Parábola do odre de vinho


(Jr 13:12-14)

O odre é feito de pele de animais e comporta líquidos de todos os ti­pos. Quando Jeremias contou essa parábola, ela não foi compreendida pelos ouvintes. O significado é que, assim como o vinho embriaga, a ira e os juízos de Deus entregariam o seu povo desobediente a um estado de perturbação irremediável, fazendo-o apressar-se em direção à própria ruína.”… bêbados, mas não de vinho” (Is 29:9) —uma impotência e uma confusão, como as da embriaguez, atingiriam o povo (25:15; 49:12; v. Is 51:17,22; 63:6).

O profeta recebeu ordens de pro­clamar a “todos os habitantes desta terra” a sua enigmática mensagem, a qual, em parte por assombro, em parte por zombaria, eles haveriam de rejeitar: “Não sabemos disso? Por que precisamos ouvir dos lábios de um profeta?”. Independentemente da posição ocupada, todos seriam despedaçados como se quebra um vaso, porque não se lamentaram nem se humilharam por causa do seu pecado (SI 2:9; Ap 2:27). O reino de­cadente estava à beira da ruína, e todos os laços que uniam a socieda­de seriam quebrados. O orgulho na­cional de Judá estava arruinado com o cerco do seu próprio pecado (Jr 13:9), como o cinto podre e o odre despedaçado vividamente retratam. A humilhação sofrida deveria ter resultado na adoração do Senhor Deus, mas não confessaram a sua culpa. Quão triste ficou Jeremias quando viu o rebanho do Senhor le­vado ao cativeiro!

Duas figuras de linguagem ex­pressivas são usadas em referência ao terrível exílio de um povo deso-bediente e degenerado.

1. O etíope e o leopardo. Os hábi­tos podem-se tornar tão naturais que parecem fazer parte de nós. O persistente pecado de Judá estava por demais enraizado para que pu­desse haver uma reforma espontâ­nea. Assim como o etíope não podia mudar a cor escura de sua pele, nem o leopardo erradicar suas manchas, também era impossível aos degene­rados judeus abandonar seus hábi­tos pecaminosos inveterados. Esta­vam tão presos aos seus maus ca­minhos, que nada restava, senão o mais extremo castigo, o qual expe­rimentaram quando foram levados para o exílio.

2.  … o restolho que passa arreba­tado pelo vento. Por restolho deve­mos entender “as canas de milho deixadas no campo pelo ceifeiro”. Esse restolho quebrado estava sujeito a ser carregado pelo primeiro ven-daval (Is 40:24; 41:2). Os ventos do deserto varrem tudo e não há obstá­culos que os detenham. A solene apli­cação desse símile é que o castigo corresponde à perversidade do povo. “Como seus pecados foram cometi­dos nos lugares mais públicos, Deus declarou que os exporia ao franco desprezo das outras nações” (Lm 1:8). Talvez a irremediabilidade da condenação seja abrandada pela per­gunta: “Ficarás limpo? Quando?”. Embora Jeremias aparecesse para negar a possibilidade de que tão lon­go endurecimento no pecado fosse purificado tão depressa, havia, con­tudo, a esperança de que o leopardo pudesse mudar as suas manchas. “Nada há que te seja demasiado di­fícil” (Jr 32:17; Lc 18:27; Jo 1:7).

Herbert Lockyer.

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