Sua vida é maravilhosa !
Agradeça a Deus !
Ah ! e por falar em gratidão, PREGUE O EVANGELHO e pratique AÇÃO SOCIAL !
Ameis uns aos outros …
Eu sou perdidamente apaixonado por Ele ! E você quer ser ? (Deus atraiu você a este blog ! Porque razão ? PENSE NISSO !)
27.04.2012
Cidadania, Cultura, Evangelismo e Missões, Jesus, Projetos, Saúde, Vídeos Amor pelos Perdidos, Caridade, Desgraça, Fome, Jesus Cristo, Misericórdia, Piedade, Salvação 1 Comentário
Sua vida é maravilhosa !
Agradeça a Deus !
Ah ! e por falar em gratidão, PREGUE O EVANGELHO e pratique AÇÃO SOCIAL !
Ameis uns aos outros …
08.04.2012
Cidadania, Cultura, Devocionais, Diversos, Notícias Anti Cristo, Bíblia, Crentes, Era Perversa, Evangélicos, Evangelho, Iluminati, Nova Era, Nova Ordem Mundial, Pecado, Pedofilia, Programação Televisiva, Safadeza, Sexo, Televisão, Transgressão, TV Globo 1 Comentário
Os autores da Nova Ordem Mundial afirmam que o “Cristo” deles só poderá aparecer quando uma porcentagem suficiente da população estiver condicionada a aceitar seus valores e sua pessoa. A televisão e o cinema há muito estão sendo utilizados para realizar essa transformação nas atitudes e valores da população. Veja o quanto afundamos na área de moralidade sexual e perceba o quão perto estamos dos valores do satanismo do Anticristo.
A Nova Ordem Mundial está chegando! Você está preparado?
Compreendendo o que realmente é essa Nova Ordem Mundial, e como está sendo implementada gradualmente, você poderá ver o progresso dela nas notícias do dia a dia!!
Aprenda a proteger a si mesmo e aos seus amados !
Você nunca mais verá as notícias da mesma forma.
Agora você está na THE CUTTING EDGE
Resumo da notícia: “O Sexo Predomina nas Atuais Comédias de Situação”,
The Providence Journal Bulletin, 28/01/97, pg G-1.
”É uma noite de janeiro do início de 1967, e com a louça do jantar já lavada, a família nuclear senta-se diante do televisor Magnavox preto-e-branco. Samantha se agita em Endora para transformar Darrin em um burro na noite anterior a uma apresentação importante. A irmã Bertrill, a Noviça Voadora, se meteu em encrencas outra vez, ao tentar arrecadar dinheiro para o orfanato. Batman e Robin estão perseguindo o Charada pelos canais subterrâneos de esgoto de Gotham City.”
“Avance 30 anos, para uma noite no início de janeiro de 1997. Caixas vazias de pizza estão no lixo e o que restou da família nuclear liga o televisor Sony de 27 polegadas e assiste a um programa no horário nobre. Em The Nanny, Fran, vestindo uma minissaia bem apertada, provoca seu chefe bonitão fazendo alusões pouco veladas sobre sua vida sexual. Em Men Behaving Badly, Jamie descobre que está sem filtro de papel e usa uma cueca para coar o café para a mulher que está tentando conquistar. Em The Jamie Foxx Show, a comediante sai seminua de dentro de um bolo. Um anúncio de Spin City diz que o famoso Michael J. Fox fará o papel de um homem impotente, que mora junto com a namorada.”
Que enormes diferenças entre as cenas nos parágrafos 1 (1967), e 2 (1997) acima! Rapidamente, vamos examinar as diferenças entre as duas cenas:
Parágrafo 1 – A família retratada está intacta.
Parágrafo 2 – A família está dividida, provavelmente separada pelo divórcio ou foi formada sem um matrimônio.
Parágrafo 1 – Alguém, possivelmente a mãe, preparou o jantar para a família.
Parágrafo 2 – O jantar não foi preparado; em vez disso, encomendou-se uma pizza.
Parágrafo 1 – A tecnologia é um velho televisor Magnavox preto-e-branco, de tela muito pequena.
Parágrafo 2 – A tecnologia é a nova Sony em cores, com tela de 27 polegadas.
Parágrafo 1 – As cenas dos programas mostram comédias, preocupações com os menos afortunados, e inocentes perseguições polícia contra bandido, em que não há derramamento de sangue, e dificilmente alguém é morto.
Parágrafo 2 – As cenas dos programas são de sexo, sexo e mais sexo.
Antes de continuamos com esse artigo de jornal, vamos revisar alguns fatos básicos, citados de duas Bíblias. Primeiro, citarei a Bíblia Satânica, de Anton Lavey, e depois citarei a Bíblia Sagrada, de Deus. Quando eu terminar, você terá uma idéia mais clara do ponto para o qual nossa sociedade está sendo levada e quais resultados podemos esperar.
No Seminário 1, America’s Leadership of the New World Order [disponível em fitas cassetes no site da The Cutting Edge] quando afirmo categoricamente que a maior parte da população já é “satanista praticante”, as pessoas riem ou ficam com raiva. No entanto, quando cito a Bíblia Satânica sobre quais são os valores satânicos, a risada e a raiva desaparecem imediatamente, quando os ouvintes reconhecem que a população já aderiu aos valores do satanismo em suas vidas diárias. A maioria das pessoas começou a praticar satanismo sem perceber que esteja fazendo isso. Certamente, elas não se reúnem em cerimônias à meia-noite, vestindo roupas estranhas, proferindo mantras e sacrificando animais e pessoas; no entanto, começaram a praticar o satanismo diariamente em suas vidas. Satanás já controla seus corações, suas atitudes e seus sistemas de valores.
Segundo a Bíblia Satânica, qual é o núcleo, quais são os valores básicos do satanismo? Quais são os valores predominantes do satanismo?
O satanismo estimula a indulgência em cada das seguintes áreas: [pg 46]
Egoísmo pessoal e ganância
Orgulho
Lascívia
Raiva
Inveja
Glutonaria
Indolência (preguiça)
Contemple por alguns instantes esses valores satânicos, e compare-os com as pessoas ‘normais’ em sua vida. Em seguida, tenha esses valores satânicos em mente ao ler os jornais. Você não vê que a maior parte das notícias, a maior parte dos crimes e a maior parte dos nossos problemas procedem de cidadãos ‘normais’ que adotaram esses valores satânicos? Vejo muito crime decorrente da prática dos valores satânicos 1, 2, 3, 4 e 5, você não? Nos crimes como homicídios, roubos, violência doméstica, consumo de drogas e do álcool, no abuso sexual das crianças, e na problemática das doenças sexualmente transmissíveis e suas enormes conseqüências sociais, vemos que todos esses problemas são causados por cidadãos ‘normais’ que aderiram aos valores satânicos.
Se o valor satânico número 6 não fosse um verdadeiro problema, não teríamos tantas pessoas obesas em nossa sociedade e as dietas não seriam a ordem do dia. Também não teríamos tanta ênfase em trabalhar fora, em manter a boa forma e viver “jovem para sempre”.
E, você não vê nossos programas de Bem-Estar Social no valor número 7?
Agora, compreenda este princípio: o Anticristo vai adotar exatamente essas mesmas atitudes e valores. Portanto, os cidadãos ‘normais’ que formam nossa sociedade terão de mudar para aderir a esses valores em sua vida cotidiana. Assim, quando o Anticristo surgir, essas pessoas acharão os valores dele “normais”, porque são exatamente iguais aos seus valores! Já estamos nesse ponto? Se estamos, então é exatamente mais um sinal de que o aparecimento do Anticristo está muito próximo. Lembre-se, essas mudanças em valores individuais básicos devem ter ocorrido silenciosamente, quase de forma invisível, para que as vítimas não saibam o que aconteceu com elas; em vez disso, defenderão esses valores como sendo “normais”, e não sentirão que estão vivendo em pecado. Como escreveu um autor, “Esta mudança cultural é sinistra, porque é invisível para aqueles que já se tornaram cativos da sua mentira…. Eles nem mesmo percebem que as luzes estão apagadas.” [Charles Colson, Against The Night: Living In The New Dark Ages (Contra A Noite: Vivendo na Nova Era das Trevas), Servant Publications, 1989, pg 98.]
Para compreender quão completamente chegamos a esse ponto, precisamos continuar com nosso artigo do jornal.
“Em todos os aspectos, as comédias de situação da televisão mudaram radicalmente nos últimos trinta anos. Algumas pessoas lamentam o fim da Era de Ouro, dizendo há muito pouco humor original. [Nota do autor: Observe que a queixa aqui não é sobre a moralidade da comédia de situação, mas que elas contenham " muito pouco humor original"]. Outros afirmam que séries como Seinfeld e The Larry Sanders Show (e Cheers poucos anos atrás) representam uma forma híbrida, que mistura comédia inteligente com crítica social afiada [Nota do autor: Isto é o que são essas comédias de situação recheadas de sexo, "crítica social afiada"?]“
“Mas, há uma coisa com a qual virtualmente qualquer pessoa que assista às comédias na televisão concordará: o sexo está em toda a parte.” Isso soa como os valores satânicos 1 e 2! Todos os que assistem a essas comédias de situação regularmente, é lógico, porque gostam delas, estão praticando satanismo! Quem diz isso não sou eu; é a Bíblia Satânica. É hora de acordar do estupor espiritual e compreender os tempos desesperadores em que estamos vivendo! Nossa sociedade está muito próxima do ponto em que poderá aceitar os valores de Anticristo. E, quando você une isso às muitas outras outras coisas que estão acontecendo, como o aumento no número de homicídios, tanto dos muitos novos quanto dos idosos, pode facilmente ver que o Anticristo está muito próximo!
Agora, voltemos ao nosso artigo.
“Um estudo realizado em dezembro pela Children Now e pela Fundação Família Kaiser, dois grupos de política pública, descobriu que três de cada quatro programas na hora da família’ – das 20 às 21 horas – contêm diálogos ou comportamento com referências sexuais, quatro vezes mais que em 1976.” Esse dado estatístico é francamente inacreditável: três de cada quatro programas [75%] são escritos com diálogos e/ou comportamento sexuais.Pais cristãos, vocês percebem que ao mesmo tempo que tentam transmitir valores cristãos aos seus filhos, os programas da televisão estão ensinando valores satânicos a eles? Percebem por que a Bíblia contém tantas advertências para nos separarmos completamente de tentações carnais? Nossa natureza carnal corrupta está naturalmente inclinada para esses pecados e acha mais fácil e “mais natural” segui-los do que seguir os padrões espirituais de Deus; conseqüentemente, as crianças, que enfrentam tantos desafios na vida quando estão na pré-adolescência e na adolescência, provavelmente selecionarão os valores pecaminosos, se forem bombardeadas constantemente com estímulos sexuais!!!Pais, é tempo de ou desligar seu televisor, exceto para o notíciário e esportes, ou então jogá-lo fora. Eu joguei fora meu televisor durante os anos de adolescência dos meus filhos, e minha família prosperou emocional, mental, e espiritualmente.
Agora, entretanto, vamos voltar à notícia principal. Ouçamos o adepto da Nova Era Norman Lear, tentar definir melhor esse debate. “‘O maior problema com quanto sexo há na TV não é se é ou não ofensivo’, diz Norman Lear, uma das pessoas que quebraram os tabus sexuais na televisão nos anos 70, para elevar a consciência social. ‘É simplesmente que a maior parte do sexo na TV hoje não é engraçada. É estúpida e chata.’”
Que afirmação! Primeiro, Lear tenta se evadir da questão da moralidade cristã que está sendo ofendida aqui – de fato, implicitamente reconhece que a moralidade de fato está sendo ofendida, mas está simplesmente dizendo que não importa – dizendo que o problema com todo esse sexo hoje é que ele não é engraçado; é “estúpido e chato”. O que ele está dizendo é que, se o conteúdo sexual das comédias de situação fosse engraçado, e não estúpido e chato, tudo estaria bem! E, observe a admissão dos autores desse artigo de jornal, quando declaram que a razão de Lear quebrar tabus sexuais na televisão nos anos 70 com seus programas foi “elevar a consciência social”! Esta é a primeira vez que vejo alguém admitir que os autores da televisão escrevem seu material a partir de um plano para a sociedade, com o objetivo de mudar as atitudes e os valores das pessoas, dos valores cristãos tradicionais para os valores da Nova Era/Nova Ordem Mundial! Que grande admissão do autor desse artigo!
Agora, esse artigo entra em alguns assuntos específicos que deixarão qualquer cristão profundamente chocado. “Das assim chamadas comédias de situação de qualidade (Mad About You e 3rd Rock From The Sun) às versões voltadas às camadas sociais inferiores (Martin, e Casado… Com Filhos) uma grande maioria dos enredos no horário nobre desenrola-se em torno da gratificação sexual dos personagens – ou da falta dela.” Quantos desses programas você está assistindo? Um dos maiores problemas em nossa sociedade hoje é que muitos cristãos regularmente se divertem assistindo a esse tipo de programas. Você é um deles?
“Nas últimas décadas, o retrato que a televisão faz da vida deu uma guinada de 180 graus em direção à lascívia, mas virtualmente ninguém – incluindo os autores e produtores responsáveis pelos programas – diz que todo esse sexo torna as comédias de situação mais engraçadas.” Bem, essa admissão é interessante! Por que incluir tanto sexo em virtualmente todas as comédias de situação, se não torna os programas mais engraçados? Nenhuma resposta é realmente dada; em vez disso, o foco do debate é sutilmente mudado, para saber se o conteúdo sexual está sendo tratado “apropriadamente”.
“Como muitos autores de comédias de situação, Larry Charles faz uma distinção entre bom e mau sexo na televisão. O sexo em Seinfeld, por exemplo, é tratado com grande sofisticação, diz ele. Até mesmo o famoso episódio em que os quatro personagens principais competiram para ver quem conseguia se abster por mais tempo da masturbação … foi tratado com destacada sutileza. ‘Mais importante’, diz ele, ‘é que aquilo foi muito, muito divertido’.”
Que ultraje! Que falência moral! Nenhum cristão pode justificar tornar a masturbação o assunto de um programa de televisão. Em minha pesquisa sobre a Nova Ordem Mundial, tomei conhecimento da importância da pornografia para o progresso do reino vindouro do Anticristo [Nova Ordem Mundial]. Por que? Porque a pornografia interfere no desenvolvimento das virtudes e dos valores cristãos na vida do rapaz adolescente em desenvolvimento, ou do pré-adolescente. E, a pornografia é cumulativa, de modo que leva a níveis mais sérios de pornografia, especialmente para as perversões de todos os tipos; e leva ao comportamento imoral. De fato, a pornografia mais profunda pode conduzir o indivíduo a um comportamento criminal em muitas situações, sendo responsável por muitos casos de homicídio, abuso sexual de crianças e abuso do cônjuge, para mencionar somente algumas poucas conseqüências. Além disso, minha pesquisa revelou que o objetivo número um dos pornógrafos é fazer os homens se masturbarem! Visto que a masturbação é uma parte tão integral da pornografia, podemos observar quão vil isso pode se tornar, e podemos também compreender quão vil é uma comédia de situação fazer disso o tema principal de um episódio em particular. Quantos jovens, reagindo a essa comédia de situação em particular, da maneira prescrita no Plano das Seis Etapas de Mudanças de Comportamento [leia o artigo N1055], acabaram de assistir a esse programa com o sentimento distinto de que masturbação não é errada? Suas atitudes teriam sido mudadas somente um pouquinho, não teriam?
“Casado … Com Filhos, começou como uma inteligente, porém vulgar paródia das açucaradas comédias de situação familiar dos anos 50 mas tornou-se, na opinião de muitos críticos, uma tremenda paródia de si mesma. ‘Não temos qualquer espécie de razão filosófica profunda para fazer piada com sexo,’ diz Ron Leavitt, o criador do programa. ‘Nossa intenção era somente subverter o gênero de diversão de família estridentemente limpo.’” Outra vez, que admissão extraordinária, de abrir os olhos para os planos ocultos que estão por trás dos programas de televisão atuais. Os autores e produtores desejam “subverter” os valores normais da família. Quanto mais claro precisa ficar, amigos?
“Após dez temporadas… até mesmo as grosserias dos personagens tornaram-se previsíveis. As poucas piadas que não se referem aos hábitos sexuais dos personagens (uma mãe frustrada sexualmente, um pai que é ejaculador precoce, uma filha promíscua, um filho relaxado) giram em torno da má higiene pessoal deles.” É esse o retrato da família “normal” hoje? A mãe é sexualmente frustrada porque o pai é um ejaculador precoce, a filha é promíscua, o que significa que faz sexo com qualquer um, e o filho é relaxado e vulgar, o que significa a mesma coisa. Que diferença para os quadros de “I Love Lucy” e Papai Sabe Tudo da “típica” família dos anos 50. O quanto caímos!
Para compreender absolutamente que espécie de nação a indústria da televisão sabe que nos tornamos, ouça o criador da comédia de situação Ned and Stacey, Michael Weithorn. “É a realidade comercial que força os autores atuais a explorar o filão do humor sexual. ‘As redes de televisão estão direcionando sua programação para o público na faixa de 18 a 49 anos e, às vezes, dos 18 aos 34 anos. O estilo do humor é voltado para esse público. Isso é o que é necessário para fazê-los rir.’” Você percebeu o que ele acabou de dizer? Acabou de dizer que a pesquisa sofisticada realizada pelas redes de televisão descobriu que a público principal – entre os 18 e 49 anos – deseja esse tipo de programa sexualmente explícito. As pessoas desejam isso, e assim, na economia de livre mercado, o que o cliente deseja, o cliente recebe! O ponto é simplesmente que essas comédias de situação da televisão, carregadas com sexo, refletem exatamente o tipo de indivíduos que forma nossa sociedade. Tempos atrás, em minha atividade comercial, observei a obsessão da maioria das pessoas, tanto homens quanto mulheres, com sexo.
Agora, gastemos alguns momentos no fim deste artigo para examinar essa situação deplorável de uma perspectiva bíblica. Estamos treinando nossas crianças e adultos jovens para perseguir uma vida cheia de imoralidade sexual, um pecado a que Bíblia chama de adultério. Citando o Holman Bible Dictionary, “Adultério é o ato da falta de fidelidade no casamento, que ocorre quando um dos cônjuges voluntariamente se envolve em intercurso sexual com uma pessoa do sexo oposto que não seja seu cônjuge.” As palavras-chave nessa definição são “no casamento”. Deus concebeu o sexo para ocorrer unicamente dentro do seu plano para o casamento, isto é, entre marido e mulher. Isso proíbe o sexo entre um homem e uma mulher que não sejam casados, assim como o “sexo” homossexual ou lésbico.
“A lei da aliança de Israel do Velho Testamento proibia o adultério [Êxodo 20:14] e, portanto, tornou a fidelidade no casamento central na vontade divina para os relacionamentos humanos. Muitas determinações no Velho Testamento tratam o adultério como uma ofensa do homem adúltero contra o marido da mulher adúltera. Além disso, ambos, o homem e a mulher adúlteros, eram vistos como culpados, e a punição de morte estava prescrita para ambos [Levítico 20:10]. A severidade da punição indica as sérias conseqüências que o adultério tem para o relacionamento divino-humano [Salmos 51:4] assim como para o casamento, a família, e os relacionamentos na comunidade.” [Holman Bible Dictionary]
Você compreendeu essa última sentença? A razão de Deus ver a atividade sexual fora do casamento como pecado é que o casamento humano é um tipo, ou um retrato, da vontade divina para o relacionamento entre Deus e o homem! Quando uma pessoa é infiel ao seu cônjuge, viola o casamento divino entre o próprio Deus e a humanidade. Foi por isso que Davi orou da forma como fez após o profeta Natã confrontá-lo sobre seu relacionamento adúltero com Bate-Seba. “Tem misericóridia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.” [Salmos 51:1-4]
O verso 4 é a chave para nossa compreensão aqui. Apesar de o rei Davi ter tomado Bate-Seba de seu marido legítimo, destruindo o casamento dela, e apesar de ter feito com que o marido dela ficasse exposto na batalha para que morresse, Davi corretamente compreendeu que seu pecado foi contra Deus. “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista … “
No Novo Testamento vemos esse casamento entre Deus e o homem ainda mais claramente quando o Messias Jesus casa-se com a igreja cristã, e a chama de sua “noiva” [Apocalipse 19:7-9].
Visto que o adultério entre marido e mulher é uma violação do casamento espiritual que Deus estabeleceu entre ele mesmo e a humanidade, podemos esperar que esse pecado tenha conseqüências muito severas. Deus decretou a pena de morte para qualquer um, homem ou mulher, pego em flagrante de adultério, como mencionamos anteriormente.
Permita-me agora fazer uma pergunta teórica. Visto que uma nação é simplesmente um conjunto de indivíduos que compartilham um mesmo idioma, um território comum, e leis comuns, como Deus reage quando um povo comete continuamente o pecado do adultério? Além disso, nossa sociedade está cometendo o pecado de também ensinar os jovens a cometer adultério, desse modo sentenciando suas almas ao Inferno. A Bíblia está repleta de advertências sobre esse tipo de pecado. Em Romanos 1:32, Deus adverte que aqueles que sabem o que é errado, mas insistem em praticar o erro e estimulam outros a praticar o mesmo pecado, estão sujeitas a um julgamento muito especial.
Assim, como Deus lida com uma nação cujos cidadãos estão pecando grandemente todos os dias, neste caso, o pecado do adultério? A resposta é simples, mas profunda:
A Moralidade Particular Coletiva Rapidamente Torna-se a Moralidade Nacional aos Olhos de Deus.
Portanto, quando os líderes de uma nação em particular, recusam-se a aplicar as determinações de Deus para a punição aos pecados graves, Deus então pune a nação inteira, como faria com o indivíduo. No caso do adultério, em que a punição é a morte física, Deus pode, no tempo apropriado, executar fisicamente toda a nação.
No Velho Testamento, vemos várias execuções de cidades ou nações pela mão de Deus. O episódio do Dilúvio em Gênesis 6:1-9:19 é a primeira vez que Deus executou nações inteiras, nesse caso, o mundo inteiro, como punição pelo pecado. Embora Deus não tivesse ainda codificado seus mandamentos, eles eram bens conhecidos por meio de suas instruções verbais.
Então, no caso de Sodoma e Gomorra, Deus puniu duas grandes cidades por causa do pecado sexual. A maioria pensa que o pecado da homossexualidade tenha sido a razão básica para a destruição física dessas duas cidades, mas, como diz o Holman Bible Dictionary, “A luxúria anormal dos homens de Sodoma [Gênesis 19:4-8; Judas 7] deu origem ao termo moderno ‘sodomia’, mas a cidade era culpada de uma série completa de pecados, incluindo o orgulho, a opressão dos pobres, a soberba, e ‘coisas abomináveis’ [Ezequiel 16:49-50]. Juntas, Sodoma e Gomorra deram um ponto de comparação para a pecaminosidade de Israel e outras nações [Deuteronômio 32:32; Isaías 1:10; Jeremias 23:14]. A memória de sua destruição dava uma imagem do julgamento de Deus [Isaías 13:19; Jeremias 49:18; Mateus 10:14-15; 11:23-24] e as fez um exemplo a ser evitado [Deuteronômio 29:23-25; II Pedro 2:6].”
Há um aspecto interessante nessa história de Sodoma e Gomorra que a maioria dos eruditos, pastores e professores deixa de observar. Eu gostaria de compartilhar com você, porque é terrivelmente verdadeiro em nossa sociedade atual.
Toda a sociedade de Sodoma apoiava a atividade homossexual. As escolas, as igrejas, os tribunais e todas as demais organizações sociais ofereciam todo o apoio. Todos ensinavam que aquela era uma atividade sexual normal.
Por que digo isso? Por causa do relato bíblico em Gênesis 19:2-4. Os anjos santos de Deus [que tinham tomado a forma de homens] enviados para resgatar Ló e sua família antes de Deus destruir as cidades, passaram a noite na casa de Ló, onde ele lhes preparou uma refeição. No verso 4, vemos que tipo de espetáculo aconteceu. A população homossexual de toda a cidade, tanto jovens quanto velhos, cercou a casa, para exigir que os visitantes viessem para fora. Por que eles queriam que aqueles anjos disfarçados saissem para fora? Para que pudessem fazer sexo com eles. Agora, espere um minuto! A população homossexual que estava do lado de fora da casa de Ló pretendia fazer sexo grupal com aqueles “homens” em público! Em público! No nosso país ainda temos leis que proibem atos sexuais em lugares abertos, em público. Muitos pontos de parada nas rodovias foram fechados porque homens homossexuais estavam se encontrando lá e fazendo sexo. Temos leis que teriam feito aqueles homens de Sodoma temerem fazer sexo em locais públicos.
Portanto, como aqueles homens não demostravam receio de serem presos, podemos unicamente concluir que, antes desse evento, as leis de Sodoma foram mudadas, permitindo atos sexuais em público, as leis conferiram um manto de proteção social para o sexo em público!
Tal era a condição de Sodoma e Gomorra quando Deus as destruiu fisicamente, uma execução nacional. Jesus predisse que, no tempo da Grande Tribulação, a sociedade exibirá o mesmo comportamento que a população de Sodoma exibiu antes de Deus destruir a cidade. Leia Lucas 17:28-30.
Isto significa que os EUA, e as outras nações do mundo vão em breve mudar suas leis para descriminalizar a homossexualidade, possivelmente permitindo os atos sexuais em público? Acredito que seja a conclusão lógica do processo que estamos vendo hoje, em que a aceitação governamental da homossexualidade está crescendo aos saltos. O presidente Clinton proibiu que as Forças Armadas afastem qualquer indivíduo por causa da orientação homossexual. As escolas públicas estão ensinando a aceitação aos homossexuais e temos essa mesma mensagem na mídia. Até mesmo os escoteiros estão sob fogo cruzado, por não permitirem que indivíduos homossexuais sejam comandantes de tropa.
Em breve, provavelmente após o arrebatamento da igreja, as leis serão mudadas, provavelmente para permitir atos sexuais em público, não somente dos homossexuais mas também dos heterossexuais. Vemos um aperitivo disso hoje, quando os participantes das marchas do Orgulho Gay simulam atos sexuais ao desfilarem pelas ruas.
E, quando a sociedade finalmente aceitar o sexo público, podemos olhar para trás, para o trabalho que a televisão e o cinema fizeram para preparar o caminho para que essa mudança acontecesse. A televisão e o cinema prepararam as mentes e os corações das pessoas para essa transformação final.
Pais, vocês precisam ter nas mãos o controle de seu televisor, mesmo que tal ação crie uma grande luta com seus filhos. Estamos no fim dos tempos, em que a guerra espiritual será muito intensa. Muito em breve, vocês estarão diante do tribunal de Cristo para prestar contas de sua vida. Quando Jesus avaliar a forma como você educou seus filhos, poderá ouvir elogios pelo esforço que fez para criar as crianças “no caminho e na admoestação do Senhor?” Não seremos responsabilizados pelo caminho espiritual por que nossos filhos decidiram seguir, mas seremos responsabilizados pela forma como lutamos a batalha espiritual envolvida na criação deles.
Pais, DESLIGUEM SUA TELEVISÃO. OU MELHOR, JOGUEM FORA O APARELHO !
O fim dos tempos está vindo rapidamente, e vemos muitos sinais da condição de sociedade que a Bíblia predisse que haveria nesta época. Esse assalto à moralidade é apenas um dos eventos profetizados.
08.12.2010
Cidadania, Cultura, Devocionais, Diversos, Mensagens, Orações, Projetos, Saúde, Testemunhos Arrependimento, Crer, Deus é Fiel, Ex Gay, Ex Homossexual, Ex Lésbica, Ex Prostituta, Liberto do Cativeiro, Libertos do Pecado, Nascer de Novo, Nova Criatura, PAM, Regeneração 10 Comentários
O testemunho que você está prestes a ler foi escrito por um pastor adventista, que usa o pseudônimo de Victor J. Adamson, para proteger sua identidade. Ele escreveu seu testemunho em grande parte como resposta ao artigo “Are Homosexual God’s Children? São os Homossexuais Filhos de Deus?” que apareceu na Adventist Review de Abril de 1997. O artigo, como indicado acima, via a homossexualidade como uma orientação hereditária permanente que não pode ser mudada.
Adamson não partilha desta opinião. A história de sua peregrinação da escravidão à liberdade mostra que, pela graça de Deus “Homossexuais podem ser curados!”. Eu acredito que você gostará de ler este testemunho. Sinta-se livre para compartilhar com seus amigos.
Se você tivesse me perguntado há nove anos, porque eu tinha escolhido ser gay, eu teria respondido a você como eu fiz inúmeras vezes antes, “Eu não escolhi ser gay! Eu escolhi ser um cristão adventista do sétimo dia. Eu escolhi ser educado nas escolas cristãs Adventistas do Sétimo. Eu escolhi ser um estudante missionário. Eu escolhi me graduar e pós graduar em Teologia com distinção. Eu escolhi me casar com uma jovem adventista. Eu escolhi ter filhos adventistas do Sétimo Dia. Eu não escolhi ser gay! Eu finalmente cheguei ao confronto com a realidade e aceitei o fato de que eu era gay. cheguei a acreditar que eu nasci gay”.
Durante anos depois de minha “saída” do armário e experimentando a separação devastadora do meu lar, eu duvidava que alguém me dissesse que a minha “condição” era uma questão de escolha. Eu tinha feito todas as “escolhas” certas na minha vida. Embora lutando com os anseios irritantes do meu coração, eu tinha orado incessantemente para que Deus “Criasse em mim um coração puro, e renovasse um espírito reto dentro de mim.” Eu queria que Deus me ajudasse a amar e ser apaixonado pela minha esposa. Mas, todos os meus esforços foram em vão.
Por fim, eu sucumbi àqueles anseios lancinantes e cai na vida “gay” de relações homossexuais, totalmente convencido de que a minha “condição”, ou “comportamento”, não era o resultado da minha escolha deliberada. Que cristão estaria disposto a optar por estar tão radicalmente fora de sincronia com a sociedade e a igreja? Eu tinha de ser a vítima do meu próprio ambiente, ou eu simplesmente nascera assim.
Meus pais, amigos e familiares todos pensavam em mim como uma pessoa gentil, amável e atenciosa com os outros. Aos seus olhos eu era inteligente, simpático, cortês e talentoso em muitas áreas. Acima de tudo, eu era conhecido por ser profundamente espiritual.
Ao entrar no estilo de vida “gay”, eu ainda vivia de acordo com essa imagem, só que eu já não era mais “profundamente espiritual.” Recusei-me a ser um hipócrita. Não havia nenhuma maneira que eu pudesse conciliar a minha homossexualidade com o chamado para fazer parte do povo remanescente que ama a Deus e guarda os seus mandamentos. Para mim a Bíblia era muito clara ao ensinar que “os sodomitas” não entrarão no Reino de Deus (1 Coríntios. 6:9).
Olhando para trás nos anos gastos no estilo de vida “gay”, eu posso honestamente dizer que minha vida se tornou cheia de comportamentos nojentos, depravados e pervertidos. Como todo homossexual que eu conhecia, fiquei lascivo e obcecado por sexo. Em público e entre os amigos, porém, mantia magistralmente a imagem de uma pessoa decente, gentil, atenciosa, educada, amorosa e adorável.
Antes de voltar para Deus, por dezesseis anos eu O culpava por tudo de errado com minha vida, especialmente a minha homossexualidade, porque eu tinha orado para que Ele a tirasse de mim, e ele não o fez. Assim, eu raciocinava, que a culpa de eu ser gay era de Deus e não minha.
Durante esses egoístas anos de “amor”, de promiscuidade, de prazer, de auto-exaltação e auto-satisfação, sentia muita solidão, miséria e sofrimento. No entanto, meus pais e famíliares nunca me fizeram sentir que eu não fosse amado, apreciado, ou aceito. Em Sua misericórdia e paciência, o Senhor cooperava com os membros da minha família para me revelar o verdadeiro significado do amor incondicional para comigo, um pecador, sem condenar meu estilo de vida pecaminoso. Eles manifestaram seu amor incondicional e aceitação, não só para mim, mas também para com os meus amigos e amantes. A sua aceitação incondicional de mim demonstrou o significado das palavras de Jesus: “Nem eu te condeno.”
Em sua aceitação amorosa, no entanto, eles não descartaram o resto da declaração de Jesus: “vá e não peques mais” (João 8:11).
A aceitação incondicional dos meus familiares me levaram a parar de culpar a Deus por minha condição. Em vez disso, comecei a olhar honestamente para mim. Afinal, pensei, eu posso culpar a Deus por toda a minha vida e ainda estar perdido. Eu me perguntava: “Qual é o ponto: fingir que não existem consequências para o meu estilo de vida, ou que eu poderia ser salvo apesar disso?” Aos poucos, percebi que eu estava enganando a mim mesmo. Eu precisava parar de correr e de me esconder de Deus, em vez de buscar orientação na Sua Palavra.
A declaração “Todos os que se esforçam por desculpar ou esconder seus pecados, permitindo que permaneçam nos livros do Céu, sem serem confessados e perdoados, serão vencidos por Satanás” (O Grande Conflito, pág 620), parecia falar com a minha própria situação. Aquele era eu. Eu tinha me tornado totalmente vencido por Satanás.
Comecei a pensar: “Não seria trágico me achar algum dia fora da Nova Jerusalém, com uma “boa desculpa”. Por muitos anos fiquei perturbado com um sonho recorrente no qual eu experimentei o horror de estar perdido, enquanto eu olhava para o rosto de Jesus, que vinha nas nuvens de glória. Aparentemente, Jesus usou este sonho para chegar a mim, um homossexual, dizendo: “Meu filho, dá-me o teu coração, antes que seja tarde demais.” Aliás, desde que voltei para ele, eu nunca experimentei outra vez o pesadelo deste sonho!
Jesus nos adverte sobre o destino dos ímpios, dizendo: “Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; …” (Mateus 7:23, 25:41). Tragicamente, o lago de fogo irá conter um número incontável de pessoas a quem Deus ama incondicionalmente. Ele os ama tanto que deu o seu Filho unigênito, para que eles não precisassem morrer. Mas eles optaram por rejeitar o dom da vida eterna. Deus honrou a escolha deles. O resultado é a eterna separação da fonte da vida eterna.
No raciocínio e lógica infantil, eu orava estudando a Palavra de Deus para encontrar qualquer justificativa para a minha homossexualidade, ou o remédio para ela. Por mais que tentasse, não conseguia encontrar justificativa em qualquer lugar na palavra de Deus para continuar meu estilo de vida homossexual. Quanto mais eu estudava as Escrituras mais eu me convencia de que Deus criara o casamento como a união de um homem com uma mulher, tornando os dois uma só carne.
A relação íntima de um homem com um homem ou uma mulher com uma mulher não pode cumprir o propósito de Deus para o casamento. Além disso, a Escrituras condenam relacionamentos do mesmo sexo como “abominação” (Lv 20:13), que vai impedir a entrada no Reino de Deus (1 Coríntios 6:9-10). Estes e outros textos me convenceram de que não havia nenhuma maneira para mim legitimar o meu estilo de vida homossexual.
Era presunçoso para mim viver como se eu tivesse o dom da vida eterna, quando, na realidade, eu estava consciente recebendo o salário do pecado a “morte”. Quando eu comecei a ponderar o meu destino eterno, gradualmente, fiquei convencido de que minha vida tinha que ser mudada. Mas, me sentia impotente para fazer essa mudança. Em retrospecto, posso compreender que a sensação de impotência resultante da minha violação aos princípios morais de Deus, era concebida para despertar em mim a realização da minha necessidade de um Salvador.
No meu desespero eu encontrei conforto no fato de que Deus é o Criador onipotente e Re-Criador de nossas vidas. Através da iluminação da Sua Palavra e do poder capacitador do Seu Espírito, senti que eu poderia ser purificado e curado. Eu vim a perceber que não importa se eu nasci homossexual ou se eu tinha escolhido me tornar um. Todos os descendentes de Adão nascem com tendências para o pecado. Ganhei confiança na promessa de que a graça de Deus poderia permitir-me superar as tendências pecaminosas tanto as herdadas como as cultivadas.
Conforme eu continuava a estudar e orar, sentia mais e mais o amor incondicional de Deus por mim, que era homossexual. Percebi que não importa quão pecador meu passado tivesse sido, Deus podia perdoar e purificar-me. O que eu precisava fazer era desenvolver um ódio pelo pecado e um amor pela verdade e pela justiça.
Foi-me dada a garantia em 1 Coríntios 6:9-11 que eu poderia ser curado de minha homossexualidade. Paulo fala deste pecado, entre outros, quando ele diz: “E tais fostes alguns de vós [pretérito], mas fostes lavados [tempo presente], mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus, [Como?] pelo Espírito do nosso Deus”.
Como eu continuei a minha auto-avaliação, eu vim a perceber mais e mais que eu tinha estado enganado em pensar que eu estava vivendo uma vida de liberdade, quando na realidade eu estava em uma terrível escravidão. O que eu precisava desesperadamente, não era a liberdade da lei de Deus, mas a liberdade da escravidão do pecado: a minha perversão sexual viciante. Essa liberdade se tornou possível graças à habilitação da graça de Deus, que pode trazer “cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10:5). Agradeço a Deus por Sua maravilhosa graça, que restaurou um pecador como eu para a família de Deus e fez de mim um membro produtivo trabalhando em Sua causa.
Talvez o maior desafio de começar uma nova vida, fosse convencer meus companheiros crentes adventistas que, pela graça de Deus eu já não era um homossexual. Minha atitude e orientação sexual tinham mudado. Como era angustiante para mim ouvir ministros e leigos desacreditarem a minha experiência de conversão, dizendo: “Claro, eu acredito na vitória sobre o pecado. Mas as pessoas nunca deixam de ser gay! Nunca ninguém que saiu do estilo de vida gay, permaneceu em linha reta por mais de dois anos! Cuidado com ele e mantenha suas crianças longe dele”. Tais críticas revelam uma falta de fé no poder de Deus para perdoar e purificar os pecadores penitentes de todas as práticas pecaminosas, inclusive a homossexualidade.
Os comentários sarcásticos que muitas vezes ouvi de outros crentes, me levaram a questionar a minha alma e a freqüentemente me perguntar: “Teriam os meus sentimentos e emoções em relação aos homens milagrosamente mudado devido a minha conversão? Será que eu realmente experimentei uma mudança radical de atitude, uma mudança psicológica na minha orientação sexual? Ou, ainda tenho a mesma orientação sexual?
Estas questões são de extrema importância para aqueles que estão sinceramente buscando a libertação do pecado de qualquer natureza que nos assedia. Elas merecem uma explicação definitiva. Mas a resposta nem sempre é fácil de encontrar, especialmente quando alguém, como eu, passou por uma experiência traumática. Eu terminei o meu relacionamento com o homem que eu amava profundamente. Meus sentimentos e emoções em relação a ele, não tinham mudado, mas a minha atitude para com o Homem Jesus Cristo e os ensinamentos da Palavra de Deus tinham mudado radicalmente.
Estando diante de uma escolha entre o meu amante e o homem Jesus, eu decidi seguir o meu Salvador, independentemente das consequências. Como as palavras do hino popular, para mim, tornou-se uma questão de “confiar e obedecer.” Comecei a confiar no meu Criador, sabendo que o “Pai realmente sabe o que é melhor.” E nessa confiança cada vez maior, comecei a obedecê-lo, apesar dos meus sentimentos e emoções, sabendo que Sua vontade para mim era para minha própria felicidade presente e eterna.
Eu aceitei a verdade bíblica de que “o justo viverá pela fé”, não por sentimentos e emoções. Na prática deste princípio bíblico, descobri que os sentimentos e emoções corretos não surgem de imediato. Eles chegam aos poucos, aprendi a aceitar pela fé a vontade do meu Criador para minha vida. Se eu tivesse esperado até conseguir uma vitória sobre minhas inclinações pecaminosas antes de confiar e obedecer a Cristo, então eu já não precisaria de um Salvador!
Como homossexual, eu precisava ser salvo dos meus pecados, exatamente como um cônjuge infiel, um ladrão, um assassino, ou um mentiroso precisa ser salvo dos seus pecados. A salvação do pecado não é uma conquista humana, mas uma provisão da graça divina. É um trabalho de terapia, reprogramação e redirecionamento divinos.
Deixando para trás o amor da minha vida pecaminosa, entrei em meu novo mundo como um indefeso bebê, recém-nascido. Como uma criança começa sua vida com tendências hereditárias para o mal, eu comecei a minha nova vida com todas as tendências que eu havia cultivado durante a minha vida anterior. Mas, confiando em Deus, meu Pai e Cristo, meu Salvador, eu renunciei a minha homossexualidade e me submeti as diretivas divina e comunhão buscada dentro da família de Deus.
Um princípio importante que eu aprendi foi a “proteger o meu novo ambiente.” As tendências herdadas e cultivadas para o mal são como um leão faminto procurando a quem possa tragar. Essa “besta” deve morrer de fome, enquanto o Cordeiro de Deus, deve ser alimentado e cultivado. O mal deve ser substituído com o bem. Os sentimentos e emoções pervertidos podem ser gradualmente substituídos por sentimentos e emoções corretos quando seguimos as instruções estabelecidas para nós, no “Manual do Operador” dado pelo Criador da sexualidade.
A nova luta que enfrentei quando eu decidi virar as costas a tudo e todos que eu tinha conhecido, me fez lembrar da luta que enfrentei quando fugi de Deus no início da minha vida. Eu tive que me separar totalmente da cena e estilo de vida gay, fugindo deles para minha própria vida, como que fugindo das condenadas Sodoma e Gomorra.
Eu comecei uma nova vida rodeando-me de tudo o que eu sabia ser certo para mim. E não era necessariamente tudo que eu queria ao meu redor! Mas, nenhum cristão pode se dar ao luxo de depender do que o faz se sentir bem. Nem eu poderia! A mente espiritual é para governar e trazer em sujeição a concupiscência da carne.
Eu aprendi a importância de guardar bem as vias para a minha mente, ao não me colocar no caminho da tentação. Isto implica ser cuidadoso em relação ao que eu vejo, ao que leio e ao que eu ouço. Isto requer uma determinação diária para não dar a Satanás uma vantagem sobre mim. Como o apóstolo Paulo, também eu, devo “morrer diariamente” (1 Coríntios 15:21), “subjugando o meu corpo, e o reduzindo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado” (1 Coríntios. 9:27 ).
E quando Satanás plantar estes pensamentos e desejos impuros no coração, (e ele o faz), Deus permite que Sua graça seja suficiente para a minha luta contra a homossexualidade. Sua graça permite-me, como Paulo coloca, a trazer “cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Coríntios. 10:5). Eu pratico usando o meu poder de escolha para “virar a página” e “mudar de assunto”. Deus me ajuda a fazer isso, quando eu coloco a minha vontade em Suas mãos.
A injunção bíblica de “Sujeitai-vos pois, a Deus. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7), tornou-se muito significativa para mim. Quando tentado, repito as palavras de Filipenses 4:8: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.
Outro princípio que eu aprendi a colocar em prática é aceitar com gratidão o dom de uma companheira que me foi dispensada por Deus. No Jardim do Éden, Deus criou uma mulher, não um homem, como uma companheira para Adão. Em Sua infinita sabedoria e amor Deus deu ao homem o dom de uma mulher para estar ao lado dele. Não havia alternativa melhor. Deus não cometeu nenhum erro. Ele sabia o que estava fazendo quando Ele criou uma parceira para o homem.
Deus fez um grande esforço para proporcionar ao homem o dom maravilhoso de uma mulher. Alguns dos homens têm torcido o nariz a este dom, “deixando o uso natural da mulher, se inflamando em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro” (Rm 1:27). Eu era um deles. Será que Deus deixou de me amar? Não! Claro que não! Ele continuou a me amar embora eu tenha escolhido usar a minha sexualidade para amar um homem, em vez de uma mulher. É com grande desapontamento que o Criador vê os homens perverterem o destino de sua sexualidade.
Não é pecado uma pessoa viver sem o dom de um parceiro conjugal. Por diversos motivos muitas pessoas acabam vivendo suas vidas sem os prazeres do casamento. Também é errado para as pessoas entregarem-se a um comportamento sexual fora do casamento. E é errado para nós, homens, pervertermos o dom da nossa sexualidade, que foi projetado para uma função procriativa e relacional. É igualmente errado para uma mulher cobiçar e desejar outra mulher a quem Deus criou para o homem. Levou tempo para eu aprender a ser grato a Deus pelo que Ele tem provido para o meu melhor interesse.
O segredo para vencer o pecado da homossexualidade, ou de qualquer outro pecado que nos assedia, encontra-se em ajudar alguém a superar o pecado. Essa premissa é baseada no princípio bíblico de felicidade: A verdadeira felicidade vem em ajudar alguém a ser feliz: Jesus em primeiro lugar, os outros em segundo, você por último.
José, longe de casa na terra de seu cativeiro, nunca se esqueceu deste princípio. “Como posso eu cometer este grande mal e pecar contra Deus?” , ele gritou quando ele fugiu da tentação da esposa de Potifar. Sua preocupação não era “o medo do castigo”, nem era “a esperança de recompensa.” Não, sua fidelidade na obediência resultou em desgraça e confinamento em um calabouço. A preocupação de José era uma total obediência a vontade e a honra do seu Deus, independentemente das consequências. Ele também amou e honrou seu mestre Potifar, pondo os interesses do seu senhor acima dos seus.
Todo o exército celestial estão centrados sobre a felicidade e bem-estar dos outros, incluindo eu e você. Exceto o homem pecador, todos os seres não caídos vivem para o benefício do resto da criação. Este princípio tem sido de grande valia no processo de recondicionar a mim mesmo do meu antigo estilo de vida homossexual. Ajudou-me a abandonar a velha prática da auto-satisfação, buscando o cumprimento dentro do domínio sagrado do casamento.
Ao praticar estes e outros princípios bíblicos, tornei-me totalmente à vontade na minha nova vida como heterossexual. O pensamento de voltar a minha antiga vida tornou-se estranho e repugnante para mim. Submeter-me ao recondicionamento e terapia divina tem realmente resultado em uma nova criação. E Eu me regozijo nas palavras de Paulo sobre a minha nova vida em Cristo: “Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17 ).
Por que os cristãos devem duvidar de que essa promessa possa ser verdade para o homossexual, bem como para qualquer outra pessoa? Minha nova e vitoriosa vida heterossexual é um testemunho do poder de Deus para salvar as pessoas da profundidade de seus pecados. E eu O louvo todos os dias por demonstrar o poder da Sua graça em perdoar, limpar e renovar a minha vida.
Pela limpeza e renovação de minha vida, o Salvador encomendou-me com as mesmas palavras que Ele falou ao endemoninhado limpo em Marcos 5:19, “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes o quanto o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti”. Assim, eu gosto de contar a história através da palavra falada e de minha autobiografia publicada, de como o Senhor me resgatou das profundezas da degradação, para uma nova vida de serviço para Ele.
Essa história de minha peregrinação da escravidão para a liberdade, é projetada para incentivar não só os homossexuais em busca de libertação divina, mas também alguém lutando com o assedio de pecados de qualquer natureza. Neste testemunho eu compartilho os princípios bíblicos que me ajudaram a ganhar a vitória sobre a homossexualidade e agora a me sustentar na heterossexualidade.
Para encerrar eu gostaria de testemunhar que minha vida não foi alterada por meio do raciocínio humano, lógica, filosofia e aconselhamento, mas através da Palavra de Deus e da graça salvadora de Jesus Cristo. Por Sua graça, este pródigo filho homossexual foi libertado de seu pecado e redirecionado para uma vida produtiva e frutífera , para um novo tipo de serviço como um adventista do sétimo dia e ministro do evangelho. Estou alegremente casado e com filhos.
Eu louvo ao Senhor por Sua compaixão, piedade e maravilhoso poder me salvando da minha vida de pecados! Para aqueles que acreditam que os homossexuais nunca mudam, eu posso dizer: “Sim, eles podem mudar ! O poder transformador e a graça de Deus pode torná-los inteiros. Isto é o que Ele fez por mim.”
Texto extraído da newsletter Endtime Issues No. 57, do já falecido Samuele Bacchiocchi, Ph. D. Professor aposentado de Teologia da Universidade Andrews, publicado em seu site Biblical Perspectives. Crédito da tradução: Blog Sétimo Dia http://setimodia.wordpress.com/
28.11.2010
Cidadania, Cultura, Devocionais, Diversos, Mundo Gospel, Notícias, Projetos, Saúde, Seitas Religiosas e Heresias AI-5 Gay, Ditadura, Gomorra, Homofobia, Homossexualismo, Lésbicas, Mordaça Gay, Sexo, Sodomita, Vergonha 4 Comentários
Quando trato de temas como esse, petralhas costumam invadir o blog com grosserias homofóbicas na esperança de que sejam publicadas para que possam, depois, sair satanizando o blog por aí. Aviso: a tática é inútil. Não serão! Este blog é contra o PL 122 porque preza os valores universais da democracia, que protegem até os que não são gays…
E sobre o tal protesto na frente do Mackenzie, os organizadores mudaram o portão. Ao invés de ser na Consoloção, será na Itambé. A justificativa é o alto número de presenças confirmadas, acima dos 3.000. A página no Facebook ainda afirma que:
IMPORTANTE:
1. Diferente do que alguns estão pensando, nós NÃO entraremos no interior da universidade. Isto seria invasão de propriedade privada e acredito que ninguém quer ser preso!
2. BEXIGAS BRANCAS! Vamos todos também levá-las, como símbolo de paz. Vai ficar lindo!
Do colunista Reinaldo Azevedo, na Veja:
O AI-5 GAY JÁ COMEÇA A SATANIZAR PESSOAS; SE APROVADO, VAI PROVOCAR O CONTRÁRIO DO QUE PRETENDE: ACABARÁ ISOLANDO OS GAYS
22.11.2010
Cidadania, Cultura, Devocionais, Diversos, Mensagens, Mundo Gospel, Notícias, Projetos, Saúde, Seitas Religiosas e Heresias Anjo de Luz, Condenação, Cristianismo, Educação, Gays, Genitálias, GLS, Homofobia, Homossexuais, Lésbicas, Lucifer, Pans, Perversão, Sexo, Sociedade, Trans 3 Comentários
Tenho um casal de filhos… (muitos sonham em ter um casal de filhos, mas daqui para frente, pra quê mesmo?)
pelo jeito não poderei mais destacar a diferença deles…
pelo jeito não posso mais falar para eles que um tipo de comportamento é coisa de meninA, ou de meninO…
não poderei mais orar pedindo ao Senhor um marido para minha filha, e uma esposa para meu filho… (capaz de ficarem ouvindo como aconteceu com Daniel)…
não poderei mais dizer para meu filho que ele é homem, ou como ele mesmo diz ‘homem macho’… será crime daqui uns dias… ? …
Não existe mais problema algum em meus filhos verem um ‘casal’(essa palavra é homofóbica?) de homens se beijando… Minha filha olha… ela tem seis anos, não entende… “Uai, [mineira] meu pai falava que mulher casa com homem…?” Não filha… me perdoe… agora eu não posso mais dizer isso…
Meu filho então… está todo empolgado que vai entrar num casamento junto com uma menina para levar… (aquelas coisas de casamento)… ele tem três anos, está achando que vai casar pois vai entrar de ‘noivinhO com a noivinhA’… se ele entrasse com outro menino, ele não diria que era casamento… mas ele agora estará errado?
Como explicarei a diferença e objetivos de seus órgãos sexuais… a desculpem-me… meus filhos, mas esse é o país que vocês enfrentarão quando forem adultos… Cristo, tenha misericórdia de meus filhos…
Brasil, Deus nos deu liberdade, não libertinagem…
… mas o que é isso mesmo?
Desabafo de um pai, presbiteriano…
Fonte: [ MCA ]
10.11.2010
Cidadania, Cultura, Diversos, Mensagens, Notícias Alienação, Arrogância, Artistas, Desenvolvimento, Dilma, Discriminação, Economia, Eleições, Escravatura, Funk, Intelectuais, Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, Nordestino, Pobreza, Política, Preconceiro, Progresso, Riqueza, Serra, Skin Heads, Sul do País, Trabalho Infantil 1 Comentário
A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.
Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.
Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”. (clique aqui para entender o caso)
Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.
E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!
Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…
Ah! Nordestinos…
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!
Autor: José Barbosa Junior, na madrugada de 03 de novembro de 2010.
Fonte: [ Crer e Pensar ]
Via: [ Púlpito Cristão ]
29.10.2010
Cidadania, Mundo Gospel, Notícias, Orações, Projetos, Saúde Ajuda, Ajuda Humanitária, Cólera, Haiti, Maluco por Jesus, Misericórdia, ONG, Perigo, Sofrimento, SOS, Urgência 2 Comentários
Em Julho eu estive no Haiti juntamente com a equipe da M.A.I.S e posso testemunhar que a situação pós- terremoto já era grave, quanto mais agora, com o surto de cólera. Segundo Imogen Wall, a porta-voz da ONU no Haiti, em 48 horas foram registradas 1526 pessoas contaminadas e 138 mortes.
Isto posto, peço a todos que leiam o texto abaixo e divulgue para seus amigos e parentes. O Haiti precisa desesperadamente de nossa Ajuda!
Embora a imprensa esteja em estado de alerta geral acerca dos últimos ocorridos e da quantidade de mortes, nossas informações diretas do Haiti retratam situação ainda pior que o divulgado. A base nacional da missão JOCUM no Haiti fica em St. Marc, região exata onde o surto teria tido início. Terry Snow, diretor nacional da organização, tem enviado notícias alarmantes sobre o pânico que tem acometido a região.
No entanto, considerando os fatores populacionais, nossa grande causa de oração neste momento é a capital Porto Príncipe. Falamos ontem à tarde com Ted Steinhauer, diretor nacional da organização Medical Teams International, parceira direta da MAIS, e segundo Ted o surto ainda não atingiu em cheio a capital, mas a geografia da calamidade segue o fluxo do rio Artibonete, e a chegada da doença à cidade é questão de tempo. A proliferação nos acampamentos seria de proporções catastróficas, visto que as condições de habitação e saneamento são as mais precárias. Em Porto Príncipe são mais de 1,3 milhões de habitantes nos camps.
A M.A.I.S. possui sólidas parcerias no Haiti, e embora creiamos que a oração seja nosso maior recurso nesse momento, temos tentado fazer algo a mais. Foi-nos enviada uma lista de medicamentos e suprimentos médicos, os quais serão usadas por duas organizações de nosso relacionamento: a Medical Teams International e a Humedica. Nesse momento, ambas estão enviando equipes médicas às regiões afetadas pela cólera. Tínhamos em nossos estoques no país uma grande quantidade de soro e penicilina, e tudo já foi despachado. Agora, seguem abaixo outras necessidades, que pretendemos enviar nos próximos dias.
Precisamos de:
02.08.2010
Cidadania, Cultura, Diversos, Mundo Gospel, Notícias, Saúde Abominação, Abominável, Afeto, AIDS, Ativismo Gay, Bestialidade, Bicha, Carícias, Carinho, Casamento, Casamento Gay, Conscientização, Cristãos, Demônio, Desvalorização, Direitos e Deveres, Doença, Doença Mental, Esperma, Gay, Genética, GLS, Gomorra, Higiene, HIV, Homofobia, Homossexual, Ilusão, Incrédulo, Intolerância, Lutero, Movimento Gay, Parada Gay, Pecado, Pecador, Pedófilos, Pedofilia, Pornografia, Prazeres Carnais, Propósito de Deus, Safadeza, Sapatões, Satanás, Sexo, Sexo entre Homens, Sexualidade, SIDA, Sodoma, Transa, Urgência, Veado, Violência 12 Comentários
Recentemente, um programa de TV, voltado para os telespectadores de Minas Gerais, tratou do tema da parceria civil para indivíduos que praticam os atos homossexuais.
Normalmente, o programa tenta dar uma aparência de debate, permitindo que pessoas de ambos os lados de uma questão tenham a oportunidade de dar uma opinião.
Contudo, dessa vez não havia ninguém no programa para falar sobre as desvantagens e riscos de tornar socialmente aceita uma relação sexual contrária à natureza. Só havia participantes louvando os supostos benefícios de tal união.
Entrei em contato com a produção e manifestei minha preocupação com a ausência de opiniões diferentes no programa. A resposta da produção foi que anunciaram o tema do programa nas universidades de Belo Horizonte e convidaram quem quisesse participar. Só três pessoas aceitaram ir a fim de expor a idéia de que o comportamento gay é prejudicial à saúde e à sociedade, porém desistiram na última hora.
Então só acabou ficando espaço para os que defendem a união civil para indivíduos que praticam os atos homossexuais. Um deles chegou a afirmar que foi Deus quem criou os indivíduos para o homossexualismo.
Nota-se, cada vez mais, que as pessoas que não aprovam os atos homossexuais são colocadas na posição de preconceituosas e ficam assim encurraladas, sentindo medo de falar a verdade. Esse temor tem base. Pessoas que expõem uma opinião bíblica sobre a conduta gay são cruelmente criticadas por indivíduos que não aceitam o sexo natural homem/mulher.
O que eu pude dizer para a produção é que a união civil de um homem e uma mulher leva normalmente aos bebês, ao passo que uma união sexual entre dois indivíduos do mesmo sexo leva normalmente a doenças.
E as doenças que estão atingindo a população gay põem em sério perigo o restante da população. Será que podemos ajudar a tornar socialmente aceito um comportamento que prejudica fisicamente tanto os gays quanto o restante da sociedade?
Entretanto, muitos evangélicos, até mesmo líderes, não têm muitas informações e assim têm medo de dar uma opinião ou não sabem o que falar sobre as questões envolvendo o movimento homossexual. Mas com esse livro em mãos, eles terão mais recursos para conscientizar as pessoas. As informações apresentadas nesse livro respondem às questões mais importantes que os ativistas gays tentam defender.
O propósito de As Ilusões do Movimento Gay não é servir como um instrumento para atacar um homossexual comum que precisa ser evangelizado e experimentar o amor de Jesus. O objetivo é equipar os cristãos para poderem mostrar sua posição cristã na questão em debates em programas de TV, rádio, em artigos, etc. Tantas vezes, os meios de comunicação se mostram a favor do comportamento gay que todos, até mesmo os homossexuais comuns, acabam acreditando realmente que o homossexualismo é natural! Tal distorção da realidade coloca em risco o próprio homossexual, que poderá se sentir sem ânimo de buscar sua libertação. Coloca também em risco quem não é homossexual, que passa a apoiar o pecado homossexual só porque não se cansa de ouvir e ver pela TV que essa conduta é normal. Afinal, quem vai querer largar de algo que os programas de TV elogiam como normal? Quem vai querer reprovar algo que é mostrado como natural nas novelas e filmes?
Por causa dessa pressão, muitos evangélicos estão cada vez mais em dúvida sobre a questão, pois permitem que a Palavra de Deus ocupe em suas vidas um espaço bem menor do que a esmagadora influência diária da mídia. É natural e inevitável: se nos alimentarmos mais dessa influência do que da Palavra, passaremos a ter o mesmo modo de pensar e sentir do mundo. Acharemos normal o que Deus acha anormal.
Para que um homem oprimido por inclinações homossexuais sinta que precisa de ajuda para se libertar de sua escravidão ao homossexualismo, ele precisa ouvir e conhecer a verdade sobre suas inclinações. Para que possam entender que os homossexuais precisam de transformação, as pessoas também precisam ouvir e conhecer a verdade. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (João 8:32 RC, o destaque é meu.)
Contudo, o que é que todos costumam ouvir constantemente em nossa época? Os meios de comunicação comentam favoravelmente tudo sobre a homossexualidade (direitos especiais, discriminação, tolerância, respeito, casamento, adoção de crianças para casais gays, etc.), menos a verdade. Tudo sobre a questão gay tem recebido um tratamento favorável da imprensa e da TV, menos a verdade. Tudo é elogiado, menos a verdade.
É hora de sermos corajosos e não escondermos aquilo que tão bem conhecemos.
Use então essas informações para ajudar a conscientizar as pessoas. Não vai ser preciso fazer mais nada. A verdade sozinha vai demolir os argumentos e pesquisas que defendem o pecado. As pessoas oprimidas pelo homossexualismo precisam de nosso amor e compreensão, como todos os outros pecadores. Mas nenhum pecado merece tolerância e aceitação, nem de nós nem da sociedade. As mentiras propagadas para promover e favorecer o homossexualismo precisam de nossa firme refutação. Este livro, pois, é uma refutação aos argumentos dos ativistas que querem nos fazer acreditar que a conduta gay é normal.
O movimento homossexual costuma citar pesquisas que dizem provar que um indivíduo pode se tornar homossexual por causa de fatores genéticos. O Dr. Gerard van den Aardweg, psicólogo holandês especializado em tratamento psicoterapêutico da homossexualidade e problemas de família, oferece a seguinte opinião:
…os padrões de comportamento comprovam a improbabilidade de que a orientação sexual tenha uma origem genética. Sabe-se, por exemplo, que até mesmo em pessoas com cromossomos anormais a orientação sexual depende principalmente do papel sexual em que a criança foi criada. Sem mencionar os tratamentos psicoterapêuticos que têm tido sucesso em mudar radicalmente a orientação de indivíduos homossexuais. Será que esses tratamentos então causam mudanças genéticas nas pessoas? Isso é improvável.[1]
A questão mais séria é que os ativistas gays estão, de uma forma ou de outra, por trás das pesquisas que “provam” que o homossexualismo tem origem genética. Quem diz isso é o Dr. Vern L. Bullough, defensor do movimento homossexual e da pedofilia. Ele afirma:
A política e a ciência andam de mãos dadas. No final é o ativismo gay que determina o que os pesquisadores dizem sobre os gays.[2]
No entanto, ainda que conseguissem provar algum dia que o homossexualismo é causado por algum fator na natureza, isso não quer dizer que somos obrigados a aceitá-lo. Sinclair Rogers, que foi homossexual por muitos anos até entregar sua vida para Jesus Cristo, diz:
Certamente, as pessoas não escolhem desenvolver sentimentos homossexuais. Mas isso não significa que quando alguém nasce ele já está pré-programado para ser homossexual para sempre. Não somos robôs biológicos. E não podemos ignorar as influências ambientais e nossa reação a essas influências. Ainda que em certos casos alguns indivíduos se tornassem homossexuais como “produto” da natureza, isso quer dizer que poderíamos desejar o homossexualismo e considerá-lo normal? A natureza produz muitas condições por influência biológica, tais com depressão, desordens obsessivas, diabetes… mas não consideramos esses problemas “normais” só porque ocorrem “naturalmente”. Então por que é que o homossexualismo é colocado numa categoria diferente? Vale a pena mencionar que há alguns estudiosos sugerindo que a atração sexual de um adulto por crianças poderia ser também produto de alguma influência biológica inerente. Se conseguirem provar isso, então teremos que aprovar a relação sexual entre adultos e crianças?… Por exemplo, alguns cientistas crêem que há pessoas que nascem com influências biológicas para com o alcoolismo, vício de drogas, comportamento criminoso e até mesmo o divórcio. Mas isso significa que tais pessoas são obrigadas a se tornarem e permanecerem viciados e criminosos? A biologia pode influenciar, mas não justifica automaticamente a possível conseqüência de todo comportamento. E também não elimina nossa responsabilidade pessoal, vontade, consciência ou nossa capacidade de escolher controlarmos ou ser controlados por nossas fraquezas.[3]
Nem mesmo o famoso Dr. Alfred Kinsey, que os ativistas gays não se cansam de citar para apoiar suas práticas sexuais, parecia acreditar que o homossexualismo tem causas genéticas. Ele disse: “Eu mesmo cheguei à conclusão de que o homossexualismo é em grande parte uma questão de condicionamento.”[4]
O movimento homossexual diz que a conduta sexual dos homossexuais não é doença.[5] Concordamos que o homossexualismo não é doença, e também concordamos com o Dr. Sigmund Freud quanto à categoria em que a homossexualidade está. Embora rejeitasse a tradição judaico-cristã, Freud, psiquiatra e fundador da psicanálise, recomendou um critério útil pelo qual podemos avaliar as atividades sexuais. Ele disse:
Nosso dever é oferecer uma teoria satisfatória que esclareça a existência de todas as perversões descritas e explicar sua relação com a chamada sexualidade normal.
Tais desvios do objetivo sexual, tais relacionamentos anormais ao propósito sexual, têm se manifestado desde o começo da humanidade em todas as épocas das quais temos conhecimento, e em todas as raças, das mais primitivas às mais altamente civilizadas. Às vezes têm tido êxito em alcançar a tolerância e a aceitação geral.
Além disso, uma característica comum a todas as perversões é que nelas se coloca de lado a reprodução. Este é realmente o critério pelo qual julgamos se uma atividade sexual é pervertida — quando ela não tem em vista a reprodução e vai atrás da obtenção de prazer independente.
Você entenderá, pois, que o ponto decisivo no desenvolvimento da vida sexual está em subordiná-la ao propósito da reprodução… tudo o que se recusa a se adaptar a essa finalidade e só é útil para a busca de prazer é chamado pelo vergonhoso título de “perversão” e como tal é desprezado.[6]
Os ativistas homossexuais declaram que “a homossexualidade é natural.”[7] Os grupos gays, e todas as pesquisas modernas que defendem a conduta homossexual, se baseiam direta ou indiretamente no Relatório Kinsey de 1948, o qual afirma que 10% da população são exclusivamente homossexuais.
As alegadas “descobertas” básicas de Kinsey são:
• Todos os orgasmos são meios de vazão e iguais entre marido e esposa, menino e cão, homem e menino, menina ou bebê — pois não há normalidade e anormalidade.
• O objetivo da relação sexual é o orgasmo…
• Os tabus sexuais e as leis envolvendo questões sexuais são rotineiramente quebrados. Portanto, todos esses tabus e leis têm de ser eliminados, inclusive na área de estupro de mulheres e crianças, a menos que haja o uso de “força” excessiva e sejam comprovados graves danos.
• Todo contato sexual antes do casamento aumentará a probabilidade de um casamento duradouro e bem-sucedido…
• Os seres humanos são por natureza bissexuais. O fanatismo e o preconceito religioso forçam as pessoas a viver na castidade, heterossexualidade e monogamia.
• As crianças são sexuais e podem ter orgasmos a partir do nascimento. Elas não sofrem nenhum dano quando têm relações sexuais com indivíduos da família e com adultos…
• Não há nenhuma razão médica para se proibir o incesto e o sexo entre adultos e crianças.
• Todas as formas de sodomia são naturais e saudáveis.
• Os homossexuais representam de 10 a 37% da população ou mais.[8]
Um ativista gay, que usou a pesquisa de Kinsey para avançar o movimento homossexual nos EUA, declarou:
“Eu fiz campanha com os grupos gays, nos meios de comunicação em todo o país, para promover a descoberta que Kinsey fez, de que os homossexuais estão em todos os lugares. E as questões que vieram por causa das implicações dos dados de Kinsey se tornaram as chaves para as campanhas políticas, educacionais e legislativas nacionais durante meus anos na Aliança Ativista Gay de Nova Iorque e na Força Tarefa Gay Nacional. Depois de anos trabalhando para educar os meios de comunicação e os legisladores, o conceito de que 10 por cento da população são gays se tornou um fato aceito pela maioria. Embora seja necessário continuar citando esse dado, o número de 10 por cento é regularmente utilizado por estudiosos, pela imprensa e pelas estatísticas do governo. Contar repetidas vezes um mito ou informação faz com que pareça realidade.”[9]
Os homossexuais são realmente 10% da população? De acordo com uma pesquisa nacional realizada nos EUA, só 1% dos entrevistados se declarou exclusivamente homossexual.[10] Então por que a pesquisa de Kinsey não conseguiu refletir a realidade?
Dois excelentes livros escritos pela Drª Judith Reisman revelam não só a metodologia fraudulenta de Kinsey, mas também o envolvimento dele com estupradores de crianças.[11]
Wardell Pomeroy, co-autor do Relatório Kinsey, conta a reação de Kinsey à preocupação (que Kinsey chamava de histeria) da sociedade com o grave problema de adultos que têm relações sexuais com crianças da família:
Kinsey zombava da idéia… Kinsey… afirmou, com relação ao abuso sexual de crianças, que a criança sofre mais danos com a histeria dos adultos [do que com o próprio estupro].[12]
Essa revelação deixa de ser estranha pelo fato de que Kinsey colaborava e mantinha amizade com o filósofo francês Rene Guyon, que era pedófilo. Ele também era amigo do Dr. Harry Benjamin, inglês que apoiava a pedofilia.[13] Pedofilia é o termo geral que define a relação sexual, hetero ou homo, entre adultos e crianças. Pederastia só se aplica à relação homossexual entre homens e meninos.
Guyon, que era jurista, propunha leis para defender o relacionamento sexual de adultos com crianças como necessidade tão normal quanto a alimentação e a respiração.[14] No livro A Ética dos Atos Sexuais, de Guyon, há menções ao Relatório Kinsey e a introdução foi escrita pelo próprio Kinsey.[15]
Um fato também interessante é que foi o Relatório Kinsey que inspirou Hugh Hefner a fundar a revista Playboy.[16] Na década de 1960, a Fundação Playboy, de Hefner, foi o principal patrocinador do Instituto Masters e Johnson, que ajudou a moldar a visão dos especialistas na área sexual no mundo inteiro. Graças a essa nova visão, as pessoas (casadas ou não, hetero ou homo, adultos ou menores) foram ensinadas a se abrir para gozar todos os tipos de sexo genital, anal, oral, etc. A Fundação Playboy também deu a primeira verba para dar início ao maior programa para a educação sexual nas escolas americanas.[17]
Parece que a pornografia pode ter sérias ligações com o crime de pedofilia, conforme já constatou o Centro de Crianças Desaparecidas e Exploradas, uma organização de investigação de Washington, DC, financiada pelo Ministério da Justiça dos EUA. Essa organização relata que a revista Playboy (que é o mais acessível, aceitável e atraente tipo de pornografia) é tipicamente usada por pedófilos hetero e homossexuais para sexualmente atrair as crianças e levá-las a cair em armadilhas sexuais. Em seu testemunho no Senado americano sobre os efeitos da pornografia nas mulheres e crianças, John Rabun, diretor dessa organização, disse que em 100% dos casos os pedófilos tinham em sua posse, no momento da prisão, a Playboy e outras publicações pornográficas.[18]
Em seu testemunho também no Senado, o Detetive William Dworin menciona o caso de um pedófilo:
Trabalho como detetive na Unidade de Crianças Sexualmente Exploradas do Departamento de Polícia de Los Angeles… Relatarei o caso de um pedófilo que investigamos:
John Duncan era diretor do setor de parques e recreações da cidade de Los Angeles. Em nossas investigações temos visto que os pedófilos freqüentemente procuram empregos ou preferem trabalhar como voluntários em ocupações onde há crianças. Eles querem ficar perto de crianças porque elas são o interesse sexual preferido deles…
Duncan usava o seguinte método de aproximação. Ele se tornava um amigo de confiança da família, um tipo de pai substituto para as crianças. Então ele as levava para a Disneylândia e lhes comprava roupas e brinquedos, e tornava-se assim o melhor amigo delas.
Quando as crianças começavam a visitar a casa dele, Duncan espalhava pela casa revistas com fotos de meninos e meninas apenas sem roupa. Ele não as forçava a pegar as revistas. Ele simplesmente as deixava ao alcance delas. Os pedófilos sabem que as crianças são curiosas e acabarão olhando para algo que estiver ao alcance dos olhos delas. E era isso mesmo que elas faziam.
As crianças então perguntavam para Duncan o motivo por que os meninos e as meninas das fotos estavam sem roupa. E ele explicava que não havia nada de errado em estar nu, que o corpo é belo, que as pessoas precisam ver o corpo e sentir orgulho em estar nu.
Ele elogiava as crianças seduzidas, comparando-as com as fotos das revistas: “Você é muito mais bonito do que essas crianças”. Ele então prometia levá-las à Disneylândia se elas não contassem nada para suas mães sobre as revistas. Ele explicava que suas mães não entenderiam. Então as crianças guardavam esse segredo. Ele não as forçava a fazer nada. Era pura sedução. Ele apenas dava condições lhes favoráveis para olhar para as revistas.
Quando ele tinha certeza de que elas guardariam seu segredo, na próxima visita ele deixaria perto delas revistas pornográficas mais fortes. Essas revistas mostravam crianças no ato sexual: sexo oral, sexo genital, sodomia, masturbação, etc. As crianças olhavam para as fotos e perguntavam: “Isso não dói? Isso não é errado?” A resposta do pedófilo era que tudo o que estava nas fotos não doía, mas dava uma sensação muito boa. Esse é o começo do abuso sexual.
A principal função da pornografia infantil é diminuir as inibições naturais da criança e mostrar-lhe que é normal as crianças se envolverem em atividade sexual… O pedófilo usa sedução, e essa sedução vem na forma de afeição e atenção.
Os pedófilos se orgulham do que fazem. Eles crêem que a sociedade está errada em condenar esse tipo de atividade. Eles não vêem nada de errado no fato de um adulto ter relações sexuais com uma criança que consente. Há organizações que realmente incentivam a atividade sexual entre adultos e crianças que consentem. Por exemplo: A Associação Norte Americana de Amor entre Homens e Meninos (mais conhecida pela sigla inglesa NAMBLA) e a Sociedade Rene Guyon que tem um lema: “A melhor relação sexual é antes dos oitos anos de idade. Depois é tarde demais”.
No caso de Duncan, quando fizemos a investigação, descobrimos que ele estava se correspondendo com umas trezentas pessoas no mundo inteiro, gabando-se de sua atividade sexual com crianças e até enviando fotos para provar isso.
