntos (parelthê é repetido). Jesus não pode­ria ter declarado com mais clareza sua própria opinião sobre as Escrituras do Velho Testamento.[184]

 

2. O cristão e a lei (vs. 19,20)

A palavra “pois” introduz a dedução que Jesus agora apresenta a seus discípulos para a validade duradoura da lei e a sua pró­pria atitude com referência a ela. Revela uma conexão vital entre a lei de Deus e o reino de Deus. Porque ele não veio para aboli-la, mas para cumpri-la e, considerando que nem um i ou um til passarão da lei até que toda ela se cumpra, a grandeza no reino de Deus será medida pela conformidade à lei. A obediência pessoal não basta; o discípulo cristão deve também ensinar aos outros a natureza permanentemente obrigatória dos manda­mentos da lei. É verdade que nem todos os mandamentos têm o mesmo “peso”.[185] Mas um destes mandamentos, posto que dos menores, exatamente porque é um mandamento de Deus, o Rei, é importante. Relaxá-los, isto é, afrouxar o controle que têm sobre nossa consciência e diminuir a sua autoridade em nossa vida, é uma ofensa a Deus, pois é sua lei. Ignorar um dos “menores” mandamentos da lei (quer na obediência, quer na instrução) é rebaixar-se a um dos “menores” súditos no reino; a grandeza no reino pertence àqueles que são fiéis no cumprir e no ensinar toda a lei moral. “A nobreza no reino de Cristo”, escreveu Spurgeon, “será conferida de acordo com a obediência.”[186]

Agora Jesus vai ainda mais além. A grandeza no reino não é apenas avaliada pela justiça que se conforma à lei, mas a en­trada no reino torna-se impossível se não houver um comporta^ mento que exceda em muito (a expressão grega é mesmo bas­tante enfática) ao dos escribas e fariseus, pois o reino de Deus é um reino de justiça. Mas alguém pode protestar: não eram os escribas e fariseus famosos por sua justiça? Não era a obe­diência à lei de Deus a grande paixão de suas vidas? Não tinham calculado que a lei contém 248 mandamentos e 365 proibições, e não desejavam obedecer a todos? Como pode, então, a justiça cristã verdadeiramente exceder a justiça farisaica, e como pode essa justiça cristã superior tornar-se condição para a entrada no reino de Deus? Será que isto não ensina a doutrina da sal­vação pelas boas obras, contradizendo a primeira bem-aventurança, que afirma pertencer o reino dos “humildes de espírito”, que não têm nada, nem mesmo justiça, para apresentar?

A declaração de nosso Senhor deve, certamente, ter deixado perplexos os seus primeiros ouvintes e também nos deixa, hoje em dia. Mas a resposta a estas perguntas não é tão difícil de se achar. A justiça do cristão ultrapassa de longe a justiça dos fariseus, em espécie mais do que em grau. Poderíamos dizer que não é uma questão de os cristãos conseguirem obedecer a 248 mandamentos enquanto os melhores fariseus só conseguiram fazer 230 pontos. Não. A justiça do cristão é maior do que a justiça dos fariseus porque é mais profunda, porque é uma jus­tiça do coração. Desde Freud, fala-se muito em “psicologia profunda”; a preocupação de Jesus era pela “moralidade pro­funda”. Os fariseus contentavam-se com uma obediência externa e formal, uma conformidade rígida à letra da lei; Jesus ensina-nos que as exigências de Deus são muito mais radicais do que isto. A justiça que lhe agrada é uma justiça interna, de mente e de motivação, pois “o Senhor (vê) o coração”.[187]

Era uma nova justiça de coração, que os profetas tinham previsto como uma das bênçãos da dispensação messiânica. “Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei”, Deus prometeu através de Jeremias (31:33). Como ele o faria? Ele disse a Ezequiel: “Porei dentro em vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (36:27). Assim coincidem as duas promessas de Deus: de colocar a sua lei dentro de nós e de pôr em nós o seu Espírito. Não devemos imaginar (como alguns pensam hoje em dia) que, quando temos o Espírito, podemos dispensar a lei, pois o que o Espírito faz em nossos corações é exatamente escrever neles a lei de Deus. Portanto, “Espírito”, “lei”, “justiça” e “coração” todos se relacionam. Os fariseus pensavam que uma conformidade externa à lei seria uma justiça suficiente. O “Mestre da Justiça” que aparece nos pergaminhos do Mar Morto era mais rigoroso, pois “definia as exigências da lei mais exaustivamente e até mais rigorosamente do que os próprios fariseus, e impunha à seita (sc. os essênios de Qumran) obediência radical a todos eles”. Mas Jesus era ainda mais radi­cal, pois se os essênios pediam “cada vez mais obediência”, ele pedia “obediência cada vez mais profunda”.[188] Portanto é esta obediência profunda, que ê a justiça do coração e que só é pos­sível naqueles em quem o Espírito Santo operou a regeneração e nos quais agora habita. É por isso que a entrada no reino de Deus é impossível sem uma justiça maior (isto é, mais profunda) do que a dos fariseus. É porque tal justiça é evidência do novo nascimento, e ninguém entra no reino sem ter nascido de novo.[189]

O restante de Mateus 5 contém exemplos desta justiça maior, ou, antes, mais profunda. Consiste de seis parágrafos paralelos, que ilustram o princípio que Jesus acabou de propor nos versí­culos 17 a 20, sobre a perpetuidade da lei moral, da sua vinda para cumpri-la e da responsabilidade dos discípulos em obedecê-la mais completamente do que os escribas e fariseus. E cada parágrafo contém um contraste ou uma “antítese”, introduzi­da pela mesma fórmula (com variações menores): Ouvistes que foi dito aos antigos . . . Eu, porém,   vos digo . . .   (21,  22).

Qual é esta antítese? Está claro quem é o eu (egõ) enfático. Mas com quem Jesus está se contrastando? Torna-se essencial considerar esta pergunta agora, antes de, nos próximos três capítulos, examinarmos mais detalhadamente as seis antíteses propriamente ditas. Muitos comentaristas têm defendido que, nestes parágrafos, Jesus está se colocando contra Moisés; que está, aqui, deliberadamente inaugurando uma nova moralidade, e contradizendo e repudiando a antiga; e que sua fórmula intro­dutória poderia ser assim parafraseada: “Vocês sabem o que ensinava o Velho Testamento . . . Mas eu ensino uma coisa totalmente diferente.” Por mais popular que esta interpretação possa ser, não hesito em dizer que está errada. E mais do que errada; é insustentável. O que Jesus contradisse não foi a lei propriamente dita, mas certas perversões da lei, das quais os escribas e fariseus eram culpados. Longe de contradizer a lei, Jesus a endossa, insiste sobre a sua autoridade e fornece a sua verdadeira interpretação. Quatro argumentos serão suficientes para provar que isso é verdade.

Primeiro, temos a substância das próprias antíteses. A pri­meira vista, em cada exemplo o que Jesus cita parece ter vindo da lei mosaica. Todos os seis exemplos, ou consistem de algum eco, ou incluem algum eco da lei. Por exemplo: Não matarás (v. 21); Não adulterarás (v. 27); Aquele que repudiar sua mu­lher, dê-lhe carta de divórcio (v. 31). Só depois que chegamos à sexta e última antítese é que vemos claramente que alguma coisa está faltando, pois ela diz: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo (v. 43). A primeira metade desta sentença é uma ordem explícita da lei (Lv 19:18), embora também seja um mandamento truncado, que omite as palavras vitais que esta­belecem o padrão de nosso amor ao próximo, isto é, “como a ti mesmo”. A segunda metade da sentença, entretanto, não se encontra em parte alguma da lei. Não está em Levítico 19:18, nem em qualquer outro lugar. Portanto, era uma adição con­temporânea à lei, que pretendia interpretá-la, mas na verdade a distorcia. Quando examinamos mais detalhadamente as outras cinco antíteses (conforme o faremos nos próximos capítulos), torna-se claro que uma distorção semelhante está implícita. Foram estas distorções da lei que Jesus rejeitou, não a lei propria­mente dita. Afinal, as duas primeiras antíteses não dizem: “Ouvistes que foi dito ‘Não matarás e não cometerás adultério’, mas eu vos digo que podeis fazê-lo”. Antes, “mas eu vos digo que não deveis nem sequer ter pensamentos odiosos ou concupiscentes”.

Segundo, temos a fórmula introdutória, começando com ou­vistes que foi dito aos antigos (vs. 21, 33), ou ouvistes que foi dito (vs. 27, 38, 43); ou, mais resumidamente ainda, também foi dito (v. 31). As palavras comuns para estas fórmulas são foi dito, que representam o verbo grego errethé. Esta não era a palavra que Jesus usava quando citava as Escrituras. Ao apre­sentar uma citação bíblica, tanto o verbo como o tempo eram diferentes, isto é, gegraptai (perfeito, “está escrito”), e não errethé (aoristo, “foi dito”). Nas seis antíteses, o que Jesus con­tradizia não eram as Escrituras, mas a tradição; não a palavra de Deus que eles tinham “lido”,[190] mas a instrução oral que fora dada “aos antigos” e que eles também tinham “ouvido”, uma vez que os escribas continuavam ensinando-a nas sinagogas.

O Professor David Daube confirma isto com o seu conheci­mento profundo da língua hebraica usada pelos rabinos. O verbo “ouvir” está associado, diz ele, com “o significado superficial, literal, das Escrituras”. Portanto, nas duas partes da fórmula introdutória, “a primeira apresenta uma regra bíblica rigorosa­mente interpretada, e a segunda, uma exigência mais ampla feita por Jesus”. E, de novo, “estas declarações: ‘Ouvistes . . . eu, porém, vos digo’, têm a intenção de provar que Jesus é o defensor da lei, não o destruidor . . . é a revelação de um signi­ficado mais completo para uma nova época. A segunda parte tem antes a intenção de revelar do que de revogar a primeira”.[191] Poder-se-ia dizer que, em relação às distorções dos escribas, o termo “antítese” descreve corretamente o ensinamento de Jesus, enquanto que, em relação à lei propriamente dita, “exegese” seria a palavra mais exata. Sua disputa não era a respeito da lei, pois os líderes judeus e ele próprio aceitavam a autoridade divina daquela, mas sobre a sua correta interpretação.

Terceiro, temos o contexto imediato. Já vimos que, nos versí­culos precedentes e introdutórios das antíteses (vs. 17-20), Jesus afirmou, de maneira bastante inequívoca, qual era a sua pró­pria atitude para com a lei e qual deveria ser a dos seus discí­pulos. No seu caso, era “cumprimento” e, no caso deles, “obe­diência”. Nem um til ou um i passaria; tudo tinha de se cum­prir. Nenhum dos menores mandamentos podia ser ignorado; todos tinham de ser obedecidos. Será que poderíamos, com seriedade, supor que Jesus se contradissesse? Que ele praticasse o que tinha acabado de declarar categoricamente que não viera fazer, e que eles não deveriam fazer? Pois este é o dilema: se nas antíteses Jesus contradizia Moisés, estava com isso contradizendo-se a si mesmo. “Comentaristas esgotaram sua inventivi­dade”, escreve W. C. Allen, “na tentativa de explicar esta pas­sagem ao seu gosto”.[192] Ele prossegue, exercitando a sua própria engenhosidade na suposição de que os versículos 18 e 19 “não pertenciam originalmente ao sermão, mas que foram ali colo­cados pelo editor”. Ele raciocina que, sob o seu ponto de vista, “a atitude para com a lei aqui descrita é inconsistente com o teor geral do sermão”. Mas este é um julgamento inteiramente subjetivo e, além de tudo, não resolve o dilema. Tudo o que consegue fazer é remover a suposta discrepância dos ensina­mentos de Jesus, atribuindo-a ao primeiro evangelista ou, através dele, a alguma primitiva comunidade cristã. O melhor é aceitar as declarações dos versículos 17 a 20 como genuínas e demons­trar que são coerentes, não só com o Sermão como um todo, mas com o restante dos ensinamentos de Jesus que foram regis­trados. Isto nos traz ao último argumento.

Quarto, temos a conhecida atitude de Cristo para com o Velho Testamento. No capítulo anterior, Mateus apresentou a narra­tiva de suas tentações durante quarenta extenuantes dias no deserto da Judéia. Cada sutil tentação do diabo foi enfrentada com uma citação apropriada do Velho Testamento. Jesus não precisou discutir ou argumentar com o diabo. Cada questão foi resolvida cabalmente com uma simples menção do que estava escrito (gegraptai). E esta reverente submissão da Palavra encar­nada à palavra escrita continuou através de sua vida, não só no seu comportamento pessoal mas também em sua missão. Ele estava resolvido a cumprir o que estava escrito a respeito dele, e não podia ser removido do caminho que as Escrituras tinham traçado para ele. Por isso, suas declarações em Mateus 5:17, dizendo que não viera abolir mas cumprir a lei e os profetas, são totalmente coerentes com a sua atitude para com as Escrituras em qualquer outra passagem.

Dos quatro fatores apresentados, fica evidente que as antíteses não colocam Cristo e Moisés em oposição um ao outro, nem o Velho Testamento oposto ao Novo, ou o Evangelho à lei; mas que a verdadeira interpretação que Cristo apresentou da lei é que se opõe às falsas interpretações dos escribas, e, conseqüente­mente, a justiça cristã é que se opõe à dos fariseus, como o versículo 19 preconiza.

O que, então, os escribas e fariseus estavam fazendo? Quais eram os “métodos tortuosos”, como Calvino os chamou,[193] atra­vés dos quais rebaixavam a lei? De um modo geral, estavam tentando diminuir o desafio da lei, ou “relaxar” (v. 19) os man­damentos de Deus, tornando suas exigências morais mais manejáveis e menos rigorosas. Achavam que o Tora era um jogo e um fardo (na verdade, eles o chamavam assim), e desejavam tornar o jugo mais leve e o fardo menos pesado. O modo como eles o faziam variava de acordo com a forma de cada lei, espe­cialmente se era um mandamento (preceito ou proibição) ou uma permissão. Quatro das seis antíteses encaixam-se na cate­goria de “mandamentos”, sendo as três primeiras negativas (proibindo o homicídio, o adultério e o falso juramento) e a última, positiva (prescrevendo o amor ao próximo). Estas quatro são ordens explícitas de Deus para fazer ou deixar de fazer alguma coisa. As duas antíteses restantes (a quarta e a quinta) descrevem-se melhor como “permissões”. Não pertencem à mesma categoria de ordem moral das outras quatro. Ambas não têm as palavras imperativas. A quarta antítese é relativa ao divórcio, que jamais foi ordenado, mas sim permitido em determinadas circunstâncias e sob certas condições. A quinta refere-se à vingança (“Olho por olho . . .”), que era permitida nos tribunais e que se restringia ao equivalente exato das penali­dades que os juizes israelitas poderiam impor. Portanto, ambas as permissões ficavam circunscritas por limites definidos.

O que os escribas e fariseus estavam fazendo, a fim de tornar a obediência mais fácil de praticar, era restringir os manda­mentos e esticar as permissões da lei. Tornavam as exigências da lei menos exigentes e as permissões da lei mais permissivas. O que Jesus fez foi inverter as duas tendências. Insistiu que fos­sem aceitas todas as implicações dos mandamentos de Deus sem a imposição de quaisquer limites artificiais, enquanto que os limites que Deus estabelecera às suas permissões também deviam ser aceitos e não arbitrariamente ampliados. Talvez seja útil observar a aplicação destes princípios às antíteses, resumida­mente, antes de considerá-las em detalhe.

Os escribas e fariseus estavam evidentemente restringindo as proibições bíblicas do homicídio e do adultério apenas ao ato; Jesus estendeu-as incluindo pensamentos coléricos, palavras insultuosas e olhares concupiscentes. Eles restringiam o man­damento sobre o juramento apenas a certos votos (envolvendo o nome divino), e o mandamento sobre o amor ao próximo ape­nas a certas pessoas (às da mesma raça e religião). Jesus disse que todas as promessas têm de ser cumpridas e todas as pessoas amadas, sem limitações.

Mas os escribas e fariseus não se contentavam simplesmente em restringir os mandamentos da lei para que se adaptassem às suas conveniências; procuravam atender às suas conveniências ainda mais, ampliando as permissões. Assim, tentavam ampliar a permissão do divórcio além do simples fundamento de “alguma indecência” para incluir qualquer capricho do marido, e alargar a permissão da vingança além dos tribunais para incluir a vin­gança pessoal. Jesus, entretanto, reafirmou as restrições ori­ginais. Chamou o divórcio de “adultério”, se baseado em outros fundamentos, e insistiu nos relacionamentos pessoais com a renúncia de qualquer vingança.

Este exame preliminar das antíteses mostrou-nos que Jesus não contradisse a lei de Moisés. Pelo contrário, os fariseus é que o estavam fazendo. O que Jesus fez foi explicar o verdadeiro significado da lei moral, com todas as suas implicações inquietantes. Ele ampliou os mandamentos que eles estavam restrin­gindo e restringiu as permissões que eles estavam alargando. Para ele, a lei de Moisés era a lei de Deus, cuja validade era permanente e cuja autoridade tinha de ser aceita. No Sermão do Monte, como Calvino já expressou corretamente, vemos Jesus não “como um novo legislador, mas como o fiel explanador da lei que já fora dada”.[194] Os fariseus tinham “obscurecido” a lei; Jesus “restaurou-a em sua integridade”.[195]

E, neste assunto, os discípulos cristãos têm de seguir a Cristo, não aos fariseus. Não temos liberdade de tentar rebaixar os padrões da lei para torná-la mais fácil de obedecer. Essa era a casuística dos fariseus, não dos cristãos. A justiça cristã tem de exceder à justiça dos fariseus.

Mas os defensores da “nova moralidade” ou da “ética situacional” estão, em princípio, tentando fazer exatamente o que os fariseus faziam. É verdade que proclamam estarem do lado de Cristo contra os fariseus, mas parecem-se com fariseus em sua antipatia à lei. Consideram a lei rígida e autoritária e (exata­mente como os fariseus) tentam “relaxar” a sua autoridade, afrouxar o seu poder. Declaram que a lei foi abolida (quando Jesus disse que não veio para aboli-la) e colocam a lei e o amor em mútua discrepância (de uma maneira tal como Jesus nunca o fez). Mas não é assim. Jesus discordou da interpretação farisaica da lei; ele jamais discordou de aceitarem a autoridade dela. Antes, o contrário. Com os termos mais fortes possíveis, Jesus afirmou a autoridade da lei por ser a Palavra de Deus escrita, e convocou os seus discípulos a aceitarem a sua verda­deira e profunda interpretação.

Mateus 5:21-30
A justiça do cristão:
esquivando-se à cólera e à concupiscência

 

As duas primeiras ilustrações que Jesus apresentou sobre o seu tema (isto é, que estava aprofundando e não destruindo as exi­gências da lei) relacionam-se com o sexto e o sétimo dos dez mandamentos, que proíbem o homicídio e o adultério.

 

1. Esquivando-se à cólera (vs. 21-26)

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. 22Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, esta­rá sujeito ao inferno de fogo. 23Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, 24deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro recon­ciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta. 25Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. 26Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.

O mandamento Não matarás seria melhor expresso assim: “Não cometerás homicídio”, pois não é uma proibição contra a su­pressão da vida humana em qualquer circunstância, mas parti­cularmente contra o homicídio ou assassinato. Isto fica claro diante do fato de que a mesma lei de Moisés, que no Decálogo proibia matar, em outro lugar ordena a morte, tanto na forma da pena capital como nas guerras, cuja finalidade era exterminar as corruptas tribos pagãs que habitavam a terra prometida. A guerra e a pena de morte, ambas são questões debatidas que sempre deixaram perplexas as consciências de cristãos sensíveis. E sempre houve cristãos a favor ou contra esta ou aquela posi­ção. O que sempre se torna necessário frisar pelos cristãos envol­vidos nesses debates é que, se o conceito de “guerra justa” é defensável e se a retenção da pena de morte é justificável, a vida humana não é uma coisa insignificante e facilmente descartável, mas exatamente o oposto, isto é, ela é preciosa por ser a vida de uma criatura feita à imagem de Deus. Aqueles que lutam pela abolição da pena de morte com base no fato de a vida hu­mana (a do homicida) não poder ser tirada, esquecem-se do valor da vida da vítima do homicida: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem “.[196] E aqueles que lutam pelo pacifismo incondicional esquecem que, embora o mutilamento e a morte indiscriminada dos civis seja totalmente indefensável, Deus deu à sociedade (quer ao Estado ou, por extensão, a alguma organização internacional) o direito e a responsabilidade de punir os malfeitores.[197] Menciono estas coisas agora, não porque as complexas questões envolvidas na guerra e na pena de morte possam ser aqui resolvidas, mas para argumentar que não podem ser resolvidas através de um apelo simplista ao mandamento Não matarás.

Os escribas e fariseus estavam evidentemente procurando restringir a aplicação do sexto mandamento apenas ao ato do homicídio, isto é, ao derramamento de sangue humano. Se pu­dessem esquivar-se disso, achavam que tinham obedecido ao mandamento. E, evidentemente, era o que os rabinos ensinavam ao povo. Mas Jesus discordou deles. A verdadeira aplicação da proibição era muito mais ampla, assegurou; incluía pensamentos e palavras, além de atos; cólera e insultos, além do homicídio.

A ira foi mencionada no começo do versículo 22: todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão.  As palavras adi­cionais sem motivo aparecem na maioria dos manuscritos gregos, mas não nos melhores. Provavelmente são um comentário pos­terior e, portanto, foram omitidas nas revisões e traduções mo­dernas. Não obstante, temos motivos para crer que a interpre­tação do que Jesus quis dizer é correta. Nem toda ira é maligna, conforme evidencia-se da ira de Deus, que sempre é santa e pura. E até mesmo os seres humanos pecadores podem, às vezes, sentir a ira justa. Contudo, sendo pecadores, devemos assegurar que até mesmo esta ira justa seja tardia em aparecer e rápida em desaparecer.[198] Lutero certamente sabia, de sua própria expe­riência, qual o significado da ira justa. Ele a chamava de “ira do amor, aquela que não deseja mal algum a ninguém, aquela que é simpática para com a pessoa, mas hostil para com o pe­cado”.[199] A referência de Jesus, então, é à ira injusta, à ira do orgulho, da vaidade, do ódio, da malícia e da vingança.

Os insultos foram mencionados no final do versículo 22. Jesus nos adverte contra o chamar a nosso irmão de raça (provavel­mente o equivalente à palavra aramaica que significa “oco”) ou more (a palavra grega para “tolo”). Parece que “raça” é um insulto à inteligência da pessoa, dizendo que ela é “cabeça-oca”, e os comentaristas rivalizam-se entre si, propondo para­lelos, tais como “pateta”,[200] “estúpido”,[201] “parvo” ou “cabeça-dura”![202] Um débil mental também é tolo, mas dificilmente a palavra seria usada neste sentido, pois até Jesus chamou os fariseus e seus discípulos de “tolos”[203] e os apóstolos, em determi­nadas ocasiões, acusaram seus leitores de estultícia.[204] Por isso, é preciso lembrar que a palavra adquiriu uma nuance religiosa e moral, tendo sido aplicada no Velho Testamento àqueles que negavam a existência de Deus e, como resultado, mergulhavam na prática temerária do mal.[205] Alternativamente, como alguns mestres sugerem, möre pode transliterar uma palavra hebraica que significa “rebelde”, “apóstata” ou “renegado”[206]1 Neste caso, Tasker propõe seu parecer: “O homem que diz a seu irmão que este está condenado ao inferno, está ele mesmo em perigo de ir para o inferno. “[207]

Fica alguma dúvida sobre o significado preciso destes dois termos de insulto. Eram claramente derrisórios, epítetos insultuosos e a BLH assim se expressa: Quem disser a seu irmão: “Você não vale nada . . . quem chamar seu irmão de idiota.” Ao mesmo tempo, A. B. Bruce provavelmente preserva a prin­cipal diferença entre as palavras, ao escrever: “Raça expressa desprezo pela cabeça da pessoa: Você, seu estúpido! Möre ex­pressa desprezo pelo seu coração e caráter: você, seu patife!”[208]

Estas coisas, pensamentos coléricos e palavras insultuosas, talvez não levem nunca à consumação do ato homicida. Mas, diante de Deus, são equivalentes ao homicídio. Conforme João escreveria mais tarde: “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino.”[209] A ira e o insulto são maus sintomas do desejo de acabar com uma pessoa que está no nosso caminho. Nossos pensamentos, olhares e palavras indicam que, como algumas vezes nos atrevemos a dizer, “gostaríamos que morresse”. Um desejo assim é uma infração do sexto mandamento. E torna a pessoa culpada sujeita às mesmas penalidades às quais o homi­cida se expõe, não literalmente em um tribunal humano (pois nenhum tribunal poderia acusar um homem por causa da ira), mas diante do tribunal de Deus.

O significado exato dos vários julgamentos tem sido muito discutido, mas pelo menos está claro que Jesus estava profe­rindo uma solene advertência quanto ao julgamento divino. Os rabinos talvez estivessem ensinando não só que o homicídio era a única infração ao sexto mandamento, mas também que a única penalidade para o homicídio era a sentença humana: Quem matar estará sujeito a julgamento (v. 21). Por isso Jesus acres­centou que todo aquele que sem motivo se irar também estará sujeito a julgamento. Embora as mesmas palavras gregas sejam usadas para “julgamento”, no versículo 22 e no versículo 21, agora a referência deve ser ao julgamento de Deus, uma vez que nenhum tribunal humano é competente para julgar um caso de ira interna. Semelhantemente, Jesus continuou, o insulto não só nos exporá a julgamento do tribunal, mas também ao inferno de fogo (v. 22). Em ambos os casos, Jesus ampliava tanto a natu­reza da penalidade como a do crime. Não só a ira e o insulto são equivalentes ao homicídio, disse ele, mas o castigo ao qual nos deixam sujeitos é nada menos que o juízo divino do inferno.

“Se, pois . . .”, continuou Jesus dizendo (v. 23), e prosseguiu dando uma aplicação prática dos princípios que acabava de enunciar. Seu tema era que, sendo a,ira e o insulto tão sérios e tão perigosos, então devemos fugir deles como se fossem praga e tomar precauções o mais rapidamente possível. Ele apresentou duas ilustrações: a primeira, da pessoa que vai ao templo ofe­recer sacrifícios a Deus (vs. 23, 24); e a segunda, da pessoa que vai ao tribunal responder a acusações (vs. 25, 26). Jesus expressou-as em termos culturais do seu tempo, quando o templo ainda existia e quando ainda se ofereciam sacrifícios. Talvez seja bom traduzir suas ilustrações em palavras um pouco mais modernas:

“Se você estiver na igreja, no meio de um culto de adoração, e de repente se lembrar de que seu irmão tem um ressentimento contra você, saia da igreja imediatamente e vá fazer as pazes com ele. Não espere que o culto termine. Procure seu irmão e peça-lhe perdão. Primeiro vá, depois venha. Primeiro vá recon­ciliar-se com o seu irmão, depois venha e ofereça sua adoração a Deus.”

E, ainda: “Se você tiver uma dívida e o seu credor levá-lo ao tribunal para receber o dinheiro dele de volta, acerte as contas com ele rapidamente. Entre num acordo antes de chegarem ao tribunal. Faça-o enquanto ainda estiverem a caminho do tribu­nal e pague a sua dívida. Caso contrário, ao chegarem no tribu­nal, será tarde demais. O seu acusador o processará diante do juiz e o juiz o entregará à polícia e você acabará na cadeia. Você não sairá de lá até que tenha pago o último centavo. Por isso, o pagamento antes da prisão seria muito mais sensato.”

As figuras são diferentes: uma é extraída da igreja; a outra, do tribunal. Uma diz respeito a um “irmão” (v. 23) e a outra refere-se a um inimigo (v. 25). Mas, em ambos os casos, a situa­ção básica é a mesma (alguém tem um ressentimento contra nós) e a lição básica é também a mesma (a necessidade de ação ime­diata, urgente). No próprio ato da adoração, se nos lembrarmos da ofensa, deveremos interromper a nossa adoração, sair e acertar a situação. No próprio ato de irmos para nos apresentar ao tribunal, enquanto estamos nos dirigindo para lá, devemos acertar a nossa dívida.

Mas com que raridade atendemos à chamada de Cristo para a ação imediata! Se o homicídio é um crime horrível, a ira e o insulto malévolos também o são. E, do mesmo modo, é qualquer atitude, palavra, olhar ou pensamento através do qual ferimos ou ofendemos um outro ser humano. Precisamos ser mais sensí­veis no que se refere a essas coisas. Nunca deveríamos permitir que uma desavença permanecesse, muito menos que se desen­volvesse. Não devemos retardar o fazer as pazes. Não devemos nem permitir que o sol se ponha sobre a nossa ira. Mas, imedia­tamente, logo que tivermos consciência de um relacionamento estremecido, devemos tomar a iniciativa de restaurá-lo, de pedir desculpas pelo ressentimento que provocamos, de pagar a nossa dívida, de fazer restituições. E Jesus extraiu estas instruções extremamente práticas do sexto mandamento como suas impli­cações lógicas! Se queremos evitar o homicídio perante Deus, devemos tomar todas as possíveis medidas positivas para viver­mos em paz e em amor com todos os homens.

 

2. Esquivando-se à concupiscência (vs. 27-30)

Agora Jesus volta-se do sexto para o sétimo mandamento, da proibição do homicídio para a proibição do adultério.

Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. 28Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela. 295e o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30E se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros e não vá todo o teu corpo para o inferno.

Novamente os rabinos estavam tentando limitar o alcance do mandamento: Não adulterarás. Embora o pecado de cobiçar a mulher de outro homem esteja incluído no décimo mandamento, que trata da cobiça, eles evidentemente achavam mais confor­tável ignorá-lo. No seu ponto de vista, eles e seus alunos guar­davam o sétimo mandamento contanto que evitassem o ato do adultério propriamente dito. Assim, davam uma definição convenientemente estreita ao pecado sexual e uma definição conve­nientemente ampla à pureza sexual.

Mas Jesus ensinou diferente. Ele estendeu as implicações da proibição divina. Antes, afirmou que o verdadeiro significado da ordem divina era muito mais amplo do que á mera proibição de atos de imoralidade sexual. Assim como a proibição do homi­cídio incluía o pensamento colérico e a palavra insultuosa, a proibição do adultério incluía o olhar concupiscente e a imagi­nação. Podemos cometer assassinato com nossas palavras; podemos cometer adultério em nossos corações ou mentes. Na verdade, (v. 28) qualquer que olhar para uma mulher com inten­ção impura, no coração já adulterou com ela.

Talvez seja necessário destacar dois pontos antes de prosse­guirmos. Não há aqui a mais leve sugestão de que as relações sexuais naturais dentro dos votos do casamento não sejam algo lindo que Deus nos deu. Podemos agradecer a Deus pelos Cantares de Salomão, que foram incluídos no cânon das Escrituras, pois ali não encontramos puritanismo vitoriano, mas, pelo con­trário, o prazer desinibido de dois amantes, o esposo e a esposa, um com o outro. Os ensinamentos de Jesus aqui referem-se ao sexo ilegal fora do casamento, praticado por pessoas casadas ou solteiras. Ele não nos proíbe de olhar para uma mulher, mas, sim, de fazê-lo concupiscentemente. Todos nós sabemos a dife­rença que há entre o olhar e o cobiçar.

Isto nos leva ao segundo ponto. A alusão de Jesus é a todas as formas de imoralidade. Argumentar que a referência apenas diz respeito a um homem cobiçando uma mulher e não vice-versa, ou que só se refere ao homem casado e não ao solteiro, uma vez que o transgressor está cometendo “adultério” e não “fornicação”, é incorrer na mesma casuística que Jesus condenou nos fariseus. Ele enfatizou que toda e qualquer prática sexual que é imoral no ato, também é imoral no olhar e no pensamento.

O que é particularmente importante é assimilar a sua equação de olhar concupiscentemente para uma mulher e cometer adul­tério com ela no coração. É esta relação entre os olhos e o coração que leva Jesus, nos dois versículos seguintes, a dar algumas instruções muito práticas sobre como manter a pureza sexual. O argumento é o seguinte: se olhar concupiscentemente é co­meter adultério no coração, em outras palavras, se o adultério do coração é o resultado do adultério dos olhos (os olhos do coração sendo estimulados pelos olhos da carne), então a única maneira de tratar do problema é no início, isto é, no nosso olhar. Jó, o justo, declarou que já tinha aprendido esta lição. “Fiz aliança com meus olhos”, ele disse, “como, pois, os fixaria numa donzela?” Depois ele prossegue falando a respeito do seu cora­ção: “Se o meu coração segue os meus olhos … Se o meu co­ração se deixou seduzir por causa de mulher . . .”, ele reconhe­ceria que tinha pecado e que merecia o juízo de Deus.[210] Mas Jó não fizera tais coisas. O controle do seu coração se devia ao controle dos seus olhos.

Este ensinamento de Jesus, confirmado na experiência de Jó, continua sendo verdade atualmente. Atos vergonhosos procedem de pensamentos vergonhosos, e a imaginação se inflama por causa da indisciplina dos olhos. Nossa vivida imaginação (uma das muitas faculdades que distinguem os humanos dos animais) é um precioso dom de Deus. Nenhuma das artes do mundo e poucas das mais nobres realizações teriam sido possíveis se não fosse ela. A imaginação enriquece a qualidade da vida. Mas todos os dons de Deus precisam ser usados com responsabili­dade; podem facilmente ser aviltados e abusados. Isto certa­mente se aplica à nossa imaginação. Duvido que os seres hu­manos seriam vítimas da imoralidade, se antes não abrissem as comportas da paixão através dos seus olhos. Do mesmo modo, sempre que os homens e as mulheres aprendem a controlar o sexo na prática, é porque antes aprenderam a fazê-lo nos olhos da carne e do pensamento. Este pode ser um momento apro­priado para mencionar de passagem como as jovens se vestem. Seria tolo legislar sobre modas, mas sábio (creio eu) é pedir-lhes que façam esta distinção: uma coisa é fazer-se atraente; outra coisa é fazer-se deliberadamente sedutora. As jovens sabem qual ê a diferença; e nós, os homens, também.

Isto nos leva aos versículos 29 e 30: Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti. . . E se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti. . . Evidentemente esse era um ditado de que Jesus gostava, pois ele o citou mais de uma vez. Ele torna a citá-lo mais tarde neste mesmo Evangelho,[211] onde acrescenta o pé, o olho e a mão, e a referência é generali­zada às “tentações”, não explicitamente à tentação sexual. Portanto, o princípio tem uma aplicação mais ampla. Não obstante, foi neste setor específico que Jesus o aplicou no Sermão do Monte. O que ele quis dizer com isto?

Superficialmente parece um mandamento assustador: arrancar um olho transgressor, cortar uma mão ou um pé infra­tor. Alguns cristãos, cujo zelo excedia grandemente a sua sabe­doria, tomaram as palavras de Jesus ao pé da letra e se muti­laram. Talvez o mais conhecido exemplo seja o do mestre Orígenes de Alexandria, do terceiro século. Ele foi aos extremos do ascetismo, renunciando propriedades, alimento e até mesmo sono e, numa interpretação supra literal desta passagem e de Mateus 19:12, tornou-se realmente um eunuco. Algum tempo depois, em 325 d.C, o Concilio de Nicéia acertadamente proibiu esta prá­tica bárbara.

A ordem de desfazer-se dos olhos, das mãos e dos pés que causam problemas é um exemplo do uso dramático que o nosso Senhor fazia das figuras de linguagem. O que ele pretendia não era uma automutilação literal física, mas uma abnegação moral sem concessões. Não mutilação, mas mortificação, é o caminho da santidade que ele ensinou; e “mortificação” ou “tomar a cruz” para seguir a Cristo significa rejeitar as práticas do pecado com tal resolução que ou morremos para elas ou as condenamos à morte.[212]

O que isto envolve, na prática? Vou explanar e interpretar o ensinamento de Jesus assim: “Se o seu olho o faz pecar porque a tentação o assola através dos seus olhos (os objetos que você vê), então arranque os seus olhos. Isto é, não olhe! Comporte-se como se você realmente tivesse arrancado os seus olhos e os tivesse jogado fora, e estivesse agora cego e sem poder ver os objetos que anteriormente o levavam a pecar. Repito, se a sua mão ou o seu pé o fazem pecar, porque a tentação o assola através de suas mãos (coisas que você faz) ou de seus pés (lugares que você visita), então corte-os fora. Isto é: não faça! Não vá! Comporte-se como se na realidade você tivesse cortado e jogado fora seus pés e suas mãos, e estivesse agora aleijado e sem poder fazer as coisas ou visitar os lugares que anteriormente o levavam a pecar.” Este é o significado de “mortificação”.

Ficamos imaginando se já houve uma geração na qual este ensinamento de Jesus foi mais necessário ou mais obviamente aplicável do que na nossa, quando o rio de obscenidades (litera­tura pornográfica e filmes sobre sexo) está transbordando e inundando. A pornografia ofende os cristãos (e, dizendo a ver­dade, a qualquer pessoa de mente sadia) em primeiro lugar e principalmente porque rebaixa a mulher da sua condição de ser humano para a de objeto sexual, mas também porque oferece ao espectador um estímulo sexual que não é natural. Se temos um problema de falta de controle sexual e se, apesar disso, nossos pés nos levam a ver tais filmes, nossas mãos manejam tal literatura e nossos olhos deleitam-se com as figuras que nos oferecem, não só estamos pecando, como também abrindo as portas à tragédia.

Ao dizer estas palavras, longe de mim desejar estabelecer leis ou criar regras humanas sobre que livros ou revistas o cristão pode ler, a que peças de teatro ou a quais filmes pode assistir (ao vivo ou na TV), ou que exposições de arte pode visitar. Pois nós temos de reconhecer que todos os homens e mulheres foram criados diferentes. O desejo sexual é mais facilmente despertado em alguns do que em outros, e coisas diferentes o estimulam. A autodisciplina sexual e o autocontrole é mais fácil para uns do que para outros. Alguns podem olhar abertamente para quadros sexuais (em revistas ou filmes) e permanecer totalmente ilesos, enquanto outros os acham terrivelmente corruptores. Nossos temperamentos variam e, conseqüentemente, também as nossas tentações. Por isso, não temos o direito de julgar os outros sobre o que sentem que podem permitir-se.

O que temos liberdade de dizer é apenas isto (pois é o que Jesus disse): se o seu olhar o faz pecar, não olhe; se o seu pé o faz pecar, não vá; e se a sua mão o faz pecar, não faça. A regra que Jesus estabeleceu é hipotética, não universal. Não exigiu que todos os seus discípulos (metaforicamente falando) arrancassem os olhos ou se mutilassem, mas só aqueles cujos olhos, mãos e pés eram a causa do pecado. São eles que devem agir; outros podem manter os dois olhos, ambas as mãos e ambos os pés, impunemente. É claro que até estes devem refrear-se de certas liberdades por causa do amor por aqueles que têm a consciência ou a vontade mais fraca; mas este é um outro princípio de que não se trata aqui.

O que se torna necessário a todos àqueles que têm forte ten­tação sexual e, na verdade, a todos nós, em princípio, é a disci­plina na vigilância contra o pecado. A colocação de sentinelas é comum nas táticas militares; colocar sentinelas morais é igual­mente indispensável. Será que somos tão tolos a ponto de dei­xarmos que o inimigo nos domine, simplesmente porque não colocamos sentinelas para nos advertir de sua aproximação?

Obedecer a este mandamento de Jesus envolverá, para muitos de nós, um certo “mutilamento”. Teremos de eliminar de nossas vidas determinadas coisas que (embora algumas possam ser inocentes em si mesmas) são, ou poderiam facilmente tornar-se, fontes de tentação. Em sua própria linguagem metafórica, podemos tornar-nos sem olhos, sem mãos ou sem pés. Isto ê, deliberadamente declinaremos da leitura de determinada litera­tura, de assistir a certos filmes, e visitar certas exposições. Se o fizermos, seremos considerados por alguns dos nossos contem­porâneos como pessoas de mentalidade estreita, como bárbaros filisteus. “O quê?”, eles dirão com incredulidade, “Você não leu esse livro? Não viu aquele filme? Você está por fora, cara!” Talvez estejam certos. Talvez tenhamos de nos tornar culturalmente “mutilados” a fim de preservar a nossa pureza de mente. A única pergunta que permanece é se, por amor a tal proveito, estamos prontos a suportar essa perda e esse ridículo.

Jesus foi bastante claro sobre isso. É melhor perder um mem­bro e entrar na vida mutilado, disse ele, do que conservar todo o nosso corpo e ir para o inferno. É o mesmo que dizer: é melhor perder algumas das experiências que esta vida oferece, a fim de entrar na vida que é vida realmente; é melhor aceitar alguma amputação cultural neste mundo do que arriscar-se à destruição no outro. É claro que este ensinamento vai totalmente contra os padrões modernos da permissividade. Baseia-se no princípio de que a eternidade é mais importante do que o tempo, que a pureza é mais do que a cultura, e que qualquer sacrifício é válido nesta vida se for necessário para assegurar a entrada na outra. Temos simplesmente de decidir se queremos viver para este mundo ou para o outro, se queremos seguir a multidão ou a Jesus Cristo.

Mateus 5:31-37
A justiça do cristão:
fidelidade no casamento e honestidade nas palavras

 

A terceira antítese (sobre o divórcio) é uma seqüência natural da segunda (sobre o adultério). Pois, em determinadas circuns­tâncias, Jesus diz agora, um novo casamento de uma pessoa divorciada, ou com uma pessoa divorciada, é equivalente a adul­tério. Esta terceira antítese é essencialmente um chamamento à fidelidade matrimonial.

Confesso minha relutância básica em tentar fazer a expo­sição destes versículos. Parcialmente porque o divórcio é um assunto complexo e controvertido, mas muito mais porque é um assunto que afeta profundamente as emoções das pessoas. Pode-se dizer que talvez não haja infelicidade tão pungente quanto a de um casamento infeliz. Talvez não haja tragédia maior que a degeneração, numa separação de amargura, discórdia e deses­pero, do relacionamento que Deus pretendia que fosse cheio de amor e satisfação. Embora eu creia que o caminho divino, em muitos casos, não é o divórcio, espero escrever com sensibili­dade, pois conheço a dor de muitos e não desejo contribuir ainda para o seu desespero. Mas, como estou convencido de que o ensinamento de Jesus sobre este assunto, como sobre qualquer outro, é bom, intrinsecamente bom, tanto para cada indivíduo como para a sociedade, encho-me de coragem para escrever.

 

1. A fidelidade no casamento (vs. 31,32)

Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. 32Eu, porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de adultério, a expõe a tornar-se adúl­tera; e aquele que casar com a repudiada, comete adultério.

Estes dois versículos dificilmente poderiam ser considerados como a totalidade das instruções dadas por nosso Senhor a res­peito do divórcio, ali no monte. Parece serem um sumário abre­viado dos seus ensinamentos, dos quais Mateus registra uma versão mais completa no capítulo 19. É melhor reunir as duas passagens para interpretar a mais curta à luz da mais longa. Foi assim que, mais tarde, aconteceu o debate de Cristo com os fariseus:

19:3 Vieram a ele alguns fariseus, e o experimentavam, pergun­tando: E lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? 4Então respondeu ele: Não tendes lido que o Criador desde o princípio os fez homem e mulher, 5e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? 6De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. 7Replicaram-lhe: Por que mandou então Moisés dar carta de divórcio e repudiar? 8Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração ê que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; entretanto, não foi assim desde o princípio. 9Eu, porém, vos digo: Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra, comete adultério.

Sabemos que havia uma controvérsia sobre o divórcio entre as duas escolas rabínicas rivais de Hillel e de Shammai. O Rabi Shammai adotava uma linha rigorosa e ensinava, com base em Deuteronômio 24:1, que a única base para o divórcio era grave ofensa matrimonial, algo evidentemente “impróprio” ou “inde­cente”. O Rabi Hillel, por outro lado, defendia um ponto de vista muito relaxado. Se é que podemos confiar no historiador judeu Josefo, esta era a atitude comum, pois ele aplicava a pro­visão mosaica a um homem que “deseja divorciar-se de sua esposa por qualquer motivo”.[213] Do mesmo modo, Hillel, argu­mentando que a base para o divórcio era alguma coisa “impró­pria”, interpretava este termo da maneira mais ampla possível para incluir as mais triviais ofensas de uma esposa. Se ela se ordem de toda a passagem; naturalmente não há ordem alguma para o marido divorciar-se de sua esposa, nem qualquer incen­tivo para que o faça. Tudo o que temos, por outro lado, é uma referência a certos procedimentos necessários se o divórcio acon­tecer; e, conseqüentemente, uma permissão muito relutante fica implícita e uma prática costumeira é tolerada.

Como, então, Jesus respondeu à pergunta dos fariseus sobre a regulamentação de Moisés? Ele a atribuiu à dureza dos cora­ções das pessoas. Fazendo assim, não negou que a regulamen­tação vinha de Deus. Deu a entender, entretanto, que não era uma instrução divina, mas apenas uma concessão de Deus por causa da fraqueza humana. Foi por isso que “Moisés vos per­mitiu repudiar . . .”, disse ele (v. 8). Mas, então, imediatamente referiu-se de novo ao propósito original de Deus, dizendo: “En­tretanto, não foi assim desde o princípio.” Assim, até mesmo a própria concessão divina era, em princípio, incoerente com a divina instituição.

c. Os fariseus tratavam o divórcio com leviandade; Jesus o consi­derou tão seriamente que, com uma única exceção, chamou a todo novo casamento depois do divórcio de adultério

Esta foi a conclusão da sua discussão com os fariseus, e isto é o que se registrou no Sermão do Monte. Talvez seja conveniente ver os seus dois argumentos conjuntamente.

5:32 Eu porém, vos digo: Qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada, comete adultério. 19:9 Eu, porém, vos digo: Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra, comete adultério.

Parece que se presume que o divórcio levava ao novo casa­mento das partes divorciadas. Só esta presunção explica a declaração de que um homem que se divorcia de sua esposa sem motivo “a expõe a tornar-se adúltera”. Sua ação teria tal resul­tado apenas se ela se casasse novamente. Além disso, uma sepa­ração sem divórcio — em termos legais, a mensa et toro (de mesa e cama) mas não a vinculo (dos laços matrimoniais) — é um arranjo moderno desconhecido no mundo antigo.

Considerando que Deus instituiu o casamento como uma união exclusiva e permanente, uma união que ele faz e que o homem não deve quebrar, Jesus chega à inevitável conclusão de que divorciar-se de um parceiro e casar-se com outro, ou casar-se com uma pessoa divorciada, é assumir um relaciona­mento proibido, adúltero, pois a pessoa, que conseguiu um di­vórcio aos olhos da lei humana, ainda está casada, aos olhos de Deus, com o seu primeiro parceiro.

Apenas uma única exceção foi feita a este princípio: exceto em caso de relações sexuais ilícitas (5:32) ou sendo por causa de relações sexuais ilícitas (19:9). A chamada “cláusula de exceção” é um enigma muito conhecido. Os comentaristas não são unâ­nimes quanto à sua autenticidade ou quanto ao seu significado.

Em primeiro lugar, esta cláusula é autêntica. Eu gostaria de argumentar, como o fazem quase todos os comentaristas conser­vadores, que temos de aceitar esta cláusula não só como parte genuína do Evangelho de Mateus (pois nenhum manuscrito a omite), mas também como palavra autêntica de Jesus. O motivo por que muitos a rejeitaram, considerando-a como uma interpolação de Mateus, é que está ausente de passagens paralelas nos evangelhos de Marcos e Lucas. Mas Plummer estava certo quando taxou de “hipótese violenta”[214] essa rejeição apressada da cláusula de exceção, considerando-a um acréscimo editorial. Parece muito mais provável que a sua ausência em Marcos e Lucas deve-se não à ignorância deles, mas por pressuporem que esta cláusula fosse assunto do conhecimento de todos. Afinal de contas, sob a lei mosaica o adultério era punido com a morte (embora a pena de morte para esta transgressão possivelmente tenha caído em desuso no tempo de Jesus)[215]; portanto, ninguém teria duvidado que a infidelidade conjugai fosse motivo para o divórcio. Até mesmo os rabinos rivais, Shammai e Hillel, con­cordavam com isso. Só discordavam quanto à amplitude com que esta expressão “alguma coisa indecente” em Deuteronômio 24:1 poderia ser interpretada.

A segunda dúvida sobre a cláusula de exceção refere-se ao que significa por causa de relações sexuais ilícitas, conforme traduz a Edição Revista e Atualizada. A palavra grega é porneia. Normalmente é traduzida por “fornicação”, indicando a imora­lidade dos que não são casados, e freqüentemente distingue-se de moicheia (“adultério”), a imoralidade dos casados. Por causa disto, alguns têm argumentado que a cláusula de exceção per­mite o divórcio no caso de descobrir-se algum pecado sexual pré-marital. Alguns acham que “a coisa indecente” de Deute­ronômio 24:1 tem o mesmo significado. Mas a palavra grega não é bastante precisa para ficar assim limitada. Ponteia deriva de ponte, prostituta, sem especificar se esta é casada ou solteira. Também não especifica o estado civil do seu cliente. Mais ainda, foi usada na Septuaginta referindo-se à infidelidade de Israel, a esposa de Jeová, conforme exemplificado em Gomer, esposa de Oséias.[216] Devemos, então, concordar com R. V. G. Tasker, que concluiu que ponteia é um “termo abrangente, incluindo adultério, fornicação e perversão sexual”.[217] Ao mesmo tempo, não temos liberdade de cair no extremo oposto e argumentar que ponteia abranja toda e qualquer ofensa que tenha de alguma forma até mesmo vaga, qualquer coisa a ver com o sexo. Isto seria praticamente o mesmo que igualar porneia com “incompa­tibilidade”, e não temos apoio etimológico para isso. Não; porneia significa “falta de castidade”, algum ato de imoralidade sexual física.

O que, então, Jesus ensinou? N. B. Stonehouse oferece uma boa paráfrase da primeira parte da antítese do Sermão do Monte: “Vocês ouviram a apelação dos mestres judeus sobre Deutero­nômio 24:1, com a intenção de consubstanciar uma prática que permita aos maridos divorciar-se, livremente e a seu bel-prazer, de suas esposas, fornecendo-lhes simplesmente um estúpido documento legal de transação.”[218] “Mas eu digo a vocês”, con­tinuou Jesus, que tal comportamento irresponsável da parte do marido fará com que ele, sua esposa e os novos parceiros tenham uniões que não constituem casamentos, mas adultérios. Neste princípio geral, temos uma exceção. A única situação em que o divórcio e o novo casamento são possíveis sem transgredir o sétimo mandamento é quando o casamento já foi quebrado por algum sério pecado sexual. Neste caso, e só neste caso, Jesus parece ter ensinado que o divórcio seria permissível, ou pelo menos poderia ser obtido sem que a parte inocente adquirisse mais tarde o estigma do adultério. A tendência moderna dos países ocidentais de estruturar a legislação para o divórcio com base, antes, na “separação irrecuperável” ou “morte” do casa­mento e não na “ofensa matrimonial” precisa de leis melhores e mais justas; não se pode dizer que seja compatível com os ensinamentos de Jesus.

Não obstante, o assunto não pode ser abandonado aqui, pois esta relutante permissão de Jesus continua precisando ser consi­derada pelo que é, a saber, uma acomodação sustentada por causa da dureza dos corações humanos. Além disso, deve-se sempre ler no contexto imediato (o endosso enfático de Cristo à permanência do casamento no propósito de Deus) e também no contexto mais amplo do Sermão do Monte e de toda a Bíblia, que proclama um evangelho de reconciliação. Não significa muito o fato de que o Amante Divino estivesse sempre pronto a atrair novamente Israel, sua esposa adúltera?[219] Portanto, que ninguém comece uma discussão sobre este assunto, indagando sobre a legitimidade do divórcio. Estar preocupado com os mo­tivos para o divórcio é ser culpado daquele mesmo farisaísmo que Jesus condenou. Toda a sua ênfase na discussão com os rabinos foi positiva, isto é, foi colocada sobre a instituição ori­ginal divina do casamento como um relacionamento exclusivo e permanente, no qual Deus junta duas pessoas numa união que nenhum homem pode interromper; e (é preciso acrescentar) ele enfatizou a sua ordem dada a seus seguidores para amarem-se e se perdoarem uns aos outros, e para serem pacificadores em cada situação de luta e discórdia. Crisóstomo reuniu, adequada­mente, esta passagem às bem-aventuranças e comentou em sua homília: “Pois aquele que é manso, pacificador, humilde de espírito e misericordioso, como poderia repudiar sua esposa?

Aquele que está acostumado a reconciliar os outros, como po­deria discordar daquela que é a sua própria carne?”[220] Com este ideal, propósito e chamamento divinos, o divórcio só pode ser considerado uma trágica deterioração.

Portanto, falando pessoalmente como pastor cristão, sempre que alguém me pede para conversar sobre o divórcio, já há alguns anos me recuso firmemente a fazê-lo. Adotei como regra não falar com ninguém sobre o divórcio, sem antes falar sobre dois outros assuntos, isto é, casamento e reconciliação. Às vezes, uma discussão destes tópicos torna desnecessária a outra. Final­mente, apenas depois de se ter compreendido e aceitado o ponto de vista divino do casamento e o chamamento divino à recon­ciliação, é que há a possibilidade de se criar um contexto dentro do qual se possa falar com pesar sobre o divórcio. Acho que este princípio de prioridades pastorais é coerente com os ensina­mentos de Jesus.[221]

 

2. Honestidade no falar (v. 33)

Os rabinos não só pendiam para a permissividade em sua atitude para com o divórcio, mas também eram permissivos em seus ensinamentos sobre o juramento. É outro exemplo de como se desviaram das Escrituras do Velho Testamento, a fim de as tornarem mais fáceis de serem obedecidas. Precisamos primeiro examinar a lei mosaica, depois a distorção farisaica e, final­mente, as verdadeiras aplicações da lei sobre as quais Jesus insistiu.

Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus jura­mentos.

Esta não é uma citação exata de nenhuma lei de Moisés. Ao mesmo tempo, não se trata de um resumo impreciso de diversos preceitos do Velho Testamento, de preceitos que exigem das pessoas o cumprimento dos votos que fizeram. E tais votos são, estritamente falando, “juramentos” nos quais a pessoa invoca a Deus como testemunha do seu voto para puni-lo se não o cumprir. Moisés freqüentemente parecia enfatizar o perigo do juramento falso e o dever de cumprir os votos feitos ao Senhor. Eis alguns exemplos:

“Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Ex. 20:7, o terceiro mandamento). “Não jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus” (Lv 19:12). “Quando um homem fizer voto ao Senhor, . . . não violará a sua palavra” (Nm 30:2). “Quando fizeres algum voto ao Senhor teu Deus, não tardarás em cumpri-lo” (Dt 23:21).

Até mesmo uma leitura superficial destes mandamentos torna clara a sua intenção. Proíbem o juramento falso ou perjúrio, isto é, fazer um voto e, depois, quebrá-lo.

Mas os fariseus casuístas trabalhavam sobre estas proibições incômodas e tentavam limitá-las. Afastavam a atenção das pes­soas do voto propriamente dito e da necessidade de cumpri-lo, destacando a fórmula usada no voto. Argumentavam que o que a lei realmente proibia não era tomar o nome do Senhor em vão, mas tomar o nome do Senhor em vão. “Jurar falsamente”, eles concluíram, significava profanação (um uso profano do nome divino), não perjúrio (empenhar a palavra desonestamente). Por isso, desenvolveram regras elaboradas para fazer votos. Fizeram listas de quais fórmulas eram permissíveis, e acrescentaram que apenas aquelas fórmulas que incluíam o nome de Deus tornavam o voto obrigatório. Ninguém precisa ser tão cuidadoso, diziam, sobre a guarda de votos nos quais o nome de Deus não fora usado.

Jesus expressou o seu desprezo por esse tipo de sofisticaria num dos “ais” contra os fariseus (“guias cegos”, ele os chamou) que Mateus registrou mais tarde (23:16-22):

Ai de vós, guias cegos! que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou. 17Insensatos e cegos!Pois, qual é maior: o ouro, ou o santuário que santifica o ouro? 16E dizeis: Quem jurar pelo altar, isso é nada; quem, porém, jurar pela oferta que está sobre o altar, fica obrigado pelo que jurou. 19Cegos! Pois, qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a oferta? 20Portanto, quem jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está. 21Quem jurar pelo santuário, jura por ele e por aquele que nele habita; 22e quem jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que no trono está sentado.

Os ensinamentos de nosso Senhor no Sermão do Monte são semelhantes. A segunda parte de sua antítese, na qual ele apre­senta os seus ensinamentos em oposição aos dos rabinos, diz o seguinte:

5:34 Eu, porém, vos digo: De modo algum jureis: Nem pelo céu, por ser o trono de Deus; 35nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; 36 nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. 37Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar, vem do maligno.

Ele começa argumentando que a pergunta sobre a fórmula usada para se fazer votos é totalmente irrelevante e, particularmente, que a diferença feita pelos fariseus entre a fórmula que menciona Deus e aquelas que não o mencionam é inteiramente artificial. Contudo, por mais que vocês tentem, disse Jesus, não podem evitar alguma referência a Deus, pois o mundo todo é mundo de Deus e vocês não O podem eliminar, de modo algum. Se vocês jurarem pelo “céu”, é o trono de Deus; se pela “terra”, é o es­trado dos seus pés; se por “Jerusalém”, é a sua cidade, cidade do grande Rei. Se vocês jurarem por sua cabeça, na verdade é sua no sentido de não pertencer a qualquer outra pessoa, mas ainda assim é criação de Deus e está sob o seu controle. Você não pode sequer mudar a cor natural de um simples fio de cabelo, preto na juventude e branco na velhice.

Portanto, sendo irrelevante o enunciado preciso de uma fór­mula para fazer votos, então a preocupação com as fórmulas não é ponto importante da lei. Na verdade, considerando que todo aquele que faz um voto deve cumpri-lo (seja qual for a fórmula usada para sua confirmação), falando estritamente todas as fórmulas são supérfluas, pois a fórmula nada acrescenta à solenidade do voto. Um voto é obrigatório, independentemente da fórmula utilizada. Sendo assim, a verdadeira implicação da lei é que devemos cumprir as nossas promessas e ser pessoas de palavra. Então os votos se tornam desnecessários. De modo algum jureis (v. 34), seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não (v. 37). Como diria mais tarde o apóstolo Tiago: “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não.”[222] E o que disto passar, Jesus acrescentou, vem do maligno, tanto da maldade dos nossos co­rações com o seu grande engano, como do maligno, que Jesus descreveu como “mentiroso e pai da mentira”.[223] Assim como o divórcio é devido à dureza do coração humano, os juramentos se devem à falsidade humana. Ambos foram permitidos por lei; nenhum foi ordenado;[224] nem seriam necessários.

Duas perguntas podem surgir em nossas mentes, a esta altura. Primeira, se os juramentos são proibidos, por que Deus mesmo usou juramentos nas Escrituras? Por que, por exemplo, ele disse a Abraão: “Jurei por mim mesmo . . . que deveras te abençoa­rei .. .”?[225] A isto creio que devemos responder que o propósito dos votos divinos não foi aumentar a sua credibilidade (consi­derando que ‘Deus não é homem para que minta’),[226] mas sim despertar e confirmar a nossa fé. A falha que levou Deus a condescender com o nível humano não se deve a qualquer falsidade da parte dele, mas da nossa incredulidade.

Em segundo lugar, se os juramentos ficam proibidos, esta proibição é absoluta? Por exemplo, deveriam os cristãos, a fim de ser coerentes em sua obediência, abster-se de jurar em alguma declaração juramentada diante de um oficial da justiça, e teste­munhar sob juramento num tribunal legal? Os anabatistas ado­tavam esta linha de comportamento, no século dezesseis, e a maioria dos quakers ainda o faz hoje em dia. Embora admiremos o seu desejo de não transigir, surge a questão: tal interpretação não é excessivamente literal? Afinal nem mesmo Jesus, Mateus registra mais tarde, se recusou a responder quando o principal dos sacerdotes o colocou sob juramento, dizendo: “Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.” Jesus confessou que era e que, mais tarde, eles o veriam entronizado à direita de Deus.[227] O que Jesus enfatizou em seus ensina­mentos foi que os homens honestos não precisam recorrer a juramentos; não que eles devam recusar-se a prestar juramento, se tal coisa for exigida por alguma autoridade externa.

A aplicação moderna não é difícil de se achar, pois os ensina­mentos de Jesus são eternos. Jurar (isto é, assumir votos) é real­mente uma confissão patética de nossa própria desonestidade. Por que achamos necessário introduzir nossas promessas com alguma fórmula tremenda: “eu juro pelo arcanjo Gabriel e todo o exército dos céus”, ou “eu juro pela Santa Bíblia”? O único motivo é que sabemos que as nossas simples palavras não são dignas de crédito. Por isso, tentamos induzir as pessoas a acredi­tarem em nós, acrescentando um juramento solene. Interessante é notar que os essênios (uma seita judaica contemporânea de Jesus) tinham altos padrões neste ponto. Josefo escreveu sobre eles: “São conhecidos pela fidelidade e são ministros da paz. Qualquer coisa que digam é mais firme que um juramento. Mas eles evitam o juramento e o consideram pior que o perjúrio, pois dizem que aquele em quem não se pode crer sem (jurar por) Deus, já está condenado.”[228] O mesmo acontece com todas as formas de exagero, hipérboles e o uso de superlativos. Nós não nos contentamos em dizer que passamos horas agradáveis; temos de descrevê-las como “fantásticas” ou “fabulosas” ou até mesmo “fantabulosas” ou qualquer outra invenção. Mas quanto mais recorremos a tais expressões, mais desvalorizamos a linguagem e as promessas humanas. Os cristãos deveriam dizer o que pre­tendem e pretender o que dizem. Nosso “sim” e “não” sem adornos deveria ser o suficiente. E quando um monossílabo é suficiente, por que perder tempo e fôlego acrescentando algo mais?

Mateus 5:38-48
A justiça do cristão: não-vingança e amor ativo

 

As duas antíteses finais levam-nos ao ponto mais alto do Sermão do Monte, pelo qual ele tem sido mais admirado e, ao mesmo tempo, objeto da maior indignação. Trata-se da atitude de amor total que Cristo manda que demonstremos ao perverso (v. 39) e aos nossos inimigos (v. 44). Em nenhum outro ponto o Sermão é mais desafiador do que neste. Em nenhum outro ponto a niti­dez da contracultura cristã é mais óbvia. Em lugar nenhum nossa necessidade do poder do Espírito Santo (cujo primeiro fruto é o amor) é mais constrangedora.

 

1. Atitude passiva e sem vingança (vs. 38-42)

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. 39Eu, porém, vos digo: Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; 40 e ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. 41Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. 42Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.

O extrato dos ensinamentos orais dos rabinos, que Jesus citou, vem direto da lei mosaica. Ao examiná-lo, precisamos lembrar que a lei de Moisés era um código civil, além de moral. Por exemplo, Êxodo 20 contém os dez mandamentos (a destilação da lei moral). Êxodo 21 a 23, por outro lado, contém uma série de “ordenanças”, nas quais os padrões dos dez mandamentos são aplicados à vida da jovem nação. Uma grande variedade de “casos legais” é apresentada, com ênfase sobre prejuízos causados a pessoas e propriedades. É no decorrer desta legis­lação que aparecem as palavras: “Se homens brigarem … se houver dano grave, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por quei­madura, ferimento por ferimento, golpe por golpe.”[229]

O contexto torna claro que, sem dúvida alguma, esta era uma instrução para os juizes de Israel. Na verdade, eles são mencionados em Deuteronômio 19:17, 18. É uma expressão da lex talionis, o princípio de uma retribuição exata, cujo propósito era estabelecer o fundamento da justiça, especificando o castigo que o culpado merecia, e limitar a compensação de sua vítima a um equivalente exato e não mais. Assim, tinha o duplo efeito de caracterizar a justiça e refrear a vingança. Também proibia que membros de famílias inimigas tomassem a lei em suas pró­prias mãos para atos de vingança.

Semelhantemente, na lei islâmica, a lex talionis especificava o máximo castigo admissível. Este era administrado literalmente (e ainda o é, por exemplo, na Arábia Saudita), a não ser que a pessoa ferida desistisse de cobrar a penalidade, ou que seus herdeiros (em caso de assassinato) preferissem o dinheiro de sangue.[230]

É quase certo que, no tempo de Jesus, a retaliação literal pelos prejuízos já fora substituída pela prática legal judaica das penali­dades em dinheiro ou “custos”. Já temos evidência disso muito mais cedo. Os versículos logo após a lex talionis em Êxodo de­cretam que, se um homem ferir seu escravo de modo a lhe des­truir o olho ou quebrar-lhe um dente, em lugar de perder o seu próprio olho ou dente (o que ele bem mereceria, mas que não representaria compensação alguma para o escravo incapacitado), deveria perder o seu escravo: “deixá-lo-á ir forro pelo seu olho (ou dente)”.[231] Podemos ter toda certeza de que, em outros casos, esta penalidade não era fisicamente executada, exceto no caso do homicídio (“vida por vida”), sendo convertida em pagamento de prejuízos.

Mas os escribas e fariseus evidentemente estendiam este princípio da justa retribuição dos tribunais legais (aos quais per­tencia) para o reino dos relacionamentos pessoais (ao qual não pertencia). Tentavam usá-lo para justificação de vingança pessoal, embora a lei o proibisse explicitamente: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo.”[232] Assim, “este excelente, ainda que severo, princípio de retribuição judi­cial estava sendo utilizado com desculpa exatamente para aquilo que devia abolir, isto é, a vingança pessoal”.[233]

Em sua resposta, Jesus não contradisse o princípio da retri­buição, pois é um princípio verdadeiro e justo. Mais tarde, no Sermão, ele mesmo o expôs da seguinte maneira: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (7:1), e todos os seus ensinamentos sobre a terrível realidade do juízo divino, no último dia, repousam sobre o mesmo princípio fundamental. O que Jesus afirmou na antítese era, antes, que este princípio, embora pertença aos tri­bunais legais e ao juízo de Deus, não é aplicável aos nossos rela­cionamentos pessoais. Estes têm de se basear no amor, não na justiça. Nosso dever para com os indivíduos que nos prejudicam não é a vingança, mas a aceitação da injustiça (v. 39).

Mas qual é exatamente o significado deste chamamento à não-resistência? O verbo grego (anthistëmi) é explícito: é resistir, opor-se, enfrentar ou indispor-se com alguém ou com alguma coisa. Portanto, a quem ou a que somos proibidos de resistir?

Talvez outros usos do verbo no Novo Testamento nos ajudem a formar o contexto do nosso pensamento. De acordo com seu principal uso negativo, não devemos acima de tudo resistir a Deus, à sua vontade, à sua verdade ou à sua autoridade.[234] Entre­tanto, constantemente somos instados a resistir ao diabo. Os apóstolos Paulo, Pedro e Tiago nos dizem que nos oponhamos àquele que é “o maligno” por excelência e a todos os poderes do mal que estão à sua disposição.[235] Então, como é possível que Jesus nos tenha mandado não resistir ao perverso? Não podemos absolutamente interpretar este mandamento como um convite a transigir com o pecado ou com Satanás. A primeira pista para a compreensão correta deste seu ensinamento é reconhecer que as palavras tö ponërö (“o perverso”) aqui são masculinas e não neutras. Não estamos proibidos de resistir ao mal propriamente dito, ao mal abstrato, “ao maligno” (que significa o diabo), mas à pessoa má, ou “os que fazem mal a vocês” (BLH). Jesus não nega que a pessoa é má. Ele não nos pede que imaginemos que essa pessoa seja diferente do que é, nem que fechemos os olhos ao seu mau comportamento. O que ele não nos permite é a vin­gança.

As quatro mini-ilustrações que se seguem, todas se aplicam ao princípio da não-retaliação cristã, e indicam até onde deve ir. São pequenos vividos camafeus extraídos de diferentes situa­ções da vida. Cada um deles apresenta uma pessoa (no contexto, uma pessoa que, sob um certo aspecto, é “perversa”) que pro­cura nos fazer o mal, uma nos batendo na face, outra levando-nos às barras da justiça, a terceira recrutando nossos serviços compulsoriamente e a quarta pedindo-nos dinheiro. Todos têm um toque muito atual, exceto o terceiro, que parece um pou­quinho arcaico. O verbo traduzido para obrigar (angareusei), de origem persa, foi usado por Josefo, referindo-se ao “trans­porte compulsório da bagagem militar”.[236] Poderia ser aplicado hoje a qualquer forma de serviço ao qual fôssemos recrutados e não voluntários. Em cada uma das quatro situações, Jesus disse, nosso dever cristão é abster-nos tão completamente da vingança que até permitamos à pessoa “perversa” dobrar a injúria.

Vamos dizer logo de início, não obstante nosso grande descon­forto, que haverá ocasiões em que não poderemos nos esquivar desta exigência e teremos de obedecê-la literalmente. Pode pa­recer fantástica a idéia de oferecermos a face esquerda a alguém que já nos tenha batido na direita, especialmente quando nos lembramos de que “bater na face direita, com as costas da mão, continua sendo ainda hoje, no Oriente, um golpe insultuoso” e que Jesus provavelmente tinha em mente não um insulto comum, mas “um golpe insultuoso bastante específico: o golpe desferido contra os discípulos de Jesus na qualidade de heréticos”.[237] Mas esse é o padrão que Jesus exige, e é o padrão que ele mesmo cumpriu. As Escrituras do Velho Testamento disse­ram sobre ele: “Ofereci as costas aos que me feriam, e as faces aos que me arrancavam os cabelos; não escondi o meu rosto dos que me afrontavam e me cuspiam.” E na ocasião do aconteci­mento, primeiro a polícia judia cuspiu nele, vendou-lhe os olhos e bateu-lhe no rosto e, então, os soldados romanos fizeram o mesmo. Coroaram-no com espinhos, vestiram-no com um manto imperial, colocaram em sua mão um cetro de cana, zombaram dele: “Salve, rei dos judeus!” Ajoelharam-se diante dele, em reverência zombeteira, cuspiram-lhe no rosto e bateram-lhe com as mãos.[238] E Jesus, com a infinita dignidade do autocontrole e do amor, permaneceu calado. Demonstrou sua total recusa em vingar-se, permitindo que continuassem naquela zombaria cruel por quanto tempo quisessem. Mais ainda, antes de nos apres­sarmos em fugir ao desafio do seu ensino e comportamento, declarando-os como um mero idealismo impraticável, preci­samos lembrar que Jesus chamou os seus discípulos para o que Bonhoeffer intitulou de “comunhão da cruz”, uma participação visível da cruz.[239] Foi assim que Pedro o expressou: “Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos . . . pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente.”[240] No dizer impressionante de Spurgeon, nós “temos de ser como a bigorna quando homens perversos são martelos”.[241]

Sim, mas uma bigorna é uma coisa, e um capacho é outra. As ilustrações de Jesus e o seu exemplo pessoal não se referem ao covarde que não oferece resistência; ele mesmo desafiou o principal dos sacerdotes, quando foi por este interrogado na corte.[242] Antes, referem-se ao homem forte, cujo controle de si mesmo e cujo amor aos outros é tão poderoso que rejeita absolu­tamente qualquer forma concebível de retaliação. Mais ainda, por mais conscientes que estejamos em nossa determinação de não fugir às implicações do ensinamento de Jesus, não podemos aceitar os quatro pequenos camafeus com literalismo inexpressivo, sem imaginação. Em parte porque não foram apresentados como regulamentos detalhados, mas como ilus­trações de um princípio; e em parte porque devem ser aceitos em apoio ao princípio que pretendem ilustrar. Esse princípio é o amor, o amor altruísta de uma pessoa que, quando ferida, recusa-se a satisfazer o seu ego através da vingança, mas con­templa o supremo bem-estar da outra pessoa e da sociedade, e determina reagir de acordo. Certamente jamais revidará, pa­gando o mal com o mal, pois está totalmente liberta da animosi­dade pessoal. Pelo contrário, procura pagar o mal com o bem. Por isso está pronta a dar o máximo de seu corpo, de suas roupas, de seu trabalho, de seu dinheiro, até onde estes dons forem requisitados pelo amor.

Portanto, o único limite para a generosidade cristã é o limite estabelecido pelo próprio amor. Por exemplo, o apóstolo Paulo “resistiu” (a mesma palavra grega), certa vez, ao apóstolo Pedro “face a face”. O comportamento de Pedro fora errado, mau. Ele fugira da confraternização com os irmãos gentios, contra­dizendo, assim, o Evangelho. Será que Paulo se deu por vencido e deixou que Pedro escapasse impune? Não. Opôs-se, publica­mente, repreendendo-o e denunciando a atitude de Pedro. E acho que temos de defender a atitude de Paulo como verdadeira expressão de amor, pois, de um lado, não havia qualquer animo­sidade pessoal para com Pedro (ele não o espicaçou, nem o in­sultou, nem o machucou), enquanto que, por outro lado, havia um grande amor pelos cristãos gentios, a quem Pedro desres­peitara, e um grande amor pelo Evangelho que Pedro negara.[243]

Do mesmo modo, as ilustrações de Cristo não devem ser to­madas como carta patente de algum tirano, desordeiro, mendigo ou assassino inescrupuloso. Seu propósito foi proibir a vingança, não incentivar a injustiça, a desonestidade ou o vício. Como podem aqueles que procuram, com prioridade suprema, a ex­pansão do reino justo de Deus, contribuir ao mesmo tempo para a expansão da injustiça? O verdadeiro amor, que tanto se im­porta com o indivíduo como com a sociedade, age para deter o mal e promover o bem. E a ordem de Cristo foi “um preceito de amor, não de insensatez”.[244] Ele não ensina a irresponsabilidade que incentiva o mal, mas a paciência que renuncia à vingança. A autêntica não-resistência cristã é a não-retaliação.

As familiares palavras da ERC “não resistais ao mal” têm sido aceitas por alguns como base para um pacifismo inflexível, com a proibição do uso da força em toda e qualquer situação.

Um dos exemplos mais absurdos disto é “o santo louco” que Lutero descreveu, “que deixava que os piolhos o beliscassem, recusando-se a matá-los, com base neste texto, declarando que tinha de sofrer e que não podia resistir ao mal”![245]

Um exemplo mais respeitável, embora também extremo, foi Leon Tolstoy, o reformador social e notável novelista russo do século XIX. Em sua obra O que eu Creio, 1884, ele descreve co­mo, num período de profunda perplexidade pessoal sobre o signi­ficado da vida, ficou “sozinho com o meu coração e o livro mis­terioso”. Enquanto lia e relia o Sermão do Monte, “subitamente compreendi o que antes não compreendia” e o que, segundo sua opinião, toda a Igreja não havia entendido durante 1.800 anos. “Compreendi que Cristo diz exatamente o que declara”, parti­cularmente na ordem “não resistais ao mal”. “Estas pala­vras . . ., entendidas corretamente, foram para mim uma verda­deira chave para tudo o mais.”[246] No segundo capítulo (“O Man­damento da Não-Resistência”), ele interpreta as palavras de Jesus como proibição a toda violência física contra pessoas e instituições. “E impossível confessar, ao mesmo tempo, que Cristo é Deus, cujo ensinamento básico é a não-resistência ao mal, e, consciente e calmamente, trabalhar para o estabeleci­mento da propriedade, dos tribunais legais, do governo e das forças armadas . . .”.[247] E, outra vez, “Cristo proíbe completa­mente a instituição humana de qualquer tribunal legal” porque estes tribunais resistem ao mal e até mesmo retribuem o mal com o mal.[248] Os mesmos princípios se aplicam, diz ele, à polícia e ao exército. Quando os mandamentos de Cristo forem finalmente obedecidos, “todos os homens serão irmãos, e todos estarão em paz uns com os outros . . . Então o Reino de Deus terá che­gado”.[249] Quando, no último capítulo, tenta defender-se da acusação de ingenuidade porque “os inimigos virão … e, se não os enfrentarmos, eles nos matarão”, ele mesmo contradiz sua cândida, na verdade equivocada doutrina de que os seres hu­manos são basicamente sensatos e afáveis. Até os “chamados criminosos e ladrões . . . amam o bem e odeiam o mal como eu”. E quando eles perceberem, através do ensino e das atitudes dos verdadeiros cristãos, que os não-violentos dedicam suas vidas ao serviço dos outros, “nenhum homem será tão insensato a ponto de privar de comida ou matar aqueles que lhe servem”.[250]

Um homem que foi profundamente influenciado pelas obras de Tolstoy foi Gandhi. Já em criança aprendera a doutrina do ahimsa, “a abstenção de prejudicar aos outros”. Mas, depois, como jovem, leu em Londres pela primeira vez o Baghavad Gita e o Sermão do Monte (“Foi esse Sermão que me fez estimar tanto a Jesus”), e depois, na África do Sul, O Reino de Deus Está em Vós, de Tolstoy. Quando retornou à Índia, cerca de dez anos mais tarde, estava resolvido a pôr em prática as idéias deste último. Falando francamente, sua política não foi nem “resis­tência passiva” (que ele considerava negativa demais), nem “desobediência civil” (que era muito desafiante), mas satyagraha ou “a força da verdade”, a tentativa de vencer os seus oponentes pelo poder da verdade e “pelo exemplo do sofrimento volun­tariamente suportado”. Sua teoria aproximava-se muito da anarquia. “O Estado representa violência numa forma concen­trada e organizada.” No estado perfeito que ele imaginava, em­bora existisse polícia, esta raramente usaria da força; o castigo acabaria; as prisões seriam transformadas em escolas; e o litígio seria substituído pela arbitragem.[251]

E impossível não admirar a humildade e a sinceridade de propósito de Gandhi. Mas a sua política tem de ser considerada irrealista. Ele disse que resistiria aos invasores japoneses (se viessem) com uma brigada de paz, mas a sua declaração jamais precisou ser posta à prova. Ele insistia com os judeus que ofere­cessem uma resistência não-violenta a Hitler, mas estes não o atenderam. Em julho de 1940, enviou um apelo a todos os ingleses para uma cessação de hostilidades, no qual declarava: “Tenho praticado, com precisão científica, a não-violência e suas possibilidades por um período ininterrupto de mais de cinqüenta anos. Eu a tenho aplicado em todos os aspectos da vida: vida doméstica, vida institucional, vida econômica e vida política. Não conheço um só caso no qual tenha fracassado.”[252] Mas o seu apelo caiu em ouvidos moucos. Jacques Ellul faz um perceptivo comentário, dizendo que “um fator essencial para o sucesso de Gandhi” foi o povo com quem estava envolvido. De um lado estavam os hindus, “um povo moldado por séculos de preocu­pação com a santidade e a espiritualidade, . . . um povo . . . capaz de entender de maneira única a sua mensagem e aceitá-la” e, do outro lado, os ingleses, que “oficialmente se declaravam uma nação cristã”, que “não podia permanecer insensível à pregação da não-violência de Gandhi”. “Mas coloquem Gandhi na Rússia de 1925 ou na Alemanha de 1933. A solução teria sido simples: depois de alguns poucos dias ele teria sido preso e nin­guém mais ouviria falar dele.”[253]

Nossa principal divergência com Tolstoy e Gandhi, entre­tanto, não se deve ao fato de seus pontos de vista serem irrea­listas, mas de não serem bíblicos. Não podemos aceitar a ordem de Jesus, “não resistais ao mal”, como proibição absoluta contra o uso de toda a força (incluindo a polícia), a não ser que este­jamos preparados para dizer que a Bíblia se contradiz e que os apóstolos interpretaram mal a Jesus. O Novo Testamento ensina que o Estado é uma instituição divina, comissionada (através de suas autoridades executivas) para punir o malfeitor (isto é, “resistir ao mal”, a ponto de fazê-lo pagar a penalidade pelo mal cometido) e recompensar aqueles que fazem o bem.[254] Esta ver­dade revelada não pode ser distorcida, entretanto, para justificar a violência institucionalizada de um regime opressor. Longe disso. Na verdade, o mesmo Estado, o Império Romano, que em Romanos 13 é chamado de “ministro de Deus”, tendo autori­dade dada por Deus, foi descrito em Apocalipse 13 como aliado do diabo, empunhando a autoridade deste. Mas estes dois aspec­tos do Estado complementam-se mutuamente; não são contra­ditórios. O fato de o Estado ter sido instituído por Deus não o preserva do abuso do poder e de tornar-se instrumento de Satanás. Nem a verdade histórica de que o Estado tem às vezes perseguido homens bons altera a verdade bíblica de que a sua verdadeira função é punir os homens maus. E quando o Estado exerce a sua autoridade, concedida por Deus, para punir, é “ministro de Deus, vingador, para castigar quem pratica o mal”.[255]

Como pode este princípio ser aplicado à guerra? Nenhuma resposta astuta ou fácil, a favor ou contra a guerra, parece pos­sível, embora todos os cristãos certamente concordem que, por sua própria natureza, a guerra é horrível e brutalizante. Na­turalmente, também o conceito de “guerra justa” desenvolvi­do por Tomás de Aquino, uma guerra cuja causa, métodos e resultados devem ser “justos”, dificilmente se relaciona com o mundo moderno. Não obstante, gostaria de argumentar, por um lado, que a guerra não pode ser absolutamente repudiada com base no “não resistais ao mal”, assim como não podemos acabar com a polícia e as cadeias; e, por outro lado, que a sua única justificativa (do ponto de vista bíblico) seria como uma es­pécie de ação policial em escala maior. Além disso, é da essência da ação policial ser discriminatória: prender malfeitores específi­cos a fim de lhes fazer justiça. É porque grande parte da ação bé­lica moderna se desvia muito desses pontos, quer na definição dos malfeitores, ou na punição do mal, que as consciências cristãs re­voltam-se contra ela. Certamente, os horrores indiscriminados da guerra atômica, levando os inocentes de roldão junto com os culpados, bastariam para condená-la totalmente.

O ponto que estou examinando é que os deveres e as funções do Estado são totalmente diferentes daqueles do indivíduo. A responsabilidade individual para com o malfeitor foi estipulada pelo apóstolo Paulo, no final de Romanos 12: “Não torneis a ninguém mal por mal (certamente um eco de “não resistais ao perverso”); esforçai-vos por fazer o bem perante todos os ho­mens . . . não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira (de Deus); porque está escrito: A mim me pertence a vin­gança; eu retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu ini­migo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua ca­beça” (isto é, envergonhando-o, farás que se arrependa). Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.”[256] Veremos que Paulo proíbe a prática da vingança, não porque seja errada em si mesma, mas porque é prerrogativa de Deus, não do ho­mem. “A mim me pertence a vingança”, diz o Senhor. O seu propósito é expressar a ira ou a vingança, agora, através dos tribunais legais (como Paulo prossegue escrevendo em Romanos 13) e, finalmente, no dia do juízo.

Esta diferença das funções dadas por Deus aos dois “ministros de Deus” — o estado para punir o malfeitor, e o cristão para não pagar o mal com o mal, mas vencer o mal com o bem — provoca fatalmente uma dolorosa tensão em todos nós, espe­cialmente porque todos nós, em diferentes graus, somos indivíduos e cidadãos do estado, e, portanto, participamos de ambas as funções. Por exemplo, se minha casa for assaltada uma noite e eu pegar o ladrão, tenho a obrigação de fazê-lo sentar-se e lhe dar alguma coisa para comer e beber mas, ao mesmo tem­po, tenho de telefonar à polícia.

Lutero explicou esta tensão, fazendo uma distinção útil entre a nossa “pessoa” e o nosso “ofício”. Fazia parte do seu ensina­mento sobre os “dois reinos”, o qual foi, entretanto, criticado de maneira justa. Ele o extraiu do texto “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Lutero viu nestas palavras uma dupla existência: um reino divino e espiritual, “o reino de Deus”; e um reino secular e temporal, “o reino do mundo” (ou “do imperador”). No primeiro, que ele também chamou de “o reino à mão direita de Deus”, o cristão vive como “pessoa”; no segundo, “o reino à esquerda de Deus”, o cristão ocupa um “ofício” qualquer, como “pai”, “patrão”, “príncipe” ou “juiz”. “É preciso não confundir os dois”, escreveu Lutero, “a pessoa e o seu ofício”.[257]

Eis aqui parte de como interpretou, na prática, essas duas colocações feitas à ordem de não resistir ao mal: um cristão “vive simultaneamente como cristão para com todos, pessoalmente sofrendo toda sorte de coisas no mundo, e, na qualidade de pessoa secular, mantendo, usando e executando todas as fun­ções necessárias exigidas pela lei de seu país ou cidade . . .” “Um cristão não deve resistir ao mal; mas, dentro dos limites de seu ofício como pessoa secular, deve opor-se a todo o mal.” Resumindo, a regra no reino de Cristo é tolerar tudo, perdoar e recompensar o mal com o bem. Por outro lado, no reino do imperador, não deve haver tolerância para com a injustiça mas, antes, defesa contra o mal e castigo para o mesmo, … de acordo com as exigências do ofício ou a posição de cada pessoa.” “Cris­to .. . não disse: ‘Jamais alguém deve resistir ao mal’, pois solaparia completamente todo o governo e toda a autoridade. Mas ele disse: ‘Vocês, vocês não o farão’.”[258]

A diferença precisa que Lutero fez entre os dois “reinos” foi certamente exagerada. “É difícil fugir ao sentimento”, escreve Harvey McArthur, “que este seu ensinamento concede à esfera secular uma autonomia à qual não tem direito”.[259] Ele chegou ao ponto de dizer ao cristão que, no reino secular, “você não tem de consultar a Cristo qual é o seu dever”, pois é o imperador que lhe diz. Mas as Escrituras não nos permitem colocar os dois reinos um contra o outro num contraste desses, como se a Igreja fosse esfera de Cristo governada pelo amor, e o Estado do impe­rador fosse governado pela justiça. Jesus Cristo tem autoridade universal, e nenhuma esfera pode ser excluída do seu governo. Mais ainda, a administração da justiça pelo Estado precisa ser temperada com amor, enquanto que, na Igreja, o amor precisa, às vezes, ser expresso em termos de disciplina. O próprio Jesus falou da necessidade dolorosa de excluir um transgressor obsti­nado e não arrependido.

Não obstante, acho que a distinção que Lutero fez entre a “pessoa” e o “ofício” ou, como diríamos, entre o indivíduo e a instituição, procede. O cristão tem de sentir-se totalmente livre do desejo de vingança, não só na ação, mas também no seu coração; mas, na posição de oficial do Estado ou da Igreja, poderá receber autoridade de Deus para resistir ao mal e puni-lo.

Para resumir o ensinamento desta antítese, Jesus não proibiu a administração da justiça, mas antes proibiu-nos de tomar a lei em nossas próprias mãos. “Olho por olho” é o princípio de justiça que pertence aos tribunais legais. Na vida pessoal, deve­mos nos livrar não só de toda retaliação em palavras e atos, mas também de toda animosidade de espírito. Podemos e de­vemos entregar nossa causa ao Juiz bom e justo, como o próprio Jesus fez,[260] mas não devemos procurar nem desejar qualquer vingança pessoal. Não devemos retribuir o mal, mas suportá-lo e, assim, vencer o mal com o bem.

Portanto, a ordem de Jesus de não resistir ao mal não deveria ser usada para justificar uma fraqueza de caráter, uma transigên­cia moral ou uma anarquia política, ou até mesmo o pacifismo total. Pelo contrário, o que Jesus exige aqui de todos os seus discí­pulos é uma atitude pessoal para com os malfeitores, que seja fruto da misericórdia, não da justiça; que renuncie à retaliação a ponto de expor-se a custosos sofrimentos futuros; que jamais seja governada pelo desejo de causar o mal, mas sempre com a deter­minação de servir e proporcionar o mais alto bem.

Não conheço ninguém que tenha expressado isso em termos mo­dernos mais relevantes do que Martin Luther King, que aprendeu tanto de Gandhi quanto este de Tolstoy, embora ele entendesse os ensinamentos de Jesus melhor do que aqueles. Não temos dúvidas quanto aos sofrimentos injustos que Luther King teve de suportar. O Dr. Benjamin Mays fez uma lista deles no seu fune­ral: “Se algum homem conheceu o significado do sofrimento, este foi King. A sua casa foi bombardeada; viveu, durante treze anos, dia após dia, sob constantes ameaças de morte; foi malicio­samente acusado de ser comunista; foi falsamente acusado de ser um hipócrita . . .; foi esfaqueado por um membro de sua própria raça; foi esmurrado no vestíbulo de um hotel; foi preso mais de vinte vezes; uma vez foi profundamente magoado porque os seus amigos o traíram, e, não obstante, este homem não guardava amargura em seu coração, nem rancor em sua alma, espírito de vingança em sua mente; e ele andou por este mundo pre­gando a não-violência e o poder redentor do amor.”[261]

Um dos seus mais comoventes sermões, baseado em Mateus 5:43-45, intitulava-se “Amando os seus Inimigos” e foi escrito numa cadeia da Geórgia. Lutando com as perguntas por quê e como os cristãos devem amar, descreveu como “o ódio multiplica o ódio … em uma espiral descendente de violência” e que é “exatamente tão perigoso para a pessoa que odeia” como para a sua vítima. Mas, acima de tudo, “o amor é a única força capaz de transformar um inimigo em um amigo”, pois tem poder “criativo” e “redentor”. Ele prosseguiu aplicando o seu tema à crise racial nos Estados Unidos. Por mais de três séculos, os negros americanos sofreram opressão, frustração e discrimi­nação. Mas Martin Luther King e seus amigos estavam deter­minados a “enfrentar o ódio com amor”. Então, ganhariam não somente a liberdade como também seus próprios opressores, “e a nossa vitória será uma vitória dupla”.[262]

 

2. Amor ativo (vs. 43-48)

Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; 45para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos. 46Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? 48Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.

Já vimos como é gritante a distorção da lei, feita com a instrução: “Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo”, considerando-se o que omite e o que acrescenta ao mandamento. Deliberadamente estreita tanto o padrão do amor (deixando de fora as palavras cruciais “como a ti mesmo”, que elevam imensamente o padrão) quanto os destinatários desse amor (qualificando a categoria de próximo com a exclusão específica dos inimigos e acrescentando a ordem de odiá-los). Digo que a perversão é “gritante” porque lhe falta qualquer justificativa, apesar de os rabinos   a   defenderem   como   interpretação   legítima.   Eles apegavam-se ao contexto imediato da inconveniente ordem de amar o próximo, destacando que Levítico 19 dirigia-se “a toda a congregação do povo de Israel”. São instruções para os israe­litas sobre seus deveres para com seus pais e, de maneira mais ampla, para com seus “próximos” e seus “irmãos”. Não deviam oprimi-los nem roubá-los, qualquer que fosse a sua posição social. “Não aborrecerás a teu irmão no teu íntimo . . . Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo” (vs. 17,18).

Era bastante fácil para a casuística ética (consciente ou incons­cientemente ansiosa em aliviar o peso deste mandamento) torcê-lo para sua própria conveniência. “Meu próximo”, argumen­tavam, “é alguém do meu próprio povo, um companheiro judeu, de minha própria parentela, que pertence a meu povo e à minha religião. A lei nada diz sobre estrangeiros ou inimigos. Portanto, considerando que o mandamento é de amar apenas o meu pró­ximo, posso aceitar como permissão, até mesmo injunção, odiar o meu inimigo, pois ele não é meu próximo para que o ame.” O raciocínio é bastante razoável para convencer aqueles que querem ser convencidos, e para confirmá-los em seu próprio preconceito racial. Mas é uma racionalização, e bastante espe­ciosa. Eles evidentemente ignoravam a instrução anterior, dada no mesmo capítulo, de deixar as respigaduras dos campos e das vinhas “para o natural e para o forasteiro”, que não era judeu mas um estrangeiro residente, bem como a declaração inequívoca contra a discriminação racial, no final do capítulo: “Como o natural será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos” (v. 34). Do mesmo modo, “a mesma lei haja para o natural e para o forasteiro que pere­grinar entre vós” .[263]

Eles também faziam olhos cegos para os outros mandamentos que regulavam a sua conduta para com os inimigos. Por exem­plo: “se encontrares o boi do teu inimigo, ou o seu jumento, desgarrado, lho reconduzirás. Se vires prostrado debaixo da sua carga o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo-ás a erguê-lo”.[264] Instruções quase idênticas foram dadas em relação ao boi ou jumento de um irmão,[265] indicando que as exigências do amor eram as mesmas para com os animais que pertenciam a um “irmão” ou a um “inimigo”. Os rabinos também deviam saber muito bem os ensinamentos dos Provérbios, que o apóstolo Paulo citaria mais tarde como ilus­tração de como vencer o mal ao invés de se vingar: “Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; se tiver sede, dá-lhe água para beber”.[266]

Não deixa de ser verdade que os escribas e fariseus podem ter acrescido, como se fosse concessão bíblica, o ódio aos ini­migos, por causa das guerras dos israelitas contra os cananeus ou devido aos salmos imprecatórios. Mas, nesse caso, entenderam mal tanto as guerras como os salmos. Os cananeus eram, segundo estudos modernos sobre o Oriente próximo, povos totalmente corruptos na religião e na cultura. Tão nojentas eram as suas abomináveis práticas que foi dito que a própria terra “vomitou os seus moradores”. Na verdade, se Israel se­guisse os costumes deles, partilharia do seu destino.[267] “As guer­ras de Israel”, escreveu Bonhoeffer, “são as únicas guerras santas da História. Eram as guerras de Deus contra o mundo da ido­latria. Esta inimizade Jesus não a condena, pois que com ela condenaria toda a história de Deus com seu povo. Antes Jesus confirma a antiga aliança … Já não pode mais haver guerras santas”.[268]

Quanto aos salmos imprecatórios, neles o salmista fala não com alguma animosidade pessoal, mas como representante do povo escolhido de Deus, Israel, considerando os ímpios como inimigos de Deus e como seus próprios inimigos apenas por se ter identificado completamente com a causa de Deus; ele os odeia porque ama a Deus e está tão confiante que este “ódio” é um “ódio perfeito”, que invoca a Deus no próximo instante para que sonde o seu coração, para que o esquadrinhe e examine os seus pensamentos, a fim de ver se há neles alguma coisa má.[269] Porque não podemos facilmente aspirar a algo assim é uma indicação não de nossa espiritualidade, mas de nossa falta dela; não de nosso amor superior pelos homens, mas de nosso amor inferior a Deus; na verdade, de nossa incapacidade de odiar os maus com um ódio que é “perfeito” e não “pessoal”.

A verdade é que os homens deveriam constituir o objeto do nosso “amor” e do nosso “ódio” ao mesmo tempo, pois são, simultaneamente, objeto do amor e do ódio de Deus (embora o seu “ódio” seja expresso como “ira”). “Amá-los” ê desejar ardentemente que se arrependam e creiam para serem salvos. “Odiá-los” é desejar, com idêntico ardor, que incorram no juízo divino se, obstinadamente, se recusarem a arrepender-se e crer. Você já orou alguma vez pela salvação de homens perversos (por exemplo, de homens que blasfemam contra Deus ou que ex­ploram os seus companheiros como se estes fossem animais), pedindo que, se recusarem a salvação, o juízo de Deus recaia sobre eles? Eu já. É uma expressão natural de nossa fé em Deus, de que ele é o Deus da salvação e do juízo, e que nós desejamos que a sua vontade perfeita se faça.

Portanto, existe algo assim como o ódio perfeito, exatamente como existe algo assim como a ira justa. Mas é o ódio contra os inimigos de Deus, não os nossos próprios. É totalmente livre de qualquer malevolência, rancor e espírito de vingança, e é ateado exclusivamente pelo amor à honra e glória de Deus. En­contra expressão na oração dos mártires por causa da palavra de Deus e do seu testemunho.[270] E será expresso no último dia por todo o grupo do povo redimido de Deus que, vendo o juízo divino recair sobre os maus, vai concordar com sua justiça per­feita e exclamará em uníssono: “Aleluia! A salvação, e a glória e o poder são do nosso Deus, porquanto verdadeiros e justos são os seus juízos . . . Amém, Aleluia!”[271]

Certamente teremos de concordar que um “ódio” assim puro, contra o mal e contra os homens perversos, isento de qualquer traço de malícia pessoal, não concedia aos rabinos qualquer justificativa possível para modificar a ordem divina de amar os nossos próximos, transformando-a em permissão de também odiar aqueles que nos odeiam, os nossos inimigos pessoais. As palavras “e odiarás o teu inimigo” foram um “acréscimo para­sita”[272] à lei de Deus; eram completamente estranhos àquela passagem. Deus não ensinou «ao seu povo um padrão duplo de moral, um para o próximo e outro para o inimigo.

Assim, Jesus contestou aquela adição como grosseira distorção da lei, que era: Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos (v. 44). Pois o nosso próximo, como ele mais tarde exemplificou tão claramente na parábola do bom samaritano,[273] não é neces­sariamente um membro de nossa própria raça, classe social ou religião. Pode até nem ter qualquer ligação conosco. Pode ser nosso inimigo, que está à nossa procura com um punhal ou com uma arma de fogo. Nosso “próximo”, no vocabulário de Deus, inclui o nosso inimigo. O que o faz ser nosso próximo é simplesmente o fato de ser um ser humano em necessidade, da qual tenhamos tomado conhecimento, estando em nós a possi­bilidade de aliviá-la de alguma forma.

Qual é, então, a nossa obrigação para com o nosso próximo, seja amigo ou inimigo? Temos de amá-lo. Mais ainda, se acres­centarmos as cláusulas da narrativa do Sermão do Monte em Lucas, o nosso amor por ele será expresso em atos, palavras e orações.

Primeiro, nossos atos. “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam… Amai os vossos inimigos, fazei o bem.. .”[274] Os praticantes do bem (filantropos) são desprezados no mundo de hoje e, para se dizer a verdade, mesmo sendo a filantropia obrigatória e condescendente, ela não é o que Jesus quis dizer com “fazer o bem”. O que ele quis dizer é que o verdadeiro amor não é tanto um sentimento mas, antes, um trabalho prático, humilde, sacrificial. Conforme Dostoyevsky disse: “O amor em ação é muito mais fatal do que o amor em sonhos.” Nosso ini­migo está procurando nos fazer mal; nós temos de procurar o bem dele, pois é assim que Deus nos tem tratado. Foi “enquanto ainda éramos inimigos” que Cristo morreu por nós para nos reconciliar com Deus.[275] Se ele se deu pelos seus inimigos, nós temos de nos dar pelos nossos.

As palavras também podem expressar o nosso amor, palavras dirigidas diretamente aos nossos inimigos e palavras dirigidas a Deus em benefício deles. “Bendizei aos que vos maldizem.” Mesmo que eles invoquem o desastre e a catástrofe sobre as nossas cabeças, expressando em palavras o seu desejo de nos ver cair, devemos retribuir invocando as bênçãos dos céus sobre eles, declarando em palavras que só lhes desejamos o bem. Final­mente, dirigimos nossas palavras a Deus. Ambos os evange­listas registraram esta ordem de Jesus: “Orai pelos que vos per­seguem.”[276] Crisóstomo viu esta responsabilidade de orar por nossos inimigos como “o ápice do autocontrole”.[277] Na verdade, quando voltamos os olhos para as exigências destas duas últimas antíteses, vemos nove degraus ascendentes, com a intercessão no alto. Primeiro, não devemos tomar qualquer iniciativa per­versa. Segundo, não devemos nos vincar do mal. Terceiro, temos de ficar quietos, e, quarto, temos de sofrer a injustiça. Quinto, temos de conceder ao malfeitor mais do que ele exige. Sexto, não devemos odiá-lo, mas (degraus 7 e 8) devemos amá-lo e lhe fazer o bem. Como nosso nono dever, temos de “suplicar a Deus em benefício dele”.[278]

Os comentaristas modernos também têm considerado tal inter­cessão como o auge do amor cristão. “Isto é o máximo”, escreveu Bonhoeffer. “Na oração colocamo-nos ao lado do inimigo, es­tamos com ele, junto dele, por ele diante de Deus.”[279] Mais ainda, se a oração intercessória for uma expressão do nosso amor, desenvolverá ainda mais esse amor. É impossível orar por al­guém sem amar essa pessoa, e é impossível continuar orando por ela sem descobrir que nosso amor está crescendo e amadu­recendo. Não devemos, portanto, esperar para orar pelo inimigo até que ele desperte algum amor em nosso coração. Devemos começar a orar por ele antes de tomarmos consciência de que o amamos, e descobriremos que o nosso amor está começando a brotar e, depois, a florir. Parece que Jesus orou por seus atormentadores enquanto os cravos de ferro estavam sendo intro­duzidos em suas mãos e pés; realmente o tempo imperfeito sugere que ele continuou orando, repetindo sua súplica: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34).[280] Se a cruel tortura da crucificação não pôde silenciar a oração de nosso Senhor pelos seus inimigos, que dor, orgulho, preconceito ou preguiça poderia justificar o nosso silêncio?

Sinto que neste capítulo estou citando Bonhoeffer mais do que qualquer outro comentarista. Suponho que isto se deva ao fato de que, apesar de ter escrito antes do começo da guerra, ele percebeu para onde o Nazismo caminhava e nós sabemos qual foi o destino do seu testemunho cristão. Ele citou um certo A. F. C. Villmar de 1880, mas suas palavras soavam tão profé­ticas quanto as do próprio Bonhoeffer: “Os mandamentos do amor ao próximo e da renúncia à vingança ficarão bem evidentes na luta divina que está iminente . . . Todo aquele que con­fessar o nome de Deus vivo será excluído da sociedade por causa desta confissão, será perseguido de cidade em cidade, será agre­dido fisicamente, maltratado e, eventualmente, assassinado. Está iminente uma perseguição geral aos cristãos . . . Tempos virão em que elevaremos nossas mãos em oração . . . Será a oração do amor mais íntimo para com esses perdidos que nos cercam e nos olham com ódio, com as mãos já erguidas para o golpe de misericórdia … A Igreja que de fato aguarda o Senhor, que compreende os sinais decisivos dos tempos, há de lançar-se à oração do amor com todas as suas forças da alma, com todas as forças conjugadas de sua vida santificada. “[281]

Tendo mostrado que o nosso amor pelos nossos inimigos expressar-se-á em atos, palavras e orações, Jesus prossegue decla­rando que só então provaremos conclusivamente de quem somos filhos, pois só então estaremos exibindo um amor como o amor de nosso Pai celestial. Porque ele faz nascer o seu sol (a propó­sito, observe a quem o sol pertence!) sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos (v. 45). O amor divino é amor indiscriminado, para com os bons e maus indistintamente. Os teólogos (segundo Calvino) chamam a isto de “graça comum” de Deus. Não é a “graça salvadora”, que leva os pecadores ao arrependimento, à fé e à salvação; mas a graça demonstrada para com toda a humanidade, para com o arrependido e para com o não-arrependido; para com o crente e para com o incré­dulo, igualmente. Esta graça comum de Deus expressa-se, en­tão, não no dom da salvação, mas nos dons da criação, e nas não menos importantes bênçãos da chuva e do sol, sem as quais não poderíamos comer, nem poderia a vida no planeta con­tinuar. Isto, então, deve ser o padrão do amor cristão. Devemos amar como Deus, não como os homens.

Pois se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Qual seria o crédito? “Até os pecadores amam aos que os amam.”[282] Os homens decaídos não são incapazes de amar. A doutrina da depravação total não significa (e jamais significou) que o pecado original deixou o homem incapaz de fazer qual­quer coisa boa, mas, antes, que todo o bem que faz está até certo ponto manchado pelo mal. Os pecadores não redimidos podem amar. O amor paterno, o amor filial, o amor conjugai, o amor entre amigos, todos estes, que tão bem conhecemos, são experiências normais de homens e mulheres sem Cristo. Até os publicanos (os mesquinhos cobradores de impostos que, por causa de sua extorsão, tinham a reputação de gananciosos) amavam a quem os amava. Até os gentios (aqueles “cães”, como os judeus os chamavam, esses intrusos que odiavam os judeus e que desviavam o olhar ao verem um deles na rua) até eles se saúdam entre si. Nada disso estava sendo posto em dúvida.

Mas todo o amor humano, até o mais elevado, o mais nobre e o melhor, está até certo ponto contaminado pelas impurezas do interesse próprio. Nós, os cristãos, somos especificamente chamados para amar os nossos inimigos (amor no qual não há interesse próprio), e isto torna-se impossível sem a graça sobre­natural de Deus. Se amamos apenas aqueles que nos amam, não somos melhores do que os vigaristas. Se cumprimentamos apenas os nossos irmãos e irmãs, apenas os nossos companheiros cristãos, não somos melhores do que os pagãos; eles também se cumprimentam uns aos outros. A pergunta de Jesus foi: O que vocês estão fazendo mais do que os outros? (v. 47). Esta simples palavra, mais, foi o ponto culminante do que ele estava dizendo. Não basta aos cristãos parecer-se com os não-cristãos; nossa vocação ê para ultrapassá-los em virtude. Nossa justiça tem de exceder (perisseusê . . . pleion) a dos fariseus (v. 20) e o nosso amor deve ultrapassar, ser mais do que (perisson) o dos gentios (v. 47). Bonhoeffer explica bem isso: “O fator especificamente cristão consiste no ‘extraordinário, no perisson, no invulgar, não natural . . . É o muito mais, o muito superior. O natural é to auto (a mesma coisa) tanto para gentios como para cristãos; o especificamente cristão começa com o perisson … O essencialmente cristão consiste no ‘extraordinário’.”[283]

E o que é operisson, este “mais” ou “extra” que os cristãos devem exibir? Bonhoeffer responde assim: “É o próprio amor de Jesus Cristo, o amor que sofrendo e obedecendo vai à cruz . . . A essência, o extraordinário do cristianismo é a cruz.”[284] O que ele escrever é verdade. Mas, para sermos mais precisos, a ma­neira como Jesus o expôs declara que este “super-amor” não é o amor dos homens, mas o amor de Deus que, pela graça co­mum, concede o sol e a chuva aos ímpios. Portanto, sede vós (o “vós” é enfático, fazendo a distinção entre os cristãos e os não-cristãos) perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste (v. 48). O conceito de que o povo de Deus deve imitar a Deus e não aos homens não é novo. O livro de Levítico repete cerca de cinco vezes este mandamento como um refrão: “Eu sou o Senhor vosso Deus: portanto . . . sereis santos, porque eu sou santo.”[285] Mas, aqui, Cristo nos chama para sermos “perfeitos”, não apenas “santos”.

Alguns mestres que ensinam a santidade têm erigido sobre este versículo grandes sonhos quanto à possibilidade de se atin­gir nesta vida um estado de perfeição sem pecado. Mas as pala­vras de Jesus não podem ser forçadas para significar algo assim sem provocar discordância no Sermão, pois ele já indicou nas bem-aventuranças que a fome e a sede de justiça são uma carac­terística perpétua dos seus discípulos[286] e, no capítulo seguinte, ele nos ensina a orar constantemente “perdoa-nos as nossas dívidas”.[287] A fome de justiça e a oração pelo perdão, sendo con­tínuas, são indicações claras de que Jesus não esperava que seus seguidores se tornassem moralmente perfeitos nesta vida. O contexto mostra que a “perfeição” à qual ele se refere rela­ciona-se com o amor, esse perfeito amor de Deus que é demons­trado até mesmo àqueles que não o retribuem. Na verdade, os mestres nos dizem que a palavra aramaica que Jesus teria usado significava “tudo-abrangente”. O versículo paralelo da narrativa de Lucas sobre o Sermão confirma isso: “Sede misericordiosos, como também ê misericordioso vosso Pai.”[288] Somos chamados para ser perfeitos em amor, isto é, para amar até os nossos ini­migos com o amor misericordioso e abrangente de Deus.

O chamado que Cristo nos faz é novo, não apenas porque é uma ordem para sermos “perfeitos”, mais do que “santos”, mas também por causa da descrição que faz do Deus que de­vemos imitar. No Velho Testamento encontramos sempre: “Eu sou o Senhor, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto vós sereis santos, porque eu sou santo.” Mas, agora, nos dias do Novo Testamento, não é mais ao único Redentor de Israel que somos chamados a seguir e obedecer; mas ao Pai celeste (vs. 45, 48). E nossa obediência virá dos nossos corações como manifestação de nossa nova natureza; pois somos filhos de Deus, através da fé em Jesus Cristo, e podemos de­monstrar de quem somos filhos apenas quando exibimos a seme­lhança familiar, somente quando nos tornamos pacificadores como ele é (v. 9), apenas quando amamos com um amor todo-abrangente como o seu (vs. 45, 48).

As duas últimas antíteses da série revelam uma progressão. A primeira é uma ordem negativa: Não resistais ao perverso; a segunda é positiva: Amai os vossos inimigos e procurai o seu bem. A primeira é um chamado para uma não-retaliação pas­siva, a segunda para um amor ativo. Ou, nas palavras de Agos­tinho: “Muitos têm aprendido a oferecer a outra face, mas não sabem como amar a pessoa que os esbofeteou.”[289] Portanto, temos de ir além da paciência, até o serviço; além da recusa de retribuir o mal, até a determinação de vencer o mal com o bem. Alfred Plummer resumiu as alternativas como admirável sim­plicidade: “Retribuir o bem com o mal ê demoníaco; retribuir o bem com o bem é humano; retribuir o mal com o bem é di­vino.”[290]

Através de toda a sua exposição, Jesus apresenta-nos os mo­delos alternativos com os quais contrasta a cultura secular à contracultura cristã. Arraigada na cultura não-cristã está a noção de retribuição, a retribuição tanto do mal como do bem. A primeira é óbvia, pois significa vingança. Mas a segunda, às vezes, é sobrelevada. Jesus expressou-a com a frase “fazer o bem aos que vos fazem o bem”.[291] Portanto, a primeira diz: “Você me prejudicou, e eu vou lhe fazer o mesmo”, e a segunda: “Você me fez um benefício, e eu lhe farei outro”, ou (mais coloquial­mente) “amor com amor se paga”. Portanto, a retribuição é o método do mundo; a vingança, de um lado, e a recompensa, de outro, devolvendo injúrias e devolvendo favores. Então fica­mos quites, nada devendo a ninguém, e acertamos as nossas contas. É o expediente do orgulhoso que não suporta ficar de­vendo nada a ninguém. É uma tentativa de ordenar a sociedade através de uma justiça dura e imediata que nós nos adminis­tramos, de modo que ninguém consegue, de forma alguma, ser melhor do que nós.

Mas isso não funciona no reino de Deus! Os pecadores, os gentios e os cobradores de impostos comportam-se assim. É o máxi­mo que eles podem atingir. Mas esse perdão não é suficiente­mente alto para os cidadãos do reino de Deus: o que vocês fazem mais do que os outros?, Jesus pergunta (v. 47). Portanto, o mode­lo que ele coloca diante de nós como alternativa do mundo à nos­sa volta é o Pai que está acima de nós. Considerando que ele é bondoso para com o mau e o bom, igualmente, seus filhos tam­bém o devem ser. A vida da velha e decaída humanidade baseia-se na justiça rude, que se vinga das injúrias e retribui os favores. A vida da nova e redimida humanidade baseia-se no amor divino, recusando-se. à vingança, mas vencendo o mal com o bem.

Jesus acusou os fariseus por duas sérias restrições ao amor. Naturalmente eles criam no amor. Todas as pessoas crêem no amor. Sim, mas não o amor por aqueles que os tenham mal­tratado, e nem tampouco o amor pelos gentios intrusos. O espí­rito do farisaísmo continua difuso. É o espírito da vingança e do racismo. O primeiro diz: “Eu amo gente agradável, que não faz mal a ninguém, mas não vou me calar diante daqueles que me prejudicam.” O segundo diz: “Eu amo meus amigos e pa­rentes, mas não esperem que eu ame quem eu não conheço.” Na verdade, Jesus espera que os seus discípulos façam exata­mente aquelas coisas que as pessoas acham que não podem ser esperadas de ninguém que tenha a cabeça no lugar. Ele nos convoca a renunciar a todas aquelas restrições convenientes que gostamos de impor ao amor (especialmente a vingança e o ra­cismo), para amarmos de maneira todo-inclusíva e construtiva, como Deus.

Examinando todas as seis antíteses, torna-se claro qual é a justiça “melhor” para a qual os cristãos são chamados. E uma justiça profunda, que vem do coração onde o Espírito Santo gravou a lei de Deus. É um fruto novo que exibe a novidade da árvore, vida nova desabrochando da nova natureza. Portanto, não temos liberdade para esquivar-nos ou fugir das sublimes exigências da lei. Esquivar-se à lei é um passatempo dos fariseus; a característica dos cristãos é um ávido apetite para a justiça, uma contínua fome e sede dela. E esta justiça, quer seja expressa na pureza, na honestidade ou na caridade, demonstrará a quem pertencemos. Nossa vocação cristã não ê para imitar o mundo, mas o Pai. E é por meio dessa imitação que a contracultura cristã se torna visível.

Mateus 6:1-6, 16-18
A religião do cristão: não hipócrita, mas real

 

Jesus começou a falar no monte, descrevendo nas bem-aventuranças os elementos essenciais do caráter cristão, e prosseguiu indicando, através das metáforas do sal e da luz, a influência para o bem que os cristãos exercerão na comunidade, se pos­suírem esse caráter. Descreveu, então, a justiça do cristão, que deve exceder à justiça dos escribas e fariseus na aceitação de todas as implicações da lei de Deus, sem esquivar-se de coisa alguma e sem criar limites artificiais. A justiça do cristão é uma justiça sem limites. Deve ter liberdade de penetrar além dos nossos atos e palavras, até o nosso coração, pensamentos e moti­vações, e deve nos dirigir até mesmo nessas partes escondidas e secretas.

Depois, Jesus continua a ensinar sobre a “justiça”. O capí­tulo 6 começa (literalmente) com “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens”. A palavra usada nos me­lhores manuscritos é dikaiosuné,  a mesma de 5:6 e 20. Mas muito embora a palavra seja a mesma, a ênfase mudou de lugar. Antes, a “justiça” estava relacionada com a bondade, a pureza, a honestidade e o amor; agora, relaciona-se com práticas tais como esmolas, oração e jejum. Assim, Jesus passa da justiça moral do cristão para a sua justiça “religiosa”. A maior parte das versões reconhece esta mudança de assunto. A ERAB diz: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens”, e a BLH: “Cuidado! Não pratiquem seus deveres religiosos em público a fim de serem vistos pelos outros.”

É importante reconhecer que, de acordo com Jesus Cristo, a “justiça” tem estas duas dimensões, a moral e a religiosa. Algumas pessoas falam em comportamento como se achassem que sua maior obrigação na vida cristã estivesse na esfera da ativi­dade religiosa, quer em público (freqüência à igreja) ou em par­ticular (exercícios devocionais). Outros reagiram tão fortemente contra essa superenfatização da piedade, que falam de Cristia­nismo “sem religião”. Para eles, a igreja é a cidade secular, e a oração um encontro cheio de amor com os seus vizinhos. Mas não há necessidade de se escolher entre a piedade e a morali­dade, entre a devoção religiosa na igreja e o serviço ativo no mundo, entre o amor a Deus e o amor ao nosso próximo, já que Jesus ensinou que a “justiça” cristã autêntica inclui as duas coisas.

Mais ainda, nas duas esferas da justiça, Jesus profere seu chamado insistente a seus discípulos para que sejam diferentes. Em Mateus 5, ele ensina que a nossa justiça deve ser maior do que a dos fariseus (porque eles obedeciam à letra da lei, en­quanto a nossa obediência deve incluir o nosso coração) e maior também (na forma do amor) do que a dos pagãos (porque eles se amam uns aos outros, enquanto o nosso amor deve incluir nossos inimigos também). Mas em Mateus 6, no que se refere à justiça “religiosa”, ele traça os mesmos dois contrastes. Ele fala primeiro da ostentação religiosa e diz: Não sereis como os hipócritas (v. 5). Depois prossegue referindo-se ao formalismo mecânico dos pagãos e diz: Não vos assemelheis, pois, a eles (v. 8). Assim, novamente, os cristãos têm de ser diferentes, tanto dos fariseus quanto dos pagãos, dos religiosos e dos irreligiosos, da igreja e do mundo. Que os cristãos não devem se conformar com o mundo é um conceito familiar no Novo Testamento. O que muitas vezes passa desapercebido é que Jesus também viu (e previu) o mundanismo da própria igreja, e exortou os seus discípulos a não se conformarem tampouco com a igreja formal, constituindo, pelo contrário, uma comunidade cristã distinta em sua vida e prática, separada da religião organizada, uma ecclësiola (igrejinha) na ecclesia. A diferença essencial na reli­gião como na moralidade é que a justiça cristã autêntica não é uma simples manifestação, mas uma coisa escondida no coração.

6:1 Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não ter eis galar­dão junto de vosso Pai celeste.

A advertência fundamental de Jesus é contra o praticar a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles. A primeira vista, estas palavras parecem contradizer o seu man­damento anterior: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam . . .”[292] Nos dois versículos, ele fala de praticar boas obras “diante dos homens” e, em ambos, o objetivo fica declarado, isto é, ser “vistos” por eles. Mas, no primeiro caso, ele ordena que o façam, enquanto que, no outro, ele o proíbe. Como resolver esta discrepância? A contradição ê apenas verbal, não substancial. A pista está no fato de Jesus falar sobre diferentes pecados. Foi nossa covardia humana que o levou a dizer: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens”, e a nossa vaidade humana que o fez dizer que tomás­semos o cuidado de não praticar nossa piedade diante dos ho­mens. A. B. Bruce resume a questão muito bem, escrevendo que devemos “mostrar quando tentados a esconder” e “esconder quando tentados a mostrar”.[293] Nossas boas obras devem ser pú­blicas para que a nossa luz brilhe; nossa devoção religiosa deve ser secreta para não nos vangloriarmos dela. Além disso, a fina­lidade de ambas as instruções de Jesus é a mesma, isto é, a glória de Deus. Por que devemos manter secreta a nossa piedade? É para que essa glória seja dada a Deus e não aos homens. Por que devemos fazer a nossa luz brilhar e praticar abertamente as boas obras? Para que os homens possam glorificar ao nosso Pai celestial.

Os três exemplos de justiça “religiosa” apresentados por Jesus — as esmolas, a oração e o jejum — aparecem de alguma forma em todas as religiões. Destacam-se, por exemplo, no Alcorão. Certamente esperava-se de todos os judeus que dessem esmolas aos pobres, que orassem e jejuassem; e todos os judeus devotos O faziam. Evidentemente, Jesus esperava que os seus discípulos fizessem o mesmo, já que ele não começou cada parágrafo di­zendo: “Se vocês derem esmolas, se orarem, se jejuarem, então façam assim . . .”, mas “Quando” vocês o fizerem . . . (vs. 2, 5, 16). Ele tomou como certo que assim os seus discípulos agiriam.

Mais ainda, este trio de obrigações religiosas expressa, num certo grau, nossa obrigação para com Deus, para com os outros e para com nós mesmos, pois dar esmolas é procurar servir ao nosso próximo, especialmente ao necessitado. Orar é buscar a face de Deus e reconhecer a nossa dependência dele. E jejuar (isto é, abster-se de alimentos por razões espirituais) é, pelo menos em parte, um modo de autonegação e autodisciplina. Jesus não levantou a questão se os seus discípulos iam se ocupar destas coisas mas, presumindo que o fariam, ensina-lhes por quê e como fazê-lo.

Os três parágrafos seguem um padrão idêntico. Em imagens pitorescas e deliberadamente humorísticas, Jesus pinta um quadro do hipócrita religioso. É o quadro da ostentação. Esse tal recebe a recompensa que deseja, o aplauso dos homens. Com este, ele contrasta o cristão, que age em segredo, e que deseja, em recompensa, tão somente a bênção de Deus, que é o seu Pai celeste e que vê em segredo.

 

1. A esmola cristã (vs. 2-4)

Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já rece­beram a recompensa. 3Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua esquerda o que faz a tua direita; 4para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará.

O Velho Testamento ensina muito sobre a compaixão para com os pobres. A palavra grega para esmola no versículo 2 (eleèmo-suné) significa um ato de misericórdia ou piedade. Conside­rando que o nosso Deus é um Deus misericordioso, como Jesus acabou de enfatizar, “benigno até para com os ingratos e maus”,[294] o seu povo deve também ser bom e misericordioso. Jesus obvia­mente esperava que os seus discípulos fossem doadores generosos. Suas palavras condenam “a egoísta sovinice de muitos”, como diz Ryle.[295]

Mas só generosidade não basta. Nosso Senhor está preocu­pado do começo ao fim deste Sermão com as motivações, com os pensamentos escondidos no coração. Em sua exposição do sexto e do sétimo mandamentos, ele mostra que ambos, o homi­cídio e o adultério, podem ser cometidos no coração, sendo que a ira injustificada é uma espécie de homicídio do coração e os olhares concupiscentes uma espécie de adultério do coração. Na questão das esmolas, ele tem a mesma preocupação sobre os pensamentos secretos. A questão não é tanto sobre o que a mão está fazendo (passando algum dinheiro ou um cheque), mas o que o coração está pensando enquanto a mão age. Há três possibilidades: ou estamos querendo o louvor dos homens, ou preservamos o nosso anonimato mas silenciosamente congratulamo-nos pelo que fizemos, ou estamos apenas desejosos da aprovação de nosso Pai divino.

Uma fome voraz pelo louvor dos homens era o pecado habitual dos fariseus. “Vós . . . aceitais glória uns dos outros”, Jesus lhes disse, “e contudo, não procurais a glória que vem do Deus único”.[296] Semelhantemente João, o evangelista, comentou: “Amaram mais a glória dos homens, do que a glória de Deus.”[297] Tão insaciável era o apetite deles pelos elogios humanos que prejudicava totalmente suas esmolas. Jesus ridicularizou o modo como eles as transformavam num acontecimento público. Ele descreve um fariseu pomposo a caminho do templo ou da sina­goga, onde vai depositar o seu dinheiro numa caixa especial, ou indo levar uma esmola aos pobres. Na sua frente, marcham os tocadores de trombeta, rapidamente atraindo a multidão com suas clarinadas. “Eles davam a entender, sem dúvida”, comenta Calvino, “que era para chamar a atenção dos pobres, pois desculpas nunca faltam; mas era perfeitamente óbvio que buscavam os aplausos e os elogios”.[298] Realmente não importa se os fariseus às vezes agiam assim literalmente, ou se Jesus estava pintando uma caricatura engraçada. De qualquer forma, ele estava condenado a nossa ansiedade infantil por ser grandemente estimados pelos homens. Como Spurgeon disse: “Ficar com um centavo em uma das mãos e uma trombeta na outra é atitude de hipócrita.”[299]

E “hipocrisia” é a palavra que Jesus usou para caracterizar essa exibição. No grego clássico, hupokrités era, primeiro, um orador e, então, um ator. Assim, figuradamente, a palavra pas­sou a ser aplicada a qualquer pessoa que trata o mundo como se fosse um palco onde ela executa um papel. Deixa de lado a sua verdadeira identidade e assume uma identidade falsa. Já não é mais ela mesma, mas disfarça-se, personalizando alguma outra pessoa. Usa uma máscara. No teatro, não há mal algum ou mentira da parte dos atores que executam os seus papéis. E uma situação convencional. O auditório sabe que veio assistir a uma peça; não é iludido. O problema com o hipócrita religioso, por outro lado, é que deliberadamente pretende enganar as pessoas. E como um ator na sua representação (de modo que o que vemos não é a pessoa real, mas um papel, uma máscara, um disfarce), mas é totalmente diferente do ator neste sentido: participa de alguma prática religiosa, que é uma atividade real, e a transforma em algo diferente daquilo que é na realidade, isto é, numa peça faz-de-conta, numa exibição teatral diante de um auditório. E tudo é feito para receber aplausos.

É fácil ridicularizar aqueles judeus fariseus do primeiro século. Nosso farisaísmo cristão não é tão engraçado. Nós não contra­tamos uma fanfarra para tocar toda vez que contribuímos para uma igreja ou uma obra de caridade. Mas, usando a metáfora familiar, gostamos de “tocar a nossa própria trombeta”. Faz bem ao nosso ego ver o nosso nome nas listas de contribuintes de obras de caridade e de mantenedores de boas causas. Caímos exatamente na mesma tentação: chamamos a atenção para a nossa esmola para sermos “glorificados pelos homens”.

Dessas pessoas que buscam a glória dos homens, Jesus disse com ênfase: já receberam a recompensa. O verbo traduzido por “receberam” (apechö) era, naquele tempo, um termo téc­nico usado nas transações comerciais; significava “receber uma quantia total e dar um recibo por ela”.[300] Era freqüentemente usado nos papiros. Portanto, os hipócritas que procuram aplausos não hão de recebê-los, mas “já terão recebido toda a recom­pensa”.[301] Nada mais têm a receber, nada mais que o juízo no último dia.

Tendo proibido a seus discípulos de contribuírem para os necessitados na maneira ostentosa dos fariseus, Jesus lhes diz, agora, qual a forma cristã, que é uma maneira secreta. Ele a expressa através de outra negativa: Tu, porém, ao dares esmola, ignore a tua esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola fique em secreto. A mão direita é normalmente a mão da atividade. Assim, Jesus presume que vamos usá-la ao dar a nossa esmola. Então, ele acrescenta que a nossa mão esquerda não deve ficar olhando. Não é difícil captar o significado. Não só não devemos contar a outras pessoas sobre a nossa contri­buição cristã mas, num certo sentido, não devemos sequer contar a nós mesmos. Não devemos ser autoconscientes da nossa es­mola, pois essa atitude rapidamente deteriora-se em justiça própria. Tão sutil é a injustiça do coração que é possível tomar­mos passos deliberados para manter nossa esmola em segredo, e simultaneamente ficarmos pensando nisso com um espírito de autogratificação.

Seria difícil exagerar a perversidade disso, pois a esmola é uma atividade real que envolve gente real com necessidades reais. Seu propósito é aliviar o desespero dos necessitados. A palavra grega para o ato de dar esmolas, como já vimos, indica que é uma obra de misericórdia. Pois é possível transformar um ato de misericórdia em um ato de vaidade, de modo que a nossa motivação principal não seja o benefício da pessoa que recebe a oferta, mas o nosso próprio. O altruísmo foi desalojado por um egoísmo deformado.

Portanto, a fim de “mortificar” ou condenar à morte nossa vaidade iníqua, Jesus insiste conosco para que mantenhamos a nossa esmola em segredo, tanto dos outros como também de nós mesmos. “Com a frase ‘ignore a tua esquerda o que faz a tua direita’ “, escreve Bonhoeffer, “proclama-se a morte do velho homem”,[302] pois o egocentrismo pertence à vida do velho homem; a nova vida em Cristo é de incalculável generosidade. Naturalmente, não é possível obedecer a esta ordem de Jesus com precisão literal. Se mantemos uma contabilidade e plane­jamos nossas contribuições, como devem fazer todos os cristãos conscientes, temos de saber quanto estamos ofertando. Não podemos fechar os olhos ao assinarmos os nossos cheques! Nâo obstante, logo depois que a oferta for decidida e feita, deve­remos esquecê-la imediatamente para estarmos em harmonia com o ensinamento de Jesus. Não deveremos ficar pensando nela a fim de nos deleitarmos, nem nos orgulharmos sobre a generosidade, a disciplina ou o zelo por retidão da nossa oferta. A dádiva cristã deve ser marcada pelo auto-sacrifício e pela abnegação, não pela autogratificação.

O que deveríamos procurar, quando damos aos necessitados, não ê o louvor dos homens, nem um alicerce para a nossa auto-aprovação mas, antes, a aprovação de Deus. Isto implica na referência que nosso Senhor fez das mãos direita e esquerda. “Com esta expressão”, escreveu Calvino, “ele quis dizer que devemos ficar satisfeitos por termos a Deus como única teste­munha”.[303] Embora possamos manter a oferta em segredo diante dos outros e, até certo ponto, de nós mesmos, não podemos es­condê-la de Deus. Nenhum segredo fica encoberto diante dele. Teu Pai que vê em segredo, te recompensará.

Algumas pessoas rebelam-se contra este ensinamento de Jesus. Elas dizem que não esperam recompensa, seja qual for, de pes­soa alguma. Mais do que isto, acham que a promessa que nosso Senhor fez de recompensar é incoerente. Como pode ele proibir o desejo do louvor dos outros ou de nós mesmos para, depois, incentivar-nos a procurar o de Deus? Naturalmente, dizem, isto só muda a forma da vaidade. Será que não poderíamos dar simplesmente pela necessidade de dar? Buscar o louvor de quem quer que seja — dos homens, do ego ou de Deus — é prejudicar o ato, acham.

A primeira razão por que tais argumentos estão errados rela­ciona-se com a natureza das recompensas. Quando as pessoas dizem que a idéia da recompensa lhes é desagradável, sempre suspeito de que o quadro que têm em mente é a concessão de prêmios numa escola, com os troféus de prata cintilando na mesa sobre o estrado e todo o mundo batendo palmas! O contraste não foi estabelecido entre a esmola secreta e a recompensa pública, mas entre os homens, que não vêem nem recompensam a esmola, e Deus, que faz as duas coisas.

C. S. Lewis escreveu sabiamente em um ensaio intitulado “O Esplendor da Glória” (The Weight of Glory) o seguinte: “Não devemos ficar perturbados com os incrédulos que dizem que esta promessa de recompensa torna a vida cristã um negócio mercenário. Há diferentes tipos de recompensa. Existe a recom­pensa que não tem conexão natural com as coisas que se faz para recebê-la, e é totalmente estranha aos desejos que deveriam acompanhar aquelas coisas. O dinheiro não é a recompensa natural do amor; é por isso que dizemos que um homem é mer­cenário quando se casa com uma mulher por causa do dinheiro dela. Mas o casamento é a recompensa apropriada para quem realmente ama, e este não é mercenário quando o deseja.” Do mesmo modo, poderíamos dizer que uma taça de prata não é uma recompensa muito apropriada para um escolar que estu­dou muito, mas uma bolsa para a universidade seria o ideal. C. S. Lewis assim conclui este argumento: “As devidas recom­pensas não são simplesmente adicionadas à atividade pela qual foram concedidas, mas são a própria atividade em consu­mação.”[304]

Qual é, então, a “recompensa” que o Pai celeste dá àquele que faz a sua dádiva em secreto? Não é pública nem, necessa­riamente, futura. Provavelmente a única recompensa que o ver­dadeiro amor deseja quando dá ao necessitado é ver o alívio deste. Quando, por meio de suas dádivas, o faminto é alimen­tado, o nu é vestido, o doente é curado, o oprimido é libertado e o perdido é salvo, o amor que provocou a dádiva fica satis­feito. Esse amor (que é o próprio amor de Deus expresso através do homem) traz consigo as suas próprias alegrias secretas e não espera outra recompensa.

Resumindo, nossas dádivas cristãs não devem ser feitas nem diante dos homens (na esperança de que comecem a bater pal­mas), nem diante de nós mesmos (com a nossa mão esquerda aplaudindo a generosidade da nossa mão direita), mas “diante de Deus”, que vê o íntimo de nosso coração e nos recompensa com a descoberta de que, usando as palavras de Jesus, “Mais bem-aventurado é dar que receber.”[305]

 

2. A oração do cristão (vs. 5 e 6)

E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. 6Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará.

Neste segundo exemplo de justiça “religiosa”, Jesus descreve dois homens orando. Novamente, a diferença básica é entre a hipocrisia e a realidade. Ele põe em contraste o motivo das orações e as suas recompensas.

O que ele diz sobre os hipócritas parece ótimo à primeira vista: “gostam de orar”. Mas infelizmente não é da oração que eles gostam, nem do Deus a quem supostamente estão orando. Não, eles gostam de si mesmos e da oportunidade que a oração pública lhes dá de se exibirem.

