Igreja Perseguida

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Qual a Igreja (denominação evangélica) que Devo Congregar ?

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“Como eu posso achar uma igreja onde eu ouvirei Cristo pregado por Sua Palavra, sem todos esses erros e distrações?” Esta é uma questão que tenho feito a mim mesmo em muitas ocasiões. É fácil entender a preocupação e até a frustração que acompanha a busca pelo lugar apropriado para adorar. Primeiro, assim como com os rótulos de produtos, é importante examinar o que os rótulos da igreja significam e o que eles não significam. Lendo os rótulos

Se você cresceu na Europa, escolher uma igreja não deve ser tão difícil. Depois da Reforma, cada denominação obteve sua própria “área”; assim, se você tivesse nascido, por exemplo, num cantão italiano na Suíça, você seria católico romano, enquanto uma pessoa nascida em Genebra, de língua francesa, provavelmente seria protestante. Algumas vezes, nações inteiras (ou a linhagem reinante de um monarca) compartilham uma confissão comum: A Igreja da Inglaterra, a Igreja da Escócia, a Igreja da Suécia, a Igreja Reformada Holandesa, e assim por diante.

Quando a América tornou-se o porto para grupos que queriam “recomeçar” no Novo Mundo, trazendo o Evangelho aos nativos e escapando da perseguição em suas igrejas estatais, muitos simplesmente trouxeram seu entendimento de igrejas estatais regionais do Velho Mundo. Por exemplo, os puritanos da Nova Inglaterra instituíram o Congregacionalismo e obstaram a cidadania aos quakers e católicos romanos. Isto foi, na verdade, mais generoso do que a perseguição da política na Europa, na época, quando os não-conformistas eram presos e algumas vezes até executados.

Entretanto, na época que nossa nação foi fundada, ficou claro que não haveria igrejas estatais sancionadas oficialmente pela república americana, mas que os americanos seriam livres para seguir suas consciências. Este processo, não obstante a todos os seus benefícios, criou um livre-para-tudo no qual as denominações competem pelas almas. Esta liberdade estimulou a criação de centenas de novas seitas e cultos no século dezenove; tudo desde mormonismo, racionalismo cristão e testemunhas de Jeová, até culto da comida saudável, seitas pentecostais radicais e grupos que aumentaram seus números de membros fazendo predições sobre os eventos proféticos do fim dos tempos. Os últimos dois anos têm sido um exercício de espiritualidade estilo cafeteria (onde os fregueses servem a si próprios) ou, como um amigo na Inglaterra chama, religião de livre empreendimento. A questão não é tanto a verdade que deve ser defendida e passada adiante, mas “o que funciona pra você”; em outras palavras, escolher uma igreja é uma questão de gosto.

Isto explica a origem dos rótulos. Como nós os lemos? Em primeiro lugar, há as denominações protestantes tradicionais que conceberam e modelaram a origem da maioria das instituições da América no século vinte: os Congregacionalistas, Presbiterianos e Reformados (Holandeses, Alemães, Húngaros, Franceses), Episcopais, Batistas, Luteranos e Metodistas. A primeira grande dissensão no protestantismo aconteceu entre os Luteranos e os Reformados, mas outras denominações protestantes (Congregacionalistas, Presbiterianos, Episcopais) são parte da árvore genealógica dos Reformados ou Calvinistas (nota: enquanto os Batistas Arminianos freqüentemente traçam sua ascendência até os Anabatistas, os Calvinistas Batistas consideram-se como aqueles que divergem do Calvinismo somente nos assuntos relacionados à teologia da aliança e aos sacramentos). Em outras palavras, eles compartilham uma crença comum sobre Deus, humanidade, Cristo, salvação e outras coisas essenciais, mas diferem sobre outros temas importantes. Por exemplo, Congregacionalistas crêem que as igrejas podem ser independentemente governadas pela congregação; Presbiterianos alegam que a palavra “presbítero” no Novo Testamento, significando “ancião”, pressupõe uma forma de governo eclesiástico baseado em irmãos-anciãos ordenando as igrejas em uma área determinada, e os Episcopais insistem numa hierarquia de pastores (bispos) sobre outros pastores (ministros).

Historicamente, a forma de governo da igreja, dividiu estas igrejas e não a discordância sobre o meio de salvação.

O reavivalismo e individualismo fronteiriço nos anos de 1800, levaram a uma explosão de cultos e seitas. Autoproclamados “profetas” afastaram muitas pessoas das igrejas protestantes tradicionais e muitos deles são hoje grupos organizados: a Igreja de Cristo, Discípulos de Cristo e uma hoste de grupos pentecostais. Grupos pietistas (a maioria descendendo dos Luteranos) acrescentaram divisões à lista. Eles criam que o protestantismo tradicional perdera seu primeiro amor por causa da ênfase doutrinária. Entre eles estão as denominações Brethren (dos Irmãos), Igrejas Livres (Evangélica Livre, Aliança Evangélica, etc), e uma multidão de igrejas independentes que surgiram no último século e meio. Na metade do século vinte muitas delas adotaram a teologia dispensasionalista de J. N. Darby.

Enquanto isto, as próprias denominações protestantes tradicionais começaram a tolerar e depois abraçar o Iluminismo, com sua crença na bondade humana, explicações naturais para tudo e a rejeição da necessidade da intervenção divina, revelação ou salvação.

Durante a primeira metade do século vinte, estas denominações experimentaram seu maior cisma. Isto deu origem a uma grande quantidade de novas denominações no cenário religioso. Por exemplo, somente entre os presbiterianos, onde havia somente uma Igreja Presbiteriana na América, existem hoje muitas. (…)[1]

Enquanto existem muitas divisões no protestantismo americano, existe também um constante estímulo à reunião das igrejas divididas, contanto que haja uma fé ortodoxa. Muitas das denominações há pouco mencionadas gozam de íntimas relações fraternas.

As denominações reformadas estão intimamente afiliadas com as presbiterianas; na verdade, a tradição é comumente chamada “a tradição reformada presbiteriana”. Muitas igrejas na Europa são parte das “igrejas regionais” mencionadas anteriormente. Elas têm histórias diferentes, não por causa de diferenças doutrinárias, mas porque vieram de diferentes contextos étnicos, lingüísticos, culturais e históricos. (…)

Congregacionalistas de modo geral, não têm uma confissão de fé ou catecismo. Os presbiterianos usam a Confissão de Fé de Westiminster e os Catecismos Menor e Maior; os reformados usam as “três formas de unidade” – a Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg e os Cânons do Sínodo de Dort; luteranos usam o Livro da Concórdia, que inclue a Confissão de Augsburg e empregam os Catecismos Menor e Maior de Lutero; os episcopais têm os Trinta e Nove Artigos da Religião como sua confissão. Cada uma destas confissões e catecismos foram escritos durante ou logo depois da Reforma. À medida que uma denominação ou igreja julga suas pregações, ensinos, culto e a vida da igreja por estes padrões, ela é “confessional”. A maioria das igrejas “mães” hoje, ou ignora suas confissões, ou permite que seus pastores e oficiais rejeitem sua confissão oficial de fé. Muitos “braços” evangélicos conservadores fazem o mesmo, não tanto pela rejeição absoluta do correto ensino, mas por uma apatia no que se refere a doutrina, credo, confissões e a instrução catequética dos jovens. Em ambos os casos o resultado é o mesmo: uma geração de cristãos professos que desconhece seus próprios credos o suficiente para ser capaz de questionar e examinar.

Seja cuidadoso para não ler os rótulos de muito perto. Por exemplo, embora a Igreja Unida de Cristo (não confundir com as Igrejas de Cristo ou Discípulos de Cristo) seja a mais liberal denominação da nação, julgando pela sua vanguarda diplomática, é possível achar uma paróquia decente desta igreja na sua vizinhança. De fato, é possível que uma congregação da Igreja Presbiteriana dos EUA (mãe) da vizinhança, possa atualmente ser mais comprometida com a fé reformada do que uma igreja que pertença a um ramo evangélico mais conservador do presbiterianismo. Não é provável, mas é possível. Hoje em dia, você não pode julgar sempre uma igreja pelo seu nome.

Tenha certeza que sua “igreja” é uma igreja

Até este século, cristãos de todos os tipos criam que há igrejas verdadeiras e igrejas falsas. Só porque está escrito “igreja” sobre a porta não significa que ela seja uma. Daí porque os reformadores retiraram das Escrituras duas inegáveis marcas da igreja verdadeira: é onde a Palavra de Deus é pregada de forma verdadeira e os sacramentos são administrados corretamente.

Certamente, os reformadores sabiam que isto acontece em graus variados. Por exemplo, mesmo numa igreja protestante conservadora alguém pode ser desapontado com o manuseio de um certo texto. Alguém pode estar absolutamente convencido que o pregador errou em sua explanação, mas isto não significa que esta igreja não deva mais ser considerada como uma igreja verdadeira. Os reformadores tinham em vista que ela tinha de ser uma igreja na qual a clara pregação do texto se focalizava na promessa de Cristo em salvar os pecadores. Em outras palavras, a pregação da Lei e do Evangelho deve ser claramente afirmada e proclamada na paróquia local, para ser considerada uma igreja verdadeira. Quando uma denominação ou uma igreja rejeita oficialmente o Evangelho ou qualquer ensino essencial do Credo Niceno, ela comete apostasia e não faz mais parte do corpo visível de Cristo. Indivíduos dentro dela podem ser salvos, mas a congregação ou denominação apartou-se oficialmente da igreja visível de Cristo.

A segunda marca da igreja verdadeira é que os sacramentos são aceitos e empregados, ao lado da Palavra, como meios de graça. Os protestantes reformados, presbiterianos e luteranos, tradicionalmente têm argüido que “a administração correta dos sacramentos” seguramente requer o batismo infantil e a rejeição de qualquer concepção da Ceia do Senhor que a reduza a um mero símbolo ou memorial. De novo, isto não significa que pessoas que discordam desta definição não são realmente cristãs; é uma questão do que propriamente constitui uma igreja visível ordenada corretamente.

Se uma igreja preenche estas definições, você precisa menosprezar outros problemas. Quando o gosto, ao invés da verdade, é o critério para a escolha de uma igreja, as pessoas colocarão estilo de música, programas e atividades infantis no topo da lista. O ponto mais importante é este: Este é um lugar onde Deus e Sua revelação na pessoa e obra de Cristo são claramente declarados, e onde as pessoas são sérias sobre crescimento em Cristo através da Palavra, sacramento, oração, evangelismo e missões? Este é um lugar onde meus filhos serão ensinados em adição as instruções que receberão em casa? Eles crescerão ouvindo o Evangelho?

De volta aos pontos essenciais – O que você pergunta ao pastor?

Se você não pode julgar uma igreja por seu rótulo, como poderá julgá-la? Aqui estão algumas perguntas para o pastor:

1. Qual é o ponto de vista da igreja sobre a Escritura? Ela é infalível, a única autoridade de fé e prática?

2. Qual é a confissão de fé da igreja? Onde este ministro específico se baseia nela? Ela é o critério para o ensino e a pregação da Palavra de Deus?

Se você realmente for “sortudo”, você pode até achar uma igreja que ainda use seu catecismo. Uma confissão de fé não é igual a Escritura, mas apresenta o que o corpo da igreja crê que a Palavra de Deus ensina e requer que nós saibamos. Um catecismo é simplesmente um meio de instrução sobre a confissão de fé, geralmente através de perguntas e respostas, com textos bíblicos sustentando cada resposta. Em muitas denominações confessionalmente consistentes, alguém poderá achar um currículo da escola dominical que acompanhará a pessoa por todo o caminho desde a idade pré-escolar até o crepúsculo dos anos. Isto é importante, porque organiza nossos pensamentos sobre Deus e o estudo da Escritura num conjunto coerente, claro e sistemático.

3. O culto é conduzido como um encontro de Deus com Seu povo para dar-lhes Sua graça e para que eles lhes respondam em agradecimento? Ou é modelado pelo entretenimento?

4. Jesus Cristo é proclamado como um herói moral ou como Redentor? Em outras palavras, Ele está em igualdade com Freud, Benjamim Franklin, um político e um profeta dos últimos dias, ou a pregação é concernente a “Cristo e este crucificado” como Paulo a colocou?

Se você deve sair

Os cristãos reformados “não jogam o bebê fora junto com a água da banheira” na rejeição dos erros do romanismo. Nós ainda temos uma elevada doutrina da igreja, e isto é o que torna excessivamente difícil deixar uma igreja ou denominação que está corrompida. Muitas vezes é difícil decidir quando chega o tempo da separação.

Se uma congregação local se aparta da fé, é legítimo permanecer nela para tentar mudá-la, enquanto a confissão de fé oficial não tiver sido ainda finalmente rejeitada? Eu creio que sim, e que Deus nos chama para manter nossas igrejas e denominações responsáveis por suas próprias confissões. Enquanto a confissão de fé oficial permanecer, é assumido que cada um no ministério daquela denominação concorda com seus artigos. Se não, os pastores que com suas bocas prometem preservar a confissão estão na realidade fazendo exatamente o oposto e são, portanto, desonestos. Não é você que tem que partir, porque você está sendo fiel à confissão de fé da igreja e até que a denominação oficialmente rejeite esta confissão, você está certamente livre (mas não obrigado) a permanecer nela com o objetivo de trazê-la de volta à prática confidência naquela fé. Aqui, dependendo do regime da denominação, um processo de tribunais eclesiásticos graduados provê reformas justas e ordeiras.

Muitos leitores podem fazer parte de uma igreja sem denominação que não possui um estatuto formal de fé. Como você pode manter seu pastor na pregação e ensino da mensagem evangélica se, pela leitura dele da Escritura, ele é convencido de outra interpretação, não importando o quanto ela seja estranha? Esta é a mais difícil situação. Se a Palavra não é corretamente pregada (ou seja, uma afirmativa clara dos credos essenciais) e os sacramentos não são corretamente ministrados, sendo os pastores responsáveis por alguém além deles mesmos e de seus admiradores, esta não é uma igreja verdadeira. Abandonar uma seita não só é tolerável, mas necessário. Reformar uma igreja é suficientemente difícil, mas se uma assembléia de crentes não é biblicamente propensa para chamar-se “igreja”, e não deseja caminhar nessa direção, o passo mais sábio seria buscar com devoção, uma igreja que está tentando, débil ou dedicadamente, ser uma igreja verdadeira.

O que quer que você faça, resista a tentação (e ela será grande) de abandonar ou diminuir sua freqüência na igreja. Esta não é uma opção para o crente, embora seja muito atrativa, especialmente quando se contentar com o cardápio local algumas vezes não é tão atraente.

Uma última colocação sobre este ponto. Se você precisa sair, faça-o com caridade e civilidade. Não faça alarde sobre isto, tornando sua partida um assunto de conhecimento público. Siga sua consciência, mas entenda que a razão pela qual outros não vêem as coisas do seu jeito é que eles simplesmente não estão persuadidos ainda das convicções que motivaram sua saída. Você precisará de oração, sabedoria e conselhos de vez em quando, como estes.

Buscando sentimento

Finalmente, esteja certo de que a igreja que você escolher “busca sentimento”. Isto tem sido a nova palavra-chave nos círculos de crescimento da igreja, e é geralmente usada como uma desculpa para legitimar o esvaziamento de todo pensamento, liturgia, dignidade e senso de transcendência e centralidade de Deus. A igreja é replanejada para ir ao encontro das necessidades do incrédulo. Depois de ser perguntado que tipo de igreja eles gostariam de freqüentar, os peritos em marketing da igreja moderna dizem aos pastores como construí-las.

Assim, porque eu sugiro a você que a igreja que você escolher deve “buscar sentimento”? Em João 4, Jesus diz a mulher samaritana, “Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo.4: 21-24). Note que assim como depositamos nossa confiança na nossa própria denominação ou congregação como a igreja verdadeira, Jesus nos diz que não é uma questão de em que montanha nós adoramos, porque agora Deus reside no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus diz que a adoração deve ser em Espírito e em verdade. Ou seja, o Espírito e a Palavra devem andar juntos. Não pode haver atividade do Espírito Santo independentemente da Palavra, e qualquer atividade da Palavra depende do Espírito Santo para ser eficaz.

Certamente, devemos “buscar sentimento”, mas há uma importante distinção aqui: Deus diz que Ele procura adoradores. O moderno conceito de crescimento de igreja está baseado no erro do arminianismo, onde o homem acha a Deus. Assim, nós deixamos de lado a adoração a Deus pelo critério que Ele estabeleceu (o Espírito Santo e a verdade) com o propósito de “buscar sentimento”. Afinal de contas, nós salvamos pessoas e as trazemos para o reino, certo? Esta é a suposição. Mas se Deus é aquele que busca, nossa missão é achar uma congregação onde Deus é servido com adoração, mesmo quando a mensagem ou estilo possa ser estranho ou mesmo desagradável aos incrédulos. Se for, pode ser por nossa culpa ou também por causa da Palavra de Deus estar fazendo simplesmente o que ela faz. Se este é o caso, estamos em boa companhia com os apóstolos, mártires e reformadores antes de nós.

[1] Certas partes do texto dizem respeito ao desenvolvimento histórico americano das denominações. Por este motivo, foram retiradas do texto por ser específico à realidade norte americana. Estas partes estão identificadas por este sinal: (…)

Por Michael S. Horton

Biblioteca Reformada ARPAV

TODOS temos que estudar TEOLOGIA

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Palavras como teologia e doutrina têm conotações negativas para muitos cristãos. Isto é uma grande tragédia, pois acredito firmamente que todo cristão precisa estudar teologia em algum momento de sua caminhada cristã. Em nenhuma ordem em particular, aqui vão cinco razões de porque você precisa estudar teologia, e possivelmente algumas delas você não tenha considerado antes.

1. Você já é um teólogo.

Por que você precisa estudar teologia? Porque teologia não é uma coisa que apenas o professor de teologia tem – todos nós cremos em alguma coisa sobre Deus e, portanto, somos teólogos à nossa própria maneira. No entanto, o que precisa ser questionado é se o que você crê é correto, e o estudo da teologia pode ajudar a responder essa pergunta.

2. Seu amor por Jesus é intrisicamente ligado com seu conhecimento de sua Palavra.

Por que você precisa estudar teologia? Porque Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14.15). Ouvi alguém dizendo que o certo cristão pode não ser grande teologicamente, mas estava tudo bem porque ele realmenteamava Jesus. Entretanto, Jesus diz que se nós o amamos, obedeceremos o que ele ordena. Como nós podemos obedecê-lo se nós não vamos à sua Palavra para conhecer corretamente seus mandamentos?

3. Sua doutrina determinará como você vive.

Por que você precisa estudar teologia? Porque o que você acredita (sua doutrina) determinará como você vive (sua prática). Isto pode ser visto em sua vida cotidiana. Se você acredita que alguma coisa é venenosa, você simplesmente não a bebe. Similarmente, suas crenças sobre Deus e sua Palavra determinam como você vive dia a dia. Por exemplo, se você acredita que Deus fala somente através de sua Palavra então você a estudará diligentemente. Entretanto, se você acredita que Deus fala através de impressões e coisas parecidas, então você procurará por aquela pequena voz silenciosa. O exemplo acima drasticamente muda como uma pessoa procurará encontrar a vontade de Deus para sua vida, e ilustra porque você precisa estudar teologia.

4. Suas afeições determinarão o que você estuda.

Por que você precisa estudar teologia? Porque onde suas afeições estão colocadas determinará o que você gastará tempo estudando. Se seu hobby é fotografia você desejará estudar o assunto para saber como melhorar suas fotografias e aumentar seu amor e apreciação por esse passatempo. Da mesma forma, se você é cristão e sua afeição principal está sobre Deus, por que você não desejaria estudar a Palavra para aumentar seu amor e apreciação por ele e sua Palavra?

5. Sua humildade depende disso.

Por que você precisa estudar teologia? Porque sem estudar teologia, é possível que você pense muito bem sobre você, mas não bem o bastante de Deus. Se é verdade que o conhecimento incha (1 Coríntios 8.1), as Escrituras, pelo contrário, quando corretamente entendidas e aplicadas, darão a você, por exemplo, o conhecimento da depravação e miserabilidade humana diante de Deus, e também darão conhecimento da magnificência, santidade, soberania e graça de Deus, o que somente pode servir para levar um verdadeiro convertido a ajoelhar-se em humildade.

Possa Deus ser glorificado quando você estudar teologia, com o desejo de saber mais sobre sua revelação especial ao homem.

Autor: Nathan W. Bingham
Fonte: [ Iprodigo ]
Via: [ Blog do Pedro Pamplona ]

Preparando-se para Pastorear !

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Às vezes, acontece que um pastor enfrenta oposição da parte daquelas pessoas que antes o promoviam de maneira entusiástica. Por que isso acontece? Com freqüência, isso ocorre por causa da comunicação superficial que houve entre o pastor em potencial e os membros da igreja, antes de ele assumir seu pastorado. Em nossos dias, é possível que um pastor seja escolhido para uma igreja sem que perguntas sérias lhe sejam dirigidas, e, menos ainda, perguntas a respeito de doutrina. Sugerimos que as igrejas tenham o mais completo diálogo possível sobre os assuntos de doutrina, prática e estilo de vida cristã. Se a igreja falhar em fazer isso, o próprio candidato ao pastorado deve procurar esse tipo de diálogo. Tal procedimento protege tanto o pastor quanto a igreja.

Dois outros assuntos são extremamente importantes. Primeiro, o candidato ao pastorado deve apresentar uma lista de referências. A igreja tem de seguir com muita atenção essas referências e solicitar que as pessoas citadas apresentem outros nomes como referência sobre o pastor. Deve-se tributar atenção ao fato de que, às vezes, pessoas deixam de gostar de outras não por causa dos erros destas. ( O próprio Senhor Jesus foi odiado.) A inquirição por meio de referências lhes assegura que o pastor tem um bom testemunho tanto da igreja como “dos de fora” (1 Tm 3.7). O questionamento das pessoas apresentadas deve centralizar-se na lista de 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9. Essas listas de qualificações foram escritas para servirem como instrumento de observação das vidas de candidatos à liderança das igrejas, e não como uma lista de perguntas a serem dirigidas aos candidatos. Essa observação é extremamente importante. O ideal seria que a igreja convivesse com o candidato ao pastorado, observando sua vida durante meses ou mesmo anos. Visto que, infelizmente, esse não é o padrão seguido pela maioria das igrejas, vocês têm de depender muito de atentarem às referências fornecidas. Respostas superficiais e subjetivas da parte do próprio candidato podem causar uma distorção da verdadeira situação. A avaliação que sugerimos em seguida se refere às passagens bíblicas mencionadas, mas a sua utilização pode ser mais abrangente. Vocês devem utilizá-las amplamente na conversa com as pessoas apresentadas como referências. Isso não significa que as passagens bíblicas citadas não são extremamente importantes no questionamento que o candidato pode fazer para si mesmo.

Relacionada à primeira, existe uma segunda consideração: devem ser feitos muitos esforços para apresentar à igreja os diversos aspectos da vida do pastor em perspectiva, durante tanto tempo quanto possível, antes de chegarem a alguma decisão. Esse tipo de apresentação não é um problema, quando a igreja tem de escolher pastores dentre os seus próprios membros; todavia, tal apresentação cria realmente um problema considerável para aqueles que trazem um novo pastor de fora da igreja. Um fim de semana de cultos não é suficiente para que as pessoas fiquem corretamente informadas. Devemos lembrar: o pastor, se for chamado a pastorear, estará na igreja durante um extenso período de tempo, influenciando nossas famílias e comunidade para Cristo. Sabemos que vocês estão prontos para receber um novo pastor. Mas existe algo pior do que não ter um pastor — ter o pastor errado.

Apresentamos nossa sugestão final: depois das conversas iniciais, pensem em ter gravadas ou escritas as respostas destas perguntas, por parte daquele que é o mais sério candidato ao pastorado da igreja. Perguntem-lhe se o seu interesse é tão grande, que ele aceitaria avançar para esse estágio de inquirição, dizendo-lhe que isso tomará boa parte de seu valioso tempo. Esse questionamento mais profundo é para aqueles que demonstram um nível de interesse elevado. Perguntas esclarecedoras podem ser feitas, posteriormente, por telefone ou conversas pessoais. Um grupo selecionado destas perguntas pode ser dirigido ao candidato nas grandes reuniões da igreja, a fim de permitir que o pastor em perspectiva fale sobre algumas de suas crenças e outras perguntas lhe sejam apresentadas.

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As perguntas alistadas em seguida não estão colocadas em ordem de significância. Algumas delas podem não ser importantes para vocês. Talvez vocês queiram acrescentar outras perguntas. Não existe o pastor perfeito. No entanto, atenção a estas questões, juntamente com extensos períodos de oração, ou mesmo jejum, pode lhes dar garantia de encontrar o pastor certo para a sua igreja.

  1. Existem muitas pessoas que professam seguir a Cristo, mas estão enganadas. Que evidências você tem de que Deus lhe deu vida?
  2. 

  3. O que significa para alguém amar a Deus? De que maneiras você percebe o verdadeiro amor bíblico para com Deus manifestado em sua própria vida? Você percebe o verdadeiro amor bíblico para com Deus na vida de sua esposa e de seus filhos?
  4. O que a sua esposa sente a respeito de seu compromisso com o pastorado? E como os seus filhos reagem?
  5. Por que você acredita que Deus o quer no pastorado?
  6. Examine cuidadosamente cada uma das qualificações bíblicas para pastores e diáconos (1 Tm 3; Tt 1.5-9; At 6.1-6; 1 Pe 5.1-4). Quais são as suas qualificações mais fortes? Com quais dessas qualificações você tem mais dificuldade? Por que você acredita que essas áreas de dificuldade não o desqualificam para o ministério? (Observe a expressão “é necessário” — 1 Tm 3.2).
  7. Um pastor é encarregado por Deus a pregar para a igreja e a pastorear as pessoas de maneira individual. Que aspecto do ministério apela mais a você? De que maneiras específicas você poderia ser auxiliado a desenvolver suas habilidades nessas duas áreas?
  8. Quais são os seus métodos de envolver-se nas vidas das pessoas, enquanto as pastoreia e vela por suas almas?
  9. Que atividades caracterizam seu interesse evangelístico? Como você lida com o assunto do evangelismo pessoal e do coletivo?
  10. O que você pensa a respeito do aconselhamento? Como você administra a abundante necessidade de aconselhamento?
  11. Quais são as suas práticas costumeiras e específicas a respeito de disciplina espiritual (ou seja, oração, estudo bíblico, meditação, mordomia, etc.)?
  12. Como você descreve um pastor bem-sucedido e uma igreja bem-sucedida?
  13. Em que bases o pastor pode ser considerado uma pessoa responsável? Que relacionamentos de sua vida fornecem senso de responsabilidade por suas atitudes e comportamento, tanto em sua vida pessoal como em seu ministério pastoral?
  14. Quais são os seus autores, teólogos e comentaristas evangélicos favoritos? Por quê? Que livros você leu recentemente?
  15. Descreva uma ocasião em que você fez tentativas de reformar a igreja em alguma área importante. Quais foram os resultados? O que isto custou para você mesmo?
  16. Descreva seu estilo de liderança. Quais têm sido alguns de seus pontos fracos e de seus pontos fortes?
  17. Quando você enfrentou oposição, isso ocorreu na maior parte das vezes por causa de seu estilo de liderança, de sua personalidade, de suas crenças ou de alguma outra coisa?
  18. De acordo com sua observação, que doutrinas precisam de ênfase especial em nossos dias?
  19. O que é o verdadeiro arrependimento bíblico?
  20. O que é a verdadeira fé bíblica?
  21. Explique a justificação pela fé. Qual a diferença entre o ponto de vista do Catolicismo Romano e o ponto de vista bíblico a respeito da justificação pela fé?
  22. Explique seu ponto de vista a respeito da santificação. Quais são os vários meios que Deus usa para santificar o crente?
  23. Uma pessoa pode ter Cristo como seu Salvador e não estar em sujeição a Ele como Senhor? Explique.
  24. Qual a sua posição a respeito da inerrância das Escrituras?
  25. Explique a expressão bíblica “Batismo do Espírito”. Quando ocorre esse batismo?
  26. Quais são as suas opiniões sobre o batismo em água?
  27. De que maneira a Bíblia relaciona a soberania de Deus à salvação?
  28. O que a Bíblia ensina a respeito da extensão da depravação do homem?
  29. O que a obra de expiação consumada por Cristo realizou em favor dos crentes?
  30. O que a Bíblia ensina a respeito da perseverança e da preservação dos crentes?
  31. Qual é a utilização correta da lei do Antigo Testamento?
  32. Como você articula sua opinião a respeito dos assuntos escatológicos e dos finais dos tempos?
  33. Você crê que Jesus nasceu de uma virgem? Qual a importância desta sua crença?
  34. Qual a sua interpretação dos ensinos bíblicos sobre o inferno?
  35. Você acredita que os acontecimentos descritos em Gênesis 1 a 11 são verdadeiros ou simbólicos?
  36. O que a Bíblia ensina em referência aos dons espirituais? Descreva sua opinião a respeito de profecias e falar em línguas.
  37. O que você pensa sobre o divórcio e o novo casamento? Você segue estritamente esses pensamentos em sua prática?
  38. Qual a sua opinião sobre a frase “é necessário, portanto, que o bispo [pastor] seja… esposo de uma só mulher” (1 Tm 3.2)?
  39. Quais são as suas exigências para realizar uma cerimônia de casamento?
  40. Explique suas opiniões sobre a disciplina da igreja. Relate alguma experiência pessoal.
  41. Como você lidaria com um caso de escândalo ou imoralidade praticado por um membro da igreja?
  42. O que você pensa a respeito do aborto?
  43. Muitas crianças que pareciam ter sido convertidas na infância não demonstram mais tarde qualquer evidência de conhecerem a Cristo. Como você lida com crianças quando elas o procuram, para aconselharem-se a respeito da conversão?
  44. Qual é um método útil para receber novos membros na igreja? Quais são os requisitos para isso?
  45. Qual a sua opinião sobre os estilos de música da igreja?
  46. Quem deve conduzir a adoração na igreja? Por quê? Que métodos de liderar a adoração corporativa são apropriados? Quais são impróprios?
  47. O que a Bíblia diz sobre o propósito das reuniões semanais da igreja?
  48. Qual o seu ponto de vista a respeito do levantamento de recursos monetários para os vários projetos da igreja? A igreja deveria pedir dinheiro a pessoas que não pertencem à sua membresia?
  49. Quais as suas convicções sobre dívidas na igreja local?
  50. O que a Bíblia ensina sobre mulheres no ministério pastoral?
  51. O que a Bíblia ensina a respeito de como a igreja deve tomar suas decisões?
  52. Como um pastor e sua igreja devem se relacionar com outras igrejas locais e (se filiada a uma denominação) no âmbito mais amplo? Você se sente tranqüilo em cooperar com outras denominações? Você estabelece algumas diretrizes?
  53. Quais são as responsabilidades bíblicas dos presbíteros? Existem distinções entre presbíteros, pastores e bispos?
  54. Quais são as responsabilidades bíblicas dos diáconos? Como devem se relacionar os diáconos e os pastores?
  55. Que ênfase você atribui à liderança dos pais em suas famílias, especialmente no que diz respeito à adoração familiar. Você se envolve pessoalmente na adoração familiar, juntamente com sua esposa e filhos?
  56. Qual a sua visão missionária para a igreja? De que maneira você está demonstrando interesse e envolvimento em missões?

Para ser um ministro bom e fiel, um pastor não tem de fornecer uma resposta completa e imediata para todas essas perguntas. Em algumas dessas perguntas, será aceitável se ele apenas disser: “Eu não sei”; ou: “Ainda não tenho a minha opinião completamente desenvolvida sobre este assunto”.

Entretanto, acautelem-se de um pastor que parece estar evitando apresentar respostas claras. Certamente, em algumas dessas perguntas, ele achará necessário definir termos e esclarecer sua resposta. Sigam em frente cautelosamente, até que ele torne sua opinião tão clara quanto possível.

Se necessário, podem ser feitas outras perguntas sobre assuntos como o Movimento de Crescimento de Igreja, educação familiar, maçonaria, o Movimento Nova Era, atividade política na igreja, relacionamento com outros ministérios ou movimentos evangélicos, etc. Perguntas sobre outros assuntos doutrinários de grande importância devem ser feitas, se necessário (por exemplo, a divindade de Cristo, a aceitação da Trindade, etc.). Tanto o comitê de avaliação como a igreja devem ficar satisfeitos a respeito de qualquer assunto sobre o qual desejem discutir.

Fonte: [ editorafiel.com.br ]
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]

O Sofrimento de Jesus Cristo na Cruz !!!

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A Crucificação de Cristo, a partir de um ponto de vista médico

Lendo o livro de Jim Bishop “O Dia Que Cristo Morreu”, eu percebi que durante vários anos eu tinha tornado a crucificação de Jesus mais ou menos sem valor, que havia crescido calos em meu coração sobre este horror, por tratar seus detalhes de forma tão familiar – e pela amizade distante que eu tinha com nosso Senhor. Eu finalmente havia percebido que, mesmo como médico, eu não entendia a verdadeira causa da morte de Jesus. Os escritores do evangelho não nos ajudam muito com este ponto, porque a crucificação era tão comum naquele tempo que, aparentemente, acharam que uma descrição detalhada seria desnecessária. Por isso só temos as palavras concisas dos evangelistas “Então, Pilatos, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.”

Eu não tenho nenhuma competência para discutir o infinito sofrimento psíquico e espiritual do Deus Encarnado que paga pelos pecados do homem caído. Mas parecia a mim que como um médico eu poderia procurar de forma mais detalhada os aspectos fisiológicos e anatômicos da paixão de nosso Senhor. O que foi que o corpo de Jesus de Nazaré de fato suportou durante essas horas de tortura?

Dados históricos

Isto me levou primeiro a um estudo da prática de crucificação, quer dizer, tortura e execução por fixação numa cruz. Eu estou endividado a muitos que estudaram este assunto no passado, e especialmente para um colega contemporâneo, Dr. Pierre Barbet, um cirurgião francês que fez uma pesquisa histórica e experimental exaustiva e escreveu extensivamente no assunto.

Aparentemente, a primeira prática conhecida de crucificação foi realizado pelos persas. Alexandre e seus generais trouxeram esta prática para o mundo mediterrâneo–para o Egito e para Cartago. Os romanos aparentemente aprenderam a prática dos cartagineses e (como quase tudo que os romanos fizeram) rapidamente desenvolveram nesta prática um grau muito alto de eficiência e habilidade. Vários autores romanos (Lívio, Cícero, Tácito) comentam a crucificação, e são descritas várias inovações, modificações, e variações na literatura antiga.

Por exemplo, a porção vertical da cruz (ou “stipes”) poderia ter o braço que cruzava (ou “patibulum”) fixado cerca de um metro debaixo de seu topo como nós geralmente pensamos na cruz latina. A forma mais comum usada no dia de nosso Senhor, porém, era a cruz “Tau”, formado como nossa letra “T”. Nesta cruz o patibulum era fixado ao topo do stipes. Há evidência arqueológica que foi neste tipo de cruz que Jesus foi crucificado. Sem qualquer prova histórica ou bíblica, pintores Medievais e da Renascença nos deram o retrato de Cristo levando a cruz inteira. Mas o poste vertical, ou stipes, geralmente era fixado permanentemente no chão no local de execução. O homem condenado foi forçado a levar o patibulum, pesando aproximadamente 50 quilos, da prisão para o lugar de execução.

Muitos dos pintores e a maioria dos escultores de crucificação, também mostram os cravos passados pelas palmas. Contos romanos históricos e trabalho experimental estabeleceram que os cravos foram colocados entre os ossos pequenos dos pulsos (radial e ulna) e não pelas palmas. Cravos colocados pelas palmas sairiam por entre os dedos se o corpo fosse forçado a se apoiar neles. O equívoco pode ter ocorrido por uma interpretação errada das palavras de Jesus para Tomé, “vê as minhas mãos”. Anatomistas, modernos e antigos, sempre consideraram o pulso como parte da mão.

Um titulus, ou pequena placa, declarando o crime da vítima normalmente era colocado num mastro, levado à frente da procissão da prisão, e depois pregado à cruz de forma que estendia sobre a cabeça. Este sinal com seu mastro pregado ao topo teria dado à cruz um pouco da forma característica da cruz latina.

O suor como gotas de sangue

O sofrimento físico de Jesus começou no Getsêmani. Em Lucas diz: “E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.” (Lc 22:44) Todos os truques têm sido usados por escolas modernas para explicarem esta fase, aparentemente seguindo a impressão que isto não podia acontecer. No entanto, consegue-se muito consultando a literatura médica. Apesar de muito raro, o fenômeno de suor de sangue é bem documentado. Sujeito a um stress emocional, finos capilares nas glândulas sudoríparas podem se romper, misturando assim o sangue com o suor. Este processo poderia causar fraqueza e choque. Atenção médica é necessária para prevenir hipotermia.

Após a prisão no meio da noite, Jesus foi levado ao Sinédrio e Caifás o sumo sacerdote, onde sofreu o primeiro traumatismo físico. Jesus foi esbofeteado na face por um soldado, por manter-se em silêncio ao ser interrogado por Caifás. Os soldados do palácio tamparam seus olhos e zombaram dele, pedindo para que identificasse quem o estava batendo, e esbofeteavam a Sua face.

A condenação

De manhã cedo, Jesus, surrado e com hematomas, desidratado, e exausto por não dormir, é levado ao Pretório da Fortaleza Antônia, o centro de governo do Procurador da Judéia, Pôncio Pilatos. Você deve já conhecer a tentativa de Pilatos de passar a responsabilidade para Herodes Antipas, tetrarca da Judéia. Aparentemente, Jesus não sofreu maus tratos nas mãos de Herodes e foi devolvido a Pilatos. Foi em resposta aos gritos da multidão que Pilatos ordenou que Bar-Abbas fosse solto e condenou Jesus ao açoite e à crucificação.

Há muita diferença de opinião entre autoridades sobre o fato incomum de Jesus ser açoitado como um prelúdio à crucificação. A maioria dos escritores romanos deste período não associam os dois. Muitos peritos acreditam que Pilatos originalmente mandou que Jesus fosse açoitado como o castigo completo dele. A pena de morte através de crucificação só viria em resposta à acusação da multidão de que o Procurador não estava defendendo César corretamente contra este pretendente que supostamente reivindicou ser o Rei dos judeus.

Os preparativos para as chicotadas foram realizados quando o prisioneiro era despido de suas roupas, e suas mãos amarradas a um poste, acima de sua cabeça. É duvidoso se os Romanos teriam seguido as leis judaicas quanto às chicotadas. Os judeus tinham uma lei antiga que proibia mais de 40 (quarenta) chicotadas.

O açoite

O soldado romano dá um passo a frente com o flagrum (açoite) em sua mão. Este é um chicote com várias tiras pesadas de couro com duas pequenas bolas de chumbo amarradas nas pontas de cada tira. O pesado chicote é batido com toda força contra os ombros, costas e pernas de Jesus. Primeiramente as pesadas tiras de couro cortam apenas a pele. Então, conforme as chicotadas continuam, elas cortam os tecidos debaixo da pele, rompendo os capilares e veias da pele, causando marcas de sangue, e finalmente, hemorragia arterial de vasos da musculatura.

As pequenas bolas de chumbo primeiramente produzem grandes, profundos hematomas, que se rompem com as subseqüentes chicotadas. Finalmente, a pele das costas está pendurada em tiras e toda a área está uma irreconhecível massa de tecido ensangüentado. Quando é determinado, pelo centurião responsável, que o prisioneiro está a beira da morte, então o espancamento é encerrado.

Então, Jesus, quase desmaiando é desamarrado, e lhe é permitido cair no pavimento de pedra, molhado com Seu próprio sangue. Os soldados romanos vêm uma grande piada neste Judeu, que se dizia ser o Rei. Eles atiram um manto sobre os seus ombros e colocam um pau em suas mãos, como um cetro. Eles ainda precisam de uma coroa para completar a cena. Um pequeno galho flexível, coberto de longos espinhos é enrolado em forma de uma coroa e pressionado sobre Sua cabeça. Novamente, há uma intensa hemorragia (o couro do crânio é uma das regiões mais irrigadas do nosso corpo).

Após zombarem dele, e baterem em sua face, tiram o pau de suas mãos e batem em sua cabeça, fazendo com que os espinhos se aprofundem em sua cabeça. Finalmente, cansado de seu sádico esporte, o manto é retirado de suas costas. O manto, por sua vez, já havia aderido ao sangue e grudado nas feridas. Como em uma descuidada remoção de uma atadura cirúrgica, sua retirada causa dor toturante. As feridas começam a sangrar como se ele estivesse apanhando outra vez.

A cruz

Em respeito ao costume dos judeus, os romanos devolvem a roupa de Jesus. A pesada barra horizontal da cruz á amarrada sobre seus ombros, e a procissão do Cristo condenado, dois ladrões e o destacamento dos soldados romanos para a execução, encabeçado por um centurião, começa a vagarosa jornada até o Gólgota. Apesar do esforço de andar ereto, o peso da madeira somado ao choque produzido pela grande perda de sangue, é demais para ele. Ele tropeça e cai. As lascas da madeira áspera rasgam a pele dilacerada e os músculos de seus ombros. Ele tenta se levantar, mas os músculos humanos já chegaram ao seu limite.

O centurião, ansioso para realizar a crucificação, escolhe um observador norte-africano, Simão, um Cirineu, para carregar a cruz. Jesus segue ainda sangrando, com o suor frio de choque. A jornada de mais de 800 metros da fortaleza Antônia até Gólgota é então completada. O prisioneiro é despido – exceto por um pedaço de pano que era permitido aos judeus.

A crucificação

A crucificação começa: Jesus é oferecido vinho com mirra, um leve analgésico. Jesus se recusa a beber. Simão é ordenado a colocar a barra no chão e Jesus é rapidamente jogado de costas, com seus ombros contra a madeira. O legionário procura a depressão entre os osso de seu pulso. Ele bate um pesado cravo de ferro quadrado que traspassa o pulso de Jesus, entrando na madeira. Rapidamente ele se move para o outro lado e repete a mesma ação, tomando o cuidado de não esticar os ombros demais, para possibilitar alguma flexão e movimento. A barra da cruz é então levantada e colocado em cima do poste, e sobre o topo é pregada a inscrição onde se lê: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”.

O pé esquerdo agora é empurrado para trás contra o pé direito, e com ambos os pés estendidos, dedos dos pés para baixo, um cravo é batido atraves deles, deixando os joelhos dobrados moderadamente. A vítima agora é crucificada. Enquanto ele cai para baixo aos poucos, com mais peso nos cravos nos pulsos a dor insuportável corre pelos dedos e para cima dos braços para explodir no cérebro – os cravos nos pulsos estão pondo pressão nos nervos medianos. Quando ele se empurra para cima para evitar este tormento de alongamento, ele coloca seu peso inteiro no cravo que passa pelos pés. Novamente há a agonia queimando do cravo que rasga pelos nervos entre os ossos dos pés.

Neste ponto, outro fenômeno ocorre. Enquanto os braços se cansam, grandes ondas de cãibras percorrem seus músculos, causando intensa dor. Com estas cãibras, vem a dificuldade de empurrar-se para cima. Pendurado por seus braços, os músculos peitorais ficam paralisados, e o músculos intercostais incapazes de agir. O ar pode ser aspirado pelos pulmões, mas não pode ser expirado. Jesus luta para se levantar a fim de fazer uma respiração. Finalmente, dióxido de carbono é acumulado nos pulmões e no sangue, e as cãibras diminuem. Esporadicamente, ele é capaz de se levantar e expirar e inspirar o oxigênio vital. Sem dúvida, foi durante este período que Jesus consegui falar as sete frases registradas:

Jesus olhando para os soldados romanos, lançando sorte sobre suas vestes disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. “ (Lucas 23:34)

Ao ladrão arrependido, Jesus disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” (Lucas 23:43)

Olhando para baixo para Maria, sua mãe, Jesus disse: “Mulher, eis aí teu filho.” E ao atemorizado e quebrantado adolescente João, “Eis aí tua mãe.” (João 19:26-27)

O próximo clamor veio do início do Salmo 22, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Ele passa horas de dor sem limite, ciclos de contorção, câimbras nas juntas, asfixia intermitente e parcial, intensa dor por causa das lascas enfiadas nos tecidos de suas costas dilaceradas, conforme ele se levanta contra o poste da cruz. Então outra dor agonizante começa. Uma profunda dor no peito, enquanto seu pericárdio se enche de um líquido que comprime o coração.

Lembramos o Salmo 22 versículo 14 “Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim.”

Agora está quase acabado – a perda de líquidos dos tecidos atinge um nível crítico – o coração comprimido se esforça para bombear o sangue grosso e pesado aos tecidos – os pulmões torturados tentam tomar pequenos golpes de ar. Os tecidos, marcados pela desidratação, mandam seus estímulos para o cérebro.

Jesus clama “Tenho sede!” (João 19:28)

Lembramos outro versículo do profético Salmo 22 “Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim, me deitas no pó da morte.”

Uma esponja molhada em “posca”, o vinho azedo que era a bebida dos soldados romanos, é levantada aos seus lábios. Ele, aparentemente, não toma este líquido. O corpo de Jesus chega ao extremo, e ele pode sentir o calafrio da morte passando sobre seu corpo. Este acontecimento traz as suas próximas palavras – provavelmente, um pouco mais que um torturado suspiro “Está consumado!”. (João 19:30)

Sua missão de sacrifício está concluída. Finalmente, ele pode permitir o seu corpo morrer.

Com um último esforço, ele mais uma vez pressiona o seu peso sobre os pés contra o cravo, estica as suas pernas, respira fundo e grita seu último clamor: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lucas 23:46).

O resto você sabe. Para não profanar a Páscoa, os judeus pediam para que o réus fossem despachados e removidos das cruzes. O método comum de terminar uma crucificação era por crucificatura, quebrando os ossos das pernas. Isto impedia que a vítima se levantasse, e assim eles não podiam aliviar a tensão dos músculos do peito e logo sufocaram. As pernas dos dois ladrões foram quebradas, mas, quando os soldados chegaram a Jesus viram que não era necessário.

Conclusão

Aparentemente, para ter certeza da morte, um soldado traspassou sua lança entre o quinto espaço das costelas, enfiado para cima em direção ao pericárdio, até o coração. O verso 34 do capítulo 19 do evangelho de João diz: “E imediatamente verteu sangue e água.” Isto era saída de fluido do saco que recobre o coração, e o sangue do interior do coração. Nós, portanto, concluímos que nosso Senhor morreu, não de asfixia, mas de um enfarte de coração, causado por choque e constrição do coração por fluidos no pericárdio.

Assim nós tivemos nosso olhar rápido – inclusive a evidência médica – daquele epítome de maldade que o homem exibiu para com o Homem e para com Deus. Foi uma visão terrível, e mais que suficiente para nos deixar desesperados e deprimidos. Como podemos ser gratos que nós temos o grande capítulo subseqüente da clemência infinita de Deus para com o homem – o milagre da expiação e a expectativa da manhã triunfante da Páscoa.

© Copyright C. Truman Davis

C. Truman Davis é um Oftalmologista nacionalmente respeitado, vice-presidente da Associação Americana de Oftalmologia, e uma figura ativa no movimento de escolas Cristãs. Ele é o fundador e presidente do excelente Trinity Christian School em Mesa, Arizona, e um docente do Grove City College.

[Esta tradução foi realizada para o site www.hermeneutica.com baseada em várias versões deste relato em inglês e traduções em português. Não há restrição quanto à reprodução desta versão do relato médico. No entanto, pedimos que os interessados tenham a consideração de preservar as referencias à autoria original e uma referencia ao site da www.hermeneutica.com]

in Maluco por Jesus

REFORMA PROTESTANTE: Sempre reformando e sempre protestando – EM NOME DE JESUS !

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Hoje se comemora no mundo todo os 493 anos da Reforma Protestante – mas, o que significa seu lema “igreja reformada, sempre se reformando”?

Há vários lemas que os reformados gostam de usar para identificar e resumir as marcas da Reforma: Sola Scriptura, Sola Fides, Solus Christus, Sola Gratia, Soli Deo Gloria e o moto Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est. Mas, como tudo na vida, eles têm sido entendidos e usados de maneira diferente pelos que se consideram herdeiros da Reforma.

É o caso especialmente do “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est”, de autoria do reformado holandês Gisbertus Voetius (1589-1676), à época do Sínodo de Dort (1618-1619). Este slogan, que pode ser traduzido como “A Igreja é reformada e está sempre se reformando”, tem sido interpretado como se Voetius estivesse dizendo que uma característica da Igreja Reformada é que ela está sempre mudando. Contudo, é difícil imaginar que Voetius, calvinista estrito, que participou em Dordrecht da disputa contra os discípulos de Armínio, tivesse usado este lema para encorajar a abertura da Igreja para novas idéias de qualquer tipo – seria o mesmo que dizer que os seguidores de Armínio estavam certos e que a Igreja Reformada deveria se abrir para uma reforma de natureza arminiana na sua soteriologia! Voetius estava tentando qualificar o argumento deles de que a Igreja deveria estar aberta para receber novas luzes sobre pontos que pareciam imutáveis. Voetius não negou o princípio da reforma constante, mas destacou que o alvo era sempre retornar às Escrituras, que tinham sido a base da Reforma. E na compreensão dele e do Sínodo de Dort, as idéias dos seguidores de Armínio certamente não representariam um retorno às Escrituras.

É importante notar que o aforismo de Voetius não foi “ecclesia reformans”, que significaria que a Igreja se reforma a si mesma, mas “ecclesia reformanda”, que está na voz passiva e indica que o agente da reforma não é ela própria, mas sim o Espírito de Deus. E este certamente promove o crescimento e a compreensão das Escrituras a cada nova geração, sem com isso admitir que a verdade muda.

As palavras de Voetius vêm sendo reinterpretadas ao longo dos anos e usadas de formas que nunca passaram pela mente do teólogo calvinista holandês. A Igreja Católica, no Concílio Vaticano II, tomou para si a parte final do aforismo de Voetius, “reformanda est”, após reinterpretá-lo para justificar as mudanças que introduziu no catolicismo tradicional. Os seguidores de Helen White, fundadora do Adventismo, usam-no para justificar sua reivindicação de serem uma reforma da Reforma. E mais recentemente, o lema ressoa distorcido, mais uma vez. Uma ala da própria Reforma protestante tem usado o moto para justificar mudanças e inovações na Igreja Reformada que certamente não estão de acordo com as Escrituras.

Só para ilustrar, “Semper Reformanda” é o nome de uma organização religiosa nos Estados Unidos que defende a inclusão de gays e lésbicas no ministério pastoral e o casamento homossexual. O grupo adotou este lema porque entendeu que ele expressa o princípio mater da Reforma, que as igrejas reformadas devem mudar a cada geração, para se contextualizar às mudanças da sociedade, da cultura e das novas compreensões.

Essa, na verdade, sempre foi o entendimento daqueles que acham que o mais importante na Reforma Protestante não foi ter voltado no passado para resgatar as antigas doutrinas da graça, mas de ter ido em frente, promovendo uma mudança no status quo (não estou dizendo que todos os que pensam assim são a favor da agenda GLT). A idéia subjacente é que o novo sempre é melhor. Querem o reformanda mas não o Sola Scriptura. Torcem Voetius.

Na verdade, reformados não podem ser contra a continuidade da Reforma, pois sabem que a Igreja é composta de pecadores. Sabem também que a cada geração novos desafios se erguem contra ela. Todavia, só podem aceitar reformas e mudanças que nos tragam mais para perto da Palavra de Deus. Acho que o ponto central aqui é que os reformados crêem que a verdade não muda e que as reformas que a Igreja deve buscar almejam sempre um melhor entendimento da verdade e uma aplicação relevante dela para seus dias. Há quem acredite que a verdade muda, e quando falam em ecclesia reformanda, estão pensando em mudanças inclusive das antigas verdades professadas pelos reformadores. Para eles, nenhuma delas é intocável. Todas estão sujeitas a reinterpretações tão radicais a ponto de se tornarem totalmente outras. É aqui que está a principal diferença entre os reformados e os reformandos ou reformistas.

[post originalmente publicado em 2006 aqui neste blog]

Autor: Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: [ O Tempora, O Mores ]

E AS LÍNGUAS ? (versão presbiteriana)

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Conteúdo

- Prefácio

- Capítulo 1 – A História do Falar em Línguas

DO ANO 100 A 1900 D.C

1. O Montanismo
2. O Testemunho de Ireneu (aproximadamente 130 – 200 d.C.)
3. Tertuliano (aproximadamente 160 – 220 d.C.)
4. Crisóstomo (aproximadamente 345 – 405 d.C.)
5. Santo Agostinho (354 – 430 d.C.)
6. A Idade Média
7. Os Meninos Profetas de Cevennes
8. Os Jansenistas
9. A Igreja Católica Apostólica
10. Outros Grupos
O MOVIMENTO PENTECOSTAL
O NEOPENTECOSTALISMO

- Capítulo 2 – O Significado do Falar em Línguas para os Pentecostais

- Capítulo 3 – Uma Avaliação Bíblica do Falar em Línguas

1. Passagens dos profetas apresentadas pelos pentecostias que segundo alegam apoiam o falar em línguas.

2. Passagens apresentadas para demostrar que o falar em línguas tinha que permanecer na igreja.

3. Passagens apresentados para provar que há um batismo do Espírito distinto e posterior à regeneração, do qual o falar em línguas é a evidência física inicial

4. A discussão da glossolália em I Coríntios 12-14.

- Capítulo 4 – Uma Avaliação Teológica do Falar em Línguas

1. Não pode ser demonstrado conclusivamente que os dons milagrosos do Espírito, que incluem a glossolália, continuam na igreja.

2. A doutrina distintiva das denominações pentecostais que é básica em seus ensinamentos sobre a glossolália, a saber, que todo crente deve buscar um batismo do Espírito Santo posterior à conversão, não tem base nas Escrituras.

3. A teologia do pentecostalismo ensina erroneamente que uma bênção espiritual deve ser atestada por um fenômeno físico.

4. No pentecostalismo está implícita uma espécie de subordinação de Cristo ao Espírito Santo que não está em harmonia com a Escritura.

5. A teologia do pentecostalismo tende a criar dois níveis de cristãos: os que tem recebido o batismo do Espírito e os que não o tem recebido.

6. A teologia do pentecostalismo implica que a igreja tem estado sem condutor, sem poder adequado, sem a plena luz, e sem uma experiência cristã completa desde os fins do Século I até o princípio do Século XX.

- Capítulo 5 – O que podemos aprender do movimento que fala em Línguas.

1. Não pode ser demonstrado conclusivamente que os dons milagrosos do Espírito, que

Bibliografia

Obras escritas por pentecostais

Obras escritas por não pentecostais

Obras eminentemente históricas

Periódicos

PREFÁCIO

O propósito principal deste livro é fazer uma avaliação bíblica e teológica do fenômeno de falar em línguas. Inclui uma breve síntese histórica da glossolália, assim como um capítulo que aborda o que a igreja pode aprender do movimento que fala em línguas.

Inicialmente, devo deixar claramente estabelecido que me sinto muito agradecido pelo que Deus está realizando por meio desses cristãos de convicções pentecostais, especialmente nos campos missionários do mundo. Considero os pentecostais e neopentecostais irmãos em Cristo, e portanto, o que direi acerca de seus pontos de vista sob a questão das línguas, será com espírito de amor cristão. Gostaria que meus amigos pentecostais vissem este livro como um diálogo teológico com eles, que tem o propósito de alcançar uma melhor compreensão do que a Palavra de Deus ensina sobre o tema em questão.

Baseei minha exposição dos ensinamentos pentecostais e neopentecostais primeiramente em seus próprios escritos, especialmente em dois livros doutrinais de autores das Assembléias de Deus, publicados em castelhano pela Editorial Vida: O que isso significa? de Carl Brumback e O Espírito Mesmo Concedeu de Ralph M. Riggs. Tentei ser o mais justo e exato possível, mesmo assim reconheço que posso ter incorrido em alguma incorreção. Sentirei agradecido se me chamassem atenção para tais inexatidões.

Este livro nasceu de uma série de conferências dadas no Seminário Teológico Batista Conservador de Denver, Colorado, em outubro de 1964. Estou profundamente agradecido pelo convite para estas conferências e pela cordial hospitalidade a mim deferida.

Desejo expressar meu apreço por todas as pessoas que me enviaram material, proporcionaram informação e responderam às minhas cartas. Estou endividado com vários autores que escreveram sobre glossolália, e diversos amigos com os quais discutimos o tema. Gostaria também de agradecer aos meus alunos do Seminário Calvino, cujas questões suscitaram meu interesse neste tema.

Sobretudo, dou graças ao Senhor que me capacitou para fazer este estudo. Que este livro magnifique o Pai que nos escolheu, ao Filho que morreu por nós e ao Espírito Santo que habita em nós. 

ANTHONY HOEKEMA

Capítulo 1 – A História do Falar em Línguas

 Os anos recentes tem testemunhado um notável avivamento do interesse num fenômeno comumente conhecido como “falar em línguas”. O nome mesmo não nos diz muito; obviamente todo falar se faz com a língua. O que há de extraordinário em “falar em línguas”?

O falar em línguas, ou glossolália, para usar a expressão técnica, é a emissão espontânea de sons num idioma em que o falante jamais aprendeu e nem sequer o entende. Este falar em línguas é praticado normalmente em certos tipos de grupos religiosos.

No entanto, o surpreendente é que, ainda que por relativamente muito tempo o falar em línguas esteve majoritariamente limitado às igrejas pentecostais, a partir de 1960 este fenômeno tem-se estendido às principais denominações da cristandade. O falar em línguas entrou nas igrejas episcopais (a alta), presbiterianas, metodistas, batistas, luteranas e reformadas. Quando a glossolália saltou das igrejas com fachada de armazém e de tabernáculos pentecostais para os santuários góticos e as salas de casas particulares, os telégrafos começaram a soar, as máquinas de escrever trabalharam incessantes e as prensas rodaram pressurosamente. Da noite para o dia o falar em línguas converteu-se em notícia de primeira página.

Apesar do falar em línguas em grande escala não se iniciou antes do surgimento do pentecostalismo em 1906, o fenômeno havia-se apresentado anteriormente dentro e fora da igreja cristã. Contudo, dentro da Igreja e até os princípios do Século XX, o falar em línguas somente foi encontrado ocasionalmente, e isso entre grupos minoritários.

Para entender as atuais manifestações de glossolália[1] devemos conhecer algo de sua história. Ao apresentar esta breve história não vou discutir o falar em línguas fora da igreja cristã, apesar de que alguém possa encontrar muitos paralelos interessantes a este fenômeno entre os devotos de religiões não cristãs. Tampouco quero neste momento discutir as referências bíblicas à glossolália, uma vez que serão consideradas num capítulo adiante. Começarei essa breve síntese histórica no ano 100 d.C., aproximadamente, porque esta data marca o fim aproximado do que poderíamos chamar história bíblica e o começo aproximado do que normalmente chamamos História da Igreja. O tratamento histórico será realizado visualizando três fases distintas: o período que vai do ano 100 ao 1900 d.C., o movimento pentecostal e o neopentecostalismo.

DO ANO 100 A 1900 D.C.

Ao fazer esta síntese, o que nos surpreende é a falta de freqüência da glossolália na história da igreja cristã. Também nos chama a atenção o fato dos grupos em que se falavam em línguas eram grupos minoritários, que com freqüência encontravam-se sob perseguição. Ao examinar esta história, vemo-nos de encontro com a seguinte pergunta: Somos obrigados a supor que as modernas aparições de glossolália são a continuação do dom carismático de línguas como ocorreu, por exemplo, em Corinto? Ou é possível que haja explicações psicológicas para este fenômeno que tornam a primeira suposição desnecessária e sobretudo errônea.?

1. O Montanismo

Os escritores pentecostais às vezes se referem ao montanismo como um movimento na igreja antiga do Século II que se lhes assemelha. Um destes autores expressa deste modo: “Uma seita da igreja antiga que pode se classificada de pentecostal é a que foi fundada por Montano da Frigia, que defendia uma estrita disciplina eclesiástica e cria que a igreja receberia um novo batismo pentecostal”. O mesmo autor cita Eusébio, o historiador da igreja do Século IV, para assinalar que Montano “foi arrebatado em espírito, e introduziu-se numa espécie de frenesi e êxtase irregular, delirando, falando e proferindo coisas estranhas”. Duas companheiras de Montano, Priscila e Maximila, também falaram “numa espécie de extático frenesi”.

Entretanto, se é citado o montanismo como um precedente para o pentecostalismo, trata-se de um precedente pouco feliz, uma vez que a Igreja condenou-o considerando heréticos os ensinamentos de Montano. Sua posição era que havia chegado a Era do Espírito, e que o Espírito agora falava por meio de Montano. Ele recebia novas revelações que suplementavam e aumentavam a Bíblia. Considerando que então se iniciara a era final, Montano e seus associados conclamou as pessoas para se reunirem em Pepuza, Frigia, para esperar o fim do mundo. Montano e seus seguidores foram excluídos da Igreja porque julgou-se que a pretensão dele de haver recebido revelações superiores à Bíblia era contrária à finalidade da Escritura. Portanto, ainda que não se pode negar que entre os montanistas ocorreu o falar em línguas, o fato de ter ocorrido entre os membros deste grupo não é propriamente uma grande recomendação.

2. O Testemunho de Ireneu (aproximadamente 130 – 200 d.C.)

 A passagem de Ireneu que mais é citada como indicativa da continuação da glossolália na igreja antiga se encontra em Contra as Heresias, V, 6, 1:

Por esta razão, o Apóstolo declara: “Falamos sabedoria entre perfeitos”, denominando “perfeitos” a quem tem recebido o Espírito de Deus, e que por meio do Espírito de Deus falam em todos os idiomas, como ele[2] mesmo falava. De igual maneira, nós também ouvimos de muitos irmãos na igreja que possuem dons proféticos, e que por meio do Espírito falam toda classe de línguas, e trazem à luz coisas que estão escondidas dos homens, e declaram os mistérios de Deus para o beneficio geral, aos quais também o Apóstolo denomina “espirituais”, sendo espirituais porque participam do Espírito, e não porque tenham sido despojados de sua carne e se tenham convertido em seres puramente espirituais.

Os pentecostais citam freqüentemente esta passagem para provar que no Século II d.C. havia pessoas que falavam “toda classe de línguas”. Contudo, tanto P. Feine quanto G. B. Cutten assinalam que, dado que a palavra traduzida por “toda classe de” é um termo algo obscuro (a palavra grega dada por Eusébio é paritodapais), não é certeza que Ireneu esteja falando de idiomas estrangeiros ou de expressões extáticas que não fossem idiomas específicos conhecidos.

No entanto, consideremos esta passagem com um pouco mais de cuidado. Vale fazer os seguintes comentários:

(1) Quando em II. 32. 4. descreve-se os dons milagrosos do Espírito ainda na igreja de seu tempo, Ireneu menciona o exorcismo, a previsão do futuro, visões, profecias, curas e até a ressurreição de mortos (ainda que B. B. Warfield diz que esta última se refere somente a pessoas ressuscitadas dentre os mortos nos tempos apostólicos e dos quais Ireneu teve notícias). Como se vê, nesta lista dos dons do Espírito, Ireneu não menciona o falar em línguas. Porque não? Se o dom tivesse existido em seu tempo, poderíamos esperar que o mencionasse juntamente com o de profecia e de curas.

(2) Na passagem citada anteriormente, V, 6, 1, o propósito principal de Ireneu não é discutir que os dons permanecem na Igreja, mas explicar que as expressões perfeito e espiritual, quando as usa o apóstolo Paulo, não menosprezando de nenhum modo o valor do corpo humano. O argumento geral desta seção tem a ver com a doutrina da ressurreição do corpo, doutrina que os gnósticos negavam. Portanto, o que Ireneu diz aqui acerca de pessoas que “pelo Espírito falam toda classe de línguas” é puramente incidental com respeito ao seu propósito. Em outras palavras, o argumento que está apresentando teria o mesmo valor se estivesse falando tanto em relação ao Novo Testamento, como ao seu próprio tempo.

(3) Há alguma possibilidade de que Ireneu esteja falando aqui não de um fenômeno que estivesse ocorrendo em seu tempo, mas do que havia ocorrido no tempo do Novo Testamento. Evidentemente, isso é certo na primeira oração da citação em que o editor inseriu uma nota marginal que remete o leitor a 1 Coríntios 2:6; Ireneu está aqui falando de pessoas na igreja de Corinto, que pelo Espírito de Deus falavam em “todas as línguas”. A segunda oração, que descreve os irmãos da igreja que não só falam línguas, mas tem outros dons proféticos, desvenda coisas escondidas e declara os mistérios de Deus, termina com a declaração: “a quem também o apóstolo denomina “espirituais”[3] . A palavra traduzida “denomina” é no latim vocat, forma do presente do indicativo do verbo vocare ”chamar ou nomear”. Ireneu está dizendo que a estas pessoas Paulo as chama “espirituais”. Se Ireneu quisesse dizer que certas pessoas de seu tempo eram pessoas as quais Paulo chamaria espirituais se ainda estivesse vivo, porque não expressou isso de uma forma muito mais clara? E porque Ireneu não usou o perfeito do subjuntivo em vez do presente do indicativo? É também significativo que os dons espirituais dos quais fala a segunda oração são precisamente os descritos na Primeira Epístola aos Coríntios, o que alude a primeira oração da citação. Portanto, é possível que Ireneu, não esteja aqui falando acerca de um fenômeno ocorrido em seus dias, mas simplesmente acerca do ocorrido nos tempos do Novo Testamento.

(4)Ademais, devemos admitir que Eusébio, o historiador da igreja, entendeu que Ireneu descrevia algo que estava ocorrendo no Século II. E as palavras iniciais da citação parecem dar ao leitor essa impressão: “De igual maneira, nós também ouvimos[4] de muitos irmãos na igreja … que por meio do Espírito falam toda classe de línguas…”. As palavras “De igual maneira” e a repetição de “falar em línguas” (que já havia sido mencionado na oração precedente) fariam pensar que “Ireneu está-se referindo a algo que ocorria em seu tempo. Se é assim, temos evidência para a continuação do dom de línguas no Século II, ainda que não se nos diz se estes que falam línguas eram montanistas ou membros das igrejas regulares e fica então o problema do significado da expressão aos quais também o apóstolo denomina espirituais”.

3. Tertuliano (aproximadamente 160 – 220 d.C.)

 Há uma passagem de Tertuliano que indica que em seu próprio grupo era comum um certo tipo de falar extático. Em seu livro Contra Márcíon desafia a Márcíon para que lhe mostre os seguintes fenômenos:

Que Márcíon então mostre, como dons de seu deus, alguns profetas que não falem por sentido humano, mas com o Espírito de Deus, que predizem o futuro, e manifestem os segredos do coração; que mostre um salmo, uma visão, uma oração apenas que seja pelo Espírito, num êxtase, isto é, num arrebatamento (amentía), quem quer que haja experimentado uma interpretação de línguas; mostre-me também, que alguma mulher de língua jactanciosa de sua comunidade que profetize, alguma dentre essas suas irmãs especialmente santas. Pois agora, todos estes sinais (de dons espirituais) se produzem em meu partido sem nenhuma dificuldade …

Acerca desta citação devemos anotar duas coisas: (1) Quando Tertuliano escreveu Contra Márcion era montanista. Já temos visto o fato de que a glossolália ocorria entre os montanistas o  que dificilmente pode-se constituir em um argumento que a apoie. (2) Em toda a passagem nada se diz da glossolália, ainda que se menciona a interpretação de línguas. Menciona-se o falar em êxtase, falar num arrebatamento (amentia, sugere que a mente consciente não tem o controle, mas não se afirma especificamente que isso incluía o falar numa língua desconhecida. Alguém poderia falar em êxtase num idioma conhecido).

4. Crisóstomo (aproximadamente 345 – 405 d.C.)

Crisóstomo, pai da Igreja do Século IV, dá claro testemunho de que não havia glossolália na igreja de seu tempo. Ao comentar a discussão de Paulo sobre o falar em línguas em 1 Coríntios 12 e 14, diz: “Tudo isso é muito obscuro, mas a obscuridade produz-se da nossa ignorância dos fatos que se referem à sua cessação, que havendo ocorrido então, agora já não mais sucedem”.

5. Santo Agostinho (354 – 430 d.C.)

Agostinho também testificou que não se observava glossolália na igreja de seu tempo. Porque na Sexta Homilia Sobre I João escreveu:

Nos primeiros tempos, o Espírito Santo caiu sobre os que creram e eles falaram em línguas “segundo o Espírito os concedia que falassem”. Eram sinais adaptados para seu tempo. Porque correspondeu àquela demonstração do Espírito em todas as línguas para assinalar que o evangelho de Deus seria transmitido por meio de todas as línguas, por toda a terra. Aquilo foi feito como uma demostrarão ou sinal, e passou. Na imposição de mãos para que as pessoas recebam o Espírito Santo, devemos agora esperar que falem em línguas? Ou quando pomos as mãos sobre os infantes [nota do editor: os neófitos ou novos convertidos], espera-se que alguns de vós venha a falar em línguas; e acerca do não falar em línguas, espera-se que haja alguém tão insensato para dizer que alguém não tem recebido o Espírito Santo pois que se o tivesse recebido haveria de ter falado em línguas como era naqueles tempos?

Também afirmou em outro escrito: “Porque, há alguém que espera nestes dias que em quem se impõem as mãos para que recebam o Espírito devam imediatamente começar a falar em línguas?”

Portanto, parece que no tempo de Crisóstomo não há evidências de glossolália na igreja oriental, e que no tempo de Agostinho não há sinais de falar em línguas na igreja ocidental[5] . Neste ponto, uma pergunta nos sentimos impulsionados a formular: Se a glossolália é um dom do Espírito tão importante como os pentecostais e neopentecostais de hoje afirmam, porque Deus permitiu que simplesmente desaparecesse da igreja? Temos encontrado a glossolália entre os montanistas, mas lá estava associada com um movimento sectário que negava que as Escrituras estivessem encerradas na cânon. A declaração de Ireneu que muitos citam, como temos visto, poderia ser a descrição do falar em línguas em tempos do Novo Testamento mais do que um fenômeno ocorrido nos dias dele.

6. A Idade Média

George Barton Cutten, autor de Falando em Línguas, é louvado pelos que estudam este tema como o mais antigo historiador da glossolália no idioma inglês. Seu comentário sobre a relativa ausência de glossolália durante a Idade Média é muito interessante: “É realmente surpreendente… que nesta era de maravilhas (o período medieval) haja aparecido com tão pouca freqüência (o dom de línguas)” (p. 37).

Diz-se que uma certa quantidade de indivíduos do período medieval falaram em línguas, particularmente em idiomas que nunca haviam aprendido. Diz-se que São Vicente Ferrer (1357-1419) falou a gregos, alemães e húngaros em seu dialeto valenciano nativo e estes o entenderam. Diz-se que São Luís Bertrand (1526-81) converteu a 30.000 índios sul-americanos de diversas tribos e dialetos pelo uso do dom de línguas. Também informa-se que São Francisco Xavier (1506-52) teve o dom de línguas de forma tão notável que pôde pregar aos nativos da Índia, China e do Japão em seus próprios idiomas, ainda que jamais os tivessem estudado. Cutten chega a indicar, no entanto, que estes informes contradizem o testemunho do próprio Xavier e as declarações explícitas do historiador José Acosta. Este afirma que Xavier tinha que trabalhar arduamente para dominar o japonês e outros idiomas que estudou. O artigo sobre Xavier na Enciclopédia Britânica menciona especificamente que ele favorecia o esforço que os missionários faziam de estudar os idiomas nativos. Quando vemos, como se deu no caso de Xavier, o processo de floreamento da história dos santos com lendas fantásticas, damo-nos conta de que temos que ter muita sobriedade para com outros relatos medievais acerca do dom milagroso de línguas estrangeiras.

No tempo da Reforma algumas das melhores mentes da Europa esquadrinharam diligentemente as Escrituras para re-descobrir os padrões neo-testamentários de doutrina e vida. No entanto, nenhum dos reformadores achou que o falar em línguas pertenceria à categoria dos dons normais que Deus tem outorgado permanentemente à Sua Igreja.

7. Os Meninos Profetas de Cevennes

Ao seguir adiante na direção do período moderno, devemos notar brevemente o que se diz sobre a glossolália dos assim chamados “Pequenos Profetas de Cevennes”. Depois da revogação do Edito de Nantes em 1685, muitos protestantes saíram da França e a vida se fez cada vez mais difícil para quem ficou. Desde 1685 até princípios do Século XVIII os pobres camponeses huguenotes de Cevennes, região do Sul de França, tiveram que suportar terríveis provações e cruéis perseguições. Durante as perseguições, muitos destes campônios converteram-se em profetas. É especialmente interessante notar que um grande número destes profetas eram crianças. Estes profetas de Cevennes caíam em êxtase e pronunciavam frases que acreditavam ser inspiradas pelo Espírito Santo. Dizia-se que alguns deles haviam falado em hebraico e latim, sem que jamais tivessem aprendido esses idiomas. Um deles disse que o Espírito de um anjo ou de Deus mesmo havia feito uso de seus órgãos da voz; estava certo de que um poder superior falava por seu intermédio.

Dizem-se outras cosas interessantes sobre estes camisardos, como também se lhes chamou, diz-se que apareciam luzes no céu que os conduziam a lugares seguros, e vozes que cantavam para lhes dar alento. Warfield sublinhou que, em comum com os antigos montanistas, prediziam a pronta vinda do Senhor e o estabelecimento de seu reino sobre a terra, pretendendo que a difusão dos dons espirituais, evidentes em seus movimentos, fosse a preparação e sinal de seu iminente regresso. Warfield também nos fala da pregação de um tal Doutor Emes, morto no dia 22 de dezembro de 1707, que teria que se ressuscitar no 25 de março de 1708. Infelizmente, o Dr. Emes não ressuscitou, pelo que os profetas tiveram que publicar um panfleto dando “As razões de Squire Lacy por que Dr. Emes não ressuscitou”.

Quando refletimos no significado da glossolália como se apresentou entre os profetas de Cevennes ou camisardos, notamos várias semelhanças entre eles e os montanistas do Século II. Perguntamo-nos, até que ponto essas experiências eram alucinatórias, uma vez que as alucinações podem ser freqüentes em tempos de angústia ou perigo. No que diz respeito ao falar em línguas, Cutten assinala: “Não encontramos nada neste ou em casos similares que não possam ser explicados por leis psicológicas conhecidas”.

8. Os Jansenistas

Diz-se com freqüência que houve glossolália entre os jansenistas do Século XVIII na França. O artigo sobre o jansenismo na Enciclopédia Britânica explica que o falar em línguas era praticado pelos membros mais extravagantes do grupo, os quais com o tempo foram desqualificados pelos jansenistas de maior reputação.

9. A Igreja Católica Apostólica

 Uma manifestação mais extensa de glossolália apareceu no Século XIX na chamada Igreja Católica Apostólica fundada por Edward Irving (1792-1834). A glossolália começou neste grupo quando duas pessoas começaram a falar em línguas desconhecidas na Escócia. Irving, que era então pastor de uma congregação londrina, queria estes dons para sua igreja e desde então começou a orar por eles. Depois de um tempo, a glossolália ocorreu em seu grupo. Ainda que ao princípio tivesse a intenção de manter o falar em línguas como um exercício privado, logo Irving permitiu que os glossolalistas exibissem em público seu dom. Depois disso, como dizia Thomas Carlyle, amigo íntimo de Irving, os serviços de sua igreja converteram-se numa verdadeira Babel.

Ao princípio pensou-se que estas línguas eram idiomas estrangeiros verdadeiros. Mary Campbell, a jovem que foi a primeira a falar em línguas na Escócia, pretendia falar o idioma das Ilhas Palaos. Esta pretensão, segundo um escritor, era “certa… com poucas probabilidades de serem postas em dúvida com autoridade”. No entanto, mais adiante a opinião era que os idiomas eram sinais sobrenaturais e não idiomas específicos.

Para uma avaliação completa da glossolália entre os irvingistas, como se chamou os seguidores de Irving, convidamos o leitor que a faze-la mediante a leitura do Capítulo 4, do livro de Warfield, Miracles Yesterday and Today (Milagres, Ontem e Hoje). Neste capítulo Warfield conta de certo Robert Baxter que se fez membro da igreja de Irving em 1831. Durante um tempo, Baxter tomou parte ativa no movimento. Mas quando não se cumpriram as profecias que haviam feito, os seus olhos foram abertos. Rompeu publicamente com o movimento dizendo a Irving que estava convencido de que “todos falávamos por um Espírito mentiroso e não pelo Espírito do Senhor”. Baxter chegou a publicar um livro, em que expressou sua desilusão com os dons sobrenaturais supostamente outorgados à congregação de Irving. Warfield segue dizendo que até Mary Campbell confessou mais tarde que a algumas de suas impressões pessoais ela havia dado o nome de voz de Deus. Podemos concluir observando que não se recebe uma impressão muito favorável da glossolália ao estudar a história da Igreja Católica Apostólica.

10. Outros Grupos

Poderíamos seguir adiante apontando que já havia glossolália entre os quakers (tremedores) e entre os primeiros mórmons (o artigo 7 dos artigos de fé dos mórmons inclui o dom de línguas para os mórmons). Poderíamos observar que mais para frente houve manifestação de línguas entre alguns dos convertidos de Whitefield e Wesley, e que houve glossolália no grande avivamento dos Estados Unidos e nos avivamentos da Escócia e País de Gales. Poderíamos além disso tomar nota de alguns exemplos de glossolália na Rússia e Armênia. Mas já se tem feito um esboço suficiente desta história para provar que a glossolália tem ocorrido apenas ocasionalmente no passado, e que não se tem encontrado nos grandes segmentos da igreja cristã histórica, mas em grupos minoritários, alguns deles definitivamente heréticos. Portanto, a glossolália não é parte da grande tradição do cristianismo histórico, mas um fenômeno isolado que tem ocorrido esporadicamente sob circunstâncias anormais.

O silêncio comparativo destes muitos séculos de história quanto à glossolália deveria fazer pensar seriamente quem pretende que o dom de línguas seja um dos dons permanentes do Espírito para a sua igreja. A voz da história da igreja parece dizer-nos que o Espírito não tem seguido outorgando este dom ao povo de Deus, ao tempo em tem seguido guiando a sua igreja em toda a verdade. Os pentecostais contrargumentam que a razão do virtual desaparecimento deste dom da igreja é que durante esses séculos o povo de Deus estava pecando contra Deus[6] . Os cristãos não criam completamente em todas as promessas de Deus[7] , e o amor de muitos se esfriara. Contudo, a dificuldade desta interpretação é que se constitui em uma grande acusação contra 1800 anos de história eclesiástica. Devemos crer honestamente que nenhum cristão dos séculos passados mártires, missionários, guerreiros ou santos, teve a classe de fé, amor e dedicação mostrada pelos crentes pentecostais de hoje? Foi toda a história da igreja desde o ano 100 até 1900 uma história de apostasia?

O MOVIMENTO PENTECOSTAL

Em outubro de 1900, Charles Parham, ex-ministro metodista, inaugurou uma escola bíblica em Topeka, Kansas. Parham havia sido cativado pelo movimento de santidade que então estava em seu apogeu; cria que a santificação era uma segunda e definida obra da graça que destruía complemente o pecado inato. Também estava convencido de que depois que alguém tenha obtido uma santificação real e a unção que permanece, ainda faltava um grande derramamento de poder que os cristãos teriam que experimentar.

Antes do Natal de 1900, Parham, que devia sair por três dias, pediu aos seus estudantes que procurassem na Bíblia se haveria alguma evidência do que ocorre com o batismo do Espírito Santo – bênção que cria ainda dever receber o crente convertido e santificado[8] . Quando Parrana voltou, ficou maravilhado ao constatar que os quarenta estudantes haviam chegado a uma conclusão idêntica: “Quando caiu a bênção pentecostal, a prova indiscutível em cada ocasião foi que eles falaram em outras línguas”. A partir daí, o grupo começou a buscar ativamente o batismo do Espírito Santo, acompanhada da evidência que é um extático falar em línguas.

Em 1º de janeiro de 1901 (ou seja, como nos lembram os pentecostais, no começo mesmo do Século XX), a senhorita Agnes Ozman, uma das alunas de Parham, foi a primeira deste grupo que falou em línguas depois que Parham lhe impôs as mãos. Os pentecostais chamam a esta experiência de o começo do moderno avivamento pentecostal.

Logo, outros estudantes começaram a falar em línguas, como também o fez o próprio Param. Este se convenceu de que todo o cristão deveria receber o batismo do Espírito Santo que ele e seus estudantes haviam recebido, e que deveriam falar em línguas como evidência de haver recebido este batismo. Parham agora começou a levar “a mensagem pentecostal” ou “a mensagem do evangelho pleno”, como também foi chamado, e o pregou em varias cidades: Kansas City, em Kansas; Lawrence, em Missouri; El Dorado Springs, em Missouri, Galeria, em Kansas; Joplin, em Missouri; Orchard e Houston, no Texas. Em 1905, Parham estabeleceu um instituto bíblico em Houston, Texas.

Entre os que estudaram no instituto de Houston e se convenceram da verdade da mensagem de Pentecostes estava W. J. Seymour, pregador negro do movimento de santidade. Aproximadamente neste tempo visitou Houston, Neeley Terry, mulher negra de Los Angeles, que assistiu à igreja do Sr. Seymour e recebeu o batismo do Espírito Santo e o dom de línguas. Ficou tão impressionada com Seymour que persuadiu a igreja em Los Angeles a qual pertencia para que convidasse o irmão para pregar. No entanto, a primeira mensagem de Seymour em Los Angeles produziu tal hostilidade que o pregador visitante encontrou as portas fechadas para ele quando regressou para o culto da tarde. Impávido, Seymour começou a pregar numa casa. Em 9 de abril de 1906, sete pessoas foram batizadas com o Espírito Santo e começaram a falar em línguas. Estes acontecimentos chamaram tanto a atenção que o grupo logo se mudou para um edifício na Rua Azusa, que anteriormente havia sido igreja mas que por ora era uma cocheira. Neste lugar de poucas pretensões, Seymour seguiu dirigindo cultos que tiveram a assistência de crescentes números de pessoas de diversas denominações e raças. As reuniões se seguiram durante três anos, e chegaram a ser o centro do movimento pentecostal. De todo o país veio gente à missão da Rua Azusa para receber o batismo do Espírito e a evidência das línguas[9] .

Após isso seguiram anos de rápido crescimento. O assim chamado avivamento pentecostal estendeu-se a Chicago, Winnipeg e New York. Pouco depois de 1906, o “evangelho pleno” podia ser achado em todos os continentes. O movimento seguiu crescendo, até que hoje estima-se que há pelo menos 26 denominações que se consideram parte do movimento pentecostal.

Consideremos brevemente alguns dos maiores corpos pentecostais dos Estados Unidos. O maior e mais influente deles é as Assembléias de Deus com sede em Springfield, Missouri. Em abril de 1965 sua membresia total no país era de mais de 555.000. Tinham mais de 8.400 igrejas, 10.000 ministros ordenados e 5.000 licenciados nos Estados Unidos. Sua principal escola é o Instituto Bíblico Central em Springfield e seu semanário é o Pentecost Evangel. Uma idéia do tremendo alcance de sua atividade missionária pode-se deduzir do fato de que em abril de 1965 diziam ter 891 missionários no estrangeiro, 15.105 igrejas e pontos de pregação no exterior e uma membresia estrangeira (incluindo aderentes e membros em plena comunhão) de 1.472.766 pessoas. Isso significa que, de cada quatro pessoas que são membros ou aderentes das Assembléias de Deus, três estão no campo missionário, enquanto uma está nos Estados Unidos[10]

A segunda igreja pentecostal em importância nos Estados Unidos é a Igreja de Deus em Cristo. É uma igreja negra fundada por C. H. Mason e C. P. Jones. Segundo Kelsey, este grupo tinha mais de 400.000 membros em 1963 contra apenas 31.000 que tinha em 1936. É uma igreja de santidade que ensina que a santidade é considerado um requisito para a salvação e para o batismo do Espírito.

O terceiro corpo pentecostal em importância é a Igreja de Deus com sede em Cleveland, Tennessee. Esta é também a igreja pentecostal mais antiga do país, havendo começado em 1886 num avivamento dirigido no sudeste do Tennessee por Richard G. Spurling, pai, e seu. filho do mesmo nome. A. J. Tompson chegou a ser mais tarde o supervisor geral desta igreja, mas foi afastado em 1923. Esta também é uma igreja de santidade que ensina que à santificação segue a justificação e ao batismo do Espírito Santo segue a purificação ou santificação. Segundo cifras entregues por esta igreja em agosto de 1964, sua membresia total nos Estados Unidos e Canadá era de mais de 200.000; nestes países tinha quase 7.000 ministros (esta cifra provavelmente inclui ministros ordenados e licenciados) em aproximadamente 3.500 igrejas. No entanto, nessa data sua membresia mundial era de em torno de 400.000.

Segue em tamanho a Igreja Unida Pentecostal, que começou quando se uniram duas igrejas em 1945, e que segundo Kelsey tem 175.000 membros. É uma igreja das que se chamam “unitárias”: nega que há três pessoas na Trindade, e ensinam que Pai, Filho e Espírito Santo são uma única pessoa e que essa pessoa é Jesus Cristo. Em conseqüência, seu ensinamento é uma espécie singular de unitarismo que se centraliza na segunda pessoa e não na primeira; este unitarismo de tipo pentecostal é conhecido também como o movimento “Só Jesus”. As pessoas que tem sido batizadas no nome do Deus Trino têm que ser rebatizadas no nome de Jesus quando se fazem membros deste grupo. A maioria dos demais corpos pentecostais, as Assembléias de Deus em particular, tem repudiado firmemente este ensinamento unitário. Pode ser interessante notar que a Igreja Unida Pentecostal tem um código moral muito rígido. Oficialmente reprova coisas tais como o banho misto, a maquiagem, os desportos e as diversões mundanas, o uso da televisão, e proíbem que as mulheres cortem o cabelo. Num folheto publicado pela denominação entitulado “A Questão do Cabelo”, são dadas quinze razões pelas quais as mulheres devem ter o cabelo comprido.

Outro proeminente grupo pentecostal é a Igreja Internacional do Evangelho Quadrangular (ou quadrado, ou ainda Foursquare em alguns países), fundada em 1927 por Almee Semple McPherson. Esta igreja também ensina que os crentes devem receber o batismo do Espírito Santo e que este batismo deve ser atestado pelo falar em línguas. Em 1965 este grupo dizia ter uma membresia total de 159.034 com 771 igrejas e 1647 ministros ordenados e licenciados em os Estados Unidos. Um folheto sobre missões publicado pela igreja em 1965 dá as seguintes cifras: 1368 pastores nacionais e evangelistas, 1402 igrejas e pontos de pregação no estrangeiro e 96.432 membros e aderentes no campo missionário.

Outro grupo pentecostal que deve ser considerado é a Igreja de Deus Pentecostal, pelo menos pelo fato de que Oral Roberts pertencia a ele. Doutrinariamente também é um grupo de santidade. A santificação é considerada uma segunda obra da graça instantânea (ainda que também sustentam que é progressiva). Considera o batismo do Espírito Santo como uma obra de graça adicional[11] . Portanto, é interessante notar que as cifras entregues pelo grupo em 1946 estavam classificadas em três categorias: 26.251 membros, 8.043 salvos, 3.179 santificados e 1.724 batizados com o Espírito. Contudo, estatísticas mais recentes indicam que, em julho de 1956, a igreja dizia ter 60.665 membros, 1.331 igrejas e 2.446 ministros em os Estados Unidos. A membresia mundial total naquela data era 84.915 com 85 missionários no estrangeiro.

Mais um grupo deve-se mencionar, Assembléias Pentecostais Mundiais. Esta também é uma igreja negra que tinha uma lista de 50.000 membros e 600 igrejas em 1959. Esta igreja se opõe às sociedades secretas, às datas de festas eclesiásticas, ao uso de jóias, de meias atrativas, de cabelo cortado ou alisado e de adereços de cores brilhantes.

Estes são pois, os principais corpos pentecostais nos Estados Unidos. Há vários outros grupos, a maior parte mais pequenos que os mencionados. Devido o crescimento rápido do pentecostalismo, não somente nos Estados Unidos mas em países estrangeiros, este movimento com freqüência é chamado “terceira força do cristianismo”. Há muitas igrejas pentecostais vigorosas em países europeus como Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Suíça, Rússia, Itália, Alemanha e Inglaterra. O pentecostalismo também é forte na América do Sul, especialmente no Brasil. As igrejas pentecostais tem sido muito ativas no trabalho missionário; Bloch-Hoell, dando cifras do ano 1954, estima que naquele tempo o contigente de missionários pentecostais era pelo menos três vezes e meia maior que o considerado “normal” no mundo protestante. Ainda que é difícil fazer uma estimativa de quantas pessoas no mundo poderiam se chamar pentecostais, é certo que as cifras mundiais alcançam a vários milhões. Enquanto Bloch Hoell estima que há aproximadamente seis milhões de seguidores pentecostais no mundo incluindo as crianças), John L. Sherril julga que há mais de 8.500.000 pentecostais no mundo, mais de 2.000.000 dos quais estão nos Estados Unidos.

O NEOPENTECOSTALISMO

Resta explorar mais uma fase da história deste tema, fase que Russell T. Hitt tem denominado neopentecostalismo. Com esta expressão quero significar a passagem da glossolália para as igrejas estabelecidas. Antes de 1960, o fenômeno da glossolália estava confinado exclusivamente às igrejas pentecostais, no entanto, na atualidade já não é assim.

Tudo começou com Dennis Bennett, reitor da Igreja Episcopal de São Marcos em Van Nuys, Califórnia, nos arredores de Los Angeles. Por meio da influência de um casamento celebrado em uma igreja vizinha recebeu o dom de línguas, e achou que seria uma estimulante experiência espiritual os efeitos da qual se introduziram em sua vida cotidiana. Logo, umas setenta pessoas na congregação começaram a falar em línguas, incluindo alguns dos mais conhecidos membros da congregação. Como a igreja estava dividida pelo problema, o Rev. Bennett renunciou à reitoria em 3 de abril de 1960. A publicidade que se seguiu à sua renúncia serviu para difundir ainda mais a notícia deste novo turbilhão de línguas.

Atualmente, muitos episcopais estão praticando a glossolália. Frank Farrell informou em setembro de 1963 que, segundo se dizia, uns 2.000 episcopais estavam falando línguas somente no sul da Califórnia. A glossolália também tem-se estendido pela Igreja Presbiteriana. Mais de 600 membros da Primeira Igreja Presbiteriana de Hollywood (a maior igreja local da denominação) haviam falado em línguas, segundo uma informação. Alguns membros da Igreja Reformada da América também tem começado a falar em línguas, provavelmente o mais conhecido deles seja o Rev. Harald Bredesen, pastor da Primeira Igreja Reformada de Mount Vernon, New York. O Rev. Bredesem recebeu o dom de línguas num acampamento pentecostal em Green Lane, Pennsylvania, e desde então tem sido um ativo propagandista da glossolália. Atualmente é presidente da Sociedade da Bendita Trindade, grupo que atua como ponta de lança do movimento neopentecostal, particularmente por meio de sua revista trimestral (Trindade). A visita do pastor Bredesen ao campus da Universidade de Yale foi o que acendeu a faisca de um incêndio de línguas ali.

A glossolália também tem-se infiltrado nas igrejas luteranas. Provavelmente, o pastor luterano mais conhecido e que tem recebido o dom seja o Rev. Larry Christenson, pastor da Igreja Luterana da Trindade em San Pedro, Califórnia, que tem escrito bastante sobre o tema. O movimento penetrou na igreja metodista, Morton Kelsey menciona uma quantidade de ministros metodistas que tem recebido o dom de línguas e tem sido instrumentos para dá-lo a outros. O falar em línguas também tem se estendido às igrejas batistas; o Senhor Kelsey descreve a experiência de dois ministros batistas que receberam o dom e cita o Dr. Francis Whiting, diretor do Departamento de Evangelismo da Convenção Batista de Michigan, como que tenho dito que a salvação do mundo está nos dons carismáticos tais como o dom de línguas.

Ademais, cabe destacar que a glossolália tem feito sua colheita também em pequenos grupos tais como InterVarsity Christiam Fellowship (grupo que em diversos países trabalha com estudantes universitários, com sede em Londres), Wycliff Bible Translators (missão dedicada à tradução da Bíblia a idiomas indígenas) e entre Os Navegantes. Também, o mesmo tem ocorrido em instituições bem conhecidas como Wheaton College, Westmont College e Fuller Seminary. Dentro do movimento neopentecostal, além das atividades da Sociedade da Bendita Trindade, há reuniões de pequenos grupos, denominados grupos de comunhão do Espírito Santo, que celebram reuniões e convenções de avanço cristão. Uma organização internacional denominada Associação Internacional de Homens de Negócios do Evangelho Pleno, com sede em Los Angeles, publica três revistas Voz, Visão e Ponto de Vista. Esta organização tem uma quantidade de diretores estrangeiros além dos Estados Unidos, e capítulos (organizações locais) em países tão distantes como Austrália e África do Sul.

De todo o exposto, é evidente que a glossolália na atualidade está-se estendendo para muito mais além das fronteiras das igrejas pentecostais. Ainda que não haja dados disponíveis, e ainda que o falar em línguas nas outras igrejas nem sempre é admitido abertamente, é óbvio que o número dos que falaram ou falam em línguas fora das igrejas pentecostais deve ser bastante considerável. Particularmente, a difusão das línguas em igrejas não pentecostais é o que faz que a questão das línguas seja um problema tão vivo na atualidade.

Capítulo 2 – O Significado do Falar em Línguas para os Pentecostais

A prática de falar em línguas é comum a todos os pentecostais, como também aos que comumente denominam-se neopentecostais. Antes de proceder a avaliação do falar em línguas, devemos primeiro entender o significado da glossolália para quem o pratica.

Desde o começo deve-se notar que há diferenças de opinião entre os pentecostais sobre se a “santificação completa” é necessária antes que alguém possa receber o batismo do Espírito que é acompanhado pela glossolália[12] . Por santificação completa entende-se quando alguém fica completamente imune da presença do pecado em face de uma experiência instantânea. No princípio do movimento houve muita ênfase na importância dessa santificação instantânea. Lembre-se que Charles F. Parhan, em cujo instituto bíblico começou o movimento pentecostal, era um pregador da santidade que cria na santificação completa como uma “segunda obra de graça” depois da conversão. Durante o avivamento em Los Angeles em 1906, muitas pessoas disseram haver recebido a santificação completa e consequentemente diziam que esta bênção era necessária antes que alguém pudesse receber o batismo do Espírito.

Entretanto, no decorrer do tempo, houve uma variação no ensinamento pentecostal. Ainda que alguns grupos pentecostais continuem com a ênfase na necessidade da santificação completa como uma experiência que deve anteceder o batismo do Espírito, de modo que o batismo do Espírito fosse considerado por eles como uma terceira obra da graça subsequente à regeneração (ou conversão) e a santificação instantânea[13] , a maioria dos grupos pentecostais tem abandonado esta posição. Hoje em dia, a maioria das igrejas pentecostais ensinam que a santificação não é uma experiência instantânea, mas um processo que segue pela vida, ainda depois que alguém recebe o batismo do Espírito. Portanto, a maioria dos pentecostais considera o batismo do Espírito como uma espécie de “segunda obra da graça” que ocorre depois da regeneração.

Mesmo assim, ambos os grupos de pentecostais concordam em que a glossolália é a evidência inicial do batismo do Espírito. Em virtude de não haver diferença de opinião entre ambos grupos sobre o ponto que nos ocupa (isto é, o significado da glossolália), passarei por alto pela diferença de opinião sobre a questão da santificação completa que deveria seguir.

Ao determinar o significado da glossolália para quem a pratica, devemos portanto levar em conta outra diferença de opinião que existe entre os pentecostais. Nem todos estão de acordo no ponto de a glossolália invariavelmente acompanhar o batismo do Espírito. Alguns pentecostais sustentam que, ainda que o falar em línguas seja uma das evidências do batismo do Espírito, não é necessariamente a única evidência, e que, portanto, uma pessoa pode receber o batismo do Espírito sem falar em línguas. Alguns líderes pentecostais europeus como T. B. Barratt de Noruega e Lewi Pethrus de Suécia estão dispostos a admitir que, como uma exceção, o batismo do Espírito pode ocorrer sem glossolália. J. E. Stiles Jr., escreveu em Cristianismo Hoje: “Há uma crescente minoria entre pessoas do evangelho pleno que crêem que as línguas não se constituem em “única” ou “necessária” evidência do recebimento inicial do Espírito Santo. Aceitamos que é uma evidência”. Ni1s Bloch-Hoell, cujo estudo histórico do movimento pentecostal é o mais completo até agora publicado, afirma:

A opinião dominante do movimento pentecostal é a que o batismo do Espírito é acompanhado pelo falar em línguas, mas, ao mesmo tempo, permite teoricamente, a possibilidade do batismo do Espírito sem glossolália.

Vê-se então que, em que pese uma minoria de pentecostais admitir a possibilidade de batismo do Espírito sem glossolália, a maioria considera que o batismo do Espírito sem glossolália estaria incompleto ou carente de evidência[14] .

Mesmo que o leitor deva recordar-se que há pentecostais que não estão na posição da maioria, apresentarei o ponto de vista da maioria como típico do movimento pentecostal. Ao apresentar o ponto de vista da maioria, reproduzirei até aonde for possível, a posição sustentada pelas Assembléias de Deus, a maior igreja pentecostal dos Estados Unidos, e provavelmente o grupo pentecostal de mais influência no mundo.

As Assembléias de Deus estabeleceram seus principais dogmas doutrinais no que chamam Declaração de Verdades Fundamentais, que compreende 19 artigos. O artigo 7 desta declaração diz:

Todos os crentes têm o direito a a promessa do Pai, a qual deveriam esperar ardente e intensamente: o batismo no Espírito Santo e no fogo, de acordo com o mandamento de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa era a experiência normal de toda a Igreja Primitiva. Com ela chega  investidura do poder para a vida e o serviço, a concessão de dons e o uso deles na obra do ministério (Lucas 24:49, Atos 1:4, 8; I Coríntios 12:1-31). Esta experiência é distinta e posterior à experiência do novo nascimento (Atos 8:12-17; 10:44-46; 11:14-16; 15:7-9). Com o batismo do Espírito Santo vêm experiências tais como a completa plenitude do Espírito (João 7:37-39; Atos 1:4-8), uma reverência mais profunda a Deus (Atos 2:43; Hebreus 12:28), uma consagração mais intensa a Deus e dedicação à sua obra (Atos 2:42), e um amor mais ativo por Cristo, por sua Palavra e pelos perdidos (Marcos 16:20).

O Artigo 8 faz as seguintes afirmações:

O batismo dos crentes no Espírito Santo é testificado pelo sinal físico inicial de falar outras línguas conforme o Espírito as concede que falem (Atos 2:4). O falar em línguas neste caso é o mesmo em essência que o dom de línguas (1 Coríntios 12:4-10, 28), mas difere em propósito e uso.

Justapondo estes dois artigos, chegamos às seguintes conclusões:

1. Todos os crentes deveriam buscar o batismo do Espírito Santo.

2. Este batismo do Espírito é distinto e posterior à experiência do novo nascimento.

3. Este batismo do Espírito Santo outorga poder para a vida e o serviço, maior consagração, um amor mais ativo por Cristo, por sua Palavra e pelos perdidos.

4. O sinal físico inicial do batismo do Espírito é falar em outras línguas.

5. Este sinal físico inicial, ainda que seja o mesmo em essência que o dom de línguas de que fala I Coríntios 12, é diferente em propósito e uso.

Portanto, para as Assembléias de Deus – e sua posição nisso é típica dos pentecostais em geral – a glossolália é tão importante que todo crente deveria praticá-la como evidência inicial do batismo do Espírito Santo que todos devem buscar obter. Cito um proeminente autor das Assembléias de Deus:

UMA experiência deve ser recebida por todos os que querem entrar no reino – o novo nascimento …do mesmo modo, ordena-se a todos os crentes que recebam uma experiência – o batismo ou plenitude do Espírito. Novamente, as reações físicas, emocionais e intelectuais são tão variadas como os que a recebem, mas, outra vez, uma evidência acompanha uniformemente à experiência: o testemunho do Espírito através de nós em outras línguas[15] .

Ralph M. Riggs, outro escritor das Assembléias de Deus, dá dez razões por que deveríamos receber o batismo do Espírito Santo pouco depois da conversão[16] . A importância da glossolália para os pentecostais vem indicada pela seguinte declaração de Carl Brumback: “É nossa sincera crença que sem esta evidência (ou seja, a da glossolália) não pode haver um batismo completo com o Espírito Santo”[17] . Portanto, todo cristão deve buscar a glossolália, não por causa de si mesmo, mas como evidência de que se tem recebido o batismo do Espírito Santo.

Pois bem, o que é este batismo do Espírito, posterior e distinto do novo nascimento? Significa a entrada do Espirito Santo na vida de alguém como Pessoa em Seu próprio nome e direito. Ralph Riggs descreve a experiência da seguinte maneira:

Como Espírito de Cristo, Ele veio na conversão, trazendo a vida de Cristo, revelando a Cristo e o fazendo-se real. No batismo do Espírito, Ele mesmo, em Sua própria pessoa cai sobre o crente que espera e o enche. Esta experiência é tão distinta da conversão como o Espírito Santo é distinto de Cristo. Sua vinda ao crente no batismo é a vinda da terceira Pessoa da Trindade, após a vinda de Cristo, que ocorreu na conversão[18] .

Então, isso significa que alguém não recebe o Espírito Santo em nenhum sentido no momento da conversão? Pelo contrário, todo cristão tem o Espírito Santo uma vez que é Ele quem deve pô-lo em contato com Cristo, e é o Espírito quem deve operar a regeneração[19] . Mas somente depois do batismo do Espírito, a Terceira Pessoa da Trindade toma o controle definitivo por direito próprio, e dispensa todo o complemento de seus dons[20] . Em suma, ainda que se receba certos frutos do poder do Espirito no momento da regeneração ou conversão, não recebe ao Espírito como pessoa que o enche completamente até o momento do batismo do Espírito Santo. A glossolália é a evidência inicial deste batismo do Espírito.

Sobre que base bíblica estão fundamentados estes ensinamentos? Principalmente, no estudo de passagens do livro de Atos que descrevem certos grupos que falaram em línguas quando o Espírito caiu ou veio sobre eles. Mais adiante examinaremos registros das Escrituras com maior detalhe.

Deve-se recordar que os pentecostais distinguem entre glossolália como evidência inicial do batismo do Espírito e como um dom que o receptor pode continuar exercendo, Assim eles dão razão ao fato óbvio de que nem todos em Corinto tinham o dom de línguas[21] . Numa palavra, sua posição é esta: todos os que recebem o batismo do Espírito devem falar línguas como evidência física inicial deste batismo. Nem todos os que recebem esta evidência, no entanto, seguem exercendo o dom de línguas[22] .

Além disso, o dom de línguas opera de um modo duplo: devocional e congregacional. Como exercício devocional poderia ser usado como um meio para orar, dar graças, cantar. Pelo uso do dom nesta forma alguém edifica-se a si mesmo[23] . O outro uso do dom é congregacional. As línguas deveriam ser usadas nos serviços da igreja. Brumback afirma que é bom que o pregador seja interrompido ocasionalmente por uma expressão em línguas, ainda que não se propicia uma interrupção constante[24] . Donald Gee, outro escritor das Assembléias de Deus, refletindo sobre as diferenças entre os serviços pentecostais e os das igrejas protestantes regulares, expressa a questão de um modo mais bem ameno: “Melhor um pouco de desordem e o Senhor operando que a ‘ordem’ aparente da tumba e da morte”[25] . No entanto, quando se usam as línguas no serviço da igreja, devem ser interpretadas, por isso os pentecostais falam do dom de interpretação como um dom adicional. Sem intérprete, o que fala em línguas deve calar-se na igreja[26] .

Pode ser de interesse perguntar neste ponto: Segundo os pentecostais, como são estas línguas? São idiomas humanos reais, ou são apenas expressões extáticas que não têm similaridade com idiomas que atualmente se falam sobre a terra? Para responder a esta questão, devo, em primeiro lugar, reproduzir brevemente os ensinamentos pentecostais sobre as línguas descritas na Bíblia. Os pentecostais estão bem de acordo que as línguas faladas no dia de Pentecostes eram idiomas reais, uma vez que Lucas afirma que cada homem ouviu os discípulos em sua própria língua[27] . No que diz respeito à glossolália em Corinto, Brumback afirma que ainda que haja uma diferença entre as línguas em Atos e as de Corinto quanto ao propósito e operação, não há diferença entre elas quanto a sua natureza: noutras palavras, em Corinto assim como em Jerusalém, as línguas eram idiomas estrangeiros reais falados por pessoas que não haviam tido uma preparação prévia nesse idioma[28] .

Sobre a base do ponto de vista da glossolália na forma descrita nas Escrituras, Brumback sustenta que a glossolália na atualidade não é falar uma linguagem celestial desconhecida para o homem, mas falar um verdadeiro idioma humano que, no entanto, é desconhecido para a pessoa que fala[29] ; ainda afirma que há casos registrados em que expressões glossolálicas tem sido identificadas como idiomas existentes, tanto por crentes pentecostais como não pentecostais[30] . Brumback admite que às vezes a glossolália atual não é um idioma genuíno, mas uma pura algaravia; no entanto, esses casos são considerados fraudulentos, como uma tentativa de imitar o genuíno dom de línguas[31] . Donald Gee, escritor pentecostal britânico, está de acordo que na atualidade a glossolália é o falar de idiomas estrangeiros genuínos. Então pareceria que a posição pentecostal geral é que a glossolália segundo se pratica na atualidade é o falar um idioma estrangeiro genuíno por pessoas que nunca tenham estudado o idioma em que falam e que não o entende no momento em que os estão falando.

No entanto, deve-se observar que nem todos os pentecostais estão de acordo neste ponto. Alguns pentecostais dizem-me em conversações privadas que a glossolália de hoje poderia ser um falar um idioma estrangeiro existente, ou falar uma língua em êxtase que não tem similar na linguagem humana. Ademais é significativo que pelo menos um dos escritores das Assembléias de Deus não compartilha do ponto de vista de que a glossolália de hoje seja sempre um idioma genuíno. Stanley Frodsham, em um livro que sempre aparece recomendado no catálogo atual da Gospel Publishing House, agência oficial de publicações das Assembléias de Deus, tem isso a dizer acerca do dom de línguas:

O filho de Deus tem o privilégio de ter uma linguagem com Deus, e nenhum homem entende esta linguagem secreta, porque ao santo lhe é permitido falar no idioma da divindade, um idioma desconhecido para a humanidade… O santo mais humilde pode desfrutar de uma conversação sobrenatural com o que fez os mundos, num idioma não compreendido pelo homem nem pelo diabo.

Seguimos adiante agora para perguntar se o ponto de vista dos neopentecostais acerca do significado e valor da glossolália é o mesmo que o que se lhe dão os pentecostais segundo o que acabamos de descrever. É uma pergunta difícil de responder porque não há uma interpretação teológica autoritativa que seja obrigatória para todos os neopentecostais. No entanto, cabe destacar que o neopentecostalismo recebeu seu ímpeto inicial dos pentecostais, uma vez que vários líderes neopentecostais receberam o dom de línguas em reuniões pentecostais ou por meio da influência de pentecostais. Portanto, historicamente o neopentecostalismo nasceu do pentecostalismo.

Já se tem feito notar que há alguma diferença de opinião entre membros de igrejas pentecostais sobre se a glossolália invariavelmente acompanha o batismo do Espírito. Encontramos uma diferença de opinião similar entre os neopentecostais. Alguns neopentecostais crêem que a glossolália é uma das evidências de haver recebido o batismo do Espírito, mas que não é a única evidência nem a evidência indispensável. Para citar um exemplo, o Rev. Larry Christensom, pastor da Igreja Luterana da Trindade, em San Pedro, Califórnia, e líder do movimento pentecostal, não está de todo disposto a dizer que cada um dos que recebam o batismo do Espírito falarão em línguas, de modo que se uma pessoa que não fale em línguas esteja convencido de que não recebeu o batismo do Espírito. No entanto, concede que o livro de Atos nos da um padrão que serve de muita ajuda em nossas vidas de hoje: a saber, a recepção do Espírito é uma experiência instantânea que é acompanhada pelo falar em línguas[32] . Portanto, segue dizendo:

Consumar a experiência de alguém de receber o Espírito falando em línguas lhe dá objetividade à experiência; eu creio que esta objetividade tem um valor definitivo para o contínuo caminhar no Espírito, porque falar em línguas parece ter uma relação definida com a “poda” e “purificação” pela qual o cristão tem que passar.

Portanto, segundo Christensom, a glossolália, ainda que de um alto valor, não é a evidência indispensável de haver recebido o batismo do Espírito

Segundo Morton T. Ke1sey, reitor episcopal que escreveu um livro sobre o falar em línguas, o Rev. Tod Ewald, reitor da Igreja Episcopal de Corte Madera, Califórnia, compartilha dos pontos de vista de Christensom sobre as línguas. Ke1sey segue dizendo que, em sua opinião, a maioria de quem fala línguas nas mais antigas denominações protestantes compartilham dos pontos de vista do pastor Christensom sobre as línguas e sobre a experiência do Espírito Santo, isto é, que as línguas são uma sinal do batismo do Espírito, mas não o sinal indispensável do acontecimento. Se Ke1sey está correto, isso poderia significar que o ponto de vista da maioria dos neopentecostais difere da maioria dentre os pentecostais.

No entanto, não estou certo de que o Senhor Ke1sey tenha razão em seu juízo. Tem-se encontrado uma quantidade de declarações de proeminentes neopentecostais que afirmam que a glossolália não é apenas uma possível evidência, mas a evidência do batismo do Espírito Santo. Por exemplo, Robert Frost, professor de biologia no Colégio Westmont, escrevendo na revista Trindade, declara que, assim como uma confissão de fé é o sinal exterior de conversão, o falar em línguas é a evidência exterior do batismo do Espírito Santo (que ele chama “o dom do Espírito de Deus em sua plenitude”). Em uma edição anterior do mesmo periódico, o Rev. Edwin B. Stube, vigário de Saint Lawrence, Sidney, Montana, e diretor da Sociedade da Bendita Trindade, afirma:

No Novo Testamento, o sinal normal ou evidência do batismo do Espírito Santo é o de  falar em outras línguas segundo o Espírito dá que se fale … Claramente se vê que a intenção de Deus é que todos os crentes recebam o batismo do Espírito Santo com o sinal que o Novo Testamento indica (a saber, o sinal de falar em línguas).

Jean Stone, uma diretora da Sociedade da Bendita Trindade, e editora da revista Trindade, disse isso acerca da glossolália em um editorial: “Cremos que quando um crente é batizado com o Espírito Santo, ele falará em novas línguas segundo o Espírito lhe concede que fale e que esta investidura de poder (significada pela nova língua) é uma investidura para o serviço”. Neste mesmo editorial a Senhora Stone cita uma declaração oficial feita pela junta de diretores da Sociedade da Bendita Trindade em sua reunião de março de 1963. O quarto parágrafo da declaração diz:

Cremos que quando um cristão recebe o batismo do Espírito Santo prometido por Jesus (Atos 1: 5, 8), o Espírito Santo confirma isso com uma capacidade sobrenatural de falar em uma língua desconhecida para quem fala[33] .

Os membros da junta de diretores que aparecem na edição da revista em que consta a declaração citada são os seguinte: Rev. Harald Bredesen, Rev. David J. du Plessis, Rev. Tod W. Ewald, Donald D. Stone, o Rev. Willian T. Sherwood, Jean Stone, o Rev. Edwin B. Stube[34] . Pareceria que uma declaração feita pelos diretores da Sociedade da Bendita Trindade aproxima-se muito do que alguém poderia esperar razoavelmente como pronunciamento oficial sobre os pontos de vista dos neopentecostais.

Portanto, concluirei que, com a possível exceção de alguns, a posição dominante do neopentecostalismo sobre a significação da glossolália é a mesma que a dos pentecostais: o falar em línguas é a evidência necessária de que alguém recebeu o batismo do Espírito Santo.

Há que se reconhecer que a maioria dos neopentecostais não propicia o falar em línguas nos serviços dominicais regulares de suas igrejas, mas preferem o exercício da glossolália em suas devoções privadas ou em pequenos grupos de oração. Também há que se admitir livremente que o falar em línguas entre os neopentecostais está muito menos carregado de emoções que nos cultos de muitas igrejas pentecostais, sejam dominicais ou durante a semana. No entanto, estas diferenças não afetam o ponto básico que agora está em discussão: a importância da glossolália como evidência do batismo do Espírito. Neste ponto, vê-se claramente que a maioria dos neopentecostais está de acordo com os pentecostais.

Capítulo 3 – Uma Avaliação Bíblica do Falar em Língua

Evidentemente, reconhecemos que há muito o que a igreja pode aprender do pentecostalismo e do neopentecostalismo. Ainda que este ponto será discutido de forma mais ampla no Capítulo 5, permita-me dizer aqui que na igreja atual há uma premente necessidade de um maior enchimento do Espírito Santo, de um maior fervor em nossa adoração e um maior calor em nosso testemunho. Todos os que nos chamamos cristãos queremos viver vidas mais cheias do Espírito Santo. Todos desejamos receber bem qualquer coisa que nos ajude a andar mais plenamente no Espírito.

No entanto, nossa maior preocupação como cristãos bíblicos deve ser permanecermos fiéis aos ensinamentos da Palavra de Deus. Não poderíamos iniciar-nos em certo tipo de experiência religiosa e logo a seguir ir reivindicando uma doutrina a partir dela. Nossas doutrinas devem estar baseadas não na experiência mas nos ensinamentos das Escrituras. Portanto, devemos sujeitar o pentecostalismo, tanto em sua nova forma como na antiga, à prova da Escritura. Por isso, neste capítulo tenho o propósito de apresentar uma avaliação bíblica dos ensinamentos dos pentecostais e neopentecostais sobre o falar em línguas[35] .

Antes, devemo-nos lembrar que nem todos os pentecostais e muito menos todos os neopentecostais sustentam a mesma posição sobre o falar em línguas que foi esboçada no Capítulo 2. No entanto, ao fazer a avaliação bíblica tomo por base a posição sobre o falar em línguas sustentada pela maioria dos pentecostais e neopentecostais e que com toda certeza pode-se ter como típica do movimento como um todo.

Ao conduzir esta avaliação bíblica, pela ordem, tomarei os diversos grupos de passagens bíblicas que são apresentadas pelos pentecostais em sua tentativa de encontrar um apoio bíblico à glossolália.

1. Passagens dos profetas apresentadas pelos pentecostais que segundo alegam apoiam o falar em línguas.

Aqui devemos considerar duas passagens freqüentemente citadas. Os pentecostais encontram uma predição do dom de línguas em Isaías 28:11, 12. Na versão Revista e Atualizada esta passagem diz:

Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o SENHOR a este povo, ao qual ele disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir.

Normalmente, ao citar esta passagem, os pentecostais deixam de lado a última frase, “mas não quiseram ouvir”. Logo começam a interpretar a passagem como se anunciasse a concessão do dom de línguas à igreja, aduzindo que, por meio deste dom, segundo o profeta, conceder-se-ía repouso ao povo de Deus[36] . No entanto, o que se esquece é que à luz do contexto, a passagem prediz claramente a vinda dos assírios contra o povo de Israel, como castigo pela sua desobediência. O versículo 12 refere-se às advertências proféticas prévias que haviam sido desprezadas; por isso o castigo agora está a caminho: “Ao qual ele disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado…; mas não quiseram ouvir.” Afirmar que o repouso de que aqui se fala é produto do falar em línguas, como afirmam nossos amigos pentecostais, é torcer o sentido do texto. O uso que Paulo faz desta passagem em I Coríntios 14:21, além disso, não apóia a interpretação pentecostal. Porque o argumento de Paulo não é que o falar línguas estranhas produz repouso, mas antes, como nos tempos do Antigo Testamento, assim é agora: esta forma de falar deixa as pessoas em sua incredulidade, em seus corações endurecidos: “não quiseram ouvir, diz o Senhor”.

Outra passagem profética apresentada pelos pentecostais encontra-se no segundo capítulo, de Joel. Na última parte deste capítulo ocorre a promessa do derramamento do Espírito sobre toda carne que Pedro citou no dia de Pentecostes. Desta parte do capítulo, os autores pentecostais dirigem-se ao versículo 23 para encontrar uma referência à chuva temporã e serôdia:

Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no SENHOR, vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva; fará descer, como outrora, a chuva temporã e a serôdia.

Este versículo se une a Tiago 5:7, 8 que diz assim:

Sede, pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência até receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. (Edição Revista e Corrigida)

Como a passagem de Tiago refere-se à segunda vinda do Senhor, supõe-se engenhosamente que a “chuva serôdia” refira-se a um acontecimento que deve preceder imediatamente à vinda de Cristo. A chuva deve-se relacionar de algum modo com o derramamento do Espírito pregado por Joel. Então a conclusão é obvia: – “a chuva temporã” ou a primeiras chuva tem que se referir ao dom de línguas do dia de Pentecostes e na igreja primitiva, enquanto “a chuva serôdia” tem que ser a designação do movimento de línguas destes últimos tempos[37] . Com freqüência ouve-se que os pentecostais referem-se ao avivamento pentecostal que começou em 1901 como o movimento de “chuva serôdia”. Uma implicação desta expressão, à luz das passagens de Joel e Tiago, é que o movimento pentecostal é um sinal da proximidade da vinda de Cristo e do fim do mundo. No entanto, esta interpretação da chuva temporã e da chuva serôdia carece de todo apoio bíblico, como revelará o mais elementar estudo destas passagens em seu contexto[38] .

2. Passagens apresentadas para demostrar que o falar em línguas tinha que permanecer na igreja.

Carl Brumback, em O que Quer Ser Isso?, refuta o argumento de que a glossolália era temporária e não tinha o propósito de seguir na igreja assinalando duas passagens que, segundo ele acha, ensinam que Deus queria que o dom de línguas continuasse. A primeira passagem é Marcos 16:17-18.

Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.

Aqui Jesus deixa muito claro – diz Brumback – que as línguas devem permanecer na igreja: “Estes sinais hão se acompanhar aqueles que crêem… falarão novas línguas”[39] .

No entanto, há dúvidas quanto à autenticidade desta passagem. A conclusão longa de Marcos, na qual aparece este versículo, é ausente nos dois unciais mais antigos, o Vaticano e o Sinaítico, ambos do Século IV depois de Cristo[40] . Ainda que a conclusão longa encontra-se numa quantidade de manuscritos posteriores deste Evangelho, outros manuscritos tem uma conclusão breve; pelo menos um original (Códice Régio, ou Manuscritos L) tem as duas conclusões, a longa e a curta. Também há evidências internas contra a autenticidade da conclusão longa: usam-se certas construções e frases que não se usam comumente em Marcos ou que não aparecem em todo o Evangelho de Marcos. À luz destes atos, parece altamente improvável que a conclusão longa de Marcos tenha sido parte do evangelho original. Em conseqüência, a maior parte dos comentaristas evangélicos consideram que a conclusão longa de Marcos não é genuína, incluindo notórios conservadores como Ned Stonehouse do Seminário Westminster. Portanto, não pode ser correta nem é cortês sugerir, como Brumback, que os que têm dúvidas sobre a autenticidade de Marcos 16:15-20 são como os modernistas que tiram da Bíblia quaisquer passagens que lhes desagradam[41] . Isso não é questão de gostar ou não gostar, mas simplesmente uma questão de evidência textual precedente dos manuscritos. (Veja-se nota marginal em Marcos 16:9 na Edição Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica do Brasil e nota de rodapé na Bíblia de Jerusalém – nota do tradutor) .

No entanto, suponhamos por um momento que Marcos 16:17-18 seja uma passagem com autoridade para nós (quem sabe aceitando-a como parte da Escritura ainda que estejamos de acordo que foi escrita por uma pessoa diferente de Marcos). Ainda assim teríamos dificuldades com esta passagem. Lembrem-se que a passagem não fala somente de novas línguas mas também de pegar em serpentes e beber alguma coisa mortífera, veneno mortal. Os pentecostais não se vêm muito desejosos de aconselhar a sua gente que comece a pegar serpentes ou a tomar veneno para provar que são crentes verdadeiros[42] . Então, como deixam de lado o pensamento de que os dois sinais que se nomeiam ao final e também seguem aos que crêem? Brumback sustenta que estes sinais milagrosas desapareceram da igreja por falta de fé do povo de Deus[43] . No entanto, o problema que há nesta explicação é que segundo Brumback os pentecostais agora têm a fé que a igreja não tinha nos séculos anteriores, e que por isso eles falam em línguas[44] . Mas então perguntamos, por que não pegam serpentes ou bebem venenos mortais? A única resposta que Brumback dá a esta pergunta é sugerir que na igreja primitiva o pegar em serpentes sem receber dano era feito “acidentalmente”, e que ser preservados de veneno mortal ocorre somente quando esse veneno tenha sido tomado inadvertidamente ou administrado por um inimigo[45] . No entanto, ao examinar o texto grego de Marcos 16:18, encontramos que ainda que a declaração acerca de beber veneno está em forma condicional (“se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum’” a declaração sobre pegar em serpentes não está na forma condicional, mas no futuro do indicativo: “pegarão em serpentes”, igual à declaração sobre as línguas: “falarão novas línguas”. Portanto, segundo o texto, estes sinais seguirão aos que crêem: falarão novas línguas e pegarão em serpentes. Se o falar em línguas deve ser tomado como um sinal que confirma os crentes na fé, porque não chegar à conclusão de que o pegar em serpentes também deve ter a mesma função de sinal? Há muita razão para aceitar um sinal do mesmo modo que o outro, uma vez que em ambos casos o verbo grego está no futuro do indicativo: lalésousimaraúsim. Se Marcos 16:17-18 é uma Escritura com autoridade, porque as igrejas pentecostais não tem cultos em que se pegam em serpentes?

Portanto, pelas razões esposadas, não creio que Marcos 16:17-18 prove que o dom de línguas está em vigência para a igreja de hoje.

Outra passagem apresentada por Brumback para demonstrar que a glossolália tinha que permanecer na igreja é I Coríntios l2:28[46] . Esta passagem diz assim:

E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Estou de acordo com Brumback que estas palavras são dirigidas não apenas à igreja de Corinto, mas à igreja de todos os tempos; a referência aos apóstolos prova Isso, porque certamente Deus não deu os apóstolos somente para a igreja de Corinto. Brumback vai mais adiante com seu argumento dizendo que uma vez que entre os dons de Deus se mencionam “os que tem dom de línguas”, o dom de línguas deve permanecer na igreja hoje[47] .

É isso que se prova nesta passagem? Não, de forma conclusiva. Porque o texto começa dizendo que Deus estabeleceu apóstolos na igreja. No entanto, os apóstolos já não estão conosco, como admite o próprio Brumback[48] . Podemos então estar certos de que todos os dons mencionados neste versículo permanecem na igreja de hoje? Além disso, há algumas expressões estranhas neste versículo. O quer dizer “milagres” (dunámeis)? Permanecem na igreja? Nossos irmãos pentecostais afirmam que o dom de cura (carísmatia iamáton) permanece na igreja. Mas, podemos estar certos disso? O que quer dizer “socorros” (antilépseis)? Podemos estar certos de que estes dons ainda existem? O que quer dizer por “governos” (kubernéseis)? Leon Morris assinala que falta a compreensão da natureza exata de alguns destes dons. Ele diz: “Podemos fazer… conjecturas… mas quando queremos reduzi-los a termos exatos, damo-nos conta que não sabemos nada acerca destes dons e as pessoas que os possuíam. Desvaneceram-se sem deixar vestígios”. Ora, eu não estou afirmando que posso provar com esta passagem que as línguas já não existem na igreja; apenas estou dizendo que os pentecostais não podem provar irrefutavelmente com este texto que os dons ai mencionados permanecem na igreja[49] .

3. Passagens apresentados para provar que há um batismo do Espírito distinto e posterior à regeneração, do qual o falar em línguas é a evidência física inicial

Aqui chegamos muito perto do coração mesmo do ensinamento pentecostal. Esta é a doutrina central que distingue as igrejas pentecostais dos demais grupos protestantes e que como temos visto, também é sustentada pela maioria dos neopentecostais. Devido o seu ensinamento sobre o batismo do Espírito Santo, há nas igrejas pentecostais uma enorme pressão para que os crentes busquem, recebam ou obtenham o batismo. Algumas vezes as pessoas agonizam durante anos com o desejo de receber este dom. Quando era estudante de seminário e vendia Bíblias em Louisiana, conversei uma vez com uma mulher que era membro de uma igreja pentecostal.

- E seu marido? – lhe perguntei.

- Ah! Ele está buscando – foi a resposta.

- Buscando? O que quer dizer?

- Está buscando o Espírito Santo.

- Quer dizer – insisti – que ele não é crente?

- Sim, é claro que é crente.

- Então não vai à igreja?

- Oh, sim, ele vai à igreja todos os domingos.

- Bom, então por que você diz que ele está buscando?

- Porque ainda não recebeu o batismo do Espírito Santo.

- Durante quanto tempo ele está buscando?

- Por uns dez anos.

É possível imaginar-se a tensão espiritual e psicológica que um ensinamento deste tipo pode produzir. Quando alguém não recebe o batismo do Espírito Santo de imediato, faz um maior esforço. Quando depois de várias tentativas não o recebe, esse alguém sente-se terrivelmente frustrado. Tenho lido de pessoas que tiveram problemas mentais porque não puderam “receber”. Os pentecostais ensinam que ainda que alguém possa até ser salvo sem o batismo do Espírito, quem não passa por essa experiência não tem uma inteira consagração nem todo o poder para o serviço; dai que sem o batismo do Espírito a vida cristã está incompleta e o seu ministério embaraçado.

Comumente estabelecem-se certas condições para obter o batismo do Espírito. O escritor Charles W. Conn, da Igreja de Deus, menciona as seguintes: separação do pecado, arrependimento e batismo, o ouvir com fé, obediência, desejo intenso, oração pelo dom. Ralph M. Riggs sugere as seguintes condições: (1) devemos ser salvos; (2) devemos obedecer – isto é, devemo-nos estar perfeitamente rendidos a Deus; 3) devemos pedir; (4) devemos crer[50] . Em relação a isso Riggs diz que é bom esperar ou ficar na presença do Senhor até receber esta bênção[51] . Por isso, os pentecostais com freqüência celebram reuniões de espera nas quais as pessoas ficam para receber o batismo do Espírito.

A questão básica que devemos enfrentar é de ordem exegética: ensina o Novo Testamento o que nossos irmãos pentecostais dizem que ensina? O batismo do Espírito é uma experiência distinta e posterior à regeneração – experiência pela qual todo o crente deverá passar, e cuja evidência inicial é o falar em línguas?

Vejamos em primeiro lugar o que ensina o Novo Testamento acerca de ser batizados com o Espírito Santo. Há quatro casos nos Evangelhos em que João Batista aparece dizendo que Jesus batizará com o Espírito Santo: Mateus 3:11; Marcos 1:8; Lucas 3:16; e João 1:33. As primeiras três são passagens paralelas; a passagem de Lucas (3:16) diz: “Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” A referência óbvia é ao derramamento do Espírito que viria no dia de Pentecostes. Em João 1: 33 diz: “Aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.” Aqui novamente a referência é ao derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Estas palavras de João Batista são citadas por Lucas em Atos 1:5 como que tivessem sido pronunciadas pelo Senhor Jesus: “Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo não muito depois destes dias”. Novamente a referência óbvia é ao derramamento do Espírito no dia de Pentecostes. No segundo capítulo de Atos, Lucas descreve este derramamento, e apresenta Pedro dizendo acerca de Cristo: “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isso que vedes e ouvis” (At. 2:33). O derramamento do Espírito em Pentecostes, então, é o batismo do Espírito que João Batista e Jesus haviam anunciado. Portanto, nas passagens até aqui citadas a expressão “ser batizados com o Espírito Santo” não se refere a uma experiência que cada crente individualmente deve ter algum tempo depois de sua regeneração, mas a um acontecimento histórico que ocorreu no dia de Pentecostes.

Tinha que repetir-se este batismo pentecostal com o Espírito? Há uma referência a uma repetição deste batismo em Atos 11: 16. Pedro está em Jerusalém, relatando aos irmãos da Judéia o que havia ocorrido na casa de Cornélio em Cesaréia poucos dias antes. Enquanto começou a falar a Cornélio, diz Pedro, o Espírito Santo caiu sobre Cornélio e sobre os que estavam com ele, como sobre nós ao princípio. E agora segue o versículo 16: “Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo”. Temos que reconhecer que esta é uma repetição do batismo do Espírito ocorrido em Pentecostes. Ao mesmo tempo, quando Cornélio e sua casa e amigos receberam o batismo, falaram em línguas e magnificaram a Deus (At. 10:46). Teremos que indagar mais acerca do significado deste batismo com o Espírito Santo antes de podermos determinar se é para esperar que todo crente passe por uma experiência semelhante nos dias de hoje. No entanto, cabe destacar que alguém não pode usar a história de Cornélio para provar que os crentes devem ter o batismo do Espírito após à regeneração, a qual se dá mediante a fé, uma vez que neste caso a fé e o batismo do Espírito Santo ocorreram simultaneamente.

Há outro lugar onde a palavra batizar está relacionada com o Espírito Santo: I Coríntios 12:13. A verdade que se discute no contexto é a da unidade da igreja. O capítulo trata dos dons espirituais, mas já no versículo 4, Paulo argumenta que, ainda que haja diversidade de dons, há um só Espírito que distribui estes dons. No versículo 12, Paulo usa a analogia do corpo humano: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo”. Agora segue o versículo 13:

Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

Alguns comentaristas (Calvino, Lenski, Grosheide no Novo Comentário Internacional de Eardmans) entendem que batismo aqui refere-se ao batismo literal com água; vários outros (Hodge, Barnes) pensam na regeneração que então é chamada figurativamente de batismo do Espírito. No entanto, todos estes autores concordam que a passagem não se refere a um batismo do Espírito específico, distinto e posterior à regeneração, mas descreve a unidade em Cristo que todos os crentes desfrutam em virtude da obra regeneradora do Espírito Santo. Os pentecostais estão de acordo em que a primeira parte desta passagem refere-se à experiência original de salvação dos crentes a quem se dirige[52] . No entanto, Riggs sustenta que a segunda frase do versículo, “e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”, refere-se ao batismo do Espírito Santo no sentido pentecostal; portanto, afirma que esta passagem fala de duas experiências: a salvação e o batismo do Espírito Santo[53] . No entanto, a segunda oração é, sem sombra de dúvidas, paralela à primeira, e ambas as orações enfatizam a unidade de todos os crentes, usando a palavra todos para indicar que a palavra aplica-se a todos os crentes. Se a segunda oração omitisse alguns crentes, a argumentação de Paulo seria prejudicada, haja vista que nem todos os crentes seriam membros de um corpo. Sugerir, como Riggs, que todos os membros da igreja de Corinto haviam tido o batismo do Espírito no sentido pentecostal[54] , vai de encontro com a designação que Paulo faz dos Coríntios como carnais e meninos em Cristo (3: l). Ademais, sobre a premissa de que este capitulo 12 aplica-se não apenas aos coríntios, mas a todos os cristãos[55] , o versículo então ensinaria que todos os cristãos regenerados também são batizados com o Espírito no sentido pentecostal, o qual os pentecostais negam. Portanto, devemos concluir que I Coríntios 12:13 usa a expressão “em um só Espírito todos somos batizados em um corpo” como uma descrição da regeneração de todos os crentes que é simbolizada pelo batismo com água, e não descreve uma “segunda obra de graça” ou “um segundo enchimento com o Espírito” ou “uma segunda bênção”, posterior e distinta da regeneração[56] .

Estes são os únicos lugares no Novo Testamento que falam de um batismo com o Espírito. No entanto, os pentecostais dizem que outras passagens falam deste batismo do Espírito com termos diferentes. Por exemplo, diz-se que a expressão “selados com o Espírito” descreve o batismo do Espírito Santo[57] . Diz-se que passagens tais como II Coríntios 1:22, Efésios 1:13 e Efésios 4:30 descrevem o batismo do Espírito[58] . Consideremos algumas destas passagens, e vejamos de que forma são vistas pelos pentecostais: Efésios 1: 13 diz assim

Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa.

Ralph M. Riggs sustenta que, nesta passagem, “selados com o Santo Espírito da promessa”, designa o batismo do Espírito Santo[59] . Ernest S. Willians, outro escritor das Assembléias de Deus, adota a mesma posição. Segundo a interpretação pentecostal, o batismo do Espírito é uma experiência posterior e distinta do novo nascimento, uma experiência em que alguém é completamente cheio com o Espírito Santo. Conforme a base da exegese pentecostal de Efésios 1: 13, Paulo está falando aqui de uma experiência, que nem todos, mas somente alguns crentes desfrutam, que é posterior à regeneração.

No entanto, este não pode ser o sentido que Paulo dá, uma vez que ele está falando claramente de uma bênção que vem a todos os crentes. Toda a doxologia dos versículos 3 a 14 oferece um louvor a Deus pelas bênçãos concedidas a todos os crentes. Paulo começa referindo-se a todos os que recebem sua carta, quando diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (v. 3). Segue louvando a Deus por estas bênçãos espirituais nos versículos seguintes. No versículo 13, muda da primeira para segunda pessoa: “Em quem também vós”, referindo-se agora a seus leitores, sem incluir ele mesmo – no entanto, não apenas a alguns deles, mas a todos eles. “depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”, é uma oração dirigida a todos os crentes. Dizer que a intenção aqui é dirigir-se a um grupo específico de crentes, distintos dos demais – pessoas que tiveram experiência da qual não teve a participação dos demais crentes – é fazer violência ao contexto.

O aludido “selo do Espírito” refere-se à possessão do Espírito como um “penhor” (v. 14) ou a  garantia da herança da vida eterna que temos recebido pela fé. O Espírito que agora habita sela em nós, e para nós, essa herança, dá-lhe valor, atribui-nos a segurança de recebê-la. Mas esta referendação não é uma bênção de que participam uns poucos crentes; é compartilhada por todos os que crêem verdadeiramente em Cristo. Para confirmação deste ponto, veja-se outro versículo desta epístola, 4:30: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Em versículos anteriores deste capítulo 4, Paulo dirigi-se a todos seus leitores; é permitido a nós agora supormos que o versículo 30 repentinamente venha limitar-se a um grupo seleto deles?[60]

Nossos irmãos pentecostais também sustentam que a expressão “cheios do Espírito” ou “cheios do Espírito Santo” descreve um batismo do Espírito que ocorre após a conversão[61] . Ora, é certo que a vinda do Espírito sobre os discípulos no dia de Pentecostes é descrita em Atos 2:4 com estas palavras: “Todos ficaram cheios do Espírito”. No entanto, diz-se do grupo dos crentes em Atos 4:31: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo”… Muitos dos que estavam aqui devem ter feito parte do grupo que recebeu o Espírito em Pentecostes. Se “cheios do Espírito Santo” quer dizer um batismo do Espírito posterior à conversão, Atos 4:31 não tem sentido; muitos destes discípulos já haviam recebido seu batismo do Espírito (como os pentecostais reconhecem)[62] , e não necessitavam recebê-lo novamente. Se a expressão “cheios do Espírito” significa um novo enchimento do Espírito, como eu creio, então a passagem nada diz acerca do ensinamento em discussão. Nessas palavras, Atos 4:31 permite deduzir o ensinamento de que os crentes necessitam ser cheios do Espírito repetidas vezes; mas não é justo deduzir desta passagem que depois que alguém se converte necessita ser batizado com o Espírito como uma espécie de segunda bênção.

Os pentecostais também evocam Efésios 5:18 como uma passagem que ordena aos crentes que busquem o batismo do Espírito: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”[63] . É certo que aqui ordena-se aos crentes que sejam cheios do Espírito – isso nenhum cristão o nega. Mas a questão é: este enchimento do Espírito é uma específica segunda bênção posterior à conversão? Um estudo cuidadoso de Efésios 5:18 revelará que nesta passagem Paulo não está falando de um batismo do Espírito que é uma segunda bênção. Em meio de uma série de exortações muito práticas ele diz: “Deixem de embriagar-vos com vinho, mas estejas continuamente cheios com o Espírito”. Ambos imperativos estão no presente. A proibição no presente (“Não vos embriagueis com vinho”) significa “deixai de fazer o que estás fazendo”; a exortação no tempo presente (“enchei-vos do Espírito”) significa “faça isso continuamente”, ou “segue fazendo isso”. Noutras palavras, o que Paulo está ordenando aqui é um estado contínuo de ser cheio com o Espírito, não uma experiência simples, de uma vez para sempre, de segunda bênção. Longe de sugerir que seus leitores não haviam recebido o Espírito, ele supõe que estão selados com o Espírito (1: 13), e agora lhes pede que estejam sempre cheios com aquele Espírito que lhes tem dado a nova vida em Cristo. Portanto, Efésios 5:18 não ensina que os crentes devem buscar um batismo com o Espírito Santo como uma experiência de segunda bênção assim de uma vez por todas[64] .

Portanto, o único exemplo claro no Novo Testamento de um batismo do Espírito posterior a Pentecostes é o caso de Cornélio. No entanto, devemos aceitar imediatamente que há outros dois casos em que lemos de um recebimento do Espírito Santo em uma espécie de experiência pública depois de Pentecostes: em Atos 8 – onde não se menciona especificamente o falar em línguas – e em Atos 19, em que se menciona o falar em línguas e o profetizar. Os pentecostais dizem que estes três casos, os samaritanos em Atos 8, Cornélio em Atos 10 e os crentes efésios em Atos 19, tomados conjuntamente com Atos 2, constituem uma clara evidência bíblica da necessidade de um batismo do Espírito posterior à conversão. Na realidade, o argumento pentecostal em favor do batismo do Espírito fica em pé ou cai com o material que Atos apresenta, porque Brumback admite que em “I Coríntios 12-14 não há o menor apoio à idéia de que o dom de línguas esteja associado, em algum sentido direto, com o enchimento do Espírito Santo…”[65] Assim, se não se pode provar com I Coríntios que a glossolália é a evidência física inicial do batismo do Espírito; então tem que prová-lo com o livro de Atos. Passemos em revista de forma mais detida as aludidas passagens de Atos.

No dia de Pentecostes, todos os discípulos “ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem”. (At. 2:4). Por que foi dado o dom de línguas aos 120 discípulos nesta ocasião? Podem ser dadas pelo menos duas razões: (1) sua capacidade de falar em línguas era um sinal de que verdadeiramente haviam recebido a prometida plenitude do Espírito – este sinal foi dado, a propósito, com outros dois sinais: “vento impetuoso” e as “línguas como de fogo que apareceram sobre cada um deles”; (2) sua capacidade de falar em línguas era para dar-lhes a segurança de que o Espírito Santo lhes daria a capacidade necessária para comunicar a verdade do evangelho a todo o mundo. Não estou sugerindo que os discípulos realmente usaram línguas para testificar aos estrangeiros, porque não temos evidências que assim o fizeram (ainda no dia de Pentecostes Pedro pregou, segundo parece, em aramaico, ou em linguagem comum da Palestina), mas estou dizendo que a glossolália serviu como um sinal alentador de que o Espírito lhes daria o poder para testificar a todas as nações do mundo.

Portanto, o que os 120 receberam no dia de Pentecostes foram três sinais milagrosos que lhes asseguravam que havia sido concretizada a promessa do derramamento do Espírito. O falar em línguas era apenas um desses sinais. Quando os pentecostais sustentam que a experiência dos discípulos em Pentecostes é o padrão para todos os crentes na atualidade[66] , por que pensam somente na glossolália e não no som do vento impetuoso e nas línguas de fogo?

Nesta ocasião, Pedro disse à multidão: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (At. 2:38). Os pentecostais dizem que o “dom do Espírito Santo” aqui descrito, significa o batismo do Espírito acompanhado das línguas[67] . Evidentemente, esta é uma interpretação possível. No entanto, não é provável por duas razões: (1) Ainda que lemos que muitas maravilhas e sinais eram realizados pelos apóstolos (v.43), não se diz que os 3.000 convertidos no dia de Pentecostes falaram em línguas; e (2) quando se interpreta assim, a passagem prova além daquilo que querem os pentecostais, uma vez que Pedro estaria sugerindo que o arrependimento, que faz com que alguém entre na posse da remissão de pecados, é suficiente para a recepção do batismo do Espírito – noutras palavras, que todos os crentes automaticamente recebem o batismo do Espírito Santo seguido pelas línguas. Eu prefiro crer, com Calvino, Lenski e Bruce, que “o dom do Espírito Santo” aqui significa quando o mesmo Espírito Santo infunde a bênção da salvação, sem nenhuma referência específica aos dons carismáticos tais como a glossolália. Quando assim se entende, Atos 2 não prova que todo crente deve receber um batismo do Espírito algum tempo depois de ter chegado à fé. Na realidade a exortação de Pedro à multidão sugere melhor que quando alguém se arrepende e crê recebe o Espírito Santo e não nalgum tempo depois.

O ponto em discussão tem relação com os demais incidentes de Atos que falam de receber o Espírito? Consideremos agora Atos 8:4-24. Felipe teria ido à cidade de Samaria proclamar a Cristo aos samaritanos – raça mista, parte judia e parte gentia. Os samaritanos se distanciaram da fé judaica, a religião deles era uma mescla de verdade e erro. Sendo como eram uma raça mista, e porquanto teriam até tentado obstaculizar a reconstrução do templo de Jerusalém e dos seus muros (Esd. 4:4,5), os judeus tinham razão para odiar os samaritanos e não tinham relacionamentos com eles (Jo. 4:9). Estes fatos fizeram com que o avivamento em Samaria fosse muito significativo.

Felipe não somente pregou, mas também realizou milagres: expulsou espíritos imundos e curou paralíticos. O resultado desta obra foi que muitos creram e foram batizados. Depois dois apóstolos, Pedro e João, foram enviados a Samaria. “Oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles,… Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo.” (At. 8:15-17). Note-se que esta recepção do Espírito foi realizada pela ação dos apóstolos.