No andamento das investigações, identificamos dezesseis crianças, de bebês até adolescentes de 16 anos de idade, que ele estava abusando.[19]
Pesquisa Aponta
a Metodologia Fraudulenta de Kinsey
Além do envolvimento de Kinsey com conhecidos pedófilos como Rene Guyon, há indicações que mostram a ligação dele com experimentos sexuais de um número incontável de bebês e crianças. O Dr. John Gagnon, sócio do Instituto Kinsey, confessou a ilegalidade desses experimentos. Em seu livro Sexualidades Humanas, o Dr. Gagnon diz que esses experimentos “envolviam contato sexual entre adultos e crianças”.[20]
“Esse homem teve relações homossexuais com 600 meninos, relações heterossexuais com 200 meninas e relações sexuais com adultos de ambos os sexos, com animais de muitas espécies e tinha além disso criado elaboradas técnicas de masturbação. Dos trinta e três membros de sua família, ele teve contato sexual com dezessete. Sua avó o introduziu à relação sexual, e sua primeira experiência sexual foi com seu pai.”[21]
Não é sem razão, pois, que até a imprensa especializada esteja finalmente duvidando das suposições de Kinsey. A revista médica britânica The Lancet, por exemplo, declarou que a valiosa pesquisa científica da Drª Reisman demoliu o Relatório Kinsey.[22] Poucos sabem que o desejo real de Kinsey era, conforme relata o Dr. Gagnon, “justificar estilos desaprovados de conduta sexual mediante um apelo a origens biológicas… [Por exemplo:] A colocação de um número percentual em frente de um assunto convence mais”.[23] De fato, foi com métodos desse tipo que Kinsey conseguiu convencer muitos especialistas. Gershon Legman, um dos colaboradores de Kinsey, revelou:
“A intenção de Kinsey, que não era segredo, era fazer com que o homossexualismo e certas perversões sexuais passassem a receber respeito… Ele não hesitava em extrapolar suas amostras insuficientes e inconclusivas e aplicá-las à população americana como um todo, sem mencionar o mundo inteiro… Isso é pura propaganda, e está bem longe da ciência estatística e matemática que fingia apresentar.”[24]
Se a pesquisa da Drª Reisman tivesse aparecido há mais tempo, em 1973 o movimento homossexual não teria conseguido, com base no Relatório Kinsey, pressionar a Associação Psiquiátrica Americana (APA) para remover o homossexualismo da categoria de desordens de seu Manual Estatístico e Diagnóstico de Desordens Psiquiátricas.[25] Em 1995, só 22 anos depois de normalizar o homossexualismo, a APA, numa ação mais ousada, removeu também o sadismo e a pedofilia da categoria de desordens de seu manual.[26] Esse manual é uma importante obra de referência usada por toda a classe médica americana para uniformemente definir as patologias do paciente nos hospitais e nos tribunais.[27]
Como parece que o Brasil não quer, infelizmente, ficar atrás nessas inovações, o Conselho Federal de Psicologia já tomou as primeiras medidas para imitar a APA, declarando que o homossexualismo “não constitui doença, nem distúrbio, nem perversão”.[28]
Embora o Relatório Kinsey tenha por muitos anos servido de fonte de referência para os meios de comunicação com relação à questão homossexual, estão começando a aparecer pesquisas científicas melhores e mais sérias sobre o assunto.
O Dr. Thomas E. Schmidt diz:
Entre os homossexuais, “o uso de drogas e álcool, depressão e suicídio são problemas epidêmicos virtualmente inegáveis, mas esses não são os únicos problemas. Outra preocupação que merece atenção é o número desproporcional de homossexuais masculinos que preferem se relacionar sexualmente com meninos. Os homens homossexuais não são necessariamente pedófilos. No entanto, embora vários estudos revelem que menos de 2% dos homens adultos sejam homossexuais, aproximadamente 35% dos pedófilos são homossexuais. Além disso, já que os homossexuais pedófilos violentam um número muito maior de crianças do que os heterossexuais pedófilos, aproximadamente 80% das vítimas de pedofilia são meninos que foram violentados por homens adultos. O número de meninos americanos violentados é aproximadamente 3 milhões. É impossível apurar o número de pedófilos masculinos, mas eles podem constituir até 10% dos homossexuais masculinos. Repito, isso não significa que qualquer homem homossexual também seja pedófilo, mas apenas que a pedofilia é, proporcionalmente, um problema bem maior entre os homossexuais do que entre os heterossexuais… o que piora ainda mais o problema é o fato de que muitos pedófilos negam que a pedofilia seja um problema e reivindicam ser plenamente incluídos no movimento de liberação homossexual. A resposta dos revisionistas aos problemas que descrevi [tais como suicídio, promiscuidade sexual, pedofilia, etc.] é que esses problemas têm origem não no homossexualismo, mas na homofobia. Isto é, os homossexuais ‘internalizam’ as atitudes negativas da sociedade se envolvendo em comportamentos auto-destrutivos. Embora esse nível de negação possa revelar ainda outra forma de psicopatologia, deixo para os especialistas a tarefa de fazer a diferença entre a questão política e a realidade — se é que eles puderem realmente entrar em acordo entre si de que há uma diferença”.[29]
Em 1985 a revista Los Angeles Times entrevistou 2.628 adultos nos EUA. Nesse estudo, 27% das mulheres e 16% dos homens afirmaram ter sido estuprados. De cada 10 estupros, pelo menos 4 foram cometidos por homossexuais.[30]
A Luta dos Ativistas Gays em Favor da Liberação Sexual das Crianças
A organização não-governamental Family Research Council de Washington, DC, publicou um importante documento intitulado Homosexual Activists Work to Lower the Age of Sexual Consent (Os Ativistas Homossexuais Estão Trabalhando para Abaixar a Idade Legal de Consentimento Sexual). Esse documento revela:
Embora a maioria dos ativistas homossexuais negue publicamente que querem acesso a meninos, muitos grupos homossexuais em vários países estão trabalhando agressivamente para abaixar a idade legal de consentimento sexual. Sua causa está recebendo a ajuda de entidades profissionais de psiquiatria e psicologia. Nos anos recentes, essas entidades têm começado a apoiar a normalização da pedofilia, da mesma forma como fizeram com relação à questão homossexual no começo da década de 1970.
Kevin Bishop, um pederasta (pedófilo) confesso, está promovendo o trabalho da Associação Norte Americana de Amor entre Homens e Meninos (mais conhecida pela sigla inglesa NAMBLA) na África do Sul. Bishop, que foi violentado aos 6 anos de idade, é também um confesso homossexual que não tenta esconder a ligação que há entre o homossexualismo e a pedofilia. “Tire a capa do homossexual comum e você encontrará um pedófilo”, disse Bishop em entrevista no jornal Electronic Mail & Guardian de 30 de junho de 1997.
Bishop começou a estudar a questão da pedofilia quando era estudante na Universidade de Rhodes. Ali ele também descobriu a literatura socialista de Karl Marx, que o ajudou a formar suas opiniões.
Bishop está em campanha na África do Sul para ajudar a abolir as leis que limitam a idade para o consentimento sexual. Ele diz que as crianças devem receber o direito a uma educação “que lhes ensine sobre os relacionamentos amorosos na infância e que dê a elas a oportunidade de tomar decisões conscientes de ter relações sexuais”.
Os grupos de ativistas homossexuais no mundo inteiro estão trabalhando para abaixar ou abolir as leis de idade de consentimento sexual a fim de “liberar” as crianças das restrições sociais. Kate Millett, uma feminista radical e teórica marxista, descreveu essa filosofia numa entrevista publicada no livro homossexual Amando Meninos. Millett afirma: “Um dos direitos mais importantes das crianças é expressar-se sexualmente, principalmente umas com as outras, mas também com adultos. Então, a liberdade sexual das crianças é uma parte importante de toda revolução sexual”. Millett diz que a revolução sexual começa trazendo a emancipação das mulheres e termina trazendo a emancipação homossexual…
Os ativistas homossexuais estão suavizando a opinião pública com respeito à questão da relação sexual entre adultos e crianças usando várias instituições: os meios de comunicação, o sistema educacional e principalmente a classe psiquiátrica e psicológica.[31]
Num importante estudo em 1985, o Dr. Paul Cameron, psicólogo americano, descobriu que o abuso sexual contra as crianças é um problema muito mais grave e elevado entre os homens homossexuais do que entre os homens heterossexuais. Aqui estão suas descobertas:
• 153 pederastas homossexuais tinham estuprado 22.981 meninos por um período, em média, de 22 anos.
• 224 pedófilos heterossexuais tinham estuprado 4.435 meninas por um período, em média, de 18 anos.
• Cada pederasta homossexual violentou em média 150 meninos, enquanto cada pedófilo heterossexual violentou em média 20 meninas.[32]
De acordo com a pesquisa do Family Research Council, graças aos esforços do movimento homossexual os “especialistas” na área de abuso de crianças, inclusive psicólogos e psiquiatras, estão dando acobertamento para os pedófilos.[33] Para piorar ainda mais a delicada situação de proteção das crianças, escritores e filmes popularizam o relacionamento sexual entre adultos e crianças.
Como parte das campanhas para normalizar a relação sexual com crianças, alguns ativistas homossexuais estão promovendo a idéia de que impedir as crianças de ter relações sexuais é realmente uma forma de abuso contra elas. Aliás, uma revista homossexual elogiou os pedófios como profetas da revolução sexual. Um editorial na edição de julho de 1995 da revista Guide declarou:
Até o momento as crianças estão aprendendo mentiras destrutivas sobre o sexo. Elas são ensinadas que antes de alcançarem a maioridade… qualquer expressão sexual delas equivale a um ato criminoso. Podemos nos orgulhar de que o movimento gay abriga em seu meio indivíduos que têm tido a coragem de declarar publicamente que as crianças têm uma natureza sexual e que elas merecem o direito de se expressar sexualmente com quem quiserem… Contudo, nem sempre podemos nos orgulhar do modo como a sociedade trata nossos profetas… Precisamos dar atenção aos nossos profetas. Em vez de ficarmos com medo de nos considerarem pedófilos, devemos ter orgulho de proclamar que o sexo é bom, inclusive a sexualidade das crianças… Embora vivamos cercados de moralistas religiosos que pregam destrutivas regras contra o sexo, é nosso dever não ter vergonha de quebrar essas regras e demonstrar que somos leais a um conceito mais elevado de amor. Temos de fazer isso por amor às crianças.[34]
Por razões óbvias, muitos ativistas gays preferem, por enquanto, não defender a pederastia diante do público. Veja o que um deles comenta:
“Do ponto de vista de quem quer ter uma boa apresentação diante do público, é puro desastre deixar que indivíduos que defendem a legalização do ‘amor’ entre homens e meninos participem de marchas do orgulho gay. Não vem ao caso se o sexo entre homens e meninos é bom ou mal. O que é importante considerar é que é difícil refutar as opiniões contra a pederastia. Além disso, a maioria das pessoas a vê com nojo, sem mencionar que em todo o mundo há rígidas sanções legais contra essa prática.”[35]
Vejam o que eles mesmos dizem:
NOSSO CREDO
(1) Cremos que todo adulto e criança tem o direito de decidir por si sua própria orientação sexual.
(2) Cremos que todo indivíduo ou grupo que condena o homossexualismo como errado ou pecaminoso é culpado de intolerância.
(3) Cremos que toda criança tem o direito a aulas de educação sexual livres de discriminação e sem interferência dos pais… e o direito de cumprir seu destino de acordo com sua orientação sexual.
(4) Definimos orientação sexual como toda e qualquer inclinação ou impulso que a natureza dá a uma pessoa [então isso significa que também devemos reconhecer os impulsos dos que querem sexo com animais?].
(5) Rejeitamos a noção de que qualquer conduta ou ato praticado em particular entre adultos ou crianças que consentem é antinatural e anormal.
(6) Reivindicamos que o homossexualismo seja reconhecido como um estilo de vida alternativo igual em todos os aspectos aos estilos de vida tradicionais.
(7) Reivindicamos ações judiciais, legislativas e executivas para proteger nossa orientação e preferência sexual.
(8) Condenamos todos os grupos — religiosos ou não — que pregam a intolerância e a discriminação sexual.
(9) Condenamos os pais mal informados que impõem em seus filhos preconceitos contra o homossexualismo.
(10) Declaramos que nada é mais elevado do que a própria pessoa decidir seus próprios valores morais e éticos e que deus criou o homem supremo.
(11) Defendemos o direito dos ateus, anarquistas e agnósticos de viver de acordo com seus valores e crenças.[36]
A NAMBLA, uma organização gay, tem a seguinte filosofia:
“A Associação Norte Americana de Amor entre Homens e Meninos (NAMBLA) é uma organização fundada em resposta à extrema opressão que sofrem homens e os meninos envolvidos em relacionamentos sexuais consensuais e outros relacionamentos uns com os outros. A NAMBLA aceita como membros todos os indivíduos simpatizantes da liberdade sexual em geral, mas principalmente do amor entre homens e meninos. A NAMBLA se opõe fortemente às leis de consentimento sexual e outras restrições que impedem os adultos e os jovens de ter pleno prazer físico e controle sobre suas vidas. A meta da NAMBLA é acabar com a antiga opressão contra os homens e meninos envolvidos em relacionamentos mutuamente consensuais. A NAMBLA pretende alcançar essa meta:
(1) construindo uma rede de apoio para tais homens e meninos;
(2) educando o público acerca da natureza benéfica do amor entre homens e meninos;
(3) apoiando a liberação das pessoas de todas as idades do preconceito e opressão sexual.”[37]
“Objetivo Geral: Melhorar a condição social e a imagem pública dos pedófilos, eliminar as sanções legais contra a conduta pedófila e conscientizar o público acerca das necessidades emocionais e sexuais das crianças. Pretendemos alcançar esse objetivo:
1. Buscando melhorar a imagem pública dos pedófilos mediante:
2. Publicação e disseminação de literatura apoiando as metas da liberação pedófila.
3. Publicação e disseminação de literatura para conscientizar o público acerca das necessidades emocionais e sexuais das crianças, principalmente à luz das pesquisas do desenvolvimento cognitivo.”[38]
A seguir estão declarações de vários ativistas gays:
“O amor entre homens e meninos é o alicerce do homossexualismo… Não devemos deixar que a imprensa e o governo nos seduzam e nos façam acreditar em informações erradas. O estupro de crianças realmente existe, mas há também as relações sexuais boas. E precisamos apoiar os homens e os meninos nesses relacionamentos.”[39]
“A maioria dos pedófilos (pessoas que sentem interesse sexual em crianças) são gentis e amorosos. Eles não são perigosos do jeito que os estupradores de crianças são considerados, por estereótipo, perigosos.”[40]
“Pode ser que a pedofilia seja não um desvio sexual, mas uma orientação sexual. Isso nos leva a perguntar se os pedófilos podem ter direitos.”[41]
“Naqueles casos onde crianças têm relações sexuais com um irmão mais velho que é homossexual… minha opinião é que muitas vezes é a própria criança que deseja essa relação, e talvez a peça, por curiosidade natural… ou porque ela é homossexual e instintivamente sabe disso… Diferente de casos de meninas e mulheres estupradas à força e traumatizadas, a maioria dos gays tem boas memórias de seus primeiros encontros sexuais quando eram crianças.”[42]
“Os amantes de meninos e as lésbicas que têm amantes mais jovens são as únicas pessoas que estão se oferecendo para ajudar os jovens… Eles não são estupradores de crianças. Os estupradores de crianças são os padres, os professores, os terapeutas, os policiais e os pais que forçam os jovens, que estão sob sua responsabilidade, a aceitar sua moralidade fora de moda. Em vez de condenar os pedófilos por seu envolvimento com jovens gays e lésbicas, devíamos apoiá-los.”[43]
“Na minha opinião, a pederastia devia receber o selo de aprovação. Acho que é verdade que os amantes de meninos [os pederastas] são muito melhores para as crianças do que os pais…”[44]
“Sexo entre jovens e adultos é uma das questões mais difíceis no movimento gay. Quando é que um jovem tem o direito e a autoridade de fazer suas próprias decisões sexuais? De que modo as leis contra sexo entre adultos e crianças são usadas especificamente para mirar os gays?”[45]
“Se eu fosse examinar o caso de um menino de 10 ou 11 anos que sente intensa atração por um homem de 20 ou 30 anos, se o relacionamento é totalmente mútuo e o amor é totalmente mútuo, então eu não chamaria isso de doentio de forma alguma… Quando os ativistas gays começaram suas campanhas políticas, não havia suficientes informações científicas com que basear sua luta para promover os direitos gays. Mas não se precisa de informações cientificas essenciais a fim de se trabalhar ativamente para promover uma ideologia específica, enquanto se está preparado para ir para a cadeia. Não é desse jeito realmente que sempre ocorrem as mudanças sociais?”[46]
“Nosso trabalho só estará concluído quando pudermos dizer que o mundo todo virou gay”.[47]
“Nos casos de consentimento mútuo e atração sexual mútua, a própria atividade sexual [entre homens e meninos] parece não produzir nenhum efeito danoso. Espera-se que isso possa tranqüilizar os pais e ajudá-los a evitar preocupações e desilusões desnecessárias.”[48]
“Quando as igrejas conservadoras condenam os gays, só há duas coisas que podemos fazer para confundir a homofobia dos crentes verdadeiros. Primeira, podemos utilizar debates para obscurecer as opiniões morais. Isso significa publicar o apoio que igrejas mais moderadas dão aos gays… Segunda, podemos minar a autoridade moral das igrejas homofóbicas mostrando-as como antiquadas e estagnadas, em descompasso com os dias de hoje e com as descobertas mais recentes da psicologia. Contra a força das igrejas institucionais, devemos usar a influência mais forte da ciência e da opinião pública… Tal aliança profana já funcionou contra as igrejas antes, em tais questões como divórcio e aborto. Com suficientes debates abertos mostrando que o homossexualismo é uma prática comum e aceita, essa aliança poderá novamente funcionar nessa questão.”[49]
“Tive mais de 1.000 parceiros sexuais. Já tive gonorréia provavelmente umas 40 vezes e tive sífilis umas quatro ou cinco vezes.”[50]
“Nunca houve um só caso documentado de mudança de orientação sexual.”[51]
“A base inteira das atuais leis que inibem o homossexualismo é moralista e em grande parte um conceito medieval do Cristianismo que, nós cremos, não tem lugar numa sociedade democrática e pluralística.”[52]
“Aí estava um cara [Jesus] que foi criado pela mãe, sem pai — típico da síndrome homossexual… Ele nunca casou e andava com doze caras o tempo todo. Não só isso, ele tinha contato físico com outro homem: João o discípulo amado deitou-se no peito de Jesus na última Ceia. Não só isso, mas um cara o traiu com um beijo.” [53]
O tratamento da pederastia encontra-se na Palavra de Deus ligado diretamente à questão homossexual, em 1 Coríntios 6:9: “Não sabeis que os injustos não hão de herdar o Reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus”. (1 Coríntios 6:9-10 RC, o destaque é meu.)
De acordo com o léxico analítico do programa Bible Windows (versão 6.01), a palavra sodomita nesse versículo vem da palavra grega arsenoko°tjv (arsenokoites), que significa um adulto do sexo masculino que pratica relações sexuais com outro adulto ou menino do sexo masculino. Assim, o termo sodomita aí pode ser traduzido homossexual e pederasta. A palavra arsenokoites também se encontra em 1 Timóteo 1:10.
O movimento homossexual diz que a causa da homossexualidade é um mistério e que todos os povos a praticam.[54] Devemos acrescentar que todos os povos praticam o estupro, o assassinato, o adultério, etc. O mundo sem Deus acha um mistério a causa de todos esses desvios da conduta saudável. Mas há milhares de anos a Bíblia oferece a única resposta: A semente do pecado está em todas as pessoas, independente de cor, raça, condição social, sexo, religião, etc. Contudo, as respostas a seguir darão explicações mais detalhadas sobre as causas da homossexualidade.
O Dr. Gerard van den Aardweg, psicólogo holandês, diz:
Se uma pessoa sem nenhum preconceito e sem nenhuma idéia das origens da homossexualidade tivesse de decidir, na base dos melhores fatos disponíveis, onde procurar a solução da questão da causa, ela acabaria tendo de se apoiar em fatores psicológicos na infância… Quem acreditaria que um menino criado pela mãe e pela tia, sem a presença do pai… se tornaria um tipo masculino firme? Quando analisamos os relacionamentos de infância, fica claro que muitos homossexuais efeminados tinham uma vida muito dependente da mãe na ausência física ou psicológica do pai. Essa ausência psicológica é o caso, por exemplo, do homem fraco dominado pela esposa ou que não consegue ser uma boa figura de pai para o menino”.[55]
O Dr. Paul Cameron indica as seguintes causas do desejo homossexual nas pessoas:
Experiência homossexual:
• Qualquer experiência homossexual na infância, principalmente se for a primeira experiência sexual e com um adulto.
• Qualquer contato homossexual com um adulto, principalmente com um parente ou figura de autoridade (tais como professores).
Anormalidade familiar:
• Mãe possessiva, dominante ou rejeitadora.
• Pai ausente, distante ou rejeitador.
• Pai com inclinações homossexuais, particularmente um que abusa da criança do mesmo sexo.
• Irmão com tendências homossexuais, particularmente um que abusa do irmão ou da irmã.
• Falta de ambiente cristão dentro do lar.
• Divórcio, que muitas vezes leva a problemas sexuais para crianças e adultos.
• Pais que vivem diante dos filhos modelos de papéis sexuais fora do normal.
• Tolerância ao homossexualismo como um estilo de vida legítimo, tais como hospedar homossexuais.
Experiência sexual fora do normal, particularmente na infância:
• Masturbação precoce ou excessiva.
• Contato com pornografia na infância.
• Sexo grupal e sexo com animais.
• Para as meninas, contato sexual com homens adultos.
Influências culturais:
• Uma subcultura visível e socialmente aceita que atrai a curiosidade das pessoas e as encoraja a se envolver no homossexualismo.
• Educação sexual a favor do homossexualismo.
• Figuras de autoridade abertamente homossexuais, tais como professores.
• Tolerância social e legal aos atos homossexuais.
• A apresentação do homossexualismo como uma conduta normal ou desejável.[56]
O Dr. Cameron também nota em seu estudo que muitas pessoas conseguiram abandonar a conduta homossexual com a ajuda da psicoterapia ou através de uma conversão espiritual.[57]
Talvez nada esteja contribuindo tanto para o aumento do homossexualismo hoje na sociedade do que a tentativa de tornar os homens e as mulheres iguais em seus papéis e funções. Esse condicionamento vem ocorrendo principalmente através dos meios de comunicação e das escolas.
O Ministério da Educação (MEC) produziu e distribuiu um currículo escolar moderno para o Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série de todas as escolas públicas do Brasil. A fim de mudar a mentalidade das crianças com relação ao papel masculino e feminino e ensiná-las que as mulheres podem trabalhar em todas as ocupações dos homens e vice-versa, esse currículo instrui os professores das escolas públicas a “trabalhar as relações de gênero em qualquer situação do convívio escolar”.[58] Por exemplo, quando os alunos acham que algumas brincadeiras, atividades e condutas só são para meninos e outras só para meninas, “o professor… pode intervir para combater as discriminações e questionar os estereótipos associados ao gênero”.[59]
O termo gênero, que o MEC usa no lugar da palavra sexo, expressa a idéia de que qualquer variedade sexual é aceitável e normal, inclusive a homossexualidade. Os educadores que crêem nessa teoria empregam o conceito gênero para ensinar que os papéis masculinos e femininos tradicionais são pura invenção da sociedade. Conforme mostra o MEC:
O uso desse conceito permite abandonar a explicação da natureza como a responsável pela grande diferença existente entre os comportamentos e lugares ocupados por homens e mulheres na sociedade.[60]
Assim é que, para combater a chamada “discriminação de gênero”, inverte-se a imagem do homem e da mulher. Em nome da igualdade sexual, princípios socialistas e feministas são sutilmente ensinados em muitas salas de aula do Brasil. As lições mostram para as crianças mães casadas trabalhando fora e maridos em casa cuidando dos deveres domésticos.[61] Mostram também como normal um menino se envolver em atividades de menina.[62] Tudo isso porque o governo estabeleceu “o compromisso de o Brasil não aceitar livros [didáticos] que contenham posturas tradicionais em relação ao papel do homem e da mulher”.[63] O governo brasileiro está assim atendendo diretamente as recomendações das feministas na ONU.[64]
No entanto, essas mudanças na área da educação também estão ocorrendo por pressão dos grupos feministas nacionais que atuam no Congresso Nacional em Brasília. Em sua edição de janeiro de 2000, o jornal do Centro Feminista de Estudos e Assessoria de Brasília elogia o plano do governo para todas as escolas do Brasil:
Plano Nacional de Educação Ganha Perspectiva de Gênero
O Plano Nacional de Educação, aprovado na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados… ganha três emendas que chamam a atenção para a necessidade de se trabalhar as relações de gênero na educação brasileira.[65]
Esse mesmo jornal diz que a legalização do “aborto traria mais democracia” para o Brasil.[66] As parlamentares integrantes do Centro Feminista de Estudos e Assessoria destacam-se no Congresso Nacional não só pelo forte apoio aos projetos de lei a favor do aborto, mas também da união dos chamados “casais” gays.
Para as feministas, trabalhar as relações de gênero nada menos é do que eliminar as diferenças tradicionais entre homens e mulheres. O feminismo luta para que seja censurada e eliminada das escolas e dos meios de comunicação a imagem tradicional do homem como pai trabalhando para sustentar a família e da mulher como mãe totalmente ocupada com seu lar e filhos. A jornalista Dale O’Leary revela:
…as feministas exigem que os “estereótipos” e as “imagens tradicionais” sejam removidos dos materiais educacionais e dos meios de comunicação. A fim de alcançar a meta de que os homens e as mulheres tenham igualmente os mesmos desejos e interesses, as feministas exigem que os livros escolares, os desenhos, as comédias, os anúncios comerciais e as peças teatrais mostrem os homens e as mulheres trabalhando em número igual como soldados, cientistas, bombeiros e motoristas de caminhão, até mesmo quando isso não tem nada a ver com a realidade. As atividades em que só há a participação de homens deverão ser classificadas como más, opressivas e discriminatórias. As mulheres nunca deverão ser mostradas como mães e donas de casa de tempo integral, a não ser como vitimas de violência doméstica, mulheres com distúrbios mentais e comportamento anti-social ou esposas casadas com maridos fanáticos religiosos. [67]
O livro O Movimento Homossexual comenta:
A eliminação das diferenças entre o sexo masculino e o feminino é extremamente prejudicial à saúde psicológica das crianças. Foi o que notou, por exemplo, certa mãe cuja filha de dez anos voltava da escola com atitudes cada vez mais hostis em relação ao trabalho doméstico como função da mulher. Depois de muito pesquisar, ela acabou descobrindo algo. Na sala de aula, a professora, sem o conhecimento dos pais, apresentava uma boneca e um boneco de papel nus. Os estudantes deveriam vestir-lhes uma roupa masculina de trabalho a fim de mostrar que ambos os sexos podem escolher qualquer profissão. Além disso, os livros didáticos só apresentavam figuras opostas aos papéis tradicionais, como a de um pai dando mamadeira ao bebê e a de uma mãe trabalhando como bombeiro. Tudo feito em nome da “igualdade sexual”.[68]
No padrão bíblico para os comportamentos humanos, homens e mulheres são iguais em valor diante de Deus, porém têm funções e papéis diferentes. Contudo, a igualdade sexual que as feministas estão impondo está produzindo uma sociedade onde homens e mulheres ocupam um a função do outro e perdem a referência bíblica de identidade sexual masculina e feminina. Essa tendência unissex para os comportamentos está criando muita confusão sexual e favorecendo a homossexualização social.
O fato é que o movimento homossexual e o feminista estão tentando minimizar as diferenças entre os homens e as mulheres no trabalho, lazer e moda. A finalidade é demolir os padrões sexuais tradicionais e criar um ambiente favorável à homossexualização da sociedade. Conforme diz o Dr. James Dobson, conhecido psicólogo americano:
A tendência de misturar os papéis masculinos e femininos está em moda na sociedade atual. As mulheres jogam futebol e usam calças. Os homens assistem a novelas e usam brincos. Vê-se pouca identidade sexual no comprimento de seus cabelos, em suas maneiras, interesses ou ocupações, e a tendência é se igualar ainda mais. Tal falta de distinção entre os homens e as mulheres causa muita confusão na mente das crianças com relação à sua própria identidade de papel sexual. Elas ficam sem um modelo claro para imitar e acabam tendo de andar sozinhas como que cegas, à procura da conduta e atitudes apropriadas para elas.
É quase certo que esse obscurecimento dos papéis sexuais está contribuindo para a explosão do homossexualismo e da confusão sexual que enfrentamos hoje. A História mostra que as atitudes unissex sempre apareceram antes da deterioração e destruição das sociedades que se deixaram levar por essa tendência. O Dr. Charles Winick, professor de Antropologia na Universidade Municipal de Nova Iorque, estudou duas mil culturas diversas e encontrou cinqüenta e cinco que se caracterizavam pela ambigüidade sexual. Nenhuma delas sobreviveu…[69]
De acordo com a feminista Kate Millett, a liberação homossexual sempre vem logo depois da chegada da liberação feminista. Mary Pride, ex-feminista e hoje líder presbiteriana de um importante movimento feminino para a volta das esposas para as responsabilidades do lar, parece ter a mesma opinião. Ela diz:
A Bíblia define perversão como “trocar as relações naturais pelas que não são naturais”. (Romanos 1.26) Essa passagem é interessante, pois mostra as mulheres liderando o caminho para a perversão.
“Por causa disso [a má vontade de eles o adorarem], Deus os entregou [a raça humana rebelde] a lascívias vergonhosas. Até mesmo suas mulheres trocaram as relações naturais pelas que não são naturais. Do mesmo modo os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram lascivamente uns com os outros. Homens cometeram atos indecentes com outros homens, e receberam em si mesmos a devida penalidade por sua perversão”. (Romanos 1.26-27)
Literalmente essa passagem diz: “As fêmeas trocaram a função natural pelo que é contra a natureza, e do mesmo modo os machos abandonaram a função natural das fêmeas…” A palavra mulheres dessa passagem que eu traduzi fêmeas e a palavra homens que eu traduzi machos são usadas nas referências de Jesus ao relato da criação do homem — Deus “os fez macho e fêmea”. (Mateus 19.4; Marcos 10.6) Mas o ponto mais notável dessa passagem é que a palavra mulheres, ou fêmeas, vem da raiz de uma palavra grega cujo significado é “cuidar de bebês ou amamentar”.
Os teólogos muitas vezes interpretam essa passagem dizendo que quando Deus abandona uma raça ou nação, primeiro as mulheres se tornam lésbicas e então os homens seguem seu exemplo e se tornam homossexuais. Isso sem dúvida é parte da verdade, mas não acho que é a verdade toda. A História humana mostra que é muito mais fácil os homens se tornarem homossexuais, e isso em grande número, antes de as mulheres se tornarem lésbicas. E nem é necessário que essa passagem esteja falando alguma coisa de lesbianismo. Tudo o que diz é que as fêmeas trocaram sua função natural pelo que é contra a natureza. Então perguntamos: “Qual é a função natural delas?” Já que a palavra usada para fêmeas está tão fortemente ligada à idéia de cuidar de bebês, e considerando que não tem ligação nenhuma com a idéia de atividade sexual, creio que o que Deus está dizendo aqui é que quando as mulheres trocam sua função natural de ter filhos e ser mãe pelo que é “contra a natureza” (isto é, tentar se igualar ao homem, vivendo, como ele, uma vida sexual e profissional independente do papel de mãe), os homens tendem a abandonar a função sexual natural das mulheres e se tornarem homossexuais. Quando os homens param de ver as mulheres como mães, o sexo perde a sua virtude sagrada. O sexo se torna “recreativo”, e assim os impulsos começam a buscar novas excitações.[70]
Por que Jesus Nunca Condenou os Homossexuais?
O movimento homossexual declara:
O homossexualismo não é pecado. Apesar de muitos pastores e padres dizerem o contrário, Jesus Cristo nunca falou sequer uma palavra contra gays e lésbicas… Cada vez mais importantes teólogos e estudiosos da Bíblia confirmam que também os homossexuais foram criados por Deus, pois nasceram assim do ventre de suas mães. Muitas religiões, desde o tempo dos gregos até os orixás, respeitam [o homossexualismo] e há até divindades que praticam [o homossexualismo].[71]
Jesus nunca falou nada contra os estupradores, adúlteros, assassinos, etc., porque ele veio ao mundo com o propósito claro de salvar esses indivíduos de seus pecados. A Bíblia diz: “Com certeza vocês sabem que os maus não herdarão o Reino de Deus. Não se enganem, não herdarão o Reino de Deus os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os difamadores, os marginais”. (1 Coríntios 6.9-10 BLH) Na cidade de Corinto, na Grécia antiga, havia indivíduos envolvidos no pecado da imoralidade, idolatria, adultério, homossexualismo, roubo, etc. Alguns começaram a ir para a igreja e experimentaram a manifestação do poder sobrenatural do Espírito Santo. Então, eles foram totalmente transformados! Agora, por causa de Jesus Cristo, os pecados deles, inclusive o homossexualismo, pertenciam ao passado (cf. 1 Coríntios 6.11 BLH). Deus sempre dá oportunidades para quem está disposto a ir para Jesus com um coração arrependido e pronto para abandonar totalmente o pecado.
Os ativistas gays mencionam o fato de que até os orixás respeitam a homossexualidade. Mas isso não é de estranhar. Os demônios têm uma inclinação radical pelo pecado e pela destruição do ser humano, ainda que muitas vezes disfarcem suas atividades nefastas com uma fachada de bondade. Uma jovem funcionária de um hemocentro do Rio de Janeiro contou-me de um paciente pai-de-santo gay e aidético que se relacionava sexualmente com crianças. O homossexualismo parece ser um problema comum entre os praticantes dos cultos afro-brasileiros, onde há entidades demoníacas específicas que causam e valorizam a homossexualidade e outras perversões sexuais. Aliás, a palavra quimbanda, do ritual de macumba, era usada em Angola para designar os homossexuais.[72]
Em seu livro Porque Deus Condena o Espiritismo, o jornalista Jefferson Magno Costa revela:
Homossexualismo no candomblé
Estudioso insuspeito, o antropólogo Edison Carneiro (irmão do famoso político Nelson Carneiro), afirma, no seu livro Candomblés da Bahia (p. 140) que o candomblé arrasta muitos homens ao homossexualismo, confirmando assim o que já havia sido observado por outro estudioso desse assunto, o sociólogo Roger Bastide. Segundo Edison Carneiro, é difícil esses efeminados não serem “cavalos de Yansã, orixá que geralmente se manifesta em mulheres inquietas, de grande vida sexual, que se entregam a todos os homens que encontram…” [73]
O jornalista Jefferson conta um caso:
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Era pouco mais de meio-dia quando ele encontrou o pequeno Fernando, de nove anos de idade, perambulando pelos trilhos da linha férrea que passa nas proximidades da cidade de São Roque, interior de São Paulo. Levou o menino para casa, pediu à mulher com quem vivia há poucas semanas, Dalva Braga Medeiros, que desse comida ao garoto e lhe trocasse a roupa. Dalva demorou a atendê-lo, e ele mesmo pegou a roupa de um dos filhos da mulher e vestiu em Fernando. Após beber aguardente, pegou o menino pela mão e saiu, alegando que ia comprar mais bebida. Ao voltar, Dalva viu manchas de sangue na roupa do pequeno Fernando. E imediatamente entendeu que o menino havia sido estuprado.
Instantes depois, ele convidou Fernando para sair outra vez, mas diante da recusa e do medo do menino, resolveu chamar Rogério, de 12 anos, filho de Dalva, para fazer companhia àquela assustada e indefesa criança, e “para ver como se mata um porquinho”. Conduzindo os dois meninos até uma clareira situada no alto de um morro, desenhou um tridente no chão, e em seguida, segundo contou Rogério, pegou o pequeno Fernando pelo pescoço e enterrou-lhe uma faca no peito; porém, insatisfeito por não ver a criança morrer imediatamente, ele, o pai-de-santo Josué Rodrigues de Souza, deu um talho de dez centímetros no pescoço da pequena vítima, e começou a lamber-lhe o sangue.
Após praticar esse ato abominável, monstruoso e demoníaco, o pai-de-santo assassino foi chamar Dalva, “pois ela nunca tinha visto um sacrifício”, mostrou-lhe a criança toda ensangüentada e morta, confessou-lhe haver praticado aquilo incorporado pelo caboclo Zé Capoeira, e que havia estuprado a criança antes de matá-la “porque satanás não aceita a alma de gente pura” (Jornal O Globo, 13/03/1986). “Eu tinha de matar uma pessoa e dar o sangue para exu. Ele estava pedindo”, foram suas palavras ao ser preso três dias após o crime. (Revista Veja, 19/03/1986, p. 111).[74]
Escândalos e crimes no rastro das religiões africanas
O bárbaro crime praticado pelo pai-de-santo Josué é mais um entre centenas de casos envolvendo pessoas que, julgando estar servindo a Deus estão servindo ao diabo… Diante dos inúmeros casos desse gênero registrados pela imprensa, é uma pena que a indignação popular não tenha memória. O povo se esquece com muita facilidade. Há alguns anos, por ter assassinado, em rituais de magia negra, seis crianças seqüestradas em diferentes lugares do Estado do Rio, foi preso em Cantagalo, RJ, o pai-de-santo Waldir Souza Lima.[75]
Os casos de crianças desaparecidas que são estupradas e sacrificadas em rituais de pais-de-santo parecem ser um problema sério envolvendo os cultos afro-brasileiros. Assim, além de levarem os indivíduos ao homossexualismo, os demônios também os levam a abusar sexualmente de crianças e até matá-las.
Talvez o pior assassino em série do mundo seja o homossexual Gilles de Rais, que matou brutalmente oitocentos meninos. Cada garoto era atraído à sua casa, onde recebia banho e comida. Então, quando o pobre menino pensava que aquele era o seu dia de sorte, Gilles o estuprava e queimava, ou o cortava e comia.[76] Em seu livro The Devil’s Web (A Teia do Diabo), Pat Pulling revela o envolvimento do satanismo com o estupro e o sacrifício ritual de crianças. Ela cita o caso de Gilles:
Gilles de Rais era um nobre europeu do século 15 que estava totalmente envolvido na alquimia e outras ciências ocultas. Ele era também um pervertido sexual e sadista que matava… crianças antes de ser preso, julgado e condenado à morte. Outras evidências mostram que no passado os praticantes de adoração aos demônios realmente sacrificavam criancinhas durante suas cerimônias rituais.[77]
Em sua pesquisa do ocultismo, Pulling chegou a entrevistar pessoalmente na prisão o homossexual Henry Lucas, um satanista que comia carne humana e que afirmou ter matado 360 pessoas em sacrifício ao diabo.[78] Satanistas como Lucas e até cantores de rock famosos seguem as idéias de Aleister Crowley, o mais conhecido ocultista do século 20 e provavelmente o responsável pela enorme popularidade da magia negra hoje nos EUA e Europa, onde ele é considerado o pai do moderno ocultismo.[79] Sua filosofia principal era “Deixa-te levar pelos desejos carnais!” e “Fazei o que quiserdes”[80], que se parece muito com a resposta que um gay aidético deu quando as autoridades médicas lhe disseram que ele estava colocando vidas em perigo. O gay aidético declarou: “Tenho o direito de fazer o que quiser com o meu corpo”.[81] Crowley, que também era conhecido como A Besta, era viciado em drogas e tinha um prazer especial na prática da bruxaria homossexual. Seus seguidores (e provavelmente ele também) faziam sacrifícios rituais ao diabo com tanta crueldade e sadismo que o governo italiano o expulsou da Itália depois que se ficou sabendo das sangrentas orgias fatais com crianças que ocorriam em seu templo na Sicília.[82] Pouco antes de morrer, Kinsey visitou esse templo e, de acordo com a Drª Reisman, ele era admirador de Crowley.[83]
Embora as três principais religiões do mundo (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) condenem o homossexualismo, as religiões ocultas seguem um rumo diferente. Nessas religiões, os homossexuais ocupam posições elevadas. Quando as civilizações pagãs governavam o mundo, o comportamento homossexual e a relação sexual entre homens e meninos eram amplamente praticados e aceitos, Os praticantes do homossexualismo eram respeitados e muitas vezes tinham funções de destaque nas religiões e na sociedade. A escritora Judy Grahn, que apóia os ativistas gays, diz:
Muitos aspectos do shamanismo continham homossexualismo, e muitos dos deuses, espíritos e divindades do mundo têm ligação com a homossexualidade. No Taiti, havia divindades especiais para a adoração homossexual. Os antigos templos Shinto do Japão mostram cenas de orgias em rituais sexuais semelhantes às bacanais dos romanos… a Grande Deusa Mãe da antiga China, Kwan-Yin, era adorada com rituais sexuais que incluíam o homossexualismo. Quando os conquistadores espanhóis chegaram à América Central e ao Yucatan, eles viram que o que mais predominava eram sacerdotes gays e estátuas mostrando a união homossexual como ato sagrado. No Yucatan o deus Chin instituiu a homossexualidade sagrada e sacerdotes gays serviam nos templos exatamente como acontecia na antiga Babilônia… [84]
A Prescrição da Bíblia para Proteger a Sociedade do Homossexualismo
Na época do Antigo Testamento, as autoridades civis eram orientadas por Deus a aplicar a pena mais elevada para os atos sexuais dos homossexuais:
Se um homem tiver relações com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; eles serão responsáveis pela sua própria morte. (Levítico 20.13 BLH)
O movimento homossexual diz que o homossexualismo não é crime. Então por que no sistema civil da Bíblia os atos homossexuais eram tratados com a penalidade máxima, juntamente com os crimes mais graves? Considerando que as práticas sexuais dos homossexuais muitas vezes trazem uma série de riscos à própria saúde de seus praticantes e ao bem-estar da sociedade em geral, o único modo de desencorajar essas práticas e trazer alguma proteção contra esses perigos era mediante o uso de leis rígidas. Pode-se dizer, com toda justiça, que é útil o estabelecimento de leis que tratam como crimes as condutas e os atos, sejam homossexuais ou não, que propagam doenças e influências fisica e moralmente nocivas para as crianças e para as famílias.
O movimento gay vê como crueldade toda tentativa de ajudar as crianças e adolescentes a se libertar de tendências homossexuais.[85] Mas crueldade mesmo seria manter as pessoas, principalmente crianças, na ignorância e escravidão de atos sexuais fora do normal. A ignorância nessa área tem ajudado a trazer muitas doenças, sofrimento e morte para os homens e as mulheres que se encontram enjaulados no estilo de vida homossexual. O Dr. Thomas Schmidt afirma:
Os atos sexuais dos homossexuais masculinos envolvem práticas que são prejudiciais ao corpo e que envolvem um risco elevado de doenças infecciosas. As práticas de sexo oral-genital, genital-anal e oral-anal são responsáveis por muitos tipos de crises de saúde de grandes proporções entre os homens homossexuais. Muitas doenças comuns, e uma variedade de outros problemas, comprovam o fato de que a AIDS é só a mais noticiada e mortal das várias pragas [atingindo os homossexuais].[86]
O Dr. Paul Cameron comenta:
Quando um indivíduo se torna homossexual, ele passa a desenvolver hábitos anti-sociais. Quase toda criança é ensinada a evitar as fezes. Quando a mãe educa seu filho a usar o pinico, ela explicitamente o ensina a ver as fezes como sujas, nojentas e prejudiciais à saúde. No entanto, a maioria dos homossexuais acaba aprendendo a se envolver completamente com as fezes. Pesquisas passadas sugerem a seguinte progressão seqüencial típica da atividade gay. A idade média de contato sexual genital dos gays é 13 anos. Dois anos mais tarde, eles usam o ânus para ter relações sexuais… um ou dois anos depois, eles deixam que outros gays lhe lambam o ânus por “prazer sexual”. Quando chegam aos 21 anos, a maioria dos gays já aprendeu a fazer tudo. Eles aprenderam a buscar e gozar atividades que os teriam deixado com nojo quando eram crianças. Alguns buscam excitações maiores como o sadomasoquismo, enfiar o punho inteiro pelo ânus, comer fezes ou beber urina.[87]
Sexualidade Sem Propósito: Os Riscos da Atividade Homossexual
Embora os ativistas gays tentem constantemente passar para o público a idéia de que o estilo de vida homossexual não oferece perigo algum para ninguém, suas práticas sexuais os tornam vulneráveis a uma variedade de doenças. O Dr. Thomas Schmidt explica:
É importante entender que ainda que venham a descobrir uma cura para o HIV e a AIDS, os homens homossexuais continuariam a pagar um preço físico horrível por suas atividades, da mesma forma que eles já estavam pagando antes do começo da epidemia. Classificarei esses problemas em termos de trauma físico, infecções não-virais e infecções virais. Em alguns desses problemas de saúde, os homens homossexuais perfazem pelo menos 70 por cento do total de casos registrados. Os médicos que trabalham com homens homossexuais agora recebem treinamento para regularmente procurar em seus clientes pelo menos 15 doenças comuns, sem contar o HIV e a AIDS, e esse número poderia ser duplicado ou triplicado se levássemos em consideração problemas menos comuns.
Antes de prosseguirmos, precisamos de uma breve e simples lição de anatomia. Não é necessário um diploma médico para compreender o risco de infecção que há quando a boca entra em contato com o pênis ou o ânus, mas poucas pessoas entendem que internamente o ânus é vulnerável a danos. A parte final do sistema digestivo, o intestino grosso, é um longo tubo de uns 15 cm que consiste principalmente do cólon. O cólon termina fazendo uma virada bem acentuada para baixo, onde fica estreito e curto, criando outra área chamada o reto. O último centímetro do tubo é o canal anal, uma área cheia de nervos, alinhada com células epiteliais cubóides estratificadas e cercada pelo músculo esfíncter anal. O reto é alinhado com uma única camada de células epiteliais, em forma de colunas, cujo propósito é absorver líqüidos.
Em contraste, a vagina é alinhada com células fortes e resistentes chamadas epitélio escamoso estratificado. Essas células têm uma camada de muco que, junto com outras secreções e a parede grossa e flexível da vagina, dão proteção contra abrasões e infecções. A parede do reto não é cercada de apoio muscular e secreta uma pequena quantidade de muco que não protege bem contra as abrasões. Mas as diferenças mais importantes entre a vagina e o reto são os tipos de células e a espessura das camadas de células. Os dois orifícios dão uma sensação bem parecida para o dedo intruso ou o pênis. Mas enquanto a vagina tende a repelir, o ânus tende a aceitar qualquer microorganismo que acompanhe o dedo ou o pênis penetrador…
Antes de consideramos mais a questão da infecção, é importante compreender que o trauma físico, ou os danos às estruturas físicas, é um problema comum entre os homossexuais… A relação sexual anal estica a abertura do ânus ao tamanho necessário para um grande trabalho de evacuação do intestino. O problema, porém, não é o tamanho da abertura, mas a direção… O ânus é uma válvula só de saída, e só se abre com um estímulo vindo de pressão interna, ao passo que um estímulo vindo de pressão externa o faz contrair-se. Uma penetração súbita ou mal lubrificada pode rasgar o ânus. Mas o que mais costuma ocorrer é que os efeitos que se acumulam com as relações sexuais anais acabam causando o mal funcionamento do músculo do esfíncter, e a conseqüência é que de cada três homens que praticam essa relação, um tem grave problema de incontinência ou urgência para defecar.
Contudo, isso não é tudo. Quando o ânus é penetrado, o perigo de trauma físico piora. A irritação da sensível camada de muco do reto causa muitas reações, inclusive diarréia, cólicas, hemorróidas, danos na próstata e úlceras ou fissura, que são um convite a infecções. A fina camada de células do reto é fácil de perfurar e sua sensibilidade à dor pode levar a sérias complicações antes que a pessoa tome consciência dos danos. Extensivas operações cirúrgicas são muitas vezes necessárias para corrigir os danos causados pela penetração do pênis, o dedo ou outros objetos no reto.
Além das complicações traumáticas, um grande número de doenças sexualmente transmissíveis atinge a população homossexual. A magnitude do problema não é mostrada simplesmente com o registro oficial dos indivíduos que estão doentes atualmente. Alguns indivíduos, sem aparentar nenhum sinal de doença, são portadores de microorganismos (patogenias) e infectam outras pessoas. Outros indivíduos são assintomáticos (não aparentam nenhum sintoma), ou aparentam sintomas só periodicamente, ou contraem a mesma doença várias vezes. Algumas doenças não parecem graves em si, mas levam à (ou aumentam a probabilidade de adquirir) doenças mais sérias. Outras enfermidades, normalmente raras, crescem até atingir proporções epidêmicas quando entram na população homossexual. Novas doenças e novas formas de doenças antigas estão, mesmo hoje, sendo descobertas no curso das pesquisas sobre o HIV e a AIDS.
…parece que pelo menos 75 por cento dos homens homossexuais são hoje portadores de uma ou mais patogenias… As infecções não-virais mais comuns entre os homossexuais são, na ordem de prevalência, amebiase, giardíase, shigelose, clamídia, sífilis e ectoparasitas. Essas doenças são causadas por patogenias que são transmitidas por contato oral-genital, contato genital-anal e contato oral-anal.
…A doença mais comum é a amebiase, que causa inflamação do reto e do cólon, provocando grave problema de diarréia e cólicas. Afeta 25-40 por cento dos homens homossexuais. A amebiase está ligada principalmente ao contato oral-anal…
A giardíase, que afeta 10-30 por cento dos homens homossexuais, está também ligada ao contato oral-anal… produz diarréia, inchações, cólicas e náuseas.
A gonorréia pode causar dor e corrimento de muco do pênis ou ânus, e há o caso em que a infecção pode ser assintomática (principalmente a forma oral), que lhe dá liberdade para se propagar com facilidade. Na década de 1970, conforme mostram os registros oficiais, aproximadamente 40 por cento dos homens homossexuais tinham tido um caso de gonorréia, mas após um período de declínio o índice da infecção quase duplicou no final da década de 1980.
A shigelose é a mais comum das várias infecções bacteriais semelhantes (inclusive a salmonela e a campylobacter) que produzem febre, dores abdominais, diarréia de água ou sangue e úlceras no reto ou cólon. Como a amebiase e a giardíase, essas infecções estão ligadas ao contato oral-anal. Uma ou mais dessas patogenias está presente em 10-20 por cento dos homens homossexuais.
A clamídia, que afeta 5-15 por cento dos homens homossexuais, é difícil de detectar porque é muitas vezes assintomática ou só levemente sintomática. Como a gonorréia, essa infecção produz corrimento de muco do pênis ou ânus, ou garganta inflamada. Em casos mais sérios produz graves dores abdominais, corrimento de sangue, diarréia e úlceras no reto.
A sífilis ocorre em várias fases, muitas vezes começando com úlceras indolores nos órgãos sexuais ou no reto. Mais tarde produz fissuras, pólipos e verrugas que são facilmente confundidas com sintomas de outras doenças sexualmente transmissíveis. Na fase avançada, a sífilis pode atacar o cérebro e o coração, às vezes fatalmente. Embora seja tratável nas fases iniciais, a sífilis pode escapar a uma detecção durante um longo e quieto período de latência enquanto os sintomas estão escondidos dentro do reto. Como no caso da gonorréia, a erradicação da doença exige que os indivíduos infectados sejam identificados e que seus parceiros sexuais sejam notificados — e isso é um grande problema na população homossexual, onde é comum ter muitos parceiros, muitas vezes anônimos. E como no caso da gonorréia, o índice da infecção parece ter aumentado durante a década de 1980, e hoje, conforme os registros oficiais, aproximadamente 30 por cento dos homens homossexuais têm sífilis.
Os comuns ectoparasitas entre os homossexuais criam grande incômodo, mas não são perigosos. Os ectoparasitas mais comuns são piolhos púbicos e sarna. Os piolhos púbicos, oficialmente registrados em 69 por cento dos homens homossexuais, são transmitidos principalmente por íntimo contato físico. Esses piolhos causam coceira e inflamação… O problema da sarna foi registrado em 22 por cento dos homens homossexuais…
As infecções virais que são comuns entre os homossexuais incluem, na ordem de prevalência, condilomas, herpes, hepatite B e hepatite A. Como as infecções bacterianas, essas doenças são fáceis de transmitir por contato oral-genital, contato genital-anal e contato oral-anal.
Os condilomas, ou verrugas anais, são causados pelo vírus papiloma humano que é transmitido pela relação sexual anal. Essa doença afeta 30-40 por cento dos homens homossexuais, com o vírus presente em 69 por cento. As verrugas ocorrem principalmente no ânus e em sua volta, normalmente várias juntas, muitas vezes causando coceira e queimação. Embora os médicos possam remover as verrugas… seu índice de reaparecimento é elevado. Além disso, os casos de verrugas oficialmente registrados no passado estavam fortemente ligados ao câncer anal, cuja incidência está aumentando rapidamente entre os homens homossexuais.
O herpes afeta 10-20 por cento dos homossexuais e, como no caso das várias outras doenças sexualmente transmissíveis, o número pode estar aumentando. Até o momento não há nenhuma cura ou vacina para o herpes: um indivíduo que o pega ficará com ele a vida inteira. Entre os homossexuais a doença geralmente é transmitida pela relação sexual anal, embora o contato oral-anal com um indivíduo que tem o herpes oral possa também transmitir a doença. Nos homens homossexuais o herpes pode causar dor no ânus e no reto, dores de cabeça e problemas de urinação e defecação. Os sintomas mais sérios são lesões ou úlceras na região dos órgãos sexuais e do ânus, às vezes dentro do reto. Essas lesões ou úlceras ficam abertas durante duas ou três semanas, são bem dolorosas e, ainda que com menos gravidade, reaparecem de tempos em tempos depois da cura das primeiras feridas. Essas úlceras que reaparecem depois são muitas vezes assintomáticas, permanecem escondidas no reto e não causam dor, e por isso são porta aberta para a transmissão de outros vírus — inclusive o HIV, o mais mortal.
A hepatite infecciosa vem em duas formas que são epidêmicas na população homossexual por dois motivos diferentes. Surtos da hepatite A (HAV) em várias grandes cidades no começo da década de 1990 indicam que o índice de prevalência subiu de modo considerável desde os primeiros estudos, que mostravam que o vírus está presente em aproximadamente 40 por cento dos homens homossexuais. Entre 5 e 7 por cento dos homens homossexuais pegam a doença anualmente — e esse índice é três vezes maior do que o da população geral. Como muitas doenças bacteriais e virais, a HAV está presente nas fezes humanas, e está ligada ao contato oral-anal entre parceiros homossexuais. Os sintomas iniciais (que se parecem com os sintomas da gripe) de febre, dor de cabeça e vômitos cedem à icterícia quando o fígado é atingido…
A hepatite B (HBV) — que está presente em todos os fluídos do corpo, inclusive a saliva, o sêmen e o muco do reto — é transmitida entre os homossexuais principalmente através da relação sexual anal. Pelo menos, 65 por cento dos homens homossexuais são portadores da doença ou já a tiveram no passado, conforme mostram os registros oficiais, e pelo menos 16 por cento deles contraem a HBV anualmente. Os sintomas são iguais aos da hepatite A, mas são mais graves e incluem a possibilidade de doença crônica do fígado e, em casos raros, morte. Dos que contraem a doença, entre 5 e 10 por cento se tornam portadores crônicos que podem não aparentar sintoma algum, a não ser fadiga. Não é possível curar a hepatite B, mas há uma vacina para impedi-la.
Ainda que fizéssemos uma comparação com o segmento mais sexualmente promíscuo da população geral, é de chamar a atenção o índice anual de 40 por cento de incidência de doenças sexualmente transmissíveis entre os homens homossexuais e o índice de 75 dessas doenças durante a vida inteira deles. Na população geral, entre os que tiveram mais que 21 parceiros a vida inteira, 40 por cento tiveram, conforme indicam dados oficiais, uma ou mais infecções a vida inteira. Além disso, a população geral tem um índice de 16 por cento de incidência de doenças sexualmente transmissíveis a vida inteira…
Esses problemas de saúde crescem muito na população homossexual por causa da facilidade de transmissão através da promiscuidade sexual e da maioria das práticas que os homossexuais preferem. Parece que algumas doenças estão aumentando em parte porque o medo da infecção do HIV tem levado os homossexuais a diminuir a relação sexual anal em favor do contato oral-anal e oral-genital, práticas que carregam consigo seus próprios riscos de trazer doenças debilitantes e até fatais.
Paulo escreveu em Romanos 1.27 que os homossexuais “recebem em si mesmos o castigo que o erro deles merece”. Não se sabe exatamente o que ele quis dizer com “castigo” em sua época, mas é difícil não fazer uma ligação entre suas palavras e a crise de saúde que observamos em nossa época. A liberação sexual tirou os homossexuais de sua condição social obscura e os levou ao mundo tenebroso dos problemas físicos, onde espreita um número grande de doenças. E se isso não fosse sombrio o suficiente, o espectro mais mortal da infecção do HIV aprofunda essa escuridão, não só para o número cada vez maior dos que morrem, mas também dos que ficam para trás para chorar e imaginar quem será o próximo a morrer.[88]
Pesquisas médicas sérias revelam então que os indivíduos que praticam o homossexualismo têm mais facilidade de pegar doenças sexualmente transmissíveis do que as pessoas que não são homossexuais. Além disso, os gays têm relações sexuais com tantos parceiros diferentes que eles mesmos aumentam o risco de pegar e transmitir essas doenças. Alguns gays não se importam se infectarão seus parceiros ou não, e às vezes até decidem deliberadamente fazer com que os outros sejam contaminados e sofram tanto quanto eles. E é difícil tentar eliminar esse tipo de irresponsabilidade, pois os ativistas do movimento homossexual pregam que ninguém tem o direito de interferir na vida sexual privada de um gay.[89]
Para mudar essa situação e ajudar os homossexuais e a população geral, seriam necessárias no mínimo campanhas regulares de educação e prevenção à sodomia. No entanto, atualmente não há mais leis rigorosas protegendo a sociedade da sodomia por influência direta de pesquisas fraudulentas. A Drª Judith Reisman afirma que o falecido Kinsey teve importante papel em influenciar e abrandar as atitudes da sociedade para com o estupro, o incesto, a pedofilia e a pederastia. Embora a pederastia seja um grave abuso contra as crianças, o movimento de defesa dos direitos dos gays a vê apenas como “amor entre homens e meninos”. Líderes homossexuais citam o trabalho “pioneiro” de Kinsey como o grande responsável pela revolução sexual e pela normalização do que antes era considerado ato criminoso: a sodomia.[90]
Mesmo sabendo que as práticas homossexuais representam sério risco para a saúde e expõem o corpo ao perigo da AIDS, muitos praticantes do homossexualismo acham que vale a pena dar a vida para praticar seus desejos sexuais. Um ativista gay declarou: “Decidimos que é melhor morrer [de AIDS] do que levar uma vida sexual chata.”[91]
O Homossexualismo Não Leva à Decadência?
Os ativistas gays afirmam que a homossexualidade sempre existiu e nunca vai acabar.[92] Eles dizem:
Antes mesmo de ter sido escrita a primeira linha da Bíblia, já existiam documentos antigos, de dois mil anos antes de Cristo, que descrevem relações sexuais entre dois homens… Homossexualismo não é sinal de decadência, nem leva os povos à ruína. Prova disso é a Grécia, que teve seu momento de maior glória e grandeza exatamente quando a “pederastia” foi mais praticada e respeitada…[93]
A mais antiga civilização tolerante ao homossexualismo vivia na região de Sodoma e Gomorra, há mais de 2000 anos antes de Cristo. O famoso historiador Josefo, do primeiro século A.D., afirma claramente que a relação homossexual era o vício característico de Sodoma.[94]
O que Significa Sodomia
Embora sodomita devesse designar somente o habitante de Sodoma, a palavra acabou ganhando um sentido negativo por causa do pecado sexual específico que os cidadãos dessa cidade toleravam. Hoje sodomita, de acordo com o Dicionário Universitário Webster, significa aquele que pratica a sodomia. E o Webster assim define essa prática:
Sodomia (palavra originária das inclinações homossexuais dos homens da cidade de Sodoma, em Gênesis 19.1-11): 1. Cópula com uma pessoa do mesmo sexo ou com um animal. 2. Cópula sem coito, principalmente anal ou oral, com uma pessoa do sexo oposto.[95]
O Dr. Thomas Schmidt explica:
Com o tempo, a palavra Sodoma simplesmente se tornou uma espécie de código para designar a perversão sexual — mais especificamente, na época de Paulo, para os tipos de relações homossexuais comuns no mundo não-judeu… Sem dúvida alguma, os primeiros cristãos conectaram o pecado de Sodoma ao pecado das relações homossexuais e usaram o nome da cidade como símbolo para designar o homossexualismo e outras condutas sexuais muito imorais.[96]
Sodoma: Exemplo do Destino Final para as Sociedades que Toleram a Sodomia
A Bíblia não tenta esconder o fato assustador de que Sodoma e Gomorra acabaram sendo dominadas pelo homossexualismo. Por isso, Deus teve de permitir que essas cidades fossem totalmente destruídas pelo homossexualismo como um sinal para as futuras gerações do acontecerá com as civilizações que toleram a sodomia. Judas 7 diz:
O que aconteceu com Sodoma e Gomorra e as cidades vizinhas é, para nós, um exemplo do castigo do fogo eterno. O povo daquelas cidades sofreu o mesmo destino que o povo de Deus e os anjos sofreram, pois cometeram pecados sexuais e se engajaram em atividades homossexuais.[97]
Os ativistas gays dizem que a Grécia era grande enquanto praticava e respeitava a pederastia. Contudo, não é bem assim! O homossexualismo praticado na Grécia era limitado a alguns homens da elite social. Eles se relacionavam sexualmente com meninos de 12 a 17 anos de idade, mas geralmente acabavam abandonando essa conduta em favor de relações sexuais normais. Além disso, essa prática não era aceita por toda a sociedade. Alguns escritores gregos famosos condenaram o homossexualismo como um comportamento contrário à capacidade natural de gerar nova vida.[98] A resistência às práticas homossexuais, por menor que seja, pode livrar uma sociedade inteira da total decadência. Lamentavelmente, tal resistência não existia em Sodoma e Gomorra. Pelo contrário, o que havia lá era muita tolerância ao homossexualismo.
O movimento homossexual afirma que o homossexualismo não é sinônimo de relação sexual anal.[99] Esse argumento é usado com o único propósito de desviar a atenção do público do quadro sujo e nojento das relações sexuais dos homossexuais. Um ativista gay disse:
A maior vitória do movimento gay na década passada foi mudar a direção do debate. Em vez de se discutir sobre a conduta, fala-se sobre identidade. Qualquer um que se opõe ao homossexualismo passou a ser visto como agressor dos direitos civis do cidadãos homossexuais…[100]
Em todas as notícias envolvendo o homossexualismo, há uma pressão tremenda para proteger sua imagem. O alvo é sempre evitar mencionar os fatos negativos que possam prejudicá-lo. Os ativistas gays permitem que os meios de comunicação destaquem o homossexualismo somente quando a exposição lhe é favorável. Por exemplo, quando são noticiados crimes, até mesmo horríveis casos de pederastia (sexo entre homens e meninos), a imprensa é orientada (ou melhor dizendo, pressionada) a não revelar a identidade homossexual do criminoso. Aliás, a palavra homossexual nunca é mencionada nesses casos, apesar dos fatos óbvios. Mas quando um indivíduo se torna vítima de algum abuso e se descobre que ele pratica o homossexualismo, o tratamento é totalmente oposto. Grande destaque é dado à sua sexualidade, muitas vezes de modo bem exagerado, com muitos apelos em favor da aprovação de leis especiais para proteger e favorecer o homossexualismo. Esse rumo de tratamento da questão homossexual segue as recomendações dos ativistas gays. [101]
Entretanto, o que a realidade mostra sobre os efeitos do homossexualismo? Conforme indicam pesquisas do Dr. Paul Cameron, a taxa de criminalidade é mais elevada entre os praticantes do homossexualismo do que entre as pessoas sexualmente normais.[102] Duas lésbicas, uma com 16 e a outra com 17 anos de idade, raptaram uma menina de 12 anos, a quem elas tinham acusado de tentar “roubar uma namorada”. Elas deram várias facadas na menina e a surraram com um pesado pedaço de metal. Enquanto a menina ainda estava viva, elas jogaram gasolina nela e a queimaram. Em outro caso, um rapaz de 14 anos foi condenado por ajudar a assassinar o próprio pai de 40 anos. O pai recebeu 45 facadas e foi surrado com uma frigideira, e a violência foi tanta que a frigideira ficou em pedaços. O rapaz confessou que ele e o ex-amante homossexual de seu pai cometeram o assassinato para que o rapaz e o amante “pudessem viver juntos”.[103]
Esses assassinatos se encaixam na opinião psiquiátrica tradicional: Violência excessiva tem ligação natural com outras formas de patologias sociais. Sob essa perspectiva, os que se rebelam contra as normas da sociedade (as prostitutas, os homossexuais, os alcoólatras, etc.) têm uma tendência maior para a violência. Os líderes gays respondem que eles não são rebeldes nem pervertidos sexuais. Eles afirmam que os gays são bons e gentis e que a violência que eles experimentam é prova de que eles precisam de leis especiais para protegê-los do preconceito dos que odeiam o comportamento homossexual.[104]
Quem está certo? Qual é o peso mais importante na questão da violência: a violência excessiva que está vindo do meio dos próprios homossexuais ou a violência que é dirigida contra eles? O que mais se deve ter em mente nesse debate é que esses dois tipos de violência são errados e só deixarão de existir quando a sociedade conseguir erradicar completamente o pecado da sodomia.
No entanto, uma pergunta que precisa ser respondida é: como é que um segmento tão pequeno da população consegue desencadear tanta violência contra a sociedade? Embora os homossexuais não sejam mais que 2 por cento da população total, alguns deles são responsáveis por um número bem elevado de casos de violência e assassinato na sociedade geral. Por exemplo, Henry Lucas, um homossexual americano, foi condenado por muitos assassinatos e afirmou ter tirado a vida de pelo menos 350 pessoas. Na Rússia, o homossexual Andrei Chikatilo foi condenado em 1992 por estuprar, matar e comer partes de pelo menos 21 meninos, 17 mulheres e 14 meninas.[105] Coincidência ou não, todos os seis maiores assassinatos em série dos Estados Unidos foram cometidos por gays. São casos envolvendo até quadrilhas homossexuais que estupravam, torturavam e matavam meninos.[106]
Muitas vezes a população é informada desses crimes sem jamais suspeitar que seus autores são escravos do homossexualismo. O que acontece é que, para não atrair a perigosa intolerância do movimento homossexual, a imprensa se sente forçada a noticiar esses crimes sem mencionar a identidade homossexual dos criminosos. Pelo que tudo indica, parece que os meios de comunicação aprenderam a temer e respeitar os desejos dos ativistas gays.
Dois estrategistas gays, Marshall Kirk e Hunter Madsen, revelam em seu livro para gays suas táticas para avançar o movimento homossexual na sociedade:
Nossos inimigos acusam os gays de seguir uma estratégia planejada e forte. Realmente, temos em mente tal estratégia… Os gays devem lançar uma campanha de grande escala para alcançar as pessoas normais através dos meios de comunicação. Estamos falando sobre usar propaganda. [Pág. 161]
O propósito e efeito da propaganda pró-gay é promover um clima de mais tolerância para com os homossexuais. E isso, nós dizemos, é bom… Primeiro, a propaganda se apóia em manipulações mais emocionais do que racionais. Aliás, sua meta é provocar mudanças nos sentimentos do público [162].
Em fevereiro de 1988, uma “conferência de guerra” de 175 líderes ativistas gays, representando organizações de todas as partes dos EUA, se reuniram em Warrenton, Virginia, para estabelecer uma agenda de quatro pontos para avançar o movimento gay. A conferência deu prioridade para “uma campanha nacional, através dos meios de comunicação, para promover uma imagem positiva dos gays e lésbicas”, e sua declaração final concluía: “Devemos considerar os meios de comunicação em todos os projetos que começamos. Além disso, devemos tirar toda vantagem que pudermos para incluir anúncios de utilidade pública e anúncios pagos e ajudar a promover repórteres e editores de jornais, rádio e televisão. Para ajudar a alcançar esses objetivos, precisamos realizar seminários com a mídia nacional para treinar nossos líderes… Nossas campanhas através dos meios de comunicação são fundamentais para que a sociedade nos aceite completamente. Estamos começando a reconhecer que a discriminação, assim como a guerra, começa na mente das pessoas, e deve assim ser parada aí com a ajuda de propaganda.” [Págs. 163,163].
Converter as pessoas [a aceitar o homossexualismo] é muito mais do que só amortecer-lhes os sentimentos de revolta contra o homossexualismo: envolve fazê-las realmente gostar e aceitar os homossexuais como um grupo, ajudando-os a se identificar com eles. [Pág. 168].
Uma das vantagens especiais de uma campanha através dos meios de comunicação é que pode — e deve — apresentar só o lado mais favorável dos gays… Por exemplo, em média o televisor fica ligado 50 horas por semana em cada lar, trazendo filmes, seriados, comédias, programas de entrevistas e noticiários bem na sala de estar. Essas horas são uma porta de entrada para a vida particular das pessoas normais. Através dessa porta, podemos fazer passar um cavalo de Tróia. [Págs. 170,179]
A meta é formar uma pequena coalizão de conspiração com a elite de poder, para pularmos à frente dos sentimentos do público ou ignorá-lo completamente. Às vezes essa tática funciona: muitas ordens executivas (que passam por cima do processo democrático) e leis aprovadas por câmaras municipais agora protegem certos direitos civis para os gays em algumas cidades. [Pág. 171].
Duas coisas podem ser feitas para confundir o ódio ao homossexualismo nas pessoas moderadamente religiosas. Primeira, os gays podem apelar para debates para obscurecer as opiniões morais, isto é, enfraquecer as desculpas que “justificam” a intolerância religiosa… Isso envolve publicar o apoio das igrejas moderadas e levantar sérias objeções teológicas aos ensinos bíblicos conservadores. [Pág. 179].[107]
Na sua primeira carta aos cristãos da cidade de Corinto, o Apóstolo Paulo faz uma lista de alguns indivíduos que não herdarão o Reino de Deus: “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbedos, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus”. (1 Cor 6:9-10) Nessa passagem o Apóstolo usa duas palavras gregas para designar os homossexuais: malakos (efeminados) e arsenokoites (sodomitas).
Será que os indivíduos que foram colocados nessa lista não têm direitos? Com toda certeza, eles têm. Por exemplo, o ladrão que rouba tem direito à vida e por isso ninguém pode matá-lo. Mas ele não tem direito à vida pelo fato de que ele pratica roubos, e sim pelo fato de que ele é uma pessoa.
Portanto, se o homossexual tem algum direito, não é pelo fato de praticar atos homossexuais, mas pelo fato de que ele é uma pessoa. E assim como não faz sentido elaborar uma Carta dos Direitos dos Ladrões ou uma Declaração dos Direitos dos Bêbados, faria menos sentido permitir uma lei que defenda os Direitos dos Homossexuais.
Sendo um comportamento contra a natureza, o homossexualismo não faz com que uma pessoa mereça direitos a mais. Pelo contrário, o estilo de vida gay lhe traz a perda de direitos, a começar pelo direito ao Reino de Deus.[108]
A Redefinição da Palavra Tolerância
Os ativistas homossexuais dizem em que tipo de espiritualidade eles acreditam. Eles declaram:
“A única espiritualidade autêntica é a espiritualidade gay… Os homens heterossexuais não conseguem sentir paixão por Jesus por causa de sua própria homofobia. Jesus quer que sintamos amor erótico por ele, e isso não é possível no caso dos homófobos.”[109]
“Você é abençoado e favorecido, pois Deus criou você gay! Ele lhe deu uma honra bem mais elevada do que a honrar de gerar um bebê. Ele exaltou você acima dos anjos e lhe deu, entre os homens, um lugar elevado no céu. Ele lhe deu uma canção celestial que só você poderá cantar. Não se preocupe quando outros cristãos lhe dizem que a Bíblia condena nosso estilo de vida. A Bíblia não condena. Satanás os cegou de tal modo que eles não conseguem enxergar as grandes Verdades que Deus deu só para os gays. Ele nos deu no Antigo Testamento a Grande Comissão Gay. Jesus disse que há três maneiras de nos tornarmos gays. Deus nos deu um Salmo louvando o casamento gay…”[110]
Para os ativistas homossexuais, verdadeira tolerância é aceitar suas práticas e idéias. Mas eles não têm receio dos cristãos que não as aceitam: “Os extremistas religiosos nos farão lutar cada passo do caminho. Mas eles já perderam. Fizemos dos direitos gays e lésbicos uma causa legítima na sociedade.”[111] Eles então dão o seguinte conselho para o homossexual que está numa igreja que aceita o homossexual, mas não aceita os atos homossexuais:
Se a sua religião discrimina contra os homossexuais… abandone e denuncie essa igreja, pois ela desrespeita nossa Constituição e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.[112]
Embora não aprovem o homossexualismo, as igrejas cristãs saudáveis aceitam de braços abertos o indivíduo escravo do pecado homossexual e lhe oferecem a libertação que Jesus Cristo dá gratuitamente. Contudo, os ativistas gays acham que toda oposição à sodomia é uma violação dos direitos humanos de seus praticantes. O movimento homossexual prega a tolerância, mas quer obrigar todas as pessoas a respeitar a sodomia como um comportamento sexual inteiramente normal. A definição tradicional de tolerância significa simplesmente reconhecer e respeitar as opiniões de outros indivíduos, sem necessariamente concordar ou simpatizar com eles. A idéia que normalmente a maioria das pessoas tem é que tolerância quer dizer que cada um tem o direito de ter sua própria opinião.
Mas em nossa época a palavra tolerância é usada com um sentido completamente diferente. Hoje considera-se que todas as opiniões, valores e modos de vida são igualmente válidos. Por exemplo, as opiniões e práticas dos cristãos, homossexuais, comunistas, etc., têm a mesma importância. Ser tolerante agora significa não só respeitar as opiniões dos outros, mas também elogiar e apoiar seus modos de vida, mesmo quando são biblicamente imorais.
O que mais chama a atenção é que enquanto os ativistas gays estão empenhados em usar os meios de comunicação para nos educar a valorizar todos os tipos de conduta, isso parece não se aplicar às opiniões e práticas dos cristãos fiéis à Bíblia. Basta ver os filmes que representam de modo negativo e sarcástico os cristãos e seus valores. Se um tratamento negativo também fosse dado aos praticantes do comportamento homossexual, haveria protestos e ameaças de processos contra tal “intolerância”. Aliás, há um grupo nos EUA, chamado Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação, que faz campanhas agressivas para que os meios de comunicação só apresentem imagens positivas dos homossexuais.