Naturalmente, a disciplina da oração regular é uma coisa boa; todos os judeus devotos oravam três vezes por dia, como Daniel.[306] E não havia nada de errado em ficar de pé para orar, pois era a posição costumeira dos judeus para isto. Nem estavam necessariamente errados quando oravam nos cantos das praças ou nas sinagogas, se sua motivação fosse acabar com a segre­gação da religião e expressar que reconheciam Deus estar pre­sente mesmo fora dos lugares santos, isto é, na vida secular cotidiana. Mas Jesus desmascarou as suas verdadeiras moti­vações, quando ficavam de pé na sinagoga ou nas ruas com as mãos erguidas para os céus, a fim de serem vistos dos homens. Por trás da sua piedade, espreitava o seu orgulho. O que real­mente desejavam era o aplauso. E o conseguiam. “Já receberam a recompensa.”

O farisaísmo religioso não está morto. A acusação de hipo­crisia tem sido jogada inúmeras vezes sobre nós, os freqüentadores de igrejas. É possível ir à igreja pelos mesmos motivos errados que levavam o fariseu à sinagoga: não para adorar a Deus, mas para obter uma reputação de piedade. É possível vangloriar-nos de nossas devoções particulares pelo mesmo motivo. O que se destaca é a perversidade de toda prática hipó­crita. Dar louvor a Deus, tal como dar esmolas aos homens, é um ato autêntico por si só. Um outro motivo qualquer destrói os dois. Degrada o serviço prestado a Deus e aos homens a uma espécie desprezível de auto-serviço. A religião e a caridade trans­formam-se em uma exibição. Como podemos fingir que estamos louvando a Deus, quando, na realidade, estamos preocupados com o louvor dos homens?

Como, então, os cristãos devem orar? Entra no teu quarto, e, fechada a porta, orarás, disse Jesus. Devemos fechar a porta para não sermos perturbados e distraídos, mas também para fugir aos olhos dos homens e para ficarmos a sós com Deus. Só então podemos obedecer à ordem seguinte do Senhor: Orarás a teu Pai que está em secreto, ou, como a Bíblia de Jerusalém esclarece: “que está naquele lugar secreto”. Nosso Pai está lá, à nossa espera. Nada destrói mais uma oração do que olhares furtivos para os espectadores humanos, como também nada a enriquece mais do que o senso da presença de Deus. Pois ele não vê a nossa aparência externa, apenas o coração; não a pessoa que está orando, apenas o motivo por que o faz. A essência da oração cristã é buscar a Deus. Por trás de toda oração verda­deira está a conversa com Deus, que se inicia assim:

“Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; Buscarei, pois, Senhor, A tua presença.”[307]

Nós o buscamos para reconhecê-lo tal como ele é, Deus, o Cria­dor; Deus, o Senhor; Deus, o Juiz; Deus, nosso Pai celestial através de Jesus Cristo, nosso Salvador. Desejamos encontrá-lo no lugar secreto a fim de nos ajoelharmos diante dele em hu­milde adoração,  amor e confiança.  Então, Jesus prossegue, “teu Pai que vê em secreto, te recompensará.” R. V. G. Tasker destaca que a palavra grega para “quarto” no qual devemos nos retirar para orar (tameion) “era empregada para designar a sala-depósito onde podiam guardar-se os tesouros”. A impli­cação pode ser, então, que “já existem tesouros à sua espera” quando for orar.[308] Naturalmente, as recompensas secretas da oração são tantas, que não se poderiam enumerar. Nas palavras do apóstolo Paulo, quando clamamos “Aba, Pai”, o Espírito Santo dá testemunho ao nosso espírito de que realmente somos filhos de Deus, e recebemos forte certeza de sua paternidade e amor.[309] Ele nos ilumina com a luz do seu rosto e nos dá a paz.[310] Ele refrigera a nossa alma, satisfaz a nossa fome, mitiga a nossa sede. Sabemos que não somos mais órfãos, porque o Pai nos adotou; não somos mais filhos pródigos, porque fomos per­doados; não estamos mais perdidos, porque voltamos para casa.

A ênfase de nosso Senhor sobre a necessidade do segredo não deve ser levada a extremos. Interpretá-lo com literalismo rígido seria incorrer no próprio farisaísmo contra o qual ele está nos advertindo. Se todas as nossas orações fossem mantidas em segredo, teríamos de desistir de ir à igreja, de orar em família e nas reuniões de oração. Sua referência aqui é à oração parti­cular. As palavras gregas estão no singular, como indica a ERAB: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, orarás a teu Pai.” Jesus ainda não falara sobre a oração pública. Quando o faz, diz-nos para orarmos no plu­ral, “Nosso Pai”, e ninguém pode fazer esta oração sozinho, em segredo.

Em lugar de ficarmos preocupados com a técnica do sigilo, precisamos lembrar-nos de que o propósito da ênfase de Jesus sobre o “segredo” na oração é purificar nossas motivações. Assim como devemos dar nossas ofertas com amor genuíno pelas pes­soas, também devemos orar com genuíno amor a Deus. Jamais deveríamos usar tais exercícios como um piedoso disfarce para o narcisismo.

 

3. O jejum do cristão (vs. 16-18)

Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos ho­mens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa,17Tu porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto; 18com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e, sim, ao teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Os fariseus jejuavam “duas vezes por semana”,[311] às segundas e às quintas-feiras. João Batista e seus discípulos também jejua­vam regularmente, até mesmo “com freqüência”, mas os discí­pulos de Jesus não jejuavam.[312] Por que então, nestes versículos do Sermão do Monte, Jesus não só esperava que seus segui­dores jejuassem, mas também deu instruções sobre como fazê-lo? Eis aqui uma passagem comumente ignorada. Suspeito que alguns de nós vivemos nossa vida cristã como se estes versículos tivessem sido arrancados de nossas Bíblias. A maioria dos cris­tãos destaca a necessidade da oração diária e da contribuição sacrificial, mas poucos insistem no jejum. O Cristianismo evan­gélico, em particular, cuja ênfase característica está na religião interior, do coração e do espírito, tem dificuldade em render-se a uma prática física exterior como o jejum. Não é um hábito do Velho Testamento, perguntamos, ordenado por Moisés para o Dia da Expiação, e exigido após o retorno do exílio da Babi­lônia em outros dias do ano, mas agora revogado por Cristo? Não vieram perguntar a Jesus: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, mas os teus discípulos não jejuam?” E o jejum não é uma prática católico-romana, a ponto de a igreja medieval elaborar um calendário sofisticado de “dias de festa” e “dias de jejum”? Não está também associado a um ponto de vista supersticioso da missa e da “comunhão em jejum”?

Podemos dizer “sim” a todas estas perguntas. Mas ê fácil sermos seletivos em nosso conhecimento e uso das Escrituras e da história da Igreja. Eis alguns outros fatos que devemos considerar: o próprio Jesus, nosso Senhor e Mestre, jejuou por quarenta dias e quarenta noites, no deserto; em resposta à per­gunta que o povo lhe fez, disse: “Dias virão … em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias eles (os meus discípulos) hão de jejuar. [313] No Sermão do Monte ele nos disse como jejuar, pressupondo que o faríamos. E em Atos e nas cartas do No­vo Testamento, temos diversas referências aos apóstolos jejuando. Portanto, não podemos ignorar o jejum como se fosse uma prática do Velho Testamento revogada no Novo, ou como uma prática católica rejeitada pelos protestantes.

Primeiro, então, o que é o jejum? Falando estritamente, é uma total abstenção de alimento. Mas pode ser legitimamente ampliado para uma abstenção parcial ou total, durante períodos de tempo mais curtos ou mais longos. Daí, naturalmente, vem o nome da primeira refeição do dia, “desjejum”, uma vez que “quebramos o jejum” do período da noite, quando não come­mos nada.

Não temos dúvidas de que, nas Escrituras, o jejum se relacio­nava de diversos modos com a renúncia e a autodisciplina. Em primeiro lugar e principalmente, “jejuar” e “humilhar-se diante de Deus” são termos virtualmente equivalentes (por exemplo, SI 35:13; Is 58:3, 5). Às vezes era uma expressão de penitência por pecados passados. Quando as pessoas estavam profunda­mente amarguradas por seu pecado e culpa, choravam e jejua­vam. Por exemplo, Neemias reuniu o povo “com jejum e pano de saco” e “fizeram confissão dos seus pecados”; os habitantes de Nínive arrependeram-se quando Jonas pregou, proclamaram um jejum e vestiram-se de pano de saco; Daniel buscou a Deus “com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza”, orou ao Senhor seu Deus e fez confissão dos pecados do seu povo; e Saulo de Tarso, depois de sua conversão, foi levado a penitenciar-se de sua perseguição a Cristo, pois durante três dias não comeu nem bebeu.[314]

Às vezes, mesmo hoje em dia, quando o povo de Deus está convencido do pecado e é levado ao arrependimento, não é coisa fora de propósito que, em sinal de penitência e tristeza, chore e jejue. A homília anglicana intitulada “Das Boas Obras, e do Jejum” dá a entender que esse é o modo de aplicarmos a nós mesmos a palavra de Jesus: “Dias virão em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar.” Refere-se a Cristo, o noivo, que, pode-se dizer, está “conosco” na festa do casamento, quan­do nos regozijamos nele e na sua salvação. Mas o noivo pode ser “tirado” e a festa interrompida quando somos oprimidos pela derrota, pela aflição e pela adversidade. “Então é a hora adequada”, diz a homília, “para o homem humilhar-se diante do Deus Todo-Poderoso, jejuando, chorando e gemendo pelos seus pecados, com um coração contrito.”[315]

Não devemos, entretanto, nos humilhar diante de Deus apenas em arrependimento por pecados passados, mas também na dependência dele para a misericórdia futura. E aqui, novamente, o jejum pode expressar a nossa humildade diante de Deus. Pois se “o arrependimento e o jejum” andam juntos nas Escrituras, “a oração e o jejum” são ainda mais freqüentemente reunidos. Não constitui uma prática regular, pois nem sempre jejuamos quando oramos, mas algo ocasional e especial, quando preci­samos buscar a Deus para orientação ou bênção especial e, en­tão, nos abstemos do alimento e de outras distrações para fazê-lo. Assim, Moisés jejuou no monte Sinai imediatamente depois que foi renovada a aliança pela qual Deus aceitou a Israel como seu povo; Josafá, vendo que os exércitos de Moabe e Amom avançavam sobre ele, “se pôs a buscar ao Senhor; e apregoou jejum em todo o Judá”; a rainha Ester, antes de arriscar a sua vida apresentando-se diante do rei, insistiu com Mordecai que reunisse os judeus e que jejuassem por ela, enquanto ela e suas criadas faziam o mesmo; Esdras proclamou um jejum antes de conduzir os exilados de volta a Jerusalém, “para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso”; e, como já mencionamos, nosso Senhor Jesus jejuou exatamente antes de começar o seu ministério público; e a igreja primitiva seguiu-lhe o exemplo; a igreja de Antioquia jejuou antes de Paulo e Barnabé serem enviados em sua primeira viagem missionária; e eles próprios, antes de designar anciãos em cada nova igreja que iam organizando.[316] São evidências claras de que empreendimentos especiais exigem orações especiais, e que orações especiais envolvem o jejum.

Ainda há outro motivo bíblico para o jejum. A fome é um dos apetites básicos do homem, e a gula um pecado capital. Portanto, “o domínio próprio” não tem significado se não incluir o controle de nossos corpos, e é impossível sem a autodisciplina. Paulo usa o atleta como exemplo. Para participar dos jogos este tem de estar fisicamente apto, e por isso treina. Seu treinamento inclui a disciplina de um regime alimentar adequado, sono e exercí­cios: “Todo atleta em tudo se domina”. E os cristãos parti­cipantes da competição cristã devem fazer o mesmo. Paulo escreve sobre “esmurrar” o seu corpo (deixando-o todo roxo) e sobre subjugá-lo (conduzindo-o como um escravo).[317] Isto não se refere ao masoquismo (sentir prazer na dor), nem ao falso ascetismo (tal como usar uma camisa áspera ou dormir sobre uma cama de pregos), nem a uma tentativa de ganhar mérito como os fariseus no templo.[318] Paulo rejeitaria todas essas idéias, e nós também. Não temos motivos para “punir” nossos corpos, pois são criação de Deus; mas devemos discipliná-los para que nos obedeçam. E o jejum, sendo uma abstinência voluntária de alimento, é uma forma de aumentar o nosso autocontrole.

Uma outra razão para o jejum poderia ainda ser mencionada, isto é, deliberadamente deixar de participar do que poderíamos comer para partilhá-lo (ou o seu preço) com os subnutridos. Temos apoio bíblico para esta prática. Jó podia dizer que não comeu “o que os pobres desejavam”, pois o partilhou com órfãos e viúvas.[319] Em contraste, quando, através de Isaías, Deus con­denou o jejum hipócrita dos habitantes de Jerusalém, disse que eles procuravam satisfazer o seu próprio prazer, oprimindo seus empregados no dia em que jejuais. Isto significava, em parte, que não havia correlação entre suas mentes e suas ações, entre o alimento a que renunciavam e a necessidade material dos seus empregados. A religião deles era sem justiça ou caridade. Por isso Deus disse: “Não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade . . . deixes livres os oprimidos . . .? . . . Não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados . . .?”[320] Jesus deu a entender alguma coisa parecida quando falou do rico fazendo festas suntuosas todos os dias, enquanto o mendigo jazia à sua porta, desejando ser alimentado com as migalhas que caíam de sua mesa.[321]

Não é difícil encontrar outras aplicações mais atualizadas. No século dezesseis, a Inglaterra abstinha-se de carne em dias determinados e comia peixe em seu lugar, não por prescrição da Igreja mas do Estado, a fim de ajudar a manter “as cidades pesqueiras que bordejavam o mar” e, assim, reduzir “o preço dos gêneros alimentícios e assim ajudar na manutenção dos pobres”.[322] Nos nossos dias, o desespero de milhares de famintos nos países em desenvolvimento é trazido diariamente para as telas de nossos aparelhos de TV. Passar ocasionalmente (ou, melhor, regularmente) com uma refeição mais frugal, ou deixar de tomar uma refeição uma ou duas vezes por semana, e sobre­tudo evitar o excesso de peso e o comer demais são formas de jejum que agradam a Deus porque expressam um sentimento de solidariedade com os pobres.

Portanto, por arrependimento ou por oração, por autodisciplina ou por amor solidário, temos boas razões bíblicas para o jejum. Sejam quais forem as nossas razões, Jesus assumiu que o jejum teria lugar na vida cristã. Ele se preocupou com a nossa contribuição, com a nossa oração e com o nosso jejum para que nós não façamos como os hipócritas, que chamavam a atenção para si mesmos. Eles costumavam desfigurar o rosto e se mos­travam contristados. A palavra traduzida por “desfigurar” (aphanizo) significa literalmente “fazer desaparecer” e portanto “tornar invisível ou irreconhecível”.[323] Eles provavelmente negli­genciavam a higiene pessoal, ou cobriam a cabeça com panos de saco, ou talvez passavam cinza no rosto para ficarem mais pálidos, mais abatidos, mais tristes e, em conseqüência, visivel­mente “santos”. Tudo isso para que o seu jejum fosse visto e conhecido de todos. A admiração dos que passavam por eles seria a única recompensa obtida. “Mas quanto a vocês, meus discípulos”, Jesus prosseguiu, quando jejuarem, unjam a cabeça e lavem o rosto, isto é, “penteiem o cabelo e lavem o rosto”.[324] Jesus não estava recomendando nada fora do comum, como se agora eles tivessem de assumir uma expressão de alegria espe­cial. Pois, como Calvino comentou acertadamente, “Cristo não nos afasta de um tipo de hipocrisia para nos levar a outro”.[325] Ele presumiu que eles se lavavam e se penteavam todos os dias e, nos dias de jejum, fariam como de costume para que ninguém suspeitasse que estavam jejuando. Então, novamente, teu Pai, que vê em segredo, te recompensará. O propósito do jejum não é fazer propaganda de nós mesmos, mas disciplinar-nos; não obter uma reputação, mas expressar a nossa humildade diante de Deus e a nossa preocupação com os outros que estão pas­sando necessidade. Se esses propósitos forem cumpridos, se­remos bem recompensados.

Examinando estes versículos, fica evidente que Jesus esteve fazendo o contraste entre duas alternativas de piedade, a dos fariseus e a cristã. A piedade dos fariseus é ostentosa, motivada pela vaidade e recompensada pelos homens. A piedade cristã é secreta, motivada pela humildade e recompensada por Deus.

Para assimilarmos a alternativa ainda mais claramente, seria útil examinar a causa e o efeito de ambas as formas. Primeiro, o efeito. A religião hipócrita é perversa porque é destrutiva. Vimos que a oração, a contribuição e o jejum são todas ativi­dades autênticas por si mesmas. Orar ê buscar a Deus, dar é servir aos outros, jejuar é disciplinar-se. Mas o efeito da hipo­crisia é destruir a integridade destas práticas, transformando cada uma delas em oportunidades de auto-exibição.

Qual é, então, a causa? Se pudermos isolar isto, poderemos também encontrar o remédio. Embora um dos refrões desta passagem seja “diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles”, não é com os homens que o hipócrita fica obcecado, mas consigo mesmo. “Em última análise”, escreve o Dr. Lloyd-Jones, “nosso único motivo para agradar aos homens que nos rodeiam é agradar a nós mesmos”.[326] O remédio, portanto, é óbvio. Precisamos ter tal consciência de Deus que deixemos de ser autoconscientes. E é nisto que Jesus se concentra.

Talvez eu possa explicar isso dizendo que o absoluto é algo impossível para qualquer um de nós. É impossível fazer, dizer ou pensar alguma coisa sem a presença de espectadores, pois, mesmo quando nenhum ser humano está presente, Deus está nos vendo; não como uma espécie de policial celeste “bisbilhotando” a fim de nos pegar, mas como o nosso amoroso Pai celeste, que sempre está procurando oportunidades para nos abençoar. Portanto, a pergunta é: que espectadores nos são mais importantes, os terrestres ou o celeste, os homens ou Deus? O hipócrita realiza seus rituais “com o fim de ser visto pelos ho­mens”. O verbo grego é theathènai. Isto ê, estão em um teatro, representando. Sua religião é um espetáculo público. O ver­dadeiro cristão também está consciente de que está sendo obser­vado, mas, para ele, o auditório é Deus.

Mas por que, alguém pode perguntar, auditórios diferentes provocam representações diferentes? A resposta é certamente a seguinte: podemos blefar diante de um auditório humano; ele pode ser iludido pela nossa representação. Podemos enganá-lo, dando a impressão de que somos genuínos em nossas dádivas, nossas orações, nosso jejum, quando na realidade estamos apenas representando. Mas de Deus não se zomba; não podemos enganar a Deus. Ele olha para o coração. Por isso, qualquer coisa que façamos para sermos vistos pelos homens somente degrada o nosso ato, enquanto que fazê-lo para ser visto por Deus enobrece-o.

Por isso, devemos escolher nosso auditório com cuidado. Se preferimos espectadores humanos, perderemos nossa integridade cristã. O mesmo acontecerá se nós mesmos nos tornarmos o nosso auditório. Parafraseando Bonhoeffer: “É ainda mais pernicioso se eu mesmo me transformar no espectador de minha representação na oração … Eu posso apresentar um show muito bonito para mim mesmo, na intimidade do meu próprio quar­to.”‘[327] Devemos preferir que Deus seja o nosso auditório. Como Jesus observava as pessoas que colocavam suas ofertas no tesouro do templo,[328] assim Deus nos observa quando ofertamos; quando oramos e jejuamos em secreto, ele está ali, no lugar secreto. Deus odeia a hipocrisia, mas ama a realidade. É por isso que, apenas quando estamos conscientes de sua presença, a nossa dádiva, a nossa oração e o nosso jejum são reais.

Mateus 6:7-15
O oração do cristão:
não mecânica, mas refletida

E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. 8Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais. 9Portanto, vós orareis assim:

Pai nosso que estás nos céus,

santificado seja o teu nome;

10 venha o teu reino,
faça-se a tua vontade,

assim na terra como no céu;

11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

12  e perdoa-nos as nossas dívidas,

assim como nós temos perdoado aos nossos devedores

13  e não nos deixes cair em tentação;

mas livra-nos do mal. 14 Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; 15se, porém, não perdoardes aos homens (as suas ofensas), tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

 

A hipocrisia não é o único pecado a ser evitado na oração; as “vãs repetições”, ou a falta de significado, a oração mecânica é o outro. O primeiro é a tolice dos fariseus, o último, a dos gentios ou pagãos (v. 7). A hipocrisia ê um abuso do propósito da oração, desviando-a da glória de Deus para a glória do ego; a verbosidade é um abuso da própria natureza da oração, rebaixando-a de um real e pessoal acesso a Deus a uma mera recitação de palavras.

Vemos novamente que o método de Jesus é pintar um con­traste vivo entre duas alternativas, a fim de indicar o caminho com mais clareza. Quanto à prática da piedade em geral, ele mostrou o contraste entre o modo de ser dos fariseus (cheios de ostentação e egoístas) e o do cristão (secreto e piedoso). Agora, quanto à prática da oração em particular, ele contrasta o modo pagão da loqüacidade sem significado com a maneira cristã, a comunhão significativa com Deus. Assim, Jesus está sempre chamando os seus discípulos para algo mais elevado que as reali­zações ou feitos daqueles que os cercam, quer sejam pessoas religiosas ou seculares. Ele enfatiza que a justiça do cristão é maior, por ser interior; que o amor cristão é mais amplo, porque inclui os inimigos; e que a oração cristã, por ser sincera e refle­tida, é mais profunda do que qualquer coisa encontrada na comunidade não-cristã.

 

1. O modo pagão de orar

Não useis de vãs repetições, como os gentios, diz ele (v. 7). O verbo grego battalogeõ é raro, não só na. literatura bíblica mas de um modo geral; nenhum outro uso da palavra se conhece além das citações deste versículo. Por isso, ninguém sabe ao certo de onde se deriva e qual é o seu significado. Alguns (como Eras­mo) “supõem que a palavra se deriva de Battus, um rei de Cirene, que diziam ser gago (como Heródoto); outros de Battus, um autor de poemas tediosos e prolixos”.[329] Mas isso é um pouquinho forçado. A maioria o considera como uma expressão onomatopéica, o som da palavra indicando o seu significado. Assim, battarizõ significa gaguejar; e qualquer estrangeiro cuja língua parecesse aos ouvidos gregos como uma interminável repetição da sílaba “bar” era chamado de bárbaros, um bárbaro. Batta­logeõ talvez seja algo semelhante. Assim, não estaríamos errados, se traduzíssemos: “Não fiquem tagarelando como os pagãos.” A conhecida tradução (da ERAB) “não useis de vãs repe­tições”, é enganosa, a não ser que fique claro que a ênfase foi colocada sobre “vãs” e não sobre “repetições”. Jesus não podia estar proibindo toda repetição, pois ele mesmo repetiu sua ora­ção, notavelmente no Getsêmane, quando “foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras”;[330] a perseverança e até mesmo a importunação na oração também foram recomendadas por ele. Antes, ele está condenando a verbosidade, especialmente daqueles que “falam sem pensar”.[331] Isto quer dizer: “não amontoem palavras vazias”. A palavra descreve toda e qualquer ora­ção que só contenha palavras e nenhum significado, que só venha dos lábios e não do pensamento ou do coração. Battalogia fica explicado no mesmo versículo (v. 7) como polulogia, “muito falar”, isto é, uma torrente mecânica de palavras sem signifi­cado.

Como aplicar a proibição de nosso Senhor aos dias de hoje? Certamente se aplica às “rodas de oração” e muito mais às “bandeirolas de oração” orientais, com as quais o vento, muito con­venientemente, faz a “oração”. Penso que devemos aplicá-la à Meditação Transcendental, pois o próprio Maharishi Mahesh Yogi expressou pesar por sua errada escolha da palavra “medi­tação”. A verdadeira meditação envolve o uso consciente da mente; mas a Meditação Transcendental é uma técnica simples e essencialmente mecânica para o relaxamento, tanto do corpo como da mente. Em lugar de estimular o pensamento, tem o intuito de levar a pessoa ao estado de completa tranqüilidade e inatividade.

Voltando da prática não-cristã para a prática cristã da oração, parece que a condenação de nosso Senhor certamente incluiria a reza com o rosário, com o qual nada acontece além do manejar das contas e do recitar de palavras, sendo que o rosário antes distrai do que faz a pessoa se concentrar na oração. Será que também se aplica à forma litúrgica de culto? Será que os simpa­tizantes do culto formal tradicional são culpados de battalogia? Sim, sem dúvida alguns o são, pois o uso de formas estabelecidas permite que se aproximem de Deus com os lábios, enquanto o coração está longe. Mas também é igualmente possível usar “palavras vazias” na oração improvisada e escorregar para o jargão religioso enquanto a mente vagueia. Resumindo, o que só então poderemos aproximar-nos de nosso amoroso Pai no céu com a devida humildade, devoção e confiança.

Além disso, quando nos tivermos dado ao trabalho de gastar algum tempo orientando-nos na direção de Deus, lembrando-nos do que Deus é: nosso Pai pessoal, amoroso e poderoso; então o conteúdo de nossas orações será radicalmente afetado de duas formas. Primeiro, os interesses de Deus terão prioridade (“teu nome . . ., teu reino . . ., tua vontade”). Segundo, nossas pró­prias necessidades, embora colocadas em segundo plano, serão totalmente entregues a ele (“Dá-nos . . ., perdoa-nos . . ., livra-nos . . .”). Todos sabem que a oração do Pai-Nosso, nessas duas partes, está preocupada em primeiro lugar com a glória de Deus e, depois, com as necessidades do homem. Mas acho que foi Calvino[332] o primeiro comentarista a sugerir um paralelo com os dez mandamentos, pois eles também estão divididos em duas partes e expressam a mesma prioridade: a primeira tábua esboça nossos deveres para com Deus, e a segunda, nossos deveres para com nosso próximo.

Os três primeiros pedidos na oração do Pai-Nosso expressam a nossa preocupação com a glória de Deus em relação ao seu nome, ao seu governo e à sua vontade. Se o nosso conceito de Deus fosse de alguma força impessoal, então, naturalmente, ele não precisaria ter um nome pessoal, governo ou vontade pelo qual devêssemos zelar. Repito, se pensássemos nele como “o máximo dentre de nós mesmos”, ou como “a base de nosso ser”, seria impossível distinguir entre as suas preocupações e as nossas. Mas se ele realmente é “nosso Pai que está nos céus”, o Deus pessoal de amor e poder totalmente revelado em Jesus Cristo, o Criador de tudo, que se preocupa com as criaturas que criou e com os filhos que redimiu, então e só então se torna possível (na verdade, essencial) dar prioridade aos seus interesses e preo­cupar-se com o seu nome, com o seu reino e com a sua vontade. O nome de Deus não é uma simples combinação das letras D, E, U e S. O nome representa a pessoa que o usa, o seu caráter e a sua atividade. Portanto o “nome” de Deus é o próprio Deus, como ele é em si mesmo e se tem revelado. Seu nome já é “santo”, porque é separado e exaltado acima de qualquer outro nome. Mas nós oramos que ele seja santificado, “tratado como santo”, porque desejamos ardentemente que a devida honra lhe seja dada, isto é, àquele cujo nome representa, em nossas próprias vidas, na igreja e no mundo.

O reino de Deus é o seu governo real. Repetimos: como ele já é santo, também é Rei, reinando em soberania absoluta sobre a natureza e sobre a História. Mas quando Jesus veio, anunciou um aspecto novo e especial do governo real de Deus, com todas as bênçãos da salvação e as exigências de submissão que o go­verno divino implica. Orar que o seu reino “venha” é orar que ele cresça à medida que as pessoas se submetam a Jesus através do testemunho da Igreja, e que logo ele seja consumado com a volta de Jesus em glória para assumir o seu poder e o seu reino.

A vontade de Deus é “boa, aceitável e perfeita”,[333] pois é a von­tade de “nosso Pai que está nos céus”, que é infinito em conhe­cimento, em amor e em poder. Portanto, resistir-lhe é loucura; e discerni-la, desejá-la e fazê-la é sabedoria. Assim como o seu nome já é santo e ele já é Rei, também a sua vontade está sendo feita “no céu”. O que Jesus nos incita a orar é que a vida na terra se aproxime o mais possível da vida no céu, pois a expres­são na terra como no céu parece aplicar-se igualmente à santificação do nome de Deus, à propagação do seu reino e à con­sumação da sua vontade.

É comparativamente fácil repetir as palavras da oração do Pai-Nosso como se fôssemos papagaios (ou como “palradores” pagãos). Contudo, fazer esta oração com sinceridade tem impli­cações revolucionárias, pois expressam as prioridades do cristão. Estamos constantemente sob pressão para nos conformarmos ao egocentrismo da cultura secular. Quando isto acontece, fi­camos preocupados com o nosso próprio pequeno nome: gos­tamos de vê-lo gravado em relevo sobre os nossos papéis de carta, ou aparecendo nos cabeçalhos dos jornais, ou de defendê-lo quando é atacado. Também nos preocupa o nosso próprio pe­queno império (chefiando, “influenciando” e manipulando pessoas para fomentarem o nosso ego), e a nossa própria vontade tola (sempre desejando as coisas a seu modo e se aborrecendo quando frustrada). Na contracultura cristã, todavia, nossa prio­ridade máxima não está no nosso nome, no nosso reino ou na nossa vontade, mas em Deus. Fazer tais petições com integri­dade é um teste para sondar a realidade e a profundidade de nossa profissão de fé cristã.

Na segunda metade da oração do Pai-Nosso, o adjetivo pos­sessivo passa de “teu” para “nosso”, quando passamos das coisas divinas para as nossas próprias. Tendo expressado nossa ardente preocupação com a sua glória, expressamos agora nossa hu­milde dependência da sua graça. Quando compreendemos ver­dadeiramente que o Deus a quem oramos é o Pai celeste e o grande Rei, colocamos nossas necessidades pessoais em lugar secundário e subsidiário, sem, contudo, eliminá-las. Deixar de mencioná-las na oração (alegando que não queremos aborrecer a Deus com tais trivialidades) é um grande erro, como também o seria deixar que elas dominassem nossas orações. Visto que Deus é “nosso Pai que está nos céus”, e que nos ama com amor de pai, ele está preocupado com o bem-estar total de seus filhos e deseja que lhe apresentemos as nossas necessidades de ali­mento, de perdão e de livramento do mal, confiando nele.

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Alguns comentaristas do passado não conseguiam crer que Jesus pretendesse que nosso primeiro pedido fosse literalmente o pão, pão para o corpo. Parecia-lhes impróprio, especialmente depois dos três nobres pedidos iniciais pela glória de Deus, que pudéssemos descer tão abruptamente a uma preocupação tão mundana e material. Por isso alegorizavam a petição. Diziam que o pão a que ele se referia devia ser espiritual. Os primitivos pais da Igreja, tais como Tertuliano, Cipriano e Agostinho, pensavam que a referência era ao “pão invisível da Palavra de Deus”[334] ou à Ceia do Senhor. Jerônimo traduziu, na Vulgata, a palavra grega usada para “cada dia” com o monstruoso adjetivo “supersubstancial”; ele também se referia à Santa Comunhão. Devemos ser agrade­cidos pelo entendimento maior, equilibrado e bíblico dos refor­madores. O comentário que Calvino fez sobre a espiritualização dos pais da igreja foi: “Isto é extremamente absurdo.”[335] Lutero teve a sabedoria de ver que “pão” era um símbolo de “todas as coisas necessárias para a preservação desta vida, como o ali­mento, a saúde do corpo, o bom tempo, a casa, o lar, a esposa, os filhos, um bom governo e a paz”[336] e, provavelmente, deve­ríamos acrescentar que com “pão” Jesus quis se referir às neces­sidades e não aos luxos da vida.

O pedido para que Deus nos “dê” o nosso alimento não im­pede, é claro, que as pessoas ganhem a sua própria vida, que os agricultores tenham de arar, semear e colher a fim de fornecer os cereais básicos, nem nos isenta da ordem de nós mesmos alimentarmos os famintos.[337] Pelo contrário, é uma expressão de dependência máxima de Deus, que normalmente usa meios humanos de produção e de distribuição através dos quais ele realiza os seus propósitos. Mais ainda, parece que Jesus queria que seus discípulos tomassem consciência de uma dependência diária. O adjetivo epiousios em “pão nosso de cada dia” era tão completamente desconhecido dos antigos que Orígenes pensava que os evangelistas o tivessem criado. Moulton e Milligan são da mesma opinião nesta nossa geração.[338] Provavelmente deveria ser traduzido por “deste dia de hoje” ou “do dia seguinte”.[339] Seja qual for a forma correta, é uma oração pelo imediato e não pelo futuro distante. Como A. M. Hunter comenta: “Feita de manhã, esta oração pede o pão para o dia que está começando. Feita à noite, pede o pão de amanhã.”[340] Assim, devemos viver um dia de cada vez.

O perdão é tão indispensável à vida e à saúde da alma como o alimento para o corpo. Por isso, o pedido seguinte é: Perdoa-nos as nossas dívidas. O pecado é comparado a uma “dívida”, porque merece o castigo. Mas quando Deus perdoa o pecado, ele cancela a penalidade e anula a acusação que há contra nós. A adição das palavras como nós temos perdoado aos nossos devedores está mais enfatizada nos versículos 14 e 15, que se seguem à oração e declaram que o nosso Pai nos perdoará se perdoarmos aos outros, mas não nos perdoará se nos recusarmos a perdoar aos outros. Isto certamente não significa que o per­dão que concedemos aos outros garante-nos o direito de sermos perdoados. Antes, Deus perdoa somente o arrependido, e uma das principais evidências do verdadeiro arrependimento é um espírito perdoador. Quando nossos olhos são abertos para ver­mos a enormidade de nossa ofensa cometida contra Deus, as injúrias dos outros contra nós parecem, comparativamente, muitíssimo insignificantes. Se, por outro lado, temos uma visão exagerada das ofensas dos outros, é uma prova de que dimi­nuímos muito a nossa própria. A disparidade entre o tamanho das dívidas é o ponto principal da parábola do credor incompassivo.[341] Sua conclusão é: “Perdoei-te aquela dívida toda (que era imensa) . . .; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?” (v. 33).

Os dois últimos pedidos deveriam talvez ser entendidos como os aspectos negativo e positivo de um único pedido: Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. O pecador cujo mal praticado no passado foi perdoado anseia ser libertado de sua tirania no futuro. O sentido geral do pedido é claro. Mas dois problemas se levantam. Primeiro, a Bíblia diz que Deus não nos tenta (na realidade, não pode nos tentar) com o mal.[342] Portanto, que sentido tem orar que ele não faça o que já pro­meteu nunca fazer? Alguns respondem a esta pergunta inter­pretando “tentação” como “provação”, com a explicação de que, embora Deus jamais nos induza ao pecado, ele prova nossa fé e caráter. Isto é possível. Uma explicação melhor parece-me que é entender “não nos deixes cair” à luz de sua correlativa “mas livra-nos”, e o “mal” deveria ser traduzido por “o maligno” (como em 13:19). Em outras palavras, é o diabo que está sendo considerado, que tenta o povo de Deus a pecar, e do qual precisamos ser “livrados” (rusai).

O segundo problema refere-se ao fato de que a Bíblia diz serem a tentação e a provação duas coisas boas para nós: “Meus ir­mãos, tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações” ou “tentações”.[343] Se elas são benéficas, por que deveríamos orar para que não ficássemos expostos a elas? A resposta provável é que a oração é mais no sentido de podermos vencer a tentação do que de a evitarmos. Talvez poderíamos parafrasear todo o pedido assim: “Não permitas que sejamos induzidos à tentação que nos possa derrotar, mas livra-nos do maligno”. Assim, por trás dessas palavras que Jesus nos deu para orar, encontramos a implicação de que o diabo é forte demais para nós, que somos fracos demais para enfrentá-lo, mas que o nosso Pai celeste nos livrará se o invocarmos.

Os três pedidos que Jesus coloca em nossos lábios são magnificamente completos. Incluem, em princípio, todas as nossas necessidades humanas: materiais (o pão de cada dia), espirituais (perdão de pecados) e morais (livramento do mal). O que faze­mos, sempre que proferimos esta oração, é expressar nossa de­pendência de Deus em cada setor da vida humana. Além disso, um cristão trinitário é levado a perceber nestes três pedidos uma alusão velada à Trindade, uma vez que é através da criação do Pai e da sua providência que recebemos o nosso pão de cada dia, e é através da morte expiatória do Filho que recebemos o perdão, e através do poder do Espírito que habita em nós que somos livrados do maligno. Não nos causa admiração que alguns manuscritos antigos (embora não os melhores) terminem com a doxologia, atribuindo a este Deus triúno “o reino e o poder e a glória”, os quais somente a ele pertencem.

Parece, portanto, que Jesus deu a Oração do Pai-Nosso como modelo da verdadeira oração, da oração cristã, diferenciando-a das orações dos fariseus e dos pagãos. Na verdade, qualquer pessoa poderia recitar o Pai-Nosso hipócrita ou mecanicamente, ou de ambas as formas. Mas, se pensamos no que dizemos, então a oração do Pai-Nosso é a alternativa divina para as outras duas formas da falsa oração.

O erro dos hipócritas é o egoísmo. Até mesmo em suas orações estão obcecados com a sua própria imagem e com o efeito que ela produzirá naqueles que os observam. Mas, na oração do Pai-Nosso, os cristãos estão obcecados com Deus: com o seu nome, com o seu reino e com a sua vontade, não com o$ nossos nomes, reinos e vontades. A verdadeira oração cristã sempre consiste numa preocupação com Deus e sua glória. Portanto, é exatamente o oposto do exibicionismo dos hipócritas, que usam a oração como veículo de sua própria glória.

O erro do pagão é a irracionalidade. Ele simplesmente pros­segue tagarelando suas palavras litúrgicas sem significado. Ele hão pensa no que está dizendo, pois sua preocupação ê com o Volume, não com o conteúdo. Mas Deus não se deixa impres­sionar com verborragia. Em oposição a esse disparate, Jesus nos convida a levarmos ao conhecimento de nosso Pai celeste, com ponderação humilde, todas as nossas necessidades, expressando, assim, nossa dependência diária dele.

Assim,  a oração cristã contrasta com as alternativas não-cristãs. É teocêntrica (preocupada com a glória de Deus), em contraste com o egocentrismo dos fariseus (preocupados com a Sua própria glória); e é inteligente (expressão de uma depen­dência racional), em contraste com as recitações mecânicas dos pagãos. Portanto, quando nos aproximamos de Deus para orar, não o fazemos hipocritamente como os atores de teatro, que buscam o aplauso dos homens, nem mecanicamente como os pagãos tagarelas, cujo pensamento não acompanha os seus balbucios; devemos fazê-lo de forma racional, humilde e confiante, como criancinhas diante de seu pai.

Veremos que a diferença fundamental entre os diversos tipos de oração está nas imagens fundamentalmente diferentes de Deus que há por trás deles. O erro trágico dos fariseus e dos pagãos, dos hipócritas e dos que não conhecem a Deus está na falsa imagem que têm de Deus. Na verdade, nenhum deles pensa realmente em Deus, pois o hipócrita pensa apenas em si mesmo, enquanto que o pagão pensa em outras coisas. Que tipo de Deus Seria este que poderia interessar-se por tais orações egoístas ou Sem sentido? Será Deus um utensílio que podemos usar para fomentar o nosso próprio status, ou um computador que pode­mos alimentar mecanicamente com as nossas próprias palavras? Voltemo-nos destas noções desonrosas, com alívio, para o ensinamento de Jesus, que disse ser Deus o nosso Pai que está no céu. Precisamos nos lembrar de que ele ama seus filhos com a mais terna afeição, que ele vê os seus filhos até no lugar secreto, que ele conhece os seus filhos e todas as suas necessidades antes que eles lhas apresentem, e que ele age em benefício dos seus filhos com o seu poder celestial e real. Se permitirmos que as Escrituras formem assim nossa imagem de Deus, se nos lem­brarmos do seu caráter e cultivarmos sua presença, jamais ora­remos com hipocrisia mas sempre com integridade, nunca meca­nicamente mas sempre racionalmente, como filhos de Deus que somos.

Mateus 6:19-34
A ambição do cristão:
não a segurança material, mas a direção de Deus

 

Na primeira metade de Mateus 6 (vs. 1-18), Jesus descreve a vida particular do cristão “no lugar secreto” (dando, orando, jejuando); na segunda parte (vs. 19-34) ele trata dos nossos negó­cios públicos no mundo (questões de dinheiro, de propriedades, de alimento, de bebida, de roupa e de ambição). Os mesmos contrastes poderiam ser expressos em termos de nossas respon­sabilidades “religiosas” e “seculares”. Esta diferença é enganosa, porque não podemos separar estes dois aspectos em compartimentos herméticos. Na verdade, o divórcio entre o sagrado e o secular na história da Igreja tem sido desastroso. Se somos cristãos, tudo o que fazemos, por mais “secular” que possa parecer (como fazer compras, cozinhar, fazer cálculos no escritório, etc), é “religioso”, no sentido de que é feito na pre­sença de Deus e de acordo com a sua vontade. Uma ênfase de Jesus neste capítulo é exatamente sobre este ponto, que Deus está igualmente preocupado com as duas áreas da nossa vida: a particular e a pública; a religiosa e a secular. Pois, de um lado, “teu Pai celeste vê em secreto” (vs. 4, 6, 18) e, de outro, “vosso Pai celestial sabe que necessitais de alimento, bebida e roupa” (v. 32).

Ouvimos os mesmos insistentes convites de Jesus, nas duas esferas, o chamado para sermos diferentes da cultura popular: diferentes da hipocrisia do religioso (v. 1-18) e, agora, também diferentes do materialismo do irreligioso (vs. 19-34). Embora no começo do capítulo fossem principalmente os fariseus que estavam na mente de Jesus, agora é ao sistema de valores dos “gentios” que ele nos incita a renunciar (v. 32). Na verdade, Jesus coloca alternativas diante de nós em cada estágio. Há dois tesouros (na terra e no céu, vs. 19-21), duas condições físicas (luz e trevas, vs. 22, 23), dois senhores (Deus e as riquezas, v. 24) e duas preocupações (nosso corpo e o reino de Deus, vs. 25-34). E não podemos pôr os pés em duas canoas!

Mas, como fazer a escolha? A ambição do mundo nos fascina fortemente. O encanto do materialismo é difícil de se quebrar. Nesta seção, Jesus nos ajuda a escolher o melhor. Ele destaca a insensatez do caminho errado e a sabedoria do certo. Como nas seções anteriores, sobre a piedade e a oração, aqui, relativa­mente à ambição, ele coloca o falso e o verdadeiro, um em opo­sição ao outro, de tal modo que nos leva a compará-los e exa­miná-los por nós mesmos.

Este tópico coloca-nos diante da grande urgência da nossa geração. A medida que a população do mundo continua aumen­tando assustadoramente e os problemas econômicos das nações se tornam cada vez mais complexos, os ricos continuam ficando mais ricos e os pobres, mais pobres. Não podemos mais fechar os olhos diante dos fatos. A antiga complacência do Cristianismo burguês foi perturbada. A adormecida consciência social de muitos já foi despertada. Redescobriu-se que o Deus da Bíblia está do lado dos pobres e necessitados. Os cristãos responsáveis sentem desconforto quando pensam na abundância e estão pro­curando desenvolver um estilo de vida simples, que seja adequado face às necessidades do mundo e, por lealdade, de acordo com os ensinamentos e o exemplo do seu Mestre.

 

1. A questão do tesouro (vs. 19-21)

Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; 20mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; 21por­que onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Aqui, o ponto para onde Jesus dirige nossa atenção é a durabili­dade comparativa dos dois tesouros. Deveria ser fácil decidir qual dos dois ajuntar, ele dá a entender, porque tesouros sobre a terra são corruptíveis e, portanto, inseguros, enquanto que tesouros no céu são incorruptíveis e, conseqüentemente, seguros. Afinal, se nosso objetivo é ajuntar tesouros, presumivelmente nós nos concentraremos na espécie que vai durar mais e que pode ser armazenada sem depreciação ou deterioração.

E importante enfrentar franca e honestamente a questão: o que Jesus estava proibindo, quando nos disse para não ajuntarmos tesouros para nós mesmos na terra? Talvez seja melhor começarmos com uma lista do que ele não estava (e não está) proibindo. Primeiro, não há maldição alguma quanto às pro­priedades em si; as Escrituras não proíbem, em parte alguma, as propriedades particulares. Segundo, “economizar para dias piores” não foi proibido aos cristãos, nem fazer um seguro de vida, que é apenas uma espécie de economia compulsória auto-imposta. Pelo contrário, as Escrituras louvam a formiga que armazena no verão o alimento de que vai precisar no inverno, e declara que o crente que não faz provisão para a sua família é pior do que um incrédulo.[344] Terceiro, não devemos desprezar mas, antes, desfrutar as boas coisas que o nosso Criador nos con­cedeu abundantemente.[345] Portanto, nem as propriedades, nem a provisão para o futuro, nem o desfrutar dos dons de um Criador bondoso estão incluídos na proibição dos tesouros acu­mulados na terra.

O que está, então? O que Jesus proíbe a seus discípulos é a acumulação egoísta de bens (“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra”); uma vida extravagante e luxuosa, a dureza de coração que não deixa perceber as necessidades colos­sais das pessoas menos privilegiadas neste mundo; a fantasia tola de que a vida de uma pessoa consiste na abundância de suas propriedades;[346] e o materialismo que acorrenta nossos cora­ções à terra. O Sermão do Monte repetidas vezes refere-se ao “coração” e, aqui, Jesus declara que o nosso coração sempre segue o nosso tesouro, quer para baixo para a terra, quer parao alto para o céu (v. 21). Resumindo, “acumular tesouros sobre a terra” não significa ser previdente (fazer ajuizadas provisões para o futuro), mas ganancioso (como o sovina que acumula e os materialistas que sempre querem mais). Esta é a armadilha contra a qual Jesus nos adverte aqui. “Sempre que o Evangelho é ensinado”, escreveu Lutero, “e as pessoas procuram viver de acordo com ele, surgem duas terríveis pragas: os falsos pre­gadores, que corrompem o ensino, e, então, a Sra. Ganância, que impede um viver justo.”[347]

O “tesouro na terra”, por nós cobiçado, Jesus nos lembra: “A traça e a ferrugem destroem, e … os ladrões o arrombam e roubam” (BLH). A palavra grega para “ferrugem” (brasis) sig­nifica “comer”; pode referir-se à corrosão causada pela ferru­gem, mas também a qualquer peste ou parasita devoradora. Naquele tempo, as traças entravam facilmente nas roupas das pessoas, os ratos comiam os cereais armazenados, pestes ata­cavam o que estivesse debaixo da terra, e os ladrões entravam nos lares e levavam o que fosse possível. Não havia a menor segu­rança no mundo antigo. E para nós, gente moderna, que procu­ramos proteger os nossos tesouros com inseticidas, venenos con­tra ratos, ratoeiras, tintas à prova de ferrugem e arames con­tra ladrões, mesmo assim eles se desintegram na inflação ou na desvalorização ou nos colapsos econômicos. Mesmo que uma parte permaneça através desta vida, nada podemos levar co­nosco para a outra. Jó estava certo: “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei.”[348]

Mas o “tesouro no céu” é incorruptível. Que tesouro é esse? Jesus não explica. Mas podemos dizer com toda certeza que “ajuntar tesouros no céu” é fazer na terra alguma coisa cujos efeitos durem pela eternidade. Jesus não estava, certamente, ensinando uma doutrina de méritos ou um “tesouro de méritos” (como a Igreja Católica medieval ensinava), como se pudés­semos acumular no céu, através de boas obras praticadas na terra, uma espécie de crédito bancário do qual nós e outros pu­déssemos sacar, pois tal noção grotesca contradiz o Evangelho da graça que Jesus e seus apóstolos ensinaram coerentemente. E, de qualquer modo, Jesus estava falando a discípulos que já tinham recebido a salvação de Deus. Parece, antes, referir-se a coisas tais como: o desenvolvimento de um caráter semelhante ao de Cristo (uma vez que todos nós podemos levá-lo conosco para o céu); o aumento da fé, da esperança e da caridade, pois todas elas, segundo Paulo, “permanecem”;[349] o crescimento no conhecimento de Cristo, o qual um dia veremos face a face; a tarefa ativa, por meio da oração e do testemunho, de apresentar outros a Cristo, para que também possam herdar a vida eterna; e o uso de nosso dinheiro nas causas cristãs, que é o único inves­timento financeiro cujos dividendos são eternos.

Todas estas atividades são temporais com conseqüências eternas. Este seria, então, “o tesouro no céu”. Nenhum ladrão pode roubá-lo, e nenhuma praga pode destruí-lo, pois não há traças, nem ratos, nem assaltantes no céu. Portanto, o tesouro no céu é seguro. Medidas de precaução para protegê-lo são des­necessárias. Não precisa de apólices de seguro. É indestrutível. Portanto, parece que Jesus está nos dizendo: “É um investimento seguro para vocês; nada poderia ser mais seguro do que isto. E a única apólice de seguro que jamais perde o seu valor.”

 

2. A questão da visão (vs. 22, 23)

São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; 23se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!

Jesus passa da comparativa durabilidade dos dois tesouros para o benefício relativo de duas condições. O contraste agora é entre uma pessoa cega e uma pessoa que tem visão, e, conseqüente­mente, entre as trevas e a luz em que elas respectivamente vivem. São os olhos a lâmpada do corpo. Não é literal, naturalmente, como se fossem uma espécie de janela deixando a luz entrar no corpo; mas é uma figura de linguagem facilmente inteligível. Quase tudo que o corpo faz depende de nossa capacidade de ver. Precisamos ver para correr, para pular, para dirigir um carro, para atravessar uma rua, para cozinhar, para bordar, para pintar. O olho, pelo que é, “ilumina” o que o corpo faz com as mãos e os pés. É verdade que os cegos conseguem enfrentar sua situação maravilhosamente bem, aprendendo a fazer uma porção de coisas sem os olhos, e desenvolvendo suas demais faculdades para compensar a falta de visão. Mas o princípio continua: quem vê anda na luz, enquanto que o cego permanece nas trevas. E a grande diferença entre a luz e as trevas do corpo deve-se a esse pequenino mas complicado órgão, o olho. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Na cegueira total, as trevas são completas.

Tudo isto é uma descrição de fatos. Mas também é uma metá­fora. Com bastante freqüência, o “olho” nas Escrituras é equiva­lente ao “coração”. Isto é, “colocar o coração” e “fixar os olhos” em alguma coisa são sinônimos. Um exemplo será suficiente, no Salmo 119. No versículo 10 o salmista escreve: “De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos” e, no versículo 18: “Desvenda os meus olhos, para que eu con­temple as maravilhas da tua lei.” Semelhantemente, aqui no Sermão do Monte, Jesus passa da importância de se ter o coração no lugar certo (v. 21) para a importância de se ter os olhos bons e sadios.

A argumentação parece ser esta: exatamente como nossos olhos afetam todo o nosso corpo, a nossa ambição (onde fixamos nossos olhos e nosso coração) afeta toda a nossa vida. Exatamente co­mo o olho que vê dá luz ao corpo, uma ambição nobre e sincera de servir a Deus e aos homens aumenta o significado da vida e lança luz sobre tudo que fazemos. Repito: exatamente como a cegueira leva às trevas, uma ambição ignóbil e egoísta (por exemplo, ajuntar tesouros para nós mesmos sobre a terra) faz-nos mergulhar nas trevas morais. Ficamos intolerantes, desumanos, grosseiros, despojando a vida de seu principal significado.

Tudo é uma questão de visão. Se temos visão física, podemos ver o que estamos fazendo e para onde vamos. Da mesma forma, se temos visão espiritual, se nossa perspectiva espiritual está devidamente ajustada, então nossa vida fica cheia de propósito e de incentivo. Mas se a nossa visão se torna anuviada pelos falsos deuses e pelo materialismo, e nós perdemos nosso senso de va­lores, então toda a nossa vida fica em trevas e não podemos ver para onde vamos. Talvez a ênfase esteja, com muito mais força do que já sugeri, na perda da visão causada pela ganância, porque, de acordo com o conceito bíblico, um “olho mau” é um espírito sovina, avarento, e um “olho bom” é o generoso. De qualquer forma, Jesus acrescenta novos motivos para ajuntarmos um tesouro no céu. O primeiro é a sua grande durabili­dade; o segundo resulta dos benefícios atuais, aqui na terra, de uma visão assim.

3. A questão das riquezas (v. 24)

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Jesus explica, agora, que além da escolha entre dois tesouros (onde vamos ajuntá-los) e entre duas visões (onde vamos fixar os nossos olhos) jaz uma escolha ainda mais básica: entre dois senhores (a quem vamos servir). É uma escolha entre Deus e Mamom: “Não podeis servir a Deus e a Mamom” (ERC); isto é, entre o próprio Criador vivo e qualquer objeto de nossa própria criação que chamamos de “dinheiro” (“Mamom” é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza). Não podemos servir aos dois.

Algumas pessoas discordam destas palavras de Jesus. Recu­sam-se a ser confrontadas com uma escolha tão rígida e direta, e não vêem a necessidade dela. Asseguram-nos que é perfeita­mente possível servir a dois senhores simultaneamente, por con­seguirem fazer isso muito bem. Diversos arranjos e ajustes pos­síveis parecem-lhes atraentes. Ou eles servem a Deus aos do­mingos e a Mamom nos dias úteis, ou a Deus com os lábios e a Mamom com o coração, ou a Deus na aparência e a Mamom na realidade, ou a Deus com metade de suas vidas e a Mamom com a outra.

Pois é esta solução popular de comprometimento que Jesus declara ser impossível: Ninguém pode servir a dois senhores . . . Não podeis servir a Deus e às riquezas (observe o “pode” e o “não podeis”). Os pretensos conciliadores interpretam mal este ensinamento, pois se esquecem da figura de escravo e dono de escravo que se encontra por trás destas palavras. Como McNeile disse: “Pode-se trabalhar para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois senhores”,[350] pois “ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da essência da escravidão”.[351] Portanto, qualquer pessoa que divide sua devo­ção entre Deus e Mamom já a concedeu a Mamom, uma vez que Deus só pode ser servido com devoção total e exclusiva. Isto simplesmente porque ele é Deus: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem.”[352] Tentar dividir a nossa lealdade é optar pela idolatria.

E quando percebemos a profundidade da escolha entre o Cria­dor e a criatura, entre o Deus pessoal glorioso e essa coisinha miserável chamada dinheiro, entre a adoração e a idolatria, parece inconcebível que alguém faça a escolha errada, pois agora ê uma questão não apenas de durabilidade e benefício compa­rativos, mas sim de valor comparativo: o valor intrínseco de um e a intrínseca falta de valor do outro.

 

4. A questão da ambição (vs. 25-34)

Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes? 26Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não vaieis vós muito mais do que as aves? 27Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acres­centar um cavado ao curso da sua vida? 28E por que andais an­siosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? 31Portanto não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? 32porque os gentios é que procuram todas estas cousas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; 33buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas. 132Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

É uma pena que, nas igrejas, esta passagem seja freqüentemente lida isoladamente, fora do seu contexto. E, assim, o significado do Por isso vos digo introdutório perde-se completamente. Portanto, devemos começar relacionando este “por isso”, com o ensinamento que levou Jesus a esta conclusão. Antes de nos convocar a agir, ele nos convoca a pensar. Convida-nos a exa­minar clara e friamente as alternativas que foram expostas, pesando-as cuidadosamente. Queremos acumular tesouros? Então, qual das duas possibilidades é mais durável? Queremos ser livres e objetivos em nossas atividades? Queremos servir ao melhor dos senhores? Então devemos considerar qual é o mais digno da nossa devoção. Apenas depois que tivermos assimilado em nossas mentes a durabilidade comparativa dos dois tesouros (o corruptível e o incorruptível) e o valor comparativo dos dois senhores (Deus e Mamom), estaremos prontos a fazer a escolha. E só depois que tivermos feito a nossa escolha — o tesouro ce­leste, a luz, Deus — estaremos preparados para ouvir as pala­vras que seguem: Por isso vos digo como deveis vos comportar: Não andeis ansiosos pela vossa vida. . . nem pelo vosso corpo. . . buscai, pois, em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça (vs. 25, 33). Em outras palavras, nossa escolha básica quanto a qual dos dois mestres desejamos servir afetará radicalmente nossa atitude para com ambos. Não ficaremos ansiosos sobre um deles, já que o rejeitamos, mas nos concentraremos, mente e energia, no outro, a quem escolhemos. E, ao invés de nos perdermos em nossas próprias preocupações, buscaremos  em primeiro lugar aquilo que interessa a Deus.

A linguagem de Cristo sobre a busca (contrastando os gentios no que os seus discípulos devem buscar em primeiro lugar; vs. 32, 33) introduz-nos à questão da ambição. Jesus considerou que todos os seres humanos “buscam” alguma coisa. Não é natural que as pessoas fiquem à deriva, sem alvo na vida, co­mo um plâncton. Precisamos de alguma coisa pela qual viver, algo que dê significado à nossa existência, alguma coisa para “buscar”, alguma coisa sobre a qual colocar o nosso coração e a nossa mente. Embora poucos hoje em dia usem a linguagem dos antigos filósofos gregos, o que nós buscamos, de fato, é aquilo que eles chamavam de “o Bem Supremo”, para lhe dedi­carmos as nossas vidas. Provavelmente, “ambição” é o termo equivalente moderno. E verdade que, no dicionário, esta palavra significa “um forte desejo de alcançar o sucesso” e, portanto, de um modo geral, a sua imagem é ruim, pois tem um sabor egoísta. É neste sentido que Shakespeare, em sua peça “Hen­rique VIII”, faz este apelo a Thomas Cromwell: “Cromwell, eu te desafio, põe de lado a ambição. Por causa desse pecado caíram anjos . . .” Mas a “ambição” pode igualmente referir-se a fortes desejos, altruístas em lugar de egoístas, piedosos ao invés de mundanos. Resumindo, é possível ter “ambições para Deus”. A ambição refere-se aos alvos de nossa vida e ao incentivo que temos de atingi-los. A ambição de uma pessoa é aquilo que a impele: revela a mola principal de suas ações, suas mais secretas motivações. Isto, então, é o que Jesus estava dizendo ao definir, na contracultura cristã, o que devemos buscar “em primeiro lugar”.

Novamente, nosso Senhor simplifica o assunto para nós, redu­zindo em apenas duas as alternativas possíveis de alvos na vida.

Nesta seção, ele as confronta uma com a outra, insistindo com os seus discípulos que não se preocupem com a própria segu­rança (alimento, bebida e vestimentas), pois essa é a obsessão dos “gentios”, que não o conhecem; mas que se preocupem antes com o reino de Deus e com a justiça divina, bem como com a sua propagação e o seu triunfo no mundo.

 

a. Ambição falsa ou secular: nossa própria segurança material A maior parte deste parágrafo é negativa. Três vezes Jesus repete a sua proibição Não andeis ansiosos (vs. 25, 31, 34), ou “Não fiquem aflitos”.[353] E a preocupação que ele nos proíbe é quanto ao alimento, quanto à bebida e quanto à roupa: Que comeremos? Que beberemos? Que vestiremos? (v. 31). Mas esta é precisa­mente “a trindade dos cuidados do mundo”:[354] porque os gentios é que procuram todas estas cousas (v. 32). Basta olhar para a propaganda na televisão, nos jornais e nos transportes públicos para vermos uma vivida ilustração moderna do que Jesus ensi­nou há cerca de dois mil anos atrás.

Há alguns anos recebi um exemplar gratuito de Accent, uma nova revista, muito bem apresentada, cujo sub-título é “A Boa Vida em Foco” (Accent on Good Living). Continha atraentes anúncios de champanha, cigarros, alimentos, roupas, antigüida­des e tapetes, junto com a descrição de um fim-de-semana para compras esotéricas em Roma. Havia artigos sobre como possuir um computador na cozinha; como ganhar uma viagem de luxo por mar ou, em lugar disso, cem dúzias de uísque escocês; e como quinze milhões de mulheres não podem estar erradas na escolha de cosméticos. Prometia, então, no exemplar do mês seguinte, artigos sedutores sobre férias no Caribe, roupa de cama acon­chegante, roupa íntima elegante para o frio, e as delícias da carne de veado e de tâmaras importadas. Do começo ao fim preocupava-se com o bem-estar do corpo e como alimentá-lo, vesti-lo, aquecê-lo, refrescá-lo, relaxá-lo, entretê-lo, enfeitá-lo e estimulá-lo.

Por favor, não me entendam mal. Jesus Cristo não negou nem desprezou as necessidades do corpo. Para se dizer a verdade, foi ele que o criou, e dele ele cuida. E acabou de nos ensinar a orar: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. O que, então, ele está a dizer? Está enfatizando que ficar absorto pelo conforto material é uma falsa preocupação. De um lado, não é produtivo (exceto pelas úlceras e pelas preocupações novas que surgem); por outro, não é necessário (porque “vosso Pai celeste sabe que necessitais . . .”, vs. 8 e 32); mas especialmente porque não vale a pena. Indica uma falsa visão dos seres humanos (como se fossem apenas corpos precisando de alimento, água, roupas e casa) e da vida humana (como se fosse apenas um mecanismo fisiológico precisando de proteção, lubrificação e combustível). Uma preocupação exclusiva com alimento, bebida e roupas poderia se justificar apenas se a sobrevivência física fosse tudo nesta vida.  Se vivêssemos apenas para viver, então, sim, o sustento do nosso corpo seria a nossa principal preocupação. Por isso entende-se que, em condições críticas de fome, a luta pela sobrevivência tenha precedência sobre outras coisas. Mas fazê-lo em circunstâncias comuns expressa um conceito reducionista do homem, que é totalmente inaceitável. Degrada-o ao nível dos animais, das aves e das plantas. Mas a grande maioria dos anúncios de hoje é dirigida para o corpo: roupa íntima visando torná-lo mais atraente, desodorantes para mantê-lo perfumado, bebidas alcoólicas para animá-lo quando está cansado . . . Esta preocupação provoca as seguintes perguntas: o bem-estar físico é um objetivo válido para lhe devotarmos nossas vidas? Não tem a vida humana mais significado do que isto? Os gentios é que procuram todas estas comas. Que procurem! Mas, quanto a vocês, meus discípulos, Jesus dá a entender, essas coisas são um alvo absolutamente sem valor, pois não constituem o “Su­premo Bem” da vida.

Agora precisamos esclarecer o que Jesus está proibindo, e que motivos ele dá para essa proibição. Primeiro, não está proi­bindo o pensamento. Pelo contrário, está estimulando-o quando prossegue ordenando-nos a olhar para as aves e flores e “consi­derar” como Deus cuida delas. Segundo, não está proibindo a previdência. Já mencionei como a Bíblia aprova a formiga. Também os passarinhos, os quais Jesus elogiou, fazem provisão para o futuro, construindo ninhos, botando e chocando ovos, e alimentando os filhotes. Muitos migram para climas mais quen­tes antes do inverno (o que é um exemplo notável de previdência, embora instintiva), e alguns até armazenam alimento, como os picanços, que formam a sua própria despensa espetando insetos sobre espinhos. Portanto, não encontramos aqui nada que impeça os cristãos de fazer planos para o futuro ou de dar passos sensatos para a sua realização. O que Jesus proíbe não é o racio­cínio nem a previdência, mas a preocupação ansiosa. Este ê o significado da ordem më merimnate. É a palavra que foi usada em relação a Marta, que estava “distraída” com o serviço da casa; e também em relação à boa semente lançada entre os espi­nhos, abafada pelos “cuidados” da vida; e ainda foi usada por Paulo na injunção: “Não andeis ansiosos de cousa alguma”.[355] É como o Rev. Ryle expressou: “A provisão prudente para o futuro é boa; a fadiga, o desgaste, a ansiedade que atormenta são ruins.”[356]

Por que são ruins? Jesus replica, argumentando que esse tipo de preocupação obsessiva é incompatível, tanto com a fé cristã (vs. 25-30) como com o bom senso (v. 34); mas se detém mais no primeiro ponto.

1. A preocupação é incompatível com a fé cristã (vs. 25-30). No versículo 30 Jesus atinge aqueles que ficam ansiosos por causa de roupa e de comida, chamando-os de “homens de pe­quena fé”. Os motivos que ele apresenta, pelos quais deveríamos confiar em Deus em lugar de ficar ansiosos, são ambos argu­mentos a fortiori (“quanto mais”). Um foi extraído da experi­ência humana e argumenta partindo do maior para o menor; o outro vem da experiência sub-humana (aves e flores) e argu­menta do menor para o maior.

Nossa experiência humana é a seguinte: Deus criou e agora sustenta a nossa vida; ele também criou e continua sustentando o nosso corpo. Este é um fato da experiência diária. Nós não nos fizemos, nem nos mantemos vivos. A nossa “vida” (pela qual Deus é o responsável) é obviamente mais importante do que o alimento e a bebida que nos nutrem. Semelhantemente, o nosso “corpo” (pelo qual Deus também ê responsável) é mais impor­tante do que a roupa que o cobre e aquece. Pois bem, se Deus já cuida do maior (nossa vida e nosso corpo), não podemos con­fiar nele para cuidar do menor (nosso alimento e nossa roupa)? A lógica é inevitável e, no versículo 27, Jesus a reforça com a pergunta: Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Não está claro se a última pala­vra dessa pergunta (kêlikia) deveria ser traduzida por “curso da sua vida” (ERAB) ou “estatura” (ERC); pode significar as duas coisas. Acrescentar meio metro à nossa estatura seria um feito realmente notável, embora Deus o faça a todos nós entre a nossa infância e a idade adulta. Acrescentar um período de tempo ao curso de nossa vida também está fora de nosso alcance; um ser humano não pode consegui-lo sozinho. Na verdade, ao invés de alongar a vida, a preocupação “pode muito bem en­curtá-la”,[357] como todos sabemos. Por. isso, exatamente como deixamos essas coisas aos cuidados de Deus (pois certamente estão fora do nosso alcance), não seria sensato confiar nele para as coisas de menor importância, como o alimento e a roupa?

A seguir Jesus volta-se para o mundo sub-humano e argu­menta de outra maneira. Ele usa as aves como ilustração do cuidado divino em alimentar (v. 26) e as flores para ilustrar o seu cuidado no vestir (vs. 28-30). Em ambos os casos, ele nos manda “olhar” ou “considerar”, isto é, pensar sobre os fatos do cuidado providencial de Deus nesses dois casos. Alguns lei­tores sabem que eu mesmo tenho sido, desde a minha meninice, um entusiástico observador de pássaros. Sei, naturalmente, que essa atividade é considerada por alguns como um passa­tempo bastante excêntrico; olham-me com divertimento e con­descendência. Mas declaro que tenho apoio bíblico para esta atividade. “Observai as aves do céu”, disse Jesus! Na verdade, o assunto ê sério, pois o verbo grego nesta ordem de Jesus (emblepsate eis) significa “fixe os olhos em (algo), para enxergar bem”.[358] Quando nos interessamos pelas aves e pelas flores (e devemos, tal como o nosso Mestre, estar conscientes do mundo natural que nos cerca, sendo gratos por ele), ficamos sabendo que os pássaros não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros, mas mesmo assim vosso Pai celeste os sustenta, e que os lírios do campo (anemonas, papoulas, íris e gladíolos, todos têm sido sugeridos como alternativas para os lírios, embora a referência seja generalizada a todas as lindas flores da primavera na Galiléia) . . . não trabalham nem fiam, mas o nosso Pai ce­leste veste assim a todas, ainda mais suntuosamente que Salo­mão, em toda a sua glória. Sendo assim, não podemos confiar nele para nos alimentar e nos vestir, já que temos muito mais valor do que as aves e as flores? Pois ele não veste até a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno?

“Vejam”, escreve Martinho Lutero com muita beleza, “ele está fazendo das aves nossos professores e mestres. E uma grande e permanente vergonha para nós o fato de, no Evangelho, um frágil pardal se tornar teólogo e pregador para o mais sábio dentre os homens . . . Portanto, sempre que você ouvir a voz de um rouxinol, está ouvindo um excelente pregador . . . É como se ele estivesse dizendo: ‘Eu prefiro estar na cozinha do Senhor. Ele fez o céu e a terra, e ele mesmo é o cozinheiro e o anfitrião. Todos os dias ele aumenta e nutre inúmeros passarinhos em sua mão’.”[359] Semelhantemente, desta vez citando Spurgeon: “Maravilhosos lírios, como vocês reprovam o nosso tolo ner­vosismo!” [360]

Não nos tocam estas singelas rimas?

Disse a rolinha ao pardal:

“Gostaria de saber Por que os homens, ansiosos,

Nunca param de correr!”

Respondeu o pardalzinho: “Minha amiga, eu penso assim:

Não sabem que o Pai celeste Cuida de ti e de mim!”

É uma figura encantadora, mas não um reflexo estritamente exato do ensinamento de Jesus, pois ele não disse que as aves têm um Pai celeste, mas sim que nós o temos, e que, se o Criador cuida de suas criaturas, podemos ter certeza de que o Pai também cuidará dos seus filhos.

2. Problemas relacionados com a fé cristã. Preciso, a esta altura, fazer uma digressão para comentar três problemas relacionados com a fé cristã que, segundo Jesus, deve ser como a de uma criança. Todos os três são problemas grandes e só podem ser abordados de leve mas, considerando que eles surgem em nossas mentes por causa da promessa básica de nosso Senhor (de que o Pai celeste vai alimentar-nos e vestir-nos) seria errado fugir deles. Vou especificá-los negativamente, em termos de três liberdades que a fé não toma à luz da promessa de Deus, ou de três imunidades que a sua promessa não nos dá.

Primeiro, os crentes não estão isentos de ganhar a sua própria vida. Não podemos ficar sentados numa poltrona, girando os polegares, murmurando “meu Pai celestial provera”, sem fazer nada. Temos de trabalhar. Como Paulo disse mais tarde: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma.”[361] Com sua simplicidade característica, Lutero escreve: “Deus . . . não tem nada a ver com os preguiçosos, com os glutões displicentes; eles agem como se apenas devessem ficar sentados à espera de que Deus lhes atire na boca um ganso assado.”[362]

Jesus usou as aves e as flores como evidências da capacidade de Deus para nos alimentar e vestir, conforme vimos. Mas como Deus alimenta as aves? Poderíamos responder que ele não o faz, pois elas se alimentam sozinhas! Jesus era um observador meticuloso. Ele sabia perfeitamente bem quais são os hábitos alimentares dos pássaros; sabia que alguns comem sementes, outros comem cadáveres e outros comem peixes, enquanto que outros ainda são insetívoros, predadores ou lixeiros. Deus os alimenta a todos. Mas o modo como o faz não é estendendo-lhes uma mão divina cheia de comida, mas providenciando na natu­reza os recursos para que eles se alimentem. Pode-se dizer o mesmo das plantas. “As flores não fazem o trabalho dos homens no campo (‘não trabalham’), nem o trabalho das mulheres em casa (‘não fiam’)”,[363] mas Deus as veste. Como? Não milagrosa­mente, mas através de um processo complexo que arranjou, em que elas extraem do sol e do solo o seu sustento.

O mesmo acontece com os seres humanos. Deus supre, mas nós temos de cooperar. Hudson Taylor aprendeu esta lição em sua primeira viagem à China, em 1853. Quando uma tempestade violenta na costa gaulesa ameaçou o navio, ele achou que seria desonrar a Deus usar um salva-vidas. Por isso, desfez-se do seu. Mais tarde, entretanto, percebeu o seu erro: “O uso de meios não diminui a nossa fé em Deus, e a nossa fé em Deus não im­pede que usemos quaisquer meios que ele tenha fornecido para a realização dos seus propósitos”.[364]

Semelhantemente, Deus não coloca todos os seus filhos na situação do profeta Elias, nem lhes dá alimento milagrosamente por meio de anjos ou corvos mas, antes, através de meios mais naturais: fazendeiros, moleiros, granjeiros, peixeiros, açougueiros, merceeiros e outros. Jesus insiste conosco sobre a necessidade de uma confiança despretenciosa em nosso Pai ce­leste, mas ele sabe que a fé não é ingênua (ignorante das causas secundárias) nem arcaica (incompatível com a ciência moderna). Segundo, os crentes não estão isentos da responsabilidade para com os outros. Digo isso em relação ao segundo problema, que é mais de providência do que de ciência. Se Deus promete alimentar e vestir os seus filhos, por que há tanta gente sub-nutrida e mal vestida? Eu não poderia dizer levianamente que Deus cuida só dos seus próprios filhos, e que os pobres que têm falta de alimento e roupa adequada são todos incrédulos que estão fora do seu círculo familiar, pois certamente há pessoas cristãs em algumas regiões atacadas pela seca e pela fome, as quais passam toda espécie de necessidades. Não me parece haver uma solução simples para este problema. Mas é preciso destacar um ponto importante, isto é, que a principal causa da fome não é a falta da provisão divina, mas uma injusta distribuição por parte do homem. A verdade é que Deus forneceu recursos amplos na terra e no mar. A terra produz plantas que dão sementes e árvores que dão frutos. Os animais, as aves e os peixes que ele criou são frutíferos e multiplicam-se. Mas o homem açambarca, desperdiça ou estraga esses recursos, e não os distribui. Parece significativo que, no próprio Evangelho de Mateus, o mesmo Jesus que aqui afirma que nosso Pai aumenta e veste os seus filhos, mais tarde diz que nós mesmos devemos alimentar os famintos e vestir os nus, e que seremos julgados de acordo com isso. Sempre é importante permitir que as Escrituras interpretem as Escrituras. O fato de Deus alimentar e vestir os seus filhos não nos isenta da responsabilidade de sermos seus agentes para isso. Terceiro, os crentes hão estão isentos das dificuldades. É ver­dade que Jesus proíbe que o seu povo se preocupe. Mas estar livre de preocupações e estar livre de dificuldades não é a mesma coisa. Cristo nos manda deixar de lado a ansiedade, mas não promete que seremos imunes a todos os infortúnios. Pelo con­trário, há em seus ensinamentos muitas indicações de que ele sabia o que era a calamidade. Assim, embora Deus vista a erva do campo, não impede que ela seja cortada e queimada. Deus protege até mesmo os pardais, que são tão comuns e de um valor tão mínimo que se vendem dois por um cruzeiro e cinco por dois cruzeiros, indo mais um de quebra. “Nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai”,[365] disse Jesus. Mas os pardais caem ao chão e são mortos. Sua promessa não foi que eles não cairiam, mas que isto não aconteceria sem o conheci­mento e consentimento de Deus. As pessoas também caem, e os aviões, também. As palavras de Cristo não podem ser tomadas como uma promessa de que a lei da gravidade será revogada em nosso benefício, mas sim que Deus sabe a respeito dos aci­dentes e que ele os permite. Mais ainda, é significativo que, no final deste parágrafo, o motivo por que Jesus diz que não deve­mos ficar inquietos com o dia de amanhã é o seguinte: basta ao dia o seu próprio mal (v. 34). Portanto, haverá “cuidados” (kakia, “males”). A libertação que um cristão tem da ansiedade não se deve a alguma garantia de ausência de cuidados, mas por ser a preocupação (que examinaremos mais tarde) uma in­sensatez, e especialmente pela confiança que temos de que Deus é nosso Pai, que até mesmo a permissão para o sofrimento está dentro da órbita do seu cuidado,[366] e que “todas as cousas coo­peram para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.[367]

Esta foi a certeza que fortaleceu o Dr. Helmut Thielicke, ao pregar uma série de sermões sobre o Sermão do Monte na Igreja de São Marcos, em Stuttgart, durante aqueles terríveis anos (1946-1948) imediatamente após a segunda guerra mundial. Freqüentemente aludia ao sonido das sirenes antiaéreas que durante a guerra alertavam o povo de ainda mais devastações e mortes provocadas pelas bombas dos aliados. O que a liber­tação da ansiedade poderia significar em tais circunstâncias? “Conhecemos a visão e o barulho das casas desmoronando em chamas . . . Nossos próprios olhos viram as chamas rubras e nossos próprios ouvidos ouviram os estrondos, os desmorona­mentos e os gritos.” Em tal cenário, ordenar que olhassem para as aves e os lírios poderia parecer muito falso. “Não obstante”, o Dr. Thielicke prosseguiu, “acho que devemos parar e ouvir quando este homem, cuja vida na terra teve muito pouco de ‘passarinhos e flores’, aponta-nos para a despreocupação deles. Será que as tenebrosas sombras da cruz já não se espalhavam sobre esta hora em que ele pregou o Sermão do Monte?”.[368] Em outras palavras, é razoável confiar no amor de nosso Pai celeste, até mesmo nos momentos de dificuldades cruéis, porque temos o privilégio de ver esta revelação em Cristo e na sua cruz.

Portanto, os filhos de Deus não têm a promessa de que ficarão livres do trabalho, nem da responsabilidade, nem das dificuldades, mas apenas da preocupação. Esta, sim, nos é proibida: é incompatível com a fé cristã.

3. A preocupação é incompatível com o bom senso (v. 34). Retor­nando de nossa digressão sobre os problemas da fé, temos agora de destacar que a preocupação é tão incoerente com o bom senso quanto o é com a fé cristã. No versículo 34, Jesus menciona o hoje e o amanhã. Toda a preocupação é sobre o amanhã, quer seja relacionada com a roupa ou o alimento ou qualquer outra coisa; mas toda a preocupação é experimentada hoje. Sempre que ficamos ansiosos, ficamos preocupados no momento pre­sente sobre alguma coisa que vai acontecer no futuro. Entre­tanto, esses temores sobre o amanhã, que sentimos com tanta força hoje, talvez não se concretizem. O conselho popular “não se preocupe, talvez não aconteça nunca”, sem dúvida não é nada simpático, mas perfeitamente verdadeiro. As pessoas se preocupam com os exames, ou com um emprego, ou com o casa­mento, ou com a saúde, ou com algum empreendimento . . . Mas tudo isso é fantasia. “Os temores podem ser mentirosos”; e geralmente o são. Muitas preocupações, talvez a maioria delas, jamais acontecerão.

Portanto, a preocupação é uma perda de tempo, de pensa­mentos e de energia nervosa. Precisamos aprender a viver um dia de cada vez. Devemos, naturalmente, planejar o futuro, mas não nos preocupar com ele. “Vivam um dia de cada vez”,[369] ou “Bastam a cada dia suas próprias dificuldades”.[370] Portanto, por que antecipá-las? Se o fizermos, nós as multiplicaremos, pois, se nossos temores não se concretizarem, teremos nos preo­cupado em vão; no caso de se concretizarem, estaremos nos preocupando duas vezes em vez de uma. De qualquer forma é tolice: a preocupação aumenta a nossa perturbação.

Chegou o momento de fazer uma síntese do que Jesus disse sobre as falsas ambições do mundo. Preocupar-se com coisas materiais, de modo que elas monopolizem a nossa atenção, absorvam a nossa energia e nos atormentem com ansiedade é incompatível com a fé cristã e com o bom senso. É falta de con­fiança em nosso Pai celeste e, francamente, uma estupidez. É isto que os pagãos fazem; mas é totalmente impróprio e indigno para os cristãos. Portanto, assim como Jesus já nos convocou no Sermão para uma justiça maior, para um amor mais amplo e para uma piedade mais profunda, agora ele nos convoca para uma ambição mais alta.

 

b. Ambição verdadeira ou cristã: o reino e a justiça de Deus. É importante examinar os versículos 31, 32 e 33 juntos. O versí­culo 31 repete a proibição contra a ansiedade pelo alimento, pela bebida e pela roupa. O v. 32 acrescenta: Os gentios é que procuram todas estas cousas. Isto mostra que, no vocabulário de Jesus, “procurar” e “ficar ansioso” são intercambiáveis. Ele não está falando tanto de ansiedade, mas de ambição. A ambição dos pagãos está focalizada nas necessidades materiais. Mas isto não pode acontecer com os cristãos, em parte porque vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas, mas, prin­cipalmente, porque estas coisas não constituem objetivo apro­priado ou digno da busca do cristão. Ele deve ter algo diferente, algo mais elevado, como o Bem Supremo, para procurar com toda a energia; não coisas materiais, mas valores espirituais; não o seu próprio bem, mas o de Deus; não alimento e roupa, mas o reino e a justiça de Deus. Isto nada mais é do que a contituidade dos ensinamentos implícitos na oração do Pai-Nosso. De acordo com isso, os cristãos devem reconhecer as necessi­dades do corpo (“o pão nosso de cada dia dá-nos hoje”), embora nossa preocupação prioritária seja com o nome, com o reino e com a vontade de Deus. Não podemos orar o Pai-Nosso até que nossas ambições sejam purificadas. Jesus nos diz para “buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça”; na oração do Pai-Nosso, transformamos esta busca suprema em oração.

1. Buscar primeiro o reino de Deus. Quando Jesus falou do reino de Deus, não se referia à soberania geral de Deus sobre a natureza e a História, mas àquele governo específico sobre o seu próprio povo, o qual ele mesmo inaugurou e que começa na vida de qualquer pessoa quando ela se humilha, se arrepende, crê, submete-se a ele e nasce de novo. O reino de Deus é Jesus Cristo governando o seu povo, com exigências e bênçãos, que desconhecem meios-termos.  “Buscar primeiro”  este reino é desejar, como coisa de primordial importância, a propagação do reino de Jesus Cristo. Tal desejo começará em nós mesmos, até que cada setor de nossa vida (lar, casamento e família, mora­lidade pessoal, vida profissional e ética comercial, saldo ban­cário, imposto de renda, estilo de vida, cidadania) seja subme­tido, prazeirosa e francamente, a Cristo. Esse desejo continuará, em nosso ambiente imediato, com a aceitação da responsabili­dade evangelística para com nossos parentes, colegas, vizinhos e amigos. E também atingirá a preocupação pelo testemunho missionário mundial da Igreja.

Temos, então, de ser claros sobre a verdadeira motivação missionária. Por que desejamos a propagação do Evangelho por todo o mundo? Não por causa de um imperalismo ou triunfalismo iníquo, quer para nós mesmos, para a Igreja ou até mesmo para o “Cristianismo”. Nem apenas porque a evangelização faz parte de nossa obediência cristã (embora o faça). Nem prima­riamente para tornar outras pessoas felizes (embora isso acon­teça). Mas especialmente porque a glória de Deus e do seu Cristo estão em jogo. Deus é Rei, inaugurou seu reino de salvação através de Cristo, e tem o direito de governar a vida de suas cria­turas. Nossa ambição, então, é buscar primeiro o seu reino, acalentar o desejo ardente de que o seu nome receba dos homens a honra a que tem direito.

Conceder prioridade aos interesses do reino de Deus aqui e agora não é perder de vista o seu alvo além da História, pois a presente manifestação do reino é apenas parcial. Jesus falou também de um reino futuro de glória e nos disse que orássemos por sua vinda. Portanto, “buscar primeiro o reino” inclui o desejo e a oração por sua consumação no fim dos tempos, quando todos os inimigos do Reino forem colocados sob os seus pés e o seu reino for incontestável.

 

2. Buscar primeiro a justiça de Deus. Não ficou claro por que Jesus fez distinção entre o seu reino e a sua justiça, como idéias gêmeas, mas de objetivos separados, em nossa prioritária busca cristã. Porque o reino de Deus é um reino justo e, já no Sermão do Monte, Jesus nos ensinou a termos fome e sede de justiça, a estarmos prontos a ser perseguidos por causa dele e a eviden­ciarmos uma justiça maior do que a dos escribas e fariseus. Agora ele nos manda buscar primeiro a justiça de Deus, além de buscar primeiro o reino de Deus.

Vou fazer uma tentativa de explicar a diferença entre os dois. O reino de Deus existe apenas onde Jesus Cristo é consciente­mente reconhecido. Estar no seu reino é sinônimo de desfrutar da sua salvação. Apenas os que nasceram de novo viram e en­traram no seu reino. E buscá-lo em primeiro lugar é propagar as boas novas da salvação em Cristo.

Mas a justiça de Deus é (pelo menos argumentavelmente) um conceito mais amplo do que o reino de Deus. Inclui aquela justiça individual e social à qual se fez referência anteriormente no Sermão. E Deus, sendo ele mesmo um Deus justo, deseja a justiça em cada comunidade humana, não apenas em cada comu­nidade cristã. Os profetas hebreus condenaram a injustiça não só em Israel e Judá, mas também entre as nações pagãs à volta. O profeta Amos, por exemplo, advertiu que o juízo de Deus cairia sobre a Síria, Filistia, Tiro, Edom, Amom e Moabe por causa de sua crueldade na guerra e outras atrocidades, como também cairia sobre o povo de Deus. Deus odeia a injustiça e ama a justiça em qualquer lugar. O Pacto de Lausanne, estru­turado no Congresso sobre Evangelização do Mundo, em julho de 1974, inclui um parágrafo sobre a “responsabilidade social cristã”, que começa assim: “Afirmamos que Deus é o Criador e Juiz de todos os homens. Portanto, partilhamos de sua preocu­pação com a justiça e com a reconciliação de toda a sociedade humana.”

Um dos propósitos de Deus para a sua comunidade nova e redimida é que, através dela, a sua justiça se faça agradável (na vida pessoal, familiar, comercial, nacional e internacional), e por isso a recomenda a todos os homens. Então as pessoas que estão fora do reino de Deus vão vê-la e desejá-la, e a justiça do reino de Deus transbordará, por assim dizer, sobre o mundo dos não-cristãos. Naturalmente a profunda justiça do coração, que Jesus enfatizou no Sermão, é impossível, a não ser nos que foram regenerados; mas certa porção de justiça é possível na sociedade não-regenerada: na vida pessoal, nos padrões fami­liares e na decência pública. Mas o cristão deseja ir muito além disso e ver as pessoas literalmente trazidas para dentro do reino de Deus através da fé em Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, não deveríamos nos envergonhar de declarar que, fora do círculo do reino, Deus também prefere a justiça à injustiça, a liberdade à opressão, o amor ao ódio, a paz à guerra.

Se é assim (e não vejo como isso poderia ser contestado), então buscar primeiro o seu reino e a sua justiça pode-se dizer que abrange nossas responsabilidades cristãs evangelísticas e sociais, tanto quanto as metáforas do “sal” e da “luz” de Mateus 5. A fim de buscar primeiro o reino de Deus temos de evangelizar, uma vez que o reino só se propaga quando o evangelho de Cristo é pregado, ouvido, crido e obedecido. A fim de buscar primeiro a justiça de Deus, temos também de evangelizar (pois a justiça interior do coração torna-se impossível de outro modo), mas também temos de nos envolver em atividades e empreendimentos sociais para propagar por toda a comunidade aqueles padrões mais elevados de justiça que são agradáveis a Deus.

Qual é, então, a nossa ambição cristã? Todos nós somos ambi­ciosos de ser ou fazer alguma coisa, geralmente desde os mais tenros anos. As ambições da infância tendem a seguir certos protótipos; por exemplo: ser cowboy, astronauta ou bailarina. Os adultos também têm os seus próprios protótipos; por exem­plo: ficar rico, famoso ou poderoso. Mas, em última análise, só há duas ambições possíveis para os seres humanos. Vimos até agora como Jesus comparou a verdadeira com a falsa am­bição, a secular (“gentia”) com a cristã, a material com a espi­ritual, os tesouros da terra com os tesouros do céu, o alimento e a roupa com o reino e a justiça de Deus. Mas, acima e além de tudo isso, fica um contraste ainda mais fundamental. No final, exatamente como há apenas dois tipos de piedade, a ego­cêntrica e a teocêntrica, também existem apenas dois tipos de ambição: podemos ser ambiciosos para nós mesmos ou para Deus. Não há uma terceira alternativa.

As ambições voltadas para o ego podem ser bastante modestas (o suficiente para comer, beber e vestir, como no Sermão) ou podem ser grandiosas (uma casa maior» um carro mais possante, um salário melhor, uma reputação mais influente, mais poder). Mas, modestas ou não, são ambições dirigidas a mim mesmo: meu conforto, minha riqueza, meu status, meu poder.

As ambições voltadas para Deus,  entretanto,  para serem dignas dele, nunca devem ser modestas. Há algo inerentemente impróprio em se ter pequenas ambições para Deus. Como pode­ríamos nos contentar em que ele adquira só mais um pouquinho de honra no mundo? Não. Quando percebemos que Deus é Rei, então desejamos vê-lo coroado de glória e honra, no lugar a que tem direito, que é o lugar supremo. Então tornamo-nos ambi­ciosos pela propagação do seu reino e da sua justiça por toda parte.

Quando isto constitui genuinamente a nossa ambição predo­minante, então não só todas estas cousas vos serão acrescentadas (isto é, nossas necessidades materiais serão supridas), como também não haverá mal algum em ter ambições secundárias, uma vez que estas serão subservientes à nossa ambição primária e não competirão com ela. Na verdade, só então é que as ambi­ções secundárias tornam-se sadias. Os cristãos deveriam ser zelosos em desenvolver os seus talentos, alargar as suas oportu­nidades, estender a sua influência e receber promoções em seu trabalho, não mais para fomentar o seu próprio ego ou edificar o seu próprio império, mas sim para, através de tudo o que façam, glorificar a Deus. Ambições menores são sadias e cor­retas, contanto que não constituam um fim em si mesmas (isto é, em nós mesmos), mas sejam o meio de alcançar um fim maior (a propagação do reino e da justiça de Deus) e, portanto, o maior de todos, isto é, a glória de Deus. Este é o “Bem Supremo” que devemos buscar primeiro; não há outro.

Mateus 7:1-12
Os relacionamentos do cristão: com os seus irmãos e com o seu Pai

 

Mateus 7 consiste de um grupo de parágrafos aparentemente isolados. O elo existente entre eles não é óbvio. O capítulo como um todo também não segue o anterior numa seqüência explícita de pensamentos. Muitos comentaristas concluíram, portanto, que Mateus reuniu estes blocos de material que originalmente pertenciam a diferentes contextos e que ele talvez tenha feito o seu trabalho editorial um tanto desajeitadamente. Mas não é necessário chegar a tal conclusão. O fio de ligação que corre por todo o capítulo, embora de maneira solta, ê o dos relaciona­mentos. Poderia parecer bastante lógico que, tendo descrito o caráter, a influência, a justiça, a piedade e a ambição do cristão, Jesus se concentrasse finalmente nos seus relacionamentos, pois a contracultura cristã não é algo individualista, mas comuni­tário, e os relacionamentos dentro da comunidade e entre esta e os outros são de suma importância. Portanto, Mateus 7 nos dá um registro da rede de relacionamentos aos quais, como dis­cípulos de Jesus, somos atraídos. Podem ser assim apresentados:

  1. Para com o nosso irmão, em cujo olho percebemos um argueiro e a quem temos a responsabilidade de ajudar, não de julgar (vs. 1-5).
  2. Para com um grupo espantosamente designado de “cães” e “porcos”. São pessoas, é verdade, mas sua natureza animal é de tal espécie que somos instruídos a não partilhar o evangelho de Deus com elas (v. 6).
  3. Para com o nosso Pai celeste, do qual nos aproximamos em oração, confiantes de que ele não nos dará nada menos que “boas coisas” (vs. 7-11).
  4. Para com todos de maneira generalizada: a Regra Áurea deveria orientar a nossa atitude e o nosso comportamento para com eles (v. 12).
  5. Para com os nossos companheiros de viagem nesta pere­grinação pelo caminho estreito (vs. 13,14).
  6. Para com os falsos profetas, que temos de reconhecer e dos quais devemos nos acautelar (vs. 15-20).
  7. Para com Jesus, nosso Senhor, cujos ensinamentos temos de ouvir e obedecer (vs. 21-27).

 

1. Nossa atitude para com o nosso irmão (vs. 1-5)

Não julgueis, para que não sejais julgados. 2Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido vos medirão também. 3Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? 4Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o ar­gueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? 5Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e então verás claramente para tirar o          argueiro do olho de teu irmão.

Jesus não dá a entender que a comunidade cristã será perfeita. Pelo contrário, ele pressupõe que haverá contravenções e estas darão lugar a tensões, a problemas de relacionamento. Na prá­tica, como deveria um cristão se comportar para com um com­panheiro que agiu mal? Será que Jesus tem alguma instrução sobre a disciplina dentro da sua comunidade? Sim, em tal situa­ção ele proíbe duas alternativas e, então, aconselha a terceira, que é melhor, mais “cristã”.

 

a. O cristão não deve ser juiz (vs. 1, 2)

As palavras de Jesus Não julgueis para que não sejais julgados são muito conhecidas, mas muito mal interpretadas. Para início de conversa, devemos rejeitar a crença de Tolstoy, o qual, com base neste versículo, achava que “Cristo proíbe totalmente a instituição de qualquer tribunal legal”, e que ele “não poderia querer dizer qualquer outra coisa com essas palavras”.[371] Mas a proibição de Jesus não pode absolutamente significar isso que Tolstoy tinha em mente, pois o contexto não se refere a juizes nos tribunais, mas sim à responsabilidade dos indivíduos uns para com os outros.

Além disso, a injunção de nosso Senhor para “não julgar” não pode ser entendida como uma ordem para suspendermos nossa faculdade crítica em relação a outras pessoas, ou fechar os olhos diante de suas faltas fingindo não percebê-las, ou nos abstermos de toda critica, recusando-nos a discernir entre a verdade e o erro, entre o bem e o mal. Como podemos ter cer­teza de que Jesus não estava se referindo a estas coisas? Em parte, porque não seria honesto comportar-se assim, mas seria hipocrisia e sabemos, por esta e outras passagens, que ele ama a integridade e odeia a hipocrisia. Em parte, porque seria uma contradição da natureza do homem, o qual, criado à imagem de Deus, tem a capacidade de julgar valores. Em parte, também, porque muitos dos ensinamentos de Cristo no Sermão do Monte baseiam-se na pressuposição de que usaremos (e realmente deve­ríamos usar) o nosso poder de crítica. Por exemplo, repetidas vezes ouvimos a sua convocação a sermos diferentes do mundo que nos rodeia, desenvolvendo uma justiça que exceda a dos fariseus, fazendo “mais do que os outros” no padrão de amor que adotamos, não sendo como os hipócritas em nossa piedade ou como os pagãos em nossa ambição. Mas como poderíamos obedecer a todos estes ensinamentos sem antes avaliar o com­portamento dos outros e, então, nos assegurarmos de estar agindo de modo diferente, em um padrão mais elevado? Seme­lhantemente, em Mateus 7, esta mesma ordem de não “julgar” os outros é seguida quase imediatamente por duas outras ordens: evitar dar “o que é santo” aos cães, ou pérolas aos porcos (v. 6), e acautelar-se dos falsos profetas (v. 15). Seria impossível obe­decer a estas ordens sem usar a nossa capacidade de julgamento, pois, para determinar o nosso comportamento em relação aos “cães”, “porcos” e “falsos profetas”, primeiro precisamos ter capacidade de reconhecê-los e, para isso, precisamos de algum discernimento.

Se, então, Jesus não estava abolindo os tribunais legais, nem proibindo a crítica, o que quis dizer com não julgueis? Com outras palavras: “não censurar”. O discípulo de Jesus é um “crítico” no sentido de usar o seu poder de discernimento, mas não um “juiz” no sentido de censurar. A censura é um pecado composto, que consiste de diversos ingredientes desagradáveis. Não significa avaliar as pessoas com discernimento, mas con­dená-las severamente. O crítico que julga os outros é um desco­bridor de erros, num processo negativo e destrutivo para com as outras pessoas, e adora viver à procura de falhas nos outros. Imagina as piores intenções nas pessoas, joga água fria nos seus planos e é inexorável quanto aos erros delas.

Pior do que isso, censurar é assumir o papel de juiz, reivindi­cando assim a competência e a autoridade de fazer um julga­mento de seu próximo. Mas, se eu o fizer, estarei colocando a mim e aos meus companheiros numa posição errada. Pois desde quando são eles meus servos, subordinados a mim? E desde quando sou eu seu senhor e juiz? Como Paulo escreveu aos Romanos, aplicando a verdade de Mateus 7:1 à sua situação: “Quem és tu que julgas o servo alheio? para o seu próprio senhor está de pé ou cai” (14:4). Paulo também aplicou a mes­ma verdade a si mesmo quando se encontrou rodeado de difamadores hostis: “Pois quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as cousas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações.”[372] O ponto sim­ples mas vital que Paulo está apresentando nestes versículos é que o homem não é Deus. Nenhum ser humano está qualificado a ser o juiz de outros seres humanos, pois não podemos ler os corações dos outros nem avaliar os seus motivos. Condenar é atrever-se a agir como se fosse o dia do juízo, usurpando a prerrogativa do divino Juiz; na verdade, é “brincar de Deus”.

Não só não devemos julgar, como nos encontramos entre os julgados, e seremos julgados com muito maior severidade se nos atrevermos a julgar os outros. Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido vos medirão também. A exposição dos princípios está clara. Se assumimos a posição de juizes, não podemos invocar a ignorância da lei que estamos reivindicando ser capazes de administrar aos outros.

Se gostamos de ocupar a cátedra, não devemos ficar surpresos ao nos encontrarmos no banco dos réus. Como Paulo explicou: “Portanto, és indesculpável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas; porque no julgar a outro, a ti mesmo te conde­nas; pois praticas as próprias cousas que condenas.”[373]

Resumindo, a ordem de não julgar não é uma exigência para que sejamos cegos, mas antes uma exortação a sermos gene­rosos. Jesus não nos diz que deixemos de ser homens (deixando de lado o poder crítico que nos distingue dos animais), mas que renunciemos à ambição presunçosa de sermos Deus, colocando-nos na posição de juizes.

 

b.  O cristão não deve ser hipócrita (vs. 3, 4) Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não re­paras na trave que está no teu próprio? 4Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?

Agora Jesus conta a sua pequena e famosa parábola sobre o “corpo estranho” nos olhos das pessoas, partículas de pó de um lado e traves ou toras de outro. James Moffatt chamou-os de “lasca” e “tábua”. Primeiro, Jesus denunciou nossa hipocrisia para com Deus, isto é, a nossa prática de piedade diante dos homens para sermos vistos por eles. Agora, ele denuncia a nossa hipocrisia em relação aos outros, isto é, interferindo em seus pecadilhos, enquanto deixamos de resolver as nossas próprias faltas mais sérias. Eis aqui um outro motivo por que não temos capacidade para ser juizes: não apenas somos seres humanos falíveis (o que não ocorre com Deus) mas também somos seres humanos decaídos. Todos nós nos tornamos pecadores com a Queda. Portanto não estamos em posição de julgar outros peca­dores iguais a nós; estamos desqualificados para a cátedra de juiz.

A figura de uma pessoa lutando na delicada operação de re­mover um cisco do olho de um amigo, enquanto uma imensa tábua em seu próprio olho impede totalmente a sua visão, é ridícula ao extremo. Mas, quando a caricatura ê transferida para nós mesmos e para a nossa atitude ridícula de ficar procu­rando os erros dos outros, nem sempre apreciamos a brinca­deira. Temos uma tendência fatal de exagerar as faltas dos outros e diminuir a gravidade das nossas. Achamos impossível, quando nos comparamos com os outros, permanecer estrita­mente objetivos e imparciais. Pelo contrário, temos uma visão rósea de nós mesmos e uma deformada dos outros. Na verdade, o que geralmente acontece é que vemos nossas faltas nos outros e os julgamos vicariamente. Desse modo, experimentamos o prazer da justiça própria sem a dor do arrependimento. Por­tanto, hipócrita (v. 5) aqui é uma expressão chave. Pior ainda, esta espécie de hipocrisia é a mais desagradável porque, tendo até aparência de bondade (tirar um cisco do olho de alguém), transforma-se em um meio de inflar o nosso próprio ego. A con­denação, escreve A. B. Bruce, é o “vício farisaico de exaltarmo-nos amesquinhando os outros, um modo muito baixo de obter superioridade moral”.[374] A parábola do fariseu e do publicano foi o comentário de nosso Senhor sobre esta perversidade. Ele a contou “a alguns que confiavam em si mesmos por se consi­derarem justos, e desprezavam os outros”.[375] O fariseu fez uma comparação odiosa e incorreta, engrandecendo sua própria vir­tude e os erros do publicano.

O que nós deveríamos fazer é aplicar a nós mesmos um padrão pelo menos tão estrito e crítico como aquele que aplicamos aos outros. “Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados”,[376] escreveu Paulo. Não só escaparíamos do julgamento divino, mas também estaríamos em condição de ajudar com humildade e amabilidade ao irmão que está em erro. Tendo removido antes a trave de nosso próprio olho, veríamos clara­mente como remover o cisco do olho dele.

 

c.  O cristão deve antes ser um irmão (v. 5)

Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e então verás clara­mente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.

Algumas pessoas supõem que, na parábola dos corpos estra­nhos, Jesus estivesse proibindo-nos de agir como oculistas morais e espirituais que interferem nos olhos dos outros, e dizendo-nos que tratássemos de nossa própria vida. Mas não é assim. O fato da condenação e da hipocrisia serem proibidas não nos isenta da responsabilidade de irmãos, uns para com os outros. Pelo contrário, Jesus mais tarde ensinaria que, se nosso irmão pecar contra nós, a nossa primeira obrigação (embora geralmente negligenciada) é de “argüi-lo entre ti e ele só”.[377] A mesma obri­gação é colocada sobre nós aqui. Na verdade, em determinadas circunstâncias, somos proibidos de interferir, isto é, quando há um corpo estranho muito maior em nosso próprio olho e não o tenhamos removido. Mas, em outras circunstâncias, Jesus real­mente nos ordena que reprovemos e corrijamos nosso irmão. Depois de resolver o problema com o nosso próprio olho, po­demos ver claramente e mexer no olho do outro. Uma sujeirinha no olho dele é chamada, afinal de contas e muito corretamente, de corpo “estranho”. Não pertence ao olho. Sempre será estra­nho, geralmente doloroso e, às vezes, perigoso. Deixá-lo ali, sem nenhuma tentativa de remoção, dificilmente seria coerente com o nosso amor fraternal.

Nosso dever cristão, então, não é ver o argueiro no olho do nosso irmão, enquanto, ao mesmo tempo, não reparamos na trave (v. 3) no nosso próprio olho; e, muito menos, dizer ao nosso irmão: “Deixa-me tirar o argueiro do teu olho”, enquanto ainda não retiramos a trave de nosso próprio olho (v. 4); mas, antes, tirar primeiro a trave de nosso próprio olho, para que com a claridade de visão resultante possamos tirar o argueiro do olho de nosso irmão (v. 5). Novamente se evidencia que Jesus não está condenando a crítica propriamente dita mas, antes, a crítica desvinculada de uma concomitante autocrítica; não a correção propriamente dita mas, antes, corrigir os outros quando nós mesmos ainda não nos corrigimos.

O padrão de Jesus para os relacionamentos na contracultura cristã é alto e sadio. Em todas as nossas atitudes e no comporta­mento relativo a outras pessoas, nem devemos representar o juiz (severo, censurador e condenador), nem o hipócrita (que acusa os outros enquanto se justifica), mas o irmão, cuidando dos outros a ponto de primeiro acusar-nos e corrigir-nos para depois procurarmos ser construtivos na ajuda que lhes vamos dar. “Corrija-o”, disse Crisóstomo, referindo-se a alguém que tinha pecado, “mas não como um inimigo, nem como um adversário que exige o cumprimento da pena, mas como um médico que fornece o remédio”,[378] e, ainda mais, como um irmão amoroso e ansioso em salvar e restaurar. Precisamos ser tão críticos co­nosco como somos geralmente com os outros, e tão generosos com os outros como sempre somos conosco. Assim cumprire­mos a Regra Áurea que Jesus nos dá no versículo 12 e agi­remos em relação aos outros como gostaríamos que eles fizessem conosco.

 

2. Nossa atitude para com os “cães” e os “porcos” (v. 6)

Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés, e, voltando-se, vos dilacerem.

À primeira vista, parece uma linguagem chocante nos lábios de Jesus, especialmente no Sermão do Monte, logo após o seu apelo ao comportamento fraternal construtivo. Mas Jesus sempre chamou o boi pelo nome! Sua franqueza levou-o a chamar Herodes Antipas de “a raposa” e os escribas e fariseus hipócritas de “sepulcros caiados” e “raça de víboras”.[379] Aqui ele afirma que há certos seres humanos que agem como animais e podem, portanto, ser acertadamente chamados de “cães” e de “porcos”.

O contexto fornece um equilíbrio sadio. Se não devemos julgar os outros, acusá-los e condená-los de maneira hipócrita, não devemos tampouco ignorar suas faltas, fingindo que todos são iguais. Os dois extremos devem ser evitados. Os santos não são juizes, mas também “os santos não são simplórios”.[380] Se pri­meiro removermos a trave de nosso olho para, vendo claramente, podermos retirar o cisco do olho de nosso irmão, ele (se for real­mente um irmão no Senhor) apreciará a nossa solicitude. Mas nem todos gostam de críticas e correção. De acordo com o livro de Provérbios, esta é uma das óbvias diferenças entre o homem sábio e o tolo: “Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e ele te amará.”[381]

Quem são, pois, estes “cães” e “porcos”? Dando-lhes tais nomes Jesus está indicando que, além de serem mais animais que humanos, são também animais com hábitos de sujeira. Os cães que ele tinha em mente não eram os bem comportados cachorrinhos de colo de uma casa elegante, mas os cães párias selvagens, vagabundos e vira-latas, que fuçavam no lixo da cidade. Os porcos eram animais imundos para os judeus, para não mencionar a inclinação que têm de viver na lama. O após­tolo Pedro referir-se-ia a eles mais tarde, reunindo dois provér­bios em um só: “O cão voltou ao seu próprio vômito” e “a porca lavada voltou a’ revolver-se no lamaçal”.[382] A referência deve ser aos incrédulos, cuja natureza nunca foi renovada, que possuem vida física ou animal, mas nenhuma vida espiritual ou eterna. Lembremo-nos também de que os judeus chamavam os gentios de “cães”.[383] Mas os cristãos certamente não consideram os que não são cristãos deste modo desdenhoso. Por isso, temos de penetrar mais profundamente no significado dado por Jesus.

Sua ordem é: não deis aos cães o que é santo e nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas. A figura é clara. Um judeu jamais daria alimento “santo” (talvez alimento que fora antes oferecido como sacrifício) a cães imundos. Nem jamais sonharia em jogar pérolas aos porcos. Estes não só eram animais impuros, mas também provavelmente confundiriam as pérolas com nozes ou ervilhas e tentariam comê-las e, então, descobrindo que não eram comestíveis, pisá-las-iam e até mesmo atacariam o doador. Mas se a figura da parábola é explícita, qual o significado? O que é a coisa “santa” e o que são as “pérolas”? Alguns dos pais da Igreja achavam que a referência era à Ceia do Senhor, e argumentavam que pessoas incrédulas, ainda não batizadas, não deviam ser admitidas a ela.[384] Embora estivessem certos neste ensinamento, é extremamente duvidoso que Jesus tenha pensado nisso. É melhor encontrar um elo com a “pérola de grande valor” da sua parábola referente ao reino de Deus[385] ou à salvação e, por extensão, ao Evangelho. Não podemos deduzir disto, entretanto, que Jesus nos estivesse proibindo de pregar o Evangelho aos incrédulos. Supor tal coisa seria emborcar e esva­ziar todo o Novo Testamento e contradizer a Grande Comissão (com a qual o Evangelho de Mateus termina), que nos manda “ir e fazer discípulos de todas as nações”. Os calvinistas ex­tremos não podem usar isto como argumento contra a evangelização, pois o próprio Calvino insistia que é dever nosso “apre­sentar a doutrina da salvação indiscriminadamente a todos”.[386]

Portanto, os “cães” e “porcos” com os quais estamos proi­bidos de partilhar as pérolas do Evangelho não são simples­mente os incrédulos. Devem ser, antes, aqueles que tiveram ampla oportunidade de ouvir e aceitar as boas novas, mas que determinadamente (e até mesmo provocadoramente) as rejei­taram. “É preciso entender”, escreveu Calvino com sabedoria, “que cães e porcos são nomes que foram dados, não a toda espécie de homens debochados, ou àqueles que são destituídos do temor de Deus e da verdadeira piedade, mas àqueles que, através de evidências claras, manifestaram um desrespeito obsti­nado para com Deus, de modo que sua condição parece ser incurável”.[387] Crisóstomo usa uma expressão semelhante, iden­tificando os “cães” com pessoas “que vivem em impiedade incu­rável”;[388] e, nos dias de hoje, o Professor Jeremias definiu-os como sendo “aqueles que totalmente se entregaram a caminhos depravados”.[389]

O fato é que persistir em oferecer o Evangelho a essas pes­soas, além de um determinado ponto, é provocar sua rejeição com desprezo e até mesmo com blasfêmias. Jesus aplicou o mesmo princípio ao ministério dos doze quando os comissionou, antes de enviá-los em sua primeira missão. Ele os advertiu que, em cada cidade e casa que entrassem, embora algumas pessoas fossem receptivas e “dignas”, outras não seriam receptivas e seriam “indignas”. “Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade”, prosseguiu, “sacudi o pó dos vossos pés”.[390]

O apóstolo Paulo também seguiu este princípio em sua obra missionária. Em sua primeira expedição, ele e Barnabé disseram aos judeus que “contradiziam” a sua pregação em Antioquia da Pisídia: “Cumpria que a vós outros em primeiro lugar fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos vol­vemos para os gentios.” E quando os judeus incitaram os lí­deres da cidade a que os expulsassem, Paulo e Barnabé, “sacu­dindo contra aqueles o pó de seus pés, partiram para Icônio”.[391] Quase o mesmo aconteceu em Corinto na segunda viagem mis­sionária. Quando os judeus se lhe opuseram e o injuriaram, “sacudiu Paulo as vestes” e lhes disse: “Sobre a vossa cabeça o vosso sangue! eu dele estou limpo, e desde agora vou para os gentios.”[392] Pela terceira vez Paulo reagiu da mesma maneira, quando em Roma os líderes judeus rejeitaram o Evangelho. “Tomai, pois, conhecimento”, disse, “de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão”.[393]

Nosso testemunho cristão e pregação evangelística não devem, portanto, ser totalmente indiscriminados. Se as pessoas tiveram muita oportunidade de ouvir a verdade mas não a aceitaram, se elas obstinadamente voltam suas costas a Cristo, se (em outras palavras) elas se colocam na categoria de “cães” e “porcos”, não devemos continuar pregando-lhes indefinidamente, pois assim estaremos amesquinhando o evangelho de Deus e permi­tindo que ele seja espezinhado. Pode alguma coisa ser mais depravada do que confundir a preciosa pérola de Deus com uma coisa sem valor e praticamente pisoteá-la na lama? Ao mes­mo tempo, desistir das pessoas é um passo muito sério. Eu me lembro de apenas uma ou duas ocasiões em minha experiência quando senti que devia fazê-lo. Este ensinamento de Jesus é apenas para situações excepcionais; nosso dever cristão normal é ser paciente e perseverar com as pessoas, como Deus paciente­mente perseverou conosco.

 

3. Nossa atitude para com o nosso Pai celeste (vs. 7-11)

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achar eis; batei, e abrir-se-vos-á. 8Pois todo o que pede recebe; o que busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. 9Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? 10Ou se lhe pedir peixe, lhe dará uma cobra? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas cousas aos que lhe pedirem?

Parece natural que Jesus tenha passado de nosso relacionamento com os homens para nosso relacionamento com o nosso Pai celeste, principalmente porque o nosso dever cristão para com eles (não julgá-los, não lançar pérolas aos porcos e ser prestativos sem ser hipócritas) é por demais difícil sem a graça divina.

 

a. O que Jesus promete

Esta passagem não é a primeira instrução sobre a oração, no Sermão do Monte. Jesus já nos advertiu contra a hipocrisia dos fariseus e o formalismo dos pagãos, e nos deu o seu próprio mo­delo de oração. Agora, entretanto, ativamente nos incentiva a orar, dando-nos algumas grandes promessas de sua graça. Pois “nada é melhor para nos levar à oração do que a convicção plena de que seremos ouvidos”.[394] Ou, então, “Ele sabe que somos tímidos e acanhados, que nos sentimos indignos e inaptos para apresentar nossas necessidades a Deus . . . Pensamos que Deus é tão grande e nós tão pequeninos que não nos atrevemos a orar . . . Foi por isso que Cristo quis desviar-nos de pensamentos tão tímidos, remover nossas dúvidas e fazer-nos avançar con­fiante e ousadamente”.[395]

Jesus procura imprimir suas promessas em nossa mente e me­mória através dos golpes do martelo da repetição. Primeiro, suas promessas vêm ligadas a ordens diretas: Pedi. . . buscai. . . batei . . . (v. 7). Talvez tenham sido deliberadamente colocadas em escala ascendente de insistência. Richard Glover sugere que uma criança, estando a sua mãe perto e visível, pede; caso con­trário, ela busca; enquanto que, se a mãe estiver inacessível no seu quarto, ela bate.[396] Seja como for, todos os três verbos estão no presente do imperativo e indicam a persistência com a qual devemos fazer nossos pedidos conhecidos a Deus. Em segundo lugar, as promessas foram expressas em declarações universais: Pois todo o que pede recebe; o que busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-Ihe-á (v. 8).

Terceiro, Jesus exemplifica suas promessas através de uma singela parábola (vs. 9-11). Ele imagina uma situação com a qual todos os seus ouvintes devem estar familiarizados, isto é, uma criança achegando-se a seu pai com um pedido. Se ela lhe pede um pedaço de pão, receberá por acaso alguma coisa pare­cida com pão, mas na realidade nocivamente diferente? Por exemplo, uma pedra em lugar de pão, ou uma cobra em lugar de peixe? Isto é, se a criança pede alguma coisa sadia para comer (pão ou peixe), receberia alguma coisa prejudicial, que não pode ser comida (uma pedra) ou perniciosa (uma cobra venenosa)? Claro que não! Os pais, ainda que sejam maus, isto é, egoístas por natureza, amam os seus filhos e lhes dão boas dádivas. Observe que Jesus aqui admite, e até mesmo declara, ser o pe­cado inerente à natureza humana. Ao mesmo tempo, ele não nega que os homens maus sejam capazes de fazer o bem. Pelo contrário, pais maus dão boas dádivas a seus filhos, pois “Deus derrama em seus corações uma porção de sua bondade”.[397] O que Jesus está dizendo é que, mesmo quando estão fazendo o bem, seguindo os nobres instintos da paternidade e cuidando dos seus filhos, mesmo assim não escapam à designação de “maus”, pois é o que os seres humanos são.

Portanto, a força da parábola jaz mais no contraste do que na comparação entre Deus e os homens. É um outro argumento a fortiori ou “com tanto mais razão”: se os pais humanos, em­bora sendo maus, sabem dar boas dádivas a seus filhos, quanto mais o nosso Pai celeste, que não é mau, mas totalmente bom, dará boas cousas aos que lhe pedirem? (v. 11). “Pois o que po­deria ele deixar de dar agora aos filhos quando pedem, uma vez que já lhes garantiu exatamente isto, a saber, que podem ser seus filhos?”.[398] Não há dúvida de que as nossas orações são transformadas quando nos lembramos de que o Deus de quem nos aproximamos é “Abba, Pai”, e infinitamente bom e gentil.

O Professor Jeremias demonstrou a novidade deste ensino de Jesus. Ele escreve que, com a ajuda dos seus assistentes, exa­minou cuidadosamente “a literatura relacionada com a oração dos judeus antigos, literatura grande e rica, muito pouco explo­rada”, mas que “em lugar nenhum dessa imensa literatura encontrou esta inovação de Deus como Abba . . . Abba era uma palavra de uso diário, uma palavra conhecida em família. Nenhum judeu teria se atrevido a dirigir-se a Deus desta ma­neira. Jesus o fazia sempre . . . e autoriza seus discípulos a repe­tirem a palavra Abba depois dele”.[399] O que poderia ser mais simples do que este conceito de oração? Se pertencemos a Cristo, se Deus é nosso Pai, somos seus filhos, e a oração é a apresen­tação que lhe fazemos de nossos pedidos. O problema é que, para muitos de nós, a coisa parece simples demais, até mesmo simplista. Em nossa sofisticação, dizemos que não podemos crer nisso, e de qualquer modo isso não corresponde absolutamente à nossa experiência. Assim, voltamo-nos das promessas de Cristo sobre a oração para os nossos problemas com a oração.

 

b.  Os problemas que se criam

Diante das promessas diretas de Jesus, Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á, são levantadas diversas objeções que precisam ser consideradas agora.

1. A oração é descabida. “Este incentivo a orar apresenta um quadro falso de Deus. Implica em que ele precisa ser informado do que precisamos ou intimidado a concedê-lo, quando o pró­prio Jesus disse antes que nosso Pai celeste sabe disso e não deixa de cuidar de nós. Além disso, é claro que ele não pode ser inco­modado com nossas trivialidades. Por que deveríamos supor que suas dádivas dependem de nossos pedidos? Será que os pais humanos esperam que seus filhos lhes peçam alguma coisa para depois suprir suas necessidades?”

A isto respondemos que Deus espera que lhe pecamos, não porque permaneça ignorante até que o informemos, nem porque seja relutante até que o persuadamos. O motivo relaciona-se conosco, não com ele; a questão não é se ele está pronto a dar, mas se nós estamos prontos a receber. Portanto, na oração, nós não “persuadimos” a Deus, mas antes persuadimos a nós mes­mos a nos submeter a Deus. É verdade que a linguagem “insistir com Deus” geralmente ê usada com referência à oração, mas é uma acomodação à fraqueza humana. Mesmo quando Jacó “prevaleceu em oração”, o que realmente aconteceu é que Deus prevaleceu sobre ele, levando-o ao ponto da submissão quando ele se tornou capaz de receber a bênção que Deus tinha estado o tempo todo desejando dar-lhe.

A verdade é que o Pai celeste jamais mima seus filhos. Ele não nos cobre de presentes, quer o desejemos ou não, quer este­jamos prontos a recebê-los ou não. Pelo contrário, ele espera que nós reconheçamos as nossas necessidades, voltando-nos para ele com humildade. É por isso que ele diz: Pedi, e dar-se-vós-á, e Tiago acrescentou: “Nada tendes, porque não pedis”.[400] A oração, então, não é “descabida”; é exatamente a maneira que o próprio Deus escolheu para expressarmos a nossa cons­ciente necessidade e a nossa humilde dependência dele.

2. A oração é desnecessária. Esta segunda objeção surge mais da experiência do que da teologia. Cristãos sérios olham à volta e vêem uma porção de pessoas vivendo bem sem oração. Na realidade, parecem receber, sem oração, exatamente as mesmas coisas que nós recebemos com ela. Obtêm o que precisam tra­balhando, não orando. O fazendeiro consegue uma boa colheita trabalhando, não orando. A mãe consegue ter um filho através da técnica médica, não da oração. A família equilibra o seu orçamento por meio do salário do pai e talvez de outros, não pela oração. “Certamente” podemos nos sentir tentados a dizer “isto prova que a oração não faz a menor diferença; é perda de tempo”.

Mas espere um pouco! Ao pensarmos nisso, é preciso dife­renciar entre as dádivas de Deus como Criador e suas dádivas como Pai, ou entre os dons da criação e os dons da redenção. É realmente verdade que ele dá certas coisas (colheita, filhos, alimento, vida), quer oremos ou não, quer creiamos ou não. Ele dá vida e respiração a todos. Ele envia chuva do céu e as estações do ano a todos. Ele faz o sol nascer para os maus e os bons igualmente.[401] Ele “visita” uma mãe quando ela concebe e, mais tarde, quando ela dá à luz. Nenhum destes dons depende do conhecimento que as pessoas têm do seu Criador ou de orarem.

Mas os dons divinos da redenção são diferentes. Deus não concede salvação a todos, mas é “rico para com todos os que o invocam”, pois, “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.[402] O mesmo se aplica às bênçãos pós-salvação, as “boas dádivas” que Jesus diz que o Pai dá a seus filhos. Não são bênçãos materiais, mas espirituais: perdão diário, livra­mento do mal, paz, aumento de fé, esperança e amor; na verdade é a bênção completa de Deus na obra do “Espírito Santo” que habita em nós, que é, como Lucas traduz, as “boas dádivas” .[403] Por esses dons certamente devemos orar.

A oração do Pai-Nosso, que Jesus ensinou um pouco antes, no Sermão, reúne as duas espécies de dádivas, pois “pão nosso de cada dia” é uma dádiva da criação, enquanto que “perdão” e “livramento” são dádivas da redenção. Por que, então, estão reunidas na mesma oração? Provavelmente a resposta é a se­guinte: oramos pelo pão de cada dia, não porque tememos mor­rer de fome (pois milhares de pessoas conseguem o seu pão de cada dia sem orar ou agradecer antes de comer), mas por sa­bermos que, em última análise, ele vem de Deus e porque, na qualidade de seus filhos, é apropriado que regularmente reco­nheçamos nossa dependência física dele. Entretanto, oramos pedindo perdão e libertação, porque estas dádivas só são con­cedidas em resposta à oração e porque sem elas estaríamos per­didos. Portanto, a oração não é desnecessária.

3. A oração é improdutiva. O terceiro problema é um corolário óbvio do segundo. Argumenta-se que a oração é desnecessária, porque Deus dá aos que não pedem, e é improdutiva, porque ele deixa de dar a muitos que o fazem. “Eu orei para passar no exame, mas não passei. Eu orei para ser curado de uma enfer­midade, e fiquei pior. Eu orei pela paz, mas o mundo está cheio de rumores de guerra. A oração não funciona!” Este é o problema familiar da oração não respondida.

A melhor forma de resolver este problema é lembrar que as promessas de Jesus no Sermão do Monte não são incondicionais. Um pouco de meditação e ficaremos convencidos disso. É absur­do supor que a promessa “Pedi, e dar-se-vos-á”, seja uma ga­rantia absoluta, sem condições; que “Batei, e abrir-se-vos-á” seja um “Abre-te, Sésamo” para todas as portas fechadas, sem exceção; e que ao agitar da varinha mágica da oração todo desejo se realizará e todo sonho se concretizará. A idéia ê ridícula. Isto transformaria a oração em magia, e transformaria a pessoa que ora em um mágico igual a Aladim, e ainda Deus em nosso servo, que apareceria instantaneamente quando o chamássemos, como o gênio que sempre apareceu quando Aladim esfregava a sua lâmpada. Além disso, este conceito de oração abalaria qual­quer cristão sensível se soubesse que poderia obter tudo o que pedisse. “Se fosse assim”, escreve Alec Motyer, “que tudo o que pedíssemos Deus fosse obrigado a conceder, então eu nunca mais haveria de orar, pois não teria confiança suficiente em minha própria sabedoria para pedir alguma coisa a Deus; e penso que você vai concordar comigo por pensar assim. Seria um fardo intolerável para a frágil sabedoria humana se, através de suas promessas relacionadas com a oração, Deus estivesse obrigado a conceder tudo o que pedimos, quando o pedimos e exatamente nos termos em que pedimos. Como poderíamos agüentar um fardo desses?”[404]

Talvez pudéssemos apresentar o assunto assim: sendo bom, nosso Pai celeste só concede boas dádivas a seus filhos; sendo sábio, ele sabe quais dádivas são boas e quais não são. Aca­bamos de ouvir que Jesus disse que os pais humanos nunca da­riam uma pedra ou uma cobra a seus filhos quando estes lhes pedissem pão ou peixe. Mas, e se os filhos (devido a ignorância ou loucura) realmente lhes pedissem uma pedra ou uma cobra? O que fariam? Duvidamos que até mesmo um pai extremamente irresponsável atendesse ao pedido de seu filho, mas a grande maioria dos pais seria bastante sábia e amorosa para não aten­der. Certamente nosso Pai celeste jamais nos daria alguma coisa que pudesse nos prejudicar, ainda que a pedíssemos com urgên­cia e insistência, pelo simples motivo de ele dar a seus filhos “boas dádivas”. Portanto, se pedimos coisas boas, ele no-las dá; se pedimos coisas que não são boas (não boas em si mesmas, ou não boas para nós ou outras pessoas, direta ou indiretamente, imediata ou posteriormente) ele no-las nega; e somente ele sabe a diferença. Podemos agradecer a Deus porque o seu atendi­mento às nossas necessidades é condicional, não depende apenas de pedir, buscar e bater, mas também de se o que desejamos, pedindo, buscando e batendo, é bom. Graças a Deus, porque ele atende a oração. Graças a Deus, que às vezes também não a atende. “Dou graças a Deus”, escreve o Dr. Lloyd-Jones, “que ele não esteja pronto a conceder tudo que eu possa lhe pedir . . . Estou profundamente grato a Deus por não me conceder certas coisas que lhe peço, e por fechar determinadas portas na minha cara” [405]

 

c. As lições que aprendemos

A oração parece ser uma coisa muito simples, quando Jesus fala sobre ela. Simplesmente Pedi. . ., buscai. . ., batei. . ., e, em qualquer caso, receberemos a resposta. Não obstante, é uma simplicidade ilusória; há muita coisa por detrás dela. Primeiro, oração pressupõe conhecimento. Considerando que Deus só concede dádivas de acordo com a sua vontade, temos de esmerar-nos em descobri-la — pela meditação nas Escrituras e pelo exer­cício da mente cristã disciplinada nessa meditação. Segundo, oração pressupõe fé. Uma coisa é conhecer a vontade de Deus; outra é nos humilharmos diante dele e expressarmos a nossa confiança em que ele é capaz de executar a sua vontade. Terceiro, oração pressupõe desejo. Podemos conhecer a vontade de Deus e crer que ele pode executá-la, e ainda assim não desejá-la. A oração é o principal meio ordenado por Deus para a expres­são de nossos mais profundos desejos.[406] E por isso que a ordem de “pedir — buscar — bater” está no imperativo presente e em escala ascendente, para desafio de nossa perseverança.

Assim, antes de pedir, precisamos saber o que pedir e se está de acordo com a vontade de Deus; temos de crer que Deus pode concedê-lo; e precisamos genuinamente desejar recebê-lo. Então, as graciosas promessas de Jesus se realizarão.

 

4. Nossa atitude para com todos os homens (v. 12)

Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei, e os profetas.

A lógica do “pois” ou “portanto” (oun), com o qual este versí­culo começa, não está clara. Talvez se refira ao versículo anterior e signifique que, se Deus é bom para com todos que o buscam em oração, seus filhos devem ser igualmente bons para com todos. Ou talvez se refira à verdade anterior, à ordem não jul­gueis, e esteja retomando o argumento subjacente contra a con­denação e a hipocrisia. Em qualquer caso, parece que Jesus enunciou este princípio em diferentes ocasiões e em diferentes contextos, pois, na versão do Sermão feita por Lucas, vem ime­diatamente após os três pequenos camafeus que ilustravam o mandamento de amar os nossos inimigos.[407] Certamente, tal amor é inatingível, a não ser pela graça de Deus. É, na verdade, o seu próprio amor e é uma das “boas dádivas” que ele nos dá através do seu Santo Espírito em resposta às nossas orações.[408] Diversos comentaristas têm discutido o fato de a Regra Áurea se encontrar de forma semelhante, ainda que sempre negativa, em outros lugares. Confúcio, por exemplo, leva o crédito de ter dito: “Não faça aos outros o que você não quiser que lhe façam”; e os estóicos tinham uma máxima quase idêntica. Nos apócrifos do Velho Testamento encontramos: “Não faça a ninguém o que você mesmo odiaria.”[409] E parece que isto foi o que o Rabi Hillel citou, por volta de 20 a.C, quando um futuro prosélito pediu que lhe ensinasse toda a lei no espaço de tempo em que ele con­seguisse ficar de pé numa perna só. Seu rival, o Rabi Shammai, fora incapaz, relutando em responder, e o mandara embora. Mas o Rabi Hillel respondeu: “O que você achar odioso, não o faça a ninguém. Esta é toda a lei; o restante não passa de comen­tário. “[410]

Sendo este o exemplo mais conhecido do suposto paralelismo entre o Talmude judaico e o Sermão do Monte, um comentário mais detalhado seria apropriado. Alguns foram ao ponto de declarar que tudo que se encontra no Sermão também se en­contra no Talmude, e muitas coisas mais. O Professor Jeremias reage deste modo: “O fato é exatamente este: que no Talmude ‘há muitas coisas mais’, e que é preciso procurar os grãos no meio de muita palha, os minguados grãos dourados que possam ser comparados às palavras do Sermão do Monte.”[411] Alfred Edersheim, que escreveu no final do século passado, foi ainda mais franco. Ele concorda que há “sagacidade e lógica, vivacidade e presteza, sinceridade e zelo” no Talmude mas, ao mesmo tempo, há uma verdadeira “contradição de espírito e substância” entre ele e o Novo Testamento. Na verdade, “como um todo, não só é totalmente desprovido de espiritualidade, como também é antiespiritual”.[412]

Voltando à Regra Áurea, realmente há uma enorme diferença entre o aforismo negativo e até relutante de Hillel (“Não faça aos outros o que for odioso a você”) e a iniciativa positiva contida na instrução de Jesus (“Faça aos outros o que você quer que lhe façam”). Mesmo assim, pode parecer que é um padrão bastante baixo, como “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Mas, na verdade, é um padrão elevado, porque o amor-próprio é uma força poderosa em nossas vidas. Edersheim chamou este amor ao próximo de “a aproximação mais achegada ao amor absoluto da qual a natureza humana é capaz”.[413] Mas também é um prin­cípio ético notavelmente flexível. A nossa própria vantagem freqüentemente nos orienta em nossos próprios negócios; pois deve também nos orientar em nosso comportamento para com os outros. Tudo que temos a fazer é usar a nossa imaginação, colocar-nos no lugar da outra pessoa e perguntar: “Como gostaria eu de ser tratado em tal situação?” Como o Rev. Ryle escreveu: “Isto esclarece uma centena de pontos difíceis . . . Evita a necessidade de estabelecer uma infinidade de pequenas regras para a nossa conduta em casos específicos.”[414] Realmente, é um princípio de aplicação tão ampla, que Jesus poderia dizer: pois esta é a lei e os profetas. Isto é, qualquer pessoa que oriente a sua conduta para com os outros de acordo com o que gostaria que fosse a conduta dos outros para consigo, cumpriu a lei e os profetas, pelo menos na questão do amor,ao próximo.[415]

Percebemos, no início deste capítulo, que a contracultura cristã não é simplesmente um sistema de valores e um estilo de vida individuais, mas uma questão de comunidade. Envolve relacionamentos. E a comunidade cristã é, em essência, uma família, a família de Deus. Provavelmente os dois elementos mais fortes de nossa consciência cristã sejam a percepção de Deus como nosso Pai e a de nossos companheiros cristãos como irmãos e irmãs em Cristo, sem jamais nos esquecermos da nossa responsabilidade para com aqueles que estão fora da família e que ansiamos que sejam introduzidos nela.

Portanto, em Mateus 7:1-12, Jesus apresentou-nos os relaciona­mentos básicos. No centro está nosso Pai celeste, Deus, do qual nos aproximamos, de quem dependemos e que nunca dá a seus fi­lhos outra coisa que não sejam boas dádivas. Logo a seguir, vêm os nossos companheiros de crença. E a anomalia de um espírito de condenação (que julga) e de um espírito hipócrita (que vê o cisco apesar da trave), é que é incompatível com a fraternidade cristã. Se nossos companheiros cristãos são verdadeiramente nos­sos irmãos e irmãs no Senhor, é inconcebível que não sejamos in­teressados e construtivos em nossa atitude para com eles.

