Adorar a Jesus “sem formalidades”, mas com respeito, reverência, temor e carinho

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Uma homenagem aos meus irmãos Jackson e Rafaela –

UM CASAL PARA HONRA E GLÓRIA DO SENHOR.

Não importa em qual denominação evangélica que vcs estejam, SOMOS TODOS IRMÃOS porque no Reino de Deus NÃO HÁ PLACA DE IGREJAS !!!

Adorar a Deus é MARAVILHOSO. Infelizmente, algumas denominações evangélicas impõem regras (legalismos / formalismos) desnecessárias para tal (e que, até, ATRAPALHAM). Precisamos de LIBERDADE para ADORAR a Jesus Cristo de Nazaré na BELEZA DE SUA SANTIDADE, porém, temos que ter cuidado para não sermos LIBERTINOS, assim como não podemos ser desrespeitosos para com Deus e, muito menos, permitirmos PRÁTICAS PAGÃS dentro deste CLIMA de adoração (Ass.: Aldo Corrêa de Lima – http://malucoporjesus.wordpress.com).

AMOR PELOS PERDIDOS: Eis-me aqui Deus !

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O Mundo está se afogando no LAMAÇAL do PECADO !

As pessoas estão se dirigindo a passos largos pro INFERNO !!!

Portanto, PREGUE A PALAVRA DE DEUS URGENTEMENTE !!!

Você acha que sua vida tá ruim ? Então assista esse vídeo e mude de idéia:

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Sua vida é maravilhosa !

Agradeça a Deus !

Ah ! e por falar em gratidão, PREGUE O EVANGELHO e pratique AÇÃO SOCIAL !

Ameis uns aos outros …

A Verdadeira Prosperidade – A Vida Cristã Abundante (Revista CPAD da Escola Bíblica “dominical” – 1º trimestre de 2012)

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Lições, Subsídios, Comentários, Metodologias, Dinâmicas de Grupo

e Assuntos Correlatos:

Em construção

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1 – O Surgimento da Teologia da Prosperidade

2 – A Prosperidade no Antigo Testamento

3 – Os Frutos da Obediência da na Vida de Israel

4A Prosperidade no Novo Testamento   -   Clique aqui

5 – As Bênçãos de Israel e o que Cabe à Igreja

6 – A Prosperidade dos Bem-Aventurados

7 – “Tudo Posso Naquele que Me Fortalece”

8 – O Perigo de Querer Barganhar com Deus

9 – Dízimos e Ofertas

10 – Uma Igreja Verdadeiramente Próspera

11 – Como Alcançar a Verdadeira Prosperidade

12 – O Propósito da Verdadeira Prosperidade

13 – Somente em Jesus Cristo Temos a Verdadeira Prosperidade

Consciência do Ministério de Louvor

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Deus contempla a necessidade de um país ou uma região menor, vê todas as circunstâncias e assim escolhe quem irá representá-lo.

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Verdadeiros Adoradores

Quando o Senhor convoca alguém para que lhe preste um serviço, Deus o faz por misericórdia, e para nos dar uma grande oportunidade de provar-lhe o quanto o amamos. O nosso serviço é como uma gratidão pelo grande favor da salvação que já temos conosco.

Outro detalhe que acho necessário apontar é que, em sua onisciência, Deus contempla a necessidade de um país ou uma região menor, vê todas as circunstâncias e assim escolhe quem irá representá-lo.

É um grande erro acreditar que Deus chamou alguém porque essa pessoa possuía determinados dotes artísticos, talentos incomuns ou coisa assim. O apóstolo Paulo é bem claro ao dizer que a nossa capacidade não é suficiente para realizar uma obra como essa, e que “a nossa capacidade vem de Deus” (2 Coríntios 3.5).

Em outras palavras, ingressar no ministério é infinitamente diferente de arrumar um emprego seguro. É preciso ter consciência missionária, ou consciência ministerial.

Isso irá fazer uma tremenda diferença antes, durante e depois de qualquer ação que façamos, seja um evangelismo, seja uma grande apresentação ou outro evento qualquer onde iremos participar.

Veja, então, quatro fatores que compõem essa consciência ministerial, e que fazem a distinção entre um artista e um bom ministro.

HUMILDADE

Em primeiro lugar, destaca-se o sentimento que guiará o nosso trabalho, o nosso louvor. Humildade é exatamene o extremo oposto de tudo aquilo que vemos em artistas seculares.

É verdade que muitos músicos não cristãos têm um espírito humilde, mas também é verdade que a maioria não é assim.

A humildade é um sentimento que nos faz esvaziar de nós mesmos. Quando esvaziamos nosso coração daqueles desejos ambiciosos, ficamos prontos para que o Senhor nos encha com os seus sentimentos mais sublimes.

Uma das funções do louvor é proporcionar um meio, um canal de aceso à presença de Deus. Ora, quem busca a Deus deve se esvaziar de si para receber tudo o que de mais precioso Deus tem para lhe dar.

Assim, esse canal que é o louvor é eficiente quando o desejo é aproximar-se do Criador. Se, portanto, quem busca aproximação de Deus, ou quem ministra essa aproximação, está cheio de auto-suficiência, como poderá acessar a presença de Deus ?

Não há nenhum mal em o ministro ser chamado de artista. Na verdade, ele o é. Mas, se é um artista que busca essa aproximação de Deus, estar seguro de que a humildade é um bom sentimento para se cultivar irá ajudar bastante a conservar esse caminho sempre aberto.

Afinal, apesar de toda a riqueza espiritual a que temos direito, Jesus disse:

“… aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11.29).

POSTURA

Quando disse que humildade é uma característica desejável em quem participa de todo e qualquer envolvimento com o louvor, não me referi em momento algum àquela visão equivocada de humildade exterior, cultivada por meio de vestimentas de qualidade inferior.

Posso não ser suficientemente humilde como músico, mas se minha postura for afinada com a visão espiritual de louvor, irei sempre me corrigir em possíveis ocasiões nas quais meu ego quiser ser exaltar.

Como conseqüência de um coração treinado na humildade, vamos falar diretamente de um efeito direto desse sentimento: a postura.

Normalmente o que fazemos e falamos são reflexos daquilo que cultivamos em nosso interior. Se somos vitoriosos, certamente essa característica irá se refletir em nossa conduta, em nossos atos, em nossa postura.

Jesus andou na terra certo de ser um vencedor. Como resultado disso, sua simples presença incomodava as pessoas.

Isso pode acontecer conosco também. Quando temos consciência da importância do nosso serviço a Deus, temos também a firmeza para impor o nosso chamado.

No entanto, ainda há pessoas que confundem autoridade com falta de educação, unção com ‘estrelismo’, serviço cristão com favor, entre outros.

À medida que nos destacamos no ministério, surgem dois problemas que podem ser facilmente resolvidos se diagnosticados rapidamente. Quando nos destacamos no ministério, dois grupos de pessoas estarão à nossa volta: o dos amigos e o dos invejosos.

O dos invejosos irá nos ver para tentar detectar qualquer falha: seja na apresentação visual, seja na apresentação do nosso louvor, se desafinamos uma nota, se falamos demais, se fazemos pose etc.

Já o grupo dos amigos irá interceder pelas almas, interceder por nós, enfim, irá somar à apresentação para que a bênção de Deus enriqueça a todos.

Assim, todo e qualquer bloqueio entre o ministro ou músico e a igreja será quebrado, uma vez que a postura seja coerente com o propósito. Ou seja, se o objetivo é louvar para alcançar o espírito de adoração, concentre-se em captar confiança e respeito por parte dos ouvintes. Com isso, o louvor fluirá de Deus para os corações das pessoas, sem que persista um clima hostil.

A postura do ministro de louvor abençoará a todos igualmente quando ele se colocar diante de Deus para louvá-lo e conduzir o seu rebanho ao alvo maior que é a adoração. O mais é da competência do próprio Espírito Santo.

PROPÓSITO

A continuidade dessa postura a que me referi anteriormente evoca outro fator diferencial em todo o serviço que prestamos a Deus: o propósito.

Como já disse de várias formas aqui, há quem se lance no ministério mesmo antes de acontecer o chamado de Deus. Há outros que vão por inveja, por estarem ansiosos por qualquer outro benefício que irão conseguir no ministério. Enfim, não faltam motivos pelos quais as pessoas ingressam no ministério.

Mas você já procurou responder a essa pergunta: qual o propósito do seu louvor?

Nesse caso, não interessa se você é ou não um renomado ministro, ou se canta bem ou não, se é um excelente músico ou se nunca tocou um instrumento musical.

Fomos todos chamados para sermos verdadeiros adoradores, independentemente de o Senhor ter ou não concedido a nós talentos específicos para o louvor.

O propósito de tudo o que se possa fazer ou falar é a adoração. Nunca devemos nos esquecer: adoração. Ainda que alguém esteja em uma cadeira de rodas, ou que tenha perdido todos os movimentos do corpo; ainda que não saiba cantar ou mesmo tocar um instrumento, fomos chamados para sermos verdadeiros adoradores, porque o Pai procura por esses.

Minha esposa e eu somos amigos de uma jovem tetraplégica. Ela mora no Hospital das Clínicas há vinte e três anos, e é cristã. O único movimento que seu corpo faz é com o pescoço. Essa jovem usa esse único movimento para louvar e adorar a Deus.

Ela é uma artista plástica conhecida, que pinta seus quadros segurando os pincéis com a boca e um mínimo auxílio de sua instrutora. O resultado são telas sobre a natureza, obras das mãos do Criador, que recebe a adoração verdadeira realizada por ela.

Por isso devemos considerar que é um grande equívoco alguém se perder no meio do caminho. Ao invés de alcançar ou levar as pessoas a alcançarem o espírito de adoração, desviam-se no meio do caminho e passam longe do propósito que, na verdade, é atingir, tocar, alcançar o trono do nosso Criador por meio de um louvor espiritual que nos conduza a uma adoração real.

SERVIÇO

Depois de nos esvaziar de todos os sentimentos que querem guiar nossos passos, e enchermo-nos da graça de Deus, estaremos prontos para servir.

Imagine que você é convidado para assistir a um culto na igreja de um amigo. Naquela noite irá um grande músico, conhecido artista gospel.

Quando lhe é dada a oportunidade para ministrar o louvor à igreja, antes mesmo de saudar os presentes, o músico anuncia que no final do culto ele estará autografando os CDs que trouxe.

Aí ele canta um hino no mais alto volume, faz uma pausa, e anuncia: a próxima canção está no meu terceiro CD, o qual você poderá “ver” no final do culto.

Ora, não podemos subestimar os irmãos. O mundo está tão infestado de merchandising, de propagandas em todo e qualquer espaço, que até mesmo o mais inocente ‘irmãozinho’ perceberá que esse artista está mais para vendedor-demonstrador de CDs do que para um verdadeiro homem de Deus, que se preocupa em trazer para a igreja textos e mensagens inspirados por Deus.

Enquanto o período for de louvor, a atenção e os esforços devem ser concentrados em prestar serviço aos ouvintes. Esse fator é decisivo para o sucesso de um ministro, de um pregador, de um membro.

O tipo de relacionamento que temos com Deus será exposto a todos os presentes quando abrirmos nossa boca para dizer o que há dentro de nosso coração. Se nossa relação com o Senhor for de Pai para filho, prestaremos um bom serviço a ele e à comunidade. Se nosso relacionamento com Deus for do tipo mercantil … falta-nos consciência de ministério.

André Paganelli

Natal – Tempo de HIPOCRISIA !!!

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Como muitas vezes acontece, a Igreja Evangélica Brasileira polemiza sobre assuntos dos mais diversos. Na verdade, têm sido assim no decorrer recente de sua história. Ultimamente, têm-se falado demasiadamente sobre o natal, sua história e implicações. Como era de se esperar, opiniões diferentes surgiram quanto ao assunto. Existem aqueles que não vêem nenhum problema quanto à celebração da data, e outros que radicalizaram abdicando de toda e qualquer celebração relacionada ao tema em questão.

Antes de qualquer coisa , por favor façamos algumas considerações:

o Natal não era considerado entre as primeiras festas da Igreja. Os primeiros indícios da festa provêm do Egito. Os costumes pagãos ocorridos durante as calendas de Janeiro lentamente modificaram-se na festa do Natal”. Foi no século V que a Igreja Católica determinou que o nascimento de Jesus Cristo fosse celebrado no dia da antiga festividade romana em honra ao nascimento do Sol, isto porque não se conhecia ao certo o dia do nascimento de Cristo. Não se pode determinar com precisão até que ponto a data da festividade dependia da brunária pagã (25 de dezembro), que seguia a Saturnália (17-24 de dezembro) celebrando o dia mais curto do ano e o “Novo Sol”. As festividades pagãs, Saturnália e Brumária estavam a demais profundamente arraigadas nos costumes populares para serem abandonadas pela influência cristã. A festividade pagã acompanhada de bebedices e orgias, agradavam tanto que os cristãos viram com benevolência uma desculpa para continuar a celebra-la em grandes alterações no espírito e na forma.

Ontem e Hoje:

A conclusão que chegamos é que o natal surgiu com a finalidade de substituir as práticas idólatras e pagãs que influenciava sociedade da época. Hoje como no passado à humanidade continua fazendo desta festa pretexto pra bebedeiras, danças e orgias. Se não bastasse isso, todos sabemos que milhões de pais em todo o mundo (Muitos destes cristãos) levam seus filhos pequenos a acreditarem em Papai Noel, dizendo-lhes que foi o bochechudo velhinho que lhes trouxe um presente. Ora, a figura do papai Noel tem origem nos países nórdicos, referindo-se a um senhor idoso, denominado Klaus, que saía distribuindo presentes a todos quanto podia. Infelizmente, numa sociedade materialista e consumista, o tal Papai Noel é mais desejado do que Jesus de Nazaré, afinal de contas, ele é o bom velhinho que satisfaz os luxos e desejos de todos quanto lhes escrevem missivas recheadas de vaidades e cobiças. Se não bastasse, junta-se a isso a centralidade em muitos lares cristãos de uma Árvore recheada de bolinhas coloridas.

O espírito consumista e mercantilista do natal, bem como a ênfase na árvore e no papai Noel, se contrapõe a mensagem do evangelho que anuncia que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho pra morrer por nós. Aliás, esta é a grande nova! Deus enviou seu filho em forma de Gente! Sem sombra de dúvidas, sou absolutamente contra, duendes, Papai Noel e outras coisas mais que incentivam este “espírito mercantilista natalino”. No entanto, acredito que antes de qualquer posição, decisão ou dogmatização, quanto ao que fazer “do e no natal” devemos responder sinceramente pelo menos três indagações:

1. Será que existe alguma festividade ou festa no mundo que tenha o poder de convergir tanta gente em torno da família, do lar como o natal?

2. Em virtude do grande poder e influência que o natal exerce na sociedade ocidental será que não deveríamos aproveitar a oportunidade e anunciar a todos quanto pudermos que um “menino nos nasceu e um filho se nos deu”?

3. Seria inteligente de nossa parte desconsiderarmos o natal extinguindo-o definitivamente do “nosso” calendário em virtude do“espírito mercantilista natalino” que impera na nossa sociedade?

Outras considerações:

Apesar de não observarmos textos bíblicos que incentivem a celebração do natal, é absolutamente perceptível em diversas passagens a importância e relevância do nascimento e encarnação do Filho de Deus. As escrituras, narram com efusão o nascimento do Messias. Se não bastasse isso, sem a sua vinda, não nos seria possível experimentarmos da salvação eterna e da vida vindoura. Portanto, comemorar o natal, (ainda que saibamos que o Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro) significa em outras palavras relembrar a toda a humanidade que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, pra que todo aquele que nele cresse não perecesse mais tivesse vida eterna.

Isto nos leva a seguinte conclusão:

1. O natal nos oferece uma excelente oportunidade de evangelização. Em todos os registros históricos percebemos de forma impressionante o quanto os irmãos primitivos eram apaixonados, entusiastas e extremamente corajosos na proclamação do evangelho. Estes homens e mulheres de Deus eram movidos por um desejo incontrolável de pregar as Boas Novas. Eram pessoas provenientes de classes, níveis e posições sociais das mais diversas: artesãos, sacerdotes, empresários, escravos, gente sofisticada bem como pessoas simples e iletradas. Entretanto, ainda que diferentes, todos tinham em comum o sentimento de “urgência” em anunciar a Cristo. Vale a pena ressaltar que Jesus comumente usou as festas judaicas como meio de evangelização. Os 04 evangelhos, nos mostram o Senhor pregando e ensinando coisas concernentes ao reino de Deus a um número considerável de pessoas em situações onde a nação celebrava alguma festividade. Na verdade, ele aproveitava os festejos públicos pra anunciar as boas novas da salvação eterna. Ora, tanto nosso Senhor quanto à igreja do primeiro século tinham como missão prioritária à evangelização. Portanto, acredito que o natal seja uma excelente ocasião pra anunciar a cristo aos nossos familiares e amigos. Isto afirmo, porque geralmente é no natal onde a maioria das famílias se reúnem. O natal nos propicia uma grande oportunidade de proclamarmos com intrepidez a cristo. Junta-se a isso, que o período de fim de ano é um momento de reflexão e avaliação pra muitos. E como é de se esperar, em um mundo onde a sociedade é cada vez mais competitiva e egoísta, a grande maioria, sofre com as dores e marcas deste mundo caído e mau. É comum nesta época o cidadão chegar a conclusão de que o ano não foi tão bom assim. A conseqüência disto é a impressão na psique do individuo de sentimentos tais como frustração, depressão, angústia e ansiedade.E é claro que tais sentimentos contribuem consideravelmente a uma abertura maior a mensagem do evangelho.

Abertura pro Sagrado

Um outro fator preponderante que corrobora pra evangelização é significativa abertura ao sagrado e ao sobrenatural que a geração do século XXI experimenta. No inicio do século XX, acreditava-se que quanto mais o mundo absorvesse ciência menor seria o papel da religião. De lá pra cá a tecnologia moderna se tornou parte essencial do cotidiano da maioria dos habitantes do planeta e permitiu que até os mais pobres tivessem um grau de informação inimaginável 100 anos atrás. Apesar de todas essas mudanças, no inicio do século XXI o mundo continua inesperadamente místico. O fenômeno é global e no Brasil atinge patamares impressionantes.

A Revista Veja encomendou uma pesquisa ao Instituto Vox Populi, perguntando as pessoas se elas acreditavam em Deus. A maioria absoluta ou seja, 99% dos brasileiros responderam que acreditavam. Sem dúvida, o momento é impar na história, até porque, com exceção de alguns períodos da história mundial o mundo nunca esteve tão aberto ao sagrado como agora. Diante disto, será que o natal não representa uma excelente oportunidade de evangelização?

2. O natal nos oferece uma excelente oportunidade de reconciliação e perdão.Você já se deu conta que a ambiência do natal proporciona uma abertura maior à reconciliação e perdão? Repare quantas famílias se recompõem, quantos lares são reconstruídos, quantos pais se convertem aos filhos e quantos filhos se convertem aos pais. Será que a celebração do natal não abre espaço nos corações pra reconciliação e perdão? Ora, O senhor Jesus é aquele que tem o poder de construir pontes de misericórdia bem como de destruir as cercas da indiferença e inimizade.

3. O natal nos oferece uma excelente oportunidade de sermos solidários em uma terra de solitários.Por acaso você já percebeu que no natal as pessoas estão mais abertas a desenvolver laços de fraternidade e compaixão com o seu próximo? Tenho para mim que o natal pode nos auxiliar a lembrarmos que a vida deve ser menos solitária e mais solidária. Isto afirmo porque o natal nos aponta o desprendimento de Deus em dar o seu filho por amor a cada de um nós. O Nosso Deus se doou, se sacrificou e amou pensando exclusivamente no nosso bem estar e salvação eterna. Você já se deu conta que o natal é uma excelente oportunidade pra nos aproximarmos daqueles que ninguém se aproxima além de exercermos solidariedade com aqueles que precisam de amor e compaixão?

Conclusão

Sem qualquer sombra de dúvida devemos repulsar tudo aquilo que seja reflexo deste “espírito mercantilista natalino”. Duendes, Papai Noel, devem estar bem longe da nossa prática cristã. Entretanto, acredito que como portadores da Verdade Eterna, devemos aproveitar toda e qualquer oportunidade pra semear na terra árida dos corações a semente da esperança. Jesus é esta semente! Ele é a vida eterna! O Filho de Deus, que nasceu, morreu e ressuscitou por cada um de nós. A missão de pregar o Evangelho nos foi dada, e com certeza, cada um de nós deve fazer do natal uma estratégia de proclamação e evangelização.

Celebremos irmãos e anunciemos que o Salvador nasceu e vive pelos séculos dos séculos amém.

Soli Deo Gloria

Renato Vargens (Púlpito Cristão).

FALAR EM PÚBLICO – Comunicação, Motivação e Sucesso: Pequenos Segredos

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 Reveja o mito de que a arte de falar em público é um dom nato

Não se pode negar que algumas pessoas nasceram com o atributo da eloqüência eficaz. Em geral são pessoas carismáticas, persuasivas e envolventes. Mas são casos raros. Se a maioria quiser comunicar-se bem, deverá buscar subsídios nos treinamentos e dedicar muito esforço pessoal para administrar os medos, traçar objetivos e estratégias, buscar conhecimentos e treinamentos que desenvolvem e aprimoram essa arte.

Não se engane pensando que só os seres privilegiados terão uma atuação inteligente com seus interlocutores. É uma desculpa fácil para quem não quer enxergar que somos responsáveis pelas nossas crenças e mitos, e cabe a nós decidir se queremos ou não realizar nossos sonhos. Muda-se a crença, muda o caminho e muda o resultado. Muda o homem!

Trabalhe o medo conscientemente

É um engano imaginar que se pode eliminar totalmente o medo. Ele é fundamental para a sobrevivência, ao evitar a displicência e o relaxamento em demasia. Mas se ele conseguir impedir as suas ações durante uma apresentação, preocupe-se. Lembre-se de que não existe medo de falar em público, mas vários medos interagindo, como o de errar, de ser o centro das atenções, de ser questionado e outros tantos específicos de cada comunicador. Identificar as causas e criar um plano de ação facilita a administração racional do medo, tornando mais eficaz a comunicação.  

Administre as tensões e os medos antes de uma apresentação

- Prepare-se mental e fisicamente

- Ensaie

- Pratique, pratique e pratique, porque só a prática conduz à perfeição.

Não tenha medo do silêncio

Antes de planejar e organizar uma palestra, aula ou reunião há um estágio que muitas vezes queremos ignorar. É aquele espaço tão rico, de reflexão e silêncio que nos possibilita pensamentos mais consistentes e resultados mais equilibrados. Como vivemos envolvidos por palavras, sons e movimentos, o silêncio parece insuportável. Falando ou em silêncio, a comunicação está sempre presente.

O silêncio funciona como um sensível toque de recolher, quando o ser humano tem a chance de se conhecer realmente. É em silêncio que o homem tem a dimensão de seu valor e revela sua verdadeira imagem.

Aprender a linguagem do silêncio nos dá as ferramentas para lidar melhor com nossas emoções e efetivar uma interação mais profunda com a platéia.

Não comece uma apresentação sem aquecimento

O que é o aquecimento para quem vai apresentar-se em público?

- É fazer pelo menos vinte minutos de exercícios de dicção e articulação, e de relaxamento para os músculos da face e da região do pescoço.

- É repassar mentalmente o roteiro, reforçando a introdução e o encerramento.

- É concentrar-se para começar bem o trabalho.

O aquecimento do comunicador deve ser tanto físico quanto mental.

Faça um acordo com a platéia

Quando essa técnica for pertinente, pergunte aos espectadores o que esperam da apresentação. No flip chart, anote o que eles querem e não querem receber. Apresente o seu programa original e diga que, sempre que possível, vai inserir os pontos levantados. Assim se criará uma cumplicidade com a platéia, que passará a contribuir para a melhor interação durante a apresentação. No final, pergunte novamente aos presentes se eles estão satisfeitos com o que receberam. Assim você demonstra o seu interesse de democratizar a apresentação, inserindo-os no processo.  

Mantenha contato visual com a platéia

Essa é uma maneira de prender o interesse da platéia, além de transmitir confiança e segurança. É o elo entre apresentador e participante, através do qual muitos dados e intenções são transmitidos. O contato visual é um importante canal de identificação da personalidade do profissional.

Crie um clima propício para aprendizagem

Para os profissionais que falam em público, trabalhar o ambiente de atuação é fundamental para a boa comunicação. Algumas orientações para melhorar o desempenho:

- As teorias modernas destacam a importância da integração no processo de aprendizagem. As contribuições  dos participantes são fundamentais para que novos conceitos sejam apreendidos. Deixe claro, logo de início, que você está aberto ao diálogo. Transmita a idéia de que vão trabalhar juntos numa mesma proposta. Não seja apenas simpático, crie empatia, ponha-se no lugar da platéia, respeite suas crenças e seus valores. Aprender a lidar com as diferenças fará de você uma pessoa mais flexível.

- Demonstre que, para você, ensinar é uma paixão, uma missão prazerosa. Se os participantes perceberem isso, o interesse aumentará e as pessoas se sentirão à vontade para questioná-lo, porque querem conhecer a sua resposta.

- Não se desvie do assunto. Tudo o que for apresentado deve fazer parte do universo de seu público.

- Não prossiga a apresentação se notar que algo não ficou claro. Isso pode comprometer a qualidade.

Harmonize o conteúdo e a forma da mensagem

As pesquisas demonstram que nas comunicações há uma necessidade emergencial do equilíbrio entre aquilo que se diz e a maneira de dizer. Se houver incoerência entre palavras, voz e atitudes corporais, a platéia tende a confiar mais.

- no corpo (expressões faciais, gestos, movimentos) — 55%

- na voz (inflexões, tom, intensidade, ritmo, ênfase, volume) — 38%

- nas palavras — 7%

A maneira como veiculamos a mensagem à platéia é tão importante quanto o próprio conteúdo da mesma. Não basta preocupar-se só com as palavras. É preciso melhorar a forma (a linguagem corporal e vocal) de transmitir as idéias para uma comunicação equilibrada, fluente e segura.

Seja simples e natural

Lembre-se de que sua platéia quer se comunicar com você, por isso ela está ali, e cabe a você facilitar o processo. A comunicação, quando eficaz, se dá através de atos simples e naturais, resultados de muito tempo de treino e observação. Que atos são esses que demonstram simplicidade e naturalidade? Não há regra para identificá-los. Eles se manifestam naqueles momentos em que a comunicação flui e a leveza do ambiente é favorável à troca. A simplicidade e a naturalidade estão presentes quando identificamos e afastamos os obstáculos que interferem na comunicação.

Não se poupe

Os seres humanos, quando se encontram verdadeiramente, têm uma química irresistível. Em suas apresentações, procure estar presente integralmente, o tempo todo. Invista nas relações interpessoais, dê o melhor de si e busque o que o grupo tem de melhor. Chegue para valer. Energia atrai energia!

Tente por todos os meios transmitir as informações de maneira democrática, lúdica e motivadora. Esteja presente com seu coração, seu corpo, sua mente e sua alma. Não dê motivos para a platéia questionar sua autoridade sobre o assunto e muito menos o seu profissionalismo. Esteja presente com inteligência e sensibilidade. Seja criativo, humano e empático.

in Maluco por Jesus

TODOS temos que estudar TEOLOGIA

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Palavras como teologia e doutrina têm conotações negativas para muitos cristãos. Isto é uma grande tragédia, pois acredito firmamente que todo cristão precisa estudar teologia em algum momento de sua caminhada cristã. Em nenhuma ordem em particular, aqui vão cinco razões de porque você precisa estudar teologia, e possivelmente algumas delas você não tenha considerado antes.

1. Você já é um teólogo.

Por que você precisa estudar teologia? Porque teologia não é uma coisa que apenas o professor de teologia tem – todos nós cremos em alguma coisa sobre Deus e, portanto, somos teólogos à nossa própria maneira. No entanto, o que precisa ser questionado é se o que você crê é correto, e o estudo da teologia pode ajudar a responder essa pergunta.

2. Seu amor por Jesus é intrisicamente ligado com seu conhecimento de sua Palavra.

Por que você precisa estudar teologia? Porque Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14.15). Ouvi alguém dizendo que o certo cristão pode não ser grande teologicamente, mas estava tudo bem porque ele realmenteamava Jesus. Entretanto, Jesus diz que se nós o amamos, obedeceremos o que ele ordena. Como nós podemos obedecê-lo se nós não vamos à sua Palavra para conhecer corretamente seus mandamentos?

3. Sua doutrina determinará como você vive.

Por que você precisa estudar teologia? Porque o que você acredita (sua doutrina) determinará como você vive (sua prática). Isto pode ser visto em sua vida cotidiana. Se você acredita que alguma coisa é venenosa, você simplesmente não a bebe. Similarmente, suas crenças sobre Deus e sua Palavra determinam como você vive dia a dia. Por exemplo, se você acredita que Deus fala somente através de sua Palavra então você a estudará diligentemente. Entretanto, se você acredita que Deus fala através de impressões e coisas parecidas, então você procurará por aquela pequena voz silenciosa. O exemplo acima drasticamente muda como uma pessoa procurará encontrar a vontade de Deus para sua vida, e ilustra porque você precisa estudar teologia.

4. Suas afeições determinarão o que você estuda.

Por que você precisa estudar teologia? Porque onde suas afeições estão colocadas determinará o que você gastará tempo estudando. Se seu hobby é fotografia você desejará estudar o assunto para saber como melhorar suas fotografias e aumentar seu amor e apreciação por esse passatempo. Da mesma forma, se você é cristão e sua afeição principal está sobre Deus, por que você não desejaria estudar a Palavra para aumentar seu amor e apreciação por ele e sua Palavra?

5. Sua humildade depende disso.

Por que você precisa estudar teologia? Porque sem estudar teologia, é possível que você pense muito bem sobre você, mas não bem o bastante de Deus. Se é verdade que o conhecimento incha (1 Coríntios 8.1), as Escrituras, pelo contrário, quando corretamente entendidas e aplicadas, darão a você, por exemplo, o conhecimento da depravação e miserabilidade humana diante de Deus, e também darão conhecimento da magnificência, santidade, soberania e graça de Deus, o que somente pode servir para levar um verdadeiro convertido a ajoelhar-se em humildade.

Possa Deus ser glorificado quando você estudar teologia, com o desejo de saber mais sobre sua revelação especial ao homem.

Autor: Nathan W. Bingham
Fonte: [ Iprodigo ]
Via: [ Blog do Pedro Pamplona ]

Ex Gay: É possível a REGENERAÇÃO (!)

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O testemunho que você está prestes a ler foi escrito por um pastor adventista, que usa o pseudônimo de Victor J. Adamson, para proteger sua identidade. Ele escreveu seu testemunho em grande parte como resposta ao artigo “Are Homosexual God’s Children? São os Homossexuais Filhos de Deus?” que apareceu na Adventist Review de Abril de 1997. O artigo, como indicado acima, via a homossexualidade como uma orientação hereditária permanente que não pode ser mudada.

Adamson não partilha desta opinião. A história de sua peregrinação da escravidão à liberdade mostra que, pela graça de Deus “Homossexuais podem ser curados!”. Eu acredito que você gostará de ler este testemunho. Sinta-se livre para compartilhar com seus amigos.

Se você tivesse me perguntado há nove anos, porque eu tinha escolhido ser gay, eu teria respondido a você como eu fiz inúmeras vezes antes, “Eu não escolhi ser gay! Eu escolhi ser um cristão adventista do sétimo dia. Eu escolhi ser educado nas escolas cristãs Adventistas do Sétimo. Eu escolhi ser um estudante missionário. Eu escolhi me graduar e pós graduar em Teologia com distinção. Eu escolhi me casar com uma jovem adventista. Eu escolhi ter filhos adventistas do Sétimo Dia. Eu não escolhi ser gay! Eu finalmente cheguei ao confronto com a realidade e aceitei o fato de que eu era gay. cheguei a acreditar que eu nasci gay”.

Durante anos depois de minha “saída” do armário e experimentando a separação devastadora do meu lar, eu duvidava que alguém me dissesse que a minha “condição” era uma questão de escolha. Eu tinha feito todas as “escolhas” certas na minha vida. Embora lutando com os anseios irritantes do meu coração, eu tinha orado incessantemente para que Deus “Criasse em mim um coração puro, e renovasse um espírito reto dentro de mim.” Eu queria que Deus me ajudasse a amar e ser apaixonado pela minha esposa. Mas, todos os meus esforços foram em vão.

Por fim, eu sucumbi àqueles anseios lancinantes e cai na vida “gay” de relações homossexuais, totalmente convencido de que a minha “condição”, ou “comportamento”, não era o resultado da minha escolha deliberada. Que cristão estaria disposto a optar por estar tão radicalmente fora de sincronia com a sociedade e a igreja? Eu tinha de ser a vítima do meu próprio ambiente, ou eu simplesmente nascera assim.

Meus pais, amigos e familiares todos pensavam em mim como uma pessoa gentil, amável e atenciosa com os outros. Aos seus olhos eu era inteligente, simpático, cortês e talentoso em muitas áreas. Acima de tudo, eu era conhecido por ser profundamente espiritual.

As Tensões do Meu Estilo de Vida “Gay”

Ao entrar no estilo de vida “gay”, eu ainda vivia de acordo com essa imagem, só que eu já não era mais “profundamente espiritual.” Recusei-me a ser um hipócrita. Não havia nenhuma maneira que eu pudesse conciliar a minha homossexualidade com o chamado para fazer parte do povo remanescente que ama a Deus e guarda os seus mandamentos. Para mim a Bíblia era muito clara ao ensinar que “os sodomitas” não entrarão no Reino de Deus (1 Coríntios. 6:9).

Olhando para trás nos anos gastos no estilo de vida “gay”, eu posso honestamente dizer que minha vida se tornou cheia de comportamentos nojentos, depravados e pervertidos. Como todo homossexual que eu conhecia, fiquei lascivo e obcecado por sexo. Em público e entre os amigos, porém, mantia magistralmente a imagem de uma pessoa decente, gentil, atenciosa, educada, amorosa e adorável.

Antes de voltar para Deus, por dezesseis anos eu O culpava por tudo de errado com minha vida, especialmente a minha homossexualidade, porque eu tinha orado para que Ele a tirasse de mim, e ele não o fez. Assim, eu raciocinava, que a culpa de eu ser gay era de Deus e não minha.

Durante esses egoístas anos de “amor”, de promiscuidade, de prazer, de auto-exaltação e auto-satisfação, sentia muita solidão, miséria e sofrimento. No entanto, meus pais e famíliares nunca me fizeram sentir que eu não fosse amado, apreciado, ou aceito. Em Sua misericórdia e paciência, o Senhor cooperava com os membros da minha família para me revelar o verdadeiro significado do amor incondicional para comigo, um pecador, sem condenar meu estilo de vida pecaminoso. Eles manifestaram seu amor incondicional e aceitação, não só para mim, mas também para com os meus amigos e amantes. A sua aceitação incondicional de mim demonstrou o significado das palavras de Jesus: “Nem eu te condeno.”

Em sua aceitação amorosa, no entanto, eles não descartaram o resto da declaração de Jesus: “vá e não peques mais” (João 8:11).

Algumas Perguntas Inquietantes, e um Sonho

A aceitação incondicional dos meus familiares me levaram a parar de culpar a Deus por minha condição. Em vez disso, comecei a olhar honestamente para mim. Afinal, pensei, eu posso culpar a Deus por toda a minha vida e ainda estar perdido. Eu me perguntava: “Qual é o ponto: fingir que não existem consequências para o meu estilo de vida, ou que eu poderia ser salvo apesar disso?” Aos poucos, percebi que eu estava enganando a mim mesmo. Eu precisava parar de correr e de me esconder de Deus, em vez de buscar orientação na Sua Palavra.

A declaração “Todos os que se esforçam por desculpar ou esconder seus pecados, permitindo que permaneçam nos livros do Céu, sem serem confessados e perdoados, serão vencidos por Satanás” (O Grande Conflito, pág 620), parecia falar com a minha própria situação. Aquele era eu. Eu tinha me tornado totalmente vencido por Satanás.

Comecei a pensar: “Não seria trágico me achar algum dia fora da Nova Jerusalém, com uma “boa desculpa”. Por muitos anos fiquei perturbado com um sonho recorrente no qual eu experimentei o horror de estar perdido, enquanto eu olhava para o rosto de Jesus, que vinha nas nuvens de glória. Aparentemente, Jesus usou este sonho para chegar a mim, um homossexual, dizendo: “Meu filho, dá-me o teu coração, antes que seja tarde demais.” Aliás, desde que voltei para ele, eu nunca experimentei outra vez o pesadelo deste sonho!

Jesus nos adverte sobre o destino dos ímpios, dizendo: “Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; …” (Mateus 7:23, 25:41). Tragicamente, o lago de fogo irá conter um número incontável de pessoas a quem Deus ama incondicionalmente. Ele os ama tanto que deu o seu Filho unigênito, para que eles não precisassem morrer. Mas eles optaram por rejeitar o dom da vida eterna. Deus honrou a escolha deles. O resultado é a eterna separação da fonte da vida eterna.

O Desafio de Começar uma Nova Vida

No raciocínio e lógica infantil, eu orava estudando a Palavra de Deus para encontrar qualquer justificativa para a minha homossexualidade, ou o remédio para ela. Por mais que tentasse, não conseguia encontrar justificativa em qualquer lugar na palavra de Deus para continuar meu estilo de vida homossexual. Quanto mais eu estudava as Escrituras mais eu me convencia de que Deus criara o casamento como a união de um homem com uma mulher, tornando os dois uma só carne.

A relação íntima de um homem com um homem ou uma mulher com uma mulher não pode cumprir o propósito de Deus para o casamento. Além disso, a Escrituras condenam relacionamentos do mesmo sexo como “abominação” (Lv 20:13), que vai impedir a entrada no Reino de Deus (1 Coríntios 6:9-10). Estes e outros textos me convenceram de que não havia nenhuma maneira para mim legitimar o meu estilo de vida homossexual.

Era presunçoso para mim viver como se eu tivesse o dom da vida eterna, quando, na realidade, eu estava consciente recebendo o salário do pecado a “morte”. Quando eu comecei a ponderar o meu destino eterno, gradualmente, fiquei convencido de que minha vida tinha que ser mudada. Mas, me sentia impotente para fazer essa mudança. Em retrospecto, posso compreender que a sensação de impotência resultante da minha violação aos princípios morais de Deus, era concebida para despertar em mim a realização da minha necessidade de um Salvador.

No meu desespero eu encontrei conforto no fato de que Deus é o Criador onipotente e Re-Criador de nossas vidas. Através da iluminação da Sua Palavra e do poder capacitador do Seu Espírito, senti que eu poderia ser purificado e curado. Eu vim a perceber que não importa se eu nasci homossexual ou se eu tinha escolhido me tornar um. Todos os descendentes de Adão nascem com tendências para o pecado. Ganhei confiança na promessa de que a graça de Deus poderia permitir-me superar as tendências pecaminosas tanto as herdadas como as cultivadas.

Conforme eu continuava a estudar e orar, sentia mais e mais o amor incondicional de Deus por mim, que era homossexual. Percebi que não importa quão pecador meu passado tivesse sido, Deus podia perdoar e purificar-me. O que eu precisava fazer era desenvolver um ódio pelo pecado e um amor pela verdade e pela justiça.

Foi-me dada a garantia em 1 Coríntios 6:9-11 que eu poderia ser curado de minha homossexualidade. Paulo fala deste pecado, entre outros, quando ele diz: “E tais fostes alguns de vós [pretérito], mas fostes lavados [tempo presente], mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus, [Como?] pelo Espírito do nosso Deus”.

Como eu continuei a minha auto-avaliação, eu vim a perceber mais e mais que eu tinha estado enganado em pensar que eu estava vivendo uma vida de liberdade, quando na realidade eu estava em uma terrível escravidão. O que eu precisava desesperadamente, não era a liberdade da lei de Deus, mas a liberdade da escravidão do pecado: a minha perversão sexual viciante. Essa liberdade se tornou possível graças à habilitação da graça de Deus, que pode trazer “cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10:5). Agradeço a Deus por Sua maravilhosa graça, que restaurou um pecador como eu para a família de Deus e fez de mim um membro produtivo trabalhando em Sua causa.

Talvez o maior desafio de começar uma nova vida, fosse convencer meus companheiros crentes adventistas que, pela graça de Deus eu já não era um homossexual. Minha atitude e orientação sexual tinham mudado. Como era angustiante para mim ouvir ministros e leigos desacreditarem a minha experiência de conversão, dizendo: “Claro, eu acredito na vitória sobre o pecado. Mas as pessoas nunca deixam de ser gay! Nunca ninguém que saiu do estilo de vida gay, permaneceu em linha reta por mais de dois anos! Cuidado com ele e mantenha suas crianças longe dele”. Tais críticas revelam uma falta de fé no poder de Deus para perdoar e purificar os pecadores penitentes de todas as práticas pecaminosas, inclusive a homossexualidade.

Questionando a Alma

Os comentários sarcásticos que muitas vezes ouvi de outros crentes, me levaram a questionar a minha alma e a freqüentemente me perguntar: “Teriam os meus sentimentos e emoções em relação aos homens milagrosamente mudado devido a minha conversão? Será que eu realmente experimentei uma mudança radical de atitude, uma mudança psicológica na minha orientação sexual? Ou, ainda tenho a mesma orientação sexual?

Estas questões são de extrema importância para aqueles que estão sinceramente buscando a libertação do pecado de qualquer natureza que nos assedia. Elas merecem uma explicação definitiva. Mas a resposta nem sempre é fácil de encontrar, especialmente quando alguém, como eu, passou por uma experiência traumática. Eu terminei o meu relacionamento com o homem que eu amava profundamente. Meus sentimentos e emoções em relação a ele, não tinham mudado, mas a minha atitude para com o Homem Jesus Cristo e os ensinamentos da Palavra de Deus tinham mudado radicalmente.

A luta de uma Nova Vida

Estando diante de uma escolha entre o meu amante e o homem Jesus, eu decidi seguir o meu Salvador, independentemente das consequências. Como as palavras do hino popular, para mim, tornou-se uma questão de “confiar e obedecer.” Comecei a confiar no meu Criador, sabendo que o “Pai realmente sabe o que é melhor.” E nessa confiança cada vez maior, comecei a obedecê-lo, apesar dos meus sentimentos e emoções, sabendo que Sua vontade para mim era para minha própria felicidade presente e eterna.

Eu aceitei a verdade bíblica de que “o justo viverá pela fé”, não por sentimentos e emoções. Na prática deste princípio bíblico, descobri que os sentimentos e emoções corretos não surgem de imediato. Eles chegam aos poucos, aprendi a aceitar pela fé a vontade do meu Criador para minha vida. Se eu tivesse esperado até conseguir uma vitória sobre minhas inclinações pecaminosas antes de confiar e obedecer a Cristo, então eu já não precisaria de um Salvador!

Como homossexual, eu precisava ser salvo dos meus pecados, exatamente como um cônjuge infiel, um ladrão, um assassino, ou um mentiroso precisa ser salvo dos seus pecados. A salvação do pecado não é uma conquista humana, mas uma provisão da graça divina. É um trabalho de terapia, reprogramação e redirecionamento divinos.

Deixando para trás o amor da minha vida pecaminosa, entrei em meu novo mundo como um indefeso bebê, recém-nascido. Como uma criança começa sua vida com tendências hereditárias para o mal, eu comecei a minha nova vida com todas as tendências que eu havia cultivado durante a minha vida anterior. Mas, confiando em Deus, meu Pai e Cristo, meu Salvador, eu renunciei a minha homossexualidade e me submeti as diretivas divina e comunhão buscada dentro da família de Deus.

Um princípio importante que eu aprendi foi a “proteger o meu novo ambiente.” As tendências herdadas e cultivadas para o mal são como um leão faminto procurando a quem possa tragar. Essa “besta” deve morrer de fome, enquanto o Cordeiro de Deus, deve ser alimentado e cultivado. O mal deve ser substituído com o bem. Os sentimentos e emoções pervertidos podem ser gradualmente substituídos por sentimentos e emoções corretos quando seguimos as instruções estabelecidas para nós, no “Manual do Operador” dado pelo Criador da sexualidade.

A nova luta que enfrentei quando eu decidi virar as costas a tudo e todos que eu tinha conhecido, me fez lembrar da luta que enfrentei quando fugi de Deus no início da minha vida. Eu tive que me separar totalmente da cena e estilo de vida gay, fugindo deles para minha própria vida, como que fugindo das condenadas Sodoma e Gomorra.

Eu comecei uma nova vida rodeando-me de tudo o que eu sabia ser certo para mim. E não era necessariamente tudo que eu queria ao meu redor! Mas, nenhum cristão pode se dar ao luxo de depender do que o faz se sentir bem. Nem eu poderia! A mente espiritual é para governar e trazer em sujeição a concupiscência da carne.

Guardando as Avenidas da Minha Mente

Eu aprendi a importância de guardar bem as vias para a minha mente, ao não me colocar no caminho da tentação. Isto implica ser cuidadoso em relação ao que eu vejo, ao que leio e ao que eu ouço. Isto requer uma determinação diária para não dar a Satanás uma vantagem sobre mim. Como o apóstolo Paulo, também eu, devo “morrer diariamente” (1 Coríntios 15:21), “subjugando o meu corpo, e o reduzindo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado” (1 Coríntios. 9:27 ).

E quando Satanás plantar estes pensamentos e desejos impuros no coração, (e ele o faz), Deus permite que Sua graça seja suficiente para a minha luta contra a homossexualidade. Sua graça permite-me, como Paulo coloca, a trazer “cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Coríntios. 10:5). Eu pratico usando o meu poder de escolha para “virar a página” e “mudar de assunto”. Deus me ajuda a fazer isso, quando eu coloco a minha vontade em Suas mãos.

A injunção bíblica de “Sujeitai-vos pois, a Deus. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7), tornou-se muito significativa para mim. Quando tentado, repito as palavras de Filipenses 4:8: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

Outro princípio que eu aprendi a colocar em prática é aceitar com gratidão o dom de uma companheira que me foi dispensada por Deus. No Jardim do Éden, Deus criou uma mulher, não um homem, como uma companheira para Adão. Em Sua infinita sabedoria e amor Deus deu ao homem o dom de uma mulher para estar ao lado dele. Não havia alternativa melhor. Deus não cometeu nenhum erro. Ele sabia o que estava fazendo quando Ele criou uma parceira para o homem.

Deus fez um grande esforço para proporcionar ao homem o dom maravilhoso de uma mulher. Alguns dos homens têm torcido o nariz a este dom, “deixando o uso natural da mulher, se inflamando em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro” (Rm 1:27). Eu era um deles. Será que Deus deixou de me amar? Não! Claro que não! Ele continuou a me amar embora eu tenha escolhido usar a minha sexualidade para amar um homem, em vez de uma mulher. É com grande desapontamento que o Criador vê os homens perverterem o destino de sua sexualidade.

Não é pecado uma pessoa viver sem o dom de um parceiro conjugal. Por diversos motivos muitas pessoas acabam vivendo suas vidas sem os prazeres do casamento. Também é errado para as pessoas entregarem-se a um comportamento sexual fora do casamento. E é errado para nós, homens, pervertermos o dom da nossa sexualidade, que foi projetado para uma função procriativa e relacional. É igualmente errado para uma mulher cobiçar e desejar outra mulher a quem Deus criou para o homem. Levou tempo para eu aprender a ser grato a Deus pelo que Ele tem provido para o meu melhor interesse.

Superando a Homossexualidade

O segredo para vencer o pecado da homossexualidade, ou de qualquer outro pecado que nos assedia, encontra-se em ajudar alguém a superar o pecado. Essa premissa é baseada no princípio bíblico de felicidade: A verdadeira felicidade vem em ajudar alguém a ser feliz: Jesus em primeiro lugar, os outros em segundo, você por último.

José, longe de casa na terra de seu cativeiro, nunca se esqueceu deste princípio. “Como posso eu cometer este grande mal e pecar contra Deus?” , ele gritou quando ele fugiu da tentação da esposa de Potifar. Sua preocupação não era “o medo do castigo”, nem era “a esperança de recompensa.” Não, sua fidelidade na obediência resultou em desgraça e confinamento em um calabouço. A preocupação de José era uma total obediência a vontade e a honra do seu Deus, independentemente das consequências. Ele também amou e honrou seu mestre Potifar, pondo os interesses do seu senhor acima dos seus.

Todo o exército celestial estão centrados sobre a felicidade e bem-estar dos outros, incluindo eu e você. Exceto o homem pecador, todos os seres não caídos vivem para o benefício do resto da criação. Este princípio tem sido de grande valia no processo de recondicionar a mim mesmo do meu antigo estilo de vida homossexual. Ajudou-me a abandonar a velha prática da auto-satisfação, buscando o cumprimento dentro do domínio sagrado do casamento.

Ao praticar estes e outros princípios bíblicos, tornei-me totalmente à vontade na minha nova vida como heterossexual. O pensamento de voltar a minha antiga vida tornou-se estranho e repugnante para mim. Submeter-me ao recondicionamento e terapia divina tem realmente resultado em uma nova criação. E Eu me regozijo nas palavras de Paulo sobre a minha nova vida em Cristo: “Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17 ).

Por que os cristãos devem duvidar de que essa promessa possa ser verdade para o homossexual, bem como para qualquer outra pessoa? Minha nova e vitoriosa vida heterossexual é um testemunho do poder de Deus para salvar as pessoas da profundidade de seus pecados. E eu O louvo todos os dias por demonstrar o poder da Sua graça em perdoar, limpar e renovar a minha vida.

Pela limpeza e renovação de minha vida, o Salvador encomendou-me com as mesmas palavras que Ele falou ao endemoninhado limpo em Marcos 5:19, “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes o quanto o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti”. Assim, eu gosto de contar a história através da palavra falada e de minha autobiografia publicada, de como o Senhor me resgatou das profundezas da degradação, para uma nova vida de serviço para Ele.

Essa história de minha peregrinação da escravidão para a liberdade, é projetada para incentivar não só os homossexuais em busca de libertação divina, mas também alguém lutando com o assedio de pecados de qualquer natureza. Neste testemunho eu compartilho os princípios bíblicos que me ajudaram a ganhar a vitória sobre a homossexualidade e agora a me sustentar na heterossexualidade.

Para encerrar eu gostaria de testemunhar que minha vida não foi alterada por meio do raciocínio humano, lógica, filosofia e aconselhamento, mas através da Palavra de Deus e da graça salvadora de Jesus Cristo. Por Sua graça, este pródigo filho homossexual foi libertado de seu pecado e redirecionado para uma vida produtiva e frutífera , para um novo tipo de serviço como um adventista do sétimo dia e ministro do evangelho. Estou alegremente casado e com filhos.

Eu louvo ao Senhor por Sua compaixão, piedade e maravilhoso poder me salvando da minha vida de pecados! Para aqueles que acreditam que os homossexuais nunca mudam, eu posso dizer: “Sim, eles podem mudar ! O poder transformador e a graça de Deus pode torná-los inteiros. Isto é o que Ele fez por mim.”

Texto extraído da newsletter Endtime Issues No. 57, do já falecido Samuele Bacchiocchi, Ph. D. Professor aposentado de Teologia da Universidade Andrews, publicado em seu site Biblical Perspectives. Crédito da tradução: Blog Sétimo Dia http://setimodia.wordpress.com/

Cultura Bíblica x Cultura das Igrejas

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A capacidade de produzir cultura é uma das coisas que torna a humanidade diferente de todo restante da criação. Um povo sem cultura certamente será uma civilização sem história. De forma resumida, a cultura de uma nação é construída através das experiências vivenciadas nas formas de pensamentos, hábitos, comportamentos, linguagens, artes, e organizações sociais. Portanto, se é certo afirmar que, cultura é o resultado das manifestações e experiências vividas por uma comunidade, logo a Igreja como um fenômeno histórico também desenvolveria sua própria cultura.

Deste modo, inconscientemente um cristão sempre estará envolvido no mínimo com três formas de culturas: (1) Social, (2) Igreja-instituição (3) Reino de Deus.

Na cultura brasileira, certamente encontraremos elementos positivos, como por exemplo – culinária, arte, música, e festas que são marcas caracteristicas do nosso povo. Porém, misturada ainda à cultura nacional estão infelizmente agregados inúmeros elementos negativos, como a passividade diante da corrupção, paganismo, idolatria, ou carnaval que são expressões características de nossa cultura, mas que efetivamente contradiz a cultura do Reino de Deus.

Ainda refletindo sobre as possíveis formas de culturas, quando nos propomos a conhecer as culturas ou subculturas denominacionais, descobrimos que são infinitas as formas de linguagem, vestimentas, ou liturgias expressadas por inúmeros segmentos dentro do meio evangélico. O objetivo não é criticar ou valorizar as subculturas da igreja, mas elucidar que elas não podem ser comparadas com a cultura do Reino de Deus. O lamento característico por parte daqueles que conseguem fazer distinção entre a cultura do Reino de Deus e as subculturas das igrejas é perceber que muitos cristãos valorizam mais suas culturas locais (gerando divisão e preconceito), do que a própria cultura do evangelho do Reino de Deus.

Quanto prejuízo já foi provocado por causa de questões relacionado à vestimenta, linguagem, liturgia, ou comportamento estritamente cultural? Conheço inúmeras pessoas que estão fora da igreja porque foram envergonhadas, excluídas e abandonadas por causa da roupa que vestia ou linguagem que falava. São inúmeros os problemas desta natureza. È óbvio que toda igreja desenvolverá sua própria cultura no contexto histórico, mas pessoalmente prefiro o modelo cultural do Reino de Deus ensinado por Cristo Jesus. De modo que, acho extremamente válido citar no mínimo dois elementos da cultura do Reino de Deus, para uma melhor compreensão:

(1) Linguagem. Tanto a linguagem objetiva como a subjetiva expressada por Cristo, promoviam o bem comum de todos os homens, ao mesmo tempo, que denunciava o ódio, a violência e a discriminação em todos os níveis. Com isto, Deus estava estabelecendo através de Cristo a linguagem universal, contida dentro da cultura do Reino dos céus – a linguagem do amor.

Essa linguagem quando adotada como cultura por qualquer individuo, pode subjugar e aniquilar a linguagem da morte, da injustiça e do sofrimento.

Quem não conhece a linguagem do amor? Assim, todo discípulo do Reino de Deus, teria acesso a tudo e a todos, porque a linguagem do amor destruiria as barreiras, descomplicaria a vida e restabeleceria os vínculos humanos.

(2) Relacionamento. Ainda, dentro da cultura do Reino de Deus, encontramos nos evangelhos o modelo de relacionamento ideal e desafiador para um mundo hostil, onde predomina a lei do cão. Os conflitos, guerras e hostilidades comuns na história da humanidade seriam substancialmente eliminados, caso a cultura relacional do Reino de Deus fosse respeitada e praticada – “ Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve.” Lc 22. 26

Seria impossível não estabelecer vínculos relacionais verdadeiros e duradouros, partindo da cultura de considerar o próximo com maior significado e importância.

Poderíamos citar outras expressões culturais do Reino de Deus, como por exemplo – comportamento ético, formas de pensamento, e outras, mas apenas com a reflexão acima nas duas formas culturais existentes no Reino de Deus (linguagem e relacionamento), já é possível observar a disparidade existente entre a cultura do Reino, quando comparada a qualquer outra forma de cultura.

Estou persuadido de que, quando os cristãos começaram a conhecer e a valorizar a cultura do Reino de Deus, as subculturas denominacionais não deixarão de existir, mas serão conhecidas apenas como uma simples expressão histórica secundária característica da igreja local. E assim, o mundo poderá conhecer não a subcultura local da igreja (muitas vezes cheia de defeitos ou preconceitos), mas descobrirá a grandiosidade da cultura do Reino de Deus, cheia de amor, dignidade e igualdade.

Samuel Torralbo é autor do livro “Em defesa da Igreja” (Ed. Pathos), e amigo da galera do Púlpito Cristão. Ele também crê que o evangelho é o princípio redentor de qualquer cultura.

NÃO DÁ PARA VOLTAR ATRÁS !!!

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A vida de renúncia é o ato de devolver a Jesus a vida que Ele lhe concedeu. É abandonar o controle, os direitos, o poder, a direção, tudo o que você faz e diz. É entregar totalmente a vida em Suas mãos, para que Ele a conduza como quiser.

O próprio Jesus viveu uma vida de renúncia: “Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 6:38). “Eu não procuro a minha própria glória” (8:50). Cristo nunca fez algo da própria vontade. Ele nunca deu um passo, nem disse uma palavra, sem ser instruído pelo Pai. “Eu nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou…porque faço sempre o que lhe agrada” (8:28-29).

A submissão total de Jesus ao Pai é um exemplo de como todos nós deveríamos viver. Você pode dizer: “Jesus era Deus na forma humana. Sua vida estava entregue antes mesmo de vir à Terra”. Mas a vida de renúncia não é imposta a ninguém, incluindo Jesus.

Cristo pronunciou estas palavras sendo um homem de carne e osso. Afinal, Ele veio ao mundo não para viver como Deus, mas como ser humano. Ele viveu a vida do mesmo modo que nós. E, como nós, tinha vontade própria. Ele optou por entregar esta vontade totalmente ao Pai: “Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. Tenho autoridade para a entregar, e também para reavê-la” (João 10:17-18).

Jesus estava nos dizendo: “Não se enganem. Este ato de auto-entrega está totalmente sob a Minha vontade. Estou optando por dar a Minha vida. E não estou fazendo isto porque alguém Me disse para fazê-lo. Ninguém está tomando a Minha vida de Mim. Meu Pai Me deu o direito e o privilégio de entregá-la. Ele também deu a opção de Eu passar de Mim este cálice e evitar a cruz. Mas escolho fazê-lo, por amor e completa submissão a Ele”.

Nosso Pai celeste deu a todos nós este mesmo direito: o privilégio de escolhermos uma vida de renúncia. Ninguém é forçado a abrir mão de sua vida para Deus. Nosso Senhor não nos faz sacrificar nossa vontade, devolvendo-Lhe nossas vidas. Ele nos oferece livremente uma terra prometida, cheia de leite, mel e frutas. Mas podemos optar por não entrar neste lugar de plenitude.