Esse grupo está pressionando os executivos de uma rede de televisão americana para que não dêem espaço de televisão para a Drª Laura Schlessinger. A Drª Schlessinger é uma judia ortodoxa e uma sincera defensora do ensino bíblico de que a homossexualidade é uma conduta imoral, mas curável.[113] Eles estão tentando silenciá-la só porque as opiniões dela não estão de acordo com a ideologia gay, ao mesmo tempo em que eles afirmam ter plenos direitos constitucionais para fazer todos os tipos de propaganda para promover a conduta homossexual. Esse paradoxo reflete a transformação da sociedade. As pressões em favor da aceitação do estilo de vida gay e outras perversões são tão fortes, que é provável que em breve muitas pessoas fiéis entre os evangélicos, católicos e judeus (e talvez até alguns muçulmanos praticantes) tenham de enfrentar uma onda de impopularidade e perseguição por não aceitarem a sodomia e outros comportamentos imorais.
Evangélicos Sofrem Intolerância de Ativistas Gays
O Dr. Charles McIlhenny é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana Ortodoxa da cidade de San Francisco, Califórnia. Muito embora sua igreja tenha sido alvo de protestos de ativistas gays, ele disse que nunca viu um protesto tão intenso quanto o que ocorreu contra a Igreja Batista de Hamilton Square em 19 de setembro de 1993. O Rev. Lou Sheldon, presidente da entidade evangélica Coalizão de Valores Tradicionais, havia sido convidado para pregar nessa igreja batista. O testemunho a seguir foi dado pessoalmente pelo Dr. McIlhenny:
Nós [minha esposa e outros de minha congregação] pudemos ouvir apitos a distância quando saímos de nossos carros no estacionamento… Quando caminhamos em direção à igreja, os apitos e a gritaria dos manifestantes foram ficando cada vez mais alto. Duas mulheres e uma menininha [membros da igreja batista] estavam acabando de sair de seu carro quando nós chegamos à frente da igreja. Havia uns duzentos homossexuais protestando, apitando, gritando e zombando de nós.
Eles estavam por todas as partes da entrada da igreja. Quando nos aproximamos da porta, eles começaram a nos apertar e formaram uma “parede” humana contra nós. Eles disseram: “Não entrem nesta igreja. Eles ensinam ódio e preconceito”. A multidão empurrava nosso pequeno grupo e nos afastava uns dos outros. Olhei ao redor e consegui ver meu filho bem atrás de nós com seu amigo. Outras famílias que estavam ao nosso lado foram tão empurradas que já não dava nem para ver onde estavam. Eu e minha esposa estávamos agora literalmente nariz a nariz, corpo a corpo com os manifestantes. Eles gritavam: “Vocês não vão entrar nesta igreja!” Avancei com muita força e consegui chegar até a porta. Mas quando me virei minha esposa não estava mais comigo. Vi a mão dela erguida na minha direção do meio das cabeças dos ativistas gays e um deles a pegou pela cintura e a levantou completamente do chão. Consegui agarrar a mão dela, e puxei-a para fora daquela situação perigosa.
Quando enfim conseguimos entrar na igreja, vimos que uma das mulheres e a menininha [que tínhamos visto no estacionamento], minha esposa e eu fomos os únicos de nosso grupo que puderam entrar. A menininha estava apavorada… Quando tentamos abrir a porta para os outros entrarem, a multidão a apertou tanto que ninguém conseguiu abri-la.
O louvor do culto já havia começado, e quando nos sentamos minha esposa sentiu as mãos ardendo. Foi então que ela viu que sua pele estava esfolada. Graças a Deus, não havia sangue nos arranhões, pois vários manifestantes eram aidéticos com feridas bem visíveis e perigosas.
Depois do culto, a polícia veio e teve, para nossa própria segurança, de nos escoltar até nossos carros. Os três pastores que fizeram o culto tiveram uma escolta especial porque os manifestantes haviam lhes ameaçado a vida.
Assim foi o culto de 19 de setembro de 1993 na Igreja Batista Hamilton Square em San Francisco: Essa cidade se gaba de ser a cidade mais tolerante dos EUA… Mas é um modelo de anarquia.[114]
Poderíamos acrescentar que San Francisco (considerada hoje a cidade mais homossexual dos EUA) é um exemplo do que acontece quando o movimento homossexual ganha espaço social para fazer o que quer. Outro exemplo de intolerância dos ativistas gays vem da cidade de Pittsburgh:
Em Pittsburgh, ativistas homossexuais locais pressionaram o Ministério das Comunicações (MC) a limitar o conteúdo religioso na televisão pública. O MC sucumbiu a essa pressão e decretou que a programação não deve ser “principalmente dedicada à exortação religiosa, ao proselitismo ou a declarações de crenças e opiniões religiosas pessoais”.
Com esse decreto, o MC está declarando que os direitos constitucionais não se aplicam ao papel social das igrejas e que a vontade dos ativistas homossexuais é mais importante do que a vontade das pessoas e famílias que têm valores morais religiosos.
O lobby homossexual está tentando minar o papel da família e da igreja na sociedade…[115]
Para os ativistas gays, pregar a verdade bíblica sobre o homossexualismo é o mesmo que ensinar ódio e preconceito. Eles não estão dispostos a aceitar nada que contrarie sua ideologia. A única mensagem bíblica que eles aceitam ouvir é a reinterpretação da Bíblia feita por teólogos favoráveis ao comportamento homossexual. O único tipo de pregação tolerada é a pregação a favor da sodomia. Tudo o mais é rejeitado. Para eles, o cristão que não sabe pregar o que eles querem ouvir tem no mínimo de ficar com a boca fechada.
Nesse clima, pode ser difícil falar a verdade, mas Jesus disse: “A verdade os libertará”. (João 8.32b BLH) Embora tenhamos o chamado de dar atenção e amor a todas as pessoas, precisamos ter a humildade e a coragem de falar a verdade, mesmo quando os outros nos fazem alvo de críticas, zombaria e preconceito.
A tendência atual de tolerância exige que aceitemos, respeitemos e apoiemos o pecador e seus pecados: a relação sexual antes do casamento, o adultério, a sodomia, etc. Contudo, será que seria uma atitude correta deixarmos que as pessoas envolvidas nesses pecados caminhem despreocupadamente para o inferno? Não. Precisamos lhes falar a verdade, com amor.[116] Quando somos movidos pelo amor de Jesus, não temos medo de ajudar os pecadores, porque sabemos que a verdade os libertará de seus pecados. Não é nossa tolerância ao pecado que poderá salvá-los, mas sim nossa fidelidade à responsabilidade de mostrar-lhes a verdade de Jesus Cristo.
Ainda que o mundo resolva fazer discriminação contra as pessoas que não valorizam os comportamentos moralmente destrutivos, o amor de Jesus nos incentiva a continuar ajudando as pessoas a sair de seus caminhos errados e a entrar nos caminhos certos. Se é o amor de Jesus que nos guia, não precisamos nos preocupar se a sociedade desaprova e critica o que estamos fazendo por amor à verdade e às pessoas. Deus diz: “O mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas desejam, porém quem faz a vontade de Deus vive para sempre”. (1 João 2.17 BLH)
Entretanto, se passarmos a aceitar o tipo de tolerância ao pecado que os ativistas favoráveis ao homossexualismo pregam, a sociedade acabará mais cedo ou mais tarde sendo intolerante para com o que a Bíblia prega e intolerante para com os que vivem de acordo com essa pregação, pois há uma campanha enorme para converter nossa maneira de pensar e agir.
O Dr. Gerard van den Aardweg explica:
É óbvio que a vasta maioria das pessoas ainda pensa que o homossexualismo (que é a atração sexual por membros do mesmo sexo, juntamente com uma redução substancial dos interesses heterossexuais) é anormal. Uso a palavra “ainda” pois isso é fato, apesar do prolongado bombardeio de propaganda que quer normalizar o homossexualismo. Essa propaganda está vindo de grande parte do mundo acadêmico, os políticos e os ignorantes ideólogos sociais e políticos que governam os meios de comunicação, ideólogos que são submissos a tudo o que mais está na moda no momento. Embora a elite social de nossa época tenha perdido o bom senso, a grande maioria das pessoas não. Talvez o povo terá de ser forçado a aceitar as medidas sociais vindas da ideologia de “direitos iguais” dos ativistas que lutam pela emancipação do homossexualismo… Para as muitas pessoas que perguntam como é possível que indivíduos “estudados” consigam acreditar que o homossexualismo é normal, talvez a melhor resposta seja o que o escritor George Orwell disse: há coisas “tão tolas que só os intelectuais conseguem crer”…[117]
Uma parte considerável da sociedade já está cedendo às muitas e variadas pressões do movimento homossexual. As revistas, os livros e a educação de hoje procuram combater a “homofobia” e encorajar os homossexuais a abraçar sua sexualidade. Conselheiros e psicólogos agora cooperam com escolas e empresas para dar aulas (muitas vezes obrigatórias) para ensinar as pessoas a ver o homossexualismo como normal. Um número cada vez maior de terapeutas está se juntando ao ativistas gays para proclamar que o homossexualismo é imutável. Embora os evangélicos preguem que Jesus tem o poder de perdoar, curar e transformar todos os tipos de pecadores, esses terapeutas dizem que no caso dos homossexuais essa mudança é um mito e uma forma cruel de impor valores espirituais na vida dos indivíduos que praticam a homossexualidade. Aliás, a classe psiquiátrica e psicológica tem demonstrado um interesse crescente em proibir oficialmente que seus profissionais utilizem a terapia reparativa em seus clientes homossexuais.[118]
Muitos especialistas de psicologia e psiquiatria usam a terapia reparativa para ajudar os homens e as mulheres oprimidos por sentimentos ou comportamentos homossexuais indesejados. Mas os ativistas gays querem inverter de tal forma o normal do anormal que eles estão realmente lutando para que esse tipo de terapia seja dirigido para as pessoas que não aceitam a sodomia. O livro O Movimento Homossexual diz: “Aos olhos do lobby homossexual, os heterossexuais que demonstram homofobia são emocionalmente doentes e precisam de tratamento”.[119] Homofobia é o termo que os ativistas gays inventaram para definir a aversão que as pessoas normais têm às práticas sexuais dos homossexuais.
Esses “especialistas” em psicologia declaram:
Os programas cristãos extremistas de conversão exercem uma influência enorme em muitas pessoas… Tais programas buscam separar o indivíduo de seus sentimentos ‘pecaminosos’ ou pelo menos tornar possível que ele busque levar um estilo de vida heterossexual ou celibato. Esses programas se baseiam teoricamente em interpretações bíblicas que condenam a conduta homossexual. Seus métodos de tratamentos, que se apóiam na oração, não são muitas vezes especificados e seus resultados são geralmente limitados a testemunhos pessoais. Apesar de tudo, esses programas deveriam ser examinados, por causa do tremendo impacto psicológico que têm nos muitos gays e lésbicas infelizes que buscam seus serviços e por causa da disposição de alguns psicólogos de encaminhá-los a esses programas. Por último, muitos programas desse tipo estão ligados a importantes problemas éticos. Os gays que têm inclinação religiosa têm menos auto-estima, vêem o homossexualismo como pecado, sentem mais preocupação com a reação negativa dos outros e sentem mais depressão em geral. (Weinberg & Williams, 1974) Esses indivíduos são alvos vulneráveis para ministérios de “ex-gays”…[120]
“Sugerir que alguém vem voluntariamente para mudar sua orientação sexual é ignorar as fortes pressões (ou até mesmo opressões) ao redor… O que leva um [homossexual] ao aconselhamento de psicólogos é a culpa, a vergonha e a solidão que ele sente com o segredo que tem. Se desejamos realmente ajudá-lo a escolher com liberdade, sugiro que primeiro lhe amorteçamos os sentimentos para que ele não sinta sua culpa, para que se dissolva seu sentimento de vergonha por seu desejos e ações e para que ele se sinta bem com sua sexualidade. Depois disso, e só depois, deixe que ele escolha.[121]
A Necessidade de Agir Agora!
Se permitirmos que os ativistas gays influenciem totalmente os meios de comunicação e o sistema educacional com suas idéias incorretas de tolerância, as leis acabarão favorecendo de tal maneira o homossexualismo que no futuro a oposição dos cristãos à sodomia e à pederastia poderá ser tratada como crime de homofobia. A tentativa de ajudar um amigo, um parente ou um adolescente a se libertar das práticas homossexuais poderá ser considerada como violação dos direitos humanos. E a tentativa de afastar uma criança de indivíduos que gostam de se relacionar sexualmente com menores poderá ser vista como uma forma de abuso contra as crianças!
Esse é o futuro que enfrentamos, a menos que decidamos agora fazer uma oposição unida e forte contra o movimento homossexual e contra todos os pedófilos mascarados de defensores dos direitos das crianças. Michael Swift, um ativista gay, espera que um dia a sociedade seja dominada pelo homossexualismo. Ele declarou:
Nós sodomizaremos seus filhos…
Todas as leis que proíbem a atividade homossexual serão revogadas…
Todas as igrejas que nos condenam serão fechadas…[122]
Que essas palavras nos ajudem a lembrar que uma das principais metas do movimento homossexual é abolir todas as leis de idade de consentimento sexual, impedir as igrejas cristãs de pregarem a verdade bíblica sobre a homossexualidade e dar para a sociedade um futuro onde os pedófilos serão reconhecidos como “profetas” de uma nova revolução sexual.[123]
Em vez de abraçar uma sexualidade saudável que protege, valoriza e trata as crianças com carinho — como verdadeiros presentes de Deus[124] —, a sociedade atual não só está sendo cada vez mais tolerante com leis que favorecem a prática de matar bebês através do aborto, mas também tolerante com comportamentos sexuais que têm um elevado índice de envolvimento com a pedofilia. O Dr. Calvin J. Eichhorst, teólogo luterano americano, acha que “um dos fatores mais importantes na presente mudança de valores da sociedade é que o ato sexual está sendo totalmente separado da reprodução”.[125]
Embora seja o favor da contracepção, o Dr. Eichhorst faz a seguinte pergunta:
Mas, se o ato sexual perder seu propósito de procriar e em vez disso se tornar uma ameaça (por causa da chamada explosão demográfica), que será o seu propósito?[126]
Ele afirma então que, se a finalidade do ato sexual é o prazer…
…não há nenhum motivo forte por que deva ser mantido dentro do casamento, e nenhuma boa razão por que deva ser heterossexual. O contexto e o meio pelo qual se alcança o prazer deixa de ser importante. O fato é que o relacionamento homossexual pode ser visto como ideal, porque nunca apresenta o risco de produzir aquilo que traz para a humanidade a ameaça da explosão populacional: mais seres humanos. Nesse modo de pensar, pode-se evitar com eficácia o único mal que o ato sexual produz: o bebê.[127]
A diferença inescapável entre o sexo normal e a conduta sexual dos homossexuais é a capacidade natural de gerar nova vida. Embora seja plenamente aberto ao prazer sexual, o homossexualismo é um comportamento totalmente fechado para a transmissão natural da vida. Só um homem e uma mulher casados têm chamado para cumprir o primeiro e mais importante mandamento de Deus para a sexualidade humana.
O Rev. Larry Christenson, teólogo luterano americano e autor do famoso livro A Família Cristã (publicado pela Editora Betânia), explica:
…o prazer sexual é uma prioridade que Deus deu no casamento. A Bíblia incentiva o marido e a esposa a terem prazer sexual um no outro. Essa, porém, não é a primeira prioridade de Deus.
O primeiro mandamento que Deus deu depois que Ele criou o homem conforme Sua própria imagem foi:
Tenham muitos e muitos filhos; espalhem-se por toda a terra e a dominem. (Gênesis 1.28 BLH)
No final do Antigo Testamento o Senhor frisou a mesma prioridade:
…Deus sabe que você tem sido infiel à sua esposa, a mulher com quem se casou quando era moço. Ela era sua companheira, mas você quebrou a promessa que fez na presença de Deus de que seria fiel a ela. Não é verdade que Deus criou um único ser, feito de carne e de espírito? E o que é que Deus quer dele? Que tenha filhos que sejam dedicados a Deus. (Malaquias 2.14,15 BLH)
Certa vez, quando eu estava num avião de Los Angeles para Minneapolis, me encontrei por acaso com um dos meus professores favoritos do seminário. Passamos bons momentos conversando sobre diversos assuntos atuais. Mais de 25 anos depois, daquela conversa de três horas ficou gravada em minha memória algo que o Dr. Gerhard Frost declarou. Ele disse:
Um dos sinais mais perturbadores que vejo na sociedade de hoje é o fato de que as crianças não são mais vistas com carinho.
Da perspectiva de Deus, a primeira prioridade no casamento é gerar e criar filhos.
É claro que isso não significa que os casais que não têm capacidade de ter filhos desapontam a Deus ou não estão cumprindo Sua vontade. A Bíblia freqüentemente apresenta a vontade de Deus em sua aplicação à humanidade em geral ou ao povo de Deus visto como um todo. Dentro dessa estrutura, Ele lida conosco em nossas circunstâncias individuais. A questão mais importante é que quando Deus olha para a humanidade como um todo, ou mesmo quando Ele olha de modo mais especial para a igreja como um todo, as crianças ainda estão no primeiro lugar em Sua lista de prioridades para a sexualidade humana no casamento.
As horrendas estatísticas de aborto e a crescente evidência de negligência para com as crianças e abuso contra meninos e meninas revelam os valores distorcidos de nossa sociedade.
As normas sociais agora pregam que não devemos deixar que nada fique no caminho do nosso direito de viver a vida do jeito que queremos. Se ter filhos não se encaixa em nossos planos, temos o direito de escolher o que fazer. Cabe a nós decidir se o bebê em gestação viverá ou morrerá. Se criar filhos interfere com nossa vida, podemos encarregar outros de cuidarem deles. Quem faz isso não dá importância à esmagadora maioria de evidências que mostram que as crianças criadas no próprio lar se desenvolvem muito melhor em todos os aspectos.
Não dá para estranhar o que disse um sociólogo da Universidade de Chicago: “Nós seres humanos somos a primeira espécie no planeta que está demonstrando ser incapaz de criar a próxima geração”. Animais sem inteligência mostram que compreendem melhor a vontade do Criador do que algumas pessoas de hoje. Impulsionados por seus instintos simples, os animais mostram uma disposição dada por Deus de se sacrificar por seus filhotes.
O que será de um povo que não tem mais disposição de se sacrificar pela próxima geração?
Em resumo, as prioridades de Deus para a sexualidade humana são:
• Ter e criar filhos no ambiente de um lar que honre a Deus;
• Marido e esposa tendo um compromisso exclusivo um com o outro e tendo prazer sexual um com o outro.
A ordem e exatidão dessas prioridades não têm origem na mera sabedoria humana. Essas prioridades fazem parte do mistério determinado por Deus que envolve a sexualidade humana.[128]
Contudo, sabendo que não têm condições de vencer a realidade do sexo normal, os ativistas gays tentam argumentar que um relacionamento tão importante como o casamento tem como características fundamentais o amor, a atração sexual e a amizade. Embora essas características sejam importantes e devam fazer parte do casamento, a natureza deu à união sexual normal uma qualidade que a torna diferente de todos os outros relacionamentos humanos, inclusive as melhores amizades: a capacidade natural de gerar nova vida.
Se não fosse por essa capacidade, o casamento poderia ser qualquer tipo de união e amizade entre as pessoas, do mesmo sexo ou não, exatamente conforme quer o movimento homossexual com suas campanhas para redefinir o casamento.
A tendência atual é valorizar somente o prazer sexual. Esse tipo de valorização pode trazer a perda da visão correta do que é um casamento normal e saudável. A esperança dos ativistas gays é que, perdendo essa visão, a sociedade passe a valorizar o casamento somente na base do “amor, atração sexual e amizade”. Assim, a sociedade passaria a ver a capacidade natural de gerar nova vida não como uma das características fundamentais do relacionamento conjugal, mas apenas como mais uma “opção” entre muitas outras que os casais podem escolher ou não.
Martinho Lutero (1483-1546), que foi poderosamente usado por Deus para iniciar a Reforma protestante, via o casamento como um meio indispensável para a transmissão natural da vida. Sem esse meio, não haveria geração após geração de seres humanos. Para Lutero, sem esse meio, não haveria um verdadeiro casamento e família. Ele repreendeu fortemente alguns casais normais de sua época por tentarem evitar o chamado natural do casamento, chamado que nenhum “casal” gay poderia ter, mesmo que quisesse. Lutero declarou:
…o propósito principal do casamento não é ter prazer e ficar sem fazer nada, mas gerar e criar filhos e sustentar um lar.[129]
Hoje vemos muitas pessoas que não querem ter filhos… Mas esses fatos servem para frisar o pecado original. Se não fosse o pecado original, nós ficaríamos maravilhados com a capacidade humana de gerar nova vida, vendo-a como a maior obra de Deus e respeitando-a como um presente espetacular.[130]
…a capacidade natural de gerar nova vida era considerada uma bênção extraordinária, conforme se pode ver em Deuteronômio 28.4, onde Moisés coloca essa capacidade entre as bênçãos. “Não haverá entre vocês nenhuma mulher fisicamente incapaz de gerar nova vida”, diz ele. Hoje nós já não damos tanta importância para isso. Desejamos que os bois e as vacas se multipliquem, porém poucas pessoas vêem como bênção a capacidade natural que a mulher tem de gerar nova vida. Aliás, há muita gente que tem aversão a essa capacidade e vê a incapacidade física de gerar nova vida como uma bênção especial. Não há dúvida que isso é contrário à natureza, e não tem nada de puro e santo, pois foi Deus quem implantou no homem o desejo de se multiplicar. Por isso, é desumano e contrário à vontade de Deus sentir aversão a bebês. Recentemente, um homem chamou sua esposa de porca porque ela teve vários filhos. Sujeito imprestável e imundo! Os santos servos de Deus do passado jamais pensaram dessa forma, de jeito algum. Eles reconheciam como bênção especial de Deus uma esposa que gera várias vidas e, por outro lado, consideravam a incapacidade física de gerar nova vida como maldição. E essa maneira de ver vem da Palavra de Deus em Gênesis 1.28, onde Deus disse: “Tenham muitos e muitos filhos” [BLH]. Quando liam essa passagem eles entendiam que os filhos são um presente de Deus.[131]
Embora seja bem fácil casar com uma mulher, é muito difícil sustentá-la juntamente com os filhos e a família. Portanto, ninguém repara na fé que Jacó tinha. Aliás, muitos detestam a capacidade natural que uma esposa tem de gerar nova vida, só por causa dos filhos que devem ser sustentados e criados. E em geral é isto o que eles dizem: “Por que devo me casar quando sou apenas um mendigo, sem um centavo no bolso? Acho melhor carregar sozinho o peso da minha pobreza do que me sobrecarregar com mais miséria”. Mas eles injustamente colocam a culpa no casamento e na capacidade natural de gerar nova vida. A verdade é que quando duvidamos da bondade de Deus, estamos acusando nossa própria incredulidade. E quando damos pouca importância às bênçãos de Deus, trazemos sobre nós mesmos maior miséria. Não tenho a menor dúvida de que só seremos sustentados quando confiarmos na graça e nas promessas de Deus. O motivo por que nunca prosperamos é porque não esperamos no Senhor.[132]
Para Lutero, casamento tem tudo a ver com filhos. Ele entendeu corretamente que a Palavra de Deus ensina que a capacidade natural de gerar nova vida é uma parte indispensável e prioritária da sexualidade saudável, principalmente no caso dos casais fiéis que amam e obedecem a Deus. Aliás, a própria natureza mostra que a capacidade de gerar nova vida é uma parte normal e natural do sexo normal. No entanto, a homossexualidade não tem nenhum chamado nem apoio da natureza para a formação de um lar com filhos. A união homossexual jamais consegue gerar filhos. O sexo homossexual só alcança um prazer passageiro, e nada mais. Isso viola completamente o projeto de Deus para o sexo e o casamento. Conhecendo bem o que a Palavra de Deus ensina, Lutero deu a seguinte opinião com relação às práticas homossexuais:
O vício dos sodomitas é uma barbaridade sem paralelo… Os desejos homossexuais são totalmente contrários à natureza. De onde vem essa perversão? Sem dúvida vem do diabo.[133]
Entretanto, o movimento homossexual acha que a lei anti-sodomia de Levítico 20.13 não tem validade nem sentido pelo simples fato de que as mulheres homossexuais são poupadas e só os homens homossexuais são condenados à morte.[134] O versículo diz:
Se um homem tiver relações com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; eles serão responsáveis pela sua própria morte. (Levítico 20.13 BLH)
O Dr. Charles Provan, médico e escritor luterano americano, comenta:
O leitor notará que não há nenhum versículo bíblico mandando executar as mulheres homossexuais. O motivo disso é que no Antigo Testamento não há castigos prescritos para as atividades lésbicas. É claro que isso não significa que não haja nada de errado com o lesbianismo diante de Deus — apenas quer dizer que não há castigos civis. (Casos semelhantes seriam a cobiça e a lascívia, as quais Deus proíbe, mas não são punidas com castigos civis.) Portanto, vemos que os homens homossexuais devem ser executados, mas as mulheres homossexuais são poupadas.
Alguns poderiam explicar isso dizendo que Deus é mais bondoso com as mulheres. Nossa resposta é que no Antigo Testamento Deus não tem nada contra a execução de mulheres criminosas, como bem dá para ver no fato de que Deus decretou a pena de morte para: mulheres assassinas (Gênesis 9.6), feiticeiras (Levítico 20.27), mulheres idólatras (Deuteronômio 13.6-9), mulheres culpadas de ter relações sexuais com animais (Levítico 20.16), adúlteras (Levítico 20.10), etc. Aliás, não conhecemos nenhum pecado pelo qual Deus condena à morte os homens culpados, mas poupa as mulheres, exceto no caso da atividade homossexual.
A Palavra de Deus cometeu um erro? A Bíblia é incoerente? É claro que a resposta é não. O Novo Testamento declara que os castigos de morte do Antigo Testamento são justos diante de Deus. Hebreus 2.2 diz que na Lei de Moisés: “…toda transgressão e desobediência recebeu uma recompensa justa…” A Bíblia prescreve morte para os homens homossexuais e vida para as mulheres porque os homens desperdiçam o sêmen. Isso mostra que o desperdício [deliberado] de sêmen é algo horrendo aos olhos de Deus.[135]
O livro O Movimento Homossexual explica:
Do ponto de vista do protestantismo histórico, a opinião do Dr. Provan está em plena harmonia com o melhor das tradições da Reforma. Todos os teólogos protestantes mais importantes do passado afirmaram categoricamente, com base em Gênesis 38.9,10, que toda relação sexual em que a capacidade natural de gerar nova vida é deliberadamente desperdiçada ou rejeitada em favor do prazer (como a masturbação, a relação anal e oral, o coito interrompido, etc.) perverte o ato sexual originalmente planejado por Deus.
Lutero também mantinha essa posição. Para ele, o pecado dos homossexuais é comparado ao de Onã. E João Calvino, um dos maiores teólogos que a cristandade já conheceu, não só condenou o homossexualismo, mas também declarou que “o desperdício do sêmen… é algo monstruoso”. Tanto Lutero quanto Calvino acreditavam ser o sêmen a semente da vida e, conforme seu posicionamento, o pecado de Onã e os atos sexuais dos homossexuais masculinos têm um elemento em comum: o desperdício intencional dessa semente.[136]
Então a imensa diferença entre a homossexualidade e a sexualidade normal é que a capacidade natural de gerar nova vida jamais faz parte da atividade homossexual! Não foi para isso que Deus criou o sexo.
O Family Research Council, em sua publicação The Bible and Homosexuality (A Bíblia e a Homossexualidade), diz:
…não é necessário que tenhamos confirmações explícitas de Jesus condenando o homossexualismo para que possamos entender bem a questão, pois Ele lidou com toda a sexualidade de uma forma mais ampla. Em vez de nos dizer para o que a sexualidade não foi criada, Ele ensinou o motivo para o qual a sexualidade da humanidade foi criada. Ao fazer isso, Ele considerou o plano original criado e a primeira união sexual no Jardim do Éden, onde Deus ordenou a instituição do casamento:
Mas no começo, quando foram criadas todas as coisas, foi dito: “Deus os fez homem e mulher. Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe [para se unir à sua mulher], e os dois se tornam uma só pessoa”. Assim, não são duas pessoas, mas uma só. Portanto, que ninguém separe o que Deus uniu. (Marcos 10.6-9 BLH)
Com essas palavras, Jesus confirmou o ensino de Gênesis 1.27 e 2.24, onde Deus declarou claramente os princípios fundamentais da sexualidade humana: “homem e mulher unidos como uma só carne”. Portanto, todos os relacionamentos sexuais humanos foram estabelecidos para serem uniões heterossexuais, entre só um homem e uma só mulher, para durar a vida inteira… O ensino de Jesus sobre o padrão sexual de Gênesis encontra-se também em dois Evangelhos. Paulo, escrevendo às igrejas de Corinto e Éfeso, compara a união de um homem e uma mulher à santa união de Cristo com Sua Igreja.
Além do ensino do Novo Testamento, a natureza também confirma a ética sexual de Gênesis 1 e 2. John F. Harvey, O.S.F.S., escreve: “O sexo, por sua própria natureza, dá vida”. A atividade sexual, diz ele, “…une duas pessoas por um tipo especial de amor… Esse amor tem qualidade exclusiva e permanente, precisamente porque tem ligação com a finalidade transmissora de vida que faz parte da atividade sexual”. Contudo, “…não é possível expressar esse tipo de amor na atividade homossexual”. Em resumo, a atividade homossexual não é uma expressão adequada nem realizadora da sexualidade, pois falta-lhe a verdadeira união física completa e o elemento transmissor de vida da procriação.
O modelo de conduta sexual humana que Deus determinou é claro: a união exclusiva e permanente de um só homem e uma só mulher. Qualquer coisa que se afaste dessa ordem original que Deus criou não cumpre a vontade de Deus para a sexualidade humana, inclusive a conduta homossexual, o estupro, o incesto, a pedofilia, o sexo antes do casamento, o adultério, o sexo com animais, a pornografia e qualquer outra forma de expressão sexual fora dos limites do padrão bíblico. Em outras palavras, conforme diz o teólogo P. Michael Ukleja: “Todos os pecados sexuais mostram que a sociedade não conseguiu seguir o que Deus quer”. Jesus não salientou todos os erros sexuais que há. O que Ele fez foi frisar o modo certo de cumprir a vontade de Deus para a sexualidade.[137]
A sexualidade tem tudo a ver com prazer e… vida. Aliás, a sexualidade bíblica normal vê como bênção a capacidade natural de gerar nova vida que Deus lhe deu.[138] O que a realidade do comportamento sexual humano mostra é bem clara: A sexualidade que é dirigida pelo propósito de Deus abraça sua função natural de gerar, criar, proteger e valorizar as crianças. Contudo, quando não segue esse propósito, inevitavelmente a sexualidade é levada a comportamentos que só buscam o prazer e acabam tolerando o aborto, a pedofilia, a negligência para com as crianças, etc. Vale a pena repetir aqui o que o Dr. Sigmund Freud disse com muita sabedoria:
…uma característica comum a todas as perversões é que nelas se coloca de lado a reprodução. Este é realmente o critério pelo qual julgamos se uma atividade sexual é pervertida — quando ela não tem em vista a reprodução e vai atrás da obtenção de prazer independente.[139]
Separar deliberadamente a sexualidade de sua função de transmissão natural da vida é abrir a porta para a normalização de estilos de vida sexual que valorizam só o prazer. O livro O Movimento Homossexual diz:
O moderno ativismo a favor de direitos gays teve origem na revolução sexual dos anos 60, nos Estados Unidos. Desde então, com os tabus abolidos, as leis que proibiam a sodomia foram sendo quebradas. Toda essa mudança de comportamento, somada aos avanços tecnológicos na área da contracepção e do aborto, criou uma nova ordem social, a qual exalta o prazer sexual e o separa da transmissão da vida. Essa nova maneira de ver a sexualidade humana era tudo o que o movimento homossexual precisava para se lançar contra as leis anti-sodomia. Na sodomia, o alvo supremo é sempre a busca de prazer através do sexo.[140]
Com ou sem mudanças sociais, a Palavra de Deus mostra que o homossexualismo é uma conduta sempre longe do ideal sexual saudável, normal e bom. Ainda que não houvesse nenhum versículo na Bíblia desaprovando diretamente os atos sexuais dos homossexuais, mesmo assim seria uma conduta fora do plano de Deus, pois a relação homossexual é incapaz de cumprir o propósito de união conjugal normal e transmissão natural da vida que o homem e a mulher conseguem realizar por chamado direto de Deus. A ex-feminista Mary Pride afirma:
Deus deu Eva para Adão para que ela fosse a sua ajudante. Por que? Porque Adão havia sido designado para um projeto. Deus lhes disse que “fossem férteis e se multiplicassem; enchessem a terra e a dominassem”. Sem Eva, Adão não teria condições de ser fértil e se multiplicar. Sozinho, ele também não podia encher a terra. Eva era necessária para o casal dar fruto. O motivo bíblico para a existência do casamento é produzir fruto para Deus. Casamento é produzir filhos e tornar a terra frutífera para Deus.[141]
É bem fácil ver que Deus criou a sexualidade para a formação da família. Família, no plano de Deus, é basicamente um homem e uma mulher casados gerando e criando filhos num ambiente que honre a Deus. A própria natureza foi abençoada por Deus para levar o homem e a mulher à formação da família. Isso é natural para eles. Quando um homem e uma mulher vivem casados, eles têm o potencial de multiplicar-se naturalmente. Esse potencial jamais existe nos chamados casais homossexuais, que são proibidos pela própria natureza de se multiplicar.
Conclusão: Deus Tem o Melhor para a Sexualidade
Citando então Romanos 1.26-27 e 1 Coríntios 6.9-10, o Rev. Larry Christenson diz:
Os avisos da Bíblia [contra o homossexualismo] têm um propósito simples: Proteger a sexualidade humana — proteger o homem e a mulher criados conforme a imagem de Deus — contra os danos que as condutas ignorantes e teimosas causam.
Em toda a sua história, a igreja cristã sempre entendeu e ensinou que a atividade sexual só é certa entre um homem e uma mulher casados. Esse é o claro sentido do ensino sexual da Bíblia. A Bíblia e a história da doutrina cristã desconhecem completamente a noção moderna de que alguém já nasce com uma “orientação homossexual” e que por isso devemos aceitar e celebrar essa orientação como uma expressão legítima da sexualidade. Hoje, alguns indivíduos estão se levantando dentro de algumas igrejas para defender a aceitação da atividade sexual física entre pessoas do mesmo sexo e entre pessoas que não são casadas…
Vozes estridentes estão reivindicando novas normas sexuais. Esses indivíduos dizem: “O que a Bíblia chama de pecado não mais deve ser chamado de pecado”.
Não podemos deixar isso abalar nosso compromisso de respeitar a Deus, pois sabemos que foi Sua sabedoria que criou e determinou a sexualidade humana do jeito que Ele a fez. Sabemos que Ele tem o melhor para nossa sexualidade. É como se Ele estivesse nos dizendo:
Criei vocês conforme Minha Imagem, como homens e mulheres. Vocês foram criados como coroas de tudo o que criei e como a expressão do meu amor. O que Eu revelei para vocês em Minha Palavra também é a expressão do Meu amor.
Se falharam em algum aspecto da sexualidade, olhem para o Meu Filho. O Sangue dEle cobre todos os pecados e limpa da culpa e vergonha.
Dependam do Espírito Santo. Para se protegerem do pecado, confiem no poder do Espírito. Deixem Minha Imagem brilhar através de vocês, do jeito que planejei quando criei vocês como… HOMEM… e MULHER.[142]
Copyright 2003 Julio Severo. Proibida a reprodução deste livro sem a autorização expressa de seu autor. Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia. E-mail: juliosevero@hotmail.com
[2]Drª Judith Reisman, Kinsey, Sex & Fraud (Huntington House Publishers: Lafayette-EUA, 1990), p. 212.
[3]QUESTIONS I’M ASKED MOST ABOUT HOMOSEXUALITY, An Interview with Sinclair Rogers (Choices: Singapura, 1993), p. 4.
[4] ‘Sexologist’ Alfred Kinsey, quoted in Wardell B. Pomeroy. Dr. Kinsey and the Institute for Sex Research. New York: Harper & Row, 1972, pages 247 and 273.
[5]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[6]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), pp. 78,79.
[7]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[8]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 170,171.
[9] Bruce Voeller. “Some Uses and Abuses of the Kinsey Scale.” . The Kinsey Institute Series, June Machover Reinisch (general editor), Oxford University Press, 1990, pages 35 and 36.
[10] J. Gordon Muir, Homosexuals and the 10% Fallacy, The Wall Street Journal, 31 de março de 1993.
[11]Veja os livros Kinsey, Sex & Fraud (Huntington House Publishers: Lafayette-EUA, 1990) e Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998).
[12]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 234.
[13]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 313.
[14]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 221.
[15]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 222.
[16]Dr. Judith Reisman, “Soft Porn” Plays Hardball (Huntington House Publishers: Lafayette-EUA, 1991), p. 38.
[17]Drª Judith Reisman, Kinsey, Sex & Fraud (Huntington House Publishers: Lafayette-EUA, 1990), p. 4
[18]Dr. Judith Reisman, “Soft Porn” Plays Hardball (Huntington House Publishers: Lafayette-EUA, 1991), p. 151,152.
[19]Adaptado de: Pornography’s Victims, Excerpts from Official Transcript of Proceedings of the United States Department of Justice . Editado por Phyllis Schlafly (Crossway Books: Westchester-EUA, 1987), pp. 182-187.
[20]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 66.
[21] Wardell Pomeroy, Dr. Kinsey and the Institute for Sex Research, Harper & Row, 1972.
[22]The Lancet (volume 337: 2 de março de 1991; 547), conforme citado em Kinsey: Crimes & Consequences .
[23]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 167.
[24] Gershon Legman. The Horn Book: Studies in Erotic Folklore and Bibliography. New Hyde Park, New York: University Books, 1964 [Legman was the original compiler for Alfred Kinsey's pornography collection].
[25]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 245.
[26]Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 236.
[27]Idem, p. 245.
[28]Conforme o artigo intitulado “Conselho Federal de Psicologia condena tratamentos para ‘cura’ de gays e lésbicas”, publicado no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, de 23 de março de 1999.
[29]Adaptado de: Thomas E. Schmidt, Straight & Narrow (InterVarsity Press: Downers Grove-EUA, 1995), pp. 114,115.
[30]Dr. Paul Cameron, Child Molestation and Homosexuality (Family Research Institute, Inc.: Washington, D.C., 1993).
[31]Adaptado de: Frank V. York & Robert H. Knight, Homosexual Activists Work to Lower the Age of Sexual Consent [documento] (Family Research Council: Washington, DC, 1999), pp. 2,3,9.
[32]Adaptado de: Frank V. York & Robert H. Knight, Homosexual Activists Work to Lower the Age of Sexual Consent [documento] (Family Research Council: Washington, DC, 1999), p. 8.
[33]Adaptado de: Frank V. York & Robert H. Knight, Homosexual Activists Work to Lower the Age of Sexual Consent [documento] (Family Research Council: Washington, DC, 1999), pp. 12-14.
[34]Adaptado de: Frank V. York & Robert H. Knight, Homosexual Activists Work to Lower the Age of Sexual Consent [documento] (Family Research Council: Washington, DC, 1999), p. 4.
[35] Marshall Kirk and Hunter Madsen, After the Ball: How America Will Conquer Its Fear & Hatred of Gays in the 90′s (New York: Plume Books, 1989), p. 146.
[36] National Committee for Gay Civil Rights. 1984 Draft III internal review copy entitled “This is Our Creed”
[37] The official philosophy and goals of the North American Man-Boy Love Association (NAMBLA), from “Introducing the North American Man-Boy Love Association.” Undated basic promotional brochure of NAMBLA National Headquarters in New York City. Reproduced in Father Enrique T. Rueda’s The Homosexual Network: Private Lives & Public Policy. 1982: Old Greenwich, Connecticut; Devin Adair Publishers, page 177.
[38] Social action agenda of NAMBLA’S “Task Force on Child-Adult Relations,” as described in Richard C. Bishop. “A Proposal for Pedophile Groups.” NAMBLA Journal, New York, New York, July 1, 1979, page 5. Reproduced in Father Enrique T. Rueda’s The Homosexual Network: Private Lives & Public Policy. 1982: Old Greenwich, Connecticut; Devin Adair Publishers, pages 214 and 215.
[39] Unnamed author in “Point of View: No Place for Homo-Homophobia.” San Francisco [homosexual newspaper], March 26, 1992.
[40] Robert O. Hawkins. “The Uppsala Connection: The Development of Principles Basic to Education for Sexuality.” SIECUS [Sexuality Information and Education Council of the United States] , January 1980.
[41] Behavior Today, December 5, 1988, page 5.
[42] Larry Kramer, writer and founder of the AIDS Coalition to Unleash Power (ACT-UP), in Reports from the Holocaust, New York: St. Martin’s Press, 1991. This quote was downloaded from the Web site of the North American Man-Boy Love Association (NAMBLA) at http://www.nambla.org on April 15, 1998.
[43] Pat Califia, lesbian author and activist, The Advocate [‘mainstream’ homosexual magazine], October, 1980. This quote was downloaded from the Web site of the North American Man-Boy Love Association (NAMBLA) at http://www.nambla.org on April 15, 1998, under the section entitled “What People Are Saying About NAMBLA and Man/Boy Love.”
[44] Convicted pedophile and NAMBLA [North American Man-Boy Love Association] member David Thorstad, quoted in Joseph Sobran. “The Moderate Radical.” Human Life Review, Summer 1983, pages 59 and 60.
[45] John Preston, quoted in The Big Gay Book: A Man’s Survival Guide for the ’90s (New York: Plume, 1991). This quote was downloaded from the Web site of the North American Man-Boy Love Association (NAMBLA) at http://www.nambla.org on April 15, 1998, under the section entitled “What People Are Saying About NAMBLA and Man/Boy Love.”
[46] John Money, Ph.D., retired professor of medical psychology and pediatrics at Johns Hopkins University and Hospital. Quoted in “Interview: John Money.” Paidika: The Journal of Paedophilia, The Netherlands, 2(7), [Spring 1991] pages 5 to 9. This quote was downloaded from the Web site of the North American Man-Boy Love Association (NAMBLA) at http://www.nambla.org on April 15, 1998, under the section entitled “What People Are Saying About NAMBLA and Man/Boy Love.”
[47] Editorial in Guide Magazine, May 1991, page 6.
[48] Dr. Preben Hertoft, Copenhagen ‘sexologist.’ “Introduction: Paedophiles Don’t Hurt Children.” Crime Without Victims (Amsterdam: Global Academic Publishers, 1993). This quote was downloaded from the Web site of the North American Man-Boy Love Association (NAMBLA) at http://www.nambla.org on April 15, 1998, under the section entitled “What People Are Saying About NAMBLA and Man/Boy Love.”
[49] Marshall K. Kirk and Erastes Pill. “The Overhauling of Straight America.” Guide Magazine, October and November 1987.
[50] Homosexual actor Douglas Lambert, who died of AIDS in December 1986, quoted in the Toronto Daily Sun of March 1, 1987. Also quoted in a letter to Fidelity Magazine by James H. Cotter of Barrie, Ontario, April 1987, page 9.
[51] A. Damien Martin of the Institute for the Protection of Lesbian and Gay Youth, quoted in Warren Bird. “New York Tax Dollars Fund a High School for Homosexuals.” Christianity Today, August 9, 1985, page 37.
[52] Submission to the British House of Commons by the homosexual group OutRage, led by Peter Tatchell, in support of lowering the age of consent for sex. Cited in “Britain Panders to Homosexual Pedophiles.” LifeSite Daily News at http://www.lifesite.net, February 11, 2000; and Philip Johnston, Home Affairs Editor. “Gay Groups Seek to Legalise Sex in Public Lavatories.” Daily Telegraph, February 11, 2000.
[53] Troy Perry, fundador da Igreja da Sodomia (posteriormente a Igreja da Comunidade Metropolitana), em seu livro The Lord Is My Shepherd and He Knows I’m Gay. Citado in David A. Noebel. The Homosexual Revolution. Tulsa: American Christian College Press. 1977, págs 126, 129, e 130.
[54]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[55]Dr. Gerard van den Aardweg, The Battle for Normality (Ignatius Press: San Francisco-EUA, 1997), pp. 33,34.
[56]Dr. Paul Cameron, What Causes Homosexual Desire (Family Research Institute, Inc.: Washington, D.C., 1992).
[57]Dr. Paul Cameron, What Causes Homosexual Desire (Family Research Institute, Inc.: Washington, D.C., 1992).
[58] Parâmetros Curriculares Nacionais (Pluralidade Cultural e Orientação Sexual), Vol. 10, Ministério da Educação, Brasília, 1997. Atenção: Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série, p. 145.
[59] Idem, p. 145.
[60] Idem, p. 144
[61] Idem, p. 152
[62] Idem, p. 126
[63] Relatório Geral sobre a Mulher na Sociedade Brasileira, República Federativa do Brasil, Brasília, 1994, p. 50.
[64] Idem.
[65] Jornal Fêmea, publicado pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria de Brasília, janeiro de 2000, p. 5.
[66] Idem, p. 8.
[67] Dale O’Leary, The Gender Agenda (Lafayette-EUA: Vital Issues Press, 1997), pp. 130.
[68]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 86.
[69]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 86.
[70]Mary Pride, The Way Home (Crossway Books: Westchester-EUA, 1985), pp. 27,28.
[71]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[72]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[73]Jefferson Magno Costa, Porque Deus Condena o Espiritismo (CPAD: Rio de Janeiro, 1987), p. 81.
[74]Jefferson Magno Costa, Porque Deus Condena o Espiritismo (CPAD: Rio de Janeiro, 1987), pp. 66-68.
[75]Jefferson Magno Costa, Porque Deus Condena o Espiritismo (CPAD: Rio de Janeiro, 1987), p. 73..
[76]Cf. Dr. Paul Cameron, The Gay 90s (Adroit Press: Franklin-EUA, 1993), p. 46.
[77]Pat Pulling, The Devil’s Web (Huntington House, Inc.: Lafayette-EUA, 1989), p. 148.
[78]Pat Pulling, The Devil’s Web (Huntington House, Inc.: Lafayette-EUA, 1989), p. 54.
[79]Pat Pulling, The Devil’s Web (Huntington House, Inc.: Lafayette-EUA, 1989), p. 30,149.
[80]Bob Larson, Satanismo (Editora Vida: Deerfield-EUA, 1994), pp. 177,178.
[81]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 67.
[82]Cf. Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 270.
[83]Cf. Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 271,272.
[84] Citação no e-book Homosexuality in the Nazi Party, escrito por Kevin E. Abrams e Scott Lively. E-book disponível com o autor.
[85]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[86]Thomas E. Schmidt, Straight & Narrow? (InterVarsity Press: Downers Grove-EUA, 1995), p. 163.
[87]Adaptado de: Dr. Paul Cameron, The Psychology of Homosexuality (folheto publicado pelo Family Research Institute de Washington, DC, 1993).
[88]Adaptado de: Thomas E. Schmidt, Straight & Narrow? (InterVarsity Press: Downers Grove-EUA, 1995), pp. 116-122.
[89]Cf. Dr. Paul Cameron, The Gay 90s (Adroit Press: Franklin-EUA, 1993), p. 48.
[90]Cf. Dr. Judith Reisman, Kinsey: Crimes & Consequences (The Institute for Media Education: Arlington-EUA, 1998), p. 244.
[91] An unnamed homosexual radio spokesperson, quoted in David A. Noebel, Wayne C. Lutton, and Paul Cameron. AIDS: Acquired Immune Deficiency Syndrome. Summit Ministries Research Center, Manitou Springs, Colorado, 80829. 1985, 149 pages, $3.95. Reviewed by Chilton Williamson, Jr. on page 58 of the April 11, 1986 issue of National Review. This is a review of the literature that has been written about AIDS, and an examination of the tactics used by homosexuals to take advantage of the plague to further their own goals.
[92]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[93]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[94]Thomas E. Schmidt, Straight & Narrow? (InterVarsity Press: Downers Grove-EUA, 1995), p. 89.
[95]Wesbster’s Ninth New Collegiate Dictionary.
[96]Thomas E. Schmidt, Straight & Narrow? (InterVarsity Press: Downers Grove-EUA, 1995), pp. 89,97.
[97]Versão bíblica God’s Word. Copyright 1995 by God’s Word to the Nations Bible Society.
[98]Thomas E. Schmidt, Straight & Narrow? (InterVarsity Press: Downers Grove-EUA, 1995), p. 65.
[99]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[100]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 58.
[101]Cf. Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), pp. 60,61.
[102]Cf. Dr. Paul Cameron, The Psychology of Homosexuality (folheto publicado pelo Family Research Institute de Washington, DC, 1993).
[103]Cf. Dr. Paul Cameron, The Gay 90s (Adroit Press: Franklin-EUA, 1993), p. 44.
[104]Cf. Dr. Paul Cameron, The Gay 90s (Adroit Press: Franklin-EUA, 1993), p. 44.
[105]Cf. Dr. Paul Cameron, The Gay 90s (Adroit Press: Franklin-EUA, 1993), pp. 44, 45.
[106]Cf. Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 66.
[107] Marshall Kirk and Hunter Madsen. After the Ball: How America Will Conquer Its Fear & Hatred of Gays in the 90′s. New York: Plume Books, 1989. This book is an expansion of the article by Marshall K. Kirk and Erastes Pill entitled “The Overhauling of Straight America,” published in the October and November 1987 issues of Guide Magazine.
[108] A seção Os Homossexuais têm Direitos? foi adaptada de mensagem do Pe. Carlos Lodi, de Anápolis.
[109] Father Kenneth Waibel, Richmond, Kentucky, during his seminar on gay and lesbian spirituality, fourth annual National Association of Catholic Diocesan Lesbian and Gay Ministries, September 4-7, 1997, Long Beach Sheraton Hotel. “Little Notes.” , October 1997, page 5.
[110] “An Open Letter to a Gay Christian” from “Father. Thomas.” “Scripture Supports Homosexuality.” in Magazine [homosexual publication], April 1989, page 4.
[111] Rand Schrader, an openly homosexual appointee to the Los Angeles Municipal Court, quoted in Betina Boxall. “Gay Rights Gain Political Forum Outside Closet.” The Oregonian, September 29, 1992, page A3.
[112]Dez Verdades sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[113]Carta de Chuck Donovan, de fevereiro de 2000, para Julio Severo. O Sr. Donovan é o diretor do Family Research Council de Washington, DC.
[114]Adaptado de: The Other Side of Tolerance, Victims of Homosexual Activism (documento publicado pelo Family Research Council de Washington, DC, 1998), p. 32.
[115]Carta de Chuck Donovan, de fevereiro de 2000, para Julio Severo. O Sr. Donovan é o diretor do Family Research Council de Washington, DC.
[116]Cf. Efésios 4.15.
[117]Dr. Gerard van den Aardweg, The Battle for Normality (Ignatius Press: San Francisco-EUA, 1997), pp. 21,22.
[118]Adaptado de: Thomas E. Schmidt, Straight & Narrow (InterVarsity Press: Downers Grove-EUA, 1995), p. 153.
[119]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 53.
[120] Haldeman, D. (1994) The practice and ethics of sexual orientation conversion therapies. Journal of Consulting and Clinical Psychology. 62: 221 -227.
[121] C. Silverstein. “Behavior Modification and the Gay Community.” Paper presented at the annual convention of the Association for Advancement of Behavior Therapy (AABT) in New York City, October 1972.
[122]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 54.
[123]Adaptado de: Frank V. York & Robert H. Knight, Homosexual Activists Work to Lower the Age of Sexual Consent [documento] (Family Research Council: Washington, DC, 1999), p. 19.
[124]Cf. Salmo 127.3 BLH.
[125]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 83
[126]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 83
[127]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 83
[128]Adaptado de: Larry Christenson, The Facts of Life 2, publicado no boletim International Lutheran Renewal (International Lutheran Renewal Center: Minneapolis-EUA, junho de 1992). Traduzido e usado com a permissão do autor.
[129]Charles Provan, The Bible and Birth Control (Zimmer Printing: Mononhahela-EUA, 1989), p. 34.
[130]Charles Provan, The Bible and Birth Control (Zimmer Printing: Mononhahela-EUA, 1989), p. 62.
[131]Obras de Lutero, volume 5, p. 325 (em inglês). Citado em: Charles Provan, The Bible and Birth Control (Zimmer Printing: Mononhahela-EUA, 1989), p. 5,6.
[132]Obras de Lutero, volume 5, p. 332 (em inglês). Citado em: Charles Provan, The Bible and Birth Control (Zimmer Printing: Mononhahela-EUA, 1989), p. 6.
[133]Citado em: Dr. Paul Cameron, Exposing the AIDS Scandal (Huntington House, Inc.: Lafayette-EUA, 1988), p. 159.
[134]O que Todo Cristão Deve Saber Sobre a Homossexualidade, folheto sem data publicado pelo Grupo Gay da Bahia e guardado no arquivo do autor.
[135]Adaptado de: Charles Provan, The Bible and Birth Control (Zimmer Printing: Mononhahela-EUA, 1989), p. 17,18.
[136]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 78.
[137]Ben Irwin, The Bible and Homosexuality, Confronting the Challenge to Scriptural Authority, (Family Research Council: Washington, DC, 1997), pp. 9,10.
[138]Cf. Salmo 127.3-5; 128.3. 1 Crônicas 25.5; Deuteronômio 28.4,11.
[139]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), pp. 78,79.
[140]Julio Severo, O Movimento Homossexual (Editora Betânia, 1998), p. 18.
[141]Mary Pride, The Way Home (Crossway Books: Westchester-EUA, 1985), pp. 19,20.
[142]Adaptado de: Larry Christenson, The Facts of Life 2, publicado no boletim International Lutheran Renewal (International Lutheran Renewal Center: Minneapolis-EUA, junho de 1992). Traduzido e usado com a permissão do autor.
28.07.2010
Cidadania, Cultura, Diversos, Mundo Gospel, Notícias, Projetos Deixe o seu comentário
No dia 03 de outubro de 2010, serão realizadas eleições para todos cargos políticos desta nação, exceto para prefeitos e vereadores. As principais matérias de cunho anti-cristão, tais como aborto, casamento gay, projeto de lei da homofobia, projeto de direitos autorais da internet e outras, estão estrategicamente escondidas nas gavetas do Congresso esperando que o término dessas eleições para voltarem com toda força. No momento, os crentes que sempre foram considerados o atraso da sociedade brasileira pela grande maioria dos políticos, estão sendo paparicados e adulados.
Creio que isto não é novidade para nenhum dos leitores.
Como também não é novidade a certeza que muitos políticos descrentes têm, que é muito fácil comprar o voto dos evangélicos a partir de propostas indecentes para seus pastores. Eles sabem que a fé e a moral desses pastores são bem relativas – com as raras e abençoadas exceções de sempre.
Pois bem, assim que os próximos deputados federais e senadores tomarem posse, em 2011, todos os assuntos anti-bíblicos engavetados e camuflados, voltarão à pauta. E os crentes voltarão a ter o cheiro ruim de fundamentalismo e atraso que eles sempre disseram, depois de eleitos.
Se estes projetos contrários à Bíblia se converterem em Lei – como já aconteceu na Argentina, no Chile e na Suécia – berço dos missionários que fundaram e organizaram a Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Brasil – eu tenho algo muito grave a dizer. Se estas leis vieram a prejudicar a sociedade brasileira, é por culpa principalmente dos Pastores da Igreja Evangélica Assembleia de Deus.
Por que?
Porque seus templos recebem a visita de todos os candidatos com pretensão ao Congresso Nacional. Os homens que decidirão o destino das leis. Esses pastores sabem exatamente o que deve e o que não deve ser feito com os votos dos membros das suas Igrejas. E digo mais, que é muito difícil um aspirante ao Congresso Nacional, hoje, conquistar seu cargo – sem votos de evangélicos.
Vou culpar por não conscientizarem seus membros, porque eu não me atreveria a pensar que os culparia por negociar os votos potenciais de suas Igrejas em favor de ímpios por dinheiro ou vantagens inescrupulosas. Ou por empregos para parentes, terrenos para templos ou cinco milheiros de blocos.
Senhores pastores, o voto evangélico representa, no mínimo, 25% dos eleitores desta nação. Não costumamos votar com base em vida religiosa dos candidatos, mas por sua potencial competência. Mas de agora em diante, os candidatos comprometidos com causas inimigas da Igreja, ainda que vierem vestidos de branco e trazendo auréola de santos – não merecem o nosso voto. Não devem recerber um voto que seja de um cristão, que tenha temor de Deus.
E por falar em temor de Deus, antes de votar em outubro pergunte para seu travesseiro: o deputado federal e os dois senadores que estiver pensando em votar, vai respeitar os interesses cristãos diante de um projeto que venha a prejudicar a Igreja? Se tiver dúvidas – não vote neles.
Isto é muito duro, mas é melhor dizer agora – antes das eleições.
Por João Cruzué (Púlpito Cristão)
19.07.2010
Cidadania, Cultura, Mundo Gospel, Testemunhos 1 Comentário
Algumas coisas na vida demoram, mas acontecem. Demoram porque esperamos um “tempo certo” para promovê-las ou porque não dependem da gente e, portanto, devem ser espontâneas…mas acabam acontecendo.
Ano passado (05/09/2009), me desliguei de uma igreja evangélica. Foi minha primeira comunidade, onde aprendi muito do reino de Deus. Depois de aproximadamente oito anos – ou seja, o lugar onde nasci na fé –, cansei de ser conivente (nunca fui, mas estando me sentia) ao modus operandi de grande parte do movimento evangélico brasileiro – e porque não mundial.
Aqueles que têm experiências semelhantes, isto é, que já passaram por, pelo menos, uma instituição religiosa, sabem que não tomamos decisões assim – haja vista a proporção -, de uma hora para outra. Não, definitivamente não foi num piscar de olhos que tomei a decisão e efetivei minha saída de tal parcela do cristianismo mundial. Digo isso, porque para muitos que lá (na instituição) ficaram estou apenas mudando de igreja, sendo que meu processo de mudança é muito mais abrangente: estou deixando definitivamente o que chamo de sistema evangélico abrasileirado – dá para perceber que não há apenas questões de cunho tupiniquins, mas como natural em tudo nessa nação, existem nuances múltiplas e miscigenadas… gospelmania.
Faço o mesmo que alguns mentores, como: Ricardo Gondim, Caio Fábio, Ariovaldo Ramos e Ed René Kivitz, e declaro que não sou mais evangélico (nos moldes do movimento evangélico abrasileirado). Não estou, com isso, dizendo que não creio mais no evangelho ou que deixei a confissão de fé evangélica. Não, de jeito nenhum. Digo apenas que rompi com esse sistema predominante nas igrejas pentecostais, que já corrói as estruturas das igrejas de linha tradicional (pasmem, já vi batistas e metodistas fazendo campanha de libertação). Quanto às igrejas neopentecostais, não as considero como evangélicas, mas, como diria Dom Robson Cavalcante: pseudo-pentecostais, isto é, acham que são quem não são.
Talvez não esteja sendo muito claro, mas tudo bem, não pretendo ser muito objetivo nesse post; faço desse texto, linhas iniciais de uma série onde explicarei – nada de muito novo – quais os motivos de minha saída do sistema.
O título do post é proposital, tendo em vista que a gravata, que já fora um símbolo gay – nada demais por ter sido -, era endeusada em minha antiga instituição – terno e gravata eram as “vestes sacerdotais”. Algo totalmente natural, afinal tratava-se de uma comunidade pentecostal com um “sonho (reprimido) americano” de se tornar uma Assembleia de Deus… acho que não preciso dizer mais nada.
Quero tranquilizar aqueles que se preocupam comigo: não me arrependo de romper com o sistema! Acredito ter sido num momento ideal. Embora não tenha me instalado definitivamente numa igreja, continuo minhas visitas aleatórias à Ibab e à Betesda, comunidades que amo de coração e que, mesmo com problemas naturais de toda instituição, continuam se esforçando para ser um sinal real do reino de Deus na terra, não se rendendo as falácias evangélicas-pós-modernas.
Em Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador, a quem não abandono nunca,
Will
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12.07.2010
Cidadania, História da Igreja, Humor, Mundo Gospel, Notícias, Projetos 5 Comentários
Época de eleições. Tempo de direcionar os novos rumos da liderança no nosso país. Chega o momento de escolher os representantes do povo.
Como Igreja, temos também o dever de usar bem nosso voto. Há leis que tramitam que, sendo aprovadas, limitarão, e muito, o nosso cotidiano na igreja. A Reforma Constitucional que está sendo proposta no Congresso são mudanças no texto da Constituição que garantem a liberdade de culto.
Se aprovadas, fica proibido, por exemplo, culto fora das igrejas (seria o fim das campanhas evangelizadoras), e os cultos religiosos só seriam realizados com portas fechadas.
Eis, então, alguns projetos e leis que podem mudar a forma de se evangelizar no Brasil.
Projeto nº 4.720/03 – Altera a legislação do ‘imposto de renda’ das pessoas jurídicas.
Projeto nº 3.331/04 – Altera o artigo 12 da Lei nº 9.250/95, que trata da legislação do imposto de renda das ‘pessoas físicas’.
* Se convertidos em Lei, os dois projetos obrigariam as igrejas a recolherem impostos sobre dízimos, ofertas e contribuições.
Projeto nº 299/99 – Altera o código brasileiro de telecomunicações (Lei 4.117/62).
* Se aprovado, reduziria programas evangélicos no rádio e televisão a apenas uma hora.
Projeto nº 6.398/05 – Regulamenta a profissão de Jornalista
* Contém artigos que estabelecem que só pessoas com formação em Jornalismo poderão fazer programas de rádio e televisão. Significa que pastores sem a formação em jornalismo (mesmo com a queda do diploma do curso) não poderão fazer programas através desses meios.
Projeto nº 1.154/03 – Proíbe veiculação de programas em que o teor seja considerado preconceito religioso.
* Se aprovado, será considerado crime pregar sobre idolatria, feitiçaria e rituais satânicos. Será proibido que mensagens sobre essas práticas sejam veiculadas no rádio, televisão, jornais e Internet. A verdade sobre esses atos contrários a Palavra de Deus não poderá mais ser mostrada.
Projeto nº 952/03 – Estabelece que é crime atos religiosos que possam ser considerados abusivos a boa-fé das pessoas.
* Convertido em Lei, pelo número de reclamações, pastores serão considerados ‘criminosos’ por pregarem sobre dízimos e ofertas.
Projeto nº 4.270/04– Determina que comentários feitos contra ações praticadas por grupos religiosos possam ser passíveis de ação civil.
*Se convertido em Lei, as Igrejas Evangélicas ficariam proibidas de pregar sobre práticas condenadas pela Bíblia Sagrada, como espiritismo, feitiçaria, idolatria e outras. Se o fizerem, não terão direito a se defender por meio de ação judicial.
Projeto de nº 216/04 – Torna inelegível a função religiosa com a governamental.
* Significa que todo pastor ou líder religioso lançado a candidaturas para qualquer cargo político, não poderá de forma alguma exercer trabalhos na igreja.
Existem outros projetos em andamento que ferem princípios bíblicos, entre eles o casamento de homens com homens e mulheres com mulheres (a famosa PL 122/06), o estabelecimento de um dia oficial do ‘Orgulho Gay’ em todas as cidades brasileiras, a determinação de cultos de portas fechadas, entre outros.
Portanto, oremos e saibamos em quem votar. Escolhamos homens que (junto aos outros que serão eleitos e defenderão a família e, principalmente, o Evangelho) saibam nos representar, reprovando essas reformas.
A-BD
04.06.2010
Catolicismo: Respostas Bíblicas !, Cidadania, Cultura, História da Igreja, Mensagens, Mundo Gospel, Projetos, Sermões - Pregações, TEMÁTICAS Deixe o seu comentário

1. O significado da palavra cânon
1a. Cânon – Datas e períodos
1b. Cânon – Sua inspiração
1c. Cânon – Sua descoberta
1d. Princípios que formaram o cânon (em sumo)
1e. Os princípios da descoberta da canonicidade
1.f Teste para a inclusão de um livro do cânon
1. Data do conhecimento e fixação do cânon do Novo Testamento
1a. A necessidade da mensagem escrita do Novo Testamento
1b. Um livro no cânon do Novo Testamento
1c. Os livros canônicos do Novo Testamento
1.d Os apócrifos do Novo Testamento 32200-205
1e. Os livros apócrifos foram ou nâo inspirado?
1f. Alusões implícitos aos apócrifos
A FIDEDIGNIDADE E CONFIABILIDADE DAS ESCRITURAS
1.A confirmação do texto hitórico
1a. O teste bibliografico da credibilidade do Novo Testamento
1b. Evidêcias dos manuscritos acerca do Novo Testamento
1c.O Novo Testamento em comparação com outras obras da antiguidade
1d. Cronologia de importantes manuscritos do Novo Testamento
1f. A credibilidade dos manuscritos apoiada por vàrias traduções
1g. A credibilidade dos manuscritos apoiada pelos primeiros pais da igreja
CITAÇÕES PATRÍSTICAS DO NOVO TESTAMENTO
INTRODUÇÃO
Do estudar-mos sobre o cânon, veremos neste trabalho o seu significado, sua importância, qual o seu valor para nós os crentes. Como foi aceito pelas igrejas, como se desenvolveu, qual é a época em que envolve o cânon, qual é o papel dos lideres nisso tudo, e etc… Veremos também todo o ministério que envolveu o livro de Apocalipse a respeito de sua canonicidade. E os livros apócrifos ou os falsos livros da Bíblia? Será mesmo a Bíblia dos crentes, que contêm os livros que falam a verdade? Enfim.
1. O SIGNIFICADO DA PALAVRA CÂNON
A palavra cânon tem raiz na palavra “cana”, “junco” (do hebraico geneh, através do grego kanon ). O “junco” era usado como uma vara para medir e avaliar …” mais tarde teve o sentido de “lista” ou “rol”.15/95
Aplicada às Escrituras, a palavra cânon significa “uma lista de livros oficialmente aceitos”. 23/31
Deve-se ter em mente que a igreja não criou o cânon nem os livros que estão incluídos naquilo que chamamos de Escrituras. Ao contrário, a igreja reconheceu os livros que foram inspirados desde o princípio. Foram inspirados por Deus ao serem escritos.
E a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus (Gl 6:6). Nos porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos desmarcou e que se estende até vós (2Co 10:3).
“Não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios, e tendo esperança, de que, crescendo a vossa fé, seremos engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação (2Co 10:15).
A Bíblia, como o cânon sagrado, é a nossa norma ou regra de fé e prática. Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferenciá-los dos apócrifos. O emprego do termo cânon foi primeiramente aplicados aos livros da Bíblia por origines (185-254 d.C).
1a. CÂNON – DATAS E PERÍODOS
O Novo Testamento foi completado em menos de 100 anos, pois seu último livro, o apocalipse, foi escrito cerca de 96 D.C. Isto é, dá um total de 1.142 anos para a formação de ambos os Testamentos (1046+96). (Leve em conta Que a cronologia Bíblica é sempre aproximada, pois os povos orientais não tinham um sistema fixo de computação de datas.
Quando se fala do espaço total de tempo, que vai da escrita do pentateuco ao apocalipse, é preciso intercalar os 400 anos do período interbíblico ocorrido entre os Testamentos, o que dará um total de 1542 anos (1046+96+400). Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no espaço de 46 séculos. Este é o período no Qual o cânon foi completado.
1b. CÂNON – SUA INSPIRAÇÃO
A canonicidade é determinada pela inspiração. Os livros da Bíblia não são para Deus oriundos, isto porque eles tem valor, provieram de Deus. A processo mediante o qual Deus nos concede sua revelação chama-se inspiração. È a inspiração de Deus num livro que determina sua canonicidade. Deus dá autoridade divina a um livro, e os homens de Deus o atacam. Deus revela, e o seu povo conhece o que o Senhor revelou. A canonicidade é dada por Deus e descoberta pelos homens. A Bíblia constitui o “cânon”, pelo qual tudo mais deve ser medido e avaliado pelo fato de Ter autoridade concedida por Deus. Sejam quais foram as medidas (os cânones ) usados pela igreja para descobrir com exatidão que livros possuem essa autoridade canônica ou normativa, não se deve dizer que determinam a canonicidade dos livros. Dizer que o povo de Deus, mediante quaisquer regras de conhecimento, “determina” que livros são autorizados por regra de conhecimentos. 56 Deus pode conceder absoluta.
Só a inspiração divina determina a autoridade de um livro, se ele é canônico, de natureza normativa.
1c. CÂNON – SUA DESCOBERTA
O povo de Deus tem desempenhado um papel de grande importância no processo de canonização. A comunidade dos crentes arca com a tarefa de chegar a uma conclusão sobre quais livros são realmente de Deus. A fim de cumprir esse papel, a igreja deve procurar cartas características próprias da autoridade divina. Como poderia alguém reconhecer um livro inspirado só por vê-lo? Dai vários critérios estavam em jogo nesse processo de reconhecimento. Ao qual são eles:
1.d OS PRINCÍPIOS DA DESCOBERTA DA CANONICIDADE:
Sempre existiu falsos livros e falsas mensagens. E por representarem ameaça constante, surgiu-se a necessidade de que o povo de Deus tivesse mais cuidado com a coleção de livros sagrados guardados consigo, pois poderiam haver alguns erros. A partir daí a igreja passou a questionar esses livros sagrados mediante cinco critérios; ao qual são eles:
a)O livro é autorizado – Veio de Deus;
b)É profético – Foi escrito por um servo de Deus;
c)É digno de confiança – Fala a verdade a cerca de Deus;
d)É Dinâmico – Possui o poder que transforma vidas;
e)É aceito pelo povo de Deus para o qual foi originalmente escrito.
1. VEJAMOS AGORA CADA UM DESSES CRITÉRIOS SEPARADAMENTE:
A autoridade de um livro – Cada livro da Bíblia traz uma reivindicação de autoridade divina. A expressão “Assim diz o Senhor” está presente na Bíblia com freqüência. Sempre existe uma declaração divina. Se faltasse a um livro a Autoridade de Deus, esse era considerado não canônico , não sendo incluído no cânon sagrado.
Os livros dos profetas eram facilmente reconhecidos como canônicos por esse princípio de autoridade. A expressão repetida “e o Senhor me disse” ou ” “a palavra do Senhor veio a mim” è evidência abundante de sua autoridade divina. Alguns livros não tinham reivindicação de origem divina, pelo qual foram rejeitados e tidos como não canônicos. Talvez tenha sido o caso do livro dos justos e do livro da guerra do Senhor. Outros livros foram questionados e desafiados quanto a sua autoridade divina, mas por fim foram aceitos no cânon, como o livro de Ester.
Na verdade, o simples fato de alguns livros canônicos serem questionados quanto a sua legitimidade é uma segurança de que os crentes usavam seu discernimento. Se os crentes não estivessem convencidos da autoridade divina de um livro, este era rejeitado.
2. A AUTORIA PROFÉTICA DE UM LIVRO
Os livros proféticos só foram produzidos pela atuação do Espírito, que moveu alguns homens conhecidos como profetas. (2Pe. 1:10-21). A palavra de Deus só foi entregue a seu povo mediante os profetas de Deus. Todos os autores bíblicos tinham um Dom profético, ou uma função profética, ainda que tal pessoa não fosse profeta por ocupação. (Hb. 1:1).
Paulo exorta o povo de Deus em Gálata, dizendo que suas cartas deveriam ser aceitas porque ele era apóstolo de Paulo. Isto porque todos os livros que não proviam por profetas nomeados por Deus, deveriam ser rejeitados. Os crentes não deviam aceitar livros de alguém que falsamente afirmasse ser apóstolo de Cristo (2Ts. 2:2). Note que a Segunda carta de Pedro foi objetada por alguns da igreja primitiva. Por isso enquanto os pais da igreja não ficaram convencidos de que essa não havia sido forjada, mas de fato viera da mão do apóstolo Pedro, como seu versículo o menciona, ela não recebeu lugar permanente no cânon cristão.
3. A CONFIABILIDADE DE UM LIVRO
Outro sinal característico da inspiração é o ser um livro digno de confiança.
A vista desse princípio, os crentes de beréia aceitaram os ensinos de Paulo e pesquisaram as Escrituras, para verificar se o que o apóstolo estava ensinando , estava de fato de acordo com a revelação de Deus no Antigo Testamento. O mero fato de um texto estar de acordo com uma revelação anterior não indica que tal texto é inspirado. Grande parte dos apócrifos foi rejeitada por causa do princípio da confiabilidade. Suas anomalias históricas e heresias teológicas os rejeitaram; seriam impossível aceitá-las como vindos de Deus; a despeito de sua aparência de autorizados. Não podiam vir de Deus e ao mesmo tempo apresentar erros.
Alguns livros canônicos foram questionados a base nesse mesmo princípio como a carta de judas e a de Tiago.
4. A NATUREZA DINÂMICA DE UM LIVRO
O quarto teste canonicidade, era a capacidade do texto de transforma vidas: “… A palavra de Deus é viva e eficaz…” (Hb. 4:12) O resultado é que ela pode ser usada “para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir, em justiça” (2Tm. 3:16-17).
O apóstolo Paulo revelou-nos que a habilidade dinâmica das escrituras inspiradas estava na aceitação das Escrituras, como um todo, como mostra em 2 Timóteo 3:16-17. Disse Paulo a Timóteo :” as Sagradas Escrituras podem fazer-te sábio para a Salvação. A partir daí, outros livros e mensagens foram rejeitados porque apresentavam falsas esperanças. (1Rs. 22:6-8) ou faziam rugir alarmes falsos (2Ts. 2:2).
5. A ACEITAÇÃO DE UM LIVRO
A Marca final de um documento escrito autorizado é seu reconhecimento pelo povo de Deus ao qual originalmente se havia destinado.
A palavra de Deus, dada mediante seus profetas, e contendo sua verdade, deve ser reconhecida pelo seu povo. Se determinado livro fosse recebido, coligido e usado como força de Deus, pelas pessoas a quem originariamente se havia destinado, ficava comprovada a sua canonicidade. Sendo o sistema de transportes atrasado como era nos tempos antigos, às vezes a determinação da canonicidade de um livro da parte dos pais da igreja exigia muito tempo e esforço. É por essa razão que o reconhecimento definitivo completo, por toda a igreja cristã, dos 66 livros do cânon das Escrituras Sagradas exigiu tantos anos.