Quanto àqueles que estão fora da família, há o caso extremo dos “cães” e “porcos”, mas não são típicos. Há um grupo excep­cional de pessoas obstinadas que se comportam como “cães” e “porcos”, poderíamos dizer, em sua rejeição decisiva de Jesus Cristo. Relutantemente temos de abandoná-las. Mas, se o versí­culo 6 é uma exceção, o versículo 12 é uma regra, a Regra Áurea. Ela transforma as nossas atitudes. Se nos colocarmos sensitiva­mente no lugar de outra pessoa, desejando-lhe o que gostaríamos para nós mesmos, jamais seremos maus, porém sempre gene­rosos; jamais rudes, mas sempre compreensivos; jamais cruéis, mas sempre bondosos.

Mateus 7:13-20
Os relacionamentos do cristão: os falsos profetas

 

Alguns comentaristas têm sugerido que a parte principal do Sermão (os ensinamentos) de Jesus termina aqui, e que com o versículo 13 começam as aplicações ou a conclusão. Certamente ele enfatiza aqui ainda mais fortemente do que antes a necessi­dade da escolha. Entrai pela porta estreita, começa. Isto é, os contrastes entre as duas espécies de justiça e devoção, os dois tesouros, os dois senhores e as duas ambições foram fielmente descritos; chegou o momento da decisão. Há que escolher entre o reino de Satanás e o reino de Deus; a cultura prevalecente ou a contracultura cristã. Jesus continua com a sua apresentação de alternativas descrevendo os dois caminhos (o largo e o es­treito), os dois mestres (o falso e o verdadeiro), os dois apelos (palavras e atos) e, finalmente, os dois fundamentos (areia e rocha).

 

1. A escolha inevitável (vs. 13,14)

Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição e são muitos os que entram por ela), 14porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.

O que se nota de imediato nestes versículos é a natureza abso­luta da escolha que se nos apresenta. Todos nós preferiríamos ter muito mais opções do que uma só, ou, melhor ainda, gosta­ríamos de fundi-las todas em uma religião conglomerada, elimi­nando assim a necessidade de qualquer escolha. Mas Jesus des­carta o nosso sincretismo condescendente. Ele não nos permite as confortáveis soluções que propomos. Em lugar disso, ele insiste que, afinal de contas, há uma só escolha, porque só há duas possibilidades.

Primeiro, há dois caminhos. Este conceito já se encontra no Velho Testamento. O Salmo 1, por exemplo, contrasta “o caminho dos justos”, que se deleitam na lei de Deus, dão frutos e prosperam, com “o caminho dos ímpios”, que são levados como a palha pelo vento e perecem. Agora Jesus complementa essa figura. Um dos caminhos é fácil. A palavra significa “largo, espaçoso e confortável”[416] e alguns manuscritos combinam estas imagens e chamam este caminho de “largo e confortável”. Há muito lugar nele para a diversidade de opiniões e a frouxidão moral. É o caminho da tolerância e da permissividade. Não tem freios, nem limites de pensamento ou de conduta. Os viajantes deste caminho seguem as suas próprias inclinações, isto é, os desejos do coração humano em sua degradação. Superficialidade, egoísmo, hipocrisia, religião mecânica, falsa ambição, condenação; estas coisas não precisam ser aprendidas ou culti­vadas. É preciso esforço para lhes resistir. Nenhum esforço é necessário para praticá-las. Por isso é que o caminho largo é fácil. O caminho difícil, por outro lado, é estreito. Seus limites são claramente demarcados. Sua estreiteza se deve a uma coisa cha­mada “revelação divina”, que restringe os peregrinos às fron­teiras do que Deus tem revelado nas Escrituras como bom e verdadeiro. C. S. Lewis descreveu, em sua autobiografia, como, ainda um escolar de treze anos de idade, começou a “alargar a sua mente”. “Logo troquei (nas famosas palavras) o ‘eu creio’ pelo ‘eu sinto’. E, oh! que alívio! … Da tirania da revelação meridiana passei para o suave luscofusco do Pensamento Supe­rior, onde nada havia a ser obedecido e nada a ser crido exceto o que fosse confortante ou excitante.”[417] É um fato que a verdade revelada impõe uma limitação sobre

O que os cristãos podem crer, e a bondade revelada, sobre como podemos nos comportar. E, num certo sentido, isto é “difícil”. Mas, em outro sentido, como Crisóstomo destacou há séculos atrás, o caminho difícil e estreito de Cristo também deve ser acolhido como “jugo suave” e “fardo leve”.[418]

Em segundo lugar, há duas portas. A porta que leva ao ca­minho fácil é larga, pois é só uma questão de tomar o caminho fácil. Evidentemente, não há limites para a bagagem que po­demos levar conosco. Não precisamos deixar nada para trás, nem mesmo nossos pecados, a justiça própria ou o orgulho. A porta que leva ao caminho difícil, por outro lado, é estreita. É preciso procurar para encontrá-la. É fácil errar. Como Jesus disse em outra ocasião, é estreita como o buraco de uma agulha. Além disso, a fim de entrar por ela temos de deixar tudo para trás: o pecado, a ambição egoísta, a cobiça e, até mesmo, se for necessário, a família e os amigos, pois ninguém pode seguir a Cristo sem antes negar-se a si mesmo. A entrada também é como uma barreira de pedágio: é preciso que as pessoas entrem uma a uma. Como encontrá-la? E o próprio Jesus Cristo. “Eu sou a porta”, ele disse; “se alguém entrar por mim, será salvo”.[419]

Terceiro, há dois destinos. Já vimos isto em figura no Salmo 1, onde encontramos as duas alternativas, os que “prosperam” e os que “perecem”. Moisés também o tornou explícito: “Vê que proponho hoje a vida e o bem, a morte e o mal… a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida”.[420] Semelhantemente, Jesus ensinou que o caminho fácil, cuja entrada é a porta larga, leva à destruição. Ele não definiu o que queria dizer com isso, e presu­mivelmente a natureza exata do inferno está tão além de nosso entendimento finito quanto a natureza exata do céu. Mas a terrível palavra “destruição” (terrível porque Deus é exatamente o Criador, não o Destruidor, e porque o homem foi criado para viver, não para morrer) parece pelo menos nos conceder a liber­dade de dizer que tudo o que é bom será destruído no inferno: o amor e a beleza, o encanto e a verdade, a alegria, a paz e a esperança, e para sempre. É um futuro horrível demais para se contemplar sem lágrimas. Portanto, o caminho espaçoso é o caminho suicida.

Por outro lado, o caminho difícil, ao qual se chega pela porta estreita, leva à vida, exatamente à “vida eterna” que Jesus ex­plicou em termos de comunhão com Deus, começando aqui mas aperfeiçoada no além, na qual veremos e partilharemos de sua glória, e encontraremos a realização perfeita de seres humanos no serviço altruísta prestado a Deus e a nossos com­panheiros.

Quarto, há duas multidões. Entrando pela porta larga e via­jando pelo caminho espaçoso que leva à destruição, há muitos. O caminho largo e fácil é um lugar de muita atividade, freqüen­tado por pedestres de todo tipo. O caminho estreito e difícil que leva à vida, entretanto, parece ser comparativamente mais de­serto. São poucos os que acertam. Parece que Jesus previa que os seus seguidores seriam (ou, pelo menos, pareceriam ser e se sentiriam) um desprezado movimento de minoria. Ele viu mul­tidões na estrada larga, rindo, sem cuidados, aparentemente sem idéia alguma do fim tenebroso para o qual se destinavam, enquanto que, no caminho estreito, apenas um “feliz grupo de peregrinos”, de mãos dadas, as costas voltadas para o pecado e os rostos voltados para a direção da Cidade Celestial, “can­tando hinos de expectativa, marchava para a terra prometida”.

Penso que não podemos especular, a partir deste contraste entre os poucos e os muitos, que os remidos serão poucos. Se compararmos passagem bíblica com passagem bíblica (como sempre o fazemos), teremos de colocar este ensinamento de Jesus junto à visão que João teve dos remidos diante do trono de Deus, “grande multidão que ninguém podia enumerar”.[421] Como con­ciliar estes dois conceitos, eu não sei. Nem tenho certeza de como esta passagem se relaciona com o problema desconcertante da­queles que jamais ouviram o Evangelho, pois uma palavra co­mum às duas multidões, dos “poucos” e dos “muitos”, é o verbo “entrar”. Justamente porque muitos “entram” pela porta larga, Jesus insiste com seus ouvintes para que “entrem pela porta estreita”. Isto implica que nenhuma das duas multidões é igno­rante do que está em jogo; cada um recebeu a oportunidade da escolha e deliberadamente “entrou” pelo outro caminho. O quadro todo parece relacionar-se apenas com aqueles que tiveram oportunidade de decisão a favor ou contra Cristo; sim­plesmente deixa de fora aqueles que nunca ouviram. Devería­mos, portanto, ser sábios e não nos preocupar com essas ques­tões especulativas, como Jesus deu a entender em outra ocasião. Alguém lhe perguntou: “Senhor, são poucos os que são salvos?” Mas ele negou-se a satisfazer sua curiosidade. Apenas respon­deu: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.”[422]

Para recapitular: de acordo com as palavras de Jesus, há apenas dois caminhos, o difícil e o fácil (não existe um caminho do meio), nos quais se entra por duas portas, a larga e a estreita (não existe outra porta), que terminam em dois destinos, a des­truição e a vida (não há uma terceira alternativa). Nem é preciso dizer que uma conversa assim é extremamente fora de moda hoje em dia. As pessoas gostam de ser sem compromisso. Toda pesquisa de opinião pública permite, além do “sim” e do “não”, um conveniente “eu não sei”. Os homens adoram Aristóteles e o seu dourado meio-termo. O caminho mais popular é a via media. Desviar-se do meio é arriscar-se a ser chamado de “extre­mista” ou “fanático”. Todos se ressentem quando são postos diante da necessidade de uma escolha. Mas Jesus não nos deixa escapar dela.

 

2. O perigo dos falsos mestres (vs. 15-20)

Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfar­çados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. 16Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17Assim toda árvore boa pro­duz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. 18Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má pro­duzir frutos bons. 19Toda árvore que não produz bom fruto é cortada, e lançada ao fogo. 20Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.

 

a. Suposições

Ao dizer às pessoas acautelai-vos dos falsos profetas, Jesus obvia­mente supunha que estes existiam. Não há sentido em colocar-se no portão do jardim um aviso: “Cuidado com o cachorro!”, se tudo o que você tem em casa é um casal de gatos e um piriquito! Não. Jesus advertiu os seus discípulos sobre os falsos profetas porque eles já existiam. Encontramo-los em muitas ocasiões no Velho Testamento, e parece que Jesus colocou os fariseus e saduceus no mesmo quadro. “Cegos condutores de cegos”, ele os chamou. Ele também deu a entender que aumentariam de nú­mero, e que o período precedente ao fim se caracterizaria, não só pela propagação mundial do Evangelho, mas também pelo surgimento de falsos mestres, que desviariam a muitos.[423] Lemos sobre eles em quase todas as cartas do Novo Testamento. São chamados de “pseudo-profetas”, como aqui (“profetas” presu­mivelmente porque proclamavam inspiração divina), ou “pseudo-apóstolos” (porque diziam ter autoridade apostólica),[424] ou “pseudo-mestres”,[425] ou até mesmo “pseudo-Cristos” [426](porque tinham pretensões messiânicas ou porque negavam que Jesus fosse o Cristo que veio em carne). Mas cada um deles era “pseu­do”, e pseudos é a palavra grega para mentira. A história da igreja cristã tem sido uma história longa e fatigante de contro­vérsias com falsos mestres. Seu valor, na providência soberana de Deus, é que apresentaram à Igreja um desafio para examinar e definir a verdade, mas causaram muitos prejuízos. Sinto que ainda há muitos deles nas igrejas de hoje.

Ao dizer-nos para nos acautelarmos com os falsos profetas, Jesus fez outra pressuposição, isto é, que há um padrão objetivo da verdade, do qual a falsidade dos falsos profetas se distingue. Caso contrário, a noção de profeta “falso” tornar-se-ia sem signi­ficado. Nos tempos bíblicos, um verdadeiro profeta era aquele que ensinava a verdade por inspiração divina, e o falso profeta era aquele que reivindicava a mesma inspiração divina mas pro­pagava a mentira. Jeremias contrastou-os nestes termos: falsos profetas “falam visões do seu coração”, enquanto que os ver­dadeiros profetas “permanecem no conselho do Senhor”, “ouvem a palavra de Deus”, “proclamam-na ao povo” e “falam da boca do Senhor”.[427] Novamente, “o profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra, fale a minha palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo?”[428] Portanto, ao referir-se a determinados mestres chamando-os de “falsos profetas”, está claro que Jesus não era sincretista, ensinando que opiniões contraditórias eram na reali­dade visões complementares da mesma verdade. Não. Ele defendeu que verdade e mentira são mutuamente excludentes, e que aqueles que propagam mentiras em nome de Deus são pro­fetas falsos, dos quais os seus discípulos deveriam se acautelar.

 

b. Advertências

Depois de anotar as pressuposições de Jesus (que existem falsos profetas, bem como uma verdade da qual eles se desviam), temos de considerar mais precisamente sua advertência: Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ove­lhas, mas por dentro são lobos roubadores (v. 15). Desta metá­fora aprendemos que os pseudo-profetas são perigosos e men­tirosos.

Seu perigo é que, na realidade, são lobos. Na Palestina do primeiro século, o lobo era o inimigo natural das ovelhas, que ficavam totalmente sem defesa diante dele. Por isso, um bom pastor, como Jesus ensinaria mais tarde, tinha de estar sempre alerta e proteger suas ovelhas contra os lobos, enquanto que o empregado contratado (o qual, não sendo dono das ovelhas, não se importava com elas) geralmente as abandonava e fugia ao primeiro sinal da fera, deixando-as ser atacadas e dispersas.[429] Exatamente da mesma forma o rebanho de Cristo está à mercê ou de bons pastores, ou de mercenários, ou de lobos. O bom pastor alimenta o rebanho com a verdade; o falso mestre, como um lobo, divide-o através do erro, enquanto o profissional tem­porário nada faz para protegê-lo, abandonando-o aos falsos mestres. “Eu sei”, disse Paulo aos anciãos de Éfeso, “que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando cousas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai. . .”[430]

Que “cousas pervertidas” seriam estas que constituem uma perturbação e um perigo para a Igreja? Uma das principais características dos falsos profetas no Velho Testamento era o seu otimismo amoral, sua negação de que Deus era o Deus do Juízo, como também o Deus do amor e da misericórdia cons­tantes. Eles eram culpados, disse Jeremias ao povo, pois “en­chem de vãs esperanças . . . Dizem continuamente aos que desprezam a Palavra de Deus: “O Senhor disse: Paz tereis; e a qualquer que anda segundo a dureza do seu coração, dizem: Não virá mal sobre vós”.[431] Semelhantemente, Deus se queixa: “Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz”.[432] Tais palavras constituem um grande mau serviço ao povo de Deus, para não se dizer coisa pior. Dão-lhes um falso sentimento de segurança. Embalam-nos em seus pecados. Deixam de adverti-los sobre o juízo iminente de Deus ou sobre a maneira de como escapar dele.

Portanto, certamente não é por acaso que a advertência de Jesus sobre os falsos profetas no Sermão do Monte segue-se imediatamente após o seu ensinamento sobre as duas portas, os dois caminhos, as duas multidões e os dois destinos: os falsos profetas são peritos em tornar indistinta a questão da salvação. Alguns emporcalham ou distorcem de tal maneira o Evangelho que o tornam difícil de ser entendido pelos que tentam encontrar a porta estreita. Outros procuram demonstrar que o caminho estreito ê, na realidade, muito mais largo do que Jesus deu a entender, e que andar nele exige pouca ou nenhuma restrição na crença e no comportamento da pessoa. Outros ainda, talvez os mais perniciosos de todos, atrevem-se a contradizer Jesus, afirmando que o caminho largo não leva à destruição, mas que na verdade todos os caminhos levam a Deus, e até mesmo que os caminhos largo e estreito, embora levem a direções opostas, finalmente acabarão no mesmo destino, a vida. Não foi por menos que Jesus comparou esses mestres com lobos vorazes, não tanto porque fossem gananciosos, ávidos de prestígio ou de poder (embora geralmente o sejam), mas por serem “selvagens” (BLH), isto é, extremamente perigosos. São responsáveis pela condução de algumas pessoas à própria destruição que eles afirmam não existir.

Mais que perigosos, são também mentirosos. Os “cães” e os “porcos” do versículo 6, por causa de seus hábitos imundos, são fáceis de se reconhecer. Mas não os “lobos”, pois penetram sorrateiramente no rebanho, disfarçados de ovelhas. Como resul­tado, as ovelhas incautas os confundem com outras ovelhas e os recebem com boas vindas, de nada suspeitando. Seu verdadeiro caráter só é descoberto tarde demais, e quando o prejuízo já ocorreu.

Em outras palavras, um falso mestre não se anuncia nem faz propaganda de si mesmo como um fornecedor de mentiras; pelo contrário, reivindica ser um mestre da verdade. “Sabendo que os cristãos são um povo crédulo, disfarça seu propósito sombrio sob o manto da piedade cristã, esperando que seu inócuo disfarce evite o desmascaramento.”[433] Não só ele simula piedade, mas freqüentemente usa a linguagem da ortodoxia histórica, a fim de ganhar aceitação dos simplórios, enquanto, na verdade, suas pretensões são totalmente diferentes, algo destrutivo da própria verdade que pretende defender. Igualmente esconde-se sob o manto dos títulos altissonantes e dos graus acadêmicos impressionantes.

Portanto, “acautelai-vos!”, Jesus adverte. Devemos ficar de guarda, orando por discernimento, usando nossas faculdades de crítica e jamais relaxando nossa vigilância. Não devemos ficar fascinados com o seu exterior, com o seu encanto pessoal, com a sua cultura, com seus títulos doutorais e eclesiásticos. Não devemos ser ingênuos a ponto de supor que, sendo um Dou­tor em Filosofia ou em Teologia, um professor ou um bacharel, ele deve ser um verdadeiro e ortodoxo embaixador de Cristo. Devemos olhar por trás de sua aparência para a realidade. O que se encontra sob o pelo: uma ovelha ou um lobo?

 

c. Provas

Tendo notado as pressuposições feitas por Jesus e as advertências que deu, estamos agora prontos a examinar o teste ou testes que ele nos mandou aplicar. Ele mudou suas metáforas de ove­lhas e lobos para árvores e seus frutos, e da roupagem das ovelhas que um lobo poderia usar para o fruto que uma árvore deve dar. Fazendo assim, ele passou do risco do não-reconhecimento para os meios do reconhecimento. Embora certamente possamos confundir muitas vezes um lobo com uma ovelha, ele nos diz que não podemos cometer o mesmo engano com uma árvore. Nenhuma árvore pode esconder a sua identidade por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde ela se trai, pelo seu fruto. Um lobo pode disfarçar-se; uma árvore, não. Ervas daninhas, como espinhos e abrolhos, simplesmente não podem produzir fruto comestível como uvas e figos. Não só o caráter do fruto fica deter­minado pela árvore (uma figueira dá figos e uma videira, uvas), mas também a sua condição (toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz maus frutos, v. 17). Na verdade, não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má pro­duzir frutos bons (v. 18). E o dia do juízo concluirá a diferen­ciação, quando as árvores não frutíferas serão cortadas e quei­madas (v. 19). Portanto (pois esta é a conclusão que Jesus enfa­tiza duas vezes), pelos seus frutos os conhecereis (vs. 16, 20). Que frutos são estes?

A primeira espécie de “fruto” pelo qual os falsos profetas revelam a sua verdadeira identidade está no campo do caráter e da conduta. Na alegoria do próprio Jesus, a produtividade significa semelhança com Cristo, o que Paulo mais tarde designou como “o fruto do Espírito”. Sendo assim, sempre que vemos em um mestre a mansidão e a humildade de Cristo, o seu amor, a sua paciência, a sua bondade, a sua delicadeza e auto-controle, temos motivos para considerá-lo verdadeiro, não falso. Por outro lado, sempre que estas qualidades estão ausentes, e “as obras da carne” estão mais aparentes do que “o fruto do Espírito”, especialmente a inimizade, a impureza, a inveja e a auto-indulgência, devemos suspeitar que o profeta é um impostor, por mais pretensiosas que sejam as suas reivindicações e por mais plausíveis que sejam os seus ensinamentos.

Mas os “frutos” do profeta não são apenas o seu caráter e modo de vida. Na verdade, os intérpretes “que os confinam a esta vida estão, na minha opinião, enganados”, escreveu Calvino.[434] O segundo “fruto” é o próprio ensinamento da pessoa. Isto ficou fortemente sugerido pelo outro uso que Jesus fez da mesma metáfora da árvore frutífera: “Pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras! como podeis falar cousas boas, sendo maus? porque a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom tira do tesouro bom cousas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira cousas más. Digo-vos que toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo; porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.”[435] Portanto, se o coração de uma pessoa revela-se em suas palavras, como a árvore se conhece pelos seus frutos, temos a responsabilidade de experimentar um mestre pelos seus ensinamentos. O apóstolo João dá-nos um exemplo disto, pois as igrejas da Ásia às quais escreveu tinham sido invadidas pelos falsos mestres. Assim como Jesus, ele admoestou-as a não se deixarem enganar, mas que “provassem os espíritos” Cisto é, dos mestres que reivindicavam a inspiração) para ver se procediam de Deus.[436] Incentivou-as a buscar retidão e amor em seus mestres e a rejeitar como espúrios os injustos e os que não tivessem amor. Mas a este teste moral ele acrescentou um doutrinário. Genera­lizando, era se a mensagem dos mestres estava de acordo com a instrução apostólica original,[437] e, particularmente, se confes­sava Jesus como o Cristo que veio em carne, reconhecendo assim sua pessoa divino-humana.[438]

Os reformadores do século dezesseis, que foram acusados pela Igreja de Roma de serem inovadores e falsos mestres, defen­deram-se através deste teste doutrinário. Apelaram para as Escri­turas e declararam que os seus ensinamentos não eram a intro­dução de alguma coisa nova, mas a recuperação de uma coisa velha, a saber, o Evangelho original de Cristo e dos seus após­tolos. Foram antes os católicos medievais que se afastaram da fé, caindo no erro. “Apeguem-se à Palavra de Deus pura”, cla­mava Lutero, para serem capazes de “reconhecer o juiz” que está certo.[439] Calvino enfatizou a mesma coisa: “Todas as dou­trinas têm de ser colocadas junto ao padrão da Palavra de Deus”, pois “no julgamento dos falsos profetas, a regra da fé (isto é, das Escrituras) tem o primeiro lugar”.[440] Ele foi ainda um passo adiante, chamando a atenção para as motivações dos falsos mestres, além do conteúdo de seus ensinamentos: “Com os fru­tos, o modo de ensinar está incluído . . ., pois Cristo provou ter sido enviado por Deus, ao dizer que não estava ‘procurando a sua própria glória’, mas a glória do Pai que o tinha enviado” (João 7:18).[441]

Ao examinar as credenciais de um mestre, então, temos de observar tanto o seu caráter como a sua mensagem. O Rev. Ryle resumiu bem: “Doutrina sadia e vida santa são os sinais dos verdadeiros profetas.”[442] Penso que há um terceiro teste que devemos aplicar aos mestres, e refere-se à sua influência. Temos de nos perguntar que efeitos os seus ensinamentos estão produ­zindo nos seus discípulos. As vezes, a falsidade do ensino falso não aparece imediatamente quando olhamos para o comporta­mento ou para a doutrina de um mestre; apenas mais tarde percebemos que seus resultados foram desastrosos. Foi isto que Paulo quis dizer ao escrever que o mal tem a tendência de “cor­roer como o câncer”.[443] Seu processo canceroso progride con­forme vai perturbando a fé das pessoas,[444] promovendo a impiedade[445] e provocando divisões dolorosas.[446] O ensinamento bom, por outro lado, produz fé, amor e piedade.[447]

Naturalmente, a aplicação deste teste dos “frutos” nem é simples nem direta, pois os frutos levam tempo para crescer e amadurecer. Temos de esperar pacientemente. Precisamos tam­bém de uma oportunidade para examiná-los atentamente, pois nem sempre é possível reconhecer uma árvore e seus frutos à distância. Na verdade, até mesmo de perto podemos não per­ceber imediatamente os sintomas de uma doença na árvore ou a presença de um verme no fruto. Para aplicar isso a um mestre, precisamos, não de uma estimativa superficial de sua posição na Igreja, mas de um escrutínio íntimo e crítico do seu caráter, da sua conduta, da sua mensagem, das suas motivações e da sua influência.

Entretanto, esta advertência de Jesus não nos incentiva a fi­carmos desconfiados de todos ou a adotarmos como passatempo o esporte indecoroso de “caça à heresia”. Antes, é um lembrete solene de que há falsos mestres na Igreja e que devemos ficar em guarda. O que importa é a verdade, pois Deus é a verdade e esta edifica a igreja de Deus, enquanto que o erro é demo­níaco e destrutivo. Se damos importância à verdade de Deus e à Igreja de Deus, temos de levar a sério a advertência de Cristo.

Ele e seus apóstolos colocaram a responsabilidade da pureza doutrinária da Igreja parcialmente sobre os ombros dos líderes cristãos, mas também e especialmente sobre cada congregação. A igreja local tem mais poder do que geralmente percebe ou usa na decisão de qual dos mestres vai ouvir. O Acautelai-vos dos falsos profetas, proferido por Jesus Cristo, dirige-se a todos nós. Se a Igreja desse atenção à sua advertência e aplicasse os seus testes, não estaria nesse terrível estado de confusão moral e teológica em que se encontra atualmente.

Com este parágrafo Jesus conclui o seu esboço dos relaciona­mentos cristãos. Ao olharmos para trás, reunindo os ensina­mentos, vemos como são ricos e variados. Como irmão, o cristão odeia a hipocrisia, critica a si mesmo e procura dar apoio moral construtivo aos outros. Como evangelista, valoriza tanto a pérola do Evangelho que se recusa a expô-la à rejeição desdenhosa dos pecadores endurecidos. Como amante de todos os homens, está resolvido a comportar-se em relação a eles como gostaria de vê-los comportando-se para com ele mesmo. Como filho, olha humilde e confiantemente para o seu Pai celeste para receber as boas dádivas de que precisa. Como viajante no caminho difícil e estreito, desfruta da comunhão com os companheiros de pere­grinação e mantém os olhos no alvo da vida. Como defensor da verdade revelada de Deus, dá atenção à advertência de Cristo de acautelar-se dos falsos mestres, que poderiam pervertê-lo e assim prejudicar o rebanho de Cristo.

Mateus 7:21-27
O compromisso cristão: uma escolha radical

 

Se não foi no versículo 13 que Jesus começou a sua conclusão do Sermão do Monte, certamente agora ele o faz. Neste ponto ele não está preocupado em acrescentar mais instruções, mas deseja assegurar uma reação adequada à instrução que acaba de dar. “O Senhor Jesus finaliza o Sermão do Monte”, escreve J. C. Ryle, “com uma passagem de aplicação penetrante. Ele volta-se dos falsos profetas para os falsos professos, dos falsos mestres para os falsos ouvintes”.[448] R. V. G. Tasker comenta de maneira semelhante: “Entretanto, não são somente os falsos mestres que tornam o caminho estreito difícil de achar e mais difícil de palmilhar. Um homem também pode enganar-se dolo­rosamente.”[449]

Por isso, Jesus nos leva a um confronto próprio, colocando diante de nós a escolha radical entre a obediência e a desobe­diência, e nos convoca a um compromisso incondicional da mente, da vontade e da vida com os seus ensinamentos. Ele nos adverte quanto a duas alternativas inaceitáveis: a profissão de fé meramente verbal (vs. 21-23) e o conhecimento meramente intelectual (vs. 24-27). Nenhum dos dois pode substituir a obedi­ência; na verdade, ambos constituem um disfarce da desobe­diência. Jesus enfatiza com grande solenidade que o nosso des­tino eterno depende de uma obediência total.

No que se refere a isso, os dois parágrafos finais do Sermão são muito parecidos. Ambos contrastam as reações certa e errada aos ensinamentos de Cristo. Ambos indicam que a neutralidade é impossível e que uma decisão definida tem de ser tomada. Ambos destacam que nada pode substituir a obediência ativa e prática. E ambos ensinam que a questão da vida e da morte no dia do juízo será determinada pela nossa reação moral a Cristo e a seus ensinamentos nesta vida. A única diferença entre os parágrafos é que, no primeiro, se oferece como alternativa para a obediência uma profissão de fé com os lábios, e, no segundo, um mero ouvir, também como alternativa para a obediência.

 

1. O perigo de uma profissão de fé simplesmente verbal (vs. 21-23)

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 22Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim,  os que praticais a iniqüidade.

As pessoas que Jesus está descrevendo aqui estão confiando para a sua salvação em uma afirmação do credo, no que elas “dizem” a Cristo ou a respeito de Cristo. “Nem todo o que me diz” (v. 21). “Muitos, naquele dia, hão de dizer” (v. 22). Mas o nosso destino final será estabelecido, Jesus insiste, não pelo que lhe dizemos hoje, nem pelo que lhe diremos no último dia, mas por fazermos o que dizemos, por estar a nossa profissão verbal acom­panhada da obediência moral.

Uma profissão verbal de Cristo é indispensável. Para sermos salvos, escreveu Paulo, temos de confessá-lo com nossos lábios e crer em nossos corações.[450] E uma verdadeira profissão de fé em Jesus como Senhor é impossível sem o Espírito Santo.[451] Além disso, o tipo de profissão cristã que Jesus descreve no final do Sermão parece, pelo menos superficialmente, que é totalmente admirável. Começando, é respeitosa; chama-o de “Senhor”, exatamente como hoje em dia a maneira mais respeitosa e edu­cada de se referir a Jesus ainda é dizer “nosso Senhor”. Depois, a profissão é ortodoxa. Embora chamar Jesus de “Senhor” talvez não signifique mais do que chamá-lo de “senhor” (com minúscula), o presente contexto contém alusões a Deus como seu Pai, e a ele mesmo como Juiz, e portanto parece implicar em algo mais. Depois de sua morte e ressurreição, os cristãos primitivos certamente sabiam o que estavam fazendo, quando o chamavam de “Senhor”. Era um título divino, uma tradução da palavra judaica “Jeová” no grego do Velho Testamento. Por­tanto, dentro dessa perspectiva, podemos dizer que isto cons­titui uma confissão exata, ortodoxa de Jesus Cristo. Terceiro, é fervorosa, pois não é um “Senhor” frio ou formal, mas um “Senhor, Senhor” entusiástico, como se o orador desejasse cha­mar a atenção para a força e o zelo de sua devoção.

Quarto ponto: é uma confissão pública. Não é uma declaração particular e pessoal de fidelidade a Jesus. Alguns até “profeti­zaram” em nome de Cristo, chegando até a insinuar que pre­garam em público com a autoridade e a inspiração do próprio Jesus. Mais do que isto, a profissão de fé às vezes chega a ser espetacular. A fim de destacar este ponto, Jesus cita os mais extremos exemplos de profissão de fé verbal, a saber, o exercício de um ministério sobrenatural envolvendo profecia, exorcismo e milagres. O que essas pessoas destacam ao falar com Cristo no dia do juízo é o nome pelo qual ministraram. Três vezes usaram-no, sempre colocando-o em primeiro lugar para dar ênfase. Reivindicam que, em nome de Cristo, pública e abertamente confessado, eles profetizaram, expeliram demônios e fizeram muitas obras maravilhosas. E não temos motivo para não acre­ditar nas suas reivindicações, pois “grandes sinais e prodígios” serão realizados até mesmo pelos falsos Cristos e falsos profetas.[452] Que profissão de fé cristã poderia ser melhor? Temos aqui pessoas que chamam Jesus de “Senhor” com cortesia, ortodoxia e entusiasmo, em devoção particular e ministério público. O que poderia haver de errado nisto? Em si, nada de mau. E, não obstante, tudo está errado, porque são palavras que não contêm a verdade; é uma profissão de fé sem realidade. Não os salvará no dia do juízo. Por isso, Jesus passa do que eles dizem e dirão para o que ele lhes dirá. Ele também fará uma declaração solene. A palavra usada no versículo 23 é homologësö, “confessarei”.

A confissão de Cristo será, como a deles, em público, mas dife­rente, porque será verdadeira. Ele lhes dirigirá as terríveis palavras: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade, pois, embora tenham usado o nome dele livremente, Jesus não conhecia seus nomes.

A razão por que Jesus os rejeita é que a profissão de fé deles foi verbal, não moral. Era uma confissão apenas de lábios, não de vida. Chamam a Jesus “Senhor, Senhor”, mas jamais se submeteram ao seu senhorio, nem obedeceram à vontade de seu Pai celeste. A versão de Lucas desta declaração é um tanto mais forte: “Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?”[453] A diferença vital está entre o “dizer” e o “fazer”. A razão por que Cristo, o Juiz, os banirá de sua presença é que são malfeitores, praticam a iniqüidade. Podem alegar feitos gran­diosos em seu ministério; mas, no seu comportamento diário, as suas obras não são boas, são más. Que valor teria para tais pes­soas tomar o nome de Cristo nos lábios? Como Paulo expressou alguns anos depois: “Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome de Cristo”.[454]

Nós que, atualmente, declaramos ser cristãos, fizemos uma profissão de fé em Jesus, particularmente na conversão e publi­camente no batismo. Damos a impressão de honrar a Jesus, cha­mando-o de “o Senhor” ou “nosso Senhor”. Recitamos o credo na igreja e cantamos expressivos hinos de devoção a Cristo. Até exercemos uma variedade de ministérios em seu nome. Mas ele não fica impressionado com nossas palavras piedosas e orto­doxas. Ele continua pedindo evidências de nossa sinceridade em boas obras de obediência.

 

2. O perigo de um conhecimento meramente intelectual  (vs. 24-27)

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; 25e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha.26 E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; 27e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.

Enquanto, no parágrafo anterior, o contraste era entre o “dizer” e o “fazer”, o contraste agora é entre o “ouvir” e o “fazer”. De um lado, diz Jesus, está a pessoa que ouve estas minhas palavras e as pratica (v. 24) e, do outro, a pessoa que ouve estas minhas palavras e não as pratica (v. 26). Depois ele ilustra o contraste entre os seus ouvintes, o obediente e o desobediente, com a sua conhecida parábola dos dois construtores, o homem sábio que “cavou”[455] e construiu a sua casa sobre a rocha, e o tolo que não queria se aborrecer com alicerces e contentou-se em edificar sobre a areia. Enquanto os dois prosseguiam com a sua constru­ção, um observador casual não poderia perceber qualquer dife­rença entre as duas casas, pois a única diferença estava nos ali­cerces, e estes não podiam ser vistos. Só depois que uma tempes­tade se desencadeou sobre as duas casas com grande ferocidade: “chuva no telhado, rio nos alicerces, vento nas paredes”,[456] foi re­velada a diferença fatal e fundamental. A casa edificada sobre a rocha resistiu à tormenta, enquanto que a casa sobre a areia ficou irreparavelmente arruinada.

Da mesma maneira, os cristãos professos (os genuínos e os espúrios) freqüentemente se parecem. Não podemos facilmente distinguir qual é qual. Ambos parecem estar edificando vidas cristãs. Jesus não está fazendo uma comparação entre cristãos e não-cristãos que não fizeram nenhuma profissão de fé. Pelo con­trário, o que é comum aos dois edificadores espirituais é que eles ouvem estas minhas palavras. Portanto, os dois são membros da comunidade cristã visível. Ambos lêem a Bíblia, vão à igreja, ouvem os sermões e compram literatura cristã. O motivo por que tão freqüentemente não podemos diferençar um do outro é que os alicerces de suas vidas estão ocultos aos nossos olhos. A verda­deira pergunta não é se ouvem os ensinamentos de Cristo (nem mesmo se os respeitam ou crêem neles), mas se fazem o que ouvem. Apenas uma tempestade revelará a verdade. Às vezes, uma tempestade de crises ou calamidades revela que tipo de pessoa somos, pois “a verdadeira piedade não se distingue total­mente de sua imitação até que venham as provações”.[457] Caso contrário, a tempestade do dia do juízo certamente o fará.

A verdade sobre a qual Jesus está insistindo nestes dois pará­grafos finais do Sermão é que nem um conhecimento intelectual dele, nem uma profissão de fé verbal, embora ambos sejam essenciais em si mesmos, podem substituir a obediência. A per­gunta não é se nós dizemos coisas bonitas, polidas, ortodoxas e entusiásticas sobre Jesus; nem se ouvimos suas palavras, se prestamos atenção, se estudamos, se meditamos e se memoriza­mos até empanturrar as nossas mentes com os seus ensinamen­tos, mas se nós fazemos o que dizemos e se fazemos o que sabemos; em outras palavras, se o senhorio do Jesus que profes­samos é a grande realidade de nossa vida.

Isto não é, naturalmente, ensinar que o caminho da salvação, ou o caminho para entrar no reino dos céus (v. 21), é pelas boas obras da obediência, pois todo o Novo Testamento oferece salva­ção apenas pela graça pura de Deus mediante a fé. O que Jesus está destacando, entretanto, é que aqueles que verdadeiramente ouvem o Evangelho e professam a sua fé sempre hão de obede­cê-lo, expressando a sua fé em suas obras. Os apóstolos de Jesus jamais se esqueceram deste ensinamento. Isto se vê em suas cartas. A primeira carta de João, por exemplo, alerta muito quanto aos perigos de uma profissão de fé verbal: “Se dissermos que mantemos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, menti­mos . . . Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso”.[458] A carta de Tiago, por sua vez, avisa dos perigos de um conhecimento intelectual. Uma orto­doxia árida não pode salvar, ele escreve, mas apenas uma fé que se traduza em boas obras; por isso, devemos ser “praticantes da palavra, e não somente ouvintes”.[459]

Ao aplicar este ensinamento a nós mesmos, precisamos consi­derar que a Bíblia é um livro perigoso de se ler, e que a igreja é uma comunidade perigosa de se juntar, pois na leitura da Bíblia ouvimos as palavras de Cristo, e quando nos filiamos à igreja dizemos que cremos em Cristo. Como resultado, pertencemos a um grupo descrito por Jesus como aqueles que ouvem os seus ensinamentos e o chamam de Senhor. Nossa filiação, portanto, coloca sobre nós a séria responsabilidade de garantir que aquilo que sabemos e dizemos está sendo traduzido no que fazemos.

Assim, o Sermão termina com a mesma nota de escolha radical da qual estivemos conscientes o tempo todo. Jesus não coloca diante de seus discípulos uma lista de regras éticas fáceis de obe­decer, mas um conjunto de valores e ideais que é totalmente dife­rente do caminho do mundo. Ele nos incentiva a renunciarmos a cultura secular prevalecente em favor da contracultura cristã. Repetidas vezes, durante o nosso estudo, ouvimos o chamado que faz ao seu povo para ser diferente de todos os outros. A primeira vez que isto tornou-se claro foi na responsabilidade que nos trans­mitiu de sermos “o sal da terra” e “a luz do mundo”, pois estas metáforas colocam as comunidades cristã e não-cristã em posi­ções antagônicas, por serem reconhecida e fundamentalmente distintas. O mundo é como alimento podre, cheio de bactérias que causam a sua desintegração; os discípulos de Jesus têm de ser o seu sal, evitando o apodrecimento. O mundo é um lugar escuro e triste, sem sal, mergulhado nas trevas; os discípulos de Jesus têm de ser a luz do mundo, dissipando suas trevas e sua melancolia.

A partir de então, os padrões opostos são pitorescamente des­critos, e o caminho de Jesus é recomendado. Nossa justiça tem de ser mais profunda porque atinge também o nosso coração, e o nosso amor tem de ser mais amplo porque abrange também nossos inimigos. Na piedade devemos evitar a ostentação dos hipócritas e, na oração, a verbosidade dos pagãos. Por outro lado, nossas dádivas, nossa oração e nosso jejum têm de ser verdadeiros, sem comprometer a nossa integridade cristã. De­vemos escolher para ser nosso tesouro algo que dure por toda a eternidade, que não se desintegre na terra; e por senhor de­vemos escolher a Deus, não o dinheiro e as propriedades. Quanto às nossas ambições (aquilo que preocupa nossas mentes), não a nossa própria segurança material, mas a propagação do governo e da justiça de Deus no mundo. Em lugar de nos conformarmos com este mundo, quer na forma dos fariseus religiosos, ou dos pagãos irreligiosos, somos chamados por Jesus a imitar o nosso Pai celeste. Ele é um paci­ficador. E ele ama até mesmo os ingratos e egoístas. Por isso devemos copiá-lo, e não aos homens. Só então provaremos que verdadeiramente somos seus filhos e filhas (5:9, 44-48). Então vem a alternativa de seguir a multidão ou a nosso Pai que está nos céus, ser como a cana agitada pelos ventos da opinião pú­blica ou ser dirigido pela Palavra de Deus, pela revelação do seu caráter e pela sua vontade. E o propósito principal do Sermão do Monte é apresentar-nos esta alternativa, defrontando-nos, assim, com a necessidade indispensável da escolha.

É por isso que a conclusão do Sermão é tão apropriada: Jesus esboçando os dois caminhos (o estreito e o largo) e os dois edi­fícios (sobre a rocha e sobre a areia). Seria impossível exagerar a importância da escolha entre os dois, considerando que um deles leva à vida, enquanto que o outro termina na destruição, e que um edifício é seguro enquanto que o outro é derrubado pela calamidade. Muito mais notável que a escolha de uma carreira profissional ou de um companheiro para a vida ê a escolha da própria vida. Qual a estrada que vamos tomar para viajar? Sobre que alicerce vamos começar a construir?

MATEUS 7:28, 29
Conclusão: quem é esse pregador?

 

Muitas pessoas, inclusive os adeptos de outras religiões e os que não têm nenhuma, dizem-nos que estão preparadas para aceitar o Sermão do Monte como contendo a verdade auto-evidente. Sabem que ele inclui sentenças tais como “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”,  “Amai os vossos inimigos”, “Ninguém pode servir a dois senhores”, “Não julgueis, para que não sejais julgados” e “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles”. Lindo! Aqui, dizem eles, Jesus de Nazaré é o mestre da moral em sua forma melhor e mais simples. Aqui está o âmago de sua mensagem antes de ser incrustada, por seus intérpretes, de adições sem valor. Aqui está o “Jesus original”, com ética simples e sem dogmas, um profeta da justiça, sem sofisticação, reivindicando ser nada mais que um mestre humano e nos dizendo que façamos o bem e que nos amemos uns aos outros. “O Jesus do dogma eu não entendo”, disse certa vez um pro­fessor hindu a Stanley Jones, “mas o Jesus do Sermão do Monte e da cruz eu amo e me sinto atraído por ele”. Semelhantemente, um mestre islâmico sufi disse-lhe que “quando lia o Sermão do Monte não podia conter as lágrimas”.[460]

Mas esta explicação popular do Sermão não pode ficar de pé após um exame detalhado. Ela está errada em dois pontos: pri­meiro, na sua opinião sobre o mestre e, segundo, na sua apresentação dos seus ensinamentos. Pois, ao examinarmos esses dois pontos mais detalhadamente, surge uma coisa muito diferente.

Consideramos no último capítulo as características dos ensina­mentos de Jesus, o seu esboço da contracultura cristã e a sua chamada para o discipulado radical. Agora resta-nos considerar a excepcionalidade do mestre propriamente dito.

O que vamos descobrir é que é impossível construir um muro entre o Jesus do Sermão do Monte e o Jesus do restante do Novo Testamento. Em lugar disso, o pregador do Sermão do Monte é o mesmo Jesus sobrenatural, dogmático, divino, que se encontra em outros lugares. Portanto, a pergunta principal que se nos impõe, não é “O que fazer com estes ensinamentos?”, mas “Quem, afinal de contas, é esse mestre?” Esta foi certamente a reação daqueles que ouviram o Sermão pregado.

Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as mul­tidões maravilhadas da sua doutrina; 29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas.

O que primeiro impressionou os ouvintes do Sermão (as multi­dões, como também os seus discípulos, 5:1) foi a autoridade extraordinária do pregador. Ele não titubeava nem hesitava. Não era inseguro, sentindo necessidade de se justificar, nem tam­pouco era extravagante ou empolado. Pelo contrário, com uma certeza calma e despretenciosa, expunha a lei para os cidadãos do reino de Deus. E estavam as multidões maravilhadas e (o termo grego aqui é muito forte) atônitas.[461] “Após mil e nove­centos anos”, comenta A. M. Hunter, “nós ainda continuamos atônitos”.[462]

Portanto, seria proveitoso tentarmos analisar esta “autori­dade” de Jesus, conforme exposta no Sermão. Sobre o que se firmava? De onde vinha a autoconsciência que o levava a falar deste modo? Que indicações o Sermão dá sobre como ele enten­dia a sua identidade e a sua missão? Não temos de procurar muito para encontrar as respostas a estas perguntas.

 

1. A autoridade de Jesus como mestre

As multidões ficaram atônitas diante da sua doutrina, pois ele as ensinava com autoridade. Sim, ele se apresentou primeiro e mais do que tudo como um mestre, e deixava os seus ouvintes per­plexos com o conteúdo, com a qualidade e com a maneira de expor a sua instrução. Mas, naturalmente, existiram milhares de outros mestres entre os judeus e outros povos. Muitos foram seus contemporâneos. O que, então, havia de tão especial nele? De uma certa forma, ele assumia o direito de ensinar a ver­dade absoluta. Ele era judeu,  mas sua mensagem não era segundo os padrões judaicos. Ele estava interpretando a lei de Moisés, mas de tal modo a mostrar que era a lei de Deus. O que ele tinha a dizer não estava culturalmente condicionado, no senti­do de ficar limitado a um povo em particular (os judeus) ou a um lugar em particular (a Palestina). Sendo absoluto, era universal. Portanto, ele falava como quem sabia o que estava falando. “Nós dizemos o que sabemos”, ele declarou em outro contexto.[463] Ele sabia quem seria grande no reino de Deus e quem seria o menor, quem era “bem-aventurado” diante de Deus e quem não o era, qual o caminho que leva à vida e qual à destruição. Com absoluta confiança em si mesmo, declarou quem herdaria o reino dos céus, quem herdaria a terra, quem obteria misericórdia, quem veria a Deus e quem estava apto a ser chamado filho de Deus. Como podia ele ter tanta certeza?

Comentaristas têm procurado uma linguagem adequada para descrever este sabor peculiar da doutrina de Jesus. Tenho cole­cionado algumas de suas tentativas, que tendem a descrever Jesus como um rei ou legislador. “Ele falou com realeza”, escreveu Spurgeon,[464] com “segurança real”,[465] ou com “soberania”. Stonehouse, p. 199. A ex­pressão de Gresham Machen foi que “ele reivindicou o direito de legislar pelo reino de Deus”,[466] enquanto James Denney com­binou as figuras de rei e legislador ao escrever sobre a sua “sobe­rania prática sobre a consciência, a vontade e os afetos do ho­mem” e a respeito de sua “autoridade moral suprema, legislando sem vacilação e exigindo obediência implícita”.[467] E Calvino dis­se que as multidões ficaram atônitas “porque uma majestade estranha, indescritível e fora do comum atraía para ele a mente dos homens”.[468]

Seus ouvintes naturalmente comparavam e contrastavam a pessoa dele com muitos mestres com os quais estavam familia­rizados, especialmente os escribas. O que mais os surpreendia era que ele os ensinava como quem tem autoridade e de modo nenhum como os escribas, pois estes não tinham autoridade pró­pria. Eles concebiam seu dever em termos de fidelidade à tra­dição que tinham recebido. Por isso, eram artiquários; mergu­lhavam em comentários, buscavam precedentes, reivindicavam o apoio de nomes famosos entre os rabinos. Sua única autori­dade encontrava-se nas autoridades que constantemente citavam. Jesus, por outro lado, que não recebera formação de escriba,[469] escandalizava o conservadorismo de então, varrendo as tradições dos anciãos, sem reverência pelas convenções sociais e falava com uma originalidade própria que cativava alguns e enfurecia ou­tros. A. B. Bruce resumia a diferença, dizendo que os escribas falavam “pela autoridade”, enquanto que Jesus falava “com autoridade”.[470]

Ele não ensinava como os escribas, e tampouco ensinava como os profetas do Velho Testamento. Estes não eram como os es­cribas, presos ao passado. Viviam no presente. Reivindica­vam falar em nome de Jeová, de modo que a voz viva do Deus vivo se ouvia através dos seus lábios. Jesus também insistia que suas palavras eram as palavras de Deus: “O meu ensino não ê meu, e, sim, daquele que me enviou”.[471] Mas havia uma dife­rença. A fórmula mais comum com a qual os profetas introdu­ziam seus oráculos era “Assim diz o Senhor”, expressão que Jesus nunca usou. Em vez disso, ele começava com “Em verdade, em verdade vos digo”, atrevendo-se assim a falar em seu próprio nome e com sua própria autoridade, a qual ele sabia ser idên­tica à do Pai.[472] Este “Em verdade, em verdade vos digo” (amëèn lego humiri), ou “Eu vos digo” (lego humin) aparece seis vezes no Sermão do Monte (5:18; 6:2, 5, 16, 25, 29). Em mais seis ocasiões, isto é, nas seis antíteses do capítulo 5, encontramos uma asserção ainda mais forte com o seu egö enfático, “Mas eu vos digo” (egó de lego humin). Não que ele estivesse contradi­zendo Moisés, como já vimos mas, antes, as corrupções que os escribas faziam de Moisés. Todavia, quando o fazia, desafiava a tradição herdada há séculos e reivindicava substituí-la com a sua própria interpretação exata e autorizada da lei de Deus. Assim, ele “apresentava-se como um legislador, não como um intérprete; ordenava e proibia, abolia e prometia, sobre a sua palavra apenas”.[473]

Tão certo estava da verdade e da validade da sua doutrina, que disse que a sabedoria e a insensatez humanas deviam ser ava­liadas pela reação àquela doutrina. As únicas pessoas sábias, deu ele a entender, eram aquelas que edificavam suas vidas sobre as suas palavras, obedecendo-lhes. Todas as outras pessoas eram néscias porque rejeitavam a sua doutrina. Ele podia até aplicar a si mesmo aquelas palavras da sabedoria personificada que apa­recem em Provérbios 1:33: “O que me der ouvidos habitará segu­ro”. É prestando atenção a ele, a sabedoria de Deus, que o homem aprende a ser sábio.

 

2. A autoridade de Jesus como o Cristo

Há evidências no Sermão do Monte, como em muitas outras partes da sua doutrina, de que Jesus sabia que viera ao mundo com uma missão. “Em vim”, ele diria[474] em diversas ocasiões no Evangelho de Mateus, referindo-se a si mesmo como o “envia­do”.[475] Ele não viera, insistia em dizer, “para abolir a lei e os profetas”, mas para “cumpri-los” (plérõsaí).

A reivindicação pode parecer bastante inocente até que refli­tamos sobre suas conseqüências. O que ele está asseverando é que todos os prenúncios e predições da lei e dos profetas encon­travam seu cumprimento nele, e que, portanto, todas as linhas do testemunho do Velho Testamento convergiam nele. Ele não pensava em si mesmo como um outro profeta, nem sequer como o maior dos profetas, mas, antes, como o cumprimento de toda a profecia. Esta crença de que os dias de expectativa tinham aca­bado e que ele tinha introduzido o período do cumprimento estava profundamente enraizada na consciência de Jesus. As primeiras palavras registradas do seu ministério público foram: “O tempo está cumprido (peplêrõtai), e o reino de Deus está próximo”.[476] No Sermão do Monte há cinco referências diretas ao reino de Deus.[477] Decorrem delas, embora com diversos graus de clareza, que ele mesmo inaugurara o reino de Deus, e que ele tinha autoridade para admitir pessoas nesse reino e conceder-lhes as bênçãos do mesmo. Tudo isto significa, resumindo, que o próprio Jesus sabia ser o Cristo, o Messias de Deus da expectativa do Velho Testamento.

 

3. A autoridade de Jesus como Senhor

Já tivemos ocasião de observar que a concessão do título “Se­nhor” a Jesus não implica necessariamente num reconhecimento dele como o divino Senhor. Como N. B. Stonehouse explicou: “A flexibilidade da palavra grega ‘Senhor’ deve realmente ser reco­nhecida: nem todo exemplo do seu uso implica em uma consciên­cia da divina autoridade. Nem todos os que se dirigiram a Jesus chamando-o de Senhor escolheram esse nome especificamente como o equivalente à divindade; como forma polida de trata­mento, poderia significar um pouco mais do que o ‘senhor’ (com s minúsculo).”[478] Não obstante, em alguns contextos, Jesus parece deliberadamente aceitar todas as implicações que o título leva, como quando ele o associou a outro título favorito seu, “Filho do homem”, o qual na visão de Daniel receberia o domí­nio universal,[479] e com o “senhor” de Davi que se assentaria à direita de Deus.[480]

Apenas o contexto pode nos ajudar a julgar quanto domínio e quanta divindade podem ser adequadamente incluídos na pala­vra “Senhor”. Tomemos como exemplo a seção do Sermão do Monte na qual Jesus se referiu às pessoas que o chamavam de “Senhor, Senhor”.[481] Ele não estava se queixando porque tinham escolhido este título, pois o aceitava como apropriado. O que ele tinha contra era que eles o usavam superficialmente, sem lhe dar o devido significado. Ele não era simplesmente um “senhor” que devia ser respeitado; ele era o “Senhor”, que devia ser obe­decido. O equivalente de Lucas torna claro este ponto: “Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?”[482] Portanto, Jesus via-se a si mesmo como mais do que um mestre, dando conselhos que as pessoas podiam atender ou não, a seu bel-prazer. Ele era senhor delas; dava ordens esperando ser obedecido, e as advertia de que o bem-estar eterno delas es­tava em jogo. Explicitamente, em tudo isto, Jesus não era sim­plesmente um rabino. Os alunos de um rabino judeu assentavam-se a seus pés para estudar o Tora. Jesus era rabino num certo sentido, uma vez que ensinava a seus discípulos o verdadeiro significado do Tora. Mas sua expectativa não era que simples­mente absorvesse seus ensinamentos, mas, sim, que se lhe devo­tassem pessoalmente. Isto, sem dúvida, era a razão por que não se contentava tão somente com o título “Rabi”, pois na verdade era seu “Mestre e Senhor”.[483] Foi por isso também que eles, por sua vez, não se tornaram simplesmente “rabis”, guardando e manejando a tradição de sua doutrina; eles também foram, mui­to mais, “testemunhas” dele.

 

4. A autoridade de Jesus como Salvador

Está claro no Sermão que Jesus conhecia o caminho da salvação e o ensinava. Ele foi capaz de declarar quem era bem-aventurado e quem não o era. Ele pôde apontar para a porta estreita, que levava ao caminho difícil para a vida. E foi bastante explícito sobre que espécie de casa sobreviveria às tempestades do juízo, e qual desmoronaria.

Mas, se penetrarmos mais profundamente em sua mensagem, descobriremos que ele não só ensinou a salvação; ele também a concedeu. Mesmo nas bem-aventuranças, ele aparece no papel daquele que virtualmente distribui bênçãos e concede o reino. O Professor Jeremias cita a insistência de J. Schniewind de que “as bem-aventuranças são testemunhos ocultos que Jesus deu de si mesmo como o salvador dos pobres, dos que choram, etc.”[484]

Ou consideremos como Jesus estabeleceu que os seus ouvintes, aquele grupinho de camponeses, eram “o sal da terra” e “a luz do mundo”. Como poderiam ter uma influência restritiva e iluminadora do mundo? Só por seguirem a Jesus. Porque Jesus não era mau, como todo o mundo,[485] nem partilhava das trevas uni­versais, mas era a “luz do mundo”[486] e assim podia fazê-los sal e luz. É ainda mais significativo que, no Evangelho de Mateus, o Sermão do Monte (capítulos 5-7), característico das palavras de Jesus, é seguido da narrativa do seu ministério prático (capítulos 8 e 9), característico de suas obras. Aqui vemo-lo reivindicando autoridade para perdoar pecados e realmente conceder perdão a um paralitico (9:2-6), e então comparando-se, como salvador dos pecadores, a um médico dos doentes (9:12).

 

5. A autoridade de Jesus como Juiz

Todo o Sermão do Monte foi pregado ante o sombrio cenário do dia do juízo vindouro. Jesus sabia que este era uma realidade e desejava que o fosse nas mentes e nas vidas dos seus discípulos. Por isso declarou as condições da salvação e advertiu quanto às causas da destruição, especialmente em seu pitoresco retrato dos dois caminhos e dos dois destinos.

Muito mais notável que esta ênfase sobre a certeza de um juízo futuro foi a sua reivindicação de que ele mesmo seria o juiz.[487] O egocentrismo da cena que ele descreveu é notavelmente extra­ordinário. Três vezes usou os pronomes pessoais “eu” e “me”. Primeiro, ele mesmo seria o Juiz, ouvindo as provas indiciadoras e enunciando a sentença. Daquele solene dia, ele disse: “Muitos me dirão naquele dia, Senhor, Senhor . . . Então lhes direi…” Assim, os acusados lhe endereçarão seu caso e ele lhes respon­derá. Apenas ele, ninguém mais, decidirá e declarará o destino deles. Segundo, o próprio Jesus será o critério de julgamento. As pessoas apresentarão como evidência o uso que fizeram do seu nome, bem como os seus ministérios; mas isto será inadmis­sível como evidência. “Nunca vos conheci”, lhes dirá. O destino dos seres humanos dependerá, não do seu conhecimento e do uso que fizerem do seu nome, mas do conhecimento que tiverem dele pessoalmente. Nenhum serviço prestado a Cristo, mas o relacio­namento com Cristo, será o tema. Terceiro, a sentença que Jesus pronunciar também se relacionará com ele: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” A hediondez da “perdição”[488] e da “ruína”[489] que ele predisse será o banimento de sua presença. Destino pior não poderia ser descortinado, deu a entender, do que a eterna separação dele.

Assim, o carpinteiro de Nazaré fez-se a figura central do dia do juízo. Ele mesmo assumirá o papel de Juiz (e mais tarde, no Evangelho de Mateus, ele descreve mais detalhadamente como “se assentará no trono da sua glória”).[490] Além disso, a base do julgamento será a atitude das pessoas em relação a ele, e a natureza do julgamento será exclusão de sua presença. Seria difícil exagerar a assustadora egocentricidade destas reivindi­cações.

 

6. A autoridade de Jesus como Filho de Deus

No Sermão do Monte, Jesus dá-nos uma doutrina compreensiva de Deus. Ele é o Criador, o Deus vivo da ordem natural, que dá o sol e a chuva, que alimenta as aves, que veste as flores e supre as necessidades vitais dos seres humanos. Ele é também o Rei, cujo governo justo e salvador irrompeu nas vidas humanas atra­vés de Jesus. Mas acima de tudo (e novamente através de Jesus) ele é o nosso Pai. Dirigindo-se aos discípulos, Jesus constante­mente referia-se a ele, chamando-o de “vosso Pai que está nos céus”, de quem eram filhos, cuja misericórdia deviam copiar, em cuja amorosa providência deviam confiar e do qual deviam se aproximar em oração, sabendo que ele jamais lhes daria algu­ma coisa que não fossem “boas dádivas”.

Em todos estes discursos, Jesus chamava Deus de “vosso Pai”. E uma vez referiu-se “à vontade de meu Pai”.[491] Nunca, porém, ele se inclui entre os discípulos para falar de Deus como o “nosso Pai”. Naturalmente disse-lhes que eles orassem “Nosso Pai”,[492] mas não se associou a eles nisso. Na verdade, não poderia, pois, embora desse a seus discípulos o privilégio de dirigir-se a Deus com o mesmo título de intimidade que ele usava (“Abba, Pai”), continuava profundamente cônscio de que Deus era seu Pai em um sentido totalmente diferente, único. Mais tarde, ele expres­saria isto em palavras também registradas por Mateus: “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.[493] Esta filiação exclusiva Jesus não rei­vindicou nem declarou explicitamente no Sermão do Monte, mas ficou implícita no uso preciso dos possessivos “meu Pai”, “vosso Pai”, “nosso Pai”.

 

7. A autoridade de Jesus como Deus

Entendo que, sempre que nos aventuramos a investigar a cons­ciência que Jesus tinha de sua divindade, tentamos mergulhar em águas profundas demais para serem sondadas. Que ele co­nhecia a Deus como “meu Pai” está claro; também está claro que sabia de sua própria filiação excepcional. Mas agora pode­mos arriscar mais um passo, pois temos evidências de que ele se considerava igual a Deus, um só com Deus. Não que ele o dissesse explicitamente no Sermão, mas as reivindicações de exercer prer­rogativas divinas, bem como o seu modo de falar de si mesmo dão a entender isso. Podemos apresentar três exemplos.

O primeiro refere-se à bem-aventurança final. É preciso lembrar que as oito bem-aventuranças são generalizações na terceira pessoa (“Bem-aventurados os mansos, os misericordio­sos, os pacificadores”, etc), enquanto que a nona muda para a segunda pessoa, quando Jesus se dirige a seus discípulos: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”.[494] É esta analogia com os profetas que é impressionante. A lógica parece ser esta: Jesus espera que seus discípulos tenham de sofrer por causa dele (“por minha causa”), e então compara essa perseguição com a dos profetas do Velho Testamento. Aque­les profetas sofreram por causa de sua fidelidade a Deus, en­quanto que os discípulos de Jesus sofreriam por sua fidelidade para com ele. Daí se conclui que, ao comparar os seus dis­cípulos aos profetas de Deus (e mais tarde ele os “enviou” como os profetas foram “enviados”),[495] ele está comparando-se a Deus. Como Crisóstomo explicou no fim do quarto sé­culo, “Aqui ele . . . veladamente indica a sua própria dignidade, e a sua igualdade na honra com aquele que o gerou”.[496] Um equivalente similar percebe-se em dois outros exemplos. Quando ele os advertiu de que uma pessoa que simplesmente o chamasse de “Senhor, Senhor” não entraria no reino dos céus, seria de se esperar que ele continuasse dizendo “mas aquele que se submete ao meu senhorio”, ou “mas aquele que me obedece como Senhor”. E isto é o que, de fato, encontramos na versão do Sermão em Lucas, onde chamá-lo de “Senhor, Senhor” é contrastado com o fazer o que ele diz. Mas, de acordo com Ma­teus 7:21, ele continuou: “Mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”. Se, então, Jesus considerava o obedecer-lhe como Senhor e o fazer a vontade do Pai como coisas equi­valentes, estava se colocando no mesmo nível de Deus. É ainda mais impressionante porque Jesus não se empenhou nesta decla­ração sobre si mesmo. Este não era o seu propósito no contexto. Esta prova de consciência de sua divindade escapou quando ele falava sobre uma coisa totalmente diferente, isto é, o significado do verdadeiro discipulado.

O mesmo é verdade no terceiro exemplo. Encontra-se nos ver­sículos seguintes, que falam do dia do julgamento e já foram mencionados. Todos sabem que Deus é o Juiz. E Jesus também. Aqui, ele não antecipou uma declaração direta e específica de que Deus lhe confiara o julgamento do mundo. Ele simples­mente sabia que, no último dia, as pessoas lhe apelariam e que então ele teria a responsabilidade de declarar-lhes a sentença. E, ao dizê-lo, novamente igualou-se a Deus.

Eis aqui, portanto, o seu “Jesus original”, o seu “simples e inofensivo mestre da justiça”, cujo sermão do Monte contém “ética simples e nenhum dogma”! Ele ensina com a autoridade de Deus e declara a lei de Deus. Ele espera que as pessoas edifiquem a casa de suas vidas sobre as palavras dele, e acrescenta que só aqueles que o fazem são sábios e estarão seguros. Ele diz que veio para cumprir a lei e os profetas. Ele é o Senhor que deve ser obedecido e o Salvador que concede bênçãos. Ele se coloca no papel central do drama do dia do juízo. Ele fala de Deus, chamado-o de seu Pai num sentido único, e finalmente dá a entender que faz o que Deus faz, e que o que as pessoas lhe fazem estão fazendo para Deus.

Não se pode fugir do que em tudo isso implica. As reivindica­ções de Jesus foram verdadeiramente expostas com tanta natura­lidade e modéstia e de maneira tão indireta que muitas pessoas jamais as percebem. Mas estão aí; não podemos ignorá-las e ain­da assim manter a nossa integridade. Ou elas são verdadeiras, ou Jesus sofria de uma coisa que C. S. Lewis chamou de “megalo­mania aguda”. Mas poderia alguém defender seriamente que a ética sublime do Sermão do Monte é produto de uma mente per­turbada? É preciso um alto grau de cinismo para chegar a tal conclusão.

A única alternativa é aceitar Jesus ao pé da letra, e suas reivin­dicações pelo que realmente são. Neste caso, devemos aceitar o seu Sermão do Monte com seriedade extrema, pois aqui está o quadro que ele apresenta da sociedade alternativa de Deus. São os padrões, os valores e as prioridades do reino de Deus. Com demasiada freqüência, a Igreja tem se afastado deste desafio, mergulhando numa respeitabilidade burguesa e conformista. Nessas ocasiões fica quase impossível distingui-la do mundo: perde a sua salinidade, a sua luz se extingue e ela repele todos os idealistas, pois não dá evidências de ser a nova sociedade de Deus que já está desfrutando das alegrias e do poder da era vin­doura. Só quando a comunidade cristã viver pelo manifesto de Cristo é que o mundo será atraído e Deus, glorificado. Portanto, quando Jesus nos chama é para isto que o faz, pois ele é o Senhor da contracultura!

A Aliança Bíblica Universitária do Brasil, através da sua publicadora, a ABU Editora, se propõe a apresentar esta série que se intitula A BÍBLIA FALA HOJE, constituída somente de exposições bíblicas.

A A.B.U.B. é uma entidade interdenominacional que tem como objetivo básico a evangelização do universitário e do estudante secundarista. Sua atuação é feita principalmente através dos próprios estudantes, através dos núcleos de estudo bíblico, dos acampamentos e congressos. A fim de preservar sua característica essencialmente evangélica e bíblica, a A.B.U.B. adota as seguintes Bases de Fé, que são subscritas, sem reservas, pela sua liderança, em todos os níveis:

a)       A existência de um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, Um em essência e Trino em pessoa.

b)       A soberania de Deus na Criação, Revelação, Redenção e Juízo Final.

c)       A inspiração divina, veracidade e integridade da Bíblia, tal como revelada originalmente, e sua suprema autoridade em matéria de fé e conduta.

d)       A pecaminosidade universal e a culpabilidade de todos os homens, desde a queda de Adão, pondo-nos sob ira e condenação de Deus.

e)       A redenção da culpa, pena, domínio e corrupção do pecado, so­mente por meio da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo, o Filho encarnado de Deus, nosso representante e substituto.

f)        A ressurreição corporal do Senhor Jesus Cristo e sua ascensão à direita de Deus Pai.

g)       A missão pessoal do Espírito Santo no arrependimento, na regene­ração e na santificaçâo dos cristãos.

h)       A justificação do pecador somente pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo,

i)          A intercessão de Jesus Cristo, como único mediador entre Deus e os homens,

j)         A única Igreja, Santa e Universal, que é o Corpo de Cristo, à qual todos os cristãos verdadeiros pertencem e que na terra se manifesta nas congregações locais.

k)        A certeza da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo em corpo glorificado e a consumação do Seu reino naquela manifestação,

l)          A ressurreição dos mortos, a vida eterna dos salvos e a condenação eterna dos injustos.

Estas Bases de Fé são conforme às da C.I.E.E. — Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos.

 

Principais Abreviações e Bibliografia

AG A Greek-English Lexicon of the New Testament and other early Christian literature de William F. Arndt e F. Wilbur Gingrich (University of Chi­cago Press e Cambridge University Press, 1957)
Allen A criticai and exegetical commentary on the Gospel according to St Matthew de W. C. Allen (Inter­national Criticai Commentary, 1907: T. and T. Clark, terceira edição, 1912). 
Antiquities The Antiquities of the Jews em The Works of Flavius Josephus, c. 75-95 d.C, traduzido por William Whiston (Londres, sem data). 
Agostinho Our Lord’s Sermon on the Mount, uma exposição feita por Agostinho de Hippo. Início do século cinco d.C. Tradução de William Findlay na série Library of Nicene and Post-Nicene Fathers, vol. VI, editada por Philip Schaff, 1887. (Eerdmans, 1974.) 
BLH A Bíblia na Linguagem de Hoje (Sociedade Bíblica do Brasil).
Bonhoeffer Discipulado de Dietrich Bonhoeffer (Sinodal, 1980).
Bruce Commentary on the Synoptic Gospels de A. B. Bruce, na série The Expositor’s Greek Testament, editada por W. Robertson Nicholl (Hodder, 1897).
Calvino Commentary on a Harmony of the Evangelists, Matthew, Mark and Luke, I,  de João Calvino (1558: traduzido por William Pringle, 1845: Eerdmans, sem data)
Crisóstomo Homilies on the Gospel of St Matthew, Part I, de João Crisóstomo (sem data: traduzido por George Prevost, Oxford, 1843).
Daube The New Testament and Rabbinic Judaism  de David Daube  (Universiry  of  London,   Athlone Press, 1956).
Davies The Setting of the Sermon on the Mount de W. D. Davies (Cambridge Universiry Press, 1964).
ERAB Edição Revista e Atualizada no Brasil (Sociedade Bíblica do Brasil).
ERC Edição Revista e  Corrigida  (Imprensa  Bíblica Brasileira).
Glover A  Teacher’s Commentary on the Gospel of St Matthew de Richard Glover (Marshall, Morgan and Scott, 1956).
Homilies The Second Book of Homilies (1571) na série Ho­milies and Canons (SPCK, 1914),
Hunter Design for Life: an Exposition of the Sermon on

the Mount de A. M. Hunter (SCM, 195,3; edição

revisada 1965).

BJ A Bíblia de Jerusalém (Edições Paulinas).
Jeremias The Sermon on the Mount de Joachim Jeremias

Universiry of London, Athlone Press, 1961).

Lenski The Interpretation of St Matthew’s Gospel de R. C. H. Lenski (1943: Augsburg, 1964).
Lloyd-Jones Studies in the Sermon on the Mount de D. Martyn Lloyd-Jones (IVP: vol. I, 1959, vol. II, 1960. As referências dadas referem-se à edição conjunta, 1977).
Lutero The Sermon on the Mount de Martinho Lutero (1521: traduzido por Jaroslav Pelikan: vol 21 de Luther’s Works, Concórdia, 1956)
McArthur Understanding the Sermon on the Mount debey McArthur (Harper,  1960; Epworth, 1961).
McNeile The Gospel according to St Matthew: the Greek text with introduction, notes and indexes de A. H. McNeile (1915: Macmillan, 1965).
NTV O Novo Testamento Vivo (Mundo Cristão).
Plummer       An exegetical commentary on the Gospel according to St Matthew de Alfred Plummer (Alliot Stock, 1910).
Ryle

 

Expository Thoughts on the Gospels de J. C. Ryle (1856:  edição de aniversário  de Matthew and Mark, Zondervan).
Spurgeon      

 

The Gospel of the Kingdom de C. H. Spurgeon (Passmore and Alabaster, 1893).
Stier

 

The Words of the Lord Jesus, I, de Rudolf Stier, traduzido por William B. Pope, 1855 (T. & T. Clark, 1874).
Stonehouse   

 

The Witness of Matthew and Mark to Christ de N. B. Stonehouse (Tyndale Press, 1944; segunda edição 1958).
Tasker

 

Evangelho Segundo Mateus de R. V. G. Tasker (Vida Nova e Mundo Cristão, 1980).
Thielicke Life can begin again: sermons on the Sermon on the Mount de Helmut Thielicke (1956: traduzido por John W. Doberstein, Fortress, 1963).
Tolstoy A Confession, The Gospel in Brief e What I Believe de Leo Tolstoy (1882-1884: traduzido por Aylmer Maude na série World’s Classics, n? 229; Oxford University Press, edição nova 1940)
War The Jewish War em The Works of Flavius Josephus, c. 75-95 d.C, traduzido por William Whiston (London, sem data).
Windisch The Meaning of the Sermon on the Mount de Hans Windisch (1929: segunda edição 1937: tradução em inglês, Westminster, 1941).

 

A Bíblia fala hoje

Editores da série: J. A. Motyer (AT)

John R.W.Stott (NT)

 

Contracultura cristã

A mensagem do Sermão do Monte

A mensagem do Sermão do Monte

John R. W. Stott

Reitor emérito de All Souls’ Church, Londres

 

 

ABU Editora

CONTRA CULTURA CRISTÃ

Traduzido do original em inglês

CHRISTIAN COUNTER-CULTURE

Inter-Varsity Press, Inglaterra

©John R.W. Stott, 1978

Direitos reservados pela

ABU Editora S/C

C. Postal 30505

01000 — S. Paulo — SP — Brasil.

A ABU Editora é a publicadora da Aliança Bíblica Universitária do Brasil —A.B.U.B.

Tradução de Yolanda M. Krievin

O texto bíblico utilizado neste livro é o da Edição Revista e Atualizada no Brasil, da Sociedade Bíblica do Brasil, exceto quando outra versão é indicada.

 

lª Edição —1981

Digitalizado, revisado e formatado por:

Fabricio Valadão Batistoni
www.portaldetonando.com.br/forumnovo/

Prefácio Geral

 

A Bíblia Fala Hoje constitui uma série de exposições, tanto do Velho como do Novo Testamento, caracterizadas por um triplo objetivo: exposição acurada do texto bíblico, relacionar o texto com a vida contemporânea, e leitura agradável.

Esses livros não são, pois, “comentários”, já que um comen­tário busca mais elucidar o texto do que aplicá-lo, e tende a ser uma obra mais de referência do que literária. Por outro lado, esta série também não apresenta aquele tipo de “sermões” que, pretendendo ser contemporâneos e de leitura acessível, deixam de abordar a Escritura com suficiente seriedade.

As pessoas que contribuíram nesta série unem-se na convicção de que Deus ainda fala através do que ele já falou, e que nada é mais necessário para a vida, para o crescimento e para a saúde das igrejas ou dos cristãos do que ouvir e atentar ao que o Espí­rito lhes diz através da sua velha (e contudo sempre atual) Palavra.

J. A. MOTYER J. R. W. STOTT Editores da série


[1] Citado por McArthur, p. 12.

[2] The Making of a Counter-Culture, Anchor Books, Doubleday, 1969, p. 233.

[3] Ap3:l.

[4] Lv 18:1-4.

[5] Nm 23:9; SI 106:35.

[6] lSm8:5,19,20.

[7] Ez 20:32.

[8] Jr 10:1, 2;Ez20:7.

[9] 2Rs 17:7, 8,19;cf. Ez5:7; 11:12.

[10] Mt4:17.

[11] Lvl8:3.

[12] p.23.

[13] 4:25.

[14] 4:23,24.

[15] Mt 11:29,30.

[16] A teoria de B. W. Bacon foi resumida e criticada por W. D. D avies, pp. 15-25.

[17] A teoria de Austin Farrer foi criticada por W. D. Davies, pp. 9-13.

[18] cf. Mt2:15.

[19] 1 Co 5:7, 8.

[20] Davies, p. 108.

[21] Lc6:17-49.

[22] Lc 6:12,17

[23] Mt 13.

[24] p. 258.

[25] p. 259.

[26] pp. 1,5

[27] 7:28,29.

[28] Mt8:5;Lc7:l.

[29] p.94.

[30] p.95.

[31] A expressão é do Prof. Jeremias (p. 14).

[32] pp. 105-148.

[33] Penguin Classics, 1966, pp. 566-568.

[34] cf. Mt 5:28; 6:21

[35] Mt7:11

[36] cf. Mc 7:21-23.

[37] Mt 7:16-20; 12:33-37

[38] p. ex. 5:16,48; 6:9,32,33; 7:11.

[39] Bruce,p.95.

[40] Jo 6:15.

[41] Jo 18:36.

[42] Macmillan, 1935; brochura, 1961.

[43] p.89.

[44] p.24.

[45] p.27

[46] p.91

[47] p. 18.

[48] pp.332ss.

[49] cf. 1 Co 13:12; Hb 12:14; 1Jo 3:2; Ap22:4

[50] Jo 14:9.

[51] 1 Jo3:6; 3Jo 11

[52] 1 Co 3:22, 23.

[53] pp.48,49

[54] p.6.

[55] P-107

[56] Por exemplo, Windisch, p. 96. W. D. Davies examina e rejeita esta recons­trução; pp. 316-341.

[57] p. 285

[58] p. 288.

[59] Jeremias, p. 12.

[60] p. 291.

[61] p. 11.

[62] p. 24.

[63] p. 30.

[64] p.32

[65] p. 110.

[66] pp. 110,111.

[67] p.209.

[68] Sf3:12.

[69] S134:6.

[70] Is 41:17,18.

[71] Is57:15;66:l,2.

[72] Is 61:1; Lc 4:18; cf. Mt 11:5.

[73] p. 261.

[74] Ap3:17.

[75] Lc 1:53

[76] p. 21.

[77] Lc 6:25.

[78] SI 119:136

[79] Ez9:4.

[80] Fp3:18.

[81] Ed 10:l.

[82] Rm 7:24; 1 Co5:2; cf. 2 Co 12:21.

[83] 2 Co 7:10.

[84] Sl 56:8.

[85] Lenski, p. 187.

[86] Is 61:1; cf. 40:1.

[87] Lc 2:25.

[88] Ap7:17.

[89] Mt 11:29; 2Co 10:1; cf.Zc9:9.

[90] p. 65.

[91] pp.68,69.

[92] 1Co 3:22.

[93] Sl 37:1,11, 22,34; cf. Is 57:13; 60:21.

[94] Mt 19:28, literalmente; 2 Pe 3:13; Ap 21:1.

[95] 2 Co 6:10.

[96] p. 105.

[97] Lc 1:53.

[98] Mt 6:33.

[99] cf. Rm 9:30-10:4.

[100] p.27

[101] Sl 107:9.

[102] Jo4:13, 14; 7:37.

[103] Ap 7:16, 17.

[104] 2Pe3:13.

[105] p. 191.

[106] 6:14

[107] Mt 18:21-35

[108] Sl 24:3,4; 51:6,10; cf. Sl 73:1; At 15:9; 1 Tm 1:5.

[109] Lc 11:39; Mt 23:25-28.

[110] p. 33.

[111] p. 50; cf. Sl 86:11, 12

[112] p.34.

[113] 6:22.

[114] Mt 10:34-36.

[115] Mt 10:37.

[116] 1 Co 7:15; Pe 3:11; Hb 12:14; Rm 12:18.

[117] Cl 1:20; Ef 2:15.

[118] 5:44,45.

[119] pp. 9ss.

[120] Lc17:3.

[121] Lc6:23.

[122] Calvino, p. 267

[123] At5:41.

[124] Lenski, p. 197.

[125] Por exemplo Jo 15:18-25; 1 Pe4:13,14; At 14:22; 2 Tm 3:12.

[126] Lc6:26.

[127] Bonhoeffer, p. 46

[128] Primeira edição 1895: Penguin Classics 1968.

[129] p.15.

[130] p. 116.

[131] pp. 118-119.

[132] pp. 127-128.

[133] p. 162.

[134] pp. 168ss

[135] p.186.

[136] p.187.

[137] p.77.

[138] pp. 58,59.

[139] p. 121

[140] Natural history, xxxi, 102.

[141] Jó 6:6.

[142] Lloyd-Jones, p. 164.

[143] Lenski, p. 199.

[144] pp.50,51.

[145] Sou devedor ao Sr. G. J. Hobson, um químico de Carnforth, Inglaterra, por me escrever em agosto de 1972 sobre este assunto, corrigindo uma cincada minha e preenchendo uma lacuna do meu conhecimento científico.

[146] Mc 9:50

[147] Lc 14:34, 35; Cl 4:6

[148] p.41.

[149] p. 102.

[150] Jo 8:12; 9:5.

[151] cf.Fp2:15.

[152] s 42:6; 49:6; Lc 2:32; At 26:23; 13:47.

[153] p.66.

[154] cf. Jo 6:28; 1 Co 12:3; IJo 3:23, 24; 5:1

[155] 6:23.

[156] Jo5:35

[157] Bonhoeffer, p. 106.

[158] p.55.

[159] Thielicke, p. 33.

[160] p.250.

[161] pp. 55,56,59.

[162] p.28.

[163] Editado por Brian Griffiths (IVP, 1972), p. 35.

[164] cf.Fpl:27.

[165] Jo 15:8.

[166] cf. 7:12.

[167] Mc 2:23-3:6.

[168] p. 229.

[169] cf.Hb 1:1,2.

[170] p. 38.

[171] 1:22; cf. 2:23; 3:3; 4:14, etc. cf. 11:13 onde se diz que a lei, assim como os profetas, “profetizaram até João”. Ambos apontavam para Cristo e ambos se cumpriram nele.

[172] p. 278; cf. Lc 22:16.

[173] Cl 2:17.

[174] Gl 4:4; Mt 3:15.

[175] p. 111.

[176] McNeile, p. 58.

[177] Stonehouse, p. 209.

[178] Veja Against Marcion de Tertuliano, iv. 7

[179] por exemplo At 26:22, 23.

[180] Rml0:4.

[181] Rm8:14.

[182] Rm3:21.

[183] Mt 24:35; cf. 19:28.

[184] cf. Lc 16:16,17.

[185] cf. 23:23.

[186] p. 25.

[187] 1 Sm 16:7; cf. Lc 16:15.

[188] Davies, p. 216.

[189] Jo3:3,5.

[190] cf. 12:3,5; 19:4; 21:16, 42; 22:31.

[191] p. 55-60.

[192] p.45.

[193] p. 282.

[194] p. 290.

[195] Institutas, I. viü. 7.

[196] Gn9:6.

[197] Rm 13:l ss.

[198] cf.Tg 1:19 e Ef 4:26,27.

[199] P-76.

[200] Tasker, p. 68.

[201] Hunter.p.50.

[202] Lenski, pp. 217, 219.

[203] Mt 23:17; Lc 24:25.

[204] p.ex. 1 Co 15:36; Gl 3:1; Tg 2:20.

[205] Sl 14:1-4; SI 53:1-4

[206] p. ex. Sl 78:8; Jr 5:23.

[207] p. 69.

[208] p. 107.

[209] Jo3:15.

[210] Jó 31:1, 7, 9. Contrastar com 2 Pe 2:14 onde os falsos mestres são descritos como tendo “olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado”.

[211] Mt l8:8,9.

[212] cf.Mc8:34;Rm8:13;G15:24;C13:5.

[213] Antiquities IV. viii. 23.

[214] p. 82.

[215] Dt 22:22; Jo 8:1-11. G. E. Ladd escreve: “O Velho Testamento condenou o adultério com a penalidade de morte. O Novo Testamento diz que um adúltero deve ser considerado como morto, e a parte inocente fica livre dos seus votos matrimoniais como se o seu cônjuge estivesse morto” — The Gospel of the Kingdom, (Eerdmans, 1959) p. 85.

[216] Os 1:2,3; 2:2,4.

[217] p. 146.

[218] p. 203.

[219] Jr 2:1; 3:1; 4:1; Os 2:1-23.

[220] p.260.

[221] Para informações mais completas sobre o material bíblico veja Divorce: The Biblical Teaching, (Falcon, 1972).

[222] Tg5:12.

[223] Jo8:44.

[224] cf.Dt 23:22

[225] Gn22:16,17. cf.Hb 6:13-18.

[226] Nm 23:19.

[227] Mt 26:63, 64.

[228] War, II. viii. 6.
20   p.55.

[229] Êx 21:22-25. cf. Lv 24:19, 20; Dt 19:21.

[230] Devo estes fatos a Sir Norman Anderson, um técnico em lei islâmica.

[231] Êx 21:26, 27.

[232] Lv 19:18.

[233] John W. Wenham, Christ and the Bible. (Tyndale Press, 1972) p. 35.

[234] Quanto a resistir à sua vontade, cf. Rm 9:19; sua verdade, 2 Tm 3:8; 4:15; Lc 21:15; At 6:10; 13:8; e sua autoridade delegada ao Estado, Rm 13:2.

[235] Ef 6:13; lPe 5:9; Tg 4:7.

[236] Allen, p. 54.

[237] Jeremias, pp. 27,28.

[238] Is 50:6; Mc 14:65; 15:16-20.

[239] p.84.

[240] lPe2:21-23.

[241] p. 30.

[242] Jo 18:19-23.

[243] Gl 2:11-14.

[244] Glover.p.55.

[245] p. 110.

[246] Tolstoy, pp. 315-319.

[247] p.323.

[248] p. 331.

[249] p.406.

[250] pp. 535,536

[251] A maior parte das citações foram extraídas de Gandhi de George Woodstock (Fontana “Modern Masters”, 1972).

[252] O texto de Reuter do apelo de Gandhi foi citado em Charles Raven de F. W. Dillistone (Hodder, 1975), pp. 230 ss.

[253] Violence de Jacques Ellul (SCM, 1970), p. 15.

[254] Rml3:lss

[255] Rml3:4.

[256] Rm 12:17-21.

[257] p. 83.

[258] pp. 113-114

[259] p. 135.

[260] lPe2:23.

[261] My Life with Martin Luther King Jr de Coretta Scott King (Hodder & Stoughton, 1970), pp. 365-369.

[262] Strength toLove (1963; Fontana, 1969), pp. 47-55.

[263] Êx 12:49.

[264] Êx23:4,5

[265] Dt22:l-4.

[266] Pv 25:21; cf. Rm 12:20.

[267] cf. Lv 18:25, 28; 20:22.

[268] p. 85

[269] Sl 139;19-24. cf. Homilies, p. 404.

[270] Ap6:10.

[271] Ap 19:1,3,4.

[272] Spurgeon, p. 31.

[273] Lc 10:29-37

[274] Lc 6:27, 35.

[275] Rm5:10.

[276] Mt 5:44; Lc 6:28.

[277] p.281.

[278] pp. 276ss.

[279] p.86.

[280] Lc 23:34.

[281] pp. 87ss.

[282] Lc6:32.

[283] pp. 89ss.

[284] p.89.

[285] Lv 11:4, 45; 19:2; 20:7, 26. cf .lPe 1:16.

[286] 5:6.

[287] 6:12.

[288] 6:36.

[289] I.58.

[290] p.89.

[291] Lc6:33.

[292] 5:16.

[293] p. 116.

[294] Lc 6:35, 36. cf. 5:45,48.

[295] p.47.

[296] Jo5:44.

[297] Jo 12:43.

[298] p.309.

[299] p.32.

[300] AG.

[301] NTV.

[302] p.95.

[303] p.310.

[304] They Asked for a Paper, (Bles, 1962), p. 198.

[305] At 20:35.

[306] Dn6:10.

[307] Sl 27:8.

[308] p.59.

[309] Rm 5:5; 8:16.

[310] Nm6:26.

[311] Lc 18:12.

[312] Mt9:14;Lc5:33.

[313] Mt9:15.

[314] Ne 9:1, 2; Jn 3:5; Dn 9:2ss; 10:2ss; At 9:9.

[315] p.307.

[316] Êx24:18; 2Cr20:lss; Et4:16; Ed8:21ss; Mt4:l,2; Atl3:l-3; 14:23.

[317] 1Co9:24-27.

[318] Lc 18:12.

[319] 31:16ss.

[320] 58:lss.

[321] Lc 16:19-31.

[322] Homilies. pp. 301-303.

[323] AG.

[324] BLH.

[325] p. 331.

[326] p.330.

[327] p.96.

[328] Mc l2:41ss.

[329] A Greek-English lexicon of the New Testament de C. L. W. Grimm e J. H. Thayer (T. and T. Clark, 1901).

[330] Mt 26:44.

[331] AG.

[332] pp. 316,321.

[333] Rm l2:2.

[334] É uma expressão de Agostinho. Ele começa fazendo uma lista de três outras interpretações alternativas, a saber, “todas aquelas coisas que atendem às necessidades desta vida”, “o sacramento do corpo de Cristo” e “o alimento espiritual”, isto é, “os preceitos divinos que devemos diariamente buscar e nos quais devemos meditar”. Ele mesmo preferia a última explicação. Mas conclui que se alguém deseja entender “pão nosso de cada dia” como refe­rindo-se também ao “alimento necessário ao corpo” ou aos “sacramentos do corpo do Senhor”, então, “devemos tomar todas as três coisas em con­junto”. Isto é, “devemos pedir todas estas coisas juntas com o pão nosso de cada dia: o pão necessário para o corpo, o pão visível santificado (sc. a Santa Comunhão) e o pão invisível da palavra de Deus” (VI. 25, 27).

[335] p.322.

[336] p. 147.

[337] Mt 25:35.

[338] The Vocabulary of the Greek Testament de J. H. Moulton e G. Milligan (Hodder, 1949).

[339] AG.

[340] p.75.

[341] Mt 18:23-35.

[342] Tg l:13.

[343] Tg l:2.

[344] Pv 6:6ss; lTm 5:8.

[345] lTm 4:3,4; 6:17.

[346] Lc 12:15.

[347] p. 166.

[348] Jó 1:21.

[349] 1 Co 13:13.

[350] p. 85.

[351] Tasker, p. 61.

[352] Is 42:8; 48:11.

[353] NTV

[354] Spurgeon, p. 39.

[355] Lc 10:40; 8:14; Fp 4:6.

[356] p. 59.

[357] Tasker,p.62.

[358] Bruce, p. 125.

[359] pp. 197ss.

[360] p.39.

[361] 2Ts3:10.

[362] p.21.

[363] McNeile, p. 88.

[364] The Man Who Believed God, Marshall Broomhall (China Inland Mission, 1929), p. 53.

[365] Mt 10:29; cf. 12:6.

[366] cf.Jó 2:10.

[367] Rm8:28.

[368] pp. 124,134.

[369] NTV.

[370] BLH.

[371] p.331.

[372] 1 Co 4:4,5.

[373] Rm2:l;cf.Tg3:l.

[374] p. 128.

[375] Lc l8:9.

[376] 1 Co 11:31.

[377] Mt 18:15.

[378] p.345.

[379] Lc 13:32; Mt 23:27, 33.

[380] Spurgeon, p. 42

[381] Pv9:8.

[382] 2Pe2:22.

[383] cf.Mt 15:26, 27; Fp 3:2; Ap 22:15.

[384] Por exemplo, o capítulo IX da Didache, provavelmente um primitivo docu­mento do segundo século, inclui esta instrução: “Não se permita que comam ou bebam de vossa Eucaristia, a não ser aqueles que foram batizados no nome do Senhor; pois com referência a isto também o Senhor disse: “Não deis o que ê santo aos cães”.

[385] Mt 13:46.

[386] p. 349

[387] p.349.

[388] p.348.

[389] Jesus’Promise to theNations, (1953: SCM, 1958), p. 20.

[390] Mt 10:14 = Lc 10:10,11.

[391] At 13:44-51.

[392] At 18:5, 6.

[393] At 28:17-28.

[394] Calvino, p. 351

[395] Lutero, p. 234.

[396] p. 70.

[397] Calvino, p. 353.

[398] Agostinho, 11:16.

[399] The Prayer of Jesus, de Joachim Jeremias (SCM, 1967), pp. 96,97.

[400] Tg4:2.

[401] Mt5:45.

[402] Rm 10:12,13.

[403] Mt 7:11 = Lc 11:13.

[404] Studies in the Epistle of James de Alec Motyer (New Mildmay Press, 1968), p.88.

[405] p.513.

[406] cf. Rm 10:l.

[407] Lc6:31.

[408] Versículo 11 = Lc 11:13.

[409] Tobias 4:15.

[410] Registrado no Talmude: Sabá 31a.

[411] p. 10.

[412] The Life and Times of Jesus the Messiah, Alfred Edersheim (Longmans, 1883), pp. 525ss.

[413] p.535.

[414] p.66.

[415] cf. 5:17; Rm 13:8-10.

[416] AG.

[417] Surprised by Joy, (Bles, 1955) p. 63.

[418] Mt 11:30.

[419] Jo l0:9.

[420] Dt 30:15,19; cf.Jr 21:8.

[421] Ap 7:9.

[422] Lc 13:23, 24.

[423] Mt 24:11-14.

[424] 2 Co 11:13.

[425] 2Pe2:l.

[426] Mt 24:24; Mc 13:22; cf.1Jo 2:18, 22.

[427] 23:16,18,22.

[428] 23:28.

[429] Jo 10:11-13.

[430] At20:29,30.

[431] 23:16,17

[432] 8:11.

[433] Bonhoeffer, p. 171.

[434] p.364.

[435] Mt 12:33-37; cf. Lc 6:45

[436] 1Jo 2:26; 4:1.

[437] p.ex. 1Jo 2:44; 4:6.

[438] 1Jo 2:22, 23; 4:2,3; 2: Jo 7-9

[439] p. 263.

[440] p. 365.

[441] pp. 364ss.

[442] p.68.

[443] 2Tm2:17.

[444] 2Tm2:18.

[445] 2Tm2:16.

[446] p. ex. 1 Tm6:4,5; 2Tm2:23; Tt 1:1.

[447] p. ex. 1 Tm 1:4,5; 4:7; 6:3; 2Tm3:16,17; Tt 1:1.

[448] pp. 69, 70.

[449] p. 67.

[450] Rm 10:9,10.

[451] 1 Co 12:3.

[452] Mt24:24;2Ts2:9,10.

[453] Lc6:46.

[454] 2Tm2:19.

[455] Lc6:48.

[456] Bruce, p. 135.

[457] Calvino, p. 370

[458] 1Jo 1:6;2:4

[459] Tg 1:22-25; 2:14-20.

[460] Christ at the Round Table, Stanley Jones (Abingdon, 1938), pp. 38, 60.

[461] Lenski, p. 314

[462] p. 96.

[463] Jo3:ll.

[464] p.46.

[465] Plummer, p. 117.

[466] Christianity and Liberalism, (1923; Eerdmans, s.d.), p. 36.

[467] Studies in Theology, palestras feitas em 1894; (Hodder, 1906), pp. 31, 42.

[468] p.371.

[469] cf.Jo7:15.

[470] p. 136.

[471] Jo7:16.

[472] cf. Jo 14:8-11.

[473] Plummer,p. 118.

[474] 5:17; 9:13; 10:34; 11:3,19; 20:28.

[475] 10:40; 15:24; 21:37.

[476] Mc 1:15; cf. Mt 4:17.

[477] 5:3, 10; 6:10, 33; 7:21.

[478] p.254.

[479] Dn 7:14; Mt 24:39,42, “vosso Senhor”.

[480] Mc 12:35-37.

[481] Mt 7:21-23.

[482] Lc6:46

[483] Jo 13:13

[484] Jeremias, p. 24.

[485] 7:11

[486] Jo8:12

[487] 7:22,23.

[488] Mt7:13

[489][489] Mt7:27.

[490] 25:31ss.

[491] Mt7:21.

[492] Mt6:9.

[493] 11:27.

[494] Mt5:11, 12.

[495] cf. Mt 10:1ss.

[496] pp. 207 ss.

CONVERSÃO de verdade só é possível com um coração QUEBRANTADO a Jesus Cristo, além de inexplicável vontade de humilhar-se e obedecer a Ele

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Prefácio

Estas páginas são uma tradução de um dos capítulos do livro do Rev. Richard Baxter, intitulado Direções e Persuasões para uma Conversão Segura (Directions and Persuasions to a Sound Conversion). Dentre as doze instruções que ele fornece no livro, a fim de que uma conversão não venha a ser abortada, mas sim firme, segura, sólida e saudável, a quarta, aqui traduzida, é a seguinte: “Atente para que a obra de humilhação seja feita de modo completo, e não fuja do Espírito de contrição antes que Ele complete Sua obra em você”.

O capítulo é, portanto, um tratado sobre quebrantamento, sobre a obra de humilhação que o Espírito quer realizar no entendimento, vontade e sentimentos de um pecador, a fim de habilitar seu coração a receber a Cristo com a solicitude e dignidade imprescindíveis, porque Cristo, escreve Richard Baxter, “não virá através da Sua graça salvadora à alma, para ser recebido ali com desprezo: porque Ele veio na carne com o propósito de ser humilhado, mas veio no Espírito com o propósito de ser exaltado”.

O Rev. Richard Baxter foi um conhecido pastor reformado, o qual viveu na Inglaterra durante o século XVII (1615-1691). Era um não-conformista, que tentou reformar a Igreja da Inglaterra, sendo muitas vezes preso por isso. Dentre os seus livros mais importantes estão: O Pastor Reformado, O Descanso Eterno dos Santos, A Vida Divina, Um Tratado sobre a Conversão, Um Apelo ao não Convertido, Agora ou Nunca, e muitos outros clássicos evangélicos.

Os escritos, a pregação e a vida de Richard Baxter produziram um inegável reavivamento espiritual na cidade de Kidderminster, onde realizou o seu ministério. Quando ele chegou à cidade, eram poucos os crentes e duvidosas as suas conversões. Algum tempo depois, entretanto, o templo de sua igreja teve que ser aumentado – ainda assim não comportava mais as pessoas, que escalavam as janelas para ouvir suas pregações. Muitas ruas da cidade tiveram todos os seus moradores convertidos: podia-se ouvir centenas de pessoas cantando hinos de louvor a Deus em plena rua; e as conversões davam provas suficientes de serem sinceras e profundas.

O propósito da Editora Clássicos Evangélicos[1][1][1], como o próprio nome indica, é traduzir e editar obras (sermões, biografias, obras práticas e teológicas) de homens de reconhecida estatura espiritual dos períodos mais gloriosos da História da Igreja, tais como: Jonathan Edwards, John Owen, Richard Sibbes, Thomas Goodwin, mais recentemente Martyn Lloyd-Jones, e outros, como o volume aqui apresentado de Richard Baxter, que introduz a série.

Vemos os escritos desses irmãos do passado como um tesouro espiritual valiosíssimo, mas ao mesmo tempo perdido ou quase inacessível aos leitores brasileiros. Desejamos resgatar alguns desses tesouros e compartilhar suas jóias (conselhos, interpretações, ensinos, experiências, luz e calor), tornando-os mais acessíveis.

O Editor

Introdução[2][2][2]

 

A firmeza da conversão e santificação é uma consideração tão importante que o nosso cuidado e diligência em confirmá-las não podem ser demasiadamente grandes. Tanto os ateístas professos, pagãos e infiéis lá fora, como os hipócritas auto-enganadores dentro da igreja, entregam-se deliberadamente à ruína eterna ao negligenciarem tal assunto de conseqüência eterna, enquanto têm tempo, advertência e assistência para considerarem a questão com urgência. Multidões vivem como brutos ou ateístas, esquecendo-se de que são nascidos em pecado e miséria, deliberadamente acomodados nesta situação, os quais devem ser convertidos, ou serão condenados. Muitos deles não sabem a necessidade que têm de conversão, nem o que é conversão ou santificação. Além disso, alguns pregadores do Evangelho têm sido tão lamentavelmente ignorantes quanto a um assunto de tal importância que têm persuadido o pobre e iludido povo de que apenas os pecadores grosseiros e odiosos necessitam de conversão, dessa forma prometendo salvação àqueles, aos quais Cristo, com muitas asseverações, declarou que não entrariam no reino de Deus. Outros, embora confessem que uma profunda santificação é algo necessário, iludem suas almas com alguma coisa que apenas se assemelha a isso.

Aí está a causa da miséria e desonra da igreja. A própria santidade é desonrada por causa dos pecados daqueles que, se dizendo santos, pretextam aquilo que não têm. Por isso, temos milhares que se chamam cristãos vivendo uma vida mundana e carnal; alguns deles odiando o caminho da piedade, pensando, contudo, que são convertidos por sentirem alguma tristeza quando pecam; desejam, quando o pecado já é passado, que não houvesse acontecido aquilo, imploram a misericórdia de Deus por isso, e se confessam pecadores. Isto, eles tomam por verdadeiro arrependimento; embora o pecado nunca tenha sido mortificado nas suas almas, nem os seus corações tenham sido levados a odiar e abandonar o pecado. Após haverem usufruído e se deleitado no pecado, ficam tristes por causa do perigo, mas nunca são regenerados e feitos novas criaturas pelo Espírito de Cristo.

É por isso, também, que temos tanta abundância de meros “opinionistas”, que se consideram pessoas religiosas porque mudaram de opinião ou de denominação, porque podem tagarelar contenciosamente contra aqueles que não pensam como eles, e porque se unem àqueles que parecem ser os mais piedosos, assim assumindo serem realmente santificados. Isto promove tamanho corre-corre de uma opinião à outra, e tal reprovação, injúria, e divisões, pelo seguinte: a religião deles consiste especialmente nas suas opiniões, sendo que nunca mortificaram suas inclinações e paixões carnais e egoístas. Isto sim, produziria neles uma mente santa e celestial.

Por isso também há tantos mestres licenciosos, os quais parecem ser religiosos, mas que não refreiam suas línguas, seus apetites, suas cobiças, sendo antes escarnecedores, caluniadores, beberrões, glutões, imundos e lascivos, ou de algum modo escandalosos para a sua santa profissão, porque desconhecem uma real conversão e apegam-se a uma mudança falsa ou superficial.

Esta é a razão pela qual há tantos mundanos que se consideram homens religiosos, os quais fazem de Cristo apenas um servo dos seus interesses mundanos, e buscam os céus apenas como uma reserva para quando nada mais lhes restar na terra, e são apegados a certas coisas deste mundo, as quais lhes são tão queridas, a ponto de não poderem abandoná-las pela esperança da glória; mas entregam-se a Cristo com secretas exceções e reservas, por causa de sua prosperidade no mundo. Tudo isso porque nunca conheceram uma conversão genuína, a qual deveria ter arrancado dos seus corações este interesse mundano, e tê-los libertado inteira e absolutamente para Cristo.

É por isso também que há tão poucos mestres que podem desvencilhar-se do seu orgulho, suportar desconsideração ou ofensa, amar os seus inimigos, e abençoar aqueles que os amaldiçoam; sim, ou amar seus amigos piedosos que os irritam ou desonram; e tão poucos que podem negar a si mesmos pela honra de outros, ou fazer qualquer coisa considerável por amor a Cristo, em obediência e conformidade com a Sua vontade. E tudo isso, porque nunca experimentaram esta transformação salvadora, que rebaixa o “eu”, e estabelece a Cristo como soberano na alma.

Aí está também a razão pela qual se observa, atualmente, tanto exemplo terrível de apostasia. Tantos ultrajando a Escritura, que pensam um dia tê-los convertido; ultrajando o caminho da santidade, o qual um dia professaram; negando o próprio Senhor que os comprou; e tudo porque anteriormente se apegaram a uma conversão superficial e falsa.

Oh, quão comumente, e quão lamentavelmente esta miséria se manifesta entre os mestres, nos seus discursos insípidos, nas suas contendas e invejas, nas suas pretensões religiosas, nas suas formalidades mortas e divisões impetuosas, ou nas suas mentes egoístas, soberbas e carnais! Uma conversão genuína teria curado tudo isso, ou, pelo menos, curado do domínio dessas coisas.

Assim sendo, tendo no meu livro “Apelo ao Não Convertido” (Call to lhe Unconverted) me esforçado no sentido de despertar almas descuidadas, e persuadir os obstinados a se voltarem para Deus a fim de que vivam, eu aqui me dirijo àqueles que parecem estar sob a obra de conversão. Tenciono dar-lhes algumas direções e persuasões para preveni-los de virem a perecer no nascimento, e, assim, prevenir a hipocrisia, na qual, provavelmente, se formarão. Prevenir também o engano de seus corações, o engano nas suas vidas, e a miséria na hora da morte, coisas estas, que provavelmente se seguiriam, para que não vivam como aqueles que honram a Deus com a sua boca e com os seus lábios, mas o seu coração não está correto diante Dele, nem são firmes à Sua aliança[3][3][3]. Para que, por não se entregarem a uma consideração profunda, nem enraizarem a semente de vida, ou por abafarem-na com um amor e cuidado predominantes pelo mundo, venham a secar quando o fogo da perseguição surgir. Para que, edificando sobre a areia, não venham a cair quando os ventos e as tempestades se levantarem, e a sua ruína seja grande, e assim “Saiam do nosso meio, a fim de que se manifeste que não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco”.[4][4][4]

Atentem, portanto, para esta grande e importante questão, e “procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição”,[5][5][5] e não dêem crédito aos seus corações tão fácil e confiantemente; “mas voltem-se para o Senhor de todo o seu coração”. Apeguem-se a Ele resolutamente e com propósito de coração, e atentem a fim de que vendam tudo, comprem a pérola, e não hesitem diante do preço, mas se rendam totalmente a Cristo, e voltem-se para Ele – como fez Zaqueu e outros convertidos da igreja primitiva – renunciando a tudo o que não tem a Sua vontade.

Não deixem que nenhuma raiz de amargura permaneça; não façam exceções ou reservas; mas neguem-se a si mesmos; abandonem tudo, e sigam Aquele que os tem guiado a este caminho de autonegação; e confiem no Seu sangue, méritos e promessas, por um tesouro nos céus; e, assim, vocês serão Seus discípulos, e cristãos de fato.

Leitor, se tu, de coração, tomares estas resoluções e as guardares, descobrirás, que nas tuas situações mais críticas, Cristo não te enganará, enquanto que o mundo engana aqueles que o escolhem. Mas, se desistires, e pensares que estes termos são demasiadamente duros, lembra-te de que a vida eterna te foi oferecida; e lembra-te por que, e pelo que a rejeitaste. Se nesta vida terrena buscares o teu próprio benefício, espera ser atormentado, enquanto que as almas crentes, as quais trilharam o caminho da autonegação, estarão sendo confortadas.

Richard Baxter

Capítulo 1

A Verdadeira Natureza da Humilhação

Há uma humilhação preparatória que acontece antes de uma transformação salvífica, que não deve ser desprezada, visto que nos aproxima de Deus, mas que, contudo, não consiste numa total submissão a Ele.

Esta humilhação preparatória, a qual muitos vêem fenecer, consiste principalmente nas seguintes coisas: em primeiro lugar, ela reside principalmente no temor de ser condenado – este temor se assemelha mais à sensação de medo. Consiste também em uma certa apreensão da grandeza dos nossos pecados, da ira de Deus que ameaça cair sobre nossas cabeças, e do perigo em que nos encontramos de sermos condenados para sempre. Ela consiste ainda em certa compreensão da loucura da qual somos culpados ao pecar, e de algum arrependimento por ter um dia cometido tais coisas, e algum remorso de consciência por isto. A isto pode se unir um certo sentimento de tristeza, sendo este expresso através de gemidos e lágrimas. Isso tudo pode ser acompanhado com confissões de pecado a Deus e a homens, lamentações por nossa miséria; em alguns, isto precede o próprio desespero. E, finalmente, isto pode levar a uma indignação contra nós mesmos, e à adoção de uma atitude de severa vingança sobre nós mesmos; sim, mais do que Deus levaria o homem a adotar; como Judas fez em se autodestruir. Este desespero e auto-execução não são parte da humilhação preparatória, mas o excesso, o seu erro, e a entrada do inferno.

Mas há também uma humilhação que é própria ao convertido, a qual acompanha a salvação, e que inclui tudo o que há na anterior, e muito mais – assim como a alma racional inclui o sensitivo, o vegetativo, e muito mais. Esta humilhação salvífica consiste nos seguintes particulares: ela começa no entendimento, e é enraizada na vontade. Opera nos sentimentos e, quando há oportunidade, manifesta-se em expressões e atitudes exteriores.

1. A humilhação do entendimento consiste em uma baixa apreciação de nós mesmos, num auto-rebaixamento, e num auto-julgamento condenatório; e isto nas seguintes particularidades:

Consiste numa apreensão profunda, sólida, habitual e real da hediondez dos nossos próprios pecados, e de nós mesmos por causa deles; isto porque eles são contrários à bendita natureza e lei de Deus, e tão contrários à nossa própria perfeição e bem principal. Também consiste em uma sólida e fixa apreensão da nossa própria ruína por causa desses pecados, de tal modo que os nossos julgamentos subscrevem a eqüidade da sentença condenatória da lei, e nos julgamos indignos da menor misericórdia, e dignos de punição eterna. Consiste em uma apreensão da nossa condição arruinada e miserável: visto que nós não apenas somos herdeiros de tormento, como também, destituídos da imagem e Espírito de Deus, perdemos Seu favor, estamos debaixo do Seu desagrado e inimizade. Por causa do nosso pecado, perdemos o direito da nossa parte na glória eterna, e grande é nossa incapacidade de nos ajudar a nós mesmos.

Isto se dá em tal medida, que nós julgamos realmente os nossos pecados e a nós mesmos, por causa do pecado, mais odiosos do que qualquer outra coisa que algum outro mal pudesse nos tornar. Consideramos a nossa miséria, por causa do pecado nas particularidades referidas anteriormente, maior do que qualquer calamidade exterior na carne, e do que qualquer perda terrena que viesse a nos atingir. Isto nós apreendemos através de um julgamento prático e não apenas por mera especulação ineficaz. A fonte disto está em um certo conhecimento do próprio Deus, cuja majestade é tão gloriosa, e cuja sabedoria é tão infinita. O qual é tão bom em Si mesmo e para conosco, cuja santa natureza é contrária ao pecado. O qual tem em nós uma propriedade absoluta, e também é soberano sobre nós. Isto é também proveniente de um conhecimento do verdadeiro estado da felicidade humana, que foi arruinada pelo homem em conseqüência do pecado, a qual consiste em agradar, glorificar e gozar a Deus em amor, deliciar-se Nele, e louvá-Lo para sempre, e em ter uma natureza perfeitamente santa e adequada a este propósito. Ver que o pecado é contrário a esta felicidade e que nos tem privado dela, é uma das fontes da verdadeira humilhação.

Esta humilhação no entendimento provém também de um conhecimento pela fé de Cristo crucificado, o qual foi morto pelos nossos pecados, o qual declarou na maneira mais viva possível ao mundo através de Sua cruz e sofrimentos o que é o pecado, o que ele faz, e a situação em que nós nos colocamos.

Assim, muito da humilhação salvífica se processa no entendimento.

2. A sede principal desta humilhação é na vontade, e aí ela consiste nos seguintes atos: ao pensarmos humildemente a respeito de nós mesmos, nós temos um constante desagrado por nós mesmos e pelos nossos pecados, e uma certa indignação contra nós por causa das nossas abominações. Um pecador humilhado é um inquiridor de si mesmo, e como ele é mau, seu coração é contra ele próprio.

Há também na vontade um profundo arrependimento por termos pecado, ofendido a Deus, abusado da Sua graça, e por termos nos colocados em tal situação; de tal modo que a alma humilhada desejaria gastar seus dias na prisão, a esmolar, ou em miséria corporal, ao invés de gastá-los no pecado; e se pudesse começar de novo, ela preferiria escolher uma vida de vergonha e calamidade no mundo, do que uma vida de pecado, e ficaria alegre pela troca.

Uma alma humilhada deseja realmente se entristecer por causa dos pecados que cometeu, e por causa deles ser sensível e afligida tão profundamente quanto fosse agradável a Deus. Mesmo quando ela não pode derramar uma lágrima, ainda assim a sua vontade é derramá-las. Quando ela não consegue sentir nenhuma profunda aflição por causa do pecado, seu sincero desejo é que possa senti-la. Ela preferiria cem vezes chorar no desejo, quando não o faz em ato.

Uma alma humilhada deseja realmente mortificar a própria carne pelo uso daqueles meios indicados como sendo aqueles através dos quais Deus a subjuga, como através do jejum, abstinência, vestuário simples, trabalho duro e negando-se prazeres desnecessários.

É uma dúvida digna de consideração se quaisquer destes atos de humilhação devem ser usados propositadamente em revide contra nós mesmos por causa do pecado. A isto respondo que nós não podemos fazer nada, a título de revide, que Deus não o permita, ou que torne nossos corpos menos habilitados para o Seu serviço, pois esta atitude receberia revide de Deus e da nossa alma. Mas aqueles meios de humilhação necessários para domar o corpo podem bem ser usados com dupla intenção: primeiro e especialmente, como um meio para nossa segurança e como precaução, a fim de que a carne não venha a prevalecer; e então, paralelamente, nós deveríamos ficar mais contentes em ver mais sofrimento ser imposto à carne, porque ela foi e ainda é um grande inimigo de Deus e nosso, e a causa de todo o nosso pecado e miséria. Este é o revide que é permitido ao penitente, e que alguns pensam ser tencionado.

Visto que a alma humilhada tem pensamentos humildes de si mesma, então ela deseja que outros a avaliem e a considerem desse modo, mesmo que seja um pecador vil e indigno, desde que a sua desgraça não prejudique o Evangelho ou a outros, ou venha a desonrar a Deus. Seu orgulho é humilhado a tal ponto que ela não pode suportar ser depreciada com alguma condescendência. Não que aprove o pecado de qualquer homem que faça isso maliciosamente, mas consentindo com o julgamento e repreensão daqueles que façam isto com sinceridade, e consentindo com o julgamento de Deus, ainda que através daqueles que o façam maliciosamente. A alma humilhada não fica se defendendo e atenuando injustamente seus pecados, se desculpando, e se inflamando contra o reprovador; o que quer que ela faça em uma tentação, se esta atitude for predominante, seu orgulho, e não humilhação, acabará por predominar. Mas ela se julga a si mesma o tanto quanto outros possam justamente julgá-la, e humildemente consente em ser humilhada aos olhos humanos até que Deus venha a levantá-la e a recuperar sua dignidade.

A raiz de toda essa humilhação na vontade é um amor a Deus, a quem ofendemos, um ódio ao pecado que O ofendeu, e que nos fez odiosos; um senso confiante do amor e dos sofrimentos de Cristo, O qual condenou o pecado na Sua carne.

Assim vocês vêem no que consiste a humilhação da vontade, a qual é a própria vida e alma da verdadeira humilhação.

3. A humilhação também inclui os sentimentos: uma genuína tristeza pelo pecado que cometemos; pela corrupção que há no pecado; uma vergonha por estes pecados; um santo temor a Deus quando nós O ofendemos, e dos Seus julgamentos os quais merecemos, e uma apropriada aversão aos nossos pecados. Mas, como mostrarei adiante, não é pelo grau, mas pela sinceridade destes sentimentos que você deve fazer um julgamento do seu estado; e isto dificilmente será discernido pelos próprios sentimentos. Assim, portanto, a vontade é o meio mais seguro através do qual podemos nos avaliar.

4. A humilhação também consiste expressivamente em ações exteriores, quando é oferecida oportunidade. Não há humilhação verdadeira no coração, se ela se recusa a aparecer no exterior, quando Deus a requer no seu curso ordinário. Os atos exteriores da humilhação são: uma confissão voluntária dos pecados a Deus e aos homens, quando Deus o requer, isto é, quando isto se torna necessário à Sua honra, ao bem daqueles a quem ofendemos, e satisfação do ofendido. Isto deve ser feito pelo menos quando confessamos os pecados abertamente a Deus na presença dos homens. Uma alma não humilhada se recusaria a fazê-lo por vergonha; mas o humilhado aceitaria livremente ser envergonhado, se isso viesse a advertir seus irmãos, e justificar a Deus, e Lhe dar glória. “Se confessarmos os nossos pecados Ele é fiel e justo para nos perdoar…” (1 Jo 1:9). “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados…” (Tg 5:16). “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Prov 28:13). Não que a pessoa precise confessar seus pecados secretos a outros, a não ser quando não possa alcançar alívio; não que a pessoa deva publicar as suas ofensas, vindo a desonrar a Deus ainda mais, e a ser empecilho para o Evangelho. Mas quando o pecado já é público e especialmente quando a ofensa de outros, o endurecimento dos ímpios, a satisfação da igreja com relação ao nosso arrependimento, requer nossa confissão e lamentação pública, então a alma humilde deve e se submeterá a isto.

O homem de coração corrompido, hipócrita, não humilhado, entretanto, confessará apenas nos seguintes casos: quando o sigilo da confissão, ou a insignificância da falta, ou a freqüência de tal confissão não traga grande vergonha sobre si. Ou quando a falta já é tão pública que seria vã qualquer tentativa de escondê-la, e a confissão não aumentaria em nada a sua desgraça. Ou quando a consciência está pesada, ou à beira da morte, ou forçado por algum terrível julgamento de Deus. Em todos estes casos o ímpio pode confessar seus pecados. Assim Judas confessou: “Pequei traindo sangue inocente” (Mt 27:4). Faraó confessou: “Eu e o meu povo somos ímpios” (Ex 9:27). Um ladrão à beira da forca confessará; e o mais vil e desprezível ser, no seu leito de morte, também confessará. Mas nós temos mais confissões no leito de morte do que confissões voluntárias diante da igreja. Infelizmente,o orgulho e a hipocrisia têm prevalecido de tal modo, e a antiga disciplina da igreja tem sido tão negligenciada, que eu penso que na maioria dos lugares na Inglaterra há muito mais pessoas que fazem confissão na forca do que pessoalmente em uma congregação.

A humilhação também deve ser expressa através de todos aqueles meios e sinais externos, aos quais Deus, através das Escrituras ou da nossa própria natureza, nos conclama. Como, por exemplo, através de lágrimas e gemidos, tanto quanto oportunamente nos ocorra; através de jejum, e da atitude de prostrar-se por causa de nossa pompa e tolice mundanas, e uso de roupas humildes, porém decentes; condescendendo com os mais desfavorecidos, e se sujeitando aos mais humildes; usando linguagem e carruagem simples; e perdoando outros, por sermos sensíveis à grandeza dos nossos débitos para com Deus.

Assim eu mostrei brevemente a vocês a verdadeira natureza da humilhação, a fim de que possam saber a que lhes estou persuadindo, e a que precisam submeter os seus corações.

Capitulo 2

Utilidade e Propósito da Humilhação

Quando eu houver falado sobre a utilidade e propósito da humilhação, vocês entenderão mais do porquê da necessidade dela para vocês mesmos.

1. Um dos usos da humilhação é ajudar na mortificação da carne, ou do “eu” carnal, e aniquilá-la, visto ser esta o ídolo da alma. A natureza do estado pecaminoso e miserável do homem consiste no fato de haver se afastado de Deus, e de estar entregue a si mesmo, vivendo agora para si mesmo, estudando, amando e satisfazendo a si mesmo, ao seu “eu” natural mais do que a Deus. Um pecador se livrará de muitos pecados exteriores e se libertará de obras exteriores antes que venha a se libertar do seu “eu” carnal, e se livre da fortaleza e poder do pecado. Não há parte da mortificação tão necessária e tão difícil como a autonegação -  na verdade, ela virtualmente compreende todo o resto, e se isto for feito, tudo estará feito. Se fosse apenas uma questão dos seus amigos, seus supérfluos, sua casa, suas terras, talvez um coração carnal pudesse abrir mão disso. Mas abrir mão da sua vida, do seu tudo, do seu “eu”, é uma palavra dura para ele, e suficiente para fazê-lo ir embora pesaroso. Assim sendo, aqui aparece a necessidade da humilhação; ela coloca todo o fardo sobre o “eu”, e quebra o coração do velho homem, e faz um homem não tolerar a si mesmo, a quem anteriormente amava sobremaneira.

A humilhação transforma esta torre de Babel em pó, e faz com que nos detestemos até o pó e cinzas. Ela toca fogo na casa, na qual confiávamos e nos deleitávamos, diante dos nossos olhos; e nos faz não apenas ver, mas sentir, que é tempo de nos rendermos. O orgulho é o pecado mestre do ímpio, e é parte da humilhação fazê-lo cair por terra. A auto-satisfação é o propósito de suas vidas, até que a humilhação ajude a mudar o curso do rio; e aí, então, se você pudesse ler os pensamentos deles, veria que eles agora se consideram os mais indignos; e se você pudesse ouvir suas orações e lamentos, você os ouviria clamar por si mesmos como se fossem os seus maiores inimigos.

2. A próxima utilidade da humilhação, e implícita na utilidade anterior, é mortificar aqueles pecados dos quais o “eu” carnal depende e pelos quais é nutrido, e bloquear todas as avenidas e passagens através das quais eles são supridos. O pecado é doce e querido por todos os que não são santificados; mas a humilhação faz com que se tornem amargos e vis.

Assim como as crianças são dissuadidas de brincar com uma colméia de abelhas quando são uma ou duas vezes ferradas por elas, ou de brincar com cães bravios quando são mordidas por eles, assim Deus ensina Seus filhos a saberem o que significa brincar com o pecado, quando são golpeados por ele. Eles distinguirão uma urtiga de arbustos inofensivos quando sentirem o seu ardor. Nós estamos tão acostumados a viver pelos sentidos, que Deus considera necessário que nossa fé tenha a ver com os sentidos para ajudá-la. Quando a consciência acusa, o coração sofre, geme de dor, e sentimos que nenhum expediente ou esforço nos livrará disso, então começamos a nos tornar mais sábios do que antes, e a conhecer o que é realmente o pecado, e o que ele nos causa. Quando aquilo que era o nosso deleite se torna a nossa aflição, e uma aflição pesada demais para suportarmos, isto cura o nosso deleite no pecado. Quando Davi estava encharcando o seu leito com lágrimas, e teve que beber delas, o seu pecado não era mais a mesma coisa para ele, como o foi quando o cometeu. A humilhação retira a pintura desta prostituta que é o pecado e mostra-a em sua deformidade. Ela desmascara o pecado, o qual assumiu uma máscara de virtude, ou de algo irrelevante, ou de uma coisa inofensiva. Ela desmascara Satanás, o qual foi transformado num amigo, ou em um anjo de luz, e revela o seu caráter maligno.

Quão difícil é curar um mundano do amor ao dinheiro! Mas quando Deus coloca tal peso em sua consciência, a ponto de fazê-lo gemer e clamar por socorro, o dinheiro perderá o seu atrativo. Quando ele começa a chorar e gemer por causa das misérias que vêm sobre si, e vê os efeitos da sua riqueza corrupta, e a gangrena do seu ouro e prata começar a comer a sua carne como fogo, e seu ídolo se torna nada menos do que um testemunho contra si, então estará melhor habilitado do que antes para avaliar o pecado. O devasso pensa que tem uma vida feliz quando os lábios da prostituta destilam favos de mel, mas quando ele percebe que o fim dela é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois gumes, que os seus pés descem à morte, e que os seus passos conduzem-na ao inferno[6][6][6], e ele jaz em tristeza, lamentando-se da sua loucura, estará então em mais condições de julgar corretamente do que antes estava. O Manassés humilhado em cadeias não é o mesmo que era quando estava no trono; embora a graça tenha contribuído mais para isso do que seus grilhões, estes foram úteis para este fim. A humilhação abre a porta do coração, e lhe diz o que o pecado faz à vida, e introduz a palavra de vida, a qual não havia ainda penetrado além dos ouvidos ou do cérebro.

É um trabalho cansativo falar a homens mortos, os quais perderam os seus sentimentos; especialmente quando se trata de uma doutrina efetiva e prática, a qual devemos lhes comunicar, e que será perdida se não for sentida e praticada. Até que a humilhação opere, nós falamos a homens mortos, ou pelo menos a homens profundamente adormecidos. Quantos sermões eu tenho ouvido que se pensava viriam a transformar os corações dos homens internamente, a fazê-los chorar por causa dos seus pecados, com tristeza e vergonha diante da congregação, levando-os a nunca mais se envolverem com o pecado; e, no entanto, os ouvintes quase que nem foram tocados por eles, mas saíram como vieram, como se não soubessem do que o pregador estava falando, porque os seus corações estavam o tempo todo sonolento dentro deles.

Uma alma humilhada, entretanto, é uma alma despertada. Ela considerará aquilo que é dito; especialmente quando percebe que vem do Senhor, e diz respeito à sua salvação. É um grande encorajamento para nós pregar para um homem que tem ouvidos, vida e sentimentos, que recebe a palavra com apetite, saboreando-a, engolindo a comida que é colocada na sua boca. A vontade é a principal fortaleza do pecado. Se nós pudermos alcançá-la, nós poderemos fazer alguma coisa, mas se ela bloquear o coração, e nós não pudermos chegar mais perto do que o ouvido ou o cérebro, não haverá benefício algum. A humilhação nos abre uma passagem para o coração, a fim de que possamos tomar de assalto o pecado em seu vigor. Eu lhes falo da natureza abominável do pecado, que causou a morte de Cristo, e leva ao inferno, e que é melhor correr para o fogo do que, de maneira propositada, cometer o menor pecado, embora se trate de algo tal que o mundo nem note. Mas, ao lhes falar, se você não for humilhado, pode ouvir tudo isto e superficialmente crer nisso, e dizer que é verdade, mas é a alma humilhada que pode sentir o que lhe está sendo dito. Que luta nós temos com um beberrão, ou com um mundano, ou com qualquer outro pecador frívolo, na tentativa de persuadi-lo a abandonar seus pecados com abominação; e tudo com tão pouco resultado! Às vezes ele deseja abandoná-los, mas é tentado a provar do pecado de novo; e assim fica adiando, porque a palavra não se assenhoreou do seu coração. Mas quando Deus vem sobre a alma como uma tempestade, arrebentará as portas, e como se fossem relâmpagos e trovões na consciência, apodera-se do pecador e o sacode todo em pedaços com o Seu terror e lhe pergunta: O pecado é bom para ti? Uma vida carnal e descuidada é boa? Tu, verme desprezível! Tu, tolo pedaço de barro! Ousas abusar de Mim face a face? Ignoras que Eu estou te olhando? É esta a obra para a qual continuas vivo? Fora com o pecado, sem mais delongas, ou jogarei fora a tua alma e te entregarei aos atormentadores. Isto o desperta da sua demora e procrastinação, faz com que veja que Deus tem boa vontade para com ele, e que, portanto, ele deve ter boa vontade para com Deus.

Se um médico tem um paciente amante da comida que sofre da gota ou de pedra nos rins, ou de qualquer outra doença, e lhe proibir do vinho, bebida forte e outros alimentos que deseja, logo que ele se sentir melhor se aventurará a prová-los, e não se sujeitará às palavras do médico; mas, quando for atacado pela doença e sentir o tormento, então se submeterá às prescrições médicas. A dor o ensinará mais efetivamente do que as palavras poderiam fazê-lo. Quando ele sente o que lhe é doloroso, e que aquilo sempre o faz adoecer, ele se reprimirá mais do que faria por atenção às recomendações médicas.

Assim, quando a humilhação quebrar o seu coração e lhe fizer sentir que está doente de pecado, e encher a sua alma com dores agudas e sofrimentos, então você terá mais desejo de que Deus destrua o pecado em você. Quando o pecado pesar sobre você, a ponto de não lhe permitir levantar os olhos, quando fizer com que vá a Deus com gemidos e lágrimas clamando: Oh, Senhor, tem misericórdia de mim porque sou pecador! Quando você ficar feliz em procurar os ministros para aliviar a sua consciência, encher os ouvidos deles com acusações a si mesmo, e revelar até os pecados mais odiosos e vergonhosos, então você ficará feliz em se desvencilhar dos pecados. Antes disso não adianta lhe falar sobre mortificação e sobre rejeição resoluta dos seus pecados; os preceitos do Evangelho parecerão rigorosos demais para que você se submeta a eles. Mas um coração quebrantado mudaria a sua mente.

Um saudável lavrador diria: “Eu como o que quero”; “os médicos só querem tirar o nosso dinheiro”; “eu nunca seguirei o conselho deles”. Mas quando a enfermidade vier sobre ele, e houver tentado em vão tudo que estava ao seu alcance e a dor não lhe der descanso, e for levado ao médico, então ele fará qualquer coisa, e tomará qualquer remédio que ele lhe der, a fim de que possa ter algum alívio e se recupere.

Assim, quando o seu coração estiver endurecido e não humilhado, estes pregadores e as Escrituras lhes parecerão severos demais. O que vocês desejam realmente são ministros afetados e presunçosos, que preguem o que bem quiserem. Vocês nunca acreditarão que Deus concorda com as coisas duras que os ministros fiéis pregam, nem que Deus condenará vocês pelas coisas às quais dispõem seus corações. Mas quando aqueles pecados se tornarem como que espadas no seu coração, e você começar a sentir aquilo de que os ministros haviam lhe alertado, então a sua reação será outra. Portanto, fora com o pecado! Não há nada tão odioso, tão maligno, tão intolerável. Oh, se você pudesse se livrar dele, custasse o que custasse! Então você teria por seu melhor amigo aquele que lhe pudesse dizer como matar o pecado, e se livrar dele; e aquele que afastasse você desse amigo lhe seria como o próprio Satanás. A humilhação cava tão profundamente que mina o pecado, e a fortaleza do mal; e quando o alicerce está profundamente enraizado, a humilhação o destroçará. Quando os assassinos de Cristo tiveram o seu coração golpeado, eles clamaram por um conselho dos apóstolos. Quando um assassino dos santos é jogado cego por terra, e o Espírito, além disso, humilha a sua alma, então ele é levado a clamar: “Senhor, o que tu queres que eu faça?” Quando um cruel carcereiro que açoita os servos de Cristo é levado por um tremor de terra a um tremor de coração, ele então clamará: “Que devo fazer para que seja salvo?”

Aqui se manifesta o uso das aflições; e mesmo o porquê delas favorecerem tanto a humilhação: os homens são trazidos à razão em momentos de crise. Quando eles jazem num leito de morte, alguém pode falar-lhes, que eles não vão, tão soberbamente, fazer pouco caso do que lhes é dito, ou escarnecer da Palavra do Senhor, como o fizeram na prosperidade. Deus será mais considerado quando Ele pleitear com eles com uma vara na mão. Os açoites são a melhor lógica e o melhor discurso para um tolo. Quando o pecado leva cativa a razão deles pela carne, o argumento que poderá convencê-los deverá ser tal que a carne seja capaz de entender. A carnalidade brutifica o homem de tal modo que, tornando-se brutos, não são mais as razões mais claras que prevalecerão; e se Deus não houvesse mantido no homem corrompido algum resquício de razão, nós pregaríamos aos animais com tanta esperança como pregamos aos homens. Mas as aflições tendem por enfraquecer o inimigo que os cativa; assim como a prosperidade tende a fortalecê-lo. A carne entende a linguagem da vara melhor do que a linguagem da razão e da Palavra de Deus.

Como a parte sensível da nossa humilhação promove a mortificação, assim a humilhação racional e voluntária, que é própria ao santificado, é a parte principal da mortificação. Assim, como você vê, é necessário que sejamos totalmente humilhados, a fim de que o pecado possa ser plenamente aniquilado em nós.

3. Outro uso da humilhação é o de preparar a alma para encontrar mais graça, para a honra de Cristo e para o nosso próprio bem.

(1) Com relação a Cristo, é de se esperar que Ele habite apenas em almas que estejam preparadas para recebê-Lo. Nem a Sua pessoa, nem a Sua obra são tais que possam se coadunar com um coração não humilhado. Até que a humilhação faça um pecador sentir o seu pecado e miséria, não é possível que Cristo, como Cristo, venha a ser bem-vindo ou recebido com a honra que Ele espera. Quem liga para o médico quando não está doente e nem teme a morte? Ele pode passar pela porta de tal homem, e este não o chamará, mas quando a dor e o temor da morte estão sobre si, ele irá atrás, procurará e implorará para que venha. Correria para Cristo, em busca de socorro, aquele que não sente sua própria necessidade ou perigo? Agarrar-se-iam Nele como o único refúgio das suas almas, achegando-se a Ele como sua única esperança, aqueles que não sentem necessidade Dele? Prostar-se-iam aos Seus pés mendigando misericórdia aqueles que passam muito bem sem Ele?

Quando os homens ouvem acerca do pecado e da miséria, e crêem apenas superficialmente, eles podem procurar Cristo e graça com frieza, e sentem tão pouco o valor do segundo, como sentem a importância do primeiro. Mas Cristo não é nunca valorizado e procurado como Cristo, até que a tristeza nos ensine como valorizá-Lo; nem é Ele recebido com a honra devida a um Redentor, até que a humilhação quebre todas as portas; nem um homem pode buscá-Lo de todo o seu coração, se não o fizer com o coração quebrantado.