A VERDADE É QUE PODEMOS TER TANTO DE CRISTO QUANTO QUISERMOS

Podemos nos aprofundar nEle o quanto optarmos, vivendo plenamente segundo Sua palavra e direção. O apóstolo Paulo sabia disso. E escolheu seguir o exemplo de Jesus – o de uma vida de submissão total.

Paulo tinha sido no passado uma pessoa que odiava Jesus, um perseguidor de cristãos convencido da própria justiça. Ele mesmo afirmou que literalmente respirava ódio contra os seguidores de Cristo. Também era um homem muito obstinado e ambicioso. Paulo era bem instruído, tendo sido ensinado pelos melhores mestres da época. E era fariseu, entre os mais zelosos líderes religiosos judeus.

Desde o princípio Paulo estava em ascensão, a caminho do sucesso. Ele tinha a aceitação da ordem religiosa da época. E tinha uma clara missão, com recomendações de seus superiores. Na verdade, ele tinha sua vida toda planejada, sabendo exatamente aonde estava indo. Paulo estava confiante de estar fazendo a vontade de Deus.

Mas o Senhor tomou este homem que venceu por si próprio, obstinado, independente – e o transformou num ardente exemplo da vida de renúncia. Paulo tornou-se uma das pessoas mais dependentes, plenas e conduzidas por Deus de toda a história. Em verdade, Paulo declara que a sua vida é um modelo para todos que quiserem viver inteiramente entregues a Cristo: “Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna” (1 Timóteo 1:16).

O apóstolo estava dizendo: “Se você quer saber quanto custa viver uma vida de renúncia, veja a minha. Você determinou em seu coração ir mais a fundo com Jesus? Aqui está o que você poderá ter que suportar”. Paulo sabia que poucos estariam dispostos a seguir seu exemplo. Mas a sua vida é um modelo para todos que escolherem a vida de renúncia integral.

1. O Caminho da Renúncia Começa com Deus nos Levando à Uma Sensação de Total Fragilidade.

Deus inicia o processo nos fazendo cair do alto do cavalo. Para Paulo isto aconteceu literalmente. Ele estava indo seguro de si em direção a Damasco, quando uma luz ofuscante veio do céu. Paulo foi derrubado ao chão, trêmulo. Então uma voz falou do céu, dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9:4)

As palavras levaram Paulo de volta a um evento de meses atrás. De repente este justo fariseu compreendeu porque sua consciência estava irrequieta. Paulo tinha suportado longas noites de agitação, atormentado por inquietação e confusão – pois tinha visto algo que o abalara até o âmago.

Paulo tinha acompanhado o apedrejamento do apóstolo Estevão. Creio que Paulo lembrou do olhar na face de Estevão diante da morte. Estevão tinha uma expressão celestial, uma presença santa em torno de si. E suas palavras tinham tanto poder. Eram penetrantes e cheias de poder de convencimento. Este homem humilde não se importava nem um pouco com a aprovação do mundo; ele não estava impressionado com as autoridades religiosas. E não tinha medo da morte.

Tudo isto expunha o vazio da vida de Paulo. Este fariseu dos mais devotos percebeu que Estevão tinha algo que ele não possuía. Paulo tinha tido contato face à face com um homem totalmente submisso a Deus, e isto o tornou infeliz. Provavelmente ele pensou: “Eu me preparei durante anos lendo as escrituras. Mas este homem sem estudos proclama a palavra de Deus com autoridade. Eu tive sede de Deus toda a minha vida. Mas Estevão tem o próprio poder do céu, mesmo ao morrer. Ele claramente conhece Deus, como jamais encontrei outra pessoa. Todavia todo esse tempo, estive perseguindo a ele e aos seus companheiros”.

Paulo sabia que estava faltando algo em sua vida. Ele tinha conhecimento de Deus, mas nenhuma revelação própria, como Estevão. Agora, de joelhos e tremendo, ele ouve estas palavras do céu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 9:5). Foi uma revelação sobrenatural. E as palavras viraram o mundo de Paulo de cabeça para baixo. Creio que à estas alturas, ele deve ter ficado durante horas sobre sua face, chorando, como que dizendo:

“Eu estava totalmente enganado. Gastei todos estes anos com educação e estudo, praticando boas obras. Mas o tempo todo, eu estava no caminho errado. Jesus é o Messias. Ele veio, mas eu não O conheci. Todas aquelas passagens em Isaías fazem sentido agora. Eram a respeito de Jesus. Agora entendo o que Estevão possuía. Ele tinha um conhecimento íntimo de Cristo”.

A escritura diz: “Trêmulo e assustado (Paulo) disse: Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6). A conversão de Paulo foi uma obra dramática do Espírito Santo. E que convertido incomum foi este homem. Ele era o perseguidor do povo de Deus. Seu testemunho seria uma evidência poderosa e irrefutável para o evangelho de Jesus Cristo. Certamente Deus iria usar Paulo de maneiras incríveis. “Levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer” (9:6).

Tente imaginar Paulo então. Este fariseu com alto grau de escolaridade estava agora emudecido e cego. Ele teve de ser conduzido à cidade pelos amigos. Parecia que tudo na sua vida tinha desmoronado. Mas a realidade é a seguinte: Paulo estava sendo conduzido pelo Espírito Santo à uma vida de renúncia. Quando ele pergunta: “Senhor, que queres que eu faça?”, seu coração estava clamando: “Jesus, como posso servir-Te? Como posso Te conhecer e agradar? Nada mais importa. Tudo que tenho realizado na minha carne é estrume. Tu és tudo para mim agora”.

Paulo passou os tres dias seguintes jejuando e orando. Todavia nenhuma palavra veio do céu. Ele tinha ensinado e pregado a outros, mas nenhum dos seus conhecimentos podia ajudá-lo agora. Ele estava totalmente fragilizado. Ele deve ter orado: “Ó Deus, Tu me destes um desejo tão grande em conhecer-Te. Por favor, mostra-me o que fazer. Estou tão cego e confuso, nada faz sentido”.

Digo a todo seguidor consagrado a Jesus: preste atenção à esta cena. Aqui está o modelo para a vida de renúncia. Quando você decidir a se aprofundar em Cristo, Deus colocará um Estevão no seu caminho. Ele o confrontará com alguém cujo semblante tem o brilho de Jesus. Esta pessoa não está interessada nas coisas do mundo; não se preocupa com os aplausos dos homens. Ela se preocupa apenas em agradar ao Senhor. E a vida dela vai expor a complacência e as concessões que você tem feito, condenando-o seriamente.

Assim como Paulo, você sentirá repentinamente a sua falência. Perceberá que independente de quantas boas obras tenha procurado realizar, você não encontrou Jesus. E terminará num beco sem saída: confuso, desorientado, incapaz de dar um sentido à toda a revelação anterior. Mas será tudo um agir de Deus. Ele o levará a este estado de total desamparo.

2. O caminho da Renúncia Leva a Muito Sofrimento.

“Este é para mim um instrumento escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (Atos 9:15-16). Paulo recebeu a promessa de um ministério frutífero. Mas teria que suportar grandes sofrimentos para realizá-lo.

Sofrimento é um assunto amplo, incluindo muitos tipos diferentes de dor: agonia física, angústia mental, aflição emocional, dor espiritual. De acordo com as escrituras, Paulo experimentou cada uma delas. Ele sofreu um espinho na carne, naufrágios, apedrejamentos, açoites, roubos; enfrentou rejeição, zombaria, mexericos maliciosos; suportou perseguições de todos os tipos. E às vezes sentiu-se perdido, confuso, incapaz de ouvir algo de Deus.

Este modelo de sofrimento da vida de Paulo não será experimentado por todos que buscam a vida de renúncia. Mas de alguma maneira, todo crente consagrado irá se defrontar com a dor. E há um propósito atrás de tudo isso. Veja, sofrimento é uma área da vida sobre a qual não temos controle. É a área na qual aprendemos a nos render à vontade de Deus.

Eu chamo este sofrimento de escola da renúncia. É um local de treinamento onde, como Paulo, caímos sobre nossas faces e terminamos clamando: “Senhor, não dá para agüentar issso”. Ele responde: “Bom. Deixe comigo. Entregue tudo a Mim, corpo, alma, mente, coração, tudo. Confie plenamente em Mim”.

Se você tomar o caminho da renúncia, da submissão completa, sofrerá muito mais do que o cristão mediano, complacente. Se um crente que faz concessões sofre, é apenas para o seu benefício. O Senhor pode estar usando a dor para desabituá-lo de algum pecado particular. E ninguém mais vai aprender com as suas lições. Mas se você deseja a vida de renúncia, o seu sofrimento eventualmente se tornará um grande conforto para outros. Paulo afirma:

“Bendito seja o Deus…o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação. É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos” (2 Coríntios 1:3-6).

Paulo está falando aqui de sofrimentos que são permitidos por Cristo. Nosso Senhor permite estas dores nas nossas vidas, para nos tornar testemunhas da Sua fidelidade, diante dos outros. Ele quer confirmar que é o “Deus de toda consolação” (1:3). O objetivo do nosso sofrimento não é apenas nos levar à uma completa entrega à Sua vontade. Também é para “vossa (dos outros) consolação e salvação” (1:6). Resumindo, os maiores ministérios de consolação são fruto dos nossos maiores sofrimentos.

3. O Caminho da Renúcia Leva à Uma Única Ambição.

Paulo não tinha outra ambição, outra força que o impulsionava na vida, do que esta: “Que possa ganhar a Cristo” (Filipenses 3:8).

Conheço um jovem pregador, homem de Deus, que tem amizade com muitos outros pregadores jovens pelo país inteiro. Perguntei-lhe qual ele considerava ser o maior problema entre seus companheiros. Ele disse: “A pressão para ser bem sucedido”. Sua resposta me espantou. Eu sabia que a busca do sucesso é comum na sociedade secular. Então também é uma praga na igreja? Ele explicou: “Ministros jovens acham que precisam produzir grandes números na sua igreja imediatamente. Eles sentem uma forte pressão para apresentar crescimento da noite para o dia”.

Isto também é um problema para ministros mais antigos. Eles vêm trabalhando árduamente durante anos, esperando ver sua igreja crescer. Quando então uma nova igreja, de um pastor jovem, começa a crescer, os mais velhos se sentem pressionados a conseguir o mesmo. Eles correm para conferências sobre crescimento de igrejas, procurando técnicas para aumentar seus números.

Já perdi a conta de quantas cartas tenho recebido, que dizem basicamente o seguinte: “Nosso pastor acaba de retornar de uma conferência, animado com uma ‘nova fórmula de sucesso’. Diz que nossos cultos precisam ser mais amigáveis com pecadores. Então ele alterou completamente o louvor, bem como os sermões. É um lugar diferente agora. Alguns meses atrás o Espírito Santo se movia poderosamente aqui. Mas agora as pessoas estão saindo, porque o Espírito foi embora”.

Um pastor ficou perplexo diante do conselho de um especialista em crescimento de igrejas. Este lhe disse: “Sua igreja não pode crescer se Jesus é tudo o que você oferece”. Este “especialista” omitiu Cristo! A resposta a qualquer problema da igreja está prontamente disponível, mas este homem não a conheceu. Como? Ele se afastou justamente da ambição que Paulo diz ser necessária: ganhar a Cristo.

Pelos padrões atuais de sucesso, Paulo foi um fracasso total. Ele não construiu nenhum prédio. Ele não tinha uma organização. E os métodos que ele usava eram desprezados por outros líderes. Na verdade, a mensagem que Paulo pregava ofendia muitos de seus ouvintes. Às vezes foi até apedrejado por isso. Seu assunto? A cruz.

Jovens ministros tem dito: “Irmão David, você é um sucesso. Você tem um ministério pelo mundo todo. Você pastoreia uma mega-igreja. Até escreveu um best-seller. A sua reputação é para a vida toda. Bem, e eu? Por que não posso ir pelo mesmo caminho?”.

Às vezes tenho me sentido tentado a responder: “Mas eu paguei um preço. Você não conhece os sofrimentos que passei nesta caminhada”. Não, esta não é a resposta. O fato é que conheço homens bem mais piedosos que eu, que sofreram bem mais do que poderia sequer imaginar. Foram fiéis e consagrados, suportando terríveis sofrimentos, alguns até à morte. Todavia os nomes destes homens não são conhecidos pelo mundo afora.

Esta não é absolutamente a questão. Quando todos estivermos diante de Deus no julgamento, não seremos julgados segundo nossos ministérios, nossas realizações ou o número de convertidos. Haverá apenas uma medida para o sucesso neste dia: nossos corações estavam totalmente entregues a Deus? Pusemos de lado as nossas próprias vontades e prioridades, para aceitar as dEle? Sucumbimos à pressão dos outros e seguimos a multidão, ou buscamos apenas a Ele para nos guiar? Corremos de um curso para outro procurando um objetivo na vida, ou encontramos a nossa realização nEle?

Eu tive o chamado para pregar a palavra de Deus desde os oito anos de idade. E posso dizer honestamente que, durante toda a vida, a minha maior alegria tem sido ouvir o Senhor. Eu sei que quando estou diante das pessoas para pregar, estou divulgando uma mensagem que Deus me deu. E esta mensagem precisa trabalhar na minha própria alma, antes de me atrever a pregá-la a outros. Deleito-me em esperar no Senhor, para ouvir: “Este é o caminho, ande por ele”.

Agora, aos setenta anos, tenho apenas uma ambição: aprender mais e mais a dizer apenas as coisas que o Pai me dá. Nada que digo ou faço de mim mesmo vale alguma coisa. Quero poder afirmar: “Sei que meu Pai está comigo, pois faço apenas a Sua vontade”.

4. O Caminho da Renúncia Traz Contentamento Onde Quer que Você Esteja, e Com o quê For que Possua

Muitos cristãos vivem descontentes continuamente. Nunca estão satisfeitos com o que têm. Estão sempre olhando para o futuro, pensando: “Se conseguir pelo menos fazer isto, ou ter aquilo, estarei feliz.” Mas sua realização nunca chega.

Contentamento foi um enorme teste na vida de Paulo. Afinal, Deus disse que o usaria poderosamente: “Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel” (Atos 9:15). Quando Paulo inicialmente recebeu esta comissão, “logo, nas sinagogas, pregava que Jesus era o Filho de Deus” (9:20). O apóstolo ficava mais ousado a cada sermão: “Saulo, porém, se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Jesus era o Cristo” (9:22).

O que aconteceu em seguida? “Os judeus deliberaram entre si matá-lo” (9:23). Seria o fim – ao chamamento a Paulo para pregar aos filhos de Israel. Eles não só rejeitaram sua mensagem, mas tramaram sua morte. Que início desastroso para um ministério que Deus disse seria poderoso.

Paulo então decidiu ir a Jerusalém, para se encontrar com os discípulos remanescentes de Jesus. “Mas todos o temiam, não acreditando que fosse discípulo” (9:26). Agora Paulo enfrentava uma rejeição ainda pior. Seus próprios irmãos em Cristo o rejeitavam.

Finalmente, Paulo raciocinou assim: “Ao menos posso alcançar os gentios”. Todavia, quando um proeminente gentio, Cornélio, procurou um pregador para compartilhar o evangelho, ele não pediu a Paulo. Em vez disso, se dirigiu a Pedro. Sem dúvida, Paulo ouviu as notícias gloriosas vindas da casa de Cornélio: “O Espírito Santo desceu sobre os gentios. O Senhor revelou Cristo a eles!”.

Posteriormente, na conferência de Jerusalém, Paulo teve de ouvir Pedro declarando: “Irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem” (Atos 15:7). Aparentemente, Deus tinha determinado que o avivamento entre os gentios viria através de outra pessoa. Pelo que Paulo percebia, ele estaria de fora, observando as coisas acontecerem.

O que você acha que passou pela cabeça de Paulo ao vivenciar estas coisas? A verdade é que através de tudo isso – o desapontamento, a dor, as ameaças à sua vida – Deus estava ensinando ao seu servo uma coisa crucial: Paulo estava aprendendo a ter contentamento, gradualmente, passo a passo.

Mais tarde, quando Paulo pregou na Antioquia, sua mensagem foi contestada pelos líderes judeus. Então Paulo declarou: “Eis que nos voltamos para os gentios” (Atos 13:46). Paulo pregou lá aos não judeus, e muitos se converteram; “e divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região” (13:49). Mas antes que pudesse saborear a vitória, “os judeus incitaram as mulheres devotas de alta posição…e levantaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora da sua região” (13:50).

Em seguida Paulo voltou sua atenção para Icônio. Ao pregar lá, mais uma vez “creu uma grande multidão, tanto de judeus como de gregos” (14:1). Um avivamento caiu sobre a cidade. Mas, novamente “houve um motim tanto dos gentios como dos judeus, juntamente com as suas autoridades, para os ultrajarem e apedrejarem” (14:5).

Você pode imaginar a confusão e o desencorajamento de Paulo? A cada movimento, o seu chamado parecia frustrado. Deus lhe tinha prometido um ministério de evangelização com muitos frutos. Mas cada vez que pregava, ele era amaldiçoado, rejeitado, agredido, apedrejado. Como ele respondia? “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Filipenses 4:11).

Paulo não questionava, nem reclamava. Ele não buscava saber quando chegaria a pregar a reis e governadores. Ele dizia, basicamente: “Posso não estar vendo agora o que o Senhor me prometeu. Mas estou avançando pela fé, pois estou contente em ter Jesus. Por causa dEle, posso viver cada dia – ao máximo”.

O Contentamento de Paulo em Qualquer Circunstância Era o Resultado de uma Vida Submissa.

Paulo não tinha pressa de ver tudo cumprido na sua vida. Ele sabia que tinha uma pétrea promessa de Deus, e se apegou à ela. No momento ele estava contente em poder ministrar em qualquer lugar que estivesse: testemunhando a um carcereiro, a um marinheiro, a algumas mulheres na beira do rio. Este homem tinha uma missão de âmbito mundial, no entanto era fiel no testemunhar de um em um.

Paulo também não tinha ciúmes de pessoas mais jovens que pareciam deixá-lo para trás. Enquanto eles viajavam o mundo, ganhando judeus e gentios para Cristo, Paulo estava na prisão. Era obrigado a ouvir notícias a respeito de grandes multidões sendo convertidas por homens – com os quais ele tinha discutido sobre o evangelho da graça. Mas Paulo não os invejava. Ele sabia que uma pessoa entregue a Cristo pode viver tanto na escassez quanto na abundância: “Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento… tendo, porém, alimento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Timóteo 6:6-8).

O mundo hoje poderia dizer a Paulo: “Você está no fim da vida agora. Todavia não tem economias, nem investimentos. Tudo que tem é uma muda de roupa”. Eu sei qual seria a resposta de Paulo: “Ah, mas eu ganhei a Cristo. De fato tenho a verdadeira vida”.

“Mas o diabo está te importunando continuamente, Paulo. Você vive em dor constante. Na verdade, você sofre mais que qualquer outro que conheço. Como pode ser isto?”

Paulo responderia: “Eu me glorio nas minhas aflições. Quando estou fraco, aí é que na verdade estou mais forte. Não meço minha força pelos padrões do mundo, mas pelos do Senhor.”

“E quanto a seu rival, Apolo? Ele tem a atenção das massas. Mas você ministra apenas a pequenos grupos, ou mesmo uma pessoa. Apolo é um orador eloqüente, mas a sua fala é desprezível, Paulo.”

Paulo diria: “Nada disso me incomoda. Eu não busco a glória nesta vida. Tenho uma revelação da glória que me aguarda”.

“E quanto a promessa que Deus lhe deu? Ele disse que você testemunharia diante de reis. A única vez que o fez, estava acorrentado. Você teve de pregar enquanto estava preso. Onde está o cumprimento da promessa de Deus em sua vida?”

Paulo diria: “Meu Senhor manteve Sua palavra a mim. Não foi do modo que eu esperava, mas do jeito dEle. Indiferente às minhas correntes, preguei Cristo em plenitude. E olha, aqueles dirigentes foram tocados. Quando terminei a pregação eles tremiam. O Senhor me foi favorável, da Sua maneira”.

“Paulo, você acabou sendo um tolo. Todos na Ásia se voltaram contra você. Quanto mais você ama outros, menos é amado. Você trabalhou todo esse tempo para construir a igreja de Deus, mesmo fazendo tarefas humildes. Mas ninguém valoriza isso. Mesmo os pastores que você instruiu, agora zombam de si. Alguns até lhe baniram dos seus púlpitos. Por que você continua neste ministério? Você não tem sido sucesso em nenhum sentido da palavra.”

E Paulo: “Eu já deixei este mundo, com todas as suas ambições e bajulações. Não necessito dos louvores dos homens. Veja, eu fui arrebatado ao paraíso. Ouvi palavras inefáveis, palavras que não são lícitas ao homem proferir. Portanto você pode ter toda a competição deste mundo, com todas as suas rivalidades. Eu decidi nada saber entre vós, senão a Cristo, e Este crucificado.

Posso lhe dizer, eu sou vencedor. Eu achei a pérola de grande valor. Jesus me concedeu o poder de entregar tudo, e de tomar novamente. Bem, eu entreguei tudo, e agora uma coroa me aguarda. Tenho apenas um objetivo nesta vida: ver meu Jesus face a face. Todos os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a alegria que me aguarda”.

Que os nossos corações possam ser como o de Paulo, enquanto buscamos a vida de renúncia.

David Wilkerson

Fonte: Título original, “A Vida de Renúncia” http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts020123.htm

Em Discernimento Cristão

Porque não podemos ser evangélicos (?)

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A Reforma Protestante redescobriu o evangelho da livre graça de Deus, que tinha sido obscurecido na igreja medieval por um moralismo que ignorava a profunda depravação do homem, por um sacerdotalismo que se colocava entre os homens e Deus, e por um eclesiasticismo que apagava a distinção Criador-criatura, tornado-se a própria igreja a nova Encarnação. No cerne da Reforma estava uma ênfase renovada sobre o evangelho bíblico-paulinoagostiniano: salvação somente pela graça de Deus, sobre a base da obra expiatória de Cristo, recebida pela fé somente. Os Reformadores e suas igrejas tinham orgulho de serem conhecidos como “evangélicos”, visto que viam a si mesmos como pregando o puro evangelho, a mensagem do evangelho. Esse é o evangelicalismo bíblico.

Mas o que se passa hoje por evangelicalismo está, em muitos pontos, bem longe do evangelicalismo da Reforma, assim como está em geral longe do ensino bíblico em outros pontos. Quando amigos perguntam se sou evangélico, rapidamente digo “Não”. Porque freqüentemente eles identificam “evangélico” com “crer na Bíblia” e “pregar o evangelho”, tento explicar que é precisamente devido ao fato do evangelicalismo não crer corretamente na Bíblia ou pregar o evangelho fielmente, que não me considero um evangélico e não posso ser um membro de uma igreja evangélica (isso é grandemente verdade do fundamentalismo moderno, que é simplesmente uma versão mais restritiva e provincial do evangelicalismo). O que talvez seja os seus três principais distintivos permanece em total contraste com a crença e prática bíblica e reformada do Cristianismo.

Um Evangelho Subjetivo, e não Objetivo

Embora os evangélicos modernos professem uma crença firme na Bíblia, no centro de sua religião não está a sua visão da Bíblia, mas sua visão do evangelho. O evangelicalismo orgulha-se sobre a centralidade do evangelho e da salvação. É justamente aqui, contudo, que o evangelicalismo está mais poluído. Na verdade, ironicamente o suficiente, a visão evangélica do evangelho está mais perto daquela da Roma medieval do que do evangelho bíblico da Reforma. O Concílio de Trento, a resposta católica romana à Reforma, sustentou que a salvação é um empreendimento cooperativo entre Deus e o homem. Deus coloca o processo em movimento (no batismo), mas o homem ajuda ao longo do processo. De acordo com Roma, o livre-arbítrio do homem desempenha uma grande parte em sua salvação. Os Reformadores reconheceram corretamente que isso destruiu o evangelho da graça de Deus. Abriu o caminho para o homem afirmar sua própria contribuição, bondade e justiça. Para os evangélicos, isso é quase uniformemente sua própria “decisão”. Nesse ponto, eles são um com Roma.

Os evangélicos são defensores da “regeneração por decisão”. O evangelicalismo é essencialmente uma deturpação do novo nascimento, a institucionalização da experiência de conversão. A coisa importante sobre a salvação é a experiência do homem, seus sentimentos sobre ser salvo. Uma dose pesada desse experiencialismo foi introduzida na igreja no Wesleyianismo do século dezoito, e tem sido uma marca do evangelicalismo desde então. A experiência de Wesley foi a de ficar “estranhamente aquecido” quando ouviu o evangelho, e essa experiência tornou-se uma peça central de sua teologia. (Para ser justo, a soteriologia de Lutero também era de certa forma autobiográfica, mas ela guiou-o em direção de uma salvação somente pela obra de Deus.

Para Calvino, em contraste, nossa salvação reside na obra objetiva da expiação de Cristo. Os homens não são salvos pelo que experimentam; eles são salvos pelo que Cristo realizou. Em Sua grande obra redentora sobre a cruz e em Sua ressurreição, Cristo assegurou a salvação do Seu povo, cumprindo as exigências da lei ao substituir judicialmente os pecados dos pecadores. Quando o evangelho é pregado, ele atrai eficaz e irresistivelmente aqueles a quem Deus escolheu. Eles são conquistados por Cristo, o seu Redentor. Eles são trazidos sob seus joelhos em humilde submissão, e não podem fazer nada senão exercer fé na obra redentora de Jesus Cristo. Essa experiência, embora essencial, é um resultado da expiação objetiva de Cristo e da aplicação do evangelho pelo Espírito Santo.

Para os evangélicos isso é muito sofisticado e também “intelectual”. O fato realmente central é que Deus perdoou os seus pecados, aceitou-os em Sua família, tornou-os felizes, e preparou-os um lar no céu. Para evangélicos, o evangelho centra-se na vontade e prazer do homem; para os Reformados, o evangelho centra-se na vontade e prazer de Deus.

Porque ser um evangélico significa abraçar a sua forma de evangelho centrado no homem, não podemos ser evangélicos.

Uma Religião do Novo Testamento, e Não Bíblica

A ala Reformada da Reforma expressava a unidade do pacto de Deus no Antigo e Novo Testamento. Os evangélicos enfatizam a falta de unidade entre esses pactos, pois para os evangélicos o objetivo da Fé é reproduzir “o Cristianismo do Novo Testamento”. Os evangélicos crêem em ¼ da Bíblia; os cristãos Reformados crêem numa Bíblia inteira. Evangélicos rotineiramente desprezam a autoridade do Antigo Testamento. A lei do Antigo Testamento, eles afirmam, é parte do “velho” pacto, e foi destinado somente para o antigo Israel; hoje ouvimos apenas as palavras de Jesus, João, Paulo e assim por diante. Os evangélicos estão entre os mais ruidosos em insistir sobre “crer na Bíblia de capa a capa”, mas não crêem que ¾ do que aparece entre as capas tenha qualquer relevância para hoje. Eles falam hipocritamente sobre “estrita inerrância bíblica”, mas isso em geral é simplesmente “conversa piedosa”, pois eles negam que as provisões do novo pacto estavam em operação no Antigo Testamento (Gl. 4:22-31). Eles não vêem muito do evangelho, se é que algo, no Antigo Testamento. E porque o evangelicalismo centra-se no evangelho, isso significa que o Antigo Testamento é largamente irrelevante. Funcionalmente, portanto, o termo “crente na Bíblia” não se aplica a maioria dos evangélicos.

Um Evangelho Limitado, não a Fé Plena

Isso leva diretamente à característica final do evangelicalismo, a qual os cristãos que crêem na Bíblia devem repudiar expressamente. Para os evangélicos, é o evangel, o evangelho (limitada e erroneamente definido, é claro) que deveria impressionar nossas vidas. Para os Reformados, é a soberania de Deus e Seu governo régio absoluto na Terra que é impressionante. O evangelho evangélico não é meramente deturpado; é limitado. O evangelho evangélico é um fim em si mesmo. “Manter nossas almas longe do inferno” é todo o significado da vida sobre a Terra. Para os Reformados, o significado da vida sobre a Terra é a submissão absoluta a Cristo, o nosso Redentor real, e o trabalho diligente para estender o Seu reinado na Terra. Evangelismo é um meio essencial para esse fim, mas não o próprio fim. Afirmar que o evangelismo é um fim em si mesmo é expor uma teologia deturpada e centrada no homem. O fim é a glória de Deus e, com referência ao Seu plano para a Terra, a expansão gradual, porém inexorável do Seu reino (Mt. 6:33; 13:31-34).

Os evangélicos estão intensamente interessados no tipo de evangelismo deles. Porque esse evangelismo não é apenas deturpado, mas também limitado, ele não se relaciona com muitos aspectos da vida. Porque o evangelismo é o centro de sua religião e por não se relacionar com muitos aspectos da vida, a própria religião não se relaciona com muitos aspectos da vida. Porque sua religião não se relaciona com muitos aspectos da vida, eles tendem a pensar como os humanistas mundanos naquelas áreas sem relação com sua religião limitada. Esse é o porquê, em primeiro lugar, o método apologético evangélico compromete o evangelho, como Cornelius Van Til tão poderosamente demonstrou.

Os evangélicos estão dispostos a comprometer tudo, até Deus mesmo, por causa de seu ídolo precioso, o seu evangelho deturpado e limitado. Esse é o motivo da maioria deles não ver nada de errado em enviar seus filhos para escolas do governo, adotar uma psicologia secular, ensinar uma ciência evolucionária, eleger políticos ateus e endossar traduções errôneas da Bíblia. Essas áreas estão além do alcance de seu evangelho limitado. Tudo além do escopo de seu evangelho limitado é algo legal para uma perspectiva “neutra” (isto é, violadora do pacto).

Por essas razões, onde quer que o evangelicalismo moderno tenha florescido, ele tem bombardeado a ortodoxia bíblica histórica; eviscerado uma fé forte e teologicamente ancorada; e castrado uma religião robusta, vigorosa e abrangente. Seu sucesso tem sido o fracasso do Cristianismo bíblico.

Conseqüentemente, ser um evangélico no sentido moderno é diluir e eventualmente destruir a Fé.

Por Andrew Sandlin

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Faith for All of Life, Julho 2000
Via:Eleitos de Deus
Via: [ Ministério Batista Beréia ]

Cuidado com sua “Vida” !!!

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AB-D.

AI-5 Gay: “Não vos conformeis com esta era” (Romanos 12.2). NÃO ACEITO A DITADURA GAY !

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O reverendo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler a Universidade Mackenzie — homem inteligente, capaz, disciplinado na sua fé e respeitador das leis do país; sim, eu o conheço — está sendo alvo de uma violenta campanha de difamação na Internet. Na próxima quarta, grupos gays anunciam um protesto nas imediações da universidade que ele dirige com zelo exemplar. Por quê? Ele teve a “ousadia”, vejam só, de publicar, num cantinho que lhe cabe no site da instituição trecho de uma resolução da Igreja Presbiteriana do Brasil contra a descriminação do aborto e contra aprovação do PL 122/2006 — a tal lei que criminaliza a homofobia (aqui). O texto nem era seu, mas do reverendo Roberto Brasileiro, presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. A íntegra do documento está aqui. Pode-se ler lá o que segue:
“Quanto à chamada Lei da Homofobia, que parte do princípio que toda manifestação contrária à homossexualidade é homofóbica (…), a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre a homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos”.
 
Respondam: o que há de errado ou discriminatório nesse texto? A PL 122 nem foi aprovada ainda, e as perseguições já começaram. Vamos tornar ainda mais séria essa conversa. Há gente que gosta das soluções simples e erradas para problemas difíceis. Eu estou aqui para mostrar que há coisas que, simples na aparência, são muito complicadas na essência. Afirmei certa feita que o verdadeiro negro do mundo era o branco, pobre, heterossexual e católico. Era um exagero, claro!, uma expressão de mordacidade. A minha ironia começa a se transformar numa referência da realidade. A PL 122 é flagrantemente inconstitucional; provocará, se aprovada, efeitos contrários àqueles pretendidos e agride a liberdade religiosa. É simples assim. Mas vamos por partes, complicando sempre, como anunciei.
 
Homofóbico ?
Repudio o pensamento politicamente correto, porque burro, e o pensamento nem-nem — aquele da turma do “nem isso nem aquilo”. Não raro, é coisa de covardes, de quem quer ficar em cima do muro. Procuro ser claro sobre qualquer assunto. Leitores habituais deste blog já me deram algumas bordoadas porque não vejo nada de mal, por exemplo, na união civil de homossexuais — que não é “casamento”. Alguns diriam que penso coisa ainda “pior”: se tiverem condições materiais e psicológicas para tanto, e não havendo heterossexuais que o façam, acho aceitável que gays adotem crianças. Minhas opiniões nascem da convicção, que considero cientificamente embasada, de que “homossexualidade não pega”, isto é, nem é transmissível nem é “curável”. Não sendo uma “opção” (se fosse, todos escolheriam ser héteros), tampouco é uma doença. Mais: não me parece que a promiscuidade seja apanágio dos gays, em que pese a face visível de certas correntes contribuir para a má fama do conjunto.
 
“Que diabo de católico é você?”, podem indagar alguns. Um católico disciplinado. É o que eu penso, mas respeito e compreendo a posição da minha igreja. Tampouco acho que ela deva ficar mudando de idéia ao sabor da pressão deste ou daqueles grupos católicos. Disciplina e hierarquia são libertadoras e garantem o que tem de ser preservado. Não tentem ensinar a Igreja Católica a sobreviver. Ela sabe como fazer. Outra hora volto a esse particular. Não destaco as minhas opiniões “polêmicas” para evitar que me rotulem disso ou daquilo. Eu estou me lixando para o que pensam a meu respeito. Escrevo o que acho que tem de ser escrito.
 
Aberração e militância
Ter tais opiniões não me impede de considerar que o tal PL 122 é uma aberração, que busca criar uma categoria especial de pessoas. E aqui cabe uma pequena história. Tudo começou com o Projeto de Lei nº 5003/2001, na Câmara, de autoria da deputada Iara Bernardes, do PT. Ele alterava a Lei nº 7716, de 1989, que pune preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional (íntegra aqui) acrescentando ao texto a chamada discriminação de gênero. Para amenizar o caráter de “pogrom gay”, o senador Marcelo Crivella acrescentou também a discriminação contra idoso e contra deficientes como passível de punição. Só acrescentou absurdos novos.
 
Antes que me atenha a eles, algumas outras considerações. À esteira do ataque contra três rapazes perpetrados por cinco delinqüentes na Avenida Paulista, que deveriam estar recolhidos (já escrevi a respeito), grupos gays se manifestaram. E voltou a circular a tal informação de que o Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo. É mesmo? Este também é um dos países que mais matam heterossexuais no mundo!!! São 50 mil assassinatos por ano. Se os gays catalogados não chegam a 200 — e digamos que eles sejam 5% da população; há quem fale em 9%; não importa —, há certamente subnotificação, certo? “Ah, mas estamos falando dos crimes da homofobia…” Sei. Michês que matam seus clientes são ou não considerados “gays”? Há crimes que não estão associados à “orientação sexual” ou à “identidade de gênero”, mas a um modo de vida. Cumpre não mistificar. Mas vamos ao tal PL.
 
Disparates
A Lei nº 7716 é uma lei contra o racismo. Sexualidade, agora, é raça? Ora, nem a raça é “raça”, não é mesmo? Salvo melhor juízo, somos todos da “raça humana”. O racismo é um crime imprescritível e inafiançável, e entrariam nessa categoria os cometidos contra “gênero, orientação sexual e identidade de gênero.” Que diabo vem a ser “identidade de gênero”. Suponho que é o homem que se identifica como mulher e também o contrário. Ok. A lei não proíbe ninguém de se transvestir. Mas vamos seguir então.
 
Leiam um trecho do PL 122:
Art. 4º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida do seguinte Art. 4º-A:
“Art. 4º-A Praticar o empregador ou seu preposto atos de dispensa direta ou indireta: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco)anos.”
 
Art. 5º Os arts. 5º, 6º e 7º da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1999, passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 5º Impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público: Pena: reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos.”
 
Para demitir um homossexual, um empregador terá de pensar duas vezes. E cinco para contratar — caso essa homossexualidade seja aparente. Por quê? Ora, fica decretado que todos os gays são competentes. Aliás, na forma como está a lei, só mesmo os brancos, machos, heterossexuais e eventualmente cristãos não terão a que recorrer em caso de dispensa. Jamais poderão dizer: “Pô, fui demitido só porque sou hétero e branco! Quanta injustiça!”. O corolário óbvio dessa lei será, então, a imposição posterior de uma cota de “gênero”, “orientação” e “identidade” nas empresas. Avancemos.
 
“Art. 6º Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional: Pena – reclusão de 3 (três) a 5 (cinco) anos. ”
Cristãos, muçulmanos, judeus etc têm as suas escolas infantis, por exemplo. Sejamos óbvios, claros, práticos: terão de ignorar o que pensam a respeito da homossexualidade, da “orientação sexual” ou da “identidade de gênero” — e a Constituição lhes assegura a liberdade religiosa — e contratar, por exemplo, alguém que, sendo João, se identifique como Joana? Ou isso ou cana?
 
Art. 7º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar acrescida dos seguintes art. 8º-A e 8º-B:
“Art. 8º-B Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”
Pastores, padres, rabinos etc. estariam impedidos de coibir a manifestação de “afetividade”, ainda que os fundamentos de sua religião a condenem. O PL 122 não apenas iguala a orientação sexual a raça como também declara nulos alguns fundamentos religiosos. É o fim da picada! Aliás, dada a redação, estaríamos diante de uma situação interessante: o homossexual reprimido por um pastor, por exemplo, acusaria o religioso de homofobia, e o religioso acusaria o homossexual de discriminação religiosa, já que estaria impedido de dizer o que pensa. Um confronto de idéias e posturas que poderia ser exercido em liberdade acaba na cadeia. Mas o Ai-5 mesmo vem agora:
 
“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero:
§ 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”
Não há meio-termo: uma simples pregação contra a prática homossexual pode mandar um religioso para a cadeia: crime inafiançável e imprescritível. Se for servidor público, perderá o cargo. Não poderá fazer contratos com órgãos oficiais ou fundações, pagará multa… Enfim, sua vida estará desgraçada para sempre. Afinal, alguém sempre poderá alegar que um simples sermão o expôs a uma situação “psicologicamente vexatória”. A lei é explícita: um “processo administrativo e penal terá início”, entre outras situações, se houver um simples “comunicado de organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos.” Não precisa nem ser o “ofendido” a reclamar: basta que uma ONG tome as suas dores.
 
A PL 122 institui o estado policial gay! E o chanceler no Mackenzie, Augustus Nicodemus Lopes, já é alvo dessa patrulha antes mesmo de essa lei ser aprovada.
 
O que querem os proponentes dessa aberração? Proteger os gays? Não há o risco de que aconteça o contrário? A simples altercação com um homossexual, por motivo absolutamente alheio à sua sexualidade, poderia expor um indivíduo qualquer a um risco considerável. Se o sujeito — no caso, o gay — for honesto, bem: não vai apelar à sua condição de “minoria especialmente protegida”; se desonesto — e os há, não? —, pode decidir infernizar a vida do outro. Assim, haverá certamente quem considere que o melhor é se resguardar. É possível que os empregadores se protejam de futuros dissabores, preferindo não arriscar. Esse PL empurra os gays de volta para o gueto.
 
Linchamento moral
O PL 122 é uma aberração jurídica, viola a liberdade religiosa e cria uma categoria de indivíduos especiais. À diferença de suas “boas intenções”, pode é contribuir para a discriminação, à medida que transforma os gays numa espécie de “perigo legal”. Os homossexuais nunca tiveram tanta visibilidade. Um gay assumido venceu, por exemplo, uma das jornadas do BBB. Cito o caso porque houve ampla votação popular. A “causa” está nas novelas. Programas de TV exibem abertamente o “beijo gay”. Existe preconceito? Certamente! Mas não será vencido com uma lei que acirra as contradições e as diferenças em vez de apontar para um pacto civilizado de convivência. Segundo as regras da democracia, há, sim, quem não goste dessa exposição e se mobiliza contra ela. É do jogo.
 
Ninguém precisa de uma “lei” especial para punir aqueles delinqüentes da Paulista. Eles não estão fora da cadeia (ou da Fundação Casa) porque são heterossexuais, e sua vítima, homossexual. A questão, nesse caso, infelizmente, é muito mais profunda e diz muito mais sobre o Brasil profundo: estão soltos por causa de um preconceito social. Os homossexuais que foram protestar na Paulista movidos pela causa da “orientação sexual” reduziram a gravidade do problema.
 
Um bom caminho para a liberdade é não linchar nem física nem moralmente aqueles de quem não gostamos ou com quem não concordamos. Seria conveniente que os grupos gays parassem de quebrar lâmpadas na cabeça de Augustus Nicodemus Lopes, o chanceler do Mackenzie. E que não colocassem com tanta vontade uma corda no próprio pescoço sob o pretexto de se proteger. Mas como iluminar minimamente a mentalidade de quem troca o pensamento pela militância?

Quando trato de temas como esse, petralhas costumam invadir o blog com grosserias homofóbicas na esperança de que sejam publicadas para que possam, depois, sair satanizando o blog por aí. Aviso: a tática é inútil.  Não serão! Este blog é contra o PL 122 porque preza os valores universais da democracia, que protegem até os que não são gays…

E sobre o tal protesto na frente do Mackenzie, os organizadores mudaram o portão. Ao invés de ser na Consoloção, será na Itambé. A justificativa é o alto número de presenças confirmadas, acima dos 3.000. A página no Facebook ainda afirma que:

IMPORTANTE:

1. Diferente do que alguns estão pensando, nós NÃO entraremos no interior da universidade. Isto seria invasão de propriedade privada e acredito que ninguém quer ser preso!

2. BEXIGAS BRANCAS! Vamos todos também levá-las, como símbolo de paz. Vai ficar lindo!

Do colunista Reinaldo Azevedo, na Veja:

O AI-5 GAY JÁ COMEÇA A SATANIZAR PESSOAS; SE APROVADO, VAI PROVOCAR O CONTRÁRIO DO QUE PRETENDE: ACABARÁ ISOLANDO OS GAYS

in Nani e a Teologia

Instabilidade Espiritual (?) – Busque a Face do Senhor

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Embora eu me regozije com conversões súbitas, eu tenho sérias suspeitas quanto a essas pessoas repentinamente felizes que nunca parecem ter se entristecido com o próprio pecado. Receio que esses que vêm tão facilmente à sua religião que freqüentemente a perdem completamente com a mesma facilidade. Saulo de Tarso foi convertido subitamente, mas nenhum homem já passou por maior horror de escuridão do que ele, antes que Ananias viesse a ele com palavras de conforto.
Eu gosto do arado profundo.
A raspagem superficial do solo é trabalho pobre. O corte profundo da terra sob a superfície é grandemente necessário. Afinal de contas, os cristãos mais duradouros parecem ser aqueles que viram que o mal interior que neles há é profundo e repugnante, e depois de algum tempo foram levados a ver a glória da mão curativa do Senhor Jesus conforme Ele a estende no Evangelho.

Receio que em muito da religião moderna há uma carência de profundidade em todos os pontos. Eles não tremem profundamente nem se regozijam grandemente. Eles não se desesperam muito, nem acreditam muito. Oh, cuidado com um verniz piedoso! Proteja-se da religião que consiste em colocar uma fina camada de piedade sobre uma pesada massa de carnalidade. Nós precisamos de uma obra contínua no interior. A graça que alcança o centro e afeta o espírito mais interior é a única graça que vale a pena ter.
Para pôr tudo em uma palavra, uma ausência do Espírito Santo é a grande causa da instabilidade religiosa. Cuidado para não confundir excitação com o Espírito Santo ou as suas próprias resoluções com os profundos mecanismos do Espírito de Deus na alma. Tudo aquilo que a natureza pinta, Deus queimará com ferro quente. Qualquer coisa que a natureza põe em funcionamento, Ele fará parar e jogará fora com os trapos. Você precisa nascer de cima, você precisa ter uma nova natureza forjada em você pelo dedo do próprio Deus, já que de todos os seus santos está escrito, “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus.”
Oh, mas, em todos os lugares eu temo que haja uma ausência do Espírito Santo! Há muita coisa vindo de uma moralidade espalhafatosa, superficial, muitos clamores de “Paz, Paz” onde não há nenhuma paz; e muito pouca ansiedade profunda advinda de um exame do coração para ser completamente purificado do pecado. Verdades bem conhecidas e facilmente lembradas são cridas sem serem acompanhadas da devida uma impressão do peso delas; esperanças sem consistência e confianças infundadas são formadas e é isso que faz com que os enganadores sejam tão abundantes e os espetáculos carnais tão comuns.

“Para pôr tudo em uma palavra,uma ausência do Espírito Santo é a grande causa da instabilidade religiosa.”

Preparando-se para Pastorear !

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Às vezes, acontece que um pastor enfrenta oposição da parte daquelas pessoas que antes o promoviam de maneira entusiástica. Por que isso acontece? Com freqüência, isso ocorre por causa da comunicação superficial que houve entre o pastor em potencial e os membros da igreja, antes de ele assumir seu pastorado. Em nossos dias, é possível que um pastor seja escolhido para uma igreja sem que perguntas sérias lhe sejam dirigidas, e, menos ainda, perguntas a respeito de doutrina. Sugerimos que as igrejas tenham o mais completo diálogo possível sobre os assuntos de doutrina, prática e estilo de vida cristã. Se a igreja falhar em fazer isso, o próprio candidato ao pastorado deve procurar esse tipo de diálogo. Tal procedimento protege tanto o pastor quanto a igreja.

Dois outros assuntos são extremamente importantes. Primeiro, o candidato ao pastorado deve apresentar uma lista de referências. A igreja tem de seguir com muita atenção essas referências e solicitar que as pessoas citadas apresentem outros nomes como referência sobre o pastor. Deve-se tributar atenção ao fato de que, às vezes, pessoas deixam de gostar de outras não por causa dos erros destas. ( O próprio Senhor Jesus foi odiado.) A inquirição por meio de referências lhes assegura que o pastor tem um bom testemunho tanto da igreja como “dos de fora” (1 Tm 3.7). O questionamento das pessoas apresentadas deve centralizar-se na lista de 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9. Essas listas de qualificações foram escritas para servirem como instrumento de observação das vidas de candidatos à liderança das igrejas, e não como uma lista de perguntas a serem dirigidas aos candidatos. Essa observação é extremamente importante. O ideal seria que a igreja convivesse com o candidato ao pastorado, observando sua vida durante meses ou mesmo anos. Visto que, infelizmente, esse não é o padrão seguido pela maioria das igrejas, vocês têm de depender muito de atentarem às referências fornecidas. Respostas superficiais e subjetivas da parte do próprio candidato podem causar uma distorção da verdadeira situação. A avaliação que sugerimos em seguida se refere às passagens bíblicas mencionadas, mas a sua utilização pode ser mais abrangente. Vocês devem utilizá-las amplamente na conversa com as pessoas apresentadas como referências. Isso não significa que as passagens bíblicas citadas não são extremamente importantes no questionamento que o candidato pode fazer para si mesmo.

Relacionada à primeira, existe uma segunda consideração: devem ser feitos muitos esforços para apresentar à igreja os diversos aspectos da vida do pastor em perspectiva, durante tanto tempo quanto possível, antes de chegarem a alguma decisão. Esse tipo de apresentação não é um problema, quando a igreja tem de escolher pastores dentre os seus próprios membros; todavia, tal apresentação cria realmente um problema considerável para aqueles que trazem um novo pastor de fora da igreja. Um fim de semana de cultos não é suficiente para que as pessoas fiquem corretamente informadas. Devemos lembrar: o pastor, se for chamado a pastorear, estará na igreja durante um extenso período de tempo, influenciando nossas famílias e comunidade para Cristo. Sabemos que vocês estão prontos para receber um novo pastor. Mas existe algo pior do que não ter um pastor — ter o pastor errado.

Apresentamos nossa sugestão final: depois das conversas iniciais, pensem em ter gravadas ou escritas as respostas destas perguntas, por parte daquele que é o mais sério candidato ao pastorado da igreja. Perguntem-lhe se o seu interesse é tão grande, que ele aceitaria avançar para esse estágio de inquirição, dizendo-lhe que isso tomará boa parte de seu valioso tempo. Esse questionamento mais profundo é para aqueles que demonstram um nível de interesse elevado. Perguntas esclarecedoras podem ser feitas, posteriormente, por telefone ou conversas pessoais. Um grupo selecionado destas perguntas pode ser dirigido ao candidato nas grandes reuniões da igreja, a fim de permitir que o pastor em perspectiva fale sobre algumas de suas crenças e outras perguntas lhe sejam apresentadas.

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As perguntas alistadas em seguida não estão colocadas em ordem de significância. Algumas delas podem não ser importantes para vocês. Talvez vocês queiram acrescentar outras perguntas. Não existe o pastor perfeito. No entanto, atenção a estas questões, juntamente com extensos períodos de oração, ou mesmo jejum, pode lhes dar garantia de encontrar o pastor certo para a sua igreja.

  1. Existem muitas pessoas que professam seguir a Cristo, mas estão enganadas. Que evidências você tem de que Deus lhe deu vida?
  2. 

  3. O que significa para alguém amar a Deus? De que maneiras você percebe o verdadeiro amor bíblico para com Deus manifestado em sua própria vida? Você percebe o verdadeiro amor bíblico para com Deus na vida de sua esposa e de seus filhos?
  4. O que a sua esposa sente a respeito de seu compromisso com o pastorado? E como os seus filhos reagem?
  5. Por que você acredita que Deus o quer no pastorado?
  6. Examine cuidadosamente cada uma das qualificações bíblicas para pastores e diáconos (1 Tm 3; Tt 1.5-9; At 6.1-6; 1 Pe 5.1-4). Quais são as suas qualificações mais fortes? Com quais dessas qualificações você tem mais dificuldade? Por que você acredita que essas áreas de dificuldade não o desqualificam para o ministério? (Observe a expressão “é necessário” — 1 Tm 3.2).
  7. Um pastor é encarregado por Deus a pregar para a igreja e a pastorear as pessoas de maneira individual. Que aspecto do ministério apela mais a você? De que maneiras específicas você poderia ser auxiliado a desenvolver suas habilidades nessas duas áreas?
  8. Quais são os seus métodos de envolver-se nas vidas das pessoas, enquanto as pastoreia e vela por suas almas?
  9. Que atividades caracterizam seu interesse evangelístico? Como você lida com o assunto do evangelismo pessoal e do coletivo?
  10. O que você pensa a respeito do aconselhamento? Como você administra a abundante necessidade de aconselhamento?
  11. Quais são as suas práticas costumeiras e específicas a respeito de disciplina espiritual (ou seja, oração, estudo bíblico, meditação, mordomia, etc.)?
  12. Como você descreve um pastor bem-sucedido e uma igreja bem-sucedida?
  13. Em que bases o pastor pode ser considerado uma pessoa responsável? Que relacionamentos de sua vida fornecem senso de responsabilidade por suas atitudes e comportamento, tanto em sua vida pessoal como em seu ministério pastoral?
  14. Quais são os seus autores, teólogos e comentaristas evangélicos favoritos? Por quê? Que livros você leu recentemente?
  15. Descreva uma ocasião em que você fez tentativas de reformar a igreja em alguma área importante. Quais foram os resultados? O que isto custou para você mesmo?
  16. Descreva seu estilo de liderança. Quais têm sido alguns de seus pontos fracos e de seus pontos fortes?
  17. Quando você enfrentou oposição, isso ocorreu na maior parte das vezes por causa de seu estilo de liderança, de sua personalidade, de suas crenças ou de alguma outra coisa?
  18. De acordo com sua observação, que doutrinas precisam de ênfase especial em nossos dias?
  19. O que é o verdadeiro arrependimento bíblico?
  20. O que é a verdadeira fé bíblica?
  21. Explique a justificação pela fé. Qual a diferença entre o ponto de vista do Catolicismo Romano e o ponto de vista bíblico a respeito da justificação pela fé?
  22. Explique seu ponto de vista a respeito da santificação. Quais são os vários meios que Deus usa para santificar o crente?
  23. Uma pessoa pode ter Cristo como seu Salvador e não estar em sujeição a Ele como Senhor? Explique.
  24. Qual a sua posição a respeito da inerrância das Escrituras?
  25. Explique a expressão bíblica “Batismo do Espírito”. Quando ocorre esse batismo?
  26. Quais são as suas opiniões sobre o batismo em água?
  27. De que maneira a Bíblia relaciona a soberania de Deus à salvação?
  28. O que a Bíblia ensina a respeito da extensão da depravação do homem?
  29. O que a obra de expiação consumada por Cristo realizou em favor dos crentes?
  30. O que a Bíblia ensina a respeito da perseverança e da preservação dos crentes?
  31. Qual é a utilização correta da lei do Antigo Testamento?
  32. Como você articula sua opinião a respeito dos assuntos escatológicos e dos finais dos tempos?
  33. Você crê que Jesus nasceu de uma virgem? Qual a importância desta sua crença?
  34. Qual a sua interpretação dos ensinos bíblicos sobre o inferno?
  35. Você acredita que os acontecimentos descritos em Gênesis 1 a 11 são verdadeiros ou simbólicos?
  36. O que a Bíblia ensina em referência aos dons espirituais? Descreva sua opinião a respeito de profecias e falar em línguas.
  37. O que você pensa sobre o divórcio e o novo casamento? Você segue estritamente esses pensamentos em sua prática?
  38. Qual a sua opinião sobre a frase “é necessário, portanto, que o bispo [pastor] seja… esposo de uma só mulher” (1 Tm 3.2)?
  39. Quais são as suas exigências para realizar uma cerimônia de casamento?
  40. Explique suas opiniões sobre a disciplina da igreja. Relate alguma experiência pessoal.
  41. Como você lidaria com um caso de escândalo ou imoralidade praticado por um membro da igreja?
  42. O que você pensa a respeito do aborto?
  43. Muitas crianças que pareciam ter sido convertidas na infância não demonstram mais tarde qualquer evidência de conhecerem a Cristo. Como você lida com crianças quando elas o procuram, para aconselharem-se a respeito da conversão?
  44. Qual é um método útil para receber novos membros na igreja? Quais são os requisitos para isso?
  45. Qual a sua opinião sobre os estilos de música da igreja?
  46. Quem deve conduzir a adoração na igreja? Por quê? Que métodos de liderar a adoração corporativa são apropriados? Quais são impróprios?
  47. O que a Bíblia diz sobre o propósito das reuniões semanais da igreja?
  48. Qual o seu ponto de vista a respeito do levantamento de recursos monetários para os vários projetos da igreja? A igreja deveria pedir dinheiro a pessoas que não pertencem à sua membresia?
  49. Quais as suas convicções sobre dívidas na igreja local?
  50. O que a Bíblia ensina sobre mulheres no ministério pastoral?
  51. O que a Bíblia ensina a respeito de como a igreja deve tomar suas decisões?
  52. Como um pastor e sua igreja devem se relacionar com outras igrejas locais e (se filiada a uma denominação) no âmbito mais amplo? Você se sente tranqüilo em cooperar com outras denominações? Você estabelece algumas diretrizes?
  53. Quais são as responsabilidades bíblicas dos presbíteros? Existem distinções entre presbíteros, pastores e bispos?
  54. Quais são as responsabilidades bíblicas dos diáconos? Como devem se relacionar os diáconos e os pastores?
  55. Que ênfase você atribui à liderança dos pais em suas famílias, especialmente no que diz respeito à adoração familiar. Você se envolve pessoalmente na adoração familiar, juntamente com sua esposa e filhos?
  56. Qual a sua visão missionária para a igreja? De que maneira você está demonstrando interesse e envolvimento em missões?

Para ser um ministro bom e fiel, um pastor não tem de fornecer uma resposta completa e imediata para todas essas perguntas. Em algumas dessas perguntas, será aceitável se ele apenas disser: “Eu não sei”; ou: “Ainda não tenho a minha opinião completamente desenvolvida sobre este assunto”.

Entretanto, acautelem-se de um pastor que parece estar evitando apresentar respostas claras. Certamente, em algumas dessas perguntas, ele achará necessário definir termos e esclarecer sua resposta. Sigam em frente cautelosamente, até que ele torne sua opinião tão clara quanto possível.

Se necessário, podem ser feitas outras perguntas sobre assuntos como o Movimento de Crescimento de Igreja, educação familiar, maçonaria, o Movimento Nova Era, atividade política na igreja, relacionamento com outros ministérios ou movimentos evangélicos, etc. Perguntas sobre outros assuntos doutrinários de grande importância devem ser feitas, se necessário (por exemplo, a divindade de Cristo, a aceitação da Trindade, etc.). Tanto o comitê de avaliação como a igreja devem ficar satisfeitos a respeito de qualquer assunto sobre o qual desejem discutir.

Fonte: [ editorafiel.com.br ]
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]

Os gays não verão a Glória de Deus e PONTO FINAL (sem medo de falar as verdades bíblicas, apesar dos traumas)

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Gays

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Desabafo de um pai

Tenho um casal de filhos… (muitos sonham em ter um casal de filhos, mas daqui para frente, pra quê mesmo?)

pelo jeito não poderei mais destacar a diferença deles…

pelo jeito não posso mais falar para eles que um tipo de comportamento é coisa de meninA, ou de meninO…

não poderei mais orar pedindo ao Senhor um marido para minha filha, e uma esposa para meu filho… (capaz de ficarem ouvindo como aconteceu com Daniel)…

não poderei mais dizer para meu filho que ele é homem, ou como ele mesmo diz ‘homem macho’… será crime daqui uns dias… ? …

Não existe mais problema algum em meus filhos verem um ‘casal’(essa palavra é homofóbica?) de homens se beijando… Minha filha olha… ela tem seis anos, não entende… “Uai, [mineira] meu pai falava que mulher casa com homem…?” Não filha… me perdoe… agora eu não posso mais dizer isso…

Meu filho então… está todo empolgado que vai entrar num casamento junto com uma menina para levar… (aquelas coisas de casamento)… ele tem três anos, está achando que vai casar pois vai entrar de ‘noivinhO com a noivinhA’… se ele entrasse com outro menino, ele não diria que era casamento… mas ele agora estará errado?