A primeira vista esta passagem parece ser uma prova firme da posição pentecostal. Essas eram pessoas que, sendo crentes, aparentemente não haviam recebido o Espírito Santo. Quando os apóstolos lhes impuseram as mãos eles receberam o Espírito Santo. Então os pentecostais concluem que por esta razão, os crentes hoje devem receber o batismo do Espírito em uma experiência distinta e posterior à chegada à fé[68] .

O que aconteceu realmente em Samaria? Antes da vinda de Pedro e João, Felipe havia operado muitos milagres. Depois que os crentes samaritanos receberam o Espírito, Simão, o mago quis comprar o poder de outorgar o Espírito Santo. Ainda que não se nos diz explicitamente que os samaritanos falaram em línguas depois que os apóstolos lhes impuseram as mãos, é óbvio que tem que ter havido alguma evidência pública de que haviam recebido o Espírito. Portanto, podemos concordar com nossos irmãos pentecostais neste ponto de que os samaritanos provavelmente falaram em línguas, ainda que deve-se lembra que Lucas não diz que o fizeram. Também pode ser que os samaritanos revelaram a presença de outros dons carismáticos: quem sabe profecia, ou dons de cura. Este último dom havia sido exercido previamente por Felipe; ao exercê-lo posteriormente um número de samaritanos, isso poderia ter causado impressão a Simão, que antes havia estado assombrando com os poderes mágicos dos discípulos.

Mas agora surge a pergunta: Por que foram concedidos dons especiais do Espírito aos samaritanos? Uma resposta, e importante, seria dizer que aqui em Samaria o poder do evangelho derrotava desse modo o poder oculto das artes mágicas. Isso seria importante devido à situação local. Mas, uma razão ainda mais importante seria esta: assim a igreja samaritana ficava em um plano de completa igualdade com a de Jerusalém, já que os samaritanos haviam recebido igualmente os dons especiais do Espírito. Assim os judeus cristãos, que tinham a tendência de olhar em menos os samaritanos, poderiam estar seguros de que os samaritanos tinham iguais direitos na igreja que eles. Por isso, poderíamos dizer que o ocorrido em Samaria foi uma espécie de extensão de Pentecostes, necessária porque a igreja agora se expandia para um território que antes era hostil. Dado o preconceito judaico contra os samaritanos, alguém poderia imaginar que se necessitava de uma tremenda demonstração do poder do Espírito para convencer os mais duros dos judeus cristãos de que era correto levar o evangelho aos samaritanos.

Esta passagem prova que todo crente deve receber o batismo do Espírito após a sua conversão? Como veremos um pouco mais adiante, no livro dos Atos há muitos casos em que estes dons especiais do Espírito não foram concedidos depois que se chegaram à fé. Portanto, obviamente, o ocorrido em Samaria foi algo excepcional. Assim, não temos direito de concluir que todo crente deve receber os dons especiais do Espírito comparáveis aos outorgados em Samaria.

Passemos agora a Atos 10:44-46, a passagem que descreve a descida do Espírito sobre Cornélio e os que estavam com ele. Enquanto Pedro estava falando na casa de Cornélio, assim diz a passagem, o Espírito caiu sobre todos os que ouviam o discurso; e os judeus que estavam com Pedro (mais adiante se diz que eram seis) ficaram assombrados, porque ouviram estes gentios falando em línguas e magnificando a Deus. No capítulo 11: 15-17 encontramos Pedro relatando estes acontecimentos diante dos irmãos de Jerusalém; lembre-se que aqui ele descreve o ocorrido como um batismo do Espírito Santo. Pedro também estabelece uma semelhança com o ocorrido no dia de Pentecostes: “Pois, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus?” (vs. 17). Noutras palavras, Pedro aduz a especial concessão do Espírito sobre Cornélio e seu grupo como uma evidência inquestionável de que Deus estava aceitando os gentios em sua aliança.

Esta passagem apoia a posição pentecostal de que todo crente deve ter um batismo do Espírito posterior à conversão?[69] Não. Já temos notado que no caso de Cornélio a concessão do Espírito foi simultânea com a chegada deles à fé. Ademais, deveríamos observar que outra vez a concessão a Cornélio e seu grupo de certos dons especiais do Espírito (falaram em línguas e magnificaram a Deus) serviu a um propósito único. Durante séculos os judeus não haviam levado a verdade salvadora de Deus aos gentios, salvo casos muito raros. Pedro mesmo tinha tantas objeções que lhe impediam ir à casa de Cornélio que teve de receber uma visão especial e ouvir uma voz especial do céu que o convencera de que deveria ir. Necessitava-se uma poderosa demonstração do poder do Espírito para convencer os judeus cristãos ultraconservadores de Jerusalém de que agora os gentios tinham igual oportunidade que os judeus de receber o evangelho. A barreira entre judeus e gentios era ainda maior que a que havia entre judeus e samaritanos.

Assim agora podemos ver a razão para a concessão de dons especiais a Cornélio e sua família. Era uma clara demonstração de que os gentios poderiam ser salvos e que os judeus cristãos não tinham que hesitar em receber os gentios convertidos em sua comunhão. Portanto, o ocorrido em Cesaréia foi outra extensão de Pentecostes, desta vez no círculo dos gentios. Esta foi uma extensão ou repetição de Pentecostes, o que fica completamente fora de dúvidas em Atos 11: 15, onde Lucas escreve que Pedro disse: “Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio.”, e no versículo 17 Pedro segue dizendo: “Se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós.” A recepção de dons carismáticos do Espírito colocava estes gentios em igualdade com os cristãos samaritanos e com os cristãos judeus. Mas não se diz que todos os que vieram à fé naqueles dias receberam estes dons carismáticos, como veremos mais adiante. Em conseqüência, o fato de que Cornélio e sua casa receberam o poder de falar em línguas de nenhum modo prova que cada crente deve receber este dom.

Passemos agora para Atos 19:1-4, a passagem mais desconcertante de todas as de Atos relacionadas com a glossolália. Quando Paulo chegou a Éfeso em sua terceira viagem missionária, encontrou ali certos discípulos, uns doze no total. A pergunta que lhes fez por vezes é citada deste modo[70] : “Recebestes o Espírito Santo depois que crestes?” (v. 2. Versão Espanhola Reina-Valera, 1909). Quando a pergunta é lida dessa maneira parece apoiar a posição pentecostal de que alguém deve receber o Espírito Santo algum tempo depois de ter-se tornado crente. No entanto, poder-se-ia perguntar com justa razão se temos de preferir aqui essa versão citada. O grego diz: ho pneúma hágiom elábete pisteúsantes. Temos aqui um verbo definido no tempo aoristo (elábete), seguido por um particípio aoristo (pisteúsantes). Por conseqüência, reconhecemos que o tempo do particípio no grego não dá idéia de tempo, e que um particípio aoristo, portanto, pode expressar um tempo contemporâneo com o verbo principal ou anterior ao do verbo principal. A determinação do tempo do particípio depende do contexto.

Portanto, em tese, a tradução da versão espanhola Reina-Valera-1909[71] até seria possível. No entanto, a pergunta é se o contexto exige tal tradução. Realmente, aqui o contexto não é decisivo, uma vez que os discípulos não haviam recebido o Espírito Santo no tempo em que a pergunta foi formulada. Os intérpretes da passagem geralmente supõem que receber o Espírito Santo refere-se especificamente à recepção especial de manifestações carismáticas do Espírito, tais como o falar em línguas. Se solucionarmos a questão considerando os precedentes, não podemos tampouco receber uma resposta decisiva, uma vez que em Samaria os dons carismáticos foram concedidos depois do primeiro exercício da fé, enquanto em Cesaréia estes dons foram outorgados simultaneamente com a fé.

Se houvesse a intenção de fazer questão da anterioridade da fé para a recepção do Espírito, Lucas poderia ter feito outra construção para a oração para deixar bem claro isso. A tradução mais natural da pergunta do versículo 2 é esta: “Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?” (conforme se encontra nas versão mais modernas da Escrituras, a ARA de Almeida, por exemplo; literalmente, poderia assim traduzir “recebestes o Espírito Santo crendo? – Nota do Tradutor). Ainda que a interpretação de toda a passagem não depende da tradução deste versículo, e ainda que se admita que aquela outra tradução seja possível, creio que devemos preferir aqui a tradução da Edição Revista e Atualizada de Almeida da SBB: “Recebestes o Espírito Santo quando crestes?”

A resposta dos doze discípulos é reveladora: ‘Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo”. O texto grego diz literalmente: “Nem sequer temos ouvido que há o Espírito Santo”. No entanto, temos uma construção similar em João 7:39, aonde o melhor texto grego diz: “Pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”; aqui a generalidade dos tradutores tem dado este sentido ao versículo: “Pois ainda não havia ainda o Espírito”(BJ). Ora, o que significa a resposta deles é esta: estes crentes efésios ainda não haviam ouvido do derramamento do Espírito – noutras palavras, eram ignorantes no que dizia respeito ao ocorrido em Pentecostes.

Logo, Paulo descobriu que haviam sido batizados no batismo de João. Seria possível que eles tivessem sido batizados por Apolo, que havia chegado a Éfeso antes da chegada de Paulo, e que conhecia somente o batismo de João (At. 18:25). O batismo de João era um batismo pré-pentecostal. Agora Paulo explicou a estes crentes uma vez que Cristo havia vindo, cumprido sua missão na terra, ressuscitado de entre os mortos e derramado o Espírito Santo sobre a igreja, este batismo anunciatório era inadequado. Consequentemente, Paulo agora os batizou no nome do Senhor Jesus – este não foi realmente um rebatismo, mas seu primeiro batismo cristão, necessário porque eles haviam sido batizados somente no batismo de João. Depois que os batizou, Paulo lhes impôs as mãos, “veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.” (At. 19:6).

Assim, por que estes doze discípulos em Éfeso receberam o dom de línguas e o dom de profecia, dois dons especiais do Espírito Santo? Porque eles nem sequer haviam ouvido do derramamento do Espírito Santo, e portanto deviam ser convencidos sem que ficasse a menor dúvida de que este grande fato redentor havia certamente ocorrido. Ainda que Paulo provavelmente lhes falara do Pentecostes, descrevendo-lhes os sinais especiais concedidos aos discípulos naquele dia, o caminho mais seguro de convencer a estes efésios de que o Pentecostes havia ocorrido era dar-lhes dois dos dons especiais do Espírito que haviam sido outorgados aos discípulos naquele dia: glossolália e profecia. Noutras palavras, esta foi uma espécie de prolongação de Pentecostes a Éfeso, necessária devido a que um grupo proeminente de crentes ali (Bruce os chama de o núcleo da igreja dos efésios) tinha uma compreensão inadequada do cristianismo. Enquanto a glossolália em Samaria e em Cesaréia havia ocorrido por causa da igreja toda, a glossolália em Éfeso ocorreu primariamente por causa destes crentes efésios, e por amor à igreja de Éfeso da que eles eram o núcleo. Lembre-se que foi em Éfeso que Áquila e Priscila tiveram que expor mais exatamente o caminho de Deus, e que Apolo havia sido muito influente nesta cidade, Noutras palavras, pode ter havido outros em Éfeso que apenas haviam sido batizados com o batismo de João, e que portanto, também necessitavam da prova incontestável de que o Espírito Santo verdadeiramente havia sido derramado no dia de Pentecostes.

Voltando à nossa pergunta principal, o incidente ocorrido em Éfeso prova que todo crente após a sua conversão deve receber o batismo do Espírito Santo evidenciado pelas línguas? Não. Por duas razões: (1) A fé que estes crentes efésios tinham quando Paulo foi a eles não era uma fé cristã em todo o sentido, mas uma fé incompleta. (2) Haviam circunstâncias especiais que fizeram com que a concessão da glossolália a esses discípulos fosse necessária; dai que não  vermos justificativas para a conclusão de que a recepção do dom de línguas constitui um padrão normativo para todos os crentes.

Cumpre-me, a vista destes argumentos, fazer três observações acerca da concessão de dons especiais do Espírito aos grupos já descritos:

(1) Em cada um dos quatro casos mencionados (Pentecostes, Samaria, Cesaréia e Éfeso), o dom especial do Espírito, incluindo o falar em línguas (supondo que houve línguas entre os samaritanos), foram outorgados a grupos inteiros. Em nenhum destes casos encontramos, o que é comum entre as igrejas pentecostais, a saber, alguns na congregação recebem o batismo do Espírito, e portanto experimentam a glossolália, enquanto outros não passam por tal experiência.

(2) Nos últimos três casos que acabamos de examinar, os dons especiais do Espírito (incluindo a capacidade particular de falar em línguas) foram outorgados a pessoas que não os pediram. Foi assim em Samaria (os apóstolos oraram pedindo que os samaritanos recebessem o Espírito Santo, mas não diz que os samaritanos o pediram), em Cesaréia (aonde a vinda do Espírito sobre a casa de Cornélio foi tão surpreendente para Cornélio como para Pedro), e em Éfeso (aonde Paulo impôs as mãos aos crentes efésios, mas não diz que os efésios mesmos pediram um derramamento especial do Espírito sobre eles). Quando os pentecostais sugerem que o batismo do Espírito Santo, que deve ser seguido pela glossolália, é algo pelo qual o crente tem que lutar com Deus por meio de uma agonia em oração, estão estabelecendo um requisito que não existiu no caso dos samaritanos, nem no da casa de Cornélio ou muito menos no dos discípulos em Éfeso.

(3) Ainda que seja certo que os discípulos permaneceram em Jerusalém enquanto esperavam o derramamento do Espírito Santo, uma vez que essa era a ordem de Jesus (Lc. 24:49), não encontramos uma passagem sequer que nos diga que os outros três grupos estiveram comprometidos com uma espécie similar de “espera do Espírito Santo”. Os convertidos samaritanos não estavam fazendo tal coisa antes da chegada de Pedro e João, e tampouco era essa a situação dos discípulos em Éfeso antes da chegada de Paulo. Cornélio, ainda que esperava que Pedro viesse, porquanto havia sido instruído mediante uma visão que dizia que deveria buscar a Pedro (10:5). Apesar disso, ele não estava esperando de forma particular o batismo do Espírito Santo, mas esperava que a mensagem do evangelho lhe fora levado por Pedro. Portanto, quando os pentecostais pedem que se participem em reuniões de “espera” – reuniões que com freqüência duram até muito tarde da noite e nas quais se esperam receber o batismo do Espírito Santo – apelando à Lucas 24:49 como apoio bíblico[72] , estão fazendo uma aplicação imprópria desta passagem. O texto diz: “eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder”. Jesus deu aos seus discípulos estas instruções em relação a um acontecimento histórico específico que estava por ocorrer: o derramamento do Espírito Santo. Converter as ”reuniões de espera” em uma parte regular do programa da igreja é reduzir a uma prática normativa algo que foi ordenado em um momento específico da história como uma preparação para um acontecimento único.

Antes de deixar este material de Atos,

Capítulo 4 – Uma Avaliação Teológica do Falar em Línguas

Temos considerado certas passagens bíblicas acerca das quais os pentecostais baseiam a afirmação de que cada crente deverá buscar o batismo do Espírito Santo que inicialmente é evidenciado pela glossolália, e temos encontrado que a evidência bíblica que apelam não apoia o seu ensinamento. Agora, consideraremos a glossolália à luz dos ensinamentos de toda a Bíblia, e à luz da herança teológica do cristianismo histórico. Noutras palavras, assim como fizemos uma avaliação bíblica da glossolália, agora avaliaremos o movimento das línguas de um ponto de vista teológico. Farei esta análise por meio de uma série de afirmações que sintetizam juízos teológicos.

1. Não pode ser demonstrado conclusivamente que os dons milagrosos do Espírito, que incluem a glossolália, continuam na igreja.

Quando alguém examina a lista de dons espirituais que se encontra em I Coríntios 12:8-10 e 28, fica inteiramente claro que alguns destes dons eram de natureza milagrosa. Indubitavelmente, os “dons de curar” (carísmata lamátom, v. 9) e o de “operações de milagres” ou o “poder de fazer milagres” (BJ; no Gr. energémata dunámeom, v. 10) ficam dentro desta categoria e provavelmente vários outros. Na realidade, muitos escritores (como John Owen e Charles Hodge) afirmam que toda a lista de dons espirituais que se encontra em I Coríntios 12:8-10 consiste de dons sobrenaturais ou milagrosos. Uma distinção que freqüentemente se faz dentro da categoria dos dons espirituais é o de dons ordinários e extraordinários do Espírito. Quando consideramos a lista de dons dada em Romanos 12:6-8, por exemplo, ficamos com a impressão de que Paulo ali está enumerando os dons ordinários do Espírito, dons que não necessariamente incluem o elemento sobrenatural ou milagroso: profecia, ministério, ensinamento, exortação, contribuição, presidência e o exercício da misericórdia[73] . É também significativo que noutra lista dos ofícios dados por Cristo à sua igreja, a de Efésios 4: 11, não são mencionadas as curas, milagres, línguas ou interpretação de línguas.

Pentecostais e não pentecostais reconhecem que o dom de línguas (assim como seu companheiro dom de interpretação de línguas) era um dom sobrenatural e extraordinário. e desde logo, isso imediatamente suscita a pergunta: Permanecem na igreja estes dons extraordinários do Espírito depois do período apostólico? John Owen, cujo “Discurso sobre os Dons Espirituais”, em sua obra monumental Sobre o Espírito Santo, é o tratamento mais completo que se pode encontrar sobre o tema, expressa a opinião da maioria dos teólogos conservadores quando diz:

Tampouco temos testemunhos indubitáveis de que algum dos dons que eram verdadeiramente milagrosos, e que estavam acima das faculdades do homem, tenha sido comunicado a alguém depois da expiração do tempo da geração dos que conviveram com Cristo na carne, ou de quem receberam o Espírito Santo por seu ministério (On the Holy Spirit, pp. 474-475).

Em uma página posterior ele afirma que estes dons milagrosos foram necessários para permitir que o evangelho fosse ouvido, quando foi proclamado pela primeira vez, uma vez que os preconceitos dos homens apenas podiam ser vencidos por esta demonstração de poder milagroso.

Também podemos destacar a posição de Benjamim B. Warfield acerca dos dons milagrosos do Espírito ou carísmata, como com freqüência são chamados. Sustenta que estes dons especiais do Espírito foram dados para identificar os apóstolos como mensageiros de Deus. Os apóstolos não apenas tinham estes dons, tinham também autoridade para outorgá-los a algumas pessoas. Warfield continua dizendo que não há um caso registrado de que estes dons foram outorgados a alguém pela imposição de mãos de outra pessoa que não fora apóstolo[74] . Em conseqüência, Warfield chega à conclusão de que estes dons terminaram na igreja depois da morte dos apóstolos:

Eles (estes dons milagrosos) eram parte das credenciais dos apóstolos como agentes autorizados por Deus na fundação da igreja. Sua função deste modo os confinava à igreja distintivamente apostólica, e necessariamente deixaram de existir com ela (Warfield, Miracles Yesterday ande Today –Milagres, Ontem e Hoje, p. 21).

Agora, como respondem nossos amigos pentecostais a estas objeções contra a continuação das línguas? Já foi considerada a evocação deles a Marcos 16:17-18 e I Coríntios 12:28 para apoiar a posição de que o dom de línguas tinha o propósito de permanecer na igreja, e como foi visto,  estas passagens não nos impulsam a aceitar essa conclusão. Nesse sentido que Brumback  afirma que não temos uma declaração conclusiva do Senhor de sua intenção de fazer que as línguas e outros poderes cessassem pouco depois do estabelecimento da igreja[75] . Isso é certo. Mas, é uma prova convincente? No sermão do monte, Jesus deu instruções acerca da forma adequada de levar ofertas ao altar – referência óbvia ao modo judaico de adoração. Em nenhuma parte lemos especificamente que ele aboliu o altar judeu e seus sacrifícios, no entanto, estamos seguros de que este modo de culto já não é requerido em nosso tempo. Ademais, em I Coríntios 12:28, aonde se menciona o dom de línguas, Paulo afirma que Deus estabeleceu apóstolos na igreja. No entanto, nossos amigos pentecostais estão de acordo em que esta passagem não nos obriga a afirmar que deve haver homens na igreja de hoje que tenham o oficio de apóstolo. Então, como podem estar seguros de que quando Paulo fala aqui de diversos gêneros de línguas temos que ter a certeza de que ainda há pessoas na igreja atual que possuem este dom especial do Espírito?

Eu creio que há algumas considerações de grande peso para sustentar que os dons especiais do Espírito, como o dom de línguas, já não operam na igreja de hoje. Vejamos algumas destas considerações[76] .

A. Certas passagens da Escritura associam especificamente os dons milagrosos do Espírito com a obra dos apóstolos. A primeira destas a que dirigimos nossa atenção é Atos 14:3: “Entretanto, demoraram-se ali muito tempo, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios”. Estas palavras descrevem as atividades de Paulo e Barnabé em Icônio durante a primeira viajem missionária de Paulo. Note-se que estes sinais e maravilhas foram concedidas por Deus a estes apóstolos[77] com a finalidade de confirmar a mensagem do evangelho de que eram portadores. No grego o particípio dativo didonti (dando) segue ao particípio dativo marturounti (testificando) com o propósito de dar explicação. Noutras palavras, o sentido da oração é que Deus deu testemunho às palavras de sua graça concedendo sinais e prodígios por meio das mãos dos apóstolos. As maravilhas que os apóstolos fizeram eram um testemunho de Deus de que eram verdadeiramente mensageiros de Deus.

Como temos visto, a igreja de Corinto estava ricamente dotada de dons especiais do Espírito. É altamente significativo notar que Paulo em sua segunda carta aos Coríntios, provavelmente escrita pouco depois da primeira, diga: “Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos” (2 Co. 12:12). No contexto Paulo está defendendo seu apostolado. Para provar que verdadeiramente era um apóstolo, Paulo aqui lembra aos seus leitores os sinais, prodígios e milagres que foram feitos por meio dele, reivindicando para estas manifestações do poder do Espírito “credenciais do  apóstolado”. Não sugere enfaticamente esta passagem que os dons especiais do Espírito não eram para que permanecessem na igreja, mas que se consisitiam nas credenciais dos apóstolos, como Warfield afirma?

Encontramos outra referência à importância como credencial dos dons especiais em Romanos 15:15-19

Entretanto, vos escrevi em parte mais ousadamente, como para vos trazer isto de novo à memória, por causa da graça que me foi outorgada por Deus, para que eu seja ministro de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar o evangelho de Deus, de modo que a oferta deles seja aceitável, uma vez santificada pelo Espírito Santo. Tenho, pois, motivo de gloriar-me em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus. Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo.

Paulo aqui recorda aos irmãos de Roma que foi pela graça de Deus que foi feito ministro de Cristo aos gentios, e que portanto, gloria-se em Cristo Jesus mais do que em si mesmo. Segue recordando a seus leitores as coisas que Cristo operou por seu intermédio para conduzir os gentios à obediência “por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo”. É claro que os sinais e maravilhas que se concederam que Paulo fizesse eram meios pelos quais Cristo lhe deu poder para conduzir os gentios à obediência, e assim foram inseparavelmente conectados ao seu ministério de apóstolo aos gentios.

Hebreus 2:3, 4 lança uma luz muito clara sobre a questão do propósito dos dons especiais do Espírito:

Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.

Segundo esta passagem, a palavra de salvação foi anunciada inicialmente pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Logo foi confirmada ao escritor e aos leitores desta epístola pelos que ouviram o Senhor. Os “que a ouviram” pode-se referir aos apóstolos ou a um círculo mais amplo que os apóstolos; a referência a sinais e prodígios no versículo seguinte, no entanto, faz que seja muito provável uma referência limitada aos apóstolos. O tempo do particípio no versículo 4 que se traduz “testificando” é presente, indicando que o testemunho que se apresenta era contínuo. Agora, como Deus deu testemunho com os apóstolos acerca da autenticidade da mensagem do evangelho? Por meio de “sinais e prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo” (v. 4). A palavra distribuições, literalmente, significa repartimentos (merismois); é claro que se refere aos diversos dons do Espírito como os descritos em I Coríntios 12, e sem dúvida  inclui a glossolália. Então a função de todos estes dons especiais ou carísmatas do Espírito é descrita aqui como de confirmação: Deus continuamente dava testemunho por meio destes dons, e portanto, confirmava a mensagem de salvação à segunda geração de leitores da Epístola aos Hebreus.

Das passagens que já temos discutido, aprendemos que o propósito e função dos dons milagrosos especiais do Espírito era confirmar os apóstolos como verdadeiros mensageiros de Deus, e deste modo confirmar o evangelho da salvação. Sendo este o caso, podemos entender por que estes sinais milagrosos tinham que ser tão importantes como evidência no tempo apostólico. Mas, sendo este o caso, também podemos entender por que estes sinais milagrosos deviam desaparecer quando os apóstolos desapareceram do cenário. Se os sinais milagrosos tinham o propósito de acreditar os apóstolos, já não eram necessários depois que os apóstolos cumpriram sua tarefa.

No entanto, os nossos amigos pentecostais apressam em dizer: estes dons milagrosos especiais do Espírito ainda são necessários para os fins de evangelização.

…A igreja, em seu estudo dos métodos de evangelização da igreja primitiva, tem passado por alto uma parte vital, isto é, a confirmação divina da mensagem com sinais milagrosos. O fato da igreja desde os dias apostólicos não buscar e receber tal confirmação tem sido um fator de importância em sua lentidão no cumprimento da Grande Comissão[78] .

Aqui argumenta-se que se uma igreja pode manifestar fenômenos milagrosos, tais como a glossolália, chamará muito mais atenção e será muito mais abençoada em seu programa evangelístico e missionário do que quando faltam estes fenômenos. No entanto, a resposta a esta pretensão é precisamente esta: a igreja atual já não necessita deste tipo de confirmação de sua mensagem. Nos dias dos apóstolos era necessário que a mensagem fosse confirmada por sinais milagrosos. Mas atualmente temos a Bíblia completa, incluindo todo o Novo Testamento. Sustentar que a igreja ainda necessite dos sinais milagrosos para confirmar a mensagem do evangelho é, parece-me, desconhecer o caráter completo das Escrituras. As palavras de Abraão ao rico na parábola podem ser lembradas aqui: “Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão (os irmãos do rico) persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc. 16:31).

B. A forma como Paulo trata a glossolália em I Coríntios 12-14 sugere que este dom já não se necessita urgentemente na igreja. Como temos visto, Paulo conclusivamente rebaixa o dom de línguas nestes capítulos. A ênfase principal de sua discussão é que o dom de profecia deve ser buscado com maior fervor que o dom de línguas. Deixa bem claro que nos cultos públicos da igreja deve-se preferir a profecia ao invés do dom de línguas. Ainda que permite um uso restringido da glossolália no culto, todavia esse falar em línguas deve ter interpretação. Uma pessoa que estude com cuidado esta carta logo compreenderá, pelas declarações de Paulo, que a congregação seria mais edificada se qualquer mensagem fosse dada por meio de profecia do que se fosse veiculada por meio de línguas, e que portanto ficaria muito melhor sem a prática de falar em línguas e logo a interpretação seria simplesmente eliminada.

No diz respeito a testificar a pessoas de fora da igreja, Paulo diz que as línguas são um sinal, não para os que crêem, mas para os que não crêem. Assim a glossolália tem algum valor ao testemunhar a autenticidade da mensagem do evangelho ante os incrédulos. Mas ainda com o propósito de testificar aos incrédulos, Paulo segue dizendo nestes capítulos que a profecia é superior às línguas. Porque é muito mais provável que um incrédulo seja levado à fé por meio da profecia do que por meio das línguas (14:24,25).

Não estou sustentando que Deus não poderia haver continuado com o dom da glossolália na igreja, se essa fosse a sua vontade. Apenas estou dizendo que o valor muito limitado que Paulo atribui a este dom em I Coríntios 12-14 sugere que parecia haver escassas razões para que este dom continuasse.

C. O fato de não haver referências à glossolália nas demais epístolas do Novo Testamento à parte de I Coríntios também sugere fortemente que este dom não foi dado com o propósito de que permanecesse na igreja. Se Deus tivesse a intenção de conservar a glossolália na igreja, particularmente se este dom fosse servir de canal condutor de ricas bênçãos à igreja, seria de esperar que houvesse referências a respeito noutras epístolas do Novo Testamento além da de I Coríntios. mas não encontramos tais referências. Ainda que em I Coríntios Paulo discute a glossolália, como vimos, ele não volta a referir-se a ela em outra epístola sua. Pelo livro de Atos sabemos que todos os apóstolos falaram em línguas no dia de Pentecostes. No entanto, não encontramos referência alguma à glossolália nas epístolas escritas por Pedro, Tiago, João, Judas e o autor de Hebreus. Ainda que há muitas referências nessas epístolas à obra do Espírito, o testemunho do Espírito e o fruto do Espírito, não há referências à glossolália.

Ademais, é altamente significativo que a habilidade de falar em línguas não se menciona entre os requisitos de diáconos e anciãos ou bispos em I Timóteo 3:1-13 e Tito 1:5-9. Certamente, se o dom de línguas tinha que ficar na igreja, alguém esperaria encontrá-lo entre os requisitos de quem iria ocupar os ofícios na igreja. O fato de que as epístolas pastorais que acabamos de mencionar foram escritas muito depois de I Coríntios, sugere que já por este tempo a glossolália poderia ter desaparecido da igreja.

D. A ausência quase total da glossolália na história da igreja do ano 100 até 1900 d.C. é muito dificilmente compatível com a pretensão de que Deus queria que o dom de línguas permanecesse na igreja. Já vimos outrora que há muito poucos relatos de glossolália na história da igreja daqueles anos. Alguns relatos que temos são de duvidosa autenticidade; outros tem a ver com grupos que eram definitivamente heréticos como os montanistas. Ainda quando todos os casos de glossolália atribuídos a este período pudessem ser verdadeiros, os grupos que praticaram a glossolália ainda seriam poucos e muito esparsos no do tempo de uns e de outros. Simplesmente, não se pode negar que, falando em geral, a glossolália era virtualmente desconhecida nos grupos mais representativos do cristianismo até aproximadamente 1900.

Compreendo que o argumento da história não é completamente convincente. Desde logo, é concebível que Deus, por razões que ele bem conhece, decidiu privar à igreja da glossolália durante dezoito séculos e então, no princípio do Século XX, haja restaurado novamente este dom à igreja. Mas quando os pentecostais sustentam que uma igreja que não tem manifestações de línguas carece de uma das mais ricas fontes de bênçãos previstas por Deus para seu povo[79] , nos sentimos confundidos pelo imenso abismo que existe na história da glossolália. Se o falar em línguas é uma bênção tão grande como nossos irmãos pentecostais sustentam, porque esteve virtualmente ausente da igreja entre os anos 100 e 1900? Empobreceu Deus deliberadamente a seu povo?

As considerações apresentadas sugerem fortemente que os dons milagrosos do Espírito, tais como a glossolália, já não existem na igreja de hoje. Podem nossos amigos pentecostais provar de forma conclusiva, pelas Escrituras e pela história da igreja, que estes dons milagrosos ainda estão conosco?

2. A doutrina distintiva das denominações pentecostais que é básica em seus ensinamentos sobre a glossolália, a saber, que todo crente deve buscar um batismo do Espírito Santo posterior à conversão, não tem base nas Escrituras.

Já temos visto que as passagens do livro de Atos as quais os pentecostais comumente apelam não apoiam esta doutrina. Recebe esta doutrina apoio de outras passagens das Escrituras? Pelo contrário, o ensinamento de que uma pessoa regenerada ainda tem que passar por um batismo do Espírito em virtude do qual recebe a plenitude do Espírito está baseada em uma má compreensão da obra do Espírito. Quando o Espírito nos regenera, entra em nossas vidas, não como um poder mas como uma pessoa. Paulo expressa este pensamento de forma muito clara em Romanos 8:9: “Vós (o regenerado, o crente), porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós”. Paulo agrega na oração seguinte: “E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Noutras palavras, se alguém pertence a Cristo, tem o Espírito de Cristo, e se tem o Espírito de Cristo, o Espírito está habitando nele. Agora, que mais pode fazer o Espírito do que habitar nele? Por que haveria de ser necessário que o Espírito seja outorgado sobre a pessoa numa “segunda bênção” ou “segunda obra de graça” ou “batismo do Espírito” quando o Espírito já está morando dentro do crente? O mesmo ensina I Coríntios 3:16: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós??”

Na realidade, em nenhum lugar do Novo Testamento encontramos os crentes pedindo tal batismo do ou no Espírito Santo, e em nenhum lugar encontramos os apóstolos dando mandamento aos discípulos no sentido de buscar o dito batismo. Mas sim encontramos Paulo dizendo aos Gálatas: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Ga. 5:25). A implicação é clara: nascemos de novo, temos o Espírito, uma vez que somente o Espírito pode nos regenerar. Se é assim, argumenta Paulo, então no mesmo Espírito ou pelo mesmo Espírito em quem vivemos devemos caminhar. Paulo não diz: “para esperar o batismo do Espírito para que podeis caminhar nele”. Ele diz: “Andeis de forma mais completa no Espírito ou pelo Espírito que vós já tendes, que já vos foi dado no coração novo, com o qual vós já vives”.

Sem dúvida é verdade que necessitamos lutar continuamente para ter uma maior plenitude do Espírito. Mas isso não significa que depois de termos sido regenerados devemos esperar que o Espírito seja quem tome o próximo passo. Mas antes, se me permite expressá-lo assim, o próximo passo cabe a nós: devemos render-nos mais plenamente ao Espírito que já habita conosco[80] . Essa, como temos visto, é a ênfase de Efésios 5:18: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”. O presente do imperativo, pleroústhe, significa “sede continuamente cheios”, “permaneceis sendo cheios”. A passagem assinala uma luta de toda a vida, não por uma experiência de um momento. Tampouco Paulo implica com isso que os leitores da Epístola aos Efésios ainda não tivessem o Espírito, porque em 1: 13 havia escrito: “… tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”.

Portanto, ainda que não quiséssemos, temos que chegar à conclusão de que a teologia do pentecostalismo neste particular está baseada mais sobre a experiência do que sobre a Escritura. Russell T. Hitt, editor de Eternity (Eternidade) expressa assim:

Todo ensinamento deve ser julgado por nós pela Palavra de Deus. Muitos que tem tido recentemente uma experiência pentecostal tem problemas para dar uma explicação bíblica adequada para o que tem ocorrido. Ao invés disso testificam de uma experiência, e levantam um estranho esquema doutrinal baseado no livro dos Atos para apoiar a duvidosa doutrina do “batismo do Espírito” (Eternity, julho 1963, página 7).

Mas não podemos basear a doutrina primariamente na experiência. Tenho ouvido os mórmons dizerem que se convenceram que Joseph Smith era um verdadeiro profeta de Deus porque tiveram uma maravilhosa experiência espiritual na religião mórmon. Se a experiência é básica para a doutrina, como se poderia provar que os mórmons estão em erro, ou, o que se poderia dizer dos budistas, hindus ou muçulmanos?

3. A teologia do pentecostalismo ensina erroneamente que uma bênção espiritual deve ser atestada por um fenômeno físico.

Diz-se que falar em línguas é a evidência física inicial de haver sido batizado com o Espírito Santo. Mas, como pode um sinal físico ser a prova de um estado espiritual? Os pentecostais assinalam quatro casos no livro de Atos em que o falar em línguas demonstrou que o Espírito havia sido recebido em sua plenitude (ainda que no caso dos samaritanos não se menciona o falar em línguas), mas estes casos estiveram associados com Pentecostes ou com uma extensão de Pentecostes, como temos visto; e, ademais, há muitos casos no livro de Atos onde não se faz menção das línguas, e isso em casos em que se nos diz que as pessoas foram cheias do Espírito Santo. Ademais, ainda os pentecostais reconhecem que o falar em línguas ocorrido em Corinto não tinha relação direta alguma com o ser cheios do Espírito[81] . Então, como podem nossos amigos pentecostais afirmar com tanta certeza que a glossolália é atualmente a evidência indispensável do batismo do Espírito?

Ora, não ensina a própria Bíblia que a prova de ser cheio do Espírito não é física, mas espiritual? Paulo diz acerca disso em Gálatas 5:22-23 “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Um dos maiores perigos do pentecostalismo e do neopentecostalismo, parece-me, é que a pessoa chega a estar cada vez mais preocupada por dons do Espírito e cada vez menos pelo fruto do Espírito. Pelo lado negativo, o nosso Senhor mesmo disse, contudo, que profetizar ou operar milagres em si não provam que uma pessoa está verdadeiramente cheia do Espírito

Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade (Mt. 7:22-23).

Nessa diretriz Santo Agostinho escreveu as seguintes palavras há mais de 1500 anos, que são tão adequadas agora como o foram então:

Nos primeiros tempos o Espírito Santo caiu sobre os que creram, e eles falaram em línguas que não haviam aprendido, “segundo o Espírito lhes dava que falassem”. Estes eram sinais adaptados para o tempo… Então, agora o testemunho da presença do Espírito não é dado por meio destes milagres. Por que meio é dado? Como chega alguém a saber que tem recebido o Espírito Santo? Que lhe pergunte ao seu próprio coração se ama ao seu irmão, o Espírito de Deus mora nele (Homilia sobre I João).

4. No pentecostalismo está implícita uma espécie de subordinação de Cristo ao Espírito Santo que não está em harmonia com a Escritura.

Notamos anteriormente que Ralph M. Riggs descreve o batismo do Espírito Santo com palavras que implicam uma espécie de subordinacionismo:

Esta experiência (de batismo do Espírito) é tão distinta da conversão como o Espírito Santo é distinto de Cristo. Sua vinda (a do Espírito) sobre o crente no batismo é a vinda da Terceira Pessoa da Trindade, após a vinda de Cristo, que ocorre na conversão[82] .

O que é o que Riggs diz aqui? Que a conversão é somente a vinda de Cristo, mas que o batismo do Espírito é a vinda do Espírito Santo. Se alguém não tem chega ao pedestal mais elevado da escalada espiritual até que venha receber o batismo do Espírito, é evidente que recebeu somente a Cristo é ficou apenas num subnível espiritual.

Noutro lugar, este mesmo escritor, depois de explicar que o Espírito Santo é o Diretor Pessoal da igreja, pergunta:

Como podemos viver e atuar efetivamente sem nosso Cabeça e Líder designado por Deus? Que desconcertante e frustrante é para o plano e propósito de Deus se nós não cooperarmos desde o começo de nossa experiência cristã recebendo a plenitude do batismo do Espírito Santo[83] .

A implicação é clara: se alguém não recebeu o batismo do Espírito, está vivendo sem o Líder estabelecido por Deus. Pode receber a Cristo no momento da conversão, mas todavia está sem líder! Ter somente a Cristo no coração é ter um cristianismo inferior, de segunda categoria!

Quanta diferença do que a Bíblia ensina! Cristo ensina de outro modo: “Ele (o Espírito Santo) me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo. 16:14). Exaltar a obra do Espírito é digno de louvor, mas exaltar o Espírito acima de Cristo é um erro comparável com a subordinação de Cristo ao Pai de que eram culpáveis os antigos arianos.

O comentário de Kurt Hutten é acertado:

A teologia pentecostal tem absolutizado a doutrina do Espírito Santo … Ao fazê-lo nega o testemunho da Escritura. Porque, segundo as Escrituras, o Crucificado e Ressuscitado é e segue sendo o centro que domina e penetra todo o demais. E segundo a Escritura, Cristo e o Espírito Santo não podem ser separados; a obra de um não pode distinguir-se da do outro em qualidade ou categoria. Não há obra do Espírito Santo fora da cruz; apenas há uma obra do Espírito sob a cruz (Seher, Gruebler, Enthusiastem, p. 520).

5. A teologia do pentecostalismo tende a criar dois níveis de cristãos: os que tem recebido o batismo do Espírito e os que não o tem recebido.

Os pentecostais deixam bem claro que a pessoa que não recebeu o batismo do Espírito Santo não chegou ao nível de cristão em toda sua plenitude, os escritores pentecostais fazem uma clara distinção entre batismo do Espírito e conversão[84] e entre batismo do Espírito e santificação[85] . Somente as pessoas batizadas no Espírito, dizem, tem sido seladas com o Espírito[86] e tem o penhor do Espírito[87] . O batismo do Espírito é descrito como o poder que vem do alto – poder que é chamado o sine qua non do serviço cristão[88] . Isso implicaria que as pessoas que não tem recebido o batismo do Espírito – a grande maioria dos que se denominam cristãos – não tem um poder adequado para o serviço cristão. Um escritor pentecostal descreve o batismo do Espírito como a vinda do equipamento divino para a batalha contra o diabo[89] ; a implicação disto é tem-se a impressão que o vasto exército de cristãos ordinários, não pentecostais, saem precipitadamente à batalha como soldados sem preparação e sem armas.

Uma pequena reflexão revelará o quão devastador pode ser este ponto de vista do cristianismo de dois níveis para a unidade da igreja. Não estou acusando os pentecostais de dizerem que uma pessoa não pode ser salva sem o batismo do Espírito Santo, mas o que estou observando é que sua teologia deixa uma grande multidão de cristãos ordinários, e um pequeno grupo de cristãos muito especiais. Isso é muito pouco fiel às Escrituras. Paulo diz em Gálatas 3:28: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. No entanto, os pentecostais deveriam interromper Paulo neste ponto: “Mas, Paulo, esquecestes da distinção entre cristãos que são batizados no Espírito e os que não o são?” Ainda mais, sugerir que somente as pessoas batizadas pelo Espírito são seladas com o Espírito, tem o penhor do Espírito, e tem sido equipadas com poder do alto, é dizer que há uma grande quantidade de passagens do Novo Testamento que realmente não tem mensagem para a mensa maioria dos crentes desde os dias apostólicos.

6. A teologia do pentecostalismo implica que a igreja tem estado sem condutor, sem poder adequado, sem a plena luz, e sem uma experiência cristã completa desde os fins do Século I até o princípio do Século XX.

H. J. Stolee, em Speaking in Tongues (Falando em Línguas), originalmente publicado em 1936, diz:

Sempre tem sido uma caraterística dos movimentos fanáticos o ignorar e ainda negar a continuidade do cristianismo. O decorrer dos séculos é considerado virtualmente como um fracasso total.

É triste dize-lo, mas tal tendência também é evidente no pentecostalismo. Antes vimos que, segundo os escritores pentecostais, a razão pela qual a glossolália desapareceu quase totalmente da igreja nos séculos que se estendem entre 100 d.C. e 1900 foi a falta de fé por parte do povo de Deus. Observemos mais de perto este assunto. Carl Brumback alega que ainda que Deus pôde ter feito aos homens responsáveis pela verdade do batismo do Espírito durante toda a era da história da igreja desde a idade apostólica, não aplicou estritamente suas normas durante todo o período porque seu povo, pelo pecado e o fracasso, havia-se feito incapaz de conformar-se com ditas normas[90] . Muitas verdades do Novo Testamento estiveram totalmente eclipsados durante a Idade Média[91] . Estas verdades em parte foram restauradas pela Reforma, mas a Reforma não foi completa[92] . Certas porções da verdade ficaram escondidas para os reformadores, esperando outro momento para sua revelação plena. Entre as grandes verdades que não foram completamente reveladas aos reformadores estava a doutrina do batismo do Espírito Santo[93] . Em princípios do Século XX, Deus considerou oportuno devolver esta verdade à Igreja[94] . Antes do Século XX a experiência dos santos pós-apostólicos não esteve à altura das normas bíblicas, porque não tinham “um batismo pleno do Espírito Santo, não tinha um caráter milagroso e não estava acompanhado com línguas”[95] .

O que isso quer dizer é que durante 1800 anos de história da igreja (com poucas e pequenas exceções) toda a igreja não logrou desfrutar a plenitude da experiência cristã que Deus tinha o propósito de conceder a seus filhos. Isso significa que gigantes como Calvino e Lutero não alcançaram a tamanha fé que os pentecostais têm hoje. Isso significa, como temos visto, que durante todos estes séculos a igreja esteve realmente sem condutor, sem todo o poder para o serviço, e sem a plena luz da verdade divina. Não apenas isso, mas que grande parte da igreja atual está similarmente impedida, posto que ainda não aceita esta última verdade que Deus tem revelado. A conclusão iniludível parece ser que somente os pentecostais estão com plena possessão da verdade divina; os demais permaneceremos em trevas parciais até que estejamos dispostos a aceitar seus ensinamentos.

No entanto, não nega esta doutrina que o Espírito Santo haja dirigido continuamente a sua igreja durante dezoito séculos de história eclesiástica? Esta pretensão, não faz periclitar seriamente a verdade da universalidade da igreja de Jesus Cristo? Não implica que somente os pentecostais são o verdadeiro povo de Deus, cheio do Espírito? Uma coisa é admitir que todos os crentes não alcançam fazer a vontade de Deus e a entender completamente sua revelação, mas é completamente distinto pretender que o grupo a que alguém pertence é o único que tem a verdade neste assunto, enquanto todos os demais estão no erro.

Poderia alguém ainda perguntar se as observações feitas se aplicam aos neopentecostais ou mesmo que aos pentecostais. Desde logo, não temos nenhum livro sistemático em doutrina em que os neopentecostais exponham o que tem em comum. Sem dúvidas, há matizes de opinião entre os neopentecostais como os há entre os pentecostais.

È muito possível que muitos neopentecostais não compartilhem da posição comum dos pentecostais de que a glossolália é a evidência indispensável de que alguém recebeu o batismo do Espírito Santo. Se é assim algumas das considerações apresentadas não se aplicariam a eles. Mas como temos demonstrado, ainda a posição de que a glossolália é uma evidência de que alguém é cheio do Espírito Santo está em condições de ser seriamente posta em dúvida.

No entanto, devemos lembrar que o neopentecostalismo surgiu do pentecostalismo; portanto, é de esperar que nas questões que compreendem a importância e significado da glossolália os neopentecostais tenham muito em comum com os pentecostais. Ademais, temos notado que uns quantos neopentecostais proeminentes tomam a posição comum dos pentecostais quanto às línguas. Ainda temos visto uma declaração oficial da junta de diretores da Sociedade da Bendita Trindade que afirma que o batismo do Espírito Santo é confirmado pela glossolália[96] . Portanto, pareceria provável que a maioria dos neopentecostais, até aonde tem pensado o assunto, tomem a mesma posição dos pentecostais quanto à importância da glossolália. Até onde este seja o caso, os comentários feitos neste capítulo se aplicam tanto aos neopentecostais quanto aos pentecostais.

Capítulo 5 – O que Podemos Aprender do Movimento que Fala em Línguas

A julgar pelo que temos aprendido acerca das doutrinas pentecostais até aqui, poder-se-ia ficar com a impressão de que nossa resposta ao pentecostalismo e ao neopentecostalismo deveria ser completamente negativa. No entanto, como se tem dado a entender antes, há muitas coisas que podemos aprender deste movimento. Portanto, neste último capitulo quero destacar os aspectos positivos do pentecostalismo e do neopentecostalismo, para ver que desafio tem apresentado o movimento da glossolália à igreja de hoje.

Um dos aspectos mais notáveis, e para os não pentecostais o mais assombroso, do movimento das línguas é o fato de que muitas pessoas que tem começado a falar em línguas informam que esta experiência lhes tem sido uma fonte de grandes bênçãos espirituais. Por exemplo, Carl Brumback, falando pelos pentecostais, afirma que há poucos exercícios espirituais mais edificantes para o indivíduo que o dom de línguas usado nas devocionais privadas[97] . O artigo 7 da Declaração de Verdades Fundamentais das Assembléias de Deus afirma que ao batismo do Espírito Santo, do qual a glossolália é a evidência inicial, segue-se uma mais profunda reverência a Deus, uma intensificada consagração a Deus e dedicação a sua obra, um amor mais ativo por Cristo, por sua Palavra e pelos perdidos. Norton Kelsey informa que as sete pessoas cujas experiências de glossolália descreve em seu livro Tongue Speaking (Falar em Línguas) declararam que esta experiência era uma das mais valiosas de que tivera. Freqüentemente se diz-se que as experiências que culminam com a glossolália tem transformado a vida das pessoas. Periódicos como Trindade e Voz estão cheios de testemunhos pessoais de indivíduos que dizem que tem recebido um novo impulso na vida espiritual por meio da glossolália.

Que diremos acerca de tudo isso? Como podemos explicar a explosão das línguas da atualidade? Como vamos explicar o novo vigor espiritual que a glossolália parece ter introduzido nas vidas de tantas pessoas?

V. Raymond Edman, ex-presidente de Wheaton College, resumiu muito bem o assunto quando disse que existem apenas três possibilidades: a glossolália atual é do diabo, ou é um dom genuíno do Espírito, ou é um fenômeno que sem ser primariamente inspirado pelo diabo ou pelo Espírito, tem sido induzido psicologicamente.

É possível que a glossolália que vemos na atualidade tenha sido instigada demoniacamente? Certamente não podemos descartar de todo esta possibilidade, Satanás, como Lutero dizia, é o “macaco imitador de Deus”, que constantemente vive imitando as obras genuínas do Espírito. Sabemos por 2 Coríntios 11: 14 que Satanás estava ocupado ainda em Corinto: “O próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. Até os pentecostais admitem que às vezes o falar em línguas que se pratica nas igrejas pode ser uma algaravia fanática produto da carne e não do Espírito[98] . Sempre que a glossolália contribui para o orgulho, que conduz a orgias emocionais nas quais todo o domínio próprio é lançado aos ventos, e se provocam amargas discórdias entre os cristãos que se devem conduzir como um em Cristo – certamente o diabo tem sua mão metida nessa situação.

Ainda que reconheço que a glossolália pode ser demoniacamente induzida, sinto-me inclinado a estar de acordo com Edmam que este não é normalmente o caso. Que diria então acerca da segunda possibilidade, isto é, que a glossolália da atualidade seja um dom genuíno do Espírito? Novamente, não podemos descartar completamente esta possibilidade. Nós não vamos limitar o Espírito dizendo que é impossível que ele outorgue o dom de línguas na atualidade. Quem sabe o que Espírito tem guardado para a sua igreja? Quem sabe que dons do Espírito podem ser dados no futuro para capacitar à igreja ante novos desafios específicos?

De pronto, concedemos que Paulo não proíbe o uso da glossolália em I Coríntios 12-14. Também devemos admitir que o dom de línguas tinha certo valor para Paulo e para a igreja daquele tempo; ainda Paulo foi levado a dar graças a Deus porque falava línguas mais do que todos os coríntios (14:18). Certamente Paulo jamais diria isso se a glossolália não tivesse algum valor.

No entanto, se o dom de línguas como dom especial do Espírito está na igreja na atualidade é uma questão discutível. Num capítulo anterior apresentei algumas das razões pelas quais creio que devemos ter sérias dúvidas acerca da continuação da glossolália como um dom especial do Espírito; não tenho a intenção de repetir aqui essas razões. Se as línguas como um dom estivesse na igreja de hoje, os pentecostais não teriam direito de sustentar que a possessão deste dom, ainda como sinal físico inicial, prova de que alguém tem recebido a plenitude do Espírito. Se o dom estivesse ainda presente, as muitas restrições com que Paulo rodeia seu uso em I Coríntios 14 implicam que a glossolália está longe de ser tão importante como os pentecostais pensam que é, e que de nenhum modo é o sine qua non da maturidade espiritual. E fica a desconcertante pergunta: Como podem os pentecostais e neopentecostais estarem seguros que o que se pratica nos círculos que falam em línguas é o mesmo dos dias do Novo Testamento? Sabemos exatamente qual era a glossolália praticada pelos coríntios? Se não sabemos Isso, como pode alguém estar seguro que o que se pratica nos grupos que falam em línguas é exatamente o mesmo que ocorria nos dias do Novo Testamento?[99]

Sinto-me inclinado a concordar com Donald S. Metz que a glossolália que hoje vemos em sua maior parte, não é inspirada diretamente pelo Espírito de Deus, nem diretamente induzida pelos demônios, mas uma reação humana que tem sido psicologicamente induzida. Esta também parece ser a posição de George B. Cutten, reconhecida autoridade em glossolália, que disse: “Até onde tenho conhecimento, não existe um só caso de falar em línguas estranhas que haja sido estrita e cientificamente investigado, que não possa ser explicado por leis psicológicas reconhecidas”. No mesmo sentido há uma declaração do psiquiatra Stuart Bergsma, superintendente do Hospital Cristão Pine Rest, em Grand Rapids, Michigan. Depois de mencionar uma quantidade de experiências que lhe haviam auxiliado na realização de uma avaliação da glossolália, diz: “Todas estas experiências me deixam com a convicção de que especialmente a glossolália pode ser psicologicamente explicada e não é, em geral, um fenômeno espiritual”. Outro psiquiatra cristão dá uma avaliação similar em um artigo em que analisa o fenômeno da glossolália:

O produto de nossa análise é a demonstração dos mecanismos muito naturais que produzem a glossolália. Como fenômeno psicológico, a glossolália é fácil de produzir e prontamente compreensível (E. Mansell Pattison, “Speaking in Tongues and about Tongues” – Falando em Línguas e sobre Línguas, Christian Standard, Fev.15,1964).

Se as análises anteriores estão corretas, surge a pergunta: quais são os mecanismos psicológicos que operam na glossolália? Quando refletimos no fato de que a glossolália no passado ocorreu fora da religião cristã e ainda se dá noutras culturas, não é surpreendente que também se tenha  introduzido nos círculos cristãos. O estímulo emocional que por vezes induzem as línguas nos círculos não cristãos poderia também ocasionar a glossolália entre os cristãos. Deve-se reconhecer que o falar em línguas nem sempre se produz em uma situação que esteja altamente carregada no emocional e que poderia dar-se numa aprazível atmosfera devocional; mas ainda nessas circunstâncias debaixo da superfície poderia estar em atividade poderosas forças emocionais. Pode-se entender a atração que o misterioso tem em uma era que é eminentemente racional. É possível que grande parte da glossolália nos grupos não pentecostais na atualidade represente uma reação emocional contra um tipo de pregação friamente intelectual ou contra uma liturgia estereotipada e formalista.

Também há outras possibilidades. L. M. Van Eetveld Vivier, em uma tese de doutorado sobre a glossolália, informa que submeteu a provas um grupo de pentecostais que falavam em línguas e achou que haviam tido “um princípio próprio de vida psicologicamente pobre, caracterizado pela insegurança, conflito e tensões”. RusseI T. Hitt é da opinião de que muitos dos que tem experimentado o assim chamado “batismo do Espírito” esteja sofrendo profundos problemas pessoais e familiares, ou estão emocionalmente perturbados por suas próprias vidas espirituais. Para tais indivíduos o falar em línguas poderia prover uma válvula de escape para os problemas perturbadores, algum modo de obter um prestígio que de outro modo lhes resultaria inacessível.

Também podemos entender bem que a psicologia da sugestão poderia ter um grande papel na indução da glossolália. Quando alguém pertence a um grupo em que se espera que os mais adiantados espiritualmente falem em línguas, quando se aplica muita pressão emocional na busca do dom de línguas, quando os que buscam o dom de línguas recebem instrução no sentido de que relaxem a língua repetindo “glória, glória, glória, gló, gló, glória, aleluia, glória” e coisas semelhantes, certamente seria estranho que alguém não começasse a fazer o que todos esperam.

Mansell Pattison lança uma luz que ajuda muito acerca dos mecanismos psicológicos que podem estar em ação na glossolália:

A linguagem é um fenômeno complexo que inclui elementos conscientes, voluntários e padrões inconscientes, automáticos em circuitos psicológicos e fisiológicos Todos estamos conscientes de que existem distorções de linguagem que são freqüentes. Quando estamos excitados gaguejamos, esquecemos o que estamos dizendo, dizemos algo distinto do que queríamos (lapsus linguae), ou ficamos sem fala… Ás vezes quando começamos a falar nos sentimos confundidos e se nos trava a língua e dizemos uma punhado de sons e sílabas. As pessoas que falam em sonhos com freqüência emitem uma algaravia ininteligível. O mesmo ocorre com os pacientes que estão sob o efeito de sedativos ou de anestesia, ou em coma parcial. Todos estes exemplos indicam que há aberrações em nossos padrões usuais e normais da linguagem. Podemos observar que se nossa atenção é distraída do que estamos dizendo podemos seguir falando sob o controle de mecanismos inconscientes que poderiam ou não produzir uma linguagem inteligível. Qualquer um de nós poderia “falar em línguas” se adotasse uma atitude passiva quanto ao controle de nosso corpo e da linguagem e tivéssemos uma tensão emocional que estivesse pressionando por expressar-se. Um exemplo familiar é o riso explosivo e contagioso de um grupo que chega ao ponto em que cada um é “demasiado débil para deixar” de rir. Tentar falar enquanto alguém ri deste modo tem como resultado vocalizações que tem todas as caraterísticas da glossolália (Speaking in Tongues and About Tongues – Falando em Línguas e sobre Línguas- p. 2).

O doutor Pattisom encontra paralelos à glossolália em certos tipos de situações clínicas:

… Posso agregar minhas próprias observações em experiências clínicas com pacientes neurológicos e psiquiátricos. Em certos tipos de desordens cerebrais que são resultado de ataques, tumores cerebrais, etc., o paciente fica com certas desorganizações em seus padrões automáticos e físicos dos circuitos do linguagem. Se estudarmos estes pacientes afásicos podemos observar a mesma decomposição da linguagem que ocorre na glossolália. Decomposições similares se observam nos padrões de pensamento e linguagem do esquizofrênico, que é [sic] estruturalmente como o da glossolália.

Pode-se entender que estes dados demostram que os mesmos padrões de linguagem se dão quando o controle consciente e voluntário da linguagem se vê interferido por danos no cérebro, ou psicoses ou por uma renúncia passiva ao controle da linguagem pela vontade, isso confina nossa asseveração anterior de que a glossolália é um padrão estereotipado de conduta vocal controlada inconscientemente e que aparece sob específicas condições emocionais[100] .

A conclusão a que chega o Dr. Pattisom é que a glossolália pode ocorrer quando algo interfere no controle consciente e voluntário da linguagem, e que no presente é um acompanhante regular de intensas experiências emocionais estáticas.

Mas se poderia perguntar, se a glossolália na atualidade em sua maior parte não é um dom do Espírito, mas um fenômeno psicologicamente induzido, como explicamos os benefícios espirituais que se pretendem haver recebidos dessa prática? Deve-se observar, em primeiro lugar, que as línguas nem sempre tem trazido bênção espiritual, e que há casos registrados em que quem passou pelo dom de línguas mais tarde isso foi reconhecido como um engano, ou onde primeiro se pensou que era do Espírito mais tarde foi atribuído à carne. Já temos anotado a referência de Warfield a Robert Baxter da Igreja Católica Apostólica, que reconheceu que as línguas em que ele e outros falaram procediam de um espírito mentiroso e não do Espírito do Senhor. C. H. Darch, de Taunton, Inglaterra, conta de um homem que uma vez disse ter o dom de línguas mas que mais tarde lhe disse: “Agora estou convencido de que não tive nada disso”. D. Robert Lindberg, graduado do Seminário Teológico Dallas, que foi missionário na China durante alguns anos e agora é pastor da Igreja Presbiteriana Ortodoxa, conta que uma vez buscou e experimentou o que foi chamado dom de línguas. Ainda que no momento sentiu algo de gozo e  emoção da qual outros haviam falado, mais tarde foi constrangido a reavaliar sua experiência. Depois de aclarar que não está criticando pessoas, mas movimentos, e depois de haver afirmado que não deseja negar que alguém haja tido uma experiência transformadora por meio da glossolália, segue dizendo que agora está convencido que o movimento das línguas não é de Deus, mas que tem “em seu coração um falso misticismo que é contrário à palavra de Deus”. Depois de dar sete razões para emitir este juízo, conclui afirmando que a glossolália que observamos na atualidade não é de origem divina, mas é o resultado de “auto sugestão, auto induzida – piedosa, sim, mas errada e não bíblica”.

Tenho em meus arquivos uma carta pessoal de alguém que foi pastor pentecostal durante nove anos. Durante estes anos falou em línguas, considerando sua experiência inicial de glossolália como uma evidência do batismo do Espírito Santo. Depois chegou à convicção de que a ênfase particular do movimento pentecostal não tinha apoio bíblico; deixou a igreja pentecostal, e se fez ministro noutra denominação. Agora está seguro de que o falar em línguas que praticou no passado foi inteiramente da carne e não do Espírito. Escreve:

Eu não creio que as línguas tenham valor algum como exercício devocional, porque tenho provado isso em minha própria vida, porque minha devoção é mais espiritual agora que deixei de falar em línguas. Também meu ministério tem sido mais espiritual e frutífero desde que deixei a igreja pentecostal, e não tenho desejo de regressar.

Também afirma que nunca viu que as línguas foram legitimamente usadas como dom na igreja durante os anos que foi ministro pentecostal. “Houve ocasiões em que a gente falou em línguas na igreja, mas nunca se trouxe edificação a todo o grupo”.

No entanto, como temos notado anteriormente, muitas pessoas dizem que tem tido genuínas bênçãos espirituais por meio da glossolália, e alguns sustentam ainda que a experiência tem transformado suas vidas. Como podemos explicar estas afirmações? Creio que temos a resposta em duas afirmações feitas por duas pessoas que já temos citado. O Dr. Pattisom, ao final de sua análise da glossolália, faz o seguinte comentário:

 “a glossolália não tem valor espiritual intrínseco Poderia ser o adjunto psicológico de uma significativa experiência espiritual, mas deve ser considerada somente como incidental no alcance de metas espirituais” (obra citada, p. 2).

As palavras significativas aqui são: “Poderia ser o companheiro psicológico de uma significativa experiência espiritual. A outra declaração é da carta do ex-pastor pentecostal:

Na avaliação da glossolália em minha própria vida, diria que foi inteiramente da carne na análise final. No entanto, as muitas horas que passei sinceramente buscando ao Senhor foram de muita bênção.

Aqui vemos novamente expressado o mesmo pensamento, por uma pessoa que falou em línguas durante nove anos: ainda que a glossolália mesma não foi de ajuda espiritual, a busca do Senhor que acompanhou ou precedeu à glossolália o foi. Da mesma carta cito o seguinte:

A ênfase na oração tem trazido o calor da fé e experiência cristã ao povo pentecostal, coisa que muitas vezes falta em nossas igrejas. Penso que a maior parte do êxito do movimento carismático de hoje se deve a uma revolta contra o frio engessamento do ensinamento ortodoxo que não aprecia a vida do Espírito.

Aqui novamente se diz que o que foi benéfico não foi o falar em línguas mas a ênfase na oração que está inserida.

Penso que agora estamos em condições de ver como a experiência da glossolália pode ser uma fonte de bênçãos reais para o povo. Quando esta é a situação – e não nego que muito freqüentemente pode ser o caso – sugeriria que o que é realmente a fonte da bênção espiritual não é a glossolália como tal, mas o estado característico em que ocorre o que se diz que é a evidência, ou a disciplina espiritual que a tem precedido. Se um cristão tem buscado honestamente ser mais cheio do Espírito do que antes era, e se tem rendido mais completamente às indicações do Espírito, isso tem que trazer recompensa espiritual. Se um cristão tem estado mais tempo em oração que antes, buscando sinceramente seu enriquecimento espiritual, isso tem que produzir seus frutos. Ademais, quando uma pessoa começa a falar em línguas em um pequeno grupo neo-pentecostal, este fenômeno é a culminação de uma experiência de comunhão cristã, de estudo bíblico, e oração em um círculo estreito de amigos espiritualmente inclinados – experiência que tem que ser proveitosa. Noutras palavras, podemos dar razão do proveito ou das bênçãos espirituais experimentadas nestes casos deixando completamente de lado a glossolália. Não estou pondo em dúvidas a sinceridade dos irmãos cristãos que tem tido estas experiências, nem a autenticidade de seu crescimento espiritual; somente estou dizendo que é muito possível que a chave destas bênçãos não tem sido a glossolália mesmo, mas a busca de uma maior plenitude do Espírito que a precedeu.

Voltemos agora à pergunta com que começamos este capítulo: Qual é o desafio do pentecostalismo para a igreja de hoje? Certamente este turbilhão de línguas tem algo a dizer à igreja de hoje! A igreja jamais deve ficar satisfeita consigo mesma; sempre deve continuar confessando sua pobreza espiritual e seus fracassos. Em movimentos como o pentecostalismo e o neopentecostalismo podemos ouvir a voz de Deus. Se não houver fracassos na igreja, estes movimentos jamais encontrariam base.

Agora, quais são algumas das lições que o movimento pentecostal tem nos ensinado ao resto da igreja? Permita-me enumerar algumas:

(1) A igreja de hoje necessita desesperadamente uma ênfase mais forte na necessidade de sermos constantemente cheios do Espírito do Deus vivo. Sem esse Espírito, toda sua ocupação, sua organização e todo seu equipamento não terá poder.

(2) A igreja deve ter uma maior preocupação do que antes por satisfazer as necessidades emocionais do homem. Não que devamos ir aos extremos encontrados nalgumas igrejas pentecostais aonde, é de temer, a excitação emocional às vezes é confundida com espiritualidade, e aonde o êxito do serviço às vezes é julgado pela altura que tem alcançado o fervor emocional. O emocionalismo excessivo não glorifica a Deus; “tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (1 Co. 14:40). Mas o homem tem um lado emocional, e a igreja não deve descuidá-lo. Se perdermos as inescrutáveis riquezas de Cristo com a animação fúnebre que o locutor de uma radio dá o informe do tempo, provavelmente conseguiremos que as pessoas abandonem a vida da igreja. Os que deixam uma denominação para unir-se a outra, normalmente não o fazem por questões doutrinárias, mas porque a igreja que estão deixando não satisfaz algumas de suas necessidades básicas. Quem não assiste à igreja de sua vizinhança não será atraída por igrejas que são frias como o gelo ou por pregadores que são secos como poeira.

(3) Na igreja deveremos dar mais lugar à espontaneidade e mais lugar à resposta dos assistentes do que o que agora se acostuma. Não estou defendendo uma liturgia de “santa desordem”, mas o que estou dizendo é que um culto de igreja que se carateriza pelo que Andrew Blackwood do Princeton Seminary chamava “imperfeição, insipidez e monotonia” não será de muita ajuda para as pessoas. Por que tem que ser sempre o mesmo indivíduo o centro do serviço litúrgico? Por que não pode haver mais intervenções do auditório? Se a ênfase corrente na execução especial dos hinos por umas poucas vozes treinadas traz um decréscimo na ênfase do encontro com o verdadeiro sentimento espiritual por toda a congregação, estamos realmente fazendo um progresso litúrgico, ou estamos retrocedendo?

(4) Também podemos aprender de nossos irmãos pentecostais e neopentecostais a importância da oração e do fato de nossa constante dependência de Deus. Em nossos fortificados castelos eclesiásticos, substituímos às vezes as reuniões de juntas, comitês, e de negócios por reuniões de oração? Tiago não teria uma palavra para nós: “não tendes, porque não pedis”?

(5) Podemos aprender de novo a importância de estar dispostos a testificar de nosso Senhor em todo tempo, e a necessidade de um maior zelo missionário. Os pentecostais normalmente não tem medo de testificar, e seus empreendimentos missionários de longo alcance deixam envergonhados a muitos outros grupos cristãos. Como vimos anteriormente, estima-se que o número de missionários pentecostais nos campos missionários na década do 1950 era três vezes e meia maior que a cifra estimada normal dentro do mundo protestante. Verdadeiramente o Senhor está falando à igreja de nosso tempo por meio deste movimento.

(6) Dos neopentecostais, particularmente, podemos aprender de novo o valor das reuniões de grupos pequenos para o estudo da Bíblia, a oração e a comunhão cristã. Em essas reuniões alguém se sente estimulado a entrar na vida de seus irmãos cristãos de um modo noutras circunstâncias seria quase impossível em nossas grandes e muito dispersas congregações urbanas. Os pequenos grupos de comunhão deste tipo podem proporcionar uma das melhores formas em que a igreja de nosso tempo pode enfrentar o problema da vida crescentemente impessoal.

Muito mais se poderia dizer acerca destas coisas. Apreciamos o cálido espírito evangélico de nossos irmãos pentecostais. Apreciamos sua posição teológica conservadora e sua oposição ao liberalismo teológico[101] . Apreciamos seu enorme zelo evangelizador, na pátria como no estrangeiro, e sua exemplar preocupação por estender-se o evangelho.

No entanto, neste ponto, quisera retornar ao primeiro ponto mencionado, nossa necessidade de estarmos mais cheios do Espírito de Deus. Nenhum de nós negaria que esta é a maior necessidade da igreja de hoje – a chave mais importante para a vida cristã vitoriosa e para o testemunho cristão radiante. Este é o verdadeiro coração do pentecostalismo. A ênfase nesta verdade bíblica pelo movimento moderno das línguas é a contribuição mais importante ao mundo cristão contemporâneo – contribuição pela qual nos sentimos profundamente agradecidos.

Quero fazer justiça a esta dívida. A igreja tem freqüentemente se confrontado com o perigo de esquecer a importância do ministério do Espírito e nosso tempo não é excepção nisso. Todos os que estudamos ou ensinamos teologia deveríamos estar dispostos a admitir que a doutrina da pessoa e obra do Espírito Santo não tem sido tratado de forma tão completa como, por exemplo, o tem sido a da obra de Jesus Cristo. As obras teológicas mais ambiciosas sobre o Espírito Santo que se tem escrito até agora são as de John Owen, puritano inglês, e Abraham Kuyper, o calvinista holandês, escritas em 1674 e 1888 respectivamente. Poderíamos dar um tratamento melhor a este tema vital, que possa levar em conta os recentes acontecimentos bíblicos e teológicos. Portanto, sentimos gratidão pelos pentecostais e neopentecostais por terem avivado a preocupação da igreja pela obra e o ministério do Espírito Santo.

No entanto, como se tem evidenciado, tenho sérias dificuldades com muitos ensinamentos pentecostais sobre o Espírito Santo. Não vejo que a Bíblia ensine que os crentes necessitam esperar um “batismo do Espírito” antes que possam desfrutar da plenitude do Espírito Santo. Na realidade, este ensinamento pode ser muito prejudicial. Ajuda, ou é uma perturbação, dizer a um cristão que espere o Espírito para fazer algo, quando realmente o passo seguinte, no que diz respeito a fruir a plenitude do poder do Espírito, cabe ao crente mesmo?[102] Na realidade, a doutrina acerca de que alguém deve ficar esperando o batismo do Espírito, não poderia dar aos crentes uma desculpa pré-fabricada para deixar de lado toda a rendição ao Senhor por um longo período? (lembre-se do homem que havia sido um “buscador” durante dez anos). Ademais, não se introduz uma confusão total quando se ensina aos crentes que a menos que falem em línguas lhes falta a prova mais importante de que tem recebido a plenitude do Espírito? Em contrapartida, se apenas a habilidade de falar em línguas é exaltada como prova positiva de que alguém recebeu a plenitude, não estará este ensinamento favorecendo um certo tipo de relaxamento posterior ao batismo do Espírito Santo? Não existe o perigo muito real de que os cristãos que recebem o pretendido batismo do Espírito possam agora começar a pensar que tendo “chegado lá” espiritualmente, não necessitam mais “seguir adiante”?

Aqui queremos chamar a atenção do leitor para um livreto muito útil do qual tenho tido um grande proveito, O Batismo e a Plenitude do Espírito Santo, de John R. Stott. Este livreto contém a substância de uma mensagem dada na Conferência Eclesiástica de Islington em 7 de janeiro de 1964. Ainda que vá de encontro com a posição de que todo crente deve experimentar um batismo do Espírito Santo, posterior à conversão e evidenciado pela glossolália, o Dr. Stott reconhece que muitos cristãos necessitam estar mais cheios do Espírito do que estão.

O argumento é este: ainda que os cristãos recebam o Espírito no momento da conversão, não permanecem necessariamente cheios do Espírito. Podem afastar-se da vontade de Deus e podem chegar a ser orgulhosos, contenciosos, desamorosos ou indulgentes consigo mesmos. Em tais casos, necessitam da recuperação da plenitude do Espírito que tinham quando se converteram. Bem, poderia ser verdade em muitos de nós na atualidade que ainda que temos o Espírito Santo, o Espírito Santo não nos tem a nós. Então, como podemos ser mais cheios do Espírito? A resposta a esta pergunta é fácil de enunciar, mas difícil de executar: rendendo nossas vidas de forma mais completa ao Espírito.

Por exemplo, consideremos a ensinamento de Efésios 5:18-21:

E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo..

Esta passagem deixa bem claro que a evidência de estar cheios do Espírito não é um sinal milagroso como a glossolália, mas que consiste em certas qualidades e atividades espirituais. Segundo esta passagem, como revela alguém que está cheio do Espírito? (1) “Falando entre vós com salmos e hinos e cânticos espirituais” – provável referência à atividade de adorar juntos a Deus; (2) entoando e louvando de coração ao Senhor[103] – o crente cheio do Espírito se deleitará cantando com o coração os louvores a Deus; (3) “dando sempre graças por tudo ao Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”; e (4) submetendo-nos “uns a outros no temor de Cristo” – o cristão cheio do Espírito é caraterizado não por fazer valer seus direitos, mas pela submissão de si mesmo. Então, estas são as marcas de que uma pessoa está cheia do Espírito.

Voltando a considerar o mandamento “enchei-vos do Espírito”, notamos três coisas a respeito[104] :

(1) O verbo está no plural “sede todos vós cheios do Espírito” (pleroúthe). Portanto, o ser cheios do Espírito não é um privilegio reservado a uns poucos; todos os crentes tem que estar cheios. “A plenitude do Espírito Santo, como a sobriedade e o domínio próprio, é obrigatória, não é opcional[105] .

(2) O verbo está na voz passiva: “enchei-vos do Espírito”[106] . O pensamento é: deixe que o Espírito te encha. Como podes fazer isso? Obviamente, rendendo-se completamente ao Espírito. O Espírito não é uma substância que se possa colocar dentro de alguém; ele é uma Pessoa que vive dentro do crente, e nós podemos ser cheios dele somente rendendo-nos mais a ele e a sua bendita influência. Outras passagens da Escritura lançam luz sobre a forma que se deve realizar essa rendição: “se vivemos no Espírito” (Gál. 5:25); “pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rom. 8:14); “não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rom. 8:4) ; “não apagueis o Espírito” (1 Ts. 5:19); “e não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef. 4:30).

(3) O verbo grego está no tempo presente. Tendo em vista que o tempo presente em grego significa ação continua, a ênfase específica do imperativo presente é indicar que algo que já começou deve continuar ou que algo que ainda não começou deve ser feito desde agora em diante como uma ação continua. Portanto, o mandamento poderia ser traduzido do modo seguinte: “continues sendo cheios com o Espírito Santo” ou “sede continuamente cheios do Espírito”. “O presente do imperativo “enchei-vos do Espírito…” indica não alguma experiência dramática ou decisiva que solucionará de uma vez por todas o problema, mas indica uma aprovação continua”[107] .

Note-se que as pessoas a quem se dirige esta epistola são aquelas que já estão seladas pelo Espírito segundo se disse anteriormente (1:13; 4:30). Em cada uma destas duas passagens o verbo que se traduz selados está no tempo aoristo, que em grego denota uma ação simples que se faz de uma vez por todas. Como vimos anteriormente, não temos direito de restringir este selo do Espírito a certos crentes em distinção dos demais; todo crente foi selado pelo Espírito, e portanto foi marcado como pertencente ao povo de Deus. Ao comparar Efésios 1: 13 e 4:30 com 5:18, chegamos a saber que ainda que todo crente tem sido selado com o Espírito Santo, nem todo o  crente permanece cheio do Espírito. Os crentes que tem sido selados com o Espírito devem ser exortados a ser continuamente cheios do Espírito.

Por certo, isso não é modo algum uma coisa fácil. O presente imperativo nos ensina que não podemos em hipótese alguma pretender que temos recebido este enchimento de uma vez para sempre. Na realidade, o ser cheios continuamente do Espírito é o desafio de toda uma vida. Apenas a oração continua, o uso continuado e fiel dos meios de graça, e a vigilância constante permitirão ao crente manter-se continuamente cheio do Espírito.

No entanto, há outras passagens das Escrituras que lançam mais luz sobre esta questão de ser cheios continuamente do Espírito. Pensemos, por exemplo, no ensinamento de Paulo no capítulo 5 de Gálatas. O argumento principal de todo o capítulo é que o povo de Deus no Novo Testamento, em distinção dos crentes do Antigo Testamento, já não necessita estar rodeado de uma rede de leis que cobre cada possível contingência moral, cerimonial e espiritual, porque agora tem que caminhar no Espírito que tem sido derramado sobre a igreja. Na realidade, este é o coração da liberdade cristã descrita em Gálatas: viver por princípio sob a direção do Espírito Santo, e à luz da Palavra de Deus. Agora notemos o que Paulo diz em 5:16: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”. O tempo grego da palavra traduzida andai é presente, denotando uma ação continuada: “seguis andando no Espírito”. Isso não é algo que devemos fazer ocasionalmente, certos dias da semana, ou quando estamos com certo tipo de pessoas, mas todo o tempo. A vida não pode ser dividida em departamentos sagrados e seculares; toda a vida é sagrada.

No entanto, alguém poderia perguntar: O que significa andar no ou pelo Espírito? Eu diria que significa duas coisas: viver sob a direção do Espírito, e viver pela força do Espírito. Viver sob a direção do Espírito significa esperar no Espírito, perguntando que é o que o Espírito quer que façamos, aonde que o Espírito quer que vamos. Isso inclui o estudo diário das Escrituras, uma vez que o Espírito não nos guiará a menos que pela Palavra. As supostas revelações diretas do Espírito jamais deve ser exaltadas acima da Palavra escrita, nem devemos esperar simplesmente receber uma espécie de mística “luz interior”. Quanto melhor conhecermos a Bíblia, melhor fruiremos o caminhar no Espírito. Negativamente, caminhar no Espírito é calar o clamor das vozes da carne, reprimir a energia da parte carnal, restringir todo impulso até que se haja provado o que é de Deus. Positivamente, caminhar no Espírito significa ser guiados por ele, prestar-lhe atenção a cada momento (a medida que ele se revela na Palavra), render-se a ele continuamente. Como a agulha da bússola que se volta para o norte, assim nossas vontades deverão voltar-se para o Espírito regular e habitualmente.

Viver pela força do Espírito significa apoiar-se nele para receber o necessário poder espiritual. Significa crer que o Espírito pode dar-nos a força adequada para cada necessidade, pedindo esse poder em oração sempre que o necessitarmos e usando esse poder pela fé na vida cotidiana. A única maneira que podemos caminhar no Espírito é mantermos em contato contínuo com ele. A diferença entre um aparelho de radio movido a pilha ou a bateria e o que se conecta à corrente elétrica é que este último sempre deve ser conectado com a fonte de poder para que funcione. Deus nos dá força não segundo o princípio da pilha ou bateria, mas segundo o princípio da conexão à corrente elétrica; necessitamos dele em cada momento.

Quando andamos continuamente no Espírito, podemos pedir o cumprimento da promessa “jamais satisfareis à concupiscência da carne”. Este não é um segundo mandamento; é uma promessa. Deus sabe quão fácil é ainda para o crente cair em modos carnais de vida e de pensamento. Mas aqui está a promessa: se andarmos no Espírito, não satisfaremos os desejos carnais. Porque estes dois se opõem como o fogo e a água. É impossível combater o pecado com apenas dizer-lhe não; quanto mais se luta com um limpador de chaminé, mais sujo fica. Não devemos ser vencidos do mal, mas temos que vencer com o bem o mal.

Portanto, de Gálatas 5:16 aprendemos novamente que ser cheios do Espírito é muito mais que uma experiência de um momento instantâneo que um homem pode ter tal ou qual dia, às 10:45 da noite. Trata-se antes de um andar com Deus que dura toda uma vida, e que inclui uma dependência vitalícia da direção e da força do Espírito.

Consideremos mais uma passagem do Novo Testamento que se relaciona com isso, Romanos 12:1, 2:

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Nos capítulos anteriores desta epístola, Paulo apresenta de uma maneira magistral o caminho da salvação pela fé em Cristo. Nos versículos mencionados, que se inicia a seção de vida prática da epístola, Paulo resume numa oração magnífica todo o dever do redimido: “Rogo-vos”, diz, “pelas misericórdias de Deus” – as mesmas misericórdias que de forma comovedora e inspirada é  descrita nos capítulos anteriores “que apresenteis vosso corpo por sacrifício vivo”. A palavra apresenteis, usada comumente para descrever a ação de levar um sacrifício ao sacerdote do templo, faz recordar a imagem de um fiel que conduz uma ovelha ou um bezerro ao átrio do templo, com a finalidade de oferecer como sacrifício a Deus. Atualmente, diz Paulo, vós que sois crentes do Novo Testamento, ainda sois chamados a oferecer sacrifício a Deus. Apenas que os sacrifícios que vós deveis oferecer já não são os sacrifícios sangrentos prescritos pela lei do Antigo Testamento – estes foram todos abolidos. Os sacrifícios que deveis oferecer são vossos próprios corpos. Deveis oferecer vossos corpos a Deus de forma tão completa, tão irrevogavelmente como os fiéis do Antigo Testamento ofereciam os carneiros ou bezerros no templo. Uma vez que tendes dado vossos corpos a Deus, não podeis retornar pedindo-os de volta. Esta oferta é uma transação de uma vez para sempre; é uma decisão que determina o curso de uma vida[108] .

Ainda que esta oferta deve ser apresentada de uma vez para sempre, no entanto, envolve um processo contínuo de transformação. Isso depreendemos do versículo 2. Aqui são usados dois  imperativos, ambos em tempo presente, o primeiro na forma de proibição, o segundo na forma de um mandamento positivo. “Não vos conformeis com este século”, e Paulo prossegue, “mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Não sigais sendo moldados por este mundo – de modo que alguém tenha que usar um lente de aumento para notar a diferença entre vós os cristãos e a gente do mundo. Não sigais tentando ser como são os vossos vizinhos e amigos mundanos, o que evita que sejais destacados da multidão deste mundo, ou que pensem que sois de mente estreita ou exótico. Mas sede continuamente transformados pela renovação de vossa mente. Isto é, deixem que em vós haja uma gloriosa novidade! Que hajam novos motivos, novas metas, novos propósitos, novos valores e novos motivos de deleite! Sejas cada vez mais distintos do mundo que os rodeia – o mundo de egoísmo, de cobiça, de concupiscências, de loucura pelo dinheiro. Porque esta transformação não é algo que ocorre instantaneamente; é um processo dinâmico que toma toda a vida. Cada ano, cada dia, cada hora, a transformação deve seguir. Somente o poder de Deus pode produzir isso. Somente pela oração perseverante podeis seguir sendo transformados cada vez mais à imagem de Cristo.

Então, que aprendemos de Romanos 12:1,2? Primeiro, aprendemos que deve haver uma rendição de uma vez para sempre na qual apresentamos nossos corpos a Deus como sacrifício vivo, para que por nosso meio seja feita sua vontade, esta rendição deve ter ocorrido no momento da conversão. No entanto, pode ocorrer que uma pessoa que pensa que se converteu ainda na pouca idade se dê conta de que realmente nunca havia se rendido a Deus antes, e portanto o faz mais tarde na sua vida. Não seria adequado chamar isso de uma experiência de pós-conversão uma vez que a primeira experiência não foi uma experiência de conversão genuína. Outra possibilidade é muito mais comum. Os cristãos que se tem convertido verdadeiramente podem-se encontrar em períodos de relaxamento espiritual, de modo que necessitam de vez em quando render-se novamente a Deus. Tais experiências, no entanto, deverão ser confirmações ou reafirmações de decisões feitas antes, não seria justo chamar a tais reafirmações “batismos com o Espírito” uma vez que as Escrituras ensinam que o Espírito mora dentro do crente desde o momento da regeneração e da conversão. Portanto, o argumento de Romanos 12: 1 é que deve haver uma rendição de nosso ser a Deus de uma vez por todas, ainda que esta rendição tenha que ser reafirmada de vez em quando.

No entanto, este não é o encerramento da questão. Mediante Romanos 12:2 sabemos que não apenas deve haver uma rendição decisiva de nossos corpos a Deus, mas que deve haver uma transformação continua de nossas vidas, uma renovação diária de nossa mente, um provar a cada instante de qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Depois que alguém tem oferecido seu corpo a Deus como um sacrifício vivo, não pode ficar dormindo sobre os lauréis; deve continuar seguindo nessa rendição por meio de uma vida sacrificial cotidiana. Portanto,  ter de reiteradamente nos render a Deus e sermos cheios do Espírito não é uma experiência de um momento na forma de crise, mas uma disciplina espiritual que compreende toda uma vida de esforço de consagração em oração, estudo e meditação da Palavra e participação em outros meios de graça.

Não podemos neste ponto nos acharmos num terreno comum com nossos irmãos pentecostais e neopentecostais? Damos graças a Deus por tudo o que ele tem feito por seu Espírito Santo nos corações e vidas destes irmãos cristãos na forma de uma maior devoção a Cristo, de um testemunho mais fervoroso do seu amor, e de um andar mais íntimo com Deus. No entanto, não estarão eles de acordo conosco em que não importa que experiências alguém tenha tido, não importa que “batismos do Espírito” creia haver recebido, não importa que dons espirituais tenha exercido, nunca poderiam nesta vida dizer que por fim tem chegado ao alvo? Não é a vida cheia do Espírito Santo um desafio para toda a vida? E não deveríamos todos seguir dizendo o que um homem cheio do Espírito Santo, escrevendo sob a inspiração do Espírito, disse de forma tão eloqüente: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”?

por Anthony Hoekema

Traduzido do Anamim Lopes da Silva
Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil em Brasília-DF

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[1] Esta palavra, derivada do grego glossa, língua e lalia, falar, será usada como sinônimo de falar em línguas.

[2] Ainda que neste ponto a tradução do grego para o inglês põe Himself (Ele mesmo), com maiúscula, obviamente é um erro, posto que a referência é a Paulo e não ao Espírito.

[3] Infelizmente, não temos o texto grego desta parte. No entanto, o texto latino diz: quos et spirituais Apostolus vocat (Migne, Patrologia Graeca, VII, 1137). Note-se que et precede à palavra spirituales. O argumento é este: aqui temos uma palavra diferente da que o apóstolo usa para um grupo similar de pessoas. Dai que uma melhor tradução seria “a quem o apóstolo também chama espirituais”.

[4] No entanto, cabe destacar que no texto latino o verbo ouvir está no tempo perfeito: audivimus, isto é, ouvimos. Em relação a isso é significativo o comentário de Warfield: “A juventude de Ireneu passou-se em companhia de discípulos dos apóstolos…” (Miracles Yesterday and Today, [Milagres no Passado e no Presente] p. 25). Ireneu poderia simplesmente estar informando do que ainda jovem havia ouvido daqueles que haviam estado com os apóstolos.

[5] Um proeminente autor pentecostal cita Agostinho dizendo: “Todavia fazemos o que os apóstolos praticavam quando punham as mãos sobre os samaritanos e pediram que o Espírito Santo descessem sobre eles pela a imposição de mãos. Espera-se que os convertidos falem novas línguas” (Carl Brumback – O quer dizer isso?, pp. 103, 104, Editorial Vida, Florida). A mesma citação encontra-se em With Signs Following (Estes Sinais Seguirão) de Stanley Frodsham (p. 254, edição de 1946) e em They Speak With Others Tongues (Eles Falavam em Outras Línguas, p. 83) de John L. Sherrill. No entanto, e nenhum caso se faz referência à documentação desta afirmação. Em face da citação documentada apresentada acima, que deixa uma impressão complemente oposta, podemos ter a certeza de que Agostinho realmente disse o que Brumback e Frodsham disseram que disse?

[6] Carl Brumback, O que quer dizer Isso?, pp. 333, 338.

[7] Ralph M. Riggs, O Espírito Mesmo, pp. 99 -101.

[8] Note-se a idéia que há por trás desta concepção: além da conversão e da santificação, há uma terceira obra da graça.

[9] Como exemplo da influência mundial do avivamento da Rua Azusa basta mencionar T. B. Barratt, fundador do pentecostalismo norueguês, considerado pela maioria como o apóstolo do movimento pentecostal na Europa. Ele recebeu o batismo do Espírito e começou a falar em línguas por influência da missão da Rua Azusa (Nils Bloch Hoefi, The Pentecost Movement (O Movimento Pentecostal), pp. 66, 67, 75).

[10] Estas cifras foram entregues pela sede denominacional das Assembléia de Deus em julho de 1965.

[11] Note-se que esta igreja ensina três obras da graça distintas.

[12] Entende-se por “batismo do Espírito”, “batismo no Espírito”, “batismo com o Espírito” ou “batismo espiritual” (estas expressões as usaremos como sinônimas) a experiência instantânea em que uma pessoa que já é crente é completamente cheia do Espírito Santo, e assim recebe todo o poder para o serviço cristão. Todas as igrejas pentecostais devem buscar este batismo espiritual.

[13] Entre os grupos pentecostais que sustentam esta posição estão a Igreja de Deus, a Igreja de Deus em Cristo, e a Igreja Pentecostal da Santidade.

[14] Neste ponto somente estamos considerando a posição de membros das igrejas pentecostais. A questão dos pontos de vista dos neopentecostais será considerada mais adiante neste capítulo.

[15] Carl Brumback, O Que Quer Ser Isso? pp. 296, 297 (as cursivas são de Brumback). Este livro me foi recomendado por Russell Spittler, membro da faculdade do Instituto Bíblico Central, como um dos dois melhores livros que apresentam os ensinamentos das Assembléias de Deus sobre a glossolália. O outro livro mencionado era o de Ralph M. Riggs, O Espírito Mesmo. Os outros grupos pentecostais não tem publicado estudos doutrinais tão completos como estes. Portanto, será nestes dois livros que nos basearemos principalmente para apresentar o ensinamento pentecostal sobre o batismo espiritual e a glossolália.

[16] Ralph Riggs, O Espírito Mesmo, pp. 84-85.

[17] Obra citada pp. 221, 222. Note-se também a seguinte afirmação que aparece em uma nota de rodapé de uma página: “Não é prerrogativa de nenhum autor interpretar infalivelmente as crenças de todo o movimento pentecostal acerca das línguas. No entanto, sentimos que na maioria dos casos este volume apresentará somente o que geralmente crê o movimento; e naqueles casos em que possamos apresentar uma convicção pessoal que não é aceita pelo movimento em geral, temos que ter muito cuidado em faze-lo saber”. Na página referida não há indicação de que a “crença sincera” citada acima não seja aceita geralmente pelo movimento pentecostal. O alcance do contexto, em realidade, é que esta crença é uma que todos, ou certamente, a maioria dos pentecostais sustentam em comum.

[18] Ralph Riggs, o Espírito Mesmo, p. 81.

[19] Ibid., pp, 81, 123.

[20] Ibid., pp. 123, 124. Compare-se com a declaração de Morton Kelsey, Tongue Speaking, p. 78: “O cristão que recebe o batismo espiritual e fala em línguas entra então em uma vida carismática em que está aberto para receber todos os demais dons do Espírito”. Ke1sey reproduz aqui o ensinamento pentecostal,

[21] Brumback, O Que Quer Ser Isso?, pp. 313-328.Segundo Bloch-Hoell, o movimento pentecostal em suas primeiras etapas não distinguiu entre glossolália como sinal do batismo do Espírito e como dom da graça. Geralmente se cria naquele tempo, segue dizendo, que a glossolália em conexão com o batismo do Espírito era um dom permanente da graça. No entanto, mais tarde se introduz a distinção descrita acima; esta distinção agora é feita comumente, se não por todos, pelo menos pela maioria dos pentecostais (obra citada p. 142).

[22] Segundo Bloch-Hoell, o movimento pentecostal em suas primeiras etapas não distinguiu entre glossolália como sinal do batismo do Espírito e como dom da graça. Geralmente se cria naquele tempo, segue dizendo, que a glossolália em conexão com o batismo do Espírito era um dom permanente da graça. No entanto, mais tarde se introduz a distinção descrita acima; esta distinção agora é feita comumente, se não por todos, pelo menos pela maioria dos pentecostais (obra citada p. 142).

[23] Brumback, obra citada, pp, 329-348.

[24] Ibid., p. 393. Sobre o uso congregacional das línguas, veja-se as páginas 349-358.

[25] Riggs, obra citada, pp. 189-200.

[26] Brumback, obra citada, pp. 359-383. Está implícito nesta discussão que nem todas as igrejas pentecostais observam as restrições que o Apóstolo Paulo estabelece sobre o falar em línguas em I Coríntios 14:27-28.

[27] Ibid., p. 13. Riggs sugere que os discípulos falaram 15 idiomas diferentes naquele dia (obra citada, p. 89).

[28] Brumback, obra citada, pp. 298, 313, 314.

[29] Ibid., pp. 354-355.

[30] Ibid., pp. 132-133.

[31] Ibid, p. 129, n. 1.

[32] Note-se que aqui “receber o Espírito” significa ser batizado com o Espírito. Pentecostais e neopentecostais com freqüência usam a expressão “receber” como sinônimo de batismo do Espírito.

[33] Note-se que aqui não há uma expressão qualificativa como “normalmente”, “geralmente”, ou “na maioria dos casos”.

[34] Note-se que entre as pessoas que respaldam esta declaração está Tod Ewald, a quem o Senhor KeIsey, como vimos, o apresenta como de uma opinião diferente.

[35] No entanto, ao reproduzir estes ensinamentos, nos apoiamos abundatemente em escritos pentecostais, especialmente em homens tais como Carl Brumback e Ralph M. Riggs, uma vez que estes nomens falam representativamente pelo movimento pentecostal, e portanto eles apresentam os ensinamentos pentecostais em maior detalhe que outros escritores. Como temos visto, a posição majoritária do neopentecostalismo acerca da importância das línguas é a mesma do pentecostalismo; geralmente não se encontra nos escritos neopentecostais os mesmo tipos de passagens e a mesma interpretação básica das passagens que se encontram na literatura pentecostal. Mas quanto a isso, cremos que o tratamento da posição pentecostal sobre as línguas também servirá como tratamento da posição neopentecostal.

[36] CArl Brumback, O que Quer Ser Isso? pp. 352-353; Ralph M. Riggs, O Espírito Mesmo, pp. 66, 79, 162.

[37] P. C. Nelson, Doutrinas Bíblicas; Riggs, obra citada p. 96; Brunback, obra citada, pp. 134, 339.

[38] Em Joel a chuva temporã e a chuva serôdia simplesmente são figuras simbólicas que representam as bênçãos do Senhor que seguirão às pragas e desastres descritos nos primeiros capítulos do livro. Na passagem de Tiago a figura do lavrador que espera a chuva temporâ e sarôdia se usa para ensinar a paciência na espera da vinda do Senhor.

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 [73] Se por profecia aqui se entende um dom milagroso que compreendia a capacidade de receber revelações diretas de Deus, seria uma exceção à declaração feita anteriormente. No entanto, é possível que a palavra profecia segundo se usa aqui signifique simplesmente o dom de pregar a palavra, posto que os demais dons mencionados no contexto imediato não são do tipo sobrenatural ou milagroso.

[74] O caso dos samaritanos é citado em particular para efeito de confirmação, uma vez que em Samaria os dons especiais do Espírito não foram outorgados até que os apóstolos tivessem descido de Jerusalém (Warfield, p. 23).

[75] O que Quer Ser Isso?, pp. 65, 66.

[76] Incidentalmente, não creio ser aceitável que alguém evoque em relação ao que ora se discute I Coríntios 13:8: “as línguas cessrão”. Porque o mesmo versículo diz que também “cessarão as profecias e a ciência”, e o contexto posterior esclarece que o contraste aqui não é entre a idade apostólica e a era que segue, mas entre o período que está antes da segunda vinda e o que segue depois da segunda vinda, “quando virá o que é perfeito” (v. 10).

[77] Barnabé também é chamado apóstolo no versículo 14.

[78] Brumback, obra citada, p. 387.

[79] Ibid., pp. 349, 388-399.

[80] Aqui não pretendo sugerir que podemos nos render a nós mesmos de forma mais completa ao Espírito por nossas próprias forças. Nós podemos fazer isso somente pelo poder de Deus (Jo. 15:5; Fil. 4:13). Mas meu argumento é: não necessitamos esperar uma experiência adicional de batismo do Espírito Santo antes de nos rendermos completamente ao Espírito.

[81] Brumback, obra citada, p. 320.

[82] O Espírito Mesmo p. 81.

[83] Ibid., p. 83.

[84] Ibid., p. 81.

[85] P. C. Nelson, Doutrinas Bíblicas.

[86] Riggs., p. 75.

[87] Ibid., p. 76.

[88] Ibid., p. 82.

[89] Ibid., p. 84.  

[90] Brumback, obra citada, p. 325.

[91] Ibid., p. 335.

[92] Ibid., p. 335.

[93] Ibid., p. 335.

[94] Ibid., p. 336.

[95] Ibid., pp. 337-338.  

[96] Veja-se o capítulo 2

[97] O que quer ser isso?, p. 349.

[98] Ibid., p. 310.

[99] Parece particularmente difícil manter esta identidade quando se tem em conta os muitos séculos em que a glossolália esteve virtualmente ausente da igreja.

[100] Nesta conexão, é importante notar que pelo menos dois lingüistas competentes, depois de analisar mossas de glossolália gravadas em fitas magnéticas, chegaram a conclusões idênticas: o que ouviram não são idiomas reais mas formas de linguagem extática, com uma peculiar estrutura baseada em consonantes e com um muito limitado uso de vogais, que não tem semelhança com nenhum idioma falado na terra.

[101] Se bem que se deve lembrar que há denominações pentecostais, como a Igreja Pentecostal Unida (Só Jesus), que são unitários, negando que há três Pessoas na Trindade. No entanto, a maioria das denominações pentecostais repudiam este ensinamento.

[102] Aqui não se afirma que alguém pode render-se mais completamente ao Espírito por sua própria força, sem ajuda. Apenas estou dizendo que a Bíblia não ordena aos crentes que esperem um batismo do Espírito depois da conversão; mais bem lhes ordena que sigam andando no mesmo Espírito em quem vivem (Gál. 5:25).

[103] É boa esta tradução de ARA/SBB “de coração”, que sugere que este louvor pode ser até silencioso. O grego permite também a  tradução “com os vossos corações”.

[104] Com muita gratidão reconheço minha dívida ao Sr. Stott por estas observações sobre esta passagem (Obra citada, pp. 30-31).

[105] Ibid., p. 31.

[106] Realmente, o verbo poderia ser voz média ou passiva, mas aqui se ajusta melhor ao sentido a voz passiva.

[107] Ibid., p. 31.

[108] O tempo do verbo traduzido por “apresenteis” é aoristo, implicando que é uma ação que se realiza de uma vez para sempre.

A Igreja Emergente !

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Veja também: A Nova Reforma Protestante (clique aqui)

Uma coisa pouco agradável aconteceu quando estávamos a caminho do século XXI. No final do século XX, certos líderes saíram afirmando que precisávamos de “uma maneira nova de fazer igreja”. A religião dos tempos antigos não era boa o suficiente. Então vieram os novos truques, substituindo o Evangelho sólido. Vimos o surgimento do movimento da igreja que é “sensível aos que buscam” e que não ofende a ninguém. A “esquerda religiosa” tornou-se mais proeminente, promovendo seu evangelho social. E depois veio a Igreja Emergente.

Se você perguntar a dez cristãos o que é a Igreja Emergente, provavelmente nove deles ficarão sem ter o que dizer. Não obstante, ela está devorando denominações e igrejas inteiras que antes eram sólidas.

Então, o que é realmente esse fenômeno? Primeiro, ele é místico. Baseia-se em práticas dos antigos “padres do deserto”,* tais como oração contemplativa e meditar caminhando por um labirinto. Inclui também a yoga – tudo para chegar mais perto de Deus. Algumas de suas práticas deixam a pessoa em um estado alterado de consciência. Os emergentes não estão realmente interessados em doutrina; em vez disso, eles querem coisas que se possa sentir, tocar, e cheirar, tais como incenso e ícones.

Esse movimento reinventa o Cristianismo

Ele tira seus olhos da cruz e faz com que você enfoque a experiência. A Escritura já não é autoridade. Não há absolutos, nem na Bíblia. Os emergentes afirmam que, para levarmos o mundo e a igreja para a frente, devemos voltar atrás na história da igreja e abraçar até mesmo as crenças católicas. A doutrina deles está realmente mais perto do budismo, do hinduísmo e da Nova Era do que do cristianismo tradicional.

O inferno, o pecado e o arrependimento são deixados de lado para que ninguém se ofenda. Além disso, eles afirmam que não há absolutos suficientes para podermos falar sobre inferno, pecado e céu.

Os emergentes dizem que estão tentando proporcionar “significado a esta geração”. O que isso significa? No final do século XX, surgiu um anseio para atingir a geração pós-moderna. Conheça o termo pós-moderno! Ele é usado para descrever a geração de menos de 30 anos. E, conforme os emergentes, para alcançar essas pessoas, as tradições antigas tinham que ser abolidas.

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem.

Infelizmente, os recursos que eles escolheram para fazer isso estão mais de acordo com a adivinhação do que com qualquer outra coisa.

E, o que dizer sobre a escatologia deles? E sobre Israel? Como o enfoque deles é o evangelho social, eles estariam mais de acordo com a teologia do “Reino Agora”, de “tornar o mundo perfeito”. Eles não entendem literalmente nenhuma parte da escatologia bíblica (doutrina das coisas futuras, profecia) – consideram-na alegórica. Israel seria comparável a uma “república de bananas”. A ênfase está no Reino de Deus agora e não nas admoestações das Escrituras sobre o retorno iminente de Cristo em um julgamento que está por vir.

Agora chegamos a um problema muito importante

Essas pessoas são chamadas de evangélicas. De fato, a revista Time disse que o líder emergente Brian McLaren era um dos 25 evangélicos mais influentes no mundo. Um dos livros de McLaren tem o título de Everything Must Change (Tudo Tem Que Mudar). Aí está, a partir do próprio líder: a igreja deve mudar para a cultura dos tempos modernos. As maneiras antigas devem ser descartadas e novas maneiras estão aí; mas elas não são sensatas nem confiáveis.

Outro líder destacado é Rob Bell. Seus vídeos têm sido vistos em todo tipo de igreja evangélica. Em torno deles os grupos de estudos bíblicos das igrejas se juntam, examinando-os e adotando-o como um cristão fantástico do século XXI com novas idéias. O problema é que uma de suas  chocantes afirmações foi: “Essa não é apenas aquela mesma mensagem com novos métodos. Estamos redescobrindo o cristianismo como uma religião oriental”.

Para os pós-modernos, a mensagem sólida do Evangelho é dogmática demais e arrogante. Os emergentes diriam que um evangelho mais moderado tinha que ser inventado para ser aceito pelas massas dentro dessa geração mais jovem. Na foto, o líder emergente Rob Bell

Outros líderes proeminentes da Igreja Emergente incluem: Doug Pagitt, Dan Kimbal, Tony Jones, Dallas Willard e Robert Webber. Há outros, mas a lista é longa.

 Em poucas palavras, a ação social supera as questões eternas; os sentimentos subjetivos são preferidos à verdade absoluta; a experiência se sobrepõe à razão.

Agora você tem alguns dos pontos básicos à sua frente. Espalhe a notícia de que um movimento relativamente novo está seduzindo milhões e que ele não é sadio, não é bíblico, e é alarmante. Essa Igreja Emergente pode fazer a sua igreja afundar!

Fonte: Jan Markell, Israel My Gloryhttp://www.chamada.com.br)

Jan Markell é fundadora/presidente de Olive Tree Ministries em Minneapolis, MN, EUA.

Por DISCERNIMENTO CRISTÃO

De Saulo a Paulo (At9.1-20)

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Muito se tem falado sobre Saulo e sua conversão. De grande perseguidor dos cristãos, a apóstolo dos gentios. De perseguidor, a perseguido… De comandante, a comandado…  De zeloso  fariseu,  a apóstolo de Cristo… Era Saulo, e tornou-se Paulo.

 Saulo, de Tarso, é como era chamado, em referência a sua cidade natal, na Cilícia (At 21.39). Era filho de uma família judaica, da Tribo de Benjamim(Rm 11.1; Fp3.5).

Fariseu de nascimento; filho de fariseus (At 23.6), era “irrepreensível na justiça da Lei” (Fp 3.6). Seu paí era cidadão de Tarso (At 21.39) e cidadão romano (At 22.28), cidadania esta que Paulo invocava quando lhe era preciso, como em At 22.24-30.

Instruído aos pés de Gamaliel (At 22.3), culto e de formação rabínica, não podia entender que Jesus fosse o mesmo Messias anunciado na Lei; considerando isso a maior de todas as blasfêmias contra Deus; vindo daí o seu ódio e a implacável perseguição que impunha aos cristãos.

No apedrejamento e morte de Estevão, diz-nos o texto que  “As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo ” (At 7.58). Lá estava ele, ainda jovem, perseguindo e comandando a execução dos cristãos.

Em At 8.3, vemos que Saulo “assolava as igrejas, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere”. Podia fazer isso, por sua dupla cidadania. Pelo poder religioso do jovem fariseu, e pelo poder policial do cidadão romano.

E é respirando ainda esse ódio, que o vemos pedindo ao sumo sacerdote que lhe desse carta de autorização para as sinagogas de Damasco para que, indo àquela cidade, se acaso “achasse alguns que eram do CAMINHO, assim homem como mulheres, os levasse para Jerusalém”. (A{9A,2).

Foi aí, na estrada de Damasco, que se deu o encontro mais importante da sua vida. o encontro que mudou o seu nome, a sua vida, e o seu destino.

Lá se vaí Saulo, o perseguidor, com sua comitiva… “Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor e, caindo por terra. ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? ” (At 9.3,4).

Foi como um relâmpago que caí por perto… Um brilho intenso e súbito, acompanhado de estrepitoso estrondo, que sacode tudo e nos atira ao chão. Seguem-se trevas… E nós, perplexos… permanecemos mudos e quietos por alguns instantes… Saulo “caíu ao chão”. E hoje também… Muitos outros Saulos continuam a cair por terra. Essa “luz do céu” continua a brilhar de formas diferentes: na dor da perda de um ente querido… nas doenças incuráveis… nos abandonos da vida… nas falências e desgraças desse mundo… nas perdas e nas separações… Caí-se por terra e, com perplexidade, ouve-se a mesma voz que falou com Saulo no caminho de Damasco: – “Sanlo, Saulo, por que me persegues? “

- “Quem és tu, Senhor? ” (v. 5).

- “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. (v. 5).

É a voz de Deus, que muitas vezes só escutamos quando caímos por terra. Mas mesmo caídos, perplexos e abalados pelo terremoto que nos jogou no chão, ainda podemos ouvir a voz de Deus, que quer nos levantar:

- “…levanta-te, e entra na cidade, onde te dinlo o que te convém fazer” (v. 6). Antes, orgulhosos e presunçosos, dávamos as ordens. Mas agora, Deus nos mostra que convém que sejamos conduzidos com humildade.

Nós guiávamos. Agora, e hora de sermos guiados e conduzidos pela mão.

Diz-nos o texto que Saulo, “abrindo os olhos, nada podia ver” (v. 8). Esta e a situação imediata dos que caem pela Graça de Deus. Ainda não estão enxergando bem as coisas. Precisam ser conduzidos pela mão de outrem (v. 8).

E lá vai Saulo, assim… “Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu nem bebeu” (v. 9). Resolveu jejuar. Arrependeu-se. Lembrou-se da Lei e dos Profetas: “Voltei o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza”. (Dn93).

Mas Deus já providenciara também alguém para conduzi-lo e para ajudá-lo nesses primeiros passos da sua nova vida como Paulo. (Às vezes, como aconteceu com Paulo, a gente resiste tanto ao Amor de Deus… A gente custa tanto a tirar de campo a nossa vaidade, o nosso orgulho, e a nossa presunção, que é preciso Deus nos derrubar, para que acordemos… E preciso cegar os nosso olhos físicos, para que possamos enxergar com os olhos do coração…).

Deus escolhe Ananias para ajudar Paulo. Mostra-lhe, numa visão, que Paulo tinha sido levado para a casa de Judas, numa rua chamada Direita, na Cidade de Damasco… onde estava orando… (w. 1o,11).

Embora   Ananias   resistisse,   a princípio, porque conhecia bem a fama de Saulo… obedece a Deus, e vai… porque era um cristão! Encontra Paulo; impõe sobre ele as mãos; ora, e Paulo começa a enxergar: “lhe caíram dos olhos como que umas escamas… e, a seguir,… levantou-se  e foi batizado”. (vv. 12 e 18).

Arrependimento – Jejum – Oração – e Batismo.

O Senhor derrubou… e o Senhor curou. Caiu Saulo e levantou Paulo. Caiu, para morrer Saulo; e levantou-se, para nascer Paulo, pelo Batismo cristão. Essa é a necessidade mais urgente após a conversão. Paulo estava há três dias sem comer e sem beber… em oração. Devia estar com fome, mas a primeira coisa que fez ao levantar-se, não foi buscar um prato de comida: foi batizar-se… Porque, convertido, a sua fome espiritual era muito maior. E ele não perdeu tempo. Foi batizado por Ananias, ali mesmo, na casa de Judas, na cidade de Damasco: “Levantou-se e foi batizado”(At 9.18).

Saulo tinha caído, cego… Paulo se levantou… começando a enxergar… E foi assim que foi batizado!

E você, meu irmão? Está de pé, ou caído? Já se levantou, ou está se levantando? Já ouviu o chamado de Deus ou o está ouvindo agora? o que e que você está esperando? Se você hoje é Paulo, nos queremos ser Ananias !

É POR ISSO QUE ESTAMOS AQUI.

MARCELO A. L. CARDOSO

Maluco por Jesus

Igrejas “sem a presença de Deus” (?): Legalismos e Arrogância de Pastores e Líderes – DÊ UM BASTA NO AUTORITARISMO RELIGIOSO – Busque a Deus em outras DENOMINAÇÕES que servem ao Senhor “de verdade” !

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O problema principal da Igreja hoje não é a falta de oração, de estudo da Bíblia, de fé ou de dedicação. O problema é mais profundo. Algo tornou-nos tão fracos, que não queremos orar, ou ler a Bíblia. Eliminou-se, de nós, o entusiasmo pelas coisas de Deus.

Onde está o problema? Quando o cerne do Evangelho não é bem entendido ou bem ensinado, o esgotamento espiritual alcança-nos mais cedo ou mais tarde. Os sintomas deste esgotamento são Igrejas sem nenhum entusiasmo; Igrejas que não refletem o amor de Deus, pois nunca o experimentaram de verdade; igrejas onde Cristo está do lado de fora.

O que aconteceu? Onde se perdeu o fabuloso legado espiritual, que deveria chegar até nós, já que, por ele, foi pago um alto preço na cruz e um alto preço pelos milhares de mártires, mortos por amor de Cristo?

No princípio da história da Igreja, ocorreram dois graves desvios que alcançaram até a Igreja de hoje:

1) O Cristianismo como religião e não como relacionamento com Cristo
Jesus Cristo debateu veementemente o farisaísmo, pois eles ensinavam ao povo que deveriam buscar a aceitação de Deus, mediante méritos pessoais. As palavras mais duras de Jesus foram dirigidas aos fariseus, pois uma carga muito grande estava sobre o povo, dificultando o acesso dos mesmos a Deus. E Jesus debateu esse desvio, pois Ele sabia que ao longo da história da sua Igreja, muitos ficariam no meio do caminho por causa do cansaço espiritual.

Jesus ensinava ao povo que eles eram livres para amar a Deus, e que o Evangelho era simples:…“amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.” Não ao legalismo, não à religiosidade. “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados que eu vos aliviarei…”.

Se alguém encara a vida com Deus entendendo que precisa fazer de tudo para agradá-LO; que precisa trabalhar muito no Reino para tirar um sorriso dos lábios do Senhor; que precisa melhorar o desempenho espiritual visando garantir um terreninho no céu… Saiba que todo esse sacrifício é vão!

A graça é tudo de maravilhoso que poderia acontecer para o ser humano. É de tirar o fôlego! Estamos livres para amá-LO. Não precisamos, desesperadamente, buscar agradar a Deus, pois Ele morreu por saber que nós NUNCA conseguiríamos agradá-LO por nós mesmos. Por causa da cruz, somos declarados puros, diante de Deus, mesmo não o sendo. Fantástico! O esgotamento espiritual vai embora, se as pessoas souberem que Deus quer um coração conquistado, por essa graça, não um coração ansiando arrumar um jeito de escapar do inferno.

Este é o primeiro desvio que têm minado a Igreja de Cristo hoje. O legalismo dos fariseus alcançou-nos, afastando-nos do entendimento do puro Evangelho.

2) A graça foi barateada
O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer nos sinaliza o segundo desvio sério que alcançou a Igreja de hoje. A graça foi barateada. Que é graça barata? É a pregação do perdão sem arrependimento, graça sem cruz, graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado, graça sem discipulado. Significa justificação do pecado e não do pecador. Graça sem preço, sem custo.

O que é graça preciosa? É o tesouro por amor do qual o ser humano sai e vende tudo o que tem com alegria; é o amor tão intenso a Jesus Cristo pelo qual, o ser humano arranca o olho que o faz tropeçar; é o chamado de Jesus, pelo qual o discípulo larga suas redes e o segue. É preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. É preciosa por ter custado a Deus a vida de seu Filho. “Vocês foram comprados por preço”. É preciosa porque não pode ser barato a nós aquilo que custou caro a Deus.

Com a expansão do Cristianismo e a secularização crescente da Igreja, a consciência da graça preciosa perdeu-se gradualmente. Tornou-se barata. O mundo estava cristianizado, a graça passou a ser propriedade comum de um “mundo cristão”. Mas a Igreja católica, ainda bem, manteve o monasticismo, pois nele se mantinha viva a consciência da preciosidade da graça. Por amor de Cristo, homens e mulheres abandonavam tudo quanto possuíam. Mas a vida monástica era uma coisa para poucos, não para a massa do povo cristão. Era duro demais. Passaram a serem encaradas essas duas esferas de obediência cristã: uma mais severa e outra mais branda.

Qual o erro do monasticismo e onde ele se distanciou do Cristianismo? Não foi no caminho do discipulado rigoroso e na tentativa de obediência perfeita, mas foi por deixar-se transformar ele próprio na realização excepcional, voluntária, de uns poucos, reivindicando, assim, mérito especial para si. A mudança tinha que acontecer nos recônditos mais íntimos do ser e não em demonstrações superficiais.

Esse desvio tem minado a vida da igreja, pois ela não passa apenas de uma opção morna, enfraquecida, que nos constrange ao lembrarmos-nos dos milhares de cristãos que morreram porque entendiam que ser cristão significava renúncia, significava morrer por Cristo. Tudo infinitamente mais do que encontrarmos com os irmãos, uma vez por semana, para reclamarmos do Pastor e da vida medíocre que levamos no Reino.

Não estejamos no time de cristãos que, por não compreenderem a graça, pensam que precisam se superar para agradar a Deus. E também não fiquemos entre aqueles que pensam que tudo já foi feito na cruz e por isso podem levar uma vida onde a convivência com o pecado é tranquila, sem crise. Fiquemos no ponto de equilíbrio, caro leitor, o qual a graça o alcançou e é preciosa demais, pela qual, por amor, você é impulsionado a largar tudo por Jesus e dizer, sem titubear: “Já estou crucificado com Cristo e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2.20).

Cristiane Molulo

A-BD

A Nova REFORMA Protestante !!!

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Matéria publicada na Revista Época
Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

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Irani Rosique (crédito: Revista Época)
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

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Miguel Uchôa e bispo Robinson Cavalcanti,
da Diocese do Recife (crédito: Revista Época)
Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”

Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

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Comentário de Leonardo Gonçalves:

O leitor do Púlpito Cristão sabe que não endossamos, sob nenhuma hipótese, o open theism (ou teologia relacional – pintam o poço, mas a água é a mesma) que transparece nos textos do Ricardo Gondim e de Ed René Kvitz, ao mesmo tempo que nos identificamos com Paulo Romeiro, Augustus Nicodemus e Ricardo Agreste, bem como apoiamos a marcha pela ética evangélica, realizada por Paulo e Vera nos dois últimos anos. Somos conservadores em nossa teologia, embora amplamente abertos ao debate cultural e novas perspectivas missiológicas.

Definitivamente não somos um grupo de teólogos liberais querendo modificar o cristianismo; somos cristãos apaixonados que buscam viver e ensinar a essência perdida do evangelho de Cristo. No entanto, a presente matéria é extremamente importante, pois nela fez-se distinção entre a liderança corrupta, mensaleira e vergonhosa, e crentes sinceros – ainda que imperfeitos, demonstrando que nem todo mundo é farinha do mesmo saco-gospel.

Espero (e oro) para que cada vez mais pessoas possam reconhecer essas diferenças, que mais gente entenda que existem pastores honrados, comunidades sérias e crentes pensantes – não intelectualóides, mas pensantes – que estão seriamente preocupados com os rumos da igreja evangélica brasileira.

Púlpito Cristão (Por Ricardo Alexandre)

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Semana passada (*) eu colaborei com a revista Época, edição nacional, com a reportagem de capa “A nova reforma protestante”. Foram nove meses para apurar, escrever, pautar fotos e editar sob condições de trabalho que raramente temos nessa profissão. Em termos de repercussão e alcance, talvez seja o trabalho mais importantes nos meus 17 anos de carreira. E também o que envolveu a maior quantidade de sentimentos e convicções pessoais e profissionais.

Evidentemente, apesar do espaço ocupado (nove páginas), a reportagem era só uma introdução a um tema sem fim, a saber: há uma movimentação entre igrejas e movimentos evangélicos que dialoga com o público mais esclarecido leitor da Época e que não só não se parece com o tipo de “gospel” que ele vê nas páginas policiais como o rechaça tanto quanto o nosso leitor. Que esse movimento, no fundo, é mais uma tentativa de recuperar a “igreja” a qual Jesus Cristo se referia em Mateus 16:18, daí o título – “nova reforma protestante”, sem pretensões de cunhar nenhum termo realmente. Para quem ainda não leu a reportagem, o link oficial é este aqui, mas um monte de gente reproduziu o texto na íntegra, como o Pavablog.

Fiquei muito feliz e grato a Deus pela forma com que o espírito da reportagem foi bem compreendido. A própria página de comentários do site da Época se transformou em palco de discussões muito lúcidas e inteligentes. Confira aqui.

E achei muito bacana que o texto tenha dado origem a discussões importantes em outros fóruns. Abaixo, peço licença para fazer uma pequena lista dos que mais me chamaram a atenção:

Augustus Nicodemus Lopes, a quem respeito e admiro enormemente, usou da reportagem para aprofundar a discussão sobre o liberalismo teológico em seu blog O Tempora! O Mores!

Paulo Siqueira, do site As Pedras Clamam, fez uma excelente prospecção do texto à luz do pentecostalismo. Ele toca em um ponto para o qual eu nunca havia atentado: a falta de uma teologia pentecostal. Seu texto está aqui.

Quem se interessa por design e jornalismo, eu recomendaria este post do blog Faz Caber explicando como a capa da revista foi concebida.

Uma das críticas mais comuns feitos pelos irmãos pentecostais é que eu teria pegado pesado demais em definir a visão neopentecostal do dízimo. No texto, eu disse que o discurso de igrejas adeptas da teologia da prosperidade é que a fidelidade do crente é usada pelo fiel na esperança de constranger Deus a resolver seus problemas pessoais. “Ninguém pode constranger a Deus!”, várias pessoas me escreveram dizendo. Bem, não fui eu quem disse isso, foi o Edir Macedo. Veja com seus próprios olhos: “Se nós fizermos nossa parte num pacto com Deus, passamos a ter o direito de cobrar dEle Suas Promessas. E Ele, por sua vez, fica obrigado a cumprir a parte dEle.”

O bispo anglicano dom Robinson Cavalcanti escreveu uma carta muito interessante dizendo-se “deslocado” do contexto da reportagem. Ele tem razão: a versão original do texto, muito maior, tinha outras aspas do bispo em contextos mais adequados, como o papel da igreja protestante na política brasileira. Na edição final, ele acabou entrando em um contexto que pode sugerir que ele, que não tem nada a ver com todo aquele papo de “desinstitucionalização” estivesse contrariando seus princípios. Ele escreveu um comunicado no site da sua Diocese e nós o publicamos na última seção de Cartas da revista.

Evidentemente, como bem notou o Caio Fábio, o texto não defende em nenhum momento o fim das denominações tradicionais ou a destruição das igrejas instituídas. Minha intenção era mostrar que alguns movimentos mais alternativos estão, pela primeira vez, sendo analisados com seriedade pelas igrejas históricas e muitas de suas lições estão sendo debatidas e, eventualmente, assimiladas. O pastor Miguel Uchoa, também da Diocese do Recife da Igreja Anglicana publicou um post muito interessante e equilibrado sobre isso. [Em grande parte, o texto de Uchôa é a reproduçao de um artigo deste blog - Nota do editor]

Bem, e falando em Caio Fábio, no vídeo abaixo, o pastor diz que a reportagem não tem nada de novo e mostra “todo o seu carinho” aos pastores entrevistados por mim. Você pode tirar suas próprias conclusões, mas não pode deixar comentários na página do Youtube:

No dia seguinte, ele postou novo vídeo, talvez para se fazer entender melhor. Chamou todo mundo de “bundão” outra vez:

Por último, gostaria de fazer um esclarecimento e uma correção. O esclarecimento é que, ao contrário do que o Caio sugere, eu não congrego em nenhuma das comunidades citadas na reportagem e nunca havia sequer conversado com nenhum dos pastores antes de começar a reportagem. Muito menos recebi a pauta por encomenda. Foi uma idéia minha que eu apresentei à Época no final do ano passado e que assumi com a condição de não ter data para entregar – e a própria pauta mudou algumas vezes durante a apuração, como deve ser durante um trabalho de apuração honesto. Desculpe se isso soa arrogante, mas eu jamais faria um trabalho nas condições de isenção e ética discutíveis como as que o reverendo sugere.

A correção que eu gostaria de fazer já foi publicada na edição 639 que está nas bancas, mas vale aprofundar aqui: há um erro de informação histórica naquele quadro “Redenção e rupturas” que tenta explicar graficamente a história e os principais grupos cristãos. Fui frustrado na tentativa de sintetizar a frase original, que falava da conversão de Constantino e da oficialização do cristianismo como religião oficial do Império Romano, feita por Teodósio em 380 dC. O que Constantino fez, convertido ao cristianismo do jeito dele, foi garantir a liberdade religiosa e revogar o culto imperial como religião oficial. Evidentemente, ele lançou as bases de prática cristã que seriam oficializadas algumas décadas depois, mas a informação editada estava mesmo errada. Fui cortando e cortando até caber no lay-out e o texto ficou com o nome de um e a data do outro. Milhões de perdões e obrigado pelas dezenas de pessoas que escreveram notando o vacilo.

***
Fonte: Causa Própria. Divulgação: Púlpito Cristão

Comentário de Leonardo Gonçalves:

Conforme já expressei no comentário que fiz à matéria por ocasião da sua publicação, eu mesmo não endosso, sob nenhuma hipótese, a teologia liberal de alguns dos caras citados na matéria, nem estou tentando destruir nenhuma instituição. Definitivamente não quero nem por um segundo modificar o cristianismo; apenas desejo viver e ensinar a essência perdida do evangelho de Cristo.

A matéria de Ricardo Alexandre na revista Época foi singular ao fazer distinção entre a liderança corrupta, mensaleira e vergonhosa, e crentes sinceros – ainda que imperfeitos, demonstrando que nem todo mundo é farinha do mesmo saco-gospel. Por isso, mesmo havendo citado liberais, neo-ortodoxos e conservadores como se fossem jogadores de um mesmo time (não intencionalmente, talvez, mas foi o que acabou parecendo), esta foi uma das poucas matérias que tratou não retratou os evangélicos de modo estereotipado. Mais uma vez, parabéns ao Alexandre e à revista.

Quanto ao reverendo Caio Fábio e seus pronunciamentos videografados, penso que ele definitivamente estava “com a bunda na boca”, e isso de um modo assustadoramente literal (risos). Concordo plenamente com Caio quando ele diz que a igreja evangélica precisa de regeneração, mas não entendo esta obsessão por “desinstitucionalizar” o cristianismo, como se as instituiçoes fossem o demônio. Concordo menos ainda quando o caminho da desinstitucionalização passa pela criação de uma nova instituição (como o Caminho da Graça), o que denota pouco bom senso.

Precisamos continuar repensando o cristianismo, não em suas doutrinas centrais, mas buscando melhores formas de transmití-las com fidelidade, e confrontando todo despotismo, simonismos neopentecostais e a avareza da liderança evangélica, mas devemos ter muito cuidado enquanto fazemos isso, pois se esta “nova reforma” perder o rumo agora, será muito difícil reencontrar os trilhos lá na frente.

(*) A reportagem saiu na Época, dia 9 de agosto de 2010

Ideologia Mercenária nas Igrejas

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O recente pronunciamento de Índio da Costa sobre o envolvimento de partidos políticos e as FARC, grupo terrorista colombiano, embora não seja nenhuma novidade, tem levantado o debate sobre a legitimidade da guerrilha da Colômbia. Antes de continuar, permita-me esclarecer que não defendo Sendero, nem FARC, nem Fidel Castro. Sou a favor da liberdade de consciência, e me oponho a tudo aquilo que restrinja meu direito de pensar. Lugar de terrorista é na cadeia, e quem se vale da ilegalidade do tráfico de drogas e armas não deveria ser chamado de soldado.

Agora, não pense que eu estou escrevendo isso para fazer uma defesa do Exército Brasileiro ou apenas para demonstrar minha discordância com a guerrilha colombiana ou com os partidos políticos. Eu apenas tomei emprestada essa analogia para exemplificar uma realidade comum ao cristianismo, pois cada dia que passa eu me dou conta que os guerrilheiros estão se apoderando do evangelho, enquanto está cada vez mais raro deparar-se com um verdadeiro soldado.

Mas qual é a diferença entre um soldado e um guerrilheiro? A linha que os divide parece um tanto tênue. Observe que os membros de uma guerrilha quase sempre têm uniformes, coturnos, armas e munição, rádios comunicadores e até se falam com jargões militares. Eles também possuem uma hierarquia, passam por um treinamento severo, tudo muito parecido com um exército “formal”. Apesar disso, não possuem a legitimidade de um verdadeiro exército. Por que razão? Ora, o motivo é simples: Os grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, enquanto soldados lutam pela pátria, estão sob comando da nação e a serviço do seu país. Deu para entender? Vou repetir a idéia: grupos guerrilheiros lutam por sua própria ideologia, por seus interesses comuns, por sua utopia particular, enquanto soldados lutam pela pátria. Captou?

Diante dessa confirmação, eu pergunto a você: Quais os interesses que movem os pastores, missionários e a liderança evangélica de modo geral? Por quem lutam? Seriam eles soldados ou guerrilheiros? Em um conflito de ideologias, qual força prevalece: a claridade das Escrituras ou a força de um estatuto? A palavra de Deus ou as palavras dos homens? O amor à Deus ou o apego à tradição denominacional? Por quem nossos líderes estão lutando?

Ainda lembro com tristeza das muitas vezes que tive que abster-me de gostos e gestos, de interesses e afinidades não porque a bíblia condenava minha conduta, mas porque o mesmo ia contra os famigerados “usos e costumes denominacionais”. Quantas vezes, na minha adolescência e juventude deixei de jogar bola, de freqüentar a piscina do clube, de tomar banho de cachoeira e outras diversões inocentes só para não ir contra as imposições do ministério? Transformaram-me em alguém que eu não era, violentaram a minha individualidade, e eu, simplesmente me deixei levar pela ideologia do grupo, pensando que ao final do treinamento me converteria em um bom soldado. Qual não foi a minha decepção quando descobri que haviam me transformado em um guerrilheiro!

Colegas pastores, ouçam por um momento este jovem que não tem direito sobre vocês, mas que os adverte e exorta com amor de um irmão: Por quem é que nós lutamos? Pelo reino de Deus ou pelos “reinos” dos homens? E se é pela glória de Deus, então alguém me diz, por favor, por que raios os imperativos deste reino não prevalecem nas discussões de Ministério ou nas mesas das Convenções? Porque é que nos recusamos a ensinar certos princípios bíblicos por reverencia a tradições retrógradas que muitas vezes estão em aberta oposição aos princípios do Reino? Será que já não lutamos pelo Reino? Já não defendemos nossa Pátria? Já não somos soldados dAquele Senhor?

Vejo em nossos dias homens e mulheres dispostos a morrer por um ministério, tatuando o rosto do seu apóstolo predileto nas costas, marchando (literalmente marchando!) alienados pelas idéias particulares de coronéis do evangelho, batendo continência para bispos, bispas, apóstolos e patriarcas cuja honra há muito se perdeu, e pergunto se não estamos rodeados por guerrilheiros, os quais andam muito preocupados com “seus evangelhos”, com “suas verdade”, com “seus reinos”, quando deveriam marchar como verdadeiros soldados aos quais somente importam as ordens do verdadeiro General.

Não quero dizer com isso que não se deve obedecer pastores, nem que seja um pecado honrá-los. O mandamento é bíblico, mas não existe nas Escrituras nenhuma razão que nos obrigue a honrar aqueles que negociaram o evangelho, mercadejaram a fé, se corromperam no poder e perderam a honra. Devemos obedecer àqueles que, orientados pela ideologia do Reino, nos guiam na batalha e demonstram fidelidade ao Deus que os comissionou. Quanto à geração de líderes caídos, vendidos e reprovados, valho-me das palavras de Pedro: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”.

Há tempos venho observando essa guerrilha boba, e há muito já não cedo à suas ideologias e interesses. E como sempre acontece nas ditaduras comunistas, todos aqueles que ousam se opor ao status quo e lutar pela liberdade são taxados de rebeldes, são a “força inimiga”, os “traidores”. Assim, por uma grande ironia, no dia em que decidi lutar pelo meu Senhor aceitando o desafio de ser um autêntico soldado, meu antigo exército me perseguiu, me humilhou, me chamou de rebelde. Quando desejei com toda minha alma ser soldado, a “igreja” “evangélica” me transformou em um guerrilheiro subversivo. Que contradição!

Mas isso já não me importa, pois soldado que é soldado não teme enfrentar um grande exército. Prefiro ir à guerra com 300 valentes que amam à Deus do que lutar ao lado de 32 mil que buscam seus próprios interesses. Nem sempre a verdade está com a maioria, e tratando-se do evangelicismo brasileiro, está cada vez mais provado que a lógica não prevalece.

Mas e você, amigo leitor? Você é Soldado ou Guerrilheiro? De que lado você está?

Nós, os EVANGÉLICOS, não nos intimidaremos (tudo, para honra e glória de Deus, por Jesus Cristo) ! A “PALAVRA DE DEUS” será pregada, ainda que custe as nossas vidas ! Aleluia !!!

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Época de eleições. Tempo de direcionar os novos rumos da liderança no nosso país. Chega o momento de escolher os representantes do povo.

Como Igreja, temos também o dever de usar bem nosso voto. Há leis que tramitam que, sendo aprovadas, limitarão, e muito, o nosso cotidiano na igreja. A Reforma Constitucional que está sendo proposta no Congresso são mudanças no texto da Constituição que garantem a liberdade de culto.

Se aprovadas, fica proibido, por exemplo, culto fora das igrejas (seria o fim das campanhas evangelizadoras), e os cultos religiosos só seriam realizados com portas fechadas.

Eis, então, alguns projetos e leis que podem mudar a forma de se evangelizar no Brasil.

Projeto nº 4.720/03 – Altera a legislação do ‘imposto de renda’ das pessoas jurídicas.

Projeto nº 3.331/04 – Altera o artigo 12 da Lei nº 9.250/95, que trata da legislação do imposto de renda das ‘pessoas físicas’.

* Se convertidos em Lei, os dois projetos obrigariam as igrejas a recolherem impostos sobre dízimos, ofertas e contribuições.

Projeto nº 299/99 – Altera o código brasileiro de telecomunicações (Lei 4.117/62).

* Se aprovado, reduziria programas evangélicos no rádio e televisão a apenas uma hora.

Projeto nº 6.398/05 – Regulamenta a profissão de Jornalista

* Contém artigos que estabelecem que só pessoas com formação em Jornalismo poderão fazer programas de rádio e televisão. Significa que pastores sem a formação em jornalismo (mesmo com a queda do diploma do curso) não poderão fazer programas através desses meios.

Projeto nº 1.154/03 – Proíbe veiculação de programas em que o teor seja considerado preconceito religioso.

* Se aprovado, será considerado crime pregar sobre idolatria, feitiçaria e rituais satânicos. Será proibido que mensagens sobre essas práticas sejam veiculadas no rádio, televisão, jornais e Internet. A verdade sobre esses atos contrários a Palavra de Deus não poderá mais ser mostrada.

Projeto nº 952/03 – Estabelece que é crime atos religiosos que possam ser considerados abusivos a boa-fé das pessoas.

* Convertido em Lei, pelo número de reclamações, pastores serão considerados ‘criminosos’ por pregarem sobre dízimos e ofertas.

Projeto nº 4.270/04– Determina que comentários feitos contra ações praticadas por grupos religiosos possam ser passíveis de ação civil.

*Se convertido em Lei, as Igrejas Evangélicas ficariam proibidas de pregar sobre práticas condenadas pela Bíblia Sagrada, como espiritismo, feitiçaria, idolatria e outras. Se o fizerem, não terão direito a se defender por meio de ação judicial.

Projeto de nº 216/04 – Torna inelegível a função religiosa com a governamental.

* Significa que todo pastor ou líder religioso lançado a candidaturas para qualquer cargo político, não poderá de forma alguma exercer trabalhos na igreja.

Existem outros projetos em andamento que ferem princípios bíblicos, entre eles o casamento de homens com homens e mulheres com mulheres (a famosa PL 122/06), o estabelecimento de um dia oficial do ‘Orgulho Gay’ em todas as cidades brasileiras, a determinação de cultos de portas fechadas, entre outros.

Portanto, oremos e saibamos em quem votar. Escolhamos homens que (junto aos outros que serão eleitos e defenderão a família e, principalmente, o Evangelho) saibam nos representar, reprovando essas reformas.

A-BD

http://malucoporjesus.wordpress.com

Teologia Sistemática (Parte II)

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8) TIPOS DE OFERTAS DADAS AO SENHOR:

No A.T., a oferta tinha vários propósitos sacrificiais para Deus:

hebraico“hxnm minchah”-sign.:OFERTA DE MANJARES – para repartir, conceder; presente, tributo, oferta,oblação,oferta para Deus, de cereais (Gn.4:3;Lv 2.1-16; 6.14-23).

Jesus, nosso presente enviado por Deus, que nos ofereceu a salvação, gratuita.  

 

hebraico “hmwrt t@ruwmah ou hmrt t@rumah”-Siq.OFERTA ALÇADA DE CEREAL-(Contribuição)-2 Cr.31:3; Ed.8:25; Ez.45:16 para exaltar,tornar conhecido; erguer, dinheiro.(Ex.25:2).

Jesus;nossa oferta moída,como grão de trigo moído, vendido por dinheiro (ls.53:5).

 

• hebraico “hntm mattanah” Sig.: OFERTA DE CONSAGRAÇÃO – Presentear com a idéia de garantia, compromisso, entrega e consagração.(Ex.28:38); Jesus é nossa garantia de vitória, que se entregou por nós e se comprometeu a voltar para nós.

 

• hebraico ”hva ‘ishshah” – Sign.: OFERTA QUEIMADA (holocaustos) pelo fogo da ira de Deus no altar; oferta feita com fogo.(Ex.29:18).Animal é queimado totalmente; o animal inteiro era sacrificado; couro era dos sacerdotes.O fiel colocava as mãos sobre o animal; sangue aspergido sobre o altar.

Representa o sacrifício de Jesus na Cruz.  

 

• hebraico “hpwnt t@nuwphah”- Siqn.:OFERTA MOVIDA como pecado atirado longe pela mão de Deus;balanço, ondulação. (Ex.29:26)

Jesus lançou para longe de nós, nossos pecados).

 

• hebraico “hajx chatta’ah ou  tajx chatta’th” – sign. OFERTA PELA CULPA em sua condição, culpa, punição e purificação dos pecados de impureza cerimonial. (Ex.29:36);

Jesus foi punido pelos nossos pecados e cerimonialmente nos purificou com seu sangue.

 

• hebraico “Kon necek ou Kon necek” – OFERTA DE LIBACAO: -algo derramado como imagem fundida, moldando novo ser (Ex.29:41);tipo de oferta em que se derramava vinho (Lv 23.13)

Jesus derramou seu sangue para nos propiciar um novo nascimento.

 

• hebraico “xyr reyach xwxyn nichowach ou  xxyn niychoach”-Sign.OFERTA DE PERFUME AGRADAVEL-Deus teve prazer, sentiu cheiro e trouxe calma, suave,tranqüilo.(Ex.29:41);

O sacrifício de Jesus nos fez ser agradáveis a Deus; o seu ato cumpriu a lei e fomos salvos.  

 

• hebraico “hbdn n@dabah” – Sign.: OFERTA VOLUNTARIA - Ser incitado e impelido pelo Espírito Santo; de livre vontade. (Ex.35:29);

Jesus foi impelido pelo Espírito Santo ao deserto, e de livre vontade se ofereceu para morrer por nossos pecado..  

 

• hebraico e aramáico “Nbrq qorban ou  Nbrq qurban” – Sig.:OFERTA DE OBLAÇÃO – e em grego korban korban e  korbanav korbanas Dom oferecido a Deus como tesouro sacro; como a santa ceia. Chegar perto de Deus c/oferecimento de pão,vinho,farinha,azeite ou incenso pelo sacerdote. (Lv.1:2).

Farinha, massa cozida ou grãos com azeite e incenso. Oferta espontânea feita a Deus.

Uma parte é queimada como memorial no altar para pedir que Deus se lembrasse do fiel; sustento para os sacerdotes e o melhor que o fiel pudesse oferecer.

Representa os dízimas e ofertas a Deus.

Corpo de Jesus é o pão e seu sangue é o vinho e ele foi moido como oliva. para enviar o Espírito Santo. 

 

• hebraico “tyvar re’shiyth” -Sign.: OFERTA DAS PRIMICIAS - Primeiro, parte principal, selecionada, (sentido de sacudir); O Senhor é cabeça principal (Lv.2:12).

Também • hebraico “rwkb bikkuwr- Primeiros frutos da colheita e frutas maduras colhidas, oferecidas como no ritual do Pentecoste e pão feito dos grãos novos de trigo.(Lv.2:14). 

Jesus é o primeiro a ressuscitar dentre os mortos.

 

• hebraico “rpk kaphar” – Sign.: OFERTA PELO PECADO - Sentido de cobrir, purificar, fazer expiação e reconciliação, como arca de Noé, com betume. (Lv.5:10).

Quando alguém pecava contra outra pessoa ou contra Deus, este pecado profanava o lugar santo e deveria ser purificado.

Sangue do sacrifício era aspergido como sinal de morte ocorrida purificando a profanação.

Se o fiel visse o sacerdote comer a carne sem sofrer dano, Deus tinha aceito seu arrependimento.

Representa o sangue de Jesus cobriu nossos pecados, fez expiação e nos reconciliou como arca da vida e nosso intercessor.

 

• hebraico ”Mva ‘asham”-Sign.:OFERTA PELA IGNORANCIA-Sentido: Reconhecer ofensa e sentir-se incriminado pelo pecado de não conhecer Lei; (Lv.5:15)

Jesus nos salvou e gera arrependimento nos homens ao ouvirem evangelho.  

 

•hebraico “xbz zebach” – Sign.: SACRIFICIO DE GRATIDAO OU AÇAO DE GRAÇAS - Deus abateu o sacrifício no julgamento divino (Lv.7:12):

Também hebraico “hdwt towdah – Dar sacrifício em louvor a Deus, com confissão e gratidão pois Deus expulsou o pecado (2 Cr.29:31);

Jesus nos deu um novo motivo para agradecermos a Ele e a Deus pela salvação.  

 

• hebraico “Mlv shelem”-Sig.: OFERTA PACÍFICA - Fazer as pazes com Deus; retribuição, sacrifício por aliança ou amizade, voluntário de agradecimento. (Lv.7:14);

 Jesus é o príncipe da Paz e nos deu a Paz que o mundo não conhece.

 

• hebraico “lwlh hilluwl” – Sign.: OFERTA DE LOUVORES - Como louvor de júbilo pela alegria do brilho da glória de Deus. (Lv.19:24);

Jesus é o motivo de nosso louvor e nossa adoração a Deus pela presença do Espírito Santo.

 

• hebraico “hrkza ‘azkarah” – Sign. OFERTA MEMORATIVA - Porção da oferta de alimentos queimados para registro sempre presente diante de Deus. (Nm.5:26).

Jesus nos instituiu a Santa Ceia como Memória do que Ele fez por nós.

  

• hebraico “xop pecach” e em grego “pasca pascha”Siqn. OFERTA DE PASCOA - Como festa de sacrifício da vítima; Deus passou por cima de nossos pecados, ainda que mancamos.(Dt.16:2).

Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, morto.

Vemos que o propósito desses sacrifícios cumpre-se em Cristo;sacrifício perfeito; qualquer outro meio é maldito.