Os livros de Moisés foram aceitos imediatamente pelo povo de Deus. As cartas de Paulo foram recebidas imediatamente, recebidas pelas igrejas às quais haviam sido dirigidas (1Ts. 12:13), e até pelos demais apóstolos (2Pe. 3:16). Já alguns escritos foram rejeitados pelo povo de Deus, por não apresentarem autoridade divina. Esse princípio de aceitação levou alguns a questionar durante algum tempo certos livros da Bíblia, como 2 e 3 João são de natureza particular e de circulação restrita; É compreensível, pois que houvesse alguma relutância em aceitá-los, até que essas pessoas em dúvida tivessem absoluta certeza de que tais livros haviam sido recebidos pelo povo de Deus do século como cartas do apóstolo João.
* PRINCÍPIOS QUE FORMARAM O CÂNON: (EM S
a)Sua circulação universal – Alguns livros jamais foram aceitos por falta de circulação, enquanto outros foram aceitos tariamente por falta de circulação na igreja universal, pois circulavam somente em certos setores da igreja.
b)A autoria dos apóstolos ou dos discípulos dos apóstolos – Dentre os apóstolos temos as epístolas de Paulo e Pedro, e o Evangelho de João. Dentre os discípulos temos os evangelhos de Marcos, e de Lucas, o livro de Atos, a epístola dos Hebreus e etc…
c)Livros segundo a tradição e a doutrina dos apóstolos: Lucas, Atos, Hebreus, Apocalipse e II Pedro.
d)Houve rejeição de livros escritos mais tarde, após o tempo dos apóstolos. Isso explica a rejeição final das epístolas de Clemente e etc…
e)Também foram rejeitados os escritos ridículos ou fabulosos – Entre esses podemos enumerar a maior parte dos livros apócrifos, o evangelho de Tomé, os evangelhos de André, os Atos de Paulo, o Apocalipse de Pedro e etc…
f)Uso universal por parte da igreja inteira – Alguns livros foram aceitos apenas por determinados setores da igreja, ou somente por alguns indivíduo. Finalmente os 27 livros do Novo Testamento foram aceitos e passaram a ser universalmente usados na igreja cristã.
Os princípios da descoberta da canonicidade
1d. TESTE PARA A INCLUSÃO DE UM LIVRO DO CÂNON
Não sabemos exatamente quais foram os critérios que a igreja primitiva usou para escolher os livros canônicos. Possivelmente houve cinco princípios orientadores, empregados para determinar se um livro do Novo Testamento era ou não canônico. Se era ou não Escritura. Geisler e Nix registram esses cinco princípios: 32/141
1) Revela autoridade? – veio da parte de Deus? (Esse livro veio com o autêntico ” assim diz o Senhor”?)
2) É profético? – Foi escrito por um homem de Deus?
3) É autêntico? (Os pais da igreja tinham a prática de “em caso de dúvida, jogue fora”. Isso acentua a validade do discernimento que tinham sobre os livros canônicos.”)
4) É dinâmico? – veio acompanhado do poder divino de transformação de vidas?
5) Foi aceito, guardado, lido e usado? – foi recebido pelo povo de Deus?
Pedro reconheceu as cartas de Paulo como Escrituras em pé de igualdade com as Escrituras do Antigo Testamento (2Pedro 3:16).
O Cânon do Novo Testamento
1. TESTE PARA A INCLUSÃO DE UM LIVRO NO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO
” Parece muito melhor concordar com Gaussen, Warfield, Charles Hodge e a maioria dos protestantes em que o teste básico de canonicidade é a autoridade apostólica, ou a aprovação apostólica, e não simplesmente autoria apostólica.” 32/1831
Há nas epístolas um constante reconhecimento de que na igreja só existe uma o fator básico para determinar a canonicidade do novo testamento foi a inspiração divina, e o principal teste da inspiração foi a apostolicidade. 32/181
Geisler e Nix detalham a respeito: “Na terminologia do Novo Testamento, a igreja foi edificada ‘sobre o fundamento dos apóstolos e profetas’ (Efésios 2:20). Os quais Cristo prometera que, pelo Espírito Santo. Iriam guiar ‘a toda a verdade’ (João 16:13). Atos 2:42 diz que a igreja em Jerusalém perseverou ‘na doutrina dos apóstolos e na comunhão’. A palavra apostolicidade, conforme empregada para designar o teste de canonicidade, não significa obrigatoriamente ‘autoria apostólica’ nem ‘aquilo que foi preparado sob a direção dos apóstolos…”
única autoridade absoluta; a autoridade do próprio Senhor. Sempre que os apóstolos falam com autoridade, fazem-no exercendo a autoridade do Senhor. Dessa forma, por exemplo, quando Paulo defende sua autoridade de apóstolo, baseia-se única e diretamente na comissão recebida do Senhor (Galatas 1 e 2); quando evoca o direito de regulamentar a vida da igreja, declara que sua palavra tem a autoridade do Senhor, mesmo quando nenhuma palavra específica do Senhor lhe tenha sido transmitida (1Coríntios 14:37; cf. 1Coríntios 7:10)…” 88/117,18
O único que, no Novo Testamento, fala com uma autoridade interna e que se impõe por si mesmo é o Senhor.” 67/18
Habitualmente, os Apóstolos fizeram referências ao Antigo testamento como autoridade divina (Rm.3.2,21; I Co.4.6; Rm.15.4; II Tm.3.15-17; II Pd.1.21). Igualmente, os Apóstolos baseavam os seus ensinos orais ou escritos na autoridade do Antigo Testamento (I Co.2.7-13; 14.17; I Ts.2.13; Ap.1.3). E ainda, ordenavam que seus escritos fossem lidos publicamente (I Ts.5.27; Cl.4.16; II Ts.2.15; II Pd.1.15; 3.1-1). Portanto, era mais do que natural e lógico que a Literatura do Novo Testamento fosse acrescentada à do Antigo Testamento, fazendo assim o Cânon do Novo Testamento. No próprio Novo testamento se vê a íntima relação existente entre ambos os testamentos (Antigo e Novo). Veja-se em I Tm. 5.18; II Pd.3.1,2,16). Na época pós-apostólica, os escritos procedentes dos apóstolos foram igualmente colecionados em um segundo volume do Cânon até se completar o que se cognomina hoje de Novo Testamento.
A coleção completa, fez-se vagarosamente e por várias razões. Alguns livros só eram reconhecidos como apostólicos em algumas igrejas; somente quando estes livros chegaram ao
conhecimento de todas as igrejas e em todo o Império Romano, foi que foram realmente aceitos como sendo de autoridade Apostólica. O processo adotado foi lento por causa do aparecimento de algumas literaturas apócrifas, heréticas e portanto, espúrias, com o intuito de ensinar outras doutrinas não cristãs. Apesar desta lentidão, os livros foram aceitos e
considerados canônicos por serem de autoria Apostólica.
Apesar da formação do Novo Testamento em um só volume de livros ter sido morosa, nunca deixou de existir a crença de se tratar de um compêndio de regra de fé primitiva e Apostólica. A história da formação do Cânon do Novo Testamento serve para mostrar como se chegou gradualmente a conhecer e reconhecer estes mesmos livros como inspirados por Deus.
As diferenças de opinião acerca de quais livros seriam aceitos como canônicos, foram constatadas nos escritos das igrejas ao longo do segundo século de nossa era
1a. OS LIVROS CANÔNICOS DO NOVO TESTAMENTO
Há três razões que mostram a necessidade de se definir o cânon do Novo Testamento. 23/24
1)Um herege, Marcião (cerca de 140 A.D.), desenvolveu seu próprio cânon e começou a divulgá-lo. A igreja precisava contrabalançar essa influência decidindo qual era o verdadeiro cânon das Escrituras do Novo Testamento.
2)Muitas igrejas orientais estavam empregando nos cultos livros que eram claramente espúrios. Isso requeria uma decisão concernente ao cânon.
3)O edito de Diocleciano (303 A.D.) determinou a destruição dos livros sagrados dos cristãos. Quem desejava morrer por um simples livro religioso? Eles precisavam saber quais eram os verdadeiros livros.
Atanásio de Alexandria (367 A.D.) nos apresenta a mais antiga lista de livros do Novo Testamento que é exatamente igual à nossa atual. A lista faz parte do texto de uma carta comemorativa escrita às igrejas.
Logo após atanásio, dois escritores, Jerônimo e Agostinho, definiram o cânon de 27 livros. 15/112
Policarpo (115 A.D.), Clemente e outros referem-se aos livros do Antigo e do Novo Testamento com a expressão “como está escrito nas Escrituras”.
Justino Mártir (100-165 A.D.), referindo-se à Eucaristia, escreve em primeira Apologia 1.67: “E no Domingo todos aqueles que vivem nas cidades ou no campo se reúnem num só local, e, durante o tempo que for possível, lêem-se as memórias dos apóstolos ou escritos dos profetas. Então, quando o leitor termina a leitura, o presidente faz uma admoestação e um convite a que todos imitem essas boas coisas”.
Irineu (180 A.D).F.F. Bruce escreveu acerca do significado de Irineu: “A importância de Irineu está no seu vínculo com a era apostólica e nos seus relacionamentos ecumênicos. Educado na Ásia menor, aos pés de Policarpo, o discípulo de João, Irineu tornou-se bispo de Lion, Gália, em 180 A.D. Seus escritos confirmam o reconhecimento canônico dos quatro evangelhos, Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, 1 Pedro e 1 João e Apocalipse.
Inácio (50-115 A.D.): “Não quero dar-lhes mandamentos tal como fizeram Pedro e Paulo; eles foram apóstolos…” (Aos Tralianos 3.3).
Os concílios da igreja. É uma situação bastante parecida com a do Antigo Testamento (veja capítulo 3, 6C, o concílio de Jâmnia).
F.F. Bruce afirma que “quando finalmente um concílio da igreja – o sínodo de Hipona (393 A.D.) – elaborou uma lista dos vinte e sete livros do Novo Testamento, não conferiu-lhes qualquer autoridade que já não possuíssem, mas simplesmente registrou a canonicidade previamente estabelecida.
Desde então não tem havido qualquer restrição séria aos 27 livros aceitos do Novo Testamento, quer por católico – romanos quer por protestantes.
1b. OS APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO 32/200-205
A Epistola de pseudo – Barnabé (cerca de 70-79 A.D.)
Epístola aos Corítios (cerca de 96 A.D.)
Antiga Homília, também chamada Segunda Epístola de Clemente (cerca de 20-140 A.D.)
Pastor de Hermas (cerca de 115-140 A.D.)
Didaquê, ou o Ensino dos Doze Apóstolos (cerca de 100-120 A.D.)
Apocalipse de Pedro (cerca de 150 A.D.)
Os Atos de Paulo e Tecla (170 A.D.)
Epístola aos Laodicenses (século quarto?)
O Evangelhos Segundo os Hebreus (65-100 A.D.)
As Sete Epístolas de Inácio 9cerca de 100 A.D.)
E muitos outros.
1.C OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM OU NÃO INSPIRADOS ?
Você poderia dizer: Já que você diz que os apócrifos não foram inspirados, então me dê provas. Pois bem, o problema dos livros apócrifos cresce de importância, na medida em que a Igreja Católica Romana afirma que a Bíblia dos Evangélicos é falsa; justamente a partir do fato da não aceitação dos tais livros apócrifos, e que, por via de conseqüência, é a Bíblia dos católicos a que é realmente verdadeira e canônica.
Veja bem! O Cânon dos Judeus foi aceito pela comunidade cristã e consiste nos mesmos livros que aparecem nas Bíblias dos Evangélicos, num total de 39 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, perfazendo assim um total de 66 livros e não 73 como pretende a igreja Católica Romana, a partir da inclusão dos apócrifos.
Os 66 livros existentes nas Bíblias Evangélicas foram aprovados pelos judeus, pela Igreja Primitiva e inclusive, pela própria Igreja Católica Romana em alguns dos seus Concílios, tais como:
1. O Concílio de Damause I (366 a 384 A.D.)
2. O Concílio de Inocente I (402 a 417 A.D.)
3. O Concílio de Gelasius I (492 a 496 A.D.)
4. O Concílio de Hermidas (520 a 523 A.D.)
5. O Concílio de Laodicéia (363 A.D.)
6. O Concílio de Hipo (393 A.D.)
7. O Concílio de Cartago (397 A.D.)
8. O Concílio de Florença (1441 A.D.)
Em todos estes Concílios, os livros aceitos como canônicos foram os mesmos 66 que constam nas Bíblias Evangélicas, e não os 73 constantes das Bíblias Católicas. Porém, no Concílio de Trento, em 1546, depois da reforma Protestante (Lutero) foi que a Igreja Católica Romana decidiu incluir os tais 7 livros apócrifos e alguns fragmentos aos livros de Ester e Daniel. Ora, o Cânon, ou seja, as Escrituras medidas e achadas certas, foi estabelecido pelos judeus que
examinaram os livros e os acharam conforme a inspiração divina. Depois daquele exame, os mesmos sábios separaram alguns livros e os consideraram apócrifos, espúrios, falsos, justamente por não se enquadrarem dentro das normas pré-estabelecidas para a sua canonicidade.
Quando se lê qualquer um dos livros apócrifos, logo se nota as fantasias ali colocadas. Consideramos um absurdo, por exemplo, o fato do autor pedir perdão pelo que escreveu, como se nota num dos apócrifos (Eclesiástico).
1.d ALUSÕES IMPLÍCITAS AOS APÓCRIFOS:
para condená-los e para repudiá-los. Por exemplo, em Ap.21.8 encontramos algo que é frontalmente contrário a Tobias 6.4. como explicar isto? É que em Apocalipse diz que quanto aos feiticeiros, a sua parte será no lago de enxofre; já em Tobias lemos a enfatização à prática da feitiçaria, respaldada na atitude de pegar o fígado de um peixe fisgado nas águas do rio Tigre, e, depois de passá-lo na brasa, provocando uma fumaça estranha e miraculosa; com ela, espantar os demônios. Mais adiante o mesmo Tobias 3.8 informa que o fel do peixe foi passado nos olhos do pai de Tobias, que também se chamava Tobias e este fora curado de uma cegueira. Isto é uma autêntica bobagem, além de ser uma grande mentira. Em Ap.21.8 lemos que os mentirosos não entrarão no reino dos Céus.
Em Dt. 18.9-14 vamos encontrar uma condenação à prática destas coisas, enquanto que em Tobias encontramos os benefícios pela prática destas mesmas coisas. No livro de Tiago 3.11 lemos “Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa?” Pois bem, como explicar que Deus que é a nossa fonte, proíba a feitiçaria em Deuteronômio e a recomende em Tobias, um livro apócrifo? Isto se constituiria numa tremenda contradição.
Outra contradição flagrante em Tobias e em mais alguns livros apócrifos está no fato de sugerirem eles a salvação pela prática das obras; entretanto, lendo em At.10.2 e Ef.2.8-9 vamos concluir que a salvação acontece exclusivamente pela graça Divina, mediante a fé e não pelas obras; e mais, que o ato salvívico vem de deus e não dos homens. Como é absurda a doutrina pregada pela Igreja Católica Romana, principalmente a partir do Concílio de
Trento, através das páginas enlameadas e espúrias dos livros apócrifos.
2. CÂNON DO NOVO TESTAMENTO (SEU DESENVOLVIMENTO)
A princípio os 27 livros do canônicos do Novo Testamento foram reconhecidos oficialmente. A partir daí não houve movimentos dentro do Cristianismo no sentido de acrescentar ou eliminar livros. O cânon do Novo Testamento encontrou acordo geral no seio da igreja universal.
* Os Estímulos para que se coligissem oficialmente os livros – Varias forças contribuíram para que se oficiasse os 27 livros do Novo Testamento. As quais foram:
* O Estímulo eclesiástico a lista dos canônicos – A igreja primitiva tinha necessidades internas e externas que exigiam o reconhecimento dos livros canônicos. Sem uma lista dos livros reconhecidos, aprovados seria difícil para a igreja primitiva a execução dessa tarefa. A combinação dessas forças exerceu pressão sob os primeiros pais da igreja para produzirem uma lista oficial dos livros canônicos.
Sabemos também que os cristãos foram advertidos quanto as falsas cartas que lhe teriam sido enviadas em nome do apóstolo Paulo.
João, em seu evangelho destrui uma crendice que circulava no seio da igreja do século I, segundo o qual ele jamais morreria (Jo. 21: 23,24).
Em sumo, podemos dizer que no seio da igreja havia um processo seletivo em operação. Toda e qualquer palavra de Cristo, era submetido ao ensino apostólico, de tal autoridade. Se tal palavra ou obra não pudesse er comprovada pelas testemunhas oculares (Lc. 1:2; At, 1:21-22), era rejeitada.
A leitura em público das palavras autorizadas de Deus era um costume antigo. Moisés e Josué o praticaram ( Ex. 24:7; Js. 8:34). Enfim, em suma, as igrejas estavam envolvidas num processo incipiente de canonização. Essa aceitação original de um livro, o qual era autorizadamente lido nas igrejas, teria importância crucial para o reconhecimento posterior de um livro canônico.
* A circulação e a compilação dos livros – Enfim o processo de canonização desde o início da igreja estava em andamento. Os livros só eram circulados pelas igrejas, caso fossem examinados e dado por autêntico, Isso tomou-se forma nos tempos dos apóstolos, lá pelo final do século I, já todos os 27 livros do Novo Testamento haviam sido recebidos e reconhecidos pelas igrejas cristãs. O cânon estava completo, e aceito por todos os crentes de todas as cidades. Mas, por motivo da multiplicidade dos falsos escritos, e da falta de acesso imediato as condições relacionadas ao recebimento inicial de um livro, o debate a respeito do cânon prosseguiu por vários séculos, até que universalmente a igreja reconheceu a canonicidade dos 27 livros do Novo Testamento.
A Credibilidade da Bíblia
1.A FIDEDIGNIDADE E CONFIABILIDADE DAS ESCRITURAS
TÓPICO 1 – A CONFIRMAÇÃO DO TEXTO HISTÓRICO
1b. Introdução
Estamos provando aqui não a inspiração, mas a credibilidade histórica das Escrituras.
Deve-se testar a credibilidade histórica das Escrituras pelos mesmos critérios usados para testar todos os documentos históricos.
C. Sanders, em Introduction to Research in English Literary History (introdução à pesquisa em História da Literatura Inglesa), relaciona e explica os três princípios básicos da historiografia. São, a saber, o teste bibliográfico, o teste das evidências internas e o das evidências externas. 81/143ss.
2b. OTESTE BIBLIOGRAFICO DA CREDIBILIDADE DO NOVO TESTAMENTO
O teste bibliográfico é um exame da transmissão textual pela qual os documentos chegam até nós. Em outras palavras, uma vez que não dispomos dos documentos originais, qual a credibilidade das cópias que temos em relação ao número de manuscritos e ao intervalo de tempo transcorrido entre o original e a cópia existente? 64/26
F.E Peters ressalta que “baseando-se apenas na tradição dos manuscritos, as obras que formam o Novo Testamento dos cristãos foram os livros antigos mais freqüentemente copiados e mais amplamente divulgados.” 69/50
1c. EVIDÊNCIAS DOS MANUSCRITOS ACERCA DO NOVO TESTAMENTO
Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento. Acrescentam-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de outras antigas versões, e teremos mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento.
Nenhum outro documento da história antiga chega perto desse números e dessa confirmação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. O primeiro texto completo e preservado de Homero data do século treze. 58/145
A seguir apresentamos um quadro estatístico dos manuscritos remanescentes do Novo Testamento:
| Gregos | ||
| Unciais | 267 | |
| Minúsculas | 2.764 | |
| Lecionários | 2.143 | |
| Papiros | 88 | |
| Achados recentes | 47 | Manuscritos |
| TOTAL | 5.309 | Gregos existentes |
| Versão Vulgata Latina | Mais de 10.000 |
| Etiópico | Mais de 2.000 |
| Eslavônico | 4.101 |
| Armênio | 2.587 |
| Versão Siríaca (peshita) | Mais de 350 |
| Copta | 100 |
| Árabe | 75 |
| Versão Velha Latina | 50 |
| Anglo – Saxônico | 7 |
| Gótico | 6 |
| Sogdiano | 3 |
| Siríaco Antigo | 2 |
| Medo – Persa | 2 |
| Frâncico | 1 |
As informações para os gráficos acima foram extraídas das seguintes fontes:
ALAND, Kurt. Journal of Biblical Literature (Revista de Literatura Bíblica),v. 87, 1968.
ALAND, Kurt. Kurzgefasste Liste Der Griegrischen Handschriften Des Neuen Testaments (Breve Lista dos Manuscritos Gregos do Novo Testamento). W. De Gruyter, 1963.
ALAND, Kurt. “Neue Neutestamentliche Papyrii III” (Novos Papiros Terceira Parte). In. New Testament Studies (Estudos do Novo Testamento). Jul. de 1976.
METZGER, Bruce. The Early Versins of the New Testament As Antigas Versões do Novo Testamento). Oxford: Clarendon 1977.
PARVIS, Merrill M. e WIKGREN, Allen, ed. New Testament Manuscript Studies (Estudos do Manuscritos do Novo Testamento). Chicago University of Chicago, 1950.
RHODE, Eroll F. An Annotated List of Amenian New Testament Manuscripts (Uma Lista Comentada de Manuscritos Armênios do Novo Testamento). Tóquio: IKEBURO, 1959.
HYATT, J. Phillip. The Bible and Modern Scholarship (A Bíblia e a Erudição Moderna). A bingdon, 1965.
John Warwick Montgomery afirma que “ter uma atitude cética quanto ao texto disponível dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antigüidade clássica se torne desconhecida, pois nenhum documento da história antiga é tão bem confirmado bibliograficamente como o Novo Testamento.” 64/29
Sir Frederic G. Kenyon, que foi diretor e bibliotecário – chefe do Museu britânico, reconhecido como uma das maiores autoridades em manuscritos, diz: “…além da quantidade, os manuscritos do Novo Testamento diferi das obras dos autores clássicos em outro aspecto, e mais uma vez a diferença é bem clara.os livros do Novo Testamento foram escritos na última parte do século primeiro; com exceção de fragmentos muitos pequenos, os manuscritos mais antigos existentes são do quarto século – cerca de 250 a 300 anos depois”. Cremos que, em todos os pontos essenciais, temos um texto bastante fiel das sete peças remanescentes de Sófocles; no entanto, o manuscrito mais antigo e substancioso de ´Sófocles foi copiado mais de 1.400 anos depois de sua morte.” 48/4
Em The Bible and Archaeology (A Bíblia e a Arqueoloiga), Kekyon afirma: “De modo que o intervalo entre as datas da composição do original e os mais antigos manuscritos existentes se torna tão pequeno a ponto de, na prática ser insignificante. Assim, já não há base qualquer dúvida de que as Escrituras tenham chegado até nós tal como foram escritas. Pode-se considerar que finalmente estão comprovadas tanto a autenticidade como a integridade dos livros do Nono Testamento.” 46/288
F.J.A. Hort acrescenta, com acerto, que “na variedade e multiplicidade de provas sobre as quais repousa, o texto do Novo Testamento destaca-se de um modo absoluto e inigualável entre os textos em prosa da antigüidade.” 43/561
J. Harold Greennlee declara: “…o número de manuscritos néo – testamentários disponíveis é surpreendentemente maior do que os de qualquer outra obra da literatura antiga. Em terceiro lugar os mais antigos manuscritos existentes do Novo Testamento foram escritos numa data muito mais próxima da composição do texto original do que no caso de qualquer outro texto da literatura antiga”. 37/15
2. O NOVO TESTAMENTO EM COMPARAÇÃO COM OUTRAS OBRAS DA ANTIGÜIDADE
2a. A Comparação de manuscritos
Em Merece Confiança o Novo Testamento?, F.F. Bruce faz comparações entre o Novo Testamento e antigos textos de história, e apresenta uma descrição marcante a respeito: “Talvez possamos avaliar melhor quão rico é o Novo Testamento em matéria de evidência manuscrita, se compararmos o material textual subsistente com outras obras históricas da antigüidade. O texto das porções existentes das duas grandes obras históricas de tácito depende totalmente de dois manuscritos, um do século nono e outro do século onze.
Os manuscritos remanescentes das obras menores de tácito (Dialogus de Oratoribus (Diálogo sobre os Oradores), Agricola e Germania) Provêm todos de um códice do século décimo. Conhecemos a história de Tucídedes (cerca de 460-400 a.C.) a partir de oito manuscritos, dos quais o mais antigo data de 900 A.D., e de uns poucos fragmentos de papiros, escritos aproximadamente no início da era cristã. O mesmo se dá com a História de Heródoto (cerca de 480-425 a.C.). No entanto, nenhum conhecedor profundo dos clássicos daria ouvidos à tese de que a autenticidade de Heródoto ou Tucídedes é questionável porque os mais antigos manuscritos de suas obras foram escritos mais de 1.300 anos depois dos originais.” 16/23,24
Em Introduction to New Testament Textual Criticism (Introdução à crítica Textual do Novo Testamento), Greenlee escreve acerca do hiato de tempo entre o manuscrito original (o autógrafo) e o manuscrito existente (a velha cópia remanescente), afirmando que “os mais antigos e conhecidos dos manuscritos da maioria dos autores gregos clássicos foram escritos pelo menos mil anos depois da morte do seu autor. O intervalo de tempo para os escritores latinos é um pouco menor, reduzindo-se a um mínimo de três séculos no caso de Virgílio. Todavia, no caso do Novo Testamento, dois dos mais importantes manuscritos foram escritos em prazo não superior a 300 anos após o Novo Testamento estar completo, e manuscritos virtualmente completos, de alguns livros do Novo Testamento, bem como manuscritos incompletos, mas longos, de muitas partes do Novo Testamento, foram copiados em datas tão remotas quanto um século após serem originalmente escritos.” 37/36
Greenlee acrescenta que “uma vez que os estudiosos aceitam que os escritos dos antigos clássicos são em geral fidedignos, muito embora os mais antigos manuscritos tenham sido escritos tanto tempo depois da redação original e o número de manuscritos remanescentes seja, em muitos casos, tão pequeno, está claro que da mesma forma, fica assegurada a credibilidade no texto do Novo Testamento “. 37/16
Mesmo em relação aos Anais do famoso historiador Tácito, no que diz respeito aos seis primeiros livros dessa obra, ela só sobreviveu devido a um único manuscrito, do século nono. Em 1870 o único manuscrito conhecido da Epístola a Diogneto, um texto cristão bem antigo que os compiladores geralmente incluem entre os escritos dos pais Apostólicos, perdeu-se num incêndio na biblioteca municipal de Estrasburgo. Em contraste com esses dados estatísticos, o crítico textual do Novo Testamento fica perplexo diante da riqueza de material disponível “. 62/34
F.F. Bruce declara “No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”. 15/178
| AUTOR | Data do Original | Cópia mais Antiga | Intervalo em anos | N.º de Cópias |
| César | 100-44 a.C. | 900 A.D. | 1.000 | 10 |
| Lívio | 59 a.C. – 17A.D. | 20 | ||
| Platão | 7 | |||
| (Tetralogias) | 427 – 347 a.C.. | 900 A.D. | 1.200 | |
| Tácito (Anais) | . | 100 A.D. | 1100 A.D. | 1.000 |
| Obras | 20(-) 100 A.D. | 1100 A.D. | 1.000 | 1 |
| Plínio Jovem | ||||
| (História) | 61 – 113 A.D. | 850 A.D. | 750 | 7 |
| Tucídedes | ||||
| (História) | 460 – 400 a.C. | 900 A.D. | 1.300 | 8 |
| Suetônio | ||||
| (De Vita Caesarum) | . | 75 – 160 A.D | 950 A.D. | 800 |
| Heródoto | ||||
| (História) | 480 – 425 a.C. | 900 A.D. | 1.300 | 8 |
| Horácio | 900 | |||
| Sófocles | 496 – 406 a.C. | 1000 A.D. | 1.400 | 193 |
| Lucrécio | Morto 75 – 160 A.D o | 1.100 | 2 | |
| Cátulo | 54 a.C. | 1550 A.D. | 1.600 | 3 |
| Eurípides | 480 – 406 a.C. | 1100 | 1.300 | 200 |
| Desmóstenes | 383 – 322 a.C. | 1100 A.D. | 1.300 | 200* |
| Aristóteles | 384 – 322 a.C. | 1100 A.D. | 1.400 | 49+ |
| Aristófanes | 450 – 385 a.C. | 900 A.D. | 1.200 | 10 |
* Todos de uma única cópia
+ De qualquer obra isolada
2b. A Comparação Textual
Bruce Metzger comenta: “Dentre todas as composições literárias escritas pelo povo grego, os poemas homéricos são os mais adequados para uma comparação com a Bíblia “.61/144 Ele acrescenta: “Em todo o corpo de literatura antiga, tanto grega como latina, a Ilíada é a que mais se aproxima do Novo Testamento por possuir a maior quantidade de testemunho de manuscritos”. 61/144
Metzger continua: “Na antigüidade os homens (1) memorizavam Homero assim como mais tarde iriam memorizar as Escrituras.(2) Tanto Homero como as Escrituras foram tidos na mais alta estima, sendo citados na defesa de argumentos acerca do céu, da terra e do Hades. (3) Homero e a Bíblia serviram de cartilha para diferentes gerações de escolares que neles aprenderam a ler. (4) Ao redor de ambos cresceu um grande volume de notas marginais e comentários. (5) Ambos tiveram glossários. (6) Ambos caíram nas mãos dos alegoristas. (7) Ambos foram imitados e tiveram suplementos – um com os hinos e escritos homéricos, tais como o Batracomiomáquia, e o outro com os livros Apócrifos. (8) Homero foi analisado e prosado; o evangelho de João foi versificado em hêxametros épicos por Nono de Panópolis. (9) Os manuscritos tanto de Homero como da Bíblia foram ilustrados. (10) As descrições homéricas apareceram nos murais de Pompéia; as basílicas cristãs foram decoradas com mosaicos e afrescos de episódios bíblicos”. 61/144,145
E.G. Tuner destaca que, sem dúvida alguma, Homero foi o autor mais lido na antigüidade. 92/97
Geisler e Nix comparam as variações textuais existentes entre os documentos do Novo Testamento e as obras antigas: “Em seguida ao Novo Testamento, existem mais manuscritos remanescentes da Ilíada (643) do que de qualquer outro livro.
Eles prosseguem dizendo que “a Ilíada tem cerca de 15.600. Há dúvidas sobre apenas 40 linhas (ou 400 palavras) do Novo Testamento, enquanto que, no caso da Ilíada, questionam-se 764 linhas. Esses cinco por cento de corrupção textual contrastam-se com o meio por cento de emendas no texto do Novo Testamento.”
No livro Introduction to Textual Criticism of the Testament (Intrdução à critica do Novo Testamento), Benjamin Warfield cita a opinião de Ezra Abbot sobre noventa e cinco por cento das variações textuais do Novo Testamento, afirmando que elas: “… possuem base tão insignificante… embora haja várias leituras possíveis ; e noventa e cinco por cento das variações textuais do Novo Testamento, afirmando que elas: “… possuem base tão insignificante… embora haja várias leituras possíveis; e noventa e cinco por cento das variações restantes são de importância tão ínfima que sua aceitação ou rejeição não provocaria qualquer diferença significativa no sentido das passagens onde elas ocorrem”. 100/14
Geisler e Nix fazem a seguinte observação sobre como são contadas as variações textuais: “É ambíguo dizer que existem umas 200.000 variantes nos manuscritos existentes do Novo Testamento, desde que elas dizem respeito apenas 10.000 lugares no Novo Testamento. Se uma única palavra é escrita de modo errado em 3.000 manuscritos, isso é contado como sendo 3.000 variantes ou leituras”. 32/361
Fenton John Anthony Hort, que passou a vida lidando com manuscritos diz: “É bem grande a proporção de palavras que, sem que haja qualquer dúvida sobre elas, são virtualmente aceitas em todos os manuscritos.
“Se os princípios seguidos nesta edição estão corretos, pode-se reduzir bastante esse número. Reconhecendo plenamente o dever de nos abstermos de decisões categóricas, em casos em que os dados deixam em suspenso o julgamento entre duas ou mais leituras, descobrimos que, pondo de lado as diferenças de ortografia, em nossa opinião as palavras ainda sujeitas a dúvida constituem cerca de seis por cento de todo o Novo Testamento.
Um estudo cuidadoso das variações (ou leituras diferentes) dos várias manuscritos mais antigos revela que nenhuma delas afeta uma única doutrina das Escrituras. O sistema de verdades espirituais contido no texto hebraico geralmente aceita do Antigo Testamento não é alterado nem deturpado por qualquer uma das diferentes leituras encontradas nos manuscritos hebraicos de datas mais antigas e que foram descobertas nas cavernas do mar Morto ou em qualquer outro lugar.
Benjamin Warfield disse: “Se compararmos a situação atual do texto do Novo Testamento com a de qualquer outro escrito antigo, precisaremos declarar que o texto é maravilhosamente correto, tão grande é o cuidado com que o Novo Testamento tem sido copiado – um cuidado que, sem dúvida alguma, é fruto de uma verdadeira reverência para com suas santas palavras – tão grande tem sido a providência de Deus em preservar para a sua igreja em todas as épocas um texto suficientemente exato, que o Novo Testamento não tem rival entre os escritos antigos, não apenas em termos de pureza de texto pela maneira como foi transmitido e mantido em uso, como também em termos de abundância de testemunhos, os quais chegaram até nós para corrigir falhas relativamente esporádicas.” 100/12,13
2c. CRONOLOGIA DE IMPORTANTES MANUSCRITOS DO NOVO TESTAMENTO
Métodos de Datação: Alguns dos fatores que ajudam a determinar a idade dos manuscritos são: 32/242 – 246
1)Materiais 5) Ornamentação
2)Tamanho e forma das letras 6) Cor da tinta
3)Pontuação 7) Textura e cor do pergaminho
4)Divisões do texto
O manuscrito de John Rylands (130 A.D.) encontra-se na biblioteca John Rylands, na cidade de Manchester, na inglaterra, e é o mais antigo fragmento existente do Novo Testamento.
Bruce Metzger fala de uma crítica abandonada: “Caso se tivesse conhecido esse pequeno fragmento durante meadas do século passado, aquela escola de crítica do Novo Testamento, a qual foi inspirada pelo brilhante professor de Tubinga, Ferdinand Chriastian Baur, não poderia Ter defendido que o quarto Evangelho só foi escrito por volta de 160 A.D.” 62/39
No antigo “Zur Datierung des Papyrus Bodmer II (P.66)” (A Respeito da Datação do Papiro Bodmer II) (In: Anzeiger Der Osterreichischen Akademie Der Wissenschaften (Informativo da Academia Austríaca de Ciências) n 4, 1960, p. 12033), “Herbert Hunger, diretor das coleções papirológicas da Biblioteca Nacional de Viena, atribui ao papiro 66 uma data anterior, meados do século segundo, ou até mesmo a primeira metade desse século; veja o artigo que ele escreveu.” 62/39,40
O códice Vaticano (325 – 350 A.D.), situado na Biblioteca do Vaticano, contém quase toda a Bíblia.
O códice Sinaítico (350 A.D.) encontra-se no Museu Britânico. Esse manuscrito, que contém quase todo o Novo Testamento e mais da metade do Antigo Testamento, foi descoberto em 1859, no mosteiro do Monte Sinai pelo Dr. Constantin von Tischendorf, sendo presenteado ao Czar da Rússia pelo mosteiro. Posteriormente, no dia de Natal de 1933, o povo e o governo britânicos o adquiriram da União Soviética por 100.000 libras.
Em 1853, uma Segunda visita de Tischendorf ao mosteiro não resultou em novos manuscritos porque os monges estavam desconfiados devido ao entusiasmo que Tischendorf demonstrava diante do manuscrito que vira por ocasião de sua primeira visita, em 1844. Escondendo suas emoções, Tischendorf casualmente pediu permissão para examiná-lo mais vagarosamente aquela noite. Com a permissão concedida e tendo-se retirado para seu quarto, Tischendorf passou a noite toda tendo prazer de estudar o manuscrito – pois, como escreveu em seu diário (que, sendo um erudito, mantinha em latim), quippe dormire nefas videbatur (‘ na verdade, dormir parecia um sacrilégio ‘)! Logo descobriu que o documento continha muito mais do que ele até mesmo esperara; pois não apenas a maior parte do Antigo Testamento estava ali, como também o Novo Testamento estava intacto e em excelentes condições, havendo também duas antigas obras cristãs do segundo século, a Epístola de Barnabé (anteriormente conhecida só através de uma tradução latina bem deficiente) e uma grande porção de Pastor de Hermes, obra até então só conhecida de nome”.
2d. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA POR VÁRIAS TRADUÇÕES
As traduções antigas constituem um outro forte apoio em favor do testemunho e exatidão dos textos. Em sua maior parte, “raramente a literatura antiga era traduzida para um outro idioma”. 37/45
“As primeiras versões do Novo Testamento foram preparados por missionários, para auxiliarem na propagação da fé cristã entre os povos cujas línguas nativas eram siríaco, o latim ou o copta.” 62/67
As versões (traduções) do Novo Testamento em siríaco e em latim foram feitas por volta de 150 A.D. Isso nos deixa bem próximos da época da composição dos originais.
Existem mais de 15.000 cópias de várias versões
1 .a Versões siríacas
A velha versão siríaca contém os quatro evangelhos, copiada por volta do século quarto. É preciso explicar que “siríaca é o nome geralmente dado ao aramaico cristão. É escrito numa variação distinta do alfabeto aramaico”. 15/193
Teodoro de Mopsuéstia (século quinto) escreveu: “Foi traduzida para línguas dos sírios”. 15/193
Peshita. O sentido básico dessa palavra é “simples”. Foi a versão padrão, preparada por volta de 150-250 A.D. Hoje existe mais de 350 manuscritos conhecidos, copiados no século quinto. 32/317
Siríaca Palestinense. A maioria dos estudiosos atribuem a essa versão a data de aproximadamente 400-450 A.D. (século quinto). 62/68-71
2b. Versões Latinas
Velha Latina. Existem testemunhas, a partir do século quarto até o século treze, de que, no século terceiro, “uma velha versão latina circulou no norte da África e na Europa…”
Velha Latina Africana (códice Bobbiense) 400 A.D. Metzger diz que “.E.A. Lowe revela indícios paleográficos de Ter sido copiada de um papiro do século segundo”. 62/72-74
O Códice Corbiense (400-500 A.D.) contém os quatro evangelhos.
Códice Vercelense (360 A.D.).
Códice Palatino (século quinto A.D.).
Vulgata Latina (vulgata é palvra que significa “comum” ou “popular”). Jerônimo era secretário de Damásio, bispo de Roma. Entre 366 e 384, Jerônimo atendeu a um pedido do bispo para que preparasse uma versão. 15/201
2c. Verões Coptas (ou Egípcias)
F.F. Bruce escreveu que é próvavel que a primeira versão egípcia foi traduzida no século terceiro ou quarto. 15/214
Bohaírica. Rodalphe Kasser, que editou o texto impresso dessa versão, calcula que ela deve datar do século quarto. 37/50
2d. Outras versões Antigas
Armênia (a partir de 400. A.D.). Parecer Ter sido traduzido de uma Bíblia em grego obtida em Constantinopla.
Gótica. Século quarto. Geórgica. Século quinto.
Etiópica. Século sexto.
Núbia. Século sexto.
1.A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA
PELOS PRIMEIROS PAIS DA IGREJA
A Enciclopédia Britânica afirma: “Após Ter examinado os manuscritos e versões, crítico textual ainda assim não esgotou o estudo das provas em favor do texto do Novo Testamento. Freqüentemente os escritos dos primeiros pais da igreja refletem uma forma de texto diferente da de um ou outro manuscrito… os testemunhos que dão do texto, especialmente quando corroboram leituras oriundas de outras fontes, são algo que o crítico textual deve consultar antes de formar juízo a respeito”. 25/579
Em refência às citações em comentários, sermões, etc. , Bruce Metzger reitera a declaração acima, dizendo: “De fato, essas citações são tão vastas que, se todas as demais fontes de conhecimento sobre o texto do Novo Testamento fossem destruídas, sozinhas essas citações seriam suficientes para a reconstituição de praticamente todo o Novo Testamento”. 62/86
Após uma prolongada investigação, Darlymple chegou à seguinte conclusão: “Veja aqueles livros. Você se lembra da pergunta que me fez sobre o Novo Testamento e os pais? Aquela pergunta despertou a minha curiosidade, e, como eu conhecia todas as obras existentes dos pais do segundo e terceiro séculos, comecei a pesquisar e, até agora, já encontrei todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos”. 58/35,36
Uma advertência: Joseph Angus, em História, Doutrina e Interpretação da Bíblia ; Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1971,1953. 2 vol., apresenta algumas limitações dos escritos patrísticos antigos:
1.Às vezes se fazem citações sem exatidão verbal.
2.Alguns copistas tinham tendências para erros ou para alterações intencionais.
Clemente de Roma (95 A.D.). Origines, em De Principus (sobre o principio), livro II, capítulo 3 , chama-o de discípulo dos apóstolos. 8/28
Irineu, prossegue, em Contra Heresias, livro III, capítulo 3, dizendo que “ainda tinha o ensino dos apóstolos ecoando em seus ouvidos e a doutrina deles diante de seus olhos”. Ele faz citações de:
Mateus 1Coríntios
Marcos 1Pedro
Lucas Hebreus
Atos Tito
Inácio (70-110 A.D.)foi bispo de Antioquia e foi martirizado, tendo conhecido bem os apóstolos. Suas sete cartas contêm citações de:
Mateus Efésios 1 e 2 Tessalonicenses
João Filipenses 1 e 2 Timóteo
Atos Gálatas 1 Pedro
Romanos Colossenses
1Coríntios Tiago
Policarpo (70-156 A.D.), martirizado aos 86 anos de idade, foi bispo de Esmirna e discípulo do apóstolo João.
Entre outros que também citaram o Novo Testamento encontram-se Barnabé (cerca de 70 A.D.), Hermas (cerca de 95 A.D.), Taciano (cerca de 170 A.D.) e Irineu (cerca de170 A.D.).
Clemente de Alexandra (150-212 A.D.). Dentre as citações que faz, 2.4000 são do Novo Testamento. Ele cita todos os livros, com exceção de três.
Tertuliano (160-220 A.D.) foi presbítero da igreja em Cartago, tendo citado mais de 7.000 vezes o Novo Testamento, das quais 3.800 são citações dos Evangelhos.
Hipólito (170-235 A.D.) faz mais de 1.300 referências ao Novo Testamento.
Justino Mártir (133 A.D.) combateu o herege Marcião.
Geisler e Nix acertadamente concluem dizendo que, “a esta altura, um rápido apanhado estatístico mostrará a existência de umas 32.000 citações do Novo Testamento feitas até a época do concílio de Nicéia (325 A.D.). Essas 32.000 são apenas um número parcial, e nem mesmo incluem os escritores do século quarto. Apenas acrescentando-se as citações feitas por um outro escritor, Eusébio, que escreveu prolificamente num período que vai até o concílio de Nicéia, teremos o total de citações do Novo Testamento aumentando para mais de 36.000″. 32/353,354
A todos esse ainda se pode acrescentar os nomes de Agostinho, Amábio, Latâncio, Crisostomo, Jerônimo, Gaio Romano, Atanásio, Ambrosósio de Milão, Cirilo, de Alexandria, Efraim o Sírio, Hilário de Poitiers, Gregório de Nissa, etc.
Sobre as citações patrísticas do Novo Testamento, Leo Jaganay escreve: “Dentro as volumosas obras de material não publicado que o deão Burgon deixou ao morrer, destaca-se o índice de citações do Novo Testamento, feitas pelos pais da igreja antiga. Consiste de dezesseis espessos volumes que se encontram no Museu Britânico, e contém 86.489 citações”. 44/48
CITAÇÕES PATRÍSTICAS DO NOVO TESTAMENTO
| ESCRITOR
|
Evangelhos | Atos | Epístolas Paulinas | Epístolas Gerais | Apocalipse | Total |
| Justino Mártir | 268 | 10 | 43 | 6 | 3 266 alusões | 330 |
| Irineu | 1.038 | 194 | 499
|
23 | 65 | 1.819 |
| Clemente de Alex. | 1.017 | 44 | 1.127 | 207 | 11 | 2.406 |
| Orígenes | 9.231 | 349 | 7.778 | 399 | 165 | 17.992 |
| Tertuliano | 3.822 | 502 | 2.609 | 120 | 205 | 7.258 |
| Hipólito | 734 | 42 | 387 | 27 | 188 | 1.378 |
| Eusébio | 3.258 | 211 | 1.592 | 88 | 27 | 5.176 |
| Totais | 19.368 | 1.352 | 14.035 | 870 | 664 | 36.289 |
| *14/357 | ||||||
1b. A CREDIBILIDADE DOS MANUSCRITOS APOIADA PELOS LECIONÁRIOS
Essa é uma grandemente negligenciada, e, no entanto, o segundo maior grupo de manuscritos gregos do Novo Testamento é o dos lecionários.
Bruce Metzger explica a origem dos lecionários: “Seguindo o costume das sinagogas, mediante o qual em todos os sábados, por ocasião do culto religioso, liam-se trechos da lei e dos profetas, a igreja Cristã adotou a prática de ler trechos do Novo Testamento por ocasião dos cultos. Desenvolveu-se um sistema regular de lições dos Evangelhos e das Epístolas, e surgiu o costume de prepará-las de acordo com uma ordem fixa de domingos e outros dias santificados do ano cristão”. 62/30
Em geral, os lecionários refletiam uma atitude bem conservadora e utilizavam textos mais antigos. Isto os torna muito valiosos na crítica textual. 62/31
CONCLUSÃO
Como foi estudado, o cânon surgiu para que houvesse uma separação entre o certo e o errado. Pois não podemos viver-nos indecisos? Não é verdade? Então a questão do cânon, que significa, regra de fé, apareceu, surgiu, para que falasse não só a igreja, mais as pessoas, acerca de que quias livros da Bíblia, das Santas Escrituras, foram realmente inspiradas, feitos por uma autoridade divina. Mais não foi só isso não; para que tudo finalizasse bem (em relação aos livros), a igreja precisou de muita luta. Os pais da igreja (os lideres questionaram muito sobre isso. Pois se podia dizer que um livro era canônico mediante alguns critérios, como por exemplo: Foi preciso provar que tal livro possuía autoridade e era dinâmico; como nós sabemos muito bem que a Bíblia tem o poder, autoridade de salvar vidas.
Se ele era digno de confiança a aBíblia fala mesmo a verdade? Podemos nós seguir-mos o que está escrito na Bíblia? Seus ensinamentos (como o de Paulo) possuem mesmo confiança? Enfim era preciso que fosse lido, guardado, usado e principalmente aceito pelo povo.
Outra questão também que envolvia os livros da Bíblia; foi aquestão do Novo Testamento. A onde foi preciso provar se tal livro possuía inspiração e era apóstolico. Pois nós sabemos muito bem que a maioria das cartas relacionadas a igreja foram escritos pelos apóstolos do Senhor, que eram homens dotados pelo Espírito Santo; pelo qual eles foram guiados a escrever somente a verdad. Então o que foi questionado foi o seguinte: So se era considerado o livro (como as épistolas de Paulo aos Hebreus), caso fosse provado que foi Paulo realmente que escrevera. Caso contrário não era apóstolica, nem muito menos canônico.
Enfim até os políicos perseguirem a igreja a respeito da canonicidade dos livros.
Vimos também o aparecimento, o crescimento de outros livros daBíblia considerados como (apócrifos-falsos). Daí surge a questão:”E os católicos? A onde ficam nessa história. Será que só os cristões tem razão? Somente os livros da Bíblia deles falam a verdade? Mas é a partir daí que surgiram as brigas; quanto mais a igreja católica afirmava que a nossa Bíblia é que era falsa, mais surgiam-se os falsos livros. Mais tudo isso resultou-se no seguinte: Até hoje os 66 livros constados na Bíblia dos evangélicos é que são oficialmente oficializados como canônicos; e não os 7 a mais da Bíblia dos católicos. Que por sinal em um dos seus livros apócrifos, o próprio autor pede perdâo pelo que escreve.
Enfim resumidamente essas foram as questões que envolveram a canoicidade dos livros. Sabendo-se que tanto como o livro do Antigo como o do Novo são considerados até hoje como livros inspirados e Sagrados por Deus. E que cabe a nós, seguidores e ouvintes da palavra, dar-mos glória a Deus por por tudo que esses livros pôde e pode trazer a nós.
BIBLIOGRAFIAS:
A Bíblia Através dos Séculos – Antônio gilberto
Introdução Bíblica – Norman Geisler
Enciclópedia Bíblica
Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia – R. N Champlin, Ph.D
J. M. Bentes
28.05.2010
Cidadania, Cultura, Evangelismo e Missões, História da Igreja, Mundo Gospel, Projetos Deixe o seu comentário
Proposta de responsabilidade social do Pacto de Lausanne.
A responsabilidade social cristã no Pacto de Lausanne.
O testemunho histórico da Missão Integral
Base bíblico-teológica para a responsabilidade social
Os desafios que pesam sobre a Igreja diante da questão social à luz do Pacto de Lausanne
Vivemos num mundo em ebulição. A transformação promovida pela globalização é algo inquestionável. Ao invés de apenas facilitar processos, ela, a globalização, tem aumentado a crise. A miséria tem mostrado sua cara feia, como cm poucos momentos da história. O abismo entre uns poucos que têm muito e a maioria que não possui o suficiente tem aumentado no mundo.
Se a globalização tem acentuado a desigualdade social no mundo, no Brasil cm particular e na América Latina de um modo geral, a história não é diferente.
Caio Fábio D’Araújo Filho afirma que:
O Brasil é um país completamente tomado por antagonismos. De um lado, tem-se uma economia forte, um parque industrial moderno e uma das maiores riquezas naturais do planeta; de outro lado, tem-se a sexagésima quarta renda per capita do mundo, uma concentração econômica na qual urna minoria da população controla cerca de 70% dos bens do país, e uma dívida social descomunal, caracterizada pela existência de milhões de miseráveis.
Lado a lado, convivem mansões – copiadas das revistas mais sofisticadas do primeiro mundo – e casebres feitos de papelões e cheios de tanta sujeira que, nem mesmo os cães, acostumados à boa vida da casa dos ricos, conseguiriam neles viver… É dentro deste caldeirão de ambigüidades e antagonismos, que emerge, vive e acontece a Igreja Evangélica. A Igreja Evangélica não pode ficar fora de qualquer análise que se faça desse país.1
Infelizmente, essa é a cara do Brasil. Um país em crise. E é no meio de toda esta crise que a Igreja está inserida e, de alguma forma, precisa dar uma resposta que crie a possibilidade de transformação.
Quanto à América Latina, Samuel Escobar afirma que a década de 80 tem sido chamada de “década perdida”, por causa da deterioração visível das condições sociais em toda a América Latina.2
Qual deve ser a resposta da Igreja num momento difícil como o que vivenciamos, principalmente, como lembra-nos Paul Freston, a coincidência do crescimento evangélico com as crises sociais e religiosas não produzirá, por si só, efeitos históricos saudáveis. Pelo contrário, a visibilidade crescente tem deixado dolorosamente expostas as carências teológicas, éticas e pastorais? 3 Sem dúvida alguma o desafio que temos diante de nós é maior do que normalmente aquilatamos.
Entendo que, diante do aumento da pobreza, do aumento da violência e da criminalidade que testemunham o caos estabelecido no mundo, a compreensão da prática de Jesus diante do sofrimento humano poderá, não apenas nos desafiar, mas, nos dará bases para que encontremos o paradigma para uma Ação Social da Igreja.
É por causa do caos estabelecido que me sinto impulsionado a refletir sobre a responsabilidade social da igreja, de maneira especial, voltar a minha atenção ao Congresso internacional de Evangelização Mundial, realizado em Lausanne, Suíça, em 1974.
Capítulo 1
O Congresso Internacional de Evangelização Mundial, ocorrido na cidade de Lausanne, Suíça, entre os dias 16 e 25 de julho de 1974, tornou-se o mais importante referencial dos evangelicais espalhados pelo mundo. “Um foro formidável, possivelmente a reunião mais global já realizada pelos cristãos””, foi o comentário da “Revista Time” sobre o encontro, como lembra René Padilla em seu livro, “Missão Integral”.
Lausanne 74 foi, indubitavelmente, o maior evento da história do evangelicalismo, demonstrando que a Igreja encontrava-se em perfeita harmonia com sua época. Evidencia-se tal assertiva ao ser observado o leque de temas propostos, encabeçado pela evangelização e tratado pelos congressistas. Alguns deles merecem destaque: a questão cultural, a realidade da pobreza que vem atingindo milhões de pessoas, a responsabilidade social cristã, a batalha espiritual, dentre outros. Estas sintonia e preocupação com a realidade foram um dos fatores que tornaram o referido encontro tão significativo e contundente para as décadas que se seguiram.
É preciso, todavia, compreender o que motivou a realização do Congresso de Lausanne. Assim sendo, imperioso historiar e analisar o contexto no qual se deu o congresso, a fim de que seja possível verificar a proposta nele apresentada sobre a responsabilidade social da Igreja.
O Congresso Internacional de Evangelização Mundial foi convocado pela Associação Evangelística Billy Graham e cerca de 4000 líderes do mais amplo espectro denominacional, oriundos de 151 países, acorreram ao magno congraçamento que apresentou como tema: “Que o Mundo Ouça a Sua Voz”. A Igreja, espalhada pelo mundo, estava sendo desafiada a reafirmar a sua vocação, no intuito de considerar estratégias c programas para cumprir a grande comissão. Em outras palavras, procurava-se visualizar desafios e recursos, visando à evangelização de todo o mundo.
O congresso pretendia reunir evangélicos desejosos de afirmar a autoridade da Bíblia. John Stott afirma que a razão para tanto foi, pelo menos cm parte, a existência de uma crise de confiança em relação ao Conselho Mundial de Igrejas -CMI. A existência de uma tensão entre os evangelicais (como eram chamados) e os ecumênicos era evidente à época, até porque, segundo o CMI, aos primeiros faltava um envolvimento social mais relevante.5
Billy Graham, cm sua mensagem de abertura do Congresso de Lausanne, fez e respondeu à seguinte pergunta: Por que Lausanne? Para que o mundo ouça a Sua voz! Na ótica de Graham, nunca tantas pessoas estiveram tão sensíveis à mensagem do evangelho de Jesus quanto nos últimos tempos, mas, ao mesmo tempo, nunca se viu uma influência do secularismo tão presente no seio da Igreja como nos últimos dias. Sendo assim, revela-se necessário que a Igreja una-se para proclamar a divindade de Jesus, bem como a salvação que Ele oferece. Graham afirmou que sua esperança e sua oração eram ver a Igreja, ainda que não política ou sociologicamente, voltar teologicamente às visões e aos conceitos das grandes conferências do início do século XX, dentre elas a de Nova Iorque em 1900 e a de Edimburgo, na Escócia, em 1910. Isto porque, sob o prisma de Billy Graham, a Igreja vem perdendo muito da sua visão e do seu fervor por três razões elementares:
1 – Perda de autoridade da mensagem do Evangelho;
2 – Preocupação com problemas político-sociais;
3 – Preocupação com a unidade organizacional da igreja.6
Na mesma mensagem ainda, Grahan esboçou quatro convicções que deveriam caracterizar Lausanne:
Lausanne 1974 nasceu num contexto muito amplo. Desde a década de 1920, os cristãos têm-se inclinado à polarização. Enquanto uma ala da Igreja experimenta um crescente declínio do seu ímpeto evangelizador, a ala fundamentalista experimenta uma grande vitalidade e faz um significativo investimento na obra evangelizadora. Enquanto a primeira preocupa-se com o social, a segunda imagina que a necessidade fundamental do ser humano é ouvir uma mensagem evangelizadora que lhe apresente o céu como destino último, por isso sua mensagem inclina-se numa única direção, a evangelização. Stott lembra que, durante cerca de cinqüenta anos (1920-1970) os evangélicos, tentando defender a fé histórica bíblica contra os ataques do liberalismo, reagiram em oposição ao seu “evangelho social”, concentrando-se na evangelização. O capítulo 3 preocupa-se mais sobre esta questão histórica em particular.
A partir do Congresso sobre a Missão Mundial da Igreja, ocorrido em Wheaton, entre os dias de 9 a 16 de abril de 1966, os evangelicais reafirmaram que a mais urgente necessidade da Igreja é a evangelização e a implantação de novas igrejas. O tema, crescimento da Igreja, entrou na pauta e tornou-se a bandeira de uma parcela mais fundamentalista da Igreja. Wheaton foi marcado por freqüentes ataques ao movimento ecumênico, acusado de liberalismo teológico, perda da convicção evangélica, universalismo da teologia, substituição da evangelização pela ação social e a busca da unidade em preterição da verdade bíblica.8 No entanto, o congresso deu um passo significativo em direção a uma visão holística do evangelho, visto que nele foi possível discutir a relação entre evangelização e ação social. Foi também uma inegável oportunidade para ouvir outras vozes evangélicas, provenientes de outros países que não os Estados Unidos da América. Naquele mesmo ano de 1966, entre os dias de 24 de outubro e 4 de novembro, realizou-se o Congresso Mundial de Evangelização de Berlim, patrocinado pela Christianity Today, que trouxe à tona, novamente, a urgência da evangelização. O congresso estava comprometido com a autoridade última da Bíblia e rejeitava todo pensamento sobre evangelização que não houvesse encontrado esteio nas Sagradas Escrituras. O esforço evangelístico foi reafirmado como tarefa primordial da Igreja, ao mesmo tempo em que se evidenciou uma sensível preocupação com a relação evangelização-ação social. Berlim indagou acerca do racismo, fazendo-lhe uma severa crítica e entendendo-o como empecilho ao testemunho evangelístico. Talvez uma das principais atitudes ali ressaltadas foi destinar maior visibilidade à causa evangelical. Luiz Longuini Neto afirma que o citado congresso deu início ao movimento evangelical contemporâneo.9
David M. Howard, Secretário da Aliança Evangélica Mundial apresentou, na Conferência de Wheaton, uma palestra intitulada “De Wheaton 66 a Wheaton 83″. Neste trabalho ele traçou a história do esforço do evangelicalismo pata definir a natureza e a missão da igreja. Enquanto em Wheaton 66 e Berlim 66 a tendência foi definir a missão da Igreja quase que exclusivamente em termos de evangelismo, Lausanne 74 representou uma compreensão mais ampla ao enfatizar tanto o evangelismo como a responsabilidade social, enquanto dava primazia ao evangelismo.10
Lausanne sofreu grande influência de Wheaton e de Berlim. A investigação indica, contudo, que Lausanne nasceu com o objetivo de encontrar um equilíbrio entre evangelização e ação social, mas onde a evangelização deveria receber prioridade, sem que isto significasse uma alienação quanto à questão social. Neste sentido o congresso suíço foi um formidável avanço em relação aos encontros evangelicais anteriores que, conquanto tenham abordado o tema, não conseguiram ampliar a visão da missão da Igreja.
O congresso foi significativo em três sentidos principais. Primeiro, como com as reuniões do Concilio Mundial de Igrejas, a partir dos anos sessenta, o Terceiro Mundo manteve presença em Lausanne. Metade dos participantes, dos oradores e do comitê de planejamento era do Terceiro Mundo. Além disso, alguns dos documentos pronunciados mais provocativos e influentes foram de dois latino-americanos, Samuel Escobar e René Padilla.
Em segundo lugar, como aconteceu com o catolicismo romano no Segundo Concilio Vaticano, a atitude anterior dos evangélicos de “triunfalismo” foi substituída por uma atitude de arrependimento. Lausanne representa a importância e influência crescente do Evangelicalismo universal, mas isto tem sido acompanhado por um reconhecimento de que nem tudo foi saudável no passado e que lições podem ser aprendidas com os outros.
Em terceiro lugar, este arrependimento é manifesto, especialmente na área de responsabilidade social cristã. Enquanto os evangélicos estavam em primeiro plano na preocupação social no século passado, este século tem visto uma inversão e, em muitos casos, uma total retirada do campo.11
O Pacto de Lausanne destaca-se entre as muitas contribuições significativas do congresso. Formulou-se esta declaração, dividida em quinze parágrafos, a qual, ainda hoje é lida com todo o respeito, já que, de certa maneira, ousou posicionar-se contra um evangelho mutilado e um conceito estreito de missão cristã. Dentre os vários temas contemplados pelo pacto, talvez o de maior melindre haja sido a questão da responsabilidade social da Igreja. Robinson Cavalcanti, referindo-se ao pacto, afirmou que, por excelência, ele é uma confissão de fé para os dias hodiernos.12
Loguini Neto menciona outras reações ao Pacto, demonstrando que houve um significativo boicote ao mesmo.
O boicote ao Pacto de Lausanne aconteceu, desde então, articulado por grupos fundamentalistas que o achavam extremamente progressista. Dentre esses grupos podemos citar: a Associação Evangelística de Luis Palau; a Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo; e a Escola de Missões do Seminário Fuller, cujo líder é Peter Wagner. No ano de 1988, alguns líderes eclesiásticos solicitaram ao Celep que promovesse uma consulta sobre o impacto do Movimento de Lausanne na América Latina, demonstrando uma preocupação legítima, uma vez que a intuição daqueles líderes estava correta: havia realmente um boicote ao Pacto de Lausanne na América Latina. No Brasil, uma publicação que traz o sugestivo título “Depois de Lausanne… Evangelismo na América Latina” apresenta relatórios e mensagens do 1º e 2º Encontros de Líderes Evangélicos na América Latina. Este material foi auspiciado por um “Comitê pós-Lausanne” em junho de 1977 e tinha como presidente o pastor batista Nilson do Amaral Fanini, que atualmente preside a Convenção Batista Brasileira. O único mérito da publicação, que a identifica com o espírito de Lausanne, é apresentar o pacto; o restante é quase uma traição aos princípios estabelecidos por ele.16
Não obstante as reações haverem sido tão diversas contra o Pacto de Lausanne, ele continua sendo um documento de constante leitura e releitura, pois conseguiu visitar e tratar, com absoluta seriedade, temas presentes na agenda da Igreja. Entendo que, para uma melhor compreensão do Pacto, cabe citá-lo, não integralmente, mas de maneira sucinta, dando ênfase aos seus parágrafos, numa adaptação do comentário ao Pacto feito por John Stott. Abaixo, é transcrito o termo de abertura do Pacto de Lausanne e, em seguida, uma síntese do mesmo, enfatizando especialmente o quinto parágrafo que trata sobre a responsabilidade social da Igreja.
Nós, membros da igreja de Jesus Cristo, procedentes de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos pecados e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo e, por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, público o nosso pacto.17
O propósito de Deus
A autoridade e o poder da Bíblia
A unicidade e a universalidade de Cristo
A natureza da evangelização
A responsabilidade social cristã
A Igreja e a evangelização
Cooperação na evangelização
Esforço conjugado de Igrejas na evangelização
Urgência da tarefa evangelística
Evangelização e cultura
Educação e liderança
Conflito espiritual
Liberdade e perseguição
O poder do Espírito Santo
O retorno de Cristo
O Pacto de Lausanne começa mencionando a vocação divina, porque em Deus a Igreja é chamada e enviada à missão. Ele é o Deus missionário. Tudo começa com Ele.
John Stott comenta que “o primeiro parágrafo do Pacto expressa a compreensão trinitária da missão e encara a tarefa missionária da Igreja como uma vocação dos membros do povo de Deus de serem servidores e testemunhas com vistas à expansão do reino de Deus”.18
A convenção não pretende fazer uma análise acurada sobre o Ser de Deus. Mesmo assim, o primeiro parágrafo demonstra que Nele residem as nossas motivação e vocação. Ele é o único Deus eterno, Criador e Senhor do mundo.
O propósito divino foi chamar um povo para Si. Quando o acordo faz esta afirmação, apresenta-nos o caráter redentor de Deus.
O Deus que redime é o mesmo que envia o povo redimido, mesmo em vasos de barro, o Evangelho continua sendo um tesouro precioso.
A Bíblia são as Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, que, em sua totalidade, refletem aquilo que dá autoridade à vocação da Igreja. É a partir das Escrituras que a Igreja ouve a voz de Deus, a qual a chama e a envia à missão.
O Pacto afirma o poder da Palavra de Deus. Quando Deus fala, também age. Sua Palavra nunca volta vazia para Ele; sempre cumpre o seu propósito (Is. 55:11).
O Pacto esclarece que a mensagem bíblica é a mesma para todos os homens, em todos os lugares e em todos os tempos. Entretanto, ao mesmo tempo, enfatiza a participação do Espírito Santo, iluminando as mentes para que as Escrituras tornem-se verdade constantemente inovadora no coração do ser humano.
O terceiro parágrafo é intransigente em sua visão cristocêntrica, bem como em sua leitura sobre o pecado do ser humano, seu afastamento de Deus e sua incapacidade de encontrar salvação de per si. Deus, em Cristo Jesus, tomou a iniciativa de alcançar o ser humano com Sua graça.
O ser humano dispõe de algum conhecimento sobre Deus, isto se dá em face da revelação geral. Contudo, este conhecimento não lhe confere a capacidade de experimentar a salvação. Jesus Cristo é o único Salvador.
Por ser Ele, Jesus Cristo, o único Salvador, a Igreja precisa fazê-lo conhecido universalmente. Proclamar a Jesus Cristo como “o Salvador do mundo” é anunciar o amor de Deus a um mundo de pecadores. Amor tamanho, que fez o Senhor dar seu único Filho à morte na cruz.
No seu sermão de início, Billy Graham expressou, como esperança primeira em relação ao congresso, o desejo de que ele formulasse uma declaração bíblica sobre a evangelização. Ao final, Grahan, declarou-se satisfeito, porque entendeu que tal expectativa foi concretizada, tornando-se esta um fato de consenso em todo o encontro.
No quarto parágrafo, o Pacto inicia com uma definição e prossegue descrevendo o contexto da evangelização; a saber, o que deve vir antes e depois dela.
A palavra “evangelização” deriva de um termo grego que representa, em seu sentido literal, “trazer ou difundir boas novas”. Sendo assim, ao falar sobre evangelização, é preciso haver em mente o conteúdo da evangelização, a pessoa de Cristo Jesus.
A verdadeira evangelização nunca ocorre num vácuo. Ela pressupõe um contexto do qual não se pode isolar. Certa situação necessariamente a precede. Ao referir-se a tão imprescindível pressuposto, o Pacto deliberadamente usa as palavras “presença”, “proclamação”, “persuasão” e “diálogo”.
O prelúdio da proclamação é a presença. Como partilhar o Evangelho de Jesus Cristo com pessoas com as quais não mantemos nenhum contato? A presença cristã no mundo não substitui a proclamação, a persuasão ou o diálogo, antes, vem a ser o preâmbulo de todos estes elementos.
A evangelização traz como resultado a obediência a Cristo, o ingresso em sua Igreja (pertencer a Cristo é pertencer ao povo de Cristo, At 2.40, 47) e um serviço responsável no mundo.
Indubitavelmente este foi o tema mais controverso de todo o Pacto, que, inclusive, precisou ser discutido, com mais vagar, em Grand Rapids, 1982. Se, por um lado, o enfoque cristocêntrico demonstrou o conservadorismo da convenção, de outro modo, quanto ao aspecto social, testemunhou-se em Lausanne uma visão, no mínimo, progressista. Por agora, não há a pretensão de desenvolver o prisma do qual partiu o Congresso quanto à questão social, fá-lo-ei adiante e de forma mais acurada.
Neste parágrafo, acentua-se limpidamente que a Igreja foi enviada ao mundo da mesma forma que o Senhor Jesus o foi e isso requer uma penetração profunda e sacrificial na sociedade não-cristã.
A Igreja foi chamada para deixar os seus guetos. Fomos convocados a abandonar as quatro paredes de um templo c, ao nos dirigirmos ao mundo, impactá-lo com a verdade do Evangelho.
Na missão de serviço sacrificial da Igreja, a evangelização é primordial. Partindo da premissa do sexto parágrafo, o referido serviço é inarredável, todavia, a evangelização é algo prioritário.
No primeiro parágrafo do ajuste há uma referencia ao propósito de Deus para a Igreja, mas esse propósito encontra-se melhor trabalhado em dois parágrafos que podem ser estudados conjuntamente. Eles aludem à missão da Igreja e às suas integridade e unidade.
O que reveste o testemunho de autoridade é a unidade, o divisionismo simplesmente depõe contra nós.
A unidade que o sétimo parágrafo enfatiza passa necessariamente pela uniformidade na verdade, na adoração, na santidade, na missão e na cooperação, em que o compartilhar recursos e experiências faça-se presente.
O oitavo parágrafo lembra o papel da Igreja, todo o corpo de Cristo, como comunidade missionária que envia missionários para as mais diversas, longínquas partes do mundo.
Esta alínea enfatiza que, no passado, a função dominante das missões do Ocidente era muito clara, mas hoje, esta função tem desaparecido rapidamente. Sendo assim, novas frentes missionárias devem ser levantadas, nesse sentido, todo o corpo de Cristo deve sentir-se responsável pela evangelização, tanto na sua própria área, na sua própria realidade, como a partir do envio de missionários a localidades mundiais diversas.
Tanto o parágrafo oitavo, quanto o nono tratam do mesmo tema: evangelização. Ambos podem ser lidos e entendidos de forma conjugada, pois este é o âmago do Pacto de Lausanne.
Lausanne lembra que mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, dois terços da humanidade, ainda precisam ser alcançados com o Evangelho de Jesus. Muita gente tem sido esquecida. A Igreja precisa ser sensível, percebendo que, nos últimos dias, tem existido uma significativa receptividade à mensagem do Evangelho, sendo assim, ela não pode desprezar tão considerável oportunidade.
Não obstante o pacto, em seu sexto parágrafo, destacar que o “meio designado por Deus para difundir o Evangelho” seja a Igreja, reconhece-se a validade das instituições para-eclesiásticas, as quais, na missão, devem tornar-se parceiras da Igreja.
O parágrafo nono sugere que o número de missionários estrangeiros, bem como o dinheiro enviado para um país evangelizado sofra significativa diminuição, entendendo que o redutor pode facilitar o crescimento da igreja nacional e assegurar a autonomia desta.
A pobreza de milhões deveria chocar a Igreja. Infelizmente, o que se tem visto é um acostumar-se com a desgraça alheia, como se isto representasse apenas um reflexo do juízo divino. A Igreja precisa sentir-se indignada diante da miséria do outro, abrindo mão de sua opulência, optando por um estilo de vida simplificado e tornando-se mais generosa diante da necessidade do outro. Não se pode abrir morada para a alienação no seio da Igreja de Jesus.
O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. A Igreja precisa ser sábia para proclamar o Evangelho dentro de culturas distintas, respeitando-as, posto que, parte delas, é rica em beleza e em bondade.
O Evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre outra.
O décimo e o décimo primeiro parágrafos lidam com dois temas relacionados entre si: educação e liderança. Ambos estão atrelados a Igrejas nascidas do labor missionário.
Infelizmente a busca por resultados quantitativos tem caracterizado a Igreja. O crescimento numérico tem sido um grande anseio em detrimento do crescimento espiritual. Imprescindível haver um nítido equilíbrio. A igreja deve crescer numericamente sem prejuízos à educação e ao amadurecimento, demonstrando insofismável interesse pela edificação de cada crente.
A Igreja necessita preparar uma liderança dentro de sua própria cultura. Os pastores e leigos devem ser treinados e preparados em doutrina, discipulado, evangelização, edificação e serviço. Esse treinamento deve ser desenvolvido a partir de iniciativas locais ativas e criativas e sob o esteio do padrão bíblico.
A realidade espiritual hodiernamente vivenciada vislumbra maior ênfase na décima segunda disposição. O conflito com principados e potestades do mal que almejam destruir a Igreja e impedir a sua tarefa de evangelização mundial é uma realidade. Ainda, observa-se que esta mesma alínea exalta a influência do mundo sobre a Igreja. A “mundanidade” no cerne da Igreja deve ser vista com preocupação, pois a mesma pode afetar a sua mensagem e os métodos de evangelização. Sob o eco de João 17.14-16, a Igreja é advertida a estar no mundo, porém o mundo não necessita estar na Igreja.
A Igreja deve desfrutar da liberdade expressa na Declaração dos Direitos Humanos, enfoca o décimo terceiro parágrafo. Neste ponto, existe um desafio para que a Igreja denuncie as injustiças que têm solapado muitos países e, por conseguinte, atingido a Igreja. Existe uma ostentação sobre a fidelidade, a qualquer custo, lembrando-nos de que servir a Jesus fielmente pode trazer perseguição.
A décima quarta disposição realiza uma afirmação categórica: “cremos no poder do Espírito Santo”. Este parágrafo estimula a Igreja e desperta-a para viver e caminhar na dependência c no poder do Espírito Santo.
O décimo quinto parágrafo está revestido de esperança. O retorno de Jesus será o ápice daquilo que a Igreja anseia.19
Para melhor discorrer sobre o tema e o significado do mesmo para a Igreja de Jesus, transcreve-se abaixo o quinto parágrafo do Pacto de Lausanne:
Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar Seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de havermos, algumas vezes, considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar, mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.20
A primeira parte da disposição acima transcrita focaliza o Ser de Deus, Ele é o Criador e Juiz de todos os homens. Como afirmou Stott, “é significativo que uma disposição inteiramente relacionada com a ‘responsabilidade social cristã’ tenha origem com uma afirmação acerca de Deus. Isto está certo, pois a nossa teologia deve sempre governar a nossa conduta”.21
Quando a assertiva acima inicia falando sobre Deus, está querendo dizer que o pilar de sustentação de nossas ações está no caráter do próprio Deus. Sendo assim, nada melhor do que olhar para o Deus missionário, o Deus que toma a iniciativa de resgatar a humanidade, o Deus que envia o próprio filho, filho que não apenas vem como Salvador, incumbido de transferir o ser humano da terra para o céu, mas, inclusive, disposto a tratá-lo com dignidade, carinho e atenção. A nossa motivação para agir em favor do próximo deve ser a ação divina em favor da humanidade.