Como explicarei a diferença e objetivos de seus órgãos sexuais… a desculpem-me… meus filhos, mas esse é o país que vocês enfrentarão quando forem adultos… Cristo, tenha misericórdia de meus filhos…

Brasil, Deus nos deu liberdade, não libertinagem…

… mas o que é isso mesmo?

Desabafo de um pai, presbiteriano…

Fonte: [ MCA ]

Ajude o HAITI, pelo amor de Deus

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Por Renato Vargens

Em Julho eu estive no Haiti juntamente com a equipe da M.A.I.S e posso testemunhar que a situação pós- terremoto já era grave, quanto mais agora, com o surto de cólera. Segundo Imogen Wall, a porta-voz da ONU no Haiti, em 48 horas foram registradas 1526 pessoas contaminadas e 138 mortes.

Isto posto, peço a todos que leiam o texto abaixo e divulgue para seus amigos e parentes. O Haiti precisa desesperadamente de nossa Ajuda!

Embora a imprensa esteja em estado de alerta geral acerca dos últimos ocorridos e da quantidade de mortes, nossas informações diretas do Haiti retratam situação ainda pior que o divulgado. A base nacional da missão JOCUM no Haiti fica em St. Marc, região exata onde o surto teria tido início. Terry Snow, diretor nacional da organização, tem enviado notícias alarmantes sobre o pânico que tem acometido a região.

No entanto, considerando os fatores populacionais, nossa grande causa de oração neste momento é a capital Porto Príncipe. Falamos ontem à tarde com Ted Steinhauer, diretor nacional da organização Medical Teams International, parceira direta da MAIS, e segundo Ted o surto ainda não atingiu em cheio a capital, mas a geografia da calamidade segue o fluxo do rio Artibonete, e a chegada da doença à cidade é questão de tempo. A proliferação nos acampamentos seria de proporções catastróficas, visto que as condições de habitação e saneamento são as mais precárias. Em Porto Príncipe são mais de 1,3 milhões de habitantes nos camps.

A M.A.I.S. possui sólidas parcerias no Haiti, e embora creiamos que a oração seja nosso maior recurso nesse momento, temos tentado fazer algo a mais. Foi-nos enviada uma lista de medicamentos e suprimentos médicos, os quais serão usadas por duas organizações de nosso relacionamento: a Medical Teams International e a Humedica. Nesse momento, ambas estão enviando equipes médicas às regiões afetadas pela cólera. Tínhamos em nossos estoques no país uma grande quantidade de soro e penicilina, e tudo já foi despachado. Agora, seguem abaixo outras necessidades, que pretendemos enviar nos próximos dias.

Precisamos de:

Þ Solução de Ringer c/ Lactato IV

Þ Sistema de infusão com agulhas (borboletas 21g e 23g)

Þ Clorin

Þ Doxiciclina

Þ Tetraciclina

Þ Eritromicina líquida

Þ Luvas descataveis

 
As doações em medicamento podem ser enviadas para a sede da M.A.I.S. em Belo Horizonte, e serão levadas por nossas equipes nas próximas 3 semanas. Mas sinta-se a vontade para efetuar a doação em dinheiro, visto que tem havido disponibilidade do referido material para compra no próprio Haiti, e isso seria mais prático e urgente. Seguem abaixo nosso endereço e conta bancária:
ENDERECO: M.A.I.S. – MISSAO EM APOIO A IGREJA SOFREDORA – Rua Uberlândia 620 – Carlos Prates – Belo Horizonte/MG – CEP 30710-230
  
CONTA BANCARIA: BANCO ITAÚ – AG.0937 – CC 44077-4 – CNPJ 12.492.298/0001-83
 
OBRIGADO POR LUTAR CONOSCO EM CRISTO,
 Pr. Mário Freitas – contato@maisnomundo.org

Vivendo em Santidade

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  Como ter uma vida de santidade, que é um dos atributos de Deus, porque sem santificação é impossível agradar a Deus. Lembre-se de que para haver santificação é necessário que antes haja arrependimento.Este artigo vai lhe mostrar como o seu lar, confuso, desorganizado, agradável ao diabo, pode ser transformado em um lar dirigido pelo Espírito Santo de Deus, no qual o Senhor derramará bênçãos para sempre. 

Que esta leitura venha mudar radicalmente o seu estilo de vida como representante de Deus aqui na terra, com a unção e o doce amor do Espírito de Santo de Deus. 

 O sonho de Deus

 Deus tem um sonho para sua casa. Ele deseja que ela seja um pedaço do céu aqui na Terra. Ele   quer que o lugar onde você habita seja fértil e produtivo, que o Espírito Santo reine nele e que seja o lugar onde você tenha  liberdade para falar das verdades do Senhor. Que as pessoas, ao olharem para você, possam ver que é um homem feliz porque é temente ao Senhor. Em Salmos 128: 1-4 está escrito: “Bem- aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos teus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da sua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme ao Senhor!” 

A maior riqueza que você tem é a sua casa, a sua família. Nada, nada mesmo, se compara à sua família. E quando você está bem, quando a sua casa está bem, pode ter certeza de que tudo vai bem. Mas, se você estiver vivendo problemas dentro de casa, pode saber que tudo vai mal. Quando vocês, marido e mulher estão brigados, podem orar que as coisas não mudam, porque há um céu de bronze sobre vocês e as suas orações não sobem. A sua família continua desorganizada, infeliz, porque Deus não pode realizar o sonho dEle em sua casa. Em primeiro lugar, é necessário que você reconheça onde está o erro e decida consertar. Tudo na vida é questão de escolha, de decisão. Você pode continuar a cair e a levantar, a levantar e a cair, ou ser avivado, sempre cheio do poder de Deus.  

O avivamento em tempo integral. 

O avivamento não se resume apenas no tempo em que você está cantando ou dançando na presença do Senhor. O avivamento deve ser o seu dia-a-dia. Mas quantas vezes tem acontecido de você sair da igreja, e na hora de ir embora você já sai resmungando, reclamando, blasfemando: alguém pisou no seu pé, você não gostou de alguma coisa, o pastor não terminou na hora certa – alguma coisa começou a acontecer. Depois, você chega em de casa, quanta discussão, acessos de raiva freqüentes… Onde esta o avivamento?Quantos homens casados trazem para os filhos e para as esposas palavras de maldição. Depois se queixam e se perguntam: O que há de errado com minha esposa? O que há de errado com meus filhos? Eu não lhes deixo faltar nada, na igreja agem tão corretamente, oram e glorificam o nome do Senhor, mas no dia-a-dia, dentro de casa, são implicantes com coisas às vezes tão bobas, tão sem sentido, como “O bife ficou pequeno, queria um maior”… essas bobeiras! Então você se enfurece e perde a bênção. Vigie, você não tropeça nas montanhas, e sim nas pedrinhas. 

O avivamento não é um sentimento para durar um dia. Pelo contrário, o avivamento deve extravasar, deve jorrar de forma intensa, começando em sua vida, em sua casa. Mas para isso é necessário que você se humilhe e se arrependa diante de Deus. Em 2 Crônicas 7:14 está escrito: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” A “terra”é sua vida, sua casa. A santidade é a característica desse avivamento, porque a santidade é a característica primeira de Deus  

É necessário arrependimento

A necessidade de arrependimento não é apenas para os novos convertidos. A necessidade de arrependimento de lágrimas e de acerto de vida diante do Senhor não termina quando a pessoa se converte. Arrependimento é uma atitude que deve ser constante, deve ser algo pleno em sua vida, dia após dia. O local de arrependimento é dentro de casa. É você voltar para sua esposa e dizer: “Perdoe-me” e vice-versa. É você, como pai, como mãe, pedir perdão aos filhos, e os filhos pedirem perdão aos pais.

Arrependimento é mudança de comportamento. Se você está assistindo a filmes pornográficos, se existem fitas revistas pornográficas dentro da sua casa e seus filhos sabem, eles não acreditam na sua fé. Você precisa experimentar algo chamado arrependimento. 

Filhos que crescem presenciando desavenças, brigas e confusões entre os pais não vão aceitar a disciplina deles. Eles vão é criar revolta no coração dos filhos, porque estes não vêem no dia-a-dia de seus pais o testemunho da fé que deveriam ter. Arrependimento é mudança, é exatamente uma volta para o Senhor.   

Deus é onisciente, sabe de todas as coisas. Deus sabe das coisas das quais você precisa se arrepender, das coisas que você precisa tirar da sua casa, tirar da sua vida. 

Em diversas situações, o Espírito Santo lhe fala que você precisa se arrepender, Você até reconhece, mas não toma decisão. Deus vê todas as coisas, Ele vê o pecado que torna a sua casa seca, estéril. 

O poder e a unção do avivamento vão cessar se você não fizer uma limpeza espiritual em sua casa e em você. 2 Pedro 2:21-22 diz: “Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal.” 

Lar fértil ou estéril 

Você precisa começar a perceber o que está errado em sua vida, ou em sua casa, que necessita ser mudado. Gritar e amaldiçoar são atitudes negativas e, conseqüentemente, destrutivas.  

Será que você tem prazer de estar em casa? Prazer de estar com a família? Seus filhos têm prazer em tê-lo como pai, como mãe? Porque a beleza da casa são as pessoas. Será que estão a brotar, a florescer, amadurecendo apropriadamente? Ou o crescimento tem sido atrofiado por palavras e por ações destruidoras?  

Deus lhe dá, por meio de Sua Palavra, todas as respostas de como acabar com a esterilidade em sua casa.  Leia o que está escrito no livro de Levítico 14: 33-35: “Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Quando entrardes na terra de Canaã, que vos darei por possessão, e eu enviar a praga da lepra a alguma casa da terra da vossa possessão, o dono da casa fará saber ao sacerdote, dizendo: Parece-me que há como que praga em minha casa.”  

O livro de Levítico dado por Deus a Moisés, a fim de instruir o povo hebreu antes que entrasse na terra prometida, já mostrava os acontecimentos futuros. Saiba que os habitantes de Canaã eram ímpios. Tudo o que você puder imaginar de imoralidade e de idolatria eles praticavam.  

Quem sabe você já começou a perceber a praga na sua casa. Sua casa não tem sido aquele céu que a Bíblia descreve. Sua vida familiar não tem sido o retrato do Salmo 128:3, que diz: “Tua esposa, no interior da tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa.”  

Incredulidade e murmuração  

O contemplar esta situação “Há um praga na minha casa”, alguma coisa está acontecendo; você não pode ficar inerte. Então você se pergunta: “Essa praga foi colocada por quem?”  Em Levítico 34:14, o Senhor diz: “Quando entrardes na terra de Canaã, que vos darei por possessão, e eu enviar a praga…” Deus está dizendo: “Eu vou enviar.” Se você ler esse trecho fora de todo o contexto bíblico,  poderá pensar que toda essa situação de praga foi Deus quem colocou. Todavia, não é exatamente do modo como você está pensando. Vamos verificar o contexto.  

O povo de Israel poderia ter saído do Egito e entrado em Canaã com uma marcha de apenas quarenta dias, porém levaram quarenta anos. Não entraram na terra por causa da incredulidade e porque murmuraram contra o Senhor.  

Quando os doze espias foram verificar a terra que Deus havia lhes prometido e trouxeram aqueles relatórios tão sem esperança, dos doze, apenas Josué e Calebe creram que o poder de Deus era maior que os gigantes e obstáculos que habitavam aquela terra.  

O poder de Deus era, é e continuará sendo maior do que você crê e vê. E justamente Josué e Calebe foram os únicos que saíram do Egito e entraram em Canaã, juntamente com os outros menores de vinte anos e os que nasceram durante a peregrinação,  porque creram no poder de Deus. Todos os outros morreram no caminho, porquanto não creram em Deus, murmuraram. No livro de Números 14:27-35 está escrito:  

“Depois, disse o Senhor a Moisés e a Arão: Até quando sofrerei esta má congregação que murmura contra mim? Tenho ouvido as murmurações que os filhos de Israel proferem contra mim. Dize-lhes: Por minha vida, diz o Senhor, que, como falastes aos meus ouvidos, assim farei a vós outros. Neste deserto, cairá o vosso cadáver, como também todos os que de vós foram contados segundo o censo, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes; não entrareis na terra a respeito da qual jurei que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. Mas os vossos filhos de que dizeis: Por presa serão, farei entrar nela; e eles conhecerão a terra que vós desprezastes. Porém, quanto a vós outros, o vosso cadáver cairá neste deserto. Vossos filhos serão pastores neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que o vosso cadáver se consuma neste deserto. Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniquidades e tereis experiência do meu desagrado. Eu, o Senhor, falei; assim farei a toda essa má congregação, que se levantou contra mim; neste deserto, se consumirão e aí falecerão.”  

Um abismo maior  

Os cananitas tremeram quando souberam que os filhos de Israel eram um grande exército que marchava para Canaã e que em apenas quarenta dias eles estariam possuindo suas casas. Ouviram falar que Deus habitava no meio deles e lhes aparecia face a face, e de como os livrara dos egípcios, abrindo o Mar Vermelho e fazendo perecer o exército de Faraó.  

A fim de derrotar o povo judeu, os cananitas tomaram o ouro, a prata e transformaram tudo em ídolos demoníacos e eróticos, colocando-os exatamente sob as paredes da casa, entre o tijolo e o reboco. Esconderam esses ídolos porque pensaram que os israelitas somente estariam  

de passagem por Canaã, e assim poderiam, depois, voltar e reaver os seus tesouros. Eles tiveram quarenta anos, e não apenas quarenta dias, para encher as suas casas de coisas malignas.  

Deus tudo vê  

Há um processo químico usado quando se fazem determinados exames que consiste em injetar no organismo uma substância corante para marcar alguma parte doente do corpo, a fim de ser melhor visualizada através de aparelhos especializados e devidamente combatida. Isso é necessário porque só podemos ver o que está  materialmente visível.  

A praga descrita no livro de Levítico seria como que essa substância corante ao indicar a doença. Nas casas onde houvesse ídolos ou coisas malignas, as pragas apareceriam, em forma de manchas esverdeadas ou avermelhadas, indicando onde havia sido escondida alguma coisa demoníaca, que poderia até estar incrustada no meio do alicerce da casa. Seria como se o Senhor dissesse: ‘Esconderam ali!”  

Seria como que uma reação química: alguma coisa ia ocorrer no mundo natural. Por isso,  o Senhor trouxe a palavra no livro de  Levítico 14:33-35:  

“Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Quando entrardes na terra de Canaã, que vos darei por possessão, e eu enviar a praga da lepra a alguma casa da vossa possessão, o dono da casa fará saber ao sacerdote, dizendo: Parece-me que há como que praga em minha casa.”  

Você, o sacerdote  

Ainda em Levítico 14: 36-38 está escrito: “O sacerdo       te ordenará que despejem a casa, antes que venha para examinar a praga, para que não seja contaminado tudo que está na casa; depois, virá o sacerdote, para examinar a casa, e examinará a praga. Se, nas paredes da casa, há manchas esverdeadas ou avermelhadas e parecem mais fundas que a parede, então o sacerdote sairá da casa e a cerrará por sete dias.”  

Tudo pode ser resumido em: “Examine a casa.”  A prioridade do sacerdote seria a casa; ele iria examiná-la. Se entrasse e percebesse aquela reação no mundo natural, ele iria fechá-la. Durante sete dias,  ninguém entraria ali.  

Hoje, você é o sacerdote de sua casa; não pode simplesmente fechá-la. Você tem de orar, de gemer na presença de Deus, de reconhecer a praga e de exterminá-la com arrependimento, decisão e mudança na maneira de viver.  

Conte com Jesus  

Nos versículos 39-42 de Levítico 14 está escrito: “Ao sétimo dia, voltará o sacerdote e examinará; se vir que a praga se estendeu nas paredes da casa, ele ordenará que arranquem as pedras em que estiver a praga e que as lancem fora da cidade num lugar imundo; e fará raspar a casa por dentro, ao redor, e o pó que houverem raspado lançarão, fora da cidade, num lugar imundo. Depois, tomarão outras pedras e as porão no lugar das primeiras; tomar-se-á outra argamassa e se rebocará a casa”.  

Como o sacerdote do livro de Livítico, você deve continuar procurando o mal que está contaminando a sua casa. Será necessária uma ação drástica. Um  trabalho de limpeza, não apenas um concerto.  

Talvez, não tenha nada escondido debaixo do reboco das paredes de sua casa, porém você assiste a fitas pornográficas, tem objetos roubados que não foram devolvidos, tem na geladeira uma cervejinha, tem no armário roupas eróticas, minissaias, sobre as quais você diz: “Não tem nada a ver, isso não faz mal”; ou, quem sabe, você tem ídolos que, segundo a Palavra, são esconderijo de demônios. São essas pequenas coisas que levam à destruição. E é por isso que sua casa está do jeito que está.  

Os objetos demoníacos devem de ser quebrados e retirados. O seu caráter precisa ser transformado de acordo com o caráter de Jesus, pois Ele exemplificou e ensinou  para que você tivesse um modelo a imitar. Limpe a sua casa. Jesus já pagou o preço.  

Mantenha a esperança  

Observe como a limpeza era feita. Leia novamente Levítico 14:39-42: “Ao sétimo dia, voltará o sacerdote e examinará; se vir que a praga se estendeu nas paredes da casa, ele ordenará que arranquem as pedras em que estiver a praga e que as lancem fora da cidade num lugar imundo; e fará raspar a casa por dentro, ao redor, e o pó que houverem raspado lançarão fora da cidade, num lugar imundo. Depois, tomarão outras pedras e as porão no lugar das primeiras; tomar-se-á outra argamassa e se rebocará a casa.”  

Se a sua casa ainda estiver com praga, não ignore os sintomas. Você é o sacerdote, a casa é sua. Faça o que for necessário. Mantenha a esperança de ver a sua casa liberta, pois não existe casa mal-assombrada. A pessoa quando morre vai para o céu ou para o inferno. O que existe é casa opressa. Por causa do pecado das pessoas que vivem nela. Se você mantém algum objeto demoníaco e não o joga fora porque não é seu, a opressão vai continuar. Você é o sacerdote. Peça direção ao Espírito Santo e aja.  

Persista na cura  

Diz aqui o texto do livro de Levítico 14: 43-45: “Se a praga tornar a brotar na casa, depois de arrancadas as pedras, raspada a casa e de novo rebocada, então, o sacerdote entrará e examinará. Se a praga se tiver estendido na casa, há nela lepra maligna; está imunda. Derribar-se-á, portanto, a casa, as pedras e suas madeiras, como também todo reboco da casa; e se levará tudo para fora da cidade, a um lugar imundo”.  

Existem situações que são fáceis de mudar. Outras exigem batalha e perseverança. O  que você vê pode quebrar, jogar fora. A casa é a expressão da pessoa. Ao mesmo tempo que você olhar a casa como um conjunto, você precisa olhar a si mesmo e mudar aquilo que precisa ser mudado.  

Leia Levítico 14:46-48:  

“Aquele que entrar na casa, enquanto está fechada, será imundo até à tarde. Também o que se deitar na casa lavará as suas vestes; e  quem nela comer lavará as suas vestes. Porém, tornando o sacerdote a entrar, e, examinando, se a praga na casa não se estiver estendido depois que a casa foi rebocada, o sacerdote a declarará limpa, porque a praga está curada.”  

É  preciso uma limpeza pessoal, uma declaração de cura pessoal, para que Deus declare você e a sua casa limpos, e seja aí local de sua morada. A presença de Deus numa casa traz paz. O Senhor deseja que você sempre possa experimentar a paz.  

A responsabilidade  

A vida de uma pessoa, o testemunho dela, pode com       prometer todo o avivamento. Pode trazer bênção ou maldição, vitória ou derrota na  história da Igreja. Quando o povo de Israel atravessou o Jordão, o primeiro obstáculo que teve pela frente foi vencer a cidade de Jericó. Os muros da cidade caíram. O segundo obstáculo era uma cidade bem pequena. O povo de Israel, após haver vencido Jericó, sofreu uma derrota terrível para esta pequena cidade. Leia o  que está escrito em Josué 7:12-13:  “Pelo  que os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos; viraram as costas diante deles, porque Israel se fizera condenado; já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a cousa roubada. Dispõe-te, santifica o povo e dize: Santificai-vos para amanhã, porque assim diz o Senhor, Deus de Israel: Há cousas condenadas no vosso meio, ó Israel; aos vossos inimigos não podereis resistir, enquanto não eliminardes do vosso meio as cousas condenadas.”  

O que estava condenado lá era exatamente um homem chamado Acã, que escondeu ouro e prata em forma de ídolos, coisa condenada, pensando que ninguém estava vendo,  mas Deus viu. Acã levou maldição sobre Israel. Não existe nada que você possa fazer com as portas fechadas que Deus não esteja vendo, ou  uma única chamada telefônica que Ele não esteja ouvindo.  

Você pode até ter tudo para viver bem, cheio de alegria, de prazer, para ter uma família maravilhosa, mas de repente você vê só confusão. A paz não reina, não existe prazer, não existe gozo. É porque  há pecado não confessado, objetos condenados em sua casa. A limpeza é pessoal. A santidade, a pureza e a integridade devem ser constantes em sua vida, e você deve sempre buscá-las.  

As más conversações  

As situações podem ficar delicadas por causa das palavras – conversas que são lixo, coisas torpes que você leva  para  sua casa: fofocas, criticas, palavras de maldição. É como se trouxessem um caminhão de lixo e depositassem na sua casa. Lixo é para ser jogado fora, queimado. Numa casa quem deve dominar é o Espírito Santo, e não o  diabo.  

No livro de Levítico 14:49-54, deparamos com a palavra expiação (ato de expiar). Expiar não é olhar. É cobrir com o sangue. Problemas espirituais requerem soluções espirituais. A febre não é uma doença, é apenas um sintoma. Não adianta você cuidar dos sintomas; tem de cuidar da doença. Não adianta pintar por cima, quando aparecem as manchas, e achar que acabou. O problema não foi resolvido .  

Deus consente que você experimente os sentimentos de culpa, de tristeza,    porque você não pode viver como as pessoas do mundo. Você é uma outra pessoa,  tem outra natureza. Você se sente oprimido. Portanto, a  praga ainda está em sua casa.  

Restauração  

Em Levítico 14:49-54, Deus dá o caminho para restauração:   “Para purificar a casa, tomará duas aves, e pau de cedro, e estofo carmesim, e hissopo, imolará uma ave num vaso de barro sobre águas correntes, tomará o pau de cedro, e o hissopo, e o estofo carmesim, e a ave viva, e os molhará no sangue da ave imolada e nas águas correntes, e aspergirá a casa sete vezes. Assim, purificará aquela casa com o sangue da ave, e com as águas correntes, e com a ave viva, e com o pau de cedro, e com o hissopo e com o estofo carmesim. Então, soltará a ave viva para fora da cidade, para o campo aberto; assim, fará pela expiação da casa, e será limpa. Esta é a lei de toda sorte de praga de lepra e de tinha.”  

Tudo o que está aqui são figuras do Espírito Santo, do sangue de Jesus e do poder perdoador dEle.  

Deus chamou você para ser o sacerdote do seu lar. Se as coisas não vão bem, você, como sacerdote, deve examinar a parede de proteção em volta da sua casa. Faça um inventário da sua casa. Quem sabe não há um devorador, que está levando tudo da sua casa porque encontra legalidade, encontra brecha.  

Examine os que moram em sua casa, as companhias que você e eles têm. Examine se elas têm sido bênçãos na sua casa ou têm sido apenas maldição. A pessoa com quem você tem comunhão é alguém que puxa ou derruba você.  

Se você anda com  um fofoqueiro, você será igual a ele. Se anda com alguém que gosta de lixo, vai gostar também. Existem pessoas que só gostam de desgraça, de carniça. Se você me perguntar por escândalos de pastores, eu não sei, não tenho  prazer em carniça. As pessoas nem falam desses assuntos comigo, pois não dou lugar ao diabo.  

Semeando e colhendo  

Há um poder em nossas palavras. Jesus Cristo disse: “As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida.” As palavras que você diz são espírito e vida, e também são espírito e morte. Você pode matar os sonhos dos seus filhos, você pode matar o ideal de Deus neles.  

Você precisa ter o espírito de compreensão. Seus filhos são exatamente o que você faz deles. Se você é crítico, tem o espírito duro, é fofoqueiro, eles também serão. Há uma transferência de espírito.  

Dos doze espias que foram observar a terra, dez falaram: “Nós não vamos conseguir, vamos ser mortos.” O espírito de incredulidade que estava sobre eles  passou para a multidão. Mais de dois milhões receberam o mesmo espírito de incredulidade e disseram: “Nós não vamos entrar na terra”,  por isso não entraram nela.  

No livro de Números 11:25, está escrito: “Então, o Senhor desceu na nuvem e lhe falou; e, tirando do Espírito que estava sobre ele (Moisés), o pôs sobre aqueles setenta anciãos; quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais.” Do mesmo modo que você pode transferir malignidade, crítica, indiferença, sarcasmo, pecado, você também pode transferir o Espírito de Deus para sua família. Você pode passar bênção.  

Mulher, você, cujo marido não é salvo ainda, é a sacerdotisa na sua casa. Você tem de clamar, bradar, encharcar o coração de Deus de lágrimas para a praga que arruína a sua casa seja exterminada. Seus filhos precisam ver em você um exemplo de uma vida de santidade e de oração.  

Tudo na vida é questão de escolha. A febre não é uma doença, é só um sintoma; e é um sintoma para restaurar, é uma escolha natural do corpo, resultado do combate à alguma infecção. No livro de Deuteronômio 30:19 o Senhor disse: “Os céus e a terra tomo, hoje por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”.  

A herança  

O bem não é só para você. O bem é para os seus filhos, para os seus netos, para os seus bisnetos. Quando você tem uma vida santa, assume que é comprometido com o Senhor; você pode reivindicar a promessa que está no livro de Atos 16:31: “Crê no Senhor Jesus, e será salvo tu e a tua casa”. Mas se você leva uma vida errada, com sujeiras escondidas, e pensa que está firme na promessa, você está enganado, você não está vivendo nem crendo.  

“Os céus e a terra tomo, hoje por testemunhas contra ti, que te propus a vida…” O sonho de Deus é que seu lar seja um céu aqui na terra. Pode ser que seja a coisa mais perversa que você esteja vivendo e perceba que tem praga na sua casa. Mas hoje você está sendo confrontado com a Palavra do Senhor. Cuidado com as pessoas que vão à sua casa; cuidado com aqueles que vão lá para, muitas vezes, criticar, para zombar; cuidado com aqueles que muitas vezes têm uma vida perversa e você fica dando ouvido às perversidades deles; cuidado com o irmão que muitas vezes não é irmão, é falso irmão, é lobo vestido de ovelha. Você vai conhece-los pelos frutos, pela sua  vida.  

Procure ser bênção. Cuidado com a transferências de atitudes, de espírito. Não deixe lixo nenhum entrar em sua casa. Deus tem lhe dado todas as ferramentas necessárias para estabelecer uma casa cheia de graça, riso e amor. Deus está à porta e espera. Ele quer encher cada compartimento da sua casa com a doçura do Espírito, com o Seu poder e com a Sua unção.

E AS LÍNGUAS ? (versão presbiteriana)

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Conteúdo

- Prefácio

- Capítulo 1 – A História do Falar em Línguas

DO ANO 100 A 1900 D.C

1. O Montanismo
2. O Testemunho de Ireneu (aproximadamente 130 – 200 d.C.)
3. Tertuliano (aproximadamente 160 – 220 d.C.)
4. Crisóstomo (aproximadamente 345 – 405 d.C.)
5. Santo Agostinho (354 – 430 d.C.)
6. A Idade Média
7. Os Meninos Profetas de Cevennes
8. Os Jansenistas
9. A Igreja Católica Apostólica
10. Outros Grupos
O MOVIMENTO PENTECOSTAL
O NEOPENTECOSTALISMO

- Capítulo 2 – O Significado do Falar em Línguas para os Pentecostais

- Capítulo 3 – Uma Avaliação Bíblica do Falar em Línguas

1. Passagens dos profetas apresentadas pelos pentecostias que segundo alegam apoiam o falar em línguas.

2. Passagens apresentadas para demostrar que o falar em línguas tinha que permanecer na igreja.

3. Passagens apresentados para provar que há um batismo do Espírito distinto e posterior à regeneração, do qual o falar em línguas é a evidência física inicial

4. A discussão da glossolália em I Coríntios 12-14.

- Capítulo 4 – Uma Avaliação Teológica do Falar em Línguas

1. Não pode ser demonstrado conclusivamente que os dons milagrosos do Espírito, que incluem a glossolália, continuam na igreja.

2. A doutrina distintiva das denominações pentecostais que é básica em seus ensinamentos sobre a glossolália, a saber, que todo crente deve buscar um batismo do Espírito Santo posterior à conversão, não tem base nas Escrituras.

3. A teologia do pentecostalismo ensina erroneamente que uma bênção espiritual deve ser atestada por um fenômeno físico.

4. No pentecostalismo está implícita uma espécie de subordinação de Cristo ao Espírito Santo que não está em harmonia com a Escritura.

5. A teologia do pentecostalismo tende a criar dois níveis de cristãos: os que tem recebido o batismo do Espírito e os que não o tem recebido.

6. A teologia do pentecostalismo implica que a igreja tem estado sem condutor, sem poder adequado, sem a plena luz, e sem uma experiência cristã completa desde os fins do Século I até o princípio do Século XX.

- Capítulo 5 – O que podemos aprender do movimento que fala em Línguas.

1. Não pode ser demonstrado conclusivamente que os dons milagrosos do Espírito, que

Bibliografia

Obras escritas por pentecostais

Obras escritas por não pentecostais

Obras eminentemente históricas

Periódicos

PREFÁCIO

O propósito principal deste livro é fazer uma avaliação bíblica e teológica do fenômeno de falar em línguas. Inclui uma breve síntese histórica da glossolália, assim como um capítulo que aborda o que a igreja pode aprender do movimento que fala em línguas.

Inicialmente, devo deixar claramente estabelecido que me sinto muito agradecido pelo que Deus está realizando por meio desses cristãos de convicções pentecostais, especialmente nos campos missionários do mundo. Considero os pentecostais e neopentecostais irmãos em Cristo, e portanto, o que direi acerca de seus pontos de vista sob a questão das línguas, será com espírito de amor cristão. Gostaria que meus amigos pentecostais vissem este livro como um diálogo teológico com eles, que tem o propósito de alcançar uma melhor compreensão do que a Palavra de Deus ensina sobre o tema em questão.

Baseei minha exposição dos ensinamentos pentecostais e neopentecostais primeiramente em seus próprios escritos, especialmente em dois livros doutrinais de autores das Assembléias de Deus, publicados em castelhano pela Editorial Vida: O que isso significa? de Carl Brumback e O Espírito Mesmo Concedeu de Ralph M. Riggs. Tentei ser o mais justo e exato possível, mesmo assim reconheço que posso ter incorrido em alguma incorreção. Sentirei agradecido se me chamassem atenção para tais inexatidões.

Este livro nasceu de uma série de conferências dadas no Seminário Teológico Batista Conservador de Denver, Colorado, em outubro de 1964. Estou profundamente agradecido pelo convite para estas conferências e pela cordial hospitalidade a mim deferida.

Desejo expressar meu apreço por todas as pessoas que me enviaram material, proporcionaram informação e responderam às minhas cartas. Estou endividado com vários autores que escreveram sobre glossolália, e diversos amigos com os quais discutimos o tema. Gostaria também de agradecer aos meus alunos do Seminário Calvino, cujas questões suscitaram meu interesse neste tema.

Sobretudo, dou graças ao Senhor que me capacitou para fazer este estudo. Que este livro magnifique o Pai que nos escolheu, ao Filho que morreu por nós e ao Espírito Santo que habita em nós. 

ANTHONY HOEKEMA

Capítulo 1 – A História do Falar em Línguas

 Os anos recentes tem testemunhado um notável avivamento do interesse num fenômeno comumente conhecido como “falar em línguas”. O nome mesmo não nos diz muito; obviamente todo falar se faz com a língua. O que há de extraordinário em “falar em línguas”?

O falar em línguas, ou glossolália, para usar a expressão técnica, é a emissão espontânea de sons num idioma em que o falante jamais aprendeu e nem sequer o entende. Este falar em línguas é praticado normalmente em certos tipos de grupos religiosos.

No entanto, o surpreendente é que, ainda que por relativamente muito tempo o falar em línguas esteve majoritariamente limitado às igrejas pentecostais, a partir de 1960 este fenômeno tem-se estendido às principais denominações da cristandade. O falar em línguas entrou nas igrejas episcopais (a alta), presbiterianas, metodistas, batistas, luteranas e reformadas. Quando a glossolália saltou das igrejas com fachada de armazém e de tabernáculos pentecostais para os santuários góticos e as salas de casas particulares, os telégrafos começaram a soar, as máquinas de escrever trabalharam incessantes e as prensas rodaram pressurosamente. Da noite para o dia o falar em línguas converteu-se em notícia de primeira página.

Apesar do falar em línguas em grande escala não se iniciou antes do surgimento do pentecostalismo em 1906, o fenômeno havia-se apresentado anteriormente dentro e fora da igreja cristã. Contudo, dentro da Igreja e até os princípios do Século XX, o falar em línguas somente foi encontrado ocasionalmente, e isso entre grupos minoritários.

Para entender as atuais manifestações de glossolália[1] devemos conhecer algo de sua história. Ao apresentar esta breve história não vou discutir o falar em línguas fora da igreja cristã, apesar de que alguém possa encontrar muitos paralelos interessantes a este fenômeno entre os devotos de religiões não cristãs. Tampouco quero neste momento discutir as referências bíblicas à glossolália, uma vez que serão consideradas num capítulo adiante. Começarei essa breve síntese histórica no ano 100 d.C., aproximadamente, porque esta data marca o fim aproximado do que poderíamos chamar história bíblica e o começo aproximado do que normalmente chamamos História da Igreja. O tratamento histórico será realizado visualizando três fases distintas: o período que vai do ano 100 ao 1900 d.C., o movimento pentecostal e o neopentecostalismo.

DO ANO 100 A 1900 D.C.

Ao fazer esta síntese, o que nos surpreende é a falta de freqüência da glossolália na história da igreja cristã. Também nos chama a atenção o fato dos grupos em que se falavam em línguas eram grupos minoritários, que com freqüência encontravam-se sob perseguição. Ao examinar esta história, vemo-nos de encontro com a seguinte pergunta: Somos obrigados a supor que as modernas aparições de glossolália são a continuação do dom carismático de línguas como ocorreu, por exemplo, em Corinto? Ou é possível que haja explicações psicológicas para este fenômeno que tornam a primeira suposição desnecessária e sobretudo errônea.?

1. O Montanismo

Os escritores pentecostais às vezes se referem ao montanismo como um movimento na igreja antiga do Século II que se lhes assemelha. Um destes autores expressa deste modo: “Uma seita da igreja antiga que pode se classificada de pentecostal é a que foi fundada por Montano da Frigia, que defendia uma estrita disciplina eclesiástica e cria que a igreja receberia um novo batismo pentecostal”. O mesmo autor cita Eusébio, o historiador da igreja do Século IV, para assinalar que Montano “foi arrebatado em espírito, e introduziu-se numa espécie de frenesi e êxtase irregular, delirando, falando e proferindo coisas estranhas”. Duas companheiras de Montano, Priscila e Maximila, também falaram “numa espécie de extático frenesi”.

Entretanto, se é citado o montanismo como um precedente para o pentecostalismo, trata-se de um precedente pouco feliz, uma vez que a Igreja condenou-o considerando heréticos os ensinamentos de Montano. Sua posição era que havia chegado a Era do Espírito, e que o Espírito agora falava por meio de Montano. Ele recebia novas revelações que suplementavam e aumentavam a Bíblia. Considerando que então se iniciara a era final, Montano e seus associados conclamou as pessoas para se reunirem em Pepuza, Frigia, para esperar o fim do mundo. Montano e seus seguidores foram excluídos da Igreja porque julgou-se que a pretensão dele de haver recebido revelações superiores à Bíblia era contrária à finalidade da Escritura. Portanto, ainda que não se pode negar que entre os montanistas ocorreu o falar em línguas, o fato de ter ocorrido entre os membros deste grupo não é propriamente uma grande recomendação.

2. O Testemunho de Ireneu (aproximadamente 130 – 200 d.C.)

 A passagem de Ireneu que mais é citada como indicativa da continuação da glossolália na igreja antiga se encontra em Contra as Heresias, V, 6, 1:

Por esta razão, o Apóstolo declara: “Falamos sabedoria entre perfeitos”, denominando “perfeitos” a quem tem recebido o Espírito de Deus, e que por meio do Espírito de Deus falam em todos os idiomas, como ele[2] mesmo falava. De igual maneira, nós também ouvimos de muitos irmãos na igreja que possuem dons proféticos, e que por meio do Espírito falam toda classe de línguas, e trazem à luz coisas que estão escondidas dos homens, e declaram os mistérios de Deus para o beneficio geral, aos quais também o Apóstolo denomina “espirituais”, sendo espirituais porque participam do Espírito, e não porque tenham sido despojados de sua carne e se tenham convertido em seres puramente espirituais.

Os pentecostais citam freqüentemente esta passagem para provar que no Século II d.C. havia pessoas que falavam “toda classe de línguas”. Contudo, tanto P. Feine quanto G. B. Cutten assinalam que, dado que a palavra traduzida por “toda classe de” é um termo algo obscuro (a palavra grega dada por Eusébio é paritodapais), não é certeza que Ireneu esteja falando de idiomas estrangeiros ou de expressões extáticas que não fossem idiomas específicos conhecidos.

No entanto, consideremos esta passagem com um pouco mais de cuidado. Vale fazer os seguintes comentários:

(1) Quando em II. 32. 4. descreve-se os dons milagrosos do Espírito ainda na igreja de seu tempo, Ireneu menciona o exorcismo, a previsão do futuro, visões, profecias, curas e até a ressurreição de mortos (ainda que B. B. Warfield diz que esta última se refere somente a pessoas ressuscitadas dentre os mortos nos tempos apostólicos e dos quais Ireneu teve notícias). Como se vê, nesta lista dos dons do Espírito, Ireneu não menciona o falar em línguas. Porque não? Se o dom tivesse existido em seu tempo, poderíamos esperar que o mencionasse juntamente com o de profecia e de curas.

(2) Na passagem citada anteriormente, V, 6, 1, o propósito principal de Ireneu não é discutir que os dons permanecem na Igreja, mas explicar que as expressões perfeito e espiritual, quando as usa o apóstolo Paulo, não menosprezando de nenhum modo o valor do corpo humano. O argumento geral desta seção tem a ver com a doutrina da ressurreição do corpo, doutrina que os gnósticos negavam. Portanto, o que Ireneu diz aqui acerca de pessoas que “pelo Espírito falam toda classe de línguas” é puramente incidental com respeito ao seu propósito. Em outras palavras, o argumento que está apresentando teria o mesmo valor se estivesse falando tanto em relação ao Novo Testamento, como ao seu próprio tempo.

(3) Há alguma possibilidade de que Ireneu esteja falando aqui não de um fenômeno que estivesse ocorrendo em seu tempo, mas do que havia ocorrido no tempo do Novo Testamento. Evidentemente, isso é certo na primeira oração da citação em que o editor inseriu uma nota marginal que remete o leitor a 1 Coríntios 2:6; Ireneu está aqui falando de pessoas na igreja de Corinto, que pelo Espírito de Deus falavam em “todas as línguas”. A segunda oração, que descreve os irmãos da igreja que não só falam línguas, mas tem outros dons proféticos, desvenda coisas escondidas e declara os mistérios de Deus, termina com a declaração: “a quem também o apóstolo denomina “espirituais”[3] . A palavra traduzida “denomina” é no latim vocat, forma do presente do indicativo do verbo vocare ”chamar ou nomear”. Ireneu está dizendo que a estas pessoas Paulo as chama “espirituais”. Se Ireneu quisesse dizer que certas pessoas de seu tempo eram pessoas as quais Paulo chamaria espirituais se ainda estivesse vivo, porque não expressou isso de uma forma muito mais clara? E porque Ireneu não usou o perfeito do subjuntivo em vez do presente do indicativo? É também significativo que os dons espirituais dos quais fala a segunda oração são precisamente os descritos na Primeira Epístola aos Coríntios, o que alude a primeira oração da citação. Portanto, é possível que Ireneu, não esteja aqui falando acerca de um fenômeno ocorrido em seus dias, mas simplesmente acerca do ocorrido nos tempos do Novo Testamento.

(4)Ademais, devemos admitir que Eusébio, o historiador da igreja, entendeu que Ireneu descrevia algo que estava ocorrendo no Século II. E as palavras iniciais da citação parecem dar ao leitor essa impressão: “De igual maneira, nós também ouvimos[4] de muitos irmãos na igreja … que por meio do Espírito falam toda classe de línguas…”. As palavras “De igual maneira” e a repetição de “falar em línguas” (que já havia sido mencionado na oração precedente) fariam pensar que “Ireneu está-se referindo a algo que ocorria em seu tempo. Se é assim, temos evidência para a continuação do dom de línguas no Século II, ainda que não se nos diz se estes que falam línguas eram montanistas ou membros das igrejas regulares e fica então o problema do significado da expressão aos quais também o apóstolo denomina espirituais”.

3. Tertuliano (aproximadamente 160 – 220 d.C.)

 Há uma passagem de Tertuliano que indica que em seu próprio grupo era comum um certo tipo de falar extático. Em seu livro Contra Márcíon desafia a Márcíon para que lhe mostre os seguintes fenômenos:

Que Márcíon então mostre, como dons de seu deus, alguns profetas que não falem por sentido humano, mas com o Espírito de Deus, que predizem o futuro, e manifestem os segredos do coração; que mostre um salmo, uma visão, uma oração apenas que seja pelo Espírito, num êxtase, isto é, num arrebatamento (amentía), quem quer que haja experimentado uma interpretação de línguas; mostre-me também, que alguma mulher de língua jactanciosa de sua comunidade que profetize, alguma dentre essas suas irmãs especialmente santas. Pois agora, todos estes sinais (de dons espirituais) se produzem em meu partido sem nenhuma dificuldade …

Acerca desta citação devemos anotar duas coisas: (1) Quando Tertuliano escreveu Contra Márcion era montanista. Já temos visto o fato de que a glossolália ocorria entre os montanistas o  que dificilmente pode-se constituir em um argumento que a apoie. (2) Em toda a passagem nada se diz da glossolália, ainda que se menciona a interpretação de línguas. Menciona-se o falar em êxtase, falar num arrebatamento (amentia, sugere que a mente consciente não tem o controle, mas não se afirma especificamente que isso incluía o falar numa língua desconhecida. Alguém poderia falar em êxtase num idioma conhecido).

4. Crisóstomo (aproximadamente 345 – 405 d.C.)

Crisóstomo, pai da Igreja do Século IV, dá claro testemunho de que não havia glossolália na igreja de seu tempo. Ao comentar a discussão de Paulo sobre o falar em línguas em 1 Coríntios 12 e 14, diz: “Tudo isso é muito obscuro, mas a obscuridade produz-se da nossa ignorância dos fatos que se referem à sua cessação, que havendo ocorrido então, agora já não mais sucedem”.

5. Santo Agostinho (354 – 430 d.C.)

Agostinho também testificou que não se observava glossolália na igreja de seu tempo. Porque na Sexta Homilia Sobre I João escreveu:

Nos primeiros tempos, o Espírito Santo caiu sobre os que creram e eles falaram em línguas “segundo o Espírito os concedia que falassem”. Eram sinais adaptados para seu tempo. Porque correspondeu àquela demonstração do Espírito em todas as línguas para assinalar que o evangelho de Deus seria transmitido por meio de todas as línguas, por toda a terra. Aquilo foi feito como uma demostrarão ou sinal, e passou. Na imposição de mãos para que as pessoas recebam o Espírito Santo, devemos agora esperar que falem em línguas? Ou quando pomos as mãos sobre os infantes [nota do editor: os neófitos ou novos convertidos], espera-se que alguns de vós venha a falar em línguas; e acerca do não falar em línguas, espera-se que haja alguém tão insensato para dizer que alguém não tem recebido o Espírito Santo pois que se o tivesse recebido haveria de ter falado em línguas como era naqueles tempos?

Também afirmou em outro escrito: “Porque, há alguém que espera nestes dias que em quem se impõem as mãos para que recebam o Espírito devam imediatamente começar a falar em línguas?”

Portanto, parece que no tempo de Crisóstomo não há evidências de glossolália na igreja oriental, e que no tempo de Agostinho não há sinais de falar em línguas na igreja ocidental[5] . Neste ponto, uma pergunta nos sentimos impulsionados a formular: Se a glossolália é um dom do Espírito tão importante como os pentecostais e neopentecostais de hoje afirmam, porque Deus permitiu que simplesmente desaparecesse da igreja? Temos encontrado a glossolália entre os montanistas, mas lá estava associada com um movimento sectário que negava que as Escrituras estivessem encerradas na cânon. A declaração de Ireneu que muitos citam, como temos visto, poderia ser a descrição do falar em línguas em tempos do Novo Testamento mais do que um fenômeno ocorrido nos dias dele.

6. A Idade Média

George Barton Cutten, autor de Falando em Línguas, é louvado pelos que estudam este tema como o mais antigo historiador da glossolália no idioma inglês. Seu comentário sobre a relativa ausência de glossolália durante a Idade Média é muito interessante: “É realmente surpreendente… que nesta era de maravilhas (o período medieval) haja aparecido com tão pouca freqüência (o dom de línguas)” (p. 37).

Diz-se que uma certa quantidade de indivíduos do período medieval falaram em línguas, particularmente em idiomas que nunca haviam aprendido. Diz-se que São Vicente Ferrer (1357-1419) falou a gregos, alemães e húngaros em seu dialeto valenciano nativo e estes o entenderam. Diz-se que São Luís Bertrand (1526-81) converteu a 30.000 índios sul-americanos de diversas tribos e dialetos pelo uso do dom de línguas. Também informa-se que São Francisco Xavier (1506-52) teve o dom de línguas de forma tão notável que pôde pregar aos nativos da Índia, China e do Japão em seus próprios idiomas, ainda que jamais os tivessem estudado. Cutten chega a indicar, no entanto, que estes informes contradizem o testemunho do próprio Xavier e as declarações explícitas do historiador José Acosta. Este afirma que Xavier tinha que trabalhar arduamente para dominar o japonês e outros idiomas que estudou. O artigo sobre Xavier na Enciclopédia Britânica menciona especificamente que ele favorecia o esforço que os missionários faziam de estudar os idiomas nativos. Quando vemos, como se deu no caso de Xavier, o processo de floreamento da história dos santos com lendas fantásticas, damo-nos conta de que temos que ter muita sobriedade para com outros relatos medievais acerca do dom milagroso de línguas estrangeiras.

No tempo da Reforma algumas das melhores mentes da Europa esquadrinharam diligentemente as Escrituras para re-descobrir os padrões neo-testamentários de doutrina e vida. No entanto, nenhum dos reformadores achou que o falar em línguas pertenceria à categoria dos dons normais que Deus tem outorgado permanentemente à Sua Igreja.

7. Os Meninos Profetas de Cevennes

Ao seguir adiante na direção do período moderno, devemos notar brevemente o que se diz sobre a glossolália dos assim chamados “Pequenos Profetas de Cevennes”. Depois da revogação do Edito de Nantes em 1685, muitos protestantes saíram da França e a vida se fez cada vez mais difícil para quem ficou. Desde 1685 até princípios do Século XVIII os pobres camponeses huguenotes de Cevennes, região do Sul de França, tiveram que suportar terríveis provações e cruéis perseguições. Durante as perseguições, muitos destes campônios converteram-se em profetas. É especialmente interessante notar que um grande número destes profetas eram crianças. Estes profetas de Cevennes caíam em êxtase e pronunciavam frases que acreditavam ser inspiradas pelo Espírito Santo. Dizia-se que alguns deles haviam falado em hebraico e latim, sem que jamais tivessem aprendido esses idiomas. Um deles disse que o Espírito de um anjo ou de Deus mesmo havia feito uso de seus órgãos da voz; estava certo de que um poder superior falava por seu intermédio.

Dizem-se outras cosas interessantes sobre estes camisardos, como também se lhes chamou, diz-se que apareciam luzes no céu que os conduziam a lugares seguros, e vozes que cantavam para lhes dar alento. Warfield sublinhou que, em comum com os antigos montanistas, prediziam a pronta vinda do Senhor e o estabelecimento de seu reino sobre a terra, pretendendo que a difusão dos dons espirituais, evidentes em seus movimentos, fosse a preparação e sinal de seu iminente regresso. Warfield também nos fala da pregação de um tal Doutor Emes, morto no dia 22 de dezembro de 1707, que teria que se ressuscitar no 25 de março de 1708. Infelizmente, o Dr. Emes não ressuscitou, pelo que os profetas tiveram que publicar um panfleto dando “As razões de Squire Lacy por que Dr. Emes não ressuscitou”.

Quando refletimos no significado da glossolália como se apresentou entre os profetas de Cevennes ou camisardos, notamos várias semelhanças entre eles e os montanistas do Século II. Perguntamo-nos, até que ponto essas experiências eram alucinatórias, uma vez que as alucinações podem ser freqüentes em tempos de angústia ou perigo. No que diz respeito ao falar em línguas, Cutten assinala: “Não encontramos nada neste ou em casos similares que não possam ser explicados por leis psicológicas conhecidas”.

8. Os Jansenistas

Diz-se com freqüência que houve glossolália entre os jansenistas do Século XVIII na França. O artigo sobre o jansenismo na Enciclopédia Britânica explica que o falar em línguas era praticado pelos membros mais extravagantes do grupo, os quais com o tempo foram desqualificados pelos jansenistas de maior reputação.

9. A Igreja Católica Apostólica

 Uma manifestação mais extensa de glossolália apareceu no Século XIX na chamada Igreja Católica Apostólica fundada por Edward Irving (1792-1834). A glossolália começou neste grupo quando duas pessoas começaram a falar em línguas desconhecidas na Escócia. Irving, que era então pastor de uma congregação londrina, queria estes dons para sua igreja e desde então começou a orar por eles. Depois de um tempo, a glossolália ocorreu em seu grupo. Ainda que ao princípio tivesse a intenção de manter o falar em línguas como um exercício privado, logo Irving permitiu que os glossolalistas exibissem em público seu dom. Depois disso, como dizia Thomas Carlyle, amigo íntimo de Irving, os serviços de sua igreja converteram-se numa verdadeira Babel.

Ao princípio pensou-se que estas línguas eram idiomas estrangeiros verdadeiros. Mary Campbell, a jovem que foi a primeira a falar em línguas na Escócia, pretendia falar o idioma das Ilhas Palaos. Esta pretensão, segundo um escritor, era “certa… com poucas probabilidades de serem postas em dúvida com autoridade”. No entanto, mais adiante a opinião era que os idiomas eram sinais sobrenaturais e não idiomas específicos.

Para uma avaliação completa da glossolália entre os irvingistas, como se chamou os seguidores de Irving, convidamos o leitor que a faze-la mediante a leitura do Capítulo 4, do livro de Warfield, Miracles Yesterday and Today (Milagres, Ontem e Hoje). Neste capítulo Warfield conta de certo Robert Baxter que se fez membro da igreja de Irving em 1831. Durante um tempo, Baxter tomou parte ativa no movimento. Mas quando não se cumpriram as profecias que haviam feito, os seus olhos foram abertos. Rompeu publicamente com o movimento dizendo a Irving que estava convencido de que “todos falávamos por um Espírito mentiroso e não pelo Espírito do Senhor”. Baxter chegou a publicar um livro, em que expressou sua desilusão com os dons sobrenaturais supostamente outorgados à congregação de Irving. Warfield segue dizendo que até Mary Campbell confessou mais tarde que a algumas de suas impressões pessoais ela havia dado o nome de voz de Deus. Podemos concluir observando que não se recebe uma impressão muito favorável da glossolália ao estudar a história da Igreja Católica Apostólica.

10. Outros Grupos

Poderíamos seguir adiante apontando que já havia glossolália entre os quakers (tremedores) e entre os primeiros mórmons (o artigo 7 dos artigos de fé dos mórmons inclui o dom de línguas para os mórmons). Poderíamos observar que mais para frente houve manifestação de línguas entre alguns dos convertidos de Whitefield e Wesley, e que houve glossolália no grande avivamento dos Estados Unidos e nos avivamentos da Escócia e País de Gales. Poderíamos além disso tomar nota de alguns exemplos de glossolália na Rússia e Armênia. Mas já se tem feito um esboço suficiente desta história para provar que a glossolália tem ocorrido apenas ocasionalmente no passado, e que não se tem encontrado nos grandes segmentos da igreja cristã histórica, mas em grupos minoritários, alguns deles definitivamente heréticos. Portanto, a glossolália não é parte da grande tradição do cristianismo histórico, mas um fenômeno isolado que tem ocorrido esporadicamente sob circunstâncias anormais.

O silêncio comparativo destes muitos séculos de história quanto à glossolália deveria fazer pensar seriamente quem pretende que o dom de línguas seja um dos dons permanentes do Espírito para a sua igreja. A voz da história da igreja parece dizer-nos que o Espírito não tem seguido outorgando este dom ao povo de Deus, ao tempo em tem seguido guiando a sua igreja em toda a verdade. Os pentecostais contrargumentam que a razão do virtual desaparecimento deste dom da igreja é que durante esses séculos o povo de Deus estava pecando contra Deus[6] . Os cristãos não criam completamente em todas as promessas de Deus[7] , e o amor de muitos se esfriara. Contudo, a dificuldade desta interpretação é que se constitui em uma grande acusação contra 1800 anos de história eclesiástica. Devemos crer honestamente que nenhum cristão dos séculos passados mártires, missionários, guerreiros ou santos, teve a classe de fé, amor e dedicação mostrada pelos crentes pentecostais de hoje? Foi toda a história da igreja desde o ano 100 até 1900 uma história de apostasia?

O MOVIMENTO PENTECOSTAL

Em outubro de 1900, Charles Parham, ex-ministro metodista, inaugurou uma escola bíblica em Topeka, Kansas. Parham havia sido cativado pelo movimento de santidade que então estava em seu apogeu; cria que a santificação era uma segunda e definida obra da graça que destruía complemente o pecado inato. Também estava convencido de que depois que alguém tenha obtido uma santificação real e a unção que permanece, ainda faltava um grande derramamento de poder que os cristãos teriam que experimentar.

Antes do Natal de 1900, Parham, que devia sair por três dias, pediu aos seus estudantes que procurassem na Bíblia se haveria alguma evidência do que ocorre com o batismo do Espírito Santo – bênção que cria ainda dever receber o crente convertido e santificado[8] . Quando Parrana voltou, ficou maravilhado ao constatar que os quarenta estudantes haviam chegado a uma conclusão idêntica: “Quando caiu a bênção pentecostal, a prova indiscutível em cada ocasião foi que eles falaram em outras línguas”. A partir daí, o grupo começou a buscar ativamente o batismo do Espírito Santo, acompanhada da evidência que é um extático falar em línguas.

Em 1º de janeiro de 1901 (ou seja, como nos lembram os pentecostais, no começo mesmo do Século XX), a senhorita Agnes Ozman, uma das alunas de Parham, foi a primeira deste grupo que falou em línguas depois que Parham lhe impôs as mãos. Os pentecostais chamam a esta experiência de o começo do moderno avivamento pentecostal.

Logo, outros estudantes começaram a falar em línguas, como também o fez o próprio Param. Este se convenceu de que todo o cristão deveria receber o batismo do Espírito Santo que ele e seus estudantes haviam recebido, e que deveriam falar em línguas como evidência de haver recebido este batismo. Parham agora começou a levar “a mensagem pentecostal” ou “a mensagem do evangelho pleno”, como também foi chamado, e o pregou em varias cidades: Kansas City, em Kansas; Lawrence, em Missouri; El Dorado Springs, em Missouri, Galeria, em Kansas; Joplin, em Missouri; Orchard e Houston, no Texas. Em 1905, Parham estabeleceu um instituto bíblico em Houston, Texas.

Entre os que estudaram no instituto de Houston e se convenceram da verdade da mensagem de Pentecostes estava W. J. Seymour, pregador negro do movimento de santidade. Aproximadamente neste tempo visitou Houston, Neeley Terry, mulher negra de Los Angeles, que assistiu à igreja do Sr. Seymour e recebeu o batismo do Espírito Santo e o dom de línguas. Ficou tão impressionada com Seymour que persuadiu a igreja em Los Angeles a qual pertencia para que convidasse o irmão para pregar. No entanto, a primeira mensagem de Seymour em Los Angeles produziu tal hostilidade que o pregador visitante encontrou as portas fechadas para ele quando regressou para o culto da tarde. Impávido, Seymour começou a pregar numa casa. Em 9 de abril de 1906, sete pessoas foram batizadas com o Espírito Santo e começaram a falar em línguas. Estes acontecimentos chamaram tanto a atenção que o grupo logo se mudou para um edifício na Rua Azusa, que anteriormente havia sido igreja mas que por ora era uma cocheira. Neste lugar de poucas pretensões, Seymour seguiu dirigindo cultos que tiveram a assistência de crescentes números de pessoas de diversas denominações e raças. As reuniões se seguiram durante três anos, e chegaram a ser o centro do movimento pentecostal. De todo o país veio gente à missão da Rua Azusa para receber o batismo do Espírito e a evidência das línguas[9] .

Após isso seguiram anos de rápido crescimento. O assim chamado avivamento pentecostal estendeu-se a Chicago, Winnipeg e New York. Pouco depois de 1906, o “evangelho pleno” podia ser achado em todos os continentes. O movimento seguiu crescendo, até que hoje estima-se que há pelo menos 26 denominações que se consideram parte do movimento pentecostal.