9) OS PASSOS PARA  A  APRESENTAÇAO DE UM SACRIFICIO DE ANIMAIS:

Com variações, são os seguintes passos:

a) Ofertante se purificava e animal era examinado por funcionários do Templo. Jesus foi examinado no Templo (Mt.21:23);

b) O ofertante levava o animal ao altar, que ficava do lado de fora do Templo, e o apresentava ao sacerdote. Jesus foi levado ao sumo-sacerdote (Mt.26:57) Jesus foi crucificado no Gólgota ou Calvário (Altar) fora do Templo(Jerusalém);

c) O ofertante punha as mãos na cabeça do animal como sinal de que o estava dedicando a Deus. Jesus usou coroa de espinhos na cabeça como sinal (Mt.27:29);

d) O ofertante ou o sacerdote matava o animal, cortando as artérias do pescoço. Jesus foi traspassado (Jo.19:34);

e) O sacerdote borrifava um pouco do sangue nos lados do altar. O sangue de Jesus derramou no chão (Lc.22:44);

f) O sacerdote tirava o couro, que ficava para ele. Nicodemos e outros servos de Jesus requisitaram o corpo (Mt.27:58);

g) Aí cortava o animal em pedaços e os colocava sobre a lenha do altar. Jesus disse que comamos dEle (Mt.26:26);

h) A carne era toda queimada ou só uma parte dela, conforme o tipo do sacrifício. Jesus cumpriu todos os sacrifícios.

i) Depois do sacrifício pacífico havia uma refeição comum, em que o sacerdote e o ofertante comiam parte da carne do animal. A refeição comum era a santa ceia e a igreja reunida, onde todos eram ofertantes e sacerdotes.(At.2:46).

Os sacrifícios do AT eram provisórios (Hb 10.4) e apontavam para o Cordeiro de Deus (Jô.1.29; Hb.9.9-15), cujo sangue (sua morte na cruz) nos limpa de todo pecado (1Jo 1.7).

10) EFICACIA DO SACRIFICIO:

Entre o AT e o NT, temos: O AT é imperfeito, provisório, mas bom, na finalidade e no propósito. Porque foi ordenado por Deus e estava em seu propósito, reconciliando seu povo na graça.

O israelita esclarecido trazia oferta, consciente de que não bastava estar arrependido; teria que ver o seu sacrifício ofertado e além disso, aprendia que sem o coração voltado, tudo era só formalidade. Já o NT é perfeito, eterno e novo porque somente Jesus tem a imagem de Deus e o animal não é voluntário nem traz comunhão entre ofertante e vítima.

A lei trouxe a convicção dos pecados e os sacrifícios apenas inoperavam os pecados contra a ira divina. (Rm. 3.20).

Os animais não purificam o coração dos pecadores, não aperfeiçoam o adorador, não  trazem edificação de caráter ou dão posição perfeita perante Deus.

São repetidos e oferecidos por sacerdotes falhos. Houve exceções; pessoas santas que alcançaram estatura espiritual: Abraão, Enoque e Elias, salvos por antecipação do futuro sacrifício realizado. (Hb.9:15) – Jesus justificou a todos.

NOVO TESTAMENTO: Jesus sabia desde o início, que o seu sofrimento e morte faziam parte do seu destino ordenado.

A ceia é um rito que comemora a redenção da humanidade p/sua morte, como a páscoa foi para os israelitas. Como Deus é santo, se ira contra o pecado do homem porque o homem prefere ouvir sua vontade que a do Criador.

A expiação de Jesus foi necessária e possível. O castigo do pecado foi pago no Calvário e a lei divina foi honrada.

11) MORTE DE JESUS É:

a)Expiação (cobrir, purificar, quitar, reconciliar)-Levou no seu corpo nossos pecados, afastando do transgressor;

b) Propiciação (juntar, ser favorável, reconciliar)-Jesus, o mediador, leva o pecador a Deus;  

c) Substituição - Cristo fez o que não podíamos fazer, morrendo por nós, como vítima, no altar;  

d) Redenção.tornar a comprar por um preço)-livrar da servidão, retirar do mercado; (condições:Parente, estar disposto a pagar um novo preço) Jesus veio nos resgatar (Mt.20:28);   

e) Reconclilação - Deus estava em Cristo, reconciliou o mundo (2Co.5:18).

12) TIPOS DE EXPIAÇAO: a. expiação pelo santuário, a tenda da congregação, e o altar (Lv.16.16-20); b. expiação pelo povo (Lv 16.10); c. expiação pelo sumo sacerdote (Lv. 16:6-24):

13) EFICACIA NA CRUZ: Perdão da Transgressão (Jo.1:29); Livramento do Pecado (Jo.3:5); Liberto da Morte Física e Espiritual (Jo.11:26); Dom da vida eterna (Jo.3:16) Vida vitoriosa (GI. 2:20); contra o diabo (Jo.12:31;Ap.12:11).

14) A PASCOA: “xop pecach” e em grego “pasca pascha

Do Antigo Testamento:

1-O abate do cordeiro puro, com cujo sangue foram redimidos os primogênitos israelitas.

2-A travessia do Mar Vermelho pelos judeus e a libertação do cativeiro.

3-Admissão na aliança com Deus no 50. dia após o êxodo do Egito e recebimento dos Mandamentos.

4-A peregrinação durante 40 anos pelo deserto e as diversas provações.

5-O comer do milagroso Maná enviado por Deus.

6- A edificação da serpente de cobre: os judeus contemplando, eram curados das picadas de cobras.

7-O ingresso dos judeus na terra prometida.

 

Do Novo Testamento:

1-A morte na Cruz do Cordeiro de Deus, com cujo sangue são redimidos os primogênitos cristãos.

2-O batismo liberta as pessoas do cativeiro do pecado.

3-A descida do Espírito Santo no 50º dia após a Páscoa, pelo Qual foi estabelecido o Novo Testamento.

4-A vida do cristão entre provações e sofrimentos.

5-O comer do “Pão Celestial,” Corpo e Sangue de Cristo pelos fiéis.

6-A Cruz de Cristo, à Qual os fiéis contemplando, salvam-se das ciladas do demônio.

7-O recebimento do Reino Celeste pelos fiéis.

15) FESTAS DE ISRAEL:

Páscoa e Azimos (Nisan-Março/Abril)-Cada família sacrificava um cordeiro (Deus passou por cima do pecado)Comia-se com pão sem  fermento às pressas; representa Jesus;páscoa, sem fermento;

 

Primícias (Nisan-Abril)-No último dia da festa dos ázimos, apresentava a Deus o 1a feixe da colheita – representa (Jesus-primogênito dos mortos).

 

Semanas ewbv shabuwa‘ ou ebv shabua‘ também (fem.) habv sh@bu‘ah (Pentecostes)-Março a Maio-Nisan,Lyyar e Sivan- Colheita da Cevada,Colheita Geral e vinhas)-No fim da colheita de cereais, sacerdote oferecia dois pães feitos de farinha nova e holocausto de animais, durante 50 dias.-representa a descida do Espírito Santo;

 

Trombetas hruux chatsots@rah (Ano Novo)-Setembro (Elul e Tishri)-Colheitas de Azeitonas/Aradura-O começo de cada mês assinalado pelas festas tocadas pelas trombetas (Shofar)-No 10º dia do 70º mês, anuncia-se descanso ao culto do sábado(Rosh Hashanah) Representa a Vinda do Messias.

 

Dia da Expiação Mwy yowm rpk kippur ou (plural)  Myrpk - Setembro/Outubro-Tishri-Aradura-vyrx chariysh – Pede-se o Perdão a Deus-representa Jesus,o salvador; 

Colheita-gx chag ou gx chag Pyoa ‘aciyph ou  Poa ‘aciph –Tabernáculo – hko cukkah – Tendas lha ‘ohel - representa Jesus,nosso salvador.

 

Dedicaçâo(Luzes)hknx chanukka’(aramaico) – em grego egkainia egkainia – Dezembro- Purificação do 2° templo com luzes nas casas-representa Jesus, nossa Luz.

Purim-rwp Puwr (pl.)  Myrwp Puwriym ou  Myrp Puriym - Fevereiro/Março – Livramento dos judeus na época de Ester-Representa Jesus,nossa liberdade e alegria.

 

Sábado-tbv shabbath - Dia de descanso sagrado para os judeus – Representa Jesus nosso descanso eterno;

 

Lua nova-vdx chodesh - No Início de cada mês, tocavam trombetas,lembrando-se da criação do mundo- Representa Novo nascimento.

 

Ano Sabático- A cada 07 anos,era descanso da terra.Representa Jesus, riqueza e libertação.

 

Jubileu-50 anos – Jesus é nossa libertação e salvação.

 

16) O TABERNÁCULO:Nkvm mishkan – Lugar de Moradia e adoração a Deus.

 

Veja fotos em (http://www.vivos.com.br/62.htm)

 

O PÁTIO: rux chatser – REPRESENTA A CONVERSÃO (CORPO)

Local mais exterior do Tabernáculo, totalmente descoberto.

A maioria dos crentes ainda está no pátio, expostos às intempéries do tempo, como primeira experiência do homem com Deus. Composto por 3 elementos:

 

1) A PORTA: xtp pethach A porta é o local onde entramos no tabernáculo- Não se pode entrar por outro lugar.

A porta é Yeshua (Jesus)-A porta do Tabernáculo ficava virada para o leste, o lado do sol.Jesus é o nosso sol da justiça. (Profana o Pátio, quem não entra pela Porta, que é aceitar a Jesus).

Isso nos fala de salvação. Quando passamos pela porta, saímos do mundo (pecado) e entramos numa nova vida, com o objetivo de crescermos até a “Estatura de varão perfeito”.

Características:a)Estreita (Mt.7:14); b)Porta do Pastor (Jo.10:2); c)Jesus é a porta (Jo.10:7,9); d)Palavra (Cl.4:3); e)Porta do Juiz (Tg.5:9);f)Do coração (Ap.3:20)

 

2)O ALTAR DO SACRIFÍCIO: xbzm mizbeach hle ‘olah ou  hlwe ‘owlah (REPRESENTA A CRUZ DO CALVÁRIO, LUGAR ONDE CRISTO FOI CRUCIFICADO)

O altar é o local da morte.

É ali que a nossa vida é colocada como um sacrifício para Deus.

No altar nós morremos para nossas próprias convicções, vontades, desejos, expectativas.

No altar morremos para a nossa vida a fim de podermos viver uma nova vida para com Deus. No altar tem fim o velho homem.

O desejo do coração de Deus é que após termos um verdadeiro encontro com Ele, possamos verdadeiramente “morrer.”

Quando o sacrifício queimava, subia um cheiro que se desprendia da vítima.

Deus espera que quando nossa vida for oferecida, possamos liberar um cheiro suave a fim de agradá-lo.(Profana o Pátio, quem não coloca sua vida no altar de Deus).

Características:a)Altar de Reconciliação (Mt.5:24); b)Sacerdotes participam dele(1 Co.9:13); c)Jesus, nosso altar específico (Hb.9:13); d)Representa sacrifício, morte, amor e testemunho (Ap.6:9); e)Fogo (Ap.8:5) f)Ouro(pureza)na presença de Deus (Ap.11:1). g)renúncia e seguimento (Mt.16:24); h)Preparação para o descanso (Jo.19:31); i)Palavra de Poder divino (1Co.1:18); j)Perseguição (Gl.6:12);k)Abstenção do mundanismo (Gl.6:14); l)Reconciliação (Ef.2:16);m)humilhação e obediência(Fil.2:8);n)consumação da fé e gozo, olhando para Jesus(Hb.12:2)

 

3)PIA DE BRONZE OU LAVATÓRIO: rwyk kiyowr ou  ryk kiyor tvxn n@chosheth (REPRESENTA O BATISMO-PURIFICAÇÃO E O INÍCIO DA SANTIFICAÇÃO)-Após a nossa”morte”, temos que consolidar nossa vida cristã, testemunhando de forma plena a experiência da conversão.

Pia nos fala de limpeza onde nossos pecados são “lavados” publicamente e somos integrados a uma nova realidade.

Tipifica a nossa morte e ressurreição a fim de vivermos uma nova vida em Cristo.(Profana o Pátio, quem não se batiza em sinal de arrependimento).

Características:a)Lavagem da água da Palavra(Ef.5:26);b)Lavagem da renovação e regeneração do Espírito Santo (Tt.3:5); c)Lavagem dos pecados no sangue de Jesus (Ap.1:5); d)Lavagem de arrependimento (Mt.3:11); e)Galardão (Mt.10:42); f)Novo nascimento no Espírito e entrada no Reino de Deus (Jo.3:5); g)Jesus é a Água de vida eterna(Jo.4:14); h)Cura (Jo.5:4); i)Certeza de fé e purificação (Hb.10:22); j)Sangue(1 Jo.5:6-8); k)Água da vida(Ap.21:6, 22:1,17);l)Fuga da Ira(Mt.3:7);m)Cálice de Cristo (Mt.20:22);n)Sepultamento e ressurreição (Cl.2:12); o)Indagação de uma boa-consciência (1Pe.3:21)

 

O SANTO LUGAR tyb bayith; (interior); vdq qodesh (santa)  e em grego “agion hagion” – REPRESENTA A COMUNHÃO:(ALMA)

Local onde adentramos na presença do Eterno Deus, pois todos os mobiliários são de ouro, que nos fala de divindade, realeza e eternidade.Composto por 3 elementos:

 

1)MESA DOS PÃES: Nxlv shulchan Mynp paniym  (SIMBOLIZA CRISTO, O PÃO DA VIDA)-Nos fala do alimento que provêm de Deus, a fim de saciar nossa fome.

Os pães eram colocados em duas fileiras de seis, perfazendo doze pães, trocados a cada semana. Isso nos ensina que o pão que alimenta viria das doze tribos de Israel.

(Profanar o Santo Lugar é não entrarmos na presença do Senhor e não saciarmos nossa fome com o pão da Palavra).

Características:a)Bem-aventurança e fartura (Lc.6:21);b)Jesus é o pão da vida (Jo.6:35); )Palavra de Deus (Mt.4:4); d)A cada dia (Mt.6:11); e)Doutrina (Mt.16:12); f)Corpo de Cristo (Mc.14:22); g)Saciar a fome de Deus(Jo.6:26); h)Pão da Vida(Jo.6:31-58);i)Perseverar na doutrina, comunhão e oração (At.2:42); j)unanimidade, alegria e simplicidade em união (At.2:46); k)Comunhão do corpo de Cristo (1Co.10:16); l)um só corpo(1 Co.10:17); )Anúncio da morte de Jesus (1Co.11:26); n)justiça(2Co.9:10);o)trabalho com sossego (2 Ts.3:8,12);verdade e ação de graça (1Tm.4:3).

 

2)CANDELABRO: hrwnm m@nowrah ou  hrnm m@norah (SIMBOLIZA  CRISTO COMO A LUZ DO MUNDO)-

Tudo deve ser feito pelo mover do Espírito Santo.

Nos fala da presença do Espírito Santo em nossas vidas, alimentados pelo Óleo da Unção de Deus.

O fogo nos fala da iluminação que precisamos e da Palavra revelada pelo Espírito Santo.

(Profanar o Santo lugar é não aceitar a unção e a luz do Espírito Santo dirigindo nossas vidas).

Características:a)Luz entre as trevas e sombra da morte(Mt.4:16);b)A igreja(nós)-(Mt.5:14); c)Nossas boas obras(Mt.5:16); d)Nossos olhos (Mt.6:22); e)proclamação (Mt.10:27); f)Transfiguração (Mt.17:2); g)Luz p/nações e glória p/Israel (Lc.2:32); h)Vida em Cristo(Jo.1:4);i)Resplandecer nas trevas(Jo.1:5); j)Testemunho de fé(Jo.1:7); k)verdade(Jo.1:9;3:21); l)condenação do mal(Jo.3:19-21);m)ardor e alegria(Jo.5:35); n)Jesus é a luz do mundo (Jo.8:2;9:5;12:46); o)resplendor celeste (At.9:3); p)salvação (At.13:47);q)conversão, remissão, herança e santificação (At.26:18); r)armas contra as trevas(Rm.13:12); s)manifesto e desígnio do coração em louvor(1Co.4:5);t)evangelho da glória de Cristo(imagem de Deus)-(2Co.4:3); u)conhecimento da glória de Deus na face de Cristo(2 Co.4:6); v)herança dos santos(Cl.1:12);w)imortalidade(1Tm.6:16); x)Aparição de Jesus Cristo,manifestação do Evangelho(2Tm.1:10);z)dádiva e dom(Tg.1:17); z1)geração eleita, sacerdócio real e nação santa(1Pe.2:9); z2)Deus é Luz(1Jo.1:5); z3)comunhão e purificação pelo sangue(1Jo.1:7); z4)Amor(1Jo.2:10);z5)Glória de Deus (Ap.21:11); z6)Salvação,glória e honra (Ap.21:24);z7)Luz de Cristo na Eternidade (Ap.22:5).

 

3)ALTAR DE INCENSO: xbzm mizbeach trjq q@toreth (REPRESENTA  A INTERCESSÃO DE CRISTO NA GLÓRIA)-

O altar de incenso nos fala de nossas verdadeiras orações feitas no espírito, não segundo os desejos carnais.As orações são acompanhadas da verdadeira adoração e louvor.

E diferente da oração no pátio, sem entendimento.

Essas orações são dirigirias pelo Espírito Santo, numa nova dimensão espiritual. (Profanar o santo lugar é não adorar nem louvar no altar de oração).

Características:a)lncensos são as orações dos santos(Ap.5:8;8:3-4);b)Oração expulsa os demônios(Mt.17:21);c)Tudo o que pedir,crendo, recebe(Mt.21:2);d)deve ser com perseverança, unanimidade e súplica(At.1:14);e)perseverar com a Palavra(At6:4); f)Acompanhada de boas obras(At.10:31 ); g)intercede a salvar almas(Rm.10:1); h)Oração em súplica,perseverança e vigilância(Ef.6:18); i)Fazendo com alegria(Fp.1:4); Resulta em socorro do Espírito Santo(Fp.1:19);k)sem inquietação com ações de graça(Fp.4:6; Cl.4:2);l)Santifica na Palavra(1Tm.4:5);m)Salva,levanta e perdoa(Tg.5:15);n)Confissão de culpa e intercessão mútua(Tg.5:16);o)aproxima do fim de todas as coisas(1Pe.4:7). p)Sem vãs repetições(Mt.6:7);q)Na vontade divina(MI.26:39);r)aplicando o perdão (Mc.11:25); s)A oração transfigura (Lc.9:29); t)Nos torna dignos a Deus(Lc.21:36);u)Abre Porta da Palavra(Cl.4:3):v)Supre a falta de fé(1Ts.3:10); x)Age na natureza(Tg.5:17); z)Edifica no Espírito (Jd.1:20).

 
SANTO DOS SANTOS 
rybd d@biyr ou rbd d@bir (REPRESENTA A ADORAÇAO)

E o lugar mais interior do Tabernáculo.Há somente a arca e a presença do Senhor.

Tudo pára:tempo,vida,anseios,desfrutando a presença de Deus e recebendo dEle o que está no nosso coração.

 

Composto por 3 elementos:O VEU.A ARCA DA ALIANCA E O PROPICIATORIO:

1 )VEU: tkrp poreketh E a única coisa que separa o santo lugar dos santos dos santos.E uma barreira que nos mostra que somente podemos entrar pela oração.

Com a morte de Jesus, o véu do templo se rasgou e temos acesso a Deus (Profanamos o Santo dos Santos quando não cieremos ter acesso a Deus por Jesus).

Característícas:a)véu posto é o sentido e coração endurecido(2Co.3:13-15);b)véu tirado é liberdade, glória e imagem de Jesus pelo Espírito Santo (2Co.3:16-18);c)entrada de Jesus como sumo-sacerdote(nossa esperança fiel e verdadeira)-(Hb.6:19);d)Cristo, perfeito tabernáculo,mediador único da nova aliança(Hb.9);e)verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa (Hb.10:23)-Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança (Hb.10); (Profanar o Santo dos Santos é não rasqar o véu do coração para Deus.(JoeI 2:13)

 

2)ARCA DA ALIANÇA – Nwra ‘arown ou Nra ‘aron tyrb b@riyth-(SIMBOLIZA A JUSTIÇA E A PRESENÇA DE DEUS)-

E o objeto mais sagrado do Tabernáculo,onde Deus se manifestava a Israel.

Características:a)Herdar a justiça que vem da fé(Hb.11:7);b)salvação(1 Pe.3:20);c)Entrar no Templo de Deus(Ap.11:9);

Composto por 3 elementos:

a)Tábuas da Torah(Lei)-Fala da Palavra de Deus como dádiva:tipifica a pureza da Palavra com conteúdo divino. Características:a)Jesus é a pedra que edifica a lgreja(Mt.16:18);b)diferencia dos artifícios humanos(idolos-At.17:29); c)A Pedra é Cristo(1Co.10:4) ;d)Somos carta de Cristo escrita com o Espírito na carne(2Co.3:3);e)Edificar fundamento(Ef.2:20); f)Pedra viva,eleita e preciosa(1Pe.2:4);g)novo nome(Ap.2:17);h)refletir a glória e a luz de Deus(Ap.21:11);

b)Maná-Fala de alimento diário dado por Deus. Características:a)Jesus é o maná que veio dos Céus(enviado)-(Jo.6:58);b)Jesus é o maná escondido,dado ao vencedor(Ap.2:1 7);

c)Vara de Arão que floresceu(Nm.17:6-10)-Características-a)Dar frutos em Cristo(Jo.15:2-6);b)correção(1Co.4:21/Ap.2:27)-Vara florescer,fala de autoridade conferida; brota nos corações.

AULA 8 – SALVAÇÃO:

 

NOMENCLATURA NO ANTIGO TESTAMENTO:

* hewvy y@shuw‘ah – salvação por Deus, libertação, prosperidade (Gn.49:18);

* hewvt t@shuw‘ah ou hevt t@shu‘ah – livramento (geralmente por Deus mediante agência humana) e salvação (em sentido espiritual) – (Jz.15:18);

* evy yesha‘ ou  evy yesha‘ – libertação, salvação, resgate, segurança, bem-estar, prosperidade, vitória (2 Sm.22:3);

NOMENCLATURA NO NOVO TESTAMENTO:

* swthria soteria – livramento, preservação, segurança, salvação da moléstia de inimigos e num sentido ético, aquilo que confere às almas segurança ou salvação messiânica como a posse atual de todos os cristãos verdadeiros e a  salvação futura, soma de benefícios e bênçãos que os cristãos, redimidos de todos os males desta vida, gozarão após a volta visível de Cristo do céu no reino eterno e consumado de Deus.

 

A SALVAÇÃO NA PALAVRA DE DEUS:

NO ANTIGO TESTAMENTO: É o próprio Deus (Gn.32:30; Ex.15:2; 2 Sm.22:3; 2 Sm. 22:47; Jô.13:16; Sl.3:8; Sl.18:2; Sl.27:1; Sl.35:3; Sl. 38:22; Sl.68:20; Is. 12:2; Is.45:17; Era esperada (Gn.49:18);

NO NOVO TESTAMENTO: (Lc.1:69; Lc.2:30; Lc.19:9; Jo.4:22; At.4:12; Rm.1:16; Rm.10:10; 1 Ts.5:9; 2 Ts.2:13; 2 Tm.3:15; Hb.5:9; Hb.9:28; Ap.12:10; Ap.19:1).

1)CONCEITO DE SALVAÇÃO: Espírito Justificado, alma regenerada e corpo santificado para Deus. Não alcançada por regras ou dores, mas pela obediência, fé e amor.

 

2) CONDIÇÕES PARA SALVAÇÃO:

A) Arrependimento (abandonar pecado): Convicção de culpa e esforço sincero e deixar o pecado,

No intelecto(descobrir seu erro), 

No emocional (auto-acusação e tristeza sincera e ter ofendido a Deus)

Na prática (mudar de idéia ou propósito, produzindo frutos dignos).

O Espírito Santo aplica a Palavra de Deus à consciência, comove o coração e fortalece o desejo de abandonar o pecado. 

B) Ter fé (buscar a Deus); realizar o batismo nas águas (símbolo exterior da fé interior cristã)-Mc.16:16;At.22:16. É crer e confiar, agindo no intelecto pela vontade.

No Intelecto (crença nas verdades reveladas);

Na vontade-aceitação e aplicação como regra de vida. A fé que salva é a graça divina;nos faz olhar para os méritos de Cristo,ajudada pelo Espírito Santo, que nos faz confiar. Ter fé é a pronta dedicação da própria vida para com o Senhor, em verdade.  

 

C)Batismo:De arrependimento para perdão dos pecados, como sepultados em sua morte – como uma verdadeira figura, que agora salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo, para ressuscitarmos na fé nele e no seu poder (1 Pe.31:21).  

 

D)Conversão: Abandonar o pecado e aproximar-se de Deus, em firme propósito de ser obediente (At.3:19).  

A conversão é o lado humano da salvação;o divino é o perdão e a dádiva de um novo coração. 

Conversão é o resultado humano da sobrenatural graça.(At.3:19 e 26).

A conversão e regeneração envolvem o intelecto, emoções e vontade, atuando de forma conjunta.

3) TRÊS ASPECTOS DA SALVAÇÃO:(por Cristo e pelo Espírito Santo):

• JUSTIFICAÇÃO (PARA O ESPÍRITO): (At.13:39; Rm.2:13; Rm.3:20-30; Rm.3:28; Rm.5:1; Rm.5:9; Rm.8:33; 1 Co.6:11; Gl.2:16; Gl.3:24; Tt.3:7).

NO NOVO TESTAMENTO: * dikaiosunh dikaiosune  – num sentido amplo: estado daquele que é como deve ser, justiça, condição aceitável para Deus; doutrina que trata do modo pelo qual o homem pode alcançar um estado aprovado por Deus; integridade; virtude; pureza de vida; justiça; pensamento, sentimento e ação corretos; num sentido restrito, justiça ou virtude que dá a cada um o que lhe é devido.

Espírito culpado e condenado perante Deus é absolvido,declarado justo;(mudança de posição em condição):Deus julga,Cristo advoga;pecado é o crime;expiação satisfaz lei;o arrependido é perdoado, testificado pelo Espírito Santo, passa a viver em vida cristã perfeita, já cumpridora da Lei. 

a) Natureza: (absolver e declarar justo, aceito, somente pelo ato de Jesus (Rm.1:17;3:21).O condenado é absolvido, de ofensor para justo. Ela  subtrai e cancela os pecados e depois, adiciona a imputação de justiça. O  Evangelho revela aos homens como se mudar de posição e condição;

b) Necessidade:  todos os homens necessitam; gentios tinham revelação natural e buscaram idolatria (Rm.1:19) e judeus transgrediram a lei, que não fazia o povo ser justo, mas normatizava a justiça quanto ao vil pecado.Cristo é a nova dispensação em relação de Deus aos homens.

c) A fonte:  A Graça:  favor imerecido. Servir a Cristo não é forma de pagamento, mas expressão de devoção e amor. Ela não abranda a penalidade,pois depreciaria a justiça de Deus, mas provê expiação para justificar e santificar as almas.

 

OBS: TRÊS FORMAS DE GRAÇA:  

Graça proveniente ou eficiente-atrai homens para Cristo (Jo.6:44) e convence desobedientes (At.7:51), produzindo conversão (Jo.5:40);

Graça efetiva-capacita homens e resistirem tentação e fazer obra;

Graça habitual-efeito da morada do Espírito Santo em vida plena (Gl.5:22).

d) Fundamento:A Justiça de Cristo expiou nossa culpa,satisfez a lei,na obediência, sofrimento e substituição;unidos com ele na fé,sua morte é nossa morte;sua obediência é nossa obediência e Deus nos aceita.Redenção completa libertação p/preço pago.Incoerência é dizer viver Cristo, sem provas dignas dEle.

e) Meio:A Fé; apropriando-se da salvação pela promessa divina;(não há auto-justiça, nem auto-esforço, nem medo de fracasso).

Ela concede paz à consciência e esperança espiritual.

As obras são o resultado, prova  e a consumação da fé, não a causa da salvação (Ef.3:17); motiva atitude receptiva de amor, envolvendo a vontade em boas ações e sujeita-se à justiça divina (Rm.10:3).

Crer no coração é desejar,muito,a Jesus.

 

• REGENERAÇÃO (PARA A ALMA): (Tt.3:5);

NO NOVO TESTAMENTO: paliggenesia paliggenesia – novo nascimento, reprodução, renovação, recreação, regeneração, produção de uma nova vida consagrada a Deus, mudança radical de mente para melhor, como o sinal e gloriosa mudança de todas as coisas (no céu e na terra) para melhor, aquela restauração da condição primitiva e perfeita das coisas que existiam antes da queda de nossos primeiros pais, que os judeus esperavam em conecção ao advento do Messias, e que os cristãos esperavam em conexão com a volta visível de Jesus do céu.

Alma morta em transgressões e ofensas é adotada por Deus;(chamada e eleição) Deus é Pai;Cristo é irmão mais velho;pecado é teimosia; expiação é reconciliar, mortificando a velha natureza,refletindo Cristo.

a) natureza:(ato divino de conceder ao homem,crer numa vida nova,de elevada união pessoal com Jesus).

5 descrições no Novo Testamento:

Nascimento (ato da graça criadora – Jo.5:1; Jo.3:8);

Purificação (Alma lavada das imundícies em novidade de vida;  experiência simbólica expressa no ato de batismo – Tito 3:5; At.22:16);

Vivificação(essência da regeneração é nova vida pelo Pai, mediante Jesus, pela operação do Espírito Santo, transformando nosso caráter, desejos e propósitos;

Criação (Homem recriado pelo sopro divino,no Éden, recriado pela operação do Espírito Santo (2Co.5:17; Ef.2:10; Gl.6:15;

Ressurreição (Como barro enviveceu, alma pecaminosa ressurge: regeneração - mudança que Deus opera na alma, quando é vivificada.(divina comunicação de nova vida à alma humana).Surge rápida, misteriosa e desenvolve gradativa;aspecto singular do Cristianismo.

b) Necessidade: Causas:

• Fome espiritual (estar farto de ritualismos);

• Falta de convicção profunda (precisar ser purificado e transformado);

• Auto-complacência (supor ter qualificação suficiente para ser membro do Reino de Deus).

Há necessidade da carne ser transformada somente pelo Espírito Santo para ser capaz de viver no Reino Espiritual, em mudança completa e natureza e caráter.

c) Meios:

• Trindade Divina (Pai gera, Cristo vivifica por sua morte  e envia o Espírito Santo que vivifica.)

• Preparação humana:(toma parte, agradecendo com arrependimento e fé).

d) Efeitos: 3 Pontos:

• Posicionais (adoção)-torna-se filho e beneficiário dos privilégios-Gl.4:1-7;

Espirituais união com Deus (mediante o Espírito Santo, resulta em novo caráter; crente deve manter contato com Deus, preservando e nutrindo sua vida espiritual.(2Pe.1:4 e Rm.6:4).

Práticos(pessoa nascida odiará o pecado-1Jo.3:9 e 5:8;em obras de justiça, amor fraternal e vitória que vence o mundo.

OBSERVAÇÃO: ESTAMOS SUJEITOS A FALHAR: (Não podemos habituar com o pecado, mas se pecarmos, não voluntariamente, de forma premeditada,temos o bom advogado(1Jo.2:1 e 3:9) Temos que vigiar e orar.

• SANTIFICAÇÃO (PARA O CORPO): (Rm.1:4; Rm.6:19; Rm.6:22; 1 Co.1:30; 2 Co.7:1; 1 Ts.4:3-7; 2 Ts.2:13; Hb.12:14; 1 Pe.1:2).

NO NOVO TESTAMENTO: * agiasmov hagiasmos – consagração, purificação.

A pessoa em novidade de vida, dedica-se a servir a Deus.(separação / dedicação e purificação):Deus é o Santo;Cristo é Sumo-sacerdote; pecado é impureza; o arrependimento(consciente da impureza),me faz ter um substituto no altar e assim, vivo p/servir ao nosso Deus.  

a) NATUREZA: (consagração)

Cinco Sentidos:

• Separação(para perfeição moral e uso divino);

•  Dedicação(consagração à comunhão e serviço;dedicação exclusiva a Deus);

• Purificação (limpeza pela palavra,sangue de Jesus e Espírito Santo);

• Consagração (vida santa e justa, regenerada, conforme a lei;exortação à purificação (2Co.7:1);

• Serviço (Servir como sacerdote,oferecendo sacrifício de louvor (Hb.13:15);

Sacrifício Vivo (Rm.12:1).

b) TEMPO: 2 Idéias: 1Co.1:2-

• Posicional-Instantânea perante Deus.

• Prática e Progressiva como santos(separados),santificados(na Palavra); precisamos ter exemplos de cristãos.

Separação  inicial é começo de uma separação diária,pois Deus exige maneira santa de viver pela purificação p/melhorar a consagração até a perfeição;os mortos p/o pecado são exortados a mortificar seus membros;revestir do novo homem (Ef.4:22; 1Pe.1 e Cl.3).

c) MEIOS:

• Sangue de Jesus (Provisão objetiva-Eterno-hb.13:12)-Santificação absoluta perante Deus;

• Espírito Santo (Provisão-subjetiva-interior-Rm.15:16)-início da obra de Deus nos corações,conduzindo ao inteiro conhecimento da justificação no sangue de Jesus;

Palavra (Externa/prática – Jo.17:17)-Desperta a compreensão da insensatez e da impiedade pessoal (espelho para a alma).

d) Santificação quanto à Carne: O pecado original não é erradicado dela,por si mesma(pois não haveria morte), nem pode ser libertar por observância de regras e regulamentos (pois a lei não santifica-Legalismo)e não pode tentar subjugar a carne por privações e sofrimentos (pois é a alma e não o corpo que peca.-Ascetismo).

e) Verdadeiro Método:

• Fé na expiação-Novidade de vida nos fatos e promessas bíblicos. • Cooperação c/o Espírito-libertação e crescimento de santidade.

 

OBS:03 mortes que crente está sujeito:

1) morte no pecado-física-condenação Ef.2:1; 

2) morte pelo pecado: justificação (Gl.2:20);

3) Morte p/o pecado - santificação (Rm.6:11).

 

f) Santificação Completa:

Perfeição=sincero e reto (Gn.6:9 e Jó.1:1)relativa e progressiva em Cristo (Gl.3:3),concedida como dom da graça e efetuada no caráter do crente.(Fil.3:12 e Hb.6:1).

g) SEGURANÇA: Não sejamos descuidados nem negligentes.Desviar-se é voltar atrás ou virar-se.

A salvação depende de Deus mas devemos ser sinceros em fazer sua vontade.

 Podemos resistir à graça divina, p/a perdição eterna(apostasia)(Jo.6:40;Hb.6:6 e 46).

Não confiemos em privilégios ou posições.estar na graça é estar no favor da comunhão com Deus;o pecado interrompe essa comunhão.

Somos chamados a uma profunda amizade com Deus e nossa obediência ao chamado nos torna escolhidos. Quem obedece, não perece!

 

4) PREDESTINAÇÃO(Rm.8:29-30; Ef.1:5; Ef.1:11):

NO NOVO TESTAMENTO: * proorizw proorizo  – decidir de antemão; no NT do decreto de Deus desde a eternidade; preordenar, designar de antemão. (NOTE-SE QUE É EM CRISTO).

Predestinar é determinar o futuro. Há 3 povos predestinados na Bíblia:Israel, da semente de Abraão; (Gn.17:6); Impios, que serão lançados no inferno (Sl.9:17); Igreja,predestinada a ir ao céu (1Ts.4:16-17).

Conheceu grego “proginoskw proginosko- significa sentiu, como a atração entre o homem e a mulher judáicos.

predestinou grego “proorizw proorizo- designou antes, nomeou, conforme estava escrito no Novo testamento.

imagem grego “eikwn eikon” -  ser como, em excelência moral e mente santa.

chamou grego “kaleo” - convidou, como um Pai convida um filho.

justificou – grego “dikaiow dikaioo” – pronunciou alguém justo, pela observância às leis divinas, usado para aquele cujo o modo de pensar, sentir e agir é inteiramente conforme a vontade de Deus, e quem por esta razão não necessita de retificação no coração( vida).

glorificou – grego “doxazw doxazo”-honrar, estimar, manifestar sua dignidade como condição gloriosa de bem-aventurança dos cristãos em face da sua condição de verdadeiros adoradores e convertidos a Deus.

SENTIDO: Deus sentiu, de antemão, o futuro amor das almas pecadoras por Ele e lhes deu a oportunidade de terem um novo nome pela Lei do Novo testamento, pois sabia que guardariam sua lei, não rejeitariam seu convite e viveriam conforme sua vontade, o que seriam mostrados como dignos de serem honrados como

(Note-se que não é uma escolha fatalista de Deus, antecipando quem vai ou não ao céu.)

 

ESCOLHA DE DEUS:

Deus escolheu Jesus para pagar nossos pecados (Jo.6:38);

Deus escolheu Israel c/3 propósitos:(Manifestar seu poder,trazer palavra divina,manifestar Jesus ao mundo).

Deus escolheu Igreja com 3 propósitos:(Anunciar evangelho; produzir frutos e manifestar visível poder divino).

(Escolha de propósito é diferente de escolha para salvação)

Deus escolhe homens para cumprir seus propósitos vocacionais e ministeriais,diferente da salvação;

Deus escolheu homens para serem profetas, como Moisés, Davi, Sansão, Samuel, Elias e muitos outros.

São escolhas de Deus para o ministério para aperfeiçoar os santos no Plano do Reino de Deus (Ef.4:1). Em Ap.13:8 – fala do cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, pois sabia que o homem iria pecar.

Quem aceita a Jesus, participa do plano elaborado antes da fundação do mundo.

 

FUNDAÇÃO DO MUNDO:

Herança e reino preparado (Mt.25:34);

Entramos no repouso quando cremos (Hb.4:3);

Ao aceitar a Jesus, participamos do plano e em Cristo, estamos predestinados ao céu.

A nossa fé e a graça de Deus participam juntas (At. 15:11); Temos que permanecer no evangelho senão nossa fé é em vão (1Co.15:2);

Ef. 1:4-5: Somos eleitos no propósito de sermos santos e irrepreensíveis diante de Deus, predestinados para filhos na adoção por Jesus Cristo. Isso fala no plural, onde indica que somos Eleitos em Cristo para salvação.

Rm.8:29-30: conheceu, predestinou para serem conforme imagem de seu filho e chamou, justificou e glorificou:

Conhecer: (1 Jo.3:6) – Quem peca, não permanece nele nem o conhece;

Imagem (Cl.3:10) – Temos que nos revestir do novo, renovados no conhecimento;

• Chamar (1 Ts. 4:7)  - Deus nos chamou para a santificação (1 Pe.1:15; Hb.12:14).

OBS: Este chamado não é completo, mas um processo dinâmico (1 Pe.5:10)

Justificar: (Rm.3:30) – Deus justifica pela fé, que é imputada como justiça (Rm.4:5);

Deus chamou a todos:

Todos pecaram (Rm.3:9-12);

A justiça e salvação é para todos (Rm.3:22-23);

A graça foi para todos (Rm.5:18);

Condição para todos serem filhos (Rm.8:14; Jo.3:16);

Deus entregou Jesus por todos nós (Rm.8:32; Jo.6:39);

Deus é rico para com todos os que o invocam (Rm.10:12);

Misericórdia é para todos (Rm.11:32);

Santos são todos os que invocam a Jesus (1Co.1:2);

Todos mortos em Adão e todos vivificados em Cristo (1Co.15:22);

Jesus morreu por todos, mas todos os querem? (2 Co.5:15);

Deus quer que todos se salvem pelo único mediador (1 Tm.2:3-6) e se arrependam (2Pe.3:9);

Jesus morreu por todos (Hb.2:9);

LIVRE-ARBÍTRIO: Adão e Eva escolheram desobedecer a Deus e comer da árvore do bem e do mal (Gn.3:11); Homem pode fazer o bem ou o mal (Gn.4:7); Os homens escolhem se querem servir ou não, a Deus (Js.24:15); Os homens podem escolher entre a porta estreita e a larga (Mt.7:13).

 

5) ELEIÇÃO: (para Israel: Rm. 9:11; Rm.11:5-28); Para a igreja (1 Ts.1:4; 2 Pe.1:10).

Eleição grego “eklogh ekloge” - Ato soberano de Deus em graça, pelo qual Ele escolheu em Jesus Cristo para a Salvação todos aqueles que de antemão Ele sabia que O aceitariam.2 PE 1:5-12 – 1 PE 1:2

Presciência grego “prognwsiv prognosis – ter pré-conhecimento, dos que chegam a vir conhecer (Jo. 6:64).

SE: Se não se arrepender,der fruto, perdoar, guardar a Palavra,entrar pela porta,crer, mortificar as obras do corpo, confessar com a boca e crer no coração a cada instante, permanecer, amar a Jesus, combater o combate e ser fiel, PERDE A SALVAÇÃO DADA, pois Jesus pode vir e você ficar no arrebatamento ou morrer sem ter fruto pela comunhão do Espírito Santo.

AULA 9 – ESPÍRITO SANTO

 

NO ANTIGO TESTAMENTO:

* xwr ruwach vdq qodesh – Espírito Santo (Sl.51:11; Is.63:10-11).

 

NO NOVO TESTAMENTO:

* pneuma pneuma agiov hagios – Espírito Santo.

 

ESPIRITO SANTO:(Conhecido por seus nomes e símbolos).

1)É uma pessoa;exerce atributos de personalidade:a)Mente (Rm.8:27); b) Vontade (1 Co.12:11); c) Sentimento (Ef.4:30); A Ele são atribuídos atividades pessoais: a) Revela (2Pe.1:21); b) Ensina (10.14:26); c) Clama (Gl.4:6); d) intercede (Rm.8:26); e) fala (Ap.2:7); f) Ordena (At.16:6,7); g) testifica (1Jo.15:26); h) se entristece (Ef.4:30); i) se mente contra Ele (At.5:3); j) pode ser blasfemado (Mt.12:31,32).

Personalidade indicada por vir em forma de pomba (Mt.3:16) e de se distinguir de seus dons (1Co.12:11).

O Espírito é como o vento, real apesar de não ter forma corpórea.

Conceituá-Io é difícil porque:

a) Suas operações nas Escrituras são invisíveis, secretas e internas;

b) Ele nunca fala de si mesmo ou se apresenta, sempre se ocultando atrás do Senhor Jesus e nas profundezas de nosso homem interior. (Jo.16:13).

Tem personalidade distinta e separada de Deus:Procede de Deus,é enviado por Deus e é dom dado aos homens, mas não é independente de Deus, representando o único Deus nas esferas do pensamento, da vontade e da atividade.

 

2) Nomes:

a)Espírito de Deus (Lc. 11:20):

b) Deus absoluto: Cria e preserva o Universo.

É Deus absoluto pelos seus atributos divinos.

Além disso, Ele cria (Gn.1:2), regenera (Jó.33:4) e ressuscita (10.3:5-8;Rm.8:11) sendo classificado com o Pai e o Filho.(1Co.12:4-6; 2Co.13:13; Mt.28:19; Ap.1:4).

c) Espírito de Cristo (Rm.8:9) Motivos:

1)Enviado em nome de Jesus(Jo.14:26);

2)Enviado por Cristo (Jo.4:10),que também batiza com Ele(Mt.3:11);

3)Sua missão glorifica Jesus (Jo.16:14);

4)Cristo presente na Igreja por Ele (não tomar o lugar de Jesus, mas fazê-lo real, tornando-o onipresente no mundo) Mt.18:20-Conexão entre Cristo e Espírito é tão íntima que se confunde:Crente em Cristo como no Espírito (Gl.2:20;Rm.8:9,10);

d) Consolador (Nos ajuda, ensina, guia e está conosco para enfrentar o mal (Jo.14:16)-Consolador-Parácleto, no grego-Nos tribunais antigos,um amigo era chamado para eventualidades (Advocatus-latim), assistiam seus amigos por amor e consideração, ajudando nos sábios conselhos, amparando nas provas, dificuldades e perigos, sem recompensa ou remuneração.

O ESPIRITO SANTO FAZ DE FORMA INVISIVEL, O QUE JESUS FARIA DE FORMA VISIVEL Jesus enviou Espírito mas é presente nEle(Mesmo nível).

CRISTO VIVE EM MIM – A vida de Jesus, sua natureza, sentimentos e virtudes são comunicados aos crentes, pelo Espírito Santo. Jesus continua agindo no céu nos defendendo do acusador dos irmãos e o Espírito Santo faz calar os acusadores da Igreja amada.

Não é o Cristo terreno que o Espírito comunica, mas o Cristo Celestial, reinvestido de poder e glória.

A vida terrena de Jesus era pobreza (2Co.8:9), ganhou a riqueza da graça na cruz (Ef.1:7) e no trono assegurou sua riqueza de glória (Et.3:16)

Depois da ascensão ao Pai,enviou o Espírito Santo para comunicar as riquezas de sua herança e ensina mais do que Cristo ensinou, embora nEle.

e)Espírito Santo – Santo porque é o Espírito do Santo e a sua obra principal é a santificação. Jesus fez algo por nós e em nós, agora.

f) Espírito da Promessa Sua graça e poder são algumas das bênçãos prometidas no Antigo Testamento. (Ez.36:7 e Joel 2:28);

g) Espírito da Verdade Veio revelar o filho, como intérprete celestial. abrindo a mente dos homens para Cristo, guiando à verdade (Jo.16:13).

h) Espírito da Graça Dá graça ao homem para que se arrependa; concede poder para santificação, perseverança e serviço (Quem se afasta dele, se separa da misericórdia de Deus.(Hb.10:29; Zc.12:10);

i) Espírito da Vida Criador que preserva a vida natural (Rm.8:2; Ap.11:1); 1) Espírito de Adoção (Rm.8:15)-Ele testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus.

3)Símbolos:

 (meramente descrevem suas operações adotados, devido a pobreza da linguagem humana.)

a) Fogo (Is. 4:4; Mt.3:1 1; Lc.3:16)-limpeza, purificação, intrepidez ardente, zelo produzido pela unção, pois o fogo aquece, ilumina, espalha-se e purifica (Jr.20:9);

b)Vento (Ez.37:7-10; Jo.3:8,At.2:2)-Obra regeneradora do Espírito,de maneira misteriosa e independente, penetrante, purificante e vivificante.

c) Agua (Ex. 17:6; Ex.36:25-27;47:1; Jo.3:5; 4:14; 7:38,39)-Fonte de água viva, mais pura, rio da vida inundando nossas almas, limpando a poeira do pecado, refrescando, saciando a sede, tornando frutífero o estéril, purifica o que está sujo e restaura a beleza. “água viva”correnteza que não está parada como a água fétida de cisternas e brejos; representa a novidade de vida, a cada dia.

d) Selo (Ef.1:13; 2Tm.2:1 9)-Expressa: Possessão – sinal seguro de propriedade divina (2 Tm.2:19; Ef.1:13; Ap.7:3); Penhor ou herança, garantia da glória vindoura; zelo pela impressão (Et4:30).

e) Azeite – (Símbolo mais comum e conhecido, simbolizando utilidade, frutificação, beleza, vida e transformação. Era usado para alimento, iluminação, lubrificação, cura e alívio da pele. Assim, o Espírito fortalece, ilumina, liberta, cura e alivia a alma.

f) Pomba - Significa brandura, doçura, amabilidade, inocência, suavidade, paz, pureza e paciência.Tradução judáica:”o Espírito pousou como pomba sobre as águas.(Gn.1:2)

“A pomba que Noé soltou, simboliza a graça de Deus que achou ramo verde.(Gn.8:8)

 

4)No Antigo Testamento:Revelado de 3 Maneiras:

a)Criador ou Cósmico-Manifesta-se pelas leis da natureza, que são evidências de sua presença e operação. Ele sustenta o homem, crente ou ímpio (Gn.2:7,Jó.33:4; Dn.5:23; At.17:28);

b) dinâmico ou doador de poder- Cria o homem para o Reino de Deus, em consagração. Duas Classes: Obreiros (homens de ação, organizadores e executivos) ex. Josué, Otoniel, José, Moisés, Gideão, Sansão; etc. e Locutores (profetas e mestres) Profetas: recebiam mensagens de Deus e entregavam ao Povo, poder que descia de tempos em tempos para mensagens não concebidas por suas mentes, que o distinguia dos falsos profetas (Ez.13:2)”profeta”, indica inspiração, borbulhar-eloquência-(Jo.7:38).

Expressões proféticas indicavam inspiração repentina e sobrenatural, de 3 formas: Origem: Deus derramou, pôs, deu, encheu com o Espírito aos profetas; Variedade:

O Espírito estava com eles, descansava neles e o tomava *lnfluêncía:

Estavam cheios, movidos, tomados pelo Espírito Santo que falava por eles.

O “extase” era um domínio espiritual profético, como arrebatamento de espírito (Ez.8:1-3,ls.6; Ap.1:10; At.22:17), semelhantes à experiência de ser batizado ou cheio com o Espírito-Impacto direto do Espírito Santo no espírito humano, onde a pessoa fica num estado estático.

c)Espírito Regenerador:Sua presença acentuada,destacada como bênção futura, com a vinda do Messias, reunindo 4 características:

* Operativo não acentuado-transformador da natureza humana, como presença santificadora que influencia o caráter(SI.51:11);

* Bênção futura – derramar geral do Espírito como fonte de santidade, sem precedentes, para purificar o coração do povo (bel 2:28-32),

Sobre toda a carne:sem distinção de idade, sexo ou posição;

* Conexão(vinda-Messias)-Ponto culminante do derramamento é a vinda do Messias-Rei, onde o Espírito Santo pousará com poder (Profeta Perfeito).

Messias é o doador do E.Santo.Cristo morre,é glorificado,parte e envia o consolador (Jo.16:7; Jo.7:39; Jo.12:23)

* Características Especiais – Espírito pleno viria somente após obra do filho; seria dado universalmente e moraria permanentemente (Dom).Exceção Elias e Enoque-”cheios”dEle.

O Espírito de Deus é Deus em ação dentro de nós, sobre nós ou em torno de nós. É Deus operando, fazendo coisas acontecerem no mundo.

Não podemos ver o Espírito, mas podemos ver os resultados do seu poder.

O Espírito de Deus estava presente quando o mundo foi criado.

Deus enviou seu Espírito para fazer coisas poderosas entre seu povo, Israel.

Mais tarde, Deus enviou seu Espirito quando Jesus viveu na terra e desde então o Espírito tem estado presente com os cristãos.

O ESPíRITO NO VELHO TESTAMENTO

A Bíblia usa a palavra “espírito” de três maneiras diferentes.

É um vento de Deus, o sopro da vida e um espírito que enche uma pessoa com emoção forte e poder.

DESCRIÇÕES

No livro de Gênesis, foi o vento de Deus que fez com que as águas do Dilúvio parassem de subir (Gênesis 8:1).

Este mesmo vento de Deus soprou gafanhotos por todo o Egito (Êxodo 10:13) e enviou codornizes para os israelitas comerem (Êxodo 14:21).

Deus soprou vento de suas narinas para abrir as águas do Mar Vermelho de tal maneira que os israelitas pudessem atravessar em terra seca.

Em Gênesis 2:7, lemos que Deus criou o homem soprando Seu Espírito dentro dele. Os seres humanos só têm vida por causa do sopro da vida , ou espírito que está dentro deles.

Através do seu Espírito, Deus é a fonte de toda a vida, tanto animal quanto humana.

No Velho Testamento o Espírito de Deus algumas vezes enchia as pessoas, fazendo com que elas dissessem ou fizessem coisas que normalmente não poderiam fazer, de modo a atender os propósitos de Deus.

As pessoas cheias do Espírito passavam a ter grande responsabilidade por causa do Espírito que estava dentro delas. Líderes eram reconhecidos por causa do Espírito dentro deles.

Em Juízes 3, O Espírito de Deus encheu um homem chamado Otniel.

Ele se tornou juiz e foi capaz de vencer uma guerra e manter a paz em Israel durante quarenta anos.

O Espírito de Deus também encheu outros juízes tais como Gideão e Jefté.

Por causa do Espírito de Deus, eles foram capazes de conquistar seus inimigos. Algumas vezes, como no caso de Saul, Deus mandaria um espírito mau para preencher alguém a fim de que seus planos se cumprissem (I Samuel 16:14-16; Juízes 9:23; I Reis 22:19-23).

O ESPíRITO ATUANDO ENTRE OS PROFETAS

Os profetas no Velho Testamento tinham a tarefa de entregar mensagens do Espírito de Deus para o povo.

Era importante para o povo saber a diferença entre um falso profeta e o verdadeiro profeta de Deus.

O termo “Espírito Santo” é usado nos Salmos e em Isaías para separar o Espírito de Deus de qualquer outro espírito, tanto de homem quanto de Deus (Salmo 51:11; Isaías 63:10-11).

Um falso profeta não tinha o Espírito Santo. Um profeta que tinha uma mensagem do Espírito Santo deveria ter o caráter de uma pessoa obediente a Deus.

O povo poderia reconhecer o falso profeta pela avaliação de seu caráter bem como pela mensagem que ele entregava. Os profetas escreveram sobre o Espírito de duas maneiras significativas.

O Espírito inspirava profecia que seria conhecida novamente no futuro, quando Jesus estivesse na terra. Os últimos profetas, como Ezequiel, Ageu e Zacarias, proclamaram que o Espírito era o inspirador da profecia.

Isto significa que o Espírito lhes deu as palavras que proclamaram e registraram.

O Espírito de Deus era responsável por tudo que os escritores da Bíblia registraram.

Os profetas também escreveram que Deus mostraria seu poder através do Espírito no futuro. Isaías profetizou que o Espírito viria outra vez para ungir um homem que traria salvação para todas as pessoas (Isaías 11:2; Isaías 42:1; Isaías 61:1).

Ele estava falando de Jesus, o Messias. O Messias era o rei que os judeus estavam esperando. Através de Jesus, o Espírito teria liberdade sobre Israel (Ezequiel 39:29; Joel 2:28-29; Zacarias 12:10) como parte de uma nova aliança entre Deus e o homem (Jeremias 31:31-34; Ezequiel 36:26-27).

A aliança era uma promessa de Deus de que mandaria seu Espírito para dirigir seu povo. Os israelitas haviam quebrado sua antiga aliança com Deus porque continuaram a desobedecê-lo. Sob a nova aliança, Deus prometeu perdoá-los.

Entre o tempo do Velho e do Novo Testamento, acreditava-se que o Espírito não estava mais presente em Israel.

Durante aquele tempo a voz do Espírito não era mais ouvida através da voz dos profetas. Mas o Espírito foi conhecido de novo quando o Messias, Jesus Cristo, veio à terra.

Ele é a terceira pessoa da TRINDADE. Ele aplica na vida das pessoas as bênçãos da salvação (Jo 7.38-39).

Como Auxiliador (Jo 16.7, NTLH; RA e RC, Consolador), ele dá nova vida (Gl 6.8), convence (Jo 16.8-11), dá força (Rm 8.26-27), distribui DONS (1Co 12.1-11), produz virtudes (Gl 5.22-26). V. ADVOGADO.

 

REFERENCIA DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO:

 
 

 

GN 1:2- E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

EX 31:3- E o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência, em todo o lavor;

NM 11:17 - Então eu descerei e ali falarei contigo, e tirarei do Espírito que está sobre ti, e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que tu não a leves sozinho.

JZ 3:10 - E veio sobre ele o Espírito do SENHOR, e julgou a Israel, e saiu à peleja;
JZ 14:6 - Então o Espírito do SENHOR se apossou dele tão poderosamente que despedaçou o leão, como quem despedaça um cabrito, sem ter nada na sua mão; porém nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito.

1 SM 10:6- E o Espírito do SENHOR se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e tornar-te-ás um outro homem.

1 SM 11:6- Então o Espírito de Deus se apoderou de Saul, ouvindo estas palavras; e acendeu-se em grande maneira a sua ira.

1 SM 16:13 - Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá.

2SM 23:2 - O Espírito do SENHOR falou por mim, e a sua palavra está na minha boca.
NE 9:20 - E deste o teu bom Espírito, para os ensinar; e o teu maná não retiraste da sua boca; e água lhes deste na sua sede.

NE 9:30 - Porém estendeste a tua benignidade sobre eles por muitos anos, e testificaste contra eles pelo teu Espírito, pelo ministério dos teus profetas; porém eles não deram ouvidos; por isso os entregaste nas mãos dos povos das terras.

SL 33:6 - Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca.

SL 104:30 - Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra.
SL 139:7- Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face?
SL 143:10 – Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana.

IS 11:2 - E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR,o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.

IS 32:15 - Até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então o deserto se tornará em campo fértil, e o campo fértil será reputado por um bosque.

IS 40:13 - Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento?
IS 42:1 - EIS aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios.

IS 44:3 - Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes.
IS 48:16- Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez eu estava ali, e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito.

IS 59:19 - Então temerão o nome do SENHOR desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira.

IS 59:20-21- E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR. Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre.

IS 61:1 - O ESPIRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;

IS 63:10- Mas eles foram rebeldes;contristararn seu Espírito Santo; por isso se lhes tomou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles. Todavia se lembrou dos dias da antiguidade, de Moisés, e do seu povo, dizendo: Onde está agora o que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está o que pôs no meio deles o seu Espírito Santo?
IS 63:14- Como o animal que desce ao vale, o Espírito do SENHOR lhes deu descanso; assim guiaste ao teu povo, para te fazeres um nome glorioso.

EZ 3:12 - E levantou-me o Espírito, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que dizia: Bendita seja a glória do SENHOR, desde o seu lugar.

EZ 8:3 - E estendeu a forma de uma mão, e tomou-me pelos cabelos da minha cabeça; e o Espírito me levantou entre aterra e o céu, e levou-me a Jerusalém em visões de Deus, até à entrada da porta do pátio de dentro, que olha para o norte,

EZ 36:27 - E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.

EZ 37:1 - VEIO sobre mim a mão do Senhor e ele me fez sair no Espírito do Senhor;me pôs no meio do vale que estava cheio de ossos.

EZ 37:9 - E ele medisse: Profetiza ao Espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao Espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.

JL 2:28 - E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.

MQ 2:7 - O vós que sois chamados casa de Jacó, porventura encurtou-se o Espírito do SENHOR? São estas as suas obras? E não é assim que fazem bem as minhas palavras ao que anda retamente?

MQ 3:8 - Mas estou cheio do poder do Espírito do Senhor, de juízo e força, p/anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado.

AG.2:5- Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito permanece no meio de vós; não temais.

ZC.4:6- E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força riem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.

ZC.7:12 - Sim, fizeram os seus corações como pedra de diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o SENHOR dos Exércitos enviara pelo seu Espírito por intermédio dos primeiros profetas; daí veio a grande ira do SENHOR dos Exércitos.

ZC 12:10- Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.

AULA 10 – TRINDADE:

 

PNEUMÁTOLOGIA-Doutrina do Espírito Santo: Ensina, orienta, convence e intercede pela Igreja.

 

5)ESPÍRITO SANTO EM CRISTO: O Messias seria ungido com o Espírito Santo que opera sobre, dentro e por meio de Cristo.

Os títulos “Espírito de Cristo e Espírito de Jesus Cnsto”, indicam sua íntima relação não compartilhada por nenhum outro homem. Desde o princípio ao fim de sua vida terrena, Jesus esteve intimamente ligado ao Espírito Santo.

Cristo é o “Espírito Vivificante” (1Co.4:5)não significa que Jesus é o Espírito,mas que Ele dá o Espírito e através dEle, exerce onipresença.Vejamos as fases do aspecto do ministério de Cristo:

a) Nascimento: O Espírito Santo foi o agente da milagrosa concepção de Jesus, descendo sobre Maria.Deus, o Pai, operou a substância da natureza humana de Jesus, em ato divino.

Cristo imaculado e perfeitamente consagrado (Um nascido de mulher, homem, santo, e filho de Deus, esmagando cabeça do diabo-Gn.3:15; 1 Co.15:45-47).

b)Batismo-Concebido pelo Espírito e Sendo Templo do Espírito, Jesus foi agora, ungido pelo Espírito;Assim como desceu sobre Maria na concepção, desceu em Jesus, ungindo-o como Sacerdote, Profeta e Rei.

c) Ministério:Foi levado pelo Espírito ao deserto(Mar 1:12) e sabia que o Espírito estava sobre Ele para se cumprir o ministério profetizado em lsaías.(ls.11:2 e 61:1) .

Além disso, pelo dedo de Deus,o Espírito, expulsou demônios (Lc.11:20/At.10:38)

Jesus testificou que o Pai estava nEle e era o operador de milagres.(Jo.14:10);

d)Crucificação: Lhe deu força para continuar até a morte(Hb.9:14); suportando a afronta e dor pelo Espírito Santo (Hb.12:2);

e)Ressurreição: O Espírito Santo foi o agente vivificante na ressurreição de Cristo (Rm.1:4;8:11);

Jesus “soprou”o Espírito Santo sobre Eles e disse, recebei o Espírito(Jo.20:22;At.1:2).

O sopro divino simbolizava um ato criador. Não foi a Pessoa do Espírito Santo que foi comunicada, mas a inspiração de sua Vida,ou certeza de sua presença, como dom da ascensão. (graça de dotação).

f)Ascensão:Após a ascensão,o Espírito veio a ser o Espírito de Cristo no sentido de ser concedido a outros; “Repousar”-Jo.1:33(ou derramar do Espírito)

Jesus envia o Espírito sobre outros, como Messias (At.2:33 e Ap.5:6).

Jesus concede a bênção que Ele mesmo desfruta, o Espírito Santo, fazendo-nos co-participantes com Ele mesmo.

Não apenas do dom, mas da comunhão com o Espírito Santo, em comum privilégio de bênção de ser o Espírito Santo concedido a nós

Todos os membros do corpo de Cristo, como reino de sacerdotes,participam da mesma unção que mana da cabeça, Cristo, nosso Sumo Sacerdote que está nos céus.

 

6)ESPÍRITO SANTO NO HOMEM:Sete considerações:

a)Convicção: Promotor de Justiça, convencendo sobre a verdade espiritual:

1)Pecado de incredulidade;

2)Justiça de Cristo (Jo.1 6:10);

3) juízo sobre satanás(Jo.16:11 /Lc.11:21)

b)Regeneração(vivificar alma como novo fôlego de vida);

c)Habitação (Relação pessoal,interior:Deus e homem)- vontade sujeita, adoração única,prática cristã,caráter-fruto espiritual e fé,receber espírito da verdade;

d)Santificação

e)Revestir de poder(dons)e

f)Glorificação-vindouro.

7)TRIUNO DEUS(TRINDADE)-nome significa união de três partes ou expressões em uma só.Expressão usada a primeira vez por Tertuliano Séc.II DC Ex. Água nos 3 estados num mesmo recipiente.Ex.

(1Jo. 5:7- Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.

1 Jo.5:8 – E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num.Deus é um.

O monoteísmo é uma verdade e a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma verdade.

A Unidade Divina é uma Unidade Composta, onde há realmente três pessoas distintas, cada uma das quais é a unidade, mas cada um é consciente das outras duas, em comunhão.

Não é o caso de haver três deuses independentes com existência própria.

Os três cooperam unidos no mesmo propósito. (Eu e o Pai somos um- Jo.10:30 e não,Eu Sou o Pai.)O pai cria (o filho e o Espírito São cooperadores); o filho redime (0 Pai e o Espírito enviam o filho a redimir) e o Espírito Santo santifica (Pai e filho cooperam nesta Obra).

A trindade é uma comunhão eterna, mas a obra da redenção do homem, tornou sua manifestação histórica.

A Doutrina da trindade é uma doutrina revelada e não concebida pela razão humana. (1Co.2:16).

Essa Palavra não aparece na Bíblia, mas encontra-se na Bíblia, provas de sua existência.

E muito difícil achar termos humanos para expressar a unidade da Divindade e a distinção das Pessoas.

(Não são três deuses, nem três aspectos ou manifestações de Deus, como prega o TRITEISMO).

Não é uma pessoa apenas, apesar de ser um Só Deus, como prega o SABELIANISMO. O Pai ama e envia o filho; o filho veio do Pai e voltou para o Pai. O Pai e o filho enviam o Espírito; O Espírito intercede junto ao Pai. (Jo.17:1).Para combater estas duas heresias, a doutrina da trindade foi preservada através de dogma Credo de Atanásio Séc.V:“Adoramos um Deus em trindade, trindade em unidade.”

 

As três pessoas que compõe o ser único de Deus – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – são chamados de a Trindade.

A palavra “Trindade” não aparece na bíblia.

Os estudiosos criaram-na para descrever os três seres que constituem Deus.

Através da bíblia, Deus está presente como sendo o Pai, o Filho e o Espírito Santo – não são três “deuses”, mas sim três personas do único Deus (veja, por exemplo, Mateus 28:19; 1Coríntios 16:23-24; 2 Coríntios 13:13).

As Escrituras apresentam o Pai como a fonte da criação, o que dá a vida e Deus de todo o universo (veja João 5:26; 1 Coríntios 8:6; Efésios 3:14-15).

O Filho é retratado mais como a imagem do Deus invisível, a representação exata do seu ser e de sua natureza e o Messias redentor (veja Filipenses 2:5-6; Colossenses 1:14-16; Hebreus 1:1-3).

O Espírito é Deus agindo, Deus alcançando as pessoas – influenciando-as, mudando-as internamente, enchendo-as e guiando-as (veja João 14:26 ; 15:26; Gálatas 4:6; Efésios 2:18).

Todos os três formam uma trindade, vivendo dentro do outro e trabalhando juntos para cumprir seu plano divíno para o universo (veja João 16:13-15).

A união das três pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo — formando um só Deus. Deus é ao mesmo tempo uno e trino (Mt 3.13-17; 28.19; 2Co 13.13).

 

PROVAS DA TRINDADE NA BÍBLIA:

Nome de Deus em hebráico (im-indica plural) – Elohyim (Gn. 1:1);

Verbo no plural Façamos… (Gn.1:26);

Expressão como um de nós (plural) – (Gn.3:22);

Verbo no plural Desçamos (Gn.11:7);

Aparições de Jesus no AT antes de nascer por Maria: (Reconhecido como Deus e como homem): Deus teria aparência de homem  e homem teria aparência divina (Gn.1:27);

Deus e Abraão (Gn.18:2);

Deus e Jacó (Gn.32:24);

Deus e Josué (Js.5:13);

Deus e Israel (Jz.2:4);

Deus e Gideão (Jz.6:21);

Deus e Manoá (Jz.13:3-6);

Deus e deuses? (Sl.82:1);

Deus e homem (Sl.82:6-7);

Deus tem um filho (Pv. 30:4);

Deus fala que olharão para Ele, que é aquele (Jesus) que traspassaram (Zc.12:10);

O Senhor diz que o (outro) Senhor repreenda? 2 Senhores? (Zc.3:2);

Deus Forte se fez menino (Is.9:6);

Por isso Deus, o teu Deus… (Sl. 45:7);

O Eterno, o Senhor, o Criador (3 substantivos seguidos de artigo; 3 pessoas) – (Is.40:28);

 

8) SETE SIGNIFICADOS_DE IMPORTÂNCIA DA TRINDADE:

1) Confere a compreensão acerca da natureza de Deus – porque somos formados por uma alma, um corpo e um espírito, onde o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus.

2) Deus é triúno, com cada pessoa divina com função e propósito; o homem combina os 3 aspectos (material, espiritual e sentimental).

3)Deus opera em sua Criação-Deus Pai planeja, o Filho é o agente e o Espírito Santo realiza;

4)Tira a idéia de Estagnação-Deus é dinâmico e Ele é a própria plenitude da vida;

5) Conceito nega o deismo-afinal, Deus age na criação, Ele quer conduzir homens ao seu seio familiar (Rm.8:29);

6) Sub-entende unidade na adversidade-Cristo é o centro de tudo, mas os homens não perdem identidade;

7) Limita rivais ao seu poder- falsos,supostos deuses.

 

Analise os comparativos:
Pai testifica do Filho (Mt.3:17); Filho Testifica do Pai (Jo.5:19); Filho Testificou do Espírito (Jo.14:26); Espírito Testificou do Filho (Jo.15:26).

Atributos Divinos da trindade: PAI FILHO E. SANTO:

Onipresença: Jr.23:24; Mt.28:20; SI.139:7;

Onipotência: Gn.17:1; Mt.28:18; Lc.1:35;

Onisciência: 1Pe.1:2; Jo.21:17; 1Co. 2:10;

Criador: Gn. 1:1; lo. 1:3; ló. 33:4;

Eternidade: Rm. 16:26; Ap.22:13; Hb. 9:14;

Santidade: Ap. 4:8; At. 3:14; 1 Jo. 2:20;

Santificador: Jo. 10:36; Hb. 2:11; 1 Pe. 1:2;

Salvador: Is. 43:11: 2 Tm.1:1O TI. 3:5;

 

9) FRUTO DO ESPÍRITO SANTO x REVESTIMENTO DE PODER (BATISMO NO ESPÍRITO SANTO)

* FRUTO DO ESPÍRITO: karpov karpos pneuma pneuma  O CRISTÃO:

O homem no qual habita o Espírito Santo! Santificado como o Tabernáculo; Santo, por dever guardar a Santidade do Seu Templo interior (1 Co.6:19 e Rm.12:1).

O Espírito Santo opera na alma gradualmente; fé fortalecida pelas provas e amor fortificado pelas dificuldades e tentações.

O Evangelho que foi o nosso Novo Nascimento, continua a ser nosso Crescimento na Vida Cristã.

O Espírito Santo age diretamente sobre a alma, produzindo virtudes especiais do caráter cristão conhecidos como fruto do Espírito (GI.5:22-3).

A obra do Espírito é progressiva, de dentro para fora, atacando falhas e fazendo um dia, o homem ser perfeito, glorificado e resplandecente pelo Espírito Santo. Essa é a regeneração para a vida eterna.

* REVESTIMENTO DE PODER: enduow enduo dunamiv dunamis – Jesus: Encarnado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, mas batizado no Espírito Santo, como adulto: LC 1:35 – E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. MC 1:7 – E João pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.E aconteceu naqueles dias que Jesus, tendo ido de Nazaré da Galiléia, foi batizado por João, no Jordão. E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre ele. E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo. E logo o Espírito o impeliu para o deserto.

Batismo no Espírito Santo antes do Batismo nas Águas: (At.10:44-Cornélio e sua família):E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus.

Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo? E mandou que fossem batizados em nome do SENHOR. Então rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias.

(Batismo de Paulo):At.19:7- Manias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o SENHOR Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado.

Batismo no Espírito Santo após o Batismo nas águas - (At.19:1-Paulo e alguns discípulos em Éfeso):Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens.
a) Sua natureza:Mas recebereis a virtude do Espírito (At.1:8);

1) Poder para servir;não a regeneração para a vida eterna.(Espírito vem, repousa, enche).

2) Essas palavras de Atos, foram dirigidas a homens que já estavam em íntima relação com Cristo. Foram enviados a pregar; armados com poder espiritual (Mt.10:1).(At.8:12-16)-Pessoas batizadas nas águas em Cristo,receberam o Espírito Santo dias depois.Existe a possibilidade de uma pessoa estar em contato com Cristo e ser seu discípulo, mas carecer do revestimento especial.

3)  Houve manifestação especial (At.2: 1-4), dessa promessa (AI. 1:8), com falar em outros idiomas(Sobrenatural)-At.10:44-46; 19:1-6 e 9:14-19.

4) Esse revestimento é descrito como batismo (At.1:5) Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Quando Paulo fala que há um só batismo, se referia ao batismo literal nas águas. (Ef.4:5)-Tanto os judeus como os pagãos praticavam lavagens cerimoniais, mas o batismo anunciado por João era o batismo cristão, realizado uma única vez.

5) Batismo é usado para experiência espiritual porque é a imersão no poder vitalizante do Espírito, descrevendo como ser cheio do Espírito Santo.

 

b) Características Especiais:É claro que a pessoa não pode ser cristã sem ter o Espírito(Rm.8:9); todas as pessoas regeneradas têm o Espírito, então, que há de diferente no Batismo no Espírito Santo?E claro que é o mesmo Espírito que regenera(conversão), santifica(produzindo fruto do Espírito), dá vigor, ilumina e reveste de dons espirituais.

ATENÇAO: Existe um propósito especial de dar energia à natureza humana para o serviço da obra de Deus.

Poder que vem do céu, produzindo efeitos extraordinários. O batismo com o Espírito Santo é um batismo de poder, de caráter especial, que nem todos os cristãos têm experimentado, ainda.

LÍNGUAS ESTRANHAS – Evidência na igreja primitiva por necessidade da época (1 Co.12:30), mas após o batismo sempre aparece algum dom.

 

c) Evidência inicial:Acompanhada da expressão oral repentina e sobrenatural.

A glossolália (o falar em línguas) era o dom mais popular dos primeiros séculos da igreja.(1 Co.14).

A recepção do Espírito Santo não é uma cerimônia, nem teoria doutrinária, mas uma verdadeira experiência. (Língua Estranha no NT: Mc.16:17; At.2:3-1 1;At.1O:46; At.19:6; 1 Co.12:10).

O Novo testamento estava em processo de formação;

O Espírito Santo precisava ajudar as igrejas a se orientarem na verdade.

Os apóstolos eram poucos, as igrejas distantes, os meios de transporte e comunicação vagarosos.

As idéias se propagavam nos passos das pessoas e as igrejas em toda parte eram infestadas de falsos mestres, a afirmarem toda espécie de coisas a respeito de Cristo, sem nenhum registro escrito de veracidade.

O dom de línguas, provavelmente, estrangeiras, em Corinto evidenciava que se um irmão se levantasse numa reunião e falasse em uma língua que os seus conhecidos soubessem que ele não havia estudado a língua, era clara evidência de que estava no domínio direto do Espírito Santo.

AULA 11 – DONS ESPIRITUAIS:

10) CONSIDERAÇÕES PESSOAIS:

O Espírito Santo estará conosco para sempre (Jo.4:14).

Ele é o começo da nossa salvação completa, como:

a) garantia e penhor da herança(Ef.1:14;2Co.5:5);

b) Primícia da vida futura (gloriosa colheita vindoura em oferta de primícia de Deus (Rm.8:23);

c) Pequena porção de graça e enriquecimento espiritual (Hb.6:5 e Ap.7:17).

Pecados contra o Espírito Santo:

a) pelos crentes:(entristecer–(Ef.4:30);habitação interna; mentir – (At.5:3); e extinguir seu poder-(1Ts.5:19)-  derramamento para servir.

b) pelos incrédulos: Blasfemar-(At.7:51) e resistir ao seu poder-(Mt.12:31-32)-contra sua obra regeneradora.

O pecado contra o Espírito Santo não tem perdão, pois Ele é o mediador entre nós e Cristo.

Quem teme esse pecado, “não o cometerá”.

11) DIFERENÇA IMPORTANTE: DOM DO ESPIRITO E DONS DO ESPIRITO:

DOM: 1) Capacidade ou talento que o Espírito Santo concede aos servos de Deus para uso em favor dos outros (Hb 2.4, RC; 1Pe 4.10). No NT há duas listas de dons: Rm 12.6-8 e 1Co 12.4-10. 2) Presente (Ef 2.8). 3) Oferta (Hb 5.1).

 

A)                                   Conceitos:

DOM DO ESPIRITO- Concessão do Espírito aos crentes, conforme ministrado por Cristo glorificado (At.2: 33);

DONS DO ESPIRITO - Capacidades sobrenaturais concedidas pelo Espírito para ministérios especiais. Paulo tala dos dons espirituais em três aspectos:

charismata-variedade de dons pelo mesmo espírito (1Co.12:4,7);

diakonai - variedade de serviços prestados na causa do mesmo Senhor;

energimata - variedade de poder do mesmo Deus que opera tudo em todos.

B) Propósito Principal dos dons-São capacidades espirituais concedidas com o propósito de edificar a Igreja de Deus, instruindo os crentes e ganhando novos convertidos. (Ef.4:7-1 3).

C) Maneira de Recepção:

a)perseverar unânime em oração e súplicas.(At.1:14);

b)Iigada às orações de obreiros cristãos.(imposição de mãos)-(AL.8:1 5,17);

c) orações em comum na igreja. (At.4:31 )“Moveu-se o lugar”=algo espiritual e sobrenatural foi sinal naquele lugar, no dia de Pentecostes.

d)Derramamento espontâneo em corações purificados pela fé (At.10:44;15:9);

e) Como esse batismo é um dom (At. 10:45) O crente pode requerer diante do trono da graça o cumprimento da promessa de Jesus (Lc.11:13).Como pecadores,aceitamos a Jesus para salvação e como crentes, o Espírito Santo para poder e consagração.

f) Oração individual. Saulo orou e jejuou 3 dias para receber (at.9:9-17);

g)Obediência:O Espírito Santo é a pessoa que Deus dá aqueles que lhe obedecem (At.5:32).

 

 

12) CLASSIFICAÇÃO DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO:

(1 Co.12:8-10) – Nove (9) Dons,divididos em 3 grupos:

 

*Aqueles que concedem poder para saber sobrenaturalmente:

Palavra de Sabedoria, Palavra de Ciência e de discernimento;

 

*Aqueles que concedem poder para agir sobrenaturalmente:

fé (diferente da fé natural), milagres e curas (divinas).

 

* Aqueles que concedem poder para falar sobrenaturalmente:

profecia, línguas estranhas e interpretação dessas línguas.

 

A)Classe de Dons para poder para saber sobrenaturalmente:

 

*PALAVRA DE SABEDORIA: logov logos sofia sophia Habilidade/capacidade sobrenatural para expressar conhecimento.

(Características:)

a) Aplicada na arte de interpretar sonhos e dar conselhos sábios. (At. 7: 10);

b) Inteligência para esclarecer o significado de algum número ou visão misterioso (Ap.13:18;17:9);

c) Prudência em tratar de assuntos:(At.6:3);

d) Habilidade santa no trato de pessoas fora da Igreja (Cl. 4:5);

e) Jeito e discrição em comunicar verdades cristãs (Cl.1:28);

f) Conhecimento e prática para uma vida piedosa e reta (Tg.1:5; 3:13,17).

g) Conhecimento e habilidades necessários para uma defesa eficiente da causa de Cristo (Lc.21:15);

h)Conhecimento prático de coisas divinas e de deveres humanos, unindo a aplicação bíblica. (Mt.13:54; Mc.6:2;At.6:10)

i) Sabedoria com que João Batista e Jesus ensinavam aos homens o plano da salvação (Mt.11:19).

OBS:São Pessoas sensíveis, com discernimento, práticas, sábias, justas, com experiência, com bom senso;

Cuidados: Podem falhar; não devem ser o centro da dependência alheia; precisam ser longânimas com os que não tem o dom. Versículos: (Jr.9:23-24; 1Co.2:3-16; 1Co.12:8; Tg.3:13-18).

*PALAVRA DA CIENCIA: logov logos gnwsiv gnosis – Pronunciamento ou declaração de fatos inspirados de modo sobrenatural.

(Características:)

a)Conhecimento de Deus tal como é oferecido nos evangelhos (2 Co.2:4)-Ex. Paulo (2Co.10:5);

b) Conhecimento das coisas que pertencem a Deus (Rm.11:13);

c) Inteligência e entendimento (Ef. 3:19);

d) Conhecimento da fé Cristã (Rm.15:14; 1Co.1:5);

e) Conhecimento mais profundo, mais perfeito e mais amplo da vida cristã, mais avançada. (1Co.12:8; 13:2,8; 2Co.6:6; 8:7; 11:16);

f)Conhecimento mais elevado das coisas divinas e cristãs das quais os falsos mestres se gabam. (1Tm.6:20);

g) Sabedoria moral como se demonstra numa vida reta (2 Pe.1:5);

h)Sabedoria moral nas relações com os demais (1Pe.3:7);

i) Conhecimento concernente às coisas divinas e aos deveres e segredos dos seres humanos. (Rm.2:20; Cl.2:3);

Diferença:Sabedoria x Ciência: Ciência é o conhecimento profundo em si e sabedoria é o conhecimento prático (habilidade/ação).

OBS: São pessoas curiosas, sensíveis, observadoras, com discernimento, reflexivas, estudiosas e verdadeiras.

Cuidados: Para não se ensoberbecer, lembrar-se que a mensagem é de Deus e ter responsabilidade com o conhecimento adquirido. (Mc.2:6-8: Jo.1:45-50; 1Co.12:8).

 

*DISCERNIMENTO DE ESPIRITOS: diakrisiv diakrisis pneuma pneuma – Habilidade/capacidade sobrenatural para diferenciar a inspiração verdadeira do Espírito Santo,da falsa,oriunda do homem da carnes ou de espíritos malignos enganadores (demônios)

(características:)

a) Capacita o possuidor determinar se o profeta está falando ou não pelo Espírito de Deus.

b) Faz o possuidor “enxergar” todas as aparências exteriores e conhecer a verdadeira natureza de uma inspiração.

c) Operação do dom de discernimento pode ser examinada de duas formas: doutrinária (1Jo.4:1-6) e a prática (Mt.7:15-23).

d) Dom capacita alguém a discernir o caráter espiritual de uma pessoa.

OBS:Diferente da percepção humana e da critica pessoal humana.

e) Operação do dom ilustrada em: Jo:1:47-50; 2:25; 3:1-3; 2Rs.5:20-26; At. 5:3; 8:23; 16:16-18).

São Pessoas Perceptivas, com discernimento, sensíveis, intuitivas, decisivas, desafiantes e verdadeiras.

Cuidados: Podem ter dificuldade em saber como expressar suas percepções e sentimentos; podem ser duras ao confrontar pessoas em vez de falar de amor; Precisam confirmar suas percepções antes de comunicá-las. (Mt.16:21-23; At.5:1-4; 1Co.12:10).

 
B)Classe de Dons para poder para agir sobrenaturalmente:

*FE:(ESPECIAL, diferente da Fé Salvadora e da confiança em Deus)-(Hb.11:6) pistiv pistis

(Características:)

Em Ef.2:8, a fé salvadora é dada como dom, no sentido de favor imerecido (Graça), diferenciando de obras, diferente de dotação especial do Espírito Santo (1Co.12:9).Conforme Mc.11:22 e Mt.17:20, é qualidade de fé miraculosa e sobrenatural.

Exemplo de aplicação deste dom: (1 Rs.18:33-35;At.3:4.)

São pessoas com atitude de oração, otimistas, confiantes, crédulas, positivas, estimulantes dos outros e esperançosas.

Cuidados: Precisam agir de acordo com a fé, precisam ouvir e considerar o conselhos e planos de outros crentes cheios do Espírito Santo. (Rm.4:18-21; 1Co.12:9; 13:2; Hb.11:1.).

*OPERAÇÃO DE MlLAGRES: energhma energema dunamiv dunamis – ”Obras de Poder” (Jo.14:12; At.1:8).Milagres em Éfeso. (At.19:11,12; 5:12-15);

(Características:)

a) Falam a verdade de Deus autenticada por sinais;

b) Expressam a confiança na fidelidade, capacidade da presença de Deus;

c) Transmitem o ministério e mensagem de Jesus com poder;

d) Reconhecem e glorificam Deus como fonte de milagre;

e) Representam Cristo e induzem pessoas a terem relacionamento com Deus.

OBS:São pessoas ousadas, corajosas, com autoridade divina, tementes a Deus, convincentes, em atitude de oração e sensíveis;

Cuidados: Precisam saber que o milagre veio pela fé; não devem encarar dom como responsabilidade pessoal porque Deus determina o local e o tempo da manifestação de suas obras; Devem ter cuidado para não clamar pela manifestação poderosa de Deus por motivos puramente pessoais. (Lc.5:1-11; Jo.2:1-11; 1Co.12:10, 28,29).

*DONS DE CURAR: carisma charisma iama iama – (Plural-variedade de curas: emocional, relacional, espiritual, física, etc.) Restaurar instantaneamente-

(Características):

a)usado por Deus para, de maneira sobrenatural, dar saúde a enfermos por meio da oração.”dom-sinal”, de valor especial ao evangelista para atrair o povo ao evangelho (At.8:6,7; 28:8-10);

b) deve-se dar lugar à soberania de Deus e à atitude e condição espiritual do enfermo, não se supondo que todos serão curados, pois pode haver incredulidade. (Mt.13:58)

Todos podermos orar por enfermos (Mc.16:18;Tg.5:14).

São pessoas com compaixão, confiança em Deus, atitude de Oração, cheios de fé, humildes, sensíveis e obedientes. (Mc.2:6-8; Jo.1:45-50;1Co.12:8).

3)Classe de Dons para poder para falar sobrenaturalmente:

* PROFECIA: profhteia propheteia – Expressão vocal inspirada por Deus (Falar Antes).(Características:)

a) podem ser mediante revelação, sonho, visão ou Palavra de Deus, inspirando no momento, para exaltar e adorar a Cristo, admoestar exortativamente, confortar e encorajar o s crentes.

b) Se distingue da pregação comum porque é resultado da inspiração espiritual espontânea.

c)a Pessoa que tem esse dom é constituído como profeta (At.15:32; 21:9; 1Co.14:3);

d) O propósito do dom é edificar, exortar e consolar os crentes (1Co.14:3).

e)A profecia não está no mesmo nível das escrituras. Devemos provar e julgar as mensagens proféticas (1Co.14:29)-Pode ser sua mensagem de autoria meramente humana(Jr.23:16; Ez.13:2,3).

f) Em 1 Ts.5:19-20, trata-se da operação do dom de profecia. Provemos a mensagem, retenhamos o bem e deixemos o mal.

g) Notemos que Deus vivifica a profecia (1Co.14:14), podendo ser usada na 1a. e 3a. pessoa do singular (Lc.1 :67-79).

São pessoas com discernimento, constrangedoras, não comprometedoras da verdade, falam abertamente, com autoridade, convicção e confrontam as pessoas (No Espírito).

Cuidados: Devem transmitir mensagem com amor e compaixão, sabendo que poderão ser rejeitadas; precisam evitar orgulho e ter discernimento e apoiar no Evangelho as mensagens proféticas. (Rm.12:6; 1Co.12:10, 28; 13:2; 2 Pe.1:19-21). Profeta no A.T. era ministério e no N.T. é dom de profecia.)
*LINGUAS ESTRANHAS(IDIOMAS)- genov genos glwssa glossa – Variedade de Línguas-Poder de falar sobrenatural uma língua nunca aprendida por quem fala.

(Características):

Duas classes:Louvor em êxtase dirigido a Deus somente (1Co.14:2); Mensagem definida para a Igreja (1 Co.14:5).

OBS: Línguas como sinal difere do dom de línguas:Sinal é para todos (At.2:4); Língua é para quem tem dom (1Co.12:30)-São pessoas sensíveis, em atitude de oração, confiantes, dedicadas, espontâneas e receptivas.

Cuidados: Devem permanecer caladas na igreja ou falando baixo, se não houver interpretação; Não devem  esperar que outros manifestem este dom como autenticação do Espírito; Devem lembrar que todos os dons são para edificação da Igreja. (At.2:1-11; 1Co.12:10; 28-30; 13:1; 14:1-39; Mc.16:17).

OBS:1 Co.13:8-O amor(fruto) nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão;havendo ciência, desaparecerá.

Porque,em parte, conhecemos e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado”-refere-se à 2a. vinda de Jesus e não ao aparecimento das Escrituras.

ESSE DOM NAO DEVE SER PROIBIDO NAS IGREJAS (Pelo menos nas que realmente crêem e entendem o que está escrito na Bíblia).
* INTERPRETAÇAO DE LINGUAS ESTRANHAS: ermhnia hermeneia glwssa glossa – (Tornar inteligível as expressões do êxtase inspirados pelo Espírito que se pronunciou em língua desconhecida para torná-la comum ao povo congregado.

(Características):

a)Operação puramente espiritual, não provendo do intelecto.

b)A interpretação é inspirada, extática(êxtase consciente) e espontânea.

OBS: Línguas com interpretação toma o valor da profecia (1Co.14:5)-Línguas são um sinal para os incrédulos (1Co.14:22).

São pessoas obedientes, responsivas, dedicadas, sábias, com discernimento e espiritualidade sensível.

Cuidados: Devem lembrar que a mensagem interpretada deve refletir somente a vontade de Deus, este dom deve promover a edificação da Igreja e deve acontecer de forma ordenada. (1Co.12:10; 14:5; 14:26-28).

O milagre de Deus ocorre pela mensagem apropriada às vidas presentes, que serão alcançadas.

* Outros (talentos/dádivas),não necessariamente ligados ao Batismo no Espírito Santo,agindo em qualquer crente:

* Administração: Conduzir e fazer funcionar o ministério (Ex.18:13-26; At.6:1-7; 1Co.12:28);

*Apostolado:Iniciar e supervisionar Igrejas-(At.13:2,3; Rm.1:5; 1Co.12:28,29; Ef.4:11,12);

* Artesanato:Elaborar criativamente itens/adornos para serem usados.(Ex.31:3; 35:31-35; 2 Rs.22:5,6; At.9:39).

* Comunicação Criativa:Através da arte. (2Sm.6:14,15; SI.150:3-5); Mc.4:2,33.

* Encorajamento:Fortalecer, consolar e estimular outros.(At.11:22-24; At.15:30-32; Rm.12:8);

* Evangelismo:Levar as boas-novas eficazmente.(Lc.19:1-10; At.8:26-40; Ef.4:11);

* Contribuição:Dar recursos para a obra do Senhor,com amor.(Ex.35:21;Lc.21:1-4 Rm.12:8;2Co.6:8);

* Serviço:Realizar tarefas práticas/necessárias(apóia e supre outros).(At.6:1-4;Rm.12:7; Rm.16:1-2;1Co.12:28);

* Hospitalidade: Cuidar, alimentar e acomodar pessoas,quando preciso. (Rm.12:13; Hb. 13:1-2;1Pe.4:9-10);

* Intercessão:Orar regularmente por pessoas,com resultados. (Jo.17:9-26; Rm.8:26-27; Cl.1:9-10; 4:12; 1Tm.2:1-2);

* Liderança:Motivar e direcionar povo com harmonia aos propósitos divinos. (Lc.22:35-36; Rm.12:8; Hb.13:17);

* Misericórdia: Ajudar(alegre),na prática os que sofrem e necessitam. (Mt.5:7; Mc.10:46-52; Lc.10:25- 37; Rm.12:8);

* Pastorado: Nutrir, cuidar e guiar o povo à maturidade espiritual. (Jo.10:1-18; Ef.4:1 1,12; 1 Pe. 5:1-4);

.* Ensino: Entender e explicar claramente a Palavra de Deus.Versículos:At.18:24-28; Rm. 12:7; 1Co.12:28,29; 2 Tm. 2:2.

 * Canto:Salmos e hinos espirituais(melodias inspiradas)e congregacionais aos corações. (Ef.5:18,19);

 
13) REGULAMENTO DOS DONS:

Devem ser regulados para edificar a Igreja:

a)Valor proporcional-pela edificação na Igreja;

b) Edificação- para encorajar e converter;

c) Sabedoria – Com bom senso(sem meninices);

d) Autodomínio-Controle e educação espiritual; e)Ordem: saber render-se ao Espírito(sentir o mover’);

e)Suscetível de ensino-Humildade e mansidão para aprender uns com os outros.

No primeiro século, o Espírito Santo era muito conhecido na Igreja, mas hoje, há grande descuido quanto à sua obra e manifestação.

OBS 2:Manifestação é diferente de reação: Entendamos suas manifestações nas reuniões e as reações nas pessoas(natureza frágil).

AULA 12 – ANJOS E DEMÔNIOS:

 

Anjos são Mensageiro de Deus (1Rs 19.5-7).

Os anjos são espíritos que servem a Deus e ajudam os salvos (Hb 1.14).

Foram criados santos, mas alguns se revoltaram contra Deus (Jd 6; 2Pe 2.4).

Em algumas passagens bíblicas Deus e o Anjo do SENHOR (de Javé) são a mesma pessoa (Gn 16.7-13; 22.11-18; Êx 3.2-22; Jz 6.11-24).

1) CONSIDERAÇÕES INICIAIS:

O QUE SÃO ANJOS? Mateus 1:18-25 – Projetando ele isto, em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. (Mt. 1:20)

 

OS ANJOS SÃO SERES CRIADOS PARA O PROPÓSITO DE DEUS:

A concepção e o nascimento de Jesus Cristo são eventos sobrenaturais, além do raciocínio ou da lógica humana (veja Mateus 2:13, 19; Lucas 1:11, 26; 2:9).

Anjos são seres espirituais criados por Deus que ajudam a levar a sua obra aqui na terra.

Eles trazem as mensagens de Deus para as pessoas (Lucas 1:26), protegem o povo de Deus (Daniel 6:22), encorajam as pessoas (Gênesis 16:7), dão orientação (Êxodo 14:19), executam punições (2 Samuel 24:15-17), patrulham a terra (Zacarias 1:9-14) e lutam contra a força do mau (2 Reis 6:16-18; Apocalipse 20:1-2).

Existem anjos bons e maus (Apocalipse 12:7), mas porque os anjos maus estão aliados com o diabo, ou Satanás, eles tem menos poder e autoridade do que anjos bons. Eventualmente, o maior papel dos anjos vai ser de oferecer louvores a Deus (Apocalipse 7:11-12; Lucas 1:5-20 – Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e dar-te estas alegres novas. (Lc.1:19)

OS ANJOS SERVEM COMO MENSAGEIROS DE DEUS:

Os anjos são seres espirituais que vivem na presença de Deus e fazem a sua vontade. Somente dois anjos são mencionados pelo nome nas escrituras – Miguel e Gabriel – mas há vários que atuam como mensageiros de Deus.

Aqui, Gabriel deu uma mensagem especial a Zacarias (1:19). Isso não foi um sonho ou uma visão.

O anjo apareceu numa forma visível e falou palavras audíveis para o sacerdote. ( Mateus 18:10-14-Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos. Pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.

OS ANJOS SÃO GUARDIÕES ESPECIAIS:

A nossa preocupação com crianças tem que ser igual a maneira com que Deus as trata.

Certos anjos são incumbidos de cuidar de crianças e eles tem acesso direto a Deus.

Há culturas em que as crianças não são levadas em conta, são ignoradas ou abortadas.

Se os seus anjos tem acesso direto a Deus, o mínimo que podemos fazer é permitir que as crianças se aproximem de nós com facilidade apesar de nossas agendas lotadas (Hebreus 1:1-14-Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?

OS ANJOS TEM VÁRIAS FUNÇÕES:

Os anjos são seres espirituais criados por Deus e debaixo de sua autoridade (Colossenses 1:16).

Eles tem várias funções: servir aos que crêem (Hebreus 1:14), proteger os necessitados (Mateus 18:10), proclamar a mensagem de Deus (Apocalipse 14:6-12) e executar a punição de Deus (Atos 12:1-23; Apocalipse 20:1-3).

2) CONCEITOS BÍBLICOS: ANGELOLOGIA: Doutrina dos Anjos (Mensageiros de Deus à serviço de Israel e da Igreja de Jesus):

ANJOS: Existência ensinada nos 34 livros da Bíblia;ocorre 286 vezes.Cristo sabia deles e ensinava várias vezes(Mt.1 8:1 O;26:53);

 

NO ANTIGO TESTAMENTO:

* Kalm mal’ak – mensageiro, representante; o anjo teofânico. (Gn.19:1);

 

NO NOVO TESTAMENTO:

* aggelov aggelos – trazer notícias – um mensageiro, embaixador, alguém que é enviado, um anjo, um mensageiro de Deus. (Mt.4:6);

3) QUANTO À CRIAÇÃO:

Representa 3 Características Importantes:a)Fato(C11:16); b)Tempo (Jô.38:6-7); c)Estado(Judas 6);

 

4) NATUREZA:

a)Criaturas-Criados,antes do homem,pelo poder de Deus,cujo”Pai”é Deus (Jó.1:6).Recusam adoração (Ap.19:10) e ao homem é proibido adorá-los (Cl.2:18).

b)Espíritos – não limitados às condições naturais e físicas,muito rápidos; aparecem e desaparecem à vontade; podem assumir formas humanas visíveis.(Gn.19:1-3;Hb.1:4).

c) Imortais-não estão sujeitos à morte (Lc.20:34-36);

d)Numerosos-Número muito grande (Dn.7:10; Mt.26:53; Lc.2:13; Hb.12:22); Deus é o Senhor dos Exércitos.

e)Sem sexo-Apesar de descritos como varões,significando autoridade,não propagam sua espécie (Gn.18:1-2;Mc.12:25;Lc.20:34,35);

f)Podem se aparentar com forma de mulheres(Zc.5:9);

g) Distintos dos Seres humanos (Sl.8:4-5);

h) Poderosos (2Pe.2:11;Sl.103:20);

5)PERSONALIDADE: Têm: a)Intelecto (1Pe.1:12); b) Emoções (Lc.2:13); c) Vontade Própria (livre arbítrio)(Judas 6).

 
6)CARÁTER: a)Obedientes-Não questionam nem vacilam-(Sl.103:20;Jd.6 e 1Pe.3:22); b)Reverentes – Adoradores (Ne.9:6; Fil.2:9-11; Hb.1:6); c)Sábios-”Como um anjo…p/ discernir o bem e mal-ditado israelita (2Sm.14:17).”-Sua inteligência excede às dos homens aqui;não discernem os pensamentos(1 Rs.8:39);Seus conhecimentos dos mistérios da graça são limitados(1 Pe.1:12). d)Mansos – Sem ressentimentos ou injúrias-(2Pe.2:11 Jd.9); e)Santos-Separados por Deus para Ele – Anjos Santos.(Ap.14:10);

7)CLASSIFICAÇÃO:Em posto e atividade (exércitos); (1Pe.3:22) ..anjos,autoridades, potências…”; (Cl.1:16;Ef.1:20,21);

a) Anjo do Senhor – Ser incriado: Nome dado ao Senhor Jesus, antes de ser encarnado em Maria.Características: Pode perdoar ou reter pecados (ls.63:9; Ex.23:21); *0 Nome de Deus está nEle – Seu Caráter revelado(Ex.23:20-23)e a presença de Deus-Rosto de Jeová – (Ex.32:34;Ex.33:14;ls.63:9);Jacó identificou o anjo como o próprio Deus. (Gn.32:24-30; 48:15,16);

b) Arcanjo: arcaggelov archaggelos – Miguel é mencionado como o anjo principal (Jd.9;Ap.12:7;1 Ts.4:16), como protetor da nação israelita (Dn.12:1);

c) Gabriel é mencionado como classe muito elevada, diante de Deus. (Lc.1:19), como mensageiro importante do Reino de Deus (Dn.8:16;9:21).

d)Primeiros Príncipes (Principados)ou Anjos das Nações-(Dn.10:13)Cada nação tem seu anjo protetor, podendo ser bom ou mal (Ef.3:10; Cl.2:15; Ef.6:12);

d)Anjos Eleitos-Anjos que permaneceram fiéis a Deus durante a rebelião de satanás. (1 Tm.5:21; Mt.25:41)

e)Anjos da Guarda: Para todos (Hb.1:14); Para crianças (Mt.18:10);

f)Querubins: bwrk k@ruwb – Xeroubin cheroubim – Classe elevada de anjos com propósitos retribuitivos (Gn.3:24) e redentores(Ex.25:22) – Rostos implicam perfeição de criaturas(Rostos): força de leão; inteligência de homem; rapidez de águia;serviço semelhante ao do boi.(Assegura-se que a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção-(Rm.8:21)-Ligados à santidade de Deus.

g)Serafins: = Prs saraph -  “ardentes”-(ls.6)-Ordem elevada de anjos com ardente amor a Deus. São ligados à adoração a Deus.

 
8)OBRA E MINISTÉRIOS
: 1)Agentes de Deus – Executores de pronunciamentos de Deus(Gn.3:24;Nm.22:22-27;Mt.1 3:39-41,49;16:27;24:31; Mc.13:27; Gn.19:1; 2 Sm.24:16; 2Rs.19:35;At.12:23); 2)Mensageiros de Deus-(Anjo significa Iiteralmente ”mensageiro”). Por meio dos anjos, Deus envia: a)Anunciações:(Lc.1:11-20;Mt.1:20,21);b)Advertências (Mt.2:13;Hb.2:2);c)lnstrução(Mt.28:2-6;At.10:3;Dn.4:13-17); d)Encorajamento (At.27:23; Gn.28:12); e)Revelação (At.7:53;Gl.3:19;Hb.2:2; Dn.9:21-27; Ap.1:1);3)Servos de Deus – espíritos ministradores enviados para:a)servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação(Hb.1:14);b)sustentar (Mt.4:11;Lc.22:43;1Rs.19:5);c)preservar (Gn.16:7; 24:7; Ex.23:20; Ap.7:1); d)resgatar (Nm.20:16; Sl.34:7;91:11; Is.63:9; Dn.6:22; Gn.48:16; Mt.26:53); d)interceder (Zc.1:12; Ap.8:3,4);e)para servir aos justos depois da morte (Lc.16:22);

OBSERVAÇAO:”Doutrina de Anjos Protetores”-Com base em Mt.18:10 e At.12:1 5, os cristãos primitivos acreditavam que cada crente teriam um anjo especial designado para guardá-lo e protegê-lo durante a vida; a única coisa que se sabe é que promessas de ajuda por parte de anjos são numerosas e claras para ajudar os crentes.

 

CUIDADO: Anjos de Deus não entram em corpos de crentes, pois têm corpo celeste; Quando se diz que alguém foi usado como anjo,”mistérios de Deus”, implica que o Espírito Santo usou como anjos “mensageiros”. e nunca que o anjo entrou em alguém.Evangelho não é espiritismo.

9)DESCREVENDO OS MINISTÉRIOS:

A)QUANTO A JESUS CRISTO:

1)Predisseram nascimento(Lc.1:26-33);

2)Anunciaram nascimento (Lc.2:13);

3)Protegeram a criança (Mt.2:13);

4)Fortaleceram Jesus após tentação (Mt.4:11);

5)Preparados para defende-lo (Mt.26:53);

6) Confortaram-no no Getsemani (Lc.22:43);

7)Rolaram a Pedra do Sepulcro(Mt.28:2);

8)Anunciaram a Ressurreição de Jesus.

 

B)QUANTO AOS CRENTES(IGREJA):

1) Ministério Geral de Ajuda (Hb.1:14);

2)Envolvidos com respostas de orações (At.12:7);

3)Observam as experiências dos Crentes(1Co.4:9;1Tm.5:21);

4)Encorajam nas horas de perigo(At.27:23-24);

5)lnteressados nos esforços evangelísticos dos crentes (Lc.5:10; At.8:26); 6)Ministram aos justos na hora de sua morte (Lc.16:22; Jd.1:9)

 

C)QUANTO ÀS NAÇÕES:1)Miguel – relacionamento estreito com  lsrael (Dn.12:1); 2)Anjos:agentes de Deus na execução de sua providência (Dn.10:21); 2)Anjos estão envolvidos nos juízos da Tribulação (Ap.8,9,16).

 

D)QUANTO AOS DESCRENTES:

1)Anunciam juízos iminentes (Gn.19:13; Ap.14:6- 7);

2)Inflingem o juízo divino (At.12;23);

3) Agem como ceifeiros na separação definitiva no fim dos tempos (Mt. 13:39).

 

B) SANATOLOGIA – Doutrina sobre satan (pai da Mentira):

1)EXISTENCIA: Uma de suas maiores armas é a mentira sobre si mesmo.Sua existência é ensinada em sete livros do Antigo Testamento e por todos os autores do Novo Testamento. Cristo reconheceu e ensinou sobre a existência de satanás (Mt.13:39; Lc.10:18;11:18).

A concepção do diabo com chifres, pé de cabra e aparência horrível não é bíblica, mas pagã; afinal, a 2a. mentira dele é justamente negar a sua própria aparência.

A terceira mentira dele é que o contrário de Deus é diabo; Deus não tem contrário, pois é único.

De acordo com as escrituras, Satanás era Lúcifer(O que leva a Luz)-O mais glorioso dos anjos, mas ele aspirou ser como o Altíssimo e caiu na condenação do diabo (1Tm.3:6).- ls.14:12-15;Ez.28:12-19-Os reis de Babilônia e Tiro inspiram a queda do diabo: Motivos Práticos:EIes reinvindicavam adoração como seres divinos, o que é blasfêmia (Dn.3:1-12;Ap.13:15; Ez.28:2; At.12:20-23) e faziam de seus súditos, jogo de ambição cruel. Lição Prática:

Se Deus castigou o orgulho deste anjo rebelde, não castigará a todos os que se atrevam a afrontá-Io?

O diabo quis contagiar o primeiro casal com a semente do orgulho(Gn.3:5; ls.14:14); quer ser adorado como deus deste mundo(Mt.4:9;2Co.4:4); e anticristo (Ap.13:4).

Como castigo, satanás foi lançado do céu,com o grupo de anjos que havia alistado em sua rebelião. (Mt.25:41; Ap.12:7; Ef.2:2; Mt.12:24).

2)DESIGNAÇÔES:A)NOMES:

1)satanás(adversário) – Njs satan – satanav satanas lntentos maliciosos e persistentes para obstruir os propósitos de Deus (1Cr.21 :1) – OBS: ele quer destruir a igreja de duas maneiras: a) interiormente (falsos ensinos)-(1Tm.4:1; Mt.13:38,39) e b) exteriormente (Perseguição)-(Ap.2:10); 

2)diabo(difamador/caluniador)- diabolov diabolos – Mt.4:1;ele calunia:a)Deus- (Gn.3:2,4,5); b)homem (Ap.12:10; Jó.1:9;Zc.3:1,2; Lc.22:31);

3)lúcifer (fiIho da alva); -

4)belzebú beelzeboul Beelzeboul ou  beelzeboub  – senhor da casa – (maioral dos demônios – Mt.12:24);

4) beliaI  leylb b@liya‘al  - companheiro vil;(lndignidade- Perversidade-2 Co.6:15);

4)destruidor-Apollyon(Grego)/Abaddon-(hebráico)-Ódio contra o criador e suas obras,querendo ser o deus da destruição(Ap.9:11)

B)TITULOS:

a)Maligno-mundo no poder e influenciado por ele(1Jo.5:19 e 1 Jo.2:16);

b)Tentador – significa provar ou testar, diferente de Deus, que prova homens para o bem, ele prova para destruir. (1Ts.3:5;Mt.4:3);

c)príncipe e deus deste mundo-influente na sociedade organizada fora ou à parte da vontade de Deus.”

Mundo jaz no maligno”, nas atividades humanas baseada na fama, prazer e bens.com falsas idéias de prazer, honra, riqueza e dignidade(materialismo) (Jo.12:31; 2Co.4:4; Ef.2:2); d)Acusador de nossos irmãos (Ap.12:10);

C) SUAS REPRESENTAÇÕES: serpente (Gn.3:1 e Ap.12:9); dragão (Ap.12:3): anjo da luz (2Co.11:4).

3)CARÁTER:1)Criatura (Ez.28:14):b)espírito(Ef.6:11-12):c)era querubim (Ez.28:14);d )Era um anjo exaltado(Ez.28:12);

 
4)PERSONALIDADE:
Traços de ldentidade:

1)lntelecto (2 Co.11:3);

2)Emoções (Ap.12:1 7);

3)Vontade (2Tm.2:26);

4)Moralmente penalizável por seus atos(Mt.25:41);

5)Descrito por pronomes pessoais.(Jó.1:6);

6)homicida (Jo.8:44);

7)Mentiroso(Jo.8:44);

8)pecador(1 Jo.3:8);

9)Acusador(Ap.12:10);

10)Adversário(1Pe.5:8);

11)Presunçoso (Mt.4:4,5);

12)Orgulhoso (1Tm.3:6);

13)Poderoso(=forte,diferente de todo-poderoso, quem é somente Deus) (Ef.2:2);

14)maligno (Jó.2:4);

15) Astuto (Gn.3:1;2Co.11:3);

16) Enganador (Ef.6:11);

17)feroz e cruel(1Pe.5:8).

 

5)ATIVIDADES/ATUAÇOES:

1)QUANTO À OBRA DE JESUS:

a)Causa conflito(Gn.3:15);

b)Tenta(Mt.4:1-11);

c)usa pessoas contra a obra (Mt.2:16; Jo.8:44; Mt.16:23);

d)Usou Judas(Jo.13:27).

2)QUANTO AOS CRENTES:

a)O tenta a mentir (At.5:3);

b)Acusa e difama (Ap.12:10);

c) dificulta o trabalho (1Ts.2:18);

d)Usa demônios para derrotar o crente (Ef.6:11-12);

e)O tenta à imoralidade (1Co.7:5);

f) Semeia joio entre eles (Mt.13:38-39);

g) lncita perseguições (Ap2:10);

h)Perturba a obra (1Ts.2:18);

i)opõe-se à Obra (Mt.13:19;2 Co.4:4);

j)aflige os santos (16.1:12);

k)Tenta os santos de Deus (1Ts.3:5);

3)QUANTO AOS DESCRENTES/NAÇÕES:

a)domina (Lc.22:3);

b)cega (2 Co.4:4);

c)engana (Ap.20:3.7):

d)laça (1Tm.3:7);

e)arrebata a Palavra (Lc.8:12);

f)reúne para o Armagedon (Ap.16:13-14).

 
6)LOCAIS DE SUA ATUAÇAO:
Não somente entre ímpios, mas muitas vezes age como anjo de luz (2 Co.11:4), assistindo reuniões religiosas, como ajuntamento de anjos (Jó.1), visando implementar uma doutrina de demônios (1Tm.4:1), estando nas igrejas pretendendo transformá-la em Sinagoga de satanás(Ap.2:9), agindo como “ministro de justa”(2 Co.11:15).

 
7)O PORQUÊ DE SUA IRA:Ele aborrece a imagem de Deus em nós, odeia nossa natureza humana com que se revestiu Jesus. Odeia a glória externa de Deus; iremos aos céus, seremos semelhantes a Cristo e somos filhos de Deus e por isso,o diabo nos inveja.

8)SEUS LIMITES: Reconheçamos que ele é forte para os que cedem à tentação, mas não exageremos seu poder;

a)ele é derrotado (Jo.12:31);

b)ele é covarde(Tg.4:7);

c) (Não é onisciente/infinito;

d)Pode ser resistido pelo crente (Tg.4:7);

e)Deus o limita (Jó.1:12);

f)Não pode, sem a permissão de Deus: tentar(Mt.4:1); afligir (Jó.1:16); matar (Jó.2:6; Hb.2:14);ou tocar no crente.

9)DEFESA DO CRENTE CONTRA ELE:

a)Temos a constante Intercessão de Cristo (Jo.17:15);

b)Deus pode usar o diabo para propósitos benéficos na vida do crente(2 Co.12:7);

c)Não devemos falar do inimigo com desprezo, para não cairmos no mesmo pecado(Judas 8- 9);

d)Sempre vigiar(1Pe.5:8);

e)Devemos resistir(Tg.4:7);

f)Devemos usaras armaduras espirituais (Ef.6:11-18).

 

10)SEU DESTINO OU JUIZO: EM QUEDA CONSTANTE:

a) No princípio, expulso do Céu (Entre Gn.1:1 e 2, com sua queda, terra que foi feita por Deus bela,tomou-se sem forma e vazia com queda de lúcifer. (Luc.10:18); Ez.28:16;Is.14:18-19);

b)julgado no Éden (Gn.3:14-15);

c) julgado na cruz (Jo.12:31);

d) Expulso dos céus na 1/2 da tribulação (Ap.12:9,13);

e) Preso no abismo no lnício (Milênio-Ap.20:2);

f) Lançado no Geena,ou lago de fogo, para sempre. (fim do milênio-Ap.20:10).

g) seu pecado – (Is.14:12-20 e Ez.28: 16-19).

C)DEMONOLOGIA: Doutrina dos demônios (espíritos malignos):

Espírito imundo (Lc 9.1), muito astuto, que se opõe a Deus e ataca as pessoas com todo tipo de males (Mc 7.26).

Demônio é um anjo que se rebelou contra Deus ao seguir as ordens de Satanás.

Os demônios executam as ordens de Satanás e tentar induzir as pessoas a desobedecerem o desejo de Deus.

Quando eles entram realmente na vida dos seres humanos, isso é chamado de possessão demoníaca.

Há muitos exemplos na Bíblia e uma grande parte do trabalho de Jesus na terra envolveu a cura de pessoas controladas pelos demônios.

QUEM SÃO OS DEMÔNIOS

A palavra demônio é de origem grega e significa “falsa deidade” (I Coríntios 10:20).

Qualquer deidade que não seja o Deus verdadeiro é um espírito que se opõe a Ele, logo é um espírito do mal ou um demônio.

Há só um diabo, que é conhecido por uma variedade de nomes e títulos na Bíblia.

O diabo governa sobre todos os outros demônios, que lhe são sujeitos.

Muitas vezes na Bíblia a palavra “espírito” é usada por demônio, com um descritivo.

Por ex. a Bíblia menciona “espírito do mal” (Atos 19:12-13), “espírito imundo” (Mateus 10:1, Marcos 1:23, 26; Atos 5:16), “espírito de enfermidade” (Lucas 13:11) e “espírito mudo e surdo” (Marcos 9:25).

Alguns demônios possuem o espírito de assassinato, suicídio, medo ou mentira, o que os associa com vários pecados ou atitudes contrários à vontade de Deus.

Demônios são seres criados.

São imortais e não podem voltar a ter seu relacionamento anterior com Deus.

Têm grandes poderes quando comparados a humanos, mas seus poderes não se comparam com o poder de Deus.

Deus nos deu autoridade sobre eles e os cristãos que crêem no poder de Jesus não podem ser conquistados pelo poder dos demônios.

O QUE FAZEM OS DEMÔNIOS

Os anjos foram criados para adorar e louvar a Deus, servi-lO e agir como seus mensageiros. A Bíblia afirma que eles são “espíritos enviados por Deus para cuidar daqueles que receberão salvação”(Hebreus 1:14).

Os demônios têm função similar, mas servem a um mestre diferente. São governados por Satanás, a quem servem sem temor.

Atuam nas vidas dos seres humanos, mas seu propósito é cumprir os esquemas de Satanás e fazer oposição a Deus.

Tentam, enganam e iludem as pessoas com a intenção de trazê-las para a condenação eterna.

Constantemente atacam, oprimem e acusam o povo de Deus.

Uma vez que Satanás não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, usa os demônios para executarem diferentes tarefas.

Por ex., na parábola do semeador (Mateus 13:3-9, Marcos 4:1-20, Lucas 8:4-15) os demônios arrancam fora a palavra antes que ela possa enraizar (Marcos 4:15).

Muitas vezes, Satanás promove o afastamento de algumas pessoas de Deus antes que façam um genuíno compromisso (Marcos 4:17).

Basicamente, os demônios trabalham de acordo com o padrão estabelecido por Satanás na sua tentação de Eva no Jardim do Éden.

Primeiro, negam a verdade da Palavra de Deus e contestam as afirmações que faz.

Em seguida, negam a realidade da morte.

Finalmente, apelam para a vaidade e orgulho humanos dizendo que homens e mulheres podem ser iguais a Deus ou mesmo serem deuses (Gênesis 3:1-5).

Esses são os métodos e ensinos básicos que estão por trás da maioria dos cultos e das falsas religiões.

O DESTINO FINAL DOS DEMÔNIOS

A Bíblia nos conta que Deus tomou os anjos que pecaram contra Ele e os “precipitou no inferno e os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” (II Pedro 2:4).

Jesus falou sobre o fogo eterno preparado para o diabo e seus demônios. Também descreveu como as pessoas que não crerem nEle terão da mesma forma esse horrível destino na eternidade (Mateus 25:41).

Eventualmente Satanás e seus demônios serão lançados no lago de fogo (Apocalipse 20:10), que é o lugar de tormenta eterna para todas as pessoas cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida (Apocalipse 20: 12-15).

POSSESSÃO DEMONíACA

A possessão demoníaca ocorre quando um demônio ocupa o espírito de um ser humano. A Bíblia nos fala que demônios podem entrar no corpo de uma pessoa (Lucas 8:30, 22:3) a fim de controlar seus pensamentos e ações.

Todos os cristãos pertencem a Jesus Cristo e seus espíritos humanos são selados pelo Espírito Santo (Efésios 1:13).

Os demônios conhecem e reconhecem este selo.

Eles podem também entrar no corpo de animais (Marcos 5:13); são associados com livros de mágica (Atos 19:19) e ídolos (I Coríntios 10:19-21). Com freqüência causam doença ou deficiência física.

Envolvimento com cartas de tarô, horóscopos ou qualquer outra forma de adivinhações podem dar aos demônios a oportunidade de entrar na vida de um cristão.

Tais práticas podem ser inofensivas para a maioria das pessoas, mas Satanás usa as menores chances para obter vantagens sobre as pessoas.

MANIFESTAÇÃO

Com freqüência os demônios preferem se esconder para que possam exercer controle sem oposição. Possuem poderes sobrenaturais (Apocalipse 16:14) e exibem esses poderes através de suas vítimas (Marcos 5:4-5; 9:18-20).

Muitas vezes Jesus repreendeu os demônios para livrar pessoas que sofriam por suas possessões.

EXORCISMO

Expulsão de demônios ou exorcismo era uma parte normal do ministério de Jesus, que ordenou a seus seguidores que fizessem o mesmo.

Essa ordem nunca cessou e se faz ainda mais importante hoje uma vez que as forças do mal grassam com tanta intensidade no mundo.

Os seguintes princípios vêm da prática de Jesus, das Escrituras e da observação e envolvimento pessoais:

1.Jesus se dirigia aos demônios e ordenava-lhes que saíssem (Marcos 1:25; 9:25). Amaldiçoava-os “com uma palavra” (Mateus 8:16).

Jesus deu autoridade a seus seguidores para usar Seu nome na expulsão de demônios e usar isto como sinal do discípulo cristão (Marcos 16:17).

O nome de Jesus não é uma fórmula mágica e seu uso depende do relacionamento entre o Senhor e a pessoa que usa Seu nome (Atos 19:11-18).

2. Jesus expulsa demônios pelo Espírito de Deus (Mateus 12:28).

Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder para curar todos os oprimidos por Satanás (Lucas 4:18-19; Atos 10:38).

3. Jesus ensinou claramente sobre “amarrar o valente” (Mateus 12:29; Marcos 3:27) e sobre ligar e desligar no céu (Mateus 18:18).

4. A oração é arma importante para lidar com demônios.

Quando os discípulos perguntaram por que não podiam expulsar um certo tipo de demônio, Jesus respondeu que muitos tipos só poderiam ser dominados com muita oração (Marcos 9:28).

5. Apocalipse 12:11 descreve o poder que “o sangue do Cordeiro” tem sobre Satanás. Os demônios não gostam de ouvir sobre o sangue de Jesus e ficam agitados quando isso é mencionado.

6. Deus equipou o discípulo cristão com arma de defesa em batalha espiritual contra os demônios (Efésios 6:10-17).

7. O Senhor respondeu a Satanás com passagens da Bíblia. A Palavra de Deus nos foi dada como ferramenta de defesa e para atacar Satanás (Efésios 6:17; Hebreus 4:12).

8. Devemos ir contra os demônios do inferno com ajuda dos céus, não com nossos limitados recursos terrenos (Efésios 2:6).

9. Devemos reconhecer que a última vitória já foi ganha por Jesus, que veio para destruir as obras do diabo (I João 3:8) e para destruir o poder de Satanás sobre a morte (Hebreus 2: 14-16).

Quando Jesus gritou na cruz “Está consumado”, quis dizer que sua obra redentora estava feita.

Quando ressuscitou dos mortos, demonstrou poder sobre a morte. Somos vencedores somente se tomamos parte na vitória de Jesus sobre Satanás e seus demônios.

NO ANTIGO TESTAMENTO:

* dv shed ou (plural) Mydv – arruinar, destruir, espoliar, devastar; (Lv.17:7);

 

NO NOVO TESTAMENTO:

* daimonion daimonion – espírito, ser inferior a Deus, superior ao homem; espíritos maus ou os mensageiros e ministros do mal (Mt.7:22).

 

1)ORIGEM (falsos pressupostos:

a)Almas de homens maus mortos(paganismo não biblico);

b) espiritos desencarnados de raça pré-adâmica(nunca existiu tal raça);

c) descendentes de homens e mulheres antediluvianos-Apesar do registro bíblico de sua existência (Gn.6:1-4) essa hipótese não é possível de veracidade porque após a morte segue-se ao juízo (Hb.9:27).

A verdade Bíblica: satanás era anjo príncipe dos demônios (Mt.12:24); demônios são anjos e não uma raça pré-adâmica.

Ele tem uma hierarquia bem organizada de anjos maus ou demônios, que pecaram ou foram lançados fora dos céus (Jo.8:44; 2Pe.2:4; Judas 6; Ef.6:11-12).Segundo a Escritura, os anjos maus passam parte do tempo no inferno (2Pe.2:4) e parte no mundo, especialmente nos ares que nos rodeam (Jo.12:31; 14:30; 2Co.4:4; Ap.12:4;7-9). Alguns demônios já estão presos (2Pe.2:4;Judas 6) e alguns estão à solta, cumprindo ordens de satanás.

 

CUIDADO: (Gn.6:1-4): Se os “filhos de Deus” descritos fossem espíritos caídos, não poderiam ser chamados de filhos de Deus.

Se fossem anjos do Senhor, não iriam deixar sua posição de obediência e adoração a Deus, portanto,neste caso, fllhos de Deus não denota anjos, mas descendentes piedosos de Sete ou reis e líderes da época).

 

2)CARACTERÍSTICAS:

a)Natureza: seres espirituais (espírito imundo-Mt.17:18; Mc.9:25; Ef.6:12).

b)Seu intelecto:conhecem: Jesus (Mc.1:24); *seu destino final (Mt.8:29); plano da salvação (Tg.2:19); Têm sua própria doutrina distorcida.

c)Sua moralidade:São chamados de espíritos imundos e sua doutrina leva a uma conduta imoral e depravada não santidade(1Tm.4:1-2).

 

3)CONCEITO: São espíritos maus sem terem corpos que entram nas pessoas, podendo mais de um demônio fazer morada na mesma vítima (Mc.16:9; Lc.8:2).

Os efeitos dessa possessão são loucura e enfermidades do sistema nervoso (Mt.8:33; 12:22; Mc.5:4-5).

4)SUAS ATIVIDADES: Em Geral:

a)Tentam subverter os propósitos de Deus(Dn.10:10-14; Ap.16:13-16);

b)Tentam estender a autoridade de satanás(Ef.6:11-12);

c) Podem ser usados por Deus na realização de seus propósitos (1 Sm.16:14;2 Co.12:7);

Em particular:

a) podem causar doenças (Mt. 9:33; Lc.13:11,16);

b) Podem possuir humanos(Mt.4:24);

c) Podem possuir animais (Mc.5:13);

d)Se opõem ao crescimento dos filhos de Deus(Ef.6:12);

e) disseminam doutrinas falsas, heresias e fofocas no seio da igreja. (1Tm.4:1).

 

5)FORMAS DE ATUAÇÃO: 

1)De fora para Dentro: Podemos ser tentados e oprimidos sem estarmos endemoniados. Jesus padeceu estas duas formas de ataque demoníaco, sendo tentado (Mt.4:1) e oprimido (ls.53:7):

a) Tentação (carne);

b) Opressão (Alma);

 

2) De dentro para fora:

c) Possessão(Espírito,alma e corpo):Habitação de demônios numa pessoa, exercendo controle e influência sobre ela.

OBS: O verdadeiro crente não pode ser possuido por demônios porque tem o Espírito Santo dentro de si mesmo, contudo alguém que se diga ser o que não é, pode manifestar os demônios dentro de si mesmo.

Características(Possessão):

a)doenças físicas e mentais (Mt.9:32-33;Mt.17:15);

OBS:Nem toda doença é possessão maligna (At.5:16)-A possessão permanece até o poder do Evangelho de Jesus Cristo chegar.

6)SEU DESTINO:

a)Temporário: Alguns lançados no abismo(Lc.8:31; Ap.9:11);

Outros serão soltos na grande tribulação (Ap.9:1-11;16:13-14). b)Definitivo:Lago de Fogo/Geena-(Mt.25:41).

OBS:Os demônios se apoderam dos corpos para induzirem pessoas a pecar e adorar ao diabo por rituais,pela dor, falsas promessas e ameaças terríveis.

O corpo é um lugar desejado que traz descanso e prazer; essa”nova criatura”, com dons do espírito maligno de adivinhação e força sobrenatural representam a imitação do poder do Espírito Santo nas pessoas.

PEÇAMOS O DOM DO DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS a DEUS!

AULA 13 – IGREJA:

 

1) O QUE É IGREJA?

Igreja é um grupo de pessoas que se reúnem para aprender sobre Deus e adorá-Lo. Sempre.

No tempo do Novo Testamento era um termo novo, que aparece só em dois versículos dos Evangelhos (Mateus 16:18 e Mateus 18:17).

Lucas o usou bastante no livro de Atos tornando-o mais comum.

Paulo também escreveu sobre a igreja na maioria de suas cartas; e João, no Apocalipse.

Igreja são o grupo de seguidores de Cristo que se reúnem em determinado lugar para adorar a Deus, receber ensinamentos, evangelizar e ajudar uns aos outros (Rm 16.16). 

Como a totalidade das pessoas salvas em todos os tempos (Ef 1.22).

No Velho Testamento Israel era simplesmente “a congregação”.

A palavra era também usada pelos primeiros cristãos.

Com freqüência os cristãos se referiam a si próprios como a igreja ou a congregação.

De fato, este é o real significado da palavra “igreja”, que se aplicava tanto a todos os fiéis no mundo como para qualquer grupo local. Significava a presença total de Deus num dado local.

O Novo Testamento freqüentemente usa o singular “igreja” mesmo quando muitos grupos de fiéis se reúnem (Atos 9:31; II Coríntios 1;1).

O termo “igrejas” é raramente encontrado (Atos 15:41; 16:5).

Cada grupo era o lugar onde Deus estava presente (Mateus 16:18; 18:17).

Deus comprou a congregação com o sangue de seu Filho (Atos 20:28). No mundo grego, “igreja” designava uma assembléia de pessoas ou reunião.

Podia ser um grupo político ou simplesmente um ajuntamento de pessoas.

A palavra é usada com esse sentido em Atos 19:32, 39, 41.

Os usos cristãos específicos dessa palavra variam amplamente no Novo Testamento.

Algumas se referem a uma reunião de igreja. Paulo diz aos cristãos em Corinto: “…quando vos reunis como igreja É”(I Coríntios 11:18).

1. Isso significa que os cristãos são o povo de Deus, especialmente quando se juntam para adoração.

2. Em textos como Mateus 18:17, Atos 5:11, I Coríntios 4:17 e Filipenses 4:15, “igreja” se refere a todo o grupo de cristãos morando num lugar.

Com freqüência, se refere à localização específica de uma congregação cristã. Observe as frases “a igreja em Jerusalém” (Atos 8:1), “em Corinto” (I Coríntios 1:2), “em Tessalônica” (I Tessalonicenses 1:1).

3. Em outros lugares, reuniões de cristãos nas casas são chamadas igrejas.

Por exemplo, alguns se reuniam na casa de Priscila e Áquila (Romanos 16:5, I Coríntios 16:19).

4. Através do Novo Testamento, “a igreja” se refere à igreja universal. Todos os fiéis pertencem a ela (Atos 9:31; I Coríntios 6:4; Efésios 1:22; Colossenses 1:18).

A primeira palavra de Jesus sobre o fundamento do movimento cristão em Mateus 16:18 tem esse sentido mais amplo: “Edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela”.

A igreja é uma realidade universal. Mas em sua expressão local, Paulo a ela se refere como “a igreja de Deus” (I Coríntios 1:2; 10:32) ou “as igrejas de Cristo” (Romanos 16:16).

Dessa forma um termo grego comum recebe seu significado cristão distinto.

Ela faz uma distinção entre a assembléia/ajuntamento/comunidade cristã e todos os outros grupos seculares ou religiosos.

A comunidade cristã se aceitou como a comunidade dos tempos finais.

Ela se viu como um povo chamado para cumprir os propósitos de Deus em enviar Jesus de Nazaré e sua divina presença.

Assim, Paulo diz aos cristãos de Corinto que eles são aqueles “sobre quem os fins dos séculos têm chegado” (I Coríntios 10:11).

Isto é, Deus chamou de novo povo tanto o judaísmo como o mundo gentio. Eles receberiam o poder do Espírito Santo.

Compartilhariam as Boas Novas (Evangelho) do amor absoluto de Deus pela sua criação (Efésios 2:11-22).

Os Evangelhos nos relatam que Jesus escolheu 12 discípulos que se tornaram base desse novo povo. Entendia-se que a igreja era o preenchimento da intenção de Deus em chamar Israel para ser “luz para os gentios, para seres a minha salvação até a extremidade da terra” (Isaías 49:6; Romanos 11:1-5).

Nessa nova comunidade as velhas barreiras de raça, posição social e sexo seriam derrubadas. “Não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

Essa entidade é chamada “corpo de Cristo”.

Paulo é o único dentre os escritores do Novo Testamento a falar da igreja como corpo de Cristo (Romanos 12:5; Efésios 1:22-2, 4:12; I Coríntios 12:12-13). O pensamento de Paulo pode ter duas explicações:

1. A experiência da estrada de Damasco.

Conforme relatos no livro de Atos, Jesus se identifica com seus discípulos perseguidos (Atos 9:3-7, 22:6-11, 26:12-18).

Na perseguição aos primeiros cristãos, que formavam um corpo, Paulo estava de fato lutando contra o próprio Cristo.

2. O conceito hebreu de solidariedade.

Paulo era hebreu de hebreus (Filipenses 3:5) e nesse contexto, o indivíduo é totalmente considerado parte de uma nação, não tendo via real isolada do todo.

Ao mesmo tempo, todo o povo pode ser representado por um indivíduo.

A realidade dessa íntima relação entre Cristo e sua igreja é vista por Paulo como análoga à unidade e conexão do corpo físico (Romanos 12:4-8, I Coríntios 12:12-27).

Assim, todas as funções do corpo têm seu lugar exato.

Divisão no corpo (isto é, na igreja) revela que há algo doente nele.

Por diversas vezes Paulo exortou o “corpo de Cristo” à unidade.

REUNIÕES DA IGREJA

A palavra grega ecclesia é normalmente traduzida como “igreja”.

O Novo Testamento algumas vezes fala de uma assembléia grega secular (Atos 19:32,41).

Em muitas passagens, como em I Coríntios 14: 19, 28, 35, Paulo se refere a igreja como uma reunião de fiéis que formam uma congregação local.

Igreja também pode significar todos os fiéis (passados, presentes e futuros) que formam a igreja universal, o completo corpo de Cristo.

Há muitas igrejas citadas no Novo Testamento, às quais os apóstolos escreveram cartas de exortação, aconselhamento e instrução (Romanos 16: 3-5, 14, 15: I Coríntios 1:1; I Coríntios 16: 19-20; Colossenses 4: 15-16; Filemom 1: 1-2).

ADORAÇÃO

Quando a igreja se iniciou em Jerusalém, os fiéis se reuniam nos lares para comunhão e adoração.

Atos 2: 42-47 nos conta que os primeiros cristãos se reuniam nos lares para ouvir os ensinamentos dos apóstolos e para celebrar a Comunhão (“o partir do pão”).

Nesses encontros, também compartilhavam refeições (II Pedro 2:13; Judas 1:12), recitavam as Escrituras, cantavam hinos e salmos e alegremente louvavam ao Senhor (Efésios 5:18-20, Colossenses 3: 16-17).

Também se reuniam nos lares para orar (Atos 12:12), ler a Palavra e para ouvir a leitura de uma carta dos apóstolos (Atos 15:30, Colossenses 4:16).

 

2) ECLESIOLOGIA: DOUTRINA DA IGREJA: ekklhsia ekklesia:

Não é o judaísmo ampliado, mas o “sinal” do Reino Divino.

A verdadeira Igreja de Jesus Cristo são os corações humildes dos servos fiéis e adoradores, que aguardam sua vinda.

3) NATUREZA DE IGREJA: Projeto de Jesus para a sociedade;parte do Reino de Deus e não é organização ou governo,mas viva e espiritual.

4) A INSTITUIÇAO E OS CRISTAOS:

QUANTO À INSTITUIÇÃO:

Palavra grega: “EKKLESIA”, significa uma assembléia de chamados para fora. Este termo se aplica a:

a) todo o corpo de cristãos de uma sociedade (At.11:22;13:1);

b) uma congregação (1Co.1:2; 1Co.14:19,35;Rm.16:5);

c) todo o corpo de crentes na terra (Ef.5:32);

d) A assembléia do povo de Israel  (At.7:38);

OBSERVAÇÃO: O Templo (LOCAL),difere de denominação (Política), que difere de membrezia (humana), que é diferente de Corpo de Cristo (espintual), que é o grupo dos regenerados desde Pentecostes ao arrebatamento.

 

QUANTO AOS SEGUIDORES: Outros nomes:

a)Irmãos:A igreja é uma fraternidade ou comunhão espiritual, devendo ser abolidas as divisões que separam a humanidade.

Ex: ”Nem grego nem judeu”-mais profunda das divisôes religiosas;

“Nem grego nem bárbaro”-mais profunda das divisões culturais;

“Nem servo nem livre”-mais profunda das divisões socio-econômicas;

“Nem macho nem fêmea”-mais profunda de todas as divisões humanas vencidas”,conforme (1Co.14:26; Cl.3:11; Gl.3:28).

b)Crentes-Porque na sua doutrina a característica é a fé no Senhor Jesus, conforme (1 Co.1:21; Gl.3:22; 1Tm.6:2);

c) Santos-(consagrados ou piedosos) porque estão separados do mundo e dedicados a Deus, conforme (Rm.1:7;1Co.7:14; Ef.3:8);

d)Os eleitos ou escolhidos porque Deus os escolheu para um ministério importante e um destino glorioso, conforme (Cl.3:21; Rm.11:7;Mc.13:20);

e)Discípulos-Aprendizes-sob preparação espiritual com instrutores inspirados por Cristo, conforme(Mt.5:1;At.21:4;Jo.21:8);

f)Cristãos-porque a sua religião gira em torno da Pessoa de Cristo, conforme (At.11:26);

g) Os do Caminho: Nos dias primitivos porque viviam de acordo com uma maneira especial de viver(At.9:2).

h) Da seita(dos nazarenos)- porque somos seguidores de Jesus Cristo de Nazaré, conforme (At.24:5).

OBS :Nome “Católico” é uma transliteração do termo grego Kathólicos, que significa universal ou geral.

No século II D.C., essa palavra tornou-se sinônimo de ortodoxo, ou seja, a igreja que mantinha a doutrina verdadeira, em contraste com heresias da época.

Durante a Reforma Protestante, a palavra veio a designar as igrejas que aderiram ao papado.

Foi durante a cristianização do império romano, quando surgiu um clero formal e oficial, que a igreja se institucionalizou.

Conforme Cipriano (258 D.C.)

A igreja era uma “instituição salvadora”.

A Igreja Cristã é espiritual e fiel.
5) ILUSTRAÇÕES DA IGREJA:

a)Corpo de Cristo:Cristo: Está presente no mundo por meio da igreja, o qual é seu corpo tomado da raça humana em geral.

A vida de Jesus continua a ter expressão por meio dos seus discípulos como se evidencia no livro de Atos dos Apóstolos e pela subsequente história da lgreja.(Jo.20:21). Cristo prometeu assumisse novo corpo (Jo.15:5).

Jesus é conhecido no mundo mediante os que tomam o seu nome e participam de sua vida. Na medida em que a igreja tem contato com Crista, sua cabeça, assim tem participado de sua vida e experiências.

Tal qual Jesus, a igreja foi ungida, ameaçada, perseguida, mas ressuscita indestrutivelmente (Cl.1:24).

O corpo de Cristo é composto de almas nascidas de novo (1Co.12:13). O cristão não é meramente seguidor de Cristo, mas membro de Cristo e membros uns dos outros.

b) Templo de Deus: (1Pe.2:5-6): Templo é um lugar em que Deus, que habita em toda parte, se localiza a sim mesmo em determinado lugar, onde o seu povo o possa achar “em casa, referencial de fé.”

Assim como Deus morou no tabernáculo e no templo, assim vive, por seu Espírito na lgreja (Pessoas transformadas e não na denominação).

Neste templo espiritual, os cristãos, como sacerdotes oferecem sacrifícios espirituais, sacrifícios de oração, louvor e boas obras cristãs.(Ef.2:21,22; 1Co.3:16,17).

c) Noiva de Cristo: llustração usada tanto no Antigo Testamento quanto no Novo testamento, descrevendo a união e comunhão de Deus com seu povo. (2Co.11:2; Ef.5:25-27; Ap.19:7; 21:2; 22:17).

 

6) FUNDAÇÃO DA IGREJA:

a)Profeticamente: Assim como Israel foi uma nação chamada dentre outras para servir a Deus, na tradução do Antigo testamento para o Grego, a palavra congregação (de israel) foi traduzida para “ekklesia”(igreja), que continuaria sua obra na terra (Mt.16:18).

b)Historicamente: Surgida no dia de Pentecostes pela unção do Espírito Santo, como retorno da shekinah, a Glória manifestada no tabernáculo, onde a obra foi feita pelo Espírito, operando mediante os apóstolos, que lançaram os fundamentos e edificaram a igreja por sua pregação, ensino e organização. (Ef.2:20).

 

7) MEMBROS DA IGREJA: Condições:

a)Fé implícita no Evangelho e confiança sincera e de coração em Cristo como único e divino salvador (At.16:31);

b)submeter-se ao batismo nas águas como testemunho simbólico da fé em Cristo (Cl.2:12;1Pe.3:21);

c)confessar verbalmente esta fé (Rm.10:9,10; Mt.3:6;1 Jo.1:9).

Entrar na Igreja não é questão de unir-se à organização, mas tornar-se membro de Cristo.

Atualmente, a igreja tem aumentado em número e popularidade, com batismo e catequese (ensino),mas poucos se convertem, ou seja, poucas pessoas são verdadeiramente cristãs de coração, assim, existem cristãos verdadeiros em meio a cristãos de nome.

Devemos distinguir a igreja invisível (composta dos verdadeiros cristãos de todas as denominações, cujos nomes estão escritos no livro da vida (Fl.4:3;Ap.3:5), da igreja visível (composta de todos os que professam ser cristãos, cujos nomes estão escritos no rol de membros (Mt.13:36-43; 47-49; 2Tm.2:19-21).

lgreja é uma fase do Reino de Deus, fato este descrito por:a) ensino (Mt.16:18-19); b)parábolas (Mt.13) e c)descrição de Paulo da obra cristã como parte do Reino de Deus (CoI.4:11).

A igreja pode ser considerada como arte do reino de Deus porque prega a mensagem que trata do novo nascimento do homem, pelo qual se obtêm entrada nesse Reino. (Jo.3:3-5;1 Pe.1:23).

 
8) OBRAS DA IGREJA:

a) Pregar a Salvação a toda criatura (mat.28:19,20) e explanar o plano de salvação tal qual é ensinado nas escrituras. Cristo tornou acessível a salvação para provê-Ia; a igreja deve torná-la real por proclamá-Ia.

b)Prover meios de adoração Assim como Israel possuia um sistema de adoração divinamente estabelecido, a igreja deve ser uma casa de oração para todos os povos, onde Deus é cultuado em adoração, oração e testemunho.

c)Prover comunhão religiosa:O homem é um ser social e anela por comunhão e amizade, por isso precisa se congregar com os que participam da mesma realidade espiritual.

A igreja provê uma comunhão baseada na paternidade de Deus e no fato de ser Jesus o Senhor de todos, nesta fraternidade de experiência espiritual comum, livrando-os da solidão e desamparo pela solidariedade, no calor do amor da comunhão.

d)Sustentar uma norma de conduta moral:A igreja é a “luz do mundo”, significando afastar a falta de entendimento da ignorância moral; é o “sal da terra”, que preserva podridão da corrupção moral. A igreja deve ensinaras homens a viverem bem e se prepararem para a morte.

e)Deve proclamar o plano de Deus para regulamentar todas as esferas da vida e sua atividade, contra as tendências de corrupção social, admoestando contra os perigos malignos.

 

9) ORDENANÇAS DA IGREJA:O Cristianismo não é uma religião baseada somente em ritos (normas religiosas de culto).

O Espírito Santo nos dá liberdade para o adorarmos. Sacramento é a participação direta da graça ao que participa da ordenança. Há duas cerimônias essenciais e divinamente ordenadas: O Batismo e a Ceia.

a) O BATlSMO NAS AGUAS:

O batismo de Jesus foi o principal evento de sua vida porque marcou o início de seu ministério.

Muito poucos estudiosos discutem hoje o fato de que João Batista batizou Jesus, mas o exato propósito e importância do seu batismo ainda são matéria controversa.

Os relatos dos Evangelhos concordam que quando João batizava outras pessoas esse ato era um sinal do arrependimento delas (Mateus 3:6-10; Marcos 1:4-5 e Lucas 3:3-14).

Ele proclamava que o reino dos céus estava próximo e que o povo de Deus deveria se prepara para a vinda do Senhor pela renovação da fé em Deus.

Para João, isso significava arrependimento, confissão de pecados e vida de retidão. Se era assim, por que Jesus precisaria ser batizado?

Se Jesus não era pecador, como o Novo Testamento diz (II Coríntios 5:21); Hebreus 4:15 e I Pedro 2:22), por que Ele se submeteu ao batismo de arrependimento para perdão de pecados?

Os Evangelhos respondem.

O BATlSMO NAS AGUAS NO EVANGELHO DE MARCOS

Marcos apresenta o batismo de Jesus como uma preparação necessária para seu período de tentação e ministério.

Em seu batismo Jesus recebeu a aprovação do Pai e a unção do Espírito Santo (Marcos 1:9-11). A ênfase de Marcos na relação especial de Jesus com o Pai, – “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”(Marcos 1:11) – aproxima duas importantes referências do Velho Testamento.

A messianidade de Jesus é apresentada de uma maneira totalmente nova, na qual o Messias reinante (Salmo 2:7) é também o Servo Sofredor do Senhor (Isaías 42:1).

A crença popular judaica esperava um Messias reinante que estabeleceria o reino de Deus, não um Messias que sofreria pelo povo.

No pensamento dos judeus a chegada do reino dos céus estava também associada com ouvir a voz de Deus e com a dádiva do Espírito de Deus.

O BATlSMO NAS AGUAS NO EVANGELHO DE MATEUS

O relato de Mateus sobre o batismo de Jesus é mais detalhado do que o de Marcos.

Começa destacando a relutância de João Batista em batizar Jesus (Mateus 3:14), que foi persuadido somente depois de Jesus lhe ter explicado: “Deixa por enquanto, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.” (Mateus 3:15).

Embora o significado pleno dessas palavras seja impreciso, elas pelo menos sugerem que o batismo de Jesus era necessário para cumprir a vontade de Deus.