Se na primeira parte da assertiva a exaltação recai sobre o caráter divino, na segunda, destaca o ser humano. A motivação da igreja na ação social passa inevitavelmente pela percepção de que Deus criou o ser humano à sua imagem. Esta percepção deve levar a Igreja ao arrependimento pelos tempos em que se omitiu e acomodou, deixando de agir de modo que gerasse transformação e libertação da humanidade em face de qualquer tipo de opressão.
O pacto, com muita felicidade, instiga os cristãos a partilhar do interesse divino pela justificação e reconciliação de toda a sociedade humana, pois o ser imagem de Deus e o ser por Ele criado, torna o homem indistintamente especial, de cujo valor a Igreja não se pode deslustrar, independentemente de raça, cor, religião, cultura, classe social, sexo ou idade.
Pretendendo evitar maiores delongas, neste momento, sobre a relação evangelização-responsabilidade social o que farei posteriormente. Porém, desde já, saliento o que o Pacto afirma sobre este aspecto.
Lausanne estabelece que a Igreja foi chamada, tanto para a evangelização, quanto para a ação social, entendendo que são elementos distintos e que devem integrar o dever cristão, pois ambos relacionam-se com o Ser de Deus e com o caráter c a necessidade do ser humano. Evangelização e ação social não são excludentes, ao contrário, devem ser parceiras na missão.
O parágrafo que ora se destaca também dá ênfase ao papel profético da Igreja. A mensagem de salvação é mensagem de juízo sobre toda alienação, opressão e discriminação, desta forma, ela também deve denunciar o mal e a injustiça onde quer que estes se façam presentes.
A alínea conclui com um desafio ao compromisso cristão pessoal. Ser cidadão do reino evidencia, na prática, aquilo que aconteceu na vida por causa da presença de Jesus. E esta presença deve revolucionar a vida do cristão. Ser cristão, significa ter passado por uma metamorfose, conceitos e posturas são revistos e transformados.
De alguma maneira, o que foi dito até aqui permite dispor de um vislumbre do que Lausanne afirmou sobre a responsabilidade social da Igreja. Mas, se a afirmação de Lausanne foi um progresso, tal atitude não foi vista com tanta tranqüilidade. O Pacto coloca, lado a lado, a evangelização e a responsabilidade social, mas não define a relação existente entre as duas. A responsabilidade social da igreja suscitou discussões quanto à preeminência. Afinal, quem virá primeiro: a evangelização ou a responsabilidade social?
As discussões e a desconfiança sobre a questão social em preterição da evangelização foram instrumentos que, em 1 982, em Grand Rapids, motivaram um grupo a debater e definir mais claramente qual a relação entre evangelização e responsabilidade social. Com maior exatidão, o tema será desenvolvido a posteriori.
Capítulo 2
Na primeira parte deste trabalho, foi apresentada a proposta de responsabilidade social do Pacto de Lausanne. Posteriormente, revelou-se a dificuldade em reconhecer-se a relação entre evangelizaçao e responsabilidade social, o que inevitavelmente gerou um certo conflito no Congresso Suíço. Indaga-se, porém qual dos dois seria mais importante. Será que evangelizaçao exclui a ação social da Igreja? Ou será que a ação social é que exclui a ação evangelizadora?
Cada época tem conhecido controvérsias e debates no campo da teologia, alguns de difícil aplicação para o cotidiano, como o clássico debate sobre o “sexo dos anjos” na Igreja Bizantina, outros de caráter mais relevante como “para que serve a Igreja?”, ou seja, qual a natureza de sua missão? Uma influência platônica tem estado presente ao longo da História do Cristianismo, separando corpo e alma, matéria e metafísica. Em nossos tempos essa influência tem sua face visível naqueles cristãos apenas preocupados com a “alma’1, a “vida espiritual” (contrastada com a vida material), o “outro mundo”, a vida após a morte, de tendência ascética, separatista e alienada. Para essas pessoas, a missão da Igreja é resgatar indivíduos isolados, garantindo-lhes a vida abençoada após a morte, enquanto aqui deve se separar do mundo, cultivar uma religiosidade intimista, lutando contra a “carne”, manifestada em usos e costumes. O mundo não tem futuro, nada nos resta fazer por ele, e não nos devemos meter em questões políticas, sociais e econômicas. A vida do homem deve se resumir a ir para o trabalho, para a igreja e para sua casa… e que tudo o mais vá para o inferno…22
Por ora, discorre-se detalhadamente sobre a controvérsia acima referida, a qual indubitavelmente despertou os mais significativos entraves para os participantes de Lausanne. As respostas às questões acima verificam o que de fato afirmou o mencionado congresso, levantando-se um apanhado de posições que encontram uma enorme dificuldade em relacionar a evangelização com a responsabilidade social.
O assunto em questão leva inevitavelmente a definições, mesmo sabendo que a conceituação importa enclausurar os termos “Evangelização” e “Responsabilidade Social”. Paralelamente, analisa-se o que o Pacto de Lausanne afirmou sobre a questão, bem como o que a Consulta de Grand Rapids, concluiu sobre o assunto, buscando entender como os dois elementos relacionam-se.
Falar sobre responsabilidade social encontra, ainda hoje, certa resistência de alguns, porque existe considerável receio de que a ação social engendre algum tipo de alienação evangelística. Peter Wagner afirma que vários grupos de trabalho foram nomeados pelas sete maiores denominações nos Estados Unidos da América, onde a maioria dos membros é branca (a Igreja Metodista Unida, a Igreja Evangélica Luterana, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Luterana — Sínodo de Missouri — a Igreja Episcopal, a Igreja de Cristo Unida e as Igrejas Batistas), para verificar a razão do decréscimo ocorrido em sua membresia no período entre 1946 a 1996, quando perderam dois terços de seus membros. Os relatórios concluíram que a forte preocupação com o social, em detrimento da obediência ao mandamento evangelístico, tem sido uma das principais causas do declínio das igrejas.23
A impressão é de que a resistência de certa ala da Igreja à questão social está diretamente relacionada com a influência do evangelho social, sendo este um tema defendido pelos liberais e que suscitou, da parcela conservadora da Igreja, o que ficou conhecido como os fundamentos, os quais eram artigos escritos por conservadores americanos de todas as denominações históricas que se coligaram para defender a fé cristã da intrusão do liberalismo nos seus seminários e igrejas. Os fundamentos deram origem ao termo Fundamentalismo, conforme o conhecemos, embora, hodiernamente, haja se tornado um conceito pejorativo.
Por um lado, se os fundamentalistas, como ficaram conhecidos aqueles que produziram e acolheram esse documento, resgataram a importância das Escrituras (inspiração, infalibilidade e inerrância), a divindade de Cristo, o nascimento virginal de Cristo e os milagres, o sacrifício propiciarório de Cristo e sua ressurreição literal e física e seu retorno, por outro lado, radicalizaram, chegando mesmo a atingir extremos tão perigosos quanto o liberalismo de que tentavam defender-se. Numa tentativa de rechaçar a teologia liberal com todos os seus “perigos” resolveram também repelir o que de melhor havia nos teólogos liberais, especialmente quanto à sua visão holística do ser humano e sobre a responsabilidade social da Igreja.
Ás vezes a diferença entre estes pontos de vista se evidencia não apenas em tensão, mas até numa polarização estéril, geralmente ao longo das linhas divisórias entre evangelicais e liberais, cada um deles manifestando uma reação exagerada em relação à posição do outro. Os primeiros tendem a concentrar-se exclusivamente na evangelização, negligenciando a necessidade social, seja ela comida para os famintos ou libertação e justiça para os oprimidos. Os últimos vão para o extremo oposto, tendendo a negligenciar a evangelização ou tentando reinterpretá-la em termos de ação sócio-polítíca, tais como a humanização de comunidades ou a libertação dos oprimidos. Assim o estereótipo evangelical tem sido espiritualizar o evangelho, negando suas implicações sociais, enquanto que o estereótipo ecumênico tem sido politizado, negando sua oferta de salvação para os pecadores. Esta polarização tem sido um desastre.24
Poder-se-ia esperar que a Igreja de Jesus estivesse habilitada a definir facilmente o significado de evangelização, tendo em vista a primazia que ela sempre destinou ao tema. Curiosamente é possível perceber que existem maneiras distintas de fazê-lo.
J. I. Packer, em seu livro, “Evangelização e Soberania de Deus”, esclarece a definição de evangelização apresentada pela Comissão de Arcebispos da Igreja Anglicana, em seu relatório sobre a obra evangelística da Igreja em 1918, nos seguintes termos: “Evangelizar é apresentar Cristo Jesus de tal modo que, no poder do Espírito Santo, os homens venham a depositar sua confiança em Deus através d’Ele, aceitando-O como seu Salvador e servindo-O como seu. Rei na comunhão de Sua Igreja”.25
Por sua vez, Wadislau Martins Gomes afirma que “mais que pregar, evangelizar é fazer discípulos, isto é, fazer seguidores de Jesus”.26
O que causa maior surpresa nas definições acima apresentadas é perceber que evangelização acaba confundindo-se com resultado. Sem resultados, conversão, discípulos, servos, não houve evangelização. Os dois conceitos esquecem-se de que o papel da Igreja é evangelizar, é proclamar as boas novas do reino de Deus, no entanto, o resultado não depende dela, mas da ação soberana de Deus. O Espírito Santo é aquele que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo.
Em Caruaru, cidade do Estado de Pernambuco, foi possível verificar-se que a busca por resultados levou as igrejas a se envolverem com o ministério de casais, na esperança de que, ao atingir um casal em crise, abrir-se-iam portas bem maiores, posto que os filhos, pais, sogros, parentes mais próximos que, de alguma forma vivenciaram o problema familiar, igualmente seriam alcançados. Quando o Encontro de casais com Cristo (E.C.C.) foi apresentado às igrejas evangélicas da cidade, estas se sentiram motivadas a investir no projeto. A reboque, implementaram encontros de jovens e de amigos, tentando, neste último caso, tratar de pessoas solitárias, solteiras, viúvas e divorciadas.
Os encontros de casais levaram inúmeras pessoas para dentro das Igrejas. Infelizmente, porém, as pessoas que eram convidadas a participar dos encontros não estavam concomitantemente repensando seus lares, mas sutilmente estavam sendo apenas evangelizadas. Tal afirmação refere-se à idéia defendida por alguns de que os fins justificariam os meios. Os resultados surgiram com velocidade vertiginosa. Em muito pouco tempo, as igrejas que introduziram os encontros puderam alegrar-se com os resultados, com os frutos. Mas, sem que percebessem, algo de errado estava acontecendo. Houve uma espécie de “constantinização” no seio da igreja caruaruense. As pessoas que foram chegando não estavam preparadas para o novo, até porque o ambiente dos encontros era bem diferente daquilo que as igrejas ofereciam em seus cultos, o que gerou um desconforto natural. Muitos dos que se aproximaram das igrejas e tornaram-se membros não foram preparados, discipulados, sequer acompanhados, mas passaram a integrar as respectivas comunidades que promoviam os encontros como fruto dessa busca desesperada por resultados por parte da liderança, gerando enorme mal estar e em seguida divisão nas igrejas.
Os encontros logo se depararam com opositores que entenderam que a postura das igrejas, diante do novo método evangelístico, limitava-se à busca de resultados imediatos, sem interesse pela transformação de vidas. A crise familiar era a ponte usada para a evangelização. A experiência em Caruaru reflete um pouco dos desvios que podem surgir na busca por resultados.
Carlos Caldas Filho apresenta ao menos quatro críticas, que julga as principais desse método que busca resultados a qualquer preço.
1 – A preocupação excessiva com quantidade, em detrimento da qualidade;
2 – Espiritualização da tarefa missionária da igreja em detrimento de outros aspectos importantes, como a luta pela justiça e o atendimento das necessidades humanas concretas;
3 – Uma “jejuitização” da metodologia missionária, no sentido de que “os fins justificam os meios”;
4 – Escassa (ou nenhuma) base bíblica para justificar a metodologia empregada.”
Não se pode ser injusto com os encontros de casais, de jovens e de amigos. Em alguns casos, houve transformação social. Maridos que eram alcoólatras experimentaram conversão e consequentemente tornaram-se melhores pais, maridos e profissionais. Houve também no seio das igrejas uma maior conscientização da sua tarefa evangelística. As comunidades evangélicas saíram do seu “gueto” e começaram a perceber a crise de outros e não somente as crises da família da fé.
Evangelização é a proclamação das boas novas da salvação em Jesus Cristo, visando a levar a efeito a reconciliação entre o pecador e Deus Pai, mediante o poder regenerador do Espírito Santo. Evangelização é parte essencial da missão da Igreja. Originalmente o termo evangelizomai, significa trazer ou anunciar o evangelion, as boas novas. O Congresso sobre Evangelização realizado na cidade de Berlim em 1966 descreve, de maneira prática e precisa, o que vem a ser evangelização:
Evangelização é a proclamação do Evangelho do Cristo crucificado e ressurreto, o único redentor do homem, de acordo com as Escrituras, com o propósito de persuadir pecadores condenados e perdidos a pôr sua confiança em Deus, recebendo e aceitando a Cristo como Senhor em todos os aspectos da vida e na comunhão de sua igreja, aguardando o dia de Sua volta gloriosa.2S
Existe uma lenda sobre a volta de Jesus à glória, após o seu tempo na terra que reflete a responsabilidade evangelística da Igreja. No céu, Ele continuava com as marcas de sua peregrinação na terra e, inclusive, as marcas da cruz e sua vergonha, Exatamente no céu tem lugar um diálogo entre o anjo Gabriel e Jesus.
— “Mestre, tu deves ter sofrido muito por causa dos homens na terra, disse Gabriel”.
— “Sim, de fato”, respondeu Jesus.
— “Jesus, eles sabem tudo sobre o teu amor e sobre o que fizeste por eles?”
— “Ó, não”, disse Jesus, “Ainda não. Neste momento apenas um punhado de gente na Palestina sabe”. Diante da resposta de Jesus, Gabriel ficou admirado e perguntou:
— “O que fizeste para que teu amor fosse conhecido?”
— “Pedi a Pedro, Tiago, João e alguns amigos para contarem sobre mim a outras pessoas. Quem me conhecer, por sua vez, contará a outras pessoas, que contarão a outras, até que toda a humanidade saiba do meu amor”.
Gabriel, conhecendo a natureza humana, perguntou com certo ceticismo:
“E se aqueles a quem de tal tarefa foi incumbida se esquecerem de proclamar a verdade? E se no século XX as pessoas não contarem umas às outras acerca do teu amor? Não existe um plano de emergência?”
— “Não. Estou contando com eles”, respondeu Jesus.”29
A evangelização continua sendo a tarefa prioritária da Igreja de Jesus e Ele continua contando com o Seu povo para proclamar as boas novas do reino. As seguintes definições foram adotadas pelo Comitê de Lausanne para a Evangelização Mundial:
Natureza: A natureza da evangelização é a comunicação das boas-novas.
Propósito: O propósito da evangelização é dar a indivíduos e grupos uma oportunidade válida de aceitar a Jesus Cristo.
Alvo: O alvo mensurável da evangelização é persuadir homens e mulheres a aceitar Jesus Cristo como Senhor e Salvador e servi-lo na comunhão de sua Igreja.30
O Pacto de Lausanne conceituou evangelização nos seguintes termos:
Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito Santo a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, a tomarem a sua cruz e a identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.31
Em sentido mais amplo, evangelização pode ser vista como a obra integral da Igreja para proclamar o Reino de Deus (Marcos 1.15). Ela compreende três amplas categorias:
♦ Evangelismo - proclamação do evangelho aos ainda não alcançados dentro de nossa própria sociedade ou cultura;
♦ Atividade missionária - uma proclamação que interage com a cultura do público-alvo;
♦ Atividade pastoral – ato de prover e aprofundar o evangelho entre aqueles que já o aceitaram.32
É, no mínimo, interessante perceber que a Igreja tem discutido um tema, ao qual se lhe atribui ênfase e certa primazia e, ao mesmo tempo, notar que a evangelização como ação proclamatória limita-se aos púlpitos e ao nosso gueto. O “indo” de Jesus na grande comissão parece não estar recebendo a importância que nosso discurso delega a ele. Quiçá algum dia a Igreja brasileira seja mais coerente com suas proposições. Se a evangelização deve ter primazia, que esta atinja a nossa práxis e afete a nossa criatividade, para que a ação proclamatória aconteça onde a Igreja está e não apenas onde o templo está. Para que isto aconteça, é preciso fazer uma releitura da grande comissão, a fim de que o nosso agir seja transformado. Restamos corroborar com Orlando Costas que, ao definir evangelização, diz:
Evangelizar é participar de uma ação transformadora, isto é, as boas-novas da salvação. Neste sentido, a evangelização não é um conceito, mas sim uma tarefa dinâmica, encarnada na vida e ação salvifica de Jesus Cristo. Portanto, ela não pode ser reduzida a uma fórmula verbal. Evangelizar pelo poder do Espírito Santo a salvação que foi revelada em Jesus Cristo.”
Este tema reveste-se de profundo significado, ao ser confrontado com as afirmações bíblicas e ao voltar-se os olhos para a história da cristandade e ainda, ao constatar-se a crise social, cujas estruturas encontram-se marcadas e maculadas pelo pecado e pela injustiça.
Referir-se à responsabilidade social não significa apenas destacar a filantropia, área muito bem visitada pela Igreja. A Igreja consegue, com cestas básicas, serviço médico ambulatorial, dentistas, tratar de questões que tocam à carência imediata do povo. Numa tragédia é possível ver a Igreja sendo solícita. Na região da mata pernambucana, depois de uma grande tragédia provocada pelas chuvas, foi possível ver a Igreja Evangélica mobilizar-se e engajar-se no socorro às vitimas. Toda essa ação, por mais saliente e importante, continua apenas no campo da filantropia, não alcança as estruturas mais profundas que visem a uma grande transformação. Ao falar sobre responsabilidade social precisamos ir mais adiante. Insofismável abarcar os atos de misericórdias e os atos de justiça.
A fim de explicitar o pensamento deste subscritor sobre responsabilidade social passo a delinear a definição de Hélcio da Silva Lessa que dividiu o tema em três categorias: Assistência Social, Serviço Social e Ação Social. Para facilitar sua definição, Lessa tenta contextualizá-la com uma história:
Nos idos do escravagismo, alguns cristãos, sensibilizados com os escravos castigados e violentados no pelourinho, resolviam ajudá-los com água, pão ou tratamento de suas feridas. Aquela atitude nobre, que não se relacionava com as causas da escravatura e mantinha o escravo na mesma situação, exemplifica o que se pode chamar de Assistência Social.
Na assistência social existe compaixão e manifestações práticas dessa compaixão. Existe coragem para, mesmo numa ínfima proporção, confrontar o erro, mas não existe transformação histórica, o escravo continuará sendo escravo e permanecerá sofrendo no pelourinho, esperando que uma alma caridosa venha cuidar de suas necessidades mais urgentes.
Outros cristãos, com uma visão mais aberta, mais ampla, vão além da assistência. De alguma forma, buscam assegurar a liberdade do escravo, através de levantamento de recursos para que ele seja comprado e libertado. Buscar-se-ão mecanismos para que o liberto encontre um trabalho e possa sobreviver nessa nova condição. Esse tipo de atitude, por mais louvável que seja, pode ser chamado de serviço social.
O problema neste tipo de ação, conquanto o senso de misericórdia tenha ultrapassado em muito a assistência social, pois neste caso se conseguiu a liberdade e um meio de subsistência do livre, é que de fato não operou aqui uma transformação histórica. Resolveu-se o problema de um escravo, mas a escravidão continuará a passos rápidos atingindo a outros e estes continuarão a ser espancados, levados ao pelourinho e muitas vezes violentados até à morte.
Alguns cristãos lançar-se-ão na luta contra a escravatura, para que se elimine definitivamente a opressão sobre o ser humano. Ação esta verdadeiramente eficaz, pois as estruturas serão alcançadas, a instituição escravagista será afetada significativamente. Agora sim, a possibilidade de uma transformação histórica se avizinha. Tal atitude pode ser chamada de ação social.34
O Comitê de Lausanne convocou uma consulta para discutir o tema da relação entre responsabilidade social e evangelização. A consulta julgou mais fácil dividir a responsabilidade social cristã em duas categorias, as quais, para fins de simplificação, podem ser chamadas de “serviço social” e “ação social” e foram distinguidas da seguinte maneira:
| SERVIÇO SOCIAL | AÇÃO SOCIAL |
| Socorrer o ser humano em suas necessidades | Eliminar as causas das necessidades |
| Atividades filantrópicas | Atividades Políticas e econômicas |
| Procurar ministrar a indivíduos e Famílias | Procurar transformar as estruturas da sociedade |
| Obras de caridade | Busca da Justiça 35 |
Pesa sobre a Igreja a responsabilidade de lutar contra essas estruturas de pecado que continuam oprimindo o ser humano. Não é possível ser Igreja e, ao mesmo tempo, alienar-se. A Igreja é o povo de Deus alerta às injustiças e que não se cala diante delas, ao contrário, esforça-se para que se faça justiça, para que o ser humano seja tratado com dignidade e experimente qualidade de vida já, aqui na terra, pois no céu, sem dúvida alguma, haverá plenitude de vida.
Não é tarefa fácil estabelecer termos, mas tarefa mais complexa é relacionar os já definidos, isto porque, nem sempre é fácil harmonizar palavras e ações; pregação e prática; denúncia e ação transformadora. Além desta dificuldade, é sabido que na caminhada da Igreja, principalmente a partir do final do século XIX e início do século XX, em função do temor da influência do liberalismo, tentou-se separar Evangelização de Responsabilidade Social, entendendo-se com isso que a Igreja seria poupada de todo e qualquer desvio de sua responsabilidade precípua que é a evangelização.
Talvez a única tarefa mais urgente de missões hoje seja relacionar evangelização e ação social. Os cristãos do movimento ecumênico tendem a desconsiderar ou então redefinir a evangelização de tal maneira que a necessidade de um relacionamento novo, pessoal com Deus por meio de Cristo fica diminuída. Outros se inclinam a manter as duas tarefas totalmente separadas, considerando que apenas a evangelização tem valor eterno.
Os cristãos de muitas nações são missionários no mundo hoje – cruzando fronteiras culturais com o amor de Deus. A obra missionária é agora mais extensa e mais internacional do que nunca. Essa obra não está isenta do fracasso de solucionar as questões atualmente debatidas. Mas sem dúvida os missionários cristãos serão mais bem equipados para a tarefa do seu Senhor e Mestre quando se chegar a um equilíbrio adequado entre os diversos aspectos de missões. Em particular:
1 – O evangelho deve ser proclamado tanto em palavras como em ação;
2 – Precisamos tanto identificar-nos com os não-cristãos em suas necessidades, quanto lhes contar as “boas novas” cristãs;
3 – A igreja não está envolvida apenas com a própria expansão, também é o agente da missão de Deus.36
Diante das conclusões do Pacto de Lausanne, que não conseguiu relacionar os dois temas, ação evangelizadora e ação social, conquanto, para ser fiel ao Pacto, em seu sexto parágrafo, faça menção da relação entre os dois temas, afirmando que “o serviço de evangelização abnegada figura como a tarefa mais urgente da igreja” 37. Mesmo assim, James Scherer lembra que algumas questões padeceram de respostas, face às várias alternativas ou opções que interligaram os dois temas. Senão, vejamos:
4 – A de que a responsabilidade social é um afastamento, ou mesmo uma traição da evangelização;
5 - A de que responsabilidade social é evangelização;
6 – A de que a responsabilidade social é uma manifestação – ou uma conseqüência – ou uma parceira da evangelização etc;
7 – A de que responsabilidade social e evangelização são componentes distintos, mas iguais do ministério da Igreja.38
Adiante se encontram delineadas alternativas ou opções que tentam relacionar evangelização e responsabilidade social, conforme Scherer e Nascimento. Num primeiro momento, mais precisamente nos dois primeiros tópicos, são tratadas as reações negativas a tal relacionamento, fruto de uma visão radical daqueles que acreditam que a ação social é uma traição ao evangelismo. Posteriormente, nos tópicos seguintes, são apresentadas as opções que tentam relacionar positivamente os dois temas.
Cristãos conservadores, que sustentam uma visão dispensasionalista, portanto destituída de esperança para o mundo, a qual se restringe ao céu, pois o mundo caminha rapidamente de mal a pior e ainda, que consideram a ação evangelizadora a única tarefa da Igreja, entendem que o envolvimento da Igreja com ações sociais é um ato de alheamento do evangelismo.
Neste sentido, a reação contra a ação social certamente tem uma relação com o liberalismo defendido pelo evangelho social. Para poupar a Igreja de qualquer desvio da verdade, de qualquer associação com as heresias liberais, desprezou-se a ação social, crendo que tal envolvimento seria, na prática, uma traição ao chamado da Igreja para fazer discípulos.
Para alguns, ação social e evangelismo andam juntos, um não existe sem o outro. Nascimento cita Emílio Castro em seu livro, “Liberation Development and Evangelism: Must we Choose in Mission” em que afirma que “o evangelismo existe somente onde há preocupação social, sem ela pode haver propaganda, proselitismo, mas dificilmente boa-nova” 39
Esta opção se torna perigosa, pois acredita que se não houve ação social não houve evangelização, no entanto é possível perceber que, na caminhada da Igreja e mesmo em textos bíblicos, como na parábola do Samaritano, houve ação social sem necessariamente haver evangelização como proclamação.
Dentre as várias opções sobre o relacionamento evangelização-ação social está aquela que acredita que a ação social pode ser um instrumento, um meio para a evangelização. Na Consulta de Grand Rapids, a ação social foi vista como ponte para a evangelização. Ela pode ser um mecanismo facilitador, derrubando preconceitos, desconfianças e abrindo portas para que a verdade do Evangelho fale ao coração do ser humano.
Como é sabido, as pessoas vêem os cristãos evangélicos como uma Igreja alheia à tragédia humana. Sendo assim, a ação abriria o ser humano para ouvir o que o Evangelho tem a dizer. A leitura da história das missões modernas apresentar-nos-á missionários que, v.g., investiram na saúde pública para facilitar a comunicação com aqueles que deveriam ser alcançados pelo evangelho.
Os defensores desta opção acreditam no envolvimento social como uma demonstração do evangelho. A ação social dá visibilidade à evangelização. Conforme Nascimento, “a analogia da fé e obra na epístola de Tiago é muitas vezes usada para explicar este ponto de vista”.40 Esta leitura utiliza-se do ministério de Jesus para mostrar que, com Ele, palavra e ação andavam de mãos dadas, como irmãs gêmeas.
A Consulta de Grand Rapids afirma que a ação social é uma conseqüência da evangelização, ou seja, a evangelização é o meio pelo qual Deus produz nas pessoas um novo nascimento e este novo nascer manifesta-se no serviço prestado aos outros. A definição vai mais adiante e assevera que mais do que simples conseqüência da evangelização, a responsabilidade social é um dos seus principais objetivos. Nesse sentido, entende-se que a resposta natural de uma pessoa alcançada pelo evangelho será o seu envolvimento em ações sociais transformadoras. Parece tratar-se de postura bastante perigosa, visto que se verifica, (ao voltar os olhos para a Igreja, mesmo sabendo que aqueles que a ela pertencem foram alcançados pelo evangelho), a falta de uma ação social séria e radicalmente transformadora. Parece, ainda, que o grande perigo revela-se na perpetuação do status quo, fruto de uma alienação, posto que a Igreja, em sua trajetória, muitas vezes se preocupa com assuntos periféricos, como construção de templo, modernização do som, aquisições de veículo para a comunidade, de terreno para o acampamento da igreja – que não dispõe de tempo, nem de condições financeiras para se envolver com o problema social alheio.
Obviamente não se pretende ser pessimista ao realizar tal critica, posto que teoricamente parece que a teoria alberga congruência com a visão bíblica. Povo transformado deveria ser povo engajado, mas, na prática, percebe-se exatamente o contrário. A Igreja tem exercitado o “ensimesmamento” e toda a sua estrutura parece voltar-se para o benefício da própria comunidade, o que, de alguma maneira, a conduz à alienação quanto à tragédia do outro.
Grand Rapids revelou também que a ação social foi vista igualmente como parceira do evangelismo e, no intuito de ilustrar essa parceria fez-se a seguinte comparação:
elas são como as duas lâminas de uma tesoura, ou como as duas asas de um pássaro.41
Essa parceria aplica-se tanto ao cristão, individualmente, como à igreja local. Obviamente, cada cristão recebe um dom e um chamado diferente que o habilita a concentrar-se em ministérios específicos, assim como os doze foram chamados para um ministério pastoral e os sete para um ministério social. É igualmente óbvio que diferentes cristãos encontram-se em diferentes situações de necessidade, e que cada uma requer uma resposta específica. Nós nãos estamos acusando o “bom samaritano”, por atar as feridas do viajante sem indagar sobre o seu estado espiritual, nem Filipe por compartilhar o evangelho sem inquirir as suas necessidades sociais. Estes foram, no entanto, chamados específicos e situações específicas. Falando em termos gerais, todos os seguidores de Jesus Cristo tem a responsabilidade de testemunhar e de servir, de acordo com as oportunidades que lhes forem dadas.42
Esta, que se traduz na oitava idéia, trata da valorização eqüitativa entre ação social e evangelismo. Nascimento apresenta, como alguns dos expoentes desta concepção, Ronald Síder, Samuel Escobar e David Bosch. Se alguma palavra pode ser vista como adequada para caracterizar a missão da Igreja, de acordo com Bosch, ela é o conceito bíblico de martyria (testemunha), que pode ser subdividida em kerigma (proclamação), koinonia (comunhão), diakonia (serviço) e leitougia (liturgia). Na história da Igreja é possível perceber esta inter-relação que valoriza tanto a ação social, quanto a evangelização.
Sendo este o último expediente de análise, afirmou-se que a ação social é parte da proclamação do evangelho. Em outras palavras, os defensores desta postura, advogam que a ação social da Igreja é mais do que alimentar os famintos, curar os doentes e providenciar recursos para que a sua tragédia seja minimizada. Entende-se que ela exige uma ação social mais profunda que possa trazer justiça social. A tarefa da Igreja continua sendo a de proclamar o Evangelho, no entanto, isto, em hipótese alguma, poderá fazer com que a Igreja cale-se diante dos desmandos sociais.
Você deve lembrar que este é um fenômeno um tanto novo. Os velhos reavivamentos são mencionados com grande carinho pelos líderes evangélicos. Contudo, parece que se esqueceram do que foram esses reavivamentos. Sim, os velhos reavivamentos da Grã-Bretanha, Escandinávia, e assim por diante, conclamavam com grande clareza e sem dúvida alguma, a uma salvação pessoal. Mas conclamavam também a uma ação social resultante. Leia a história dos grandes reavivamentos. Cada um deles seguiu este mesmo padrão, e não há melhor exemplo do que os grandes avivamentos de John Wesley (1703-1791) e George Whitefield (1714-1770).
Os reavivamentos de Wesley e Whitefield foram tremendos no chamado para a salvação individual, e milhares de milhares foram salvos. Contudo, até mesmo os historiadores seculares reconhecem que os resultados sociais do avivamento wesleyano, salvaram a Inglaterra de sua própria versão da Revolução Francesa. Devemos mencionar os nomes de alguns dos nossos precursores cristãos, com um grito de orgulho e gratidão a Deus: Lorde Schaftesbury (1801-1855), que ousou defender a justiça para o pobre em meio à revolução industrial; William Wilberforce (1759-1833), que foi a maior força pessoal solitária a mudar a Inglaterra de um país escravocrata para um país que, muito antes dos Estados Unidos, abandonou a escravatura legalmente e de fato. Estes homens não realizaram estas coisas por acaso, mas porque viam tudo isso como parte das Boas Novas cristãs. Deus usou pessoas envolvidas nos avivamentos para produzir os resultados não só de salvação individual, mas também de social.”
Afinal, qual a relação entre responsabilidade social e evangelização? Esta pergunta permanece no ar e como lembra Stott:
Muitos temem que quanto mais nós, os evangelicais, nos comprometermos com um, tanto menos estaremos comprometidos com o outro, e que, caso nos comprometamos com ambos, um dos dois com certeza sairá prejudicado; e, especialmente, que uma preocupação com a responsabilidade social certamente acabará embotando nosso zelo evangelístico.44
Ao contrário do que muitos pensam, entendo que a tarefa da Igreja deve abarcar as duas ações, a evangelizadora e a social. Ora, se houver fidelidade ao Evangelho de Jesus, a Igreja não cometerá o equívoco de priorizar uma ação em detrimento da outra. No entanto, creio, ainda, que se deve usar o bom senso ao decidir qual será a atividade a encabeçar o contato da Igreja com dada comunidade. Conquanto devam andar juntas, a evangelização e a ação social podem existir independentemente.
A consulta reafirmou que a ação prioritária da Igreja é a evangelização, por duas razões elementares: primeiro, referida prioridade não é temporal, mas lógica, pois existem situações em que o ministério social precisará vir inicialmente. No entanto, em alguns países, o progresso social tem sido obstaculizado devido à predominância de uma cultura religiosa e somente a evangelização pode modificar este cenário; em segundo e último lugar, a evangelização relaciona-se com o destino eterno das pessoas. Raras serão as vezes em que a Igreja haverá de optar entre ação social ou evangelização, mas em acontecendo, ela precisa lembrar-se de que a necessidade suprema e máxima de todo ser humano é a graça salvadora do Senhor Jesus.45 id., p.22.
Concluindo este segundo capítulo, quero citar aquilo que Manfred Grellert afirmou com muita propriedade:
“A evangelização pode ter prioridade na missão integral da igreja, conforme a ênfase de Lausanne. Mas ela não será bem-sucedida sem o equilíbrio na missão integral da mesma. Uma comunhão patológica, uma edificação anêmica, um culto festivo e vazio e uma ação social ausente geralmente resultam numa elefantíase evangelística e numa inchação das igrejas.46
Em trecho de determinado artigo, abaixo transcrito, observa-se que o autor fez severa crítica à falta de influencia da Igreja Evangélica Brasileira. Segundo este mesmo autor, a Igreja se diz grande, mas essa superdimensão não transforma o estado de miséria e desigualdade social presentes no país, Senão, vejamos:
Dizem que o total dos supostos evangélicos é de 30 milhões. Mas por que o padrão moral e a ética da sociedade degeneram-se a cada dia? Onde está a influência dos supostos evangélicos? Será que a miséria, a desigualdade social e os salários de fome não incomodam aqueles que deveriam não se conformar com este século, mas transformá-lo pela renovação da mente? A população não tem perspectiva de vida, as pessoas não têm mais rumo, onde estão os padrões éticos, morais e religiosos que são a base da sociedade? A Reforma Protestante abalou o mundo, os puritanos diziam que a ignorância é a maior aliada de satanás. A diferença entre os protestantes do passado e os supostos evangélicos de hoje é que: 1. Os do passado criam no verdadeiro evangelho que necessariamente gera o não-conformismo com o mundo, e o desejo de implantar os aspectos do Reino de Deus nesta sociedade: justiça, paz e alegria. 2. Eram reformados de verdade, temiam verdadeiramente a Deus. É por isso que as coisas estão desse jeito… dizem que crêem no mesmo Evangelho de nossos pais. Será?47
O texto acima comete o equívoco de não fazer uma análise histórica dos fatos que influenciaram a Igreja Evangélica no Brasil, tornando-a o que é hoje. Consubstancia-se fácil colocar a Igreja na berlinda e atirar-lhe pedras. Essa posição reveste-se de comodidade e simplismo, pois não detecta os fatores que a levaram a ser o que ela é. Se, por um lado, o artigo peca por desprezar a história, por outro, tem a virtude de enfatizar a necessidade de coerência entre discurso e prática.
Neste capítulo, revisita-se a história da Igreja, buscando entender porque uma Igreja como a evangélica brasileira, com tanto potencial e que continua a experimentar um crescimento tão expressivo, denominado por alguns de avivamento, não consegue exercer uma influência mais significativa e transformadora no contexto em que está inserida e ainda, porque contínua restringindo sua ação social à filantropia e, muitas vezes, limitando-a à igreja local. Relendo a história, será possível perceber o enorme desafio que pesa sobre a Igreja, isto porque, tanto na história da Igreja Cristã, como na história da Igreja Evangélica no Brasil é possível vislumbrar dados maravilhosos sobre o papel social da Igreja.
A Igreja Evangélica é filha da Reforma Protestante do século XVI, movimento que havia algo a dizer, não apenas sobre eclesiologia e espiritualidade, mas sobre questões políticas e sociais, mesmo assim, infelizmente, a Igreja Evangélica distanciou-se da práxis e do discurso reformado. Afastamento que parece encontrar influência em eventos históricos mais recentes, os quais levam a Igreja à alienação quanto aos aspectos sociais.
Entende-se que um dos elementos inibidores da ação social da Igreja é a influência do Fundamentalismo sobre ela, mas antes de demonstrá-la, necessário se faz compreender o seu nascimento, o seu contexto histórico e o seu desvirtuamento. A melhor compreensão do tema, porém, requer o entendimento acerca da influência do liberalismo teológico.
O liberalismo teológico teve sua origem na Alemanha, onde convergiam várias correntes teológicas e filosóficas no século XIX. O pensamento alemão teve um impacto profundo sobre as teologias britânica e norte-americana, mas movimentos autóctones nos dois lugares, a tradição da igreja Ampla na Inglaterra e o Unitarismo nos Estados Unidos, moldaram de modo significativo o desenvolvimento do liberalismo ali.48
A melhor maneira de compreender a origem do Fundamentahsmo faz-se quando se entende que ele nasce tentando combater o crescimento do liberalismo teológico radical nas principais denominações históricas dos Estados Unidos ao final do século XIX e início do século XX.
Augustus Nicodemus Lopes apresenta as principais doutrinas do liberalismo:
1 – O caráter de Deus é de puro amor, sem padrões morais;
2 – Existe uma centelha divina em cada pessoa;
3 – Jesus Cristo é Salvador somente no sentido em que ele é o exemplo perfeito do homem;
4 – O Cristianismo só é diferente das demais religiões quantitativamente e não qualitativamente;
5 – A Bíblia não é o registro infalível e inspirado da revelação divina, mas o testamento escrito da religião que os judeus e os cristãos praticavam;
6 – A doutrina ou declarações proposicionais, como as que encontramos nos credos e confissões da Igreja, não são essenciais ou básicas para o Cristianismo, visto que o que molda e forma a religião é a experiência e não a revelação.49
Se a teologia liberal afetou alguns aspectos fundamentais da fé, não se pode esquecer que, de alguma maneira, os liberais dispunham de uma visão sobre o ser humano que o aproximava do prisma bíblico. Acredita-se que uma das virtudes daquele período foi estabelecer-se uma visão integral do ser humano. Os teólogos liberais entendiam que Deus estava interessado no ser humano e em seu sofrimento. O que nos gera inquietude é perceber que, se eles acertam na práxis, cometem um erro elementar ao desprezar aquelas verdades essenciais da fé cristã.
No final do século XIX e início do século XX, os teólogos liberais desenvolveram o chamado ‘evangelho social’ que nada mais era do que uma tentativa de construir o reino de Deus na terra, por causa dessa tentativa o ‘evangelho social’ foi visto como uma perversão do verdadeiro evangelho.
O termo, ‘evangelho social’, com sua associação atual com o pensamento social protestante teologicamente liberal e modernamente reformista, veio a ser usado por volta de 1900, para descrever aquele esforço protestante no sentido de aplicar princípios bíblicos aos crescentes problemas urbano-industriais dos Estados Unidos emergindo durante as décadas entre a Guerra Civil e a Primeira Guerra Mundial.50
O mais popular porta-voz do chamado evangelho social foi Walter Rauschenbusch. Sua visão foi influenciada pela experiência pessoal ao deparar-se com opressiva pobreza, essa experiência determinou sua mensagem. John Stott cita duas afirmações de Rauschenbusch que certamente significou uma reação de rejeição, por parte da ala mais ortodoxa da Igreja evangélica a qualquer programa social. Ele contrastou:
1 — ‘O antigo evangelho da salvação de almas com’ ‘o novo evangelho do Reino de Deus.’ ‘Não se trata de levar indivíduos para o céu’, escreve, ‘mas transformar a vida aqui na terra na harmonia do céu’.
2 – ‘O propósito essencial do cristianismo’ é ‘transformar a sociedade humana em Reino de Deus através da regeneração de todos os relacionamentos humanos’ 51
Como a atitude de Rauschenbusch foi politizar o Reino de Deus, é compreensível e lamentável que a reação dos evangélicos tenha sido concentrar-se na evangelização e na filantropia pessoal, mantendo-se distantes da ação sócio-política.52
O Fundamentalismo foi um movimento que surgiu nos Estados Unidos durante e imediatamente após a Primeira Guerra Mundial e tinha por escopo reafirmar o Cristianismo ortodoxo e defendê-lo contra os desafios e a influência da teologia liberal, da alta crítica alemã, do darwinismo e de outros pensamentos considerados danosos ao Cristianismo, mais precisamente no seio das principais denominações históricas dos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX.
Segundo Lopes, o termo “Fundamentalista’ foi usado por três razões:
1 – Os conservadores insistiam que o liberalismo atacava determinadas doutrinas bíblicas que eram fundamentais do Cristianismo, e que, ao negá-las, transformava o Cristianismo em outra religião, diferente do Cristianismo bíblico.
2 – A publicação cm 1910-1915 da série Os Fundamentos, 12 volumes de artigos, escritos por conservadores, onde defendiam os pontos fundamentais do Cristianismo e atacavam o modernismo, a teoria da evolução, etc. Foram publicadas 3 milhões de cópias e espalhadas pelos Estados Unidos. Há artigos de eruditos conservadores como J. G. Machen, John Murtay, B. B. Warfield, R. A. Torrey, Campbell Morgan e outros.
3 – Muito embora o conflito entre os liberais e fundamentalistas envolvesse muito mais do que somente os pontos abaixo, os mesmos foram considerados na época, pelos conservadores, como os pontos fundamentais da fé e do Cristianismo evangélicos e acabaram se tornando o slogan dos conservadores e a bandeira do movimento fundamentalista:
- A inspiração, infalibilidade e inerrância das Escrituras;
- A divindade de Cristo;
- O nascimento virginal de Cristo e os milagres;
- O sacrifício propiciatório de Cristo;
- Sua ressurreição literal e física e seu retorno. 53
Discorre-se no tópico seguinte sobre o desenvolvimento histórico e teológico do fundamentalismo na Igreja Cristã nos Estados Unidos e no Brasil, dividindo-o em quatros partes ou fases.
A fase inicial englobou a articulação daquilo que era fundamental ao Cristianismo e ao início de uma batalha urgente almejando expulsar das fileiras das igrejas os inimigos do protestantismo ortodoxo. Nesse período, os avessos à ortodoxia foram nominados e dentre eles, encontram-se o romanismo, o socialismo., a filosofia moderna, o ateísmo, o mormonismo, e, acima de tudo, a teologia liberal fulcrada numa interpretação naturalista das doutrinas da fé.
Nessa época, publicou-se a série Os Fundamentos. O alvo era atacar o naturalismo, o liberalismo e todos os males a eles associados. A inerrância das Escrituras é reafirmada como sendo doutrina bíblica e fundamental. Ainda no mencionado período, gradativamente começou-se a adotar o dispensacionalismo como um dos pontos fundamentais da fé cristã, o que provocaria, na fase subseqüente, uma importante divisão no movimento.
Até cerca de 1926, o movimento fundamentalista percebe ter fracassado na tentativa de fazer uma limpeza no arraial protestante dos modernistas. A época foi gravada pelo divisionismo e o nascimento de novas igrejas, instituições e associações. Foram formadas novas denominações como a Associação Geral de Igrejas Batistas Regulares (1932), a Igreja Presbiteriana da América, ou PCA (1936), Associação Batista Conservadora da América (1947), as Igrejas Fundamentalistas Independentes da América (1930) entre outras.
Naquela fase, a lição teológica mais marcante era a de que os fundamentalistas representavam o Cristianismo verdadeiro, baseado numa interpretação literal das Escrituras, e essa verdade devia ser expressa concretamente, desvinculada dos liberais e dos modernistas. Chegou-se a estabelecer, nesse momento, uma prática carregada daquilo que eles acreditavam ser puro na moralidade pessoal e na cultura norte-americana. Torna-se marcante a indiferença aos problemas sociais e o termo fundamentalismo ganha uma conotação de ‘divisionismo’, intolerância’ e de ‘antiintelectualismo’.
No período acima compreendido, o fundamentalismo continua a batalha contra o liberalismo, de fora das denominações e contra um novo inimigo, o neo-evangelicalismo. O movimento ganha repercussão internacional.
Em 1948 foi criado o Concilio Internacional de Igrejas Cristãs, formado por denominações, igrejas e indivíduos que se identificaram com a bandeira fundamentalista, em oposição ao Concilio Mundial de Igrejas, que possuía uma visão ecumênica e liberal. Os ataques fundamentalistas dirigiram-se aos neo-evangelicais ou evangelicais, uma ala dentro do fundamentalismo que deseja preservar os pontos fundamentais da fé, mas não havia interesse no divisionismo da primeira geração, por julga-lo um grande perigo ao verdadeiro Cristianismo, em virtude da sua abertura para outros cristãos e associação com os liberais.
O fundamentalismo Norte Americano adentrou uma nova fase, principalmente a partir da campanha de Ronald Reagan à presidência dos Estados Unidos, o que o fez ganhar novo impulso, pois se dispôs a dar respostas para a crise social, econômica, moral e religiosa que se estabelecera no país. Percebeu-se, então, um resgate dos princípios que marcaram a década de 1920.
Lopes apresenta algumas características desta fase:
1 – Surgem novos ministérios de uma nova geração de fundamentalistas, utilizam-se da mídia, televisiva e impressa. Entre eles: Jerry Falwell, Tim LaHaye, Hal Lindsey, James Dohson, Pat Robertson.
2 – O alvo principal dos ataques fundamentalistas era o domínio do governo por humanistas e as conseqüências disto para a nação, em termos de libertinagem e relaxamento dos valores morais. O grande receio é de que o Cristianismo seja banido da América.
3 – Estes líderes e outros mantinham os mesmos pontos doutrinários e a mesma visão separatista da primeira geração de fundamentalistas, embora o inimigo fosse outro, nesse caso o humanismo.
4 – É formada a Maioria Moral (1979) sob a liderança de Jerry Falwell, para combater o liberalismo moral e social nos Estados Unidos,
5 – O fundamentalismo ganhou maior torça com o ato de que o movimento evangelical começou a dar mostras de que a política de boa vizinhança com liberais e católicos terminava em prejuízo para a fé bíblica. 6 – Por outro lado, os escândalos na década de 1980, envolvendo o casal Bakker, televangelístas fundamentalistas, causaram um grande revés no movimento dentro dos Estados Unidos.54
Sem dúvida alguma, o fundamentalismo, atualmente nos Estados Unidos continua sua caminhada. Seu crescimento e sua influência não se fazem mais por meios denominacionais, mas sim por intermédio da multiplicação de uma mentalidade fundamentalista nos aspectos teológicos e apologéticos.
Parece que se pode concluir que, sem resquícios duvidosos, o movimento fundamentalista teve seus aspectos positivos, como, por exemplo, a luta pela fidelidade às Escrituras, uma busca contínua pelo resgate do Cristianismo histórico. No entanto, é preciso lamentar o seu separatismo, seu preconceito, sua omissão quanto à responsabilidade social, fruto de uma visão escatológica dispensacionalista.
O período do protestantismo peregrino marcou o momento em que a Igreja perdeu o sentido sobre sua vocação, “no mundo sem ser do mundo”. Ela tinha tanto medo de contaminar-se e perder seu real significado, que preferiu olhar para o céu. Inevitavelmente constatou-se que a alienação fez-se presente, afinal, somos apenas peregrinos, gente que não tem residência aqui no mundo, mas tem um lar no céu, preparado desde a eternidade. Ela se tornou a Igreja que não pode pensar o transitório porque tem a eternidade diante de si. Antonio G. Mendonça afirma que:
Protestante comum vive no provisório. Sua ética de negação do mundo o conduz à constante expectação do porvir, do mundo ahistórico do além, muito melhor do que o presente. Se essa expectação o leva a cantar as glórias e os prazeres de sua futura e verdadeira pátria, leva-o, em contrapartida a recusar os valores do presente. O mundo presente é um tempo de peregrinação. Ele não tem morada. Ele não tem repouso e está rodeado de inimigos. Sente-se estrangeiro na terra, de modo que o seu viver é um penoso caminhar para a pátria celestial. Repete-se a velha alegoria puritana de João Bunyam. 55
Mendonça crê que o final do século XIX e, em boa parte, o início do século XX, foram marcados pelo sentimento de peregrinação, fato que, de algum modo, parece haver perdido sua característica por causa das mudanças sociais muito acentuadas, ocorridas no período da industrialização urbana.
Submetendo os hinários à análise, percebe-se inegavelmente que aquilo que reflete muito bem essa postura alienante, marca do protestantismo peregrino. Abaixo são alistados dois hinos que retratam esse período.
ASPIRAÇÃO DO CÉU
Vou à Pátria – eu peregrino -,
A viver eternamente com Jesus,
Que concedeu-me feliz destino
Quando ferido, por mim morreu na cruz.
Vou à Pátria – eu peregrino -
A viver eternamente com Jesus!
Vou à Pátria – eu peregrino -,
A viver eternamente com Jesus! 56
A MENSAGEM REAL
Sou forasteiro aqui, em terra estranha estou,
Celeste Pátria, sim, é para onde vou.
Embaixador por Deus, do Reino lá dos céus,
Venho em serviço do meu Rei!
É a mensagem que me deu
Provinda lá dos altos céus:
Que nos reconcilieis
Com o Senhor Rei meu!
Reconciliai-vos já com Deus! 57
Outro elemento que alimentou essa alienação social pela Igreja foi a sua visão escatológica pré-milenista. Embora não se pretenda fazer um estudo escatológico, delineia-se apenas uma breve análise desse ponto de vista para que se entenda a sua influência sobre a igreja brasileira.
Os pré-milenistas crêem que Jesus voltará antes dos mil anos (milênio) em que Cristo reinará sobre o mundo, o qual sobreviverá à destruição e ao julgamento que visitarão a terra na grande tribulação, eliminando-se assim, todas as mazelas e injustiças sociais. A idéia elimina a necessidade de preocupar-se com os problemas sociais de hoje, pois, quando Jesus voltar, todos serão resolvidos.
Eu sei que alguns vêem as tragédias mundiais com uma ponta de prazer, afinal isto é apenas o prenuncio de que a volta de Jesus para buscar sua Igreja é iminente. Nota-se que alguns crêem, sinceramente, que tentar reverter o quadro social do mundo é lutar contra o inexorável, pois entendem que a pobreza é algo a nos acompanhar em escala cada vez maior (Mt. 26.11), porque esta é a passada da humanidade em direção ao final dos tempos. O Senhor Jesus, falando proféticamente, ensina-nos que o mundo caminha de mal a pior — filhos estarão contra os pais, pais contra os filhos, irmãos contra irmãos, guerra e rumores de guerras, marcas comuns no final dos tempos (Mt. 224.6, Mc. 13.7). Eles perguntam: “Como transformar aquilo que é inevitável?”
“A adoção da teologia fundamentalista, que quase sempre também é pré-milenista, gera, na prática, alienação sócio-política, como se tem observado na maior parte da comunidade evangélica brasileira”. 58
Como se não bastasse uma teologia fundamentalista conservadora; que abriu mão de uma ação social relevante e chegou ao Brasil na bagagem dos missionários advindos da América do Norte, a visão política de tais missionários era direitista e anticomunista, sendo assim, tudo o que cheirasse a comunismo ou a esquerda deveria ser veementemente combatido pela Igreja como sendo algo que fatalmente afetaria a visão bíblica desta e não somente isto, ela correria o risco de ver sua liberdade religiosa cerceada.
Nesse pacote, a Teologia da Libertação tornou-se uma grande ameaça e uma revolução como a de 1964 e foi vista como manifestação da bênção de Deus contra os ameaçadores comunistas.
Depois de fazer uma visita à história buscando entender o que levou a Igreja a uma clara alienação quanto à questão social, segue-se a viagem pela história, verificando o testemunho histórico da missão integral, entendendo-o como um desafio à Igreja.
Capítulo 3
Os pais apostólicos foram influenciados, de maneira insuspeitável, pela pessoa de Jesus. O Senhor sempre teve uma atitude diferenciada diante do ser humano. Ele anunciava a chegada do Reino, que deveria produzir arrependimento, mas sem dúvida alguma, a influência do Reino deveria levar às boas obras que testificariam do Senhor.
Antonio José do Nascimento Filho cita “O Pastor de Hermas” como um homem de fé, que não se expressava apenas em palavras. Sua fé foi traduzida em gestos por meio de amor e da preocupação pelas pessoas necessitadas ao seu redor. A dedicação social e a prática foram o resultado inevitável de sua conversão espiritual. Clemente de Roma expõe esta íntima relação entre justificação e boas obras, quando diz:
Por meio da fé, pela qual Deus todo-poderoso tem justificado todos os homens desde o início do mundo… o que faremos, pois, irmãos? Que o forte cuide do fraco e que o fraco reverencie o forte. Que o homem rico ajude o pobre e que o pobre dê graças a Deus por aquele que supriu sua necessidade? 59
No século III d.C, o pagão Celso e o cristão Origines se engajaram num debate sobre o Cristianismo. Durante a discussão, Celso haveria declarado: quando a maioria dos mestres sai a ensinar, gritam: “venham a mim, os que são limpos e dignos”, e os que o seguem são as pessoas do mais alto gabarito existente. Mas seu mestre é néscio e grita: “Venham a mim os abatidos e afligidos pela vida”, de forma que se acumulam ao seu redor os marginalizados e excluídos da humanidade.
A resposta de Origines a Celso é descrita como uma das declarações mais profundas, jamais feita acerca do poder do Cristianismo:
sim, eles são os marginalizados e excluídos da humanidade. Mas Jesus não os deixa assim. De um material que alguém diz ser inútil, ele forma “pessoas fortes”, devolvendo-lhes seu respeito próprio, capacitando-os para se sustentarem sobre seus próprios pés e olhar em Deus nos olhos. Eles eram objetos amedrontados, desprezados, quebrantados. Mas o Filho os libertou! 60
Em seu livro “O Nome da Rosa”, que serviu de fonte para um filme homônimo, Umberto Eco conseguiu descrever o que acontecia num mosteiro da Idade Média e como, naqueles dias, a Igreja encontrava-se distante de sua vocação. Os pobres eram apresentados como pessoas miseráveis que comiam das sobras que lhes eram dadas pela Igreja.
Sem dúvidas, a visão de que dispomos sobre a Idade Média é a de que a Igreja viveu sem produzir transformação — aquela era a idade das trevas — pois perdeu o propósito da sua missão. Warren Wiersbe cita um fato entre Rafael e alguns líderes da Igreja: Rafael pintava os famosos afrescos do Vaticano, quando alguns cardeais pararam perto, a fim de observar e julgar o trabalho. “O rosto do apóstolo Paulo está vermelho demais”, disse um deles. Rafael respondeu: “Ele cora ao ver nas mãos de quem está a igreja”.61
Felizmente, mesmo nesses momentos mais obscuros, a Igreja ainda conseguiu desenvolver a missão. Nascimento Filho lembra que:
“a atividade social cristã na Igreja medieval era fortemente influenciada pela crença em um estado cristão universal em que, tanto a Igreja como o estado, eram instrumentos de Deus para alcançar os propósitos para o homem. Era, portanto, responsabilidade tanto da Igreja como do estado promover o evangelismo e responsabilidade social” 62
O período reformista foi bastante conturbado, mas, mesmo diante de todas as dificuldades surgidas por causa das vozes que se levantaram contra o caos presente no seio da Igreja, a Igreja nascente, fruto da Reforma Protestante, foi marcada pela presença da missão integral. Ela era uma Igreja preocupada com a salvação pela graça, mas que entendia que o ser humano deveria ser tratado integralmente com dignidade. Não se deve limitar a Reforma Protestante do século XVI a um movimento espiritual e eclesiástico. Sem dúvida alguma, a ação dos reformadores também trouxe conotações e implicações políticas e sociais.
Ainda que superficialmente, adiante são delineados os papéis de dois reformadores no que tange à questão social, Martinho Lutero e João Calvino. Dos textos de Augustus Nicodemus Lopes e, principalmente, do livro de André Biéler são extraídas algumas informações sobre Calvino.
Lutero ficou conhecido como teólogo, pregador e reformador, mas o seu agir não é fruto apenas de uma reflexão teológica, e sim, de sua experiência com o cotidiano. “O dado religioso se constrói na história, em meio aos fenômenos sociais, políticos e econômicos” 63
O reformador reconhece que o cristão é cidadão pertencente a dois reinos, o Reino de Deus e o reino deste mundo e isto nos ensina que, sob o prisma de Lutero, o ser humano é responsável diante de Deus e da autoridade civil. Por isso mesmo, ele dá ênfase ao papel social do cristão em suas 95 teses:
43º – Os cristãos devem ser ensinados que aquele que dá ao pobre ou empresta ao necessitado pratica uma obra melhor do que comprar perdões.
45º – Os cristãos devem ser ensinados que aquele que vê um homem em necessidade, e passa por ele, e dá (seu dinheiro) por perdões, não compra as indulgências do papa, mas a indignação de Deus. 64
Nascimento Filho afirma que “Lutero, em oposição à visão anabatista de separação entre igreja e estado, acreditava que Deus pode usar o governo secular para estabelecer a justiça social”. 65
Pensar sobre a ação social na perspectiva de João Calvino é pensar, inevitavelmente, sua teologia, pois esta é pressuposto para formular sua reflexão e motivar aqueles que estavam ao seu redor a uma ação efetiva. Ocorre, porém, que toda a leitura de Calvino sobre o aspecto social passa pela realidade por ele vivenciada. Ele pastoreou uma igreja na cidade de Genebra e ali, os problemas sociais comuns por toda a Europa se faziam presentes, dentre eles: pobreza extrema, altos impostos, salários miseráveis e uma jornada de trabalho extenuante. Ademais, o analfabetismo era igualmente habitual, a ignorância estava presente, bem como os vícios e a prostituição. Aquela era uma sociedade enferma.
No seio de uma sociedade achacada foi que Calvino desenvolveu sua teologia e sua visão sobre a responsabilidade social da Igreja. Na leitura daquele reformador, a miséria era um claro sinal da corrupção humana, fruto da queda. Ele faz sérias denúncias sobre os pecados sociais, falando sobre a estocagem de alimentos que visam ao enriquecimento de poucos, denunciando a especulação financeira oriunda do egoísmo e da avareza do ser humano.
Mas Calvino dispunha de uma teologia que ultrapassava questões individuais e espirituais. Cristo Jesus é o Senhor de toda a existência humana, sendo assim, era dever da Igreja dar atenção também aos temas sociais e políticos.
Três aspectos resumem a visão de Calvino sobre a responsabilidade social da Igreja: os ministérios didático, político e social.
A contento, a Igreja não limitou sua ação a um momento particular da história. No período do pós-reforma, ainda podemos encontrar o bom cheiro do agir da Igreja tratando de assuntos sociais que eram tão importantes naqueles dias. Destacaram-se, naquela época, dois personagens que desempenharam papéis relevantes na sociedade em que estavam inseridos no que pertine ao tema sociológico.
Ao voltar-se os olhos para o período conhecido como dos Reavivamentos, certamente se aperceberá a brilhante figura de John Wesley. Como lembra muito bem Clóvis Pinto de Castro, Wesley certamente fez a seguinte afirmação: “O mundo é minha paróquia”. 66 Essa leitura da relação Igreja/mundo teve uma influência significativa em seu ministério. Segundo Cavalcanti: “Ninguém foi mais holista e mais integral em sua visão missionária do que Wesley”.67
O despertamento espiritual do século XVII revelou-se, de um modo maravilhoso, no desenvolvimento das obras sociais de caráter cristão. O amor de Deus, sentido e experimentado com o novo poder que procedeu do reavivamento anunciado por toda parte, constrangia os homens ao amor e ao serviço em favor do próximo.
René Padilla afirma que a última carta de Wesley foi escrita em 24 de fevereiro de 1791, apenas seis dias antes de sua morte, e foi dirigida a William Wilberforce em sua luta no Parlamento a favor da abolição da escravatura. Na carta, o grande pregador dizia ao político:
A menos que Deus tenha te levantado justamente para a tarefa, a oposição dos homens e dos demônios será inesgotável; mas se Deus está contigo ‘quem será contra ti?’ Siga adiante em nome de Deus e no poder de sua fortaleza, até que a escravidão norte-americana, a mais vil que jamais fora vista à luz do sol, se desvaneça diante dele.68
Wesley trabalhou incessantemente para o bem estar espiritual e material daqueles a quem proclamava o Evangelho de Jesus. Dentre as muitas ações transformadoras na área social, encontramos a abertura de clínicas gratuitas, o estabelecimento de uma espécie de cooperativa de crédito, escolas e orfanatos. Stott lembra que “os historiadores atribuem à influência de Wesley — muito mais que a qualquer outra coisa — o fato de a Inglaterra haver sido poupada dos horrores de uma revolução sangrenta como a da França”.69
William Wilberforce (1759-1833) era um jovem aristocrata rico da Inglaterra do século XVIII. Ele era um promissor membro do Parlamento. Viveu uma vida tolerante de acordo com os padrões da sociedade dos seus dias. Após experimentar uma profunda conversão, afastou-se dos excessos e das frivolidades, dedicando sua visão política à causa de Deus.
Logo depois de sua conversão, Wilberforce sentiu-se motivado a se envolver com o ministério pastoral. Por essa razão, imaginou que deveria afastar-se da política, entendendo que as duas coisas não poderiam andar juntas. No entanto, naquele momento, o ex-comerciante de escravos, John Newton, autor do hino “Amazing Grace” convenceu Wilberforce de que Deus o queria envolvido com a política ao invés de entrar para o ministério. Ainda assim, o jovem envolveu-se com a evangelização e a proclamação da Palavra; no entanto, sua vocação era política, o que o fez entender que Deus o havia levado ao poder público para lutar contra a terrível maldade da escravidão e do tráfico de escravos.
Em 1787, o jovem político iniciou sua cruzada. Os navios negreiros, pertencentes a europeus cristãos, transportavam, por ano, 100 mil africanos capturados para a América do Norte. Todavia, a Inglaterra, seu país natal, era a líder desta tirania selvagem. Wilberforce sabia que a escravidão era um terrível pecado contra Deus e contra o próximo, por isso ele se posicionou tão ferrenhamente contra tal instituição.
Segundo Francis Schaeffer, William Wilberforce foi a maior força pessoal solitária a transformar a Inglaterra de um país escravocrata para um país que, muito antes dos Estados Unidos, abandonou a escravatura de fato e de direito. 70
Diante da história, é importante identificar as realizações da Igreja Evangélica Brasileira. Neste trabalho, sucintamente é apresentada a posição de algumas denominações históricas sobre a questão social, bem como um extrato do pronunciamento social dessas denominações, dentre elas as Igrejas Presbiteriana do Brasil, Batista e Metodista, bem como o pensamento da Confederação Evangélica, o envolvimento dos evangélicos com a Liga Camponesa e o nascimento da Associação Evangélica Brasileiro (AEVB).
Em 12 de agosto de 1859, desembarcava no Rio de Janeiro o primeiro missionário presbiteriano. Era um jovem de 26 anos, solteiro, formado recentemente no seminário de Princeton e recém ordenado ao sagrado ministério, seu nome, Ashbel Green Simonton.
Na reunião do Presbitério do Rio de Janeiro em julho ele 1867, menos de cinco meses antes ele morrer prematuramente de febre amarela em São Paulo, Simonton propôs a seguinte estratégia missionária: 1) a santidade da igreja deve ser ciosamente mantida no testemunho de cada crente; 2) é preciso inundar o Brasil de Bíblias, livros e folhetos; 3) cada crente deve comunicar o evangelho a outra pessoa; 4) é necessário formar um ministério nacional idôneo; 5) escolas paroquiais para os filhos dos crentes devem ser estabelecidas. 71
Parece que as últimas palavras de Simonton podem dar uma pequena noção do perfil da Igreja Presbiteriana do Brasil que estava nascendo em meados do século XIX.
Mais recentemente, segundo o Supremo Concilio da IPB, impõe-se sobre a Igreja que a obrigação de fazer pronunciamentos sobre questões sociais da atualidade nacional e internacional deriva de sua vocação profética de proclamadora e de testemunha do reino e de sua submissão e fidelidade à Palavra de Deus. Às Igrejas Presbiterianas do Brasil, competem, portanto:
1 – Dar, pelo púlpito e por todos os meios de doutrinação, expressão do Evangelho total de redenção do indivíduo e da ordem social;
2 – Incentivar seus membros a assumirem uma cidadania responsável, como testemunhas de Cristo, nos sindicatos, nos Partidos Políticos, nos Diretórios Acadêmicos, nas fábricas, nos Escritórios, nas Cátedras, nas Eleições e nos Corpos Administrativos, legislativos e Judiciários do País;
3 – Clamar contra a injustiça, a opressão e a corrupção, e tomar a iniciativa de esforços para aliviar os sofrimentos dos infelicitados, por uma ordem social iníqua; colaborando, também, com aqueles que, movidos por espírito de temor a Deus e respeito à dignidade do homem, busquem esses mesmos fins, assim como aceitando sua colaboração;
4 – Opor, por uma pregação viva e poderosa, relevante e atual, uma barreira inexpugnável contra as forças dissolventes do materialismo e do secularismo;
5 – Lutar pela preservação e integridade da família e pela integração de grupos marginalizados pela ignorância e analfabetismo, pelos vícios, pelas doenças e pela opressão na plena comunhão do corpo social;
6 – Dar à infância e à juventude uma formação cristã que as capacite a enfrentarem vitoriosamente o impacto dos paganismos contemporâneos, com a força da interpretação cristã da vida total do homem à luz de Deus;
7 – Defender, pelo exemplo de seus membros, a dignidade do trabalho, quer manual quer intelectual;
8 – fazer a proclamação profética incessante dos princípios éticos e sociais do evangelho de modo que sejam denunciados todos os erros dos poderes públicos, sejam de omissão, ou comissão, que resultem em ameaças ou obstáculos à paz social ou tendam à destruição da nossa estrutura democrática;
9 – Defender a necessidade de mais eqüitativa distribuição das riquezas, inclusive da propriedade da terra, e advertir, em nome da justiça de Deus e da fraternidade cristã, aqueles cujo enriquecimento seja fruto da exploração do próximo;
10 – Tornar o Estado consciente de todos os seus deveres, transmitindo-lhe corajosamente a palavra profética, especialmente nas horas de crise, prestigiando sua ação no estabelecimento da justiça social e oferecendo-lhe colaboração para solução cristã de todos os problemas da comunidade.
Como movimento, o metodismo tem a sua origem com John Wesley, ministro da Igreja da Inglaterra. Durante seu ministério, Wesley introduziu a pregação ao ar livre (influenciado por George Whitifield) e a pregação leiga. Conquanto haja suscitado estranheza no seio da Igreja da Inglaterra, não se desligou da Igreja Anglicana até à sua morte.
O metodismo chegou aos Estados Unidos a partir dos adeptos que emigraram para as “Treze Colônias”. Os leigos eram enviados por Wesley para a propagação do Evangelho, o que gerou crescimento. Mas criou-se uma situação inusitada: os leigos precisavam do clero anglicano para oficiar os sacramentos. Diante disto, Wesley resolveu organizar os metodistas norte-americanos em Igreja. O que caracterizou aquele grupo naqueles dias não era sua doutrina ou forma de culto, mas a sua política eclesiástica que dava ênfase tanto ao ministério itinerante quanto ao laicato.
Os metodistas enviaram ao Brasil os seus dois primeiros missionários, em 1836, R. Justus Spanding e, em 1837, Daniel Parish Kidder. Por questões ligadas à escravidão, houve uma ruptura no seio da Igreja nascente, fazendo com que os trabalhos fossem suspensos até 1867, quando Junius E. Newman desembarcou no Brasil, vindo dos Estados Unidos.
Depois de uma pincelada na história do metodismo, menciona-se a seguir o credo social da Igreja Metodista e para entendê-lo, cabe salientar que a Igreja Metodista do Brasil não identifica o Cristianismo com nenhum sistema sócio-político-econômico. Também se acredita que a melhor maneira de transformar a sociedade é levar a Cristo o indivíduo que nela se insere, orientando-a com os princípios do Evangelho de Jesus. A referida igreja igualmente defende uma distribuição de renda mais eqüitativa, a fim de que o homem tenha uma vida marcada pela dignidade. Eis o que se tornou o credo social para os metodistas:
1 – Direitos iguais de justiça rápida e econômica para todos os homens;
2 – Provisão de habitação adequada para todas as famílias, tanto nos perímetros urbanos como nos rurais;
3 – Regulamentação e proteção do trabalho da mulher, especialmente da mulher mãe, e previdência social que lhe assegure proteção física, social e moral;
4 – Abolição do emprego de menores em condições que prejudiquem o seu desenvolvimento normal e sua educação espiritual, física, intelectual e moral;
5 – Proteção da criança e dos adultos contra enfermidades, da subnutrição, de hábitos e vícios que atentam contra sua saúde;
6 – Regulamentação do trabalho e direito de todos os homens a uma oportunidade de manutenção própria;
7 – Proteção do operário contra toda usurpação e exploração injusta e de acidentes do trabalho;
8 – Salário que garanta a subsistência do trabalhador rural e urbano e de suas famílias, em circunstâncias que assegurem a dignidade da pessoa humana;
9 – Melhor distribuição de terras agricultáveis e contra toda a forma de exploração do trabalhador rural. 74
Os batistas foram a quarta denominação evangélica a implantar igrejas no Brasil. Thomas Jefferson Bowen chegou ao Brasil, enviado pela Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, cerca de quatro meses depois do primeiro missionário congrrgacional e aproximadamente seis meses depois do primeiro missionário presbiteriano.
Por motivos de saúde, Bowen retornou para sua pátria em 1861. Ao retornar à sua pátria e apresentar seu relatório, a Jun ta de Missões Estrangeiras entendeu que não era interessante o grande esforço para evangelizar um campo tão difícil quanto o Brasil.”’
Depois de cerca de vinte anos de ausência, a Junta de Missões Estrangeiras enviou novos missionários batistas para o Brasil, eram eles: William Buck Bagby e sua esposa Anne Luther Bagby, que desembarcaram no Rio de Janeiro, no dia 2 de março de 1881, após 48 dias de viagem. Um ano depois, também no Rio de Janeiro, no dia 23 de fevereiro de 1882, o casal Zachery Clay Taylor e Kate Crawford Taylor, chegou ao solo brasileiro. 75
Em traços históricos, foi brevemente relatada a chegada dos batistas ao Brasil. A partir de então, passa-se à análise de um documento mais recente produzido pela Ordem dos Ministros Batistas do Brasil, entidade que congrega os pastores que servem às igrejas da Convenção Batista Brasileira, a qual, reunida na cidade de Vitória-ES, formulou o seguinte manifesto sobre a questão social:
“Reconhecemos ser privilégio dos Batistas brasileiros a iniludível responsabilidade de contribuir não somente para a solução dos problemas que no momento assoberbam o nosso povo, como também para a determinação do seu destino histórico”. 76
Reconhecem-se a importância e a significação das instituições, acreditando-se ser o homem o esteio das preocupações, porquanto “criado à imagem e semelhança de Deus”. Imprescindível a defesa da liberdade em todas as suas formas de expressão.
Inspirados no preceito bíblico, “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22.21), pugna-se pela existência de Igrejas livres num Estado livre, preconizando a delimitação inteligente e respeitosa das esferas de responsabilidade e ação da Igreja e do Estado, sem interferências abusivas ou relações aviltantes de dependência, embora permitindo a cooperação construtiva entre ambos.
Reconhecemos a inadequação da presente estrutura social, política e econômica para a realização plena da justiça social, pelo que insistimos na necessidade de um reexame corajoso, objetivo e não-preconcebido da presente realidade brasileira, com vistas à sua reestruturação em moldes que possibilitem o atendimento às justas aspirações e necessidades do povo.”
No Congresso Batista de Ação Social, ocorrido em 1987, no Rio de Janeiro, deu-se, sem dúvida alguma, um passo importante na direção de uma releitura do papel da denominação de um trabalho mais efetivo no que versa sobre a questão social. Naquele congresso, Irland Pereira de Azevedo, fez uma retrospectiva histórica da obra social da Igreja Batista no Brasil, citando, dentre muitas ações, aquelas ligadas a orfanatos, casas de idosos, cursos de alfabetização, cursos profissionalizantes, ambulatórios, casa de saúde e hospitais, creches, trabalho com viciados em drogas, dentre outros ministérios sociais.78
Nos idos de 1934, a Confederação Evangélica Brasileira (CEB) foi formada e funcionou até o golpe militar de 1964.
Nessas três décadas, ela reuniu boa parte das igrejas evangélicas históricas, ou seja, os não-pentecostais.
De 1955 a 1964, a CEB dispunha de um setor que tratava especificamente do aspecto social da Igreja o qual, dentre as várias atividades desenvolvidas, esteve promovendo a chamada “Conferência do Nordeste”, no ano de 1962. O golpe militar de 64 foi fatal para a confederação, mas em junho de 1987 ela acabou renascendo das cinzas com o apoio de vários constituintes evangélicos. A nova CEB congregava uma maioria pentecostal, grupo que encontrou grande resistência das igrejas históricas. Mas recebeu significativas doações do governo do então presidente, José Sarney, principalmente no período da Assembléia Constituinte.