Consideremos brevemente alguns dos maiores corpos pentecostais dos Estados Unidos. O maior e mais influente deles é as Assembléias de Deus com sede em Springfield, Missouri. Em abril de 1965 sua membresia total no país era de mais de 555.000. Tinham mais de 8.400 igrejas, 10.000 ministros ordenados e 5.000 licenciados nos Estados Unidos. Sua principal escola é o Instituto Bíblico Central em Springfield e seu semanário é o Pentecost Evangel. Uma idéia do tremendo alcance de sua atividade missionária pode-se deduzir do fato de que em abril de 1965 diziam ter 891 missionários no estrangeiro, 15.105 igrejas e pontos de pregação no exterior e uma membresia estrangeira (incluindo aderentes e membros em plena comunhão) de 1.472.766 pessoas. Isso significa que, de cada quatro pessoas que são membros ou aderentes das Assembléias de Deus, três estão no campo missionário, enquanto uma está nos Estados Unidos[10]

A segunda igreja pentecostal em importância nos Estados Unidos é a Igreja de Deus em Cristo. É uma igreja negra fundada por C. H. Mason e C. P. Jones. Segundo Kelsey, este grupo tinha mais de 400.000 membros em 1963 contra apenas 31.000 que tinha em 1936. É uma igreja de santidade que ensina que a santidade é considerado um requisito para a salvação e para o batismo do Espírito.

O terceiro corpo pentecostal em importância é a Igreja de Deus com sede em Cleveland, Tennessee. Esta é também a igreja pentecostal mais antiga do país, havendo começado em 1886 num avivamento dirigido no sudeste do Tennessee por Richard G. Spurling, pai, e seu. filho do mesmo nome. A. J. Tompson chegou a ser mais tarde o supervisor geral desta igreja, mas foi afastado em 1923. Esta também é uma igreja de santidade que ensina que à santificação segue a justificação e ao batismo do Espírito Santo segue a purificação ou santificação. Segundo cifras entregues por esta igreja em agosto de 1964, sua membresia total nos Estados Unidos e Canadá era de mais de 200.000; nestes países tinha quase 7.000 ministros (esta cifra provavelmente inclui ministros ordenados e licenciados) em aproximadamente 3.500 igrejas. No entanto, nessa data sua membresia mundial era de em torno de 400.000.

Segue em tamanho a Igreja Unida Pentecostal, que começou quando se uniram duas igrejas em 1945, e que segundo Kelsey tem 175.000 membros. É uma igreja das que se chamam “unitárias”: nega que há três pessoas na Trindade, e ensinam que Pai, Filho e Espírito Santo são uma única pessoa e que essa pessoa é Jesus Cristo. Em conseqüência, seu ensinamento é uma espécie singular de unitarismo que se centraliza na segunda pessoa e não na primeira; este unitarismo de tipo pentecostal é conhecido também como o movimento “Só Jesus”. As pessoas que tem sido batizadas no nome do Deus Trino têm que ser rebatizadas no nome de Jesus quando se fazem membros deste grupo. A maioria dos demais corpos pentecostais, as Assembléias de Deus em particular, tem repudiado firmemente este ensinamento unitário. Pode ser interessante notar que a Igreja Unida Pentecostal tem um código moral muito rígido. Oficialmente reprova coisas tais como o banho misto, a maquiagem, os desportos e as diversões mundanas, o uso da televisão, e proíbem que as mulheres cortem o cabelo. Num folheto publicado pela denominação entitulado “A Questão do Cabelo”, são dadas quinze razões pelas quais as mulheres devem ter o cabelo comprido.

Outro proeminente grupo pentecostal é a Igreja Internacional do Evangelho Quadrangular (ou quadrado, ou ainda Foursquare em alguns países), fundada em 1927 por Almee Semple McPherson. Esta igreja também ensina que os crentes devem receber o batismo do Espírito Santo e que este batismo deve ser atestado pelo falar em línguas. Em 1965 este grupo dizia ter uma membresia total de 159.034 com 771 igrejas e 1647 ministros ordenados e licenciados em os Estados Unidos. Um folheto sobre missões publicado pela igreja em 1965 dá as seguintes cifras: 1368 pastores nacionais e evangelistas, 1402 igrejas e pontos de pregação no estrangeiro e 96.432 membros e aderentes no campo missionário.

Outro grupo pentecostal que deve ser considerado é a Igreja de Deus Pentecostal, pelo menos pelo fato de que Oral Roberts pertencia a ele. Doutrinariamente também é um grupo de santidade. A santificação é considerada uma segunda obra da graça instantânea (ainda que também sustentam que é progressiva). Considera o batismo do Espírito Santo como uma obra de graça adicional[11] . Portanto, é interessante notar que as cifras entregues pelo grupo em 1946 estavam classificadas em três categorias: 26.251 membros, 8.043 salvos, 3.179 santificados e 1.724 batizados com o Espírito. Contudo, estatísticas mais recentes indicam que, em julho de 1956, a igreja dizia ter 60.665 membros, 1.331 igrejas e 2.446 ministros em os Estados Unidos. A membresia mundial total naquela data era 84.915 com 85 missionários no estrangeiro.

Mais um grupo deve-se mencionar, Assembléias Pentecostais Mundiais. Esta também é uma igreja negra que tinha uma lista de 50.000 membros e 600 igrejas em 1959. Esta igreja se opõe às sociedades secretas, às datas de festas eclesiásticas, ao uso de jóias, de meias atrativas, de cabelo cortado ou alisado e de adereços de cores brilhantes.

Estes são pois, os principais corpos pentecostais nos Estados Unidos. Há vários outros grupos, a maior parte mais pequenos que os mencionados. Devido o crescimento rápido do pentecostalismo, não somente nos Estados Unidos mas em países estrangeiros, este movimento com freqüência é chamado “terceira força do cristianismo”. Há muitas igrejas pentecostais vigorosas em países europeus como Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Suíça, Rússia, Itália, Alemanha e Inglaterra. O pentecostalismo também é forte na América do Sul, especialmente no Brasil. As igrejas pentecostais tem sido muito ativas no trabalho missionário; Bloch-Hoell, dando cifras do ano 1954, estima que naquele tempo o contigente de missionários pentecostais era pelo menos três vezes e meia maior que o considerado “normal” no mundo protestante. Ainda que é difícil fazer uma estimativa de quantas pessoas no mundo poderiam se chamar pentecostais, é certo que as cifras mundiais alcançam a vários milhões. Enquanto Bloch Hoell estima que há aproximadamente seis milhões de seguidores pentecostais no mundo incluindo as crianças), John L. Sherril julga que há mais de 8.500.000 pentecostais no mundo, mais de 2.000.000 dos quais estão nos Estados Unidos.

O NEOPENTECOSTALISMO

Resta explorar mais uma fase da história deste tema, fase que Russell T. Hitt tem denominado neopentecostalismo. Com esta expressão quero significar a passagem da glossolália para as igrejas estabelecidas. Antes de 1960, o fenômeno da glossolália estava confinado exclusivamente às igrejas pentecostais, no entanto, na atualidade já não é assim.

Tudo começou com Dennis Bennett, reitor da Igreja Episcopal de São Marcos em Van Nuys, Califórnia, nos arredores de Los Angeles. Por meio da influência de um casamento celebrado em uma igreja vizinha recebeu o dom de línguas, e achou que seria uma estimulante experiência espiritual os efeitos da qual se introduziram em sua vida cotidiana. Logo, umas setenta pessoas na congregação começaram a falar em línguas, incluindo alguns dos mais conhecidos membros da congregação. Como a igreja estava dividida pelo problema, o Rev. Bennett renunciou à reitoria em 3 de abril de 1960. A publicidade que se seguiu à sua renúncia serviu para difundir ainda mais a notícia deste novo turbilhão de línguas.

Atualmente, muitos episcopais estão praticando a glossolália. Frank Farrell informou em setembro de 1963 que, segundo se dizia, uns 2.000 episcopais estavam falando línguas somente no sul da Califórnia. A glossolália também tem-se estendido pela Igreja Presbiteriana. Mais de 600 membros da Primeira Igreja Presbiteriana de Hollywood (a maior igreja local da denominação) haviam falado em línguas, segundo uma informação. Alguns membros da Igreja Reformada da América também tem começado a falar em línguas, provavelmente o mais conhecido deles seja o Rev. Harald Bredesen, pastor da Primeira Igreja Reformada de Mount Vernon, New York. O Rev. Bredesem recebeu o dom de línguas num acampamento pentecostal em Green Lane, Pennsylvania, e desde então tem sido um ativo propagandista da glossolália. Atualmente é presidente da Sociedade da Bendita Trindade, grupo que atua como ponta de lança do movimento neopentecostal, particularmente por meio de sua revista trimestral (Trindade). A visita do pastor Bredesen ao campus da Universidade de Yale foi o que acendeu a faisca de um incêndio de línguas ali.

A glossolália também tem-se infiltrado nas igrejas luteranas. Provavelmente, o pastor luterano mais conhecido e que tem recebido o dom seja o Rev. Larry Christenson, pastor da Igreja Luterana da Trindade em San Pedro, Califórnia, que tem escrito bastante sobre o tema. O movimento penetrou na igreja metodista, Morton Kelsey menciona uma quantidade de ministros metodistas que tem recebido o dom de línguas e tem sido instrumentos para dá-lo a outros. O falar em línguas também tem se estendido às igrejas batistas; o Senhor Kelsey descreve a experiência de dois ministros batistas que receberam o dom e cita o Dr. Francis Whiting, diretor do Departamento de Evangelismo da Convenção Batista de Michigan, como que tenho dito que a salvação do mundo está nos dons carismáticos tais como o dom de línguas.

Ademais, cabe destacar que a glossolália tem feito sua colheita também em pequenos grupos tais como InterVarsity Christiam Fellowship (grupo que em diversos países trabalha com estudantes universitários, com sede em Londres), Wycliff Bible Translators (missão dedicada à tradução da Bíblia a idiomas indígenas) e entre Os Navegantes. Também, o mesmo tem ocorrido em instituições bem conhecidas como Wheaton College, Westmont College e Fuller Seminary. Dentro do movimento neopentecostal, além das atividades da Sociedade da Bendita Trindade, há reuniões de pequenos grupos, denominados grupos de comunhão do Espírito Santo, que celebram reuniões e convenções de avanço cristão. Uma organização internacional denominada Associação Internacional de Homens de Negócios do Evangelho Pleno, com sede em Los Angeles, publica três revistas Voz, Visão e Ponto de Vista. Esta organização tem uma quantidade de diretores estrangeiros além dos Estados Unidos, e capítulos (organizações locais) em países tão distantes como Austrália e África do Sul.

De todo o exposto, é evidente que a glossolália na atualidade está-se estendendo para muito mais além das fronteiras das igrejas pentecostais. Ainda que não haja dados disponíveis, e ainda que o falar em línguas nas outras igrejas nem sempre é admitido abertamente, é óbvio que o número dos que falaram ou falam em línguas fora das igrejas pentecostais deve ser bastante considerável. Particularmente, a difusão das línguas em igrejas não pentecostais é o que faz que a questão das línguas seja um problema tão vivo na atualidade.

Capítulo 2 – O Significado do Falar em Línguas para os Pentecostais

A prática de falar em línguas é comum a todos os pentecostais, como também aos que comumente denominam-se neopentecostais. Antes de proceder a avaliação do falar em línguas, devemos primeiro entender o significado da glossolália para quem o pratica.

Desde o começo deve-se notar que há diferenças de opinião entre os pentecostais sobre se a “santificação completa” é necessária antes que alguém possa receber o batismo do Espírito que é acompanhado pela glossolália[12] . Por santificação completa entende-se quando alguém fica completamente imune da presença do pecado em face de uma experiência instantânea. No princípio do movimento houve muita ênfase na importância dessa santificação instantânea. Lembre-se que Charles F. Parhan, em cujo instituto bíblico começou o movimento pentecostal, era um pregador da santidade que cria na santificação completa como uma “segunda obra de graça” depois da conversão. Durante o avivamento em Los Angeles em 1906, muitas pessoas disseram haver recebido a santificação completa e consequentemente diziam que esta bênção era necessária antes que alguém pudesse receber o batismo do Espírito.

Entretanto, no decorrer do tempo, houve uma variação no ensinamento pentecostal. Ainda que alguns grupos pentecostais continuem com a ênfase na necessidade da santificação completa como uma experiência que deve anteceder o batismo do Espírito, de modo que o batismo do Espírito fosse considerado por eles como uma terceira obra da graça subsequente à regeneração (ou conversão) e a santificação instantânea[13] , a maioria dos grupos pentecostais tem abandonado esta posição. Hoje em dia, a maioria das igrejas pentecostais ensinam que a santificação não é uma experiência instantânea, mas um processo que segue pela vida, ainda depois que alguém recebe o batismo do Espírito. Portanto, a maioria dos pentecostais considera o batismo do Espírito como uma espécie de “segunda obra da graça” que ocorre depois da regeneração.

Mesmo assim, ambos os grupos de pentecostais concordam em que a glossolália é a evidência inicial do batismo do Espírito. Em virtude de não haver diferença de opinião entre ambos grupos sobre o ponto que nos ocupa (isto é, o significado da glossolália), passarei por alto pela diferença de opinião sobre a questão da santificação completa que deveria seguir.

Ao determinar o significado da glossolália para quem a pratica, devemos portanto levar em conta outra diferença de opinião que existe entre os pentecostais. Nem todos estão de acordo no ponto de a glossolália invariavelmente acompanhar o batismo do Espírito. Alguns pentecostais sustentam que, ainda que o falar em línguas seja uma das evidências do batismo do Espírito, não é necessariamente a única evidência, e que, portanto, uma pessoa pode receber o batismo do Espírito sem falar em línguas. Alguns líderes pentecostais europeus como T. B. Barratt de Noruega e Lewi Pethrus de Suécia estão dispostos a admitir que, como uma exceção, o batismo do Espírito pode ocorrer sem glossolália. J. E. Stiles Jr., escreveu em Cristianismo Hoje: “Há uma crescente minoria entre pessoas do evangelho pleno que crêem que as línguas não se constituem em “única” ou “necessária” evidência do recebimento inicial do Espírito Santo. Aceitamos que é uma evidência”. Ni1s Bloch-Hoell, cujo estudo histórico do movimento pentecostal é o mais completo até agora publicado, afirma:

A opinião dominante do movimento pentecostal é a que o batismo do Espírito é acompanhado pelo falar em línguas, mas, ao mesmo tempo, permite teoricamente, a possibilidade do batismo do Espírito sem glossolália.

Vê-se então que, em que pese uma minoria de pentecostais admitir a possibilidade de batismo do Espírito sem glossolália, a maioria considera que o batismo do Espírito sem glossolália estaria incompleto ou carente de evidência[14] .

Mesmo que o leitor deva recordar-se que há pentecostais que não estão na posição da maioria, apresentarei o ponto de vista da maioria como típico do movimento pentecostal. Ao apresentar o ponto de vista da maioria, reproduzirei até aonde for possível, a posição sustentada pelas Assembléias de Deus, a maior igreja pentecostal dos Estados Unidos, e provavelmente o grupo pentecostal de mais influência no mundo.

As Assembléias de Deus estabeleceram seus principais dogmas doutrinais no que chamam Declaração de Verdades Fundamentais, que compreende 19 artigos. O artigo 7 desta declaração diz:

Todos os crentes têm o direito a a promessa do Pai, a qual deveriam esperar ardente e intensamente: o batismo no Espírito Santo e no fogo, de acordo com o mandamento de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa era a experiência normal de toda a Igreja Primitiva. Com ela chega  investidura do poder para a vida e o serviço, a concessão de dons e o uso deles na obra do ministério (Lucas 24:49, Atos 1:4, 8; I Coríntios 12:1-31). Esta experiência é distinta e posterior à experiência do novo nascimento (Atos 8:12-17; 10:44-46; 11:14-16; 15:7-9). Com o batismo do Espírito Santo vêm experiências tais como a completa plenitude do Espírito (João 7:37-39; Atos 1:4-8), uma reverência mais profunda a Deus (Atos 2:43; Hebreus 12:28), uma consagração mais intensa a Deus e dedicação à sua obra (Atos 2:42), e um amor mais ativo por Cristo, por sua Palavra e pelos perdidos (Marcos 16:20).

O Artigo 8 faz as seguintes afirmações:

O batismo dos crentes no Espírito Santo é testificado pelo sinal físico inicial de falar outras línguas conforme o Espírito as concede que falem (Atos 2:4). O falar em línguas neste caso é o mesmo em essência que o dom de línguas (1 Coríntios 12:4-10, 28), mas difere em propósito e uso.

Justapondo estes dois artigos, chegamos às seguintes conclusões:

1. Todos os crentes deveriam buscar o batismo do Espírito Santo.

2. Este batismo do Espírito é distinto e posterior à experiência do novo nascimento.

3. Este batismo do Espírito Santo outorga poder para a vida e o serviço, maior consagração, um amor mais ativo por Cristo, por sua Palavra e pelos perdidos.

4. O sinal físico inicial do batismo do Espírito é falar em outras línguas.

5. Este sinal físico inicial, ainda que seja o mesmo em essência que o dom de línguas de que fala I Coríntios 12, é diferente em propósito e uso.

Portanto, para as Assembléias de Deus – e sua posição nisso é típica dos pentecostais em geral – a glossolália é tão importante que todo crente deveria praticá-la como evidência inicial do batismo do Espírito Santo que todos devem buscar obter. Cito um proeminente autor das Assembléias de Deus:

UMA experiência deve ser recebida por todos os que querem entrar no reino – o novo nascimento …do mesmo modo, ordena-se a todos os crentes que recebam uma experiência – o batismo ou plenitude do Espírito. Novamente, as reações físicas, emocionais e intelectuais são tão variadas como os que a recebem, mas, outra vez, uma evidência acompanha uniformemente à experiência: o testemunho do Espírito através de nós em outras línguas[15] .

Ralph M. Riggs, outro escritor das Assembléias de Deus, dá dez razões por que deveríamos receber o batismo do Espírito Santo pouco depois da conversão[16] . A importância da glossolália para os pentecostais vem indicada pela seguinte declaração de Carl Brumback: “É nossa sincera crença que sem esta evidência (ou seja, a da glossolália) não pode haver um batismo completo com o Espírito Santo”[17] . Portanto, todo cristão deve buscar a glossolália, não por causa de si mesmo, mas como evidência de que se tem recebido o batismo do Espírito Santo.

Pois bem, o que é este batismo do Espírito, posterior e distinto do novo nascimento? Significa a entrada do Espirito Santo na vida de alguém como Pessoa em Seu próprio nome e direito. Ralph Riggs descreve a experiência da seguinte maneira:

Como Espírito de Cristo, Ele veio na conversão, trazendo a vida de Cristo, revelando a Cristo e o fazendo-se real. No batismo do Espírito, Ele mesmo, em Sua própria pessoa cai sobre o crente que espera e o enche. Esta experiência é tão distinta da conversão como o Espírito Santo é distinto de Cristo. Sua vinda ao crente no batismo é a vinda da terceira Pessoa da Trindade, após a vinda de Cristo, que ocorreu na conversão[18] .

Então, isso significa que alguém não recebe o Espírito Santo em nenhum sentido no momento da conversão? Pelo contrário, todo cristão tem o Espírito Santo uma vez que é Ele quem deve pô-lo em contato com Cristo, e é o Espírito quem deve operar a regeneração[19] . Mas somente depois do batismo do Espírito, a Terceira Pessoa da Trindade toma o controle definitivo por direito próprio, e dispensa todo o complemento de seus dons[20] . Em suma, ainda que se receba certos frutos do poder do Espirito no momento da regeneração ou conversão, não recebe ao Espírito como pessoa que o enche completamente até o momento do batismo do Espírito Santo. A glossolália é a evidência inicial deste batismo do Espírito.

Sobre que base bíblica estão fundamentados estes ensinamentos? Principalmente, no estudo de passagens do livro de Atos que descrevem certos grupos que falaram em línguas quando o Espírito caiu ou veio sobre eles. Mais adiante examinaremos registros das Escrituras com maior detalhe.

Deve-se recordar que os pentecostais distinguem entre glossolália como evidência inicial do batismo do Espírito e como um dom que o receptor pode continuar exercendo, Assim eles dão razão ao fato óbvio de que nem todos em Corinto tinham o dom de línguas[21] . Numa palavra, sua posição é esta: todos os que recebem o batismo do Espírito devem falar línguas como evidência física inicial deste batismo. Nem todos os que recebem esta evidência, no entanto, seguem exercendo o dom de línguas[22] .

Além disso, o dom de línguas opera de um modo duplo: devocional e congregacional. Como exercício devocional poderia ser usado como um meio para orar, dar graças, cantar. Pelo uso do dom nesta forma alguém edifica-se a si mesmo[23] . O outro uso do dom é congregacional. As línguas deveriam ser usadas nos serviços da igreja. Brumback afirma que é bom que o pregador seja interrompido ocasionalmente por uma expressão em línguas, ainda que não se propicia uma interrupção constante[24] . Donald Gee, outro escritor das Assembléias de Deus, refletindo sobre as diferenças entre os serviços pentecostais e os das igrejas protestantes regulares, expressa a questão de um modo mais bem ameno: “Melhor um pouco de desordem e o Senhor operando que a ‘ordem’ aparente da tumba e da morte”[25] . No entanto, quando se usam as línguas no serviço da igreja, devem ser interpretadas, por isso os pentecostais falam do dom de interpretação como um dom adicional. Sem intérprete, o que fala em línguas deve calar-se na igreja[26] .

Pode ser de interesse perguntar neste ponto: Segundo os pentecostais, como são estas línguas? São idiomas humanos reais, ou são apenas expressões extáticas que não têm similaridade com idiomas que atualmente se falam sobre a terra? Para responder a esta questão, devo, em primeiro lugar, reproduzir brevemente os ensinamentos pentecostais sobre as línguas descritas na Bíblia. Os pentecostais estão bem de acordo que as línguas faladas no dia de Pentecostes eram idiomas reais, uma vez que Lucas afirma que cada homem ouviu os discípulos em sua própria língua[27] . No que diz respeito à glossolália em Corinto, Brumback afirma que ainda que haja uma diferença entre as línguas em Atos e as de Corinto quanto ao propósito e operação, não há diferença entre elas quanto a sua natureza: noutras palavras, em Corinto assim como em Jerusalém, as línguas eram idiomas estrangeiros reais falados por pessoas que não haviam tido uma preparação prévia nesse idioma[28] .

Sobre a base do ponto de vista da glossolália na forma descrita nas Escrituras, Brumback sustenta que a glossolália na atualidade não é falar uma linguagem celestial desconhecida para o homem, mas falar um verdadeiro idioma humano que, no entanto, é desconhecido para a pessoa que fala[29] ; ainda afirma que há casos registrados em que expressões glossolálicas tem sido identificadas como idiomas existentes, tanto por crentes pentecostais como não pentecostais[30] . Brumback admite que às vezes a glossolália atual não é um idioma genuíno, mas uma pura algaravia; no entanto, esses casos são considerados fraudulentos, como uma tentativa de imitar o genuíno dom de línguas[31] . Donald Gee, escritor pentecostal britânico, está de acordo que na atualidade a glossolália é o falar de idiomas estrangeiros genuínos. Então pareceria que a posição pentecostal geral é que a glossolália segundo se pratica na atualidade é o falar um idioma estrangeiro genuíno por pessoas que nunca tenham estudado o idioma em que falam e que não o entende no momento em que os estão falando.

No entanto, deve-se observar que nem todos os pentecostais estão de acordo neste ponto. Alguns pentecostais dizem-me em conversações privadas que a glossolália de hoje poderia ser um falar um idioma estrangeiro existente, ou falar uma língua em êxtase que não tem similar na linguagem humana. Ademais é significativo que pelo menos um dos escritores das Assembléias de Deus não compartilha do ponto de vista de que a glossolália de hoje seja sempre um idioma genuíno. Stanley Frodsham, em um livro que sempre aparece recomendado no catálogo atual da Gospel Publishing House, agência oficial de publicações das Assembléias de Deus, tem isso a dizer acerca do dom de línguas:

O filho de Deus tem o privilégio de ter uma linguagem com Deus, e nenhum homem entende esta linguagem secreta, porque ao santo lhe é permitido falar no idioma da divindade, um idioma desconhecido para a humanidade… O santo mais humilde pode desfrutar de uma conversação sobrenatural com o que fez os mundos, num idioma não compreendido pelo homem nem pelo diabo.

Seguimos adiante agora para perguntar se o ponto de vista dos neopentecostais acerca do significado e valor da glossolália é o mesmo que o que se lhe dão os pentecostais segundo o que acabamos de descrever. É uma pergunta difícil de responder porque não há uma interpretação teológica autoritativa que seja obrigatória para todos os neopentecostais. No entanto, cabe destacar que o neopentecostalismo recebeu seu ímpeto inicial dos pentecostais, uma vez que vários líderes neopentecostais receberam o dom de línguas em reuniões pentecostais ou por meio da influência de pentecostais. Portanto, historicamente o neopentecostalismo nasceu do pentecostalismo.

Já se tem feito notar que há alguma diferença de opinião entre membros de igrejas pentecostais sobre se a glossolália invariavelmente acompanha o batismo do Espírito. Encontramos uma diferença de opinião similar entre os neopentecostais. Alguns neopentecostais crêem que a glossolália é uma das evidências de haver recebido o batismo do Espírito, mas que não é a única evidência nem a evidência indispensável. Para citar um exemplo, o Rev. Larry Christensom, pastor da Igreja Luterana da Trindade, em San Pedro, Califórnia, e líder do movimento pentecostal, não está de todo disposto a dizer que cada um dos que recebam o batismo do Espírito falarão em línguas, de modo que se uma pessoa que não fale em línguas esteja convencido de que não recebeu o batismo do Espírito. No entanto, concede que o livro de Atos nos da um padrão que serve de muita ajuda em nossas vidas de hoje: a saber, a recepção do Espírito é uma experiência instantânea que é acompanhada pelo falar em línguas[32] . Portanto, segue dizendo:

Consumar a experiência de alguém de receber o Espírito falando em línguas lhe dá objetividade à experiência; eu creio que esta objetividade tem um valor definitivo para o contínuo caminhar no Espírito, porque falar em línguas parece ter uma relação definida com a “poda” e “purificação” pela qual o cristão tem que passar.

Portanto, segundo Christensom, a glossolália, ainda que de um alto valor, não é a evidência indispensável de haver recebido o batismo do Espírito

Segundo Morton T. Ke1sey, reitor episcopal que escreveu um livro sobre o falar em línguas, o Rev. Tod Ewald, reitor da Igreja Episcopal de Corte Madera, Califórnia, compartilha dos pontos de vista de Christensom sobre as línguas. Ke1sey segue dizendo que, em sua opinião, a maioria de quem fala línguas nas mais antigas denominações protestantes compartilham dos pontos de vista do pastor Christensom sobre as línguas e sobre a experiência do Espírito Santo, isto é, que as línguas são uma sinal do batismo do Espírito, mas não o sinal indispensável do acontecimento. Se Ke1sey está correto, isso poderia significar que o ponto de vista da maioria dos neopentecostais difere da maioria dentre os pentecostais.

No entanto, não estou certo de que o Senhor Ke1sey tenha razão em seu juízo. Tem-se encontrado uma quantidade de declarações de proeminentes neopentecostais que afirmam que a glossolália não é apenas uma possível evidência, mas a evidência do batismo do Espírito Santo. Por exemplo, Robert Frost, professor de biologia no Colégio Westmont, escrevendo na revista Trindade, declara que, assim como uma confissão de fé é o sinal exterior de conversão, o falar em línguas é a evidência exterior do batismo do Espírito Santo (que ele chama “o dom do Espírito de Deus em sua plenitude”). Em uma edição anterior do mesmo periódico, o Rev. Edwin B. Stube, vigário de Saint Lawrence, Sidney, Montana, e diretor da Sociedade da Bendita Trindade, afirma:

No Novo Testamento, o sinal normal ou evidência do batismo do Espírito Santo é o de  falar em outras línguas segundo o Espírito dá que se fale … Claramente se vê que a intenção de Deus é que todos os crentes recebam o batismo do Espírito Santo com o sinal que o Novo Testamento indica (a saber, o sinal de falar em línguas).

Jean Stone, uma diretora da Sociedade da Bendita Trindade, e editora da revista Trindade, disse isso acerca da glossolália em um editorial: “Cremos que quando um crente é batizado com o Espírito Santo, ele falará em novas línguas segundo o Espírito lhe concede que fale e que esta investidura de poder (significada pela nova língua) é uma investidura para o serviço”. Neste mesmo editorial a Senhora Stone cita uma declaração oficial feita pela junta de diretores da Sociedade da Bendita Trindade em sua reunião de março de 1963. O quarto parágrafo da declaração diz:

Cremos que quando um cristão recebe o batismo do Espírito Santo prometido por Jesus (Atos 1: 5, 8), o Espírito Santo confirma isso com uma capacidade sobrenatural de falar em uma língua desconhecida para quem fala[33] .

Os membros da junta de diretores que aparecem na edição da revista em que consta a declaração citada são os seguinte: Rev. Harald Bredesen, Rev. David J. du Plessis, Rev. Tod W. Ewald, Donald D. Stone, o Rev. Willian T. Sherwood, Jean Stone, o Rev. Edwin B. Stube[34] . Pareceria que uma declaração feita pelos diretores da Sociedade da Bendita Trindade aproxima-se muito do que alguém poderia esperar razoavelmente como pronunciamento oficial sobre os pontos de vista dos neopentecostais.

Portanto, concluirei que, com a possível exceção de alguns, a posição dominante do neopentecostalismo sobre a significação da glossolália é a mesma que a dos pentecostais: o falar em línguas é a evidência necessária de que alguém recebeu o batismo do Espírito Santo.

Há que se reconhecer que a maioria dos neopentecostais não propicia o falar em línguas nos serviços dominicais regulares de suas igrejas, mas preferem o exercício da glossolália em suas devoções privadas ou em pequenos grupos de oração. Também há que se admitir livremente que o falar em línguas entre os neopentecostais está muito menos carregado de emoções que nos cultos de muitas igrejas pentecostais, sejam dominicais ou durante a semana. No entanto, estas diferenças não afetam o ponto básico que agora está em discussão: a importância da glossolália como evidência do batismo do Espírito. Neste ponto, vê-se claramente que a maioria dos neopentecostais está de acordo com os pentecostais.

Capítulo 3 – Uma Avaliação Bíblica do Falar em Língua

Evidentemente, reconhecemos que há muito o que a igreja pode aprender do pentecostalismo e do neopentecostalismo. Ainda que este ponto será discutido de forma mais ampla no Capítulo 5, permita-me dizer aqui que na igreja atual há uma premente necessidade de um maior enchimento do Espírito Santo, de um maior fervor em nossa adoração e um maior calor em nosso testemunho. Todos os que nos chamamos cristãos queremos viver vidas mais cheias do Espírito Santo. Todos desejamos receber bem qualquer coisa que nos ajude a andar mais plenamente no Espírito.

No entanto, nossa maior preocupação como cristãos bíblicos deve ser permanecermos fiéis aos ensinamentos da Palavra de Deus. Não poderíamos iniciar-nos em certo tipo de experiência religiosa e logo a seguir ir reivindicando uma doutrina a partir dela. Nossas doutrinas devem estar baseadas não na experiência mas nos ensinamentos das Escrituras. Portanto, devemos sujeitar o pentecostalismo, tanto em sua nova forma como na antiga, à prova da Escritura. Por isso, neste capítulo tenho o propósito de apresentar uma avaliação bíblica dos ensinamentos dos pentecostais e neopentecostais sobre o falar em línguas[35] .

Antes, devemo-nos lembrar que nem todos os pentecostais e muito menos todos os neopentecostais sustentam a mesma posição sobre o falar em línguas que foi esboçada no Capítulo 2. No entanto, ao fazer a avaliação bíblica tomo por base a posição sobre o falar em línguas sustentada pela maioria dos pentecostais e neopentecostais e que com toda certeza pode-se ter como típica do movimento como um todo.

Ao conduzir esta avaliação bíblica, pela ordem, tomarei os diversos grupos de passagens bíblicas que são apresentadas pelos pentecostais em sua tentativa de encontrar um apoio bíblico à glossolália.

1. Passagens dos profetas apresentadas pelos pentecostais que segundo alegam apoiam o falar em línguas.

Aqui devemos considerar duas passagens freqüentemente citadas. Os pentecostais encontram uma predição do dom de línguas em Isaías 28:11, 12. Na versão Revista e Atualizada esta passagem diz:

Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o SENHOR a este povo, ao qual ele disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir.

Normalmente, ao citar esta passagem, os pentecostais deixam de lado a última frase, “mas não quiseram ouvir”. Logo começam a interpretar a passagem como se anunciasse a concessão do dom de línguas à igreja, aduzindo que, por meio deste dom, segundo o profeta, conceder-se-ía repouso ao povo de Deus[36] . No entanto, o que se esquece é que à luz do contexto, a passagem prediz claramente a vinda dos assírios contra o povo de Israel, como castigo pela sua desobediência. O versículo 12 refere-se às advertências proféticas prévias que haviam sido desprezadas; por isso o castigo agora está a caminho: “Ao qual ele disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado…; mas não quiseram ouvir.” Afirmar que o repouso de que aqui se fala é produto do falar em línguas, como afirmam nossos amigos pentecostais, é torcer o sentido do texto. O uso que Paulo faz desta passagem em I Coríntios 14:21, além disso, não apóia a interpretação pentecostal. Porque o argumento de Paulo não é que o falar línguas estranhas produz repouso, mas antes, como nos tempos do Antigo Testamento, assim é agora: esta forma de falar deixa as pessoas em sua incredulidade, em seus corações endurecidos: “não quiseram ouvir, diz o Senhor”.

Outra passagem profética apresentada pelos pentecostais encontra-se no segundo capítulo, de Joel. Na última parte deste capítulo ocorre a promessa do derramamento do Espírito sobre toda carne que Pedro citou no dia de Pentecostes. Desta parte do capítulo, os autores pentecostais dirigem-se ao versículo 23 para encontrar uma referência à chuva temporã e serôdia:

Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no SENHOR, vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva; fará descer, como outrora, a chuva temporã e a serôdia.

Este versículo se une a Tiago 5:7, 8 que diz assim:

Sede, pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência até receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. (Edição Revista e Corrigida)

Como a passagem de Tiago refere-se à segunda vinda do Senhor, supõe-se engenhosamente que a “chuva serôdia” refira-se a um acontecimento que deve preceder imediatamente à vinda de Cristo. A chuva deve-se relacionar de algum modo com o derramamento do Espírito pregado por Joel. Então a conclusão é obvia: – “a chuva temporã” ou a primeiras chuva tem que se referir ao dom de línguas do dia de Pentecostes e na igreja primitiva, enquanto “a chuva serôdia” tem que ser a designação do movimento de línguas destes últimos tempos[37] . Com freqüência ouve-se que os pentecostais referem-se ao avivamento pentecostal que começou em 1901 como o movimento de “chuva serôdia”. Uma implicação desta expressão, à luz das passagens de Joel e Tiago, é que o movimento pentecostal é um sinal da proximidade da vinda de Cristo e do fim do mundo. No entanto, esta interpretação da chuva temporã e da chuva serôdia carece de todo apoio bíblico, como revelará o mais elementar estudo destas passagens em seu contexto[38] .

2. Passagens apresentadas para demostrar que o falar em línguas tinha que permanecer na igreja.

Carl Brumback, em O que Quer Ser Isso?, refuta o argumento de que a glossolália era temporária e não tinha o propósito de seguir na igreja assinalando duas passagens que, segundo ele acha, ensinam que Deus queria que o dom de línguas continuasse. A primeira passagem é Marcos 16:17-18.

Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.

Aqui Jesus deixa muito claro – diz Brumback – que as línguas devem permanecer na igreja: “Estes sinais hão se acompanhar aqueles que crêem… falarão novas línguas”[39] .

No entanto, há dúvidas quanto à autenticidade desta passagem. A conclusão longa de Marcos, na qual aparece este versículo, é ausente nos dois unciais mais antigos, o Vaticano e o Sinaítico, ambos do Século IV depois de Cristo[40] . Ainda que a conclusão longa encontra-se numa quantidade de manuscritos posteriores deste Evangelho, outros manuscritos tem uma conclusão breve; pelo menos um original (Códice Régio, ou Manuscritos L) tem as duas conclusões, a longa e a curta. Também há evidências internas contra a autenticidade da conclusão longa: usam-se certas construções e frases que não se usam comumente em Marcos ou que não aparecem em todo o Evangelho de Marcos. À luz destes atos, parece altamente improvável que a conclusão longa de Marcos tenha sido parte do evangelho original. Em conseqüência, a maior parte dos comentaristas evangélicos consideram que a conclusão longa de Marcos não é genuína, incluindo notórios conservadores como Ned Stonehouse do Seminário Westminster. Portanto, não pode ser correta nem é cortês sugerir, como Brumback, que os que têm dúvidas sobre a autenticidade de Marcos 16:15-20 são como os modernistas que tiram da Bíblia quaisquer passagens que lhes desagradam[41] . Isso não é questão de gostar ou não gostar, mas simplesmente uma questão de evidência textual precedente dos manuscritos. (Veja-se nota marginal em Marcos 16:9 na Edição Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica do Brasil e nota de rodapé na Bíblia de Jerusalém – nota do tradutor) .

No entanto, suponhamos por um momento que Marcos 16:17-18 seja uma passagem com autoridade para nós (quem sabe aceitando-a como parte da Escritura ainda que estejamos de acordo que foi escrita por uma pessoa diferente de Marcos). Ainda assim teríamos dificuldades com esta passagem. Lembrem-se que a passagem não fala somente de novas línguas mas também de pegar em serpentes e beber alguma coisa mortífera, veneno mortal. Os pentecostais não se vêm muito desejosos de aconselhar a sua gente que comece a pegar serpentes ou a tomar veneno para provar que são crentes verdadeiros[42] . Então, como deixam de lado o pensamento de que os dois sinais que se nomeiam ao final e também seguem aos que crêem? Brumback sustenta que estes sinais milagrosas desapareceram da igreja por falta de fé do povo de Deus[43] . No entanto, o problema que há nesta explicação é que segundo Brumback os pentecostais agora têm a fé que a igreja não tinha nos séculos anteriores, e que por isso eles falam em línguas[44] . Mas então perguntamos, por que não pegam serpentes ou bebem venenos mortais? A única resposta que Brumback dá a esta pergunta é sugerir que na igreja primitiva o pegar em serpentes sem receber dano era feito “acidentalmente”, e que ser preservados de veneno mortal ocorre somente quando esse veneno tenha sido tomado inadvertidamente ou administrado por um inimigo[45] . No entanto, ao examinar o texto grego de Marcos 16:18, encontramos que ainda que a declaração acerca de beber veneno está em forma condicional (“se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum’” a declaração sobre pegar em serpentes não está na forma condicional, mas no futuro do indicativo: “pegarão em serpentes”, igual à declaração sobre as línguas: “falarão novas línguas”. Portanto, segundo o texto, estes sinais seguirão aos que crêem: falarão novas línguas e pegarão em serpentes. Se o falar em línguas deve ser tomado como um sinal que confirma os crentes na fé, porque não chegar à conclusão de que o pegar em serpentes também deve ter a mesma função de sinal? Há muita razão para aceitar um sinal do mesmo modo que o outro, uma vez que em ambos casos o verbo grego está no futuro do indicativo: lalésousimaraúsim. Se Marcos 16:17-18 é uma Escritura com autoridade, porque as igrejas pentecostais não tem cultos em que se pegam em serpentes?

Portanto, pelas razões esposadas, não creio que Marcos 16:17-18 prove que o dom de línguas está em vigência para a igreja de hoje.

Outra passagem apresentada por Brumback para demonstrar que a glossolália tinha que permanecer na igreja é I Coríntios l2:28[46] . Esta passagem diz assim:

E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Estou de acordo com Brumback que estas palavras são dirigidas não apenas à igreja de Corinto, mas à igreja de todos os tempos; a referência aos apóstolos prova Isso, porque certamente Deus não deu os apóstolos somente para a igreja de Corinto. Brumback vai mais adiante com seu argumento dizendo que uma vez que entre os dons de Deus se mencionam “os que tem dom de línguas”, o dom de línguas deve permanecer na igreja hoje[47] .

É isso que se prova nesta passagem? Não, de forma conclusiva. Porque o texto começa dizendo que Deus estabeleceu apóstolos na igreja. No entanto, os apóstolos já não estão conosco, como admite o próprio Brumback[48] . Podemos então estar certos de que todos os dons mencionados neste versículo permanecem na igreja de hoje? Além disso, há algumas expressões estranhas neste versículo. O quer dizer “milagres” (dunámeis)? Permanecem na igreja? Nossos irmãos pentecostais afirmam que o dom de cura (carísmatia iamáton) permanece na igreja. Mas, podemos estar certos disso? O que quer dizer “socorros” (antilépseis)? Podemos estar certos de que estes dons ainda existem? O que quer dizer por “governos” (kubernéseis)? Leon Morris assinala que falta a compreensão da natureza exata de alguns destes dons. Ele diz: “Podemos fazer… conjecturas… mas quando queremos reduzi-los a termos exatos, damo-nos conta que não sabemos nada acerca destes dons e as pessoas que os possuíam. Desvaneceram-se sem deixar vestígios”. Ora, eu não estou afirmando que posso provar com esta passagem que as línguas já não existem na igreja; apenas estou dizendo que os pentecostais não podem provar irrefutavelmente com este texto que os dons ai mencionados permanecem na igreja[49] .

3. Passagens apresentados para provar que há um batismo do Espírito distinto e posterior à regeneração, do qual o falar em línguas é a evidência física inicial

Aqui chegamos muito perto do coração mesmo do ensinamento pentecostal. Esta é a doutrina central que distingue as igrejas pentecostais dos demais grupos protestantes e que como temos visto, também é sustentada pela maioria dos neopentecostais. Devido o seu ensinamento sobre o batismo do Espírito Santo, há nas igrejas pentecostais uma enorme pressão para que os crentes busquem, recebam ou obtenham o batismo. Algumas vezes as pessoas agonizam durante anos com o desejo de receber este dom. Quando era estudante de seminário e vendia Bíblias em Louisiana, conversei uma vez com uma mulher que era membro de uma igreja pentecostal.

- E seu marido? – lhe perguntei.

- Ah! Ele está buscando – foi a resposta.

- Buscando? O que quer dizer?

- Está buscando o Espírito Santo.

- Quer dizer – insisti – que ele não é crente?

- Sim, é claro que é crente.

- Então não vai à igreja?

- Oh, sim, ele vai à igreja todos os domingos.

- Bom, então por que você diz que ele está buscando?

- Porque ainda não recebeu o batismo do Espírito Santo.

- Durante quanto tempo ele está buscando?

- Por uns dez anos.

É possível imaginar-se a tensão espiritual e psicológica que um ensinamento deste tipo pode produzir. Quando alguém não recebe o batismo do Espírito Santo de imediato, faz um maior esforço. Quando depois de várias tentativas não o recebe, esse alguém sente-se terrivelmente frustrado. Tenho lido de pessoas que tiveram problemas mentais porque não puderam “receber”. Os pentecostais ensinam que ainda que alguém possa até ser salvo sem o batismo do Espírito, quem não passa por essa experiência não tem uma inteira consagração nem todo o poder para o serviço; dai que sem o batismo do Espírito a vida cristã está incompleta e o seu ministério embaraçado.

Comumente estabelecem-se certas condições para obter o batismo do Espírito. O escritor Charles W. Conn, da Igreja de Deus, menciona as seguintes: separação do pecado, arrependimento e batismo, o ouvir com fé, obediência, desejo intenso, oração pelo dom. Ralph M. Riggs sugere as seguintes condições: (1) devemos ser salvos; (2) devemos obedecer – isto é, devemo-nos estar perfeitamente rendidos a Deus; 3) devemos pedir; (4) devemos crer[50] . Em relação a isso Riggs diz que é bom esperar ou ficar na presença do Senhor até receber esta bênção[51] . Por isso, os pentecostais com freqüência celebram reuniões de espera nas quais as pessoas ficam para receber o batismo do Espírito.

A questão básica que devemos enfrentar é de ordem exegética: ensina o Novo Testamento o que nossos irmãos pentecostais dizem que ensina? O batismo do Espírito é uma experiência distinta e posterior à regeneração – experiência pela qual todo o crente deverá passar, e cuja evidência inicial é o falar em línguas?

Vejamos em primeiro lugar o que ensina o Novo Testamento acerca de ser batizados com o Espírito Santo. Há quatro casos nos Evangelhos em que João Batista aparece dizendo que Jesus batizará com o Espírito Santo: Mateus 3:11; Marcos 1:8; Lucas 3:16; e João 1:33. As primeiras três são passagens paralelas; a passagem de Lucas (3:16) diz: “Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” A referência óbvia é ao derramamento do Espírito que viria no dia de Pentecostes. Em João 1: 33 diz: “Aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.” Aqui novamente a referência é ao derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Estas palavras de João Batista são citadas por Lucas em Atos 1:5 como que tivessem sido pronunciadas pelo Senhor Jesus: “Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo não muito depois destes dias”. Novamente a referência óbvia é ao derramamento do Espírito no dia de Pentecostes. No segundo capítulo de Atos, Lucas descreve este derramamento, e apresenta Pedro dizendo acerca de Cristo: “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isso que vedes e ouvis” (At. 2:33). O derramamento do Espírito em Pentecostes, então, é o batismo do Espírito que João Batista e Jesus haviam anunciado. Portanto, nas passagens até aqui citadas a expressão “ser batizados com o Espírito Santo” não se refere a uma experiência que cada crente individualmente deve ter algum tempo depois de sua regeneração, mas a um acontecimento histórico que ocorreu no dia de Pentecostes.

Tinha que repetir-se este batismo pentecostal com o Espírito? Há uma referência a uma repetição deste batismo em Atos 11: 16. Pedro está em Jerusalém, relatando aos irmãos da Judéia o que havia ocorrido na casa de Cornélio em Cesaréia poucos dias antes. Enquanto começou a falar a Cornélio, diz Pedro, o Espírito Santo caiu sobre Cornélio e sobre os que estavam com ele, como sobre nós ao princípio. E agora segue o versículo 16: “Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo”. Temos que reconhecer que esta é uma repetição do batismo do Espírito ocorrido em Pentecostes. Ao mesmo tempo, quando Cornélio e sua casa e amigos receberam o batismo, falaram em línguas e magnificaram a Deus (At. 10:46). Teremos que indagar mais acerca do significado deste batismo com o Espírito Santo antes de podermos determinar se é para esperar que todo crente passe por uma experiência semelhante nos dias de hoje. No entanto, cabe destacar que alguém não pode usar a história de Cornélio para provar que os crentes devem ter o batismo do Espírito após à regeneração, a qual se dá mediante a fé, uma vez que neste caso a fé e o batismo do Espírito Santo ocorreram simultaneamente.

Há outro lugar onde a palavra batizar está relacionada com o Espírito Santo: I Coríntios 12:13. A verdade que se discute no contexto é a da unidade da igreja. O capítulo trata dos dons espirituais, mas já no versículo 4, Paulo argumenta que, ainda que haja diversidade de dons, há um só Espírito que distribui estes dons. No versículo 12, Paulo usa a analogia do corpo humano: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo”. Agora segue o versículo 13:

Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

Alguns comentaristas (Calvino, Lenski, Grosheide no Novo Comentário Internacional de Eardmans) entendem que batismo aqui refere-se ao batismo literal com água; vários outros (Hodge, Barnes) pensam na regeneração que então é chamada figurativamente de batismo do Espírito. No entanto, todos estes autores concordam que a passagem não se refere a um batismo do Espírito específico, distinto e posterior à regeneração, mas descreve a unidade em Cristo que todos os crentes desfrutam em virtude da obra regeneradora do Espírito Santo. Os pentecostais estão de acordo em que a primeira parte desta passagem refere-se à experiência original de salvação dos crentes a quem se dirige[52] . No entanto, Riggs sustenta que a segunda frase do versículo, “e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”, refere-se ao batismo do Espírito Santo no sentido pentecostal; portanto, afirma que esta passagem fala de duas experiências: a salvação e o batismo do Espírito Santo[53] . No entanto, a segunda oração é, sem sombra de dúvidas, paralela à primeira, e ambas as orações enfatizam a unidade de todos os crentes, usando a palavra todos para indicar que a palavra aplica-se a todos os crentes. Se a segunda oração omitisse alguns crentes, a argumentação de Paulo seria prejudicada, haja vista que nem todos os crentes seriam membros de um corpo. Sugerir, como Riggs, que todos os membros da igreja de Corinto haviam tido o batismo do Espírito no sentido pentecostal[54] , vai de encontro com a designação que Paulo faz dos Coríntios como carnais e meninos em Cristo (3: l). Ademais, sobre a premissa de que este capitulo 12 aplica-se não apenas aos coríntios, mas a todos os cristãos[55] , o versículo então ensinaria que todos os cristãos regenerados também são batizados com o Espírito no sentido pentecostal, o qual os pentecostais negam. Portanto, devemos concluir que I Coríntios 12:13 usa a expressão “em um só Espírito todos somos batizados em um corpo” como uma descrição da regeneração de todos os crentes que é simbolizada pelo batismo com água, e não descreve uma “segunda obra de graça” ou “um segundo enchimento com o Espírito” ou “uma segunda bênção”, posterior e distinta da regeneração[56] .

Estes são os únicos lugares no Novo Testamento que falam de um batismo com o Espírito. No entanto, os pentecostais dizem que outras passagens falam deste batismo do Espírito com termos diferentes. Por exemplo, diz-se que a expressão “selados com o Espírito” descreve o batismo do Espírito Santo[57] . Diz-se que passagens tais como II Coríntios 1:22, Efésios 1:13 e Efésios 4:30 descrevem o batismo do Espírito[58] . Consideremos algumas destas passagens, e vejamos de que forma são vistas pelos pentecostais: Efésios 1: 13 diz assim

Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa.

Ralph M. Riggs sustenta que, nesta passagem, “selados com o Santo Espírito da promessa”, designa o batismo do Espírito Santo[59] . Ernest S. Willians, outro escritor das Assembléias de Deus, adota a mesma posição. Segundo a interpretação pentecostal, o batismo do Espírito é uma experiência posterior e distinta do novo nascimento, uma experiência em que alguém é completamente cheio com o Espírito Santo. Conforme a base da exegese pentecostal de Efésios 1: 13, Paulo está falando aqui de uma experiência, que nem todos, mas somente alguns crentes desfrutam, que é posterior à regeneração.

No entanto, este não pode ser o sentido que Paulo dá, uma vez que ele está falando claramente de uma bênção que vem a todos os crentes. Toda a doxologia dos versículos 3 a 14 oferece um louvor a Deus pelas bênçãos concedidas a todos os crentes. Paulo começa referindo-se a todos os que recebem sua carta, quando diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (v. 3). Segue louvando a Deus por estas bênçãos espirituais nos versículos seguintes. No versículo 13, muda da primeira para segunda pessoa: “Em quem também vós”, referindo-se agora a seus leitores, sem incluir ele mesmo – no entanto, não apenas a alguns deles, mas a todos eles. “depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”, é uma oração dirigida a todos os crentes. Dizer que a intenção aqui é dirigir-se a um grupo específico de crentes, distintos dos demais – pessoas que tiveram experiência da qual não teve a participação dos demais crentes – é fazer violência ao contexto.

O aludido “selo do Espírito” refere-se à possessão do Espírito como um “penhor” (v. 14) ou a  garantia da herança da vida eterna que temos recebido pela fé. O Espírito que agora habita sela em nós, e para nós, essa herança, dá-lhe valor, atribui-nos a segurança de recebê-la. Mas esta referendação não é uma bênção de que participam uns poucos crentes; é compartilhada por todos os que crêem verdadeiramente em Cristo. Para confirmação deste ponto, veja-se outro versículo desta epístola, 4:30: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Em versículos anteriores deste capítulo 4, Paulo dirigi-se a todos seus leitores; é permitido a nós agora supormos que o versículo 30 repentinamente venha limitar-se a um grupo seleto deles?[60]

Nossos irmãos pentecostais também sustentam que a expressão “cheios do Espírito” ou “cheios do Espírito Santo” descreve um batismo do Espírito que ocorre após a conversão[61] . Ora, é certo que a vinda do Espírito sobre os discípulos no dia de Pentecostes é descrita em Atos 2:4 com estas palavras: “Todos ficaram cheios do Espírito”. No entanto, diz-se do grupo dos crentes em Atos 4:31: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo”… Muitos dos que estavam aqui devem ter feito parte do grupo que recebeu o Espírito em Pentecostes. Se “cheios do Espírito Santo” quer dizer um batismo do Espírito posterior à conversão, Atos 4:31 não tem sentido; muitos destes discípulos já haviam recebido seu batismo do Espírito (como os pentecostais reconhecem)[62] , e não necessitavam recebê-lo novamente. Se a expressão “cheios do Espírito” significa um novo enchimento do Espírito, como eu creio, então a passagem nada diz acerca do ensinamento em discussão. Nessas palavras, Atos 4:31 permite deduzir o ensinamento de que os crentes necessitam ser cheios do Espírito repetidas vezes; mas não é justo deduzir desta passagem que depois que alguém se converte necessita ser batizado com o Espírito como uma espécie de segunda bênção.

Os pentecostais também evocam Efésios 5:18 como uma passagem que ordena aos crentes que busquem o batismo do Espírito: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”[63] . É certo que aqui ordena-se aos crentes que sejam cheios do Espírito – isso nenhum cristão o nega. Mas a questão é: este enchimento do Espírito é uma específica segunda bênção posterior à conversão? Um estudo cuidadoso de Efésios 5:18 revelará que nesta passagem Paulo não está falando de um batismo do Espírito que é uma segunda bênção. Em meio de uma série de exortações muito práticas ele diz: “Deixem de embriagar-vos com vinho, mas estejas continuamente cheios com o Espírito”. Ambos imperativos estão no presente. A proibição no presente (“Não vos embriagueis com vinho”) significa “deixai de fazer o que estás fazendo”; a exortação no tempo presente (“enchei-vos do Espírito”) significa “faça isso continuamente”, ou “segue fazendo isso”. Noutras palavras, o que Paulo está ordenando aqui é um estado contínuo de ser cheio com o Espírito, não uma experiência simples, de uma vez para sempre, de segunda bênção. Longe de sugerir que seus leitores não haviam recebido o Espírito, ele supõe que estão selados com o Espírito (1: 13), e agora lhes pede que estejam sempre cheios com aquele Espírito que lhes tem dado a nova vida em Cristo. Portanto, Efésios 5:18 não ensina que os crentes devem buscar um batismo com o Espírito Santo como uma experiência de segunda bênção assim de uma vez por todas[64] .

Portanto, o único exemplo claro no Novo Testamento de um batismo do Espírito posterior a Pentecostes é o caso de Cornélio. No entanto, devemos aceitar imediatamente que há outros dois casos em que lemos de um recebimento do Espírito Santo em uma espécie de experiência pública depois de Pentecostes: em Atos 8 – onde não se menciona especificamente o falar em línguas – e em Atos 19, em que se menciona o falar em línguas e o profetizar. Os pentecostais dizem que estes três casos, os samaritanos em Atos 8, Cornélio em Atos 10 e os crentes efésios em Atos 19, tomados conjuntamente com Atos 2, constituem uma clara evidência bíblica da necessidade de um batismo do Espírito posterior à conversão. Na realidade, o argumento pentecostal em favor do batismo do Espírito fica em pé ou cai com o material que Atos apresenta, porque Brumback admite que em “I Coríntios 12-14 não há o menor apoio à idéia de que o dom de línguas esteja associado, em algum sentido direto, com o enchimento do Espírito Santo…”[65] Assim, se não se pode provar com I Coríntios que a glossolália é a evidência física inicial do batismo do Espírito; então tem que prová-lo com o livro de Atos. Passemos em revista de forma mais detida as aludidas passagens de Atos.

No dia de Pentecostes, todos os discípulos “ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem”. (At. 2:4). Por que foi dado o dom de línguas aos 120 discípulos nesta ocasião? Podem ser dadas pelo menos duas razões: (1) sua capacidade de falar em línguas era um sinal de que verdadeiramente haviam recebido a prometida plenitude do Espírito – este sinal foi dado, a propósito, com outros dois sinais: “vento impetuoso” e as “línguas como de fogo que apareceram sobre cada um deles”; (2) sua capacidade de falar em línguas era para dar-lhes a segurança de que o Espírito Santo lhes daria a capacidade necessária para comunicar a verdade do evangelho a todo o mundo. Não estou sugerindo que os discípulos realmente usaram línguas para testificar aos estrangeiros, porque não temos evidências que assim o fizeram (ainda no dia de Pentecostes Pedro pregou, segundo parece, em aramaico, ou em linguagem comum da Palestina), mas estou dizendo que a glossolália serviu como um sinal alentador de que o Espírito lhes daria o poder para testificar a todas as nações do mundo.

Portanto, o que os 120 receberam no dia de Pentecostes foram três sinais milagrosos que lhes asseguravam que havia sido concretizada a promessa do derramamento do Espírito. O falar em línguas era apenas um desses sinais. Quando os pentecostais sustentam que a experiência dos discípulos em Pentecostes é o padrão para todos os crentes na atualidade[66] , por que pensam somente na glossolália e não no som do vento impetuoso e nas línguas de fogo?

Nesta ocasião, Pedro disse à multidão: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (At. 2:38). Os pentecostais dizem que o “dom do Espírito Santo” aqui descrito, significa o batismo do Espírito acompanhado das línguas[67] . Evidentemente, esta é uma interpretação possível. No entanto, não é provável por duas razões: (1) Ainda que lemos que muitas maravilhas e sinais eram realizados pelos apóstolos (v.43), não se diz que os 3.000 convertidos no dia de Pentecostes falaram em línguas; e (2) quando se interpreta assim, a passagem prova além daquilo que querem os pentecostais, uma vez que Pedro estaria sugerindo que o arrependimento, que faz com que alguém entre na posse da remissão de pecados, é suficiente para a recepção do batismo do Espírito – noutras palavras, que todos os crentes automaticamente recebem o batismo do Espírito Santo seguido pelas línguas. Eu prefiro crer, com Calvino, Lenski e Bruce, que “o dom do Espírito Santo” aqui significa quando o mesmo Espírito Santo infunde a bênção da salvação, sem nenhuma referência específica aos dons carismáticos tais como a glossolália. Quando assim se entende, Atos 2 não prova que todo crente deve receber um batismo do Espírito algum tempo depois de ter chegado à fé. Na realidade a exortação de Pedro à multidão sugere melhor que quando alguém se arrepende e crê recebe o Espírito Santo e não nalgum tempo depois.