Também é certo que Cristo não baixará o custo para vir a uma alma. Embora Ele venha para o nosso bem, receberá honra ao fazer isso. Embora Ele venha para curar-nos, e não porque tenha qualquer necessidade de nós, terá que receber as boas vindas devidas a um médico. Ele veio para nos salvar, mas será honrado na nossa salvação. Ele convida a todos para a festa do casamento, e até mesmo compele-os a vir; mas espera que tragam a veste nupcial, e não venham com uma roupa ordinária que desonraria Sua casa. Embora a Sua graça seja livre, Ele não a expõe ao desprezo, mas terá a Sua plenitude e liberdade glorificadas. Embora Ele não venha para redimir a Si mesmo, mas a nós, ainda assim vem para ser glorificado na obra da nossa redenção. A Sua graça não é tão livre a ponto de salvar aqueles que não a valorizam, e não dão graças por ela.

Assim sendo, apesar da fé ser suficiente para aceitar o dom, a fé deve ser uma fé grata, que magnificará o doador, e uma fé humilde que reconheça o Seu valor, e uma fé obediente que responda ao Seu propósito. Assim, a fé que é a condição de nossa justificação é apropriada tanto à honra do doador, como à necessidade do recebedor. E como a razão nos diz que deveria ser, assim confirma a experiência cristã. A alma que é verdadeiramente unida a Cristo e compartilha da Sua natureza, valoriza mais a obra da Sua salvação, onde a honra de Cristo é maior. Ela não consegue sentir prazer na idéia de uma graça tal que venha a desonrar o próprio Senhor da graça. Assim como Cristo é solícito para a salvação da alma, assim Ele faz a alma solícita em receber corretamente Aquele que a salva. Deste modo, foi através do Seu sangue, e não da nossa aceitação do Seu ensino ou governo, que obtivemos o resgate da nossa alma. Mas, por outro lado, Ele está resolvido a não justificar a ninguém através do Seu sangue, exceto sob a condição desta fé, que é um assentimento do coração ao Seu ensino e senhorio. A virtude não está tanto na aplicação ou concessão dos benefícios de Cristo quanto está na Sua obra de adquirir para nós esses benefícios.

Quando Ele veio para nos resgatar, consentiu em ser um sofredor, a dar a Sua face ao golpeador, e a se submeter ao opróbrio. Suportou a cruz, desprezando a vergonha, e sendo injuriado não injuriou, mas orou por Seus perseguidores. Todavia, Ele não virá através da Sua graça salvadora à alma para ser recebido ali com desprezo, porque Ele veio na carne com o propósito de ser humilhado, mas veio no Espírito com o propósito de ser exaltado. Cristo veio na carne para condenar o pecado que reinava na nossa carne, e assim foi feito pecado por nós, isto é, um sacrifício pelo pecado. Mas no Espírito, Ele veio para conquistar a nossa carne e, através da lei do Seu Espírito vivificador, para nos libertar da lei do pecado e da morte[7][7][7], a fim de que a justiça da lei se cumprisse em nós, e também para que não fôssemos condenados, nós os que andamos não segundo a carne, mas segundo o Espírito.

O reino de Cristo não era deste mundo, porque, se o fosse, Ele procuraria estabelecê-lo pela força das armas e da luta, que são os meios mundanos. Mas o Seu reino é dentro em nós; é um reino espiritual, e assim, apesar de estar no mundo, Ele foi tratado com desdém, como um tolo, como um pecador, e como um infortunado. Mas dentro em nós Ele deve ser tratado com honra, e reverência, como um Rei e Senhor absoluto. A vez do executor e do poder das trevas foi quando Ele estava em agonia; mas quando Ele vem através da Sua graça salvadora a uma alma, é a vez do Seu triunfo e casamento, e do poder prevalecente da luz celestial. Na cruz, Ele era como um pecador, e tomou o nosso lugar, e suportou o que era a nossa culpa, e não Sua. Mas na alma Ele é o conquistador de pecados, e vem para tomar posse do que é Seu, e para realizar a obra que pertence a Ele na Sua dignidade; e, assim, Ele será ali reconhecido e honrado. Na cruz, Ele estava derrubando o reino de Satanás, e estabelecendo o Seu próprio, apenas de um modo preparatório; mas na alma, Ele faz ambos serem executados imediatamente. Na cruz, o pecado e Satanás se vangloriaram; mas quando Ele penetra a alma, é Ele quem Se vangloria sobre eles, e não cessa até os haver destruído. Na redenção, Ele Se consumiu; mas na conversão, Ele toma posse do que remiu. Em uma palavra, Ele veio ao mundo em carne para ser humilhado, mas Ele vem à alma, através do Seu Espírito, para a Sua merecida exaltação. Assim sendo, embora Ele houvesse suportado ser cuspido na carne, não suportará ser desprezado na alma. Assim como no mundo Ele foi escarnecido com um título de rei, coroado com espinhos, e vestido com tais roupas reais a fim de que fosse feito objeto de opróbrio, assim, quando Seu Espírito entra em uma alma, Ele é ali entronizado com a nossa consideração mais reverente, subjetiva, e profunda. Ele é ali coroado com o nosso mais elevado amor, e gratidão, e adorado com a ternura da nossa obediência e do nosso louvor. A cruz haverá de ser a porção dos Seus inimigos; a coroa e o cetro serão a Sua. E assim como tudo foi preferido em detrimento Dele na terra, até mesmo o próprio Barrabás, assim também todas as coisas haverão de ser subjugadas a Ele na alma santificada, e Ele obterá a primazia diante de todas as coisas.

Este é o propósito da humilhação: preparar o coração para um maior gozo do Senhor, e preparar o caminho diante Dele, e habilitar a alma para ser o templo do Seu Espírito. Uma alma humilhada nunca se desvencilharia Dele usando bois, fazendas, ou casamentos como desculpas. Aquele, porém, que não é humilhado fará muito pouco caso Dele.

(2) Assim como o próprio Cristo será recebido com honra, ou então nem será recebido, assim deve acontecer com a misericórdia e com a graça que Ele oferece. Ele não aplicará o Seu sangue e a Sua justiça àqueles que não lhes dão valor. Ele não perdoará tamanha quantidade de iniqüidades, nem removerá tais montanhas que caem sobre a alma daqueles que não sentem a necessidade de tal misericórdia. Ele não resgatará do poder do mal, da opressão do pecado, dos arrabaldes do inferno e não fará membros de Seu próprio corpo, filhos de Deus e herdeiros dos céus, aqueles que não aprenderam a valorizar estes benefícios, mas são mais voltados para os seus pecados, misérias e frivolidades do mundo. Cristo não despreza Seu sangue, Seu Espírito, Sua aliança, Seu perdão, nem Sua herança celestial e assim Ele não as dará a ninguém que as despreze, até que Ele os ensine melhor a conhecer o Seu valor. Você pensa que estaria de acordo com a sabedoria de Cristo dar bênçãos indizíveis como estas a homens que não têm coração para valorizá-las? Porque dar a um homem justificação e adoção é mais do que lhe dar todo este mundo visível: o sol, a lua, o firmamento, e a terra. Deveriam estas graças ser dadas a alguém que não liga para elas? Porque assim Deus perderia Seu propósito. Ele não obteria o amor, a honra nem a gratidão tencionada no Seu dom. É necessário, portanto, que a alma seja totalmente humilhada, a fim de que o perdão seja recebido como perdão, e a graça como graça, e não negligenciados indevidamente.

(3) Assim como a humilhação é necessária tanto para a honra de Cristo e de Sua graça, assim também ela é necessária para o nosso próprio benefício e consolação. A misericórdia não pode ser realmente nossa, se a humilhação não nos habilitar a isso. Estas bênçãos devem ser engolidas por um estômago vazio, e não tomadas na vaidade e impiedade. Um homem à beira da forca se regozijará com um perdão; mas um mero observador que se julgue inocente, não daria valor a isso, mas tomaria o perdão como uma acusação. Não há muita doçura no nome de um redentor para uma alma não humilhada. Ela não valoriza o Espírito. O Evangelho não é evangelho para ela. As boas novas de salvação não são tão alegres para tal pessoa quanto as boas novas de riquezas ou deleites mundanos. Assim como um estômago sadio é o que faz a refeição parecer agradável a nós, e assim como o cardápio rústico é mais agradável para o sadio do que as refeições suculentas ao doente, da mesma forma, se não formos esvaziados de nós mesmos, vis e perdidos nas nossas próprias prisões, e se a contrição não estimular os nossos apetites espirituais, o próprio Senhor e todos os milagres da Sua graça salvadora seriam aos nossos olhos coisa sem valor, e ouvir ou pensar sobre estas coisas apenas nos aborreceriam. Oh, que tesouro inestimável é Cristo para uma alma humilhada! Que vida nas Suas promessas! Que doçura em cada experiência da Sua graça, e que festa no Seu imensurável amor!

(4) Outro uso da humilhação, implícito no item anterior, é que ela é necessária para fazer com que o homem se submeta aos termos do pacto da graça. O homem natural se agarra aos prazeres da carne, e vive pelos sentidos e é apegado às coisas do presente. Ele não sabe como viver apegado às coisas invisíveis através de uma vida de fé. Esta é a nova vida que todos os que vivem em Cristo devem viver. Assim, portanto, Ele os convoca a abandonar tudo, a crucificar o mundo e a carne, e negar a si mesmos, se quiserem ser Seus discípulos. Mas quão relutante é o homem natural para renunciar a tudo e se entregar totalmente a Cristo! Mas quão ansioso ele é para se agarrar às coisas do presente, por falta de confiança nas promessas celestiais, tendo os céus, em última análise, apenas como uma reserva. É nestes termos que os hipócritas são religiosos, e é assim que enganam as suas almas. Mas quando o coração é verdadeiramente quebrantado, ele não mais permanecerá desse modo com relação a Cristo, mas se submeterá totalmente aos Seus termos. Não estabelecerá condições com Ele, mas aceitará com gratidão as Suas condições. Com Cristo, com graça, e com a esperança da glória, qualquer coisa lhe satisfaz a alma.

(5) Outro uso da humilhação é nos preparar para reter e progredir na graça quando nós a recebemos. O ditado diz: “O que é conseguido com facilidade, facilmente se perde”. Se Deus desse o perdão dos pecados ao que não é humilhado, quão cedo Ele seria desprezado! Quão facilmente tal pessoa daria ouvidos à tentação, e retornaria ao seu próprio vômito! Como nós dizemos: “A criança queimada teme o fogo”. Quando o pecado o golpear, e quebrar o seu coração, você o abominará enquanto viver. Quando a tentação vier, você se lembrará da sua dor aguda: “Não é isto aquilo que me custou tantos gemidos, me deixou no pó, e quase me condenou, e vou eu cometê-lo novamente? Foi tão difícil para eu ser restaurado por um milagre de misericórdia, vou eu agora correr novamente para a miséria da qual eu fui salvo? Não tive eu tristezas, temor e inquietação suficientes para que vá agora buscar mais disso, e renovar o meu transtorno?” Assim, a lembrança dos seus sofrimentos será um contínuo alerta para você. Um espírito contrito, que é esvaziado de si mesmo, e ao qual é ensinado o valor de Cristo e da misericórdia, não apenas se agarrará a eles, mas saberá como usá-los, com gratidão a Deus e benefício para si mesmo.

(6) Outro uso da humilhação é preparar a alma para se aproximar do próprio Deus, de quem ela se afastou. Assim como a nenhuma criatura é permitido se aproximar do Deus dos céus, a não ser que o faça com reverente humildade, assim também a nenhum pecador é permitido se aproximar Dele, a não ser que o faça em contrita humildade. Quem é que pode sair de tal estado de impiedade e miséria, e não trazer consigo o senso disso em seu coração? Não é permitido a um filho pródigo encontrar seu pai com tanta confiança e ousadia, como se ele nunca o tivesse abandonado, a não ser que diga: “Pai, pequei contra os céus e contra ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho”[8][8][8]. Não é sem falta que uma alma culpada, ou que alguém que é resgatado do fogo, olhará para Deus com uma face soberba, mas com a cabeça baixa de vergonha e tristeza, batendo no peito e dizendo: “Ó Senhor, tem misericórdia de mim, pecador!”[9][9][9]; “Porque Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede a Sua graça”[10][10][10]; “O Senhor é excelso, contudo atenta para os humildes; os soberbos, Ele os conhece de longe”[11][11][11]; “Porque assim diz o Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos”[12][12][12]; “…mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito, e que treme da minha palavra”[13][13][13]; “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito contrito”[14][14][14]; “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito; não o desprezarás, ó Deus”[15][15][15]. Não há retorno para Deus, a menos que não nos toleremos por causa das nossas abominações.

Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nós devemos nos detestar até o pó e cinzas. Ele não aceita um pecador em seus pecados; mas primeiro o lava e limpa. A conversão deve nos fazer humildes como crianças, as quais são ensináveis e não procuram por grandes coisas no mundo ou, de outro modo, não podem entrar no reino de Deus.

Estes são os usos e a necessidade da humilhação.

Capítulo 3

Erros sobre a Humilhação a Serem Cuidadosamente Evitados

Pelo que já foi dito, você pode perceber quais os erros a serem cuidadosamente evitados com relação à sua humilhação, e com que cuidados ela deve ser buscada.

(1) Um erro com o qual você deve tomar cuidado, é o de não encarar a humilhação como algo irrelevante, ou como apenas um apêndice à fé, que pode ser dispensado. Não pense que uma alma não humilhada, enquanto tal, pode ser santificada. Alguns corações carnais supõem que apenas os pecadores mais atrozes precisam ser contristados e ter o coração quebrantado, mas que isto não é necessário para eles, que foram criados descente e religiosamente desde a mocidade. Mas é tão possível ser salvo sem fé e sem arrependimento quanto sem esta humilhação especial, a qual eu já descrevi, e que é parte da sua santificação.

(2) Outro erro a ser cuidadosamente evitado é o de colocar a sua humilhação somente ou principalmente na parte emocional, ou nas expressões externas dessas emoções. Eu me refiro tanto a uma dor aguda, como à tristeza de coração, ou ainda às lágrimas. Mas você deve se lembrar que o valor dela, como eu disse antes, está na sua reação ao julgamento e na vontade. Não é o grau de uma tristeza ou angústia de sentimentos que mostrará melhor o grau de sinceridade da sua humilhação, e muito menos as suas lágrimas ou expressões exteriores. Mas é a baixa avaliação que você faz de si próprio, e a aceitação em ser visto como vil aos olhos dos outros. É o seu descontentamento, e o desejo de gemer e chorar por causa do pecado o tanto quanto Deus gostaria que você o fizesse, juntamente com a aceitação do julgamento e vontade antes descritos que demonstram realmente a sua humilhação.

Há dois grandes perigos aqui, diante de você, a serem evitados. Há alguns que podem ter terríveis angústias de tristeza, e estão a ponto de arrancar os próprios cabelos, sim, e até mesmo de darem um fim a si próprios, como Judas, por causa do horror da sua consciência; e isto poderia lhes parecer que eles teriam verdadeira humilhação. Mas mesmo assim não a têm. Alguns podem chorar abundantemente em um sermão, ou em uma oração, ou ao mencionar seus pecados a outros, e, portanto, pensar que estão realmente humilhados; mas ainda assim podem não estar. Pois, se ao mesmo tempo, seu coração ama o pecado e prefere apegar-se a ele do que se livrar dele, ou não tem um ódio habitual pelo pecado e um amor predominantemente muito maior a Deus, a sua humilhação nada tem a ver com a obra de salvação. Os seus sentimentos e as suas lágrimas podem até ser forçados contra a sua vontade. Se você não deseja realmente odiar o pecado, os sentimentos e as lágrimas dificilmente significariam mais do que uma graça comum.

Muitos podem chorar por causa dos sentimentos, e por causa da natureza feminina sensível, e ainda assim permanecerem não humilhados, podendo até estar em um grau muito elevado de orgulho. Quão regularmente vemos tantos que são assim! As mulheres, especialmente, podem chorar mais em um culto ou conversa, do que alguém que está realmente quebrantado poderia fazê‑lo em toda a sua vida, e ainda assim estarem tão longe de se verem vis aos seus próprios olhos e desejarem ser vistas assim aos olhos dos outros que elas odiarão, reprovarão e criticarão todos aqueles que as acusarem com as faltas que elas mesmas parecem se lamentar. Também, ao serem acusadas de horrendos pecados, estas pessoas se desculparão e suavizarão seus pecados, fazendo deles assunto de menor importância e se apegando àqueles que tenham um alto conceito delas. É assim que o pecado reina regularmente em seus corações: manifesta-se nas suas palavras e vidas; faz com que odeiem aqueles que com fidelidade as reprovam; e que vivam em contenda com qualquer um que venha a desonrá-las, apesar de todas as lágrimas que caem dos seus olhos. Assim, portanto, não julgue pelos sentimentos, ou apenas pelas lágrimas, mas pela reação aos julgamentos e pela vontade, como foi dito acima.

Um outro caso, que é muito melhor e mais feliz do que o primeiro, mas que produz grande dificuldade, é o erro daqueles que pensam que não têm uma verdadeira humilhação por não experimentarem tais sentimentos e liberdade de lágrimas como outros experimentam quando o coração deles é contristado, pois não conseguem derramar sequer uma lágrima.

Diga‑me apenas isto: “Você se vê como vil aos seus próprios olhos por ser culpado de pecados, e isto contra o Senhor, a quem você realmente ama? Você odeia os seus pecados, por causa das suas abominações, e desejaria de coração sofrer quando estivesse pecando? E se você tivesse que escolher de novo, você preferiria sofrer do que pecar? Você sente o desejo de se entristecer por causa do pecado mesmo quando não pode sentir tristeza, e deseja chorar, ainda que não consiga? Pode você suportar calmamente quando é ofendido, porque sabe que é realmente vil? É você grato a um reprovador sincero, apesar dele lhe mostrar o mais terrível pecado? Você considera as suas próprias palavras e feitos indignos, e as palavras e feitos dos outros melhores, desde que haja a menor razão para isso? Você atribui justiça às aflições que vêm de Deus e às reprimendas verdadeiras de homens, e se considera indigno da comunhão dos santos, ou de ver a justiça de Deus se Ele viesse a condená-lo?”

Este é o estado de uma alma humilhada. Se você puder responder afirmativamente a estas perguntas, então não precisa duvidar da sua aceitação por parte de Deus, mesmo que você não derrame uma lágrima. Há mais humilhação em uma baixa estima de nós mesmos do que em mil lágrimas, e mais em uma vontade ou desejo de chorar pelo pecado do que nas lágrimas que vêm motivadas pelo terror, por uma consciência pesada, ou pelos sensíveis sentimentos naturais. Se a vontade estiver correta, você não precisa temer. É aquele que mais odeia o pecado e é mais severo para com o pecado que é humilhado por causa dele. Aquele que lamenta o pecado hoje e o comete amanhã é muito menos humilhado e penitente do que aquele que não é atraído para o pecado na esperança dos prazeres do mundo, nem o comete, mesmo que fosse para salvar sua vida.

(3) Para evitar isto alguns incorrem no erro oposto e pensam que a tristeza e lágrimas são desnecessárias, e que podem se arrepender com ou sem lágrimas. Estes, fundamentam tudo em alguns desejos vagos e ineficazes; e assim, pensam que o coração foi mudado. Mas certamente Deus não criou os sentimentos em vão. É impossível que um homem possa ter uma vontade santificada e as suas emoções não manifestem alguma correspondência, e sejam controladas pela vontade. Embora não possamos gemer naquele grau que desejaríamos, ainda assim terá de haver alguma tristeza sempre que o coração for verdadeiramente mudado, e, aparentemente, esta tristeza deveria ser grande. Ninguém pode crer de coração que o pecado é o maior mal para sua alma sem ser afligido por isto. Na verdade, os nossos sentimentos mais vivos deveriam ser afetados por estas coisas tão importantes. É uma vergonha ver um homem gemer por um amigo e lamentar por uma provação, que afeta apenas a carne, e, no entanto, ser tão insensível à praga do pecado, à ira do Senhor, e sorrir e gracejar com tais pesos sobre a sua alma.

Embora a tristeza e as lágrimas não sejam o coração e a parte principal de nossa humilhação, ainda assim elas devem ser buscadas como um dever. Sim, certo grau de tristeza é absolutamente necessário, e a falta de lágrimas não é um bom sinal naqueles que as derramam por outras coisas. Na verdade, a convicção da nossa loucura e crueldade deveria ser tão grande a ponto de quebrar o nosso coração de tristeza, derreter o nosso peito, e produzir rios de lágrimas dos nossos olhos. Se nós não podemos produzir isso em nós, devemos antes lamentar a dureza do nosso coração, ao invés de nos desculparmos.

(4) Neste item, trataremos de como responder à questão, se é possível a um homem ser humilhado e se arrepender em demasia.

A manifestação exterior da humilhação, que consiste nos atos que provêm do entendimento e da vontade, não podem ser maiores do que o próprio entendimento e a vontade que produziram estes atos. Se as manifestações externas forem maiores do que a própria vontade, elas não apenas serão erradas como também nada terão a ver com a verdadeira humilhação salvadora. Um homem pode se considerar pior do que ele realmente é, pensando falsamente de si mesmo como se ele fosse culpado de pecados dos quais realmente ele não é; e isto não é a mesma coisa que verdadeira humilhação. Mas, se ele tiver uma clara apreensão da maldade do seu pecado e da sua própria vileza, a isto ele não deve temer.

No âmbito da vontade é mais claro: nenhum homem pode estar querendo livrar-se do pecado em demasia, nem ter a mesma aversão ao pecado quanto o próprio Senhor o tem. Mas, quanto à outra parte da humilhação que consiste em aguda tristeza ou lágrimas, pode muito bem ocorrer em demasia, embora eu conheça muito poucos que incorrem neste erro ou precisem temer isso, pois o homem normal do mundo é estúpido e duro de coração, e até a maioria dos piedosos são lamentavelmente insensíveis.

Ainda assim, há alguns poucos que necessitam desse conselho, a fim de que não se agonizem em grau excessivo de tristeza. Permita que o seu coração se disponha o mais possível contra o pecado, mas permita também algum limite às suas tristezas e lágrimas. Este conselho é necessário aos seguintes tipos de pessoas: (1) Às pessoas melancólicas, as quais estão em perigo de serem perturbadas, e agirem de modo irracional e sem propósito por excessiva tristeza. Seus pensamentos são fixos, confusos, sombrios, escuros e cheios de temores, e acabam tornando as coisas piores do que já são, sendo mais profundamente afetadas por estes sentimentos do que suas cabeças podem suportar. (2) Este é o caso também de algumas mulheres fracas de espírito, as quais não são melancólicas, mas ainda assim, por fraqueza natural de seus cérebros e por serem altamente sensíveis, não têm condições de suportar estas comoções sentimentais sérias e profundas que outros podem desejar, pois a profundidade da sua sensibilidade e a intensidade das suas paixões representam um perigo de serem lesadas pelos seus julgamentos, e serem facilmente lançadas à melancolia, ou a algo ainda pior.

Ser destituído da razão é uma das grandes calamidades corporais nesta vida, e isto seria um grande problema tanto para a própria pessoa como para os que a cercam. Trata-se de uma questão de vergonha e desonra para o Evangelho aos olhos dos ímpios que não entendem o caso. Quando eles vêem alguma tristeza excessiva e desmesurada, ou alguém cair em perturbação, isto representa uma grande tentação para que fujam da religião, evitem a tristeza que vem de Deus e todos os pensamentos sérios a respeito das coisas celestiais. Faz com que os tolos escarnecedores digam que a religião torna o homem maluco, e que esta humilhação e conversão para as quais os conclamamos é o caminho para fazê-los perder o juízo. Assim sendo, por causa da tristeza dos piedosos, e do endurecimento dos impiedosos, o caso se reveste de seriedade a ponto de requerer nosso maior cuidado em evitá-lo.

Pergunta: Mas se é tão perigoso entristecer-se, tanto de modo insuficiente como em demasia, o que fará um pobre pecador em tal desfiladeiro, e como pode ele saber quando deve restringir sua tristeza?

Resposta: Há pouquíssimas pessoas no mundo que têm razão em temer o excesso deste tipo de tristeza. A situação geral do homem é ser insensível; a tristeza do mundo provoca muito mais melancolia e perturbação do que a tristeza que vem de Deus. Mas, para aqueles poucos que estão em perigo de excesso, eu primeiramente direi como discernir o perigo e, depois, como remediá-lo.

Quando a sua tristeza é maior do que o seu julgamento pode suportar, com aparente perigo de perturbação ou de distúrbio melancólico e diminuição de seu entendimento, então a tristeza é certamente demasiada e deve ser restringida. Porque se você arruinar a sua razão, você se constituirá em opróbrio para a religião, e não estará habilitado para nada que seja realmente bom: nem para sua edificação, nem para o serviço do reino de Deus.

Se você estiver com uma séria doença a qual a tristeza poderia aumentar o risco para sua vida, você então tem razão para restringi-la; embora não deva abster-se de arrepender-se, ou descuidar-se da sua salvação; mas, o sentimento de tristeza, esta você deve moderar ou reduzir.

Quando a tristeza é tão grande a ponto de transtornar a sua mente, ou enfraquecer o seu corpo, de modo a incapacitá-lo para o serviço de Deus, e a torná-lo mais despreparado para fazer o bem, você tem razão então para moderar e restringir a tristeza.

Quando a intensidade da sua tristeza sobrepuja a medida necessária do seu amor, ou alegria, ou gratidão, deixando estes de lado, apossando-se mais do seu espírito do que deveria, não deixando espaço para os seus outros deveres, então esta tristeza é excessiva, e precisa ser restringida. Há alguns que se esforçariam e lutariam com seus corações para arrancar algumas lágrimas e aumentar sua tristeza, os quais, entretanto, fazem pouco caso de outros sentimentos e não se esforçariam a metade para aumentar sua fé, amor e alegria.

Quando o seu sofrimento, por causa da sua intensidade, o conduz à tentação ou ao desespero, ou a pensar que Deus e o Seu serviço são duros demais, ou a desvalorizar Sua graça e a satisfação de Cristo, como se fossem deficientes e insuficientes para você, neste caso, você tem razão para moderar e restringir o sofrimento.

Quando a sua tristeza é inoportuna e a vontade precisa de impulso em momentos quando você é conclamado à gratidão e à alegria, você tem então razão em moderá-la e restringi-la durante estas épocas. Não que devamos eliminar toda tristeza, seja qual for o dia de alegria ou gratidão, a menos que possamos suprimir todos os nossos pecados nos deveres daquele dia. Também não devemos suprimir todo conforto espiritual e prazer nos dias de maior humilhação. Porque assim como o nosso estado aqui é um misto de graça e pecado, assim também todos os nossos deveres religiosos devem ser um misto de alegria e tristeza. É apenas no céu que teremos alegria absoluta, assim como é apenas no inferno que há tristezas absolutas, ou, pelo menos, em nenhum estado de graça. Mas, por enquanto, por causa disso tudo, há épocas agora quando um destes sentimentos deve ser exercido de modo mais preponderante, e o outro em menor grau. Em tempos de calamidades, por exemplo, e após uma queda, nós somos tão conclamados à humilhação que o conforto deveria apenas moderar nossas tristezas, e o seu exercício deveria estar submisso nestas épocas. Assim também em épocas de especial misericórdia da parte do Senhor nós podemos ser conclamados a exercitar nossa gratidão, louvor e alegria tão preponderantemente que a tristeza deve nos manter humildes, e ser, por assim dizer, serviçal às nossas alegrias.

Quando graça e misericórdia são mais eminentes, então a alegria e o louvor deveriam ser predominantes, o que se verifica com mais freqüência em uma vida cristã que anda erguida a cuidadosamente com Deus. Quando pecado e julgamento são mais eminentes, a tristeza deve então ser predominante, visto ser um meio necessário para uma sólida alegria. Assim sendo, normalmente um pecador que ainda está passando pela obra de conversão, e é recém-chegado a Deus de um estado de rebelião, deve estimular mais tristeza, e se dar mais a gemidos e lágrimas do que posteriormente, quando for trazido à reconciliação com Deus, a andar com integridade.

Pergunta: Mas quando é, por outro lado, que eu posso saber que a minha humilhação é pequena demais, e que deveria me esforçar para aumentá-la?

(1) Quando, aparentemente, não há os perigos acima mencionados, quais sejam de destruir seu corpo, perturbar sua mente, transformar suas faculdades, afogar as outras graças, deveres, etc. Não havendo estes perigos você tem pouca razão de temer o excesso.

(2) Quando você não se humilhou o suficiente para levá-lo a valorizar o amor de Cristo, a ter estima pelo Seu sangue e seus efeitos, a ter fome e sede Dele e de Sua justiça e a mendigar ardentemente pelo perdão de seus pecados. Então você tem razão de desejar mais humilhação. Se você não sente grande necessidade de Cristo, mas passa por Ele tão desinteressadamente, como o estômago cheio passa pela comida, como se você pudesse passar muito bem sem Ele, então você pode estar certo de que precisa ser mais quebrantado. Se você não é tão movido pelo amor de Deus, a ponto de se desvencilhar de qualquer coisa para gozá-Lo, e de não considerar nada mais querido do que os céus, você necessita ficar sob convicção dos seus pecados e miséria um pouco mais, e de implorar ao Senhor que o salve do seu coração de pedra. Se você pode ouvir do amor e dos sofrimentos do seu Redentor sem ferver de amor por Ele novamente, e pode ler ou ouvir as promessas de graça, sobre os dons de Cristo, e sobre a vida eterna sem nenhuma considerável alegria ou gratidão, é tempo de implorar a Deus por um coração mais humilhado.

(3) Quando há muitos altos e baixos na obra da sua conversão, e você fica às vezes num bom estado, e novamente num mau estado, como se ainda estivesse irresoluto quanto a se deve mudar ou não; quando você hesita diante dos termos que Cristo estabelece quanto à autonegação, à crucificação da carne, e a abandonar tudo pela esperança da glória, e acha estas coisas duras, e está ainda considerando se deveria submeter-se a elas ou não, ou está ainda reservando secretamente alguma coisa para você mesmo. Isto tudo certamente mostra que você ainda não foi suficientemente humilhado, caso contrário você não estaria agindo tão levianamente para com Deus. Ele ainda deve colocar os seus pecados diante de você, e segurá-lo por um pouco sobre o fogo do inferno, e fazer soar em sua consciência tal estampido, a ponto de fazer com que você se submeta e acabe com suas dúvidas, e o ensine a não mais procrastinar com seu Criador.

O próprio Faraó ficava submisso e insubmisso a Deus, e às vezes deixava Israel ir, às vezes não, sendo necessário que Deus o humilhasse com praga sobre praga, até fazê-lo submeter-se e ficar até feliz em permitir que o povo partisse. Mesmo quando Deus usa dos meios de graça, quando o coração é duro, Ele faz tanto uso das tristezas quanto seja necessário para fazer com que o homem se submeta o mais cedo possível aos Seus termos e se alegre em obter misericórdia em tais termos.

(4) Quando você está insensível e desanimado quanto às ordenanças de Deus e a Escritura tem pouca vida ou doçura para você; quando se encontra quase que indiferente se invoca a Deus em secreto ou não, se vai à igreja ou não para ouvir a Palavra e unir-se em louvor a Deus na comunhão dos santos; quando não sente grande gosto nos cultos e nos sacramentos, mas pratica-os quase que meramente por costume, ou para aliviar a sua consciência, e não por uma grande necessidade que sinta dessas práticas, ou do bem que encontra nelas. Isto mostra, por certo, que você carece de mais um pouco da vara e da espora de Deus. Seu coração ainda não foi suficientemente quebrantado, mas Deus precisa tomá-lo novamente em Suas mãos.

(5) Quando você está esquecido de Deus, e da vida por vir, e esquece tanto dos seus pecados como do sangue do Salvador, e coloca os seus pensamentos quase que continuamente nas vaidades a nas coisas deste mundo, como se estivesse crescendo mais nestas coisas do que na sua necessidade de Cristo. Isto mostra que a pedra ainda está no seu coração, que Deus precisa fazer com que você se alimente de um cardápio mais difícil, para corrigir os seus apetites, e fazê-lo sentir o seu pecado e miséria até que Ele retire os pensamentos que você tem nas coisas que são na realidade pouco importantes, e o ensine a preocupar-se mais com o seu estado eterno. Se você começa a se esquecer do seu próprio estado e de Deus, é tempo de ser lembrado disto.

(6) Quando você começa a sentir mais doçura na criação, e a ser mais lisonjeado com aplausos a honras, e a sentir mais prazer na abundância, e mais impaciência com a pobreza ou necessidade, ou com os erros dos homens, e com as cruzes do mundo; quando você se dedica a ser bem sucedido, e está desejoso de se tornar rico e cai de amor pelo dinheiro; quando você se atira aos cuidados e negócios do mundo, e fica oprimido com muitas coisas por sua própria escolha. Isto mostra, na verdade, que você está perigosamente não humilhado. Se Deus tiver misericórdia de você, Ele o rebaixará e fará com que a sua riqueza se torne em amargura e absinto para você, abaterá o seu apetite e ensinará que uma coisa é realmente necessária: “Desejar ardentemente a comida que não perece”. Ensiná-lo-á daí em diante a escolher a melhor porção.

(7) Quando você percebe que poderia voltar a brincar com as circunstâncias propícias ao pecado, ou a olhar para elas com disposição na mente como se ainda tivesse a mente voltada para isso e quase que pudesse voltar o seu coração querendo novamente aquilo; quando você começa a ter a mente novamente voltada para suas velhas companhias e caminhos, ou começa a se aproximar o mais possível novamente dessas coisas, e a olhar com fixação para a isca na tentativa de provar daquilo que é proibido, e quase que não pode dizer como negar as suas inclinações, apetites, sentimentos e desejos. Isto mostra que você carece de uma obra de despertamento. Parece que Deus precisa ler para você mais um pouco da Palavra, e fazer com que você soletre aquelas linhas de sangue, as quais, ao que parece, você se esqueceu. Ele precisa acender o fogo da sua consciência, até que você sinta e entenda se é realmente bom brincar com o pecado, com a ira de Deus, e com o fogo eterno.

(8) Quando você começa a se tornar indiferente com relação a sua comunhão com Deus. Você começa a não pensar mais muito se Ele lhe aceitou realmente e se de fato lhe manifestou o Seu amor, mas começa a deixar de lado as suas orações e a não mais atentar para elas ou ao que acontece com elas. Passa a fazer uso dos sacramentos raramente questionando o resultado desta prática. Quando você pode dispensar o consolo espiritual dos santos e extrai pouco conforto espiritual de Cristo e dos céus, e cada vez mais dos seus amigos, bens, prosperidade e situações materiais, talvez comece a sentir-se tão bem na companhia de pessoas do mundo, falando e agindo como elas, com a mesma satisfação que antes tinha ao meditar no amor de Cristo. Isto mostra que você ainda não tem um real senso do perigo que corre. A humilhação ainda tem uma grande obra a realizar em você. Você precisa ser ensinado a conhecer mais a sua casa, a ter mais prazer em seu Pai, a conhecer mais o seu marido, seus irmãos em Cristo, mais a sua herança, do que os estranhos ou inimigos de Deus e seus.

(9) Quando você começa a fazer pouco caso das ordenanças ou de outras misericórdias, e ao invés de recebê-las com gratidão e se alimentar delas passa a queixar-se delas, e nada lhe agrada, dizendo: “O pastor é muito fraco”, ou “o pastor é muito exigente”, ou “o pastor é muito formal”, “isso deveria ser desse ou daquele modo”, “o culto é muito ou pouco formal”, “ele gesticula muito ou pouco”, “esta ordem não está boa”, “isto ou aquilo não é apropriado”. Isto tudo mostra que você carece ser humilhado, e que você está mais preparado para a vara do que para o alimento. Se Deus pudesse apenas abrir a porta do seu coração e mostrar claramente a maldade e o vazio que há nele, você veria que o erro não está no pastor nem no culto, e mesmo que houvesse erro neles, o erro maior ainda seria o seu. A causa da sua relutância e contenda com o mundo está no seu próprio estômago cheio, e Deus precisa lhe dar um remédio, que faça o seu coração doer antes que Ele termine a Sua obra. Então o seu apetite será corrigido, a sua frivolidade terá fim, e aquilo que você antes criticava passará a lhe ser doce.

(10) Quando você começa a tufar de orgulho, a pensar muito alto de si mesmo, a ter bons conceitos sobre o seu próprio talento e desempenho, ter prazer em ser notado e visto como alguém que desponta entre os piedosos, e não pode suportar ser esquecido ou ser deixado de lado. Quando você considera os talentos e desempenho dos outros inferiores em comparação com os seus, se considera tão sábio quanto seus mestres e passa a ouvi-los como se fosse juiz deles, com espírito de julgamento, e achando que poderia fazer tão bem quanto eles. Quando você começa a encontrar falta naquilo que deveria estar lhe nutrindo, e não encontra nada em cada sermão a não ser defeitos, e a acha que não cometeria tais erros. Quando você deseja veementemente ser seu próprio mestre e se considera mais habilitado a pregar do que a aprender, a dirigir do que ser dirigido, a responder do que a perguntar. Quando você pensa tão bem de si mesmo que a igreja não é mais boa nem pura o suficiente para sua companhia, embora Cristo não seja ali negado, e você não seja ali induzido a pecar. Quando você se torna crítico e passa a agravar mais e mais a falta dos outros, diminuindo as suas virtudes. Pode ver um cisco nos olhos dos outros, mas não consegue discernir as virtudes deles, a não ser que sejam altas como uma montanha, e ninguém pode passar por piedoso ao seu julgamento, a não ser os santos mais eminentes. Quando você passa a desejar veementemente as novidades na religião e a se achar mais sábio do que a igreja presente e antiga, e se considera excepcional por não ser como os demais. Quando você não pode ouvir nem este nem aquele pastor, embora sejam na verdade ministros de Cristo. Quando você fica batendo sempre na mesma tecla: “Saí dentre eles, e separai-vos deles”, como se Cristo houvesse chamado você a sair da igreja, quando na verdade o chama a sair da companhia dos infiéis. Tudo isso indica que você necessita de mais humilhação.

Você tem um inchaço que precisa ser aberto para permitir que o ar saia e ele seque. Para que você não venha a se perder, para que não venha a ser abandonado por Deus e ser entregue a si mesmo, você precisa ser trazido à humilhação novamente com um testemunho. Quando Deus lhe revirar e lhe mostrar que você é um pobre, miserável, cego e nu, e que está inchado sem razão e se enchendo de si mesmo, Ele fará você parar diante daqueles que você despreza. Ele fará você se considerar indigno da comunhão com aqueles que antes você julgava indignos de você. Fará com que se considere indigno de ouvir aqueles pastores aos quais você antes virava as costas. Ele jogará por terra o seu ensino, coisas tolas, e o tornará feliz em ser ensinado de novo. Numa só palavra, por meio da conversão Ele o fará novamente como criança, ou você nunca entrará no reino dos céus.

Este orgulho espiritual é uma doença lamentável, e consiste em algo excessivamente triste. Para muitos, é o prelúdio de condenação e apostasia. Deus os entrega aos seus próprios conceitos e à sabedoria que eles tanto estimam, até que estes os levem à perdição. E dentre aqueles que são curados, há muitos que o são da maneira mais triste, pois é comum Deus deixá-los sozinhos até que se lancem a erros abomináveis ou caiam em algum pecado vergonhoso e escandaloso, até que se tornem objeto de escândalo e comentários entre os homens. Esta vergonha e confusão podem, entretanto, despertá-los, a fim de que venham a compreender o que foi que os tornou tão orgulhosos, e a reconhecerem que não passam de simples vermes.

Desse modo eu mostrei quando é que você deve buscar uma humilhação mais profunda, e quando pode concluir que ainda não foi suficientemente humilhado. Sim, quando uma humilhação em maior grau é necessária à sua alma.

Pergunta: Bem, mas ainda assim, você ainda não nos disse que caminho um pobre pecador deveria tomar em tal desfiladeiro, quando não sabe se sua humilhação, no que diz respeito à parte emocional, é insuficiente ou demasiada.

Resposta: 1. Vocês mesmos podem discernir parcialmente pelo que foi dito, se têm necessidade de mais ou menos humilhação, apenas testando o coração por essas indicações. 2. Mas, ainda assim, eu os aconselharia e persuadiria veementemente, em caso de dificuldade, a recorrerem a algum ministro capaz e fiel, para uma resolução.

Se você sente que a tristeza se apodera demasiadamente do seu espírito, que põe em perigo o seu entendimento ou a sua saúde, especialmente se você é uma mulher sentimental ou uma pessoa melancólica, não permaneça neste estado por muito tempo, para que a demora não venha a fazer aquilo que não poderá ser facilmente desfeito, mas vá e converse sobre o seu caso, e peça conselho. Esta é uma das principais funções dos pastores: que você possa tê-los à disposição para se aconselhar com eles a respeito das doenças e perigos da sua alma, assim como você faz com os médicos com relação às doenças e perigos do corpo. Desvencilhe-se de toda timidez pecaminosa, e não continue a confiar em si mesmo e nas suas habilidades, mas vá àqueles aos quais Deus designou com superintendência sobre você para estas situações, e conte-lhes o seu caso.

Este é o modo de Deus, e Ele abençoará a Sua própria ordenança. Pessoas melancólicas, sensíveis e irritadiças não são juízes habilitados para avaliar sua própria situação. Neste caso, você deve desconfiar do seu próprio entendimento e não ser orgulhoso, nem se agarrar obstinadamente a cada capricho que venha à sua cabeça, mas, ao sentir a sua fraqueza, confie-se à direção dos seus fiéis ministros, até que o seu problema seja superado, e você se torne mais capaz de discernir por você mesmo.

Outro erro do qual você será aqui alertado é o de pensar que a tristeza e as lágrimas são desejáveis em si mesmas. Elas são desejáveis apenas como expressão de uma disposição sincera da vontade, e quando elas ajudam a atingir o fim para o qual a humilhação é designada. Assim, aqui você poderá aprender o caminho pelo qual deve buscá-las.

(1) Você não deve colocar a ênfase da sua religião nelas, como se fôssemos chamados pelo Evangelho apenas para uma vida de tristeza. Mas deve fazer da tristeza e das lágrimas servas da sua fé, amor, e alegria no Espírito Santo, e de outras graças. Assim como o uso da agulha é apenas para abrir caminho para a linha, e então é a linha, e não a agulha, que faz a costura, assim, a nossa tristeza serve apenas como preparação para a fé e amor, sendo estes os que unem a alma a Cristo. É, portanto, um triste erro que alguns fiquem muito preocupados por sua falta de tristeza, mas pouco preocupados por sua falta de fé e amor, e orem e se esforcem para quebrar seus corações, ou chorem pelos pecados, sem, contudo, fazerem o mesmo para obter aquelas graças maiores, às quais a tristeza deveria conduzi-los. Um deveria ser feito sem se deixar de lado o outro.

(2) Visto que as lágrimas são uma expressão do coração, elas deveriam ser espontâneas e sinceras, fluindo voluntariamente do sentimento interior por causa do mal que lamentamos. Se você vier a chorar bastante, meramente por pensar que as lágrimas são em si mesmas necessárias, e não por causa do ódio que sente pelo pecado e pelo sentimento da sua natureza vil e assassina, isto não tem nada a ver com a verdadeira humilhação. Se o coração estiver humilhado diante do Senhor, não é a falta de lágrimas que fará com que Deus o despreze. Alguns são, por natureza, tão pouco dados ao choro que não podem chorar por nenhuma coisa externa, nem pela perda do mais querido amigo, embora fossem capazes de fazer dez vezes mais para salvar a vida dele do que alguns que choram à vontade. Gemidos, assim como as lágrimas, também são expressões de tristeza, mas a rejeição e ódio sinceros ao pecado, são evidências ainda melhores do que ambos.

Quando, entretanto, a pessoa tem uma disposição natural para chorar, mesmo que seja por dificuldades materiais, e ainda assim não pode derramar uma lágrima pelo pecado, aí o caso é mais questionável.

(3) A razão principal pela qual vocês devem se esforçar para ter uma tristeza mais profunda é para que possam obter o fim ao qual a tristeza deveria levar: que o pecado vos seja mais odioso e mortificado com mais efetividade; que o “eu” seja humilhado, para que Cristo possa ser mais valorizado, desejado e exaltado, e para que você seja melhor habilitado a uma maior comunhão com Deus no tempo por vir, seja salvo do orgulho, e mantido vigilante.

Pelo que foi dito, você tem uma regra pela qual pode acertadamente discernir que grau de humilhação deve ser alcançado: ela deve ir tão profundamente a ponto de minar o nosso orgulho. O coração deve ser tão quebrantado quanto necessário para nos afastar do pecado e nos desvencilhar do “eu” carnal. Se isso não for alcançado, ainda que você chore os próprios olhos, isso não valerá nada. Você precisa ser rebaixado a tal ponto que o sangue de Cristo e o favor de Deus venham a ser mais preciosos a seus olhos do que o mundo inteiro, e em seu próprio coração preferira antes aqueles do que este. Aí, então, você pode estar seguro de que a sua humilhação é sincera, quer você derrame lágrimas ou não.

Pelo que foi dito, você também pode concluir que deve fugir da idéia de atribuir às suas próprias humilhações qualquer valor da honra devida apenas a Cristo. Não pense que você pode satisfazer a justiça da lei ou merecer qualquer coisa da parte de Deus pelo valor dos seus sofrimentos, mesmo que você venha a chorar lágrimas de sangue. Isto não será uma verdadeira humilhação, se não consistir no senso de reconhecimento da sua indignidade e merecida condenação, e se não levá-lo a buscar por perdão e vida em Cristo, e se não levá-lo a se ver perdido e totalmente incapaz em si mesmo. Portanto, seria clara contradição se a verdadeira humilhação viesse a ser tida como satisfação ou mérito, ou algo em que confiar ao invés de Cristo.

Capítulo 4

Conselho Principal: Não Recuse Ser Totalmente Humilhado

Tendo tratado amplamente da natureza e razões da verdadeira humilhação, eu quero concluir com o conselho que é minha principal intenção aqui: não recuse ser total e profun­damente humilhado. Não se canse da obra de humilhação do Espírito.

A aflição não é um convidado bem-vindo à natureza humana; mas a graça pode achar razão para lhe dar boas-vindas. A graça é sincera e não pode tomar consciência de impiedade sem se dispor a se lamentar por isso. Há alguma coisa de Deus na tristeza piedosa, por isso a alma a aceita, procura por ela e clama por ela. Sim, a alma até se entristece quando não consegue mais se entristecer. Não que a tristeza, como tal, seja desejável, mas como uma conseqüência necessária da nossa aflição por causa do pecado, e como um antecedente necessário para a restauração que se seguirá.

Assim como podemos nos submeter à própria morte com acalentada expectativa, porque ela é santificada para ser a passagem para a glória, embora seja dolorosa em si mesma para a natureza humana, assim muito mais nós podemos nos submeter à humilhação e ao quebrantamento do coração com um santo desejo, porque ela é santificada para que seja a entrada para o estado de graça.

A título de incentivo, considere o que se segue:

1. A maior parte dos seus sofrimentos ocorrerá apenas no início. Uma vez que você se estabeleça em um caminho santo, você encontrará mais paz e conforto do que em qualquer outro caminho que possa seguir. Eu sei que se você se envolver com o pecado novamente, ele provocará mais sofrimento em você. Mas uma vida piedosa é uma vida de retidão, conversão é um abandono do pecado e conseqüentemente um abandono da causa dos sofrimentos. Você não pode suportar tais sofrimentos por um pouco mais?

2.         Considere de onde você está vindo. Não é de um estado de ira? Onde você esteve todo este tempo, não foi sob o poder de Satanás? O que você fez durante toda a sua vida, não foi se submeter à escravidão do pecado, e ofender o seu Senhor, e destruir‑se a si mesmo? Seria próprio, seria razoável, seria sincero, vir de tal estado sem lamentar ter permanecido por tanto tempo nele?

3. Considere, também, que a humilhação é necessária a sua própria restauração e salvação. Você pensa que cometeria tão grande excesso, e então seria curado sem nenhum propósito? Você suportaria, para a saúde do seu corpo, o comprimido mais amargo, e o remédio mais repugnante, a dieta mais rigorosa, e até retirar o seu sangue, porque sabe que a sua vida depende disto e não há outro remédio. Não deveria você, então, suportar, para a salvação da sua alma, os sofrimentos mais amargos, as reprimendas mais duras, as confissões mais francas, e a abundância de lágrimas? O pecado não será vencido de modo mais fácil, o “eu” não será conquistado de outra maneira, o coração do pecado não será quebrado, até que o seu coração seja quebrado.

Nós sabemos que não há nenhum mérito em seus sofrimentos, e que não são eles que farão com que Deus perdoe seus pecados. Nem tão pouco a sua tristeza é requerida por ser o sangue de Cristo insuficiente. Mas ela é parte do fruto do Seu sangue sobre a sua alma. Se o sangue Dele não derreter e quebrar o seu coração, você não tem parte Nele. É preciso que você lamente por Aquele que você traspassou, e este fruto do Seu sangue é um preparativo para mais. É tão impossível você ser salvo sem fé, como sem arrependimento e humilhação.

Considere quanta ruindade havia nas suas obras; poderia você ser grato por isso? Quem foi que o trouxe a essa necessidade de sofrimento? Você passou toda a sua vida abusando da sua natureza, e causando o seu próprio mal, e agora você tem má vontade para com o transtorno necessário para a sua cura? A quem você acusaria, e em quem encontraria falta, senão em você mesmo? Não foi você quem pecou? Não foi você quem alimentou o fogo do seu sofrimento e semeou as sementes deste fruto amargo, e acariciou a causa dos seus próprios transtornos? Não foi Deus quem fez isto, foi você mesmo. Ele quer apenas desfazer aquilo que você fez. Não tenha, portanto, má vontade para com o Seu médico, se você precisa ser purgado, sangrado, e tem que passar pela mais rigorosa dieta, mas “agradeça” a si mesmo o ter que passar por isto.

4. Considere também que você tem um sábio e meigo médico, o qual conheceu Ele mesmo o que são a tristeza e o sofrimento, pois por sua causa Ele foi feito um homem de dores[16][16][16], e, portanto, pode se compadecer daqueles que estão em sofrimento. Ele não se deleita no seu sofrimento e dores, mas na sua cura e subseqüente consolação. Por conseguinte, você pode estar seguro de que Ele o tratará da maneira mais gentil e moderada, e não colocará sobre você mais do que o necessário para o seu próprio bem, nem lhe dará um cálice mais amargo do que a sua doença o requeira.

Quando Ele mostra a sua grande simpatia para com o contrito, é para que possa vivificar o seu coração. Além disto, Ele diz: “não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque do contrário o espírito definharia diante de Mim e o fôlego da vida que Eu criei”[17][17][17]… Ele chama para Si “todos os que estão cansados e sobrecarregados, e Eu os aliviarei”[18][18][18]. Ele foi enviado para curar os quebrantados de coração; proclamar libertação aos cativos; para recobrar a vista aos cegos e para pôr em liberdade os algemados. Quando Ele quebrar o seu coração, Ele também o unirá da forma mais terna e segura do que você possa razoavelmente desejar.

Até mesmos os seus ministros, quando se esforçam para quebrar o coração de vocês, e humilhar vocês até o pó, não têm outro propósito que não o de trazê-los a Cristo, à vida e ao conforto. Embora eles fiquem felizes em ver os olhos chorosos dos seus ouvintes e em ouvir as suas confissões e lamentações, ainda assim, não é porque eles tenham prazer nas suas aflições, mas porque antevêem os seus frutos de salvação. Eles sabem ser isto necessário para a paz eterna de vocês. Você pode ler quais são os pensamentos deles nas palavras de Paulo: “Agora me alegro, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependi­mento; pois fostes contristados segundo Deus, para que de nossa parte nenhum dano sofrês­seis, pois a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte. Porque quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que segundo Deus fostes contristados! Que defesa, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vindita!”[19][19][19].

A verdade é que nem Cristo, nem seus ministros têm aquele amor tolo e apaixonado por vocês, e piedade de vocês, como vocês têm por si mesmos. Eles não são tão dóceis, a ponto de evitar que sofram as tristezas que são necessárias para livrá-los do inferno. Não obstante, eles não colocariam sobre vocês mais tristezas do que é necessário, nem têm vocês experimentado uma gota de vinagre ou fel, ou derramado uma lágrima, a não ser que tenha servido para o vosso conforto e salvação.

5.         Considere também que sofrimentos são aqueles que os presentes sofrimentos evitam, e que sofrimentos serão aqueles no inferno, os quais são evitados por estes sofrimentos que vêm de Deus, na terra. Comparados com os sofrimentos do inferno, os sofrimentos do arrependimento são alegrias. Os seus sofrimentos produzem esperança, mas os sofrimentos daqueles que perecem no inferno conduzem ao desespero. Os seus sofrimentos são pequenos e não mais do que uma gota, comparados com o oceano deles. Os seus curam, mas os deles atormentam. Os seus são a vara de um pai, mas os deles são instrumentos de tortura e forcas. Os seus estão misturados com amor, mas o deles não, antes oprimem-nos em confusão. Os seus são curtos, mas os deles não têm fim. Você preferiria o sofrimento deles, em vez do sofrimento que vem de Deus? Preferiria você uivar com os demônios e rebeldes, do que chorar com os santos e filhos? Preferiria você ser quebrado no inferno por tormentos, do que na terra pela graça?

Não é algo razoável de sua parte rebelar-se por causa dos sofrimentos que acabarão por salvá-lo, se você lembrar do que eles irão salvá-lo e do que sofrem todos aqueles que não são humilhados aqui pela graça! O quão diferente é o sofrimento que outros estão agora suportando. Não resmungue por causa da abertura de uma veia enquanto que muitos milhares estão agora sangrando até o coração.

6. Considere também que quanto mais você for corretamente humilhado, mais doce Cristo e todas as suas misericórdias serão para você enquanto viver. Uma prova do amor de Cristo fará com que você bendiga aqueles sofrimentos que o prepararam para isto. O próprio Cristo não é igualmente valorizado, nem mesmo por todos aqueles que Ele salvará. Não deveria você ser antes esvaziado de você mesmo mais e mais, para que seja mais cheio de Cristo daqui em diante? Quando você sentir os Seus braços envolvendo-o, e vê-Lo naquela postura em que se encontrava o pai do filho pródigo, você agradecerá àqueles sofrimentos que o habilitaram para os Seus braços.

Se você for totalmente humilhado, viverá todos os seus dias de modo muito mais seguro. A humilhação lhe fará odiar o pecado, por causa do qual você veio a sentir dor aguda, e lhe fará fugir de ocasiões que lhe foram tão caras.

O pecado do orgulho é um dos pecados mais mortais e danosos no mundo; e é a razão de milhares de mestres serem mal sucedidos. A humilhação é totalmente contrária a ele, e, portanto, precisa ser algo bem-vindo e desejável. Valeria a pena suportar todo o sofrimento que cem homens suportam aqui para salvá-lo deste perigoso pecado do orgulho.

7. Uma humilhação profunda é usualmente um sinal de uma maior exaltação futura. “Porque quem a si mesmo se exaltar, será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar, será exaltado”[20][20][20]. “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele em tempo oportuno vos exalte”[21][21][21].

Quanto mais alto um homem pretenda construir, mais profundamente ele deve cavar para fazer o alicerce. As suas consolações serão provavelmente maiores quanto maiores forem seus sofrimentos. Você pode livrar-se daquelas hesitações que acompanham outros por todos os seus dias e que acabam fazendo com que nunca sejam verdadeiramente humilhados. Você não precisa estar ainda questionando, ou arrancando seus alicerces, como se você tivesse que começar tudo novamente. Se muitas coisas concorrem para o seu sofrimento, isto é um sinal de que você poderá ser grandemente usado. Paulo deve ter sido humilhado profundamente na sua conversão, a fim de que pudesse ser habilitado como um “instrumento escolhido para levar o Meu nome perante os gentios e reis”[22][22][22] .

Coloque tudo isto diante de você, e considere quantos motivos você tem para acalentar a obra de humilhação da graça, e não, ao invés disso, apagá-la.

Quando o seu coração começar a se afligir por causa do pecado, não procure a companhia dos tolos para beber ou se distrair, com o propósito de se esquecer da aflição do pecado. Não expulse estes sentimentos da sua mente, como se fossem indesejáveis, como se eles houvessem vindo para magoá-lo. Mas fique sozinho, e considere o assunto, e de joelho, em secreto, clame ao Senhor para visitá-lo e para quebrar o seu coração e para prepará-lo para estas consolações salvadoras, para que não o deixe neste Mar Vermelho, mas traga-o à outra margem e coloque em sua boca os cânticos de louvor.


* Digitado e revisado por Emir Bemerguy Filho.

[1][1][1] Versão on-line do livro Richard Baxter, Quebrantamento: Espírito de Humilhação, 2 ed., trad. Paulo R. B. Anglada (Belém-PA: Editora Classicos Evangélicos, 1991). Direitos da traduçào reservados.

[2][2][2] Esta é a introdução ao livro inteiro: Direções e Persuasões para uma Conversão Segura (Directions and Persuasions to a Sound Conversion)

[3][3][3] Is 29:13

[4][4][4] 1 Jo 2:19

[5][5][5] 2 Pe 1:1O

[6][6][6] Pv 5:3-5

[7][7][7] Rm 8:2

[8][8][8] Lc 15:18,19

[9][9][9] Lc 18:13

[10][10][10] 1 Pe 5:5

[11][11][11] Sl 138:6

[12][12][12] Is 57:15

[13][13][13] Is 66:2

[14][14][14] Sl 34:18

[15][15][15] Sl 51:17

[16][16][16] Is 53:3

[17][17][17] Is 57:16

[18][18][18] Mt 11:28

[19][19][19] 2 Cor 7:9-11

[20][20][20] Mt 23:12

[21][21][21] 1 Pe 5:6

[22][22][22] At 9:15

RICHARD BAXTER – bglk@stprj.br - www.stprj.br

Rio de Janeiro

2003

Adoração e Louvor (como criar ou desenvolver um Ministério) !

1 Comentário

 

DUAS PRÁTICAS DE GRANDE VALOR: LOUVOR E ADORAÇÃO

A PRÁTICA DO LOUVOR

A PRÁTICA DA ADORAÇÃO

COMO SER PRÓSPERO

A DINÂMICA DO LOUVOR

O LOUVOR DIRIGE NOSSO CORAÇÃO A DEUS

O LOUVOR LIVRA O NOSSO CORAÇÃO DE CUIDADOS, TEMORES E PENSAMENTOS CENTRADOS NA TERRA

O LOUVOR PRODUZ E AUMENTA A FÉ

O LOUVOR INVOCA A PRESENÇA, O PODER E AS FORÇAS DE DEUS

O LOUVOR CONFUNDE, RESTRINGE, ATERRORIZA E DESTRÓI SATANÁS

MÚSICA NO LOUVOR E ADORAÇÃO

SATANÁS E A MÚSICA

A MÚSICA PODE INSPIRAR A ADORAÇÃO À DEUS

A MÚSICA E OS CÂNTICOS NO NOVO TESTAMENTO

O CULTO A DEUS: AUXÍLIO AO DIRIGENTE

O DIRIGENTE DO CULTO

OS MÚSICOS E O DIRIGENTE DO CULTO

CONVITE À ADORAÇÃO

COMO MINISTRAR UM LOUVOR CONGREGACIONAL

OS CÂNTICOS CERTOS NAS OCASIÕES CERTAS

A COMUNICAÇÃO IDEAL

POSTURA

ESPONTANEDADE

LIDERANÇA

FORMANDO UMA EQUIPE

COMO COMPOR CÂNTICOS AO SENHOR

DIRETRIZES

ESTILO MUSICAL DE LOUVOR

A IMPORTÂNCIA DA TÉCNICA PARA OS LEVITAS

A IMPORTÂNCIA DA TÉCNICA PARA O LEVITA

1. O Que É Técnica?

2. Para Que Serve?

3. Como Ter Acesso?

4. Em Que Ela Contribui Na Nossa Vida?

QUALIDADE TÉNICA DO LOUVOR É IMPORTANTE

A TÉCNICA NOS LEVA A SERMOS MESTRES

DUAS PRÁTICAS DE GRANDE VALOR: LOUVOR E ADORAÇÃO

Transcrição de uma das Ministrações do irmão Bernardo

Em Maceió, AL em abril de 1996.

Prometi falar-lhes hoje a respeito de mais duas práticas espirituais de grande valor nos seus tempos a sós com Deus: o louvor e a adoração.

A PRÁTICA DO LOUVOR

 

Que valor tem a prática do Louvor, (que não é “cantar na igreja”) para você, pessoalmente? O que ela faz? Como se desenvolve essa prática? É isso que desejamos mostrar-lhe neste ensinamento. Vamos ler Salmo 146:1-10:

“Aleluia! Louva, ó minha alma, ao Senhor.  Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu viver. Não confieis em príncipes nem  nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia perecem todos os seus desígnios. Bem-aventurado aquele  que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor seu Deus…”

Você já parou para pensar por que Deus sempre se fez lembrar como sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó (o homem torto, enganador), e não de Abraão, Isaque e Israel (Príncipe de Deus)? Mesmo sabendo o pior está em mim, Deus me amou assim mesmo. Que glória! Verdadeiramente, “bem-aventurado (totalmente feliz e plenamente realizado) é aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio“, pois Ele transforma cada “Jacó” que nEle confia num “Israel”. Deus, por Sua Palavra e na Sua graça, transforma você de pecador para santo. Continuemos a leitura:

“…cuja esperança está no Senhor seu Deus, que fez os céus e a Terra, o mar e tudo o que neles há, e mantém para sempre a Sua fidelidade…”

O Seu Deus nunca se esquecerá de você, jamais abandonará você; Ele manterá para sempre a Sua fidelidade a você.

“Que faz justiça aos oprimidos, e dá pão aos que têm fome. O Senhor liberta  os encarcerados…”

Observe atentamente que “O Senhor liberta os encarcerados“. Tenho muita pena das pessoas que passam dias chorando (segundo a doutrina de “libertação” que está por aí), mas ficam do mesmo jeito. Há algo errado. O nosso Deus liberta, meu irmão, e isso se dá através da prática que vamos mostrar-lhe neste ensinamento.

“O Senhor abre os olhos aos cegos,  o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.  O Senhor guarda o peregrino,

ampara o órfão e a viúva…”

Se você é viúva, saiba que Deus é o seu marido, se você é órfão, Deus é o seu pai. Ele não simplesmente prometeu ser, Ele é isso para você, tendo você consciência disso ou não. Irmã viúva, Ele não prometeu ser o seu “marido”, Ele É o seu marido. Órfão, Ele não prometeu ser o seu “pai”, Deus É o seu pai (Veja Salmo 68:5), e Ele defende você dia e noite. Um dos maiores problemas da “igreja” é ficar olhando para o passado ou para o futuro, e esquecendo que Deus é muito presente. Ficamos num abismo de incertezas entre o passado e o futuro sem conhecermos o Deus do presente momento.

Preste atenção às palavras grifadas nas citações acima e entenda que é isso que Deus faz; essas “ações” são a expressão da fidelidade de Seu Deus a você no presente. Louvo a Deus por tudo o que Ele é para mim, no dia de hoje.

“…porém (Ele) transtorna o caminho dos ímpios.” (v.9)

Se você rejeitar esse Deus; se você recusar-se a aceitar a Sua graça, saiba, nada dará certo em sua vida. E você sabe por quê? Porque você está andando (vivendo) numa mentira que destrói.

“O Senhor reina para sempre; o teu Deus, ó Sião, reina de geração em geração” (v.10).

Não importa como vão piorando as coisas século após século, o nosso Deus “reina para sempre” – “de geração em geração“.

O Salmo 146 é uma ótima base para o louvor em todos os aspectos, mas há uma frase que vou ilustrar para vocês agora: “O Senhor liberta os encarcerados“. Uma irmã me disse: Irmão, sei que eu fui curada, mas de quando em quando voltam os sintomas e eu fico em dúvidas. O que posso fazer? Quando isso acontece, você têm duas alternativas:

1)     Você pode atentar para os sintomas e sucumbir à situação (ser vencido pelo diabo) ou

2)     Você pode resistir ao diabo e viver.

E como é que você e eu resistimos? Dando louvores e graças a Deus por aquilo que Ele já fez por nós, e também “ensinando” ao diabo a Verdade de Deus a respeito da nossa real situação. E o que acontecerá? Satanás fugirá, pois ele não tolera a Verdade (Veja Mateus 4:1-11 a respeito de como Jesus resistiu a Satanás).

As duas ações para a vitória são o louvor, agradecendo a Deus, e o resistir a Satanás. Quando você resiste a Satanás, ele tem de fugir, ele não tem opção.

Para ver como o louvor funciona na prática, e como Deus “liberta os encarcerados“, observe comigo Atos 16:19-28. Sei que todos vocês sabem desse acontecimento e como Paulo e Silas se achavam encarcerados com pés e mãos presos ao tronco dentro do cárcere interior daquela cidade.

O que foi que aconteceu quando Paulo e Silas levantaram a voz em oração e louvores a Deus? O que pode você esperar, se você, no meio de uma circunstância esmagadora, abre a sua boca e começa a louvar e agradecer a Deus pelo que Ele é? Quando você procede assim, aquilo que você não tem, terá, aquilo que você necessita, você receberá. E ainda que o trecho em Atos 16 não nos diga quais eram os louvores de Paulo e Silas, podemos saber o que disseram em razão daquilo que aconteceu. Os dois servos de Deus foram enviados pelo Espírito para pregar o Evangelho em toda a região da Macedônia, mas Satanás levantou-se contra eles para os impedir. Então, achando-se presos e impedidos de cumprir a sua missão, Paulo e Silas agradeceram e louvaram a Deus pela liberdade de pregar o Evangelho. Como podemos saber isso? Em razão do terremoto que Deus enviou, libertando-os completamente. É impossível você louvar a Deus por algo e aquilo não acontecer. Sabe por quê? Porque Deus habita ou como se diz é “entronizado” entre os louvores de Israel (Veja Salmo 22:3). Quando você louva a Deus, Ele se faz presente na sua circunstância e tudo tem de se submeter a Ele. Na presença do Senhor, é impossível alguém ficar preso ou oprimido e assim, todo o cárcere foi abalado, e Paulo e Silas foram libertos. “Deus (sempre) liberta os encarcerados“.

Agora observe Isaías 61:1-3, e consideremos a prática do louvor de outra maneira:

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a  proclamar libertação aos cativos, e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor… e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto, veste de louvor em vez de  espírito angustiado…”

Observe a frase grifada acima: “veste de louvor em vez de espírito angustiado“. Está vendo a providência de Deus para você na hora da angústia? Ele lhe deu uma “veste de louvor”, e cabe a você usá-la. O apóstolo Tiago fala nesse teor em relação às “várias provações” em nossa vida. Vamos ler o que o apóstolo disse:

“Meus irmãos, tende por motivo de toda a  alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” – Tiago 1:2-4.

Deus deseja que sejamos “perfeitos, íntegros e em nada deficientes“, mas como é que Ele pode nos levar a isso? Pela perseverança na Verdade. E como podemos “perseverar”? Vestindo-nos da veste de louvor, ao invés de ficarmos sofrendo com o espírito angustiado.

Quando vem a provação, Satanás procura pressionar você de todos os lados e você não sabe o que fazer. Aprenda a entrar na vitória, irmão. De que maneira? Vestindo-se da veste de louvor, como fizeram Paulo e Silas no cárcere. Meu irmão, há recurso para você em toda circunstância. Qual é? A prática do louvor a Deus. Quando você louva a Deus, o Todo-poderoso desce na sua circunstância, entronizando-Se nos seus louvores, e saiba, meu irmão, não há “cárcere” que Lhe resista. Salmo 46:1 e 10 nos diz:

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro  bem presente nas tribulações. Portanto não temeremos ainda que a Terra se transtorne, e os montes se abalem no seio dos mares… Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus…”

Sabe qual é a melhor maneira de “aquietar-se”? Louvando e agradecendo a Deus por Sua Bondade. Sabe como “acalmar” o seu espírito angustiado? Vestindo-se da veste de louvor. Ponha isso em prática, meu irmão, e você terá libertações e vitórias como você jamais imaginou serem possíveis (Veja 2 Crônicas 20:13-30). Louvar a Deus é um ato muitíssimo simples, mas de imenso valor para você. A primeira ação de Satanás contra você é procurar fazer com que você permaneça “na alma” (abalado emocionalmente) de tal maneira que o seu espírito fique angustiado. Mas você pode sempre inverter a situação, fortalecendo o seu espírito através do louvor, de modo que as suas emoções não tenham vez.

Saiba, meu irmão, que através do louvor você “traz” Deus para dentro da sua situação, e Ele “dissipa” tudo o que o oprime.

Quando você nasceu em Cristo Jesus você viveu o seu primeiro “dia” da eternidade. Você precisa entender que toda a operação do Espírito Santo em sua vida tem por objetivo desenvolver em você os valores eternos, ou seja, os valores que vão perdurar em você para todo o sempre: a Verdade, a Luz, a Paz, a Alegria no Espírito Santo e muitos outros valores espirituais. Ora, é preciso você entender que esses valores não têm nenhum relacionamento com as circunstâncias, e se você aprender a viver “fora das circunstâncias” esses valores se desenvolverão cada vez mais em você.

Na parte da manhã de hoje, procurei mostrar a você o valor da prática de Louvor, e como ela funciona para você, mas agora à noite, vamos considerar a outra prática, que é a adoração.

A PRÁTICA DA ADORAÇÃO

 

Pedi a vocês repetirem uma frase, estão lembrando? A verdade de Deus tem de ser vivida. Quero tanto que vocês se conscientizem disso. Meu irmão, se você não dedicar tempo a Deus (passar tempos a sós com Ele) você jamais saberá o que Ele pode fazer em sua vida. É imprescindível você ficar muito na presença de Deus, orando no Espírito e meditando na Palavra. Não importa qual a postura física, você pode orar em pé, deitado, ajoelhado, andando… não importa, o importante é a “postura” do seu coração.

Vamos abrir as nossas Bíblias em Isaías 29:9-13.

Quero que você observe principalmente:

“…Toda a visão já se vos tornou como as  palavras dum livro selado que se dá ao que sabe ler dizendo: Lê isto, peço-te; e  ele responde: Não posso porque está selado; e dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele responde:  Não sei ler. O Senhor disse: …este povo se Aproxima de mim, e com a sua boca e  com os seus lábios me honra, mas o seu  coração está longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens que maquinalmente aprendeu” (V.11-13).

Como acho expressiva essa palavra “maquinalmente”! Será quem inventou essa “máquina” que faz com que os homens “falem” em Deus, mas não vivam em Deus, isto é, faz com que tenham um palavreado todo apropriado, mas é só da boca pra fora? O pior disso tudo é que o maligno, que “inventou” esses procedimentos perniciosos, conseguiu adeptos na “igreja” que ensinam essas coisas e demais. E Deus diz, na citação acima, que essa condição faz com que o livro (a Palavra de Deus) fique como que “selado”, ou seja, que a pessoa não consegue lê-lo, porque não sabe ler. O que acontece?

Infelizmente encontramos com milhares de pessoas que têm o “livro”, mas não o entendem em razão de sua forma religiosa de ser. Honram a Deus com a boca, mas o coração está longe de Deus. Tudo o que ensinamos tem por objetivo fazer com que você possa confessar com a boca aquilo em que o coração crê. Já falamos um pouco a respeito de Romanos 10:10, mas eu não concluí as minhas observações. Veja:

“Porque com o coração se crê para Justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação“.

A frase: “a respeito da salvação” é muito interessante porque o texto na língua original exprime que o “confessar na boca” tem o efeito de fazer com que você passe de onde você está para uma situação totalmente outra, ou seja, da derrota para a vitória, da perdição para a salvação. Quando você confessa o que Deus diz, é impossível você permanecer como era. A confissão da Verdade sempre efetua mudanças em sua vida. Mas lembre-se, meu irmão, de que é preciso “perseverar” na confissão para chegar à plena vitória. Quando você confessa a sua fé é como embarcar num ônibus, pois você chegará inevitavelmente à vitória.

COMO SER PRÓSPERO:

 

Precisamos dar-lhe uma pequena explicação a respeito da prosperidade. Você somente será próspero de verdade quando o dinheiro não tiver nenhum valor para você. E como pode ser isso? Sei que você pensa que falamos bobagens, mas vou explicar. Observe comigo Gênesis 39:1,2:

“José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o (como escravo) dos ismaelitas que o tinham levado para lá. O Senhor era com José que veio a ser homem próspero…”

 

Está vendo? O que você precisa em sua vida, meu irmão, não é de “dinheiro” e sim, de Deus. Quando Deus está com você, você é próspero de verdade e não tem falta em área alguma de sua vida.

Observe agora I Coríntios 2:6-12, pois vamos concluir o que iniciamos com as citações de Isaías 29. Observe:

“…(não) expomos… a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada, mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta… sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu…” (v. 6-8)

Tudo o que estudei, tudo o que aprendi da sabedoria do mundo, nas universidades, em nada ajudou o meu relacionamento com Deus. Nada da sabedoria deste mundo pode ajudar a sua vida espiritual. Para Ter a sabedoria de Deus, jovem, é preciso ingressar na “Universidade do Espírito”. O entendimento da Verdade de Deus não vem pelo estudo e sim pela revelação direta do Espírito Santo. Aquele que foi enviado para nos ensinar toda a Verdade. Por isso Paulo disse que “falamos a sabedoria de Deus em mistério” (v.7), ou seja, essa sabedoria vem a nós através da oração em línguas (Veja I Cor. 14:2). E como podemos dizer isto? Observe como continua o apóstolo Paulo:

“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles  que O amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito…” (v. 9,10).

Ao falar-nos das coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram etc, o apóstolo não está se referindo a algo no futuro, ao chegarmos ao Céu. É claro que o Céu faz parte disso. Mas ele está falando de tudo o que Deus já preparou para você em Jesus Cristo. A vida que Deus já preparou para você viver aqui, agora, na Terra (no Reino de Deus) é muito maior e muito mais gloriosa do que você imagina. E como se pode chegar a “entender” isso? Pela revelação do Espírito Santo. Deus “revela-nos” essas coisas através da “oração dos mistérios”, ou seja, pela oração em línguas. E você ainda duvida da eficácia e importância da oração em línguas? Observe como Paulo continua:

“Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e, sim, o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente (em Cristo)” (v.12).

Para que foi que recebemos o Espírito que vem de Deus? “Para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente” em Jesus. Veja a frase que grifamos: “foi dado”. Toda a operação do Espírito Santo em você é para “glorificar a Jesus” (Veja João 16:14) e você, pois através de Jesus você recebeu tudo gratuitamente, direto do coração do Pai. Mas observe bem, meu irmão:

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura, e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente” (v.14).

Atente para a frase grifada na citação acima. Há entre nós pessoas que estão fazendo uma ginástica mental impossível, ou seja, estão procurando entender essas coisas naturalmente. Mas observe que o homem natural não pode entender as coisas do Espírito de Deus. O irmão Bernardo não pode entendê-las através do raciocínio, pelo intelecto. As coisas do Espírito são reveladas pelo Espírito Santo em nosso espírito humano. Fora disso, não há entendimento algum. Por isso se diz em Isaías 29:13 que aquele cujo coração está longe de Deus tem um procedimento “só em mandamentos de homens que maquinalmente aprendeu“. Você tem duas alternativas: ou mantém uma tradição religiosa que funciona apenas como uma máquina morta, ou você receber um discernimento espiritual das coisas de Deus, reveladas pelo Espírito Santo através da oração dos mistérios, e viver uma vida real em Deus.

Mas vamos voltar a nossa atenção para a prática da adoração, e aprender como ela pode ser benéfica em nossa vida de todo dia. Veja João 4:19-24, e vou comentar alguns versículos apenas:

“Vem a hora, e já chegou quando os  verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em Verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus  adoradores O adorem em espírito e em Verdade” (v. 23,24).

Como é lamentável que Deus tenha de “procurar” seus adoradores verdadeiros porque estão em falta aqueles que O adorarão em espírito e em Verdade! Certamente você quer ser um adorador verdadeiro. A recompensa é muito maior do que você é capaz de imaginar. Assim nesta parte quero mostrar-lhe o pouco que sei.

Veja, meu irmão: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em Verdade” (v. 24). Para eu poder mostrar a você como funciona na prática a adoração, vamos considerar um episódio na vida de Abraão em Gênesis 22:1-5 com Hebreus 11:17-19. Observe o que Abraão disse:

“Então disse Abraão a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá, e, havendo adorado voltaremos para junto de vós“. (v. 5).

Vocês sabem muito bem de que se trata e de como Deus pediu a Abraão que Lhe oferecesse Isaque, mas muitos pensam: Que Deus é esse que faz esse tipo de coisa? Como pode Deus proceder dessa maneira? O que você tem de entender, meu irmão, é que o Seu Deus tem de ser maior que tudo e todos em sua vida. E veja o que Abraão disse aos seus servos na citação acima: “eu e o rapaz… havendo adorado voltaremos para junto de vós“. Como tinha ele condições de falar dessa maneira quando sabia que ia oferecer Isaque (imolar seu filho) no altar? Será que Abraão estava “dando um pulo no escuro”? Não! Absolutamente não! Ele sabia exatamente o que ia acontecer. E é isso o que queremos ensinar a você, ou seja, como a prática da adoração conduz você para uma dimensão em Deus (um entendimento) que supera toda circunstância. Jesus disse que os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e em Verdade. Abraão não tinha nenhuma condição “natural” para dizer o que disse aos servos, mas ele tinha uma condição “espiritual” para assim falar. E quando ele assim falou ele sabia exatamente o que estava dizendo porque ele ia entrar (através da adoração) na condição em Deus que permitiria que Isaque voltasse com ele, como de fato aconteceu. O que acontecerá com você se você realmente adorar a Deus em espírito?

Na reunião da manhã procuramos mostrar a você que se você praticar o louvor, Deus desce (entroniza-Se) nos seus louvores e transforma totalmente a circunstância em que você se acha. Quando você praticar a adoração em espírito e Verdade, porém, é o inverso que acontece, ou seja, quando você entra verdadeiramente em adoração Deus eleva você fora da circunstância ou situação em que você está e o coloca na condição dEle mesmo. E que condição é essa? É a condição de espírito e de Verdade na qual você não “enxerga” a circunstância ou situação naturalmente, mas a “enxerga” como Deus a enxerga. É isso que a prática da adoração verdadeira faz, ou, como disse o apóstolo Paulo, a adoração faz com que você…

(“Não atenta nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem”. 2 Coríntios 4:18).

E como se deu isso no caso de Abraão? Como foi que Abraão viu “as coisas que não se vêem“? Observe atentamente comigo Hebreus 11:17-19:

“Pela fé (nada do Espírito e Verdade funciona sem a fé)  Abraão, quando posto a prova, Ofereceu Isaque; estava mesmo para Sacrificar o seu unigênito aquele (Abraão) Que acolheu alegremente as promessas, a quem se havia dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, porque (observe porque) considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente o recobrou”.

A adoração verdadeira faz com que você “considere” as coisas segundo o espírito e a Verdade, ou seja, independente das circunstâncias. O problema para nós é desligarmo-nos das circunstâncias o suficiente para podermos entrar na condição em Deus na qual Ele possa nos fazer enxergar “as coisas que não se vêem”. A adoração verdadeira faz isso. Então, como é que se pratica a adoração verdadeira? Não se fala nada, não se canta, nem geme, não se faz espetáculo. Adorara-se a Deus deixando que a Verdade de Deus inunde o seu espírito, e enquanto você contempla o Altíssimo no seu interior, Ele vai assumindo em você a supremacia absoluta e pouco a pouco Ele tem condição para abrir o seu entendimento ( olho espiritual) e você somente vê o seu Deus, e o que Ele é: Soberano absoluto em todo o universo.

Durante aqueles três dias no Monte Moriá com Isaque, Abraão deixou que tudo o que Deus lhe dissera com relação ao seu filho fosse enchendo o seu coração. A promessa: “Em Isaque será chamada a tua descendência” (Heb 11:18) foi tomando conta do seu espírito até que ele ficou totalmente consumido pela Verdade no seu espírito, por aquilo que Deus lhe dissera. E o que aconteceu? Ele “considerou” (chegou a entender) que o Deus que não pode mentir é o Deus supremo em tudo (maior que a morte) e “era poderoso até para ressuscitar Isaque dentre os mortos” (Heb 11:19). Foi o primeiro homem a descobrir essa Verdade.

Quando você se achar em circunstância adversa, seja ela qual for, se você se aquietar diante de seu Deus em adoração, enchendo o seu espírito com a Verdade que Deus lhe diz, Deus o elevará acima da circunstância e você enxergará tudo como Ele o enxerga. Na prática do louvor, Deus Se faz presente na sua circunstância e a arrebenta, mas na prática da adoração você entra na condição de Deus de modo que a circunstância cede lugar para a supremacia do seu Deus, e você vê somente o eterno.

Não ande como o mundo, meu irmão. Não proceda com religiosidade. Pratique o louvor, a adoração, a oração em línguas, a meditação e confissão da Palavra, e você descobrirá, sem dúvida, o que é ser “bem-aventurado” (verdadeiramente feliz e plenamente realizado).

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O Ministério Verdade Viva

não tem ligação com nenhuma

igreja ou denominação.

A divulgação deste livro na internet

através do projeto CifraNet,

foi gentilmente concedida pelo irmão Eduardo.


A DINÂMICA DO LOUVOR

 

Extraído do livro: A oração poderosa que prevalece

Autor: Wesley L. Duewel

Editora: Candeia

Capítulo 25 – páginas 169 a 171

Deus predestinou que a nossa vida cristã deve trazer louvor e glória a Ele
(Ef 1:5-6). Devemos louvá-lo agora e eternamente (v. 14). Assim sendo, nossos lábios e nosso estilo de vida devem constantemente louvar a Deus. Ele se rejubila em nosso louvor. Devemos começar a Sua adoração com louvor (Sl 100:4; Is 60:18). Devemos louvá-Lo com nossos lábios (Sl 34:1), com cânticos (147:1) e com música (150:3). Devemos vestir-nos de louvor (Is 61:3), e nossas próprias vidas devem louvar a Deus (1 Pe 2:9).

O que o louvor tem a ver com a oração que prevalece? O louvor tanto prepara para a oração que prevalece como é em si mesmo um meio sagrado de prevalecer durante a oração.

O LOUVOR DIRIGE NOSSO CORAÇÃO A DEUS.

 

O louvor eleva nosso coração a Deus em adoração, culto e amor. O fato mais importante da oração que prevalece é que ela é feita a Deus. Para que nossa oração tenha valor, precisamos estar supremamente conscientes de Deus. O problema ou necessidade sobre o qual oramos pode parecer imenso, mas devemos ver Deus infinitamente maior, capaz de satisfazer todas as nossas necessidades. O louvor concentra todo o nosso ser em Deus.

Hallesby escreve: “Quando agradeço, meus pensamentos ainda giram em redor de mim mesmo, mas no louvor da minha alma ascende em adoração que esquece de si mesma, vendo e louvando apenas a majestade e o poder de Deus, Sua graça e redenção”.

O LOUVOR LIVRA O NOSSO CORAÇÃO DE CUIDADOS, TEMORES E PENSAMENTOS CENTRADOS NA TERRA.

 

Precisamos entrar na presença de Deus e fechar a porta que nos separa do mundo exterior. Para prevalecer eficazmente, devemos esquecer todos os outros deveres, atividades, envolvimentos e preocupações. O louvor fecha a cortina sobre as coisas estranhas. O louvor fecha a porta sobre as idéias intrusas, nossos pensamentos cotidianos e as sugestões satânicas. Ele nos “tranca” com Deus e com os seus anjos.

O LOUVOR PRODUZ E AUMENTA A FÉ.

 

Quanto mais louvamos a Deus, tanto mais nos tornamos conscientes de Deus e absorvidos na Sua grandeza, sabedoria, fidelidade e amor. O louvor lembra-nos de tudo o que Deus pode fazer e das grandes coisas que Ele já fez. A fé vem pela Palavra de Deus e por meio do louvor. A fé cresce à medida que louvamos o Senhor.

O louvor nos dá o espírito de triunfo e vitória. O louvor nos incendeia com zelo santo. Ele nos levanta acima das batalhas, para a perspectiva do trono de Deus. O louvor reduz as forças inimigas. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
(Rm 8:31). O que o homem pode fazer quando Deus está do seu lado? (Sl 118:6;
Hb 13:6). Os exércitos angélicos de Deus a nosso favor são muito maiores do que todos que se opõem a nós (2 Rs 6:16).

August H. Francke, ministro luterano por volta de 1700 e fundador de um orfanato em Halles, na Alemanha, fala de uma época em que estava precisando de uma grande soma de dinheiro. Seu tesoureiro foi buscar o dinheiro. Francke pediu que ele voltasse depois do almoço. O tesoureiro voltou e Francke pediu que retornasse à noite. Nesse intervalo de tempo, um amigo de Francke foi visitá-lo. Os dois homens oraram juntos. Quando Francke começou a orar, Deus levou-o a recordar a bondade do Senhor para com a humanidade, reportando-se até a Criação. Francke louvou a Deus repetidamente pela Sua bondade e fidelidade no correr dos séculos, mas sentiu-se impedido de falar de sua urgente petição. Quando o amigo foi embora, Francke acompanhou-o até a porta. Ali estava o tesoureiro aguardando o dinheiro e a seu lado um homem que entregou então a Francke uma soma considerável que cobriu perfeitamente as suas dívidas.

O LOUVOR INVOCA A PRESENÇA, O PODER E AS FORÇAS DE DEUS.

 

Deus manifesta a Sua presença em meio ao Seu louvor. Deus está entronizado em meio às criaturas que O louvam. O louvor de Deus parece chamá-Lo de maneira especial para atuar entre o seu povo, invocando a manifestação e o uso do Seu enorme poder. Nada nos une mais com os anjos de Deus do que nos ajuntar em louvor a Deus, e talvez o nosso louvor e adoração os unam a nosso favor e na resposta às nossas orações. Os anjos ministram incessantemente a nós (Hb 1:14), mas quando prevalecemos em oração fazem isso ainda mais, da mesma forma que ministraram a Jesus no Getsêmani.

Huegel conta a respeito de um pastor que desejava um novo despertamento em sua igreja. Ele convocou durante uma semana reuniões só de louvor. No começo, as pessoas não entenderam e ficaram pedindo e suplicando coisas a Deus. Mas o pastor repetiu que não queria nada além de louvor. Na Quarta-feira o culto começou a mudar. Quinta-feira, houve muito louvor, que estava ainda mais evidente na Sexta-feira. No Domingo, “um novo dia tinha raiado. O Domingo foi um dia como a igreja nunca tinha visto. Um verdadeiro reavivamento. A glória de Deus encheu o templo. Os crentes voltaram ao seu primeiro amor. Os corações se derreteram… Algo maravilhoso acontecera. O louvor conseguira isso”.

O LOUVOR CONFUNDE, RESTRINGE, ATERRORIZA E DESTRÓI SATANÁS.

 

O louvor afasta os poderes das trevas, espalha os oponentes demoníacos e frustra as estratégias de satanás. O louvor tira a iniciativa das mãos de satanás. Ele é um meio eficaz de resistir a satanás e fazê-lo fugir. Um crente cheio do Espírito, ungido e capacitado, pode atacar as fortalezas de satanás mediante o louvor. Ezequias, Isaías e o povo de Israel da sua época não foram os únicos que afugentaram o inimigo por meio do louvor.

Durante os meus dias de missionário na Índia, os alunos e os professores da escola bíblica para moças de outra congregação estavam orando e jejuando a fim de que uma estudante possessa pelo demônio fosse libertada. Fui chamado para ajudar, mas, me senti incapaz. Enquanto orava, senti o impulso de aproximar-me da moça semi-inconsciente, que vários adultos seguravam a fim de controlar as contorções e os espasmos.

Falei no ouvido dela: “Jai Masih Ki” (vitória para Cristo), a maneira idiomática de dizer “Louvado seja o Senhor” na língua dela. Quando pronunciei esta frase em seu ouvido, ela começou a responder, como se pudesse ouvir minhas palavras. A seguir, fez um esforço para controlar seus lábios cerrados e, quando pôde finalmente abri-los, disse em voz alta: “Jai Masih Ki”. Ficou instantaneamente liberta. A oração e o jejum provavelmente ajudaram a preparar o caminho, mas o louvor foi a arma do Espírito para libertá-la.

Huegel, um experiente missionário do México, disse que muitas vezes em que a oração não traz a resposta o acréscimo do louvor leva à vitória. Ele afirma: “Existe no louvor um poder que a oração não tem. A distinção entre os dois é naturalmente artificial… A mais alta expressão de fé não é oração em seu sentido ordinário de petição, mas oração em sua expressão mais sublime de louvor”.

Extraído do livro: A oração poderosa que prevalece

Autor: Wesley L. Duewel

Editora: Candeia

Capítulo 25 – páginas 169 a 171


 A MÚSICA NO LOUVOR E ADORAÇÃO

 

A música sempre teve um papel importante na adoração a Deus. Há muito tempo atrás, no início da Criação: “as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam.” (Jó 38:7).

A música hebraica era predominantemente vocal. Havia bem poucos instrumentos nos primeiros dias de sua história. A voz humana era o instrumento mais acessível e popular com o qual a música podia ser feita.

A primeira menção bíblica de música e cânticos encontra-se em Gênesis 31:27 e associa-se com a expressão de júbilo. A adoração com cânticos é primeiramente mencionada em Êxodo 15:1-21. Moisés e os filhos de Israel cantaram ao Senhor, Miriã e todas as mulheres, com pandeiros e danças, responderam ao cântico de Moisés.

A escavação do poço em Beer foi celebrada com cânticos (Nm 21:17,18).

Débora e Baraque celebraram sua vitória com cânticos (Jz 5:1-31).

As mulheres de Israel celebraram a vitória de Davi sobre Golias com cânticos (1 Sm 18:6,7).

Quatro mil levitas louvaram ao Senhor com instrumentos quando Salomão foi levantado como rei sobre Israel.

“E os filhos de Israel… celebraram a festa dos pães asmos sete dias com grande alegria: e os levitas e os sacerdotes louvaram ao Senhor de dia em dia, com instrumentos fortemente retinintes ao Senhor.” (2 Cr 30:21).

“E disse Davi aos príncipes dos levitas que constituíssem a seus irmãos, os cantores, com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e címbalos, para que se fizessem ouvir, levantando a voz com alegria”. (1 Cr 15:16).

É obvio que a música e os cânticos são uma parte vital do louvor e adoração a Deus. Isto é retratado em toda a Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Hoje em dia ainda é assim. São uma expressão vital, gloriosa e positiva de louvor a Deus.

SATANÁS E A MÚSICA

 

É também verdade que Satanás usa a música muito eficientemente para alcançar os seus propósitos. Antes de sua queda, Lúcifer era um chefe dos músicos. Ezequiel 28:13 nos diz: “a obra dos teus tambores e de teus pífaros estava em ti: no dia em que foste criado foram preparados.” Lúcifer era um músico mestre. Ele deveria usar este dom para a glória de Deus, mas quando se rebelou contra o Senhor e teve que ser expulso do Céu ele prostituiu este dom e começou a usá-lo para o mal ao invés do bem. Ele tem feito isto muito eficientemente até o dia de hoje.

Foram os descendentes de Caim que inventaram tanto os instrumentos de música como os instrumentos de guerra (Gn 4:21,22).

Quando Moisés voltou do seu encontro com Deus na montanha, ele descobriu que os filhos de Israel haviam se afastado de Deus e voltado à adoração de ídolos. Estavam dançando e cantando ao redor do bezerro de ouro. O som de suas músicas era tão confuso aos ouvidos de Moisés que ele não podia discernir imediatamente o significado daquele som.

Este tipo de música, cheio de confusão, tem a marca registrada de Satanás, pois ele é um enganador. Muitas músicas modernas estão repletas de confusão. Transtornam e perturbam as pessoas.

A música devota, piedosa tem um efeito exatamente oposto. Ela acalma ao invés de confundir. Talvez ela nos motive, mas nunca faz com percamos o controle das nossas emoções. Ela nos fortalece, ao invés de nos enfraquecer.

Nabucodonosor, rei da Babilônia, usava instrumentos musicais de várias espécies para induzir as pessoas a adoração da imagem de ouro que ele havia erigido (Dn 3:5-7).

Herodes sucumbiu à música e dança sedutoras da filha de Herodias e tolamente ordenou a morte de João Batista (Mt 14:6).

A música satanicamente inspirada da Babilônia será finalmente destruída quando a cidade da Babilônia for derribada. O som de sua música não mais será ouvido. (Ap 18:22).

A MÚSICA PODE INSPIRAR A ADORAÇÃO À DEUS

 

O Espírito Santo também pode usar a música para a glória de Deus e para a edificação das pessoas.

Observe o poderoso efeito terapêutico que a música ungida tinha sobre Saul (1 Sm 16:23). Davi havia sido ungido por Deus (vers.13). Ele era um músico habilidoso, um compositor dotado e um doce cantor. Quando tocava e cantava sob a unção do Espírito, o espírito maligno se retirava de Saul, o qual passava a se sentir renovado e melhor.

Quando Josafá precisou de um profeta numa ocasião de crise nacional, ele chamou Eliseu. O profeta chamou um músico. “E sucedeu que, tangendo o tangedor, veio sobre ele (Eliseu) a mão do Senhor. E disse: Assim diz o Senhor…” (2 Rs 3:11,15,16). A música obviamente ajudou a criar uma atmosfera e uma disposição para que o dom de profetas operasse.

O rei Davi designou 4.000 homens para que profetizassem com harpas, saltérios e címbalos (1 Cr 25:1).

           

Foi somente quando Israel estava em cativeiro na Babilônia que eles cessaram de cantar e tocar. A música ungida deles cessou e penduraram suas harpas nos salgueiros (Sl 137).

Quando os seus captores babilônicos os incitavam a que cantassem, replicavam: “Como entoaremos o cântico do Senhor em terra estranha?”

           

Quando o cativeiro deles terminou, após 70 anos, voltaram para casa com cânticos alegres e com risos. Havia louvor em seus lábios (Sl 126:1,2). É somente quando a Igreja está em cativeiro espiritual que a sua música ungida cessa. Quando este cativeiro é rompido e as pessoas novamente se libertam, a música, os cânticos, o louvor e as danças e os risos são todos a elas restaurados.

A MÚSICA E OS CÂNTICOS NO NOVO TESTAMENTO 

 

  1. Os discípulos cantaram hinos juntos. (Mt 26:30; Mc 14:26).
  2. 2.      Paulo e Silas cantaram louvores a Deus na prisão (At 16:25). 
  3. 3.      O Apóstolo Paulo instruiu a Igreja com relação aos cânticos ungidos. Eles deveriam cantar: 
    1. Salmos (os Salmos musicados).
    2. b.      Hinos (cânticos de louvor a Deus). 
    3. c.      Cânticos Espirituais (cânticos espontâneos dados pelo Espírito). 

 

Os cânticos da Igreja Primitiva eram louvores ao Senhor. O seu objetivo primário nos cânticos era louvar e engrandecer a Deus. Não cantavam para causarem um impacto ou para entreterem os outros. Os seus cânticos não eram centralizados no homem. Eram dirigidos à Deus, para o Seu prazer somente.

Este tipo de música e cânticos ungidos, dirigidos a Deus com louvor e adoração é muito raro na Igreja hoje. Contudo, Deus está restaurando este ministério ao Seu povo.

Aqui estão algumas sugestões para ajudá-lo introduzir a sua comunidade num ministério de música ungida com louvores a Deus:

  1. Comece todas as reuniões com ações de graças e louvores em forma de cânticos. “Entrai por suas portas com ações de graça, e nos seus átrios com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome.” (Sl 100:4)

 

  1. 2.      Peça em oração ao Espírito Santo que o lembre de cânticos ou hinos apropriados. Deus tem um tema ou mensagem para cada culto. Em geral, cânticos apropriados preparam o caminho para o tema ou mensagem. 

 

  1. 3.      Não tenha medo de cantar cânticos mais de uma vez, ou ainda, uma parte específica deles pode parecer especialmente ungida ou abençoada.

 

  1. 4.      Exorte as pessoas a realmente “cantarem ao Senhor”. Os hinos são muitas vezes cantados porque é a nossa tradição e costume cantá-lo. Temos porém, um propósito muito mais valioso que este, ou seja, cantar ao Senhor, ou dirigir a nossa atenção para o Céu através de cânticos.
  2. 5.      Comece com cânticos de louvor e ações de graças. Permita que as pessoas expressem genuinamente, seus louvores através deles. Os cânticos não são louvores em si mesmos. São meros veículos através dos quais podemos expressar o nosso louvor. É bem possível cantarmos muitos hinos e cânticos sem expressarmos nenhum louvor verdadeiro.

 

  1. 6.      Os cânticos de louvor inspiram as pessoas a adorarem. Em geral começamos com o louvor e em seguida, as pessoas passam progressivamente para os vários níveis do mesmo até que entrem na adoração que é o nível elevado de louvor.

 

  1. 7.      Não “faça correndo” o culto de louvor. Muitos pastores consideram esta parte do culto como uma “preliminar” uma necessidade maçante, porém tradicional. Conceda este tempo para cantar, louvar e adorar. Estes são os atos mais importantes da nossa reunião.

 

  1. 8.      Dê oportunidades para a participação da congregação. Incentive as expressões espontâneas. Alguém pode dirigir a congregação em oração, o que poderá resultar na direção para a reunião. Talvez alguém mais profetize e a exortação venha a fornecer o tema para o resto do culto.

 

  1. 9.      As manifestações do Espírito deveriam ser expressas nos cultos de adoração dos crentes (1 Co 12:8-11). Não “apague” o Espírito (1 Ts 5:19). Incentive a participação e expressão através destes dons espirituais. Contudo o líder designado e ungido deveria em todo o tempo reter a autoridade espiritual sobre o culto.

 

10. Todas as coisas deveriam ser feitas para a edificação mútua. Todas as manifestações bíblicas são legítimas e apropriadas, mas tudo que é feito e a maneira com que é feito tem que ser para a edificação de toda a congregação (1 Co 14:26).

 

11. Evite “contribuições” que geram confusões. “Deus não é autor de confusão.” (1 C0 14:33). Se o culto começar a ficar confuso, tome a frente e tire-o da confusão. Se necessário, faça uma pausa e explique à congregação o que está acontecendo, esclarecendo assim a situação. Use situações assim para ensinar a maneira certa e errada de se fazer as coisas.

 

12. Tudo deveria ser feito para o Senhor e para a glória de Deus. Lembre-se que o alvo de todas as reuniões é glorificar a Deus e edificar os crentes.

 

13. Use um livreto de cânticos ou um retroprojetor para que as pessoas possam participar. Não tenha medo de num dado momento, colocar de lado o livreto e a letra dos cânticos e simplesmente adorar ao Senhor de coração.

 

14. É claro que há certas “técnicas” para a direção de um culto de cânticos ou de louvor, mas você precisa evitar, com todo o cuidado, tornar-se muito mecânico ou formal. Permita que haja uma liberdade subjacente. Seja flexível. Não insista seguir o programa. Seja sempre flexível às direções do Espírito e esteja disposto a seguí-las. Para uma boa direção de louvor e cânticos é necessário muito mais do que a movimentação dos braços, ainda que isto possa ser feito corretamente. A liberdade de Espírito e a espontaneidade são mais importantes que a precisão técnica.

 

15. Procure ficar escondido, para que as pessoas possam “ver a ninguém, senão unicamente a Jesus” (Mt 17:8). Eu me lembro de uma igreja que pastoreei por muitos anos em Brisbane, Austrália. Na primeira vez que subi ao púlpito, vi algumas palavras entalhadas nele. Elas confrontavam todos que subiam àquele púlpito para falarem, ministrarem. As palavras eram: “Queremos ver a Jesus” (Jo 12:21). Sempre deveríamos ter isto em nossas mentes. As pessoas não vieram para verem ou nos ouvirem. Vieram para ouvirem a Jesus. A nossa tarefa, com a ajuda do Espírito, é abrir o véu, para que todos os olhos possam ver o Senhor e adorar diante d’Ele. E isto deveria ser o objetivo mais importante de todos os servos de Cristo que dirigem cultos de louvor.


 

O CULTO A DEUS: AUXÍLIO AO DIRIGENTE

 

Algumas pessoas não acham válido haver na igreja alguém responsável pela direção das reuniões, com receio de que o culto seja produto do gosto pessoal do dirigente. Esse perigo é bem latente nas congregações renovadas, onde não há mais uma ordem pré-estabelecida para as reuniões, o que dá lugar à predominância de gosto pessoal, onde tendem a se destacar aqueles de personalidade mais forte. Mas também não deixa de haver um certo perigo quando as reuniões têm livre curso, onde todos têm liberdade de opinar, pedir cânticos e testemunhar, pois alguns irmãos de ânimo mais forte tendem a dominar o culto. Isto é comum em reuniões nos lares ou de pequenos grupos. Pode até mesmo ocorrer quando o dirigente acha que deve haver liberdade para que os irmãos peçam seus cânticos. O gosto pessoal de cada um acaba predominando e alguns cânticos são solicitados no momento impróprio.

Por isso sou da opinião de que a direção do culto, sempre que possível, deve ser plural. Vários irmãos se aconselham mutuamente, e um deles toma a frente, sempre assessorando pelos demais, que podem a qualquer momento usar da palavra, sem que o dirigente se sinta ofendido. Assim, qualquer irmão que dirija a reunião disporá de conselho e orientação segura. Partindo do pressuposto de que alguém deve ser responsável pela direção das reuniões da igreja, segue aqui algumas sugestões ao dirigente.

Em primeiro lugar, há fundamento escriturístico para que haja liderança ou alguém dirigindo uma reunião. Nesse sentido, creio, não será necessário tecer comentários e, sim, usar de alguns exemplos bíblicos já mencionados neste livro. É o caso de Miriã, que saiu liderando as mulheres em danças e louvor a Deus, logo após a passagem pelo mar vermelho. Outro exemplo é o de Davi instituindo uma ordem de culto em Israel que perdurou por centenas de anos. No culto a Deus, por menor que seja o número de pessoas, é bom haver alguém coordenando, do contrário os louvores serão dispersos e os cânticos serão cantados conforme cada um deseja. Às vezes costumo perguntar numa reunião pequena que cântico soou durante aquele dia no coração de cada um. As respostas são diferentes. Uma pessoa passou todo o dia com um cântico de júbilo no coração, outra com um cântico de contrição. Além disso, há pessoas que têm os seus hinos preferidos que são solicitados nas horas impróprias. Assim, um irmão deve coordenar, mesmo num pequeno grupo, os louvores, e ser, diante da congregação e diante de Deus, o responsável pelo andamento da reunião.

Em segundo lugar, uma pessoa que não adora a Deus não pode levar outros a adorarem. Existe uma maneira de correta de nos chegarmos a Deus. A adoração deve fazer parte da vida de toda pessoa que tem responsabilidade congregacional, seja na direção do culto, liderança de grupos e, principalmente, na vida daquele que ministra diante do Senhor na congregação. O dirigente do louvor e adoração é, pois, uma pessoa que ministra ao povo de Deus. Ministra ao povo quando, recebendo de Deus, conduz a congregação à sua presença. Ministra ao Senhor, porque esse é o conteúdo de todo o serviço e adoração. Aquele que não possui uma vida intensa de comunhão e adoração, não poderá guiar outros na adoração e louvores ao Senhor. Como saber se a pessoa é um adorador? Ela transmite vida não só à frente da reunião, mas também na sua vida íntima e pessoal.

O DIRIGENTE DO CULTO

 

1)     O dirigente do culto deve estar bem preparado – corpo, alma e espírito. Quando ele está fisicamente cansado, o cansaço poderá transparecer e afetar a congregação. Da mesma forma, se sua alma e espírito não estiverem íntegros e retos diante do Senhor, isto afetará o louvor congregacional. Muitas vezes temos que ser sinceros e dizer aos nossos colegas de ministério que não estamos preparados nesse dia para levar o povo à presença de Deus. Se o dirigente bocejar, apoiar-se no púlpito e descansar sobre uma das pernas, toda a congregação notará. Com seu físico descansado e seu espírito avivado, ele ajudará os que estão cansados e abatidos a terem um encontro com Deus, no louvor e adoração.

2)     Em segundo lugar, o dirigente da reunião não pode estar nervoso. Se discutiu em casa, no trabalho, ou se algo não está bem com ele, isto poderá deixá-lo sem condições de dirigir a reunião. Deve ter uma boa disposição bem antes do início do culto. Se seu estado de saúde não o favorece, como uma dor de dente, dor de cabeça ou canseira, é melhor ser bem sincero e pedir que os presbíteros ou, na ausência destes, outros irmãos ministrem a ele, para então ter condições de ministrar ao povo. Muitas vezes o dirigente ou os músicos podem estar sob opressão maligna e, ao serem ministrados antes de ministrarem aos outros, ficarão libertos e purificados de todo o mal.

3)     Em terceiro lugar, o dirigente da reunião deve ser uma pessoa sensível ao Espírito Santo, procurando saber dele o que mais agradará ao Rei Jesus naquele dia. A Bíblia diz que o Espírito glorifica a Jesus. Assim, o Espírito sabe se o Pai quer júbilo ou prostração. Se o Senhor quer ser exaltado como Rei ou como um pai amoroso, como Deus forte, como um guerreiro ou um amigo. O Espírito é quem dirigirá o louvor nesta ou naquela direção. A adoração é o “alimento” de Deus, disse certo pregador. E ele poderá conduzir a reunião, através do dirigente, a profundas experiências.

4)     Outrossim, o dirigente deve pensar previamente como começar, tendo em vista que o início é muito importante. O primeiro cântico é a chave que abre a reunião. Se a unção de Deus na reunião é para levar a congregação a glorificar a Jesus como Rei e o primeiro cântico apresenta como Salvador, no seu amor, na obra da cruz, então o dirigente demorará um pouco a direcionar a reunião para cumprir a vontade do Espírito. Muitas vezes, somente depois do terceiro ou quarto cântico é que se descobre a “mente” do Espírito. Quando procuramos, contudo, saber a vontade do Espírito, podemos entrar em adoração logo no primeiro cântico. Se o dirigente não está certo do que o Espírito quer para a reunião, deve procurar seus colegas pastores, e, na falta destes, os irmãos mais chegados, e perguntar-lhes com que cântico ou de que maneira deve-se começar uma reunião. Nunca é recomendável começar uma reunião com adoração, principalmente quando a reunião tem caráter público, isto é, aberta a pessoas não cristãs. Quando todos somos comprometidos com Cristo, a adoração flui logo, tal a unidade de espírito e fé. Ao contrário, quando há a presença de muitos incrédulos, é necessário começar com louvor e júbilo, e assim todo o espírito de incredulidade será dominado na reunião. A experiência tem mostrado que, muitas vezes, é ainda necessário parar o louvor, e a congregação, como um todo, numa oração de autoridade, repreender toda a potestade maligna.

É muito comum ficarmos, mesmo os crentes, contaminados pela “fuligem” do mundo, do ambiente da escola, do trabalho, dos coletivos urbanos, dos meios de comunicação, etc. Daí a necessidade de uma purificação de nossa vida diante do Senhor. Isto também poderá ser feito começando-se a reunião com pequenos grupos de oração, de forma que um irmão ministre a outro, e assim sejam todos mutuamente purificados nos amor, paz e relacionamento com Cristo. Com isso o caminho para a adoração fica livre.

A Palavra de Deus diz que devemos ter “intrepidez para entrar no Santo dos Santos” (Hb 10:19). Intrepidez significa ousadia, com força, coragem e sem temor. Assim, uma reunião pode ser iniciada com todos orando em grupos ou todos saudando uns aos outros.

5)     O dirigente deve sempre incentivar os irmãos à santificação. “Animador” de culto não existe. O animador está nos clubes, emissoras de rádio e TV. No culto há o ministro. Seu papel é motivar e exortar os irmãos a uma vida de santificação. Animador de corinhos para “esquentar” o ambiente é obra puramente carnal. Os irmãos devem ser ajudados e exortados a se santificarem para uma adoração profunda diante do Senhor.

6)     O dirigente deve facilitar as manifestações simultâneas e espontâneas das pessoas. Nem sempre isso é necessário, pois há momentos quando a congregação espontaneamente expressa seu louvor e adoração. Não é preciso pedir. Elas fluem. Irmão após outro irrompe em expressões de agradecimento, de júbilo, de contentamento, de engrandecimento do nome do Senhor. Mas cabe ao dirigente facilitar essas expressões. Quando o dirigente do culto se limita a cânticos após cânticos, sem parar, inibe as expressões espontâneas. O dirigente que somente se preocupa em cantar com o povo e a falar todo o tempo, limita o louvor aos cânticos. Depois de algum tempo de louvor, o dirigente poderá ficar em atitude de adoração, ou com as mãos levantadas ou de cabeça baixa. A congregação se acostumará aos gestos do dirigente e saberá que é o momento para se expressarem diante do Senhor, não somente em palavras e frases curtas, mas também em cântico espiritual.

7)     O dirigente deve também cuidar do comportamento congregacional. Ele deve sentir o ambiente e o povo. Pode ser que o dirigente queira adorar, mas o clima entre o povo é de júbilo e de danças. Ou poderá ser que o dirigente queira jubilar-se e louvar a Deus, mas o ambiente na congregação é de adoração e de prostração. Se ele não sentir a reação do povo, demorará muito a entrar num fluir dinâmico do Espírito. Isto não quer dizer que o estado emocional da congregação é que deve ditar o rumo do culto. Muitas vezes, contudo, quem está dirigindo a reunião precisa ouvir o Espírito através da congregação.

8)     Depois de descobrir o fluxo do Espírito no culto, o dirigente deve procurar a nota dominante da reunião. Esta pode ser sobre o amor, cura, libertação, exaltação da santidade de Deus, etc. Uma vez conhecido o tema, dirigir a reunião com segurança e firmeza. Um dirigente que fica titubeando, que deixa transparecer indecisão, transmite tudo à congregação. Esta se sente segura, quando o dirigente é firme e seguro. Ele deve ser prudente para não dar a palavra ao pregador depois que o povo já ouviu muitos testemunhos e teve um longo tempo de louvor. Muitas vezes ficamos comprometidos com pregadores que têm de falar ao povo. Mas, se na reunião houve louvor e adoração, testemunhos, palavra profética e ministração individual, quando o pregador for pregar o povo se sentirá cansado. Se o pregador convidado à reunião for uma pessoa compreensiva, também entenderá que não há lugar para uma pregação longa. Podemos limitar a obra de Deus num culto, quando comprometidos em dar a palavra a pregadores convidados. Recordo-me de uma ocasião, quando o louvor e adoração fluíram no meio do povo com muitas palavras proféticas, e tínhamos um pregador de uma outra cidade que nos fora recomendado por colegas. Por estar fora da sintonia da reunião e interessado em divulgar seu programa de evangelização, o culto tomou uma direção contrária à que todos esperavam.

Quando os pastores da congregação acompanham o fluxo da reunião, aquele que será o pregador saberá ficar calado e deixar o culto tomar os rumos que Deus deseja. Os pregadores precisam ser restaurados, para saberem quando devem falar e quanto tempo devem usar.

9)     O dirigente deve atuar em fé. Ele deve conduzir as pessoas a Deus. Muitas vezes, o muito falar prejudica o fluir do Espírito na reunião. Há dirigentes que costumam ficar falando durante um período de silêncio e adoração ou mesmo no meio júbilos. Deve-se falar para levar pessoas a Deus, mas somente o necessário. Falar demais torna a reunião cansativa.

Também é necessário que ele inspire fé. No meio dos louvores e da adoração poderá ocorrer salvação, cura, batismo no Espírito, distribuição de dons entre os irmãos, etc. Basta uma palavra de fé do dirigente para que Deus transforme muitas vidas.

OS MÚSICOS E O DIRIGENTE DO CULTO

 

Os músicos devem se harmonizar com o fluir da unção e adoração. Já dissemos que um músico não convertido pode tornar “profano” aquilo que deveria ser santo. Em regra geral, os músicos de nossas igrejas são jovens, e é necessário que eles tenham a vida purificada. Se eles tocam seus instrumentos apenas por acompanhamento, não estão desempenhando seu papel no culto. Os músicos devem se harmonizar de tal forma com o Espírito que levem a reunião a um clímax de adoração, colaborando assim com o dirigente. Eles podem ter a inspiração de começar um outro cântico antes que o dirigente se aperceba; e, se começarem a tocá-lo, acabam dirigindo a reunião. Os músicos, quando unidos em Deus, podem dar a vibração certa na bateria ou deixar de tocá-la; dar o toque certo na guitarra ou parar e deixar somente o órgão tocando. Ou, todos podem parar de tocar e ficar em adoração. O guitarrista, o organista podem com seus acordes, executar cânticos espirituais. O trompetista pode, no espírito, tocar um solo com seu instrumento de sopro. Quando os músicos se harmonizam com o fluir da adoração, o culto flui no mover de Deus!

E, para finalizar, o culto programado na orientação do Espírito Santo é melhor que o programado pelo homem. Os cânticos comunicam o que estamos vivendo. A congregação que vive uma verdade, prega e canta sobre ela. Assim, quando uma congregação entoa somente hinos de exaltação ao governo de Deus, seu Reino e seu poderio, é porque está vivendo intensamente essa verdade. Se seus cânticos forem somente de cura ou salvação, estas serão as verdades vividas por ela de forma mais intensa. Precisamos ter nossa hinologia restaurada. O dirigente é quem tem a responsabilidade de trazer essa mudança. Que Deus levante muitos dirigentes cheios do Espírito, de poder e de sabedoria!

CONVITE À ADORAÇÃO

 

Uma igreja local que mantém cultos de adoração como atividade normal, é uma igreja vitoriosa na comunidade onde vive! Vemos pessoas  sendo salvas,  atizadas, integradas ao Corpo de Cristo e se tornando um canal de bênçãos às pessoas  que estão ao seu redor. O esforço evangelístico, assim normalmente expresso, dá lugar a uma evangelização natural, fruto da vida normal da igreja. As  campanhas de oração dão lugar a uma vida normal de oração. Não é necessário fazer cultos para cura divina porque elas ocorrem de forma habitual nas reuniões e na vida diária do povo.

Uma congregação que aprende a adorar carregará também o peso pelos perdidos; terá a carga da intercessão e viverá intensamente a comunhão mútua entre os irmãos.

Nesse livro tratamos basicamente da adoração corporativa, contudo não haverá igreja forte no louvor e adoração, se na vida particular de seus membros a adoração for relegada a segundo plano. O cristão que anda pela casa com cânticos de ações de graça em seus lábios, certamente contagiará a reunião da igreja e o próprio Deus! A adoração começa dentro de cada vida, de cada família, de cada grupo de discipulado, tornando-se, conseqüentemente, o fluir normal na vida da igreja.

Não cabe aqui um ponto final neste livro; certamente muitos capítulos serão acrescentados por você; suas experiências encorajarão a que se restaure a adoração na vida da igreja.

Estes 2 capítulos foram extraídos do livro: O ministério de Louvor da Igreja  (uma nova dimensão de intimidade com Deus no louvor congregacional.) Páginas: 127 a 137 Autor: João A. de Souza Filho Editora: Betânia (Todos os direitos reservados)

COMO MINISTRAR UM LOUVOR CONGREGACIONAL

 

 

Existem várias técnicas que podem ensinar qualquer irmão ou irmã a ministrar um louvor diante de Deus para a congregação. Técnicas existem e ajudam, mas o mais importante é ter a certeza de estar no centro da vontade de Deus e do seu chamado específico para o Louvor. Dentre as inúmeras qualidades de um Ministro de Louvor, este tem que primeiro estar com uma vida santa, reta e agradável aos olhos do Senhor. O que ministra louvor tem que estar ministrando também exemplo de vida, de santidade, de amor, desunião e de humildade. Assim o Senhor terá condições de abençoar e ensinar a cada dia mais, como ministrar um Louvor. Ministrar Louvor é levar pessoas a adoração a Deus. Ministrar Louvor é buscar o mover do Espirito Santo na congregação através de cânticos.                     

OS CÂNTICOS CERTOS NAS OCASIÕES CERTAS.

 

O ministro de Louvor tem que ter a percepção espiritual para saber quais os cânticos certos para aquela ocasião, sempre buscando uma linha cujo os temas e mensagens estão de acordo entre si. Não é aconselhável mudar a direção dos temas e mensagens dos cânticos, principalmente no momento de adoração ao Senhor, pois imagine só você cantando um cântico de busca e entrega ao Espirito Santo, e quando começa a sentir um toque, um fluir do Espirito, o ministro muda a direção do cântico e começa a cantar uma música sobre libertação, sobre união entre os membros da Igreja, ou sobre o perdão dos pecados, ou mesmo salvação. É claro que há exceções, mas nem sempre isto deve acontecer. É preciso descobrir o fluxo e sentido das canções de cada cântico, para cada culto e situação. Eis aqui alguns temas e mensagens dos cânticos congregacionais: Exaltação, Adoração, Poder, Perdão, Batismo no Espírito Santo, Libertação, Milagres, Salvação e outros mais.                                  

A COMUNICAÇÃO IDEAL.

 

O bom Ministro é aquele que se comunica bem, canta bem, e tem unção.

É preciso saber falar na hora certa seguindo sempre o fluxo espiritual da congregação. Se o povo não está batendo palmas com firmeza e união, deve-se falar e pedir ao povo que batem palmas todos os povos seno momento de adoração a maioria estiver desligada e destruída pode-se por exemplo pedir para que todos fechem os olhos, que levante as mãos e que comecem a falar palavras de amor, de agradecimento e sinceridade ao Senhor. Se no momento de Louvor perceber que o povo não está cantando e correspondendo pode-se tranqüilamente pedir aos músicos que parem de tocar para ouvir apenas as vozes da congregação cantando juntos, formando um lindo coral de vozes ao Senhor. É preciso sempre manter o controle da situação e quando o povo estiver louvando e adorando o  Senhor em Espírito e Verdade, procurar  não falar nada, apenas deixar que o próprio cântico fale ao coração das pessoas. Falar demais acaba atrapalhando o mover do Espirito Santo nas pessoas e não falar nada, causa vazio no Louvor Congregacional. Jamais dê testemunhos pessoais durante o louvor, ou pregue a palavra, ou abra a Bíblia e comece a ler longos versículos e dar explanações, deixe isso para o decorrer da programação do culto ou podem pensar que você deveria ser um pregador, ou professor de escola dominical e de novos convertidos, e não o Ministro de Louvor da Igreja. Cultos organizados tem hora certa para cada momento.

Nos hinos de Louvores com ritmos rápidos pode-se se expressar com uma voz mais alta e ungida, mas no momento de adoração a voz tem que sempre ser bem suave, de acordo com o cântico, enquanto ministra e se comunica com a Igreja.

Momentos de adoração devem sempre seguir com uma percepção musical suave dos instrumentos e na voz e comunicação do Ministro.

Comunicar certo é conseguir manter o nível excelente de participação dos membros no Louvor e levar pessoas a abrirem seus corações ao Senhor e se entregarem ao Espirito Santo. Um Ministro de Louvor tem que conseguir levar pessoas a verdadeira adoração através de uma comunicação ideal, prudente, sensata e ungida. Muitos só dizem: Vamos aplaudir ao Senhor, Aleluias, Glorias a Deus e Amém. Outros falam demais e acabam transparecendo que querem dirigir um culto, pregar ou até mesmo aparecer.

Mantenha suas palavras de acordo com a recíproca do povo. Assim seu êxito será certo.

POSTURA

 

O Ministro de Louvor tem que estar a vontade no altar. Ele tem que caminhar por todos os lados. Existem Ministros que são como estátuas, ficam parados no mesmo lugar durante todo o Louvor. A Igreja acaba ficando parada, fria e imóvel também. Outros se mexem tanto, correm tanto e fazem tantos gestos que mais parecem atletas excepcionais ou professores de aeróbica. Cansa a congregação só de olhar e acompanhar. O Ministro de Louvor tem que ter a liberdade de caminhar (isto impõe segurança) de se expressar com gestos em alguns cânticos (gera participação da Igreja) de olhar nos olhos da congregação em geral ( mostra confiança e autoridade, e não insegurança, fragilidade e medo de encarar as pessoas, pois tem Ministros que fecham os olhos e esquecem do resto e de observar o fluxo na Igreja) de se ajoelhar em momentos de adoração (mostra submissão e humildade). Tudo isto deve ser com prudência, sabedoria e sensibilidade espiritual. Obedeça sempre o Espirito Santo e tudo será uma benção para você e a Igreja. Onde há o Espirito Santo, aí há liberdade, lembre-se que você é livre para adorar ao Senhor com danças, cânticos, júbilo mas sempre com a reverência que é devida ao nosso Deus.

ESPONTANEDADE.

 

Ministros de Louvor que seguem exatamente aquilo que estava programado nos ensaios e antes dos cultos, podem estar falhando na sensibilidade musical e espiritual. É obvio que não é normal ficar mudando a direção dos cânticos e louvor, mas sempre é preciso estar atento para saber quando deve-se fazer sinal aos músicos para tocarem mais suave, mais baixo ou mais alto, que deixem só a congregação cantando junta, ou que se repita várias vezes o mesmo coro, que faça silêncio absoluto para uma maior busca, entrega e sensibilidade ao mover do Espírito Santo, que se inicie mais uma vez a canção para maior aproveitamento ou que os músicos continuem tocando a melodia da canção para que a Igreja possa cantar um cântico novo pessoal e espiritual. Tem que haver flexibilidade, espontaneidade no Ministro e no período de Louvor, pois a vontade de Deus nem sempre é a do homem, por mais que sejamos organizados e programados.

Como é maravilhoso estar diante de um grupo de louvor, que realmente busca            ministrar através de cânticos de adoração. A tarefa do Louvor é libertar, operar, abençoar os irmãos, é preparar os corações para a palavra de Deus. Um bom grupo de Louvor tem de saber explorar os benefícios que traz a   congregação, quando consegue realmente ministrar a presença do Espírito     Santo de Deus.

Ás vezes se faz necessário dar um reviravolta na maneira de cantar e tocar   os cânticos, geralmente os momentos que, nem se quer estão sendo cantados   por exemplo, são os que mais tocam. Como é bonito ver e ouvir um grupo    inteiro glorificando a Deus, buscando a presença de Deus, todos adorando e   louvando, os instrumentos tocando uma melodia espontânea de adoração, as   vozes bem suaves dos componentes do grupo dando gloria, aleluia, enfim, tendo um período de 5-10 minutos de busca, entrega, e comunhão com Deus. O   Louvor é isso. É uma arma poderosa para trazer renovo de vida a muitas    almas, é arma que quebra corações duros, que expulsa todo poder das trevas, que    toca e salva, que cura e opera grandes coisas. Para isso é preciso que o            Grupo de Louvor esteja totalmente unido e Espírito e amor, que estejam            entrosados, ligados e concentrados no mover do Espirito Santo.

Uma vez eu estava com o grupo de Louvor ensaiando na Igreja. Então apareceu            uma mulher do lado de fora, ela começava a ouvir os cânticos e aos poucos   foi se aproximando ao ponto de ficar olhando atrás da janela de vidro na   porta. A Igreja estava aberta, mas essa porta que dava entrada ao Templo   estava fechada. Na mesma hora pedi para que meu irmão mais novo abrisse a  porta. Continuamos ensaiando, eram poucas pessoas naquela hora, somente eu, o Tecladista e meu irmão. O Grupo ainda não tinha chegado. Enquanto  tocávamos ali e buscávamos a presença de Deus no Louvor, pude notar que   naquela mulher havia algo movendo seu coração. Ela chegava mais perto, mudava de cadeira, fechava os olhos e se ajoelhava. Quando comecei a orar            louvando ao Senhor, percebi que havia uma força contrária tentando impedir   ela de se libertar na presença de Deus. Enquanto o tecladista tocava, pedi  a ele que a partir daquele momento pudesse tocar de todo o seu ser, com   unção, determinação e fé, pois teríamos uma luta espiritual pela frente. Comecei a falar para aquela irmã que Jesus havia lhe trazido ali para poder  operar em sua vida. Ela concordou, disse que estava de passagem por ali, e   que ouvindo o som das musicas (mesmo sendo de origem hispânica) ela podia  entender o significado das musicas e uma paz via sobre ela. Ela afirmou ter   sentido algo dentro dela que a levou até ali. Enquanto o tecladista tocava            numa unção tremenda e eu ali sentindo a presença de Deus cantando, pedi que            ela viesse até a frente para receber uma oração. Fiz o apelo e ela aceitou     Jesus, na oração de confissão perceber que haviam espíritos malignos dentro  dela que a impediam de confessar. Foi quando dei dois passos para trás, e  comecei a louvar ao Senhor em cânticos espirituais espontâneos. Imediatamente aquela pessoa caiu endemoniada e começava a se rastejar pelo  chão como uma cobra que teve sua cabeça pisada e destruída. Impus as minhas  mãos sobre ela e expulsei toda as trevas no nome de Jesus. Isto é uma prova real que o louvor é uma arma de libertação, de milagres,            de renovação e restauração de vidas. É preciso ver de verdade o louvor   operar e nem sempre o mover está nas canções em si, na melodia, no coral   de vozes nem no som dos instrumentos, mas o mover de Deus no louvor se  percebe, se vê, que é nos momentos de ministração espiritual e musical dos   cânticos que acontecem coisas tremendas.

Cante várias vezes o refrão daquela musica de adoração que a congregação   tanto gosta. Cada vez mais suave, 1, 2 , 3, 4 vezes, sem pressa, peça ao    povo que comece a orar em voz alta, que comece a agradecer, que o vocal do   grupo comece a glorificar ao Senhor, comece a cantar cânticos novos e    deixar que o louvor a Deus contagie toda a congregação.

LIDERANÇA

 

É fundamental que exista um líder a frente de um grupo de Louvor. Este tem   que acima de tudo ter um Espírito de humildade, de união e de adorador.

Geralmente quem assume esta posição é o Ministro(a) de Louvor. É aquela            pessoa que ministra os cânticos, que canta e se comunica com a congregação            durante o período de louvor. Muitas pessoas acham que esta pessoa tem que    ter um curso superior, que tem que ter diploma e participado de Seminários   Teológicos e de Música. Eu penso assim também, mas acho que isso não deve    ser determinado, obrigatório e exigido. O Ministro de Louvor tem que Ter  em primeiro lugar o dom, o chamado para ser Ministro de Louvor, muitas    vezes essa pessoa nem mesmo sabe tocar um teclado, guitarra, não sabe ler  partitura e cifras. Ela sabe sim, cantar com júbilo e adoração, gosta de   Louvor, de música gospel e alem de tudo tem o dom de se comunicar bem e    compor cânticos.

A verdadeira escola está na prática, no aperfeiçoamento, do treinamento            específico e na força de vontade e determinação que vem do Espírito Santo.

 Ser líder é saber manter todo o grupo em união, em júbilo. É saber dividir   as responsabilidades com as pessoas certas. É manter a organização em  geral, a decência, é saber ouvir e reconhecer que estamos tratando de seres humanos, portadores de opiniões e sentimentos. Um grupo de Louvor tem que   ter reuniões freqüentes. Pelo menos uma vez por mês reserve um tempo para que todo o grupo possa se reunir, e após uma oração feita por cada um, de   mãos dadas, cada membro possa dizer aquilo que está achando de positivo no    grupo e também aquilo que se pode melhorar. É uma reunião para buscar novas   metas, para melhorar a performance do grupo e não uma reunião de críticas.

Sempre olhando para frente, para Jesus, o autor e consumador da nossa fé. O            Líder tem que sempre anotar os pontos principais da reunião para apresentar    ao grupo, tem que estar sempre buscando alcançar novos degraus. Renovar o   repertório dos cânticos, cuidar para que tudo ocorra bem, orar para que  Deus envie os músicos que ainda faltam, que envie também pessoas   capacitadas para a obra do louvor no vocal e instrumentos.

 Há sempre espaço para mais um no grupo de Louvor, a não ser que seu grupo   já tenha uma orquestra toda formada, é claro. No entanto não se pode Ter    mais que dois tecladistas, pianistas e um baixista tocando ao mesmo tempo.

Se houver muitos músicos em sua Igreja, é válido a opção do Líder de   selecionar novos grupos, e permitir que estes apresentem também freqüentemente, caso se observa uma boa e positiva atuação.

O Líder do Grupo tem que ter a visão do Louvor, tem que manter todo o relacionamento            do grupo em si, do grupo para com seu Pastor, e do grupo para com a Igreja em            perfeita harmonia. O Louvor é realmente muito visado pelo povo e também pelo             Inimigo. Dizem que depois do Pastor Presidente da Igreja, o inimigo tem mais ódio            e perseguição pelo líder do grupo de Louvor. Esses são seus dois alvos principais.

Ser líder é não somente saber liderar e se comunicar bem, é ter um chamado, uma determinação: Ser um vaso de honra nas mãos do Senhor. É uma benção de Deus ser o Ministro(a) de Louvor na congregação. É um cargo visível, que está no campo em que todos gostam: Cânticos de Louvor e Adoração.

É muito bom mesmo estar no púlpito, ser um verdadeiro Sacerdote, um ministrador            de bênçãos no louvor, ver a Igreja louvando, pessoas glorificando, chorando e sendo            restauradas. É muito bom mesmo saber que se tem o controle do grupo, das decisões,            do fluxo musical nos louvores. O Líder tem a condição de implantar seu próprio estilo,            gosto e visão. É uma benção de Deus, mas por outro lado, a palavra de Deus diz:

           “A quem muito é dado, muito se lhe será cobrado”

Qualquer erro, falha, pecado e desobediência de um Líder de Louvor, pode manchar toda a credibilidade do Ministério em Geral.

Existe um preço a pagar. O Preço da olaria de Deus. Peça ao Senhor o dom da sabedoria, o da humildade, coloque-se nas mãos do Senhor e peça a ele que molde sua vida e caráter.

Confie sempre Nele. Saiba que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus  e são amados por ele. Seja um Líder de verdade, seja respeitado, reconhecido, e sempre pergunte aos irmãos (as) o que eles mais gostam na performance de grupo, peça ajuda ao seu Pastor, e reconheça o Senhor em todas as suas atitudes e palavras colocando-o sempre em primeiro   lugar.

Tome as decisões certas e prudentes, sempre em acordo com o Pastor, e saiba separar amizade  de profissionalismo. Tem líderes que não sabem falar não, outros não sabem falar sim.

Seja um que sabe harmonizar tudo com a sensatez e prudência.

Reuna com o grupo e seja sincero, aberto, educado, conte a eles as dificuldades, os planos, peça ajuda e oração, e nos momentos de mais luta e tribulação convoque um jejum geral  de todos os participantes do grupo. Ore sempre de mãos dadas e dê a oportunidade aos membros    de orarem e pedirem as bênçãos de Deus. Olhe nos olhos. Ouça muito e fale pouco.

Todos os seus passos, palavras e atitudes estão sendo vigiados, anotados. E que para Glorificar    o nome de Jesus na sua vida, seja um líder cheio do poder de Deus, da ousadia e intrepidez na   palavra. Tenha uma vida diária de oração e comunhão com Jesus e verá que seu desempenho como Ministro de Louvor, Servo de Deus e irmão em Cristo vai ganhar novos rumos.

Deus te escolheu, Jesus te ama e conta com você e o Espírito Santo te capacita mesmo.