Tanto no Velho como no Novo Testamento (Salmo 98:2-3; Romanos 1:17) a justiça de Deus é vista como a salvação Dele para o Seu povo.

Por isso o Messias pode ser chamado de “O Senhor é nossa justiça” (Jeremias 23:6, Isaías 11:1-5). Jesus disse a João Batista que seu batismo era necessário para fazer a vontade de Deus em trazer a salvação sobre seu povo.

Assim a declaração do Pai no batismo de Jesus é apresentada na forma de uma declaração pública.

Enfatizava que Jesus era o servo ungido de Deus pronto para iniciar seu ministério, trazendo a salvação do Senhor.

O BATlSMO NAS AGUAS NO EVANGELHO DE LUCAS

Lucas menciona rapidamente o batismo de Jesus, colocando-o em paralelo ao batismo de outros que se referiram a João Batista (Lucas 3:21-22).

Ao contrário de Mateus, Lucas coloca a genealogia de Jesus depois de seu batismo e antes do início de seu ministério.

O paralelo com Moisés, cuja genealogia ocorre logo antes do início de seu trabalho (Êxodo 6:14-25), não é mera coincidência.

Provavelmente pretendeu-se ilustrar o papel de Jesus ao trazer livramento (salvação) ao povo de Deus assim como Moisés fez no Velho Testamento.

Em seu batismo, na descida do Espírito Santo sobre si, Jesus estava apto a desempenhar a missão para a qual Deus O havia chamado.

Em seguida a sua tentação (Lucas 4:1-13), Jesus entrou na sinagoga e declarou que havia sido ungido pelo Espírito para proclamar as boas novas (Lucas 4:16-21).

Que o Espírito se fez presente no Seu batismo para ungi-lo (Atos 10:37-38).

Em seu relato, Lucas tentou identificar Jesus com as pessoas comuns. Isso é visto no berço da história (com Jesus nascido num estábulo e visitado por humildes pastores, Lucas 2: 8-20) e através da genealogia (enfatizando a relação de Jesus com toda a humanidade, Lucas 3:38) logo depois do batismo.

Assim, Lucas via o batismo como o primeiro passo de Jesus para se identificar com aqueles que Ele veio salvar.

Somente alguém que era semelhante a nós poderia se colocar em nosso lugar como nosso substituto para ser punido com morte pelo pecado.

Jesus se identificou conosco a fim de mostrar Seu amor por nós.

No Velho Testamento o Messias era sempre inseparável do povo que representava (veja Jeremias 30:21 e Ezequiel 45-46).

Embora o “servo” em Isaías seja algumas vezes visto de maneira conjunta (Isaías 44:1) e outras vezes como indivíduo (Isaías 53:3), ele é sempre visto como o representante do povo de Deus (Isaías 49:5-26), assim como o servo do Senhor.

Evidentemente Lucas, bem como Marcos e Mateus, estava tentando mostrar que Jesus, como representante divino do povo, tinha se identificado com ele no batismo.

O BATlSMO NAS AGUAS NO EVANGELHO DE JOÃO

O quarto Evangelho não diz que Jesus foi batizado, mas que João Batista viu o Espírito descendo sobre Jesus (João 1:32-34).

O relato enfatiza que Jesus foi a João Batista durante seu ministério de pregação e batismo; João Batista reconheceu que Jesus era o Cristo, que o Espírito de Deus estava sobre Ele e que era o Filho de Deus.

João Batista também reconheceu que Jesus, batizava com o Espírito Santo, ao contrário de si mesmo (João 1: 29-36).

João Batista descreveu Jesus como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29).

O paralelo do Velho Testamento mais próximo desta afirmação se encontra na passagem do “servo do Senhor” (Isaías 53: 6-7).

É possível que “Cordeiro de Deus” seja uma tradução alternativa da expressão aramaica “servo de Deus”.

A idéia de Jesus como aquele que tira os pecados das pessoas é obviamente o foco do quarto Evangelho.

Seu escritor sugere que João Batista entendeu que Jesus era o representante prometido e salvador do povo.

 

O BATISMO CRISTÃO: baptisma baptisma – Rito de Ingresso na Igreja Cristã, e simboliza o começo da vida espiritual.

Sugere a fé em Cristo e é administrado somente uma só vez porque pode haver somente um começo de vida espiritual.

Batismo é o anúncio público de uma experiência pessoal.

É um ato cristão de obediência e um testemunho público do desejo do crente de se identificar com Cristo e segui-lo.

Jesus nos deu seu exemplo e ordenou o ensino sobre o batismo.

João Batista batizou Jesus no Rio Jordão, deixando-nos o exemplo para fazer o mesmo como uma afirmação pública da nossa fé.

Da mesma forma, Jesus mandou que seus discípulos batizassem outros crentes (Mateus 28:19).

O batismo é um símbolo da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo.

É uma visão externa da mudança interna de uma pessoa.

O crente deixa para trás a velha maneira de viver em troca de uma nova vida em Cristo.

É símbolo de salvação – não um requisito para a vida eterna.

Entretanto, como um ato de obediência, também não é opcional para os cristãos.

O batismo indica nosso desejo de dizer à nossa igreja e ao mundo que estamos comprometidos com a pessoa de Jesus e seus ensinamentos.

 

O BATISMO DE JOÃO

Batismo significa mergulhar ou imergir.

Um grupo de palavras diversas podem ser usadas para significar um rito religioso para um ritual de limpeza.

No Novo Testamento, se tornou o rito de iniciação na comunidade cristã e era interpretado como morte e nascimento em Cristo.

João, o Batista, pregava o “batismo de arrependimento para o perdão dos pecados” (Lucas 3:3).

Todos os evangelistas concordam sobre isso (Mateus 3:6-10; Marcos 1:4-5; Lucas 3:3-14).

Reconhecemos o batismo como símbolo do nosso redirecionamento na vida.

Nós nos arrependemos de nossa velha maneira de viver em pecado e desobediência.

Mudamos a rota e damos uma nova partida.

As origens do batismo de João são difíceis de traçar.

Possui semelhanças e diferenças em relação a obrigações e exigências feitas pelos judeus aos pagãos novos convertidos, tais como o estudo da Torá, circuncisão e o ritual do banho para expiar todas as impurezas do passado gentio.

A prática do batismo de João tinha os seguintes resultados:

1. Era intimamente relacionado com arrependimento radical, não somente dos judeus, mas também dos gentios.

2. Indicava claramente ser preparado para o Messias, que batizaria com o Espírito Santo e traria o batismo de fogo (Mateus 3:11).

3. Simbolizava purificação moral e assim preparava as pessoas para a vinda do reino de Deus (Mateus 3:2; Lucas 3:7-14).

4. A despeito da óbvia conexão entre o cerimonial de João e a igreja primitiva, o batismo realmente desapareceu do ministério direto de Jesus.

De início, Jesus permitiu que seus discípulos continuassem o ritual (João 3:22), porém mais tarde aparentemente ele descontinuou essa prática (João 4:1-3), provavelmente pelas seguintes razões:

1. A mensagem de João era funcional, enquanto a de Jesus era pessoal.

2. João antecipou a vinda do reino de Deus, enquanto Jesus anunciou que o Reino já havia chegado.

3. O rito de João era uma passagem intermediária até o ministério de Jesus.

AS CONCLUSÕES DOS EVANGELHOS

Nos quatro Evangelhos está claro que o Espírito Santo veio sobre Jesus no seu batismo para capacitá-lo a fazer a obra de Deus.

Os quatro escritores reconheceram que Jesus foi ungido por Deus para cumprir sua missão de trazer salvação ao mundo.

Essas idéias são a chave para o entendimento do batismo de Jesus.

Naquela ocasião no início de seu ministério, Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo para ser o mediador entre Deus e o seu povo.

No seu batismo Jesus foi identificado como aquele que carregaria os pecados das pessoas; Jesus foi batizado para se identificar com o povo pecador.

Da mesma forma, nós somos batizados para nos identificarmos com o ato de obediência de Jesus.

Seguimos seu exemplo fazendo uma pública confissão do nosso comprometimento com a vontade de Deus.

Cerimônia em que se usa água e por meio da qual uma pessoa se torna membro de uma igreja cristã.

O batismo é sinal de arrependimento e perdão (At 2.38) e união com Cristo (Gl 3.26-27), tanto em sua morte como em sua ressurreição (Rm 6.3-5).

 

CARACTERISTICAS DO BATISMO:

a)MODO: ”batizar”significa mergulhar ou imergir.

Do grego “baptisma”, significa imersão, submersão:

a) de calamidades e aflições nas quais alguém é submergido completamente;

b) do batismo de João, aquele rito de purificação pelo qual as pessoas, mediante a confissão dos seus pecados, comprometiam-se a uma transformação espiritual, obtinham perdão de seus pecados passados e qualificavam-se para receber os beneficios do reino do Messias que em breve sena estabelecido.

Este era um batismo cristão válido e foi o único batismo que os apóstolos receberam.

c)do batismo cristão; um rito de imersão na água, como ordenada por Cristo,pelo qual alguém, depois de confessar seus pecados e professar a sua fé em Cristo, tendo nascido de novo pelo Santo Espírito para uma nova vida, identifica-se publicamente com a comunhão de Cristo e a igreja (Mt.28:19,20).

Em Rm 6:3, Paulo afirma que fomos “batizados na sua morte”, significando que estamos não apenas mortos para os nossos antigos caminhos, mas que eles foram sepultados. Retornar a eles é tão inconcebível para um Cristão quanto para alguém desenterrar um cadáver.

O mandamento judáico sugeria batismo de prosélito”conversão de um pagão ao judaismo”.

O convertido ficava de pé na água até o pescoço e enquanto era lida a Lei, ele submergia na água como sinal de que fôra purificado das contaminações do paganismo e começara uma vida nova como membro do povo da aliança PAGÃO:AQUELES NÃO RECONHECIDOS JUDES, SEGUIDOR PRATICANTE DA LEI DE MOISÉS.

Submersão x Aspersão (Derramar Agua):lnfluenciada por idéias pagãs não-bíblicas, a aspersão é administrada somente aos enfermos e moribundos que não podem ser imergidos em água.

O método prático se generalizou.

Contudo, o método correto e bíblico é a imersão o qual corresponde ao significado simbólico do batismo, a saber, morte, sepultura e ressurreição de Jesus (Rm.6:1-4).

b) PEDOBATISMO (BATISMO DE CRIANÇAS): O batismo não é a mesma coisa que circuncisão (tirar o prepúcio dos meninos como aliança de Moisés) e não era o mesmo sentido de santificação moral como em (1Co.7:14).

Não é possível porque restringe-se sua prática aos que podem exercer a fé conscientemente e além disso, batismo de famílias não as incluíam, podendo terem sido batizadas as maiores que já entendessem o seu significado (1Pe.3:21).

Infantes não têm pecado para se arrependerem e não podem exercer a fé; podem ir a Cristo (Mt.19:13,14) e serem apresentados (consagrados), conforme (Lc.2:21-34); Fórmula: Batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28:19).

Em (At.2:38), o original grego fala do batismo “sobre” o nome de Cristo, significando uma declaração de reconhecimento de fé em Jesus e não uma fórmula batismal.

Ser batizado em nome de Jesus significa encomendar-se inteira e eternamente a Ele como Salvador enviado do Céu, e a aceitação de sua direção como guia e enviado (Mt.28-19).

Esta fórmula trinitariana testifica a submersão em comunhão espiritual da Trindade. Recebemos: A graça de Jesus, o Amor de Deus e a Comunhão com o Espírito Santo. (Bênção Apostólica – 2Co.13:13).

c) APTOS AO BATISMO: Todos os que sinceramente se arrependem dos seus pecados e exercitam uma fé viva em Jesus, agindo em confissão de fé (At.8:37), Oração (At.22:16) e Voto de Consagração (1Pe.3:21).

É importante o discipulado para que possam crescer na fé cristã, antes e depois do batismo.

d) EFICÁCIA DO BATISMO: O batismo nas águas não tem poder para salvar, pois se batizam os salvos que aceitaram a Jesus, mas é essencial para a integral obediência a Cristo.

A eleição do Convertido se completa por sua pública admissão como membro da igreja de Cristo (Como o presidente eleito pelo povo e depois,toma posse do cargo ou como a noiva que casa e agora vai à lua-de-mel). E uma etapa progressiva como” namorar,enoivar, casar e ter filhos”.

e) SIGNIFICADO DO BATISMO: Sugere Quatro Idéias:

1)SALVAÇÃO: A descida do convertido às águas retrata a morte de Jesus efetuada.A submersão do convertido fala da morte ratificada(sepultamento) e o levantamento do converso significa a conquista sobre a morte(ressurreição).

2)EXPERIÊNCIA: O fato desses atos serem efetuados pelo convertido, demonstra sua identificação espiritual com Jesus.Cristo morreu pelo pecado para morrermos para o pecado; Cristo ressuscitou dentre os mortos a fim de vivermos uma nova vida de justiça.

3)REGENERAÇÃO: A experiência do novo nascimento é descrita como “lavagem”ou “banho”renovador e restaurador(Tito 3:5) porque pelo meio dela, a lavagem, os pecados (contaminações da vida de outrora) foram lavados. Deus, em união com a morte de Cristo e pelo Espírito Santo, purifica a alma.

O batismo nas águas significa esta purificação(At. 22:16).

4)TESTEMUNHO: Ser batizado é ser revestido de Cristo (61.3:7). Batismo nas águas, significa que o convertido, pela fé,”vestiu-se” de Cristo (Seu caráter)de modo que as pessoas possam ver Cristo nele; é como “vestir o uniforme do Reino de Deus. como soldado alistado e_em treinamento para o combate contra o mal, o diabo e o pecado.”
A CEIA DO SENHOR(COMUNHAO): deipnon deipnon:

Rito distintivo da adoração Cristã, instituída por Jesus na véspera de sua morte. Consiste na participação solene do pão e vinho, os quais sendo apresentados ao Pai, em memória do sacrificio único e eterno de Jesus, tornam-se um meio de graça pelo qual somos incentivados a uma fé mais viva e a uma fidelidade maior a Ele.

Cerimônia que Cristo instituiu na noite em que foi traído, logo depois da refeição da PÁSCOA, para servir de lembrança da sua morte (1Co 11.23-34).

Para os católicos e alguns evangélicos a ceia é um sacramento e um meio de graça (EUCARISTIA); para outros é um MEMORIAL

Conforme (Jo.6:56)-Comer da minha carne – Sentir a mesma vontade(desejo)de ser revestido, transladado ao Celestial; superar o terreno.

Beber do meu sangue-receber na alma o que serve para refrescar e nutrir, fortalecer para a vida eterna (sede da vida eterna); nutrir o mesmo sentimento pelo Pai, que há em Cristo.

PAO E VINHO (Vinho no sentido de”embriagar-se do Espírito de Jesus Cristo”, esquecendo-se da vida passada-(Ef.5:18); (Pão como em Israel, bolo retangular ou arredondado, da grossura aproximada de um polegar, e do tamanho de um prato ou travessa.

Por isso não era para ser cortado, mas quebrado; consagrados ao Senhor e usado nos ágapes (“festas de amor e de comunhão”) e na Mesa do Senhor, simbolizando a conquista de Jesus na Cruz.

SIGNIFICADO DA CEIA: Alegrem-se todos no Espírito Santo (vinho) porque EU VENCI E A VITORIA E DE TODOS (Pão).

Se não puderem aguentar beber vinho tendo o perigo de se embriagar na carne, é melhor usar suco de uva sem álcool, pois a embriaguês incitada é a do Espírito Santo e não a da carne.

 

CARACTERÍSTICAS DA CEIA:

a)COMEMORAÇÃO:Em memória de Jesus”.

Comemorando de um modo especial a morte expiatória de Jesus que os libertou dos pecados.

Comemorar a morte porque foi o evento culminante do seu ministério que nos salvou.

b)lNSTRUÇÃO:A Ceia nos dá uma lição objetiva sobre dois fundamentos do Evangelho: A Encarnação-O verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo.1:14).

O Pão de Deus é aquele que desceu dos céus e dá vida ao mundo(Jo.6:33) e a Expiação: As bênçãos decorrentes da encarnação nos são dadas mediante a morte de Cristo.

O pão e o vinho simbolizam os dois resultados na morte: a separação do corpo e da vida; a separação da carne e do sangue.

O pão partido simboliza que o pão deve ser quebrantado na morte(Calvário) a fim de ser distribuído entre os espiritualmente famintos.

O vinho derramado nos diz que o sangue de Cristo, o qual é sua vida, deve ser derramado na morte a fim de que seu poder purificador e vivificante possa ser outorgado às almas necessitadas.

c)INSPIRAÇÃO: As várias uvas espremidas formam o vinho; somos participantes da mesma natureza de Cristo pela comunhão com Ele; o ato da ceia nos recorda e assegura que, pela fé, podemos receber o Espírito Santo e sermos o reflexo de seu caráter.

d) SEGURANÇA: O cálice do sangue (Novo Testamento:1 Co.11:25)é um ato solene como o pacto de sangue da aliança, onde Deus aceitou o sangue de Jesus (Hb.9:14-29).

O sangue de Jesus é a garantia e devemos crer e testificar desta aliança (Rm.3:25,26) e (1Pe.1:2).

e) RESPONSABILIDADE: Os indígnos(quanto às ações pecadoras) não podem ser admitidos na Ceia do Senhor, praticando algo que impeça de apreciar o significado dos elementos da Santa Ceia, ceando sem atitude solene, meditativa e reverente.

Os sinceros se sentem indignos e assim, são dignos pelo reconhecimento, mas os indignos nem ao menos refletem, se exaltando e pecando.

 

AS PALAVRAS E AÇÕES DE JESUS NA CEIA DO SENHOR

Para entender o significado completo da Ceia do Senhor, temos que examinar cuidadosamente o que Jesus falou e fez na ceia última ceia com seus discípulos.

“ESTE É O MEU CORPO” 

Todas as fontes bíblicas dizem a mesma coisa sobre o que Jesus fez quando ele começou a ceia (veja Mateus 26:26; Marcos 14:22; Lucas 22:19; 1 Coríntios 11:23-24).

Ele fez três coisas:

  1. Ele pegou o pão
  2. Ele agradeceu a Deus
  3. Ele partiu o pão

Curiosamente, como vemos em Marcos 6;41 e Marcos 8:6, ele fez as mesmas três coisas quando ele alimentou os cinco mil e os outros quatro mil.

De acordo com os quatro relatos da última ceia, o que ele disse quando pegou o pão foi “este é o meu corpo”.

Há diferentes opiniões sobre o significado preciso dessas palavras. Mas, o que é certo é que Jesus estava indicando que ele daria o seu corpo em sacrifício para que nós tivéssemos vida.

Isso se encontra mais claro em 1 Coríntios 11:24, aonde esta escrito “Esse é o meu corpo que entregue por vós” (ou em alguns manuscritos mais antigos “Esse é o meu corpo que é partido por vós”).

“FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DE MIM” 

De cara, essa instrução pareceria o jeito que Jesus encontrou de dizer aos seus seguidores que repetissem essa ação como um sacramento, ou uma cerimônia religiosa, através dos tempos.

Mas, como essa ordem só é encontrada em Lucas 22:19 e 1 Coríntios 11:24, algumas pessoas argumentam que o Senhor não tinha a intenção que aquela atitude fosse repetida.

Será que este argumento está correto? Provavelmente não.

Nós temos que lembrar que todos os evangelhos foram escritos quando o partir do pão já era uma prática comum na vida da igreja.

Mateus e Marcos, no entanto, podem ter achado desnecessário expressar a intenção de Jesus com essas palavras.

A comunhão não é para repetir o sacrifício de Cristo, mas para relembrar com gratidão que Cristo nos amou a ponto de morrer por nós. (Hb.10:10).

“ESTE É O CÁLICE DA NOVA ALIANÇA”

Jesus pegou uma taça de vinho, deu graças e deu a seus discípulos para que todos eles bebessem.

Esse foi o mesmo jeito que ele fez quando distribuiu o pão.

Mas nas palavras Jesus falou do vinho, ele introduziu um novo conceito na discussão sobre a aliança.

Mateus e Marcos recordam as palavras de Jesus como “isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança” (Mateus 26:28; Marcos 14:24). Lucas 22:20 fala “Este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue derramado por vós” e 1 Corínthios 11:25 é semelhante a isso.

Todas essas referências à aliança nos levam de volta ao ritual do Velho Testamento de fazer uma aliança (um acordo ou tratado) com sacrifício, como na aliança entre Deus e Israel depois do Êxodo (Êxodo 24:1-8).

Eles também sugerem que a esperança de uma nova aliança, descrita em Jeremias 31:31-34, foi realizada em Cristo.

“É DERRAMADO PARA PERDOAR OS PECADOS DE MUITOS”

O significado da morte de Cristo como um sacrifício está ligado com um entendimento da páscoa e da aliança.

No entanto, é importante que nós reconheçamos que a ceia do Senhor também está ligada com o que Isaías 53 diz sobre o Servo sofrido do Senhor se colocou “por expiação do pecado” (Isaías 53:10). Lucas 22:37 inclui entre as palavras de Jesus: “Porquanto vos digo que importa que se cumpra em mim isto que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Pois o que me diz respeito tem seu cumprimento.”

O verso que Jesus cita – Isaías 53:12 – também diz que “derramou a sua alma até a morte,” e que ele ; “levou sobre si o pecado de muitos”.

Mateus 26:28 diz que o sangue de Jesus foi “derramado por muitos para remissão dos pecados”.

A taça da comunhão, então, deve nos lembrar do sangue de Jesus derramado como uma oferta para cuidar de nossos pecados.

AULA 14 – IGREJA (Parte 2)

 

10) DÍZIMOS E OFERTAS:

O dízimo sempre fez parte da piedade religiosa de muitos povos como gregos, romanos, cartagineses e árabes.

No Antigo testamento, a raiz ASAR(dez) dá idéia de acumular, crescer, ficar rico (Gn.28:22). “..Dai a Deus o que é de Deus.”(Mt.22:21)

 

DIZIMO:A décima parte, tanto das colheitas como dos animais, que os israelitas ofereciam a Deus (manutenção dos ritos religiosos) – (Lv.27.30-32; Hb 7.1-10).

O dízimo era usado para o sustento dos LEVITAS (Nm 18.21-24),dos estrangeiros, dos órfãos e das viúvas (Dt.14.28-29).

O Novo Testamento é acima de tudo, um pacto de liberdade, onde cada pessoa deveria contribuir conforme sua prosperidade.

Jesus não condenou o pagamento de dízimos à Casa de Deus, mas a falta de justiça, amor, misericórdia e fé dos fariseus (Mt.23:23).

Na parábola do fariseu e publicano, o fariseu não foi justificado porque dava o dízimo, mas porque foi orgulhoso e presunçoso (Lc.18:12).

“Hb.7:8 – E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive”Jesus está acima dos levitas os quais eram sacerdotes e recebiam dízimos.

Quem é nascido de novo, tem prazer em dar”.

A Lei do Espírito é agir com senso de responsabilidade e generosidade, sabendo que é privilégio do cristão manter com parte de sua renda, a manutenção da adoração da igreja.

O amor é mais exigente que a Lei. Se vivemos na lei do amor, a falta de pelo menos o dízimo ou o questionamento do não pagamento, pode revelar pouca sensibilidade e visão espiritual e consideração pela Obra do Senhor Jesus Cristo.

Quanto maior a espiritualidade de um crente, maior será sua liberalidade para com o dinheiro a ser contribuído para a causa do Evangelho. Se semearmos com abundância, seremos superabundados (2Co.9:6-8).

Em Mt.5:20 -“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”, essa justiça “dikaiosune” e retratada como, num sentido amplo estado daquele que é como deve ser, justiça, condição aceitável para Deus.

Doutrina que trata do modo pelo qual o homem pode alcançar um estado aprovado por Deus em integridade; virtude; pureza de vida; justiça pensamento,sentimento e ação corretos e num sentido restrito, justiça ou virtude que dá a cada um o que lhe é devido. Jesus quis dizer que se a nossa consideração para com Deus não for maior que a dos religiosos, estaremos muito longe de Deus.

OFERTAS E SACRIFíCIOS

O povo de Israel fazia ofertas e sacrifícios a Deus regularmente, assim como os cristãos hoje em dia tomam a comunhão na igreja, dão ofertas e oram.

Os Israelitas entregavam a Deus ofertas e sacrifícios para restabelecer um relacionamento com Deus.

Eles faziam isso numa época específica do ano, como na lua nova e na colheita.

Eles também faziam quando um voto era quebrado ou quando uma pessoa era julgada suja por causa de um problema médico.

Alguns sacrifícios e ofertas eram feitos para comemorar alguns tempos chaves na história de Israel, como por exemplo a páscoa.

As regras quanto a ofertas e sacrifícios eram bem detalhadas e Deus esperava que os israelitas as seguissem minuciosamente.

A PERFORMANCE E A ORDEM DOS SACRIFíCIOS

A fonte principal de uma descrição de sacrifícios é o início do livro de Levitico (Levítico 1:1-17).

Ele consiste de duas partes.

A primeira parte lida com duas categorias de sacrifícios (Levitico 1:1-6:7).

A primeira categoria inclui os sacrifícios com “cheiro suave ao Senhor”, e isso inclui a oferta queimada (Levitico 1:1-17), a oferta de cereais (Levitico 2:1-16) e os sacrifícios de ofertas pacíficas (Levitico 3:1-17).

A segunda parte inclui os sacrifícios expiatórios (aqueles que expiam ou reparam os erros).

Isso inclui sacrifício pelos pecados (Levitico 4:1-5:3) e oferta pela culpa (Levitico 5:14-6:7).

É prestada uma enorme atenção aos detalhes desses rituais e eles são agrupados de acordo com suas associações lógicas.

A oferta do grão sempre segue a queimada porque sempre a acompanhava na prática em si (Numeros 15:1-21; 28:1-29).

Também podia acompanhar a oferta pacífica (Levitico 7:12-14; 15:3-4).

Uma ênfase especial é colocada em queimar as partes internas de um sacrifício no altar para fazer um “cheiro suave ao Senhor” (Levitico 1:9; 1:17; 2:2; 2:9; 2:12; 3:5; 3:11; 3:16).

Quando o Senhor estava satisfeito com o sacrifício (Gênesis 8:21), era um sinal de favor divino.

Quando se recusava a reconhecer a oferta e cheirar o aroma agradável, mostrava que Deus não estava satisfeito (Levitico 26:31).

É evidente que o sacerdote sabia como ler os sinais e falaria a pessoa que estava fazendo a oferta se o seu sacrifício tinha sido aceito ou não (1 Samuel 26:19; Amós 5:21-23).

As ofertas de culpa e pecado permitia que a pessoa restaurasse o seu relacionamento quebrado com Deus (Levitico 4:1-6:7; 4:20).

As situações que requeiram tais ofertas estão listadas e uma ênfase especial é feita ao descrever como se devia lidar com o sangue no ritual.

A segunda parte principal nessa passagem (Levitico 6:8-7:38) enfatiza os detalhes administrativos das varias ofertas.

Essa seção consiste de uma série de instruções para cada tipo de oferta a respeito da distribuição do material sacrificado.

Umas partes pertenciam ao sacerdote, outras a pessoa que havia oferecido o sacrifício e outras eram queimadas no altar ou jogadas fora do acampamento.

Aqueles sacrifícios que o sacerdote considerava mais santos eram para ser comidos somente por aqueles membros qualificados do sacerdócio (Levitico 2:3; 2:10; 10:12-17; 14:13; Números 18:9).

As ofertas queimadas são primeiramente discutidas porque eram inteiramente consumidas no altar e não eram comidas por ninguém.

Depois dela, os sacrifícios que eram distribuídos aos sacerdotes são descritos (Levitico 6:17; 6:26; 6:29; 7:1; 7:6).

E então finalmente as ofertas pacíficas são descritas.

Uma parte significativa da oferta pacífica era devolvida as pessoas que tinham feito a oferta.

A ordem em que os sacrifícios são lidados, corresponde a freqüência com a qual eles eram realizados durante o curso do ano religioso (Números 28:19; 2 Crônicas 31:3; Ezequiel 45:17).

Isso seria particularmente importante para os sacerdotes e para os levitas de serviço no templo porque eles eram responsáveis pela organização dos sacrifícios diários, especialmente durante os feriados.

Durante as festas e os festivais, dirigir os sacrifícios no templo era uma tarefa formidável (1 Crônicas 23:28-32; 26:15; 26:20-22; 2 Crônicas 13:10-11; 30:3-19; 34:9-11).

As ofertas pacíficas não tinham uma parte no calendário sagrado exceto durante o Festival da Colheita (Levitico 23:19-20).

Em todas as outras ocasiões, com duas exceções (o voto de nazireu e a instalação de um novo sacerdote), as ofertas pacíficas eram sacrifícios puramente voluntários e ele não requeria nenhum tipo de escrituração.

Em outros contextos bíblicos, os sacrifícios são listados de acordo com a mesma escrituração ou ordem administrativa.

Estes incluem ofertas queimadas, ofertas de grão, ofertas de bebida e ofertas pelo pecado.

As instruções para que tipo de oferta trazer quando sacrifícios eram requeridos em casos específicos seguem o mesmo tipo de seqüência.

Quando um voto de Nazireu era terminado, o Nazireu trazia ofertas queimadas, pelo pecado e pacíficas. No entanto, o sacerdote fazia o ritual numa ordem diferente.

A oferta pelo pecado era feita primeiro seguida pela oferta queimada e por último a oferta pacífica (Números 6:16-17).

No caso de um voto incompleto, o primeiro passo seria oferecer uma oferta pelo pecado e depois a oferta queimada para renovar o voto (Números 6:11).

O renovamento do voto de Nazireu requeria uma oferta de culpa especial que era um ritual distinto (Números 6:12).

A descrição das ofertas feitas pelo príncipe de Israel nos últimos dias, apresenta o mesmo contraste entre os dois tipos diferentes de sacrifícios.

Em feriados festivos o príncipe trazia ofertas queimadas, de grão e de bebida, mas ele as oferecia como ofertas pelo pecado, ofertas de grão, ofertas queimada e ofertas pacífica (Ezequiel 45:17).

Essa segunda ordem dos sacrifícios na qual a oferta de pecado vinha antes da oferta queimada, também era seguida durante a rededicação do altar (Ezequiel 43:18-27).

A ordem detalhada dos sacrifícios ilustra a idéia no Velho Testamento de como Deus poderia ser abordado.

Primeiro, tinha que ser feito uma expiação pelo pecado e depois a pessoa fazendo o sacrifício tinha que ser consagrada.

Quando essas condições tinha sido alcançadas, a pessoa fazendo a oferta poderia expressar a sua devoção continua com mais ofertas queimadas e ele também poderia fazer parte nos sacrifícios em comunhão aonde ele mesmo ganhava uma grande parte do animal morto para dividir com seus amigos (Deuteronômio 12:17-19).

11) ADORAÇÃO DA IGREJA:

Existiam duas reuniões:Festa do Amor “Ágape” em adoração e a reunião de oração, louvor e pregação.

O culto público era realizado conforme o Espírito movesse as pessoas, com orações, testemunhos e salmos, onde a adoração inspirada pelo Espírito era meio poderoso para atrair e evangelizar os não-convertidos (1 Co. 14:24,2 5).

O culto particular “partir do pão”(At.2:42) era refeição em comum entre os discípulos; ao pedirem a bênção de Deus sobre o alimento, se lembravam da última páscoa de Cristo e a ceia terminava em culto de adoração.

A vida e a adoração a Deus estavam muito ligadas naqueles dias).

Depois,as reuniões se separaram.

12)ORGANIZAÇAO DA IGREJA PRIMITIVA: Após o Pentecostes, os cultos eram nas casas e no Templo (At.2:46).

Não havia organização e o ensino era dado pelos apóstolos(At.2:46).

Quando a Igreja cresceu numericamente, houve a necessidade de organização para separar pessoas para o Ministério e para resolver problemas internos.

Apóstolos e anciãos presidiam as reuniões democráticas e as igrejas não eram unificadas em Ministérios denominacionais.

Não havia governo centralizado e cada igreja era autônoma e “livre” (mantinharn relações cooperativas umas com as outras-(Rm.15:26; 2Co.8:9; Gl.2:10; Rm.15:1; 3Jo.8).

Os 12 apóstolos eram respeitados e exerciam autoridade, como Paulo que não tinha nada “oficial”, mas puramente espiritual.

Nos séculos primitivos as igrejas locais, embora nunca lhes faltasse o sentimento de pertencerem a um só corpo, eram comunidades independentes e com governo próprio, se relacionando com comunhão fraternal por visitas de “delegados”, cartas, assistência e consagração de pastores.

Hoje, o mundo é diferente e a igreja precisa se organizar conforme as leis do país, mas precisa voltar à prática e ao sentimento cristão primitivo de ser corpo de Jesus Cristo.

SAIBAMOS QUE SOMOS MEMBROS DO CORPO ESPIRITUAL DE CRISTO,DONO DE SUA IGREJA.

13)MINISTÉRIOS DA IGREJA:

1) Desempenho de um serviço (At 7.53).

2) Exercício de um serviço religioso especial, como o dos levitas, sacerdotes, profetas e apóstolos (1Cr 6.32; 24.3; Zc 7.7; At 1.25).

3) Atividade desenvolvida por Jesus até a sua ascensão (Lc 3.23).

4) Cargo ou ofício de MINISTRO, conforme (2Co 6.3; 2Tm 4.5).

 

A) Ministério Geral e Profético:

a)Apóstolos:

Cada um dos 12 homens que Jesus escolheu para serem seus seguidores e para lançarem as bases da Igreja (Mt 10.2-4; Ef 2.20).

Apóstolo quer dizer “mensageiro”, isto é, aquele que é enviado para anunciar a mensagem de Deus.

Por anunciarem o evangelho, Paulo e alguns outros também foram chamados de apóstolos (1Co 15.9; At 14.14).

Receberam a comissão de Jesus (Mt.5:10;GI.1:1); viram Cristo após a ressurreição (At.1:22; 1Co.9:1);gozavam de inspiração especial (GI.1:11; 1Ts.2:13); exerciam administração na igreja (1 Co.5:3-6;2Co.10:8; Jo.20:22); levavam credenciais sobrenaturais (2 Co.12:12), cujo trabalho principal era estabelecer igrejas em campos novos (2 Co.10:16).

APOSTOLO = MISSIONÁRIO (At.14:14; Rm.16:7).

 

b)Profetas e Profetizas:

Profeta ou profetisa era um homem ou mulher escolhido por Deus para falar por Ele e relatar fatos no plano divino.

Quando Jesus ressuscitou o filho da viúva, os circunstantes responderam dizendo, “Grande profeta se levantou entre nós!” (Lucas 7:16; comparar com Marcos 6:15; 8:28).

No pensamento judeu, os acontecimentos religiosos mais claros encontram seu foco na chamada e ministério de um profeta.

Essa era a forma como Deus se comunicava com seu povo.

Quando responderam a Jesus, as pessoas estavam de fato mais certas do que imaginavam. Deus os visitara através dele.

Embora Jesus tenha sido mais do que um profeta, foi na verdade o clímax da ordem profética predita por Moisés (Deuteronômio 18:15-19).

Tinham o dom da expressão inspirada. Enquanto o apóstolo e o Evangelista levava a sua mensagem aos incrédulos (Gl.2:7,8), o ministério do profeta era particular aos cristãos.

Pessoa que profetiza, isto é, que anuncia a mensagem de Deus.

No AT, os profetas não eram intérpretes, mas sim porta-vozes da mensagem divina (Jr 27.4).

No NT, o profeta falava baseado na revelação do AT e no testemunho dos apóstolos, edificando e fortalecendo assim a comunidade cristã (At 13.1; 1Co 12.28-29; 14.3; Ef 4.11).

A mensagem anunciada pelo profeta hoje deve estar sempre de acordo com a revelação contida na Bíblia.

João Batista (Mt 14.5; Lc 1.76) e Jesus (Mt 21.11,46; Lc 7.16; 24.19; Jo 9.17) também foram chamados de profetas. Havia falsos profetas que mentiam, afirmando que as mensagens deles vinham de Deus (Dt 18.20; At 13.6-12; 1Jo 4.1).

c)Mestres:

Dotados de dons para exposição da Palavra.

1) Professor; instrutor (Sl 119.99; Mt 10.24).

2) Título de Jesus, que tinha autoridade ao ensinar (Mc 12.14).

3) Pessoa perita em alguma ciência ou arte (Êx 35.35).

4) Pessoa que se destaca em qualquer coisa (Pv 24.8; Ez 21.31).

5) Capitão (Jn 1.6).

B) Ministério Local e Prático:

Toda organização tem pelo menos uma pessoa que trabalha nos bastidores.

Esta é a função do diácono ou presbítero na igreja.

Eles trabalham nos bastidores servindo e ministrando às necessidades das pessoas.

Algumas igrejas indicam “presbíteros”, termo que descreve aqueles que exercem um papel de liderança similar dentro da igreja.

Diáconos e presbíteros podem estar ou não na liderança durante um culto dominical típico como um pastor ou ministro de adoração.

Entretanto, seu trabalho de bastidores, conduzindo os negócios da igreja e o trabalho de Cristo, é primordial.

 

a)Presbíteros ou Anciãos: presbuterov presbuteros – Lider da igreja.

Os presbíteros se dedicavam à direção das igrejas, ao ensino da doutrina cristã e à pregação do evangelho.

A palavra grega presbyteros quer dizer “ ANCIÃO “, mas era usada para os líderes cristãos sem referência à sua idade.

Nos tempos do NT os presbíteros também eram chamados de BISPOS (At 20.17,28; 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9).nomeado pela Igreja, com certas características (1Tm.3): (Bispos)-supervisores ou superintendentes sobre a igreja local, especialmente em relação ao cuidado pastoral e à disciplina – 1 Timóteo 3:2-7 e Tito 1:6-9 listam as qualidades que uma pessoa tinha que ter para se tornar um bispo, um oficial dentro da igreja.

A palavra grega que nos deu o título “bispo” e a palavra “episcopal”, é freqüentemente traduzida, nas bíblias modernas, como “ancião”, “capataz”, “pastor” ou “guardião”. Jesus é chamado de “Pastor e Bispo das vossas almas” (1 Pedro 2:25).

Um bispo, obviamente, tinha uma posição de autoridade, mas as tarefas de um bispo não são definidas com clareza no Novo Testamento. Um de seus trabalhos era combater a heresia (Tito 1:9) e ensinar e explicar as Escrituras (1 Timóteo 3:2).

Há também alguma evidência de que eles ajudavam a cuidar dos pobres, além de supervisionar a congregação.

As cartas de Paulo a Timóteo e a Tito indicam que um bispo era considerado um líder na congregação e uma pessoa que representava a igreja cristã a um mundo não cristão.

Dirigente da igreja cristã – Os bispos se dedicavam ao ensino da doutrina e à pregação do evangelho.

A palavra grega epíscopos, que é traduzida por “bispo”, quer dizer supervisor ou superintendente.

Nos tempos apostólicos, o bispo cuidava de uma igreja local e era também chamado de PRESBÍTERO (At 20.17-28; 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9; v. ANCIÃO).

Só mais tarde os bispos se tornaram responsáveis por um grupo de igrejas de determinada região.

O serviço do diácono diferia do serviço do presbítero.

Enquanto diáconos e diaconisas eram escolhidos por suas fortes características pessoais, os presbíteros obtinham sua posição por laços de família ou indicação.

Seguindo um padrão definido relacionado ao sistema tribal (Números 11: 16-17; Deuteronômio 29:10), o presbítero exercia funções de liderança e jurídica em razão de sua posição na família, clã ou tribo; ou em razão de sua personalidade, destreza, status ou influência; ou ainda por um processo de indicação e ordenação.

Os presbíteros tinham várias funções. Por exemplo: I Timóteo 5:17 fala de presbíteros que pregavam e ensinavam; Tiago 5:14 os mostra envolvidos num ministério de cura; I Pedro 5;2 os exorta a apascentar o rebanho.

Assim, os profetas e mestres que dirigiam a igreja de Antioquia (Atos 13:1-3) podem ter sido os presbíteros daquela comunidade.

O PRESBíTERO NA COMUNIDADE CRISTÃ

Segundo o relato de Lucas sobre a origem e expansão do Cristianismo, os presbíteros já estavam presentes na igreja de Jerusalém.

Em Atos, vemos os cristãos de Antioquia enviando mantimentos “aos presbíteros (das igrejas da Judéia) por intermédio de Barnabé e Saulo (11:30).

Em sua primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé “promoveram os discípulos em cada igreja” (Atos 14;23).

Mais tarde, foram enviados de Antioquia para Jerusalém “para os apóstolos e presbíteros” a fim de esclarecê-los sobre o assunto da circuncisão dos gentios cristãos (Atos 15:2) e “foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros” (Atos 15:4), que se reuniram para ouvir sobre o caso e resolver a questão (Atos 15:6-23).

Não se sabe quem eram e como foram escolhidos esses presbíteros. Mas certamente foram consideradas sua idade e proeminência lhes conferiu o privilégio de prestar serviço especial dentro de suas comunidades.

Parece que atuavam de maneira semelhante aos anciãos das comunidades judaicas e do Sinédrio (Atos 11:30; 15:2-6.22-23; 16:4; 21:18).

 

b) Pastores: As vezes, os presbíteros se chamavam pastores poimhn poimen – como guardador de gado (Gn 13.7).

2) Governante (Jr 3.15).

3) Deus (Sl 23.1) e Jesus (Jo 10.11).

4) Ministro da igreja (Hb 13.17, 1Pe 5.2).dom de cuidar do rebanho (Ef.4:11; At.20:28);

c) Evangelistas – Pastores-evangelistas – Pregador que vai de lugar em lugar anunciando a boa-nova de Jesus Cristo (At 21.8).

Deviam cuidar ou supervisionar (1Tm.3:1);presidir (1Tm.5:17); defender a sã doutrina (Tt.1:9); Qualificações (1Tm.3:8-10;12-13); Ordenação (1Tm.4:4; Tt.1:5).

Durante o primeiro século, cada comunidade cristã era governada por um grupo de anciãos ou bispos, diferente de hoje.

Mas, no início do terceiro século, homens foram colocados à frente.

 

b) Diáconos e Diaconisas-”Servos ou ajudantes”- diakonov diakonos(At.6:1-4; Fil.1:1) e (Rm.16:1; FiI.4:3)-Qualificações(1Tm.3:8-13)-Auxiliares dos presbíteros (At.6:1-6)-Oficialmente reconhecidos na igreja (Fil.1:1), cujo trabalho era visitar de casas e exercer ministério prático entre os pobres e necessitados (1Tm.5:8-11) e ajudando os anciãos na Ceia do Senhor.

Pessoa que ajudava nos trabalhos de administração da igreja e cuidava dos pobres, das viúvas e dos necessitados em geral.

O diácono também pregava o evangelho e ensinava a doutrina cristã (At 6.1-8; 1Tm 3.8-13).

 

OS DIÁCONOS NA IGREJA PRIMITIVA

O termo diácono vem do grego e significa servo ou ministro.

A palavra “diaconato” descreve o serviço do grupo de diáconos e diaconisas dentro de uma igreja.

VISÃO DO NOVO TESTAMENTO

Várias referências seculares dão a diácono o sentido de garçon, servo, administrador ou mensageiro.

Escritores bíblicos usam esta palavra para descrever vários ministérios e serviços.

Só bem mais tarde na igreja primitiva foi usado para indicar um grupo distinto de oficiais da igreja.

Entre seus usos comuns, diácono se refere a quem serve a refeição (João 2:5,9), servos do rei (Mateus 22:13), ministro de Satanás (II Coríntios 11:15), ministro de Deus (II Coríntios 6:4), ministro de Cristo (II Coríntios 11:23), ministro de Deus (Colossenses 1:24-25) e autoridade (Romanos 13:4).

O Novo Testamento apresenta o ministério do serviço como uma marca de toda a igreja, isto é, como uma conduta normal para todos os discípulos (Mateus 20: 26-28; Lucas 22: 26-27).

Os ensinamentos de Jesus no julgamento final equiparam esse ministério com: alimentar os famintos, acolher o próximo, vestir os que estão despidos, visitar os enfermos e encarcerados (Mateus 25: 31-46).

Todo o Novo Testamento enfatiza a compaixão pelas necessidades físicas e espirituais dos indivíduos bem como quanto nos devemos doar para satisfazer essas necessidades.

Deus nos capacita para o serviço com vários dons espirituais. Quando realizamos esse serviço, em última análise, ministramos ao próprio Cristo (Mateus 25:45).

ORIGEM

Alguns estudiosos da Bíblia estabelecem uma relação entre o “hazzan” da sinagoga judaica e o serviço cristão do diácono.

O “hazzan” abria e fechava as portas da sinagoga, mantinha-a limpa e distribuía os livros para leitura.

Jesus provavelmente passou o rolo do livro de Isaías para um diácono depois que acabou de lê-lo (Lucas 4:20).

Outros estudiosos do Novo Testamento dão atenção considerável à escolha dos sete (Atos 6:1-6); vêem aquele ato como um precursor histórico de uma estrutura mais desenvolvida (Filipenses 1:1; I Timóteo 3:8-13 – as duas referências específicas ao “ofício” de diácono).

Cada apóstolo já estava sobrecarregado com várias responsabilidades.

No entanto, os doze apóstolos propuseram uma divisão do trabalho para assegurar assistência às viúvas gregas na distribuição diária que a igreja fazia de alimento e donativos.

Sete homens de boa reputação, cheios do Espírito de Deus e de sabedoria (Atos 6:3), se destacaram na congregação de Jerusalém, praticando caridade e atendendo necessidades físicas.

Alguns lembram que o diaconato não devia ser relacionado somente a caridade, pois os diáconos eram pessoas de estatura espiritual.

Estêvão, por exemplo, “cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (Atos 6:8).

Filipe, apontado como um dos sete, “os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo” (Atos 8:12).

Filipe também batizava (Atos 6:38) e é mencionado como um evangelista (Atos 21:8).

Muitas igrejas provavelmente adotaram como modelo “os sete de Jerusalém” no seu quadro de diáconos.

Em I Timóteo 3:8-13 são dadas instruções sobre as qualificações da função de diácono, a maioria delas se relacionando ao caráter e comportamento pessoais.

Um diácono deveria falar a verdade, ser marido de uma só mulher, “não dado a muito vinho”, e um pai responsável. Alguns diáconos: Timóteo (I Tessalonicenses 3:2; I Timóteo 4:6), Tíquico (Colossenses 4:7), Epafras (Colossenses 1:7), Paulo (I Coríntios 3:5) e o próprio Cristo (Romanos 15:8).

A diaconia bíblica não se caracteriza por poder e proeminência mas por serviço ao próximo, por cuidados pastorais.

DIACONISAS:

As mulheres também exerciam a função de diaconisas.

Em Timóteo 3:11, lemos que elas deveriam ser “respeitáveis, não maldizentes, mas temperantes e fiéis em tudo”.

Por causa do grande número de mulheres convertidas (Atos 5:14; 17:4), as mulheres atuavam na área de visitação, instruíam sobre discipulado e assistiam no batismo.

Em Romanos 16:1-2, lemos que Paulo elogiou Febe por ser uma ajudadora no serviço da igreja de Cencréia.

Em Romanos 12:8 e I Timóteo 3:4-5 encontramos outras qualidades desejadas no diácono.

d)Obreiro: Todo cristão que realiza a obra de Deus; Trabalhador; operário (1Cr 4.21; 2Tm 2.15). 2) Pessoa que pratica ou planeja (Sl 14.4).

 

14) FIGURAS DA IGREJA:

a)Pastor e ovelhas (Jo.10);

b)Videira e ramos (Jo.15);

c)Pedra Angular e as pedras do edifício (Ef.2:19-21);

d)Sumo-sacerdote e reino de sacerdotes(1 Pe 2);

e)Ultimo Adão e a nova Criação (Rm.5);

f)Cabeça e corpo (1Co.12;

g) Noivo e noiva; marido e esposa (Ef.5;Ap.19);

Fim de sua Época: Arrebatamento-(2 Ts.2; Ap.3:10-q1;1Ts.1:10).

15) ESCATOLOGIA – A DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS:

(BREVE COMENTÁRIO) – Relacionando a Igreja e nossa vida como cristãos e o futuro:

A Paurosia ”2a.vinda de Jesus” é citada 300 vezes no Novo Testamento.

1)Sua vinda será:

a) Pessoal (Jo.14:3 At.1:10; 1 Ts.4:16; Ap.1:7; 22:7);

b)Literal:(At.1:10; 1 Ts.4:16; Ap.1:7; Zc.14:4);

c)Visível (Hb.9:28;Fil.3:20; Zc.12:10);

d) Gloriosa(Mt.16:27; 25:31; 2 Ts.1:7-9; Cl.3:4);

 

2)O tempo exato está oculto (Mt.24:;36-42;Mc. 13:21,22);

 

3)Tempo de sua vinda:

a)Servos de Jesus levarão sua obra (Lc.19:11-27);

b)Evangelho pregado a todas as nações (Mt.24:14);

c)Muitos duvidarão do seu retorno (Lc.18:1-8);

d)Muitos serão negligentes (Mt.25:1-11);

e)Haverá ministros infiéis (Lc.12:45);

 

4)Propósitos de sua vinda:

a)Igreja encontra o Senhor e crentes serão galardoados;

b)Depois de sete anos, restaurará IsraeI;

c)As nações serão julgadas.

AULA 15 – NOÇÕES DE DISCIPULADO E EVANGELISMO:

 

Um discípulo é alguém que segue uma outra pessoa ou um estilo de vida.

Um discípulo se submete a disciplina ou ensinamento do líder ou do estilo.

Na bíblia, o termo discípulo é quase sempre encontrado nos evangelhos e no livro de Atos.

No Velho Testamento as vezes a palavra é traduzida como “aprendeu” e “ensinou”.

Onde quer que tenha um professor e pessoas sendo ensinadas, há a idéia de discipulado está presente.

Nos evangelho, os seguidores mais íntimos de Cristo são chamados de discípulos.

Os doze foram chamados pela autoridade de Jesus em circunstâncias variadas.

No entanto, todos aqueles que aprovavam os seus ensinamentos e estavam engajados a ele eram são chamados de discípulos.

O chamado desses discípulos aconteceu numa época em que outros professores tinham os seus discípulos.

Os mais notáveis eram os fariseus (Marcos 2:18; Lucas 5:33) e João Batista (Mateus 9:14).

Discípulos são almas salvas regeneradas, transformadas peIo Espírito Santo, produtivos na Obra de Deus.

Pessoa que segue os ensinamentos de um mestre.

No NT se refere tanto aos APÓSTOLOS (Mt 10.1) como aos cristãos em geral (At 6.1).

 

NO ANTIGO TESTAMENTO:

* Nb bem -  como filhos;

* dwml limmuwd / dml limmud - ensinado, instruído, acostumado. (Is.8:16).

NO NOVO TESTAMENTO:

* mayhthv mathetes – aprendiz, pupilo, aluno, discípulo.

1) VOCÊ PRECISA SABER:

Amados irmãos e irmãs em Jesus Cnsto!

Parabéns pelo seu término de Curso e Início da Caminhada Cristã.Ministramos a vocês 14 aulas sobre os rudimentos bíblicos.

Verdades imprescindíveis para os que desejam fazer a vontade do Senhor Jesus de forma honesta e piedosa.

Esse curso é pré-requisito para o Evangelismo responsável e para participar do Batismo nas águas.

Os novos convertidos precisam ter uma idéia clara da Bíblia para voluntariamente se firmarem no Evangelho.

Não “ACEITEI A JESUS, ESTOU CONVERTIDO E SALVO”, que dáa idéia de perfeccionismo; o correto é CONFESSEI A JESUS, CRI NO CORAÇÃO, ESTOU ME CONVERTENDO E GUARDANDO A SALVAÇÃO QUE RECEBI PELA GRAÇA E ISSO, TODOS OS DIAS.

Deus tem um plano maravilhoso para nossas vidas, mas o pecado atrapalha.

Somente Jesus Cristo pelo Espírito Santo, através da Palavra nos capacita para o serviço de ministração divino e nos dá um novo nascimento que é uma mudança pessoal plena envolvendo a nova realidade espiritual que em nós processa.
2) QUE É SER DISCÍPULO DE CRISTO:

Não basta apenas se converter a Cristo, mas amadurecer no Evangelho através de uma nutrição espiritual fortificando as almas.

Um discípulo (seguidor) maduro tem de ensinar a outros crentes como viver uma vida que agrade a Deus, equipando-os a treinar outros para que ensinem a outros, afinal, ninguém é um fim em si mesmo.

Deus escolhe um método sólido e eficaz para edificar o seu Reino.

A sua Igreja é um movimento dinâmico, em que o discipulado é o único meio de se produzir tanto a qualidade como a quantidade de crentes que Deus deseja.

Discípulo é aquele que tem um caráter semelhante ao de Cristo em evidência que morreu para si mesmo, fato mais importante que nossas capacidades e habilidades.

 
3) COMO SER DISCIPULO DE CRISTO:

Precisamos conhecer a Palavra de Deus, no compromisso de querer obedecer, estudando fielmente e procurando exercer a nossa vontade na obediência à Palavra de Deus.

Cristo Reina hoje, através de autoridades delegadas da Igreja que precisam ser obedecidas em submissão, porque usam sua autoridade para nos servir.

Nossa atitude deve ser confiar em Deus, perdoando e aceitando o perdão de Jesus, vivendo em comunidade, afinal, Deus usa pessoas de espírito quebrantado, com corações humildes, desinteressados em promoções pessoais, gloriando-se somente na cruz de Cristo.

Esse caráter é formado pela comunicação com Deus, não em superficialidade, mas em intimidade, para tanto, precisamos estar dispostos a ouvir atentamente, com coerência e honestidade, afinal, isso é essencial para o Cristão.

 
4) REQUISITOS PARA SER DISCIPULO DE CRISTO:

Se você é sincero na multiplicação espiritual de sua igreja, querendo assumir um compromisso na morte de seu “eu”, comprometido a conduzir novos crentes à maturidade.

Deus se responsabilizará pelos novos crentes sobre os quais Ele nos colocará como supervisores.

Tenha um alto padrão espiritual desejando conhecer intimamente a Deus; procure ser uma pessoa disponível a ajudar os outros; seja submisso às autoridades, fiel a Deus, à Doutrina e às finanças da lgreja procure fazer discípulos, sem receio de orientar os outros pelo que você já sabe; ore diligentemente a Deus que lhe mostrará o que fazer.

Pelo Espírito Santo, procure selecionar com cuidado as pessoas que você vai ajudar espiritualmente, mas não esqueça de antes, treinar esta pessoa na Palavra de Deus, orientando de perto, tomando a iniciativa de fazer o convite ao Estudo, explicando o relacionamento espiritual que deseja realizar.

Comunique a visão do projeto, que é o ensino da Palavra em grupos ou individual, se for o caso, mas deixe a pessoa decidir se quer ser ensinada, sem força ou coação; deixe-a à vontade.

 
5) COMO O DISCIPULO DEVE SER RELACIONAR:

Seja amoroso, com calor humano, com lealdade a Deus e à pessoa para não fofocar ou espalhar segredos, agindo com maturidade, sem deixar de dar exortações, conselhos quando necessário, afinal, o amigo verdadeiro corrige o errado.

Tenha disponibilidade, paciência para lidar com os problemas dos outros, sendo honesto no aconselhamento e sempre motivando a pessoa a prosseguir na jornada da fé.

Nesse relacionamento, o propósito principal é a adoração a Deus em atitude de respeito, temor e amor.

Procure memorizar a escritura, meditando em seus versículos, ensinando a pessoa a pensar sobre o que você já sabe, mas sem orgulho ou exaltação pessoal.

O processo de tomada de atitudes envolve alternativas viáveis de resolução, aplicação de versículos específicos ao caso, implicações de atos tomados e conselhos de líderes mais experientes.

Devemos corrigir nossas fraquezas, orando juntos, estudando a Bíblia e aplicando de forma prática.

Convêm salientar que sempre é melhor orientar uma pessoa do mesmo sexo, evitando uma brecha para o infortúnio ou queda, afinal, a carne é fraca e Jesus nos manda fugir do que pode ser motivo de queda.

“Somos responsáveis pelos que nós cativamos”, assim dizia Exúpery de “o Pequeno Príncipe”.

Que a nossa Palavra seja acompanhada de atos verdadeiros e autênticos, numa conduta de amor e de fé e pureza no modelo do Mestre.

Não sejamos presunçosos de querer saber tudo, mas devemos ser claros e inspirarmos confiança, mas sempre despertando a responsabilidade pessoal de cada cristão para com a Obra de Deus.

6) COMO O DISCÍPULO DEVE AGIR NA EVANGELIZAÇÃO:

a) Quando visitar pessoas, evite fazer muitas perguntas pessoais ou agredir o motivo da fé da pessoa, mesmo estando errado; lembre-se de que você também desconhecia o Evangelho;não penses que sabes tudo; sem o Espírito Santo, nada acontece.

b) Dê seu testemunho com convicção da Palavra, com verdadeiro interesse na pessoa, não falando de reunião, mas de Jesus Cnsto.

Se possível, ore antes, jejue e peça os dons da sabedoria, discernimento, ciência e da Ministração da Palavra.

c) Se for o caso, dê apenas o endereço da Igreja e não o seu endereço pessoal e sempre procure falar com a pessoa em conjunto com um outro irmão ou irmã da Equipe de Evangelismo.

d) Que cada pessoa visite alguém do seu mesmo sexo, aconselhando com cuidado, prudência e equilíbrio para não ser fanático ou legalista; evite usar novos convertidos que não tenham conhecimentos bíblicos para não serem confundidos.

e) Esteja atento aos srnaisde perigo do lugar não sendo iisistente para a pessoa “aceitara lesus na marra”, pois isso não é tudo; é apenas o começo, pois não adianta forçar alguém a dizer sim para satisfazer o ego de quem evangeliza e esquecer a alma depois.

f) Procure usar linguagem clara, sem palavrões, gírias ou apelidos; seja seguro, não fazendo promessas, sempre atualizando o Evangelho com o dia-a-dia da realidade da pessoa visitada.

g) Seja paciente com auto-controle, estando fisicamente e espiritualmente saudável, com humor estável, submisso aos horários, controlando a língua para falar para edificação e não acusação às igrejas ou a terceiros.

h) Seja flexível com o temperamento das pessoas pois existem (mecanismos de defesa para reagir a conversas não desejadas).

* Negação (inconscientemente se nega para proteger-se do sofrimento;

* Transferência (inconscientemente transfere seu problema ou insatisfação para o conjuge, filhos, etc…);

* Projeção (fazer uma falsa realidade mental contra quem não se aceita);

* Racionalização (Tentativa de arranjar explicação justificativa para males feitos);

* Repressão (Procurar considerar algo desagradável como nunca ocorrido);

* ”Conversão”: Diferente da Cristã, transforma insatisfação em sintoma ou queixa de doença, após frustração ou ansiedade.

i) Tenha boa aparência pessoal e não use roupas indecentes ou sensuais para não despertar o olhar cobiçoso do ouvinte; se notar que o olhar dele ou dela te causa inquietação carnal, encerre a conversa, afinal, setas malignas estão te atingindo por alguma brecha na tua espiritualidade.

j) Respeite as opiniões e os direitos dos outros, ouvindo com empatia, mas evitando entrar na intimidade da pessoa, tendo amor e sabendo ouvir.

k) Procure anotar nome, endereço, telefone, marcação de fatura visita a pedido do visitado, acontecimentos e dê ao líder do setor do Evangelismo e/ou pastor de sua igreja.

l) Nunca se exponha, falando de sua intimidade, pois não conhece a pessoa que está ouvindo sua conversa.

m) Quando for aconselhar, saiba que as áreas que mais afetam as vidas são:

a)vida pessoal (Lc.9:23);

b)futuro(Mt.6:31-34);

c)dinheiro(Cl.3:1);

d)Casamento(1Co.7:3,4);

e)Filhos(Sl.127:3).

n) Quando for lidar com pessoas em crise, observe:

a)Ansiedade:Estabeleça compa-rações, abordando sentimento de culpa, traumas de infância ou fracasso de algum ideal, procurando remover causas referentes ao 1° dia de trabalho, viagem ou nova realidade social como casamento. (Mt.6:25-34;Sl.37:5;Pv.24:10; Rm.14:23; Ef.6:10; 1Pe.5:7);

b) Baixa Estima-referente ao nosso retrato mental da alma;fale de sua importância para Deus e a morte de Jesus pela vida (Pv. 23:7; Gn. 1:26,27; Rm.8:16);

c) Depressão-prisão da mente em frustração, sentimento de perda ou traição pessoal. Fale firmente da Palavra de Deus, enfrentando os pensamentos contrários, resistindo em nome de Jesus, exortando a pessoa a não se isolar, a cuidar-se, a definir objetivos úteis sociais e a orara Deus (Hb.11:1;Sl.37:5;Tg.4:7; Fp.4:8; 1Co.3:16; 1Ts.5:17);

d)Culpa-Envolve problemas psicológicos e íntimos de remorso ou auto-condenação; Cuidado no uso do Eu e Tu pois a pessoa pode se sentir ofendida ou com complexo de inferioridade e partir para agressão.

Ouça-a com amor de Deus, procurando promover seu alto sentimento em Deus, fale especificamente sobre seu problema, sem radicalismos ou preconceitos, na Palavra de Deus.

Utilize um pouco do que aprendeu de psicologia, aplicando a Palavra com humildade, não colocando em Deus somente a resposta de tudo pois Deus faz o que não podemos fazer.

Seja amável, compreensivo, sincero, pedindo sabedoria ao Espírito Santo, testemunhando de si com mansidão e temor.
7) LEMBRETES AOS PROFESSORES/MINISTRADORES DO CURSO DE DISCIPULADO CRISTÃO:

Nunca pense que sabe tudo a respeito do Evangelho; Frequente e convide pessoas à Escola Dominical de sua Igreja;

Nunca seja exclusivista de dizer que somente sua igreja é a certa; seja humilde e não provocativo;

Nunca espere bons resultados no início de sua caminhada; dê de graça como recebestes de graça.

 

AO ENSINAR A PALAVRA DE DEUS NUMA SALA DE AULA:(MÁXIMO 1H30min.)

a) Ore antes e Incite perguntas;

b) Transforme a vontade do aluno em conversar em instrumento de aprendizagem pela exposição do tema à turma;

c) Seja assíduo e pontual;

d) Estruture sua aula antes de ministra-la;

e) Seja interessado para com o aluno;

f) Seja calmo e sereno;

g) Tenha bom humor mas seja moderado;

h) FaIe de modo a ser entendido pelo aluno;

i) Tenha auto-estima com autoridade;

j) Aceite as diferenças pessoais;

k) Seja um ótimo ouvinte, remindo o tempo;

l) Se coloque no lugar do aluno;

m) Compreenda as idéias dos outros; m)deixe os alunos falarem o que pensam;

n) Seja rápido, mas não apressado;

o) Conclua a aula de maneira amistosa, sem dúvidas;

p) Cobre colaboração de todos, sem ensaiar demais o improviso;

q) Nunca se compare com outros professores;

r) Cumpra suas promessas;

s) Cuidado com os gestos e palavras;

t) Seja bem-apresentado;

u) Seja humilde;

v) Mantenha-se atualizado;

x) Explique o projeto a eles;

z) Somente dê apostila específica na aula: evite dar logo todo o material:se deres, eles perdem interesse e curiosidade.

 

8) NOÇÕES SOBRE ÉTICA CRISTÃ:

O comportamento cristão deve ser um referencial para a sociedade.

No mundo, os valores morais divinos serão gravados na mente das pessoas pela Palavra de Deus, pois o pecado e os vícios fazem os homens terem condutas impróprias e errôneas.

A etica Cristã se fundamenta nos ensinos de Cristo (2 Co.5:15;Ef.2:10; Ec.12:13).

A REFLEXÃO DE NOSSOS ATOS NOS APRIMORA E DESENVOLVE!

 

a) Aspecto que nos valoriza:Nosso exemplo pessoal:

Atitudes falam mais que muitas palavras.

Quando nosso comportamento não condiz com o que falamos, perdemos a credibilidade e nosso testemunho se torna infiel.

Quando a nossa vida é exposta ao público, os rastros de nossas ações terão número cada vez maior de seguidores que simplesmente copiarão o nosso modelo pela força do exemplo.

b) Quanto aos mandamentos (Decágono): Os dez mandamentos não foram abolidos com a chegada do Evangelho.

Os princípios espirituais e morais da lei integram às leis do Reino de Jesus, expostas no Sermão do Monte.

Os antigos cumpriam os mandamentos e estatutos em Israel de modo formal e frio.

Jesus deu aos mandamentos um sentimento muito mais elevado, aprofundado e ampliando o seu entendimento, tornando-os instrumento de justiça, bondade e amor de Deus (Mt.5:17-21). Lembremos que Jesus veio cumprir toda a Lei e não a abolir.

c) Guerras-(Ex.15:3; Nm.31:3) Atividade normal nos tempos do AT (2Sm 11.1).

Os inimigos dos israelitas eram considerados inimigos de Deus (1Sm 30.26).

Deus era representado como guerreiro, combatendo em favor de Israel (Êx 15.3; Sl 24.8; Is 42.13) ou usando a guerra para castigar Israel (Is 5.26-30; Jr 5.15-17) e outras nações (Is 13; Jr 46.1-10).

Mas Isaías também profetizou uma era de paz (Is 2.1-5; 65.16-25).

Nos tempos apostólicos, quando os romanos dominavam Israel, a linguagem da guerra só aparece em METÁFORAS (Ef 6.11-17) e para descrever a batalha do fim dos tempos (Ap 20.7-10).

O cristão tem dupla cidadania; terrena e celestial, devendo cumprir seus deveres para com o Estado.

Estamos na dispensação da graça e o cristianismo é pacífico, mas temos um compromisso com as leis do governo onde vivemos. (Rm.13:1-7; 1Tm.2:2; Tt.3:1; e 1Pe2:13-14).

Além disso, temos o direito de nos defendermos porque isso é justo diante de Deus.

Se as leis forem injustas, prevalece a Palavra de Deus, acima da Constituição (Dt.17:18-20 e At.4:19-20).

Se o cristão é militar, deve militar contra o narcotráfico, crime organizado, potência agressora,injustiças.

Não se trata de fazer guerras particulares, mas ir contra o que pode atacar e querer destruir a igreja e a família.

Somente a morte não pretendida poderia ser expiada no Antigo Testamento e no Novo não traria culpa ao aqressor.

A lei da semeadura é real.

d) Aborto:  A vida no útero materno (Jeremias 1:1-5): Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constitui profeta às nações.

AS PESSOAS TÊM VALOR MESMO ANTES DE NASCEREM.

Deus lhe conheceu, como conheceu a Jeremias, muito antes de você nascer ou ser concebido.

Ele lhe conheceu, pensou a seu respeito, fez planos para você.

Quando você se sentir desencorajado ou inadequado, lembre-se que Deus sempre o considerou valioso e sempre teve um propósito para você. (Sl.139:1-24 – Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste.

DEUS OBRA NA VIDA DAS PESSOAS AINDA DENTRO DO ÚTERO.

O caráter de Deus participa na criação de cada pessoa.

Quando você se sente sem valor, ou começa a se odiar, lembre-se que o Espírito de Deus está pronto e disposto a obrar em você.

Deus pensa em você constantemente (Salmo 139:1-4). Devemos nos respeitar tanto quanto o Criador nos respeita.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DO ABORTO HOJE? Vidas (2 Crônicas 28:1-8-Tinha Acaz vinte anos de idade, quando começou a reinar,e reinou dezesseis anos em Jerusalém; e não fez o que era reto perante o Senhor, como Davi seu pai (2 Crônicas 28:1).

O ABORTO É UM PECADO CONTRA DEUS.

Tente imaginar a monstruosidade de uma religião que oferece criancinhas como sacrifícios.

Deus permitiu que Judá sofresse pesados danos como conseqüência das maldades de Acaz. Esta prática perdura até os dias atuais.

O sacrifício de crianças aos duros deuses da conveniência, economia e desejos fugazes continua em clínicas esterilizadas em quantidades que assombrariam ao próprio Acaz.

Se queremos permitir que crianças se aproximem de Jesus, precisamos primeiro permitir que venham ao mundo.

Diante do valor da vida humana concedida por Deus no ventre materno, o aborto provocado é crime praticado contra uma vida inocente e indefesa.

O movimento feminista prega a mulher usar o corpo como dela, mas seu corpo é de Deus, que a criou.

Existem muitos casos em que a sociedade alega razões sem respaldo bíblico.

Com exceção do caso em que a vida não é totalmente desenvolvida do bebê, como os anencéfalos (sem cérebro), constituindo uma grande ameaça (morte) para a vida plenamente desenvolvida da mãe, tudo possível ao Deus de milagres, não há motivo justificável na Bíblia.(Ex.21:22;Jó.3:16;Sl.139:13).

Quem não tiver umbigo, que se habilite.

e) Planejamento Familiar-Ter ou não filhos, não é questão meramente biológica, mas que envolve fé, amor e obediência aos princípios de Deus para a família.

Filhos são bênçãos do Senhor (SI.127:3-5;128:3,4) e não devem ser evitados por razões egoísticas e utilitaristas.

A limitação de filhos por vaidade é pecado; contudo, dependendo da vontade de Deus, a possibilidade do cuidado com os filhos(1Tm.5:8) deve ser observado.

Ser irresponsável é ignorância e precisamos reter o bem (1Ts.5:21).

O potencial do casamento é a paternidade que deve ser observada(responsável).

Para usar o controle hormonal em problemas nos ovários à controle médico, medicação especializada deve ser consultada. OREM.

 

f) Sexualidade: Deus diferenciou macho e fêmea para seus propósitos e a sexualidade era normal.

A estrutura fisica-emocional e instinto sexual para a reprodução é propósito de Deus no casamento.

O sexo foi feito por Deus, mas a intimidade e interação sexual é privativa dos casados.

A satisfação amorosa é incentivada.

A lua-de-mel no A.T. durava 1 ano(Dt.24:5). O sexo deve ser exclusivo, monogâmico, alegre, natural e santo(sem aberrações ou bestialidades,etc.).

O relacionamento envolve também a Deus que o ordenou; não é algo apenas biológico ou psicológico.

Fornicação (envolve solteiros-Ap.21:8;Gl.5:19; 1Co.6:18)

Adúlteros (casados-Mt.5:27;Mc.10:9;Rm.13:9;Pv.5:1-5);

Prostituição (práticas pecaminosas sexuais – Dt.23;17; Pv.7:4-10; 1Co.6:15-18);

HomossexuaIismo (envolvendo pessoas de mesmo sexo-Lv.20:13; 18:22; Dt.23:17,18; Gn.19:5; Dt.23:17;1Co.6:9,10);

Masturbação(pecado por contrariar plano de Deus, egoísta e fantasioso)-não serão salvos se continuarem com a falta de santidade (Gn.38:9).

 

g) Divórcio: O divórcio primordialmente não tem aprovação de Deus, sendo apenas permitido em casos extremos. (Os.5:1-7).

No A.T., o divórcio poderia ser pedido por motivos banais, a não ser por causa de virgem deflorada e mulher falsamente acusada de traição.

O propósito da criação de dois sexos é a solidariedade, estabilidade e felicidade da raça humana, sendo os dois, uma só carne.

Mas há casos, em que a convivência se torna uma verdadeira escravidão.

Não deve partir do fiel a iniciativa da separação, mas se o cônjuge quiser, será feito.

Somente pela infidelidade conjugal (sexual e moraI, prostituição e adultério, é que o divórcio é aplicado, quando há grande desarmonia sem possibilidade de reconciliar.

Cada caso é específico e não adianta estar”casado”sem amor.

h) Pena de Morte: Todos morremos; a vida é um dom divino que somente a Ele cabe conceder ou suprimir, sem que se configure crime.(Gn.20:13;Ex.21:12-16;Mt.5:17-22;Rm.13:1-4)

No tempo de Noé a pena de morte foi vista como forma de frear a violência da civilização, mas na lei de Moisés ela foi regulamentada e ampliada.

Nos Evangelhos, não houve suavização, tanto que Jesus se submeteu a ela, cumprindo toda a Lei.

Na frase”não matarás”,no original, trata-se de uma morte premeditada,deliberada, proposital e dolorosa.

Na Bíblia ela é tratada (Mt. 5:21 ,22).Jesus ministrava ensinos de amor, justiça e paz como regra geral para seus seguidores.

Ananias e Safira morreram pela aplicação da Pena Capital por Deus.

Nas epístolas, quem resiste à autoridade, poderá morrer(Rm.13:1-4;Ec.8:11 ;ls.26:9-10).

No princípio não existia argumento bíblico contra pena de morte ,aplicada em crimes sexuais,violentos e barbárie,mas existiam penas alternativas.

Em casos extremos ela poderia ser moralmente permitida, mas não é ideal de Jesus Cristo.

Nossa justiça deve ser temperada de amor; o ladrão da pena de morte, no fim de sua vida, se converteu e jesus o salvou na cruz, loevando-o ao paraíso. (é preferível a prisão perpétua.)

i) Eutanásia/Suicídio-O término da vida provocado pelo homem deve basear-se nas Escrituras.(1Sm.2:6; Jó:2:7-10; Pv.31:6) – A concessão da vida é de seu proprietário(Deus).

Não é de competência do homem decidir o momento da vida ser extinta.

O conceito da misericórdia dado à Eutanásia é equivocado porque implica em prestar socorro até o fim. Desistir da vida é não crer nos valores eternos.

O suicídio é condenado porque é assassinato de um ser à imagem de Deus (Gn.1:17; Ex.20:1 3;Jo.10:10): devemos nos amar (Mt.22:39;Ef.5:29); é falta de confiar em Deus(Rm.8:38-39); devemos lançar em Deus e não na morte, nossa confiança (1Jo.1:7 e 1 Pe.5:7). Nosso corpo é propriedade de Deus.

j) Doação de Órgãos-(Mt.7:12;Lc.6:38;At.20:35;1 Co.1 5:35-42;At.20:35)

A doação de órgãos é um ato de amor e de solidariedade;o cristão deve estar sempre atento para a sua consciência,em parâmetros bíblicos para andar na reta justiça.

Muitos argumentam receio de comercialização, discriminação social, integridade do corpo, esperança de milagre ou preocupação com a ressurreição para não doarem.

Doação de órgãos em vida, como no caso de transfusão de sangue ou transplante de rins não deve ser objeto de reprovação, com ressalvas à consciência.

No caso de órgãos de falecidos, deve-se respeitar sua vontade e à da família. Na ressurreição não há problemas-corpo é glorioso(Fp.3:21).

Deus pode distinguir e manter separados dos outros corpos as partículas do pó de cada pessoa,sem mistura.(Ez.37:7-10).

k) Finanças-(1 Cr.29:12-14; 1Tm.6:9-10)-O cristão, como filho de Deus, recebe coisas, inclusive o dinheiro, que deve ser utilizado de maneira correta, sensata e temente a Deus para a Glória de seu nome. Temos que ser equilibrados, ganhando com práticas honestas e fugindo das práticas ilícitas.

E lícito desfrutarmos dos benefícios que o dinheiro traz, mas não apegarmos à cobiça a qualquer custo para conseguir dinheiro.

Podemos usar o dinheiro para dízimos, ofertas, no lar, no trabalho e em lazer.

Evitemos dívidas fora do alcance, procurando comprar à vista, fugindo dos fiadores, pagando impostos e pagando justo salários como patrões.

Avareza é idolatria; não se pode”comprar a Deus”com o dízimo.

Além disso, deve-se haver economia doméstica, com liberdade moral e responsável, evitando conflitos, pois o dinheiro é de uso do casal.

l) Vícios-(Pv.23:31-32:Is.5:11,12:28:1-7)-Os vícios não transformam, levando à compulsão e ilusão, perdendo o senso da responsabilidade.

m) Política-(Rm.8:17;Hb.11:13;Pv.28:12,28)-Como cidadãos do Céu, temos o representante legítimo, o Espírito Santo.

O aprisco do Senhor não é curral eleitoral. Como cidadãos da terra, precisamos influir nos destinos da nação.

A política exerce influência em todas as áreas da vida; mesmo que o crente não seja militante, deve se informar, orar pelos eleitos e exercer sua cidadania, consciente de seus direitos e deveres.

Devemos votar, mostrando a diferença como sal e luz (Mt.5:13,14), orando antes(Rm.14:23);não vendendo o voto, preferindo candidatos cristãos(com perfil do Reino), tendo exemplo de políticos sábios, como Daniel, José do Egito, Neemias.

Mas há maus evangélicos.

O Púlpito não deve ser usado para comício.

A igreja (lnstituição) não pode se envolver.

A política divide as pessoas.

Precisamos combatera impiedade de projetos de leis de homens malignos. (Haja discernimento.)

9) UMA CARTA FINAL PARA VOCÊ ENTENDERO SENTIDO DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO:

Jesus pregava reino de cura (Mt.4:23 e Mt. 9:35)
O Evangelho de cura e ressurreição (Mt.11:5)

sendo pregado no mundo para testemunho (Mt.24:14)

mas João Batista foi preso por pregá-lo. (Mc.1:14)
Necessita de fé e arrependimento (Mc.1:15)

e quem negar-se por Jesus e Evangelho, se salva (Mc.8:35)
O Amor deve ser maior que à família. (Mc.10:29)

 fomos mandados ir e pregar evangelho (Mc.16:15)
Espírito Santo nos unge para evangelizar (Lc.4:18)

 como Jesus e os doze discípulos pregavam. (Lc.8:1)
Muitos judeus desafiavam Jesus (Lc.20:1)

 mas nossa vida deve ser vivida para Deus (At.20:24)
Não devemos nos envergonhar do Evangelho (Rm.1:16)

pois um dia, Deus julgará os homens (Rm.2:16)
Pregamos,mas nem todos obedecem. (Rm.10:15-16)

judeus serão chamados à salvação (Rm.11:27-28)
Temos que ser agradáveis aos outros (Rm.15:16)

e o Espírito Santo fará sinais e prodígios (Rm.15:19)
Temos que nos esforçar no evangelho (Rm.15:20)

 e seremos abençoados no Evangelho (Rm.15:29)
Cristo nos revelará seus mistérios (Rm.16:25)

O Evangelho é real e não apenas palavras (1 Co.1:17)
Cristo nasce em nós,no evangelho (1 Co.4:15)

 e Deus cobrará dos que não anunciam. (1 Co.9:16)
Não podemos abusar do evangelho (1 Co.9:18)

 e quem não conhece, está perdido (2 Co.4:2)
Os incrédulos são cegos pelo diabo (2 Co.4:3)

 os irmãos louvam em várias igrejas (2 Co.8:18)
A Prova de nossa submissão é o dar-se, (2 Co.9:13)

 agindo até os nossos limites (2 Co.10:14)

 em lugares que outros não foram. (2 Co.10:16)
Somente o Jesus da Bíblia (2 Co.11:4)

deve ser anunciado de graça (2 Co.11:7)
não mudado depressa para outro evangelho (Gl.1:7);

mesmo anunciado por um anjo ou espírito (Gl.1:8-9)

 O Evangelho não é criação de homens (Gl.1:11)
pois fomos revelados (Gl.2:2)
permanecemos na verdade (Gl.2:5)
que Deus justifica pela fé aos homens (Gl.3:8)

 Mesmo com nossas fraquezas, (Gl. 4:13)
ouvimos, cremos e receberemos o E.Santo (Ef.1:13)

 onde Deus nos traz a sua Paz (Ef.2:17)
Somos participantes da promessa (Ef.3:6)
como santos nas riquezas (Ef.3:8)
sendo sacerdotes nas igrejas (Ef.4:11)
preparados para falar dessa paz. (Ef.6:15)

Abrimos a boca e falamos mistérios (Ef.6:19)
cooperando desde o início até agora (Fp.1:5)
amando os outros no coração (Fp.1:7)
onde tudo coopera para o proveito (Fp.1:12)

 Por amor, defendemos o evangelho (Fp. 1:17)

animados e dignos de ânimo e fé (Fp.1:27)
com experiência, como filhos ao Pai (Fp.2:22)

 Homens/mulheres escritos no livro da vida(Fp.4:3)
têm esta esperança nos céus (Cl.1:5)
ficando firmes na fé (Cl.1:23)
no evangelho de poder e muita certeza, (1 Ts.1:5)

 Combatemos erros, mesmo sofrendo (1 Ts. 2:2)
agradando somente a Deus (1 Ts.2:4)
comunicando com alegria (1 Ts. 2:8)
não sendo pesado a ninguém. (1 Ts.2:9)

 Confortamos as pessoas na fé (1 Ts.3:2)
avisando aos desobedientes (2 Ts.1:8)
que para alcançar a glória de Deus (2 Ts. 2:14)
e ser bem-aventurado, confiando. (1 Tm.1:11)

 Não devo me envergonhar de Jesus (2 Tm.1:8)
pois Ele venceu a morte e deu vida (2 Tm.1:10)

 ressuscitando, conforme o evangelho. (2 Tm. 2:8)
Temos que cumprir a obra de Jesus (2 Tm. 4:5)
querendo e servindo (Fm.1:3)
pois nos foi revelado e não aos anjos (1 Pe.1:12)
sabendo que o evangelho é eterno. (1 Pe.1:25)
Éramos mortos e recebemos apalavra, (1 Pe.4:6)
pois breve os desobedientes serão julgados (1 Pe. 4:17)

 quando o juízo de Deus chegar. (Ap.14:6-7)
Jesus amou o moço rico (Mc.10:21)
enviado por Deus que amou o mundo (Jo. 3:16)

e amou os seus até o fim na cruz. (Jo.13:1)
Disse que amava os seus como o Pai (Jo.15:9)

 que ama o que crer em Cristo (Jo.16:27)
fazendo-nos mais que vencedores (Rm.8:37)
Sejamos “crucificados” em amor (Gl.2:20)

neste Deus riquíssimo de misericórdia (Ef.2:4)
andando em suave amor como Jesus (Ef.5:2).
Jesus nos elege para a salvação;(2 Ts.2:13)

 e nos deu boa esperança de graça (2 Ts.2:16)
Deus corrige o que ama e quer bem (Hb.12:6)
e Ele mandou Jesus morrer por nós. (1 Jo.4:10)
nos exige que nos amemos uns aos outros (1 Jo.4:11)
pois nos amou primeiro, antes que nós (1 Jo.4:19)

 Jesus:fiel testemunha e primogênito (Ap.1:5)
quer que sejamos zelosos e arrependidos (Ap. 3:19)
Deus tem algo preparado para nossas vidas (Mt. 3:3)

 tendo que ser batizados e beber seu cálice (Mt. 20:23)
dignos de sua boda (nupcias) com a igreja (Mt. 22:8)
Tenhamos a unção da luz em nossas vidas (Mt.25:10)

para possuirmos a nossa herança preparada (Mt.25:34)
cujos desobedientes malditos não receberão (Mt.25:41)

Jesus se preparou para morrer, ungido (Mt.26:12)
e antes, preparou a páscoa com os discípulos (Mt. 26:17)

 depois, sendo acusado pelos religiosos (Mt.27:62)
Deus pedirá nossa alma a qualquer tempo (Lc.12:20)

 pois tudo já está preparado para a festa (Lc.14:1)
e o Senhor nos foi preparar lugar (Jo.14:2)
Ele virá brevemente para nos buscar para si (Jo.14:3)
pois é o nosso rei e rei dos judeus, também. (Jo.19:4)
mas o crucificaram com 2 ladrões no sábado. (Jo. 19:31)
jesus foi sepultado,mas ressuscitou. (Jo. 19:42).
Pedro entendeu que ninguém é indigno (At.10:10)

 mas Deus suporta os que o rejeitam, ainda. (Rm.9:22)

 glorificando mais tarde, os obedientes. (Rm. 9:23)
Deus nos preparou o que não conhecemos (1 Co.2:9)

mas temos que nos preparar para a batalha (1 Co. 14:8)

 preparados pelo Espírito Santo que nos rege. (2 Co.5:5)
Somos como uma virgem pura para Cristo (2 Co.11:2)

 criados por Jesus para praticarmos boas obras (Ef.2:10)

 santificados, purificados e idôneos para Deus (2 Tm.2:21)
Assim, nos sujeitemos aos líderes e mestres (Tito 3:1)

 orando sempre em união conjunta (Fm.1:22)

 como a tenda de Deus no Antigo Testamento (Hb.9:22)
Esses sacrifícios eram preparados para Deus (Hb.9:6)

 mas Deus não quer mais sacrifícios de animais (Hb.10:5)

 mas preparou a arca, Jesus, de Salvação e fé (Heb.11:7)
O Senhor preparou uma cidade celestial (Hb. 11:16)
essa é a razão da esperança que há em nós (1 Pe.3: 15)
mas os que forem rebeldes não se salvarão. (1 Pe.3:20)
pois todos os mortos serão julgados (1 Pe.4:5)

 Jesus nasceu para nos salvar dos pecados (Mt. 1:21)
mas precisamos confessar e sermos batizados (Mt.3:6)
para que nossos pecados sejam perdoados (Mt. 9:2)
pois o mais fácil é Jesus nos perdoar (Mt.9:5)

 Ele chama pecadores ao arrependimento (Mt.9:13)
seu sangue derramado nos redime dos pecados (Mt.26:28)

 mas não podemos nos envergonhar dEle (Mc.8:38)
Jesus morreu e ressuscitou ao terceiro dia (Lc.24:7)
seu nome se prega o perdão e arrependimento (Lc.24:4)
como Cordeiro de Deus que tira o pecado (Jo. 1:29)
e quem não crer, morrerá nos pecados (Jo. 8:24)

 Quem ouve o Evangelho, não tem desculpas (Jo.15:22)
O Espírito Santo convence do pecado,justiça e juizo (Jo.16:8)
e quem se converte o pecado é perdoado (At.3:19)
pois ninguém é justo pelas obras praticadas. (Rm.3:20)

 Devemos”morrer”para o pecado (Rm.6:11)
obedecer à doutrina que nos foi dada a saber (Rm.6: 1 )
pois o salário do pecado é morte para almas (Rm.6:23)
e o pecado guerreia dentro de minha carne. (Rm.7:23)

 Confessamos o Senhor e fomos salvos (Rm.10:9)
assim, louvemos ao Senhor na Igreja (Hb.2:12)
não deixando de vir à Igreja (Hb.10:25)
lembrando sempre dos pastores (Hb.13:7)

 Assim, recebamos a Palavra exortada (Hb.13:22)
não apenas como ouvintes, mas cumprindo (Tg.1:23)
tendo novo nascimento pela Palavra ouvida (1 Pe.1:23)
poiso que recebemos de Deus é eternidade. (1 Pe.1:25)

 Viver agradável a Deus é o culto Racional (Rm. 12:2)

 LEMBRETE_FINAL: (Ap.22:18);

Por Darlan Lima, Alexandre Arcanjo e Orlando Nascimento.

I Parte (clique aqui)

Teologia Sistemática (Parte I)

1 Comentário


Estamos vivendo tempos de fome espiritual, onde heresias têm procurado se instalar no seio da Igreja; Deus levantou o projeto para um grande avivamento espiritual.

Não basta apenas termos talentos naturais ou compreensão das conseqüências das crises que o mundo atravessa.

Precisamos, exercer influências com nosso testemunho perante os que dispomos a ensinar a Palavra de Deus.

Esse treinamento da Doutrina Sistemática é muito importante porque nos dará ampla visão da teologia Divina, atrairá futuros líderes ao aprendizado e criará um ambiente mais espiritual na nossa Igreja (Koinonia).

Aprendizados errados geram desastres e resistência à Obra de Deus.

Somente o correto de forma correta leva ao sucesso, na consciência e submissão ao Espírito Santo que rege a igreja. Temos que combinar estratégias de ensino com o nosso caráter revelado em nossas vidas; devemos incentivar a confiança dos alunos na Escritura, com coerência e potencial.

Temos capacidade, em Deus, de mudarmos o mundo, começando do mundo interior das consciências humanas dos alunos, que se tornarão futuros evangelizadores capacitados na Palavra de Deus.

Professor: Tome esta certa decisão: Estude, antes, o material, reúna seus alunos, apresente os planos de aula, dê um tempo para refletirem, divulgue a doutrina, em conjunto, como facilitador do processo educacional, tranqüilize e encoraje os outros a fazerem parte de novas turmas.

Não preguemos a verdade para ferirmos os outros ou para destruir, mas para ajudar e corrigir as almas, com amor, esperando que Deus lhes conceda o entendimento do Reino dos Céus.

Como facilitador da visão de ensino, conheça os quatro pilares da Educação:

 

1) Aprender a Conhecer: - Tenha a humildade de saber que não sabes tudo; Seja competente, compreensivo, útil, atento, memorizador e informe o assunto de forma contextualizada com a realidade atual.

 

2) Aprender a fazer: - Seja preparado para ministrar as aulas, conhecendo a matéria previamente, estimulando a criatividade dos alunos, preparando-os para a tarefa determinada de Jesus de serem discípulos.

 

3) Aprender a Viver juntos: - Estimule a descoberta mútua entre os alunos da Palavra de Deus, em forma de solidariedade, cooperativismo, promovendo autoconhecimento e auto-estima entre os alunos, na solidariedade da compreensão mútua; o objetivo do curso não é apenas ter conhecimento, mas “ser cristão”.

 

4) Aprender a Ser: - Resgate a visão holística (completa) e integral dos alunos, preparando-os para integrarem corpo, alma e espírito com sensibilidade, ética, responsabilidade social e espiritualidade, formando juízo de valores, levando-os a aprenderem a decidir por si mesmos, com a ajuda do Espírito Santo.

Lembrem-se de que a primeira impressão é a que fica marcada na consciência. Temos que ser perceptivos, hábeis para lidar com as dúvidas, sem agressões, procurando soluções com base bíblicas sem fundamentalismo de usar textos sem contextos por pretextos de posicionamentos individuais.

Estimule os alunos, com liberdade de pensamento para terem respostas.

Torne comum a mensagem, filtrando os resultados no bom-senso.

Seja amável, compreensivo, sincero, sem ter uma visão exclusivista do seu ponto de vista, em detrimento da Palavra de Deus, que sempre é o referencial.

 

São 14 (catorze) lições, apresentadas de forma sistemática, visando levar os alunos a aprenderem e vislumbrarem a verdade do Evangelho.

São lições a serem ministradas a novos-convertidos, membros e até mesmo a leigos e não-crentes.

Que este estudo te ajude a crescer o número de salvos em qualidade, para que as pessoas possam construir as suas vidas em Jesus, aplicando a Palavra de Deus, restaurando suas vidas espirituais e buscando viver de modo semelhante ao de nosso Senhor Jesus Cristo.

Agradecemos a Deus, aos amados Líderes e aos alunos por seu interesse.

Deus vos abençoe.

Darlan Lima, Alexandre Arcanjo (Evangelistas)

Orlando Nascimento (Cooperador)

Referências pastorais:

Nosso Pastor: (Pr. Jecér Góes) – prjecergoes@ministeriocanaa.com.br

AULA 1 – DOUTRINA

1) CONCEITO DE DOUTRINA:

Doutrinar é ensinar as verdades fundamentais da Bíblia, organizadamente.

É o conjunto de princípios que servem de base ao cristianismo, compreendendo desde o ensinamento, pregação, opinião das lideranças religiosas, desde que embasadas em Textos de obras Bíblicas escritas, como Regra de fé, preceito de comportamento e norma de conduta social, referente a Deus, a Jesus, ao Espírito Santo e Salvação.

 

2) CONCEITO DE DOUTRINA NO ANTIGO TESTAMENTO:

 

Doutrina (hebraico ”xql Ieqach”) - (Dt. 32:2; Pv.4:2; Pv.9:9; Pv. 13:14) – ensinamento, ensino, percepção, capacidade de persuasão. Palavra proveniente de laqach, que significa tomar, pegar, buscar, segurar, apanhar, receber, adquirir, comprar, trazer, casar, tomar esposa, arrebatar, tirar, carregar embora, tomar em casamento.

A doutrina escorrerá suavemente em todos os lugares. Além disso, é uma boa lei que dá instrução ao sábio e ensina aos justos uma fonte de vida e como se desviar dos laços da morte.

 

Doutrina (hebraico ”hrwt towrah ou hrt torah) – (Is. 28:9; Is.29:24) – lei, orientação, instrução, orientação (humana ou divina), conjunto de ensino profético na era messiânica de orientações ou instruções sacerdotais legais, referente aos costumes e hábitos.

Palavra oriunda de yarah que significa lançar, atirar, jogar, derramar, como lançar flechas, jogar água, atirar, apontar, mostrar, dirigir, ensinar, instruir.(Ter uma direção definida).

Ela dá entendimento aos errados de espírito e é um aprendizado aos murmuradores.

 

3) CONCEITO DE DOUTRINA NO NOVO TESTAMENTO:

 

Doutrina (grego “didach didache”) - (Mc. 1:22; Lc. 4:32; At.2:42; Rm. 6:17) ensino, doutrina, instrução nas assembléias religiosas dos cristãos, fazer uso do discurso como meio de ensinar, em distinção de outros modos de falar em público.

Palavra oriunda de didasko, significando conversar com outros a fim de instruí-los, pronunciar discursos didáticos; desempenhar o ofício de professor conduzir-se a dar instrução, explicar ou expor algo a alguém.

 

Doutrina (grego “didaskalia didaskalia”) - (1 Tm.4:6; 1 Tm.4:16; 1 Tm.6:1; Tt.2:1;Tt.2:10) – ensino, instrução, preceitos; palavra oriunda de didaskalos - No NT, alguém que ensina a respeito das coisas de Deus, e dos deveres do homem; como os mestres da religião judaica, que pelo seu imenso poder como mestres atraem multidões, como João Batista.

Jesus, pela sua autoridade, refere-se a si mesmo como aquele que mostrou aos homens o caminho da salvação e como os apóstolos e Paulo, que, nas assembléias religiosas dos cristãos, encarregavam-se de ensinar, assistidos pelo Santo Espírito contra os falsos mestres entre os cristãos.

 

 

Doutrina (grego “logov logos”) - (Hb. 6:1) – Ato da palavra, proferida a viva voz, que expressa uma concepção ou idéia dos ditos de Deus, envolvendo seus decretos, mandatos ou ordens dos preceitos morais dados por Deus, como as profecias do Antigo Testamento dadas pelos profetas, bem como narrativas de assuntos em discussão, com respeito à MENTE em si, razão, a faculdade mental do pensamento, meditação e raciocínio.

Em João, denota a essencial Palavra de Deus, Jesus Cristo, a sabedoria e poder pessoais em união com Deus. Denota seu ministro na criação e governo do universo, a causa de toda a vida do mundo, tanto física quanto ética, que para a obtenção da salvação do ser humano, revestiu-se da natureza humana na pessoa de Jesus, o Messias, a 2ª pessoa na Trindade, anunciado visivelmente através suas palavras e obras.

Este termo era familiar para os judeus e na sua literatura muito antes que um filósofo grego chamado Heráclito fizesse uso do termo Logos, por volta de 600 a.C., para designar a razão ou plano divino que coordena um universo em constante mudança. 

Era palavra apropriada para o objetivo de João 1:1. Quem prega outro Jesus, irá sofrer (2 Co.11:4)

4) CARACTERÍSTICAS DA DOUTRINA DE CRISTO:

O bom Ministro é o criado na fé e na Doutrina (1Tm.4:6)

A)Expulsa os espíritos malignos, pois é vinda de Deus (Jo.7:16);

B)Pode ser provada como verdadeira (Jo.7:17);

C)Deve ser perseverada (At.2:42);

D)Deve ser obedecida de coração (Rm.6: 17);

E)Tem mesmo valor que revelação,ciência e profecia (1Co.14:6) e interpretação de língua(1Co.14:26);

F)Temos que cuidar dela para nossa salvação(1Tm.4:16);

G)Indica modo de vida na fé (2Tm.3:10);

H)Convence contradizentes (Tt.1:9);

I)Deve ter incorrupção,seriedade e sinceridade (Tt.2:7), levando à perfeição em Cristo (Hb.6:1).

5) QUANTO ÀS FALSAS DOUTRINAS DA ÉPOCA DE JESUS CRISTO E O ALERTA À IGREJA CRISTÃ:

Os judeus se maravilhavam da doutrina de Jesus pois Ele ensinava com autoridade, mas eram advertidos contra a doutrina dos Fariseus e dos Saduceus: Mas quem ultrapassa a doutrina, não tem Deus (2 Jo.1:9-10).

DOUTRINA DOS FARISEUS(grego “farisaiov Pharisaios”) = Chamados Separados -  Reconheciam na tradição oral um padrão de fé e vida.

Procuravam reconhecimento e mérito pela observância externa de ritos e formas de piedade,como lavagens cerimoniais,jejuns,orações e esmolas.Mas negligenciavam a genuína piedade,orgulhavam-se em suas boas obras.

Mantinham de forma persistente a fé na existência de anjos bons e maus, e na vinda do Messias; e tinham esperança de que os mortos, após uma experiência preliminar de recompensa ou penalidade no Hades, seriam novamente chamados à vida por ele, e seriam recompensados, cada um de acordo com suas obras individuais.

Em oposição à dominação de Herodes e do governo romano, eles de forma decisiva sustentavam a teocracia e a causa do seu país, e tinham grande influência entre o povo comum.

De acordo com Josefo, eram mais de 6000.

Eram inimigos de Jesus e sua causa; foram, por outro lado, duramente repreendidos por ele por causa da sua avareza, ambição, confiança vazia nas obras externas, e aparência de piedade a fim de ganhar popularidade.

DOUTRINA DOS SADUCEUS(grego “saddoukaiov Saddoukaios”) = Chamados Justos – Partido religioso judeu da época de Cristo, que negava que a lei oral fosse revelação de Deus aos israelitas, e que cria que somente a lei escrita era obrigatória para a nação como autoridade divina. Negavam a ressurreição do corpo, a imortalidade da alma, a existência de espíritos e anjos, mas afirmavam o livre arbítrio.

OBS:Outro Evangelho, mesmo dito por um anjo, seja maldito (Gl.1:6-9).

Doutrina(qrego “eterodidaskalew heterodidaskaleo” ) – 1Tm.1:3 – Ensino de outra ou diferente doutrina, desviando-se da verdade.

Há os que provocam divisões e escândalos em desacordo com a doutrina (Rm.16:17), inventando ventos de doutrinas errôneas (Ef.4:14),sendo impuros mentirosos (1Tm.1:10).Se alguém ensina outra doutrina diferente da Palavra, seja maldito (1Tm.6:3-4).Temos que repreender, usando a doutrina pois não a suportarão (2 Tm.4:2-3).

 

6) NECESSIDADE DA DOUTRINA:

 A) Verdade precisa (opinião final):Todas as pessoas tem uma teologia e os seus atos demonstram suas crenças, pois a vida humana é uma viagem e as pessoas precisam estar certas do que Deus lhes planejou.Pode-se teólogo sem ser religioso e ser religioso, sem o conhecimento teológico da doutrina.

B) Essencial para desenvolver o caráter cristão: Sem uma crença firme e bem definida,que é parte da religião,não haverá crescimento correto, pois podemos viver a vida dita cristã, sem conhecer a doutrina;mas não haverá experiências cristãs.

C) Abrigo contra mentira e erros de interpretação: Deus é eterno; homens ignorantes criaram conceitos errôneos,originando males na consciência e as Doutrinas bíblicas expulsam falsas idéias que conduzem os homens para a cegueira e perdição.

D) Necessária para ensinar a Palavra Divina: A Bíblia fala de muitas verdades espalhadas nos seus diversos livros, obedecendo o tema:JESUS. É necessário relacionar os diversos temas e organizá-los de maneira a facilitar o seu estudo.

A doutrina estuda a fé Cristã, sobre a verdade da realidade espiritual, única, envolvendo a existência de Deus, a possibilidade dos milagres, a confiabilidade das escrituras, a divindade de Cristo, a encarnação de Deus em Cristo e a verdade da Bíblia como a Palavra de Deus genuína.

 

7) DOUTRINA E TEOLOGIA:

 

TEOLOGIA - Estudo das questões referentes ao conhecimento da divindade, de seus atributos e relações com o mundo e com os homens, e à verdade religiosa, expressa na doutrina de Cristo, que como já dissemos, ensina as verdades fundamentais da Bíblia,organizadamente.

Teologia é o estudo racional dos textos sagrados, dos dogmas e das tradições do cristianismo, geralmente ministrados em cursos ou faculdades, formando os teólogos. É a ciência que trata do nosso conhecimento de Deus e das relações com o homem; ciência, pois organiza em seqüência lógica,fatos comprovados, podendo aplicar na religião.

Visa entender a revelação,fé e tradição na atual prosperidade,exorcismo e curas.

8) ÁREAS DE ESTUDO DA TEOLOGIA:

 

a) Teologia Fundamental - Analisa a realidade cristã da auto-manifestação de Deus, sua plenitude e o plano da Salvação por Jesus Cristo. Explica a razão do mistério, a liberdade e a necessidade que temos de conhecer esse plano, querendo ou não termos compromisso com Deus.

Fala sobre o que é teologia e sobre as condições básicas que possibilitam a fé num contexto sócio-histórico e cultural.

b)Teologia Bíblica - Estuda a introdução a geral da Bíblia, com estudo dos livros do Antigo e Novo testamento, falando sobre a história do povo de Deus e reflete temas gerais, familiarizando os alunos com termos bíblicos e as línguas bíblicas, como hebraico e grego.

Usa a “exegese”-que analisa criticamente o texto, desde a seleção do texto, sua estrutura gramatical, sua mensagem e tema central para hoje “hermenêutica”, aplicando a mensagem para hoje.

c)TeoIogia Moral - Visa refletir sobre a resposta concreta que o cristão dá a Deus nos diversos âmbitos de sua existência seja pessoal, interpessoal, comunitária, social, familiar e política., analisando as bases e os critérios de como o cristão deve agir e sobre temas globais como sexualidade, ética e ecologia, política, globalização, etc.

d)Teologia Sistemática ou Dogmática - Compreende uma série de disciplinas estudadas pela igreja, como cristologia (Jesus), eclesiologia (igreja), trindade, antropologia teológica (vendo o homem quanto à criação, pecado, graça e salvação), escatologia (últimas coisas) e Heresiologias (Seitas e Heresias).

Ademais, não se ocupa em repetir dogmas, que são declarações de fé do que as pessoas crêem., tenta entender a vida, e refletir a real e pura fé cristã.

e) História da Igreja - Visa conhecer uma visão panorâmica das grandes fases da história universal, as relações da igreja cristã com o mundo, os conflitos de mentalidades, idéias e movimentos sociais e as idéias e eventos do passado que repercutem hoje em dia.

Compreende desde a história antiga, medieval, moderna, contemporânea e atual.

f) Espiritualidade - Envolve não apenas disciplinas teológicas, mas dimensões da vida cristã como fé, louvor, reino de Deus, o seguimento a Jesus e outros temas, como cruz, esperança, caridade, piedade, liberdade cristã.

g)Outros – (Patrologia:Estudo dos pensadores cristãos até o século V; Teologia Pastoral, Teologia das Religiões, Homilética (Arte de pregar).

Religiosidade Popular (tradições culturais),Aconselhamento Pessoal e Missões.

9) DOUTRINA E RELIGIÃO:

Religião(qrego “deisidaimonia deisidaimonia”) –  (At.25:19) – Em um bom sentido, reverência a Deus ou aos deuses,dependendo do culto, num sentido piedoso, religioso; e num mau sentido, a superstição.

Religião(qrego “yrhskeia threskeia”) - (At.26:5; Tg.1:26-27) – Adoração religiosa externa; aquilo que consiste de cerimônias com disciplina religiosa.A religião deveria significar adoração a Deus, mas adorava também a falsos deuses, como cumprimento da obrigação de alguém.

O problema era haver o cumprimento de obrigações de todos os tipos, tanto para com Deus como para com as pessoas, não significando qualquer tipo de adoração correta a Deus.

Havia também, o adorador ansioso e escrupuloso, que cuidava para não mudar nada que deveria ser observado na adoração, e temeroso de ofender.

Significa devoto, e pode ser aplicado a um aderente de qualquer religião, sendo especialmente apropriado para descrever o melhor dos adoradores judaicos, adorando pelo elemento de medo.

Enfatiza fortemente as idéias de dependência e de ansiedade pelo favor divino.

Pode originar um medo sem fundamento, no sentido de supersticioso.

Existem pessoas religiosas de todos os lugares (At.2:5), mas precisam estar na graça de Deus (At.13:43) para não serem incitadas por falsos líderes contra a obra de Deus (At.13:50), numa religião de vãos falatórios, sem santidade e sem obras sociais (Tg.1:26-27).

O sagrado é uma experiência da presença de Deus, sobrenatural, na medida em que se realiza o impossível às forças e capacidades humanas.

Religião(Latim “religio=re+ligare”) - A religião tenta ser um vinculo entre o mundo profano e o mundo sagrado, operando em várias culturas, criando templos que se erguem aos céus como que querendo unir o espaço novo do sagrado (ar) com o consagrado (no solo).

A religião cria a idéia de um espaço sagrado, como que querendo unir a mitologia dos falsos deuses gregos do Olimpo com as montanhas do deserto do Sinai onde Deus se manifestou.

Enquanto que a religião pode ser apenas uma narrativa, um mito, uma fábula ilusória, a espiritualidade requer algo mais, a fé, que se expressa na confiança e plena adesão às verdades ouvidas.

OBSERVAÇÃO:

Enquanto que a religião externa uma forma de crer, a doutrina é uma crença racional, baseada na Palavra de Deus, onde fé e razão andam juntas.

A fé usa a razão é a razão não pode ser bem sucedida sem a fé, na descoberta da verdade.

A razão não pode produzir fé , mas a acompanha, pois a fé não vem de um questionamento, mas de Deus.

Contudo, a pessoa pode tentar compreender aquilo em que acredita, envolvendo a vontade de descobrir, por exemplo, a lógica de que Deus existe, se relaciona com as pessoas e que através da teologia, poderemos defender racionalmente, a verdade das coisas de Deus pela investigação escriturística da doutrina.

Defendamos nossa fé (1 Pe.3:15; 2 Co.10:4-5),combatendo as heresias (Fp.1:7; Jd.3; Jd.22; Tt.1:9; 2Tm.2:24-25).

COMPARATIVAS DE RELIGIÕES:

 

O QUE A BÍBLIA DIZ E QUE NÓS ACREDITAMOS:

 

Nome: Cristianismo Bíblico (NT-Bíblia Sagrada) (At.11:26); Fundador: Jesus Cristo, filho de Deus Bendito (1 Co.3:11); Mensagem: Jesus morreu p/salvar pecadores(1Co.15:3-8); Igreja: Formada por aqueles que são salvos (1 Co.1:2); Deus: É a Trindade – três pessoas em um Deus. (Mt.28:19; Jesus: 2ªpessoa da Trindade,filho de Deus-Pai(1Jo.5:11-14); Salvação: Pela Graça, através da Fé só em Jesus. (At.15:11); Ressurreição: Jesus subiu no corpo que morreu; (At.1:9); Escrituras: Bíblia- única Palavra de Deus (66 livros) (2 Tm.3:16).

 

Nome do grupo: Catolicismo Romano; Fundador: Jesus, sobre a pedra que é Pedro (considerado como primeiro Papa); Mensagem: Sacramentos, caridade, culto a Maria e aos “Santos”; Igreja: Os membros da Igreja Católica Apostólica Romana; Deus: Trindade três pessoas em um Deus; Jesus: Deus em carne. 2ª pessoa da Trindade; Salvação:Fora da Igreja Católica Apostólica Romana não há Salvação; Ressurreição  de Jesus: Sim; Escrituras:A Bíblia (+ 7 livros apócrifos) + a tradição (Dogmas).

Nome do grupo: Legião da Boa Vontade – LBV; Fundador: Alziro Zarur,04-03-1949. Mensagem: Assim como Jesus, todos poderão alcançar a perfeição após muitas reencarnações. Igreja: Todos são cristãos independentes da religião; Deus: Impessoal      ; Jesus:  Não é Deus nem teve corpo humano; Salvação: Através da caridade e reencarnações sucessivas; Ressurreição de Jesus: Não; Escrituras: Livros da LBV.

Nome do grupo: Espiritismo Kardecista; Fundador: Dr. Hippolyte Léon Denizard Rivail, vulgo Allan Kardec (1857); Mensagem: Assim como Jesus, todos poderão alcançar a perfeição após muitas reencarnações. Igreja: O Espiritismo é a Igreja restaurada e o Consolador prometido por Jesus;        Deus: Não é Pessoa; Jesus: Não é Deus nem teve corpo humano; Salvação: Através da caridade e  por reencarnações sucessivas; Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras: Livros de Allan Kardec e outros.

  

Nome do grupo: Testemunhas de Jeová; Fundador: Charles Taze Russell(1852-1916) Fundada em 1881; Mensagem: Jesus abriu a porta para conquistarmos nossa salvação; Igreja: 144.000 ungidos que irão para o céu. Deus: Jeová, que é uma só Pessoa; Jesus:Não é Deus; é o Arcanjo Miguel, a primeira e única criatura de Jeová. Salvação: Obedecendo as ordens da Sociedade Torre de Vigia; Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras: Bíblia deles (Tradução do Novo Mundo) + literaturas dos líderes.

Nome do grupo: Maçonaria; Fundador: Anderson e Desagulliers (Londres, 1717); Mensagem: Buscar o próprio aperfeiçoamento; Igreja: —; Deus: Impessoal como força superior; Jesus:Um grande mestre semelhante a Buda, Maomé, e etc. Salvação: “”Erguer templos à virtude e cavar masmorras aos vícios””; Ressurreição  de Jesus:Não; Escrituras: Rituais e manuais secretos.

  

Nome do grupo: Adventistas do Sétimo Dia; Fundador: Ellen Gould White(1860); Mensagem: Crer em Jesus e observar a Lei; Igreja: Somente os adventistas; Deus:Trindade três pessoas em um Deus; Jesus: Deus em carne. 2ª pessoa da Trindade; Salvação: Guardando o sábado e os mandamentos;  Ressurreição de Jesus:Sim; Escrituras: Bíblia e livros de Ellen White          

Nome do grupo: Mormonismo; Fundador: Joseph Smith (1805-1844) fundado em 1830; Mensagem: Alcançar a divindade pelas ordenanças do evangelho mórmon; Igreja: Membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Deus: Tríade 3 deuses; Jesus:Não é Deus. É irmão de Lúcifer e dos homens; Salvação: Salvação pelas boas obras da igreja mórmon; Ressurreição  de Jesus: Sim; Escrituras:A Bíblia, Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios, Pérola de Grande Valor.

Nome do grupo: Teosofia; Fundador: Madame Helena Blavatsky (1831-1891) fundada em 1875; Mensagem:Igreja: —; Deus: Deus é um princípio; Jesus: Um grande Mestre; Salvação:—Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras:A Doutrina Secreta, Isis sem Véu, A Chave para a Teosofia e A Voz do Silêncio.

Nome do grupo: Ciência Cristã; Fundador: Mary Baker Eddy (1821-1910); Mensagem: Crenças religiosas extraídas dos ensinos de Jesus. Rejeitam a expiação; Igreja: Uma coletânea de idéias espirituais           ; Deus: É uma presença Impessoal Universal; Jesus: Um homem afinado com a consciência divina; Salvação:Pensamento correto; Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras:Ciência e Saúde com Chave para as Escrituras, Miscelânea

Nome do grupo: Unitarismo; Fundador: Charles Filmore(1854-1948) fundado 1889; Mensagem: Os princípios gerais do Unitarismo; Igreja: Uma coleção de idéias espirituais; Deus: Força Universal Impessoal; Jesus:Um homem, não o Cristo; Salvação: Adotando a correta Unidade através de princípios; Ressurreição  de Jesus: Não; Escrituras: Revista Unitarista, Dicionário Bíblico de Metafísica

Nome do grupo: Moonismo; Fundador: Sun Myung Moon(1920); Mensagem: Moon é o Rei dos reis, e Senhor dos senhores, e o Cordeiro de Deus. Igreja: Igreja da Unificação; Deus: Deus é tanto positivo como negativo. Não há Trindade. Deus precisa de Moon para fazê-lo feliz; Jesus:Jesus foi um homem perfeito, não Deus. Jesus falhou em sua missão. Moon vai completar sua obra; Salvação:Obediência e aceitação dos verdadeiros pais (Moon e sua esposa); Ressurreição  de Jesus: Jesus não ressuscitou fisicamente; Escrituras:Princípio divino por Sun Myung Moon, Esboço do Princípio, Nível 4 e a Bíblia     

 

Nome do grupo: Cientologia; Fundador: Ron Hubbard(1954); Mensagem: Todos são “”thetans””, espíritos imortais com poderes ilimitados; Igreja: —      Deus: Rejeita o Deus revelado na Bíblia. Raramente mencionado. Jesus:Jesus não morreu pelos pecados de ninguém; Salvação:Salvação é a libertação da reencarnação. Ressurreição  de Jesus:— ; Escrituras: Dianética: A Ciência Moderna da Saúde Mental, e outros de Hubbard, e A Chave para a Felicidade.

Nome do grupo: Meninos de Deus; Fundador: Daniel Brandt Berg (1968); Mensagem: Desistir de tudo para seguir a Jesus. Já usaram a prostituição para atrair novos adeptos; Igreja: Família do Amor; Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, mas não Trindade          ; Jesus: Foi uma criação de Deus.        Salvação:—; Ressurreição  de Jesus: —; Escrituras: Cartas MO – cartas escritas por David “Moses” Berg. Mesmo nível de inspiração do Antigo e Novo Testamentos.

Nome do grupo: Nova Era; Fundador: —     Mensagem: Todos são deuses e só precisam se conscientizar disso; Igreja: —;  Deus: Deus é uma força impessoal ou princípio, não uma pessoa. Tudo e todos são Deus; Jesus: Não é o verdadeiro Deus nem Salvador, mas um mestre elevado; Salvação: O mau carma tem que ser compensado com bom carma; Ressurreição de Jesus:Jesus não ressuscitou fisicamente, mas subiu a um nível espiritual mais alto; Escrituras: Escritos I Ching, hindus, budistas, taoístas, crenças americanas nativas e magia em geral.

Nome do grupo: Hinduísmo; Fundador: —   Mensagem: O homem deve se conformar com sua condição para alcançar uma vida melhor na próxima encarnação            Igreja:Deus:        O Absoluto. Um espírito universal (Brahman). Vários deuses são manifestações dele; Jesus: É um mestre ou avatar   (uma encarnação de Vishnu). Ressurreição  de Jesus: Sua morte não foi expiatória; Salvação: Libertação dos ciclos de reencaranção, e absorção em Brahman alcançadas através da Yoga e meditação. Ressurreição  de Jesus: —; Escrituras: Vedas, Upanishads, Bhagavad Gita

  

Nome do grupo: Budismo       Fundador: Buda (Siddartha Gautama em 525 a.C.)Mensagem: O alvo da vida é o Nirvana para escapar do sofrimento  Igreja:Deus:Não existe. Buda é considerado por alguns como uma consciência universal iluminada   Jesus: —; Salvação: O Nirvana (inexistência) que pode ser alcançado seguindo-se o Caminho das Oito Vias; Ressurreição  de Jesus: —; Escrituras: A Tripitaka (Três Cestos),que têm mais de100 volumes    

Nome do grupo: Islamismo    Fundador: Maomé (610 d.C.)           Mensagem: Só Allah é Deus e Maomé o seu profeta; Igreja: —; Deus: Alá, um juiz severo. Não é descrito como amoroso    É um dentre mais de 124 mil profetas enviados por Deus a várias culturas. Jesus:Não é Deus, não foi crucificado, voltará para viver e morrer;  Salvação: O equilíbrio entre as boas e más obras determina o destino eterno no paraíso ou no inferno; Ressurreição  de Jesus:Não ressuscitou, porque não morreu. Escrituras: Corão e Hadith. A Bíblia é aceita, mas considerada corrompida.     

Nome do grupo: Judaísmo     Fundador: Deus (o Eterno), através de Abraão, formou o povo escolhido; Mensagem: O Eterno é o único Deus Igreja:Deus: O Eterno, chamado de Jeová ou Iavé; Jesus: Simples judeu Salvação: Obediência à Lei e aos Mandamentos; Ressurreição  de Jesus: Negam;  Escrituras: Tanach (o Velho Testamento), dividido em Lei, Profetas e Escritos   

Nome do grupo: Umbanda     Fundador:Mensagem: Solução de problemas imediatos com a ajuda dos espíritos. Igreja: —   Deus: Zambi é único, onipotente, irrepresentável, adorado sob vários nomes; Jesus: Oxalá novo. Salvação: Prática de caridade material e espiritual como meio de evolução cármica; Ressurreição  de Jesus:— Escrituras:Tradição oral .

 

Nome do grupo: Candomblé  Fundador: Primeiro templo erguido na Bahia, na primeira metade do século XIX; Mensagem: Dança religiosa de origem africana através da qual as pessoas homenageiam seus orixás; Igreja: —    Deus: Olodumarê, criador de todas as coisas, eterno e todo-poderoso; Jesus:Salvação: Ao morrer o candomblecista vai para o Orum (nove céus sob o comando de Iansã) Ressurreição  de Jesus:—; Escrituras:Tradição oral        

Nome do grupo: Ateísmo        Fundador:Mensagem: A evolução é um fato científico, portanto ética e moral são relativas   Igreja: —        Deus: Não há Deus ou diabo, uma vez que não podem ser provados cientificamente    Jesus:Jesus foi um mero homem; Salvação:Não há vida após a morte; Ressurreição  de Jesus: Não há ressurreição, pois não existem milagres; Escrituras:

 

AULA 2 – ESCRITURAS:

A Bíblia em si, recebe outros nomes como Palavra de Deus, Sagrada Escritura, Lei, Lei e os Profetas, Livro Sagrado, Sagradas Letras, Divina Revelação, etc.

1. OS ORIGINAIS

Grego, hebraico e aramaico foram os idiomas utilizados para escrever os originais das Escrituras Sagradas.

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas alguns poucos textos foram escritos em aramaico. O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, que era a língua mais utilizada na época.

Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de uma tradução confiável das Escrituras. Porém, não existe nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias.

Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam.

As edições do Antigo Testamento hebraico e do Novo Testamento grego se baseiam nas melhores e mais antigas cópias que existem e que foram encontradas graças às descobertas arqueológicas.

Para a tradução do Antigo Testamento, a Comissão de Tradução da SBB usa a Bíblia Stuttgartensia, publicada pela Sociedade Bíblica Alemã.

Já para o Novo Testamento é utilizado The Greek New Testament, editado pelas Sociedades Bíblicas Unidas.

Essas são as melhores edições dos textos hebraicos e gregos que existem hoje, disponíveis para tradutores.

2. O ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRAICO

Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus.

Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração.

Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por A Lei, Os Profetas e As Escrituras.

Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C.

A Lei continha os primeiros cinco livros da nossa Bíblia. Já Os Profetas, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis.

E As Escrituras reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas.

Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas.

Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora a Lei freqüentemente fosse copiada em dois grandes pergaminhos.

O texto era escrito em hebraico – da direita para a esquerda – e, apenas alguns capítulos, em dialeto aramaico.

Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico.

Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré.

Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.

3. O NOVO TESTAMENTO EM GREGO

Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado.

A formação desses grupos marca o início da igreja cristã. As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado.

Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação.

A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados.

Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular.

O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38.

Nos últimos cem anos descobriu-se uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento.

4. OUTROS MANUSCRITOS

Além dos livros que compõem o nosso atual Novo Testamento, havia outros que circularam nos primeiros séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e o Didache (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos).

Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos manuscritos eram realmente autorizados.

Entretanto, gradualmente, o julgamento das igrejas, orientado pelo Espírito de Deus, reuniu a coleção das Escrituras que constituíam um relato mais fiel sobre a vida e ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo comum e o Novo Testamento foi constituído.

Os dois manuscritos mais antigos da Bíblia em grego podem ter sido escritos naquela ocasião – o grande Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Estes dois inestimáveis manuscritos contêm quase a totalidade da Bíblia em grego.

Ao todo temos aproximadamente vinte manuscritos do Novo Testamento escritos nos primeiros cinco séculos.

Quando Teodósio proclamou e impôs o cristianismo como única religião oficial no Império Romano no final do Século IV, surgiu uma demanda nova e mais ampla por boas cópias de livros do Novo Testamento.

É possível que o grande historiador Eusébio de Cesaréia (263 – 340) tenha conseguido demonstrar ao imperador o quanto os livros dos cristãos já estavam danificados e usados, porque o imperador encomendou 50 cópias para as igrejas de Constantinopla. Provavelmente, esta tenha sido a primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos foram apresentados em um único volume, agora denominado Bíblia.

5. HISTÓRIA DAS TRADUÇÕES

A Bíblia – o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo -, desde as suas origens, foi considerada sagrada e de grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e compreendida por toda a humanidade.

A necessidade de difundir seus ensinamentos através dos tempos e entre os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções para os mais variados idiomas e dialetos.

Hoje é possível encontrar a Bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.000 línguas diferentes.

6. A PRIMEIRA TRADUÇÃO

Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego.

Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico.

Denominada Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), esta primeira tradução foi realizada por 70 sábios e contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica; pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C.

A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia.

Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.

Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.

7. OUTRAS TRADUÇÕES

Outras traduções começaram a ser realizadas por cristãos novos nas línguas copta (Egito), etíope (Etiópia), siríaca (norte da Palestina) e em latim – a mais importante de todas as línguas pela sua ampla utilização no Ocidente.

Por haver tantas versões parciais e insatisfatórias em latim, no ano 382 d.C, o bispo de Roma nomeou o grande exegeta Jerônimo para fazer uma tradução oficial das Escrituras.

Com o objetivo de realizar uma tradução de qualidade e fiel aos originais, Jerônimo foi à Palestina, onde viveu durante 20 anos.

Estudou hebraico com rabinos famosos e examinou todos os manuscritos que conseguiu localizar.

Sua tradução tornou-se conhecida como “Vulgata”, ou seja, escrita na língua de pessoas comuns (“vulgus”). Embora não tenha sido imediatamente aceita, tornou-se o texto oficial do cristianismo ocidental.

Neste formato, a Bíblia difundiu-se por todas as regiões do Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa.

Na Europa, os cristãos entraram em conflito com os invasores godos e hunos, que destruíram uma grande parte da civilização romana.

Em mosteiros, nos quais alguns homens se refugiaram da turbulência causada por guerras constantes, o texto bíblico foi preservado por muitos séculos, especialmente a Bíblia em latim na versão de Jerônimo.

Não se sabe quando e como a Bíblia chegou até as Ilhas Britânicas. Missionários levaram o evangelho para Irlanda, Escócia e Inglaterra, e não há dúvida de que havia cristãos nos exércitos romanos que lá estiveram no segundo e terceiro séculos.

Provavelmente a tradução mais antiga na língua do povo desta região é a do Venerável Bede. Relata-se que, no momento de sua morte, em 735, ele estava ditando uma tradução do Evangelho de João; entretanto, nenhuma de suas traduções chegou até nós.

Aos poucos as traduções de passagens e de livros inteiros foram surgindo.

8. AS PRIMEIRAS ESCRITURAS IMPRESSAS:

Na Alemanha, em meados do Século 15, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu a arte de fundir tipos metálicos móveis.

O primeiro livro de grande porte produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim.

Cópias impressas decoradas a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos.

Esta nova arte foi utilizada para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 – alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis línguas até meados do século 16 – espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês.

Finalmente as Escrituras realmente podiam ser lidas na língua destes povos. Mas essas traduções ainda estavam vinculadas ao texto em latim. No início do século 16, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa ocidental.

Havia pessoas eruditas que podiam auxiliar os sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais manuscritos.

Uma pessoa de grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo Testamento em grego foi publicada com seu próprio paralelo da tradução em latim.

Assim, pela primeira vez estudiosos da Europa ocidental puderam ter acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e, portanto, não eram completamente confiáveis.

9. DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS

Várias foram as descobertas arqueológicas que proporcionaram o melhor entendimento das Escrituras Sagradas. Os manuscritos mais antigos que existem de trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C.

Existem, porém, partes menores bem mais antigas como o Papiro Nash do segundo século da era cristã.

Mas sem dúvida a maior descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno, que buscava uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou por acaso os Manuscritos do Mar Morto, na região de Jericó.

Durante nove anos vários documentos foram encontrados nas cavernas de Qumrân, no Mar Morto, constituindo-se nos mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica que se têm notícias.

Escondidos ali pela tribo judaica dos essênios no Século I, nos 800 pergaminhos, escritos entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários teológicos e descrições da vida religiosa deste povo, revelando aspectos até então considerados exclusivos do cristianismo.

Estes documentos tiveram grande impacto na visão da Bíblia, pois fornecem espantosa confirmação da fidelidade dos textos massoréticos aos originais.

O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14 estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168 a.C. e 233 d.C.

Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase completa do livro de Isaías, feita cerca de cem anos antes do nascimento de Cristo.

Especialistas compararam o texto dessa cópia com o texto-padrão do Antigo Testamento hebraico (o manuscrito chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram que as diferenças entre ambos eram mínimas.

Outros manuscritos também foram encontrados neste mesmo local, como o do profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase) de Jó.

As descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do Mar Morto e outras mais recentes, continuam a fornecer novos dados aos tradutores da Bíblia.

Elas têm ajudado a resolver várias questões a respeito de palavras e termos hebraicos e gregos, cujo sentido não era absolutamente claro.

Antes disso, os tradutores se baseavam em manuscritos mais “novos”, ou seja, em cópias produzidas em datas mais distantes da origem dos textos bíblicos.

 

10) A BÍBLIA É ÚNICA:

A BÍBLIA: Divina, Única, Viva, Completa, Verbal, Inspirada e Transforma.

Escrita em: Pedra, Barro, Papiro, Couro, Cacos de Louça e Linho.

NOMES:

•Escritura(Mt.21:42);

•Sagrada(Rm.1:2);

•Livro(Is.34:16);

•Palavra (Mc.7:13; Hb.4:12);

•Oráculo (Rm.3:2);

 

O LIVRO: A Bíblia é um livro singular, produzido no oriente antigo, que molda o ocidental moderno. E o livro mais traduzido, citado, publicado e influente na humanidade, amargo para se viver e doce para se pregar(Ap.10:8-11).

 

Bíblia(grego”Biblos”) - Livro. Esta palavra entrou para as línguas modernas pelo francês. Antes, era o nome que se dava à casca de um papiro do século Xl a.C. Por volta do século II d.C., os cristãos usavam a palavra para os escritos sagrados.

 

COMO LER: (Nome do Livro: NºCapítulo: Nº Verso inicial – Verso final). Ex: João 3:16-17

                     João              3          :      16            _      17

DIVISÃO:

* Em capítulos:1250 DC por Hugo Saint Cher

* Em versículos: (AT),em 1445 pelo Rabi Nathan e o (NT), em 1551, pelo  Pr. Robert Stevens.

PROPÓSITOS (Ler para  que?): 

* Dar respostas(1 Pe.3:15)

* Aprovar (2 Tm.2:15)

* Dar fé(Is.34:16)

* Dar Luz (Sl.119:130)

 

IMPORTÂNCIA (Por que ler?):

* Manual (1Pe.2.9;Ef.2:10)

* Alimento(Mt.4:4:Jr.15:16)

* Espírito Santo usa (Ef.6:17)

* Ela  enriquece (SI.119:72).

 

MANEIRAS (Como Ler?):

* Com Deus(Tg.1:5)

* Diária (Dt.17:19)

* Vontade (Tg.1:21)

* Oração (SI.119:12; Dn.9:21)

* Toda (2 Tm.3:16)

 

ÚNICA EM COERÊNCIA:

a) Escrita durante um período de mais de 1.500 anos;

b) Escrita durante mais de 40 gerações;

c) Escrita por mais de 40 autores de diferentes atividades;

- Moisés – lider político

- Pedro – Pescador

- Amós – Boiadeiro

- Josué – General

- Neemias – Copeiro

- Daniel – 1. ministro;

- Lucas – Médico

- Salomão – Rei

- Mateus – Coletor de Impostos

- Paulo – Rabino

d) Escrita em diferentes condições

- Davi em guerra e Salomão em paz

e) Escrita em diferentes lugares

- Moisés – no deserto

- Jeremias – na masmorra

- Daniel – na colina e em palácios

- Paulo – na prisão

- Lucas – numa viagem

- João – numa ilha (Patmos)

- Outros em companhias militares…

f) Escrita em diferentes circunstâncias

- Uns na alegria e outros no desespero e na dor;

g) Escrita em três continentes

- Ásia, África e Europa

h) Escrita em três idiomas

- Hebraico (Antigo testamento) ou Judaica (2 Rs.18:26-28) ou língua de Canaã (Is.19:18)

- Aramaico – Língua do Oriente Próximo, época de Alexandre o grande, de VI a.C. a IV a.C.

- Grego – (Novo Testamento) – Língua Internacional, na época de Cristo;

i) Escrita trata de Centenas de Temas Controversos

Com harmonia e coerência, desde Gênesis a Apocalipse, onde o Tema é Deus, que redime o homem.

ÚNICA EM CIRCULAÇÃO E TRADUÇÃO:

Não existe outro livro que se iguale em tradução ou circulação: Milhões de exemplares em mais de 240 línguas e dialetos, 739 idiomas, 1.280 línguas com mais de 3.000 tradutores.

ÚNICA EM SOBREVIVÊNCIA:

- Aos Tempos – Desde manuscritos a impressos modernos;

- Às Perseguições – Queima, proibição, ilegalidade

- Às críticas de Incrédulos;

ÚNICA NOS ENSINOS:

Profecia futura sobre o messias; História de Israel (5 Séculos);

Pessoas descritas – Não oculta os pecados e falhas do povo;

ÚNICA EM INFLUÊNCIA SOBRE A LITERATURA:

- Inspira dicionários, enciclopédias, léxicos, atlas e geografia bíblicos;

11. PREPARO DAS ESCRITURAS ANTIGAS:

MATERIAIS:

- Papiro;

- Pergaminho

- Velino (couro de filhotes de cabras)

- Ástraco (Cerâmica do Egito)

- Pedras – Argila e Cera

INSTRUMENTOS:

- CINZEL – De ferro para entalhar pedras;

- ESTILETE DE METAL

- PENA – Tinta (carvão, cola e água).

FORMAS:

- ROLOS – Os discípulos não quiseram fazer o Novo Testamento; liam o AT e apenas escreviam para necessidade dos cristãos.

12. NOMENCLATURA NOS ORIGINAIS HEBRÁICO (ESCRITURA) NO ANTIGO TESTAMENTO:

* btkm miktab – escritura, algo escrito à mão (Ex.32:16); 

* btk kathab – escrito real; refere-se à autoridade divina (Dn.10:21);

13. NOMENCLATURA NOS ORIGINAIS GREGO (ESCRITURA) NO NOVO TESTAMENTO:

* grafh graphe - escritura, denota o livro em si como o seu conteúdo; como certa porção ou seção da Sagrada Escritura (Mc.12:10);

 

14. A BÍBLIA CATÓLICA X EVANGÉLICA:

A igreja católica considera a Bíblia “protestante” como uma Bíblia Católica Incompleta, pois os “protestantes” como ela diz, não aceitam  os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1. e 2. Macabeus, bem como os capítulos 10 a 16 de Ester e os capítulos 3,13 e 14 do livro de Daniel, pois julgam que estas partes não são canônicas ou inspiradas por Deus.

A igreja católica não afirma a verdade quando fala que somente sua Bíblia traz no pé de cada página notas explicativas para os fiéis compreenderem a Bíblia, principalmente quando não afirmam a verdade dizendo que a Bíblia protestante não traz nenhuma nota ou nenhuma explicação, fato inverídico, pois há muitas bíblias de estudo não-católicas, de qualidade.

A igreja católica, num marketing pessoal indica sua bíblia com a palavra latina Imprimatur, como a garantia absoluta da palavra de um bispo fosse algo infalível; na verdade, não se pode dizer que a bíblia que não tiver esta palavra não seja fiel aos originais hebraico e grego, afinal, isso não passa de um marketing de venda das editoras católicas.

A igreja católica é contra o fato de que os “protestantes” afirmam que a Bíblia é a autêntica Palavra de Deus, pois dizem que os protestantes não têm nenhuma ligação com a igreja dos apóstolos, pois nasceram 1.500 anos depois e dizem que o que os protestantes aprenderam foi pela autoridade e tradição da Igreja católica.

Mas esquecem de que é Jesus quem abre a mente das pessoas para entenderem a Palavra de Deus e que toda a Bíblia Sagrada é inspirada por Deus e que o espírito santo foi enviado para ensinar as pessoas e não a placas de igrejas  (Lc. 24:45; 2 Tm.3:16; Jo.15:26).

A igreja católica defende a tradição oral da liturgia como superior ou pé de igualdade com a Escritura sagrada, pois diz que os ensinos de Jesus estão na Bíblia e na tradição; afirma que Jesus não mandou ninguém escrever a Bíblia, mas apenas pregar e ensinar.

Vejamos o que a Bíblia fala sobre tradições:

TRADIÇÃO: São informações, costumes, crenças e práticas religiosas transmitidas oralmente de Geração a geração.

Os fariseus davam mais valor às tradições do que à Lei (Mt.15:1-20).

São as Crenças e práticas religiosas das pessoas em geral, isto é, dos não-judeus, mas também são as verdades ensinadas pelo apóstolo Paulo em todas as suas epístolas e isso não pode contradizer.

* Tradição(grego paradosiv paradosis) – significa objetivamente, aquilo que é proferido, a substância de um ensino e também o corpo de preceitos, especialmente os rituais, que na opinião dos judeus tardios foram oralmente proferidos por Moisés e oralmente transmitidos em íntegra sucessão para gerações subseqüentes.

Esses preceitos, que tanto ilustravam como expandiam a lei escrita, deviam ser obedecidos com igual reverência.

Paulo nos manda ter cuidado com as filosofias do mundo (Cl.2:8), mesmo defendendo aquilo que recebeu do Senhor Jesus (2 Ts.3:6) e o próprio Pedro nos fala que fomos resgatados da tradição oral pelo sangue de Cristo e no final defende a Palavra pregada como algo superior à tradição (Leia 1 Pe.1:18-25).

 

*Temos que guardar o que ouvimos, mas segundo o amor e a fé em Cristo e não conforme o que fere os mandamentos de Cristo (2 Tm. 1:13);

*Temos que reter as tradições que foram ensinadas, mas segundo a palavra e a epístola, o que não pode haver contradição (2 Ts.2:15);

*Temos que nos afastar daquele que não anda segundo a tradição recebida, mas a Palavra deve ter curso em nossa vida, ricamente estudada, sempre no amor e na paciência de Cristo que nos mandou amar uns aos outros como nos amou (2 Ts.3:1-6).

*Temos que ouvir e confiar a homens idôneos a tradição oral, mas também Deus nos dará entendimento em tudo, principalmente na leitura da Palavra (2 Tm.2:1-2 e 7).

E mesmo que muitas outros sinais e não ensinos de Cristo não estejam escritos na Bíblia, (Jo.20:30; Jo.21:25), mesmo assim, o que foi escrito foi inspirado por Deus (2 Tm.3:16) e para nosso aviso da parte de Deus (1 Co.10:11), pois a Palavra nos foi escrita por exortação (1 Co.15:54; Hb.13:22; 2 Pe3:15; 1Jo.2:14), confirmada pelo Espírito Santo (1 Jo.5:7), o qual termina em nós a cada dia (2 Co.3:2-3).

15. QUANTO À INTERPRETAÇÃO CORRETA DA BÍBLIA:

A igreja católica afirma que somente ela (ou os padres, bispos e papas, que também são homens, como todo mundo), pode entender e tem a autoridade nas escrituras. Vejamos o que a Bíblia diz:

* Jesus é quem abre nosso entendimento para entendermos as escrituras (Lc.24:45);

* Paulo diz que o Senhor nos dará entendimento de tudo (2 Tm.2:7);

* Deus mesmo é quem coloca sua lei em nossos corações (Hb. 8:10);

* Deus nos dará entendimento para conhecermos a verdade (1 Jo.5:20);

* Deus dará sabedoria a quem lhe pedir (Tg. 1:5);

Mesmo que a profecia da escritura não seja de particular interpretação, mas o espírito santo inspira a quem quer (2 Pe.1:20-21).

A Igreja católica diz que ensina a única verdade, a única moral e obedece ao único pastor,o papa,mas a Bíblia diz sobre a verdade e sobre quem é nosso pai?

16. O QUE É A VERDADE?

A VERDADE NO ANTIGO TESTAMENTO:

* verdade – hebraico Mnma ‘umnam – fato certo (Gn.18:13);

* verdade – hebraico tma ‘emeth – firme, fiel, constante, como a doutrina de Deus (Gn.24:27);

* verdade – hebraico bwj towb -  bom, apropriado, conveniente, correto em benefício de todos (Gn.24:50);

* verdade – hebraico Nka ‘aken – estáavel, firme, fixo e determinado (Gn.28:16);

* verdade – hebraico Pa ‘aph – de fato, ainda mais, também (idéia de algo maior) – (Dt.33:3);

* verdade – hebraico Mymt tamiym – completo, total, inteiro, são (1 Sm.14:41);

* verdade – hebraico hnwma ‘emuwnah – confiável (Sl.37:3);

* verdade – hebraico qdu tsedeq – justiça, correção, retidão (Is.45:19);

A VERDADE NO NOVO TESTAMENTO:

* verdade – grego amhn amen - “Amém” é uma palavra memorável. Foi transliterada diretamente do hebraico para o grego do Novo Testamento, e então para o latim, o inglês, e muitas outras línguas.

Por isso tornou-se uma palavra praticamente universal.

É tida como a palavra mais conhecida do discurso humano. Ela está diretamente relacionada—de fato, é quase idêntica—com a palavra hebraica para “crer” (amam), ou crente. Assim, veio a significar “certamente” ou “verdadeiramente”, uma expressão de absoluta confiança e convicção.

A verdade é que devemos crescer na graça e no conhecimento de Deus (2 Pe.3:18);

A verdade é que somente Jesus nos leva a Deus, como único mediador entre Deus e os homens  (Hb.9:24-26; Jo.14:6; Jo.17:3; Rm.16:27; Hb.10:12; Jd. 1:4; 1 Tm.2:5; Hb.8:6; Hb.9:15; Hb.12:24);

A verdade é que o Espírito Santo nos guiará à verdade de Deus (Jo.16:13);

A verdade é que a palavra é a verdade que santifica (Jo.17:17);

A verdade é que mudaram a verdade de Deus em mentira adorando ídolos (Rm.1:25);

A verdade é que muitos não andam nela (Gl.2:14);

A verdade é que devemos crescer em Cristo, cabeça da igreja em amor (Ef.4:15);

A verdade é que muitos proíbem o casamento (celibato) e a comida que Deus deu em ações de graça (1 Tm.4:3);

A verdade é que nenhuma mentira vem da verdade (1 Jo.2:21);

A verdade é que Jesus é divino e humano ao mesmo tempo (2 Jo.1:1);

Além disso Pedro era casado, tinha sogra (Mc.1:30) e não podemos chamar a ninguém de papa=pai, pois Jesus nos proibiu isso (Mt.23:9).

17. BÍBLIA SAGRADA

Formada por 66 livros é a mensagem de Deus para o seu povo.

Deus inspirou homens para registrar suas palavras a fim de transmiti-las a outras pessoas.

É ferramenta para entendimento da vontade de Deus para nossas vidas.

Proclama a obra amorosa e redentora de Deus para os que não conhecem Jesus Cristo.

 

ANTIGO TESTAMENTO

Formado por 39 livros escritos originalmente em hebraico, é um relato histórico da obra de Deus na terra antes do nascimento de Jesus. Moisés, Isaías, Daniel e Davi estão entre os escritores que durante milhares de anos escreveram o Velho Testamento, que se divide em 3 partes principais: História, Poesia e Profecia.

 

OS LIVROS HISTÓRICOS: Começam com os 5 livros de Moisés, formando o Pentateuco. Eles contêm a história da criação do universo, Adão e Eva no Jardim do Éden, o grande Dilúvio, o êxodo dos israelitas da escravidão no Egito. O Pentateuco também contém as primeiras leis de Deus para seu povo.

 

OS LIVROS POÉTICOS: No centro do Velho Testamento há 5 livros poéticos escritos principalmente pelos reis Davi e Salomão. Esses livros incluem canções de louvor a Deus (os Salmos), princípios de sabedoria (Provérbios e Eclesiastes) e um maravilhoso poema de amor entre uma noiva e um noivo (Cântico dos Cânticos). Neles encontramos maravilhosas meditações sobre o amor de Deus por nós, seu poder sobre toda a criação e seu desejo do nosso respeito e temor.

 

OS LIVROS PROFÉTICOS: Vêm depois dos livros poéticos e foram escritos por cerca de dezesseis diferentes autores. Isaías, Jeremias e Daniel, que escreveram livros mais longos, são os profetas maiores. Ageu, Zacarias e Malaquias estão entre os profetas menores, cujos livros são mais curtos.

Esses livros falam do desapontamento de Deus porque Israel não seguiu suas ordens, relembram ao povo o amor incondicional de Deus por ele, além de apregoarem a vinda do Messias que redimiria Israel para sempre.

CANON DO ANTIGO TESTAMENTO: Conjunto dos livros do AT que a igreja cristã reconhece como genuínos e inspirados. No cânon aceito pelos evangélicos há 39 livros. O cânon católico tem a mais 7 livros e algumas porções. O cânon do AT é o mesmo para os judeus e os evangélicos.

NOVO TESTAMENTO:

Seus 27 livros escritos foram escritos em grego e num espaço de cerca de 50 anos. Sua mensagem principal se refere à obra redentora de Jesus Cristo e à primitiva igreja cristã, mas também oferece preciosos mandamentos sobre a vida com Deus. Pode ser dividido em 3 partes: Evangelhos, as Epístolas e Profecia.

 

OS EVANGELHOS: Os quatro primeiros livros do Novo Testamento são os Evangelhos, que contam a história do nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus. Eles também relembram os ensinamentos de Jesus para seus discípulos, como segui-lo e continuar sua obra depois de seu retorno ao céu.

Em seguida, vem o livro de Atos onde estão registrados os primórdios da igreja e a obra dos discípulos de Jesus realizando milagres e pregando o Evangelho.