O ponto em discussão tem relação com os demais incidentes de Atos que falam de receber o Espírito? Consideremos agora Atos 8:4-24. Felipe teria ido à cidade de Samaria proclamar a Cristo aos samaritanos – raça mista, parte judia e parte gentia. Os samaritanos se distanciaram da fé judaica, a religião deles era uma mescla de verdade e erro. Sendo como eram uma raça mista, e porquanto teriam até tentado obstaculizar a reconstrução do templo de Jerusalém e dos seus muros (Esd. 4:4,5), os judeus tinham razão para odiar os samaritanos e não tinham relacionamentos com eles (Jo. 4:9). Estes fatos fizeram com que o avivamento em Samaria fosse muito significativo.

Felipe não somente pregou, mas também realizou milagres: expulsou espíritos imundos e curou paralíticos. O resultado desta obra foi que muitos creram e foram batizados. Depois dois apóstolos, Pedro e João, foram enviados a Samaria. “Oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles,… Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo.” (At. 8:15-17). Note-se que esta recepção do Espírito foi realizada pela ação dos apóstolos.

A primeira vista esta passagem parece ser uma prova firme da posição pentecostal. Essas eram pessoas que, sendo crentes, aparentemente não haviam recebido o Espírito Santo. Quando os apóstolos lhes impuseram as mãos eles receberam o Espírito Santo. Então os pentecostais concluem que por esta razão, os crentes hoje devem receber o batismo do Espírito em uma experiência distinta e posterior à chegada à fé[68] .

O que aconteceu realmente em Samaria? Antes da vinda de Pedro e João, Felipe havia operado muitos milagres. Depois que os crentes samaritanos receberam o Espírito, Simão, o mago quis comprar o poder de outorgar o Espírito Santo. Ainda que não se nos diz explicitamente que os samaritanos falaram em línguas depois que os apóstolos lhes impuseram as mãos, é óbvio que tem que ter havido alguma evidência pública de que haviam recebido o Espírito. Portanto, podemos concordar com nossos irmãos pentecostais neste ponto de que os samaritanos provavelmente falaram em línguas, ainda que deve-se lembra que Lucas não diz que o fizeram. Também pode ser que os samaritanos revelaram a presença de outros dons carismáticos: quem sabe profecia, ou dons de cura. Este último dom havia sido exercido previamente por Felipe; ao exercê-lo posteriormente um número de samaritanos, isso poderia ter causado impressão a Simão, que antes havia estado assombrando com os poderes mágicos dos discípulos.

Mas agora surge a pergunta: Por que foram concedidos dons especiais do Espírito aos samaritanos? Uma resposta, e importante, seria dizer que aqui em Samaria o poder do evangelho derrotava desse modo o poder oculto das artes mágicas. Isso seria importante devido à situação local. Mas, uma razão ainda mais importante seria esta: assim a igreja samaritana ficava em um plano de completa igualdade com a de Jerusalém, já que os samaritanos haviam recebido igualmente os dons especiais do Espírito. Assim os judeus cristãos, que tinham a tendência de olhar em menos os samaritanos, poderiam estar seguros de que os samaritanos tinham iguais direitos na igreja que eles. Por isso, poderíamos dizer que o ocorrido em Samaria foi uma espécie de extensão de Pentecostes, necessária porque a igreja agora se expandia para um território que antes era hostil. Dado o preconceito judaico contra os samaritanos, alguém poderia imaginar que se necessitava de uma tremenda demonstração do poder do Espírito para convencer os mais duros dos judeus cristãos de que era correto levar o evangelho aos samaritanos.

Esta passagem prova que todo crente deve receber o batismo do Espírito após a sua conversão? Como veremos um pouco mais adiante, no livro dos Atos há muitos casos em que estes dons especiais do Espírito não foram concedidos depois que se chegaram à fé. Portanto, obviamente, o ocorrido em Samaria foi algo excepcional. Assim, não temos direito de concluir que todo crente deve receber os dons especiais do Espírito comparáveis aos outorgados em Samaria.

Passemos agora a Atos 10:44-46, a passagem que descreve a descida do Espírito sobre Cornélio e os que estavam com ele. Enquanto Pedro estava falando na casa de Cornélio, assim diz a passagem, o Espírito caiu sobre todos os que ouviam o discurso; e os judeus que estavam com Pedro (mais adiante se diz que eram seis) ficaram assombrados, porque ouviram estes gentios falando em línguas e magnificando a Deus. No capítulo 11: 15-17 encontramos Pedro relatando estes acontecimentos diante dos irmãos de Jerusalém; lembre-se que aqui ele descreve o ocorrido como um batismo do Espírito Santo. Pedro também estabelece uma semelhança com o ocorrido no dia de Pentecostes: “Pois, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus?” (vs. 17). Noutras palavras, Pedro aduz a especial concessão do Espírito sobre Cornélio e seu grupo como uma evidência inquestionável de que Deus estava aceitando os gentios em sua aliança.

Esta passagem apoia a posição pentecostal de que todo crente deve ter um batismo do Espírito posterior à conversão?[69] Não. Já temos notado que no caso de Cornélio a concessão do Espírito foi simultânea com a chegada deles à fé. Ademais, deveríamos observar que outra vez a concessão a Cornélio e seu grupo de certos dons especiais do Espírito (falaram em línguas e magnificaram a Deus) serviu a um propósito único. Durante séculos os judeus não haviam levado a verdade salvadora de Deus aos gentios, salvo casos muito raros. Pedro mesmo tinha tantas objeções que lhe impediam ir à casa de Cornélio que teve de receber uma visão especial e ouvir uma voz especial do céu que o convencera de que deveria ir. Necessitava-se uma poderosa demonstração do poder do Espírito para convencer os judeus cristãos ultraconservadores de Jerusalém de que agora os gentios tinham igual oportunidade que os judeus de receber o evangelho. A barreira entre judeus e gentios era ainda maior que a que havia entre judeus e samaritanos.

Assim agora podemos ver a razão para a concessão de dons especiais a Cornélio e sua família. Era uma clara demonstração de que os gentios poderiam ser salvos e que os judeus cristãos não tinham que hesitar em receber os gentios convertidos em sua comunhão. Portanto, o ocorrido em Cesaréia foi outra extensão de Pentecostes, desta vez no círculo dos gentios. Esta foi uma extensão ou repetição de Pentecostes, o que fica completamente fora de dúvidas em Atos 11: 15, onde Lucas escreve que Pedro disse: “Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio.”, e no versículo 17 Pedro segue dizendo: “Se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós.” A recepção de dons carismáticos do Espírito colocava estes gentios em igualdade com os cristãos samaritanos e com os cristãos judeus. Mas não se diz que todos os que vieram à fé naqueles dias receberam estes dons carismáticos, como veremos mais adiante. Em conseqüência, o fato de que Cornélio e sua casa receberam o poder de falar em línguas de nenhum modo prova que cada crente deve receber este dom.

Passemos agora para Atos 19:1-4, a passagem mais desconcertante de todas as de Atos relacionadas com a glossolália. Quando Paulo chegou a Éfeso em sua terceira viagem missionária, encontrou ali certos discípulos, uns doze no total. A pergunta que lhes fez por vezes é citada deste modo[70] : “Recebestes o Espírito Santo depois que crestes?” (v. 2. Versão Espanhola Reina-Valera, 1909). Quando a pergunta é lida dessa maneira parece apoiar a posição pentecostal de que alguém deve receber o Espírito Santo algum tempo depois de ter-se tornado crente. No entanto, poder-se-ia perguntar com justa razão se temos de preferir aqui essa versão citada. O grego diz: ho pneúma hágiom elábete pisteúsantes. Temos aqui um verbo definido no tempo aoristo (elábete), seguido por um particípio aoristo (pisteúsantes). Por conseqüência, reconhecemos que o tempo do particípio no grego não dá idéia de tempo, e que um particípio aoristo, portanto, pode expressar um tempo contemporâneo com o verbo principal ou anterior ao do verbo principal. A determinação do tempo do particípio depende do contexto.

Portanto, em tese, a tradução da versão espanhola Reina-Valera-1909[71] até seria possível. No entanto, a pergunta é se o contexto exige tal tradução. Realmente, aqui o contexto não é decisivo, uma vez que os discípulos não haviam recebido o Espírito Santo no tempo em que a pergunta foi formulada. Os intérpretes da passagem geralmente supõem que receber o Espírito Santo refere-se especificamente à recepção especial de manifestações carismáticas do Espírito, tais como o falar em línguas. Se solucionarmos a questão considerando os precedentes, não podemos tampouco receber uma resposta decisiva, uma vez que em Samaria os dons carismáticos foram concedidos depois do primeiro exercício da fé, enquanto em Cesaréia estes dons foram outorgados simultaneamente com a fé.

Se houvesse a intenção de fazer questão da anterioridade da fé para a recepção do Espírito, Lucas poderia ter feito outra construção para a oração para deixar bem claro isso. A tradução mais natural da pergunta do versículo 2 é esta: “Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?” (conforme se encontra nas versão mais modernas da Escrituras, a ARA de Almeida, por exemplo; literalmente, poderia assim traduzir “recebestes o Espírito Santo crendo? – Nota do Tradutor). Ainda que a interpretação de toda a passagem não depende da tradução deste versículo, e ainda que se admita que aquela outra tradução seja possível, creio que devemos preferir aqui a tradução da Edição Revista e Atualizada de Almeida da SBB: “Recebestes o Espírito Santo quando crestes?”

A resposta dos doze discípulos é reveladora: ‘Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo”. O texto grego diz literalmente: “Nem sequer temos ouvido que há o Espírito Santo”. No entanto, temos uma construção similar em João 7:39, aonde o melhor texto grego diz: “Pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”; aqui a generalidade dos tradutores tem dado este sentido ao versículo: “Pois ainda não havia ainda o Espírito”(BJ). Ora, o que significa a resposta deles é esta: estes crentes efésios ainda não haviam ouvido do derramamento do Espírito – noutras palavras, eram ignorantes no que dizia respeito ao ocorrido em Pentecostes.

Logo, Paulo descobriu que haviam sido batizados no batismo de João. Seria possível que eles tivessem sido batizados por Apolo, que havia chegado a Éfeso antes da chegada de Paulo, e que conhecia somente o batismo de João (At. 18:25). O batismo de João era um batismo pré-pentecostal. Agora Paulo explicou a estes crentes uma vez que Cristo havia vindo, cumprido sua missão na terra, ressuscitado de entre os mortos e derramado o Espírito Santo sobre a igreja, este batismo anunciatório era inadequado. Consequentemente, Paulo agora os batizou no nome do Senhor Jesus – este não foi realmente um rebatismo, mas seu primeiro batismo cristão, necessário porque eles haviam sido batizados somente no batismo de João. Depois que os batizou, Paulo lhes impôs as mãos, “veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.” (At. 19:6).

Assim, por que estes doze discípulos em Éfeso receberam o dom de línguas e o dom de profecia, dois dons especiais do Espírito Santo? Porque eles nem sequer haviam ouvido do derramamento do Espírito Santo, e portanto deviam ser convencidos sem que ficasse a menor dúvida de que este grande fato redentor havia certamente ocorrido. Ainda que Paulo provavelmente lhes falara do Pentecostes, descrevendo-lhes os sinais especiais concedidos aos discípulos naquele dia, o caminho mais seguro de convencer a estes efésios de que o Pentecostes havia ocorrido era dar-lhes dois dos dons especiais do Espírito que haviam sido outorgados aos discípulos naquele dia: glossolália e profecia. Noutras palavras, esta foi uma espécie de prolongação de Pentecostes a Éfeso, necessária devido a que um grupo proeminente de crentes ali (Bruce os chama de o núcleo da igreja dos efésios) tinha uma compreensão inadequada do cristianismo. Enquanto a glossolália em Samaria e em Cesaréia havia ocorrido por causa da igreja toda, a glossolália em Éfeso ocorreu primariamente por causa destes crentes efésios, e por amor à igreja de Éfeso da que eles eram o núcleo. Lembre-se que foi em Éfeso que Áquila e Priscila tiveram que expor mais exatamente o caminho de Deus, e que Apolo havia sido muito influente nesta cidade, Noutras palavras, pode ter havido outros em Éfeso que apenas haviam sido batizados com o batismo de João, e que portanto, também necessitavam da prova incontestável de que o Espírito Santo verdadeiramente havia sido derramado no dia de Pentecostes.

Voltando à nossa pergunta principal, o incidente ocorrido em Éfeso prova que todo crente após a sua conversão deve receber o batismo do Espírito Santo evidenciado pelas línguas? Não. Por duas razões: (1) A fé que estes crentes efésios tinham quando Paulo foi a eles não era uma fé cristã em todo o sentido, mas uma fé incompleta. (2) Haviam circunstâncias especiais que fizeram com que a concessão da glossolália a esses discípulos fosse necessária; dai que não  vermos justificativas para a conclusão de que a recepção do dom de línguas constitui um padrão normativo para todos os crentes.

Cumpre-me, a vista destes argumentos, fazer três observações acerca da concessão de dons especiais do Espírito aos grupos já descritos:

(1) Em cada um dos quatro casos mencionados (Pentecostes, Samaria, Cesaréia e Éfeso), o dom especial do Espírito, incluindo o falar em línguas (supondo que houve línguas entre os samaritanos), foram outorgados a grupos inteiros. Em nenhum destes casos encontramos, o que é comum entre as igrejas pentecostais, a saber, alguns na congregação recebem o batismo do Espírito, e portanto experimentam a glossolália, enquanto outros não passam por tal experiência.

(2) Nos últimos três casos que acabamos de examinar, os dons especiais do Espírito (incluindo a capacidade particular de falar em línguas) foram outorgados a pessoas que não os pediram. Foi assim em Samaria (os apóstolos oraram pedindo que os samaritanos recebessem o Espírito Santo, mas não diz que os samaritanos o pediram), em Cesaréia (aonde a vinda do Espírito sobre a casa de Cornélio foi tão surpreendente para Cornélio como para Pedro), e em Éfeso (aonde Paulo impôs as mãos aos crentes efésios, mas não diz que os efésios mesmos pediram um derramamento especial do Espírito sobre eles). Quando os pentecostais sugerem que o batismo do Espírito Santo, que deve ser seguido pela glossolália, é algo pelo qual o crente tem que lutar com Deus por meio de uma agonia em oração, estão estabelecendo um requisito que não existiu no caso dos samaritanos, nem no da casa de Cornélio ou muito menos no dos discípulos em Éfeso.

(3) Ainda que seja certo que os discípulos permaneceram em Jerusalém enquanto esperavam o derramamento do Espírito Santo, uma vez que essa era a ordem de Jesus (Lc. 24:49), não encontramos uma passagem sequer que nos diga que os outros três grupos estiveram comprometidos com uma espécie similar de “espera do Espírito Santo”. Os convertidos samaritanos não estavam fazendo tal coisa antes da chegada de Pedro e João, e tampouco era essa a situação dos discípulos em Éfeso antes da chegada de Paulo. Cornélio, ainda que esperava que Pedro viesse, porquanto havia sido instruído mediante uma visão que dizia que deveria buscar a Pedro (10:5). Apesar disso, ele não estava esperando de forma particular o batismo do Espírito Santo, mas esperava que a mensagem do evangelho lhe fora levado por Pedro. Portanto, quando os pentecostais pedem que se participem em reuniões de “espera” – reuniões que com freqüência duram até muito tarde da noite e nas quais se esperam receber o batismo do Espírito Santo – apelando à Lucas 24:49 como apoio bíblico[72] , estão fazendo uma aplicação imprópria desta passagem. O texto diz: “eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder”. Jesus deu aos seus discípulos estas instruções em relação a um acontecimento histórico específico que estava por ocorrer: o derramamento do Espírito Santo. Converter as ”reuniões de espera” em uma parte regular do programa da igreja é reduzir a uma prática normativa algo que foi ordenado em um momento específico da história como uma preparação para um acontecimento único.

Antes de deixar este material de Atos,

Capítulo 4 – Uma Avaliação Teológica do Falar em Línguas

Temos considerado certas passagens bíblicas acerca das quais os pentecostais baseiam a afirmação de que cada crente deverá buscar o batismo do Espírito Santo que inicialmente é evidenciado pela glossolália, e temos encontrado que a evidência bíblica que apelam não apoia o seu ensinamento. Agora, consideraremos a glossolália à luz dos ensinamentos de toda a Bíblia, e à luz da herança teológica do cristianismo histórico. Noutras palavras, assim como fizemos uma avaliação bíblica da glossolália, agora avaliaremos o movimento das línguas de um ponto de vista teológico. Farei esta análise por meio de uma série de afirmações que sintetizam juízos teológicos.

1. Não pode ser demonstrado conclusivamente que os dons milagrosos do Espírito, que incluem a glossolália, continuam na igreja.

Quando alguém examina a lista de dons espirituais que se encontra em I Coríntios 12:8-10 e 28, fica inteiramente claro que alguns destes dons eram de natureza milagrosa. Indubitavelmente, os “dons de curar” (carísmata lamátom, v. 9) e o de “operações de milagres” ou o “poder de fazer milagres” (BJ; no Gr. energémata dunámeom, v. 10) ficam dentro desta categoria e provavelmente vários outros. Na realidade, muitos escritores (como John Owen e Charles Hodge) afirmam que toda a lista de dons espirituais que se encontra em I Coríntios 12:8-10 consiste de dons sobrenaturais ou milagrosos. Uma distinção que freqüentemente se faz dentro da categoria dos dons espirituais é o de dons ordinários e extraordinários do Espírito. Quando consideramos a lista de dons dada em Romanos 12:6-8, por exemplo, ficamos com a impressão de que Paulo ali está enumerando os dons ordinários do Espírito, dons que não necessariamente incluem o elemento sobrenatural ou milagroso: profecia, ministério, ensinamento, exortação, contribuição, presidência e o exercício da misericórdia[73] . É também significativo que noutra lista dos ofícios dados por Cristo à sua igreja, a de Efésios 4: 11, não são mencionadas as curas, milagres, línguas ou interpretação de línguas.

Pentecostais e não pentecostais reconhecem que o dom de línguas (assim como seu companheiro dom de interpretação de línguas) era um dom sobrenatural e extraordinário. e desde logo, isso imediatamente suscita a pergunta: Permanecem na igreja estes dons extraordinários do Espírito depois do período apostólico? John Owen, cujo “Discurso sobre os Dons Espirituais”, em sua obra monumental Sobre o Espírito Santo, é o tratamento mais completo que se pode encontrar sobre o tema, expressa a opinião da maioria dos teólogos conservadores quando diz:

Tampouco temos testemunhos indubitáveis de que algum dos dons que eram verdadeiramente milagrosos, e que estavam acima das faculdades do homem, tenha sido comunicado a alguém depois da expiração do tempo da geração dos que conviveram com Cristo na carne, ou de quem receberam o Espírito Santo por seu ministério (On the Holy Spirit, pp. 474-475).

Em uma página posterior ele afirma que estes dons milagrosos foram necessários para permitir que o evangelho fosse ouvido, quando foi proclamado pela primeira vez, uma vez que os preconceitos dos homens apenas podiam ser vencidos por esta demonstração de poder milagroso.

Também podemos destacar a posição de Benjamim B. Warfield acerca dos dons milagrosos do Espírito ou carísmata, como com freqüência são chamados. Sustenta que estes dons especiais do Espírito foram dados para identificar os apóstolos como mensageiros de Deus. Os apóstolos não apenas tinham estes dons, tinham também autoridade para outorgá-los a algumas pessoas. Warfield continua dizendo que não há um caso registrado de que estes dons foram outorgados a alguém pela imposição de mãos de outra pessoa que não fora apóstolo[74] . Em conseqüência, Warfield chega à conclusão de que estes dons terminaram na igreja depois da morte dos apóstolos:

Eles (estes dons milagrosos) eram parte das credenciais dos apóstolos como agentes autorizados por Deus na fundação da igreja. Sua função deste modo os confinava à igreja distintivamente apostólica, e necessariamente deixaram de existir com ela (Warfield, Miracles Yesterday ande Today –Milagres, Ontem e Hoje, p. 21).

Agora, como respondem nossos amigos pentecostais a estas objeções contra a continuação das línguas? Já foi considerada a evocação deles a Marcos 16:17-18 e I Coríntios 12:28 para apoiar a posição de que o dom de línguas tinha o propósito de permanecer na igreja, e como foi visto,  estas passagens não nos impulsam a aceitar essa conclusão. Nesse sentido que Brumback  afirma que não temos uma declaração conclusiva do Senhor de sua intenção de fazer que as línguas e outros poderes cessassem pouco depois do estabelecimento da igreja[75] . Isso é certo. Mas, é uma prova convincente? No sermão do monte, Jesus deu instruções acerca da forma adequada de levar ofertas ao altar – referência óbvia ao modo judaico de adoração. Em nenhuma parte lemos especificamente que ele aboliu o altar judeu e seus sacrifícios, no entanto, estamos seguros de que este modo de culto já não é requerido em nosso tempo. Ademais, em I Coríntios 12:28, aonde se menciona o dom de línguas, Paulo afirma que Deus estabeleceu apóstolos na igreja. No entanto, nossos amigos pentecostais estão de acordo em que esta passagem não nos obriga a afirmar que deve haver homens na igreja de hoje que tenham o oficio de apóstolo. Então, como podem estar seguros de que quando Paulo fala aqui de diversos gêneros de línguas temos que ter a certeza de que ainda há pessoas na igreja atual que possuem este dom especial do Espírito?

Eu creio que há algumas considerações de grande peso para sustentar que os dons especiais do Espírito, como o dom de línguas, já não operam na igreja de hoje. Vejamos algumas destas considerações[76] .

A. Certas passagens da Escritura associam especificamente os dons milagrosos do Espírito com a obra dos apóstolos. A primeira destas a que dirigimos nossa atenção é Atos 14:3: “Entretanto, demoraram-se ali muito tempo, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios”. Estas palavras descrevem as atividades de Paulo e Barnabé em Icônio durante a primeira viajem missionária de Paulo. Note-se que estes sinais e maravilhas foram concedidas por Deus a estes apóstolos[77] com a finalidade de confirmar a mensagem do evangelho de que eram portadores. No grego o particípio dativo didonti (dando) segue ao particípio dativo marturounti (testificando) com o propósito de dar explicação. Noutras palavras, o sentido da oração é que Deus deu testemunho às palavras de sua graça concedendo sinais e prodígios por meio das mãos dos apóstolos. As maravilhas que os apóstolos fizeram eram um testemunho de Deus de que eram verdadeiramente mensageiros de Deus.

Como temos visto, a igreja de Corinto estava ricamente dotada de dons especiais do Espírito. É altamente significativo notar que Paulo em sua segunda carta aos Coríntios, provavelmente escrita pouco depois da primeira, diga: “Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos” (2 Co. 12:12). No contexto Paulo está defendendo seu apostolado. Para provar que verdadeiramente era um apóstolo, Paulo aqui lembra aos seus leitores os sinais, prodígios e milagres que foram feitos por meio dele, reivindicando para estas manifestações do poder do Espírito “credenciais do  apóstolado”. Não sugere enfaticamente esta passagem que os dons especiais do Espírito não eram para que permanecessem na igreja, mas que se consisitiam nas credenciais dos apóstolos, como Warfield afirma?

Encontramos outra referência à importância como credencial dos dons especiais em Romanos 15:15-19

Entretanto, vos escrevi em parte mais ousadamente, como para vos trazer isto de novo à memória, por causa da graça que me foi outorgada por Deus, para que eu seja ministro de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar o evangelho de Deus, de modo que a oferta deles seja aceitável, uma vez santificada pelo Espírito Santo. Tenho, pois, motivo de gloriar-me em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus. Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo.

Paulo aqui recorda aos irmãos de Roma que foi pela graça de Deus que foi feito ministro de Cristo aos gentios, e que portanto, gloria-se em Cristo Jesus mais do que em si mesmo. Segue recordando a seus leitores as coisas que Cristo operou por seu intermédio para conduzir os gentios à obediência “por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo”. É claro que os sinais e maravilhas que se concederam que Paulo fizesse eram meios pelos quais Cristo lhe deu poder para conduzir os gentios à obediência, e assim foram inseparavelmente conectados ao seu ministério de apóstolo aos gentios.

Hebreus 2:3, 4 lança uma luz muito clara sobre a questão do propósito dos dons especiais do Espírito:

Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.

Segundo esta passagem, a palavra de salvação foi anunciada inicialmente pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Logo foi confirmada ao escritor e aos leitores desta epístola pelos que ouviram o Senhor. Os “que a ouviram” pode-se referir aos apóstolos ou a um círculo mais amplo que os apóstolos; a referência a sinais e prodígios no versículo seguinte, no entanto, faz que seja muito provável uma referência limitada aos apóstolos. O tempo do particípio no versículo 4 que se traduz “testificando” é presente, indicando que o testemunho que se apresenta era contínuo. Agora, como Deus deu testemunho com os apóstolos acerca da autenticidade da mensagem do evangelho? Por meio de “sinais e prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo” (v. 4). A palavra distribuições, literalmente, significa repartimentos (merismois); é claro que se refere aos diversos dons do Espírito como os descritos em I Coríntios 12, e sem dúvida  inclui a glossolália. Então a função de todos estes dons especiais ou carísmatas do Espírito é descrita aqui como de confirmação: Deus continuamente dava testemunho por meio destes dons, e portanto, confirmava a mensagem de salvação à segunda geração de leitores da Epístola aos Hebreus.

Das passagens que já temos discutido, aprendemos que o propósito e função dos dons milagrosos especiais do Espírito era confirmar os apóstolos como verdadeiros mensageiros de Deus, e deste modo confirmar o evangelho da salvação. Sendo este o caso, podemos entender por que estes sinais milagrosos tinham que ser tão importantes como evidência no tempo apostólico. Mas, sendo este o caso, também podemos entender por que estes sinais milagrosos deviam desaparecer quando os apóstolos desapareceram do cenário. Se os sinais milagrosos tinham o propósito de acreditar os apóstolos, já não eram necessários depois que os apóstolos cumpriram sua tarefa.

No entanto, os nossos amigos pentecostais apressam em dizer: estes dons milagrosos especiais do Espírito ainda são necessários para os fins de evangelização.

…A igreja, em seu estudo dos métodos de evangelização da igreja primitiva, tem passado por alto uma parte vital, isto é, a confirmação divina da mensagem com sinais milagrosos. O fato da igreja desde os dias apostólicos não buscar e receber tal confirmação tem sido um fator de importância em sua lentidão no cumprimento da Grande Comissão[78] .

Aqui argumenta-se que se uma igreja pode manifestar fenômenos milagrosos, tais como a glossolália, chamará muito mais atenção e será muito mais abençoada em seu programa evangelístico e missionário do que quando faltam estes fenômenos. No entanto, a resposta a esta pretensão é precisamente esta: a igreja atual já não necessita deste tipo de confirmação de sua mensagem. Nos dias dos apóstolos era necessário que a mensagem fosse confirmada por sinais milagrosos. Mas atualmente temos a Bíblia completa, incluindo todo o Novo Testamento. Sustentar que a igreja ainda necessite dos sinais milagrosos para confirmar a mensagem do evangelho é, parece-me, desconhecer o caráter completo das Escrituras. As palavras de Abraão ao rico na parábola podem ser lembradas aqui: “Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão (os irmãos do rico) persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc. 16:31).

B. A forma como Paulo trata a glossolália em I Coríntios 12-14 sugere que este dom já não se necessita urgentemente na igreja. Como temos visto, Paulo conclusivamente rebaixa o dom de línguas nestes capítulos. A ênfase principal de sua discussão é que o dom de profecia deve ser buscado com maior fervor que o dom de línguas. Deixa bem claro que nos cultos públicos da igreja deve-se preferir a profecia ao invés do dom de línguas. Ainda que permite um uso restringido da glossolália no culto, todavia esse falar em línguas deve ter interpretação. Uma pessoa que estude com cuidado esta carta logo compreenderá, pelas declarações de Paulo, que a congregação seria mais edificada se qualquer mensagem fosse dada por meio de profecia do que se fosse veiculada por meio de línguas, e que portanto ficaria muito melhor sem a prática de falar em línguas e logo a interpretação seria simplesmente eliminada.

No diz respeito a testificar a pessoas de fora da igreja, Paulo diz que as línguas são um sinal, não para os que crêem, mas para os que não crêem. Assim a glossolália tem algum valor ao testemunhar a autenticidade da mensagem do evangelho ante os incrédulos. Mas ainda com o propósito de testificar aos incrédulos, Paulo segue dizendo nestes capítulos que a profecia é superior às línguas. Porque é muito mais provável que um incrédulo seja levado à fé por meio da profecia do que por meio das línguas (14:24,25).

Não estou sustentando que Deus não poderia haver continuado com o dom da glossolália na igreja, se essa fosse a sua vontade. Apenas estou dizendo que o valor muito limitado que Paulo atribui a este dom em I Coríntios 12-14 sugere que parecia haver escassas razões para que este dom continuasse.

C. O fato de não haver referências à glossolália nas demais epístolas do Novo Testamento à parte de I Coríntios também sugere fortemente que este dom não foi dado com o propósito de que permanecesse na igreja. Se Deus tivesse a intenção de conservar a glossolália na igreja, particularmente se este dom fosse servir de canal condutor de ricas bênçãos à igreja, seria de esperar que houvesse referências a respeito noutras epístolas do Novo Testamento além da de I Coríntios. mas não encontramos tais referências. Ainda que em I Coríntios Paulo discute a glossolália, como vimos, ele não volta a referir-se a ela em outra epístola sua. Pelo livro de Atos sabemos que todos os apóstolos falaram em línguas no dia de Pentecostes. No entanto, não encontramos referência alguma à glossolália nas epístolas escritas por Pedro, Tiago, João, Judas e o autor de Hebreus. Ainda que há muitas referências nessas epístolas à obra do Espírito, o testemunho do Espírito e o fruto do Espírito, não há referências à glossolália.

Ademais, é altamente significativo que a habilidade de falar em línguas não se menciona entre os requisitos de diáconos e anciãos ou bispos em I Timóteo 3:1-13 e Tito 1:5-9. Certamente, se o dom de línguas tinha que ficar na igreja, alguém esperaria encontrá-lo entre os requisitos de quem iria ocupar os ofícios na igreja. O fato de que as epístolas pastorais que acabamos de mencionar foram escritas muito depois de I Coríntios, sugere que já por este tempo a glossolália poderia ter desaparecido da igreja.

D. A ausência quase total da glossolália na história da igreja do ano 100 até 1900 d.C. é muito dificilmente compatível com a pretensão de que Deus queria que o dom de línguas permanecesse na igreja. Já vimos outrora que há muito poucos relatos de glossolália na história da igreja daqueles anos. Alguns relatos que temos são de duvidosa autenticidade; outros tem a ver com grupos que eram definitivamente heréticos como os montanistas. Ainda quando todos os casos de glossolália atribuídos a este período pudessem ser verdadeiros, os grupos que praticaram a glossolália ainda seriam poucos e muito esparsos no do tempo de uns e de outros. Simplesmente, não se pode negar que, falando em geral, a glossolália era virtualmente desconhecida nos grupos mais representativos do cristianismo até aproximadamente 1900.

Compreendo que o argumento da história não é completamente convincente. Desde logo, é concebível que Deus, por razões que ele bem conhece, decidiu privar à igreja da glossolália durante dezoito séculos e então, no princípio do Século XX, haja restaurado novamente este dom à igreja. Mas quando os pentecostais sustentam que uma igreja que não tem manifestações de línguas carece de uma das mais ricas fontes de bênçãos previstas por Deus para seu povo[79] , nos sentimos confundidos pelo imenso abismo que existe na história da glossolália. Se o falar em línguas é uma bênção tão grande como nossos irmãos pentecostais sustentam, porque esteve virtualmente ausente da igreja entre os anos 100 e 1900? Empobreceu Deus deliberadamente a seu povo?

As considerações apresentadas sugerem fortemente que os dons milagrosos do Espírito, tais como a glossolália, já não existem na igreja de hoje. Podem nossos amigos pentecostais provar de forma conclusiva, pelas Escrituras e pela história da igreja, que estes dons milagrosos ainda estão conosco?

2. A doutrina distintiva das denominações pentecostais que é básica em seus ensinamentos sobre a glossolália, a saber, que todo crente deve buscar um batismo do Espírito Santo posterior à conversão, não tem base nas Escrituras.

Já temos visto que as passagens do livro de Atos as quais os pentecostais comumente apelam não apoiam esta doutrina. Recebe esta doutrina apoio de outras passagens das Escrituras? Pelo contrário, o ensinamento de que uma pessoa regenerada ainda tem que passar por um batismo do Espírito em virtude do qual recebe a plenitude do Espírito está baseada em uma má compreensão da obra do Espírito. Quando o Espírito nos regenera, entra em nossas vidas, não como um poder mas como uma pessoa. Paulo expressa este pensamento de forma muito clara em Romanos 8:9: “Vós (o regenerado, o crente), porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós”. Paulo agrega na oração seguinte: “E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Noutras palavras, se alguém pertence a Cristo, tem o Espírito de Cristo, e se tem o Espírito de Cristo, o Espírito está habitando nele. Agora, que mais pode fazer o Espírito do que habitar nele? Por que haveria de ser necessário que o Espírito seja outorgado sobre a pessoa numa “segunda bênção” ou “segunda obra de graça” ou “batismo do Espírito” quando o Espírito já está morando dentro do crente? O mesmo ensina I Coríntios 3:16: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós??”

Na realidade, em nenhum lugar do Novo Testamento encontramos os crentes pedindo tal batismo do ou no Espírito Santo, e em nenhum lugar encontramos os apóstolos dando mandamento aos discípulos no sentido de buscar o dito batismo. Mas sim encontramos Paulo dizendo aos Gálatas: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Ga. 5:25). A implicação é clara: nascemos de novo, temos o Espírito, uma vez que somente o Espírito pode nos regenerar. Se é assim, argumenta Paulo, então no mesmo Espírito ou pelo mesmo Espírito em quem vivemos devemos caminhar. Paulo não diz: “para esperar o batismo do Espírito para que podeis caminhar nele”. Ele diz: “Andeis de forma mais completa no Espírito ou pelo Espírito que vós já tendes, que já vos foi dado no coração novo, com o qual vós já vives”.

Sem dúvida é verdade que necessitamos lutar continuamente para ter uma maior plenitude do Espírito. Mas isso não significa que depois de termos sido regenerados devemos esperar que o Espírito seja quem tome o próximo passo. Mas antes, se me permite expressá-lo assim, o próximo passo cabe a nós: devemos render-nos mais plenamente ao Espírito que já habita conosco[80] . Essa, como temos visto, é a ênfase de Efésios 5:18: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”. O presente do imperativo, pleroústhe, significa “sede continuamente cheios”, “permaneceis sendo cheios”. A passagem assinala uma luta de toda a vida, não por uma experiência de um momento. Tampouco Paulo implica com isso que os leitores da Epístola aos Efésios ainda não tivessem o Espírito, porque em 1: 13 havia escrito: “… tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”.

Portanto, ainda que não quiséssemos, temos que chegar à conclusão de que a teologia do pentecostalismo neste particular está baseada mais sobre a experiência do que sobre a Escritura. Russell T. Hitt, editor de Eternity (Eternidade) expressa assim:

Todo ensinamento deve ser julgado por nós pela Palavra de Deus. Muitos que tem tido recentemente uma experiência pentecostal tem problemas para dar uma explicação bíblica adequada para o que tem ocorrido. Ao invés disso testificam de uma experiência, e levantam um estranho esquema doutrinal baseado no livro dos Atos para apoiar a duvidosa doutrina do “batismo do Espírito” (Eternity, julho 1963, página 7).

Mas não podemos basear a doutrina primariamente na experiência. Tenho ouvido os mórmons dizerem que se convenceram que Joseph Smith era um verdadeiro profeta de Deus porque tiveram uma maravilhosa experiência espiritual na religião mórmon. Se a experiência é básica para a doutrina, como se poderia provar que os mórmons estão em erro, ou, o que se poderia dizer dos budistas, hindus ou muçulmanos?

3. A teologia do pentecostalismo ensina erroneamente que uma bênção espiritual deve ser atestada por um fenômeno físico.

Diz-se que falar em línguas é a evidência física inicial de haver sido batizado com o Espírito Santo. Mas, como pode um sinal físico ser a prova de um estado espiritual? Os pentecostais assinalam quatro casos no livro de Atos em que o falar em línguas demonstrou que o Espírito havia sido recebido em sua plenitude (ainda que no caso dos samaritanos não se menciona o falar em línguas), mas estes casos estiveram associados com Pentecostes ou com uma extensão de Pentecostes, como temos visto; e, ademais, há muitos casos no livro de Atos onde não se faz menção das línguas, e isso em casos em que se nos diz que as pessoas foram cheias do Espírito Santo. Ademais, ainda os pentecostais reconhecem que o falar em línguas ocorrido em Corinto não tinha relação direta alguma com o ser cheios do Espírito[81] . Então, como podem nossos amigos pentecostais afirmar com tanta certeza que a glossolália é atualmente a evidência indispensável do batismo do Espírito?

Ora, não ensina a própria Bíblia que a prova de ser cheio do Espírito não é física, mas espiritual? Paulo diz acerca disso em Gálatas 5:22-23 “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Um dos maiores perigos do pentecostalismo e do neopentecostalismo, parece-me, é que a pessoa chega a estar cada vez mais preocupada por dons do Espírito e cada vez menos pelo fruto do Espírito. Pelo lado negativo, o nosso Senhor mesmo disse, contudo, que profetizar ou operar milagres em si não provam que uma pessoa está verdadeiramente cheia do Espírito

Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade (Mt. 7:22-23).

Nessa diretriz Santo Agostinho escreveu as seguintes palavras há mais de 1500 anos, que são tão adequadas agora como o foram então:

Nos primeiros tempos o Espírito Santo caiu sobre os que creram, e eles falaram em línguas que não haviam aprendido, “segundo o Espírito lhes dava que falassem”. Estes eram sinais adaptados para o tempo… Então, agora o testemunho da presença do Espírito não é dado por meio destes milagres. Por que meio é dado? Como chega alguém a saber que tem recebido o Espírito Santo? Que lhe pergunte ao seu próprio coração se ama ao seu irmão, o Espírito de Deus mora nele (Homilia sobre I João).

4. No pentecostalismo está implícita uma espécie de subordinação de Cristo ao Espírito Santo que não está em harmonia com a Escritura.

Notamos anteriormente que Ralph M. Riggs descreve o batismo do Espírito Santo com palavras que implicam uma espécie de subordinacionismo:

Esta experiência (de batismo do Espírito) é tão distinta da conversão como o Espírito Santo é distinto de Cristo. Sua vinda (a do Espírito) sobre o crente no batismo é a vinda da Terceira Pessoa da Trindade, após a vinda de Cristo, que ocorre na conversão[82] .

O que é o que Riggs diz aqui? Que a conversão é somente a vinda de Cristo, mas que o batismo do Espírito é a vinda do Espírito Santo. Se alguém não tem chega ao pedestal mais elevado da escalada espiritual até que venha receber o batismo do Espírito, é evidente que recebeu somente a Cristo é ficou apenas num subnível espiritual.

Noutro lugar, este mesmo escritor, depois de explicar que o Espírito Santo é o Diretor Pessoal da igreja, pergunta:

Como podemos viver e atuar efetivamente sem nosso Cabeça e Líder designado por Deus? Que desconcertante e frustrante é para o plano e propósito de Deus se nós não cooperarmos desde o começo de nossa experiência cristã recebendo a plenitude do batismo do Espírito Santo[83] .

A implicação é clara: se alguém não recebeu o batismo do Espírito, está vivendo sem o Líder estabelecido por Deus. Pode receber a Cristo no momento da conversão, mas todavia está sem líder! Ter somente a Cristo no coração é ter um cristianismo inferior, de segunda categoria!

Quanta diferença do que a Bíblia ensina! Cristo ensina de outro modo: “Ele (o Espírito Santo) me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo. 16:14). Exaltar a obra do Espírito é digno de louvor, mas exaltar o Espírito acima de Cristo é um erro comparável com a subordinação de Cristo ao Pai de que eram culpáveis os antigos arianos.

O comentário de Kurt Hutten é acertado:

A teologia pentecostal tem absolutizado a doutrina do Espírito Santo … Ao fazê-lo nega o testemunho da Escritura. Porque, segundo as Escrituras, o Crucificado e Ressuscitado é e segue sendo o centro que domina e penetra todo o demais. E segundo a Escritura, Cristo e o Espírito Santo não podem ser separados; a obra de um não pode distinguir-se da do outro em qualidade ou categoria. Não há obra do Espírito Santo fora da cruz; apenas há uma obra do Espírito sob a cruz (Seher, Gruebler, Enthusiastem, p. 520).

5. A teologia do pentecostalismo tende a criar dois níveis de cristãos: os que tem recebido o batismo do Espírito e os que não o tem recebido.

Os pentecostais deixam bem claro que a pessoa que não recebeu o batismo do Espírito Santo não chegou ao nível de cristão em toda sua plenitude, os escritores pentecostais fazem uma clara distinção entre batismo do Espírito e conversão[84] e entre batismo do Espírito e santificação[85] . Somente as pessoas batizadas no Espírito, dizem, tem sido seladas com o Espírito[86] e tem o penhor do Espírito[87] . O batismo do Espírito é descrito como o poder que vem do alto – poder que é chamado o sine qua non do serviço cristão[88] . Isso implicaria que as pessoas que não tem recebido o batismo do Espírito – a grande maioria dos que se denominam cristãos – não tem um poder adequado para o serviço cristão. Um escritor pentecostal descreve o batismo do Espírito como a vinda do equipamento divino para a batalha contra o diabo[89] ; a implicação disto é tem-se a impressão que o vasto exército de cristãos ordinários, não pentecostais, saem precipitadamente à batalha como soldados sem preparação e sem armas.

Uma pequena reflexão revelará o quão devastador pode ser este ponto de vista do cristianismo de dois níveis para a unidade da igreja. Não estou acusando os pentecostais de dizerem que uma pessoa não pode ser salva sem o batismo do Espírito Santo, mas o que estou observando é que sua teologia deixa uma grande multidão de cristãos ordinários, e um pequeno grupo de cristãos muito especiais. Isso é muito pouco fiel às Escrituras. Paulo diz em Gálatas 3:28: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. No entanto, os pentecostais deveriam interromper Paulo neste ponto: “Mas, Paulo, esquecestes da distinção entre cristãos que são batizados no Espírito e os que não o são?” Ainda mais, sugerir que somente as pessoas batizadas pelo Espírito são seladas com o Espírito, tem o penhor do Espírito, e tem sido equipadas com poder do alto, é dizer que há uma grande quantidade de passagens do Novo Testamento que realmente não tem mensagem para a mensa maioria dos crentes desde os dias apostólicos.

6. A teologia do pentecostalismo implica que a igreja tem estado sem condutor, sem poder adequado, sem a plena luz, e sem uma experiência cristã completa desde os fins do Século I até o princípio do Século XX.

H. J. Stolee, em Speaking in Tongues (Falando em Línguas), originalmente publicado em 1936, diz:

Sempre tem sido uma caraterística dos movimentos fanáticos o ignorar e ainda negar a continuidade do cristianismo. O decorrer dos séculos é considerado virtualmente como um fracasso total.

É triste dize-lo, mas tal tendência também é evidente no pentecostalismo. Antes vimos que, segundo os escritores pentecostais, a razão pela qual a glossolália desapareceu quase totalmente da igreja nos séculos que se estendem entre 100 d.C. e 1900 foi a falta de fé por parte do povo de Deus. Observemos mais de perto este assunto. Carl Brumback alega que ainda que Deus pôde ter feito aos homens responsáveis pela verdade do batismo do Espírito durante toda a era da história da igreja desde a idade apostólica, não aplicou estritamente suas normas durante todo o período porque seu povo, pelo pecado e o fracasso, havia-se feito incapaz de conformar-se com ditas normas[90] . Muitas verdades do Novo Testamento estiveram totalmente eclipsados durante a Idade Média[91] . Estas verdades em parte foram restauradas pela Reforma, mas a Reforma não foi completa[92] . Certas porções da verdade ficaram escondidas para os reformadores, esperando outro momento para sua revelação plena. Entre as grandes verdades que não foram completamente reveladas aos reformadores estava a doutrina do batismo do Espírito Santo[93] . Em princípios do Século XX, Deus considerou oportuno devolver esta verdade à Igreja[94] . Antes do Século XX a experiência dos santos pós-apostólicos não esteve à altura das normas bíblicas, porque não tinham “um batismo pleno do Espírito Santo, não tinha um caráter milagroso e não estava acompanhado com línguas”[95] .

O que isso quer dizer é que durante 1800 anos de história da igreja (com poucas e pequenas exceções) toda a igreja não logrou desfrutar a plenitude da experiência cristã que Deus tinha o propósito de conceder a seus filhos. Isso significa que gigantes como Calvino e Lutero não alcançaram a tamanha fé que os pentecostais têm hoje. Isso significa, como temos visto, que durante todos estes séculos a igreja esteve realmente sem condutor, sem todo o poder para o serviço, e sem a plena luz da verdade divina. Não apenas isso, mas que grande parte da igreja atual está similarmente impedida, posto que ainda não aceita esta última verdade que Deus tem revelado. A conclusão iniludível parece ser que somente os pentecostais estão com plena possessão da verdade divina; os demais permaneceremos em trevas parciais até que estejamos dispostos a aceitar seus ensinamentos.

No entanto, não nega esta doutrina que o Espírito Santo haja dirigido continuamente a sua igreja durante dezoito séculos de história eclesiástica? Esta pretensão, não faz periclitar seriamente a verdade da universalidade da igreja de Jesus Cristo? Não implica que somente os pentecostais são o verdadeiro povo de Deus, cheio do Espírito? Uma coisa é admitir que todos os crentes não alcançam fazer a vontade de Deus e a entender completamente sua revelação, mas é completamente distinto pretender que o grupo a que alguém pertence é o único que tem a verdade neste assunto, enquanto todos os demais estão no erro.

Poderia alguém ainda perguntar se as observações feitas se aplicam aos neopentecostais ou mesmo que aos pentecostais. Desde logo, não temos nenhum livro sistemático em doutrina em que os neopentecostais exponham o que tem em comum. Sem dúvidas, há matizes de opinião entre os neopentecostais como os há entre os pentecostais.

È muito possível que muitos neopentecostais não compartilhem da posição comum dos pentecostais de que a glossolália é a evidência indispensável de que alguém recebeu o batismo do Espírito Santo. Se é assim algumas das considerações apresentadas não se aplicariam a eles. Mas como temos demonstrado, ainda a posição de que a glossolália é uma evidência de que alguém é cheio do Espírito Santo está em condições de ser seriamente posta em dúvida.

No entanto, devemos lembrar que o neopentecostalismo surgiu do pentecostalismo; portanto, é de esperar que nas questões que compreendem a importância e significado da glossolália os neopentecostais tenham muito em comum com os pentecostais. Ademais, temos notado que uns quantos neopentecostais proeminentes tomam a posição comum dos pentecostais quanto às línguas. Ainda temos visto uma declaração oficial da junta de diretores da Sociedade da Bendita Trindade que afirma que o batismo do Espírito Santo é confirmado pela glossolália[96] . Portanto, pareceria provável que a maioria dos neopentecostais, até aonde tem pensado o assunto, tomem a mesma posição dos pentecostais quanto à importância da glossolália. Até onde este seja o caso, os comentários feitos neste capítulo se aplicam tanto aos neopentecostais quanto aos pentecostais.

Capítulo 5 – O que Podemos Aprender do Movimento que Fala em Línguas

A julgar pelo que temos aprendido acerca das doutrinas pentecostais até aqui, poder-se-ia ficar com a impressão de que nossa resposta ao pentecostalismo e ao neopentecostalismo deveria ser completamente negativa. No entanto, como se tem dado a entender antes, há muitas coisas que podemos aprender deste movimento. Portanto, neste último capitulo quero destacar os aspectos positivos do pentecostalismo e do neopentecostalismo, para ver que desafio tem apresentado o movimento da glossolália à igreja de hoje.

Um dos aspectos mais notáveis, e para os não pentecostais o mais assombroso, do movimento das línguas é o fato de que muitas pessoas que tem começado a falar em línguas informam que esta experiência lhes tem sido uma fonte de grandes bênçãos espirituais. Por exemplo, Carl Brumback, falando pelos pentecostais, afirma que há poucos exercícios espirituais mais edificantes para o indivíduo que o dom de línguas usado nas devocionais privadas[97] . O artigo 7 da Declaração de Verdades Fundamentais das Assembléias de Deus afirma que ao batismo do Espírito Santo, do qual a glossolália é a evidência inicial, segue-se uma mais profunda reverência a Deus, uma intensificada consagração a Deus e dedicação a sua obra, um amor mais ativo por Cristo, por sua Palavra e pelos perdidos. Norton Kelsey informa que as sete pessoas cujas experiências de glossolália descreve em seu livro Tongue Speaking (Falar em Línguas) declararam que esta experiência era uma das mais valiosas de que tivera. Freqüentemente se diz-se que as experiências que culminam com a glossolália tem transformado a vida das pessoas. Periódicos como Trindade e Voz estão cheios de testemunhos pessoais de indivíduos que dizem que tem recebido um novo impulso na vida espiritual por meio da glossolália.

Que diremos acerca de tudo isso? Como podemos explicar a explosão das línguas da atualidade? Como vamos explicar o novo vigor espiritual que a glossolália parece ter introduzido nas vidas de tantas pessoas?

V. Raymond Edman, ex-presidente de Wheaton College, resumiu muito bem o assunto quando disse que existem apenas três possibilidades: a glossolália atual é do diabo, ou é um dom genuíno do Espírito, ou é um fenômeno que sem ser primariamente inspirado pelo diabo ou pelo Espírito, tem sido induzido psicologicamente.

É possível que a glossolália que vemos na atualidade tenha sido instigada demoniacamente? Certamente não podemos descartar de todo esta possibilidade, Satanás, como Lutero dizia, é o “macaco imitador de Deus”, que constantemente vive imitando as obras genuínas do Espírito. Sabemos por 2 Coríntios 11: 14 que Satanás estava ocupado ainda em Corinto: “O próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. Até os pentecostais admitem que às vezes o falar em línguas que se pratica nas igrejas pode ser uma algaravia fanática produto da carne e não do Espírito[98] . Sempre que a glossolália contribui para o orgulho, que conduz a orgias emocionais nas quais todo o domínio próprio é lançado aos ventos, e se provocam amargas discórdias entre os cristãos que se devem conduzir como um em Cristo – certamente o diabo tem sua mão metida nessa situação.

Ainda que reconheço que a glossolália pode ser demoniacamente induzida, sinto-me inclinado a estar de acordo com Edmam que este não é normalmente o caso. Que diria então acerca da segunda possibilidade, isto é, que a glossolália da atualidade seja um dom genuíno do Espírito? Novamente, não podemos descartar completamente esta possibilidade. Nós não vamos limitar o Espírito dizendo que é impossível que ele outorgue o dom de línguas na atualidade. Quem sabe o que Espírito tem guardado para a sua igreja? Quem sabe que dons do Espírito podem ser dados no futuro para capacitar à igreja ante novos desafios específicos?

De pronto, concedemos que Paulo não proíbe o uso da glossolália em I Coríntios 12-14. Também devemos admitir que o dom de línguas tinha certo valor para Paulo e para a igreja daquele tempo; ainda Paulo foi levado a dar graças a Deus porque falava línguas mais do que todos os coríntios (14:18). Certamente Paulo jamais diria isso se a glossolália não tivesse algum valor.

No entanto, se o dom de línguas como dom especial do Espírito está na igreja na atualidade é uma questão discutível. Num capítulo anterior apresentei algumas das razões pelas quais creio que devemos ter sérias dúvidas acerca da continuação da glossolália como um dom especial do Espírito; não tenho a intenção de repetir aqui essas razões. Se as línguas como um dom estivesse na igreja de hoje, os pentecostais não teriam direito de sustentar que a possessão deste dom, ainda como sinal físico inicial, prova de que alguém tem recebido a plenitude do Espírito. Se o dom estivesse ainda presente, as muitas restrições com que Paulo rodeia seu uso em I Coríntios 14 implicam que a glossolália está longe de ser tão importante como os pentecostais pensam que é, e que de nenhum modo é o sine qua non da maturidade espiritual. E fica a desconcertante pergunta: Como podem os pentecostais e neopentecostais estarem seguros que o que se pratica nos círculos que falam em línguas é o mesmo dos dias do Novo Testamento? Sabemos exatamente qual era a glossolália praticada pelos coríntios? Se não sabemos Isso, como pode alguém estar seguro que o que se pratica nos grupos que falam em línguas é exatamente o mesmo que ocorria nos dias do Novo Testamento?[99]

Sinto-me inclinado a concordar com Donald S. Metz que a glossolália que hoje vemos em sua maior parte, não é inspirada diretamente pelo Espírito de Deus, nem diretamente induzida pelos demônios, mas uma reação humana que tem sido psicologicamente induzida. Esta também parece ser a posição de George B. Cutten, reconhecida autoridade em glossolália, que disse: “Até onde tenho conhecimento, não existe um só caso de falar em línguas estranhas que haja sido estrita e cientificamente investigado, que não possa ser explicado por leis psicológicas reconhecidas”. No mesmo sentido há uma declaração do psiquiatra Stuart Bergsma, superintendente do Hospital Cristão Pine Rest, em Grand Rapids, Michigan. Depois de mencionar uma quantidade de experiências que lhe haviam auxiliado na realização de uma avaliação da glossolália, diz: “Todas estas experiências me deixam com a convicção de que especialmente a glossolália pode ser psicologicamente explicada e não é, em geral, um fenômeno espiritual”. Outro psiquiatra cristão dá uma avaliação similar em um artigo em que analisa o fenômeno da glossolália:

O produto de nossa análise é a demonstração dos mecanismos muito naturais que produzem a glossolália. Como fenômeno psicológico, a glossolália é fácil de produzir e prontamente compreensível (E. Mansell Pattison, “Speaking in Tongues and about Tongues” – Falando em Línguas e sobre Línguas, Christian Standard, Fev.15,1964).

Se as análises anteriores estão corretas, surge a pergunta: quais são os mecanismos psicológicos que operam na glossolália? Quando refletimos no fato de que a glossolália no passado ocorreu fora da religião cristã e ainda se dá noutras culturas, não é surpreendente que também se tenha  introduzido nos círculos cristãos. O estímulo emocional que por vezes induzem as línguas nos círculos não cristãos poderia também ocasionar a glossolália entre os cristãos. Deve-se reconhecer que o falar em línguas nem sempre se produz em uma situação que esteja altamente carregada no emocional e que poderia dar-se numa aprazível atmosfera devocional; mas ainda nessas circunstâncias debaixo da superfície poderia estar em atividade poderosas forças emocionais. Pode-se entender a atração que o misterioso tem em uma era que é eminentemente racional. É possível que grande parte da glossolália nos grupos não pentecostais na atualidade represente uma reação emocional contra um tipo de pregação friamente intelectual ou contra uma liturgia estereotipada e formalista.

Também há outras possibilidades. L. M. Van Eetveld Vivier, em uma tese de doutorado sobre a glossolália, informa que submeteu a provas um grupo de pentecostais que falavam em línguas e achou que haviam tido “um princípio próprio de vida psicologicamente pobre, caracterizado pela insegurança, conflito e tensões”. RusseI T. Hitt é da opinião de que muitos dos que tem experimentado o assim chamado “batismo do Espírito” esteja sofrendo profundos problemas pessoais e familiares, ou estão emocionalmente perturbados por suas próprias vidas espirituais. Para tais indivíduos o falar em línguas poderia prover uma válvula de escape para os problemas perturbadores, algum modo de obter um prestígio que de outro modo lhes resultaria inacessível.

Também podemos entender bem que a psicologia da sugestão poderia ter um grande papel na indução da glossolália. Quando alguém pertence a um grupo em que se espera que os mais adiantados espiritualmente falem em línguas, quando se aplica muita pressão emocional na busca do dom de línguas, quando os que buscam o dom de línguas recebem instrução no sentido de que relaxem a língua repetindo “glória, glória, glória, gló, gló, glória, aleluia, glória” e coisas semelhantes, certamente seria estranho que alguém não começasse a fazer o que todos esperam.

Mansell Pattison lança uma luz que ajuda muito acerca dos mecanismos psicológicos que podem estar em ação na glossolália:

A linguagem é um fenômeno complexo que inclui elementos conscientes, voluntários e padrões inconscientes, automáticos em circuitos psicológicos e fisiológicos Todos estamos conscientes de que existem distorções de linguagem que são freqüentes. Quando estamos excitados gaguejamos, esquecemos o que estamos dizendo, dizemos algo distinto do que queríamos (lapsus linguae), ou ficamos sem fala… Ás vezes quando começamos a falar nos sentimos confundidos e se nos trava a língua e dizemos uma punhado de sons e sílabas. As pessoas que falam em sonhos com freqüência emitem uma algaravia ininteligível. O mesmo ocorre com os pacientes que estão sob o efeito de sedativos ou de anestesia, ou em coma parcial. Todos estes exemplos indicam que há aberrações em nossos padrões usuais e normais da linguagem. Podemos observar que se nossa atenção é distraída do que estamos dizendo podemos seguir falando sob o controle de mecanismos inconscientes que poderiam ou não produzir uma linguagem inteligível. Qualquer um de nós poderia “falar em línguas” se adotasse uma atitude passiva quanto ao controle de nosso corpo e da linguagem e tivéssemos uma tensão emocional que estivesse pressionando por expressar-se. Um exemplo familiar é o riso explosivo e contagioso de um grupo que chega ao ponto em que cada um é “demasiado débil para deixar” de rir. Tentar falar enquanto alguém ri deste modo tem como resultado vocalizações que tem todas as caraterísticas da glossolália (Speaking in Tongues and About Tongues – Falando em Línguas e sobre Línguas- p. 2).