FORMANDO UMA EQUIPE

 

Formar uma equipe de Louvor é o mesmo que formar um Ministério de obreiros dentro da Igreja, o mesmo deve ser tratado e encarado como algo de extrema importância. É de fundamental necessidade, antes de escolher as pessoas para compor um grupo de louvor, o líder ou Ministro de Louvor junto com o Pastor da Igreja,  jejuar e orar fortemente para que a escolha não seja precipitada, pessoal ou fora da vontade de Deus. Todo cuidado é pouco, pois uma escolha errada sempre traz  grandes e perigosos problemas no futuro, não somente para o desempenho do grupo de louvor mas também para todo o crescimento da obra local, e saúde espiritual do corpo de Cristo. É preciso ter a sensibilidade, discernimento e técnica necessária para estar em primeiro lugar escolhendo pessoas que tem o chamado para o Louvor, isto é, Levitas consagrados e chamados pelo Senhor. Muitas vezes por a Igreja estar iniciando, Pastores ou lideres de Louvor chamam qualquer pessoa que aparece na Igreja que demonstra gostar de louvar, tocar ou cantar.  Muitas vezes aparecem irmãos(as) que sabem tocar ou cantar muito bem , e pelo empolgamento colocam na frente da batalha sem orar, averiguar e descobrir como anda a vida espiritual dos mesmos. 

Todo o obreiro deve primeiramente ser testado, para depois ser consagrado e chamado para a obra, e isto sempre deve ser feito também na escolha dos componentes do grupo de Louvor.

Existem milhares de grupos de louvor que erraram nesta formação inicial e hoje passam tremendas lutas e provações porque  colocaram pessoas sem  o chamado para o Louvor, e agora estes estão sendo como que pedra de tropeço.

O Louvor nunca crescerá dessa maneira, o desempenho sempre ficará estagnado, a obra do Senhor terá dificuldades, e principalmente o mover de Deus nunca fluirá durante o Louvor da maneira que Deus quer, tudo isso por uma mal escolha.

Deus desde os primórdios Deus separou um povo exclusivo para louvar- Os Levitas, (Nm 1:50 . Nm 3:6 e 7 .I Cr 23:30)  e hoje não é diferente. É realmente algo muito delicado a formação de uma equipe de Louvor. É algo que antes de mais nada é preciso muita oração e revelação de Deus. A maneira certa para a escolha vem de joelhos dobrados, vem de lágrimas sinceras derramadas nas madrugadas e até mesmo de auxilio de profissionais nesta área. Uma escolha errada mata espiritualmente não somente a performance do grupo, mas principalmente a pessoa que não tem chamado para o Louvor.

Leia Números 1:51 e verá que Deus disse e determinou: “O estranho que se aproximar morrerá”.

Que coisa séria, e que muitas vezes é tratada de qualquer maneira por muitos lideres. Sabedores também que Deus não chama apenas os capacitados , mas que capacita os chamados por ele, temos que analisar o caráter do escolhido(a) para o Louvor.

Se este irmão(a) tem uma personalidade que permite liderar, se este tem espirito de submissão, se sabe ouvir, se sabe mesmo contra sua vontade seguir o conselho e acatar com a decisão do Pastor ou Líder. Saiba que é preciso ser em primeiro lugar servo de Deus e do corpo de Cristo para fazer parte de qualquer cargo ministerial na Igreja, pois os que não tem chamando geralmente nunca concordam com as decisões dos lideres, tem caráter difícil, e não demonstram os frutos do Espirito que é necessário para trabalhar na seara do Senhor. E o pior é que quando se coloca tal pessoa no grupo de Louvor, para depois tirá-la do grupo é muito difícil, pois o mesmo(a) poderia até mesmo por rebelião sair da Igreja e se afastar dos caminhos do Senhor. Que perigo!!! Que situação!!! O que fazer? Em primeiro lugar como disse orar muito antes de tomar qualquer decisão. Para cantar ou tocar num grupo de Louvor é preciso ter chamado e não qualidade vocal e instrumental.

Pois Deus vai capacitando os chamados a cada dia. É preciso também treinar, tomar aulas e se aperfeiçoar, pois sem isso, mesmo o que é chamado nunca irá muito longe em seu ministério de Louvor. O Cantor(a) tem que pegar aulas de canto,  o instrumentista aula com professores ungidos para que cada um cresça em sua área. Pois Deus tem seus professores que são usados exatamente para este propósito: o de ensinar, aprimorar e aperfeiçoar os chamados de Deus. Essa história que os Levitas já nascem sabendo é errônea, pois embora sejam escolhidos desde o ventre, isso não quer dizer que não precisam de auxilio, técnica e aulas de ensino. Saiba que os escolhidos aprendem fácil e os que não são levitas demoram muito para apreender, quando estes chegam e conseguem aprender algo. 

Lembro-me de quando meu Pastor me chamou para liderar o louvor que estava iniciando em nossa Igreja. Que coragem!!!

Eu era desafinado, achava que não sabia cantar ( e até hoje reconheço que preciso aprender muito mesmo) e mesmo assim ele acreditou em min, dando o voto de confiança e cobrindo minha vida de orações. Quando olho para trás vejo que o Pastor Maciel Figueiredo teve antes de mais nada muita ousadia por esta escolha. Mas por ser um servo de Deus, este Pastor me escolheu por ter sentido de Deus uma vocação em min para esta obra. Eu era como Davi, que mesmo pelo seu pai era desprezado e ninguém reconhecia seu valor. Na escolha para o Rei de Israel , Davi foi o último a ser apresentado ao Profeta Samuel. Nem mesmo o próprio Pai de Davi acreditava que ele teria o valor necessário para ser Rei. Mas Davi era o escolhido.

Muitas vezes os escolhidos estão nos bancos das Igrejas, e os que não tem o chamado para o Louvor estão na frente da batalha, enfraquecendo o corpo de Cristo e atrapalhando o mover do Espirito Santo durante o Louvor. Que realidade triste!!!

Formar uma equipe de louvor é uma benção de  Deus quando acertamos na escolha. Pois a Igreja notará o crescimento do mesmo e sentirá que o Espirito Santo de Deus está capacitando cada um, e que o entrosamento está chegando, que a união é visível e real, que as vozes do coral estão se encaixando e a harmonia musical é notável e sensível. Isto é prova de escolha certa. A Igreja sempre será o termômetro que medirá a o fluxo espiritual no Louvor. Se a Igreja louva de coração, em Espirito e em verdade, se a Igreja chora no poder de Deus, se almas são libertas no poder do Louvor, se acontecem salvação de vidas nos cultos, saiba , o grupo de Louvor de sua Igreja está no caminho certo. Aleluias!!! Que maravilha é tal grupo de Louvor.

Este é o papel de um grupo ungido: restaurar vidas, libertas os cativos, salvar os perdidos,  e preparar os corações, almas e Espíritos dos membros para ouvir a Palavra de Deus


COMO COMPOR CÂNTICOS AO SENHOR

 

“Cantai ao Senhor um cântico novo, Cantai ao Senhor porque é Digno de Louvor” (Salmos 96:1 e 4 )

Comece lendo o livro de Salmos, naqueles momentos seus de mais comunhão e intimidade com o Senhor, e ao escutar uma música cristã instrumental tocando suavemente no fundo tente fechar os seus olhos e comece orando ao Senhor em forma de cânticos, solte-se na presença do Espírito Santo e deixe Ele colocar em seus lábios cânticos novos, que Ele possa tomar todo o seu ser, e levar-te a adorá-Lo de uma maneira maravilhosa, sincera, ao ponto de haver uma comunicação entre você e Deus e vice-versa. Abra mesmo seu coração e cante ao Senhor o que de mais profundo existe dentro de você.

Pois quando nos entregamos e temos comunhão com o Senhor, sabemos que naquele momento podemos realizar grandes coisas, e uma delas, é compor cânticos novos, assim como Ele próprio nos pede: “Cantai um cântico novo”

Só não esqueça de gravar antes qualquer experiência como esta, pois você certamente vai querer lembrar de como cantou aquela música, você até dirá:

Puxa, e ficou tão bonito, não acredito que foi eu que fiz isto!

DIRETRIZES

 

É impressionante como se vê hoje no mercado, CD. s com músicas boas, alguns que não saem das prateleiras, dos planos, sonhos e outros que estão fazendo tanto sucesso e atraindo tantas produtoras de peso, pois agradam a grande maioria do povo de Deus espalhado pelas Igrejas.

Porque isso?

Por que existem os compositores(as) que antes de compor suas músicas e CD. s traçam suas diretrizes. Qual a linguagem que adotará, qual público principal, qual seu próprio perfil, quais os temas a serem usados nas canções  e CD, e etc… Aqueles que descobrem qual vocação certa possuem dentro de um estilo musical, são os que estão e sempre estarão em mais evidência no mercado. Pois criar e compor é algo que deve sair de dentro de você naturalmente. Nunca de uma maneira forçada e precipitada. Quando você se posiciona de dentro para fora, quando descobre um universo lindo, cheio de razões para adorar, agradecer e engrandecer o Senhor na sua própria vida, você então terá condições de realizar grandes coisas nas mãos do Senhor. E se existe em você a vontade e certeza de um chamado para Louvor: Acredite mesmo, lute, busque o estudo e a técnica adequada, coloque sempre o Senhor em primeiro lugar, e Ele te usará para Honra e Glória do Seu Nome. Deus está procurando por verdadeiros adoradores.

Seja um deles. Adore ao Senhor, compondo cânticos de Louvor e Adoração. Se você é essa pessoa, que guarda dentro de si o interesse, motivo, prazer e determinação para ser usado pelo Senhor no Louvor & Prepare-se:

O Senhor já está trabalhando na sua vida neste aspecto. É por isso que você está iniciando a leitura deste simples livro de louvor com tanta alegria e vontade de descobrir mais e mais, de aprender mais e mais, de aos poucos amadurecer a idéia de participar do Grupo de Louvor da sua Igreja, ( se ainda não está participando) de crescer na Graça e conhecimento de Deus, de compor, de criar, e de mostrar aos povos o fruto do seu trabalho, que é Louvar, Cantar, anunciar o amor, a salvação e bondade do Senhor Jesus.

Se você é esta pessoa, saiba que o Senhor tem o poder e misericórdia para te usar como instrumento de Louvor. Prepare-se, faça seus planos, comece a sonhar, buscar e traçar suas metas. Quem sabe em breve já estará apto(a) para gravar seu próprio Cd, e ser uma benção nas mãos do Senhor !

Descubra já qual o estilo musical de louvor mais combina com você. Qual o mais adequado ao seu perfil, qual estilo a adotar. Comece agora a traçar suas diretrizes, quanto antes melhor, assim terá mais tempo para amadurecer sua linguagem e estilo musical.

ESTILO MUSICAL DE LOUVOR

 

(A)Se tens mais jeito e desejo de compor cânticos congregacionais, visto ter uma boa comunicação em frente ao público, desejo e vocação de se expressar e trabalhar em grupo e principalmente, tendo a certeza e conhecimento de que é o que você aprecia e ainda acompanhar o trabalho de quem tem se destacado no mercado, siga o caminho certo nesta área e estilo, de pessoas como: Daniel Souza, Asaph Borba, Pr. Bené Gomes, Alda Célia, Comunidade Evangélica Zona Sul, Pr. Claudio Claro e muitos outros; (B)Se sua linguagem é mais pessoal, e gostaria mais de expressar em cânticos suas próprias experiências ou visão e modo de pensar, e se acha que poderia cantar solo, siga uma carreira solo com os temas que mais tocam o seu coração. Neste caso nem sempre é necessário a presença de um grupo de louvor para lhe auxiliar nas apresentações, basta gravar um Playback, e você terá condições de expor seu trabalho de uma maneira certa, usando as diretrizes corretas e linguagem adequada. Ouça cantores(as) e compositores(as) que vem adquirindo sucesso no mercado como:

Aline Barros, Luiz de Carvalho, Cassiane, Carlinho Félix, Léa Mendonça, Marina de Oliveira, Rose Nascimento, Fernanda Brum, Ludmila Feber Sergio Lopes, Mara Maravilha, Nelson Ned e muitos outros; (C) Talvez seu estilo seja canções com ritmos atuais, novos ou modernos, quem sabe poderá formar uma banda e até iniciar um estilo novo de música.

Ore ao Senhor e Ele poderá usar você para formar uma banda ideal, de acordo com os planos do teu coração, uma banda e equipe que trabalhe em conjunto e em prol de uma meta, diretriz, estilo e linguagem. Escute e aprecie bandas como: Kadoshi, Oficina G3, Catedral, Banda e voz, Projeto Vida Nova de Irajá e outros.

Seja qual for seu estilo, o mais importante é ser confiante, estudar, aperfeiçoar, buscar, ter forte desejo, sentir vocação própria, e ter força de vontade no Senhor para ser usado no campo da área Gospel. Leia todos livros que puder sobre Louvor e Adoração, faça aula e cursos vocal, ou peça ao Senhor que mostre qual instrumento você poderá aprender a tocar, se é teclado, guitarra, baixo, bateria, sax, percussão.

Saiba que o Senhor Jesus é poderoso para realizar coisas tremendas na sua vida, e que o Espírito Santo lhe guiará pelas veredas maravilhosas e estará contigo todos os dias, lhe ensinado tudo aquilo que precisa, pois nosso Senhor Jesus não apenas chama os capacitados, mas principalmente, capacita todos aquele que são chamados por ele. (continua) TALENTO, CARISMA, DOM, TÉCNICA E OUTROS PONTOS.


A IMPORTÂNCIA DA TÉCNICA PARA OS LEVITAS

 

Klaus Eduardo Dorte

A IMPORTÂNCIA DA TÉCNICA PARA O LEVITA

 

Mas, o que é técnica, prá que serve, em que ela pode contribuir para a nossa vida.

É o que nós vamos ver agora.

1. O Que É Técnica?

 

Segundo o dicionário técnica  é o lado material de uma arte ou ciência. É a prática, norma, é a especialização. Em suma, técnica é o estudo de determinada  matéria. Um exemplo prático no Louvor são os músicos: eles estudam seus instrumentos em um determinado período para poder exercer suas funções dentro do Ministério de Música. Quanto mais conhecimento tiverem, melhor será o nível do Grupo de Louvor.

2. Para Que Serve?

 

Ela nos serve para aprimorarmos os conhecimentos de determinado assunto. É através dela que desenvolvemos a prática.

3. Como Ter Acesso?

 

Através de escolas especializadas. Em qualquer área que você queira atuar, terá uma pessoa ou um grupo especializado para poder ensiná-lo. Esses mestres também já passaram por isso e continuam sempre se aprimorando para poder dar o melhor nas suas profissões, sejam elas dentro ou fora do Ministério.

4. Em Que Ela Contribui Na Nossa Vida?

 

Todo trabalho de ensino exige da pessoa dedicação. Essa dedicação só é exercida através da disciplina. A disciplina é acima de tudo o respeito que nós temos pelos nossos mestres. A disciplina gera na pessoa humildade e também submissão que é importante para podermos crescer dentro de qualquer área. Para o cristão e acima de tudo o Levita a submissão e a humildade em reconhecermos a liderança do Ministério, dos Pastores na Igreja faz com que o Espírito Santo possa atuar forma mais intensa através de seus membros dando-lhes profecias, curas, libertação e muito mais. A unção do Espírito pode aparecer mais claramente dentro da Igreja.

Lembremos que vários profetas no Antigo Testamento também obtiveram êxito no seu Ministério através de uma preparação específica, ou seja, trabalharam para que Deus pudesse usá-los para fazer seus grandes feitos entre o seu povo. Até Jesus Cristo, na sua infância, foi preparado para iniciar sua vida pública e este é o maior exemplo de disciplina e humildade que podemos ter.

Portanto irmãos, basta seguirmos o caminho que Ele nos deixou e termos fé que o Espírito Santo agirá através de cada um para que a obra do Senhor não pare por falta de pessoas. Jesus Cristo começou sua vida pública aos 30 anos e passou 40 dias no deserto sendo tentado por Satanás antes de morrer e ressuscitar. Moisés passou 40 anos no deserto se preparando para a grande obra que Deus faria através dele: libertar seu povo do Egito.

A nós só cabe perseverarmos na nossa preparação até o momento que Deus lhe pergunte: “Você está pronto prá Batalha?” e nós possamos dizer: “Sim Mestre, eis-me aqui”. Mas para isso devemos ser disciplinados, quebrados e deixarmos Deus trabalhar nas nossas vidas. Lembre-se: Deus dará todas as oportunidades para que você cresça em Espírito e também no conhecimento dos talentos que Ele te deu quando nasceu e a nós cabe-nos não desperdiçá-las alegando falta de tempo ou cansaço.

Asaph Borba nos coloca que Deus chama a todos para a sua obra. Poucos são escolhidos porque não dedicam seu tempo para o propósito de Deus na sua vida.

Seja um escolhido de Deus. Empenhe-se nos estudos. Deixe o Espírito Santo trabalhar na sua vida e que Deus o abençoe no seu Ministério…

Nas Igrejas, normalmente os levitas dedicavam seu louvor e adoração ao Senhor sempre pensando que unção do Espírito Santo por si só já era o suficiente. Ledo engano. A Unção realmente é necessária para que o Espírito Santo se manifeste em nós através do Louvor e Adoração a Deus.

Mas, será que a nossa dedicação ao Ministério também não conta!? Será que o nosso esforço de melhorar cada vez mais através do estudo da Palavra, ao que conta no crescimento espiritual, como também o estudo técnico para um melhor conhecimento e domínio daquilo que temos em nossas mãos não conta para darmos o melhor de nós a Deus!?

Diante de tal pergunta, quero mostrar um pouco da necessidade de estudarmos os padrões técnicos no Ministério de Louvor e Adoração.

QUALIDADE TÉNICA DO LOUVOR É IMPORTANTE:

 

Você já imaginou cantar músicas de Louvor e Adoração sem ter feito um ensaio prévio, sem ter sido preparado uma harmonia, sempre tocando aquele “feijão com arroz” como determinados Ministérios de Música em algumas igrejas fazem? Será que Deus se agrada disso?

Todos nós que somos chamados pelo Senhor a algum Ministério, devemos ter em mente 3 coisas importantes:

  1. Deus nos chamou e devemos dedicar tempo ao Ministério a que fomos chamados: nesse tempo, além de orarmos para pedirmos que Deus nos dirija através do Espírito Santo, devemos também dedicarmos tempo para o estudo. Nesse período devemos ter acima de tudo disciplina que é a essência do aprendizado para depois termos Decisão naquilo que faremos durante o Louvor.

 

  1. Devemos nos dedicar cada vez mais através de treinamento para podermos levar ao Senhor o melhor que podemos dar através daquilo que cantamos ou tocamos. Os ensaios também são muito importante: devemos ensaias exaustivamente até termos a música exatamente como ela é…

 

3. Deus exige que tenhamos habilidade ou seja, toquemos bem o instrumento: em Sm 16.17-18 vimos que o Rei Saul pede que tragam diante dele um “homem que toque bem” para afastar um espírito maligno que o possuía. Esse “homem” era Davi. Podermos ver que Deus só se agrada daqueles que aprimoram suas habilidades para levar diante do Senhor tudo o que temos. Os talentos são dados por Deus quando nascemos, não para que o enterremos, mas para que o façamos crescer em nós para depois dá-los ao Senhor com juros. E o Senhor se agradará de nós.. O Sl 33,3 nos diz: “Cantai-lhe um cântico novo, tocai bem e com júbilo”.

A TÉCNICA NOS LEVA A SERMOS MESTRES:

 

Vemos no livro de Crônicas que os levitas representavam os músicos (I Cr 15.22; 16.4-5 e que eram escolhidos por Deus pela sua habilidade (I Cr 15.16-19) e consagrados, isto é, viviam exclusivamente para levar o povo de Deus em adoração. Isto nos leva a termos consciência do nosso chamado como verdadeiros adoradores, sermos cheios do Espírito Santo e sermos comprometidos com a Igreja local e a sua missão. Todo este comprometimento com a obra nos leva a sermos mestres, ou seja, que tudo aquilo que aprendemos devemos passar aos futuros Ministros. Por fim, levantamos discípulos para que a obra do Senhor não pare na Igreja devido à nossa falta de conhecimento ou por sermos relapso com o Ministério. O Senhor mesmo disse “levantai discípulos”. Mas para isso devemos ter total consagração ao Ministério e ao Senhor. Lembre-se: quando levantamos discípulos traremos unção dobrada à Igreja.

Isto é um pouco daquilo que quero passar aos Levitas de outras Igrejas. Benê Gomes outro dia disse que a técnica é como um copo d’água e a unção a água. Bem, se o copo for pequeno, a unção será pouca. Mas se o copo for maior, a unção também será cada vez maior e maior. Quanto maior for o copo, mais cheia da unção ele ficará.

Por isso irmão, lembre-se: Deus usará você com aquilo que você tem. Se você não procurar aumentar o que você tem, de nada adiantará. Você será substituído por outro que esteja melhor preparado. Mas, o Senhor é fiel àquele que se dedica à sua obra. Por isso, seja um levita legítimo e seja substituído não pelo seu relapso, mas sim por ter levantado discípulos com unção dobrada dentro da Igreja a que congrega e o seu galardão no céu será grandioso na presença do Senhor.

 “Louvai ao Senhor ao som da trombeta, com o saltério e a harpa. Louvai ao Senhor com o adufe e a flauta, com instrumentos de cordas, com síbalos sonoros e vibrantes. Todo ser que respira, louve ao Senhor.”

Sl 150.3-6

Jejum e Oração !!!

1 Comentário

1 - Qual é a solução para Stevie?

2 – Jesus, o nosso maior Exemplo

3 – As transformações e os benefícios do jejum

 4 – Qual é a natureza de seu ministério?

 5 – Humildade: a posição de triunfo

 6 – Duas causas de acidentes no ministério

 7 – Flechas de dor, flechas de triunfo

 8 – Os pioneiros da oração e do jejum 

 9 – Oração corporativa e o avivamento do tempo do fim

 10 – Como liberar a unção apostólica

Capítulo 1

                    QUAL É A SOLUÇÃO PARA STEVIE?

No início de minha caminhada com o Senhor, fui trabalhar em um hospital para crianças com deficiência mental na cidade de Lubbock, Texas. Assim como Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, eu também fui impelido em meu próprio deserto no Texas; e este deserto era aquela entidade pública para crianças com sérios distúrbios mentais. Aquele era um dos lugares mais trágicos que eu poderia ter escolhido para trabalhar.

Os meus dias eram repletos de dolorosas horas de relacio­namentos com crianças emocional e fisicamente feridas numa at­mosfera tomada pelos mais fétidos odores que alguém possa ima­ginar. As crianças com as quais eu trabalhava não possuíam controle das funções intestinais. Muitas das vezes elas se lambuzavam com os próprios excrementos, as portas ou até mesmo quem esti­vesse por perto. Eu freqüentemente orava, “Senhor é este o Seu propósito? O Senhor realmente me trouxe até aqui?”.

Aquele lugar em Lubbock, Texas, foi minha escola particular em meu aprendizado sobre o Espírito Santo, pois, em meio a toda aquela penúria, compreendi que o Senhor havia me levado para aquele lugar, segundo a Sua soberana vontade a fim de ensi­nar-me sobre a Sua maravilhosa pessoa. Aliás, a maioria dos prin­cípios que eu uso em meu ministério hoje aprendi naquele lugar.

      Existiam naquele prédio centenas de pequeninos. A maioria deles tinha sido jogada ali ou simplesmente descartada pelos seus próprios pais.Embora eles estivessem sob a tutela do governo, na realidade, eles não passavam de pequenos fragmentos humanos, ignorados e indesejados por todos. O Senhor, no entanto, me lembrou as Suas palavras em Isaías 49:15: “Pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de modo que não se com­padeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esqueça, eu, todavia, não me esquecerei de ti”.O Senhor continuou dizendo: “Eu quero que você vá e ame estes pequeninos e seja o Meu em­baixador do amor”.Mediante essas palavras, não restava outra alternativa a não ser obedecer.

Nas primeiras nove horas de meu turno, trabalhava com o ambulatório infantil. Esta era a ala das crianças incapacitadas de andar. Posteriormente, me ocupava com a ala não-ambulatorial para trabalhar com bebês portadores de leves distúrbios cerebrais. Mui­tas destas crianças eram nascidas de mães viciadas em heroína e outras caíram ali após terem sido brutalmente espancadas e feridas por seus pais, em momentos de raiva ou quando em estado de delírio alcoólico. Estes pequeninos ocupavam os berços, até serem transferidos para camas.

Geralmente, sentado em uma cadeira de balanço, eu costu­mava tomá-las em meus braços e as embalava, enquanto orava em línguas (minha linguagem de oração em Espírito). Eu tinha certeza de que Jesus as amava e que certamente Ele colocara este senti­mento dentro de mim. Era como se Jesus tivesse tirado um pedaço de Seu coração e colocado dentro do meu. Como eu amava aque­les pequeninos!

O Senhor começou a curá-las

De repente, comecei a perceber que aquelas crianças que supostamente nunca andariam, estavam andando. Uma menina, cujo prontuário médico dizia que ela tinha nascido cega, começou a enxergar e a reagir! Todas as vezes que entrava em seu quarto, embora procurasse não fazer nenhum barulho, ela sempre se virava e olhava para mim estendendo suas mãozinhas. Oh! Que realidade tremenda! O Senhor começara a curar aquelas crianças.

Por aquele tempo fui designado para trabalhar num projeto que chamei de “Esforço para Adequação Psicológica” que tinha como objetivo ministrar, a alguns garotos, técnicas de modificação comportamental. Tais técnicas eram designadas para ensinar jo­vens com 15 a 16 anos a amarrar os cadarços ou ir ao banheiro sozinhos.

Eu jamais esquecerei o dia em que conheci um jovem de 16 anos naquele grupo, a quem chamarei de “Stevie”. Ele sofria da Síndrome de Down, retardamento mental, um tipo com redução drástica da capacidade intelectuais e certas deformações físicas. Stevie era afligido por outro mal ainda pior. Constantemente tinha crises, durante as quais era acometido de um sentimento de auto­destruição e batia no próprio rosto.

Esta equipe de psicólogos conseguiu permissão das autori­dades texanas para administrar terapia de choque elétrico em Stevie durante seis meses. Este procedimento era chamado de “operação negativa de condicionamento”, e tinha como objetivo modificar o comportamento de Stevie aplicando-lhe choques elétricos, sempre que ele começasse a se ferir.

Durante aquele período, os psicólogos fizeram um gráfico de seu comportamento e observaram que, ao contrário da melhora esperada, o seu quadro havia se agravado ainda mais. Tive a oportunidade de ver aquele gráfico e perceber que realmente, a aplicação de choque o havia piorado ao invés de melhorá-lo. A fisionomia do garoto tornou-se péssima. A pele de seu rosto cheia de feridas inflamada parecia mais um couro seco de jacaré, devido aos ferimentos constantes que ele fazia em si mesmo.

Não vislumbrando outra solução para o problema, por fim, os atendentes amarraram os braços de Stevie, de maneira que ele não podia alcançar o seu rosto.

        0 problema agora era outro: os garotos de seu dormitório,uma vez percebendo que as mãos de Stevie estavam amarradas para baixo, criaram uma nova brincadeira: corriam atrás de Stevie a empurrá-lo com força, até que ele perdesse totalmente o equilíbrio e caísse. Stevie não podia mais instintivamente proteger seu rosto, por causa das ataduras que prendiam os seus braços. Por isto, todas as vezes que os meninos brincavam, Stevie sempre caia brutalmente com o seu rosto em terra, sem conseguir se proteger ou amortecer a queda.

 

Qual era a solução para Stevie?

Na maioria das vezes o encontrávamos com o nariz, lábios e boca esguichando sangue. Em qualquer momento que o encon­trasse, Stevie era sempre capaz de sentir o amor de Deus fluindo de mim e geralmente, reclinava sua cabeça sobre o meu ombro e se desmanchava em prantos!

Finalmente, orei: “Senhor, uma vez o Senhor me disse que havia me enviado a este lugar para amar essas crianças. Portanto, qual é a solução para Stevie?”

Claramente, eu ouvi a voz do Espírito Santo me dizendo: “Esta casta de demônio não sai a não ser com jejum e oração”. Embora este versículo possa parecer bem familiar para você, ele soava como algo completamente novo em meu espírito naquele momento. Eu havia estudado por quatro anos em uma faculdade e me bacharelado em Teologia, no entanto, eu nem sequer sabia que o Espírito Santo tinha citado uma passagem da Bíblia, que se en­contra em Mateus 17:21!

Uma outra questão que eu tinha deixado de aprender du­rante os meus quatro anos de Seminário era a questão do jejum. Eu disse: “Jejum – ficar sem comida ou bebida?” A partir daquele exato momento eu não comi nem bebi nada mais e descobri que, quando nos abstemos de comida, geralmente sonhamos com fran­go, batatas fritas e deliciosos bifes. Eu também não tinha consciên­cia de que, quando ficamos sem água, as nossas prioridades mudam.

No terceiro dia de meu jejum eu comecei, por exemplo, invejar as pessoas quando as ouvia lavar as mãos na pia do banhei­ro. Uma vez, quando uma pessoa saiu do banheiro, eu lhe disse: “Você sabia que esta água poderia ser boa para beber?” O rapaz, confuso, respondeu: “Desculpe-me, mas eu não entendi”.Perce­bendo a insensatez das minhas próprias palavras, eu logo respondi: “Oh, nada, esqueça!”.

 

Agora, ore por Stevie.

No quarto dia, o Senhor me disse: “Agora você pode beber”.Então comecei a beber água. No entanto, apenas comecei a me alimentar no décimo quarto dia e então o Senhor me disse: “Agora, ore por Stevie”.

      Quando cheguei naquele dia, tomei Stevie e o levei para o meu pequeno escritório, e lhe disse: “Stevie, eu sei que a sua mente talvez não entenda o que estou dizendo, mas o seu espírito é eterno. Eu quero te dizer que eu sou servo do Senhor Jesus Cristo que estou aqui para pregar as Boas Novas a você. Também quero que você saiba que Jesus Cristo veio trazer liberdade aos cativos”.
      Havendo lhe falado estas palavras, eu continuei dizendo: Em nome de Jesus Cristo, eu te ordeno agora, espírito de auto destruí-ção: ‘Deixe esta vida em paz!” ‘ De repente, aquele rapaz foi como que arremessado, a quase dois metros de distância. Quando Stevie atingiu a parede, seu corpo foi elevado cerca de 30 centímetros acima do piso e, caindo novamente, soltou um longo gemido, ficando ali mesmo prostrado. Imediatamente comecei a sentir um terrível cheiro de ovos “podres” e enxofre queimado enchendo aquele recinto, mas que aos poucos foi desvanecendo.

Corri, então, rapidamente para Stevie, o tomei em meus braços e tirei as ataduras que haviam sido colocadas em seus bra­ços; enquanto isso, os seus olhos me fitavam com medo. Perceben­do que podia dobrar os braços, começou a tocar carinhosamente o seu rosto, a sentir os seus olhos, nariz e orelhas. Então, profunda­mente emocionado, começou a soluçar.

Aquele atormentado jovem, pela primeira vez na vida, per­cebeu que não estava tendo a compulsão de se ferir, pelo contrário; ele era capaz de afagar o seu próprio rosto, e a partir de então ter a certeza que fora totalmente liberto! – Naquele inesquecível mo­mento, o Senhor revelou-me quão poderosa arma ele havia nos dado para destruir fortalezas e trazer liberdade aos cativos. Dentro de poucos meses, todas as feridas no rosto de Stevie haviam desaparecido, porque ele parara de se ferir.

Sinceramente, você está lendo este livro por causa de Stevie. Eu agradeço a Deus por este jovem e a maneira como o Senhor usou aquela terrível situação para me comunicar esta verdade divi­na que estarei comunicando a você, caro leitor.

O milagre que nos coloca juntos nas páginas deste livro, realmente começou muito antes, ou melhor, em 1962, no meu dé­cimo-sexto ano de vida, no leste da África, em um país chamado Kênia. Eu fui criado em uma devota família hindu e o meu destino já estava traçado de acordo com a reputação das tradições india­nas: Por ser filho de um hindu, descendente de alta casta militar, fui versado nos escritos sagrados do hinduísmo e treinado para ser um líder.

Desde minha mais tenra infância, me ensinaram o mais im­portante princípio da nossa religião: “Busque a verdade.” E, obe­dientemente, sempre procurei pela verdade. Meus pais eram indianos, mas na verdade nasci e fui criado no Kênia e, embora tenha perdido meu pai com apenas cinco anos de idade, eu ainda era membro de uma privilegiada classe de guerreiros de casta elevada no mundo hindu.

A minha diligente procura pela verdade tomou, de repente, uma nova direção em um dia quente em 1962, quando a esposa de um missionário batista veio trabalhar com algumas crianças nos arredores de nossa casa. Por razões que somente Deus conhece, essa gentil senhora texana foi guiada a bater na porta de uma devo­ta família hindu para pedir um copo de água. Coincidentemente, eu estava lá.

Atendi a porta e, depois de servir-lhe o copo com água, ela me deu em troca uma Bíblia. (Não sabíamos, mas aquela simples troca da água pela Palavra redundaria na conversão de 700.000 pessoas ao Senhor Jesus Cristo nos anos que se sucederiam. Às vezes, não entendemos, mas o nosso mais insignificante gesto de obediência pode se destinar a propósitos que nunca imaginaríamos).

Comecei a ler a Bíblia porque, claro, estava buscando a verdade. Este livro trouxe-me o conhecimento da figura mais es­tranha que eu já li. O seu nome era Jesus Cristo. Como alguém que sempre procurou a verdade, fui cativado pelas incríveis palavras deste Homem: “E conhecereis a verdade e a verdade vos liberta­”.Eu disse para mim mesmo: “É isso mesmo, está certo.” e acabei lendo todo o livro de João.

Quando examinava a passagem onde Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao pai senão por mim”, em João 14:6, as escamas da cegueira caíram dos olhos daquele ferrenho guerreiro hindu de alta casta e tão orgulhoso de suas traduções. Estive sempre em busca da verdade e, de repente, entendi que Jesus Cristo era, e é, a Verdade. Todavia, apesar da­quela maravilhosa revelação, eu não O recebi como meu Senhor e Salvador imediatamente.

                       O preço era muito alto

Apesar da revelação que tinha obtido ao ler as Escrituras, eu me debatia interiormente sobre a questão de me tornar um cris­tão, pois tal decisão em minha vida era muito séria e demandava um preço que para mim parecia muito alto. Se ousasse confessar a Cristo, sabia que seria rejeitados por toda a minha família, incluin­do a minha mãe, minhas irmãs e irmãos. Sem dúvida, perderia também toda posição e regalias que possuía no mundo hindu. Ali­ás, até onde eu tenho conhecimento, eu seria a primeira pessoa de minha casta a virar as costas para a fé hindu. Finalmente, eu disse para mim mesmo: “Eu não vou mais ler a Bíblia. Eu não quero mais nem pensar em Jesus Cristo”.

Em meio às minhas cogitações, de repente, caí em sono
profundo. Foi tudo tão estranho! Eu não havia recebido nenhuma
pancada na cabeça ou tomado algum sonífero no entanto, não podia resistir ao sono. Aquele acontecimento era algo fora do comum. Instintivamente minha cabeça se inclinou sobre a mesa e fui instantâneamente em espírito para um lugar que eu nunca havia estado antes. Eu estava andando em ruas de ouro e ouvia as mais
lindas e harmoniosas vozes cantando canções que nunca tinha ouvido antes. Eu estava em perfeito “êxtase” (como diria um hindu!).
       Existia tremenda beleza e perfeição ao redor de mim, porém tudo aquilo se tornou insignificante quando eu vi a fonte de
toda a perfeição e beleza andando em minha direção. Eu vi uma
luz que brilhava mais que dez mil vezes do que o sol, no entanto,
toda aquela luminosidade não queimava os meus olhos. Ele vinha
em minha direção e não sei como explicar, mas tinha certeza que
aquela pessoa maravilhosa era Jesus. Eu jamais esquecerei a beleza de Seus olhos e a profundidade de Seu olhar. Era como que se
Ele tivesse sentido toda a dor do mundo, derramada toda a lágrima
que já fora derramado na terra. O amor puro emanava de Seus olhos em perfeita combinação de vitória e triunfo… Então Ele che­gou e colocou Suas mãos em meus ombros e docemente me disse: “Meu irmãozinho…”

De repente acordei e descobri que a Bíblia a mim oferecida por aquela gentil senhora batista, estava aberta no evangelho de Mateus naquela passagem que Jesus conversava com o jovem rico. Jesus disse a ele: “Se você quiser ser perfeito, vá, venda tudo o que você tem e dê aos pobres e terás um tesouro no céu. Então vem e segue-me”.Aquele jovem porém ouvindo esta palavra reti­rou-se triste, porque possuía muitas propriedades.. Então Jesus disse aos discípulos: “Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus”.

Eu cuidadosamente li aquela passagem e observei que aquele jovem rico que havia encontrado com Jesus, acabou indo embora por exatamente pensar que o preço era muito alto. Neste momen­to, o Senhor disse ao meu coração as seguintes palavras: “Você também vai para o mesmo caminho deste jovem?”- “Não, Senhor.” – respondi imediatamente e recebi o Senhor Jesus como o meu Salvador, quebrando assim inúmeras gerações de rigorosa tradição religiosa e extrema fidelidade ao hinduísmo.

Anos depois, mudei do leste da África para os Estados Unidos,onde o Senhor proporcionou-me esta gloriosa experiência com Stevie. Estudei em uma Universidade Cristã, obtendo o grau de bacharel em Teologia, depois parti para uma Universidade secular. Posteriormente intentava alcançar o meu P.H.D. em Litera­tura. Confesso que estava muito orgulhoso de minha inteligência.

Em meio a minha diligente busca de minha realização intelectual e valorização própria através de cursos de graduação, rece­bi noticias que minha mãe estava morrendo de câncer em Londres (para onde toda a minha família havia se mudado), que lhe havia acometido ossos. Os médicos lhe davam apenas algumas semanas de vida pois ela tinha uma forma intratável de câncer nos ossos que estava comendo o seu corpo.

 

Eu precisava ir ao fundo do poço

Eu não vislumbrava respostas para meus dilemas e, muito menos, para minha mãe. No entanto ela estava morrendo e cha­mando por mim. Eu era apenas um pobre estudante no Texas sem a mínima condição financeira para ir à Inglaterra. Estava simples­mente quebrado. Eu havia chegado ao fim do poço; tudo o que eu podia fazer era chorar incontrolavelmente. Finalmente, depois de três dias de lágrimas e sofrimentos, tive uma excepcional experi­ência na terceira noite.

      Novamente aquela visão. Fui tomado em sono profundo e
levado para aquele mesmo lugar, onde, anos atrás, tinha visto ruas
de ouro. Desta vez eu me encontrava em lugar gramado prostrado
aos pés de Jesus, contemplando a Sua face e o adorando com um
cântico. Mais uma vez o Senhor colocou as Suas mãos sobre os
meus ombros e eu estava surpreso em constatar que O louvava
com um cântico em uma língua que eu não podia entender. Então
acordei e, no meu íntimo, sabia que alguma coisa havia acontecido
no mundo espiritual. Senti um grande desejo de orar e apenas disse: “Senhor Jesus”. Naquele momento, um forte vento entrou pelo
o meu quarto e, imediatamente, comecei a sentir alguma coisa borbulhando dentro de mim. Quando tentei abrir a minha boca, uma
canção saiu da minha boca em uma língua desconhecida. Neste
momento, a minha parte intelectual disse: “Oh, isso é muito estranho!”; porém o resto de meu ser parecia dizer: “Isso pode parecer
estranho, mas é a melhor experiência que já tive em minha vida.”
Mesmo sem entender uma palavra, continuei cantando aquela estranha e doce canção por uma hora e meia. A única pessoa
espiritual que conhecia naquela época era uma senhora que eu havia encontrado na Faculdade. Eu simplesmente não podia esperar
para compartilhar com alguém sobre o que tinha acontecido comigo, então fui correndo me encontrar com a irmã Marsha. Quando a vi, fui logo dizendo: “Irmã Marsha, deixe-me dizer o que aconte­ceu comigo hoje!” Depois de contar-lhe acerca de minha experiên­cia, lhe perguntei preocupado: “Eu estou ficando doido?” – Jamais esquecerei a sua resposta. Ela colocou seus livros sobre a mesa, olhou para mim e com regozijo em sua voz me disse: “Louve ao Senhor, meu irmão. Você foi batizado no Espírito Santo”.

O Espírito Santo se tornou muito real em minha vida a par­tir daquele dia. Ele começou a falar comigo e logo descobri que Ele é uma pessoa. Ele me disse: “Jesus é o mesmo ontem, o mes­mo hoje e o será para sempre”.Eu ainda não tinha lido estas pala­vras em Hebreus 13-8, então eu disse: “Uh?” Ele respondeu: “Je­sus é o mesmo ontem, hoje, e para sempre. “

 

Ore pela sua mãe!

E mais uma vez o Senhor falou: “Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente”.Finalmente orei e disse: “Senhor, o que está tentando me dizer?” Ele disse: “Jesus curou a 2.000 anos atrás e Ele ainda cura hoje.” Então disse: “O que o Senhor quer falar-me com essas palavras?”- Neste instante o Espírito docemente me dis­se: “Ore pela sua mãe!”

Bom, diante de tão grandioso comando, me prostrei para unir como me fora dito. Alguns dias mais tarde recebi as boas novas que minha mãe havia sido totalmente curada de sua enfermidade terminal! Depois de sua cura ela ainda viveu vinte quatro anos, tendo ainda a oportunidade de receber Cristo como seu Salvador antes  morrer.

Após esta maravilhosa experiência de batismo, o Espírito Santo começou a conduzir todo o meu viver.  Neste período, o Senhor impulsionou-me a trabalhar em Lubbock, Texas, onde en­contrei Stevie e muitas outras crianças preciosas e necessitadas do amor de Deus. A verdade sobre o jejum que aprendi naquele lugar se tornou uma palavra viva e cortante em meu viver e isto aconte­ceu acerca de um quarto de século atrás. Comecei a jejuar uma vez por semana em 1971.

Em 1972, jejuava três vezes por semana e depois períodos de sete e quatorze dias consecutivos. Durante o ano de 1973, fui conduzido a jejuar vários períodos de 7 e 14 dias consecutivos sempre dependendo das instruções do Senhor (recomendo consul­tar um médico antes de entrar em um propósito de jejum, especial­mente em caso de gravidez ou estando sob tratamento médico).

 

Entre agora no propósito de dois períodos de 40 dias de jejum!

No ano de 1974, pastoreando uma igreja em Levelland, Texas, o Senhor conduziu-me a entrar num período de 40 dias de jejum. Jejuei, portanto, por 40 dias e desfrutei de muita graça do Senhor. No ano seguinte, mais uma vez o Senhor impulsionou-me a observar um período de 40 dias de Jejum e posteriormente, vári­os períodos de 14 e 21 dias consecutivos. No ano de 1976, casei com Bonnie. Naquele mesmo ano, o Senhor , mais uma vez, me conduziu ao jejum. Todavia, desta vez, a direção era para dois períodos de 40 dias. Nos anos que se seguiram, estive sempre com o propósito de dois períodos de 40 dias de jejum por ano e pelo menos dois períodos de 21 dias.

Em 1977, fui conduzido novamente pelo Espírito a outros dois períodos de 40 dias de jejum. Desta vez porém, adicionei mais alguns dias de acordo com as impressões específicas que re­cebia do Espírito. Nos anos seguintes segui este procedimento até o ano de 1988. Em 1989, todavia, a direção do Espírito era o propósito de apenas um período de 40 dias de jejum. Ao todo, o Espírito me guiou
a 29 períodos de 40 dias de jejum, sendo que nas primeiras 19 vezes me limitei a tomar somente água e nos seguintes o Senhor me permitira tomar sucos. Segundo minha esposa, contando todo este tempo, eu jejuei uma média de 120 dias por ano desde o início de meu ministério.

       Na verdade, eu não entendia completamente o que o Se­nhor fazia naqueles dias, mas tinha certeza que O amava. Tinha certeza também que Ele me conduzira a orar e jejuar por Seu povo. 0 meu único objetivo era obedecê-Lo. Todos que me conheciam ou estavam intimamente associados comigo como pastor ou líder sabiam acerca dos meus períodos de jejuns. Porém, por mais de uma década eu não fui permitido pelo Senhor anunciar, explicar ou ensinar sobre a minha vida de jejum nas reuniões públicas. Ele estava fazendo um trabalho secreto e apenas recentemente, segundo o seu expresso comando, compartilhamos abertamente sobre esta prática legada à sua igreja pelo Senhor Jesus. O fazê-lo em secreto, parece-me ser a forma de jejuar na maioria das vezes.

 

Nem todo mundo entendeu

       Rapidamente descobri que nem todo mundo entendeu ou aceitou o que eu estava fazendo. Alguns me acusaram de me comportar como um fanático; outros simplesmente pensaram que eu havia me tornado muito religioso. O meu pior crítico dizia que eu estava buscando a minha própria justiça. Tenho que admitir que aquelas censuras e mal entendimentos foram muito dolorosos.Todavia, estava convicto que quando ouvimos a voz do Senhor precisamos obedecê-la.

       Portanto, às vezes, é inevitável que a nossa total obediência a imperativos divinos criem oposição, mesmo entre os irmãos. Muitas das vezes também este mal é causado pelo inimigo de nossas almas, que agirá de alguma forma para levantar oposição con­tra toda e qualquer atividade que venha representar ameaça ao seu império das trevas. Meu querido irmão, quando você estiver em guerra espiritual através de oração, louvor, adoração e jejum, pos­so garantir que o inimigo insurgirá com dificuldades e obstáculos espirituais no seu caminho.

Nos anos e décadas que se passaram, desde que Deus me revelara o poder secreto do jejum, através da libertação de Stevie, esta revelação se tornou uma palavra viva e fundamento em minha vida e ministério em Cristo. Agora, entendo que Deus me tem or­denado a restaurar esta verdade acerca da prática do jejum na igre­ja nestes últimos dias. O jejum foi um aspecto importante na vida da Igreja neotestamentária assim como o é na Igreja destes últi­mos dias. O Senhor com certeza conduziu-me a 29 períodos de jejum para fazer-me conhecedor desta verdade fundamental, pois não podemos comunicar nenhuma verdade espiritual, a menos que esta seja uma realidade concreta em nossas vidas.

Foi há apenas dez anos atrás o Senhor me disse: “Agora que você tem esta verdade em seu coração, Eu te dou autoridade para repartir com a Igreja nestes últimos dias, para homens e mu­lheres que estarão realizando a minha obra.” Neste mesmo instante em que escrevo estas palavras, sinto o cumprimento do propósito de algo eterno. Este livro é parte do fruto da semente semeada durante todos aqueles anos de obscuridade quando tudo que sabia era que eu estava obedecendo a palavra vinda do Trono.

       Deus talvez, nunca te pedirá para estar jejuando durante 40 dias (se Ele o fizer, você será capaz de fazê-lo por meio de Sua graça), no entanto um fato é incontestável: como membros da Igre­ja de Cristo, Deus espera que cada um de nós observe a necessidade da prática do jejum em nosso viver diário. Isto é na verdade, uma parte indispensável de nossas vidas como membros da vinha do Senhor e da gloriosa Noiva, além de ser também um estilo de vida segundo o nosso modelo maior de vida, Cristo.

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo 2

 

JESUS, 0 NOSSO MAIOR EXEMPLO

 

Jesus transformou a vida de Seus discípulos quando, pouco depois de Sua ressurreição, apareceu a eles no exato momento em que se encontravam lacrados entre quatro paredes, desmanchando-se de medo. Ele disse a eles: “Assim como o pai me enviou, eu vos envio a vós”.(Jo 20:21b) Preferimos pensar que esta passagem é realmente maravilhosa para ser lida, ao invés de procurarmos ser tocados pelo o seu significado real – ou seja, um insondável cha­mado a segui-Lo e alcançar o mundo com as Boas Novas de Seu Evangelho.

   “Como o pai me enviou, eu também vos envio a vós. (Jo 20:21b)

        Esta é a gloriosa palavra do Senhor para todo discípulo que esteja disposto a ouvir a Sua voz. Você é um discípulo de Jesus? – Você deseja ser Seu discípulo? – Então repita agora comigo onde você estiver: “Como o Pai enviou Jesus, Ele também está me enviando!” O Senhor Jesus é o nosso maior exemplo de vida, fé e ministério. De acordo com Sua palavra, você e eu somos comissionados e ungidos para seguir os Seus passos como “envia­dos” ao mundo.

       Às vezes fico um pouco irritado com pessoas que não têm a completa visão do amor de Deus aos perdidos. É impossível, ao lermos as Escrituras Sagradas, não captarmos a vastidão de Seu amor ao homem caído. Quando falamos em alcançar as nações e salvar centenas de milhares de vidas em nome de Jesus, elas geral­mente dizem: “Isto é um absurdo! Você não está sendo prático ou sensato”.

Estou convencido de que estas palavras teriam soado ainda mais absurdas e não muito práticas se Jesus as tivesse proferido àqueles medrosos discípulos escondidos naquele lugar. Talvez es­tas poderiam ter sido as Suas palavras àqueles homens: “Vocês vão transformar o mundo e refazer sua história. Isto mesmo, até mes­mo a história do Império Romano e das nações gentias, acerca das quais vocês nem ouviram falar”.Com certeza, se o Senhor tivesse lhes feito este comunicado, isto soaria muito longe da realidade deles, mas na verdade foi exatamente isso que aconteceu após o estabelecimento da Igreja. O fato é que o Senhor os enviara e nos envia da mesma forma que o Pai o enviou. Algum tempo após aquele importantíssimo encontro entre o Ressurreto Senhor e Seus frágeis discípulos, um exército ungido se levantou e seguiu adian­te cheio do Espírito Santo. Este grandioso exército se movia im­placavelmente de cidade em cidade, de nação em nação. Eles pro­clamavam o evangelho do Reino que mudava o destino da humani­dade e transformava vidas onde quer que fossem. Aquele exército está se levantando novamente em nossos dias!

Jesus foi enviado para realizar uma obra. Ele, como o nos­so Mestre, nos concedeu a mesma visão, autoridade e responsabi­lidade! No momento em que recebemos as Boas Novas de Jesus em nossas vidas, fomos instantaneamente feitos novas criaturas e “transformadores sobrenaturais” da história. Podemos, sem som­bra de dúvida mudar o destino de nossa igreja, nossa cidade, nosso país e até mesmo outras nações ao nosso redor através de nossa obediência à visão celestial a nós revelada pelo Senhor Jesus. Para isto vamos precisar do poder de Deus. O segredo deste poder para a realização de Sua obra encontramos em Sua própria Palavra:

      “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço. E as fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai. E farei tudo que pedirdes em meu nome, para que o Pai seja glorificado no filho.

(Jo 14: 12:13)

De uma coisa podemos estar certos; o Senhor não limitou esta declaração somente para aqueles que creram Nele no primeiro Século, para Seus apóstolos ou aos judeus ortodoxos. Em outras palavras, não importa em qual século você esteja vivendo, pois a única condição necessária para fazer as mesmas obras que Ele fez; ainda é a mesma: “Simplesmente crer Nele.”

Eu, sinceramente, louvo a Deus pela vida de nosso querido irmão Billy Graham, por Charles Finney, John Wesley, Martin Luther King e tantos outros intrépidos no Senhor, todavia eles não são o padrão, o qual devemos almejar. Esta honra esta reservada somente para o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Tenho certeza de que estes homens concordariam comigo. O meu maior dese­jo nestas páginas é fazê-lo ver com a maior clareza possível o exem­plo que temos para ser imitado em Cristo Jesus, tanto em vida, quanto em chamado e ministério.

 

Oculto do mundo

 Embora Jesus Cristo tivesse investido três longos anos de Sua vida treinando, revelando-Se, instruindo e dando aos discípulos, aqueles homens que o haviam acompanhado tão de perto ficaram desalenta- dos quando Ele foi crucificado. Eles enterraram o seu líder, e com Ele,os seus sonhos. A esperança deles parece ter sido selada na tumba com o corpo de Jesus. O problema, na verdade, era que eles não podiam entender o que realmente estava acon­tecendo no domínio espiritual. Eles também não tinham a mínima idéia que estavam destinados a desempenhar um papel sobrenatu­ral no estabelecimento da Igreja que é, igualmente, sobrenatural. O Mestre na verdade ainda não tinha terminado o Seu trabalho: “Che­gando à tarde daquele dia, o primeiro da semana, e estando cer­radas as portas do lugar onde estavam os discípulos, com medo dos judeus, chegou Jesus, pôs-se no meio e lhes disse: “Paz seja convosco!” (Jo 20:19)

Bom, não sejamos tão apressados em julgar aqueles pobres homens pelo fato de terem se escondido do mundo lá fora. Nós, na verdade, estamos nesta mesma situação! A Igreja em nossos dias, em sua maioria, está se ocultando das pessoas feridas e desalenta­das deste mundo. Infelizmente, este isolamento tem se perpetuado século após século. Qual é o motivo deste tão “confortável” escon­derijo? – Eu acredito que é devido ao fato de termos apenas o suficiente da vida de Deus para “sobrevivermos” e manter o nosso “estilo de vida”.Todavia, não temos vida o suficiente para nos aventurarmos e, ousadamente, ir por todo o mundo para ministrar aos feridos como Jesus o fez.

Depois de terem, momentaneamente, perdido Jesus de vis­ta, aqueles discípulos passaram a ter apenas o suficiente para “so­breviverem”.Eles haviam subestimado o poder de Deus em cum­prir os Seus planos. Eles pensavam: “Se mataram o nosso Mestre, certamente matarão a nós também”.O motivo deste pensamento era que eles tinham uma perspectiva incorreta de quem de fato era Jesus. Eles O tinham apenas como o homem que tinha sido cruci­ficado e não como o Deus-homem que havia se entregado e que ressurgiria da morte. Naturalmente, não compreendiam também quem eram em Cristo e qual era o Seu propósito: Mudar a história do mundo através deles.

Nós o ouvimos pregando a Palavra!

Há vários anos atrás, realizei uma cruzada na Costa Rica. Naquelas reuniões, o Senhor operou tremendos milagres como confirmação da Sua própria Palavra que estava sendo pregada. Além do glorioso mover de Deus naquele lugar, as nossas mensagens também foram transmitidas simultaneamente por toda a Nicarágua, Panamá e Costa Rica, inclusive no serviço público de transmissão do Aeroporto. No terceiro dia de nossa cruzada naquele país, meu filho mais velho e minha esposa voaram para estarem comigo. Logo ao chegarem ao aeroporto, a primeira coisa que ouviram foi a voz do papai ministrando.

Jamais esquecerei o momento em que meu filho de 10 anos chegou perto de mim naquele dia com sua face radiante de felicidade e orgulho. Ele me disse: “Papai nós ouvimos a transmissão de sua pregação no aeroporto!” Me abençoou muito a alegria de meu filho em ver que a Palavra estava sendo proclamada. Na verdade, meu filho sempre teve um coração muito inclinado para missões e sempre impus a mão sobre ele e orei: “Senhor, se ainda o tardares a voltar, eu peço a Ti que use o meu filho Ben em Sua obra de maneira poderosa e que ele seja mais eficiente que eu”.Creio que assim devem ser os corações dos pais, não é mesmo? O profundo desejo de meu coração é que meus filhos sejam bem mais aptos a realizarem a obra de Deus do que eu e minha esposa.

      O Senhor Jesus revelou o coração de nosso pai celestial quando Ele disse: “… farás as obras que Eu faço. E as fará mai­ores do que estas, porque eu vou para o pai. ” (Jo 14:12b) Este é o encorajamento, a tônica da visão celestial, a oportuna palavra do Senhor para a nossa geração! Se, de fato, estamos nos aproximando do final dos tempos e da vinda do Senhor, esta palavra será rapidamente cumprida em nossos dias. Portanto, se Jesus está voltando, brevemente esta promessa divina deve primeiro se tornar realidade na minha e na sua vida. Eu te asseguro que ainda nessa geração veremos coisas grandiosas acontecerem!

 

Quais são as obras de Jesus Cristo?

Uma vez que Jesus Cristo é o nosso maior exemplo e, le­vando em consideração que fomos ordenados a realizar as mesmas obras e ainda maiores, precisamos olhar para estas obras e ter ple­no entendimento do suprimento que temos em Cristo. O quarto capítulo do livro de Lucas nos revela a primeira obra de Jesus: Ele estava cheio da unção do Espírito Santo.

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito Santo ao deserto onde por quarenta dias não comeu coisa alguma, e terminados eles, teve fome”.   (Lc 4:1,2)

A Palavra nos diz que Jesus estava com fome, mas não nos relata nada se estava com sede. Em outras palavras, Jesus jejuou por quarenta dias bebendo somente água. É de suma importância você observar uma particular frase no registro sagrado: “cheio do Espírito Santo…” Jesus estava cheio do Espírito antes de ser leva­do pelo próprio Espírito ao deserto. Ele jejuou por 40 dias e en­quanto isso era tentado. Finalmente, conclui aquele período no deserto em um confronto com o diabo.

Satanás procurou tentar Jesus com as três maiores tenta­ções que ele sempre usou contra o homem:

Primeiro: Ele questionou a identidade do Senhor como o Filho de Deus e tentou levá-Lo a usar o Seu poder em benefício próprio em sua sugestão de transformar pedras em pão e satisfazer a Sua fome.

Segundo: O diabo tentou o Senhor a tomar para si a autori­dade e glória de todos os reinos deste mundo. Se assim o Senhor fizesse, o diabo teria alcançado o seu objetivo: ser adorado.

Terceiro: Satanás novamente questionou a identidade do Senhor usando citações das Escrituras para seduzi-Lo a se lançar do penhasco, colocando assim, Sua confiança nos anjos para salvá­-Lo. Esta atitude novamente tinha como objetivo fazê-lo provar al­guma coisa. Jesus, no entanto, derrotou o tentador todas as vezes usando a palavra de Deus, sempre dizendo: “Está escrito. “

Estas três formas de tentações continuaram sempre se ma­nifestando de alguma forma durante o ministério de Jesus aqui na terra. Na cruz, por exemplo, Ele foi desafiado a agir em legítima defesa, a salvar-se a si mesmo para provar, quem de fato, Ele era. Semelhante ato, com certeza, teria trazido frustração ao plano de Redenção do Pai. Ele também foi tentado pela multidão a apoderar do trono e se tornar um Salvador político de Israel ao invés de Redentor espiritual. Finalmente, o desafio escarnecedor de fazer Jesus chamar os anjos enquanto Ele estava na cruz foi também uma repetição da terceira tentação, que levaria Jesus a desistir de Sua vida e a confiar nos anjos para salvarem-na. Jesus, voluntariamente, entregou a Sua vida para o resgate de muitos. Ele recusou ser salvo da morte – Pelo contrário, Ele decidiu enfrentá-la e destruí-la para sempre.

 

O Segredo do Poder      

Como poderia Jesus fazer tantas coisas e executar tão espantosos milagres que vemos através dos quatro evangelhos? – O segredo de Seu poder é encontrado em Lucas 4:14 que diz assim:

“Então pelo poder do espírito voltou Jesus para a Galiléia…”.

Observe cuidadosamente as diferenças entre os versos 1 e 14 deste mesmo capítulo de Lucas: Antes da tentação no deserto, a Bíblia diz que Jesus foi cheio do Espírito Santo. Entretanto, veja o verso 14, no final da tentação no deserto por 40 dias, no término dos 40 dias de jejum. Jesus havia derrotado o inimigo totalmente e saído daquela experiência no “poder do Espírito!” Se nos deter­mos nestes versículos, perceberemos que existe uma clara diferen­ça entre “estar cheio do Espírito” e “operar no poder do Espírito!” Alguma coisa havia transformado Jesus de um homem cheio do Espírito para um homem que andava no “poder” do Espírito. Oh, irmãos, como precisamos também fazer do segredo do poder de Jesus o nosso segredo. Ele é, afinal de contas, o nosso Mestre e o nosso maior exemplo de vida.

Este foi o segredo que o Senhor revelou em minha experi­ência de deserto, quando trabalhei com Stevie e as demais crianças em Lubbock, Texas. O deserto, este é o lugar onde Deus quer que todos nós, Seus filhos, se movam. Muitos de nós funcionam no nível de estar cheios do Espírito e firmemente acreditam que o estar cheio do Espírito Santo é simplesmente maravilhoso. Porém, este é apenas o primeiro estágio de nosso progresso depois de nos­sa salvação. Precisamos perseverar em alcançar o nosso progresso espiritual.

     Mudemos do “estar cheio” para o    “mover no Poder do Espírito”

Jesus Cristo nos mostrou o caminho e, pessoalmente, foi modelo para nós. Ele nos demonstrou que o estar cheio do Espírito em si não nos faz aptos para estarmos funcionando na plenitude de Seu chama- do em nossas vidas. Precisamos estar dispostos a nos submetermos à disciplina do Espírito e, a partir daí, o Senhor tratará conosco em pontos cruciais de nosso ser, como: a vida de ora­ção, jejum e habilidade no manejar da Palavra de Deus. Uma vez sendo tratados nestas áreas, estaremos plenamente funcionando no poder do Espírito Santo.

A Palavra de Deus tem ocupado um lugar de destaque por séculos e temos aprendido muitas coisas em todos estes anos. Em nossos dias, estamos crescendo muito e dando passos mais defini­tivos em obediência à disciplina da oração, todavia o jejum é raramente praticado e continua sendo um mistério para a Igreja Moderna. Não obstante, nele temos a principal chave para avançarmos além do ponto de estarmos “cheios do Espírito” para o mover ple­no da plenitude de Sua vida em nós.

Jesus completou o “processo” do “estar cheio do Espírito” e “mover-se no poder do Espírito” em 40 dias mas, provavelmente, eu e você levaríamos bem mais tempo. Os discípulos estiveram com Jesus por três longos anos e, durante este tempo, foram disciplinados sob a unção de Jesus Cristo. Vemos, portanto, que somente depois do “deserto” da pós-crucificação e o tempo de jejum e oração no cenáculo quando todos foram cheios do Espírito Santo. Eles receberam o “dunamis”, ou melhor dizendo, o poder do Espírito Santo os capacitou a proclamar o Evangelho com autoridade, mesmo em face a toda oposição.

     0 meu desejo é que você compreenda que o jejum leva o poder do Espírito em nossas vidas a ser liberado. Não significa, necessariamente, que você “receberá” mais graça de Deus. Todavia, Ele facilitará o livre fluir do Espírito Santo de Deus através de Você dissolvendo e removendo tudo aquilo que não tem nada a ver com Cristo em sua vida.

    Se você, tão somente, se entregar ao Senhor em comprometimento a uma vida de jejum e oração, a unção do Senhor começará a fluir através de seu viver. Esta, portanto, é a “primeira obra ” que somos chamados para fazer. O início ou o primeiro trabalho de Jesus antes de iniciar Seu ministério no poder do Espí­rito foi jejuar e empreender uma luta espiritual na oração e na Pa­lavra.

     Eu, particularmente, não acredito em acidentes no Reino de Deus. Não é por acidente que você está lendo estas palavras. Creio que você foi guiado a fazê-lo movido pelo Espírito porque, na verdade, você é um dos escolhidos pelo Senhor para servi-Lo em Seu exército neste tempo do fim. Você foi chamado e ungido para “realizar as obras que Cristo realizou e ainda maiores”.

Deixe-me rapidamente dizê-lo que você não precisa estar dramaticamente empreendendo longos períodos de jejum para re­ceber os benefícios do jejum e da guerra espiritual. Nem todo mun­do é chamado a fazer o que Deus demanda de certos líderes orde­nados para trazer a revelação de grandes verdades da parte de Deus. Eu tenho observado que, no decorrer dos anos, Deus sempre tem levantado certos homens e mulheres para receberem e viverem, de maneira prática, algumas verdades em profundidade, e assim, se­rem capazes de ensinar a outros com autoridade comprovada. Foi isto que aconteceu comigo. O Senhor levantou-me para ensinar com autoridade sobre a verdade gloriosa do jejum e da oração. Todavia, isto somente foi possível após tais verdades se tornarem cristalizadas em minha vida, no decorrer de duas décadas. O mes­mo podemos dizer de Mike Bickle, um pastor em Kansas city que orava e intercedia numa média de seis a dez horas por dia, por uma década ou mais. Hoje ele ensina acerca da oração com muita auto­ridade e humildade, pois não fala de uma “teoria”, mas de uma verdade baseada em uma sólida experiência de aplicação de prin­cípios de oração encontrados na Palavra.

Não se condene quando, por exemplo, ouvir ou ler acerca das “proezas” de alguns líderes e diga: “Oh, eu nunca serei capaz de fazer isso” ou, “Nunca serei capaz de me equiparar a eles.” Ora irmãos, nunca foi desejo de Deus que você se comparasse com alguém. O propósito e a atuação Dele em sua vida é realizado de acordo com a Sua própria soberania. O Senhor nos dá tais pessoas como exemplo para nos aperfeiçoarmos Nele em determinadas áreas de importância em Seu plano e propósitos para as nossas vidas.

A diferença entre a Unção do Espírito e o Poder do Espírito é enfaticamente ilustrada no incidente descrito no capítulo 17 do Evangelho de Mateus, logo após a transfiguração de Jesus no monte:

 ”E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse:

Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e outras muitas na água. Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Jesus então exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino.

E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e desde aquela hora ficou o menino curado.

Então os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Porque motivo não pudemos nós expulsá-lo? E Ele lhes respondeu: Por causa da pequenez de vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiveres fé como um grão de mostarda, direis a este monte: passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível. Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum”.   (Mt   17:14-21)

 

O motivo de Jesus ter sido tão “rigoroso” com os seus discipulos,

foi o fato Dele já haver delegado a eles Sua autoridade ( ou unção )como representantes do Reino. Em Mateus, capítulo 10, Ele disse:

       ” Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos e expulsai demônios. De graça recebei, de graça dai.” (v.8 )

Os discípulos haviam desfrutado grande sucesso naquela escolha missionária” relatada no capítulo 10. Entretanto, aqueles tão bem sucedidos missionários foram confrontados com um espí­rito maligno que não se rendia à autoridade outorgada a eles. Ape­sar de todo entusiasmo da experiência anterior, ao orarem por aquele menino, foram categoricamente derrotados pois não tinham poder suficiente para expelir a casta de demônios que controlava o garo­to. Alguma coisa os bloqueava. Alguma força ou potestade resistia à libertação. Existia uma nuvem opressora naquele garotinho que havia minado e colocado em descrédito a unção que os discípulos possuíam. O Senhor, no entanto, entrou em cena quando a credibilidade de Seus, ministros estava totalmente comprometida. Qual era o problema? – O pai do menino disse que seu filho era afligido por epilepsia, todavia o Senhor não o curou mas expulsou o demônio que causava aquela doença.

Mais tarde, quando Jesus se encontrou a sós com os Seus discípulos, Ele lhes comunicou um dos mais importantes princípi­os que um filho de Deus possa aprender no sentido de sempre alcançar vitória sobre grandes obstáculos e fortalezas que o inimi­go possa lançar em sua vida, em seu caminho e ministério. Este princípio, no entanto, apenas pode ser percebido e recebido na re­alidade do mundo espiritual, porque a nossa vitória é primeira­mente nas regiões celestiais. Por isto precisamos estar conscientes de que Deus nos tem dado armas poderosas para desmantelar toda e qualquer fortaleza como nos diz o apóstolo Paulo em sua Segun­da carta aos Coríntios 10:3-6:

      “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conheci­mento de deus, e levando cativo todo o pensamento a obediência de Cristo. E estado prontos para vingar toda a desobediên­cia, quando for cumprida a vossa obediência. “

 

Uma vez que nossas armas (e portanto, a nossa vitória) não são encontradas no domínio natural da “carne e do sangue”, o nosso inimigo, Satanás, fará de tudo para nos arrastar para uma batalha e um combate de atmosfera natural e carnal. A maneira mais efetiva para mim e para você colocar a nossa carne em seu próprio lugar e andar em Espírito é jejuar e orar. Se o Filho de Deus jejuou e orou em “busca” de vitória em Seu ministério terreno, por que eu e você deveríamos pensar que estamos isentos destas coisas?

Jesus espera que você jejue e ore. Em Mateus 6:5-7, Ele não disse: “Quando você sentir o desejo de orar…” De maneira alguma! Mas o Senhor docemente nos diz três vezes: “E quando orares… “

Da mesma maneira, o nosso Senhor jamais disse: “Se um dia você decidir a jejuar, embora eu saiba que isso seja quase impossível para você…” em Mateus 6:16, 17. Ele simplesmente disse “… quando jejuardes… ” Ele não nos deu uma segunda opção.

Ele considerou estas práticas como algo natural, inerente à vida Cristã Em outras palavras, o Senhor deixou bem claro a Seus discípulos e interlocutores que a “oração” e o’jejum” desempenhariam um importante papel em suas vidas após a Sua partida. As palavras do Senhor não mudaram e ainda são válidas em nossos dias. Se você é um discípulo do Senhor Jesus também orará. Se você é um  discípulo,  então você jejuará.

    O desejo do Senhor é liberar sobre nossas vidas porção dobrada de Sua unção de tal maneira, que sejamos capazes de trazer sempre que for preciso, uma palavra de autoridade para cura, libertação e restauração. Se tivermos esta porção da unção do Se­nhor em nosso viver diário, seremos capazes de liberar uma pala­vra com a mesma autoridade daquela que os discípulos testemu­nharam na libertação daquele menino epilético. Amados, estamos presenciando o mundo sendo devastado ao nosso redor, portanto, já é tempo de realizarmos as obras de Jesus para transformá-lo.

No livro de Joel, a palavra veio ao profeta “intimando” os anciãos, os filhinhos, os que mamam e até mesmo o noivo e a noiva, que esperavam pela cerimônia de casamento, a se “consa­grarem” como nação diante do Senhor (veja Jl 2:15). A oração para a restauração era urgente. Deus respondeu a oração daquele povo com uma grande promessa concernente aos últimos dias que somente começou a se cumprir no dia de Pentecostes, no livro de Atos, e está sendo manifesta, como nunca antes, em nossos dias.

      “E há de ser que depois, derramarei do meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões; e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito”.

(J1 2:28,29)

A única pré-condição para que o Espírito seja derramado é que sejamos um povo disposto a ter a visão do Senhor e a pagar o preço através da oração e jejum.

Se você tem sido impressionado pelo Espírito Santo ao ler palavras deste capítulo, certamente Deus o está preparando para a guerra! Ele o escolheu para realizar as mesmas obras de Jesus em sua geração e naturalmente isso só pode ser feito sob o poder do Espírito Santo. Se você deseja em seu coração tomar a “arma so­brenatural da oração e do jejum”,como parte integrante de seu “arsenal,” então diga isso ao Senhor: “Assim seja, Senhor. Eu que­ro fazer parte de Seu propósito.” Se você está disposto a pagar o preço de uma vida regular de oração e jejum você será capaz, na força do Senhor, de jogar por terra fortalezas, trazer vitória em sua vida em todos os aspectos e trazer libertação e liberdade aos cativos de sua geração. Sendo assim, diga ao Senhor: “Eis-me aqui Senhor, para onde Tu quiseres me enviar, irei”.

Talvez o Senhor o conduzirá a estar jejuando uma vez por mês, um dia por semana ou simplesmente um dia a cada dois me­ses.Seja qual for a ordenança de Deus para a sua vida, comprometa-se a fazer isto e creia que Ele mesmo lhe dará graça para obedecê-Lo. Se você pastoreia uma congregação, o Senhor poderá estabelecer com toda a igreja um tempo específico para jejum e oração. Querido leitor, é de suma importância que você hoje se prostre diante Dele esperando a Sua provisão para o amanhã.

A sua resposta obediente ao Senhor é a mais temida e mais perigosa catástrofe que pode acontecer no império das trevas. O inimigo sabe que você com sua atitude transformará o perfil e o destino de sua cidade e, até mesmo de sua nação. O Senhor tem colocado em meu espírito o “encargo” de oração acerca de Sua obra a ser realizada entre os membros de Seu exército do fim:

“Senhor Deus, eu posso ver os Seus anjos equipando este exercito com poderosas armas de guerra. Eu vejo também “tropas” de homens e mulheres posicionadas em diferentes lugares no mundo. Senhor, libere a Sua unção agora. Libere a porção dobrada de Seu Espírito e toca-nos no mais profundo de nosso ser.

Permita que Seus filhos e filhas recebam unção e graça para orarem e jejuarem e que, a unção que o Senhor me tem dado, seja comunicada a todos aqueles que estão lendo estas palavras e fazem comigo esta oração agora.

“Senhor, eu posso ver o Seu exército marchando. Estamos marchando para tomar as cidades para Jesus. Estamos marchando para levar o nome do Senhor em todo o lugar, em todo o canto da terra: norte, sul, leste e oeste. O exército do Senhor está avançando e todo demônio se dobrará diante do nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pai, nós nos comprometemos deste dia em diante em usar estas armas fielmente. Senhor, eu oro para que os pastores e líde­res de Seu exército vejam com clareza as suas responsabilidades. Coloque em seus corações, amado Deus, a divina sabedoria que eles precisam para guiar a porção de Seu exército confiada a eles. Desde já Senhor, obrigado pela total vitória que temos em Ti.”

Nos próximos capítulos estaremos compartilhando os in­críveis benefícios que recebemos quando obedecemos ao Senhor em nossa vida de oração e jejum.

 

 

Capítulo 3

 

AS TRANSFORMAÇÕES E OS BENEFÍCIOS DO JEJUM

Quase todos os cristãos com os quais tenho conversado, tem tido questões ou alguma má concepção acerca do jejum. Acredito que poderíamos dizer que o jejum é um dos mais incompreendidos assuntos nas Escrituras Sagradas. Você perceberá isto quando começar a descobrir e desfrutar os inacreditáveis benefícios que alcançamos através do jejum à luz da Palavra de Deus. Existem 12 benefícios específicos no “jejum escolhido por Deus”.Leia no livro de Isaias:

       “Porventura não é este o jejum que escolhi? Que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo? E que deixes livres os quebrantados, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desterrados? E, vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?

Então romperá a tua luz como a alva,  e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda.’

Então clamarás, e o Senhor te responderá: gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui: se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o  falar vaidade.

E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita: então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.

E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares secos, e fortificará teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. E os que de ti procederem edificarão os lugares antigamente assolados; e levantarás os fundamentos de geração em geração: e chamar-te-ão reparador de brechas.

(Is 58: 6-12)

Isaías 58 é um dos melhores capítulos da Bíblia no que diz respeito a este assunto. Eu poderia meditar neste capítulo por ho­ras; ele é maravilhoso. Existem pelo menos 12 benefícios específi­cos do “jejum que Deus escolheu” listados nessa passagem:

1.        Revelação

2.        Cura e integridade

3.        Justiça

4.        A presença da Shekinah de Deus

5.        Orações respondidas

6.        Direção da parte do Senhor

7.        Contentamento

8.     Refrigério

9.     Força

10. Encorajamento

11. Futuras gerações serão levantadas

12. Restauração

Como o jejum de fato funciona? Eu não conheço todas as respostas porque este é, sem dúvida, um dos maiores “mistérios” de Deus, mas creio que posso compartilhar o que tenho aprendido com o Senhor. De uma coisa podemos ter certeza: os demônios ficam muito desconfortáveis quando começamos a orar e a jejuar. As Escrituras Sagradas nos revelam que muitas doenças, molésti­as, problemas mentais e comportamentos crônicos que afligem a Humanidade são instigados ou perpetuados por forças demoníacas. Estas forças também buscam obstacular o povo de Deus trazendo tormentas, procurando mantê-lo à parte da vida de Deus.

Eu sempre recomendo às pessoas que estão buscando cura divina, jejuarem antes de virem para os nossos cultos de cura e libertação. Aqueles que têm aceito este conselho, freqüentemente, recebem a cura sobrenatural do Senhor rapidamente. Também cos­tumo dizer às pessoas que a observação do jejum é importante pois demonstra a determinação do irmão ou da irmã de serem tocados pelo Senhor (Aquele que é a fonte de todo o poder). Demônios não podem ficar por perto por muito tempo quando uma pessoa jejua. Isto se deve ao fato de que o jejum diante do Senhor cria uma atmosfera completamente diferente, propiciando assim, o “fluir” mais fácil do Espírito Santo de Deus e o repelir de forças e espíritos malignos. É por esta razão que os demônios ficam incomodados ou desconfortáveis ao derredor de pessoas que possuem em suas vidas a prática do jejum.

Qualquer pastor, ou ministro, que esteja engajado em algum tipo de ministério de cura e libertação deve fazer da prática do jejum uma parte integrante do seu estilo de vida. Ora, irmãos, o desenvolvimento espiritual pode ser comparado ao atleta que busca o exercitar os seus músculos em uma academia de ginástica. À medida que você jejua e busca a face do Senhor, Ele começará a implantar em você autoridade. Isto o conduzirá a uma profunda Intimidade com Ele e, sem dúvida, os demônios irão reconhecer e temerão.

Eu me recordo de um telefonema que recebi em 1973 de
dois pastores que me diziam: “Irmão Mahesh, nós estávamos orando
pois um homem homossexual e de repente, um demônio começou
a falar através dele! Estamos como medo, o que devemos fazer ?”
Então eu disse: “Bom, então expulsem o demônio dele!”
Mas eles me responderam que estavam com medo. “Mas vocês são pastores !”  – eu disse. O homem do outro lado da linha persistiu: “Por favor, venha aqui e nos ajude.” Finalmente concordei em ir ajudar aqueles irmãos.

Dirigi-me imediatamente para a casa onde se encontravam e, abrindo a porta da frente, os encontrei escondidos na dispensa! Então lhes perguntei: “O que vocês estão fazendo aí?” Eles se diri­giram para a outra parte da casa e disseram, com voz trêmula: “Ele está lá fora”.

Eu tinha acabado de sair de um período de jejum, então entrei dentro do recinto onde aquele homem se encontrava. Ele havia sido homossexual por 18 anos e quando entrei o vi em pé numa posição de afronta como se esperando uma chance para inti­midar mais alguém. Percebi claramente que o demônio estava manifesto em seu corpo. Era fácil ver isto, pois o seu semblante se transformara por completo em uma horrenda máscara diabólica. Logo que me viu falou  com aquela voz demoníaca: “Oh, mais um homem. Vem aqui, eu gostaria de me relacionar com você.” De­pois de ouvir aquela vós maligna, chegou a minha vez de abrir a minha boca no poder do Espírito Santo:

“Você quer se relacionar comigo? Pois eu vou lhe dizer o que as Escrituras dizem: “Se andarmos na luz, como na luz Ele está, temos comunhão uns com os outros , e o sangue de Jesus Cristo, seu filho nos purifica de todo pecado. “

“Agora eu lhe pergunto, demônio, você pode dizer: ’0 San­gue de Jesus tem poder? `(Aquela coisa apenas soltou um res­mungo. Aquele tom de voz horripilante desapareceu imediatamen­te). Mais uma vez eu disse: “Demônio, diga: ’0 Sangue de Jesus tem poder!’ Depressa, agora!”

As mãos daquele homem começaram a se contorcer e eu podia literalmente ouvir o “ranger” de seus ossos. Os seus tornozelos começaram a se contorcer de uma maneira estranha e aquele pobre homem caiu no chão, rolando de um lado para o outro. Então ordenei àquele espírito: “Pare com isto agora e repita: ’0 Sangue de Jesus tem Poder.’ Diga isto agora!” – Finalmente ele começou: O san…, o san…” – aquele homem parecia regurgitar e o de­mônio, soltando um grito, o deixou.

Mais de cinco anos depois retornei àquela cidade e, estan­do hospedado em um hotel, um homem bateu em minha porta. A sua fisionomia era bem familiar. Porém, a última vez que eu o tinha visto há cinco anos atrás, ele rolava pelo chão enquanto dois ministros escondidos apavorados acotovelavam-se dentro de uma pequena dispensa. Desta vez, no entanto, a sua voz soava branda e firme: “Irmão Chavda, eu gostaria de te apresentar alguém. Após apresentar aquela linda jovem, ele disse: “Nós estamos casados por cinco anos, e gostaria que você soubesse que quando você orou por mim naquele dia, eu fui totalmente liberto. Agora estou casado e os meus ‘desejos’ são normais. Glória a Deus! Ele é o meu libertador.”

     Em uma outra ocasião estava ministrando em um culto dominical em uma cidade universitária. Eu tinha acabado de termi­nar mais um período de jejum e oração, e o culto estava simplesmente maravilhoso naquele enorme prédio da igreja. O altar era tão grande que facilmente poderia acomodar centenas de pessoas simultaneamente. Senti o desejo de abençoar a audiência, então chamei todos para subirem até onde eu estava. O Senhor começou a se mover e a manifestação do Espírito sobre aquelas pessoas foi grandiosa. No momento em que eu ministrava, o Espírito do Senhor me deu uma palavra e imediatamente a comuniquei àquela audiência: “O Senhor está me dizendo que existem 12 homossexuais e lésbicas aqui. Se você levantar a sua mão e se arrepender agora, o Senhor libertará a cada um de vocês.”

Doze mãos se levantaram instantaneamente. Oito daquelas pessoas eram lésbicas e no momento em que levantaram as mãos, a Impressão que tivemos foi que, de maneira sobrenatural, elas foram jogadas ao chão com o golpe de um martelo gigante. Eu tinha certeza em meu coração que o Senhor queria fazer algo mais naquelas vidas. Dirigi-me, portanto, para onde aquelas pessoas estavam caídas. Eu não sabia nada sobre lésbicas. Pensava somen­te que todas possuíam um corte de cabelo masculino, vestiam jeans e perturbavam todos ao redor. Uma mulher jovem em particular, confessou que ela era lésbica, porém, evitava demonstrar aquele estereótipo usual. Ela era uma linda garota de 21 anos de idade, loura e saudável. Quando olhei para ela, a sua tão gentil fisionomia se tornou terrivelmente sombria.

Disse então àquela garota: “Você foi liberta de um demônio de morte. Você tentou cometer suicídio recentemente, não tentou?” Ela começou a chorar amargamente e dobrando as mangas de sua blusa, mostrou-me recente cicatriz nos punhos, quando duas semanas antes, havia tentado cometer suicídio.

Pouco mais de um ano depois quando voltei àquela igreja, me alegrei muito em ver aquela linda jovem servindo no grupo de louvor. Ela correu para mim e com um grande sorriso mostrou-me uma fotografia e disse-me: “Gostaria que você soubesse que me casei a três semanas atrás e este é o meu esposo. Estamos juntos, servindo ao Senhor.”

Caro leitor, o meu desejo é que o Senhor lhe abra, os olhos espirituais para ver as pessoas que estão cativas ao seu redor. Elas estão arruinadas, machucadas e vivendo desesperadamente sob ter­ríveis influências diabólicas. Os psicólogos ou os psiquiatras não podem ajudá-las. A Palavra de Deus nos diz, de maneira bem cla­ra, que determinadas  “castas” não serão expulsas com um simples comando em nome de Jesus elas não sairão exceto, através da oração e do jejum. Meu amigo, é isto que o Senhor está nos orde­nando a fazer. Você está disposto a pagar o preço para trazer liberdade aos cativos? É seu desejo liberar palavras de libertação em sua igreja, em sua vizinhança ou cidade?

Não podemos estar satisfeitos com o que temos alcançado no Senhor. Existem terríveis jugos escravizando vidas preciosas em nossas cidades. O meu desejo é ver a Igreja de Jesus Cristo se levantando com poder e autoridade. Estou farto de vê-los ferindo‑se mutuamente devido à “divergência de pontos de vista”, enquanto existem tantas necessidades ao nosso redor precisando ser priorizadas. O nosso chamado é para trazer libertação aos cativos e O Senhor já nos tem dado todas as armas necessárias para, em Seu nome, jogar por terra toda e qualquer fortaleza.

    Todos aqueles que estão em busca de libertação do pecado ou algum tipo de debilidade física devem estar perseverantes diante do Senhor. Se, por exemplo, um pai quer ver seu filho curado de alguma moléstia ou liberto de alguma opressão maligna, será necessário que ele persevere naquilo que busca do Senhor. Se, de fato, se humilhar e perseverar diante do Senhor e jejuar por ele mesmo e por seu filho, o caminho da cura ou libertação se tornará mais fácil de ser experimentado ou ministrado.

Por que jejuamos?

Compilei abaixo uma lista de nove razões bíblicas para jejuarmos.É bom lembrar que esta lista não tem necessariamente um paralelo com a lista de 12 benefícios do jejum listado em Isaías 58. Muitos destes pontos vão se encaixar em áreas de nossa vida com Cristo, além disto responderão à maioria das questões, sobre as quais, tenho sido procurado nas últimas duas décadas.

1. Jejuamos em obediência à Palavra de Deus.

A prática do jejum está intimamente relacionada com a Palavra de Deus. Se lermos as Escrituras com o devido cuidado, perceberemos que ela foi um instrumento de vitória para líderes no Antigo e no Novo Testamento. Desta maneira, se o registro bíblico é digno de nossa confiança e um princípio a ser seguido, então podemos afirmar que “os vencedores jejuam e os derrotados não”.

“Ainda assim, agora mesmo diz o Senhor: Voltai para mim de todo o vosso coração, com jejum, com choro e com pranto. (J12: 12)”.

“Antes, como ministros de Deus, recomendamo-nos em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido. (2 Cr 6:4-6)

“Respondeu-lhes Jesus: Podem estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias, porém, virão em que o noivo lhes será tirado, e nesse dia jejuarão. (Mt 9:15)”.

2. Nós jejuamos para nos humilharmos diante do Se­nhor e obtermos a Sua graça e poder.

Como precisamos da graça de Deus! Você está consciente de que precisa da provisão e do poder de Deus para executar a obra que o Senhor colocou em seu coração? – Ora, todos somos carentes de Sua contínua provisão para possuirmos uma vida vito­riosa em nosso dia a dia. Seria então penoso demais jejuar pelo menos uma vez por semana com o objetivo de manter os “canais” de sua vida limpos? O nosso irmão Tiago deixou bem claro este ponto. Se você quiser poder e graça da parte de Deus você precisa se humilhar: “Humilhai-vos perante o Senhor e ele vos exaltará”.(Tg 4:10) O Espírito Santo é chamado de Espírito da graça. Se você almeja este glorioso Espírito da graça operante em sua vida, o caminho é simples, humilhe-se “debaixo de Sua poderosa mão”.(Estaremos tratando com mais profundidade este tema no capítulo 5).

 

3.   Nós jejuamos para obtermos vitória sobre tentações e ataques que nos impedem de estarmos nos mo­vendo no poder de Deus.

Se a unção do alto não está fluindo através de sua vida, isso é um bom indicativo que você precisa introduzir em sua vida o jejum e a oração. Chegado está o momento de limpar o “canal” para o mover livre do Espírito de Deus através de você. Mais uma vez voltemos para Aquele que tem o padrão de estatura de varão perfeito, o grande Autor de nossa fé, Jesus. De acordo com o Evangelho de Lucas capítulo 4, o Senhor saiu do deserto, da tentação no “Poder do Espírito Santo”.Se você deseja o mesmo, siga-Lhe os passos, faça o que Ele fez. O evangelho nos relata que Jesus não comeu nada por 40 dias sendo, por todo este tempo tentado pelo diabo; todavia, o ponto alto do ataque de satanás foi no momento em que o Senhor se encontrou faminto.

 

4.   Jejuamos para nos purificarmos do pecado (e nos tornarmos aptos para ajudar outros no caminho da consagração).

De acordo com as Escrituras Sagradas, Jesus Cristo tirou todo o pecado do mundo na cruz do Calvário. Sim, isto é, sem duvida, uma realidade gloriosa. Contudo muitos de nós ainda vi­vemos “Cercado” ou “embaraçados” por pecados e parece que por mais que nos esforcemos e os evitemos, eles continuam nos asse­diando e trazendo frustrações. Esta tem sido a realidade da sua vida ? - Na verdade, nosso Deus, sendo conhecedor de nossa natureza providenciou de antemão provisão para sermos, não somente vencedores sobre o pecado em nossas vidas, mas também aptos para nos posicionarmos na brecha da intercessão por outros. Se existe algum mal hábito ou pecado “crônico” em sua vida que ainda insiste em mantê-lo longe daquilo que o Senhor tem preparado para você, saiba que é hora de humilhar a sua alma no jejum e na oração, e o Senhor o purificará completamente. Uma vez purifica­do e andando no poder do Espírito, esteja de prontidão para o momento e que o Senhor o levantará em intercessão para a vida de outros. Um outro modelo desta prática, além de Jesus Cristo, foi o profeta Daniel:

      “Eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e rogos, com jejum, e saco e cinza

E orei ao Senhor meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericór­dia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; Pecamos, e cometemos iniqüidade, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos. “

(Dn 9:3-5)

Podemos, sem dúvida, usar este modelo de oração para nossa
congregação, por nossas crianças e até mesmo por nossa cidade e
nação. Daniel está confessando que eles, a nação inteira havia saído dos caminhos do Senhor e, o motivo de estarem vivendo em
tamanha derrota, foram os pecados e as transgressões cometidas
pelo seu povo. Ora, Daniel foi um dos homens mais justos de sua
geração! Ele foi aquele homem, que com ousadia e fé, tapou a
boca dos leões e humildemente confessou: “Senhor, nós pecamos”.
        Por muitas vezes, tenho compartilhado este princípio com
pastores que protestam dizendo: “Você não entende! Estamos bem.
Estamos hoje em um novo contexto, estamos vivendo na
dispensação da graça”.Eu os ouço e simplesmente digo: “Vocês é
que não entendem, estamos bem, vivemos na dispensação da graça, mas nossas cidades, o nosso país, as nossas nações estão vivendo de migalhas! Precisamos tomar sobre nossos ombros este encargo e orar assim: ‘Deus, temos pecado, temos nos tornado preguiçosos. Perdoa e restaura-nos.

Como crentes e intercessores, temos como exemplo o Grande intercessor. Somos, portanto, chamados e expectados a tomar sobre nós o encargo da vida daqueles que estão se perdendo. Isto é tão somente uma inevitável parte do compromisso que temos ao “ tomar sobre nós a nossa cruz a cada dia.” No decorrer da história existem registros de cidades ou nações inteiras que buscaram o arrependimento e jejuaram para purificação de pecado. Isto aconteceu nos dias de Jonas. Os ninivitas eram maus e violentos e estavam prestes a serem julgados e aniquilados por Deus; porém, eles encontraram o caminho do jejum (até os jumentos, camelos e cabritos foram colocados para jejuarem):

“E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum e vestiram-se de saco, desde o maior até o menor”.

Porque esta palavra chegou ao rei de Nínive, e levantou-se do seu trono e tirou de si os seus vestidos, e cobriu-se de saco, e assentou-se sobre a cinza.

E fez uma proclamação, que se divulgou em Nínive, por mandado do rei e dos seus grandes, dizendo: Nem homens, nem ani­mais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem se lhes dê pasto, nem bebam água.

Mas os homens e os animais estarão cobertos de sacos, e clamarão fortemente a Deus, e se converterão, cada um do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos.

Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do ,seu .Furor da sua ira, de sorte que não pereceremos?

E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho: e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez.

(Jn 3:5-10)

O jejum para a purificação pode ser, às vezes, um pouco confuso para se entender devido à sua natureza no processo de purificação de nossas vidas. O jejum tem a capacidade de “trazer à tona” de nosso ser toda a podridão do pecado e sujeira de maus hábitos que, diariamente, “borbulham” na superfície de nosso viver. Você rapidamente observará, especialmente em longos perío­dos de jejum, que se você tiver um mau temperamento encubado que só Deus (e a sua esposa) sabem, isto começará a emergir à superfície e você não terá problema em se expor (pois agora você está maleável). Por vez, isto lhe parecerá profundamente doloroso, mas seja paciente, não se desencoraje. O Senhor o limpará com­pletamente.

 

5. Nós jejuamos para nos quebrantarmos diante do Senhor e, ao mesmo tempo, nos fortalecermos Nele.

O jejum é a arma providenciada por Deus contra a carne. Quando você jejua, você então faz uma escolha interior e demonstra externamente que você almeja o poder de Deus em seu viver diário.

Muitos anos atrás, quando iniciava meu ministério, recebi um chamado de um casal, o qual amava muito e por quem orava constantemente. Naquele instante eu tinha pouquíssimo dinheiro disponível, mas meu coração foi profundamente tocado quando um deles me disse: “Irmão Mahesh, estamos passando por grande necessidade”.Eles estavam terminando a faculdade e estavam sen­do obrigados a abandoná-la por falta de recurso financeiro, até mesmo, para necessidade básicas.

Eles me disseram: “Mahesh, tudo que queremos é que você esteja em oração em nosso favor”.Eu, porém, os amava muito e disse: “Bom …..”Eu estava naquele instante prestes a dizer-lhes que enviaria todo o dinheiro de minha conta bancária. Eu, na verdade, ainda estava na Universidade e precisava muito daquele di­nheiro que, com muitos esforços, havia economizado. Assim que aqueles irmãos compartilharam-me aquela necessidade, eu disse para mim mesmo: “Eu vou lhes dar todo o dinheiro que tenho guardado para matrícula no próximo semestre”.Era a minha carne falando. Ora, não existe mal algum ofertar àqueles que estão em necessidade; todavia, aquele não era o momento para tal procedimento. 0 pedido dos irmãos era tão somente por oração. Eles buscavam o mover do Senhor e eu, simplesmente, queria dar-lhes algum dinheiro.

De repente, Deus parecia falar comigo ao meu ouvido: “Mahesh, você vai ajudá-los ou vai deixar Eu agir?” Então eu disse: “0 Senhor é Soberano.” – E orei por eles.

No dia seguinte os dois foram contemplados com bolsa de estudo integral. E o milagre da provisão não parou aí! Nos dois anos que se seguiram, Deus continuou a cuidar de suas necessidades de maneira sobrenatural! Em contraste a tamanha benção, “o desejo da carne” ou “o braço mortal de Mahesh” poderia ajudar os meus amigos talvez por três dias no máximo. Graças a Deus! Ele tem o melhor caminho. Considere o que Senhor diz em Sua Pala­vra:

“De jejuar estão enfraquecidos os meus joelhos, e a minha carne emagrece.

E ainda lhes sirvo de opróbrio; quando me contemplam, movem as cabeças.

Ajuda-me, Senhor Deus meu: salva-me segundo a tua misericórdia.

Para que saibam que nisto está a tua mão, e que tu, Senhor, o fizeste.

Amaldiçoem eles, mas abençoa tu: levantem-se, mas fiquem confundidos; e alegre-se o teu servo.

(Sl 109: 24-28)

 

“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade pois me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Por­que quando estou fraco então sou forte.

(2 Co 12: 9,10)

 

 

6. Nós jejuamos para obter da parte do Senhor o su­porte necessário para executar a Sua obra.

Os líderes da igreja em Antioquia jejuaram e oraram antes de enviarem Barnabé e Saulo. Aqueles líderes fizeram a escolha certa, pois buscavam o pleno sucesso na jornada que seria empreendida por aqueles apóstolos. Barnabé e Saulo sempre seguiram os mesmos passos executados por eles em Antioquia. Todas as vezes que estabeleciam uma igreja em uma cidade, eles oravam e jejuavam antes de apontarem os presbíteros daquela cidade. A prá­tica do jejum e oração foi um instrumento por excelência para conduzi-los nesta difícil escolha e assim, assegurar o sucesso da pregação do Evangelho e o crescimento da igreja na cidade. (Veja Atos 13:3,4; 14:23).

 

7. Nós jejuamos em tempo de crise.

O homem sempre recorreu a Deus em oração e jejum em tempos de crise. O livro de Ester registra o que, provavelmente, foi o tempo mais crítico da história do povo judeu. Embora o brutal massacre imposto aos judeus por Hitler exterminasse cerca de seis milhões de judeus na Segunda Guerra, milhares de judeus ainda viviam em outros países no mundo. No tempo de Ester, entretanto, os judeus ainda não tinham sido dispersos e Hamã estava, literal­mente, na eminência de ter sucesso em seu objetivo macabro de destruir toda a raça judia. O rei medo-persa já tinha assinado o atestado de óbito daquela nação, quando Ester trouxe uma palavra aos judeus. Ela lhes pedia para estarem em um propósito de jejum antes dela arriscar a sua vida ao entrar na presença do rei e pedir misericórdia para o seu povo.

“Então disse Ester que tomasse a dizer a Mardoqueu”:

Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças também assim jejuaremos; e assim irei ter com o rei ainda que não é segundo a lei; e, pere­cendo, pereço.”

(Et 4:15,16)

 

Em tempos de crise, o ideal é procurarmos estar em jejum, nos abstendo de toda e qualquer comida e bebida. Contudo, eu jamais te recomendaria fazer isto por mais de três dias, a menos que, você esteja gozando literalmente da glória de Deus e possua uma palavra específica Dele para tal. Ester pediu a seu povo que estivesse jejuando por três dias e, no final deste período, Deus transformou toda aquela situação caótica em que se encontrava o Seu povo, trazendo poderosa libertação.

Novamente, no Segundo Livro das Crônicas 20, Judá esta­va para ser destruída pelos seus inimigos quando, o rei Josafá, ordenou ao seu povo um jejum. Como resultado, eles foram teste­munhas de um dos mais dramáticos atos de libertação sobrenatural registrados na Bíblia.

 

8. Nós jejuamos quando buscamos a direção de Deus.

“Então apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos diante da face de nosso Deus para lhe pedirmos caminho direito para nós, e para nossos filhos e para toda a nossa fazenda.

Porque me envergonhei de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, porquanto tínha­mos falado ao rei, dizendo: a mão do nosso Deus é sobre todos os que, 0 buscam para o bem, mas a sua força e a sua ira sobre todos os que O deixam.”

(Ed 8:21-23)

Quando você precisa da direção de Deus ou se encontra confuso acerca de qual caminho tomar, a melhor coisa que você pode fazer é jejuar Especialmente em se tratando da área de rela­ção interpessoal, em particular, irmãos que estão na fase de esco­lha sobre com quem se casar. O Senhor ensinou-me este princípio antes de me casar e eu jejuava por minha esposa antes mesmo de conhecê-la. Eu tinha a plena certeza que o Senhor não tinha me chamado para o celibato e, certamente Ele sabia quem era ela e onde estava. Assim, armado com este pensamento perseverava em meu jejum. Posteriormente Bonnie e eu comparamos as nossas anotações e descobrimos que no momento mais crítico de sua vida, após seus pais se divorciarem, ela entrou em profunda crise. E exatamente durante aquele período, sem ter a mínima noção do que acontecia, senti o desejo de orar por ela, ministrando-lhe su­porte e libertação.

 

9. Nós jejuamos para crescermos no entendimento espiritual e revelação divina.

Como cristãos, precisamos muito mais do que direção. Precisamos também de revelação e entendimento de certas questões, situações e verdades bíblicas. A palavra nos diz: “Portanto, entra tu, e lê do rolo que escreveste da minha boca as palavras do Senhor aos ouvidos do povo, na casa do Senhor, no dia de jejum. Também as lerás aos ouvidos de todo o Judá, que vem de suas cidades”.(Jer 36:6)

Às vezes a revelação da parte do Senhor não vem, necessariamente, no momento em que jejuamos, mas posteriormente. Isto
aconteceu comigo, quando o Senhor revelou-me os maravilhosos
princípios de cura durante uma cruzada no Haiti. Deus operou tremendos milagres naqueles encontros. Contudo, os sacerdotes locais de Vodu e feiticeiros ficaram muito perturbados com a nossas
concentrações. Eles convocaram, através do rádio, todos os feiticeiros e bruxos para uma reunião com o objetivo de lançar sobre
nós uma maldição! Eu disse: “Oh! Isto é maravilhoso! Vamos ver
0 que eles podem fazer, pois eu tenho certeza que a glória do Senhor está ao nosso redor e, absolutamente, nada pode nos tocar”.
       Durante uma daquelas reuniões, uma certa mulher que havia nascido cega foi trazida à frente por sua neta. Tivemos naquele
país várias consecutivas de concentrações e, todas as noites, aquela senhora vinha à frente com a sua mão no ombro de sua netinha
para receber oração e por várias vezes experimentou o impacto da
unção de Deus, e cair pelo chão, embora eu mal a tocasse. Durante
um destes momentos, sabendo que alguma coisa tinha acontecido
àquela pobre mulher, me dirigi a ela dizendo: “Como você está, vovó? Olhe para mim!” Ela constrangida e piscando os seus olhinhos  inativos, respondeu: “Eu não posso ver.” Eu só pude lhe responder: “Certo, vem aqui por favor!” Orei por ela e nada aconteceu.

A mesma coisa aconteceu em todas as concentrações nas noites seguintes. Ela sempre vinha à frente com sua neta. Era impactada pelo poder do Espírito Santo de tal maneira que, sem­pre caía pelo chão. Eu tinha certeza que aquilo que acontecia com ela era o genuíno poder do Espírito. Entretanto, a cada momento que a ajudava levantar-se do chão, fazendo a mesma pergunta, ela respondia: “Eu ainda não posso ver”.

Confesso que comecei a me sentir um pouco embaraçado com aquela situação. Você deve imaginar como eu me sentia. Quando estamos conduzindo uma ministração de cura nós não esperamos, necessariamente, que a primeira pessoa a vir à frente seja um cego. Existe uma grande tentação para convidarmos aqueles que padecem com dor de cabeça ou alguma outra moléstia não tão exposta. Todavia o Senhor, em Sua soberania, não pensa assim.

Já no quarto dia comecei a me preocupar com aquela vovó vindo à frente para receber oração. Eu então simplesmente pude orar: “Pai, obrigado porque ela não está esperando pela cura que eu posso realizar, mas pelas Suas maravilhas.” Mais uma vez as mesmas coisas aconteceram; aliás, a mesma coisa aconteceu no quinto e no sexto dia. Ela vinha à frente, eu orava, ela caía pelo poder do Espírito, eu a ajudava a levantar, perguntava como ela estava e ela, brandamente, me respondia: “Ainda não posso ver”.Então eu lhe dizia: “O Senhor te abençoe!”

No último dia daquela cruzada no Haiti, a minha vovó pre­dileta mais uma vez veio à frente com a sua mão sobre o ombro de sua neta. Uma vez mais orei por ela, e novamente, um inacreditável poder de Deus sacudiu aquele frágil corpo e, absolutamente “nocauteada”, caíra no chão. Cheguei perto dela dizendo: “Deus te abençoe.”

Uma vez mais fiz a mesma pergunta dos dias anteriores:

“Como você se sente vovó?” E piscando os seus olhinhos negros, ela me respondeu com regozijo: “Eu posso te ver claramente!” Deus tinha recriado totalmente os seus olhos e dado a ela visão pela primeira vez em sua vida! Então exclamei: “Que maravilha! Aleluia! Só o Senhor é Deus!” No entanto, em meu íntimo eu disse: “Amém, eu sei que Senhor poderia fazer isto desde o primeiro dia.”

Muitos meses depois, durante um extensivo período de jejum e oração, eu estava dirigindo em uma avenida ao sul da Flórida, onde morava. Eu estava distraído quando, bem em frente dos meu olhos, se descortinou a cena daquele dia quando orei por aquela pobre vovó haitiana. Aquela visão era como se estivesse assistindo  a um video-tape colorido daquele memorável dia. Durante muito tempo, fiquei muito impressionado sobre aqueles sete dias que estive orando por aquela mulher cega. Naquele momento quando o Senhor me abria os olhos para considerar aquele milagre, Ele deu-me entendimento daquilo que estava impedindo aquela mulher de ser curada desde o primeiro dia. O Senhor me mostrou que todas as vezes que ela vinha à frente para receber a oração, uma criatura que se parecia com um polvo, com os seus vários tentáculos, envolvia os olhos daquela mulher. Todas as vezes que orava por ela, a unção de Deus a tocava e a arrebatava de um daqueles horrendos tentáculos.

Durante a primeira oração, um segundo tentáculo era so­brenaturalmente removido. Durante a segunda oração, o terceiro tentáculo e, assim por diante. Na última reunião aquela mulher linha vindo à frente apenas com o tentáculo que ainda insistia em fazê-la cega. Na verdade aquela criatura era um espírito de ceguei­ra, um demônio que a tinha mantido amarrada e confinada num mundo de trevas. Quando orei por ela naquele último dia, o último tentáculo a abandonou e ela podia ver claramente.

Naquele dia, o Senhor deixou bem claro em meu espírito que obstruções demoníacas podem nos impedir de várias maneiras. Toda vez que você ora sob a unção do Espírito Santo, sem dúvida alguma coisa acontece no mundo espiritual. Creia nisto! O Senhor sempre nos dirá: “Não se desencoraje. Persevere em ora­ção até o último obstáculo cair por terra e a cura e a libertação acontecerem”.

Capítulo 4

 

QUAL É A NATUREZA DE SEU MINISTÉRIO

Jamais esquecerei a vez em que estávamos ministrando no norte da Zâmbia, África. O Senhor usou aquela experiência para ensinar-me alguma coisa acerca de meu chamado e a natureza de meu ministério. Naquela oportunidade em que estivemos naquele país, o Senhor curou muitas pessoas em meio a uma multidão de 10.000 pessoas. Dentre todas as pessoas que foram curadas, me lembro de um homem coxo que freqüentou nossas reuniões com uma simples moleca improvisada em casa por mais de 55 anos. Os seus tornozelos eram contorcidos e suas pernas grotescamente tortas.

Depois de receber a oração, as suas pernas imediatamente, se endireitaram e aquele homem começou a saltar de alegria e gozo. (Acredito que aquela cena foi bem similar ao que aconteceu em Atos 3:3-9, quando Pedro liberou uma palavra de cura para um homem que se assentava à porta formosa). Parecia-me que aquele velhinho não podia se conter de alegria e pulava o tempo todo. ‘Também orei por um garoto de 16 anos que havia sido confinado a uma cadeira de rodas, vítima da poliomielite desde a idade de um; ano. A sua mãe o conduziu até a frente e o colocou na fila de oração, onde muitos também esperavam. Depois daquele menino receber a oração, ele escorregou da cadeira e foi para o chão imun­do e ficou ali, enquanto orávamos por outras pessoas que também se encontravam na fila.

De repente ouvi uma grande gritaria no meio daquela mul­tidão e vários deficientes físicos começaram a pular. Não me con­tive e fui para o fundo do salão para tirar fotos daqueles milagres de cura. Temos que reconhecer que o nosso Deus é poderoso em sinais e maravilhas. Enquanto eu voltava para o púlpito, assisti aquele jovem paralítico repentinamente pular e começar a correr. Quando, finalmente, cheguei ao lugar onde se encontrava caído, ele passou por mim correndo em grande          velocidade.

Agarrada à cadeira de rodas, vazia, onde aquele garoto pas­sara a maior parte de sua vida sem nenhuma esperança, a mãe chorava incontidamente e seus convulsivos soluços sacudiam todo o seu magro corpo. Quando aquela senhora me viu aproximando, imediatamente ela se ajoelhou no chão e enchendo as mãos de terra, jogava sobre si. O meu intérprete me relatou que ela dizia: “Obrigado, grande chefe, por vir á África e curar o meu querido filho”.Eu, cuidadosamente, a levantai do chão e disse: “Querida mamãe eu gostaria que você soubesse que sou apenas um pequeno servo do Chefe dos chefes. O Seu nome é Jesus e foi Ele quem curou o seu filhinho”.

Enquanto conversava com aquela mulher ouvi um grande grito de lamento. Virando-me, deparei com uma pobre mulher de­sesperada vestindo-se apenas com um trapo imundo. (Em países como estes a pobreza é extrema e poucas pessoas têm condições de comprar roupas e calçados para si. Muitas usam apenas peda­ços de panos para se cobrirem).

Aquela miserável mulher me disse: “Senhor, eu não quero nada para mim, mas você poderia orar pela minha filha?” Então olhei ao redor e perguntei-lhe: Onde está a garota?” Então, levan­tando aquele farrapo de saia, ali estava, escondida atrás da mãe, uma pálida garotinha de três anos de idade. Ela vestia uma saia toda rasgada e uma blusa imunda e podia-se ver claramente gran­des furúnculos que lhe brotavam por todo o seu corpo.

“Mahesh, é assim que Eu me sinto…”

Eu tinha certeza que aquela menininha estava sofrendo uma dor terrível. Para piorar todo aquele quadro de miséria, quando aquela mãe se curvou para mostrar-me o que havia de errado com sua filha, o seu xale caiu de seus ombros, e eu pude ver que aquele lado do corpo daquela mulher tinha sido, literalmente, comido por uma doença parecida com a lepra. Não somente a garotinha, mas também aquela preciosa mãe padecia de uma terrível doença. Contudo, o seu pedido de oração era somente para a sua filha.

Abracei as duas ao mesmo tempo e orei ao Senhor com lodo o meu coração. Depois, aquela sofrida mulher falou-me com voz trêmula e com lágrimas correndo pelo o seu magro rosto, ela dizia: “Obrigado, senhor, por deixar o seu país e vir nos abençoar neste país tão pobre!”

Eu, simplesmente, não pude conter as minhas lágrimas. Ainda hoje, não posso descrever a compaixão que senti, naquele momento, por aquelas pessoas. Ao deixar aquele recinto, senti o Espírito de Deus perguntar-me: “Você sentiu compaixão por esta mulher e aquela garotinha?” Respondi: “Sim Senhor!” Então o Senhor falou-me profundamente ao coração: “Mahesh, é assim que eu me sinto por todas as pessoas em todas as nações. Eles estão feridos, sem esperança e sem nenhum conhecimento da mensagem de meu filho Jesus Cristo. Eu quero que você os ajude. Comparti­lhe a mensagem da Vida!”.

Onde está o exército?

O “Texas Rangers” (grupo de homens que funcionavam como uma espécie de exército), que mantinha a lei e a ordem no tempo do velho “west”, deixou-nos um legado inspirador. Certa vez, um xerife de uma pequena cidade do Texas, enviou um tele­grama urgente para o “quartel” do Rangers dizendo: “Envie ime­diatamente um exército! A cidade se tornou um caos. Está instau­rada a total baderna, a anarquia nos destruirá!”

O xerife, então, recebeu de volta a sucinta resposta: “Encontre-me amanhã na estação às quatro horas.”

Na tarde do outro dia, aquele ansioso xerife e o desesperado prefeito esperavam impacientes, na plataforma, a aproximação do trem das quatro. Em meio àquela multidão que desembarcava eles observaram um único membro do “Texas Rangers” calma­mente descer do trem com o seu rifle sobre o ombro. Entusiasmados, esperavam ver outros homens. Porém, para o desapontamento de ambos, o trem novamente partiu e nenhum outro soldado de­sembarcou. Correndo em direção àquele solitário soldado eles per­guntaram ansiosamente: “Onde está o exército?”

O soldado olhou dentro dos olhos deles e disse categoricamente: “Para cada baderna, um Ranger” Aquele pequeno homem sabia muito bem quem ele era, o que representava e a extensão de sua autoridade.

A minha mensagem para você é simplesmente esta: “O Se­nhor tem chamado você como um ‘Ranger’ para colocar em or­dem algum tumulto”.A sua missão é ter em seu coração o mesmo sentimento que Deus tem em relação ao mundo e realizar o minis­tério que o Senhor tem confiado a você. Ele já nos concedeu toda a autoridade necessária, a sua insígnia e toda arma necessária para a destruição do inimigo.

 

A descrição da obra a ser realizada

Todos os três Evangelhos sinópticos (os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas) registram o dia em que Jesus concedeu a seus discípulos autoridade, dando-lhes comando para expulsarem demônios e curar os enfermos.

E então, se dirigiu a seus discípulos: a seara, na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Tendo chamado os seus discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre os espíritos imundos, para expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades.

(Mt 9:37-10:1)

A descrição desta obra a ser realizada foi, na verdade, par­cial por duas razões. Primeira, isto foi “apenas uma leve pincelada”, uma palavra introdutória aos discípulos. Poderíamos também considerar esta palavra como um teste prévio ou uma amostra da nova realidade de vida que os discípulos viveriam após a obra de Jesus ser consumada na cruz e, posteriormente o batismo no Espí­rito Santo. Segunda, os discípulos enfrentariam um demônio, aparentemente insuperável, que atormentava aquele menino resistin­do-lhes o comando (Mt 17:14-21). Foi naquele dia que os discípu­los aprenderam sobre o incrível poder da oração e do jejum.

Por que eu, Senhor?

Muitos cristãos fogem de suas responsabilidades para com os outros, porém, eles não percebem que estão simplesmente seguindo o exemplo de Caim, que deu a seguinte resposta à pergunta inquiridora do Senhor acerca de seu irmão: “Sou eu guardador de meu irmão?” A resposta do Senhor foi e ainda continua a ser: ” Sim”

O profeta Jeremias, expressamente frisou a eterna conseqüência de nossa responsabilidade em ajudar a resgatar outros: casa de Davi, assim diz o Senhor: Julgai pela manhã justamente e livrai o oprimido das mãos do opressor; para que não seja o meu furor como fogo e se acenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade das vossas ações. ” (Jr 21:12)

O nosso irmão Tiago também nos adverte no Novo Testamento: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando. ” (Tg 4:17) Qual é este “bem” que Tiago está falando? Permita-me usar como ilustração um incidente que aconteceu na infância de minha esposa, Bonnie.

Quando Bonnie tinha apenas sete anos de idade, ela e seus primos estavam brincando de “esconde – esconde” no celeiro de uma fazenda no Novo México. Bonnie escolheu, o que ela pensou ser, o esconderijo mais seguro, um lugar bem escuro onde havia vários sacos de cereais estocados. Vestida apenas com uma bermuda, camiseta e calçando sapatilhas, ela se abaixou silenciosamente entre as palhas, quase se encostando na parede.

Naquele esconderijo, de um lugar iluminado por uma fres­ta de luz, Bonnie ouviu um barulho assustador do chocalho de uma cobra venenosa que já se preparava para lhe atacar. Apavorada, Bonnie deu um pulo e correu para a sede da fazenda em busca de seu pai. Quando eles chegaram no celeiro, ela percebeu que estava calçando apenas uma sapatilha.

O pai de Bonnie entrou naquele velho celeiro com mais alguns companheiros e, alguns minutos mais tarde, lá estavam eles de volta carregando aquela imensa cobra venenosa. Travada em suas presas estava uma das sapatilhas deixada por Bonnie quando saiu correndo em busca de socorro. Creio que poderíamos usar este episódio para ilustrar o livramento que tivemos de satanás e do pecado através da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Milhões de pessoas estão “inocentemente” se abaixando em lugares escuros e brincando o “jogo da vida”.Elas acreditam que agem de maneira correta e segura. A realidade é que existe uma cruel e agressiva serpente espreitando ao redor, insistindo em seu intento maligno de destruir toda a humanidade. Por nós mesmos estamos totalmente despreparados, desprotegidos e incapazes de contrapor o ataque desta terrível serpente. Mas Deus está chamando o mundo para ‘correr para o Pai’ e Suas Mãos (a Igreja) para matar a serpente. Jesus já fez tudo isto no Calvário, mas Ele está dependendo da Igreja para divulgar as Boas Novas e matar as cobras. Infelizmente muitos de nós, na Igreja, ainda levamos a vida como se a serpente fosse apenas um sonho ou um mito. Ora, irmãos, como filhos de Deus e conhecedores da Verdade, temos a comissão de Jesus e Seu poder para trazer libertação às pessoas. O que, estamos esperando?

As últimas palavras que Jesus falou a Seus discípulos, enquanto estava nesta terra, nos oferece mais clareza sobre a natureza de Sua obra, a nós confiada:

“Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crê será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aque­les que crêem: em meu nome, expelirão demônios, falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma cousa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre os enfermos, eles ficarão curados. De fato, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à destra de Deus. “

(Mc 16:14-19)

De acordo com o último versículo do Evangelho de Mar­cos, os discípulos se tornariam executores da Palavra proferida por Jesus a eles: “E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais que se seguiam”.(Mc 16:20) Eu gostaria de lhe propor, caro leitor, algumas questões para você ponderar em seu coração: “Estas palavras são dignas de confiança para os nossos dias? Por quê? Na autoridade de quem realizamos todas as coisas? Quem na terra poderia, possivelmente, ter mais autoridade que nosso Se­nhor Jesus Cristo? Quem nesta terra poderia, com autoridade, afir­mar que as palavras de Jesus não são para esta geração? O que havia no Evangelho do Senhor Jesus que o fazia declarar tais pala­vras com tal veemência e firmeza sabendo Ele da condição do ho­mem caído e deste mundo maligno?” A única resposta é óbvia –As palavras de Jesus jamais passarão. O que Ele falou realizará. Cremos que o Evangelho do Senhor Jesus é o mesmo hoje e espe­ramos ver a cada dia, através da pregação, demônios derrotados, enfermidades serem curadas, libertação aos cativos e oprimidos. E por que não ressuscitar os mortos? As próprias palavras de Jesus são o nosso aval e garantia. Naturalmente estas obras só poderão ser realizadas na dependência exclusiva do Senhor, através de vi­das consagradas à oração e ao jejum.

Os apóstolos e os discípulos do primeiro século foram pes­soas que oravam e jejuavam com muita freqüência. Por esta razão eles manifestaram e realizaram as mesmas obras vistas no ministério terreno de Jesus Cristo e este padrão de ministério ousado e sobrenatural continuou bem até o segundo século (bem depois da morte de Paulo e os discípulos). A efetividade do ministério declinou porque a intimidade do relacionamento entre o homem e Deus declinou-se à medida que a apatia, a heresia e formas político-religiosas vazias entraram para a Igreja.

Já é tempo de tomarmos de volta todo o território que o inimigo roubou do povo de Deus. Ele almeja que Sua palavra habite em nós ricamente, que estejamos em íntima comunhão com o Seu Espírito e em obediência à Sua vontade. Quando reenvidicamos a nossa herança como filhos e começamos a buscar a Sua face em jejum e oração, todos os milagres dos Evangelhos e do livro de Atos virão bramindo para o dia-a-dia da Igreja. Isto é tão simples quanto a oração de Jesus por nós:

“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra.

Afim de que todos sejam um; e como és tu, ó pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos ,Eu neles, e tu em mim, afim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e o amaste, como também amaste a mim.

Pai, a minha vontade é que onde Eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me confiaste, porque me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste.

Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.

(Jo 17: 20-26)

A descrição da obra que Jesus deu a Seus discípulos há dois mil anos atrás ainda se aplica à Sua Igreja nos dias de hoje. Assim como os discípulos foram orientados, em Mateus 17:21, para  orarem e jejuarem para serem vitoriosos diante de qualquer obstáculo em suas vidas, eu e você somos também comissionados a jejuarmos e orarmos nos dias de hoje. Assim como o Senhor confiou aos discípulos a responsabilidade da pregação do evangelho para arrependimento, de orar pelos enfermos e expulsar os de­mônios, as mesmas coisas também são esperadas de mim e de você! O que irei te dizer talvez possa lhe parecer estranho, mas é a genuína palavra de Deus: “A você foi dada também a autoridade de ressuscitar os mortos, embora isto deva ser realizado sob o estrito comando e direção de Deus.” Acredito que a Igreja nesta geração começará a ver os mortos se levantarem como um sinal e maravilha em um nível nunca visto na história da Igreja. Todavia isto jamais acontecerá até que o povo de Deus descubra e pratique O PODER SECRETO DO JEJUM E DA ORAÇÃO.

Você é um discípulo de Jesus Cristo? Deixe-me clarear este ponto, se existe alguma confusão: Se você é um crente em Cristo Jesus, então você é um discípulo! Qual é a natureza do ministério de um discípulo de Jesus Cristo? O Senhor disse:

“Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma cousa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão cura­dos. “

(Mc 16:17,18)

As pessoas que Jesus comissionou e enviou dois a dois eram pessoas comuns como eu e você, mas o Senhor não estava impor­tando com isto. As atribuições do ministério daqueles homens in­cluía a responsabilidade de curar os enfermos, ressuscitar os mor­tos e expulsar os demônios. O Senhor disse a eles: “… de graça recebeste, de graça dai. ” (Mt 10: 8b)

           Infelizmente, a Igreja perdeu a visão da natureza da obra em favor de um cômodo comportamento. Ela prefere se esconder entre quatro paredes, se assentar em bancos confortáveis, limitando o poder de Deus. Ora, os propósitos, os planos de Deus não foram mudados. O Senhor também nos tem chamado para trazer libertação aos cativos, para sermos as testemunhas vivas de Seu poder libertador em nossos dias em qualquer lugar que formos. Nos custará um preço para carregar este nível de unção em nossas vidas para curar; isto nos demandará uma vida disciplinada de jejum e oração. Mas queridos, se não existir nenhum objetivo ou alvo em nosso viver, nunca seremos nada em Cristo. O apóstolo Paulo tomou Cristo como o seu alvo máximo:

        “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma cousa faço: esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimen­to; e, se, porventura pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá.

(Fp  3:3-15)

Quando estamos vivendo o estilo adequado de vida em Jesus, o Senhor estará sempre proporcionando formas de estarmos servindo aos outros. Isto acontecerá, por exemplo, na nossa rotina diária de ir para o trabalho, para o supermercado ou abastecer o nosso carro. Nestes momentos, o Senhor estará nos dando a chance de repartirmos com os outros as Boas Novas do Evangelho. Foi assim que aconteceu com os discípulos.

 

Aprenda com a história

A história é uma grande professora e, aquelas gerações que têm observado as suas lições foram mais sábias que aquelas que foram distraídas. O difícil período, que circundou a Segunda Guerra mundial e o holocausto judeu, possui muitos exemplos que de­monstram a urgente necessidade dos filhos da Luz se posicionarem contra os filhos das trevas.

Durante aqueles anos tenebrosos de guerra, alguns indivíduos se levantaram com coragem e visão tendo o viver como um “farol iluminado” que lançava luz contra a sinistra nuvem de morte que pairava sobre toda a Europa. Apesar de toda opressão e tirania vivida sob a carnificina do terceiro Reich de Hitler, alguns intrépi­dos, em meio a tanta escravidão, ousaram a exercitar a sua liberdade para escolher um viver adequado no Senhor e assim fazendo, foram fonte de provisão espiritual para muitos.

Oskar Schindler foi um homem de negócios e um nazista que intentava construir um império social e financeiro para si mes­mo em virtude da exploração daquela caótica ocasião de guerra. Schindler não teve sucesso em seus negócios antes ou depois da guerra, mas durante aquele terrível confronto ele se envolveu pes­soalmente no resgate de mais de 1.200 judeus, cujas vidas e linha­gem seriam extintas para sempre nos fornos ou câmaras de gás dos campos de extermínio nazista.

De alguma maneira, este homem de negócio teve o seu co­ração tocado. O seu sistema de valores foi completamente trans­formado e, como resultado, começou a direcionar a sua fábrica de munição para um negócio voltado a resgatar vidas. Um por um, Oskar fez com que judeus refugiados e prisioneiros fossem trans­feridos para a sua fábrica de munição como “escravos” e, proposi­talmente, ordenava seus trabalhadores fabricarem munições com defeitos. Com o tempo, a situação econômica no país se tornou desesperadora. Schindler começou, então, vender seus bens pessoais e arriscar a sua própria vida na compra de vidas de mais judeus para livrá-los da morte nos campos de concentração. Finalmente, como as forças aliadas começaram a entrar nas fronteiras alemãs libertando a Europa, Schindler, ainda oficialmente considerado um membro do partido nazista, foi forçado a abandonar a Alemanha.

Em um filme que relata a história verídica deste homem, uma cena mostra o seu último adeus às centenas de refugiados judeus que ele tinha pessoalmente resgatado das “garras” de Hitler. No momento em que contempla os rostos daqueles homens, Schindler percebeu quão poucos eles eram em relação à milha­res que foram arrastados para a morte. Quando olhou para os poucos bens que ainda lhe restava, inclusive o carro que estava prestes o usar para a sua viagem, ele exclamou para si mesmo: “Mais dez vidas, mais dez vidas pelo menos poderiam ter sido salvas se eu tivesse vendido o resto de minhas coisas. Eu poderia ter feito mui­to, muito mais.”

    No momento em que assisti esta dramática cena no filme “A lista de Schindler”, o meu coração saltou dentro de mim. Oskar Schindler gastou toda a fortuna que tinha feito para comprar vidas que estavam na lista de morte de Hitler. As 1.200 pessoas salvas se multiplicaram para mais de 6.000; 6 milhões foram brutalmente esmagadas e destas, outras milhões foram privadas de nascer.

Há uma voz profética clamando através das palavras de Oskar Schindler que diz, com a autoridade de Deus: “Sem Cristo a vida perecerá. O propósito principal para todos os crentes é resgatar aqueles que perecem sob a escravidão do pecado e caminham para a morte eterna. A comissão para todos os crentes é simplesmente salvar outros.” Em outras palavras o único aspecto eterno de nossa existência nesta terra é o nosso investimento na Vida eterna de outros.

Qual é a natureza do seu chamado? – Sem sombra de duvida é ser igual a Jesus em palavras e feitos. A melhor maneira, creio eu, de terminar este capítulo e preparar os nossos corações para o próximo é recordar e meditar a profecia que definiu o chamado de nosso Senhor Jesus e que também define o seu chamado nesta geração.

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me para apregoar liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos, e anunciar o ano aceitável do Senhor.

(Lc 4:18,19)

Você também é chamado e ungido pelo Espírito Santo para pregar as Boas Novas de esperança aos pobres. Como discípulo de Jesus, a você foi dada autoridade para, em Seu nome, abrir os olhos aos cegos e trazer libertação a todos os oprimidos de satanás. Hoje, talvez como nunca antes, você está ungido para proclamar “o ano aceitável do Senhor!”

Agora a mais difícil pergunta: “Você está preparado para realizar as obras de Jesus como você foi comandado por Ele?” Se a resposta for sim, então você deve estar preparado para pagar o preço e dizer como Jesus disse a esta geração: “Hoje se cumpriu esta escritura que acabais de ouvir”.  (Lc 4:21b)

O primeiro passo para o sucesso e talvez o mais difícil é o caminho para a verdadeira humilhação.

Capítulo 5

HUMILDADE: A POSIÇÃO DE TRIUNFO

Em 1986 durante um período de 40 dias de jejum, o Senhor falou-me que estava enviando um avivamento, a nível mundial e, conseqüentemente, uma grande colheita de vidas sem precedentes. Acredito que estamos entrando em um período que poderíamos chamar de pós-carismático ou “onda” de avivamento. Já estamos começando a ver as primeiras gotas desta chuva da unção e glória de Deus. A primeira impressão que o Senhor colocou em meu espírito sobre esta grande colheita foi a mais de 10 anos atrás.

Muitos outros profetas e líderes cristãos, incluindo o irmão Paul Cain, têm tido também a mesma visão por mais de 10 anos. Acredito que hoje, como nos dias do profeta Elias, estamos presenciando o início de um grande derramamento do Espírito. O que estamos vendo, na verdade, é uma pequena nuvem no horizonte (não é maravilhoso?). Todavia, o que se segue a esta pequena nu­vem é um grande mover e fluir de Deus nestes dias em escala nunca vista em nenhuma geração! Acredito que até mesmo o me­nor grupo de oração não poderá se conter dentro dos prédios das igrejas. Com certeza haverá congregações locais que serão obriga­das a realizar seus cultos dominicais em estádios esportivos. Exis­tirá também tantos reavivamentos em nossas cidades que mesmo o mais secular dos programas de rádio ou televisão estarão reportando o mover de Deus em Sua igreja. Permita-me por um momento me deleitar em um sonho:

`Quinze pessoas que nasceram cegas estão agora vendo,depois de participarem da reunião de culto pela manhã na igreja de Dallas que se reúne no estádio local. Vinte e cinco pessoas que têm levado suas vidas confinadas em cadeiras de rodas por motivo de várias enfermidades começaram a andar e até mesmo a pular dian­te de milhares de pessoas durante um culto de reavivamento em Mobile, Alabama, nesta tarde. Policiais estão discutindo a melhor maneira de dispor das centenas de cadeiras de rodas, muletas e dispositivos ortopédicos deixados para trás depois de todos os cul­tos acontecidos na cidade.’

Eu almejo o dia em que os programas de rádio e televisão estarão cheios de noticiários acerca dos tremendos milagres realizados pelo Senhor Jesus antes de Sua vinda. No entanto, queridos, a Igreja só será capaz de operar na plenitude do Espírito Santo quando os seus membros viverem na plenitude de Deus em suas vidas. Como obter graça? – Nos humilhando. Provérbios 3:34 diz que Deus “…dá a sua graça aos humildes. “

Jesus, o nosso maior modelo de ministério, discipulado e liderança, nos mostrou o caminho. Veja o que o Apóstolo Paulo disse aos filipenses:

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tomando-se em semelhança de homem; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que está acima de todo nome.”

(Fp 2:5-9)

Existe muita confusão acerca destas palavras “humildade”e “humilhação.” Elas carregam em si mesmas uma imagem de aparência e atitude exterior que, às vezes, nem sempre corresponde com a realidade interior. Em outras palavras, este genuíno aspecto Interior, pode ser confundido com aquela aparência exterior que camufla o orgulho e a autoconfiança. Portanto, algumas ações con­sideradas frutos de um coração humilde podem estar escondendo uma grande vaidade em nossa obra e ministério. Por isto precisamos tomar o caminho que a Bíblia nos propõe para a verdadeira humilhação diante de Deus.

Sempre quando alguém me procura dizendo: “Irmão Mahesh, ore por mim para que eu me torne humilde diante de Deus e persevere em meu viver diário desta forma”; eu geralmente compartilho com eles acerca da vida de Davi e os Salmos. No contexto em que orava por aqueles que eram os seus inimigos, Davi escreveu: “… eu humilho a minha alma com jejum e ora­ção… ” (SI 35:13) A palavra hebraica traduzida para “minha alma” é nephesh, a qual pode ser literalmente traduzida como “o meu ser que respira. A maioria das versões bíblicas, traduz esta palavra como “alma” Em Salmos 69, um clássico salmo sobre o Messias, Davi escreveu profeticamente:

“Não sejam envergonhados por minha causa os que esperam em ti, ó Senhor, Deus dos Exércitos; nem por minha causa sofram vexames os que te buscam, ó Deus de Israel. Pois tenho suportado afrontas por amor de ti e o rosto se me encobre de vexame. Tornei-me estranho a meus irmãos e desconhecido aos filhos de minha mãe. Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as Injurias dos que te ultrajam caem sobre mim. Chorei, em jejum está a minha alma, e isso mesmo se me tornou em afrontas. (SI 69: 6-10)”.

O caminho bíblico para nos humilharmos diante de Deus é através do jejum. Ora, precisamos disciplinar as nossas almas, e a maneira mais efetiva de fazê-lo é através do jejum. Quando nos humilhamos diante de Deus, recebemos mais de Sua graça e de Seu poder. O Apóstolo Pedro escreveu:

“Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte. “

(1 Pe 5:5,6)

Se formos capazes de viver nesta atmosfera de genuína hu­milhação, Deus, a Seu tempo, nos exaltará. O problema nos Esta­dos Unidos e em vários países ocidentais é que nosso estilo de vida diária, sempre voltado para a cultura do prazer, produz as pessoas mais impacientes do mundo. Nós temos sido, através das décadas, cuidadosamente ensinados pelo “marketing” a esperar a gratificação instantânea.

Você não acredita no que digo? Então, com um cronômetro, sente-se diante de sua televisão por apenas uma noite. Você rapidamente descobrirá que, em quase todas as situações que se desenrolam nos programas televisivos, o personagem principal é capaz de resolver seus problemas em um passe de mágica (e quase todos os problemas surgem porque eles não podem alcançar o que querem da maneira e na rapidez que desejam). Muitas das propa­gandas que são “despejadas” em nossas casas todos os dias têm como objetivo, convencer a nós e a nossos filhos da necessidade de “sermos donos de nossos próprios narizes” e das vantagens de sermos sempre o “numero um”. Suponho que eles acreditam que se formos expostos à uma mentira por um tempo suficiente, ela se tornará a pura verdade. A nossa vida não pode funcionar desta maneira. Deus, em Sua palavra, nos diz que se nos humilharmos,Ele nos exaltará.