Os evangelhos foram escritos nos anos 65-70 e final do século I, onde o momento histórico foi transmitido pela tradição oral e finalmente redigido.

 

AS EPíSTOLAS: Seguindo Atos vêm as epístolas ou cartas que o apóstolo Paulo e outros escreveram para encorajar os primeiros cristãos na sua caminhada com Jesus. As cartas nos proporcionam ricas diretrizes sobre os desejos de Deus para a nossa atividade diária.

 

O LIVRO PROFÉTICO: O último livro do Novo Testamento é Apocalipse, um livro profético que detalha a próxima vinda de Cristo à terra. A Bíblia foi um trabalho inspirado por Deus e, portanto, perfeito. O apóstolo Paulo escreve que toda Escritura é “inspirada por Deus (II Tímóteo 3:16) e Pedro explica que “nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).

 

CANÔN(Grego“kanõn” = cana,régua) – Padrão ou norma de um escrito, julgado como inspirado ou dotado de autoridade divina:

Características:a)Idade do Livro;b)Língua usada;c)concordância com outros livros;d)Expressões que atestam a autoridade divina;(Assim diz o Senhor…)e)Função profética verdadeira;f)Confiabilidade doutrinária;g)natureza dinâmica transformadora; h)aceitação do livro pelo povo de Deus;i)características literárias.

CANON DO NOVO TESTAMENTO

Conjunto de 27 livros do NT que a igreja cristã reconhece como genuínos e inspirados. O cânon do NT é igual para evangélicos e católicos. No princípio alguns livros foram aceitos com certa reserva, mas no final do quarto século o cânon atual já era aceito em quase toda parte.

O teste para inclusão era basicamente a inspiração divina e era necessário por algumas razões:

*  Havia divulgações de cânon herege;

*  Igrejas orientais estavam usando livros errôneos;

* Cristãos precisavam conhecer os livros sagrados para não morrerem em vão, conforme a lei de Diocleciano (303 AD), como os mártires Atanásio de Alexandria, Justino o mártir e Irineu.

 

18. APÓCRIFOS:

Livros que o Concílio de Trento, em 1546, declarou inspirados, embora não fizessem parte do Cânon do AT estabelecido pelos judeus da Palestina.

Os católicos chamam esses livros de “deuterocanônicos”, isto é, pertencentes ao “segundo cânon”. “Protocanônicos” (pertencentes ao primeiro cânon) são os livros do AT que os judeus da Palestina consideravam inspirados, e esses são aceitos tanto pelos católicos como pelos evangélicos.

Os livros apócrifos aceitos pelos católicos são os seguintes: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico ou Sirácida, Baruque, Epístola de Jeremias, Primeiro e Segundo Macabeus e os acréscimos a Ester (Ester Grego) e a Daniel (A Oração de Azarias, A Canção dos Três Jovens e as histórias de Suzana e de Bel e do Dragão.

 

APÓCRIFOS DO ANTIGO TESTAMENTO: Os apócrifos possuem erros e discrepâncias históricas e geográficas, ensinam doutrinas falsas divergindo das outras escrituras, possuem estilos artificiais e diferentes das escrituras e faltam elementos de autenticidade, não foram acatados por Jesus e combatidos pelos apóstolos.

 

OS LIVROS APÒCRIFOS:

São livros que Contrariam os Critérios da Inspiração dos judeus palestinos, zelosos preservadores dos ensinos bíblicos que não estiveram sujeitos às influências helenizantes dos judeus de Alexandria. A Igreja Católica Romana se refere ao cânon do Velho Testamento, ela inclui uma série de livros que os protestantes chamam de “Apócrifos” mas os católicos de “Deuterocanônicos”, que não aparecem nas versões evangélicas e hebraica da Bíblia. O resultado disto foi que na opinião popular dos católicos existem duas Bíblias: uma católica e a protestante, mas só há uma Bíblia, uma Palavra (escrita) de Deus. Nas línguas originais (o hebraico e o grego), a Bíblia é uma só e igual para todos, mas há várias versões ou traduções e diferentes idiomas.

DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS, PROTESTANTES E CATÓLICAS

1. Bíblia Hebraica – [a Bíblia dos judeus]: a) Contém somente os 39 livros do V.T.; b) Rejeita os 27 do N.T. como inspirado, assim como rejeitou Cristo; c) Não aceita os livros apócrifos incluídos na Vulgata (versão Católico Romana)

2. Bíblia Protestante: a) Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do N.T.; b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos.

3. Bíblia Católica: a) Contém os 39 livros do V.T. e os 27 do N.T. b) Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos que são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e 2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel.

COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS:

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 como meio de combater a Reforma protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc e os romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos.

Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois.

Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. No Concílio de Trento houve várias controvérsias, onde, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta corporal. A primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do papa Clemente VIII.

Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o AT e NT, não como inspirados, mas bons à leitura e de valor histórico, mas em 1629 as igrejas reformadas excluíram os apócrifos das suas edições da Bíblia.

PORQUE REJEITAR OS APÓCRIFOS:

1. Porque com o Livro de Malaquias (Último do Antigo testamento) , o Cânon bíblico havia se encerrado: Depois de aproximadamente 435 a.C não houve mais acréscimos ao cânon do Antigo Testamento. A história do povo judeu foi registrada em outros escritos, mas eles não foram considerados dignos de inclusão na coleção das palavras de Deus que vinham dos anos anteriores, como 1 Macabeus: (100 a.c.); Josefo: (37/38 d.C.); a literatura rabínica, os Manuscritos do Mar Morto..
        Os judeus estavam de acordo em que acréscimos ao cânon do Antigo Testamento tinham cessado após os dias de Esdras, Neemias, Ester, Ageu, Zacarias e Malaquias. A ausência completa de referência à outra literatura como palavra autorizada por Deus e as referências muito freqüentes a centenas de passagens no Antigo Testamento como dotadas de autoridade divina confirmam com grande força o fato de que os autores do Novo Testamento concordavam em que o cânon do Antigo Testamento, devia ser aceito como a verdadeira palavra de Deus.

2. Porque a Inclusão dos Apócrifos foi acidental:

A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico.

Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de judeus na cidade de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro reinos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, foi grande amante das letras e preocupou-se com enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Muitos livros foram traduzidos para o grego.

Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram levadas em conta, apreciando-se também a grande importância que teria a tradução da Bíblia de seus antepassados da Palestina para os judeus cuja língua vernácula era o grego.
        Segundo um relato de Josefo, o Sumo Sacerdote de Jerusalém, Eleazar, enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco.

A tradução continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo. Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta, ou Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo, seus tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice do Velho Testamento.

Os estudiosos acham que foram unidos à Bíblia, por serem guardados juntamente com os rolos de livros canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é , a escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos canônicos.

       Estes livros têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o caráter de sua vida intelectual e religiosa durante as épocas que representam, do período intertestamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos); é, talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram ao texto grego da Bíblia, mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.

3. Os apócrifos contém Lendas:

Tobias 6.1-4 – “Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse disse-lhe: Pega-lhe pelas guelras, e puxa-o para ti. Então, puxou para terra, e o começou a palpitar a seus pés.

4. Os apócrifos contêm Erros Históricos e Geográficos:

Por exemplo, a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1:15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomado por Nabucodonosor e por Assuero (14:15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares. Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes. [Em 2 Macabeus] há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos,que refletem ignorância e  confusão.

 

5. Os apócrifos contêm Heresias:

TOBIAS – (200 a.C.) - É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael. Ensina a justificação pelas obras (4:7-11; 12:8), mediação dos santos (12:12), superstições (6:5, 7-9, 19), e até um anjo que engana Tobias e o ensina a mentir (5:16 a 19).

JUDITE – (150 a.C.) É a História de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. Grande heresia é a própria história onde os fins justificam os meios.

BARUQUE – (100 a.D.) – Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. A data é muito posterior, quando da 2ª.destruição de Jerusalém, antes de Cristo. Seu principal erro é o ensino da intercessão pelos mortos (3:4).

ECLESIÁSTICO – (180 a.C.) – É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias: justificação pelas obras (3:33,34), trato cruel aos escravos (33:26 e 30; 42:1 e 5),incentiva o ódio aos Samaritanos (50:27 e 28).

SABEDORIA DE SALOMAO – (40 a.D.) – Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã).

Apresenta: o corpo como prisão da alma (9:15), doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma (8:19 e 20), salvação pela sabedoria (9:19).

1 MACABEUS – (100 a.C.) - Descreve a história de 3 irmãos da família “Macabeus”, que no chamado período ínterbíblico (400 a.C. 3 a.D) lutam contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.

II MACABEUS – (100 a.C.) – Não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu. Apresenta: a oração pelos mortos (12:44-46), culto e missa pelos mortos (12:43),  o próprio autor não se julga inspirado (15:38-40; 2:25-27), intercessão pelos Santos (7:28 e 15:14).

ADIÇÕES A DANIEL: Cap.13-A história de Suzana – Nesta lenda Daniel salva Suzana num julgamento fictício de falsos testemunhos. Cap.14-Bel e o Dragão – Fala sobre a necessidade da idolatria; cap. 3:24-90 – o cântico dos 3 jovens na fornalha.

TIPOS DE HERESIAS ENSINADAS NOS APÓCRIFOS:

* Ensinam Artes Mágicas ou de Feitiçaria como método de exorcismo: Tobias 6:5-9E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles.” Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio. Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo seu, como usar os métodos da macumba e da bruxaria para expulsar demônios.  Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e de fato ele não tem interesse nenhum em expelir demônios (Mt 12:26).  Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e o que usaram foi o nome de Jesus (Mc 16:17; At 16:18)

* Ensinam que Esmolas e Boas Obras limpam
pecados e Salvam a Alma: Tobias 12:8, 9
– “a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna”; Eclesiástico 3:33 – “… a esmola resiste aos pecados”.
Este é o primeiro ensino de Satanás, o mais terrível, e se encontrar basicamente em todas as seitas heréticas. A Salvação por obras, destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue de Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor exclusivo do sangue como um único meio de remissão e perdão:(Hb 9:11,12,22; I Pe 1:18, 19; Rm.3:20, 24 e 29);

* Ensinam o Perdão dos pecados através das orações: Eclesiástico 3:4 – “O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias”. O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma boa obra que a ninguém pode salvar. Só a oração de confissão e arrependimento baseadas na fé no sacrifício vicário de Cristo traz o perdão (Pv. 28:13; I Jo 1:9; I Jo 2:1,2)

* Ensinam a Oração Pelos Mortos: 2 Macabeus 12:43-46 – “e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, (…) é, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados”.

       Neste texto falso, de um livro não canônico, que contradiz toda a Bíblia, que a Igreja Católica Romana baseia sua falsa e herética doutrina do purgatório.

       Este é novamente um ensino satânico para desviar o homem da redenção exclusiva pelo sangue de Cristo, e não por orações que livram as almas do fogo de algum lugar inventado por homens falhos e pecadores que com tais ensinos negam o claro registro dos ensinos dos apóstolos de Cristo. Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e outros para a Salvação eterna – não existe meio de mudar o destinos de alguém após a morte. Veja Mt. 7:13,13; Lc 16:26.

* Ensinam a Existência de um Lugar Chamado PURGATÓRIO.

Este é o ensino herético e financeiramente conveniente para a Igreja de que o homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma segunda chance de Salvação.

Sabedoria 3:1-4 – “As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.

 A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na última parte deste texto, onde diz: “E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.

Eles ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório que o purifica para entrar na imortalidade. Textos da Bíblia que mostram a impossibilidade do purgatório (1 Jo 1:7; Hb 9:22; Lc 23:40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17; Ap 14:13; Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43).

6. Nos Livros Apócrifos Os Anjos Mentem

Tobias 5:15-19“Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: … Mas para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias” Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a própria lei santa de Deus. Todos os anjos de Deus, foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua identidade. Veja Lc 1:19.

 

7. Nos livros apócrifos, ensina-se que o simples ato de jejuar santifica:

Judite 8:5,6 - “jejuava todos os dias de sua vida …” Este texto legendário tem sido usado por romana relacionado com a canonização dos “santos” de idolatria. Em nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é sinal de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não jejuou mais.

O livro de Judite é claramente uma produção humana, uma lenda para escravizar os homens a ensinos errados e antibíblicos.

8. Nos livros apócrifos se ensinam atitudes anticristãs, como: Vingança, Crueldade e Egoísmo:

VINGANÇA – Judite 9:2 – Contraria o que a Bíblia diz sobre: Vingança (Rm 12:19, 17);

CRUELDADE e EGOÍSMO – Eclesiástico 12:6 – Contraria o que a Bíblia diz sobre Crueldade e Egoísmo ( Pv. 25:21,22; Rm 12:20; Jo 6:5; Mt 6:44-48);

9. A igreja Católica tenta defender a IMACULADA CONCEIÇÃO baseando em uma deturpação dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) – Contradizendo: Lc. 1:30-35; Sl 51:5; Rm 3:23);

Os Apócrifos solapam a doutrina da inerrância porque esses livros incluem erros históricos e de outra natureza. Assim, se os Apócrifos são considerados parte das Escrituras, isso identifica erros na Palavra de Deus.

19. INSPIRAÇAOxREVELAÇAO: Divina, pelo Espírito Santo (2Tm.3:16;2 Pe.1:21). Assim diz o Senhor (Ez.11:5 e 2 Cr.20:14) . Teoria Correta da Inspiração da Bíblia:

TEORIA DA INSPIRAÇÃO PLENÁRIA OU VERBAL

Todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas e os escritores não foram usados inconscientes, mas cooperava com eles o Espírito Santo, que os capacitava. Homens santos escreveram a Bíblia com as palavras de seu vocabulário, mas numa influenciante presença do Espírito Santo, escrevendo a PALAVRA DE DEUS.

REVELAÇÃO X INSPIRAÇÃO:

Revelação é a ação de Deus que se dá a conhecer ao Escritor e que o homem sozinho, nada pode saber (Dn.12.8; 1 Pe.1:10,11). Inspiração não implica em revelação. Toda a Bíblia foi inspirada, mas nem toda ela foi revelada: Ex. de Revelação:  Gênesis, sonhos de José, escritos de Paulo (Gl.1:11; Ef.3:3).

DECLARAÇÃO BÍBLICA X DECLARAÇÃO NA BÍBLIA

A Bíblia não mente, mas registra mentiras de ímpios e do diabo, declarações não inspiradas por Deus, mas registradas; verifique quem, para quem,e quando se fala.

20. DIVISÃO DA BÍBLIA E SEU SIGNIFICADO EM CRISTO:

A Bíblia se compõe de 2 partes, mas Jesus Cristo é o tema Central da Bíblia: O Antigo testamento, escrito pela comunidade hebraica em hebraico e aramaico e o Novo testamento, escrito pelos discípulos de Cristo, ao longo do séc.1 d.C.

Testamento significa aliança, pacto ou acordo, celebrado entre Deus e os judeus, no antigo pacto e no novo pacto, entre Deus e os cristãos. 02 Estruturas ou Testamentos (Grego diayhkh diatheke = aliança ou concerto). Com 66 Livros; sendo 39 no Antigo e 27 no Novo em período de 1600 anos, escrita por 40 autores, traduzida para 240 dialetos, 739 idiomas, 1.280 línguas com 3000 traduções

 

DIVISÃO DO ANTIGO TESTAMENTO:

 

(PREPARAÇÃO) – ORDEM NUMÉRICA DESCRITA-NÃO CRONOLOGIA

 

A)                       LEI – PENTATEUCO – (05 LIVROS):

FUNDAMENTO DA CHEGADA DE CRISTO:

•1°-Gênesis (Gn.)- Significa”ORIGEM”-Do pecado;Jesus,o Descendente da mulher – Autor Moisés, em 1450-140 a.C.-Fala do pecado, da Doutrina de Deus, da civilização, das nações, de Israel, da origem do homem e da redenção prometida.

•2°-Êxodo (Ex.)- Significa ”SAIDA”-Libertação/Promessa;Jesus,o Cordeiro Pascal-Autor é Moisés, em 1450-1410 a.C-Fala da libertação do Egito, a entrega da Lei, a Revelação de Deus (no Maná, nos 10 mandamentos e no Tabernáculo).

•3°-Levítico (Lv.)- Significa ”LEIS”-Fala da exigência para comunhão e o tema é Jesus, o Sacrifício Expiatório- Autor é Moisés, em 1450-1410 a.C.- Fala sobre a santidade de Deus, revela o pecado e a provisão de acesso a Deus.

•4°-Números (Nm.)- Significa ”NO DESERTO”-Fala da Fé x Promessas e o tema é Jesus, a Rocha Ferida – Autor Moisés, em 1450-1410 a.C. – Fala da peregrinação do povo rumo à terra prometida, lembrando a seriedade do pecado.

•5°-Deuteronômio (Dt.)-Significa ”2ª.LEI”-FaIa do Governo de Deus e o tema é Jesus,o Profeta. Autor é Moisés,em 1410 a.C. – Fala da constituição da teocracia de Israel, aborda sobre as bênçãos e maldições, os 10 mandamentos e os falsos profetas.

B)                      POESIA (05 LIVROS):

 ANELO PELA CHEGADA DE CRISTO:

•18°- Jó (Jó) -Significa ”PERSEGUIDO”-FaIa da Soberania x Necessidade. Tema é Jesus,o Redentor Vivo.-Autor e data incertos, talvez 1.500 a.C. Fala do motivo do sofrimento dos justos, declarando a soberania e propósitos divinos.

•19°-Salmos (SI.)-Significa ”LOUVOR”- Tema é Jesus,o Socorro e Alegria. – Vários autores, 73 de Davi, 2 de Salomão, 12 dos filhos de Coré, 12 de Asafe, 01 de Hemã, 01 de Etã e 01 de Moisés, durante o tempo de Davi a Salomão (10. Séc. a.C).

•20°-Provérbios (Pv.)-Significa “COMPARAÇÕES”-Fala de Ensinamentos humanos. O tema é Jesus,a Sabedoria Divina. Autores: Salomão e outros. (Agur escreveu 30 e Lamuel  escreveu 31. Fala de ensinos específicos de relacionamentos humanos.

•21°-Eclesiastes(Ec.)-Significa ”PREGADOR”- Fala para a Assembléia. O tema é Jesus,AIvo Verdadeiro. Autor é Salomão, em 935 a.C. Fala da rotina da vida, da compreensão que ela é dom divino e de que devemos viver, obedecendo a Deus.

•22°-Cantares(Ct.)-Significa ”CANÇÃO” - Fala de Jesus, Nosso Amado;Autor é Salomão em 965 a.C. FaIa e reflete no romance entre Salomão e a Sunamita, num diálogo sobre o Rei, que ganha seu coração, qual Jesus e a sua Igreja.

 

C)                      HISTÓRIA (12 LIVROS):

PREPARAÇÃO PARA A CHEGADA DE CRISTO:

•6°-Josué(Js.)- Significa ”JAVE E SALVAÇÃO” - Fala de Fidelidade e Herança. O tema é Jesus, o Capitão dos Exércitos do Senhor. Autor é Josué,com escritos de Eleazar profeta ou seu filho em 1400-1370 a.C. Fala da fidelidade divina em conceder Canaã a Israel, a importância da Lei e da Santidade de Deus ao julgar os pecados dos cananeus.

•7°-Juízes(Jz.)-Significa ”GOVERNANTE”- FaIa de Obediência e da Paz. O tema é Jesus, Libertador. Autor anônimo,talvez Samuel após a morte de Sansão, em 1050-1000 a.C. Fala da conquista da palestina, monarquia, fidelidade e perdão de Deus.

•8°-Rute(Rt.)-Significa ”AMIZADE”- FaIa de fé para todas as pessoas. O tema é Jesus,o Parente Divino. Autor desconhecido, talvez Samuel, em 1000 a.C. Fala de fidelidade em meio à idolatria e infidelidade, soberania e cuidado de Deus (Resgatador).

•9°-1 Samuel (1Sm.) Tematiza o “CHAMADO AO AVIVAMENTO” - Fala de Pecado x Santidade. Autor é Samuel e outros, em 930 a.C., em diante. Fala sobre Samuel, Saul e Davi e os efeitos do pecado e santidade no povo e líderes.

•10° – 2 Samuel (2 Sm.) – Tematiza a “ASCENSÃO/QUEDA” Na Bíblia hebráica é a segunda parte de 1 Samuel. Fala da morte de Saul e aliança com Davi.

•11°-1 Reis (1 Rs.) – Tematiza a “HISTÓRIA DO REINOS DE JUDÁ E ISRAEL” desde Salomão ao Cativeiro Babilônico-Fala de Fidelidade x Sabedoria. Autor é Jeremias, em 550 a.C., valendo-se de fontes históricas. Descreve o templo até Elias.

•12°-2 Reis (2 Rs.) – Tematiza o “DECLÍNIO/CATIVEIRO”- Na Bíblia hebráica, é parte de 1 Reis. Descreve o cativeiro babilônico até Eliseu.

•13°-1 Crônicas (1 Cr.) – Significa  ”NEGÓCIOS” - FaIa de Aliança,oração de louvor e genealogia.Autor é Esdras em 450-425 a.C. Em Reis e Crônicas, Jesus é o Rei Prometido. Declara aliança, oração e louvor de Davi. (Herança, bênção e pacto).

•14°-2 Crônicas (2Cr.)- Fala de CATIVEIRO/TEMPLO. Na Bíblia Hebráica é parte do 1 Crônicas. Fala de Salomão a Zedequias e a permissão para construir o Templo.Inclui a oração de Salomão pedindo sabedoria, até a duração do Cativeiro.

•15°-Esdras (Ed.)- Significa  ”AJUDA”-Esdras era sacerdote e escriba que trabalhou com Neemias na volta do povo de Israel da Babilônia e na restauração do culto a Javé na Terra Prometida.Fala do cumprimento das promessas de restauração. O Autor é Esdras, em 456-444 a.C. Primeiro voltaram 50.000 pessoas com Artaxerxes e depois com Esdras.

•16° Neemias (Ne)-Significa ”JAVE CONFORTA”. Fala de Restauração.Completa história de restauração do povo que voltou da Babilônia, sob a liderança de Esdras: marca início das 07 semanas de Daniel. Autor é Neemias, 445-425 a.C.

•17°-Ester (Et)- Significa ”ESTRELA”-Fala da Soberania x Providência.Jesus é o Advogado.Autor é incerto, mas certamente judeu, em 465 a.C. Explica a libertação de Deus, a festa de Purim e mostra o controle divino nos acontecimentos.

 

 

D)                      PROFETAS (17 LIVROS):

CERTEZA DA CHEGADA DE CRISTO:

Profetas Maiores (Pela quantidade de Escritos – 05 livros): (Jesus é o Messias Prometido):

•23°-lsaías (Is.) – significa ”JAVE SALVOU” – Fala da Redenção do Messias. Autor: Isaías, em 740-680 a.C. Atacou a apostasia.

•24°-Jeremias (Jr.) – significa “JAVE É ELEVADO”. Fala da Advertência ao pecado e promessa de Juízo. Autor é Jeremias em 627-585 a.C. Fala da severa mensagem de julgamento onde Nabucodonosor conquistou novamente Jerusalém.

•25°-Lamentações (Lm.) – significa ”CHORO EM VOZ ALTA” – 05 poemas melancólicos de lamentação pela destruição de Jerusalém pelos Caldeus. Autor é Jeremias em 586-585 a.C. O livro lembra o fato do que Jesus sentia por Jerusalém.

•26°-Ezequiel (Ez.) – significa “JAVE FORTALECE” – Fala de restauração futura, relembrando aos exilados sobre os pecados que haviam trazido sobre eles o juízo divino, assegurando a bênção futura. Autor é Ezequiel, em 592-570

•27°- Daniel (Dn.) – significa JAVE E MEU JUIZ”-FaIa de Deus,o Juiz futuro, além de futuros impérios gentios, anticristo e doutrinas dos anjos, ressurreição e narrativas dos jovens no fogo e da cova dos leões. Autor é Daniel em 537 a.C.

•Profetas Menores (Mesma importância profética – 12 livros): (Jesus é o Messias Prometido):

•28°-Oséias (Os.) – significa “SALVAÇÃO” - FaIa de amor à infidelidade. Autor é Oséias,em 710 a.C.Fala do amor leal de Deus e da contínua infidelidade de Israel. Retrata a vida do profeta, os pecados do povo, o juízo certo e o amor divino.

•29°-JoeI (Jl.) significa ”JAVE E DEUS” - Autor é Joel em 835 a.C. Fala da intervenção de Deus na história antiga de lsrael, das nações pagãs, do Dia do Senhor e envolve a grande tribulação , a 2ª. Vinda de Jesus (parousia) e o Milênio.

•30°-Amós-(Am.) significa -”CARGA”. Fala de Apelo ao Arrependimento. Atacando os males sociais do culto pagão, lançou apelo para escapar do juízo divino, mesmo tendo Israel, posição privilegiada. Autor é Amós em 755 a.C.

•31°-Obadias (Ob.) significa ”SERVO DE JAVE” – Fala do castigo aos Edomitas, orgulhosos com Israel. Autor é Obadias em 840 ou 586 a.C.

•32°-Jonas (Jn.)–significa“POMBA”.Fala da fidelidade de Deus perante o mundo e há milagres.Autor: Jonas em 760 a.C.

•33°-Miquéias (Mq). significa “QUEM É COMO JAVÉ?”. Fala da futura glória de Israel. Autor é Miquéias em 700 a.C.

•34°-Naum (Na). – significa “CONSOLAÇÃO” – Fala do Caráter de Deus e destruição de Nínive. Autor é Naum em 663-612 a.C.

•35°-Habacuque (Hc). – significa “ABRAÇADOR”- Fala do amor de Deus; salmo de louvor, justificando a fé. Autor é Habacuque, em 607 a.C.

•36°-Sofonias (Sf.) – significa “JAVÉ ESCONDE” – Fala de julgamento. Juizo das nações pagãs e descreve o milênio. Autor é Sofonias, em 625 a.C.

•37°-Ageu (Ag.) – significa “FESTIVO”. Fala  de apelo à coragem, consciência pura, confiar em Deus no futuro e construção do Templo. Autor é Ageu em 520 a.C.

•38°-Zacarias (Zc.)-” – significa “JAVE LEMBRA” – Fala do Reinado do Senhor; refere-se ao retorno de Cristo. Autor é Zacarias, em 520-518 a.C.

•39°-Malaquias (Ml.) – significa “MEU MENSAGEIRO” – Fala do verdadeiro culto a Deus e arrependimento. Autor é  Malaquias em 450-400 a.C.

DIVISÃO DO NOVO TESTAMENTO:

(ORDEM NUMÉRICA DESCRITA NA BÍBLIA – NÃO CRONOLÓGICA)

A)                      EVANGELHOS-(BOAS-NOVAS)- (04 LIVROS):

MANIFESTAÇÃO DE CRISTO (O Salvador):

•40°-Mateus (Mt.) – significa “DOM DE DEUS” – Autor: Mateus, em 60-70 A.D. O tema é Cristo, o Rei, para judeus convertidos.

•41°-Marcos (Mc.) – significa “DEFESA” – Autor: João Marcos, em 50-60 A.D. O tema é Cristo, o servo, para romanos convertidos.

•42°-Lucas (Lc.) – significa “QUE DÁ A LUZ” – Autor: Lucas, o médico, em 60 A.D.-O tema é Cristo, o Filho do Homem, para gregos convertidos.

•43°-João (Jo.) – significa “JAVÉ É DOADOR GRACIOSO” – Autor: Apóstolo João, em 85-90 A.D. Revela Jesus nos 07 milagres.

B)                                                           HISTÓRIA DO INICIO DA IGREJA – (01 LIVRO):

PROPAGAÇÃO DE CRISTO (Ressurgido e Poderoso)

•44°-Atos (At.) – Autor: Lucas, o médico, em 61 A.D. Registra expansão da igreja em 30 anos, enfatizando a prática da doutrina e padrões éticos cristãos.

 

C)                      EPÍSTOLAS-INTERPRETAÇÃO E PROPAGAÇÃO DE CRISTO (21 LIVROS):

(O Cabeça da Iqreja):

•45º-Romanos (Rm.) Autor:Paulo,em 58 A.D.Doutrina da justificação da fé, justiça de Deus p/igreja gentia de Roma.

•46º-1 Coríntios-(1 Co.) Autor:Paulo,em 56.A.D.Fala do uso dos dons espirituais(teologia pastoral) p/ig.de Corinto.

•47º-2 Coríntios-(2 Co.) Autor:Paulo,em 57 A.D.Paulo defende sua autoridade,relembra à igreja,o compromisso de ofertar.

•48º-Gálatas (Gl.)- Autor:Paulo,em 49 ou 55 A.D.Tema é justificação pela fé e fruto do Espírito,polêmica judáica na Galácia.

•49º-Efésios (Ef.)- Autor:Paulo,em 61ª.D.Tema é salvação pela graça e relação entre igreja e Jesus à Igreja de  Éfeso.

•50º-Filipenses (Fp.)- Autor:Paulo,em 61 A.D.Fala da Doutr.de Kenosis(auto-humilhação de Cristo) e oração p/G.de Filipos.

•51º-Colossenses (Cl.): Autor:Paulo;61 A.D. Fala da Supremacia, pessoa,obra de Cristo, conosco contra heresias em Colossos.

•52º-1 Tessalonicenses (1 Ts.) Autor:Paulo,em 51 A.D.Fala do arrebatamento e do dia do Senhor para a Igreja de Tessalônica.

•53º-2 Tessalonicenses(2 Ts.) Autor:Paulo,51 A.D. Fala do homem do pecado, Anticristo,contra imediatismo da igreja.

•54º-1 Timóteo (1 Tm.) Autor:Paulo,63.A.D. Fala da conduta e combate entre doutrina pura e heresia financeira a Timóteo.

•55º-2 Timóteo (2 Tm.) Autor:Paulo,66 A.D.Fala de apostasia, inspiração das Escrituras e coroa de justiça para Timóteo.

•56º-Tito (Tt.) Autor:Paulo,em 65.A.D.Fala sobre presbíteros,faixas etárias na Ig.,governo,regeneração,obras para Tito.

•57º-Filemon (Fl.) Autor:Paulo, 61 A.D. Fala fé e liberdade, compromisso e testemunho de comunhão eficiente a Filemon.

•58º-Hebreus (Hb.)Autor incerto,talvez Paulo,em 64-68 A.D.Sacerdócio de Cristo superior à Lei, a crentes ricos da Itália.

•59º-Tiago (Tg.) Autor:Tiago, em 45-50 A.D. Fala de Conduta,graça,ética cristã, fé x obras, língua e oração para a igreja primitiva

•60º-1 Pedro (1 Pe.) Autor:Pedro, em 63 A.D. Fala da vitória sobre sofrimento e graça de Deus para crentes espalhados no mundo.

•61º-2 Pedro (2 Pe.) Autor:Pedro,em 66 A.D.Fala contra heresias,inspiração da escritura e parousia e verdade do evang.

•62º-1 João (1 Jo.) Autor:João,90 A.D.Fala da realidade da encarnação do verbo e da alta ética da vida de Cristo.

•63º-2 João (2 Jo.) Autor:João,90 A.D.Fala de como se andar nos mandamentos de Cristo contra falsas doutrinas.

•64º-3 João (3 Jo.) Autor:João,90 A.D.Fala dos falsos líderes e dos problemas eclesiásticos para Gaio.

•65º-Judas (Jd.) Autor:Judas,irmão de Tiago e meio irmão de Jesus(Mt.13:55Mc.6:3), em 70-80 A.D. Moral Cristã.

 

D)REVELAÇÃO – CONSUMAÇÃO EM CRISTO (01 livro)

(Alfa e ômega-Cristo volta para Reinar):

 

•66º-Apocalipse: (Ap.) Revelação dos Últimos Tempos. Autor João,90 A.D.Revelação de Jesus para as 7 igrejas da Ásia.

a Inerrância da Bíblia

A autoridade das Escrituras é um tema-chave para a igreja cristã, tanto desta como de qualquer outra época.

Aqueles que professam fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador são chamados a demonstrar a realidade de seu discipulado cristão mediante obediência humilde e fiel à Palavra escrita de Deus.

Afastar-se das Escrituras, tanto em questões de fé quanto de conduta, é deslealdade para com nosso Mestre.

Para que haja uma compreensão plena e uma confissão correta da autoridade das Sagradas Escrituras é essencial um reconhecimento da sua total veracidade e confiabilidade.

A Declaração a seguir afirma sob nova forma essa inerrância das Escrituras, esclarecendo nosso entendimento a respeito dela e advertindo contra sua negação.

Estamos convencidos de que negá-la é ignorar o testemunho dado por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo e rejeitar aquela submissão às alegações da própria Palavra de Deus, submissão esta que caracteriza a verdadeira fé cristã.

Entendemos que é nosso dever nesta hora fazer esta afirmação diante dos atuais desvios da verdade da inerrância entre nossos irmãos em Cristo e diante do entendimento errôneo que esta doutrina tem tido no mundo em geral.

Desejamos expressar uma convicção quanto à inerrância das Escrituras e estimular e desafiar uns aos outros e a todos os cristãos a uma compreensão e entendimento cada vez maiores desta doutrina.

O aprofundamento de nossas próprias convicções através dos debates que tivemos juntos e oramos para que esta Declaração que assinamos seja usada para a glória de nosso Deus com vistas a uma nova reforma da igreja no que tange à sua fé, vida e missão.

Muitos  que negam a inerrância das Escrituras não apresentam em suas crenças e comportamento as conseqüências dessa negação, e estamos conscientes de que nós, que confessamos essa doutrina, freqüentemente a negamos em nossas vidas, por deixarmos de colocar nossos pensamentos e orações, tradições e costumes, em verdadeira sujeição à Palavra divina.

Qualquer pessoa que veja razões, à luz das Escrituras, para fazer emendas às afirmações desta Declaração sobre as próprias Escrituras (sob cuja autoridade infalível estamos, enquanto falamos), é convidada a fazê-lo.

Não alegamos nenhuma infalibilidade pessoal para o testemunho que damos e seremos gratos por qualquer ajuda que nos possibilite fortalecer esse testemunho acerca da Palavra de Deus.

UMA BREVE DECLARAÇÃO

1. Deus, sendo ele próprio a Verdade e falando somente a verdade, inspirou as Sagradas Escrituras a fim de, desse modo, revelar-se à humanidade perdida, através de Jesus Cristo, como Criador e Senhor, Redentor e Juiz.

As Escrituras Sagradas são o testemunho de Deus sobre si mesmo.

2. As Sagradas Escrituras, sendo a própria Palavra de Deus, escritas por homens preparados e supervisionados por seu Espírito, possuem autoridade divina infalível em todos os assuntos que abordam: devem ser cridas, como mandamento divino, em tudo o que determinam; aceitas, como penhor divino, em tudo que prometem.

3. O Espírito Santo, seu divino Autor, ao mesmo tempo no-las confirma através de seu testemunho interior e abre nossas mentes para compreender seu significado.

4. Tendo sido na sua totalidade e verbalmente dadas por Deus, as Escrituras não possuem erro ou falha em tudo o que ensinam, quer naquilo que afirmam a respeito dos atos de Deus na criação e dos acontecimentos da história mundial, quer no testemunho que dão sobre a graça salvadora de Deus na vida das pessoas.

5. A autoridade das Escrituras fica inevitavelmente prejudicada, caso essa inerrância divina absoluta seja de alguma forma limitada ou desconsiderada, ou caso dependa de um ponto de vista acerca da verdade que seja contrário ao próprio ponto de vista da Bíblia; e tais desvios provocam sérias perdas tanto para o indivíduo quanto para a igreja.

ARTIGOS DE AFIRMAÇÃO E NEGAÇÃO

* As Sagradas Escrituras devem ser recebidas como a Palavra oficial de Deus. Negamos que a autoridade das Escrituras provenha da Igreja, da tradição ou de qualquer outra fonte humana.

* As Sagradas Escrituras são a suprema norma escrita, pela qual Deus compele a consciência, e que a autoridade da Igreja está subordinada à das Escrituras. Negamos que os credos, concílios ou declarações doutrinárias da Igreja tenham uma autoridade igual ou maior do que a autoridade da Bíblia.

* A Palavra escrita é, em sua totalidade, revelação dada por Deus. Negamos que a Bíblia seja um mero testemunho a respeito da revelação, ou que somente se torne revelação mediante encontro, ou que dependa das reações dos homens para ter validade.

* Deus, que fez a humanidade à sua imagem, utilizou a linguagem como um meio de revelação. Negamos que a linguagem humana seja limitada pela nossa condição de sermos criaturas, a tal ponto que se apresente imprópria como veículo de revelação divina. Negamos ainda mais que a corrupção, através do pecado, da cultura e linguagem humanas tenha impedido a obra divina de inspiração.

* A revelação de Deus dentro das Sagradas Escrituras foi progressiva. Negamos que revelações posteriores, que podem completar revelações mais antigas, tenham alguma vez corrigido ou contradito tais revelações. Negamos ainda mais que qualquer revelação normativa tenha sido dada desde o término dos escritos do Novo Testamento.

* A totalidade das Escrituras e todas as suas partes, chegando às próprias palavras do original, foram dadas por inspiração divina. Negamos que se possa corretamente falar de inspiração das Escrituras, alcançando-se o todo mas não as partes, ou algumas partes mas não o todo.

* A inspiração foi a obra em que Deus, por seu Espírito, através de escritores humanos, nos deu sua Palavra. A origem das Escrituras é divina. O modo como se deu a inspiração permanece em grande parte um mistério para nós. Negamos que se possa reduzir a inspiração à capacidade intuitiva do homem, ou a qualquer tipo de níveis superiores de consciência.

* Deus, em sua obra de inspiração, empregou as diferentes personalidades e estilos literários dos escritores que ele escolheu e preparou. Negamos que Deus, ao fazer esses escritores usarem as próprias palavras que ele escolheu, tenha anulado suas personalidades.

* A inspiração, embora não outorgando onisciência, garantiu uma expressão verdadeira e fidedigna em todas as questões sobre as quais os autores bíblicos foram levados a falar e a escrever. Negamos que a finitude ou a condição caída desses escritores tenha, direta ou indiretamente, introduzido distorção ou falsidade na Palavra de Deus.

* A inspiração diz respeito somente ao texto autográfico das Escrituras, o qual, pela providência de Deus, pode-se determinar com grande exatidão a partir de manuscritos disponíveis. Afirmamos ainda mais que as cópias e traduções das Escrituras são a Palavra de Deus na medida em que fielmente representam o original.

Negamos que qualquer aspecto essencial da fé cristã seja afetado pela falta dos autógrafos. Negamos ainda mais que essa falta torne inválida ou irrelevante a afirmação da inerrância da Bíblia.

* As Escrituras, tendo sido dadas por inspiração divina, são infalíveis, de modo que, longe de nos desorientar, são verdadeiras e confiáveis em todas as questões de que tratam. Negamos que seja possível a Bíblia ser, ao mesmo tempo, infalível e errônea em suas afirmações. Infalibilidade e inerrância podem ser distinguidas, mas não separadas.

* Em sua totalidade, as Escrituras são inerrantes, estando isentas de toda falsidade, fraude ou engano. Negamos que a infalibilidade e a inerrância da Bíblia estejam limitadas a assuntos espirituais, religiosos ou redentores, não alcançando afirmações de natureza histórica e científica. Negamos ainda mais que hipóteses científicas acerca da história da terra possam ser corretamente empregadas para desmentir o ensino das Escrituras a respeito da criação e do dilúvio.

* A propriedade do uso de inerrância como termo teológico referente à total veracidade das Escrituras. Negamos que seja correto avaliar as Escrituras de acordo com padrões de verdade e erro estranhos ao uso ou propósito da Bíblia. Negamos ainda mais que a inerrância seja contestada por fenômenos bíblicos, tais como uma falta de precisão técnica contemporânea, irregularidades de gramática ou de ortografia, descrições da natureza feitas com base em observação, referência a falsidades, uso de hipérbole e números arredondados, disposição do material por assuntos, diferentes seleções de material em relatos paralelos ou uso de citações livres.

* A unidade e a coerência interna das Escrituras. Negamos que alegados erros e discrepâncias que ainda não tenham sido solucionados invalidem as declarações da Bíblia quanto à verdade.

* A doutrina da inerrância está alicerçada no ensino da Bíblia acerca da inspiração. Negamos que o ensino de Jesus acerca das Escrituras possa ser desconsiderado sob o argumento de adaptação ou de qualquer limitação natural decorrente de sua humanidade.

* A doutrina da inerrância tem sido parte integrante da fé da Igreja ao longo de sua história. Negamos que a inerrância seja uma doutrina inventada pelo protestantismo escolástico ou que seja uma posição defendida como reação contra a alta crítica negativa.

* O Espírito Santo dá testemunho acerca das Escrituras, assegurando aos crentes a veracidade da Palavra de Deus escrita. Negamos que esse testemunho do Espírito Santo atue isoladamente das Escrituras ou em oposição a elas.

* O texto das Escrituras deve ser interpretado mediante exegese histórico-gramatical, levando em conta suas formas e recursos literários, e que as Escrituras devem interpretar as Escrituras. Negamos a legitimidade de qualquer abordagem do texto ou de busca de fontes por trás do texto que conduzam a um revigoramento, desistorização ou minimização de seu ensino, ou a uma rejeição de suas afirmações quanto à autoria.

* Uma confissão da autoridade, infalibilidade e inerrância plenas das Escrituras é vital para uma correta compreensão da totalidade da fé cristã. Afirmamos ainda mais que tal confissão deve conduzir a uma conformidade cada vez maior à imagem de Cristo. Negamos que tal confissão seja necessária para a salvação. Contudo, negamos ainda mais que se possa rejeitar a inerrância sem graves conseqüências, quer para o indivíduo, quer para a Igreja.

 

A AUTORIDADE E A INERRÂNCIA BÍBLICA

 

1) EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA PARA A AUTORIDADE BÍBLICA:

“A autoridade das Escrituras significa que todas as palavras nas Escrituras são palavras de Deus de modo que não crer em alguma Palavra a Bíblia ou desobedecer a ela é não crer em Deus ou desobedecer a ele” Wayne Gruden

Ou seja, a Bíblia é a Palavra de Deus, escrita por homens, mas inspirada por Deus que foram ordenados para que escrevessem de forma fiel aquilo que lhes foi dito.(Nm 22:38, Dt 18:18-20, Jr 1:9; 14:14; 23:16-22; 29:31-32; Ez 2:7; 13:1-16). Vemos alguns fatores que garantem a autoridade bíblica: Todas as palavras nas escrituras são Palavra de Deus

A Bíblia diz isso a seu próprio respeito: O Apóstolo Paulo afirma que toda a Escritura é inspirada por Deus e ainda diz a sua completa utilidade, em várias áreas da vida e da necessidade interior e exterior do homem, caracterizando a autoridade, a inspiração, a inerrância e a suficiência bíblica para o homem em qualquer situação ou dificuldade de sua vida. (2 Tm 3:16).

Em 1 Pe 1:21, o apóstolo Pedro nos afirma que nenhuma escritura veio de propósitos humanos e que nenhuma interpretação é particular ou pertence a uma pessoa ou a um grupo restrito, mas sim que foram homens que escreveram e falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

Somos convencidos a aceitar as reivindicações da Bíblia de que ela é a Palavra de Deus, vemos que a partir do momento em que lemos a Bíblia e se inicia a ação do Espírito Santo nos mostrando que as palavras da Bíblia são divinas, pois o próprio Espírito Santo passa a falar aos nossos corações na palavra da Bíblia e por intermédio delas. Vemos isto com o Apóstolo Paulo nos falando em 1 Co 2:13,14.

As palavras das Escrituras são autocorroborantes. Elas se confirmam e se comprovam entre si mesmas, e não podem ser comprovadas por nada externo, como exemplo, razão humana, exatidão histórica, ou outros argumentos, caso isso aconteça estamos sugerindo que haja algo maior que a própria Escritura. Cremos que as Escrituras são a Palavra de Deus por que elas reivindicam essa condição e cremos em sua reivindicação porque as Escrituras são a Palavra de Deus.

Não é o único meio de comunicação de Deus, vemos no livro de Hb 1:1, que Deus falou a nós pelos profetas de muitas maneiras.

Outros indícios, a Bíblia é historicamente precisa, tem coerência interna, contém profecias que se cumpriram centenas de anos mais tarde e estão a se cumprir hoje, influenciou e influencia os rumos da História humana, muda a vida de milhões de pessoas, que encontram a salvação por seu intermédio, tem em seus ensinos uma beleza singular e majestosa e de uma profundidade que nenhum outro livro pode superar e afirma centenas de vezes que é a Palavra de Deus. Então em virtude do exposto:

 

2) NÃO CRER EM QUALQUER PALAVRA DA ESCRITURA OU DESOBEDECER A ELAS É NÃO CRER EM DEUS OU DESOBEDECER A ELE.

Vemos que Jesus repreende os discípulos por não crerem nas Escrituras (Lc 24:25). Nós crentes devemos guardar e obedecer às palavras dos discípulos (Jo 15:20). Os cristãos são incentivados a se lembrar “do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos apóstolos” (2Pe 3.2). Desobedecer aos escritos tornava as pessoas passivas de afastamento do corpo de Cristo (2Ts 3:14, 2Co 13:2-3). E, finalmente Deus se alegra em todo aquele que “treme” diante de sua Palavra (Is 66:2).

 

3) VERACIDADE DAS ESCRITURAS

Deus não pode mentir nem falar com falsidade (Hb 6:18)

Todas as palavras nas Escrituras são inteiramente verdadeiras e não contém erros em nenhum lugar.

A Palavra de Deus é o padrão definitivo da Verdade.

Nenhum fato novo poderá contradizer a Bíblia

 

4) AS ESCRITURAS SÃO A AUTORIDADE FINAL

Vemos que Deus quando deu os mandamentos a Moisés, Ele mandou que Moisés preparasse as tábuas em que Ele escreveu como seu próprio dedo (Ex 31:18), ou seja, escritas pelo próprio Deus, o Próprio Senhor fez questão de escrever, registrar, para ser lembrado, para não ser alterado, para que fosse de fácil acesso e de mais fácil obediência e que como conhece o homem saberia de sua facilidade de alterá-la se fosse apenas através da tradição oral, tanto é que as tábuas ainda estão guardadas dentro da arca do concerto, que vai ser achada por nós quando da nossa reunião com o Senhor (Ex 25:16; Ap 11:19).

5)  AS QUATRO CARACTERÍSTICAS DAS ESCRITURAS

INERRÂNCIA BÍBLICA (1)

Antes de mostrarmos as características dessa inerrância, vimos no item anterior que todas as Palavras escritas na Palavra de Deus são proveniente s de Deus e não obedecer a elas significa não obedecer a Deus e que por Ser Palavra de Deus e ser impossível que Deus minta ou fale com falsidade, então podemos dizer que a Palavra de Deus é verdadeira e sem qualquer erro, ou destituída de qualquer imperfeição (Sl 12:6, Pv 30:5, Jo 17:17).

Então podemos entender que os manuscritos bíblicos nos seus originais são desprovidos de quaisquer erros e não afirmam nada contrário aos fatos e sempre diz a verdade a respeito de todas as coisas que trata.

Vejamos algumas características da inerrância bíblica:

* A Bíblia pode ser inerrante e ainda assim usar a linguagem cotidiana, como já vimos a Bíblia foi escrita por vários autores dos mais variados níveis culturais, portanto foi escrito de acordo com a estrutura de linguagem de cada um, sendo geralmente a linguagem usual do povo, no caso de um homem do povo, ou de um sacerdote, no caso de ser escrita por um sacerdote, ou rica em detalhes quando escrita por um médico, ou numa linguagem mais coloquial quando escrita por pescador ou por vaqueiro;

* A Bíblia pode ser inerrante e conter citações livres, no grego original, Koine em que foi escrito o NT não existia sinais de aspas ou pontuações que indicassem a autoria de determinado discurso por parte de uma pessoa, por isso no Original as citações não são diretas e sim livres abertas, porém o que deve ser observado é se elas estão de acordo como conteúdo verdadeiro já existente na própria Palavra;

* A inerrância é compatível com construções gramaticais pouco usuais que estão presentes na Bíblia, por conter muitas vezes a linguagem natural do povo comum, ocorrem erros gramaticais, porém foi feita na linguagem natural do povo, mas que não afetam nem destroem a fidedignidade das declarações e do conteúdo sagrado e verdadeiro das Escrituras.

 

6) ALGUNS DESAFIOS PARA A INERRÂNCIA NOS DIAS DE HOJE

* A Bíblia é a única autoridade em questões de “fé e prática”, algumas pessoas nos dizem que a Bíblia só serve para questões relacionada a fé e a questões éticas de comportamento e conduta, o que abre margem para que outras áreas da Bíblia estejam com erros, porém temos que ver que a Palavra de Deus é a verdade e por ser a verdade e infalível e inerrante em qualquer área, veja o que diz At 24:14.

Em Rm 15:4 diz que tudo o que antes foi escrito foi escrito para o nosso ensino. Podemos dizer que a Bíblia é completamente pura, perfeita e verdadeira. (Sl 12:6, Sl 119:96, Pv 30:5). Vemos que o propósito geral das Escrituras é dizer exatamente tudo o que diz da maneira que diz. Tudo o que está declarado é por que Deus quis que estivesse declarado, tudo tem o seu propósito, apenas dizer que a Palavra só  serve para regra de fé e prática é impor limites a Deus que não tem limites e é perfeito e poderoso para fazer abundantemente além de tudo o que pedimos ou pensamos.

* O termo inerrância é um exagero, a questão da inerrância não está no aspecto gráfico da escrita, mas sim no aspecto de que os propósitos divinos foram atingidos, na perfeição do que foi relatado e escrito, na perfeição do anelo de amor e da grandeza de Deus que estão relatados na Palavra. Então de maneira nenhuma é exagero dizer que a Palavra é inerrante.

* Não possuímos manuscritos inerrantes, portanto não podemos falar de uma Bíblia inerrante. Os erros que se podem encontrar hoje em dia em relação aos manuscritos originais são ínfimos se comparados, chegam a ser menos de 1%, o que podemos falar que mesmo com a tradução permanecerão fiéis em sua integralidade, portanto a inerrância é mantida mesmo nos escritos de hoje mesmo com a diferença que existe em traduções.

* Os escritores bíblicos “adaptaram” suas mensagens a idéias falsas correntes na época deles, afirmando tais idéias de modo incidental. Diz que os escritores incluíram erros ou idéias erradas em seus escritos, só que essa afirmação nega a Soberania de Deus, nem permite mentira ou erro algum, até por que Deus não agiria contra o seu próprio caráter.

* A inerrância superestima o aspecto divino das Escrituras e negligencia o aspecto humano. Sabemos que a Bíblia é composta de dois aspectos, o divino e o humano e que se necessita dar a devida atenção a ambos.

* Há erros evidentes na Bíblia. O grande problema é que muitas pessoas afirmam que a Bíblia contém vários erros, o maior problema é que esses erros não conseguiram ser comprovados até hoje e cremos que não vão ser. O detalhe é que a idéia de erros na Bíblia parte da visão de cada uma das pessoas, por olharem a Palavra a partir dos seus conceitos e valores. Porém a verdade é que já vão muitos e muitos anos e os erros nunca conseguiram ser comprovados e de lá até hoje a Palavra é viva e eficaz e mais cortante que espada de dois gu7mes e penetra até o mais íntimo do ser (Hb 4:11).

 

7) PROBLEMAS COM A REJEIÇÃO DA INERRÂNCIA:

* Sem a inerrância ao imitar Deus vamos mentir intencionalmente em questões secundárias.

* Sem a inerrância será que podemos confiar em tudo o que Deus nos diz?

* Sem a inerrância, faremos de nossa mente humana um padrão de verdade maior que a Palavra de Deus.

* Sem a inerrância e com alguns pequenos itens errados vamos partir para afirmar que determinadas doutrinas fundamentais também estão erradas.

8) A CLAREZA BÍBLICA:

DEFINIÇÃO DE CLAREZA

A Bíblia é escrita de forma que todas as informações que interessam ao homem para a sua salvação e encontro, intimidade e relacionamento com Deus encontram-se bem claramente expostas nas Escrituras e podemos ainda definir da seguinte forma: afirmar que as escrituras são claras é dizer que a Bíblia está escrita de modo que seus ensinamentos podem ser compreendidos por todos os que a lerem em relacionamento com Deus e aplicando a sua vida.

 

A BÍBLIA AFIRMA A SUA PRÓPRIA CLAREZA:

“Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.” Esta passagem fala sobre a clareza e a nossa responsabilidade diante desta Palavra clara. Por outro lado vemos que a Palavra quando ela é dirigida é dirigida aos povos, e não a determinadas pessoas, ou seja, a todos os que estão com o sentimento de aprender de Deus. No Salmo 19:7 “O testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices”, já no Salmo 119:130 diz: “A revelação da tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples”. Ainda em outra passagem a Bíblia nos diz que o Povo de Deus erra por que lhe falta o conhecimento das Escrituras e nem conhece o poder de Deus e ainda a própria Palavra de Deus fala que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação (2Pe 1:20).

AS QUALIDADES ESPIRITUAIS E MORAIS NECESSÁRIAS PARA A COMPREENSÃO CORRETA DA PALAVRA;

Temos que compreender que a compreensão correta da Palavra é mais moral e espiritual do que intelectual “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1Co 2:14), a Escritura é clara sim, mas ela só será bem compreendida por quem se dispuser a receber os seus ensinamentos, até por que não é um livro de homens e sim o Livro de Deus para os homens. (1 Co 1. 18 – 3:4; 2Co 3:14-16; 4:3-4,6; Hb 5:14: Tg 1:5-6: 2 Pe3:5; Mc 4:11-12: Jo7:17; 3:43.)

As Escrituras podem e devem ser lida por todos os que buscam sinceramente a salvação e por todos os crentes que a leiam buscando o auxílio de Deus para a sua compreensão, pois nestes casos o Espírito Santo está a agir fazendo as transformações necessárias, trazendo a mudança e fazendo a verdade prevalecer. (Rm 4: 1-25;1: 18-25; Tg1: 5-6, 22-25)

POR QUE AS PESSOAS NÃO COMPREENDEM CORRETAMENTE AS ESCRITURAS?

Por muitas vezes não compreendemos as escrituras por falta de fé ou por dureza de nossos corações (Lc 24: 25), porém para interpretar de maneira correta a Palavra temos que trazer o entendimento a través de princípios corretos de interpretação que é a hermenêutica, que averigua os métodos corretos de interpretação e a inda através do estudo e da explicação de um texto bíblica que é a chamada exegese.

A grande vantagem desta característica da Palavra é que diante de grandes questionamentos e dos grandes embates que o homem faz em torno da Palavra duas coisas apenas podem acontecer a primeira é querermos afirmar verdades em torno do que a Bíblia se cala e aí muitas vezes queremos ser maiores que a Palavra e o outro é no que a Bíblia fala se erramos é por que não interpretamos de forma correta e coerente.

9) A NECESSIDADE BÍBLICA:

A BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA SE CONHECER O EVANGELHO

(Rm 10:13-17): “porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: “Como são belos os pés dos que anunciam boas novas!” No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: “Senhor, quem creu em nossa mensagem?”

Conseqüentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.” É fundamental para o homem que ele invoque ao Senhor para que seja salvo, só invocamos em quem cremos ou que sabemos que existe e que é poderoso para fazer alguma coisa por nós.

Não podemos crer se não conhecemos ou se não sabemos se ele existe.

E nem ouviremos falar nele se alguém não nos falar,  e finalmente alguém para falar dele vai fala da Palavra DELE, ou seja a Palavra é necessária para as nossas vidas e é necessária para a SALVAÇÃO.

A BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA SUSTENTAR A FÉ ESPIRITUAL

Não só de pão viverá o homem mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4: 4), Moisés diz o seguinte: “Elas não são palavras inúteis. São a sua vida. Por meio delas vocês viverão muito tempo na terra da qual tomarão posse do outro lado do Jordão”.(Dt 32:47)  e ainda 1 Pe 2:2 e 1 Pe 1: 23- 25.

A BÍBLIA É NECESSÁRIA PARA SE CONHECER A VONTADE DE DEUS

Sem a Palavra escrita de maneira alguma poderíamos conhecer a vontade de Deus para os homens, para as nossas vidas. Somente através da Bíblia temos os ensinos e as direções que o Senhor quer para as nossas vidas. Na Palavra de Deus temos expressões claras da vontade de Deus para os homens, vejamos (Dt 29: 29) que diz: ““As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei.

Deus quer que sejamos irrepreensíveis por vivermos de acordo com a Palavra de Deus (Sl 119:1), ele quer que o homem seja bem aventurado pois o homem bem aventurado, não anda no conselhos dos ímpios e sim medita na lei do Senhor  de dia e de noite (Sl 1:1,2). Diz ainda que amar a Deus é guardar os seus mandamentos (1 Jo 5: 3), ou seja, se queremos ter um conhecimento preciso da vontade de Deus, devemos então estudar as Escrituras para alcançarmos um conhecimento seguro da Palavra de Deus.

Porém, finalizando este item temos que a Bíblia é necessária para alcançar conhecimento seguro sobre qualquer assunto, pois aquele que criou todas as coisas, o universo e tudo o mais  e que jamais mente ou se engana nos revelou a verdade e o que é verdadeiro.

Mas um pequeno detalhe a BÍBLIA NÃO É NECESSÁRIA PARA SABER QUE DEUS EXISTE e NÃO É NECESSÁRIA  PARA SE SABER ALGO SOBRE O  CARÁTER E AS LEIS MORAIS DE DEUS.

10) A SUFICIÊNCIA BÍBLICA:

DEFINIÇÃO DE SUFUCIÊNCIA

Dizer que as Escrituras são suficientes é dizer que a Palavra que Deus deixou escrita é suficiente e o bastante para que possamos alcançar a salvação, e para que possamos confiar em Deus e obedecê-lo e o mais que necessitamos para uma vida com Deus em todos os aspectos. E mais ainda ela não precisa de acréscimos, nem de ajustes, nem de reparos ou concertos e adequações. (Dt 4:2; Dt  12:32; Pv 30:5-6; Ap 22: 18-19).

* Na Bíblia está contido tudo o que Deus quer que pensemos e façamos; (Dt 29: 29);

* Na Bíblia nada devemos acrescentar e ainda, nada devemos equiparar a Ela. Ex.: Livro de Mórmons, Ciência Cristã (Ciência e saúde com uma chave para as Escrituras, de Mary Baker Eddy,) que afirmam crer na Bíblia mas dão igual valor ou até mesmo superior valor a esses livros em relação a Bíblia.

* Deus não exige que creiamos em nada sobre si mesmo ou sobre sua obra redentora que não se encontre na Palavra.

* Nenhuma revelação moderna de Deus deve ser equiparada a Bíblia no tocante à autoridade.

* Não existe pecado que não seja proibido pelas Escrituras. Quer explicitamente, quer implicitamente, temos que ser irrepreensíveis (Sl 119: 1).

* Deus não exige nada de nós que não esteja escrito e determinado explícita ou implicitamente na sua Palavra. Obedecerei constantemente à tua lei, para todo o sempre. “Andarei em verdadeira liberdade, pois tenho buscado os teus preceitos. Os que amam a tua lei desfrutam paz, e nada há que os faça tropeçar”. (Sl 119: 44-45, 165).

* Devemos enfatizar o que a Bíblia enfatiza e nos contenta com aquilo que Deus nos disse nas Escrituras. (Dt 29: 29);

AULA 3 – DEUS:

 

NOMENCLATURA NO ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRÁICO (NOME DE DEUS):

* Myhla ‘elohiym - plural  – o (verdadeiro) Deus  (Gn. 1:1);

* hwhy Yahovah – Javé = “Aquele que existe”; o nome próprio do único Deus verdadeiro; nome impronunciável. (Gn.2:4);

* ynda ‘Adonay - Senhor-título, usado para substituir Javé como expressão judáica de reverência (Gn.15:2);

NOMENCLATURA NO NOVO TESTAMENTO EM GREGO (NOME DE DEUS):

* yeov theos - A divindade suprema; Deus. (Mt. 1:23);

* kuriov kurios – (supremacia) – aquele a quem uma pessoa ou coisas pertence, sobre o qual ele tem o poder de decisão; Mestre, Messias. (Mt.1:20).

1) IDÉIAS SOBRE A REALIDADE DE DEUS: COSMOVISÃO:

Há várias maneiras pelos quais as pessoas podem entender a vida, influenciando a maneira pelo qual a pessoa pode ver Deus, origens, mal, natureza humana, valores e destino.

Cada uma é singular pois seus conceitos são exclusivos.

Apenas uma cosmovisão pode ser verdadeira:

  • Deus é um ser infinito e pessoal (1 Co.8:6);
  • O mundo foi criado e é finito (Sl.89:11);
  • Deus é além do mundo e atua no universo (Rm.1:25);
  • Os milagres são possíveis e reais (Hb.2:4);
  • Possuímos alma imortal e corpo mortal (1 Co.15:54);
  • No destino humano haverá julgamento com recompensas para os justos e juízos para os ímpios (1 Pe.4:17);
  • A origem do mal implica nosso livre arbítrio (Gn.2:17);
  • No fim, o mal será derrotado por Deus (Ap.3:21);
  • A base de toda ética é baseada em Deus (2 Co.1:12);
  • A natureza da ética de Deus é absoluta (Ml.3:6);
  • Na história e seus objetivos, ela é linear, proposital e determinada por Deus (Is. 14:26).

 

ARGUMENTO COSMOLÓGICO:

A ciência exige uma causa para todo efeito:

  • A causa do sem fim é a existência do infinito;
  • A causa da eternidade é a existência do Eterno;
  • A causa do espaço ilimitado é a onipresença;
  • A causa do poder é a onipotência;
  • A causa da sabedoria é a onisciência;
  • A causa da personalidade é o pessoal;
  • A causa das emoções é o emocional;
  • A causa da vontade é a  evolução;
  • A causa da ética é a moral;
  • A causa da espiritualidade é o espiritual;
  • A causa da beleza é a estética;
  • A causa da retidão é a santidade;
  • A causa do amar é o amor;
  • A causa da vida é a existência;
  • A causa de tudo se concentra em Deus.

 

2) A REVELAÇÃO DE DEUS:

 

2 TIPOS: (Natural ou Geral) e (Especial ou Sobrenatural)

Deus é o “mysterium tremendum”, mistério fascinador, oculto e desconhecido (At.17:23), mas a história humana é o registro das ações de Deus no tempo (At.17:26), pois Deus domina sobre todos os homens (Dn.4:17), num plano e propósitos divinos para o Reino de Deus na terra (Dn.2:7).

Se Deus não se revelar, o homem não pode conhecê-lo.Ele é incompreensível;só o Espírito Santo conhece suas profundezas.Deus deseja que o homem o conheça,o adore e viva em sua comunhão.

REVELAÇÃO NATURAL OU GERAL

 A criação pode nos revelar a existência de Deus: Deus é o Criador; é uma norma para a sociedade e meio de condenação (Insuficiente porque o pecado adulterou a fé humana-(Rm.1:19-20).

- Nas Artes: Deus se revela nas artes pois Deus é belo e fez um belo mundo e criou seres para apreciarem essa beleza. O homem é apenas um “subcriador”, dotados de dons criativos que revelam algo de sua natureza maravilhosa.

- Na Música: Deus se revela na música pois os anjos o louvam (Jó.38:7;Is.6:3;Ap.4:8; Ap.5:12). A voz humana é um instrumento musical criado por Deus e também os anjos, foram criados para louvar a Deus (Sl.150:3-5; Ap.8:2; Ap.14:2).

A música manifesta a glória de Deus, bem como a criação.

- Na Natureza: A revelação geral revela Deus como criador, mas não revela o redentor, narrando apenas a grandeza de Deus (Sl.8:1; Is.40:12-17). Ela é ampla, revelando as verdades da ciência, história e matemática, pelas leis da natureza e também é essencial para a razão humana pelo questionamento dos fatos da vida.

- Nos governos: Ademais, a revelação geral de Deus (Criação) é essencial a governo humano pois apesar de nem todas as sociedades estarem debaixo da lei judaica, estão embaixo das leis universais que regem a natureza.

REVELAÇÃO ESPECIAL OU SOBRENATURAL

 A revelação especial nos revela a teologia cristã: Deus é o redentor; é uma norma para a igreja e meio para salvação. A Bíblia é a norma para todo o ensinamento cristão, revelando a graça redentora de Deus e a mensagem da salvação, explicando o acesso do homem a Deus.

Tanto as revelações gerais como especiais são necessárias, pois Deus se revelou em sua Palavra e no mundo.

A verdade é encontrada tanto na Bíblia quanto na ciência, mas temos que distinguir a interpretação bíblica e a do leitor. As revelações de Deus  na Palavra e no mundo nunca se contradizem, pois a Bíblia é inerrante.

 

3) DEFINIÇÃO DE DEUS NA TEOLOGIA:

Deus é o Ser Supremo Espírito Infinito, Eterno, Imutável em seu Ser, Sabedoria, Poder, Santidade, Justiça, Bondade, Verdade e Amor, Único, Perfeito, Criador e Sustentador do universo, Pessoal e subsiste em três Pessoas ou Distinções: Pai, Filho e Espírito Santo.

 

 

 

4) DEFINIÇÃO BÍBLICA DE DEUS:

Deus é testemunha entre os homens (Gn.31:50); zeloso (Dt.4:24); misericordioso (DT.4:31); único (Dt.6:4); grande e poderoso (Dt.10:17); perfeito, verdadeiro, justo e reto (Dt.32:4); salvador (2 Sm.22:3); excelso em poder (Jó.36:22); misterioso e eterno (Jó.36:26); justo juiz (Sl.7:11); bem presente (Sl.46:1); santo (Sl.99:9); a verdade real e eterna (Jr.10:10); Espírito (Jo.4:24); Fiel (2 Co.1:18);  Poderoso (2 Co.9:8); único (Gl.3:20); Amor (1 Jo.4:8); é verdadeiro em seu Filho Jesus Cristo, o verdadeiro Deus e a vida eterna. (1Jo.5:20).

5) EVIDÊNCIAS DE DEUS: (Argumentos de sua existência):

a)Impulsionador Primário:Se tudo é energia, só Deus criou a força para iniciar esta energia geradora de toda a vida.

b) Cosmológico: Existe um universo em vez de não haver nenhum, que deve ter sido causado por algo, além de si mesmo e que precisa continuar existindo; assim, se teve princípio,  teve causa e assim só Deus criou esta  1ª matéria.

c) Possibilidade:Todas as partes do universo dependentes entre si e assim, dependem da existência de um ser independente;Deus.

d) Axiológico (grego Áxios-Valor): Deus entende a vida complexa de todos nós, como a complexidade psico-cerebral.

e) Telológico (grego Telos-Finalidade, Propósito):O Universo é um grande projeto complexo, tendo complexidade (muito cheio de elementos) e especificidade (características nítidas e constantes).

f)Ontológico (grego Ontos-realidade, ser perfeito):Deus é um ser absolutamente perfeito; como a existência é uma perfeição, Deus existe.

g) Eficácia da Razão:Razão admite Deus; é irracional pensar que tudo foi feito ao acaso se na vida tudo há propósito.

h) Moral:Moral vem dEle (Rm.2:12-15)-Leis morais implicam um legislador moral; como há uma lei moral objetiva, há um legislador moral que é Deus.

i)Religiosa:Seres humanos precisam de Deus;os que os seres humanos precisam existe;logo,Deus realmente existe.

j) Autoridade:Existência de líderes;Se há a presença de líderes e de liderados, isso reflete que há um líder maior,Deus.

k) Experiência: Cura, milagre;Curas e milagres em todo o mundo, evidenciam a operação de Deus (realizar milagres.)

l) ”consensus gentium”:Opinião popular;se numa comunidade, pessoas de diferentes padrões atestam, há evidência.

m) felicidade cristã: Senso de Confiança.Testemunhos de pessoas transformadas evidenciam Deus em suas vidas.

n)Argumento da Alegria:Todo desejo tem um objeto real de satisfação;os seres humanos têm um desejo inato e natural pela imortalidade; assim, há uma vida imortal após a morte e conseqüentemente, a presença de Deus, juiz.

6) RELAÇÃO NO MUNDO:

Visão correta:TEÍSTA/MONOTEÍSTA:Há um Deus e somente um único Deus, que é Ele mesmo, em sentido absoluto: Há 3 religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

 

Criação e Providência

 

1) Deus por seu poder e bondade infinitos, criou o mundo do nada, sem perda de sua substância, deu existência ao mundo;

2) que não abandonou, depois de criá-lo;continua a influir em todo momento sobre ele,com sabedoria e amor,conservando e dirigindo no sentido dos fins dados na ordem da criação.

 

 

Imanência e Transcendência:

a) Deus está unido ao mundo que criou;

b) dele se distingue em real independência de Deus, ser infinito, pessoal, autônomo, inteligente e livre, distinto do universo que criou, o conserva e o dirige.

 

7) MANEIRAS DE SE REVELAR:

 

a)Teofanias(manifestações)-Deus próximo,entre anjos, fogo, nuvem,fumaça,zéfiro suave(voz mansa) e Anjo do Senhor(2ª.pessoa da trindade);

b)Comunicações diretas (auto-revelação):Voz audível, Urim e Tumim (peças da roupa do Sumo-sacerdote),  sonho, revelação, visão e pelo Espírito Santo.

c) Milagres (experiência mística): poder de Deus em situações especiais: Maná, sarça ardente, abertura do Jordão;

d) Escrituras:revelando aspectos de Deus e sua obra;

e) Abordagens: racionais (reflexão); intuitivas (idéias) ou filosóficas (ver a natureza).

8) SUA NATUREZA ESSENCIAL:

 

1)Puramente espiritual,de infinitas perfeições (3 elementos):*Deus é puramente Espírito (Jo.4:24) auto-consciente, auto-determinativo, sem corpo limitado, não visto por nossos sentidos.

2)Pessoal: tem personalidade, inteligência, moral e racional,através de suas ações: vai, vem, sustenta prova,conversa e dá vitória;revelação mais elevada em Cristo;

3) Infinitamente Perfeito:distinguível de todos,sem limites, exaltado; sua essência e propriedade são uma, nada se acrescenta a seus atributos,que dão essência plena de si.

9) ATRIBUTOS DE DEUS (Características Exclusivas):Divide-se em 03 Tipos:

 

1) Incomunicáveis,  absolutos ou  metafísicos: (Não humanos):

  • Simplicidade(não composto de partes)-Jo.4:24
  • Unidade(indivisível e uno)-Dt.6:4
  • Infinidade (nada acima dELe)-At.17:24
  • Imensidade(Não limitado)
  • Onipresença(em todo lugar)-Sl.139:7
  • Imutável(idêntico)-Tg.1:17
  • Eterno(Atemporal)-Gn.21:33
  • Onisciente-(Sabe tudo)-Mt.11:21
  • Onipotente(todo-poderoso)-Ap.19:6
  • Soberano (Governante supremo do Universo)-Ef.:1

 

2)Comunicáveis ou pessoais: (Como o homem):

  • Inteligência:tudo vê e conhece por intuição sem pensar
  • Vontade: basta querer fazer

3)Morais: (manifesta pessoa moral):

  • Sabedoria (faz empregar meios mais eficazes e dignos, inteligência infinitamente perfeita)
  • Bondade-Deus é amor infinito e perfeito;ama as coisas na proporção do valor e mérito; ama a si mesmo e à sua criação
  • Justiça (age com justiça infinitamente perfeita, pune o mal e recompensa o bem)
  • Santidade ou Retidão Moral (inteireza de caráter, legítimo, correto)
  • Amor: (dedicação absoluta de desejar bem do outro)
  • Verdade: (Concordância e coerência em tudo)
  • Liberdade (Independência divina de suas criaturas)

 

10) DECRETOS DE DEUS: Eterno propósito,segundo sua vontade para a sua glória preordenada:Termos relacionados:

1) Onisciência  (Conhece tudo)

2) Presciência (Antevê tudo)

3) Predestinação (Sabe destino dos eleitos)

4) Retribuição (Pune os ímpios)

5)  Eleição (Escolheu povo para si)

6) Preterição(omite não eleitos)

7) Pai: de Cristo (Mt.3:17); de Israel (Dt.32:6); dos Crentes (Ef.4:6); dos Anjos (Jó.1:6); dos Espíritos (Hb.12:9); da Glória (Ef.1:17); das Luzes (Tg.1:17); de todos (Ef.4:6 e Rm.4:11);dos Órfãos (Sl.68:5);da Eternidade(Is.9:6);das Famílias(Mt.19:5); Fonte procedente de tudo.

11) NOMES DE DEUS:

Nas escrituras significa mais que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo, fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome: Nomes de Deus:

a) El (Deus), Elah, Elohim (aumentativo de El, pra designar Deus supremo, sentido de força e poder), Eloah (Deus da Eternidade);

b)  Jeová (artificialmente criado:YHWH (yahweh)+Adonai (Senhor);

c)Yaweh ou Javé (Eu Sou o que Sou);OBS:Yaweh +: Elohim (Deus dos deuses);Yireh (o que provê);Nissi (minha bandeira);Shalom (paz);tsidquenu(nossa justiça);shammat (está ali); Shapat (juiz);Yasha(Salvador); Palat (libertador); El Roi (Deus vê); Tsaddiq (Justo);Ego eimi (EU SOU); Pater (Pai das Luzes); Elohim (Deus vivo); Elohim Sabaoth ou Kúrios (Senhor dos Exércitos); Eyaluth (Força); Maor (Doador da Luz); Abba (Pai);  Rocha; Theótes ou Théos (Divindade); Senhor dos Senhores; Qadosh (Santo de Israel)

 

AULA 4 – HOMEM

 

ANTROPOLOGIA – A DOUTRINA DO HOMEM: Referências (2 Pe.1:4; 1 Jo. 3:2 )

 

NOMENCLATURA NO ANTIGO TESTEMANTO EM HEBRÁICO:

* Mda ‘adam aw-dawm’ - homem, humanidade (designação da espécie humana) como indivíduo, humanidade (Gn. 1:26);

* rkz zakar – macho (referindo-se a seres humanos e animais) – (Gn.1:27);

*  vya ‘iysh - significa ser existente; criatura humana (alguém) – (Gn.2:24);

* vwna ‘enowsh – homem mortal, pessoa, humanidade (2 Cr.14:11);

* rbg geber  – homem forte, guerreiro (habilidade para lutar)-(Sl.92:14);

NOMENCLATURA NO NOVO TESTEMANTO EM GREGO:

* anyrwpov anthropos  – ser humano, seja homem ou mulher; genericamente, inclui todos os indivíduos humanos, com a noção adicionada de fraqueza. (Mt.4:4);

1)EVOLUÇÃO X CRIAÇÃO:

 

 Argumento científico-Teológico: Será que a evolução tem base bíblica ou científica?

Só Deus estava presente quando tudo começou; ou Deus ou ninguém.

A probabilidade da formação da vida na evolução é tão pequena que exige o milagre pela fé, da geração espontânea.

Quanto ao relativismo, não podemos supor que absolutos não existam porque isso já seria criar o absoluto de que absolutos não existem.

Se tudo é relativo e não há verdade absoluta, é relativo em relação a que absoluto?

Todo mundo é religioso pois não há como provar cientificamente que Deus não existe, pois os ateus crêem na inexistência da divindade e isso é fé, tratada pela religião.

 

QUADRO COMPARATIVO: Modelos para a ciência e a história:                                 

          EVOLUCIONISMO                   x          CRIACIONISMO:

           (Espontâneo/seleção natural)    x   (planejado/proposital)

No princípio:                                                   ???? x Deus

Aparecimento do Espaço, matéria e tempo:   Explosão do Big Bang x Criação temporal (Ato Sobrenatural).

Aparecimento do Universo:  Expansão do Big Bang durante bilhões/anos  x Criação Especial com Idade Aparente.

Aparecimento da Vida Vegetal: Universo Estéril produziu vida espontaneamente x Criação completa, complexa e diversificada;

Aparecimento da Vida Vegetal: universo estéril produziu vida espontaneamente x Criação completa, complexa e diversificada.

Método do Aparecimento: Probabilidade e chance x planejamento e execução.

Tempo de Existência: bilhões de anos (14a20 bi) x milhares de anos(Apx. 10 a 13 mil)

Quem apertou o “botão” do big bang? O que produziu instabilidade no Universo?

Tendências:EVOLUÇÃO x CRIAÇÃO;

Religião: Humanismo x Cristianismo (Deus);

Ética: Relativismo x Absolutos de Deus (Bíblicos);

Moralidade: Relativismo x Padrões morais de Deus;

Sociedade: Relações de libertinagem e prostituição x Tradições e manut. das famílias;

Governo: Totalitarismo x Democracia

MODELOS QUE INFLUENCIARAM A LÓGICA DE PENSAMENTOS:

HISTÓRIA DO PENSAMENTO EVOLUCIONISTA:

 

(Não começou com Darwin há 150 anos atrás…)

* TALES DE MILETO (621 A 543 a.C.): Disse que o mundo evoluiria da água por processos naturais.

* ANAXIMANDRO DE MILETO – seguidor de Tales de Mileto (610 – 547 a.C.): Disse que o mundo surgiu do elemento “apeíron” que seria formado da água, ar, fogo e terra.

* EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO (492-430 a.C.): Disse que os animais e vegetais surgiram em épocas diferentes e que sobreviveu o melhor capacitado , pois a vida animal surgiu muito tempo depois da vida vegetal.

* LÉUCIPO (Séc. V a.C.): Fundador da filosofia atômica – Disse que o universo é apenas formado por átomos e espaços vazios.

* DEMÓCRITO (460-370 a.C.):Criador do Atomismo – Disse que a realidade é formada apenas por infinitos átomos.

SÉCULO XVII:

* J.S.Wammerdan (1637-1680): Disse que todas as espécies são oriundas de uma única ancestral (criada).

* G.W. Leibnitz (1656-1716): Disse que todas as classes de animais são ligadas por transições, mas não apresentou nenhuma.

* P.L.M.de Mampertuis (1698-1759): Disse que a sobrevivência seria do ser mais capaz.

SÉCULO XVIII:

* D.DIDEROT (1713-1784): Falou sobre a Seleção Natural.

* ERASMUS DARWIN (1731-1794): Disse que a evolução é dirigida por influências ambientais.

* J.B. DE LAMARCK (1744-1829): Disse que da herança provinha as características adquiridas.

SÉCULO XIX:

* ROBERT CHAMBERS (1802-1871):Disse que havia evolução como processo natural.

* CHARLES DARWIN (1809-1882): Deu introdução a Origem das Espécies, evidenciada em 24/11/1959.

* HERBERT SPENCER (1820-1903): Introduziu o conceito de evolução em um sentido mais moderno.

HISTÓRIA DO PENSAMENTO CRIACIONISTA:

* JÓ (2100 a.C.): Disse que o Universo foi feito por um Criador.

* MOISÉS (1450 a.C.): Disse que o Universo foi feito pelo Criador e com uma idade aparente.

* SALOMÃO (950 a.C.): Disse que o Universo além de ter sido feito pelo Criador, obedece leis estabelecidas.

* PLATÃO (427-347 a.C.): Disse que o Universo foi feito por um Criador de acordo com um plano racional e que o Universo não é eterno.

* ARISATÓTELES – Discípulo de Platão (384 – 322 a.C.): Disse que o Universo foi criado e é eterno – Aceitava a redondeza da terra  e aceitava a geração espontânea de vermes, larvas, vespas e carrapatos.

SÉCULO XVI:

* Johannes Kepler (1571-1630): Disse que o mundo dos homens, da natureza e de Deus todos eles se encaixam e que Deus, o Criador, trouxe à existência, todas as coisas do nada.

SÉCULO XVII:

* Isaac Newton (1683-1727): Disse que aceitava a Bíblia como autoridade em todos os assuntos  e que a ciência não existia para provar a Bíblia, mas a Bíblia para dirigir a boa ciência.

SÉCULO XVIII:

* Leonard Euler (1707-1783): Disse que aceitava a Bíblia como a única verdade absoluta. Dizia que a matemática do Universo é perfeita e um trabalho de um sábio Criador e que nada acontece no Universo sem que uma regra de um máximo ou de um mínimo apareça.

SÉCULO XIX:

* James Clarck Matson (1831-1879): Escreveu sobre a inerrância e a infalibilidade da Bíblia.

SÉCULO XIX:

* Wernher Van Braum (1912-1977): Phd em Ciência Aeronáutica-Disse que ao se contemplar os mistérios da fé, se compreende a existência do Criador. (Fora estes, há cerca de 150 nomes de homens da ciência que aceitavam a Bíblia na íntegra…).

 

PROPOSIÇÕES DO CRIACIONISMO:

 

PROPOSIÇÃO 1: A TEORIA DA CRIAÇÃO ESPECIAL: Todas as coisas criadas constituem um produto de um ato único e soberano por parte de um Criador (Deus) onisciente, onipotente, onipresente e pessoal, o qual não depende de sua criação para a sua existência, nem é parte dela. Ciência do Aprendizado: Quanto mais complexa, mais inteligência.

 

PROPOSIÇÃO 2: TODO UNIVERSO FOI CRIADO EX-NIHILO (do nada), COMPLEXO E FUNCIONAL-MATURIDADE E ESTABILIDADE COM UMA IDADE APARENTE RECENTEMENTE (MILHARES DE ANOS): Matéria, espaço, energia e entropia – a tendência é que tudo fique desorganizado diferente da proposta evolucionista que acha que tudo se organizará. (A ferrugem é prova da desorganização).

PROPOSIÇÃO 3: TODAS AS FORMAS DE VIDA FORAM CRIADAS NO PRINCÍPIO-SOBRENATURALMENTE, COMPLEXAS (Desenho e inteligência), PERFEITAS (Completas), COM DIVERSIDADE BÁSICA. A genética e a palentologia afirmam que a organização e a complexividade diminuem com o tempo. Por exemplo, a escrita cuneiforme babilônica e os hieróglifos egípcios demonstram inteligência dos antepassados. Os cientistas do passado faziam cálculos complexos, sem o uso do computador.

PROPOSIÇÃO 4: A DIVERSIDADE DENTRO DOS GRUPOS DE ORGANISMOS VIVOS-CRIADOS EM ESPÉCIES DISTINTAS, COM FORMAS ORIGINAIS, GENETICAMENTE POLIVALENTES. Todos os tipos básicos foram chamados à existência simultaneamente, onde as variações seriaam dentro dos grupos e não de um só.

PROPOSIÇÃO 5:O PLANETA TERRA EXPERIMENTOU NA SUA EXISTÊNCIA UM DILÚVIO UNIVERSAL RECENTE (CATASTRÓFICO): Isso explica a coluna geológica extratificada, a formação de fósseis e a movimentação das placas continentais (hidroplacas).

PROPOSIÇÃO 6: EXISTEM EVIDÊNCIAS SUBSTANCIAIS ACIMA DA BIOSFERA, NA BIOSFERA E EMBAIXO DA BIOSFERA:  Estas evidências compõem as cinco primeiras proposições da Teoria da Criação Especial. (A própria vida aponta para Deus: Sl.139:14; Rm.1:20).

Quem não tem base científica, não é real:

No ano de 1859, Charles Darwin publica o seu livro “A Origem das Espécies”, desenvolvendo duas hipóteses principais: • Todas as formas presentes de vida se desenvolveram de outras formas primitivas; O processo evolutivo deve ser explicado pela seleção natural (incluindo a doutrina da sobrevivência do mais apto), operando sobre variações ao acaso. (Que já é um ateísmo). Cientistas concordaram com o fato da evolução, mas queriam saber se ela ocorrera realmente e como ocorrera.

A evolução implica em que “todas as formas de vida” que existem atualmente sobre a terra são derivadas de uma (ou de muito poucas) formas originais e primitivas de vida, através de uma série de transformações relacionadas entre si, as quais se originaram todas de forma exclusivamente natural.

 

1 – Tudo que não pode ser observado, não é ciência. (Observação é ponto chave do cientificismo): Não tem como observar a Criação, mas temos a revelação da Palavra que não é científica. A evolução diz que a matéria sempre existiu e auto-capacidade transformou-a em vidas complexas de unicelulares evoluídos e que big-bang explodiu e deu origem a tudo. Não tem como observar evolução da matéria nem big-bang, assim a evolução não é científica.

2 – Evidências da natureza determinam se postulados estão corretos: Criacionistas crêem num Deus que criou tudo perfeito; Evolucionistas acreditam que matéria se evoluiu e o processo de evolução continua. As 4 Leis da Ciência:(Supremacia sobre todas as Leis) falarão a respeito disso comprovando ou a Evolução ou a Criação:

1ª Lei da termodinâmica: Conservação de Energia – Não pode ser criada nem destruída, podendo passar de estado para outro mas a quantidade do universo é sempre a mesma. Se evolução é global, energia deveria estar sendo criada, o que fere esta lei mas não fere a criação de Deus que fez tudo perfeito.

2ª Lei da Termodinâmica: O universo caminha de níveis organizados para níveis cada vez mais desorganizados: A evolução diz o contrário, afirmando que o universo se organiza cada vez mais.No caso da Criação, Deus fez tudo completo, total, puro e grande, mas o pecado entrou no mundo e desorganizou.

3ª (Pasteur) – Lei da Biogênese: Somente um ser vivo pode fazer surgir outro ser vivo semelhante. Como evolução diz que da matéria inanimada surgem seres com vida complexos? Matéria inanimada não produz vida. Criação, a Bíblia diz em Gn.1:26 – Façamos o homem; Deus vivo produziu criaturas vivas.

4ª Lei da Causa e do Efeito – Nenhum efeito é quantitativamente maior e qualitativamente superior à causa. Como o homem um ser vivo complexo pode ter surgido de uma matéria? Pela evolução, a matéria produzindo homem, se ser humano é da matéria, efeito é maior que a causa. Pela criação, somente um Deus superior, inigualável poderia criar seres inferiores; Deus é superior aos homens criados e a tudo criado. (Jr. 32:17; Is.55:8).

2 Postulados Sobre as espécies:  A Criação, em (Gn.1:11-12)  e (Gn.20:21) fala de animais e vegetais segundo a sua espécie, mas a Evolução – Afirma que há variabilidade genética com formas de vida transicionais; uma espécie com outra produz outra. OBS: 1956 – Mendel descobriu código genético:Característica de uma espécie somente passa para a futura, se codificada no código genético da espécie. A moderna genética molecular diz que a estrutura de cada espécie é única e particular p/produzir aquela espécie. Espécies diferentes originam ser sem capacidade de reprodução.

No caso das Mutações: As mutações são aleatórias, quase sempre produzindo lesões aos organismos e assim, desorganizam e não organizam para estágios mais avançados;retiram complexidades do organismo e involuem em vez de evoluir;causam entropia, que é a desordem para o sistema.

No caso dos Fósseis: Os fósseis são animais e plantas soterrados que viram rochas e sítios arqueológicos.

Paleontologia: Fósseis mais completos que existem são dois: Homem de Nerthandal e homem de Cromagno.

 Homem de Nerthandal foi considerado ancestral. Descobriram que a única diferença dos de hoje é o raquitismo.

• Homem Ábilis, descoberto, sendo mais antigo e completo. Se é evolução, como há registro fóssil mais antigo?

• Homem de Cromagno, mais completo: Ciência diz que ele tinha capacidade física mais evoluída e de raciocínio que o de hoje. Após estes, surgiram verdadeiras brincadeiras: 1912- Homem de Nebrasca-Usando 1 dente, Osborn, diretor do Museu de História natural dos Estados Unidos,  concluiu que dente tinha traços de homem e símios.

• Homem de Pitdown -Tempos depois, descobriram que dente era dente de raça de porco extinta.  Fragmentos de mandíbula inferior e superior. Ciência descobriu que ossos foram misturados. Parte de chimpanzé e dentes limados p/parecerem humanos, colocados pela química e envelhecidos • Homem de Pequim – Outra fraude.

 

MÉTODOS DE DATAÇÃO:

Não existe mudança gradual dos registros fósseis; não existem elos perdidos.

Onde estão as espécies transicionais? Se há evolução, onde estão as espécies transicionais nos registros fósseis? Existem fósseis no mundo inteiro, mas não há espécies entre um e outra. Descobriram no registro fóssil espécies complexas anteriores a espécies menos complexas. Não há ordem crescente de espécies no registro fóssil. Cadê a espécie entre protozoários e metazoários invertebrados? Entre invertebrados e vertebrados? Entre peixes e anfíbios? De anfíbio para réptil? De réptil para mamífero? As mesmas lacunas entre espécies no registro fóssil são as encontradas em vida.

Deus estipulou uma lei de cada um segundo sua espécie.

A vida na coluna geológica “aparece de repente”-explosão do cambriano, completos, complexos, diversificado e disperso.

Os fósseis estão na ordem errada: Ex. Pegadas de cavalos aparecem mais antigos que os de dinossauros (Urbesquistão e Virgínia-EUA); Pegadas dos seres humanos e dinossauros (Turkmésia e Arizona-EUA); Pólem de plantas em rochas do período pré-cambriano (Venezuelaa e Grand Quenion); Artefatos humanos em carvões de pedras datadas de milhões de anos?

 

Vida não é obra do acaso; Deus sustenta todas as coisas e a vida não é obra de mera sorte:

• Lua está distante da terra 378.000 km. Se tivesse a 80.000 km da terra, marés cobririam o planeta 7x por dia.

• Se atmosfera fosse mais rarefeita,bombardeio de meteoros diário c/velocidade de 45 km/seg. destruiria tudo.

• A quantidade de oxigênio da atmosfera se fosse um pouco maior, não haveria condições de vida.

• O movimento de rotação, se fosse 1/10 mais lento, os dias teriam 10 x mais duração e as noites 10x e assim tudo seria queimado e congelado de noite.

• A terra em relação ao sol: Se tivesse na mesma distância de mercúrio e vênus a vida seria torrada e se tivesse na distância de marte e plutão, a vida seria congelada.

• O cérebro é a estrutura mais complexa do universo. Possui 10 bilhões de células e cada possui 10.000 a 100.000 fibras interligadas. Se 1/100  dessas interligações funcionasse, seria maior que toda a rede de comunicações da terra e os homens não podem fazer estrutura como o cérebro.

Existem 7 x 10000000000000000000000 estrelas, que é mais que os grãos de areia da terra.

A terra não poderia ter vida há mais de 10.000 anos atrás, pois a distância entre o sol e na terra, o sol diminui 1,5metros por ano e se fosse há mais de 10.000 anos, não dava para ter vida na terra pois aqui seria uma temperatura de 145 graus celsius.

A Bíblia diz:  (Sl.139:14)-Fomos formados de modo assombroso. (Is.45:12) – Fiz a terra e criei nela o homem. A geração espontânea da vida, na Teoria da Evolução exige um milagre equivalente ao argumento teológico (Probabilidades são mínimas de se ocorrer, da vida vindo de algo sem vida).

As cadeias de DNA possuem mais ou menos 1 metro, se esticadas, e se enrolam não aleatoriamente nos ribossomos nucleares.

 

ARGUMENTOS CIENTÍFICOS COMPROVADOS NA BÍBLIA:

Na Bíblia, é preciso entender todo o contexto de assuntos descritos em vários livros, pois toda proposta científica está limitada à percepção humana (pensar; achar). Existem coisas que existem, independente de querermos ou não (Ex. Lei da Gravidade).

Na pesquisa científica, há elementos básicos como:

O cientista (São todos corretos?)

O raciocínio (todo raciocínio procede?)

A evidência (todas são plenas?)

A teoria (Todas são sem dúvida?)

A possibilidade (Todas são 100%?)

Teorias são idéias que geralmente não presenciamos; nas evidências nem sempre a amostragem resumida indica toda a proposição que se quer defender.

Valor de pi (pi=3,14) – (1 Rs.7:15)-Perímetro de 2pir, dado em cálculos das colunas ocas do tabernáculo;

Homem x Macaco: Dizem que há  97 genes com semelhança de 99,4% e diferença de 0,69%? O ser humano possui 30.000 a 40.000 genes. Se o número de genes duplicados fosse de 15.000, teremos que 97 de 15.000 é igual a 0,65%. Se em 0,65% há diferença de 0,6%, 100 % de gene a diferença seria de 92,3%; somos diferentes dos macacos em 92,3%.

ISSO 9000: Avalia em partes cada etapa e depois avalia no todo; Deus fez isso nos dias da criação.

Deriva Continental: No terceiro dia, Deus criou a (única) porção seca (Pangéia).

 

RESUMO SOBRE EVOLUÇÃO: A evolução é uma interpretação que não foi comprovada; portanto, trata-se apenas de uma crença, baseada sobre conclusões filosóficas em lugar de fatos científicos.

A questão da evolução não é simplesmente um problema para a ciência, mas um problema de filosofia.

A ciência consegue reunir uma certa quantidade de dados, mas não bastam para provar a evolução.

Existe uma diferença entre o simples fato de reunir dados e a interpretação dos mesmos ou chegar a uma conclusão baseada neles. O problema é que os filósofos querem ensinar a evolução como uma lei ou um fato científico completamente provado e como algo que realmente ocorreu, quando na verdade, tudo se reduz a uma teoria científica.

 

PROBLEMAS DOS EVOLUCIONISTAS CUJOS FATOS NÃO SÃO CONCLUSIVOS PARA SUAS PROVAS:

Tanto a terra como o universo tiveram um início e nem sempre existiram;

Ausência de dados quanto à origem da vida sobre a terra;

A repentina aparição da vida, como evidenciam os fósseis;

 O fato de muitos tipos do reino animal (phyla) tanto os simples como os mais complexos aparecem, aparecem simultaneamente logo no princípio e seguem existindo hoje sem mudança ou transformação;

Não existem fósseis “de transição” entre as formas vitais mais simples e mais complexas;

Não existe a menor prova de mudança de um tipo “phylum” para outro.

Torna-se necessária a nebulosa e hipotética doutrina da “emergência”, o cientismo, como que possuindo todas as respostas para os problemas transcendentes dos homens;

Em lugar de elos perdidos, falta a corrente inteira: existem tremendos vazios carentes de dados necessários e acerca dos quais estamos na mais completa ignorância.

 

A GRANDE QUESTÃO: Está no fato de que os cientistas não aceitam o sobrenatural para origem de todas as coisas. Os fatos reais que se referem à mente e ao espírito do homem e sua consciência moral e seus sentidos dos valores e estéticos  ou religiosos não concordam com as explicações do naturalismo mecânico. E assim, como os teólogos defendem a Deus como Criador, os evolucionistas têm o direito em crer no Naturalismo.

O Naturalismo é Doutrina que fala daquilo que é produzido pela natureza. Doutrina ou escola literária intensa a qualquer idealização da realidade, e que insiste particularmente nos aspectos que, no homem, resultam da natureza e de suas leis.

Nele, todo conjunto de fenômenos pode ser reduzido, por um encadeamento mecânico, a fatos do mundo concreto material sem a intervenção de nenhuma causa transcendente.

P. ex.: em moral, doutrina que fundamenta a conduta humana na satisfação dos instintos biológicos e assim, preconiza a volta à natureza e à simplicidade primitiva, quer nas instituições sociais, quer na maneira de viver; naturismo, sem a presença ou intervenção divina.. 

 

A VISÃO BÍBLICA DA CRIAÇÃO DO HOMEM:

 

2)CRIAÇÃO DO HOMEM:

Deus criou homem à sua imagem (Gn.1:1),superior aos irracionais (1 Co.15:39). A natureza divina penetrou na sua substância material(corpo)e substância imaterial(alma),que se retira ao corpo morrer.(natureza humana).

Em 1 Tess.5:23 e Heb.4:12, homem possui Espírito,Alma e Corpo;o espírito e alma representam a não-física.Distintos,espírito e alma são inseparáveis, entrosados, quase se confundem(Ec.12:7 e Ap.6:9).

 

3)CORPO: (No Antigo testamento em Hebráico e Aramáico):

* hywg g@viyah – corpo físico (Gn.47:18);              

* rwe ‘owr – pele, couro (Ex.22:27);

* rsb basar  – carne, como algo frágil e errante (Ex.30:32);

* Njb beten – ventre (lugar oco e vazio) – (Sl.31:9);

* rv shor – cordão umbilical, umbigo (Pv.3:8); sentido de parente carnal; força física do corpo (Pv.5:11);

* Mue ‘etsem – sentido de osso, essência e substância do corpo (Pv.16:24);

* Mvg geshem (aramaico) – corpo físico; (Dn.4:33);

 

A palavra corpo em hebráico também pode indicar sentido de corpo sem vida:

* hlbn n@belah – corpo morto, cadáver (1 Rs.13:25);

* hpwg guwphah – corpo morto (Fechado)-cadáver (1 Cr.10:12);

* vpn nephesh – ser outrora vivo (que respirava) – (Ag.2:13);

CORPO (No Novo Testamento em Grego):

* swma soma – corpo físico (que também pode indicar a igreja que projeta a sombra do sol da justiça, que é Jesus) – (Mt.5:29);

* ptwma ptoma – o corpo caído (carcaça sem vida) – (Mc.6:29);

O corpo indica: Casa(2 Co.5:1);Invólucro(Dn.7:15);Templo(1 Rs.8:27) – Parte externa que nos envolve, de carne e pele.

 

4)ESPÍRITO: (No Antigo testamento em Hebraico e Aramáico):

* xwr ruwach – indicando o entusiasmo e vigor (Gn.45:27);

* hmvn n@shamah – indicando respiração, fôlego ofegante (Pv.20:27);

* xwr ruwach (aramaico) – espírito, vento, sede da mente;

(No Novo testamento em Grego):

* pneuma pneuma – fôlego; Capaz de ter conhecimento de Deus e comunhão com Ele, de forma individual. Formado por Deus na parte interna da natureza do homem, capaz de se renovar e desenvolver – (Salmo 51:10).

O ESPÍRITO É:a) O centro e a fonte da vida humana. É o que faz o homem diferente de todas as demais coisas; podendo se tornar a morada do Espírito Santo (Rm.8:16), centro de adoração(Jo.4:23); oração,cântico,bênção(1 Co.4:15) e de serviço (Rm.1:9 e Fp.1:27).

O Espírito representa a natureza suprema do homem, regendo a qualidade do seu caráter, conforme influências: Devemos:• Guardá-lo(Ml.2:15);dominá-lo(Pv.16:32); renová-lo(Ez.18:31); transformá-lo(Ez.11:19). Espírito é comum aos que passaram p/outra vida.(At.23:9); Arrebatar é estado de espírito (Ap.4:2).

5)ALMA: (No Antigo testamento em Hebraico):

* vpn nephesh yx chay – (Alma vivente) lugar das emoções e paixões reanimadas (Gn.2:7);

(No Novo testamento em Grego):

* quch psuche – fôlego, força vital que anima o corpo (respiração), indicando o lugar dos sentimentos, desejos, afeições, aversões (nosso coração), constituída por Deus como um ser moral designado para vida eterna, como uma essência que difere do corpo e não é dissolvida pela morte (distinta de outras partes do corpo).

Também se refere aos mortos:

* apr rapha’ – como almas espirituais abatidas, entristecidas e levadas abaixo (descida) (Jô.26:5);

A alma indica a parte que vemos em relação à vida atual. Pessoas falecidas são “almas”quando ao passado (Ap.20:4).

A alma dá o conhecimento de si próprio.Ela possui e usa o espírito(fonte de vida) e lhe dá expressão no corpo.

A alma é o espírito encarnado mediante o corpo; a combinação destes dois elementos, o espírito e o corpo.

Se há uma paixão opressora, a alma (vida egocêntrica natural) venceu o espírito e o homem é vítima da carne.

Assim,o espírito já não domina e a pessoa está em estado de morte e precisa e uma regeneração divina. (Cl.3:10).

A alma é o princípio inteligente e vivificante que anima o corpo humano, usando para expressar e comunicar.

Veio a existir com o sopro sobrenatural de Deus, mas não é parte de Deus, mas dom e obra dEle. (Zc.12:1).

OBS:A alma distingue a vida animal dos vegetais, que possuem vida inconsciente. Os animais também possuem almas, ou seja, vida consciente.A alma dos homens se distingue dos animais, pois as deles só vivem enquanto durar o corpo (Ec.3:21) Alma do homem é vivificada pelo espírito,que o segue após a morte.

 

ORIGEM DA ALMA: Resultado do sopro de vida no homem e no caso da descendência, se pode explicar como um processo de cooperação entre o Criador (Pai dos Espíritos) e os pais, onde o processo normal de reprodução humana põem em execução as leis da vida,fazendo com que a alma nasça no mundo-Mistério(Ec.11:5;Jó 10:8)

 

• ALMA E CORPO: Relação se descreve assim:

 1)A Alma é a depositária da vida , relacionada ao sustento, risco e perda da vida;muitas vezes, alma, tipifica vida (Gn.9:5; Pv.7:23; At.15:26). A vida é o resultado do entrosamento do corpo com a alma;quando a alma e o corpo se separam, ele não mais existe, restando apenas moléculas materiais em rápida decomposição.

2)A alma permeia e habita em todas as partes do corpo e afeta todos os membros, como sentimentos se atribuem ao corpo: a2) Coração e rins: (Sl. 73:21; Pv.23:16; Jó.38:36); b2) Entranhas: (Jr.4:19; Is.16:11); c2) ventre: (Jó.20:23; Jó.15:35; Jo.7:38).As partes internas(entranhas)descrevem ligação da alma e do corpo como centro dos sentimentos, experiência espiritual e sabedoria.

3)Pelo corpo, a alma recebe impressões do mundo exterior (sentidos);por meio do cérebro e nervos, a alma elabora impressões pelo intelecto, razão, memória e imaginação.

4)Alma estabelece contato com o mundo pelo corpo:o”EU”;sentir, pensar e atos;sem o membro,a alma não funciona bem:-lesão cerebral causa demência.

 

• ALMA E PECADO:A alma vive naturalmente por instintos, impulsos inatos implantados na criatura, como forças motrizes da personalidade que Deus o dotou para sua experiência terrestre,originando e preservando a humanidade.

 

 5 Instintos humanos importantes:(Gênesis.):

 

a)Auto-preservação - Nos avisa dos perigos e nos capacita a cuidar de nós mesmos.(implica proibição de aviso): após o pecado, originou-se egoísmo,irritabilidade, inveja e ira;

b)Aquisição - (conseguir)-conduz a adquirir as provisões para o sustento;(Adão recebeu Éden); após o pecado originou-se roubo e cobiça;

c)Busca de Alimento - impulso que leva a satisfazer a fome natural.(…vos tenho dado todas as ervas que dão semente…); após o pecado, gerou-se bebedice e glutonaria; d)Reprodução - conduz a perpetuação da espécie.(…homem e mulher os criou…frutificai-vos e multiplicai-vos); após o pecado gerou-se impureza, perversão, prostituição e adultério;

e)domínio - conduz a exercer certa iniciativa própria necessária para o desempenho da vocação e responsabilidades.(enchei a terra, sujeitai e dominai). Após o pecado, gerou-se tirania,arrogância, injustiça e implicância. O homem foi elevado à dignidade de possuir livre-arbítrio e razão para se disciplinar, como árbitro de seu destino. Deus impôs uma lei para regulamento das faculdades do homem; entendimento da lei, produziu a consciência (relativo ao conhecimento).

 

ALMA NO PECADO: Alma consciente usa voluntariamente o corpo para pecar contra Deus.Alma pecaminosa + corpo, origina corpo do pecado/carne(Rm.6:6; Gl.5:24). A inclinação e desejo da alma para usar o corpo,denomina de mente carnal (Rm.8:7). Logo, o homem será julgado, segundo o que fez por meio do corpo (2 Co.5:10) e isso envolve ressurreição (Jo.5:28-29). A carne é a soma total dos instintos do homem, anormais pelo pecado de Adão e atos voluntários pecadores.

ALMA E CORAÇÃO: Na escritura, coração significa centro de alguma coisa:centro de sua personalidade, de onde procedem impulsos e caráter (Mt. 12:40; Sl.46:2);Centro do desejo:(Sl.105:3);emoções(Is.65:14);moral(Rm.2:15 e Hb.8:10; Pv.4:23).

 

ALMA E SANGUE: Sangue,fonte da vida física;escala da criatura determina valor do sangue,desde Jesus a animal (Lv.17:11).

À IMAGEM DELE: Parentesco (anthropos) que olha para o alto;Caráter moral(religião); Razão:(arte);imortalidade e domínio.

AULA 5 – PECADO:

 

HAMARTIOLOGIA:ESTUDO DO PECADO-Errar Alvo, dívida, transgressão, queda, derrota  (Ver. Gn. 6:5; 1 Jo.1:18; Hb.12:5)

 

1) CONCEITO DE PECADO: É a falta de conformidade com a lei de Deus, em estado, disposição ou conduta.

Para indicar isso, a Bíblia usa vários termos, tais como:

a) pecado (Sl 51.2; Rm 6.2);

b) desobediência (Hb 2.2);

c) transgressão (Sl 51.1; Hb 2.2);

d) Iniqüidade  {Sl 51.2; Mt 7.23);

e) mal, maldade, malignidade (Pv 17.11; Rm 1.29)

f) perversidade (Pv 6.14; At 3.26);

g) rebelião, rebeldia (1Sm 15.23; Jr 14.7);

h) engano (Sf 1.9; 2;Is 2.10);

i) injustiça (Jr 22.13; Rm 1.18);

j) erro, falta (Sl 19.12; Rm 1.27);

k) impiedade (Pv 8.7; Rm 1.18);

l) concupiscência (Is 57.5; 1Jo 2.16);

m) depravidade, depravação (Ez 16.27,43,58). O diabo quer que pequemos, afirmando que não estamos crescendo na presença de Deus ou estamos falhando. Verdadeiro crescimento contra o pecado é cooperar como Espírito Santo batalhando.

 

2) PALAVRA PECADO NO ANTIGO TESTAMENTO:

* hajx chatta’ah ou  tajx chatta’th  – pecado, envolvendo condição de pecado, culpa pelo pecado, punição, oferta e purificação dos pecados de impureza cerimonial . (Gn. 4:7), procedente de chata’ – pecar, falhar, perder o rumo,  errar o alvo ou o caminho do correto e do dever , incorrendo em culpa, p/sofrer penalidade pelo pecado, perder o direito.

* evp pesha‘ - transgressão, rebelião contra indivíduos, nação contra nação ou contra Deus. (Jó.34:6);

* hum matstsah - conflito, contenda (Pv.17:19), vem de natsah-devastado,desolado,em ruínas  e estar como  montes arruinados.

3) NATUREZA DO PECADO NO ANTIGO TESTAMENTO:

Existe uma variedade de termos, estudando-se o hebráico para expressar esse mal da ordem moral.

Na esfera moral:  a)Errar o alvo, reunindo 3 idéias:errar como arqueiro erra o alvo; errar como viajante erra caminho;  errar como ser achado em falta na balança; (Gn.4:7)-Pecado é a besta pronta para tragar;

b) Tortuosidade ou perversidade, contrário de retidão, tornando-se não reto e sem ideal reto;

c) Mal, pensamento de violência ou infração, violando a lei de Deus. O pecado sem perdão é a incredulidade (Mt 12.31-32)

 

• Na esfera da conduta fraternal:  Violência ou conduta injuriosa, homem maltrata/oprime os seus (Gn.6:11 e Pv.16:29);

 

• Na esfera da santidade:  Ofensor já teve comunhão com Deus; como cada israelita era santo e sacerdote, mas profanaram e tornaram imunda a Lei, sendo irreligiosos, transgressores e criminosos.

• Na esfera da Verdade: Inútil e fraudulento; falar e tratar falsidade, representar e dar falso testemunho, numa vaidade vazia e s/valor, onde a mentira iniciou o 1ºpecado e o 1º pecador, pois todo o pecado contêm elemento do engano (Hb. 3:13).

 

• Na esfera da Sabedoria: Impiedade por não pensar/não querer pensar corretamente, p/descuido/ignorância.

 

* O homem natural não desenvolveu na direção do bem, mas se inclina naturalmente para o mal, ouvindo, mas esquecendo, conduzido para o pecado (Mt.7:26).  O castigo do pecado é a morte física, espiritual e eterna (Rm 6.23).

O homem sem entendimento precipita em julgar coisas que não sabe,impio;nega o que é dado de graça (Pv.8:1-10);

*  O insensato  se prende às coisas da carne e não se disciplina, podendo fazer o bem (Pv.15:20);

O homem impio justifica a impiedade c/argumentos racionais ateísticos; escarnece infiel (Sl.1:1 e Pv.14:6).

 

4) PALAVRA PECADO NO NOVO TESTAMENTO (Em Grego):

* amartia hamartia-  não ter parte; errar o alvo; desviar-se do caminho de retidão e honra, fazer ou andar no erro; desviar-se da lei de Deus, violar a lei de Deus, uma ofensa, violação da lei divina em pensamento ou em ação ou coletivamente, o conjunto de pecados cometidos seja por uma única pessoa ou várias. (Mt.12:31);

krisis - separação, divisão, repartição, julgamento, sentença de condenação, julgamento condenatório, condenação e punição por colégio dos juizes (um tribunal de sete homens nas várias cidades da Palestina; distinto do Sinédrio, que tinha sua sede em Jerusalém) (Mc. 3:29). Da morte espiritual/eterna escapa quem chega a Jesus .(Rm 3.21;8.39).

5) NATUREZA DO PECADO NO NOVO TESTAMENTO:

• Errar o Alvo, na mesma idéia do A.T.;

• Dívida, p/não guarda dos mandamentos de Deus e o homem é incapaz de pagar e necessita de uma remissão ou fiador.

• Desordem, pois o pecado é iniqüidade; o pecador rebelde, idólatra quebra o mandamento por sua vontade, fazendo uma lei para si e constituindo o seu “EU” como uma divindade, numa obstinação;

• Desobediência, ou ouvir mal, sem atenção. (Hb.2:2 e Lc.8:18);

 •Transgressão, ir além do limite (Rm.4:15);

• Queda,cair para um lado sem conduta, no pecado (Ef.1:7);

• Derrota, rejeitando Jesus e perdendo o propósito (Rm.11:12);

• Impiedade, sem adoração ou reverência(Rm.1:18 e 2 Tm.2:16), dando pouca ou nenhuma importância a Deus ou às coisas sagradas, sem temor/reverência;

• Erro, decisões erradas p/desconhecer,quando o homem decide fazer o mal, sem avaliar  conseqüências, mais do que falta pela debilidade.

6) FATO DO PECADO: A história e o íntimo humano testemunham, apesar de muitas teorias contrárias que negam a Deus, negam o livre arbítrio; sustentam a conquista do prazer e fuga à dor.(ensino moderno auto-expressivo).

Como exemplo de “libertar as inibições”, negam a realidade do pecado ou simplesmente consideram o pecado herança do animalismo humano.

Como conseqüência dessas teorias, o ser humano pode pecar contra si e a outros,escolhendo o mal, justificando a imoralidade, num descaso das escrituras, ofendendo a Deus,desprezando a inteligência de saber do plano divino pessoal.

Nos nossos dias é muito comum brincar com o pecado, agora, tudo pode.

 

7) ÁREAS DE ABRANGÊNCIA DO PECADO:

a) Desejos e práticas carnais – cada palavra ato e pensamento que incite à concupiscência sexual ilícita no homem e na mulher como roupas indecentes, contato corporal, gestos insinuantes na dança, linguagens torpes, fotos pornográficas, etc.

b) Atividades religiosas falsas - idolatria e feitiçaria, envolvendo orações contrárias, rejeitando a fidelidade e lealdade de Deus, exaltando qualquer pessoa ou coisa acima dEle;

c) posturas e ações contra o próximo – em atos ou pensamentos invejosos;

d) práticas que destroem o domínio próprio da pessoa - como embriaguez, folia, perdendo o controle da razão e emoção como fãs de jogos esportivos e ídolos da TV ou Gospel.(Gl.5:16)

 

8) ORIGEM DO PECADO:

O pecado teve a origem nos céus (Is.14:12-14), com satanás, que era (Ez.28:14), foi lançado do céu (Ez.28:16; Lc.10:18). Deus deu liberdade ao homem e ele pecou, atingindo a raça, a partir de Adão e Eva (Gn 34; Rm 5.12).

 

9) O PECADO DO ORGULHO:

Pecado inconsciente como os que se gloriam em humildade, perigoso como o caso de Nabucodonosor e sua imagem de ouro, cabeça de toda iniqüidade:

TIPOS DE ORGULHO:

Orgulho Da Riqueza - É difícil os ricos não serem avarentos (Ez..28:5; Tg.5:2; 1 Tm.6:17; 1 Tm.6:9) – O camelo no fundo de uma agulha era o exemplo de um caso de uma porta para pessoas no muro da cidade, fechada no sábado, quando alguns comerciantes inescrupulosos  queriam vender no dia sagrado e proibido às vendas; o camelo deveria passar de joelhos, sem carga, empurrado e puxado pelo pescoço com grande dificuldades.;

• Orgulho da Beleza - Pessoas que se elevam pela aparência (Ez.28:17);

• Orgulho da MoralPessoas se auto-justificam por suas aparente boas-obras, negando necessidade de Cristo.

• Orgulho da Ortodoxia – Os que conhecem mais que os outros da parte de Deus e não o glorificam,retendo a glória.

• Orgulho da PosiçãoPelo cargo na Igreja ou posição social.

• Orgulho da Espiritualidade – Os que se vangloriam pelo uso dos dons espirituais, como “vasos de Deus”;

• Orgulho da Comunidade – Quando a comunidade se autentica como a única representante da Verdade de Deus.

• Orgulho da Denominação  - Quando a placa da igreja está acima do nome Jesus, em importância p/ ela.

 

10) FASES DO PECADO:(Gn. 3)A história espiritual do homem se traduz pela tentação, culpa, juizo e redenção:

A)TENTAÇÃO: (3 Fases):

possibilidade: 2 árvores de destino:bem/mal ou da vida. Deus testou o homem para que pudesse amorosa e livremente escolher servir a Deus e desenvolver o caráter.(Caminho da Vida:Dt.30:15);

origem: A serpente foi o agente empregado por satanás, já lançado fora do céu antes da criação do homem; ela trabalha por meio de agentes. (Ez.23:13 e Is.14:12);

característica(sutileza):sugestões astuciosas que se abraçadas, conduzem a desejos e atos pecaminosos. NOTA:Eva não ouviu diretamente a proibição divina. (Gn.2:16);

• A Serpente espera que Eva esteja só; •Torce palavras de Deus, • Finge surpresa por estarem torcidas, • Semeia dúvidas e suspeitas no coração de Eva; •Insinua-se juiz,lançando 3 dúvidas quanto a Deus: a) Dúvida sobre a bondade de Deus(reter bênção);b)Dúvida sobre retidão de Deus(não morrereis); c) Dúvida sobre santidade de Deus(tem inveja).

 B)CULPA: Evidências: (3 Fases:)

Repentinamente se viram nús, num miserável sentimento de culpa que os fez ter medo de Deus;

Fizeram aventais de folhas, tentando cobrir a nudez, que representa a procura para cobrir a culpa, com o esquecimento ou desculpas.

Esconderam-se da voz divina, no instinto de fugir de Deus, em prazeres e outras atividades.

 

C)JUIZO: (3 Fases):

Para a serpente-punida por ter sido instrumento, pela vontade de Deus de mostrar um tipo e profecia de maldição sobre o diabo e os poderes do mal, para fazer do homem, reconhecedor de que há um castigo para o mal;

Para a mulher-a presença do pecado trouxe sofrimento, principalmente, no momento crítico e penoso de conceber filhos, agravado pela crueldade, loucura e sentimento de falta do homem e corrompendo as relações matrimoniais, tornando a mulher, em muitos lugares, até escrava do homem (Ex. Índia e Ásia);

Para o homem-o trabalho com decepções e aflições, numa maldição e queda da criação e da terra, com difíceis e duras condições de trabalho e a morte física progressiva para o casal.

D)REDENÇÃO: Prometida na luta entre o homem e o mal, prefigurada num animal morto para vestir o casal (Gn.3:21).

 

11) CONSEQUÊNCIAS DO PECADO NA PESSOA:

Pecado é ato;rebelião contra a lei e pecaminoso contra Deus, tendo 2 resultados:resultados dos atos e castigos futuros:

A)Fraqueza Espiritual:

• Desfigura imagem divinaTraz vergonha perante Deus. (Is.59:2; Tg.3:9); Será repreendido pelo mundo (Pv.3:35;1 Co.15:34).

• Pecado inerente/original- Traz engano (Is.64:7;Sl.66:18). – Inclinado para pecar(Sl.51:5), difere de pecado atual (efeito da queda), sendo maldito, estranho, enganoso, inimigo, escravo, morto e filho da ira. Deus vai lhe levar em abismos profundos (Sl.107:26-28).

• Discórdia interna,- Perdemos a comunhão com Deus. Desarmonia;divisão interna e fragilidade(conflitos); transforma a pessoa em perigosa de se estar perto pois a qualquer instante pode descer sobre ela a ira divina.(Mt.8:28; Mt.9:36;1 Sm.31:4;Sl.78:31;Rm.1:18; Jo.3:36).

 

B) Pecado no Corpo (Manifestação):

• BOCA IMPURA - Querer amoldar a Palavra à sua própria vontade (Sl.50:16;Is.53:9;Tg.3:6;Is.58:9; Sl.50:19-23).

• OUVIDOS IMPUROS - Querer ouvir apenas o que lhe agrada (Is.50:4-5; 2 Tm.4:3; 1 Rs.22:13; 2 Cr.28:12;

• OLHOS IMPUROS – Julgar mentalmente as pessoas pelo que se vê (Is.11:3;Sl.50:20-21;Ap.3:18);

• NARIZ IMPURO – Símbolo de pessoas empinadas e orgulhosas (Is.65:5; Is.3:16-25; Ez.8:17);

• CABEÇA IMPURA - Menear a cabeça, reprovando as coisas de Deus (Jó.16:4; Is.1:5);

• CORAÇÃO IMPURO - Pessoa maliciosa que guarda mágoas (Sl.78:18; Sl.95:8; Mt.19:8; Rm.1:24;Ez.14:3). Dureza de coração tem haver com desprezar ouvir e rejeitar a Palavra de Deus (Pv.29:1), de 3 maneiras: * Negligenciar na oração e leitura; Fofocar no meio da igreja e acalentar pecados secretos (Mt.24:19). Envolve dois tipos de pessoas: Os que gostam de ouvir a Palavra de Deus e apreciam o culto, mas não praticam (Ez.33:31-32) e os que apenas querem sair do aperto, pedindo oração.

• PESCOÇO IMPURO – Pessoa que carrega e confia em fardos pesados de pecado (Is.10:27;Ez.21:29);

• BRAÇOS IMPUROS  - Ficar de braços cruzados sem nada fazer para Jesus (Pv.6:10;Mc.10:16;Lc.2:28).

• MÃOS IMPURAS – Agir com roubo, violência e impureza (Jó.16:17; Sl.7:3; Sl.26:10; Sl.28:4; Sl.106:42);

ESTÔMAGOS IMPUROS - Cheios de iniqüidade;desejam prostituir-se no mundo (Ez.7:19; Lc.15:16;1 Co.6:13).  

• RINS IMPUROS - Quando não se expeli de si, o que não presta., guarda o mal, como vingança (Jr.20:12)

VENTRES IMPUROS – Quando apenas se pensa na glória terrestre, como o deus da prosperidade (GL.1:15)

• PERNAS IMPURAS - Quando não se encurva diante de Deus nem se ajoelha diante dele (Pv.26:7;Ez.21:7)

• PÉS IMPUROS - Quando se vacila,pisando nos outros, de modo impuro (Jó.12:5; Jó.18:8; Pv.6:18; Ez.34:18-19).  

• CORPO IMPURO - Desonrar, prostituir-se em sensualidade escarnecedora e impia (Rm.1:24-27;1 Co.6:15;Jd.1:19)

 

C) Castigo Positivo: • Separado da fonte da vida, pela MORTE: MORTE: 3 Fases: 1) morte espiritual na vida (Ef.2:1); 2) morte física (Hb.9:27) e 3) 2a.morte (Ap.21:8).

 

D) OUTRAS CONSEQÜÊNCIAS:

• Efeito do pecado nos animais;(doenças e morte (Gn.6:11; Gn.6:19-20; Gn.3:14; Lv.4:3; Lv.4:27-28; Ec.3:18); 

Efeitos na terra e meio ambiente (Fome, furacão, falta d”água e enchentes, tsunamis; Poluição – (Jr.5:28-29; Gl.6:7; Sl.18:7; Gn. 3:17; Rm.1:26-32; Sf.1:3);

Efeitos do pecado nas nações (Guerras e desentendimentos – (Jr.30:12; 1 Rs.8:46; Sf.2:11; 2 Rs.17:11; Am.9:9).

 

12) COISAS BOAS QUE DEIXAM AS PESSOAS FORA DO CÉU:

Ter zelo pelas coisas boas, deixando de lado as coisas de Deus (Mt.6:33; Cl. 3:2-3; Hb. 10:25).

Ter desatenção à Palavra e ser absorvido pelos próprios interesses (Lc.17:30; Jr. 2:31-32);

Estar tão ocupado com as coisas de Deus que não há tempo para buscá-lo.  (Sl.32:6; Sl. 69:13);

Dar atenção parcial a Jesus (Cl. 1:18; Lc. 14:16-24);

Colocar a família antes do Senhor (Hb.11:7; Ef.2:19);

Não ser apaixonado por Jesus, não se protegendo o tempo todo ao seu lado (Jr.2:31-32; Lc.14:24).  

PERGUNTA-SE: Quando chegar o dia, Jesus nos conhecerá? (Jo.8:55; Mt.7:23; Lc.13:27);

 

13) PERMANÊNCIA NO PECADO: (Por que os cristãos permanecem na prática do pecado?):

Não têm temor a Deus pela falta de graça e por não entenderem o completo perigo do pecado e suas conseqüências (Pv.16:6;Pv.3:7; Ap.3:15; Pv.4:23).

São super confiante em si mesmo achando-se superior às tentações (2 Co.1:3-7).

Têm o pecado oculto arraigado há anos dentro de seu coração. (Sl.32:5; 38:3).

OBSERVAÇÃO: * Deus condena mais os perversos pecados dos cristãos que dos ímpios. (Dt.1:37;Jr.1:16). * Quanto mais tempo no pecado, mais se endurece (Hb.3:12-13); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta a vara de Deus (Sl.89:30-34); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta esvaziamento de paz e força (Sl.31:10; Sl.38:3); * Quanto mais permanece no pecado, enfrenta crescente dúvida e incredulidade (1 Sm.13:13-14).

 

14)PECADOS PRINCIPAIS:

a)IRA-raiva,cólera ou agressividade exagerada em querer destruir os outros. (Jó.5:2);

b)GULA-Querer assimilar tudo, engolindo e não digerindo (Is.56:11);’

c)INVEJA-Desgosto e pesar pelos bens dos outros; o outro é mais que eu (Pv.14:30);

d)ORGULHO-Ser melhor que outros (Sl.90:10);

e)AVAREZA-não confiar em ninguém (Is.57:17);

f)PREGUIÇA-não  querer aprender  nada.(Ec.10:8);

g)LUXÚRIA (desfrutar do poder de dominar)-prazer pelo excesso (Jr.11:15);

h)IDOLATRIA não querer a Deus de modo exclusivo. (2 Rs.17:41; Dt.32:17; 1 Co.10:20; 1 Co.10:14; Js.24:15; 2 Cr.24:18).

 

15)PARA NÃO DAR LUGAR À CARNE:

a) Odiar o pecado(Ver conseqüências antes -Sl.97:10);

b) FUGIR(Não brincar com o pecado-(1 Co.6:19; 2 Tm.2:22;1 Ts.5:22);

c) SER OTIMISTA Quanto à vitória sobre ela (2 Tm.1:7; Hb.2:18; Jo.16:33).

 

16)  O PECADO E O LAZER: lazer vem do latim licere, que significa ser lícito, bem como ter descanso ou folga.

Diversão – Significa mudar de direção para outra parte, desvio.

Entretenimento – Significa distração, desatenção e irreflexão.Assim, diversão e entretenimento quando idolatrados, são pecados; mas ter um lazer mundano, não.

Deus descansou  e quer que descansemos também: Jesus usou comparativas de meninos brincando (Mc.11:16-17) e Ele mesmo descansou (Mt.8:24; Jo.4:6). Em Eclesiastes, diz que o jovem será cobrado no final de sua vida pelo que fez (Ec.8:15; Ec.11:9).

 

17)COMO O LAZER AGRADA A DEUS:

a) Deve auxiliar na nossa comunhão com Deus - (Dízimo do seu tempo)-Veja o que se fala dos prazeres carnais (Pv.11:17;Lc.8:14), pois tudo deve ser para a glória de Deus (Rm.11:36).

b)Deve revelar o amor que temos pelo próximo (não escandalizar, mas trazer saúde e paz)-(1 Co.10:31-33);

c)Deve ser lícito e conveniente – decente conforme a lei de Deus (1 Co.6:12);

d)Deve fazer bem à saúde Somos Templo (1 Co.6:19)-Praticar a Bíblia dá saúde (Ex.15:26;Pv.4:4:Pv.4:19-22).

e)Deve ser praticado na companhia de gente de bem (Sl.1:1; Sl.119:63; Pv.13:20);

f) Deve ser praticado em estado de paz interior não gerando culpa (Rm.2:15).

Você convidaria Jesus p/ ir contigo ao  teu lazer?(Cl.3:17)!

AULA 6 – JESUS CRISTO:

 

NOMENCLATURA NO NOVO TESTAMENTO:

* Ihsouv Iesous, de origem hebraica ewvy – Jesus =” Jeová é salvação”; o filho de Deus, Salvador da humanidade, Deus encarnado.

 

1)CRISTOLOGIA:UM RESUMO DO ESTUDO DE JESUS CRISTO:

Deus tornado ser humano (Jo 1.14) para salvar as pessoas (1Jo 4.14). “Jesus” quer dizer “Javé é Salvador”; é a forma grega de “Josué” (Mt 1.21). “Cristo” quer dizer “Ungido”; é o mesmo que o termo hebraico MESSIAS (At 17.3).Genealogia de Jesus (Lc.3:23-38) Jesus Cristo é o Espírito da Profecia.

 

2)TÍTULOS:

EMANUEL (Mt 1.23); FILHO DE DAVI (Lc 20.41); FILHO DE DEUS (Jo 1.34); FILHO, DO HOMEM (Mt 25.31); SENHOR (At 2.36); VERBO (Jo 1.1-14= Palavra); SERVO; ( Fp 2.7); SERVO DO SENHOR (Is.53); CORDEIRO de Deus (Jo 1.29); SUMO SACERDOTE.(Hb 7.26; Hb.8.6); MEDIADOR (1Tm 2.5);NAZARENO (At.2:22-36); SALVADOR (Mt.1:18-25);PRINCIPE DA PAZ (Is.9:7).

3) QUEM É ELE?Resposta pela declaração explicativa dos nomes e títulos pelos quais Ele é conhecido conforme a Bíblia.

Jesus veio à terra no tempo anunciado por Deus (Gl.4:4), num momento em que o povo esperava  Messias (Mt.11:3; Jo.4:25; Jo.1:41; Ag.2:7).

Mas Jesus era humilde e diferente do que o povo achava para ser o Messias (Jo.1:11).

Jesus queria saber o que as pessoas sabiam dele, apesar de acharem que Ele era João Batista ou Elias ou Jeremias ou um antigo profeta. (Mt.16:13; Mt.14:1-2; Lc.9:8; Ml.4:5-6).

Jesus Cristo é a segunda pessoa da TRINDADE. Através dele o universo foi criado e é mantido em existência (Jo 1.3; Cl 1.16-17).

Ele é o ANJO do Senhor que aparece no AT (Gn 16:7-11; Gn. 22:11-15; Ex.3:2; Nm.22:23-35; Js.2:1-4; Jz.2:4; Jz.6:11-22; Jz.13:3-21; Sl.34:7; Zc.3:5; Zc.12:8; ). Esvaziou-se da sua glória e se humilhou, tomando a forma de ser humano (Fp 2.6-11). O seu ministério terreno durou mais ou menos 3 anos e meio.

Jesus ensinou a verdade de Deus por preceitos e por parábolas.

Ele fez milagres, curando enfermos e endemoniados, fazendo o bem.

Foi rejeitado pela maioria do povo e autoridades, submetido à morte de cruz.

Foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia. Depois subiu ao céu, onde está para interceder pelos seus (Hb 7.25).

E o salvo está unido com Cristo, que vive nele pelo seu Espírito (Rm 8.9-11; Gl 2.20; 4.6; Fp 1.19).

Na sua segunda vinda Jesus Cristo julgará os vivos e os mortos (2Tm 4.1).

 

4)JESUS NÃO É:

O Jesus médico obrigado a curar em reuniões concorrentes de igrejas que querem ter fama de milagreiras;

• O Jesus morto dos crucifixos;

• O Jesus de qualquer jeito dos liberais mundanos;

• O Jesus das campanhas publicitárias;

• O Jesus da LBV;

• O Jesus dos espiritualistas médiuns;

• O Jesus que pede a Deus por meio de outra pessoa (Hb. 9:24).

 

5)JESUS PARA OS TEÓLOGOS: Na época em que Ele veio ao mundo, os religiosos o consideravam como blasfemador porque Ele se dizia ser filho de Deus (Lc.22:63-71; Mc.14:63-64).

Hoje em dia:

Teologia da Libertação- Considera Jesus apenas como um referencial ideológico social;

Religião de Mercado- Jesus é apenas uma mercadoria útil e um produto rentável de um ótimo garoto propaganda;

Seitas Heréticas- Consideram Jesus como um ser que não é divino, mas apenas mais desenvolvido;

Teologia Cristã- Eterno:Profeta (Jo.4:19);Sacerdote(Hb.8:3);Rei  (Mt.25:31). Jesus é Deus que se fez homem, sem pecado, tornando-se salvador e Senhor do seu povo através do seu sacrifício na Cruz.

 

6)Para Deus ser humano:  Necessitaria:

a)nascer de modo incomum;

b) ser sem pecado;

c) fazer milagres;

d) conhecer cada pessoa;

e) ter maior mensagem;

f) influência duradoura e universal;

g) matar a fome do homem;

h)ter poder sobre a morte.

i) ascensão. Jesus Cristo é a união da natureza  divina/humana, sem confusão,mudança ou divisão.

 

7)Razões p/crer nEle:

a) Depoimento múltiplo - vários informes;

b) Descontinuidade - Jesus trazia algo novo diferente do judaísmo;

c) Conformidade - Trechos Bíblicos sociais exatos;

d) Explicação necessária: Investigar indícios contraditórios (Jesus explicava suas atitudes);

e) Estilo de Jesus- modo de fala incisivo,com autoridade, solene, sem exigências.

f) Fontes-História:*27 livros do NT e  gregos;*Pais da igreja;*Fontes não Bíblicas – historiadores judeus e gregos.

 

8)DIVINDADE DE JESUS: Características:

Como Criador (Cl.1:16; Hb.1:3);

• Seus desígnios (Rm.11:33-36);

• Se fez homem (Lc.1:26-35);

* Ressuscitou (Lc.24:36-53;At.1:3;  At.2:22-39; At.3:13-26; At.4:10; At.5:30-32; At.10:39-42; At.13:30-32; At.13:37; Rm.1:4; 1Co.6:14; 1Co.15:15; Cl.2:12; Cl.3:1; 1Ts.4:14-16; Hb.13:20; 1Pe.1:2-3; 1Pe.1:21; 1Pe.3:21-23; Ap.5:6-10; Ap.20:6; );

* Tem todo o poder (Mt.28:18; Fp.2:9-11); Poder para perdoar pecados (Mt.9:6; Mc.2:1-12; Lc.5:24);

• É sobre todos (At.10:36; Rm.9:1-5).

* Ele é o resplendor da Glória de Deus (Hb.1:3);

* Imagem de si (Hb.1:3; Cl.1:15-19).

 

9)PROVAS  DO NOVO TESTAMENTO QUE JESUS É DEUS:

a) Jesus é diferente dos líderes; único que convence que é Deus a uma parte do mundo- escárnios pagãos testemunham da adoração a Cristo;

b) Impecabilidade:nas palavras e obras de Jesus há ausência completa de conhecimento ou confissão de pecado(Jo.8:46;Hb.4:15; Hb.9:28);

c) Ele se afirmava como Deus:Igualdade com o Pai: (Jo.10:30;Jo.8:58) (viola o sábado)(Jô.5:18; Jô.9:16);enviado (Jo.20:21);defende sua honra divina (Jo.5:23); Conhecer (Jo.8:19); Crer (Jo.14:1); Ver (Jo.14:9)

d) Aceita reverência a Ele,como adoração divina:(prostrar-se) Jo.4:20-22; At.8:27; Jo.4:24; Mt. 4:10 e Lc. 4:8; leproso (Mt.8:2); cego (Jo.9:35); discípulos  (Mt.14:33; Jo.20:27). Anjos e meros homens não aceitaram essa reverência para si:(At.10:25-26 e Ap.19:10). Referências Bíblicas: (Jo.5:18; Jo.8:42;Jo.8:54;Jo.10:35-36;Jo.13:3;Jo.13:31-32; Jo.16:27; Jo.20:17);

Outras Provas:

Sua igreja o adora por quase 2.000 anos;

mudou a história (AC e DC)

Emanuel(Deus conosco)-(Mt.1:23);

A palavra saia da boca de Jesus-Deus (Mt.4:4;Lc.4:4;);

• Quem estava tentado era Jesus-Deus (Mt.4:7;Lc.4:12;);

• Jesus foi adorado e servido como Deus pelos anjos (Mt.4:10-11;Lc.4:8;Hb.1:6;);

demônios o reconheceram como divino (Mt.8:29; Mc.1:24; Mc.3:11; Mc.5:7; Lc.4:34; Lc.4:41; Lc.8:28; Tg.2:19);

adorado e reconhecido pelos homens (Mt.14:33; Mt.16:16;Mt.27:54; Mc.15:39; Mc.16:19;Lc.2:26-38; Lc.7:16; Lc.9:20; Jo.9:33; Jo.11:27; Jo.16:30; Jo.20:28; At.7:55-56; Paulo (Fil.2:9;Tito 2:13); João Batista (Lc.3:2);Pedro (Mt.16:15 e At.3:26); Tomé (Jo.20:28);Escritor (Hb.1:8); Estevão (At.7:9); leproso (Mt.8:2); cego (Jo.9:35); discípulos (Mt.14:33;Jo.20:27);

• No julgamento:Condenação de Jesus foi por sua confissão induzida, onde “tu  o disseste” é uma maneira educada judáica de responder(Mt.26:64; Mc.14:62; Lc.22:70; Lc.23:42);

• reconhecido por anjos (Mc.1:35; Lc.2:12; Jo.10:33);

• Ensinos  absolutos(não retrata,acha ou muda nada), autoridade suprema”Em verdade,…;

• Confirmado por explicações teológicas bíblicas gerais que explicam a Jesus como Deus (inclusive passagens declaratórias de que Ele é Deus): (Jo.1:1-2; Jo.1:12-13; Jo.1:18; Jo.1:29; Jo.1:34; Jo.1:36; Jo.1:49; Jo.3:16-21; Jo.3:36; Jo.6:69; Jo.17:3; Jo.20:31; At.20:28; Rm.5:10; Rm.6:23;Rm.8:3; Rm.8:34; Rm.9:5; 1Co.1:9; 1 Co.1:24; 1 Co.1:30; 1 Co.6:11; 1 Co.8:6; 2 Co.4:6; 2 Co.15:19; 2 Co.13:13;  Ef.1:3; Fp.2:6-11; Cl.1:13-15; 1 Tm.2:5; 1 Tm.3:6; 2 Tm.4:1; Tt.2:13; Hb.1:1; Hb.1:8-9; Hb.2:9; Hb.2:17; Hb.4:14; Hb.7:3;Hb.9:14; Hb.9:24; Hb.10:12; 1 Pe.3:18; 2 Pe.1:1; 2 Pe.1:17; 1 Jo.4:9; 1 Jo.5:9-13; 1 Jo.5:20; 2 Jo.1:9; Jd.1:4; Ap.14:2; Ap.19:10).

10)JESUS COMO VERBO: No Grego logov logos- (preexistente-anterior à Criação do homem, intimamente ligado  Deus no seio do Pai, não que Jesus seja idêntico  Deus-Pai, mas no mesmo caráter, essência, qualidade e ser de Deus). Jesus é tão perfeitamente o mesmo que Deus em mente, coração e essência (Jo.1:14;Jo.14:9).

(EU SOU):Antigo testamento  hyh hayah hyh hayah (EU SOU O QUE SOU) – (Ex.3:14);

Novo testamento egw ego eimi eimi (Mt.20:15; Mt.20:22; Lc.22:70; Jo.8:24; Jo.8:28; Jo.8:58;Jo.13:19;At.18:10; Ap.2:23);

Outras Referências Bíblicas: O PÃO(Jo:6:35; Jo.6:41; Jo.6:48; Jo.6:51); A LUZ (Jo.8:12;Jo.12:46;); ENVIADO (Jo.8:18); DO CÉU (Jo.8:26)  A PORTA (Jo.10:7; Jo.10:9);  O BOM PASTOR (Jo.10:11;Jo.10:14);A RESSURREIÇÃO E A VIDA (Jo.11:25); O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA (Jo.14:6); A VIDEIRA VERDADEIRA (Jo.15:1; Jo.15:5) REI (Jo.18:37); SENHOR (At.9:5;At.22:8;At.26:15;); SANTO (1 Pe.1:16); ALFA E ÔMEGA (ETERNO) (Ap.1:8,11,17,18; Ap.21:6; Ap.22:13); RAIZ E GERAÇÃO DE DAVI E ESTRELA DA MANHÃ (Ap.22:16);

 

11)JESUS COMO A PALAVRA DE DEUS (expressando seu poder, inteligência e vontade, imagem revelada de Deus ) Referências bíblicas: (Lc.4:32; Lc.4:36; Jo.2:22; Jo.5:24; Jo.8:31; Jo.8:51; Jo.12:48; Jo.14:23-24; Jo.15:3; At.10:36; 1 Co.1:18; 2 Co.2:17; 2 Co.5:19; Ef.1:13; Fp.2:16; Cl.3:16; 1 Tm.1:15; 1 Jo.5:7; Hb.1:3; Ap.1:9; Ap.3:8; Ap.3:10; Ap.6:9; Ap.12:11; Ap.19:13; Ap.20:4).

12)JESUS COMO O Filho de Deus:

Expressão uiov huios yeov theos significa”nascido de Deus”.Título  proclama deidade., num sentido único que mantém relação divina não participada por nenhuma criatura do universo:

CONFIRMANDO A VERDADE:

Consciência de si mesmo - Com 12 anos, Jesus sabia 2 coisas:

1a) uma revelação especial de Deus a quem chama de seu Pai;

2a) uma missão especial na terra “negócios do Pai”.Ele tinha consciência de sua identidade,adquirida no estudo das Escrituras sobre o Messias e o Espírito Santo revelou intimamente que Ele é o Eterno filho de Deus e não,apenas, de Maria.Ele ouviu a voz do Pai no  batismo (Mt.3:17),resistiu à tentação do diabo p/duvidar do fato(Mat.4:3)e falou Abba (paizinho),na cruz.

Referências Bíblicas:(Dn.3:25; Mt.8:29; Mt.14:33; Mt.27:43; Mt.27:54; Mc.1:1; Mc.3:11; Mc.15:39; Lc.1:35;Lc.4:41; Lc.22:70; Jo.1:34;Jo.1:49; Jo.3:18; Jo.5:25; Jo.10:36; Jo.11:4; Jo.11:27;Jo.19:7; Jo.20:31; At.8:37;At.9:20; Rm.1:4; 2Co.1:19; Gl.2:20; Ef.4:13-14; Hb.6;6; Hb.7:3; Hb.10:29; 1Jo.3:8; 1Jo.4:15; 1Jo.5:5; 1Jo.5:10-13; 1Jo.5:20; Ap.2:18).

 

13) SENHOR: Expressão kuriov kurios (grego-kurios)-(supremacia)- título de honra, que expressa respeito e reverência e com o qual servos tratavam seus senhores; título dado: a Deus, ao Messias:(Lc.24:3; Jo.21:7; At.1:21;At.2:36; At.4:33; At.7:59; At.9:17; At.9:29; At.10:36; At.11:7; At.15:11; Rm.10:12; 1Co.12:3; Fp.2:11; 2Jo.1:3; Jd.1:17; Jd.1:21;  Ap.22:20-21). Indica:

a)deidade- transmitia aos judeus e gentios, o pensamento de divindade(equivale a Jeová);

b) Exaltação - Na terra, Jesus merecidamente é Senhor porque morreu e ressuscitou para salvar os homens;

c)Soberano-No AT,se revelou como redentor e salvador de Israel e no Sinai, como Rei (Êxodo 20:2)-2 Cr.13:5; Fp.2:9; Fp.3:14).

Profecias do A.T.: Ex.15:2; Dt.26:19; 1Sm.2:1; 1Sm.2:10; 2Sm.22:47; 1Cr.29:11; Sl.7:6; Sl.18:46; Sl.21:13; Sl.46:10; Sl.57:5; Sl.57:11; Sl.66:17; Sl.97:9; Sl.99:5; Sl.99:9; Sl.107:32; Sl.108:5; Sl.113:4; Sl.118:16; Sl.118:28; Sl.145:1; Sl.148:13; Is.5:16; Is.26:11; Is.33:3;5;10; Is.52:13;

Cumprimento:  (At.2:33; Fp.2:9); Agora Cristo nos redime da destruição do pecado e tem o direito de ser o Senhor de nossas vidas, que nos comprou (1 Co.6:20; 2 Co.5:15).