O doutor Pattisom encontra paralelos à glossolália em certos tipos de situações clínicas:

… Posso agregar minhas próprias observações em experiências clínicas com pacientes neurológicos e psiquiátricos. Em certos tipos de desordens cerebrais que são resultado de ataques, tumores cerebrais, etc., o paciente fica com certas desorganizações em seus padrões automáticos e físicos dos circuitos do linguagem. Se estudarmos estes pacientes afásicos podemos observar a mesma decomposição da linguagem que ocorre na glossolália. Decomposições similares se observam nos padrões de pensamento e linguagem do esquizofrênico, que é [sic] estruturalmente como o da glossolália.

Pode-se entender que estes dados demostram que os mesmos padrões de linguagem se dão quando o controle consciente e voluntário da linguagem se vê interferido por danos no cérebro, ou psicoses ou por uma renúncia passiva ao controle da linguagem pela vontade, isso confina nossa asseveração anterior de que a glossolália é um padrão estereotipado de conduta vocal controlada inconscientemente e que aparece sob específicas condições emocionais[100] .

A conclusão a que chega o Dr. Pattisom é que a glossolália pode ocorrer quando algo interfere no controle consciente e voluntário da linguagem, e que no presente é um acompanhante regular de intensas experiências emocionais estáticas.

Mas se poderia perguntar, se a glossolália na atualidade em sua maior parte não é um dom do Espírito, mas um fenômeno psicologicamente induzido, como explicamos os benefícios espirituais que se pretendem haver recebidos dessa prática? Deve-se observar, em primeiro lugar, que as línguas nem sempre tem trazido bênção espiritual, e que há casos registrados em que quem passou pelo dom de línguas mais tarde isso foi reconhecido como um engano, ou onde primeiro se pensou que era do Espírito mais tarde foi atribuído à carne. Já temos anotado a referência de Warfield a Robert Baxter da Igreja Católica Apostólica, que reconheceu que as línguas em que ele e outros falaram procediam de um espírito mentiroso e não do Espírito do Senhor. C. H. Darch, de Taunton, Inglaterra, conta de um homem que uma vez disse ter o dom de línguas mas que mais tarde lhe disse: “Agora estou convencido de que não tive nada disso”. D. Robert Lindberg, graduado do Seminário Teológico Dallas, que foi missionário na China durante alguns anos e agora é pastor da Igreja Presbiteriana Ortodoxa, conta que uma vez buscou e experimentou o que foi chamado dom de línguas. Ainda que no momento sentiu algo de gozo e  emoção da qual outros haviam falado, mais tarde foi constrangido a reavaliar sua experiência. Depois de aclarar que não está criticando pessoas, mas movimentos, e depois de haver afirmado que não deseja negar que alguém haja tido uma experiência transformadora por meio da glossolália, segue dizendo que agora está convencido que o movimento das línguas não é de Deus, mas que tem “em seu coração um falso misticismo que é contrário à palavra de Deus”. Depois de dar sete razões para emitir este juízo, conclui afirmando que a glossolália que observamos na atualidade não é de origem divina, mas é o resultado de “auto sugestão, auto induzida – piedosa, sim, mas errada e não bíblica”.

Tenho em meus arquivos uma carta pessoal de alguém que foi pastor pentecostal durante nove anos. Durante estes anos falou em línguas, considerando sua experiência inicial de glossolália como uma evidência do batismo do Espírito Santo. Depois chegou à convicção de que a ênfase particular do movimento pentecostal não tinha apoio bíblico; deixou a igreja pentecostal, e se fez ministro noutra denominação. Agora está seguro de que o falar em línguas que praticou no passado foi inteiramente da carne e não do Espírito. Escreve:

Eu não creio que as línguas tenham valor algum como exercício devocional, porque tenho provado isso em minha própria vida, porque minha devoção é mais espiritual agora que deixei de falar em línguas. Também meu ministério tem sido mais espiritual e frutífero desde que deixei a igreja pentecostal, e não tenho desejo de regressar.

Também afirma que nunca viu que as línguas foram legitimamente usadas como dom na igreja durante os anos que foi ministro pentecostal. “Houve ocasiões em que a gente falou em línguas na igreja, mas nunca se trouxe edificação a todo o grupo”.

No entanto, como temos notado anteriormente, muitas pessoas dizem que tem tido genuínas bênçãos espirituais por meio da glossolália, e alguns sustentam ainda que a experiência tem transformado suas vidas. Como podemos explicar estas afirmações? Creio que temos a resposta em duas afirmações feitas por duas pessoas que já temos citado. O Dr. Pattisom, ao final de sua análise da glossolália, faz o seguinte comentário:

 “a glossolália não tem valor espiritual intrínseco Poderia ser o adjunto psicológico de uma significativa experiência espiritual, mas deve ser considerada somente como incidental no alcance de metas espirituais” (obra citada, p. 2).

As palavras significativas aqui são: “Poderia ser o companheiro psicológico de uma significativa experiência espiritual. A outra declaração é da carta do ex-pastor pentecostal:

Na avaliação da glossolália em minha própria vida, diria que foi inteiramente da carne na análise final. No entanto, as muitas horas que passei sinceramente buscando ao Senhor foram de muita bênção.

Aqui vemos novamente expressado o mesmo pensamento, por uma pessoa que falou em línguas durante nove anos: ainda que a glossolália mesma não foi de ajuda espiritual, a busca do Senhor que acompanhou ou precedeu à glossolália o foi. Da mesma carta cito o seguinte:

A ênfase na oração tem trazido o calor da fé e experiência cristã ao povo pentecostal, coisa que muitas vezes falta em nossas igrejas. Penso que a maior parte do êxito do movimento carismático de hoje se deve a uma revolta contra o frio engessamento do ensinamento ortodoxo que não aprecia a vida do Espírito.

Aqui novamente se diz que o que foi benéfico não foi o falar em línguas mas a ênfase na oração que está inserida.

Penso que agora estamos em condições de ver como a experiência da glossolália pode ser uma fonte de bênçãos reais para o povo. Quando esta é a situação – e não nego que muito freqüentemente pode ser o caso – sugeriria que o que é realmente a fonte da bênção espiritual não é a glossolália como tal, mas o estado característico em que ocorre o que se diz que é a evidência, ou a disciplina espiritual que a tem precedido. Se um cristão tem buscado honestamente ser mais cheio do Espírito do que antes era, e se tem rendido mais completamente às indicações do Espírito, isso tem que trazer recompensa espiritual. Se um cristão tem estado mais tempo em oração que antes, buscando sinceramente seu enriquecimento espiritual, isso tem que produzir seus frutos. Ademais, quando uma pessoa começa a falar em línguas em um pequeno grupo neo-pentecostal, este fenômeno é a culminação de uma experiência de comunhão cristã, de estudo bíblico, e oração em um círculo estreito de amigos espiritualmente inclinados – experiência que tem que ser proveitosa. Noutras palavras, podemos dar razão do proveito ou das bênçãos espirituais experimentadas nestes casos deixando completamente de lado a glossolália. Não estou pondo em dúvidas a sinceridade dos irmãos cristãos que tem tido estas experiências, nem a autenticidade de seu crescimento espiritual; somente estou dizendo que é muito possível que a chave destas bênçãos não tem sido a glossolália mesmo, mas a busca de uma maior plenitude do Espírito que a precedeu.

Voltemos agora à pergunta com que começamos este capítulo: Qual é o desafio do pentecostalismo para a igreja de hoje? Certamente este turbilhão de línguas tem algo a dizer à igreja de hoje! A igreja jamais deve ficar satisfeita consigo mesma; sempre deve continuar confessando sua pobreza espiritual e seus fracassos. Em movimentos como o pentecostalismo e o neopentecostalismo podemos ouvir a voz de Deus. Se não houver fracassos na igreja, estes movimentos jamais encontrariam base.

Agora, quais são algumas das lições que o movimento pentecostal tem nos ensinado ao resto da igreja? Permita-me enumerar algumas:

(1) A igreja de hoje necessita desesperadamente uma ênfase mais forte na necessidade de sermos constantemente cheios do Espírito do Deus vivo. Sem esse Espírito, toda sua ocupação, sua organização e todo seu equipamento não terá poder.

(2) A igreja deve ter uma maior preocupação do que antes por satisfazer as necessidades emocionais do homem. Não que devamos ir aos extremos encontrados nalgumas igrejas pentecostais aonde, é de temer, a excitação emocional às vezes é confundida com espiritualidade, e aonde o êxito do serviço às vezes é julgado pela altura que tem alcançado o fervor emocional. O emocionalismo excessivo não glorifica a Deus; “tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (1 Co. 14:40). Mas o homem tem um lado emocional, e a igreja não deve descuidá-lo. Se perdermos as inescrutáveis riquezas de Cristo com a animação fúnebre que o locutor de uma radio dá o informe do tempo, provavelmente conseguiremos que as pessoas abandonem a vida da igreja. Os que deixam uma denominação para unir-se a outra, normalmente não o fazem por questões doutrinárias, mas porque a igreja que estão deixando não satisfaz algumas de suas necessidades básicas. Quem não assiste à igreja de sua vizinhança não será atraída por igrejas que são frias como o gelo ou por pregadores que são secos como poeira.

(3) Na igreja deveremos dar mais lugar à espontaneidade e mais lugar à resposta dos assistentes do que o que agora se acostuma. Não estou defendendo uma liturgia de “santa desordem”, mas o que estou dizendo é que um culto de igreja que se carateriza pelo que Andrew Blackwood do Princeton Seminary chamava “imperfeição, insipidez e monotonia” não será de muita ajuda para as pessoas. Por que tem que ser sempre o mesmo indivíduo o centro do serviço litúrgico? Por que não pode haver mais intervenções do auditório? Se a ênfase corrente na execução especial dos hinos por umas poucas vozes treinadas traz um decréscimo na ênfase do encontro com o verdadeiro sentimento espiritual por toda a congregação, estamos realmente fazendo um progresso litúrgico, ou estamos retrocedendo?

(4) Também podemos aprender de nossos irmãos pentecostais e neopentecostais a importância da oração e do fato de nossa constante dependência de Deus. Em nossos fortificados castelos eclesiásticos, substituímos às vezes as reuniões de juntas, comitês, e de negócios por reuniões de oração? Tiago não teria uma palavra para nós: “não tendes, porque não pedis”?

(5) Podemos aprender de novo a importância de estar dispostos a testificar de nosso Senhor em todo tempo, e a necessidade de um maior zelo missionário. Os pentecostais normalmente não tem medo de testificar, e seus empreendimentos missionários de longo alcance deixam envergonhados a muitos outros grupos cristãos. Como vimos anteriormente, estima-se que o número de missionários pentecostais nos campos missionários na década do 1950 era três vezes e meia maior que a cifra estimada normal dentro do mundo protestante. Verdadeiramente o Senhor está falando à igreja de nosso tempo por meio deste movimento.

(6) Dos neopentecostais, particularmente, podemos aprender de novo o valor das reuniões de grupos pequenos para o estudo da Bíblia, a oração e a comunhão cristã. Em essas reuniões alguém se sente estimulado a entrar na vida de seus irmãos cristãos de um modo noutras circunstâncias seria quase impossível em nossas grandes e muito dispersas congregações urbanas. Os pequenos grupos de comunhão deste tipo podem proporcionar uma das melhores formas em que a igreja de nosso tempo pode enfrentar o problema da vida crescentemente impessoal.

Muito mais se poderia dizer acerca destas coisas. Apreciamos o cálido espírito evangélico de nossos irmãos pentecostais. Apreciamos sua posição teológica conservadora e sua oposição ao liberalismo teológico[101] . Apreciamos seu enorme zelo evangelizador, na pátria como no estrangeiro, e sua exemplar preocupação por estender-se o evangelho.

No entanto, neste ponto, quisera retornar ao primeiro ponto mencionado, nossa necessidade de estarmos mais cheios do Espírito de Deus. Nenhum de nós negaria que esta é a maior necessidade da igreja de hoje – a chave mais importante para a vida cristã vitoriosa e para o testemunho cristão radiante. Este é o verdadeiro coração do pentecostalismo. A ênfase nesta verdade bíblica pelo movimento moderno das línguas é a contribuição mais importante ao mundo cristão contemporâneo – contribuição pela qual nos sentimos profundamente agradecidos.

Quero fazer justiça a esta dívida. A igreja tem freqüentemente se confrontado com o perigo de esquecer a importância do ministério do Espírito e nosso tempo não é excepção nisso. Todos os que estudamos ou ensinamos teologia deveríamos estar dispostos a admitir que a doutrina da pessoa e obra do Espírito Santo não tem sido tratado de forma tão completa como, por exemplo, o tem sido a da obra de Jesus Cristo. As obras teológicas mais ambiciosas sobre o Espírito Santo que se tem escrito até agora são as de John Owen, puritano inglês, e Abraham Kuyper, o calvinista holandês, escritas em 1674 e 1888 respectivamente. Poderíamos dar um tratamento melhor a este tema vital, que possa levar em conta os recentes acontecimentos bíblicos e teológicos. Portanto, sentimos gratidão pelos pentecostais e neopentecostais por terem avivado a preocupação da igreja pela obra e o ministério do Espírito Santo.

No entanto, como se tem evidenciado, tenho sérias dificuldades com muitos ensinamentos pentecostais sobre o Espírito Santo. Não vejo que a Bíblia ensine que os crentes necessitam esperar um “batismo do Espírito” antes que possam desfrutar da plenitude do Espírito Santo. Na realidade, este ensinamento pode ser muito prejudicial. Ajuda, ou é uma perturbação, dizer a um cristão que espere o Espírito para fazer algo, quando realmente o passo seguinte, no que diz respeito a fruir a plenitude do poder do Espírito, cabe ao crente mesmo?[102] Na realidade, a doutrina acerca de que alguém deve ficar esperando o batismo do Espírito, não poderia dar aos crentes uma desculpa pré-fabricada para deixar de lado toda a rendição ao Senhor por um longo período? (lembre-se do homem que havia sido um “buscador” durante dez anos). Ademais, não se introduz uma confusão total quando se ensina aos crentes que a menos que falem em línguas lhes falta a prova mais importante de que tem recebido a plenitude do Espírito? Em contrapartida, se apenas a habilidade de falar em línguas é exaltada como prova positiva de que alguém recebeu a plenitude, não estará este ensinamento favorecendo um certo tipo de relaxamento posterior ao batismo do Espírito Santo? Não existe o perigo muito real de que os cristãos que recebem o pretendido batismo do Espírito possam agora começar a pensar que tendo “chegado lá” espiritualmente, não necessitam mais “seguir adiante”?

Aqui queremos chamar a atenção do leitor para um livreto muito útil do qual tenho tido um grande proveito, O Batismo e a Plenitude do Espírito Santo, de John R. Stott. Este livreto contém a substância de uma mensagem dada na Conferência Eclesiástica de Islington em 7 de janeiro de 1964. Ainda que vá de encontro com a posição de que todo crente deve experimentar um batismo do Espírito Santo, posterior à conversão e evidenciado pela glossolália, o Dr. Stott reconhece que muitos cristãos necessitam estar mais cheios do Espírito do que estão.

O argumento é este: ainda que os cristãos recebam o Espírito no momento da conversão, não permanecem necessariamente cheios do Espírito. Podem afastar-se da vontade de Deus e podem chegar a ser orgulhosos, contenciosos, desamorosos ou indulgentes consigo mesmos. Em tais casos, necessitam da recuperação da plenitude do Espírito que tinham quando se converteram. Bem, poderia ser verdade em muitos de nós na atualidade que ainda que temos o Espírito Santo, o Espírito Santo não nos tem a nós. Então, como podemos ser mais cheios do Espírito? A resposta a esta pergunta é fácil de enunciar, mas difícil de executar: rendendo nossas vidas de forma mais completa ao Espírito.

Por exemplo, consideremos a ensinamento de Efésios 5:18-21:

E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo..

Esta passagem deixa bem claro que a evidência de estar cheios do Espírito não é um sinal milagroso como a glossolália, mas que consiste em certas qualidades e atividades espirituais. Segundo esta passagem, como revela alguém que está cheio do Espírito? (1) “Falando entre vós com salmos e hinos e cânticos espirituais” – provável referência à atividade de adorar juntos a Deus; (2) entoando e louvando de coração ao Senhor[103] – o crente cheio do Espírito se deleitará cantando com o coração os louvores a Deus; (3) “dando sempre graças por tudo ao Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”; e (4) submetendo-nos “uns a outros no temor de Cristo” – o cristão cheio do Espírito é caraterizado não por fazer valer seus direitos, mas pela submissão de si mesmo. Então, estas são as marcas de que uma pessoa está cheia do Espírito.

Voltando a considerar o mandamento “enchei-vos do Espírito”, notamos três coisas a respeito[104] :

(1) O verbo está no plural “sede todos vós cheios do Espírito” (pleroúthe). Portanto, o ser cheios do Espírito não é um privilegio reservado a uns poucos; todos os crentes tem que estar cheios. “A plenitude do Espírito Santo, como a sobriedade e o domínio próprio, é obrigatória, não é opcional[105] .

(2) O verbo está na voz passiva: “enchei-vos do Espírito”[106] . O pensamento é: deixe que o Espírito te encha. Como podes fazer isso? Obviamente, rendendo-se completamente ao Espírito. O Espírito não é uma substância que se possa colocar dentro de alguém; ele é uma Pessoa que vive dentro do crente, e nós podemos ser cheios dele somente rendendo-nos mais a ele e a sua bendita influência. Outras passagens da Escritura lançam luz sobre a forma que se deve realizar essa rendição: “se vivemos no Espírito” (Gál. 5:25); “pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rom. 8:14); “não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rom. 8:4) ; “não apagueis o Espírito” (1 Ts. 5:19); “e não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef. 4:30).

(3) O verbo grego está no tempo presente. Tendo em vista que o tempo presente em grego significa ação continua, a ênfase específica do imperativo presente é indicar que algo que já começou deve continuar ou que algo que ainda não começou deve ser feito desde agora em diante como uma ação continua. Portanto, o mandamento poderia ser traduzido do modo seguinte: “continues sendo cheios com o Espírito Santo” ou “sede continuamente cheios do Espírito”. “O presente do imperativo “enchei-vos do Espírito…” indica não alguma experiência dramática ou decisiva que solucionará de uma vez por todas o problema, mas indica uma aprovação continua”[107] .

Note-se que as pessoas a quem se dirige esta epistola são aquelas que já estão seladas pelo Espírito segundo se disse anteriormente (1:13; 4:30). Em cada uma destas duas passagens o verbo que se traduz selados está no tempo aoristo, que em grego denota uma ação simples que se faz de uma vez por todas. Como vimos anteriormente, não temos direito de restringir este selo do Espírito a certos crentes em distinção dos demais; todo crente foi selado pelo Espírito, e portanto foi marcado como pertencente ao povo de Deus. Ao comparar Efésios 1: 13 e 4:30 com 5:18, chegamos a saber que ainda que todo crente tem sido selado com o Espírito Santo, nem todo o  crente permanece cheio do Espírito. Os crentes que tem sido selados com o Espírito devem ser exortados a ser continuamente cheios do Espírito.

Por certo, isso não é modo algum uma coisa fácil. O presente imperativo nos ensina que não podemos em hipótese alguma pretender que temos recebido este enchimento de uma vez para sempre. Na realidade, o ser cheios continuamente do Espírito é o desafio de toda uma vida. Apenas a oração continua, o uso continuado e fiel dos meios de graça, e a vigilância constante permitirão ao crente manter-se continuamente cheio do Espírito.

No entanto, há outras passagens das Escrituras que lançam mais luz sobre esta questão de ser cheios continuamente do Espírito. Pensemos, por exemplo, no ensinamento de Paulo no capítulo 5 de Gálatas. O argumento principal de todo o capítulo é que o povo de Deus no Novo Testamento, em distinção dos crentes do Antigo Testamento, já não necessita estar rodeado de uma rede de leis que cobre cada possível contingência moral, cerimonial e espiritual, porque agora tem que caminhar no Espírito que tem sido derramado sobre a igreja. Na realidade, este é o coração da liberdade cristã descrita em Gálatas: viver por princípio sob a direção do Espírito Santo, e à luz da Palavra de Deus. Agora notemos o que Paulo diz em 5:16: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”. O tempo grego da palavra traduzida andai é presente, denotando uma ação continuada: “seguis andando no Espírito”. Isso não é algo que devemos fazer ocasionalmente, certos dias da semana, ou quando estamos com certo tipo de pessoas, mas todo o tempo. A vida não pode ser dividida em departamentos sagrados e seculares; toda a vida é sagrada.

No entanto, alguém poderia perguntar: O que significa andar no ou pelo Espírito? Eu diria que significa duas coisas: viver sob a direção do Espírito, e viver pela força do Espírito. Viver sob a direção do Espírito significa esperar no Espírito, perguntando que é o que o Espírito quer que façamos, aonde que o Espírito quer que vamos. Isso inclui o estudo diário das Escrituras, uma vez que o Espírito não nos guiará a menos que pela Palavra. As supostas revelações diretas do Espírito jamais deve ser exaltadas acima da Palavra escrita, nem devemos esperar simplesmente receber uma espécie de mística “luz interior”. Quanto melhor conhecermos a Bíblia, melhor fruiremos o caminhar no Espírito. Negativamente, caminhar no Espírito é calar o clamor das vozes da carne, reprimir a energia da parte carnal, restringir todo impulso até que se haja provado o que é de Deus. Positivamente, caminhar no Espírito significa ser guiados por ele, prestar-lhe atenção a cada momento (a medida que ele se revela na Palavra), render-se a ele continuamente. Como a agulha da bússola que se volta para o norte, assim nossas vontades deverão voltar-se para o Espírito regular e habitualmente.

Viver pela força do Espírito significa apoiar-se nele para receber o necessário poder espiritual. Significa crer que o Espírito pode dar-nos a força adequada para cada necessidade, pedindo esse poder em oração sempre que o necessitarmos e usando esse poder pela fé na vida cotidiana. A única maneira que podemos caminhar no Espírito é mantermos em contato contínuo com ele. A diferença entre um aparelho de radio movido a pilha ou a bateria e o que se conecta à corrente elétrica é que este último sempre deve ser conectado com a fonte de poder para que funcione. Deus nos dá força não segundo o princípio da pilha ou bateria, mas segundo o princípio da conexão à corrente elétrica; necessitamos dele em cada momento.

Quando andamos continuamente no Espírito, podemos pedir o cumprimento da promessa “jamais satisfareis à concupiscência da carne”. Este não é um segundo mandamento; é uma promessa. Deus sabe quão fácil é ainda para o crente cair em modos carnais de vida e de pensamento. Mas aqui está a promessa: se andarmos no Espírito, não satisfaremos os desejos carnais. Porque estes dois se opõem como o fogo e a água. É impossível combater o pecado com apenas dizer-lhe não; quanto mais se luta com um limpador de chaminé, mais sujo fica. Não devemos ser vencidos do mal, mas temos que vencer com o bem o mal.

Portanto, de Gálatas 5:16 aprendemos novamente que ser cheios do Espírito é muito mais que uma experiência de um momento instantâneo que um homem pode ter tal ou qual dia, às 10:45 da noite. Trata-se antes de um andar com Deus que dura toda uma vida, e que inclui uma dependência vitalícia da direção e da força do Espírito.

Consideremos mais uma passagem do Novo Testamento que se relaciona com isso, Romanos 12:1, 2:

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Nos capítulos anteriores desta epístola, Paulo apresenta de uma maneira magistral o caminho da salvação pela fé em Cristo. Nos versículos mencionados, que se inicia a seção de vida prática da epístola, Paulo resume numa oração magnífica todo o dever do redimido: “Rogo-vos”, diz, “pelas misericórdias de Deus” – as mesmas misericórdias que de forma comovedora e inspirada é  descrita nos capítulos anteriores “que apresenteis vosso corpo por sacrifício vivo”. A palavra apresenteis, usada comumente para descrever a ação de levar um sacrifício ao sacerdote do templo, faz recordar a imagem de um fiel que conduz uma ovelha ou um bezerro ao átrio do templo, com a finalidade de oferecer como sacrifício a Deus. Atualmente, diz Paulo, vós que sois crentes do Novo Testamento, ainda sois chamados a oferecer sacrifício a Deus. Apenas que os sacrifícios que vós deveis oferecer já não são os sacrifícios sangrentos prescritos pela lei do Antigo Testamento – estes foram todos abolidos. Os sacrifícios que deveis oferecer são vossos próprios corpos. Deveis oferecer vossos corpos a Deus de forma tão completa, tão irrevogavelmente como os fiéis do Antigo Testamento ofereciam os carneiros ou bezerros no templo. Uma vez que tendes dado vossos corpos a Deus, não podeis retornar pedindo-os de volta. Esta oferta é uma transação de uma vez para sempre; é uma decisão que determina o curso de uma vida[108] .

Ainda que esta oferta deve ser apresentada de uma vez para sempre, no entanto, envolve um processo contínuo de transformação. Isso depreendemos do versículo 2. Aqui são usados dois  imperativos, ambos em tempo presente, o primeiro na forma de proibição, o segundo na forma de um mandamento positivo. “Não vos conformeis com este século”, e Paulo prossegue, “mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Não sigais sendo moldados por este mundo – de modo que alguém tenha que usar um lente de aumento para notar a diferença entre vós os cristãos e a gente do mundo. Não sigais tentando ser como são os vossos vizinhos e amigos mundanos, o que evita que sejais destacados da multidão deste mundo, ou que pensem que sois de mente estreita ou exótico. Mas sede continuamente transformados pela renovação de vossa mente. Isto é, deixem que em vós haja uma gloriosa novidade! Que hajam novos motivos, novas metas, novos propósitos, novos valores e novos motivos de deleite! Sejas cada vez mais distintos do mundo que os rodeia – o mundo de egoísmo, de cobiça, de concupiscências, de loucura pelo dinheiro. Porque esta transformação não é algo que ocorre instantaneamente; é um processo dinâmico que toma toda a vida. Cada ano, cada dia, cada hora, a transformação deve seguir. Somente o poder de Deus pode produzir isso. Somente pela oração perseverante podeis seguir sendo transformados cada vez mais à imagem de Cristo.

Então, que aprendemos de Romanos 12:1,2? Primeiro, aprendemos que deve haver uma rendição de uma vez para sempre na qual apresentamos nossos corpos a Deus como sacrifício vivo, para que por nosso meio seja feita sua vontade, esta rendição deve ter ocorrido no momento da conversão. No entanto, pode ocorrer que uma pessoa que pensa que se converteu ainda na pouca idade se dê conta de que realmente nunca havia se rendido a Deus antes, e portanto o faz mais tarde na sua vida. Não seria adequado chamar isso de uma experiência de pós-conversão uma vez que a primeira experiência não foi uma experiência de conversão genuína. Outra possibilidade é muito mais comum. Os cristãos que se tem convertido verdadeiramente podem-se encontrar em períodos de relaxamento espiritual, de modo que necessitam de vez em quando render-se novamente a Deus. Tais experiências, no entanto, deverão ser confirmações ou reafirmações de decisões feitas antes, não seria justo chamar a tais reafirmações “batismos com o Espírito” uma vez que as Escrituras ensinam que o Espírito mora dentro do crente desde o momento da regeneração e da conversão. Portanto, o argumento de Romanos 12: 1 é que deve haver uma rendição de nosso ser a Deus de uma vez por todas, ainda que esta rendição tenha que ser reafirmada de vez em quando.

No entanto, este não é o encerramento da questão. Mediante Romanos 12:2 sabemos que não apenas deve haver uma rendição decisiva de nossos corpos a Deus, mas que deve haver uma transformação continua de nossas vidas, uma renovação diária de nossa mente, um provar a cada instante de qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Depois que alguém tem oferecido seu corpo a Deus como um sacrifício vivo, não pode ficar dormindo sobre os lauréis; deve continuar seguindo nessa rendição por meio de uma vida sacrificial cotidiana. Portanto,  ter de reiteradamente nos render a Deus e sermos cheios do Espírito não é uma experiência de um momento na forma de crise, mas uma disciplina espiritual que compreende toda uma vida de esforço de consagração em oração, estudo e meditação da Palavra e participação em outros meios de graça.

Não podemos neste ponto nos acharmos num terreno comum com nossos irmãos pentecostais e neopentecostais? Damos graças a Deus por tudo o que ele tem feito por seu Espírito Santo nos corações e vidas destes irmãos cristãos na forma de uma maior devoção a Cristo, de um testemunho mais fervoroso do seu amor, e de um andar mais íntimo com Deus. No entanto, não estarão eles de acordo conosco em que não importa que experiências alguém tenha tido, não importa que “batismos do Espírito” creia haver recebido, não importa que dons espirituais tenha exercido, nunca poderiam nesta vida dizer que por fim tem chegado ao alvo? Não é a vida cheia do Espírito Santo um desafio para toda a vida? E não deveríamos todos seguir dizendo o que um homem cheio do Espírito Santo, escrevendo sob a inspiração do Espírito, disse de forma tão eloqüente: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”?

por Anthony Hoekema

Traduzido do Anamim Lopes da Silva
Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil em Brasília-DF

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[1] Esta palavra, derivada do grego glossa, língua e lalia, falar, será usada como sinônimo de falar em línguas.

[2] Ainda que neste ponto a tradução do grego para o inglês põe Himself (Ele mesmo), com maiúscula, obviamente é um erro, posto que a referência é a Paulo e não ao Espírito.

[3] Infelizmente, não temos o texto grego desta parte. No entanto, o texto latino diz: quos et spirituais Apostolus vocat (Migne, Patrologia Graeca, VII, 1137). Note-se que et precede à palavra spirituales. O argumento é este: aqui temos uma palavra diferente da que o apóstolo usa para um grupo similar de pessoas. Dai que uma melhor tradução seria “a quem o apóstolo também chama espirituais”.

[4] No entanto, cabe destacar que no texto latino o verbo ouvir está no tempo perfeito: audivimus, isto é, ouvimos. Em relação a isso é significativo o comentário de Warfield: “A juventude de Ireneu passou-se em companhia de discípulos dos apóstolos…” (Miracles Yesterday and Today, [Milagres no Passado e no Presente] p. 25). Ireneu poderia simplesmente estar informando do que ainda jovem havia ouvido daqueles que haviam estado com os apóstolos.

[5] Um proeminente autor pentecostal cita Agostinho dizendo: “Todavia fazemos o que os apóstolos praticavam quando punham as mãos sobre os samaritanos e pediram que o Espírito Santo descessem sobre eles pela a imposição de mãos. Espera-se que os convertidos falem novas línguas” (Carl Brumback – O quer dizer isso?, pp. 103, 104, Editorial Vida, Florida). A mesma citação encontra-se em With Signs Following (Estes Sinais Seguirão) de Stanley Frodsham (p. 254, edição de 1946) e em They Speak With Others Tongues (Eles Falavam em Outras Línguas, p. 83) de John L. Sherrill. No entanto, e nenhum caso se faz referência à documentação desta afirmação. Em face da citação documentada apresentada acima, que deixa uma impressão complemente oposta, podemos ter a certeza de que Agostinho realmente disse o que Brumback e Frodsham disseram que disse?

[6] Carl Brumback, O que quer dizer Isso?, pp. 333, 338.

[7] Ralph M. Riggs, O Espírito Mesmo, pp. 99 -101.

[8] Note-se a idéia que há por trás desta concepção: além da conversão e da santificação, há uma terceira obra da graça.

[9] Como exemplo da influência mundial do avivamento da Rua Azusa basta mencionar T. B. Barratt, fundador do pentecostalismo norueguês, considerado pela maioria como o apóstolo do movimento pentecostal na Europa. Ele recebeu o batismo do Espírito e começou a falar em línguas por influência da missão da Rua Azusa (Nils Bloch Hoefi, The Pentecost Movement (O Movimento Pentecostal), pp. 66, 67, 75).

[10] Estas cifras foram entregues pela sede denominacional das Assembléia de Deus em julho de 1965.

[11] Note-se que esta igreja ensina três obras da graça distintas.

[12] Entende-se por “batismo do Espírito”, “batismo no Espírito”, “batismo com o Espírito” ou “batismo espiritual” (estas expressões as usaremos como sinônimas) a experiência instantânea em que uma pessoa que já é crente é completamente cheia do Espírito Santo, e assim recebe todo o poder para o serviço cristão. Todas as igrejas pentecostais devem buscar este batismo espiritual.

[13] Entre os grupos pentecostais que sustentam esta posição estão a Igreja de Deus, a Igreja de Deus em Cristo, e a Igreja Pentecostal da Santidade.

[14] Neste ponto somente estamos considerando a posição de membros das igrejas pentecostais. A questão dos pontos de vista dos neopentecostais será considerada mais adiante neste capítulo.

[15] Carl Brumback, O Que Quer Ser Isso? pp. 296, 297 (as cursivas são de Brumback). Este livro me foi recomendado por Russell Spittler, membro da faculdade do Instituto Bíblico Central, como um dos dois melhores livros que apresentam os ensinamentos das Assembléias de Deus sobre a glossolália. O outro livro mencionado era o de Ralph M. Riggs, O Espírito Mesmo. Os outros grupos pentecostais não tem publicado estudos doutrinais tão completos como estes. Portanto, será nestes dois livros que nos basearemos principalmente para apresentar o ensinamento pentecostal sobre o batismo espiritual e a glossolália.

[16] Ralph Riggs, O Espírito Mesmo, pp. 84-85.

[17] Obra citada pp. 221, 222. Note-se também a seguinte afirmação que aparece em uma nota de rodapé de uma página: “Não é prerrogativa de nenhum autor interpretar infalivelmente as crenças de todo o movimento pentecostal acerca das línguas. No entanto, sentimos que na maioria dos casos este volume apresentará somente o que geralmente crê o movimento; e naqueles casos em que possamos apresentar uma convicção pessoal que não é aceita pelo movimento em geral, temos que ter muito cuidado em faze-lo saber”. Na página referida não há indicação de que a “crença sincera” citada acima não seja aceita geralmente pelo movimento pentecostal. O alcance do contexto, em realidade, é que esta crença é uma que todos, ou certamente, a maioria dos pentecostais sustentam em comum.

[18] Ralph Riggs, o Espírito Mesmo, p. 81.

[19] Ibid., pp, 81, 123.

[20] Ibid., pp. 123, 124. Compare-se com a declaração de Morton Kelsey, Tongue Speaking, p. 78: “O cristão que recebe o batismo espiritual e fala em línguas entra então em uma vida carismática em que está aberto para receber todos os demais dons do Espírito”. Ke1sey reproduz aqui o ensinamento pentecostal,

[21] Brumback, O Que Quer Ser Isso?, pp. 313-328.Segundo Bloch-Hoell, o movimento pentecostal em suas primeiras etapas não distinguiu entre glossolália como sinal do batismo do Espírito e como dom da graça. Geralmente se cria naquele tempo, segue dizendo, que a glossolália em conexão com o batismo do Espírito era um dom permanente da graça. No entanto, mais tarde se introduz a distinção descrita acima; esta distinção agora é feita comumente, se não por todos, pelo menos pela maioria dos pentecostais (obra citada p. 142).

[22] Segundo Bloch-Hoell, o movimento pentecostal em suas primeiras etapas não distinguiu entre glossolália como sinal do batismo do Espírito e como dom da graça. Geralmente se cria naquele tempo, segue dizendo, que a glossolália em conexão com o batismo do Espírito era um dom permanente da graça. No entanto, mais tarde se introduz a distinção descrita acima; esta distinção agora é feita comumente, se não por todos, pelo menos pela maioria dos pentecostais (obra citada p. 142).

[23] Brumback, obra citada, pp, 329-348.

[24] Ibid., p. 393. Sobre o uso congregacional das línguas, veja-se as páginas 349-358.

[25] Riggs, obra citada, pp. 189-200.

[26] Brumback, obra citada, pp. 359-383. Está implícito nesta discussão que nem todas as igrejas pentecostais observam as restrições que o Apóstolo Paulo estabelece sobre o falar em línguas em I Coríntios 14:27-28.

[27] Ibid., p. 13. Riggs sugere que os discípulos falaram 15 idiomas diferentes naquele dia (obra citada, p. 89).

[28] Brumback, obra citada, pp. 298, 313, 314.

[29] Ibid., pp. 354-355.

[30] Ibid., pp. 132-133.

[31] Ibid, p. 129, n. 1.

[32] Note-se que aqui “receber o Espírito” significa ser batizado com o Espírito. Pentecostais e neopentecostais com freqüência usam a expressão “receber” como sinônimo de batismo do Espírito.

[33] Note-se que aqui não há uma expressão qualificativa como “normalmente”, “geralmente”, ou “na maioria dos casos”.

[34] Note-se que entre as pessoas que respaldam esta declaração está Tod Ewald, a quem o Senhor KeIsey, como vimos, o apresenta como de uma opinião diferente.

[35] No entanto, ao reproduzir estes ensinamentos, nos apoiamos abundatemente em escritos pentecostais, especialmente em homens tais como Carl Brumback e Ralph M. Riggs, uma vez que estes nomens falam representativamente pelo movimento pentecostal, e portanto eles apresentam os ensinamentos pentecostais em maior detalhe que outros escritores. Como temos visto, a posição majoritária do neopentecostalismo acerca da importância das línguas é a mesma do pentecostalismo; geralmente não se encontra nos escritos neopentecostais os mesmo tipos de passagens e a mesma interpretação básica das passagens que se encontram na literatura pentecostal. Mas quanto a isso, cremos que o tratamento da posição pentecostal sobre as línguas também servirá como tratamento da posição neopentecostal.

[36] CArl Brumback, O que Quer Ser Isso? pp. 352-353; Ralph M. Riggs, O Espírito Mesmo, pp. 66, 79, 162.

[37] P. C. Nelson, Doutrinas Bíblicas; Riggs, obra citada p. 96; Brunback, obra citada, pp. 134, 339.

[38] Em Joel a chuva temporã e a chuva serôdia simplesmente são figuras simbólicas que representam as bênçãos do Senhor que seguirão às pragas e desastres descritos nos primeiros capítulos do livro. Na passagem de Tiago a figura do lavrador que espera a chuva temporâ e sarôdia se usa para ensinar a paciência na espera da vinda do Senhor.

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 [73] Se por profecia aqui se entende um dom milagroso que compreendia a capacidade de receber revelações diretas de Deus, seria uma exceção à declaração feita anteriormente. No entanto, é possível que a palavra profecia segundo se usa aqui signifique simplesmente o dom de pregar a palavra, posto que os demais dons mencionados no contexto imediato não são do tipo sobrenatural ou milagroso.

[74] O caso dos samaritanos é citado em particular para efeito de confirmação, uma vez que em Samaria os dons especiais do Espírito não foram outorgados até que os apóstolos tivessem descido de Jerusalém (Warfield, p. 23).

[75] O que Quer Ser Isso?, pp. 65, 66.

[76] Incidentalmente, não creio ser aceitável que alguém evoque em relação ao que ora se discute I Coríntios 13:8: “as línguas cessrão”. Porque o mesmo versículo diz que também “cessarão as profecias e a ciência”, e o contexto posterior esclarece que o contraste aqui não é entre a idade apostólica e a era que segue, mas entre o período que está antes da segunda vinda e o que segue depois da segunda vinda, “quando virá o que é perfeito” (v. 10).

[77] Barnabé também é chamado apóstolo no versículo 14.

[78] Brumback, obra citada, p. 387.

[79] Ibid., pp. 349, 388-399.

[80] Aqui não pretendo sugerir que podemos nos render a nós mesmos de forma mais completa ao Espírito por nossas próprias forças. Nós podemos fazer isso somente pelo poder de Deus (Jo. 15:5; Fil. 4:13). Mas meu argumento é: não necessitamos esperar uma experiência adicional de batismo do Espírito Santo antes de nos rendermos completamente ao Espírito.

[81] Brumback, obra citada, p. 320.

[82] O Espírito Mesmo p. 81.

[83] Ibid., p. 83.

[84] Ibid., p. 81.

[85] P. C. Nelson, Doutrinas Bíblicas.

[86] Riggs., p. 75.

[87] Ibid., p. 76.

[88] Ibid., p. 82.

[89] Ibid., p. 84.  

[90] Brumback, obra citada, p. 325.

[91] Ibid., p. 335.

[92] Ibid., p. 335.

[93] Ibid., p. 335.

[94] Ibid., p. 336.

[95] Ibid., pp. 337-338.  

[96] Veja-se o capítulo 2

[97] O que quer ser isso?, p. 349.

[98] Ibid., p. 310.

[99] Parece particularmente difícil manter esta identidade quando se tem em conta os muitos séculos em que a glossolália esteve virtualmente ausente da igreja.

[100] Nesta conexão, é importante notar que pelo menos dois lingüistas competentes, depois de analisar mossas de glossolália gravadas em fitas magnéticas, chegaram a conclusões idênticas: o que ouviram não são idiomas reais mas formas de linguagem extática, com uma peculiar estrutura baseada em consonantes e com um muito limitado uso de vogais, que não tem semelhança com nenhum idioma falado na terra.

[101] Se bem que se deve lembrar que há denominações pentecostais, como a Igreja Pentecostal Unida (Só Jesus), que são unitários, negando que há três Pessoas na Trindade. No entanto, a maioria das denominações pentecostais repudiam este ensinamento.

[102] Aqui não se afirma que alguém pode render-se mais completamente ao Espírito por sua própria força, sem ajuda. Apenas estou dizendo que a Bíblia não ordena aos crentes que esperem um batismo do Espírito depois da conversão; mais bem lhes ordena que sigam andando no mesmo Espírito em quem vivem (Gál. 5:25).

[103] É boa esta tradução de ARA/SBB “de coração”, que sugere que este louvor pode ser até silencioso. O grego permite também a  tradução “com os vossos corações”.

[104] Com muita gratidão reconheço minha dívida ao Sr. Stott por estas observações sobre esta passagem (Obra citada, pp. 30-31).

[105] Ibid., p. 31.

[106] Realmente, o verbo poderia ser voz média ou passiva, mas aqui se ajusta melhor ao sentido a voz passiva.

[107] Ibid., p. 31.

[108] O tempo do verbo traduzido por “apresenteis” é aoristo, implicando que é uma ação que se realiza de uma vez para sempre.

Você é “Cristão” ? TEM CERTEZA ?

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A Bíblia não esconde o fato de que além do cristianismo verdadeiro, legítimo, renascido da “água e do espírito”, há também um cristianismo aparente, formado por “cristãos” que não estão ligados a Jesus, não estão enraizados nEle, não vivem nEle e nem por Ele. Mesmo que tudo pareça legítimo, eles não passam de uma imitação. É desses “cristãos” que Paulo fala ao escrever a Timóteo, em sua segunda carta: “…tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3.5). A Edição Revista e Corrigida diz: “…tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. Na Nova Versão Internacional lemos: “…tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também”.

Sendo cristão sem ser cristão

De acordo com pesquisas nos EUA, quase metade dos americanos se dizem cristãos renascidos. Mas uma análise mais aprofundada revelou que muitos confundem o novo nascimento com uma sensação positiva a respeito de Deus e de Jesus.

Um levantamento estatístico entre os cristãos praticantes nos EUA apresenta resultados desanimadores, o que também é representativo em relação à Europa:

  • 20% nunca oram
  • 25% nunca lêem a Bíblia
  • 30% nunca vão à igreja
  • 40% não apóiam a “obra do Senhor” por meio de ofertas
  • 50% nunca vão à Escola Bíblica Dominical (de todas as faixas etárias)
  • 60% nunca vão a um culto vespertino
  • 70% nunca dão dinheiro para missões
  • 80% nunca freqüentam uma reunião de oração
  • 90% nunca realizam culto em família [1]

Se a situação já é assim na América marcada pela influência do puritanismo, quanto mais na superficial Europa.

O próprio Senhor Jesus advertiu a respeito da confissão nominal, que carece de conteúdo verdadeiro, ou seja, que não está de acordo com o que vai no coração: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.21-23). Com isso, o Senhor esclarece quatro pontos básicos: há duas coisas que não são de forma alguma suficientes para que alguém seja salvo, e outras duas são imprescindíveis para que alguém seja redimido.

Duas coisas insuficientes para a salvação

Nem a simples confissão “Senhor, Senhor” (1) nem as obras em nome de Jesus (2) são suficientes para alcançar a salvação eterna. Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações são meramente formais, os atos de caridade são feitos em nome de Jesus sem que aqueles que os realizam pertençam a Ele ou sejam filhos de Deus. Quantos indivíduos “cristãos” realizam atos cristãos sem pertencerem a Cristo! É assustador que no fim Jesus até mesmo condena as suas ações como sendo iníquas: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Duas coisas imprescindíveis para a salvação

Precisamos fazer a vontade de Deus (1) e precisamos ser conhecidos por Deus (2).

1. Fazer a vontade do Pai celeste não é realizar muitas boas ações, pequenas e grandes, mas ter fé em Jesus Cristo, entregar conscientemente a vida a Ele e obedecer-Lhe na prática.

O judaísmo da época de Jesus tinha “boas ações” para apresentar: muitos eram fanáticos em seguir a lei, lidavam com a Palavra de Deus, expulsavam maus espíritos e faziam milagres. Mas uma coisa eles não queriam: crer em Jesus Cristo e, assim, aceitar a misericórdia que recebemos por meio dEle. Pensavam que chegariam ao céu sem Ele, que Deus reconheceria as suas obras e lhes permitiria entrar. Porém, foi justamente nesse ponto que Jesus tratou de contrariar seus planos. Eles tinham de aprender e aceitar que a vontade de Deus era que reconhecessem sua própria falência espiritual e cressem em Jesus.

Nós enfrentamos o mesmo problema hoje. “Cristãos” nascidos em um ambiente cristão pensam que conseguirão ir para o céu por meio de obras cristãs. Ao lhes dizermos que nada disso serve, que no fim das contas as suas ações são iniqüidades inaceitáveis aos olhos de Deus e que eles continuam perdidos, a grande maioria reage de forma irritada, por pensar que não precisam de Jesus pessoalmente. Quando Jesus foi questionado: “Que faremos para realizar as obras de Deus?”, Ele respondeu: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.28-29).

2. Precisamos ser conhecidos por Deus. Haverá pessoas das quais Jesus dirá naquele dia:“Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

Não é suficiente crer em Jesus de forma superficial, reconhecê-lO, acreditar em Sua existência ou aceitá-lO até certo ponto. Não – é preciso que haja um encontro pessoal com Ele.

Posso dizer: “Conheço o presidente do Brasil”. De onde o conheço? De suas aparições na mídia. Mas será que ele me conhece? Claro que não! No entanto, se eu fosse convidado a visitá-lo, teria a oportunidade de ser conhecido por ele.

O Senhor Jesus convida cada ser humano, de forma pessoal, a entregar-se a Ele: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Quem aceita esse convite, quem se achega a Ele com todos os seus pecados, quem O aceita em seu coração e em sua vida e crê em Seu nome (Jo 1.12), esse é conhecido por Ele. Quem fez isso reconheceu o Pai e o Filho de Deus e entrará no céu: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

“Tens nome de que vives…

…e estás morto” (Ap 3.1). Há muitos que se chamam de “cristãos”, mas o são apenas nominalmente. O Senhor Jesus falou de pessoas que imaginariam servir a Deus matando justamente Seus verdadeiros filhos: “Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim” (Jo 16.2-3).

Em muitas igrejas, denominações e entidades cristãs as orações viraram rotinas, sem que aqueles que oram pertençam a Jesus.

Eles reivindicam autoridade teológica, pensam servir a Deus, mas não conhecem nem o Pai nem Jesus Cristo. Isso aconteceu, por exemplo, na época das Cruzadas e da Inquisição. Hoje também existe uma teologia que reivindica toda autoridade para si e rejeita os que se baseiam na Palavra de Deus. Basta lembrar das muitas seitas e do islamismo, que afirmam que Deus não tem um Filho.

Já no século VII antes de Cristo, na época do profeta Jeremias, havia dignitários religiosos meramente nominais. Ouvimos o lamento de Jeremias: “Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (Jr 2.8).

Mesmo um cristão pode apostatar da fé. Quem com sua boca confessa ser cristão, mas não pratica o cristianismo no dia-a-dia, precisa aceitar que outros lhe perguntem se não está enganando a si mesmo.

Não é exatamente isso que vemos hoje? Muitos teólogos abandonaram a fé bíblica e correm atrás de convicções que não servem para nada. Eles se abriram para religiões e correntes espirituais que não têm absolutamente nada a ver com Jesus Cristo. Isso também já aconteceu na época em que o povo de Israel peregrinou pelo deserto. Depois de ter louvado a grandeza e a soberania de Deus (Dt 32.3-4), Moisés emendou uma declaração sobre os infiéis: “Procederam corruptamente contra ele, já não são seus filhos, e sim suas manchas; é geração perversa e deformada” (v.5). Portanto, realmente é possível que aqueles que não são Seus filhos se tornem infiéis a Ele.

É dito a respeito dos filhos de Eli: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não se importavam com o Senhor… Era, pois, mui grande o pecado destes moços perante o Senhor, porquanto eles desprezavam a oferta do Senhor” (1 Sm 2.12,17). Não reconheceram ao Senhor porque desprezaram o sacrifício. Enquanto uma pessoa (por mais cristã que se considere) desprezar o sacrifício de Jesus pelo pecado, não reconhecerá o Senhor.

Todos os israelitas saíram do Egito, mas da maior parte deles Deus não se agradou, motivo pelo qual tiveram de morrer no deserto (veja 1 Co 10.1-12).

Como exemplo especial de alguém que era crente nominal e que realizava obras, mas que ainda assim estava espiritualmente morto, lembro de Balaão (veja Nm 22-24):

  • Ele era um homem a quem Deus se revelava, com quem Deus falava (Nm 22.9).
  • No começo ele foi obediente (Nm 22.12-14).
  • Ele afirmava conhecer o Senhor e O chamou de “meu Senhor” e “meu Deus” (Nm 22.18).
  • Ele adorava o Senhor (Nm 22.31).
  • Ele reconhecia a sua culpa (Nm 22.34).
  • Ele estava disposto a servir (Nm 22.38).
  • Deus colocou Suas próprias palavras na boca de Balaão (Nm 23.5).
  • Balaão abençoou Israel três vezes (Nm 23 e 24).
  • Ele testemunhou da sinceridade e da fidelidade de Deus (Nm 23.19).
  • Ele falou três vezes do Messias como Rei de Israel (Nm 23.21; Nm 24.7,17-19).
  • O Espírito Santo veio sobre ele (Nm 24.2).
  • Ele testemunhava ser um profeta de Deus (Nm 24.3-4).
  • Balaão confirmou a bênção e a maldição de Deus sobre os amigos e inimigos de Abraão (Nm 24.9, Gn 12.3).
  • Ele colocou o mandamento de Deus acima de bens materiais (Nm 24.13).
  • Ele falou profeticamente a respeito do futuro dos povos, sobre a chegada do Messias e chegou a mencionar o Império Mundial Romano [Quitim] (Nm 24.14-24).

Apesar de tudo isso, a Bíblia chama Balaão de falso profeta, vidente e sedutor (veja Nm 31.16; Js 13.22; Ne 13.1-3; 2 Pe 2.15-16; Jd 11; Ap 2.14-16). Por quê? Porque Balaão fazia concessões e aceitava comprometimentos, e levou o povo de Deus a se misturar com outros povos. Havia uma discrepância entre suas palavras e ações. “Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do SENHOR se acendeu contra Israel” (Nm 25.1-3). Balaão havia levado Israel a essa prostituição (Nm 31.16; Ne 13.1-3). Pedro chama Balaão de alguém que“amou o prêmio da injustiça”. Na Epístola de Judas ele é chamado até mesmo de enganador (“erro de Balaão”) e no Apocalipse ele é apresentado como alguém que “armou ciladas”.

A Bíblia diz a respeito das pessoas nos últimos tempos que “os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13). Quem tende a prostituir-se espiritualmente ou a comprometer sua fé e suporta, permite e pratica essas coisas sem que sua consciência o acuse, tem motivo para crer que, apesar das aparências, não é um cristão verdadeiro. Com isso não estou me referindo à luta contra o pecado, que qualquer filho de Deus enfrenta. Não, aqui não se trata de “derrotas” na fé e na obediência, mas de lidarmos com o pecado de forma consciente e indiferente, de deliberadamente escolhermos a prática pecaminosa.

Não somos salvos por nossas próprias obras, mas somente pela fé em Jesus Cristo, pela conversão a Ele. Só aqueles que O aceitam, ao Filho de Deus, em seu coração e em sua vida, com fé infantil, poderão realizar obras que testemunhem a veracidade de sua fé. Essa fé precisa estar “enraizada” na Palavra de Deus. Em Sua parábola sobre o semeador, Jesus diz que há pessoas que aceitam a Palavra de Deus com alegria, mas não criam raízes para ela e mais tarde a abandonam (Mt 13.20-21). A raiz liga a planta à terra, da qual ela vive, lhe dá firmeza, extrai alimento e o conduz à planta. A raiz é um símbolo do Espírito Santo, por meio do qual estamos enraizados em Deus. O Espírito Santo nos traz a vida em Deus, à medida que extrai alimento das Escrituras.

Podemos aceitar a Palavra de Deus de forma superficial, podemos simpatizar com o Senhor, podemos acompanhar os cristãos durante algum tempo, mas depois nos afastar novamente, porque nunca nascemos realmente de novo e por isso nunca tivemos “raízes”.

Jesus disse aos Seus discípulos, àqueles que O seguiam: “Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair” (Jo 6.64). De acordo com Hebreus 6.4-6, há pessoas que foram “iluminadas”, que “provaram o dom celestial”, e que até “se tornaram participantes do Espírito Santo” e ainda assim caíram. Por quê?

  • Porque foram iluminadas, mas elas mesmas nunca se tornaram luz. A luz pode se refletir em mim, e então estou iluminado; mas é preciso mais para que eu mesmo seja luz.
  • Porque provaram, mas não comeram (aceitaram). Posso sentir o cheiro do pão, provar o seu sabor (assim como o enólogo, que toma um pouco de vinho na boca para testar seu aroma, mas depois o cospe fora). Mas é preciso que aconteça mais: precisamos comer o pão, ingeri-lo. Não basta “provar” Jesus, ou seja, experimentá-lO – precisamos aceitá-lO em nós (Jo 6.53-56,63; Jo 1.12).
  • Porque participaram do efeito do Espírito Santo, mas nunca O receberam pessoalmente. Ao ler a Palavra de Deus, ao freqüentar um culto, posso participar do efeito do Espírito Santo. Mas isso não é suficiente. Não – é preciso que haja uma renovação espiritual real.

É possível que pessoas assim imitem o cristianismo durante algum tempo, acompanhem e participem de uma igreja local. Mas um dia elas “cairão” e negarão a Jesus. Então muitos se perguntam espantados: “Como isso é possível?”

Quando o Senhor Jesus falou de comer Sua carne e beber Seu sangue para ganhar a vida eterna (Jo 6.53-59), muitos de Seus discípulos disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (v. 60) e se afastaram dEle (v. 66), apesar dEle ter lhe explicado de antemão o que isso significava: “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (v. 63).

Tornar-se cristão apesar de ser “cristão”

Enganam-se a si mesmos os que pensam que todos são cristãos! Muitas vezes, quando questionei pessoas que davam a entender isso, a resposta era: “Meus pais são cristãos”, ou: “Minha família é cristã!” Um conhecido evangelista costumava responder a essas afirmativas: “Se alguém nasce em uma garagem, isso não significa que seja um automóvel! E quando alguém nasce em uma família cristã, ainda falta muito para que se torne cristão!” (extraído de um livro de Wilhelm Busch).

Jesus disse a Pedro: “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” (Lc 22.32). Por um lado, o Senhor confirmou a fé de Pedro. Por outro lado, porém, Ele falou da necessidade de sua conversão futura. Pedro poderia ter retrucado: “Senhor, sou judeu, um filho de Abraão. Cumpro os mandamentos, fui circuncidado ao oitavo dia, guardo o sábado, oro três vezes ao dia, celebro a Páscoa e faço os sacrifícios. E  já Te sigo há três anos…” Mesmo assim, ele ainda precisava converter-se. Da mesma forma Paulo, o grande defensor da lei, precisou se converter, assim como todos os outros apóstolos e discípulos.

Toda pessoa precisa se converter se quiser ser salva – inclusive os “cristãos”, sejam eles membros da igreja católica romana, protestantes, evangélicos ou de uma família cristã. Não são poucos os que nascem no cristianismo, da mesma forma como os judeus nascem no judaísmo. Mas, não é esse nascimento que dá a salvação, alcançada somente através de um “novo nascimento”: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Precisamos nos converter mesmo que tenhamos sido batizados quando pequenos, freqüentado aulas de catecismo ou participado de cultos. Se não nascermos de novo, continuaremos perdidos.

Mais tarde, quando o apóstolo Pedro se converteu e experimentou o novo nascimento, ele escreveu em sua primeira carta: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros” (1 Pe 1.3-4).

Quem carrega em si o testemunho do Espírito Santo a respeito de seu novo nascimento (Rm 8.16) deve alegrar-se com essa certeza e agradecer a Jesus Cristo por ela. Mas quem não possui esse testemunho inconfundível do Espírito Santo e ainda assim pensa ser cristão, está sujeito a um grande engano. Mas hoje esses “cristãos”, e qualquer pessoa que queira ser salva, pode alcançar a certeza da salvação, se converter-se de forma muito séria a Jesus Cristo. Então, por que esperar mais?

Norbert Lieth

Fonte: Título original, “O Grande Engano”, Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, dezembro de 2006.

in Discernimento Cristão (blog)

A Tradução da Bíblia NVI e suas Controvérsias

6 Comentários

EXPONDO OS ERROS DA SOCIEDADE BÍBLICA INTERNACIONAL:

E da Bíblia NVI

http://www.baptistlink.com/creationists/marycontraniv.htm

Quem quer vomitar a Bíblia NVI sobre os crentes brasileiros?
(1ª edição Set/2000)

 1. Introdução

Lá vem mais uma Bíblia Moderna! O mercado insaciável de Bíblias está em festa! Será lançada no Brasil a Bíblia NVI (Nova Versão Internacional). Quem seria, ou quais seriam os responsáveis por mais essa empreitada? A resposta vem dos Estados Unidos. A International Bible Society (IBS) tem agora um nome brasileiro: A Sociedade Bíblica Internacional (SBI). Só muda o “I” e o “S” de lugar. Se a americana despejou a NIV (New International Version) sobre os crentes norte-americanos, a filial brasileira está tentando empurrar a NVI (Nova Versão Internacional) sobre os brasileiros. Quais são as credenciais da dobradinha IBS/SBI? Podemos confiar nela?