A partir de 1988, denúncias foram feitas contra a chamada “bancada evangélica”, levando Paul Freston a fazer comparação desse escândalo com os escândalos dos televangelistas nos Estados Unidos. 79
Obviamente, antes desse período fatídico, marcado por denúncias e escândalos, a confederação teve o seu período de relevância e seriedade. Domício Mattos cita algumas das declarações sociais feitas pela Confederação Evangélica do Brasil:
1 – Os propósitos de Deus incluem a justiça nas relações pessoais entre indivíduo e indivíduo, como também nas relações coletivas entre grupos sociais;
2 – Nos grandes setores evangélicos se tem interpretado a fé cristã em termos individuais, sem preocupar-se adequadamente pelas obrigações que impõe a fé crista na ordem político-social;
3 – Cristo nos chama ao arrependimento individual e coletivo, pois todos estamos implicados no pecado de nossas nações;
4 – Uma expressão do pecado que cometem todos os seres humanos é a tendência a dar maior importância aos interesses pessoais do que aos da sociedade;
5 – O homem é uma pessoa integral; portanto, seu espírito é afetado pelo que afeta o seu corpo, e grande parte de sua personalidade surge das relações sociais que desfruta;
6 – Os cristãos são responsáveis por tudo, diante de Cristo e da obra de Deus em Cristo, e esta responsabilidade os faz livres da influência de todas as ideologias;
7 – Cristo chama-nos para que demos testemunho de nossa fé, partilhando-a com os outros e apresentando-a aos homens todos, não como uma série de idéias que eles possam debater e sim como um modo de viver com os homens e com Deus, afirmada por uma decisão diária e por uma permanente companhia divina. Essa partilha nos leva a servir-nos uns aos outros em amor e por amor;
8 – Por outro lado há uma necessidade de sermos até certo ponto inconformados, de não nos submetermos às coisas que são do mundo, aos seus esquemas, às suas estruturas falsas; de não sermos — a pretexto de respeitar pura e simplesmente a ordem histórica — adesistas ou conservadores no sentido estático do vocábulo, mas de nos renovarmos continuamente na busca incansável da vontade divina.80
O documento apresentado por Mattos é extenso e inclui temas relevantes tratados pela confederação como o problema educacional, a necessidade de uma reforma universitária, as questões urbanas e a reforma agrária. Inegavelmente, a confederação cumpriu um importante papel na história da Igreja Evangélica Brasileira, infelizmente perdendo-se na sua caminhada, principalmente a partir de 1964, mas a sua relevância não pode ser desprezada. Nesse contexto e marcada por escândalos e desgaste da imagem dos evangélicos no Brasil, a partir da década de 80, nasceu a Associação Evangélica Brasileira a AEVB.
Como foi visto até agora, os evangélicos tiveram voz no Brasil. Chegaram a apresentar seus pontos de vista sobre questões sociais importantes, mas, infelizmente, as divisões internas e o golpe militar de 1964 afetaram significativamente o rumo da CEB que, posteriormente reorganizada, já não tinha o mesmo escrúpulo dos primeiros anos, o que desencadeou os escândalos dos anos oitenta. Diante de tais escândalos, a Igreja Evangélica sente necessidade de ter uma voz que seja mais coerente, uma associação que possa ser ouvida e respeitada. À luz desse sonho, a Associação Evangélica Brasileira – AEVB foi criada, precisamente no dia 17 de maio de 1991, no templo da sede da Igreja Evangélica Pentecostal ”O Brasil para Cristo”, na cidade de São Paulo, onde líderes de diversas denominações evangélicas reuniram-se para organizá-la. Paul Freston lista algumas das razões porque a AEVB foi criada naquele ano:
1 – O desgaste da imagem pública dos evangélicos em conseqüência da publicidade negativa em torno da ‘”bancada evangélica” na Constituinte, inclusive a apropriação do nome da Confederação Evangélica para fins considerados fisiológicos.
2 – A campanha em setores da mídia e da Igreja Católica contra as chamadas “seitas”. A união é a melhor forma de enfrentar tais ataques.
3 – A necessidade dos “evangelicais” de constituírem espaços institucionais.
4 – O crescimento numérico dos evangélicos e o natural espaço para influenciar os rumos da sociedade e a necessidade de se assumir o seu papel social no país.81
Parece-me que, revisitando a história da Igreja Evangélica no Brasil, é possível perceber que, em muitos momentos, ela exerceu um papel relevante quanto ao aspecto sociológico. Recentemente, ela tem sido cognominada de omissa, o que não se pode considerar muito justo, conquanto esteja, à evidência, aquém do seu potencial numérico e das suas reais condições. As críticas, por mais que se revistam de coerência, não podem levar ao menosprezo os evangélicos no Brasil.
A ausência de menção, até agora, às igrejas pentecostais e ao seu papel social neste país, não obstante sua grandeza e expressão, é proposital, posto que se pretende enfatizar, particularmente, apenas algumas igrejas históricas. Contudo, destaca-se a participação e o envolvimento dos evangélicos, dentre eles os pentecostais, sobretudo dos membros da Assembléia de Deus, no movimento agrário, sobretudo no que tange às ligas camponesas. Carlos Pinheiro Queiroz enfatiza com muita propriedade essa participação.
Não deixemos apagar em nossa memória as ligas camponesas, movimento pela defesa dos sem-terra, que tinham Francisco Julião como mentor intelectual, e contavam principalmente com o apoio dos líderes batistas e pentecostais. Segundo Cartaxo Rolim, “Julião conseguia sensibilizar os crentes, ao dizer-lhes que podiam entrar para as ligas com os cânticos, a Bíblia, citando principalmente os profetas, enquanto ele, Julião iria com a lei civil”.82
Tais considerações parecem dar um vislumbre do papel da Igreja Evangélica no Brasil quanto à sua visão e ação social.
Entende-se que, passando pela história da Igreja e verificando, mesmo que com objetividade, a sua atuação social, a Igreja hoje deve sentir-se desafiada a resgatar essa história bem como a sua atuação social. A Igreja não pode se deixar influenciar apenas por aspectos fundamentalistas alienantes, nem se pode permitir que uma escatologia dispensacionalista a torne alheia ao que acontece ao seu redor, uma crise real. A Igreja não foi chamada apenas para o céu, mas, para, em nome de Jesus, se levantar como sal e luz e produzir um grande reboliço na sociedade. O que precisa gerar influência não é a visão teológica reducionista que marcou a história, mas aquela visão presente nos Pais da Igreja, em homens como Lutero, Calvino, Wesley, Wilberforce, na CEB, na AEVB, sonhadores que sempre acreditaram que o papel da igreja não é o de transferir gente da terra para o céu, mas de transformar as condições de injustiça e degradação humanas em lugar de justiça e promoção da vida.
Capítulo 4
No capítulo anterior, demonstrou-se a omissão da Igreja no Brasil quanto ao caráter sociológico, cuja afirmação parece encontrar esteio em raízes históricas, fruto de um aprendizado preconceituoso e de uma hermenêutica equivocada e deficiente. Usa-se o dizer de Jesus em Mateus 26.11 “porque os pobres, sempre os tendes convosco…”, citação do livro de Deuteronômio 15.11, e interpreta-se como se Jesus estivesse vaticinando sobre a impossibilidade de fazer algo pelos pobres. Por mais que se tente praticar determinados atos, tudo permanecerá como está. Indubitavelmente, não era isso o que Jesus queria dizer. Ele estava repreendendo a atitude preconceituosa dos discípulos que criticaram uma mulher que, demonstrando carinho e querendo honrar o mestre, derramou sobre a cabeça do Filho de Deus um precioso perfume. Os discípulos, indignados, imaginaram que seria mais interessante vender tão precioso ungüento e socorrer aos pobres com os recursos levantados. Cristo, no texto apresentado, não estava prenunciando sobre a perpetuação da miséria, mas lembrando seus discípulos que aquela mulher fez algo excepcional e que tal ato não afetara o exercício prático do socorro aos pobres. Os pobres estariam sempre sujeitos a serem socorridos, oportunidades não faltariam e que eles fizessem bom uso destas, portanto.
O segundo problema interpretativo relaciona-se com a escatologia que a Igreja no Brasil acabou herdando. Ela assevera que o mundo irá de mal a pior e que, por conseguinte, não podemos fazer algo capaz de transformar esse caminho inexorável. Essa doutrina precisa ser revista à luz das escrituras, pois o desafio deixado pelo Senhor e pelos seus apóstolos continua muito atual: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações…” (Tg 1.27).
A Igreja Evangélica apregoa que a Bíblia é a sua única regra de fé e prática. Se isto é verdade absoluta, faz-se necessário voltar os olhos a Bíblia, buscando nela referenciais para uma práxis social relevante.
Para fundamentar este estudo e dar sustentação àquilo que ora se apresenta como sendo a missão social da Igreja, há que se refletir o entendimento da Bíblia e da teologia, buscando pilares de sustentação para aquilo que deve motivar o agir social da Igreja.
O Antigo Testamento será visitado, mas sem a pretensão de adentrar profundamente no mesmo, conquanto esse se constitua uma das divisões desta sessão. Analisa-se, sem maior detalhismo, o Pentateuco e o que relataram e entenderam alguns profetas sobre a questão social. Ainda, nesta sessão, percorrendo o Novo Testamento e, de modo específico, o ministério de Jesus, tendo como ponto de partida o texto de Mateus 9.35-38. Por fim, destinar-se-á maior atenção à teologia, descobrindo nela aspectos que sejam relevantes para a ação social da Igreja.
Ao pensarmos a responsabilidade social da Igreja, quase que instintivamente, reportamo-nos ao Novo Testamento, seus Evangelhos e Epístolas. No entanto, é certo também, que o Antigo Testamento tem algo a dizer sobre o tema, que precisa ser revisto atualmente.
Impressiona perceber que o interesse divino pelo povo de Israel manifestou-se de muitas maneiras, dentre elas encontram-se preciosas instruções legais sobre um período que deveria ser respeitado, guardado e observado para benefício do povo que entrasse na nova terra, Canaã. Porém, fica explícito que, mais do que beneficiar o povo, o interesse de Deus toca a vida daqueles que, de alguma forma, encontram-se quebrados, feridos, empobrecidos. O ano sabático, por exemplo, como lembra Alan Cole, tinha o único propósito de que os pobres pudessem comer e, depois deles, os animais do campo.83
Já R. K. Harrison afirma que a legislação do Jubileu tem como tema básico, a libertação daquilo que era preso. A lei dava claras indicações de que os primeiros beneficiários de tal período eram os concidadãos judeus que viviam em servidão.84 Naqueles dois períodos festivos, com o coração agradecido, o povo deveria recordar-se do ato libertário de Deus no Egito e do Deus provedor, porém, tanto o ano sabático como o jubileu colocavam sobre os ombros do povo a responsabilidade de participar do socorro e da libertação do outro. Esta era uma maneira pedagógica de Deus ensinar-lhes sobre generosidade, solidariedade c misericórdia.
Na lista das festas sagradas, encontram-se o sétimo dia da semana, como sábado (descanso), e o sétimo mês, como o mês sabático, em que se celebravam três festas. Mas este notável sistema de sabatismos estendia-se ainda mais e alcançava o sétimo ano. Depois desse, como última expressão da idéia sabática, vinha o ano santificado, o ano sabático. Intimamente relacionado ao sábado, o ano sabático aplicava-se aos israelitas que entrassem na terra de Canaã. A cada sete anos era designado um período de tempo, um ano, para o descanso do solo.
Disse o Senhor a Moisés, no monte Sinai: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra que vos dou, então, a terra guardará um sábado ao Senhor. Seis anos semearás o teu campo, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos. Porém, no sétimo ano, haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha (Lv 25.1-4).
Durante o referido período, os israelitas não semeavam o campo e nem podavam as videiras. Tudo quanto colhessem naquele ano deveria ser partilhado igualitariamente pelo proprietário entre os servos, estrangeiros e até animais. Somente em Deuteronômio é apresentado como o ano em que os débitos deveriam ser cancelados. Os credores eram instruídos a cancelar as dívidas dos pobres, assumidas durante os seis anos anteriores (Dt 15.1-11). Provavelmente, esse era o período da alforria de escravos. (Ex 2.12-6, Dt 15-12-18). O ano sabático era um instrumento pedagógico que servia para lembrar aos judeus que um dia foram escravos e que experimentaram libertação pela intervenção divina.
Observados sete anos sabáticos, era chegado o ano do jubileu; a cada quarenta e nove anos, um era observado como período de descanso para as terras agricultáveis que deveriam ficar sem cultivo durante aquele ano. (Ex 23.10-11). O termo jubileu corresponde, em hebraico, a yobel, que também indica o toque do “clarim”, som extraído de um corno de carneiro. Em português, é usado para referir-se a um grito de alegria. Sua presença, nas traduções modernas, vem do nome que lhe dá a versão Vulgata Latina, annus jubilei ou jubileus.85
Aquele ano caracterizava um período de restituição da herança familiar para aqueles que a haviam perdido, uma época de libertação de escravos e de descanso da terra. (Lv 25.8-55, Dt 15-12-18). O cuidado em restituir a herança tem uma relação com o fato de que a terra pertencia a Deus; Ele dava à família o direito de administrá-la, o que passaria de geração a geração. Quanto aos escravos, eles deveriam servir a seus senhores no máximo por um período de seis anos. Chegando o jubileu, mesmo que o escravo houvesse servido um período menor que seis anos, deveria ser libertado. (Ex 21.1-11, Lv 25.39-55).
O povo de Deus está investido de uma responsabilidade ética especial em favor do pobre. No Antigo Testamento, a lembrança do povo de Deus como escravo no Egito era razão para motivá-lo a mostrar misericórdia ao oprimido (vide Deuteronômio 24.14-22; Levítico 19-15; Amós 2.6-7; Zacarias 7.9-10). Todos esses ensinos a respeito do pobre fazem parte da Palavra de Deus. O Antigo Testamento enfatiza que o Senhor requer justiça para os pobres e julgará aqueles que os oprimem. 86
Russel Shedd afirma que as leis de Israel foram instituídas por Deus, objetivando produzir uma sociedade justa para todos os cidadãos, independentemente de sua classe social. A leitura da lei e sua compreensão levariam a nação a entender a paixão, a justiça e a imparcialidade de Deus ao tratar com seu povo. O objetivo do período do descanso sabático, tanto no jubileu quanto no ano sabático, era prover descanso para a terra e alimento para os destituídos. Esse benefício alcançaria os pobres, as viúvas, os órfãos, os estrangeiros e os escravos sem qualquer distinção, todos seriam tratados com o mesmo zelo.87
A Palavra de Deus proporciona uma percepção do caráter divino e ao percebê-lo, nota-se que, desde a criação, Deus está interessado no bem-estar do ser humano.
Na criação, descobre-se que o ser humano foi tratado com deferência, tornando-se a coroa da criação. Mesmo depois da queda, o Pai demonstra estar solícito ao ser humano pois em sua promessa (Gn 3) reside uma palavra redentiva que objetiva resgatar a humanidade e a criação. Encontramos semelhante cuidado na vocação abraâmica, ao ser Abraão chamado para ser uma bênção, e finalmente, na lei mosaica encontramos essa intensa demonstração de que Deus está interessado no bem-estar do ser humano. É preciso lembrar que o Deus da revelação bíblica é tanto criador como redentor.88
A leitura dos profetas confere idêntica perspectiva. Na denúncia feita por Isaías sobre o pecado do povo de Israel, que tornava o seu culto inaceitável perante Deus, encontra-se o seguinte: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas”. (Is 1.15-17). Junte-se a esta queixa a queixa do profeta Amós (Am 2.6-8; 5.7,10-12.) e também a voz de Oséias ao dizer o que Deus espera do seu povo: “Pois, misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos”. (Os 6.6).
São muitos os desafios lançados no Novo Testamento e nele se verifica a riqueza de textos que desafiam a Igreja a agir de maneira solidária e justa diante da realidade social em que está inserida. Tiago 2.14-16 fala-nos sobre a necessidade de a fé tornar-se uma realidade mais contundente por meio das obras. Afinal, qual valor de uma fé que contempla a necessidade do outro com indiferença? João, o evangelista, na sua primeira carta (I Jo 3.17-18), pergunta como o amor de Deus pode permanecer no coração de alguém que tem recursos, mas não os compartilha com o irmão necessitado. Em outras palavras, João entende que o amor de Deus, derramado em nossos corações precisa ser vertido sobre o outro de maneira prática. O apóstolo Paulo também aduz algo sobre a questão da generosidade do cristão diante da necessidade do outro e, em sua segunda carta aos Coríntios (II Co 8 e 9), debruça-se sobre a questão da coleta que a igreja na Macedônia levantou em favor das igrejas da Judéia. É possível acrescentar textos, como: At 10.38, Gl 6.9-10, II Ts 3.13 e Hb 13-16 e perceber que o desafio é o mesmo: a Igreja de Jesus precisa ser generosa, precisa dispor-se a fazer o bem.
“Nosso estilo de vida como cristãos depende da imagem que temos de Cristo, do Cristo no qual depositamos a nossa fé”. 89 Na caminhada com Jesus pelo seu ministério, é possível perceber uma nova maneira de ver a vida. Em Cristo, o velho torna-se novo, a justiça estabelece-se, o miserável sai da marginalidade, o órfão é amado, a viúva é respeitada, o estrangeiro é acolhido, o pecador pode ser amado. NEle, todo carente, tem a oportunidade de ser acolhido e abraçado.
Causa verdadeiro encanto a menção feita, repetidas vezes, pelos evangelistas acerca da palavra compaixão como parte do ministério de Jesus. Ele via as multidões e compadecia-se delas. O sofrimento do ser humano sempre atraiu a atenção de Jesus, Ele não era indiferente à tragédia humana (Mc. 1.40-41; Lc. 7.11-14; Mt. 14.14; Mt. 15.32). Ele via a dor do outro e dela se compadecia. Mas a compaixão de Jesus não era algo restrito ao sentimento. Parece que a igreja não se porta com total indiferença à miséria do homem, até consegue emocionar-se e chorar. Jesus, no entanto, não apenas sentia, mas seu sentir, sua emoção, sempre se transformava em ação prática. Mateus afirma que ele curava toda sorte de doenças e enfermidades (Mt 4.25-25, 9.35-38).
Recorrendo aos Evangelhos e notando a ação de Jesus no mundo, percebe-se Seu anseio de ver as necessidades dos seres humanos supridas e, olhando-O, é possível entender que Jesus constitui o paradigma da missão da Igreja. Os Evangelhos levam a constatar que a encarnação, devoção, serviço e ressurreição formaram os pilares da vida de Jesus e da mensagem das boas novas do Rei.
No evangelho de João, verifica-se a oração de Jesus, conhecida como Oração Sacerdotal. Nela, Ele faz o seguinte pedido: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo. 17.1 8). Aquele que segue a Jesus precisa trilhar o mesmo caminho que seu mestre trilhou. Em sua oração, Jesus ensina que é preciso ser Igreja no mundo, a este não pertence, mas nele está como sal e luz; Igreja que não se aliena, mas torna-se sensível àquilo que acontece ao seu redor e, muitas vezes, à sua porta.
A ação de Jesus na crise humana não se deu apenas como manifestação da presença do Reino, mas se deu porque Jesus era alguém movido por compaixão. Diante da dor do outro, Ele se emocionava. Ele não via o sofrimento com prazer ou como se ele representasse uma realidade cotidiana com a qual precisava se acostumar e por isso alienar-se. Jesus compadecia-se daqueles que, pelas circunstâncias e pela opressão social, encontram-se na miséria ou marginalizados. Senão, vejamos:
“Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Disse-lhe, então, Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo”. (Mt 8.1-4)
De modo fascinante, ainda que seja a interpretação que nem todos se lhe atribui, entende-se haver sido estabelecido nesse encontro, uma cura com nuanças bem particulares. Jesus acabara de pregar o sermão do monte e estava sendo seguido por uma grande multidão, instante em que foi procurado por um leproso e, embora tendo uma multidão diante de si, Ele não estava interessado na popularidade, mas em gente de carne e osso. Diferentemente de nós, Jesus não se deixa seduzir pela popularidade, por isso consegue ver além daquele aglomerado humano.
Jesus compadeceu-se daquele homem e fez algo muito especial, contrariando todos os padrões judaicos: Ele o tocou. Na minha leitura, se Jesus apenas tivesse curado aquele homem da sua lepra, não haveria resolvido um problema ligado às emoções, à psique daquele homem. O texto não informa há quantos anos ele carregava aquele estigma, mas simplesmente que o carregava. O leproso, enquanto caminhava, precisaria anunciar sua maldição dizendo-se ”impuro, impuro, impuro”. Se fora tocado por alguém nos últimos anos, fora tocado por outros leprosos, gente que carregava a mesma marca, mas não por diferentes. Agora, Jesus, o Messias, passa por ali, deixa a multidão para atendê-lo em sua necessidade, tocando-o. Só depois de tocá-lo, Jesus ordena que ele seja curado. Mas existe outra verdade no texto que igualmente causa encanto. Jesus enviou aquele homem (purificado) ao sacerdote para que se cumprissem os preceitos da lei mosaica. Nesse sentido, a cura estabelecida por Jesus tinha direta relação com a cura social. Ele precisaria de uma carta de alforria que lhe desse o direito de transitar pelas cidades sem medo do preconceito.
“… dirigia-se Jesus a uma cidade chamada Naim, e… como se aproximasse da porta da cidade, eis que saía o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade ia com ela. Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores! Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: Levanta-te”. (Lc 7.11-14) “Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos”. (Mt 14.14)
Jesus entendia muito bem a sua vocação, por isso mesmo, no evangelho de Lucas, Ele, absolutamente convicto, declara:
“Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor… Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4.17-21).
Jorge Barro denomina o texto acima como sendo a agenda programática da missão de Jesus, que era:
1. Pregar as boas novas aos pobres;
2. Proclamar libertação aos cativos;
3. Restaurar a vista aos cegos;
4. Libertar os oprimidos e;
5. Proclamar o ano aceitável do Senhor 90.
É comumente aceito que os cativos, os cegos e os oprimidos estão na categoria dos pobres. Existem “boas novas” para eles — as boas novas de que o Reino de Deus é aqui e agora, trazendo esperança para o seu futuro, a esperança do ano aceitável do Senhor. Finalmente, os pobres tinham alguém que não estava contra eles, mas a seu favor; alguém que tinha a coragem de incluir os que foram excluídos da sociedade tornando-os receptores da graça do Senhor.91
A leitura de Mateus 9.35-38 proporciona uma rica visão sobre o ministério de Jesus. E Ele, decididamente, não exerceu um ministério estático. Não tinha um endereço fixo onde normalmente estivesse recebendo as pessoas quando de suas necessidades. Normalmente os quatro evangelhos mostram Jesus em ação dinâmica. Ele percorre os povoados, as vilas e ruas. Constatam-se algumas características no ministério de Jesus. Ele não estava preso a determinado lugar. O texto em questão menciona a dinâmica desenvolvida pelo Filho de Deus. Ele exercia um ministério urbano. Qualquer mestre estaria restringindo seu ensino à sinagoga, Jesus prefere as ruas, os becos, os lugarejos, aproximando-se do povo, sem abandonar as sinagogas. Ele vai ao encontro do povo em sua carência; come com pecadores; deixa-se tocar pelos marginalizados e também os toca. Em seu ministério existe lugar para crianças, mulheres, corruptos cobradores de impostos. Ninguém é desprezado e a todos se destina a devida atenção.
Diferente da enclausurada visão da Igreja, que se restringe a um endereço fixo e espera que os desesperados venham até ela, Jesus envolve-se com o outro onde o outro estiver. Sua atitude torna-se desafiadora. Diferentemente de certos grupos religiosos, Jesus não se envolve com os pobres para tirar-lhes algo ou para promoção pessoal — diferentemente do que alguns “espertos” corruptos têm feito em nome da religião. Cristo está no meio do povo e produz um grande reboliço na vida daqueles a quem alcança. O agir de Jesus é profundamente significativo para a missão da Igreja nesses dias em que se busca um rumo.
No texto de Mateus 9.35-38, o ministério de Jesus ganha três características específicas, as quais são aqui denominadas de “o conteúdo da Missão de Jesus”: Ele ensinava, proclamava e curava.
Jorge Barro, tratando da questão urbana no ministério de Jesus, diz que:
O segundo elemento da missão urbana diz respeito ao conteúdo. Jesus percorria todas as cidades e povoados (contexto) fazendo três coisas: (1) pregando, (2) ensinando e (3) curando. Isso demonstra a tríplice ação de Jesus: querigma, didaquê e serviço. Através da proclamação (querigma) das boas novas, a Igreja apresenta a vida eterna. Através do ensino (didaquê) a igreja educa para a vida eterna, para os valores do reino de Deus. Através do serviço (diaconia) a igreja demonstra o poder do reino de Deus no “já-ainda-não”; isso demonstra a integralidade da missão. Isso demonstra uma igreja que está preocupada com a salvação, educação e ação social.92
O verbo “kerysso” aparece 61 vezes no Novo Testamento (19 vezes nas epístolas Pastorais, 8 vezes em Atos, 9 vezes no Evangelho de Mateus e 9 vezes em Lucas, 14 vezes em Marcos, 1 em I Pedro e 1 vez em Apocalipse) e significa anunciar. Uma análise do objeto gramatical do verbo revela que, nas passagens mais antigas de Paulo (I Ts 2.9; Gl 2.2, mas também em Cl 1.23) e em alguns contextos de Marcos (Mc 1.14, 13.10, 14.9) e de Mateus (4.23, 9.35, 24.14 3 26.13), o objeto é to evangelion, o evangelho.
Quando percebemos o conteúdo daquilo que tem sido ensinado em muitas igrejas, a preocupação precisa invadir o coração de todos os que amam o Senhor. O evangelho tem-se diluído e o evangelho que vem sendo pregado não reflete todo o desígnio do Pai, mas apenas aquilo que alguns líderes querem ensinar segundo sua conveniência. Muito disso é fruto de uma hermenêutica alegórica, que não leva a sério aquilo que as Escrituras ensinam, mas vale-se de visão pluralista de que cada um tem a sua verdade, portanto, vêem-se no direito de proclamá-la. Sobre essa superficialidade, o clérigo alemão que se opôs a Hitler e ao nazismo, chamou essa teologia de “graça barata”. Ele disse:
“Graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, batismo sem disciplina eclesiástica, comunhão sem confissão, absolvição sem confissão pessoal. Graça barata é graça sem discipulado, graça sem cruz, graça sem o Jesus Cristo vivo e encarnado”. 93
Mateus, falando sobre o ministério de Jesus, informa que Ele “pregava o Evangelho do Reino”. A mensagem do Deus-Filho não era uma mensagem fragmentada, segundo um modelo pré-concebido da verdade. Ao contrário, Ele proclamava todo o desígnio de Deus e não dicotomizava sua mensagem. Sua pregação não se limitava a falar da esperança celestial, mas trazia esperança para o aqui e agora e isto aconteceu em várias oportunidades, tocando a vida de muita gente. Sua mensagem era uma nítida declaração de que Ele via o ser humano integralmente. Sendo assim, Ele tratou da saúde de um paralítico, mas lembrou-o de que não deveria pecar para que não sucedesse coisa pior (Jo 5.1-14); Ele cuidou de outro paralítico, que foi levado por 4 homens à sua presença (Mc 2), mas, desta feita, Ele começa a falar sobre o perdão de pecados e somente depois, para testificar sobre sua autoridade, cura o paralítico do mal acometido.
O segundo elemento presente no ministério de Jesus é o ensino, e este se refere à instrução dada ao povo. O objetivo é que o povo seja ensinado a partir da autoridade e não dos “estatutos humanos”.
O verbo didaskõ transmite a idéia de estender a mão repetidas vezes para aceitar algo; a palavra, portanto, sugere a idéia de fazer alguém aceitar alguma coisa. No Novo Testamento, didaskõ, ocorre 95 vezes, das quais 38 aparecem nos evangelhos sinóticos.
Os evangelhos sinóticos são uma clara testemunha de que havia ensino no ministério de Jesus. Ele ensinava publicamente, isto é, nas sinagogas (Mt 9.35, 13.54), no templo (Mc 12.35, Lc 21.37), ao ar livre (Mt 5.2, Mc 6.34) ou ainda, nos lares (Mc 2.1-12). Lucas, o médico amado, é o único que diz algo sobre a forma externa do seu ensino (Lc 4.16), esclarecendo que o Salvador permanecia em pé para ler a Palavra e sentava-se para ensiná-la, conforme o costume rabínico.
O que Jesus ensinava? Em resumo, a resposta é:
Deus, Seu reino e Sua vontade, sendo que todos os mencionados temas também pertenciam ao judaísmo contemporâneo, acerca dos quais Jesus, segundo o modo de um rabino ou de um profeta, falava nas Suas conversas com os judeus”.94
Nota-se, com grande fascínio, que Jesus não teoriza sobre Deus, Sua providencia, Sua graça ou Sua ira, mas demonstra a bondade e a ira de Deus em operação em várias situações concretas.
O verbo diakoneõ, servir, pode ser entendido como o trabalho feito para outra pessoa, voluntária ou compulsoriamente. O substantivo derivado diakonia ocorre 34 vezes no Novo Testamento e significa “serviço”, “cargo”. Outro substantivo derivado, diakonos, denota uma pessoa que leva a efeito a tarefa, logo, o significado primário secular era um “garçom”, e assim é usado mais tarde com referência às refeições rituais.
No judaísmo, existiam cuidados organizados para os pobres. A cada sexta-feira, aqueles que viviam na localidade recebiam dinheiro suficiente da cesta dos pobres para quatorze refeições; os estrangeiros recebiam comida diariamente da tigela dos pobres. A comida havia sido anteriormente coletada, de casa cm casa, pelos oficiais dos pobres.95
Das 34 vezes que diakonia ocorre no Novo Testamento, os significados variam, podendo estar relacionados com serviço à mesa (Lc 10.40, At 6.1), serviço amoroso (I Co 16.15, Ap 2.19), serviço amoroso mediante o levantamento de uma coleta (At 11.29, 12.25), para todos os serviços da comunidade cristã (Ef 4.12).
“O significado neo-restamentário de diakoneõ deriva da pessoa de Jesus e do Seu evangelho (Mt.20.28, Mc 10.45). Quando Jesus serviu aos Seus discípulos e aos homens em geral, tratava-se de uma demonstração do amor de Deus e da humanidade desejada por Deus”.96
O espírito servil parece ganhar um profundo significado no ministério de Jesus. Ele é o Senhor-Servo de Marcos 10, “que não veio para ser servido, mas para servir”. Ele é o servo sofredor de Isaías 53; Ele é o servo que lava os pés aos discípulos no cenáculo; Ele é o servo de Filipenses 2 que deixa a glória para, encarnado, alcançar-nos com graça. Ele é o servo de João 1.14, que veio tabernacular, ou, como disse tantas vezes José Cássio Martins no púlpito da Igreja Presbiteriana de Vila Mariana: “Veio morar no apartamento ao lado do nosso”; Ele é o Jesus que não apenas ensina, proclama e se emociona, antes, Ele é o Senhor que serve, que estende a mão, que socorre o necessitado, que consola o enlutado, que alivia a dor do sofrido, que acolhe os inacolhíveis, que toca os intocáveis.
Invariavelmente, nos Evangelhos, quando se descreve sobre a missão de Jesus entre os pobres, o mesmo texto apresenta um conjunto de ações da parte de Jesus que diz respeito às necessidades físicas, psico-emocionais, sociais, econômicas e políticas dos pobres. Além de praticar boas obras em favor dos pobres e oprimidos Jesus orientou seus discípulos a darem de comer aos famintos, de beber aos sedentos, a vestirem os despidos, a visitarem os encarcerados e a acolherem os estrangeiros e marginalizados (Mt 25-31-46). 97
É imperioso observar que a Igreja precisa voltar-se para o ministério de Jesus, pois nele se encontra o rumo certo para o seu próprio ministério. Ele, Jesus, deve ser o paradigma para a Igreja hoje. Um povo que não apenas está no mundo, mas que realiza a Missio Dei de tal forma, que, aqueles que estão à margem da sociedade, possam ganhar dignidade e ter uma nova experiência na vida.
Com muita propriedade, Barro lembra ainda que:
É necessário deixar claro que essas ações querigma-didaquê-diaconia não são ações separadas ou isoladas. Ao mesmo tempo em que a igreja proclama, ela ensina. Ao mesmo tempo em que ensina, serve. Ao mesmo tempo em que serve, proclama. Não podemos ter igrejas, cuja ênfase está “apenas” na evangelização, ou “apenas” no ensino, ou “apenas” no serviço. É muito fácil encontrar igrejas que são fortes em “apenas” uma destas áreas. Uma igreja só será equilibrada e integral quando entender que esses elementos não podem ser separados.98
Recentemente, Martorelli Dantas, contou uma estória que resumidamente dizia: Certo mestre budista estava experimentando aquele momento de meditação. Sentado num quarto, pernas cruzadas e olhos fechados, ele meditava, quando um gatinho entrou no recinto e começou a roçar-lhe a perna, como é comum aos gatos. Com toda a paciência, o monge afastou o pequeno animal, mas, teimosamente, o gato voltou ao recinto, roçando-lhe novamente a perna. O monge pacientemente afastou o pequeno animal, que insistiu em roçar-lhe a perna, até que aquele mestre pegou o gatinho, uma fita e amarrou-o cuidadosamente a uma cadeira. A partir dai o monge conseguiu voltar à sua meditação.
Os discípulos daquele monge passaram pelo recinto e viram aquela cena inusitada. O monge sentado, meditando, um gato e uma cadeira, sendo que o animal permanecia amarrado à cadeira. Eles não tiveram dúvidas, imaginaram que aquela era uma nova maneira de meditar, por isso correram até a cidade e foram buscar os gatos da cidade para poderem fazer o mesmo exercício do mestre budista. Meditar num pequeno quarto com um gato amarrado a uma cadeira.
Aqueles discípulos fizeram a mesma coisa que muita gente tem feito em nossas igrejas. Eles não sabiam o que significava aquele gato amarrado à cadeira, mas pelo menos parecia ser uma nova técnica, uma nova maneira de meditar. O novo, o desconhecido, mesmo sem entender a razão, tornou-se um novo estilo para aqueles discípulos. Muito daquilo que vemos na Igreja hoje parece ser apenas reflexo dessa ignorância e encantamento com o novo.
Diante da colcha de retalhos que integra a Igreja, não é possível tomar uma posição sobre algum tema apenas ao sabor da paixão. É necessário um embasamento que possa dar plena sustentação ao pensar e ao falar, sem que se encontrem apenas repetidores, mas gente que compreendeu a razão da sua fé e da encarnação dessa fé.
O Pacto de Lausanne, em seu quinto parágrafo, traz afirmações que, com o devido suporte bíblico, podem ajudar a igreja a entender o papel da teologia quanto à sua responsabilidade social.
O Breve Catecismo de Westminster, em sua pergunta quatro, traz o seguinte:
“O que é Deus?” E responde: “Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade”.99
O quinto parágrafo do Pacto de Lausanne igualmente começa sua exposição sobre a responsabilidade social da igreja fazendo referência ao caráter divino, usando dois atributos, um incomunicável e outro comunicável. Atributo incomunicável é aquele que não encontra nenhuma analogia no ser humano e tem a ver com o ser absoluto de Deus. Atributo comunicável é aquele que encontra alguma ressonância no ser humano. O atributo foi transmitido em algum grau ao ser humano, e tem a ver com o ser pessoal de Deus (poder, amor, bondade, justiça, etc.), e aponta para o Deus revelatus, o Deus revelado que se dá a conhecer mais facilmente.100
“Afirmamos que Deus é o Criador”, relata inicialmente o parágrafo recém mencionado.
“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). A criação deu-se por meio do Fiat, do latim: faça-se, sem qualquer material pré-existente; sua decisão de que as coisas deveriam existir fez com que estas surgissem e formou-as em ordem com uma existência que dependia de sua vontade e que era, no entanto, distinta de sua essência divina. Pai, Filho e Espírito Santo envolveram-se juntamente (Gn 1.2, Sl 11.3, 14.8, 33.6-9).
Quando o pacto apresenta Deus como criador, segundo Stott, corrobora uma clara demonstração do interesse divino pelo ser humano, bem como de seu envolvimento com a história da humanidade. Ele reafirma que tal evidência deve servir de motivação para a igreja partilhar do interesse divino pela humanidade também.101
O Deus da revelação bíblica, que é tanto Criador como Redentor, é um Deus que se preocupa com o total bem-estar (espiritual e material) de todos os seres humanos que ele criou. Tendo criado cada um à sua própria imagem, ele deseja que eles descubram a sua verdadeira humanidade ao se relacionarem com Deus e uns com os outros.102
J. I. Packer afirma que:
Saber que Deus criou o mundo à nossa volta e nós mesmos como parte dele, é básico à verdadeira religião. Deus deve ser louvado como Criador, em razão de sua maravilhosa ordem, variedade e beleza de suas obras. Os Salmos, como o 104, são modelos desse louvor. Deus deve ser crido como o Senhor Soberano, com um plano eterno abrangendo todos os eventos e destinos, sem exceção, e com poder de redimir, recriar e renovar; tal crença torna-se racional quando nos lembramos de que é no Criador todo-poderoso que estamos crendo. Reconhecer a cada momento nossa dependência do Deus Criador para nossa existência faz com que se torne apropriado viver vida de devoção, compromisso, gratidão e lealdade para com Ele, sem qualquer impureza. A retidão começa aqui com Deus, o soberano Criador, como o primeiro ponto de convergência de nossos pensamentos.103
O reconhecimento de Deus como criador deve levar a uma vida em que não se dicotomizem o espiritual e o material, o religioso e o secular, nem podemos negligenciar a política, a economia e a questão da riqueza do homem.104
O antedito parágrafo, referindo-se a Deus diz: “afirmamos que Deus é o criador e o Juiz de todos os homens”. Percebe-se inicialmente a menção ao Criador, mas inclui-se a justiça divina, sendo assim, esse deve ser um sério lembrete de que todos os homens darão contas a Deus de sua vida no dia do juízo (Ec 12.14).
Pode-se entender a justiça divina como manifestação da sua retidão, que não consegue compactuar com nenhuma atitude que reflita injustiça, opressão e espoliação.
Deus de justiça — ressaltam no livro de Amós os trechos que falam da natureza justa do Deus de Israel, a anunciar o juízo sobre o seu povo e sobre algumas nações vizinhas. Os oráculos que constituem a primeira parte do livro (1.3-2.1 6) são a mais forte expressão desta afirmação. Ele é o Deus que declarou sua lei aos homens (2.4), que chama justos os seus filhos (2.6), que abomina o pecado (6.8), que se ira contra todas as transgressões (cf. a fórmula estereotipada nos oráculos iniciais). Ninguém pode escapar de seu julgamento (2.14s; 9.2s). Ele exige de seu povo a justiça social, religiosa e moral (5-7; cp. 5-15ss) e condena todo aquele que não cumpre a sua lei (5.7ss; passim).105
Como outrora delineado, os atributos divinos dividem-se em comunicáveis e não comunicáveis; a justiça divina é um atributo comunicável de Deus. Significa dizer que Deus exige que esta justiça deve ser vivenciada pelo ser humano. Como diz o Pacto: “Devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela reconciliação em toda a sociedade…”106
Nascimento Filho diz que “toda obra cristã filantrópica (isto é, a obra inspirada no amor pelo semelhante) depende da avaliação que os cristãos fazem do beneficiário. Quanto mais alto o valor dos seres humanos, mais os cristãos se inclinam a ajudá-lo”.107
Lausanne afirma, com muita propriedade, que “a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual ela deve ser respeitada e servida e não explorada”. Sabendo que a humanidade foi feita à imagem de Deus, é conseqüente lógico entender que a igreja deve sentir-se motivada a fazer pelo outro aquilo que Deus fez e tem feito. É preciso demonstrar o mesmo interesse de Deus.
O ato criador de Deus deu ao ser humano dignidade. Não é a sua cor, sua cultura, sua conta bancária, mas o haver sido criado por Ele e à semelhança dEle, o que torna o ser humano especial.
Ressalte-se que, além da imago Dei, o cristão deve sentir-se despertado a servir o outro porque esta é a vocação da humanidade. A igreja foi chamada e enviada para amar ao outro, ao próximo e nesse sentido, o próximo é qualquer um independentemente da distância a que ele se encontra.
Ao buscar a base teológica para o agir social, necessário se torna voltar-se à pessoa de Jesus, conquanto, na exposição aqui apresentada da base bíblica, o paradigma cristológico já tenha sido traçado de forma mais extensa. Cristo é apresentado neste capítulo como o modelo de amor e vocação para o contexto social. Vejamos:
No tocante ao exemplo de Jesus, o modelo bíblico mais desafiador para a missão é a encarnação. O Filho de Deus não permaneceu na segura imunidade de Céu. Ele esvaziou-se de sua condição e entrou no mundo humano com grande humildade. Fez-se um com o gênero humano em sua fragilidade e tornou-se vulnerável às suas tentações e dor. Tomou sobre si o pecado da humanidade c morreu a morte que cabia a eles. Ele não poderia identificar-se mais completamente com as pessoas do que havia feito. E, no entanto, tornando-se humano, nunca cessou de ser divino. Foi uma total identificação com a humanidade, mas sem qualquer perda da identidade deísta. A missão da igreja deve ser modelada pela do filho (João 20.21).108
Essa percepção da missão de Jesus deve servir de instrumento motivacional para que, como Igreja, esta seja impulsionada a fazer da missão de Cristo a sua própria missão.
Capítulo 5
Talvez a parcela mais difícil deste estudo passe a ser agora delineada, posto que serão tratados tanto os obstáculos como os desafios que pesam sobre a Igreja Evangélica Brasileira diante do aspecto sociológico.
É triste observar que os membros das igrejas evangélicas, bem como a igreja como instituição, não compreendem a dimensão social do evangelho. E, diante dessa incompreensão e ignorância, quando se deparam com desafios sociais, levantam vários argumentos contra a missão integral. Abaixo, são transcritos alguns dos obstáculos que se têm tornado mais comuns.
Tristemente ainda é possível perceber no seio das igrejas evangélicas, uma postura individualista. O privativo sempre foi o que imperou na Igreja. ´É comum perceber aquela autocelebração, uma comunidade apenas preocupada com os interesses privatísticos. René Padilla diz que:
“o evangelho de Jesus Cristo é uma mensagem pessoal: revela um Deus que chama cada um dos seus pelo nome. Mas é ao mesmo tempo uma mensagem cósmica: revela um Deus, cujo propósito abarca o mundo inteiro”.109
O autor vai mais longe e assevera que:
A falta de valorização das dimensões mais amplas do evangelho inevitavelmente conduz a uma distorção da missão da igreja. O resultado é uma evangelização que concebe o indivíduo como urna unidade autônoma – um Robinson Crusoé a quem o chamado de Deus chega na solidão da sua ilha — cuja salvação se realiza exclusivamente em termos de sua relação com Deus. Perde-se de vista que o indivíduo não existe isoladamente e que, portanto, não se pode falar de salvação sem que se faça referência à relação do homem com o mundo do qual ele faz parte.110
Esse individualismo leva a igreja a viver no isolamento, na alienação, na ausência do mundo, mundo do qual ela foi chamada, mas para o qual foi enviada a fim de ser sal e luz.
Alienação é definida como indiferentismo moral, político, social ou apenas intelectual. A comunidade evangélica vive alheia à realidade vigente por causa da sua miopia, que a leva a ver apenas as coisas mais próximas, aquelas que envolvem a própria igreja, por causa de um certo sentimento de impotência diante dos desafios que têm ganhado proporções significativas.
Para mim é uma tristeza que muitos cristãos se deixem contaminar pela alienação. “Naturalmente”, dizem eles, “a luta pela justiça é interesse nosso; não podemos fugir desse fato. Os obstáculos, porem, são imensos. Além das questões serem complexas (não somos especialistas), e a sociedade pluralista (não dispomos de qualquer monopólio do poder ou de privilégios), as forças da reação predominam (não temos influência alguma). A maré vazante da fé cristã na comunidade tem nos deixado no seco. Além disso, os seres humanos são egoístas e a sociedade está podre. Contar com uma transformação social é irrealismo total”.111
É até comum ouvir pessoas citando Deuteronômio 15.11: “Pois nunca deixará de haver pobres na terra…”, na tentativa de argumentar que é tolice fazer algo mais significativo contra a injustiça e a pobreza, porque factualmente os pobres sempre estarão aí. O texto em questão não deve servir de justificativa para uma deformação do evangelho. Como comentou J. A. Thompson, a pobreza em Israel seria uma grande possibilidade em razão de sua desobediência a Deus. Se a primeira parte de Deuteronômio 15.11 fala sobre a presença da pobreza, não se pode esquecer de ler o restante do versículo, e a segunda parte do mesmo estimula à generosidade e ao exercício da misericórdia. Em favor do necessitado, ao dizer: “… por isso, eu te ordeno: livremente, abrirás a mão para o teu irmão, para o necessitado, para o pobre na tua terra”.
Outro elemento que tem sido comum e vem servindo como obstáculo à ação social é a preocupação da igreja com o custo. A igreja evangélica parece não demonstrar ser muito sábia na administração dos seus recursos. Outrossim, muito da preocupação da igreja está mais atrelada a aspectos administrativos do que a uma práxis social. Tem-se visto a construção de templos suntuosos que refletem a preocupação última de muitas comunidades interessadas apenas no luxo e no conforto, reflexo do individualismo protestante, já mencionado anteriormente, mas que não tem uma noção do que significa ser “Igreja fora dos portões”.
Indaga-se sobre o que é mais dispendioso: cuidar hoje de uma criança carente ou tratar o marginal de amanhã? Parece ser mais barato conferir dignidade à criança. Ainda, se o custo é elevado, a comunidade pode procurar alternativas para definir como incentivar o recolhimento de material reciclável para posterior venda. Com o levantamento de recursos, via reciclagem, o custo poderá ser consideravelmente minimizado.
Jesus ensinou que se deve ser manso como a pomba e sagaz como a serpente. Infelizmente, parece que os cristãos aprenderam apenas parte da lição. São sagazes e desconfiados em demasia, e a mansidão não tem sido uma característica muito presente na vida de muitos.
Essa sagacidade deveria despertar o zelo, mas o que se tem visto é o exercício da desconfiança. É notório ver aproveitadores, mentirosos, espertalhões, quando o assunto é dinheiro. Mas a possibilidade de encontrá-los não deve servir de desculpa para a omissão e ineficiência social da igreja.
Carlos Queiroz, numa palestra realizada no Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE-83), confessou sobre sua leitura da pobreza. Ele afirmou que, quando acordou para os problemas sociais, via a pobreza como conseqüência de preguiça e malandragem. Sem dúvida alguma essa leitura é no mínimo preconceituosa, apesar de que não se pode ser ingênuo posto que, nesse universo de miseráveis, muitos estão excluídos porque lhes falta coragem para enfrentar os desafios do trabalho, por isso preferem pedir a produzir, mas esta é uma exceção. A pobreza continua sendo fruto da injustiça social vigente.
Às vezes, tem-se a nítida impressão de que a presença sistemática da miséria vem empedrando os corações. A violência cerca a todos, a miséria bate à porta, a morte revela-se com tanta intensidade que, ao contemplar todo esse cenário, a humanidade parece ter-se tornado dura e cínica. Já não há comoção diante das barbáries, ao contrário, constrói-se um terrível conformismo. “O final dos tempos trará isto”, dizem alguns. “O que você espera do final dos tempos?”, perguntam outros. Diante desta situação fatalista é possível lembrar a história da “Rã na Chaleira”.
Coloque uma rã na chaleira com água fervente e ela rapidamente pulará fora ao sentir que o ambiente a sua volta é hostil. Coloque uma rã na chaleira cheia de água à temperatura ambiente e vagarosamente vá esquentando a temperatura da água até que ela ferva. A rã permanecerá na água até morrer cozida.112
Objetivando acrescer outros aspectos que obstaculizam a efetiva ação social da igreja, apresenta-se o que Queiroz perguntou em seu livro, “Eles Herdarão a Terra”, e sua conseqüente resposta a tão relevante questão.
“Por que a Igreja, no Brasil, tem-se distanciado do compromisso com os pobres?’.
1 – Mantemos atitudes egoístas e cômodas;
2 – Sacralizamos a riqueza e profanamos o pobre;
3 – Utilizamos mecanismos de seleção por exclusão;
4 – Dicotomizamos devoção X responsabilidade social;
5 – Trocamos os desafios das boas novas do Reino de Deus pela ameaçadora “evangelização pé-na-cova”;
6 – Usamos uma escatologia escapista e alienante;
7 – Temos uma visão distorcida da Criação, da Queda e da Redenção;
8 – Reduzimos a proclamação comunitária a um apelo individualista;
9 – Fomos afetados pelo rompimento com o movimento norte-americano do “evangelho social” no final do século XIX;
10 – No Brasil, fomos afetados pela revolução de 1964.113
Até os vinte e quatro anos, aquele jovem nascido na Nova Zelândia, numa família saudável e próspera, dividira seu tempo entre seu país e a Austrália. Formou-se em engenharia elétrica e em matemática, mas o que o fascinou foi a conclusão de seu curso em missiologia no Instituto Fuller, (EUA). Seu nome é Viv Grigg, um cristão que, desde cedo, tem uma paixão pelo ministério urbano e especialmente pelos pobres. Por isso, algum tempo depois de concluir seus estudos, o jovem foi morar em Manila, nas Filipinas, e isso não seria significativo se ele não houvesse optado por morar em uma favela. A atitude de Grigg foi marcada por uma verdadeira inserção naquele ambiente, tanto que ele, em pouco tempo, identificara-se com os moradores daquela favela, a ponto de fazer refeição em suas casas.
Em entrevista para a “Revista Kerigma”, o missionário afirmou que “missões e ação social andam juntos” e que, “quando entendemos o conceito de Reino de Deus, representado aqui na terra de uma maneira abrangente, um dos componentes da Igreja seria então estar envolvida com os necessitados, com os pobres…”
A decisão de Grigg foi, sem dúvida alguma, radical, mas ele só pôde tomá-la porque dispunha de uma clara convicção do seu chamado para aquele ministério. Poder-se-iam incluir nesse rol de pessoas que se sentem chamadas para desempenhar tão apaixonadamente o trabalho com o pobre, com o necessitado, o Médico Paul Brand, que tem trabalhado com leprosos em Calcutá, ou Madre Tereza de Calcutá, que se envolveu com o mesmo povo que Brand, dedicando sua vida ao marginalizado.
É sabido que o ministério desses três servos de Deus é diferenciado. Eles tiveram um chamado específico, mas a Igreja de Jesus também tem sido chamada e precisa, (entendendo este mesmo chamado), viabilizar alternativas para criar um ministério social sério, efetivo e que faça a diferença neste mundo sofrido.
Enumeram-se adiante algumas alternativas para o exercício efetivo de um ministério social.
Cavalcanti sugere que a Igreja faça uso daquilo que ele resolveu denominar de profetismo, dizendo que:
A ação profética se dá quando representamos a consciência moral da nação; a voz da ira de Deus contra a iniqüidade. E para sermos adversários dessa iniqüidade, inimigos do mal, não temos necessidade de pertencer a nenhum partido político, nem sermos candidatos a coisa nenhuma…
Acontece que, quando uma comunidade se levanta e clama contra a iniqüidade existente, ela absolutamente não está fazendo política partidária, nem vestindo bandeira ideológica. Nós estaremos realmente mexendo nas formas quando fizermos filantropia, projetos de desenvolvimento, ação política, na retaguarda, intercessão, ensino, apoio e profecia nesse sentido.114
No evangelho de Lucas (Lc 1e.40}, Jesus afirma que “… se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Indubitavelmente esse profetismo por parte da Igreja tem estado ausente. A igreja tem silenciado como se não tivesse nada a ver com o problema, ou porque sabe que, no momento cm que isso for exposto, fatalmente enfrentará problemas. Mas se a Igreja calar-se, certamente Deus levantará outras vozes. Isto aconteceu no diálogo entre a rainha Ester e Mordecai. Havia opressão e um iminente holocausto estava mostrando a sua face, a rainha parecia estática diante do problema, por isso Mordecai afirmou: “Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Et 4.14). Mordecai acreditava que de alguma forma Deus proveria livramento para o povo, se Ester não exercesse o seu papel profético, denunciando Hamã.
Philip Yancey, em seu livro, “Encontrando Deus nos Lugares mais Inesperados”, dedicou um capítulo para falar sobre o envolvimento de William Shakespeare com política. O que chama a atenção é perceber que Shakespeare foi uma espécie de “pedra falante”; com suas peças, ele acabou denunciando a opressão e a injustiça sociais dos seus dias. Um trecho da peça o Rei Lear, que conta a história do rei que foi abandonado pelas filhas e expulso do seu castelo, mostra que ele fez uma enorme descoberta, pois descobriu as dificuldades dos pobres e sem-teto, e diz o seguinte:
Pobres miseráveis nus, onde quer que estejam, que amargam o rigor desta impiedosa tempestade, como podem suas cabeças desabrigadas e barrigas vazias, evidente e patente andrajosidade, protegê-los de intempéries como esta? Ah, quão pouca atenção dou a tal! Expõe-te para sentir o que sentem os miseráveis, e poderás proporcionar-lhes a abundância e exibir o paraíso de forma mais justa.115
É, no mínimo, ingenuidade imaginar que a ação social resolverá totalmente o complexo problema da injustiça sociológica. Mas, com certeza, o agir da Igreja, independentemente de sua dimensão e alcance, fará diferença na vida de alguém, por isso vale a pena lançar essa semente que poderá abençoar o outro.
Henri Nouwen nasceu na Holanda e, como padre e professor, ensinou em Universidades como as de Notre Dame, Yale Divinity School e Harvard. Como escritor, produziu pelo menos trinta livros. Porém chegou um dia na vida de Nouwen quando ele conheceu um trabalho social com deficientes mentais, o da Comunidade L’Arche, na França. Encantado com o que viu, decidiu abandonar sua vida acadêmica e dedicar-se à atividade com os deficientes. Os últimos dez anos de sua vida Nouwen passou numa comunidade chamada Daybreak, em Toronto, no Canadá, cidade onde, conforme se observa no seu livro, “Adam, o Amado de Deus”, vivencia uma experiência particular que teve com um amigo que o visitou naquela comunidade. O amigo ficou surpreso e chocado ao ver Nouwen, um homem tão habilitado, cuidando de um deficiente chamado Adam, banhando-lhe, cortando-lhe a barba e até servindo-lhe a refeição na boca, pois Adam não tinha o controle necessário para fazê-lo sozinho. O visitante fez as seguintes perguntas: “Henri, é aqui que você está gastando seu tempo?”. “Você deixou a universidade, onde era grande inspiração para tantas pessoas para gastar seu tempo e sua energia com Adam?”. Nesse momento, Nouwen percebeu que seu amigo não compreendera sua vocação e missão. Philip Yancey, em um artigo intitulado: “A Santa Ineficiência de Henry Nouwen”, conta este mesmo episódio, com uma diferença, Yancey identifica-se como o amigo que visitou Nouwen em Daybreak e apresenta a resposta que recebeu daquele sábio: “Eu não estou dando nada”, ele insistiu. “Sou eu, não Adam, quem tira o maior benefício da nossa amizade”.116
Em sua humildade, Nouwen afirmou que Adam estava sendo uma bênção em sua vida, de alguma forma, todos os que se envolvem com o socorro ao próximo fazem a mesma descoberta. Mas, em última instância, de fato Henri Nouwem estava exercendo um maravilhoso ministério na vida daquele jovem deficiente. Talvez aquele trabalho não fizesse muita diferença no âmbito geral, mas fez enorme diferença na vida de Adam. É imperioso aprender a valorizar pequenas ações que podem causar transformação na vida do outro.
Em Atos dos Apóstolos (At 1.6-11), diante da ascensão de Jesus, os discípulos que contemplavam a cena ficaram com os olhos fitos nos céus, até que foram exortados a lembrar-se de que o Jesus que foi assunto ao céu voltaria do mesmo modo como o viram subir. Ainda hoje, a Igreja faz a mesma coisa, seus olhos estão fitos no infinito, olhares distantes, alheios à realidade. A igreja precisa ver o que está à sua volta, pois muitas igrejas se estabeleceram bem próximo a bairros onde a necessidade social é gritante e mesmo assim, ainda não conseguiram se aperceber da realidade em que estão inseridas.
Passando pela BR 232, no agreste pernambucano, aproximando-se da cidade de Caruaru, ao longe se avista o morro Bom Jesus. Em certa ocasião, certo membro de uma das igrejas evangélicas de Caruaru relatou o seguinte: “Sempre dizem que minha igreja tem potencial”, mas, segundo ele, o morro Bom Jesus também tem potencial, só que ele permanece no mesmo lugar, se ele pudesse se movimentar teria condições de destruir a cidade de Caruaru, mas ali estagnado, parado, ele tornou-se apenas parte da paisagem. Com esta análise, este senhor tenciona fazer uma análise crítica de sua comunidade em Caruaru, que tem potencial, mas potencial sem ação não faz diferença.
A igreja evangélica no Brasil também tem potencial. Quantos colégios, faculdades, terrenos, acampamentos, templos, prédios destinados à educação religiosa e seminários pertencem à comunidade evangélica brasileira e quão pouco estes bens são usados na perspectiva da partilha.
Templos e prédios de educação religiosa ficam fechados durante a semana, sem a menor utilidade para a comunidade que a cerca. É preciso aprender a dividir os recursos, que necessariamente não se limitam ao dinheiro, mas podem estar ligados à estrutura, aos imóveis, ao tempo, aos profissionais (médicos, professores, assistentes sociais, empresários) que poderiam usar sua profissão e seu potencial para dirimir o sofrimento e a diferença social.
Nas cidades, existe uma necessidade de apoio jurídico. Muita gente não tem sequer um documento de identidade, alguns não têm o registro de nascimento, existem outras questões como a posse de um terreno, ou problemas ligados à moradia, afora isso, existem problemas em lares, onde se faz necessária uma assistência jurídica que facilite a vida desse povo tão sofrido.
A igreja evangélica brasileira conta, em suas fileiras, com profissionais de saúde (médicos, dentistas, enfermeiros), o que permite estabelecer um projeto que vise a assistir àqueles que não têm acesso facilitado à saúde. A igreja pode – quem sabe? -criar um projeto de saúde, que trabalhe com noções de higiene, podendo ampliar sua assistência, criando uma policlínica que possibilite à população carente uma vida mais digna.
Em Caruaru, no ano de 2002, a Escola Mamãe Natureza abraçou um projeto social, na vila Padre Inácio, que recebeu o nome de Projeto Tatear. O corpo docente da escola entendeu que deveria levar um trabalho pedagógico à periferia para crianças carentes, dando a elas a preciosa oportunidade da alfabetização. O projeto tem provido material e recursos humanos para que crianças carentes tenham o mínimo de dignidade e possam ter acesso àquilo que é tão difícil em nosso país, a educação.
É insofismável que a comunidade evangélica pode fazer alguma coisa pelas crianças carentes. Sobram espaço físico e professores nas comunidades e, portanto, perfeitamente possível estabelecer um projeto social que faça a diferença na vida das crianças que moram na periferia.
Há algum tempo, meninos cheirando cola nas ruas era uma marca registrada dos grandes centros urbanos. Hoje, esta é uma cena que tem se repetido diariamente em cidades pequenas. De alguma forma está na hora da igreja evangélica perceber que alguma coisa pode ser feita de maneira efetiva para que esses meninos de rua venham a ser assistidos com dignidade. Caruaru apresenta também um projeto chamado “Desafio Criança”, que tem dado assistência a crianças que, por viverem em uma família desestruturada, foram parar nas ruas e já se envolveram (inclusive) com a criminalidade. Os meninos são recolhidos pelo projeto e recebem assistência para que, ao saírem dali, tenham novos hábitos e conceitos de vida.
Foi possível mencionar os aspectos históricos que fizeram da Igreja o que ela é hoje. Verifica-se que homens como Wesley, Wilbeforce, Calvino em Genebra, entre outros, tiveram um papel social relevante e o exemplo desses homens deve servir como desafio para a Igreja dos dias atuais. Ainda mencionando a história, verifica-se na chegada dos protestantes ao Brasil, de maneira especial, uma preocupação e um zelo pelas questões educacionais e de saúde, tanto que escolas e hospitais foram construídos com o patrocínio e por causa da visão da igreja nascente. Olhando para o potencial da igreja evangélica no Brasil do século XXI, percebe-se que é possível investir novamente nestas áreas, já que a saúde e a educação no Brasil são tão sofridas e os pobres, os que mais carecem de uma estrutura educacional e de saúde adequadas.
É indispensável definir um projeto de encarnação. Um projeto em que os valores do reino sejam colocados em prática pela comunidade. René Padilla sugere, como sustentação da atividade da igreja, três elementos chaves: o ponto de partida de nossa responsabilidade social é a identificação e isto foi o que o Senhor Jesus fez, quando, encarnado, visitou a terra; a norma de ação conhecida é o sacrifício, voltando-se para Jesus, percebe-se a mais eloqüente expressão deste, a cruz; a dinâmica da igreja precisa ser a nova vida.117
Verificou-se até aqui que alguns obstáculos têm inibido a ação social da Igreja, mas também que as alternativas propostas podem ser instrumento facilitador para a ação social da mesma. Embora não se tenha realizado quaisquer distinções entre ação social e evangelização, o certo é que as propostas formuladas podem e devem vincular ação social e evangelização de forma que as duas se complementem, posto que não existe evangelização genuína sem uma dimensão social, nem responsabilidade social realmente cristã sem uma dimensão evangelística.118
Lausanne 74 cumpriu um papel relevante no seio da Igreja Evangélica Brasileira. A partir daquele magno congresso foi possível ver aflorar no Brasil uma nova leitura, uma leitura holítistica, uma leitura baseada no evangelho integral. Longuini lembra que:
“No Brasil a chegada do Pacto de Lausanne, efetivamente, deu-se em 1983, quando foi realizado o Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE-83) em Belo Horizonte.” 119
O CBE-83 não foi o único congresso influenciado por Lausanne, pode-se incluir o Congresso Nordestino de Missões, bem como é possível incluir a formação da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), e a realização do seu primeiro congresso.
O Congresso Brasileiro de Evangelização (CBE-83) se deu na cidade de Belo Horizonte nos dias 31 de outubro a 5 de novembro, e sem dúvida alguma entrou para a história da igreja evangélica brasileira como um dos mais importantes eventos. Falando sobre a importância do CBE, Steuernagel afirma que:
A marca do CBE na vida de muitíssimos irmãos foi enorme. Isto se pode constatar de Norte a Sul e o fazemos com um sentido de gratidão ao Senhor. Vidas marcadas, desafios assumidos, objetivos elaborados, irmãos que se consagraram ao campo missionário, novas visões e perspectivas missionárias que foram percebidas, horizontes que foram ampliados e posições teológicas reformuladas. Estes são apenas alguns poucos aspectos de uma vida inteira que ocorreu naqueles poucos dias no Mineirinho.120
O processo iniciado com a realização do CBE-83 teve continuidade com a realização do Congresso Nordestino de Evangelizaçáo (CNE-88) realizado em Recife, cm 1988. O CNE-88 culminou com um movimento pelo resgate da ética evangélica e por uma representação oficial dos evangélicos no Brasil diante dos escândalos provocados por alguns deputados federais evangélicos que reorganizaram a Confederação Evangélica do Brasil.121
Em julho de 1994 (18-23), evangélicos de diversas regiões do Brasil se reuniram em Brasília para o I Congresso Nacional da Associação Evangélica Brasileira; o tema foi relevante: “A Igreja Evangélica na Virada do Milênio”.
Os objetivos do congresso foram formulados no material de divulgação e estão expressos num texto compilado por Rubem Amorese.
1 – DISCERNIR a vontade de Deus quanto à missão no tempo e na realidade em que vivemos. A comunidade de adoração que somos, o testemunho que damos e a unidade que experimentamos (exalamos), estão a serviço do cumprimento desta missão.
2 – CELEBRAR a fidelidade de Deus para com o Seu povo. O crescimento extensivo da Igreja, a riqueza de iniciativas nas áreas de missões e de serviço e as manifestações de unidade do Corpo de Cristo no Brasil são expressões da fidelidade de Deus e se constituem em motivo para a nossa celebração.
3 – ACEITAR o desafio de viver a fé em meio à crise de nossos dias como um compromisso de discipulado integral e solidário. O convite para o reencontro com a esperança do Reino é fonte de vida em meio à crise, dentro e fora da Igreja.
4 – BUSCAR por rumos para uma espiritualidade cristã alimentada por Deus, fiel ã Palavra, sensível ao Espírito, alicerçada na justiça, edificada na comunidade, voltada para o mundo, íntegra no comportamento e disposta ao serviço.122
Em todos estes encontros o espírito de Lausanne esteve presente. No entanto, é preciso estender os horizontes, é preciso alargar a visão para que a Igreja brasileira não apenas volte a discutir os temas presentes nesses congressos, mas que exista uma encarnação daquele espírito que, sem dúvida alguma, revolucionará a maneira de ser Igreja.
Esta pesquisa teve como objetivo levar o leitor a perceber que a Igreja, o povo de Deus, foi vocacionado para exercer sua missão de maneira a extrapolar as suas próprias fronteiras. Ela foi chamada e enviada, não para viver numa autocelebração, mas para demonstrar misericórdia por aqueles que carecem de amor. Diante desta certeza, recomendo duas ações práticas por parte da Igreja.
Conta-se que Madre Tereza participou de reuniões com reis, presidentes e chefes de Estado do mundo inteiro. Eles compareciam com os seus ornamentos que falavam de sua condição na sociedade. Enquanto Madre Tereza usava o seu tradicional sári, preso por um alfinete de segurança.
Um nobre conversou com ela a respeito de seu trabalho com a camada mais pobre da população de Calcutá. Ele perguntou se ela não se sentia desanimada ao ver tão pouco sucesso em seu ministério. Madre Tereza respondeu: “- Não, eu não me sinto desanimada. Veja, Deus não me chamou para o sucesso. Ele me chamou para um ministério de misericórdia.”
A Igreja precisa perceber a sua vocação, entendendo que o desafio que está diante de si é precioso e não deve despertar um desejo por resultados. Os resultados são importantes, no entanto, a nossa vocação deve ser exercida em obediência àquele que nos arregimentou e ao mesmo tempo com o cotação engravidado de misericórdia. Essa misericórdia precisa desembocar em ações práticas, efetivas que possam, em alguma proporção fazer diferença nesse mundo de indiferentes.
Barro, citando Orlando Costas, afirma ser “essencial que procuremos entender, ainda que de forma breve, a urgência da missão na cidade”.123
Barro, na verdade, está sugerindo que olhemos com o devido cuidado o que acontece ao nosso redor, percebendo que
o desafio não pode ser minimizado, antes, deve ser encarado com a devida seriedade e urgência.
Lendo a história do rei Salomão, logo quando ele ascendeu ao trono de Israel, após a morte de seu pai Davi, descobrimos que ele resolveu buscar a Deus em oração. Em seu pedido encontramos o rei, primeiro, admitindo que o desafio que tinha diante de si era enorme; em segundo lugar, ele percebe que o seu papel como rei não é maior do que o de um mordomo. Ele percebeu que foi colocado naquela condição para servir a nação e em terceiro lugar, o rei pediu discernimento para governar com justiça, podendo distinguir entre o bem e o mal (I Rs 3.7-9).
É impressionante perceber que o rei de Israel não minimizou o desafio que tinha diante de si; antes possuía uma noção exata do mesmo, mas ele não quis enfrentá-lo de qualquer jeito, desejou fazê-lo com justiça. Talvez esta seja a hora de clamar por discernimento, admitindo a dimensão do desafio e as nossas limitações para superá-lo. Salomão pediu discernimento para julgar com justiça.
Que a Igreja clame por discernimento para fazer justiça.
* * *
1 Caio Fábio D’ARAÚJO FILHO, A Igreja Evangélica e o Brasil: Profecia, Utopia e realidade, p. 16, 17 e 20
2 Samuel ESCOBAR, Desafios da Igreja na América Latina, p. 17
3 Paul FRESTON, Fé Bíblica e Crise Brasileira, p. 5-6
4 C. René PADILLA, Missão Integral, p.9.
5 John STOTT, Evangelização e Responsabilidade Social, p.7.
6 Billy GRAHAM, A Missão da Igreja no Mundo de Hoje, p. 17.
7 James A. SCHERER, Evangelho, Igreja e Reino, p. 125.
8 James A. SCHERER, op. Cit., p. 192
9 Luiz LONGUINI NETO, O Novo Rosto da Missão, p. 186.
10 Valdir STEUERNAGEL, A Evangelização do Brasil: Uma tarefa Inacabada, p.38-39.
11 Tony LANE, Pensamento Cristão, vol.2, p.204-205.
12 Robinson CAVALCANTI, A Utopia Possível, p.44.
13 René C. PADILLA, op. cit., p.57-58
14 Luiz LONGUINI NETO, op. cit., p. 187
15 Idem. p.76
16 id., p.188.
17 John STOTT, John Stott comenta o Pacto de Lausanne, p.9.
I8 James SCHERER, op. cit., p. 126.
19 John STOTT, op. cit.. livre adaptação ao Comentário de Stott sobre o Pacto.
20 John STOTT, op. cit., p.27.
21 íd., 28.
22 Robinson CAVALCANTI, OP. CIT., p.43
23 Peter WAGNER, A igreja Saudável, p. 151.
24 John STOTT, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo. p.376-377.
25 James I. PACKER, Evangelização e Soberania de Deus, p.28.
26 Wadislau Martins GOMES, Sal da Terra em Terras dos Brasis, p.29.
27 Carlos R. CALDAS FILHO, Fé e Café, p.67.
28 Russell P. SHEDD, Fundamentos Bíblicos da Evangelização, p.8.
29 Joseph C. ALDRICH, Amizade, a Chave para a Evangelização, p13, (texto adaptado).
30 Edward R. DAYTON, O Desafio da Evangelização do Mundo. p. 18.
31 John STOTT, op.cit., p.23.
32 Antonio José do NASCIMENTO FILHO, América Latina e seus Problemas, in Fides Reformata, p. 95.
33 id. p. 96.
34 Hélcio da Silva LESSA, Missão da Igreja e Responsabilidade Social, p.76-77.
35 John STOTT, op. cit., p.38.
36 Andrew KIRK, O Debate a Respeito da Missão Cristã, in Fundamentos da Teologia Cristã, p.269.
37 John STOTT, op. cit., p.31.
38 James A. SCHERER, op. cit., p. 136.
39 A. J. do NASCIMENTO FILHO, O Papel da Ação Social na Evangelização e Missão na América Latina, p.28.
40 id., p.29.
41 John STOTT, op. cit., p.21.
42 John Stott, op. cit., p.380
43 Francis A. SCHAEFFER. Manifesto Cristão, p.63-65.
44 John STOTT, op. cit., p. 10.
45 Manfred GRELLERT, Os Compromissos da Missão, p.73-74
47 Jaziel C. CUNHA, O Reformador, p. 1
48 Walter A. ELWELL, Enciclopédia Teológica da Igreja Cristã, vol. II, p. 426-429
49 Augustus Nicodemus LOPES, Liberalismo e Fundamentalismo, p.6-7
50 Walter A. ELWELL, Enciclopédia Teológica da igreja Cristã, vol. III, p. 112-113
51 John STOTT. O Cristão em uma Sociedade não Cristã, p.23
52 Idem, p.24
53 Augustus Nicodemus LOPES. Op. Cit..p.7
54 Idem, p. 10
55 Antonio Gouvêa MENDONÇA, O Celeste Porvir, p. 242
56 M. S. B. DANA e I. G. ROCHA, Hinário Novo Cântico, p. 168
57 E. T. CASSEL e E. R. SMART, Hinário Novo Cântico, p. 258-259
58 Carlos CALDAS, O Último Missionário, p.43
59 Antônio José do NASCIMENTO FILHO, O Papel da Ação Social na Evangelização e Missão na América Latina, p.58
60 Robert C. LINTHICUM, Revitalizando a Igreja, p.87-88
61 Warren W. WIERSBE, A Crise de Integridade, p.29
62 Robert C. LINTHICUM, op.cit.. p.60
63 Caio Fábio D’ARAUJO FILHO, Igreja: Evangelização, serviço e transformação histórica, p.20
64 H. BETTENSON, Documentos da Igreja Cristã, p. 235
65 Antonio José do NASCIMENTO FILHO, op.cit., p. 64-65
66 Clóvis Pinto de CASTRO, A Cidade é Minha Paróquia, p.47
67 Robinson CAVALCANTE op. Cit., p.39
68 René PADILLA e Carlos DEL PINO. Reino, Igreja e Missão, p.68
69 John STOTT, op. cit.. p. 17
70 Francis A. SCHAEFFER, Manifesto Cristão, p.65
71 Elben M. Lenz CÉSAR, História da Evangelização do Brasil. p.89
72 Domício P. MATTOS, A Posição social da Igreja, p.49-50
73 Idem, 52-54
74 Elben M. Lenz CÉSAR, op. cit., p.96
75 Duncan Alexander RELLY, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 134
76 Domício MATTOS. op. Cit., p.55
77 Idem.p.55-59
78 Irland P. de AZEVEDO, Missão da Igreja e Responsabilidade Social, p. 11-24
79 Paulo FRESTON, Fé Bíblica e Crise Brasileira, p. 142
80 Domício MATTOS, op. cit., p. 61-62
81 Paul FRESTON. op. cit.. p. 143
82 Carlos Pinheiro QUEIROZ, Eles Herdarão a Terra, p. 113
83 R. Alan COLE, Êxodo, Introdução e Comentário, p. 172
84 R. K. HARRISON, Levítico, Introdução e Comentário, p.206
85 R. N. CHAMPLIN, Dicionário do Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, p.4583
86 Antônio José do NASCIMENTO FILHO, Fidas Reformata, p. 107
87 Russel P. SHEDD, A Justiça Social, p.8
88 John STOTT, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo, p.383
89 John STOTT, Tive Fome, p.21
90 Jorge H. BARRO, De Cidade em cidade, p.50
91 Idem, p.50-51
92 Jorge H. BARRO, op.cit., p.26
93 James Montegomery BOICE, O Discipulado Segundo Jesus, p. 17
94 Colin BROWN, Dicionário de Teologia do Novo Testamento, vol. II, p.45
95 Colin BROWN. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol. IV. p.449
96 Idem, p.451
97 Carlos Pinheiro QUEIROZ. Jornal AETAL, p.5
98 Jorge H. BARRO, Ações Pastorais da Igreja com a Cidade, p.25-26
99 O Breve Catecismo de Westminster, p. 10
100 Heber Carlos CAMPOS, O Ser de Deus, p. 164
101 John STOTT, John Stott Comenta o Pacto de Lausanne, p.28
102 John STOTT, op.cit., p.383
103 J. I. PACKER, teologia Concisa, p.20
104 Dieter BREPOHL, Afluência e Pobreza, in A Evangelização do Brasil; Uma Tarefa Inacabada, p.133
105 Júlio Paulo Tavares ZABATIERO, Liberdade e Paixão, p.29
106 Antônio José do NASCIMENTO FILHO, op.cit., p.49
107 Ibid
108 ldem, p.45
109 René PADILLA, Missão Integral, p. 15
110 Ibid
111 John STOTT, op. cit., p.94
112 George Barna, A Rã na Chaleira, capa
113 Carlos Pinheiro QUEIROZ. Eles Herdarão a Terra, p.71-85
114 Robinson CAVALCANTI, Igreja: Agência de Transformação Histórica, p.51-53
115 Philip YANCEY, Encontrando Deus nos Lugares mais Inesperados, p.105
116 Philip YANCEY, Enfoque Gospel, p.90
117 René PADILLA, Evangelio Hoy, p.82-88
118 René PADILLA, Servindo com os Pobres na América Latina, p.35
119 Luiz LONGUINI NETO, op. cit., p.77
120 Valdir STEUERNAGEL (Editor), A Evangelização do Brasil: Uma tarefa inacabada, p. 10
121 Luiz LONGUIN1 NETO, op. cit.. p.28 e 78
122 Rubem AMORESE (Editor), A igreja Evangélica na Virada do Milênio, p.31
123 Jorge Henrique BARROS, op. cit. p.11
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LIDERANÇA, Evangélicos Unidos do Brasil. São Paulo: Editora SEPAL, Vol. 10, número 90, Dez/Jan 92.