14) FILHO DO HOMEM:   Expressão hebraica Nb bem Mda ‘adam aw-dawm’ou grega uiov huios anyrwpov anthropos (humanidade)-designação enfática p/o homem, em seus atributos característicos de debilidade e impotência.(Nm.23:19;Jó.16:21). No AT, a expressão denota debilidade e mortalidade, incentivo à vocação profética. No NT, denota-o como participante da natureza e qualidades humanas, sujeito às fraquezas humanas; Também, denota sua deidade porque nEle, significa  pessoa celestial , identificado como representante e salvador, em 3 fases:

a)  vida terrena (Mt.27:63; Lc.24:5; Mc.2:10; Lc.24:23; Jo.6:57; Jo.6:69; Jo.14:19;At.25:19 );

b) sofrimentos expiatórios (Hb.2:17; Mc.8:31; 1 Pe.1:11) e

c) exaltação e domínio sobre a humanidade (Mt.25:31;Dn.7:14). Cristo, homem em sofrimento,debilidade e morte, mas divino em contato com Pai, perdoando pecados acima da religião. O filho de Deus veio a ser o filho do homem pela encarnação, concebido no ventre de Maria pelo Espírito Santo.

Encarnação não significa que Deus se fez homem, mas permanecendo como Deus, tomou natureza nova(humana). O filho de Deus , permanecendo Deus, se uniu de tal forma a do homem, que constituiu uma pessoa, Jesus; assim, o filho de Deus , verdadeiro Deus desde a eternidade, no curso do tempo se fez verdadeiro homem, em uma pessoa, Jesus Cristo, constituído de duas naturezas, a humana e a divina.(Lc.24:39; Jo.1:14; Jo.6:51-56; Jo.17:2; At.2:30; At.2:31; Rm.1:3; Rm.8:3; Rm.9:5; 2Co.3:3; 2Co.5:16; Ef.2:15; Cl.1:22; 1 Tm.3:16; Hb.5:7; Hb.10:20; 1Pe.3:18; 1Pe.4:1; 1Jo.4:2-3; 2Jo.1:7).

 

15) PROPÓSITOS DA VINDA DE JESUS CRISTO:

a) Revelar Deus em si mesmo (Profecias AT: (Dt.29:29;Jó.34:14-16; Dn.2:19; Dn.2:22; Dn.2:28; Dn.2:29; Dn.2:47; Am.3:7; Cumprimento NT: (Mt.10:26;Mt.11:25; Mt.11:27; Mt.16:17; Lc.2:26; Lc.10:21-22; Jo.1:18; Jo.5:19; Rm.16:25; 1Co.2:10; Gl.1:12; Gl.1:16; Ef.1:17; Ef.3:1-5; 1Pe.1:7; 1Pe.1:12-13; 1Pe.4:13; 1Pe.5:1; Ap.1:1). 

b) Formar um modelo, glorificado e adaptado ao destino celestial, para os filhos dos homens, serem filhos de Deus  (Profecias AT: (Ex.25:9; Ex.25:40; Ex.26:30; Js.22:28; Ez.43:10); Cumprimento NT:(At.7:44; 2Tm.1:13; Hb.8:5-6;Jo.1:2).

c) Destruir o pecado  que impedia perfeição humana. (Adão era privado da glória pela justiça original).Profecias AT:(Gn.19:13; Ex.12:13; Ex.15:6; Dt.4:25-26; Dt.12:3; Dt.28:20; Sl.9:5; Sl.54:5; Sl.73:27; Sl.101:8; Sl.143:12; Pv.6:14-15;Pv.21:12; Pv.21:15; Pv.29:1; Ec.5:6; Is.1:28; Is.10:22-23; Is.28:22; Os.4:6; Jó.5:12; Is.25:8);  Cumprimento NT: (Mc.1:24; Lc.1:25; Lc.4:34; 1Co.1:19; 2Co.10:4-5; Jd.1:5;

 1Co.13:10; 1Co.15:24; 1Co.15:26; 2Ts.2:8; Hb.2:14; Hb.9:26).

16) JESUS CRISTO: Xristov Christos – mesmo que messias no grego Messiav Messias, o ungido, e em hebráico xyvm mashiyach”, filho de Jeová, concentrando esperanças de lsrael.(Mc.1:11);

O povo esperava um Messias,mas com conceitos errados. Deus, antes de estabelecer um reino terreno, desejava a purificação do povo. (Ez.36:25 e Jo.3:1); Messias, o autorizado a salvar Israel e as nações, do pecado, como Senhor e Mestre.

Cumprimento NT: (Mt.16:16; Mt.23:8; Mt.26:63-64; Mc.9:41; Lc.2:11; Lc.2:26; Lc.4:41; Lc.9:20; Lc.23:2; Lc.24:26; Lc.24:46; Jo.1:17; Jo.4:42; Jo.6:69; Jo.17:3; Jo.20:31; At.2:36; At.2:38; At.4:10; Rm.1:4; Rm.1:16; Rm.2:16; Rm.3:22-24; Rm.14:9; Rm.15:19; Rm.16:27; 1Co.1:9; 1Co.1:24; 1Co.1:30; 1Co.3:11; 1Co.15:57; 2Co.4:6; 2Co.5:10; 2Co.5:18-20; Gl.2:20; Gl.3:13; Ef.1:20; Fp.2:11; Fp.3:20; Cl.1:27; 1Ts.4:16; 1Ts.5:9; 1Ts.5:23; 2Ts.1:12; 2Ts.2:16; 1Tm.1:15; 1Tm.2:5; 2Tm.1:10; 2Tm.2:8-10; Hb.5:5; Hb.9:11; Hb.9:14; Hb.9:24; Hb.9:28; Hb.13:20; 1Pe.1:2-3; 1Pe.3:18; 2 Pe.1:11; 1Jo.5:20; Ap.1:5; Ap.11:15; Ap.20:6).

 

17) FILHO DE DAVI: No hebráico Nb bem dywd Daviyd; no gregouiov huios dabid Dabid Da linhagem real pela fidelidade de Davi(2 Sm.7:16), renovando a aliança davínica;os seus descendentes. Como filho de Maria, Ele é filho de Davi;Em (ls.9:6),”Pai da eternidade”, significa sábio e justo,qual Pai (Mc.11:10).

Cumprimento NT:(Mt.1:1; Mt.1:20; Mt.9:27; Mt.15:22; Mt.20:30; Mt.22:42-45; Mc.11:10; Lc.1:27; Lc.1:32; Lc.1:69; Lc.2:4; Lc 2:11; At.2:25; Rm.1:3; 2Tm.2:8; Ap.3:7; Ap.5:5; Ap.22:16).

18) OBRA SALVADORA: Deus, salvação e libertador de Israel (Sl.106:21; ls.45;15; Jr.14:48); Deus agindo “(Is.63:9).

O salvador, libertando e perdoando o povo; Filho enviado na plenitude dos tempos (GI.4:4).

Cumprimento AT:(ls.19:20; ls.43:11; ls.45:15; ls.45:21; ls.49:26; ls.60:16; ls.63:8; Os.13:4);

Cumprimento NT:(Lc.1:47; Lc.2:11; Jo.4:42; At.5:31; At.13:23; Ef.5:23; Fp.3:20; 1Tm.1:1; 1Tm.4:10; 2Tm.1:10; Tt.1:3-4; Tt.2:10-13; Tt.3:4-6; 2Pe.1:1; 2Pe.1:11; 2 Pe.2:20; 2 Pe.3:2; 2 Pe.3:18; 1 Jo.4:14; Jd.1:25).

 

19) MILAGRES DE JESUS CRISTO:Classificação Geral:

a)exorcismos: Jesus expulsa demônios;

b) curas: Jesus elimina doença/deformação;perdoa pecados-(exceto Jo.9:1-41; c)ressurreições: Jesus traz de volta a vida dos mortos, (3 casos);

d)milagres sobre natureza: Jesus age sobre os elementos (vento e mar;

e) milagres de transformação: Jesus transforma água em vinho e seca uma figueira; f) milagres de surgimento: Jesus faz surgir peixes, multiplica pães e peixes e faz aparecer o estáter na boca do peixe;

g) milagres de habilidade: Jesus possui a habilidade de mudar as situações,escapando de perseguidores em Nazaré;aparece e desaparece como ressuscitado, ou saber os pensamentos das pessoas e os atos futuros;

h) milagres de epifania: transfiguração e outros milagres como a voz de Deus, a pomba, o véu do templo que se rasgou, a ressurreição de mortos no momento da crucificação e subida aos céus.

i)Outros milagres desconhecidos: (Jo.21:25).

20)RELAÇÃO DOS MILAGRES (Ordem histórica dos Evangelhos):

a)Só em Marcos: (Mc.7:31-37 = Mt.15:29-31);(Mc.8:22-26 = Jo.9:6);

b)Só em Mateus: (9:27-31; 9:35; 12:22-24; 15:29-31; 17:23-26; 21:14-15);

c) Só em Marcos e Mateus: (Mc.1:38-39; Mt. 4:23-24; Mc.6:4-5; Mt.13:57-58; Mc.6:53-56; Mt.14:34-36; Mc.7:24-30; Mt.15:21-28; Mc.8:1-9; Mt.15:32-38; Mc.11:12-14,20-21; Mt. 21:17-20);

d)Só em Lucas: (4:28-30; 5:1-9; 7:11-16; 7:19-22; 8:2; 13:10-13; 14:1-4; 17:11-19; 22:44; 22:49-51 (veja João 18:10).

e) Só em Marcos e Lucas: (Mc.1:23-28; Lc.4:33-37; Mc.16:12; Lc.24:12-35; Mc.16:19; Lc.24:50-51);

f) Só em Mateus e Lucas: (Mt.8:5-8 e13; Lc.7:1-10; Mt.9:32-34; Mt.12:22-24); Lc.11:14-15);

g) Só em Mateus, Marcos e Lucas: (Mc.1:12-13; Mt.4:1-11; Lc.4:1-13; Mc.1:29-31; Mt.8:14-15; Lc.4:38-39; Mc.1:32-34; Mt.8:16-17; Lc.4:40-41; Mc.1:39-44; Mt.8:1-4; Lc.5:12-14; Mc.2:1-12; Mt.9:1-8; Lc.5:17-26; Mc.3:1-5; Mt.12:9-13; Lc.6:6-10; Mc.3:6-12; Mt.12:14-16; Lc.6:17-19; Mc.4:35-40; Mt.8:23-27; Lc.8:22-25; Mc.5:1-15; Mt.8:28-33; Lc.8:26-35; Mc.5:25-34; Mt.9:2-22; Lc.8:43-48; Mc.5:21-24, Mc.35-43; Mt.9:18-19, Mt.23-26; Lc.8:40-42, Lc.49-56; Mc.8:27-33; Mc.9:30-32; Mc.10:32-34; Mt.16:13-23; Mt.17:21-22; Mt.20:17-19; Lc.9:18-22; Lc.9:43-45; Lc.18:31-34; Mc.9:1-8; Mt.17:1-9; Lc.9:28-36; Mc.9:16-26; Mt.17:14-17; Lc.9:37-44; Mc.10:46-52; Mt.20:29-34; Mt.9:27-31; Lc.18:35-43; Mc.11:1-11; Mt.21:1-11; Lc.19:29-40; Mc.13;Mt.24;Lc.21; Mc.15:33-34 e 37-39; Mt.27:45,50-54; Lc.23:44-48).

Só em João: (1:47-51; 2:1-11; 3:23-25; 4:17-18; 4:46-54; Jo.5:1-9; 8:59; 9:1-7; 10:39; 11:11-15; 11:38-45; 8:52; 10:38-42; 16:20; 12:28; 18:3-6; 20:30; 21:1-6,10-11);(repetição de Lucas 7:1-10 e Mateus 8:5-8,13);

Só em Marcos, Mateus e João: (Mc.6:45-56; Mt.14:22-34;Jo.6:16-21);

Só em Mateus,Lucas e João: (Mt.14:13-14;Lc.9:10-11;Jo.6:1-2);

Só em Lucas e João: (Lc.24:36-43;Jo.20:19-23);

Em Marcos, Mateus,Lucas e João (ao mesmo tempo):Mc.1:10-11; Mt.3:13-17; Lc.3:21-22;Jo.1:32 e 12:28;Mc.6:34-44;Mt.14:14-21;Lc.9:11-17;Jo.6:3-14; Mc.14:17-21; Mt.26:20-25; Lc.22:21-22; Jo.13:26; Mc.14:26-31; Mt.26:30-35; Lc.22:31-38; Jo.13:36-38; Mc.16:1-9;Mt.28:1-10; Lc.24:1-8;Jo.20:1-17; Mc.16:1-10; Mt.28:1-10; Lc.24:1-12; Jo.20:11-18).

Em Atos: (1:9; 9:3-7);

Outros milagres do Espírito Santo: (Mt.1:18 e Lc.1:35; Mc.1:10-11; Mt.3:13-17; Lc.3:21-22; Jo.1:32; Mc.1:12; Mt.4:1; Lc.4:1;At.8:39-40; At.2:1-13; 7:56; 10:9-16; 11:28; 19:6; 21:10-11; 1Co.12:10; 2Co.12:1-4; Ap.1:10).

21)O PLANO DE DEUS E AS PROFECIAS MESSIÂNICAS:

 

DE GÊNESIS A DEUTERONÔMIO:
* Deus criou 1° casal à sua imagem e abençoou. (Gn.1:2);
* Ele formou homem,da terra e lhe deu uma alma. (Gn.2:7);
* Deus criou a mulher e uniu,sem malícia. (Gên.2:21);
* O Inimigo enganou esse casal que pecou. (Gênesis 3:7);
* Filho de Eva pisará diabo. (Gn. 3:15) e Gl.4:4 e Mt. 1:20);
* Deus vestiu Adão e Eva, com pele animal (Gn. 3:21-24);
* Abel oferta a Deus, que se agrada: é morto por Caim (Gn.4:2-11);
* Deus vê terra contaminada,resolve destruí-la.(Gn.6:2-5);
* Deus manda Noé construir arca para salvar pessoas (Gn.6:11-13);
* Noé solta pombo,traz ramo verde de oliveira.(Gn.8:6-11);
* Deus fez nova aliança com Noé (arco-íris). (Gn.9:9-16);
* Noé oferta animais no altar em holocausto. (Gn. 8:20);
* Homens:Babel e sua linguagem confusa. (Gn.11:6-9);

* Deus viu Abrão,de Ur; (Gn.12:1-3; Mt.1:1 e Gl.3:16);
* Abrão edifica altar a Deus: invoca seu nome.(Gn.12:7-8);
* Abrão dá dízimo de tudo a Sacerdote (Gn.14:18-20);
* Deus prometeu-lhe herdeiro, Isaque; (Gên.15:1-14);
* Promessa a Isaque (Gn.21:12) e Lc.3:23,24 e Mt.1:2;

* Deus pediu Isaque, como holocausto.(Gn. 22:1-15);

* Abraão ia oferecer Isaque;foi impedido.(Gn. 22:1-15);
* Deus promete-lhe descendência numerosa(Gn.22:16-19);
* Deus apareceu a Isaque;confirma promessa(Gn. 26:2-5);
* Isaque teve visão de Deus;edifica altar;(Gn. 26:24-25);
* Jacó filho de Isaque:direito de herdeiro;(Gn. 28:12-20);
* Jacó fez coluna e edificou altar ao Senhor(Gn.28:18-22);
* Deus muda nome-Jacó para Israel.(bênção).(Gn.32:24-30);
* Promessa a Jacó (Gn.35:10-12) e Lc.3:23-24 e Mt.1:2);
* Jacó:12 filhos;José e Benjamin, mais novos.(Gn. 35:22);
* José traído pelos irmaos,foi ser Rei no Egito.(Gn.3-45);
* Seca em Canaã e Israel e família foram ao Egito (Gn.46:1-7);

* Judá,de Israel(promessa)(Gn.49:8-11 )e Mt. 1:2:Hb: 14);

* O povo aumentou muito e faraó oprimiu povo. (Ex.1:5-14);
* Moisés hebreu salvo criado por filha do faraó.(Ex.2:1-10);
* 40 anos depois, Deus(EU SOU)fala a Moisés:(Ex. 3:2-22);

* Após 10 pragas,povo sai do Egito com riquezas (Ex.7 a 11);

* Deus pede páscoa;cordeiro sem defeito comido (Ex.12:1-29);
* Primogênitos para Deus;sinal nas mãos e olhos (Ex.13:1-16);

* Deus abre mar vermelho e faraó morre. (Êx. 14:1-31);

* Povo murmura pela água e fome no deserto. (Êx.15 a 16);
* Deus: promessas:10 mandamentos no Sinai.(Ex.19 a 31);
* 0 povo faz bezerro de ouro e adora idolatria. (Ex. 32);
* Moisés:véu no rosto,refletia glória de Deus. (Ex.34:29-35);
* Deus:construam tabernáculo,para sacrifícios.(Ex.35 a 40);
* O povo é ordenado sobre leis e rituais (todo levítico);
* Israel(povo) marcha para Canaã,terra prometida.(Nm.1-12);
* Deus proíbe povo ir a Canaã(murmuração)(Nm.13 a 14);
* Vara de Arao, novilha vermelha;rocha ferida;(Nm.1 a 29);
* Murmuração;serpentes mordem(de bronze) (Nm.21:1-9);
* Bênção a Israel, futuro (Rei) Estrela de Jacó (Nm. 24:1);
* Deus escolhe Israel por amor e não por merecer.(Dt.7:7-8);
* Deus fala que provou no deserto por amor; (Deut. 8:2-3);
* Deus requer de Israel, amar e servi-lo. (Dt.10:12-13);
* Deus dará profeta como Moisés,o Messias.(Dt.18:15-19);
* Deus a Josué;dá vitória contra Jericó(Dt.5:13-15 e Dt.6);

DE JOSUÉ A 2° REIS
* O povo entrou em Canaa e teve terras. (Js.21:43-45);
* Coroa de espinhos para os desobedientes (Js. 23:13);
* Deus levanta juízes para salvar povo da terra(Jz. 2:10-23);
* Deus levanta e escolhe profeta Samuel (1 Sm. 2:35,3:19);

* Samuel escolheu o primeiro Rei, Saul. (1 Sm. 12:13-14);
* Deus não quer sacrifícios,mas obediência. (1 Sm. 15:22);
* Deus e Davi(seu filho fará templo a Ele.(2 Sm.7:12-16);
* A rocha de salvação,o ungido enviado.(2 Sm. 22:4 e 51);
* Deus e Salomão, filho de Davi (reino eterno).(1 Rs.9:1-9);
* Deus e Elias,ressuscita mortos (1 Rs.17:1 e 1 Rs.21-24);
* Elias prega fidelidade a Deus.(1 Rs. 18:21);
* Micaías viu Israel, dispersa sem pastor.( 1Rs. 22:1);

*  Deus e Eliseu:multiplica pães e espigas. (2 Rs. 4:41-44);

DE JÓ A ISAÍAS

* Jó: falta um árbitro entre Deus e homem.(Jó.9:31-35);

* Jó e sua testemunha está no céus, seu advogado;(Jó:16:19);

* Jó: redentor viverá,se levantará;homem verá.(Jó.19:25-27);
* Jó: homens ensinados por Deus e o verão. (Jó.42:4-5);

* Salmos fala sobre características do Messias (Jesus): * Davi fala sobre o Rei de Sião, filho e juiz.(Sal. 2 e Mt.3:17); será louvado por crianças, feito homem; (Sl.8:l6); O messias é esperado (Salmo 14:7). O único, bebe cálice e vencerá a morte (Sl.16); vive (Sl.18:46-49); zombado (SI.22:1-19); nosso pastor (Sl.23); entrará nos céus (SI.24:7-10); caluniado (Sl. 2:12); esquecido (Sl. 31:11); sem ossos quebrados (Sl.34:20); espancado;(Sl.35:21); solitário (Sl.38:11);calado (Sl.38:13);proclamado ao Pai (SI.40:7-8); traído (SI.41:9 e Sl.55:12-14); morto (Sl.44:22); remidor dos irmãos; (Sl.49:); ressuscitado (SI.49:15); injuriado pela família(Sl.69:8-9);receberá vinagre (Sl.69:21); receberá presentes de reis (Sl.72:10); beberá cálice (Sl.75:8); invocará o Pai (Sl.89:26-28): guardado por anjos (Sl.91:11-13); acalmará as ondas (Sl.10:25-29); benvindo e pedra angular (Sl.118:19-29): ensinará mestres (Sl.119:99-100): ferido (Sl.129:3);de Davi(Sl.132:11 e Ap.22:16);

* Ele será o nosso fiador esperado (Provérbios 6:1-2);

* Deixou a vitória para nós (Ec.2:21);

* “propriedade”de seu povo (Ct.2:16);

* lsaías diz: Messias será visto no Monte de jerusalém (ls.2:2);

* o povo será endurecido a Ele (Is. 6:8-10);

* Messias nascerá de virgem (ls.7:14-16) e Mt.1:18);

* O povo verá a luz do menino-Deus (Isaías 9:1-7);

* Messias,cheio de Deus (Isaias 11:1-5);Lc.3:23.32;Mt.1:6

* Terra conhecerá;Ele será estandarte do povo (Is.11:9-10);

* O seu exclusivo trono será justo (Is. 16:5);
* O homem olhará para o criador (Is. 17:7);
* O Messias terá sepultura alta. (Is. 22:16);
* O Salvador será pendurado (Is. 22:22-25);
* O Messias vencerá a morte (Is. 25:8-9);
* O Messias ressuscitará mortos com Ele (Is. 26:19);
* O Messias será glorificado por suas obras (Is. 29:23-24);
* O Espirito Santo será derramado (Is.32:15-18);
* O Messias será Ele, o único caminho Santo (Is.35:8);
* Haverá uma voz do deserto antes dele (Is. 40:3-5);
* Falará aos gentios (Is.42);
* Nele seremos salvos (Is.45:22-23);
* Faz chegar a Salvação (Is.46:12);

* O Messias será cuspido (Is. 50:6);

* O Messias será visto (Is. 53:1-12);

* Ele estará entre nós e no céu (Is. 57:15);

* Somente Ele salva (Is. 63:2-5);

 
DE JEREMIAS A MALAQUIAS:

* Jeremias fala que será manso cordeiro(Jr. 11:19-20);
* Ele multiplicará o vinho nos odres (Jr. 13:12);
* Ele escreverá nomes de acusadores no chão (Jr.1:13);
* O Messias é o renovo (Jr. 23:3-6);
* Raquel chorará por Ele (Jr. 31:15);

* Ele é a nossa Justiça (Jr. 33:15-16);

* Ele dará a outra face (Lm. 3:30);

* O messias será rei eterno (Lm. 5:19-22);

* O expulsarão de uma terra (Ez. 11:15);

* O Messias levará a cruz aos ombros (Ez.12:12);

* Será plantado num monte alto (Ez.17:22-24);

* Seu nome será honrado (Ez.20:9);
* Ele será o bom Pastor (Ez. 34:11-17 e 31);
* O Messias será nosso Rio Eterno (Ez.47:12);
* O Messias é a Pedra que veio do céu encherá a terra (Dn. 2:34 e 44);
* O Messias fará sinais e salvará (Dn. 6:2);
* Os santos possuirão o seu Reino (Dn. 7:18);
* Após o 3o. dia, teremos vida. (Os. 6:1-3);
* O menino virá do Egito (Os. 11:1-2);
* Ele nos remirá da morte (Os. 13:14);
* Ele nos nos curará (Os. 14:4);
* O Espírito Santo derramado;toda carne (joel 2:28-32);
* O segredo será revelado aos profetas (Am.3:);

* Dia está perto; haverá livramento (Ob. 1:15 e 17);

* Rei cheio do Espírito Santo no monte (Mq.2:12-13;3:8;4:1-2);

* Ferirão o juiz na face,nascido de Belém. (Mq. 5:1-5);

* A obra maravilhosa (Hc.1:5);
* Messias entre homens, renova amor. (Sf.3:1);

* Ele está vindo para habitar na terra (Zc. 2:10-11);
* O renovo será Rei e Sacerdote (Zc. 6:12-13);

* Alguém pegará sua orla, judeu;ficará curado (Zc.8:22-23);

* Rei entrará em Jerusalém,montado no jumento (Zc. 9:9);
* Ele será estaca (Zc. 10:4);

* Messias será vendido por 30 moedas (Zc.11:12-13);

* Chorarão por ele, traspassado (Zc.12:10);

* Ele será ferido pelos amigos nos braços (Zc.13:6-7);
* O Messias será desonrado (Mal.1:6);
* O Messias instruirá a muitos (Mal. 2:5-8);
* O Messias terá voz antes dele (Mal. 3:1 e 4:5-6);
* O Messias será o sol da justiça (Mal.4:2);

PERÍODO DE TRANSIÇÃO: 400 anos de silêncio/transição para a vinda do Messias) (Por que 400? (Gn. 15:13; Ex.12:40)

 

NOVO TESTAMENTO
(CUMPRIMENTO DAS PROFECIAS)
Jesus nasceu!
* Geração de Davi e Abraão:Mt.1:1 e 17; Sl. 89:3; Gn. 22:18;
* Raiz de Jessé: Mt. 1:5 e Is.11:11;
* Nasceu de uma virgem Mt. 1:18 e Is. 7:14;
* Teve uma estrela: Mt. 2:2 e Nm. 24:17;

* Nasceu em Belém Mt. 2:6 e Mq. 5:2;
* Recebeu mirra,incenso, ouro Mt. 2:11 e Ct. 1:3 e SI. 45:8;

* Ele foi para o Egito Mt. 2:13 e Os. 11:1;
* Ele voltou do Egito Mt. 2:15 e Nm. 4:22;
* Escapou da morte quando criança.Mt. 2:16 e Ex. 1:16; 

* Raquel chorou Mt. 2:18 e Jr. 31:15;
* Ele seria Galileu Mt. 2:22 e Is. 9:1;
* Habita em Nazaré,desprezo: Mt.2:23 e Is.53:3; SI.22:6;

* Teria o precursor João Batista Mt. 3:1 e Ml. 3:1; Is. 40:3;
* Pregaria o Reino de Deus. Mt. 3:2 e Dn. 2:44;

* Espírito Santo viria sobre Ele como pomba Mt. 3:16 e Gn. 8:8;

* Seria filho amado. Mt. 3:17 e Is. 42:1;
* Seria levado ao deserto Mt. 4:1 e Lv. 16:21;

* Fica 40 dias com fome;Mt.4:2 e Nm. 14:33-34 e Dt. 8:2;
* Tentado a transformar pedras em pães. Mt. 4:3 e Zc. 3:9:
* Disse que o homem viveria da Palavra Mt. 4:4 e Dt. 8:3;

* Disse aos anjos está ordenado: Mt. 4:6 e SI. 91:11-13:
* Disse não tentarás o Senhor… Mt. 4:7 e Dt. 6:16;

* Só a Deus adorarás Mt. 4:9-10 e Dt. 6:13 e Dt. 10:20;

* Foi servido pelos anjos Mt. 4:11 e  Sl.103:21;
* Retirou-se para Galiléia Mt. 4:12-15 e Is. 9:1-2;

* Pregava o arrependimento: Mt. 4:1 e Dn. 7:27;

* Disse para irmos a Ele. Mt. 4:19 e Is. 1:18;

* Mandou acautelar-vos de falsos Mt. 7:15 e Ez. 22:27;

* Disse ao leproso e quis curá-lo. Mt. 8:2 e 2 Rs. 5:3-7;

* Achou fé nos gentios Mt. 8:11 e Is. 49:12;
* Tomou nossas dores e enfermidades Mt. 8:17 e Is. 53:4:
* Mandou vir a ele os cansados; Mt. 11:28-30 e Is. 53;

* Beber o cálice Mt. 20:22 e Jr. 49:12;

* Jumento preso Mt.2 1:2/ Gen. 49:11; Is. 62:11 e Zc. 9:9;

* Pedra angular rejeitada Mt. 21:41 e Sl.118:22-23;

* Disse Assenta-te a minha direita Mt. 22:44 e Sl. 110:1;

* Disse um só é o vosso mestre Mt.23:8 e Sl.133:1 e Sl.22:22;

* Jesus filho do homem Mt. 25:31 e joel 3:2;

* Traído Mt.26:23 e Prov.1:18-19; Sl.41:9; Sl.55:12-14;
* Sangue da nova aliança Mt. 26:2 e Ml.4:4 e Dt 4:23;

* Cálice amargo: Mt. 26:39 e Jr. 49:11-12 e Jr.25:15;

* Morto entre ladrões Mt. 2:44 e Jr. 48:2;

* Autoridade para perdoar pecados. Mc. 2:10 e Jr. 31:34;

* Luz do Mundo Lc. 1:7-9 e Is. 60:1-2;
* Cordeiro de Deus. João 1:29 e Gn. 22:8;

* Ressuscitador Jô. 5:21 e 1 Sm. 2:6;

* Juiz – Jo.5:27 e Jl. 3:2; 2 Tm.4:1 e Is.33:22;

* Escrevia com o dedo em terra Jô.8:6 e Jr.1:13;

* Luz do Mundo Jô.8:12, At.13:4 e Is.60:1-2;

* Alegria de Abraão Jo.8:56 e Gn.18:1 e 17-18;

* O EU SOU Jo.8:58 e Ex. 3:14; Dt.32:29; Is. 43:10;

* A PORTA Jo.10:9 e Ez.3:31;
* O BOM PASTOR Jo. 10:11 e SI. 23:1;

* O CAMINHO Jo.14:6 e Os. 13:4;

* Convencedor do Pecado Jo.16:8 e Mq.3.8;

* Glorificado do Pai Jo.1:1-5; Is.42:8, Is. 48:11; Gen.1:1;

* Túnica rasgada Jo.19:23-24 e Gn. 3:23;
* Ferido com lança ao lado Jo. 19:34 e Ex. 7:17;
* Não me detenhas; ainda não subi. Jo.20:17 e Gn.24:56;
* Mistério da Escritura – Jo. 21:25 e Dt. 29:29;
* Mesa do Senhor(Ceia) Mal.1:7 e 12 e 1 Co.10:21;
* Zeloso pelas coisas divinas – Sl.69 e Jo.2:15-17;
* Milagres Is.35:5 e 32:3,4 e Mt.9:32 e Mc.7:33-35;
* Parábolas:Sl. 78:2 e Mt.13:34;
* Pedra de tropeço aos judeus Sl. 118:22 e Rm.9:32;

* Ressuscitou – Sl.16:10; Sl.30:3 e At.2:31;At.13:33;
* Ascensão – Sl.68:18 e At.1:9;
* À destra de Deus – Sl.110:1 e Hb.1:3 e Mc.16:19;
* Dinheiro atirado – Zc.11:13 e Mt.27:5;
* Preço dado ao oleiro – Zc.11:13 e Mt.27:7;
* Abandonado – Zc.13:7 e Mc. 14:50;
* Acusado por falsos – Sl.35:11e Mt.26:59,60;
* Mudo perante acusadores – Is.53:7 e Mt.27:12;
* Ferido e arranhado – Is.53:5 e Zc.13:6 e Mt. 27:26;
* Espancado e cuspido-Is.50:6; Mq.5:1; Mt.26:67 e Lc.22:63;
* Objeto de zombaria-Sl.22:7,8 e Mt.27:31;
* Caiu sob a cruz – Sl.109:24,25 e Jo.19:17,Lc.23:26;
* Mãos e pés furados- Sl.22:16; Zc.12:10 e Lc.23:33;
* Crucificado entre ladrões-Is.53:12 e Mt.27:38;
* Intercedeu pelos perseguuidores-Is.53:12 e Lc.23:34;
* Rejeitado pelo povo-Is.53:3; Sl. 69:8 e Jo.7,5;Mt.21:42;
* Odiado sem motivo-Sl.69:4 e Is.49:7 e Jo.15:25;
* Amigos à distância-Sl.38:11 e Lc.23:49;
* Menearam a cabeça-Sl.109:25;Sl.22:7 e Mt.27:39;
* Observado pelas pessoas-Sl.22:17 e Lc.23:35;
* Roupas sorteadas-Sl.22:18 e Jo.19:23,24;
* Sofreu sede-Sl. 69:21 e Sl.22:15 e Jo.19:28;
* Fel e vinagre oferecidos-Sl. 69:21 e Mt.27:34;
* Grito de abandono-Sl.22:1 e Mt.27:46;
* Entregou-se a Deus-Sl.31:5 e Lc.23:46;
* Ossos sem quebrar-Sl.34:20 e Jo.19:33;
* Colapso cardíaco-Sl.22:14 e Jo.19:34;
* Traspassado Zc. 12:10 e Jô.19:34;
* Trevas sob a terra-Am. 8:9 e Mt.27:45;
* Em túmulo rico  Is. 53:9 e Mt. 27:57;


ATRIBUTOS DIVINOS:TRINDADE:

ONIPRESENÇA: * Pai: Jr. 23:24; * Filho: Mt. 28:20; *E.Santo: Sl. 139:7;
ONIPOTÊNCIA: * Pai: Gn.17:1; *Filho: Mt.28:18; *ESanto: Lc.1:35;
ONISCIÊNCIA: *Pai: 1 Pe.1:2; *Filho: Jo.21:17; E.Santo: 1 Co.2:10
DEUS CRIADOR: *Pai: Gn.1:1; Filho: Jo.1:3; *E.Santo: Jó.33:4;
ETERNIDADE: *Pai: Rm.16:26; *Filho: Ap.22:13; *Hb.9:14;
SANTIDADE: Pai:Ap.4:8; *Filho: At. 3:14; *E.Santo: 1 Jo.2:20;
SANTIFICADOR: *Pai: Jo. 10:36; Filho:Hb.2:11; *E.Santo: 1Pe.1:2;
SALVADOR: *Pai: Is.43:11; *Filho: 2 Tm.1:10; *E.Santo: Tt.3:5;
OS TRÊS SÃO UM: (1 Jo.5:7);

 

AULA 7 – EXPIAÇÃO

 

1) CONCEITO: O perdão dos pecados dos que se arrependem e confessam, acompanhado de reconciliação com Deus, pelo Sacrifício de vítima inocente,

No AT a vítima era um animal, figura e símbolo do Cristo crucificado (Lv.1-7; Hb.9:19-28).

2) EXPIAÇAO NO ANTIGO TESTAMENTO:

•hebráico“rpk kaphar-Cobrir, purificar,expiação,reconciliar,cobrir com betume; encobrir, pacificar,propiciar,expiar pelo pecado, cobrir, expiar pelo pecado e por pessoas através de ritos legais (Ex.29:36);

•hebráico “hajx chatta’ah ou  tajx chatta’th - relativo a pecado, oferta  e purificação dos pecados de impureza cerimonial (Lv.4:8; Ex.30:15; Lv.5:9; Lv.7:2; Lv.9:7). Compreendendo sacrifício de animais no A.T, para entender o sacrifício de Jesus por nós.

Veja as Profecias: Is.53:10; Sl.40:6;Mt.9:13; Rm.12:1; Ef.5:2; Fp.2:17; Fp.4:18; 2 Tm.4:6; Hb.9:20-25;Hb.10:1-26; Hb.13:8).

 

3) CONCEITO DE SACRIFÍCIO:

No hebraico (xbz zebach) e em Grego yusia thusia – Animais, cereais ou bebidas eram entregues a Deus como parte do culto de adoração.

Chave para significar a morte de Jesus.

O Novo testamento está acima das teorias modernas.

O uso de termos sacrificiais p/expor a morte de Cristo.

O Cordeiro de Deus;seu sangue limpa o pecado e compra a redenção, transformando a morte de Cristo num verdadeiro sacrifício pelo pecado.

Sua morte lembra os sacrifícios do A.T.,de 2 maneiras:

a)Os sacrifícios são ritual de adoração judáico;

b)sinal profético que apontava para um futuro sacrifício perfeito.

Eram proféticos, não apenas a Cristo, como serviram para preparar o povo de Deus para a dispensação melhor que seria introduzida com a vinda de Jesus, afinal, os judeus já estavam familiarizados com sacrifícios, quando João Batista falou que Jesus era o Cordeiro de Deus.

Entendendo o ritual da Lei de Moisés, entenderemos o sentido da morte de Jesus na Cruz.

4) ORIGEM DO SACRIFICIO:

1)ordenado do Céu: Antes da criação do mundo, a expiação estava na mente e no propósito de Deus; Cristo, cordeiro imaculado e incontaminado, conhecido antes da fundação do mundo (Ap. 13:8; 1Pe.1:19).

O cordeiro pascal era preordenado vários dias antes de ser sacrificado (Ex.12:3,6).

Deus prometeu a vida eterna, antes dos tempos dos séculos (Tito 1:2).

Pessoas santificadas pelo sacrifício, antes da fundação do mundo (Ef.1:4).

Pedro disse aos judeus que Cristo foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus (At.2:23). O Cristianismo é a manifestação histórica do propósito eterno.

2) Instituído na terra: Antes do sacrifício de Jesus, Deus ordenou uma instituição que prefigurasse o sacrifício, como meio de graça aos arrependidos e crentes(Sacrifícios de Animais).

A 1ª vítima animal cobriu a nudez do primeiro casal com sua pele (Gn.3), onde Deus fez provisão para redimir o homem.

5) PROPÓSITO DO SACRIFÍCIO: Uma criatura inocente morre para cobrir pecado; cobertura divina,provida pela consciência culpada. Em Gn.3. e Ap. fala do cordeiro:(Ap.5:6).

 

6) NATUREZA DO SACRIFICIO:Modelo original pervertido, origina sacrifícios pagãos, mas se baseiam em 2 idéias fundamentais:

a)O homem reconhece estar debaixo do poder de uma deidade e como submissão, oferece dádivas e sacrifícios;

b) O homem reconhece que o Deus que o fez tem o direito de destruí-lo, a não ser que algo seja feito para restaurar a relação interrompida.

Crenças antigas imolavam vítimas e derramavam seu sangue para aplacar a ira divina e assegurar o favor de Deus.

(O homem decaído, leva alguma marca da original revelação do Criador).

Os filhos de Noé, se afastaram de Deus e adoraram os corpos celestes, numa cegueira espiritual, originando a idolatria, os quais, fazendo deuses conforme concupiscências, se corromperam moralmente.

Deus começou novo plano com Abraão, para restaurar no mundo o conhecimento da glória de Deus, separando Israel, através de um código de leis morais e religiosas.

7) TIPOS DE SACRIFICIOS DE ISRAEL:

Objetivo: Render adoração ao Criador e remover obstáculos a esta comunhão:

• Sacrifício de Expiação. No caso do israelita perturbasse a relação entre Ele e Deus, traria oferta pelo pecado (Morte de Jesus levou o pecado (2 Co.5:21) – Oferta pelo pecado, isto é, para tirar pecados (Lv.4.1-5.13; 6.24-30).

• Sacrifício de Restituição: No caso de ter ofendido o próximo, traria oferta pela culpa (A alma de Jesus pagou a divida. (Is.53:10)-Oferta pela culpa, isto é, para tirar a culpa (Lv 5.14-6.7; 7.1-7).

• Sacrifício de Adoração: (No caso de estar de bem com Deus e com os homens e desejar reconsagrar-se, oferecendo oferta queimada (holocausto) (Morte de Jesus, ato perfeito de oferecimento.(Hb.9:15;Ef.5:2) – Holocausto, em que o animal era completamente queimado no altar (Lv.1.1-17; 6.8-13).

• Sacrifício da Comunhão ( No caso de pronto p/desfrutar feliz comunhão c/Deus, que havia perdoado e aceito,dava uma oferta de paz (Jesus descreveu sua morte;meio da vida eterna,deixando-nos a Paz.(Jo.6:53; conf. Lev.7:1 5).

Sacrifício pacífico ou de paz (Lv 3.1-17; 7.11-21). Das ofertas de paz havia três tipos: por gratidão a Deus (Lv 7.12), para pagar voto ou promessa (Lv 7.16) e a voluntária, que era trazida de livre e espontânea vontade (Lv.7.16).

Por Darlan Lima, Alexandre Arcanjo e Orlando Nascimento.

II Parte (clique aqui)

O que é a Doutrina da Trindade ?

1 Comentário

Veja Também:
 
A doutrina da Trindade é fundamental para a fé cristã. Ela é crucial para um apropriado entendimento de como Deus é, como Ele se relaciona conosco e como devemos nos relacionar com Ele. Mas ela também levanta muitas questões difíceis. Como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo? A Trindade é uma contradição? Se Jesus é Deus, por que os Evangelhos registraram ocasiões nas quais Ele orou a Deus?
Apesar de não podermos entender completamente tudo sobre a Trindade (ou sobre qualquer outra coisa), é possível responder questões como essas e chegar a uma sólida compreensão do que significa ser Deus três em um.

O que significa ser Deus uma Trindade?

A doutrina da Trindade significa que há um Deus que existe eternamente como três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Explicando de outra maneira, Deus é único em essência e triplo em personalidade. Essas definições expressam três verdades cruciais: (1) Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas, (2) cada pessoa é totalmente Deus, (3) há somente um Deus.

Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas.
A Bíblia fala do Pai como Deus (Fp.1.2), de Jesus como Deus (Tt.2.13) e do Espírito Santo como Deus (At.5.3-4). Seriam essas, então, apenas três diferentes formas de olhar para Deus? Ou ainda, três papéis distintos que Deus desempenha?

A resposta deve ser não, porque a Bíblia também indica que Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas. Por exemplo, já que o Pai enviou o Filho ao mundo (Jo.3.16), Ele não pode ser a mesma pessoa que o Filho. Do mesmo modo, depois que o Filho retornou ao Pai (Jo.16.10), o Pai e o Filho enviaram o Espírito Santo ao mundo (Jo.14.26; At.2.33). Portanto, o Espírito Santo deve ser distinto do Pai e do Filho.

No batismo de Jesus, vemos o Pai falando dos céus e o Espírito descendo dos céus na forma de uma pomba, enquanto Jesus saia das águas (Mc.1.10-11). João 1.1 afirma que Jesus é Deus e, ao mesmo tempo, que Ele estava “com Deus”, indicando, assim, que Jesus é uma pessoa distinta de Deus o Pai (cf. Jo.1.18). E em João 16.13-15 vemos que, apesar de haver uma íntima unidade entre todos eles, o Espírito Santo também é distinto do Pai e do Filho.

O fato de Pai, Filho e Espírito Santo serem pessoas distintas significa, em outras palavras, que o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e o Espírito Santo não é o Pai. Jesus é Deus, mas Ele não é o Pai nem o Espírito Santo. O Espírito Santo é Deus, mas Ele não é o Filho nem o Pai. Eles são pessoas diferentes, não três diferentes formas de olhar para Deus.

A personalidade de cada membro da Trindade significa que cada pessoa tem um distinto centro de consciência. Assim, elas relacionam-se umas com as outras pessoalmente: o Pai trata a Si mesmo como “Eu”, enquanto Ele trata ao Filho e ao Espírito Santo como “Vós”. Do mesmo modo, o Filho trata a Si mesmo como “Eu”, mas ao Pai e ao Espírito Santo como “Vós”.

Freqüentemente é objetado que “Se Jesus é Deus, então Ele deve ter orado a Si mesmo enquanto esteve na terra”. Mas a resposta a essa objeção encontra-se em simplesmente aplicar o que nós já vimos. Embora Jesus e o Pai sejam Deus, eles são pessoas diferentes. Assim, Jesus orou a Deus o Pai sem orar a Si mesmo. Na verdade, é precisamente o contínuo diálogo entre o Pai e o Filho (Mt.3.17; 17.5; Jo.5.19; 11.41-42; 17.1ss) que fornece a melhor evidência de que eles são pessoas distintas com distintos centros de consciência.

Algumas vezes a personalidade do Pai e do Filho é estimada, mas a personalidade do Espírito Santo é negligenciada, de modo que Ele é tratado mais como uma “força” do que como uma pessoa. Mas o Espírito Santo não é algo, mas Alguém (veja Jo.14.26; 16.7-15; At.8.16). A verdade de que o Espírito Santo é uma pessoa, não uma força impessoal (como a gravidade), também é mostrada pelo fato de que Ele fala (Hb.3.7), raciocina (At.15.28), pensa e compreende (I Co.2.10-11), deseja (I Co.12.11), sente (Ef.4.30) e oferece comunhão pessoal (II Co.13.14). Todas essas são qualidades de uma pessoa. Além desses textos, os outros que mencionamos acima deixam claro que a personalidade do Espírito Santo é distinta da personalidade do Filho e do Pai. Eles são três pessoas reais, não três papéis que Deus desempenha.

Outro erro sério que as pessoas têm cometido é pensar que o Pai se tornou o Filho, que, então, se tornou o Espírito Santo. Contrariamente a isso, as passagens que vimos sugerem que Deus sempre foi e sempre será três pessoas. Nunca houve um tempo em que alguma das pessoas da Divindade não existia. Todas elas são eternas.

Embora os três membros da Trindade sejam distintos, isso não significa que um seja inferior ao outro. Pelo contrário, todos eles são idênticos em atributos, tais como poder, amor, misericórdia, justiça, santidade, conhecimento e em todas as demais qualidades divinas.

Cada pessoa é totalmente Deus.
Se Deus é três pessoas, isso significa que cada pessoa é “um terço” de Deus? A Trindade significa que Deus é dividido em três partes?

Não, a Trindade não divide Deus em três partes. A Bíblia deixa claro que cada uma das três pessoas é cem por cento Deus. Pai, Filho e Espírito Santo são totalmente Deus. Por exemplo, é dito de Cristo que “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl.2.9). Não devemos pensar em Deus como uma torta cortada em três pedaços, cada um deles representando uma pessoa. Isso faria cada pessoa ser menos do que totalmente Deus e, assim, não ser realmente Deus. Antes, “o ser de cada pessoa é igual ao ser integral de Deus”[1]. A essência divina não é algo dividido entre as três pessoas, mas está totalmente em todas as três pessoas sem estar dividida em “partes”.

Assim, o Filho não é um terço do ser de Deus, Ele é todo o ser de Deus. O Pai não é um terço do ser de Deus, Ele é todo o ser de Deus. E, da mesma forma, o Espírito Santo. Assim, como Wayne Grudem escreve: “Quando falamos conjuntamente do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não estamos falando de um ser maior do que quando falamos somente do Pai, ou somente do Filho, ou somente do Espírito Santo”[2].

Há somente um Deus.
Se cada pessoa da Trindade é distinta e, ainda assim, totalmente Deus, então, devemos concluir que há mais do que um Deus? Obviamente não, pois a Escritura deixa claro que há apenas um Deus: “Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim. Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is.45.21-22; veja também 44.6-8; Ex.15.11; Dt.4.35; 6.4-5; 32.39; I Sm.2.2; I Rs.8.60).

Tendo visto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas, que cada um deles é totalmente Deus e que não há senão um só Deus, devemos concluir que todas as três pessoas são o mesmo Deus. Em outras palavras, há um Deus que existe como três pessoas distintas.

Se há uma passagem que mais claramente traz tudo isso em conjunto, ela é Mateus 28.19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Primeiro, note que Pai, Filho e Espírito Santo são distinguidos como pessoas distintas. Nós batizamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Segundo, note que cada pessoa deve ser divina porque todas elas são colocadas no mesmo nível. Na verdade, você acha que Jesus nos batizaria no nome de uma mera criatura? Certamente que não. Portanto, cada uma das pessoas em cujo nome devemos ser batizados é, necessariamente, divina. Terceiro, note que, apesar de que as três pessoas divinas são distintas, nós somos batizados em seu nome (singular), não em seus nomes (plural). As três pessoas são distintas, mas constituem um único nome. Só pode ser assim se elas compartilharem uma mesma essência.

Notas:
1. Wayne Grudem, Teologia Sistemática (Edições Vida Nova, 1999), p.189.
2. Ibid, p.187

A doutrina da Trindade é fundamental para a fé cristã. Ela é crucial para um apropriado entendimento de como Deus é, como Ele se relaciona conosco e como devemos nos relacionar com Ele. Mas ela também levanta muitas questões difíceis. Como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo? A Trindade é uma contradição? Se Jesus é Deus, por que os Evangelhos registraram ocasiões nas quais Ele orou a Deus?
Apesar de não podermos entender completamente tudo sobre a Trindade (ou sobre qualquer outra coisa), é possível responder questões como essas e chegar a uma sólida compreensão do que significa ser Deus três em um.

A Trindade é contraditória?

Essa pergunta leva-nos a investigar mais de perto uma definição muito útil da Trindade que eu mencionei anteriormente: Deus é único em essência, mas triplo em personalidade. Essa formulação pode nos mostrar por que não há três deuses e por que a Trindade não é uma contradição.

Para que alguma coisa seja contraditória, ela deve violar a lei da não-contradição. Esta lei afirma que A não pode ser A (é) e não-A (não é) ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Em outras palavras, você se contradiz quando afirma e nega a mesma sentença. Por exemplo, se eu digo que a Lua é feita inteiramente de queijo, mas, então, também digo que a Lua não é feita inteiramente de queijo, estou me contradizendo.

Algumas afirmações podem parecer contraditórias à princípio, mas não o são realmente. O teólogo R.C. Sproul cita como exemplo uma famosa afirmação de Dickens: “Esse foi o melhor dos tempos, esse foi o pior dos tempos”. Obviamente isso é uma contradição se Dickens está dizendo que esse foi o melhor dos tempos no mesmo sentido em que esse foi o pior dos tempos. Porém, essa afirmação não é contraditória, porque ele está dizendo que em um sentido esse foi o melhor dos tempos, mas em outro sentido esse foi o pior dos tempos.

Levando esse conceito à Trindade, não é uma contradição para Deus ser tanto três quanto um porque Ele não é três e um no mesmo sentido. Ele é três num sentido diferente do qual Ele é um. Assim, não estamos falando com uma linguagem dobre. Não estamos dizendo que Deus é um e, então, negando que Ele é um ao dizer que Ele é três. Isto é muito importante: Deus é um e três ao mesmo tempo, mas não no mesmo sentido.

Como Deus é um? Ele é um em essência. Como Deus é três? Ele é três em personalidade. Essência e personalidade não são a mesma coisa. Deus é um em certo sentido (essência) e três em um sentido diferente (personalidade). Já que Deus é um em um sentido diferente do qual Ele é três, a Trindade não é uma contradição. Só haveria contradição se disséssemos que Deus é três no mesmo sentido em que Ele é um.

Então, uma olhada mais de perto para o fato de que Deus é único em essência, mas triplo em personalidade, foi útil para mostrar por que a Trindade não é uma contradição. Mas como isso nos mostra que há apenas um Deus e não três? Muito simples: Todas as três pessoas são um Deus porque, como vimos acima, todas elas são a mesma essência. Essência significa a mesma coisa que “ser”. Assim, já que Deus é uma única essência, Ele é um único ser, não três. Isso torna mais claro por que é tão importante entender que todas as três pessoas são a mesma essência. Pois se nós negamos isso, estamos negando a unidade de Deus e afirmando que há mais do que um ser de Deus (ou seja, há mais do que um Deus).

O que vimos até agora provê um entendimento básico da Trindade. Mas é possível aprofundar-nos mais. Se pudermos entender mais precisamente o significado de essência e personalidade, como esses dois termos diferem e como se relacionam, teremos um mais completo entendimento da Trindade.

Essência e Personalidade

Essência.
O que essência significa? Como eu disse anteriormente, significa o mesmo que ser. A essência de Deus é o Seu ser. Para ser mais preciso, essência é aquilo que você é. Sob o risco de soar muito físico, essência pode ser entendida como o “material” do qual você “consiste”. Certamente estamos falando por analogia aqui, pois não podemos entender essência de uma forma física em relação a Deus. “Deus é espírito” (Jo.4.24). Além disso, claramente não devemos pensar em Deus “consistindo” de outra coisa além da divindade. A “substância” de Deus é Deus, não um monte de “ingredientes” que misturados produzem a divindade.

Personalidade.
Em relação à Trindade, nós usamos o termo “pessoa” diferentemente do que usamos no dia-a-dia. Portanto, geralmente é difícil ter uma definição concreta de pessoa quando usamos esse termo em relação à Trindade. Por “pessoa” não queremos dizer um “indivíduo independente”, assim como eu e outro ser humano somos independentes e existimos separados um do outro. Por “pessoa” queremos dizer alguém que se trata como “eu” e aos outros como “vós”. Então, o Pai, por exemplo, é uma pessoa diferente do Filho porque Ele trata ao Filho como “Tu”, apesar de Se tratar como “Eu”. Assim, em relação à Trindade, podemos dizer que “pessoa” significa um sujeito distinto que Se trata como “Eu” e aos outros dois como “Vós”. Esses sujeitos distintos não são uma divisão no ser de Deus, mas “uma forma de existência pessoal que não é uma diferença no ser”[3].

Como elas se relacionam?
O relacionamento entre essência e personalidade, então, é como segue. Na unidade de Deus, o ser indiviso é um “desdobramento” em três distinções pessoais. Essas distinções pessoais são modos de existência no ser divino, mas não são divisões do ser divino. Elas são formas pessoais de existência e não uma diferença no ser. O antigo teólogo Herman Bavinck declarou algo muito útil sobre isso: “As pessoas são modos de existência no ser; conseqüentemente, as pessoas diferem entre si como um modo de existência difere de outro, e – usando uma ilustração comum – como a palma aberta difere do punho fechado”[4]. Já que cada uma dessas “formas de existência” são relacionais (e assim são pessoas), cada uma delas é um distinto centro de consciência, cada um deles Se tratando como “Eu” e aos outros como “Vós”. Porém, todas essas três pessoas “consistem” da mesma “matéria” (ou seja, o mesmo “o que”, ou essência). Como o teólogo e apologista Norman Geisler explicou, enquanto essência é “o que” você é, pessoa é “quem” você é. Então, Deus é um “o que”, mas três “quem”.

Assim, a essência divina não é algo que existe “acima” ou “separada” das três pessoas, mas a essência divina é o ser das três pessoas. Não devemos pensar nas pessoas como seres definidos por atributos acrescentados ao ser de Deus. Wayne Grudem explica:

“Mas se cada pessoa é plenamente Deus e tem todo o ser divino, então tampouco devemos pensar que as distinções pessoais são alguma espécie de atributos acrescentados ao ser divino… Em vez disso, cada pessoa da Trindade tem todos os atributos de Deus, e nenhuma das pessoas tem algum atributo que não seja também possuído pelas outras. Por outro lado, precisamos dizer que as pessoas são reais, que não são apenas modos diferentes de enxergar o ser único de Deus… a única maneira de fazê-lo é dizer que a distinção entre as pessoas não é uma diferença no “ser”, mas sim uma diferença de “relações”. Trata-se de algo bem distante da nossa experiência humana, na qual cada “pessoa” distinta é também um ser distinto. De algum modo o ser divino é tão maior que o nosso que dentro do seu ser único e indiviso pode haver um desdobramento em relações interpessoais, de forma tal que existam três pessoas distintas”.[5]

Ilustrações Trinitárias?

Há muitas ilustrações que têm sido oferecidas para nos ajudar a entender a Trindade. Embora existam algumas ilustrações úteis, devemos reconhecer que nenhuma ilustração é perfeita. Infelizmente, há muitas ilustrações que não são apenas imperfeitas, mas erradas. Uma ilustração com a qual devemos tomar cuidado diz: “Eu sou uma pessoa, mas também sou um estudante, um filho e um irmão. Isso explica como Deus pode ser tanto um quanto três”. O problema com essa ilustração é que ela reflete uma heresia chamada modalismo. Deus não é uma pessoa que desempenha três diferentes papéis, como essa ilustração sugere. Ele é um Ser em três pessoas (centros de consciência), não simplesmente três papéis. Essa analogia ignora as distinções pessoais em Deus e as transforma em meros papéis.

Resumo

Vamos revisar rapidamente o que vimos.

1. A Trindade não é uma crença em três deuses. Há um único Deus e nós nunca devemos desviar-nos disso.

2. Esse único Deus existe como três pessoas.

3. As três pessoas não são partes de Deus, mas cada uma delas é total e igualmente Deus. No ser único e indiviso de Deus há um desdobramento em três relações interpessoais, de forma tal que existam três pessoas. As distinções na Divindade não são distinções de Sua essência, nem são acréscimos à Sua essência, mas são o desdobramento da unidade de Deus, do ser indiviso, em três relacionamentos interpessoais, de modo que há três pessoas reais.

4. Deus não é uma pessoa que assume três papéis consecutivos. Essa é a heresia do modalismo. O Pai não se tornou o Filho e, então, o Espírito Santo. Pelo contrário, sempre houve e sempre haverá três pessoas distintas na Divindade.

5. A Trindade não é uma contradição porque Deus não é três no mesmo sentido em que Ele é um. Deus é um em essência e três em personalidade.

Aplicação

A Trindade é extremamente importante porque Deus é importante. Conhecer mais completamente a Deus é uma forma de honrá-Lo. Além disso, devemos admitir o fato de que Deus é triuno para aprofundar nossa adoração. Nós existimos para adorar a Deus. E Deus busca pessoas que O adorem “em espírito e em verdade” (Jo.4.24). Portanto, devemos sempre empenhar-nos em aprofundar nossa adoração a Deus, tanto em verdade quanto em nosso coração.

A Trindade tem uma aplicação muito importante na oração. O padrão geral de oração na Bíblia é orar ao Pai através do Filho e no Espírito Santo (Ef.2.18). Nossa comunhão com Deus deve ser reforçada por um conhecimento consciente de que estamos nos relacionando com um Deus tri-pessoal.

A conscientização dos papéis distintos que cada pessoa da Trindade tem em nossa salvação pode servir especialmente para nos dar grande conforto e apreciação por Deus em nossas orações, assim como nos ajudar a ser específicos ao dirigi-las a Deus. Porém, apesar de reconhecer os papéis distintos de cada pessoa, nunca devemos pensar nesses papéis de forma tão separada que as outras pessoas não estejam envolvidas. Pelo contrário, em tudo que uma pessoa está envolvida, as outras duas também estão envolvidas, de uma forma ou de outra.

Notas

3. Wayne Grudem, Teologia Sistemática (Edições Vida Nova, 1999), p.189. Apesar de eu crer que essa é uma definição útil, deve ser reconhecido que o próprio Grudem está oferecendo-a mais como uma explanação do que como uma definição de pessoa.
4. Herman Bavinck, The Doctrine of God, (Great Britain: The Banner of Truth Trust, 1991 edition), p. 303.
5. Grudem, p.187-188.

Recursos adicionais

Agostinho, A Trindade
Herman Bavinck, The Doctrine of God, p. 255-334
Edward Bickersteth, The Trinity
Wayne Grudem, Teologia Sistemática, capítulo 14
Donald Macleod, Shared Life: The Trinity and the Fellowship of God’s People
R.C. Sproul, O Mistério do Espírito Santo
R.C. Sproul , Verdades Essenciais da Fé Cristã
J.I. Packer, O Conhecimento de Deus
John Piper, The Pleasures of God, chapter 1
James White, The Forgotten Trinity

 

Por John Piper. © Desiring God. Website:desiringGod.org
Original:
What is the doctrine of the Trinity?
Tradução e Revisão:
 André Aloísio e Davi Luan do blog Teologia e VidaPermissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações acima e o link deste blog, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Blog: Voltemos ao Evangelho.

O “Verdadeiro” APOSTOLADO !

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O “Título” APÓSTOLO

Começa hoje uma micro-série aqui no blog sobre o verdadeiro apostolado. Além das denúncias que tenho feito no blog, acho importante que seja dado também o ensino sobre este tema. Minha base é a Teologia Sistemática de Wayne Grudem.

Quando sabemos o emprego da palavra apóstolo no Novo Testamento, fica simples respondermos a pergunta: existem apóstolos hoje?

A palavra apóstolo pode ser usada em um sentido amplo ou restrito. Em sentido amplo, ela significa “mensageiro” ou “missionário pioneiro”. Mas em sentido restrito, que é o mais comum no Novo Testamento, refere-se a um ofício específico, “apóstolo de Jesus Cristo”. Esses apóstolos tinham autoridade única para fundar e liderar a igreja primitiva e podiam falar e escrever a palavra de Deus. Muitas de suas palavras escritas tornaram-se as Escrituras do Novo Testamento.
Para se qualificar como apóstolo era preciso: (1) ter visto com os próprios olhos o Cristo ressurreto e (2) ter sido designado apóstolo pelo próprio Cristo. Houve um número limitado de apóstolos, talvez quinze ou dezesseis, ou alguns mais – o Novo Testamento não é explícito sobre o número. [...] Parece que nenhum apóstolo foi designado depois de Paulo e, certamente, já que ninguém hoje pode preencher o requisito de ter visto o Cristo ressurreto com os próprios olhos, não há apóstolos hoje. [...]
Embora alguns hoje usem a palavra apóstolo para referir-se a fundadores de igrejas e evangelistas, isso não parece apropriado e proveitoso, porque simplesmente confunde quem lê o Novo Testamento e vê a grande autoridade ali atribuída ao ofício de “apóstolo”. [...] Se alguns, nos tempos modernos, querem atribuir a si o título de “apóstolo”, logo levantam a suspeita de que são motivados por um orgulho impróprio e por desejos de auto-exaltação, além de excessiva ambição e desejo de ter na igreja mais autoridade do que qualquer outra pessoa deve corretamente ter.

Wayne Grudem, Teologia Sistemática (p. 764).
  

A questão dos MILAGRES

Segundo artigo da micro-série O verdadeiro apostolado. Novamente, Grudem nos dá uma posição bíblica sobre a questão dos milagres no apostolado.

No contexto mais amplo do Novo Testamento, fica claro que outros além dos apóstolos realizavam milagres, como Estevão (At 6,8), Filipe (At 8,6-7), cristãos das várias igrejas da Galácia (Gl 3,5) e pessoas agraciadas com dons de “milagres” no corpo de Cristo em geral (1Co 12,10;28). Os milagres, como tais, não podem ser considerados sinais exclusivamente dos apóstolos. Na verdade, os “operadores de milagres” e os agraciados com os “dons de cura” são de fato distinguidos dos “apóstolos” em 1Coríntios 12,28: “A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar…” [...]
O argumento de que muitos outros cristãos do Novo Testamento operavam milagres é às vezes rebatido pela alegação de que somente os apóstolos e os que eram muito ligados a eles, ou aqueles em quem os apóstolos impunham as mãos, é que operavam milagres. Contudo, isso na verdade prova bem pouca coisa, pois a história da igreja do Novo Testamento é a história daquilo que se fez por meio dos apóstolos e das pessoas intimamente ligadas a eles. Pode-se formular argumento semelhante sobre a evangelização e sobre a fundação de igrejas: “No Novo Testamento, as igrejas só eram fundadas pelos apóstolos ou por pessoas muito ligadas a eles; portanto, não devemos fundar igrejas hoje”.

Wayne Grudem, Teologia Sistemática (p. 294).
 

Os SINAIS

Esta é a última parte da micro-série sobre O verdadeiro apostolado. Para fixar bem a mensagem, este artigo tem algumas declarações dos auto-entitulados apóstolos brasileiros, demonstrando a gritante distância entre estes senhores e os verdadeiros apóstolos.
Grudem (Teologia Sistemática, p. 293) utiliza 2Co 12,12 para lembrar os sinais de um apóstolo:

Não precisamos adivinhar quais são esses sinais, pois noutra passagem de 2 Coríntios Paulo nos diz que o distinguia como verdadeiro apóstolo:

  1. poder espiritual no conflito contra o mal
  2. zeloso cuidado pelo bem-estar das igrejas
  3. verdadeiro conhecimento de Jesus e dos desígnios do seu evangelho
  4. auto-sustento (desprendimento)
  5. não tirar vantagem das igrejas; não atingir as pessoas fisicamente
  6. sofrimentos e dificuldades suportadas por Cristo
  7. ser arrebatado ao céu
  8. contentamento e fé para suportar o espinho na carne
  9. extrair força da fraqueza

[...]
Importa notar que nessa lista Paulo não arrola milagres para provar a legitimidade do seu apostolado. De fato, a maior parte das coisas que ele menciona não o distinguiria de outros cristãos verdadeiros. Mas essas coisas realmente o distinguem dos servos de Satanás, os falsos apóstolos que não são em absoluto cristãos: suas vidas não são marcadas pela humildade, mas pelo orgulho; não pelo desprendimento, mas pelo egoísmo; não pela generosidade, mas pela ganância; não por buscar o benefício dos outros, mas por tirar sua força natural; não por suportar o sofrimento e as dificuldades, mas por buscar o próprio conforto e bem-estar.

Os sinais dos apóstolos brasileiros…
não pela humildade, mas pelo orgulho
Na convenção internacional da qual faz parte, ele [Miguel Ângelo] tem a incumbência de ser o apóstolo para as igrejas de língua portuguesa. “Sou a voz de Deus em português para o mundo. Tenho coberto com o manto apostólico diversos ministérios pastorais na África e em outros continentes”, afirma, esbanjando convicção.
Revista Enfoque sobre os apóstolos brasileiros (2006).

não pelo desprendimento, mas pelo egoísmo
Subiu ainda mais o tom quando o assunto foi o tema “Pai Espiritual”. Estevam expressou seu enorme descontentamento com as discussões internas diante da adoção / orientação acerca desta nova forma dos membros se dirigirem a sua ilustre pessoa.[...] e encerrou a questão: “… eu tenho direito, em vocês, para ser chamado de pai, pois a Palavra foi ministrada a vocês por mim, o apóstolo…”.
Reportagem do Genizah sobre Estevam Hernandes (2010).

não pela generosidade, mas pela ganância
Apesar do perfil pobre do público, os pregadores não hesitam em estabelecer valores altos para as contribuições. Valdemiro já pediu até 30% da renda do fiel, o que foi batizado de “trízimo” : “Você vai dizer para Deus o seguinte: ‘Senhor, 70% de tudo o que o Senhor me der neste mês é meu. E 30% são da sua obra’”, disse. Depois, associou o “30” à “Santíssima Trindade”.
Revista Época em reportagem sobre a IMPD (2010).

não por buscar o benefício dos outros, mas por tirar sua força natural
“Herodes questionou a identidade de Jesus e foi comido por bichos. João Batista questionou a identidade de seu líder Jesus e por isso perdeu a cabeça. Todo aquele que duvida da identidade do líder perde a legitimidade e o legado da liderança de Jesus”, disse o Apóstolo. [...]
“Então não questione o EU SOU na sua vida, não questione a identidade do seu líder , e não questione a sua identidade de nova criatura em Cristo”, finalizou o Ap. Renê Terra Nova.
Rene Terra Nova em seu blog (2009)

não por suportar o sofrimento e as dificuldades, mas por buscar o próprio conforto e bem-estar
“Eles costumavam gastar mensalmente entre R$ 500 mil e R$ 600 mil só com despesas pessoais”, diz o promotor Marcelo Mendroni. Eram freqüentadores de restaurantes como Fogo de Chão e Rubaiyat e clientes de lojas de grife como a Ermenegildo Zegna, do Shopping Iguatemi, e a megabutique Daslu.
Revista Época sobre os Hernandes (2007). 
 
Blog: Nani e Teologia.

A Credibilidade da Bíblia Sagrada

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CÂNON 

1. O significado da palavra cânon

1a. Cânon – Datas e períodos

1b. Cânon – Sua inspiração 

1c. Cânon – Sua descoberta

1d. Princípios que formaram o cânon (em sumo) 

1e. Os princípios da descoberta da canonicidade  

1.f Teste para a inclusão de um livro do cânon

O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO 

1. Data do conhecimento e fixação do cânon do Novo Testamento

1a. A necessidade da mensagem escrita do Novo Testamento

1b. Um livro no cânon do Novo Testamento

1c. Os livros canônicos do Novo Testamento 

1.d Os apócrifos do Novo Testamento 32200-205

1e. Os livros apócrifos foram ou nâo inspirado?

1f. Alusões implícitos aos apócrifos

O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

SEU DESENVOLVIMENTO

 

A CREDIBILIDADE DA BÍBLIA   

A FIDEDIGNIDADE E CONFIABILIDADE DAS ESCRITURAS

1.A confirmação do texto hitórico

1a. O teste bibliografico da credibilidade do Novo Testamento 

1b. Evidêcias dos manuscritos acerca do Novo Testamento

1c.O Novo Testamento em comparação com outras obras da antiguidade

1d. Cronologia de importantes manuscritos do Novo Testamento 

1f. A credibilidade dos manuscritos apoiada por vàrias traduções 

1g. A credibilidade dos manuscritos apoiada pelos primeiros pais da igreja

CITAÇÕES PATRÍSTICAS DO NOVO TESTAMENTO   

INTRODUÇÃO

      Do estudar-mos sobre o cânon, veremos neste trabalho o seu significado, sua importância, qual o seu valor para nós os crentes. Como foi aceito pelas igrejas, como se desenvolveu, qual é a época em que envolve o cânon, qual é o papel dos lideres nisso tudo, e etc… Veremos também todo o ministério que envolveu o livro de Apocalipse a respeito de sua canonicidade. E os livros apócrifos ou os falsos livros da Bíblia? Será mesmo a Bíblia dos crentes, que contêm os livros que falam a verdade? Enfim.

1. O SIGNIFICADO DA PALAVRA CÂNON

      A palavra cânon tem raiz na palavra “cana”, “junco” (do hebraico geneh, através do grego kanon ). O “junco” era usado como uma vara para medir e avaliar …” mais tarde teve o sentido de “lista” ou “rol”.15/95 

      Aplicada às Escrituras, a palavra cânon significa “uma lista de livros oficialmente aceitos”. 23/31

      Deve-se ter em mente que a igreja não criou o cânon nem os livros que estão incluídos naquilo  que chamamos de Escrituras. Ao contrário, a igreja reconheceu os livros que foram inspirados desde o princípio. Foram inspirados por Deus ao serem escritos. 

      E a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus (Gl 6:6). Nos porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos desmarcou e que se estende até vós (2Co 10:3).

      “Não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios, e tendo esperança, de que, crescendo a vossa fé, seremos engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação (2Co 10:15).   

      A Bíblia, como o cânon sagrado, é a nossa norma ou regra de fé e prática. Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferenciá-los dos apócrifos. O emprego do termo cânon foi primeiramente aplicados aos livros da Bíblia por origines (185-254 d.C).

1a. CÂNON – DATAS E PERÍODOS  

     O Novo Testamento foi completado em menos de 100 anos, pois seu último livro, o apocalipse, foi escrito cerca de 96 D.C. Isto é, dá um total de 1.142 anos para a formação de ambos os Testamentos (1046+96). (Leve em conta Que a cronologia Bíblica é sempre aproximada, pois os povos orientais não tinham um sistema fixo de computação de datas.

      Quando se fala do espaço total de tempo, que vai da escrita do pentateuco ao apocalipse, é preciso intercalar os 400 anos do período interbíblico ocorrido entre os Testamentos, o que dará um total de 1542 anos (1046+96+400). Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no espaço de 46 séculos. Este é o período no Qual o cânon foi completado.

1b. CÂNON – SUA INSPIRAÇÃO

      A canonicidade é determinada pela inspiração. Os livros da Bíblia não são para Deus oriundos, isto porque eles tem valor, provieram de Deus. A processo mediante o qual Deus nos concede sua revelação chama-se inspiração. È a inspiração de Deus num livro que determina sua canonicidade. Deus dá autoridade divina a um livro, e os homens de Deus o atacam. Deus revela, e o seu povo conhece o que o Senhor revelou. A canonicidade é dada por Deus e descoberta pelos homens. A Bíblia constitui o “cânon”, pelo qual tudo mais deve ser medido e avaliado pelo fato de Ter autoridade concedida por Deus. Sejam quais foram as medidas (os cânones ) usados pela igreja para descobrir com exatidão que livros possuem essa autoridade canônica ou normativa, não se deve dizer que determinam a canonicidade dos livros. Dizer que o povo de Deus, mediante quaisquer regras de conhecimento, “determina” que livros são autorizados por regra de conhecimentos. 56 Deus pode conceder absoluta. 

      Só a inspiração divina determina a autoridade de um livro, se ele é canônico, de natureza normativa.  

1c. CÂNON – SUA DESCOBERTA

      O povo de Deus tem desempenhado um papel de grande importância no processo de canonização. A comunidade dos crentes arca com a tarefa de chegar a uma conclusão sobre quais livros são realmente de Deus. A fim de cumprir esse papel, a igreja deve procurar cartas características próprias da autoridade divina. Como poderia alguém reconhecer um livro inspirado só por vê-lo? Dai vários critérios estavam em jogo nesse processo de reconhecimento. Ao qual são eles:

1.d OS PRINCÍPIOS DA DESCOBERTA DA CANONICIDADE:

      Sempre existiu falsos livros e falsas mensagens. E por representarem ameaça constante, surgiu-se a necessidade de que o povo de Deus tivesse mais cuidado com a coleção de livros sagrados guardados consigo, pois poderiam haver alguns erros. A partir daí a igreja passou a questionar esses livros sagrados mediante cinco critérios; ao qual são eles:

a)O livro é autorizado – Veio de Deus;

b)É profético – Foi escrito por um servo de Deus;

c)É digno de confiança – Fala a verdade a cerca de Deus;

d)É Dinâmico – Possui o poder que transforma vidas;

e)É aceito pelo povo de Deus para o qual foi originalmente escrito.   

 

1. VEJAMOS  AGORA CADA UM DESSES CRITÉRIOS SEPARADAMENTE:

      A autoridade de um livro – Cada livro da Bíblia traz uma reivindicação de autoridade divina. A expressão “Assim diz o Senhor” está presente na Bíblia com freqüência. Sempre existe uma declaração divina. Se faltasse a um livro a Autoridade de Deus, esse era considerado não canônico , não sendo incluído no cânon sagrado. 

      Os livros dos profetas eram facilmente reconhecidos como canônicos por esse princípio de autoridade. A expressão repetida “e o Senhor me disse” ou ” “a palavra do Senhor veio a mim” è evidência abundante de sua autoridade divina. Alguns livros não tinham reivindicação de origem divina, pelo qual foram rejeitados e tidos como não canônicos. Talvez tenha sido o caso do livro dos justos e do livro da guerra do Senhor. Outros livros foram questionados e desafiados quanto a sua autoridade divina, mas por fim foram aceitos no cânon, como o livro de Ester.

      Na verdade, o simples fato  de alguns livros canônicos serem questionados quanto a sua legitimidade é uma segurança de que os crentes usavam seu discernimento. Se os crentes não estivessem convencidos da autoridade divina de um livro, este era rejeitado.

2. A AUTORIA PROFÉTICA DE UM LIVRO 

      Os livros proféticos só foram produzidos pela atuação do Espírito, que moveu alguns homens conhecidos como profetas. (2Pe. 1:10-21). A palavra de Deus só foi entregue a seu povo mediante os profetas de Deus. Todos os autores bíblicos tinham um Dom profético, ou uma função profética, ainda que tal pessoa não fosse profeta por ocupação. (Hb. 1:1).   

      Paulo exorta o povo de Deus em Gálata, dizendo que suas cartas deveriam ser aceitas porque ele era apóstolo de Paulo. Isto porque todos os livros que não proviam por profetas nomeados por Deus, deveriam ser rejeitados. Os crentes não deviam aceitar livros de alguém que falsamente afirmasse ser apóstolo de Cristo (2Ts. 2:2). Note que a Segunda carta de Pedro foi objetada por alguns da igreja primitiva. Por isso enquanto os pais da igreja não ficaram convencidos de que essa não havia sido forjada, mas de fato viera da mão do apóstolo Pedro, como seu versículo o menciona, ela não recebeu lugar permanente no cânon cristão.   

 

3. A CONFIABILIDADE DE UM LIVRO

      Outro sinal característico da inspiração é o ser um livro digno de confiança.

      A vista desse princípio, os crentes de beréia aceitaram os ensinos de Paulo e pesquisaram as Escrituras, para verificar se o que o apóstolo estava ensinando , estava de fato de acordo com a revelação de Deus no Antigo Testamento. O mero fato de um texto estar de acordo com uma revelação anterior não indica que tal texto é inspirado. Grande parte dos apócrifos foi rejeitada por causa do princípio da confiabilidade. Suas anomalias históricas e heresias teológicas os rejeitaram; seriam impossível aceitá-las como vindos de Deus; a despeito de sua aparência de autorizados. Não podiam vir de Deus e ao mesmo tempo apresentar erros.

      Alguns livros canônicos foram questionados a base nesse mesmo princípio como a carta de judas e a de Tiago. 

4. A NATUREZA DINÂMICA DE UM LIVRO  

      O quarto teste canonicidade, era a capacidade do texto de transforma vidas: “… A palavra de Deus é viva e eficaz…” (Hb. 4:12)  O resultado é que ela pode ser usada “para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir, em justiça” (2Tm. 3:16-17). 

      O apóstolo Paulo revelou-nos que a habilidade dinâmica das escrituras inspiradas estava na aceitação das Escrituras, como um todo, como mostra em 2 Timóteo 3:16-17. Disse Paulo a Timóteo :” as Sagradas Escrituras podem fazer-te sábio para a Salvação. A partir daí, outros livros e mensagens foram rejeitados porque apresentavam falsas esperanças. (1Rs. 22:6-8) ou faziam rugir alarmes falsos (2Ts. 2:2).  

5. A ACEITAÇÃO DE UM LIVRO

      A Marca final de um documento escrito autorizado é seu reconhecimento pelo povo de Deus ao qual originalmente  se havia destinado.

      A palavra de Deus, dada mediante seus profetas, e contendo sua verdade, deve ser reconhecida pelo seu povo. Se determinado livro fosse recebido, coligido e usado como força de Deus, pelas pessoas a quem originariamente se havia destinado, ficava comprovada a sua canonicidade. Sendo o sistema de transportes atrasado como era nos tempos antigos, às vezes a determinação da canonicidade de um livro da parte dos pais da igreja exigia muito tempo e esforço. É por essa razão que o reconhecimento definitivo completo, por toda a igreja cristã, dos 66 livros do cânon das Escrituras Sagradas exigiu tantos anos.  

      Os livros de Moisés foram aceitos imediatamente pelo povo de Deus. As cartas de Paulo foram recebidas imediatamente, recebidas pelas igrejas às quais haviam sido dirigidas (1Ts. 12:13), e até pelos demais apóstolos (2Pe. 3:16). Já alguns escritos foram rejeitados pelo povo de Deus, por não apresentarem autoridade divina. Esse princípio de aceitação levou alguns a questionar durante algum tempo certos livros da Bíblia, como 2 e 3 João são de natureza particular e de circulação restrita; É compreensível, pois que houvesse alguma relutância em aceitá-los, até que essas pessoas em dúvida tivessem absoluta certeza de que tais livros haviam sido recebidos pelo povo de Deus do século como cartas do apóstolo João. 

* PRINCÍPIOS QUE FORMARAM O CÂNON: (EM S

a)Sua circulação universal – Alguns livros jamais foram aceitos por falta de circulação, enquanto outros foram aceitos tariamente por falta de circulação na igreja universal, pois circulavam somente em certos setores da igreja.

b)A autoria dos apóstolos ou dos discípulos dos apóstolos – Dentre os apóstolos temos as epístolas de Paulo e Pedro, e o Evangelho de João. Dentre os discípulos temos os evangelhos de Marcos, e de Lucas, o livro de Atos, a epístola dos Hebreus e etc… 

c)Livros segundo a tradição e a doutrina dos apóstolos: Lucas, Atos, Hebreus, Apocalipse e II Pedro. 

d)Houve rejeição de livros escritos mais tarde, após o tempo dos apóstolos. Isso explica a rejeição final das epístolas de Clemente e etc…

e)Também foram rejeitados os escritos ridículos ou fabulosos – Entre esses podemos enumerar a maior parte dos livros apócrifos, o evangelho de Tomé, os evangelhos de André, os Atos de Paulo, o Apocalipse de Pedro e etc…

f)Uso universal por parte da igreja inteira – Alguns livros foram aceitos apenas por determinados setores da igreja, ou somente por alguns indivíduo. Finalmente os 27 livros do Novo Testamento foram aceitos e passaram a ser universalmente usados na igreja cristã. 

 

Os princípios da descoberta da canonicidade

1d. TESTE PARA A INCLUSÃO DE UM LIVRO DO CÂNON

      Não sabemos exatamente quais foram os critérios que a igreja primitiva usou para escolher os livros canônicos. Possivelmente houve cinco princípios orientadores, empregados para determinar se um livro do Novo Testamento era ou não canônico. Se era ou não Escritura. Geisler e Nix registram esses cinco princípios: 32/141  

      1) Revela autoridade? – veio da parte de Deus? (Esse livro veio com o autêntico    ” assim diz o Senhor”?)  

      2) É profético? – Foi escrito por um homem de Deus? 

    3) É autêntico? (Os pais da igreja tinham a prática de “em caso de dúvida, jogue fora”. Isso acentua a validade do discernimento que tinham sobre os livros canônicos.”)   

     4) É dinâmico? – veio acompanhado do poder divino de transformação de vidas?

      5) Foi aceito, guardado, lido e usado? – foi recebido pelo povo de Deus? 

      Pedro reconheceu as cartas de Paulo como Escrituras em pé de igualdade com as Escrituras do Antigo Testamento (2Pedro 3:16). 

  

O Cânon do Novo Testamento

 1. TESTE PARA A INCLUSÃO DE UM LIVRO NO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO 

 ” Parece muito melhor concordar com Gaussen, Warfield, Charles Hodge e a maioria dos protestantes em que o teste básico de canonicidade é a autoridade apostólica, ou a aprovação apostólica, e não simplesmente autoria apostólica.” 32/1831    

      Há nas epístolas um constante reconhecimento de que na igreja só existe uma o fator básico para determinar a canonicidade do novo testamento foi a inspiração divina, e o principal teste da inspiração foi a apostolicidade. 32/181

      Geisler e Nix detalham a respeito: “Na terminologia do Novo Testamento, a igreja foi edificada ‘sobre o fundamento dos apóstolos e profetas’ (Efésios 2:20). Os quais Cristo prometera que, pelo Espírito Santo. Iriam guiar ‘a toda a verdade’ (João 16:13). Atos 2:42 diz que a igreja em Jerusalém perseverou ‘na doutrina dos apóstolos e na comunhão’. A palavra apostolicidade, conforme empregada para designar o teste de canonicidade, não significa obrigatoriamente ‘autoria  apostólica’ nem ‘aquilo que foi preparado sob a direção dos apóstolos…” 

única autoridade absoluta; a autoridade do próprio Senhor. Sempre que os apóstolos falam com autoridade, fazem-no exercendo a autoridade do Senhor. Dessa forma, por exemplo, quando Paulo defende sua autoridade de apóstolo, baseia-se única e diretamente na comissão recebida do Senhor (Galatas 1 e 2); quando evoca o direito de regulamentar a vida da igreja, declara que sua palavra tem a autoridade do Senhor, mesmo quando nenhuma palavra específica do Senhor lhe tenha sido transmitida (1Coríntios 14:37; cf. 1Coríntios 7:10)…” 88/117,18  

      O único que, no Novo Testamento, fala com uma autoridade interna e que se impõe por si mesmo é o Senhor.” 67/18

      Habitualmente, os Apóstolos fizeram referências ao Antigo testamento como autoridade divina (Rm.3.2,21; I Co.4.6; Rm.15.4; II Tm.3.15-17; II Pd.1.21). Igualmente, os Apóstolos baseavam os seus ensinos orais ou escritos na autoridade do Antigo Testamento (I Co.2.7-13; 14.17; I Ts.2.13; Ap.1.3). E ainda, ordenavam que seus escritos fossem lidos publicamente (I Ts.5.27; Cl.4.16; II Ts.2.15; II Pd.1.15; 3.1-1). Portanto, era mais do que natural e lógico que a Literatura do Novo Testamento fosse acrescentada à do Antigo Testamento, fazendo assim o Cânon do Novo Testamento. No próprio Novo testamento se vê a íntima relação existente entre ambos os testamentos (Antigo e Novo). Veja-se em I Tm. 5.18; II Pd.3.1,2,16). Na época pós-apostólica, os escritos procedentes dos apóstolos foram igualmente colecionados em um segundo volume do Cânon até se completar o que se cognomina hoje de Novo Testamento.

      A coleção completa, fez-se vagarosamente e por várias razões. Alguns livros só eram reconhecidos como apostólicos em algumas igrejas; somente quando estes livros chegaram ao

conhecimento de todas as igrejas e em todo o Império Romano, foi que foram realmente aceitos como sendo de autoridade Apostólica. O processo adotado foi lento por causa do aparecimento de algumas literaturas apócrifas, heréticas e portanto, espúrias, com o intuito de ensinar outras doutrinas não cristãs. Apesar desta lentidão, os livros foram aceitos e

considerados canônicos por serem de autoria Apostólica.

      Apesar da formação do Novo Testamento em um só volume de livros ter sido morosa, nunca deixou de existir a crença de se tratar de um compêndio de regra de fé primitiva e Apostólica. A história da formação do Cânon do Novo Testamento serve para mostrar como se chegou gradualmente a conhecer e reconhecer estes mesmos livros como inspirados por Deus.

      As diferenças de opinião acerca de quais livros seriam aceitos como canônicos, foram constatadas nos escritos das igrejas ao longo do segundo século de nossa era

1a. OS LIVROS CANÔNICOS DO NOVO TESTAMENTO

      Há três razões que mostram a necessidade de se definir o cânon do Novo Testamento. 23/24 

1)Um herege, Marcião (cerca de 140 A.D.), desenvolveu seu próprio cânon e começou a divulgá-lo. A igreja precisava contrabalançar essa influência decidindo qual era o verdadeiro cânon das Escrituras do Novo Testamento.

2)Muitas igrejas orientais estavam empregando nos cultos livros que eram claramente espúrios. Isso requeria uma decisão concernente ao cânon.  

3)O edito de Diocleciano (303 A.D.) determinou a destruição dos livros sagrados dos cristãos. Quem desejava morrer por um simples livro religioso? Eles precisavam saber quais eram os verdadeiros livros. 

      Atanásio de Alexandria (367 A.D.) nos apresenta a mais antiga lista de livros do Novo Testamento que é exatamente igual à nossa atual. A lista faz parte do texto de uma carta comemorativa escrita às igrejas.  

      Logo após atanásio, dois escritores, Jerônimo e Agostinho, definiram o cânon de 27 livros. 15/112 

      Policarpo (115 A.D.), Clemente e outros referem-se aos livros do Antigo  e do Novo Testamento com a expressão “como está escrito nas Escrituras”. 

      Justino Mártir (100-165 A.D.), referindo-se à Eucaristia, escreve em primeira Apologia 1.67: “E no Domingo todos aqueles que vivem nas cidades ou no campo se reúnem num só local, e, durante o tempo que for possível, lêem-se as memórias dos apóstolos ou escritos dos profetas. Então, quando o leitor termina a leitura, o presidente faz uma admoestação e um convite a que todos imitem essas boas coisas”. 

      Irineu (180 A.D).F.F. Bruce escreveu acerca do significado de Irineu: “A importância de Irineu está no seu vínculo com a era apostólica e nos seus relacionamentos ecumênicos. Educado na Ásia menor, aos pés de Policarpo, o discípulo de João, Irineu tornou-se bispo de Lion, Gália, em 180 A.D. Seus escritos confirmam o reconhecimento canônico dos quatro evangelhos, Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, 1 Pedro e 1 João  e Apocalipse.

      Inácio (50-115 A.D.): “Não quero dar-lhes mandamentos tal como fizeram Pedro e Paulo; eles foram apóstolos…” (Aos Tralianos 3.3). 

      Os concílios da igreja. É uma situação bastante parecida com a do Antigo Testamento (veja capítulo 3, 6C, o concílio de Jâmnia).   

      F.F. Bruce afirma que “quando finalmente um concílio da igreja – o sínodo de Hipona (393 A.D.) – elaborou uma lista dos vinte e sete livros do Novo Testamento, não conferiu-lhes qualquer autoridade que já não possuíssem, mas simplesmente registrou a canonicidade previamente estabelecida.

      Desde então não tem havido qualquer restrição séria aos 27 livros aceitos do Novo Testamento, quer por católico – romanos quer por protestantes. 

1b. OS APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO 32/200-205

      A Epistola de pseudo – Barnabé (cerca de 70-79 A.D.)  

      Epístola aos Corítios (cerca de 96 A.D.)   

      Antiga Homília, também chamada Segunda Epístola de Clemente (cerca de  20-140 A.D.)

      Pastor de Hermas (cerca de 115-140 A.D.) 

      Didaquê, ou o Ensino dos Doze Apóstolos (cerca de 100-120 A.D.)   

      Apocalipse de Pedro (cerca de 150 A.D.) 

      Os Atos de Paulo e Tecla (170 A.D.) 

      Epístola aos Laodicenses (século quarto?)

      O Evangelhos Segundo os Hebreus (65-100 A.D.) 

      As Sete Epístolas de Inácio 9cerca de 100 A.D.) 

      E muitos outros.   

 1.C OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM OU NÃO INSPIRADOS ?

       Você poderia dizer: Já que você diz que os apócrifos não foram inspirados, então me dê provas. Pois bem, o problema dos livros apócrifos cresce de importância, na medida em que a Igreja Católica Romana afirma que a Bíblia dos Evangélicos é falsa; justamente a partir do fato da não aceitação dos tais livros apócrifos, e que, por via de conseqüência, é a Bíblia dos católicos a que é realmente verdadeira e canônica.

      Veja bem! O Cânon dos Judeus foi aceito pela comunidade cristã e consiste nos mesmos livros que aparecem nas Bíblias dos Evangélicos, num total de 39 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, perfazendo assim um total de 66 livros e não 73 como pretende a igreja Católica Romana, a partir da inclusão dos apócrifos.

      Os 66 livros existentes nas Bíblias Evangélicas foram aprovados pelos judeus, pela Igreja Primitiva e inclusive, pela própria Igreja Católica Romana em alguns dos seus Concílios, tais como:

   1. O Concílio de Damause I (366 a 384 A.D.)

   2. O Concílio de Inocente I (402 a 417 A.D.)

   3. O Concílio de Gelasius I (492 a 496 A.D.)

   4. O Concílio de Hermidas (520 a 523 A.D.)

   5. O Concílio de Laodicéia (363 A.D.)

   6. O Concílio de Hipo (393 A.D.)

   7. O Concílio de Cartago (397 A.D.)

   8. O Concílio de Florença (1441 A.D.) 

      Em todos estes Concílios, os livros aceitos como canônicos foram os mesmos 66 que constam nas Bíblias Evangélicas, e não os 73 constantes das Bíblias Católicas. Porém, no Concílio de Trento, em 1546, depois da reforma Protestante (Lutero) foi que a Igreja Católica Romana decidiu incluir os tais 7 livros apócrifos e alguns fragmentos aos livros de Ester e Daniel. Ora, o Cânon, ou seja, as Escrituras medidas e achadas certas, foi estabelecido pelos judeus que

examinaram os livros e os acharam conforme a inspiração divina. Depois daquele exame, os mesmos sábios separaram alguns livros e os consideraram apócrifos, espúrios, falsos, justamente por não se enquadrarem dentro das normas pré-estabelecidas para a sua canonicidade.

Quando se lê qualquer um dos livros apócrifos, logo se nota as fantasias ali colocadas. Consideramos um absurdo, por exemplo, o fato do autor pedir perdão pelo que escreveu, como se nota num dos apócrifos (Eclesiástico).

1.d ALUSÕES IMPLÍCITAS AOS APÓCRIFOS:

para condená-los e para repudiá-los. Por exemplo, em Ap.21.8 encontramos algo que é frontalmente contrário a Tobias 6.4. como explicar isto? É que em Apocalipse diz que quanto aos feiticeiros, a sua parte será no lago de enxofre; já em Tobias lemos a enfatização à prática da feitiçaria, respaldada na atitude de pegar o fígado de um peixe fisgado nas águas do rio Tigre, e, depois de passá-lo na brasa, provocando uma fumaça estranha e miraculosa; com ela, espantar os demônios. Mais adiante o mesmo Tobias 3.8 informa que o fel do peixe foi passado nos olhos do pai de Tobias, que também se chamava Tobias e este fora curado de uma cegueira. Isto é uma autêntica bobagem, além de ser uma grande mentira. Em Ap.21.8 lemos que os mentirosos não entrarão no reino dos Céus.

      Em Dt. 18.9-14 vamos encontrar uma condenação à prática destas coisas, enquanto que em Tobias encontramos os benefícios pela prática destas mesmas coisas. No livro de Tiago 3.11 lemos “Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa?” Pois bem, como explicar que Deus que é a nossa fonte, proíba a feitiçaria em Deuteronômio e a recomende em Tobias, um livro apócrifo? Isto se constituiria numa tremenda contradição.

      Outra contradição flagrante em Tobias e em mais alguns livros apócrifos está no fato de sugerirem eles a salvação pela prática das obras; entretanto, lendo em At.10.2 e Ef.2.8-9 vamos concluir que a salvação acontece exclusivamente pela graça Divina, mediante a fé e não pelas obras; e mais, que o ato salvívico vem de deus e não dos homens. Como é absurda a doutrina pregada pela Igreja Católica Romana, principalmente a partir do Concílio de

Trento, através das páginas enlameadas e espúrias dos livros apócrifos.

2. CÂNON DO NOVO TESTAMENTO (SEU DESENVOLVIMENTO)

      A princípio os 27 livros do canônicos do Novo Testamento foram reconhecidos oficialmente. A partir daí não houve movimentos dentro do Cristianismo no sentido de acrescentar ou eliminar livros. O cânon do Novo Testamento encontrou acordo geral no seio da igreja universal.

* Os Estímulos para que se coligissem oficialmente os livros – Varias forças contribuíram para que se oficiasse os 27 livros do Novo Testamento. As quais foram:    

* O Estímulo eclesiástico a lista dos canônicos – A igreja primitiva tinha necessidades internas e externas que exigiam o reconhecimento dos livros canônicos. Sem uma lista dos livros reconhecidos, aprovados seria difícil para a igreja primitiva a execução dessa tarefa. A combinação dessas forças exerceu pressão sob os primeiros pais da igreja para produzirem uma lista oficial dos livros canônicos.   

  • ·O Estímulo Teológico – Exigia-se um pronunciamento oficial da igreja a respeito do cânon. Pois visto que toda a escritura era proveitosa para a doutrina, tornou-se cada vez mais necessário definir os limites do legado doutrinário apostólico. Devido o Herege ter publicado uma lista muito abreviada dos livros canônicos, tornou-se necessário uma lista completa dos livros canônicos; pelo qual definissem com precisão os limites do cânon Sagrado.      
  • ·O Estímulo Político – A política passou a influir na igreja primitiva. As perseguições do Imperador Diocleciano foram muitas. Mas Constantino (um novo imperador) se convertera ao Cristianismo, e este pediu que fosse necessário a criação da lista dos livros canônicos.  
  • ·A Compilação e o reconhecimento progressivo dos livros canônicos – O Novo Testamento havia sido escrito durante a última metade do século I. Havendo tão grande diversidade geográfica de origens e destinatários, nem todas as igrejas haviam possuir de imediato cópias de todos os livros inspirados do Novo Testamento. Enfim seria preciso algum tempo até que houvesse um reconhecimento geral de todos os 27 livros do cânon do Novo Testamento. Daí a igreja primitiva começou de imediato a coligir todos os escritos apostólicos que pudessem autenticar.   
  • ·A seleção dos livros fidedignos – Desde o princípio havia falsos escritos, não apostólicos, não fidedignos em circulação. Por isso escreveu Lucas em seu Evangelho à respeito sobre a vida de Jesus Cristo, Já que havia nesse tempo alguns relatos inexatos em circulação da vida de Cristo.

Sabemos também que os cristãos foram advertidos quanto as falsas cartas que lhe teriam sido enviadas em nome do apóstolo Paulo.

João, em seu evangelho destrui uma crendice que circulava no seio da igreja do século I, segundo o qual ele jamais morreria (Jo. 21: 23,24). 

Em sumo, podemos dizer que no seio da igreja havia um processo seletivo em operação. Toda e qualquer palavra de Cristo, era submetido ao ensino apostólico, de tal autoridade. Se tal palavra ou obra não pudesse er comprovada pelas testemunhas oculares (Lc. 1:2; At, 1:21-22), era rejeitada. 

  • · A leitura de livros autorizados – Outro sinal de que o processo da canonicação do Novo Testamento iniciou-se imediatamente na igreja do século I foi a prática da leitura pública oficial dos livros apostólicos. Paulo havia ordenado aos Tessalonicenses: “Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos” (1Ts. 5:27).

      A leitura em público das palavras autorizadas de Deus era um costume antigo. Moisés e Josué o praticaram ( Ex. 24:7; Js. 8:34). Enfim, em suma, as igrejas estavam envolvidas num processo incipiente de canonização. Essa aceitação original de um livro, o qual era autorizadamente lido nas igrejas, teria importância crucial para o reconhecimento posterior de um livro canônico.

*     A circulação e a compilação dos livros – Enfim o processo de canonização desde o início da igreja estava em andamento. Os livros só eram circulados pelas igrejas, caso fossem examinados e dado por autêntico, Isso tomou-se forma nos tempos dos apóstolos, lá pelo final do século I, já todos os 27 livros do Novo Testamento haviam sido recebidos e reconhecidos pelas igrejas cristãs. O cânon estava completo, e aceito por todos os crentes de todas as cidades. Mas, por motivo da multiplicidade dos falsos escritos, e da falta de acesso imediato as condições relacionadas ao recebimento inicial de um livro, o debate a respeito do cânon prosseguiu por vários séculos, até que universalmente a igreja reconheceu a canonicidade dos 27 livros do Novo Testamento.               

 A Credibilidade da Bíblia 

1.A FIDEDIGNIDADE E CONFIABILIDADE DAS ESCRITURAS

TÓPICO 1 – A CONFIRMAÇÃO DO TEXTO HISTÓRICO

1b. Introdução 

     Estamos provando aqui não a inspiração, mas a credibilidade histórica das Escrituras.  

      Deve-se testar a credibilidade histórica das Escrituras pelos mesmos critérios usados para testar todos os documentos históricos.   

      C. Sanders, em Introduction to Research in English Literary History (introdução à pesquisa em História da Literatura Inglesa), relaciona e explica os três princípios básicos da historiografia. São, a saber, o teste bibliográfico, o teste das evidências internas e o das evidências externas. 81/143ss. 

2b. OTESTE BIBLIOGRAFICO DA CREDIBILIDADE DO NOVO TESTAMENTO

      O teste bibliográfico é um exame da transmissão textual pela qual os documentos chegam até nós. Em outras palavras, uma vez que não dispomos dos documentos originais, qual a credibilidade das cópias que temos em relação ao número de manuscritos e ao intervalo de tempo transcorrido entre o original e a cópia existente? 64/26

      F.E Peters ressalta que “baseando-se apenas na tradição dos manuscritos, as obras que formam o Novo Testamento dos cristãos foram os livros antigos mais freqüentemente copiados e mais amplamente divulgados.” 69/50

 

1c. EVIDÊNCIAS DOS MANUSCRITOS ACERCA DO NOVO TESTAMENTO

      Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento. Acrescentam-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de outras antigas versões, e teremos mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento. 

      Nenhum outro documento da história antiga chega perto desse números e dessa confirmação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. O primeiro texto completo e preservado de Homero data do século treze. 58/145

 A seguir apresentamos um quadro estatístico dos manuscritos remanescentes do Novo Testamento: 

Gregos
Unciais 267  
Minúsculas 2.764  
Lecionários 2.143  
Papiros 88  
Achados recentes 47 Manuscritos
TOTAL 5.309 Gregos existentes

 

Versão Vulgata Latina Mais de 10.000
Etiópico Mais de 2.000
Eslavônico             4.101
Armênio             2.587
Versão Siríaca (peshita)    Mais de 350
Copta             100
Árabe               75
Versão Velha Latina               50
Anglo – Saxônico                  7
Gótico                 6
Sogdiano                 3
Siríaco Antigo                 2
Medo – Persa                 2
Frâncico                 1

      As informações para os gráficos acima foram extraídas das seguintes fontes:

      ALAND, Kurt. Journal of Biblical Literature (Revista de Literatura Bíblica),v. 87, 1968. 

      ALAND, Kurt. Kurzgefasste Liste Der Griegrischen Handschriften Des Neuen Testaments (Breve Lista dos Manuscritos Gregos do Novo Testamento). W. De Gruyter, 1963.

      ALAND, Kurt. “Neue Neutestamentliche Papyrii III” (Novos Papiros Terceira Parte). In. New Testament Studies (Estudos do Novo Testamento). Jul. de 1976.

      METZGER, Bruce. The Early Versins of the New Testament As Antigas Versões do Novo Testamento). Oxford: Clarendon 1977.  

      PARVIS, Merrill M. e WIKGREN, Allen, ed. New Testament Manuscript Studies (Estudos do Manuscritos do Novo Testamento). Chicago University of Chicago, 1950.

      RHODE, Eroll F. An Annotated List of Amenian New Testament Manuscripts (Uma Lista Comentada de Manuscritos Armênios do Novo Testamento). Tóquio: IKEBURO, 1959.   

      HYATT, J. Phillip. The Bible and Modern Scholarship (A Bíblia e a Erudição Moderna). A bingdon, 1965.

      John Warwick Montgomery afirma que “ter uma atitude cética quanto ao texto disponível dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antigüidade clássica se torne desconhecida, pois nenhum documento da história antiga é tão bem confirmado bibliograficamente como o Novo Testamento.” 64/29

      Sir Frederic G. Kenyon, que foi diretor e bibliotecário – chefe do Museu britânico, reconhecido como uma das maiores autoridades em manuscritos, diz: “…além da quantidade, os manuscritos do Novo  Testamento diferi das obras dos autores clássicos em outro aspecto, e mais uma vez a diferença é bem clara.os livros do Novo Testamento foram escritos na última parte do século primeiro; com exceção de fragmentos muitos pequenos, os manuscritos mais antigos existentes são do quarto século – cerca de 250 a 300 anos depois”. Cremos que, em todos os pontos essenciais, temos um texto bastante fiel das sete peças remanescentes de Sófocles; no entanto, o manuscrito mais antigo e substancioso de ´Sófocles foi copiado mais de 1.400 anos depois de sua morte.” 48/4  

      Em The Bible and Archaeology (A Bíblia e a Arqueoloiga), Kekyon afirma: “De modo que o intervalo entre as datas da composição do original e os mais antigos manuscritos existentes se torna tão pequeno a ponto de, na prática ser insignificante. Assim, já não há base qualquer dúvida de que as Escrituras tenham chegado até nós tal como foram escritas. Pode-se considerar que finalmente estão comprovadas tanto a autenticidade como a integridade dos livros do Nono Testamento.” 46/288

      F.J.A. Hort acrescenta, com acerto, que “na variedade e multiplicidade de provas sobre as quais repousa, o texto do Novo Testamento destaca-se de um modo absoluto e inigualável entre os textos em prosa da antigüidade.” 43/561

      J. Harold Greennlee declara: “…o número de manuscritos néo – testamentários disponíveis é surpreendentemente maior do que os de qualquer outra obra da literatura antiga. Em terceiro lugar os mais antigos manuscritos existentes do Novo Testamento foram escritos numa data muito mais próxima da composição do texto original do que no caso de qualquer outro texto da literatura antiga”. 37/15

2.  O NOVO TESTAMENTO EM COMPARAÇÃO COM OUTRAS OBRAS DA ANTIGÜIDADE 

2a. A Comparação de manuscritos 

      Em Merece Confiança o Novo Testamento?, F.F. Bruce faz comparações entre o Novo Testamento e antigos textos de história, e apresenta uma descrição marcante a respeito: “Talvez possamos avaliar melhor quão rico é o Novo Testamento em matéria de evidência manuscrita, se compararmos o material textual subsistente com outras obras históricas da antigüidade. O texto das porções existentes das duas grandes obras históricas de tácito depende totalmente de dois manuscritos, um do século nono e outro do século onze.  

     Os manuscritos remanescentes das obras menores de tácito (Dialogus de Oratoribus (Diálogo sobre os Oradores), Agricola e Germania) Provêm todos de um códice do século décimo. Conhecemos a história de Tucídedes (cerca de 460-400 a.C.) a partir de oito manuscritos, dos quais o mais antigo data de 900 A.D., e de uns poucos fragmentos de papiros, escritos aproximadamente no início da era cristã. O mesmo se dá com a História de Heródoto (cerca de 480-425 a.C.). No entanto, nenhum conhecedor profundo dos clássicos daria ouvidos à tese de que a autenticidade de Heródoto ou Tucídedes é questionável porque os mais antigos manuscritos de suas obras foram escritos mais de 1.300 anos depois dos originais.” 16/23,24

      Em Introduction to New Testament Textual Criticism (Introdução à crítica Textual do Novo Testamento), Greenlee escreve acerca do hiato de tempo entre o manuscrito original (o autógrafo) e o manuscrito existente (a velha cópia remanescente), afirmando que “os mais antigos e conhecidos dos manuscritos da maioria dos autores gregos clássicos foram escritos pelo menos mil anos depois da morte do seu autor. O intervalo de tempo para os escritores latinos é um pouco menor, reduzindo-se a um mínimo de três séculos no caso de Virgílio. Todavia, no caso do Novo Testamento, dois dos mais importantes manuscritos foram escritos em prazo não superior a 300 anos após o Novo Testamento estar completo, e manuscritos virtualmente completos, de alguns livros do Novo Testamento, bem como manuscritos incompletos, mas longos, de muitas partes do Novo Testamento, foram copiados em datas tão remotas quanto um século após serem originalmente escritos.” 37/36

      Greenlee acrescenta que “uma vez que os estudiosos aceitam que os escritos dos antigos clássicos são em geral fidedignos, muito embora os mais antigos manuscritos tenham sido escritos tanto tempo depois da redação original e o número de manuscritos remanescentes seja, em muitos casos, tão pequeno, está claro que da mesma forma, fica assegurada a credibilidade no texto do Novo Testamento “. 37/16

      Mesmo em relação aos Anais do famoso historiador Tácito, no que diz respeito aos seis primeiros livros dessa obra, ela só sobreviveu devido a um único manuscrito, do século nono. Em 1870 o único manuscrito conhecido da Epístola a Diogneto, um texto cristão bem antigo que os compiladores geralmente incluem entre os escritos dos pais Apostólicos, perdeu-se num incêndio na biblioteca municipal de Estrasburgo. Em contraste com esses dados estatísticos, o crítico textual do Novo Testamento fica perplexo diante da riqueza de material disponível “. 62/34 

      F.F. Bruce declara “No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”. 15/178 

AUTOR Data do Original Cópia mais Antiga Intervalo em anos N.º de Cópias
César 100-44 a.C. 900 A.D. 1.000 10
Lívio 59 a.C. – 17A.D.     20
Platão       7
(Tetralogias) 427 – 347 a.C.. 900 A.D. 1.200  
Tácito (Anais) . 100 A.D. 1100 A.D. 1.000
Obras 20(-)         100 A.D. 1100 A.D. 1.000 1
Plínio Jovem        
(História) 61 – 113 A.D. 850 A.D. 750 7
Tucídedes        
(História) 460 – 400 a.C. 900 A.D. 1.300 8
Suetônio        
(De Vita Caesarum) . 75 – 160 A.D 950 A.D. 800
Heródoto        
(História) 480 – 425 a.C. 900 A.D. 1.300 8
Horácio       900
Sófocles 496 – 406 a.C. 1000 A.D. 1.400 193
Lucrécio Morto           75 – 160 A.D o   1.100 2
Cátulo 54 a.C. 1550 A.D. 1.600 3
Eurípides 480 – 406 a.C. 1100 1.300 200
Desmóstenes 383 – 322 a.C. 1100 A.D. 1.300 200*
Aristóteles 384 – 322 a.C. 1100 A.D. 1.400 49+
Aristófanes 450 – 385 a.C. 900 A.D. 1.200 10

 

* Todos de uma única cópia 

+ De qualquer obra isolada 

2b. A Comparação Textual 

      Bruce Metzger comenta: “Dentre todas as composições literárias escritas pelo povo grego, os poemas homéricos são os mais adequados para uma comparação com a Bíblia “.61/144 Ele acrescenta: “Em todo o corpo de literatura antiga, tanto grega como latina, a Ilíada é a que mais se aproxima do Novo Testamento por possuir a maior quantidade de testemunho de manuscritos”. 61/144

      Metzger continua: “Na antigüidade os homens (1) memorizavam Homero assim como mais tarde iriam memorizar as Escrituras.(2) Tanto Homero como as Escrituras foram tidos na mais alta estima, sendo citados na defesa de argumentos acerca do céu, da terra e do Hades. (3) Homero e a Bíblia serviram de cartilha para diferentes gerações de escolares que neles aprenderam a ler. (4) Ao redor de ambos cresceu um grande volume de notas marginais e comentários. (5) Ambos tiveram glossários. (6) Ambos caíram nas mãos dos alegoristas. (7) Ambos foram imitados e tiveram suplementos – um com os hinos e escritos homéricos, tais como o Batracomiomáquia, e o outro com os livros Apócrifos. (8) Homero foi analisado e prosado; o evangelho de João foi versificado em hêxametros épicos por Nono de Panópolis. (9) Os manuscritos tanto de Homero como da Bíblia foram ilustrados. (10) As descrições homéricas apareceram nos murais de Pompéia; as basílicas cristãs foram decoradas com mosaicos e afrescos de episódios bíblicos”. 61/144,145   

      E.G. Tuner destaca que, sem dúvida alguma, Homero foi o autor mais lido na antigüidade. 92/97  

      Geisler e Nix comparam as variações textuais existentes entre os documentos do Novo Testamento e as obras antigas: “Em seguida ao Novo Testamento, existem mais manuscritos remanescentes da Ilíada (643) do que de qualquer outro livro.

      Eles prosseguem dizendo que “a Ilíada tem cerca de 15.600. Há dúvidas sobre apenas 40 linhas (ou 400 palavras) do Novo Testamento, enquanto que, no caso da Ilíada, questionam-se 764 linhas. Esses cinco por cento de corrupção textual contrastam-se com o meio por cento de emendas no texto do Novo Testamento.”  

      No livro Introduction to Textual Criticism of the Testament (Intrdução à critica do Novo Testamento), Benjamin Warfield cita a opinião de Ezra Abbot sobre noventa e cinco por cento das variações textuais do Novo Testamento, afirmando que elas: “… possuem base tão insignificante… embora haja várias leituras possíveis ; e noventa e cinco por cento das variações textuais do Novo Testamento, afirmando que elas: “… possuem base tão insignificante… embora haja várias leituras possíveis; e noventa e cinco por cento das variações restantes são de importância tão ínfima que sua aceitação ou rejeição não provocaria qualquer diferença significativa no sentido das passagens onde elas ocorrem”. 100/14

      Geisler e Nix fazem a seguinte observação sobre como são contadas as variações textuais: “É ambíguo dizer que existem umas 200.000 variantes nos manuscritos existentes do Novo Testamento, desde que elas dizem respeito apenas 10.000 lugares no Novo Testamento. Se uma única palavra é escrita de modo errado em 3.000 manuscritos, isso é contado como sendo 3.000 variantes ou leituras”. 32/361

      Fenton John Anthony Hort, que passou a vida lidando com manuscritos diz: “É bem grande a proporção de palavras que, sem que haja qualquer dúvida sobre elas, são virtualmente aceitas em todos os manuscritos.

      “Se os princípios seguidos nesta edição estão corretos, pode-se reduzir bastante esse número. Reconhecendo plenamente o dever de nos abstermos de decisões categóricas, em casos em que os dados deixam em suspenso o julgamento entre duas ou mais leituras, descobrimos que, pondo de lado as diferenças de ortografia, em nossa opinião as palavras ainda sujeitas a dúvida constituem cerca de seis por cento de todo o Novo Testamento. 

      Um estudo cuidadoso das variações (ou leituras diferentes) dos várias manuscritos mais antigos revela que nenhuma delas afeta uma única doutrina das Escrituras. O sistema de verdades espirituais contido no texto hebraico geralmente aceita do Antigo Testamento não é alterado nem deturpado por qualquer uma das diferentes leituras encontradas nos manuscritos hebraicos de datas mais antigas e que foram descobertas nas cavernas do mar Morto ou em qualquer outro lugar.

      Benjamin Warfield disse: “Se compararmos a situação atual do texto do Novo Testamento com a de qualquer outro escrito antigo, precisaremos declarar que o texto é maravilhosamente correto, tão grande é o cuidado com que o Novo  Testamento tem sido copiado – um cuidado que, sem dúvida alguma, é fruto de uma verdadeira reverência para com suas santas palavras – tão grande tem sido a providência de Deus em preservar para a sua igreja em todas as épocas um texto suficientemente exato, que o Novo Testamento não tem rival entre os escritos antigos, não apenas em termos de pureza de texto pela maneira como foi transmitido e mantido em uso, como também em termos de abundância de testemunhos, os quais chegaram até nós para corrigir falhas relativamente esporádicas.” 100/12,13

2c. CRONOLOGIA DE IMPORTANTES MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO

      Métodos de Datação: Alguns dos fatores que ajudam a determinar a idade dos manuscritos são: 32/242 – 246 

1)Materiais                                                       5) Ornamentação

2)Tamanho e forma das letras                            6) Cor da tinta 

3)Pontuação                                                     7) Textura e cor do pergaminho  

4)Divisões do texto   

      O manuscrito de John Rylands (130 A.D.) encontra-se na biblioteca John Rylands, na cidade de Manchester, na inglaterra, e é o mais antigo fragmento existente do Novo Testamento.

      Bruce Metzger fala de uma crítica abandonada: “Caso se tivesse conhecido esse pequeno fragmento durante meadas do século passado, aquela escola de crítica do Novo Testamento, a qual foi inspirada pelo brilhante professor de Tubinga, Ferdinand Chriastian Baur, não poderia Ter defendido que o quarto Evangelho só foi escrito por volta de 160 A.D.” 62/39 

      No antigo “Zur Datierung des Papyrus Bodmer II (P.66)” (A Respeito da Datação do Papiro Bodmer II) (In: Anzeiger Der Osterreichischen Akademie Der Wissenschaften (Informativo da Academia Austríaca de Ciências) n 4, 1960, p. 12033), “Herbert Hunger, diretor das coleções papirológicas da Biblioteca Nacional de Viena, atribui ao papiro 66 uma data anterior, meados do século segundo, ou até mesmo a primeira metade desse século; veja o artigo que ele escreveu.” 62/39,40

      O códice Vaticano (325 – 350 A.D.), situado na Biblioteca do Vaticano, contém quase toda a Bíblia.

      O códice Sinaítico (350 A.D.) encontra-se no Museu Britânico. Esse manuscrito, que contém quase todo o Novo Testamento e mais da metade do Antigo Testamento, foi descoberto em 1859, no mosteiro do Monte Sinai pelo Dr. Constantin von Tischendorf, sendo presenteado ao Czar da Rússia pelo mosteiro. Posteriormente, no dia de Natal de 1933, o povo e o governo britânicos o adquiriram da União Soviética por 100.000 libras. 

      Em 1853, uma Segunda visita de Tischendorf ao mosteiro não resultou em novos manuscritos porque os monges estavam desconfiados devido ao entusiasmo que Tischendorf demonstrava diante do manuscrito que vira por ocasião de sua primeira visita, em 1844. Escondendo suas emoções, Tischendorf casualmente pediu permissão para examiná-lo mais vagarosamente aquela noite. Com a permissão concedida e tendo-se retirado para seu quarto, Tischendorf passou a noite toda tendo prazer de estudar o manuscrito – pois, como escreveu em seu diário (que, sendo um erudito, mantinha em latim), quippe dormire nefas videbatur (‘ na verdade, dormir parecia um sacrilégio ‘)! Logo descobriu que o documento continha muito mais do que ele até mesmo esperara; pois não apenas a maior parte do Antigo Testamento estava ali, como também o Novo Testamento estava intacto e em excelentes condições, havendo também duas antigas obras cristãs do segundo século, a Epístola de Barnabé (anteriormente conhecida só através de uma tradução latina bem deficiente) e uma grande porção de Pastor de Hermes, obra até então só conhecida de nome”. 

2d. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA POR VÁRIAS TRADUÇÕES

      As traduções antigas constituem um outro forte apoio em favor do testemunho e exatidão dos textos. Em sua maior parte, “raramente a literatura antiga era traduzida para um outro idioma”. 37/45

      “As primeiras versões do Novo Testamento foram preparados por missionários, para auxiliarem na propagação da fé cristã entre os povos cujas línguas nativas eram siríaco, o latim ou o copta.” 62/67 

      As versões (traduções) do Novo Testamento em siríaco e em latim foram feitas por volta de 150 A.D. Isso nos deixa bem próximos da época da composição dos originais.

Existem mais de 15.000 cópias de várias versões

1 .a Versões siríacas 

      A velha versão siríaca contém os quatro evangelhos, copiada por volta do século quarto. É preciso explicar que “siríaca é o nome geralmente dado ao aramaico cristão. É escrito numa variação distinta do alfabeto aramaico”. 15/193  

      Teodoro de Mopsuéstia (século quinto) escreveu: “Foi traduzida  para línguas dos sírios”. 15/193

     Peshita. O sentido básico dessa palavra é “simples”. Foi a versão padrão, preparada por volta de 150-250 A.D. Hoje existe mais de 350 manuscritos conhecidos, copiados no século quinto. 32/317 

      Siríaca Palestinense. A maioria dos estudiosos atribuem a essa versão a data de aproximadamente 400-450 A.D. (século quinto). 62/68-71 

2b. Versões Latinas 

      Velha Latina. Existem testemunhas, a partir do século quarto até o século treze, de que, no século terceiro, “uma velha versão latina circulou no norte da África e na Europa…”

      Velha Latina Africana (códice Bobbiense) 400 A.D. Metzger diz que “.E.A. Lowe revela indícios paleográficos de Ter sido copiada de um papiro do século segundo”. 62/72-74

      O Códice Corbiense (400-500 A.D.) contém os quatro evangelhos.

      Códice Vercelense (360 A.D.).

      Códice Palatino (século quinto A.D.).

      Vulgata Latina (vulgata é palvra que significa “comum” ou “popular”). Jerônimo era secretário de Damásio, bispo de Roma. Entre 366 e 384, Jerônimo atendeu a um pedido do bispo para que preparasse uma versão. 15/201

2c. Verões Coptas (ou Egípcias)  

      F.F. Bruce escreveu que é próvavel que a primeira versão egípcia foi traduzida no século terceiro ou quarto. 15/214

      Bohaírica. Rodalphe Kasser, que editou o texto impresso dessa versão, calcula que ela deve datar do século quarto. 37/50

2d. Outras versões Antigas

      Armênia (a partir de 400. A.D.). Parecer Ter sido traduzido de uma Bíblia em grego obtida em Constantinopla. 

      Gótica. Século quarto.      Geórgica. Século quinto. 

      Etiópica. Século sexto.  

      Núbia. Século sexto.

1.A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA

PELOS PRIMEIROS PAIS DA IGREJA 

      A Enciclopédia Britânica afirma: “Após Ter examinado os manuscritos e versões, crítico textual ainda assim não esgotou o estudo das provas em favor do texto do Novo Testamento. Freqüentemente os escritos dos primeiros pais da igreja refletem uma forma de texto diferente da de um ou outro manuscrito… os testemunhos que dão do texto, especialmente quando corroboram leituras oriundas de outras fontes, são algo que o crítico textual deve consultar antes de formar juízo a respeito”. 25/579

      Em refência às citações em comentários, sermões, etc. , Bruce Metzger reitera a declaração acima, dizendo: “De fato, essas citações são tão vastas que, se todas as demais fontes de conhecimento sobre o texto do Novo Testamento fossem destruídas, sozinhas essas citações seriam suficientes para a reconstituição de praticamente todo o Novo Testamento”. 62/86

      Após uma prolongada investigação, Darlymple chegou à seguinte conclusão: “Veja aqueles livros. Você se lembra da pergunta que me fez sobre o Novo Testamento e os pais? Aquela pergunta despertou a minha curiosidade, e, como eu conhecia todas as obras existentes dos pais do segundo e terceiro séculos, comecei a pesquisar  e, até agora, já encontrei  todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos”. 58/35,36

      Uma advertência: Joseph Angus, em História, Doutrina e Interpretação da Bíblia ; Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1971,1953. 2 vol., apresenta algumas limitações dos escritos patrísticos antigos: 

1.Às vezes se fazem citações sem exatidão verbal. 

2.Alguns copistas tinham tendências para erros ou para alterações intencionais.   

      Clemente de Roma (95 A.D.). Origines, em De Principus (sobre o principio), livro II, capítulo 3 , chama-o de discípulo dos apóstolos. 8/28

      Irineu, prossegue, em Contra Heresias, livro III, capítulo 3, dizendo que “ainda tinha o ensino dos apóstolos ecoando em seus ouvidos e a doutrina deles diante de seus olhos”. Ele faz citações de: 

      Mateus                                     1Coríntios

      Marcos                                     1Pedro

      Lucas                                        Hebreus

     Atos                                           Tito  

      Inácio (70-110 A.D.)foi bispo de Antioquia e foi martirizado, tendo conhecido bem os apóstolos. Suas sete cartas contêm citações de: 

      Mateus                    Efésios                        1 e 2 Tessalonicenses

      João                        Filipenses                    1 e 2 Timóteo 

      Atos                        Gálatas                        1 Pedro

      Romanos                 Colossenses                 

      1Coríntios                Tiago  

      Policarpo (70-156 A.D.), martirizado aos 86 anos de idade, foi bispo de Esmirna e discípulo do apóstolo João. 

      Entre outros que também citaram o Novo Testamento encontram-se Barnabé (cerca de 70 A.D.), Hermas (cerca de 95 A.D.), Taciano (cerca de 170 A.D.) e Irineu (cerca de170 A.D.). 

      Clemente de Alexandra (150-212 A.D.). Dentre as citações que faz, 2.4000 são do Novo Testamento. Ele cita todos os livros, com exceção de três. 

      Tertuliano (160-220 A.D.) foi presbítero da igreja em Cartago, tendo citado mais de 7.000 vezes o Novo Testamento, das quais 3.800 são citações dos Evangelhos. 

      Hipólito (170-235 A.D.) faz mais de 1.300 referências ao Novo Testamento.  

     Justino Mártir (133 A.D.) combateu o herege Marcião.   

      Geisler e Nix acertadamente concluem dizendo que, “a esta altura, um rápido apanhado estatístico mostrará a existência de umas 32.000 citações do Novo Testamento feitas até a época do concílio de Nicéia (325 A.D.). Essas 32.000 são apenas um número parcial, e nem mesmo incluem os escritores do século quarto. Apenas acrescentando-se as citações feitas por um outro escritor, Eusébio, que escreveu prolificamente num período que vai até o concílio de Nicéia, teremos o total de citações do Novo Testamento aumentando para mais de 36.000″. 32/353,354

      A todos esse ainda se pode acrescentar os nomes de Agostinho, Amábio, Latâncio, Crisostomo, Jerônimo, Gaio Romano, Atanásio, Ambrosósio de Milão, Cirilo, de Alexandria, Efraim o Sírio, Hilário de Poitiers, Gregório de Nissa, etc.  

      Sobre as citações patrísticas do Novo Testamento, Leo Jaganay escreve: “Dentro as volumosas obras de material não publicado que o deão Burgon deixou ao morrer, destaca-se o índice de citações do Novo Testamento, feitas pelos pais da igreja antiga. Consiste de dezesseis espessos volumes que se encontram no Museu Britânico, e contém 86.489 citações”. 44/48

CITAÇÕES PATRÍSTICAS DO NOVO TESTAMENTO

ESCRITOR

 

Evangelhos Atos Epístolas Paulinas Epístolas Gerais Apocalipse Total
Justino Mártir 268 10 43 6 3  266 alusões 330
Irineu 1.038 194 499

 

23 65 1.819
Clemente de Alex. 1.017 44 1.127 207 11 2.406
Orígenes 9.231 349 7.778 399 165 17.992
Tertuliano 3.822 502 2.609 120 205 7.258
Hipólito 734 42 387 27 188 1.378
Eusébio 3.258 211 1.592 88 27 5.176
Totais 19.368 1.352 14.035 870 664 36.289
*14/357

 

1b. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA PELOS LECIONÁRIOS 

      Essa é uma grandemente negligenciada, e, no entanto, o segundo maior grupo de manuscritos gregos do Novo Testamento é o dos lecionários.   

      Bruce Metzger explica a origem dos lecionários: “Seguindo o costume das sinagogas, mediante o qual em todos os sábados, por ocasião do culto religioso, liam-se trechos da lei e dos profetas, a igreja Cristã adotou a prática de ler trechos do Novo Testamento por ocasião dos cultos. Desenvolveu-se um sistema regular de lições dos Evangelhos e das Epístolas, e surgiu o costume de prepará-las de acordo com uma ordem fixa de domingos e outros dias santificados do ano cristão”. 62/30

      Em geral, os lecionários refletiam uma atitude bem conservadora e utilizavam textos mais antigos. Isto os torna muito valiosos na crítica textual. 62/31

CONCLUSÃO   

      Como foi estudado, o cânon surgiu para que houvesse uma separação entre o certo e o errado. Pois não podemos viver-nos indecisos? Não é verdade? Então a questão do cânon, que significa, regra de fé, apareceu, surgiu, para que falasse não só a igreja, mais as pessoas, acerca de que quias livros da Bíblia, das Santas Escrituras, foram realmente inspiradas, feitos por uma autoridade divina. Mais não foi só isso não; para que tudo finalizasse bem  (em relação aos livros), a igreja precisou de muita luta. Os pais da igreja (os lideres questionaram muito sobre isso. Pois se podia dizer que um livro era canônico mediante alguns critérios, como por exemplo: Foi preciso provar que tal livro possuía autoridade e era dinâmico; como nós sabemos muito bem que a Bíblia tem o poder, autoridade de salvar vidas.

      Se ele era digno de confiança a aBíblia fala mesmo a verdade? Podemos nós seguir-mos o que está escrito na Bíblia? Seus ensinamentos  (como o de Paulo) possuem mesmo confiança? Enfim era preciso que fosse lido, guardado, usado e principalmente aceito pelo povo.

      Outra questão também que envolvia os livros da Bíblia; foi aquestão do Novo Testamento. A onde foi preciso provar se tal livro possuía inspiração e era apóstolico. Pois nós sabemos muito bem que a maioria das cartas relacionadas a igreja foram escritos pelos apóstolos do Senhor, que eram homens dotados pelo Espírito Santo; pelo qual eles foram guiados a escrever somente a verdad. Então o que foi questionado foi o seguinte: So se era considerado o livro (como as épistolas de Paulo aos Hebreus), caso fosse provado que foi Paulo realmente que escrevera. Caso contrário não era apóstolica, nem muito menos canônico.

      Enfim até os políicos perseguirem a igreja a respeito da canonicidade dos livros.  

      Vimos também o aparecimento, o crescimento de outros livros daBíblia considerados como (apócrifos-falsos). Daí surge a questão:”E os católicos? A onde ficam nessa história. Será que só os cristões tem razão? Somente os livros da Bíblia deles falam a verdade? Mas é a partir daí que surgiram as brigas; quanto mais a igreja católica afirmava que a nossa Bíblia é que era falsa, mais surgiam-se os falsos livros. Mais tudo isso resultou-se no seguinte: Até hoje os 66 livros constados na Bíblia dos evangélicos é que são oficialmente oficializados como canônicos; e não os 7 a mais da Bíblia dos católicos. Que por sinal em um dos seus livros apócrifos, o próprio autor pede perdâo pelo que escreve.

      Enfim resumidamente essas foram as questões que envolveram a canoicidade dos livros. Sabendo-se que tanto como o livro do Antigo como o do Novo são considerados até hoje como livros inspirados e Sagrados por Deus. E que cabe a nós, seguidores e ouvintes da palavra, dar-mos glória a Deus por por tudo que esses livros pôde e pode trazer a nós. 

BIBLIOGRAFIAS: 

•A Bíblia Através dos Séculos – Antônio gilberto

•Introdução Bíblica – Norman Geisler

•Enciclópedia Bíblica 

•Enciclopédia  de Bíblia Teologia e Filosofia – R. N  Champlin, Ph.D

   J. M. Bentes

A Igreja e sua Responsabilidade Social (mas com observância e obediência à Bíblia)

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Proposta de responsabilidade social do Pacto de Lausanne.

A responsabilidade social cristã no Pacto de Lausanne.

O testemunho histórico da Missão Integral

Base bíblico-teológica para a responsabilidade social

Os desafios que pesam sobre a Igreja diante da questão social à luz do Pacto de Lausanne 

Introdução

Vivemos num mundo em ebulição. A transformação promovida pela globalização é algo inquestionável. Ao invés de apenas facilitar processos, ela, a globalização, tem aumentado a crise. A miséria tem mostrado sua cara feia, como cm poucos momentos da história. O abismo entre uns poucos que têm muito e a maioria que não possui o suficiente tem aumentado no mundo.

Se a globalização tem acentuado a desigualdade social no mundo, no Brasil cm particular e na América Latina de um modo geral, a história não é diferente.

Caio Fábio D’Araújo Filho afirma que:

O Brasil é um país completamente tomado por antagonismos. De um lado, tem-se uma economia forte, um parque industrial moderno e uma das maiores riquezas naturais do planeta; de outro lado, tem-se a sexagésima quarta renda per capita do mundo, uma concentração econômica na qual urna minoria da população controla cerca de 70% dos bens do país, e uma dívida social descomunal, caracterizada pela existência de milhões de miseráveis.

Lado a lado, convivem mansões – copiadas das revistas mais sofisticadas do primeiro mundo – e casebres feitos de papelões e cheios de tanta sujeira que, nem mesmo os cães, acostumados à boa vida da casa dos ricos, conseguiriam neles viver… É dentro deste caldeirão de ambigüidades e antagonismos, que emerge, vive e acontece a Igreja Evangélica. A Igreja Evangélica não pode ficar fora de qualquer análise que se faça desse país.1

Infelizmente, essa é a cara do Brasil. Um país em crise. E é no meio de toda esta crise que a Igreja está inserida e, de alguma forma, precisa dar uma resposta que crie a possibilidade de transformação.

Quanto à América Latina, Samuel Escobar afirma que a década de 80 tem sido chamada de “década perdida”, por causa da deterioração visível das condições sociais em toda a América Latina.2

Qual deve ser a resposta da Igreja num momento difícil como o que vivenciamos, principalmente, como lembra-nos Paul Freston, a coincidência do crescimento evangélico com as crises sociais e religiosas não produzirá, por si só, efeitos históricos saudáveis. Pelo contrário, a visibilidade crescente tem deixado dolorosamente expostas as carências teológicas, éticas e pastorais? 3 Sem dúvida alguma o desafio que temos diante de nós é maior do que normalmente aquilatamos.

Entendo que, diante do aumento da pobreza, do aumento da violência e da criminalidade que testemunham o caos estabelecido no mundo, a compreensão da prática de Jesus diante do sofrimento humano poderá, não apenas nos desafiar, mas, nos dará bases para que encontremos o paradigma para uma Ação Social da Igreja.

É por causa do caos estabelecido que me sinto impulsionado a refletir sobre a responsabilidade social da igreja, de maneira especial, voltar a minha atenção ao Congresso internacional de Evangelização Mundial, realizado em Lausanne, Suíça, em 1974.

Capítulo 1

Proposta de responsabilidade social do Pacto de Lausanne

O Congresso Internacional de Evangelização Mundial, ocorrido na cidade de Lausanne, Suíça, entre os dias 16 e 25 de julho de 1974, tornou-se o mais importante referencial dos evangelicais espalhados pelo mundo. “Um foro formidável, possivelmente a reunião mais global já realizada pelos cristãos””, foi o comentário da “Revista Time” sobre o encontro, como lembra René Padilla em seu livro, “Missão Integral”.

Lausanne 74 foi, indubitavelmente, o maior evento da história do evangelicalismo, demonstrando que a Igreja encontrava-se em perfeita harmonia com sua época. Evidencia-se tal assertiva ao ser observado o leque de temas propostos, encabeçado pela evangelização e tratado pelos congressistas. Alguns deles merecem destaque: a questão cultural, a realidade da pobreza que vem atingindo milhões de pessoas, a responsabilidade social cristã, a batalha espiritual, dentre outros. Estas sintonia e preocupação com a realidade foram um dos fatores que tornaram o referido encontro tão significativo e contundente para as décadas que se seguiram.

É preciso, todavia, compreender o que motivou a realização do Congresso de Lausanne. Assim sendo, imperioso historiar e analisar o contexto no qual se deu o congresso, a fim de que seja possível verificar a proposta nele apresentada sobre a responsabilidade social da Igreja.

O Congresso Internacional de Evangelização Mundial foi convocado pela Associação Evangelística Billy Graham e cerca de 4000 líderes do mais amplo espectro denominacional, oriundos de 151 países, acorreram ao magno congraçamento que apresentou como tema: “Que o Mundo Ouça a Sua Voz”. A Igreja, espalhada pelo mundo, estava sendo desafiada a reafirmar a sua vocação, no intuito de considerar estratégias c programas para cumprir a grande comissão. Em outras palavras, procurava-se visualizar desafios e recursos, visando à evangelização de todo o mundo.

O congresso pretendia reunir evangélicos desejosos de afirmar a autoridade da Bíblia. John Stott afirma que a razão para tanto foi, pelo menos cm parte, a existência de uma crise de confiança em relação ao Conselho Mundial de Igrejas -CMI. A existência de uma tensão entre os evangelicais (como eram chamados) e os ecumênicos era evidente à época, até porque, segundo o CMI, aos primeiros faltava um envolvimento social mais relevante.5

Billy Graham, cm sua mensagem de abertura do Congresso de Lausanne, fez e respondeu à seguinte pergunta: Por que Lausanne? Para que o mundo ouça a Sua voz! Na ótica de Graham, nunca tantas pessoas estiveram tão sensíveis à mensagem do evangelho de Jesus quanto nos últimos tempos, mas, ao mesmo tempo, nunca se viu uma influência do secularismo tão presente no seio da Igreja como nos últimos dias. Sendo assim, revela-se necessário que a Igreja una-se para proclamar a divindade de Jesus, bem como a salvação que Ele oferece. Graham afirmou que sua esperança e sua oração eram ver a Igreja, ainda que não política ou sociologicamente, voltar teologicamente às visões e aos conceitos das grandes conferências do início do século XX, dentre elas a de Nova Iorque em 1900 e a de Edimburgo, na Escócia, em 1910. Isto porque, sob o prisma de Billy Graham, a Igreja vem perdendo muito da sua visão e do seu fervor por três razões elementares:

1 – Perda de autoridade da mensagem do Evangelho;

2 – Preocupação com problemas político-sociais;

3 – Preocupação com a unidade organizacional da igreja.6

Na mesma mensagem ainda, Grahan esboçou quatro convicções que deveriam caracterizar Lausanne:

  • A autoridade das Escrituras;
  • O homem, fora de Jesus Cristo, está perdido;
  • Só há salvação em Jesus Cristo;
  • O testemunho cristão deve englobar tanto a palavra, como também as obras.7

 

Lausanne 1974 nasceu num contexto muito amplo. Desde a década de 1920, os cristãos têm-se inclinado à polarização. Enquanto uma ala da Igreja experimenta um crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, a ala fundamentalista experimenta uma grande vitalidade e faz um significativo investimento na obra evangelizadora. Enquanto a primeira preocupa-se com o social, a segunda imagina que a necessidade fundamental do ser humano é ouvir uma mensagem evangelizadora que lhe apresente o céu como destino último, por isso sua mensagem inclina-se numa única direção, a evangelização. Stott lembra que, durante cerca de cinqüenta anos (1920-1970) os evangélicos, tentando defender a fé histórica bíblica contra os ataques do liberalismo, reagiram em oposição ao seu “evangelho social”, concentrando-se na evangelização. O capítulo 3 preocupa-se mais sobre esta questão histórica em particular.

A partir do Congresso sobre a Missão Mundial da Igreja, ocorrido em Wheaton, entre os dias de 9 a 16 de abril de 1966, os evangelicais reafirmaram que a mais urgente necessidade da Igreja é a evangelização e a implantação de novas igrejas. O tema, crescimento da Igreja, entrou na pauta e tornou-se a bandeira de uma parcela mais fundamentalista da Igreja. Wheaton foi marcado por freqüentes ataques ao movimento ecumênico, acusado de liberalismo teológico, perda da convicção evangélica, universalismo da teologia, substituição da evangelização pela ação social e a busca da unidade em preterição da verdade bíblica.8 No entanto, o congresso deu um passo significativo em direção a uma visão holística do evangelho, visto que nele foi possível discutir a relação entre evangelização e ação social. Foi também uma inegável oportunidade para ouvir outras vozes evangélicas, provenientes de outros países que não os Estados Unidos da América. Naquele mesmo ano de 1966, entre os dias de 24 de outubro e 4 de novembro, realizou-se o Congresso Mundial de Evangelização de Berlim, patrocinado pela Christianity Today, que trouxe à tona, novamente, a urgência da evangelização. O congresso estava comprometido com a autoridade última da Bíblia e rejeitava todo pensamento sobre evangelização que não houvesse encontrado esteio nas Sagradas Escrituras. O esforço evangelístico foi reafirmado como tarefa primordial da Igreja, ao mesmo tempo em que se evidenciou uma sensível preocupação com a relação evangelização-ação social. Berlim indagou acerca do racismo, fazendo-lhe uma severa crítica e entendendo-o como empecilho ao testemunho evangelístico. Talvez uma das principais atitudes ali ressaltadas foi destinar maior visibilidade à causa evangelical. Luiz Longuini Neto afirma que o citado congresso deu início ao movimento evangelical contemporâneo.9

David M. Howard, Secretário da Aliança Evangélica Mundial apresentou, na Conferência de Wheaton, uma palestra intitulada “De Wheaton 66 a Wheaton 83″. Neste trabalho ele traçou a história do esforço do evangelicalismo pata definir a natureza e a missão da igreja. Enquanto em Wheaton 66 e Berlim 66 a tendência foi definir a missão da Igreja quase que exclusivamente em termos de evangelismo, Lausanne 74 representou uma compreensão mais ampla ao enfatizar tanto o evangelismo como a responsabilidade social, enquanto dava primazia ao evangelismo.10

Lausanne sofreu grande influência de Wheaton e de Berlim. A investigação indica, contudo, que Lausanne nasceu com o objetivo de encontrar um equilíbrio entre evangelização e ação social, mas onde a evangelização deveria receber prioridade, sem que isto significasse uma alienação quanto à questão social. Neste sentido o congresso suíço foi um formidável avanço em relação aos encontros evangelicais anteriores que, conquanto tenham abordado o tema, não conseguiram ampliar a visão da missão da Igreja.

O congresso foi significativo em três sentidos principais. Primeiro, como com as reuniões do Concilio Mundial de Igrejas, a partir dos anos sessenta, o Terceiro Mundo manteve presença em Lausanne. Metade dos participantes, dos oradores e do comitê de planejamento era do Terceiro Mundo. Além disso, alguns dos documentos pronunciados mais provocativos e influentes foram de dois latino-americanos, Samuel Escobar e René Padilla.

Em segundo lugar, como aconteceu com o catolicismo romano no Segundo Concilio Vaticano, a atitude anterior dos evangélicos de “triunfalismo” foi substituída por uma atitude de arrependimento. Lausanne representa a importância e influência crescente do Evangelicalismo universal, mas isto tem sido acompanhado por um reconhecimento de que nem tudo foi saudável no passado e que lições podem ser aprendidas com os outros.

Em terceiro lugar, este arrependimento é manifesto, especialmente na área de responsabilidade social cristã. Enquanto os evangélicos estavam em primeiro plano na preocupação social no século passado, este século tem visto uma inversão e, em muitos casos, uma total retirada do campo.11

O Pacto de Lausanne destaca-se entre as muitas contribuições significativas do congresso. Formulou-se esta declaração, dividida em quinze parágrafos, a qual, ainda hoje é lida com todo o respeito, já que, de certa maneira, ousou posicionar-se contra um evangelho mutilado e um conceito estreito de missão cristã. Dentre os vários temas contemplados pelo pacto, talvez o de maior melindre haja sido a questão da responsabilidade social da Igreja. Robinson Cavalcanti, referindo-se ao pacto, afirmou que, por excelência, ele é uma confissão de fé para os dias hodiernos.12

Loguini Neto menciona outras reações ao Pacto, demonstrando que houve um significativo boicote ao mesmo.

O boicote ao Pacto de Lausanne aconteceu, desde então, articulado por grupos fundamentalistas que o achavam extremamente progressista. Dentre esses grupos podemos citar: a Associação Evangelística de Luis Palau; a Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo; e a Escola de Missões do Seminário Fuller, cujo líder é Peter Wagner. No ano de 1988, alguns líderes eclesiásticos solicitaram ao Celep que promovesse uma consulta sobre o impacto do Movimento de Lausanne na América Latina, demonstrando uma preocupação legítima, uma vez que a intuição daqueles líderes estava correta: havia realmente um boicote ao Pacto de Lausanne na América Latina. No Brasil, uma publicação que traz o sugestivo título “Depois de Lausanne… Evangelismo na América Latina” apresenta relatórios e mensagens do 1º e 2º Encontros de Líderes Evangélicos na América Latina. Este material foi auspiciado por um “Comitê pós-Lausanne” em junho de 1977 e tinha como presidente o pastor batista Nilson do Amaral Fanini, que atualmente preside a Convenção Batista Brasileira. O único mérito da publicação, que a identifica com o espírito de Lausanne, é apresentar o pacto; o restante é quase uma traição aos princípios estabelecidos por ele.16

Não obstante as reações haverem sido tão diversas contra o Pacto de Lausanne, ele continua sendo um documento de constante leitura e releitura, pois conseguiu visitar e tratar, com absoluta seriedade, temas presentes na agenda da Igreja. Entendo que, para uma melhor compreensão do Pacto, cabe citá-lo, não integralmente, mas de maneira sucinta, dando ênfase aos seus parágrafos, numa adaptação do comentário ao Pacto feito por John Stott. Abaixo, é transcrito o termo de abertura do Pacto de Lausanne e, em seguida, uma síntese do mesmo, enfatizando especialmente o quinto parágrafo que trata sobre a responsabilidade social da Igreja.

Nós, membros da igreja de Jesus Cristo, procedentes de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos pecados e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo e, por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, público o nosso pacto.17

O propósito de Deus

A autoridade e o poder da Bíblia

A unicidade e a universalidade de Cristo

A natureza da evangelização

A responsabilidade social cristã

A Igreja e a evangelização

Cooperação na evangelização

Esforço conjugado de Igrejas na evangelização

Urgência da tarefa evangelística

Evangelização e cultura

Educação e liderança

Conflito espiritual

Liberdade e perseguição

O poder do Espírito Santo

O retorno de Cristo

1. O propósito de Deus

O Pacto de Lausanne começa mencionando a vocação divina, porque em Deus a Igreja é chamada e enviada à missão. Ele é o Deus missionário. Tudo começa com Ele.