 2. Histórico

Em 1809, foi fundada em Nova York, a New York Bible Society, que posteriormente, em 1970, mudou de nome para IBS (International Bible Society). No início, ela era composta de crentes dedicados que distribuíam as Escrituras baseadas no único texto digno de respeito naquela época: O Texto Recebido, que era a base para o Novo Testamento e o Texto Massorético de Ben Chayyim para o Velho. Os anos se passaram e os ataques ao Texto Recebido aumentaram até que, em 1881, surge um texto grego falso, produzido por dois heréticos e incrédulos chamados Westcott e Hort. Em 1970, já com o nome mudado para International Bible Society, a IBS começou a trabalhar em parceria com Wycliffe Bible Translators até que, em 1978, nasceu a NIV (New International Version), baseada naquele texto grego, que difere em 9.970 palavras do Texto Recebido 3. Para querer provar a qualidade da sua Bíblia NIV, a IBS argumenta que foram anos de muito trabalho e sacrifício da seleta comissão, resultando na espetacular campeã em vendas com milhões de exemplares distribuídos a cada ano (em 2002 alegam ter atingido 160 milhões de NIV vendidas). No final da década de 80 a IBS se mudou de Nova Yorque para Colorado Springs e em 1992 a IBS se fundiu com a Living Bibles International (os detentores dos direitos de uma das mais heréticas e piores Bíblias em inglês: a Living Bible). No final da década de oitenta, também, a IBS entrou no Brasil, onde atende pelo nome de Sociedade Bíblica Internacional (SBI). Em 1994, foi publicado o Novo Testamento NVI em português, que pela má qualidade, omissões e heresias, já provocou repúdio imediato por muitos crentes. A qualquer momento, espera-se pelo pior [nota de atualização: o "pior" já aconteceu no ano de 2000]: A Bíblia completa NVI que só irá colaborar para que o crente desses dias fique mais confuso ainda com a presença de tantas versões Bíblicas contraditórias nas livrarias. Cada uma prometendo ser melhor que a outra. Para esclarecer essa confusão, vamos expor os erros da IBS (International Bible Society) que se repetem na sua irmã siamesa brasileira:

3. A Sociedade Bíblica Internacional usa na NVI, um texto grego falso e corrupto!

O texto grego usado no Novo Testamento da NVI é uma mistura estranha de 2 manuscritos provenientes de Alexandria, Egito. Note que essa cidade, que era o berço do Gnosticismo, foi o local das mais perversas heresias da igreja cristã, sendo de lá os hereges Orígenes e Árius. Os manuscritos usados para compor esse texto grego são parte de uma pequena minoria, compondo menos de 1 por cento dos manuscritos gregos existentes. Eles são tão ruins e claramente falsos, que o maior lingüista crente do século 19 chamado John William Burgon, declarou o seguinte sobre eles:

“É de fato mais fácil achar dois versos consecutivos nos quais esses dois manuscritos diferem um do outro, do que dois versos consecutivos nos quais eles concordam inteiramente.” 1

Por falar em discordância e corrupção, quantas palavras alguém estaria disposto a abrir mão da sua Bíblia? Uma palavra? Duas palavras? Cem palavras? E que tal 64 MIL palavras? Veja quantos erros e quantas palavras estão faltando na corrupta NVI e na sua irmã NIV. E que tal versos inteiros? Na NIV, PASMEM, estão faltando DEZESSETE VERSOS INTEIROS! Veja a lista:

Em Mateus:              3 versos:        17:21, 18:11 e 23:14.

Em Marcos:              5 versos:        7:16, 9:44, 9:46, 11:26 e 15:28.

Em Lucas:                2 versos:        17:36, 23:17.

Em João:                  1 verso:          5:4.

Em Atos:                   4 versos:        8:37, 15:34, 24:7, 28:28,

Em Romanos:          1 verso:          16:24 e

Em 1João:                1 verso:          5:7.

Total:                        17 versos subtraídos!

 4 A Sociedade Bíblica Internacional usa na NVI, um texto hebraico falso e corrupto!

Os tradutores da NIV americana criaram problemas sérios no Velho Testamento dessa Bíblia, pois usaram outras fontes que não a Palavra revelada de Deus preservada no Texto Massorético. Tais fontes extra-Bíblicas não tem autoridade da Palavra Revelada de Deus! Elas causaram erros com respeito aos títulos de Deus suprimindo “Senhor”, erros de omissões e adições, erros enfraquecendo as doutrinas criacionistas, erros de desrespeito aos eufemismos no hebraico que mantém a nobreza na linguagem e muito mais. 19 Espere o desastre que virá na NVI

5. A Sociedade Bíblica Internacional usa na NVI, o falso método da Equivalência Dinâmica.

Esse método é a maior desonestidade que um tradutor pode cometer. Isso foi inventado por um apóstata chamado Eugene Nida15. A Equivalência Dinâmica é uma mentira que se comete com o leitor, pois as palavras de uma língua não são vertidas para outra, ficando o tradutor numa posição de manipular o texto ao seu bel-prazer.

6. Na International Bible Society, nos EUA, havia até homossexual traduzindo a NIV.

Durante os anos em que a NIV esteve sendo preparada (1968-1978), duas pessoas da comissão eram homossexuais. Uma delas era Virginia Mollenkott. Ela declarou sem a menor cerimônia:

“Meu lesbianismo sempre tem sido parte de mim…” 18

Confirme isso aqui.

Leia mais isso de sua própria autoria confirmando que ela era lésbica enquanto trabalhava na comissão:

So far as I know, nobody including Dr. Palmer suspected that I was lesbian while I was working on the NIV; it was information I kept private at that time.”

Tradução:

“Até onde eu sei, ninguém incluindo o Dr. Palmer suspeitava que eu era lésbica enquanto eu estava trabalhando na NIV; era informação que eu mantinha privada naquela época”

(Carta de Virginia Mollenkott a Michael J. Penfold datada em 18 Dez. 1996)

Como resultado natural de seu homossexualismo Virginia Mollenkott certamente influenciou o texto da NIV, que suprimiu palavras contundentes sobre a condenação que o Senhor faz ao homossexualismo. A mais escancarada foi em 1Cor 6:10 onde as palavras “efeminados” e “sodomitas” [em grego literalmente "arsenokoites" - homem que pratica coito com outro homem] foram retiradas e substituídas por “male prostitutes” (homens prostitutos) e “homosexual offenders” (ofensores de homossexuais!). Veja, agora, que se você prega para um homossexual que ele está em pecado, você o está ofendendo e você é que está cometendo o pecado imperdoável!!!

Completamente diferente da condenação Bíblica!

A outra figura que levantou muita discussão, foi o Dr. Marten Woudstra, o, “nada mais, nada menos”, chefe da comissão do Velho Testamento da NIV! Ver também o livro de Carl Graham com o título “Sodomy and the NIV” (Sodomia e a NIV) de 1991. Vejamos 4 fatos sobre essa figura chamada Marten Woudstra:

Fato 1: Ele nunca se casou (fato que, isoladamente, não quer dizer nada, não fossem os 3 outros abaixo…).
Fato 2: Retirou todas as palavras “sodomita(s)” no Velho Testamento da Bíblia NIV!
Fato 3: Declarou que a Bíblia não condena o homossexualismo! (isso não é ignorância, mas rebeldia)
Fato 4: Era amigo de uma organização sodomita e do seu fundador (Dr. Ralph Blair) que promove o homossexualismo chamada Evangelicals Concerned Inc.!

Cada um que tire suas conclusões!

 7. Veja quem são os donos da International Bible Society nos EUA

“A corporação Zondervan, que costumava ser uma respeitada editora cristã de Grand Rapids, Michigan, tornou-se uma companhia pública via uma oferta inicial de ações há uns 15 anos atrás [1978?]. Isto foi em torno da mesma época em que a Bíblia NIV foi publicada por um grupo em Nova York chamado de Sociedade Bíblica Internacional, que financiou o projeto. Eles então deram à Zondervan Corp., os direitos exclusivos da edição/publicação da versão NIV da Bíblia. Após a oferta inicial, o preço das ações subiu moderadamente, porém, mais tarde o preço caiu abruptamente e muitos investidores perderam dinheiro. Em 1985, um investidor entrou com um processo judicial onde disse que ele foi induzido a comprar as ações Zondervan por causa de declarações falsas que a companhia fez à Comissão de Bolsa de Títulos Públicos e Valores (SEC). Em 1989, isto foi bem difundido pela imprensa: ‘Corp. Zondervan de Grand Rapids, Michigan, alcançou um acordo fora do tribunal de $3.57 milhões com investidores que contestavam sua perda de dinheiro quando irregularidades foram encontradas nos registros/livros/arquivos financeiros da editora religiosa.’” 17

Em 1988, a Zondervan, sofrendo com a queda de vendas, estava em apuros financeiros como conseqüência de ter expandido muito rapidamente no início dos anos 80. Em julho de 1985, The Wall Street Journal relatou:

“Em 1978, a companhia introduziu a versão New International Version da Bíblia, a qual é a líder de mercado na venda de Bíblias. Nos dois últimos anos, muitos investidores compraram e venderam ações da Zondervan, espalhando especulação que a companhia tinha achado um comprador. Em maio, um grupo investidor tinha feito uma oferta de $ 10.50 por ação, mas os dois lados não chegaram a um acordo.”

Então, um agressivo magnata da mídia chamado Rupert Murdoch (dono da Fox television), comprou a Zondervan por 56,7 milhões de dólares, ou seja, $13.50 dólares por ação. A cotação da Zondervan subiu $4,25 dólares por ação com o anúncio. Murdoch, um cidadão do mundo internacional, começou na Austrália, via sua companhia, a News Corp. Nos anos recentes, Murdoch construiu um Mega império da mídia, com faturamento de 10 bilhões de dólares por ano (dado desatualizado). A Zondervan Corp. se tornou, então, a sua subsidiária, adquirida pela publicadora Harper Collins (a mesma companhia que publica a “Satanic Bible” e “Satanic Rituals“). Veja o organograma abaixo:

Agora pergunto:

Será que se pode confiar em uma editora que se propõe a distribuir Bíblias e ao mesmo tempo lança suas ações no mercado para dar lucro a investidores que não têm compromisso algum com Deus? Será que se pode confiar em uma editora cujo dono é um magnata da MÍDIA SECULAR e dono da 20th Century Fox e da revista Seventeen, cheios de erotismo? Ao leitor CRENTE: Irmão! Acorda! Abra os olhos! Coloque sua mão na consciência e acorde! Ponha isso diante do Senhor e saiba que Deus irá trazer a juízo os corruptores da Sua Palavra! Você quer tomar parte nisso?

Esse homem já citado, dono da Bíblia NIV, Rupert Murdoch recentemente fêz uma “pequena” oferta de 10 milhões de dólares (!) adivinha para quem… Para a construção da nova catedral católica em Los Angeles, Califórnia. Parte do dinheiro, é claro, pode ter sido retirado dos lucros da venda na NIV, comprada por ingênuos crentes “fundamentalistas”… Murdoch é dono dessa vasta rede da mídia mencionada, incluindo cinema, TV, a Fox Television, 20th Century Fox Films, Direct TV (com seus canais de pornografia…) London Times, o jornal New York Post, a Harper Collins e é claro, a Zondervan. O fato que suas estações de TV e produções de filmes indecorosos, não impediu o cardeal de Los Angeles, Roger Mahony, de ungí-lo juntamente com sua esposa (agora já é “ex”, depois de ser trocada por outra de metade da idade) como membros da Ordem Pontifícia de São Gregório, o Grande, em janeiro de 1998. Esse título de cavalheiro foi concedido da parte do Papa que é dado a pessoas de “caráter imaculado” e que têm “promovido os interesses da sociedade, da Igreja [Católica] e da Santa Sé [Vaticano].”

Quando se diz que a Bíblia NVI / NIV é uma Bíblia católica, os fundamentalistas que não sabem nada desses fatos, não pesquisam nada, e só vão na onda do que os outros dizem, fazem cara feia e dizem que é um exagero. Está aí para quem quiser ver, a prova incontestável de um homem que é dono da NIV e que doa 10 milhões de dólares de bandeja para o Papa.

Não só isso, note também, que o ecumenismo escancarado está impregnado na International Bible Society, que patrocinou uma conferência na qual um sacerdote católico romano chamado Cosme Damian Vivas foi um dos palestrantes! Isso ocorreu em 13-15 de agosto de 2002, no Larson Center em Quito, Equador. Esse palestrante é pertencente ao Seminário da Grande Arquidiocese de Colom, Equador21. Tal afiliação, que é uma blasfêmia e uma afronta ao evangelho, não parece impressionar a International Bible Society, que revela abertamente seu ecumenismo, demonstrando claramente aos crentes com um mínimo de discernimento, sua total incompetência espiritual para produzir qualquer tradução Bíblica! (tarefa completamente inútil em vista da existência da Bíblia King James – que é a Palavra de Deus intacta na língua inglesa)

8. Veja o que a Zondervan publica nos EUA. 20

Deixe-me perguntar uma coisa: se a Comissão de Tradução da NVI em português está tão preocupada em negar e se desassociar da herética linguagem inclusiva “unisex“, porque a Zondervan, que é o patrão da Sociedade Bíblica Internacional, publica também a New Revised Standard, NIrV, a NIV na Inglaterra, e a mais recente TNIV (Today’s New International Version) 22 que são escândalos de radicalidade “unisex“? A resposta é óbvia! Os crentes que comprarem a Bíblia NVI vão estar sustentando uma organização que não tem o menor compromisso com a fidelidade e sim com a moda dessa insaciável apostasia atual!

Por exemplo, a TNIV muda pai (father) para genitores (parent), filho (son) para crianças ou pessoas (children ou people), irmão (brother) para irmão e irmã (brother, sister, someone ou person), etc. Isso é só o começo… É só uma questão de tempo para que algum “iluminado” erudito da seita Alexandrina resolva produzir mais essa BARBARIDADE que será a Bíblia dos homossexuais. Quem viver verá! De modo irônico, espantoso e vergonhoso, a NIV - edição em linguagem inclusiva, forma um incrível e blasfemo acróstico. Creio que isso não é coincidência, mas foi permitido pela providência de Deus para alertar os crentes de olhos abertos Veja:
New International Version Inclusive Language Edition (NIVILE) ou…: NI-VILE
VILE” em inglês significa: Vil, abominável, perverso, depravado, imoral, detestável…
Mentiras para promover a NIV. . .
MENTIRA 1 A NIV “apenas” atualiza as palavras “arcaicas” e as tornam “mais fáceis de entender”. Nada é “realmente mudado”. FATO: A NIV nega a divindade de Jesus Cristo; o nascimento virginal; glorifica Satanás; mente abertamente; remove 17 versos completos e 64.576 palavras!
MENTIRA 2 A NIV é mais fácil de ler e entender. FATO: De acordo com o método de pesquisa de nível de escolaridade chamado Flesch-Kincaid, a Bíblia King James é de longe a mais fácil! Em português o resultado seria equivalente dando vitória folgada à Almeida… A King James obteve uma média de 5.8 – a NIV : 8.4! (New Age Bible Versions, Riplinger, pp.195-209)
MENTIRA 3 Manuscritos mais velhos e confiáveis foram descobertos desde que foi produzida a King James. FATO: O Dr. Samuel Gipp escreve, “O fato é que, os tradutores da King James tinham em seu poder TODAS AS LEITURAS disponíveis que os críticos modernos têm hoje.” (The Answer Book, Gipp, p.110) Além do mais, é um fato bem documentado que 90 – 95 porcento de todas as leituras concordam com a Bíblia King James!
MENTIRA 4 A NIV é mais precisa. FATO: A Bíblia King James é uma tradução literal palavra por palavra (bem como a Almeida Corrigida Fiel). Quando os tradutores tinham que adicionar palavras para a estrutura da sentença, eles colocavam em itálicos para todo o mundo ver. A NIV usa “equivalência dinâmica”. Ao invés de se ter uma tradução palavra por palavra, eles adicionam, mudam e subtraem para fazer com que o verso expresse o “pensamento” que eles acham que deveria! O Prefácio da NIV até mesmo diz com a maior cara-de-pau, “. . .eles se esforçaram para uma tradução mais palavra-por-palavra. . .” Mentira!

——————————————————————————-
“. . . pois torceis as palavras do Deus vivo. . .” Jeremias 23:36

 9. Veja o que a International Bible Society já inventou de variedades de NIV nos Estados Unidos. 20

A New International Version é uma das mais populares versões modernas, e muitos que se dizem fundamentalistas, até mesmo alguns batistas fundamentalistas, a defendem como uma tradução exata. Os editores dizem que a NIV já vendeu 100 milhões de cópias. Desde 1995 não tem havido uma NIV, mas uma multiplicidade. Se alguém aceita o argumento de que a Bíblia deve ser continuamente retraduzida, para o inglês contemporâneo, então não haverá fim para as mudanças e inovações que resultam disso. Ao invés de uma Bíblia estabelecida e certa que pode ser aceita pelo povo de Deus, e usada com autoridade como a Palavra Inspirada de Deus, você tem uma Bíblia nunca-estabelecida, sempre-mutante. Isso é o que os criadores da New International Version deram ao mundo de fala inglesa e que os da NVI vão dar ao mundo de fala portuguesa: Lembre-se que o patrão de ambas Bíblias é o mesmo.

10. Conclusão

Citando o Dr. Donald Waite3, ele nos relembra um conceito da GEOMETRIA que pode ser usado na TEOLOGIA: “Duas coisas iguais a uma terceira, são iguais entre si”. Nas feiras livres do Nordeste, quando se vê um saco de farinha aberto e duas cumbucas cheias de farinha bem próximas a ele, concluímos que as cumbucas possuem FARINHA DO MESMO SACO! Até aqui dá para perceber que NIV e NVI são “farinha do mesmo saco”. Os erros cometidos nos Estados Unidos se repetem no Brasil. O princípio Bíblico é que, de uma árvore má, só podem vir maus frutos. De uma fonte poluída, só pode vir água podre. O resultado só pode dar em indigestão espiritual. Veja o que Satanás, usando as versões modernas da Bíblia, já fez de estrago nos Estados Unidos! Cabe aos crentes com discernimento rejeitarem a NVI e se engajarem na defesa da pura Palavra de Deus, preservada no Texto Recebido e no Texto Massorético, tão atacados pelo erudiólatras que coam mosquitos e engolem esse monstruoso camelo!

Rejeitemos, portanto, as versões modernas8, dentre as quais a NVI é uma legítima representante, pois se baseiam no texto corrupto, falso e mutilado de Westcott e Hort, e valorizemos o Textus Receptus, que serviu de base para a monumental Bíblia King James e, em português, a Corrigida e Fiel de João Ferreira de Almeida9 publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

“E se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro.” (Apoc. 22:19)

“Por que nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2 Cor. 2:17)

Elaborado por: J. P. M. A.

1ª edição SET/2000

BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS:

1- Revision Revised, Dean John W. Burgon

2- Modern Bibles-The Dark Secrets, Dr. Jack Moorman.

3- Defending The King James Bible – Dr. D.A. Waite.

4- A Creationist’s Defense of the KJB, Dr. Henry Morris

5- An Understandable History of the Bible, Dr. Samuel Gipp

6- A Bíblia Na Linguagem de Hoje, artigo, Júlio Carrancho, 1999.

7- Life & Letters, FJA Hort, Vol. 1 pág 458

8- RV, NIV, NASB, NKJV, TEV, Atualizada, Linguagem de Hoje, Revisada, Viva, NVI, ECA, etc…

9- A Bíblia Sagrada - Edição Almeida Corrigida e Fiel Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 1995.

10- Modern Bible Versions, Dr. David Cloud, 1994.

11- The Living Bible, Blessing Or Curse, David Cloud, 1991.

12- Counterfeit Or Genuine?, Dr. David Otis Fuller, 1975.

13- Expondo Os Erros Da NVI, Pr. Emídio Viana, 1999.

14- Unholy Hands On God’s Holy Book, Report On The United Bible Societies, Dr. David Cloud, 1985.

15- For Love Of The Bible, Dr. David Cloud, 1999

16-Forever Settled - Dr. Jack Moorman, 1985, págs. 265, 266.

17- Artigos por Jay Klopfenstein The Christian News“, 20 Dez. 1993, pg.20

18- Episcopal monthly, June 1991, coluna The Witness.

19- New International Version - What today’s Christian needs to know about the NIV, G.W. & D.E. Anderson, article no. 74 TBS.

20- An NIV for Every Person, 1997, David Cloud.

21- Friday News Notes — Aug., 30, 2002, David Cloud.

22- Fooly of Today’s NIV,  Ivonne S. Waite

23- New Age Bible Version, Gail Riplinger

24- NI-VILE A brief Analysis of the NIV  Inclusive Language Edition, Dr. DA Waite

Para mais informações sobre os erros das versões modernas contate:

  1. Os seguintes websites em português:

www.solascripturatt.cjb.net

www.geocities.com/athens/olympus/1563

2. Ou os seguintes endereços:

-Pr. Alberto Johnson, (falecido) Cx. Postal 1,

CEP 63180-000, Barbalha, CE

adorjohn@hotmail.com

-Prof. Hélio de Menezes Silva

hmenezes@di.ufpb.br

Proteção do Meio Ambiente

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No princípio, Deus deixou a cargo da humanidade o cuidado do mundo belo e perfeito.

Gênesis 2:15

“Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar e guardar.”

Deus quer que sejamos digno de confiança na mordomia dos nossos recursos.

1 Coríntios 4:2

“Ora, além disso, o que se requer nos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel.”

Deus avisa que aqueles que destroem a Terra, serão destruídos.

Apocalipse 11:18

“Iraram-se, na verdade, as nações; então veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.”

A Igreja Emergente !

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Veja também: A Nova Reforma Protestante (clique aqui)

Uma coisa pouco agradável aconteceu quando estávamos a caminho do século XXI. No final do século XX, certos líderes saíram afirmando que precisávamos de “uma maneira nova de fazer igreja”. A religião dos tempos antigos não era boa o suficiente. Então vieram os novos truques, substituindo o Evangelho sólido. Vimos o surgimento do movimento da igreja que é “sensível aos que buscam” e que não ofende a ninguém. A “esquerda religiosa” tornou-se mais proeminente, promovendo seu evangelho social. E depois veio a Igreja Emergente.

Se você perguntar a dez cristãos o que é a Igreja Emergente, provavelmente nove deles ficarão sem ter o que dizer. Não obstante, ela está devorando denominações e igrejas inteiras que antes eram sólidas.

Então, o que é realmente esse fenômeno? Primeiro, ele é místico. Baseia-se em práticas dos antigos “padres do deserto”,* tais como oração contemplativa e meditar caminhando por um labirinto. Inclui também a yoga – tudo para chegar mais perto de Deus. Algumas de suas práticas deixam a pessoa em um estado alterado de consciência. Os emergentes não estão realmente interessados em doutrina; em vez disso, eles querem coisas que se possa sentir, tocar, e cheirar, tais como incenso e ícones.

Esse movimento reinventa o Cristianismo

Ele tira seus olhos da cruz e faz com que você enfoque a experiência. A Escritura já não é autoridade. Não há absolutos, nem na Bíblia. Os emergentes afirmam que, para levarmos o mundo e a igreja para a frente, devemos voltar atrás na história da igreja e abraçar até mesmo as crenças católicas. A doutrina deles está realmente mais perto do budismo, do hinduísmo e da Nova Era do que do cristianismo tradicional.

O inferno, o pecado e o arrependimento são deixados de lado para que ninguém se ofenda. Além disso, eles afirmam que não há absolutos suficientes para podermos falar sobre inferno, pecado e céu.

Os emergentes dizem que estão tentando proporcionar “significado a esta geração”. O que isso significa? No final do século XX, surgiu um anseio para atingir a geração pós-moderna. Conheça o termo pós-moderno! Ele é usado para descrever a geração de menos de 30 anos. E, conforme os emergentes, para alcançar essas pessoas, as tradições antigas tinham que ser abolidas.

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem.

Infelizmente, os recursos que eles escolheram para fazer isso estão mais de acordo com a adivinhação do que com qualquer outra coisa.

E, o que dizer sobre a escatologia deles? E sobre Israel? Como o enfoque deles é o evangelho social, eles estariam mais de acordo com a teologia do “Reino Agora”, de “tornar o mundo perfeito”. Eles não entendem literalmente nenhuma parte da escatologia bíblica (doutrina das coisas futuras, profecia) – consideram-na alegórica. Israel seria comparável a uma “república de bananas”. A ênfase está no Reino de Deus agora e não nas admoestações das Escrituras sobre o retorno iminente de Cristo em um julgamento que está por vir.

Agora chegamos a um problema muito importante

Essas pessoas são chamadas de evangélicas. De fato, a revista Time disse que o líder emergente Brian McLaren era um dos 25 evangélicos mais influentes no mundo. Um dos livros de McLaren tem o título de Everything Must Change (Tudo Tem Que Mudar). Aí está, a partir do próprio líder: a igreja deve mudar para a cultura dos tempos modernos. As maneiras antigas devem ser descartadas e novas maneiras estão aí; mas elas não são sensatas nem confiáveis.

Outro líder destacado é Rob Bell. Seus vídeos têm sido vistos em todo tipo de igreja evangélica. Em torno deles os grupos de estudos bíblicos das igrejas se juntam, examinando-os e adotando-o como um cristão fantástico do século XXI com novas idéias. O problema é que uma de suas  chocantes afirmações foi: “Essa não é apenas aquela mesma mensagem com novos métodos. Estamos redescobrindo o cristianismo como uma religião oriental”.

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem. Na foto, o líder emergente Rob Bell

Outros líderes proeminentes da Igreja Emergente incluem: Doug Pagitt, Dan Kimbal, Tony Jones, Dallas Willard e Robert Webber. Há outros, mas a lista é longa.

 Em poucas palavras, a ação social supera as questões eternas; os sentimentos subjetivos são preferidos à verdade absoluta; a experiência se sobrepõe à razão.

Agora você tem alguns dos pontos básicos à sua frente. Espalhe a notícia de que um movimento relativamente novo está seduzindo milhões e que ele não é sadio, não é bíblico, e é alarmante. Essa Igreja Emergente pode fazer a sua igreja afundar!

Fonte: Jan Markell, Israel My Gloryhttp://www.chamada.com.br)

Jan Markell é fundadora/presidente de Olive Tree Ministries em Minneapolis, MN, EUA.

Por DISCERNIMENTO CRISTÃO

Sobre o Pecado nos Crentes

5 Comentários

 

John Wesley     

‘Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo’. (II Corintios 5:17)

 I. O pecado permanece em alguém que crê em Cristo?

 II. Qual as diferenças entre o pecado interior e o pecado exterior?

 III.  A carne – a natureza má – opõe-se ao Espírito, até mesmo nos crentes.

 IV. Um homem não pode ser limpo, consagrado, santo, ao mesmo tempo em que é impuro, não consagrado e não santo. 

V. Existe em cada pessoa dois princípios contraries: natureza e graça.

PRIMEIRO

1. Existe, então, pecado naquele que está em Cristo? O pecado permanece naqueles que crêem Nele? Existe algum pecado naqueles que são nascidos de Deus, ou eles estão totalmente livres dele? Que ninguém imagine que esta seja uma questão de mera curiosidade; ou que seja de pequena importância, se for determinado um caminho ou o outro. Antes, é um ponto de extrema relevância para todos os cristãos sérios; decidirem o que mais proximamente concerne à sua felicidade presente e eterna.

2. E, ainda assim, eu não sei se isto foi, alguma vez, discutido na igreja primitiva. Decerto, não existiu espaço para disputas concernentes a ela, já que todos os cristãos estavam de acordo. E, até onde eu tenho observado, todo o corpo de cristãos do passado, que nos deixaram algo escrito, declararam a uma só voz, que, mesmo os crentes em Cristo, até que eles estejam ‘fortalecidos no Senhor, e no poder de sua força’, têm necessidade de ‘lutar com a carne e sangue’, com uma natureza pecaminosa, assim como, ‘com principados e potestades’.        

3. E neste contexto, nossa Igreja (como realmente na maioria dos termos) copia exatamente segundo a igreja primitiva; declarando em seu Nono Artigo: ‘O pecado original é a corrupção da natureza de todo homem, de forma que ele está inclinado ao mal, pela sua própria natureza; assim sendo, a carne cobiça, contrariamente ao Espírito. E esta influência da natureza permanece; sim, naqueles que estão regenerados; de maneira que, a luxúria da carne não é objeto da lei de Deus. E, embora não exista condenação para aqueles que crêem, ainda assim, esta luxúria tem em si mesma a natureza do pecado’.

4. O mesmo testemunho é dado, através de todas as outras igrejas; não apenas, através da igreja grega e romana, mas através de toda igreja reformada na Europa, de qualquer que seja a denominação. De fato, alguns desses parecem levar a coisa muito longe; descrevendo a corrupção do coração do crente, como que dificilmente admitindo que ele tem domínio sobre ela, mas que, antes, é seu escravo; e, por esses meios, eles fazem uma pequena distinção entre um crente e um descrente.

5. Para evitarem este extremo, os muitos homens bem intencionados, particularmente esses, debaixo da direção do recente Conde Zinzendorf [líder Morávio (denominação Protestante, surgida no século XVIII, pela renovação do antigo movimento dos Irmãos Boêmios, que dá ênfase à vida cristã pura e simples e à fraternidade dos homens. Mais comumente conhecida como Irmãos Morávios)], foram para o outro lado, afirmando que ‘todos os crentes verdadeiros não são apenas salvos do domínio do pecado, mas da existência do pecado interior, assim como exterior; de maneira que ele não mais permanece neles’:E desses, por volta de vinte anos atrás, muitos de nossos compatriotas absorveram a mesma opinião de que, até mesmo a corrupção da natureza, não está mais, naqueles que crêem em Cristo.

6. É verdade que, quando os alemães foram pressionados, eles logo admitiram (muitos deles, pelo menos) que ‘o pecado ainda permanece na carne, mas não no coração de um crente’; e, depois de um tempo, quando o absurdo disto foi mostrado, eles razoavelmente desistiram do ponto; admitindo que o pecado ainda permanecia, embora não reinasse, naquele que é nascido de Deus.

7. Mas o inglês que recebeu isto deles (alguns diretamente, alguns de segunda e terceira mão) não foi tão facilmente convencido a se desfazer de uma opinião favorita. E, até mesmo quando a generalidade deles se convenceu de que ela era extremamente indefensável, alguns poucos não puderam ser persuadidos a desistir, mas mantiveram-na até hoje.

SEGUNDO

 1. Por causa desses que realmente temem a Deus, e desejam conhecer ‘a verdade que está em Jesus’; não pode ser impróprio considerar o ponto com calma e imparcialidade. Ao fazer isto, eu uso indiferentemente as palavras, regenerado, justificado, ou crentes; desde que, embora eles não tenham precisamente o mesmo significado (o Primeiro, implicando uma mudança interior, verdadeira; o Segundo, uma mudança relativa; e o Terceiro, os meios pelos quais, tanto uma quanto a outra é forjada); ainda assim, elas convergem para a mesma coisa; já que todos os que crêem são ambos, justificados e nascidos de Deus.

2. Por pecado, eu entendo aqui pecado interior; qualquer temperamento pecaminoso, paixão ou afeição, como orgulho, vontade própria, amor ao mundo, de algum tipo, ou em algum grau; tal como cobiça, ira, impertinência; qualquer disposição contrária à mente que estava em Cristo. 

3. A questão não é concernente ao pecado exterior; quer um filho de Deus cometa pecado ou não. Nós todos concordamos e sinceramente mantemos ‘que ele que comete pecado é do diabo’. Nós concordamos, ‘que quem é nascido de Deus não comete pecado’. Nem agora inquirimos, se o pecado interior irá permanecer sempre nos filhos de Deus; se ele irá continuar na alma, por quanto tempo ela continue no corpo: Nem, ainda assim, inquirimos, se uma pessoa justificada possa reincidir em um pecado interior ou exterior; mas, simplesmente isto: um homem justificado ou regenerado está liberto de todo pecado, tão logo ele seja justificado? Não existe, então, pecado algum em seu coração? – nem mesmo depois, a não ser, se ele cair da graça?

4. Nós admitimos que o estado de uma pessoa justificada é inexprimivelmente grande e glorioso. Ele é nascido novamente, ‘não do sangue; nem da carne; nem da vontade do homem, mas de Deus’. Ele é filho de Deus, um membro de Cristo, um herdeiro do trono dos céus. ‘A paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, mantém seu coração e mente em Jesus Cristo’. Mesmo seu corpo é um ‘templo do Espírito Santo’,  e uma ‘morada de Deus, através do Espírito’. Ele é ‘feito novo em Jesus Cristo’: Ele é lavado; ele é santificado. Seu coração é purificado pela fé; ele é limpo ‘de toda corrupção que está no mundo’; ‘o amor de Deus espalha-se em seu coração, pelo Espírito Santo que é dado a ele’. E, por quanto tempo ele ‘caminha no amor’ (o que ele pode sempre fazer), ele adora a Deus em espírito e em verdade. Ele mantém Seus mandamentos, e faz todos as coisas que são agradáveis aos olhos de Deus; assim, exercitando a si mesmo, como para ‘ter a consciência que evita a ofensa, em direção a Deus, e em direção ao homem’: E ele tem poder, tanto sobre o pecado exterior quanto interior, até mesmo, do momento em que ele é justificado.

TERCEIRO 

1. ‘Mas ele não está, então, liberto de todo pecado, de modo que não exista pecado em seu coração?’.Eu não posso dizer isto; eu não posso acreditar nisso; porque Paulo diz o contrário. Ele está falando para crentes e descrevendo o estados dos crentes em geral, quando ele diz: (Gálatas 5:17) ‘Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis’. Nada pode ser mais explícito. O Apóstolo afirma aqui diretamente que a carne – a natureza pecaminosa, se opõe ao Espírito, mesmos nos crentes; que, mesmo no regenerado, existem dois princípios, ‘contrários um ao outro’.

2. Novamente: Quando ele escreve para os crentes em Corinto; para aqueles que foram santificados em Jesus Cristo, (I Corintios 1:2) ‘À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso’, ele diz: (I Corintios 3:1) ‘E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?’. Agora aqui o Apóstolo fala junto àqueles que eram inquestionavelmente crentes; a quem,  no mesmo fôlego,  ele denominou seus irmãos em Cristo, — como sendo ainda, em uma medida – carnais. Ele afirma que existia inveja (um temperamento pecaminoso), ocasionando contenda entre eles, e ainda assim, ele não fez a menor insinuação de que eles tivessem perdido sua fé. Mais do que isto, ele manifestadamente declara que eles não haviam perdido; porque, então, eles não seriam bebês em Cristo. E (o que é mais notável de tudo), ele fala de serem carnais, e bebês em Cristo, como uma e a mesma coisa; mostrando plenamente que todo crente que todo crente é (em um grau) carnal, enquanto ele é apenas um bebê em Cristo.  

3. De fato, este grande ponto, o de que existem dois princípios contrários nos crentes, — natureza e graça; a carne e o Espírito, mencionados, através de todas as Epistolas de Paulo; sim, através de todas as Escrituras; quase todas as direções e exortações, neste contexto, estão alicerçadas nesta suposição; apontando para os temperamentos e práticas errôneos naqueles que eram, não obstante, reconhecidos pelos escritores inspirados, serem crentes. E eles eram continuamente exortados a combater e conquistar estes, pelo poder da fé que estava neles.  

4. E quem pode duvidar, a não ser que existia fé no anjo da igreja de Efésios, quando nosso Senhor disse a ele: (Apocalipse 2:2-4) ‘Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e eles não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste’. Mas existia, nesse meio tempo, nenhum pecado em seu coração? Existia, ou Cristo não teria acrescentado: ‘Não obstante, tenho contra ti que deixaste o teu primeiro amor’. Este foi um pecado real que Deus viu em seu coração; do qual, adequadamente, ele é exortado a se arrepender. E ainda assim, nós não temos autoridade para dizer, que, mesmo então, ele não tem fé.

5. Mais do que isso, o anjo da igreja de Pérgamo, também é exortado a se arrepender, o que sugere pecado, embora nosso Senhor expressamente diga: (Apocalipse 2:13, 16) ‘Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. (…) Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca’. E ao anjo na igreja de Sardes, ele diz: (Apocalipse 3:2) ‘Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque eu não achei tuas obras perfeitas diante de Deus’. O bem que ainda restava estava pronto para morrer; mas estava verdadeiramente morto. De modo que ainda havia uma faísca de fé, mesmo nele; o que está de acordo ordenando para segurar firme: (Apocalipse 3:3) ‘Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei’.  

6. Uma vez mais: Quando o Apóstolo exorta os crentes em (2 Coríntios 7:1) ‘Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito; aperfeiçoando a santificação no temor de Deus’, ele plenamente ensina que esses crentes não estavam ainda limpos disso.

Você irá perguntar: ‘Mas ele que se abstêm de toda a aparência do mal, ipso facto, limpa a si mesmo de toda imundícia?’. Não, de maneira alguma. Por exemplo: um homem me insulta: eu sinto ressentimento, o que é imundícia do espírito; ainda assim, eu não digo uma palavra. Aqui, eu ‘me abstenho de toda a aparência do mal’;  mas isto não me limpa da imundícia do espírito, como eu experimento para minha tristeza.

7. E, como esta posição: ‘Não existe pecado em um crente; nenhuma mente carnal; nenhuma inclinação à apostasia’, é, então, contrária à palavra de Deus, assim, é para a experiência de seus filhos. Esses continuamente sentem um coração inclinado à apostasia; uma tendência natural para o mal; uma predisposição a separar-se de Deus, e se aderirem às coisas da terra. Eles estão diariamente conscientes do pecado permanecendo em seus corações, — orgulho, vontade própria, descrença; e do pecado, aderindo a tudo o que eles falam ou fazem, até mesmo, às suas melhores ações, e as mais santas obrigações. Ainda assim, ao mesmo tempo em que eles ‘sabem que são de Deus’; eles não duvidam disto, por um momento. Eles sentem seu Espírito, claramente, ‘testemunhando com o espírito deles, que eles são filhos de Deus’. Eles ‘se regozijam em Deus, através de Jesus Cristo, por meio de quem, eles têm agora recebido a redenção’. De modo que eles igualmente garantiram que o pecado está neles, e que ‘Cristo é neles, a esperança da glória’.

8. ‘Mas Cristo pode estar no mesmo coração, em que o pecado está?’. Sem dúvida que pode; do contrário ele nunca poderia ser salvo disto. Onde está a doença, lá está o médico, exercendo seu trabalho; lutando, até que lance fora o pecado. Decerto que Cristo não pode reinar, onde o pecado reina; nem Ele irá habitar onde algum pecado é permitido. Mas Jesus está e habita no coração de todo crente que esteja lutando contra todo o pecado; embora não seja ainda purificado, de acordo com a purificação do santuário.

9. Foi observado antes, que a doutrina oposta, — a de que não existe pecado nos crentes, — é completamente nova na igreja de Cristo; já que nunca foi ouvida, durante cento e dezessete anos; nunca, até que foi descoberta pelo conde Zinzendorf. Eu não me lembro de ter visto a menor insinuação dela, tanto nos escritores antigos, quanto modernos; exceto, talvez, em alguns dos selvagens e entusiastas antinomianos [os que acreditavam que, pela fé e a graça de Deus anunciadas no Evangelho, os cristãos são libertados, não só da lei de Moisés, mas de todo o legalismo e padrões morais de qualquer cultura]. E esses, igualmente, dizem e desdizem, admitindo que existe pecado na sua carne, embora nenhum pecado em seus corações. Mas, apesar da doutrina ser nova, ela está errada; porque a religião antiga é a única verdadeira; e nenhuma doutrina pode ser correta, a menos que seja exatamente a mesma ‘que fora desde o início’.

10. Um argumento a mais contra essa doutrina nova e não bíblica, pode ser esboçada das conseqüências terríveis dela. Se alguém diz: ‘Eu sinto ira hoje’. Eu devo replicar: ‘Então, você não tem fé?’. Um outro diz: ‘Eu sei que o que você aconselha é bom, mas minha vontade é completamente contrária a isto’. Eu devo dizer a ele: ‘Então, você é um descrente, debaixo da ira e maldição de Deus?’. Qual será a conseqüência natural disto? Porque, se ele acredita no que eu digo, sua alma não apenas será afligida e magoada, mas, talvez, seja totalmente destruída, visto que, como ele ‘irá lançar fora’ aquela ‘confiança que tem na grande recompensa de galardão’: E, tendo lançado fora sua proteção, como ele irá ‘extinguir os dados certeiros do iníquo?’. Como ele irá superar o mundo? – vendo que ‘essa é a vitória que domina o mundo, até mesmo nossa fé?’.

Ele se encontra desarmado, em meio aos seus inimigos; exposto a todos os assaltos deles. Qual a surpresa então, se ele for totalmente dominado; se eles o tornarem escravos da vontade deles; sim, se ele cair, de uma maldade para outra, e nunca mais ver o bem? Por conseguinte, eu não posso, por nenhum meio, receber essa afirmação, de que não existe pecado no crente, do momento em que ele é justificado.

Em Primeiro Lugar, porque é contrário a todo o teor das Escrituras; — Em Segundo Lugar, porque é contrário à experiência dos filhos de Deus, — Em terceiro lugar, porque é absolutamente novo, nunca ouvido no mundo, até ontem; — e, em Último Lugar, porque é naturalmente atendido com as mais fatais conseqüências; não apenas afligindo aqueles a quem Deus não tem afligido, mas, talvez, arrastando-os para a perdição eterna.

QUARTO

 1. Contudo, permita-nos ouvir atentamente aos principais argumentos desses que se esforçam para sustentar isto. Primeiro, é das Escrituras que eles tentam provar que não existe pecado no crente. Eles argumentam assim: ‘As Escrituras dizem que todo crente é nascido de Deus, é limpo, santo e consagrado; é puro no coração; tem um novo coração; e é um templo do Espírito Santo. Agora, como ‘aquele que é nascido da carne, é carne’, é completamente mal, assim, ‘aquele que é nascido do Espírito é espiritual’, e completamente bom. Novamente: Um homem não pode ser limpo, consagrado, santo, e, ao mesmo tempo, impuro, não consagrado, não santo. Ele não pode ser puro e impuro; ou ter um coração novo e velho, juntos. Nem pode sua alma ser não santa, enquanto ele é o templo do Espírito Santo.

Eu tenho colocado essa objeção, tão fortemente quanto possível, para que todo seu peso possa aparecer. Permita-nos examiná-la, parte por parte.

(1) ‘Que aquele que é nascido do Espírito é espiritual, é completamente bom’. Eu admito o texto, mas não a observação. Porque o texto afirma isto, e não mais, — que todo homem que ‘é nascido do Espírito’, é um homem espiritual. Ele o é: Mas embora ele seja, ainda assim, não será completamente espiritual. Os cristãos de Corinto eram homens espirituais; ou eles não teriam sido cristãos, afinal; e, ainda assim, eles não eram completamente espirituais: eles eram, em parte, ainda carnais. — ‘Mas eles eram caídos da graça’. Paulo diz que não. Eles eram até mesmo, bebês em Cristo.

(2) ‘Mas um homem não pode ser limpo, consagrado, santo, e ao mesmo tempo, impuro, não consagrado, não santo’.  Decerto que ele pode. Assim eram os Coríntios: ‘Vocês estão lavados’, diz o Apóstolo, ‘vocês estão consagrados’; ou seja, limpos da ‘fornicação, idolatria, bebedeira’, e todos os outros pecados exteriores.

(I Corintios 6:9) Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido consagrados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus’;  e, ainda assim, ao mesmo tempo, em outro sentido da palavra, eles eram não consagrados; eles não estavam lavados; não interiormente limpos de toda inveja, conjecturas diabólicas, parcialidade, — ‘Mas certo, eles não tinham um novo coração e um velho coração, juntos’. Na verdade, eles tinham, porque, naquele mesmo momento, seus corações eram verdadeiramente, embora que não inteiramente, renovados. A mente carnal deles foi pregada na cruz; ainda assim, não estava totalmente destruída. – (I Corintios 6:19) ‘Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?’; e é igualmente certo, que eles eram, em algum grau, carnais, ou seja, não santos.

2. ‘Entretanto, existe uma Escritura a mais que irá colocar esse assunto fora de questão’: (II Corintios 5:17) ‘Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo’. ‘Agora certamente um homem não pode ser uma nova criatura, e uma velha criatura de uma só vez’. Sim, ele pode: Ele pode ser parcialmente renovado, o que foi o mesmo caso com aqueles em Corinto. Eles foram, inegavelmente, ‘renovados no espírito de suas mentes’, ou eles não poderiam ter sido ‘bebês em Cristo’. Ainda assim, eles não tinham a mente total que estava em Cristo, porque eles invejavam um ao outro. “Mas é dito expressamente: ‘as velhas coisas se passaram: todas as coisas se fizeram novas’”. Mas nós não devemos interpretar as palavras do Apóstolo, de maneira a que ele contradiga a si mesmo.  E se nós o tornarmos consistente consigo mesmo, o significado claro das palavras é este: Seu velho julgamento, concernente à justificação, santidade, felicidade, de fato, concernentes a todas as coisas de Deus, em geral, são agora passadas; assim como seus velhos desejos, objetivos, afeições, temperamentos e conversa. Todos esses se tornaram inegavelmente novos; grandemente mudados do que eles eram; e, ainda assim, embora eles sejam novos, eles não estão totalmente novos. Ainda, ele sente, para sua tristeza e vergonha, restos do velho homem, também a decadência manifesta de seus temperamentos e afeições, anteriores, posto que eles não podem obter vantagem alguma sobre ele, por quanto tempo ele vigia junto à oração. 

3. Todo este argumento: ‘Se ele está limpo, ele é limpo’; ‘Se ele está, ele é santo’; (e vinte expressões mais desse mesmo tipo podem ser facilmente empilhadas). É realmente nada melhor, do que brincar com palavras. É uma falácia argumentar do particular para o geral; inferir uma conclusão geral, de premissas particulares. Proponha a sentença inteira, e ela ficará assim: ‘Se ele é santo, afinal, ele é santo completamente’. Isto não procede: todo bebê em Cristo é santo, e ainda assim, não completamente. Ele está salvo do pecado; ainda assim, não inteiramente: O pecado permanece, embora não reine. Se você pensar que ele não reina (nos bebês, pelo menos, quer seja este o caso com homens jovens ou adultos), você certamente não tem considerado a altura, a profundidade, a largura, e comprimento da lei de Deus; (mesmo a lei do amor, escrita por Paulo, no décimo-terceiro capítulo de Corintios); e que toda anomia, desconformidade, ou desvio, para com esta lei, é pecado. Agora, não existe desconformidade a ela, no coração ou vida de um crente? O que pode ser em um cristão adulto, é outra questão; mas que estranho deve ser para a natureza humana, aquele que pode possivelmente imaginar que este é o caso com todo bebê em Cristo! 

4. ‘Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito’. (Romanos 8:1).

[O que se segue, por algumas páginas, é uma resposta a um documento, publicado na Cristian Magazine, p. 577-592. Eu estou surpreso que o Sr. Dodd tenha dado a tal documento um lugar em sua revista, o que é diretamente contrário ao Nono Artigo – Editor]    

[Esta é a carta escrita por John Wesley ao Sr. Dodd – acréscimo da tradutora] – 05 de Março, 1767

 Ao Editor de Lloyd´s Evening Post       

“Senhor”,

“Muitas vezes, o redator da Christian Magazine tem me atacado sem medo ou finura; e, por este meio, ele tem convencido seus leitores imparciais de uma coisa, pelo menos — que (como, vulgarmente, se diz) seus dedos comicham, para estar diante de mim; que ele tem o desejo passional de medir espadas comigo. Mas eu tenho um outro trabalho em minhas mãos: eu posso aplicar o pouco que resta da minha vida em propósitos melhores!”

 “Os fatos de seu último ataque são esses: Trinta e cinco, ou, trinta e seis anos atrás, eu admirava muito o caráter do cristão perfeito desenhado por Clemens Alexandrinus. Há vinte e cinco, ou, vinte e seis anos, um pensamento me veio à mente: esboçar tal caráter, por mim mesmo; apenas, que de uma maneira mais bíblica e, principalmente, nas próprias palavras da Escrituras: isto eu intitulei: ‘O Caráter de um Metodista, acreditando que, curiosamente, poderia incitar mais pessoas a ler isso, e, também, que alguns preconceitos pudessem, desse modo, ser removidos do homem sincero”.

“Mas, para que ninguém imaginasse que eu pretendia um elogio a mim, ou aos meus amigos, eu me resguardei contra isso, no próprio título da página, dizendo tanto em meu nome como no deles:’Não como se eu já tivesse atingindo, tampouco como se já fosse perfeito’”.

“Para o mesmo efeito, eu falo na conclusão: ‘Esses são os mesmos princípios e práticas de nossa religião; sãos as marcas de um verdadeiro Metodista’; que é, um verdadeiro cristão; como eu, imediatamente, depois, expliquei: ‘por esses princípios apenas fazer com que aqueles que estão no ridículo, assim chamados, desejem ser distinguidos de outros homens’. ‘Por essas marcas fazer com que nós trabalhemos, para distinguir a nós mesmos daqueles, cujas mente e vida, não estão de acordo com o Evangelho de Cristo’”.

“Este inferior, ou Dr. Dodd, diz, ‘Um metodista é, de acordo com o Sr. Wesley, um que é perfeito, e não peca em pensamento, palavra, ou ação’. Senhor, queira me desculpar! Isso não é ‘de acordo com o Sr. Wesley’. Eu tenho dito com todas as palavras que eu não sou perfeito; e, ainda você me permite ser um Metodista! Eu disse a você, categoricamente, que eu não consegui o caráter que eu esbocei. Você irá fixar isso em mim, apesar dos meus dentes? ‘Mas o Sr. Wesley diz que outros Metodistas têm’, Eu não digo tal coisa! O que eu digo, depois de ter dado um relato bíblico de um perfeito cristão, é isso: ‘Por essas marcas o Metodista deseja ser distinguido de outros homens; por essas marcas nós trabalhamos para distinguir a nós mesmos’. E você não deseja e trabalha para o mesmo propósito?”.

“Mas você insiste: ‘O Sr. Wesley afirma que o Metodista (isto é, todos os Metodistas) é, perfeitamente, santo e íntegro’. Onde eu afirmei isso? Não, em alguma propaganda religiosa! Diante disso, eu afirmo justo o contrário; e que eu afirmo isso, seja lá onde for, é mais do que eu sei.  Fique à vontade, senhor, de assinalar o local: até que isso seja feito, tudo o que você acrescentou (amargo, o suficiente) é mera ‘trovoada’; e os Metodistas (assim chamados) podem ainda declarar (sem qualquer punição de sua sinceridade) que eles não vêm à mesa santa ‘confiando em sua própria retidão, mas nas múltiplas e grandiosas misericórdias de Deus’”.

Eu sou, senhor,

Seu,

John Wesley

®            Esses são reunidos, como se eles fossem a mesma coisa. Mas eles não o são. A culpa é uma coisa, o poder outra, e a existência outra, ainda. Que os crentes estão livres da culpa e poder do pecado nós admitimos; que eles estão livres da existência dele, nós negamos. Nem isto, de alguma maneira, se conclui desses textos. Um homem pode ter o Espírito de Deus habitando nele, e pode ‘caminhar, segundo o Espírito’,  embora ele sinta ainda ‘a carne entregando-se à luxúria, contra o Espírito’.

5. “Mas a ‘igreja é o corpo de Cristo’(Colossenses 1:24) ‘Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja’; isto implica que seus membros são lavados de todas as suas sujidades; do contrário irá se seguir que Cristo e Belial estão incorporados um com o outro”. 

®            Não. Pelo fato de ‘aqueles que são o corpo místico de Cristo, ainda sentirem a carne cobiçando contra o Espírito’, isto não quer dizer que Cristo tem alguma camaradagem com o diabo; ou com aquele pecado que ele os capacita a resistir e dominar!

6. Mas os cristãos ‘chegaram ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial’, onde ‘nada corrompido entra?”.(Hebreus 12:22): Ou seja, céu e terra, todos concordam, todos são uma grande família.

®            E são igualmente santos e corrompidos, enquanto eles ‘caminham segundo o Espírito’; embora conscientes que existe um outro princípio neles, e que ‘estes são contrários um ao outro’.

7. ‘Mas os cristãos estão reconciliados para Deus. Agora isto não poderia ser, se alguma mente carnal restasse; porque esta é inimiga contra Deus: Conseqüentemente, nenhuma reconciliação pode ser efetiva, a não ser através de sua total destruição’.

®            Nós estamos ‘reconciliados para Deus, através do sangue na cruz’: E, naquele momento, a corrupção da natureza, que é inimiga de Deus, foi colocada debaixo de nossos pés; a carne não teve mais domínio sobre nós. Mas ela ainda existe; e ela ainda é, em sua  natureza, inimiga com Deus, cobiçando contra seu Espírito. 

8. “Mas em (Gálatas 5:24) ‘E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências’”. “Mais do que isto’, (Colossenses 3:9) ‘eles já despiram o velho homem com seus feitos’”.

®            Eles o fizeram; e, no sentido acima descrito, ‘as coisas velhas são passadas, e todas as coisas se tornaram novas’. Existe ema centena de textos, e eles  podem ser citados, para o mesmo efeito; e todos irão admitir a mesma resposta “Mas, para dizer tudo em uma só palavra’: (Efésios 5:25) Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra; para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível’”. E, assim, será no final: Mas não foi, ainda, desde o começo.

9. ‘Mas que a experiência fala: Todos os que são justificados encontram, naquele momento, uma liberdade absoluta de todos os pecados’.

®            Isto eu duvido; mas se eles encontram, isto acontece, mesmo depois? Caso não alcancem coisa alguma. – ‘Se eles não encontram, é culpa deles’. Isto necessita ser provado.  

10. ‘Mas, na própria natureza das coisas, um homem pode ter orgulho nele, e não ser orgulhoso; ter ira, e ainda assim, não estar irado?’

®            Um homem pode ter orgulho nele; pode pensar, em algumas particularidades, acima do que deveria pensar, (e, assim, ser orgulhoso, naquele particular), mas, no entanto, não ser um homem orgulhoso, em seu caráter geral. Ele pode ter raiva nele; sim, e uma forte inclinação para uma raiva furiosa, sem dar oportunidade a ela. – ‘Mas a ira e o orgulho podem estar naquele coração, onde apenas a mansidão e humildade são sentidos?’. Não. Mas algum orgulho e ira podem estar no coração, onde existe humildade e mansidão.

‘É não é proveitoso dizer que esses temperamentos estão lá, mas que eles não reinam:porque o pecado não pode, em alguma espécie ou grau, existir onde ele não reina; porque a culpa e o poder são propriedades essenciais do pecado. Portanto, onde um deles está, todos deverão estar’.

®            De fato, estranho! ‘O pecado não pode, em alguma espécie ou grau, existir, onde ele não reina?’. Absolutamente contrário, a toda experiência, a todas as Escrituras, a todo bom-senso. Ressentimento de uma afronta é pecado; é anomia, desconformidade para com a lei do amor. Isto tem existido em mim milhares de vezes. Ainda assim, ele não reinou, e não reina. 

‘Mas a culpa e poder são propriedades essenciais do pecado; portanto, onde um está, todos deverão estar’.  

®            Não. No exemplo, diante de nós, se o ressentimento que eu sinto não prolifera, mesmo por um momento, não existe culpa, afinal; nenhuma condenação de Deus sobre esse assunto. E, neste caso, ele não tem poder: embora ele ‘cobice contra o Espírito’,  ele não pode prevalecer. Aqui, portanto, como, em milhares de exemplos, existe pecado, sem tanto culpa ou poder.

11. ‘Mas a suposição de haver pecado em um crente, é significativo com todas as ciosas assustadoras e desanimadoras. Isto sugere a contenda com o poder que tem a possessão de nossa força; mantêm usurpação dele de nossos corações; e lá promove a guerra contra nosso Redentor’.

®            Não assim: A supondo-se que o pecado esteja em nós, isto não implica que ele tem a possessão de nossas forças; não mais do que um homem crucificado tem a posse daqueles que o crucificaram. Como implica pouco que ‘o pecado mantenha sua usurpação de nossos corações’. O usurpador é destronado. Ele permanece, de fato, onde ele uma vez reinou; mas permanece algemado. De maneira que se, em algum sentido, ele ‘efetua a guerra’, ainda assim, ele vai se tornando mais e mais fraco, enquanto o crente segue de força e força, em vitória, em vitória.

12. ‘Eu ainda não estou satisfeito: Ele que tem pecado nele, é um escravo do pecado. Portanto, você supõe que um homem seja santificado, enquanto ele é escravo do pecado. Agora, se você admite que os homens possam ser justificados, enquanto eles têm orgulho, ira, ou descrença neles; mais ainda, se você afirma que esses estão (pelo menos por um tempo), em todo aquele que é justificado; qual a surpresa de termos tantos crentes orgulhosos, irados, descrentes?!

®            Eu não suponho que algum homem que seja justificado, seja um escravo do pecado. Ainda assim, eu suponho que o pecado permaneça (pelo menos por um tempo), em todo aquele que está justificado.

‘Mas, se o pecado permanece em um crente, ele é um homem pecador: Se o orgulho, por exemplo, ele é orgulhoso; se obstinação, então, ele é obstinado; se descrença, então, ele é um descrente; conseqüentemente, não é um crente, afinal. Como, então, ele se difere dos descrentes, dos homens degenerados?’.

®            Isto ainda é brincar com as palavras. Significa não mais do que, se existe pecado, orgulho, obstinação nele, então – existe pecado, orgulho, obstinação. E isto, ninguém pode negar. Neste sentido, então, ele é orgulho, ou obstinado. Mas ele não é orgulhoso ou obstinado, no mesmo sentido que os descrentes são; ou seja, governados pelo orgulho e vontade própria. Neste contexto, ele difere dos homens degenerados. Estes obedecem ao pecado. Ele não. A carne está em ambos. Mas eles caminham ‘segundo a carne’; e ele ‘caminha segundo o Espírito’.