Ele escolheu este pequeno órfão indiano

Considere as promessas Dele novamente. Ele disse que nos exaltaria. Esta promessa é tremenda e sai da boca daquele que nunca mente ou falha em cumprir as Suas promessas. Como eu me humilho diante da inexplicável graça e misericórdia concedidas a mim! Ele escolheu aquele pequeno órfão indiano, oriundo de um remoto lugar, e o conduziu a vários anos de jejum e oração. Posteriormente, o levantou para conduzir várias cruzadas de evangelismo com curas, sinais e prodígios em 86 países. Ele o usou até mesmo (não sei por qual razão, Ele o sabe) para ministrar milagres em Jerusalém, apenas a alguns metros de algumas ruas onde Jesus andou! – Quem sou eu? Por que eu e minha esposa Bonnie temos sido tão abençoados com o privilégio de ver Deus realizar tantos milagres em nosso ministério? Com certeza não é por nossa própria causa – Toda a glória seja dada somente a Ele. A única coisa que posso dizer é: “Senhor, a Sua misericórdia para com este pequeno indiano órfão é maravilhosa. Obrigado Senhor!”

Você pode escolher viver uma vida de contínua humilhação diante de Deus. Ore ao Senhor constantemente: “Senhor, o meu desejo é me humilhar diante da Sua presença!” A coisa mais maravilhosa que acontece quando nos humilhamos debaixo de Sua po­tente mão é que, “ao Seu tempo”, Ele nos exalta e nos unge para realizar a Sua obra. Não fiquemos ansiosos por coisa alguma! Apenas humilhemo-nos, reconhecendo que não somos nada diante Dele.

Uma das mais interessantes passagens sobre humilhação, jejum e oração está no Segundo livro das Crônicas:

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.”

(2 Cr 7:14)

Quando a Bíblia fala de “se humilhar”, ela não está falando de uma atitude exterior, como por exemplo andar maltrapilho e dizer: “Ó, eu sou muito humilde.” A palavra está se referindo à maneira bíblica de se humilhar através do jejum descrito por Davi em Salmos.

Deus deseja que nos humilhemos individualmente e corporativamente; Ele também quer que oremos e busquemos a Sua face e nos arrependamos de nossos maus caminhos. Se realizarmos estas coisas, a Sua promessa é que Ele nos ouvirá, perdoará nossos pecados e sarará a nossa terra.

Embaixadores da libertação

Parte da comissão que o Senhor nos deu como embaixadores do Evangelho da reconciliação, é graça e unção de expulsar demônios em nome de Jesus. Como embaixadores do Rei, seja onde for que estejamos, esta responsabilidade estará conosco. A palavra de Deus diz: “O mau mensageiro se precipita no mal, mas o embaixador fiel é saúde. ” (Pv 13:17) Sinto que o Corpo de Cristo está se movendo para um novo nível de autoridade corporativa pura expulsar demônios de indivíduos, de vizinhanças, casas e até mesmo de comunidades inteiras. Não podemos ignorar, os espíri­tos malignos são uma realidade e o objetivo deles é atormentar a humanidade. A nossa comissão, por outro lado, é tomar a nossa cruz diariamente e seguir a Jesus. Aleluia! Ele veio para quebrar todo e qualquer jugo.

Muitas formas de opressões demoníacas e influencias malignas não suportarão a palavra de comando liberada por um ho­mem ou uma mulher cheia do Espírito. Todavia, conforme as pala­vras de nosso Senhor, existem castas que não serão expelidas até que você combine a oração com o jejum e esteja se movendo no Poder do Espírito.

Esta extrema resistência à autoridade espiritual é comumente vista em casos crônicos de alcoolismo, vício em drogas, homossexualidade, magia negra, movimento com ocultismo, espírito de suicídio, depressão e rebelião. Eu tenho visto, freqüentemente, estes tipos de fortalezas malignas associadas com maldição de miséria. Quando um indivíduo ou família está submetido a algum tipo de influência demoníaca, ela é também, geralmente, açoitada com graves problemas financeiros. Tais problemas financeiros geralmente são ocasionados com acidentes de carros, desemprego, assaltos ou qualquer outro tipo de calamidade.

Muitos cristãos sentem-se quase desamparados e indefesos

Uma outra área que sempre oferece resistência às orações normais dos cristãos é a área concernente às enfermidades. Algumas doenças, tais como câncer, AIDS e a febre hemorrágica, Ébola (e quase todas as formas de doença mental) carregam em si mesmas um peso de temor e invencibilidade que quase todos cristãos sentem-se desamparados no esforço de vencê-las através da ora­ção. Entendo muito bem os seus sentimentos e frustrações. No entanto, vemos através das Escrituras Sagradas que estas doenças, por mais mortais que sejam, devem se dobrar diante da autoridade do Rei dos reis.

Eu me recordo de um caso, há vários anos atrás, em uma cidade chamada Milwaukee, quando um senhor de origem espana trouxe-me a sua criança que sofria um ataque epiléptico a cada dois ou três minutos (Era um caso bem parecido com o daquele menino lunático relatado nos evangelhos). Quando me deparei com aquele menino pela primeira vez durante a reunião, a minha im­pressão era que ele tentava nos perturbar, mas na verdade, estava sofrendo ataques seqüenciais. Quando aquele pai trouxe o seu filho à frente para receber a oração, percebi que estava tratando com uma das situações impossíveis, que só o Senhor com Sua infinita graça poderia resolver.

Quando orei por aquele garoto, a minha dependência esta­va, mais do que nunca, totalmente no Senhor. Eu tinha passado vários dias de jejum e oração, e quando repreendi aquele demônio na autoridade do nome de Jesus, um mau cheiro insuportável encheu todo o ambiente daquele salão! Quando aquele espírito maligno deixou aquele pobre garoto, todos sentiram o terrível odor de enxofre e ovos podres. Mas glória a Deus! O liberto. Posteriormente, chegou ao nosso conhecimento que aquele menino, desde o dia de seu nascimento, sofria constantes ataques epilépticos. Não sei como ele conseguira manter a sua integridade física e como o seu cérebro não fora totalmente danificado pelos consecutivos e violentos ataques. Apesar disso, podemos ver depois de sua total libertação, como Deus o havia protegido até o dia que aquele de­mônio, finalmente, foi banido de sua vida.

Em meio a tanta fraqueza, Deus ressuscitou um morto

Deus explodiu a Sua unção para cruzadas de massa em minha vida em 1985, exatamente em um dos momentos mais trevosos e difíceis de minha vida familiar. Quando estava grávida de nosso filho, Aaron, Bonnie teve complicações que colocaram tanto ela como a criança em risco de vida. Ela ficou confinada na cama por três longos meses até Aaron nascer prematuramente.

Tudo que poderia acontecer de errado, aconteceu. Dia após dia, nós batalhamos pela pequena vida que se encontrava no útero fragilizado de Bonnie. Em meio àquela intensa ansiedade e angustia, o Senhor nos trouxe uma palavra inusitada: “Sorria, dêem gargalhadas”.O que nos pareceu totalmente inapropriado naquele mo­mento se tornou simplesmente o que o médico nos ordenou a fazer (Deus sabe lá porque). Um amigo então nos emprestou algumas fitas do comediante Bill Cosby, e começamos a ouvir as suas pia­das extravagantes todos os dias e ríamos até sentirmos dores. Deus estava certo. Àquelas horas passadas em meio a risadas nos fize­ram sentir como se estivéssemos tomando fôlego após estarmos submergidos em água por um longo tempo. Bom, o final e a moral desta história é que o nosso Deus é fiel. Aaron nasceu incrivelmente com 25 semanas e pesando apenas 1 kilo e meio. Com complicações pós-parto, foi imediatamente submetido a tratamentos in­tensivos e melindrosas cirurgias. Hoje, pela graça de Deus, é um jovem saudável e forte.

Logo após o nascimento de Aaron, em meio a toda aquela luta entre a vida e a morte devido a doenças e complicações de seu nascimento, fiz uma viagem para Zâmbia e Zaire (África) para ministrar cruzadas de curas e treinamento de liderança com o irmão Derek Prince e uma equipe apostólica. Primeiramente, estivemos juntos no noroeste da Zâmbia com a finalidade de ministrar treinamento para cerca de 2.300 jovens pastores e evangelistas. De repente, o Espírito de Deus agiu tão poderosamente na vida do irmão Derek, que ele começou a chorar. Ele falava sobre o trabalho apostólico e a importância de disciplinar as pessoas na Palavra, e, para terminar a sua palestra, adicionou: “Eu ensinei tudo que eu sei ao irmão Mahesh, mas Deus o ensinará um pouco mais e os frutos de sua vida serão dez vezes mais abundantes do que em minha vida.”

Ouvindo aquelas palavras, me derramei em lágrimas e dis­se para mim mesmo: “Como será isto? De maneira nenhuma posso ser comparado à sabedoria, unção e maravilhosa habilidade em ensinar que Derek Prince possui”.

Duas semanas e meia mais tarde, eu me encontrava sozinho no Zaire (O irmão Derek tinha ido para o Zimbábue) para minis­trar nas cruzadas de cura e libertação. Na primeira noite daquela cruzada, Deus trouxe 100.000 pessoas e já no final da semana cerca de 360.000 pessoas estavam freqüentando as reuniões. Al­gum tempo depois o irmão Derek disse-me que o maior número em uma reunião que teve em Zimbábue foi a décima parte, ou seja 36.000 pessoas, então o Senhor falou em meu coração: “Você está vendo? Eu posso todas as coisas.”

Durante aquela mesma semana em uma daquelas reuniões no Zaire, anteriormente conhecida como Congo Belga, o Senhor me deu uma palavra de revelação um tanto quanto perturbadora e específica. Naquelá noite estava com o meu coração bem sobre­carregado de preocupações com Bonnie e o meu filhinho Aaron que lutava pela vida “a meio mundo’ distante de mim. Em meio aos meus pensamentos, a palavra do Senhor veio poderosa e clara como um sino que toca: “Existe um homem aqui cujo filho morreu esta manhã. Chame-o. Eu vou ressuscitá-lo.”

Fiz exatamente o que o Senhor havia ordenado e anunciei àquela grande multidão à minha frente que Deus havia dito que tinha um homem naquele lugar, cujo filho havia falecido naquela manhã. Um burbúrio, que se tornou um grande rugido, estremeceu aquele lugar. Convidei aquele homem para vir à frente. Jamais esquecerei a visão daquele homem correndo em minha direção. Apenas existia uma certeza em meu coração: Somente o poder de Deus podia restaurar a vida e o fôlego ao filho daquele homem.

Eu conto a história completa deste milagre em meu livro, 0nly love can make a miracle. Para o momento relatarei o seguinte: Katshinyi tinha morrido às quatro horas daquela manhã de malária. Por volta de meio dia, Deus já o tinha milagrosamente ressuscitado! Uma cópia da certidão de óbito de Katshinyi foi reproduzida em minha autobiografia. Toda a glória deste milagre é somente para o Senhor. Em minha fraqueza, o Senhor revelou-me o Seu poder. Eu atribuo, definitivamente, estas maravilhas em meu ministério à disciplina que o Senhor tem me ensinado sobre o jejum e oração. Em todos estes anos percebo que o Senhor tem lançado fundamento em minha vida e me purificado no sentido de fazer-me mais sensível à sua Palavra, e assim, tornar-me um cooperador mais efetivo com a Sua obra.

A diferença entre vitória e triunfo

Quando estamos harmonizados com o coração de Deus, o próprio Senhor nos alertará e nos preparará antes que o inimigo nos venha atacar. Leia cuidadosamente nas Escrituras o triunfo do rei Josafá e de Judá contra os seus inimigos:

“Então Josafá pôs a buscar ao Senhor; e apregoou jejum em todo o Judá.

Judá se congregou para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá veio gente para buscar ao Senhor.

Pôs-se Josafá em pé, na congregação de Judá de Jerusalém, na casa do Senhor, diante do pátio novo,

E disse: Ah! Senhor Deus de nossos pais, porventura não és tu Deus nos céus? Não és tu que dominas sobre todos os reinos dos povos? Na tua mão está a força e o poder, e não há quem te possa resistir.

Porventura, ó nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo Israel, e não a deste para sempre à posteridade de Abraão teu amigo?

Agora, pois, eis que os filhos de Amon e de Moabe, e os do monte Seir, cujas terras não permitiste a Israel invadir, quando vinha da terra do Egito, mas deles se desviaram e não os destruíram.

Eis que nos dão o pago, vindo para lançar-nos fora da tua possessão que nos deste em herança.

Ah! Nosso Deus, acaso não executarás tu o teu julgamento contra eles? Porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti.

Todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres, e os seus filhos.

Então veio o Espírito do Senhor no meio da congregação, sobre Jaasiel, filho de Zacarias, filho de Benaia, filho de Jeiel, filho de matanias, levita, dos filhos de Asafe, e disse: dai ouvidos todo o Judá, e vós, moradores de Jerusa­lém, e tu, ó rei Josafá, ao que vos diz o Senhor: Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, mas de Deus.

Neste encontro não tereis que pelejar; tomais posição, ficai parados, e vede o salvamento que o Senhor vos dará, ó Judá e Jerusalém. Não temais nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Senhor é convosco.

Então Josafá se prostrou com o rosto em terra; e todo o Judá e os moradores de Jerusalém também se prostraram perante o Senhor, e o adoraram.

Dispuseram os levitas, dos filhos dos coatitas e dos coreítas, para louvarem ao Senhor Deus de Israel, em voz alta sobrema­neira.

Pela manhã cedo se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; ao saírem eles, pôs-se Josafá em pé, e disse: Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém! Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e prosperarás. Aconselhou-se com o povo, e ordenou cantores para o Senhor, que vestidos de ornamentos sagrados, e marchando à frente do exercito, louvassem ao Senhor, dizendo: Rendei graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre. Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o Senhor emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe, e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram desbaratados. Porque os filhos de Amon e de Moabe se levantaram contra os moradores do monte Seir, para os destruir e exterminar; e, tendo eles dado cabo dos moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se.

Tendo Judá chegado ao alto que olha para o deserto, procurou ver a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, sem nenhum sobrevivente.

Vieram Josafá e o seu povo para saquear os despojos, e acha­ram entre os cadáveres riquezas em abundância e objetos preci­osos; tomaram para si mais do que podiam levar, e três dias saquearam o despojo, porque era muito.

(2 Cr 20:3-7, 10-15,17-25)

 

Posicionem-se

A palavra do profeta à Judá e à Igreja em nossos dias é a mesma: “Posicionem-se. ” Existe um lugar além da vitória chamado triunfo. A vitória fala de vencer os seus inimigos. Mas o triunfo vai além de mera vitória. Quando você triunfa, você sai da batalha com muito mais que você tinha antes! Ó, queridos! Deus quer nos dar muito mais.

Para sermos vitoriosos e triunfantes temos, primeiramente, que aprender a nos posicionarmos em tempo de aflições e crises. Infelizmente tenho observado um triste fato. Muitas pessoas que passam por situações dolorosas encontram mais simpatia no mun­do do que no Corpo de Cristo. Acredito que isto se deve ao fato de muitos de nós termos sidos treinados para agir como negociantes (do tipo que sempre está à procura de uma boa “barganha”) ou como tubarões (que sempre atacam os outros quando estão feri­dos, sangrando e se debatendo nas águas da adversidade). Os mem­bros do Corpo de Cristo parecem mais determinados a atacarem e cortarem seus membros feridos do que a caminharem lado a lado, suportando, curando e corrigindo.

O Senhor não tolera este tipo de atitude em Sua Noiva. Fomos chamados para estar suportando uns aos outros em amor, pois estamos unidos em um só corpo: Cristo. Se um é afetado, todos são afetados juntamente. Desta maneira, não podemos nos vangloriar de nada, mas somente contemplar a face do Senhor con­tinuamente e depender Dele.

 

O lugar secreto do triunfo

Qual foi a primeira coisa que o rei Josafá fez quando o seu povo sucumbiu em seus problemas e derrotas? – Ele convocou um jejum para a nação inteira e todos estavam prostrados diante do Senhor orando: “Ó, Senhor, queremos nos humilhar diante de Sua presença. ” Ora, irmãos, quando assumimos uma posição de humilhação, estamos abrindo a porta para Deus tomar o Seu lugar em nossas vidas. Certa vez, quando participava de um período de jejum com mais alguns irmãos, alguém me procurou perguntando: “Para que você está jejuando?” Confesso que fiquei um pouco irritado com a forma que aquela pergunta me foi dirigida. Tal per­gunta demonstrava que aquela pessoa só via o jejum como uma forma de “troca” com Deus, ou um “toma lá, me dá cá.” Esta não deve ser a nossa atitude.

Quando dispusermos a nos humilharmos diante de Deus, o nosso único desejo deve ser buscar a Sua face e não meramente as Suas mãos em busca de dádivas. “Nós Te desejamos; acima de tudo, Te desejamos. Queremos ver a Sua glória e a Sua presença.” Que esta seja a nossa oração sincera.

Moisés conheceu o segredo da benção. Quando o Senhor lhe ordenou para que seguisse a sua caminhada com o povo no deserto ele foi sábio quando orou ao Senhor: “Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. ” (Êx 33:15)(3)

Creio que o Senhor estava esperando por esta oração de Moisés! O Senhor está esperando você pedi-Lo para se envolver com a sua vida e com o seu futuro. A maneira correta de fazermos isto, repito, é nos humilharmos debaixo da mão poderosa do Senhor. Assim, o Senhor nos colocará não somente em posição de vitória mas também de triunfo, como nos assegura o versículo 12, em 2 Crônicas 20.

 

Esdras fez petição a Deus e jejuou

O profeta Esdras enfrentou uma situação agonizante que colocava em risco um grande número de famílias. Artaxerxes, o rei da Pérsia, havia lhe dado ouro, prata e outras mercadorias para a restauração do templo de Jerusalém. Esdras fora comissionado para liderar um grupo de família de levitas e muitos outros judeus no caminho que voltavam para Jerusalém. Aquele rico tesouro em ouro e prata oferecido pelo Rei seria transportado através de um território muito perigoso e sem o cuidado de nenhum exército ou escolta. A cada passo, ele se distanciavam cada vez mais de Babilônia (onde estavam protegidos) e, gradativamente, mergulhavam em um território desguarnecido e sem lei. Todos os habitantes encontrados durante aquela longa jornada de retorno, haviam sido abertamente hostis a eles no passado. Contudo, o sacerdote Esdras tomou uma atitude que foi de importância crucial antes de come­çar a perigosa viagem de Babilônia para Jerusalém.

“Então apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos humilhar-mos perante o nosso Deus, para lhe perdirmos jorna­da feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso”.

Porque tive vergonha de pedir ao rei, exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, porquanto já lhe havía­mos dito: A boa mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas a sua força e a sua ira contra todos os que o abandonam.

(Ed 8:21,22)

Esdras, pela fé, disse ao rei Artaxerxes que a mão do Senhor estaria protegendo-os. Todavia, não somente falou, mas também fez algo muito importante: convocou o povo para o jejum e oração. A exemplo deste homem de Deus, não podemos apenas falar, mas precisamos nos lançar diante Dele em humilhação, jejum, intercessão e submissão à Sua vontade. Como Igreja do Senhor Jesus fomos chamados para fazer isto. Precisamos nos tornar oração e intercessão viva diante do Senhor e assim seremos ousa­dos como Esdras o foi, e diremos: “A mão do Senhor será sobre nós.”

“Nós, pois, jejuamos, e pedimos isto ao nosso Deus, e ele nos atendeu. “

(Ed 8:23)

Siga o caminho do arrependimento e do triunfo

Todos nós temos hábitos e padrões de pensamentos que pre­cisam ser tratados. Todos possuímos fraquezas e pecados que ten­dem a nos derrotar e fazer com que situações difíceis se tornem ainda piores.

Muitos de nós lutamos contra a depressão; outros, constantemente, são fragilizados com seus temperamentos difíceis. Quase todo pai com quem tenho conversado, admite que muitas vezes tem ficado nervoso e tem até cometido a injustiça com seus filhos. Depois se corroem em remorso.

Precisamos declarar, como o rei Josafá em 2 Crônicas, que somos incapazes e carentes de Sua Graça. Este tipo de oração nos leva à purificação. Precisamos também orar constantemente: “Se­nhor, sonda-me, lança a Sua luz nas trevas da minha vida para que, a todo o momento eu possa desfrutar de íntima comunhão Contigo”.

Capítulo 6

AS DUAS CAUSAS DE ACIDENTES NO MINISTÉRIO

 

Minha amada esposa, Bonnie, numa palavra de saudação em uma conferência, começou dizendo que não tinha nenhuma palavra específica a dizer. Todavia, em seu pronunciamento, aca­bou dizendo palavras relevantes relacionadas à razão, porque mui­tos ministros de Deus têm caído em ostracismo espiritual e têm estado sobrecarregados com muitos problemas. Com isto, se esquecem de quem é o Senhor e de como devem realizar a Sua obra. Estas foram as suas palavras:

“Eu espero que você esteja como eu: faminto do Deus vivo. Ultimamente tenho percebido que existem três grupos de pessoas distintas. O primeiro grupo consiste daquelas que vivem inteiramente absorvidas no stress e na correria de nosso tempo. O segun­do é formado por aquelas que vivem como meras espectadoras neste mundo e o tempo todo dizem: ‘ó, meu Deus, que vamos fazer?’

“Espero que você esteja incluído no terceiro grupo de pes­soas as quais estão sempre contemplando o Senhor e dizendo: ‘Senhor, eu quero conhecer o Seu coração e estar no centro da Sua vontade!’ – Irmãos eu quero encorajá-los, pois, estamos vivendo um momento crucial na historia do povo de Deus. O Senhor há de derramar muito de Seu óleo fresco em nossas vidas nestes dias”.

“Uma coisa mais quero dizer-lhes: Vocês precisam estar famintos de Deus, portanto, clame-O dizendo: ‘Senhor eu tenho fome de Sua presença…’ – e Ele te tocará profundamente. Você verá que quanto mais Ele lhe tocar, mais faminto você estará Dele”; e quanto mais Sua presença encher a sua vida, mais sede você terá Dele. Quanto mais Ele inundá-lo com o Seu Espírito, mais você perceberá como é carente da Sua unção gloriosa… Deus é tremen­do e infinitamente rico!

“Gostaria de encorajá-los também em uma outra questão. Devido à esta cultura perniciosa que nos rodeia, temos nos tornado muito preguiçosos em dois aspectos fundamentais na vida cristã: no reunir com o povo de Deus e no ouvir e praticar a Palavra. Permita-me exortá-los a serem como o cego Bartimeu que deixou para trás a sua capa e seguiu Jesus. Por vezes, existe uma capa de apatia e arrogância que nos envolve e é expressada com desculpas tais como: ‘Senhor eu estou bem. Eu não preciso ir à igreja toda semana! Uma vez por mês é suficiente porque existem excelentes programas evangelísticos na televisão…’

“Irmãos, o que  realmente precisamos é nos lançarmos diante da presença do Deus vivo, pois em Sua presença há descanso e refrigério. Nunca se canse de se reunir com a igreja e ouvir Sua Palavra – Esteja faminto. À medida que você começar a freqüentar as reuniões da igreja, a ter comunhão com o povo de Deus, mais desejo você terá de permanecer nos átrios do Senhor.

Procure desfrutar da presença do Senhor e, como o cego Bartimeu, deixe para trás toda capa, aquilo que o esconde e o faz permanecer sentado nas trevas, cego e mendigando. Clame em voz alta: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”

  Neste capítulo, gostaria de focar a nossa atenção para duas causas de “acidentes” no ministério (naturalmente existem mais que duas, mas estaremos concentrando a nossa atenção nestas duas em particular). Na verdade estes problemas não são novidades para ninguém, mas estão sempre presentes em nosso meio e sendo a causa de muitas derrotas e dissabores na história da Igreja. Acredi­to que muitos destes “acidentes” que, freqüentemente, vemos no ministério são causados por pessoas que receberam a plenitude do Espírito e funcionam no ministério fora do poder do Espírito. Em outras palavras, o apenas estar cheio do Espírito não é suficiente. Precisamos nos mover Nele, estar nos permitindo sermos tratados e aperfeiçoados por Ele antes de estarmos ministrando a outros. Se você estiver “despreparado” nas coisas de Deus, você poderá correr riscos em seu ministério. O Senhor Jesus tratou este problema, imediatamente após curar aquele garoto epiléptico, cuja possessão maligna desafiava a unção delegada de Seus discípulos:

“E quando chegaram à multidão, aproximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante dele, e dizendo:

Senhor tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e muitas vezes na água; E trouxe-o aos teus discípulos; e, não puderam curá-lo.

E Jesus, respondendo, disse: ó geração incrédula e perversa! Ate quando estarei eu convosco, e até quando vos sofrerei? Trazei-mo aqui.

E repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou.

Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo?

E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá – e há de passar; e nada vos será impossível.

Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum. “

(Mt 17:14-21)

Já mencionamos anteriormente que Jesus havia comissionado aqueles homens. O Senhor já havia lhes dado autoridade para curar os enfermos, expelir os demônios e até mesmo ressuscitar os mortos. Todavia, nesta passagem das Escrituras Sa­gradas, estes mesmos discípulos são confrontados por uma sólida “muralha maligna” que, simplesmente, não se movia mediante a nenhuma ordem dada por eles. Tal poderio maligno, portanto, im­pedia os discípulos de trazerem libertação àquela família. Lendo este episódio, uma pergunta poderia surgir: – ‘A autoridade que Jesus havia lhes delegado ainda estava com eles?” – Ora, claro que sim. O Senhor havia dado a eles a autoridade legal para expulsar demônios. Contudo, devido ao arranjo soberano de Deus para tra­tar com suas vidas, eles tiveram que enfrentar um tipo de força demoníaca que não se rendia ao nível de unção existente em suas vidas. Como resultado desta derrota pública a que foram expostos no confronto com aquele demônio, eles tiveram grande reprovação em suas vidas. Acredito que muitos deles devem ter entrado em crise consigo mesmos e podemos imaginar quais foram os questionamentos de seus corações: “Será que fomos desqualificados é para o ministério que o Senhor nos confiou? Será que seremos dispensados?” Ora, uma vez expelido aquele demônio, o Senhor amoroso os chamou em um lugar privado e apontou-lhes duas questões problemáticas em suas vidas:

 1.   Eles falharam por falta de fé.           

       2. Eles falharam porque não sabiam que existiam certas obstruções, desafios ou algum tipo de possessão demo­níaca e doença que não estavam dispostos a se rende­rem a qualquer nível de unção.

A solução para ambas as questões se encontrava no final do comentário feito por Jesus acerca daquela situação com o espírito de epilepsia que afligia aquele menino. Este comentário do Senhor vem logo após Seu ensino clássico sobre a “semente de mostarda”.Pela natureza de Sua Palavra, podemos aplicar este ensinamento de fé em casos como estes de expulsão demoníaca. Imediatamente, a esta palavra ainda, Ele declara enfaticamente:

“Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo o jejum”.

(Mt 17:21)

Irmãos, estejam certos de uma coisa: a menos que sejamos capazes de combinar a nossa oração com o jejum, certas vitórias nunca serão alcançadas em nossas vidas ou na vida daqueles que amamos. Um fato não podemos negar: temos ouvido falar muito acerca de oração nestes últimos anos e as estantes das livrarias evangélicas ao redor do mundo estão abarrotadas de livros sobre este tema. Porém, infelizmente, existe muito pouca proclamação ou divulgação sobre este precioso assunto do jejum. Em outras palavras, muito poucas pessoas o têm praticado e gerado frutos em suas vidas através dele.

O jejum é uma verdade escondida que foi ignorada ou mal compreendida pelo Corpo de Cristo no último século. Pela Sua graça, todavia, temos descoberto que o jejum é uma das maiores armas que Deus legou ao Seu exército do fim. Ele quer ver, atra­vés de Seu exército, gerações e nações inteiras conhecendo a Sua Salvação. Ele quer ver as nossas igrejas locais imersas em genuíno reavivamento. Ele almeja ver as nossas cidades desfrutando a redenção de uma forma maravilhosa. Ele quer liberar Seu poder so­brenatural para curar e libertar os perdidos em um fogo de aviva­mento, não somente as cidades, mas também a nações inteiras.

 

A incredulidade da Igreja

Um dos principais problemas da Igreja nestes dias é o peca­do de incredulidade. Dúvidas e incredulidade são o oposto de fé. A Palavra de Deus nos adverte que “… sem fé é impossível agra­dar a Deus”.Muitas congregações na América do Norte adotaram uma “forma piedosa de viver” mas desconheceram a efetividade do poder de tal estilo de vida. Muitos aspectos do tão conhecido “movimento de fé,” acontecido há alguns anos atrás neste país, foram muito bons e saudáveis para a nossa anêmica Igreja mas, em contrapartida, muitos excessos e motivações erradas foram identi­ficados. A verdade é que precisamos possuir a realidade íntima de uma fé genuína e não uma forma exterior porque, afinal de contas, somos chamados para ser um povo de fé.

Precisamos ter a nossa fé mesclada com a nossa obra; tudo neste mundo e no porvir é medido pelos frutos que somos capazes de gerar. O que temos feito para cumprir a nossa jornada em seguir a Jesus e realizar as Suas obras? Onde temos errado e onde temos acertado em nossas vidas e ministérios? Qual é o bom fruto que temos gerado? Que tipo de água tem jorrado de nossas fontes?

Sem dúvida, temos tido como Igreja, uma boa medida de progresso, embora estejamos longe daquela dimensão, para a qual, o Senhor nos tem chamado. Ao analisarmos o progresso da Igreja em nossos dias veremos que muito do progresso alcançado na pro­pagação do evangelho procede do trabalho nos séculos anteriores ao nosso. Através de ministérios de homens como Martin Lutero, os irmãos moravianos, John Wesley, George Whitefield, D.L. Moody e outros que tiveram, na prática do jejum e da oração, a chave para a riqueza e abundância em suas vidas e ministérios. Acredito que, nestes dias, Deus está contemplando o que acontece quando esperamos apenas “pela fidelidade de alguns” em realizar a Sua obra. O desejo do Senhor é ver a Sua Igreja se levantar como um todo, um Corpo completo em seu resplendor e glória; em outras palavras, o Seu desejo é ter para sempre a Sua noiva imaculada, sem ruga e sem mancha.

A triste realidade é que a Igreja tem sobrevivido sem o po­der de um viver pleno de vitória e liberdade, embora, tenhamos à nossa disposição o nome e a autoridade do filho de Deus. – Não é isto muito estranho? Sofremos dos mesmos problemas que neutralizaram os primeiros discípulos de Jesus!

O que me alegra muito o coração é saber que Jesus é o mesmo é que a situação caótica em que atravessamos nestes dias não é problema para Ele. Ora, é tremendo saber que Ele tem o tempo em Suas mãos e é conhecedor do amanhã, e que Ele deu à Igreja uma promessa concernente ao último grande sinal de Sua vinda no Evangelho de Mateus:

“E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim”.

(Mt 24:14)

Este versículo contém um comando profético, um perfeito modelo do cumprimento de uma promessa. Somos comandados, portanto, a proclamar “o Evangelho do Reino”.O Senhor não nos deu um comando de múltipla escolha. Ele nos ungiu para proclamar o Seu evangelho e tão somente o Seu evangelho; que isto esteja bem claro em nossos corações. Precisamos estar cônscios que as boas novas que hoje anunciamos são as mesmas proclamadas pelos apóstolos, os quais foram capazes de entregar as suas próprias vidas. Aleluia! Este é o mesmo Evangelho que Filipe e Estevão pregaram.

 

Deus nos viu em Cristo

É bom sempre lembrarmos que, nosso modelo primordial na proclamação da Palavra é o próprio Jesus de Nazaré. Existe portanto alguém mais que poderíamos nomear além Dele? Esta é apenas uma pergunta de retórica que, naturalmente você não preci­sa responder. Se você realmente acredita que Jesus é Senhor, Sal­vador e o único Filho de Deus, então você está convencido que a sua vida deve ser inteiramente conformada Nele e em ninguém mais. Se você ousar fazer isto, o Pai, em Sua fidelidade, cumprirá outra promessa que temos em Jesus:

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para meu Pai”.

(Jo 14:1)

Este Evangelho que foi proclamado por Jesus e por Seus discípulos, foi sempre acompanhado de grandes sinais e maravilhas. Estes sinais começaram a acontecer em meu ministério de­pois que comecei a focalizar em minha vida, o padrão de Cristo e a combinar o jejum e a oração. Devido às grandes nuvens humanistas que envolvem as nações, especialmente do ocidente, hoje, mais do que nunca, esta prática se faz necessária. Nós, a Igreja do Senhor, somos chamados e ungidos para romper estas nuvens e proclamar o genuíno evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo para todas as nações em meio a grandes sinais e maravilhas na confirmação de Sua Palavra.

    

 

Visão profética do Evangelho na China

Há vários anos atrás, o Senhor disse-me: “Eu estou te preparando para enviá-lo à China”.Comecei, então, a sentir uma fir­me convicção de que Ele começaria a derrubar a “cortina de cegueira” que envolve a China nesta geração. Em questão de alguns anos, o Senhor deu-me a oportunidade de conduzir múltiplas cru­zadas na república da China, Taiwan. Tivemos em nossas reuniões, algumas das maiores multidões da história daquele país. Pos­teriormente, fomos informados que, muitos dos tremendos mila­gres realizados durante aquelas cruzadas nunca foram vistos no país.

Aquelas cruzadas foram, especialmente, muito difíceis de conduzir devido à grande oposição espiritual que enfrentamos. Provavelmente, tal oposição maligna se deva ao fato de aquela ser uma das primeiras cruzada realizada naquele país. Tínhamos certeza que a batalha que enfrentávamos era contra demônios e potestades que tinham sido adorados de gerações em gerações naquela cultura milenar. O que fazer quando tamanha força das tre­vas nos oprimia e parecia nos dizer: “Nós possuímos este território! Quem são vocês?” Bom, a única coisa a fazer era proclamar o Evangelho do Reino com poder e autoridade.

Por muitas vezes senti como se estivesse envolvido em um intenso combate corpo a corpo, tamanha era a angústia de meu coração. Não obstante, o Senhor nos deu uma grande colheita. Centenas e centenas de chineses vieram à frente mediante aos ape­los feitos em cada noite para se arrependerem de seus pecados e serem salvos. Mesmo alcançando todo este sucesso no ministério, o Senhor disse-me: “Você ainda não viu nada”.Pense sobre isto, irmão: O que acontece quando você injeta o poder de transformação de vida deste evangelho em uma nação de 1,2 bilhões de pes­soas ainda não evangelizadas?

Existe hoje na China comunista, uma próspera igreja sub­terrânea de cerca de um milhão de membros que funciona nas ca­sas. Mas descobri, quando estive lá, que o número de irmãos desta igreja é muito inferior em comparação com a gigantesca população que o país possui. Bom, o que tem feito o comunismo? Este movimento tem tido sucesso em realizar somente uma coisa: criar um imenso vácuo espiritual. Apesar disso, todo sofrimento provo­cado por este regime tem redundado em benção e fluir da poderosa vida de Cristo naquele país. Portanto fizemos nossas, as palavras de José: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande”.  (Gn 50:20)

A Igreja é chamada a preencher, com a proclamação do evangelho, todo e qualquer vácuo criado pelo totalitarismo governamental ou pelas filosofias mundanas.

Não existe nenhuma possibilidade de você ou eu cumprir o nosso divino chamamento sem contarmos com o poder de Deus. Quando estamos ministrando em um lugar onde toda a atmosfera espiritual está impregnada com poderes demoníacos, não pode­mos simplesmente chegar diante das pessoas e perguntarmos: “Vocês já conhecem as quatro leis espirituais?” Eu realmente apre­cio a instrumentalidade das quatro leis espirituais e sem dúvida elas funcionam em algumas situações. Todavia, no trabalho de “ar­rombar” as portas do inferno você precisa do poder de Deus de­monstrado em sinais e maravilhas que seguem a sua pregação da Palavra de Deus. Este tem sido o método preferido de Deus de evangelismo desde o dia de Pentecostes a dois mil anos atrás e a ênfase evangelística nos maiores reavivamentos, renovações e despertamentos espirituais por toda a história da Igreja.

Agora tenho que dizer-lhes algo bem específico da parte do Espírito Santo de Deus: O Senhor está preparando você para participar ativamente nesta grande colheita dos últimos dias! Sim, o Senhor te tem preparado diligentemente. Os membros de sua igreja local são também chamados para se envolverem ativamente no grande reavivamento e proclamação do Evangelho que está para acontecer nestes dias. A escolha é sua para dizer “sim” ou “não” para Ele.

Quando a cortina do comunismo finalmente cair e as fron­teiras da China estiverem abertas para a proclamação do Evange­lho, o nosso próximo passo será, imediatamente, treinar um mi­lhão de pastores para cuidarem das centenas de novos irmãos que nascerão na grande quantidade de igrejas implantadas por todo o país. Agora você entende por que Deus tem sido muito claro em colocar juntos os ministérios apostólicos em escala global? O Se­nhor tem pressa na Sua obra, e um dos Seus objetivos é ver cada um dos Seus filhos, com efetividade, exercendo os ministérios a eles confiados. Ele quer que você se posicione em seu chamado, mas saiba que tudo isto demanda um preço.

Uma outra maneira na qual os evangelistas do primeiro sé­culo diferenciam em muito dos “modernos” é que eles nunca atu­avam sozinhos. Nestes dias, Deus está criando a mesma atmosfera de relacionamentos entre ministérios que, sem dúvida, foi uma das “chaves” da Igreja primitiva para difundir o evangelho por todo o mundo conhecido daquela época em uma geração. Eu creio que, pela graça de Deus, posso fazer certas coisas bem. Ele tem me confiado o tipo de ministério para “arrombar” as portas do infer­no” em algumas cidades e nações através de sinais e maravilhas; mas quem sou eu? Apenas um servo que Deus levantou, ungiu e ordenou para cruzadas em massa. A minha tarefa é alcançar os perdidos e plantar igrejas; porém o Senhor não me incumbiu de pastorear estas igrejas ou discipular as centenas de milhares de novos convertidos. Isto traz à tona a próxima questão, pela qual, o Espírito Santo está levantando crentes ao redor do globo: “Qual é o seu encargo? Você está disposto a pagar o preço? Você tomará os cuidados necessários para evitar acidentes no ministério?”

Eu realmente louvo a Deus por trazer multidões de mais de 300.000 pessoas por noite e milhares de novos convertidos a entregarem as suas vidas para Jesus em reuniões na África. No entanto, o Senhor falou em meu coração que tais reuniões representavam muito pouco em relação ao que Ele estava para fazer na índia e China! Acredito que teremos, provavelmente, 100.000 convertidos em cada concentração que faremos nestes países. Tudo isto é muito maravilhoso, mas saibam que Deus não está satisfeito em apenas trazer muitas ovelhas em nossas reuniões. Nosso Deus Pai, nosso Salvador e grande Pastor está interessado em tê-los para a eternidade. É nossa responsabilidade, diante de Deus, plantá-los nas igrejas para serem instruídos na Palavra, e, adequadamente crescerem em Cristo.

 

De volta à estaca zero

Permita-me retornar ao sublime tema do Senhor neste livro. Uma das coisas que Deus está fazendo em nossa preparação para o grande avivamento neste tempo do fim é transformar homens e mulheres dispostos a pagarem o preço em ter uma vida de jejum e oração. Precisamos começar a usar esta arma da grande colheita, se, de fato, queremos a vitória de Cristo em nossas vidas e familiares, igrejas e até mesmo em nossa nação! Jesus disse:

“Mas esta casta de demônios (opressão maligna, obstáculos e controle diabólico) não se expulsa senão por meio de oração e jejum”.

(Mt 17:21) (Parênteses acrescentados pelo autor)

É provável que em algum ponto em sua vida e ministério, você tenha se sentido desfalecido, desanimado ou até mesmo ame­açado diante de terríveis obstáculos. Seja qual for o motivo de tal situação: ataque maligno, falta de perdão ou pecado, tal problema estará sempre “borbulhando” em sua vida. Você não será capaz de se mover, a menos que realize a combinação da oração e do jejum. .Eu tenho aprendido que, quando fazemos isto em momentos ferre­nhos de ataques de nosso inimigo, é como se jogássemos uma “bom­ba nuclear” em seu arsenal espiritual. Imagine que você esteja usan­do granadas de oração para destruir maciças montanhas de incre­dulidade, obstáculos ou obstruções demoníacas em sua vida e mi­nistério. Ao combinar as suas orações com o jejum, você lançará uma bomba de hidrogênio na montanha que está bloqueando o ministério que o Senhor lhe tem concedido. Eu não estou falando de uma ligeira mudança que esta combinação realiza. Pelo contrá­rio, o jejum auxiliará na intensidade e efetividade de suas orações. É por isto que precisamos conhecer o poder secreto do jejum e da oração tão enfatizado pelo Senhor nestes dias e uma crucial ferra­menta na proclamação do Evangelho às nações.

Da mesma forma que enfrentamos as terríveis lutas de vida ou morte para trazer salvação à República da China ou África, muitas igrejas na América do Norte têm se aparelhado em um com­bate, ombro a ombro, pela nossa nação. Irmãos, temos que enten­der que não estamos mais no tempo de nos assentarmos e assistir­mos passivos o mover de Deus passar por nós. Em figura, a Igreja de Deus é a “Ester espiritual” que nasceu e foi trazida à maturidade “para um tempo como este”(‘). A Sua soberana Palavra para nós, o Seu povo, é esta: “O Reavivameto do tempo do fim está próximo. Esqueça as coisas passadas e ganhe a visão de seu cha­mado no Senhor”.

Você é chamado para ser parte deste reavivameto, e a maneira mais efetiva para participar é através do jejum e da oração. Comece já a interceder pelos perdidos hoje. Esteja com o propósito de estar jejuando uma vez por semana, intercedendo por sua nação e, em suas orações, diga ao Pai: “Senhor envia-nos o Seu avivamento.” A minha expectativa é ver pelo menos um milhão de crentes em um mesmo objetivo em jejum e oração intermitente diante do Rei dos reis. O que aconteceria se cada um de nós nos comprometêssemos a orar e jejuar pelo menos um dia por mês por nossas nações, igrejas e famílias?

O desejo do Senhor é que sejamos liberados no poder do Espírito. Todavia, isto somente acontecerá quando estivermos, con­tinuamente, dizendo “sim” ao mover do Espírito de Deus. O Se­nhor quer tratar conosco, e o Seu tratamento começa bem no ínti­mo de nosso ser. Glória a Deus! É através deste processo que Ele remove dúvidas, incredulidade de nossos corações e trás purificação através do fluir de seu Espírito vivificante que nos convence e nos cura. Podemos estar, certos que na Sua presença há gozo e paz e que o caminho mais seguro para a pureza e santidade diante Dele é encontrado na combinação constante da oração e do jejum.

Em 1986, Bonnie recebeu uma profecia do Senhor. Ela to­mou o cuidado de transcrevê-la em um papel e, para o meu encorajamento, levou para os presbíteros da igreja em que estáva­mos servindo na Flórida. Por aquele tempo me encontrava minis­trando e me dedicando a um período de jejum e oração em Washinton D.C. e, exatamente neste período, Bonnie recebeu aquela palavra do Senhor. O que mais nos fascinou em tudo isto foi que, enquanto o Senhor liberava uma palavra para minha esposa, Ele também se manifestou a mim de maneira gloriosa dando-me tam­bém uma profecia sobre a nossa igreja local.

Em meu retorno para casa, comparei as anotações e desco­brimos que o Senhor nos tinha dado a mesma palavra! Ele nos disse a ambos que queria que a nossa igreja local observasse um jejum de 21 dias. Eu, porém, recebi uma palavra adicional que nos instruía a estarmos juntos, como Corpo, das 5 às 7 horas manhã durante todos estes dias. Ele me disse ainda: “Se vocês não fizerem isto, a minha presença sairá do vosso meio e vocês nem darão conta disto”.

Eu já testemunhei muitas situações nas quais, a presença do Senhor tinha deixado uma congregação e, embora a vida do Senhor não mais se fazia presente, o povo ainda insistia em sua obra pessoal. Confesso que, como congregação, estávamos prestes a isto. Todos os presbíteros examinaram, cuidadosamente, as anotações da palavra recebida por Bonnie e concordaram que aquela palavra profética era verdadeira e, posteriormente foi confirmado com a palavra que eu também havia recebido do Senhor. Subse­qüentemente, convocamos toda a igreja para observar 21 dias de jejum”) e expressamente solicitei a todos para nos encontrarmos pelas manhãs, para oração em conjunto. Logo no início daquele jejum coletivo, tanto eu, quanto o irmão Derek Prince (que tam­bém fazia parte daquele presbitério) tínhamos compromisso para ministrar fora de nossa cidade. Embora não estivéssemos presen­tes, a igreja tinha a direção de começar o jejum na Segunda-feira seguinte. No primeiro dia, um total de cinco pessoas, dos seiscen­tos membros de nossa congregação, apareceu para o período matutino de oração. No dia seguinte, apenas dois. Um destes dois que estiveram presentes no segundo dia era um homem com um carisma profético bem acentuado – Ele sempre viajava comigo quando ministrava na África. Este homem começou a chorar naquela ma­nhã quando o Espírito de Deus veio sobre a sua vida e, em meio a lágrimas ele entregou a seguinte palavra à Igreja na reunião da Quarta-feira: “O Senhor em nossa oração matutina me disse: ‘Eu estou aqui, onde está o meu povo?”

Naquela mesma noite voei de volta, mas não soube o que tinha acontecido durante aqueles três dias. Depois que este homem falou à Igreja, o Espírito do Senhor começou a incomodar as pes­soas, iniciando pelas crianças. Percebi que algo excepcional acon­tecia quando a minha filha Sarah, de apenas quatro anos, veio ao meu quarto às 4 horas da manhã e sacudiu-me o ombro dizendo: “Papai, acorda. Está na hora de irmos para a igreja.” Posterior­mente descobrimos que muitos pais na igreja foram acordados por seus filhos.

Bonnie relatou-me que no dia anterior à minha chegada ela fora despertada com um grande barulho na porta às quatro horas da manhã. Ela acordou e, ao atender a porta, não encontrou nin­guém. Pegou, então, as crianças e foi para o prédio da igreja e ao abrir a porta, a glória do Senhor era tão forte que ali mesmo ela caiu ao chão! Após a maioria dos irmãos da igreja serem despertados pelos seus próprios filhos, 150 pessoas estiveram na reunião de oração pela manhã e no dia seguinte o número aumentou para 200. Começamos, gradativamente, a nos submergir no espírito de avivamento e como era maravilhoso ver os irmãos se quebrantando diante de Deus! Muitos começaram a se arrepender de pecados. Homens tidos como exemplo de santidade começaram a chorar incontrolavelmente e a se arrepender de seus compulsivos envolvimentos com o vício de pornografia.

Uma das excepcionais características desta visitação era um sentimento forte da presença do Senhor pairando em nossas vidas. Tudo que podíamos fazer era chorar em um tipo de “santo terror” diante de Sua presença tão poderosa naquele lugar. Naquelas reuniões eu não queria nem mesmo levantar a minha cabeça por causa de tão forte sensação da Sua presença que nos constrangia. Estáva­mos desfrutando um genuíno avivamento e isto aconteceu no iní­cio do ano de 1986! Derek Prince compartilhou que em seus 40 anos de ministério, até então, ele nunca havia experimentado um nível tão tangível da unção de Deus.

Se esta experiência em nossa igreja local foi tão forte, en­tão, por que este mover não foi ouvido pelas igrejas por todo o mundo, como se ouviu muito acerca da grande visitação do Senhor em Toronto, Ontário e Pensacola, Flórida em 1990? A resposta é simples: Não soubemos ser mordomos e cultivar a poderosa pre­sença do Senhor em nossas vidas no dia a dia. O Espírito Santo não perguntou: “Como posso vir até vocês?” Ele, tão somente, em sua soberania, escolheu se revelar como Espírito de arrependimento a seu povo. Infelizmente, não entendemos que arrependimento é uma palavra de benção. A única razão que nos faz capazes de arrepender genuinamente diante de Deus é, tão somente, a ação do Espíri­to Santo que nos dá a sua graça para fazê-lo.

Semana após semana, o Espírito de Deus se movia poderosamente em nós e, através de Sua tremenda glória que nos envolvia, Ele conduzia a cada um de Seu povo a se prostrar em arrependimento. Enquanto isso, não compreendendo o mover de Deus, começaram a se sentir desconfortáveis com tudo aquilo. Eles eram (e ainda são) irmãos maravilhosos e verdadeiramente amam o Se­nhor. Porém, começaram a sentir desconforto com a maneira que o Espírito se movia e, inadvertidamente, decidiram que já era hora de “mudar o mover”.O problema era que o Espírito de Deus não queria mudar. Eles disseram: “A Igreja já se arrependeu o suficien­te, vamos agora louvar e exaltar o Senhor em cânticos de adoração”.Em outras palavras: deixamos de estar sob a direção do Espírito, quando o desejo do Senhor era realizar uma profunda obra de arrependimento em nossas vidas ou talvez, quem sabe, na nação inteira.

Sempre tendemos a pensar que Deus deveria estar satisfeito com o nosso arrependimento e obediência em uma área particular, quando o Seu alvo não é este. Às vezes Ele está satisfeito conosco em nosso arrependimento “no dia 2″ e Ele quer trabalhar arrependimento em nossas famílias, igrejas, cidades ou nações “do dia 3 até o dia 21.” Então nos tornamos impacientes. Começamos a desejar uma “festa de celebração” quando não existe ainda nada para se celebrar! Deixamos o lugar da graça de Deus e nos move­mos para o “prazer de nossa alma”.Como abandonamos a direção do Senhor, lentamente o poderoso mover de Sua presença e unção começou a se desvanecer.

Todos nós que testemunhamos aquele excepcional e glorioso mover fomos profundamente afetados por ele durante todos os anos que se seguiram. Ainda posso me lembrar como a presença do Senhor era poderosa em nossas reuniões. Hoje estamos bem conscientes que precisamos não somente aprender como “trazer a glória de Deus” mas também aprender “cultivá-la” com honra, respeito e obediência a Ele somente.

Em testemunho sobre o seu encontro com Jesus Cristo, João Batista disse: “Eu vi o Espírito descer do céu como pomba e per­manecer sobre Ele”.(Jo 1:33) Durante o movimento carismático, aprendemos como honrar Deus e ver Seu Espírito descer sobre nós de uma forma intensa de tempo em tempo, mas não aprendemos como viver, de tal maneira, que Sua presença permaneça em nós.

Eu acredito que um estilo de vida disciplinado, voltado para o jejum e oração (individual e corporativo) é um elemento essencial na vida de um povo que deseja habitar na presença do Deus vivo. Carecemos aprender esta lição porque acredite-me, o toque de Deus em sua vida não pode ser comparado com nada nesta terra! A chave, portanto, para superar as duas causas de acidentes no ministério é a intimidade com Ele que nasce de uma vida de pessoal consagração ao jejum e oração.

Capítulo 7

FLECHAS DE DOR, FLECHAS DE TRIUNFO.

 

Existe um preço que envolve o chamado e a unção de Deus em nossas vidas. Quando, finalmente, reconhecemos que nossas vidas não mais nos pertencem e que fomos comprados por um bom preço, tudo muda. Começamos a sentir em nosso espírito a urgência de Deus em nos usar como servos hábeis em sua seara.

Este sentimento de urgência foi muito forte em meu espíri­to quando ministrava a centenas de milhares de pessoas na África central. Nesta região, um em cada quatro adultos foram infectados pelo vírus HIV (Aids) além de um número incontável de crianças! Em algumas cidades, mais de sete, entre dez grávidas, eram soro-positivo com grande possibilidade de transmitir esta fatal doença aos seus filhos durante a gestação, no nascimento ou na amamentação. Muitas daquelas pessoas estavam morrendo e o Espírito Santo de Deus impressionou-me muito sobre a urgência de proclamar as Boas Novas antes do final de suas vidas.

Quando a compaixão de Deus pelos perdidos arde em nossos corações, como Seus servos, muitas vezes temos que tomar algumas decisões difíceis. Tais momentos têm ocorrido a muitos servos de Deus durante toda a história; comigo também aconteceu quando estive conduzindo cinco cruzadas em Taiwan, República da China.

Ministrando neste país, fomos comunicados por líderes locais que a média de conversões nas igrejas do país era cerca de dois por ano e, quando isto ocorria existia muita celebração. Em nossas cruzadas naquele país, entretanto, vimos centenas de pesso­as se entregando ao Senhor toda noite! Embora a batalha espiritual naquele lugar fosse uma das mais intensas que já testemunhei em minha vida, não obstante, tivemos uma grande colheita e o Senhor nos proporcionou grandes sinais e prodígios.

Exatamente em meio a todas as demonstrações do poder de Deus e grande vitória a nós conferida, recebi um telefonema de­vastador. Meu irmão mais velho estava seriamente doente. Ele nunca havia se casado e, desde a morte de meu pai, literalmente sacrifi­cou a sua vida e carreira no sentido de cuidar de minha mãe e criar os irmãos mais novos.

Eu havia orado muito por meu irmão há dois anos e meio atrás quando ele ficou bem doente pela primeira vez e Deus, miraculosamente, o curou e o susteve. Desta vez ele estava prestes a morrer em Londres, Inglaterra, e tudo o que podia fazer era comunicar-me por telefone. O desejo do meu coração naquele mo­mento era abraçá-lo fortemente, beijá-lo e dizer-lhe o quanto o amava. Senti uma grande necessidade de agradecer-lhe por sua fidelidade em cuidar de mim. Porém, eu estava totalmente com­prometido. A cruzada que conduzia já tinha sido anunciada por um ano e meio. Centenas de pessoas estavam voando de Singapura e Hong-Kong. Centenas de chineses já estavam sendo salvos – Pes­soas que nunca ouviram o Evangelho com poder. Então recebi a notícia que meu irmão tinha morrido.

 

O que fazer?

Na tradição da cultura de meu país de origem, quando um membro da família morre, todos os homens devem comparecer ao funeral, especialmente os mais velhos (que agora era o meu caso). Liguei para minha mãe em Londres e ela me disse com sua voz sofrida: “Querido, você sabe, eu nunca te pedi nada em minha vida, mas desta vez, por favor, atenda ao meu pedido e vem estar com o seu irmão”.

Eu era esperado em Londres para o funeral e para isto eu teria que cancelar no mínimo cinco noites: duas noites para fazer a viagem de Taiwan para Londres, um noite para ficar em Londres e duas noites para retornar para Taiwan. Centenas de vidas já estavam sendo salvas em cada uma das noite que ministrávamos a Palavra. Minha mãe estava me pedindo para estar com os familiares e honrar o homem que sacrificou toda a sua vida por mim. Ora, este era um pedido legítimo e muito relevante. O que fazer? Se atendesse a esta necessidade familiar, centenas de vidas talvez se perderiam para sempre. Veja como o Senhor nos conduz no mo­mento quando temos que fazer difíceis escolhas que desafiam al­guns dos maiores tesouros e prioridades de nosso viver!

Eu tive que ligar para minha mãe novamente e dizer-lhe: “Mãe, eu te amo. Mas eu não posso estar com você agora. Eu tenho que responder ao chamado do Senhor”.Permaneci, portanto, na China e não fui no funeral de meu precioso irmão. Não posso descrever em palavras como me machucou ligar para minha mãe e dizer-lhe que ela estaria privada de minha presença. Apesar de todo o sofrimento de meu coração, a glória do Senhor foi sem medida naquela noite. Centenas de chineses se renderam ao Se­nhor em cada noite. Tenho certeza que um dia encontrarei com cada um deles no céu, mas tenho que confessar que tive que fazer uma dura escolha naquela noite.

O Senhor nos conduzirá, a cada dia, através de jornadas que serão áridas às vezes. Estes momentos nos forçará a tomar decisões e fazer escolhas difíceis acerca da questão: “Quem você ama mais?” A indescritível dor que senti quando fiz aquela escolha ainda permaneceu no meu íntimo por muito tempo. Profundamente amo e respeito minha mãe e, definitivamente, não existem pala­vras que possam expressar o amor, a gratidão, e o respeito que tinha por meu irmão. Entretanto, o meu amor pelo Senhor é incom­paravelmente maior.

Basta apenas uma palavra do Senhor

A dor daquela crucial decisão me inquietou muito até um dia, quando o Senhor manifestou-se a mim liberando-me uma glo­riosa palavra de cura. Em momento de aflição, saibam que tudo o que precisamos é uma palavra da boca do Senhor para nos restau­rar de toda lágrima e dor em nosso coração. Ele disse-me: “Mahesh, você estava realizando a minha obra. Como você não podia ir, eu fui em seu lugar”.Ora, como o Senhor fora em meu lugar, eu creio, pela fé, que Ele tomou o meu irmão, que já era salvo, pela mão e o levou pessoalmente à presença do Pai.

As Escrituras Sagradas relatam que somos soldados e guer­reiros no Exército de Deus. Como um soldado sob o comando soberano de Deus, é provável que muitas vezes você se confronte com valores inerentes à sua vida pessoal com os planos que Deus para sua vida. Se você colocar diante do Senhor tudo aquilo que é de grande valor em seu viver, com o firme propósito de obedecê­-Lo, Deus o honrará em tudo.

Como o Senhor dos senhores, e Rei dos reis descrito por João no livro de Apocalipse, Jesus é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre. Ele está disposto a fazer vingança por Seu povo Israel e por Sua Igreja com a espada de Sua boca e nos conduzir à plena vitória. Precisamos, contudo, de dois requisitos necessários para a vitória em qualquer batalha:

1.    Precisamos nos despojar de todo pecado e impurezas de nossas vidas através do sangue de Jesus.

2.     Precisamos estar dispostos a obedecer todo comando e seguir toda estratégia que o Senhor nos dá, tomando sempre cuidado para não desviarmos ou hesitarmos na realização da obra por causa de temor.

Se você se detém, mesmo que seja por um instante, nos livros de história, revistas, jornais ou em qualquer forma de mídia, você será capaz de listar um grande número de problemas presen­tes nesta geração. Eu tenho certeza que sua lista incluirá: doenças infecto-contagiosas, fortalezas satânicas, pragas, violência, humanismo, drogas e toda sorte de doutrinas do tão sedutor movi­mento de nova era que, com toda a sua carga de perversão, tem arrastado milhares de jovens com os seus tentáculos. Todas estas coisas tem uma origem comum.

A resposta para toda esta influência perversa de satanás é tão somente encontrada em Cristo e em Sua Igreja. Não importa o número de principados e potestades que estejam dominando uma cidade ou até mesmo um país, o nosso Deus tem a resposta. Esta resposta foi revelada pelo Senhor Jesus em Sua oração sacerdotal, encontrada no Evangelho de João.

O Pai enviou Jesus em missão para redimir a humanidade e, da mesma forma Ele também nos enviou, nos incumbindo da mesma tarefa. O Seu chamado é o nosso chamado. Ele, por sua vez, já consumiu tudo na cruz do Calvário. Nós, porém, estamos encarregados de proclamar as Boas Novas ao mundo. Agora, uma pergunta: Estamos nós dispostos a observarmos as bases de jejum de Deus descrito no livro do profeta Isaías?

“O Espírito do Senhor Jeová está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos: enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;

A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;

A ordenar acerca dos tristes de Sião que lhes dê ornamento em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestido de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor para que ele seja glorificado.

E edificarão os lugares antigamente assolados e restaurarão os de antes destruídos e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração.

E haverá estrangeiros, que apascentarão os vossos rebanhos: e estranhos serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros. Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus: comereis a abundância das nações, e na sua glória vos gloriareis.

(Is 61:1-6)

Reedificadores de ruínas

Este nível de chamado divino demanda-nos uma mudança sobrenatural de valores, direção e foco de vida. Se os valores de uma pessoa são ainda segundo a carne, é porque ela ainda não foi tocada pela glória de Deus. João, o homem que Deus usou para nos trazer gloriosas revelações, teve uma experiência sobrenatural que mudou a sua vida completamente. As coisas que ele viu em sua visão celestial, há cerca de dois mil anos, ainda causam pro­fundo impacto em nosso viver hoje.

Certamente, algo de muito profundo acontece quando al­guém tem um encontro real com o Deus vivo. Eu costumo chamar isto de “entrega gloriosa”. Moisés viu a glória de Deus como nin­guém; João, Paulo e tantos outros, não puderam mais reter as suas vidas, mas pelo contrário, se entregaram inteiramente nos braços do Pai. Todos estes trouxeram através de suas vidas a glória, o governo e o poder de Deus do céu para a terra. Ora irmãos, uma vez conhecendo o sabor do céu, nada mais na terra será capaz de satisfazer a sua fome e sede de Deus.

Eu acredito que, de uma maneira geral, é mais fácil se ache­gar a Cristo e experimentar a Sua Glória do que crescer em conhecimento Dele nas igrejas. Freqüentemente pessoas que têm vivido por anos no seio da igreja, começam a ver a glória de Deus como algo normal e corriqueiro. Muitos respondem ao mover sobrenatu­ral de Deus nas reuniões da igreja como algo casual: “Ó, eu já sei muito sobre isto… ouvi sobre isto durante toda a minha vida.” Eu digo a eles: “Não, vocês não sabem; o conhecimento de vocês é apenas de ‘ouvir falar.’ Vocês, na verdade, não O conhecem e não experimentaram o gosto de Sua maravilhosa glória.”

Este é, sem dúvida, um grande problema. Eu era hindu, quando Deus se manifestou a mim em uma visão celestial. Ele sacudiu a minha alma, minha mente e transportou-me em um se­gundo de total trevas para a completa luz. O brilho e o resplendor de Sua Presença excedia em muito dez mil raios solares. No outro dia quando acordei, estava completamente fanático pelo Senhor.

Logo que cheguei nos Estados Unidos comecei a estudar na faculdade (Fundamental Bible College), me tornando também membro de uma igreja fundamentalista. Todas as pessoas, com as quais tinha relacionamento, simplesmente não entendiam porque eu era tão fanático por Jesus. Elas me diziam: “Calma, rapaz, as coisas não são bem assim”.Elas foram pacientes comigo porque sabiam que eu era apenas “um pequeno pagão” que havia alcançado a salvação em Cristo Jesus. Com o tempo, comecei a me sentir como se estivesse morrendo por dentro. Apatia, dúvidas e descren­ça começaram a drenar a vida de Cristo em mim. Sentia-me viven­do à parte. Aquele lugar e o espírito de religião negavam-me o poder do Espírito Santo de Deus.

À princípio, devido à minha imaturidade, me senti muito envergonhado com aquilo que estava se passando em meu cora­ção. Mas posteriormente descobri que não ganhava muito no con­vívio e na fé dos chamados cristãos históricos. Eu, sinceramente, tenho profundo respeito a uma herança espiritual que realmente transmitiram ao longo dos anos, a experiência pessoal de uma vida genuinamente cristã. Todavia, não podemos negar que a maioria das heranças cristãs são apenas ritos religiosos que parecem deter­minados a negar o poder de Cristo e Sua glória. Sendo assim, isto não se trata mais de uma herança, mas de uma doença que precisa urgentemente ser exterminada. O Apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, nos exorta em Efésios que o exército do fim não pode ser composto de pessoas descuidadas:

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.

Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.

Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.

Portanto tomais toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo ficar firmes.

Estais, pois firmes, tendo cingido os vossos lombos com a verdade, e vestida à couraça da justiça,

E calçados os pés, na preparação do Evangelho da paz; Tomando, sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.

Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus.

Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espí­rito e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos.

(Ef 6:10-18)

Se você almeja conhecer a Deus e ver a Sua glória, saiba que isto implicará em um preço. Como Paulo, você terá que jogar por terra todo o seu conhecimento natural e se tornar como uma criança diante Dele. Você também será obrigado a assinar o seu próprio atestado de óbito para o mundo e tomar sobre si a cruz da obediência e, diariamente submeter a sua vida, a sua agenda e suas prioridades a Ele. Então, uma vez despojando-se dos trapos de imundícia da justiça própria e religiosidade vazia, Deus lhe concedera a Sua justiça e “novas credenciais” voltadas inteiramente para Seus planos.

Durante um período de 18 anos o Senhor, pela Sua graça e misericórdia, comicionou-me a observar vários períodos regulares de 40 dias de jejum. Fui, por muitas vezes, tocado pela glória de Deus e naqueles momentos, em minha consciência eu não queria mais viver. Eu, na verdade, anelava pela morte e assim estar com Ele nesta intimidade para sempre. Em um único momento, a Sua glória transformou meus valores e percepção da vida. Sim, eu tenho fé para acreditar em Deus por me conceder um Mercedes novo ou qualquer outro bem, todavia, prefiro focar a minha fé e energias em ver 100.000 pessoas se renderem a Jesus em uma única noite.

As bênçãos materiais e as provisões são coisas muito boas, porém, o meu coração foi transformado pela Sua glória. A minha alma simplesmente deseja estar em Sua presença e realizar os de­sejos de Seu coração. Quando somos tocados pela glória de Deus, as coisas da terra são instantaneamente ofuscadas e perdem o total valor. Quanto mais perto nos achegamos Dele, mais percebemos a nossa insignificância e quanto o mundo se torna nada. Paulo diz: “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo como um espe­lho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. ” Todavia, se não vivemos em Espírito, não somos capazes de ver as coisas mis­teriosas de Deus e muito menos experimentar a Sua glória. No entanto, se estivermos dispostos a pagar o preço de buscar a Sua face em jejum e oração, estaremos assim, aptos a experimentar uma profunda transformação de vida e literalmente viveremos “ar­raigados” Nele e fortificados na força de Seu poder. Esta é a única maneira de lutarmos “o bom combate da fé”.

 

Não retroceder em momentos de conflitos

“E Eliseu estava doente de sua doença de que morreu: e Jeoás, rei de Israel, desceu a ele, e chorou sobre o seu rosto, e disse: meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E Eliseu lhe disse: toma um arco e flechas. E tomou um arco e flechas.

Então disse ao rei de Israel: Pões a tua mão sobre o arco. E pôs, sobre ele a sua mão, e Eliseu pôs as suas mãos sobre as mãos do rei.

E disse: Abre a janela para o oriente. E abri -a. Então disse Eliseu: Atira. E atirou; e disse: A flecha do livramento do Senhor é a flecha do livramento contra os siros; porque ferirás os siros em Afeque, até os consumir.

E disse mais: Toma as flechas. E tomou-as. Então disse ao rei de Israel: Fere a terra. E feriu a três vezes e cessou.

Então o homem de Deus se indignou muito contra ele, e disse: cinco ou seis vezes a deverias ter ferido: então feririas os siros até os consumir: porém agora só três vezes ferirás os siros.

(2 Reis 13:14-19)

Se você quiser saber como alcançar vitória no reino espiri­tual, aprenda a lição de Jeoás e nunca desanime até que a vitória seja totalmente sua em Cristo Jesus. Nosso Deus nos deu podero­sas flechas como armas necessárias em nossa vitória. Para isto pre­cisamos ferir a terra quantas vezes forem necessárias.

Oito flechas para a vitória em Deus

1. Seja cheio do Espírito Santo (At 1:8).

2. Procure a direção de Deus em sua batalha espiritual (2 Sm 5:19).

3. Calcule os custos e comprometa-se para a vitória           (Lc l4:31-33).

4. Esteja sóbrio. Geralmente em meio a momentâneas derrotas ou sucessos, temos a tendência de baixar a guarda ou virar as costas à luta (Ef 6:13).

5. Focalize sempre a vitória. Não permita de maneira alguma o desencorajamento, ou distrações dissiparem o seu compromisso com a vitória em Cristo Jesus (1Co15:58).

6. Não permita que obstáculos imprevistos forcem-no a regredir   (Lc 9:62).

7. Dai graças. Uma vez tendo a vitória nas mãos, dê a Ele toda a honra e glória (1 Co 15:57).

8. Esteja vigilante (1Pe.5:8).

Estas oito “flechas” são instrumentos que nos asseguram o poder e certeza para a nossa vitória em Cristo Jesus. Nós que faze­mos parte do reino de Deus precisamos estar bem conscientes que o diabo, “nosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar . Os nossos objetivos de vida, portanto, devem sempre permanecer claros e sem nenhum compromisso com este mundo. Assim, a nossa fé e as insondáveis riquezas do Senhor estarão sempre à disposição para nos suprir e fortalecer.

Eu me recordo os tenebrosos anos da Segunda Guerra mun­dial, quando grandes exércitos se confederaram no avassalador conflito que colocou os hemisférios ocidental e oriental da Europa em disputa pelo domínio global. Em meio a este terrível conflito, assistimos a ascensão da liderança de grandes homens. Alguns foram a própria encarnação do maligno e possuíam o propósito dia­bólico de aniquilar todo e qualquer judeu da face da terra e se impor sobre toda as nações. Outros homens, com propósitos nobres, viviam naquela mesma época dentro da direção divina. A responsabilidade deles, dentro daquela geração, demandava-lhes dedicação de corpo, alma e espírito no sentido de resistir o domí­nio satânico de Hitler. Da mesma forma, como discípulos de Cris­to, o nosso viver nesta geração nos requer total atenção e obediência aos propósitos de Deus.

Durante todo aquele conflito, a tenacidade e a devoção do general americano George Patton inspirou e facilitou a vitória dos aliados contra o 3° Reich de Adolf Hitler. Este general era tido como implacável, em se tratando de alcançar seus objetivos. Quando o momento crucial de encarar o inimigo chegou, Patton fez o pos­sível para se posicionar com seus homens na brecha, embora defi­ciências em sua linha de frente os impediam de acompanhar o rápi­do avanço do exército blindado dos inimigos.

General Patton foi responsável para trazer uma palavra de encorajamento às tropas antes do ferrenho combate que se aproxi­mava. Aqueles homens bem sabiam que estavam sendo chamados para o supremo sacrifício de, até mesmo, perderem as suas vidas em troca da libertação de milhares de outros. Este é um parafraseado do discurso do general Patton àqueles homens:

“Homens, um dia quando o seu neto subir em seu colo, olhar dentro de seus olhos e lhe perguntar: “Vovô, o que você fez na Segunda Guerra mundial?” Você não terá que corar de vergonha e dizer que estava tremendo de medo em casa, mas será capaz de dizer com toda ousadia: “Querido, eu estava bem no meio da batalha quando as pessoas de todas as nações do mundo estavam descansando em casa. “

Em nossos dias, Deus está preparando Sua igreja e levan­tando Suas “águias” para a hora decisiva de guerra. Ele está posicionando Suas tropas diante das legiões do inferno. O grande derramar do Espírito, profetizado no Velho Testamento, está pres­tes acontecer e inundar toda a terra. Este grande mover do Senhor, nestes últimos dias, transbordará a terra com a Sua Glória e a puri­ficará de todo o mal.

O grande exército de Deus está sendo preparado. Ele der­rubará toda fortaleza sobrenatural que satanás, através dela, tem mantido toda a criação de Deus no cativeiro do pecado e de doen­ças por todo o mundo.

Finalmente precisamos estar bem atentos à advertência da Palavra de Deus no que tange à nossa confiança em tempos de conflitos, dificuldades e decisões importantes:

“Portanto, não lanceis fora a vossa confiança, que tem uma grande recompensa. Pois ainda em pouco tempo àquele que há de vir virá, e não tardará. Mas o meu justo viverá da fé. E se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que retrocedem para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma”.

(Hb 10:35-39)

A vida de fé e obediência a Cristo nos trará flechas de dores e flechas de vitória. Assim é a vida de um verdadeiro soldado de Cristo. Todavia, as recompensas nesta vida e na vindoura são mui­to além da medida. Prostre-se diante Dele e suplique por graça suficiente para o dia de hoje. Você e eu não estamos, de forma alguma, sozinhos em nossa caminhada de fé. Em momento de aflições saibam que muitos já caminharam à nossa frente e suas vidas brilham como exemplos da fidelidade e do poder de Deus em todas as situações.  

Capítulo 8

OS PIONEIROS DA ORAÇÃO E DO JEJUM

Para a irritação de uns e para a alegria de outros, a disciplina divina da oração e jejum é revelada pelo Espírito por toda as Escrituras Sagradas. Podemos vê-la também evidenciadas ao longo de toda a história da Igreja. Ora, onde existe oração e jejum, existe vitória no meio de dificuldades, milagres invadindo o impossível e permanente intervenção sobrenatural na vida da Igreja. Em outras palavras, o desejo de Deus é manifestar a Sua Glória e poder sempre que seu povo, em qualquer lugar, se posicione para buscar a Sua face em jejum e oração .

Ester: A jovem judia que tornou-se esposa do rei Artaxerxes convocou todo o povo judeu, que se encontrava sob domínio persa, para se juntar à ela em um solene jejum. Ela se absteve de toda comida e bebida por três dias pois, a vida e a própria existência de seu povo corria grande perigo (veja Ester 4:16).

Ana: Uma viúva de cerca de 84 anos de idade que viveu literalmente no templo, devotou todo o seu viver à prática do jejum e da oração diante de Deus. Mesmo vivendo naqueles dias tenebrosos, aquela doce senhora foi reconhecida e honrada como profetisa. Reconhecimentos como estes são para pessoas cujas vidas estão permeadas da disciplina da oração e do jejum. Simeão, da mesma forma que Ana, também amou o Senhor e andou em justiça, terminando a sua carreira profetizando sobre o pequenino Jesus.

Tanto Ana, como Simeão, viveram no tempo e na direção de Deus para as suas vidas e seus passos foram, literalmente, estabelecidos pelo Senhor. Para Ana, os mais de oitenta anos caminhando com o Senhor culminou no glorioso momento em que ela contemplou a face do Deus encarnado e, imediatamente, começou a proclamar a verdade sobre o Filho de Deus. Como poderia aquela mulher andar em direção a pessoas totalmente estranhas e de repente ter a compreensão que estava diante da encarnação do Deus vivo? A palavra nos relata em Lucas 2:37 que ela “…não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia. ” Muitos de nós, em nosso dia a dia, nos envolvemos tanto com a coisas desta vida que a realidade de Cristo em nosso viver se torna ofuscada. Como precisamos ver Jesus a cada momento! Ana, claramente, viu Jesus porque ela orava e jejuava constantemente diante do Senhor.

Cornélio: Ele era um centurião romano e o seu coração era reto diante do Senhor. Embora ele não fosse judeu, ele orava constantemente ao Senhor e o seu viver ganhou boa reputação entre os judeus. Ele teve uma visita de um anjo e fora orientado a contatar com o apóstolo Pedro. Quando Pedro encontrou Cornélio, este oficial gentil lhe disse:

 

“Respondeu Cornélio: há quatro dias estava eu em jejum até esta hora, orando em minha casa à hora nona. De repente diante de mim se apresentou um homem com vestes resplandecentes, e disse: Cornélio, a tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas estão em memória diante de Deus”.

(At 10:30-31)

Certamente não foi por acidente que Cornélio, o primeiro gentio convertido a Cristo, fosse um cidadão romano. Neste contexto Deus demonstrou o Seu propósito de estender a Sua graça salvadora para as nações, tribos, raças, incluindo a nação envolvida diretamente com a crucificação de Seu Filho.

Foi este homem que buscava Deus em jejum e oração; o primeiro gentio alcançado pelo amor Deus. A sua sede do Deus vivo fez com que ele e sua família se tornassem os primeiros gentios a entrarem no Reino de Deus. A moral desta história é: Se você deseja a unção de Deus, ore e jejue.

O apóstolo Paulo: Ele e outros 276 passageiros gentios que viajavam a bordo de um navio de Alexandria estiveram, de acordo com Atos 27, jejuando por 14 dias. Quando Julius, o centurião romano responsável em conduzir Paulo a Roma, foi persuadido a navegar em direção contrária àquela aconselhada pelo apóstolo, o navio foi totalmente destruído por uma terrível tormenta no mar. Somente a palavra específica do Espírito Santo a Paulo trouxe salvação para todas aquelas vidas. Está claro, pelo contexto bíblico, que foi a oração e o jejum de Paulo que trouxeram tamanha salvação para todos naquele navio.

Daniel: O seu jejum solitário e orações intercessórias diante de Deus salvaram toda a sua nação, impedindo assim, os principados demoníacos frustrarem os planos de Deus para com o Seu povo.

Esdras: Este profeta esteve em jejum diante de Deus no momento em que fora confrontado com o impossível.

Jesus: Claro, antes de iniciar o Seu ministério no poder do Espírito Santo e se entregar por toda a humanidade, jejuou por 40 dias e superou o inimigo e suas terríveis tentações.

Davi: Ele jejuou várias vezes em sua vida. Observamos, pelos registros sagrados, como Deus transformou sua vida, tirando-o da total obscuridade como pastor de ovelhas nos campos de seu pai para o trono de Israel e Judá. Além disso, tornou-se um homem segundo o coração de Deus.

A prática do jejum é encontrada por toda a Bíblia. A palavra de Deus sempre parece demonstrar através de sua exposição deste assunto, como o homem natural precisa do poder, da provisão de Deus em sua vida para vencer as impossibilidades, os inimigos e os ataques.

Historicamente falando, todo reavivameto começou quando as pessoas se dispuseram a buscar o Senhor em jejum e oração. O primeiro grande movimento missionário no mundo começou no primeiro século, mais especificamente em Atos 13. Qual foi o contexto para esta explosão gloriosa do Reino de Deus?

“Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

(At 13:2)

Policarpo: Em 110 d.c. encorajou os crentes a orar e jejuar para serem vencedores nas tentações.  Tertuliano, também defendeu o jejum em 210 d.c. como uma arma de vitória importantíssima para a Igreja. Martin Lutero, o grande reformador, também jejuou. Em seu labor sobre os antigos manuscritos das Escrituras para traduzi-los para a língua alemã, ele combinou a sua obra de tradução com a oração e muito jejum. Não é de se surpreender que a versão de Lutero das Escrituras em alemão seja uma das mais inspiradoras que existem.

Charles Finney: Ele escreveu em sua biografia que, freqüentemente, separava dias somente para jejum e oração. Ele relata que toda vez que percebia as “baterias” de seu espírito “descarregando” ou que a unção do Espírito Santo se desvanecia, imediatamente partia para alguns dias de jejum e, sempre no término destes períodos, tinha as suas baterias recarregadas.

Um jornal da época publicou que Finney estava em uma cidade realizando uma de suas cruzadas. As pessoas que tão somente cruzavam as fronteiras da cidade começavam a chorar por causa de um espírito de arrependimento que caía sobre elas. A presença de Deus era tão forte na vida deste homem que as pessoas ao vê-lo eram constrangidas a se entregarem ao Senhor.

Jonathan Edwards: Quando ele pregava o seu famoso sermão, “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, as pessoas na audiência diziam que o sentimento delas era como se o chão abrisse debaixo de seus pés e revelassem as profundezas do inferno. A unção daquele homem levava-os a um clamor a Deus por perdão e misericórdia. Edward combinava as suas pregações às orações e jejuns.

John Wesley: Ele acreditava firmemente na disciplina do jejum. Ele, pessoalmente, jejuava todas Quartas e Sextas-feiras. Ele tinha tanta convicção que o jejum deveria ser uma prática obrigatória no estilo de vida de cada ministro, que sempre falava da necessidade dele a todos aspirantes ao ministério. Este homem se tornou tão poderoso em suas pregações, que se tornou a primeira voz do grande despertamento e reavivameto que aconteceu na Inglaterra e nos Estados Unidos. Alguns historiadores são contundentes em afirmar que o derramamento de sangue e sofrimento da Revolução Francesa, que varreu a Europa, poderia também facilmente ter chegado à Inglaterra. No entanto, a sua pregação impediu. Wesley atribuiu o poder e os frutos de seu ministério à disciplina do jejum diante do Senhor.

Charles Haddon Spurgeon: O grande pregador e mestre, sempre foi encorajado e revigorado pelo jejum. Rees Howells, um grande intercessor,  regularmente também combinava jejum e a oração no exercitar de seu ministério.

Sadhu Sundar Singhs: Ele foi um sick (religião proeminente na índia), e devoto hindu que se converteu depois de ter recebido uma visão clara do Senhor Jesus Cristo. Ele dedicou a sua vida na propagação do Evangelho e se tornou “o apóstolo Paulo” da índia e do Tibet. Certa vez, como Jesus no deserto, ele tentou estar em um propósito de 40 dias completos de jejum e oração. Embora incapaz de completar o seu intento completamente por motivo de saúde, ele disse que tal experiência fortaleceu seu espírito, permitindo-lhe superar muitas dúvidas, cólera e impaciência em sua vida.

Bom, o jejum tem sido uma prática comum entre os líderes mais proeminentes da história da Igreja e, em nossos dias, é algo que o Senhor firmemente requer de cada um de nós. É bom frisarmos que não jejuamos para obter alguma coisa, mas para revigorar o nosso espírito diante de nosso Deus sobrenatural. O jejum desobstrui o “canal” que nos conecta com a unção de Deus, pois este tem a tendência de se corromper através do curso normal de nossa vida neste mundo decadente. Por isso, a melhor maneira de purificar o nosso “sistema espiritual” da corrosão do mundo e do pecado é praticar o jejum e a oração. Quando os médicos precisam controlar uma determinada infecção bacteriana de um paciente eles sempre aplicam, de uma só vez, dois tipos de antibióticos combinados para inibir a proliferação da doença. O tratamento de Deus para germes que assaltam os nossos corpos é a oração combinada com o jejum.

Permita-me que eu lhe dê uma outra breve lista dos “benefícios” do jejum antes de fazermos menção de seu lado prático.

Quando você jejua:

1.                 Você está se humilhando debaixo da poderosa mão de Deus.

2.     Você será capaz de ver as prioridades da vida de uma maneira mais clara. O Reino de Deus se tornará o primeiro objetivo de sua vida e você terá maior percepção sobre os seus valores. Como Maria, você será capaz de escolher “a melhor parte” e por de lado aquilo que não é bom (veja Lucas 10:42).

3.                 Você encontrará equilíbrio na área de sua vida que, geralmente, está desequilibrada.

4.                 Egoísmo, ambição e orgulho começaram a ser banidos de sua vida. Você começará a valorizar e realmente apreciar as coisas que Deus tem lhe concedido. Você dirá: “Ó, que dia maravilhoso! É bom estar vivo!” – ao invés de murmurar: “Eu serei feliz somente quando alcançar isto ou aquilo.” A prática do jejum e da oração colocará em seu coração uma forte apreciação por sua família e um coração agradecido por coisa básicas tais como a sua comida, a sua casa e a sua boa saúde.

5.      Você se tornará mais sensível ao Espírito de Deus. As coisas espirituais se tornarão mais claras e efetivas em seu viver.

6.       Aquelas áreas de sua vida de fraqueza e susceptibilidade serão expostas e o Senhor tratará com cada uma delas. Eu me lembro de uma vez quando estava no décimo quinto dia de um dos meus períodos de jejum, eu dirigia em Ft. Lauderdade, Flórida. Bom, eu estava em alta velocidade, quando um motorista que pensava que eu não estava rápido o suficiente, rudemente colocou a mão pela janela e me fez um gesto obsceno. Naquele instante, alguma coisa subiu dentro de mim e comecei a dizer palavras que eu nunca havia dito! Eu fiquei tão envergonhando que logo clamei ao Senhor: “Ó Senhor, eu pensei que eu era um homem de Deus! Perdoe-me, não era o meu desejo dizer estas palavras”.Naquele mesmo instante o Senhor falou profundamente em meu espírito: “Eu te purifico.” Quando jejuamos, descobrimos aquelas “podridões” e amarguras que estão incrustados dentro de nós, serão trazidas para a superfície de nosso ser. Sem dúvida é uma grande oportunidade para nos livrar de todo veneno de nossa carne e de nossa alma.

 7.      Você terá mais domínio próprio.

 

 

O Senhor quer nos livrar de toda ignorância acerca do jejum

Legalismo e uma certa ignorância das Escrituras Sagradas têm privado o princípio bíblico do jejum e oração da maioria dos cristãos. O Senhor quer de uma vez por todas dissipar todo mistério e lançar a Sua luz neste maravilhoso e simples instrumento de vitória que nos foi confiado. A maioria dos problemas que as pessoas têm com jejum, está relacionado com a questão de legalismo e idéias rígidas acerca daquilo que o jejum é e daquilo que o jejum não é. Muitas pessoas acreditam piamente que, se elas não jejuarem 40 dias como Jesus, “não são espirituais”.Se este é o caso, existem muito poucos que poderiam ser chamados de “espirituais.” A verdade é que nem todos  serão convocados pelo Senhor para jejuarem durante 40 dias e ninguém deverá se sentir culpado por isto.

Quando se fala em jejum, alguns só pensam no “jejum total”.Em suas mentes, a única maneira de jejuar é abster-se de todo e qualquer líquido ou comida. Na realidade, este tipo de jejum é a forma mais rara de jejum, mesmo na Bíblia! Em se tratando da questão do jejum ou de qualquer assunto na Bíblia, a promessa do Senhor é tremendamente confortante: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. ” (Jo 8:32) Segue-se nos próximos parágrafos algumas das mais comuns questões que tenho observado acerca do jejum.

 

Qual é o tempo suficiente?

Eu recomendo o jejum pelo menos uma vez por semana se você poder. Procure fazê-lo e, se preciso for, tome apenas água. No caso de dificuldade (por exemplo, caso você trabalhe em um escritório ou em algum ambiente lhe vem que demandar um gasto maior de energia) beba suco de fruta ou de vegetais. Comece depois do jantar à noite e procure estar em jejum até o jantar do próximo dia. Seria também interessante iniciar o seu propósito após o jantar, no dia seguinte jejue o dia todo e apenas coma alguma coisa no segundo dia pela manhã. Faça do jejum uma parte regular de sua vida e permita que o Senhor venha tratar com aquelas áreas de sua alma que o bloqueia a viver uma vida plena no Senhor.

 

Por que eu me sinto tão mal uma vez que o jejum é tão bom?

Quase todo mundo experimenta um certo desconforto dos efeitos colaterais no início do jejum. É provável que você sinta dor de cabeça ou um pouco de náusea no princípio. A razão é que existe um acúmulo de toxinas em seu corpo que deverá ser eliminado (isto, na verdade, é um fato científico). Até mesmo autoridades seculares da saúde afirmam que um dia de jejum por semana é excelente para o corpo humano.

 

O jejum poderá curar alguma coisa?

O jejum em si mesmo não traz cura. Ele, na verdade, lhe proporcionará vitória no mundo espiritual. Contudo, você terá que se arrepender de todos os seus pecados antes de se posicionar diante de Deus em jejum e oração. Se alguém que está cometendo adultério jejuar e clamar ao Senhor: “Ó Senhor, liberta-me!”; mas ainda continua vivendo na prática do adultério, certamente este homem não alcançará vitória alguma. O jejum não é uma cura de Deus para os males, mas uma poderosa arma de guerra.

 

Nunca jejue para impressionar os outros

Como mencionei anteriormente, o Senhor me conduziu através de 29 períodos de 40 dias de jejum dentro do período de 18 anos. Por todos estes anos, o Senhor não me permitiu ensinar sobre este assunto ou até mesmo falar sobre o meu estilo pessoal de vida. As únicas pessoas que sabiam acerca dos jejuns eram a minha esposa e alguns amigos bem íntimos. No décimo oitavo ano, o Senhor me disse: “Agora você pode compartilhar acerca destes jejuns com outros”.Não obstante, o objetivo pelo qual o Senhor me dera esta ordem, era levantar e equipar um exército de vencedores que jejuam e oram, nestes dias do fim. Nunca fui autorizado pelo Senhor a usar as minhas experiências de jejum para me vangloriar dizendo: “Veja, como sou espiritual! Eu fiz isto e aquilo!” Portanto se você quer obedecer ao Senhor e começar a incorporar o jejum regularmente em sua vida, faça isto o mais secretamente possível.

 

E se eu quebrar o meu jejum em momentos de fraquezas?

A fraqueza faz parte da disciplina do jejum. Aliás, este é o exato lugar onde queremos colocar o nosso corpo e alma no momento em que estamos jejuando. Esta fraqueza, entretanto, pode dificultar por vezes a nossa vida no trabalho e em casa. Em meus primeiros 19 períodos de jejum de quarenta dias apenas consumi água. Posteriormente, pastoreando e trabalhando muito no ministério, ficava profundamente fraco durante toda a semana. Por isto, no décimo sexto ou décimo sétimo dia, eu bebia um copo de suco de cenoura. Seis ou sete dias depois fazia o mesmo para elevar o meu nível de resistência (quarenta dias de jejum é extremamente rigoroso devendo a realização do mesmo ser feita apenas mediante uma palavra específica do Senhor).

Quando realizei o meu primeiro período de 40 dias consecutivos de jejum e oração em 1974, eu era um pastor solteirão vivendo em um apartamento em Levelland, Texas. Eu sempre gostei muito de batata chips, embora não façam muito bem para a minha saúde. No início daquele período de jejum cometi o erro de comprar uma grande quantidade das minhas batatinhas prediletas. Toda manhã, no início de meu jejum, eu era tentado a dar uma voltinha  pela cozinha, como que “arrastado” por aquelas batatas chips que pareciam me dizer: “Olá, Mahesh, como você se sente nesta manhã? Nós estamos bem aqui esperando por você.”

Com muita dificuldade resistia e voltava para a sala. Mas o apelo daquelas deliciosas batatas estavam ali a cada novo dia, e o desejo de devorá-las aumentava cada vez mais. Aquele desejo parecia muito além das minhas forças. Em meio às tentações “repreendi” aquelas batatas, “amarrei”, liberei uma palavra de autoridade sobre elas; mas nada do problema cessar. No décimo oitavo dia, finalmente, eu me rendi! Corri para a cozinha, peguei um daqueles grandes pacotes de batata chips e devorei uma por uma. Depois, bem embaraçado, clamei ao Senhor: “Senhor, perdoe a minha fraqueza!” Então terminei o meu propósito de quarenta dias.

Uma vez, compartilhando esta história, uma senhora me perguntou: “Você então começou tudo de novo?” – Eu respondi: “Você está brincando? Eu apenas estou compartilhando isto porque quero que vocês se lembrem de como o Senhor é misericordioso para com as nossas fraquezas!”

Diferentes tipos de jejum

A maioria das pessoas ficam impressionadas ao descobrirem quantos diferentes tipos e variações de jejum existem na Bíblia. Este entendimento pode remover muitos dos mistérios e frustrações que muitos sentem sobre a questão do jejum:

1. O jejum completo refere-se à total abstinência de comida ou bebida. O período máximo para este tipo de jejum é de três dias e três noites. Se você tentar ir além de três dias sem água (é lógico, a menos que o Senhor o esteja direcionando para isto), você poderá estar correndo sério risco de saúde. Este tipo de jejum, realizado por Esdras e Ester é a expressão da urgência da presença imediata de Deus. Foi neste estado de desespero e urgência que Ester usou o jejum para trazer salvação para a sua nação.

2. O jejum normal realizado por Jesus Cristo no deserto envolveu total abstinência de comida, mas provavelmente regular quantidade de água. Geralmente, em meus propósitos de jejum eu também uso este tempo para limpar o meu organismo, e assim consumo muita água filtrada. Esta é a melhor maneira de eliminar toda e qualquer toxina de seu corpo. Se você adicionar suco de limão em água filtrada, o efeito da limpeza do organismo ainda será melhor. Se você estiver jejuando por mais de três dias e perceber que necessita de alguma energia extra, adicione um pouco de mel na água. Se preferir, você também poderá tomar chá à base de ervas, todavia evite qualquer bebida rica em cafeína.

3. O jejum de Daniel, ou jejum parcial é o que recomendo se você nunca jejuou antes. Daniel agradou e honrou o Senhor quando observou este tipo de jejum. Ele não comeu “manjares agradáveis” mas somente vegetais e água. O Senhor será tão honrado por este jejum quanto pelo completo. Este jejum é o ideal para indivíduos com certos tipos de condições físicas tais como diabete, hiperglicemia e anemia. Ele é também muito prático para pessoas que querem jejuar, mas cujos trabalhos lhes consumam grandes quantidade de energia física ou mental.

4.  O jejum em grupo, ou jejum corporativo é o tipo de jejum que desviou a ira de Deus sobre a cidade de Nínive nos dias de Jonas. Foi este também o tipo de jejum convocado por Esdras e também por Ester. O rei Josafá convocou Judá para um jejum (2 Cr 20). O profeta Joel, por sua vez, também convocou todo Israel para estarem jejuando. De todos os jejuns do Antigo Testamento, o mais conhecido é o de Daniel. Ele descreve um de seus jejuns no capítulo 10:2-3 de seu livro: “Naqueles dias, eu, Daniel, estive triste por três semanas completas. Manjar desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas”.

(Dn 10:2-3)

         Em 1 Reis 17, você verá que Elias fez um jejum parcial de bolos feitos de farinha e azeite. João Batista era especialmente criativo em seu jejum parcial. Ele, de acordo com Mateus 3:4, comia apenas mel e gafanhoto.

 

Coisas que devemos evitar quando jejuamos

Quando você somando suco de frutas, evite aqueles que são ácidos, tais como laranja e abacaxi porque podem trazer muito desconforto e danos para o organismo. O suco de maçã é muito bom, mas tenha cuidado em não saturar o seu organismo com açúcar, até mesmo em se tratando do açúcar natural de frutos. Recomendamos que todos os sucos sejam diluídos em água. Se você está realmente em um jejum acredite, o seu corpo apreciará qualquer pequena quantidade de nutrição.

Procure eliminar carnes e sobremesas. Haverá vezes que tudo o que você desejará comer será frutos e vegetais. Existem jejuns que demandam um acordo com marido e mulher no sentido de se absterem de relação sexual por determinado período. Seria também muito saudável evitarmos assistir televisão. Procure gastar o maior tempo possível em oração e leitura da Palavra.

 

Podemos orar por mais de um propósito?

No caso de você ter muitas necessidades em sua família ou igreja, será necessário que ore e jejue por estes problemas como um todo. Seria interessante fazer uma lista de todas as questões e necessidades e oferecê-las diante do Senhor em oração.

Uma outra pergunta que, geralmente, tenho ouvido é: “Como você gasta o tempo durante o período de jejum?” O momento em que nos dispomos a jejuar, precisamos compreender que não apenas jejuamos, mas nos tornamos um sacrifício vivo diante de Deus. Saiba que o ideal durante tal período glorioso de separação é procurarmos adorar, orar e ler a Palavra. Procure, se possível, realizar seus jejuns em momentos que você não tenha que se preocupar com mais nada, mas somente estar diante da presença do Senhor.

Quando somos conduzidos a estar em propósito de jejum, é necessário que estejamos sensíveis não somente para levar diante do Senhor as nossas necessidades, mas também para compreender aqueles encargos de oração que o Senhor coloca em nossos corações. O Senhor pode, por exemplo, colocar no coração de pastores o encargo de estarem jejuando por um despertamento na igreja ou por um mover especial para o evangelismo. Eu nunca esquecerei o dia em que o Senhor gerou em meu coração um sentimento muito especial para estar jejuando. Meu pai, como já relatei anteriormente, morreu quando eu estava apenas com cinco anos de idade e isto causou um grande vazio em meu coração por toda a minha vida. O Senhor me disse: “Eu quero me revelar a você como Pai”.– E durante todo aqueles quarenta dias de jejum a ênfase que o Senhor colocou em meu coração foi acerca da paternidade de Deus. Tal revelação trouxe-me grande paz, conforto e um sentimento delicioso de preenchimento interior.

 

Respeite o seu corpo durante o jejum

Haverá vezes em que você sentirá profundamente cansado durante o jejum. Nestes momentos é de suma importância que você saiba respeitar o seu organismo. Meu corpo tem levado o evangelho a remotas regiões da África e tem levado centenas de milhares ao conhecimento de Jesus porque ele é saudável. Se eu tivesse abusado de meu corpo durante alguns de meus jejuns, certamente eu não seria capaz de ir a lugares tão difíceis. Quando feito com sabedoria e cuidado, o jejum é na verdade uma benção para o nosso corpo porque ele permite que seu sistema digestivo descanse e tenha a chance de expelir resíduos e toxinas de seu organismo.

Como você deve respeitar o seu corpo durante o jejum? Se você se sentir fisicamente cansado depois de algum tempo de jejum, procure sempre se assentar e descansar um pouco. Se você estiver naquele pique de estar correndo o dia todo e ainda tem o desejo sincero de estar no propósito do jejum e oração, saiba que o Senhor te dará graça para isto. Todavia, se você se sentir demasiadamente fraco e impossibilitado de continuar o jejum, então é hora de respeitar o seu corpo e saber a hora de dar uma pausa no jejum até um tempo oportuno.

Quando temos uma atitude correta em relação aos nossos corpos, eles se tornarão preciosos servos para nós e para o Senhor. Jim Goll, um bem conhecido mestre na área de intercessão e ministério profético, tem ministrado lado a lado comigo em outras nações, e uma vez ele me viu orando e impondo as mãos em mais de 2.500 pessoas em uma noite. Naquela ocasião, as dores em meus pés foram tão intensas, que me vi obrigado a tirar os meus sapatos e calçar alguma coisa mais leve. Naquela noite o Senhor nos concedeu maravilhosos milagres e me lembro que Jim virou para mim e disse: “Isto é maravilhoso! De onde você consegue tanto poder?” Respondi-lhe: “Do Senhor. Mas parte do poder veio de todos aqueles anos de jejum e oração. Meu corpo é um servo.”Sim, uma das coisas mais importantes que devemos fazer durante um período de jejum e oração é dizer ao nosso corpo “quem é que manda.” Quando o seu corpo grita: “Eu estou com fome!” ‑Você tem o dever de dizer firmemente: “Cale-se e continue.” Todavia, não seja cruel com o seu corpo. Respeite-o, e uma vez domado, ele será de grande serventia no propósito eterno de Deus.
A verdade que faz a diferença

Eu gostaria de mencionar alguma coisa de grande valia quando você estiver em um propósito de jejum e oração tendo em vista algum evento específico ou milagre da parte de Deus. Durante uma grande conferência para quatro mil pastores na Nigéria, em um dado momento eu lhes afirmei: “Eu lhes darei uma palavra que libertará e será um grande diferencial no ministério de cada um de vocês.” Eles ficaram assombrados, pensando que palavra poderia ser esta. Então lhes disse pausadamente: “Vocês não são Deus.” Eu sei que isto soa simples e bem óbvio mas se você for cuidadoso em lembrar disto, certamente você não tentará tomar sobre si as responsabilidades que são de Deus. Existem certas coisas que eu não entendo. Como por exemplo, porque nem todos ficam curados quando oramos por eles em nome de Jesus. Como eu gostaria de ter respostas para tal questionamento, porém tenho encontrado paz na verdade revelada em Deuteronômio 29:29: “As cousas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus; porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. “

 

Comece lentamente e vá aumentando o seu ritmo

Derek Prince foi um dos meus primeiros mestres e ele ensinou-me grandes princípios durante nossas viagens ministeriais. Certa vez ele compartilhou-me que, até aquele presente momento, o jejum mais longo que ele empreendera em sua vida havia sido de quatorze dias consecutivos. Eu, de maneira alguma, jamais compararia o seu jejum com os quarenta dias empreendidos por mim. Derek Prince é um dos mais ungidos ministros do mundo e possui uma vida disciplinada de jejum e oração. Ele e sua esposa sempre jejuaram toda Quarta-feira, ou seja, eles determinavam 52 dias de jejum todo ano. Na verdade estou compartilhando isto com vocês para mostrar que a disciplina de jejum é bem flexível e deve ser focada em uma intimidade profunda com Deus e não em alguma performance exterior.

Deus concederá a você graça para responder o Seu chamado para uma vida disciplinada de jejum e oração, porém seja moderado. Não comece imediatamente com um jejum de vinte e um ou quarenta dias. Inicie com apenas um dia. Na celebração do “dia da Expiação” as crianças de Israel dedicavam um dia de jejum ao Senhor. Já compartilhamos anteriormente os três dias de jejum da rainha Ester e Esdras. Daniel dedicou um período de três e outro de vinte e um dias de jejum parcial (veja Daniel 10:2-3). Os períodos de jejum mais longos foram de Jesus, Elias e Moisés que empreenderam quarentas dias completos.

Se você está planejando introduzir em sua vida esta prática gloriosa do jejum, mas possui questões médicas, tais como: diabete, medicamento por prescrição médica, gravidez, ou amamentação gostaria de lhe sugerir consultar, primeiramente, o seu médico. De uma maneira geral, poderíamos afirmar que quase todas as pessoas têm condições de estarem sem alimento durante um dia uma vez que estejam bebendo água ou suco natural. Talvez você queira se comprometer a limitar a sua alimentação a simplesmente uma salada durante o dia ou comer apenas lentilhas e vegetais. Existe um grande valor em cada um destes tipos de jejum porque, de uma maneira ou de outra, você está procurando colocar o Senhor e o Seu Reino em primeiro lugar e suas necessidades físicas em segundo.

 

O que você pode esperar durante o jejum?

Bom, já discutimos anteriormente os sintomas que a maioria das pessoas experimentam durante os três primeiros dias de jejum – dor de cabeça, náusea, tontura e até mesmo inrregessimento do pescoço. No entanto, as boas novas é que quando você ultrapassar a barreira dos três dias, você começará a se sentir muito bem! No momento em que estiver no quarto dia, entrará em um estado de repouso e perceberá que a necessidade de comer alguma coisa não está mais tão presente.

É indispensável a leitura da Palavra durante o período de jejum pois, com certeza, os ataques de satanás serão implacáveis nestes tempos e a batalha espiritual pode se intensificar muitíssimo. O inimigo de nossas almas odeia quando entramos em um propósito de jejum e oração, mas o nosso consolo é que a vitória é certa. Satanás, por muitas vezes, empreende os seus ataques em nossas mentes em forma de depressão, que nos leva a sensação de profundo peso e opressão durante os jejuns. Procure não se perturbar, mas somente persevere em oração e apenas resista aos ataques de satanás. Muitos questionam o porque de tais ataques tão intensos! Ora, você deverá esperar por eles, porque no jejum a sua posição é de ataque e de “franco atirador” contra o império das trevas. E uma vez atacado ele tentará retribuir, mas não se preocupe, tão somente “sujeitai-vos pois a Deus, resisti ao diabo e ele fugirá de vós.”

 

Termine o jejum com sabedoria

Exercite a sabedoria no momento de terminar o seu jejum. Esta é especialmente importante se você estiver terminando um jejum de sete dias ou mais. Uma vez mais, eu te exorto a tratar o seu corpo com respeito. Eu freqüentemente ouço pessoas conversando durante jejuns em grupo o seguinte: “Eu quero comer o maior bife do mundo ou eu quero devorar uma deliciosa feijoada.” Se você fizer isto, você estará ferindo seu corpo. Quando você estiver terminando um longo jejum, faça-o gradativamente. A “verdadeira arte” de jejuar com sabedoria é saber como começá-lo e como terminá-lo. Temos recomendado aqui o uso de saladas, sucos e algum tipo de iogurte, mas ninguém melhor do que você para descobrir o melhor alimento a ser usado durante ou no término de um jejum.

A seguir estaremos examinando o inacreditável poder do jejum que chamamos de jejum corporativo e do papel por ele desempenhado no grande avivamento do Senhor neste tempo do fim.

Observação: Existe um precedente bíblico para quarenta dias de jejum e oração sem comida e água. Contudo, é necessário observar que estes jejuns foram conduzidos literalmente por uma direção específica de Deus. Tais jejuns poderiam ser fatais sob qualquer outra circunstância.

Capítulo 9

ORAÇÃO CORPORATIVA E 0 AVIVAMENTO DO TEMPO DO FIM

 

Todos os severos acontecimentos que temos visto nos últi­mos cinco anos por todo o globo, tais como guerras, desentendimentos internacionais, calamidades e outros, têm nos dado uma percepção profética daquilo que já está acontecendo e o que está para acontecer no mundo espiritual. Não podemos também esquecer que o grande aumento de catástrofes naturais também nos traz compreensão espiritual destes últimos dias. Talvez tais catástrofes fazem parte da expressão da terra nas dores “trabalho de parto” para que Cristo seja plenamente gerado na Igreja de hoje.

Os olhos do Senhor estão sobre todos aqueles que têm se portado varonilmente e o Seu desejo é que estes continuem a exer­citar a fé fielmente em meio a todas as tempestades destes tempos finais. Nos últimos tempos, intercessores, ou seja, todos aqueles que têm obedecido ao chamado para uma vida de oração eficaz, têm determinado a si mesmos não retrocederem diante dos ataques de satanás. Este grupo de guerreiros de oração está constantemente enfrentando tremenda oposição, todavia ele trabalha no resgate de tudo aquilo que o Senhor nos tem dado mas que tem estado sob a posse do inimigo. Como muitos recrutas se alistam na aeronáutica ou marinha tão somente com o intuito de “viajar e ver o mun­do,” talvez muitos de nós temos abraçado o Evangelho para conse­guir um “ticket” que nos leve para fora do inferno. Se assim for, certamente temos em nossa caminhada com o Senhor, ignorado a visão pela qual fomos alistados no exército de Deus.

O meditar sobre o Corpo de Cristo me faz recordar um filme americano lançado há alguns anos atrás, chamado ‘Private Benjamim”. A personagem principal deste filme era uma mulher que pensava que iria viajar em um “Cruzeiro” pelo Caribe, mas na verdade ela acabou viajando para um rústico acampamento no meio do mato. Infelizmente, esta “mentalidade de Cruzeiro” também descreve muito bem a atividade e o pensamento do movimento carismático durante os anos 80 e início da década de 90; mas sai­bam que os tempos têm mudado.

Um grande avivamento está por chegar na terra; uma fome muito grande pelo Senhor está começando a varrer todas as nações do mundo. Nestes dias o Senhor está liberando uma nova palavra profética acerca de um princípio antigo de Sua Palavra. Este prin­cípio antigo é “orar!” E o novo mover de Deus nestes dias é “ora­ção corporativa!”

O Senhor tem aberto os nossos olhos para compreender­mos a simples verdade de que a oração é o lugar em que tudo começa e termina no mundo espiritual. É na oração onde tudo é consumado. A oração é o verdadeiro “código genético” da Igreja, mas infelizmente temos recebido muitos “genes mutantes” que têm levado o Corpo de Cristo, que é a Igreja, à “degeneração espiritu­al”. Estejam bem conscientes desta verdade irmãos: “Nada do pro­pósito a ser realizado pelo Senhor em nossas vidas acontecerá sem uma vida disciplinada de oração.”

Conheço pessoas que dizem que foram chamadas pelo Se­nhor a pregar o Evangelho, a impor as mãos sobre os enfermos, a ensinar ou a evangelizar e rapidamente adicionam enfaticamente: “Mas eu não fui chamado para o ministério de intercessão.” A verdade em tudo isto é que não deveríamos estar ministrando a outros se não estamos gastando tempo diante de Deus em comunhão e intercessão.

A profetiza Ana, uma mulher viúva desde de sua juventude, vivia constantemente no templo ministrando ao Senhor em jejum e oração. A sua intercessão foi a chave para levá-la ao conhe­cimento revelado do Messias. A grande tragédia de sua vida a fez se tornar íntima ao Senhor em oração. Você O conhece? – Podemos ter os dons do Espírito, realizar milagres, expulsar demônios e ainda assim ouvir Jesus dizer no final dos tempos: “nunca vos conheci, apartais-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mt 7:23)”.

 

O poder da sinfonia harmoniosa da oração

“Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra (se harmonizarem, fizerem uma sinfonia juntos) acerca de qualquer coisa que pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos céus. “

(Mt 18:19) (Parênteses acrescentados pelo autor)

Jesus disse que se dois de vós “se harmonizarem” com o mesmo objetivo, “ser-lhes-á concedido por meu Pai Deus está chamando a Igreja hoje para a oração corporativa, em outras palavras, para estar orando junto, estar em harmonia, com um mesmo propósito. O Senhor nos conhecerá porque nós 0 temos conhecido no lugar de oração (veja Mt 25:23). O altar de oração de Deus está à nossa disposição a qualquer momento. Ele nos concedeu uma ferramenta espiritual poderosíssima para o ministério de oração: orar em línguas. À medida que avançarmos neste mover da  oração corporativa, o Espírito Santo nos dará mais e mais graça para estarmos orando em línguas e isto nos conduzirá a uma tremenda riqueza espiritual em nossas vidas e certamente seremos um instrumento nas mãos de Deus para Ele mudar o destino de muitas pessoas ao nosso redor.

“Vigílias” têm sido parte de todo grande reavivamento

Desde que começamos as nossas vigílias de oração em Charlotte, Carolina do Norte, em 1995, o Espírito Santo de Deus tem se movido poderosamente em nossas orações no sentido de transformar todas as vidas que desde então têm se comprometido com as nossas vigílias. A prática de vigília de oração foi parte na vida ministerial de todos ministros em todos os reavivamentos da história da Igreja.

“Mr. Hall, Kitchen, Ingram, Whitfield, Hutchins e meu ir­mão Charles estavam presentes com mais 60 outros irmãos em uma vigília de oração. Como perseverávamos em oração, às 3 ho­ras da manhã, o poder de Deus veio sobre as nossas vidas de tal forma que muitos gritavam por causa da transbordante alegria e muitos outros simplesmente caíam pelo chão. Logo após nos reco­brarmos um pouco de tamanho espanto e glória de sua majestade, começamos a declarar em grande voz: ‘ Te adoramos Senhor, ó Deus! Verdadeiramente reconhecemos que tu és o Senhor!”.

(Trecho de um texto publicado por John Wesley em um Jornal, em 1739)

Joel, o povo de Israel, Wesley, os irmãos moravianos, e muitos outros foram exemplos da prática de vigílias de oração. Eles lavraram o solo e plantaram as sementes da oração corporativa. Deus, desde então, têm regado as sementes e levantado nestes dias do fim novos atalaias para estarem atentos na colheita de uma nova safra que surgirá através da oração efetiva. O Espírito de Deus está se movendo, levando a Igreja do Senhor para estar orando de maneira corporativa, unânimes, no mesmo objetivo como um só ho­mem.

O inimigo detesta oração, particularmente aquela realizada pela Igreja como um todo porque ele sabe que o Senhor prometeu a Sua presença onde estiverem dois ou três reunidos. A principal estratégia de satanás é dividir e subjugar. Jesus disse “que todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e a casa dividida.contra si mesma cairá.” (Lc 11:17b) O amor de Jesus, por sua vez, está sempre disponível para curar os nossos corações e mel em nossas necessidades, todavia o Seu propósito eterno vai muito além destas coisas.

O Seu desejo é que estejamos envolvidos em uma comuni­dade corporativa, harmonizando-nos mutuamente em um estilo de vida caracterizado pela oração e comunhão. Porém, o nosso cha­mamento para este viver nos demandará algum grau de sacrifício e acredito piamente que todos aqueles que não responderem a este chamado de maneira positiva perderão muito para as suas vidas no presente e no porvir. Em Lucas, capítulo 18, a persistente viúva demonstra o poder da perseverança, insistência e oração com um foco e objetivo específico:

“Jesus contou-lhes uma parábola sobre o dever de orar sempre, sem jamais esmorecer

Havia numa cidade certo juiz que não temia Deus nem respeitava o homem.

Havia também naquela mesma cidade certa viúva, que ia ter com ele, dizendo: faze-me justiça contra o meu adversário.

Por algum tempo não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens,

Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito.

Disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.

Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e de noite, ainda que os faça esperar?

Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando vier o Filho do homem, achará fé na terra?”

 

Perseverança na oração e o favor de Deus

Aquela insistente viúva desta parábola veio ao injusto juiz pleitear a sua causa dia após dia até que, enfim, ele concedeu-lhe a sua petição. Ora, aquela pobre senhora procurou um juiz injusto, e como será o pleito daquela que busca o Justo Juiz? Quão abundan­te Ele fará àqueles que perseverantemente O procurarem em ora­ção.

Jesus fez uma interessante pergunta relativa à perseverança em oração: “Quando vier,o Filho do homem, achará fé na ter­ra ?” Em outras palavras, Jesus está dizendo que a nossa fé é ex­pressa pela nossa vida de oração.

Em Isaías 59, encontramos o povo de Deus espiritualmente necessitado como descrito pelo profeta:

“Pelo que a justiça está longe de nós, e a retidão não nos alcan­ça. Esperamos pela luz e só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão”.

Apalpamos as paredes como cego; como os que não têm olhos, andamos apalpando. Tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros somos como mortos.

(Is 59: 9,10)

O Senhor estava descontente porque o Seu povo não via mais nada a não ser trevas. O Profeta ainda diz em Isaías 59:16: “Ele viu que não havia ninguém, e maravilhou-se de que não houvesse intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve”.O Senhor estava abis­mado por não encontrar ninguém que buscasse a Sua face ou inter­cedesse pelo Seu povo. Três versos depois, nós lemos: “Então temerão o nome do Senhor desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol. Pois ele virá como uma corrente impetuosa, que o sopro do Senhor impele. ” (Is 59:19)

Acredito que o Senhor, em Sua soberania, viu a Igreja em todas as nações, tateando nas trevas, procurando a luz. Ele por Sua vez, decidiu se mover e realizar as coisas com as Suas poderosas mãos. Não é difícil vermos como o Espírito do Senhor está se levantando com poder em Sua Igreja nestes dias contra todos os intentos de satanás. Em Apocalipse 12:15 vemos esta figura de oposição contra a Igreja.

 

Deus está em busca da “grande muralha de oração”

O Senhor está dizendo: “Esqueça o seu ministério e o seu dom. Esqueça finanças; esqueça ter que se casar; é tempo de seguir-Me.” (Veja Mt 6:33). Responda portanto o chamado de Deus e abra espaço em sua vida para a realidade da oração corporativa. Assim como a única estrutura que pode ser vista pelos satélites são as grandes muralhas da China, a única obra realizada por homens que Deus deseja ver quando olha para a terra é a grande muralha de oração que se estende por toda a terra. É chegado o momento dos atalaias do Senhor tomarem os seus lugares sobre este muro!

 Nunca houve nenhum reavivamento que não fosse precedido pelo levantamento de um grande número de intercessores que se posicionassem eficazmente diante do Deus vivo. Tais intercessores simplesmente rejeitavam a idéia de deixarem o testemunho do Senhor cair por terra, não importava qual fosse o sacri­fício, eles estariam na brecha se posicionando no Senhor em favor de Seu povo.

A palavra do Senhor no Novo Testamento para os discípu­los foi: “Ficai na cidade, até que do alto sejais revestidos de po­der ” Esdras, o profeta, registrou uma oração histórica para os judeus no exílio em que esperavam pelo reavivamento e a oportunidade de reparar os muros e reconstruir as ruínas de seus destinos:

“Agora, por breve momento, se nos manifestou a graça da parte do Senhor, nosso Deus para nos deixar alguns que escapem, para dar-nos estabilidade no seu Santo lugar, para nos alumiar os olhos, ó nosso Deus, e para nos dar um pouco de alívio em nossa servidão.

Embora sejamos servos, não nos desamparou o nosso Deus na nossa servidão. Antes estendeu sobre nós a sua misericórdia perante os reis da Pérsia, para nos reviver, para levantar a casa do nosso Deus, para restaurar as suas ruínas e para nos dar um muro em Judá e em Jerusalém.”

(Ed 9:8,9)

Precisamos procurar a unidade!

O Profeta Amós fez a seguinte pergunta: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Am 3:3) Deus está conclamando a Sua Igreja para estar em plena harmonia com Ele em oração, a estar junto em um mesmo lugar de concordância com os seus propósitos. A Igreja, de uma maneira geral, tem inundado o povo com uma série de programas e ensinamentos para promo­ver a unidade, mas tudo isto tem tragicamente dado em nada. Porque? – As pessoas têm recebido ensinos ou programações de unidade de maneira inadequada? Ora, a unidade na verdade não pode ser realizada por homem algum, mas tal mover sobrenatural só pode ser realizado pelo Espírito Santo de Deus nos corações e o único objetivo deste mover soberano é focalizar Cristo. Como já observamos anteriormente neste capítulo, Jesus nos revelou a cha­ve para a oração efetiva no Evangelho de Mateus:

“Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus.

(Mt 18:19)

A palavra do Senhor sobre a oração corporativa, ou em con­junto, não tem nada a ver com programas, agendas, ou pensamento de homens. Mas o seu objetivo primordial é levar a Sua Igreja a estar envolvida e submetida à direção de Seu Espírito. O mover é Dele, o realizar é tão somente Dele. A nossa tarefa é somente nos reunirmos e nos harmonizarmos em oração e adoração na presença gloriosa do Senhor, oferecendo as nossas vidas como sacrifícios vivos. Ora, uma vez nos disponibilizando a estar na brecha por outros, obedecer as Suas instruções e esperar, com certeza trará Sua obra sobrenatural da unidade, que será realizada.

Toda oração guiada pelo Espírito Santo tocará o coração de Deus. Se de fato, a palavra de Deus é digna de toda confiança, precisamos estar certos de que o Espírito realmente intercede por nós porque “não sabemos orar como convém. ” (Rm 8:2(x) O Se­nhor está abrindo o nosso entendimento para a eficácia da oração em conjunto, portanto, se faz necessário que comecemos, a praticá-la na vida da Igreja. Se o fizermos, saibam que um reavivamento varrerá a terra de tal maneira como nunca aconteceu.

  A casa do Senhor é casa de oração. O Seu “endereço” é a oração (veja Mt 21:13; Is 56:7). Se você deseja estar com Ele, então você deverá encontrar-se com Ele em Sua casa. Jesus, em Seus dias aqui na terra, andou em meio a uma expressão vazia de religião, onde as pessoas faziam de tudo, menos orar. Eles com­pravam, vendiam, conversavam e até mesmo fizeram do templo uma extensão da rua e comercializavam as suas mercadorias ali. Quando o Senhor viu aquilo, a Sua proclamação foi: “A minha casa será chamada casa de oração!” Portanto, se queremos estar onde Deus está, precisamos estar no lugar da oração em conjunto, como Igreja.

Jesus foi, antes de tudo, um homem de oração. Toda e qual­quer reação ou resposta realizada por Ele em relação ao povo ou alguma situação que se desenrolava ao seu redor foi exclusiva­mente na direção recebida do Pai em oração! Ele, certa vez disse: “Em verdade, em verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só pode fazer o que vê o Pai fazendo, porque tudo o que o Pai faz, o Filho o faz igualmente. ” (Jo 5:19) A vitória de Jesus na cruz foi primeiramente vencida no lugar de oração no Getsêmane (Enquanto os discípulos dormiam).

No outono de 1994, O Espírito Santo começou a realizar algo maravilhoso em nossa Igreja e creio que o mesmo Ele tem realizado por todo o Corpo de Cristo na face da terra. Tal realiza­ção foi a oração corporativa, oração em conjunto com toda a Igreja que, geralmente é realizada em vigílias por toda uma noite. Embora tal mover seja recente, as suas raízes são bem antigas e originadas do coração de Deus que disse: “A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”.(Is 56:7b) Talvez você se encontre no mesmo lugar que aquela mulher de Cantares, que disse: “Eu dormia, mas o meu coração velava. Ouvi! A voz do meu amado, que está batendo: abre-me, minha irmã, amada mi­nha, minha imaculada. A minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite. Já despi a minha túnica; como a tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar? O meu amado meteu a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele. ” (Ct 4:2-4) De repente, alguém bate em sua porta e lá está o Senhor esperando você abri-la.

 

Troque a sua independência por interdependência

Já é tempo de substituirmos a nossa independência pela a interdependência. A independência tende a tornar as pessoas extre­mamente vulneráveis à decepção, particularmente em se tratando das coisas espirituais. Depender mutuamente um do outro é de importância fundamental para que o nosso ministério flua livre­mente na casa do Senhor.

O Segundo livro das Crônicas no capítulo 20, nos relata que o rei Josafá não estava satisfeito em estar meramente orando individualmente. Ele sabia do risco e tinha plena consciência do grande perigo em estar sozinho no lugar de oração. Ele, portanto, não somente se dispôs a buscar a face do Senhor, como também proclamou jejum e oração para toda a nação. Como resultado da obediência corporativa de Judá, o Senhor respondeu com a Sua intervenção sobrenatural.

O Senhor espera alcançar as nações através da sua Igreja e isto só será possível através da oração corporativa de Seu povo. Portanto, se como igreja, estamos dispostos a cumprir o destino do Senhor dado às nações precisamos estar dispostos a abrirmos mão de nossa visão individual e começar a agir como um só Corpo na busca de um único objetivo, aquele que sempre esteve no coração de Deus: trazer salvação a todo homem.

Nos dias de Salomão foi a oração corporativa que moveu,a mão de Deus contra os inimigos de Israel. A prescrição de Deus para a libertação do povo nos dias de Joel também foi conseqüência da oração em conjunto, tanto do grande quanto do pequeno. De acordo com o profeta, as palavras do Senhor foram estas: “Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciões e todos os moradores desta terra para a casa do Senhor vosso Deus, e clamai ao Senhor. “( Jl  1:14) Quando o povo de Deus se humilhar diante Dele em oração, Ele dirá: “…Eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. ” (2 Cr 7:14b)

 

A Harmonia na oração significa poder

Quando você se reúne com irmãos e irmãs para gastar tem­po em consistente, concentrada, e harmoniosa oração no Espírito, as coisas certamente mudarão. O Senhor transformará as suas pers­pectivas, o seu grau de resistência às tribulações, sua paciência e muitas outras áreas de sua vida. A oração corporativa, em conjunto ou como muitos também chamam oração de concordância, é uma ferramenta que traz disciplina de oração para a vida, para a parte local do Corpo de Cristo. Pedro foi liberado de sua prisão devido à soberania de Deus e às orações que estavam sendo feitas a seu favor! (Veja Atos 12:1-12). Foi também depois de um exten­sivo período de oração harmoniosa que o Espírito Santo caiu sobre aqueles que estavam reunidos no cenáculo no dia de Pentecostes (Veja Atos 2:1-4).

A oração corporativa, misteriosa e sobrenaturalmente, jogara por terra todo muro que divide o Corpo de Cristo sobre a face da terra e transcenderá as linhas denominacionais. Como cristãos, eu e você precisamos estar no campo de batalha, apresentando-nos a Deus como um grupo comprometido de guerreiros de oração dispostos a banir toda atuação diabólica e levantar com poder o testemunho de Jesus sobre toda a terra. Queridos, é tempo de nos posicionarmos!

Você sabia que Deus libera uma autoridade especial sobre nós quando vários irmãos se reúnem conjuntamente em Seu nome para jejuar e orar? E esta autoridade tem poder para deslocar mon­tanhas! Com esta arma que nos foi dada, podemos quebrar toda e qualquer fortaleza diabólica em nossas vidas, famílias, igrejas e até mesmo cidades e nações! É isto o que acontece quando escolhemos concentrar as nossas energias de oração em um mesmo foco como se fosse um filete “de raio laser”.

Permita-me fazer uma pergunta conceitual. Somente para ajudá-lo a entender o poder da oração e do jejum corporativo. Se um filete de “raio laser” é poderoso, por exemplo, para perfurar uma placa de aço dentro de um determinado tempo, qual seria o poder de fogo de 21, 50 ou 100 filetes de raio laser concentrados em um único foco? Esta figura dá uma idéia mais clara do poder de Deus a nós conferido quando estamos em um mesmo propósito de jejum e oração. Ora, o Senhor nos deu literalmente a comissão e o poder para derrubar fortalezas, desbancar o império das trevas e quebrar toda maldição sobre as nossas famílias em Seu poderoso nome.

 

Mude a história através do jejum e da oração corporativa

Lembre-se que Jesus está nos enviando, a mim e a você, ao mundo assim como o Pai O enviou – a única exceção é que Ele nos envia em conjunto. Deus, soberanamente realizou um maravilhoso milagre, há quase dois mil anos atrás na cidade de Jerusalém quando Ele começou a derramar de Seu Espírito sobre toda carne. Naquele momento, a Igreja nasceu e um exército ungido cheio do Espírito Santo foi levantado sobre o mundo e contra o Império das trevas. Agora, como nunca antes, é tempo de nos levantarmos no poder de Deus de cidade em cidade, de país em país para proclamarmos o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Uma coisa acontecerá mediante à nossa obediência: seremos agentes ativos na transformação do destino das pessoas seja qual for o lugar que estejamos! Tenho total confiança no cânon da revelação das Escrituras. Todavia, acredito também que, se andarmos no poder do poderoso nome de Jesus, teremos a oportunidade, pela graça de Deus de escrever o “Segundo livro dos Atos dos Apóstolos” em nossos dias.

Deus quer conceder a sua visão para uma colheita global a cada um de nós, e assim seremos capazes de olhar além, para onde os “campos estão brancos para a seara. ” Já é tempo de compreendermos que eu e você recebemos as Boas Novas de Jesus para termos muito mais que salvação em Seu nome.

Nós temos a responsabilidade em Cristo de mudar a histó­ria e transformar o destino de nossas igrejas, nossas cidades e as nações. Esta é a visão de Jesus e a comissão do Pai para cada um de nós.

A única maneira que, presumidamente, podemos mudar a história é orar e jejuar para Deus revelar a Sua glória para as nações. Precisamos permitir que a palavra de Deus fale em nosso íntimo e nos venha direcionar nas orações e intercessões. Quando Derek Prince e eu estivemos no Paquistão em missão apostólica, há alguns anos atrás, nós literalmente vimos Deus realizar muitos milagres. Após pregar em uma noite, decidi fazer uma visita aos arredores da cidade na manhã seguinte. Nesta minha oportuna caminhada pela cidade, encontrei uma mulher que havia nascido cega. Os seus olhos eram completamente deformados e sem vida. Por alguma razão fui levado a tirar uma fotografia dela com a minha câmera fotográfica.

Aquela mulher realmente tocou o meu coração e na reunião daquela noite, em minha oração, eu disse ao Senhor: “Pai, aqui estamos nós neste país escuro, que possui um dos povos mais po­bres do mundo. Onde estará agora aquela mulher cega? Quem toma conta dela?” No final daquela reunião, eu estava proclamando o nome de Jesus, e no final da mensagem eu orei silenciosamente: “Espírito Santo, mostre a cada uma destas pessoas que Jesus Cris­to é o filho de Deus e que somente Ele é o Senhor dos senhores.”

De repente ouvi um barulho no lado de trás da plataforma onde eu me encontrava. Quando olhei para saber o motivo da perturbação, eu não podia acreditar no que os meus olhos viam. Era aquela mesma mulher cega da fotografia. Aquela senhora de apro­ximadamente 60 anos de idade que havia nascido completamente cega estava agora pulando em cima do palco de tanta alegria. Ela exclamava em alta voz àquela multidão: “Como vocês sabem, eu fui cega por toda a minha vida, mas enquanto este homem estava orando, eu vi um clarão de luz e agora eu posso ver!”

 

Primeiro você precisa amarrar o homem forte

Estou compartilhando esta história para mostrar-lhes a im­portante chave deste sucesso. A vitória em meu ministério come­çou quando Senhor implantou em meu coração a verdade sobre o jejum e a oração. Antes de estar realizando cruzada em países tais como Paquistão, Zambia, Zaire e Haiti, o Senhor me levou a jejuar muito, orar, enfim, entrar em agressiva guerra espiritual. Antes mesmo de entrar na região central da África para ministrar ao povo do Zaire ou Zambia eu já tinha batalhado espiritualmente contra a força que atua em magia negra nestes países. O segredo da vitória, portanto, é primeiro amarrar o homem forte, só então saqueamos a sua casa! (Veja Lc 11:21-22)

Eu te asseguro que se sua família, ministério ou igreja está sendo atormentada por poderes das traves ou obstáculos invisíveis, você terá vitória sobre tudo isto se tão somente lançar mão da arma especial que Deus, como já disse antes, nos deixou. O Senhor de­seja que estejamos desfrutando de uma nova e gloriosa unção e ela só virá através da oração e do jejum.

Não existe outro caminho, pelo qual, possamos ter vitória e a oração é algo que todos nós fomos comissionados para realizar de maneira efetiva, seja individual ou corporativamente. Precisa­mos rogar ao Senhor da seara que nos conceda graça para evangelizarmos e trazermos mediante o nosso ministrar, excepcio­nais sinais e maravilhas para confirmar a pregação de Sua podero­sa Palavra.

 

A visão do índio americano

Durante os longos 18 anos quando o Senhor me levou a estar observando vários períodos de quarenta dias de jejum e ora­ção, houve vários momentos em que a atmosfera celestial me envolvia e a revelação do Senhor vinha doce e poderosa em meu espírito.

Nos últimos sete dias de um de meus períodos de quarenta dias de jejum, eu me encontrava realmente cansado. O meu dia estava todo tomado com compromissos inadiáveis e ainda havia uma reunião de culto à noite sob a minha responsabilidade. No final da tarde tentei descansar um pouco antes da reunião. E deitado ali mesmo no sofá, eu não me encontrava dormindo e nem com­pletamente acordado, mas literalmente eu vi a figura de um forte índio americano naquela sala. A sua visão para mim era tão clara que ainda posso descrever a sua pele, os seus longos cabelos negros e suas vestes. Então ele me perguntou: “Onde está a água?”.

Estou com muita sede.”

Então ouvi uma outra voz lhe respondendo: “A água está aí.” Naquele momento, ele começou a correr de um lado para o outro. De repente ele começou a vir em minha direção e a sua aparência era de completa exaustão, parecia que ele tinha viajado um longo caminho através de regiões desérticas e lutado feroz­mente contra cactos porque a sua saudável pele estava toda perfurada por espinhos. Até aquele presente momento ele não tinha ain­da encontrado nenhuma água e ele estava literalmente morrendo de sede. Eu ouvi a voz do Senhor me dizendo: “Dê a ele água.” Então entendi que o Senhor queria que eu desse da Água da Vida para aquele pobre índio. Por aquele momento eu me encontrava maravilhado porque aquele homem e os eventos que ocorreram naquela sala em minha visão eram muito reais para mim.

Quando fui para a reunião de culto naquela noite, mesmo durante o período de louvor e adoração, ainda sentia como se esti­vesse tendo aquela visão. Compartilhei com os irmãos, descreven­do aquele índio em detalhes: os seus lisos e negros cabelos, a exata forma de seu nariz, a sua mão segurando uma flecha e a terrível sede que ele tinha. Quando terminei de descrever o que tinha visto disse aos irmãos: “O desejo de Deus é que demos Água Viva para toda tribo e nação por todo o mundo.”

Naquele instante um silêncio santo pairou sobre toda a con­gregação porque exatamente naquele instante um jovem índio entrou naquele recinto e a sua aparência era a mesma que eu havia descrito alguns minutos antes. Ele entrou na congregação, mas não se assentou, tão simplesmente andou até o centro do auditório e depois em direção ao altar e disse em alta voz: “Eu preciso de Jesus.” Aquele índio entregou a sua vida ao Senhor ali mesmo, apenas alguns instantes depois que eu havia compartilhado a visão que o Senhor havia me dado.