John Stott comenta que “o primeiro parágrafo do Pacto expressa a compreensão trinitária da missão e encara a tarefa missionária da Igreja como uma vocação dos membros do povo de Deus de serem servidores e testemunhas com vistas à expansão do reino de Deus”.18

A) O caráter de Deus

A convenção não pretende fazer uma análise acurada sobre o Ser de Deus. Mesmo assim, o primeiro parágrafo demonstra que Nele residem as nossas motivação e vocação. Ele é o único Deus eterno, Criador e Senhor do mundo.

B) O propósito de Deus

O propósito divino foi chamar um povo para Si. Quando o acordo faz esta afirmação, apresenta-nos o caráter redentor de Deus.

C) A vocação humana

O Deus que redime é o mesmo que envia o povo redimido, mesmo em vasos de barro, o Evangelho continua sendo um tesouro precioso.

2. A autoridade e o poder da Bíblia

A Bíblia são as Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, que, em sua totalidade, refletem aquilo que dá autoridade à vocação da Igreja. É a partir das Escrituras que a Igreja ouve a voz de Deus, a qual a chama e a envia à missão.

A) O poder da Bíblia

O Pacto afirma o poder da Palavra de Deus. Quando Deus fala, também age. Sua Palavra nunca volta vazia para Ele; sempre cumpre o seu propósito (Is. 55:11).

B) A interpretação da Bíblia

O Pacto esclarece que a mensagem bíblica é a mesma para todos os homens, em todos os lugares e em todos os tempos. Entretanto, ao mesmo tempo, enfatiza a participação do Espírito Santo, iluminando as mentes para que as Escrituras tornem-se verdade constantemente inovadora no coração do ser humano.

3. A unicidade e a universalidade de Cristo

O terceiro parágrafo é intransigente em sua visão cristocêntrica, bem como em sua leitura sobre o pecado do ser humano, seu afastamento de Deus e sua incapacidade de encontrar salvação de per si. Deus, em Cristo Jesus, tomou a iniciativa de alcançar o ser humano com Sua graça.

A) Ele é o único Salvador

O ser humano dispõe de algum conhecimento sobre Deus, isto se dá em face da revelação geral. Contudo, este conhecimento não lhe confere a capacidade de experimentar a salvação. Jesus Cristo é o único Salvador.

B) Ele é o Salvador do mundo

Por ser Ele, Jesus Cristo, o único Salvador, a Igreja precisa fazê-lo conhecido universalmente. Proclamar a Jesus Cristo como “o Salvador do mundo” é anunciar o amor de Deus a um mundo de pecadores. Amor tamanho, que fez o Senhor dar seu único Filho à morte na cruz.

4. A natureza da evangelização

No seu sermão de início, Billy Graham expressou, como esperança primeira em relação ao congresso, o desejo de que ele formulasse uma declaração bíblica sobre a evangelização. Ao final, Grahan, declarou-se satisfeito, porque entendeu que tal expectativa foi concretizada, tornando-se esta um fato de consenso em todo o encontro.

No quarto parágrafo, o Pacto inicia com uma definição e prossegue descrevendo o contexto da evangelização; a saber, o que deve vir antes e depois dela.

A) Definindo evangelização

A palavra “evangelização” deriva de um termo grego que representa, em seu sentido literal, “trazer ou difundir boas novas”. Sendo assim, ao falar sobre evangelização, é preciso haver em mente o conteúdo da evangelização, a pessoa de Cristo Jesus.

B) Prelúdio à evangelização

A verdadeira evangelização nunca ocorre num vácuo. Ela pressupõe um contexto do qual não se pode isolar. Certa situação necessariamente a precede. Ao referir-se a tão imprescindível pressuposto, o Pacto deliberadamente usa as palavras “presença”, “proclamação”, “persuasão” e “diálogo”.

O prelúdio da proclamação é a presença. Como partilhar o Evangelho de Jesus Cristo com pessoas com as quais não mantemos nenhum contato? A presença cristã no mundo não substitui a proclamação, a persuasão ou o diálogo, antes, vem a ser o preâmbulo de todos estes elementos.

C) Os resultados da evangelização

A evangelização traz como resultado a obediência a Cristo, o ingresso em sua Igreja (pertencer a Cristo é pertencer ao povo de Cristo, At 2.40, 47) e um serviço responsável no mundo.

5. A responsabilidade social cristã

Indubitavelmente este foi o tema mais controverso de todo o Pacto, que, inclusive, precisou ser discutido, com mais vagar, em Grand Rapids, 1982. Se, por um lado, o enfoque cristocêntrico demonstrou o conservadorismo da convenção, de outro modo, quanto ao aspecto social, testemunhou-se em Lausanne uma visão, no mínimo, progressista. Por agora, não há a pretensão de desenvolver o prisma do qual partiu o Congresso quanto à questão social, fá-lo-ei adiante e de forma mais acurada.

6. A Igreja e a evangelização

Neste parágrafo, acentua-se limpidamente que a Igreja foi enviada ao mundo da mesma forma que o Senhor Jesus o foi e isso requer uma penetração profunda e sacrificial na sociedade não-cristã.

A) Deixando os guetos eclesiásticos

A Igreja foi chamada para deixar os seus guetos. Fomos convocados a abandonar as quatro paredes de um templo c, ao nos dirigirmos ao mundo, impactá-lo com a verdade do Evangelho.

B) Prioridade evangelística

Na missão de serviço sacrificial da Igreja, a evangelização é primordial. Partindo da premissa do sexto parágrafo, o referido serviço é inarredável, todavia, a evangelização é algo prioritário.

7. A cooperação na evangelização

No primeiro parágrafo do ajuste há uma referencia ao propósito de Deus para a Igreja, mas esse propósito encontra-se melhor trabalhado em dois parágrafos que podem ser estudados conjuntamente. Eles aludem à missão da Igreja e às suas integridade e unidade.

A) Unidade diante da verdade

O que reveste o testemunho de autoridade é a unidade, o divisionismo simplesmente depõe contra nós.

B) Unidade mais ampla

A unidade que o sétimo parágrafo enfatiza passa necessariamente pela uniformidade na verdade, na adoração, na santidade, na missão e na cooperação, em que o compartilhar recursos e experiências faça-se presente.

8. Esforço conjugado de Igrejas na evangelização

O oitavo parágrafo lembra o papel da Igreja, todo o corpo de Cristo, como comunidade missionária que envia missionários para as mais diversas, longínquas partes do mundo.

A) Todo o corpo de Cristo, um povo missionário

Esta alínea enfatiza que, no passado, a função dominante das missões do Ocidente era muito clara, mas hoje, esta função tem desaparecido rapidamente. Sendo assim, novas frentes missionárias devem ser levantadas, nesse sentido, todo o corpo de Cristo deve sentir-se responsável pela evangelização, tanto na sua própria área, na sua própria realidade, como a partir do envio de missionários a localidades mundiais diversas.

9. Urgência da tarefa evangelística

Tanto o parágrafo oitavo, quanto o nono tratam do mesmo tema: evangelização. Ambos podem ser lidos e entendidos de forma conjugada, pois este é o âmago do Pacto de Lausanne.

A) Urgência diante dos esquecidos

Lausanne lembra que mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, dois terços da humanidade, ainda precisam ser alcançados com o Evangelho de Jesus. Muita gente tem sido esquecida. A Igreja precisa ser sensível, percebendo que, nos últimos dias, tem existido uma significativa receptividade à mensagem do Evangelho, sendo assim, ela não pode desprezar tão considerável oportunidade.

B) Instituições Para-Eclesiásticas

Não obstante o pacto, em seu sexto parágrafo, destacar que o “meio designado por Deus para difundir o Evangelho” seja a Igreja, reconhece-se a validade das instituições para-eclesiásticas, as quais, na missão, devem tornar-se parceiras da Igreja.

C) Missionários estrangeiros

O parágrafo nono sugere que o número de missionários estrangeiros, bem como o dinheiro enviado para um país evangelizado sofra significativa diminuição, entendendo que o redutor pode facilitar o crescimento da igreja nacional e assegurar a autonomia desta.

D) Os milhões empobrecidos

A pobreza de milhões deveria chocar a Igreja. Infelizmente, o que se tem visto é um acostumar-se com a desgraça alheia, como se isto representasse apenas um reflexo do juízo divino. A Igreja precisa sentir-se indignada diante da miséria do outro, abrindo mão de sua opulência, optando por um estilo de vida simplificado e tornando-se mais generosa diante da necessidade do outro. Não se pode abrir morada para a alienação no seio da Igreja de Jesus.

10. Evangelização e cultura

O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. A Igreja precisa ser sábia para proclamar o Evangelho dentro de culturas distintas, respeitando-as, posto que, parte delas, é rica em beleza e em bondade.

A) Não existe uma cultura superior à outra

O Evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre outra.

11. Educação e liderança

O décimo e o décimo primeiro parágrafos lidam com dois temas relacionados entre si: educação e liderança. Ambos estão atrelados a Igrejas nascidas do labor missionário.

A) Crescimento com lucidez

Infelizmente a busca por resultados quantitativos tem caracterizado a Igreja. O crescimento numérico tem sido um grande anseio em detrimento do crescimento espiritual. Imprescindível haver um nítido equilíbrio. A igreja deve crescer numericamente sem prejuízos à educação e ao amadurecimento, demonstrando insofismável interesse pela edificação de cada crente.

B) Preparando a liderança

A Igreja necessita preparar uma liderança dentro de sua própria cultura. Os pastores e leigos devem ser treinados e preparados em doutrina, discipulado, evangelização, edificação e serviço. Esse treinamento deve ser desenvolvido a partir de iniciativas locais ativas e criativas e sob o esteio do padrão bíblico.

12. Conflito espiritual

A realidade espiritual hodiernamente vivenciada vislumbra maior ênfase na décima segunda disposição. O conflito com principados e potestades do mal que almejam destruir a Igreja e impedir a sua tarefa de evangelização mundial é uma realidade. Ainda, observa-se que esta mesma alínea exalta a influência do mundo sobre a Igreja. A “mundanidade” no cerne da Igreja deve ser vista com preocupação, pois a mesma pode afetar a sua mensagem e os métodos de evangelização. Sob o eco de João 17.14-16, a Igreja é advertida a estar no mundo, porém o mundo não necessita estar na Igreja.

13. Liberdade e perseguição

A Igreja deve desfrutar da liberdade expressa na Declaração dos Direitos Humanos, enfoca o décimo terceiro parágrafo. Neste ponto, existe um desafio para que a Igreja denuncie as injustiças que têm solapado muitos países e, por conseguinte, atingido a Igreja. Existe uma ostentação sobre a fidelidade, a qualquer custo, lembrando-nos de que servir a Jesus fielmente pode trazer perseguição.

14. O poder do Espírito Santo

A décima quarta disposição realiza uma afirmação categórica: “cremos no poder do Espírito Santo”. Este parágrafo estimula a Igreja e desperta-a para viver e caminhar na dependência c no poder do Espírito Santo.

15. O retorno de Cristo

O décimo quinto parágrafo está revestido de esperança. O retorno de Jesus será o ápice daquilo que a Igreja anseia.19

Para melhor discorrer sobre o tema e o significado do mesmo para a Igreja de Jesus, transcreve-se abaixo o quinto parágrafo do Pacto de Lausanne:

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar Seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de havermos, algumas vezes, considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar, mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.20

16. O caráter de Deus

A primeira parte da disposição acima transcrita focaliza o Ser de Deus, Ele é o Criador e Juiz de todos os homens. Como afirmou Stott, “é significativo que uma disposição inteiramente relacionada com a ‘responsabilidade social cristã’ tenha origem com uma afirmação acerca de Deus. Isto está certo, pois a nossa teologia deve sempre governar a nossa conduta”.21

Quando a assertiva acima inicia falando sobre Deus, está querendo dizer que o pilar de sustentação de nossas ações está no caráter do próprio Deus. Sendo assim, nada melhor do que olhar para o Deus missionário, o Deus que toma a iniciativa de resgatar a humanidade, o Deus que envia o próprio filho, filho que não apenas vem como Salvador, incumbido de transferir o ser humano da terra para o céu, mas, inclusive, disposto a tratá-lo com dignidade, carinho e atenção. A nossa motivação para agir em favor do próximo deve ser a ação divina em favor da humanidade.

17. O ser humano

Se na primeira parte da assertiva a exaltação recai sobre o caráter divino, na segunda, destaca o ser humano. A motivação da igreja na ação social passa inevitavelmente pela percepção de que Deus criou o ser humano à sua imagem. Esta percepção deve levar a Igreja ao arrependimento pelos tempos em que se omitiu e acomodou, deixando de agir de modo que gerasse transformação e libertação da humanidade em face de qualquer tipo de opressão.

O pacto, com muita felicidade, instiga os cristãos a partilhar do interesse divino pela justificação e reconciliação de toda a sociedade humana, pois o ser imagem de Deus e o ser por Ele criado, torna o homem indistintamente especial, de cujo valor a Igreja não se pode deslustrar, independentemente de raça, cor, religião, cultura, classe social, sexo ou idade.

18. Evangelização e ação social

Pretendendo evitar maiores delongas, neste momento, sobre a relação evangelização-responsabilidade social o que farei posteriormente. Porém, desde já, saliento o que o Pacto afirma sobre este aspecto.

Lausanne estabelece que a Igreja foi chamada, tanto para a evangelização, quanto para a ação social, entendendo que são elementos distintos e que devem integrar o dever cristão, pois ambos relacionam-se com o Ser de Deus e com o caráter c a necessidade do ser humano. Evangelização e ação social não são excludentes, ao contrário, devem ser parceiras na missão.

19. Uma voz profética

O parágrafo que ora se destaca também dá ênfase ao papel profético da Igreja. A mensagem de salvação é mensagem de juízo sobre toda alienação, opressão e discriminação, desta forma, ela também deve denunciar o mal e a injustiça onde quer que estes se façam presentes.

20. Salvação deve ser sinônimo de transformação

A alínea conclui com um desafio ao compromisso cristão pessoal. Ser cidadão do reino evidencia, na prática, aquilo que aconteceu na vida por causa da presença de Jesus. E esta presença deve revolucionar a vida do cristão. Ser cristão, significa ter passado por uma metamorfose, conceitos e posturas são revistos e transformados.

De alguma maneira, o que foi dito até aqui permite dispor de um vislumbre do que Lausanne afirmou sobre a responsabilidade social da Igreja. Mas, se a afirmação de Lausanne foi um progresso, tal atitude não foi vista com tanta tranqüilidade. O Pacto coloca, lado a lado, a evangelização e a responsabilidade social, mas não define a relação existente entre as duas. A responsabilidade social da igreja suscitou discussões quanto à preeminência. Afinal, quem virá primeiro: a evangelização ou a responsabilidade social?

As discussões e a desconfiança sobre a questão social em preterição da evangelização foram instrumentos que, em 1 982, em Grand Rapids, motivaram um grupo a debater e definir mais claramente qual a relação entre evangelização e responsabilidade social. Com maior exatidão, o tema será desenvolvido a posteriori.

 

Capítulo 2

A responsabilidade social cristã no Pacto de Lausanne

1. A relação entre responsabilidade social e evangelização

Na primeira parte deste trabalho, foi apresentada a proposta de responsabilidade social do Pacto de Lausanne. Posteriormente, revelou-se a dificuldade em reconhecer-se a relação entre evangelizaçao e responsabilidade social, o que inevitavelmente gerou um certo conflito no Congresso Suíço. Indaga-se, porém qual dos dois seria mais importante. Será que evangelizaçao exclui a ação social da Igreja? Ou será que a ação social é que exclui a ação evangelizadora?

Cada época tem conhecido controvérsias e debates no campo da teologia, alguns de difícil aplicação para o cotidiano, como o clássico debate sobre o “sexo dos anjos” na Igreja Bizantina, outros de caráter mais relevante como “para que serve a Igreja?”, ou seja, qual a natureza de sua missão? Uma influência platônica tem estado presente ao longo da História do Cristianismo, separando corpo e alma, matéria e metafísica. Em nossos tempos essa influência tem sua face visível naqueles cristãos apenas preocupados com a “alma’1, a “vida espiritual” (contrastada com a vida material), o “outro mundo”, a vida após a morte, de tendência ascética, separatista e alienada. Para essas pessoas, a missão da Igreja é resgatar indivíduos isolados, garantindo-lhes a vida abençoada após a morte, enquanto aqui deve se separar do mundo, cultivar uma religiosidade intimista, lutando contra a “carne”, manifestada em usos e costumes. O mundo não tem futuro, nada nos resta fazer por ele, e não nos devemos meter em questões políticas, sociais e econômicas. A vida do homem deve se resumir a ir para o trabalho, para a igreja e para sua casa… e que tudo o mais vá para o inferno…22

Por ora, discorre-se detalhadamente sobre a controvérsia acima referida, a qual indubitavelmente despertou os mais significativos entraves para os participantes de Lausanne. As respostas às questões acima verificam o que de fato afirmou o mencionado congresso, levantando-se um apanhado de posições que encontram uma enorme dificuldade em relacionar a evangelização com a responsabilidade social.

O assunto em questão leva inevitavelmente a definições, mesmo sabendo que a conceituação importa enclausurar os termos “Evangelização” e “Responsabilidade Social”. Paralelamente, analisa-se o que o Pacto de Lausanne afirmou sobre a questão, bem como o que a Consulta de Grand Rapids, concluiu sobre o assunto, buscando entender como os dois elementos relacionam-se.

Falar sobre responsabilidade social encontra, ainda hoje, certa resistência de alguns, porque existe considerável receio de que a ação social engendre algum tipo de alienação evangelística. Peter Wagner afirma que vários grupos de trabalho foram nomeados pelas sete maiores denominações nos Estados Unidos da América, onde a maioria dos membros é branca (a Igreja Metodista Unida, a Igreja Evangélica Luterana, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Luterana — Sínodo de Missouri — a Igreja Episcopal, a Igreja de Cristo Unida e as Igrejas Batistas), para verificar a razão do decréscimo ocorrido em sua membresia no período entre 1946 a 1996, quando perderam dois terços de seus membros. Os relatórios concluíram que a forte preocupação com o social, em detrimento da obediência ao mandamento evangelístico, tem sido uma das principais causas do declínio das igrejas.23

A impressão é de que a resistência de certa ala da Igreja à questão social está diretamente relacionada com a influência do evangelho social, sendo este um tema defendido pelos liberais e que suscitou, da parcela conservadora da Igreja, o que ficou conhecido como os fundamentos, os quais eram artigos escritos por conservadores americanos de todas as denominações históricas que se coligaram para defender a fé cristã da intrusão do liberalismo nos seus seminários e igrejas. Os fundamentos deram origem ao termo Fundamentalismo, conforme o conhecemos, embora, hodiernamente, haja se tornado um conceito pejorativo.

Por um lado, se os fundamentalistas, como ficaram conhecidos aqueles que produziram e acolheram esse documento, resgataram a importância das Escrituras (inspiração, infalibilidade e inerrância), a divindade de Cristo, o nascimento virginal de Cristo e os milagres, o sacrifício propiciarório de Cristo e sua ressurreição literal e física e seu retorno, por outro lado, radicalizaram, chegando mesmo a atingir extremos tão perigosos quanto o liberalismo de que tentavam defender-se. Numa tentativa de rechaçar a teologia liberal com todos os seus “perigos” resolveram também repelir o que de melhor havia nos teólogos liberais, especialmente quanto à sua visão holística do ser humano e sobre a responsabilidade social da Igreja.

Ás vezes a diferença entre estes pontos de vista se evidencia não apenas em tensão, mas até numa polarização estéril, geralmente ao longo das linhas divisórias entre evangelicais e liberais, cada um deles manifestando uma reação exagerada em relação à posição do outro. Os primeiros tendem a concentrar-se exclusivamente na evangelização, negligenciando a necessidade social, seja ela comida para os famintos ou libertação e justiça para os oprimidos. Os últimos vão para o extremo oposto, tendendo a negligenciar a evangelização ou tentando reinterpretá-la em termos de ação sócio-polítíca, tais como a humanização de comunidades ou a libertação dos oprimidos. Assim o estereótipo evangelical tem sido espiritualizar o evangelho, negando suas implicações sociais, enquanto que o estereótipo ecumênico tem sido politizado, negando sua oferta de salvação para os pecadores. Esta polarização tem sido um desastre.24

Definindo Evangelização

Poder-se-ia esperar que a Igreja de Jesus estivesse habilitada a definir facilmente o significado de evangelização, tendo em vista a primazia que ela sempre destinou ao tema. Curiosamente é possível perceber que existem maneiras distintas de fazê-lo.

J. I. Packer, em seu livro, “Evangelização e Soberania de Deus”, esclarece a definição de evangelização apresentada pela Comissão de Arcebispos da Igreja Anglicana, em seu relatório sobre a obra evangelística da Igreja em 1918, nos seguintes termos: “Evangelizar é apresentar Cristo Jesus de tal modo que, no poder do Espírito Santo, os homens venham a depositar sua confiança em Deus através d’Ele, aceitando-O como seu Salvador e servindo-O como seu. Rei na comunhão de Sua Igreja”.25

Por sua vez, Wadislau Martins Gomes afirma que “mais que pregar, evangelizar é fazer discípulos, isto é, fazer seguidores de Jesus”.26

O que causa maior surpresa nas definições acima apresentadas é perceber que evangelização acaba confundindo-se com resultado. Sem resultados, conversão, discípulos, servos, não houve evangelização. Os dois conceitos esquecem-se de que o papel da Igreja é evangelizar, é proclamar as boas novas do reino de Deus, no entanto, o resultado não depende dela, mas da ação soberana de Deus. O Espírito Santo é aquele que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo.

Em Caruaru, cidade do Estado de Pernambuco, foi possível verificar-se que a busca por resultados levou as igrejas a se envolverem com o ministério de casais, na esperança de que, ao atingir um casal em crise, abrir-se-iam portas bem maiores, posto que os filhos, pais, sogros, parentes mais próximos que, de alguma forma vivenciaram o problema familiar, igualmente seriam alcançados. Quando o Encontro de casais com Cristo (E.C.C.) foi apresentado às igrejas evangélicas da cidade, estas se sentiram motivadas a investir no projeto. A reboque, implementaram encontros de jovens e de amigos, tentando, neste último caso, tratar de pessoas solitárias, solteiras, viúvas e divorciadas.

Os encontros de casais levaram inúmeras pessoas para dentro das Igrejas. Infelizmente, porém, as pessoas que eram convidadas a participar dos encontros não estavam concomitantemente repensando seus lares, mas sutilmente estavam sendo apenas evangelizadas. Tal afirmação refere-se à idéia defendida por alguns de que os fins justificariam os meios. Os resultados surgiram com velocidade vertiginosa. Em muito pouco tempo, as igrejas que introduziram os encontros puderam alegrar-se com os resultados, com os frutos. Mas, sem que percebessem, algo de errado estava acontecendo. Houve uma espécie de “constantinização” no seio da igreja caruaruense. As pessoas que foram chegando não estavam preparadas para o novo, até porque o ambiente dos encontros era bem diferente daquilo que as igrejas ofereciam em seus cultos, o que gerou um desconforto natural. Muitos dos que se aproximaram das igrejas e tornaram-se membros não foram preparados, discipulados, sequer acompanhados, mas passaram a integrar as respectivas comunidades que promoviam os encontros como fruto dessa busca desesperada por resultados por parte da liderança, gerando enorme mal estar e em seguida divisão nas igrejas.

Os encontros logo se depararam com opositores que entenderam que a postura das igrejas, diante do novo método evangelístico, limitava-se à busca de resultados imediatos, sem interesse pela transformação de vidas. A crise familiar era a ponte usada para a evangelização. A experiência em Caruaru reflete um pouco dos desvios que podem surgir na busca por resultados.

Carlos Caldas Filho apresenta ao menos quatro críticas, que julga as principais desse método que busca resultados a qualquer preço.

1 – A preocupação excessiva com quantidade, em detrimento da qualidade;

2 – Espiritualização da tarefa missionária da igreja em detrimento de outros aspectos importantes, como a luta pela justiça e o atendimento das necessidades humanas concretas;

3 – Uma “jejuitização” da metodologia missionária, no sentido de que “os fins justificam os meios”;

4 – Escassa (ou nenhuma) base bíblica para justificar a metodologia empregada.”

Não se pode ser injusto com os encontros de casais, de jovens e de amigos. Em alguns casos, houve transformação social. Maridos que eram alcoólatras experimentaram conversão e consequentemente tornaram-se melhores pais, maridos e profissionais. Houve também no seio das igrejas uma maior conscientização da sua tarefa evangelística. As comunidades evangélicas saíram do seu “gueto” e começaram a perceber a crise de outros e não somente as crises da família da fé.

Evangelização é a proclamação das boas novas da salvação em Jesus Cristo, visando a levar a efeito a reconciliação entre o pecador e Deus Pai, mediante o poder regenerador do Espírito Santo. Evangelização é parte essencial da missão da Igreja. Originalmente o termo evangelizomai, significa trazer ou anunciar o evangelion, as boas novas. O Congresso sobre Evangelização realizado na cidade de Berlim em 1966 descreve, de maneira prática e precisa, o que vem a ser evangelização:

Evangelização é a proclamação do Evangelho do Cristo crucificado e ressurreto, o único redentor do homem, de acordo com as Escrituras, com o propósito de persuadir pecadores condenados e perdidos a pôr sua confiança em Deus, recebendo e aceitando a Cristo como Senhor em todos os aspectos da vida e na comunhão de sua igreja, aguardando o dia de Sua volta gloriosa.2S

Existe uma lenda sobre a volta de Jesus à glória, após o seu tempo na terra que reflete a responsabilidade evangelística da Igreja. No céu, Ele continuava com as marcas de sua peregrinação na terra e, inclusive, as marcas da cruz e sua vergonha, Exatamente no céu tem lugar um diálogo entre o anjo Gabriel e Jesus.

— “Mestre, tu deves ter sofrido muito por causa dos homens na terra, disse Gabriel”.

— “Sim, de fato”, respondeu Jesus.

— “Jesus, eles sabem tudo sobre o teu amor e sobre o que fizeste por eles?”

— “Ó, não”, disse Jesus, “Ainda não. Neste momento apenas um punhado de gente na Palestina sabe”. Diante da resposta de Jesus, Gabriel ficou admirado e perguntou:

— “O que fizeste para que teu amor fosse conhecido?”

— “Pedi a Pedro, Tiago, João e alguns amigos para contarem sobre mim a outras pessoas. Quem me conhecer, por sua vez, contará a outras pessoas, que contarão a outras, até que toda a humanidade saiba do meu amor”.

Gabriel, conhecendo a natureza humana, perguntou com certo ceticismo:

“E se aqueles a quem de tal tarefa foi incumbida se esquecerem de proclamar a verdade? E se no século XX as pessoas não contarem umas às outras acerca do teu amor? Não existe um plano de emergência?”

— “Não. Estou contando com eles”, respondeu Jesus.”29

A evangelização continua sendo a tarefa prioritária da Igreja de Jesus e Ele continua contando com o Seu povo para proclamar as boas novas do reino. As seguintes definições foram adotadas pelo Comitê de Lausanne para a Evangelização Mundial:

Natureza: A natureza da evangelização é a comunicação das boas-novas.

Propósito: O propósito da evangelização é dar a indivíduos e grupos uma oportunidade válida de aceitar a Jesus Cristo.

Alvo: O alvo mensurável da evangelização é persuadir homens e mulheres a aceitar Jesus Cristo como Senhor e Salvador e servi-lo na comunhão de sua Igreja.30

O Pacto de Lausanne conceituou evangelização nos seguintes termos:

Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito Santo a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, a tomarem a sua cruz e a identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.31

Em sentido mais amplo, evangelização pode ser vista como a obra integral da Igreja para proclamar o Reino de Deus (Marcos 1.15). Ela compreende três amplas categorias:

Evangelismo - proclamação do evangelho aos ainda não alcançados dentro de nossa própria sociedade ou cultura;

Atividade missionária - uma proclamação que interage com a cultura do público-alvo;

Atividade pastoral – ato de prover e aprofundar o evangelho entre aqueles que já o aceitaram.32

É, no mínimo, interessante perceber que a Igreja tem discutido um tema, ao qual se lhe atribui ênfase e certa primazia e, ao mesmo tempo, notar que a evangelização como ação proclamatória limita-se aos púlpitos e ao nosso gueto. O “indo” de Jesus na grande comissão parece não estar recebendo a importância que nosso discurso delega a ele. Quiçá algum dia a Igreja brasileira seja mais coerente com suas proposições. Se a evangelização deve ter primazia, que esta atinja a nossa práxis e afete a nossa criatividade, para que a ação proclamatória aconteça onde a Igreja está e não apenas onde o templo está. Para que isto aconteça, é preciso fazer uma releitura da grande comissão, a fim de que o nosso agir seja transformado. Restamos corroborar com Orlando Costas que, ao definir evangelização, diz:

Evangelizar é participar de uma ação transformadora, isto é, as boas-novas da salvação. Neste sentido, a evangelização não é um conceito, mas sim uma tarefa dinâmica, encarnada na vida e ação salvifica de Jesus Cristo. Portanto, ela não pode ser reduzida a uma fórmula verbal. Evangelizar pelo poder do Espírito Santo a salvação que foi revelada em Jesus Cristo.”

Definindo responsabilidade social

Este tema reveste-se de profundo significado, ao ser confrontado com as afirmações bíblicas e ao voltar-se os olhos para a história da cristandade e ainda, ao constatar-se a crise social, cujas estruturas encontram-se marcadas e maculadas pelo pecado e pela injustiça.

Referir-se à responsabilidade social não significa apenas destacar a filantropia, área muito bem visitada pela Igreja. A Igreja consegue, com cestas básicas, serviço médico ambulatorial, dentistas, tratar de questões que tocam à carência imediata do povo. Numa tragédia é possível ver a Igreja sendo solícita. Na região da mata pernambucana, depois de uma grande tragédia provocada pelas chuvas, foi possível ver a Igreja Evangélica mobilizar-se e engajar-se no socorro às vitimas. Toda essa ação, por mais saliente e importante, continua apenas no campo da filantropia, não alcança as estruturas mais profundas que visem a uma grande transformação. Ao falar sobre responsabilidade social precisamos ir mais adiante. Insofismável abarcar os atos de misericórdias e os atos de justiça.

A fim de explicitar o pensamento deste subscritor sobre responsabilidade social passo a delinear a definição de Hélcio da Silva Lessa que dividiu o tema em três categorias: Assistência Social, Serviço Social e Ação Social. Para facilitar sua definição, Lessa tenta contextualizá-la com uma história:

Nos idos do escravagismo, alguns cristãos, sensibilizados com os escravos castigados e violentados no pelourinho, resolviam ajudá-los com água, pão ou tratamento de suas feridas. Aquela atitude nobre, que não se relacionava com as causas da escravatura e mantinha o escravo na mesma situação, exemplifica o que se pode chamar de Assistência Social.

Na assistência social existe compaixão e manifestações práticas dessa compaixão. Existe coragem para, mesmo numa ínfima proporção, confrontar o erro, mas não existe transformação histórica, o escravo continuará sendo escravo e permanecerá sofrendo no pelourinho, esperando que uma alma caridosa venha cuidar de suas necessidades mais urgentes.

Outros cristãos, com uma visão mais aberta, mais ampla, vão além da assistência. De alguma forma, buscam assegurar a liberdade do escravo, através de levantamento de recursos para que ele seja comprado e libertado. Buscar-se-ão mecanismos para que o liberto encontre um trabalho e possa sobreviver nessa nova condição. Esse tipo de atitude, por mais louvável que seja, pode ser chamado de serviço social.

O problema neste tipo de ação, conquanto o senso de misericórdia tenha ultrapassado em muito a assistência social, pois neste caso se conseguiu a liberdade e um meio de subsistência do livre, é que de fato não operou aqui uma transformação histórica. Resolveu-se o problema de um escravo, mas a escravidão continuará a passos rápidos atingindo a outros e estes continuarão a ser espancados, levados ao pelourinho e muitas vezes violentados até à morte.

Alguns cristãos lançar-se-ão na luta contra a escravatura, para que se elimine definitivamente a opressão sobre o ser humano. Ação esta verdadeiramente eficaz, pois as estruturas serão alcançadas, a instituição escravagista será afetada significativamente. Agora sim, a possibilidade de uma transformação histórica se avizinha. Tal atitude pode ser chamada de ação social.34

O Comitê de Lausanne convocou uma consulta para discutir o tema da relação entre responsabilidade social e evangelização. A consulta julgou mais fácil dividir a responsabilidade social cristã em duas categorias, as quais, para fins de simplificação, podem ser chamadas de “serviço social” e “ação social” e foram distinguidas da seguinte maneira:

SERVIÇO SOCIAL AÇÃO SOCIAL
Socorrer o ser humano em suas necessidades Eliminar as causas das necessidades
Atividades filantrópicas Atividades Políticas e econômicas
Procurar ministrar a indivíduos e Famílias Procurar transformar as estruturas da sociedade
Obras de caridade Busca da Justiça 35

 

Pesa sobre a Igreja a responsabilidade de lutar contra essas estruturas de pecado que continuam oprimindo o ser humano. Não é possível ser Igreja e, ao mesmo tempo, alienar-se. A Igreja é o povo de Deus alerta às injustiças e que não se cala diante delas, ao contrário, esforça-se para que se faça justiça, para que o ser humano seja tratado com dignidade e experimente qualidade de vida já, aqui na terra, pois no céu, sem dúvida alguma, haverá plenitude de vida.

2. A relação entre a evangelização e responsabilidade social

Não é tarefa fácil estabelecer termos, mas tarefa mais complexa é relacionar os já definidos, isto porque, nem sempre é fácil harmonizar palavras e ações; pregação e prática; denúncia e ação transformadora. Além desta dificuldade, é sabido que na caminhada da Igreja, principalmente a partir do final do século XIX e início do século XX, em função do temor da influência do liberalismo, tentou-se separar Evangelização de Responsabilidade Social, entendendo-se com isso que a Igreja seria poupada de todo e qualquer desvio de sua responsabilidade precípua que é a evangelização.

Talvez a única tarefa mais urgente de missões hoje seja relacionar evangelização e ação social. Os cristãos do movimento ecumênico tendem a desconsiderar ou então redefinir a evangelização de tal maneira que a necessidade de um relacionamento novo, pessoal com Deus por meio de Cristo fica diminuída. Outros se inclinam a manter as duas tarefas totalmente separadas, considerando que apenas a evangelização tem valor eterno.

Os cristãos de muitas nações são missionários no mundo hoje – cruzando fronteiras culturais com o amor de Deus. A obra missionária é agora mais extensa e mais internacional do que nunca. Essa obra não está isenta do fracasso de solucionar as questões atualmente debatidas. Mas sem dúvida os missionários cristãos serão mais bem equipados para a tarefa do seu Senhor e Mestre quando se chegar a um equilíbrio adequado entre os diversos aspectos de missões. Em particular:

1 – O evangelho deve ser proclamado tanto em palavras como em ação;

2 – Precisamos tanto identificar-nos com os não-cristãos em suas necessidades, quanto lhes contar as “boas novas” cristãs;

3 – A igreja não está envolvida apenas com a própria expansão, também é o agente da missão de Deus.36

Diante das conclusões do Pacto de Lausanne, que não conseguiu relacionar os dois temas, ação evangelizadora e ação social, conquanto, para ser fiel ao Pacto, em seu sexto parágrafo, faça menção da relação entre os dois temas, afirmando que “o serviço de evangelização abnegada figura como a tarefa mais urgente da igreja” 37. Mesmo assim, James Scherer lembra que algumas questões padeceram de respostas, face às várias alternativas ou opções que interligaram os dois temas. Senão, vejamos:

4 – A de que a responsabilidade social é um afastamento, ou mesmo uma traição da evangelização;

5 - A de que responsabilidade social é evangelização;

6 – A de que a responsabilidade social é uma manifestação – ou uma conseqüência – ou uma parceira da evangelização etc;

7 – A de que responsabilidade social e evangelização são componentes distintos, mas iguais do ministério da Igreja.38

Adiante se encontram delineadas alternativas ou opções que tentam relacionar evangelização e responsabilidade social, conforme Scherer e Nascimento. Num primeiro momento, mais precisamente nos dois primeiros tópicos, são tratadas as reações negativas a tal relacionamento, fruto de uma visão radical daqueles que acreditam que a ação social é uma traição ao evangelismo. Posteriormente, nos tópicos seguintes, são apresentadas as opções que tentam relacionar positivamente os dois temas.

Ação social é um alheamento do evangelismo

Cristãos conservadores, que sustentam uma visão dispensasionalista, portanto destituída de esperança para o mundo, a qual se restringe ao céu, pois o mundo caminha rapidamente de mal a pior e ainda, que consideram a ação evangelizadora a única tarefa da Igreja, entendem que o envolvimento da Igreja com ações sociais é um ato de alheamento do evangelismo.

Ação social é uma traição ao evangelismo

Neste sentido, a reação contra a ação social certamente tem uma relação com o liberalismo defendido pelo evangelho social. Para poupar a Igreja de qualquer desvio da verdade, de qualquer associação com as heresias liberais, desprezou-se a ação social, crendo que tal envolvimento seria, na prática, uma traição ao chamado da Igreja para fazer discípulos.

Ação social como evangelismo

Para alguns, ação social e evangelismo andam juntos, um não existe sem o outro. Nascimento cita Emílio Castro em seu livro, “Liberation Development and Evangelism: Must we Choose in Mission” em que afirma que “o evangelismo existe somente onde há preocupação social, sem ela pode haver propaganda, proselitismo, mas dificilmente boa-nova” 39

Esta opção se torna perigosa, pois acredita que se não houve ação social não houve evangelização, no entanto é possível perceber que, na caminhada da Igreja e mesmo em textos bíblicos, como na parábola do Samaritano, houve ação social sem necessariamente haver evangelização como proclamação.

Ação social como um meio para o evangelismo

Dentre as várias opções sobre o relacionamento evangelização-ação social está aquela que acredita que a ação social pode ser um instrumento, um meio para a evangelização. Na Consulta de Grand Rapids, a ação social foi vista como ponte para a evangelização. Ela pode ser um mecanismo facilitador, derrubando preconceitos, desconfianças e abrindo portas para que a verdade do Evangelho fale ao coração do ser humano.

Como é sabido, as pessoas vêem os cristãos evangélicos como uma Igreja alheia à tragédia humana. Sendo assim, a ação abriria o ser humano para ouvir o que o Evangelho tem a dizer. A leitura da história das missões modernas apresentar-nos-á missionários que, v.g., investiram na saúde pública para facilitar a comunicação com aqueles que deveriam ser alcançados pelo evangelho.

Ação social como uma manifestação do evangelismo

Os defensores desta opção acreditam no envolvimento social como uma demonstração do evangelho. A ação social dá visibilidade à evangelização. Conforme Nascimento, “a analogia da fé e obra na epístola de Tiago é muitas vezes usada para explicar este ponto de vista”.40 Esta leitura utiliza-se do ministério de Jesus para mostrar que, com Ele, palavra e ação andavam de mãos dadas, como irmãs gêmeas.

Ação social como um resultado ou conseqüência do evangelismo

A Consulta de Grand Rapids afirma que a ação social é uma conseqüência da evangelização, ou seja, a evangelização é o meio pelo qual Deus produz nas pessoas um novo nascimento e este novo nascer manifesta-se no serviço prestado aos outros. A definição vai mais adiante e assevera que mais do que simples conseqüência da evangelização, a responsabilidade social é um dos seus principais objetivos. Nesse sentido, entende-se que a resposta natural de uma pessoa alcançada pelo evangelho será o seu envolvimento em ações sociais transformadoras. Parece tratar-se de postura bastante perigosa, visto que se verifica, (ao voltar os olhos para a Igreja, mesmo sabendo que aqueles que a ela pertencem foram alcançados pelo evangelho), a falta de uma ação social séria e radicalmente transformadora. Parece, ainda, que o grande perigo revela-se na perpetuação do status quo, fruto de uma alienação, posto que a Igreja, em sua trajetória, muitas vezes se preocupa com assuntos periféricos, como construção de templo, modernização do som, aquisições de veículo para a comunidade, de terreno para o acampamento da igreja – que não dispõe de tempo, nem de condições financeiras para se envolver com o problema social alheio.

Obviamente não se pretende ser pessimista ao realizar tal critica, posto que teoricamente parece que a teoria alberga congruência com a visão bíblica. Povo transformado deveria ser povo engajado, mas, na prática, percebe-se exatamente o contrário. A Igreja tem exercitado o “ensimesmamento” e toda a sua estrutura parece voltar-se para o benefício da própria comunidade, o que, de alguma maneira, a conduz à alienação quanto à tragédia do outro.

Ação social como parceira do evangelismo

Grand Rapids revelou também que a ação social foi vista igualmente como parceira do evangelismo e, no intuito de ilustrar essa parceria fez-se a seguinte comparação:

elas são como as duas lâminas de uma tesoura, ou como as duas asas de um pássaro.41

Essa parceria aplica-se tanto ao cristão, individualmente, como à igreja local. Obviamente, cada cristão recebe um dom e um chamado diferente que o habilita a concentrar-se em ministérios específicos, assim como os doze foram chamados para um ministério pastoral e os sete para um ministério social. É igualmente óbvio que diferentes cristãos encontram-se em diferentes situações de necessidade, e que cada uma requer uma resposta específica. Nós nãos estamos acusando o “bom samaritano”, por atar as feridas do viajante sem indagar sobre o seu estado espiritual, nem Filipe por compartilhar o evangelho sem inquirir as suas necessidades sociais. Estes foram, no entanto, chamados específicos e situações específicas. Falando em termos gerais, todos os seguidores de Jesus Cristo tem a responsabilidade de testemunhar e de servir, de acordo com as oportunidades que lhes forem dadas.42

 

Ação social e evangelismo como igualmente importantes

Esta, que se traduz na oitava idéia, trata da valorização eqüitativa entre ação social e evangelismo. Nascimento apresenta, como alguns dos expoentes desta concepção, Ronald Síder, Samuel Escobar e David Bosch. Se alguma palavra pode ser vista como adequada para caracterizar a missão da Igreja, de acordo com Bosch, ela é o conceito bíblico de martyria (testemunha), que pode ser subdividida em kerigma (proclamação), koinonia (comunhão), diakonia (serviço) e leitougia (liturgia). Na história da Igreja é possível perceber esta inter-relação que valoriza tanto a ação social, quanto a evangelização.

Ação social como parte da proclamação do evangelho

Sendo este o último expediente de análise, afirmou-se que a ação social é parte da proclamação do evangelho. Em outras palavras, os defensores desta postura, advogam que a ação social da Igreja é mais do que alimentar os famintos, curar os doentes e providenciar recursos para que a sua tragédia seja minimizada. Entende-se que ela exige uma ação social mais profunda que possa trazer justiça social. A tarefa da Igreja continua sendo a de proclamar o Evangelho, no entanto, isto, em hipótese alguma, poderá fazer com que a Igreja cale-se diante dos desmandos sociais.

Você deve lembrar que este é um fenômeno um tanto novo. Os velhos reavivamentos são mencionados com grande carinho pelos líderes evangélicos. Contudo, parece que se esqueceram do que foram esses reavivamentos. Sim, os velhos reavivamentos da Grã-Bretanha, Escandinávia, e assim por diante, conclamavam com grande clareza e sem dúvida alguma, a uma salvação pessoal. Mas conclamavam também a uma ação social resultante. Leia a história dos grandes reavivamentos. Cada um deles seguiu este mesmo padrão, e não há melhor exemplo do que os grandes avivamentos de John Wesley (1703-1791) e George Whitefield (1714-1770).

Os reavivamentos de Wesley e Whitefield foram tremendos no chamado para a salvação individual, e milhares de milhares foram salvos. Contudo, até mesmo os historiadores seculares reconhecem que os resultados sociais do avivamento wesleyano, salvaram a Inglaterra de sua própria versão da Revolução Francesa. Devemos mencionar os nomes de alguns dos nossos precursores cristãos, com um grito de orgulho e gratidão a Deus: Lorde Schaftesbury (1801-1855), que ousou defender a justiça para o pobre em meio à revolução industrial; William Wilberforce (1759-1833), que foi a maior força pessoal solitária a mudar a Inglaterra de um país escravocrata para um país que, muito antes dos Estados Unidos, abandonou a escravatura legalmente e de fato. Estes homens não realizaram estas coisas por acaso, mas porque viam tudo isso como parte das Boas Novas cristãs. Deus usou pessoas envolvidas nos avivamentos para produzir os resultados não só de salvação individual, mas também de social.”

Afinal, qual a relação entre responsabilidade social e evangelização? Esta pergunta permanece no ar e como lembra Stott:

Muitos temem que quanto mais nós, os evangelicais, nos comprometermos com um, tanto menos estaremos comprometidos com o outro, e que, caso nos comprometamos com ambos, um dos dois com certeza sairá prejudicado; e, especialmente, que uma preocupação com a responsabilidade social certamente acabará embotando nosso zelo evangelístico.44

Ao contrário do que muitos pensam, entendo que a tarefa da Igreja deve abarcar as duas ações, a evangelizadora e a social. Ora, se houver fidelidade ao Evangelho de Jesus, a Igreja não cometerá o equívoco de priorizar uma ação em detrimento da outra. No entanto, creio, ainda, que se deve usar o bom senso ao decidir qual será a atividade a encabeçar o contato da Igreja com dada comunidade. Conquanto devam andar juntas, a evangelização e a ação social podem existir independentemente.

A consulta reafirmou que a ação prioritária da Igreja é a evangelização, por duas razões elementares: primeiro, referida prioridade não é temporal, mas lógica, pois existem situações em que o ministério social precisará vir inicialmente. No entanto, em alguns países, o progresso social tem sido obstaculizado devido à predominância de uma cultura religiosa e somente a evangelização pode modificar este cenário; em segundo e último lugar, a evangelização relaciona-se com o destino eterno das pessoas. Raras serão as vezes em que a Igreja haverá de optar entre ação social ou evangelização, mas em acontecendo, ela precisa lembrar-se de que a necessidade suprema e máxima de todo ser humano é a graça salvadora do Senhor Jesus.45 id., p.22.

Concluindo este segundo capítulo, quero citar aquilo que Manfred Grellert afirmou com muita propriedade:

“A evangelização pode ter prioridade na missão integral da igreja, conforme a ênfase de Lausanne. Mas ela não será bem-sucedida sem o equilíbrio na missão integral da mesma. Uma comunhão patológica, uma edificação anêmica, um culto festivo e vazio e uma ação social ausente geralmente resultam numa elefantíase evangelística e numa inchação das igrejas.46

3. Perspectiva histórica sobre a responsabilidade social da igreja

Em trecho de determinado artigo, abaixo transcrito, observa-se que o autor fez severa crítica à falta de influencia da Igreja Evangélica Brasileira. Segundo este mesmo autor, a Igreja se diz grande, mas essa superdimensão não transforma o estado de miséria e desigualdade social presentes no país, Senão, vejamos:

Dizem que o total dos supostos evangélicos é de 30 milhões. Mas por que o padrão moral e a ética da sociedade degeneram-se a cada dia? Onde está a influência dos supostos evangélicos? Será que a miséria, a desigualdade social e os salários de fome não incomodam aqueles que deveriam não se conformar com este século, mas transformá-lo pela renovação da mente? A população não tem perspectiva de vida, as pessoas não têm mais rumo, onde estão os padrões éticos, morais e religiosos que são a base da sociedade? A Reforma Protestante abalou o mundo, os puritanos diziam que a ignorância é a maior aliada de satanás. A diferença entre os protestantes do passado e os supostos evangélicos de hoje é que: 1. Os do passado criam no verdadeiro evangelho que necessariamente gera o não-conformismo com o mundo, e o desejo de implantar os aspectos do Reino de Deus nesta sociedade: justiça, paz e alegria. 2. Eram reformados de verdade, temiam verdadeiramente a Deus. É por isso que as coisas estão desse jeito… dizem que crêem no mesmo Evangelho de nossos pais. Será?47

O texto acima comete o equívoco de não fazer uma análise histórica dos fatos que influenciaram a Igreja Evangélica no Brasil, tornando-a o que é hoje. Consubstancia-se fácil colocar a Igreja na berlinda e atirar-lhe pedras. Essa posição reveste-se de comodidade e simplismo, pois não detecta os fatores que a levaram a ser o que ela é. Se, por um lado, o artigo peca por desprezar a história, por outro, tem a virtude de enfatizar a necessidade de coerência entre discurso e prática.

Neste capítulo, revisita-se a história da Igreja, buscando entender porque uma Igreja como a evangélica brasileira, com tanto potencial e que continua a experimentar um crescimento tão expressivo, denominado por alguns de avivamento, não consegue exercer uma influência mais significativa e transformadora no contexto em que está inserida e ainda, porque contínua restringindo sua ação social à filantropia e, muitas vezes, limitando-a à igreja local. Relendo a história, será possível perceber o enorme desafio que pesa sobre a Igreja, isto porque, tanto na história da Igreja Cristã, como na história da Igreja Evangélica no Brasil é possível vislumbrar dados maravilhosos sobre o papel social da Igreja.

A Igreja Evangélica é filha da Reforma Protestante do século XVI, movimento que havia algo a dizer, não apenas sobre eclesiologia e espiritualidade, mas sobre questões políticas e sociais, mesmo assim, infelizmente, a Igreja Evangélica distanciou-se da práxis e do discurso reformado. Afastamento que parece encontrar influência em eventos históricos mais recentes, os quais levam a Igreja à alienação quanto aos aspectos sociais.

Elementos inibidores

Entende-se que um dos elementos inibidores da ação social da Igreja é a influência do Fundamentalismo sobre ela, mas antes de demonstrá-la, necessário se faz compreender o seu nascimento, o seu contexto histórico e o seu desvirtuamento. A melhor compreensão do tema, porém, requer o entendimento acerca da influência do liberalismo teológico.

A) O liberalismo teológico

O liberalismo teológico teve sua origem na Alemanha, onde convergiam várias correntes teológicas e filosóficas no século XIX. O pensamento alemão teve um impacto profundo sobre as teologias britânica e norte-americana, mas movimentos autóctones nos dois lugares, a tradição da igreja Ampla na Inglaterra e o Unitarismo nos Estados Unidos, moldaram de modo significativo o desenvolvimento do liberalismo ali.48

A melhor maneira de compreender a origem do Fundamentahsmo faz-se quando se entende que ele nasce tentando combater o crescimento do liberalismo teológico radical nas principais denominações históricas dos Estados Unidos ao final do século XIX e início do século XX.

Augustus Nicodemus Lopes apresenta as principais doutrinas do liberalismo:

1 – O caráter de Deus é de puro amor, sem padrões morais;

2 – Existe uma centelha divina em cada pessoa;

3 – Jesus Cristo é Salvador somente no sentido em que ele é o exemplo perfeito do homem;

4 – O Cristianismo só é diferente das demais religiões quantitativamente e não qualitativamente;

5 – A Bíblia não é o registro infalível e inspirado da revelação divina, mas o testamento escrito da religião que os judeus e os cristãos praticavam;

6 – A doutrina ou declarações proposicionais, como as que encontramos nos credos e confissões da Igreja, não são essenciais ou básicas para o Cristianismo, visto que o que molda e forma a religião é a experiência e não a revelação.49

Se a teologia liberal afetou alguns aspectos fundamentais da fé, não se pode esquecer que, de alguma maneira, os liberais dispunham de uma visão sobre o ser humano que o aproximava do prisma bíblico. Acredita-se que uma das virtudes daquele período foi estabelecer-se uma visão integral do ser humano. Os teólogos liberais entendiam que Deus estava interessado no ser humano e em seu sofrimento. O que nos gera inquietude é perceber que, se eles acertam na práxis, cometem um erro elementar ao desprezar aquelas verdades essenciais da fé cristã.

B) O evangelho social

No final do século XIX e início do século XX, os teólogos liberais desenvolveram o chamado ‘evangelho social’ que nada mais era do que uma tentativa de construir o reino de Deus na terra, por causa dessa tentativa o ‘evangelho social’ foi visto como uma perversão do verdadeiro evangelho.

O termo, ‘evangelho social’, com sua associação atual com o pensamento social protestante teologicamente liberal e modernamente reformista, veio a ser usado por volta de 1900, para descrever aquele esforço protestante no sentido de aplicar princípios bíblicos aos crescentes problemas urbano-industriais dos Estados Unidos emergindo durante as décadas entre a Guerra Civil e a Primeira Guerra Mundial.50

O mais popular porta-voz do chamado evangelho social foi Walter Rauschenbusch. Sua visão foi influenciada pela experiência pessoal ao deparar-se com opressiva pobreza, essa experiência determinou sua mensagem. John Stott cita duas afirmações de Rauschenbusch que certamente significou uma reação de rejeição, por parte da ala mais ortodoxa da Igreja evangélica a qualquer programa social. Ele contrastou:

1 — ‘O antigo evangelho da salvação de almas com’ ‘o novo evangelho do Reino de Deus.’ ‘Não se trata de levar indivíduos para o céu’, escreve, ‘mas transformar a vida aqui na terra na harmonia do céu’.

2 – ‘O propósito essencial do cristianismo’ é ‘transformar a sociedade humana em Reino de Deus através da regeneração de todos os relacionamentos humanos’ 51

Como a atitude de Rauschenbusch foi politizar o Reino de Deus, é compreensível e lamentável que a reação dos evangélicos tenha sido concentrar-se na evangelização e na filantropia pessoal, mantendo-se distantes da ação sócio-política.52

C) O fundamentalismo

O Fundamentalismo foi um movimento que surgiu nos Estados Unidos durante e imediatamente após a Primeira Guerra Mundial e tinha por escopo reafirmar o Cristianismo ortodoxo e defendê-lo contra os desafios e a influência da teologia liberal, da alta crítica alemã, do darwinismo e de outros pensamentos considerados danosos ao Cristianismo, mais precisamente no seio das principais denominações históricas dos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX.

Segundo Lopes, o termo “Fundamentalista’ foi usado por três razões:

1 – Os conservadores insistiam que o liberalismo atacava determinadas doutrinas bíblicas que eram fundamentais do Cristianismo, e que, ao negá-las, transformava o Cristianismo em outra religião, diferente do Cristianismo bíblico.

2 – A publicação cm 1910-1915 da série Os Fundamentos, 12 volumes de artigos, escritos por conservadores, onde defendiam os pontos fundamentais do Cristianismo e atacavam o modernismo, a teoria da evolução, etc. Foram publicadas 3 milhões de cópias e espalhadas pelos Estados Unidos. Há artigos de eruditos conservadores como J. G. Machen, John Murtay, B. B. Warfield, R. A. Torrey, Campbell Morgan e outros.

3 – Muito embora o conflito entre os liberais e fundamentalistas envolvesse muito mais do que somente os pontos abaixo, os mesmos foram considerados na época, pelos conservadores, como os pontos fundamentais da fé e do Cristianismo evangélicos e acabaram se tornando o slogan dos conservadores e a bandeira do movimento fundamentalista:

- A inspiração, infalibilidade e inerrância das Escrituras;

- A divindade de Cristo;

- O nascimento virginal de Cristo e os milagres;

- O sacrifício propiciatório de Cristo;

- Sua ressurreição literal e física e seu retorno. 53

Discorre-se no tópico seguinte sobre o desenvolvimento histórico e teológico do fundamentalismo na Igreja Cristã nos Estados Unidos e no Brasil, dividindo-o em quatros partes ou fases.

1ª FASE – Durante a década de 1920

A fase inicial englobou a articulação daquilo que era fundamental ao Cristianismo e ao início de uma batalha urgente almejando expulsar das fileiras das igrejas os inimigos do protestantismo ortodoxo. Nesse período, os avessos à ortodoxia foram nominados e dentre eles, encontram-se o romanismo, o socialismo., a filosofia moderna, o ateísmo, o mormonismo, e, acima de tudo, a teologia liberal fulcrada numa interpretação naturalista das doutrinas da fé.

Nessa época, publicou-se a série Os Fundamentos. O alvo era atacar o naturalismo, o liberalismo e todos os males a eles associados. A inerrância das Escrituras é reafirmada como sendo doutrina bíblica e fundamental. Ainda no mencionado período, gradativamente começou-se a adotar o dispensacionalismo como um dos pontos fundamentais da fé cristã, o que provocaria, na fase subseqüente, uma importante divisão no movimento.

2ª FASE – Fim da década de 1920 até o início dos anos 1940

Até cerca de 1926, o movimento fundamentalista percebe ter fracassado na tentativa de fazer uma limpeza no arraial protestante dos modernistas. A época foi gravada pelo divisionismo e o nascimento de novas igrejas, instituições e associações. Foram formadas novas denominações como a Associação Geral de Igrejas Batistas Regulares (1932), a Igreja Presbiteriana da América, ou PCA (1936), Associação Batista Conservadora da América (1947), as Igrejas Fundamentalistas Independentes da América (1930) entre outras.

Naquela fase, a lição teológica mais marcante era a de que os fundamentalistas representavam o Cristianismo verdadeiro, baseado numa interpretação literal das Escrituras, e essa verdade devia ser expressa concretamente, desvinculada dos liberais e dos modernistas. Chegou-se a estabelecer, nesse momento, uma prática carregada daquilo que eles acreditavam ser puro na moralidade pessoal e na cultura norte-americana. Torna-se marcante a indiferença aos problemas sociais e o termo fundamentalismo ganha uma conotação de ‘divisionismo’, intolerância’ e de ‘antiintelectualismo’.

3ª FASE – Fim da década de 1940 até à década de 1970

No período acima compreendido, o fundamentalismo continua a batalha contra o liberalismo, de fora das denominações e contra um novo inimigo, o neo-evangelicalismo. O movimento ganha repercussão internacional.

Em 1948 foi criado o Concilio Internacional de Igrejas Cristãs, formado por denominações, igrejas e indivíduos que se identificaram com a bandeira fundamentalista, em oposição ao Concilio Mundial de Igrejas, que possuía uma visão ecumênica e liberal. Os ataques fundamentalistas dirigiram-se aos neo-evangelicais ou evangelicais, uma ala dentro do fundamentalismo que deseja preservar os pontos fundamentais da fé, mas não havia interesse no divisionismo da primeira geração, por julga-lo um grande perigo ao verdadeiro Cristianismo, em virtude da sua abertura para outros cristãos e associação com os liberais.

4ª FASE – Fim da década de 1970 e a década de 1980

O fundamentalismo Norte Americano adentrou uma nova fase, principalmente a partir da campanha de Ronald Reagan à presidência dos Estados Unidos, o que o fez ganhar novo impulso, pois se dispôs a dar respostas para a crise social, econômica, moral e religiosa que se estabelecera no país. Percebeu-se, então, um resgate dos princípios que marcaram a década de 1920.

Lopes apresenta algumas características desta fase:

1 – Surgem novos ministérios de uma nova geração de fundamentalistas, utilizam-se da mídia, televisiva e impressa. Entre eles: Jerry Falwell, Tim LaHaye, Hal Lindsey, James Dohson, Pat Robertson.

2 – O alvo principal dos ataques fundamentalistas era o domínio do governo por humanistas e as conseqüências disto para a nação, em termos de libertinagem e relaxamento dos valores morais. O grande receio é de que o Cristianismo seja banido da América.

3 – Estes líderes e outros mantinham os mesmos pontos doutrinários e a mesma visão separatista da primeira geração de fundamentalistas, embora o inimigo fosse outro, nesse caso o humanismo.

4 – É formada a Maioria Moral (1979) sob a liderança de Jerry Falwell, para combater o liberalismo moral e social nos Estados Unidos,

5 – O fundamentalismo ganhou maior torça com o ato de que o movimento evangelical começou a dar mostras de que a política de boa vizinhança com liberais e católicos terminava em prejuízo para a fé bíblica. 6 – Por outro lado, os escândalos na década de 1980, envolvendo o casal Bakker, televangelístas fundamentalistas, causaram um grande revés no movimento dentro dos Estados Unidos.54

Sem dúvida alguma, o fundamentalismo, atualmente nos Estados Unidos continua sua caminhada. Seu crescimento e sua influência não se fazem mais por meios denominacionais, mas sim por intermédio da multiplicação de uma mentalidade fundamentalista nos aspectos teológicos e apologéticos.

Parece que se pode concluir que, sem resquícios duvidosos, o movimento fundamentalista teve seus aspectos positivos, como, por exemplo, a luta pela fidelidade às Escrituras, uma busca contínua pelo resgate do Cristianismo histórico. No entanto, é preciso lamentar o seu separatismo, seu preconceito, sua omissão quanto à responsabilidade social, fruto de uma visão escatológica dispensacionalista.

D) O celeste porvir ou o protestantismo peregrino

O período do protestantismo peregrino marcou o momento em que a Igreja perdeu o sentido sobre sua vocação, “no mundo sem ser do mundo”. Ela tinha tanto medo de contaminar-se e perder seu real significado, que preferiu olhar para o céu. Inevitavelmente constatou-se que a alienação fez-se presente, afinal, somos apenas peregrinos, gente que não tem residência aqui no mundo, mas tem um lar no céu, preparado desde a eternidade. Ela se tornou a Igreja que não pode pensar o transitório porque tem a eternidade diante de si. Antonio G. Mendonça afirma que:

Protestante comum vive no provisório. Sua ética de negação do mundo o conduz à constante expectação do porvir, do mundo ahistórico do além, muito melhor do que o presente. Se essa expectação o leva a cantar as glórias e os prazeres de sua futura e verdadeira pátria, leva-o, em contrapartida a recusar os valores do presente. O mundo presente é um tempo de peregrinação. Ele não tem morada. Ele não tem repouso e está rodeado de inimigos. Sente-se estrangeiro na terra, de modo que o seu viver é um penoso caminhar para a pátria celestial. Repete-se a velha alegoria puritana de João Bunyam. 55

Mendonça crê que o final do século XIX e, em boa parte, o início do século XX, foram marcados pelo sentimento de peregrinação, fato que, de algum modo, parece haver perdido sua característica por causa das mudanças sociais muito acentuadas, ocorridas no período da industrialização urbana.

Submetendo os hinários à análise, percebe-se inegavelmente que aquilo que reflete muito bem essa postura alienante, marca do protestantismo peregrino. Abaixo são alistados dois hinos que retratam esse período.

ASPIRAÇÃO DO CÉU

Vou à Pátria – eu peregrino -,

A viver eternamente com Jesus,

Que concedeu-me feliz destino

Quando ferido, por mim morreu na cruz.

Vou à Pátria – eu peregrino -

A viver eternamente com Jesus!

Vou à Pátria – eu peregrino -,

A viver eternamente com Jesus! 56

A MENSAGEM REAL

Sou forasteiro aqui, em terra estranha estou,

Celeste Pátria, sim, é para onde vou.

Embaixador por Deus, do Reino lá dos céus,

Venho em serviço do meu Rei!

É a mensagem que me deu

Provinda lá dos altos céus:

Que nos reconcilieis

Com o Senhor Rei meu!

Reconciliai-vos já com Deus! 57

F) Visão escatológica

Outro elemento que alimentou essa alienação social pela Igreja foi a sua visão escatológica pré-milenista. Embora não se pretenda fazer um estudo escatológico, delineia-se apenas uma breve análise desse ponto de vista para que se entenda a sua influência sobre a igreja brasileira.

Os pré-milenistas crêem que Jesus voltará antes dos mil anos (milênio) em que Cristo reinará sobre o mundo, o qual sobreviverá à destruição e ao julgamento que visitarão a terra na grande tribulação, eliminando-se assim, todas as mazelas e injustiças sociais. A idéia elimina a necessidade de preocupar-se com os problemas sociais de hoje, pois, quando Jesus voltar, todos serão resolvidos.

Eu sei que alguns vêem as tragédias mundiais com uma ponta de prazer, afinal isto é apenas o prenuncio de que a volta de Jesus para buscar sua Igreja é iminente. Nota-se que alguns crêem, sinceramente, que tentar reverter o quadro social do mundo é lutar contra o inexorável, pois entendem que a pobreza é algo a nos acompanhar em escala cada vez maior (Mt. 26.11), porque esta é a passada da humanidade em direção ao final dos tempos. O Senhor Jesus, falando proféticamente, ensina-nos que o mundo caminha de mal a pior — filhos estarão contra os pais, pais contra os filhos, irmãos contra irmãos, guerra e rumores de guerras, marcas comuns no final dos tempos (Mt. 224.6, Mc. 13.7). Eles perguntam: “Como transformar aquilo que é inevitável?”

“A adoção da teologia fundamentalista, que quase sempre também é pré-milenista, gera, na prática, alienação sócio-política, como se tem observado na maior parte da comunidade evangélica brasileira”. 58

G) Adoção de uma política direitista

Como se não bastasse uma teologia fundamentalista conservadora; que abriu mão de uma ação social relevante e chegou ao Brasil na bagagem dos missionários advindos da América do Norte, a visão política de tais missionários era direitista e anticomunista, sendo assim, tudo o que cheirasse a comunismo ou a esquerda deveria ser veementemente combatido pela Igreja como sendo algo que fatalmente afetaria a visão bíblica desta e não somente isto, ela correria o risco de ver sua liberdade religiosa cerceada.

Nesse pacote, a Teologia da Libertação tornou-se uma grande ameaça e uma revolução como a de 1964 e foi vista como manifestação da bênção de Deus contra os ameaçadores comunistas.

Depois de fazer uma visita à história buscando entender o que levou a Igreja a uma clara alienação quanto à questão social, segue-se a viagem pela história, verificando o testemunho histórico da missão integral, entendendo-o como um desafio à Igreja.

Capítulo 3

O testemunho histórico da Missão Integral

1. Ação social da igreja na Patrística

Os pais apostólicos foram influenciados, de maneira insuspeitável, pela pessoa de Jesus. O Senhor sempre teve uma atitude diferenciada diante do ser humano. Ele anunciava a chegada do Reino, que deveria produzir arrependimento, mas sem dúvida alguma, a influência do Reino deveria levar às boas obras que testificariam do Senhor.

Antonio José do Nascimento Filho cita “O Pastor de Hermas” como um homem de fé, que não se expressava apenas em palavras. Sua fé foi traduzida em gestos por meio de amor e da preocupação pelas pessoas necessitadas ao seu redor. A dedicação social e a prática foram o resultado inevitável de sua conversão espiritual. Clemente de Roma expõe esta íntima relação entre justificação e boas obras, quando diz:

Por meio da fé, pela qual Deus todo-poderoso tem justificado todos os homens desde o início do mundo… o que faremos, pois, irmãos? Que o forte cuide do fraco e que o fraco reverencie o forte. Que o homem rico ajude o pobre e que o pobre dê graças a Deus por aquele que supriu sua necessidade? 59

No século III d.C, o pagão Celso e o cristão Origines se engajaram num debate sobre o Cristianismo. Durante a discussão, Celso haveria declarado: quando a maioria dos mestres sai a ensinar, gritam: “venham a mim, os que são limpos e dignos”, e os que o seguem são as pessoas do mais alto gabarito existente. Mas seu mestre é néscio e grita: “Venham a mim os abatidos e afligidos pela vida”, de forma que se acumulam ao seu redor os marginalizados e excluídos da humanidade.

A resposta de Origines a Celso é descrita como uma das declarações mais profundas, jamais feita acerca do poder do Cristianismo:

sim, eles são os marginalizados e excluídos da humanidade. Mas Jesus não os deixa assim. De um material que alguém diz ser inútil, ele forma “pessoas fortes”, devolvendo-lhes seu respeito próprio, capacitando-os para se sustentarem sobre seus próprios pés e olhar em Deus nos olhos. Eles eram objetos amedrontados, desprezados, quebrantados. Mas o Filho os libertou! 60

2. Ação social da igreja na idade média

Em seu livro “O Nome da Rosa”, que serviu de fonte para um filme homônimo, Umberto Eco conseguiu descrever o que acontecia num mosteiro da Idade Média e como, naqueles dias, a Igreja encontrava-se distante de sua vocação. Os pobres eram apresentados como pessoas miseráveis que comiam das sobras que lhes eram dadas pela Igreja.

Sem dúvidas, a visão de que dispomos sobre a Idade Média é a de que a Igreja viveu sem produzir transformação — aquela era a idade das trevas — pois perdeu o propósito da sua missão. Warren Wiersbe cita um fato entre Rafael e alguns líderes da Igreja: Rafael pintava os famosos afrescos do Vaticano, quando alguns cardeais pararam perto, a fim de observar e julgar o trabalho. “O rosto do apóstolo Paulo está vermelho demais”, disse um deles. Rafael respondeu: “Ele cora ao ver nas mãos de quem está a igreja”.61

Felizmente, mesmo nesses momentos mais obscuros, a Igreja ainda conseguiu desenvolver a missão. Nascimento Filho lembra que:

“a atividade social cristã na Igreja medieval era fortemente influenciada pela crença em um estado cristão universal em que, tanto a Igreja como o estado, eram instrumentos de Deus para alcançar os propósitos para o homem. Era, portanto, responsabilidade tanto da Igreja como do estado promover o evangelismo e responsabilidade social” 62

3. Ação social na Reforma Protestante

O período reformista foi bastante conturbado, mas, mesmo diante de todas as dificuldades surgidas por causa das vozes que se levantaram contra o caos presente no seio da Igreja, a Igreja nascente, fruto da Reforma Protestante, foi marcada pela presença da missão integral. Ela era uma Igreja preocupada com a salvação pela graça, mas que entendia que o ser humano deveria ser tratado integralmente com dignidade. Não se deve limitar a Reforma Protestante do século XVI a um movimento espiritual e eclesiástico. Sem dúvida alguma, a ação dos reformadores também trouxe conotações e implicações políticas e sociais.

Ainda que superficialmente, adiante são delineados os papéis de dois reformadores no que tange à questão social, Martinho Lutero e João Calvino. Dos textos de Augustus Nicodemus Lopes e, principalmente, do livro de André Biéler são extraídas algumas informações sobre Calvino.

A) Martinho Lutero

Lutero ficou conhecido como teólogo, pregador e reformador, mas o seu agir não é fruto apenas de uma reflexão teológica, e sim, de sua experiência com o cotidiano. “O dado religioso se constrói na história, em meio aos fenômenos sociais, políticos e econômicos” 63

O reformador reconhece que o cristão é cidadão pertencente a dois reinos, o Reino de Deus e o reino deste mundo e isto nos ensina que, sob o prisma de Lutero, o ser humano é responsável diante de Deus e da autoridade civil. Por isso mesmo, ele dá ênfase ao papel social do cristão em suas 95 teses:

43º – Os cristãos devem ser ensinados que aquele que dá ao pobre ou empresta ao necessitado pratica uma obra melhor do que comprar perdões.

45º – Os cristãos devem ser ensinados que aquele que vê um homem em necessidade, e passa por ele, e dá (seu dinheiro) por perdões, não compra as indulgências do papa, mas a indignação de Deus. 64

Nascimento Filho afirma que “Lutero, em oposição à visão anabatista de separação entre igreja e estado, acreditava que Deus pode usar o governo secular para estabelecer a justiça social”. 65

B) João Calvino

Pensar sobre a ação social na perspectiva de João Calvino é pensar, inevitavelmente, sua teologia, pois esta é pressuposto para formular sua reflexão e motivar aqueles que estavam ao seu redor a uma ação efetiva. Ocorre, porém, que toda a leitura de Calvino sobre o aspecto social passa pela realidade por ele vivenciada. Ele pastoreou uma igreja na cidade de Genebra e ali, os problemas sociais comuns por toda a Europa se faziam presentes, dentre eles: pobreza extrema, altos impostos, salários miseráveis e uma jornada de trabalho extenuante. Ademais, o analfabetismo era igualmente habitual, a ignorância estava presente, bem como os vícios e a prostituição. Aquela era uma sociedade enferma.

No seio de uma sociedade achacada foi que Calvino desenvolveu sua teologia e sua visão sobre a responsabilidade social da Igreja. Na leitura daquele reformador, a miséria era um claro sinal da corrupção humana, fruto da queda. Ele faz sérias denúncias sobre os pecados sociais, falando sobre a estocagem de alimentos que visam ao enriquecimento de poucos, denunciando a especulação financeira oriunda do egoísmo e da avareza do ser humano.

Mas Calvino dispunha de uma teologia que ultrapassava questões individuais e espirituais. Cristo Jesus é o Senhor de toda a existência humana, sendo assim, era dever da Igreja dar atenção também aos temas sociais e políticos.

Três aspectos resumem a visão de Calvino sobre a responsabilidade social da Igreja: os ministérios didático, político e social.

4. Ação social da igreja no pós-reforma

A contento, a Igreja não limitou sua ação a um momento particular da história. No período do pós-reforma, ainda podemos encontrar o bom cheiro do agir da Igreja tratando de assuntos sociais que eram tão importantes naqueles dias. Destacaram-se, naquela época, dois personagens que desempenharam papéis relevantes na sociedade em que estavam inseridos no que pertine ao tema sociológico.

A) John Wesley

Ao voltar-se os olhos para o período conhecido como dos Reavivamentos, certamente se aperceberá a brilhante figura de John Wesley. Como lembra muito bem Clóvis Pinto de Castro, Wesley certamente fez a seguinte afirmação: “O mundo é minha paróquia”. 66 Essa leitura da relação Igreja/mundo teve uma influência significativa em seu ministério. Segundo Cavalcanti: “Ninguém foi mais holista e mais integral em sua visão missionária do que Wesley”.67

O despertamento espiritual do século XVII revelou-se, de um modo maravilhoso, no desenvolvimento das obras sociais de caráter cristão. O amor de Deus, sentido e experimentado com o novo poder que procedeu do reavivamento anunciado por toda parte, constrangia os homens ao amor e ao serviço em favor do próximo.

René Padilla afirma que a última carta de Wesley foi escrita em 24 de fevereiro de 1791, apenas seis dias antes de sua morte, e foi dirigida a William Wilberforce em sua luta no Parlamento a favor da abolição da escravatura. Na carta, o grande pregador dizia ao político:

A menos que Deus tenha te levantado justamente para a tarefa, a oposição dos homens e dos demônios será inesgotável; mas se Deus está contigo ‘quem será contra ti?’ Siga adiante em nome de Deus e no poder de sua fortaleza, até que a escravidão norte-americana, a mais vil que jamais fora vista à luz do sol, se desvaneça diante dele.68

Wesley trabalhou incessantemente para o bem estar espiritual e material daqueles a quem proclamava o Evangelho de Jesus. Dentre as muitas ações transformadoras na área social, encontramos a abertura de clínicas gratuitas, o estabelecimento de uma espécie de cooperativa de crédito, escolas e orfanatos. Stott lembra que “os historiadores atribuem à influência de Wesley — muito mais que a qualquer outra coisa — o fato de a Inglaterra haver sido poupada dos horrores de uma revolução sangrenta como a da França”.69

B) William Wilberforce

William Wilberforce (1759-1833) era um jovem aristocrata rico da Inglaterra do século XVIII. Ele era um promissor membro do Parlamento. Viveu uma vida tolerante de acordo com os padrões da sociedade dos seus dias. Após experimentar uma profunda conversão, afastou-se dos excessos e das frivolidades, dedicando sua visão política à causa de Deus.

Logo depois de sua conversão, Wilberforce sentiu-se motivado a se envolver com o ministério pastoral. Por essa razão, imaginou que deveria afastar-se da política, entendendo que as duas coisas não poderiam andar juntas. No entanto, naquele momento, o ex-comerciante de escravos, John Newton, autor do hino “Amazing Grace” convenceu Wilberforce de que Deus o queria envolvido com a política ao invés de entrar para o ministério. Ainda assim, o jovem envolveu-se com a evangelização e a proclamação da Palavra; no entanto, sua vocação era política, o que o fez entender que Deus o havia levado ao poder público para lutar contra a terrível maldade da escravidão e do tráfico de escravos.

Em 1787, o jovem político iniciou sua cruzada. Os navios negreiros, pertencentes a europeus cristãos, transportavam, por ano, 100 mil africanos capturados para a América do Norte. Todavia, a Inglaterra, seu país natal, era a líder desta tirania selvagem. Wilberforce sabia que a escravidão era um terrível pecado contra Deus e contra o próximo, por isso ele se posicionou tão ferrenhamente contra tal instituição.

Segundo Francis Schaeffer, William Wilberforce foi a maior força pessoal solitária a transformar a Inglaterra de um país escravocrata para um país que, muito antes dos Estados Unidos, abandonou a escravatura de fato e de direito. 70

5. O testemunho histórico da missão integral da igreja no Brasil

Diante da história, é importante identificar as realizações da Igreja Evangélica Brasileira. Neste trabalho, sucintamente é apresentada a posição de algumas denominações históricas sobre a questão social, bem como um extrato do pronunciamento social dessas denominações, dentre elas as Igrejas Presbiteriana do Brasil, Batista e Metodista, bem como o pensamento da Confederação Evangélica, o envolvimento dos evangélicos com a Liga Camponesa e o nascimento da Associação Evangélica Brasileiro (AEVB).

A) A Igreja Presbiteriana do Brasil e a questão social

Em 12 de agosto de 1859, desembarcava no Rio de Janeiro o primeiro missionário presbiteriano. Era um jovem de 26 anos, solteiro, formado recentemente no seminário de Princeton e recém ordenado ao sagrado ministério, seu nome, Ashbel Green Simonton.

Na reunião do Presbitério do Rio de Janeiro em julho ele 1867, menos de cinco meses antes ele morrer prematuramente de febre amarela em São Paulo, Simonton propôs a seguinte estratégia missionária: 1) a santidade da igreja deve ser ciosamente mantida no testemunho de cada crente; 2) é preciso inundar o Brasil de Bíblias, livros e folhetos; 3) cada crente deve comunicar o evangelho a outra pessoa; 4) é necessário formar um ministério nacional idôneo; 5) escolas paroquiais para os filhos dos crentes devem ser estabelecidas. 71

Parece que as últimas palavras de Simonton podem dar uma pequena noção do perfil da Igreja Presbiteriana do Brasil que estava nascendo em meados do século XIX.

Mais recentemente, segundo o Supremo Concilio da IPB, impõe-se sobre a Igreja que a obrigação de fazer pronunciamentos sobre questões sociais da atualidade nacional e internacional deriva de sua vocação profética de proclamadora e de testemunha do reino e de sua submissão e fidelidade à Palavra de Deus. Às Igrejas Presbiterianas do Brasil, competem, portanto:

1 – Dar, pelo púlpito e por todos os meios de doutrinação, expressão do Evangelho total de redenção do indivíduo e da ordem social;

2 – Incentivar seus membros a assumirem uma cidadania responsável, como testemunhas de Cristo, nos sindicatos, nos Partidos Políticos, nos Diretórios Acadêmicos, nas fábricas, nos Escritórios, nas Cátedras, nas Eleições e nos Corpos Administrativos, legislativos e Judiciários do País;

3 – Clamar contra a injustiça, a opressão e a corrupção, e tomar a iniciativa de esforços para aliviar os sofrimentos dos infelicitados, por uma ordem social iníqua; colaborando, também, com aqueles que, movidos por espírito de temor a Deus e respeito à dignidade do homem, busquem esses mesmos fins, assim como aceitando sua colaboração;

4 – Opor, por uma pregação viva e poderosa, relevante e atual, uma barreira inexpugnável contra as forças dissolventes do materialismo e do secularismo;

5 – Lutar pela preservação e integridade da família e pela integração de grupos marginalizados pela ignorância e analfabetismo, pelos vícios, pelas doenças e pela opressão na plena comunhão do corpo social;

6 – Dar à infância e à juventude uma formação cristã que as capacite a enfrentarem vitoriosamente o impacto dos paganismos contemporâneos, com a força da interpretação cristã da vida total do homem à luz de Deus;

7 – Defender, pelo exemplo de seus membros, a dignidade do trabalho, quer manual quer intelectual;

8 – fazer a proclamação profética incessante dos princípios éticos e sociais do evangelho de modo que sejam denunciados todos os erros dos poderes públicos, sejam de omissão, ou comissão, que resultem em ameaças ou obstáculos à paz social ou tendam à destruição da nossa estrutura democrática;

9 – Defender a necessidade de mais eqüitativa distribuição das riquezas, inclusive da propriedade da terra, e advertir, em nome da justiça de Deus e da fraternidade cristã, aqueles cujo enriquecimento seja fruto da exploração do próximo;

10 – Tornar o Estado consciente de todos os seus deveres, transmitindo-lhe corajosamente a palavra profética, especialmente nas horas de crise, prestigiando sua ação no estabelecimento da justiça social e oferecendo-lhe colaboração para solução cristã de todos os problemas da comunidade.

B) A Igreja Metodista e a questão social

Como movimento, o metodismo tem a sua origem com John Wesley, ministro da Igreja da Inglaterra. Durante seu ministério, Wesley introduziu a pregação ao ar livre (influenciado por George Whitifield) e a pregação leiga. Conquanto haja suscitado estranheza no seio da Igreja da Inglaterra, não se desligou da Igreja Anglicana até à sua morte.

O metodismo chegou aos Estados Unidos a partir dos adeptos que emigraram para as “Treze Colônias”. Os leigos eram enviados por Wesley para a propagação do Evangelho, o que gerou crescimento. Mas criou-se uma situação inusitada: os leigos precisavam do clero anglicano para oficiar os sacramentos. Diante disto, Wesley resolveu organizar os metodistas norte-americanos em Igreja. O que caracterizou aquele grupo naqueles dias não era sua doutrina ou forma de culto, mas a sua política eclesiástica que dava ênfase tanto ao ministério itinerante quanto ao laicato.

Os metodistas enviaram ao Brasil os seus dois primeiros missionários, em 1836, R. Justus Spanding e, em 1837, Daniel Parish Kidder. Por questões ligadas à escravidão, houve uma ruptura no seio da Igreja nascente, fazendo com que os trabalhos fossem suspensos até 1867, quando Junius E. Newman desembarcou no Brasil, vindo dos Estados Unidos.

Depois de uma pincelada na história do metodismo, menciona-se a seguir o credo social da Igreja Metodista e para entendê-lo, cabe salientar que a Igreja Metodista do Brasil não identifica o Cristianismo com nenhum sistema sócio-político-econômico. Também se acredita que a melhor maneira de transformar a sociedade é levar a Cristo o indivíduo que nela se insere, orientando-a com os princípios do Evangelho de Jesus. A referida igreja igualmente defende uma distribuição de renda mais eqüitativa, a fim de que o homem tenha uma vida marcada pela dignidade. Eis o que se tornou o credo social para os metodistas:

1 – Direitos iguais de justiça rápida e econômica para todos os homens;

2 – Provisão de habitação adequada para todas as famílias, tanto nos perímetros urbanos como nos rurais;

3 – Regulamentação e proteção do trabalho da mulher, especialmente da mulher mãe, e previdência social que lhe assegure proteção física, social e moral;

4 – Abolição do emprego de menores em condições que prejudiquem o seu desenvolvimento normal e sua educação espiritual, física, intelectual e moral;

5 – Proteção da criança e dos adultos contra enfermidades, da subnutrição, de hábitos e vícios que atentam contra sua saúde;

6 – Regulamentação do trabalho e direito de todos os homens a uma oportunidade de manutenção própria;

7 – Proteção do operário contra toda usurpação e exploração injusta e de acidentes do trabalho;

8 – Salário que garanta a subsistência do trabalhador rural e urbano e de suas famílias, em circunstâncias que assegurem a dignidade da pessoa humana;

9 – Melhor distribuição de terras agricultáveis e contra toda a forma de exploração do trabalhador rural. 74

C) A questão social e a Igreja Batista

Os batistas foram a quarta denominação evangélica a implantar igrejas no Brasil. Thomas Jefferson Bowen chegou ao Brasil, enviado pela Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, cerca de quatro meses depois do primeiro missionário congrrgacional e aproximadamente seis meses depois do primeiro missionário presbiteriano.

Por motivos de saúde, Bowen retornou para sua pátria em 1861. Ao retornar à sua pátria e apresentar seu relatório, a Jun ta de Missões Estrangeiras entendeu que não era interessante o grande esforço para evangelizar um campo tão difícil quanto o Brasil.”’

Depois de cerca de vinte anos de ausência, a Junta de Missões Estrangeiras enviou novos missionários batistas para o Brasil, eram eles: William Buck Bagby e sua esposa Anne Luther Bagby, que desembarcaram no Rio de Janeiro, no dia 2 de março de 1881, após 48 dias de viagem. Um ano depois, também no Rio de Janeiro, no dia 23 de fevereiro de 1882, o casal Zachery Clay Taylor e Kate Crawford Taylor, chegou ao solo brasileiro. 75

Em traços históricos, foi brevemente relatada a chegada dos batistas ao Brasil. A partir de então, passa-se à análise de um documento mais recente produzido pela Ordem dos Ministros Batistas do Brasil, entidade que congrega os pastores que servem às igrejas da Convenção Batista Brasileira, a qual, reunida na cidade de Vitória-ES, formulou o seguinte manifesto sobre a questão social:

“Reconhecemos ser privilégio dos Batistas brasileiros a iniludível responsabilidade de contribuir não somente para a solução dos problemas que no momento assoberbam o nosso povo, como também para a determinação do seu destino histórico”. 76

1 – Os direitos da pessoa humana

Reconhecem-se a importância e a significação das instituições, acreditando-se ser o homem o esteio das preocupações, porquanto “criado à imagem e semelhança de Deus”. Imprescindível a defesa da liberdade em todas as suas formas de expressão.

2 – Igreja e Estado

Inspirados no preceito bíblico, “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22.21), pugna-se pela existência de Igrejas livres num Estado livre, preconizando a delimitação inteligente e respeitosa das esferas de responsabilidade e ação da Igreja e do Estado, sem interferências abusivas ou relações aviltantes de dependência, embora permitindo a cooperação construtiva entre ambos.

3 – Justiça social

Reconhecemos a inadequação da presente estrutura social, política e econômica para a realização plena da justiça social, pelo que insistimos na necessidade de um reexame corajoso, objetivo e não-preconcebido da presente realidade brasileira, com vistas à sua reestruturação em moldes que possibilitem o atendimento às justas aspirações e necessidades do povo.”

No Congresso Batista de Ação Social, ocorrido em 1987, no Rio de Janeiro, deu-se, sem dúvida alguma, um passo importante na direção de uma releitura do papel da denominação de um trabalho mais efetivo no que versa sobre a questão social. Naquele congresso, Irland Pereira de Azevedo, fez uma retrospectiva histórica da obra social da Igreja Batista no Brasil, citando, dentre muitas ações, aquelas ligadas a orfanatos, casas de idosos, cursos de alfabetização, cursos profissionalizantes, ambulatórios, casa de saúde e hospitais, creches, trabalho com viciados em drogas, dentre outros ministérios sociais.78

4. A Confederação Evangélica do Brasil

Nos idos de 1934, a Confederação Evangélica Brasileira (CEB) foi formada e funcionou até o golpe militar de 1964.

Nessas três décadas, ela reuniu boa parte das igrejas evangélicas históricas, ou seja, os não-pentecostais.

De 1955 a 1964, a CEB dispunha de um setor que tratava especificamente do aspecto social da Igreja o qual, dentre as várias atividades desenvolvidas, esteve promovendo a chamada “Conferência do Nordeste”, no ano de 1962. O golpe militar de 64 foi fatal para a confederação, mas em junho de 1987 ela acabou renascendo das cinzas com o apoio de vários constituintes evangélicos. A nova CEB congregava uma maioria pentecostal, grupo que encontrou grande resistência das igrejas históricas. Mas recebeu significativas doações do governo do então presidente, José Sarney, principalmente no período da Assembléia Constituinte.

A partir de 1988, denúncias foram feitas contra a chamada “bancada evangélica”, levando Paul Freston a fazer comparação desse escândalo com os escândalos dos televangelistas nos Estados Unidos. 79

Obviamente, antes desse período fatídico, marcado por denúncias e escândalos, a confederação teve o seu período de relevância e seriedade. Domício Mattos cita algumas das declarações sociais feitas pela Confederação Evangélica do Brasil:

1 – Os propósitos de Deus incluem a justiça nas relações pessoais entre indivíduo e indivíduo, como também nas relações coletivas entre grupos sociais;

2 – Nos grandes setores evangélicos se tem interpretado a fé cristã em termos individuais, sem preocupar-se adequadamente pelas obrigações que impõe a fé crista na ordem político-social;

3 – Cristo nos chama ao arrependimento individual e coletivo, pois todos estamos implicados no pecado de nossas nações;

4 – Uma expressão do pecado que cometem todos os seres humanos é a tendência a dar maior importância aos interesses pessoais do que aos da sociedade;

5 – O homem é uma pessoa integral; portanto, seu espírito é afetado pelo que afeta o seu corpo, e grande parte de sua personalidade surge das relações sociais que desfruta;

6 – Os cristãos são responsáveis por tudo, diante de Cristo e da obra de Deus em Cristo, e esta responsabilidade os faz livres da influência de todas as ideologias;

7 – Cristo chama-nos para que demos testemunho de nossa fé, partilhando-a com os outros e apresentando-a aos homens todos, não como uma série de idéias que eles possam debater e sim como um modo de viver com os homens e com Deus, afirmada por uma decisão diária e por uma permanente companhia divina. Essa partilha nos leva a servir-nos uns aos outros em amor e por amor;

8 – Por outro lado há uma necessidade de sermos até certo ponto inconformados, de não nos submetermos às coisas que são do mundo, aos seus esquemas, às suas estruturas falsas; de não sermos — a pretexto de respeitar pura e simplesmente a ordem histórica — adesistas ou conservadores no sentido estático do vocábulo, mas de nos renovarmos continuamente na busca incansável da vontade divina.80

O documento apresentado por Mattos é extenso e inclui temas relevantes tratados pela confederação como o problema educacional, a necessidade de uma reforma universitária, as questões urbanas e a reforma agrária. Inegavelmente, a confederação cumpriu um importante papel na história da Igreja Evangélica Brasileira, infelizmente perdendo-se na sua caminhada, principalmente a partir de 1964, mas a sua relevância não pode ser desprezada. Nesse contexto e marcada por escândalos e desgaste da imagem dos evangélicos no Brasil, a partir da década de 80, nasceu a Associação Evangélica Brasileira a AEVB.

7. A Associação Evangélica Brasileira

Como foi visto até agora, os evangélicos tiveram voz no Brasil. Chegaram a apresentar seus pontos de vista sobre questões sociais importantes, mas, infelizmente, as divisões internas e o golpe militar de 1964 afetaram significativamente o rumo da CEB que, posteriormente reorganizada, já não tinha o mesmo escrúpulo dos primeiros anos, o que desencadeou os escândalos dos anos oitenta. Diante de tais escândalos, a Igreja Evangélica sente necessidade de ter uma voz que seja mais coerente, uma associação que possa ser ouvida e respeitada. À luz desse sonho, a Associação Evangélica Brasileira – AEVB foi criada, precisamente no dia 17 de maio de 1991, no templo da sede da Igreja Evangélica Pentecostal ”O Brasil para Cristo”, na cidade de São Paulo, onde líderes de diversas denominações evangélicas reuniram-se para organizá-la. Paul Freston lista algumas das razões porque a AEVB foi criada naquele ano:

1 – O desgaste da imagem pública dos evangélicos em conseqüência da publicidade negativa em torno da ‘”bancada evangélica” na Constituinte, inclusive a apropriação do nome da Confederação Evangélica para fins considerados fisiológicos.

2 – A campanha em setores da mídia e da Igreja Católica contra as chamadas “seitas”. A união é a melhor forma de enfrentar tais ataques.

3 – A necessidade dos “evangelicais” de constituírem espaços institucionais.

4 – O crescimento numérico dos evangélicos e o natural espaço para influenciar os rumos da sociedade e a necessidade de se assumir o seu papel social no país.81

Parece-me que, revisitando a história da Igreja Evangélica no Brasil, é possível perceber que, em muitos momentos, ela exerceu um papel relevante quanto ao aspecto sociológico. Recentemente, ela tem sido cognominada de omissa, o que não se pode considerar muito justo, conquanto esteja, à evidência, aquém do seu potencial numérico e das suas reais condições. As críticas, por mais que se revistam de coerência, não podem levar ao menosprezo os evangélicos no Brasil.

A ausência de menção, até agora, às igrejas pentecostais e ao seu papel social neste país, não obstante sua grandeza e expressão, é proposital, posto que se pretende enfatizar, particularmente, apenas algumas igrejas históricas. Contudo, destaca-se a participação e o envolvimento dos evangélicos, dentre eles os pentecostais, sobretudo dos membros da Assembléia de Deus, no movimento agrário, sobretudo no que tange às ligas camponesas. Carlos Pinheiro Queiroz enfatiza com muita propriedade essa participação.

Não deixemos apagar em nossa memória as ligas camponesas, movimento pela defesa dos sem-terra, que tinham Francisco Julião como mentor intelectual, e contavam principalmente com o apoio dos líderes batistas e pentecostais. Segundo Cartaxo Rolim, “Julião conseguia sensibilizar os crentes, ao dizer-lhes que podiam entrar para as ligas com os cânticos, a Bíblia, citando principalmente os profetas, enquanto ele, Julião iria com a lei civil”.82

Tais considerações parecem dar um vislumbre do papel da Igreja Evangélica no Brasil quanto à sua visão e ação social.

Entende-se que, passando pela história da Igreja e verificando, mesmo que com objetividade, a sua atuação social, a Igreja hoje deve sentir-se desafiada a resgatar essa história bem como a sua atuação social. A Igreja não pode se deixar influenciar apenas por aspectos fundamentalistas alienantes, nem se pode permitir que uma escatologia dispensacionalista a torne alheia ao que acontece ao seu redor, uma crise real. A Igreja não foi chamada apenas para o céu, mas, para, em nome de Jesus, se levantar como sal e luz e produzir um grande reboliço na sociedade. O que precisa gerar influência não é a visão teológica reducionista que marcou a história, mas aquela visão presente nos Pais da Igreja, em homens como Lutero, Calvino, Wesley, Wilberforce, na CEB, na AEVB, sonhadores que sempre acreditaram que o papel da igreja não é o de transferir gente da terra para o céu, mas de transformar as condições de injustiça e degradação humanas em lugar de justiça e promoção da vida.

Capítulo 4

Base bíblico-teológica para a responsabilidade social

No capítulo anterior, demonstrou-se a omissão da Igreja no Brasil quanto ao caráter sociológico, cuja afirmação parece encontrar esteio em raízes históricas, fruto de um aprendizado preconceituoso e de uma hermenêutica equivocada e deficiente. Usa-se o dizer de Jesus em Mateus 26.11 “porque os pobres, sempre os tendes convosco…”, citação do livro de Deuteronômio 15.11, e interpreta-se como se Jesus estivesse vaticinando sobre a impossibilidade de fazer algo pelos pobres. Por mais que se tente praticar determinados atos, tudo permanecerá como está. Indubitavelmente, não era isso o que Jesus queria dizer. Ele estava repreendendo a atitude preconceituosa dos discípulos que criticaram uma mulher que, demonstrando carinho e querendo honrar o mestre, derramou sobre a cabeça do Filho de Deus um precioso perfume. Os discípulos, indignados, imaginaram que seria mais interessante vender tão precioso ungüento e socorrer aos pobres com os recursos levantados. Cristo, no texto apresentado, não estava prenunciando sobre a perpetuação da miséria, mas lembrando seus discípulos que aquela mulher fez algo excepcional e que tal ato não afetara o exercício prático do socorro aos pobres. Os pobres estariam sempre sujeitos a serem socorridos, oportunidades não faltariam e que eles fizessem bom uso destas, portanto.

O segundo problema interpretativo relaciona-se com a escatologia que a Igreja no Brasil acabou herdando. Ela assevera que o mundo irá de mal a pior e que, por conseguinte, não podemos fazer algo capaz de transformar esse caminho inexorável. Essa doutrina precisa ser revista à luz das escrituras, pois o desafio deixado pelo Senhor e pelos seus apóstolos continua muito atual: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações…” (Tg 1.27).

A Igreja Evangélica apregoa que a Bíblia é a sua única regra de fé e prática. Se isto é verdade absoluta, faz-se necessário voltar os olhos a Bíblia, buscando nela referenciais para uma práxis social relevante.

Para fundamentar este estudo e dar sustentação àquilo que ora se apresenta como sendo a missão social da Igreja, há que se refletir o entendimento da Bíblia e da teologia, buscando pilares de sustentação para aquilo que deve motivar o agir social da Igreja.

O Antigo Testamento será visitado, mas sem a pretensão de adentrar profundamente no mesmo, conquanto esse se constitua uma das divisões desta sessão. Analisa-se, sem maior detalhismo, o Pentateuco e o que relataram e entenderam alguns profetas sobre a questão social. Ainda, nesta sessão, percorrendo o Novo Testamento e, de modo específico, o ministério de Jesus, tendo como ponto de partida o texto de Mateus 9.35-38. Por fim, destinar-se-á maior atenção à teologia, descobrindo nela aspectos que sejam relevantes para a ação social da Igreja.

1. Visitando o Antigo Testamento

Ao pensarmos a responsabilidade social da Igreja, quase que instintivamente, reportamo-nos ao Novo Testamento, seus Evangelhos e Epístolas. No entanto, é certo também, que o Antigo Testamento tem algo a dizer sobre o tema, que precisa ser revisto atualmente.

Impressiona perceber que o interesse divino pelo povo de Israel manifestou-se de muitas maneiras, dentre elas encontram-se preciosas instruções legais sobre um período que deveria ser respeitado, guardado e observado para benefício do povo que entrasse na nova terra, Canaã. Porém, fica explícito que, mais do que beneficiar o povo, o interesse de Deus toca a vida daqueles que, de alguma forma, encontram-se quebrados, feridos, empobrecidos. O ano sabático, por exemplo, como lembra Alan Cole, tinha o único propósito de que os pobres pudessem comer e, depois deles, os animais do campo.83

Já R. K. Harrison afirma que a legislação do Jubileu tem como tema básico, a libertação daquilo que era preso. A lei dava claras indicações de que os primeiros beneficiários de tal período eram os concidadãos judeus que viviam em servidão.84 Naqueles dois períodos festivos, com o coração agradecido, o povo deveria recordar-se do ato libertário de Deus no Egito e do Deus provedor, porém, tanto o ano sabático como o jubileu colocavam sobre os ombros do povo a responsabilidade de participar do socorro e da libertação do outro. Esta era uma maneira pedagógica de Deus ensinar-lhes sobre generosidade, solidariedade c misericórdia.

O ano sabático

Na lista das festas sagradas, encontram-se o sétimo dia da semana, como sábado (descanso), e o sétimo mês, como o mês sabático, em que se celebravam três festas. Mas este notável sistema de sabatismos estendia-se ainda mais e alcançava o sétimo ano. Depois desse, como última expressão da idéia sabática, vinha o ano santificado, o ano sabático. Intimamente relacionado ao sábado, o ano sabático aplicava-se aos israelitas que entrassem na terra de Canaã. A cada sete anos era designado um período de tempo, um ano, para o descanso do solo.

Disse o Senhor a Moisés, no monte Sinai: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra que vos dou, então, a terra guardará um sábado ao Senhor. Seis anos semearás o teu campo, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos. Porém, no sétimo ano, haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha (Lv 25.1-4).

Durante o referido período, os israelitas não semeavam o campo e nem podavam as videiras. Tudo quanto colhessem naquele ano deveria ser partilhado igualitariamente pelo proprietário entre os servos, estrangeiros e até animais. Somente em Deuteronômio é apresentado como o ano em que os débitos deveriam ser cancelados. Os credores eram instruídos a cancelar as dívidas dos pobres, assumidas durante os seis anos anteriores (Dt 15.1-11). Provavelmente, esse era o período da alforria de escravos. (Ex 2.12-6, Dt 15-12-18). O ano sabático era um instrumento pedagógico que servia para lembrar aos judeus que um dia foram escravos e que experimentaram libertação pela intervenção divina.

O ano do jubileu

Observados sete anos sabáticos, era chegado o ano do jubileu; a cada quarenta e nove anos, um era observado como período de descanso para as terras agricultáveis que deveriam ficar sem cultivo durante aquele ano. (Ex 23.10-11). O termo jubileu corresponde, em hebraico, a yobel, que também indica o toque do “clarim”, som extraído de um corno de carneiro. Em português, é usado para referir-se a um grito de alegria. Sua presença, nas traduções modernas, vem do nome que lhe dá a versão Vulgata Latina, annus jubilei ou jubileus.85

Aquele ano caracterizava um período de restituição da herança familiar para aqueles que a haviam perdido, uma época de libertação de escravos e de descanso da terra. (Lv 25.8-55, Dt 15-12-18). O cuidado em restituir a herança tem uma relação com o fato de que a terra pertencia a Deus; Ele dava à família o direito de administrá-la, o que passaria de geração a geração. Quanto aos escravos, eles deveriam servir a seus senhores no máximo por um período de seis anos. Chegando o jubileu, mesmo que o escravo houvesse servido um período menor que seis anos, deveria ser libertado. (Ex 21.1-11, Lv 25.39-55).

O povo de Deus está investido de uma responsabilidade ética especial em favor do pobre. No Antigo Testamento, a lembrança do povo de Deus como escravo no Egito era razão para motivá-lo a mostrar misericórdia ao oprimido (vide Deuteronômio 24.14-22; Levítico 19-15; Amós 2.6-7; Zacarias 7.9-10). Todos esses ensinos a respeito do pobre fazem parte da Palavra de Deus. O Antigo Testamento enfatiza que o Senhor requer justiça para os pobres e julgará aqueles que os oprimem. 86

Russel Shedd afirma que as leis de Israel foram instituídas por Deus, objetivando produzir uma sociedade justa para todos os cidadãos, independentemente de sua classe social. A leitura da lei e sua compreensão levariam a nação a entender a paixão, a justiça e a imparcialidade de Deus ao tratar com seu povo. O objetivo do período do descanso sabático, tanto no jubileu quanto no ano sabático, era prover descanso para a terra e alimento para os destituídos. Esse benefício alcançaria os pobres, as viúvas, os órfãos, os estrangeiros e os escravos sem qualquer distinção, todos seriam tratados com o mesmo zelo.87

A Palavra de Deus proporciona uma percepção do caráter divino e ao percebê-lo, nota-se que, desde a criação, Deus está interessado no bem-estar do ser humano.

Na criação, descobre-se que o ser humano foi tratado com deferência, tornando-se a coroa da criação. Mesmo depois da queda, o Pai demonstra estar solícito ao ser humano pois em sua promessa (Gn 3) reside uma palavra redentiva que objetiva resgatar a humanidade e a criação. Encontramos semelhante cuidado na vocação abraâmica, ao ser Abraão chamado para ser uma bênção, e finalmente, na lei mosaica encontramos essa intensa demonstração de que Deus está interessado no bem-estar do ser humano. É preciso lembrar que o Deus da revelação bíblica é tanto criador como redentor.88

A leitura dos profetas confere idêntica perspectiva. Na denúncia feita por Isaías sobre o pecado do povo de Israel, que tornava o seu culto inaceitável perante Deus, encontra-se o seguinte: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas”. (Is 1.15-17). Junte-se a esta queixa a queixa do profeta Amós (Am 2.6-8; 5.7,10-12.) e também a voz de Oséias ao dizer o que Deus espera do seu povo: “Pois, misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos”. (Os 6.6).

2. Visitando o Novo Testamento

São muitos os desafios lançados no Novo Testamento e nele se verifica a riqueza de textos que desafiam a Igreja a agir de maneira solidária e justa diante da realidade social em que está inserida. Tiago 2.14-16 fala-nos sobre a necessidade de a fé tornar-se uma realidade mais contundente por meio das obras. Afinal, qual valor de uma fé que contempla a necessidade do outro com indiferença? João, o evangelista, na sua primeira carta (I Jo 3.17-18), pergunta como o amor de Deus pode permanecer no coração de alguém que tem recursos, mas não os compartilha com o irmão necessitado. Em outras palavras, João entende que o amor de Deus, derramado em nossos corações precisa ser vertido sobre o outro de maneira prática. O apóstolo Paulo também aduz algo sobre a questão da generosidade do cristão diante da necessidade do outro e, em sua segunda carta aos Coríntios (II Co 8 e 9), debruça-se sobre a questão da coleta que a igreja na Macedônia levantou em favor das igrejas da Judéia. É possível acrescentar textos, como: At 10.38, Gl 6.9-10, II Ts 3.13 e Hb 13-16 e perceber que o desafio é o mesmo: a Igreja de Jesus precisa ser generosa, precisa dispor-se a fazer o bem.

Visitando o ministério de Jesus

“Nosso estilo de vida como cristãos depende da imagem que temos de Cristo, do Cristo no qual depositamos a nossa fé”. 89 Na caminhada com Jesus pelo seu ministério, é possível perceber uma nova maneira de ver a vida. Em Cristo, o velho torna-se novo, a justiça estabelece-se, o miserável sai da marginalidade, o órfão é amado, a viúva é respeitada, o estrangeiro é acolhido, o pecador pode ser amado. NEle, todo carente, tem a oportunidade de ser acolhido e abraçado.

Causa verdadeiro encanto a menção feita, repetidas vezes, pelos evangelistas acerca da palavra compaixão como parte do ministério de Jesus. Ele via as multidões e compadecia-se delas. O sofrimento do ser humano sempre atraiu a atenção de Jesus, Ele não era indiferente à tragédia humana (Mc. 1.40-41; Lc. 7.11-14; Mt. 14.14; Mt. 15.32). Ele via a dor do outro e dela se compadecia. Mas a compaixão de Jesus não era algo restrito ao sentimento. Parece que a igreja não se porta com total indiferença à miséria do homem, até consegue emocionar-se e chorar. Jesus, no entanto, não apenas sentia, mas seu sentir, sua emoção, sempre se transformava em ação prática. Mateus afirma que ele curava toda sorte de doenças e enfermidades (Mt 4.25-25, 9.35-38).

Recorrendo aos Evangelhos e notando a ação de Jesus no mundo, percebe-se Seu anseio de ver as necessidades dos seres humanos supridas e, olhando-O, é possível entender que Jesus constitui o paradigma da missão da Igreja. Os Evangelhos levam a constatar que a encarnação, devoção, serviço e ressurreição formaram os pilares da vida de Jesus e da mensagem das boas novas do Rei.

No evangelho de João, verifica-se a oração de Jesus, conhecida como Oração Sacerdotal. Nela, Ele faz o seguinte pedido: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo. 17.1 8). Aquele que segue a Jesus precisa trilhar o mesmo caminho que seu mestre trilhou. Em sua oração, Jesus ensina que é preciso ser Igreja no mundo, a este não pertence, mas nele está como sal e luz; Igreja que não se aliena, mas torna-se sensível àquilo que acontece ao seu redor e, muitas vezes, à sua porta.

A ação de Jesus na crise humana não se deu apenas como manifestação da presença do Reino, mas se deu porque Jesus era alguém movido por compaixão. Diante da dor do outro, Ele se emocionava. Ele não via o sofrimento com prazer ou como se ele representasse uma realidade cotidiana com a qual precisava se acostumar e por isso alienar-se. Jesus compadecia-se daqueles que, pelas circunstâncias e pela opressão social, encontram-se na miséria ou marginalizados. Senão, vejamos:

“Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo”. (Mt 8.1-4)

De modo fascinante, ainda que seja a interpretação que nem todos se lhe atribui, entende-se haver sido estabelecido nesse encontro, uma cura com nuanças bem particulares. Jesus acabara de pregar o sermão do monte e estava sendo seguido por uma grande multidão, instante em que foi procurado por um leproso e, embora tendo uma multidão diante de si, Ele não estava interessado na popularidade, mas em gente de carne e osso. Diferentemente de nós, Jesus não se deixa seduzir pela popularidade, por isso consegue ver além daquele aglomerado humano.

Jesus compadeceu-se daquele homem e fez algo muito especial, contrariando todos os padrões judaicos: Ele o tocou. Na minha leitura, se Jesus apenas tivesse curado aquele homem da sua lepra, não haveria resolvido um problema ligado às emoções, à psique daquele homem. O texto não informa há quantos anos ele carregava aquele estigma, mas simplesmente que o carregava. O leproso, enquanto caminhava, precisaria anunciar sua maldição dizendo-se ”impuro, impuro, impuro”. Se fora tocado por alguém nos últimos anos, fora tocado por outros leprosos, gente que carregava a mesma marca, mas não por diferentes. Agora, Jesus, o Messias, passa por ali, deixa a multidão para atendê-lo em sua necessidade, tocando-o. Só depois de tocá-lo, Jesus ordena que ele seja curado. Mas existe outra verdade no texto que igualmente causa encanto. Jesus enviou aquele homem (purificado) ao sacerdote para que se cumprissem os preceitos da lei mosaica. Nesse sentido, a cura estabelecida por Jesus tinha direta relação com a cura social. Ele precisaria de uma carta de alforria que lhe desse o direito de transitar pelas cidades sem medo do preconceito.

“… dirigia-se Jesus a uma cidade chamada Naim, e… como se aproximasse da porta da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela. Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores! Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: Levanta-te”. (Lc 7.11-14) “Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos”. (Mt 14.14)

Jesus entendia muito bem a sua vocação, por isso mesmo, no evangelho de Lucas, Ele, absolutamente convicto, declara:

“Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor… Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4.17-21).

Jorge Barro denomina o texto acima como sendo a agenda programática da missão de Jesus, que era:

1. Pregar as boas novas aos pobres;

2. Proclamar libertação aos cativos;

3. Restaurar a vista aos cegos;

4. Libertar os oprimidos e;

5. Proclamar o ano aceitável do Senhor 90.

É comumente aceito que os cativos, os cegos e os oprimidos estão na categoria dos pobres. Existem “boas novas” para eles — as boas novas de que o Reino de Deus é aqui e agora, trazendo esperança para o seu futuro, a esperança do ano aceitável do Senhor. Finalmente, os pobres tinham alguém que não estava contra eles, mas a seu favor; alguém que tinha a coragem de incluir os que foram excluídos da sociedade tornando-os receptores da graça do Senhor.91

A leitura de Mateus 9.35-38 proporciona uma rica visão sobre o ministério de Jesus. E Ele, decididamente, não exerceu um ministério estático. Não tinha um endereço fixo onde normalmente estivesse recebendo as pessoas quando de suas necessidades. Normalmente os quatro evangelhos mostram Jesus em ação dinâmica. Ele percorre os povoados, as vilas e ruas. Constatam-se algumas características no ministério de Jesus. Ele não estava preso a determinado lugar. O texto em questão menciona a dinâmica desenvolvida pelo Filho de Deus. Ele exercia um ministério urbano. Qualquer mestre estaria restringindo seu ensino à sinagoga, Jesus prefere as ruas, os becos, os lugarejos, aproximando-se do povo, sem abandonar as sinagogas. Ele vai ao encontro do povo em sua carência; come com pecadores; deixa-se tocar pelos marginalizados e também os toca. Em seu ministério existe lugar para crianças, mulheres, corruptos cobradores de impostos. Ninguém é desprezado e a todos se destina a devida atenção.

Diferente da enclausurada visão da Igreja, que se restringe a um endereço fixo e espera que os desesperados venham até ela, Jesus envolve-se com o outro onde o outro estiver. Sua atitude torna-se desafiadora. Diferentemente de certos grupos religiosos, Jesus não se envolve com os pobres para tirar-lhes algo ou para promoção pessoal — diferentemente do que alguns “espertos” corruptos têm feito em nome da religião. Cristo está no meio do povo e produz um grande reboliço na vida daqueles a quem alcança. O agir de Jesus é profundamente significativo para a missão da Igreja nesses dias em que se busca um rumo.

No texto de Mateus 9.35-38, o ministério de Jesus ganha três características específicas, as quais são aqui denominadas de “o conteúdo da Missão de Jesus”: Ele ensinava, proclamava e curava.

Jorge Barro, tratando da questão urbana no ministério de Jesus, diz que:

O segundo elemento da missão urbana diz respeito ao conteúdo. Jesus percorria todas as cidades e povoados (contexto) fazendo três coisas: (1) pregando, (2) ensinando e (3) curando. Isso demonstra a tríplice ação de Jesus: querigma, didaquê e serviço. Através da proclamação (querigma) das boas novas, a Igreja apresenta a vida eterna. Através do ensino (didaquê) a igreja educa para a vida eterna, para os valores do reino de Deus. Através do serviço (diaconia) a igreja demonstra o poder do reino de Deus no “já-ainda-não”; isso demonstra a integralidade da missão. Isso demonstra uma igreja que está preocupada com a salvação, educação e ação social.92

Querigma

O verbo “kerysso” aparece 61 vezes no Novo Testamento (19 vezes nas epístolas Pastorais, 8 vezes em Atos, 9 vezes no Evangelho de Mateus e 9 vezes em Lucas, 14 vezes em Marcos, 1 em I Pedro e 1 vez em Apocalipse) e significa anunciar. Uma análise do objeto gramatical do verbo revela que, nas passagens mais antigas de Paulo (I Ts 2.9; Gl 2.2, mas também em Cl 1.23) e em alguns contextos de Marcos (Mc 1.14, 13.10, 14.9) e de Mateus (4.23, 9.35, 24.14 3 26.13), o objeto é to evangelion, o evangelho.

Quando percebemos o conteúdo daquilo que tem sido ensinado em muitas igrejas, a preocupação precisa invadir o coração de todos os que amam o Senhor. O evangelho tem-se diluído e o evangelho que vem sendo pregado não reflete todo o desígnio do Pai, mas apenas aquilo que alguns líderes querem ensinar segundo sua conveniência. Muito disso é fruto de uma hermenêutica alegórica, que não leva a sério aquilo que as Escrituras ensinam, mas vale-se de visão pluralista de que cada um tem a sua verdade, portanto, vêem-se no direito de proclamá-la. Sobre essa superficialidade, o clérigo alemão que se opôs a Hitler e ao nazismo, chamou essa teologia de “graça barata”. Ele disse:

“Graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, batismo sem disciplina eclesiástica, comunhão sem confissão, absolvição sem confissão pessoal. Graça barata é graça sem discipulado, graça sem cruz, graça sem o Jesus Cristo vivo e encarnado”. 93

Mateus, falando sobre o ministério de Jesus, informa que Ele “pregava o Evangelho do Reino”. A mensagem do Deus-Filho não era uma mensagem fragmentada, segundo um modelo pré-concebido da verdade. Ao contrário, Ele proclamava todo o desígnio de Deus e não dicotomizava sua mensagem. Sua pregação não se limitava a falar da esperança celestial, mas trazia esperança para o aqui e agora e isto aconteceu em várias oportunidades, tocando a vida de muita gente. Sua mensagem era uma nítida declaração de que Ele via o ser humano integralmente. Sendo assim, Ele tratou da saúde de um paralítico, mas lembrou-o de que não deveria pecar para que não sucedesse coisa pior (Jo 5.1-14); Ele cuidou de outro paralítico, que foi levado por 4 homens à sua presença (Mc 2), mas, desta feita, Ele começa a falar sobre o perdão de pecados e somente depois, para testificar sobre sua autoridade, cura o paralítico do mal acometido.

Didaquê

O segundo elemento presente no ministério de Jesus é o ensino, e este se refere à instrução dada ao povo. O objetivo é que o povo seja ensinado a partir da autoridade e não dos “estatutos humanos”.

O verbo didaskõ transmite a idéia de estender a mão repetidas vezes para aceitar algo; a palavra, portanto, sugere a idéia de fazer alguém aceitar alguma coisa. No Novo Testamento, didaskõ, ocorre 95 vezes, das quais 38 aparecem nos evangelhos sinóticos.

Os evangelhos sinóticos são uma clara testemunha de que havia ensino no ministério de Jesus. Ele ensinava publicamente, isto é, nas sinagogas (Mt 9.35, 13.54), no templo (Mc 12.35, Lc 21.37), ao ar livre (Mt 5.2, Mc 6.34) ou ainda, nos lares (Mc 2.1-12). Lucas, o médico amado, é o único que diz algo sobre a forma externa do seu ensino (Lc 4.16), esclarecendo que o Salvador permanecia em pé para ler a Palavra e sentava-se para ensiná-la, conforme o costume rabínico.

O que Jesus ensinava? Em resumo, a resposta é:

Deus, Seu reino e Sua vontade, sendo que todos os mencionados temas também pertenciam ao judaísmo contemporâneo, acerca dos quais Jesus, segundo o modo de um rabino ou de um profeta, falava nas Suas conversas com os judeus”.94

Nota-se, com grande fascínio, que Jesus não teoriza sobre Deus, Sua providencia, Sua graça ou Sua ira, mas demonstra a bondade e a ira de Deus em operação em várias situações concretas.

Diaconia

O verbo diakoneõ, servir, pode ser entendido como o trabalho feito para outra pessoa, voluntária ou compulsoriamente. O substantivo derivado diakonia ocorre 34 vezes no Novo Testamento e significa “serviço”, “cargo”. Outro substantivo derivado, diakonos, denota uma pessoa que leva a efeito a tarefa, logo, o significado primário secular era um “garçom”, e assim é usado mais tarde com referência às refeições rituais.

No judaísmo, existiam cuidados organizados para os pobres. A cada sexta-feira, aqueles que viviam na localidade recebiam dinheiro suficiente da cesta dos pobres para quatorze refeições; os estrangeiros recebiam comida diariamente da tigela dos pobres. A comida havia sido anteriormente coletada, de casa cm casa, pelos oficiais dos pobres.95

Das 34 vezes que diakonia ocorre no Novo Testamento, os significados variam, podendo estar relacionados com serviço à mesa (Lc 10.40, At 6.1), serviço amoroso (I Co 16.15, Ap 2.19), serviço amoroso mediante o levantamento de uma coleta (At 11.29, 12.25), para todos os serviços da comunidade cristã (Ef 4.12).

“O significado neo-restamentário de diakoneõ deriva da pessoa de Jesus e do Seu evangelho (Mt.20.28, Mc 10.45). Quando Jesus serviu aos Seus discípulos e aos homens em geral, tratava-se de uma demonstração do amor de Deus e da humanidade desejada por Deus”.96

O espírito servil parece ganhar um profundo significado no ministério de Jesus. Ele é o Senhor-Servo de Marcos 10, “que não veio para ser servido, mas para servir”. Ele é o servo sofredor de Isaías 53; Ele é o servo que lava os pés aos discípulos no cenáculo; Ele é o servo de Filipenses 2 que deixa a glória para, encarnado, alcançar-nos com graça. Ele é o servo de João 1.14, que veio tabernacular, ou, como disse tantas vezes José Cássio Martins no púlpito da Igreja Presbiteriana de Vila Mariana: “Veio morar no apartamento ao lado do nosso”; Ele é o Jesus que não apenas ensina, proclama e se emociona, antes, Ele é o Senhor que serve, que estende a mão, que socorre o necessitado, que consola o enlutado, que alivia a dor do sofrido, que acolhe os inacolhíveis, que toca os intocáveis.

Invariavelmente, nos Evangelhos, quando se descreve sobre a missão de Jesus entre os pobres, o mesmo texto apresenta um conjunto de ações da parte de Jesus que diz respeito às necessidades físicas, psico-emocionais, sociais, econômicas e políticas dos pobres. Além de praticar boas obras em favor dos pobres e oprimidos Jesus orientou seus discípulos a darem de comer aos famintos, de beber aos sedentos, a vestirem os despidos, a visitarem os encarcerados e a acolherem os estrangeiros e marginalizados (Mt 25-31-46). 97

É imperioso observar que a Igreja precisa voltar-se para o ministério de Jesus, pois nele se encontra o rumo certo para o seu próprio ministério. Ele, Jesus, deve ser o paradigma para a Igreja hoje. Um povo que não apenas está no mundo, mas que realiza a Missio Dei de tal forma, que, aqueles que estão à margem da sociedade, possam ganhar dignidade e ter uma nova experiência na vida.

Com muita propriedade, Barro lembra ainda que:

É necessário deixar claro que essas ações querigma-didaquê-diaconia não são ações separadas ou isoladas. Ao mesmo tempo em que a igreja proclama, ela ensina. Ao mesmo tempo em que ensina, serve. Ao mesmo tempo em que serve, proclama. Não podemos ter igrejas, cuja ênfase está “apenas” na evangelização, ou “apenas” no ensino, ou “apenas” no serviço. É muito fácil encontrar igrejas que são fortes em “apenas” uma destas áreas. Uma igreja só será equilibrada e integral quando entender que esses elementos não podem ser separados.98

3. Visitando a Teologia

Recentemente, Martorelli Dantas, contou uma estória que resumidamente dizia: Certo mestre budista estava experimentando aquele momento de meditação. Sentado num quarto, pernas cruzadas e olhos fechados, ele meditava, quando um gatinho entrou no recinto e começou a roçar-lhe a perna, como é comum aos gatos. Com toda a paciência, o monge afastou o pequeno animal, mas, teimosamente, o gato voltou ao recinto, roçando-lhe novamente a perna. O monge pacientemente afastou o pequeno animal, que insistiu em roçar-lhe a perna, até que aquele mestre pegou o gatinho, uma fita e amarrou-o cuidadosamente a uma cadeira. A partir dai o monge conseguiu voltar à sua meditação.

Os discípulos daquele monge passaram pelo recinto e viram aquela cena inusitada. O monge sentado, meditando, um gato e uma cadeira, sendo que o animal permanecia amarrado à cadeira. Eles não tiveram dúvidas, imaginaram que aquela era uma nova maneira de meditar, por isso correram até a cidade e foram buscar os gatos da cidade para poderem fazer o mesmo exercício do mestre budista. Meditar num pequeno quarto com um gato amarrado a uma cadeira.

Aqueles discípulos fizeram a mesma coisa que muita gente tem feito em nossas igrejas. Eles não sabiam o que significava aquele gato amarrado à cadeira, mas pelo menos parecia ser uma nova técnica, uma nova maneira de meditar. O novo, o desconhecido, mesmo sem entender a razão, tornou-se um novo estilo para aqueles discípulos. Muito daquilo que vemos na Igreja hoje parece ser apenas reflexo dessa ignorância e encantamento com o novo.

Diante da colcha de retalhos que integra a Igreja, não é possível tomar uma posição sobre algum tema apenas ao sabor da paixão. É necessário um embasamento que possa dar plena sustentação ao pensar e ao falar, sem que se encontrem apenas repetidores, mas gente que compreendeu a razão da sua fé e da encarnação dessa fé.

O Pacto de Lausanne, em seu quinto parágrafo, traz afirmações que, com o devido suporte bíblico, podem ajudar a igreja a entender o papel da teologia quanto à sua responsabilidade social.

A doutrina de Deus

O Breve Catecismo de Westminster, em sua pergunta quatro, traz o seguinte:

“O que é Deus?” E responde: “Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade”.99

O quinto parágrafo do Pacto de Lausanne igualmente começa sua exposição sobre a responsabilidade social da igreja fazendo referência ao caráter divino, usando dois atributos, um incomunicável e outro comunicável. Atributo incomunicável é aquele que não encontra nenhuma analogia no ser humano e tem a ver com o ser absoluto de Deus. Atributo comunicável é aquele que encontra alguma ressonância no ser humano. O atributo foi transmitido em algum grau ao ser humano, e tem a ver com o ser pessoal de Deus (poder, amor, bondade, justiça, etc.), e aponta para o Deus revelatus, o Deus revelado que se dá a conhecer mais facilmente.100

A) Deus, o Criador

“Afirmamos que Deus é o Criador”, relata inicialmente o parágrafo recém mencionado.

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). A criação deu-se por meio do Fiat, do latim: faça-se, sem qualquer material pré-existente; sua decisão de que as coisas deveriam existir fez com que estas surgissem e formou-as em ordem com uma existência que dependia de sua vontade e que era, no entanto, distinta de sua essência divina. Pai, Filho e Espírito Santo envolveram-se juntamente (Gn 1.2, Sl 11.3, 14.8, 33.6-9).

Quando o pacto apresenta Deus como criador, segundo Stott, corrobora uma clara demonstração do interesse divino pelo ser humano, bem como de seu envolvimento com a história da humanidade. Ele reafirma que tal evidência deve servir de motivação para a igreja partilhar do interesse divino pela humanidade também.101

O Deus da revelação bíblica, que é tanto Criador como Redentor, é um Deus que se preocupa com o total bem-estar (espiritual e material) de todos os seres humanos que ele criou. Tendo criado cada um à sua própria imagem, ele deseja que eles descubram a sua verdadeira humanidade ao se relacionarem com Deus e uns com os outros.102

J. I. Packer afirma que:

Saber que Deus criou o mundo à nossa volta e nós mesmos como parte dele, é básico à verdadeira religião. Deus deve ser louvado como Criador, em razão de sua maravilhosa ordem, variedade e beleza de suas obras. Os Salmos, como o 104, são modelos desse louvor. Deus deve ser crido como o Senhor Soberano, com um plano eterno abrangendo todos os eventos e destinos, sem exceção, e com poder de redimir, recriar e renovar; tal crença torna-se racional quando nos lembramos de que é no Criador todo-poderoso que estamos crendo. Reconhecer a cada momento nossa dependência do Deus Criador para nossa existência faz com que se torne apropriado viver vida de devoção, compromisso, gratidão e lealdade para com Ele, sem qualquer impureza. A retidão começa aqui com Deus, o soberano Criador, como o primeiro ponto de convergência de nossos pensamentos.103

O reconhecimento de Deus como criador deve levar a uma vida em que não se dicotomizem o espiritual e o material, o religioso e o secular, nem podemos negligenciar a política, a economia e a questão da riqueza do homem.104

B) Deus, o Juiz

O antedito parágrafo, referindo-se a Deus diz: “afirmamos que Deus é o criador e o Juiz de todos os homens”. Percebe-se inicialmente a menção ao Criador, mas inclui-se a justiça divina, sendo assim, esse deve ser um sério lembrete de que todos os homens darão contas a Deus de sua vida no dia do juízo (Ec 12.14).

Pode-se entender a justiça divina como manifestação da sua retidão, que não consegue compactuar com nenhuma atitude que reflita injustiça, opressão e espoliação.

Deus de justiça — ressaltam no livro de Amós os trechos que falam da natureza justa do Deus de Israel, a anunciar o juízo sobre o seu povo e sobre algumas nações vizinhas. Os oráculos que constituem a primeira parte do livro (1.3-2.1 6) são a mais forte expressão desta afirmação. Ele é o Deus que declarou sua lei aos homens (2.4), que chama justos os seus filhos (2.6), que abomina o pecado (6.8), que se ira contra todas as transgressões (cf. a fórmula estereotipada nos oráculos iniciais). Ninguém pode escapar de seu julgamento (2.14s; 9.2s). Ele exige de seu povo a justiça social, religiosa e moral (5-7; cp. 5-15ss) e condena todo aquele que não cumpre a sua lei (5.7ss; passim).105

Como outrora delineado, os atributos divinos dividem-se em comunicáveis e não comunicáveis; a justiça divina é um atributo comunicável de Deus. Significa dizer que Deus exige que esta justiça deve ser vivenciada pelo ser humano. Como diz o Pacto: “Devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade…”106

A doutrina do homem

Nascimento Filho diz que “toda obra cristã filantrópica (isto é, a obra inspirada no amor pelo semelhante) depende da avaliação que os cristãos fazem do beneficiário. Quanto mais alto o valor dos seres humanos, mais os cristãos se inclinam a ajudá-lo”.107

Lausanne afirma, com muita propriedade, que “a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual ela deve ser respeitada e servida e não explorada”. Sabendo que a humanidade foi feita à imagem de Deus, é conseqüente lógico entender que a igreja deve sentir-se motivada a fazer pelo outro aquilo que Deus fez e tem feito. É preciso demonstrar o mesmo interesse de Deus.

O ato criador de Deus deu ao ser humano dignidade. Não é a sua cor, sua cultura, sua conta bancária, mas o haver sido criado por Ele e à semelhança dEle, o que torna o ser humano especial.

Ressalte-se que, além da imago Dei, o cristão deve sentir-se despertado a servir o outro porque esta é a vocação da humanidade. A igreja foi chamada e enviada para amar ao outro, ao próximo e nesse sentido, o próximo é qualquer um independentemente da distância a que ele se encontra.

A doutrina de Cristo

Ao buscar a base teológica para o agir social, necessário se torna voltar-se à pessoa de Jesus, conquanto, na exposição aqui apresentada da base bíblica, o paradigma cristológico já tenha sido traçado de forma mais extensa. Cristo é apresentado neste capítulo como o modelo de amor e vocação para o contexto social. Vejamos:

No tocante ao exemplo de Jesus, o modelo bíblico mais desafiador para a missão é a encarnação. O Filho de Deus não permaneceu na segura imunidade de Céu. Ele esvaziou-se de sua condição e entrou no mundo humano com grande humildade. Fez-se um com o gênero humano em sua fragilidade e tornou-se vulnerável às suas tentações e dor. Tomou sobre si o pecado da humanidade c morreu a morte que cabia a eles. Ele não poderia identificar-se mais completamente com as pessoas do que havia feito. E, no entanto, tornando-se humano, nunca cessou de ser divino. Foi uma total identificação com a humanidade, mas sem qualquer perda da identidade deísta. A missão da igreja deve ser modelada pela do filho (João 20.21).108

Essa percepção da missão de Jesus deve servir de instrumento motivacional para que, como Igreja, esta seja impulsionada a fazer da missão de Cristo a sua própria missão.

Capítulo 5

Os desafios que pesam sobre a Igreja diante da questão social à luz do Pacto de Lausanne

Talvez a parcela mais difícil deste estudo passe a ser agora delineada, posto que serão tratados tanto os obstáculos como os desafios que pesam sobre a Igreja Evangélica Brasileira diante do aspecto sociológico.

1. Obstáculos a uma ação social efetiva

É triste observar que os membros das igrejas evangélicas, bem como a igreja como instituição, não compreendem a dimensão social do evangelho. E, diante dessa incompreensão e ignorância, quando se deparam com desafios sociais, levantam vários argumentos contra a missão integral. Abaixo, são transcritos alguns dos obstáculos que se têm tornado mais comuns.

O individualismo evangélico

Tristemente ainda é possível perceber no seio das igrejas evangélicas, uma postura individualista. O privativo sempre foi o que imperou na Igreja. ´É comum perceber aquela autocelebração, uma comunidade apenas preocupada com os interesses privatísticos. René Padilla diz que:

“o evangelho de Jesus Cristo é uma mensagem pessoal: revela um Deus que chama cada um dos seus pelo nome. Mas é ao mesmo tempo uma mensagem cósmica: revela um Deus, cujo propósito abarca o mundo inteiro”.109

O autor vai mais longe e assevera que:

A falta de valorização das dimensões mais amplas do evangelho inevitavelmente conduz a uma distorção da missão da igreja. O resultado é uma evangelização que concebe o indivíduo como urna unidade autônoma – um Robinson Crusoé a quem o chamado de Deus chega na solidão da sua ilha — cuja salvação se realiza exclusivamente em termos de sua relação com Deus. Perde-se de vista que o indivíduo não existe isoladamente e que, portanto, não se pode falar de salvação sem que se faça referência à relação do homem com o mundo do qual ele faz parte.110

Esse individualismo leva a igreja a viver no isolamento, na alienação, na ausência do mundo, mundo do qual ela foi chamada, mas para o qual foi enviada a fim de ser sal e luz.

Alienação

Alienação é definida como indiferentismo moral, político, social ou apenas intelectual. A comunidade evangélica vive alheia à realidade vigente por causa da sua miopia, que a leva a ver apenas as coisas mais próximas, aquelas que envolvem a própria igreja, por causa de um certo sentimento de impotência diante dos desafios que têm ganhado proporções significativas.

Para mim é uma tristeza que muitos cristãos se deixem contaminar pela alienação. “Naturalmente”, dizem eles, “a luta pela justiça é interesse nosso; não podemos fugir desse fato. Os obstáculos, porem, são imensos. Além das questões serem complexas (não somos especialistas), e a sociedade pluralista (não dispomos de qualquer monopólio do poder ou de privilégios), as forças da reação predominam (não temos influência alguma). A maré vazante da fé cristã na comunidade tem nos deixado no seco. Além disso, os seres humanos são egoístas e a sociedade está podre. Contar com uma transformação social é irrealismo total”.111

 

A perpetuação da pobreza

É até comum ouvir pessoas citando Deuteronômio 15.11: “Pois nunca deixará de haver pobres na terra…”, na tentativa de argumentar que é tolice fazer algo mais significativo contra a injustiça e a pobreza, porque factualmente os pobres sempre estarão aí. O texto em questão não deve servir de justificativa para uma deformação do evangelho. Como comentou J. A. Thompson, a pobreza em Israel seria uma grande possibilidade em razão de sua desobediência a Deus. Se a primeira parte de Deuteronômio 15.11 fala sobre a presença da pobreza, não se pode esquecer de ler o restante do versículo, e a segunda parte do mesmo estimula à generosidade e ao exercício da misericórdia. Em favor do necessitado, ao dizer: “… por isso, eu te ordeno: livremente, abrirás a mão para o teu irmão, para o necessitado, para o pobre na tua terra”.

O custo é elevado

Outro elemento que tem sido comum e vem servindo como obstáculo à ação social é a preocupação da igreja com o custo. A igreja evangélica parece não demonstrar ser muito sábia na administração dos seus recursos. Outrossim, muito da preocupação da igreja está mais atrelada a aspectos administrativos do que a uma práxis social. Tem-se visto a construção de templos suntuosos que refletem a preocupação última de muitas comunidades interessadas apenas no luxo e no conforto, reflexo do individualismo protestante, já mencionado anteriormente, mas que não tem uma noção do que significa ser “Igreja fora dos portões”.

Indaga-se sobre o que é mais dispendioso: cuidar hoje de uma criança carente ou tratar o marginal de amanhã? Parece ser mais barato conferir dignidade à criança. Ainda, se o custo é elevado, a comunidade pode procurar alternativas para definir como incentivar o recolhimento de material reciclável para posterior venda. Com o levantamento de recursos, via reciclagem, o custo poderá ser consideravelmente minimizado.

A presença de aproveitadores

Jesus ensinou que se deve ser manso como a pomba e sagaz como a serpente. Infelizmente, parece que os cristãos aprenderam apenas parte da lição. São sagazes e desconfiados em demasia, e a mansidão não tem sido uma característica muito presente na vida de muitos.

Essa sagacidade deveria despertar o zelo, mas o que se tem visto é o exercício da desconfiança. É notório ver aproveitadores, mentirosos, espertalhões, quando o assunto é dinheiro. Mas a possibilidade de encontrá-los não deve servir de desculpa para a omissão e ineficiência social da igreja.

Carlos Queiroz, numa palestra realizada no Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE-83), confessou sobre sua leitura da pobreza. Ele afirmou que, quando acordou para os problemas sociais, via a pobreza como conseqüência de preguiça e malandragem. Sem dúvida alguma essa leitura é no mínimo preconceituosa, apesar de que não se pode ser ingênuo posto que, nesse universo de miseráveis, muitos estão excluídos porque lhes falta coragem para enfrentar os desafios do trabalho, por isso preferem pedir a produzir, mas esta é uma exceção. A pobreza continua sendo fruto da injustiça social vigente.

O conformismo ou a síndrome da “Rã na Chaleira”

Às vezes, tem-se a nítida impressão de que a presença sistemática da miséria vem empedrando os corações. A violência cerca a todos, a miséria bate à porta, a morte revela-se com tanta intensidade que, ao contemplar todo esse cenário, a humanidade parece ter-se tornado dura e cínica. Já não há comoção diante das barbáries, ao contrário, constrói-se um terrível conformismo. “O final dos tempos trará isto”, dizem alguns. “O que você espera do final dos tempos?”, perguntam outros. Diante desta situação fatalista é possível lembrar a história da “Rã na Chaleira”.

Coloque uma rã na chaleira com água fervente e ela rapidamente pulará fora ao sentir que o ambiente a sua volta é hostil. Coloque uma rã na chaleira cheia de água à temperatura ambiente e vagarosamente vá esquentando a temperatura da água até que ela ferva. A rã permanecerá na água até morrer cozida.112

Objetivando acrescer outros aspectos que obstaculizam a efetiva ação social da igreja, apresenta-se o que Queiroz perguntou em seu livro, “Eles Herdarão a Terra”, e sua conseqüente resposta a tão relevante questão.

“Por que a Igreja, no Brasil, tem-se distanciado do compromisso com os pobres?’.

1 – Mantemos atitudes egoístas e cômodas;

2 – Sacralizamos a riqueza e profanamos o pobre;

3 – Utilizamos mecanismos de seleção por exclusão;

4 – Dicotomizamos devoção X responsabilidade social;

5 – Trocamos os desafios das boas novas do Reino de Deus pela ameaçadora “evangelização pé-na-cova”;

6 – Usamos uma escatologia escapista e alienante;

7 – Temos uma visão distorcida da Criação, da Queda e da Redenção;

8 – Reduzimos a proclamação comunitária a um apelo individualista;

9 – Fomos afetados pelo rompimento com o movimento norte-americano do “evangelho social” no final do século XIX;

10 – No Brasil, fomos afetados pela revolução de 1964.113

2. Os desafios e as alternativas

Até os vinte e quatro anos, aquele jovem nascido na Nova Zelândia, numa família saudável e próspera, dividira seu tempo entre seu país e a Austrália. Formou-se em engenharia elétrica e em matemática, mas o que o fascinou foi a conclusão de seu curso em missiologia no Instituto Fuller, (EUA). Seu nome é Viv Grigg, um cristão que, desde cedo, tem uma paixão pelo ministério urbano e especialmente pelos pobres. Por isso, algum tempo depois de concluir seus estudos, o jovem foi morar em Manila, nas Filipinas, e isso não seria significativo se ele não houvesse optado por morar em uma favela. A atitude de Grigg foi marcada por uma verdadeira inserção naquele ambiente, tanto que ele, em pouco tempo, identificara-se com os moradores daquela favela, a ponto de fazer refeição em suas casas.

Em entrevista para a “Revista Kerigma”, o missionário afirmou que “missões e ação social andam juntos” e que, “quando entendemos o conceito de Reino de Deus, representado aqui na terra de uma maneira abrangente, um dos componentes da Igreja seria então estar envolvida com os necessitados, com os pobres…”

A decisão de Grigg foi, sem dúvida alguma, radical, mas ele só pôde tomá-la porque dispunha de uma clara convicção do seu chamado para aquele ministério. Poder-se-iam incluir nesse rol de pessoas que se sentem chamadas para desempenhar tão apaixonadamente o trabalho com o pobre, com o necessitado, o Médico Paul Brand, que tem trabalhado com leprosos em Calcutá, ou Madre Tereza de Calcutá, que se envolveu com o mesmo povo que Brand, dedicando sua vida ao marginalizado.

É sabido que o ministério desses três servos de Deus é diferenciado. Eles tiveram um chamado específico, mas a Igreja de Jesus também tem sido chamada e precisa, (entendendo este mesmo chamado), viabilizar alternativas para criar um ministério social sério, efetivo e que faça a diferença neste mundo sofrido.

Enumeram-se adiante algumas alternativas para o exercício efetivo de um ministério social.

É preciso ter voz profética

Cavalcanti sugere que a Igreja faça uso daquilo que ele resolveu denominar de profetismo, dizendo que:

A ação profética se dá quando representamos a consciência moral da nação; a voz da ira de Deus contra a iniqüidade. E para sermos adversários dessa iniqüidade, inimigos do mal, não temos necessidade de pertencer a nenhum partido político, nem sermos candidatos a coisa nenhuma…

Acontece que, quando uma comunidade se levanta e clama contra a iniqüidade existente, ela absolutamente não está fazendo política partidária, nem vestindo bandeira ideológica. Nós estaremos realmente mexendo nas formas quando fizermos filantropia, projetos de desenvolvimento, ação política, na retaguarda, intercessão, ensino, apoio e profecia nesse sentido.114

No evangelho de Lucas (Lc 1e.40}, Jesus afirma que “… se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Indubitavelmente esse profetismo por parte da Igreja tem estado ausente. A igreja tem silenciado como se não tivesse nada a ver com o problema, ou porque sabe que, no momento cm que isso for exposto, fatalmente enfrentará problemas. Mas se a Igreja calar-se, certamente Deus levantará outras vozes. Isto aconteceu no diálogo entre a rainha Ester e Mordecai. Havia opressão e um iminente holocausto estava mostrando a sua face, a rainha parecia estática diante do problema, por isso Mordecai afirmou: “Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Et 4.14). Mordecai acreditava que de alguma forma Deus proveria livramento para o povo, se Ester não exercesse o seu papel profético, denunciando Hamã.

Philip Yancey, em seu livro, “Encontrando Deus nos Lugares mais Inesperados”, dedicou um capítulo para falar sobre o envolvimento de William Shakespeare com política. O que chama a atenção é perceber que Shakespeare foi uma espécie de “pedra falante”; com suas peças, ele acabou denunciando a opressão e a injustiça sociais dos seus dias. Um trecho da peça o Rei Lear, que conta a história do rei que foi abandonado pelas filhas e expulso do seu castelo, mostra que ele fez uma enorme descoberta, pois descobriu as dificuldades dos pobres e sem-teto, e diz o seguinte:

Pobres miseráveis nus, onde quer que estejam, que amargam o rigor desta impiedosa tempestade, como podem suas cabeças desabrigadas e barrigas vazias, evidente e patente andrajosidade, protegê-los de intempéries como esta? Ah, quão pouca atenção dou a tal! Expõe-te para sentir o que sentem os miseráveis, e poderás proporcionar-lhes a abundância e exibir o paraíso de forma mais justa.115

Valorizar os desafios independentemente de sua dimensão

É, no mínimo, ingenuidade imaginar que a ação social resolverá totalmente o complexo problema da injustiça sociológica. Mas, com certeza, o agir da Igreja, independentemente de sua dimensão e alcance, fará diferença na vida de alguém, por isso vale a pena lançar essa semente que poderá abençoar o outro.