‘Mas como um descrente pode ser um crente?’.

®            Estas ´palavras têm dois significados. Elas significam tanto nenhuma fé, quanto pouca fé; tanto a ausência da fé, ou a fraqueza dela. No primeiro sentido,  o descrente não é um crente; no segundo, eles são todos bebês. A fé deles está comumente misturada com dúvida e temor; ou seja, no segundo sentido, com descrença. ‘Por que temeis’, diz o Senhor, ‘ó homens de pouca fé?’ (Mateus 8:26). Novamente: ‘Ó tu, homem de pouca fé, porque motivo duvidais?’. Vocês vêem aqui, que havia descrença nos crentes; pouca fé e muita fé.

13. ‘Mas esta doutrina de que o pecado permanece no crente; de que um homem pode estar no favor de Deus, enquanto ele tem pecado em seu coração; certamente, tende a encorajar os homens ao pecado’.

®            Entenda a proposição corretamente, e tal conseqüência não irá se seguir. Um homem pode estar no favor de Deus, embora ele sinta pecado; mas não se ele se entrega a ele. Ter pecado não significa perder o favor de Deus; mas dar oportunidade a ele, sim. Embora a carne em vocês ‘cobicem contra o Espírito’, vocês podem ainda ser filhos de Deus; mas, se vocês ‘caminham segundo a carne’, vocês são filhos do diabo. Agora, esta doutrina não encoraja a obedecer ao pecado, mas a resistir a ele, com todas as nossas forças.

QUINTO

 1. A somatória de tudo é esta: Existem, em cada pessoa, mesmo depois que ela é justificada, dois princípios contrários: natureza e graça, denominada por Paulo, de carne e Espírito. Por isso, embora os bebês em Cristo estejam santificados, ainda assim, será apenas em parte. Em um grau, de acordo com a medida da sua fé, eles são espirituais; mas, em outro, são carnais. Desta forma, os crentes são continuamente exortados a vigiar contra a carne, tanto quanto contra o mundo e o diabo. E isto concorda com a experiência constante dos filhos de Deus. Enquanto eles sentem esse testemunho, em si mesmos, eles sentem sua vontade, não totalmente resignada à vontade de Deus. Eles sabem que eles estão Nele; mas ainda, encontram um coração pronto para se separar de Dele; uma propensão para o mal, em muitas instâncias, e uma relutância para o que é bom. A doutrina contrária é totalmente nova; nunca ouvida na Igreja de Cristo, desde o tempo de sua vinda para o mundo, até o tempo do Conde Zinzendorf; e ela é atendida com as mais fatais conseqüências. Ela remove a vigilância contra nossa natureza pecaminosa; contra a Dalila que nos disseram que tinha ido, embora ela ainda esteja em nosso seio. Ela faz em pedaços a proteção dos crentes fracos, despojados de sua fé, e, assim, deixando-os expostos a todos os assaltos do mundo, da carne e do diabo.

2. Que possamos, portanto, segurar firme a doutrina perfeita, ‘uma vez entregue para os santos’, e concedida aos oráculos de Deus na terra, para todas as gerações que se seguiram: A de que, embora estejamos renovados, limpos, purificados, santificados, e verdadeiramente crermos em Cristo, no momento; ainda assim, nós não estamos renovados, limpos, purificados, completamente; já que a carne; a natureza pecaminosa, ainda permanece (embora dominada), e guerreia contra o Espírito. Quanto mais usamos de toda diligência para ‘lutar a boa luta da fé’. Quanto mais sinceramente ‘vigiamos e oramos’ contra o inimigo nela. Quanto mais cuidadosamente permitimos nos ‘colocar no amor total de Deus’; embora, ‘contendamos com a carne, e sangue e principados, e com poderes, e espíritos pecaminosos, nos altos lugares’, mais seremos capazes de resistir, no dia de tentação; e, tendo feito tudo, permanecermos.

 [Editado por Angel Miller, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

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in Maluco por Jesus

Diga NÃO ao DIVÓRCIO (em nome de Jesus Cristo)

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ESTUDO SOBRE O DIVÓRCIO

As estatísticas afirmam que dez anos atrás, havia menos de 100.000 divórcios o Brasil. Hoje são cerca de 200.000. Um em cada quatro casamentos no Brasil acaba em separação. Num período de quase 10 anos, o número de casamentos caiu, e de separações dobrou no país.

As causas do divórcio:

Se divórcio é o atestado do pecado humano, precisamos agora colocar algumas das mais freqüentes razões humanas para a separação. Quais são as razões ou causas da separação entre os casais? Gostaria de mencionar pelo menos quatro causas:

  1. Descuido da vida cristã dos cônjuges
  2. Ausência do perdão
  3. Indisposição à mudanças necessárias
  4. Ausência do amor
  5. Outras razões

 O A. T. já tratava com relação ao divórcio. A grande questão debatida está em Deuteronômio 24:1-4 “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, se ela não achar graça aos seus olhos por haver ele encontrado nela coisa vergonhosa, far-lhe-á uma carta de divórcio e lha dará na mão, e a despedirá de sua casa”.

 O SIGNIFICADO DA PALAVRA “COISA INDECENTE” DE Dt 24.1

1 – A palavra hebraica, para “indecente” é ‘ervar davar (composto de ‘ervâh, nudez e davar, palavra), “Nudez de Palavra”.

Dando a entender que se trata de algo comprometedor, que a mulher expressa com palavras (palavra nua); palavrões; expressões grosseiras, que revelam falta de respeito; agressividade verbal; rebeldia; insubordinação.

TALMUDE – Doutrina e jurisprudência comentada da lei mosaica com explicações dos textos jurídicos do Pentateuco. O Talmud foi redigido durante aproximadamente mil anos, entre 450 a.C. e 500 d.C. É reconhecido pelos judeus como tendo a mesma autoridade do Antigo Testamento. Esse complexo literário rege a vida judaica até o dia de hoje, e desde longas datas tem exercido forte influência na vida do povo. Define “coisa indecente” de Dt 24:1 de várias maneiras e isso causou um desprezo e banalização do casamento, principalmente para as mulheres, que, logicamente se tornaram as maiores vítimas. Com isso, um judeu poderia dar a carta de divórcio por qualquer coisa, como por exemplo:

a) Abriga atitudes impróprias como andar com o cabelo solto;

b) Andar sozinha pela rua;

c) Conversar com outro homem;

d) Maltratar sogros;

e) Gritar com o marido;

f) Ter má reputação;

g) Revelar hábitos condenáveis.

Tudo isso, segundo  pensamento judaico, está ligado à falta de respeito, a agressividade e à insubordinação da mulher para o casamento.

2 – É evidente que a “coisa indecente” não se referia ao adultério, pois esta era, nesse tempo, condenado com pena de morte – (DT 22.22) – “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, eliminarás o mal de Israel”.

O QUE JESUS PREGOU?

MT 19.9 – Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério…“. Gr. “porneia” – dultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, relação sexual com animais, relação sexual com parentes próximos – Lv 18. A palavra explícita para adultério é “moichao” – ter relação ilícita com a mulher do outro – Mc 10.11-12.

O QUE DEUS PENSA SOBRE O DIVÓRCIO?

Ml 2.16 – Porque o Senhor Deus de Israel diz que odeia o divórcio (repúdio)…

ANÁLISE DO TEXTO DE 1CORÍNTIOS 7

O texto de 1Coríntios 7 é que trata de forma mais extensa sobre o divórcio. Algumas questões respondidas por Paulo neste capítulo: sexo no casamento, celibato, divórcio, sobre as virgens e viúvas. Tem três coisas que precisamos ter em mente para entendermos as questões levantadas:

(1)          O dualismo grego. Os coríntios eram cheios de filosofias. A cidade de Corinto só perdia em termos de cultura e literatura para Atenas. Havia várias escolas filosóficas. A idéia que predominava era o dualismo grego: uma visão de mundo que via a realidade sob duas óticas ou o andar de cima e o andar de baixo. Dizia que o que era “espiritual” era bom e tudo que era material era secundário, inferior. Valoriza a alma em detrimento do corpo. Essa idéia influenciava no casamento. Principalmente o sexo. Alguns crentes achavam que o sexo era algo inferior e sem importância no casamento.

(2)          O ambiente sexual da cidade de Corinto. Havia o templo de Afrodite e envolvia a prática da relação sexual com as sacerdotisas (prostituição cultual). Dizem que à noite as sacerdotisas saiam em busca de práticas sexuais na cidade. Um cristão sofria uma pressão muito grande nessa cidade.

(3)          As perseguições aos cristãos corintianos. Poderiam ter os seus bens tomados pelas autoridades da cidade. O que deve um homem fazer? Casar e deixar sua esposa e filhos sujeitos a morte e prisões por causa da perseguição ou ficar solteiro? Posso me separar para servir a Deus? Meu marido não é crente, posso me separar dele para servir melhor a Deus? O que é melhor para os solteiros e as viúvas? Minha filha virgem deve casar-se ou manter-se pura para o Senhor?      

O cap. 7 todo é a resposta de Paulo às perguntas feitas pela igreja de Corinto a respeito da vida conjugal. Suas instruções devem ser lidas à luz do versículo 26: “Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade”. Um período de grande aflição e perseguição estava para vir sobre os cristãos de então, e nessa situação, a vida conjugal seria difícil.

Podemos inferir do texto algumas perguntas que o Apóstolo Paulo teve que responder.

Resposta a perguntas acerca do casamento

Pergunta: Paulo eu quero servir a Deus, mas o que é melhor, casar ou permanecer solteiro? Resposta: v. 1 e 2.

7.1 – “Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher”.

QUE O HOMEM NÃO TOCASSE EM MULHER. Note-se que “não tocar em mulher” significa, aqui, não ter relações ou contato físico com as mulheres, ou seja, casar-se. É o ato sexual (Gn 20.6; Pv 6.29).

7.2 – “mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido”.

Um dos objetivos do casamento é a satisfação legítima do desejo sexual. Alternativa para a impureza sexual. O padrão aqui é monogâmico. Paulo não era machista, pensa na mulher. 

Pergunta: Como deve ser o sexo para nós casados? Isso não é pecaminoso? Posso casar sem praticar o sexo? Resposta: v. 3 e 4.

7.3 – “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido”. Êx 21.10; 1Pe 3.7.

O MARIDO PAGUE À MULHER. Casou, sexo é dívida. O compromisso do casamento importa em cada cônjuge abrir mão do direito exclusivo ao seu próprio corpo e conceder esse direito ao outro cônjuge. Isso significa que nenhum dos cônjuges deve deixar de atender os desejos sexuais normais do outro. Tais desejos, dentro do casamento são naturais e providos por Deus, e evadir-se da responsabilidade de satisfazer as necessidades maritais do outro cônjuge é expor o casamento às tentações de Satanás no campo do adultério (v.5). A idéia que a abstenção é mais santa veio do paganismo (1Pe 3.7; Hb 13.4).

7.4 – “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher”.

Poder, i.e., autoridade. Cada cônjuge pertence um ao outro.

Pergunta: Mas Paulo eu gostaria de me santificar me abstendo do sexo, o que fazer? Resposta: v. 5 e 6.

7.5 – “Não vos defraudeis (priveis) um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência”.

Priveis. Defraudeis. Abstenção temporária, com consentimento mútuo e para uma finalidade boa, está certo. Assemelha-se ao jejum (Ec 3.5; Jl 2.16).

7.6 – “Digo, porém, isso como que por permissão e não por mandamento”.

Isto. 7.2-5. Geralmente o homem deve casar-se. Paulo prefere o celibato por boas razões (29, 32, 35) e porque tem um dom (gr charisma) de Deus. O casamento exige dons também (Mt 19.10-12).

Pergunta: O casamento e o celibato são dons ou uma opção? Resposta: v. 7.

7.7 – “Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira, e outro de outra”. At 26.29; 1Co 9.5; 12.11; Mt 19.12. Os Eunucos do Reino (Mt 19.9-12).

Pergunta: Os solteiros e as viúvas devem casar ou não? Resposta: v. 8 e 9.

7.8 – “Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu”.

O ideal: ficar livre para melhor servir a Deus (32).

7.9 – “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”. 1Tm 5.14

Viver abrasado. Lit. estar no fogo, queimar.

 

Pergunta: E aos que são casados o que tem que fazer? Quando não dá realmente certo? Resposta: v. 10 e 11.

7.10 – “Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido”. 1Co 7.12,25,40; Ml 2.14,16; Mt 5.32; 19.6,9; Mc 10.11; Lc16,18

7.11 – “Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”.

SE, PORÉM, SE APARTAR, QUE FIQUE SEM CASAR. Paulo está falando da separação sem divórcio formal. Talvez isso se refira a situações em que o cônjuge age de modo a pôr em perigo a vida física ou espiritual da esposa e dos filhos.

Pergunta: E quando um dos dois não é crente, o que fazer? Resposta: v. 12-17.

7.12 – “Mas, aos outros, digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe”.

DIGO EU, NÃO O SENHOR. Não se trata de Paulo meramente dar sua opinião aqui, antes; está declarando que não tem uma citação de Jesus para confirmar o que ele vai escrever. No entanto, o que ele passa a escrever, procede de quem tem autoridade apostólica, sob inspiração divina (25,40; 14.37).

7.13 – “E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe”.

7.14 – “Porque o marido descrente é santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada pelo marido. Doutra sorte, os vossos filhos seriam imundos; mas, agora, são santos”.

MARIDO… MULHER… FILHOS. Por ser crente o marido ou a mulher, ele, ou ela poderá ter uma influência especial para levar o outro cônjuge a aceitar Cristo (1Pe 3.1,2). Isto não significa, todavia, que os filhos de tal lar sejam automaticamente crentes. Eles são santos no sentido de serem separados pela presença de um pai ou mãe crente. Deus por amor do conjugue crente faz uma distinção com relação ao incrédulo. P.ex. Potifar foi abençoado por causa da presença de José em sua casa – Gn 39.3. Abraão intercede por Sodoma e se lá tivesse dez justos o Senhor não a teria destruído – Gn 10.

O Apóstolo Paulo fala no verso seguinte aquilo que os estudiosos entendem como a “exceção Paulina”:

7.15 – “Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz”. Rm 12.18; 14.19; 1Co 14.33; Hb 12.14

NÃO ESTÁ SUJEITO À SERVIDÃO. Se o cônjuge incrédulo escolher a separação, o crente deve aceitá-la, depois de ter feito todo o possível para evitá-la. “não está sujeito à servidão”, significa que o crente fica desobrigado do contrato conjugal. A palavra “servidão” (gr. douloo) significa literalmente “escravizar”. Nesse caso, o crente fiel já não está escravizado aos seus votos conjugais. Tal cônjuge crente abandonado fica livre para casar-se de novo, mas só com um crente (v.39).

7.16 – “Porque, donde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, donde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?”

Este verso pode ser interpretado em duas maneiras: (1) em favor de não dar o divórcio; e, (2) em favor de dar o divórcio. Ou seja, se o descrente quer ir embora não deixe, pode ser que você seja um instrumento para a conversão dele. Ou, se o incrédulo quiser ir embora, deixe que vá, como saberás se salvarás o teu marido? Deus te chamou para paz.

7.17 – “E, assim, cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um, como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas”.

Pergunta: E no que se refere as ordenanças judaicas, como devemos proceder? Resposta: v. 18-24.

7.18 – “É alguém chamado, estando circuncidado? Fique circuncidado. É alguém chamado, estando incircuncidado? Não se circuncide”. Gl 5.2

7.19 – “A circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus”. Gl 5.6; Jo 15.14; 1Jo 2.3

7.20 – “Cada um fique na vocação em que foi chamado”.

O evangelho pode ser vivido em quaisquer circunstâncias.

7.21“Foste chamado sendo servo? Não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião”.

7.22“porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e, da mesma maneira, também o que é chamado, sendo livre, servo é de Cristo”. Jo 8.36; Rm 6.18; Fm 16; Gl 5.13; Ef 6.6; 1Pe 2.16

7.23 – “Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens”. 1Co 6.20; 1Pe 1.18-19; Lv 25.42

7.24 – “Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado”. 1Co 7.20

Pergunta: E com relação às filhas virgens? Resposta: v. 25-28.

7.25 – “Ora, quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel”. 1Co 7.6,10,40; 8.8,10; 1Tm 1.12,16.

O celibato é apresentado como algo desejável, embora não necessário.

7.26 – “Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para o homem o estar assim”.

Provavelmente uma circunstância extremamente difícil pela qual passavam os cristãos em Corinto.

7.27 – “Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher”.

7.28 – “Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia, os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos”.

“RAZÕES GERAIS DAS RESPOSTAS DE PAULO”

7.29 – “Isto, porém, vos digo, irmãos: que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se as não tivessem”. Rm 13.11; 1Pe 4.7; 2Pe 3.8-9

7.30 – “e os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem”.

7.31 – “e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa”.

7.32 – “E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor”. 1Tm 5.5

7.33 – “mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher”.

7.34 – “Há diferença entre a mulher casada e a virgem: a solteira cuida das coisas do Senhor para ser santa, tanto no corpo como no espírito; porém a casada cuida das coisas do mundo, em como há de agradar ao marido”.

7.35 – “E digo isso para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor, sem distração alguma”.

7.36 – “Mas, se alguém julga que trata dignamente a sua virgem, se tiver passado a flor da idade, e se for necessário, que faça o tal o que quiser; não peca; casem-se”.

7.37 – “Todavia, o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas com poder sobre a sua própria vontade, se resolveu no seu coração guardar a sua virgem, faz bem”.

7.38 – “De sorte que, o que a dá em casamento faz bem; mas o que a não dá em casamento faz melhor”. Hb 13.4

7.39 – “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”. Rm 7.2; 2Co 6.14

7.40 – “Será, porém, mais bem-aventurada se ficar assim, segundo o meu parecer, e também eu cuido que tenho o Espírito de Deus”. 1Co 7.25; 1Ts4.8

Neste v., Paulo não duvida da sua autoridade, mas ironicamente combate os líderes que negaram sua autoridade em Corinto (cf. 1.1, 7; 9.1s; 12.25).

“CONSIDERAÇÕES FINAIS”

1 – Seja qual for a situação dos cônjuges, o divórcio só deveria ser pleiteado depois de esgotados todos os recursos, sob todos os pontos de vista. Daí é permitido o divórcio em caso de adultério e, segundo Paulo, de abandono do lar por parte do descrente.  

2 – Cada casal deve procurar, com ajuda de Deus e da Igreja, resolver seus problemas conjugais, antes que estes destruam seu matrimônio.

3 – A luz da Bíblia, o fim do casamento deve ser a morte de um dos cônjuges, mas nunca o divórcio.

4 – Não podemos entre nós proibir, nem impedir o divórcio, mas podemos e devemos desmotivá-lo e evitá-lo, mediante a exposição da doutrina bíblica.

5 – Deus abomina o divórcio. (Ml 2.14) “portanto cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis”.

6 – Apesar de Deus abominar (aborrece, detesta) o divórcio, Ele permite para amparar e defender o cônjuge ferido.

7 – Mesmo se um crente se divorciar, quando realmente é comprovado que não teve condições de reconciliação, e, conforme Jesus, cometer adultério casando-se com outro, Jesus mesmo perdoa os pecados dos mesmos e os trazem a comunhão com Ele.

in Maluco por Jesus

Como mandar seus filhos pro INFERNO

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 “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Pv. 22:6)

O provérbio acima é uma promessa ou uma advertência? Segundo o hebraico, a frase “no caminho em que deve andar” não está traduzida de maneira correta. Ela deveria ser “de acordo com seu próprio caminho”. Assim, você tem no capítulo 22, versículo 6, uma predição proverbial de que a criança educada e ensinada, desde o começo, a seguir seu próprio caminho, estará, para todo sempre, ligada a ele.

O provérbio pode ser visto como uma “promessa” encorajadora de dois modos possíveis. Um, o mais comum, o apresenta ensinando que se você “pai-storear” corretamente seu filho de acordo com o seu chamado da aliança, isto resultará em fidelidade eterna. A outra forma “positiva” de entendê-lo, revela um sentido diferente. Salomão aqui, estaria falando do reconhecimento, de antemão, da propensão vocacional existente em seu filho. Se esta propensão for cultivada, ela resultará numa devoção eterna e frutífera para o ofício escolhido. Como tal, o provérbio pode ser tomado como algum tipo de indução a um aprendizado precoce. Se você observa que seu filho gosta de cavalos, por exemplo, deixe-o, o quanto antes, ser treinado nesta área por um perito. A frase ensinar poderia ter então, o sentido de “dedicar” ou mesmo “estimular”. Deixe-o empregar seus dons naturais o quanto antes, e ele os usará naquela área por toda vida.

Mas há um terceiro modo de entender este verso, e esse não como uma promessa, mas como uma advertência. A Palavra pode estar nos ensinando que se você educar a criança de acordo com suas próprias (pecaminosas, naturais) inclinações, você a terá arruinado para a vida.

Assim, este provérbio poderia ser um complemento a muitos outros provérbios que tratam do mesmo assunto. Por exemplo, em 22:15 encontramos: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” e em 19:18 há a admoestação: “Corrige a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo.” Dizendo enquanto há esperança, encontramos o autor sugerindo que haverá um tempo quando o treinamento ou a disciplina serão, humanamente falando, vãos, sem esperança, infrutíferos, inúteis. Se você deixá-lo seguir seus instintos corrompidos fora da porteira (conforme 22:6), mais tarde você não o terá de volta ao caminho.

Este último modo de interpretar Pv. 22:6 é o mais recomendado. Primeiro, ele permite a versão literal a fim de transmitir uma mensagem coerente, sem emendas. Segundo, ele é apoiado por instruções e admoestações muito similares quando o mesmo assunto (criação de filhos) é tratado no mesmo livro inspirado. Terceiro, e este é de vital importância ao testar a interpretação apropriada de um provérbio inspirado, é que ele é legítimo no que se refere à vida e a experiência comum. “Há pouca esperança para crianças que são educadas de maneira imprópria. Se a tinta respingou na lã, é muito difícil tira-la da roupa” diz Jeremiah Burroughs. E muitos são os que têm notado, como fez William Gurnall, que a “Religião cristã não cresce sem que se plante, mas murchará, mesmo onde foi plantada, se não for aguada. Ateísmo, irreligião e profanidade são ervas daninhas que crescerão sem semeadura, mas não morrerão sem que sejam arrancadas”. Deixe uma criança seguir seu próprio caminho quando for jovem e ela crescerá para ser um “jardim” de ervas daninhas.

Acima e abaixo de todas as possíveis interpretações de Provérbios 22:6, está uma pressuposição da maior importância: Como os pais lidam com as dificuldades de suas crianças. Aqueles que principiam seus conceitos com a eleição ao invés de com a aliança podem facilmente cair em alguma sorte de fatalismo não bíblico. Mas pelo fato de Provérbios (para não mencionar o restante das Escrituras) nos falar de diversas conseqüências provenientes de diferentes ações humanas, somos seguramente levados a crer que o modo pelo qual eu crio meus filhos é realmente um assunto muito importante, que, mais do que um modo de falar, pode muito bem influir na definição de onde eles passarão a eternidade.

Nunca é uma honra a Deus que Seu povo fale de Sua soberania de modo a desobrigá-los de suas responsabilidades. Somos levados a crer pelas Escrituras que podemos e devemos ter uma influência tal sobre nossos filhos que não é incomum que ela os conduza à salvação, com a bênção de Deus e o suporte da comunidade da aliança, conforme Gn 18: 16-19; 1 Tm 3: 4,5; Tt.1:6 e também 2 Tm. 3: 14,15.

Assim sendo, devemos saber que nossa ação ou inação bem pode conduzi-los à condenação. E, se falhamos em ouvir os avisos e a direção de Deus encontrados por toda a Escritura, no último dia não seremos autorizados para suplicar pelos decretos de Deus em nossa defesa!

Visto que o inferno é a eterna e atormentadora separação de Deus e do conforto, alguém poderia pensar que o mais fervoroso desejo de um pai seria educar seus filhos, rigorosa e conscientemente, para que escapassem da perdição e achassem refúgio e plenitude de vida em Deus através de Cristo e da aliança. Ainda assim, muitos são os que parecem considerar isto como sendo muito trabalhoso. Para aqueles tão completamente perversos a ponto de serem indiferentes à questão, eu apresento um método para fazer com que isto seja uma certeza. Aqui, através de 18 meios bem fáceis de seguir, está a fórmula comprovada de como mandar seus filhos para o inferno:

1) Crie seu filho para buscar seu próprio caminho. Se você for educar seus filhos corretamente, então, em primeiro lugar, eduque-os no caminho em que devem andar e não no caminho em que eles escolheriam. Lembre-se: crianças nascem com uma inclinação decidida para o erro, e portanto, se você permitir que escolham por si mesmas, elas certamente escolherão errado”.

A mãe não pode dizer o que seu frágil infante será ao crescer: alto ou baixo, fraco ou forte, sábio ou tolo; ele pode ser qualquer uma destas coisas ou nenhuma delas, pois elas são incertas. Mas uma coisa a mãe pode dizer com certeza: ele terá um coração corrupto e pecador. É natural para nós portar-nos mal. “A estultícia”, diz Salomão, “está ligada ao coração da criança” (Pv. 22:15). “A criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”(Pv. 29:15). Nossos corações são como a terra que pisamos; deixe-a abandonada e certamente produzirá ervas daninhas.

Se então, você for lidar de modo sábio com seu filho, não deve deixá-lo sujeito a sua própria vontade. Pense por ele, julgue por ele, aja por ele, do mesmo modo que você faria por uma pessoa fraca e cega; mas, pelo amor de Deus, não o entregue aos seus próprios gostos e inclinações voluntariosos. Não devem ser suas preferências e desejos que são consultados. Ele ainda não sabe o que é bom para sua mente e alma, mais do que o que é bom para seu corpo. Não o deixe decidir o que ele deve comer, o que ele deve beber, e como ele deve se vestir. Seja consistente, e lide com a mente dele da mesma maneira. Eduque-o no caminho que é bíblico e correto e não do jeito que ele imagina.

Se você não pode decidir-se a este primeiro princípio da educação cristã, é inútil continuar lendo. A vontade própria está perto de ser a primeira coisa que se manifesta na mente da criança, e precisa ser sua primeira resolução, resistir a ela.

Ignore este conselho se você for colocar seu filho rumo à destruição, e ao invés disto, ensine-lhe auto-estima positiva; ensine-o que o maior amor está dentro dele e que o mundo, de fato, gira ao seu redor”.

2) Nunca o discipline corporalmente. Os provérbios que sugerem punição corporal, são bárbaros e ultrapassados. Nós somos civilizados. Nós temos o Ano da Criança! Nós erguemos nossas consciências, não palmatórias! Provérbios 13:24 “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” está errado. Ignore-o. O 22:15 “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela”, também. E esqueça 23:13-14 “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno”. Se você for tentado a discipliná-los corporalmente, tente estas desculpas: a) “Eu apanhei quando criança e não quero bater nos meus filhos”. Claro, que é o mesmo que dizer “Minha mãe era gorda, por isso eu não alimento meus filhos”; b) É contra a lei; c) Minha sogra não gosta disso. Seja criativo e pense em outras desculpas; você achará fácil criá-las.

3) Quase tão proveitoso quanto nunca discipliná-los é discipliná-los corporalmente insensata e/ou severamente. A correção bíblica é amorosa, firme e controlada. Excesso de correção bíblica o conduziria à outra direção.

4) Esta é a favorita de muitos pais: nunca use a Escritura na correção. Nunca explique para seus filhos qual é a vontade de Deus sobre o assunto. Não tome Deuteronômio 6: 4-9 literalmente (“Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”).

5) Nunca admita que você está errado. Se você deseja que seus filhos cresçam descorteses e hostis, nunca os deixe vê-lo humilhado ou aceitando correção. Nunca lhes peça desculpas; nunca reprima seu orgulho.

6) Seja hipócrita. Esta é boa para lembrar. Ensine-os através das suas ações, que suas palavras não têm valor para você.

7) Instrua-os para escolher sua própria religião. Afinal, você não pode forçá-los a crer.

8) Não ore com eles ou por eles, pública ou privadamente. Se você precisa de uma desculpa, lembre que eles acharam graça de você da primeira vez que você tentou. Normalmente isto é suficiente para fazê-lo desistir.

9) Evite cantar salmos e hinos com seus filhos. Mas se por alguma razão você achar que deve, nunca lhes explique o sentido.

10) Responda cada pergunta religiosa com “Porque nós sempre fizemos assim”. Este é um dos meios mais eficazes de convencê-los que o cristianismo é meramente uma tradição e não a Verdade.

11) Não os previna sobre evolução ou outros mitos populares. Não os informe sobre heresias da história ou suas modernas iterações. Não lhes fale nada sobre teologias antagônicas e o porquê as igrejas ortodoxas as rejeitam.

12) Deixe-os expressarem-se de qualquer modo que escolherem, seja no seu jeito de vestir, no jeito que usam seu cabelo ou no seu linguajar. As novidades sempre devem ser seguidas. Se eles desejam tatuagens ou vários piercings, relaxe e aproveite. Não interfira. Afinal a vida é deles. E nunca olhe aquilo que eles lêem. Eles têm direitos, você sabe. Você não lê os boletins da ACLU (União Americana para Liberdades Civis)?

13) Não os faça trabalhar por nada. O amor, apesar de tudo, deve ser incondicional, certo? Então, lhes dê tudo e não espere nada. (Isto é exatamente o que você obterá).

14) Desde a infância, use uma linguagem simples ao falar com eles. Não espere que alcancem a maturidade e eles satisfarão suas expectativas!

15) Não os abrace ou beije ou lhes faça cócegas, e seja muito parcimonioso com respeito a lhes dizer que os ama. Evite por completo, se possível. Afinal, isto não é muito másculo.

16) Deixe-os mentir sem sofrer punição. Prove com isto que a verdade tem pouco valor em sua casa.

17) Deixe-os desperdiçar tempo, a esmo e sem propósito. Prive-os daquela idéia puritana que descansamos bem para melhor trabalhar. Tente incutir neles a moderna noção que trabalho existe a fim de custear nossa diversão nos fins de semana; damos duro para podermos “badalar”!

18) Mantenha a TV sempre ligada, especialmente durante os comerciais. Este é o meio mais fácil e certo de guiar seus filhos para o inferno. Pense! Ela pode ser pode ser o terceiro (e o único realmente presente) “pai” delas, e a sua melhor amiga. Duas horas na igreja aos domingos não terão um papel eficiente na formação do caráter delas, quando confrontadas com 25 horas de televisão. Todo absoluto, de qualquer fonte, será “relativizado” para sempre. A televisão tem sido a melhor amiga do diabo, então a deixe possuir a sala de estar e a cozinha também. Se possível, deixe-a ligada durante o jantar, assim ela pode reivindicar, sozinha, o título de senhora e mediadora da verdade em sua casa.

Se você seguir estes 18 passos, há pouca dúvida de que seu filho estará entre aquela população infernal.

Mas eu, particularmente, penso que você rejeitará toda esta horrenda insensatez acima e se curvará a mais solene responsabilidade que Deus já lhe deu: Ser pai e mãe. Se Deus nos concede a aptidão de conduzir nossas crianças à perdição, porque alguém duvidaria que Ele nos dá a habilidade, a responsabilidade, na verdade, o privilégio, de conduzi-los ao céu? Se nós fielmente seguirmos Seu método de criação de crianças da aliança, elas estarão entre a população celeste por toda a eternidade. Que incentivo à fidelidade!

A aliança continua por gerações, mas ela continua junto ao caminho da fidelidade, não o da presunção. Nós temos incomparavelmente grandes e preciosas promessas da parte de Deus, bem como admoestações. Ele nos exorta que não fazer nada é a coisa errada. Ensine a criança em seus próprios caminhos, e quando ela for velha, não se desviará dele. Mas Ele promete que fazer a coisa certa ocasionará a uma colheita de promessas cumpridas. Ouça Deus meditando consigo mesmo concernente a Seu amigo Abraão: “Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gênesis 18:19).

Esta promessa é para você e para seus filhos, e para tantos quantos o Senhor, nosso Deus, vier a chamar. É uma promessa com condições; que alegria é cumpri-las, visando a recompensa a que elas conduzem! Amém.

Por Steve M. Schissel.

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Carta aos MUÇULMANOS …

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Se você é muçulmano – Uma Breve Declaração de Fé Cristã

Há um Deus verdadeiro e vivente, que é Espírito e Criador de todos os espíritos, sejam humanos ou angelicais, e de todo o universo que a ciência já nos revelou. Somente Ele é eterno e existente em Si mesmo, dependendo tudo o mais dEle. Deus está presente em Seu universo em todo lugar e em toda época, mas Se dá a conhecer em lugares e momentos específicos. As Escrituras do Antigo e Novo Testamento (a Torá, o Zabur e o Injil) constituem o registro supremo desta revelação que Deus nos dá de Si mesmo.

Atualmente existem cópias autênticas dos livros do Antigo Testamento em hebraico original, anteriores à Era Cristã, e também dos livros do Novo Testamento em grego, de uma data anterior à do ano 300 da Era Cristã (ou seja, vários séculos antes do profeta Maomé). As traduções da Bíblia baseiam-se em tais documentos históricos. Há pequenas variações entre as diferentes cópias antigas (manuscritos, códigos, etc.), mas são insignificantes. Não existe a menor evidência de que os judeus ou os cristãos tenham alterado deliberadamente as Escrituras, ou que tenha existido uma Torá ou um Injil diferentes do tempo em que Maomé disse:

Somente há um Deus: o Deus vivo e eterno. Ele enviou o livro que contém a verdade, para confirmar as Escrituras que o precederam. Antes deixou o Pentateuco e o Evangelho, para que servisse de guia aos homens…” (Sura 3.1, 2)

O fato de que deus é um só, é o fundamento da Torá de Moisés. No Injil repete-se várias vezes este princípio, que sempre foi a fé dos cristãos. Ao mesmo tempo, a experiência dos primeiros discípulos ao observar a vida de Jesus e ouvir Suas palavras, levou-os à convicção de que Ele era, num sentido muito especial e divino: “Meu Senhor e meu Deus”, são as palavras de um deles.

Além disso, quando após a ascensão de Jesus ao céu e de acordo com sua clara promessa, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos que O esperavam, e eles comprovaram que Deus estava trabalhando entre os homens sem ser visto, não somente como um poder ou uma influência, mas em forma pessoal. Portanto, o Espírito Santo também é uma pessoa. Os cristãos tradicionalmente falavam de três “Pessoas” em um só Deus, a Santíssima Trindade, mas neste caso, a palavra “Pessoa” não deve ser entendida no seu sentido mais comum. As “Pessoas” divinas estão vinculadas entre si na unidade da Trindade, mais intimamente do que jamais poderiam estar os seres humanos.

Nenhuma analogia terrena pode explicar adequadamente o que é a divina Trindade; portanto, não devemos nos surpreender que a mente humana seja incapaz de compreender totalmente o mistério de nosso maravilhoso Deus, que é o verdadeiramente “Al Ghaib” (O Escondido). Nossa capacidade para entender Sua grandeza e Seu mistério é tão limitada como a de um gato (para usar uma ilustração familiar) para compreender o que faço quando leio um livro, ou oro.

Mas, nenhuma explicação sobre a Trindade é válida se não reafirma a unidade de Deus.

Deus enviou Seus profetas através dos tempos para revelar à humanidade Sua vontade e algo sobre Sua natureza e para chamar o homem ao arrependimento e à obediência. Mas, quando chegou o momento propício, Deus mesmo tomou a forma humana na pessoa de Jesus, o filho de Maria. Não fez isso para apagar Sua divindade e aparentar ser um homem, mas para que a natureza humana e a divina fossem combinadas maravilhosamente em Uma só pessoa. Quando O chamamos de “Filho de Deus” não nos referimos à Sua concepção milagrosa, já que Cristo é o Filho de Deus desde toda a eternidade, e seria uma blasfêmia pensar que de alguma forma o Deus glorioso tomou forma humana para ter relações físicas com uma pessoa humana (Maria), por mais pura que ala fosse.

Esse título é uma metáfora que fala daquele que possui a natureza de seu Pai (como os filhos humanos), mas está mais perto do coração de Deus. Como homem, Jesus teve fome, sede, cansaço, sentiu tristeza, foi tentado, sofre e morreu. Ao mesmo tempo, através de Sua vida de perfeição, mostrou o que Deus queria que o ser humano fosse. Como verdadeiro Deus, manifestou a glória divina por toda a Sua vida, e na ressurreição, triunfou sobre a morte. Sofrendo pela humanidade, oferecendo-Se a Si mesmo como sacrifício perfeito pelo pecado humano, revelou o assombroso amor de Deus, pois o amor, por sua própria natureza, supõe sofrimento e um Deus amoroso também deve ser um Deus sofredor. Por isso a cruz é um símbolo tão significativo para os cristãos. Um discípulo de Cristo pode dizer: “amou-me e Se entregou a Si mesmo por mim.”

Este amor sacrificial foi a grande e fantástica motivação para o amor e o serviço entre os Seus seguidores.

Por que teve de sofrer? Porque desde Adão os homens e as mulheres são pecadores e se rebelaram contra o Deus Santo, tornando-se merecedores de Seu juízo. Nem as boas obras, nem o sofrimento voluntário, podem compensar os pecados de ninguém, por mais justo que aparente ser. Somente o sacrifício de um homem perfeito que é o próprio Deus será suficiente para apagar seus pecados. Ao derrubar a barreira das transgressões, o sacrifício de Cristo restabelece o vínculo entre Deus e o homem, para que assim este possa receber o Dom de Deus que é o perdão gratuito e a vida eterna.

Somente pela fé, pode-se receber a assombrosa graça de Deus que Cristo nos oferece. Esta fé, entretanto, não implica somente crer com o intelecto, também significa confiar em Jesus com todo o coração e consagrar a Ele nossa vontade.

Desta forma, podemos ver que não se trata, como disseram alguns, de que a propiciação de Cristo nos dá liberdade para pecar. Ao contrário, ela nos transforma em novas pessoas, e por isso, não temos mais desejo de pecar.

A nova vida em Cristo traz consigo o Dom do Espírito Santo, que entra em nossas vidas e pouco a pouco produz em nós as qualidades de Jesus: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança. Mas para isso, devemos cooperar ativamente e utilizar os meios que Deus nos deu para crescer espiritualmente: a adoração com outros cristãos, a oração individual e pessoal, o estudo inteligente da Bíblia e sua meditação, não a mera repetição de suas palavras. O Espírito Santo nos fortalece para servir a Cristo e nos reveste de dons especiais, os quais podem ser usados para ajudar outros e edificar a comunidade cristã.

Finalmente, chegará o dia como Cristo prometeu, em que Deus intervirá uma vez mais na história do homem mediante a volta gloriosa de Jesus Cristo, com o que esta era terá fim e o mundo tal qual o conhecemos desaparecerá. O cristão espera, seja nesse momento ou depois de sua morte, viver na presença de Deus, sem ser assediado pelo poder e a presença do pecado, naquele reino celestial onde todo o mal terá desaparecido, e o povo de Deus desfrutará por toda a eternidade da visão perfeita de Sua beleza.

Por R F. Wooton in Muçulmanos que encontraram a Cristo – Testemunhos Vivos do Poder do Evangelho entre os seguidores de Maomé.

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O Fogo Ainda Queima !!!

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O Pastor Scott McDermott, da United Methodist, mudou-se para o interior, no oeste da Pensilvânia, em 1993, para servir a igreja, em Washington Crossing, um subúrbio da Filadélfia. A congregação de 700 membros estava experimentando dificuldades financeiras, naquele tempo, e McDermott começou a pregar, pedindo a direção do Espírito Santo. Ele não fazia idéia de que sua igreja estava para experimentar o que ele agora chama de “o mover soberano de Deus”.

Uma manhã de domingo, enquanto conduzia um estudo do versículo do livro de Neemias, McDermott perguntou aos seus paroquianos o que poderia acontecer, se eles declarassem sete dias de regozijo, similares à celebração registrada na narrativa do Velho Testamento. Alguém na última fileira gritou: “Vamos fazer isso”, e o pastor soube que a idéia tinha sido confirmada. “Quando alguém começa a falar com você, da última fileira de uma Igreja Metodista, você sabe que Deus está se movendo”, McDermott diz, com um sorriso.

Rapidamente, foi programada, para a semana seguinte, uma unção organizada dos serviços especiais de “regozijo”. Na segunda-feira, à noite, por volta de 30 pessoas dirigiram-se para orar. Na noite seguinte, McDermott sentiu-se compelido a ungir com óleo os que estavam presentes, e a orar para que eles fossem preenchidos pelo que ele chama de “espírito de alegria”. Depois de uma hora de louvor e oração, algumas pessoas vieram para o altar. Assim que o pastor orou, a terceira pessoa na fila caiu ao chão, como se estivesse dominada, pelo poder do Espírito Santo. O mesmo acontecendo com os que se seguiram.

Na noite da quarta-feira, 125 pessoas vieram à frente. MacDermott orava por duas horas, ininterruptas. Os congregantes esperavam em uma linha que se estendia atrás das portas dianteiras, ou se colocavam, mais adiante, no chão do santuário.

É desnecessário dizer que esse não era seu serviço típico, na igreja United Methodist. MacDermott esfregava sua cabeça. “Eu estava dizendo, ‘Deus, o que está acontecendo aqui? O que é isto?’”.  Ele se certificou que orando com a congregação, dessa maneira, abriu uma nova dimensão para seu ministério. “Foi como se você pudesse ver dentro do coração das pessoas, e ver o quebrantamento delas’”, ele diz.

Os dias de regozijo, em Washington Crossing, estendeu-se muito mais do que uma semana. A sensação da presença de Deus teve um impacto nos recolhimentos religiosos, e momentos de oração de apoio. O órgão da igreja foi vendido, por fim, e as guitarras, atualmente, foram introduzidas, como serviços de adoração, substituindo a liturgia tradicional. Os serviços religiosos usuais teriam sido ofuscados pela visitação óbvia do poder de Deus.

Em Março, durante o serviço de domingo, uma sessão de oração estendeu-se bem além do tempo de 90 minutos usuais. Exceto por 15 minutos de intervalo, McDermott orou com os paroquianos por seis horas; alguns tendo permanecido em fila por quatro horas. “As pessoas estavam espalhadas pelo chão; nós estávamos empilhando cadeiras para compor uma sala. Pessoas caíam, sob o peso de seus fardos”, ele lembra. Essas orações noturnas atraíram 200 pessoas, e MacDermott passou outras quatro horas orando por eles.

Quando esse reavivamento eclodiu, em 1994, McDermott imaginou que ele precisaria aprender como pastorear uma congregação que está experimentando reavivamento espiritual; um tópico que nunca fora discutido, em suas classes de seminário. Ironicamente, ele encontrou suas respostas, no Diário de John Wesley, o fundador do movimento Metodista. E MacDermott lembrou-se que o Metodismo do passado parecia-se muito mais com o reavivamento Pentecostal do que os United Methodists modernos gostariam de admitir. 

A Chama Intensa

McDermott não foi o único, nos oito milhões de membros da United Methodist Church que está experimentando o toque renovador do poder do Espírito Santo hoje. Nos últimos anos, o reavivamento dos dons da graça tem brotado, na igreja United Methodist, num tempo, em que a denominação tem enfrentado perda de membros e tumultos internos. Embora os bispos da United Methodist estejam ocupados argumentando sobre se o homossexualismo é um pecado, e se a Bíblia é verdadeira, um crescente número de seus membros está redescobrindo que o movimento deles nasceu de um reavivamento que enfatiza santidade, zelo evangelístico, e compaixão pelos pecadores. E esses “cheios-do-Espírito” da United Methodist estão determinados a reclamar essas qualidades.

O fundador do Metodismo, John Wesley (1703-1791), e seu irmão Charles (1707-1788), criaram um movimento que era caracterizado, através da abertura ao Espírito Santo. Sua mensagem varrida, através das Ilhas Britânicas, como um fogo intenso, arremessou-se, no Atlântico, para a América do Norte, onde acendeu o Segundo Grande Despertar. John Wesley registrou algumas 225.000 milhas, em cima de um cavalo, para pregar na fronteira americana, e, no século XVIII e XIX, o circuito de pregadores americanos, montados a cavalo, que ele treinou, estabeleceu os alicerces de uma denominação que pretende hoje 36.000 igrejas em nosso país. O Metodismo atual conduziu para o movimento da Santidade, que enfatizou o poder do Espírito Santo, para purificar o que crê. A ênfase de Wesley, no trabalho secundário de santificação também conduziu indiretamente ao nascimento do Pentecostalismo, no começo deste século.

Mas o fogo não permaneceu queimando. Nos anos recentes, a United Methodist Church tem se tornado tão atolada em liberalismo, na sua linha principal, que Wesley provavelmente não iria reconhecê-la, se ele voltasse dos mortos. A cerimônia de casamento de duas homossexuais em 1997, que ocorreu na Primeira United Methodist Church, em Omaha, foi manchete de primeira página através do país. Mas o que não foi reportado foi que, em muitas congregações da United Methodist, Deus tem trazido a onda da renovação espiritual. É provavelmente muito cedo para rotulá-la como uma tendência, mas quietamente, e poderosamente diz o professor Stephen Seamands, da Asbury Theological Seminary, os United Methodists ”estão molhando seus pés no rio” do reavivamento.

“Wesley foi um apóstolo de sua própria geração, um visionário”, diz Terry Tekyl, um pregador evangelista da United Methodist, baseado no Texas, e líder num esforço de recrutar um milhão de cristãos, no ano de 2000, para orar semanalmente pela denominação. “Wesley não buscou permissão, tanto quanto ele buscou o poder de Deus”, diz Tekyl. “Correndo o risco, ele alcançou as pessoas, onde ninguém mais estava alcançando”. “E isto é o que muitos da United Methodist, que são conduzidos pelo Espírito, estão fazendo hoje”, Tekyl acrescenta. “Vá visitar qualquer Igreja vibrante da United Methodist, e você irá encontrar uma ênfase forte na oração: orações intercessórias, orações de cura, orações através de pessoas leigas para seus pastores, e caminhos de oração através da vizinhança. Há também uma crescente abertura ao Espírito Santo, um chamado forte para o discipulado, e uma nova ênfase em descobrir a intimidade com Deus”.

“Parece que há um foco a mais hoje, no ver a face e o coração de Deus”, diz Gary Moore, presidente da Aldersgate Renewal Ministries, uma rede de “cheios-do-Espírito” da United Methodist, baseados perto de Nashville, Tennessee. O grupo, que tem promovido renovação da graça, entre os United Methodist, desde 1970, tirou seu nome da rua, em Londres, onde John Wesley foi, em suas próprias palavras, “estranhamente aquecido”, quando ele compreendeu que Cristo era seu Salvador. “Os dons espirituais, os dons da graça, são formas secundárias na busca da face de Deus”, Moore acrescenta. “Parece haver mais luta com Deus, que fisicamente impacta a vida das pessoas, do que, provavelmente, houve nos primeiros dias do reavivamento”.   

Na Igreja de Scott McDermott, na Pensilvânia, a ênfase na oração tem conduzido ao crescimento e expansão. Oito ministros agora servem na igreja, e 27 pequenos grupos envolvem aproximadamente 300 adultos. Paroquianos também estão ajudando nos ministérios do centro decadente, nas imediações de Camden, New Jersey. O denominador comum da oração também executa o papel vital, na Pine Forest United Methodist Church, em Pensacola, Flórida. O mesmo vento do reavivamento que tocou a vizinha Assembléia de Deus, de Brownsville, em 1995, fez sua presença conhecida na Pine Forest, no mesmo ano.

Derramando Gasolina no Fogo

O grupo jovem da Pine Forest, verdadeiramente, começou a pregar, oito anos atrás, para seus pais e a comunidade. Quando o reavivamento eclodiu, em Brownsville, os membros curiosos da Pine Forest vieram investigar, conforme a diretora de programa da igreja, Linda Smith.  Os United Methodists, em número cada vez maior foram visitar os encontros Pentecostais. “Isso mudou, então, muito de nós. Mudou em tudo”, diz Smith. “Orações explodiram em nossa igreja. Quando o reavivamento primeiro começou [em Brownsville], nós partimos de um grupo de dois ou três, por semana, para quase seis. Agora, nós temos por volta de 19 grupos que se encontram em uma base semanal, ou bimestral. Alguns desses momentos de oração são extremamente poderosos”. 

O pastor sênior, da Pine Forest, Perry Dalton, diz que os 700 membros da sua igreja estavam experimentando reavivamento, antes de Junho de 1995. “Quando o reavivamento chegou em Brownsville, foi como se derramasse gasolina no que estava acontecendo aqui”, Dalton diz. Como McDermott, Dalton tem renovado seus estudos dos escritos (Diário) de John Wesley. Pine Forest logo começou a hospedar grupos de visitantes de fora da cidade, que tinham vindo “experimentar” Brownsville. Conseqüentemente, a igreja estabeleceu o que tem sido uma Conferência anual, bem atendida, para os pastores da United Methodist, onde cura, arrependimento e a renovação para a santidade dirigiram o dia. O zeloso grupo jovem da Fine Forest viajou a região, a convite, para conduzir os esforços na propagação do Evangelho. 

“O que nós estamos vendo é casamentos restaurados, e pessoas curadas”, Dalton diz. “Pessoas jovens estão voltando das drogas. Outras estão esperando para realmente terem Cristo, em suas vidas, no sentido autêntico”. Esta mesma cura é evidente, na Upton United Methodist Church, em Toledo, Ohio, pastoreada, nos últimos nove anos, por Pat Mckinstry, uma mulher afro-americana. Ela foi questionada para servir Upton, no momento em que o número de membros tinha decrescido, e a igreja estava quase para fechar suas portas. “Eu fui a primeira pessoa negra, e a primeira pastora, nessa igreja de classe-média branca”, Mckinstry registra. “Eu suponho que eles, mais ou menos, me queriam para agir de acordo com a tradição, mas eu soube que elas estavam morrendo. Eu comecei o serviço secundário com doze pessoas. Eu apenas treinei esses doze, e disse, ‘Se é Deus que vai construir sua igreja, então, nós precisamos buscar por ele’”.

Pedidos de oração começaram a fluir da comunidade, e McKinstry e os membros da igreja visitaram as áreas de projeto, em Toledo, onde eles conduziram líderes de gang, negociantes de drogas, e prostitutas para Cristo. Esses indesejáveis, finalmente, encontraram uma casa dentro das paredes de Upton. “Nós depositamos a Palavra”, diz McKinstry. “O estudo da Bíblia é a refeição principal, nessa igreja, em noites de quarta-feira. Alguns têm vindo alterados e bêbados. Nós apenas tocaríamos neles; ninguém iria criticá-los. Eu sei que, se a limpeza da Palavra entrasse em suas vidas, ela iria fazer o que as regras e as regulamentações não poderiam”.  

“Mais do que 650 membros agora atendem Upton — e 75 por cento deles não tinham igreja, quando vieram pela primeira vez. Quase doze nacionalidades diferentes estão representadas, assim como os primeiros Budistas e Testemunhas de Jeová. Nós não erramos, quando usamos os princípios que Jesus colocou ao construir sua igreja. Eu sinto que nós somos o Livro de Atos, hoje”, McKinstry diz.

Não muito longe de Toledo, em Muncie, Indiana, a Union Chapel United Methodist Church tem crescido de um comparecimento, de mais ou menos 70 pessoas, em 1981, para aproximadamente 1.300 hoje, durante o tempo de liderança do pastor sênior Gregg Parris. A renovação da Union Chapel começou logo depois que Parris soube que três senhoras tinham se encontrado, nos últimos 30 anos, para orar pelo reavivamento. Um testemunho de um organista, num domingo, conduziu ao arrependimento público, por um membro chave da igreja, e os fiéis se duplicaram, no domingo seguinte, já que mais de 20 pessoas aceitaram Cristo pela primeira vez.

“Durante quase os últimos 20 anos, tem-se tentado copiar, literalmente, o que Deus está fazendo”, Parris diz. O grupo jovem da igreja tem crescido para mais de 300 pessoas. Através do ministério jovem da Union Chapel, 205 garotos deram suas vidas para Jesus Cristo, nos últimos seis meses.

Existem outros sinais de que a renovação está mexendo na segunda maior denominação Protestante da América:

Em Silverdale: - Em Silverdale, Washington, os fiéis da United Methodist Church estão orando para 280 pastores da United Methodist, na Pacific Northwest Conference — onde existem poucos líderes evangélicos atrás do púlpito. O Pastor Wally Snook acredita que toda igreja nos Estados Unidos precisa estar aberta ao poder do Espírito Santo hoje, porque Deus está conduzindo buscadores curiosos para retornar para a igreja. “Eles precisam encontrar o verdadeiro Evangelho, quando eles entrarem pela porta”, ele diz.

• Em Yuba City, Califórnia, o pastor John Sheppard da First United Methodist Church — que chegou perto de deixar a denominação — acredita que sua congregação continua a crescer, já que ele toma o mais forte posicionamento pela integridade do Evangelho.

Na Alexander United Methodist Church, no oeste de Nova York, do pastor Rich Selden, a congregação tem experimentado um grande “borbulhar efervescente da alegria”, desde que se permitiu que o Espírito Santo trabalhasse livremente. A renovação dos conduzidos pelo Espírito também continua, da mesma forma, nas United Methodists Churches, como a First United Methodist Church, em Bedford, Texas, e First United Methodist Church, em Tulsa, Oklahoma, onde existem mais de 300 grupos pequenos, entre a congregação próspera de aproximadamente 8.500 pessoas, dirigidas por Jimmy Buskirk.  

• Em Magothy United Methodist Church de Pasadena, Maryland, pastoreada por David Wentz, por volta de 180 pessoas regularmente experimentam a cura pelo poder do Espírito Santo, e oram umas pelas outras, em pequenos grupos, durante os serviços de adoração.

• Outras United Methodist churches, cada vez mais, estão erguendo suas sobrancelhas, na denominação, por causa do ministério evangélico forte. Essas incluem a Frazer Memorial, em Montgomery, Alabama; Aloma United Methodist e a First Church Ormond Beach, ambas na Flórida central; First United Methodist, em Memphis, Tennessee; e Ginghamsburg United Methodist, em Tipp City, Ohio. Os pastores dessas igrejas dizem que os United Methodists não estão mortos para Deus.

“É importante que, como pastores, nós permitamos que Deus coloque o fogo de seu Espírito em nossas vidas”, McDermott diz. “Eu realmente penso que Deus está tentando chamar a atenção dos pastores. É uma discussão dupla: renovação espiritual, e desenvolvimento e cultivo da liderança prática, para sustentar o reavivamento”. Ele acrescenta: “É tempo de ir buscá-lo. É tempo de acreditar nele, para uma mudança radical, em nossas próprias vidas pessoais, e nas de nossas congregações. E nosso chamado primeiro é para orarmos”.

Se os pastores atenderem ao desafio de McDermott, e a mesma coisa que aconteceu em seu altar, em 1994, poderia se repetir, na United Methodist churches, por toda a América. Essas igrejas seriam espiritualmente secas (estéreis) hoje, mas, como John Wesley conheceu bem, madeira seca é a melhor para se atear um fogo.

John M. De Marco é pastor da United Methodist, na Florida e a former news editor para a Christian Retailing Magazine. Reimpresso com a permissão da Charisma Magazine, Outubro de 1998, Strang Communications Co., USA.

John M. DeMarco

 http://malucoporjesus.wordpress.com

Porque NÃO VOTO EM PASTOR !!!

4 Comentários

 
Bastam as eleições se aproximarem, que se torna absolutamente comum aparecer nos arraiais evangélicos, pastores afirmando que receberam um chamado especial da parte de Deus para se candidatar a algum cargo publico. Na verdade, boa parte destes advogam o fato de terem sido comissionados por Deus para servirem a igreja nos palácios do governo.
Entretanto, a história recente do Brasil nos mostra que a chegada de políticos evangélicos a cargos públicos não tem feito diferença na ética política do país. Basta ver que, nos últimos anos, o envolvimento da maioria dos evangélicos com a política produziu mais males do que benefícios.

Lembro que certa feita enquanto oficializava uma cerimônia fúnebre, um destes “pseudos-politicos-cristãos”, solicitou-me uma pequena oportunidade para que publicamente pudesse demonstrar sua solidariedade à família enlutada, além obviamente de falar de sua candidatura à Câmara Municipal da Cidade. Fato que obviamente não permiti.

Em época de eleição é comum receber a solicitação de inúmeros pastores, os quais em nome de “Deus”, advogam a crença de que o Todo-Poderoso os convocou a uma missão hercúlea, a qual somente eles conseguirão viabilizar. Tais cidadãos fazem uso de chavões e de frases prontas do tipo: “Somos cabeça e não cauda”, “ A política brasileira precisa de homens de Deus”, chegou a nossa hora, vamos mudar o Brasil e etc.

Ora, não acredito em messianismos utópicos, nem tampouco em pastores especiais, que trocaram o santo privilégio de ser pregador do evangelho eterno por um cargo público qualquer. Não estou com isso afirmando de que o crente em Jesus não pode jamais concorrer a um cargo público. Tenho convicção de que existem pessoas vocacionadas ao serviço público, as quais devem se dedicar com todo esmero a esta missão. No entanto, acredito que o fator preponderante a candidatura a um cargo qualquer, deve ser motivada pelo desejo de servir o povo e a nação, jamais fazendo do nome de Deus catapulta para sua projeção pessoal.

Agora, se mesmo assim o pastor desejar candidatar-se, que deixe o pastorado, que não misture o santo ministério com o serviço público, que não barganhe a fé, nem tampouco confunda as ovelhas de Cristo com o gado marcado para o abate. Que não comercialize aqueles que o Senhor os confiou, nem tampouco se locuplete do nome de Deus a fim de atingir seus planos e objetivos.

Encerro este artigo lembrando do pastor Billy Graham que ao receber o convite para concorrer à presidência da República dos Estados Unidos da América, recusou dizendo:

“Por acaso eu trocaria o Santo Ministério da Palavra de Deus por um cargo tão insignificante?”

Pois é, cara pálida, ouso afirmar que infelizmente alguns dos nossos pastores ao contrário do Dr. Billy Graham aceitariam o convite na hora.

 Púlpito Cristão – Por Renato Vargens.

 

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