Responsabilidade Social da Igreja/ Calvino Teixeira da Rocha
ISBN-85-8714374-3
1. Teologia Social 2. Igreja – Responsabilidade social 1. Título.
Copyright ©2003 by Descoberta Editora Ltda.
1ª edição: Verão 2003
Capa: Eduardo Pellissier
Impressão: Imprensa da Fé
Todos os direitos reservados para Descoberta Editora Ltda., Rua Pequim, 148, Londrina/PR 86050-310, Tel/fax: (43) 3337 0077 - editora@descoberta.com.br - descoberta.com.br
Editora filiada à ABEC – Associação Brasileira de Editores Cristãos
Por Calvino Rocha
25.04.2010
Cidadania, Diversos, Mundo Gospel, Notícias 14 Comentários
Veja também: Cuidado com o conteúdo SATÂNICO da REDE GLOBO !
Telespectadores reclamaram de discriminação com a cobertura que o jornal O Globo fez do Dia D, megaevento cristão que reuniu mais de 8 milhões de pessoas em todo o Brasil nesta quarta-feira (21). Durante o programa Fala Que Eu Te Escuto, transmitido na madrugada desta sexta-feira (23) pela Rede Record, espectadores telefonaram para protestar contra a forma como o jornal carioca cobriu o encontro.
Com o título “Caos universal e autorizado”, o jornal concentrou suas notícias no congestionamento causado pelo evento na cidade do Rio de Janeiro, sem ouvir os participantes. De acordo com os telespectadores que participaram da atração via telefone, esta é mais uma prova de que a família Marinho, dona das Organizações Globo, é preconceituosa e move uma campanha difamatória não somente contra a Igreja Universal do Reino de Deus, mas contra todos os evangélicos, católicos, espíritas e seguidores de demais denominações religiosas que estiveram presentes ao encontro.
A telespectadora Ana Carolina, do Rio de Janeiro, protestou contra a cobertura:
– A Globo não tem argumento algum para falar. O trânsito estava ruim? Estava, mas se for assim vamos terminar com o Carnaval, promovido pela Globo.
Para o bispo Clodomir Santos, apresentador do programa, houve preconceito:
– Não estou defendendo a Universal. Estou defendendo essas 3 milhões de pessoas que estiveram na enseada de Botafogo.
Durante o programa, foram apresentados documentos que comprovam que a organização do evento recebeu permissão do poder público do Rio de Janeiro para que a concentração ocorresse na enseada de Botafogo e que, em nenhum momento subestimou o número de participantes do encontro. O jornal cita que a previsão passada seria de 100 mil pessoas. O bispo Clodomir foi enfático:
- É mentira. Nós já tínhamos feito eventos semelhantes no aterro do Flamengo, com mais de 1, 5 milhão de pessoas.
Do Rio de Janeiro, o bispo Darlan Ávila mostrou ao vivo as autorizações que os organizadores receberam das autoridades para o evento. Ele lembrou que os programas de TV e rádio do grupo realizaram intensa divulgação do Dia D na cidade.
Telespectador do programa, o radialista Ubiratan disse que a reportagem não mostrou como o Dia D foi um evento positivo, sem vandalismos ou qualquer tipo de desordem:
- Eles [Rede Globo] têm medo da força do povo evangélico.
Por e-mail, o telespectador Jean Carlos disse que a matéria do jornal era “uma pouca vergonha” e completou afirmando que “a Globo não tem respeito nem com a gente, os católicos”.
O apresentador criticou ainda a comparação feita pelo jornal entre o congestionamento desta quarta-feira e o caos no trânsito durante as chuvas que mataram mais de 250 pessoas no Estado do Rio de Janeiro no início deste mês.
Fonte: R7 / Gospel+
Via: Gospel Prime
25.04.2010
Cidadania, Cultura, Diversos, Escola Bíblica, Mensagens, Mundo Gospel, Projetos 1 Comentário
São muitas as qualidades que uma pessoa tem que ter para ser um bom líder. Uma das mais importantes é a capacidade de reconhecer e estimular a equipe. Você é bom nisso?
Além disso, muitas pessoas que estão em cargos de liderança enxergam no espelho uma imagem diferente daquela projetada para os subordinados. É seu caso?
Certifique seu potencial respondendo as dez questões abaixo:
1) Você agradece cada um de seus subordinados por fazerem um bom trabalho, seja pessoalmente, por escrito, ou de ambas as formas?
A) Sim.
B) Não.
2) Você dedica tempo para reunir-se com sua equipe, ouvir idéias, críticas e sugestões?
A) Sim.
B) Não.
3) Você sempre faz comentários sobre a atuação de seus subordinados em projetos específicos?
A) Sim.
B) Não.
4) Você se esforça para criar um ambiente de trabalho aberto, que cultive a auto-confiança e seja descontraído?
A) Sim.
B) Não.
5) Você divide com sua equipe informações sobre novos produtos e estratégias, sobre como a empresa perde ou ganha dinheiro e como cada um poderá se adaptar nessa estrutura?
A) Sim.
B) Não.
6) Você envolve seus subordinados em decisões, especialmente aquelas que os afetam?
A) Sim.
B) Não.
7) Você encoraja sua equipe a se sentir parte da empresa, e responsável por cada projeto e pelo próprio ambiente de trabalho?
A) Sim
B) Não.
8) Você cria parcerias com seus empregados de forma que eles tenham a chance de crescer e aprender com isso?
A) Sim.
B) Não.
9) Você celebra o sucesso da empresa, do departamento e de seus profissionais?
A) Sim.
B) Não.
10) Você usa o desempenho do profissional como uma referência para reconhecê-lo, recompensá-lo e promovê-lo?
A) Sim.
B) Não.
• Confira o seu resultado:
Maioria A – Sim
Parabéns! Você é um chefe que sabe extrair um bom potencial e é capaz de motivar sua equipe. Contudo, nunca esqueça do conselho de John Maxwell no livro Líder 360º
“quem deseja ser líder deve fazer as coisas acontecerem e dar sua contribuição”. Além disso, Maxwell comenta que um equívoco que as pessoas cometem com freqüência é achar que a liderança é um lugar que se senta, quando na verdade é uma escolha. “O que você escolhe
fazer com o seu talento é o que o impulsiona para as grades realizações”, explica em sua obra Talento não é tudo.
Maioria B – Não
É hora de pensar com muito cuidado em uma forma de melhorar o relacionamento com seus colaboradores. Provavelmente você não está aproveitando todo o potencial de sua equipe. Segundo John Maxwell, número um em liderança, você deve aprender a desenvolver sua influência. “Ao ajudar outras pessoas, o líder se ajuda. Portanto, ele deve se relacionar
bem, com os diferentes níveis da organização”, afirma em seu livro Líder 360º.
Fonte: http://www.liderebrasil.com.br
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12.03.2010
Cidadania, Diversos, Notícias 1 Comentário
Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) nº 4.548 de 1998, de autoria do deputado José Thomaz Nono, que pretende modificar o art. 32 da Lei nº 9.605/98 – Lei de Crimes Ambientais, o qual diz:
“Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena – detenção de três meses a um ano, e multa.
§ 1º. Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.”
O PL em questão tem como objetivo retirar a expressão “domésticos ou domesticados”, sob o argumento de que a realização de rodeios e vaquejadas tem sido prejudicada. Tal proposição está apensada ao Projeto de Lei nº. 3.981/2000 e foi relatada favoravelmente pelo Deputado Régis de Oliveira.
Se este projeto for aprovado, será consumado o maior retrocesso da história da proteção animal em nosso país. Por exemplo, o combate às condenáveis rinhas de galo e cães, além da cruel Farra do Boi, entre outras barbaridades.
A Constituição e o bem-estar animal
Nossos animais, independentemente da espécie, são protegidos pela Constituição Federal, que em seu artigo 225, inciso VII, diz:
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
http://saudecompleta.blogspot.com
03.03.2010
Cidadania, Cultura, Notícias 1 Comentário
Um programa evangélico assembleiano de TV, lançou durante a semana, a pergunta que originou o título deste post: Qual o seu sonho para a Assembléia de Deus? Quero neste espaço, exteriorizar alguns dos meus sonhos para a Assembléia de Deus no Brasil:
1. Sonho com uma AD onde pastores não são consagrados com o propósito de votarem nas eleições convencionais estaduais e nacionais em quem os consagrou;
2. Sonho com uma AD onde o apadrinhamento descarado e o nepotismo vexatório sejam banidos em todas as instâncias;
3. Sonho com uma AD que tenha como líder convencional nacional, alguém que consiga ser líder em seu próprio Estado;
4. Sonho com uma AD onde candidatos a cargos convencionais estaduais e nacionais, não vivam se ameaçando e se acusando em suas campanhas, mas que tenham propostas de trabalho para apresentar aos eleitores;
5. Sonho com uma AD onde a sã doutrina, a ética, a moralidade, e a espiritualidade estejam acima da politicagem, dos “esquemas” e dos “jeitinhos”;
6. Sonho com uma AD cuja Casa Publicadora não seja objeto dos desejos vergonhosos e dos interesses pessoais e financeiros de alguns;
7. Sonho com uma AD onde as pessoas sejam prioridades, e não as coisas;
8. Sonho com uma AD onde os interesses divinos estejam acima dos humanos, onde a voz e a direção do Espírito Santo possa ser ouvida e seguida;
9. Sonho com uma AD onde seus liderados não sejam manipulados pelos seus líderes, nem sejam jogados contra os mesmos;
10. Sonho com uma AD cuja liderança regional e nacional possua uma visão contextualizada e audaciosa, mas, ao mesmo tempo, bíblica e equilibrada;
11. Sonho com uma AD que como instituição cristã, seja verdadeiramente regida e norteada por princípios cristãos;
12. Sonho com uma AD onde o eterno e louvável estejam acima do temporal e reprovável;
13. Sonho com uma AD com obreiros, ministros e crentes cheios do Espírito Santo;
14. Sonho com uma AD que avance na obra de evangelização do mundo com estratégias inovadoras, e que não perca tempo e recursos com coisas fúteis e banais;
15. Sonho com uma AD que cuide dos novos convertidos através de um discipulado genuinamente bíblico;
16. Sonho com uma AD que invista na educação e na formação integral de seus membros;
17. Sonho com uma AD que resista aos modismos doutrinários, litúrgicos e outros;
18. Sonho com uma AD que não se perceba maior do que o Reino, mas, que cumpra com responsabilidade e humildade o seu papel no mesmo;
19. Sonho com uma AD livre do coronelismo e do clericalismo;
20. Sonho com uma AD onde o maior é aquele que serve o menor…
Estes são alguns dos meus sonhos.
Não sonho com perfeição, mas, com dignidade e respeitabilidade.
Sonho com um ser-fazer genuinamente cristão, com espiritualidade concreta e verdadeira.
Pelo Pr. Altair Germano (um exemplo a ser seguido)
01.03.2010
Cidadania, Cultura, Escola Bíblica, Projetos Deixe o seu comentário
“Quero trazer à memória aquilo que me dá esperança”
Lamentações de Jeremias, 3:21
Ensine a criança o caminho por onde andar e, assim, não se desviará dele
Provérbios, 22: 6
Este documento é resultado do chamado do Ministério da Educação às igrejas cristãs para um trabalho voluntário de mobilização das famílias e da comunidade pela melhoria da qualidade da educação brasileira
O Plano de Mobilização, que tem como fundamentos os direitos humanos, a cidadania, a ética, a solidariedade, a inclusão e a tolerância, é uma orientação às lideranças das igrejas para ação:
A base do Plano de Mobilização pode ser sintetizada na educação como um direito e um dever das famílias:
a) todas as famílias e responsáveis pelas crianças e jovens têm o direito de reivindicar que a escola dê uma educação de qualidade para todos os alunos. Podem e devem cobrar providências, medidas e ações para que isso ocorra.
b) todas as famílias e responsáveis pelas crianças e jovens têm o dever de ajudar a escola em casa, criando disciplina e rotina de estudos.
As diretrizes que orientam as atividades aqui sugeridas sintetizam boas práticas encontradas em escolas públicas em que os alunos têm alcançado boas notas nas avaliações do MEC. Por isso, é importante que todas as escolas adotem essas diretrizes. Isso vai garantir que crianças e jovens brasileiros tenham melhores oportunidades ao longo da vida.
Uma forma de as lideranças e voluntários colaborarem com o Plano de Mobilização é traduzindo as diretrizes para as famílias, uma a uma. Assim, espera-se que os resultados logo comecem a aparecer. E como as famílias podem cooperar? As lideranças devem mostrar que elas podem ajudar a criança a melhorar seu desempenho na escola de diversas maneiras e em diversos lugares. Por exemplo:
Em casa: garantindo a disciplina das crianças e jovens para o estudo diário, para fazer o dever de casa, para criar o hábito da leitura, para não faltar às aulas e ser pontual.
A Estratégia de Ação apresenta três pontos fundamentais: Diretrizes, Atividades e Sugestões de Implementação. A partir dela, cada igreja deve montar seu próprio Plano de Ação contendo outros itens como agentes mobilizadores, público a ser mobilizado, oportunidades de onde e quando trabalhar determinada atividade, recursos necessários, metas e prazos.
Como sugestão, apresentamos alguns exemplos de itens que podem ser incluídos no Plano de Ação:
Documentos disponíveis
Estratégia de Ação
OBJETIVO 1 – Dialogando com a comunidade sobre a importância da educação
| ATIVIDADE / DIRETRIZ | SUGESTÕES DE IMPLEMENTAÇÃO |
| DIRETRIZES (PLANO DE METAS do PDE) relativas às atividades 1.1 a 1.18. | - Alfabetizar as crianças até, no máximo, os 8 anos; - Combater a repetência;
- Combater a evasão; - Valorizar a formação ética, artística e a atividade física; - Estabelecer como foco a aprendizagem de cada aluno; - Acompanhar cada aluno individualmente; - Promover a educação infantil; - Matricular o aluno na escola mais próxima de sua residência; - Garantir o acesso e permanência das crianças com deficiência; - Manter programas de alfabetização de jovens e adultos. |
| 1.1. Acompanhar o processo de alfabetização das crianças para assegurar que elas estejam alfabetizadas até os 8 anos; | Explicar aos pais e responsáveis a importância de a criança saber ler e escrever até os oito anos de idade e a influência da alfabetização no período correto ao longo de sua vida. A capacidade de leitura também influencia a aprendizagem das crianças em outras disciplinas, como a matemática. Pedir que as crianças leiam trechos das revistinhas e material didático para verificar se elas estão alfabetizadas.
Orientar pais e responsáveis a deixarem sempre em casa algum material de leitura à disposição e a pedirem que as crianças leiam. Pode ser um livro, uma revista ou um panfleto. O importante é que elas leiam e criem o hábito da leitura. Os pais, quando possível, podem deixar algum bilhete para as crianças. Pode ser uma mensagem de carinho, uma solicitação de ajuda, uma tarefa ou um recado. O importante é a que a criança, além de sempre ter alguma coisa para ler, vai aprender a entender a mensagem e cumprir o que foi solicitado. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.2. Assegurar a crianças e adolescentes um momento diário em casa para estudar; | Orientar pais e responsáveis sobre a importância de a criança ter um momento reservado para estudar em casa, sem outros afazeres ou distrações, como televisão. Esse momento de estudo pode ser a leitura de um livro indicado pelo professor ou escolhido pela criança, ou a revisão do conteúdo passado em sala da aula, já que nem todo dia há dever de casa passado pelo professor. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos.
Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.3. Assegurar que as crianças façam sempre o dever de casa e outras atividades demandadas pela escola; | Orientar pais e responsáveis sobre a importância de a criança ter um momento reservado para estudar em casa, sem outros afazeres ou distrações, como televisão. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos.
Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.4. Interessar-se e conversar sobre o que as crianças estão aprendendo na escola (as atividades de que mais gostam; suas dificuldades etc.); | Mostrar para os pais e responsáveis a importância de conversar com a criança sobre o que ela está aprendendo na escola, as aulas a que assiste, as atividades de que mais gosta, perguntar que livros leu, e se há alguma dificuldade. Esclarecer que não é necessário que os pais ou responsáveis entendam dos assuntos que a criança está estudando, e nem de recomendado que façam a lição no lugar dela. O que importa é a criança sentir-se importante e motivada a continuar estudando.
Professores de escola bíblica dominical e catequese podem conversar com as crianças sobre esse tema. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.5. Verificar se seus filhos estão indo às aulas todos os dias; | Explicar aos pais e responsáveis a importância de a criança freqüentar a escola todos os dias. Mostrar a pais e alunos que chuva não é motivo para faltar da escola.
Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.6. Ficar atentos aos horários da escola, ajudando os filhos a chegarem na hora certa; | Orientar pais e responsáveis sobre a importância de as crianças chegarem pontualmente à escola, para não perderem nenhum conteúdo, bem como para poderem interagir com colegas, funcionários e professores. Caso os pais saiam de casa antes dos filhos, pedir a alguma vizinha mais próxima da família que observe se eles estão indo para a escola na hora certa.
Professores de escola bíblica dominical e catequese podem conversar com as crianças sobre sua pontualidade, orientando-as a prepararem o material escolar na véspera, para evitar atrasos e eventuais esquecimentos de cadernos, livros ou outro material. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.7. Ajudar a criança a conservar o material escolar e o uniforme; | Orientar pais e responsáveis sobre a importância de a criança estar com o uniforme escolar sempre limpo e os materiais conservados. Professores de escola bíblica dominical e catequese podem ensinar as crianças como conservar o material escolar.
Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.8. Comunicar-se regularmente com a escola, respondendo sempre aos bilhetes e avisos que receber. | Conscientizar pais e responsáveis sobre a importância do constante contato com os professores de seus filhos, bem como com outros funcionários da escola, aconselhando-os a procurá-los sempre que puderem e a perguntar aos filhos se há algum recado do professor. Professores de escola bíblica dominical e catequese podem orientar as crianças a sempre entregarem aos pais os bilhetes enviados pelo professor.
Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.9. Avisar a escola quando seu filho precisar faltar; | Conscientizar pais e responsáveis sobre a importância de o professor ser informado pelos pais sobre as ausências do aluno. Além de o professor conhecer os motivos da falta, isso permite uma maior e positiva interação entre pais e professores. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos.
Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.10. Comunicar os responsáveis e a escola sobre crianças que estão fora do espaço escolar; | Mostrar aos pais e responsáveis a importância dessa medida e sua conseqüência positiva para a vida escolar e futuro da criança, pois permitirá às autoridades competentes, bem como aos pais, tomarem as providências necessárias para a criança não perder mais aulas. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos.
Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.11. Avisar o conselho tutelar sobre crianças que não estão matriculadas na escola; | Orientar todos os membros da igreja sobre a importância dessa medida, uma vez que o conselho tutelar poderá tomar as medidas cabíveis, o que incorrerá em inúmeros benefícios para a vida a atual e futura das crianças. Professores de escola bíblica dominical e catequese podem averiguar se alguma criança que freqüenta suas aulas está fora da escola e tomar as mesmas providências.
Entregar a Cartilha para os pais, responsáveis e demais membros que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.12. Cuidar da higiene e saúde dos filhos, procurando assistência médica para sanar problemas (por exemplo, problemas de visão, audição) e a manterem as vacinas em dia; | Conscientizar pais e responsáveis sobre a importância de a criança estar sempre bem asseada e em boas condições de saúde. Além de contribuir para o próprio bem-estar da criança, isso pode sanar alguns problemas que poderiam prejudicar o seu aprendizado. Professores de escola bíblica dominical e catequese podem orientar as crianças sobre como fazer a higiene pessoal e tentar identificar eventuais problemas de audição e visão, informando os responsáveis.
Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.13. Conhecer seus direitos (oferta de vagas para os filhos a partir de 4 anos na escola mais próxima de sua residência, merenda escolar, educação artística, educação física etc.); | Mostrar aos pais e responsáveis os direitos que eles e as crianças têm em relação à educação, para que eles possam exigi-los o quanto antes, beneficiando e estendendo ao máximo a vida escolar da criança. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos.
Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima, além de eventualmente procurar as escolas em que ocorrem eventuais distorções para saber o que está acontecendo e procurar meios de ajudar a resolver. |
| 1.14. Matricular a criança na educação infantil; | Orientar pais e responsáveis sobre os benefícios da educação infantil no desenvolvimento e na vida escolar da criança, influenciando seu desempenho e facilitando seu processo de socialização, ao conviver com outras crianças e adultos. Incentive-os a matricular seus filhos o quanto antes, bem como mostrar como podem proceder caso haja dificuldades em conseguir matrícula.
Professores de escola bíblica dominical e catequese podem verificar se crianças com a idade apropriada estão matriculadas. Caso não estejam, conversar com os pais sobre os motivos. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima, bem como procurar escolas da localidade em que os pais dizem não haver vagas para verificar a situação. |
| 1.15. Assegurar à criança com deficiências o direito de estudar nas classes comuns do ensino regular junto com as outras crianças; | Mostrar aos pais, aos responsáveis e a toda a comunidade a importância e benefícios para crianças com deficiência freqüentarem as mesmas salas de aulas que as demais crianças. Orientá-los sobre como procurar a escola para assegurar esse direito. A convivência e o ensino na escola colaboram para o melhor desenvolvimento da criança.
Professores de escola bíblica dominical e catequese devem buscar a integração das crianças com deficiência com as outras crianças. Entregar a Cartilha para os pais, responsáveis e todas as pessoas que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Em especial, voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.16. Cobrar da escola acompanhamento individual dos alunos e aulas de reforço quando necessário; | Conscientizar pais e responsáveis sobre a importância do reforço escolar e orienta-los a procurar a escola quando necessário. Professores de escola bíblica dominical e catequese podem trabalhar algumas atividades simples com as crianças, como leitura e escrita.
Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima e procurar as escolas para que elas façam esse acompanhamento. |
| 1.17. Informar aos órgãos responsáveis (conselhos tutelares, Ministério Público etc.) situações irregulares: falta de vagas, falta de professores, instalações deficientes, falta de merenda de qualidade etc.; | Orientar todos os membros da igreja sobre a importância dessa medida, uma vez que esses órgãos poderão tomar as medidas necessárias para sanar a situação, beneficiando toda a comunidade escolar. Mas antes disso, é necessário que as pessoas conheçam a situação das escolas, o que pode ser feito por meio de visitas e conversas com professores. Professores de escola bíblica dominical e catequese podem conversar com as crianças sobre a situação nas escolas e, caso necessário, procurar as autoridades responsáveis.
Entregar a Cartilha para todos os membros da Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando os pontos relevantes nesse sentido. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima, além de conhecer a situação das escolas, conversar com professores e diretores, e buscar as autoridades quando necessário. |
| 1.18. Incentivar os jovens e adultos a se alfabetizarem ou a prosseguirem nos estudos, procurando na escola do bairro cursos de alfabetização e de educação de jovens e adultos. | Informar a todos os membros da Igreja a existência de programas de educação de jovens e adultos, para que aqueles ainda não alfabetizados ou que não concluíram a educação básica possam voltar a estudar. Aqueles que já concluíram os estudos podem incentivar os outros a fazê-lo. Professores de estudo bíblico podem passar essa orientação para os membros da igreja, observando aqueles com dificuldades de leitura e encaminhando-os a programas de educação de jovens e adultos.
Voluntários podem conversar com pessoas que necessitem de orientação mais próxima. |
| DIRETRIZES (PLANO DE METAS do PDE) relativas às atividades 1.19 a 1.26. | - Criar programa de formação inicial e continuada dos profissionais da educação; - Implantar plano de carreira, cargos e salários para profissionais da educação;
- Valorizar o mérito, a formação, desempenho eficiente, dedicação, assiduidade, pontualidade e responsabilidade dos profissionais da educação; - Elaborar o projeto político pedagógico da escola com a participação dos professores; - Estabelecer regras claras para a nomeação e exoneração dos diretores; - Incorporar ao núcleo gestor da escola os coordenadores pedagógicos; - Divulgar na escola e na comunidade os dados relativos à educação, em especial aqueles ligados à escola e ao município. |
| 1.19. Acompanhar a freqüência dos professores; | Mostrar aos pais e responsáveis a importância de os professores não faltarem às aulas, para evitar descontinuidade e prejuízo à aprendizagem das crianças. Orientá-los a conversar sempre com seus filhos para verificar a freqüência do professor e a procurar a escola caso haja muitas faltas. Essa orientação pode ser passada durante cultos missas, eventos e pregações. Também pode ser transmitida por meio de jornais, boletins, rádio, TV, internet, folders, cartazes, folhetos, marcadores de páginas, calendários, agendinhas de bolso e impressos em geral, além de abordar o tema em almoços comunitários, cafés da manhã, chás de senhoras, jantares, etc.
Professores de escola bíblica dominical e catequese podem conversar com as crianças sobre aspectos do cotidiano escolar, como a freqüência dos professores. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. Também podem procurar as escolas para averiguar a situação e conversar com diretores sobre eventuais providências. |
| 1.20. Conhecer os professores de seus filhos e valorizar o seu trabalho; | Mostrar aos pais e responsáveis que é muito importante conhecer os professores de seus filhos, pois isso permite que o professor repasse as dificuldades e os méritos de seus filhos, o que pode ajudar no acompanhamento em casa da vida escolar da criança. Esse contato também permite que os professores conheçam a realidade das crianças, ajudando-o a compreender e lidar com determinadas atitudes e comportamentos das crianças. Além disso, quando o professor vê que os pais estão interessados em seu trabalho, eles se sentem estimulados, valorizados e desafiados a fazer cada vez mais e melhor.
Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.21. Conhecer a direção, a equipe pedagógica e os demais profissionais da educação que atuam na escola dos filhos; | Mostrar aos pais e responsáveis a importância de conhecer todas a pessoas que trabalham na escola em que seus filhos estudam e do contato regular com elas. Essa orientação pode ser passada durante cultos missas, eventos e pregações. Também pode ser transmitida por meio de jornais, boletins, rádio, TV, internet, folders, cartazes, folhetos, marcadores de páginas, calendários, agendinhas de bolso e impressos em geral, além de abordar o tema em almoços comunitários, cafés da manhã, chás de senhoras, jantares, etc.
Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.22. Dialogar com o Conselho Escolar aspectos referentes ao funcionamento da escola: gestão, práticas pedagógicas e avaliação, formação e capacitação de professores, infra-estrutura e recursos pedagógicos etc.; | Essa não é uma orientação simples. A maioria dos pais não tem condições de compreender e discutir os temas em questão. Desse modo, a liderança da igreja deve ter sensibilidade para identificar quais membros têm condições de estabelecer esse tipo de interação com o Conselho Escolar. De qualquer modo, esse é um ponto muito importante e deve ser abordando sempre que, e se, possível. Educadores da igreja e voluntários podem interagir com o conselho escolar. |
| 1.23. Visitar a escola regularmente e participar das reuniões de pais; | Incentivar os pais e responsáveis e visitarem regularmente a escola e a participarem das reuniões de pais, pois isso permite que eles conheçam professores e demais funcionários da escola, além de receberem informações sobre a vida escolar de seus filhos. Entregar a Cartilha para os pais e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos.
Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.24. Conhecer o desempenho escolar de seus filhos. | Ao receber o boletim bimestral com as notas dos filhos, procurar a escola para saber como foi o desempenho dos demais alunos da turma: - se for notas (boas ou ruins) foram a maioria, isso significa que a turma está bem (notas boas), ou requer providências urgentes (notas ruins). Em que as famílias podem colaborar?
- se os filhos estiverem pior do que a maioria da turma, perguntar o que podem fazer em casa. E pedir um acompanhamento individualizado. Deixar claro que em caso de notas ruins, a solução não deve ser simplesmente castigar a criança. |
| 1.25. Conhecer indicadores de qualidade da aprendizagem, como a Prova Brasil e o IDEB; | Informar todos os membros da igreja sobre o que é o IDEB, a Prova Brasil e outros indicadores de qualidade da educação. Mostrar que cada escola e cada município tem um nota no IDEB, informá-los da data de divulgação do índice, e como ele pode ser usado como instrumento de para a melhoria da qualidade da educação. Também divulgar a data de realização da Prova Brasil. Professores de escola bíblica dominical e catequese podem conversar com as crianças sobre o que é a Prova Brasil e o IDEB
Entregar a Cartilha para todos os membros da Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem conversar com pais e responsáveis que necessitem de orientação mais próxima. |
| 1.26. Procurar a escola para conhecer os resultados da Prova Brasil e do IDEB, quando forem divulgados. | |
| DIRETRIZES (PLANO DE METAS do PDE) relativas às atividades 1.27 e 1.28. | - Transformar a escola em espaço comunitário; - Manter e recuperar espaços e equipamentos públicos que possam ser utilizados pela comunidade escolar;
- Ampliar os tempos e espaços educativos visando a aumentar o tempo do aluno para atividades educativas e pedagógicas que favoreçam a melhoria da aprendizagem, para além da jornada escolar obrigatória; - Firmar parcerias entre escola, empresas, ONGs e outros atores visando ampliar a oferta de oportunidades de desenvolvimento. |
| 1.27. Estimular os filhos e as crianças da comunidade a participar de programas que usem as dependências da escola para atividades esportivas, artísticas e culturais voltadas à comunidade, tais como biblioteca, quadras esportivas etc. Por ex: Programa Escola Aberta; | Demonstrar aos pais e responsáveis os benefícios que a participação nessas atividades, como o programa Escola Aberta, traz para as crianças. Assim, espera que eles incentivem seus filhos a participar. Professores de escola bíblica dominical e catequese podem conversar com as crianças sobre essas atividades e incentivar sua participação.
Entregar a Cartilha para e responsáveis que freqüentam a Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos. Voluntários podem engajar-se nesses programas e atividades. |
| 1.28. Participar como voluntários, com suas diferentes aptidões e potencialidades, de programas que transformem a escola em espaço comunitário de aprendizagem (formal ou informal) | Incentivar os membros da igreja a engajarem-se em atividades voluntárias, como o Escola Aberta, contribuindo para a aproximação entre escola e comunidade. Entregar a Cartilha para todos os membros da Igreja e da comunidade. |
| DIRETRIZES (PLANO DE METAS do PDE) relativas às atividades 1.29 a 1.31. | - Acompanhar e avaliar, com a participação da comunidade e dos Conselhos, as políticas públicas da área de Educação; - Promover a gestão participativa na rede de ensino;
- Fomentar e apoiar os conselhos escolares; - Garantir o funcionamento efetivo, autônomo e articulado dos conselhos de controle social; - Elaborar Planos de Educação e fomentar a criação de conselhos, quando não existirem; - Integrar os programas de educação com os de outras áreas como saúde, esporte e assistência social; - Zelar pela transparência da gestão pública em educação. |
| 1.29. Conhecer os Conselhos Escolares e suas atribuições, e participar nessa instância; | Esclarecer os membros da igreja sobre a existência do Conselho Escolar, suas atribuições, a importância da existência do Conselho e da participação dos pais. Mostrar que, caso a escola de seus filhos ainda não tenham conselho, os pais podem demandar sua criação. Essas orientações devem ser feitas como muito cuidado, para não sobrecarregar os pais, que em seu cotidiano já tem muitas tarefas. Para os membros em geral, basta informar a existência do conselho e sua importância. Para aqueles que demonstrarem interesse e condições, esclarecer maiores detalhes que viabilizem sua participação. Entregar a Cartilha para todos os membros da Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos.
Voluntários podem conversar com pais e responsáveis interessados, esclarecendo maiores detalhes. |
| 1.30. Demandar da escola a criação de Conselhos Escolares, caso não existam; | |
| 1.31. Demandar das autoridades transparência e resultados na gestão pública da educação. | Incentivar os membros a conhecerem e a demandarem das autoridades resultados na gestão, como uma prática de cidadania. Mostrar que todo cidadão tem o direito e o dever de exigir uma gestão pública transparente e eficiente. Entregar a Cartilha para todos os membros da Igreja. Explicar seu conteúdo, destacando alguns pontos.
Voluntários podem trabalhar em campanhas de conscientização na comunidade. |
OBJETIVO 2 – Promovendo no âmbito da Igreja atividades que contribuam para a melhoria da qualidade da educação
| ATIVIDADE | FORMAS DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO |
| DIRETRIZES (PLANO DE METAS do PDE) relativas às atividades 2.1 a 2.5. | - Alfabetizar as crianças até, no máximo, os 8 anos; - Combater a repetência;
- Combater a evasão; - Valorizar a formação ética, artística e a atividade física; - Estabelecer como foco a aprendizagem de cada aluno; - Acompanhar cada aluno individualmente; - Promover a educação infantil; - Matricular o aluno na escola mais próxima de sua residência; - Garantir o acesso e permanência das crianças com deficiência; - Manter programas de alfabetização de jovens e adultos. |
| 2.1. atividades relacionadas à expressão artística, cultural e física que fortaleçam a educação das crianças para a cidadania, os direitos humanos, a ética; | A igreja pode realizar oficinas de teatro, música, dança, poesia etc. com crianças em idade escolar. É importante que essas atividades reúnam diversas formas de expressão – artística, cultural, atividades físicas, de lazer, entre outras.
A igreja também pode incentivar os membros adultos da igreja a usar suas aptidões (artes, carpintaria, etc.) nas atividades com as crianças e jovens. |
| 2.2. desenvolver rodas de leitura, “hora do conto” e acompanhamento escolar em programações já existentes; | A igreja pode realizar essas atividades, seja em caráter mais formal ou lúdico, em ocasiões ordinárias (como escola bíblica, catequese, ou separadamente com as crianças durante o culto), ou criar ocasiões específicas. Essas atividades visam a estimular o gosto pela leitura e fortalecer parceria com as escolas (relativamente às atividades de reforço). |
| 2.3. Aprofundar a discussão sobre os significados de ética, cidadania, deveres, direitos humanos, alteridade; | Esse é um tema que tem profundo impacto na maioria das questões levantadas neste documento, pois influencia diretamente a participação de todos os membros da igreja nas atividades propostas, bem como em todas as esferas sociais. Essas questões podem ser trabalhadas em Missais, folhetos das missas, pastorais, panfletos e outros meios que tenham utilidade (por exemplo, marcadores de página, calendários de bolso, cartões-postais etc.), Além, é claro, das pregações, missas, cultos, estudos bíblicos, etc. |
| 2.4. Incentivar o trabalho voluntário em prol da educação; | A igreja deve incentivar seus membros, de todas as idades, a realizar trabalho voluntário, pois o voluntariado impacta diretamente em quase todas as atividades propostas neste plano. Esse incentivo pode ser feito por meio de educação de pares, conversas informais e encontros, palestras, além das missas e cultos e meios de comunicação impressos.
As igrejas também podem firmar parcerias com instituições da sociedade civil que trabalham com voluntariado educativo, como forma de oferecer treinamento a seus membros que se tornarem voluntários. |
| 2.5. Formar/Capacitar multiplicadores e voluntários sobre políticas e programas educacionais. | As igrejas devem procurar as lideranças regionais e nacionais para indicar pessoas a participarem de oficinas de capacitação promovidas pelo MEC ou pelas igrejas e parceiros (como instituições que promovem o voluntariado educativo). As igrejas devem incentivar aqueles que participaram dessas oficinas a compartilhar os conhecimentos e materiais adquiridos com outros possíveis multiplicadores, voluntários ou qualquer membro que queria contribuir para a Mobilização Social.
Ela também pode promover cursos, palestras, seminários. Em todas as situações, a escolha dos meios e dos materiais deve focar o caráter de multiplicação das ações e informações, alcançando também, além do público final, outras pessoas próximas aos multiplicadores. |
| DIRETRIZES (PLANO DE METAS do PDE) relativas às atividades 2.6 e 2.7. | - Transformar a escola em espaço comunitário; - Manter e recuperar espaços e equipamentos públicos que possam ser utilizados pela comunidade escolar;
- Ampliar os tempos e espaços educativos visando a aumentar o tempo do aluno para atividades educativas e pedagógicas que favoreçam a melhoria da aprendizagem, para além da jornada escolar obrigatória; - Firmar parcerias entre escola, empresas, ONGs e outros atores visando ampliar a oferta de oportunidades de desenvolvimento. |
| 2.6. Conhecer as escolas da comunidade e colocar-se à disposição; | Essa interação entre igreja e escola é extremamente importante na medida em que fortalece os laços da comunidade como um espaço de aprendizagem e de formação de opinião para as crianças, além de permitir à igrejas contribuir em relação a questões pontuais da escola. |
| 2.7. Oferecer espaços das Igrejas e estimular os fiéis a fazerem o mesmo: comércio, indústria, clubes, quadras esportivas etc. para a realização de atividades extra-classe, ampliando os tempos e espaços de aprendizagem das crianças e adolescentes (na linha de educação integral, cidade educadora, bairro-escola). | È muito importante expandir os momentos e espaços de aprendizagem das crianças, considerando que esta não se restringe à sala de aula. Para tanto, a igreja pode dispor de seus espaços para atividades no contra-turno e nos finais de semana. A igreja pode conscientizar diversos atores da comunidade acerca da importância dessa iniciativa e mostrar como cada pessoa pode contribuir para a sua efetivação.
Voluntários podem coordenar as diversas atividades desenvolvidas. |
| DIRETRIZES (PLANO DE METAS do PDE) relativas às atividades 2.8 a 2.10. | - Acompanhar e avaliar, com a participação da comunidade e dos Conselhos, as políticas públicas da área de Educação; - Promover a gestão participativa na rede de ensino;
- Fomentar e apoiar os conselhos escolares; - Garantir o funcionamento efetivo, autônomo e articulado dos conselhos de controle social; - Elaborar Planos de Educação e fomentar a criação de conselhos, quando não existirem; - Integrar os programas de educação com os de outras áreas como saúde, esporte e assistência social; - Zelar pela transparência da gestão pública em educação. |
| 2.8. Desenvolver parcerias com os Conselhos Escolares, seja discutindo, seja trabalhando junto; | Além da necessidade de conscientizar os membros da comunidade sobre a importância dos Conselhos Escolares como espaços de participação na educação, a igreja deve buscar, por meio de seus líderes ou voluntários, interagir com os conselhos e estabelecer uma agenda de atuação comum sobre temas prioritários (por exemplo, enfrentamento ao trabalho infantil, à violência contra crianças e adolescentes). |
| 2.9. campanhas para conscientização de que a gestão pública na educação deve ser transparente e que todos têm o direito de exigir prestação de contas. | A igreja pode realizar palestras, divulgação de material impresso (Cartilhas, folders, cartazes, folhetos, marcadores de páginas, calendários, agendinhas de bolso), almoços comunitários, cafés da manhã, chás de senhoras, jantares, entre outros, em que se apresente o tema do Compromisso e que se aborde esse tema como parte da prática de cidadania, mostrando exemplos e possibilidades de ação. |
| 2.10. ações que favoreçam a inclusão e a tolerância. | A igreja deve desenvolver entre seus membros e a comunidade ações que favoreçam a inclusão e a tolerância entre pessoas e grupos diversos. Para tanto, pode promover palestras, eventos culturais, distribuir material impresso (Cartilhas, folders, cartazes, folhetos, marcadores de páginas, calendários, agendinhas de bolso). Também deve falar sobre a inclusão e a tolerância em suas atividades cotidianas, como cultos, missas, escolas bíblicas, catequeses, além de almoços comunitários, cafés da manhã, chás de senhoras, jantares, entre outros. |
[1] Como os Indicadores Demográficos e Educacionais (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=9781&Itemid=1139) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB (http://ideb.inep.gov.br/Site/).
23.02.2010
Cidadania, Cultura, Diversos, Mensagens, Mundo Gospel, Notícias, TEMÁTICAS, Testemunhos Deixe o seu comentário
A história está aí para nos ensinar grandes lições, mas muitos insistem cegamente e loucamente em repetir o erro.
A igreja cristã em seus primórdios foi vitimada por duras perseguições do poder temporal, representado na ocasião pelo imperadores romanos, que a considerava uma religio illicita. Dessa forma, a igreja cristã era vista como uma ameaça à segurança do estado romano devido ao seu crescimento.
Calúnias, difamações, agressões, confisco de bens, obrigação de sacrificar aos ídolos e mortes foram o resultado da grande hostilidade do poder temporal. Nero, Domiciano, Trajano, Décio, Diocleciano foram alguns dos algozes da fé cristã.
As investidas do poder temporal não alcançaram seus objetivos. A fé cristã crescia e se fortalecia cada vez mais. A perseguição só viria acabar em 313, quando o imperador Constantino promulgou o Édito de Milão, garantindo assim liberdade de culto a todas as religiões representadas no império. Durante o governo de Teodósio (379-395) o cristianismo ganhou o status de religião oficial do Imperio.
Os acontecimentos acima citados seriam ao longo da história reproduzidos, sempre nesta ordem: perseguição, tolerância e institucionalização da igreja cristã.
Aqui no Brasil, a igreja evangélica/protestante nos seus primórdios foi também vitimada com perseguições pelo poder temporal, sob as bençãos e “pressão” do catolicismo romano. Desde a chegada dos primeiros colonizadores protestantes (1555), passando pela chegada dos holandeses, pelo protestantismo de imigração e missionário, até a consolidação da fé protestante, a perseguição fez parte da rotina dos prostestantes/evangélicos.
Assim como no império romano e ao longo dos séculos, tais perseguições não alcançaram seus objetivos, e a igreja católica com o poder temporal (governantes e políticos brasileiros) tiveram que “engolir” os protestantes.
Diante desta realidade, a máxima “se não pode com eles, junte-se a eles” foi vivenciada pelo poder temporal, que buscou aproximação da igreja e da liderança evangélica, que de perseguida se tornou assediada. Os índices de crescimento dos evangélicos que circula na mídia nacional enchem os olhos (e os bolsos) de muitos.
A Igreja Evangélica no Brasil é na atualidade, sinônimo de votos e da possibilidade de se manter no poder para muitos políticos. As estratégias destes políticos oportunistas vão desde a criação de datas especiais, até a “compra” de líderes evangélicos através de: cargos comissionados, ajudas financeiras extra-oficiais, beneficiamento de filhos e parentes como assessores, eventuais benefícios e doações feitas à igreja local (terrenos, imóveis, concessões de rádio e tv etc.).
Infelizmente, os exemplos da história não foram suficientes para libertar muitos líderes e igrejas da “sedução constantiniana” de conquistar o poder temporal, ou de se deixar ser por ele conquistado numa relação de vergonhosa promiscuidade.
Muitos líderes já estão “amarrados” politicamente para as próximas eleições, através de acordos de bastidores, que em breve serão enfiados “guela” (ou garganta) abaixo em muitas igrejas (a não ser que já sejam coniventes com a prática).
Insisto que precisamos rever nossa relação com o poder temporal, pois somente desta maneira, líderes e igrejas poderão manter sua autoridade espiritual e profética para testemunhar do Evangelho de Jesus, que não negocia sua essência. É possível ser politizado sem se vender. É possível ser íntegro. É possível ser cristão.
Em muitos países na atualidade, cristãos continuam sendo perseguidos e mortos, em outros são apenas tolerados, enquanto aqui no Brasil são (ou permitem-se ser) usados, abusados, explorados e comprados.
Por Altair Germano.
Leia mais sobre “a igreja e a política” em:
PROJETO E CANDIDATO DA IGREJA?
O CRISTÃO E A POLÍTICA: O MEU CANDIDATO
O CRISTÃO E A POLÍTICA: QUANTO VALE?
NEGOCIADORES DO VOTO ALHEIO
EDUCAÇÃO POLÍTICA: O SENTIDO DO VOTO
O CRISTÃO E A POLÍTICA: JOSÉ, UM POLÍTICO CONSCIENTE DE SUAS RESPONSABILIDADES
O ATUAL PROCESSO DE MEDIEVALIZAÇÃO DA IGREJA NA PÓS-MODERNIDADE
A CONDIÇÃO DE ALGUNS POLÍTICOS EVANGÉLICOS
A CONDIÇÃO ATUAL DO BRASIL E A FALÊNCIA PROFETICA DE ALGUNS LÍDERES E IGREJAS EVANGÉLICAS
Comentários:
Pr. Gualter Guedes disse…
Pr. Altair Germano
Tenho participado de congressos e visto o que realmente o Senhor coloca neste artigo… estou de pleno acordo com o que o Senhor escreveu e faço apologia a Igreja de Cristo para a defender exatamente destas coisas… Deus te abençoe..
Pr. Gualter Guedes
20 de setembro de 2009
Eriton Junior disse…
Será que o filme que se passou com igreja romana vai acontecer com a instituição evangelica?
20 de setembro de 2009
leo disse…
Tudo o que o senhor falou sobre os males do nepentecostalismo e teologia da prosperidade, acontece nos Gideões Missionáriso da ultima Hora em Camboriu SC.
Amado pastor, venho fazer um convite ao senhor para na proxima sexta feira(6ª feira) ligar seu computador na internet apartir de 12:00 (meia noite, horário do Braisl) e entrar no site do GMUH e ligar na TV Gideões posi vai passara vigilai deles.
Garanto que o snehor nunca viu coisa igual. Vai pasmar assim como eu.
Eh uma vigílica onde vendem bençãos de 1.000,00 depois 500,00 depois 200, 100, 50,00 e até 1,00 reeal.
Começam pedindo dinehiro e prometem prosperidade! depois o pregadro oficial – sim esa vigilia tem pregador astro conhecido nacionalmente toda sexat feira, aí esse pregador começa de novo pedindo oferta em troca de prospridade.
Ai fica vendo visões e profetizando.
O trágico de tudo isso é que essa vigilia tá ficando famosa em Santa Catarina, e tem um publico estimado de quase 1.000 pessoas!! Pasme!!! Só não tem mais pq eles fecham a porta!
Aí a mesma eh retransmitida na rádio Gideões e pela intenet (rádiooe tV)
com records de acessos pelo público.
Pergunto: até onde vamos chegar?
21 de setembro de 2009
Elisomar disse…
Será que tem uma explicação escatológica para esses chifres? rsrs
21 de setembro de 2009
Heitor disse…
A Paz do Senhor !
Pr.Altair,
Parabéns mais uma vez : irei reproduzir, se me permitir, e distribuir centenas e centenas de cópias deste blog aqui onde moro. Temos que ensinar o Povo de DEUS a contra-atacar estas cobras que já querem se aninhar em nossos templos prá destilarem o veneno nas próximas eleições : e tudo isso, infelismente, na maioria das vezes, com a permissão e incentivo de Pastores e Líderes. Pau na cabeça destas cobras, os políticos !
21 de setembro de 2009
gleydson disse…
PR.ALTAIR
QUANDO O SENHOR FARÁ UM POST
SOBRE ARMINIANISMO E CALVINISMO…
QUERO MUITO APRENDER MAIS DAS VISÕES POR SUA EXPOSIÇÃO
SOU DA AD EM MARANGUAPE I…
ESPERO ANSIOSAMENTE.
JÁ É A SEGUNDA VEZ QUE PESSO ENCARECIDAMENTE POR ESSE TEMA…
A PAZ DO SENHOR…
21 de setembro de 2009
ALTAIR GERMANO, disse…
Prezado Gualter Guedes,
conto com as vossas orações nesta difícil empreitada.
Abraços,
21 de setembro de 2009
ALTAIR GERMANO, disse…
Amado Eriton Junior,
infelizmente o filme já começou, só não sabemos ainda como vai terminar. isso vai depender da disposição, ou não, de mudar de rumo.
Abraços,
21 de setembro de 2009
ALTAIR GERMANO, disse…
Prezado Leo,
Se tiver condições vou assistir.
Paz do Senhor,
21 de setembro de 2009
ALTAIR GERMANO, disse…
Elisomar,
pior que os chifres é lidar com o Diabo disfarçado.
Paz do Senhor!
21 de setembro de 2009
ALTAIR GERMANO, disse…
Heitor,
fique a vontade para divulgar o blog e orar por mim.
abraços,
21 de setembro de 2009
ALTAIR GERMANO, disse…
Nobre Gleydson,
assim que puder.
Só para antecipar,todas as “teologias” possuem acertos e equívocos interpretativos. Na maioria das vezes tais equívocos são verdades levadas ao extremo.
Com o arminianismo e o calvinismo acontecem o mesmo.
Abraços,
21 de setembro de 2009
a verdade do evangelho disse…
Escrevi um artigo sobre a política na igreja, intitulado: “Jesus em último lugar” deem uma olhadinha e comentem.
Blog: A verdade do evangelho
Pb. Edinei, Th.B
22 de setembro 2009
22.02.2010
Cidadania, Cultura, Devocionais, Evangelismo e Missões, Mensagens, Mundo Gospel, Notícias, Testemunhos Deixe o seu comentário
Este texto é baseado em um caso real.
Certa família humilde passava por graves privações. E a comunidade cristã tradicional, próxima, não se apercebeu.
Então, um senhor espírita se aproximou; esforçou-se e arranjou um emprego para o pai daquela família. Com o passar do tempo as privações se foram, os filhos se graduaram tornaram-se prósperos e, naturalmente, espíritas.
Quando o Senhor Jesus mostrou para o doutor da Lei quem era o “próximo” do homem ferido pelos ladrões, na parábola, referiu-se a um samaritano. Um homem de um povo estranho transportado de longe por Nabucodonosor, para as terras de Israel. Cristo confrontava uma religiosidade desprovida de compaixão. E compaixão significa estar atento às necessidades do próximo. Nossas mãos a serviço dos olhos do SENHOR.
Eu fico meditando: O que estamos vendo no meio evangélico é bem parecido com o relato da parabóla. Muitas palavras e poucas atitudes. Muitos críticos e poucos “samaritanos”. Muito individualismo e pouca solidariedade. Muitas palestras, escolas de liderança e poucos mestres em SERVIR.
E diante de tudo isso, como falar do amor de Deus para quem só conheceu a generosidade de “Samaritanos”? É, você e eu temos mesmo muito a melhorar!
Joao Cruzué é um dos pioneiros da blogosfera cristã evangélica, e há anos edita o excelente blog OLHAR CRISTÃO. Título original: A parábola do bom samaritano contextualizada.
29.12.2009
Catolicismo: Respostas Bíblicas !, Cidadania, Cultura, Notícias, Projetos 5 Comentários
ACORDO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A SANTA SÉ SOBRE ASSISTÊNCIA RELIGIOSA ÀS FORÇAS ARMADAS
A República Federativa do Brasil e A Santa Sé
Desejosas de promover, de maneira estável e conveniente, e assistência religiosas aos fiéis católicos, membros das Forças Armadas brasileiras,
Acordam o seguinte teor:
ARTIGO I
1. A Santa Sé constituíra no Brasil um Ordinariado Militar para a assistência religiosa aos fiéis católicos, membros das Forças Armadas,
2. O Ordinariado Militar canonicamente assimilado às dioceses, será dirigido por um Ordinarido Militar, que gozará de todos os direitos e estará sujeito a todos os deveres dos Bispos diocesanos
ARTIGO II
A Sede do Ordinariado Militar e de sua Cúria será no Estado-Maior das Forças Armadas, em Brasília, Distrito Federal, sendo-lhe pelo Exército Brasileiro o uso provisório do Oratório do Soldado.
ARTIGO III
1. O Ordinário Militar deverá ser brasileiro nato, terá a dignidade de Arcebispo e ficará vinculado administrativamente ao Estado Maior das Forças Armadas, sendo nomeado pela Santa Sé, após consulta ao Governo brasileiro.
2. O Ordinário Militar não acumulará esse encargo com o governo de outra sede diocesana.
ARTIGO IV
O Ordinário Militar será coadjuvado por Vigários Gerais respectivamente para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, por ele indicados de comum acordo com Forças Singulares.
ARTIGO V
1. A Jurisdição eclesiástica do Ordinário Militar é pessoal, ordinária e própria, segundo as normas canônicas.
2. No eventual impedimento do Ordinário Militar, exercerá sua jurisdição o Bispo diocesano, a convite das autoridades militares ou após entendimento com elas, devendo o mesmo ocorrer com o Pároco local, no impedimento do Capelão católico.
ARTIGO VI
Para efeito de organização religiosa, serão assistidos pelo Ordinariado Militar os fiéis católicos:
ARTIGO VII
1. Ao serviço religioso do Ordinariado Militar serão destinados sacerdotes do clero secular ou religioso, os quais formarão o seu Presbitério, sendo que os primeiros poderão ser Incardinados no Ordinariado ,segundo as normas do Direito Canônico.
2. Os sacerdotes estavelmente designados para o serviço religioso das Forças Armadas serão denominados Capelães Militares, e terão os direitos e deveres canônicos análogos aos dos Párocos.
ARTIGO VIII
A admissão e o acesso dos Capelães Militares no quadro da respectiva Força Singular far-se-á nos termos da legislação específica brasileira, sendo de competência do Ordinário Militar a concessão da provisão canônica.
ARTIGO IX
O Capelão Militar católico, no exercício de suas atividades militares, subordinar-se-á a seus superiores hierárquicos; no exercício de sua atividade pastoral, seguirá a orientação e prescrições do Ordinário Militar, conforme as normas do Direito Canônico.
ARTIGO X
1. As sanções disciplinares de caráter militar aplicável aos Capelães Militares obedecerão à legislação pertinente, observada a condição peculiar do transgressor, e serão comunicadas ao Ordinário Militar.
2. As sanções disciplinares de caráter canônico serão de competência do Ordinário Militar, que comunicará a decisão à autoridade militar competente para as providências cabíveis.
ARTIGO XI
Quanto à admissão e número de Capelães Militares católicos, valerá a proporcionalidade fixada pela legislação em vigor no Brasil.
ARTIGO XII
As eventuais controvérsias, relacionadas com o serviço ou atribuições pastorais dos Capelães Militares católicos, deverão ser dirimidas mediante entendimento entre o Ministério Militar respectivo e o Ordinariado Militar.
ARTIGO XIII
Competirá ao Estado-Maior das Forças Armadas, respeitadas as suas limitações, prover os meios materiais, orçamentários e de pessoal necessário ao funcionamento da Cúria do Ordinário Militar.
ARTIGO XIV
Na hipótese de dúvida sobre a interpretação ou aplicação dos termos do presente Acordo, as Altas Partes Contratantes buscarão a solução por mútuo entendimento.
ARTIGO XV
O atual Arcebispo Militar será confirmado pelo Governo brasileiro como Ordinário Militar.
ARTIGO XVI
O presente Acordo entrará em vigor na data de sua assinatura, podendo ser denunciado por qualquer das Altas Partes Contratantes, por via diplomática, com um ano de antecedência.
Feito em Brasília, aos 23 dias do mês de outubro de 1989, em dois textos em português.
| PELA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL: Paulo Tarso Flecha de Lima | PELA SANTA SÉ: Dom Carlos Furno |
OBS: O Estado brasileiro gasta dinheiro com a Igreja Católica por conta deste ACORDO ILEGAL, portanto, as autoridades públicas constituídas devem propor ação para restituit o nosso dinheiro gasto indevidamente (Por Aldo Corrêa).
29.12.2009
Cidadania, Cultura, Diversos, Notícias, Projetos 7 Comentários
Matéria segue agora para a apreciação do Senado. Bancada evangélica criticou proposta, mas, sem conseguir barrá-la, promoveu aprovação de projeto semelhante para outras religiões
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| Câmara estende a evangélicos diretrizes do acordo Brasil-Vaticano que reconhece estatuto jurídico da Igreja Católica |
Deputados aprovaram em plenário o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1736/09 que dispõe sobre o acordo firmado entre Brasil e Vaticano que, em suma, institui o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil. Assinado em novembro de 2008, o tratado internacional disciplina, entre outros pontos, a estrutura jurídica católica no país.
O Congresso em Foco antecipou nesta quarta-feira (26) que a votação do acordo internacional enfrentaria resistência da bancada evangélica na Câmara. O argumento é que, com o reconhecimento do tratado, o governo brasileiro patrocinaria a concessão de privilégios à Santa Sé, como é conhecida a cúpula da Igreja Católica.
O projeto, que será encaminhado para o Senado, ratifica regras já observadas no Brasil a respeito do ensino religioso, o casamento e a prestação de assistência espiritual em presídios, hospitais e estabelecimentos congêneres. O acordo bilateral só pode ser firmado porque o Vaticano tem status de Estado – ou seja, tem personalidade jurídica de Direito Internacional Público.
Aprovado em regime de urgência constitucional, o texto reforça o vínculo não empregatício entre religiosos e instituições católicas; assegura sigilo de ofício a sacerdotes e imunidade tributária para entidades eclesiásticas; e dispensa de visto para estrangeiros em viagem ao Brasil para praticar atividades pastorais. Antes de passar pelo plenário, a matéria tramitou na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e recebeu pareceres favoráveis nas comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ); de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Educação.
O decreto legislativo enfrentou resistência da bancada evangélica na Câmara, que vê na proposta a concessão de privilégios do governo brasileiro à Santa Sé. Os deputados evangélicos articularam, sem sucesso, mudanças na matéria – mas, se não conseguiram alterações, ao menos aprovaram um projeto de lei que, na prática, estende à religião evangélica e demais crenças disposições centrais do acordo Brasil-Vaticano.
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Logo em seguida à deliberação sobre o PDC 1736/09, os deputados aprovaram o projeto da bancada evangélica que regulamenta o livre exercício de crença e cultos religiosos, como define a Constituição.
Elaborado nos mesmos moldes que o Estatuto da Igreja Católica, com vários artigos repetidos e adequados às demais religiões, o Projeto de Lei 5598/09 recebeu duras críticas do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), para quem a matéria regulamenta a exploração indevida de fiéis e estimula a ação de igrejas criadas sem critério.
A exclusão do caráter de acordo internacional, inerente ao PDC 1736, foi obtida por meio da aprovação de substitutivo do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com alterações no texto original. Entre outros pontos, o projeto evangélico estabelece que a violação à liberdade de credo e à proteção de locais de culto submete o infrator às sanções definidas no Código Penal Brasileiro, bem como responsabiliza-o civilmente por eventuais danos.
Entre os artigos do acordos, quero comentar apenas o 14. O texto declara que o Brasil deverá destinar espaços para fins religiosos no planejamento urbado, no contexto do plano diretor das cidades. Neste artigo, a própria Santa Sé, admimitindo ser o Brasil laico, já está prevendo espaços nos planos diretores das cidades brasileiras, também para as outras religiões. Glória à Vós Senhor.

Confira os 20 artigos da proposta que reconhece o estatuto jurídico da Igreja Católica no país, alvo de intensa crítica de parlamentares evangélicos
Tramita em regime de urgência no plenário da Câmara mensagem presidencial que reconhece um acordo firmado ente o governo brasileiro e o Vaticano, que estabelece o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil. A proposição pode ser votada a qualquer momento pelo Plenário.
O texto foi aprovado no último dia 12 na Comissão de Relações Exteriores por 23 votos a 7. O relator, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), entendeu que o acordo não fere a Constituição Federal. Mas, como mostrou hoje (26) o Congresso em Foco, o documento é alvo de críticas da Frente Parlamentar Evangélica, que acusa o governo brasileiro de privilegiar igreja e ensino do catolicismo em proposta pronta para votação. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) diz que as críticas são descabidas e pede análise isenta de deputados.
Confira a íntegra do acordo, tratado na Mensagem 134/09, encaminhada ao Congresso pelo presidente Lula.
“A República Federativa do Brasil e A Santa Sé (doravante denominadas Altas Partes Contratantes),
Considerando que a Santa Sé é a suprema autoridade da Igreja Católica, regida pelo Direito Canônico;
Considerando as relações históricas entre a Igreja Católica e o Brasil e suas respectivas responsabilidades a serviço da sociedade e do bem integral da pessoa humana;
Afirmando que as Altas Partes Contratantes são, cada uma na própria ordem, autônomas, independentes e soberanas e cooperam para a construção de uma sociedade mais justa, pacífica e fraterna;
Baseando-se, a Santa Sé, nos documentos do Concílio Vaticano II e no Código de Direito Canônico, e a República Federativa do Brasil, no seu ordenamento jurídico;
Reafirmando a adesão ao princípio, internacionalmente reconhecido, de liberdade religiosa;
Reconhecendo que a Constituição brasileira garante o livre exercício dos cultos religiosos;
Animados da intenção de fortalecer e incentivar as mútuas relações já existentes;
Convieram no seguinte:
Artigo 1º
As Altas Partes Contratantes continuarão a ser representadas, em suas relações diplomáticas, por um Núncio Apostólico acreditado junto à República Federativa do Brasil e por um Embaixador(a) do Brasil acreditado(a) junto à Santa Sé, com as imunidades e garantias asseguradas pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 18 de abril de 1961, e demais regras internacionais.
Artigo 2º
A República Federativa do Brasil, com fundamento no direito de liberdade religiosa, reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar a sua missão apostólica, garantindo o exercício público de suas atividades, observado o ordenamento jurídico brasileiro.
Artigo 3º
A República Federativa do Brasil reafirma a personalidade jurídica da Igreja Católica e de todas as Instituições Eclesiásticas que possuem tal personalidade em conformidade com o direito canônico, desde que não contrarie o sistema constitucional e as leis brasileiras, tais como Conferência Episcopal, Províncias Eclesiásticas, Arquidioceses, Dioceses, Prelazias Territoriais ou Pessoais, Vicariatos e Prefeituras Apostólicas, Administrações Apostólicas, Administrações Apostólicas Pessoais, Missões Sui Iuris, Ordinariado Militar e Ordinariados para os Fiéis de Outros Ritos, Paróquias, Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.
§ 1º. A Igreja Católica pode livremente criar, modificar ou extinguir todas as Instituições Eclesiásticas mencionadas no caput deste artigo.
§ 2º. A personalidade jurídica das Instituições Eclesiásticas será reconhecida pela República Federativa do Brasil mediante a inscrição no respectivo registro do ato de criação, nos termos da legislação brasileira, vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro do ato de criação, devendo também ser averbadas todas as alterações por que passar o ato.
Artigo 4º
A Santa Sé declara que nenhuma circunscrição eclesiástica do Brasil dependerá de Bispo cuja sede esteja fixada em território estrangeiro.
Artigo 5º
As pessoas jurídicas eclesiásticas, reconhecidas nos termos do Artigo 3º, que, além de fins religiosos, persigam fins de assistência e solidariedade social, desenvolverão a própria atividade e gozarão de todos os direitos, imunidades, isenções e benefícios atribuídos às entidades com fins de natureza semelhante previstos no ordenamento jurídico brasileiro, desde que observados os requisitos e obrigações exigidos pela legislação brasileira.
Artigo 6º
As Altas Partes reconhecem que o patrimônio histórico, artístico e cultural da Igreja Católica, assim como os documentos custodiados nos seus arquivos e bibliotecas, constituem parte relevante do patrimônio cultural brasileiro, e continuarão a cooperar para salvaguardar, valorizar e promover a fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica ou de outras pessoas jurídicas eclesiásticas, que sejam considerados pelo Brasil como parte de seu patrimônio cultural e artístico.
§ 1º. A República Federativa do Brasil, em atenção ao princípio da cooperação, reconhece que a finalidade própria dos bens eclesiásticos mencionados no caput deste artigo deve ser salvaguardada pelo ordenamento jurídico brasileiro, sem prejuízo de outras finalidades que possam surgir da sua natureza cultural.
§ 2º. A Igreja Católica, ciente do valor do seu patrimônio cultural, compromete-se a facilitar o acesso a ele para todos os que o queiram conhecer e estudar, salvaguardadas as suas finalidades religiosas e as exigências de sua proteção e da tutela dos arquivos.
Artigo 7º
A República Federativa do Brasil assegura, nos termos do seu ordenamento jurídico, as medidas necessárias para garantir a proteção dos lugares de culto da Igreja Católica e de suas liturgias, símbolos, imagens e objetos cultuais, contra toda forma de violação, desrespeito e uso ilegítimo.
§ 1º. Nenhum edifício, dependência ou objeto afeto ao culto católico, observada a função social da propriedade e a legislação, pode ser demolido, ocupado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e entidades públicas a outro fim, salvo por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, nos termos da Constituição brasileira.
Artigo 8º
A Igreja Católica, em vista do bem comum da sociedade brasileira, especialmente dos cidadãos mais necessitados, compromete-se, observadas as exigências da lei, a dar assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, de assistência social, de educação ou similar, ou detidos em estabelecimento prisional ou similar, observadas as normas de cada estabelecimento, e que, por essa razão, estejam impedidos de exercer em condições normais a prática religiosa e a requeiram. A República Federativa do Brasil garante à Igreja Católica o direito de exercer este serviço, inerente à sua própria missão.
Artigo 9º
O reconhecimento recíproco de títulos e qualificações em nível de Graduação e Pós-Graduação estará sujeito, respectivamente, às exigências dos ordenamentos jurídicos brasileiro e da Santa Sé.
Artigo 10
A Igreja Católica, em atenção ao princípio de cooperação com o Estado, continuará a colocar suas instituições de ensino, em todos os níveis, a serviço da sociedade, em conformidade com seus fins e com as exigências do ordenamento jurídico brasileiro.
§ 1º. A República Federativa do Brasil reconhece à Igreja Católica o direito de constituir e administrar Seminários e outros Institutos eclesiásticos de formação e cultura.
§ 2º. O reconhecimento dos efeitos civis dos estudos, graus e títulos obtidos nos Seminários e Institutos antes mencionados é regulado pelo ordenamento jurídico brasileiro, em condição de paridade com estudos de idêntica natureza.
Artigo 11
A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.
§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação.
Artigo 12
O casamento celebrado em conformidade com as leis canônicas, que atender também às exigências estabelecidas pelo direito brasileiro para contrair o casamento, produz os efeitos civis, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.
§ 1º. A homologação das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial,
confirmadas pelo órgão de controle superior da Santa Sé, será efetuada nos termos da legislação brasileira sobre homologação de sentenças estrangeiras.
Artigo 13
É garantido o segredo do ofício sacerdotal, especialmente o da confissão sacramental.
Artigo 14
A República Federativa do Brasil declara o seu empenho na destinação de espaços a fins religiosos, que deverão ser previstos nos instrumentos de planejamento urbano a serem estabelecidos no respectivo Plano Diretor.
Artigo 15
Às pessoas jurídicas eclesiásticas, assim como ao patrimônio, renda e serviços relacionados com as suas finalidades essenciais, é reconhecida a garantia de imunidade tributária referente aos impostos, em conformidade com a Constituição brasileira.
§ 1º. Para fins tributários, as pessoas jurídicas da Igreja Católica que exerçam atividade social e educacional sem finalidade lucrativa receberão o mesmo tratamento e benefícios outorgados às entidades filantrópicas reconhecidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, em termos de requisitos e obrigações exigidos para fins de imunidade e isenção.
Artigo 16
Dado o caráter peculiar religioso e beneficente da Igreja Católica e de suas instituições:
I – O vínculo entre os ministros ordenados ou fiéis consagrados mediante votos e as Dioceses ou Institutos Religiosos e equiparados é de caráter religioso e portanto, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira, não gera, por si mesmo, vínculo empregatício, a não ser que seja provado o desvirtuamento da instituição eclesiástica.
II -As tarefas de índole apostólica, pastoral, litúrgica, catequética, assistencial, de promoção humana e semelhantes poderão ser realizadas a título voluntário, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira.
Artigo 17
Os Bispos, no exercício de seu ministério pastoral, poderão convidar sacerdotes, membros de institutos religiosos e leigos, que não tenham nacionalidade brasileira, para servir no território de suas dioceses, e pedir às autoridades brasileiras, em nome deles, a concessão do visto para exercer atividade pastoral no Brasil.
§ 1º. Em conseqüência do pedido formal do Bispo, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, poderá ser concedido o visto permanente ou temporário, conforme o caso, pelos motivos acima expostos.
Artigo 18
O presente acordo poderá ser complementado por ajustes concluídos entre as Altas Partes Contratantes.
§ 1º. Órgãos do Governo brasileiro, no âmbito de suas respectivas competências e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, devidamente autorizada pela Santa Sé, poderão celebrar convênio sobre matérias específicas, para implementação do presente Acordo.
Artigo 19
Quaisquer divergências na aplicação ou interpretação do presente acordo serão resolvidas por negociações diplomáticas diretas.
Artigo 20
O presente acordo entrará em vigor na data da troca dos instrumentos de ratificação, ressalvadas as situações jurídicas existentes e constituídas ao abrigo do Decreto nº 119-A, de 7 de janeiro de 1890 e do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé sobre Assistência Religiosa às Forças Armadas, de 23 de outubro de 1989.”A mensagem enviada ao Congresso é acompanhada de um texto encaminhado pelo secretário-geral do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro, em que ele expõe um histórico do acordo e as alegações para o reconhecimento do documento pelo governo brasileiro. Confira:
“Brasília, 12 de dezembro de 2008.
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Submeto à elevada consideração de Vossa Excelência, com vistas ao encaminhamento ao Congresso Nacional, o Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, assinado na Cidade-Estado do Vaticano, em 13 de novembro de 2008.
2. Recordo que a proposta de celebração do referido Acordo foi enviada a Vossa Excelência pelo Secretário de Estado da Santa Sé, Cardeal Tarcisio Bertone, por carta de 26 de setembro de 2006. Após o recebimento da proposta, foram iniciadas consultas com diferentes áreas do Governo sobre o Acordo. Sob a coordenação do Itamaraty, foram realizadas reuniões de coordenação para avaliação do texto, com a participação de representantes das seguintes áreas do Governo: Casa Civil (Subchefia de Assuntos Jurídicos); Ministério da Justiça (Secretaria de Assuntos Legislativos e FUNAI); Ministério da Defesa; Ministério da Fazenda (incluindo a Secretaria da Receita Federal); Ministério da Educação; Ministério da Cultura; Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério da Previdência Social; Ministério das Cidades; Ministério da Saúde.
3. Em 30 de março de 2007 o Ministério das Relações Exteriores apresentou ao Núncio Apostólico em Brasília a contraproposta do Governo brasileiro ao referido texto, com vistas a sua eventual assinatura por ocasião da visita ao Brasil do Papa Bento XVI, em maio de 2007. A contraproposta brasileira, além de adequação da linguagem jurídica noque se refere às relações do Brasil com a Santa Sé e com a Igreja Católica, continha poucas modificações substanciais ao texto proposto pela Santa Sé.
4. Somente em 13 de setembro de 2007, a Nunciatura Apostólica em Brasília apresentou ao Itamaraty a reação da Santa Sé ao texto proposto em 30 de março daquele ano. A nova proposta então apresentada foi objeto de reuniões de avaliação, coordenadas pelo Itamaraty, com a participação das áreas do Governo já acima mencionadas. Concluído esse processo, o Ministério das Relações Exteriores elaborou novo texto refletindo os pareceres e notas técnicas das diferentes áreas do Governo e o submeteu à aprovação dos respectivos Ministros, por Aviso de 13 de agosto de 2008, com o pedido de parecer final sobre o referido texto, com vistas a sua assinatura por ocasião da visita de Vossa Excelência à Cidade-Estado do Vaticano, para audiência com o Papa Bento XVI, em 13
novembro de 2008.
5. Em 24 de outubro de 2008, realizou-se, na Casa Civil da Presidência da República, reunião com vistas à finalização do texto da contraproposta do Governo brasileiro. Em 25 de outubro, foi entregue ao Núncio Apostólico em Brasília o texto concluído, ocasião em que foram explicadas, ponto por ponto, as posições da parte brasileira. A referida proposta foi oficialmente encaminhada à Santa Sé em 28 de outubro, por Nota Verbal à Nunciatura Apostólica no Brasil. Em 10 de novembro de 2008, a Nunciatura Apostólica comunicou, por meio de Nota Verbal, que a Santa Sé aceitou integralmente a contraproposta brasileira para o Acordo (em anexo), que foi assinado, do lado brasileiro, por mim e, do lado da Santa Sé, pelo Secretário para Relações com os Estados, Monsenhor Dominique Mamberti, em 13 de novembro de 2008, na Cidade do Vaticano.
6. O Brasil é o país que abriga a maior população católica do mundo e era o único que não dispunha de acordo sobre a presença da Igreja Católica em seu território. Desde o estabelecimento de relações diplomáticas com a Santa Sé, em 1826, há apenas dois acordos em vigor: Acordo Administrativo para troca de Correspondência diplomática, de 1935, e o Acordo sobre o Estabelecimento do Ordinariado Militar e Nomeação de Capelães Militares, de 1989.
7. O objetivo do presente Acordo é consolidar, em um único instrumento jurídico, diversos aspectos da relação do Brasil com a Santa Sé e da presença da Igreja Católica no Brasil, já contemplados na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, na Constituição Federal e em demais leis que configuram o ordenamento jurídico brasileiro. As diretrizes centrais seguidas pelas autoridades brasileiras na negociação do Acordo com a Santa Sé foram a preservação das disposições da Constituição e da legislação ordinária sobre o caráter laico do Estado brasileiro, a liberdade religiosa e o tratamento eqüitativo dos direitos e deveres das instituições religiosas legalmente estabelecidas no Brasil. Cabe ressaltar que o estabelecimento de acordo com entidade religiosa foi possível neste caso, por possuir, a Santa Sé, personalidade jurídica de Direito Internacional Público.