Henri Nouwen nasceu na Holanda e, como padre e professor, ensinou em Universidades como as de Notre Dame, Yale Divinity School e Harvard. Como escritor, produziu pelo menos trinta livros. Porém chegou um dia na vida de Nouwen quando ele conheceu um trabalho social com deficientes mentais, o da Comunidade L’Arche, na França. Encantado com o que viu, decidiu abandonar sua vida acadêmica e dedicar-se à atividade com os deficientes. Os últimos dez anos de sua vida Nouwen passou numa comunidade chamada Daybreak, em Toronto, no Canadá, cidade onde, conforme se observa no seu livro, “Adam, o Amado de Deus”, vivencia uma experiência particular que teve com um amigo que o visitou naquela comunidade. O amigo ficou surpreso e chocado ao ver Nouwen, um homem tão habilitado, cuidando de um deficiente chamado Adam, banhando-lhe, cortando-lhe a barba e até servindo-lhe a refeição na boca, pois Adam não tinha o controle necessário para fazê-lo sozinho. O visitante fez as seguintes perguntas: “Henri, é aqui que você está gastando seu tempo?”. “Você deixou a universidade, onde era grande inspiração para tantas pessoas para gastar seu tempo e sua energia com Adam?”. Nesse momento, Nouwen percebeu que seu amigo não compreendera sua vocação e missão. Philip Yancey, em um artigo intitulado: “A Santa Ineficiência de Henry Nouwen”, conta este mesmo episódio, com uma diferença, Yancey identifica-se como o amigo que visitou Nouwen em Daybreak e apresenta a resposta que recebeu daquele sábio: “Eu não estou dando nada”, ele insistiu. “Sou eu, não Adam, quem tira o maior benefício da nossa amizade”.116

Em sua humildade, Nouwen afirmou que Adam estava sendo uma bênção em sua vida, de alguma forma, todos os que se envolvem com o socorro ao próximo fazem a mesma descoberta. Mas, em última instância, de fato Henri Nouwem estava exercendo um maravilhoso ministério na vida daquele jovem deficiente. Talvez aquele trabalho não fizesse muita diferença no âmbito geral, mas fez enorme diferença na vida de Adam. É imperioso aprender a valorizar pequenas ações que podem causar transformação na vida do outro.

Identificar os desafios que estão próximos

Em Atos dos Apóstolos (At 1.6-11), diante da ascensão de Jesus, os discípulos que contemplavam a cena ficaram com os olhos fitos nos céus, até que foram exortados a lembrar-se de que o Jesus que foi assunto ao céu voltaria do mesmo modo como o viram subir. Ainda hoje, a Igreja faz a mesma coisa, seus olhos estão fitos no infinito, olhares distantes, alheios à realidade. A igreja precisa ver o que está à sua volta, pois muitas igrejas se estabeleceram bem próximo a bairros onde a necessidade social é gritante e mesmo assim, ainda não conseguiram se aperceber da realidade em que estão inseridas.

Partilhar os recursos

Passando pela BR 232, no agreste pernambucano, aproximando-se da cidade de Caruaru, ao longe se avista o morro Bom Jesus. Em certa ocasião, certo membro de uma das igrejas evangélicas de Caruaru relatou o seguinte: “Sempre dizem que minha igreja tem potencial”, mas, segundo ele, o morro Bom Jesus também tem potencial, só que ele permanece no mesmo lugar, se ele pudesse se movimentar teria condições de destruir a cidade de Caruaru, mas ali estagnado, parado, ele tornou-se apenas parte da paisagem. Com esta análise, este senhor tenciona fazer uma análise crítica de sua comunidade em Caruaru, que tem potencial, mas potencial sem ação não faz diferença.

A igreja evangélica no Brasil também tem potencial. Quantos colégios, faculdades, terrenos, acampamentos, templos, prédios destinados à educação religiosa e seminários pertencem à comunidade evangélica brasileira e quão pouco estes bens são usados na perspectiva da partilha.

Templos e prédios de educação religiosa ficam fechados durante a semana, sem a menor utilidade para a comunidade que a cerca. É preciso aprender a dividir os recursos, que necessariamente não se limitam ao dinheiro, mas podem estar ligados à estrutura, aos imóveis, ao tempo, aos profissionais (médicos, professores, assistentes sociais, empresários) que poderiam usar sua profissão e seu potencial para dirimir o sofrimento e a diferença social.

A) Assistência jurídica

Nas cidades, existe uma necessidade de apoio jurídico. Muita gente não tem sequer um documento de identidade, alguns não têm o registro de nascimento, existem outras questões como a posse de um terreno, ou problemas ligados à moradia, afora isso, existem problemas em lares, onde se faz necessária uma assistência jurídica que facilite a vida desse povo tão sofrido.

B) Assistência médica

A igreja evangélica brasileira conta, em suas fileiras, com profissionais de saúde (médicos, dentistas, enfermeiros), o que permite estabelecer um projeto que vise a assistir àqueles que não têm acesso facilitado à saúde. A igreja pode – quem sabe? -criar um projeto de saúde, que trabalhe com noções de higiene, podendo ampliar sua assistência, criando uma policlínica que possibilite à população carente uma vida mais digna.

C) Assistência educacional

Em Caruaru, no ano de 2002, a Escola Mamãe Natureza abraçou um projeto social, na vila Padre Inácio, que recebeu o nome de Projeto Tatear. O corpo docente da escola entendeu que deveria levar um trabalho pedagógico à periferia para crianças carentes, dando a elas a preciosa oportunidade da alfabetização. O projeto tem provido material e recursos humanos para que crianças carentes tenham o mínimo de dignidade e possam ter acesso àquilo que é tão difícil em nosso país, a educação.

É insofismável que a comunidade evangélica pode fazer alguma coisa pelas crianças carentes. Sobram espaço físico e professores nas comunidades e, portanto, perfeitamente possível estabelecer um projeto social que faça a diferença na vida das crianças que moram na periferia.

D) Assistência aos meninos de rua

Há algum tempo, meninos cheirando cola nas ruas era uma marca registrada dos grandes centros urbanos. Hoje, esta é uma cena que tem se repetido diariamente em cidades pequenas. De alguma forma está na hora da igreja evangélica perceber que alguma coisa pode ser feita de maneira efetiva para que esses meninos de rua venham a ser assistidos com dignidade. Caruaru apresenta também um projeto chamado “Desafio Criança”, que tem dado assistência a crianças que, por viverem em uma família desestruturada, foram parar nas ruas e já se envolveram (inclusive) com a criminalidade. Os meninos são recolhidos pelo projeto e recebem assistência para que, ao saírem dali, tenham novos hábitos e conceitos de vida.

É preciso aprender com a história

Foi possível mencionar os aspectos históricos que fizeram da Igreja o que ela é hoje. Verifica-se que homens como Wesley, Wilbeforce, Calvino em Genebra, entre outros, tiveram um papel social relevante e o exemplo desses homens deve servir como desafio para a Igreja dos dias atuais. Ainda mencionando a história, verifica-se na chegada dos protestantes ao Brasil, de maneira especial, uma preocupação e um zelo pelas questões educacionais e de saúde, tanto que escolas e hospitais foram construídos com o patrocínio e por causa da visão da igreja nascente. Olhando para o potencial da igreja evangélica no Brasil do século XXI, percebe-se que é possível investir novamente nestas áreas, já que a saúde e a educação no Brasil são tão sofridas e os pobres, os que mais carecem de uma estrutura educacional e de saúde adequadas.

É preciso estabelecer um projeto de encarnação

É indispensável definir um projeto de encarnação. Um projeto em que os valores do reino sejam colocados em prática pela comunidade. René Padilla sugere, como sustentação da atividade da igreja, três elementos chaves: o ponto de partida de nossa responsabilidade social é a identificação e isto foi o que o Senhor Jesus fez, quando, encarnado, visitou a terra; a norma de ação conhecida é o sacrifício, voltando-se para Jesus, percebe-se a mais eloqüente expressão deste, a cruz; a dinâmica da igreja precisa ser a nova vida.117

Verificou-se até aqui que alguns obstáculos têm inibido a ação social da Igreja, mas também que as alternativas propostas podem ser instrumento facilitador para a ação social da mesma. Embora não se tenha realizado quaisquer distinções entre ação social e evangelização, o certo é que as propostas formuladas podem e devem vincular ação social e evangelização de forma que as duas se complementem, posto que não existe evangelização genuína sem uma dimensão social, nem responsabilidade social realmente cristã sem uma dimensão evangelística.118

Lausanne 74 cumpriu um papel relevante no seio da Igreja Evangélica Brasileira. A partir daquele magno congresso foi possível ver aflorar no Brasil uma nova leitura, uma leitura holítistica, uma leitura baseada no evangelho integral. Longuini lembra que:

“No Brasil a chegada do Pacto de Lausanne, efetivamente, deu-se em 1983, quando foi realizado o Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE-83) em Belo Horizonte.” 119

O CBE-83 não foi o único congresso influenciado por Lausanne, pode-se incluir o Congresso Nordestino de Missões, bem como é possível incluir a formação da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), e a realização do seu primeiro congresso.

A) Congresso Brasileiro de Evangelizaçáo

O Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE-83) se deu na cidade de Belo Horizonte nos dias 31 de outubro a 5 de novembro, e sem dúvida alguma entrou para a história da igreja evangélica brasileira como um dos mais importantes eventos. Falando sobre a importância do CBE, Steuernagel afirma que:

A marca do CBE na vida de muitíssimos irmãos foi enorme. Isto se pode constatar de Norte a Sul e o fazemos com um sentido de gratidão ao Senhor. Vidas marcadas, desafios assumidos, objetivos elaborados, irmãos que se consagraram ao campo missionário, novas visões e perspectivas missionárias que foram percebidas, horizontes que foram ampliados e posições teológicas reformuladas. Estes são apenas alguns poucos aspectos de uma vida inteira que ocorreu naqueles poucos dias no Mineirinho.120

B) Congresso Nordestino de Evangelização

O processo iniciado com a realização do CBE-83 teve continuidade com a realização do Congresso Nordestino de Evangelizaçáo (CNE-88) realizado em Recife, cm 1988. O CNE-88 culminou com um movimento pelo resgate da ética evangélica e por uma representação oficial dos evangélicos no Brasil diante dos escândalos provocados por alguns deputados federais evangélicos que reorganizaram a Confederação Evangélica do Brasil.121

C) Congresso AEVB

Em julho de 1994 (18-23), evangélicos de diversas regiões do Brasil se reuniram em Brasília para o I Congresso Nacional da Associação Evangélica Brasileira; o tema foi relevante: “A Igreja Evangélica na Virada do Milênio”.

Os objetivos do congresso foram formulados no material de divulgação e estão expressos num texto compilado por Rubem Amorese.

1 – DISCERNIR a vontade de Deus quanto à missão no tempo e na realidade em que vivemos. A comunidade de adoração que somos, o testemunho que damos e a unidade que experimentamos (exalamos), estão a serviço do cumprimento desta missão.

2 – CELEBRAR a fidelidade de Deus para com o Seu povo. O crescimento extensivo da Igreja, a riqueza de iniciativas nas áreas de missões e de serviço e as manifestações de unidade do Corpo de Cristo no Brasil são expressões da fidelidade de Deus e se constituem em motivo para a nossa celebração.

3 – ACEITAR o desafio de viver a fé em meio à crise de nossos dias como um compromisso de discipulado integral e solidário. O convite para o reencontro com a esperança do Reino é fonte de vida em meio à crise, dentro e fora da Igreja.

4 – BUSCAR por rumos para uma espiritualidade cristã alimentada por Deus, fiel ã Palavra, sensível ao Espírito, alicerçada na justiça, edificada na comunidade, voltada para o mundo, íntegra no comportamento e disposta ao serviço.122

Em todos estes encontros o espírito de Lausanne esteve presente. No entanto, é preciso estender os horizontes, é preciso alargar a visão para que a Igreja brasileira não apenas volte a discutir os temas presentes nesses congressos, mas que exista uma encarnação daquele espírito que, sem dúvida alguma, revolucionará a maneira de ser Igreja.

Conclusão

Esta pesquisa teve como objetivo levar o leitor a perceber que a Igreja, o povo de Deus, foi vocacionado para exercer sua missão de maneira a extrapolar as suas próprias fronteiras. Ela foi chamada e enviada, não para viver numa autocelebração, mas para demonstrar misericórdia por aqueles que carecem de amor. Diante desta certeza, recomendo duas ações práticas por parte da Igreja.

1. A Igreja precisa tornar-se uma comunidade amorosa

Conta-se que Madre Tereza participou de reuniões com reis, presidentes e chefes de Estado do mundo inteiro. Eles compareciam com os seus ornamentos que falavam de sua condição na sociedade. Enquanto Madre Tereza usava o seu tradicional sári, preso por um alfinete de segurança.

Um nobre conversou com ela a respeito de seu trabalho com a camada mais pobre da população de Calcutá. Ele perguntou se ela não se sentia desanimada ao ver tão pouco sucesso em seu ministério. Madre Tereza respondeu: “- Não, eu não me sinto desanimada. Veja, Deus não me chamou para o sucesso. Ele me chamou para um ministério de misericórdia.”

A Igreja precisa perceber a sua vocação, entendendo que o desafio que está diante de si é precioso e não deve despertar um desejo por resultados. Os resultados são importantes, no entanto, a nossa vocação deve ser exercida em obediência àquele que nos arregimentou e ao mesmo tempo com o cotação engravidado de misericórdia. Essa misericórdia precisa desembocar em ações práticas, efetivas que possam, em alguma proporção fazer diferença nesse mundo de indiferentes.

2. A Igreja precisa ser sensível ao desafio que tem diante de si

Barro, citando Orlando Costas, afirma ser “essencial que procuremos entender, ainda que de forma breve, a urgência da missão na cidade”.123

Barro, na verdade, está sugerindo que olhemos com o devido cuidado o que acontece ao nosso redor, percebendo que

o desafio não pode ser minimizado, antes, deve ser encarado com a devida seriedade e urgência.

Lendo a história do rei Salomão, logo quando ele ascendeu ao trono de Israel, após a morte de seu pai Davi, descobrimos que ele resolveu buscar a Deus em oração. Em seu pedido encontramos o rei, primeiro, admitindo que o desafio que tinha diante de si era enorme; em segundo lugar, ele percebe que o seu papel como rei não é maior do que o de um mordomo. Ele percebeu que foi colocado naquela condição para servir a nação e em terceiro lugar, o rei pediu discernimento para governar com justiça, podendo distinguir entre o bem e o mal (I Rs 3.7-9).

É impressionante perceber que o rei de Israel não minimizou o desafio que tinha diante de si; antes possuía uma noção exata do mesmo, mas ele não quis enfrentá-lo de qualquer jeito, desejou fazê-lo com justiça. Talvez esta seja a hora de clamar por discernimento, admitindo a dimensão do desafio e as nossas limitações para superá-lo. Salomão pediu discernimento para julgar com justiça.

Que a Igreja clame por discernimento para fazer justiça.

* * *

Notas

1 Caio Fábio D’ARAÚJO FILHO, A Igreja Evangélica e o Brasil: Profecia, Utopia e realidade, p. 16, 17 e 20

2 Samuel ESCOBAR, Desafios da Igreja na América Latina, p. 17

3 Paul FRESTON, Fé Bíblica e Crise Brasileira, p. 5-6

4 C. René PADILLA, Missão Integral, p.9.

5 John STOTT, Evangelização e Responsabilidade Social, p.7.

6 Billy GRAHAM, A Missão da Igreja no Mundo de Hoje, p. 17.

7 James A. SCHERER, Evangelho, Igreja e Reino, p. 125.

8 James A. SCHERER, op. Cit., p. 192

9 Luiz LONGUINI NETO, O Novo Rosto da Missão, p. 186.

10 Valdir STEUERNAGEL, A Evangelização do Brasil: Uma tarefa Inacabada, p.38-39.

11 Tony LANE, Pensamento Cristão, vol.2, p.204-205.

12 Robinson CAVALCANTI, A Utopia Possível, p.44.

13 René C. PADILLA, op. cit., p.57-58

14 Luiz LONGUINI NETO, op. cit., p. 187

15 Idem. p.76

16 id., p.188.

17 John STOTT, John Stott comenta o Pacto de Lausanne, p.9.

I8 James SCHERER, op. cit., p. 126.

19 John STOTT, op. cit.. livre adaptação ao Comentário de Stott sobre o Pacto.

20 John STOTT, op. cit., p.27.

21 íd., 28.

22 Robinson CAVALCANTI, OP. CIT., p.43

23 Peter WAGNER, A igreja Saudável, p. 151.

24 John STOTT, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo. p.376-377.

25 James I. PACKER, Evangelização e Soberania de Deus, p.28.

26 Wadislau Martins GOMES, Sal da Terra em Terras dos Brasis, p.29.

27 Carlos R. CALDAS FILHO, Fé e Café, p.67.

28 Russell P. SHEDD, Fundamentos Bíblicos da Evangelização, p.8.

29 Joseph C. ALDRICH, Amizade, a Chave para a Evangelização, p13, (texto adaptado).

30 Edward R. DAYTON, O Desafio da Evangelização do Mundo. p. 18.

31 John STOTT, op.cit., p.23.

32 Antonio José do NASCIMENTO FILHO, América Latina e seus Problemas, in Fides Reformata, p. 95.

33 id. p. 96.

34 Hélcio da Silva LESSA, Missão da Igreja e Responsabilidade Social, p.76-77.

35 John STOTT, op. cit., p.38.

36 Andrew KIRK, O Debate a Respeito da Missão Cristã, in Fundamen­tos da Teologia Cristã, p.269.

37 John STOTT, op. cit., p.31.

38 James A. SCHERER, op. cit., p. 136.

39 A. J. do NASCIMENTO FILHO, O Papel da Ação Social na Evangelização e Missão na América Latina, p.28.

40 id., p.29.

41 John STOTT, op. cit., p.21.

42 John Stott, op. cit., p.380

43 Francis A. SCHAEFFER. Manifesto Cristão, p.63-65.

44 John STOTT, op. cit., p. 10.

45 Manfred GRELLERT, Os Compromissos da Missão, p.73-74

47 Jaziel C. CUNHA, O Reformador, p. 1

48 Walter A. ELWELL, Enciclopédia Teológica da Igreja Cristã, vol. II, p. 426-429

49 Augustus Nicodemus LOPES, Liberalismo e Fundamentalismo, p.6-7

50 Walter A. ELWELL, Enciclopédia Teológica da igreja Cristã, vol. III, p. 112-113

51 John STOTT. O Cristão em uma Sociedade não Cristã, p.23

52 Idem, p.24

53 Augustus Nicodemus LOPES. Op. Cit..p.7

54 Idem, p. 10

55 Antonio Gouvêa MENDONÇA, O Celeste Porvir, p. 242

56 M. S. B. DANA e I. G. ROCHA, Hinário Novo Cântico, p. 168

57 E. T. CASSEL e E. R. SMART, Hinário Novo Cântico, p. 258-259

58 Carlos CALDAS, O Último Missionário, p.43

59 Antônio José do NASCIMENTO FILHO, O Papel da Ação Social na Evangelização e Missão na América Latina, p.58

60 Robert C. LINTHICUM, Revitalizando a Igreja, p.87-88

61 Warren W. WIERSBE, A Crise de Integridade, p.29

62 Robert C. LINTHICUM, op.cit.. p.60

63 Caio Fábio D’ARAUJO FILHO, Igreja: Evangelização, serviço e transformação histórica, p.20

64 H. BETTENSON, Documentos da Igreja Cristã, p. 235

65 Antonio José do NASCIMENTO FILHO, op.cit., p. 64-65

66 Clóvis Pinto de CASTRO, A Cidade é Minha Paróquia, p.47

67 Robinson CAVALCANTE op. Cit., p.39

68 René PADILLA e Carlos DEL PINO. Reino, Igreja e Missão, p.68

69 John STOTT, op. cit.. p. 17

70 Francis A. SCHAEFFER, Manifesto Cristão, p.65

71 Elben M. Lenz CÉSAR, História da Evangelização do Brasil. p.89

72 Domício P. MATTOS, A Posição social da Igreja, p.49-50

73 Idem, 52-54

74 Elben M. Lenz CÉSAR, op. cit., p.96

75 Duncan Alexander RELLY, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 134

76 Domício MATTOS. op. Cit., p.55

77 Idem.p.55-59

78 Irland P. de AZEVEDO, Missão da Igreja e Responsabilidade Social, p. 11-24

79 Paulo FRESTON, Fé Bíblica e Crise Brasileira, p. 142

80 Domício MATTOS, op. cit., p. 61-62

81 Paul FRESTON. op. cit.. p. 143

82 Carlos Pinheiro QUEIROZ, Eles Herdarão a Terra, p. 113

83 R. Alan COLE, Êxodo, Introdução e Comentário, p. 172

84 R. K. HARRISON, Levítico, Introdução e Comentário, p.206

85 R. N. CHAMPLIN, Dicionário do Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, p.4583

86 Antônio José do NASCIMENTO FILHO, Fidas Reformata, p. 107

87 Russel P. SHEDD, A Justiça Social, p.8

88 John STOTT, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, p.383

89 John STOTT, Tive Fome, p.21

90 Jorge H. BARRO, De Cidade em cidade, p.50

91 Idem, p.50-51

92 Jorge H. BARRO, op.cit., p.26

93 James Montegomery BOICE, O Discipulado Segundo Jesus, p. 17

94 Colin BROWN, Dicionário de Teologia do Novo Testamento, vol. II, p.45

95 Colin BROWN. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. IV. p.449

96 Idem, p.451

97 Carlos Pinheiro QUEIROZ. Jornal AETAL, p.5

98 Jorge H. BARRO, Ações Pastorais da Igreja com a Cidade, p.25-26

99 O Breve Catecismo de Westminster, p. 10

100 Heber Carlos CAMPOS, O Ser de Deus, p. 164

101 John STOTT, John Stott Comenta o Pacto de Lausanne, p.28

102 John STOTT, op.cit., p.383

103 J. I. PACKER, teologia Concisa, p.20

104 Dieter BREPOHL, Afluência e Pobreza, in A Evangelização do Brasil; Uma Tarefa Inacabada, p.133

105 Júlio Paulo Tavares ZABATIERO, Liberdade e Paixão, p.29

106 Antônio José do NASCIMENTO FILHO, op.cit., p.49

107 Ibid

108 ldem, p.45

109 René PADILLA, Missão Integral, p. 15

110 Ibid

111 John STOTT, op. cit., p.94

112 George Barna, A Rã na Chaleira, capa

113 Carlos Pinheiro QUEIROZ. Eles Herdarão a Terra, p.71-85

114 Robinson CAVALCANTI, Igreja: Agência de Transformação Histórica, p.51-53

115 Philip YANCEY, Encontrando Deus nos Lugares mais Inesperados, p.105

116 Philip YANCEY, Enfoque Gospel, p.90

117 René PADILLA, Evangelio Hoy, p.82-88

118 René PADILLA, Servindo com os Pobres na América Latina, p.35

119 Luiz LONGUINI NETO, op. cit., p.77

120 Valdir STEUERNAGEL (Editor), A Evangelização do Brasil: Uma tarefa inacabada, p. 10

121 Luiz LONGUIN1 NETO, op. cit.. p.28 e 78

122 Rubem AMORESE (Editor), A igreja Evangélica na Virada do Milênio, p.31

123 Jorge Henrique BARROS, op. cit. p.11

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Responsabilidade Social da Igreja/ Calvino Teixeira da Rocha

ISBN-85-8714374-3

1. Teologia Social 2. Igreja – Responsabilidade social 1. Título.

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1ª edição: Verão 2003

Capa: Eduardo Pellissier

Impressão: Imprensa da Fé

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Por Calvino Rocha

“Tudo” pode ser bom ou ruim para uma pessoa (dependendo do conceito que se tem das coisas) !

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Filosofia é boa e sem dúvida uma das maiores bênçãos da razão humana em todos os níveis. Só não pode e nem deve virar filosofia de botequim, de fundo de quintal, de beira de rua nem, segure-se por aí, de pseudocristianismo. Chegamos a uma posição interessante, na qual devemos pensar que é importante preservar o que é valoroso, sem jamais permitir que os tons desafinados dessa coisa a tornem proscrita ou merecedora de ser defenestrada de nosso conceito e de nossa vida. Logo, não é porque é possível termos deformidades da Filosofia que ela deve ser afastada, mas devemos ter em relação a ela a melhor das buscas, a fim de obtermos os melhores juízos dela advindos. E isso diz respeito a outras coisas de nossa existência. Filosofia, no sentido mais lato do sema, é sempre boa. Filosofia, em suas aplicações, entre as quais algumas podem ser até detestáveis, pode ser boa, mas pode ser muito ruim.

Igreja também é coisa boa, sem dúvida alguma. Mas, se analisarmos bem, Jesus instalou entre nós um conceito, sem determinar um modelo operacional rígido ou um regimento interno acabado e definido. Pelo contrário, parece que Sua maior preocupação foi a de estabelecer os pressupostos, os conceitos, o modelo interior e não o exterior da Igreja. Nós, como seres gregários e afeitos a organizar tudo o que tocamos, arrumamos a Igreja em moldes conhecidos de nossas estruturas sociais. Igreja, no sentido estrito de Jesus, é sempre e somente boa. Igreja, no sentido de nossa estruturação e organização, pode ser algo bom, mas pode ser algo muito ruim.

Por que será que boas coisas podem ter más finalidades ou maus andamentos, quando seu propósito é sempre bom? Via de regra, quando as coisas transitam do transcendente para o físico, do metafísico para o tangível, infelizmente – ou felizmente (?) – passam obrigatoriamente por nós, seres humanos. E aí reside o problema de tudo. Essa é a razão básica dos porquês desilusórios de tanta coisa que não deveria ter qualquer problema conjuntural.

Por causa disso e de tantas outras possibilidades, movimentos surgem a cada virada de relógio cósmico. Gente que vai e vem, que sobe e desce. Gente que aparece como salvação de uma lavoura que estava bem, talvez precisando de uma poda aqui ou um adubo ali. Ultimamente tenho ouvido e lido a respeito do debate dos “Com Igreja x Sem Igreja”. Não! Não me refiro aos que abandonam a Igreja, mas aos que insistem em uma nova (será tão nova assim?) forma de ser cristão: o cristão desigrejado. É uma categoria que insiste em ser cristão, diz que jamais abandonará a fé, diz ser preocupado ao extremo com sua espiritualidade, mas com uma diferença dos demais: não quer sequer ouvir falar em Igreja formal.

Muita coisa se usa como desculpa para isso. Muitas dessas justificativas, aliás, são mais que verdadeiramente justas e aceitáveis. Na Igreja de hoje, vê-se abertamente: manipulação das massas, espoliação do incauto, fé barata vendida por preço caríssimo, isolamento denominacional, destruição da unidade do Corpo, troca do espiritual pelo material, esvaziamento da escatologia da esperança eterna por um aqui e agora ralo e sem gosto, esfriamento nas igrejas históricas, aquecimento financeiro nas novas igrejas, perfilamento ecumênico panreligioso, etc e etc.

Mas, voltando ao fato de que tudo isso se dá por nossa ação, e não pela ação da Igreja transcendente ou pela do próprio Cristo, é justo nos esquecermos de outras facetas da Igreja? É nela que vivemos a comunidade, que comungamos que somos servidos por Deus como família ao redor da mesa farta, que dividimos nossas dores e achamos os ombros amigos, que vemos nossos filhos crescerem em Deus, que descobrimos a esperança em meio ao choro. É na Igreja que achamos Cristo através do irmão. É ali que somos saciados pelos sacramentos ou ordenanças, dependendo da forma de crer. É ali que a nossa mente cresce enquanto crescemos por fora. Na Igreja somos apresentados ou batizados ao chegarmos a este mundo; ali envelhecemos e ali somos velados quando dele nos despedimos.

Será mesmo que devemos jogar fora a Filosofia porque há formas menos nobres de tratá-la? Não, ouviríamos uníssono. Pergunto, então, diante de tão simplória reflexão: vamos jogar fora a Igreja porque há possibilidade de a vermos sendo maltratada? Não! Não! E definitivamente não! Sejamos honestos: deixemos de maltratar a Igreja e a veremos com melhores olhos que a vemos agora. Consertemos nossas vidas e a Igreja nos parecerá realmente excelente.

JOEL THEODORO (site Prazer da Palavra).

Justiça Social Não é Amor Cristão

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Você vai encontrar a palavra “justiça” nas Escrituras, como também vai encontrar a palavra “evangelho”, mas você não vai encontrar a palavra “social” na frente de uma delas porque a “justiça social “,  exposto no que se chama ” evangelho social “, é o trabalho astuto dos homens, não a vontade  de Deus expresso em sua Palavra. Jesus Cristo não sofreu e morreu na cruz para que pudéssemos reparar, remodelar e reabilitar um mundo perverso para Ele governar, mas sim para nos redimir para um “reino que não é deste mundo”.

Se alguém não falar e apontar isso, a questão será sempre confusa, polêmica e conflituosa, e a Igreja continuará a ser seduzida para fora de seu curso natural por pessoas com ambições político sociais. As escrituras contem as palavras “justiça”, “justiça” e “julgamento”, que os evangélicos modernistas citam para tentar validar a tal “justiça social” como um conceito cristão, e uma missão da Igreja. O curioso nisso tudo é que a maioria desses termos aparecem predominantemente no Velho Testamento, o que não deixa de ser irônico porque a maioria dos crentes de vanguarda preferem desqualificar ou diminuir a importância do Velho Testamento chamado-o de símbolo de “legalismo”, porque inconvenientemente os confronta com os seus absolutos e filosofias, teologias e estilos de vida. Francamente, é a justiça de Deus e dos julgamentos feitos por Ele em todo o Antigo Testamento, que mais confundem e ofendem os crentes modernos resultando numa desprezível “graça” que pregam e praticam como “Cristianismo”.

Mas, o termo “justiça social” coloca os agentes da mudança evangélica no banco do motorista da casa de Deus que lhes permite, através de posicionamentos cuidadosamente colocados, infinitas oportunidades para habilitar, justificar e mesmo promover, através do mantra humanista da “tolerância”, da diversidade, a tão badalada “unidade”. Essa unidade significa união com varias formas de comportamento anti-bíblico, como teorias humanas, religiões e causas para promover a promiscuidade espiritual, tais como a homossexualidade, o sincretismo religioso, o direito ao aborto, à eutanásia, o darwinismo, ilusões baseadas na fé, aquecimento global, que se encaixam perfeitamente com o plano das Nações Unidas para um governo mundial, uma economia mundial e uma religião unica no mundo.

No Novo Testamento os textos mais citados pelos crentes “politicamente corretos” para apoio à “justiça social” não são sobre a justiça para todos, mas sobre amor. Mesmo assim, eles usam as palavras “justiça” e “amor”, como se fossem sinônimos, e ao fazê-lo, mesclam questões sociais, políticas e de cunho moral social. Eles tentam mixar questões religiosas e os programas de governo, enquanto levam a atenção da Igreja para longe da verdadeira espiritualidade transportando-a para temas mundanos.

Tenho entendido que abraçando a “justiça social”, muitas vezes, desloca-se a ênfase do arrependimento e fé em Jesus Cristo para empreendimentos mais terrenos como o meio-ambiente, capacitação, emprego, direitos, igualdade e auto-estima, uma construção de programas promovidos pelas elites globais para beneficiar ou punir grupos selecionados como desnecessários para o seu desenvolvimento “sustentável” – uma agenda mais em sintonia com um “organizador da comunidade” do que com um seguidor de Cristo.

A palavra Justiça nos fala sobre a correção de um erro, defendendo os inocentes e punindo os culpados. É um trabalho louvável humanamente falando, mas isso não é amor cristão.

O amor é generoso e sacrificialmente ajudador, servindo e provendo a alguém em necessidade. O Bom Samaritano, não parou pára exercer a “justiça social”, quando ele encontrou o homem ferido e saqueado por ladrões ao longo da estrada na parábola de Jesus como registrado em Lucas 10:30-37. Ele demonstrou compaixão para com a vítima de um crime, não porque ela era social, étnica ou financeiramente mais desfavorecida, mas porque ela era simplesmente um “vizinho”(mesmo sendo inimigo) em necessidade.

Além disso, o Bom Samaritano não foi atrás dos ladrões para recuperar os pertences do homem, vingar o seu abuso, tê-los presos e iniciar a proteção do viajante e um programa de recuperação de poses na sinagoga local, porque não era isso que Jesus estava ensinando aos seus seguidores na parábola, nem isso fazia parte da missão de Sua vinda.

Se você roubar dinheiro de alguém, é a justiça que trabalhará para que o produto do roubo seja devolvido ao seu legítimo proprietário e para que você seja punido. Isso não tem nada haver com amor. Amor tem empatia por aqueles que necessitam e compartilha com eles, cuida deles, conforta-os, incentiva-os, ora por eles, e provê uma manifestação divina do amor de Deus, manifestando compaixão e generosidade. Desta forma, podemos abençoar a outros como Deus nos abençoou em nosso tempo de necessidade. Amor cristão é um símbolo do evangelho e do Deus da graça para a pobreza espiritual e desespero de uma alma perdida espiritualmente.

Esta é a idade da graça, meus amigos, não a idade da justiça. Se alguém queria e precisava de “justiça social” durante o ministério terrestre de Jesus, eram os samaritanos, como revelado pelo encontro de Jesus com a mulher no poço, que lhe disse: “… os judeus não se comunicavam com os samaritanos.” Mas , Jesus não lhe ofereceu justiça social, longe disso, Ele ofereceu “água viva” que nada tem a ver com estatuto social, direitos ou condição econômica ou étnica.

Mas, se você sintetizar as duas palavras “justiça” e “caridade” em forma dialética hegeliana, como os “emergentes” tem feito com astúcia na Igreja, você acaba forjando um evangelho híbrido, que não demonstra o amor, a graça, misericórdia e generosidade de Deus, mas um governo aprovado, politicamente religioso, proclamando o chamado humanista a “coletividade” que glorifica a fraternidade do homem através de “boas obras” para o benefício e avanço de um reino terreno, em vez de glorificar a Deus através de seu trabalho na cruz de Cristo para um reino celestial.

Os cristãos precisam ser muito cuidadosos em perseguir a “justiça social”. Jesus levou a nossa justiça na cruz do Calvário para que possamos receber e refletir a graça de Deus e do perdão.

Paul Proctor

Fonte: http://www.newswithviews.com/PaulProctor/proctor204.htm

Não somos embaixadores de Deus junto ao mundo, somos profetas, nossa mensagem não é uma proposta mas um ultimato.

“E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. Mateus 3:1,2

Eu sei que isso soará muito rude e ultrapassado aos cristãos que continuamente saciam sua sede nas fontes de conhecimento do mundo, no entanto é muito mais coerente até junto ao próprio mundo, para quem essa “serie mais avançada” de cristãos não passam de uma piada, porque não querem ser nem peixe nem carne.

 Roberto Aguiar

Blog Discernimento Cristão. 

Quando a Igreja não é “Igreja” !!!

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Igreja tem que ser coisa de gente de Deus, de gente livre, de gente sem medo, de gente que anda e vive, que deixa viver …, que crê sempre no amor de Deus…; e, sobretudo, é algo para gente que confia…, que entrega…, que não deseja controlar nada…; e que sabe que não sabe, mas que sabe que Deus sabe …

Somente gente com esse espírito pode ser parte sadia de uma igreja local, por exemplo …

Entretanto, para que as pessoas sejam assim seus pastores precisam ser assim …

Se o pastor é assim …, tudo ficará assim …

Ou, então, o tal pastor não emprestará a sua vida para o que não seja vida, e, assim, bem-aventuradamente deixará tal lugar de prisão disfarçada de amor fraterno …

Em igreja há problemas … É claro … Afinal, tem gente …

Mas nenhum problema humano tem que ser um escândalo para a verdadeira igreja de gente boa de Deus.

Numa igreja de Deus ninguém tem que ser humilhado …, adúlteros não tem que ser “apresentados” ao público …, ladrões são ajudados a não mais roubarem …, corruptos são tratados como Jesus tratou a Zaqueu …, e hipócritas são igualmente tratados como Jesus tratou aos hipócritas …; ou seja: com silencio que passa…, mas, ao mesmo tempo, não abre espaço …

Na igreja de gente boa de Deus fica quem quer e até quando deseje … E quem não estiver contente não precisa ser taxado de rebelde e nem de insubordinado … Ele é livre para discordar e sair … Sair em paz. Sem maldições e sem ameaças; aliás, pode sair sem assunto mesmo …

Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos.

Nela também toda angustia humana é tratada em sigilo e paz.

Igreja é um problema ? …

Sinceramente não acho …

Pelo menos quando a igreja é assim, de gente, para gente, liderada por gente, com o propósito de fazer de toda gente um humano maduro — então, creia: não há problemas nunca, pois, os problemas em tal caso nada mais são do que situações normais da vida, como gripe, febre ou qualquer outra coisa, que só não dá em poste de ferro …

Tudo o que aqui digo decorre de minha experiência …

Não é teoria …

Pode ser assim em todo lugar …

Mas depende de quem seja o pastor …

E mais: se o povo já estiver viciado demais nem sempre tem jeito …

Entretanto, se alguém decide começar algo do zero, então, saiba: caso você seja gente boa de Deus, e que trate todos como gostaria de ser tratado …, não haverá nada que não seja normal, pois, até as maiores anormalidades são normais quando a mente do Evangelho em nós descomplicou a vida.

Pense nisso ! …

 Nele (em Jesus Cristo).

Caio Fábio.

A História da Igreja

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INTRODUÇÃO

A História da Igreja tem sido sempre, desde o seu nascimento até o presente, a história da graça de Deus para com o homem.

Antes de adentrarmos no estudo dos vinte séculos em que a igreja de Cristo tem estado em atividade, veremos os grandes acontecimentos, os quais servem como divisória, e cada um deles assinala o término e início de uma época.

Considerando cada um destes acontecimentos, sete ao todo, veremos que eles indicam os grandes períodos da História da Igreja.

I. A pré-existência da Igreja

II. A Igreja apostólica

III. As Perseguições Imperiais

IV. A Igreja Imperial

V. A Igreja medieval

VI. A Igreja Reformada

VII. A Igreja atual

I. A PRÉ-EXISTÊNCIA DA IGREJA

A) A ORIGEM DA IGREJA

A igreja de Cristo sempre existiu na mente e coração do Pai, desde antes da fundação do universo.

Efésios 1 : 4 Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

I Pedro 1 : 20 O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós;

O plano de Salvação estava traçado por Deus desde o eterno passado. O sacrifício fora feito antes da fundação do universo, isto é, antes mesmo de ser efetuado no calvário, o cordeiro já era conhecido pelo Pai.

Em uma ordem lógica, podemos admitir que : Deus fundou a Igreja, Jesus Cristo formou a Igreja e o Espírito Santo confirmou a Igreja. Assim, o projeto no coração de Deus, a formação pelo ministério de Cristo e a confirmação, no dia de Pentecostes, pelo poderoso derramamento do Espírito Santo.

B) A FUNDAÇÃO DA IGREJA

Efésios 3 : 9 E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;

A Igreja que antes era um mistério ” oculta em Deus ” fora revelada em Cristo, tornando-se o ” segredo de Deus ” conhecido aos homens. A expressão ” oculto em deus ” indica que a igreja esteve sempre na mente de Deus, e vindo a ser conhecida pelo ministério terreno de Jesus Cristo e o Espírito Santo.

A Igreja de Deus, começou a formar e revelar-se no tempo, quando João Batista disse; Eis o Cordeiro de Deus. João 1:36.

C) O NASCIMENTO DA IGREJA

A Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de âmbito mundial, no dia de Pentecostes, cinqüenta dias após a ressurreição, e dez dias depois da ascensão do Senhor Jesus Cristo.

 Na manhã do dia de Pentecostes.

- 120 seguidores de Jesus oravam reunidos

- Línguas de fogo desceram sobre eles

- Falaram em outras línguas

O tríplice efeito do Pentecostes

- Iluminou a mente dos discípulos

- Compreenderam que o Reino não era político

- Deveriam estar totalmente na dependência do espírito Santo

D) A PLENITUDE DO TEMPO

Gálatas 4 : 4 Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

A Palestina onde o cristianismo deu seus primeiros passos ocupava uma posição geográfica privilegiada pois ocupava uma área onde era a encruzilhada das grandes rota comerciais que uniam o Egito à Mesopotâmia, e a Arábia com a Ásia Menor. Por isso vemos na história descrita no Velho Testamento, esta área tão cobiçada sendo invadida por vários impérios.

A língua predominante na época era o grego. Uma língua universal, apesar do império dominante ser o império Romano, que unia em um só governo boa parte do mundo conhecido. Era um governo pacífico e próspero e suas cidades estavam em progresso e viajar não era mais difícil pois muitas estradas foram construídas.

Apesar de haver muitas religiões e filosofias ( A política dos romanos era, em geral, tolerante em relação a religião e aos costumes dos povos conquistados. ) o mundo estava vazio espiritualmente, Assim o mundo estava pronto para a recepção de uma nova religião.

A “plenitude do tempo” não quer dizer que o mundo estivesse pronto a se tornar cristão, mas quer dizer que, nos desígnios de Deus, havia chegado o momento de enviar o seu filho ao mundo.

 II. A IGREJA APOSTÓLICA

Desde a Ascensão de Cristo, 30 AD até o final do século ( 100 AD )

A) O CRESCIMENTO DA IGREJA

Atos 5 : 14 E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais.

Atos 6 : 7 E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.

A arma usada pela igreja, através da qual a igreja crescia demasiadamente, era o testemunho de seus membros. Enquanto aumentava o número de membros aumenta o número de testemunhas, pois cada membro era um mensageiro de Cristo.

Os motivos desse crescimento foi :

- Perseveravam na doutrina dos apóstolos

- Perseveravam na comunhão e partir do pão

- Perseveravam na oração

- Possuíam temor

- Muitos sinais e maravilhas se faziam

- Muita alegria e sinceridade

Atos 2 : 41 – 47

A Igreja Pentecostal era uma igreja poderosa na fé e no testemunho, pura em seu caráter, e abundante no amor. Entretanto, o seu defeito era a falta de zelo missionário. Foi necessário o surgimento de severa perseguição, para que se decidisse a ir a outras regiões.

B) A EXPANSÃO DA IGREJA

Atos 8 : 4 Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra.

Na perseguição iniciada com a morte de Estevão, a igreja em Jerusalém dispersou-se por toda a terra. Alguns chegaram até Damasco e outros até a Antioquia.

Por qual motivo sobreveio então as perseguições ?

Marcos 16 : 15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

A partir desta perseguição, os cristãos fugiam, porém pregavam o evangelho e testemunhavam das maravilhas que Jesus operava.

C) A ERA SOMBRIA

A última geração do primeiro século, a que vai do ano 60 ao 100 AD, chamamos de “Era Sombria”, em razão de as trevas da perseguição estarem sobre a igreja, e a falha de muitas informações sobre este período.

Perseguição sob Nero

Nero chegou ao poder em 54, todos os que se opunham à sua vontade, ou morriam ou recebiam ordens de se suicidar.

Assim estavam as coisas quando em 64 AD aconteceu o incêndio em Roma. Diz-se que foi Nero, quem ateou fogo à cidade, Contudo essa acusação ainda é discutível. Entretanto a opinião pública responsabilizou Nero por esse crime. Afim de escapar dessa responsabilidade, Nero apontou os cristãos como culpados do incêndio de Roma, e moveu contra eles tremenda perseguição. O fogo durou seis dias e sete noites e depois voltou a se acender em diversos lugares por mais três dias.

- Milhares de cristãos foram torturados e mortos.

- Muitos serviram de iluminação para a cidade, amarrados em postes e ateado fogo.

- Muito foram vestidos com peles de animais e jogados para os cães.

- Nesta época morreram :

- Pedro – Crucificado em 67

- Paulo – Decapitado em 68

- Tiago – Apedrejado depois de ser jogado do alto do templo

Além de matá-los fê-los servir de diversão para o público.

A Perseguição sob Domiciano

No ano 81 Domiciano sucedeu ao imperador Tito que invadira destruíra Jerusalém no ano 70. Com a destruição de Jerusalém Domiciano ordenou que todos os judeus deviam enviar à Roma as ofertas anuais, que eram enviadas a Jerusalém, estes, por sua vez não obedeceram, o que desencadeou a segunda perseguição, não somente aos judeus mas também aos cristãos.

Durante esses dias milhares de cristão foram mortos, especialmente em Roma e em toda a Itália. Nesta época o apóstolo João, que vivia em Éfeso, foi preso e exilado na ilha de Patmos, foi quando recebeu a revelação do Apocalipse.


III. AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS

Este período vai da morte do Apóstolo João, ano 100 AD até o Edito de Constantino, ano 313 AD.

O fato de maior destaque na História da Igreja neste período foi, sem dúvida, as perseguições realizadas pelos Imperadores Romanos. Estas perseguições duraram até o ano 313 AD, quando Constantino, o primeiro Imperador Romano, ” cristão “, fez cessar todos os propósitos de destruir a Igreja.

A de ressaltar que durante este período houve épocas em que as perseguições foram mais amenas.

No início do segundo século, os cristãos já estavam radicados em todas as nações e em quase todas as nações, e alguns crêem que se estendia até a Espanha e Inglaterra. O número de membros da comunidade cristã subia a muitos milhões. A famosa carta de Plínio ( Governador da Bitínia – hoje Turquia ) ao Imperador Trajano, declara que os templos dos deuses estavam quase abandonados, enquanto os cristãos em toda parte formavam uma multidão, e pertenciam a todas classes , desde a dos nobres, a até a dos escravos.

Os Motivos das perseguições

- O Paganismo em suas práticas aceitava as novas formas e objetos de adoração que iam surgindo, enquanto o Cristianismo rejeitava qualquer forma ou objeto de adoração.

- A adoração aos ídolos estava entrelaçada com todos os aspectos da vida. As imagens eram encontradas em todos os lares, e até em cerimônias cívicas, para serem adoradas. Os cristãos, é claro, não participavam dessas formas de adoração. Por essa razão o povo considera os cristãos como ” Anti-social e ateus que não tinham deuses.

- A adoração ao Imperador era considerada como prova de lealdade. Havia estátuas dos imperadores reinantes nos lugares mais visíveis para o povo adorar. Os cristãos recusavam-se a prestar tal adoração.

- As reuniões secretas dos cristãos despertaram suspeitas. De praticarem atos imorais e criminosos, durante a celebração da Santa Ceia, eram vetada a entrada dos estranhos.

- O Cristianismo considerava todos os homens iguais. Não havia distinção entre seus membros, nem em suas reuniões, por isso foram considerados como ” niveladores da sociedade “, portanto anarquistas, perturbadores da ordem social.

Os Perseguidores

Imperador Trajano 98 a 117 AD – Estabeleceu a Lei, que sendo cristão acusado de qualquer coisa e não negar fé, será castigado, não tendo acusação estão livres. Mandava crucificar e lançar às feras.

Imperador Adriano 117 a 138 AD – Morreu em agonia, gritando, ” Quão desgraçado é procurar a morte e não encontrar “.

Imperador Marco Aurélio 161 a 180 AD – Mandava decapitar e lançar às feras. Apesar de possuir boas qualidades como homem e governante justo, contudo foi acérrimo perseguidor dos cristãos. Opunha-se, pois, aos cristãos por considerá-los inovadores. Milhares foram decapitados e devorados pelas feras na arena. Os Imperadores acima mencionados, foram considerados como os ” bons imperadores “, nenhum cristão podia podia ser preso sem culpa definida e comprovada. Contudo, quando se comprovava acusações e os cristãos se recusavam a retratar-se, os governantes eram obrigados, a por em vigor a lei e ordenar a execução.

Imperador Severo 193 a 211 AD – Mandava decapitar e lançar às feras. Iníciou uma terrível perseguição que durou até à sua morte em 211 AD. Possuía uma natureza mórbida e melancólica; era muito rigoroso na execução da disciplina. Tão cruel fora o espírito do imperador, que foi considerado por muitos como o anticristo.

Imperador Décio 249 a 251 AD – Décio observava com inveja o poder crescente dos cristãos, e determinou reprimi-lo. Via as igrejas cheias enquanto os templos pagãos desertos. Por conseqüencia, mandou que os cristãos tinham que se apresentar ao Imperador para comunicar e religião. Quem renunciava recebia um certificado, que não renunciava era considerado criminoso e conduzidos às prisões e sujeitos às mais horrorosas torturas.

Imperador Diocleciano 305 a 310 – A última, a mais sistemática e a mais terrível de todas as perseguições deu-se neste governo. Em uma série de editos determinou-se que : – Todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. – Todos os templos construídos em todo o império durante meio século, fossem destruídos. – Todos os pertencentes as ordens clericais fossem presos. – Ninguém seria solto sem negar o Cristianismo. – Pena de morte para quem não adorasse aos deuses. Prendiam os cristãos dentro dos templos e depois ateva fogo. Consta que o imperador erigiu um monumento com esta inscrição ” Em honra ao extermínio da superstição cristã “.

 Os Principais Mártires

Inácio Provável discípulo de João, bispo em Antioquia, foi condenado no ano 107 AD por não adorar a outros deuses. Foi morto como mártir, lançado para as feras no anfiteatro romano, no ano 108 ou 110 enquanto o povo festejava. Ele estava disposto a ser martirizado, pois durante a viagem para Roma escreveu cartas às igrejas manifestando o desejo de não perder a honra de morrer por seu Senhor

Policarpo Bispo em Esmirna, na Ásia Menor, morreu no ano 155. Ao ser levado perante o governador, e instado para abandonar a fé e negar o nome de Jesus, assim respondeu: ” Oitenta e seis anos o servi, e somente bens recebi durante todo o tempo, Como poderia eu agora negar ao meu Salvador ? Policarpo foi queimado vivo.

Justino Mártir Era um dos homens mais competente de sue tempo, e um dos principais defensores da fé. Seus livros, que ainda existem, oferecem valiosas informações acerca da vida da igreja nos meados do segundo século. Seu martírio deu-se em Roma, no ano 166.

Os Efeitos Produzidos pelas Perseguições

As perseguições produziram uma igreja pura pois conservava afastados todos aqueles que não eram sinceros em sua confissão de fé. Ninguém se unia à igreja para obter lucros ou popularidade. Somente aqueles que estavam dispostos a ser fiéis até a morte, se tornavam publicamente seguidores de Cristo.

A Igreja multiplicava-se. Apesar das perseguições ou talvez por causa delas, a igreja crescia com rapidez assombrosa. Ao findar-se o período de perseguição, a igreja era suficientemente numerosa para constituir a instituição mais poderosa do império.

Apesar de considerarmos as perseguições o fato mais importante da História da Igreja, no segundo e terceiro séculos, contudo, fatos interessantes aconteceram neste período que devem ser observados. Vejamos :

O Cânon Bíblico

Os escritos do Novo Testamento foram terminados, entretanto a formação do Novo Testamento com os livros que o compõem, como cânon, não foi imediata. Algumas Igreja aceitavam somente alguns livros como inspirados e outra igrejas livros diferentes.

Gradualmente os livros do Novo Testamento, tal como usamos hoje, conquistaram a proeminência de escritura inspirada.

O Crescimento e a Expansão da Igreja

O crescimento e a expansão da Igreja foi a causa da organização e da disciplina. A perseguição aproximou as Igrejas e exerceu influência para que elas se unissem e se organizassem. O aparecimento da heresias impôs, também, a necessidade de se estabelecerem alguns artigos de fé, e, com eles, algumas autoridades para executá-las.

Outra característica que distingue esse período é sem dúvida, o desenvolvimento da doutrina. Na era apostólica a fé era do coração, uma entrega pessoal a vontade de Cristo. Entretanto no período que agora focalizamos, a fé gradativamente passara a ser mental, era uma fé do intelecto, fé que acreditava em um sistema rigoroso e inflexível de doutrinas. O credo Apostólico, a mais antiga e mais simples declaração da crença cristã, foi escrito durante esse período.

Nesta época surgiram três escolas teológicas. Uma em Alexandria, outra na Ásia Menor e outra na África. Os maiores vultos da historia do Cristianismo passaram por essas escolas: Orígenes, Tertulianao e Cipriano

Seitas e Heresias

Juntamente com o desenvolvimento da doutrina teológica, desenvolviam-se também as seitas, ou como lhes chamavam, as heresias na igreja cristã. Os cristãos não só lutaam contra as perseguições , mas contra as heresias e doutrinas corrompidas.

Os Gnósticos Do grego “Gnósis = Sabedoria, Conhecimento” Acreditavam que Deus Supremo é espírito absoluto e causa de todo bem, enquanto a matéria é completamente má criada por um ser inferior que é Jeová. O propósito é então escapar deste corpo que aprisiona o espírito. Afim de chegar a libertação, é necessário que venha um mensageiro do reino espiritual. Cristo. Cristo portanto não era matéria, possuía somente a natureza divina.

Os Ebionitas Do hebraico que significa “Pobre” eram judeus-cristãos que insistiam na observância da lei e dos costumes judaicos. Rejeitavam as cartas escritas por Paulo. Eram considerados como apostatas pelo Judeus não convertidos.

Os Maniqueus De origem persa, foram chamados por esse nome, em razão de seu fundador Ter o nome de Mani. Acreditavam que o universo compõe-se do reino das trevas e da luz e ambos lutam pelo domínio do homem. Rejeitavam a Jesus, porém criam em um “Cristo celestial”.


IV. A IGREJA IMPERIAL

Desde o Edito de Constantino, 313 AD até à queda de Roma em 476 AD.

No ano 305, quando Diocleciano abdicou o trono imperial, a religião cristã era terminantemente proibida, e aqueles que a professassem eram castigados com torturas e morte. Logo após a abdicação de Diocleciano, quatro aspirantes à coroa estavam em guerra.

Os dois rivais mais poderosos eram Majêncio e Constantino. Constantino afirmou ter visto no céu uma cruz luminosa com os seguintes dizeres: “Por este sinal vencerás”. Constantino ordenou que seus soldados empregassem para a batalha o símbolo que se conhece como ” Labarum “, e que consistia na superposição de duas letras gregas, X e P.

Em batalha travada sobre a ponte Mílvio, Constantino venceu o exercito de Majêncio e este morreu afogado caindo nas águas do rio. Após este vitoria Constantino fez aliança com Licínio e posteriormente com Maximino os outros dois pretendentes a coroa.

Em 323 AD, Constantino alcançou o posto supremo de Imperador, e o Cristianismo foi então favorecido. Os templos das Igrejas foram restaurados e novamente abertos em toda parte. Em muitos lugares os templos pagãos foram dedicados ao culto cristão. Em todo o império os templos pagãos eram mantidos pelo Estado, mas, com, a conversão de Constantino, passaram a ser concedido às Igrejas e ao clero cristão.

O Domingo foi proclamado como dia de descanso e adoração. Como se vê, do reconhecimento do Cristianismo como religião preferida surgiram alguns bons resultados, tanto para o povo como para a igreja:

- As perseguições acabaram

- A crucificação foi abolida

- Templos restaurados e muitos construídos

- O infanticídio foi reprimido

- As lutas de gladiadores foram proibidas

Apesar de os triunfos do Cristianismo haverem proporcionado boas coisas ao povo, contudo a sua aliança com o Estado, inevitavelmente devia trazer, como de fato trouxe, maus resultados para a igreja.

- As Igrejas eram mantidas pelo Estado e seus ministros privilegiados, não pagavam impostos, os julgamentos eram especiais.

- Iniciou-se as perseguições aos pagãos, ocorrendo assim muitas conversões falsas.

- Todos queriam ser membros da Igreja e quase todos eram aceitos. Homens mundanos, ambiciosos e sem escrúpulos, todos desejavam postos na Igreja, para, assim obterem influência social e política.

- Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, é certo, porém eram menos espirituais e menos sinceros do que no passado.

- Aos poucos as festas pagãs tiveram seus lugares na Igreja, porém com outros nomes. A adoração a Venus e Diana foi substituída pela adoração a virgem Maria. As imagens dos mártires começaram a aparecer nos templos, como objeto de reverência.

No ano 363 AD todos os governadores professaram o Cristianismo e antes de findar o quarto século o Cristianismo, foi virtualmente estabelecido como religião do Império.

A Fundação de Constantinopla

O Imperador Constantino compreendeu que a cidade de Roma estava intimamente ligada à adoração pagã, cheia de templos e estátuas pagãs. Ele desejava uma capital sob os auspícios da nova religião. Na nova capital, a igreja era honrada e considerada, não havia templos pagãos.

Logo depois da fundação da nova capital, deu-se a divisão do império. As fronteiras eram tão grande que um imperador sozinho não podia defender seu vastíssimo território.

As Controvérsias

A Primeira Controvérsia

Apareceu por causa da doutrina da Trindade. O Presbítero Ario de Alexandria defendia a tese de que Jesus era superior aos homens porém inferior ao Pai, não admitia a existência eterna de Cristo. Seu principal opositor foi Atanásio também de Alexandria afirma a unidade de cristo com o Pai e sua divindade.

Constantino não teve êxito em resolver a questão por isso convocou o concílio de Nicéia em 325 AD onde a doutrina de Ário foi condenada.

A Controvérsia de Apolinário Apolinário era Bispo em Laodicéia quando declarou que a natureza divina tomou lugar da natureza humana de Cristo. Este Heresia foi condenada no Concílio de Constantinopla em 381 AD.  

A Controvérsia de Nestor

Nestor era sacerdote em Antioquia quando se opôs a aplicação do termo ” Mãe de Deus “, a Maria, afirmou que as duas natureza de Cristo agiam em harmonia. No Concílio de Éfeso em 433 Nestor foi banido e suas obras foram queimadas e aprovado o termo ” Mãe de Deus “

O Desenvolvimento do poder na Igreja Romana

Roma reclamava para si autoridade apostólica. A Igreja de Roma era a única que declara poder mencionar o nome de dois apóstolo como fundadores, isto é, Pedro e Paulo. A organização da Igreja de Roma e bem assim seus dirigentes defendiam fortemente estas afirmações. Neste ponto há um contraste notável entre Roma e Constantinopla. Roma havia feito os imperadores, ao passo que os imperadores fizeram Constantinopla.

Além disso Roma apresentava um Cristianismo prático. Nenhuma outra igreja a sobrepujava no cuidado para com os pobres, não somente com os seus membros , mas também entre os pagãos. Foi assim que em todo o ocidente o bispo de Roma, começou a ser considerado como autoridade principal de toda a igreja.

Foi dessa forma que o Concílio Calcedônia, na Ásia Menor, no ano 451 AD, Roma ocupou o primeiro lugar e Constantinopla o segundo lugar.

O Cristianismo Vivo

O Cristianismo dessa época decadente ainda era vivo e ativo. Devemos mencionar aqui alguns bispos e dirigentes da igreja nesse período que contribuíram para manter vivo o Cristianismo.

Atanásio ( 296 – 373 ) Foi ativo defensor da fé no início do período. Ja vimos como ele se levantou e se destacou na controvérsia de Ário; foi escolhido bispo de Alexandria. Cinco vezes exilado por causa da fé, mas lutou fielmente até o fim.

Ambrósio ( 340 – 397 ) Foi eleito bispo enquanto ainda era leigo e nem mesmo batizado. Converteu-se posteriormente, repreendeu o próprio imperador (Teodósio) por causa de um ato cruel e mais tarde o próprio imperador o tratou com alta distinção. Foi autor de vários livros.

João Crisóstomo ( 345 – 407 ) ” Boca de ouro ” em razão de sua eloqüência inigualável, foi o maior pregador desse período. Chegou a ser bispo em Constantinopla. Entretanto, sua fidelidade, zelo reformador e coragem, não agradava à corte. Foi exilado e morreu no exílio.

Jerônimo ( 340 – 420 ) Foi o mais erudito de todos. Estudou literatura e oratória em Roma. De seus numerosos escritos, o que teve maior influência foi a tradução da Bíblia para o latim, obra que ficou conhecida como Vulgata Latina, isto é, a Bíblia em linguagem comum, até hoje usada pela Igreja católica Romana.

Agostinho ( 354 – 430 ) O nome mais ilustre desse período, bispo em Hipona na África. Escritor de vários livros sobre o Cristianismo e sobre a própria vida. Porém a fama e a influência de Agostinho estão nos seus escritos sobre a teologia cristã, da qual ele foi o maior expositor, desde o tempo de Paulo.


V. A IGREJA MEDIEVAL

Este período vai desde a queda de Roma em 476 AD até a queda de Constantinopla, 1453 AD.

PROGRESSO PAPAL

O termo “papa”, significa simplesmente “papai”, sendo, portanto, um termo de carinho e respeito, este termo era usado para qualquer bispo, sem importar se ele era de Roma. Como Roma era, pelo menos de nome, a capital do Império, a igreja e o bispo desta cidade logo se viram em posição de destaque.

Quando os bárbaros invadiram o Império, a igreja de Roma começou a seguir um rumo bem diferente Constantinopla. No Ocidente, o Império desapareceu, e a igreja veio a ser a guardiã do que restava da velha civilização. Por isto, o papa, chegou a Ter grande prestígio e autoridade.

Porém, enquanto que no Oriente duvidava-se de sua autoridade, em Roma e vizinhanças esta autoridade se estendia até além dos assuntos religiosos. Tudo isto nops mostra que em uma época em que a Europa estava em caos, o papado preencheu o vazio, proporcionando certa estabilidade.

O período de crescimento do poder papal começou com o pontificado de Gregório I, o Grande, e teve o apogeu no tempo de Gregório VII, mais conhecido por Hildebrando. Hildebrando reformou o clero que se havia corrompido, elevou as normas de moralidade de todo o clero, exigiu celibato dos sacerdotes, libertou a igreja da influência do estado, podo fim à nomeação de papas pelos reis e imperadores. Hildebrando impôs a supremacia da igreja sobre o Estado.

ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO PAPADO

A autoridade monárquica do papa, é fruto de um longo processo. De um bispo igual aos outros, o de Roma passa a ser o primeiro entre os demais e finalmente cabeça incontestável da Igreja. Vários papas de grande envergadura, dos quais devemos citar: Inocêncio (402-417); Celestino (422-432); Leão I (440-461); e Gregório I (590-604).

1. Até Constantino Os antigos autores católicos tenham insistido que a Igreja de Roma foi fundada por Pedro e que tenha tido uma linha de papas, vigários de Cristo, desde então. Oscar Cullmann, teólogo protestante, examina detalhadamente a questão de Pedro ter estado em Roma. Conclui que estava lá e lá foi martirizado. Nega entretanto que tenha fundado a Igreja ou passado seus direitos aos bispos subsequentes.

A lista dos primeiros bispos consta destes nomes: Lino, Cleto ou Anacleto, Clemente (91-100), Evaristo, Alexandre(109-119), Sixto I (119-127), Telesforo (127-138), Higino (139-142), Pio I (142-157), Aniceto (157-168), Soter (168-177), Eleutero (177-193). Estas datas são aproximadas e temos poucas informações do seu pontificado.

Vitor (193–202). Parece ser o primeiro a procurar estabelecer a autoridade papal além das fronteira de sua igreja.

Cipriano. Bispo em Cartago durante o pontificado de Cornêlio e Estevão, contribuiu bastante para fortalecer a autoridade do bispo de Roma. Defendeu as reivindicações petrinas (Mt:16:18) sem entretanto colocar o papa sobre os demais bispos.

Estevão (253-257). Procurou forçar as demais igrejas a seguir o costume romano quanto ao cálculo da data da páscoa.

Um outro elemento que contribuiu para fortalecer a posição de Roma neste período foi a crescente prática das igrejas rurais ou de pequenas cidades serem relacionadas a alguma igreja em cidade grande ou incorporadas num sistema diocesano. Esta prática começou no II século como resultado do sistema missionário das igrejas mães.

2. De Constantino a Gregório Magno

A oficialização da Igreja trouxe em seu bojo rápido desenvolvimento hierárquico. Constantino se considerava bispo e até bispo dos bispos em coisas formais e até doutrinárias. Sem sua permissão não se pode reunir um sínodo.

Roma surge como árbitro entre as igrejas. No conflito entre os arianos e Atanásio, este contribuiu para fortalecer Júlio por ter recorrido ao bispo de Roma, pedindo que convocasse um concílio. Esta e outras questões entre as igrejas do leste e da África foram exploradas pelos papas para fortalecer suas próprias posições. Assim questões religiosas seriam resolvidas pelo “sumo-pontífice”de religião e não pelos magistrados civis.

Siricius (354-398). Conseguiu que um concílio realizado em Roma decretasse que nenhum bispo deve ser consagrado sem o conhecimento e consentimento do bispo de Roma. Mesmo que seja um decreto falso, é muito antigo e exerceu grande influência.

Inocêncio I (402-417). Demonstrou grande ousadia em explorar as reivindicações de Roma, exigindo submissão universal a sua autoridade. Insistia que era a obrigação de todas as igrejas ocidentais se conformarem aos costumes de Roma.

Celestino (422-432). Durante o exercício do seu papado foi resolvido a mui agitada questão do direito de apelar a Roma decisões nas províncias. Celestino manipulou as questões de uma maneira que sempre saía ganhando o prestígio de Roma, até o ponto de dispensar os cânones de um concílio geral.

Leão I (440)-461). Homem humilde, insistia que era sucessor de Pedro e que não se pode infringir a autoridade deste. Conseguiu do jovem e fraco imperador Valentino III um edito em que este reconhece a primazia da sé de Pedro e insiste que ninguém pode agir sem a permissão desta sé.

Gregório I (589-604). Possivelmente o maior papa deste período. filho de um senador, adotou o costume monástico. Pretendia ser missionário aos ingleses quando foi consagrado papa aos 49 anos de idade. Reclamou que Máximo foi eleito patriarca de Constantinopla no lugar de seu candidato e suspendeu todos os bispos que o consagraram sob pena de anátema de Deus e do apóstolo Pedro. Repreendeu o patriarca de Constantinopla por ter assumido o título de bispo ecumênico.

A COROAÇÃO DE CARLOS MAGNO

Abriu a história política e eclesiástica da Europa um novo período, no qual os dois poderes o civil e o papal aparecem intimamente ligados, em busca de ideal comum de poderio e domínio.

Leão III (795-816). O período começa com Leão III assentado na cadeira pontificial. Foi ele quem colocou Carlos Magno como imperador no ano 800.

Estevão IV (816-817). Este papa coroou o Rei Luiz o Pio, em Roma ato que elevou ainda mais a posiçao do papa.

Gregório IV (827-844). Foi nos dias desse papa que apareceram falsos documentos a favor da prerrogativa papal. Gregório defendeu Roma contra os sarracenos.

Nicolau I (858-867). Ascendeu a cadeira papal num momento de agitaçao e desordens, aproveitando-se dos documentos falsos a favor da absoluta soberania e irresponsabilidade do papado, procurou firmar os direitos de supremacia do papa e de sua juridiçao suprema.

Adrião II (867-872). Trabalhou principalmente à sombra a influencia atingida pelo seu antecessor.

João VIII (872-882). O maior problema durante o papado de Joao VIII foi a ameaça sarracena, forçando-o a pedir ao novo imperador Carlos a sua proteçao, mas Carlos e o papa aceitou o tratado humilhante com os sarracenos.

O período de 882 a 903 caracteriza-se pela torpe degradação do poder papal. O poder papal enfraqueceu-se notadamente. As eleições pontificiais feitas nesse período são memoráveis pela torpeza que as acompanhou. O papa Formoso subiu ao poder em 891 e, dois anos depois de sanguinolento pontificado, morreu, provavelmente envenenado.

Estevao VI, foi aprisionado e morto. E depois foi eleito o Papa Marino, cujo pontificado durou apenas meses. João X, feito papa, procurou abrogar os atos de Estevão, e de fato abrogou muitos deles. Leão V, depois de um breve pontificado, foi morto por seu próprio capelão seu sucessor, Mas ao assassino coube o mesmo fim trágico, decorrido apenas oito meses.

No período de 903 a 963 Com Sergio III, começa a influência perniciosa de uma aventureira de alta linhagem sobre o governo papal. De 936 a 956 o papado esteve sob inf1uência de Alberico que nomeou quatro papas. Um filho do mesmo, sob o nome de João XIII, assumiu o ofício papal sendo o seu pontificado havido como um dos mais imorais e licenciosos. Este papa morreu assassinado,

Otão, O Grande, fez sentir a sua interferência no papado em 983, com a convocação de um sínodo para depor o imoral João XIII e substituí-lo por Leão VIII. Duante este período, até 1073, foram nomeados vário papas e os imperadores ficaram no direito de nomear e controlá-los para evitar a dissolução completa do clero.

Hildebrando (1073). Foi inquestionavelmente o maior estadista eclesiástico da Idade Media. Seu objetivo foi tornar um fato o domínio universal e absoluto do papado, e sua política subordinou-se completamente a este propósito. Este papa tomou o nome de Gregório VII.

CONCÍLIO DE ROMA EM 1059

1- A nomeação do papa pelos bispos cardeais sancionada pelo clero cardeal e depois aprovada pelo clero inferior e os leigos.

2- Nenhum oficial da igreja, sob pretesto algum, pode aceitar benefício algum de qualquer leigo ou ser chamado a contar ou dar conta a jurisdição.

3- Nenhum cristão pode, assistir a missa rezada por padre de quem se sabia ter concumbina, apesar da renhida oposição, Hildebrando executou a risco esses decretos. No entanto a vitoria de Hildebrando, nunca foi completa e permanente.

Inocêncio III (1198-1216), aproveitou as prerrogativas papais fimando umas e alargando outras. Foi durante seu papado que o poder papal, que evoluia gradativamente através dos séculos chegou ao auge. Ele foi o maior papa do século.

DECLINIO DO PODER PAPAL

Do século treze em diante começa o suave declínio do poder papal para o que concorreram fatos e circunstâncias históricas diferentes.

1- Com o século XIII desapareceu completamente o gosto pelas cruzadas.

2- A corrupção constante na corte de Roma, o favoritismo e o mercantilismo que presidiam as decisões do Papa e da Curia, igualmente estimulava a dissidência.

3- Á imoralidade dominava o clero.

4- A cadeira papal era objeto de ambição mais desenfreada.

5- A influência adquirida pelos franceses na Itália e Sicília após queda dos imperadores germânicos foi sobremodo prejudicial ao papado.

Bonifácio VII (1294-l303), subiu a cadeira pontífica no meio destas condiçoes tão favoráveis ao papado, mas sem se adaptar a elas conservou aquele espírito de arrogância e mandonismo, muito característico de seus antecessores.

Em 1305, foi eleito um francês, Clemente V, como papa. Este não foi a Roma, mas estabeleceu sua corte Papal em Avignon e tornou se subservinte de Felipe rei da frança. Aqui, ele e seus sucessores todos franceses serviram durante setenta anos. Tão notório se tornaram as condições que os historiadores católicos estigmatizaram o período de cativeiro babilônico do papado.

Em virtude da presença da corte papal de Roma em Avignon, na França, a Europa conseguiu muitas inimizades. O catolicismo dividiu-se, ficando uma parte com a França e outra com a Itália. Aparecem então dois papas um lançando maldições sobre o outro e cada qual julgando-se legítmo chefe da cristandade.

Em1408, houve uma conferência em Livorno, entre representantes dos dois papas e um ano depois reunia-se um concílio geral em Pisa. Discutida largamente a questão, ambos os papas foram declarados heréticos e excomungados. O concílio elegeu então a Papa, o cardeal de Milão que tomou o nome de Alexandre V.

A questão não ficou resolvida, pois, três papas levantarar-se disputando a cadeira pontificia, cada um formando em torno de si um considerado número de admiradores.

O pontificado de Nicolau V (l448-1455) foi notável, tendo sido construído nesse tempo o Vaticano e a Basílica de São Pedro, considerados como duas magnificas obras de arte. Talves nesta época tenha-se resolvido o problema dos três papas.

Inocêncio VIII (l484-l492). para melhorar a fortuna de seus filhos ilegítimos, pelejou contra Napoles e recebia tributo anual de Sultão, por manter seu irmão e rival na prisão em vez de envia-lo como cabeça de um exercito contra os inimigos da cristandade.

Isto se deu numa epoca de ignorância, senão no período do renascimento literário e quando a Europa tinha entrado numa era de invenções e descobrimentos destinados a transformar a civilizaçao. O estado de desmoralização em que a Igreja Romana se achava na vespera da reforma era um fato geralmente reconhecido.

As Cruzadas

Um grande movimento da Idade Média, sob a inspiração e mandado da igreja, foram as Cruzadas, que se iniciaram no fim do século onze.

- A primeira cruzada foi anunciada pelo papa Urbano II, era composta de 275000 dos melhores guerreiros, para combater os Sarracenos que tinham invadido Jerusalém. Após grande batalha Jerusalém foi reconquistada. A

- A Segunda Cruzada foi convocada em virtude das invasões dos Sarracenos às províncias adjacentes ao reino de Jerusalém. Sob a influência de Luiz VII da França e Conrado III da Alemanha, um grande exército foi conduzido em socorro dos lugares reconhecido como santos. Enfrentara grandes dificuldades, mas obtiveram vitória.

- A terceira Cruzada foi dirigida por Ricardo I ” Coração de Leão”, da Inglaterra e outros como; Frederico Barbarroxa, Filipe Augusto. Barbarroxa morrerá afogado e Filipe desentendeu-se com Ricardo I e voltou para França. A coragem de Ricardo I, sozinho, não foi suficiente para conduzir seu exército para Jerusalém. Contudo fez um acordo para que os cristãos tivessem direito a visitar o santo sepulcro.

- A Quarta Cruzada foi um completo fracasso, porque causou grande prejuízo a igreja cristã. Os cruzados, se afastaram do propósito de conquistar a Terra Santa e fizeram guerra a Constantinopla, conquistaram-na e saquearam-na. Constantinopla ficou, posteriomente, a mercê dos inimigos.

- Na Quinta Cruzada, Frederico II, conduziu um exército até a Palestina e conseguiu um tratado no qual as cidades de Jerusalém, Haifa, Belém e Nazaré, eram cedidas aos cristãos. Porém 16 anos depois a cidade de Jerusalém foi tomada pelos maometanos.

- A Sexta Cruzada foi empreendida por São Luiz. Invadiu a Palestina através do egito, mas não obteve êxito, foi derrotado pelos maometanos e libertado por uma grande soma .

- A sétima Cruzada teve também a direção de São Luiz juntamente com Eduardo I. A rota escolhida foi novamente a África, porém São Luiz morreu e Eduardo I voltou para ocupar o trono na Inglaterra e a cruzada teve um fracasso total. Esta foi considerada a última Cruzada, porém houve outras de menor vulto.

O Desenvolvimento da vida Monástica

Este movimento desenvolveu-se grandemente na Idade Média entre homens e mulheres, com resultados bons e maus. Com o crescimento dessas comunidades, tornava-se necessária alguma forma de organização, de modo que nesse período surgiram quatro grandes ordens.

A Ordem dos Beneditinos Fundada por por São Bento em 529, em Monte Cassino. Essa ordem tornou-se a maior de todas as ordens monásticas da Europa. Suas regras exigiam obediência ao superior do mosteiro, a renúncia a todos os bens materiais, e bem assim a castidade pessoal.

Cortava bosques, secava e saneava pântanos, lavrava os campos e ensinava ao povo muitos ofícios úteis.

A Ordem dos Cistercienses Surgiram em 1098, com objetivo de fortalecer a disciplina dos Beneditinos, que se relaxava. Seu nome deve-se a cidade francesa de Citeaux, fundada por São roberto. Deu ênfase às arte, arquitetura e especialmente à literatura, copiando e escrevendo livros.

A Ordem dos Franciscanos fundada em 1209 por São Francisco de Assis. Tornou-se a mais numerosa de todas as ordens. Por causa da cor que usavam, tornaram-se conhecido como os “frades cinzentos”.

A Ordem dos Dominicanos Ordem esponhola fundada por São Domingos, em 1215. Os Dominicanos e os Franciscanos diferenciavam-se das outras ordens, pois eram pregadores, iam por toda parte a fortalecer a fé dos crentes.

No início, cada ordem monástica era um benefício para a sociedade. Vamos ver alguns bons resultados.

1. Os mosteiros davam hospedagem aos viajantes, aos enfermos e aos pobres. Serviam de abrigo e proteção aos indefesos, principalmente às mulheres e crianças.

2. Guardavam em suas bibliotecas muitas obras antigas da literatura clássica e cristã. Sem as obras escritas nos mosteiros, a Idade média teria passado em branco.

3. Os monges serviram como missionários na expansão do evangelho, até mesmo entre os bárbaros.

Apesar dos bons resultados que emanaram do sistema monástico, também houve péssimos resultados.

1. O monacato apresentava o celibato como a vida mais elevada, o que é inatural e contrário às Escrituras.

2. Impôs a adoção da vida monástica a milhares de pessoas das classes nobres da época.

3. Os lares e as famílias foram, assim, constituídos não pelos melhores, mas pelos de ideais inferiores, já que os melhores, não participavam da família, nem da vida social, nem da vida cívica nacional.

4. O crescimento da riqueza dos mosteiros levou a indisciplina, ao luxo, à ociosidade e até a imoralidade.

No início do século dezesseis, os mosteiros estavam tão desmoralizados no conceito do povo, que foram suprimidos, e os que neles habitavam foram obrigados a trabalhar para se manterem.

Início da Reforma Religiosa

Cinco grandes movimentos de reformas surgiram na igreja; contudo, o mundo não estava preparado para recebê-los, de modo que foram reprimidos com sangrentas perseguições.

Os Albigenses “Puritanos” surgiram em 1170 no sul da França. Eles rejeitavam a autoridade da tradição, distribuíam o Novo Testamento e opunham-se às doutrinas romanas do purgatório, à adoração de imagens e às pretensões sacerdotais. O papa Inocêncio III, promoveu uma grande perseguição contra eles, e a seita foi dissolvida com o assassinato de quase toda a população da região.

Os Valdenses Apareceram ao mesmo tempo, em 1170, com Pedro Valdo, que lia, explicava e distribuía as Escrituras, as quais contrariavam os costumes e as doutrinas dos católicos romanos. Foram cruelmente perseguidos e expulsos da França; apesar das perseguições, eles permaneceram firmes, e atualmente constituem uma parte do pequeno grupo de protestante na Itália.

João Wyclif Nascido em 1324, Recusava-se a reconhecer a autoridade do papa e opunha-se a ela. Era contra a doutrina da transubstanciação, considerando o pão e o vinho meros símbolos. Traduziu o Novo testamento para o Inglês e seus seguidores foram exterminados por Henrique V.

João Huss Nascido em 1369 foi um dos leitores de Wyclif, pregou as mesmas doutrinas, e especialmente proclamou a necessidade de se libertarem da autoridade papal. Foi excomungado pelo papa, e então retirou para algum esconderijo desconhecido. Ao fim de dois ano voltou a convite da igreja para participar de um concílio católico-romana de Constança, sob a proteção de um salvo-conduto. Entretanto, o acordo foi violado sob o pretexto de que “Não se deve ser fiel a hereges”. Assim João Huss foi condenado e queimado.

Jerônimo Savonarola Nascido em 1452 foi monge Dominicano, em Florença. A grande catedral enchia-se de multidões ansiosas, não só de ouví-lo, mas também para obedecer aos seus ensinos. Pregava contra os male sociais, eclesiásticos e político de seu tempo. Foi preso, condenado e enforcado e seu corpo queimado na praça de Florença em 1498.

A Queda de Constantinopla

A queda de Constantinopla, em 1453, foi assinalada como linha divisória entre os tempos medievais e os tempos modernos. Província após província do grande império foi tomada, até ficar somente a cidade de Constantinopla, que finalmente, em 1453, foi tomada pelos turcos sob as ordens de Maomé II. O templo foi transformado em mesquita. Constantinopla ( Istambul ) tornou-se a capital do Império Turco e assim terminou também o período da Igreja Medieval.

Resumo da Apostasia

Mencionaremos algumas das doutrinas que não tem apoio nas Escrituras Sagradas, e quando foram implantadas na igreja.

Ano Doutrina

310 Reza pelos defuntos, 320 Uso de Velas, 375 Culto dos santos, 431 Culto à virgem Maria, 503 Obrigatoriedade de se beijar os pés do papa, 850 Uso da água benta, 993 Canonização dos Santo, 1073 Celibato Sacerdotal, 1184 Instituição da Santa Inquizição, 1190 Venda de Indulgências, 200 Substituição do pão pela hóstia, 1215 Dogma da transubstanciação, 1229 Proibição da leitura Bíblica, 1316 Instituição da reza à Ave Maria, 1546 Introdução dos livros apócrifos, 1870 Dogma da infabilidade papal, 1950 Ascenção de Maria


VI. A IGREJA REFORMADA

Desde a Queda de Constantinopla, 1453 Até ao Fim da Guerra dos Trinta Anos, 1648

A Reforma na Alemanha.

Neste periodo de duzentos anos, o grande acontecimento foi a Reforma; iniciada na Alemanha, e teve como resultado o estabelecimento de igrejas nacionais que não prestavam obediência nem fidelidade a Roma. Anotemos algumas das forças que conduziram à Reforma e ajudaram o seu progresso. Uma dessas forças foi, o movimento conhecido como Renascença, ou despertar da Europa para um novo interesse pela literatura, pelas artes e pela ciência, isto é, a transformação dos médodos e propósitos medievais em métodos modernos.

A maioria dos estudiosos italianos desse período eram homem destituídos de vida religiosa; até os próprios papas dessa época destacavam-se mais por sua cultura do que pela fé. No norte dos Alpes, na Alemanha, na Inglaterra, e na França o movimento possuía sentimento religioso, despertando novo interesse pelas Escrituras, pelas línguas grega e hebraica, levando o povo a investigar os verdadeiros fundamentos da fé, independente dos dogmas de Roma. Por toda parte, de norte a sul, a Renascença solapava a igreja católica romana.

A invenção da imprensa veio a ser um arauto e aliado da Reforma que se aproximava. A imprensa possibilitou o uso comum das Escrituras, e incentivou a tradução e a circulação da Bíblia em todos os idiomas da Europa. As pessoas que liam a Bíblia, prontamente se convenciam de que a igreja papal estava muito distanciada do ideal do Novo Testamento. Os novos ensinos dos Reformadores, logo que eram escritos, também eram logo publicados em livros e folhetos, e circulavam aos milhões em toda a Europa.

O patriotismo dos povos começou a manifestar-se, mostrando-se inconformados com a autoridade estrangeira sobre suas próprias igrejas nacionais; resistindo à nomeação de bispos, abades e dignitários da igreja feitas por um papa que vivia em um pais distante.

Não se conformava, o povo, com a contribuição do “óbolo de S. Pedro”, para sustentar o papa e para a construção de majestosos templos em Roma. Havia uma determinação de reduzir o poder dos concílios eclesiásticos, colocando o clero sob o poder das mesmas leis e tribunais que serviam para os leigos.

Enquanto o espírito de reforma e de independência despertava a Europa, a chama desse movimento começou a arder primeiramente na Alemanha, no eleitorado da Saxônia, sob a direção de Martinho Lutero, monge e professor da Universidade de Wittenberg.

O papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo papa, as quais, dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem as bulas compradas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia esta indagação ao povo: “Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu.” Lutero, por sua vez, começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências, denunciando como falso esse ensino.

A data exata fixada pelos historiadores como início da grande Reforma foi registrada como 31 de outubro de 1517. Na manhã desse dia, Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio. Os dirlgentes da igreja procuravam em vão restringir e lisonjear Martinho Lutero. Ele, porém, permaneceu firme, e os ataques que lhe dirigiam, apenas serviram para tornar mais resoluta sua oposição às doutrinas não apoiadas nas Escrituras Sagradas.

Após longas e prolongadas controvérsias e a publicação de folhetos que tornaram conhecidas as opiniões de Lutero em toda a Alemanha, seus ensinos foram formalmente condenados. Lutero foi excomungado por uma bula do papa Leão X, no mês de junho de 1520. Pediram então ao eleitor Frederico da Saxônia que entregasse preso Lutero, a fim de ser julgado e castigado. Entretanto, em vez de entregar Lutero, Frederico deu-lhe ampla proteção, pois simpatizava com suas idéias. Martinho Lutero recebeu a excomunhão como um desafio, classificando-a de “bula execrável do anticristo”. No dia 10 de dezembro, Lutero queimou a bula, em reunião pública, à porta de Wittemberg, diante de uma assembléia de professores, estudantes e do povo. Juntamente com a bula, Lutero queimou também cópias dos cânones ou leis estabelecidas por autoridades romanas. Esse ato constituiu a renúncia defínitiva de Lutero à igreja católica romana.

Em 1521 Lutero foi citado a comparecer ante a do Concílio Supremo do Reno. O novo imperador Carlos V concedeu um salvo-conduto a Lutero, para comparecer a Worms. Apesar de advertido por seus amigos de que poderia ter a mesma sorte de João Huss, que nas mesmas circunstâncias, no Concílio de Constança, em 1415, apesar de possuir um salvo-conduto, foi morto por seus inimigos, Lutero respondeu-hes: “Irei a Worms ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados.” Finalmente, no dia 17 de abril de 1521 Lutero compareceuao Concílio. Em resposta a um pedido de que se retratasse, e renegasse o que havia escrito, após algumas considerações respondeu que não podia retratar-se, a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão, e terminou com estas palavras: “Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém.” Instaram com o imperador Carlos para que prendesse Lutero, apresentando como razão, que a fé não podia ser confiada a hereges. Contudo, Lutero pôde deixar Worms em paz.

Enquanto viajava de regresso à sua cidade, Lutero foi cercado e levado por soldados do eleitor Frederico para o castelo de Wartzburg. Ali permaneceu durante um ano, enquanto as tempestades de guerra e revoltas rugiam no império. Entretanto, durante esse tempo, Lutero não permaneceu ocioso; nesse período traduziu o Novo Testamento para a lingua alemã, obra que por si só o teria imortalizado, pois essa versão é considerada como o fundamento do idioma alemão escrito. Isto aconteceu no ano de 1521. O Antigo Testamento só foi completado alguns anos mais tarde. Ao regressar do castelo de Wartzburg a Wittenberg, Lutero reassumiu a direção do movimento a favor da igreja Reformada, exatamente a tempo de salvá-la de excessos extravagantes.

Em 1529 a Dieta reuniu-se na cidade de Espira, com o objetivo de reconciliar as partes em luta. Nessa reunião da Dieta os governadores católicos, que tinham maioria, condenaram as doutrinas de Lutero. Os principes resolveram proibir qualquer ensino do luteranismo nos estados em que dominassem os católicos. Ao mesmo tempo determinaram que nos estados em que governassem luteranos, os católicos poderiam exercer livremente sua religião. Os príncipes luteranos protestaram contra essa lei desequilibrada e odiosa. Desde esse tempo ficaram conhecidos como protestantes, e as doutrinas que defendiam também ficaram conhecidas como religião protestante.

A Contra-Reforma

Logo após haver-se iniciado o movimento da Reforma, um poderoso esforço foi também iniciado pela igreja católica romana no sentido de recuperar o terreno perdido, para destruir a fé protestante e para enviar missões a países estrangeiros. Esse movimento foi chamado Contra-Reforma.

Tentou-se fazer a reforma dentro da própria igreja por via do Concílio de Trento, convocado no ano de 1545 pelo papa Paulo III, principalmente com o objetivo de investigar os motivos e pôr fim aos abusos que deram causa à Reforma. O Concílio era composto de todos os bispos e abades da igreja, e durou quase vinte anos, durante os governos de quatro papas, de 1545 a 1563. Todos esperavam que a separação entre católicos e protestantes teria fim, e que a igreja ficaria outra vez unida. Contudo, tal coisa não sucedeu. Fizeram-se, porém, muitas reformas na igreja católica e as doutrinas foram definitivamente estabelecidas. Os próprios protestantes admitem que depois do Concílio de Trento os papas se conduziram com mais acerto do que os que governaram antes do Concílio. O resultado dessa reunião pode ser considerado como uma reforma conservadora dentro da igreja católica romana.

De ainda maior influência na Contra-Reforma foi a Ordem dos Jesuítas, fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola. Era uma ordem monástica caracterizada pela combinação da mais severa disciplina, intensa lealdade à igreja e à Ordem, profunda devoção religiosa, e um marcado esforço para arrebanhar prosélitos. Seu principal objetivo era combater o movimento protestante, tanto com métodos conhecidos como com formas secretas. Tornou-se tão poderosa a Ordem dos Jesuítas, que teve contra ela a oposição mais severa, até mesmo nos países católicos; foi suprimida em quase todos os países da Europa, e por decreto do papa Clemente XIV, no ano de 1773, a Ordem dos Jesuítas foi proibida de funcionar dentro da igreja. Apesar desse fato, ela continuou a funcionar, secretamente durante algum tempo, mais tarde abertamente, e foi reconhecida pelo papa em 1814. Hoje é uma das forças mais ativas para divulgar e fortalecer a igreja católica romana em todo o mundo.

A perseguição ativa foi outra arma poderosa usada para impedir o crescente espírito da Reforma. É Certo que os protestantes também perseguiram, e até mataram, porém geralmente isso aconteceu por sentimentos politicos e não religiosos. Entretanto, no continente europeu, todos os governos católicos preocupavam-se em extirpar a fé protestante, usando para isso a espada. Na Espanha estabelceu-se a Inquisição, por meio da qual inumerável multidão sofreu torturas e muitas pessoas foram queimadas vivas. Nos Países-Baixos o governo espanhol determinou matar todos aqueles que fossem suspeitos de heresias. Na França o espírito de perseguição alcançou o climax, na matança da noite de São Bartolomeu, 24 de agosto de 1572, e que se prolongou por várias semanas. Segundo o cálculo de alguns historiadores, morreram de vinte a setenta mil pessoas. Essas perseguições nos países em que o governo não era protestante não só retardavam a marcha da Reforma, mas, em alguns países, principalmente na Boêmia e na Espanha, a extinguiram.

Os esforços missionários da igreja católica romana devem ser recõnhecidos, também, como uma das forças da Contra-Reforma. Esses esforços eram dirigidos em sua maioria pelos jesuítas, e tiveram como resultado a conversão das raças nativas da América do Sul, do México e de grande parte do Canadá. Na India e países circunvizinhos estabeleceram-se missões por intermédio de Francisco Xavier, um dos fundadores da sociedade dos jesuítas. As missões católicas, nos países pagãos, iniciaram-se séculos antes das missões protestantes e conquistaram grande número de membros e bem assim poder para a respectiva igreja.

Como resultado inevitável de interesses e propósitos contrários dos estados da Reforma e católicos na Alemanha, iniciou-se então uma guerra no ano de 1618, isto é, um século depois da Reforma. Essa guerra envolveu quase todas as nações européias. Na história ela é conhecida como a Guerra dos Trinta Anos. As rivalidades políticas e religiosas estavam ligadas a essa guerra. Ás vezes estados que professavam a mesma fé, apoiavam partidos contrários. A luta estendeu-se durante quase. uma geração, e toda a Alemanha sofreu ou seus efeitos terríveis.

Finalmente, em 1648, a guerra terminou, com a assinatura do tratado de paz de Westfália, que fixou os limites dos estados católicos e protestantes, que duram até hoje. O periodo da Reforma pode ser considerado terminado nesse ponto.


VII. A IGREJA ATUAL

Nos últimos três séculos, nossa atenção dirigir-se-á especialmente para as igrejas que nasceram da Reforma. Pouco depois da Reforma apareceram três grupos diferentes na igreja inglesa:

- Os elementos romanistas que procuravam fazer amizade e nova união com Roma;

- O anglicanismo, que estava satisfeito com as reformas moderadas estabelecidas nos reinados de Henrique VIII e da rainha Elisabete;

- E o grupo protestante radical que desejava uma igreja igual às que se estabeleceram em Genebra e Escócia. Este último grupo ficou conhecido, cerca do ano de 1654, como “os puritanos”, e opunha-se de modo firme ao sistema anglicano no governo de Elisabete, e por essa razão muitos de seus dírigentes foram exilados.

Os puritanos também estavam divididos entre si: uma parte mais radical, era favorável à forma presbiteriana; a outra parte desejava a independência de cada grupo local, conhecidos como “independentes” ou “congregacionais”. Apesar dessas diferenças, continuavam como membros da igreja inglesa.

Na luta entre Carlos I e o Parlamento, os puritanos eram fortes defensores dos direitos populares. No início o grupo presbiteriano predominava. Por ordem do Parlamento, um concílio de ministros reunido em Westminster, em 1643, preparou a “Confissão de Westminster” e os dois catecismos, considerados durante muito tempo como regra de fé por presbiterianos e congregacionais. Após a Revolução de 1688, os puritanos foram reconhecidos como dissidentes da igreja da Inglaterra e conseguiram o direito de organizarem-se independentemente.

Do movimento iniciado pelos puritanos surgiram três igrejas, a saber, a Presbiteriana, a Congregacional, e a Batista.

Nos primeiros cinquenta anos do século dezoito, as igrejas da Inglaterra, a oficial e a dissidente, entraram em decadência. Os cultos eram formalistas, dominados por uma crença intelectual, mas sem poder moral sobre o povo. A Inglaterra foi despertada dessa condição, por um grupo de pregadores sinceros dirigidos pelos irmãos João e Carlos Wesley e Jorge Whitefield. Dentre os três, Whitefield era o pregador mais poderoso, que comovia os corações de milhares de pessoas, tanto na Inglaterra como na América do Norte. Carlos Wesley era o poeta sacro, cujos hinos enriqueceram a coleção hinológica a partir de seu tempo. João Wesley foi, sem dúvida alguma, o indiscutível dirigente e estadista do movimento. Na idade de trinta e cinco anos, quando desempenhava as funções de clérigo anglicano, João Wesley encontrou a realidade da religião espiritual entre os morávios, um grupo dissidente da igreja Luterana.

Em 1739 Wesley começou a pregar “o testemunho do Espírito” como um conhecimento pessoal interior, e fundou sociedades daqueles que aceitavam seus ensinos. A princípio essas sociedades eram orientadas por dirigentes de classes, porém mais tarde Wesley convocou um corpo de pregadores leigos para que levassem as doutrinas e relatassem suas experiências em todos os lugares, na Grã-Bretanha e nas colônias norte-americanas. Os seguidores de Wesley foram chamados “metodistas”, e Wesley aceitou sem relutância esse nome. Na inglaterra foram conhecidos como “metodistas wesleyanos”, e antes da morte de seu fundador, contavam-se aos milhares.

Apesar de haver sofrido, durante muitos anos, violenta oposição da igreja de Inglaterra, sem que lhe permitissem usar o púlpito para pregar, Wesley afirmava considerar-se membro da referida igreja; considerava o movimento que dirigia como uma sociedade não separada, mas dentro da igreja da Inglaterra. Contudo após a revolução norte-americana, em 1784, organizou os metodistas nos Estados Unidos em igreja independente, de acordo com o modelo episcopal, e colocou “superintendentes”, titulo que preferiu ao de “bispo”. Nos Estados Unicos o nome “bispo” teve melhor aceitação e foi por isso adotado. Nesse tempo os metodistas na América eram cercade 14.000.

O movimento wesleyano despertou clérigos e dissidentes para um novo poder na vida cristã. Também contribuiu para a formação de igrejas metodistas sob várias formas em muitos países. Na América do Norte, presentemente a igreja metodista conta com aproximadamente onze milhões de membros. Nenhum dirigente na igreja cristã conseguiu tantos seguidores como João Wesley.

A Igreja da Inglaterra (Episcopal), foi a primeira religião protestante a estabelecer-se na América do Norte. Em 1579 realizou-se um culto sob a direção de Sir Francis Drake, na Califórnia. O estabelecimento permanente da igreja inglesa data de 1607, na primeira colônia inglesa em Jamestown, na Virgima. A Igreja da Inglaterra era a única forma de adoração reconhecida no início, na Virgínia e em outras colônias do sul.

A igreja, nos Estados Unidos, tomou o nome oficial de Igreja Protestante Episcopal. O crescimento da igreja Episcopal desde então tem sido rápido e constante. Atualmente conta quase três milhões e meio de membros.

A igreja Episcopal reconhece estas três ordens no ministêrio: bispos, sacerdotes e diáconos, e aceita quase todos os trinta e nove artigos da Igreja da Inglaterra, modificados para serem adaptados à forma de governo norte-americano. Sua autoridade legislativa está concentrada em uma convenção geral que se reúne cada três anos. Trata-se de dois corpos, uma câmara de bispos e outra de delegados clérigos e leigos eleitos por convenções nas diferentes dioceses.

Uma das maiores igrejas existentes na América do Norte é a denominação Batista, a qual conta com mais de vinte milhões de membros. Seus princípios distintivos são dois: (1) Que o batismo deve ser ministrado somente àqueles que confessam sua fé em Cristo; por conseguinte, as crianças não devem ser batizadas. (2) Que a única forma bíblica do batismo é a imersão do corpo na água, e não a aspersão ou derramamento.

Os batistas são congregacionais em seu sistema de governo. Cada igreja local é absolutamente independente de qualquer jurisdição externa, fixando suas próprias regras. Não possuem uma Confissão de Fé nem catecismo algum para instruir jovens acerca de seus dogmas. Contudo, não há no país igreja mais unida em espírito, mais ativa e empreendedora em seu trabalho e mais leal aos seus princípios, do que as igrejas batistas.

Surgiram os batistas pouco depois da Reforma, na Suíça, e espalharam-se rapidamente no norte da Alemanha e na Holanda. No princípio foram chamados anabatistas, porque batizavam novamente aqueles que haviam sido batizados na infância. Na Inglaterra, a princípio, estavam unidos com os independentes ou congregacionais, mas pouco a pouco tornaram-se um corpo independente. Com efeito, a igreja de Redford, da qual João Bunyan era pastor, cerca do ano 1660, e que existe até hoje, considera-se tanto batista como congregacional.

Na América do Norte a denominação batista iniciou suas atividades com Roger Williams, clérigo da Igreja da Inglaterra expulso de Massachusetts porque se recusou a aceitar as regras e opiniões congregacionais. Roger fundou a colônia de Rhode Island, em 1644. Ali todas as formas de adoração religiosa eram permitidas, e os membros de religiões perseguidas em outras partes eram bem-vindos. De Rhode Island os batistas espalharam-se rapidamente por todo o continente.

Depois da Reforma iniciada por Martinho Lutero, as igrejas nacionais que se organizaram na Alemanha e nos países escandinavos tomaram o nome de luteranas. No início da história da colonização holandesa da Nova Amesterdã, hoje Nova lorque, que se supôe haja sido em 1623, os luteranos, ainda que da Holanda, chegaram a essa cidade. Em 1652, solicitaram licença para fundar uma igreja e contratar um pastor. Entretanto, as autoridades da Igreja Reformada da Holanda opuseram-se a esse desejo, e fizeram com que o primeiro ministro luterano voltasse à Holanda, em 1657. Os cultos continuaram a ser realizados, embora não oficialmente. Contudo, em 1664, quando a Inglaterra conquistou Nova Amsterdã, os luteranos conseguiram liberdade de culto.

Em 1638, alguns luteranos suecos estabeleceram-se próximo ao rio Delaware, e construíram o primeiro templo luterano na América do Norte, perto de Lewes. Porém a imigração sueca cessou até ao século seguinte. Em 1710, uma colônia de luteranos exilados do Palatinado, na Alemanha, estabeleceu a sua igreja em Nova Iórque e na Pensilvânia. No século dezoito os protestantes alemães e suecos emigraram para a América do Norte, aos milhares. Isso deu motivo à organizaçãodo primeiro Sínodo Luterano na cidade de Filadélfia, em 1748. A partir daí as igrejas luteranas cresceram, não só por causa da imigração, mas também pelo aumento natural, sendo que atualmente há aproximadamente nove milhões e meio de membros nas igrejas luteranas.

Uma das primeiras igrejas presbiterianas dos Estados Unidos foi organizada em Snow Hili, Marvland, em 1648, pelo Rev. Francis Makemie, da Irlanda. Makemie mais seis ministros reuniram-se em Filadélfia, em 1706 e uniram suas igrejas em um presbitério. Em 1716, as igrejas e seus ministros, havendo aumentado em numero, e bem assim penetrado em outras colônias, decidiram organizar-se em sínodo, dividido em quatro presbitérios incluindo dezessete igrejas.

As igrejas metodistas do Novo Mundo existem desde o ano de 1766, quando dois pregadores wesleyanos locais, naturais da Irlanda, se transferiram para os Estados Unidos e começaram a realizar cultos segundo a ordem metodista. Não se sabe ao certo se Filipe Embury realizou o primeiro culto em sua própria casa em Nova lorque ou se foi Roberto Strawbridge, em Fredrick County, Maryland. Esses dois homens organizaram sociedades, e, em 1768, Filipe Embury edificou uma capela na Rua João, onde funciona ainda um templo metodista episcopal. O número de metodistas na América do Norte cresceu. Por essa razão, em 1769, João Wesley enviou dois missionários, Ricardo Broadman e Tomás Pilmoor, a fim de inspecionarem a obra e cooperarem na sua extensão. Outros pregadores, sete ao todo, foram enviados da Inglaterra, dentre os quais se destacou Francisco Asbury, que chegou aos Estados Unidos em 1771. A primeira Conferência Metodista nas colônias foi realizada em 1773, presidida por Tomás Rankin. Porém, em razão do início da Guerra de Independência, todos os pregadores deixaram o país; exceto Asbury, e a maior parte do tempo, até que a paz foi assinada em 1783, ele esteve afastado.

Quando o governo dos Estados Unidos foi reconhecido pela Grã-Bretanha, os metodistas da América do Norte alcançavam o número de quinze mil.

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O Catolicismo Romano

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Até há bem pouco tempo, os melhores livros escritos sobre seitas e heresias não incluíam a Igreja Católica Romana no seu esquema de estudos, talvez devido ao fato de grande parte deles terem sido escritos em países onde essa igreja não exercia suficiente influência para ser notada como tal. Não é esse o caso do Brasil, onde a grande maioria dos membros de nossas igrejas, teoricamente, veio do catolicismo romano, já que essa igreja é ma¬joritária (pelo menos nominalmente) em nossa pátria desde o seu descobrimento, em 1500.

I. RESUMO HISTÓRICO DO CATOLICISMO
A Igreja Católica menciona o ano 33 d.C. como a data da sua fundação. Isto vem do fato de que toda ramificação do Cristianis¬mo costuma ligar a sua origem à Igreja fundada por Jesus Cristo. Porém, quanto ao desenvolvimento da organização eclesiástica e doutrinária da Igreja Romana, é muito difícil fixar com exatidão a data de sua fundação, porque o seu afastamento das doutrinas bíblicas deu-se paulatinamente.

1.1. COMEÇO DA DEGENERAÇÃO
Durante os primeiros três séculos da Era Cristã, a perseguição à Igreja verdadeira ajudou a manter a sua pureza, preservando-a de líderes maus e ambiciosos. Nessa época, ser cristão significava um grande desafio, e aqueles que fielmente seguiam a Cristo sabi¬am que tinham suas cabeças a prêmio, pois eram rejeitados e per¬seguidos pelos poderosos. Só os realmente salvos se dispunham a pagar esse preço.

Graças à tenacidade e coragem dos Pais da Igreja e dos famosos apologistas cristãos, o combate da Igreja às heresias que surgiram nessa época resultou numa expressão mais clara da teologia cristã. Quando os imperadores propuseram-se a exterminar a Igreja Cristã, só os que estavam dispostos a renunciar o paganismo e a sofrer o martírio declaravam sua fé em Deus.

Logo no início do século IV, Constantino ascendeu ao posto de imperador. Isso parecia ser o triunfo final do Cristianismo, mas, na realidade, produziu resultados desastrosos dentro da Igreja. Em 312, Constantino apoiou o Cristianismo e o fez religião oficial do Império Romano. Proclamando a si mesmo benfeitor do Cristianismo, achou-se no direito de convocar um Concilio em Nicéia, para resolver certos problemas doutrinários gerados por determinados segmentos da Igreja. Nesse Concilio foi estabelecido o chamado “Credo dos Apóstolos”.

1.2. CAUSAS DA DECADÊNCIA DA IGREJA
A decadência doutrinária, moral e espiritual da Igreja começou quando milhares de pessoas foram por ela batizadas e recebidas como membros, sem terem experimentado uma real conversão bíblica. Verdadeiros pagãos que eram, introduziram-se no seio da Igreja trazendo consigo os seus deuses, que, segundo eles, eram o mesmo Deus adorado pelos cristãos.

Nesse tempo, homens ambiciosos e sem o temor de Deus começaram a buscar posições na Igreja como meio de obter influência social e política, ou para gozar dos privilégios e do sustento que o Estado garantia a tantos quantos fizessem parte do clero. Deste modo, o formalismo e as crenças pagas iam-se infiltrando na Igreja até o nível de paganizá-la completamente.

1.3. RAÍZES DO PAPADO E DA MARIOLATRIA
Desde o ano 200 a.C. até o ano 276 da nossa Era, os imperadores romanos haviam ocupado o posto e o título de Sumo Pontífice da Ordem Babilônica. Depois que o imperador Graciano se negara a liderar essa religião não-cristã, Dâmaso, bispo da Igreja Cristã em Roma, foi nomeado para esse cargo no ano 378. Uniram-se assim numa só pessoa todas as funções dum sumo sacerdote apóstata e os poderes de um bispo cristão.

Imediatamente depois deste acontecimento, começou-se a promover a adoração a Maria como a Rainha do Céu e a Mãe de Deus. Daí procederam todos os absurdos romanistas quanto à humilde pessoa de Maria, a mãe do Salvador.

Enquanto se desenvolvia a adoração a Maria, os cultos da Igreja de Roma perdiam cada vez mais os elementos espirituais e a perfeita compreensão das funções sobrenaturais da graça de Deus. Formas pagas, como a ênfase sobre o mistério e a magia, influenciaram essa igreja. O sacerdote, o altar, a missa e as imagens de escultura assumiram papel de preponderância no culto. A autoridade era centralizada numa igreja dita infalível e não na vontade de Deus, conforme expressada pela sua Palavra.

1.4. O CISMA ENTRE O ORIENTE E O OCIDENTE
O cisma entre o Oriente e o Ocidente logo tornou-se evidente. O rompimento final aconteceu, em 1054, com a Igreja Ocidental, ou Romana, sediada em Roma, então Capital do Império, por parte da Igreja Oriental, ou Ortodoxa, que assim separou-se da Igreja Romana, ficando sediada em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia. A Igreja Oriental guardou a primazia sobre os patriarcados de Jerusalém, Antioquia e Alexandria.

Desde então, a Igreja Romana, nitidamente desviada dos princípios ensinados por Jesus no seu Evangelho, esteve como um barco à deriva, sem saber onde aportar. Até que veio a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero. Foi mais um cisma na já combalida Igreja Romana.

II. PAGANIZAÇÃO DA IGREJA ROMANA
Note a seguir o processo da gradual paganização da Igreja Católica Romana, desde que ela começou a abandonar a simplicidade do Evangelho de Cristo, até os nossos dias:

Século Ano Dogma ou Cerimônia
I-II 33-196 Nesse período da História, a Igreja não aceitou nenhuma doutrina anti-bíblica.
II 197 Zeferino, bispo de Roma, começa um movimento herético contra a divindade de Cristo.
III 217 Calixto se torna bispo de Roma, pondo-se à frente da propaganda herética e levando a Igreja de Roma para mais longe do caminho de Cristo.
III 270 Origem da vida monástica no Egito, por Santo Antônio.
IV 370 Culto dos santos professado por Basílio de Cesaréia e Gregório de Nazianzo. Primeiros indícios do turíbulo (incensário), paramentos e altares nas igre¬jas, usos esses introduzidos pela influência dos pagãos convertidos.
IV 400 Orações pelos mortos e sinal da cruz feito no ar.
V 431 Maria é proclamada a “Mãe de Deus”.
VI 593 O dogma do Purgatório começa a ser ensinado.
VI 600 O latim passa a ser usado como língua oficial nas VI celebrações litúrgicas.
VII 609 Começo histórico do papado.
VIII 758 A confissão auricular é introduzida na igreja por religiosos do Oriente.
VIII 789 Início do culto das imagens e das relíquias.
IX 819 A festa da Assunção de Maria é observada pela primeira vez.
IX 880 Canonização dos santos.
X 998 Estabelecimento do Dia de Finados.
X 998 Quaresma.
X 1000 Cânon da Missa.
XI 1074 Proíbe-se o casamento para os sacerdotes.
XI 1075 Os sacerdotes casados devem divorciar-se, compulsoriamente, cada um de sua esposa.
XI 1095 Indulgências plenárias.
XI 1100 Introduzem-se na igreja o pagamento da missa e o culto aos anjos.
XI 1115 A confissão é transformada em artigo de fé.
XII 1025 Entre os cônegos de Lião aparecem as primeiras idéias da Imaculada Conceição de Maria.
XII 1160 Estabelecidos os 7 sacramentos.
XII 1186 O Concilio de Verona estabelece a “Santa Inquisição”.
XII 1190 Estabelecida a venda de indulgências.
XII 1200 Uso do rosário por São Domingos, chefe da inquisição.
XII 1215 A transubstanciação é transformada em artigo de fé.
XIII 1220 Adoração à hóstia.
XIII 1226 Introduz-se a elevação da hóstia.
XIII 1229 Proíbe-se aos leigos a leitura da Bíblia.
XIII 1264 Festa do Sagrado Coração.
XIII 1303 A Igreja Católica Apostólica Romana é proclamada como sendo a única verdadeira, e somente nela o homem pode encontrar a salvação…
XIV 1311 Procissão do Santíssimo Sacramento e a oração da Ave-Maria.
XIV
XV 1414 Definição da comunhão com um só elemento, a hóstia. O uso do cálice fica restrito ao sacerdote.
XV 1439 Os 7 sacramentos e o dogma do Purgatório são transformados em artigos de fé.
XVI 1546 Conferida à Tradição autoridade igual a da Bíblia.
XVI 1562 Declara-se que a missa é oferta propiciatória e confirma-se o culto aos santos.
XVI 1573 É estabelecida a canonicidade dos livros apócrifos.
XIX 1854 Definição do dogma da Imaculada Conceição de Maria.
XIX 1864 Declaração da autoridade temporal do papa.
XIX 1870 Declaração da infalibilidade papal.
XX 1950 A assunção de Maria é transformada em artigo de fé.

Vale salientar que alguns dos dados aqui registrados são apenas aproximados, pois muitas e muitas vezes as doutrinas eram discutidas, algumas durante séculos, antes de serem finalmente aceitas e promulgadas como artigos de fé, ou dogmas. Um exemplo disto é o dogma do Purgatório, introduzido na Igreja Romana em 593, mas só declarado artigo de fé no ano de 1439.

III. É PEDRO O FUNDAMENTO DA IGREJA?
A Igreja Católica Romana considera o apóstolo Pedro como a pedra fundamental sobre a qual Cristo edificou a sua Igreja. Para fundamentar esse ensino, apela, principalmente, para a passagem de Mateus 16.16-19: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do Reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

Dessa passagem, a Igreja Romana deriva o seguinte raciocínio:

a. Pedro é a rocha sobre a qual a Igreja está edificada.
b. A Pedro foi dado o poder das chaves, portanto, só ele detém o poder de abrir a porta do Reino dos céus.
c. Pedro tornou-se o primeiro bispo de Roma.
d. Toda autoridade foi conferida a Pedro até nossos dias, atra¬vés da linhagem de bispos e papas, todos vigários de Cristo na Terra.

3.1. UMA INTERPRETAÇÃO ABSURDA
Partindo deste raciocínio, o padre Miguel Maria Giambelli põe o versículo 19 de Mateus 16 nos lábios de Jesus, da seguinte ma¬neira: “Nesta minha Igreja, que é o reino dos céus aqui na terra, eu te darei também a plenitude dos poderes executivos, legislativos e judiciários, de tal maneira que qualquer coisa que tu decretares, eu a ratificarei lá no Céu, porque tu agirás em meu nome e com a minha autoridade” (A Igreja Católica e os Protestantes, p. 68).

Numa simples comparação entre a teologia vaticana e a Bíblia, a respeito do apóstolo Pedro e sua atuação no seio da igreja nascente, descobre-se quão absurda é a interpretação romanista a respeito da pessoa e ministério desse apóstolo do Senhor. Mesmo numa despretensiosa análise do assunto, conclui-se que:

1) Pedro jamais assumiu no seio do Cristianismo nascente a posição e as funções que a teologia católico-romana procura atri¬buir-lhe.
O substantivo feminino petra designa do grego uma rocha grande e firme. Já o substantivo masculino petros é aplicado geralmente a pequenos blocos rochosos, móveis, bem como a pedras pequenas, tais como a pedra de arremesso. Pedro é petros = bloco rochoso e móvel e não petra = rocha grande e firme. Portanto, uma igreja sobre a qual as portas do inferno não prevaleceriam não poderia repousar sobre Pedro.

2) De acordo com a Bíblia, Cristo é a pedra. “Estavas vendo isso, quando uma pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou” (Dn 2.34).

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2.20).

Nestes versículos, “pedra” se refere a Cristo e não a Pedro.

Diz o apóstolo Pedro: “Este Jesus é a pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular” (At 4.11, cf. Mc 12.10e 11). (Se desejar leia ainda Romanos 2.20; 9.33; 1 Coríntios 10.4 e 1 Pedro 2.4.)

3-2. O TESTEMUNHO DOS PAIS DA IGREJA
Dos oitenta e quatro Pais da Igreja antiga, só dezesseis crêem que o Senhor se referia a Pedro quando disse “esta pedra”. Dos outros Pais da Igreja, uns dizem que esta expressão se refere à pessoa de Cristo mesmo, outros, à confissão que Pedro acabara de fazer, e outros, ainda, a todos os apóstolos. Portanto, se apelarmos para os Pais da Igreja dos primeiros quatro séculos, as pretensões da Igreja Romana com referência a Pedro, redundam em sofismas.

Só a partir do século IV começou-se a falar a respeito da pos¬sibilidade de Pedro ser a pedra fundamental da Igreja, e isto estava intimamente relacionado com a pretensão exclusivista do bispo de Roma.

À luz das palavras do próprio apóstolo Pedro, Cristo é apetra (= rocha grande e firme): “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa” (1 Pe 2.4).

Todos os crentes são petros = blocos rochosos e moveis, “…vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pe 2.5).

IV. O ALEGADO PRIMADO DE PEDRO
Da interpretação doutrinária que a Igreja Católica Romana faz de Mateus 16.16-19, deriva outro grande erro: o ensino de que Jesus fez de Pedro o “Príncipe dos Apóstolos”, pelo que veio a se tornar o primeiro bispo de Roma, do qual os papas, no decorrer dos séculos, são legítimos sucessores.

Esteve Pedro em Roma alguma vez?

Há uma opinião sobre uma remota possibilidade de que Pedro tenha estado em Roma.

Oscar Cullman, teólogo alemão, escreve: “A primeira carta de Pedro… alude em sua saudação final (5.13) à estada de Pedro em

Roma, ao falar de ‘Babilônia’ como lugar da comunidade que envia saudações, pois que a opinião mais provável é que ‘Babilônia’ designa Roma”.

Também Lietzmann, em sua obra Petrus and Paulus in Rome (Pedro e Paulo em Roma), assim se expressa sobre o assunto:

“Mais importante, porém, é a debatida afirmação de que Pedro, no decurso de sua atividade missionária, tenha chegado a Roma e aí morrido como mártir. Visto que esta questão está inti¬mamente relacionada com a pretensão romana ao primado, freqüentemente a polêmica confessional influi na discussão. A resposta a ela só pode ser fruto de pesquisa histórica desinteres¬sada. Como, porém, ao lado das fontes neotestamentárias, vêm, em consideração, principalmente testemunhos extra e pós-canônicos da literatura cristã antiga, e, além disto, documentos litúrgicos posteriores, e ainda escavações recentes, esta questão não pode ser aqui discutida em todos os seus pormenores. Queremos apenas lembrar que, até a segunda metade do século II, nenhum documento afirmava expressamente a estada e martírio de Pedro em Roma”.

4.1. PEDRO, UM PAPA DIFERENTE
Tenha ou não estado em Roma, o fato é que, se Pedro foi papa, foi um papa diferente dos demais que apareceram até agora. Se não, vejamos:

a. Pedro era financeiramente pobre (At 3.6).
b. Pedro era casado (Mt 8.14,15).
c. Pedro foi um homem humilde, pelo que não aceitou ser adorado pelo centurião Cornélio (At 10.25,26).
d. Pedro foi um homem repreensível (Gl 2.11-14).

É de estranhar que Tiago — e não Pedro, o “Príncipe dos Apóstolos”, como ensina a teologia vaticana, fosse o pastor da comunidade cristã em Jerusalém (At 15). Se Pedro tivesse sido papa, cer¬tamente não teria aceito a orientação dos líderes da Igreja quanto à obra missionária (At 15.7). Se Pedro tivesse sido papa, a ordem das “colunas”, conforme Paulo escreve em Gálatas 2.9, seria: “Cefas, Tiago e João”, e não “Tiago, Cefas e João”.

4.2. O PAPA, UM PEDRO DIFERENTE
A própria história do papado é uma viva demonstração de que os papas jamais conseguiram provar serem sucessores do apóstolo Pedro, já que em nada se assemelham àquele inflamado, mas humilde, servo do Senhor Jesus Cristo.

Vejamos, por exemplo:

a. Os papas são administradores de grandes fortunas da igreja. O clérigo José Maria Alegria, da Universidade Gregoriana de Roma, declarou, no final do ano de 1972, que o balanço financeiro do Vaticano dispunha de um ativo de um bilhão de dólares.

b. Os papas são celibatários, isto é, não se casam, não obstante ensinarem que o casamento é um sacramento.

c. Os papas freqüentemente aceitam a adoração dos homens.

d. Os papas consideram-se infalíveis nas suas decisões e decretos.

V. O PURGATÓRIO
A idéia do Purgatório tem suas raízes no budismo e em outros sistemas religiosos da antigüidade. Até a época do papa Gregório I, porém, o Purgatório não havia sido oficialmente reconhecido como parte integrante da doutrina romanista.

Esse papa adicionou o conceito de fogo purificador à crença, então corrente, de que havia um lugar entre o céu e o inferno, para onde eram enviadas as almas daqueles que não eram tão maus, a ponto de merecerem o inferno, mas também, não eram tão bons, a ponto de merecerem o céu. Assim, surgiu a crença de que o fogo do Purgatório tem poder de purificar a alma e todas as suas escórias, até fazê-la apta a se encontrar com Deus.

5.1. ALEGADAS RAZÕES DESSE DOGMA
Buscando provar a existência do Purgatório, a Igreja Romana apela para algumas passagens bíblicas, das quais extrai apenas falsas inferências, e nada mais. Entre os versículos preferidos, destacam-se os seguintes:

• “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á isso perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir” (Mt 12.32).

• “Digo-vos que toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia de juízo” (Mt 12.36).

• “…se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (1 Co 3.15).

5.2. UMA DESCRIÇÃO DO PURGATÓRIO
De acordo com a teologia romanista, o Purgatório, além de ser um lugar de purificação, é também um lugar onde a alma cum¬pre pena; pelo que o fogo do Purgatório deve ser temido grande¬mente. O fogo do Purgatório será mais terrível do que todo o sofri¬mento corporal reunido. Um único dia nesse lugar de expiação poderá ser comparado a milhares de dias de sofrimentos terrenos.

O escritor católico Mazzarelli faz seus cálculos à base de trinta pecados veniais por dia, e, para cada pecado, um dia no Purgatório, perfazendo um total de mil e oitocentos anos, caso o pecador tenha sessenta anos de vida na Terra, devendo-se acrescentar aos veniais os pecados mortais absolvidos, mas não plenamente expiados.

5.3. QUEM VAI PARA O PURGATÓRIO?
A pergunta: Que espécie de gente vai para o Purgatório? — responde o papa Pio IV: “1. Os que morrem culpados de pecados menores, que costumamos chamar veniais, e que muitos cristãos cometem — e que, ou por morte repentina, ou por outra razão, são chamados desta vida, sem que se tenham arrependido destas faltas ordinárias. 2. Os que, tendo sido formalmente culpados de pecados maiores, não deram plena satisfação deles à justiça divina” (A Base da Doutrina Católica Contida na Profissão da Fé).

Pátio da Catedral de São Pedro, em Roma, centro de peregrinação e de paganização do mundo

Apesar do fato de as almas no Purgatório, segundo o ensino da Igreja Romana, terem sido já justificadas no batismo e pelo batismo, a justiça divina, contudo, não ficou plenamente satisfei¬ta. Desse modo, a alma, embora escape do inferno, precisa supor¬tar, por causa dos seus pecados que ainda restam por expiar depois da morte, a punição temporária do Purgatório. Isso foi categoricamente afirmado pelo Concilio de Trento: “Se alguém disser que, depois de receber a graça da justificação, a culpa é perdoada ao pecador penitente, e que é destruída a penalidade da punição eterna, e que nenhuma punição fica para ser paga, ou neste mundo ou no futuro, antes do livre acesso ao reino a ser aberto, seja anátema” (Seção VI).

5.4. SUFRÁGIOS PELOS QUE SE ACHAM NO PURGATÓRIO
Entre o que pode assistir aos que se encontram no Purgatório, há três atos que se destacam no ensino romanista, que são:

5.4.1. ORAÇÕES PELOS MORTOS
E de se supor que a prática romanista de interceder pelos mortos tenha-se gerado da falsa interpretação às seguintes palavras de Paulo: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens” (1 Tm2.1).

5.4.2. MISSAS
As missas são tidas como os principais recursos empregados em benefício das almas que estão no Purgatório, pois, segundo o ensino romanista, a missa beneficia não só a alma que sofre no Purgatório, como também acumula méritos àqueles que as mandam dizer.

5.4.3. ESMOLAS
Dar esmolas com a intenção de aplicá-las nas necessidades da alma que pena no Purgatório “é jogar água nas chamas que a de¬voram”. Pretende a Igreja Romana que, “exatamente como a água apaga o fogo mais violento, assim a esmola lava o pecado”.

Ainda sobre o Purgatório, o Concilio de Trento declarou: “Desde que a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo nos sagrados escritos e pela antiga tradição dos Pais, tem ensinado nos santos concílios, e ultimamente, neste Concilio Ecumênico, que há o Purgatório, e que as almas nele retidas são assistidas pelos sufrágios das missas, este santo concilio ordena a todos os bispos que, diligentemente, se esforcem para que a salutar doutrina concernente ao Purgatório — transmitida a nós pelos veneráveis pais e sagrados concílios — seja crida, sustentada, ensinada e pregada em toda parte pelos fiéis de Cristo” (Seção XXV).

5.5. REFUTAÇÃO
O Purgatório não é somente uma fábula engenhosamente montada, mas a sua doutrina se constitui num vergonhoso sacrilégio à honra de Deus e num desrespeito à obra perfeita efetuada por Cristo na cruz do Calvário. Essa doutrina, além de absurda e cruel, supõe os seguintes disparates e blasfêmias:

• Não obstante Deus declare que já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1), contudo, Ele se contradiz a si mesmo quando lança o salvo no Purgatório, para expiar os pecados já purgados.

• Deus não queima os seus filhos no Purgatório para satisfazer à sua justiça já satisfeita pelo sacrifício de Cristo, mas para satisfazer a si mesmo!

• Ao lançar seus filhos no Purgatório, Deus está com isto dizendo que o sacrifício do seu Filho foi imperfeito e insuficiente!

• Jesus, que dos céus intercede pelos pecadores, vê-se impos¬sibilitado de livrar as almas que estão no Purgatório, porque só o papa possui a chave daquele cárcere!

• Dizer que as almas expiam suas faltas no Purgatório é atribuir ao fogo o poder do sacrifício de Jesus, e ignorar completamente a obra que Cristo efetuou no Gólgota!

• Que o castigo do pecado fica para depois de perdoado!

Estes disparates provêm dum erro da teologia vaticana, segundo o qual a obra expiatória de Cristo satisfez a pena devida aos pecados cometidos antes do batismo, e não daqueles que foram cometidos posteriormente.

Todas estas incoerências sobre o dogma do Purgatório estão em contradição com as seguintes afirmações bíblicas:

a. Quanto à perfeita libertação do pecado (Jo 8.32,36).
b. Quanto ao completo livramento do juízo vindouro (Jo 5.24).
c. Quanto à completa justificação pela fé (Rm 5.1,2).
d. Quanto à intercessão de Cristo (1 Jo 2.1).
e. Quanto ao atual estado dos salvos mortos (Lc 23.43;Ap 14.13).
f. Quanto à bem-aventurada esperança do salvo (Fp 1.21,23;2Co5.8).
O que a Igreja Católica Romana chama “Purgatório”, a Bíblia chama “Gehenna”, ou “Inferno”, lugar de suplício eterno, de onde aqueles que nele são lançados, jamais sairão (leia Lucas 16.19-31 e veja que nada poderá ser feito em favor daqueles infelizes que são lançados nesse lugar de terrível suplício). A esses está ordena¬do morrerem uma só vez, vindo depois disto o juízo (Hb 9.27), quando serão julgados e condenados ao Lago de Fogo.

A salvação oferecida por Cristo é uma salvação perfeita e total, pois ela é o resultado da misericórdia de Deus e do sangue do seu amado Filho.

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.7,9).

O purgatório do crente é o sangue de Jesus.

VI. A TRADIÇÃO E A BÍBLIA
Em 1929, sobre a Bíblia, escreveu o padre Bernhard Conway: “A Bíblia não é a única fonte de fé, como Lutero en¬sinou no século XVI, porque, sem a interpretação de um apostolado divino e infalível, separado da Bíblia, jamais pode¬remos saber, com certeza, quais são os livros que constituem as Escrituras inspiradas, ou se as cópias que hoje possuímos con¬cordam com os originais. A Bíblia, em si mesma, não é mais do que letra morta, esperando por um intérprete divino; ela não está arranjada de forma sistemática; é obscura, e de difícil entendimento, como São Pedro diz de certas passagens das Cartas de Paulo (2 Pe 3.16, cf. At 8.30,31); como ela é, está aberta à falsa interpretação. Além disso, certo número de verdades reveladas têm chegado a nós, somente por meio da Tradição divina” (The Question Box).

No Compêndio do Vaticano II, lê-se o seguinte: “Não é através da Escritura apenas que a Igreja deriva sua certeza a respeito de tudo que foi revelado. Por isso ambas (Escritura e Tradição) devem ser aceitas e veneradas com igual sentido de piedade e reverência” (p. 127).

6.1. ESTABELECIDA A TRADIÇÃO
Desde que muitas inovações anticristãs começaram a ser aceitas pela Igreja Romana, esta começou a ter dificuldades em como justificá-las à luz das Escrituras. Desse modo, em vez de deixar o paganismo e voltar-se para a Bíblia, o clero fez exatamente o contrário: no Concilio de Tolosa, em 1229, tomaram a medida extre¬ma de proibir o uso da Bíblia pelos leigos.

Até a Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana não havia ainda tomado nenhuma posição no sentido de conferir à Tradição autoridade igual à da Bíblia Sagrada. Isto devido à generalizada ignorância do povo a respeito das Escrituras. Porém, com o advento da Reforma Protestante no século XVI, o valor da Bíblia, como única regra de fé e prática do cristão, foi exaltado, e a sua mensagem pregada onde quer que se fizesse sentir a influência desse evento. Como a maioria dos dogmas da Igreja Romana não tivesse o apoio da Bíblia, o clero em mais uma demonstração de rejeição das Escrituras, foi levado a estabelecer a Tradição como autoridade para apoiar os seus dogmas e enganos.

A ênfase bíblica da mensagem reformada forçou o clero da Igreja Romana a reavaliar a decisão do Concilio de Tolosa, e pas¬sou a permitir a leitura da Bíblia pelos leigos, desde que satisfeitas as seguintes exigências:

a. Que a Bíblia fosse editada ou autorizada pelo clero;
b. Que os leigos não formassem juízo próprio dos seus ensinos;
c. Que os leigos só aceitassem a sua interpretação quando fei¬ta pelo clero.
Impedidos de interpretar a Bíblia por si mesmos, os leigos estavam privados da possibilidade de ver quão desrespeitosos à Bíblia são os dogmas acobertados pela Tradição. Só dessa forma, os dogmas fundamentados na Tradição estariam resguardados de julgamento e a Bíblia reduzida, assim, a um livro ininteligível e destituído de autoridade.

“A questão da autoridade na Igreja Romana foi sempre uma dolorosa questão, mas a História revela que a sua tendência sempre foi de flutuar de um para outro ponto, com propensão para fincar-se no papado. Esta foi a evolução da autoridade: das Escrituras para a Tradição, desta para a Igreja, da Igreja para o clero e deste para o papado que, em 1870, diria: A tradição sou eu” (Fé e Vida, maio de 1943).

6.2. TRADIÇÃO, TRAIÇÃO AO EVANGELHO
A Tradição da Igreja Romana é, sem dúvida alguma, um “outro evangelho” (Gl 1.8); antítese do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Ela não tinha lugar na igreja primitiva. O Evangelho só, contém “todo o conselho de Deus” (At 20.27), dispensando, portanto, a tradição vaticana.

Paulo, o maior escritor e doutrinador do Novo Testamento, cujo ministério estava fundamentado no Evangelho, falou sobre a suficiência deste quando escreveu: “Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3,4, ênfase do autor).

A Tradição não pode resistir a uma análise por parte de famosos cristãos da antigüidade, tampouco diante das Escrituras.

Cipriano, no século III, disse: “A tradição, sem a verdade, é o erro envelhecido”.

Tertuliano afirmou: “Cristo se intitulou a Verdade, mas não a tradição… Os hereges são vencidos com a Verdade e não com novidades”.

No ano 450, disse Venâncio: “Inovações são coisas de hereges e não de crentes ortodoxos”.

Jerônimo, o tradutor da “Vulgata”, tradução oficial da Bíblia usada pela Igreja Romana, escreveu: “As coisas que se inventam e se apresentam como tradições apostólicas, sem autoridade e testemunho das Escrituras, serão atingidas pela Espada de Deus”.

A Confissão de Fé de Westminster traz num dos seus decretos algo que os católicos deveriam ler e não esquecer, que diz: “O Supremo Juiz, pelo qual todas as controvérsias de religião são determinadas e todos os decretos de concílios, opiniões de escritores antigos, doutrinas de homens e espíritos privados serão examinados e cujas sentenças devemos acatar, não pode ser outro senão o Espírito Santo, falando através das Escrituras.”

VII. A VIRGEM MARIA
A essência da adoração na Igreja Católica Romana gira não em torno do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas da pessoa da Virgem Maria.

No decorrer dos séculos as mais diferentes e absurdas crendices têm sido criadas em torno da humilde mãe do Salvador.

7.1. A TEOLOGIA MARIANA
Decreta o Concilio Vaticano II: “Os fiéis devem venerar a memória primeiramente da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Dentre as muitas declarações em torno de Maria, destacam-se as seguintes:

7.1.1. CONCEBIDA SEM PECADO
“Daí não admira que nos Santos Padres prevalece o costume de chamar a Mãe de Deus toda santa, imune de toda mancha de pecado, como que plasmada pelo Espírito Santo e formada nova criatura” (Compêndio Vaticano II, p. 105).

7.1.2. SEMPRE VIRGEM
“Maria sempre foi virgem: Esta é doutrina tradicional da Igreja Católica. No entanto a grande maioria das Igrejas Protestantes afirma que Maria não guardou a sua virgindade e teve outros filhos além de Jesus” (A Igreja Católica e os Protestantes, p. 88).

7.1.3. MEDIANEIRA E INTERCESSORA
“A Bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Adjutriz, Medianeira” (Com¬pêndio Vaticano II, p. 109).

7.2. O CÚMULO DO ABSURDO
Há alguns anos foi publicado na imprensa de uma capital latino-americana um discurso de um cardeal católico-romano. O emi¬nente prelado recorda este sonho. Ele sonhou que estava na cidade celestial. Ouviu-se bater à porta. Foi comunicado a Deus que um pecador da Terra estava pedindo entrada. “Cumpriu ele as condições?” foi a pergunta. A resposta foi: “Não!” “Então não pode entrar”, foi o veredicto. Nesse ponto, a virgem Maria, que estava sentada à direita do seu Filho, falou: “Se esta alma não entrar eu me ponho fora”. A porta abriu-se e o pecador entrou.

7.3.0 TESTEMUNHO DAS ESCRITURAS
Invocando o testemunho das Escrituras, concluímos que:

7.3.1. MARIA NÃO FOI CONCEBIDA SEM PECADO
O que a Bíblia declara é que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Só a respeito de Cristo é que pode ser dito: “Com efeito nos convinha um sumo sacerdote, assim como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, e feito mais alto do que os céus” (Hb 7.26).

7.3.2. MARIA TEVE OUTROS FILHOS
Além de João 2.12, o Novo Testamento se refere aos irmãos de Jesus, ainda em Mateus 12.46; 13.55,56; Marcos 3.31; Lucas 8.19; João 7.3,5,10; Atos 1.14; 1 Coríntios 9.5 e Gálatas 1.19. Os ensinadores romanistas dizem que aqueles a quem o Novo Testamento chama de irmãos de Jesus, na realidade são seus primos. Esta interpretação é errônea e visa fortalecer o dogma da perpétua virgindade de Maria (leia Lucas 1.36, e veja que irmãos e primos são distintos no Novo Testamento).

O fato de Maria ter sido virgem no ato da concepção de Jesus é ponto pacífico nas Escrituras, porém, afirmar que ela continuou virgem após o parto é antítese de Mateus 1.25: “Contudo, não a conheceu, enquanto não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus”.

7.3.3. MARIA NÃO EXERCE MEDIAÇÃO A FAVOR DO PECADOR
“Porque há um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2.5). “Se, todavia, alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 Jo 2.1).

7-3-4- Só CRISTO INTERCEDE PELO PECADOR
“Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25).

Epifânio, grande apologista cristão do século IV, diz o seguinte aos católicos de hoje:

“Não se devem honrar os santos além do que é justo, mas deve-se honrar o Senhor deles. Maria, de fato, não é Deus nem recebeu do céu o seu corpo, mas de uma concepção de um homem e de uma mulher. Santo é o corpo de Maria; ela é virgem e digna de muita honra mas não foi dada para adoração, antes, ela adora aquele que nasceu da sua carne. Honre-se Maria, mas adore-se o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ninguém adore a Virgem Maria”.

Ao mesmo tempo, disse Ambrósio de Milão: “Maria era o templo de Deus, não o Deus do templo. Deve-se adorar então somente aquele que opera no templo”.

VIII. A MISSA
Dentre os muitos chamados “sacramentos” da Igreja católica Romana, destaca-se a missa.

8.1. DEFINIÇÃO DA MISSA
O que a missa é no contexto do Catolicismo Romano é definido pelo padre Miguel Maria Giambelli:

“O que nós, católicos, chamamos ‘missa’, os primeiros cristãos de Jerusalém chamavam de ‘partir do pão’, porque foi exatamente isto o que fez Jesus na última ceia: ‘Tomou o pão, deu graças e partiu…’” S. Paulo lembra aos coríntios que todas as vezes que eles se reúnem para comer deste pão e beber deste cálice, anunciam a morte do Senhor, isto é, eles renovam o sacrifício do Calvário.

“O apóstolo Paulo alerta os coríntios de que aquele pão e aquele vinho, após as palavras consagradas, não são mais pão e vinho comuns, mas são algo de misterioso que esconde o corpo sagrado de Jesus, e quem, portanto, se atrever e comer deste pão e beber deste vinho sem as devidas condições espirituais, comete uma pro¬fanação tão sacrílega que o torna réu de um crime contra o corpo e o sangue do Senhor Jesus. Daí porque São Paulo continua alertando os coríntios a tomarem muito a sério o ato de comer deste pão e beber deste cálice consagrado na eucaristia, porque quem os come e bebe sem crer firmemente que são corpo vivo de Cristo, e, portanto, sem fazer distinção entre o pão comum da padaria e pão consagrado ‘come e bebe sua própria condenação!’” (A Igreja Católica e os Protestantes, p. 27).

Deste ensino deduz-se que Giambelli afirma:

a. Missa e santa ceia do Senhor são a mesma coisa.
b. A missa renova o sacrifício do Calvário.
c. O pão e o vinho usados na missa são transubstanciados no próprio corpo de Cristo no momento da celebração.
d. Quem não diferençar o pão que é servido na missa do que é vendido na padaria, “come e bebe sua própria condenação”.

8.2.0 QUE DIZEM AS ESCRITURAS
Esse ensino é errado, portanto, contrário àquilo que as Escrituras Sagradas ensinam.

O recurso que a Igreja Romana usa para confundir o significado da expressão “… em memória…” com a palavra “… renovar”, se constitui numa incoerência, primeiro à luz da Bíblia, e depois à luz da gramática. No Dicionário da Língua Portuguesa, de Augusto Miranda, a expressão “em memória” tem como sinônimo a expressão “em lembrança”; enquanto a palavra “renovar” tem como sinônimo a palavra “recompor”. Portanto, uma nada tem a ver com a outra.

Se a morte de um amigo nos vem à memória, isto não é a mesma coisa que renová-la. Existem vários versículos na Bíblia que falam da impossibilidade de se renovar o sacrifício de Cristo, entre os quais se destacam: Hebreus 7.26,27; 10.12-14; 1 Pedro 3.18 e Romanos 6.9.

8.3. O PROBLEMA DA TRANSUBSTANCIAÇÃO
Não há um só versículo nas Escrituras em apoio à tese do Concilio de Trento de que o pão e o vinho usados na missa, ao serem consagrados, tornam-se, ou transubstanciam-se, em Jesus, física e espiritualmente, assim como Ele está no céu. Veja, por exemplo:

a. Mesmo após a ressurreição, não obstante gozando do privilégio de um corpo espiritual, Jesus não bilocou-se, isto é, Ele não esteve em dois lugares ao mesmo tempo. Se estava em Emaús, não estava em Jerusalém. Ele estava num só lugar de cada vez. Como pretende, pois, a teologia vaticana provar que Jesus esteja fisica¬mente, tanto no céu como nas hóstias espalhadas nos sacrários dos templos católicos por todo o mundo?

b. Quando Jesus diz: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28.10), Ele não sugere que estaria fisicamente através do pão e do vinho da missa, mas espiritualmente, assim como esteve com Paulo, conforme Atos 18.9,10.

c. O corpo de Cristo hoje na Terra não é o pão e o vinho usados na celebração da missa, mas a sua Igreja, conforme mostram as seguintes passagens bíblicas: 1 Coríntios 10.16,17; 12.27; Efésios 1.22,23; 4.15,16; 5.30.

Outra prova de que missa e santa ceia do Senhor são cerimônias diferentes, é que na missa os comungantes só tomam um elemento (a hóstia) enquanto o vinho é tomado exclusivamente pelo padre celebrante, quando a ordem novitestamentária é: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice” (1 Co 11.28).

IX. OS LIVROS APÓCRIFOS
Muitas perguntas têm sido feitas e muitas questões têm sido levantadas quanto aos livros apócrifos. Os católicos chegam mesmo a afirmar que a Bíblia usada pelos evangélicos (aos quais chamam “protestantes”) é incompleta e falha por faltarem nela os livros apócrifos. Muitos evangélicos, por sua vez, perguntam por que a nossa Bíblia não contém tais livros.

9.1. DEFINIÇÃO DE “APÓCRIFO”
Empregamos aqui o termo apócrifo num sentido restrito, forçando um pouco o sentido original da palavra, e pondo de parte o caráter de certos escritos, aos quais o referido termo se aplica. A palavra “apócrifo”, literalmente, significa “oculto”. Porém, no decorrer dos tempos e em razão do uso, o termo já não tem o sentido de “oculto”, mas de “espúrio”, isto é, “não-puro”.

No tempo da Reforma, o termo “apócrifo” foi definitivamente aplicado a esses livros não-canônicos contidos na Vulgata, pois não faziam parte do cânon hebraico. Seu significado oposto ao termo “canônico” acarretou, para esses livros, o desprezo que se sentia pela literatura apocalíptica e oculta, tanto judaica como cristã-judaica.

9.2. RELAÇÃO DOS APÓCRIFOS
O número de livros apócrifos vai muito além daqueles que a Bíblia de uso católico contém, porém os mais conhecidos, e aqui citados, são aqueles que foram aprovados pela Igreja Católica no Concilio de Trento, em 1546. Destes, mais da metade são inseridos nas Bíblias de edição católica. Alguns desses livros são também inseridos em Bíblias de editoras protestantes, para estudo e investigação da crítica textual e devido ao seu relativo valor histórico.

Os apócrifos consistem em livros assim chamados, e em acréscimos a livros canônicos. A sua aprovação pela Igreja Católica deu-se, como já dissemos, em 1546, no Concilio de Trento, em meio a intensa controvérsia, havendo inclusive luta física resultante da contenda e dos debates em torno deles. Os livros, e acréscimos a livros canônicos, aprovados, foram os seguintes: Tobias, Judite, acréscimo ao livro canônico de Ester, Sabedoria de Salomão,

Eclesiástico, Baruque (contendo a Epístola de Jeremias), Cântico dos Três Santos Filhos (acréscimo a Daniel), História de Susana e Bel e o Dragão (também acréscimos a Daniel), 1 e 2 Macabeus.

Eram 14 os principais apócrifos do Antigo Testamento. Des¬tes, os não reconhecidos pelo Concilio de Trento foram 1 e 2 Esdras e A Oração de Manasses.

9.3. QUESTÕES A CONSIDERAR
Por que estes livros são considerados apócrifos e não canônicos? A razão óbvia é que eles não suportam uma prova de canonicidade, como é mostrado a seguir:

• Eles nunca fizeram parte do cânon hebraico.
• Eles nunca foram citados no Antigo Testamento.
• Joséfo, o historiador judeu, os omite em seus escritos.
• Nenhum deles reclama a inspiração divina para si.
• Eles contêm erros históricos, geográficos e cronológicos.
• Eles ensinam e apóiam doutrinas que são contrárias às Escrituras em geral.
• Como literatura, às vezes não passam de mitos e lendas.
• Em geral, seu nível espiritual e moral deixa muito a desejar.
• Jesus não os cita em seus escritos.
• Os apóstolos e escritores dos Evangelhos, das Epístolas e do Apocalipse não se referem a eles nos seus escritos.
• Os famosos Pais da Igreja primitiva não se reportam a eles como fonte de inspiração dos seus escritos.
• Eles foram escritos muito tempo depois de encerrado o cânon do Antigo Testamento.
Certamente que nem todas as igrejas têm a mesma opinião quanto ao valor dos apócrifos. A Igreja Reformada, por exemplo, sempre considerou os livros não-canônicos como de relativo va¬lor, “para exemplo de vida e instrução de costumes, ainda que sem autoridade em matéria de fé”.

Por Raimundo Oliveira.

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