Posteriormente, fiquei sabendo o resto da história daquele homem. Ele era de uma tribo indígena que vivia em uma reserva no Missouri, fazia artesanatos indígenas e fornecia o seu produto para vários estabelecimentos comerciais. Ele havia separado de sua esposa e estava vivendo uma vida de devassidão, mas no fundo de sua alma clamava ao Senhor por respostas em sua vida. Passan­do em viagem pela nossa cidade em busca de bons negócios na região, quando passava pelo nosso prédio ele viu uma luz dourada brilhando ao seu redor. Aquele prédio não possuía uma torre ou algum sinal particular indicando que ali era uma igreja, não obstante ele viu uma luz incandescente que envolvia aquela antiga construção. Dando então meia volta entrou para onde estávamos reunidos. Quando ele nos ouviu adorando o Senhor, ele percebeu que se tratava de uma igreja, então ele decidiu entrar. Logo após ser sido salvo pelo Senhor, ele se apressou a voar de volta para encontrar a sua esposa e algum tempo depois tive o privilégio de batizar a ambos nas águas, então foram m batizados pelo Espírito Santo e Deus gloriosamente restaurou o seu casamento. Aquele precioso índio realmente recebeu da Água da Vida.

 

A realidade da revelação é verdade em qualquer nível

A revelação vem quando oramos, jejuamos; e quando a Palavra do Senhor é falada em nosso coração a sua revelação se torna realidade para nós em todas as formas e níveis de nosso ser. Tal revelação do Senhor será verdade no mundo natural, no mundo espiritual e até na história. Por exemplo, existem muitas palavras proféticas sobre Israel que também são verdade para a Igreja ou no mínimo são fontes de bênçãos para o Israel espiritual que somos nós, pois a Palavra de Deus é acima de tudo realidade. Portanto, em qualquer nível em que vemos a Sua Palavra a verdade vai estar lá.

Deus falou profundamente ao meu coração através deste milagre acontecido na vida daquele índio com as seguintes palavras: “Eu quero derramar o meu Espírito. Eu quero dar Água Viva a toda alma sedenta. Existem milhares e milhares de pessoas se­dentas pela verdadeira Vida. Vá lá fora e ganhe as tribos perdidas. Vá a todos os povos, toda tribo e todo grupo étnico. Eu quero dar-lhes de beber pois a Igreja tem que dar água para os que estão morrendo de sede.”

Se você examinar as Escrituras Sagradas, você encontrará nelas a verdade pura e simples. A Sua palavra ou a Sua cura para nossas vidas está à nossa disposição a qualquer momento. Ele pro­meteu curar as nossas almas, corpos, casamentos, igrejas, cidades e nações. Se você buscar a Sua face, a Sua palavra de cura virá e realizará a obra para a qual ela foi enviada.

O Senhor, pela sua Palavra prometeu que quando O bus­cássemos em oração e jejum, e orássemos pela chuva de Suas bênçãos, Ele nos responderia. “Senhor, não queremos que o nosso país perca a Sua chuva preciosa. Nós precisamos desesperadamente dela.” Se não clamarmos ao Senhor pela Sua chuva serôdia, então a nossa nação será mais e mais sucumbida com coisas destrutivas. Hoje, na verdade, a nossa nação está ardendo em luxúrias e injus­tiças mas o desejo do Senhor é derramar a Sua chuva de justiça, santidade e glória. Portanto, o Seu povo pisa clamá-Lo.

 “Ele viu que não havia ninguém, e maravilhou-se de que não houvesse intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.

(Is 59:16)

Eu acredito que o Senhor tem preparado um derramamento de Seu Espírito sobre a Sua Igreja a nível global nestes últimos dias. E tempo de nos convertermos a Ele de todo coração em jejum e oração para a Sua visitação e glória.

Colheita global requer oração corporativa em magnitude global

Assim como Jesus ora e intercede por nós dia e noite sem cessar, deveríamos nós também ter sempre em nossos corações o encargo de intercedermos pelos perdidos e pelos trabalhadores da seara. Esta última colheita será global em sua magnitude. Portanto se requer a oração de toda a Igreja corporativamente na mesma dimensão. Se um fazendeiro deseja colher apenas meio alqueire de trigo, ele somente precisa se planejar para tal. Portanto se o seu desejo é colher 100.000 alqueires em um dia o seu planejamento terá que ser outro.

Deus está conclamando a Sua Igreja em todo o mundo para a oração e jejum corporativo como nunca antes e o motivo disto é que Ele está preparando uma eminente colheita monumental em proporções globais! Portanto irmãos, já é tempo de respondermos de maneira positiva ao Seu chamado para o jejum e oração como um único povo unidos ao nosso único Salvador, em uma só fé e um só Espírito.

Capítulo 10

COMO LIBERAR A UNÇÃO APOSTÓLICA

 

Eu gosto muito de ler o livro de Atos porque este livro é o “jornal” que reporta a primeira vez que o Senhor derramou pode­rosamente o Seu Espírito sobre toda a carne, liberando o ministério apostólico sobre a terra. A Igreja em nossos dias ainda vive sobre o impacto deste primeiro mover do Espírito e agora o Senhor esta prestes a realizar um novo derramamento glorioso de sua unção. Acredito piamente que nós nascemos para este tempo.

Estamos vivendo nos últimos dias e os propósitos finais de Deus para o homem estão para terminar. Portanto, precisamos estar nos preparando urgentemente para tudo aquilo que está por vir. A glória de Deus em nós pode ser comparada ao precioso ouro em pó contido em talhas de pedras. Estas talhas precisam ser quebradas para que tal preciosidade divina seja facilmente liberada em santidade e glória para o exterior destes recipientes e tocar o mun­do.

O que mais poderia, além deste quebrantar de nossas vidas, fazer com que o fogo do Espírito em nosso viver queime toda
podridão ao nosso redor deixando somente a pureza do ouro? O que poderia quebrar tais corações petrificados para que o “Espírito de Deus em nós” possa fluir livremente de nossas vidas para este mundo pobre e aflito? O Senhor quer nos levar ao quebrantamento para que possamos, como Sua Igreja, transformar grandes quantidades de ouro bruto em preciosíssimas barras de ouro em forma de ardor apostólico para um apostolado efetivo. O padrão do Novo Testamento para liberação da unção apostólica é encontrado no livro de Atos:

“Na igreja de Antioquia havia alguns profetas e mestres, a Saber: Barnabé e Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca e Saulo. Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse-lhes o Espírito Santo. Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

Então, depois de jejuarem e orarem, puseram sobre eles as mãos, e os despediram.

Assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia, e dali navegaram para Chipre.

(At 13: 1-4)

Qual era o contexto no qual o ministério apostólico foi libe­rado no primeiro século? Pelo registro Sagrado está claro que isto aconteceu em um contexto de fervoroso momento de oração e je­jum da Igreja. É justamente nesta atmosfera que o Espírito Santo fala de maneira bem clara e definida. Este mover apostólico do primeiro século aconteceu simplesmente em obediência a uma di­reção específica do Espírito Santo para os líderes da Igreja em Antioquia e assim “depois de jejuarem e orarem, puseram sobre eles as mãos e os despediram. ” O que isto significa em nossos dias?

O nosso Deus e os dons que Ele nos concede são sobrenaturais

Por séculos, a Igreja tem caminhado desajeitadamente e “usado apenas metade da velocidade” pois usa apenas três dos cincos ministérios originalmente designados por Deus para equi­par os santos. Os ministérios apostólico e profético foram, em geral, rejeitados ou tidos como funcionais somente nos tempos dos primeiros apóstolos. Enquanto isto os ministérios de evangelismo, pastor e mestre de alguma maneira escaparam do “sepultamento” acontecido com os dois primeiros. Ora, resultado de tal mutilação é previsível. É, sem dúvida desnecessário tentar prever o que acon­teceria se alguém, que possui um veículo de seis cilindros, deci­disse que seu carro teria melhor performance em sua velocidade se dois ou três deles fossem desligados.

Para piorar ainda mais as coisas, quase todos os nove dons listados pelo o apóstolo Paulo em 1 Coríntios, capítulo 12 foram também tidos como dispensáveis e considerados como já cessadas as suas funções assim como os apóstolos e os profetas o foram. Apesar da irrelevante sabedoria humana dizer o contrário, Deus nunca cometeu nenhum erro ou desconsiderou nada de Sua eterna Palavra. O que Ele disse na Carta aos Efésios, capítulo 4, em 1 Coríntios, capítulo 12 e em Romanos, capítulo 12 foi por uma razão específica. Deus em si mesmo é sobrenatural. Não importa quão desconfortáveis homens e mulheres se sintam, Deus e a Sua Palavra serão sempre imutáveis.

Documentos históricos comprovam que virtualmente todos os reavivamentos ou despertamentos acontecidos no mundo foram liderados por líderes ungidos cujos ministérios foram acompanhados por sinais e maravilhas sobrenaturais, assim como de uma ex­tensiva percepção e funcionamento dos dons do Espírito. O grande reavivamento tão esperado em nossos dias não acontecerá de maneira diferente. Precisamos urgente da autoridade apostólica e das habilidades de liderança designadas por Deus durante esta grande “colheita” que está para acontecer neste últimos dias.

Por esta razão, Deus está conclamando a Sua Igreja neste tempo do fim para estar vivendo e funcionando na plenitude dos cinco ministérios de governo estabelecidos em Efésios, capítulo 4. Queridos, precisamos estar correndo a carreira que nos foi ta pelo Senhor com “todos os cilindros” se almejamos que a glória de Deus verdadeira cubra toda a terra. Não podemos mais estar satisfeitos em simplesmente caminharmos mancando sem o funda­mento apostólico ou sem a percepção ou visão do ministério pro­fético na Igreja. Carecemos do pleno funcionamento de cada dom do Espírito legado por Deus à sua Igreja para mantê-la forte, sau­dável e santa. A única maneira que isso pode acontecer é a Igreja se posicionar de maneira persistente e corporativa no lugar da ora­ção e do jejum. Esta atitude criará uma atmosfera propícia para a glória de Deus queimar e purificar as nossas vidas e definitivamente liberar a unção apostólica da Igreja para o mundo.

Neste reavivamento, sinais e maravilhas destruirão instan­taneamente décadas, e até mesmo séculos de ação diabólica, libe­rando assim centenas de milhares para receber a Cristo como Se­nhor em uma única noite! Esta obra de tamanha magnitude só po­derá acontecer através do poder do Espírito Santo. Louvamos ao Senhor pela unção já a nós conferida, todavia o chamado de Deus para cada um de nós, Seus filhos, é para mergulharmos mais pro­fundamente Nele e desfrutarmos de Suas riquezas através do jejum e da oração. Se O obedecermos, Ele poderá confiar-nos o mesmo poder do Espírito Santo liberado a Seu filho Jesus Cristo, depois de Seus longos 40 dias de jejum e oração.

 

O poder de Deus e a árvore do bruxos

Eu me recordo certa vez, quando conduzia uma campanha de evangelismo em massa na cidade de Kananga, Zaire, em uma área infestada de forças demoníacas proveniente de magia negra, tão praticada naquela região. Esta cruzada conduzida pelo nosso ministério foi a primeira realizada naquele país e as coisas esta­vam, até um dado momento, correndo muito bem, apesar dos agres­siva oposição das obras de bruxaria que tinha dominado aquela área por muitos e muitos anos. Logo já no início os bruxos daquela localidade publicaram nos meios de comunicação local um pro­nunciamento de maldição sobre nós. Infelizmente alguns de nossa equipe temeram muito a atitude daqueles filhos de satanás. Comu­nicaram-me pelo pessoal daquele lugar sombrio, que aqueles feiti­ceiros tinham poder para simplesmente dizerem a alguém: “Você morrerá em sete dias.” – e realmente a pessoa caía enferma ou algo acontecia a ela, e aquela palavra maligna se cumpria.

Nossas reuniões despertaram tanta ira naqueles bruxos que eles foram capazes de fazer uma convocação a todos os bruxos da redondeza para um encontro a fim de decidirem o que fariam no sentido de impedir a proclamação do Evangelho do Reino naquele lugar. Aqueles bruxos, então, se reuniram debaixo de uma frondosa árvore usada pelos feiticeiros de muitas gerações. Eles acreditavam que o poder espiritual do maligno era emanado das galhas daquela frondosa árvore e ali foi realizado todo tipo de cerimônia diabólica, inclusive comer carne humana, no intuito de impedir o mover de Deus.

Na última noite da cruzada, aqueles feiticeiros mais uma vez se ajuntaram sob aquela gigantesca “árvore mágica” com o propósito de estar praticando os seus rituais macabros para bloquear a ação de Deus naquele lugar através de nossas vidas. Aqueles homens e mulheres estavam totalmente entregues e embebidos nas densas trevas de satanás e furiosamente amaldiçoavam os cristãos, comiam carne humana e discutiam ardentemente planos determinar de uma vez por todas com a nossa cruzada (Graças ao nosso bom Deus, nada que eles intentaram contra nós funcionou).
        No final da minha mensagem naquela última noite, o Senhor me ordenou a liberar uma palavra de quebra de todo o jugo de magia negra que imperava sobre toda aquela região e libertar todo aquele povo das cadeias que os prendiam. Enquanto aqueles pobres feiticeiros se envenenavam debaixo daquela imensa “árvore encantada”, eu declarava diante de milhares de pessoas que te se aglomeravam em nossa reunião: “Satanás, eu te amarro, em nome de Jesus! Eu quebro, no nome do Senhor, toda sorte de maldição nes­te lugar!”

Naquele momento, de acordo com informações de diversas testemunhas oculares, naquela área onde os bruxos estavam reunidos foram vistos grandes relâmpagos e raios que caíam incendian­do tudo ao redor e aquele fogo expandiu em um raio de cerca de 10 ou 12 quilômetros. Aquele fogo consumidor deixou aquela gran­de árvore fumegante. O tronco não se dividiu como normalmente acontece quando atingido por um raio. Mas o fogo começou do topo para baixo queimando o tronco durante três dias completos até toda a sua destruição ser totalmente consumada. Ainda existe lá naquela localidade os sinais daquele incêndio como uma adver­tência muda do poder do nome de Jesus que está acima de todo principado e potestade!

Posteriormente ficamos sabendo mais detalhes, sobre este episódio da árvore incendiada, da própria boca de alguns daqueles homens que se reuniram ao redor dela. Eles relataram que quando aquele incêndio sobrenatural começou, alguns dos bruxos ficaram cegos, outros foram queimados e alguns outros tiveram uma expe­riência de arrependimento quando depararam com o poder infinito de Deus. Muitas daquelas pessoas nos procuraram nos relatando esta mesma história e nos indagando o que deveriam fazer para serem salvos. Quando tive a oportunidade de visitar as cinzas daquela que outrora fora uma grande árvore, aqueles restos, lem­brei-me do confronto do profeta Elias com os profetas de Baal em 1 Reis, capítulo 18. O meu espírito regozijou dentro de mim e eu clamei em alta vós como Eliseu quando o manto da unção caiu perto dele: “Onde está agora o Deus de Elias?” (2 Rs 2:14)

Eliseu se encontrava sedento. Ele estava faminto para ver a manifestação do poder do Deus vivo passar para a sua geração no momento em que Elias foi levado ao céu. Esta transição de poder está registrado em 2 Reis e foi uma sombra da unção conferida aos apóstolos por Jesus descrito em Mateus 28:18-20:

“Chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: é me dado todo o poder no céu e na terra.

Portanto, ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho man­dado. E certamente estou convosco todos os dias, até à consu­mação do século.

(Mt 28:18-20)

Por séculos a Igreja tem vivido ou com os seus olhos fixos no céu, com as malas prontas esperando Jesus voltar, ou esperando que Jesus faça do céu o que Ele tão veemente comissionou-nos a realizar aqui na terra através de Seu Espírito que habita em nós. A dimensão da obra de Deus em nossos dias nos demanda uma posi­ção que nos arrancará da paralisia espiritual e nos levará a tomar o manto da unção e poder a nós conferidos por Jesus e começar a obedecer os Seus comandos.

Ele nos tem chamado para jejuar, orar e obedecer.

O Senhor nos tem convocado para a prática do jejum e da oração e para obedecer a Sua Palavra. Uma vez subjugando o nosso viver nesta prática Ele poderá liberar a unção apostólica em nossas vidas, em nossas igrejas e em nossos ministérios neste mundo. Possuindo a unção do alto o nosso ministério não será baseado em meros discursos mornos ou apáticos, não será tomado por nenhum temor, dúvida ou descrença. Pelo contrário, será profético, apostólico e capacitado a manusear a “espada de dois gumes” afiada que nos é concedida somente pelo Espírito Santo de Deus. Seremos confrontados e, talvez nem nos daremos conta disto, as­sim como aconteceu comigo nesta experiência quando fui conduzido a orar simplesmente e liberar um comando através do qual Deus literalmente destruiu o arsenal de satanás naquela cidade no Zaire! Ora, tudo que o Senhor deseja de nós é que estejamos dis­poníveis em suas mãos e tenhamos pleno entendimento que Ele está conduzindo a sua Igreja para o deserto nestes dias! O Seu desejo é que aprendamos a importante lição de orar e jejuar de maneira efetiva para que possamos fazer diferença em nosso viver no poder do espírito em nossa geração.

Como alguém disse, a oração é a cápsula que contém todos os dons de Deus concedidos a nós e, com todo respeito à palavra do Senhor, então podemos inferir que o jejum é a mola propulsora que levanta as nossas orações muito acima dos limites da terra e céus. O jejum fornece ao nosso espírito o vigor necessário que nos “catapulta” para um viver além da “gravidade” da carne. Você pode estar certo de que satanás teme esta santa combinação como nin­guém mais neste mundo. Saiba que toda vez que o povo de Deus ousa deixar de lado as suas diferenças e concepções pessoais o tempo suficiente para buscar a face do Senhor em jejum e oração como um só homem, com um só objetivo, em um só acordo, terrí­veis coisas estarão acontecendo no império das trevas. Enquanto isto sinais e maravilhas serão realizados pelo Senhor no meio de Seu povo.

Algo que me impressiona profundamente é que apenas pou­cos cristãos compreendem, ao ler as Escrituras, que Jesus deu aos Seus discípulos um treinamento específico para o jejum. Ele lhes ensinou:

“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto para parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa”.

Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça, e lava o rosto, Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. (Mt 6:16:18)

Nesta passagem, o Senhor Jesus focou os motivos corretos do jejum e através de Seu discurso Ele simplesmente disse: “Quando jejuardes… ” Mais uma vez observe que Jesus não disse “se você decidir jejuar…” ou “se você sentir de jejuar um dia…” Não. Ele falou do jejum com a mesma finalidade e objetivo quando falou da oração. Ele disse: “Quando orardes” e não “se você orar.” Por quê? Porque Jesus esperava que Seus discípulos tivessem o mesmo entusiasmo tanto na oração quanto no jejum.

 

A abundância de chuva está chegando

A prática do jejum nos move do domínio natural deste mundo para o viver e governo sobrenatural do Reino de Deus. Este é o único lugar onde você pode obter revelação, autoridade e poder do Espírito Santo. Eu vejo a Igreja envenenada com o brilho do sécu­lo vinte e virtualmente na mesma posição que o profeta Elias este­ve quando orou por chuva no monte Carmelo depois de ter profe­tizado ao perverso Rei Acabe que a chuva estava chegando depois de três anos de total aridez e sequidão. A princípio não existia nenhuma nuvem no céu, mas ele perseverou em oração.

Depois de um longo período de total aridez e sequidão na Igreja nós também, no nome do Senhor, profetizamos que as chuvas estão vindo, e como Elias nos encontramos em um lugar elevado clamando com nossas faces entre nossos joelhos. Este na verdade é o melhor lugar onde podemos estar! Veja a história de Elias:

“E disse Elias a Acabe: sobe, come e bebe, pois há ruído de abundante chuva.

Subiu Acabe a comer e a beber, mas Elias subiu ao cume do Carmelo e, inclinando-se por terra, meteu o rosto entre os joelhos.

Disse ao seu moço: sobe, e olha para a banda do mar E ele subiu, olhou e disse: não há nada. Então disse Elias: Volta lá sete vezes.

À sétima vez, disse: levanta-se do mar uma nuvem do tamanho da mão de um homem. Então disse Elias: sobe, e dize a Acabe: Aparelha o teu carro, e desce, para que a chuva não te apanhe. Em pouco tempo os céus se enegreceram de nuvens e vento, e caiu uma grande chuva. Acabe subindo ao carro foi para JezreeL”

(1 Rs 18:41-45)

Estamos vivendo hoje o final da aridez em nossa terra. A Igreja está começando a ouvir o som da abundância de chuva! Já temos ouvido as primeiras gotas de chuva da glória do Senhor cair em alguns lugares como Argentina, Brasil, Toronto, Pensacola e Flórida – e estas gotas são apenas o início.

A evidência é muito clara – Milhões têm se prostrado com suas faces entre seus joelhos em fervorosa intercessão e jejum. Servos de Deus têm relatado de Toronto, Pensacola, Houston, Baltimore, Buenos Aires, Londres, Austrália e em muitos outros lugares que já existe uma “nuvem do tamanho de uma mão de homem levantando-se do mar!” Embora a princípio não se via nada, em meados ao ano de 1990 tivemos o primeiro vislumbre de uma pequena nuvem do tamanho da mão de um homem que se levantava do mar. Aquela visão foi tudo o que precisávamos para nos motivarmos no Senhor porque somos um povo sedento do poder de Deus! Agora estamos ousadamente profetizando para esta gera­ção: “Preparem-se para um grande derramar que elevará os seus pés de onde eles estão firmados e transformará a fisionomia da terra! O Rio de Deus está nos invadindo com toda a força de suas correntezas. Prepare-se para ver a terra coberta com a glória de Deus.”

Acredito que infelizmente temos realizado muitas coisas segundo a capacidade do.-próprio homem, portanto, precisamos tirar as nossas mãos fora do mover poderoso de Deus. Este será o Seu reavivamento e Sua grande “colheita”. Desta vez não terá lugar para a carne ou para a glória de homens. O vento do Espírito está começando a soprar, o céu já está escurecendo e pesada chuva está chegando. Este é o grande poder de Deus que estará vindo sobre esta geração.

Precisamos ser perseverantes em oração

Nós já estamos vendo manifestações da glória de Deus em um grau que nunca vimos anteriormente. Este é, sem dúvida, tini novo mover da glória de Deus que será mais glorioso que o derramamento de Pentecostes no início da Igreja ou a chuva serôdia que caiu sobre a Igreja na década de quarenta. Será maior que o aviva mento que varreu a América do Norte em meados dos anos sessenta. O que o Senhor tem preparado para estes últimos dias não pode ser comparado com nada provado pelo Seu povo em toda a histó­ria da Igreja. Você e eu somos mordomos de toda riqueza que o Senhor dispensará nesta geração, porém para que o Senhor realize o Seu propósito precisamos estar engajados no desafio da oração.

         Se assim o fizermos estaremos brevemente imergidos na unção gloriosa que nos levará às profundidades do Senhor.

Pelo jejum e pela oração corporativa podemos ser mais que vencedores sobre qualquer situação, obstrução e até mesmo mon­tanha que se posicione no caminho da jornada que o Senhor nos tem proposto. Ora, precisamos estar convictos que a vitória no Senhor só poderá ser encontrada quando estivermos vivendo no domínio do Espírito e esta é a razão pela qual satanás não perde uma oportunidade para nos desviar do viver adequado da oração e do jejum.

Acredito que Deus almeja que a Igreja entre para esta vida de jejum e de oração agora, porque Ele sabe que isto é necessário se vamos entrar na plenitude do nosso manto apostólico,nosso mi­nistério apostólico e unção apostólica para milagres sinais e mara­vilhas. Agora uma pergunta: “Estamos nós dispostos a pagarmos o preço do jejum e da oração?”

 

Você está preparado para pagar o preço de trazer liberdade aos cativos?

O reavivamento e a “colheita” global nunca acontecerão a menos que estejamos pessoalmente envolvidos com o propósito eterno de Deus através da obediência à oração e ao jejum. O terre­no dos corações dos homens precisam ser preparados para receber a semente salvadora da palavra de Jesus. Isto apenas pode ser realizado previamente através da “prática” do amor e de joelhos, diante do Pai das luzes. À medida que entramos em combate, e de joe­lhos, Deus, por Sua vez, libera o Seu poder para a libertação dos cativos de satanás.

Mais uma vez, gostaria de reinterar que o grande reaviva-mento e conseqüentemente a “colheita” de muitas vidas para

Jesus não serão realizados de acordo com os caprichos da mente carnal do homem. Este grande mover da mão do Senhor nestes dias será de acordo com a Sua própria palavra revelada. Paulo falou categoricamente aos Coríntios:

“A minha palavra e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder,

Para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.”

(1 Co 2:4-5)

Quando temos uma vida produtiva de jejum e oração o Se­nhor nos dá a Sua graça para que no abrir da nossa boca o mistério do Reino seja conhecido diante dos indoutos. Ele nos dará sabedoria para estarmos diante de governadores, prefeitos, líderes de co­munidade e toda sorte de pessoas para que a nossa pregação seja feita “em tempo e fora de tempo”.

 

Este é o poder de Deus

Em 1995, eu e minha esposa, Bonnie, alugamos um avião monomotor e voamos para o interior da África, pari uma cidade chamada Kikwet, no Zaire (Este era um local cheio de mistérios e cenário da mortal epidemia chamada Ébola hemorrágica). Na primeira noite pregamos para uma multidão de cerca de 40.000 pessoas, sendo que a grande maioria nunca havia ouvido o Evangelho de poder. Logo que o poder de Deus caiu sobre aquele lugar, uma criança aleijada de 10 anos de idade que vivia imobilizada por toda a sua vida, começou a andar instantaneamente! Então pelo Espírito de Deus comuniquei àquela multidão: “Existe um tumor gigantesco no estômago de alguém mas já está desaparecendo pelo poder de Deus.” O procurador geral da província de Bandundu (incluía Kikwet) se encontrava no meio daquela multidão e havia sido diagnosticado um imenso câncer em sua área intestinal. Ime­diatamente aquele homem subiu para onde nos encontrávamos e disse em voz alta para todos ouvirem: “Eu sou esta pessoa.” – e continuou: “Eu quero servir o Senhor Jesus para todo o sempre!” –Este é o poder de Deus e este é o modo que o Senhor deseja usar pessoas simples como nós para confrontar o inimigo e trazer os perdidos para Jesus.

Deus deseja nos conceder sinais, maravilhas e milagres hoje com o propósito de confirmar a proclamação das Boas Novas e glorificar o Seu grande nome. Quando a resposta ao Seu comando de “ide” é positiva, os Seus sinais e maravilhas certamente nos seguem porque estamos agindo dentro do campo da fé. Porém, para que isto comece acontecer em nosso viver, precisamos estar genuinamente comprometidos em tocar e abençoar os necessitados ao nosso redor como Jesus o fez. Os milagres a nós concedi­dos não são simplesmente para serem considerados como atrativos para as pessoas ou como motivos para nos orgulharmos. Definiti­vamente não. Estes são poderosos sinais de Seu poder e Seu amor para com o homem e cabe a nós tão somente sermos fiéis mordomos de tanta riqueza e glória.

Recordo-me certa vez, quando estivemos conduzindo uma campanha no meio da selva africana onde milhares de pessoas se reuniram. Aquele lugar era tão remoto que simplesmente não ha­via casas e nem sequer tendas para proteger o povo do sol ou da chuva. Aquilo foi realmente uma concentração ao ar livre. Incluí­dos entre aquelas milhares de pessoas que se reuniram alí para ouvir o Evangelho, estavam centenas de crianças e bebezinhos.

Liberando um comando para as densas nuvens

Eu me preparava para pregar àquele povo quando uma gran­de concentração de nuvens escuras e sinistras se aglomeraram naquela área diretamente sobre as nossas cabeças. Elas não estavam dispersas uniformemente sob o firmamento, mas bem concentradas sobre aquela área que nos encontrávamos e tínhamos a impres­são que elas tinham sido movidas para aquela posição por alguma força invisível. Sem sombra de dúvida seria muito desastroso um temporal despencar exatamente naquele momento e nas circuns­tâncias em que nos encontrávamos. Simplesmente não existia lu­gar para nos escondermos e os relâmpagos e raios poderiam piorar mais ainda a situação, talvez até com possíveis fatalidades. Eu cla­mava ao Senhor em meu coração sobre aquela terrível situação em que nos encontrávamos quando, de repente um dos líderes locais, a plenos pulmões, anunciou à multidão: “E agora, o Pastor Mahesh Chavda fará uma oração ao Senhor e ordenará estas negras nuvens de temporal para se afastarem daqui.” – E dizendo estas palavras olhou para mim.

Naquele momento eu “engoli seco” e me dirigi onde aquele irmão estava e o meu clamor ao Senhor continuava, mas agora desesperado: “Senhor, eu não sei como fui chegar aqui neste lugar ermo e não sei o que fazer agora… O Senhor é o único que pode responder esta oração. Tenha misericórdia e ouça a oração do teu servo agora.” Depois de ter orado silenciosamente, aquela grande platéia ouviu e assistiu-me em poucas palavras pedir ao Senhor que dispersasse aquelas negras nuvens. Em questão de minutos as nuvens começaram a se desvanecer e já era possível Continuar a pregação do Evangelho sem sequer uma gota de chuva para incomodar. Este sinal que o Senhor nos trouxe naquele dia foi um po­deroso testemunho do poder de Deus parti ;aqueles, africanos, e muitos se renderem ao Senhor Jesus naquele dia porque a manifestação de Seu poder a eles foi muito significativa.

Quanto maior o mover Deus, maior será a oposição de satanás. Todavia, se estivermos pagando o preço, em obediência, do jejum e da oração, o Senhor transformará os ataques ou as obras de maldição do inimigo em uma grandiosa bênção. Em muitos casos, enquanto esperamos a vinda desta grande “colheita” de vi­das, estas transformações podem literalmente se tornarem sinais e maravilhas em si mesmas trazendo convicção aos não salvos, da glória de Deus.

Enquanto ministrávamos no Zaire, em uma cidade chama­da Mbuji Mayi, local de grande concentração de magia negra, vi­mos milhares de pessoas terem a experiência do novo nascimento. Os bruxos e os feiticeiros daquela localidade ficaram extremamente indignados porque não estavam mais sendo pagos para lançarem maldições sobre as pessoas.  Por outro lado, as pessoas que eles tinham amaldiçoado tinham sido salvas pelo Senhor e as maldi­ções que estavam sobre elas não tinha mais nenhum efeito. Em outras palavras, o Evangelho das Boas Novas de nosso Senhor Jesus Cristo estava levando o grande negócio daqueles bruxos à plena falência!

Conseqüentemente, os feiticeiros entraram em acordo para enviarem o líder deles em nossa reunião e assim pessoalmente nos amaldiçoar. Em um dado momento de nossa reunião quando oran­do por várias pessoas que estavam em uma grande fila, aquele chefe dos bruxos fingiu estar doente e assim se misturou com cen­tenas de pessoas que esperavam por oração. Os pastores locais conheciam muito bem quem era ele, mas eles estavam com tanto medo do poder de suas maldições que acabaram permanecendo em silêncio acerca da identidade daquele homem.

Aquele bruxo era um homem alto e forte e usava em seu pescoço um grande colar de ossos humanos. Quando me aproxi­mei dele, ele começou a emitir estranhos ruídos e a vocalização daqueles sons estavam além da compreensão humana. Aquilo parecia a combinação dos sons emitidos por 14 ou 15 animais. Eu me arrepiei todo ao ouvir aquele barulho medonho, então ouvi um grande urro e vi os seus olhos se entortarem inteiramente. Naquele  momento me foi dado pelo Senhor o claro discernimento com o que eu estava tratando e eu disse para mim mesmo: “Este homem realmente precisa de muita ajuda.”

Aquele bruxo estava “agarrado no chão”

No momento que pronuncie-lhe uma palavra de libertação, parecia que milhares de voltes de eletricidade impactava o corpo daquele homem. Ele foi arremessado a uma distância de aproxi­madamente 4 metros e violentamente caiu com o rosto em terra, e toda vez que tentava se levantar ele se afligia percebendo que não era capaz de mover um centímetro sequer e isto o fazia urrar ainda mais alto. Ele estava colado no chão e era como que se um anjo tivesse sido comissionado para se assentar em cima dele. Eu disse: “Bem, Senhor, Tu sabes todas as coisas; tome pleno controle desta situação.”

Algum tempo depois aquele pobre homem estava dando o seu testemunho aos pastores locais. Ele explicou que ele não foi capaz de se levantar do chão até que confessasse cosia a sua boca que Jesus Cristo é o Senhor. Quando olhou para mim, ele arregalou os seus olhos, e apontando o dedo para mim, disse: “Eu conhe­ço espíritos, mas o Espírito que está sobre este homem é imensa­mente maior do que todos que já vi em toda a minha vida!” Aquele ex-bruxo estava tão somente vendo o poder sobrenatural do Espíri­to de Deus em ação.

Nesta grande “colheita” que está para acontecer, Deus também usará novas e excepcionais formas de se mover – Até mesmo à distância, usando forma não muito convencionais ao nosso entendimento (ora, afinal de contas Ele é Deus e pode fazer o que Ele bem entende e da forma que quiser). Uma vez, conduzindo cruza­das em Costa Rica, os nossos cultos eram transmitidos “ao vivo” pelo rádio por todo o país. No terceiro dia, uma mulher que tinha ouvido nossas ministrações pelo rádio veio à nossa reunião com o desejo de compartilhar conosco o seu testemunho. Ela nos contou esta tremenda história de poder de cura realizado pelo Senhor em sua vida.

“Eu estava ouvindo a sua pregação pelo rádio a três dias atrás. Há muito tempo que padecia com um tumor do tamanho de uma laranja que me acometia a garganta. No momento em que ouvi a sua voz pregando a palavra de Deus, o tumor dentro de minha garganta começou a vibrar. E a medida que continuava ou­vindo a palavra de Deus aquelas vibrações aumentavam mais e mais violentamente. De repente ele estourou dentro de minha gar­ganta e saiu pela minha boca.”

Quando aquela mulher voltou ao seu médico, ele teve o cuidado de tirar-lhe 18 chapas de raios-X de sua garganta por um período de 36 horas e não foi capaz de encontrar um único sinal daquele tumor maligno que estava ali antes da intervenção de Deus! Este testemunho é muito significante para mim, pois eu não estava lá para estender as minhas mãos sobre ela, todavia o Espírito Santo honrou a pregação da palavra de Deus e a fé daquela mulher.

Muito freqüentemente, Deus estará trabalhando através de nós em um momento em que não estaremos sentindo exatamente nada, apenas para nos provar que Ele é o Senhor que faz a obra não eu e nem você. Em reavivamentos, a carne não é capaz de roubar a glória de Deus querendo fazer coisas que somente Deus pode realizar. Me lembro uma outra vez quando pastoreava em uma igreja no Texas; uma família viajou milhares de quilômetros do Novo México para receber oração.

Sentimentos não têm nada a ver com fé

Esta família possuía cinco crianças pequenas, sendo que duas delas ainda eram bebês. A necessidade delas era especial­mente aguda porque o corpo da mãe delas estava quase todo con­sumido por um terrível câncer. Quando impus a minha mão sobre aquela mulher, eu não senti nenhuma unção. Naquele momento, eu não tinha fé para a sua cura, porém esta foi a minha oração ao Senhor: “Ó Senhor, olhe para estes pequeninos. Tenha misericór­dia desta família.”

Esta mulher, exatamente no dia seguinte tinha exames mar­cados em um hospital numa cidade vizinha. Os testes revelaram que em seu corpo não havia nem sequer um traço de câncer! Todo o mal que lhe afetava a saúde havia desaparecido. O Senhor me deu graça para tocar-lhe o coração, neste caso, clamando por Sua imensa misericórdia da mesma forma que aconteceu com o cego Bartimeu no Novo Testamento. O poder de Deus não tem nada a ver com aquilo que sentimos ou com as circunstâncias vigentes. Como soldados do Senhor, somos comissionados para “instar a tempo e fora de tempo. ” Mais uma vez repito; devido a magnitu­de da “colheita” que estará diante de nós, precisamos aprender como ministrar “em Seu descanso,” ao invés de fazê-lo com o nosso próprio esforço ou com recursos pessoais.

Uma característica interessante deste reavivamento que está por vir é a forma que Deus estará usando jovens e crianças na grande “colheita”. Eu, pessoalmente, acredito que o Senhor os usará de uma maneira muito especial e até mesmo estranha para alguns. Eu estava ministrando em Houston uma vez, quando orei por um grupo de setenta crianças que havia vindo à frente para serem  cheias pelo Espírito Santo. A unção de Deus veio poderosamente so­bre as suas vidas e eles começaram a cair no Espírito, falar em língua estranha e a chorar.

Entre aquelas crianças estava um garoto mexicano de 5 anos que começou a clamar ao Senhor em línguas estranhas enquanto lágrimas corriam pelo seu rosto. Ele permaneceu naquele estado por cerca de vinte minutos quando de repente um homem explodiu em altos soluços naquele imenso auditório. Aquele Senhor mexi­cano, que era o pai daquela criança então veio à frente e ficou ao lado de seu filho. No momento que aquele Pai se rendeu ao Senhor Jesus e foi completamente cheio do Espírito, eu compreendi que aquele garotinho tinha estado orando em línguas durante aqueles instantes para a salvação de seu pai.

 

Jovens guerreiros estão se levantando

Nós, literalmente, veremos cumprida nestes dias aquela pro­fecia do Antigo testamento que diz: “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão!” Eu estou absolutamente convencido que Deus usa­rá um exército de jovens guerreiros para estarem combatendo e carregando a monumental “colheita” que está para acontecer. Já existem em muitas nações da América do Sul, no Reino Unido, Canadá e Estados Unidos o engajamento de um vasto exército de crianças e adolescentes começando a se despertar do sono. Talvez ainda não sejamos capazes de vê-los, mas tenham certeza: eles estão vindo. Aqueles de nós que somos mais velhos precisamos estar preparados para recebê-los, enconrajá-los e sabiamente ins­truí-los nas coisas do Senhor. Acima de tudo, precisamos estar bem cônscios de não obstruí-los ou proibi-los de responder ao cha­mamento do Senhor.

Finalmente, este reavivamento e grande “colheita” não re­conhecerá fronteiras, barreiras ou preferências. Deus, pelo Seu poder, tocará os pobres, os rejeitados, os esquecido e os humilha­dos deste mundo. Precisamos ter o mesmo coração de nosso Mes­tre ou seremos deixados para trás, frustrados.

Enquanto ministrava no Zaire, África, o Senhor me colocou em meio a uma miraculosa visitação de Deus em multidões de 200.000 pessoas por noite. Nós estávamos tão sobrecarregados devido ao imenso número de pessoas que vinham à frente toda noite para receberem oração, que decidimos designar um dia, no qual, não faríamos nada, mas somente imporíamos nossas mãos nos criticamente doentes ou naqueles que estavam à morte,

Naquele dia específico para orações fui para a arena espe­rando ver 1.000 pessoas recebendo oração, mas fiquei impressio­nado com a multidão de 25.000 pessoas que se aglomerava naque­le lugar. Bom, eu tinha dado a minha palavra que estaria orando por cada um deles, então respirei fundo e comecei aquela que seria uma longa jornada. Algumas daquelas pessoas tinham sido, literal­mente, trazidas para a arena em carrinho de mão e muitas daquelas pessoas tinham odor de dar náuseas por não terem as excreções ou fluidos de seus corpos limpos a vários dias.

 

“Eu estou feliz por estar aqui”

Naquele clima tropical, a sujeira acrescida da doença, se toma cem vezes pior. Para se ter uma idéia existiam muitos lepro­sos no meio daquela multidão, sem contar várias pessoas com ter­ríveis feridas abertas pelos seus corpos. Centenas de pessoas que já se encontravam morrendo na fase final da AIDS vieram também à frente para receberem oração. Não importava quão maligna Fos­se a doença que destruía seus corpos, eu tinha uma palavra de cura da parte do Senhor e esta é a mesma palavra que ele tem dado a você. Naquele dia, proclamei a eles o amor de Deus, impus-lhes as minhas mãos e orei a oração da fé para a cura e salvação.

Quando fiz isto, senti o glorioso conforto do Espírito Santo no coração. Ele então falou-me profundamente: “Estou feliz por estar aqui.” – e para o meu gozo Ele curou muitas daquelas deses­peradas pessoas!

Esta é a hora quando o poder de Deus será visto na Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo como nunca. Temos recebido uma soberana comissão para trazer libertação para as nossas cidades e nações do jugo de satanás. Todavia, tudo isto dependerá da nossa disposição para sermos guiados pelo Espírito e pagarmos o preço do jejum e da oração, e então recebermos o poder de Deus.

Assim como a demanda para a invasão de um país é drama­ticamente diferente do necessário para uma pequena localidade como uma cidade, assim também a demanda para um uma reavivamento e “colheita” a nível global será diferente para as mais diversas cidades e localidades do mundo. O Seu chamado é para uma total mobilização de Sua Igreja. O Seu desejo é ver o pleno funcionamento de Seu Corpo, é nos dar poderosos sinais e maravi­lhas capazes de explodirem toda fortaleza do inimigo e remover os obstáculos que ainda bloqueiam o caminho para as cidades e na­ções. Porém, antes de tudo isto, o povo de Deus precisa viver a prática do jejum e da oração – Então, assim, o Senhor liberará .com abundância, a unção apostólica através de um inundar de Sua gloria que trará uma grande “colheita” de vidas, nunca vista neste mundo.

Você está preparado para este grande desafio? Você deseja mais Dele em sua vida? Então já é tempo de descobrir O PODER SECRETO DO JEJUM E DA ORAÇÃO.

Fim

CONTRACAPA

Aprenda a usar estas armas espirituais para conquistar o inimigo:

A justiça, a oração, a fé, o sangue de Jesus, a palavra do seu testemunho, e uma vida submissa.

“Engajar-se na batalha espiritual não é uma opção, mas uma exigência a todos os cristãos uma questão de vida e morte”, afirma Larry Lea. É dever de cada cristão conscientizar-se do perigo, entender as estratégias do inimigo, e aprender a arte de combatê-lo.

As Armas da Sua Guerra revela o que o nosso inimigo pode e não pode fazer contra nós, e explica as verdades fundamentais que devem tornar-se nossas atitudes diárias.

Larry Lea é pastor da Igreja da Rocha, em Rockwall, Texas, e autor de diversos outros livros ainda não editados em português. Ele está reunindo um exército de 300.000 guerreiros de oração a fim de interceder pelos Estados Unidos.

 ISBN 0-8297-1692-0 Vida Cristã

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 E-books Evangélicos

The Hildden Power Of Prayer And Fasting

Copyright (c) 1998 by Destiny Image Publishers

Publicado Originalmente por Destiny Image

Shippensburg, PA – USA

Tradução:

José Geraldo Padilha

Revisão

Cleide das Graças Oliveira

Todos os direitos reservados por DYNAMUS

home Home: www.dynamus.com.br

Impressão e Acabamento : Editora Betânia

 I  Edição – Julho de 2001

 2 Edição – Março de 2002

Rua Raul Mendes, 41 – Conjunto 200 – Floresta

Belo Horizonte, Minas Gerais

Brasil – 31.010-030

0xx 31 3421.2815

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

 (Sindicato Nacional dos Editores de Livros – RJ, Brasil)

C5 12p                        

                                        Chavda Mahesh, 1946‑

                                  O Poder Secreto do Jejum e da Oração / Mahesssh Chavda;

                                  Tradução de: José Geraldo Padilha – Belo Horizonte

                                  Dynamus, 2000.

                                  …p. ; em

                                  ISBN 85-88088-01-0

                                  Tradução de: The Hildden Power Of Prayer And Fasting.

                                  1  Oração. 2. Jejum. I. Título

                                                                                                                                      CDD-248.32

O jejum era uma prática cristã normal, mas durante a mai­oria da minha experiência cristã, tem estado ‘fora de moda’. Mui­tos procuram soluções rápidas e fáceis para seus problemas; por espiritualidade instantânea sem que haja disciplina ou sacrifício. Temos alimentos instantâneos, aprovação de crédito instantânea. Há poucas coisas que nos fazem esperar hoje em dia. E além de qualquer outra coisa que o jejum venha a ser, é também uma forma de espera – e uma espera inconfortável. Então, o jejum vai contra as tendências dos tempos.

Também vai contra a teologia de alguns. Uma vez ouvi um professor de teologia ensinar uma lição sobre jejum numa sala onde as maiorias dos que estavam presentes também eram professores. Ele concluiu que o jejum era o último recurso para momentos de grandes crises. Ele concluiu também que o jejuar fora destes mo­mentos críticos não era bíblico, e não trazia nenhum resultado. Nenhum dos que estavam na sala questionaram essas conclusões. 0 único que o questionou foi um pastor que não tinha o benefício de uma educação num seminário, mas que jejuava freqüentemente. Contudo, ele não tinha o mesmo nível para que pudesse discutir com os teólogos tão sofisticados daquela sala. E para o alívio da maioria, concluíram que o jejum não passa de uma parte relevante da experiência cristã.

Em certos lugares, o somente mencionar da palavra ‘JeJum’ levanta manifestações e advertências de ‘legalidade’. Seja isto de vido a abusos que ocorreram nas experiências do passado, ou de­vido a um desejo de se ter uma forma de cristianismo que não requer sacrifícios; eu não sei. Eu somente sei que a perda desta prática híblica tem feito com que a Igreja não desfrute da plenitude do poder do Espírito Santo e da plenitude da intimidade com Je­sus, a qual Deus deseja tanto que tenhamos.

A oração não tem sido melhor do que o jejum. Embora reconheça­mos a importância da oração, temos dificuldade em orar constan­temente. A confissão número um que eu tenho ouvido de cristãos que vão à igreja ao longo dos meus 30 anos de ministério, é que as pessoas não conseguem orar regularmente. É mais fácil fazer qual­quer outra coisa do que orar. Para o que não tem prática, a oração parece ser a disciplina espiritual mais fraca. A ajuda que ela ofere­ce é geralmente usada quando todas as outras tentativas falharam. Existem sinais que parecem indicar a volta do jejum e da oração. Grandes líderes estão chamando a Igreja para orar e jejuar pelo avivamento; e a Igreja tem começado a responder. Estou feliz em poder recomendar o novo livro de Mahesh Chavda. O valor deste livro não está nos conselhos sábios que ele oferece em como orar e jejuar; nem no motivo pelo qual devemos jejuar e orar; ou em como evitar orações e jejuns legalísticos; nem mesmo nas descri­ções detalhadas dos seus benefícios. O verdadeiro poder do livro é que ele foi escrito por alguém que durante a maioria de sua vida cristã, orou e jejuou. Pela graça de Deus, Mahesh Chavda tem experimentado o poder que vem de uma vida de oração e jejum, e ao mesmo tempo tem evitado tentações de legalidade e orgulho espiritual que sempre atacam aqueles que jejuam e oram. Algumas das histórias supernaturais neste livro desafiarão o leitor, e alguns terão dificuldade em acreditar. Mas se o testemunho da história da Igreja puder receber crédito, aqueles que oram e jejuam receberão respostas supernaturais às suas orações. Este é também o testemunho da Bíblia. Porque ficaríamos surpresos com as coisas maravilhosas que acontecem quando obedecemos à Deus?

E aqui repousa o verdadeiro valor destas páginas. Elas são uma prova verdadeira da jornada de um homem com Deus, relatada de uma maneira que nos encoraja a fazer o que Deus quer que faça­mos.

 Jack Deire

Evangelical Foundation Ministries

Hermenêutica e Exegese Bíblicas (Interpretando e Explicando na Pregação Expositiva)

18 Comentários

 Atos 8.30 “… Compreendes o que vens lendo?”

 OLHE BEM PARA A FIGURA ABAIXOFazer hermenêutica é saber que só existe elefante de quatro pernas. Embora, muitos hermeneutas têm visto elefantes de cinco ou mais pernas. Às vezes o que você pensa que vê não condiz com a realidade. Todo cuidado é pouco.

 

DEFINIÇÕES: 

 

n      HERMENÊUTICA: A palavra hermenêutica significa explicar, interpretar ou expor. Do grego ερμηνευειν − hermeneuein = INTERPRETAR. Nas Escrituras é usado em quatro versículos: João 1.42; 9.7; Hebreus 7.2 e Lucas 24.27. O termo Hermenêutica, portanto, descreve simplesmente a prática da interpretação.

 

n      EXEGESE: do Grego εξηγησιs − exégesis ek+egéomai, penso, interpreto, arranco para fora do texto. Não se trata de pôr algo no texto (eis-egesis) e sim de tirar o que já existe no texto (ex-egesis).

 

         Uma das Funções do pastor ou pregador leigo é explicar (interpretar) a Bíblia – Ne 8.8 “A missão do intérprete é servir de ponte entre o autor do texto e o leitor“. (J.Martínez, Hermeneutica Biblica, p. 34)

 

 

ALGUNS TERMOS IMPORTANTES E SEUS SIGNIFICADOS

 

n      Antilegomena = Escritos bíblicos que em certo momento foram questionados;  

n      Apócrifos = Livros supostamente do Antigo Testamento, mas que não possuem embasamento para comprovar a autenticidade quanto a seu caráter profético;  

n      Cânon = Do grego “kánon”, e do hebraico “kaneh”, regra; lista autêntica dos Livros considerados como inspirados;  

n      Epístolas = Cartas;  

n      Evangelho = Boas Novas;  

n      Homologomena = Livros bíblicos aceitos por todos e que em momento algum foram questionados;  

n      Paráfrase = Tradução livre ou solta, onde o objetivo é traduzir a idéia e não as palavras;  

n      Pseudo-epígrafos = Falsos escritos. Livros não bíblicos, cujos escritos se desenvolvem sobre uma base verdadeira, seguindo caminhos fantasiosos;  

n      Septuaginta = LXX de Alexandria. Bíblia traduzida para o grego por judeus e gregos de Alexandria, incluindo os Livros apócrifos;  

n      Sinópticos = Síntese. Os três primeiros evangelhos são chamados de evangelhos sinópticos, pois sintetizam a vida de Jesus de forma harmoniosa;  

n      Testamento = Aliança, Pacto, Acordo;  

n      Tradução = Transliteração de uma língua para outra;  

n      Variantes = Diferenças encontradas nas diferentes cópias de um mesmo texto, mediante comparação. Elas atestam o grau de pureza de um escrito;  

n      Versão = Tradução da língua original para outra língua.

 

 

PRESSUPOSTOS BÁSICOS QUE DEVEMOS TER PARA FAZER UMA BOA EXEGESE.

(ninguém faz exegese sem pressupostos) 

 

 A existência deDeus  Deus existe e atua na história. Milagres e profecia são possíveis. Portanto, podemos interpretar os relatos da atividade sobrenatural de Deus como história e não mito.
 RevelaçãoProgressiva  Deus se revelou progressivamente. A revelação não foi dada de uma única vez. Portanto, devo ler o texto bíblico comparando as suas diferentes partes considerando a unidade.
Inspiração eAutoridade  Os escritores bíblicos foram movidos pelo Espírito, de tal forma que seus escritos são inspirados por Deus. Portanto, são autoritativos e infalíveis.
 História daRedenção  A Bíblia deve ser lida como o registro dos atos redentores de Deus na história. Portanto, a Bíblia deve ser lida, não como um manual de ciências, astronomia, geografia ou física, mas como um livro teológico.
 Cristo  Devemos ler a Bíblia sabendo antecipadamente que Cristo é a substância de todos os tipos e símbolos do AT, do pacto da graça e de todas as promessas. Cristo, portanto, é a própria substância, centro, escopo e alma das Escrituras.
 Cânon  O cânon protestante das Escrituras é a coleção feita pela Igreja de livros que ela reconheceu que foram dados pela inspiração de Deus. Cada livro deve ser lido e entendido dentro deste contexto canônico, que é o contexto apropriado para a interpretação.

 

 

ATITUDES ERRADAS FRENTE À BÍBLIA

n      O RACIONALISMO – coloca a mente humana acima da revelação divina. Tira tudo o que é tido como sobrenatural, como os milagres.  

n      O MISTICISMO – coloca os sentimentos ou a experiência humana acima da revelação de Deus. O neo-pentecostalismo extremado, por exemplo, que aceita as “novas revelações” em detrimento às Escrituras.  

n      O ROMANISMO – põe a igreja acima da Bíblia. A tradição e as declarações papais “ex cátedra”, tem a mesma autoridade da Bíblia.  

n      AS SEITAS – elevam os escritos de seu fundador acima das Escrituras. Ex: Mormonismo, Tabernáculo da fé, Adventismo, Testemunhas de Jeová etc.  

n      A ALTA CRÍTICA – coloca as pressuposições do crítico liberal acima da Bíblia. Colocam às Escrituras em pé de igualdade com qualquer outro livro. Ou a Bíblia está acima de qualquer livro ou não é o livro de Deus.   

n      A NEO-ORTODOXIA – diz que a Bíblia não é a Palavra de Deus, senão que se transforma em Palavra de Deus quando fala ao coração do leitor. De maneira sutil, se transmite assim a autoridade das Escrituras ao leitor, onde à luz de “seu coração” se quando Deus fala e quando não. (contra Jr 17.9).  

n      OUTRAS “ESCRITURAS” – Com freqüência se diz que a Bíblia é só mais um livro sagrado. Se afirma que as outras religiões também têm suas escrituras autoritativas. É evidente que nenhuma destas «escrituras», com exceção do Alcorão, pretende ser uma revelação de Deus.

 

 

VERDADE DE DEUS
REVELAÇÃO
INSPIRAÇÃO
PRESERVAÇÃO
TRADUÇÃO
INTERPRETAÇÃO
POVO DE DEUS HOJE
Estágios da Verdade Divina
Como a verdade chegou até nós

 

A VERDADE ABSOLUTA existe na mente de Deus

Pela REVELAÇÃO a verdade vem à mente do escritor numa forma antropomórfica

Pela INSPIRAÇÃO essa revelação se torna Escritura que é infalível e inerrante

Pela PRESERVAÇÃO temos os presentes textos que devem ser comparados para serem exatos em sua essência

Pela TRADUÇÃO obtemos nossas versões no vernáculo que nós tentamos tornar essencialmente fiéis

Pela INTERPRETAÇÃO a revelação vem à mente dos leitores apresentando a verdade original que veio da mente de Deus

OS DISTANCIAMENTOS:

n      Distanciamento temporal – A Bíblia está séculos distante de nós.

n      Distanciamento contextual – Os livros da Bíblia foram escritos em várias situações diferentes. 

n      Distanciamento cultural – O mundo em que os escritores da Bíblia viveram já não existe.

n      Distanciamento lingüístico – As línguas em que a Bíblia foi escrita também já não existem.

n      Distanciamento autorial – Os autores já estão mortos.

A natureza divina da Bíblia, por sua vez, provoca outros tipos de distanciamentos:

 

n      Distanciamento natural – a distância entre Deus e nós é imensa.

n      Distanciamento espiritual — somos pecadores.

n      Distanciamento moral – é a distância que existe entre seres pecadores e egoístas e a pura e santa Palavra que pretendem esclarecer.

HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA – PRINCÍPIO

n      Esdras – Ne 8.8 “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”.

No tempo de Cristo, a exegese judaica podia classificar-se em 4 tipos:

1. Método Literal – referido como peshat (despir, depenar). Não se procurava um sentido além da passagem bíblica.

2. Interpretação Midráshica – rabi Hillel. Era mais espiritualista perdendo a visão do texto.

3. Interpretação Pesher – comunidades de Qumran. Era midráshica mais com enfoque escatológico. Mais aplicação do que interpretação.

4. Exegese Alegórica – o verdadeiro sentido jaz sob o significado literal das Escrituras. O alegorismo foi desenvolvido pelos gregos.

Os rabinos usavam às vezes peshat, outras vezes, midrash.

n      Filo (c. 20 a.C. – c. 50 d.C.) Acreditava que o significado literal era para os imaturos e o alegórico para os maduros. Filo considerava a história de Adão e Eva uma fábula. E outras passagens como mito.

HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA
do 2º ao 4º século

n      Escola de Alexandria

                     Clemente

                     Origines

n      Escola de Antioquia

                     Luciano

Em termos práticos, Alexandria nos ensina a ter cautela com a interpretação dos “espirituais”. Antioquia nos ensina: Evitar a subjetividade descontrolada

PAIS LATINOS – AGOSTINHO E JERÔNIMO

 

Principais Características Hermenêuticas

n        Preferência pelo Literal

n        Contexto histórico

n        Intenção autoral

n        Alegorias ocasionais

n        Escritura  com Escritura

n        Regra de Fé da Igreja

REGRAS DE INTERPRETAÇÃO DE AGOSTINHO

  1. O intérprete deve possuir fé cristã autêntica;
  2. Deve-se ter em alta conta o significado literal e histórico da Escritura;
  3. A Escritura tem mais que um significado e, portanto, o método alegórico é adequado;
  4. Há significado nos números bíblicos;
  5. O A. T. é um documento cristão, porque Cristo está retratado nele;
  6. Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer;
  7. O intérprete deve consultar o verdadeiro credo ortodoxo;
  8. Um versículo deve ser estudado em seu contexto, e não isolado dos demais que o cercam;
  9. Se o significado de um texto é obscuro, nada na passagem pode constituir matéria de fé ortodoxa;
  10. O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se entender a Escritura. O intérprete deve conhecer hebraico, grego, geografia e outros assuntos;
  11. A passagem obscura deve dar preferência à passagem clara;
  12. O expositor deve levar em consideração que a revelação é progressiva.

 

         (na prática, Agostinho renunciou à maioria de seus princípios e inclinou-se para uma alegorização excessiva).

AS ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO

n      As escolas de teologia – nas catedrais. Surgem como contraponto aos mosteiros

 

n      O judeu Rashi (Rabi Salomão bem Isaque – 1040-1105)

         Comentarista da Bíblia Hebraica e Talmude Babilônico 

 

n      Publicação da obra de Maimônides (1135-1204) – “Guia para os perplexos“. A lei pode ser aplicada e interpretada literalmente

 

n      Surgimento das ordens mendicantes

         Francisco de Assis – Interpretação literal dos Evangelhos.

 

n      Tradução das Escrituras para o vernáculo

         João Wycliffe – (1328-1384) Tradução da Vulgata latina para o inglês.

         O ressurgimento na Idade Média do interesse do método gramático-histórico contribuiu para a Reforma.

IDADE MÉDIA

(Séc. 5º ao 16º)

Prevaleceu o Sistema de Interpretação Difundido por Alexandria. Antecipou os princípios histórico-gramaticais dos Reformadores

n       João Cassiano (435 AD) – Quadriga: 

                   Histórico ou literal – o sentido óbvio do texto 

                   Alegórico ou cristológico – sentido mais profundo. Aponta para Cristo 

                   Tropológico ou moral – conduta do cristão 

                   Anagógico ou escatológico – o que o cristão devia esperar

n       As Escrituras possuem diversos sentidos

                   Bernardo de Claraval

                   Nicolau de Lira

                   Boaventura

O MÉTODO DE CALVINO

A Hermenêutica de Lutero

Entre a hermenêutica medieval e a obra de Calvino, devemos situar o trabalho e Martinho Lutero (1438-1546). Com o afã de viver de acordo com o modelo de Agostinho (354-430), Com a Reforma a Bíblia toma o lugar que antes pertencera a hierarquia Católico Romana. Lutero não se viu livre da alegoria. Seu trabalho, contudo, trouxe inestimáveis contribuições à igreja cristã.

 

Calvino e seu uso do método Histórico-Gramatical

n       Calvino faz um uso mais desenvolvido do método histórico-gramatical. Ele tenta levá-lo às últimas conseqüências e manter uma coerência metodológica ao analisar textos do Novo e do Antigo Testamento. Por estas razões não é exagero dizer que ele foi o maior pensador de seus dias e o grande exegeta da Reforma.

n      Princípios da Hermenêutica de Calvino

1. Renúncia à alegorese e enfática denúncia da mesma como sendo uma arma de deturpação do sentido da Escritura

2. Ênfase no sentido literal do texto

Calvino defende que cada texto tem um, e somente um, sentido, que é aquele pretendido pelo autor humano. Ele esclarecia aos seus leitores que há passagens que são nitidamente figurativas e outras simbólicas, estas devem ser interpretadas como demonstra ser a intenção do autor.

3. Dependência da operação do Espírito Santo para a correta interpretação da Bíblia

4. Valorização do estudo das línguas originais para melhor compreensão do ensino sagrado

5. Tipologia equilibrada, evitando impor a textos veterotestamentários simbolismos que eles não suportam

6. A melhor arma para interpretar a Bíblia é a própria Bíblia Este tem sido considerado o princípio áureo da hermenêutica reformada.

OS REFORMADORES: CARACTERÍSTICAS

n      Ênfase no Literal

n      Iluminação do Espírito Santo

n      Estudos das Escrituras – Escritura com Escritura

n      Intenção Autoral

n      Uso de Outras Fontes

n      Linguagem Figurada

n      Os reformadores desenvolveram um sistema de interpretação que representou um rompimento radical com a hermenêutica  alegórica medieval.

n      Rejeição do método alegórico e ênfase no sentido literal, gramático-histórico do texto.

n      Uma passagem só tem um sentido, e esse é literal.

n      A necessidade da iluminação do Espírito Santo

n      O homem é caído – A Escritura é divino-humana

n      A necessidade de se estudar às Escrituras

n      A Bíblia é um livro humano. Divino quanto a origem. A intenção do autor humano

n      Possui passagens obscuras que precisam ser esclarecidas

n      Necessidade de uma teologia sistemática

MODERNIDADE

n      Racionalismo          X         Empirismo
  
Descartes                              Locke
    Spinoza                              Berkeley
     Leibniz                                 Hume

Mesmo sendo teoricamente contrárias entre si, as duas filosofias concordavam que Deus tem de ficar de fora do conhecimento humano

n      Impacto do Iluminismo

    Rejeição dos Milagres
     Distinção entre Fé e História
     Erros nas Escrituras
     Exegese Controlada Pela Razão

n      Surgimento das Metodologias Críticas

                   Críticas das Fontes

                   Crítica da Forma

                   Crítica da Redação

PÓS-MODERNISMO

O Iluminismo e Racionalismo

n      O surgimento do Método Histórico-Crítico da Bíblia está associado às mudanças que ocorrem no pensamento humano e, conseqüentemente, na cosmovisão da época.  

 

Iluminismo: Início do Séc. XVIII

n      Revolta contra a religião institucionalizada

                   – Filosofias:

                   Racionalismo: Descartes, Spinoza e Leibniz

                   Empirismo: Locke, Berkeley e Hume

                   Deus: uma hipótese desnecessária

                   – Teologia: Deísmo: Deus não intervém na história (Início da teologia liberal).

 

Características:

n      Rejeição do sobrenatural e da revelação

n      O sobrenatural não invade a história

n      História: resultado de causa e efeito

n      Os relatos históricos da Bíblia, são construções do povo de Israel e da Igreja Primitiva

n      A exegese é controlada pela razão 

n      - Razão: a medida suprema da verdade

n      - Fé + Racionalismo = Método Histórico-Crítico

RESUMO DA HISTÓRIA DA INTERPRETAÇÃO

n      Na Idade Antiga Alegoria

n      Na Idade Média Dogma

n      Na Reforma Escritura

n      Pós-Reforma Confissões

n      Período Moderno Razão

COMPARATIVO ENTRE AS ESCOLAS

  Escola de Alexandria Escola de Antioquia Pais Latinos
Época Entre os séculos II e IV Início do século IV Entre os séculos IV e V
Surgimento Baseada na filosofias de Heráclito e Platão, que influenciaram Filo Fundada por Luciano de Samosata,em oposição consciente ao método alegórico de Alexandria Pais da Igreja, cujas obras foram escritas em latim
Tipo de Interpretação proeminente Alegórica Literal Literal, com algumas inconsistências
Principais características
  • Huponóia – o verdadeiro sentido está além das palavras
  • Alegorese – dizer uma coisa em termos de outra
  • Procurar descobrir sentido oculto, o qual é revelado somente aos “espirituais”
  • Atenção ao sentido literal do texto
  • Abordagem gramático-histórica
  • Uso de tipologia
  • Buscar a intenção do autor
  • Teoria – buscar o sentido mais que literal, permanecendo fiel ao sentido literal
  • Favoreciam a interpretação literal
  • Davam atenção ao contexto histórico da passagem
  • As vezes, alegorizavam o V. T.
  • Passagens obscuras devem ser interpretadas à luz das mais claras
Principaisrepresentantes
  • Clemente de Alexandra
  • Orígenes
  • Teófilo de Antioquia
  • Deodoro de Tarso
  • Teodoro de Mopsuéstia
  • João Crisóstomo
  • Tertuliano
  • Jerônimo
  • Agostinho
  • Ticônio
Conclusões Diminui o caráter histórico das passagens bíblicas Enfatiza o caráter histórico das passagens, mantendo-se fiel ao sentido original dos textos Influenciou a Igreja ocidental, em especial a obra de Agostinho, visto como um precursor das idéias da Reforma
Implicações Práticas Ter cautela com o uso de alegorias, ultrapassando o sentido simples, claro e evidente das Escrituras Ter cautela para evitar o extremo de buscar somente o sentido do texto no passado, sem aplicá-lo ao presente Evitar que pressupostos pessoais (preconceitos) possam influenciar na interpretação das Escrituras

 

PERÍODO SÉC ESCOLA FILOSOFIA NOMES CARACTERÍSTICAS INT

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  II-III ALEXANDRIA Platonismo Clemente de AlexandriaOrígenes AlegóricaUso do PlatonismoVários níveis de sentido
PÓSAPOSTÓLICO IV ANTIOQUIA   Luciano de SamosataDeodoro de TarsoJoão Crisóstomo Gramático-históricaTheoriaOposição à Alexandria

Intenção do autor

  IV-V PAIS LATINOS Neo-Platonismo TicônioAgostinhoJerônimo

Tertuliano

Interpretação literalPor vezes, alegorizavam o textoExegese dominada pelas questões teológicas
    LINHAALEGÓRICA   João CassianoGregório, o Grande 4 sentidos da EscrituraDesejo de justificar os dogmas da IgrejaAnalogia da fé
IDADEMÉDIA VI-XVI LINHAGRAMÁTICO-HISTÓRICA Aristotelianismo Monges de São VictorTomás de Aquino Surgimento das escolas de teologiaContato com estudiosos judeus (Rashi)Abordagem gramático-histórica
REFORMA XVI GRAMÁTICO-HISTÓRICA   CalvinoLutero Rejeição do método alegóricoGramático-históricoEscritura com Escritura

Iluminação do Espírito Santo

PÓSREFORMA XVII ESCOLASTICISMO E PURITANISMO   TurretiniJohn OwenRichard Baxter

R. Sibbes

Th. Goodwin

M. Henry

ControvérsiasConfessionalismoSistematização

Controle da teologia sobre exegese

Cristo como centro das Escrituras

Interpretar para aplicar

MODERNO XVII-XX HISTÓRICO-CRÍTICAMétodos produzidos: Crítica das Fontes, Forma, Redação, etc. Racionalismo e Empirismo KeilStäudlinJ. Eichhorn

Strauss

Ernesti

J. Semler

F. Baur

H. Günkel

R. Bultmann

DiacrônicasRazão como critério e métodos como ferramentaSeparação entre teologia e exegese, os 2 testamentosAbandono da inspiração e inerrância

 

PERÍODO SÉC ESCOLA FILOSOFIA NOMES CARACTERÍSTICAS  O 

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PÓS

MODERNO

XX NOVA CRÍTICA LITERÁRIA Existencialismo x positivismo T. S. Elliot Aspectos literáriosTexto é auto-suficienteIntenção autorial e contexto histórico são irrelevantes
    ESTRUTURALIS-MO   F. Saussure “Lange e Parole”Estrutura lingüística comum a todos os idiomasO sentido está no texto, em sua estrutura
    READER RESPONSEHermenêuticas de Libertação 

Hermenêuticas Feministas

 Filosofia hermenêutica H-G Gadamer A verdade é relativaHermenêutica não é método mas epistemologia (filosofia)Fusão de Horizontes

Importância dos pressupostos

    DESCONSTRU-CIONISMO   Jacques Derrida Não há verdade absolutaPluralidade da verdadeSuspeita

Achar rupturas no texto para desconstruí-lo

 

 O AUTOR COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO

O significado é aquele que o escritor, conscientemente, quis dizer ao produzir o texto. É importante verificar o que o autor disse em outro escrito. O que Lucas registrou em seu Evangelho poderá ser mais esclarecedor se comparado com Atos, outro registro de Lucas. Devemos levar em conta os idiomas da época: aramaico, hebraico e grego. Eles possuem um significado que não pode variar. Por outro lado, o texto está limitado ao que o autor disse exatamente? Por exemplo: lemos em Efésios 5.18: “Não vos embriagueis com vinho”. Alguém poderia dizer: “Paulo proíbe que nos embriaguemos com vinho, mas acho que não seria errado embriagar-se com cerveja, rum, ou outra droga”. Os escritos do apóstolo vão além de sua consciência, embora essas implicações não contradigam o significado original, antes fazem parte do texto e seu objetivo. Compreendemos então o mandamento paulino como um princípio, pois mesmo que o autor não esteja ciente das circunstâncias futuras, ele transmitiu  exatamente a sua intenção.

O TEXTO COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO

 

Alguns eruditos afirmam que o significado tem autonomia semântica, sendo completamente independente do que o autor quis comunicar quando o escreveu. De acordo com esse ponto de vista, quando um determinado escrito se torna literatura, as regras normais de comunicação não mais se lhe aplicam, transformou-se em texto literário. O que o texto está realmente dizendo sobre o assunto? Analisando o relato em Marcos 4.35-41 Qual é o objetivo do texto? Informar sobre a topografia do mar da Galiléia ou o mal tempo naquela circunstância? Seu objetivo era falar sobre Jesus Cristo, Filho de Deus. O significado que Marcos queria transmitir está claro: “Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (4.41). O autor queria transmitir que Jesus de Nazaré é o Cristo, o Filho de Deus. Ele é o Senhor e até mesmo a natureza está sujeita a ele!

 

O LEITOR COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO

Segundo essa perspectiva, o que determina o significado é o que o leitor compreende do texto. O leitor atualiza a interpretação do texto. Leitores distintos encontram diferentes significados, isso porque o texto lhes concede permitir essa multiplicidade. É relevante o que pensa o leitor? Isto poderia influenciar o sentido do texto? Se compreendermos que há diferença de interpretação entre um leitor crente e outro que é ateu, a resposta é sim! Contudo, é necessário que o leitor esteja em condições de entender o texto. Ao verificar como as palavras são usadas nas frase, como as orações são empregadas nos parágrafos, como os parágrafos se adequam aos capítulos e como os capítulos são estruturados no texto, o leitor procurará compreender a intenção do autor. O texto, em sua íntegra, ajudará o leitor a compreender cada palavra individualmente. Assim sendo, as palavras, ou conjunto de palavras, ajudam a compreender o todo.

O PROCEDIMENTO EXEGÉTICO  ERRADO

n      O procedimento errado.

         Ler o que muitos comentários dizem com sendo o significado da passagem e então aceitar a interpretação que mais lhe agrade.

         Este procedimento é errado pelas seguintes razões:

a) encoraja o intérprete a procurar interpretação que favorece a sua preconcepção;

b) forma o hábito de simplesmente tentar lembrar-se das interpretações oferecidas. Isto para o iniciante, freqüentemente resulta em confusão e ressentimento mental a respeito de toda a tarefa da exegese.

         Isto não é exegese, é outra forma de decoreba e é muito desinteressante e perigoso. Os comentaristas não são infalíveis.

O péssimo resultado e mais sério do “procedimento errado” na exegese é que próprio interprete não pensa por si mesmo. As convicções que você mesmo buscou e absorveu ficam pra vida toda.

CINCO REGRAS CONCISAS

n      interpretar lexicamente. É conhecer a etimologia das palavras, o desenvolvimento histórico de seu significado e o seu uso no documento sob consideração.

n      interpretar sintaticamente: o interprete deve conhecer os princípios gramaticais da língua na qual o documento está escrito, para primeiro, ser interpretado como foi escrito.

n      interpretar contextualmente. Deve ser mantido em mente a inclinação do pensamento de todo o documento. Então pode notar-se a “cor do pensamento”,que cerca a passagem que está sendo estudada.

n      interpretar historicamente: o interprete deve descobrir as circunstâncias para um determinado escrito vir à existência.

n      interpretar de acordo com a analogia da Escritura. A Bíblia é sua própria intérprete. diz o princípio hermenêutico.

APRENDA A EXAMINAR O CONTEXTO

 

n      Contexto Imediato

A. Leia a passagem em pelo menos 3 traduções diferentes.

B. O que precede e se segue imediatamente à passagem?

C. Há algumas definições fornecidas pelo contexto imediato?

D. Qual é o argumento principal do capítulo inteiro?

E. Qual é o ponto principal da própria passagem?

F. Qual é o entendimento consistente da passagem no contexto?

n      Contexto Amplo

A. A minha interpretação faz essa passagem contradizer com

1. o próprio autor?

2. outras passagens bíblicas?

3. com o bom senso?

B. Quais outras passagens na Escritura lançam luz sobre os assuntos levantados nessa passagem?

ALGUMAS PERGUNTAS IMPORTANTES:

1. Quem escreveu/falou a passagem e para quem era endereçada?

2. O que a passagem diz?

3. Existe alguma palavra ou frase nesta passagem que precise ser examinada?

4. Qual é o contexto imediato?

5. Qual é o contexto mais amplo exposto no capítulo e no livro?

6. Quais são os versículos relacionados ao assunto da passagem e como eles afetam a compreensão desta?

7. Qual é o fundo histórico e cultural?

8. Qual a conclusão que eu posso tirar desta passagem?

9. As minhas conclusões concordam ou discordam de áreas relacionadas nas Escrituras ou com outras pessoas que já estudaram esta passagem?

10. O que eu posso aprender e aplicar à minha vida?

UM PROCEDIMENTO HERMENÊUTICO DE 6 PASSOS

n      1º Passo: Análise Histórico-Cultural e Contextual

         Consideramos o ambiente histórico-cultural do autor para melhor compreendermos suas alusões e objetivos.

n      2º Passo: Análise Léxico-Sintática

         Visa compreendermos a definição das palavras (lexicologia) e sua relação com as outras (sintaxe) para que entendamos melhor o sentido texto. Neste momento é fundamental um bom conhecimento de português e, se possível, de grego e hebraico.

n      3º Passo: Análise Teológica

         Consideramos o nível de conhecimento teológico do público alvo na época em que o texto foi escrito, levando em conta os textos correlatos para seus primeiros destinatários.

n      4º Passo: Análise Literária

         Identifica a forma ou método literário utilizado numa passagem em particular (metáforas, antropomorfismos etc.) visando uma interpretação mais adequada.

n      5º Passo: Comparação com Outros Intérpretes

         Comparar o produto dos quatro passos acima com trabalhos de outros intérpretes sobre do mesmo texto.

n      6º Passo: Aplicação

         Traduzir o significado original do texto, obtido pelos 5 passos acima, para a nossa própria época e cultura.

10 PROPÓSITOS DAS CITAÇÕES DO A. T.

  1. Mostrar como certos eventos cumpriram predições do A.T. (Ex: Mt 21.4 e Zc 9.9).
  2. Para apoiar uma verdade expressada no N.T. (Rm 1.17 e Hc 2.4).
  3. Para aplicar um acontecimento do A.T. a Cristo (Mt 2.15 e Os 11.1).
  4. Para mostrar um paralelo com algum acontecimento do A.T. (Ro 8.36 e Sl 44.22).
  5. Para utilizar as mesmas palavras que o A.T. (Mt 27.46 e Sl 22.1).
  6. Para aplicar um princípio do A.T. a uma situação do N.T. (Ro 9.15 e Ex 33.19).
  7. Para apoiar uma verdade expressada no N.T. (Mc 10: e Gn 2.24).
  8. Para explicar mais plenamente uma verdade do A.T. (Mt 22.43-44 e Sl 110.1).
  9. Para mostrar que um acontecimento do N.T. está de acordo com um princípio do A.T. (At 15.16-17 e Amós 9.11-12).
  10. Para esclarecer um princípio ou uma verdade do N.T. (Ro 10.16 e Is 53.1).

 

ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA

 

a) Determinar a forma literária geral

n      Sentido Literal: Coroa de ouro na cabeça do rei

n      Sentido Figurativo: Não me chame de coroa pois eu sou muito novo.

n      Sentido Simbólico: “vi uma coroa de 7 pontas que eram 7 nações”.

b) Observar as divisões naturais do texto

n      Divisões em versículos e capítulos (úteis na localização de passagens) dividem o texto de modo antinatural.

n      Algumas versões mantêm a numeração, mas organizam o texto em parágrafos. Atos 8:1 depende completamente de Atos 7:60.

c) Observar os conectivos dentro de parágrafos e sentenças

d) Determinar o sentido das palavras (Ex: carne)

e) Como determinar o sentido das palavras?

n      Entender os estilos diversos. Determinar se a palavra está sendo utilizada como parte de uma figura de linguagem ou não.

n      Estudar passagens paralelas.

ANÁLISE HISTÓRICO-CULTURAL E CONTEXTUAL

a) Determinar o contexto histórico-cultural geral

• Situação política, econômica e social;

• Costumes relacionados ao texto em questão;

• Nível de comprometimento espiritual do “público alvo”.

 

b) Contexto histórico-cultural específico e objetivos de um livro

• Quem foi o autor? Qual era seu ambiente e sua experiência espiritual?

• Para quem estava escrevendo? (crentes fiéis, crentes em pecado, incrédulos, apóstatas, etc.)

• Qual foi a finalidade (intenção) do autor ao escrever este livro?

 

c) Desenvolver uma compreensão do contexto imediato

• Entender como o livro é organizado (montar um esboço por assunto);

• Saber contextualizar a passagem em análise na argumentação corrente o autor;

• Saber identificar a perspectiva do autor:

i. Numenológica: Perspectiva Divina, absoluta (geralmente relacionadas a questões morais);

ii. Fenomenológica: Perspectiva humana, relativa (relacionadas a questões naturais, físicas).

d) Distinguir passagens descritivas de prescritivas

• A ação de Deus numa passagem narrativa nem sempre significa que Deus sempre opera deste modo com os crentes.

• Ações humanas descritas na Bíblia, se não forem claramente aprovadas por Deus, devem ser avaliadas. A Bíblia também registra os erros dos homens de Deus.

 

e) Distinguir o núcleo de ensino de uma passagem de detalhes incidentais

Ex: Uma vez que o filho pródigo voltou para o Pai sem a necessidade de um mediador, então alguém poderia concluir que Jesus não é essencial para a salvação.

 

f) Definir a quem se destina cada promessa, sentença, ordenança, etc.

REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO

As regras de interpretação se dividem em quatro categorias: gerais, gramaticais, históricas e teológicas. É necessário que o estudante da bíblia se familiarize com essas regras básicas de interpretação.

  1. 1.      Princípios gerais de interpretação

 

  • Regra 1: Trabalhe partindo da pressuposição de que a Bíblia tem autoridade.
  • Regra 2: A Bíblia é seu intérprete; a Escritura explica melhor a Escritura.
  • Regra 3: A fé salvadora e o Espírito Santo são-nos necessários para compreendermos e interpretarmos bem as Escrituras.
  • Regra 4: Interprete a experiência pessoal à luz da escritura, e não a Escritura à luz da experiência pessoal.
  • Regra 5: Os exemplos bíblicos só têm autoridade quando amparados por uma ordem.
  • Regra 6: O propósito primário da Bíblia é mudar as nossas vidas, não aumentar o nosso conhecimento.
  • Regra 7: Cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretar pessoalmente a Palavra de Deus.
  • Regra 8: A história da Igreja é importante, mas não decisiva na interpretação da Escritura.
  • Regra 9: As promessas de Deus na Bíblia toda estão disponíveis ao Espírito Santo a favor dos crentes de todas as gerações.

 

  1. 2.      Princípios gramaticais de interpretação

 

  • Regra 10: A Escritura tem somente um sentido, e deve ser tomada literalmente.
  • Regra 11: Interprete as palavras no sentido que tinham no tempo do autor.
  • Regra 12: Interprete a palavra em relação à sua sentença e ao seu contexto.
  • Regra 13: Interprete a passagem em harmonia com o seu contexto.
  • Regra 14: Quando um objeto inanimado é usado para descrever um ser vivo, a proposição pode ser considerada figurada.
  • Regra 15: Quando uma expressão não caracteriza a coisa descrita, a proposição pode ser considerada figurada.
  • Regra 16: As principais partes e figuras de uma parábola representam certas realidades. Considere somente essas principais partes e figuras quando estiver tirando conclusões.
  • Regra 17: Interprete as palavras dos profetas no seu sentido comum, literal e histórico, a não ser que o contexto ou a maneira como se cumpriram indiquem claramente que têm sentido simbólico. O cumprimento delas pode ser por etapas, cada cumprimento sendo uma garantia daquilo que há de seguir-se.

 

  1. 3.      Princípios históricos de interpretação

 

  • Regra 18: desde que a Escritura originou-se num contexto histórico, só pode ser compreendida à luz da história bíblica.
  • Regra 19: Embora a revelação de Deus nas Escrituras seja progressiva, tanto o V.T. como o N.T. são partes essenciais desta revelação e formam uma unidade.
  • Regra 20: Os fatos ou acontecimentos históricos se tornam símbolos de verdades espirituais, somente se as Escrituras assim os designarem.

 

  1. 4.      Princípios teológicos de interpretação

 

  • Regra 21: Você precisa compreender gramaticalmente a Bíblia, antes de compreende-la teologicamente.
  • Regra 22: Uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a não ser que resuma e inclua tudo o que Escritura diz sobre ela.
  • Regra 23: Quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contraditórias, aceite ambas como escriturísticas, crendo confiantemente que elas se explicarão dentro de uma unidade mais elevada.
  • Regra 24: Um ensinamento simplesmente implícito na Escritura pode ser considerado bíblico quando uma comparação de passagens correlatas o apóia.

 

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

 

BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.

FEE, Gordon D. e STUART, Douglas. Entendes o Que Lês? São Paulo: Editora Vida Nova, 1982.

GEISLER, Norman. e HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas Enigmas e “Contradições” da Bíblia. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2001.

LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.

VANHOOZER, Kevin. Há um Significado Neste Texto? São Paulo: Editora Vida, 2005.

VIRKLER, Henry. Hermenêutica Avançada: Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Vida, 2001.

CURSO DE EXEGESE E HERMENÊUTICA

Pr. Antonio P. da C. Júnior – 2006 / juniorapologista@yahoo.com.br

A Grande Ocupação do Pastor

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Esta ocupação é descrita de duas formas: primeiro, de modo geral – pregar a Palavra; segundo, entrando em detalhes – redargüir, repreender, exortar.

1. Pregar a Palavra.

A grande obra do pastor, na qual deve depositar as forças dos seu corpo e mente, é a pregação. Por fraco, passível de menosprezo, ou louco (no mesmo sentido chamaram a Paulo de louco) que possa parecer, este é o grande instrumento que Deus tem em suas mãos e para que, por ele, pecadores sejam salvos e os santos sejam feitos aptos para a glória. Aprouve a Deus, pela loucura da pregação, salvar aos que crêem. Foi para isto que nosso bendito Senhor dedicou os poucos anos de seu próprio ministério. Ó, quanta honra deu Jesus à obra da pregação ao pregar nas sinagogas, no templo ou mesmo sobre as calmas águas do mar da Galiléia! Não fez Ele a este mundo o campo de Sua pregação? Esta foi a grande obra de Paulo e de todos os apóstolos. Por isso Ele deu este mandamento: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho”. Ó irmãos, esta é nossa grande obra! Boa coisa é visitar os enfermos, ensinar às crianças e vestir aos que estão nus. Bom é também atender ao ministério do diaconato, escrever ou ler livros. Porém, a principal e maior missão é pregar a Palavra. ”O púlpito – como disse Jorge Herbert – é nosso gozo e trono”. É nossa torre de alerta. Dela temos de avisar ao povo. A trombeta de prata nos tem sido concedida. O inimigo nos alcançará se não pregarmos o Evangelho.

O Tema. A Palavra.

Em vão pregamos se não pregarmos a Palavra, a verdade, tal como está em Cristo Jesus.

A) Não há outro tema a nos ocupar. “Vós sois minhas testemunhas”. “Este (João Batista) veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz” (Jo 1:7). Não podemos falar de nada, senão só do que temos visto e ouvido de Deus. Não é obra do pastor aclarar temas da sabedoria humana ou expor suas próprias idéias ou teorias, mas só falar da glória e fatos do Evangelho. Devemos falar o que está contido na Palavra de Deus.

B) Pregar a Palavra, especialmente as partes mais importantes. Se você estivesse com um moribundo e soubesse que ele tinha apenas meia hora de vida, de que lhe falaria? Explicaria alguma curiosidade da Bíblia? Falaria da exigências dos mandamentos de Deus? Não lhe falaria daquilo que é mais importante: sobre sua condição de perdido em que se acha por natureza e do seu estado de inimizade com Deus, urgindo-o a arrepender-se? Não lhe contaria a respeito do amor e da morte do Senhor Jesus Cristo? Não lhe diria do poder do Espírito Santo? São estas as coisas vitais que o homem deve receber, e sem as quais perecerá. Estes são os grandes temas da pregação. Não devemos pregar tal como fez Jesus aos discípulos de Emaús, iniciando desde Moisés e passando pelos profetas, e das coisas relativas a

Ele mesmo? “Haja muito de Cristo no vosso ministério”, disse Eliot. Rowland Hill costumava dizer: “Olhe que não tenhas nenhum sermão sem os três R.: A Ruína da queda; a Justiça (righteousness, em inglês) em Cristo; e a Regeneração pelo Espírito”. Temos de pregar a Cristo para despertar as almas, confortá-las, e santificá-las. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6:14).

C) Pregar exatamente o que há na palavra de Deus. Quero sugerir humildemente para consideração de todos os ministros que é nossa obrigação pregar a Palavra de Deus na forma em que se acha nas suas páginas sagradas. Não é a Palavra a espada do Espírito? Não deve ser nossa grande obra tomá-la da sua bainha, limpá-la de todo mofo que a cobre e aplicar seu penetrante fio nas consciências dos homens? Certamente nossos antepassados no ministério costumavam pregar desta maneira. Brow de Haddington costumava pregar como se ele não houvesse lido outro livro senão a Bíblia. A verdade de Deus em sua desnuda simplicidade é o que o Espírito desejará honrar e bendizer grandemente. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

2. Redargüir, repreender, exortar.

A primeira obra do Espírito sobre o coração natural é redargüi-lo do pecado. Mesmo que seja o Espírito de amor e a pomba seu símbolo, mesmo que seja comparado ao doce vento e à suave brisa, apesar de tudo, sua primeira obra é convencer os homens dos seus pecados. Se os pastores estão cheios do mesmo Espírito realizarão esta obra da mesma maneira. É o método que normalmente é usado por Deus: despertar aos homens e levá-los a desesperar de sua própria justiça antes de revelar-lhes a Cristo. Assim foi com o carcereiro de Filipos. Aconteceu o mesmo a Paulo que ficou cego por três dias. Todo fiel ministro deve esforçar-se por isto. Colocar o arado sobre o terreno e não semear entre cardos e espinhos. Os homens devem ser humilhados pela Lei para ver sua culpa e miséria. Se não for assim toda nossa pregação é como “desferindo golpes no ar” (I Co 9:26). Ó, irmãos! Tem sido este o nosso ministério? Cumprimos o ministério da Palavra sensível e claramente? Eu temo que a maioria de nossas congregações tenham membros seguindo um rumo equivocado, navegando a favor da corrente, estando a ponto de entrar na eternidade não convertidos e não nascidos de novo. Estes não nos agradecerão na eternidade pelo fato de termos falado só de coisas doces a seus ouvidos carnais.

Não, talvez possam pedir-nos que falemos assim, agora, mas nos amaldiçoarão com todo ódio na eternidade. Ó, por Cristo, que cada um de nós seja achado fiel na pregação.

Exortar.

A palavra original significa consolar, falar como faz o Consolador. Esta é a segunda parte da obra do Espírito Santo, guiar a alma a Cristo para falar-lhe das boas novas. Esta é a obra mais difícil, ou a parte mais difícil do ministério cristão. João Batista fez também esta obra: “Eis o Cordeiro de Deus”. Isaías disse: “Consolai-os, consolai-os”. Tal foi a ordem do nosso Senhor: “Ide e pregai o evangelho a toda criatura…”. As boas novas fazem formosos os pés dos que anunciam coisas boas (Rm 10:15). O pastor tem de pregar acerca de um todo poderoso, completo e livre Salvador divino.

É aqui que há um defeito na pregação de minha amada Escócia de hoje. Muitos pastores estão acostumados a mostrar Jesus diante do povo. Expõem de forma clara e bela o Evangelho, porém não urgem aos homens para que entrem no reino. Mas Deus diz: Exorta! (roga aos homens); persuade-os! Não somente mostre a porta estreita aberta, mas insta-os a que entrem por ela. Ó, sejamos mais misericordiosos para com as almas, para que possamos por nossas mãos sobre os homens e os guiemos com suave a doce contato ao Senhor Jesus.

Rev. Robert Murray McCheyne (The Banner of Truth Trust).

A necessidade de purificação como pressuposto essencial para Deus nos ouvir e a perspectiva de atender a nossa Oração

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Orar é conversar em particular com Deus e é por isso que é tão importante a concentração pessoal. É por esta razão que Deus diz que devemos orar no secreto de nosso quarto.

Não podemos banalizar a oração.

Mateus 6:7-8

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.”

Sua oração é autêntica / séria ou trivial e superficial ?

Jesus nos afirmou categoricamente que TUDO o que nós pedíssemos a Ele, nos concederia, no entanto, é preciso estar Nele para que Ele esteja em nós.

Mateus 7:7-8

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.”

Você realmente acredita nisso ?

Mas orar não é um ato tão simples assim, afinal de contas você está num canal direto com o Senhor de coisas as coisas, o General de todas as Nações, Aquele que tudo pode, por isso, para conversar com o Todo Poderoso, é necessário estar limpo, pois Deus não gosta de sujeira espiritual.

Ora ! se Ele abomina o pecado e se Ele sonda o nosso coração o tempo todo, ao conversarmos com Ele, obviamente, Ele sabe como estamos diante de Si.

Deus recusa-se a responder nossa oração quando estamos impuros, ou seja, no pecado e estamos em pecado quando não damos ouvidos às Sagradas Escrituras.

Provérbios 28:9

“O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável.”

Quando é que não damos ouvidos às Escrituras ?

Quando Davi orava ao Senhor, sempre buscava purificar seu coração, justamente para não desagradar a Deus e era por isso que Davi tinha um coração admirável.

Purificar-se é necessário, pois, só assim podemos agradar a Deus, até porque, com a purificação, estamos deixando o pecado para servir o Senhor em Espírito e em Verdade.

Salmos 66:18-19

“Se eu tivesse guardado iniqüidade no meu coração, o Senhor não me teria ouvido; mas, na verdade, Deus me ouviu; tem atendido à voz da minha oração.”

Seu coração está puro ou amargurado ?

II Coríntios 7: 1

Depositários de tais promessas, caríssimos, purifique-mo-nos, de toda a imundice da carne e dos espírito, realizando plenamente nossa santificação no temor a Deus”.

Você persevera na resistência ao pecado ?

Porém, Deus, que tudo sabe e que só quer o nosso bem, nem sempre atenderá as nossas súplicas.

2 Coríntios 12:8-9

“Acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo.” 

Você tem paciência ?

Algumas vezes a resposta de Deus para nossas orações é simplesmente dizer: ESPERA !

Salmos 37:7

“Descansa no Senhor, e espera nele.”

Você tem agido com suas próprias forças ?

Mesmo assim, Ele não nos deixará perecer.

Filipenses 4:19

“Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus.”

Será que as necessidades que você diz ter são realmente necessidades segundo a ótica cristã ?

Mas, orar não é tudo. As Ações são imprescindíveis para uma vida cristã reta, pois a fé sem as obras é iníqua.

Também é importante ressaltar que devemos agradecer ao Senhor por tudo, inclusive pelo honra de podermos conversar com Ele, diretamente, através da Oração.

Filipenses 4:6

“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças.”

Porque você se desespera ?

Orar é um dos principais combustíveis do verdadeiro cristão e, como tal, devemos sempre nos prostrar diante do Senhor.

1 Tessalonicenses 5:17

“Orai sem cessar.”

Você tem igualmente se purificado sem cessar ?

Minha 1ª Pregação (Culto de Oração na Igreja Mundial de Jesus Cristo em Bezerros – PE) – Por Aldo Corrêa de Lima (a Honra e a Glória são do Senhor).

Pregação ou mero TEATRO ???

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1 Cor. 1. 17

 
Na pregação moderna (cada vez mais interativa e pouco expositiva), o comportamento dos pregadores e a reação do público se parecem muito com o teatro de bonecos, formado por manipulador e manipulados.

O manipulador, na aludida modalidade teatral, é aquele que dá vida e expressão aos bonecos nos seus mais variados formatos. Na pregação hodierna, a diferença é que o manipulador é chamado de pregador, e o objeto de sua manipulação não são os bonecos, e sim as pessoas.

Conheçamos alguns tipos de crentes que se deixam manipular:

Crente marionete

Marionetes são os mais elaborados bonecos entre os vários tipos usados no teatro. Geralmente, são construídos com madeira, com articulações nos pulsos, cotovelos, ombros, cintura, quadris, joelhos e, ocasionalmente, pescoço e tornozelos. Uma marionete padrão é movimentada através de uma série de nove fios que obedece à seguinte distribuição: um para cada braço, um para cada perna, dois para a cabeça, um para cada ombro e um para as costas. Os fios de sustentação da marionete são ligados a um controle central de madeira em forma de cruz que é movimentado por uma única mão do manipulador.

Os pregadores manipuladores também têm os seus “fios”, isto é, os seus clichês, as suas frases de efeito, para mecanizar o culto e manipular o povo, afastando-o da Palavra de Deus e do Deus da Palavra: “Quem nasceu para vencer levante a mão”, “Aperte a mão do seu irmão até que ele diga ‘aleluia’”, “Tire o pé do chããão”, etc. Mas veja que curioso! Na manipulação de marionetes há uma cruz na mão do manipulador! E, na pregação moderna, não existe mais cruz! Além disso, o pregador não está mais na mão do Senhor, o Controlador de todas as coisas!

Crente fantoche

A montagem do fantoche é feita numa luva, calçada na mão do manipulador, que dá movimento ao boneco. Ele tem tamanho e gestos limitados às dimensões e possibilidades gestuais do operador. A sua construção é relativamente simples: cabeça e mãos são feitas geralmente de material resistente, como madeira, unidas entre si por uma roupa folgada de tecido aberta atrás, por onde é introduzida a mão do manipulador.

Pregadores manipuladores costumam ter facilidade para enganar crentes fantoches, que costumam ser “cabeça dura”, por não frequentarem a Escola Dominical e os cultos ensino da Palavra, e fazer “corpo mole” para a obra de Deus. Esses crentes não têm firmeza e vivem atrás de movimentos. Quando ficam diante de um manipulador, comportam-se como se estivessem hipnotizados e obedecem a todas as suas ordens…

Certos milagreiros, à semelhança dos manipuladores de fantoches, que introduzem a mão no interior do boneco, têm conseguido tocar na alma de crentes desavisados, fazendo-os ter sentimentos nunca antes experimentados! Alguns, ao ouvirem esses “pregadores”, caem ao chão anestesiados, riem sem parar, rugem, latem, unem as mãos e não conseguem mais separá-las, etc. E assim caminha o teatro, ops!, o culto “evangélico”, sem pregação expositiva da Palavra de Deus e muita hipnose, considerada hoje uma grande manifestação do Espírito!

Crente mamulengo

Mamulengo é uma corruptela de “mão molenga” e alude a um tipo de boneco comum nos teatros do Nordeste do Brasil. O manipulador — ou mamulengueiro — emprega um tom bastante crítico nos diálogos e improvisa bastante, ao fazer piadas de humor pesado, que ridicularizam fatos ou pessoas da comunidade.

Não é difícil de identificar os mamulengueiros e os mamulengos no meio “evangélico”. Ambos, ignorando o evangelho cristocêntrico, valorizam as pregações e as canções revanchistas, ridicularizadoras, zombeteiras, pelas quais se tripudia dos inimigos, que não são as hostes do mal, o mundo ou a carne. Os seus inimigos são os seus vizinhos, patrões, colegas de trabalho e irmãos que os viram na prova e os não ajudaram, e agora são hostilizados “entre a plateia” por aqueles que estão no palco…

Crente jôruri

Comum nos teatros de bonecos do Japão, o jôruri adquiriu grande requinte a partir do século XVIII, com movimento de olhos e articulação dos dedos. Mas a sua movimentação não é fácil. São necessários três manipuladores: o mestre, vestido com traje cerimonial, responsável pela cabeça e o braço direito, e dois manipuladores assistentes, vestidos de preto e com um capuz cobrindo o rosto.

O crente jôruri geralmente é classe média alta e catedrático. Não é fácil manipulá-lo. Clichês de autoajuda como “Ouse sonhar” não funcionam com ele. Ele é muito racional e submete tudo ao teste da lógica. Para convencê-lo, é preciso um manipulador-mestre — capaz de mexer com a sua cabeça e com a sua mão direita, induzindo-o a colocá-la no bolso! Um dos mais famosos manipuladores de crente jôruri da atualidade tem nome e sobrenome estrangeiros e é conhecido como o homem mais sábio do mundo. Não há rico e intelectual que resista aos seus argumentos! Dizem que ele, quando usa a “sua sabedoria” e conta com a ajuda de seus assessores (bispos e apóstolos brasileiros que se escondem atrás do capuz da hipocrisia), consegue arrecadar dinheiro até para comprar jatinhos!

Fazer o quê? Na falta de exposição da Palavra de Deus, sobram as representações teatrais. E aumenta cada vez mais o número de manipuladores e manipulados nesse grande circo, ops!, grande teatro que se tornou o culto “evangélico” nesses tempos pós-modernos.

Ciro Sanches Zibordi

Ação e Reação – Resistir ao “Mundo” é Preciso

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Heloisa Rosa – Escola do Clamor – Pregação

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Pressupostos para uma pregação eficaz em tempos pós – modernos

1 Comentário

Vivemos em uma sociedade condicionada pela televisão. Isto é ponto pacífico. Diante desta realidade, já não temos certeza se as pessoas desejam ouvir sermões, ou se pelo menos estejam predispostas a ouvi-los. Habituados a ver imagens em rápido movimento na tela, parece desajustado esperar que dediquem atenção a um discurso, sem efeitos visuais divertidos, ou qualquer outra opção para olhar. Parece que quando começa a pregação as pessoas se desligam; quase ouvimos o clique.

Não estou incentivando que paremos com a pregação, que fique claro! Concordo que o ato da pregação encerra em si algo de inexplicável, misterioso e que não pode ser comparado a nada ou qualquer outro meio de comunicação; mas o distinto pregador haverá de convir que cada vez mais precisamos nos esforçar para captar a atenção dos ouvintes em nossas igrejas; isso pelo fato de que tudo que é desbotado, monótono e lento não pode competir na era da TV. Ela nos desafia a sermos criativos na apresentação da verdade, recorrendo a ilustrações, mudando nosso estado de ânimo, adicionando pequenas pitadas de humor e preferencialmente que desenvolvamos um fluxo contínuo na exposição da palavra.

Os pressupostos

Em um mundo indisposto a parar – e ainda parar para ouvir, como podemos ser persuadidos a continuar a pregar e fazê-lo de maneira eficaz? Indubitavelmente aqui a teologia é mais importante do que a metodologia. Embora o domínio da homilética seja importante para o pregador, dizemos que mais importante do que o método de falar é ter algo consistente para falar. A técnica nos torna oradores de uma mensagem enquanto o preparo teológico nos torna pregadores portadores de uma mensagem.

Isto posto, partimos da premissa que “O segredo essencial não é dominar certas técnicas, mas ser dominado por certas convicções”.

Convicção sobre a Pessoa de Deus.

Num mundo de pessoas influenciadas por conceitos relativistas, é pertinente que o pregador evangélico analise sua própria convicção sobre a Pessoa de Deus. É inegável que por detrás do conceito e do ato da pregação acha-se uma doutrina de Deus, uma convicção a respeito da sua existência, da sua atuação e do seu propósito. Assim, o tipo de Deus em que cremos reflete diretamente no tipo do sermão que pregamos.

O Deus que revela a Si mesmo.

Tomando por empréstimo o conceito de Stott, podemos dizer que assim como é da natureza da luz brilhar, também é da natureza de Deus revelar-se. Concordamos que as vezes Ele se oculta, mas apenas dos sábios demais, dos entendidos de mais, mas isso apenas porque são orgulhosos e não querem conhecê-lo; Ele se revela aos pequeninos, ou seja, aos suficientemente humildes para acolher a revelação que ele fez de si mesmo (Mt 11.25.26). As trevas são o habitat de Satanás; Deus é luz.

No auditório que nos ouve na igreja, existem pessoas nas mais diversificadas condições, senão vejamos: Algumas estão totalmente alienadas de Deus, outras perplexas e desnorteadas pelos mistérios da própria existencialidade, outras ainda não encontraram respostas satisfatórias para sua dúvidas que já passam a tomar forma de incredulidade. É preciso que tenhamos plena certeza quando falamos com elas que Deus é a luz e que deseja fazer raiar a sua luz, dissipando as trevas que pervadem seu ser (2 Co 4.4-6).

Convicção a respeito das Escrituras.

Inevitavelmente a doutrina de Deus desemboca na doutrina das Escrituras. Sendo isso verdade, não trataremos de forma coerente as escrituras no púlpito se não for adequada a nossa doutrina acerca das Escrituras. O pregador em cuja obra este articulista se inspirou para abordar esta temática nos lembra que é por demais importante a compreensão desta fundamental doutrina por todos aqueles que lidam com a pregação porque Deus continua falando através daquilo que Ele mesmo já disse.

Se nos conformarmos apenas com a verdade de que “As sagradas escrituras são a palavra de Deus escrita” e pararmos por ai, ficaremos expostos à crítica de que aquele que falou séculos atrás está em silêncio hoje e que a única palavra que podemos ouvir dEle provém de um livro, o que o torna meramente num eco fraco de um passado distante, com forte cheiro de mofo das bibliotecas. Mas não: a Bíblia é muito mais do que uma coletânea de documentos antigos nos quais são preservados a palavra de Deus. Não é um tipo de museu no qual a Palavra de Deus é exibida numa estante de vidro como uma relíquia ou fóssil. Pelo contrário, é uma palavra viva, proveniente do Deus vivo, para pessoas vivas, com uma mensagem igualmente viva para um mundo em movimento. Um erudito pregador, discorrendo sobre a doutrina das escrituras, expressou: “Tenho estudado a doutrina das Escrituras por muito tempo. O modelo mais satisfatório para descreve-la é a seguinte: a Bíblia é Deus pregando”.

A Palavra Deus continua poderosa

Muitos símiles são usados na Bíblia para ilustrar a influência poderosa exercida pela palavra de Deus. Vista como um martelo, pode transformar em fragmentos um coração de pedra. Como fogo, os lixos do coração são reduzidos ás cinzas. Como luz, indica o nosso caminho na escuridão da incerteza, tal como o farol guia o marinheiro. Como espelho, nos mostra o que somos e o que devemos ser. Diante do exposto, é possível Alguém dizer: “Tudo bem ao citar Paulo, Apolo, Spurgeon, Lutero, Wesley, Billy Graham, etc; realmente seus ministérios foram impactantes e marcaram épocas, mas o que acontece comigo? Não tenho me furtado o dever da pregação e faço sempre, domingo após domingo e a boa semente parece que sempre cai à beira do caminho e é pisoteada pelas pessoas. Porque a palavra de Deus não é tão eficaz quanto foram na vida destes homens, quando saem dos meus lábios?”

Respondemos a esta objeção tomando por base a própria parábola do semeador. Jesus nos ensinou que não devemos esperar que toda a nossa semeadura frutifique. É verdade que existem terrenos duros e cheios de pedras, e que as aves, as ervas daninhas e o sol causticante também estão presente no ato da semeadura e por isso mesmo interferem no resultado final, a saber, a colheita. Mais isso jamais será motivo para desistirmos da pregação, pois o Mestre ainda nos deixou a perspectiva de que alguns tipos de solos se revelariam férteis e produtivos. Assim, a semente que neles caíssem produziriam frutos consistentes. Existe um princípio de vida e poder na semente, e quando é o Espírito quem prepara o solo, inegavelmente virá a germinação, o crescimento e a frutificação. Fato é que este processo nem sempre é imediato como gostaríamos.

Penso que se não estivermos plenamente convictos do poder atuante desse Deus, da sua iniciativa em revelar-se a si mesmo, de que Bíblia é muito mais do que o registro da palavra de Deus; é Deus que continua falando através daquilo que Ele mesmo já disse e que esta palavra continua com o mesmo poder e vigor de sempre, nunca devemos ter a presunção de ocupar um púlpito, a não ser que creiamos nesse Deus.

Como ousaríamos falar se Deus não falou? Amós vaticinou: “O leão rugiu, quem não temerá? O Senhor, o Soberano, falou, quem não profetizará? (3.8) Se não tivermos uma resposta para estas perguntas, ou seja, se não estivermos convictos da mensagem, é melhor nos calarmos. Mas o contrário também é verdadeiro: Se estivermos convictos de que Deus está falando, então devemos sim falar.

Sobre nós, pregadores, repousa uma compulsão e nada nem ninguém poderá nos calar. Nenhum meio de comunicação desta era pós-moderna poderá ofuscar o brilho e a glória de um sermão cheio de vida e dinamismo pregado ao vivo!

Portanto, continue pregando. Por mais fraco que seja o pregador, a palavra de Deus é tão forte e poderosa como sempre.

Soli Deo Glória

Esta temática segue a logia de Stott, John: Eu creio na pregação.

* Pr. Samuel Silva é Bacharel em Teologia e graduando em Pedagogia. Prfº de Teologia Sistemática. Membro da CGADB. Missionário credenciado pela SENAMI. Pastor da Assembléia de Deus Missões – ADM em Almada, Portugal.

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FUNDAMENTOS DA ORATÓRIA

I – INTRODUÇÃO
(Pedir oração)
APRESENTAÇÃO DO FORMADOR
- (nome), casado, Secretaria Pedro.
MOTIVAÇÃO
Um dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-lhe na rua:
– Senhor Bilac, estou precisando vender meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Poderia redigir um anúncio para mim?
Olavo Bilac apanhou um papel e escreveu:
– Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes na varanda.
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio, mas, surpreendentemente, o homem respondeu:
– Nem pense mais nisso! – Disse o homem – Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que eu tinha.
APRESENTAÇÃO DO ENSINO
a) TEMA: FUNDAMENTOS DA ORATÓRIA SACRA (primeira parte)
b) Itens:
b.1) CONCEITO DE ORATÓRIA
b.2) DIVISÃO DA ORATÓRIA
b.3) ELOQÜÊNCIA
b.4) ORATÓRIA: MÉTODO DA PREGAÇÃO
b.5) DECÁLOGO DO ORADOR SACRO
II – DESENVOLVIMENTO
1. CONCEITO DE ORATÓRIA
- Oratória: arte de falar em público.
- É uma parte da retórica
= Retórica: em estudo de linguagem significa o estudo do uso persuasivo da linguagem, em especial para o treinamento de oradores.
= Tratado que encerra essas regras.
- Oratória Sacra
= Oratória Sacra é um método de pregação que, com docilidade ao Espírito Santo e dependendo dele de sua unção, anuncia o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo empregando as técnicas e os recursos de comunicação ensinados pela retórica e utilizados pela oratória.
= Sua raiz remota são as homilias feitas pelos primeiros cristãos
= Nasceu quando os pregadores cristãos perceberam que podiam usar a retórica grega ou a oratória romana
= Seu objetivo é veicular uma mensagem religiosa
2. DIVISÃO DA ORATÓRIA
a) Divisão antiga
- Inventio (invenção): descoberta de argumentos
- Dispositio (disposição): arranjo das idéias
- Elocutio: descoberta da melhor forma para expor as idéias
= Emprego de figuras e tropos
- Memória: memorização
- Pronuntiatio (pronunciação): apresentação oral
b) Divisão Moderna
- Invenção: planejamento estratégic (busca de idéias, provas, argumentos).
= Acolhimento da revelação para a pregação e para o ensino.
- Disposição: organização da forma mais didática possível
- Elocução: exposição das idéias de forma estética e convincente
3. ELOQÜÊNCIA
- Habilidade de falar e exprimir-se com facilidade. É a arte e o talento de persuadir, convencer, deleitar ou comover por meio da palavra.
- Em estudos da linguagem é a arte de falar bem.
4. ORATÓRIA: MÉTODO DA PREGAÇÃO
- Método é um processo ou técnica de ensino
- A oratória é a técnica natural para o pregador evangelizar, pelos seguintes motivos:
= Uma das funções da oratória é apresentar uma tese, sustentá-la e deixar os ouvintes em condições de decidir por ela.
= Cada tema de pregação assemelha-se a uma tese
5. DECÁLOGO DO ORADOR SACRO
- Docilidade ao Espírito Santo
- Orar diariamente
- Zelar pela própria santidade
- Amar as pessoas
- Aprender com os bons pregadores
- Pregar o que se vive
- Simplicidade na exposição e profundidade nas idéias
- Escolher cuidadosamente o tema e as idéias principais para compor o roteiro
- Treinar exaustivamente
- Começar a pregação com serenidade (os arroubos são para depois)
III – CONCLUSÃO
1. RESUMO
a) Recapitulação (retomar itens)
b) Avaliação (indagações, sanar dúvidas, complementar).
c) Fecho
2. CONVITE À AÇÃO
3. ORAÇÃO FINAL (sobre a pregação proclamada).
Amém! Deus os abençoe!

Cuidados ao pregar.

1. Vá para o local da pregação bem preparado.
2. Comece com calma
3. Prossiga de modo modesto.
4. Não se desfaça em gritos.
5. Não trema.
6. Vale com clareza, sem declamar.
7. Não levante demais a voz.
8. Empregue frases curtas e bem claras.
9. Evite a monotonia.
10. Seja sempre senhor da situação.
11. Não empregue sarcasmo nem outras expressões maliciosas.
12. Não ataque hostilmente.
13. Ande com a devida dignidade.
14. Não provoque risadas, tornando-se palhaço.
15. Não se elogie a si mesmo.
16. Não ilustre com narrações longas.
17. Não canse os ouvintes com discursos extensos.
18. Não se afaste do texto e do tema.
19. Procure suscitar o interesse.
20. Fale com autoridade, mas não em tom de mando.
21. Fixe o olhar nos ouvintes.22. Não crave os olhos nem no chão nem no teto.
23. Não fixe o olhar em algum ouvinte particular.
24. Adapte os gestos às palavras.
25. Não seja teso e rígido com uma estátua.
26. Não faça gestos ridículos.
27. Não ande sobre a plataforma com passos gigantescos nem de gatinhas.
28. Não ponha as mãos nos lados nem nos bolsos da calça.
29. Não brinque com algum botão do paletó.
30. Não comece cada frase tossindo.
31. Evite o vestuário elegante, porém use colarinho limpo, roupa limpa.
32. Não diga repetidas vezes: “Logo vou terminar,” mas diga o que tiver a dizer e o assunto estará concluído
O papel de um pregador é anunciar a salvação que Deus realizou para nós em seu amado filho Jesus Cristo. Apresentar seu plano, despertar a fé e a esperança no coração dos homens e proclamar o Reino do Céus, tudo isso faz parte de seu ofício, além de fortalecer aos outros com uma palavra atualizada e motivadora. O livro de Isaías fala dessa condição do pregador profeta como quem recebe de Deus uma língua para confortar e animar os abatidos e um ouvido de discípulo sem rebeldia para ouvir o Senhor. Um pregador não busca fama ou reconhecimento, mas é uma pessoa sensível aos sofrimentos que abatem o seu povo e lhe tiram as esperanças. O pregador é necessário e é o próprio Deus que o convoca e o envia a pregar, por isso não fala de si mesmo, fala o que tem certeza seja a vontade de Deus. A certeza que um pregador tem de que Deus está falando com ele vem da leitura que é capaz de fazer das situações atuais do seu tempo, a começar pela realidade do seu próprio povo que pode ser seu grupo, sua comunidade, sua paróquia e até mesmo sua família. Ele é um profeta para os seus. Tudo o que estiver ocorrendo para desordenar, desanimar, desagregar, desorientar as pessoas precisa ser denunciado, corrigido, para isso é o Apóstolo Paulo diz a Timóteo que a Palavra de Deus é útil para exortar, corrigir e ensinar, e o pregador tem essa função. Ele possui a capacidade de sentir esses fatos mesmo que para os outros isso não seja possível. Quando uma pessoa não é capaz de perceber as coisas que atrapalham a vida de sua comunidade ou de seu grupo, não está apta para esse ministério. É dentro do seu próprio grupo de convivência que um pregador se destaca. Mesmo que Jesus tenha dito que um profeta só não é aceito em sua pátria, essa condição é uma mera circunstância da vida do pregador que afeta mais a vida de quem o ouve do que a dele próprio. Se alguém disser: eu não vou pregar porque não vão me aceitar ele não compreendeu ainda o seu chamado.

Comunicando a mensagem

Sempre que somos convidados para fazer uma palestra ou uma pregação, perguntamos sobre o que querem que falemos então nos apresentam um tema, algumas vezes ainda nos informam sobre os objetivos que devemos atingir. É verdade que em muitos casos parece que esperam que sejamos a solução de todos os problemas do grupo para quem vamos falar. Embora as expectativas sejam nesses casos muito diversas, cabe-nos organizar nossa pregação em torno do tema e sintetizar todos os objetivos que nos deram em uma mensagem clara e objetiva. Sem essa clareza e objetividade nosso trabalho terá volume, mas não será compreensível, pois a conclusão será confusa uma vez que são muitos os focos. Além disso, a falta de foco deixa margem para que as pessoas destaquem fragmentos de nosso discurso nem sempre principais e corremos o risco de ser mal interpretados. O correto é que nossa mensagem seja rica em significados e a mais compreensível possível, afinal, é o pregador quem determina o que as pessoas devem guardar de seu discurso, ou seja, a qualidade da pregação ou da palestra está na capacidade do pregador evidenciar sua mensagem. Do ponto de vista técnico, a boa pregação é aquela que desperta expectativas e atende a essas expectativas satisfatoriamente, e na conclusão arremata com boa definição sua mensagem, não permitindo que os ouvintes fiquem divididos em compreensões muito diversas.Tudo isso nos mostra que a pregação não é um tratado teológico sobre alguma coisa. Quanto mais fundamentos literários e documentais, e quanto mais necessidade de afirmação menos interessante e menos útil fica a pregação. É claro que uma parcela dos que nos ouvem é bastante psíquica identificando-se muito com um discurso mais técnico, mas não é a maioria das pessoas. Este é um perfil mais de ensino em que o discurso precisa dar muitos caminhos de esclarecimento para as pessoas apelando ao seu psiquismo, pois trata-se de uma mudança de conceitos pré-elaborados. A pregação se caracteriza mais pelo encantamento, a sensação de satisfação pessoal e o despertar da fé, ainda que isso seja pouco racional. O êxito do pregador está na sua agilidade em se fazer próximo de seus irmãos que o ouvem, por isso a pregação é mais uma relação humana do que uma demonstração de técnica. Entendemos a pregação como uma experiência única na vida da pessoa para aquele momento exato, e por isso a necessidade de ser simples e clara, acessível a todos. A alegria sentida comumente nas boas pregações é fruto da compreensão. A experiência de compreender é uma forma de entrar em comunhão e de ser admitido na vida do outro, quando nos acham complicados ou extremistas é como se não acontecesse essa comunhão entre nós e o público, mesmo sendo considerados sábios e superiores. O problema é que muitos pregadores se contentam com isso.

Como construir uma Pregação

Todo discurso é constituído dessas três partes fundamentais:

Introdução – Apresentação da proposta da palestra, pode-se elencar os sub-temas que serão desenvolvidos, rezar e/ou fazer outra motivação mais adequada com o fim de despertar o interesse de seus ouvintes; apresentação pessoal bem resumida, dependendo do público é preciso destacar os pontos que o capacitam para apresentar o tema como sua formação, sua experiência prática, alguma posição de serviço importante que seja também relacionada com o tema.

Desenvolvimento – Detalhamento do tema de forma pedagógica, com o compromisso de atender as expectativas despertadas na introdução.

Conclusão – Coroação do discurso (fechar com chave de ouro) demonstra controle do pregador em relação ao seu tema. Quando o pregador não consegue concluir demonstra falta de governo do que está fazendo.

De onde vem a inspiração para construir a pregação

De um sentimento de satisfação em pregar a Palavra de Deus – aqueles que se realizam na pregação, que se alegram com a possibilidade de pregar e o faz com temor e gratidão a Deus, sentem-se mais facilmente inspirados e capazes. Quando a pregação realiza o pregador como pessoa, este não se contenta senão quando consegue ser brilhante em seu trabalho de pregador, pois como se trata de realização pessoal, o brilhantismo é o ponto de satisfação mais desejado.
Pergunta: Você busca se realizar como pessoa quando tem a oportunidade de pregar a Palavra de Deus?

Vida de Oração – Muito se fala em rezar para pregar, mas o pregador sério procura ter uma vida de oração. Alguns inexperientes chegam a recusar uma pregação por “não terem rezado” e, por isso, não se sentem confirmados para tal obrigação, mas o Apostolo Paulo fala que todo tempo é tempo de pregar o Evangelho (II Tim:4,1-2), portanto, a oração do pregador não é apenas para pregar, mas uma vida ligada a Deus em todas as suas dimensões pela oração, ou seja, uma vida de oração. A oração constante regada pela palavra amadurece a pessoa e a acrescenta muitos conhecimentos espirituais e humanos uma vez que a faz adquirir as virtudes através das quais poderá compreender os mistérios dos homens e aceitar os mistérios de Deus.
Pergunta: Sua vida de oração te amadurece como pregador?

Conhecimento – O pregador é um mediador de paz, sua função é aproximar o homem – preso pelo pecado, e que como Adão, se esconde de Deus, – de seu Salvador misericordioso, mas para isso precisa de conhecimento dessas duas partes que se distanciam uma da outra. Assim, o pregador precisa interessar-se pela história do homem, principalmente do homem contemporâneo (atual), seus problemas mundiais, seus anseios, suas culturas, suas misérias humanas, suas ilusões, em fim tudo o que lhe diz respeito deve interessar ao pregador que o deseja trazer de volta a Deus. Mas como dissemos, o pregador precisa também conhecer a Deus, saber o caminho, ter tido uma experiência e se sentir realmente próximo e amado por este Deus, só assim saberá realizar seu papel de mediador. Por esta razão o pregador que deseja ser brilhante e fascinante ao falar de Deus deve buscar aumentar seu conhecimento, com estudos e experiências de vida. Este tipo de ser humano pensa exatamente assim: “Tudo me interessa”.
Pergunta: Você tem sede de conhecimento?

Unção – A unção é o resultado dessas três realidades anteriores, conhecimento, oração e realização. Ela se manifesta como um mix de sentimentos. O pregador ungido se sente capaz (efeito da oração), seguro (efeito do conhecimento) e satisfeito (efeito de realização). É fantástico ouvir um pregador assim, parece que todo o seu potencial exala-se em suas expressões e em sua fala e seus sentimentos são transmitidos aos seus ouvintes. Pregador inseguro, platéia insegura e assim por diante. Sabemos que um pregador é ungido quando tem os frutos evangélicos de sua missão, que é a conversão de seus ouvintes, um pregador apenas elegante e hábil, não tem este resultado (Isa:61,1-3)
 
Pergunta: Você já teve a experiência de se sentir ungido? Quais foram os sentimentos que teve?

O Maior Segredo do Diabo – Porque os Novos Convertidos ABANDONAM Cristo tão facilmente ?

1 Comentário

Por Ray Comfort
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Tradução de Fernando Guarany Jr.

No final dos anos 70, Deus muito graciosamente abriu-me um ministério itinerante. Conforme comecei a viajar, passei a ter acesso aos registros de crescimento das igrejas e fiquei horrorizado ao descobrir que algo perto de 80 a 90% das pessoas que tomavam uma decisão por Cristo estavam desviando-se da fé. Ou seja, o evangelismo moderno, com seus métodos estava criando entre 80 e 90 “desviados” para cada 100 pessoas que se decidiam por Jesus. 

Deixem-me tentar tornar a questão mais real para vocês. Em 1991, no primeiro ano da década da colheita, uma grande denominação nos Estados Unidos foi capaz de obter 294.000 decisões por Cristo. Isto é, em um ano, esta grande denominação de 11.500 igrejas foi capaz de obter 294.000 decisões por Cristo. Infelizmente, passado algum tempo apenas contavam com 14.000 destes congregando, o que significa que eles já não podiam prestar contas por 280.000 das decisões alcançadas. E estes são resultados normais do evangelismo moderno e, algo que descobri no final dos anos 70; Algo que me preocupou muito. Comecei a estudar o Livro de Romanos diligentemente e, especificamente, a maneira de proclamação do Evangelho de homens como Spurgeon, Wesley, Moody, Finney, Whitefield, Lutero, entre outros, que Deus tem usado através dos tempos, e descobri que eles usavam um princípio que é quase totalmente negligenciado pelos métodos evangelísticos modernos. Comecei a ensinar este princípio; Providencialmente, fui convidado para instalar o nosso ministério na cidade de Bellflower no sul da Califórnia, especificamente para trazer este ensinamento para a igreja dos Estados Unidos. As coisas andaram devagar nos primeiros três anos, até que recebi uma ligação de Bill Gothard, que havia assistido a mensagem em vídeo. Ele pagou minha passagem de avião até San Jose no norte da Califórnia; Lá, compartilhei a mensagem com 1000 pastores. Então, em 1992, ele exibiu o vídeo daquela pregação para 30.000 pastores. No mesmo ano, David Wilkerson me telefonou de Nova Iorque. Ele ligou do seu carro. (estava ouvindo a mensagem em seu carro e me ligou do próprio telefone do seu carro!) Imediatamente, ele me colocou em um vôo de Los Angeles para Nova Iorque para compartilhar o mesmo ensinamento com a sua igreja – de tão importante que considerou a mensagem. Recentemente, ouvi falar de um pastor que escutou esta mensagem 250 vezes. Ficaria feliz se você ouvisse pelo menos uma vez este ensinamento que se chama: “O Maior Segredo do Diabo.” 

A Bíblia diz no Salmo 19, versículo 7, “A Lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” O que é mesmo que a Bíblia diz que é perfeita e, no final das contas, converte a alma? Ora, as Escrituras deixam bem claro: “A Lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” Agora, para ilustrar a função da Lei de Deus, vamos observar por um instante a Lei Civil. Imagine se eu dissesse a você: “Tenho boas novas para você: alguém acabou de pagar uma multa de trânsito no valor de R$ 25.000,00 para você!” Provavelmente você reagiria dizendo: “O que você está dizendo? Essas não são boas novas! Isso [que você está dizendo] não faz o menor sentido. Não tenho uma multa de trânsito de R$ 25.000,00!” As minhas boas novas não seriam boas novas para você: pareceria tolice! Mas, além disso, seria uma ofensa, porque eu estaria insinuando que você havia cometido um crime (quebrado a lei) quando você pensa não ter feito tal coisa. Entretanto, se colocar a situação da seguinte maneira, ela fará mais sentido: “No caminho para cá, um radar da polícia (a lei) pegou você a 160 quilômetros por hora em uma área reservada para uma convenção de crianças deficientes visuais. Havia dez avisos claros que a velocidade máxima era de 60 quilômetros por hora, mas você passou por ali ”voando” a uma velocidade de 160 km/h. O que fez foi muito perigoso e, portanto, a multa de R$ 25.000,00 era justa. A lei estava por ser aplicada quando alguém que você nem mesmo conhece entrou em cena e pagou a sua multa. Você realmente é um felizardo!” 

Vejam que ao explicarmos precisamente o que foi feito de errado primeiro, fazemos com que as boas novas verdadeiramente tenham sentido. Se eu não mostrar claramente que o indivíduo violou a lei, então as boas novas parecerão tolice e serão recebidas como uma ofensa. Mas, a partir do momento que entender que quebrou a lei, então as boas novas se tornarão boas novas de fato! 

Assim, da mesma maneira, se eu abordar um pecador impenitente e disser: “Jesus Cristo morreu na cruz por seus pecados”, isso soará como tolice e o ofenderá. Tolice porque não fará sentido. A Bíblia diz que: “A pregação da cruz é tolice para aqueles que perecem.” (1 Cor 1:18). E também será ofensivo porque estaremos insinuando que o indivíduo é um pecador quando ele acha que não o é! Porque, até onde ele tem conhecimento, existem muitas pessoas piores do que ele. Contudo, se eu dedicar tempo para seguir os passos de Jesus, a mensagem fará mais sentido. Se eu dedicar tempo para abrir a Lei Divina, os Dez Mandamentos, e mostrar ao pecador precisamente o que ele fez de errado, como tem ofendido a Deus ao violar a Sua Lei, então, quando ele estiver, conforme diz Tiago, “convencido pela Lei como transgressor” (Tiago 2:9) as boas novas da multa sendo paga não parecerão tolice, mas serão “o poder de Deus para salvação” (Romanos 1:16). 

Agora, tendo em mente estes pensamentos como introdução, vamos ver o que diz Romanos 3:19. Vamos analisar algumas das funções da Lei de Deus para a humanidade. Romanos 3:19 diz assim: “Agora, pois, sabemos que o que quer que a Lei diga, ela diz para aqueles que estão debaixo da lei, para que toda boca seja calada e todo o mundo torne-se culpado diante de Deus.” Então, uma função da lei de Deus é calar a boca. Fazer os pecadores pararem de se justificar e dizer: “Ah, tem muita gente pior do que eu. Eu não sou uma má pessoa, não!” Ou seja, a lei cala a boca da justificativa e deixa o mundo inteiro , e não apenas os Judeus, culpado diante de Deus. 

Romanos 3:20 diz assim: “Portanto pelos feitos da Lei nenhuma carne será justificada à Sua vista: porque pela Lei vem o conhecimento  do pecado.” Então, a Lei de Deus nos informa o que significa pecado. 1 João 3:4 diz: “Pecado é a transgressão da Lei.” Romanos 7.7 afirma: “O que diremos então?” diz Paulo, “É a lei pecado? De modo nenhum, eu não conheci o pecado senão pela Lei.” O que Paulo está dizendo aqui simplesmente é: “Eu não sabia o que era o pecado até a Lei me ensinar.” Gálatas 3.24 afirma: “De modo que a Lei se tornou nosso aio [professor], para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados.”  A lei de Deus age como um professor para nos trazer a Cristo para que possamos ser justificados pela fé em Seu sangue. Assim, a Lei não nos ajuda, ela apenas nos mostra nossa impotência. Ela não nos justifica, ela apenas nos deixa culpados diante do julgamento de um Deus santo. 

A tragédia do evangelismo moderno é que, na virada do século XX, quando a lei de Deus foi abandonada e desprezada em sua capacidade de converter a alma, de conduzir os pecadores a Cristo, os defensores do evangelismo moderno tiveram que encontrar outra razão para os pecadores responderem ao evangelho. A maneira que os evangelistas modernos encontraram para atrair tais pecadores foi a estratégia da “melhoria na qualidade de vida.” O Evangelho foi degenerado para algo como: “Jesus Cristo vai te dar paz, alegria, amor, realização pessoal e felicidade duradoura.” Agora, para ilustrar a natureza anti-bíblica deste ensinamento tão popular, gostaria que vocês escutassem com bastante atenção a seguinte anedota, pois a essência do que estou ensinando baseia-se nesta historinha que vou contar. Então, por favor, escutem atentamente: 

Dois homens estão sentados em um avião. Ao primeiro é dado um pára-quedas e é orientado a colocá-lo, pois, o pára-quedas melhoraria a qualidade do seu vôo. Ele fica um tanto cético no início porque não consegue ver como o fato de usar um pára-quedas em um avião poderia melhorar a qualidade de seu vôo. Porém, depois de certo tempo, ele decide experimentar para ver se o que lhe havia sido dito era mesmo verdade. Então, quando ele coloca o pára-quedas, ele nota o peso sobre seus ombros e descobre que tem dificuldade para sentar-se direito. Mesmo assim, não tira o pára-quedas de imediato, pois se consola com o fato de que lhe foi dito que o pára-quedas melhoraria o seu vôo. Assim, ele decide dar um tempinho para ver se a tal coisa funciona mesmo. Enquanto espera, percebe que alguns dos outros passageiros estão rindo dele, pelo fato de ele estar usando um pára-quedas em pleno vôo. Ele começa a sentir-se um tanto humilhado. Quando os outros passageiros começam a apontar e rir dele, ele não agüenta mais! Então, encolhe-se em sua poltrona e arranca o pára-quedas, jogando-o ao chão. Desilusão e amargura preenchem o seu coração, pois, pelo que parece, contaram-lhe uma mentira absurda! 

O segundo homem também recebe um pára-quedas, mas escutem só o que lhe é dito: “Coloque este pára-quedas, pois a qualquer momento você terá que saltar deste avião e nós estamos a 25.000 pés de altura.” Ele fica muito agradecido e coloca logo o pára-quedas; Nem percebe o peso do objeto sobre seus ombros, muito menos se incomoda com o fato de que não consegue sentar-se direito, pois sua mente está consumida pelo pensamento do que aconteceria se saltasse sem o pára-quedas. 

Vamos analisar o motivo e o resultado da experiência de cada um dos passageiros. O motivo do primeiro homem para colocar o pára-quedas foi apenas para melhorar a qualidade de sua viagem. O resultado da experiência foi que ele se sentiu humilhado pelos passageiros, ficou desiludido e bastante amargurado em relação àqueles que lhe deram o pára-quedas. Ele precisará de um longo tempo para recuperar-se da experiência e, possivelmente, nunca mais vai aceitar uma coisa daquelas novamente. O segundo homem colocou o pára-quedas simplesmente para escapar do salto para morte e, devido ao conhecimento do que aconteceria se saltasse despreparado, ele tem uma profunda alegria e paz no coração, pois sabe que será salvo de uma morte certa e terrível. Tal conhecimento dá-lhe a habilidade de suportar o escárnio dos outros passageiros. Sua atitude em relação a quem lhe ofereceu o pára-quedas é de profunda gratidão. 

Agora, escutem o que os métodos de evangelismo moderno dizem. Eles dizem assim: “Coloque o Senhor Jesus Cristo. Ele te dará amor, alegria, paz, realização pessoal e felicidade duradoura.” Em outras palavras, “Jesus melhorará a sua viagem.” Dessa maneira, o pecador responde ao apelo de um modo experimental e “coloca” o Senhor Jesus para ver se a “propaganda” é verdadeira. E o que vem sobre ele? Tentação, tribulação e perseguição. Os outros passageiros escarnecem dele. O que ele faz, então? Arranca o Senhor Jesus e joga ao chão, pois se sente ofendido por causa da Palavra (Marcos 4.17). Ficou desiludido e bastante amargurado, e com razão. Pois, prometeram-lhe paz, alegria, amor, realização e felicidade duradoura, e tudo o que conseguiu foram provações e humilhação. Então, ele passa a apontar sua amargura em direção àqueles que lhe deram as tão famosas “boas novas”. Seu último estado é pior do que o primeiro: outro desviado inoculado e amargurado. 

