Parábola do cinto apodrecido


(Jr 13:1-11)

 Ellicott não acredita que haja sig­nificado parabólico nessa e em ou­tras representações figuradas da verdade: “Não há absolutamente nenhum fundamento em considerar o cinto uma visão ou parábola, as­sim como também não há razão em considerar o uso simbólico da ‘botija de oleiro’ (19:1), ou das ‘brochas e canzis’ (27:2), ou do fato de Isaías andar ‘nu e descalço’ (Is 20:2)”. Mas, usando o termo parábola no sentido mais amplo, é evidente que Jeremias recebeu ordens de encenar mais uma parábola sobre o trato de Deus com o seu povo rejeitado. Essas ações fi­guradas não existiam só na mente de Jeremias, como parte de uma vi­são interna; também se materializa­ram numa encenação.

A frase inicial da parábola, “As­sim me disse o Senhor”, mostra o mé­todo divino de revelação, a saber, en­sinar aos homens pelo homem. Deus depositou o seu tesouro em vasos de barro para que toda a glória fosse para ele. Aqueles a quem ele esco­lheu e que resolvem transmitir a mensagem divina aos homens são “homens […] sujeitos às mesmas pai­xões” (At 14:15; 2Co 4:7). Além dis­so, permite-se às vezes que os cha­mados para instruir sofram pela ver­dade que declaram. Jeremias teve de comprar e mesmo usar o cinto até quase cheirar mal, para depois diri­gir-se ao Eufrates e escondê-lo numa rocha. O profeta teria de extrair o completo significado do cinto antes de lançá-lo fora. Posteriormente, os apóstolos sofreram pelo nome que pregavam.

O cinto de Unho. Esse componen­te da veste sacerdotal de Jeremias (Êx 28:40; Lv 16:4) era significati­vo na interpretação da parábola encenada. Sendo branco, a cor relembrava aos israelitas o caráter santo que deveriam apresentar como “nação santa” (Êx 19:6; Ap 19:8). Is­rael, como cinto do Senhor, fora es­colhido para um propósito sagrado. A “aquisição” ou “compra” do cinto também lembra aos judeus que eles foram redimidos ou comprados por Deus.

põe-no sobre os teus lombos. Esse ato complementar denota a grande intimidade com que o Senhor atara Israel e Judá a si (13:1,2,11). Deveriam ser “um povo chegado ao Senhor”. O cinto era também parte ornamental das vestes dos sacerdo­tes orientais: “cheio de beleza e de glória ” (Is 4:2). Do mesmo modo, Is­rael fora escolhido para glorificar ao Senhor diante das nações da terra (Jr 13:11). Nosso propósito supremo não é glorificar a Deus? Assim como o cinto, atado ao corpo de quem o usa, aumenta a sua resistência, Israel foi destinado a ser uma potência para Deus, testemunhando de seu nome.

não o metas na água. Os sacer­dotes antigos jamais podiam esque­cer-se de sua santa vocação. Além do coração limpo, deveriam ter um cor­po puro; por isso os levitas sempre lavavam o corpo e as vestes. A proi­bição excepcional aqui representa a imundície moral de Israel, que se tornou como a sujeira de uma vestimenta usada constantemente sobre a pele, sem ser lavada. Quan­to mais Jeremias usava o cinto sem lavá-lo, pior ficava. O cinto não la­vado, então, simbolizava a ausência da “água limpa” do arrependimento (Ez 36:25; v. Zc 3:3).

esconde-o ali na fenda de uma rocha. Por causa da corrupção e da falta de arrependimento do povo, este seria preso em penhascos (13:17). Tecido para ter um nobre uso, o cinto deteriorado e podre foi colocado na fenda de uma rocha, descartado por ser inadequado para o seu propósito. Também Judá, falhando em sua san­ta e honrosa missão, tornou-se cati-

vo. Como um cinto na rocha, os ju­deus foram expostos às más influên­cias das nações pagas ao redor, às quais não poderiam resistir.

Ao fim de muitos dias […] o cinto tinha apodrecido. O intervalo pode ter sido de setenta dias —”símbolo perfeito dos setenta anos de exílio que o ato de esconder o cinto junto ao Eufrates representava (v. 13:18-22; Os 3:4). O cinto maculado, dete­riorado, inútil era uma parábola do estado de Judá após o exílio, despro­vido de toda a sua grandeza exteri­or, sem o lugar que ocupava entre as nações da terra”. Ainda que a digni­dade de Judá e de Jerusalém tenha sido grande, eu vou desfigurá-la. O tempo fez com que o cinto se tornas­se impróprio para uso, “sem nenhu­ma serventia”, símbolo de como os judeus se corromperam com os vizi­nhos pagãos e idolatras, deixando de atuar como testemunhas de Deus, sendo assim jogados fora, como um cinto podre, estragado e inútil. Quão sentenciosa é a lição dessa parábola para o seu coração e para o meu! “… se o sal se tornar insípido […] Para nada mais serve” (Mt 5:13).

Herbert Lockyer.

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