8. Apresento, a seguir, resumo do conteúdo de cada artigo do Acordo:
Art. 1 – dispõe sobre a representação diplomática do Brasil e da Santa Sé, nos termos da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas;
Art. 2 – o Brasil reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar sua missão apostólica;
Art. 3 – o Brasil reconhece a personalidade jurídica das Instituições Eclesiásticas mediante inscrição no registro pertinente do ato de criação, nos termos da legislação brasileira;
Art. 4 – a Santa Sé garante que a sede dos Bispados estará sempre em território brasileiro;
Art. 5 – dispõe que os direitos, imunidades, isenções e benefícios das pessoas jurídicas eclesiásticas que prestam também assistência social serão iguais aos das entidades com fins semelhantes, conforme previstos no ordenamento jurídico brasileiro;
Arts. 6 e 7 – dispõem sobre o patrimônio histórico e cultural da Igreja Católica no Brasil, assegurando a proteção dos lugares de culto e a cooperação entre Igreja e Estado com vistas a salvaguardar e valorizar esse patrimônio (incluindo documentos em arquivos e bibliotecas), bem como facilitar o acesso a todos que queiram conhecê-lo e estudá-lo;
Art. 8 – o Brasil assegura a prestação de assistência espiritual pela Igreja a fiéis internados em estabelecimentos de saúde ou prisional que a solicitarem, observadas as normas das respectivas instituições;
Arts. 9,10 e 11 – dispõem sobre temas relacionados à educação: garante à Igreja o direito de constituir e administrar Seminários e outros Institutos eclesiásticos; estipula que o reconhecimento recíproco de títulos e qualificações em nível de Graduação e Pós-Graduação estará sujeito às respectivas legislações e normas; e dispõe sobre o ensino religioso de matrícula facultativa nas escolas públicas de ensino fundamental, sem discriminar as diferentes confissões religiosas praticadas no Brasil;
Art. 12 – estabelece que a homologação de sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial será efetuada nos termos da legislação brasileira sobre a matéria;
Art. 13 – é garantido aos Bispos da Igreja Católica manter o segredo do ofício sacerdotal;
Art. 14 – o Brasil declara seu empenho em destinar espaços para fins religiosos no planejamento urbano no contexto do plano diretor das idades;
Art. 15 – dispõe sobre o reconhecimento pelo Brasil da imunidade tributária referente aos impostos das pessoas jurídicas eclesiásticas e garante às pessoas jurídicas da Igreja que exercem atividades sociais e educacionais sem fins lucrativos os mesmos benefícios;
Art. 16 – trata do caráter religioso das relações entre os ministros ordenados e fiéis consagrados e as Dioceses ou Institutos Religiosos as quais, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira, não geram vínculo empregatício, a não ser que comprovado o desvirtuamento da função religiosa da Instituição;
Art. 17 – trata da concessão de visto permanente ou temporário para sacerdotes, membros de institutos religiosos e leigos, que venham exercer atividade pastoral no Brasil, nos termos da legislação brasileira sobre a matéria.
9. Com vistas ao encaminhamento do texto à apreciação do Poder Legislativo, conforme prevê o inciso VIII do artigo 84 da Constituição Federal, submeto a Vossa Excelência projeto de Mensagem ao Congresso Nacional, juntamente com cópias do Acordo.
Respeitosamente,
Samuel Pinheiro Guimarães Neto
Secretário-geral do Itamaraty”
19.12.2009
Cidadania, Cultura, Diversos, Escritores 1 Comentário
Pensadores
Filósofo alemão defende uma formação humanística, capaz de criar a consciência crítica
Theodor Adorno (1903-1969) dedicou a vida ao entendimento dos processos de formação do homem na sociedade. O filósofo e sociólogo alemão foi um dos fundadores da Escola de Frankfurt, corrente de pensamento do início da década de 1920 fundamentada na ideologia marxista. Adorno teve um papel importante na investigação das relações humanas. Queria entender a lógica da burguesia industrial para defender mu¬danças na estrutura social e, com esse propósito, acabou entrando no terreno da Pedagogia – apesar de não ser consi¬derado por especialistas como um teóri¬co da área..
Para entender o pensamento de Ador¬no em relação à Educação, é importante compreender as críticas que ele faz à in¬dústria cultural, vista como a responsável por prejudicar a capacidade humana de agir com autonomia. O tema foi trata¬do pela primeira vez em 1947 no livro A Dialética do Esclarecimento, que ele es¬creveu em parceria com Max Horkhei¬mer (1895-1973), também da Escola de Frankfurt. Os autores explicam que a consciência humana é dominada pela comercialização e banalização dos bens culturais – fenômeno batizado posterior¬mente de “semi-formação”.
“Adorno afirma que há um processo real na sociedade capitalista capaz de alienar o homem das suas condições de vida”, explica Rita Amélia Teixeira Vilela, doutora em Educação pela Universidade de Frankfurt e professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). É nessa discussão que está a chave para entender a crítica adorniana à escola: para o autor, a crise da Educação é, na verdade, a crise da formação cultural da sociedade capitalista como um todo. Na opinião dele, o problema da Educa¬ção está no fato de ela ter se afastado de seu objetivo essencial, que é promover o domínio pleno do conhecimento e a capacidade de reflexão. A escola, assim, se transformou em simples instrumento a serviço da indústria cultural, que trata o ensino como uma mera mer¬cadoria pedagógica em prol da “semi-for¬mação”. Essa perda dos valores, segundo o autor, anula o desenvolvimento da auto-reflexão e da autonomia humana. “Adorno critica a escola de massa por ela, segundo ele, instalar e cultuar a massifi¬cação. O resultado disso é a deformação da consciência”, diz Rita Amélia.
Numa escola em que impera a bana¬lização do conhecimento, o aluno é in¬duzido a deixar de ler com profundidade as principais obras literárias, por exem¬plo, dando lugar à absorção de apenas alguns trechos necessários para respon¬der aos exercícios escolares. “São repas¬sados nada mais do que conhecimentos fragmentados e o trabalho pedagógico está somente orientado para conseguir a aprovação em exames e um diploma”, afirma Rita Amélia. Seria a famosa “de¬coreba” de respostas prontas, em vez do estímulo ao raciocínio.
A Educação como ferramenta para a emancipação
À primeira vista, pode parecer que Ador¬no era contra a Educação. Pelo contrário. As críticas ao processo pedagógico são consequência do reconhecimento pelo autor da capacidade que ela tem de trans¬formar as relações sociais. Fica evidente em sua obra a defesa de um projeto de li¬bertação do homem por meio da forma¬ção acadêmica, porém uma formação de amplitude humanística. Para Adorno, o ensino deve ser uma arma de resistência à indústria cultural na medida em que contribui para a formação da consciência crítica e permite que o indivíduo’ desven¬de as contradições da coletividade.
O autor defende um processo educa¬cional capaz de criar e manter uma socie¬dade baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Segundo ele, o mundo es¬taria danificado pela falta de capacidade dos indivíduos de resistir ao processo de sua própria alienação. Mesmo quando a Educação considerada ideal estiver limi¬tada e condicionada a uma realidade na¬da promissora, Adorno prega um projeto pedagógico que consiga libertar da opres¬são e da massificação. O caminho para isso é formar um indivíduo culto, com conhecimentos científicos, humanos e artísticos, preparado para uma vivência democrática. “A perspectiva sociológica de seu pensamento fazia com que ele considerasse a escola como a instituição capaz de formar o homem não domina¬do, pleno de autonomia de pensamento e ação em todas as instâncias da vida so¬cial”, diz Rita Amélia. “Esse homem re¬sistiria ao processo de massificação e de adaptação cega à ordem estabelecida”.
Adorno acredita que a cultura da so¬ciedade capitalista impõe um mecanis¬mo de construção da heteronomia (ou seja, a sujeição do individuo à vontade de terceiros), fazendo o homem ser igual ao coletivo e perder, assim, sua individuali¬dade. Sob esse ângulo, o indivíduo perde a capacidade de pensar e agir por conta própria e, consequentemente, de ser soli¬dário e respeitar o próximo. Na opinião dele, somente essa alienação poderia explicar uma situação tão grave como a barbárie presente na sociedade – Ador¬no utiliza o Holocausto e os campos de concentração como símbolos máximos da selvageria humana.
Biografia
Da crítica musical para a Teoria Crítica
Theodor Ludwig Wiesengrund Ador¬no nasceu em 11 de setembro de 1903, em Frankfurt, Alemanha. De uma família bem-sucedida, formou¬se em Sociologia, Filosofia e Artes. Filho de uma cantora lírica, estudou piano e, entre 1921 e 1932, publicou cerca de 100 artigos sobre crítica e es¬tética musical. Aos 21 anos, tornou-se doutor em Filosofia e participou da criação da Escola de Frankfurt. Sete anos depois, tornou-se professor da Universidade de Frankfurt.
Por ser judeu, foi proibido de lecio¬nar pelos nazistas e, em 1934, fugiu para Londres. Em 1941, mudou-se pa¬ra Los Angeles, nos EUA, e só voltou à Alemanha em 1949. Foi reintegrado à universidade e ali lecionou até sua morte, em 6 de agosto de 1969.
A filosofia de Adorno é marcada pela crítica à sociedade de mercado, voltada para o progresso técnico. Entre suas principais obras estão A Dialética do Esclarecimento, A Idéia de História Natural, Dialética Negativa e Teoria Estética.
Os caminhos de Adorno
A Escola de Frankfurt foi fundada em 1924 com o nome de Instituto para a Pesquisa Social por Max Horkheimer (1895-1973), Herbert Marcuse (1898-1979), Friedrich Pollock (1894-1970), ¬Erich Fromm (1900-1980), Felix Weil (1898-1975) e Theodor Adorno.
Mesmo com ideais marxistas, eles negavam a “Ditadura do Proletariado” e defendiam a democracia. Combatiam ¬qualquer forma de governo totalitário e acreditavam que a tolerância era o único meio de criar relações sociais plurais, solidárias e justas. Foram os criadores dos conceitos de indústria cultural e cultura de massa.
Adorno partilhava idéias com filósofos alemães. Como Immanuel Kant (1724-1804), acreditava que homem deve usar a razão para agir sobre o seu destino. Tal qual Friedrich Nietzsche (1844-1900), alertava para a incapacidade da civilização ocidental de buscar a própria libertação.
Bibliografia
Dialética do Esclarecimento, Max Horkheimer e Theodor Adorno, 224 págs. Ed. Jorge Zahar, tel. (21) 2108-0808
Educação e Emancipação, Theodor Adorno, 190 págs., Ed. Paz e Terra, te!. (11) 3337-8399
Indústria Cultural e Sociedade, Theodor Adorno, 120 págs., Ed. Paz e Terra
Teoria Estética, Theodor Adorno, 555 págs., Ed. 70, te!. (11) 3885-6624
Fonte: Revista NOVA ESCOLA nº 227 (novembro / 2009) – Ano XXIV
03.12.2009
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Evangélicos ganham enquete
Do total, 51,54% foram contrários a aprovação do projeto.
A maioria dos internautas que votou na enquete do mês de novembro da Agência Senado se posicionou contra a aprovação do PLC 122/06, que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais. Do total, 51,54% foram contrários à proposta e 48,46% a favor. A enquete recebeu 465,3 mil votos, e foi a que mais mobilizou votantes desde que esse tipo de consulta foi criado.
O resultado foi divulgado na manhã desta terça-feira, dia 1º de dezembro. Nesta segunda-feira, dia 30, pastores realizaram campanhas pedindo votos. Na enquete a população deveria votar se era a favor ou contra da aprovação da PLC 122/06.
A enquete foi recheada de polêmica. Durante o mês de novembro comunidades gays pediram votos pela aprovação da PLC 122/06 e por alguns dias o site da Agência Senado ficou fora do ar devido a quantidade de acessos.O articulista Júlio Severo criticou a agência, apesar da entidade se isentar pelo processo.
Fonte: http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=6865
30.11.2009
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Existem muitas pessoas hoje longe das igrejas evangélicas e totalmente indiferentes à mensagem bíblica por terem sofrido disciplinas e exclusões.
Motivo ?
Foram vistas de lábios ou unhas pintados, de cabelos cortados, usando calças compridas, colar, brincos, jogando bola, soltando pipa ou incorrendo na prática de alguma outra proibição imposta pela igreja que elas freqüentavam.
Os líderes evangélicos que excluíram, ou influenciaram decisivamente na exclusão dessas ovelhas do seu rebanho, estariam praticando uma correta e sadia exegese bíblica ? ACREDITO QUE NÃO !
Quando pregamos que a Igreja tem que estar separada do mundo, o que estamos querendo dizer com isto ? Obviamente que não estejamos inseridos no contexto do PECADO. Só isso !
Em que devemos nos diferenciar das pessoas que ainda não confessaram a Cristo como Salvador ?
Será que devemos nos levantar da mesa de um restaurante quando virmos que à mesa ao lado está sentada uma pessoa que bebe ou fuma ? É EVIDENTE QUE NÃO !!!
Por ter comido com pecadores e publicanos; por ter permitido que seus pés fossem lavados e enxugados por uma mulher pecadora; por ter pregado a sós para uma mulher de Samaria de vida nada exemplar, e por ter morrido entre ladrões, certamente Jesus também seria excluído dessas igrejas de HOJE EM DIA.
Quando o Senhor ordenou que fôssemos luz do mundo e sal da terra, estava se referindo a esse desafio de vivermos em um ambiente onde reinam as trevas e a imundície, sem nos deixarmos contaminar por elas. Ele nos instruiu, pois, a influenciar positivamente o mundo com a luz e a preservar com sal aquilo que ainda pode ser preservado.
RICARDO GONDIM (com adaptações).
Muitos líderes religiosos brincam de ser Deus ao “impor” aos membros das igrejas que USEM “isso” ou “aquilo” (clique aqui para saber mais).
Qual o texto bíblico que afirma que a mulher não pode usar calça comprida co corte, cores ou bordados femininos, segundo a cultura brasileira ?
Seguramente esse texto bíblico NÃO EXISTE !
NÃO CONVÉM QUE AS IGREJAS EVANGÉLICAS SEJAM HIPÓCRITAS !
Da mesma forma aos Homens, a imposição de usarem PALETÓ e GRAVATÁ (pelo menos os que receberam o CHAMADO DE DEUS para serem PREGADORES) – É absurdo obedecer aos usos e costumes “impostos” pelas igrejas evangélicas, contrariando, inclusive, a palavra de Deus (Aldo Corrêa).
II Coríntios. 4. 1-4:
1 Pelo que, tendo este ministério, assim como já alcançamos misericórdia, não desfalecemos; 2 pelo contrário, rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus. 3 Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, 4 nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.
Quando para se cumprir um costume tem de se perder a misericórdia para com os outros tal costume não é bom, é maligno !!!(http://www.robertosoares.com/usos-costumes-e-tradicao-evangelica/).
“Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.” (Mateus 12 : 7)
“E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.” (Mateus 15 : 6)
Além do mais, recebemos de Deus uma consciência para que possamos examinar o que nos convém ou não, de modo que ser obrigado a seguir costumes denominacionais vai contra a liberdade que nos foi dada, sendo algo totalmente retrógrado e imaturo para um cristão.
Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies ? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens. (Colossenses 2:20-22)
Clique aqui para saber mais um pouco (ANDRÉ SANTOS interpretando SILAS MALAFAIA)
Os legalistas (pregadores e seguidores) de usos e costumes (doutrinas de homens) estão vivendo DEBAIXO DE MALDIÇÃO, ou seja; estão afastados da graça salvadora oferecida pelo Senhor Jesus na cruz do Calvário, sendo assim, correm o risco de passar a eternidade nas chamas do inferno (SILAS MALAFAIA).
Post idealizado por Aldo Corrêa de Lima - NÃO SUPORTO mentes aprisionadas, afinal de contas JESUS VEIO LIBERTAR !!!
“Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir DOUTRINAS PERVERSAS”. (Atos dos Apóstolos. 20.30 [1ª parte])
___________________________________________________
Não julgueis os outros pela sua aparência.
Lembra-te de que Deus vê mais além das aparências.
1 Samuel 16:7:
O nosso testemunho está associado com a nossa aparência.
1 Timóteo 2:9-10:
“Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.”
1 Pedro 3:3-4:
“O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranqüilo, que és, para que permaneçam as coisas.”
28.11.2009
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Sexo e pornografia estão na lista dos 10 assuntos principais que as crianças pesquisam na internet.
“Um estudo conduzido entre fevereiro e julho 2009 pela empresa Symantec Corp. por meio de seu serviço OnlineFamily.Norton, que permite que os pais monitorem as atividades online de seus filhos, revelou o que as crianças estão fazendo na internet. A Symantec estudou 3,5 milhões de buscas feitas pelos usuários do serviço no mundo inteiro.
A empresa de segurança de informática liberou uma lista das 100 principais buscas conduzidas por crianças cujos computadores têm o software OnlineFamily.Norton e cujos pais criaram um perfil de usuário para elas.
A Symantec constatou que o termo de busca mais popular foi para o YouTube, o site do Google que permite compartilhar vídeos.
“Não é surpresa ver o YouTube no topo da lista”, disse Marian Merritt, advogada de segurança de internet da Symantec. “As crianças usam o YouTube como um lugar inicial de entretenimento bem como para propósitos de educação”.

Merritt disse que o serviço ajuda os pais a ficar em contato com o que seus filhos estão fazendo online, e ajuda a afastar as crianças de conteúdos online proibidos por pais mostrando cachorros virtuais que avisam as crianças quando elas estão indo em direção a território marcado como proibido. O software ativamente informa à criança, durante o login, que seus pais estão monitorando suas atividades online.
“Dá para ver o que elas estão pesquisando; com quem elas estão tendo contato através dos programas de mensagens instantâneas e em quais redes sociais elas estão”, disse Merritt.
O software está disponível gratuitamente no site Symantec OnlineFamily.Norton.
O mecanismo de busca do Google foi o segundo termo de busca mais popular depois do serviço de rede social Facebook.
O que é mais preocupante é que as palavras “sexo” e “pornografia” estavam registradas como quarta e sexta palavras mais pesquisadas entre as 10 principais.
Um estudo publicado na edição de verão de 2002 da revista italiana de ciências sociais Medicina Mental e Adolescência, que é revisada por especialistas, apurou que o uso de materiais pornográficos leva a vários problemas comportamentais, psicológicos e sociais tais como agressividade, hostilidade e violência sexual, bem como um aumento em crimes sexuais, disfunção sexual e destruição de famílias.

No ano passado a revista Macleans noticiou que crianças mesmo de 8 anos de idade estão vendo e se viciando em pornografia que é facilmente acessível na internet e que os sites de pornografia estão transformando as atitudes sexuais dos nossos jovens.
“A pornografia em todas as suas formas afeta a sexualidade em desenvolvimento”, escreve Pamela Paul em seu livro Pornified: How Pornography is Transforming Our Lives, Our Relationships and Our Families (Pornificados: Como a Pornografia está Transformando Nossas Vidas, Nossos Relacionamentos e Nossas Famílias). “Quanto mais cedo o jovem fica exposto e quanto mais explícito o material, mais intensos serão os seus efeitos”.
Monique Polak, a autora do artigo na Macleans, disse: “Esses efeitos podem incluir tudo desde uma percepção distorcida das normas sexuais até dificuldades de manter um relacionamento amoroso saudável; uma percepção irreal acerca das mulheres; e potencialmente, vício de pornografia, que pode interferir nas atividades escolares, amizades e relacionamentos familiares”.
Em sua mensagem no Dia Mundial das Comunicações em 2004, o Papa João Paulo 2 alertou que os meios de comunicação em todas as suas formas, quer impressos, em filmes, na TV ou na internet, “têm a capacidade de provocar graves danos às famílias”.
O papa recordou aos comunicadores dos meios de comunicação e aos consumidores que “toda comunicação tem uma dimensão moral. Ele declarou que os meios de comunicação têm o “poder de reforçar ou anular valores tradicionais como religião, cultura e família”. Os meios de comunicação têm “a capacidade de provocar graves danos às famílias apresentando uma perspectiva imprópria ou até mesmo deformada acerca da vida, da família, da religião e da moralidade”, disse ele. “O que está em jogo é muito, pois todo ataque contra o valor fundamental da família é um ataque contra tudo o que é realmente bom na raça humana”.
A lista das 10 principais buscas feitas por crianças rastreado pelo OnlineFamily.Norton incluem:
1. YouTube
2. Google
3. Facebook
4. Sexo
5. MySpace
6. Pornografia
7. Yahoo
8. Michael Jackson
9. Fred (Um personagem fictício popular cujo canal do YouTube virou sucesso entre as crianças)
10. eBay
Thaddeus M. Baklinski
Fonte: www.celuladasesponjas.blogspot.com, Título original, “Sexo e Pornografia na Internet”.
04.09.2009
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira, 3, o projeto de lei que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus. Participaram da cerimônia, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o presidente da Câmara, Michel Temer, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, estavam presentes no evento.
A data será comemorada sempre no primeiro sábado depois de passados 60 dias do domingo de Páscoa. A Marcha para Jesus começou em Londres e hoje é realizada em muitos outros países.
Segundo Crivella, a lei que cria a Marcha para Jesus oficializa uma comemoração que ocorre regularmente em caráter informal em várias cidades brasileiras.
A solenidade contou com a participação de representantes de várias igrejas evangélicas.
___________________________________________________
Institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º É instituído o Dia Nacional da Marcha para Jesus, a ser comemorado, anualmente, no primeiro sábado subseqüente aos sessenta dias após o Domingo de Páscoa.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Sala da Comissão, 4 de março de 2008. – Senador
Cristovam Buarque Paim, Presidente – Senador Paulo, Relator.
04.09.2009
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REVISTA ÂMBITO JURÍDICO ®
<strong>A prática da Vaquejada à luz da Constituição Federal</strong>
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem por objetivo discorrer acerca das vaquejadas, “modalidade esportiva” praticada sobretudo no Nordeste brasileiro, na qual dois vaqueiros a cavalo devem derrubar um boi, dentro dos limites de uma demarcação a cal, puxando-o pelo rabo.
A polêmica é grande e as correntes de pensamento são conflitantes. O costume tornou-se objeto amplo de discussão entre aqueles que exploram esse tipo de empreendimento e as entidades protetoras dos animais.
Os defensores das vaquejadas alegam que ela é um elemento arraigado em nossa cultura, amparada pelo disposto no art. 215, § 1º, da Constituição Federal, que diz que “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais” e que “o Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”, além de servir de atrativo para o incremento do turismo, movimentando a economia local, com a geração de vários empregos sazonais.
Em sentido contrário, temos o art. 225, § 1º, VII, segundo o qual incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade.
Assim é que se faz necessário um estudo mais aprofundado do tema, a fim de responder as seguintes indagações: a vaquejada é uma manifestação das culturas populares, amparada pelo disposto no art. 215, § 1º, da Constituição Federal? A vaquejada é uma prática que submete os animais à crueldade, os expondo a maus-tratos, vedada pelo art. 225, § 1º, VII, da Constituição Federal? A prática da vaquejada é ilegal e inconstitucional?
Dessa forma, busca-se mostrar que as vaquejadas são práticas ilegais e inconstitucionais, nas quais os animais são submetidos a abusos, crueldade e maus-tratos, realizadas sob o falso véu de manifestações das culturas populares, devendo ser coibidas com rigor pelo Poder Público e pela coletividade, conforme o disposto no art. 225, § 1º, VII, da Constituição Federal e demais leis ou atos legais de caráter ambiental.

<strong>VAQUEJADAS</strong>
Considerações gerais
A vaquejada é uma “modalidade esportiva” praticada sobretudo no Nordeste brasileiro, na qual dois vaqueiros a cavalo devem derrubar um boi, dentro dos limites de uma demarcação a cal, puxando-o pelo rabo. Vence a dupla que obtiver maior número de pontos.
Originou-se da necessidade de reunir o gado que era criado solto na mata na época dos coronéis. Conforme José Euzébio Fernandes Bezerra (2007, on line):
“Na verdade, tudo começou aqui pelo Nordeste com o Ciclo dos Currais. É onde entram as apartações. Os campos de criar não eram cercados. O gado, criado em vastos campos abertos, distanciava-se em busca de alimentação mais abundante nos fundos dos pastos. Para juntar gado disperso pelas serras, caatingas e tabuleiros, foi que surgiu a apartação.
Escolhia-se antecipadamente uma determinada fazenda e, no dia marcado para o início da apartação, numerosos fazendeiros e vaqueiros devidamente encourados partiam para o campo, guiados pelo fazendeiro anfitrião, divididos em grupos espalhados em todas as direções à procura da gadaria.
O gado encontrado era cercado em uma malhada ou rodeador, lugar mais ou menos aberto, comumente sombreado por algumas árvores, onde as reses costumavam proteger-se do sol, e nesse caso o grupo de vaqueiros se dividia. Habitualmente ficava um vaqueiro aboiador para dar o sinal do local aos companheiros ausentes. Um certo número de vaqueiros ficava dando o cerco, enquanto os outros continuavam a campear. Ao fim da tarde, cada grupo encaminhava o gado através de um vaquejador, estrada ou caminho aberto por onde conduzir o gado para os currais da fazenda.
O gado era tangido na base do traquejo, como era chamada a prática ou jeito de conduzi-lo para os currais. Quando era encontrado um barbatão da conta do vaqueiro da fazenda-sede, ou da conta de vaqueiro de outra fazenda, era necessário pegá-lo de carreira. Barbatão era o touro ou novilho que, por ter sido criado nos matos, se tornara bravio. Depois de derrubado, o animal era peado e enchocalhado. Quando a rés não era peada, era algemada com uma algema de madeira, pequena forquilha colocada em uma de suas patas dianteiras para não deixa-la correr.
Se o vaqueiro que corria mais próximo do boi não conseguia pega-lo pela bassoura, o mesmo que rabo ou cauda do animal, e derrubá-lo, os companheiros lhe gritavam:
- Você botou o boi no mato!”
De início, a vaquejada marcava apenas o encerramento festivo de uma etapa de trabalho – reunir o gado, marcar, castrar, tratar as feridas, etc., trabalho essencial dos vaqueiros. Era a “Festa da apartação”, da separação do gado. Feita a separação, acontecia a vaquejada. São provas que mostram a habilidade dos peões e vaqueiros na lida com cavalos e gado.
Por volta de 1940, os vaqueiros de várias partes do Nordeste começaram a tornar público suas habilidades na Corrida do Mourão.
Os coronéis e os senhores de engenho passaram a organizar torneios de vaquejadas, onde os participantes eram os vaqueiros, e os patrões faziam apostas entre si, mas ainda não existiam premiações para os campeões. Os coronéis davam apenas um “agrado” para os vaqueiros que venciam. A festa se tornou um bom passatempo para os patrões, suas mulheres e seus filhos.
Com o passar do tempo, as vaquejadas foram se popularizando. Tornaram-se competições, com calendário e regras bem definidas. Viraram “indústrias” milionárias, que oferecem verdadeiras fortunas em prêmios.
Hoje, há dezenas de parques de vaquejada no Nordeste. Vaqueiros de todas as partes se reúnem para as disputas, pela glória e pelos prêmios, cada vez mais atrativos.
De acordo com Cláudia Magalhães (2007, on line):
“Embora não haja um estudo que contabilize os recursos envolvidos durante a realização do esporte, a estimativa, segundo Egilson Teles, apresentador do Programa Vaquejada, da TV Diário, é que cada evento envolve somas que podem chegar a R$ 500 mil.
Em Santa Quitéria, por exemplo, conforme o vice-prefeito e organizador da vaquejada do Município, Chagas Mesquita, a etapa realizada no período de 24 a 26 último no Parque Arteiro Lobo de Mesquita, envolveu cerca de R$ 250 mil em recursos. O evento reuniu cerca de 500 vaqueiros divididos em 100 equipes do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Rio de Janeiro, além de 350 bois e 300 cavalos. Em premiação foram distribuídos R$ 22 mil para os 20 primeiros lugares e mais uma moto Honda e R$ 3 mil para o grande vencedor do evento.”
As vaquejadas e a proteção das manifestações das culturas populares Dispõe a Constituição Federal de 1988, em seu art. 215, § 1º, que “o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais” e que “o Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”.
Segundo Celso Antônio Pacheco Fiorillo (2007, p. 238), “ao se tutelar o meio ambiente cultural, o objeto imediato de proteção relacionado com a qualidade de vida é o patrimônio cultural de um povo”.
De acordo com o Decreto-Lei nº. 25, de 30 de novembro de 1937, em seu art. 1º, “constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”.

A Constituição Federal de 1988, por sua vez, recepcionou o Decreto-Lei nº. 25/37, e em seu art. 216 conceitua como patrimônio cultural “os bens de natureza material ou imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico”.
Desse modo, para que um bem seja visto como patrimônio cultural é necessária a existência de nexo vinculante com a identidade, a ação e a memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Uma vez reconhecido como patrimônio cultural, integra a categoria de bem ambiental e, em decorrência disso, difuso (FIORILLO, 2007, p. 239).
Conforme o antropólogo cultural Luigi Satriani (1986, p. 41), a cultura é “o complexo dos modos de vida, dos usos dos costumes, das estruturas e organizações familiares e sociais, das crenças do espírito, dos conhecimentos e das concepções dos valores que se encontram em cada agregado social: em palavras mais simples e mais breves, toda atividade do homem entendido como ser dotado de razão”.
Cultura popular, como o próprio nome já diz, é a cultura do povo. É o resultado de uma interação contínua entre as pessoas pertencentes a determinadas regiões. Seu conteúdo é específico daquela localidade. Nasceu da adaptação do homem ao ambiente onde vive e abrange inúmeras áreas de conhecimento, aí incluídos suas crenças, artes, moral, leis, linguagem, idéias, hábitos, tradições, usos e costumes, etc. Esses conjuntos de práticas e tradições são expressados através de festas, mitos, lendas, crendices, costumes, danças, superstições e outras tantas formas de manifestações artísticas do povo desta região, como na alimentação, na linguagem, na religiosidade e na vestimenta.
Assim, a cultura popular é a expressão mais legítima e espontânea de um povo. Ao mesmo tempo em que carrega em si elementos fundadores de uma cultura, resulta de um constante processo de transformação, assimilação e mistura.
Os defensores das vaquejadas alegam que ela é um elemento arraigado em nossa cultura.
A festa da vaquejada era, segundo Câmara Cascudo (1976, p. 17), a data festiva “mais tradicional do ciclo do gado nordestino, uma exibição de força ágil, provocadora de aplausos e criadora de fama”.
De acordo com Eduardo Mota Gurgel (2007, on line), prefeito de Maranguape:
“[...] a vaquejada, que nasceu da cultura do pastoreio, mantém vivos a tradição e o costume do povo nordestino, numa exaltação à figura do vaqueiro.
É hoje conhecida em todo o mundo, estimulando o incremento do turismo na região. A Vaquejada do Itapebussú confraterniza, há 61 anos, vaqueiros e o povo da região. Por seu porte e organização tem alcançado uma dimensão nacional e internacional, movimentando – sobremaneira – a economia local, com a geração de vários empregos sazonais.”
Para o professor Eriosvaldo Lima Barbosa (2007, on line):
“A vaquejada não só lembra um costume passado como celebra a própria sociedade da qual é parte; fala dessa sociedade, de seus valores e de seus códigos de sociabilidades; fala do homem que a pratica, como a pratica e com que propósitos.
A nova vaquejada, praticada nos parques de vaquejada a partir desses novos elementos, não significa a morte da tradição, como muitos podem supor, mas a sua reinvenção, a sua recriação como é característico dos processos culturais em todos os tempos.
Entendemos a vaquejada como uma teia tecida com elementos tanto do passado como de elementos novos, exigidos pelas demandas do presente.
Ou seja, o popular da vaquejada não se encontra em suas antiguidades vulgares, mas na engenhosidade de sua transformação e atualização.
A vaquejada, hoje, não é ‘sobra do passado’ (‘sobrevivência’) e nem pode ser vista como uma ‘invenção’ atribuída com exclusividade ao presente, pois como sabemos, dependendo de demandas específicas de cada cultura e de cada época, determinadas práticas culturais podem encontrar, no passado, a legitimidade de que precisam para redefinir importantes práticas no presente, como é o caso da vaquejada. Por essa razão, a vaquejada, como expressão cultural popular, não pode ser vista como objeto de museu do folclore, presa aos fósseis do passado, mas como manifestação cultural cujas camadas populares continuam usando matérias e formas de expressão novas, submetendo a vaquejada a novos condicionamentos sociais, econômicos e culturais.”
Assim, a vaquejada é uma manifestação cultural nordestina, uma peleja entre o homem e o boi, que difunde a cultura da região. Dessa forma, está amparada pelo disposto no art. 215, § 1º, da Constituição Federal.
Em sentido contrário, o acórdão que trata da matéria referente à farra do boi:
“Garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais, incentivando a valorização e a difusão das manifestações, não prescinde da observância da norma do art. 225, § 1º, inciso VII, da CF, que veda prática que acabe por submeter os animais à crueldade.” (STF – Min. Marco Aurélio – Recurso Extraordinário nº. 153.531-8/SC).
A esse respeito, o professor Judicael Sudário de Pinho, Juiz Federal do Trabalho no Estado do Ceará:
“O acórdão que trata da matéria referente à farra do boi, costume típico do Estado de Santa Catarina, demonstra o completo desprezo do critério formal pelo Supremo Tribunal Federal na sua atividade interpretativa da Constituição. Numa ação civil pública, a nossa Corte Suprema considerou que a prática da farra do boi é danosa ao meio ambiente, especialmente porque se verificariam requintes de crueldade. Sem qualquer discussão quanto ao mérito da questão, importa muito mais examinar o voto vencido do Ministro Maurício Corrêa, que levanta uma questão de forma, afirmando não ser possível, em sede de recurso extraordinário, apreciar a questão, uma vez que não existe uma farra do boi padrão, importando, pois, a questão em matéria de prova, cujo exame, pela reapreciação, é inviável em sede de recurso extraordinário. O Supremo Tribunal Federal, desprezando esse aspecto formal da maior significação na sua jurisprudência, julgou o conflito, optando pelo direito de proteção ao meio ambiente em detrimento do direito à proteção cultural. Não se trata aqui de ser a favor de uma ou de outra proteção, mas apenas de analisar o critério utilizado pelo Supremo Tribunal Federal de desprezar qualquer questão formal e proibir a farra do boi. Ao desconsiderar a tradição de seus julgados, o Supremo Tribunal Federal, induvidosamente, avançou em matéria de interpretação ao fazer prevalecer uma regra de direito ambiental sobre uma outra veiculadora de um direito cultural.” (grifo nosso).
Paulo Affonso Lemes Machado (1998, p. 54), considerado autoridade máxima em direito ambiental no Brasil, em comentário ao art. 32 da Lei nº. 9.605/98, diz que:
“Atos praticados ainda que com caráter folclórico ou até histórico, estão abrangidos pelo art. 32 da Lei nº. 9.605/98, e devem ser punidos não só quem os pratica, mas também, em co-autoria, os que os incitam, de qualquer forma.”
Diverso não é o entendimento dos Desembargadores Vladimir Passos de Freitas e Gilberto Passos de Freitas (2000, p. 93):
“Por vezes esse tipo penal adquire maior complexidade. É o caso da chamada farra do boi, praticada em Santa Catarina pela população de origem açoriana. Argumenta-se que se está aí a defender o meio ambiente cultural. Sem razão, contudo, pois a cultura não pode ser exercida com o sofrimento dos animais, no caso os bois. Os rodeios ou vaquejadas são outro exemplo. Movimentam interesses econômicos de vulto, mas freqüentemente são praticados com crueldade contra os animais. Tal prática deve ser fiscalizada e reprimida, quando necessário.”
Por isso, Mario Freire Ribeiro Filho (2007, on line), superintendente da SEMACE, diz que:
“Apesar da vaquejada se apresentar como manifestação cultural arraigada de elementos históricos e sociais, hoje não mais se verifica como aceitável perante a ordem jurídica em virtude dos maus tratos submetidos aos animais, constituindo em crime com base no art. 32 de Lei Federal nº. 9.605/98.
Contudo, em face da relevância sócio-cultural dessa prática, devem-se buscar formas, inclusive já existentes, de compatibilizá-la com a lei ambiental mediante a utilização de medidas mitigadoras que garantam a integridade dos animais, devendo prevalecer sempre o bom senso.”
As vaquejadas e a proteção da fauna Em sentido amplo, entende-se por fauna o conjunto das espécies animais que vivem em um espaço geográfico ou em um determinado habitat.
Conforme a lição de Celso Antônio Pacheco Fiorillo e Marcelo Abelha Rodrigues (apud FIORILLO, 2007, p.121):
“Uma tarefa das mais complexas no âmbito do Direito Ambiental é o estudo da fauna, pelo simples fato de que tais bens possuem uma atávica concepção de natureza privatista, fortemente influenciada pela nossa doutrina civilista do começo deste século, que os estudava exclusivamente como algo que poderia ser objeto de propriedade, no exato sentido que era vista como res nullius.”
O Código Civil de 1916 considerava a fauna res nullius ou res derelicate, conforme o disposto nos arts. 592 à 602 (Da Aquisição e Perda da Propriedade Móvel). Res nullius é a coisa sem dono, que não pertence a ninguém. Res derelictae é a coisa abandonada, sem dono.
Com a crescente conscientização acerca da importância da fauna para o equilíbrio ecológico, essa concepção foi modificada. O equilíbrio ecológico é um requisito para a manutenção da qualidade e das características essenciais do ecossistema ou de determinado meio.
Não deve ser entendido como situação estática, mas como estado dinâmico no amplo contexto das relações entre os vários seres que compõem o meio. A destruição do equilíbrio ecológico causa a extinção de espécies e coloca em risco os processos ecológicos essenciais. Daí a sua importância.

A esse respeito, mais uma vez recorremos à Celso Antônio Pacheco Fiorillo (2007, p. 121):
“Buscando resguardar as espécies, porquanto a fauna, através da sua função ecológica, possibilita a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas, é que se passou a considerá-la como um bem de uso comum do povo, indispensável à sadia qualidade de vida. Com isso, abandonou-se no seu tratamento jurídico o regime privado de propriedade, verificando-se que a importância das suas funções reclamava uma tutela jurídica adequada à sua natureza. Dessa forma, em razão de suas características e funções, a fauna recebe a natureza jurídica de bem ambiental.”.
A legislação distingue entre fauna silvestre brasileira, fauna silvestre exótica e fauna doméstica. Conforme o disposto na Portaria nº. 29, de 24 de março de 1994, em seu art. 2º, considera-se Fauna silvestre brasileira, todas as espécies que ocorram naturalmente no território brasileiro, ou que utilizem naturalmente esse território em alguma fase de seu ciclo biológico; Fauna silvestre exótica, todas as espécies que não ocorram naturalmente no território brasileiro, possuindo ou não populações livres na natureza; Fauna doméstica, todas as espécies que através de processos tradicionais de manejo tornam-se domésticas possuindo características biológicas e comportamentais em estreita dependência do homem.
A Lei nº. 5.197 de 3 de janeiro de 1967 dispõe sobre a proteção à fauna, e em seu art. 1º, caput, diz que “os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha”.
Todavia, esse artigo tratou de restringir o conteúdo da fauna, resumindo o objeto de proteção da lei à fauna silvestre.
A Constituição Federal de 1988, no seu art. 225, § 1º, VII, ao aludir à proteção da fauna, não delimitou o seu conceito. Segundo esse dispositivo, incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade.
Dessa forma, a Constituição Federal de 1988, ao prescrever a incumbência do Poder Público e da coletividade de proteger a fauna, fê-lo de forma ampla, não restringindo a tutela à fauna silvestre apenas. Pelo contrário, “previu e adotou, de forma expressa, clara e inconfundível, a correta expressão ‘os animais’ ou seja, todos os animais são constitucional e legalmente protegidos” (CUSTÓDIO, 1998, p. 60-92).
Ainda nesse sentido, Jacqueline Morand-Deviller (apud PRADO, 2001, p. 69):
“A tutela dos animais domésticos e selvagens obedece a finalidades diferentes. Trata-se de preservar os primeiros de atos de crueldade e do abandono e de proteger os segundos de uma captura, destruição, comercialização desenfreada e que os tornam particularmente vulneráveis.”
Assim, em nível Constitucional, todos os animais foram igualmente tutelados, independentemente da espécie a que pertençam ou do habitat em que vivam. Noutro dizer, todos os espécimes integrantes da fauna brasileira, “nativos ou não, independentemente de qualquer classificação, espécie ou categoria, de sua ferocidade, nocividade ou mansidão, constituem bens ambientais integrantes dos recursos ambientais juridicamente protegidos” (CUSTÓDIO, 1998, p. 60-92).
Diante do exposto, fica evidente a importância da fauna para a manutenção do equilíbrio ecológico, o que é imprescindível à sobrevivência das espécies, inclusive do homem.
O Decreto Federal nº. 24.645/34, que ainda está em vigor, em seu art. 3º, I, diz que “consideram-se maus tratos praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal”.
O art. 225, § 1º, VII, da Constituição Federal, dispõe que “todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preserva-lo para as presentes e futuras gerações”, e que “para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”.
A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº. 9.605/98), em seu art. 32, considera crime contra a fauna “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, cuja pena é de “detenção, de três meses a um ano, e multa”.
Assim, diversas disposições legais, previstas na Constituição Federal e demais leis ou atos legais de caráter ambiental, têm por objetivo a proteção da fauna.
Nas vaquejadas dois vaqueiros correm a galope, cercando um animal em fuga, que tem sua cauda tracionada e torcida para que tombe ao chão.
Transcrevemos o que diz Policarpo Feitosa (apud BEZERRA, 2007, on line):
“Inclinados, quase deitados sobre o cavalo, cujo pescoço cingem com um braço, a outra mão estirada para diante e para baixo, já meio fechada como um gancho, buscam na corrida desenfreada o momento propício e rapidíssimo em que, segura a extremidade da cauda enrolada na mão, a rês esteja, entre um e outro contacto com a terra, de patas no ar. Então, firmando-se nos estribos, executam um movimento de tração, em que o jeito e a presteza são mais valiosos que a força. Desviando repentinamente da direção seguida e faltando-lhe o apoio do solo, o animal “arrastado” faz meia volta e rola desamparado por terra, descrevendo com as patas, se a derrubada a perfeita, um semicírculo no ar.”
Conforme parecer técnico emitido em 25 de julho de 1999 pela Dra. Irvênia Luiza de Santis Prada (apud LEITÃO, 2002, p. 23):
“Ao perseguirem o bovino, os peões acabam por segurá-lo fortemente pela cauda (rabo), fazendo com que ele estanque e seja contido. A cauda dos animais é composta, em sua estrutura óssea, por uma seqüência de vértebras, chamadas coccígeas ou caudais, que se articulam umas com as outras. Nesse gesto brusco de tracionar violentamente o animal pelo rabo, é muito provável que disto resulte luxação das vértebras, ou seja, perda da condição anatômica de contato de uma com a outra. Com essa ocorrência, existe a ruptura de ligamentos e de vasos sangüíneos, portanto, estabelecendo-se lesões traumáticas. Não deve ser rara a desinserção (arrancamento) da cauda, de sua conexão com o tronco. Como a porção caudal da coluna vertebral representa continuação dos outros segmentos da coluna vertebral, particularmente na região sacral, afecções que ocorrem primeiramente nas vértebras caudais podem repercutir mais para frente, comprometendo inclusive a medula espinhal que se acha contida dentro do canal vertebral. Esses processos patológicos são muito dolorosos, dada a conexão da medula espinhal com as raízes dos nervos espinhais, por onde trafegam inclusive os estímulos nociceptivos (causadores de dor). Volto a repetir que além de dor física, os animais submetidos a esses procedimentos vivenciam sofrimento mental.
A estrutura dos eqüinos e bovinos é passível de lesões na ocorrência de quaisquer procedimentos violentos, bruscos e/ou agressivos, em coerência com a constituição de todos os corpos formados por matéria viva. Por outro lado, sendo o “cérebro”, o órgão de expressão da mente, a complexa configuração morfo-funcional que exibe em eqüinos e bovinos é indicativa da capacidade psíquica desses animais, de aliviar e interpretar as situações adversas a que são submetidos, disto resultando sofrimento.”
Abusos também ocorrem antes de o animal ser solto na arena. Para que o bovino, manso e vagaroso, adentre a arena em fuga, o animal é confinado em um pequeno cercado, onde é atormentado, encurralado, espancado com pedaços de madeira, e submetido a vigorosas e sucessivas trações de cauda.
A natureza cruel das vaquejadas é atestada, ainda, pelas Regras das vaquejadas (2007, on line), onde se lê que “numa pista de 160 metros de comprimento com variações em sua largura, demarca-se uma faixa aonde os bois deverão ser derrubados. Dentro deste limite será válido o ponto, somente quando o boi, ao cair, não queimar a cal (material usado para demarcar as faixas), isso acontece quando o boi é puxado dentro da faixa e mostra as quatro patas antes de levantar-se ainda dentro das faixas de classificação. O boi que ficar de pé, em cima da faixa receberá nota zero de imediato” e que “o boi será julgado de pé. Deitado, somente caso não tenha condições de levantar-se” (grifo nosso).
Caudas arrancadas são comuns em vaquejadas. Conforme disposto no regulamento do “IV Potro do Futuro & IV Campeonato Nacional ABQM – Vaquejada”, realizado na cidade de Campina Grande – PB (2007, on line):
“REGULAMENTO DO IV POTRO DO FUTURO ABQM DE VAQUEJADA
Disposições Gerais para o IV Potro do Futuro de Vaquejada
[...]
E – Caso o rabo ou a maçaroca do boi parta-se no momento da queda, e o boi não cair, o mesmo será julgado de acordo com os critérios abaixo, tanto na fase de classificação como na fase final:
- Primeira quebra: caso o boi não caia, a dupla competidora terá direito a um boi extra;
- Segunda quebra: o boi será julgado, caindo ou não; a dupla competidora não terá direito a boi extra;
- Terceira quebra: a dupla competidora terá nota zero, independente do julgamento do boi.”
De acordo com Geuza Leitão (2007, on line), presidente da UIPA – União Internacional Protetora dos Animais, a vaquejada é crueldade contra animais:
“É crime previsto no Art. 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/1998) e Art. 225, § 1º, VII da Constituição Federal. Estudos da UIPA e pareceres de médicos veterinários dão conta da violência e dor sofridos pelos animais numa vaquejada. Contudo, não são divulgados para o publico os métodos cruéis utilizados para ocasionar a corrida dos bois, mas sabe-se de seu confinamento prévio por longo período, a utilização de açoites e ofendículos, a introdução de pimenta e mostarda via anal, choques elétricos e outras práticas caracterizadoras de maus-tratos.”
Segundo a veterinária Gerlene Castelo Branco (2007, on line), presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Ceará:
“De acordo com a Lei nº. 9.605, de 1998, artigo 32, considera-se crime de crueldade, este tipo de tratamento dado aos animais em vaquejada. Os animais, como os seres humanos, são dotados de emoções, como amor, raiva, ansiedade, ciúmes, medo e principalmente a dor. Cadê a superioridade dos seres humanos? Onde está o respeito ao próximo e aos animais? Coloquem-se só por um minuto no lugar deles! Existem outras formas de se divertir. Pois numa diversão todos deveriam sair ganhando!”
Afirma a Procuradora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio ao Meio Ambiente (Caomace), Sheila Pitombeira (2007, on line):
“Vaquejada, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é o ato de juntar o gado espalhado nos campos para a apartação de reses, ferra, etc., e devolução aos donos. Ou, torneio onde os vaqueiros demonstram suas habilidades na derrubada de novilhos. Melancolicamente, a competição diverte exatamente na demonstração das habilidades do vaqueiro (peão) em derrubar e arrastar o animal, exibindo-se ao público como exímio dominador. Se essa conduta caracterizar prática de abuso (excesso) e maus-tratos (castigos imoderados), talvez seja melhor não mais consultar os dicionários.”
Assim, a ocorrência de crueldade contra os animais é indissociável da prática. Porém, medidas estão sendo tomadas.
A 18ª Vaquejada de Serra do Ramalho (BA) foi cancelada por determinação da Justiça. O juiz Roberto Wolf determinou o impedimento da vaquejada por causa dos maus-tratos que os animais sofrem neste tipo de competição. Ele aceitou o pedido do promotor Beneval Mutim em uma ação cautelar.
O promotor alegou que os animais são constantemente vítimas de maus-tratos, sofrem luxações, hemorragias internas e se apavoram com os vaqueiros.
A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) firmou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o empresário José Raul Alkmin Leão, proprietário do Parque do Grupo Leão Vaquejada. Acordo foi motivado por representação feita pela Associação Protetora dos Animais do Distrito Federal, ProAnima, entregue ao MPDFT ano passado, e foi estabelecido especificamente para a festa “O Maior São João de Brasília”, realizada na cidade satélite Recanto das Emas. De acordo com o documento, para cada infração cometida, será devida multa de R$ 20 mil.
Pelo acordo firmado, o empresário comprometeu-se a adotar todas as medidas necessárias para evitar maus-tratos e atos considerados cruéis aos animais expostos em rodeios, vaquejadas e eventos semelhantes na área conhecida como Parque de Vaquejada do Grupo Leão.
Os argumentos feitos pela ProAnima na representação são de que qualquer vaquejada implica, necessariamente, em maus-tratos. Para Simone de Lima (2007, on line), consultora da ProAnima, “a regra da vaquejada é lançar um animal em movimento desesperado e laçá-lo ou puxá-lo pelo rabo.
No momento do lançamento ele recebe um solavanco e cai para trás”. Segundo ela, não existe possibilidade do animal não se ferir neste processo.
“É uma questão de física dos corpos, antes de ser uma questão de fisiologia. Não se estanca um corpo em movimento, em alta velocidade, sem lhe provocar lesões”, explica.
“Assim, se é dever do Poder Público a preservação/proteção da fauna, não pode este tolerar (omissão) e, muito menos “autorizar” (ação), ainda que por lei, atividade atentatória à fauna”, conforme muito bem ressaltado pelos Promotores de Justiça Marcos Tadeu Rioli e Fausto Luciano Panicacci, em agravo de instrumento interposto em face de decisão que reconsiderou e revogou liminar anteriormente concedida nos autos do processo nº. 561/05, da 2ª Vara da Comarca de Mococa.
<strong>CONCLUSÃO</strong>
Por todo o exposto, verifica-se nas vaquejadas um completo desrespeito pelos animais, o que afronta o disposto no art. 225, § 1º, VII, da Constituição Federal e demais leis ou atos legais de caráter ambiental. Dessa forma, são práticas ilegais e inconstitucionais, realizadas sob o falso véu de manifestações das culturas populares, devendo ser coibidas com rigor pelo Poder Público e pela coletividade.
Referências (Livros):
CAMARA CASCUDO, Luis da. A vaquejada nordestina e sua origem. Natal: Fundação José Augusto, 1976. FIORILLO, Celso
Antônio Pacheco. Curso de direito ambiental brasileiro. 8. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2007. FREITAS, Vladimir Passos de;
FREITAS, Gilberto Passos de. Crimes contra a natureza. 6. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000.
LEITÃO, Geuza. A voz dos sem voz, direito dos animais. Fortaleza: INESP, 2002.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito ambiental brasileiro. 10. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Malheiros, 1998.
PRADO, Luiz Regis. Crimes contra o ambiente: anotações à Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. 2. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
SATRIANI, Luigi M. Lombardi. Antropologia cultural e análise da cultura subalterna. São Paulo: Hucitec, 1986.
<strong>Documentos jurídicos:</strong>
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1988.
__________. Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.
__________. Lei nº. 7.347, de 24 de julho de 1985. Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (VETADO) e dá outras providências.
__________. Lei nº. 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.
<strong>Periódicos:</strong>
BEZERRA, José Fernandes. No mundo do vaqueiro. Disponível em: http://www.barcelona.educ.ufrn.br/mundo.htm
CUSTÓDIO, Helita Barreira. Crueldade contra animais e a proteção destes como relevante questão jurídico-ambiental e Constitucional. Revista de Direito Ambiental, São Paulo, n. 10, p. 60-92, 1998.
KAMEI, Karina Keiko. Alguns fundamentos para a efetiva proteção dos animais utilizados em rodeios. Disponível em: http://www.mp.sp.gov.br/pls/portal/docs/PAGE/CAO_URBANISMO_E_MEIO_AMBIENTE/BIBLIOTECA_VIRTUAL/TESES_DE_CONGRESSOS/DR%20KARINA%
MAGALHÃES, Cláudia. Vaquejadas viram “indústrias” milionárias. Disponível em http://www.paginarural.com.br/noticias_detalhes.asp?subcategoriaid=19&id=19431
REGRAS das vaquejadas. http://www.vaquejadas.com.br/regras/
Regulamento do IV Potro do Futuro ABQM de Vaquejada. Disponível em http://www.anqm.org/eventos/2006_potrofuturovaquejada/circular.pdf
<strong>Sem laço</strong>: Justiça proíbe vaquejada por causa dos maus-tratos. Disponível em http://conjur.estadao.com.br/static/text/56589,1
VAQUEJADA: MPDFT e empresário assinam TAC. Disponível em: http://www.wspabrasil.org/newsletter/julho-2007/newsletter-julho-2007.asp?nid=27&type=iview
VAQUEJADA é crueldade contra animais? Disponível em http://www.opovo.com.br/opovo/opiniao/630544.html
02.09.2009
Cidadania, Diversos, Notícias Deixe o seu comentário

A pedofilia é um crime terrível que tem devastado vidas e acabado com a infância de milhares de crianças em nosso país, o Senador evangélico MAGNO MALTA PR/ES tem feito um excelente trabalho à frente da CPI que combate a PEDOFILIA, mas ele precisa de toda nossa ajuda e apoio, vamos fazer nossa parte divulgando o site www.todoscontrapedofilia.com.br e se tomar conhecimento do abuso ou exploração sexual de alguma criança DENUNCIE!

24.08.2009
Cidadania, Cultura, Diversos, Testemunhos Deixe o seu comentário

Confira a entrevista:
“A conversão a Deus, antes de justificar um beneficio, deveria, assim, ser causa até de extinção da punibilidade, para não dizer de prescrição”.
Esta é uma das afirmações da sentença do juiz Jurandir de Souza Oliveira do julgamento, em 1984, de um réu acusado do roubo reincidente de um toca-fitas, uma pendência judicial de um passado sem Cristo.
Convertido ao Evangelho de Cristo, o réu atuava como missionário. A sentença, além de inusitada, mudou a vida profissional e pessoal do juiz que tornou-se pastor e atualmente é Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Biblia Online Com argumentos pouco utilizados no meio legal, Dr. Oliveira evidencia os testemunhos de familiares, do empregador e do pastor do réu, que observaram sua transformação após a conversão ao Evangelho.
“Enfim, a regeneração do réu a partir do perdão de Jesus Cristo, como mencionou o pastor é capaz de libertá-lo (Jo 8.36). Como juiz, não posso, a pretexto de cumprir a lei (no caso a sentença), desacreditar em tantos testemunhos da mudança de vida do réu e, só porque não tem mais de 70 anos e não é do sexo feminino, como obtemperou o Dr. Promotor de Justiça, negar-lhe o beneficio”.
Dr. Oliveira cita ainda em sua sentença, o exemplo do apóstolo Paulo, que teve sua vida transformada pelo “encontro com Cristo”: “Nesta seqüência de raciocínio, vale observar certo trecho da segunda carta do apóstolo Paulo aos moradores do Corinto:
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é as coisas velhas já passaram eis que tudo se fez novo” (II Co 5.17). -4- recebeu dele o perdão, com estas palavras: “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” (Jo 8.11).
A conversão a Deus, antes de justificar um benefício, deveria, assim, ser causa até de extinção da punibilidade, para não dizer de prescrição”. Apesar da apelação do Ministério Público contra a decisão do juiz de conceder ao réu albergue domiciliar, um “acordão” da Primeira Câmara do Tribunal de Alçada Criminal, em votação unânime, confirmou a decisão do Dr. Oliveira, face ao testemunho de pessoas próximas ao réu e o caos do sistema penintenciário brasileiro.
Confira a entrevista do juiz, concedida à revista Renovação da Fé; a sentença; e o acordo da Primeira Câmara do Tribunal de Alçada Criminal.
Entrevista:
RF – Senhor pastor e desembargador, a entrevista que concedeu a esta revista no final do ano passado teve uma repercussão muito grande, devido ao seu testemunho pessoal e à sua carreira política. Teria algum fato marcante para contar relacionado à sua vida profissional e cristã ?
JSO – Vivi algumas experiências quando era juiz titular da 2ª Vara de Andradina. Na época, cuidava de 10 mil processos envolvendo matéria criminal, cível, família, comercial, tributária e questões relacionadas a menores. E não apenas isso, tinha, ainda, a responsabilidade de julgar os processos da Justiça Federal e do Trabalho.
RF – O senhor poderia falar, resumidamente, sobre essas experiências ?
Sim. Por três vezes, tinha pedido ao Tribunal remoção para outras comarcas mais próximas da capital, mas os meus pedidos foram negados, porque eu não tinha o estágio de dois anos exigido para esse tipo de transferência. Mas um episódio ocorrido na ocasião fez toda a diferença. Um rapaz havia sido condenado naqueles dias, por furto de um toca-fitas, por um colega que me auxiliou antes da minha chegada à comarca. Como era reincidente (anos antes, fora condenado, em outra comarca, pelo mesmo crime), o juiz não concedeu a suspensão condicional da pena (sursis) e muito menos recorrer em liberdade. A polícia estava atrás do rapaz para prendê-lo. Fiquei sabendo do caso por meio de dois pastores de uma igreja local. De maneira enfática, disseram-me que aquele rapaz havia se convertido a Jesus Cristo e se tornara uma nova criatura, abandonando a vida de drogas e crime. Agora, com o novo nascimento, era um dos missionários mais atuantes daquela igreja, indo de casa em casa pregar o evangelho. Assim, sua prisão seria um escândalo para os fiéis e um descrédito para a igreja, que fazia um trabalho extraordinário de recuperação de viciados.
IMR – E o que foi feito ?
O advogado do rapaz fez um pedido de prisão albergue domiciliar (PAD) e instruiu o procedimento com muitos documentos e declarações de familiares, que confirmaram a sua mudança de vida. O pastor da igreja também atestou sua conversão e atuação como missionário evangelista. Contou, ainda, com o testemunho das pessoas evangelizadas por ele e da empresa onde trabalhava como tesoureiro e desfrutava de toda confiança. Foi por meio do poder de urna oração que aquele rapaz conseguiu se libertar do jugo de Satanás. Durante a intercessão, vomitou “coisas horríveis”. Aceitou Jesus Cristo como seu único e suficiente salvador e a sua vida foi transformada. Nomeei dois médicos da cidade para examiná-lo e o resultado constatou que ele não era perigoso. Como não havia um dispositivo expresso na Lei que autorizasse o meu pedido, fui examinar a Bíblia e me convenci da mudança de vida do condenado. Debaixo dessa convicção, entendi que deveria conceder o benefício de maneira excepcional, com base no princípio da razoabilidade. Seria uma forma de atuação de política criminal mais benéfica para o réu.
IMR – O que isso representou para a sua vida profissional ?
Mudou a minha maneira de enxergar o ser humano e me aproximou mais de Deus. Fiz a audiência admonitória no dia 28/06/84, no final da tarde, para explicar ao réu as condições do beneficio. Lembro-me de que, no começo da audiência, dirigi-me ao réu e lhe disse que aquela foi uma forma que encontramos para prendê-lo (apenas para sentir a sua reação). Sua resposta, até hoje, emociona-me: “Se for esta a vontade do meu Deus, estou pronto, doutor”. Não tive dúvida quanto à mudança devida daquele homem.
IMR – Quanto tempo o senhor ficou em Andradina? Naquela mesma tarde, voltei para São Paulo (onde morava), porque, na segunda-feira, entraria de férias na comarca e estava convocado para trabalhar na Vara das Execuções Criminais e Corregedoria da Policia Judiciária em São Paulo. Pelo menos um mês, evitaria as viagens semanais longas. Mas, quatro dias depois, fui designado para fazer uma correição extraordinária na penitenciária de Presidente Venceslau, onde passei quase 15 dias, num trabalho cheio de incidentes, ameaças etc, que me valeu um tratamento de úlcera nervosa durante um ano. Tive, também, de mudar o número do meu telefone, por causa das ameaças, e os meus filhos da escola. Por causa desse trabalho, que teve muita repercussão na época e foi alvo de reportagens nos grandes jornais, tive audiência reservada com o corregedor-geral da Justiça e com o presidente do Tribunal de Justiça, que reconheceram o esforço e a satisfação dos resultados. No final do mês, fui designado, em caráter excepcional, para auxiliar em todas as Varas do Fórum de Pinheiros. Voltei a Andradina dezesseis anos depois para visitar a Casa do Menor que criei, cujo sonho se tornou realidade.
IMR – Alguém recorreu de sua sentença ?
Sim, o Ministério Público. Mas o E. Tribunal de Alçada Criminal, por votação unânime, negou provimento ao recurso, confirmando aquela decisão como a melhor maneira encontrada. Por causa deste caso, minha vida espiritual também mudou. Doze anos depois, fui ordenado pastor. O juiz-relator daquele recurso também se tornou cristão e, anos mais tarde, foi ordenado pastor de uma Igreja Batista. Atualmente aposentado, mora em Atibaia, onde exerce o seu ministério pastoral. O rapaz condenado, em 1999, até quando acompanhei sua vida, continuava trabalhando na recuperação de drogados, numa grande instituição na cidade de Americana. Enfim, creio que Deus me enviou àquela cidade e me inspirou para dar aquela decisão. Também providenciou outra pessoa para ser o relator do recurso. Fez isso para manifestar a sua glória e o seu poder. Usou estratégias do céu para que eu fosse transferido. Louvado seja o nome do Senhor!
IMR – Poderíamos publicar esta sentença, como um testemunho de mudança de vida?
De minha parte, não vejo problema, apenas peço que sejam omitidos os dados do processo e os nomes, resumindo no que for possíveis conteúdo da decisão.
Sentença PODER JUDICIÁRIO COMARCA DE ANDRADINA “FÓRUM HOMERO RODRIGUES SILVA” 2ª Vara – (omissis)
A SENTENÇA
Fulano de tal (omissis), nos autos da Ação Penal que lhe moveu a Justiça Pública (proc. Nº omissis), foi condenado como incurso no art. 155 “caput” do Código Penal, a (1) ano e (2) meses de reclusão e multa de CR$ 1.200,00 e a cumprir (2) anos de medida de segurança por ser reincidente, nos termos do art. 78. IV do estatuto penal repressivo. Antes mesmo de ser intimado da sentença, estando o mandado de prisão para ser cumprido, aparelhou seu patrono o presente pedido de PRISAO ALBERGUE DOMICILIAR alegando, em síntese, que apesar de ter sido condenado anteriormente duas vezes, foi beneficiado com o livramento condicional; está trabalhando e mudou completamente a sua vida, graças a sua conversão a Jesus Cristo, por intermédio de um pastor evangélico da Igreja (omissis), onde agora congrega e, liberto dos vícios e regenerado de sua personalidade criminosa, passou a pregar o evangelho a outras pessoas, ensinando-lhes o caminho da salvação.
Em suporte de seus argumentos, instruiu o pedido com declaração de seu empregador, parentes, vizinho e, inclusive, do pastor da Igreja que atesta sua “nova vida”, todos corroborando a transformação. O Dr. Promotor de Justiça requereu primeiramente o exame de cessação de periculosidade do réu, o que foi feito, manifestando-se os peritos favoravelmente ao benefício.
Outro órgão do Ministério Público, entretanto, discordou da concessão por não ser o réu maior de 70 anos ou do sexo feminino. É o relatório, agora decido (omissis).
Assim avaliados os fatos, o regime aberto, no caso do requerente, não é incompatível, sob qualquer ângulo que se observe os diversos incisos do artigo 53 da Lei Estadual n 1.819, de 30 de outubro de 1.978, notadamente a previsão de seu § 1°.
O réu tem residência fixa nesta cidade e emprego (fls. 5 e 8), privilégio aliás, reservado a uma minoria, nestes dias difíceis, fatores que devem ser considerados no deslinde do pedido.
O pastor (omissis), da Igreja (omissis), desta cidade de Andradina, entidade que tem recuperado inúmeros marginais, segundo é de conhecimento público, revela em sua missiva ao Juízo (fls. 9/11) a dramática situação em que se encontrava o réu e a maneira como o poder de Deus o atingiu, quando ajoelhado, recebeu uma oração. Em certo trecho, menciona o
Reverendo: – 2 – “Quando começamos a orar, algo estranho e glorioso entrou naquela casa e naquela vida. Ele começou se sacudir todinho e um fogo sobrenatural queimava-o por dentro e por fora, conforme testemunho dele. Ele começou a vomitar e saía coisas feias e horríveis de dentro dele, era a libertação. Deus havia aceitado o seu arrependimento e agido poderosamente. Eu estava presenciando um grande milagre…
Daquele dia em diante (omissis) passou a ser um novo homem. A fisionomia era outra! A roupa era outra. O cabelo alinhado e decente.., à noite ele já estava na igreja pela primeira vez. Segundo disse, sentia tão bem, que era como se estivesse no céu, tal era a sensação de gozo, paz e bem Ele havia nascido de novo.
(omissis) A importante declaração desta autoridade religiosa vem confirmada pelo testemunho de sete parentes do réu (fls. 18/19), que, antes, tudo fizeram para recuperá-lo, sem sucesso. Também os amigos e vizinhos atestam esta transformação (fls. 14/17). Mas é o réu quem, de próprio punho (fls. 12/13), narra a sua experiência com Deus:
“Hoje, envergonhadamente, lembro do meu passado, quanto fui indesejável perante a sociedade, das minhas atitudes que comprometiam, e muito. Era um verdadeiro germe da sociedade… é urna realidade muito triste, mas eu era um discípulo do diabo. Foi quando Deus teve misericórdia de mim. Mas para eu sair daquele lamaçal pecaminoso Cristo teve de me reduzir a pó, fez-me descer ao mais baixo degrau que um ser humano pode atingir. Ou melhor, tornei-me um farrapo humano.
O atual empregador (fl. também atesta a mudança na vida do réu. São os próprios parentes, que outrora sofriam as conseqüências “na carne”, que testemunham, entre outros, a transformação do réu! atribuindo tal acontecimento ao seu encontro com Deus, de resto minuciosamente relatado pelo reverendo da igreja onde o réu passou a ser um dos fiéis mais fervorosos.
E a Escritura Sagrada está repleta de exemplos, dando conta das milhares de vidas que têm sido mudadas por meio de um “encontro com Deus”.
Até mesmo Saulo, famoso – 3- persequidor e matador de cristãos teve seu encontro, convertendo-se, quando, no caminho de Damasco, seguia para novo massacre de fiéis (Atos, cap. 9), transformando-se no grande apóstolo Paulo ou apóstolo dos gentios, cujo nome emprestou ao nosso Estado de São Paulo.
Não causa, aliás, nenhuma estranheza o fato do réu ter encontrado em Jesus a sua libertação. Basta meditar nas palavras proferidas por Jesus a Tomé:
“Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).
Ora, isto significa que não basta a religião – ela pode ser o instrumento – é necessário aceitar Jesus, como Ele mesmo registrou: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).
E, ainda: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3.20) E completa: ?
Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jô 14.23).
Nesta seqüência de raciocínio, vale observar certo trecho da segunda carta do apóstolo Paulo aos moradores do Corinto:
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é as coisas velhas já passaram eis que tudo se fez novo” (II Co 5.17).
Não se duvida, pois, que o réu tenha tido este encontro e passado por esta transformação prometida pelo divino Mestre, encontrando nova vida.
E somente ele pode saber a extensão desta .experiência e a sinceridade de sua conversão. De qualquer modo, pior será para ele, se mentindo, retornar à vida antiga, onde a cadeia o espera e, na vida espiritual, o desastre será então muito mais grave, como adverte ainda São Paulo: dá graça tendes caído” (Gl 5.4).
Ora, o réu pede o beneficio de prisão albergue domiciliar, por fato cometido quando ainda vivia no mundo do crime, proclamando sua conversão a Cristo à conseqüente mudança de vida. Tenho para mim, que o Juiz recebeu do Criador uma parcela de seu poder, para julgar seus semelhantes. E Nele deve se batizar, Observando Jesus, notamos que muitos foram os que, ao procurá-lo, receberam o perdão até de crimes. Não é demais lembrar a passagem da mulher adúltera, quando perseguida para o apedrejamento (em cumprimento da lei), esbarrando com Jesus, -4- recebeu dele o perdão, com estas palavras:
“Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” (Jo 8.11).
A conversão a Deus, antes de justificar um beneficio, deveria, assim, ser causa até de extinção da punibilidade, para não dizer de prescrição. E o que dizer da lição do calvário, quando Dimas (coincidentemente um ladrão) pendurado no madeiro, admoestando outro malfeitor, reconheceu em Jesus seu salvador e aceitando-o, fez este pedido:” Lembra-me de mim, quando entrares no teu reino”.
A atitude do Mestre não foi de condenação, mas, lançou ali o seu perdão ao responder: “Em verdade te digo que hoje entrarás comigo no Paraíso”(Lc 23.42,43).
Enfim, a regeneração do réu a partir do perdão de Jesus Cristo, como mencionou o pastor é capaz de libertá-lo (Jo 8.36).
Como juiz, não posso, a pretexto de cumprir a lei (no caso a sentença), desacreditar em tantos testemunhos da mudança de vida do réu e, só porque não tem mais de 70 anos e não é do sexo feminino, como obtemperou o Dr. Promotor de Justiça, negar-lhe o beneficio.
Seria desacreditar no próprio Deus e transformar o atual paraíso do réu no inferno da prisão, portanto, trazê-lo de volta ao calvário e aumentar o seu suplício. Além do mais, como já registrado, o benefício encontra apoio na lei e poderá ser revogado a qualquer tempo se o réu descumprir as condições (art. 73 da Lei n°1.819/78).
Ante o exposto e por tudo o mais que consta dos autos, e como medida de política criminal, concedo ao réu os benefícios da prisão albergue domiciliar. Mediante as seguintes condições:
a) proibição de ingestão de bebidas alcoólicas ou substâncias entorpecentes;
b) pagamento das multas e custas em que ficou condenado em todos os processos, a ser comprovado no prazo de (30) dias;
c) comparecimento trimestral em Juízo, comprovando o efetivo exercício do trabalho e a satisfação dos encargos familiares;
d) comprovar mensalmente, por declaração da Igreja, sua frequência regular aos cultos e perseverança na fé;
e) submeter-se à entrevista trimestral de assistência social, que deverá elaborar relatório de sua conduta no lar e no trabalho, como sugerido pelos ilustres ritos no exame de cessação de periculosidade.
Para audiência de advertência designo desde já o dia 28 de junho p.f. às 15h.
P.R.I. Andradina, 19 de junho de 1.984. JURANDIR DE SOUSA OLIVEIRA Juiz de Direito da 2ª Vara
Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos de APELAÇÁO Nº (omissis), da comarca de ANDRADINA, em que é apelante a JUSTIÇA PÚBLICA, sendo apelado (omissis):
A COR DA M em Primeira Câmara do Tribunal de Alçada Criminal, por votação unânime, negar provimento ao peIo. Recorre a Justiça Pública contra a respeitável decisão do MM. Juiz de Direito da Comarca do Andradina que concedeu a prisão albergue domiciliar a (omissis).
Vieram as razões e contra-razões de apelação e o parecer da Douta Procuradoria Geral da Justiça pronunciando-se pelo provimento do apelo para, quando muito, deferir-se o albergue a ser descontado em cela especial da cadeia pública local.
É o breve relatório.
O Ilustre Representante do Ministério Público em Andradina pretende seja confinado o apelado ao sistema de albergue, cancelado o cumprimento em residência particular por não se cuidar de maior de 70 anos e nem das demais hipóteses previstas em lei por ser homem e não do sexo feminino.
A respeitável sentença se baseou em diversas declarações, de vizinhos e patrão, de parente e de um pastor evangélico que atestam a plena recuperação do sentenciado, aferida, ainda, por perícia realizada por médicos afamados da comunidade e que indicaram cumprimento em regime aberto corno o mais indicado para o desconto da pena. É indisputável que a pena tem por finalidade a recuperação social do preso e sua readaptação à vida comunitária, procurando torná-lo útil à sociedade.
Tal fim já foi alcançado pelo que vem demonstrado na respeitável sentença atacada.
Demais disso preenche o apelado as condições estabelecidas na lei de execução penal (artigo 115, Lei nº 7.210/84) para o deferimento de seu pedido. É bem verdade que não preenche os requisitos previstos no artigo 117 dessa lei.
Contudo, em face da balbúrdia carcerária em que se encontra mergulhado o sistema penitenciário do Estado mormente agora após a destruição quase total da Casa de Detenção, com a necessidade da remoção de presos para vários presídios do interior, o deferimento da pretensão do apelado pela respeitável decisão atacada se afigura a forma mais adequada de cumprimento da pena imposta ao sentenciado.
E bem verdade que não ficou demonstrada a inexistência de vaga para o cumprimento da pena em regime aberto. -2- Contudo, dada a situação carcerária no Estado, como já se acentuou, dispensável a demonstração desse fato.
Assim e em caráter excepcional, tem-se como o mais adequado regime de cumprimento de pena o encontrado pela respeitável sentença atacada, que fica mantida nos seus fundamentos acrescidos dos expendidos nesta sede.
Em suma, nega-se provi mento ao apelo.
Participaram do julgamento, além do infra-assinado, os Srs. Juizes Gustavo Uhlendorff e Dias Tatit.
São Paulo, 11 de abril de 1985. VEIGA DE CARVALHO Presidente e Relator Apelação nº (omissis) Ação nº /83 (omissis) – 2º Ofício – Andradina
Fonte: Renovação de Fé Postado por Informe Jurídico & Outros
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