Santos, ao invés de pregar que Jesus melhora a qualidade do vôo, nós deveríamos estar alertando os passageiros que eles terão que pular do avião. Ou seja, “que está determinado ao homem morrer uma só vez, e que depois disto virá o julgamento.” (Hebreus 9:27). E aí, quando o pecador entender as horríveis conseqüências por quebrar a Lei de Deus, ele correrá para os braços do Salvador para escapar da ira vindoura. E se formos testemunhas verdadeiras e fiéis, é isso que deveremos pregar: que existe uma ira vindoura; que Deus “ordena a todas as pessoas em todos os lugares que se arrependam” (Atos 17:30). Por que se arrepender? “Porque Ele estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça” (vs. 31). Entenda que não é uma questão de felicidade, mas sim de justiça. Não importa o quanto o pecador possa estar sendo feliz ou o quanto ele possa estar aproveitando “os prazeres passageiros do pecado” (Hebreus 11.25), sem a justiça de Cristo, ele perecerá no dia da ira. “De nada aproveitam as riquezas no dia da ira; porém a justiça livra da morte.” (Provérbios 11.4). Paz e alegria são frutos legítimos da salvação, mas não é legítimo usar tais frutos como propaganda para a salvação. Se persistirmos em fazer isso, os pecadores responderão à mensagem com um motivo impuro, desprovidos de arrependimento. 

Agora, vocês conseguem lembrar porque o segundo passageiro tinha alegria e paz no coração? Era porque ele sabia que o pára-quedas ia salvá-lo da morte certa. E como crente, como Paulo diz, eu tenho “alegria e paz em crer” (Romanos 15:13), porque sei que a justiça de Cristo me livrará da ira vindoura. 

Agora, com esses pensamentos em mente, vamos analisar com cuidado um incidente a bordo do avião. Aparece uma aeromoça novata. Ela carrega uma bandeja com café fervendo. É o seu primeiro dia de trabalho. Ela quer que este dia fique marcado na mente dos passageiros, e consegue seu intento, pois conforme está andando pelo corredor, tropeça e despeja café quente no colo do nosso segundo passageiro. Qual a reação dele ao sentir o líquido fervente queimar a sua pele? Será que ele grita: “Aaaaaii! Que dor!”? Sim, ele sente a dor. Mas será que arranca o pára-quedas e o joga ao chão? Será que ele esbraveja dizendo: “Droga de pára-quedas!”? Não. Por que ele faria isso? Ele não colocou o pára-quedas para melhorar a qualidade de seu vôo. Ele colocou para salvá-lo da morte certa. Por isso, o incidente faz com que se agarre ainda com mais força ao pára-quedas e mal consiga esperar a hora de saltar. 

Então, se “colocarmos” o Senhor Jesus pelo motivo correto, isto é, para escapar da ira vindoura, quando vier a tribulação, quando o vôo ficar turbulento, nós não ficaremos com raiva de Deus e nem perderemos nossa paz e alegria. Por que faríamos isto? Não aceitamos Jesus para melhorar nosso estilo de vida: nós o aceitamos para fugir da ira vindoura. Portanto, ao invés de nos levar à ira, a tribulação conduz o verdadeiro crente para mais perto do Salvador. Infelizmente, temos literalmente multidões de pessoas que se professam Cristãos, mas que perdem sua alegria e paz quando o vôo fica turbulento. Por quê? Porque são produto de um evangelho humanista. Estes crentes vêm a Jesus sem arrependimento, sem o qual não há salvação.  

Recentemente, estive na Austrália ministrando e… – a propósito a Austrália é um pequeno país na costa da Nova Zelândia – …preguei sobre pecado, a Lei, justiça, santidade, julgamento, arrependimento e inferno, e não me surpreendi com a quantidade de pessoas que quiseram “entregar seus corações a Jesus”. Na verdade, o ambiente ficou muito tenso. Depois do evento, disseram-me: “Há um jovem rapaz lá atrás que quer entregar sua vida a Cristo.” Eu fui lá e encontrei um jovem que nem conseguia fazer a oração de entrega, de tão desesperadamente que chorava. Aquilo para mim foi muito encorajador, pois, por muitos anos, sofri de “frustração evangélica”. Eu queria tanto que os pecadores respondessem ao Evangelho egocêntrico que eu pregava. A essência do que pregava era mais ou menos o seguinte: “Você nunca encontrará a paz verdadeira sem Jesus Cristo; você tem um grande vazio em seu coração que só mesmo Deus pode preencher.” Eu pregava Cristo crucificado e, só no finalzinho, pregava arrependimento. Quando alguém respondia ao apelo, eu abria um dos meus olhos e pensava: “Ah, não! Esse cara quer dar o seu coração a Jesus, mas há uma probabilidade de 80% de ele vir a desviar-se. Estou cansado de criar desviados. Preciso ter certeza de que ele sabe mesmo o que está fazendo. É melhor que esteja sendo sincero!” Assim, me aproximaria do rapaz com um espírito da Gestapo Nazista. Chegaria bem pertinho dele e diria: “O que focê querr?” Ele diria: “Estou aqui para tornar-me um cristão.” Eu argumentaria: “Tem certeza?” Ele responderia: “É. Tenho.”, Eu tornaria a perguntar: “Você tem realmente certeza?”. Ele diria: “É. Podes crer.” “Tá certo, vou orar com você, mas é melhor que você ore com sinceridade,  do fundo do seu coração. Agora repita esta oração comigo! ‘Ó, Deus, eu sou um pecador’” Ele dizia: “Ah, é… Deus, eu sou um pecador!” No que eu pensava: “Por que será que não há nenhum sinal claro de quebrantamento. Não há sinal visível de que este jovem possa estar no seu íntimo realmente arrependido de seus pecados” Foi então, que entendi qual era o motivo: ele estava sendo 100% sincero. Ele estava tomando sua decisão de todo o seu coração. Ele sinceramente queria dar uma experimentada neste Jesus para ver no que dava. Já tinha experimentado sexo, drogas, materialismo, álcool. Ele pensava assim: “Já experimentei uma porção de coisas na vida. Por que então não experimentar esse tal de Jesus para ver se Ele é tudo isso mesmo que esses crentes dizem que ele é: alegria, amor, realização, felicidade duradoura.” O jovem não estava ali para fugir da ira vindoura, pois eu não tinha pregado que havia ira alguma por vir! Isso estava fazendo uma falta terrível nas minhas mensagens. O jovem não estava quebrantado, pois ele nem mesmo sabia o que era o pecado. Lembram de Romanos 7:7? Paulo disse que não conheceu o pecado senão pela Lei. Como alguém pode a vir a searrepender se nem mesmo sabe o que é o pecado? Então, qualquer coisa que nós venhamos a chamar de arrependimento vem a ser algo que chamo de arrependimento horizontal. A pessoa sente remorso por ter mentido para as pessoas, roubado das pessoas, etc. Mas, quando David pecou com Bate-Seba e quebrou todos os Dez Mandamentos de uma só vez – quando cobiçou a mulher do próximo, viveu uma mentira, roubou a mulher do próximo, cometeu adultério, desonrou seus pais e, portanto, desonrou a Deus – ele não disse: “Eu pequei contra Urias” O que ele disse foi: “Pequei contra Ti, contra Ti somente, e fiz o que era mal à Tua vista.” (Salmo 51:4). Quando José foi tentado sexualmente, ele disse: “Como poderia eu fazer tal coisa e pecar contra Deus?” (Gênesis 39:9). O filho pródigo disse: “Eu pequei contra o Céu” (Lucas 15:21). Paulo pregava “arrependimento para com Deus (Atos 20:21). E a Bíblia diz: “A tristeza segundo Deus produz arrependimento” (2 Coríntios 7:10). Então, quando a pessoa não entende que o pecado é primariamente vertical, ela simplesmente conseguirá exercitar arrependimento superficial, experimental e horizontal –  e se desviará quando vierem a tribulação, a tentação e a perseguição. 

A.B. Earl disse: “Descobri através de extensa experiência que as mais sérias ameaças da Lei de Deus têm um papel importantíssimo na condução das pessoas a Cristo. Elas precisam se ver perdidas antes de clamar por misericórdia; elas não fugirão do perigo até que o enxerguem.” Agora, gostaria que vocês fizessem algo incomum. Não vou fazê-los passar vergonha. Dou minha palavra. Mas, gostaria de perguntar-lhes quantos de vocês estavam pensando em outra coisa enquanto eu estava lendo a citação de A.B. Earl. Quero admitir algo para vocês. Eu mesmo estava pensando em outra coisa enquanto lia a citação! Sabem o que estava pensando? “Ninguém está me ouvindo. Eles estão pensando em outra coisa.” Então, para ressaltar um ponto importante, gostaria que vocês fossem realmente honestos comigo. Se você estava pensando em outra coisa e não faz a menor idéia do que A.B. Earl disse, levante sua mão bem alto, bem alto. Geralmente, uns 70% das pessoas levantam a mão. Vamos lá, estamos quase nos 70%. Muito bem, pastor, obrigado, por sua honestidade. 

A.B. Earl foi um famoso evangelista do século XIX que teve mais de 150.000 convertidos para substanciar suas afirmações. Satanás não quer que vocês escutem o que eu estou dizendo, então, prestem bastante atenção. 

A.B. Earl disse: “Descobri através de extensa experiência que as mais sérias ameaças da Lei de Deus têm um papel importantíssimo na condução das pessoas a Cristo. Elas precisam se ver perdidas antes de clamar por misericórdia; elas não fugirão do perigo até que o enxerguem.” 

É mais ou menos assim: tente salvar alguém de se afogar quando a pessoa não acredita estar se afogando e veja se ela vai ficar muito contente com você. Você a vê no lago e pensa: “Acho que ela está se afogando. Sim, acho que está se afogando mesmo.” Aí, você pula na água e a arrasta até a areia sem dizer coisa alguma. Ela não ficará muito contente com você, pode ter certeza. Ela não vai querer ser salva até ver que está correndo perigo. Da mesma forma, os pecadores não fugirão da ira vindoura sem antes a enxergarem! 

Veja bem: se você viesse a mim e dissesse: “Olha, Ray. Isso aqui é a cura para o Mal de Groaninzin. Vendi minha casa para levantar o dinheiro para comprar esse remédio. Tome. É um presente para você”. Provavelmente eu reagiria assim: “O que? Cura para o que? Mal de Groaninzin? Você vendeu sua casa para levantar o dinheiro para comprar esse remédio? E está me dando de presente? Ora, muito obrigado. Tchau… Esse cara é louco.” Sabe, essa seria provavelmente a maneira como eu reagiria se você vendesse sua casa para comprar o remédio para me curar de uma doença da qual jamais ouvi falar. Ainda mais se viesse oferecê-lo a mim gratuitamente – acharia você muito estranho. 

Mas, se ao invés disso, você chegasse a mim e dissesse: “Ray, você está com o Mal de Groaninzin. Já consigo ver dez claros sintomas em sua pele. Você morrerá em duas semanas.”, eu me convenceria de que tinha a doença (já que os sintomas eram tão evidentes) e diria: “Oh! O que farei agora?” Nisso, você responderia: “Não se preocupe. Tenho aqui a cura para sua doença. Vendi minha casa para comprar este remédio. Tome. É um presente para você.” Nessa situação, eu não desprezaria seu sacrifício. Ao contrário, ficaria grato e tomaria posse dele. Por quê? Porque, ao enxergar a doença que me consumia, desejei a cura. 

Lamentavelmente, o que tem acontecido nos Estados Unidos e no Mundo Ocidental é que temos pregado a cura sem primeiro convencermos da doença. Temos pregado o Evangelho da graça sem primeiro convencer os pecadores da Lei, ou seja, que são transgressores. Como conseqüência desta pregação, que oferece a graça primeiro, quase todas as pessoas que tento evangelizar no sul da Califórnia e no Cinturão Bíblico já “nasceram de novo” umas seis ou sete vezes.  Quando digo: “Você precisa entregar sua vida a Jesus Cristo.” A resposta que sai quase que instantaneamente é: “Ah, já fiz isso quando tinha sete, onze, dezessete, vinte e três, vinte e oito, trinta e dois anos de idade…” Na hora, você sabe que o indivíduo não é Cristão. Ele é um fornicador. É um blasfemo, mas acha que é salvo porque “nasceu de novo”. O que está acontecendo? Ele está usando a graça de nosso Deus para dar ocasião à carne. Não reconhece nem estima o sacrifício de Jesus. Para ele, não há nada de mais em pisar o sangue de Cristo (Hebreus  10:29). Por quê? Por que jamais se convenceu de que tinha a doença e, portanto, não é grato pela cura. 

O Evangelismo Bíblico é sempre, sem exceção, Lei para os soberbos e Graça aos humildes. Não existe uma passagem na Bíblia onde Jesus ofereça o Evangelho, as Boas Novas, a Cruz ou a Graça de Deus a uma pessoa soberba, arrogante e que se considera boa aos próprios olhos. Não mesmo. Com a Lei, Ele quebra o coração duro, e com o Evangelho, cura o coração quebrantado. Por quê? Porque Ele sempre fez aquilo que agrada ao Pai. Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes (Tiago 4:6; 1 Pedro 5:5). “Todos os soberbos de coração”, dizem as Escrituras, “são abominação ao Senhor” (Provérbios 16.5). 

Jesus nos disse para quem é o Evangelho. Disse assim: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos.” (Lucas 4:18). Estas são declarações espirituais. Os pobres (humildes) em espírito. Os quebrantados de coração (Isaías 57:15), os cativos são aqueles que Satanás tem mantido presos à sua vontade (2 Timóteo 2:26) e os cegos são aqueles que o deus desse mundo tem cegado para que a luz do Evangelho não brilhe sobre eles (2 Coríntios 4:4). Somente os enfermos precisam de médico (Marcos 2:17) e somente  aqueles que estão convictos de que têm a doença ficarão gratos e se apropriarão da cura. 

Vejamos alguns exemplos do uso da Lei com os soberbos e graça com os humildes. Lucas 10:24. Ah! Quando eu citar uma referência aqui do púlpito, repetirei duas vezes, pois sei que há homens presentes – e os homens precisam escutar as coisas duas vezes para poderem entender… Os homens precisam escutar as coisas duas vezes. E isso é sustentado biblicamente. Quando Deus fala com homens na Bíblia, Ele usa seus nomes duas vezes: “Abraão, Abraão… Saul, Saul… Moisés, Moisés… Samuel, Samuel…” Porque os homens precisam escutar as coisas duas vezes. As mulheres apenas uma. Eu não sei quantas vezes nos cultos o pregador dizia “Lucas 10:25” e eu me virava para minha esposa e dizia: “O que foi que ele disse?”. Ela respondia: “Lucas 10:25”. Aí eu dizia: “Obrigado, querida!” AUXILIADORA IDÔNEA. Foi por isso que Deus criou as mulheres: porque os homens não conseguem se virar sozinhos. O negócio é assim: Os homens perdem as coisas. As mulheres as acham. “Onde estão as chaves, querida?” “Bem no seu nariz, querido.” Sabem, eu não sei quantas vezes já abri o armário e disse: “Não tem mais doce, meu docinho” e ela respondeu: “Está aqui, querido.” Onde os homens estariam sem as mulheres? Hein? Ainda estariam no Jardim do Éden! Foi Eva quem achou a árvore. Adão nem mesmo sabia o que estava se passando. Na verdade, se observarmos o processo de criação da mulher, a Bíblia diz que, para criar a mulher, Deus colocou o homem em um profundo sono. Mas, não diz se ele jamais conseguiu acordar desse sono! 

Em Lucas 10:25, vemos um certo advogado se levantar e tentar Jesus. Este homem não é um advogado comum, mas um professo especialista na Lei de Deus. Ele levantou-se e disse a Jesus: “Como posso alcançar a vida eterna?” O que foi que Jesus fez? Deu-lhe a Lei. Por quê? Porque o homem era soberbo, arrogante e se considerava muito bom. Eis um professo especialista na Lei de Deus tentando o próprio Filho de Deus. Pois, na verdade, o espírito por trás de sua pergunta era: “E o que você acha que devemos fazer para alcançar a vida eterna?” Por isso, Jesus aplicou-lhe a Lei, dizendo: “O que está escrito na Lei?” Qual a sua leitura dela?” No que o advogado responde: “Ah, deves amar o Senhor teu Deus de todo o teu coração, entendimento, alma e força; ama o teu próximo como a ti mesmo.” Jesus afirmou-lhe: “Faça isso e viverás.” As Escrituras continuam dizendo: “Mas, ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: ‘Quem é o meu próximo?” A Bíblia Viva mostra de maneira mais clara o efeito da Lei sobre o homem. Ela diz: “O homem quis justificar sua falta de amor por certos tipos de pessoas; então perguntou: “Quais próximos?” Vejam só, ele não tinha problemas com os Judeus, mais não gostava dos Samaritanos. Então, Jesus contou-lhe a história que chamamos de “O Bom Samaritano” que não era “bom” em absoluto. Amando o seu próximo tanto quanto amava a si mesmo, ele meramente obedeceu aos requerimentos básicos da Lei de Deus. E o efeito da essência da Lei, a espiritualidade da Lei (daquilo que a Lei exige em verdade), foi calar a boca do homem. Percebam, ele não amava seu próximo no nível exigido pela Lei. A Lei foi aplicada para calar todas as bocas e deixar o mundo inteiro culpado diante de Deus. 

De maneira parecida, em Lucas 18:18, o jovem rico chegou a Jesus, dizendo: “Como alcançarei a vida eterna?” Eu fico me perguntando como a maioria de nós reagiria se alguém se aproximasse e dissesse: “Como posso alcançar a vida eterna?” Certamente diríamos: “Ó… rápido! Faça essa oração antes que você mude de idéia!” Mas, o que foi que Jesus fez com o Seu convertido em potencial? Ele aplicou-lhe a Lei. Deu-lhe cinco Mandamentos horizontais, mandamentos em relação ao seu próximo e, quando o homem afirmou: “Ah! Esses eu tenho guardado desde minha mais tenra idade.”, Jesus respondeu-lhe: “Uma coisa ainda vos falta” e usou a essência do primeiro dos Dez Mandamentos: “Eu sou o Senhor vosso Deus… Não tereis outros deuses além de mim” (Êxodo 20:2-3). Jesus mostrou ao jovem que o seu deus era o dinheiro, e que não se pode servir Deus e a Mamon. (Mateus 6:24). Lei para os soberbos! 

Também vemos a graça sendo dada aos humildes, como no caso de Nicodemos (João 3). Nicodemos era um dos líderes dos Judeus. Era mestre em Israel. Portanto, era completamente versado na Lei de Deus. Era humilde de coração porque veio a Jesus e reconheceu a Deidade do Filho de Deus. Um líder em Israel? “Sabemos que vens de Deus, pois nenhum homem pode fazer tais milagres a não ser que Deus esteja com Ele.” Então, Jesus deu a ele – alguém que sinceramente buscava a verdade, alguém de coração humilde e possuidor do conhecimento do pecado através da Lei – as Boas Novas da multa tendo sido paga e “de Deus amando o mundo de tal maneira que sacrificou seu unigênito Filho”. Assim, a mensagem não pareceu loucura para Nicodemos, mas o “poder de Deus para salvação.” 

 Algo parecido ocorreu também no caso de Natanael (João 1:43-51). Natanael era um Israelita criado de fato debaixo da Lei, em quem não havia dolo nem engano. Obviamente, a Lei foi a professora (aIio) que conduziu esse judeu a Cristo. 

 Algo similar também ocorreu com os Judeus no dia de Pentecostes (Atos 2). Eles eram Judeus devotos que, portanto, comiam, bebiam e dormiam a Lei de Deus. Matthew Henry, o Comentarista da Bíblia, disse que a razão pela qual eles estavam reunidos no Dia de Pentecostes era para celebrar a entrega da Lei de Deus no Monte Sinai. Então, quando Pedro levantou-se para pregar para esses Judeus, ele não pregou sobre a ira vindoura. Não, a Lei aponta para a ira de Deus. Eles já sabiam disso. Não pregou sobre justiça ou julgamento. Nada disso. Apenas contou-lhes as Boas Novas da dívida sendo paga, o que os atingiu no coração e eles clamaram: “Irmãos, o que faremos?” (versículo 37). A Lei foi o aio para conduzir-lhes a Cristo para que pudessem ser justificados pela fé em Seu sangue. Como escreveu o compositor (William R. Newell) de um famoso hino: “Pela palavra de Deus, finalmente, meu pecado enxerguei; tremi, então, diante da Lei que rejeitara, até que, minha pecadora alma, implorando, virou-se em direção ao Calvário.” 

Em 1 Timóteo 1:8 está escrito: “Sabemos, porém, que a lei é boa se alguém dela usar com o propósito para o qual foi criada” A Lei de Deus é boa se for usada legitimamente para o propósito para o qual foi criada. Bem, com que propósito a Lei foi criada?  O versículo seguinte nos informa: “A Lei não foi feita para os justos, mas para os ímpios.” e nos dá uma lista de tipos de ímpios: homossexuais, fornicadores. Se você quiser conduzir um homossexual a Cristo, não discuta com ele sobre sua perversão, pois ele estará pronto para você com suas luvas de boxe. Não, não. Aplique-lhe os Dez Mandamentos. A Lei foi feita para os homossexuais. Mostre-lhe que ele está condenado apesar de sua perversão. 

Se você quiser levar um Judeu para Cristo, solte o peso da Lei sobre ele. Deixe que ela prepare o seu coração para a graça como ocorreu no Dia de Pentecostes. Se você quiser conduzir um Mulçumano a Cristo, dê-lhe a Lei de Moisés – eles aceitam Moisés como profeta. Bem, dê-lhes a Lei de Moisés e livre-os de sua auto-justiça. Em seguida, leve-os ao ensangüentado pé da cruz. Ouvi falar de um Mulçumano que leu nosso livro O Maior Segredo do Diabo e Deus seguramente o salvou, puramente através da leitura do livro. Por quê? Porque a Lei de Deus é perfeita para converter a alma. 

Pensem na mulher apanhada em ato de adultério (João 8:1-11) – violação do sétimo mandamento. A Lei exigia o seu sangue (Levítico 20:10) e ela se encontrava em uma situação muito difícil. Não tinha saída, a não ser lançar-se aos pés do Filho de Deus por misericórdia; e essa é a função da Lei de Deus. 

Paulo falou de estar guardado debaixo da Lei (Gálatas 3:23) – a Lei condena. Diz-se por aí: “Você não pode sair por aí condenando os pecadores!” Santos, eles já estão condenados. João 3:18: “Aquele que não crê já está condenado.” Só o que a Lei faz é mostrar aos pecadores o seu verdadeiro estado. 

Senhoras, vocês vão bem entender esta ilustração: A mesa de sua sala está precisando de limpeza. Então, você vai e limpa. A poeira some. Então, você abre as cortinas e deixa o sol da manhã entrar. O que vê sobre a mesa? Poeira! O que vê no ar? Poeira! Foi a luz que criou a poeira? Não, a luz meramente expôs a poeira. E quando você e eu decidimos abrir as cortinas (o véu) do Santos dos Santos e deixamos a luz da Lei de Deus brilhar sobre os corações dos pecadores, só o que ocorre é que eles passam a enxergar-se de maneira verdadeira. “Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução luz” (Provérbios 6:23). Foi por esta razão que Paulo disse: “Pela Lei vem o conhecimento do pecado” (Romanos 3:20). Foi por isso que ele disse: “pelo mandamento o pecado se manifestou excessivamente maligno.” (Romanos 7:13). Em outras palavras, a Lei o mostrou o pecado em sua verdadeira luz. 

Bom, geralmente a esta altura do ensinamento, eu cobriria os Dez Mandamentos um a um, mas, o que vou fazer é compartilhar como eu pessoalmente evangelizo, pois creio que isso será mais benéfico. 

 Vejam, eu creio firmemente em seguir os passos de Jesus. Jamais, jamais mesmo, eu abordaria alguém e diria: “Jesus te ama.” Totalmente anti-bíblico. Não há precedente para isso nas Escrituras. Também não chegaria a alguém e diria: “Gostaria de falar-lhe sobre Jesus Cristo.” Por quê? Porque se quisesse acordar alguém de um profundo sono, não usaria uma lanterna em seus olhos, pois isso o ofenderia. O que faria seria aumentar a luz bem gentilmente. Primeiro no nível natural e depois no espiritual. Por quê? Porque “homem natural não recebe as coisas do espírito de Deus; nem consegue discerni-las. São loucura para ele, pois são espiritualmente compreendidas” (1 Coríntios 2:14). 

O precedente para Evangelismo pessoal é dado nas Escrituras em João 4. Lá, podemos ver o exemplo de Jesus com a mulher samaritana. Jesus começou no nível natural, mudou para o espiritual, trouxe a ‘convicção de pecado’ usando o Sétimo Mandamento, e então Se revelou como o Messias. Assim, quando encontro alguém, falo do clima, esportes, etc: deixo que a pessoa perceba um pouco de ‘juízo’ em mim. Conheço um pouco mais da pessoa. Conto uma piada aqui, outra ali, e em seguida, deliberadamente mudo do nível natural para o nível espiritual. Faço isso com panfletos evangelísticos. Temos em torno de 24 ou 25 “panfletos” (brindes) evangelísticos; somos um ministério ao corpo de Cristo. Já imprimimos milhões de “panfletos evangelísticos” e nossos “brindes” são realmente incomuns.  Se você tiver acesso a eles, você vai precisar andar sempre com um montão deles, porque as pessoas vão persegui-lo pedindo mais. Deixe-me dar um exemplo. Este aqui é o nosso “panfleto” de ilusão de ótica. Qual dos dois é maior? Conseguem enxergar? O cor-de-rosa parece maior? Vêem isso? Para aqueles que estão ouvindo esta mensagem em um CD… Eles são do mesmo tamanho. É uma ilusão de ótica. Digo às pessoas: “Na verdade isso é um panfleto evangelístico; as instruções estão no verso… como ser salvo, de fato.” Aí, digo: “Pode ficar com ele” No que a pessoa responde: “Hei, obrigado! É ótimo… Puxa!” 

Continuo dizendo: “Tenho outro presente para você” e do meu bolso eu tiro um “centavo com os Dez Mandamentos”. Temos uma máquina que faz isso. Compramos os centavos novinhos no banco; lindos centavos que colocamos em nossa máquina que os prensa (e também serve para amassar o seu dedão se você ficar parado). Bom, a máquina prensa os centavos. O que não é contra a lei, pois isto é considerado arte. Não se trata de deformar um centavo. Então, eu digo: “Olha um presente para você.”, no que a pessoa responde: “O que é isso?” Eu digo: “É um centavo com os Dez Mandamentos. Fiz com meus dentes… A letra ‘i’ é fácil, mas a letra ‘e’ dá bastante trabalho.” 

Sabe, o que estou fazendo é lançar um teste para ver se ele está aberto às coisas espirituais. Se ele, de maneira negativa, disser: “Dez Mandamentos? Muito obrigado.”, ele não está aberto. Mas, a reação de costume é: “Dez Mandamentos… Puxa, obrigado! Valeu mesmo.” Então, eu digo: “Ah, você acha que tem guardado os Dez Mandamentos?” Ele responde: “Ah, sim… acho que sim.”  Eu o convido: “Vamos dar uma olhadinha neles? Já contou alguma mentira em sua vida?” Ele diz: “Ah, sim… é… uma ou duas.” Eu pergunto: “O que isso faz de você?” Ele diz: “Um pecador.” Eu insisto: “Não, não. Especificamente, o que isso faz de você?” Ele responde: “Hei, cara, eu não sou mentiroso.” Eu pergunto: “Quantas mentiras você precisa contar para ser considerado mentiroso? Não é verdade que se você contar pelo menos uma mentira, isso já faz de você um mentiroso?” Ele diz: “É… acho que você está certo.” Eu pergunto: “Já roubou alguma coisa em sua vida? Mesmo algo de pouco valor?” e ele diz: “Não” Então, digo: “Espere aí, você acabou de admitir que é um mentiroso.” e pergunto: “O que isso faz de você?” Ele diz: “Um ladrão.” Continuo dizendo: “Jesus disse que se você olhar para uma mulher para cobiçá-la, você comete adultério com ela em seu coração.” (Mateus 5:28). Já fez isso? Ele responde: “Já. Uma porção de vezes.” Então, por sua própria admissão, você é um mentiroso, um ladrão e adúltero de coração, e terá que enfrentar a Deus no Dia do Julgamento; e olha que nós apenas usamos três dos Dez Mandamentos. Há mais outros sete com os seus canhões apontados para você. Você alguma vez já usou o nome de Deus em vão?” “É… tenho tentado parar.” Então o questiono: “Sabe o que você está fazendo? Ao invés de usar uma palavra nojenta de cinco letras que começa com ‘m’ para expressar sua raiva, você está usando o nome de Deus em seu lugar. Isso se chama blasfêmia; e a Bíblia diz: “De toda palavra frívola que alguém proferir, dela prestará contas no Dia do Julgamento’ (Mateus 12:36). “O Senhor não terá por inocente aquele que tomar Seu nome em vão.” (Êxodo 20:7) A Bíblia diz que se você odeia alguém, você é assassino (1 João 3:15). 

Agora, o maravilhoso sobre a Lei de Deus é que Deus se ocupou de escrevê-la em nossos corações. Romanos 2:15: “pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente à sua consciência…”  A palavra consciência significa “com conhecimento”. “Con” quer dizer “com” e “ciência” significa “conhecimento”. Consciência. Então, toda vez que ele mente, cobiça [sexualmente], fornica, blasfema, comete adultério, faz isso com conhecimento de que isso é errado. Deus deu luz a todas as pessoas. O Espírito Santo os convence do pecado, da justiça e do julgamento (João 16:8). O pecado que é transgressão da lei (1 João 3:4); a justiça que é da Lei (Romanos 10:5; Filipenses 3:9); julgamento que é pela Lei. Sua consciência o acusa – a obra da Lei escrita em seu coração (Romanos 2:15) – e a Lei o condena. 

Então, digo “Se Deus o julgar por este padrão no Dia do Julgamento, você será inocente ou culpado?” Ele diz: “Culpado.” Então, digo assim: “E você acha que vai para o céu ou inferno?” e a resposta de costume é: “Para o céu.” – um produto do “evangelho” moderno. Eu pergunto: “Por que acha isso? Seria porque você acha que por Deus ser bom Ele vai relevar os seus pecados?” Ele responde: “É isso aí. Ele vai relevar os meus pecados.” “Bem, tente isso em um tribunal. Imagine que você cometeu estupro, assassinato, tráfico de drogas – vários graves crimes. O juiz diz: ‘Você é culpado. Todas as provas estão aqui. Tem alguma coisa a dizer antes de eu proferir sua sentença?” Você responde: “Sim, Senhor Juiz. Gostaria de dizer que acredito que o senhor é um bom homem e vai relevar meus crimes.” O juiz provavelmente diria: “Tem razão em relação a uma coisa: sou mesmo um bom homem e, por causa de minha bondade, me certificarei que a justiça seja feita. Por causa da minha bondade, vou me certificar de que você seja punido.” E a mesmíssima coisa que os pecadores acham que há de salvá-los no Dia do Julgamento –  a bondade de Deus –  será o que vai condená-los. Por Deus ser bom, Ele deve, por natureza, punir todos os assassinos, estupradores, ladrões, mentirosos, fornicadores e blasfemos. Deus vai punir o pecado onde quer que ele se encontre. 

Ora, com esse conhecimento, o pecador passa a ser capaz de compreender a mensagem. Ele, agora, tem a luz necessária para entender que seu pecado é primeiramente vertical: que “pecou contra o Céu” (Lucas 15:21). Que violou a Lei de Deus e irou a Deus e que sobre ele a ira de Deus permanece (João 3:36). Agora ele pode ver que foi “pesado na balança” da justiça eterna e “foi achado em falta” (Daniel 5:27). Agora entende a necessidade de um sacrifício. “Cristo nos redimiu da maldição da Lei fazendo-se maldição por nós.” (Gálatas 3:13). “Deus demonstrou Seu amor por nós, pois enquanto ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5:8). Nós quebramos a Lei. Cristo pagou a multa. É simples assim. E se as pessoas se arrependerem e colocarem sua fé em Jesus, Deus cancelará os seus pecados para que no Dia do Julgamento, quando o processo for reaberto, Deus possa dizer: “Seu processo foi encerrado por falta de provas.” “Cristo nos redimiu da maldição da Lei fazendo-se maldição por nós” e, portanto, o redimido passa a exercitar o arrependimento para com Deus, a fé em nosso Senhor Jesus Cristo (Atos 20:21), coloca sua mão ao arado e não olha para trás, pois agora está apto para o reino (Lucas 9:62). A palavra apto significa “pronto para o uso”. O solo de seu coração foi transformado para que pudesse receber as palavras gravadas que podem salvar sua alma (Tiago 1:21) 

Bom, eu não tenho tempo para compartilhar muitas citações com vocês, mas elas estão no material impresso que vocês receberam. Estou certo que vocês reconhecerão estes nomes: John Wycliffe, o tradutor da Bíblia. Ele disse: “O maior serviço que alguém pode fazer na terra é pregar a Lei de Deus.” Por quê? Porque a Lei conduz os pecadores à fé no Salvador, à vida eterna. 

 Martinho Lutero disse: “O primeiro dever do pregador do Evangelho é declarar a Lei de Deus e expor a natureza do pecado.” De fato, conforme lemos estas citações, reconhecemos nestes homens uma convicção tão grande que podemos sentir seus dentes travados. Esses homens disseram coisas do tipo: “Se não usarmos a Lei na proclamação do Evangelho, encheremos nossas igrejas de falsos convertidos.” Pessoas com um coração cujo solo é pedregoso e que apenas inicialmente recebem a mensagem com alegria. 

Escutem só o que Martinho Lutero disse também: “Satanás, o deus de toda dissensão levanta novas seitas diariamente. Uma de suas manobras mais recentes, que eu jamais suspeitaria poder vir a existir, foi de levantar uma seita na qual se prega que as pessoas não deveriam ter medo da Lei, e na qual as pessoas são gentilmente exortadas pela pregação da graça de Cristo”, o que resume perfeitamente uma grande parte do evangelismo moderno. 

 John Wesley disse a um jovem amigo evangelista: “Pregue 90% lei e 10% graça” Então, pode-se questionar: “90% Lei e 10% graça? Muito pesado. Será que não dava para ser 50% para cada uma?” Pense assim: Eu sou o médico, você o paciente. Você tem uma doença terminal. Eu tenho a cura, mas é absolutamente essencial que você esteja totalmente comprometido com a cura, pois, se não estiver 100% comprometido, não funcionará. Como devo lidar com essa situação? Provavelmente assim:   “Venha cá. Sente-se. Tenho notícias muito sérias para dar-lhe: você tem uma doença terminal.” Você começa a tremer. Eu penso comigo mesmo: “Ótimo. Ele está começando a perceber a seriedade da situação.” Apresento gráficos, raios-X, mostro-lhe a doença consumindo seu organismo. Falo-lhe por Dez Minutos sobre esta terrível doença. Quanto tempo, então, você acha que eu terei que falar da cura? Não muito tempo. Então, quando você estiver tremendo depois dos dez minutos, eu digo: “A propósito, eis a cura.” Você agarra o medicamento e o engole com vontade. Seu conhecimento da doença e de sua horrível conseqüência fez com que desejasse a cura. 

 Sabem, antes de eu ser Cristão, eu tinha tanto desejo de justiça quanto um garoto de quatro anos tem pela palavra “banho”. Qual a questão? Jesus disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça.” Mas, quantos descrentes você conhece que tem fome e sede de justiça? A Bíblia diz: “Não há quem busque a Deus.” (Romanos 3:11). Ela diz que eles amam a escuridão e odeiam a luz; não virão à luz, a não ser que seus feitos sejam expostos (João 3:19-20). A única coisa que bebem como se fosse água é a iniqüidade (Jó 15:16). Contudo, na noite em que fui confrontado com a natureza espiritual da Lei de Deus e entendi que Deus exige a verdade no íntimo (Salmo 51:6), que Ele via meus pensamentos e considerava a lascívia como o mesmo que adultério, e ódio como homicídio, comecei a pensar: “Vejo que estou condenado. O que preciso fazer para me acertar?” Comecei a sentir sede de justiça. A Lei pôs sal em minha língua. Ela foi o aio para me levar a Cristo. 

Charles Spurgeon disse: “Não aceitarão a graça até tremerem diante de uma Lei justa e santa.” D.L. Moody, John Bunyan, John Newton, que escreveu “Maravilhosa Graça” (e se alguém podia falar sobre graça com tanta propriedade esse era Newton). John Newton disse que “a correta compreensão da harmonia entre Lei e Graça nos preserva de ser enredados por erros tanto na mão direita quanto na esquerda.” 

 Charles Finney disse “Cada vez mais, a Lei deve preparar o caminho para o Evangelho.” Disse ainda: “Negligenciar isto na instrução das almas certamente resultará em falsa esperança, na introdução de um padrão falso da experiência Cristã, e encherá a igreja de falsos convertidos.” 

Santos, esta foi a primeira frase que David Wilkerson disse a mim quando me ligou do telefone do seu carro: “Eu pensava que era o único que não acreditava em ‘acompanhamento.’” Vejam, eu acredito que devemos alimentar um novo convertido; Creio que devemos nutri-lo. Creio que devemos discipulá-lo – isto é bíblico e extremamente necessário. Mas, não acredito em fazer ‘acompanhamento’. Não consigo encontrar tal prática nas Escrituras. O Eunuco Etíope foi deixado sem ‘acompanhamento’ algum. Como ele conseguiu sobreviver? Tudo o que ele tinha era Deus e as Escrituras. ‘Acompanhamento’… Bem, deixem-me primeiro explicar o que é ‘acompanhamento’ para aqueles que não sabem o que é isso. ‘Acompanhamento’ é quando conseguimos decisões para Cristo, ou através de cruzadas ou na igreja local, e designamos obreiros para fazer a colheita, sendo tão poucos quanto os obreiros já são, diga-se de passagem, dando-lhes a desanimadora tarefa de correr atrás destas decisões para se certificar de que prosseguirão com Deus. Isso na verdade é uma triste admissão da quantidade de confiança que nós temos no poder de nossa mensagem e no poder sustentador de Deus. Se Deus os salvou, Deus os sustentará. Se forem nascidos de Deus, jamais morrerão. Se Ele começou uma boa obra neles, Ele a completará até aquele dia  (Filipenses 1:6); Se Ele for o autor de sua fé, Ele será [também] o consumador de sua fé (Hebreus 12:2). Ele pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus (Hebreus 7:25). Ele é capaz de sustentá-los para que não caiam e apresentá-los imaculados e jubilosos diante de Sua presença e glória (Judas 24). Jesus disse: “Ninguém irá arrebatá-los da mão de meu Pai” (João 10:29). 

 Vejam, santos, o problema é que Lázaro já está com quatro dias de morto (João 11). Podemos entrar na tumba correndo, podemos puxá-lo para fora, podemos colocá-lo de pé, podemos abrir os seus olhos, mas ele “cheira mal” (versículo 39). Ele precisa ouvir a voz do Filho de Deus. Os pecadores estão mortos “há quatro dias” em seus pecados. Podemos correr a eles e dizer: “Façam esta oração.” Ainda assim, precisarão ouvir a voz do Filho de Deus, ou não haverá vida neles; e o que prepara o ouvido dos pecadores para ouvir a voz do Filho de Deus é a Lei. É o aio para levá-los a Cristo para que possam ser justificados pela fé (Gálatas 3:24). Santos, a Lei funciona; ela converte a alma (Salmo 19:7). Torna a pessoa uma nova criatura em Cristo: “As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17). Então, quando encontrar um pecador, experimente a Lei nele. Mas, ao fazer isso, lembre-se desta anedota: 

 Você está viajando em um avião, saboreando seu café, beliscando um biscoitinho e assistindo um filme. O vôo está ótimo, muito agradável mesmo, quando, repentinamente, se ouve: “Aqui quem fala é o comandante. Tenho um comunicado a todos. Como a cauda desta aeronave acabou de partir-se, nós vamos cair. É uma queda de 25.000 pés. Há um pára-quedas sob sua poltrona. Por gentileza, coloque-o agora. Obrigado por sua atenção e preferência.” Você diz: “O que? 25.000 pés!? Caramba, que felicidade estar de pára-quedas!” Aí, você olha e vê o cara ao lado beliscando um biscoitinho, tomando um cafezinho e assistindo um filminho e diz: “Com licença, você não ouviu o comandante? Coloque o pára-quedas.” Ele vira para você e diz: “Ah, não acho que o comandante se expressou direito. Além do mais, estou muito feliz assim. Obrigado.” Agora, não vá se virar para ele de maneira sinceramente zelosa e dizer: “Oh, por favor, coloque o pára-quedas. Será melhor que o seu filme.” Isso não faz sentido! Se você lhe disser que o pára-quedas, de alguma forma, vai melhorar o seu vôo, ele vai colocá-lo pelo motivo errado. Se quiser que ele coloque o pára-quedas e continue com ele, avise-o sobre o salto. Vire-se para ele e diga: “Com licença. Ignore o comandante se quiser, salte sem o pára-quedas. Ploooooft no chão!” Ele diz: “Opa! Como é que você disse?” “Eu disse que se você pular sem um pára-quedas, ploft no chão. Lei da Gravidade, lembra!?” “Puxa vida! Agora entendi. Obrigado mesmo!” E enquanto este homem tiver o conhecimento de que terá que saltar pela porta e enfrentar as conseqüências da Lei da Gravidade, ninguém conseguirá arrancar-lhe o pára-quedas, pois sua vida depende disso. 

 Agora, se olharmos à nossa volta, veremos vários passageiros aproveitando o vôo. Eles estão desfrutando dos prazeres do pecado por algum tempo. Chegue a essas pessoas e diga: “Com licença. Você ouviu a ordem do comandante sobre a salvação? ‘Coloque o pára-quedas de Cristo.’”  A pessoa se vira para você e diz: “Ah! Eu não acho que seja isso que Deus está querendo dizer. Deus é amor. Além do mais, eu estou bem feliz assim como estou. Obrigado.” Não vá se virar de maneira zelosa, mas sem conhecimento, e dizer-lhe: “Por favor, coloque o pára-quedas de Jesus Cristo. Ele te dará amor, alegria, paz, realização pessoal e felicidade sem fim. Você tem um vazio em seu coração que só Deus pode preencher. Se você tiver problemas no casamento, com drogas, álcool, só o que você precisa fazer é entregar o seu coração a Jesus.” Não. Se fizer isso, você estará dando a essa pessoa o motivo errado para o seu compromisso com Cristo. Ao invés disso, diga: “Deus, dê-me coragem!” e avise sobre o salto. Só é preciso dizer: “Hei, está determinado às pessoas morrer uma só vez. Se você morrer com seus pecados, Deus será forçado a fazer-lhe justiça – e o julgamento do Senhor será completo. Pois, de Toda palavra frívola que as pessoas proferirem, prestarão contas no Dia do Julgamento; Assim, se você alguma vez cobiçou alguém sexualmente, praticou adultério em seu coração. Se, alguma vez na vida, sentiu ódio por alguém, você matou a pessoa em seu coração. Jesus alertou que a justiça será completa – o punho cerrado da ira eterna virá sobre você (PLOFT!), transformando-o em pó! Deus abençoe.” Entendam, santos, que não estou falando em pregar o fogo do inferno. Tal pregação produz convertidos cheios de medo, o uso da Lei de Deu produz convertidos cheios de lágrimas. Os primeiros vêm a Cristo por que? Porque querem escapar do fogo do inferno, mas, em seus corações, acham que Deus é duro e injusto, pois a Lei de Deus não foi usada para mostrar-lhes quão mal é o pecado. Não conseguem ver que merecem o inferno e, portanto, não entendem misericórdia ou graça. Assim, falta-lhes gratidão a Deus por Sua misericórdia. E gratidão é a motivação básica do evangelismo. Não haverá zelo no coração de um falso convertido para evangelizar. No segundo caso, os pecadores vêm a Cristo sabendo que pecaram contra Deus, que os olhos de Deus estão em todo lugar observando o bem e o mal; que Deus vê a escuridão como se fosse pura luz; que Deus tem visto os seus pensamentos. Se Deus, em Sua santidade, no dia da ira fizesse manifestos todos os seus pecados escondidos de seu coração, todas as suas atitudes feitas às escondidas, se Ele fizesse manifesta toda a evidência de sua culpa, Deus os tomaria por algo impuro e os lançaria no inferno, aplicando-lhes a justiça. Mas, ao invés disso, Deus deu-lhes misericórdia, demonstrou-lhes o seu amor, pois enquanto ainda eram pecadores Cristo morreu por eles. Assim, caem de joelhos diante da cruz manchada de sangue e dizem: “Oh, Deus, se fizeres isto por mim, farei tudo por Ti. Me apraz fazer a tua vontade, oh, meu Deus. Tua Lei está escrita em meu coração.” E, da mesma maneira que o homem que sabia que teria que saltar pela porta do avião e enfrentar as conseqüências por quebrar a lei da gravidade e, por isso, jamais tiraria o pára-quedas pois sua própria vida dependia dele, assim também é todo aquele que chega ao Salvador sabendo que terá que deparar-se a Deus face a face no dia da ira: jamais desprezará a justiça de Deus em Cristo, pois sua própria vida depende disso

Deixem-me ver se posso ilustrar bem a questão ao nos aproximarmos do término desta mensagem. Estava em uma loja algum tempo atrás e o proprietário estava a servir um cliente usando o nome de Deus de forma blasfema. Bem, se alguém usasse o nome de minha esposa de forma blasfema, isto é, em lugar de um palavrão, eu ficaria extremamente ofendido com isso. Mas, aquele cara estava usando o nome de Deus como um palavrão – o nome do Deus que lhe dera vida, seus olhos, habilidade de pensar, seus filhos, seu alimento; todo prazer que já tivera até aquele momento lhe tinha sido dado pela bondade de Deus – e ele estava usando o nome de Deus como um palavrão. De maneira indignada, curvei-me entre ele e o freguês e disse: “Com licença, isso aqui é uma reunião religiosa?” O cara se virou e disse: “Que diabos? Não!” “Ah, é sim! Pois agora você está falando do diabo. Deixe-me dar um de meus livros de presente para você.” Então, fui até o meu carro e peguei um livro que escrevi chamado Deus Não Acredita em Ateus: Evidência de que Ateus Não Existem. É um livro que usa lógica, humor, raciocínio e racionalismo para provar a existência de Deus – que é algo que se pode fazer em dois minutos sem usar fé. É algo muito simples para provar a existência de Deus de maneira absolutamente conclusiva. Além disso, se prova também que ateus não existem. Na verdade, deixem-me mostrar-lhes um de nossos adesivos para carro. “Dia Nacional do Ateu: 1º de Abril”. [Continuando a história,] dei o livro ao proprietário da loja e, dois meses depois, voltei lá para dar-lhe outro livro meu, Meu Amigos Estão Morrendo! Uma história verídica e pungente sobre a ministração do Evangelho na parte mais perigosa de Los Angeles; um livro que também usa humor em sua apresentação. Dei-lhe estes livros e, posteriormente, ele me ligou para contar-me o que tinha acontecido: sua esposa começou a olhar feio para ele por estar lendo um livro chamado Meus Amigos Estão Morrendo e dando risadas a cada dois minutos. Mas, acontece que ele estava fazendo faxina em seu quarto e pegou o outro livro Deus não acredita em Ateus. “Ah!” (de maneira desgostosa), disse ele, mas, ainda assim, leu a primeira página e, então, leu as outras 260 páginas do livro. Ele me disse: “Aquilo foi estranho, pois detesto a leitura.” Aí, ele leu Meus Amigos Estão morrendo!, entregou sua vida a Cristo, comprou uma Bíblia e, quando veio me fazer uma visita, contou-me que, apenas dois dias após tornar-se Cristão, ele já tinha lido até o livro chamado Levi--co e, se eu me lembro bem, em seguida, ele iria ler o livro de Palmos e Jô. Seja como for, o fato é que, até o momento de sua conversão o homem era um bruxo praticante. “A Lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” 

  É como se Deus estivesse olhando lá de cima para mim – durante todo o tempo em que, por muitos anos, eu pregava em praça pública, combatendo o inimigo com o espanador de penas do evangelismo moderno – e dizendo: “O que é que você está fazendo? As armas da minha milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas (2 Coríntios 10:4). Eis aqui dez grandes canhões.” E, quando eu comecei a alinhar e apontar os dez canhões da Lei de Deus, os pecadores pararam de caçoar e fazer pouco. Muito pelo contrário, seus rostos ficaram pálidos. Eles começaram a erguer as mãos e dizer: “Eu me rendo” Entrego tudo a Jesus.” Começaram a vir para o lado dos vencedores para nunca pensar em retroceder. Este tipo de convertidos se tornam ganhadores de almas, ao invés de aquecedores de banco de igreja, obreiros, ao invés de preguiçosos, bens ativos, ao invés de passivos para a igreja local. 

 E agora, santos, com suas cabeças erguidas e olhos abertos, e sem música alguma sendo tocada, deixem-me desafiá-los sobre a validade de sua salvação. O evangelismo moderno diz: “Jamais questione a sua salvação.” Porém, a Bíblia diz exatamente o contrário. Ela diz: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé” (2 Coríntios 13:5). É melhor que seja agora de que no Dia do Julgamento. A Bíblia diz ainda: “Procurai fazer firme a vossa vocação e eleição” (2 Pedro 1:10) e alguns de vocês sabem que há algo radicalmente errado com sua caminhada Cristã. Você perde sua paz e alegria quando o vôo fica turbulento. Falta-lhe zelo para evangelizar. Jamais você caiu com rosto em chão diante do Deus Todo-Poderoso e disse: “Pequei contra Ti, ó Deus! Tem misericórdia de mim!” Nunca você correu para os braços de Jesus Cristo para ser limpo pelo seu sangue, clamando desesperadamente: “Deus, tem misericórdia de mim, pois sou um pecador!” E tem mais: falta-lhe gratidão, falta-lhe um zelo ardente pelos perdidos. Você não pode nem dizer que o fogo de Deus queima em seu coração. Na verdade, há um grande perigo de estar entre aqueles chamados “mornos” que serão cuspidos da boca de Cristo no Dia do Julgamento (Apocalipse 3:16) quando as multidões clamarão a Jesus: “Senhor, Senhor” e Ele dirá: “Apartai-vos de mim todos vós [transgressores] que praticais a iniqüidade: nunca vos conheci.” (Mateus 7:22-23). Ignoraram a Lei Divina. A Bíblia diz mais: “Aparte-se da iniqüidade todo aquele que profere o nome do Senhor.” Então, hoje mesmo, você precisa reajustar o motivo de seu compromisso. Amigo, não deixe o seu orgulho impedi-lo. Gostaria de orar por você. Eu orarei daqui mesmo e você pode ficar aí onde está sentado. E se você quiser se incluir nesta oração, eu gostaria que levantasse a sua mão, mas lembrasse disso: se você pensar: “Bem, eu deveria levantar a minha mão, mas o que as pessoas vão pensar?” Isso é orgulho, pois prefere a aprovação dos homens do que a de Deus (João 12:43). Todo aquele que é orgulhoso de coração é abominação ao Senhor (Provérbios 16:5). Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes. Então, humilhe-se diante da poderosa mão de Deus e Ele, no tempo certo, te exaltará (1 Pedro 5:5-6). Chame isso de renovação de compromisso. Chame de compromisso. [Chame do que quiser.] Mas, seja lá de que você o chamar, certifique-se de seu chamado e eleição (2 Pedro 1:10). 


 

Esta mensagem foi pregada pela primeira vez em agosto de 1982. Reprodução permitida [e encorajada].
Traduzida para o português do Brasil em setembro de 2005. Tradutor: fguarany@yahoo.com.br
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Um Sermão (Nº 0015)

Pregado na Manhã de Domingo, 18 de Março de 1855 pelo Reverendo C. H. Spurgeon

No Exeter Hall, Strand— Londres —Inglaterra

“Escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha” (Oséias 8:12)

Esta é a queixa de Deus contra Efraim. Não é uma prova insignificante de Sua bondade, que Ele se incline para repreender Suas criaturas errantes; é uma grandiosa evidência de Sua disposição cheia de graça, que incline Sua cabeça para observar os assuntos da terra. Se Ele quisesse, poderia Se envolver com a noite como se fosse um vestido; poderia colocar as estrelas ao redor de Sua mão como se fossem um bracelete e unir os sóis ao redor de Sua testa como um diadema; poderia morar só, longe, muito acima deste mundo, acima do sétimo céu, e contemplar com calma e silenciosa indiferença todas as atividades das criaturas.

Poderia fazer como Júpiter que, segundo criam os pagãos, se assentava em perpétuo silêncio, fazendo cenas às vezes com sua terrível cabeça, para fazer com que os destinos se movam segundo lhe agrade, porém ignorando as coisas pequenas da terra, e considerando-as indignas de chamar sua atenção; absorto em seu próprio ser, absorto em Si mesmo, vivendo só e separado. E eu, como uma de Suas criaturas, poderia subir ao cume de uma montanha e olhar para as estrelas silenciosas e dizer-lhes: “Vós sois os olhos de Deus, porém não olhais para mim; a vossa luz é um dom de Sua onipotência, porém esses raios não são sorrisos de amor para mim. Deus, o poderoso Criador, me esqueceu; sou uma gota desprezível no oceano da criação, uma folha seca no bosque dos seres viventes, um átomo na montanha da existência. Ele não me conhece, estou só, só, só”.

Porém não é assim, amados. Nosso Deus é de uma ordem diferente. Ele observa a cada um de nós. Não existe nem mesmo um pardal ou um verme que não se encontre em Seus decretos. Não há uma pessoa sobre a qual não estejam os Seus olhos. Nossos atos mais secretos são conhecidos por Ele. Qualquer coisa que façamos, que suportemos ou soframos, o olho de Deus sempre descansa sob nós e Seu sorriso nos cobre, pois somos Seu povo; ou a Sua desaprovação nos envolve, pois temos nos apartado dEle.

Oh! Deus é dez mil vezes misericordioso, pois contemplando a raça do homem, não finda com sua existência. Vemos por nosso texto que se interessa pelo homem, porquanto disse a Efraim: “Escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”. Porém, vejam como quando observa o pecado do homem, não o destrói ou despreza a ponta-pés, nem tampouco o sacode pelo pescoço sobre o abismo do inferno até fazer sua mente cambalear pelo terror, para, finalmente, lançá-lo nele para sempre; pelo contrário, Deus desce do céu para argumentar com Suas criaturas, discute com elas, Se rebaixa, por assim dizer, ao mesmo nível do pecador, lhe expõe Suas queixas e alega os Seus direitos. Oh! Efraim, “escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”.

Venho esta noite como enviado de Deus, amigos meus, para tratar com vocês como embaixador de Deus, para acusar de pecado a muitos de vocês; para fazer-lhes ver sua condição, com o poder do Espírito; para convencer-lhes do pecado, da justiça e do juízo vindouro. O crime do qual vos acuso é o pecado que lemos neste texto. Deus escreveu as grandezas de Sua lei, e elas foram tidas como coisa estranha. É precisamente sobre este bendito livro, a Bíblia, que pretendo falar no dia de hoje. Aqui está meu texto: esta é a Palavra de Deus. Aqui está o tema de meu sermão, um tema que demanda mais eloqüência do que a que possuo; um assunto sobre o qual poderiam falar milhares de oradores ao mesmo tempo; um tema poderoso, amplo e um assunto inesgotável que, ainda que consumindo toda a eloqüência da eternidade, não permaneceria esgotado.

Esta noite tenho três coisas para dizer acerca da Bíblia, e as três se encontram no meu texto. Primeira, Seu autor: “[Eu] escrevi-lhes”; segunda, seus temas: as grandezas da lei de Deus; e terceira, seu tratamento generalizado: foram tidas pela maioria dos homens como coisa estranha.

I. Primeiro, então, com relação a este livro, quem é O AUTOR? O texto nos diz que é Deus. “Eu escrevi-lhes as grandezas de minha lei”. Aqui está minha Bíblia, quem a escreveu? Abro-a e observo que se compõe de uma série de tratados. Os primeiros cinco livros foram escritos por um homem chamado Moisés. Passo as páginas, e vejo que há outros escritores tais como Davi e Salomão. Aqui leio Miquéias, então Amós, então Oséias. Prossigo adiante e chego às luminosas páginas do Novo Testamento, e vejo Mateus, Marcos, Lucas e João; Paulo, Pedro, Tiago e outros; porém, quando fecho o livro, me pergunto: quem é o seu autor? Podem estes homens, juntamente, reivindicar a autoria deste livro? São eles realmente os autores deste extenso volume? Divide-se entre todos eles a honra? Nossa santa religião responde: Não!

Este volume é a escrita do Deus vivo: cada letra foi escrita por um dedo Todo-poderoso; cada palavra saiu dos lábios eternos, cada frase foi ditada pelo Espírito Santo. Ainda que Moisés tenha sido usado para escrever suas histórias com sua ardente pluma, Deus guiou essa pluma. Pode ser que Davi tenha tocado sua harpa, fazendo que doces e melodiosos salmos brotassem de seus dedos, porém Deus movia Suas mãos sobre as cordas vivas de sua harpa de ouro. Pode ser que Salomão que tenha cantado os Cânticos de amor, ou pronunciado palavras de sabedoria consumada, porém Deus dirigiu seus lábios, e fez eloqüente ao Pregador. Se sigo ao trovejador Naum, quando seus cavalos aram as águas, ou a Habacuque quando vê as tendas de Cusã em aflição; se leio Malaquias, quando a terra está ardendo como um forno; se passo para as serenas páginas de João, que nos falam de amor, ou para os severos e fogosos capítulos de Pedro, que falam do fogo que devora os inimigos de Deus, ou para Judas, que lança anátemas contra os adversários de Deus; em todas partes vejo que é Deus quem fala.

É a voz de Deus, não do homem; as palavras são as palavras de Deus, as palavras do Eterno, do Invisível, do Todo-poderoso, do Jeová desta terra. Esta Bíblia é a Bíblia de Deus; e quando a vejo, parece que ouço uma voz que surge dela, dizendo: “Sou o livro de Deus; homem, leia-me. Sou a escrita de Deus: abra minhas folhas, porque foram escritas por Deus; leia-as, porque Ele é meu autor, e O verá visível e manifesto em todas as partes”. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”.

Como sabemos que Deus escreveu este livro? Não tentarei responder a esta pergunta. Poderia fazê-lo se quisesse, porque há razões e argumentos suficientes, porém não penso em roubar o vosso tempo nesta noite, expondo esses argumentos à vossa consideração; sim, não farei isso. Se quisesse, poderia lhes dizer que a grandeza do estilo está acima de qualquer escrita mortal, e que todos os poetas que já existiram no mundo, com todas suas obras juntas, não poderiam nos oferecer uma poesia tão sublime, nem uma linguagem tão poderosa como podemos encontrar nas Escrituras.

Poderia insistir que os temas que se tratam na Bíblia estão muito acima do intelecto humano; que o homem nunca poderia ter inventado as grandes doutrinas da Trindade na Deidade; que o homem nunca poderia ter nos dito nada da criação do universo; nenhum ser humano poderia ter sido o autor da sublime idéia da Providência; que todas as coisas são ordenadas segundo a vontade de um grandioso Ser Supremo, e que todas elas cooperam juntamente para o bem. Poderia falar-lhes acerca de sua honestidade, pois relata as falhas de seus escritores; de sua unidade, pois nunca se contradiz; de sua simplicidade magistral, para que o mais simples a possa ler. E poderia mencionar centenas de coisas mais, que poderiam demonstrar com claridade que o livro é de Deus. Porém, não vim aqui para provar isso.

Sou um ministro cristão, e vocês são cristãos, ou professam sê-lo; e nenhum ministro cristão precisa provar seu ponto de vista, trazendo os argumentos dos pagãos para respondê-los. É a maior insensatez do mundo. Os infiéis, pobres criaturas, não conhecem seus próprios argumentos até que nós lhes contemos, e eles, juntando-os pouco a pouco, voltam a lançar-lhes como lanças sem pontas contra o escudo da verdade. É uma insensatez tirar estes tições do fogo do inferno, ainda que estejamos bem preparados para apagá-los. Deixemos que os homens do mundo aprendam o erro por si mesmos; não sejamos propagadores e suas falsidades. É certo que há pregadores que, não contando com os argumentos suficientes, os tiram de qualquer parte; porém os homens eleitos pelo próprio Deus não necessitam fazer isso; eles são ensinados por Deus, e Deus lhes supre os temas, as palavras e o poder.

Talvez haja alguém aqui nesta noite que tenha vindo sem fé, um homem racionalista, um livre pensador. Com esse homem não irei discutir. Confesso que não estou aqui para participar de controvérsias, mas para pregar o que conheço e sinto. Porém eu também já fui como esse homem. Houve uma hora má em minha vida, quando soltei a âncora da minha fé; eu cortei o cabo das minhas crenças e, já não querendo estar por mais tempo ao abrigo das costas da Revelação, deixei que meu navio andasse a deriva, impulsionado pelo vento. Disse à razão: “Sê minha capitã”; disse ao meu próprio cérebro: “sê meu timão”. E assim comecei minha louca viagem. Graças a Deus tudo isso já terminou. Porem, lhes contarei sua breve história.

Foi uma navegação precipitada pelo tempestuoso oceano do livre pensamento. Conforme avançava, os céus começaram a escurecer; porém, para compensar essa deficiência, as águas eram brilhantes com fulgores esplendorosos. Eu via que subiam centelhas que me agradavam, e pensei: “Se isto é o livre pensamento, é algo maravilhoso”. Meus pensamentos pareciam jóias e eu espalhava estrelas com minhas duas mãos; porém imediatamente, no lugar daqueles fulgores de glória, vi amargos amigos, ferozes e terríveis, surgindo das águas, e conforme prosseguia, eles rangiam seus dentes e zombavam de mim; eles se apegaram à proa do meu navio e me arrastaram. Enquanto eu, em parte, me gloriava da rapidez com que me movia, me estremecia, contudo, pela velocidade terrível com que deixava para trás os velhos pilares da minha fé.

Conforme seguia avançando a uma velocidade espantosa, comecei a duvidar da minha própria existência; duvidava que o mundo existisse; duvidava que houvesse tal coisa como meu próprio eu. Cheguei à própria borda dos domínios sombrios da incredulidade. Fui até ao próprio fundo do mar da infidelidade. Duvidava de tudo. Porém aqui Satanás enganou a si mesmo, porque a própria extravagância das dúvidas me demonstrou o absurdo delas. Justamente quando vi o fundo desse mar, escutei uma voz que dizia: “E pode esta dúvida ser verdade?” Por causa deste pensamento voltei à realidade. Despertei-me desse sono de morte, que, Deus o sabe, poderia ter condenado minha alma e destruído meu corpo, se não tivesse despertado.

Quando me levantei, a fé tomou o timão; a partir desse momento já não duvidei. A fé conduziu meu navio de volta; a fé gritava: “Longe daqui, longe daqui!” Lancei minha âncora no Calvário; alcei meus olhos a Deus, e eis-me aqui vivo e fora do inferno. Portanto, eu digo o que sei. Naveguei nessa viagem perigosa; regressei ao porto são e salvo. Peça-me que seja outra vez um incrédulo! Não, já o provei. Foi doce ao princípio, mas amargo depois. Agora, atado ao Evangelho de Deus mais firmemente do que nunca, parado sobre uma rocha mais dura do que o diamante, desafio os argumentos do inferno a que me movam, “porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” .

Porém, não vou refutar nem argumentar nesta noite. Vocês professam ser homens cristãos, pois do contrário não estariam aqui. Vossa profissão pode ser falsa; o que vocês dizem ser, pode ser exatamente o contrário do que realmente são. Porém, ainda assim, eu suponho que todos vocês admitem que esta é a Palavra de Deus. Portanto, um ou dois pensamentos sobre isto. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei”.

Primeiro, meus amigos, examinem este volume e admirem sua autoridade. Este não é um livro comum. Não contém os ditos dos sábios da Grécia, nem os discursos dos filósofos da antiguidade. Se estas palavras tivessem sido escritas pelo homem, poderíamos rejeitá-las; porém, oh!, deixe-me pensar um pensamento solene: que este livro é a letra de Deus, que estas são Suas palavras. Deixe-me investigar sua antiguidade: está datado das colinas do céu. Permita-me que olhe suas letras: relampejam glória em meus olhos. Deixe-me ler seus capítulos: seu significado é grandioso e contêm mistérios escondidos. Nos voltemos para as profecias: estão cheias de maravilhas inefáveis. Oh, livro dos livros! E foste tu escrito por meu Deus? Então, me prostro diante de ti. Tu, livro de vasta autoridade; tu és uma proclamação do Imperador do Céu. Longe esteja de mim exercitar minha razão para contradizer-te. Razão!, tua função é considerar e averiguar o que este volume quer dizer, e não estabelecer o que deveria dizer.

Vamos, vós, minha razão e meu intelecto, sentem-se e escutem, porque estas palavras são as palavras de Deus. Sinto-me incapaz de estender-me neste pensamento. Oh, se tu pudesses recordar sempre que esta Bíblia foi verdadeira e realmente escrita por Deus! Oh! se se lhes houvesse permitido entrar nas câmaras secretas do céu, e tivessem podido contemplar a Deus quando tomava Sua pluma e escrevia estas letras, então com seguranças as respeitariam. Porém, são efetivamente o manuscrito de Deus, tanto como se vocês tivessem visto Deus escrevendo-as. Esta Bíblia é um livro de autoridade, é um livro autorizado, pois Deus o escreveu. Oh, temam, não a desprezem; observem sua autoridade, porque é a palavra de Deus.

Então, posto que Deus a escreveu, notem sua veracidade. Se eu a tivesse escrito, haveria vermes críticos que de imediato a atropelariam, e a cobririam com suas larvas malvadas. Se eu a tivesse escrito, não faltariam homens que a despedaçassem imediatamente, e talvez com muita razão. Porém, esta é a Palavra de Deus. Aproximem-se, investiguem, vós críticos, e encontrem uma falha; examinem-na desde seu Gênesis até seu Apocalipse, e encontrem um erro. Esta é uma veia de puro ouro, sem mescla de quartzo, ou de qualquer outra substância terrena. Esta é uma estrela sem mancha, um sol de perfeição, uma luz sem sombra, uma lua sem sua palidez, uma glória sem penumbra.

Oh, Bíblia, não se pode dizer de nenhum outro livro que seja perfeito e puro; porém, nós podemos declarar de ti que toda a sabedoria se encontra encerrada em ti, e não há nenhuma partícula de insensatez. Este é o juiz que põe fim a toda discussão, ali onde a inteligência e a razão fracassam. Este livro não tem mancha de erro; mas é puro, sem mesclas, a verdade perfeita. Por que? Porque Deus o escreveu. Ah! Acusem Deus de erro, se querem; digam-Lhe que Seu livro não é o que deveria ser.

Tenho ouvido de homens cheio de orgulho e falsa modéstia, que gostariam de alterar a Bíblia, e (quase me ruborizo de dizer) tenho ouvido de alguns ministros que alteraram a Bíblia de Deus, porque tinham medo dela. Vocês nunca ouviram um homem dizer: “Aquele que crer e for batizado, será salvo; mas o que não crê” — o que a Bíblia diz? — “Será condenado”. Porém, acontece que isto é algo rude, portanto eles dizem: “será desaprovado”. Cavaleiros!, eliminem o veludo de suas bocas, e preguem a Palavra de Deus; não necessitamos de nenhuma de suas alterações. Tenho escutado algumas pessoas que, orando, ao invés de dizer: “fazer firme vossa vocação e eleição”, dizem: “fazer firme vossa vocação e salvação”. É uma lástima que não tenham nascido quando Deus morava nos tempos remotos, há muito, muito tempo, para que tivessem podido ensinar a Deus como escrever. Oh!, desonestidade além de todo limite! Oh!, orgulho desmedido! Tratar de ditar ao Sábio dos sábios, de ensinar ao Onisciente e de instruir ao Eterno! É estranho que haja homens tão vis que usem o canivete de Jeioaquim para mutilar passagem da Palavra, porque têm mau sabor. Oh, vocês que sentem aversão por certas porções da Santa Escritura, tenham a certeza de que seu gosto é corrompido e que a vontade de Deus não se sujeita à pobre opinião de vocês. Tua desaprovação é precisamente a razão pela qual Deus a escreveu; porque não se deve acomodar a ti, nem tens direito de ser agradado. Deus escreveu o que não te agrada: escreveu a verdade. Oh, prostremo-nos em reverência diante dela, pois Deus a inspirou. É verdade pura. Desta fonte manda aqua vitae — a água da vida — sem nenhuma partícula de terra; deste sol nascem raios de esplendor sem sombra alguma. Bendita Bíblia; tu és toda a verdade.

Antes de deixar este ponto, detenhamo-nos a considerar a natureza misericordiosa de Deus, em ter-nos escrito uma Bíblia. Ah! Ele poderia ter-nos deixado sem ela, que tatearíamos nosso caminho de trevas, como os cegos buscam a parede; Ele poderia ter-nos deixado em nosso extravio, com a estrela da razão como nosso único guia. Recordo uma história do Sr. Hume, que constantemente afirmava que a luz da razão é suficiente em abundância. Estando na casa de um bom ministro de Deus numa noite, havia estado discutindo sobre este assunto, manifestando sua firme convicção na suficiência da luz da natureza. Ao sair, o ministro lhe ofereceu uma vela, para iluminar, enquanto ele descia a escadaria. Ele disse: “não, a luz da natureza será suficiente; a luz me bastará”. Porém, ocorreu que uma nuvem estava ocultando a lua, e ele caiu, escadaria abaixo. “Ah!”, disse o ministro, “apesar de tudo, teria sido melhor haver tido uma pequena luz daqui de cima, Sr. Hume”.

Então, ainda que supondo que a luz natural fosse suficiente, seria melhor que tivéssemos um pouco de luz de cima, e desta maneira estaríamos seguros de estarmos certos. É melhor ter duas luzes do que uma. A luz da criação é muito brilhante. Podemos ver a Deus nas estrelas; Seu nome está escrito com letras de ouro no rosto da noite; podem descobrir Sua glória nas orlas do oceano, sim, e nas árvores do campo. Porém, é melhor ler em dois livros, do que em um. Vocês O encontrarão mais claramente revelado, porque Ele mesmo escreveu este livro e nos deu a chave para entendê-lo, se vocês têm o Espírito Santo. Amados irmãos, demos graças a Deus por esta Bíblia. Amemo-la e consideremo-la mais preciosa do que o ouro mais fino.

Porém, permitam-me dizer uma coisa, antes de passar para o segundo ponto. Se esta é a Palavra de Deus, que será de alguns de vocês que não a tem lido durante todo o último mês? “O senhor disse um mês? Eu não a li durante todo este ano!” Ah, e muitos de vocês não a leram nunca. A maioria das pessoas trata a Bíblia de uma maneira mui cortês. Têm uma edição de bolso belamente encadernada, a envolvem num pano branco, e assim a levam ao lugar do culto. Quando regressam para casa, a guardam numa gaveta até o próximo Domingo pela manhã. Então, lá voltam a tirar para um passeio, e a levam à capela; tudo quanto a pobre Bíblia recebe é este passeio dominical. Esse é seu estilo de tratar este mensageiro celestial. Há pó suficiente sobre algumas de suas Bíblias para escrever “condenação” com seus próprios dedos. Muitos de vocês nem sequer a tem folheado há muito, muito, muito tempo e, que pensam?

Digo-vos palavras duras, porém palavras verdadeiras. Que dirá Deus, finalmente? Quando chegarem a Sua presença, Ele perguntará: “Leste minha Bíblia?” “Não”.“Escrevi-te uma carta de misericórdia, a leste?” “Não”. “Rebelde! Enviei-te uma carta, convidando-te a Mim, a leste alguma vez” “Senhor, nunca rompi o selo: sempre a guardo bem fechada”. “Maldito”, diz Deus, “então, tu mereces o inferno; se te enviei uma epístola de amor, e nem sequer quiseste romper o selo, que farei contigo?” Oh! Não permitam que isso lhes suceda. Sejam leitores da Bíblia, sejam esquadrinhadores da Bíblia.

II. Nosso segundo ponto é: OS TEMAS DOS QUAIS A BÍBLIA TRATA. As palavras do texto são estas: “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei”. A Bíblia fala de grandes coisas e somente de grandes coisas. Não há nada na Bíblia que não seja importante. Cada versículo contém um solene significado, e se todavia não o temos encontrado, esperamos fazê-lo. Vocês têm visto múmias, cobertas com dobras de pano de linho. Bem, a Bíblia é Deus é algo parecido; há numerosos rolos de linho branco, tecidos no tear da verdade; de maneira que terão que continuar desatando, rolo após rolo, até encontrar o verdadeiro significado do que está escondido; e quando crerem ter encontrado, ainda assim continuarão desatando, desatando, e durante toda a eternidade vocês estarão desatando as palavras deste grandioso volume. Não há nada na Bíblia que não seja grandioso. Permitam-me dividir, para ser mais breve. Primeiro, todas as coisas nesta Bíblia são grandiosas; segundo, algumas coisas as mais grandiosas de todas.

Todas as coisas da Bíblia são grandiosas. Algumas pessoas pensam que não importa a doutrina na qual alguém crê; que algo secundário a que igreja você assiste; que todas as denominações são iguais. Há um ser, a senhora Intolerância, a qual eu detesto mais do que ninguém neste mundo, e a qual jamais fiz algum cumprimento ou elogio; porém, há outra pessoa a qual odeio igualmente; trata-se do senhor Latitudinarismo [1], indivíduo bem conhecido que descobriu que todos somos iguais. Agora, eu creio que uma pessoa pode ser salva em qualquer igreja. Algumas têm sido salvas na igreja de Roma, uns poucos homens benditos cujos nomes poderia citar aqui. Também sei, bendito seja Deus, que grandes multidões são salvas na igreja da Inglaterra; nela há uma hoste de sinceros e piedosos homens de oração. Creio que todos os ramos do protestantismo cristão têm um remanescente segundo a eleição da graça; e que necessitam ter, algumas delas, um pouco de sal, pois do contrário se corromperiam. Porém quando disso isso, vocês imaginam que coloco todas elas no mesmo nível? Estão todas igualmente certas? Uma diz que o batismo de infantes é correto, outras afirmam que não é correto. Alguns dizem que ambas têm razão, porém eu não vejo assim. Uma ensina que somos salvos pela graça soberana, outra diz que não, senão que é nosso livre-arbítrio que nos salva; contudo, outras dizem que as duas coisas estão certas. Eu não entendo assim. Uma diz que Deus ama o Seu povo e que nunca deixará de amá-lo; outra afirma que Ele não amou o Seu povo antes que esse povo O amasse; que umas vezes o ama e outras deixam de amá-lo, e Se afasta deles. Ambas podem ter razão no essencial, porém nunca quando uma diz “Sim” e outra “Não”. Para ver assim necessitaria de um par de óculos, que me capacitassem a olhar para trás e para frente ao mesmo tempo. Não pode ser, senhores, que ambas tenham razão, apesar de que há quem diga que as diferenças não são essenciais.

Este texto diz: “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei”. Não há nada na Bíblia de Deus que não seja grandioso. Vocês nunca pararam alguma vez para ver qual é a religião mais pura? “Oh”, dizem, “nunca nos molestamos com isso. Nós simplesmente vamos aonde nosso pai e nossa mãe foram”. Ah! Essa é certamente uma razão muito profunda. Vocês vão onde seus pais foram. Eu creia que vocês eram pessoas sensatas, e nunca pensei que se deixaram levar pelos outros, em vez de por sua própria convicção. Eu amo meus pais acima de tudo que respira, e o simples fato de que creram que uma coisa é verdade, me ajuda a pensar que o é; porém, eu não lhes segui. Pertenço a uma denominação diferente, e dou graças a Deus por isso. Posso recebê-los como irmãos e irmãs em Cristo, mas nunca pensei que, porque eles foram uma coisa, eu tinha que ser o mesmo. Nada disso. Deus me deu um cérebro e devo utilizá-lo; e se vocês têm algum intelecto, devem usá-lo também.

Nunca digam que não importa. Claro que importa. Tudo quanto Deus escreveu aqui é de importância eminente; Ele jamais teria escrito uma coisa que fosse indiferente. Tudo quanto há aqui tem um valor; portanto, esquadrinhem todos os temas, provem tudo pela Palavra de Deus. Não tenho nenhuma objeção a que tudo o que eu pregue seja provado por este livro. Dêem-me somente um auditório imparcial e nenhum favor especial, e este livro; e se digo algo contrário a ele, retratar-me-ei no domingo seguinte. Por isto me mantenho firme ou caio. Busquem e olhem, porém nunca digam: “Não importa”. Quando Deus diz algo, sempre deve ser importante.

Porém, ainda que todas as coisas na Palavra de Deus sejam importantes, nem tudo é igualmente importante. Há certas verdades vitais e fundamentais que devem ser cridas, ou do contrário o homem não poderá ser salvo. Se querem saber o que é que devem crer para serem salvos, encontrarão as grandezas da lei de Deus entre estas duas capas; todas estão contidas aqui. Como compêndio ou resumo das grandezas da lei, recordo o que um velho amigo meu disse certa vez: “Ah! Pregue os três R’s e Deus sempre te abençoará”. Eu perguntei: “O que são estes três R’s?” E ele me respondeu: “Ruína, Redenção e Regeneração”. Estas três coisas contêm a essência e o todo da teologia. “R” de Ruína. Todos fomos arruinados na queda, todos nos perdemos quando Adão pecou e todos estamos arruinados pelas nossas próprias transgressões; todos estamos arruinados pelos nossos corações perversos, por nossos desejos maus, e todos estaremos arruinados, a menos que a graça nos salve. Então, vêm o segundo “R”, de redenção. Somos redimidos pelo sangue de Cristo, um Cordeiro sem mancha, nem contaminação; somos resgatados por Seu poder, somos redimidos por Seus méritos; e resgatados por Sua força. Continuando, temos o “R” de regeneração. Se quisermos ser perdoados, temos também que ser regenerados, porque ninguém pode ser partícipe da redenção sem ser regenerado. Podemos ser tão bons como queiramos, e servir a Deus segundo o imaginemos, segundo queiramos; porém, se não tivermos sido regenerados, se não temos um coração novo, se não nascemos de novo, ainda estamos na primeira “R”, isto é, na ruína.

Este é um pequeno resumo do Evangelho, porém creio que há um outro melhor nos cinco pontos do calvinismo: Eleição segundo a presciência de Deus, a depravação natural e a pecaminosidade do homem, a redenção particular pelo sangue de Cristo, o chamado eficaz pelo poder do Espírito e a perseverança final pelo poder de Deus. Para sermos salvos, devemos crer nestes cinco pontos; porém não gostaria de escrever um credo como o de Atanásio, que começa assim: “Todo aquele que quiser ser salvo, deverá crer em primeiro lugar na fé católica, a qual é esta”; ao chegar a este ponto, teria que me deter porque não saberia como continuar. Sustento a fé católica da Bíblia, toda a Bíblia e nada mais que a Bíblia. Não me diz respeito elaborar credos; senão que suplico que esquadrinhem as Escrituras, porque elas são a palavra de vida.

Deus disse: “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei”. Duvidam de sua grandeza? Crêem que não são dignas da atenção de vocês? Homem, penses por um momento, onde te encontras agora?

“Eis aqui, num estreito pedaço de terra,
Na metade de mares sem limites;
Uma polegada de tempo, o espaço de um momento,
Pode me alojar naquele lugar celestial,
Ou me encerrar no inferno”.

Recordo que uma vez estava na paria, numa estreita faixa de terra, sem me preocupar que a maré pudesse subir. As ondas lavavam constantemente ambos os lados, e envolto em meus pensamentos, permaneci ali por um longo tempo. Quando quis regressar, encontrei-me ante uma dificuldade: as ondas tinham cortado o caminho. Da mesma maneira, todos nos caminhamos cada dia por uma estreita senda, e há uma onda que sobe cada vez mais; vejam, como está perto de seus pés; e, veja! outra se aproxima a cada tic-tac do relógio: “Nossos corações, como surdos tambores, estão redobrando marchas fúnebres a caminho da sepultura”. Cada momento que vivemos é um avanço para a sepultura. Porém, este Livro me diz que, se sou convertido, quando morrer, receberei um céu de gozo e amor; os anjos me esperarão com seus braços abertos, e eu, levado pelas potentes asas dos querubins, ultrapassarei o relâmpago e me elevarei para além das estrelas, ao trono de Deus, para morar ali para sempre.

“ Longe de um mundo de pecado e dor,
Morarei ali sempre com Deus.

Oh!, isto faz com que meus olhos derramem lágrimas quentes, isto faz com que meu coração se torne grande demais para o meu peito, e meu cérebro gire ante um só pensamento de:

“Jerusalém, meu lugar feliz,
Teu nome é sempre doce para mim”.

Oh! essa doce cena mais acima das nuvens; doces campos revestidos de verde vivo e rios de delícia. Não são estas coisas grandiosas? Porém então, pobre alma não regenerada, a Bíblia diz que, se tu estás perdido, tu estás perdido para sempre; disse-te que se morres sem Cristo, sem Deus, não há esperança para ti; que há um lugar sem nenhum raio de esperança, onde lerás gravadas com letras de fogo: “tu conhecias teu dever, porém não o cumpriste”; elas te diz que serás lançado de Sua presença com um: “Apartai de mim, maldito”. Acaso não é grandioso tudo isto? Sim, senhores, assim como o céu é desejável, assim como o inferno é terrível, assim como o tempo é breve, assim como é eternidade infinita, assim como a alma é preciosa, assim como a dor deve ser evitada, assim como o céu deve ser buscado; assim também Deus é eterno e como Suas palavras são certas, estas coisas são grandiosas; são coisas que vocês devem escutar.
III. Nosso último ponto é: O TRATAMENTO QUE A POBRE BÍBLIA RECEBE NESTE MUNDO. A Bíblia é considerada como uma coisa estranha. O que significa a Bíblia ser considerada como uma coisa estranha? Em primeiro lugar, quer dizer que é completamente alheia a muitas pessoas, porque nunca a lêem. Recordo que, em certa ocasião, eu estava lendo a sagrada história de Davi e Golias, e estava uma pessoa presente, de idade avançada, que me disse: “Meu Deus! Que história interessante; em que livro está?”.

Também me vem à memória outra pessoa que, falando comigo em privado, lhe falei acerca de sua alma, e ela me disse quão profundo era seu sentimento, já que tinha enormes desejos de servir ao Senhor, porém encontrava outra lei em seus membros. Eu abri em Romanos e li: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico”. Ela disse: “Isto está na Bíblia? Eu não sabia disso”. Não a culpei por sua falta de interesse na Bíblia até então; porém eu não poderia deixar de me maravilhar em encontrar pessoas que não soubessem nada sobre tal passagem. Ah! Vocês sabem mais acerca dos livros de contabilidade de seus negócios do que sobre a Bíblia; mais acerca dos diários de suas vidas do que sobre o que Deus escreveu. Muitos de vocês podem ler um romance do princípio ao fim, e que proveito tiram disso? Um bocado de pura espuma ao ter terminado.

Porém, não podem ler a Bíblia; este manjar sólido, perdurável, substancioso e que satisfaz, permanece sem ser provado, guardado no armário da negligência; enquanto tudo quando o homem escreve, capturado diariamente, é devorado com avidez. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”. Vocês nunca a leram. Tenho essa dura acusação contra vocês. Talvez vocês respondam que não devo culpar-lhes por uma coisa assim; porém, sempre penso que mais vale ter uma opinião pior de vocês, do que uma demasiadamente boa. Culpo-lhes disto: vocês nunca lêem sua Bíblia. Alguns de vocês nunca a leram completamente, e seu coração lhe diz que o que estou dizendo é verdade. Não sois leitores da Bíblia. Vocês afirmam que têm uma Bíblia em casa: acaso penso que são tão pagãos que não tenham uma Bíblia em casa? Porém, quando foi a última vez que a leram? Como sabem que os óculos que perderam há três anos atrás, não estão na mesma gaveta da Bíblia? Muitos de vocês não têm lido nem uma só página desde há muito tempo, e Deus poderia dizer-lhes: “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”.

Há outros que lêem a Bíblia, porém quando a lêem, dizem que é terrivelmente árida. Aquele jovem que está lá diz que ela é muito “enfadonha”; essa é a palavra que ele usa. Ele diz: “Minha mão me disse: quando for à cidade, leia um capítulo todo dia. E eu prometi para agradá-la. Oxalá não houvesse feito. Não li nenhum capítulo, nem ontem nem antes de ontem. Estive muito ocupado. Não pode evitá-lo”. Tu não amas a Bíblia, não é verdade? “Não, não encontro nela nada interessante”. Ah! isso é o que eu pensava também. Mas, há pouco tempo atrás, eu não podia ver nada nela. Sabes por que? Porque os cegos não podem ver, podem? Porém, quando o Espírito toca as escamas dos olhos, estas caem, e quando Ele põem colírio nos olhos, a Bíblia se torna preciosa.

Recordo de um ministro que foi um dia visitar uma senhora, já anciã, e se propôs de levar-lhe o consolo de algumas das preciosas promessas da Palavra de Deus. Buscando, encontrou na Bíblia da senhora, escrito na margem, um “P”, e perguntou: “Que significa isto?” “Isto quer dizer preciosa, senhor”. Pouco mais adiante descobriu um “P” e um “E”, escritos juntos, e voltou a perguntar seu significado, e ela lhe respondeu: isto quer dizer ‘provada e experimentada’, porque eu já a provei e já a experimentei”. Se vocês já provaram e experimentaram a palavra de Deus, se é preciosa para suas almas, então vocês são cristãos; porém, essas pessoas que desprezam a Bíblia, “não têm parte nem sorte neste assunto”. Se lhes parece árida, vocês estarão áridos no final, no inferno. Se não a estimam como algo melhor que seu alimento diário necessário, não há nenhuma esperança para vocês, porque carecem da maior evidência de seu Cristianismo.

Porém, ah!, ah!, o pior está por vir. Há pessoas que odeiam a Bíblia, e também a desprezam. Acaso temos algumas dessas pessoas aqui? Alguns de vocês disseram: “Vamos ouvir o que o jovem pregador tem a dizer”. Pois bem, isto é o ele tem para vos dizer: “Vede, ó desprezadores, admirai-vos e desaparecei” (Atos 13:41). Isto é o ele tem para vos dizer: “Os ímpios serão lançados no Inferno, e todas as que se esquecem de Deus” (Salmos 9:17). E também tem que vos dizer isto: “Nos últimos dias virão escarnecedores com zombaria andando segundo as suas próprias concupiscências” (2 Pedro 3:3). Porém mais ainda, lhes diz hoje que se querem ser salvos, devem encontrar a salvação aqui.

Portanto, não menosprezem a Bíblia: esquadrinhe-la, leiam-na, venham até ela. Repouse com certeza, oh zombador, que tuas gargalhadas não podem alterar a verdade, nem tuas zombarias podem te livrar da condenação inevitável. Ainda que em tua dureza fizesses um pacto com a morte e firmasses um trata com o inferno, ainda assim, a veloz justiça te alcançaria, e a poderosa vingança te fulminaria. Em vão zombas e ridicularizas, pois as verdades eternas são mais poderosas que todos teus sofismas; teus engenhosos ditos não podem alterar a verdade divina de uma só palavra deste volume de Revelação. Oh! Por que contende com teu melhor amigo e maltrata teu único refúgio? Ainda há esperança para o zombador. Esperança nas veias do Salvador. Esperança na misericórdia do Pai. Esperança na obra onipotente do Espírito Santo.

Terminarei quando tiver dito mais uma palavra. Meu amigo, o filósofo, diz que é muito bom que eu exorte as pessoas a lerem a Bíblia; porém, ele pensa que há outras muitas ciências grandiosas, mais interessantes e úteis que a teologia. Muito agradecido senhor, por sua opinião. A que ciência você se refere? À ciência de dissecar escaravelhos e colecionar mariposas? “Não, certamente não é a essa”. À ciência de analisar as rochas e de tomar mostras da terra e falar-nos de seus diferentes extratos? “Não, tampouco a essa precisamente”. À que ciência, pois? Ele me responde: “Todas as ciências em geral são mais importantes que a Bíblia”. Ah! senhor, essa é sua opinião, e fala dessa maneira porque estás longe de Deus. Pois a ciência de Jesus Cristo é a mais excelente das ciências. Que ninguém deixe a Bíblia porque não é um livro culto e de sabedoria. Ela o é. Querem saber de astronomia? Aqui está: Ela fala do Sol da Justiça e da Estrela de Belém. Querem saber de botânica? Aqui está: Ela fala de algumas de renome: o Lírio dos Vales e a Rosa de Saron. Querem saber de geologia e mineralogia? Podem aprender isso na Bíblia: podem ler acerca da Rocha dos Séculos e da Pedrinha Branca com um novo nome gravado, o qual ninguém conhece, senão aquele que o recebe. Querem estudar história? Aqui estão os anais mais antigos do gênero humano. Qualquer que seja a ciência de que se trate, venham e busquem-na neste livro. Essa ciência está aqui. Venham e bebam desta formosa fonte de conhecimento e sabedoria, e descobrirão que serão feitos sábios para salvação. Sábios e ignorantes, crianças e homens, cavalheiros de cabelos brancos, jovens e moças — a vocês falo, lhes peço e lhes suplico: respeitem suas Bíblias e esquadrinhem-nas, porque nelas vós pensais ter a vida eterna, e são elas que dão testemunho de Cristo.

Terminei. Voltemos para casa e ponhamos em prática tudo quanto ouvimos. Conheço uma senhora que, quando lhe foi perguntado sobre o que recordava do sermão do pastor, disse: “Não recordo nada do mesmo. Era sobre pesos falsos e medidas fraudulentas, e eu não recordo nada, exceto de que quando cheguei em casa, tive que queimar minhas medidas de grão”. Assim, se vocês recordarem, quando chegarem em suas casas, de queimar suas medidas de grão; se recordarem, quando chegarem em suas casas, de lerem a Bíblia, eu terei dito o suficiente. Queira Deus, em Sua infinita misericórdia, quando lerem a Bíblia, por em suas almas os raios iluminadores do Sol da Justiça, pela obra do sempre adorável Espírito; deste modo, tudo quanto lerem será de proveito e para salvação.

Podemos dizer da BÍBLIA:

“És o gabinete do conselho revelado de Deus!
Onde venturas e angústias estão de tal maneira ordenadas
Que todo homem sabe o que lhe corresponderá
Exceto por seu próprio erro ou falsa aplicação

És o índice da eternidade.
Não poderá deixar de receber a eterna felicidade.
Quem se guie por este mapa,
Nem pode se equivocar quem fale por ele.

É o livro de Deus. Quero dizer
É o Deus dos livros, e peço que aquele que olhe
Com ira para essa expressão, como muito ousada,
Abafe seus pensamentos em silêncio, até encontrar outra”.

NOTAS DO TRADUTOR:

[1] – Latitudinarismo: liberdade de opinião, especialmente em assuntos pertencentes às crenças religiosas.


Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 18 de Novembro de 2004.


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Felipe Sabino de Araújo Neto®
Proclamando o Evangelho Genuíno de CRISTO JESUS, que é o poder de DEUS para salvação de todo aquele que crê.

A VITÓRIA É NOSSA!!!

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A Vitória é nossa!

Nosso maior inimigo é a morte. A morte implica em certo temor.

A Bíblia diz que: “O aguilhão da morte é o pecado,” e a partir do momento em que o primeiro casal sepultou seu filho em uma cova, as pessoas vêm temendo a morte. É o grande monstro misterioso cujos grandes dedos gelados fazem muitos se estremecerem aterrorizados.

O testemunho unânime da história é que a morte é inevitável. Gerações vêm e vão, e cada uma tem deitado seus mortos na tumba. A Bíblia sempre relaciona a morte com o pecado. Ela diz que: “Como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim a morte infectou a todos os homens porquanto todos pecaram.” Rm 5.12

Estamos procurando prolongar a vida mediante fórmulas químicas nos laboratórios científicos de todo o mundo. Mas até que a ciência não pode encontrar uma solução para o problema da morte. Ainda assim, os cientistas descobriram um segredo que prolonga a vida terrena, ao mesmo tempo só conseguiriam êxito em estender nossos dias de tristeza e aflição.

Centenas de filósofos de todas as épocas têm procurado esquadrinhar mais e além do véu da morte. Suas especulações enchem volumes com respeito às possibilidades de vida além da sepultura.

 A morte ronda entre ricos e pobres, eruditos e ignorantes. A morte não faz distinção de raça, cor nem credo. Suas sombras nos acercam dia e noite. Nunca sabemos quando chegará o momento temido.

 Procuramos dissimular o desastre custeando um seguro de vida, e temos inventado outros mecanismos para tornar mais confortáveis nossos últimos dias; todavia sempre está presente a dura realidade da morte.

Muitos se perguntam: Há alguma esperança? Existe alguma porta de escape? Há uma possibilidade de imortalidade?

Não vou levá-los a um laboratório científico, nem à aula de um filósofo, nem ao consultório de um psicólogo. Em seu lugar, vou levá-lo à tumba vazia de José de Arimateia. Maria, Maria Madalena e Salomé tinham ido à tumba para ungir o corpo do Cristo crucificado. Elas ficaram surpresas ao ver a tumba vazia. Um anjo se colocou ao lado do sepulcro e lhes disse: “Buscais a Jesus nazareno? E logo adiantou: Ele ressuscitou, não está mais aqui.”

 Esta foi a maior notícia que o mundo jamais tinha ouvido. Jesus Cristo havia ressuscitado dentre os mortos, como havia prometido.

A ressurreição de Jesus Cristo é a verdade primordial da fé cristã. Ela descansa na mesma raiz do Evangelho. Sem uma fé na ressurreição não pode haver salvação pessoal. A Bíblia diz: “Se confessares com tua boca que Jesus é o Senhor, e creres em teu coração que Deus o levantou dos mortos, serás salvo.” Temos que crer nisto ou nunca poderemos ser salvos.

 Para muitas pessoas a ressurreição tem chegado a ser pouco mais que um símbolo consolador da imortalidade da alma. Porém, a ressurreição abarca muito mais que a perpetuidade da vida. Crer na imortalidade por si mesma poderia ser algo trágico e horrível. A Bíblia ensina que a fé deve ser acompanhada de uma segura convicção de que Deus uma existência eterna em sua presença gloriosa, através do conhecimento pessoal de seu Filho.

Começamos com o fato de que ao terceiro dia, Jesus Cristo havia ressuscitado dos mortos, saiu do sepulcro e apareceu aos desanimados e assombrados discípulos que haviam perdido toda a esperança de revê-lo. Sem nossa aceitação da realidade da ressurreição, essa celebração não é mais que uma ilusão. Como escreveu o apóstolo Paulo há muito tempo: “E se Cristo não ressuscitou, então é vã nossa pregação e vã também será a nossa fé.”

 Quando se contempla a ressurreição de Cristo como um feito histórico, o Domingo da Ressurreição se converte no dia dos dias e se deve reconhecer e celebrar como a maior vitória de todos os tempos.

A ressurreição foi, em um sentido, uma vitória suprema para a raça humana. Foi uma vitória sobre a morte: “Mas agora Cristo tem ressuscitado dos mortos; e foi feito as primícias dos que dormem.” Sua ressurreição dos mortes é a garantia que também para nós a sepultura será aberta e que seremos também ressuscitados: Porque assim como em Adão todos morreram, também em Cristo todos serão vivificados.” A Ressurreição foi também uma vitória sobre o pecado: “O salário do pecado é a morte.” O pecado de Adão no jardim do Éden teve como resultado a culpa, a condenação e a separação da presença de Deus. De fato, ali também se deu a gloriosa promessa de que apareceria a semente da mulher, e que Deus poria inimizade entre sua semente (Cristo) e a serpente (Satanás).

 No conflito resultante, a semente da mulher seria ferida no calcanhar, porém a troca feriria a cabeça da serpente, infligindo-lhe uma chaga mortal. Isto se cumpriu e manifestado abertamente na ressurreição de Cristo.

 A ressurreição também nos dá vitória sobre as dúvidas. Parece que há milhares de cristãos escravos das dúvidas. Não quero dizer que tais pessoas duvidam da existência de Deus ou das verdades bíblicas. Podemos aceitar tudo isso enquanto seguimos duvidando em nossa relação pessoa com o Deus em quem professamos crer. Algumas pessoas têm dúvidas quanto ao perdão de seus pecados, outras duvidam que sua esperança de ir ao céu, e ainda outras desconfiam de sua própria experiência interior.

Durante seu ministério terreno, Jesus fez uma série de assombrosas afirmações e promessas a seus discípulos, que podem ter lhes parecido inacreditáveis enquanto ele estava no sepulcro. Jesus lhes havia dito: “Eu vim para que tenham vida… todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá eternamente.” Porém agora ele que havia feito essas promessas estava morto, e o sepulcro estava fechado sobre aquele que havia prometido vida eterna a todos os que creram nele. SE ele não tivesse ressuscitado, teríamos motivos suficientes para duvidar da validade de suas promessas.

Mas quando ele saiu do sepulcro, todas suas promessas e suas palavras saíram com ele e hoje vivem em gloriosa vitalidade, poder e autoridade.

 A ressurreição é também uma garantia da vitória sobre nossos temores. Os temores são íntimos aliados das dúvidas. O presidente da faculdade de história de uma de nossas grandes universidades uma vez me confidenciou esta opinião: “Nós temos nos convertido em uma nação de covardes.” Não aceitei sua declaração, porém ele arguiu que muitas pessoas têm se mostrado resistentes a seguir um curso não se trata de algo popular. Inclusive se estamos convencidos de que algo é correto, procuramos não nos comprometer porque ficamos com temor. Se as probabilidades nos favorecem, nos colocamos a seu favor, porém se implica em algum risco em defender o que é correto, procuramos nos colocar a salvo.

Você que tem medo da morte, medo de perder a saúde ou de perder os amigos, examine as palavras de Paulo: “Porque Deus não nos tem dado um espírito de covardia, mas de poder, e de amor, e de domínio próprio.” Deus nos tem dado uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos. Este e outras passagens similares assinalam o fato de que nenhum cristão tem razão alguma perante os olhos da vontade de Deus; “Se Deus é por nós, quem será contra nós.

 O poder do Espírito Santo levantou o corpo de Cristo dentre os mortos. Esse mesmo Espírito Santo, agora operando em nós, pode nos livrar dos poderes da ansiedade e do temor, e fazer com que nos regozijemos na segura e gloriosa esperança que ele tem preparado para nós.

A ressurreição nos garante a vitória em nosso dia a dia. A vitória que Cristo conquistou para nós quando ressuscitou do sepulcro pode ser vista em nossa vida diária. Pode ser manifesta em nós e por meio de nós em todo lugar, e em toda circunstância pelo seu poder ressuscitador para a glória de Deus.

Podemos estar conscientes cada dia de seu poder vitorioso operando em nós, por nós e por meio de nós para sua glória. Podemos exclamar como o apóstolo Paulo: “Mas graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” I Co 15.57.

Se você fizer este compromisso com Cristo hoje, por favor, conte-nos a respeito.

Billy Graham

www.billygraham.org

DONS ESPIRITUAIS

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DONS ESPIRITUAIS

 ”Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. Portanto vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo. Ora há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas: e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.”  I Carta de Paulo aos Coríntios. 12.1-12

Deus quer que entendamos os aspectos relativos aos dons espirituais, e que cobicemos com inteireza os melhores dons, e que entremos no caminho sobremodo excelente dos frutos do Espírito. Devemos suplicar a Deus por esses dons. É algo muito sério ser batizado no Espírito e mesmo assim, ficar acomodado; viver um dia após outro no mesmo nível espiritual é uma tragédia. Precisamos estar dispostos a negar a nós mesmos para receber a revelação da verdade de Deus e assim, receber a plenitude do Espírito. Apenas isso satisfará a Deus, e nada menos que isso deve nos satisfazer.

Sim, existe um poder, uma benção, uma convicção, uma paz na presença do Espírito Santo. Você pode sentir Sua presença e saber que Ele está com você. Você não precisa passar nem uma hora sequer sem esta íntima compreensão da Sua presença santa.

É impossível se superestimar a importância de ser cheio do Espírito. É impossível andar na luz como na luz Ele está, subjugar reinos, operar a justiça e amarrar satanás a menos que estejamos cheios do Espírito Santo.

Precisamos ser cheios do Espírito Santo para ter a revelação plena do Senhor Jesus Cristo.

O mandamento de Deus é para que sejamos cheios do Espírito. Não estaremos bem se tivermos o cálice apenas cheio; precisamos ter um cálice transbordante todo o tempo. É uma tragédia não viver em toda plenitude. Cuide para que você nunca viva de maré rasa.

Alguns crêem nos dons, e na profecia, mas usam esses dons sem o poder do Espírito Santo. Devemos olhar para o Espírito Santo a fim de que nos mostre a aplicabilidade dos dons, para que servem, e quando usá-los, de modo que não venhamos a usar os dons sem o Seu poder.

Um homem que é cheio do Espírito Santo, ainda que não tenha consciência de possuir qualquer dom do Espírito, pode ter a manifestação dos dons por Seu intermédio.

Qualquer homem que esteja pleno de Deus, cheio do Seu Espírito, pode, a qualquer hora, ter qualquer um dos nove dons manifestado através dele, mesmo que ele não saiba que possui algum dom

Se você recebeu os dons do Espírito – e eles são bênçãos, jamais os use, sob qualquer circunstância, sem o poder de Deus sobre sua vida. Algumas pessoas usam o dom da profecia sem o toque de santidade, e entram pelo reino natural, trazendo ruína, causando insatisfação, despedaçando corações e entristecendo congregações. Não busque os dons, a menos que se proponha submeter-se ao Espírito Santo. Eles devem se manifestar apenas no poder do Espírito Santo.

É correto buscar com zelo os melhores dons. Mas você tem que admitir que o mais importante é ser cheio do poder do Espírito Santo. Você nunca terá problemas com pessoas que são cheias do Espírito Santo. Mas terá muitos problemas com as pessoas que possuem dons e não tem nenhum poder. Deus não quer que nos escondamos atrás de qualquer dom. Ele quer que sejamos cheios do Espírito Santo, e que o próprio Espírito se manifeste através dos dons. Quando o nosso real desejo é a glória do Deus único, podemos buscar a manifestação de todo dom necessário. Glorificar a Deus é melhor do que idolatrar os dons.

Nós preferimos o Espírito de Deus a qualquer dom. Procuremos a Trindade na manifestação dos diferentes dons. Os dons são diferentes, mas o Espírito é o mesmo. Podemos ter direções diferentes, mas o mesmo Senhor. Diversidade de operações, mas o mesmo Deus operando tudo em todos.

Você pode imaginar o que significará o nosso triúno Deus manifestar-se em Sua plenitude nas nossas igrejas?

É maravilhoso estar cheio do poder do Espírito Santo, para que Ele sirva aos Seus próprios propósitos através de nós. Através de nossos lábios, expressões espirituais fluem, nossos corações se regozijam, e a nossa língua se alegra. É um poder interior que se manifesta em expressão exterior. Jesus Cristo é glorificado. A medida que sua fé nEle é avivada, do seu interior fluirão rios de água viva. O Espírito Santo se derramará através de você como um grande rio de vida e milhares de pessoas serão abençoadas porque você quebrantado será um canal por meio do qual o Espírito poderá fluir.

A coisa mais importante, o que conta mesmo, é ser cheio do Espírito Santo, cheio até transbordar. Qualquer coisa menos que isso é ofensivo a Deus. Somos ordenados por Deus a sermos cheios do Espírito, e à medida que falhamos nesta área, nos afastamos do Seu plano. A vontade do Senhor é que andemos de fé em fé, de glória em glória, da plenitude ao transbordamento.

Não é bom estarmos sempre pensando no passado. Devemos caminhar para uma posição na qual ousemos crer em Deus. Ele revelou que quando o Espírito Santo descesse sobre nós teríamos poder. Eu creio que há uma avalanche do poder de Deus a ser liberada se nós tão somente percebermos a visão.

Certa vez Paulo escreveu: “mas passarei as visões e revelações do Senhor”. Deus nos colocou numa posição na qual espera que recebamos Sua revelação do maravilhoso fato – Cristo em nós – e o que isso realmente significa. Só podemos assimilar Cristo plenamente, quando estamos cheios e transbordando do Espírito de Deus.

Nossa única garantia contra a inclinação da nossa mente carnal, contra a qual nada podemos fazer por nós mesmos, é estar mais e mais cheios do Espírito de Deus, ficando encantados nas visões e revelações do Senhor. O motivo pelo qual eu enfatizo a importância da plenitude do Espírito Santo é levá-los além de todos os pensamentos humanos para a plenitude da visão, numa revelação plena do Senhor Jesus Cristo: – você quer descansar?

Descanse em Jesus. Você quer ser salvo de tudo quanto o diabo tem criado nestes últimos tempos? Receba e continue na plenitude do Espírito Santo, e Ele estará sempre revelando a você que tudo o que nos é necessário está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Desejo enfatizar a importância do ministrar do Espírito e da manifestação do Espírito que é dada a todo o homem para um fim proveitoso. A medida que você se entrega ao Espírito do Senhor, Ele derrama poder sobre seu intelecto, sobre seu coração, e sobre sua voz.

O Espírito Santo tem poder para revelar Cristo e projetar a visão de Cristo sobre os véus do seu pensamento. E assim Ele usa a sua língua para glorificá-lo de uma maneira que você jamais poderia fazer sem o poder do Espírito.

Creio que quando o Espírito de Deus está sobre você e o impulsiona a falar como Ele lhe concede, será sempre para a edificação.

Quem prejudica a reunião de oração? O homem que começa pelo Espírito e termina na carne. Aprenda a parar imediatamente quando a unção do Espírito se afastar.

O Espírito Santo tem ciúmes. Seu corpo é o templo do Espírito Santo. Mas Ele não encherá o templo para a glória do homem, somente para a glória de Deus. Você não tem licença para continuar alem do “Assim diz o Senhor”.

É da vontade de Deus que a congregação seja tão livre quanto possível. E não se deve interferir na obra do Espírito. Se o fizermos, certamente teremos problemas. Temos que buscar em Deus sabedoria para não interferir ou reprimir o Espírito ou extinguir o poder de Deus quando Ele se manifesta em nossas reuniões. Se você quer ter uma congregação cheia de vida, você precisa ter uma congregação onde haja a manifestação do Espírito. Poucos comparecerão se não houver manifestação. Precisamos buscar em Deus uma graça especial para não tornemos atrás, atentando para as coisas sob um ponto de vista natural.

O pregador, depois que perde a unção, deveria arrepender-se e acertar-se com Deus para recuperá-la de novo. Sem a unção do Espírito de Deus ficamos impotentes.

Enquanto vivermos, vamos precisar dos nossos corpos. Porém, nosso corpo é para ser usado e controlado pelo Espírito de Deus. Devemos apresentar nossos corpos santos e aceitáveis diante de Deus, que é o nosso culto racional. Cada membro do nosso corpo deve estar tão santificado a ponto de funcionar harmonicamente com o Espírito de Deus. Nossos próprios olhos devem ser santificados. Desejo que meus olhos possam estar tão santificados que possam ser sempre usados para o Senhor. O Espírito de Deus nos constrangerá a uma compaixão pelas almas que serão testemunhadas por nossos próprios olhos.

Deus nunca mudou a ordem das coisas. Primeiro vem o natural, depois o espiritual. Por exemplo, quando está em seu coração orar, você começa no natural e sua segunda palavra será provavelmente sob o poder do Espírito. Você começa e Deus vai terminar. O mesmo acontece quando nos expressamos sob o poder do Espírito. Você sente o move do Espírito em si, e começa a falar e o Espírito de Deus se expressará em mistérios. Milhares de pessoas perderam bênçãos maravilhosas porque não tiveram fé para ir além do natural. Não tivera fé que o Senhor as levaria ao reino do sobrenatural. Quando você recebe o Espírito Santo recebe o Dom de Deus e com ele todos os dons espirituais. Paulo aconselhava a Timóteo a despertar o dom que havia nele. Você tem poder para despertar o poder de ação de Deus há dentro de você.

Para despertar o dom que há dentro de nós, começamos pela fé. E depois o Senhor dá continuidade ao que for necessário a ocasião que se apresenta. Você jamais começaria a obra de Deus a menos que estivesse pleno de Deus. Quando nos rendemos à timidez e receios simplesmente nos entregamos a satanás. Ele cochicha: “é tudo carnal”. Mas ele é um mentiroso.

Quando um homem está cheio do Espírito não tem idéia daquilo que possui. Somos tão limitados em nossa percepção daquilo que recebemos!

O único modo de conhecer o poder que nos foi concedido é através da manifestação do Espírito de Deus. Quanto mais próximos estamos de Deus mais conscientes ficamos da pobreza do ser humano e clamamos como Isaias: “estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros”. Porém o Senhor traz o Seu sangue precioso com brasas vivas para nos purificar, nos refinar e nos enviar para trabalhar para Ele, habilitados pelo seu Espírito.

Deus enviou esse derramamento para que nós fôssemos levados a revelação de nossa filiação – que somos filhos de Deus. E homens de poder. E também que devemos ser como o Senhor Jesus Cristo, ter a autoridade de filhos e poder de dominar a fraqueza. O batismo do Espírito santo é para nos fazer filhos de Deus com poder. Devemos ter consciência de nossas limitações humanas. Mas nós não limitaremos Aquele que é Santo, que veio para habitar em nós. Precisamos crer que desde que o Espírito Santo veio sobre nós, somos, de fato, filhos de Deus com poder. Nunca diga que você não pode. Todas as coisas são possíveis aos que crêem. Se Entregue totalmente e creia que Deus tem tudo para você e que você pode todas as coisas Naquele que o fortalece.

O segredo do poder é a revelação de Cristo todo poderoso, a revelação de Deus que veio para permanecer em nós.

Exemplo de Pedro e João com o paralítico à Porta Formosa.

É tudo no Nome de Jesus. A partir daí começou a operação de Deus. Você começa pela fé e depois vê o que acontece. No inicio fica oculto em nós, mas à medida que temos fé em Deus, Ele se apresenta. O poder não vem de nós, mas de Deus. Não há limites para o que Ele vai fazer. Tudo se resume em você crer em Deus.

 

Artigo do Pr. Smith Wigglesworth (1859-1947)

Um dos homens que foram mais usados por Deus em sinais e prodígios.

O ARREPENDIMENTO

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Arrependimento
 
 
Eu não me dirijo somente ao não convertido, porque sou daqueles que crêem que a igreja precisa se arrepender muito antes que muita coisa de valor possa ser feita no mundo. Acredito firmemente que o baixo padrão de vida cristã está mantendo muita gente no mundo e nos seus pecados. Se o incrédulo vê que o povo cristão não se arrepende, não se pode esperar que ele se arrependa e se converta de seu pecado. Eu tenho me arrependido dez mil vezes mais depois que conheci a Cristo, do que em qualquer época anterior, e penso que a maioria dos cristãos precisa se arrepender de alguma coisa.
 
Assim, quero pregar tanto para os cristãos como para os não-convertidos, tanto para mim mesmo quanto para aquele que nunca conheceu a Cristo como seu Salvador.
 
Há cinco coisas que fluem do verdadeiro arrependimento:
 
1. Convicção.
2. Contrição.
3. Confissão de pecado.
4. Conversão.
5. Confissão de Cristo diante do mundo.
 
Convicção
 
Quando um homem não está profundamente convicto de seus pecados, é um sinal bem certo de que ainda não se arrependeu de verdade. A experiência tem me ensinado que as pessoas que têm uma convicção muito superficial de seus pecados, cedo ou tarde recaem em suas velhas vidas. Nos últimos anos tenho estado bem mais ansioso por uma profunda e verdadeira obra de Deus entre os já convertidos do que em alcançar grandes números. Se um homem confessa ser convertido sem reconhecer a atrocidade de seus pecados, provavelmente se transformará num ouvinte endurecido que não irá muito longe. No primeiro sopro de oposição, na primeira onda de perseguição ou ridículo, eles serão carregados de volta para o mundo.
 
Creio que é um erro lamentável conduzirmos tantas pessoas à igreja que nunca experimentaram a verdadeira convicção de pecados. O pecado no coração do homem é tão negro hoje quanto o foi em qualquer outra época. Às vezes penso que está mais negro. Porque quanto maior a luz que uma pessoa tiver, maior sua responsabilidade, e por conseguinte maior a sua necessidade de profunda convicção.
 
Até que a convicção de pecados nos faça cair de joelhos, até que estejamos completamente humilhados, até que tenhamos perdido toda esperança em nós mesmos, não podemos encontrar o Salvador.
 
Há três coisas que nos levam à convicção: (1) A Consciência; (2) A Palavra de Deus; (3) O Espírito Santo. Todos os três sao usados por Deus.
 
Muito antes de existir a Palavra escrita, Deus tratava com o homem através da consciência. Foi por isto que Adão e Eva se esconderam da presença do Senhor Deus entre as árvores do Jardim do Éden. Foi isto que convenceu os irmãos de José quando disseram: “Na verdade, somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos a angústia da alma, quando nos rogava, e não lhe acudimos. Por isso,” disseram eles (e lembre-se, mais de vinte anos haviam se passado depois que eles o venderam como cativo), “por isso nos vem essa ansiedade.”
 
É a consciência que devemos usar com nossos filhos antes de atingirem uma idade quando possam entender a Palavra e o Espírito de Deus. E é a consciência que acusa ou inocenta o ímpio.
 
A consciência é “uma faculdade divinamente implantada no homem, que o pede a fazer o que é certo.” Alguém disse que ela nasceu quando Adão e Eva comeram do fruto proibido, quando seus olhos foram abertos e “conheceram o bem e o mal.” Ela julga, mesmo contra nossa vontade, os nossos pensamentos, palavras, e ações, aprovando ou condenando-os de acordo com a sua avaliação de certo ou errado. Uma pessoa não pode violar sua consciência sem sentir a sua condenação.
 
Mas a consciência não é um guia seguro, porque freqüentemente ela só dirá que uma coisa é errada depois de você a praticar. Ela precisa ser iluminada por Deus porque faz parte de nossa natureza caída. Muitas pessoas fazem o que é errado sem serem condenadas pela consciência. Paulo disse: “Na verdade, a mim me parecia que muitas cousas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno” (At 26.9). A própria consciência precisa ser educada.
 
Outra vez, a consciência freqüentemente é como um relógio despertador, que a princípio desperta e acorda, mas com o tempo a pessoa se acostuma com ele, e então perde o seu efeito. A consciência pode ser asfixiada. Creio que cometemos um erro em não dirigirmos as pregações mais para a consciência.
 
Portanto, no devido tempo a consciência foi suplantada pela Lei de Deus, que no seu tempo foi cumprida em Cristo.
 
Neste país cristão, onde as pessoas têm Bíblias, a Palavra de Deus é o meio que Deus usa para produzir convicção. A Bíblia nos diz o que é certo e o que é errado antes de você cometer o pecado, e assim o que você precisa é aprender e apropriar-se de seus ensinos, sob a direçao do Espírito Santo. A consciência comparada à Bíblia é como uma vela comparada ao sol lá no céu.
 
Veja como a verdade convenceu aqueles judeus no dia de Pentecostes. Pedro, cheio do Espírito Santo, pregou que “este Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” “Ouvindo eles estas cousas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” (At 2.36, 37).
 
Em terceiro lugar, enfim, o Espírito Santo convence. Algumas das mais poderosas reuniões de que já participei foram aquelas em que houve uma espécie de quietude sobre o povo e parecia que um poder invisível se apoderava das consciências. Lembro-me de um homem que veio à reunião e no momento em que entrou, sentiu que Deus estava lá. Um senso de reverência veio sobre ele, e naquela mesma hora sentiu convicção e se converteu.
 
Contrição
 
A próxima coisa é a contrição, o profundo sentimento de tristeza segundo Deus e humillhação de coração por causa do pecado. Se não houver verdadeira contrição, o homem voltará direto para o seu velho pecado. Esse é o problema com muitos cristãos.
 
Um homem pode sentir raiva e se não houver muita contrição, no dia seguinte sentirá raiva outra vez. A filha pode dizer coisas indignas, ofensivas à sua mãe, e porque sua consciência lhe perturba ela diz: “Mãe, sinto muito. Perdoe-me.”
 
Mas logo há um outro impulso genioso, porque a contrição não foi profunda nem verdadeira. Um marido diz palavras agressivas à sua esposa, e então para aliviar sua consciência, compra um buquê de flores para ela. Ele não quer enfrentar a situação como um homem e dizer que errou.
 
O que Deus quer é contrição, e se não houver contrição, não há arrependimento completo. “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os de espírito oprimido.” “Coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus.” Muitos pecadores lamentam por seus pecados, lamentam por não poderem continuar pecando; mas se arrependem apenas com corações que não estão quebrantados. Não creio que saibamos como nos arrepender atualmente. Precisamos de um João Batista, que ande pelo país, gritando: “Arrependam-se! Arrependam-se!”
 
Confissão de pecado
 
Se tivermos verdadeira contrição, ela nos levará a confessarmos nossos pecados. Creio que nove décimos dos problemas em nossa vida cristã são resultado de não fazermos isso. Tentamos esconder e cobrir nossos pecados. Há muito pouca confissão deles. Alguém disse: “Pecados não confessados na alma são como uma bala no corpo.”
 
Se você não tiver poder, talvez seja porque há algum pecado que precisa ser confessado, alguma coisa em sua vida que necessita ser removida. Não importa quantos salmos você cante, ou a quantas reuniões você compareça, ou o quanto você ore e leia a sua Bíblia, nada disso encobrirá esse tipo de problema. O pecado deve ser confessado, e se o meu orgulho me impede de confessar, não devo esperar misericórdia de Deus nem respostas às minhas oraçoes.
 
A Bíblia diz: “O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará” (Pv 28.13). Pode ser um homem no púlpito, um sacerdote por trás do altar, um rei no trono – não me importo quem ele seja. O homem está tentando fazer isso há seis mil anos. Adão o tentou e falhou. Moisés o tentou quando enterrou o egípcio que matou, mas falhou.
 
“Sabei que o vosso pecado vos há de achar.” Por mais que você tente enterrar o seu pecado, este tornará a aparecer mais cedo ou mais tarde, se não for apagado pelo Filho de Deus. Se o homem nunca conseguiu fazer isso em seis mil anos, é melhor você e eu desistirmos de tentar.
 
Há três maneiras de se confessar pecados. Todo pecado é contra Deus, e a Ele deve ser confessado. Há pecados que eu não preciso confessar a pessoa alguma no mundo. Se o pecado foi entre mim e Deus, devo confessá-lo sozinho no meu quarto. Não preciso cochichá-lo no ouvido de nenhum mortal. “Pai, pequei contra o céu e diante de Ti.” “Pequei contra Ti, contra Ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos.”
 
Mas se fiz algo errado a alguma pessoa, e ela sabe que a prejudiquei, devo confessar o pecado não somente a Deus mas também a esta pessoa. Se o meu orgulho me impede de confessar meu pecado, não preciso ir a Deus. Posso orar, posso chorar, mas isso não adiantará. Primeiro confesse àquela pessoa, e depois a Deus, e veja com que rapidez Ele lhe ouvirá e lhe enviará a paz. “Se pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.” (Mt 5.23, 24). Esse é o caminho bíblico.
 
Há outra classe de pecados que devem ser confessados publicamente. Suponha que fui conhecido como um blasfemador, um alcoólatra ou um depravado. Se me arrependo de meus pecados, devo ao público uma confissão. A confissão deve ser tão pública quanto foi a trangressão. Muitas vezes uma pessoa dirá algo maldoso a respeito de outra na presença de terceiros, e então tentará apaziguar isso indo somente à pessoa prejudicada. A confissão deve ser feita de forma que todos os que ouviram a transgressão possam ouvir a confissão.
 
Somos bons em confessar o pecado de outras pessoas, mas se experimentarmos um verdadeiro arrependimento, ficaremos mais que ocupados cuidando dos nossos próprios pecados. Quando alguém dá uma boa olhada no espelho de Deus, não encontrará ali faltas dos outros; tem coisas demais a ver em si mesmo.
 
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Obrigado Senhor pelo Evangelho! Crente, se há algum pecado em sua vida, resolva confessá-lo, e seja perdoado. Não deixe nenhuma nuvem entre você e Deus. Garanta o seu título para a mansão que Cristo foi preparar para você.
 
Conversão
 
A confissão leva à verdadeira conversão, e não pode haver uma verdadeira conversão, até que se tenha dado esses três passos.
 
Agora a palavra conversão significa duas coisas. Dizemos que uma pessoa é “convertida” quando nasce de novo. Mas conversão também tem um significado diferente na Bíblia. Pedro disse: “Arrependei-vos… e convertei-vos” (At 3.19). Existe uma versão que traduz assim: “Arrependei-vos e voltai-vos.” Paulo disse que não foi desobediente à visao celestial, mas começou a pregar a judeus e gentios para que se arrependessem e se voltassem para Deus. Um certo teológo de outra época disse: “Todos nós nascemos de costas para Deus. O arrependimento é uma mudança de trajetória. É uma volta de cento e oitenta graus.”
 
Pecado é afastar-se de Deus. Como alguém disse, é aversão a Deus e conversão para o mundo; enquanto que o verdadeiro arrependimento significa conversão a Deus e aversão ao mundo. Quando há verdadeira contrição, o coração está entristecido por causa do pecado; quando há verdadeira conversão, o coração fica liberto do pecado. Deixamos a velha vida, somos transportados do reino das trevas para o reino da luz. Maravilhoso, não é?
 
A não ser que nosso arrependimento inclua essa conversão, não vale muito. Se alguém continua em pecado, é a prova de uma profissão inútil. É como bombear água para fora do navio, sem tampar os vazamentos. Salomão disse: “Se o povo orar… e confessar teu nome, e se converter dos seus pecados…” (2Cr 6.26).
 
Oração e confissão não seriam de proveito nenhum enquanto o povo continuasse em pecado. Vamos prestar atenção à chamada de Deus. Vamos abandonar o velho caminho perverso. Voltemos ao Senhor, e Ele terá misericórdia de nós, e ao nosso Deus, porque Ele perdoará abundantemente.
 
Confissão de Cristo
 
Se você é convertido, o próximo passo é confessar isso abertamente. Ouça: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm 10.9, 10).
 
A confissão de Cristo é o clímax da obra de verdadeiro arrependimento. Devemos isso ao mundo, aos nossos semelhantes cristãos e a nós mesmos. Ele morreu para nos redimir, e podemos estar envergonhados ou com medo de confessá-Lo? A religião como uma abstraçao, como uma doutrina, tem pouco interesse para o mundo, mas aquilo que as pessoas podem testemunhar da experiência pessoal sempre tem peso.
 
Ah, amigos, estou tão cansado de cristianismo medíocre. Vamos nos entregar cem por cento por Cristo. Não vamos dar um som inseguro. Se o mundo quer nos chamar de tolos, que o faça. É apenas por um pouco. O dia da coroação está chegando. Graças a Deus pelo privilégio que temos de confessar a Cristo.
Dwight Lyman Moody (1837 -  1899) – Um dos maiores evangelistas da história da Igreja.

Pregador, salva a ti mesmo!

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Pregador, salva a ti mesmo! 

 

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres, porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.” I Tm 4.16

 

Não vou pregar a pregadores, mas apenas sugerir algumas condições sob as quais poderão apossar-se da salvação prometida nesse texto.

1. Cuida em ser constrangido pelo amor a pregar o evangelho, como o foi Cristo a providenciar um evangelho.

2. Cuida em ter o revestimento especial de poder do alto, pelo batismo do Espírito Santo.

3. Cuida em ler a vocação, não apenas da cabeça, mas do coração, para empreenderes a pregação do evangelho. Com isso quero dizer: së cordial e intensamente inclinado a buscar a salvação de almas como a grande missão da tua vida; e não empreendas aquilo a que teu coração não te impelir.

4. Mantém constantemente a comunhão íntima com Deus.

5. Faze da Bíblia o teu Livro dos livros. Estuda-a nuito, de joelhos, esperando iluminação divina.

6. Acautela-te de depender dos comentários. Consulta-os quando convier: porém julga pot ti mesmo. à luz do Espírito Santo.

7. Guarda-te puro — em propósito, em pensamento, em sentimento, em palavras e em ações.

8. Contempla a culpa dos pecadores e o perigo que correm, para que se intensifique teu zelo pela sua salvação.

9. Também pondera profundamente e demora-te diante do infinito amor e compaixão de Cristo por eles.

10. Ama-os de tal modo a estares pronto a morrer por eles.

11. Dedica os esforços da tua mente ao estudo de meios e modos de salvá-los. Faze disso o grande e intensivo estudo da tua vida.

12. Recusa-te a ser desviado dessa obra. Guarda-te contra toda tentação que arrefeça teu interesse nela.

13. Crê na afirmação de Cristo, de que ele está contigo nessa obra sempre e em todo lugar, para dar-te todo o auxílio necessário.

14. “O que ganha almas é sábio”: e “se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e nada lhes impropera: e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé”. Lembra-te, portanto, que tens a obrigação de possuir a sabedoria que ganhará almas para Cristo.

15. Sendo chamado por Deus para a obra, faze dessa tua vocação o argumento constante junto a Deus, para dele obteres tudo que precisares para a execução da obra.

16. Sê diligente e laborioso, “a tempo e fora de tempo”.

17. Conversa muito com todas as classes dos teus ouvintes sobre a questão da salvação, a fim de compreenderes suas opiniões, erros e necessidades. Verifica seus preconceitos, sua ignorância, seu humor, seus hábitos e tudo mais que precisares saber a fim de adaptares tua instrução às suas necessidades.

18. Cuida em que teus próprios hábitos sejam corretos em todo sentido; que sejas temperado em todas as cousas: livre da mancha ou odor do fumo, do álcool, das drogas, de tudo que terias motivo para envergonhar-te e que sirva de tropeço a outros.

19. Não sejas “de mente leviana,” antes “põe o Senhor continuamente diante de ti”.

20. Controla bem tua lingua e não te dês a conversas frívolas e sem proveito.

21. Deixa sempre que o povo observe que o tratas com a mais absoluta seriedade tanto no púlpito como fora dele: e não permitas que o convívio diário com as pessoas neutralize tua mensagem no domingo.

22. Resolve “nada saber” entre teu povo “senão a Jesus e este crucificado”: e deixa claro que, na qualidade de embaixador de Cristo, teus negócios com eles dizem respeito inteiramente é salvação da alma.

23. Tem cuidado de ensiná-los não sá por preceito mas também pelo exemplo. Pratica tu mesmo o que pregas.

24. Tem cuidado especial no relacionamento com o sexo feminino, a fim de jamais levantares pensamento ou desconfiança da menor impureza em ti mesmo.

25. Vigia os teus pontos fracos. Se fores por natureza dado a jovialidade e brincadeiras, vigia ocasiões de falha nesse setor.

26. Se fores por natureza carrancudo e insocáivel, vigia contra o mau humor e a insociabilidade.

27. Evita toda a afetação e fingimento. Sê aquilo que professas ser, e não serás tentado a “fazer de conta”.

28. Que a simplicidade, a sinceridade e a correção cristã, assinalem toda a tua vida.

29. Passa muito tempo, diariamente pela manhã e à noite, em oração e comunhão direta com Deus. Isso te trará poder para a salvação. Não há erudição nem estudo que compense a perda dessa comunhão. Se deixares de manter comunhão com Deus, “te enfraquecerás e serás como qualquer outro homen”.

30. Acautela-te do erro que afirma não haver participação do homem na regeneração nem, por conseguinte, ligação entre esta participação e o resultado final, ou seja, a regeneração da alma.

31. Compreende que a regeneração é uma transformação também moral e, portanto, voluntária.

32. Compreende que o evangelho se destina a transformar o coração dos homens, e, apresentando-o sabiamente, podes contar com a cooperação eficiente do Espírito Santo.

33. Na escolha e no tratamento dos textos para teus sermões, procura sempre a orientação direta do Espírito Santo.

34. Que todos os teus sermões sejam do coração e não apenas da cabeça.

35. Prega à base da experiência, e não pot ouvires dizer, nem apenas pela leitura e estudo.

36. Apresenta sempre o assunto que o Espírito Santo põe no teu coração para a ocasião. Lança mão dos pontos que o Espírito apresentar à tua mente, e apresenta-os tão diretamente quanto possível à congregação.

37. Entrega-te à oração sempre que fores pregar, e vai do aposento para o púlpito com o gemidos íntimos do Espírito procurando expressão nos teus lábios.

38. A tua mente deve estar plenamente imbuída do assunto, de maneira que este esteja procurando expressão: abre a boca e deixa as palavras saírem como torrente.

39. Vê que não esteja sobre ti o “temor do homem que arma um laço”. Deixa o povo compreender que temes muito a Deus para temê-los.

40. Não deixes nunca que a tua popularidade com o povo tenha influência sobre a tua pregação.

41. Não deixes nunca que a questão de salário te detenha de “declarar todo o conselho de Deus”, “quer ouçam quer deixem de ouvir”.

42. Não contemporizes, para não acontecer perderes a confiança do povo e assim falhares em salválos. Eles não poderão respeitar-te integralmente como embaixador de Cristo, se perceberem que te falta coragem para cumprires o teu dever.

43. Cuida em te “recomendar à consciência de todo homem, na presença de Deus”.

44. Não sejas “cobiçoso de torpe ganância”.

45. Evita toda aparência de vaidade.

46. Inspira o respeito do povo pela tua sinceridade e sabedoria espiritual.

47. Não deixes hem de longe que imaginem que possas ser influenciado na pregação por questões de salário maior, menor ou nenhum.

48. Não dês a impressão de que aprecias uma boa mesa e gostas de ser convidado para jantar; pois isso será um laço para ti e uma pedra de tropeço para eles.

49. Subjuga o teu corpo, para que, tendo pregado o outros, não yenhas tu mesmo a ser desqualificado.

50. Vela pelas almas, como quem deve prestar contas a Deus.

51. Sê diligente no estudo, e instrui cabalmente o povo em tudo que é essencial à salvação.

52. Jamais bajules os ricos.

53. Sê particularmente atencioso às necessidades e à instrução dos pobres.

54. Não te deixes levar à transigência com o pecado pelo suborno de festas beneficientes.

55. Não te deixes tratar publicamente como mendigo, pois do contrário virás a merecer o desprezo de larga classe dos teus ouvintes.

56. Repele toda tentativa de fechares a boca a tudo quanto for extravagante, errado ou prejudicial entre o teu povo.

57. Mantém a tua integridade e independência pastorais, para não cauterizar a consciência, apagar o Espírito Santo e perder a confiança do povo e o favor de Deus.

58. Sê o exemplo do rebanho: permite que a tua vida ilustre o teu ensino. Lembra-te de que as tuas ações e espírito ensinarão com ainda maior ênfase do que os teus sermões.

59. Se pregas que os homens devem servir a Deus e ao próximo por amor, cuida em fazer o mesmo e evita tudo que possa dar a impressão de que trabalhas por salário.

60. Serve ao povo com amor e anima-os a retribuir, não com o equivalente em dinheiro, mas com a retribuição do amor, que proporcionará refrigério tanto a ti como a eles.

61. Repele toda proposta para angariar fundos para ti ou para o trabalho da igreja junto a homens mundanos, embora sejam solícitos.

62. Repele as festas e reuniões sociais dispersivas, principalmente nas épocas mais favoráveis a esforços unidos para a conversão de almas a Cristo. Podes estar certo de que o diabo procurará desviar-te nessa direção. Quando estiveres orando e planejando um avivamento da obra de Deus, alguns mundanos da igreja te convidarão a uma festa. Não vás, pois se fores, terás uma série de festas, que virão anular as tuas orações.

63. Não te deixes enganar: o teu poder espiritual perante o povo nunca crescerá pela aceitação de tais convites em tais épocas. Se a ocasião é boa para festas, porque o povo está folgado, também é boa para reuniões religiosas, e tua influência deve ser aplicada para atrair o povo à casa de Deus.

64. Cuida em conhecer pessoalmente e viver diariamente a pessoa de Cristo.

 

Capítulo nove do livro  “Uma vida cheia do Espírito

Charles G. Finney (1792-1895)

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